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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós,
vamos aprender a resistir de verdade em 2019?
Postado em 11 de janeiro de 2019 [http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-
de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/] por Ivana Moura.

Renata Carvalho, ao centro, e algumas peças que saíram do JGE em protesto contra a censura: Altíssimo, Solo de
Guerra, Palhaçaria, Carne ou Vodka (E); Espere o Outono, Alice; Antílope, Violetas da Aurora, Meia-Noite

Atualizado em 14/01/2019
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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

 
Esse Janeiro não será igual àquele que passou… parodiando uma antiga marchinha de Carnaval. O Janeiro de Grandes Es-
petáculos – Festival de Artes Cênicas e Música de Pernambuco começou na última terça-feira (8) com um chamado irresistí-
vel para acompanhar o cantor e compositor Getúlio Cavalcanti. Um passeio pela obra lírica do autor de frevos de bloco.
O Teatro de Santa Isabel estava lotado. Mas havia qualquer coisa no ar, um desassossego. Ou, como relatou um repórter
na imprensa recifense, um clima tenso. Não houve protesto, como foi anunciado por alguns artistas nas redes sociais.
Desde a exclusão da montagem O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, pelo próprio festival, o JGE abriu espaço
para uma série de críticas e protestos, inclusive com a saída de várias montagens pernambucanas em solidariedade.

O show / baile de Carnaval batizado de Acervo Lírico, com o autor d’O último regresso, O Bom Sebastião e outros clássicos
e seus convidados iniciou festivamente a 25ª edição do evento, embora essas músicas carreguem um tom de melancolia.

Antes do show, as homenagens. Desta vez, foram cinco os escolhidos para as celebrações de praxe do festival: Claudio-
nor Germano, “A Voz do Frevo”, que celebra 60 anos de lançamento dos dois primeiros álbuns, Capiba 25 Anos de Frevo e
O Que Eu Fiz e Você Gostou; a bailarina e coreógrafa Fátima Freitas e as atrizes Isa Fernandes, Sonia Bierbard e Suzana
Costa. Cada um recebeu uma tela feita pelo pintor Cleusson Vieira.

O presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) e coordenador do festival, Paulo
de Castro, foi sucinto em sua fala. “Esse festival é um feito da classe artística e do povo de Pernambuco. Representa a
garra dos artistas nordestinos. Quero agradecer a presença de todos vocês e em particular a classe aqui presente”,
pontuou.

A abertura do festival seguiu em festa com seus reis e rainhas sem maracatus. E, logicamente, a corte. Mas desde a su-
pressão do espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, várias produções pernambucanas retiraram seus tra-
balhos da programação em protesto à censura sofrida por Renata Carvalho.

Espera o outono, Alice, do AMARÉ Grupo de Teatro, foi a terceira montagem a sair do festival. Foto Arnaldo Sete

São doze? São quinze? A debandada do JGE ganha mais adeptos a cada dia. Saíram do festival em apoio ao Evangelho…
Rainha do Céu as peças Altíssimo, da Trema!; Solo de Guerra, com Cleyton Cabral; Espera o outono, Alice, do Amaré Cia.
De Teatro; Breguetu, do Grupo Experimental de Dança, Meia-Noite, com Orun Santana do Daruê Malungo; As Violetas
da Aurora (Silvinha Góes, Ana Nogueira, Fabiana Pirro e Mayra Waquim); Histórias Bordadas em Mim, de Agrinez Melo;

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Em Cada Encruzilhada, Uma História Dada: Um Ensaio Para Eugênio Barba, d’O Poste Soluções Luminosas; O Pano Que
Limpa O Tempo, da Compassos Cia. De Danças; Antílope, de Flávia Pinheiro; o solo Respeita Januária, de Januaria Finizo-
la, Palhaçaria, de Paula de Tassa; Carne ou Vodka?, de Daniel Barros, Eric Valença Hermínia Mendes.

A arte de Trepar, de Augusta Ferraz também se retirou, “em respeito a mim mesma”, publicou no seu Facebook.

Foi censura, sim…

Pois o Janeiro, como já sabemos, convidou O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu, e anunciou como uma das princi-
pais atrações dessa temporada. A divulgação da programação foi no dia 21 de dezembro. Dois dias depois, a assessoria
do festival envia para os jornais a decisão de retirar o trabalho da grade. Segundo relatou Renata Carvalho, ela só soube
da deliberação pela imprensa.

Ainda sangrava o episódio da censura do Festival de Inverno de Garanhuns, no interior de Pernambuco, à obra em que
Cristo é interpretado por uma travesti para mostrar que tanto há 2000 anos quanto agora há uma perseguição velada ou
explícita a determinados grupos. No caso, negros, pobres, gays, lésbicas, trans, mulheres, feministas, ou quem luta por
igualdade de direitos. No Brasil de 2019, o que se anuncia é assustador.

Trecho do poema Mãos Dadas, de Carlos Drummond de Andrade.

O presente é tão grande, não nos afastemos


Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas
(…)
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente

Janeiro já tem sua história, mas não pode dormir em berço esplêndido

Alguns defendem os 25 anos de serviços prestados pelo JGE. A ideia não é negar o passado. Mas garantir liberdade para
o presente e para o futuro. O Janeiro é um festival importante para o Recife, para Pernambuco, para a classe de artistas.
É um festival que lota suas sessões com público comum, não só de artistas.

É verdade que o JGE não pode ser encarado como inimigo, como algoz. Mas, no mínimo, se comportou como vassalo. E
isso se agrava no momento atual.

Alguém pode pensar, mas é apenas um espetáculo que foi excluído da programação. E por conta de um, o JGE vai preju-
dicar toda uma temporada com mais de 100 atrações? Raciocínio miúdo.

Não é apenas uma peça. É um posicionamento no mundo. Pela vida, pela liberdade, pelos direitos civis. O Brasil é o país
que mais mata travestis, mulheres e homens trans no mundo. Muitas vezes com requintes de crueldade. Por interpretar
Jesus na peça, Renata Carvalho vem “sofrendo ataques, violações, ameaças de espancamento e morte”.

O governo que está sentado no poder já anunciou e incentivou a perseguição aos corpos e pensamentos dissidentes.
Anúncio de uma guerra ainda mais violenta. É preciso se posicionar do lado justo. Do lado da vida.

Outro alguém levanta a voz dizendo que o JGE tem 25 anos e é muito difícil manter uma atividade artística contínua no
Recife, no Nordeste, por tanto tempo. Sim, sim. Mas qual o papel do Janeiro, desse festival tão longevo, para a cidade do

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Recife, para os artistas de Pernambuco, para o Brasil? Respondida essa questão, tudo ca mais fácil. Há espaço para
tudo, com clareza e coerência.

Não só o JGE, mas praticamente toda a produção pernambucana é refém de editais ou de verbas públicas diretas. Isso
criou um ciclo de “servidão voluntária” nessas terras de coronéis e onde predomina na política a ideia das capitanias he-
reditárias. E a política dos favores para os afetos e perseguição para desafetos, ou para qualquer um que se insurja a fa-
zer crítica ou discordar, ou não elogiar?! É um sistema que vai além da área da cultura e contamina as relações e os pos-
tos de comando.

E de qual lado da trincheira estão os artistas? Os produtores? A Apacepe? Ou são muito lados?

Talvez seja muito fácil para quem está de fora criticar o posicionamento da Apacepe. Eu considero covarde e inadmissí-
vel. Mas não é o meu sapato que aperta.

Mas vamos também tentar nos colocar no lugar desse outro. Do Paulo de Castro…

Estar devendo a mais de 100 pessoas, há um ano, que cobram, não é fácil. Mas por quê ele não arranjou dinheiro para
liquidar a dívida anterior antes de fazer essa edição?

Paixão, talvez. Desejo de realizar. De continuar. De celebrar um quarto de século do festival. Por vaidade que move a
roda…Mas estamos inseridos em um território de mentalidades arraigadas, de uma elite econômica perversa.

Estamos num período de muita intolerância. Artistas são alvos preferenciais. Eles, os poderosos, querem a arte a serviço
deles. Querem vassalos. Mas o artista é de outra natureza. Ou deveria ser. De outra matéria de resistência e pulsão de
vida. É de combate. E em termos de luta, as pessoas trans têm muito o que ensinar às pessoas cis.

Talvez um exercício mais democrático de decisão do JGE tivesse evitado tudo isso. Como comentou minha parceira de
blog, Pollyanna Diniz: “É tempo de unirmos forças. Mas não acho coerente que a produção de um festival com toda essa
história tenha tomado essa decisão de maneira unilateral. Deveria, no mínimo, ter ouvido a classe. Foram apenas dois
dias de pressão. E, pra sermos bem sinceros, a curadoria do festival já deveria saber as proporções de convidar esse es-
petáculo. Não há nenhuma novidade nisso. Então deveríamos sim ter tido estratégia, pensar juntos, mas para garantir a
realização do espetáculo no festival”.

Edição robusta e atraso no pagamento da edição anterior

O Janeiro de Grandes Espetáculos foi anunciado no dia 21 de janeiro como uma edição robusta, com mais de cem mon-
tagens (entre elas mais de 20 estreias) a serem apresentadas num período de mais de uma mês – de 8 de janeiro a 14 de
fevereiro – no Recife, Camaragibe e  Serra Talhada. E com o orgulho de ser o maior festival de Pernambuco.

Mas também divulgou que, devido ao orçamento reduzido, JGE deste ano deixa de ser competitivo e não fará a entrega
do tradicional Troféu Apacepe de Teatro e Dança. ”Nossa resistência será nosso maior prêmio”, conferiu Paulo de Castro,
diretor geral do Janeiro e presidente da Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), realiza-
dora do evento.

Não deixa de ser uma contradição estar com orçamento reduzido e fazer uma edição robusta!
Mas os problemas não param por aí. O JGE tem um passivo do ano passado.

Em entrevista à Folha de Pernambuco, o produtor Paulo de Castro disse que:

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as di culdades nanceiras enfrentadas pelo festival o zeram abrir mão do monólogo de Renata Carvalho. O evento,
que é nanciado por meio de incentivo público, acumula dívidas ainda não quitadas da edição anterior. Mais de 130
artistas ainda não receberam os cachês referentes às apresentações realizadas em 2018. Segundo Paulo, a organização
esperava captar R$ 250 mil via Lei Rouanet, com a ajuda do Governo do Estado, mas não conseguiu. O produtor a rma
que está em negociação para conseguir a verba junto ao poder público.

A reportagem da Folha de Pernambuco também foi buscar respostas do Governo do Estado que

esclareceu que o único valor destinado à realização da 24ª edição do festival – na ordem de R$ 181.945 – foram inte-
gralmente repassados. A incerteza sobre os pagamentos tem preocupado os artistas que ainda aguardam receber seus
cachês.

Dá até para entender o raciocínio de Paulo de Castro, de querer defender o Festival, que poderia receber boicotes de in-
centivos. Mas curadores, produtores, agentes culturais que de nem ações precisam fazer um exercício de pensar no co-
letivo, inseridos na realidade de hoje.

Estamos num barco cada vez mais furado. Ceder à pressão me pareceu um equívoco, embora valha considerar que po-
demos tomar decisões erradas no calor da hora.

O Janeiro de Grandes Espetáculo deve desculpas formais a atriz Renata Carvalho e à produção da peça O Evange-
lho segundo Jesus, Rainha do Céu

O Governo de Pernambuco cou devendo desculpas formais e até reparação por tudo que a artista passou para
apresentar O Evangelho em Garanhuns

São muitas questões para serem re etidas. Entre as que me parecem mais urgentes é que precisamos garantir a demo-
cracia. E para isso as relações cordiais (no sentido do pensamento de Sergio Buarque de Holanda) com os poderes do Es-
tado precisam ser implodidas, acabar com esses vínculos dependentes e encarar o poder como cidadãos livres. A lei no
lugar do mundo do favor. Sei, sei, que a justiça no Brasil está tão seletiva, quanto a empatia em determinadas querelas.

Para tentarmos ampliar nossa visão e expor várias falas, além de deixar aqui registrado esse episódio (para além das re-
des sociais), selecionamos algumas postagens feitas por artistas de Pernambuco, e de outros estados, que se posiciona-
ram contra a censura, que se posicionaram a favor do Janeiro, e os discursos de Renata Carvalho e da sua diretora Nata-
lia Mallo.

MARCOS DA POLÊMICA

DIA 21 DE DEZEMBRO DE 2018

Divulgada a programação do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos – Festival de Artes Cênicas e Música de Pernambuco:
104 montagens e mais de 20 estreias. De 8 de janeiro a 14 de fevereiro. No Recife, Camaragibe e Serra Talhada.
https://bit.ly/2S9cDIW

DIA 23 DE DEZEMBRO DE 2018


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Produção do Janeiro de Grandes Espetáculos anuncia o cancelamento de O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do
Céu, com a artista trans Renata Carvalho

De forma a garantir a realização do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos, a Associação dos Produtores de Artes Cênicas
de Pernambuco (Apacepe) informa a retirada da peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu da programação
do festival.

Por questões que extrapolam os critérios artísticos, o espetáculo, que já motivou ações judiciais e passou por ou-
tros cancelamentos, infelizmente não estará mais na grade do Janeiro 2019.

A Apacepe reitera seu compromisso com a liberdade de expressão e mantém seu propósito de abrir as portas para
toda e qualquer manifestação artística.

O ATOR E DIRETOR ELILSON DUARTE COMENTA NO FACEBOOK A RETIRADA DA PEÇA


 

 Que vergonhoso, Janeiro de Grandes Espetáculos.

Mais vergonhoso ainda é uma desculpinha como “critérios extra-artísticos”. O nome disso não é outra coisa que fazer
coro à transfobia, que ceder à censura. Extremamente vergonhoso e desrespeitoso com as artistas.

Apoio e aplausos incessantes a Renata Carvalho e seu trabalho primoroso!Quem perde é o público recifense. E o pró-
prio festival, em termos de credibilidade.

A ARTISTA CAIA COELHO COMENTA DECISÃO DO JGE DE EXCLUIR O EVANGELHO

Que porra é essa, Paulo de Castro, Iris Macedo, Luciana Raposo? Estou com vergonha de vocês. Estou com vergonha de
ter trabalhado com vocês. Vocês não passam de covardes lixos transfóbicos envergonhando quem produz arte com
resistência.

SÃO PUBLICADAS MATÉRIAS NA IMPRENSA PERNAMBUCANA SOBRE O CANCELAMENTO DE O EVANGELHO SEGUNDO


JESUS, RAINHA DO CÉU DA PROGRAMAÇÃO DO 25º JANEIRO

DIA 26 DE DEZEMBRO DE 2018

BLOG SATISFEITA, YOLANDA? PUBLICA POST SOBRE A EXCLUSÃO DA PEÇA O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA
DO CÉU DA PROGRAMAÇÃO DO 25º JANEIRO 

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2018/12/26/janeiro-de-grandes-espetaculos-compactua-com-censura/

DIA 27 DE DEZEMBRO DE 2018


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APACEPE DIVULGA NAS REDES SOCIAIS UM COMUNICADO

CARTA ABERTA

A Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) vem informar que, com o objetivo de resguar-
dar a realização do próprio projeto e preservar suas fontes de nanciamento, a direção do 25º Janeiro de Grandes Es-
petáculos se viu obrigada a retirar da programação do festival a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu. O
cancelamento se dá uma vez que o espetáculo seria realizado em um teatro público e ainda devido à pressão da ban-
cada evangélica de Pernambuco. Por motivos similares, a montagem já enfrentou ações judiciais e passou por outros
cancelamentos em território brasileiro. 
Importante salientar que, neste momento, o festival ainda está em busca de solucionar o pagamento, da edição 2018,
para diversos artistas – e que o Janeiro 2019 tem todos os seus subsídios oriundos do poder público.

O festival reitera o seu compromisso com a liberdade de expressão e, exatamente por este motivo, realizou o convite
para que O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu integrasse a programação do evento. Por não aceitar este tipo
de censura, a direção do festival está dando suporte à produção do espetáculo para que ele seja encenado, na mesma
data que ocorreria no Janeiro, em um espaço privado e de maneira independente.

COMENTÁRIO DA ATRIZ IARA CAMPOS NO FACEBOOK

Atitude covarde de um Festival que atende aos interesses de quem “banca” e não dos artistas/produtores e plateia. Pei-
tar a censura e levantar um debate crítico sobre a homofobia também é dever de um Festival de Teatro que se diz com-
prometido com a arte, por ser ela um lugar de subversão. Sem falar no único parágrafo em que menciona o não paga-
mento dos cachês atrasados ser extremamente raso. Em busca de quê? O que está acontecendo realmente? Queremos
respostas, não desculpas super ciais que não mostram solução efetiva.

COMENTÁRIO DO ATOR E DIRETOR MARCONDES LIMA

Eu jurei pra mim que caria calado para não dar ibope ao que não deve ser dado. Mas não consigo deixar de dizer al-
guns termos que me ocorrem para de nir a mais recente proibição (é exatamente isso) do espetáculo O Evangelho Se-
gundo Jesus, Rainha do Céu pelo Janeiro de Grandes Espetáculos: vergonha, covardia, servilidade, desfaçatez, natura-
lização da transfobia, infâmia , coisa feia! Paro por aqui. Mas se quiserem continuem.

COMENTÁRIO DO ATOR E DIRETOR GEORGE MEIRELES

Sei das di culdades da produção do Janeiro em manter o festival por 25 anos. Eu mesmo z a primeira produção pela
APACEPE, juntamente com Paulo de Castro, quando o evento passou da PCR para a “Classe”. Entretanto, vale lembrar
que este é um festival realizado por uma Associação de Produtores. Como esta associação permite uma violência dessa
contra produtores e artistas? O principal trabalho de uma entidade classista é defender os direitos da sua categoria. E
não há direito mais importante para nós, artistas, do que o da livre expressão. Neste momento não realizar o festival,
caso perdurasse essa censura, seria mais importante do que acovardar-se e realiza-lo. Não queremos um festival longe-
vo, e isso é importante, queremos um festival longevo e que represente os princípios que norteiam o fazer teatral. Foi
assim que o Janeiro nasceu e se ele não cumpre mais esse papel, não tem porque continuar a existir.

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COMENTÁRIO DO ATOR E PRODUTOR RODRIGO FIDELIS

Quando foi que os agentes culturais desse país viraram covardes? Nossa senhora do incentivo público nos dê coragem
para seguir, que abram os mares da ignorância para passarmos, que não nos falte compaixão para entender os me-
drosos e que de nós transborde afeto para dizer: ninguém solta a mão de ninguém! 

A empregabilidade de ninguém deve estar maior que o bem comum. É preciso largar esse poder e se entregar a potên-
cia da luta das pessoas travestigeneres. Elas combinaram de não morrer mais… quem morre hoje é a curadoria e ges-
tão de arte e cultura.

COMENTÁRIO DO PRODUTOR, ATOR E DIRETOR JUNIOR BRASSALOTTI  

Repudio total à esse ato de covardia e censura explicita por parte da organização do evento. Que vergonha pro evento.
Como podem impedir um artista de trabalhar? “A arte não pode habitar os corações covardes” Plinio Marcos.

COMENTÁRIO DO SERVIDOR PÚBLICO MARCELO CHAVES 

O interessante é q vcs sofrem pressão de uma parte da sociedade que não é público do evento, de pessoas que pratica-
mente não frequentam o teatro e não estão nem aí pra arte… Aí cortam um espetáculo q o público de vcs, que frequen-
ta o evento, gostaria de ver, por causa de gente que não iria, que não vai, que nem gosta de teatro.

IGOR SOUZA COMENTA NO FB

Convidar O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu para se apresentar não quer dizer ter compromisso com a li-
berdade de expressão, é um espetáculo de sucesso reconhecido e que tem garantia de público. O interesse de qualquer
produtor ou curador no espetáculo para compor qualquer grade pode ser só técnico. 

Ter compromisso com a liberdade de expressão é não ceder a censura, porque ceder também é uma forma de aceitar.
Principalmente quando essa censura vem de uma bancada que usa dos seus (in)fundamentos religiosos tão carregados
de preconceitos. Ter compromisso com a liberdade de expressão e, principalmente, com a arte é LUTAR para GARANTIR
a visibilidade de trabalhos como o da Renata Carvalho.

COMENTÁRIO DO ATOR, DIRETOR E DRAMATURGO CARLOS CANHAMEIRO

Espero nunca ter esse tipo de compromisso com a liberdade de expressão que vcs propagam. Espero que todos os ou-
tros espetáculos cancelem a participação.

COMENTÁRIO DA HISTORIADORA TELMA VIRGINIA PEREIRA DA CUNHA NO FB 

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Pois começamos muito mal essa resistência, cedendo pra bancada evangélica de Pernambuco. Bem se vê que nós não
aprendemos nada com a ditadura de 1964

COMENTÁRIO DE MARCOS ANTÔNIO SOARES NO FB

Vocês não têm respeito pelos artistas, vocês sabiam da polêmica já causada ao espetáculo esse ano, então porque não
poupou a atriz e a produção de tal constrangimento, não convidava. Simples assim. Vocês são amadores no sentido pe-
jorativo da palavra, minha gente o teatro não fortaleceu vocês esses anos todos? Agora vem com essa carta aberta bei-
rando ao ridículo, quando sugere um espaço alternativo, isso é exclusão. Só falta encontrar um espaço no alto mar
para a peça ser apresentada, Me faça um chá!!!!

Produção de Altíssimo diz não querer compactuar com a censura

TREMA! PLATAFORMA DE TEATRO PUBLICA NA SUA PÁGINA DE FACEBOOK UM COMUNICADO DA SAÍDA DO ESPE-
TÁCULO ALTÍSSIMO DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

Diante de mais um ato de censura vivido pelo espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU no estado
de Pernambuco, nesta ocasião por parte do festival Janeiro de Grandes Espetáculos, informamos aos que acompa-
nham as ações desenvolvidas pela TREMA Plataforma de Teatro, que comunicamos a produção desse evento a retirada
de nosso espetáculo ALTÍSSIMO, agendado para o dia 11 de janeiro de 2018.

Acreditamos que a censura imposta sobre essa obra que acolhemos com tanto prazer na edição 2018 do TREMA! Festi-
val, fere nossa liberdade coletiva de ofício, nesse momento crucial onde diversos Festivais têm se posicionado como re-
ais espaços de resistência ao fascismo e a onda conservadora que assola o país. Não podemos coadunar com mais
esse passo da bancada evangélica em nosso Estado.

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Anteriormente, quando do ato de censura no FIG 2018, tínhamos nos posicionado publicamente sobre qual seria nossa
decisão caso estivéssemos na grade do evento: ou o EVANGELHO se apresentaria ou NÓS também não subiríamos ao
palco.

Passados alguns meses da triste situação vivida no interior do Estado, continuaremos honrando com nossa palavra.
A nal, onde não cabe o ofício da artista Renata Carvalho, da diretora Natalia Mallo e de toda a equipe do Núcleo Cor-
po Rastreado, também não cabe o nosso.

Mais do que nunca, estaremos de mãos dadas, caminhando juntos aos corpos que realmente nos importa. Em cada es-
quina, abriremos mãos de nossos privilégios em prol do real signi cado do ¨ninguém solta a mão de ninguém¨.

Quando o resultado das eleições presidenciais do Brasil foi divulgado, em outubro de 2018, escrevemos em nossas re-
des sociais:
¨Estaremos juntos por nenhum direito a menos.
Força, camaradas! O velho mundo está atrás de nós.
RESISTIREMOS. RE-EXISTIREMOS.¨
Que assim seja.

RESPOSTA DA ATRIZ RENATA CARVALHO AO COMUNICADO DA APACEPE

Sobre a CENSURA no Janeiro de Grandes Espetáculos

No dia 21 de dezembro o Janeiro de Grandes Espetáculos divulga sua programação e O Evangelho Segundo Jesus,
Rainha do Céu estava na programação o cial com (três) apresentações no Teatro Barreto Júnior.

No dia 23 de dezembro o mesmo festival divulga uma nota o cial retirando nosso espetáculo da programação alegan-
do ser por “critérios extra-artísticos”.

O Festival Janeiro de Grandes Espetáculos e seus responsáveis são tão censores quanto aqueles que pressionaram. Não
pensaram duas vezes, simplesmente cancelaram e camos sabendo através da imprensa que não estávamos mais na
programação.

Para nossa “surpresa” o festival (devido a grande pressão) divulga esta última nota onde diz:
“O festival reitera o seu compromisso com a liberdade de expressão (é para rir) e, exatamente por este motivo, realizou
o convite para que O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu integrasse a programação do evento. Por não aceitar
este tipo de censura, a direção do festival está dando suporte à produção do espetáculo (É MENTIRA) para que ele seja
encenado, na mesma data que ocorreria no Janeiro, em um espaço privado e de maneira independente” ( de MANEIRA
INDEPENDENTE)

O Paulo de Castro pessoa que de “forma muito amigável e prestativa” (o mesmo que cancelou) quer nos propor AGORA
depois de toda repercussão negativa e com a retirada do TREMA Plataforma de Teatro e seu espetáculo Altíssimo em
protesto a censura,, quer que vamos ao festival apresentamos em um outro local (foi proposto uma boate LGBT), mas o
“festival apoiaria a apresentação de forma extra o cial” e ainda propõe até mesa (olha que lindos).

A censura se combate de frente, não por baixos dos panos, em guetos como ratos.
Os pronunciamentos desse festival e de seus responsáveis são tão rasos quanto um pires. Vocês são CENSORES SIM,
não façam a vítima, é feio.

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Sobre as notas o ciais, a censura e todo jogo sujo por trás dessa censura cito Rosa Luxemburgo:
“…só se pode exclamar com espanto: então é só isso que tem a dizer? Nem sombra de uma ideia original! Nem só ideia
que já não tenha sido refutada, esmagada, escarnecida, reduzida a zero.”

Esse é o QUINTO caso de censura, em uma delas (Garanhuns, teve polícia, exército, tropa de choque, bomba, retirada
dos equipamentos de luz e som,e depois a retirada do público do “toldo” para a chuva).

Não estamos falando de 1968, de Roda Viva, estou falando de hoje, de agora.
O que nós artistas vamos fazer com este cenário?
A CENSURA já voltou, em outros moldes, mas VOLTOU.
São os políticos e religiosos que vão pautar nossos editais, festivais, leis de incentivo….?
E agora José? Vamos assistir sentados em nossos celulares, reproduzindo hashtags?
“A arte não pode habitar os corações covardes”, diz meu conterrâneo Plínio Marcos.
CENSURA NUNCA MAIS.

Renata Carvalho – atriz em O evangelho segundo Jesus, Rainho do céu, travesti, transpóloga, transfeminista. Funda-
dora do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans) e do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T
#rainhajesus
#censuranuncamais

28 DE DEZEMBRO DE 2018

Grupo pernambucano Magiluth se solidariza com a atriz Renata Carvalho

GRUPO MAGILUTH DE TEATRO PUBLICA NOTA DE REPÚDIO AO JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS

Quando pensávamos que 2018 tinha acabado, eis que surge mais uma bomba: o Janeiro de Grandes Espetáculos cen-
surou o espetáculo, Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu.
Deixamos aqui registrado nosso repúdio total, a esta atitude descabida. Quando um festival de teatro, com mais de 20
anos de existência, compactua com censura, nós não podemos car calados. O “janeiro” precisa urgentemente ser re-
pensado, para que de fato, se torne grande. De que adianta uma festa pomposa e troféus, se o festival censura um es-
petáculo tão importante para o Brasil atual?

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 11/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

Renata Carvalho – atriz em O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, travesti, transpóloga, transfeminista. Funda-
dora do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans) e do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T, é
uma artista que tem total direito de existir e de praticar a sua pro ssão. Precisamos deixar de lado os nossos privilégios
e lutar de mãos dadas com Renata e com todxs xs artistas que estão sendo marginalizadxs.
O Magiluth diz não à censura, o Magiluth diz não ao Janeiro de Grandes Espetáculos. O Magiluth diz não aos desman-
dos da APACEPE.
#rainhajesus
#censuranuncamais

 29 DE DEZEMBRO DE 2018

ATOR E PRODUTOR PAULO DE PONTES PEDE PONDERAÇÃO DA CLASSE ARTÍSTICA PERNAMBUCANA

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DOS CÉUS e a Censura no JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS.
Acho delicado atribuir a censura ao festival… Uma vez que foi o festival quem a convidou… Concordo que o festival foi
conivente em cedendo lugar ao fato, mas os vilões de fato são a bancada evangélica (que está cada vez mais assumin-
do lugar de censor) e o poder público (que depende de voto de bancada evangélica para continuar no poder)… No en-
tanto acredito que o festival (que é um evento independente e que só existe pq artistas como nós o mantemos vivo a 25
anos) foi ameaçado por esses dois poderes do mal e cou entre a cruz e a espada… Como somos (artistas) o lado mais
fraco dessa rede de intrigas, ou se tiraria a convidada da programação ou Neca de pitibiribas…. Ainda assim a produ-
ção do festival tentou a todo custo outras maneiras de trazer a artista em teatro particular e mantê-la na programa-
ção, mas não conseguiu. foi o que soube… Delicado acusar o lado mais fraco de censor. Vamos torcer para que isso
não se alastre.

COMENTÁRIO DO ATOR E PRODUTOR GEORGE MEIRELES AO POST DE PAULO DE PONTES 

Paulinho, concordo com vc que nesse caso a produção do Janeiro é o lado mais fraco. Mas existem mecanismos de en-
frentamento. Foi a bancada evangélica que promoveu a censura? Foi a Prefeitura ou foi o governo? A livre expressão do
pensamento está garantida na constituição brasileira. Aciona-se então a justiça, o ministério público. O que não pode é
prejudicar o lado verdadeiramente mais fraco: os artistas. Lembre-se que o poder constituído não pode comportar-se
como dono dos recursos públicos. Se o gestor ameaça cortar o patrocínio; ameaça-se ele com um processo de improbi-
dade administrativa. Isso é enfrentamento! A defesa dos direitos é uma luta árdua e constante e não se admite que
uma associação representativa de produtores se acovarde dessa luta pois, a defesa dos produtores e artistas é o moti-
vo da sua existência. Se a APACEPE não defende o seu direito e os dos seus representados, não está existindo para o m
ao qual foi criada.

30 DE DEZEMBRO DE 2018

MENSAGEM DO ATOR E PRODUTOR MARCONI BISPO

JESUS, RAINHA DOS CÉUS! LIVRAI-NOS DOS ATOLEIMADOS E ABESTALHADOS!


Se deixar a gente passa o dia no Feicebuque criando treta, respondendo treta, curtindo treta, comentando e comparti-
lhando treta. Acho massa. É isso mesmo e sinto pena porque, sem tempo e/ou sem a disposição necessária, eu não con-
sigo me posicionar sobre algumas delas. Por exemplo, a censura que sofreu o espetáculo Jesus, a Rainha dos Céus
pela Apacepe. Pra mim é isso: a censura foi da APACEPE. Ponto nal. Queria voltar com meus dois pontos. Tentarei.
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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

O que acho tenebroso nesse meu país pernambuco é uma espécie de artista que quando se trata de alguns muros não
sabe se ca em cima deles ou parte para quebrá-los. Ficasse contemplando-os, caladinhos… pronto. E quando o muro
é de um coronel – do qual o artista espera que, um dia, receba algo em troca – ele faz uma ponderação que é tão so-
mente a expressão de sua inteligência oportunista. Muito fácil bater nos pequenos ou passar pelos muros que já estão
arrombados, né? Chutar cachorro morto, outros dirão. Porém, promover um desgaste público com um coronel, como vi
outrxs artistas por aqui fazer, o artista inteligente-oportunista não quer. Vira um tipo de seda, como a que veste senho-
ras ledas. São capazes de escrever belas cartas, como fez Paulo aos Coríntios. Nessa hora “tudo crê, tudo espera, tudo
suporta”. E nem se dá conta que os coronéis de outrora deixaram seus lhos, Netos e bisnetos por aí.
JESUS, PRA ONDE EU VIM?

Cleyton Cabral retira Solo de Guerra da programação do JGE. Foto: Reprodução do FB

O ATOR E PRODUTOR CLEYTON CABRAL RETIRA SEU ESPETÁCULO SOLO DE GUERRA DO JANEIRO

COMUNICADO
A produção do espetáculo SOLO DE GUERRA informa que a apresentação agendada para o dia 26 de janeiro no festi-
val Janeiro de Grandes Espetáculos está cancelada.
A decisão é consequência de mais um ato de censura sofrido pelo espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA
DO CÉU, estrelado por Renata Carvalho, que também seria apresentado no mesmo evento.

Nós nunca compactuaremos com a violência que pessoas e espetáculos vêm sofrendo nessa época sombria em que es-
tamos vivendo. Solo de Guerra discute a homofobia e suas consequências na população LGBT+ do Brasil, sendo total-
mente incoerente apresentar a temática no palco após os últimos acontecimentos.

Os dias que se aproximam exigirão de nós decisões cada vez mais amargas e duras, que demonstrem a nossa real insa-
tisfação com todas as injustiças. É nosso dever, enquanto artistas, lutar pela liberdade de expressão de todo e qualquer
cidadão, pois a censura afeta não só a produção de um espetáculo.

Engana-se aquele que pensa estar em uma torre de privilégios e que não será atingido por essa violência.

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

Deixamos aqui expresso publicamente nosso desejo por justiça. Levemos o “ninguém solta a mão de ninguém” mais a
sério, pois o que surge no horizonte não é luz.

31 DE DEZEMBRO DE 2018

Peça Espera o Outono, Alice sai da programação do JGE Foto: Américo Santos

AMARÉ GRUPO DE TEATRO RETIRA SEU ESPETÁCULO ESPERA O OUTONO, ALICE DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

COMUNICADO
Nós, do AMARÉ Grupo de Teatro, queremos expressar nossa tristeza, choque e indignação para com a retirada do mo-
nólogo O evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos, por conta de
pressões alheias ao mérito artístico da peça. Queremos deixar claro que somos contra toda e qualquer forma de censu-
ra, machismo, racismo e homofobia e, em solidariedade a Renata e à produção do espetáculo, decidimos cancelar nos-
sa participação no evento, que ocorreria no dia 24 de janeiro, com sessão única do nosso trabalho mais recente, Espe-
ra o Outono, Alice.

Fazer teatro no Brasil não é fácil, todos sabemos. É preciso lutar contra a falta de verba, falta de público e até contra a
falta de incentivo e compreensão de parte da sociedade com relação à natureza de nossa arte. Também reconhecemos
que o festival foi colocado em uma situação muito difícil e precisava tomar uma decisão a m de continuar suas ativi-
dades. No entanto, não nos sentimos à vontade para continuar na programação ao constatar que uma colega de pro-
ssão não terá a oportunidade de apresentar um espetáculo que, aliás, tem como tema justamente a tolerância, a
união e a compreensão entre as pessoas.

O Janeiro de Grandes Espetáculos é um festival que conseguiu ser longevo justamente por conta da diversidade e plura-
lidade de suas atrações. Sendo assim, nos resta, mais uma vez, lamentar a não apresentação do monólogo O evange-
lho segundo Jesus, Rainha do Céu e defender o trabalho de Renata. Em momentos turbulentos nos quais supostas
verdades absolutas tentam calar a arte e a diversidade, precisamos nos unir,ocupando os espaços e propagando nos-
sas crenças e nossas vozes.
AMARÉ Grupo de Teatro

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2 DE JANEIRO DE 2019

A ATRIZ, PRODUTORA E EX-COORDENADORA DO JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS PAULA DE RENOR PUBLICA


NO FACEBOOK

Sobre a censura e o JGE


O Janeiro de Grandes Espetáculos completa 25 anos de existência daqui há alguns dias, abrindo o ano para os demais
festivais do Brasil, que durante 2018, passaram grandes e graves di culdades para continuarem existindo. Uma prova
disso foi o Festival de Londrina cancelado no ano de comemoração de sua 50ª edição.

Há 25 anos atrás, o JGE que fora descartado pela Prefeitura do Recife, em substituição ao Festival Recife de Teatro Naci-
onal, foi assumido pela APACEPE junto com a classe. Nesses 24 anos de existência, contou com o apoio da categoria e
trabalhou com e em função dela e isso é admitido pelos artistas de artes cênicas do estado, que sempre o de niram
como “o festival da classe”.

Estive a frente do JGE, junto com Paulo de Castro e Carla Valença, durante 17 anos de minha vida, construindo a rela-
ção do festival com os artistas locais e tendo como per l principal a visibilidade da produção local. A rmamos em to-
dos esses anos que o maior patrocinador e colaborador do festival sempre foi A CLASSE!

De repente, abro o jornal e internet, e vejo o Janeiro sendo avacalhado e desmoralizado, sem respeito algum de muitos.
E os 24 anos de boas ações e parcerias?! Tudo foi esquecido?!
Não quero discutir os problemas pelos quais levaram o festival a cancelar a apresentação de O Evangelho… no Janeiro,
só estou chocada porque, com a chantagem feita por patrocinadores, a produção foi obrigada a retirá-lo da grade.
Não conversei com a produção sobre isso e sei o que todos sabem pelas redes sociais e comunicados, mas não tenho o
menor receio em a rmar que foi a Prefeitura, por todo seu histórico de problemas com a classe e seu descaso. O gover-
no do estado, não creio que depois do FIG, nal de gestão, iria interferir num festival independente. A Prefeitura, sim,
teria essa petulância!

O que me surpreende é que o culpado e opressor, passou a ser o festival! Não concordo também com a retirada de O
Evangelho… da grade, mas não estou na produção para entender o que levou a coordenação do festival a ceder a esta
chantagem. Talvez estejam claros os motivos quando ouço as reclamações de artistas com cachês atrasados e fornece-
dores ainda não pagos do ano passado. Mas será que todos nós faríamos diferentes numa situação tão crítica?!

Porque alguns jogaram a primeira pedra se esquecendo de quem é realmente nosso verdadeiro opressor?

Gente, estamos atirando uns nos outros e o inimigo está lá, atrás de um birô, rindo “dessa gente que faz teatro”! Depois
do JGE, virá a censura aos outros festivais, depois espetáculos serão tirados de cartaz! Aconteceu no FETEAG, agora JGE,
e vai continuar acontecendo!!
As produções locais começam em protesto a se retirarem do JGE, e vem a seguir o enfraquecimento do festival! É isso
que eles querem! É isso que queremos?! Precisamos saber quem censurou, quer dizer, quem chantageou e nos unirmos
para não permitirmos que isso aconteça novamente em nenhum outro festival! Que os produtores e artistas não sejam
sacri cados!

Prestem atenção que estão jogando o jogo do opressor, e quanto menos festivais e espetáculos acontecerem, melhor
para a bancada evangélica ou para esses cretinos que agora estão no poder!

Temos que pensar juntos, planejar estratégias, agirmos contra a censura!! Daqui a pouco teremos em cada órgão públi-
co um novo departamento que decidirá o que pode ou não entrar em cartaz! Já pensaram na nossa situação, artistas e

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

produtores, em nossa maioria dependentes de apoio e editais públicos?!

Não vamos misturar nossos sentimentos de revolta com tudo que vem acontecendo conosco desde 2016! Isso não pode
ser canalizado para o JGE!
Aonde está “ninguém solta a mão de ninguém”? Só na ciranda, gente? A hora é essa!
CALMA MINHA GENTE!!!!
PS: obrigada a quem teve o interesse e paciência de chegar aqui, até o nal do texto!

COMENTÁRIO DE MARIA CLARA CAMAROTTI  AO POST DE PAULA DE RENOR

Paula vc sabe a admiração que sinto por vc, por isso co extremamente grata em ler esse post e sentir o que pensas so-
bre tudo isso. Estou re etindo sobre o que falas, mas me permita de imediato colocar algumas coisas. Sim respeito ao
festival é fundamental, mas o festival tem conseguido respeitar tb os artistas? Você fala na grande parceria entre o fes-
tival e a classe, então pq o festival não expôs a chantagem que estava recebendo antes de retirar o espetáculo da pro-
gramação? por que não chamou para junto os artistas para fazermos pressão a prefeitura? Na carta publicada pelo
Jge se tenta diplomaticamente explicar que não foi uma vontade do festival, mas houve uma escolha de aceitar a chan-
tagem e com isso prejudica mais uma artista nesse país. Estou muito triste e decepcionada com a postura do festival
sim Paula. Estamos falando em tempos extrematicos, de vidas que literalmente correm perigo e cada ação tem gerado
reações intensas. Ao meu ver o cancelamento do espetáculo foi uma ação extremamente equivocada e injusta e por
mais respeito e consciência que tenha dos processos de luta de um festival, existem coisas que não posso aceitar. En-
tendo perfeitamente a reação dos artistas que estão retirando seus espetáculos da programação, como tb entendo
aqueles que queiram manter o espaço que já nos é tão caro e difícil de conseguir, mas sinto nas tuas palavras a neces-
sidade de mudar a ótica e imagina, se fosse o seu espetáculo que fosse desconvidado a estar numa programação de
festival pois aqueles no poder se desagradam do que dize ou pior de quem vc é (pois esse é um dos x da questão dessa
censura a Renata) o que farias? Que mão vc segura? Será que a gente largou a mão do jge ou será que ele não nos deu
sua mão nesse momento? o Jge para salvaguardar apoio e realização optou por excluir alguém, e nisso o festival é tão
responsável quanto aqueles que no poder que não querem a existência de certos discursos ou pessoas. O Meu desejo é
de todos estarmos juntos lutando, mas ceder a certas pressões é sim joga alguém na fogueira. Estou disposta a luta
pelo Jge, pelo festival estudantil, pelo festival de teatro para crianças, pelo luz negra, pelo feteag, pelo trema e todo e
qualquer festival independente que queira construir, dar, invadir espaços para que nossa arte se mantenha e cresça,
mas preciso ter clareza, a nal por quem e pelo o que estamos lutando. Para mim nada, nada justi ca a retirada desse
espetáculo da grade e me sinto envergonhada de viver num estado onde pela segunda vez essa censura aconteceu.

COMENTÁRIO DE POLLYANNA DINIZ  AO POST DE PAULA DE RENOR

Concordo que é tempo de unirmos forças. Mas não acho coerente que a produção de um festival com toda essa histó-
ria tenha tomado essa decisão de maneira unilateral. Deveria, no mínimo, ter ouvido a classe. Foram apenas dois dias
de pressão e a gente simplesmente retirou o espetáculo da grade. E, pra sermos bem sinceros, a curadoria do festival já
deveria saber as proporções de convidar esse espetáculo. Não há nenhuma novidade nisso. Então deveríamos sim ter
tido estratégia, pensar juntos, mas para garantir a realização do espetáculo no festival (e não de forma independente!),
se era realmente esse o motivo do convite – e não apenas uma questão nanceira, de bilheteria. Sinceramente, não
acho que retirar os espetáculos da grade vá enfraquecer o Janeiro com o poder público. O Janeiro tem uma programa-
ção gigantesca! Mas, pelo contrário, o recado é ao próprio Janeiro: o festival precisa continuar sendo feito ao lado da
categoria; e que car sem pagar cachê de um ano para o outro ou pagar cachês absurdos não é estar ao lado da
classe.

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

COMENTÁRIO DE  COMP CIRCO GODOT (ANDREZZA ALVES) AO POST DE PAULA DE RENOR

Patroa, mulher, eu não tenho nada de novo pra falar sobre isso… Eu não acho que o festival é o alvo onde se deveria
mirar, como escrevi numa postagem de Marcondes, pra mim, atirar no festival é tomar remédio pra febre quando se
tem tuberculose. Isso porque, pra mim, nessa cadeia de opressões o festival é o elo mais fraco. Então, a mim, me pare-
ce meio covarde atirar apenas contra quem em tese está do seu lado quando deliberadamente não se atira contra
quem está do outro lado no campo de batalha. No entanto o festival foi covarde (e por mais que eu goste do Janeiro, e
você sabe que eu gosto MUITO, não dá pra dizer que o errado é certo) e na minha opinião covardia nunca foi caminho
e, especialmente agora, não é mesmo. A ação dos 3 grupos que se posicionaram TREMA Plataforma de Teatro, Cleyto-
ne AMARÉ é uma ação legítima porque é a voz do que a potência daqueles grupos é capaz estando sozinho, é a sinceri-
dade daquelas guras para com a consciência delas e para com a empatia pela Renata (esta sim, violentada em duas
ocasiões no estado), se tivesse um espetáculo meu no festival eu faria o mesmo que eles. Inclusive, a coerência de Pedro
Vilela no início dessa história me comove e fui, das primeiras pessoas a dizer “amigo, todos juntos somos fortes”, pra
ele, quando escreveu por aqui o posicionamento dele e depois da declaração do TREMA Plataforma de Teatro… Mas
veja, até estas ações apesar de terem o mesmo m, estão entre elas, isolada e isso eu acho que se deve ao fato de as
mão na cidade já estarem soltas, na minha opinião niilista, para a maioria da classe elas sempre estiveram, poucos são
os que agarram mesmo na tua mão e não soltam. Se as mãos não estivessem à deriva, também o festival teria agido de
outra forma, acho… Mas Recife é a cidade do salve-se quem puder, do cada um por si, do cala a boca pra não se quei-
mar, do sacode pra fora da caçamba por causa do cachê. E não adianta a gente querer colocar peneira na frente desse
sol também, porque ele está lá e é a sombra da cidade… Já perguntei um monte por aqui onde estão as ações concre-
tas contra os ALGOZES DE FATO. Porque atirar pedras no Janeiro via facebook é fácil (e, pra mim, é simplista e simpló-
rio), mas e depois? Cadê? O que é que se vai fazer? Porque as ações do deputado, do governo e da prefeitura foram
concretas, tão concretas que a Renata foi desconvidada. E aí, qual é a resposta concreta? Vai-se processar o deputado,
o governo, a prefeitura? Vai se acionar legalmente alguma coisa ou alguém? Vai-se denunciar ao ministério público (en-
quanto existe)? Porque se não for, de nada adiante esse conversê todinho. E de muito menos adianta dizer, “ai tadinho
do festival… ” É só especulação sobre o vazio… Porque no frigir dos ovos, o fato é que mais uma vez se prova que man-
da quem tem o dinheiro e que somos incapazes de articulação para nos insurgirmos de verdade contra quem de direi-
to… E pra disfarçar atiramos em quem está mais perto… Entende? No entanto penso que este ocorrido pode ser uma
grande oportunidade de reencontro, de combinação das vozes dissonantes. Uma grande oportunidade pra deixar o
EGO de lado e agregar valores em prol de se fortalecer em conjunto, de fato com as mãos dadas e não uns por cima
dos outros. E sinceramente espero que isso aconteça. BEIJOS!

COMENTÁRIO DO PRODUTOR PEDRO PORTUGAL AO POST DE PAULA DE RENOR

Na minha humilde opinião 


Enquanto a arte depender do poder público; espaços e apoios nanceiros, sempre vamos car a mercê de alguma cen-
sura 
Para não acontecer censura temos que ter nossos espaços próprios e não depender de dinheiro público, mesmo saben-
do que é dever do Estado dar cultura para o povo, dinheiro dos nossos impostos 
Pronto falei

COMENTÁRIO DO ATOR, DRAMATURGO E DIRETOR GIORDANO CASTRO (GRUPO MAGILUTH) AO POST DE PAULA DE
RENOR

Paula, somo a minha fala a de Maria Clara Camarotti (Eu te amo Clarinha) e a de Pollyanna Diniz. Tenho um profundo
respeito por você e por todos que zeram e fazem parte do Janeiro. Você mais do que ninguém sabe o quanto o festival
foi importante para nossa história (a do grupo Magiluth). Mas apesar da minha admiração e carinho que tenho por
http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 17/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

toda essa história, não posso deixar de fazer criticas e passar a mão sobre aquilo que ao meu ver é uma atitude abso-
lutamente equivocada por parte do JGE, tendo em vista a própria Carta Aberta do festival que julgo também equivoca-
da, no mais vou acabar repetindo tudo o que já foi dito pelas outras pessoas. Espero uma sorte melhor para o JGE.
Acho que chegamos a um tempo esquisito e complicado demais que vai exigir de todos nos posicionamentos também
fortes. Um cheiro

O POSTE SOLUÇÕES LUMINOSAS ESTÁ NA PROGRAMAÇÃO, MAS NÃO ESTÁ NO JGE

COMUNICADO GRUPO O POSTE! CENSURA NUNCA MAIS! 

O Grupo O Poste Soluções Luminosas e a comissão representativa de alunos da Escola O Poste de Antropologia Teatral,
vem externar publicamente o seu repúdio ao ato de transfobia ocorrido com a atriz Renata Carvalho, que a impossibili-
tou de apresentar o espetáculo O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu no Festival Janeiro de Grandes Espetáculos
(JGE) de 2019. 

É inadmissível que após duas décadas de luta contra um regime de DITADURA MILITAR, onde episódios de CENSURA e
TORTURA violentavam artistas que – no exercício da arte – expressavam um pensamento crítico e libertador, vermos
um festival tão importante para a cidade ceder à censura imposta por políticos intolerantes, representantes da banca-
da evangélica, que colocam seus preceitos religiosos acima do Estado laico.

É muito PERIGOSO que a cultura de um povo, em sua diversidade e pluralidade, seja pautada por uma visão limitada,
retrógrada e intolerante de uma parte do seguimento religioso evangélico que, todos os dias, dissemina nos metrôs,
ônibus, praças, escolas e tantos outros espaços públicos, palavras e ideias agressivas e preconceituosas contra as reli-
giões de matriz africana, a comunidade LGBTQi, os povos indígenas, TUDO E TODOS que não estejam dentro de suas
convicções religiosas.

Acreditamos que ações como esta, de censura e perseguição, têm por objetivo desmobilizar e enfraquecer a classe artís-
tica, bem como seus espaços de encontros, trocas e celebração. No entanto, diante do legado que o JGE agrega à histó-
ria das artes cênicas em Pernambuco e sua importância para o fomento das produções locais, decidimos seguir nesta
edição do mesmo, porém com uma postura crítica e ações que tanto denunciem o ocorrido, quanto deem visibilidade à
comunidade trans em cada apresentação de nosso espetáculo.

Consideramos que promover espaços de representatividade das minorias é de suma importância para reforçar o ali-
cerce do que já conquistamos até aqui desde o processo de redemocratização. É fundamental seguirmos colaborando
com as políticas a rmativas que promovam estas comunidades e povos, garantindo a plena funcionalidade e aprimo-
ramento do Estado de Direito previsto constitucionalmente. Este que está cada vez mais ameaçado diante do golpe par-
lamentar-jurídico-midiático que se instaurou em 2016 e que perdura em discursos fascistas daqueles que querem se
colocar acima de tudo e de todos.

O Grupo está dentro do festival com a escola O POSTE DE ANTROPOLOGIA TEATRAL, mas não como convidado ou inscri-
to para participar do mesmo. A temporada desta montagem pedagógica acontecerá no NOSSO ESPAÇO de maneira in-
dependente. No entanto, aproveitamos o mês de janeiro e solicitamos à produção do JGE que nos colocasse na grade
para ns de DIVULGAÇÃO. É importante salientar que não receberemos do Festival nenhum APOIO FINANCEIRO, TÉCNI-
CO OU LOGÍSTICO.

Nossa indignação com o fato e solidariedade a atriz Renata Carvalho e toda equipe. 

CENSURA NUNCA MAIS!!!

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 18/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

Axé para todos!!

Cira Ramos em Próxima. Foto: Séphora Silva

ATRIZ E PRODUTORA CIRA RAMOS DIZ QUE SEU APOIO E SOLIDARIEDADE À RENATA CARVALHO E AO EVANGELHO SE
DÁ NO PALCO, APRESENTANDO A PEÇA PRÓXIMA

Vamos nos olhar, nos apreciar, nos ver mais? Nos dividindo, teremos força para lutar contra as arbitrariedades que es-
tão se abatendo em cima de todos os artistas no Brasil? Em 2019, estou, enquanto artista, disposta a pegar na mão de
todas e de todos os artistas de Pernambuco e do Brasil e não soltar a mão de ninguém! Não vamos sucumbir. Não va-
mos desistir. É isso que eles querem com seu moralismo retrógrado

Ficamos muito tristes e preocupados com a retirada do espetáculo Evangelho… Chegamos a pensar em nos retirar, ta-
manho desconforto. Mas deixarmos de realizar, de participar do FJGE nos deu a sensação de permitirmos mais espaço
para que eles vençam esta batalha. Muitas ainda estão por vir e precisamos nos unir ainda mais para vencermos uma
a uma, inclusive, esta que está em curso. Acho que o momento é de lutar contra tudo e contra todos os que nos demo-
nizam. Não podemos car buscando inimigos no nosso próprio campo de batalha. É isso o que os verdadeiros inimigos

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

da cultura e da arte querem. Visibilidade e palanque! Neste ano, precisamos, Independente de tudo, inclusive das dis-
cordâncias, estarmos juntos! Em 2020 talvez o nosso posicionamento seja outro, talvez as discordâncias falem mais
alto. Mas por ora, não. Por ora, vamos nos fortalecer e fazer do FJGE, o nosso palco.

Não critico ninguém por nenhum posicionamento. Cada um seguirá com suas próprias convicções permanecendo ou
saindo. Todos com suas coerências. Admiro e compreendo. Mas meu apoio e solidariedade a Renata Carvalho e ao seu
Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, será na minha trincheira, fazendo o meu Próxima em sua homenagem e em
homenagem a tantas e tantos que estão sendo arbitrariamente calados. Enquanto eu puder, terei voz e tentarei ver o
máximo de espetáculos possível, rindo, me emocionando, debatendo e aplaudindo cada um dos nossos colegas que es-
tarão, direta ou indiretamente, trazendo consigo a voz de Renata para o palco.

DIA 3 DE JANEIRO DE 2019

ANDRÉ FILHO NÃO CONCORDA COM A RETIRADA DA PEÇA JESUS, RAINHA DO CÉU, MAS SEU GRUPO FICA NO
JANEIRO

Não sou adepto de transformar rede social em fóruns de discussões, tudo aqui é líquido demais e sujeito a interpreta-
ções equivocadas. Pre ro o concretismo do olho no olho, da presença física. Mas en m, vamos lá. Vivemos tempos difí-
ceis e creio que carão mais ainda. Tempos onde a liberdade de pensamento começa a dar lugar a outros valores,
como a opressão, a tirania e a intolerância, conceitos que vão no sentido oposto ao que acredito enquanto artista.
Lembro de um frase do lósofo W. Durant UMA GRANDE CIVILIZAÇÃO NÃO PODE SER CONQUISTADA, ATÉ QUE TENHA SE
DESTRUÍDO POR DENTRO. Na ânsia de querermos um mundo mais justo acabamos muitas vezes ajudando mais os
nossos algozes.

A quem realmente interessa a desfragmentação do Janeiro de Grandes Espetáculos? Há mais de trinta anos este festival
tem dado provas de sua pluralidade. Tem sido um lugar onde podemos nos encontrar, dialogar, nos avaliarmos. Será
que boicota lo seria o melhor caminho? Tenho dúvidas. Também não concordo com a retirada da peça JESUS, RAINHA
DO CÉU…, mas até onde eu sei foi a coordenação do festival quem a convidou e depois precisou recuar por pressão dos
patrocinadores. Isso não alivia a responsabilidade da APACEPE em fazer parcerias equivocadas para a realização do
JGE, mas daí a taxar o festival de censor há uma distância. É fato que a APACEPE precisa rever esta fórmula do JGE, há
muito defasada, mas os verdadeiros censores não fazem parte da APACEPE, eles estão assistindo de camarote, como
urubus esperando o último suspiro do enfermo. Nós somos artistas, nossas armas são nossa voz e nossa arte e nosso
campo de batalha é o palco. É lá que temos que estar.

Devemos aproveitar todo e qualquer espaço pra gente se apresentar e lá no palco, onde somos vistos, fazer o nosso
protesto a favor não apenas para que Renata possa expressar sua arte mas também todos nós. Porque o que está em
jogo não é apenas a censura de uma peça, mas o incomodo que nós artistas causamos, porque somos nós quem colo-
camos à sociedade diante do espelho de si mesma. A intenção dos verdadeiros censores é que a gente divida os nossos
olhares porque assim as nossas ações se enfraquecem. Vou no caminho inverso do boicote ao JGE, acho que o que de-
vemos fazer é fortalecer não apenas ele, mas todas as mostras e festivais de teatro que existem. Não podemos perder
espaço. O que a gente tem que fazer é ir para o palco que é nosso lugar de luta, assistir o máximo de peças, lotar todos
os teatros, colocar as diferenças de lado e aplaudir nossos pares, e na plateia ou no palco fazer com que eles (verdadei-
ros censores) saibam que não vão roubar a nossa capacidade de sonhar com dias melhores. En m, é o que eu penso.

POST DE IARA CAMPOS E JULIANA MONTENEGRO E TRUPE ENSAIA AQUI E ACOLÁ NO FACEBOOK

Janeiro de Grandes Espetáculos um festival de desrespeito ao artista

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

É do conhecimento de todos que o festival Janeiro de Grandes Espetáculos, de forma covarde, cedeu à pressão da ban-


cada evangélica e censurou o espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU, que foi retirado da grade o -
cial. Toda nossa solidariedade e apoio a artista Renata Carvalho, a diretora Natalia Mallo e toda equipe do Núcleo Cor-
po Rastreado, assim como aos espetáculos pernambucanos que se recusaram a compactuar com tal censura, se reti-
rando da programação.

O que pouca gente sabe é que o Festival vêm desrespeitado a classe antes da edição de 2019. Vários artistas ainda não
foram pagos por suas apresentações na edição de 2018. Sabemos da di culdade que é realizar e manter um festival
desse porte por tanto tempo, mas é absolutamente inaceitável que passado um ano das apresentações a produção do
festival não tenha apresentado nenhuma solução, nenhum plano de ação visando sanar esse problema, nenhuma justi-
cativa plausível, nenhum posicionamento público acerca dessa questão, além de uma explicação rasa e vaga no Face-
book. É importante frisar que, por diversas vezes, os grupos entraram em contato com a produção e tentaram exausti-
vamente chegar a uma solução não tendo conseguido nenhum retorno satisfatório. 

Todos os grupos cumpriram com suas obrigações, o mínimo que merecemos e exigimos é o respeito e o compromisso
por parte do produtor do festival, Paulo de Castro, em resolver o problema e honrar com o contrato legal rmado entre
os artistas e a APACEPE.

DIA 4 DE JANEIRO DE 2019

REUNIÃO CONVOCADA PELA APACEPE COM ARTISTAS E PRODUTORES DO JGE 

“Outros grupos resolveram continuar por considerarem o Janeiro uma trincheira que não se deve abandonar. Para a
próxima edição, decidimos criar uma comissão de artista para que ela possa analisar situações como essa. Além disso,
resolvemos que no nal de cada espetáculo um artista subirá ao palco para falar sobre resistência no teatro”, relatou o
coordenador do JGE Paulo de Castro ao jornal Folha de Pernambuco.  

DIA 6 DE JANEIRO DE 2019

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Espetáculo tem direção de Mônica Lira. Rogério Alves

GRUPO EXPERIMENTAL SAI DO JANEIRO

Sobre o 25º Janeiro de Grandes Espetáculos

Nós, o Grupo Experimental seguiríamos no próximo dia 13 de janeiro, no Janeiro de Grandes Espetáculos, com as co-
memorações dos seus 25 anos, mesma idade do festival, apresentando Breguetu, compondo a programação no Teatro
Santa Isabel. Um espetáculo que circulou por várias cidades do Brasil, que fala do Brega, do jeito tão recifense e gosto-
so que só a nossa gente tem. Corpos que revelam em sua trajetória violências, preconceitos, marcas. A cada gesto que
nos cala, a nossa fala se torna mais potente. Esperamos até o último momento para tomar a decisão, pois somos um
coletivo e muitas divergências em torno da participação ocorreram, com ideias sendo defendidas e pontos de vista sen-
do aprofundados como é natural em uma tomada de decisão. Participamos da reunião para ainda tentar entender o
que de fato acontecera, com quase 80 artistas reunidos em plenária lá, em meio a uma cidade dividia, com uma deci-
são tomada pela energia que nos move nesse instante. Não dançaremos como consta na programação e sim seguire-
mos deixando a pauta do Janeiro, em tom de revolta e profunda re exão. Leia-se revolta pela conjuntura que vem des-
truindo os nossos espaços e nos tirando o direito e a liberdade mesmo antes do governo posto. Vimos este festival nas-
cer, dar vez e voz a muita gente, zemos parte desde a primeira edição. E inusitadamente nos chega como uma bomba
a situação da organização diante desta conjuntura, onde estávamos segurando nas mãos do festival quando decidimos
fazer mesmo num momento onde os festivais não conseguem recursos e muitos estão morrendo, por isso, deveríamos
ter sido convocados pra enfrentar junto com os produtores esses opressores que se camu am nos gabinetes e nas le-
gendas políticas que supostamente defendem. Mesmo não concordando com a decisão respeitamos e até entendemos
as razões colocadas de forma emocionada ontem por Paulo de Castro, bonito de ver tanta generosidade entre os pares.
A censura, independente de quem a sofra, nos atinge no tocante, nesse lugar de fala em que todas as artes se tornam a
voz dos oprimidos. Quanto ao Festival, esta é a chance de se rever, de se posicionar com quem o ocupa e dá sentido a
ele. Quando nossa arte cria uma agenda tão importante para uma cidade como o Recife é, o palco se transforma em
um lugar de luta. Sem Breguetu, sem Renata, sem todos nós que nos posicionamos, o JANEIRO ganha a oportunidade
de redesenhar o seu trajeto, assim como divulgado na reunião: queremos caminhar na construção de um Festival de
fato dos artistas dessa cidade. Neste momento em que todos precisamos nos dar as mãos, onde festivais se tornam
alto-falantes, artistas e suas obras repercutem a voz da população, onde o cachê se negocia, onde se somam esforços
diversos, nossos abraços formam muros intransponíveis. Rejeitar a quem quer que seja é enfraquecer estes elos. E nós
todos somos um: a arte. Então, diante deste fato, tornamos pública a nossa posição, respeitando e abraçando a todos
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os artistas que cam ou saem, pois nossa defesa é pela liberdade e isso engloba discordar e concordar. Aproveitamos
para dizer que iremos comemorar nossos 25 anos, com mais calores, afetos, trocas e sem ela: a CENSURA.

“Não há outro mundo. Há simplesmente outra maneira de viver”. Jacques Mesrine

MARCONI BISPO ANALISA A CENSURA DA APACEPE


 
 

O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU E A CENSURA DA APACEPE.


– ou O Teatro Segundo Recife, Seus Reis e Suas Rainhas.

Posicionar-se não é tarefa fácil. Tomar decisões que ajustem, com verdadeira harmonia, interesses particulares e coleti-
vos, desejos pessoais e expectativas do Outro em torno de alguma questão nos coloca – estamos vendo agora – num la-
birinto. Com um Minotauro bafejando em nossas costas. Nós adoramos instigar o Outro a olhá-Lo, enfrentá-Lo. Mas o
caso recente da Renata Carvalho – a censura por ela sofrida dentro do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos – está nos
mostrando muitas coisas. Os labirintos estão cá dentro. Resolva os seus e depois veja a melhor forma de ajudar o Ou-
tro a resolver os deles.

Em julho de 2018, quando do episódio no Festival de Inverno de Garanhuns (todo o processo sofrido pela Renata Car-
valho e seu espetáculo naquela cidade), Paulo De Pontes foi um dos ativistas mais entusiastas para que os/as artistas
presentes na programação boicotassem o Festival. Era um chamamento diário, constante, intermitente. Era uma posi-
ção (que respeitei, como respeito muito ele). Com uma mostra do 25º Janeiro/2019 ocupando o espaço que ele faz a
gestão – a Mostra “Curta Teatro”, na Casa Maravilhas – e mais dois ou três espetáculos que ele está no elenco dentro da
programação, acredito que Paulo de Pontes esteja percebendo como não é tarefa simples exigir do Outro que resolva
seus labirintos. Ou era muito mais fácil lutar com um inimigo, no caso de Garanhuns, quase liquefeito numa cidade in-
teira, num gesto que, embora soubéssemos de onde tinha partido, fora diluído num tanto de invisibilidades covardes,
mas não menos ameaçadoras. Aqui, neste nosso Recife amado, o inimigo é sabido, está visível e (im)posto. Todavia, é
nosso amigo. De quem se aguarda benesses, com quem não posso me indispor com medo do sol se pôr. Recife é assim:
eu grito com que está do meu lado, com que está abaixo, talvez longe. Acima nunca! Lá estão os/as deuses/as
alados/as, guras que há décadas ditam a política cultural de uma cidade que, sequer, aprofundou os sentidos da “Po-
lítica”. Isto que, parece-me, é quem harmonizaria interesses pessoais e coletivos. O tal do “bem comum”.

24º Janeiro de Grandes Espetáculos/2018: eu estava me preparando para entrar em cena com o “Luzir é Negro!”, espe-
táculo do Teatro de Fronteira onde sou o performer-protagonista, no Teatro Marco Camarotti. Ainda que tivesse com
suas cadeiras reservadas, a Comissão Julgadora exigia a entrada antes do espetáculo começar. Explicamos que as ca-
deiras já estavam reservadas (os melhores lugares!), ainda resolvíamos um detalhe ou outro da apresentação e, o mais
importante, o público entrava já com o ator em cena, recebendo a todos. Inclusive eles. A Comissão cou emburrada
(sem trocadilhos, juro). Um disse que se fossem embora o espetáculo não seria julgado. Dissemos: “Tudo bem, a gente
não está aqui pela premiação. É pelo público e pelo cachê”. Outro julgador, já com o espetáculo iniciado, começou a
exigir as cadeiras que havia pedido (a Paulo de Castro) para um seu convidado e mais seu acompanhante. Tensão, rai-
vas. Resultado: não fomos indicados a nada, hahaha. E a gente só riu porque sempre soubemos da qualidade do Luzir!
e do nosso grupo. E se a intenção era destruir a carreira do espetáculo, importante assinalar: tivemos um 2018 lindo!

Com esta passagem acima, o que quero fazer lembrar: isso só foi feito porque o mainstream do teatro pernambucano
– seus coronéis – acredita que o Teatro de Fronteira e um ator negro têm o mesmo valor que fora dado ao espetáculo
“O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu”. É uma espécie de não-pertencimento. Ou um pertencimento quando é
conveniente. Quando precisarem tratar de representação negra-gay-periférica no teatro pernambucano, “Luzir é
Negro!” será lembrado. O que estamos vendo no episódio da Renata – e na forma como as pessoas reagem ou não a
ele – é tão somente o sinal de uma cidade onde políticas públicas e relações privadas (sem trocadilhos, juro novamente)

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se confundem. Logo, não há “política pública” porque tudo pode ser balizado pelo nível de posicionamento que certos
sujeitos têm ou não tem. Se se sujeita, tens. Se te posicionas e te rebelas, não tens.

Sendo assim, é muito fofo (na falta de um adjetivo mais apropriado) dizer que a censura não foi da Apacepe. É fofo
mesmo. Palavra boa. Essa qualidade de coisas que não nos agridem. Mas também não servirão para quebrar muros.

(Em tempo I: faço parte dos artistas “privilegiados” que receberam seu cachê de 2018 – recebemos via Fundaj. Ainda as-
sim, quando procurado por alguns artistas que NÃO haviam recebido seu cachê e intentavam uma movimentação pú-
blica, disse que me juntaria igual.)

(Em tempo II: este é um texto meu, bem meu, não é do grupo que faço parte, o Teatro de Fronteira. Desaforos, ressenti-
mentos, instintos vingativos e deboches podem mandar pra mim. De boas. Já faz algum tempo que ando com gente
muito massa em minha companhia. Beijos de Luz (ir!).

COMENTÁRIO DO ATOR PAULO DE PONTES AO POST DE MARCONI BISPO

Super coerente, mas sinto que a falta presencial para falar isso olho no olho só enfraquece as relações…e juntos pode-
mos percorrer esse labirinto.. Só esclarecendo mea culpa, realmente lá no início do g fui muito enfático em boicotar…
Mas lá mesmo dei minha cara a tapa e percebi que estava errado… Diante do lindo movimento dos artistas em protes-
tarem nos seus lugares de fala de direito… Lá mesmo no percurso do FIG, mudei de ideia… E aqui no janeiro penso que
saindo (boicotando) é um suicídio… Não é pq estou envolvido com peças na programação, mas pq acho que não pode-
mos desperdiçar nosso “palanque” (o palco)… Não é permanecendo num cenário de censura que somos coniventes com
ela… É fazendo dessa permanência a possibilidade de combater ela através da nossa arte e, com ela, protestar e mos-
trar que não estamos satisfeitos.

A ATRIZ E PRODUTORA AUGUSTA FERRAZ AVISA NO SEU PERFIL DO FACEBOOK QUE SUA PEÇA A ARTE DE
TREPAR NÃO FARÁ MAIS APRESENTAÇÃO NO FESTIVAL JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS. 

DIA 7 DE JANEIRO DE 2019

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Renata Carvalho em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu. Foto: Reprodução do FB

RENATA CARVALHO PUBLICA POST SOBRE A REUNIÃO DA APACEPE

Sobre o Janeiro de Grandes Espetáculos e a Censura:

No último dia 04 em Recife, o Janeiro de Grandes Censuras fez uma reunião com alguns artistas para falarem da CEN-
SURA que eles mesmos zeram ao “O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu” (sim parece piada mais é real)

A APACEPE (Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco), comandada pelo censor Paulo de Castro, está
tentando abafar sua atitude censora e se eximir da sua responsabilidade do feito, e ainda teve a cara de pau de nos
chamar de covardes, porque não estaríamos indo de “forma independente”. Em uma entrevista ele diz:
“Se a gente enfrentasse (essa pressão de censura), talvez não tivéssemos os teatros públicos e isso impossibilitaria a re-
alização do Janeiro.” 
(Neste trecho ca muito obvio que ele não quis enfrentar ninguém, mais fácil tirar a travesti e depois arrumar uma des-
culpa. É preciso dizer que: EM NENHUM MOMENTO o festival se esforçou para manter o espetáculo na grade, a pressão
apareceu e eles retiraram, sem nos consultar ou avisar do ocorrido. EU FIQUEI SABENDO PELA IMPRENSA. E ele conti-
nua:
“Na reunião que tivemos com a classe, cou decidido que ao nal de cada apresentação serão feitas falas de repúdio à
censura…”

Não é piada não, o cara que retirou nosso espetáculo da programação quer que os outros espetáculos falem da censu-
ra que sofremos no festival dele. Esse país não é brincadeira não.
E continua….

“… e que, no próximo ano, vamos criar uma comissão que vai tentar fortalecer a classe e evitar episódios como esse. O
Janeiro é um festival dos artistas, fundamental, e temos que reforçar que este tipo de censura não cabe”

Querido você precisa fortalecer o TEATRO hoje, agora…não deixar pro ano que vem, talvez não ter entre os produtores
deste festival pessoas medrosas, covardes e com o rabo político bem preso (como você) poderia facilitar viu, e dizer que
não cabe censura no Festival é tão surreal e um tanto incoerente vindo de alguém que censurou. Quero deixar público
que NÓS do espetáculo O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, não QUEREMOS que ninguém fale em defesa do
espetáculo dentro desse festival que nos CENSUROU. Vocês estão assinando embaixo participando, e outra, não tem
efeito nenhum, isso já foi feito em Garanhuns e adiantou?

Não precisamos que vozes covardes falem por nós ou em nosso nome.
Ontem o Grupo Experimental com seu espetáculo Breguetu foi o quarto grupo a deixar a programação do Festival em
protesto a censura, juntando-se aos espetáculos: Altíssimo de Pedro Vilela, Solo de Guerra de Cleyton Cabral e Espera
o Outono, Alice do Grupo Amaré. (isso sim é ser aliado)

Triste em ver que nossa 5ª censura não mexeu e nem movimentou com a classe artística brasileira. Penso com meus si-
licones: onde estão os artistas? O que eles estão fazendo? Onde está o entendimento do fazer artístico e o papel do ar-
tista? Onde perdemos nosso senso de classe?

Em outra entrevista o Grupo Epigenia do Rio, resolveu não sair do festival, o seu dramaturgo e diretor Gustavo Paso diz:
“Não é boicotando o festival que vamos ajudar o teatro” 
Ahhhh entendi boicotar a peça com a travesti mais uma vez pode neh, o importante é não mexer no seu, só que ele
também esqueceu de dizer como fazer, estranho neh, e continua: “A Epigenia é um grupo de teatro Humanista”. Obvio
que essa “humanização” para na peça de uma travesti censurada

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Fazemos ARTE pra quê? Pra quem? Por quê?


Fico pensando nos artistas que se colocaram, se manifestaram e lutaram na época da ditadura militar. Paramos ali de
lutar? Saudades do Teatro subversivo, do teatro político, do teatro engajado, de luta. Daí me lembro que nesta mesma
época existiam artistas que não faziam nada, mesmo com pessoas desaparecendo, sendo torturada, muitas assassina-
das, sem liberdade de expressão, a censura comento solta no Brasil e lá estava a outra cantando: Pare o Casamento? 

Tristes tempos, quem perdeu e está perdendo nisso tudo é o Teatro, somos uma classe desunida, desarticulada, fecha-
da em guetos e panelas. Somos todes COVARDES. E vamos perder mais devido a nossa inércia. Não entendemos que
não é a “nossa peça” que está sendo atacada, mas sim a Arte, e o que nós fazemos? Apenas camos nas nossas salas
de ensaio, pois o que estamos fazendo é sempre mais importante e urgente. Pra quem?
No m quem ganhou foi a “Ditadura Política Eclesiástica”, eles sim saem dessa batalha como vencedores e muito
fortalecidos.

Se grande parte dos grupos tivessem deixado o festival, iriamos ter dado uma resposta como classe artística dizendo
que não permitimos censura, retrocesso, cortes em festivais, editais…
Mas nós preferimos car de frente as telas dos computadores e celulares criando falsas hashtags

A última é: “ninguém solta a mão de ninguém”, isso é balela, conversa pra boi dormir.
Porque antes de não soltar a mão de ninguém, primeiro precisamos nos dar as mãos e isso tá bem longe de acontecer.

Esse episódio mais uma vez nos escancara que somos uma classe artística cheia de:
COVARDES, COVARDES, COVARDES.
Renata Carvalho – atriz em O Evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, transpóloga, transfeminista e travesti. Fundado-
ra do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans), do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T.

DIA 8 DE JANEIRO DE 2019

Orun Santana retira seu espetáculo Meia-noite da programação do JGE. Foto: Reprodução do Facebook

ORUN SANTANA (MEIA-NOITE) PUBLICA MENSAGEM NO FACEBOOK PARA COMUNICAR SEU DESLIGAMENTO E DO
DARUÊ MALUNGO DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

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Venho por meio dessa mensagem comunicar meu desligamento e do Daruê Malungo da programação do Janeiro de
grandes espetáculos.

Hoje retornei a vida de trabalho diário e comunicação mais ativa com as redes e pude ler, conversar e entender diferen-
tes posturas e posicionamentos sobre algumas questões das atualidades da cena pernambucana. Raramente espero
muitos moveres alheios sobre as coisas que cabem moveres reais e que demandem proatividade, já vivi o su ciente
para entender muitas questões de representação e de (como meu pai diz) “politicagens” que envolvem o meio cultural
pernambucano.

Aprendi com minha Mestra/mãe, rainha Carijós, lha de Oxum e Iansã que a indignação e a coragem são parte de nós
e que nunca devem ser escondidas, por mais que todo mundo lhe veja como a brava, a difícil, a radical, a bomba, ape-
sar de não ser. Com ela também aprendi que tudo isso cansa e que quase sempre a indignação não tem retorno, po-
rém nos torna sãos de nossas verdades, fazendo-nos ainda mais fortes naquilo que sabemos fazer de melhor Re-existir.
Com meu Mestre/pai, dono do meio da noite, lho de Oxalá e Xangô aprendi a saber uir, observar, esperar, brincar,
derrubar sem bater, dar o tapa sem mão… aprendi que não se derruba uma montanha de uma só vez, se cava e a faz
ruir por dentro, as máscaras caem e a justiça acontece, quase nunca da forma que queremos, mas acontece.
Hoje tive duas conversas importantes, a primeira com a produção do Janeiro e a segunda com minha amiga e artista
Sophia Williams. Em ambas as conversas dei muita atenção no que sentia. Em ambas as falas tentei sentir antes de
qualquer coisa, dei voz à minha intuição e deixe-me receptivo.

Depois das conversas li textos e observei pontos de vistas importantes… me z voltar no tempo e lembrei quantas e
quantas vezes o Daruê Malungo não pôde ocupar lugares e quantas desculpas já foram dadas por não sermos selecio-
nados ou quantas vezes fomos diminuídos frente a outros grupos e pra todo mundo tava tudo certo, normal… que
pena né? Fica pra próxima… não tem espaço pra esse tipo de trabalho… é que vocês não são um grupo pro ssional…
não tem conceito… folclore né? A tá…grupo de comunidade recebe menos… en m, milhares de “censuras” descaradas e
ninguém não estava nem aí, NINGUÉM fez nada! São 30 anos de escravidão artística nesta cidade chamada Recife!
Apropriação! Desvalorização! Roubo! Mas…. Continuamos jogando nossa capoeira, mas até quando?! Será que se no
passado outros artistas tivessem se posicionado mais e nos defendido frente as nossas censuras, estaríamos vivendo as
di culdades de hoje?! Talvez sim, talvez não, mas seríamos talvez de fato um grupo, uma classe que deu-se as mãos.

No dia 10 de janeiro continuo apresentando meu solo intitulado Meia-noite, porém fora da programação do Janeiro
de grandes espetáculos, dando as mãos a Sophia Williams, que também apresentará seu solo Transpassar no mesmo
dia e local (ainda a ser de nido). Convido também Yuri Ilumini e Flávia Pinheiro a estar conosco nessa programação e
aqueles que se interessam em agir. Eu e minha equipe estamos abertos a contribuir em ações que busquem essa ciran-
da de fortalecimento.
Agradeço a compreensão de todas e todos.
Axé e bem vindo 2019

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Silvinha Góes, Ana Nogueira, Fabiana Pirro e Mayra Waquim. Foto:Reprodução do Facebook

VIOLETAS DA AURORA DEIXAM A PROGRAMAÇÃO DO JGE

As Violetas da Aurora, quatro e singulares, através desta publicação, oferecem humildemente sua voz de corpo inteiro
ao coro de artistas que NÃO MAIS ESTARÃO na programação do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos.

Vivemos e vemos um momento muito, muito triste, com a perpetuação da destruição e do assassinato por todos os la-
dos, por preconceito, por ambição, por vaidade, por violência… Um momento que nos joga nessa espiral do tempo em
memórias tantas, distantes e recentes, dores, muitas, in nitas, tão marcadas em nossas células brasileiras… A censura,
mais uma vez, ao espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU, nesse Pernambuco nosso, é inaceitá-
vel! A pressão de uma bancada evangélica abusando de seu poder ilusório para calar a arte e perpetuar preconceitos e
mortes, é inadmissível! Criar através de estratégias políticas vergonhosas o desmantelo da cultura em ataques que vão
da exclusão de um ministério a censuras a céu aberto é destruidor demais para não seguirmos mesmo de mãos
dadas…

Ver o Janeiro se posicionar utilizando padrões regidos pelo dinheiro como justi cativa de colaboração com a censura
imposta, quando pouco tempo antes com a retirada de um importante patrocinador, tínhamos já concordado em abrir
mão, praticamente todxs, cremos que mesmo a atriz Renata Carvalho, de nossos cachês, foi um baque sem tamanho e
razão de muita indignação… Os desa os são in nitos e a união, os debates, as articulações de ações de resistência,
urgentes…

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Diariamente vamos necessitando reaprender nosso estar no mundo para seguirmos fortes nesse agora que nos pede
mais inteligência constantemente e muito mais amor… Faz muito que os enfrentamentos são diários, para ser trans,
para ser mulher, para ser negra, para ser índia, para ser… E sim… Chega de tantas atrocidades! É disso também que fa-
lam as criações das Violetas da Aurora, na rua ou no palco e é disso que falamos quando por companheirismo e fé di-
zemos não ao Festival JGE este ano.

Junto a tudo isso, assistimos nos últimos dias atentados assombrosos e sem tréguas aos direitos humanos, incluindo o
desmantelo premeditado de uma mudança na educação (já precária há muito) por terrenos imensamente perigosos,
como a ideia de meninas ‘só’ serem princesas e meninos ‘só’ vestirem azul num conto de fadas onde não se fala das cri-
anças abandonadas nem miseráveis e a liberdade se enterra de tanta vergonha… Nesse momento em que as televisões
ligadas por todo Brasil reverberam pelas casas as notícias mais terríveis e as ideias mais perigosas multiplicadas em
alto e bom som… Não há qualquer possibilidade de nos calarem ou de nos calarmos! Abriremos mais janelas do que
todas as janelas que há no mundo!

É por isso que mesmo fora da grade do Janeiro de Grandes Espetáculos, as Violetas seguem na lida e em janeiro mes-
mo, ali, no Bar do Mamulengo, vão estrear assim, de um jeito independente, a sua nova brincadeira… Em janeiro tem
espetáculo?… Lá no Bar do Mamulengo, no Recife Antigo, oferecendo na alegria da palhaçada a magia de outros olha-
res ao mundo, questionando esse sistema através do riso e encantamento. Por nós! Pelo teatro! Por Renata Carvalho!
Por Natalia Mallo! Pela força da união! Pela vida!

Até lá vamos trabalhando na produção do nosso mágico elixir contra o retrocesso… Piu de morcego, folhas de alecrim,
teia de aranha cigana, um coco bem cantado com gogó e coração, o balanço de uma ciranda e muito amor no
caldeirão.

Vamos pra cima com arte, poesia e juntxs!!!!!

“Somos lhas e lhos da época


e a época é política.

Todas as tuas, nossas, vossas coisas


diurnas e noturnas,
são coisas políticas.

Querendo ou não querendo,


teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um aspecto político.

O que você diz tem ressonância,


o que silencia tem um eco
de um jeito ou de outro político.

Até caminhando e seguindo a canção


você dá passos políticos
sobre um solo político.

Versos apolíticos também são políticos,


e lá em cima a lua ilumina
com um brilho já pouco lunar.
Ser ou não ser, eis a questão.

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1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

Qual questão, me dirão.


Uma questão política.

Não precisa nem mesmo ser gente


para ter signi cado político.
Basta ser petróleo bruto,
ração concentrada ou matéria reciclável.
Ou mesa de conferência cuja forma
se discutia por meses a o:
pode-se arbitrar sobre a vida e a morte
em mesas redondas ou quadradas.

Enquanto isso matavam-se os homens,


‘assassinavam as mulheres’,
ardiam as casas,
cavam ermos os campos,
como em épocas passadas
e menos políticas.”

(Wislawa Szymborska)

SOPHIA WILLIAM CONVOCA REUNIÃO PARA O DIA 15/01

Olá, meus amores


Diante de tudo que está acontecendo atualmente, com mais uma vez nossos copos trans sendo censurados em um Fes-
tival, através da censura ao espetáculo O Evangelho Segundo Jesus a Rainha do Céu, da Renata Carvalho, venho através
deste poste fazer uma convocação a todes artistas e pessoas trans da cidade, para estarem comigo em um encontro
com os grupos e coletivos que estão boicotando o Festival, para conversarmos sobre futuras ações e o que pode ser fei-
to para que nossa arte seja vista e respeitada, assim como nossos corpos e vivências.

O encontro será no Espaço Acolher das Mães Pela Diversidade, que ca na Rua Gervásio Pires, 404 sl04, 50060-230, Re-
cife; no dia 15 às 15h… NESSE MOMENTO PRECISO DA PRESENÇA DE TODES! GRATIDÃO

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AGRINEZ MELO ANUNCIA A SAÍDA DE HISTÓRIAS GUARDADAS EM MIM PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

COMUNICADO

Venho através deste informar que meu espetáculo solo:  Histórias Bordadas em Mim, está cancelando a apresentação
do dia 26/01, na mostra Curta Teatro. A ideia da Mostra é muito bonita e louvável e o Espaço Maravilhas pode contar
comigo no que precisar em momentos futuros. Mas, nesse momento, por esta edição está dentro da programação do
25° JGE (Janeiro de Grandes Espetáculos) e o festival citado apresentar-se nessa conjuntura opressora, excludente e
transfóbica. Eu, enquanto mulher, negra, atriz e candomblecista solidarizo-me com a atriz Renata Carvalho e sou con-
tra qualquer tipo de CENSURA sofrida por ela nesse festival. Não tem sentindo fortalecer um festival que vai de encon-
tro ao que acredito. Portanto retiro-me da programação.

Na intenção de agir com o máximo de clareza, só hoje tomei a decisão.

Venho aqui também ressaltar a importância dos festivais para o escoamento de nossa produção. É importante frisar
que os festivais teatrais e artísticos só são possíveis se existir o artista. Por isso devem horizontalizar suas ações, dialo-
gar com o artista antes de ceder aos mandos e desmandos do opressor por aporte nanceiro ou coisa do tipo. A arte é
humana e precisamos dessa consciência para prosseguir.

Acredito que estamos no momento de muita transformação e essa transformação é obrigatória, assim como os posicio-
namentos. É hora de repensar a estrutura desses festivais. Dialogar com os interessados para que possam continuar.
Agora mais do que nunca.

Histórias Bordadas em Mim acompanha este movimento de transformação e virá em momentos onde os gritos e can-
tos sejam para todos. Sem cerceamento. Torço por mais festivais com novas con gurações que de fato abarquem a to-
dos. Utopia ou não, vou seguindo nessa luta e Bordando essas Histórias que acredito em mim e nos meus. 

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Foto: Reprodução do Facebook.

PAULA DE TASSIA COSTA RETIRA O TRABALHO DE PALHAÇARIA DO JGE

CANCELADO!

Desde de 27 de dezembro tomamos o posicionamento por retirar nosso trabalho de palhaçaria do Festival Janeiro de
Grandes Espetáculos por terem censurado/retirado da programação o espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS,
RAINHA DO CÉU . Nossa palavra sempre será NINGUÉM SOLTA A MÃO DE NINGUÉM e soltar a mão de um para livrar a
própria pele é um ato de covardia. Estaremos sempre disponíveis para a luta do fortalecimento do direito de TODOS
como iguais de direitos. Respeitamos todos os posicionamentos, e principalmente aquele que acreditamos e
defendemos.

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Carne ou Vodka, de Daniel Barros, Eric Valença e Hermínia Mendes. Reprodução do Facebook

HERMÍNIA MENDES COMUNICA A SAÍDA DE CARNE OU VODKA DO JGE

 Querides companheires,
comunicamos o cancelamento da estreia do espetáculo Carne ou Vodka de Daniel Barros, Eric Valença e Hermínia
Mendes, dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos, devido à censura da bancada evangélica ao espetáculo O Evange-
lho Segundo Jesus, Rainha do Céu e acatada pelo Festival.

Nós, atriz e atores, acreditamos que existem várias formas de resistência. Nosso espetáculo mergulha profundamente
no caos humano e político que estamos sobrevivendo. Ele é nosso grito de horror! Por esse motivo, a escolha de estrear
no meio dessa barbárie faria toda conexão e seria um dos nossos protestos. Ocupar um espaço público, ter o palco
como lugar de fala nesse momento crucial fazia total sentido. Entretanto, resolvemos nos juntar aos demais artistas em
nossa causa maior: A CENSURA.

Acreditamos que resistir não é apenas sair. Essa é apenas uma das batalhas que iremos enfrentar com a morte da de-
mocracia. Acabamos de perder o Ministério da Cultura, entre tantas outras perdas tão imensas quanto.
Precisamos nos unir enquanto classe artística, de verdade, na presença, traçar estratégias, bater na porta do governo
que nos censura, não nos paga, e dizer que não aceitaremos calados.
O silêncio não nos cabe, né!?

DIA 9 DE JANEIRO DE 2019

NATALIA MALLO, DIRETORA DO EVANGELHO SEGUNDO, JESUS, RAINHA DO CÉU FALA


 
SOBRE O JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS  

Até hoje doze produções cancelaram suas apresentações no festival Janeiro de Grandes Espetáculos, em solidariedade
à grotesca e o cializada censura sofrida por O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu. Curadores não estão perce-
bendo seu papel e responsabilidade no atual cenário político. Convidaram o espetáculo como “provocação”, por opor-
tunismo, sem entender o que signi cava a possibilidade de voltar a Pernambuco depois da série de violências sofridas
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em Garanhuns no ano passado. Aquela apresentação/ato de resistência signi cou para nós enfrentar violência institu-
cional e policial, humilhação, ameaças de morte, difamação e prejuízo nanceiro. Foi o dia mais desgastante da minha
vida artística, difícil descrever. Agora, depois de ceder covardemente à pressão da bancada evangélica, num movimento
político orientado pelo receio em se indispor com a classe política dominante e assim perder apoio nanceiro não só ao
festival como a outros empreendimentos, esperavam de nós que zéssemos um novo ato de resistência, apresentásse-
mos em uma “boate gay”, nos colocássemos como parceiras do festival em uma suposta luta solidária pela manuten-
ção desse espaço para a arte. Não entenderam nada. E, mesmo que como diretora eu sempre tenha tido a
política de apresentar o trabalho custe o que custar, neste caso especí co tanto eu como Renata Carvalho e Gabi Gon-
çalves, e também Jo Cli ord, concordamos em não querer estar presentes, e não sermos coniventes com essa vergonha.
O público vai sentir é o vácuo, a pobreza de espírito e a falta de compromisso desse evento com a arte e a liberdade.
Jesus condenou abertamente os hipócritas, e nós também. Não tivessem cedido a essa pressão, e tivessem se afastado
um pouco do próprio umbigo, o Festival poderia ter feito História, colocando-se ao lado da arte, e principalmente do
corpo travesti, porque esse é o motivo real dessa violência. Esses fariseus não podem permitir o deslocamento desse
corpo para o centro da cena e para os espaços de poder, porque isso desestabiliza seus podres poderes. Miseráveis. E
assim como tentam massacrar as travestis na rua, tentam fazer o mesmo em qualquer espaço que elas queiram ocu-
par. Só que não podem deter a mudança. Essa mudança cultural está em curso e é irreversível. Somos muitxs traba-
lhando nisso. E saem do episódio desmoralizados, derrotados na única missão que tinham para cumprir. E os artistas
que continuam na programação, não entendo o que os motiva. O festival sequer pagou quem se apresentou no ano
passado. Toda a sociedade vai ter que sangrar para que algo mude. A peça foi apresentada 200 vezes, vista por 16.000
pessoas, foi à Europa e à África, emocionou muitas plateias, mudou vidas, aproximou famílias dilaceradas, levantou
debates, inaugurou movimentos, e principalmente, por onde passa, desmascarou e desmascara a hipocrisia e a
falta de empatia. Curadorias, melhorem.

RENATA CARVALHO COMENTA ABERTURA DO JANEIRO

Ainda sobre o Janeiro de Grandes Censuras

O festival Janeiro de Grandes Espetáculos começou ontem, sobre forte tensão (assim saiu na imprensa). O censor Paulo
de Castro deu uma fala bem curta. Muitos homenageados deste festival falaram sobre a censura na abertura do even-
to. (Não é demaixxxx Brasilllll)

Saíram ao total até agora 10 espetáculos da programação do festival em protesto a Censura sofrida por O Evangelho
Segundo Jesus, Rainha do Céu.

Passeando rapidamente pela programação com um olhar travesti bem atento: Algumas coincidências e considerações
a fazer:

Existem 2 trabalhos do autor Santista Plínio Marcos (eu tb sou santista). 

Os trabalhos são: Navalha na Carne – uma homenagem a Tônia Carrero, do Rio com direção de Gustavo Wabner e
3x Plínio do Núcleo de Teatro do Sesc Petrolina, que aborda os textos (Navalha na carne, Abajur Lilás e Dois perdi-
dos numa noite suja), com direção de Emmanuel Matheus (nome bíblico)

Esses grupos sabem quem foi o autor santista Plínio Marcos? Acho que não profundamente. Plínio era e é considerado
o “autor maldito”. Ele mesmo diz: “eu sou um repórter de um tempo mau.” Ele foi um dos primeiros a retratar os sub-
mundos de São Paulo, e tendo como principal pano de fundo, a cidade Santos, com sua zona boêmia, de prostituição,
do porto, os malandros da noite, meninos de rua e prostitutas.

Um aparte (Plínio falou de todo submundo, menos de nós travestis, nem o Plínio falou de nós)

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Na época da Ditadura Militar (1964 – 1985) ele era considerado “inimigo do sistema” (mal de santista rs). A partir de
1968, com a execução do AI-5 o teatro do Plínio é sistematicamente censurado as peças Dois perdidos numa noite
suja e Navalha na Carne (com Tônia Carrero fazendo o papel de Neuza Sueli, papel que foi um dos marcos de sua car-
reira no teatro), depois de ter sido feita em várias regiões, foram interditados em todo território nacional.

Na década de 70 foi o autor símbolo da perseguição da censura. Foi preso em 68. Depois foi preso novamente em
Santos por não acatar a interdição na peça Dois perdidos numa noite suja em 69 (ele também estava atuando
na peça). Fora que foi inúmeras vezes levado para depor. Eu mesma escutei da própria boca do Plínio algumas
histórias (comecei no teatro em 1996), e nessa época o Plínio passeava com seu cruci xo pelo Teatro Municipal,
era gura sempre presente. Na redemocratização escreve nos anos 80 Jesus Homem (agora é travesti mesmo).

Penso com meus silicones: Esses grupos, essas pessoas, esses atores, esses diretores sabem de quem eles estão fa-
lando, conhecem pelo menos o mínimo da história desse autor?

Pois perante uma CENSURA sofrida por um espetáculo, estar encenando um dos autores mais censurados de nos-
sa história e não fazer nada, não se colocar ou se posicionar é no mínimo incoerente, covarde e um desrespeito
com a história e a obra desse autor. Vocês não entenderam nada. Precisam ler mais a respeito dele. Tenho certe-
za, conhecendo um pouco seu gênio nos bastidores do FESTA (Festival Santista de Teatro, criado por Patrícia Gal-
vão, uma de suas madrinhas na arte) ele não iria gostar nada, nada. Inclusive ele diz: 

“A arte não pode habitar corações covardes” (Deu pra entender? Ou querem que desenhe?) 

Parece que o montaram para parecer cult, descolado, falar das pessoas à margem (está tão na moda o social neh
gente, quer ser mais social e ganhar o sorriso nos lábios das instituições do que falar de gente marginalizada)

Porém se esqueceram do que movia o teatro do Plínio, a constante forma de nos jogar de forma tão escancarada
na nossa cara essa realidade tão dura. 

Vocês estão montando Plínio a la gourmet? Um teatro pliniano higienizado, sem pensamento, branco, cis, hetero,
bem nascido, com nível social elevado. É isso que vocês imaginam ser ele? Os encontros aconteceram em varan-
das gourmet, com vinho de boa marca ao nal do ensaio?

Vocês andam comendo e lendo que Plínio? O autor santista pra vocês é nascido na Vila Madalena ou Laranjeiras?
Plínio rico? Para vocês saberem ele era um fudido, teve que vender muitos dos seus livros e peças andando pelos
bairros santistas para poder comer. Plínio sempre foi marginal e marginalizado. 

Será que mesmo uma conterrânea dele sofrendo censura, não os fazem repensar o seu fazer artístico no teatro
dele? Ou de engajado só tem o texto e a escrita do projeto de vocês para agradar editais?

No dia 19 de novembro de 1999 ele falece, e sabe quem interpretava o personagem Veludo de Navalha na
Carne na época, “EU” e com isso carreguei o baú com suas cinzas (e a atriz Ludmila Corrêa representando as
prostitutas) e saímos pelas ruas de Santos, passando por vários pontos da cidade num caminhão de bombeiro,
pelo Jabaquara (seu time do coração) e acabando na ponta da praia onde foram jogadas suas cinzas no mar. Fiz
Giro de Abajur Lilás e dirigi Quando as maquinas param.

Falta discernimento, falta verdade e interpretação até de texto. Vocês não entenderam nada.

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E para nalizar o Grupo Bernache Cia de Teatro de Pernambuco vai encenar o espetáculo Geni, sim ela mesma
da música do Chico Buarque de Holanda feita para Ópera do Malandro, a personagem travesti é rechaçada,
ofendida, excluída, e pedem para atacarem pedra nela. Mas o que o grupo faz quando na VIDA REAL uma travesti
passa por isso: O mais absoluto silêncio. Espero que pelo menos a personagem trans seja feita por uma atriz
trans, pq além de tudo ser “Trans Fake” seria o cúmulo da transfobia e exclusão, aliás exatamente o que a perso-
nagem passa. Será que o grupo Bernache sabe que Chico foi muito censurado, perseguido e ameaçado, e por isso
se exilou na Itália em 1969?

Esses artistas fugiram da aula de história que conta sobre essa época? Não estudaram o tempo em que essas
obras foram criadas?

E para terminar outra curiosidade o Grupo Bernache tem esse nome, em homenagem a uma ave que só voa em
conjunto. Daí eles colocaram esse nome porque teatro não se faz sozinho, e não se faz mesmo.

Uma pergunta ca no ar: O voo de vocês é só entre os que estão no seu grupo e panelinha? Esse voo cabe uma
travesti censurada? Na verdade Bernache e o grupo do Rio, vocês se perderam do bando, as bernaches estão sozi-
nhas, desorientadas, não sabem o que fazer. E sozinhas as Bernaches não conseguem voar porque precisam do
outro para fortalecer a união e seguir em frente com o voo.

Nós estamos no céu, mas sem asas, sem orientação, sem referência e sem paraquedas. E com isso meus caros,
será inevitável, mas todos vamos cair e perderemos a direção do caminho para voar.

E nesse voo Pliniano, precisamos ter no mínimo uma consciência de classe, onde todes os Bernaches são impor-
tantes. Quando falta um, apenas um já é su ciente para perdemos toda direção.

O que nos falta é CORAGEM.

SOMOS BERNACHES COVARDES…

Renata Carvalho – atriz e O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, Transpóloga, Transfeminista. Fundadora
do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans), do “Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T (Pri-
meiro coletivo artístico formado integralmente por artistas trans)

O POSTE SOLUÇÕES LUMINOSAS RETIRA ESPETÁCULO DO JGE

ATENÇÃO: 
Caros amigos, viemos através deste comunicado tornar pública a retirada do espetáculo pedagógico de conclusão de
curso da Escola O Poste de Antropologia Teatral – intitulado Em Cada Encruzilhada, Uma História Dada: Um Ensaio
Para Eugênio Barba – da programação do 25° Janeiro de Grandes Espetáculos.

A continuidade da referida montagem na grade seria acompanhada de ações voltadas para a visibilidade e representa-
tividade das artistas Trans, pois temos um espaço cultural de resistência e nele já começamos a vivenciar essas ações (a
nossa querida Sophia William participou de uma leitura dramatizada na Mostra Luz Negra 2018) . Mas tomamos a de-
cisão da retirada por compreendermos a grande importância do LUGAR DE FALA defendido fortemente pela atriz Trans
Renata Carvalho que comunicou que as possíveis estratégias criadas pelos grupos para visibilizar a representatividade
Trans, mediante a CENSURA do seu espetáculo, são estratégias rarefeitas e pouco e cazes, por isso diante do que foi ex-
posto pela atriz re etimos que a nossa ação não colaboraria em nada com o movimento LGBTQI+ diante desse quadro

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de CENSURA, onde o festival cedeu a uma pressão, sem uma resistência organizada, consequentemente tolhendo a li-
berdade de expressão e representatividade, por isso em respeito aos artistas Trans que tem O SEU LUGAR DE FALA E CA-
BENDO APENAS A ELAS E ELES, QUE VIVENCIAM COTIDIANAMENTE AS SITUAÇÕES DE TRANSFOBIA saberem a melhor for-
ma de representatividade, estamos retirando o espetáculo EM CADA ENCRUZILHADA UMA HISTÓRIA DADA do festival
, mesmo de forma simbólica pois o espetáculo não tinha nenhum vinculo contratual , logístico, técnico com o JGE con-
forme informado no comunicado anterior do Grupo O Poste, pois iremos cumprir uma temporada que já estava
agendada.

O GRUPO POSTE trabalha com ações a rmativas e a representatividade da negritude nas artes cênicas e exercitará O
SEU LUGAR DE ESCUTA em relação a representatividade da comunidade LGBTQI+, e diante dos fatos concluímos que
torna-se impraticável e incoerente da nossa parte seguir no evento. 

O grupo continua à disposição para que JUNTOS possamos construir um diálogo que fortaleça cada vez mais o espaço
de escoamento das artes cênicas contando com a presença de TODOS OS ARTISTAS E A SUAS POÉTICAS tanto no JGE
como em outros importantes festivais do estado, para que esse tipo de censura não aconteça NUNCA MAIS.

*IMPORTANTE: E o nosso LUGAR DE ESCUTA continuará no dia 15/01 as 15h no Espaço Acolher das Mães Pela Diversi-
dade, um importante convite da querida Sophia William, escutemos.

*Nossa temporada irá acontecer de forma independente a partir do dia 11/01 as 20 hs

GRUPO O POSTE SOLUÇÕES LUMINOSAS.

Patrícia Costa, da Compassos. Foto: Breno César

COMPASSOS CIA. DE DANÇAS RETIRA O SOLO O PANO QUE LIMPA O TEMPO DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

Por não concordarmos com nenhuma forma de cerceamento e censura ao fazer  artístico.

Pelo respeito ao sublime e democrático direito de expressão.

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Nós da Compassos Cia. de Danças, tornamos público o cancelamento da estreia do espetáculo solo O PANO QUE LIM-
PA O TEMPO, com a bailarina Patricia Costa e direção de Raimundo Branco, que aconteceria no dia 12/01/19 às 19 ho-
ras no Teatro Hermilo Borba Filho dentro da programação do 25° JGE (Janeiro de Grandes Espetáculos).

TREMA PLATAFORMA DE TEATRO REFORÇA CONVITE DE REUNIÃO NO DIA 15/01

CONVOCATÓRIA

Com a retirada/censura do espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu da programação do Janeiro de
Grandes Espetáculos 2019 temos um exemplo claro do período sombrio no qual entramos na história do Brasil. 
Vários grupos locais cancelaram sua participação e surge agora uma profunda re exão sobre as práticas artísticas e a
liberdade de expressão que se encontram cada vez mais ameaçadas.

Assim, a atriz Sophia William, do Dig d’Improvizzo Gang, juntamente com as produções dos espetáculos Altíssimo,
da TREMA Plataforma de Teatro, Solo de Guerra, de Cleyton Cabral e Espera o Outono, Alice, do AMARÉ, convida TO-
DOS os artistas cênicos da cidade, cis e trans, para um encontro presencial no dia 15 de janeiro (terça), às 15h. 

Não se trata de ações relacionadas ao festival JGE, temos como intenção inicial traçar estratégias e pensar ações con-
cretas a m de que a arte feita por atores e atrizes trans tenha mais visibilidade e respeito.

O encontro está marcado para o dia 15/01 (terça), às 15h, no Espaço Acolher das Mães pela Diversidade, localizado na
rua Gervásio Pires, 404, sala 04, Boa Vista.
Vamos nessa?

O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu, com Renata Carvalho. Foto Leonardo Pastor / Divulgação

RENATA CARVALHO PARTICIPA DO ISPA 2019, EM NOVA YORK

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Hoje aconteceu o painel que fui convidada a participar na ISPA 2019, aqui em Nova York, com o Tema: A urgên-
cia do agora: Acesso,Igualdade e inclusão.
Minha fala inicial no congresso foi esta:

“Olá boa a tarde a todes, primeiro me desculpar por não falar inglês, o que acaba di cultando um pouco nossa comu-
nicação. É uma honra estar na mesa com Marlene Le Roux (ela é incrível in nitamente) da Africa do Sul, Kevin Loring do
Canada, Judith Knight e Luiz Coradazzi (meu tradutor)

Meu nome é Renata Carvalho, tenho 38 anos, sou brasileira e travesti.


Travesti é uma identidade latino-americana, tipicamente Brasileira e majoritariamente ligada a pobreza. Pertencemos
ao gênero feminino, nos entendemos e nos expressamos através deste fenótipo, e é através dele que queremos ser
tratadas. 

Porém não somos mulheres e muito menos homens. Somos Travesti, digo isso por que o gênero na linguagem para
uma travesti é muito importante, no meu país passamos muitas vezes pelo desconforto de insistirem em nos tratar no
masculino. Somos SHE.
Começo lembrando com enorme alegria e felicidade que em um evento de Arte, neste caso estou falando da ISPA 2019,
eu não ter sido a primeira pessoa trans a falar em um painel. Na grande maioria eu fui a primeira. Tea Uglow conse-
guiu isso ontem aqui. Parabéns Tea. Mas posso dizer que fui a primeira travesti a falar num painel da ISPA, espero que
não pare em nós, que essa porta agora nunca mais se feche a corpos como o nosso.

Neste ano completo 23 anos de carreira como atriz e diretora de teatro. E desde quando eu comecei no teatro em 1996,
os artistas cisgêneros tentam me expulsar dele. 
A arte cisgênera é transfóbica, e não porque ela não permite que existimos, nós estamos lá nos textos e roteiros de tea-
tros, novelas, lmes e séries, mas porque ela não permite que corpos como o meu estejam em cena. O teatro é o local
mais democrático que eu conheço, pena que os artistas cisgêneros não saibam disso.
(Todos sabem o que é cisgênero? Se você não sabe o que é, provavelmente você é)
Preciso também trazer alguns dados do meu país Brasil para elucidar algumas questões:

– O Brasil é o país que mais mata de travestis, mulheres e homens trans no mundo, o segundo lugar, o México mata 4
vezes menos. As mortes são geralmente hiperbolizadas, muitos tiros, facadas, objetos en ados no ânus, o local mais
atacado é o rosto, há muitos casos de esquartejamentos, principalmente do órgão genital. Estamos na liderança a
anos, só em 2018 foram 162 pessoas trans assassinadas só porque eram trans. Muitas de nós migraram para a Euro-
pa, porque lá a polícia não mata travesti na rua.
Só que 80% desses assassinatos são de travestis e mulheres trans negras, talvez seja este o motivo de eu ainda estar
viva e podendo falar aqui. No meu país eu sou branca, e vivo o privilégio da branquitude.

– A nossa segunda causa de morte é o suicídio, agora falamos que não nos suicidamos, somos suicidados. A vida média
de uma pessoa trans no Brasil é de 27 anos, o resto da população é de 75. 
90% das travestis estão na prostituição compulsória, e 90% somos expulsas de casa entre 12 a 14 anos de idade. Eu me
prostitui, eu fui expulsa de casa.
A cada 48h uma pessoa trans é assassinada, e a cada 19 horas uma pessoa LGBTQI+.
Somos um dos países mais perigosos do mundo para ser mulher. Uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Ao nal
deste painel, 7 mulheres terão sido estupradas.

– Está em curso no Brasil agora, um genocídio da população negra e indígena. Há mais mortes de negros por ano no
Brasil, do que países que estão em guerra.
Por isso o Bolsonaro foi eleito presidente no Brasil. Nosso massacre é um projeto de governo e de sociedade.

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Agora sim, diante deste quadro posso continuar minha fala.


Em 2002, não aparecendo mais convites para atuar na época como ator, devido a minha feminilidade, torno-me dire-
tor de teatro. Passo 10 anos na direção. Meu percebimento como um corpo travesti acontece na direção e é nela que
faço a minha transição.

Em 2007 me torno agente de prevenção voluntária de ISTs, Hepatites e tuberculose na minha cidade natal Santos, tra-
balhando exclusivamente com travestis e mulheres trans na prostituição. Convivendo com minhas pares, me torno ati-
vista e militante, principalmente da causa Trans.

Em 2012 nalmente retorno aos palcos, e dessa vez agora como atriz, num solo chamado: Dentro de mim mora
outra, onde contava minha vida e travestilidade.
É com este trabalho que junto minha identidade, com o meu maior amor: o Teatro.
Então depois de um tempo fui me sentindo narcisista, resolvi contar outras histórias de pessoas trans.

O meu ofício me mostra que quando preciso montar Shakespeare, eu devo estudar a peça escolhida, a vida e obra para
compreender melhor o que esse artista pensava. Então fui atrás da minha história, fui atrás da minha “Transcestralida-
de” e para contá-la, primeiro eu precisava conhecê-la.

Não existem livros que contem a nossa história, os livros que existem é contando exatamente a exclusão histórica des-
ses corpos. 

Então eu resolvi escrever esse livro e contar nossa história. Comecei a ir atrás de livros que falassem sobre pessoas
trans, este compêndio com mais de 100 livros chamo de “TRAVESTECA”.

Me descubro Transpóloga e passo a chamar esse estudo de “Transpologia”, ou seja, uma pessoa Trans que estuda a
corporeidade Trans, com foco nas artes.

Atualmente interpreto no teatro Jesus de Nazaré, num texto da escocesa trans Jo Cli ord chamado: O evangelho se-
gundo Jesus, Rainha do céu, onde venho sofrendo ataques, violações, ameaças de espancamentos e morte. O espetá-
culo foi censurado pela quinta vez no Brasil, a última agora em janeiro em Recife. A censura é proibida no meu país
desde a redemocratização após uma ditadura militar que durou 21 anos. O espetáculo faz a seguinte pergunta: “E se
Jesus voltasse nos dias de hoje como uma travesti?

Jesus é a imagem e semelhança de todos, menos de nós pessoas trans. 


Nosso corpo é inapropriado, sexualizado, fetichizado, público e de segunda categoria.

Com di culdades de encontrar espaço e trabalho a corpos como o meu, devido ao que chamo de “TRANS FAKE”, artistas
cisgêneros que interpretam personagens trans.

Fundo no Brasil em 2017 o COLETIVO T (primeiro coletivo artístico formado integralmente por artistas Trans), Fundo o
MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans), e com ele crio o “Manifesto Representatividade Trans” que visa que
artistas trans interpretem personagens trans,

A representatividade Trans é o ato desses corpos estarem presentes nos espaços de poder, e a arte é um espaço de po-
der e ela foi e é usada para exclusão, foi assim com as mulheres e depois os negros. Agora é a vez dos corpos dissiden-
tes ocuparem esses espaços.

A representatividade faz com que os artistas cisgêneros convivam com os corpos trans, pois é no convívio, e só com ele
que podemos quebrar estigmas, lendas, folclorizações, a construção social e a criminalização dos nossos corpos, identi-
dades e vivências.
Nós artistas trans queremos fazer um grande acordo internacional.

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Pedimos que nos próximos 30 anos os artistas cisgêneros deixem de representar personagens Trans, e que incluam ar-
tistas trans em seus congressos, fóruns, coletivos artísticos, grupos, companhias, instituições, peças, lmes e novelas.
E tenho certeza que estatísticas com as que apresentei aqui hoje, carão apenas na memória e história, para que lem-
bremos sempre, assim não corremos o risco de retornar a ela.
Nós precisamos fazer isso, cada um de nós que está aqui nesta sala hoje.

Precisamos humanizar, naturalizar e acalmar os olhos cisgêneros com a nossa presença. Ainda estamos lutando para
sermos consideradas humanas.
No nal queremos reproduzir aquela velha e clichê frase:
“Que a arte imite a vida, e a vida imite a arte”. Que a arte inclua os corpos trans, para que a sociedade passa a inclui-
los também.
Precisamos alargar esse conceito de humanidade que não nos contempla.
Queremos parar de morrer.
Obrigada Daniel Valeriano, Obrigada Luiz Coradazzi pela indicação ao meu nome para estar aqui hoje diante de vocês
Pois quem valida a arte, não valida a arte feita por corpos como o meu.
Hoje a ISPA valida o meu corpo e a minha voz travesti para o mundo.
Obrigada ISPA
Evoé…”
Renata Carvalho – atriz, diretora, pesquisadora, transpóloga, transfeminista e travesti. Fundadora do MONART (Movi-
mento Nacional de Artistas Trans), Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T (primeiro coletivo artístico for-
mado integralmente por artistas trans)

HALBERYS MORAES COMENTA 

 Que vergonha viu! Todos querem ter o nome que participou do festival, mas não pensam que seus próprios espetácu-
los discutem sobre a censura, temas que circundam sobre a realidade social, mas no nal ca tudo bem, vão esquecer,
vai passar. Não passará mesmo este acontecimento como algo comum. Como a Renata aponta no texto Plínio Marcos
com toda sua carga que possui, não está e nunca será representado ali, mas porque será que continua na programa-
ção, existe uma instituição que seus apoiadores, gestores, funcionários falam ao m de espetáculos tão bem, traz acon-
tecimentos que já sofreram censura, mas no nal apresenta qual posição? Ja está claro.

Chico Buarque quando escreveu Geni e o Zapelin tinha uma concepção muito grande do que a música retratava e bem
sabemos quando lemos a letra o quão profunda ela é. Mas está aí, minha forma de contribuir é qual – permanecer na
programação. Que forma de contribuir ein?

DIA 10 DE JANEIRO DE 2019

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Atriz Renata Carvalho. Foto: Reprodução do Facebook

FESTA FESTIVAL SANTISTA DE TEATRO- FESTA – DIVULGA NOTA EM APOIO À ATRIZ RENATA CARVALHO

Nota de apoio à atriz santista Renata Carvalho

“A liberdade e a prisão
Ter um barco que percorra
Distâncias incríveis
Saber remendar um sapato
Encontrar um amor
Amor de verdade
Ser vento, fogo ou carvão
Tudo, tudo, tudo
Menos esta ratoeira”
Pagu

O FESTA – Festival Santista de Teatro, vem através desta se posicionar contra a censura ao espetáculo “O evangelho se-
gundo Jesus – Rainha do céu”, monólogo protagonizado pela atriz santista Renata Carvalho, na programação do festi-
val “ Janeiro de Grandes Espetáculos”, realizado pela APACEPE – Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernam-
buco, que em carta aberta diz:

“O cancelamento se dá uma vez que o espetáculo seria realizado em um teatro público e ainda devido à pressão da
bancada evangélica de Pernambuco. Por motivos similares, a montagem já enfrentou ações judiciais e passou por ou-
tros cancelamentos em território brasileiro.“

A arte não pode habitar os corações covardes a rma Plínio Marcos, um dos autores mais perseguidos pela censura, o
Movimento Teatral da Baixada Santista, organizador do FESTA, que em sua edição 59 teve como tema “Liberdade de ex-
pressão” e contou com ” O evangelho segundo Jesus…” como espetáculo de abertura da mostra, no teatro Guarany, es-
paço público de forte ligação com o movimento abolicionista, teve sessão lotada e contou com apoio do poder público

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exatamente pela compreensão e necessidade de debates acerca dos temas apresentados na obra da dramaturga Jo
Cli ord com direção de Natalia Mallo.

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”, nos ensinou Simone de Beuvoir,
nós trabalhadores da cultura devíamos saber o que signi cam essas palavras, sendo assim repudiamos veementemen-
te a direção do festival, que em carta aberta da organização do evento, justi ca:

“…vem informar que, com o objetivo de resguardar a realização do próprio projeto e preservar suas fontes de nancia-
mento, a direção do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos se viu obrigada a retirar da programação do festival a peça O
Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu.

“O festival reitera o seu compromisso com a liberdade de expressão e, exatamente por este motivo, realizou o convite
para que O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu integrasse a programação do evento. Por não aceitar este tipo
de censura, a direção do festival está dando suporte à produção do espetáculo para que ele seja encenado, na mesma
data que ocorreria no Janeiro, em um espaço privado e de maneira independente.”

O espetáculo traz uma mensagem e pauta questões urgentes para o país que mais mata a população LGBT em todo
planeta, está fazendo peregrinação mundo afora, levando palavras de aceitação, igualdade, amor, respeito e união, e a
curadoria do Janeiro de Grandes Espetáculos optou pelo cancelamento, demonstrando apoio a censura, a bancada
evangélica, a m de preservar suas fontes de nanciamento, reforçando a transfobia, a exclusão dos corpos T no mer-
cado de trabalho e na arte, numa violência e silenciamento incompatíveis com a função de produzir acesso à cultura e
diferentes visões de mundo.

O FESTA com 60 anos é o mais antigo festival do gênero em atividade no Brasil, tendo sido criado em 1958 por Patricia
Galvão, teve suas atividades interrompidas em outro período histórico, em que tivemos um prefeito eleito destituído e
um interventor no comando, na década de 1970 com a perda de sua autonomia política e administrativa. Santos, que
abrigou o navio prisão da ditadura militar Raul Soares, sabe o que é censura. O Festival retomou suas atividades nos
anos 1980 com a reabertura política e muita luta e resistência.

Sr. Paulo de Castro e equipe, não podemos normatizar, naturalizar e aceitar nenhum tipo retrocesso e perda dos direi-
tos humanos, ainda mais quando ela vem de supostos agentes da cultura. Em Janeiro de 2019, nós já perdemos o Mi-
nistério da Cultura, a história se faz no presente também. Festivais são locais de encontro, intercâmbios, de troca e
olhares, escuta e alumbramentos, são locais de afeto e acolhimento da diversidade.

A mudança vai acontecer de qualquer maneira. Então por quê resistimos?

Pernambuco, terra de Paulo Freire, João Cabral de Melo Neto, Tunga, do Maracatu, do Frevo, Joaquim Nabuco, Chico
Science, Cláudio Assis, Kleber Mendonça Filho, Chacrinha, Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre foi impedida de ver Jesus.
De salto e de Santos.

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Imagens no cartaz: Rogerio Alves -espetáculo Meia-noite; @eriquer – Trans(passar); Nathalia Verony – Água Dura

APRESENTAÇÃO DE TRANS(PASSAR) + COLETIVO RUA DAS VADIAS COM “AI5” E “ÁGUA DURA” + ORUN SANTANA

O solo de Sophia William Trans(passar) + Coletivo Rua das Vadias com “AI5” e “Água dura” + Orun Santana com “Meia-
noite” (obra que se retirou do JGE 2019), fazem apresentação conjunta no Museu de Artes Afro-Brasil Rolando Toro, a
partir das 17h desta quinta-feira. Contribuição a partir de R$ 10.

Flavia Pinheiro. Foto: Amanda Pietra

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FLÁVIA PINHEIRO RETIRA SUA PERFORMANCE ANTÍLOPE DO JGE

Não há política SEM CORPO! A perfomance ANTÍLOPE está desvinculada do Festival Janeiro de Grandes Espetáculos. O
silenciamento e a censura da atriz Renata Carvalho, em O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU, direção de
Natalia Mallo nos coloca em atitude de prontidão / ação à atual conjuntura. Eu, uma bactéria , acostumada com este
contexto insalubre que é Recife continuo em movimento. Dançar é a minha forma de existir no mundo! Assim como os
antibióticos estão acabando com as bactérias a violência e a censura está dizimando as travestis . O biopoder que cer-
ceia formas de existir, controla o que vida e aquilo que segue em movimento mata , chancela esta forma de vida. 

Por que nós artistas não conseguimos produzir as transformações no mundo que poderíamos ? Por que esta potência
de reação ou uma força efetiva não se concretiza ?Estamos virando memes ? Algoritmo? Somos apenas replicantes de
informação e opiniões ?

Arte é ainda ação e o discurso funciona como ato de fala dentro da lógica publicitária das redes sociais… A verdade é
que eu sempre estive dissonante e dissidente; mas resiliente e persistente no Recife e suas práticas pseudo democráticas
e artísticas . Aqui a crise estética eclodiu no engenho e continua com seus senhores e sobrenomes que negociam o po-
der (curadores, programadores de festivais que vem fazendo concessões há muito tempo e decidindo quem vive e quem
morre !!!! ). Por que essa força efetiva da reação? […] porque não temos mais um corpo e não há, nem nunca haverá,
política possível sem corpo. Se quisermos voltar a vencer, precisaremos de um corpo. Insurreição não é emergência.
Uma insurreição pode ser a explosão bruta da revolta, mas, para que essa revolta forje um sujeito emergente, é neces-
sário ainda mais um esforço. Só mais um esforço, se quiserdes ressoar a emergência.” (Safatle, 2016, Ainda somos ma-
téria em ação. Antílope acontecerá amanhã com esforço e entrada “pague quanto puder” dissidente e dissonante deste
festival. Não posso não performar ! Esta é a minha forma de existir ! De ser bactéria, de estar no mundo e modi cá- lo
em tempo e espaço. Deixar de fazer para apenas transformar em ato político de post no Facebook me parece um equí-
voco . Pretender uma sujeito quando não temos nem corpo é uma distopia. A crise da subjetividade fabricada nas ten-
sões entre macro e micropolítica, na potência dos afectos e nos devires abertos nas composições entre corpo, enunci-
ação e espaço devem colocar em movimentos mais nuances e complexidades . Estamos rea rmando um mundo dicotô-
mico , do sim e do não … dançar ou não dançar ?! 

JANUARIA FINIZOLA ANUNCIA A RETIRADA DO SEU SOLO RESPEITA JANUÁRIA DA PROGRAMAÇÃO DO JGE

Comunico que, infelizmente, após dialogar com amigos, equipe de trabalho e re etir bastante, decidi não participar
com meu espetáculo solo, RESPEITA JANUÁRIA, do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos. A apresentação aconteceria no
dia 18 de janeiro de 2019, às 19h, no Teatro Hermilo Borba Filho. Mesmo entendendo a importância do festival, acabei
tomando essa decisão porque construí um espetáculo sobre o feminino, que evoca o RESPEITO e a LIBERDADE da mu-
lher, sempre na luta para que vivamos distantes da opressão e da CENSURA, então, diante de tudo que aconteceu, che-
guei à conclusão que, a posição mais coerente com meu discurso é a retirada do meu espetáculo da grade do festival.

 FABIANA PIRRO ANUNCIA APRESENTAÇÃO FORA DO JGE

Dizer NÃO ao Festival JGE por conta da censura feita (e que está querendo se estabelecer nas artes) a atriz Renata Car-
valho, foi um grande passo pra nós Violetas da Aurora , assim seguimos na Estrada sem volta da liberdade. Ser Palhaça
é gritar o tempo todo contra o preconceito e a cafonice daqueles que querem dizer o que criar/ser para uma criatura
que tem o direito de escolher .

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VIOLETAS DA AURORA vai apresentar (o JGE) no Teatro Bar Mamulengo na Praça do Arsenal dia 18 de janeiro às 21h
sua MESA DE GLOSAS , brincadeira que foi criada pra festa de Louro lá no sertão mas que neste momento tbm precisa
ser feita aqui. Poesia é um elixir bom danado contra o retrocesso .

Espetáculo Cicatriz Reprodução do Facebook.

PEÇA CICATRIZ SAI DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

  A equipe da peça CICATRIZ vem por meio deste comunicado informar que, após mais um caso de censura com o espe-
táculo da atriz Renata Carvalho em Pernambuco, a apresentação programada para o dia 19 de janeiro de 2019, às
20h, no Teatro Barreto Júnior, dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos está cancelada. 

Aguardem em breve novas informações sobre nossa estreia.

Evoé!

CÊNICAS CIA DE REPERTÓRIO RETIRA PEÇA DO JGE

 A peça Terrorismo informa a todxs que após mais um caso de censura com o espetáculo da atriz Renata Carvalho em
Pernambuco as apresentações do espetáculo Terrorismo programadas para os dias 29 e 30 de janeiro de 2019 as 21h
no teatro Hermilo Borba Filho, dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos estão canceladas.

Evoé!

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As rosas no jardim de Zula. Foto: Vagner Antonio

ZULA CIA. DE TEATRO, DE BELO HORIZONTE, ANUNCIA NO FACEBOOK SAÍDA DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

Um convite à re exão

A Zula Cia. de Teatro vem, através desta publicação, comunicar a retirada do espetáculo As Rosas no Jardim de
Zula da programação do 25° Janeiro de Grandes Espetáculos, que acontece agora na cidade de Recife, de 08 de janeiro
a 14 de fevereiro de 2019. A apresentação de nossa peça aconteceria nos dias 15 e 16 de janeiro no Teatro Hermilo
Borba Filho. Na última sexta-feira, dia 04 de janeiro, ao pesquisar a programação completa do festival, descobrimos
que o espetáculo O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU, protagonizado pela atriz Renata Carvalho, que fa-
ria parte do festival com 03 apresentações, tinha sido retirado da programação por pressão da bancada evangélica da
cidade de Recife. Renata é travesti, transpóloga, transfeminista. Fundadora do MONART (Movimento Nacional de Artis-
tas Trans), do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T. Segundo Paulo de Castro, coordenador do festival, ou
ele cedia à pressão ou perderia toda a verba que tem para realização do festival. Desta forma, cedeu à exigência da
bancada e retirou a peça da programação.

Desde este dia seguimos conversando e re etindo sobre esse acontecimento absurdo, tentando chegar num consenso
sobre qual seria o posicionamento do grupo diante disso.

Hoje a censura foi com a Renata por ser trans e interpretar Jesus, num espetáculo que fala sobre a “opressão e a intole-
rância sofridas por pessoas trans e minorias em geral na sociedade”. E amanhã, com quem será? Esse acontecimento
não diz respeito somente à Renata, diz respeito a todxs nós, trabalhadores da cultura. Foram muitas as perguntas…..

– o que fazer diante disso?

– desistir não seria um tiro no pé? Não é isso mesmo que os fascistas querem?

– vamos ler um manifesto ao nal da apresentação. Isso basta?

– vamos apresentar no primeiro dia e no segundo dia a gente não apresenta e faz um ato de protesto?

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– vamos entrar em contato com outros grupos que participam do festival e articular uma ação, um texto…

– vamos simplesmente apresentar e ngir que nada está acontecendo?

– não seria cômodo fazer parte do festival, receber o nosso cachê e dizer que se importa com a causa? Enquanto
isso é mais uma porta que se fecha para uma atriz trans. 

– estar lá e fazer um discurso contra censura não é contraditório?

– o que realmente vai causar algum efeito num momento em que vemos de braços cruzados a extinção do Minis-
tério da Cultura, a extinção da Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais, a extinção do prêmio Myriam Mu-
niz, etc…etc..etc…

– o que vai fazer alguma diferença num momento em que a cultura pouco importa para o poder público?

– o que vai fazer alguma diferença agora…

– o que vai fazer diferença…..

Estamos num momento de muitas perguntas e poucas respostas sobre como continuar re-existindo com arte, não sa-
bemos o que virá e a sensação de impotência é grande. Mas sobre o agora, preferimos car com a decisão que faz dife-
rença pra nós, independente do efeito que isso vai causar. Ficamos com a decisão que nos fortalece intimamente. Seria
incoerente participar do festival com uma peça que conta a história de uma mulher-mãe, que abandonou os lhos, foi
pra rua, se prostituiu, se reencontrou, se redescobriu e se refez. Uma peça que não julga a condição dessa mulher e sim
mostra sua força em busca de si mesma. Que fala acima de tudo de amor e que também não passaria na censura.
Nem essa nem todos os outros trabalhos da Cia. Nós não estamos ainda na mira dos evangélicos, ainda.. E o que faz
diferença para Cia. neste momento é dar as mãos para quem está na mira e fortalecer esse coro, essa resistência. Esta-
mos com a Renata e com todos os grupos que optaram por não fazer parte do Festival, como forma de não compactu-
ar com a censura.

Não compactuar com o fato do poder público ditar o que deve ou não estar num Festival que é da cidade de Recife e
existe há 25 anos. Não compactuar com a ideia de uma atriz trans ser barrada por uma bancada evangélica de apre-
sentar num teatro público, teatro público!! 

E ca um convite à re exão. Como vamos continuar re-existindo nesses tempos de agora? 2019 tá só começando.
Vem muita censura por aí. Como vamos lidar com estas situações? Vai ter luta? Quais são as nossas lutas? Quan-
do é que uma luta passa a ser uma causa sua? Como vamos nos articular como classe? Somos uma classe? 

Acho que a gente precisa conversar e inventar uma nova forma de ser/estar e sobreviver de arte. Sigamos!

Abaixo, nos comentários, seguem os links com as cartas de Renata sobre o assunto e também de outros grupos que op-
taram por deixar o festival, pois entendemos que é necessário fazer esse acontecimento circular. Precisamos falar sobre
isso e evidenciar a gravidade deste momento. É preciso se importar.

Zula Cia de Teatro 

Andréia Quaresma, Cristiano Oliveira, Talita Braga e André Veloso.

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INTERTEXTO

Primeiro levaram os negros


Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários


Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis


Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados


Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando


Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
Bertolt Brecht

COMENTÁRIO DE LEONARDO LESSA SOBRE A SAÍDA DA ZULA CIA. DE TEATRO DO JGE

 Para além da frase de efeito, estar de mãos dadas exige muito mais do que afeto. Muitas vezes nos cobra senso de co-
letividade, alteridade e renúncia – tudo o que faz o verdadeiro teatro pulsar! Por isso, muitos aplausos para essas mi-
nhas companheiras de vida e arte, que em tempos tão sombrios, iluminam um caminho necessário para trilharmos
juntas, de mãos dadas. Censura nunca mais! Viva Zula Cia. de Teatro!!! Viva Renata Carvalho!!!

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Endi Vasconcelos, Maria Laura Catão e Bruna Castiel. Foto: Lucas Leônidas

BUBUIA COMPANHIA DE TEATRO CANCELA PARTICIPAÇÃO NO JGE 

Nós da Bubuia Companhia de Teatro, que estrearíamos o espetáculo Quanto mais eu vou, eu co dia 19 de Janeiro
na grade do Janeiro de Grandes Espetáculos, cancelamos nossa participação no Festival após a retirada da peça O
Evangelho Segundo Jesus Cristo, Rainha do Céu por pressão externa.
(Pedimos desculpa em relação aos ingressos já comprados, mas adiantamos que o estorno será feito pelo Ingresso Rá-
pido, com prazo de devolução de até 30 dias e não haverá prejuízo para ninguém)

Foi uma decisão difícil, árdua. Ouvimos vários lados antes de nos posicionarmos. Conversamos muito entre nós, com
nossas opiniões por vezes comuns ou divergentes. São anos de investimento do grupo e o sonho de fazer teatro aqui
em Pernambuco, e a estreia no Festival seria um ótimo início. Contudo, diante dos últimos acontecimentos, da censura,
dessa época tenebrosa de intolerância, de tolhimento, não podíamos nos apresentar em paz sabendo que uma artista
teve que sair para que a gente tivesse nossa vez.

Não temos responsabilidade pelo nosso privilégio, mas é do nosso controle o que fazemos com esse privilégio (mesmo
que mínimo teatralmente falando, é muito maior que o de pessoas que costumeiramente têm suas vozes silenciadas,
atiradas nos guetos).

Seguimos nosso coração, seguimos o que acreditamos ser o mais importante. É uma luta maior que o nosso sonho de
estrear no Janeiro. Não estamos aqui criando dicotomias ou vilanizando ninguém. Torcemos para que o Festival olhe
para dentro de si e se reformule, que troque com os artistas, principalmente os que estão à margem.

E não deixaremos de fazer arte. Não deixaremos o espetáculo morrer. Resistiremos. Em breve divulgamos onde e quan-
do será a nova data de estreia.

Atenciosamente,

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Bubuia Companhia de Teatro.

DIA12 DE JANEIRO DE 2019

 
O CRÍTICO KIL ABREU COMENTA O EPISÓDIO DA EXCLUSÃO DA PEÇA E COMPARTILHA O POST DO SATISFEITA,
YOLANDA 

SOBRE JESUS CENSURADO. DE NOVO. 


Fui curador do Festival Recife do Teatro Nacional por quatro anos, quando convivi, em idas e vindas, com o pessoal de
lá – artistas, gestores, a gente das ruas. Além dos amigos e amigas que z uma coisa me chamou muito a atenção: de
como o pernambucano gosta de um bom enfrentamento – o que talvez seja um traço de politização. Que eu, aliás, já
conhecia desde que vi uma cena incrível há uns bons anos – Ariano Suassuna, então Secretário de Cultura, sendo vaia-
do e/ou aplaudido ao mesmo tempo por no mínimo umas quinhentas pessoas, entre elas muita gente do palco, em
uma noite plena no Teatro do Parque. Foi uma treta lá. E, percebam, não era um qualquer, era Suassuna! Fiquei com
essa imagem, de que os artistas da terra de Joaquim Nabuco são posicionados.

Por isso recebemos com surpresa, eu e muita gente, a notícia de que o espetáculo O evangelho segundo Jesus, Rainha
do céu, de Renata Carvalho foi novamente censurado, agora no mais robusto festival pernambucano de teatro, o ‘Ja-
neiro de grandes espetáculos’, organizado por… produtores e artistas. A exclusão da montagem deu-se a pedido de po-
líticos evangélicos (não digo que se deu por pressão dos evangélicos, digo “de políticos evangélicos”, me parece mais jus-
to), entre os quais alguns arrivistas que estão neste momento tentando escalar o poder. Os argumentos da associação
que promove o festival são confusos e con itivos. Diz-se que o evento tem dívidas. E então, pelo raciocínio, entrega-se a
cabeça de quem os patrocinadores pedirem. Fala-se por outro lado em promover a “liberdade de expressão”, mas que
o espetáculo foi limado para “enxugar custos”. Justamente o espetáculo em que uma atriz travesti representa um Jesus
que volta como travesti. Depois admite-se que a decisão foi tomada sob pressão, por fatores “extra artísticos”. Resumin-
do tudo ao osso, é um episódio deliberado de censura e, antes, de transfobia. Cena dramática da narrativa que todos
vivemos hoje no país de Bolsonaros. O “todos” vivemos” não quer dizer que vivemos na mesma posição, claro. Os cor-
pos e desejos fora da ordem seguem sob maior ataque. Felizmente nem tudo foi entregue de mão beijada. Mais de uma
dezena de espetáculos saiu voluntariamente da programação em solidariedade ao “Evangelho”, riscando um chão que
de fato precisava ser riscado diante do perigo de uma rendição que não só nos envergonha a todos e todas como tam-
bém abre a guarda para o avanço do fascismo. O histórico e a avaliação desse episódio está na ótima, ponderada ma-
téria da Ivana Moura para o Satisfeita, Yolanda?, que colo nos comentários.

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Santo Genet… Foto: Reprodução do Facebook.

PEÇA SANTO GENET E AS FLORES DA ARGÉLIA SAI DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO

Re etindo sobre a situação gerada pela retirada do espetáculo O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu do 25º Ja-
neiro de Grandes Espetáculos, pensamos que uma mesma situação pode ter diferentes pontos de vista, independente
de haver uma assertiva única. O Grupo Cênico Calabouço vem a público informar que é completamente contra qual-
quer tipo de censura ligada à arte e fazeres artísticos. Realizamos diversas escutas nesse período e re etimos sobre a
situação ocorrida dentro do contexto teatral em Pernambuco. Vemos uma cidade partida. Uma classe teatral fragmen-
tada. E achamos que diante deste momento e situação propomos suspender o espetáculo da programação do 25º Ja-
neiro de Grandes Espetáculos. Essa suspensão é um lugar para pensar e re etir sobre esse momento – sem buscar ini-
migos, nem culpados. Mas queremos estabelecer espaços de diálogos. Um festival não pode ser uma guerra santa entre
artistas. Um espetáculo não pode ser um lugar de ódios entre criadores. Assim decidimos realizar essa suspensão para
pensarmos. Um tempo que nos crie mais dúvidas e menos certezas. Um silêncio que nos faça ver o que nos olha.

Observação: Sugerimos a leitura do ensaio BROW, Wendy. Cidadania sacri cial: neoliberalismo, capital humano e polí-
ticas de austeridade. Rio de Janeiro/Copenhague: Zazie edições, 2018.

https://static1.squarespace.com/…/PEQUENA+BIBLIOTECA+DE+ENS…

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Atriz Renata Carvalho. Foto: Reprodução do Facebook

A ATRIZ RENATA CARVALHO COMENTA AS AÇÕES E POSICIONAMENTO DE ARTISTAS


 
CONTRA A CENSURA

“Os apóstolos aumentaram, não são mais 12”.

Desde a estreia do Janeiro de Grandes Espetáculos (de grandes censuras) no último dia 8, já foram 19 espetáculos que
saíram da programação, Mascate, a pé rapada e os forasteiros passou o vídeo de O Evangelho Segundo Jesus, Rai-
nha do Céu na integra. E a atriz trans Sophia William organizou um ato performático no dia 10, apresentando o seu
solo Trans (passar), juntamente com o Coletivo das Vadias que apresentou: AI-5 (Ato institucional onde a CENSURA
foi uma de suas principais armas) e Água Dura, e ainda Orun Santana (que já tinha retirado seu trabalho do Janeiro
com Meia-noite).

E dia 15 agora terá uma reunião organizades por elas todes.

Foram 21 ações/posicionamentos, com 22 coletivos/grupos reunidos. Os apóstolos cresceram. Fora as notas públicas
de entidades/grupos/artistas.

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Um dado importante dos 19 espetáculos que se retiraram, 18 são de Pernambuco.


Que orgulho dos artistas valentes de Pernambuco, desde o episódio de Garanhuns que não saíram do nosso lado,
aguentaram e enfrentaram toda violência sofrida daquele dia, e após aquilo, e hoje ainda continuam juntos. Sinto o ca-
rinho e a força de todes eles, nos fortalece a seguir, recebam o meu mais profundo agradecimento, abraço e cheiro.
Que orgulho desta Pernambuco da qual tive o privilégio de ser neta de Vó Alice, nascida em Jaboatão dos Guararapes,
da qual aprendi, fui muito amada e inclusive defendida de algumas surras por parte daquela que chamam de minha
mãe. Vó Alice que saudade e que orgulho de ter seu sangue correndo em mim, minha baixinha mais porreta que
conheci.

Obrigada a cada artista Pernambucano de ontem e de hoje e tenho certeza que de amanhã. Grata Grupo Magiluth o
seu olhar sincero e critico foi fundamental nessa caminhada. Obrigada Satisfeita, Yolanda? o seu registro e compilado é
emocionante, desmascara tudo.

Os espetáculos que deixaram a programação até o dia 12/01 são:


1 – Altíssimo de Pedro Vilela da Plataforma TREMA! Festival. (Grata pela coragem de ser o primeiro e ser semente nesta
construção) – (PE)
2 – Solo de Guerra de Cleyton Cabral – (PE)
3 – Espera o outono, Alice do Grupo Amaré – (PE)
4 – Breguetu do Grupo Experimental – (PE)
5 – Meia-noite de Orun Santana do Grupo Danuê Malungo – (PE)
6 – Respeita Januária de Januária Finizola – (PE)
7 – Histórias bordadas em mim de Agri Melo – (PE)
8 – Carne e Vodka de Daniel Barros, Eric Valença e Hemínia Mendes. – (PE)
9 – Intervenção de Palhaças de Paula de Tassia Costa – (PE)
10 – Violetas da Aurora de Fabiana Pirro, Silvinha Goés, Mayra Waquim e Ana Nogueira – (PE)
11 – Em cada encruzilhada uma história dada. Uma história dada: um ensaio sobre Eugênio Barba” da escola O
Poste de antropologia teatral –(PE)
12 – Um pano que limpa o tempo com Patrícia Costa do Grupo Compassos Cia de Danças (PE)
13 – Cicatriz – (PE)
14 – Terrorismo – (PE)
15 – As rosas nos jardins de Zula da Zula Cia. De Teatro – (MG)
16 – Antílope de Flavia Pinheiro – (PE) 
17  –  A arte de trepar de Augusta Ferraz – (PE)
18 – Quanto mais eu vou, eu co da Bulbuia Companhia de Teatro – (PE)
19 – Santo Genet e as ores da Argélia – do Grupo Cênico Calabouço – (PE)

Que lindo ver esse movimento, transpofagizando Ângela Davis –


“Quando uma classe artística se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela.”
Bem vindes ao TRAVIARCADO (onde todes as corpas são naturais)
Evoé…
Renata Carvalho – atriz em “O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu”, transpóloga, transfeminista e travesti. Funda-
dora do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans) e do “Manifesto Representatividade Trans” e do Coletivo T (1º
coletivo artístico formado integralmente por artistas trans).

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Renata Carvalho, em cena de ‘O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu’Foto Leonardo Pastor / Divulgação

G1 SANTOS PUBLICA MATÉRIA SOBRE CENSURA DA PEÇA O EVANGELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU PELA SE-
GUNDA VEZ EM PERNAMBUCO

Travesti que interpreta Jesus desabafa após cancelamento de peça: ‘Censura’

Travesti que interpreta Jesus desabafa após cancelamento de peça: ‘Censura’

Apresentação de O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu foi cancelada pela segunda vez no Estado de
Pernambuco.

Por Liliane Souza, G1 Santos 

12/01/2019 06h15

Protagonista de O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, a atriz e travesti Renata Carvalho, natural de Santos, no
litoral de São Paulo, fez um grande desabafo após, pela segunda vez, sua apresentação ser cancelada em Recife. “Eu sei
o que é a censura do corpo trans, mas a minha arma é o teatro. É com ela que eu respondo. Do teatro eles não vão me
tirar”, a rma.

Segundo Renata, a peça estava com três apresentações marcadas para acontecer em janeiro, mas elas foram cancela-
das e a equipe não foi informada. “É muita tristeza porque a arte não pode ser cerceada de maneira nenhuma. Eles
nem tentaram entrar em contato com a gente. Simplesmente cancelaram a apresentação”, a rma.

Após a repercussão do caso, Renata conta que o curador do evento, Paulo de Castro, presidente da Associação dos Pro-
dutores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), indicou que a peça poderia ser apresentada em uma boate LGBT.

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“Depois que ele cancelou, da repercussão negativa, ele propôs que a gente se apresentasse no particular. Tudo extrao -
cial. Também acabou vindo à tona que as peças não receberam dinheiro no ano passado. Então, além da censura, tem
espetáculos saindo e o pessoal cobrando”.

Procurado pelo G1, Paulo de Castro informou que não quer se manifestar sobre as declarações de Renata.

Apresentações

Renata conta que a peça O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu já foi apresentada 200 vezes e vista por 16 mil
pessoas. “É uma luta contra as pessoas atacando a gente. Tivemos problemas em todas as cidades que nos apresenta-
mos, menos em Belfast, na Irlanda do Norte, Cabo Verde, na África, São Paulo (SP), Santos (SP) e Curitiba (PR)”.

A atriz a rma que as apresentações realizadas em Santos tiveram boa aceitação do público. “Em Santos, o teatro já es-
tava acostumando com esse corpo trans. O Brasil é que não”.

Para esse ano, ela conta que a peça deve ser apresentada novamente em São Paulo e Rio de Janeiro e também irá es-
trear em Londres e Portugal. “Também estamos tentando apresentar na Escócia”.

Exclusão

Natural de Santos, Renata a rma que a exclusão é tão grande que, no início, nem ela ‘queria ser travesti’. “Quando eu
me percebi travesti, quando assumi minha identidade, isso mudou minha vida”, destaca.

Para ela, é difícil vislumbrar mudanças positivas no atual cenário do país. “Estamos vivendo uma ‘ditadura política ecle-
siástica’, uma mistura entre a política e a religião”, naliza.

DIA 13 DE JANEIRO DE 2019

A AMOTRANS – ARTICULAÇÃO E MOVIMENTO PARA TRAVESTIS E TRANSEXUAIS DE


 
PERNAMBUCO DECLARA APOIO À RENATA CARVALHO

Nota

A Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco vem por meio desta nota declarar nosso intei-
ro e incondicional apoio a companheira Renata Carvalho que mais uma vez tem sua obra censurada pela total falta de
compreensão da peça desenvolvida pela nossa companheira que é sobre tudo uma atriz completa.

Deixamos aqui nosso total desagrado e insatisfação e não compactuaremos com qualquer forma de censura que ve-
nha sobre cultura por parte de um falso moralismo. 

Assim como tal a Amotrans estará sempre a disposição para lutar contra qualquer retrocesso que venha atingir nossa
população de travestis e transexuais; não baixamos a cabeça no passado e não baixaremos agora.

Cultura sim!

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Não mais censura!

A direção

MULTIARTISTA E ESCRITORA AURORA JAMELO ESCREVE SOBRE O JGE

Eu Não Sou Geni. – Aurora Jamelo – Medium

Eu Não Sou Geni

Pode parecer devaneio dizer uma coisa dessas nessa altura dos acontecimentos. Esse curiosamente é um inesperado
primeiro texto de 2019, que já aconteceu todo em apenas treze dias.

A vida me deu um caminho que eu nunca nem cogitei, ser atriz. Na verdade, ela veio aqui do meu ladinho, muito da de-
bochada, e perguntou:

— Tu vai deixar isso assim, menina?


— Vou não, babe.

Comecei a estudar Teatro porque não estava vendo meu corpo sendo propriamente representado, em lugar nenhum,
nem TV ou Teatro, muito menos Cinema. Até porque o único lugar mais verídico é invisibilizado.

A música Geni e o Zepelim, popularmente conhecida a partir de Chico Buarque, conta um caso na vida de Geni. Geni é
uma Travesti, e re ete a história de tantas outras “Genis”, que por si, lutam todos os dias para se manterem vivas.

LUTAR PARA SE MANTER VIVA!

Geni, apesar de doce e bondosa moça, vive carregando as pedras que lhe deram.

Eu, Aurora da Silva Lopes, já fui apedrejada na rua. Não, não falo de poética ou metáfora, eram pedras mesmo. Não
pude reagir, correr, gritar. Continuei andando até parar de sentir as pedras.

— Mas Aurora, se você já foi até apedrejada, por que você não é Geni?

Janeiro de Grandes Espetáculos de Censura

Começamos assim. A retirada por motivos de censura a um espetáculo de protagonismo Travesti, O Evangelho Segun-
do Jesus, Rainha do Céu, causou burburinho na classe artística pernambucana.

Boicota ou não? Por que? Como?

Me vi nesse movimento mostrando, junta a amigos, amigas e aliades, como fazer um boicote bem feito.

Dia 10 de Janeiro de 2019, ás 17h30 se deu início a programação de um movimento de representatividade e grito de vo-
zes femininas, trans, travestis e negras.

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Me senti viva e logo invisibilizada.

Na manhã seguinte, a divulgação de um espetáculo intitulado Geni, da Bernache Cia de Teatro, dentro da programa-
ção do festival Janeiro de Grandes Espetáculos.

Não pode travesti, mas pode TransFake?

TRANSFAKE: Interpretação em cena (TV, Teatro e Cinema) de um corpo/vivência Trans e Travesti realizada por um Ator
ou Atriz Cisgênero. 

Conhecia o espetáculo por alto ou por nome, melhor dizendo, já teria acontecido outras vezes. Não me posicionei inici-
almente por não conhecer a companhia, os atores e atrizes em cena e muito menos o roteiro de adaptação.

O que esperar de uma adaptação para o teatro? Eu mesma já pensei em roteirizar a música para cena.

Pois bem, aconteceu, dia 12 de Janeiro às 20h30. E é por isso que eu não sou Geni.

Geni é interpretada por um ator Cisgênero, e caminha pelos acontecimentos cantados por Chico Buarque. Poeticidade,
iluminação cênica e dramática e um coro jogando pedra na maldita.

“Entregou-se a tal amante


Como quem dá-se ao carrasco”

Geni é abusada e estuprada por aquele de desceu do Zepelim. Segundo a Bernache, ela gostou, era isso que ela queria.
Não, ela não se sentiu aliviada por isso ter acabado, ela tava ótima. Na verdade, ela até se deliciou com tudo isso.

“E tentou até sorrir”

Tentar sorrir? Eu tento sorrir quando sou abusada na rua, tento sorrir pra ngir que nada aconteceu, pra que ninguém
me pergunte o que aconteceu. Mas Geni não.

Ao prefeito, Geni reivindica seus direitos. À plateia, Geni pergunta:

“O que vocês tem a reivindicar?”

Eu reivindico minha vida, mal representada, estereotipada e interpretada por uma pessoa que não sabe o que sinto.

“Eu sou Negro! Eu sou Gay! Sophia é Trans!”

Sim, Sophia é Trans, mas ela não precisa que ninguém diga isso por ela.

Sophia William foi um dos nomes destaques na construção do pensar das ações de boicote referentes a censura do fes-
tival. Após se posicionar abertamente colocando sua visão como atriz e pessoa trans, ela foi procurada pelos grupos
adeptos ao boicote para pensar no verdadeiro propósito da ação.

Ela foi procurada porque ninguém sabe o que fazer depois. Porque ninguém conhece as necessidades dos corpos Trans
e Travestis, artísticos ou não. Sabe porque não conhecem? Porque não nos veem, não nos ouvem. Mesmo que a gente
esteja aqui, todo dia tentando viver socialmente e de vez em quando, tentando re-existir nos palcos. Eu poderia repro-
duzir um texto automaticamente de tantas vezes que eu já falei a mesma coisa. Ouviram?

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A história continua. Segundo a Bernache, Geni foi morta pela própria mãe, dizia que “o lho” estava condenado. Depois
Geni foi morta por todos aqueles que beijaram a sua mão. E morta, foi mais uma vez abusada.

A platéia riu.

No m das contas, aplausos, agradecimentos e uma tentativa de se mostrar aliado. A direção agradece e comenta ras-
teiramente o caso de censura:

“Eu nem preciso falar nada porque vocês já viram representado aqui no palco.”

ONDE?

Não, eu não me vi, muito menos representada. Eu não sou a Geni que a Bernache tá mostrando pra vocês.

Eu sou Aurora Jamelo, Atriz, Transvesti e sou a Geni que existe, que sente, e que luta pra se manter viva. Que interpretou
Glenda numa série de TV, que protagonizou Bruno num espetáculo de Teatro, que interpreta uma escritora sonhadora
numa performance. Todas personagens travestis, que falam da minha história, de como foi, está sendo e de como so-
nha em ser.

Respeitem minha vivência. Respeitem a vivência das minhas e dos meus. Nós não vamos continuar invisibilizades. E se
jogar pedra, nós vamos revidar.

Como? Te mostro como: https://www.instagram.com/p/Bk5VLkKB26O/

“Me arrepiei mais aqui do que em duas horas de peça.”

Esse é só o começo.

RENATA CARVALHO COMENTA POST DE AURORA JAMELO E PARTICIPAÇÃO DA BERNACHE


 
CIA. DE TEATRO NO JGE

Eu já tinha escrito sobre o Bernache Cia de Teatro apresentar o espetáculo Geni, baseada na música Geni e o
Zepelim de Chico Buarque, que conta a história de uma travesti rechaçada. Já tinha apontado o equívoco desse grupo
no nome e na inércia em respeito a Censura que uma travesti sofreu dentro do Janeiro de Grandes Espetáculos, festival
o qual eles estão com esse trabalho. Não entenderam nada sobre o autor e sua obra, ainda comentei que esperava que
essa peça não fosse um “Trans Fake”. (está nos comentários o link desta postagem).

E Aurora Jamelo vai assistir essa tal Geni, e pasmem, É TRANS FAKE, daí você começa a entender porque este grupo não
se pronunciou, cou no mais absoluto silêncio.

É UM ATOR CISGÊNERO que interpreta GENI, e de forma caricatural e satírica como nos mostra o texto de Aurora
Jamelo

Vocês da Bernache não entenderam nada, não estão nem antenados no que está sendo discutido na arte de hoje.

Vocês com esse TRANS FAKE corroboram com esse discurso hegemônico da construção social que permeia nossos cor-
pos, vocês reforçam ele.

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O teatro de vocês fortalece para que corpos como o meu sejam xingados, hostilizados, sejam motivos de piadas e cha-
cotas (vocês usem desse arti cio no teatro), e consequentemente a jogarem pedras, apanharmos e até sermos assassi-
nadas. Somos corpos que não importam, não humanos.

A arte cisgênera nos trata de qualquer forma, sem pesquisa, sem aprofundamentos e sem humanidade. A arte cisgêne-
ra corroborou e corrobora para criminalização e construção social desses corpos.

A “arte” de vocês Bernache nos MATA nas ruas.

O voo dessa Bernache é solitária e rasteira.

Nos respeitem artistas cisgêneros, tomem vergonha na cara.

Renata Carvalho – atriz em O evangelho segundo Jesus, Rainha do céu, transpóloga, transfeminista e travesti. Fun-
dadora do MONART (Movimento Nacional de Artistas Trans), do Manifesto Representatividade Trans e do Coletivo T

A DOUTORANDA EM PSICOLOGIA PELA UFRJ CÉU CAVALCANTI COMENTA O POST DE AURORA JAMELO

Texto incrível de Aurora Jamelo sobre as reverberações de mais um boicote à peça O Evangelho Segundo Jesus, Rai-
nha do Céu em Pernambuco.

Dessa vez a peça foi retirada de maneira arbitrária da programação do Janeiro de Grandes Espetáculos por pura pres-
são da bancada conservadora do Estado, num ato de censura explícita que contou com o apoio de parte do acomoda-
do e muito cis corpo de artistas tanto do Estado quanto de todo o país.

Por pura ironia que beira o escárnio transfóbico, uma peça que narra Geni se manteve na programação, com um ho-
mem ator cis interpretando uma travesti das formas estereotipadas que todas sabemos bem (e vários homens cis gays
defendendo que o ator cis pode sim fazer até “UM” travesti se ele quiser).

Foi explicitado o jogo… o corpo da Renata Carvalho é impossibilitado de estar presente e potente enquanto corpo trans
vivo, com agência, com capacidade plena de afetar, mas com atores cis fazendo transfake (termo cunhado pela própria
Renata), usando de nossas dores para se promover na base de estereótipos, não há problema algum para os
conservadores.

Esse mundo cansa demais.

Mas que bom que tem Aurora, Renata e tantas e tantas outras gentes trans mundo afora.

DIA 14 DE JANEIRO DE 2019

MINISTÉRIO PÚBLICO DE PERNAMBUCO – MPPE PUBLICA NO DIÁRIO OFICIAL DO DIA (15/01), NAS PÁGINAS 9 E 10 A
ABERTURA DE INQUÉRITO CIVIL PÚBLICO, EM GARANTIA AO DIREITO DE LIBERDADE DE EXPRESSÃO E CRIAÇÃO AR-
TÍSTICA, MOTIVADO PELA RETIRADA DA PROGRAMAÇÃO DO JANEIRO DE GRANDES ESPETÁCULOS DA PEÇA O EVAN-
GELHO SEGUNDO JESUS, RAINHA DO CÉU. A AUDIÊNCIA DE INSTAURAÇÃO DE INQUÉRITO CIVIL ESTÁ MARCADA
PARA O DIA 28 DE JANEIRO DE 2019, TENDO COMO INVESTIGADAS A SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA DE PER-
NAMBUCO, SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DE PERNAMBUCO, FUNDAÇÃO DE PATRIMÔNIO HISTÓRICO E AR-
TÍSTICO DE  PERNAMBUCO (FUNDARPE),  PREFEITURA DO RECIFE E FUNDAÇÃO DE CULTURA DE RECIFE.

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Portaria

Representado:  Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco, Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco, Fun-
dação de Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE),  Prefeitura do Recife e Fundação de Cultura de
Recife

Assunto: Garantia do direito à  liberdade de expressão e criação artística.

 O MinistérioPúblicodePernambuco, através de seu representante, Promotor de Justiça da 8ª Promotoria de Defesa da


Cidadania de Recife com atuação na promoção e defesa dos direitos humanos, no uso de suas atribuições e com base
nas disposições dos arts. 129, inc. III, e 201, ambos da Constituição Federal, e nos fatos apresentados abaixo, determina
a abertura de Inquérito Civil Público, em garantia ao direito de liberdade de expressão e criação artística.

A liberdade de criação e expressão artística, como um das manifestações da liberdade de expressão-comunicação e da


democracia, encontra-se protegida em vários instrumentos legais internacionais. No art. 15, §3 do Pacto Internacional
de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, de 1966, rati cado pelo Brasil em 24 de janeiro de 1992, o Estado se
compromete  “a respeitar a liberdade indispensável à pesquisa cientí ca e à atividade criadora”. O Pacto Internacio-
nal dos Direitos Civis e Políticos de 16 de dezembro de 1966,  rati cado em 24 de abril de 1992  reconhece, em virtu-
de do artigo 19, §2 daquele diploma, que “toda pessoa terá o direito à liberdade de expressão; […] compreendendo a
liberdade de procurar, receber e difundir informações e ideias de qualquer natureza, independentemente de considera-
ções de fronteiras, verbalmente ou por escrito, de forma impressa ou artística, ou por qualquer meio de sua escolha”.

Outras normativas internacionais também fazem referência ao direito à livre expressão artística, a exemplo da Con-
venção sobre os direitos das crianças, em seus arts. 13 e 31, rati cada pelo Brasil em 20 de setembro de 1990; da
Convenção americana sobre direitos humanos, rati cado em nosso ordenamento em 6 de novembro de 1992, em
seu art. 13, §1, e seu Protocolo Adicional da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, assinado pelo Brasil,
em São Salvador – Costa Rica, em 17 de novembro de 1988,  art. 14, inciso 4.

Nesse diapasão, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura  – UNESCO – recomenda que
“os governos contribuam para criar e manter não apenas um clima propício à liberdade de expressão artística, como
também as condições materiais que facilitem a manifestação desse talento criador”. Dita recomendação confere suma
importância ao gozo, pelos artistas, dos direitos e da proteção previstos pela legislação internacional e nacional relati-
va aos Direitos Humanos, particularmente, no âmbito da liberdade de expressão e comunicação (arts. III-6 e V-2), dado
que “a liberdade de expressão e comunicação é condição essencial de toda a atividade artística”. Ademais, através des-
se documento, a Organização recomenda que “os países devem estimular a demanda pública e privada dos produtos
da atividade artística (art. VI-1, c)”.

Como se depreende dos dispositivos relatados, protege-se expressamente o direito à criação e expressão artística, inclu-
sive, incentivando sua produção como um meio de desenvolvimento econômico e cultural. Por outro lado, também po-
dem-se encontrar limitações a esses direitos que, contudo, devem ser “limitações unicamente determinadas por lei, so-
mente na medida compatível com a natureza desses direitos e com o objetivo exclusivo de promover o bem-estar geral
em uma sociedade democrática (Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, art. 4)”. Destarte, as
limitações devem ser necessárias e proporcionais, estabelecidas por normas transparentes e aplicáveis de forma coe-
rente e não discriminatória.

Com fulcro no artigo 19 do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, o direito à liberdade de expressão  artística
pode ser limitado, apenas, para “assegurar o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas; e, proteger a se-
gurança nacional, a ordem, a saúde ou a moral públicas”. Esse dispositivo, entretanto, deve estar conciliado com de-
mais direitos humanos.

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 61/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

Em março de 2013, a Relatora especial sobre direitos culturais das Nações Unidas apresentou informe para análise da
aplicação do direito à liberdade de expressão e criação artística pelos Estados signatários dos Pactos de direitos civis e
políticos e de direitos sociais, econômicos e culturais, neste documento anuncia: “os encarregados de adotar decisões,
incluindo os Juízes, ao fazer uso de seu poder para impor limitações as liberdades artísticas, devem levar em considera-
ção a natureza de criação artística (ao invés do seu valor de mérito), assim como, o direito dos artistas de discordar de
utilizar símbolos políticos, religiosos e econômicos como contraposição ao discurso dos poderes dominantes e a expres-
sar as suas próprias crenças e visões do mundo. O uso do imaginário e da cção deve ser entendido e respeitado como
elemento essencial da liberdade indispensável à atividade criativa”.

Dentre os fundamentos da República Federativa do Brasil, estão a cidadania; a dignidade da pessoa humana; e o plu-
ralismo político (artigo 1º da Constituição Federal). Destaca-se ainda, a aplicabilidade nos objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil: I – construir uma sociedade livre, justa e solidária; (…) IV – promover o bem de todos,
sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (artigo 3º da Constitui-
ção Federal).

O artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil estabelece:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos
seguintes::

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;;;

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.”

Segundo relatório apresentado pela Organização não governamental internacional Freemuse sobre as violações do di-
reito à liberdade de expressão e criação artística em todo mundo, no ano de 2018, ocorreram: 5 (cinco) foram seques-
trados, 48 (quarenta e oito) foram aprisionados,  57 (cinquenta e sete) foram processados, 50 (cinquenta) detidos, 88
(oitenta e oito) perseguidos, 57 (cinquenta e sete) sofreram ataques e 246 (duzentos e quarenta e seis) foram censura-
dos. No mesmo relatório, em consonância com o informe do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas referi-
do anteriormente, uma das formas de ofensa ao direito de expressão ocorre quando “os Governos impõem multas e
outras restrições nanceiras para silenciar os artistas, contribuindo ao clima de medo e exacerbando a auto-censura”.

A Nota Técnica nº 8, de 15/3/2016, do Conselho Nacional do Ministério Público – CNMP pontua: “A ciência não possui
de nição sobre por que pessoas possuem orientação sexual e de gênero diversa daquelas pelas quais são biologica-
mente reconhecidas. O fato é que tais pessoas existem e são fortemente marginalizadas nas relações sociais” (…) “Um
dos direitos a serem tutelados pelo Estado é a igualdade e a proscrição de toda e qualquer forma de discriminação,
prevista no art. 3º, inciso IV, e no art. 5º, caput, e inciso XLI, ambos da CF/1988”.

A peça teatral O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Rainha do Céu foi removida da programação do Festival de Inver-
no de Garanhuns – FIG – Pernambuco, porém, após intervenção da Promotoria de Justiça de Garanhuns através de
Ação Civil pública, foi reinserida na programação em 17 de julho de 2018 e con rmada em 27 de julho de 2018.

Conforme notícias apresentadas nos portais de comunicação da internet, a peça novamente foi retirada da Programa-
ção do Janeiro de Grandes Espetáculos do ano de 2019 que ocorre em Recife, Pernambuco. 

Peça com travesti no papel de jesus é retirada do janeiro de grandes espetáculos – radio jornal.ne10.uol.com.br
23/12/2018/,

Janeiro de grandes espetáculos retira peça com Jesus trans da programação – Diario de Pernambuco- 24/12/2018 .

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 62/67
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Em livre pesquisa na rede mundial de computadores – internet sobre a peça O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do
Céu, veri camos o seguinte: a peça é classi cada no gênero “monólogo dramático” e “mistura depoimento e contação
de história para tratar de opressão e intolerância, especialmente a sofrida pelos transgêneros”  (https://vejasp.abril.-
com.br/atracao/o-evangelho-segundo-jesus-rainha-do-ceu/); “O texto da britânica Jo Cli ord aproxima Jesus da atuali-
dade ao retratá-lo como uma mulher transgênero. A mudança de paradigma provoca discussão sobre opressão, intole-
rância, perdão e aceitação.” (https://guia.folha.uol.com.br/teatro/drama/o-evangelho-segundo-jesus-rainha-do-ceu-
sesc-pinheiros-3070917664.shtml); foi exibida em Porto Alegre, em setembro/2017, onde a justiça negou pedido de
proibição (https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/juiz-nega-pedido-de-proibicao-de-peca-teatral-com-jesus-
transgenero-em-porto-alegre.ghtml); foi exibida em São Paulo-SP
(https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/10/1822464-em-monologo-em-cartaz-em-sp-atriz-travesti-interpreta-je-
sus-transexual.shtml); em Curitiba, na Catedral Anglicana de São Tiago
(https://www.brasildefato.com.br/2018/03/30/peca-o-evangelho-segundo-jesus-rainha-do-ceu-chega-a-curitiba-veja-
mais-dicas/); no Rio de Janeiro (http://teatroemcena.com.br/home/jesus-travesti-atrai-multidao-na-lapa-e-faz-apresen-
tacao-extra/); na Paróquia São Lucas de Londrina, da Igreja Episcopal do Brasil (http://dapar.org/2016/nota lo2016/);
no Recife, em junho/2018 (http://jc.ne10.uol.com.br/blogs/terceiroato/2018/06/01/o-evangelho-segundo-jesus-rainha-
do-ceu-e-a-cruz-do-preconceito/).

 Em carta aberta divulgada pela Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe), realizador do
“Janeiro de Grandes Espetáculos” informou “que, com o objetivo de resguardar a realização do próprio projeto e preser-
var suas fontes de nanciamento, a direção do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos se viu obrigada a retirar da progra-
mação do festival a peça ‘o Evangelho Segundo Jesus’. O cancelamento se dá uma vez que o espetáculo seria realizado
em um teatro público e ainda devido à pressão da bancada evangélica de Pernambuco. Por motivos similares, a mon-
tagem já enfrentou ações judiciais e passou por outros cancelamentos em território brasileiro”.  https://www.facebook.-
com/janeiro.jge/photos/a.227407847438987/1111775072335589/?type=3&theater .

Desta feita, faz-se imprescindível para garantia do direito  à liberdade de expressão e criação artística a instauração de
inquérito civil, tendo como investigado a Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco, Secretaria de Direitos Huma-
nos de Pernambuco, Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de de Pernambuco (FUNDARPE),  Prefeitura do Recife
e Fundação de Cultura de Recife.

               De forma que o Promotor de Justiça  resolve:

1) Designar audiência para se realizar na data de 28 de janeiro de 2019, às 14h, com o objetivo dos representados
prestarem informações sobre os fatos e apresentarem as ações para garantir a liberdade de expressão e criação
artística;

2)  Expeça-se ofício à Secretaria Estadual de Cultura de Pernambuco, à Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco,
à Fundação de Patrimônio Histórico e Artístico de de Pernambuco (FUNDARPE), à Prefeitura do Recife(Secretaria de Cul-
tura e Direitos Humanos de Recife) e à Fundação de Cultura de Recife para enviarem representantes à audiência e apre-
sentar  informações sobre os fatos e as ações para garantir a liberdade de expressão e criação artística, junte-se aos
ofícios cópias da presente portaria ;

3)  Expeça-se ofício à Coordenação de políticas da população LGBT do Governo de Pernambuco e à Gerência de Livre
Orientação Sexual do Município de Recife para enviarem representantes à audiência, junte-se aos ofícios cópias da pre-
sente portaria;

4) Expeça-se ofício à Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco (Apacepe) para comparecer à audiên-
cia e apresentar informações sobre o fato e a cópia do roteiro-texto completo da peça de teatro O Evangelho Segundo
Jesus, Rainha do Céu,  junte-se ao ofício cópias da presente portaria;

5)  Expeça-se ofício ao Conselho de Cultura de Pernambuco para enviar representantes à audiência e apresentar  infor-
mações sobre as ações para garantir a liberdade de expressão e criação artística,  junte-se ao ofício cópias da presente
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portaria.

Registre-se o procedimento no Sistema eletrônico de Autos do MPPE e publique-se.

Recife, 11 de janeiro de 2019.

MAXWELL ANDERSON DE LUCENA VIGNOLI

Promotor de Justiça

Diário O cial Eletrônico • Ministério Público de Pernambuco •Terça-feira, 15 de janeiro de 2019 

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(Apacepe), O Evangelho segundo Jesus, Rainha do Céu

2 ideias sobre “O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir
de verdade em 2019?”

Junior Brassalotti
11 de janeiro de 2019 às 12:32

Nota de apoio à atriz santista Renata Carvalho

“A liberdade e a prisão

Ter um barco que percorra

Distâncias incríveis

Saber remendar um sapato

Encontrar um amor

Amor de verdade

Ser vento, fogo ou carvão

Tudo, tudo, tudo

Menos esta ratoeira”

Pagu

O FESTA – Festival Santista de Teatro, vem através desta se posicionar contra a censura ao espetáculo “O evangelho se-
gundo Jesus – Rainha do céu”, monólogo protagonizado pela atriz santista Renata Carvalho, na programação do festival “
Janeiro de Grandes Espetáculos”, realizado pela APACEPE – Associação dos Produtores de Artes Cênicas de Pernambuco,
que em carta aberta diz :

“O cancelamento se dá uma vez que o espetáculo seria realizado em um teatro público e ainda devido à pressão da ban-
cada evangélica de Pernambuco. Por motivos similares, a montagem já enfrentou ações judiciais e passou por outros
cancelamentos em território brasileiro.“

A arte não pode habitar os corações covardes a rma Plínio Marcos, um dos autores mais perseguidos pela censura, o
Movimento Teatral da Baixada Santista, organizador do FESTA, que em sua edição 59 teve como tema “Liberdade de ex-
pressão” e contou com ” O evangelho segundo Jesus…” como espetáculo de abertura da mostra, no teatro Guarany, es-
paço público de forte ligação com o movimento abolicionista, teve sessão lotada e contou com apoio do poder público
exatamente pela compreensão e necessidade de debates acerca dos temas apresentados na obra da dramaturga Jo Clif-
ford com direção de Natalia Mallo.

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 65/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

“O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”, nos ensinou Simone de Beuvoir,
nós trabalhadores da cultura devíamos saber o que signi cam essas palavras, sendo assim repudiamos veementemente
a direção do festival, que em carta aberta da organização do evento, justi ca:

“…vem informar que, com o objetivo de resguardar a realização do próprio projeto e preservar suas fontes de nancia-
mento, a direção do 25º Janeiro de Grandes Espetáculos se viu obrigada a retirar da programação do festival a peça “O
Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu”.”

“O festival reitera o seu compromisso com a liberdade de expressão e, exatamente por este motivo, realizou o convite
para que “O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu” integrasse a programação do evento. Por não aceitar este tipo de
censura, a direção do festival está dando suporte à produção do espetáculo para que ele seja encenado, na mesma data
que ocorreria no Janeiro, em um espaço privado e de maneira independente.”

O espetáculo traz uma mensagem e pauta questões urgentes para o país que mais mata a população LGBT em todo pla-
neta, está fazendo peregrinação mundo afora, levando palavras de aceitação, igualdade, amor, respeito e união, e a cu-
radoria do Janeiro de Grandes Espetáculos optou pelo cancelamento, demonstrando apoio a censura, a bancada evangé-
lica, a m de preservar suas fontes de nanciamento, reforçando a transfobia, a exclusão dos corpos T no mercado de
trabalho e na arte, numa violência e silenciamento incompatíveis com a função de produzir acesso à cultura e diferentes
visões de mundo.

O FESTA com 60 anos é o mais antigo festival do gênero em atividade no Brasil, tendo sido criado em 1958 por Patricia
Galvão, teve suas atividades interrompidas em outro período histórico, em que tivemos um prefeito eleito destituído e
um interventor no comando, na década de 70 com a perda de sua autonomia política e administrativa. Santos, que abri-
gou o navio prisão da ditadura militar Raul Soares, sabe o que é censura. O Festival retomou suas atividades nos anos 80
com a reabertura política e muita luta e resistência.

Sr. Paulo de Castro e equipe, não podemos normatizar, naturalizar e aceitar nenhum tipo retrocesso e perda dos direitos
humanos, ainda mais quando ela vem de supostos agentes da cultura. Em Janeiro de 2019, nós já perdemos o Ministério
da Cultura, a história se faz no presente também. Festivais são locais de encontro, intercâmbios, de troca e olhares, escu-
ta e alumbramentos, são locais de afeto e acolhimento da diversidade.

A mudança vai acontecer de qualquer maneira. Então por quê resistimos?

Pernambuco, terra de Paulo Freire, João Cabral de Melo Neto, Tunga, do Maracatu, do Frevo, Joaquim Nabuco, Chico Sci-
ence, Cláudio Assis, Kleber Mendonça Filho, Chacrinha, Nelson Rodrigues, Gilberto Freyre foi impedida de ver Jesus. De
salto e de Santos.

Valéria Vicente
14 de janeiro de 2019 às 10:28

Quem quer solidariedade precisa ser solidário. Como pro ssionais da arte não é possível ignorar que a APACEPE cedeu a
censura sem buscar formas de reagir. Uma pena, pois como a rmou Paula de Renor, não é tempo de soltar a mão de
ninguém. Talvez os produtores ainda não tinham conseguido perceber a gravidade e singularidade da atual situação po-
lítica, ou a leram de uma forma simplista. Mas quem soltou a mão primeiro não foram os artistas. Devemos poder refa-
zer laços e juntar forças mas isso não é possível simplesmente aceitando o inadmissível. Parabéns ao BLOG pela reporta-
gem e posicionamento. Vamos todos precisar nos reinventar.

http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/2019/01/11/o-janeiro-perdeu-boa-chance-de-se-mostrar-grande-e-nos-vamos-aprender-a-resistir-de-verdade-em-2019/ 66/67
1/15/2019 O Janeiro perdeu boa chance de se mostrar Grande. E nós, vamos aprender a resistir de verdade em 2019? | Satisfeita, Yolanda?

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