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L i ç õ e s B í b l i c a s

1º trimestre 2019

2358-8136

RUMO À TERRA
PROMETIDA
A Peregrinação do Povo de Deus no
Deserto no Livro de Números
REVISTA-SE
DO PODER
DO ESPÍRITO
O pentecostalismo é uma força evangélica e cristã cujo papel é
o resgate da Pessoa do Espírito Santo na condução da Igreja.
O pentecostalismo lembrou ao cristianismo global que o Espírito
Santo é apenas discreto, mas o seu trabalho é e deve ser visível
e, também, glorifica e deve glorificar a pessoa de Cristo Jesus.

Os pentecostais ensinaram que o Espírito Santo não é uma peça


calada e meramente simbólica de Cristo. Ele veio para substituir
de maneira factual a pessoa de Cristo nesta terra e na Igreja. O
Espírito é aquele que aviva a Igreja e a capacita para o serviço
na comunidade e pela comunidade e no mundo e pelo mundo.
O Espírito Santo é o impulso e força missional da Igreja, pois a
forma com dons para que estes sirvam no propósito de edificação
e crescimento do Corpo de Cristo. E, acima de tudo, o Espírito
Santo é aquele quem convence o “mundo do pecado, da justiça
e do juízo” (João 16.8).

O pentecostalismo lembrou em voz alta, literalmente, que Ele está


aqui e não há substituto à altura para Cristo do que a pessoa divina
do Espírito Santo, que é também o Espírito de Cristo. E uma igreja
com uma pneumatologia forte é uma igreja com uma missão forte.
Seja a diferença!
ONDE QUER QUE VOCÊ ESTEJA,

Deus deseja que os cristãos se relacionem bem uns com os outros. Na verdade,
Ele é enfático sobre este ponto. Jesus foi claro ao dizer: “Nisto todos conhecerão
que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.” (João 13.35).

Você entendeu isto?


O mundo saberá se somos cristãos ou não pela forma como agimos em relação
ao nosso próximo. Mas quem é o nosso próximo? Não é apenas o nosso irmão em
Cristo, mas também nosso vizinho, nosso parente, nosso colega de trabalho. Enfim,
nosso próximo é quem está… próximo!

Quando você se torna um cristão, Deus espera que ao fazer parte da Igreja dEle.
que você seja uma pessoa que una as outras pessoas, que se torne uma pessoa
cuja presença faça a diferença em seu meio.

Ser cristão vai muito além das tarefas na igreja; ser cristão é fazer o bem em palavras e
atos em nosso bairro, onde estudamos, no nosso trabalho. Podemos não ter muitos
recursos, mas sempre podemos ter um sorriso, um ombro amigo, uma palavra
de sabedoria ou de oração por quem precisa. Onde quer que formos sejamos a
diferença!

“Se for possível, quanto estiver de vós, tende paz com todos os homens.”
Romanos 18.18
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L i ç õ e s B í b l i c a s

1º trimestre 2019

RUMO À TERRA PROMETIDA


A Peregrinação do Povo de Deus no Deserto no Livro de Números
Comentarista: Reynaldo Odilo
Lição 1
O LIVRO DE NÚMEROS — CAMINHANDO COM DEUS NO DESERTO 3
Lição 2
OS PREPARATIVOS PARA A CONQUISTA 11
Lição 3
SANTIDADE — REQUISITO PARA A CONQUISTA 18
Lição 4
A PRESENÇA DE DEUS NO DESERTO 26
Lição 5
DECIDINDO O SEU FUTURO 33
Lição 6
O PECADO DA REBELIÃO 40
Lição 7
OS PERIGOS DO DESERTO 47
Lição 8
AS GUERRAS NO DESERTO 54
Lição 9
A PROTEÇÃO NO DESERTO 61
Lição 10
OS CUIDADOS E DEVERES DA NOVA GERAÇÃO 69
Lição 11
MOISÉS, UM LÍDER VITORIOSO 76
Lição 12
UM LÍDER FORMADO NO DESERTO 83
Lição 13
O DESERTO VAI PASSAR 90
RUMO À TERRA
PROMETIDA
A Peregrinação do
CASA PUBLICADORA DAS Povo de Deus no Deserto
ASSEMBLEIAS DE DEUS no Livro de Números
Presidente da Convenção Geral das Prezado (a) professor (a),
Assembleias de Deus no Brasil Com a graça do Pai, estamos iniciando
José Wellington Costa Junior um ano novo e um novo trimestre. Juntos,
Conselho Administrativo aprenderemos importantes e preciosas
José Wellington Bezerra da Costa lições da Palavra de Deus e com certeza
Diretor Executivo podemos dizer: “Ebenézer: Até aqui nos
Ronaldo Rodrigues de Souza ajudou o Senhor.” Não faltam motivos
Gerente de Publicações para louvarmos a Deus.
Alexandre Claudino Coelho Vamos iniciar o ano estudando a
Consultoria Doutrinária e Teológica
respeito do livro de Números que nos
Claudionor de Andrade mostra a peregrinação dos hebreus pelo
Gerente Financeiro
deserto. Por isso, Números também pode
Josafá Franklin Santos Bomfim ser chamado de “No Deserto” (bemidhar,
palavra que aparece no primeiro versí-
Gerente de Produção
Jarbas Ramires Silva culo do livro).
O autor é Moisés, assim como de
Gerente Comercial
Cícero da Silva
todo o Pentateuco. Ele foi o líder esco-
lhido pelo Senhor e preparado por Ele
Gerente da Rede de Lojas
para conduzir seu povo rumo à Terra
João Batista Guilherme da Silva
Prometida. O propósito do livro é mostrar
Chefe de Arte & Design
por que os hebreus não entraram na
Wagner de Almeida
Terra Prometida assim que deixaram o
Comentarista
Egito, mas tiveram de caminhar durante
Reynaldo Odilo
quarenta anos.
Redatora
Esperamos que os temas abordados
Telma Bueno
nas lições contribuam para o crescimento
Diagramação e Capa
da sua fé, pois precisamos de confiança
Suzane Barboza
para vencer os desertos deste mundo
Fotos tenebroso até adentrarmos na Terra
Shutterstock
Prometida, a Nova Jerusalém que o
Senhor já tem preparado para aqueles
RIO DE JANEIRO que permanecerem fiéis até o fim.
CPAD Matriz
Av. Brasil, 34.401 - Bangu - CEP21852-002
Até o próximo trimestre.
Rio de Janeiro - RJ Os Editores.
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1
LIÇÃO

06/01/2019

O LIVRO DE NÚMEROS —
CAMINHANDO COM
DEUS NO DESERTO
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Sl 29.8
“Ora, tudo isso lhes sobreveio A voz do Senhor faz tremer
como figuras, e estão escritas o deserto
para aviso nosso, para TERÇA - Sl 68.7
quem já são chegados os Deus caminha com o povo
fins dos séculos.” no deserto
(1 Co 10.11)
QUARTA - Sl 78.15,16
Deus, no deserto, faz brotar
água da rocha
SÍNTESE QUINTA - Sl 78.19
A peregrinação dos hebreus O povo duvida de Deus no deserto
pelo deserto, rumo à Canaã, SEXTA - Sl 136.16
por aproximadamente Deus guia seu povo pelo deserto
40 anos, revela lições
SÁBADO - Jo 6.49,51
importantes para a igreja
Cristo, o pão vivo que desceu
da atualidade.
no deserto

JOVENS 3
OBJETIVOS
• APRESENTAR um panorama geral do livro de Números;
• EXPLICAR a natureza das experiências vivenciadas
pelo povo Israel na sua peregrinação pelo deserto;
• MOSTRAR como Cristo aparece tipologicamente no
livro de Números.

INTERAÇÃO
O livro de Números nos mostra a caminhada do povo de
Deus pelo deserto rumo à Terra Prometida. Seus alunos
terão a oportunidade de compreenderem a vontade do
Senhor para o seu povo, enquanto analisam os percalços
dos hebreus pelo deserto. As vitórias, derrotas e lutas
dos hebreus servem como exemplo para os cristãos da
atualidade, pois estamos também caminhando rumo à
Canaã Celestial.
O comentarista do trimestre é o pastor Reynaldo Odilo
Martins Soares. Ele é natural e reside no Rio Grande do
Norte - Natal. O pastor Reynaldo é juiz de direito, ba-
charel em Teologia e em Direito, especialista em Direito
Processual Civil e Penal, mestre e doutorando em Direito
pela Universidade do País Vasco, Espanha. Tem diversas
obras editadas pela CPAD.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Estimado(a) professor (a), é um privilégio ser vocacionado
e selecionado por Deus para ensinar as Sagradas Escri-
turas. Por isso, esforce-se, inspire-se, ore, jejue, estude
(utilizando todas as ferramentas disponíveis, inclusive
o livro da lição) — seja um instrumento de Deus para
esta geração. Apesar do imenso desafio inerente a essa
tarefa, somado às muitas atividades do dia a dia, o Senhor
não tem lhe deixado só, antes, tem levantado você como
professor(a) da juventude. Dedique-se ao seu ministério e
invista nele. O Mestre dos mestres é o maior interessado
no êxito desta obra e Ele lhe ajudará. Caminhar com Deus
pelo deserto desta vida é a experiência mais gratificante
de todas. Boa viagem!
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
1 Coríntios 10.1-11
INTRODUÇÃO
1  Ora, irmãos, não quero que ignoreis que
nossos pais estiveram todos debaixo Com a ida da família de Jacó para
da nuvem; e todos passaram pelo mar,  o país mais rico da época, a fim de
2  e todos foram batizados em Moisés, escapar da fome, os hebreus prospe-
na nuvem e no mar,  raram grandemente. A prosperidade
3  e todos comeram de um mesmo manjar do povo de Deus, no Egito, fez com
espiritual, 
que ele passasse a ser considerado
4  e beberam todos de uma mesma bebida
uma ameaça social e política. Os
espiritual, porque bebiam da pedra
espiritual que os seguia; e a pedra era hebreus tornaram-se escravos e
Cristo.  sofreram muito debaixo do jugo
5  Mas Deus não se agradou da maior par- de Faraó. Mas Deus, por intermédio
te deles, pelo que foram prostrados no de Moisés, libertou os israelitas da
deserto.  escravidão e, após a travessia do mar,
6  E essas coisas foram-nos feitas em guiou-os pelo deserto, rumo à Terra
figura, para que não cobicemos as coi- Prometida. Entretanto, primeiro, era
sas más, como eles cobiçaram.
necessário passarem pelo Sinai, para
7  Não vos façais, pois, idólatras, como que recebessem a Lei, pois precisa-
alguns deles; conforme está escrito: O
povo assentou-se a comer e a beber
vam de parâmetros civis, morais e
e levantou-se para folgar.  espirituais para se estabelecerem
8  E não nos prostituamos, como alguns como uma nação. Depois de ca-
deles fizeram e caíram num dia vinte minharem pelo deserto por cerca
e três mil.  de 40 anos, quando toda aquela
9  E não tentemos a Cristo, como alguns geração adulta que houvera sido
deles também tentaram e pereceram escravizada morreu, eles chegaram
pelas serpentes. 
ao seu destino final. Diferentemente
10 E não murmureis, como também alguns de outros povos, os hebreus não
deles murmuraram e pereceram pelo
destruidor. 
sucumbiram diante de Faraó e das
muitas aflições do deserto. Deus
11  Ora, tudo isso lhes sobreveio como
figuras, e estão escritas para aviso queria preservá-los para si, pois havia
nosso, para quem já são chegados os prometido que, deles, descenderia
fins dos séculos. o Salvador do mundo.

I – O LIVRO DE NÚMEROS deserto”, expressão extraída do texto de


1. Números ou “no deserto”. Ao tra- Números 1.1 (“Falou mais o SENHOR a
duzir o Antigo Testamento para o grego Moisés, no deserto”). A maioria dos fatos,
(tradução chamada Septuaginta), um nele narrados, se desenvolveram “no
grupo de setenta sábios denominou o deserto”. As duas titulações possuem
terceiro livro do Pentateuco de “Núme- justificativas plausíveis e, sob o prisma
ros”, por conta dos dois recenseamentos da didática, têm grande importância;
mencionados na obra. Na Bíblia hebraica, por isso, ao longo das lições, ambas
entretanto, o livro tem como título “no serão utilizadas.

JOVENS 5
2. Considerações preliminares. Al- tomei-os pelos seus braços, mas não
guns eruditos defendem que o livro conheceram que eu os curava. Atraí-os
de Números poderia ser chamado de com cordas humanas, com cordas de
“peregrinação no deserto”, “livro das amor; e fui para eles como os que tiram
caminhadas”, “livro das murmurações”, o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes
“o livro do deserto”, dentre outros, por dei mantimento” (Os 11.1-4).
narrar a caminhada que Israel fez, sob 3. Relevância contemporânea. O livro
a liderança de Moisés (que o escreveu), de Números traz, de um lado, a dureza
por volta do ano 1440 a 1400 a.C., segun- de coração de um povo composto por
do a maioria dos estudiosos. A palavra ex-escravos escolhidos para se torna-
“deserto” aparece em Números quase rem príncipes — os quais morreram no
50 vezes, — a maior frequência nos deserto — e, de outro, a longanimidade
escritos bíblicos. e o amor de um Deus santo e justo
A Bíblia declara expressamente que, diariamente, alimentava, cuidava,
que a narrativa de Números traz lições instruía, protegia e guiava pessoas que,
objetivas para nós que vivemos “nos mesmo assim, dia após dia, se tornavam
fins dos séculos”, conforme 1 Coríntios ainda mais obstinadas, desobedientes,
10.11. Assim, o jovem cristão, no dia a rebeldes, incrédulas e ingratas. O livro
dia, quando se deparar com um convite narra também o surgimento de uma
à prostituição, idolatria, murmuração, nova geração, a partir do segundo censo,
rebelião, deve rapidamente se lembrar que seria introduzida em Canaã, sob o
— como recomenda a Palavra proféti- comando de Josué.
ca — de uma geração que morreu “no O livro de Números não é um dos
deserto”, porque cedeu às inclinações mais comentados da cristandade, porém
carnais e aos apelos mundanos. possui inestimável valor histórico e espi-
O Senhor Deus, séculos depois, de ritual ao trazer a narrativa das minúcias
maneira poética, usou Oseias para des- da caminhada pelo deserto e, por isso,
crever, com precisão, o que aconteceu: constitui-se em um verdadeiro tratado a
“Quando Israel era menino, eu o amei; e respeito do relacionamento entre Deus
do Egito chamei a meu filho. Mas, como e o seu povo, de onde se pode extrair
os chamavam, assim se iam da sua face um riquíssimo tesouro teológico para a
[…]. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; atualidade!

Pense!
Como explicar que o povo
hebreu conseguiu sua liberdade,
do opressor jugo egípcio, sem
A Bíblia declara expressamente precisar guerrear? Contingências
que a narrativa de Números políticas, sorte ou milagre?
traz lições objetivas para
nós que vivemos Ponto Importante
“nos fins dos séculos”. Deus, “com mão forte e braço
estendido”, libertou os israelitas
da escravidão. Um verdadeiro
milagre em todos os sentidos!

6 JOVENS
II – AS EXPERIÊNCIAS NO DE-
SERTO Quando ia faltar água, ou
1. Deserto, lugar de caminhada. Um comida, sempre havia uma
dos significados de deserto é “terra ina- provisão extraordinária.
bitada”; mas a Bíblia diz que Deus esta- As roupas e os sapatos dos
beleceu a Terra para que fosse habitada israelitas, milagrosamente, não
(Is 45.18). Portanto, o deserto não é um se desgastavam, mesmo debaixo
lugar de moradia, mas de caminhada, de um sol causticante.
lugar de passagem, de transição.
Deus mostrou aos hebreus que, ao
conduzí-los até Canaã, guiou-os por um nunca forem testados em condições de
grande e terrível deserto de serpentes estresse, nunca serão confiáveis, pois, em
ardentes, escorpiões e terra seca, em regra, as longas travessias apresentam
que não havia água (Dt 8.15). O objetivo muitos perigos.
do Senhor era humilhar e prová-los, para 3. Deserto, lugar de milagres. Está
saber o que estava nos seus corações, e escrito que Deus fez “prodígios e sinais
se guardariam os mandamentos ou não na terra do Egito, no mar Vermelho e no
(Dt 8.2). Deus queria, dessa forma, que a deserto, por quarenta anos” (At 7.36). No
caminhada do deserto nunca fosse esque- período de maior provação da descen-
cida pelos hebreus, pelo aprofundamento dência de Abraão, o amigo de Deus,
do relacionamento com o Senhor. existiram abundantes milagres. Quando
2. Deserto, lugar de treinamento. ia faltar água, ou comida, sempre havia
A caminhada pelo deserto sacudiu as uma provisão extraordinária. As roupas
estruturas morais e psicológicas dos e os sapatos dos israelitas, milagrosa-
hebreus, sendo que ali foi revelado o ca- mente, não se desgastavam, mesmo
ráter deles, desnudadas as intolerâncias, debaixo de um sol causticante (Dt 8.4).
exposta a espiritualidade. Jesus, também, O fato é que, ao longo de quase 40
antes de começar seu ministério, foi, pelo anos de caminhada no deserto, nenhum
Espírito Santo, conduzido ao deserto para deles morreu de sede ou fome, ou ficou
ser experimentado. Ninguém está livre sem roupa ou calçado. Disse Jesus: “Pois,
desse período de caminhada, no qual, à se Deus assim veste a erva do campo,
proporção que a escassez se manifesta, que hoje existe e amanhã é lançada no
Deus treina seu povo. forno, não vos vestirá muito mais a vós,
Atribui-se a William Shakespeare homens de pequena fé? Não andeis,
a seguinte frase: “Quando o mar está pois, inquietos, dizendo: Que comere-
calmo, qualquer barco navega bem”. mos ou que beberemos ou com que
Parafraseando: “Sem problemas e pres- nos vestiremos?” (Mt 6.30,31).
sões, qualquer pessoa reage com tran-
quilidade”, mas isso não traz nenhum Pense!
Como entender o propósito de
mérito! As pessoas (como os barcos)
Deus em fazer com que um povo,
foram feitas para abrirem caminhos que Ele diz amar, passar pelo
nos mares tempestuosos da existência! deserto, para ser humilhado?
Assim, se os indivíduos (como os barcos) Não seria isso um contrassenso?

JOVENS 7
preferindo os “pratos da culinária do
Ponto Importante
Quem ama de verdade não se con- velho Egito, cheios de temperos que
tenta em ter o objeto do seu amor fazem mal”? Ainda assim, o Senhor,
de qualquer forma, mas da melhor cheio de compaixão, continua batendo
forma! Para isso, a experiência do à porta e dizendo: Eu quero cear com
deserto é indispensável. vocês (Ap 3.20).
3. A serpente de bronze (Jo 3.14).
III – CRISTO NO DESERTO Em João 3.14, Jesus declara que a ser-
1. A pedra que os seguia. A cons- pente de bronze que foi levantada, por
tatação mais confortante de toda a Moisés, no deserto, era um tipo dEle.
travessia de décadas pelo deserto é a Esse objeto de metal era a alternativa
de que Cristo estava ali, com o hebreus, de cura para todos aqueles que fossem
em todo o tempo. Jesus Cristo era a mordidos pelas serpentes venenosas.
“pedra espiritual que os seguia” (1 Co A desobediência do povo suscitou
10.4). A expressão bíblica demonstra aquele juízo divino. Isso revela que o
todo cuidado e carinho de Deus por deserto é um lugar perigoso, mas se
seu povo. A vida neste mundo, portanto, o caminhante estiver sempre olhando
só prossegue pela abundante graça e para Cristo, não sofrerá dano irreversí-
misericórdia divina. Pois, Deus conhece a vel, mortal, ainda que, ocasionalmente,
desobediência do seu povo, mas mesmo sofra algum revés.
assim, continua a nos suportar, e nos
acompanhar, pacientemente, todos os Pense!
dias. É por causa dEle — Cristo Jesus Será que se pode acreditar, de
— que não sucumbimos! “Glória, pois, fato, que o Deus que conduziu
seu povo ao deserto para o hu-
a Ele, eternamente” (Rm 11.36). milhar está, realmente, com ele
2. O maná. Em João 6.48-51, Jesus todos os dias?
se identificou como o maná que ali-
mentou os israelitas no deserto pelo Ponto Importante
tempo da peregrinação. Interessante Os tipos de Cristo, durante a tra-
que, a princípio, eles aceitaram aquela vessia pelo deserto, demonstram
claramente o cumprimento da
provisão diária de comida, entretanto,
promessa: “Não te deixarei, nem te
posteriormente, o povo não teve mais desampararei” (Hb 13.5).
vontade de comê-la. Então, começaram
a chamar o maná de “pão tão vil” (Nm
21.5). Mesmo com todo esse desprezo,
todas as manhãs, por quase 40 anos,
continuou “chovendo” comida da parte É por causa dEle —
de Deus. Quanta humildade e bondade Cristo Jesus — que não
da parte do Senhor! sucumbimos! “Glória, pois, a
Não é, porventura, o que acontece Ele, eternamente”
cotidianamente nos dias atuais? Muitas (Rm 11.36).
pessoas, inclusive cristãs, desprezam e
ridicularizam a bendita Palavra de Deus,

8 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“[…] todo material em Números — ritua- “Números 1
lístico, legal, narrativo e até mesmo as Moisés, tendo assim provido o que se
informações estatísticas — giram em referia ao culto a Deus e ao governo
torno do tema universal da santidade. do povo, voltou a sua atenção para o
Childs observa: ‘Apesar da diversidade que concernia à guerra, pois estava
de assuntos e da complexa estrutura prevendo que a nação teria grandes
literária, o livro de Números mantém lutas a sustentar, e começou por or-
uma interpretação sacerdotal unifi- denar aos príncipes e aos chefes de
cada da vontade de Deus para o seu tribos, exceto à de Levi, que fizessem
povo, a qual é exposta em um nítido um recenseamento exato de todos os
contraste entre o santo e o profano’. que estavam em condições de pegar
Sinto-me mais inclinado a aceitar a em armas […]. Feito o recenseamento,
avaliação de Childs que a defendida constataram que 603.650 eram aptos.
por aqueles que veem Números No lugar da tribo de Levi, Moisés pôs
como uma coletânea aleatória de Manassés, filho de José, no número
materiais […]. dos príncipes das tribos e Efraim no
A primeira parte cobre a geração de lugar de seu pai, José, segundo o que
israelitas que saiu do Egito, dos quais vimos, pois Jacó pedira a José que
ninguém conseguiu chegar a Canaã ele desse os dois filhos em adoção.
(com exceção de Josué e Calebe). O tabernáculo foi colocado no meio
Pereceram no deserto por causa do acampamento, e três tribos pos-
de sua incessante desobediência e taram-se de cada lado, com grandes
pecaminosidade. A outra parte cobre espaços entre elas. Escolheram um
a geração que nasceu no deserto, grande lugar para instalar o mercado,
segunda geração, os quais entrariam onde seria vendida toda espécie de
em Canaã sob a liderança de Josué e mercadoria. Os negociantes e os ar-
para quem Deuteronômio foi escrito. tífices foram estabelecidos em suas
Assim, para Olson, Números fala sobre tendas e oficinas com tal ordem que
a morte do que é velho (1—25) e o parecia uma cidade. Os sacerdotes e
nascimento do que é novo (26-36), depois deles os levitas ocupavam os
com Deus tendo de começar nova- lugares mais próximos do tabernáculo.
mente” (HAMILTON, Victor P. Manual (JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus:
do Pentateuco: Gênesis, Êxodo, Leví- De Abraão à Queda de Jerusalém. 9.ed.
tico, Números, Deuteronômio. 2.ed. Rio Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 188).
de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 350, 351).

JOVENS 9
ESTANTE DO PROFESSOR
HAMILTON, Victor P. Manual do Pentateuco:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.
2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O livro de Números retrata, de forma diversificada, os altos e baixos do
relacionamento entre o povo de Israel e o Criador, durante a caminhada
pelo deserto. Revela também as constantes advertências do Senhor a res-
peito da necessidade de santidade! Podemos perceber que é perigoso viver
fora do padrão do Senhor, e que é uma bênção ter um coração alinhado
ao dEle, como aconteceu com os crentes Josué e Calebe.

HORA DA REVISÃO
1. O quarto livro do Pentateuco é denominado, na Bíblia hebraica, por qual nome?
De qual capítulo e versículo retiraram o título?
“No deserto.” Números 1.4.
2. Cite outros três nomes que poderiam ter sido dados ao livro de Números.
“Peregrinação no Deserto”, “Livro das Caminhadas” e “Livro das Murmurações”.
3. Conforme a lição, por que o deserto pode ser considerado um lugar de treinamento?
Porque a caminhada no deserto sacode as estruturas morais e psicológicas do
indivíduo, sendo que ali é revelado o seu caráter, desnudadas as intolerâncias,
e exposta a sua espiritualidade.
4. Cite três tipos de Cristo que são apresentados escrituristicamente durante os 40
anos de viagem de Israel pelo deserto, rumo à Canaã.
A pedra “que os seguia”, o maná e a serpente de bronze.
5. Segundo a lição, como sintetizar a importância do livro de Números para a con-
temporaneidade?
Constitui-se em um verdadeiro tratado sobre o relacionamento entre Deus e o seu
povo, de onde se pode extrair um riquíssimo tesouro teológico para a atualidade.
2
LIÇÃO

13/01/2019

OS PREPARATIVOS
PARA A CONQUISTA
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AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Pv 21.31
“Os filhos de Israel assentarão as O cristão deve se preparar
suas tendas, cada um debaixo da sua para a batalha
bandeira, segundo as insígnias da TERÇA - At 17.30
casa de seus pais; ao redor, defronte Deus não leva em conta os
da tenda da congregação, assentarão tempos da ignorância
as suas tendas.”(Nm 2.2) QUARTA - 1 Co 14.40
O cristão deve fazer tudo com
decência e ordem
QUINTA - Hb 11.24
SÍNTESE O cristão precisar reconhecer
O povo de Deus deve viver em a quem pertence
unidade, santidade, e também SEXTA - At 20.24
deve conhecer sua força e O cristão deve ter uma vida
preparar-se para os embates da de serviço
vida; sabendo, especialmente, SÁBADO - 1 Pe 1.16
que a vitória vem do Senhor.
O cristão deve ter uma vida
de santidade

JOVENS 11
OBJETIVOS
• APRESENTAR o modelo social criado por Deus para
os hebreus;
• EXPLICAR como se deu o processo da formação da
identidade nacional;
• MOSTRAR o cuidado de Deus para com a vida espiritual
dos hebreus ainda no deserto.

INTERAÇÃO
Professor(a), é imprescindível que haja um bom relacio-
namento entre os docentes de uma mesma classe, pois
isso influencia diretamente no trabalho a ser realizado,
como veremos nesta lição. Assim, a interação com seu(s)
colega(s) docentes, logo no início do trimestre, será
importantíssimo, a fim de ouvir e sugerir novas ideias,
discutir o tema da revista, desenvolver estratégias e
atividades para a classe. Invista tempo na construção
de laços de amizades “em volta da Arca da Aliança”, pois
trará um senso de propósito, unidade e pertencimento
ainda mais forte. Com isso, será possível realizarem
muito mais pela classe, uma vez que, ao planejar as
atividades do trimestre e dividir as tarefas entre todos,
ninguém ficará sobrecarregado e o trabalho será bem
mais produtivo e dinâmico.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Caro(a) professor(a), é importante que você utilize recursos
didáticos em suas aulas, pois eles facilitam a aprendi-
zagem. Por isso, procure apresentar gravuras a respeito
dos costumes daquele tempo, tanto em Israel como no
Egito, local da formação cultural daqueles mais de dois
milhões de ex-escravos. Também é interessante a exibi-
ção de pequenos vídeos extraídos da internet, tudo isso
para contextualizar, ainda mais, os alunos. Certamente
será muito estimulante, para eles, compreenderem as
circunstâncias históricas da lição. Faça, com criatividade
que Deus lhes concedeu, com que seus alunos passeem
entre as tendas do acampamento hebreu. Ore, peça a
Deus estratégias para que cada lição alcance a mente e
o coração dos seus alunos.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO

Números 1.1-4, 18,19, 52,53


INTRODUÇÃO
1  Falou mais o SENHOR a Moisés, no
deserto do Sinai, na tenda da congre- Os israelitas permaneceram no
gação, no primeiro dia do segundo deserto do Sinai (após a história
mês, no segundo ano da sua saída da
terra do Egito, dizendo: 
narrada em Êxodo), mas o lugar
2  Tomai a soma de toda a congregação
da manifestação de Deus tinha
dos filhos de Israel, segundo as suas migrado do monte para a planície
gerações, segundo a casa de seus do deserto (Nm 3.14), onde estava o
pais, conforme o número dos nomes tabernáculo (erguido um mês antes
de todo varão, cabeça por cabeça; 
- Êx 40.17; Nm 1.1). Nesse cenário,
3  da idade de vinte anos para cima, todos
os que saem à guerra em Israel, a estes
Deus levantou líderes para guiar o
contareis segundo os seus exércitos, seu povo: Moisés, Arão (Nm 1.1,3)
tu e Arão. e um líder de cada tribo de Israel
 4  Estará convosco de cada tribo um homem (Nm 1.4). O Senhor mencionou-os
que seja cabeça da casa de seus pais. nominalmente (Nm 1.5-15), decla-
18  e ajuntaram toda a congregação no pri- rando, que eles seriam “príncipes
meiro dia do segundo mês, e declararam
a sua descendência segundo as suas
das tribos de seus pais” (Nm 1.16).
famílias, segundo a casa de seus pais, Os hebreus tinham potencial para
pelo número dos nomes dos de vinte conquistar o território de Canaã,
anos para cima, cabeça por cabeça; 
mas lhes faltou humildade, obedi-
19  como o SENHOR ordenara a Moisés,
assim os contou no deserto do Sinai.
ência e fé, para seguirem até o fim.
52  E os filhos de Israel assentarão as suas Todos aqueles líderes, nomeados
tendas, cada um no seu esquadrão e por Deus, e seus companheiros,
cada um junto à sua bandeira, segundo morreram no deserto. Começa-
os seus exércitos.  ram bem, mas terminaram mal.
53  Mas os levitas assentarão as suas tendas Por isso, os fatos narrados em
ao redor do tabernáculo do Testemunho,
para que não haja indignação sobre a
Números devem ser cuidadosa-
congregação dos filhos de Israel; pelo mente observados, pois trazem
que os levitas terão o cuidado da guarda graves advertências para todos.
do tabernáculo do Testemunho.

I - CRIANDO A ORDEM SOCIAL Interessante que, mesmo com a pro-


1. Censo para a guerra. O livro de messa de Deus “[…] a tua semente possuirá
Números começa com o Senhor de- a porta dos seus inimigos” (Gn 22.17), Israel
terminando a contagem dos israelitas precisava conhecer sua força militar e
aptos para a guerra, expressão repetida preparar-se para os embates futuros;
várias vezes em Números 1. O Senhor crendo que o Senhor daria força, estratégia,
estava revelando, assim, que haveria e desenvoltura belicosa para guerrear e
guerras, pois os inimigos continuariam vencer os inimigos. Eles só não poderiam
colocando obstáculos ao projeto de ficar inertes, pois a Terra Prometida seria
Deus, aliás, os israelitas já tinham lu- conquistada com muito esforço. Definiti-
tado e vencido uma batalha contra os vamente, a vida dos servos de Deus nunca
amalequitas (Êx 17.8-16). foi, nem nunca será fácil.

JOVENS 13
2. Censo sem discriminação. Observa-
Pense!
-se que a iniciativa do censo foi de Deus e Se Deus não é afeito a improvisos,
não de Moisés (Nm 1.1,2). O Senhor anelava por que, às vezes, Ele age
que eles se credenciassem, que assumis- surpreendentemente, quebrando a
sem a posição de guerreiros, afinal não ordem e frustrando expectativas?
eram mais escravos. Os que se sentissem
aptos para o alistamento seriam agregados Ponto Importante
ao exército de Israel. Deus usaria a todos Deus sempre tem um plano, e Ele
nunca erra. As surpresas são apenas
que se dispusessem a lutar.
para os homens que não conhecem
O censo não seria feito levando em a mente do Senhor. Ele, porém, já
consideração a posição econômica, a conhece o fim desde o começo.
intelectualidade, a força física ou outros
requisitos; o objetivo era conhecer o II – CONSTRUINDO A IDENTIDADE
número de jovens, “da idade de vinte NACIONAL
anos para cima, capazes de sair à guerra 1. Senso de pertencimento. Ao analisar
em Israel” (Nm 1.2,3). Ninguém apto seria as determinações divinas, nos primeiros
desprezado, demonstrando o princípio capítulos de Números, observa-se que
segundo o qual toda pessoa “nascida de Deus mostrou interesse com o senso
novo” é um instrumento de Deus, pois de pertencimento social dos hebreus.
certamente recebeu algum talento do Devido ao longo período em que viveram
Senhor (Mt 25.14-30). no Egito, esse censo foi eventualmente
3. Senso organizacional. Depois de fazer fragmentado. Assim, Deus determinou
o censo, o Senhor ordenou como as tribos que as pessoas acampassem “junto ao
deveriam ser distribuídas no acampamento: seu estandarte, segundo as insígnias da
a Norte, Sul, Leste e Oeste do tabernáculo, casa de seus pais” (Nm 2.2). O senso de
quer quando estivessem acampados, quer pertencimento deveria nortear todos.
quando estivessem em marcha (Nm 2.1- A vida no acampamento deveria ser
32). É impressionante como, ao longo das notoriamente comunitária, sem espaço
Escrituras Sagradas, Deus demonstrou ser para egocentrismos ou egoísmo, pois o
extremamente detalhista e organizado. O Senhor já havia ordenado: “[…] amarás o teu
improviso não faz parte do Reino de Deus. próximo como a ti mesmo. Eu sou o Senhor”
A descendência e o nome das famí- (Lv 19.18). Cada clã deveria funcionar no
lias era importante para Deus, por isso afã de fazer o bem aos seus integran-
foram contados nominalmente (Nm 1.18). tes, mas também aos vizinhos, tudo em
A posição geográfica das tribos também santidade e constante adoração a Deus,
foi determinada por Deus, certamente tendo o tabernáculo ao centro. Nas festas,
observando o número de pessoas em cada nos descansos, nas viagens, nas guerras,
família. Isso nos mostra que o Senhor tem as tribos sempre deveriam estar juntas.
cuidado pelo seu povo e por sua obra, nada Afinal, onde existe amor, existe milagre!
acontecendo por acaso ou coincidência. Quando Deus preside um ajuntamento,
Deus sempre tem o controle de tudo e essa regra é imutável.
nenhum dos seus propósitos pode ser 2. Senso de serviço. O livro de Gênesis
impedido (Jó 42.2). mostra o homem perdendo a comunhão

14 JOVENS
com Deus; no livro do Êxodo, a humanidade levítica, não obstante tenham se rebelado
reencontra o caminho da comunhão; em especificamente contra Moisés e Arão em
Levítico, o homem é ensinado a respeito algumas oportunidades.
da verdadeira adoração e em Números, é
ensinado a servir. Um novo comportamento Pense!
começava a surgir, representado na ex- A construção da identidade
pressão: “Assim fizeram os filhos de Israel; nacional dos filhos de Israel
aconteceu por contingências
conforme tudo o que o Senhor ordenara a
sociais ou por intervenção divina?
Moisés, assim o fizeram” (Nm 1.54).
Os filhos de Israel estavam acostu-
Ponto Importante
mados a servir por obrigação, debaixo do Todos os detalhes que levaram à
jugo egípcio, mas agora eles deveriam construção da identidade dos filhos de
aprender a servir uns aos outros em Israel como nação foram estabeleci-
amor. Especialmente os levitas, que não dos diretamente por Deus; concluin-
trabalhavam secularmente e deveriam ser do, assim, que foi um grande milagre.
mantidos pelas demais tribos, bem como,
e sobretudo, em relação ao santuário do III – CUIDANDO DA VIDA ESPIRITUAL
Senhor. Isso seria uma bênção, já que, 1. A importância dos levitas. Antes
por intermédio do serviço ao próximo, e a de conquistar a Terra Prometida, Deus
Deus, as pessoas são aperfeiçoadas, pois, determinou um levantamento numérico
à proporção que elas se doam, em amor, dos guerreiros, organizou o acampamento
vão morrendo um pouco mais para seus e mostrou como seriam os deslocamentos.
egoísmos e vaidades, e são vivificadas Ele incutiu na mente do povo o senso de
para com Deus. Os hebreus precisavam pertencimento social e a necessidade do
aprender a servir a Deus e ao próximo. serviço no tabernáculo e ao próximo, além
3. Senso de reverência sacerdotal. de criar um serviço de assistência aos levi-
Deus escolheu a tribo de Levi como a sua tas. Assim, em linhas gerais, a vida social e
propriedade particular, fazendo com que político-administrativa dos filhos de Israel
seus membros não trabalhassem, nem estava bem encaminhada formalmente,
fossem à guerra, mas que cuidassem mas ainda precisavam ser estabelecidos
exclusivamente da manutenção e das cele- alguns princípios religiosos. Para o ensino
brações do santuário. Isso, possivelmente, e a função sacerdotal, o Senhor escolheu
foi um choque cultural para aquela nação a tribo de Levi (Nm 3.11,12). Isso era de vital
de ex-escravos. Entretanto, em nenhum mo- importância, pois os hebreus precisavam
mento do Pentateuco, registra-se qualquer ser ensinados a respeito da Lei do Senhor,
tipo de incômodo contra esse “privilégio” recentemente dada no Sinai, para que
levítico. A distinção estabelecida por Deus vivessem em serviço e santidade, pois
foi plenamente admitida, conforme está só assim teriam uma jornada vitoriosa.
escrito: “[…] conforme tudo o que o SENHOR 2. Vida espiritual no centro. Em Núme-
ordenara a Moisés acerca dos levitas, assim ros 2.2 Deus determinou que a “tenda da
os filhos de Israel lhes fizeram” (Nm 8.20). congregação” ficasse localizada no meio
Dessa forma, em regra, as demais tribos do acampamento, quer o arraial estivesse
reverenciavam a função sacerdotal da tribo em deslocamento, quer não, obviamente

JOVENS 15
por ser aquele o lugar mais protegido e
SUBSÍDIO
importante. O Senhor estava mostrando
ao povo que a vida espiritual (representada
pelo santuário móvel) constituía-se no “Você já percebeu que tudo depende
bem mais precioso daquela jornada, por da visão? O saudoso reverendo Myles
isso deveria estar no centro. Munroe ensinava que ‘o maior dom
Eles deveriam ter levado aquela verdade que Deus deu ao homem não foi o
a sério, pois nela residia toda a esperança dom da vista, mas o dom da visão. A
de sucesso, enquanto nação, daqueles vista é uma função dos olhos, mas a
ex-escravos. Deus estava ensinando que visão é uma função do coração. Com
a vitória acha-se em permitir que o Senhor a vista vemos o que é, mas com a
ocupe o lugar mais nobre — o centro de visão vemos o que poderia ser. Com
tudo. Estratégia, planejamento operacional, a vista enxergamos apenas o que está
coragem, força e capacidade intelectual são diante dos nossos olhos. Com a visão
importantes, mas o segredo da prosperi- enxergamosalém do que nossos olhos
dade — para o crente — está em entregar físicos podem ver’. O apóstolo Paulo
a Deus o primeiro lugar na vida (Mt 6.33). nos orienta a não viver por vista, mas
3. Vivendo para servir. Quando os filhos sim por fé, ou seja, pela visão que nos
de Israel saíram do Egito não tinham regras é dada por Deus.
a seguir, mas agora o Senhor ensinava um Um líder sem visão é fadado ao fra-
novo padrão doutrinário e cultural que eles casso. Onde não há visão o povo
deveriam adotar. Era o início, o nascedouro perece. É fantástico aprender do
da cosmovisão judaico-cristã. próprio Cristo a importância de se
O Senhor estabeleceu muitas (e deta- tornar um líder com visão. O primeiro
lhadas) regras para que, por elas, o povo passo de um líder cristão que deseja
desenvolvesse uma vida plena de santidade ser um visionário, é uma entrega total
e serviço. Não é por acaso que entre os ao Senhor. Somente uma vida de inti-
capítulos 3 e 9 de Números, o Espírito Santo midade e total dependência de Deus
ensinou inúmeras condutas que envolviam podem consolidar os direcionamentos
tanto a celebração cultual como o dia a dia certos para uma liderança eficaz. Se
do povo, — Deus estava deixando muito o líder busca em Deus a sabedoria
claro sobre a necessidade de os hebreus para construir seus projetos não há
viverem no centro da sua vontade. como as coisas saírem erradas” (LINS,
Luaran. Chamados para Liderar: Um
Pense! Guia Prático para Líderes de Adoles-
Os israelitas estavam preparados centes e Jovens. 1.ed. Rio de Janeiro:
para seguir um novo padrão de
CPAD, 2017, p.17).
comportamento como o ditado no
Monte Sinai?

Ponto Importante
As leis dadas por Deus, no Sinai,
não eram duras, mas justas e
visavam evitar que os hebreus
morressem no deserto.

16 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
Dicionário Bíblico Wycliffe.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Como visto, os preparativos da viagem no deserto incluíam organização,
estratégia, sentimento de unidade entre as tribos, mas, principalmente, o
desenvolvimento de um profundo senso de compromisso do povo com
Deus e a sua Palavra. O Senhor tinha chamado o seu filho do Egito e, por
isso, estava ensinando-o a andar e dando-lhe mantimento, mas quanto
mais o atraía, mas se ia de sua face (Os 11.1-4).

HORA DA REVISÃO
1. Os fatos estudados nesta lição aconteceram em qual lugar?
No deserto do Sinai.
2. O censo mencionado em Números 1.1 foi determinado por Deus quanto tempo
após o término da construção do tabernáculo?
Um mês.
3. Segundo a lição, a concordância do povo em relação ao sacerdócio levítico ficou
demonstrada em qual texto bíblico?
Números 8.20.
4. Segundo a lição, qual a importância dos levitas?
Os hebreus precisavam ser ensinados sobre a Lei do Senhor, por meio dos sa-
cerdotes e levitas, para que o povo não morresse no deserto e pudesse entrar
em Canaã.
5. Por que razão há leis ao longo do livro de Números?
O Senhor estabeleceu muitas (e detalhadas) regras para que, por elas, o povo
desenvolvesse uma vida plena de santidade e serviço.
3
LIÇÃO

20/01/2019

SANTIDADE — REQUISITO
PARA A CONQUISTA
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Hb 12.14
“E não profanareis o meu Santidade, um alvo a ser
santo nome, para que eu perseguido
seja santificado no meio dos
filhos de Israel. Eu sou o TERÇA - 1 Pe 1.2
SENHOR que vos santifico.” Santidade, um alvo do Espírito
(Lv 22.32) Santo em nós
QUARTA – Gl 5.16-21
Santidade para não dar lugar às
obras da carne
SÍNTESE QUINTA - 2 Co 7.1
A busca pela santidade é o Santidade, uma virtude a ser
requisito primordial para a aperfeiçoada
preservação da salvação.
SEXTA - 1 Ts 4.3
Santidade, a vontade de Deus
SÁBADO- 1 Pe 1.16
Santidade, a essência de Deus

18 JOVENS
OBJETIVOS
• DISCORRER a respeito da natureza das leis repetidas
pelo Senhor no deserto do Sinai;
• EXPLICAR o teor da bênção sacerdotal, o valor espiritual
das ofertas e a grandeza da consagração levítica;
• DEMONSTRAR a importância da comunhão com Deus
no deserto.

INTERAÇÃO
Considerando que os encontros com seus alunos aconte-
cem somente nos domingos, busque uma maior interação
com eles durante toda a semana, por intermédio das redes
sociais. A comunicação virtual pode ser bastante útil para
estimular o estudo prévio da lição, como por exemplo-
convidar os alunos faltosos para as aulas, parabenizar
os aniversariantes, etc. Use sua criatividade, conquiste
seus alunos, pois muitos deles estão ávidos pelo estudo
da Palavra de Deus.
Ore e peça ao Senhor que lhe conceda estratégias para
fortalecer o elo de amizade e comunhão com os alunos.
Peça também sabedoria para cuidar daqueles que por
ventura desfaleceram pelo caminho e estão sem forças
para prosseguirem.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), para desenvolver o primeiro tópico da lição,
escreva no quadro a palavra “pureza”. Em seguida pergunte
aos alunos o que vem a mente deles quando ouvem essa
palavra. À medida que forem falando vá relacionando
as palavras no quadro. Em seguida procure relacionar
as palavras citadas pelos alunos e o significado delas.
Depois faça a seguinte indagação: “Qual é o antônimo de
pureza?” Após reproduza o esquema abaixo no quadro e
explique o significado real da palavra e o seu antônimo.
Em seguida peça que leiam o Texto do Dia. Diga que Deus
é santo e exige santidade dos seus filhos(as). Mostre que
a falta de santidade impede a nossa comunhão, o nosso
relacionamento com Deus.

PUREZA
SIGNIFICADO ANTÔNIMO
Condição, estado ou qualidade do
Impureza, que não é ou não está limpo;
que é puro, límpido, não tem mistura
coberto de sujeira.
ou impurezas.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 7.1-7
1  E esta é a lei da expiação da culpa; INTRODUÇÃO
coisa santíssima é. 
Paulo disse que não se aborre-
2  No lugar onde degolam o holocausto, cia em fazer as mesmas adver-
degolarão a oferta pela expiação da
culpa, e o seu sangue se espargirá
tências, porque era segurança
sobre o altar em redor. para os crentes (Fp 3.1). O Senhor,
 3  E dela se oferecerá toda a sua gordu- igualmente, no deserto do Sinai,
ra, a cauda e a gordura que cobre a depois de algumas providências
fressura;  administrativas, também repetiu
4  também ambos os rins e a gordura que várias leis (Nm 1 e 2). Deus estava
neles há, que está sobre as tripas; e o advertindo os filhos de Israel que,
redenho sobre o fígado, com os rins,
para chegarem à Canaã, era preciso
se tirará. 
obedecerem à sua Palavra, o que
5  E o sacerdote o queimará sobre o
altar em oferta queimada ao SENHOR;
propiciaria àquele povo o padrão
expiação da culpa é.  de plenitude moral exigido pelo
6  Todo varão entre os sacerdotes a co- Senhor, conduzindo-os a um estado
merá; no lugar santo se comerá; coisa doutrinário e cultural marcado pela
santíssima é.  pureza — viveriam em santidade.
7  Como a oferta pela expiação do peca- Deus, naquele momento, estava
do, assim será a oferta pela expiação
apontando fortemente para a
da culpa; uma mesma lei haverá para
elas: será do sacerdote que houver santidade dos hebreus, virtude
feito propiciação com ela.  sobre a qual não havia nenhum
referencial no Egito; porém, agora,
o Senhor expedira muitas de-
terminações comportamentais.
Os filhos de Israel, assim, tinham
um grande desafio pela frente —
o maior — serem santos. Se eles
vencessem esta guerra interior
contra o pecado, a Terra Prometida
seria conquistada gloriosamente.

I – A REPETIÇÃO DE ADVER-
TÊNCIAS
1. Pureza social. O processo, ou
caminho, para se chegar à santidade
chama-se santificação. É uma estrada
interminável. Somente quando se chegar
ao Céu é que se alcançará a estatura
de varão perfeito. Nesse sentido, os
descendentes de Abraão tinham muito
o que aprender.

20 JOVENS
Em Número 5.1-10 o Senhor tratou pessoas querem servir a Deus de qual-
a respeito da pureza social. Deus, quer maneira. A mulher, de acordo com
portanto, para proteger o seu povo, o texto sagrado, também podia fazer
determinou que os contaminados voto de nazireado (Nm 6.1,2).
pela lepra, ou por fluxo corporal ou
por terem tocado num morto, fossem Pense!
lançados fora do arraial; bem como Na Igreja de Cristo, a mulher
tratou acerca da restituição de quem tem importantes tarefas na
expansão do Reino de Deus.
causasse prejuízo a outrem. O povo de
Deus tinha de ter pureza em todos os
aspectos. Assim, os hebreus deveriam
Ponto Importante
Homens e mulheres são iguais
se livrar de “toda a aparência do mal”, perante Deus.
de tudo o que fosse prejudicial ao
espírito, à alma ou ao corpo. II – O CAMINHO DA CONSA-
O cuidado de Deus era para que GRAÇÃO
houvesse uma normatização justa das 1.A bênção de Deus. O acampamen-
relações sociais. Dessa forma, os que to estava em ordem e os israelitas en-
aparentavam algum tipo de “contamina- contravam-se preparados para marchar.
ção” biológica deveriam ser apartados Nesse cenário, Deus relembrou algumas
do povo até que ficassem purificados; leis que versavam sobre a santidade do
e os que tivessem comportamento ina- seu povo no aspecto social, relacional
dequado, restituíssem devidamente aos e espiritual (havia inúmeras outras leis,
prejudicados. Não é demais lembrar de mas o Espírito Santo fez questão de
que, como diz 1 Coríntios 10.6: “E essas repetir essas). Deus mostrara o caminho
coisas foram-nos feitas em figura [...]”. da consagração.
2. Pureza nos relacionamentos. Em Num primeiro instante, “o SENHOR,
Números 5.11-31 o Espírito do Senhor tra- que ama a prosperidade do seu servo”
tou a respeito da pureza no casamento. (Sl 35.27), ensinou que os sacerdotes
Essa lei era muito valiosa para as famílias, deveriam abençoar os filhos de Isra-
pois evitava que as esposas sofressem el da maneira mais ampla possível,
injúrias ou difamações levianas. de modo que o seu nome trouxesse
Na família de uma nação santa, os proteção, presença e paz através das
cônjuges precisavam viver em paz, sem palavras proferidas pelos sacerdotes
acusações infundadas. Ainda que o (Nm 6.24-26). Observa-se que, com a
procedimento prescrito por Deus pareça bênção sacerdotal, o Senhor vinculava
rudimentar, era o único compatível em seu nome, ou seja, seu caráter, ao povo
face da dureza de coração dos hebreus, de Israel.
conforme Jesus mencionou (Mt 19.8). Na oração do “Pai Nosso”, Jesus fez o
3. Pureza espiritual. Em Números mesmo quando ensinou seus discípulos
6.1-21, Deus estabeleceu o padrão da a orarem dizendo: “[…] santificado seja
pureza espiritual, para quem quisesse o teu nome” (Mt 6.9).
consagrar-se a Ele — o nazireado. Quando, tempos depois, Balaão,
Impressiona como, nos dias atuais, as o falso profeta, tentou amaldiçoar o

JOVENS 21
povo de Israel, teve de pronunciar as ção para falar com o SENHOR, então,
seguintes palavras: “Não viu iniquidade ouvia a voz que lhe falava de cima do
em Israel, nem contemplou malda- propiciatório, que está sobre a arca do
de em Jacó; o SENHOR, seu Deus, é Testemunho entre os dois querubins;
com ele e nele, e entre eles se ouve assim com ele falava” (Nm 7.89). Ele
o alarido de um rei. Deus os tirou do é galardoador dos que o buscam (Hb
Egito; as suas forças são como as do 11.6). A questão relevante a respeito
unicórnio. Pois contra Jacó não vale das ofertas dos israelitas não era a
encantamento, nem adivinhação contra quantidade somente, mas também
Israel; neste tempo se dirá de Jacó e de a voluntariedade e alegria com que
Israel: Que coisas Deus tem feito!” (Nm eram trazidas.
23.21-23). Somente uma coisa poderia 3. Obediência no chamado. Em
trazer desgraça ao povo: o pecado. Números 8 o Altíssimo demonstra que
Enquanto o Senhor não contemplasse o caminho da consagração do povo
iniquidade em Israel, o seu meu nome passa pela obediência ao chamado e,
estaria sobre os filhos de Israel, e Ele consequentemente, a purificação dos
os abençoaria (Nm 6.27).
levitas. Interessante que, em primeiro
2. A bem-aventurança do doar. Os
lugar, o Senhor determina que Arão
88 primeiros versículos de Números 7
acenda as lâmpadas; uma vez o san-
informam uma longa lista de ofertas
tuário iluminado, o ritual de purificação
trazidas em doze cultos, mencionando o
dos levitas, por Moisés, começaria. Tudo
dia em que cada um dos príncipes das
no santuário deveria ser feito às claras,
tribos as deveria apresentar. Elas eram
sob a orientação de Deus.
iguais, mas Deus — que não esquece
Concluída a ordem divina, “[...] vie-
do trabalho das mãos dos seus servos
ram os levitas, para exercerem o seu
— fez questão de especificar as con-
ministério na tenda da congregação,
tribuições individualmente. O Senhor
perante Arão e perante os seus filhos;
estava satisfeito com a voluntariedade
como o SENHOR ordenara a Moisés
do povo e, por isso, registrou tudo. Em
acerca dos levitas, assim lhes fizeram”
consequência, no versículo seguinte
(Nm 8.22). Os levitas não podiam estar
está escrito a respeito da aprovação
de Deus, ao se mencionar que “quando diante do povo pelas suas próprias
Moisés entrava na tenda da congrega- justiças, mas somente após terem os
pecados “cobertos” pelo sangue da
expiação de um animal, que apontava
para o sacrifício perfeito de Cristo. Com
isso, eles foram aceitos diante de Deus,
Somente uma coisa e o povo foi abençoado.
poderia trazer desgraça
ao povo: o pecado. Pense!
Por que Deus estabeleceu
tantas regras para receber a
adoração do seu povo? Não
poderia ser mais simples?

22 JOVENS
Ponto Importante
A Queda deixou tudo complicado
para o homem. A única forma de
resolver o problema do pecado
Por que há pessoas que querem
era Deus assumi-lo em nosso
lugar através de Jesus Cristo. servir a Deus sem se submeterem
à normas ou regras?
III – COMUNHÃO NO DESERTO
1. Tempo de comunhão. Os filhos
de Israel estavam no deserto do Sinai;
o censo já havia sido feito, e o lugar de
cada tribo no acampamento já havia sido
Páscoa (que Jesus celebrou como a
determinado. Então eles foram lembra-
ordenança da Ceia) tão a sério que,
dos a respeito de algumas leis e Arão e
caso alguém faltasse sem justificativa
os levitas foram consagrados. Agora, o
plausível, deveria ser eliminado do povo.
Todo-Poderoso deseja abençoá-los e
3. Igualdade dos adoradores. Quando
cultivar a comunhão com eles.
os hebreus saíram do Egito veio também
O capítulo 9 do livro de Números
uma multidão de pessoas gentias com
mostra uma nova etapa do relaciona-
eles. Deus, nesse momento de comu-
mento do povo com Deus. Para marcar
nhão no deserto, lembrou-se delas: “E,
esse tempo, Deus ordena: “No dia catorze
quando um estrangeiro peregrinar entre
deste mês, pela tarde, a seu tempo de-
vós e também celebrar a Páscoa ao
terminado a celebrareis; segundo todos
Senhor, segundo o estatuto da Páscoa
os seus estatutos e segundo todos os
e segundo o seu rito, assim a celebrará;
seus ritos, a celebrareis” (Nm 9.3). Serão
um mesmo estatuto haverá para vós,
momentos de festa e alegria, mas as
assim para o estrangeiro como para o
regras, os estatutos, também não pode-
natural da terra” (Nm 9.14). Há igualdade
riam ser esquecidos. Por que, então, há
entre os adoradores, pois Deus não
pessoas que querem servir a Deus sem
têm filhos prediletos. Aqueles que se
se submeterem à normas ou regras?
achegam a Ele, independente de suas
2. Exigência divina. Em Números
etnias, são recebidos alegremente pelo
9.6-13, vemos que Deus ordenou a
Pai amoroso.
celebração da Páscoa, porém alguns
homens reconheceram que não esta-
Pense!
vam preparados para tal celebração. Por que o Senhor escolheu o
O que fazer? Deus respondeu que não deserto para ter comunhão com
dispensaria a adoração deles, providen- seu povo? Não teria sido melhor
ciando, por isso, um dia alternativo para um lugar mais confortável?
a comunhão, pois todos são importantes
diante do Pai. Ponto Importante
Deus, às vezes, deseja que seus
Impressionante como, por vezes,
servos “reduzam a marcha” e
alguns cristãos deixam de participar sentem-se à mesa com Ele; neste
da Ceia do Senhor por qualquer outro caso, o deserto é o lugar ideal,
compromisso. Deus levava a festa da porque lá tem poucas distrações.

JOVENS 23
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“As ofertas dos príncipes (Nm 7.1-9). “Através de Abraão e sua semente,
Aqui está a oferta dos príncipes das Deus formaria uma nação sagrada,
tribos para o serviço do Tabernáculo. pela qual sua glória seria manifestada
Quando isto ocorreu: Não antes que em toda a terra. Ele deu a essa nação
o Tabernáculo tivesse sido completa- um conjunto de leis e normas únicas
mente erigido. Quando todas as coisas e gloriosas para viver; princípios ma-
já estavam concluídas, no Tabernáculo, ravilhosos de santidade e divindade
e o arraial de Israel, que o rodeava, que seus filhos deveriam obedecer
estava de acordo com as instruções com todo coração, alma, mente, força,
recebidas, então eles, trouxeram seus pois eles amavam o autor. A glória
presentes, aproximadamente no oitavo de Deus seria revelada através das
dia do segundo mês. Observe que as bênçãos que Ele conferiu ao seu povo
cerimônias necessárias sempre devem obediente. Porém, a desobediência
tomar o lugar das ofertas voluntárias: levaria à disciplina e o castigo […].
primeiramente, aquelas, e então, estas.
Sabemos o que aconteceu. Israel
Quem os oferecia: Os príncipes de Is- preferiu desobedecer […].
rael, os cabeças da casa de seus pais,
A falta de santidade conduz à inuti-
v. 2. Observe que aqueles que estão
lidade do Reino de Deus. Sempre foi
acima de outros, em poder e dignidade,
assim, e sempre será.
devem ir à frente deles, e esforçar-se
A santidade é para um cristão o que
para ir além deles, em tudo o que é
a segurança contra a água é para um
bom. Quanto mais alguém é promovi-
navio. Mas o objetivo de um navio de
do, mais se espera dele, por causa da
guerra não é simplesmente manter a
maior oportunidade que tem de servir a
água fora do seu casco. Seu propósito
Deus e à sua geração. Para que servem
é entrar na guerra, lutar e trabalhar
a riqueza e a autoridade, se não para
para conseguir a vitória. Não entrar
capacitar um homem a fazer o bem ao
na batalha torna o navio inútil à nação
mundo, em muito maior quantidade?
que o construiu, e o cristão que não
O que foi oferecido: Seis carros cobertos,
entra na guerra pelas almas dos ho-
cada um deles com um jugo de bois
mens torna a crença inútil. Ele deve
que o puxava, v. 3. Sem dúvida, estes
se envolver na batalha para a qual
carros estavam em conformidade com
o Pai o chamou” (DANIELS, Robert.
os demais utensílios do Tabernáculo, e
Pureza Sexual. 1.ed. Rio de Janeiro:
seus acessórios, os melhores do seu
CPAD: 2011, pp. 41,42,47,50).
gênero, como as carruagens que os
grandes príncipes usam quando saem
em seus desfiles” (HENRY, Matthew.
Comentário Bíblico: Antigo Testamento,
Gênesis a Deuteronômio. 1.ed. Rio de
Janeiro: CPAD, 2010, pp. 459,460).

24 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico: Antigo
Testamento, Gênesis a Deuteronômio. 1.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2010.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Deus criou mecanismos para que os hebreus entrassem pelo caminho da
perfeição moral e da pureza, mas eles, ao contrário, amaram os deleites do
Egito. Se a busca pela santidade tivesse se tornado a coisa mais importante
para eles, o fim da história dos que atravessaram o mar Vermelho seria
diferente. Com isso, é pertinente inquirir: “O que é mais vantajoso: viver
em santidade ou em constante anelo pelos desejos carnais?”

HORA DA REVISÃO
1. Segundo a lição, qual era o maior desafio dos hebreus?
O maior desafio dos hebreus era ser um povo santo.
2. Segundo a lição, quais os três tipos de pureza que Deus exigia com urgência do povo?
Pureza social, relacional e espiritual.
3. Onde está escrito que “contra Jacó não vale encantamento”?
Números 23.23.
4. Qual foi a primeira festa celebrada no deserto do Sinai?
A Páscoa.
5. Qual o castigo para quem faltasse à celebração da Páscoa sem existir uma justa causa?
Seria eliminado do povo.
4
LIÇÃO

27/01/2019

A PRESENÇA DE DEUS
NO DESERTO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Sl 140.13
“Ou, quando a nuvem sobre o Na presença de Deus, somente os
tabernáculo se detinha dois retos habitarão
dias, ou um mês, ou um ano,
ficando sobre ele, então, os TERÇA -Sl 31.20
filhos de Israel se alojavam Presença de Deus, lugar
e não partiam; e, alçando-se de esconderijo
ela, partiam.” (Nm 9.22)
QUARTA - Sl 16.11
Presença de Deus, lugar de alegria
QUINTA - Gn 4.16
SÍNTESE Sair da presença de Deus, uma
A presença de Deus no meio grande tragédia
do povo era garantia de se-
SEXTA - Sl 68.7,8
gurança, alegria e descanso.
Pois, caminhar pelo deserto A presença de Deus faz
envolvia correr perigos dos tremer a terra
mais diversos. SÁBADO - Êx 33.14
A presença de Deus traz descanso

26 JOVENS
OBJETIVOS
• MOSTRAR como Deus se manifestou ao povo no deserto,
e como os hebreus, a princípio, obedeceram volunta-
riamente o mover da nuvem e da coluna de fogo;
• EXPLICAR como foi o início da caminhada no deserto
e os primeiros pecados do povo;
• COMPREENDER como Deus orientou a Moisés para
que ele escolhesse setenta cooperadores.

INTERAÇÃO
Professor(a), é imprescindível haver um bom relacio-
namento entre os docentes de uma mesma classe, pois
isso influencia diretamente no trabalho a ser realizado.
Assim sendo, agende uma reunião com seu(s) colega(s),
a fim de ouvir e sugerir novas ideias, discutir o tema
do trimestre, desenvolver estratégias e atividades para
a classe, etc. Faça desse um momento de interação e
estreitamento de laços, independente de quantos pro-
fessores existam na classe. Todos devem trabalhar com
um só propósito, o que só é possível se houver um bom
diálogo. Assim, realizarão muito mais pela classe, uma
vez que, ao planejar as atividades do trimestre e dividir
as tarefas entre todos, ninguém ficará sobrecarregado
e o trabalho será bem mais dinâmico.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Peça que os alunos relatem, de forma resumida, alguns
testemunhos de heróis e heroínas da fé. Homens e
mulheres que viveram em santidade diante do Senhor
e como a glória de Deus se manifestou em suas vidas.
Reflita com os alunos a respeito do elo que existe entre
santificação e a manifestação da presença de Deus, como
mencionado nos testemunhos. Conclua dizendo que, a
santidade é o requisito principal para ser cheio(a) do
Espírito Santo. Assim, os alunos compreenderão porque,
na narrativa de Números, a menção a leis e regras para
a santificação de todos, antecederam o aparecimento da
nuvem da presença. Essa conversa deve abrir a discus-
são a respeito do tema da aula de hoje, que vai tratar a
respeito da presença de Deus no deserto.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 9.15-22
INTRODUÇÃO
15  E, no dia de levantar o tabernáculo,
a nuvem cobriu o tabernáculo sobre Caminhando com Deus, pelo deserto,
a tenda do Testemunho; e, à tarde, o povo estava aprendendo uma lição
estava sobre o tabernáculo como uma espiritual a cada dia. As diversas leis
aparência de fogo até à manhã. 
tinham o objetivo de mostrar que um
16  Assim era de contínuo: a nuvem o cobria,
e, de noite, havia aparência de fogo. 
Deus santo requeria um povo santo
(Lv 20.7). Entretanto, as pessoas que
17  Mas, sempre que a nuvem se alçava sobre
a tenda, os filhos de Israel após ela partiam; saíram do Egito não tinham noção
e, no lugar onde a nuvem parava, ali os dessa exigência divina e foram conhe-
filhos de Israel assentavam o seu arraial.  cendo o caráter de Deus à proporção
18  Segundo o dito do SENHOR, os filhos que seguiam rumo à Canaã.
de Israel partiam e segundo o dito do
Um ano depois da saída do Egito, os
SENHOR assentavam o arraial; todos
os dias em que a nuvem parava sobre hebreus estavam tendo uma nova
o tabernáculo, assentavam o arraial.  revelação a respeito da presença
19  E, quando a nuvem se detinha muitos de Deus. O Senhor estava com eles,
dias sobre o tabernáculo, então, os filhos acompanhando-os numa coluna
de Israel tinham cuidado da guarda do de fogo nas noites congelantes do
SENHOR e não partiam.  deserto e, durante os dias, sob o sol
20  E era que, quando a nuvem poucos dias escaldante de um dos lugares mais
estava sobre o tabernáculo, segundo o
quentes do mundo, uma monumen-
dito do SENHOR, se alojavam e, segundo
o dito do SENHOR, partiam.  tal nuvem trazia refrigério para
21  Porém era que, quando a nuvem desde
milhões de pessoas. O Altíssimo,
a tarde até à manhã ficava ali e a nuvem carinhosamente, fazia-os viver em
se alçava pela manhã, então, partiam; uma temperatura agradabilíssima,
quer de dia quer de noite, alçando-se podendo eles, assim, desfrutarem
a nuvem, partiam.  de uma paisagem inigualável, de
22  Ou, quando a nuvem sobre o tabernáculo dia ou de noite. Com o movimento
se detinha dois dias, ou um mês, ou um
da nuvem ou coluna de fogo, Deus
ano, ficando sobre ele, então, os filhos
de Israel se alojavam e não partiam; e, indicava o momento de parar a
alçando-se ela, partiam. caminhada e de prosseguir.

I – A NUVEM E A COLUNA DE FOGO outro milagre acontecia: a nuvem ficava


1. A presença contínua. Quando o com uma aparência de fogo, permane-
povo levantou o tabernáculo, o qual foi cendo assim até pela manhã, quando,
feito conforme o modelo dado por Deus novamente, voltava a ser um refúgio
no monte Sinai, a nuvem da presença do contra o sol. Esse processo perdurou,
Senhor surgiu gloriosamente (Nm 9.15). Os continuamente, por quase 40 anos (Nm
milhões de peregrinos que estavam ao 9.16). O Senhor estava testemunhando a
redor do tabernáculo, nas suas respectivas todo o povo: “E eis que estou contigo, e
tribos, entenderam perfeitamente que se te guardarei por onde quer que fores, e
tratava de uma manifestação divina. te farei tornar a esta terra, porque te não
No fim da tarde, quando o sol decli- deixarei, até que te haja feito o que te
nava e a temperatura começava a cair, tenho dito” (Gn 28.15).

28 JOVENS
2. O mover imprevisível. O texto de é um segredo, uma bússola, um mapa e um
Números 9.17-23 fala a respeito do mover caminho. Andar por ela é sinal de sabedoria,
imprevisível de Deus, representado nos humildade, fé e sempre produz os resultados
deslocamentos da nuvem e da coluna da verdadeira prosperidade na vida.
de fogo. Impressionante como o Espírito
Santo, que inspirou os escritores bíblicos, Pense!
fez questão de mencionar que, às vezes, Vale a pena obedecer a Deus mes-
mo quando aquilo que Ele requer
o referencial da presença de Deus per-
aparenta ser irracional ou ilógico?
manecia no mesmo lugar um ano ou,
inexplicavelmente, menos de um dia.
Ponto Importante
Interessante perceber, também, que não Fazer a vontade de Deus sempre
havia nenhum fenômeno natural perceptível é a melhor decisão para seu
que antecedesse os movimentos vertical povo, sob quaisquer circunstân-
(subida e descida sobre o tabernáculo) e cias, pois o Senhor é o sumo bem
e Ele jamais se equivoca.
horizontal (mudança geográfica) da nuvem
ou da coluna de fogo. O Senhor, por sua
II – O INÍCIO DA CAMINHADA
soberania, de dia ou de noite, sem mandar
1. A ordem para marchar (10.11-13).
qualquer aviso, simplesmente transferia o
Deus possui um aguçado senso de beleza
lugar da nuvem ou a coluna de fogo. Não
e organização, entretanto esse traço de
havia, nem há, paradigmas para entender o seu caráter justifica-se não apenas pela
mover de Deus. Porventura, nos dias atuais, estética e estratégia de suas determina-
não é com a mesma imprevisibilidade e ções, mas sobretudo em face do grande
aparente ilogicidade eventual que Deus age? amor pelo seu povo.
3. A obediência voluntária. Deus estava O Senhor mandou fazer duas trom-
treinando os israelitas para que eles, com betas de prata, uma sofisticada obra de
alegria, aprendessem a obedecer ao Se- arte (a prata era depurada no fogo, daí
nhor. Vale lembrar que, repetidamente, as por que é símbolo da redenção na Bíblia),
Escrituras dizem que eles eram rebeldes as quais serviam para conclamar o povo
ou de “dura cerviz” (Dt 10.16; Jr 7.26; Mc 10.5; para se reunir e dar o sinal de partida do
At 7.51). Assim, por vezes, a nuvem passava acampamento, tudo muito organizado.
um longo período parada e, depois, numa Entretanto, mais adiante, Deus disse que
sequência inesperada, era transferida de as trombetas também seriam tocadas
lugar rapidamente, mas o povo a seguia, quando os israelitas estivessem em difi-
como se vê: “Segundo o dito do SENHOR, culdades (o toque das trombetas era uma
se alojavam e, segundo o dito do SENHOR, verdadeira oração) e nas festas religiosas
partiam; da guarda do SENHOR tinham (Nm 10.2, 9,10). Dessa forma, o início de toda
cuidado, segundo o dito do SENHOR pela caminhada era marcado, simbolicamente,
mão de Moisés” (Nm 9.23). por um momento de oração. O toque das
Os que servem a Deus devem aprender trombetas movia o coração de Deus em
a obedecer voluntariamente ao Senhor, de favor do povo e o Senhor se lembrava da
todo coração, como Davi recomendou a aliança firmada. A promessa de Deus, feita
Salomão (1 Cr 28.9), para que tenham vitória desde os dias do patriarca Abraão, seria
nas grandes lutas que travarem. A obediência cumprida, pois Deus é fiel.

JOVENS 29
2. Confiança do líder abalada (10.29). diante do Senhor, pois a Bíblia diz que a
Em meio a tantas demonstrações elo- maldição não vem sem causa (Pv 26.2).
quentes do cuidado de Deus, percebe-se Importante que cada cristão aprenda a
uma falta de confiança do líder Moisés, ser agradecido, de todo coração, e nunca
pois convidou Hobabe, seu cunhado, para despreze o “pão” que Deus dá.
guiar o povo nos caminhos do deserto (Nm
10.29-32). Ora, a presença de Deus, repre- Pense!
sentada na nuvem e na coluna de fogo, Não teria Deus agido injustamente
sinalizava perfeitamente quando o povo ao matar pessoas por apenas re-
clamarem do cardápio alimentar?
deveria acampar e seguir viagem, e qual
rota percorrer, mas Moisés entendeu que
Ponto Importante
seria bom ter alguém com experiência para Deus é a suma justiça. Ele jamais
“ser seus olhos” e socorrê-los em tempo exacerba em seus juízos, por isso, a
oportuno. Mas, o Senhor compreendeu a maldição não vem sem causa.
fraqueza do líder e sequer o repreendeu.
Moisés também precisava aprender a III – DEUS LEVANTA COOPERA-
confiar. Vê-se, porém, que em nenhum DORES
outro momento Hobabe é mencionado nas 1. Carga pesada. Na caminhada com
Escrituras, dando provas que o convite de Deus, pelo deserto a cada dia os limites
Moisés foi estéril e inócuo. Deus é quem humanos são testados. O grande Moisés
comanda e guia os passos do seu povo. que, pouco tempo antes, tinha convidado
3. O pecado da murmuração (11.1-10). Hobabe para ser “seus olhos” na peregri-
Na caminhada dos hebreus pelo deser- nação (tinha plano até para quando Deus
to, o Senhor sempre esteve presente falhasse na orientação), agora pensa em
cuidando do seu povo, mas, como visto desistir do ministério. Ele concluiu: “Eu
anteriormente é inevitável que as fraque- sozinho não posso levar a todo este povo,
zas dos líderes apareçam e, infelizmente, porque muito pesado é para mim. E, se
também, existam rebeliões. Em Números assim fazes comigo, mata-me, eu to peço,
11.1-10 diz-se que aconteceu murmuração se tenho achado graça aos teus olhos; e
no meio do povo por causa da comida não me deixes ver o meu mal” (Nm 11.14,15).
(toda murmuração dirige-se, em primeiro A resposta que Deus ofereceu a
plano, contra Deus) e o Senhor levou em Moisés ressoa como modelo ministerial
consideração as palavras proferidas a tal pelos séculos. O líder é feito de “carne
ponto que muitos israelitas morreram e osso” e, por isso, precisa de apoio e
como castigo pela rebelião. companhia. Sempre que Deus quis fazer
Judas escreveu a respeito de al- algo significativo, antes de tudo, montou
guns indivíduos não recomendáveis uma equipe. Talvez Moisés, até aquele
que eram “murmuradores, queixosos instante, acreditasse ser possível liderar
da sua sorte, andando segundo as suas sozinho, mas o Senhor permitiu que ele
concupiscências, e cuja boca diz coisas ficasse esgotado emocionalmente para
mui arrogantes, admirando as pessoas por aprender a depender mais dEle. Então,
causa do interesse” (Jd 16). Certamente o o Altíssimo designou setenta anciãos
que os israelitas fizeram foi muito grave para auxiliar o seu servo.

30 JOVENS
2. Dividindo a carga. Deus, de maneira
sábia, pediu que Moisés escolhesse setenta
SUBSÍDIO
líderes para que o auxiliasse. A escolha seria
“Os capítulos 9 e 10, em especial,
de Moisés, porém eles seriam instrumentos
centram-se na presença do Senhor no
do Senhor, para ajudar na condução da obra.
meio do seu povo. A primeira metade
Observa-se um segundo aspecto relevante
do capítulo 9 reconta a celebração da
nessa história: os auxiliares precisavam
primeira Páscoa do deserto, (9.1-14),
ter o mesmo espírito de Moisés, pensar a
celebração essa que, acima de tudo,
mesma coisa, compartilhar do alinhamento lembra-lhes a presença do Senhor
do entendimento do líder, ação precípua do quando, de forma extraordinária,
Espírito Santo. Só assim a carga pesada das libertou-os do Egito. Na segunda
atribuições seria, de fato, compartilhada. metade do capítulo, Deus promete
Pouco tempo depois houve o episódio prover uma nuvem para guiar os
das codornizes, o primeiro teste dos 70 viajantes e para lembrá-los de sua
líderes (Nm 11.31-35). Deus é bom e fiel, presença contínua […].
pois, certamente, se Moisés estivesse
No início do capítulo 10, a finalidade
sozinho nessa nova e grave situação ele
de tocar as trombetas é para que Deus
teria sucumbido.

e o povo lembrem-se uns dos outros
3. Insubmissão. Moisés, depois de ter a
(10.9,10). E nos versículos seguintes a
carga administrativa aliviada pelos setenta
nuvem move-se pela primeira vez.
líderes chancelados por Deus, viu ruir os
apoios mais importantes que tinha: o de Portanto, a primeira parte de Números
Miriã e Arão, seus amados irmãos, os quais é um resumo da forma especial como
se insurgiram fortemente contra ele, mas “o Deus preparou seu povo ao instruí-lo
SENHOR o ouviu” (Nm 12.2). Os irmãos de sobre a pureza, ao conceder-lhes
os sacerdotes e, acima de tudo, sua
Moisés foram repreendidos pelo Senhor,
presença especial.
inclusive Miriã ficou leprosa por causa dessa
insubmissão ao líder. Ferir o princípio da O Senhor preparou o seu povo na-
autoridade e submissão, desobedecendo quela época e o prepara hoje. Você
a liderança, não é uma atitude sábia e já pensou nisso? Você já pensou na
prudente, ainda que existam ponderações forma como Senhor o prepara? Talvez
de natureza administrativa consideráveis. tudo isso lhe pareça uma informação
religiosa casual, todavia, Deus teve
Pense! o cuidado em fazê-lo à sua imagem.
As ponderações de Miriã e Arão con- Você foi projetado com a capacidade
tra Moisés não deveriam, ao menos, de compreender as palavras” (DEVER,
terem sido discutidas por Deus na Mark. A Mensagem do Antigo Testa-
reunião feita com eles no santuário?
mento. 1.ed., Rio de Janeiro: CPAD,
2008, pp. 138,139).
Ponto Importante
O princípio da autoridade e sub-
missão tem grande relevância para
Deus, por isso, havendo rebelião, o
Senhor sequer discute as argumen-
tações apresentadas.

JOVENS 31
ESTANTE DO PROFESSOR
DEVER, Mark. A Mensagem do Antigo
Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A maior consolação que os israelitas poderiam ter no deserto era a certeza
da presença contínua de Deus com eles; e o Senhor demonstrou inequivo-
camente tal realidade, através da nuvem ou da coluna de fogo que nunca
abandonaram o povo. Mesmo diante dessa certeza, tanto os líderes quanto
o povo cometeram erros, os quais não ficaram impunes, servindo isso de
exemplo para a igreja hodierna.

HORA DA REVISÃO
1. Cite dois sinais que Deus realizou, os quais demonstravam a presença dEle entre o povo.
A nuvem e a coluna de fogo.
2. Em quais momentos a nuvem e a coluna de fogo podiam ser vistas?
Durante o dia a nuvem e à noite, a coluna de fogo.
3. De qual material foram feitas as duas trombetas que convocavam o povo?
De prata batida.
4. Qual o nome do cunhado de Moisés que foi convidado para ser o “guia do povo”?
Hobabe.
5. Segundo a lição, por que os irmãos de Moisés foram repreendidos pelo Senhor?
Eles foram repreendidos pelo Senhor porque foram insubmissos ao líder.
5
LIÇÃO

03/02/2019

DECIDINDO O SEU
FUTURO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Hb 11.1
“Ao qual nossos pais não
A fé é o firme fundamento
quiseram obedecer, antes o
rejeitaram e, em seu coração, do futuro
se tornaram ao Egito.” TERÇA - Mt 17.20
(At 7.39) A fé remove montanhas
QUARTA - Hb 10.38
O justo viverá da fé
QUINTA - Rm 4.18,19
SÍNTESE
A fé nos faz crer contra
Sempre haverá dificuldades
a esperança
na vida daquele que caminha
com Deus, mas nunca se deve SEXTA - 1 Sm 17.45
perder a fé no cumprimento A fé em Deus nos faz triunfar
de suas promessas, porque SÁBADO - Jd 3
Ele é sumamente fiel!
A necessidade de batalhar pela fé

JOVENS 33
OBJETIVOS
• EXPLICAR porque Deus enviou espias até Cananã;
• MOSTRAR que a murmuração evidencia a falta de fé;
• COMPREENDER que frutos amargos são colhidos em
decorrência da desobediência e falta de fé.

INTERAÇÃO
Querido(a) professor(a), as lições desta revista pos-
suem um elo que as interligam, pois tratam de temas
sequenciais do livro de Números. De modo que será
confuso para um aluno compreender a lição atual se
ele não tiver conhecimento das anteriores. Se ficarem
muito calados durante a aula, procure mobilizá-los,
estimulando-os a perguntarem, opinarem, etc. Sempre
motive seus alunos para que não faltem à próxima aula
e convidem os ausentes. Essas lições são importantís-
simas para o crescimento da fé em Deus, pois trazem
valiosas orientações que se adequam perfeitamente ao
nosso dia a dia, pois retratam a angustiante trajetória
do povo de Deus pelo deserto.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Na aula anterior foi abordado o tema da presença de
Deus, fazendo assim uma ponte para essa lição cujo foco
é o futuro, pois não é razoável pensar em ser feliz no
futuro, se no presente, não se caminhar com o Senhor.
Faça as seguintes indagações aos alunos: “Como vocês
veem o futuro?” “O que esperam dele?” “Como encará-lo?”
Aguarde as respostas e ouça-os com atenção. Você se
surpreenderá com a forma de pensar dos alunos e isso
o ajudará a conhecê-los melhor. Em seguida, diga-lhes
que, certamente, os filhos de Israel enfrentaram esses
mesmos questionamentos acerca do futuro, mas não
souberam equacioná-los e não tiveram fé!
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO

Números 13.26-33 INTRODUÇÃO


26 E caminharam, e vieram a Moisés, e a
Arão, e a toda a congregação dos filhos Israel já desfrutava de extraordiná-
de Israel no deserto de Parã, a Cades, e, rios milagres de Deus. Eram aque-
tornando, deram-lhes conta a eles e a cidos nas noites frias do deserto,
toda a congregação; e mostraram-lhes pelo calor de uma gigantesca coluna
o fruto da terra. 
resplandecente, e durante o dia,
27 E contaram-lhe e disseram: Fomos à
logo pela manhã, colhiam um pão
terra a que nos enviaste; e, verdadei-
ramente, mana leite e mel, e este é o maravilhoso que caía diariamente
fruto.  do céu — o maná. Quando o sol, na-
28 O povo, porém, que habita nessa terra quela região árida, ia esquentando,
é poderoso, e as cidades, fortes e mui os israelitas não eram incomodados,
grandes; e também ali vimos os filhos porque havia uma cortina térmica
de Anaque.  (a nuvem da presença de Deus) que
29 Os amalequitas habitam na terra do os protegia (Sl 121.5). A caminhada
Sul; e os heteus, e os jebuseus, e os
do povo de Deus, em qualquer
amorreus habitam na montanha; e os
cananeus habitam ao pé do mar e pela época, sob quaisquer contingências,
ribeira do Jordão. apresenta-se, sobretudo, como uma
30 Então, Calebe fez calar o povo perante jornada de fé.
Moisés e disse: Subamos animosamente Deus lhes dava mantimento, con-
e possuamo-la em herança; porque,
forto e proteção, porém requeria
certamente, prevaleceremos contra ela. 
deles (como requer da Igreja) uma
31 Porém os homens que com ele subiram
disseram: Não poderemos subir contra
atitude de fé. Eles precisavam en-
aquele povo, porque é mais forte do xergar o futuro através dos olhos
que nós.  do Altíssimo e deveriam acreditar
32  E infamaram a terra, que tinham espiado, que “aquilo que Deus diz é verdade”.
perante os filhos de Israel, dizendo: A Diante disso, o Senhor determinou
terra, pelo meio da qual passamos a que Moises enviasse espias à Terra
espiar, é terra que consome os seus
moradores; e todo o povo que vimos
Prometida. Os israelitas seriam
no meio dela são homens de grande postos à prova! É deste ponto que,
estatura.  hoje, prossegue a saga do povo de
33 Também vimos ali gigantes, filhos de Deus no deserto.
Anaque, descendentes dos gigantes;
e éramos aos nossos olhos como
gafanhotos e assim também éramos I – OS ESPIAS
aos seus olhos.
1. O fim da jornada. Em Números 13,
Números 14.1,2 
Deus acena para o fim da caminhada. Es-
1 Então, levantou-se toda a congregação,
pias deveriam ser enviados para analisar o
e alçaram a sua voz; e o povo chorou
naquela mesma noite.  extraordinário presente de Deus — a Terra
2  E todos os filhos de Israel murmura- da Promissão. Doze homens, representan-
ram contra Moisés e contra Arão; e do suas tribos, deveriam subir à Canaã (v.
toda a congregação lhe disse: Ah! Se
17). As conquistas dadas pelo Senhor ao
morrêramos na terra do Egito! Ou, ah!
Se morrêramos neste deserto!  seu povo sempre são representadas por
“subidas”. É interessante o fato de que Deus

JOVENS 35
tenha se ocupado em fazer com que os enviados à Canaã, eles estavam vivendo
filhos de Israel declarassem o desejo de na antessala da vitória. Possivelmente
conquistar a promessa, por Ele anunciada. havia uma grande expectativa do povo
Eles precisavam somente dizer: Que linda pelos desdobramentos sociais e políticos
e abençoada terra, meu Senhor. a partir daquela expedição missionária.
Os espias eram representantes de Os espias passaram 40 dias transitando
todos que saíram do Egito. Eles tinham na Terra Prometida, observando tudo que
sobre si o compromisso de comunicar aos tinha sido determinado por Moisés.
hebreus o que estava além do rio Jordão. No fim do período, trouxeram alguns
A terra que mana leite e mel estava muito frutos da Terra Prometida e tudo era
próxima e poucos instantes separavam esplendidamente bom. Deus nunca se
os ex-escravos da maior conquista de equivoca em nenhum de seus conceitos!
suas vidas. O Senhor lhes daria mais que Provavelmente os israelitas estavam com
um lugar para habitarem, sobretudo lhes muita esperança ao perceberem os espias
outorgaria dignidade enquanto indivíduos chegando com um gigantesco cacho de
e nação. A promessa feita, ainda, ao pa- uvas (além das romãs e figos). Mas, logo
triarca Abraão, o amigo de Deus, estava que os viajantes abriram a boca, o que
plenamente em vigor, não obstante os era alegre expectativa transformou-se
séculos decorridos. num inacreditável tormento emocional.
2. O tempo da alegria. Deus não
escolheu um tempo qualquer para essa Pense!
visita in locu tão especial. Está escrito que Por qual razão Deus quis que os
era o tempo das “primícias das uvas” (Nm espias fossem enviados à Canaã?
13.20). Um período que simbolizava tudo
de bom, o tempo de sublime alegria, Ponto Importante
O Senhor queria que o povo de
porque estava acontecendo uma colheita
Israel declarasse que confiava na
muito grande, de excelentes frutos. As sua fidelidade, acreditando que Ele
pessoas de Canaã estavam tão felizes cumpriria a palavra empenhada;
que, possivelmente, nem desconfiavam afinal, “o justo viverá da fé”.
da verdadeira intenção daqueles doze
homens que atravessavam seu território. II – MURMURAÇÃO E FÉ
Aquele tempo de alegria em Canaã 1. A vista humana. Os espias que
prenunciava uma vitória maiúscula para os voltaram de Canaã dirigiram-se aos seus
hebreus, recompensa das mãos do Senhor, líderes e ao povo, levando consigo a prova
prometida há mais de quatro séculos. Moisés da bênção de Deus: o fruto da terra. Então
pediu que eles olhassem tudo, analisassem confirmaram que, de fato, da Terra Prome-
minuciosamente e, por fim, enfatizou: “[…] tida manava leite e mel — a expressão não
esforçai-vos e tomai do fruto da terra [...]” tinha sido nenhum exagero de Deus e a
(Nm 13.20). Essa seria a prova incontestável prova disso era o fruto (Nm 13.26,27). Em
de que o Senhor falara a verdade quanto ao seguida, porém, afirmaram que as cidades
potencial agrícola daquela região. eram muito bem protegidas e os mora-
3. A antessala da vitória. Quando os dores podiam ser considerados gigantes
representantes dos filhos de Israel foram (Nm 13.28,29). Um verdadeiro terror!

36 JOVENS
O olhar humano dos representantes o poder do desânimo disseminado pelos
das dez tribos trouxe consequências espias incrédulos.
terríveis para a história do povo de Deus. Está escrito que toda a congregação
Um desespero abateu-se imediatamente chorou naquela mesma noite (Nm 14.1). O
sobre os descendentes de Isaque. No dia projeto de Deus, dado e confirmado para
a dia da vida, inúmeros medos solapam várias gerações de crentes fiéis, estava,
a mente humana, como foi mencionado agora, fulminado no coração daqueles
pelo apóstolo Paulo (2 Co 7.5), entretanto ex-escravos, por causa de uma única
isso não pode obstruir a visão daqueles abordagem pessimista de um grupo de
cujos corações estão firmados em Deus dez homens infiéis.
(Sl 108.1).
2. A visão da fé. No meio dos doze Pense!
espias havia dois homens de fé: Josué e Por que a reação dos israelitas às
Calebe. Eles não viviam segundo o que más notícias trazidas pelos espias
incrédulos foi tão contundente?
viam, mas eram guiados pela fé. Logo
quando os dez espias começaram a
desanimar o povo, Calebe levantou-se
Ponto Importante
O povo de Israel tinha saído do Egito,
e proferiu palavras de fé e exortação. Ele mas o Egito não tinha saído deles.
compreendia, como Martin Luther King, Por isso, as palavras de Deus soavam
que “mesmo as noites totalmente sem tão timidamente em seus corações!
estrelas podem anunciar a aurora de
uma grande realização”. Ele sabia que III – COLHENDO FRUTOS AMARGOS
Deus poderia fazer, num movimento, o 1. O povo volta ao Egito. O momento
que os homens passariam meses e anos mais decisivo e alegre do povo transfor-
para realizar. mou-se no pior de todos os pesadelos, pois
Josué e Calebe, com ímpeto, refutaram segundo Atos 7.39 eles voltaram ao Egito
instantaneamente os outros companheiros em seus corações. Anelaram a escravidão,
de viagem, pois estes haviam dito que os o pecado, as festas pagãs, e abandonaram
cananitas eram mais fortes do que eles ao Senhor. Eles preferiram os ídolos egíp-
e, que, por tal motivo, Israel não deveria cios e apostataram da fé. “E diziam uns aos
conquistar a Terra Prometida (Nm 13.30). outros: Levantemos um capitão e voltemos
3. O poder do desânimo. O discurso ao Egito” (Nm 14.4). Nesse momento, Moisés
negativo dos dez espias adentrou o cora- e Arão caíram de joelhos diante de todo o
ção dos hebreus a ponto de fazer com que povo, ao passo que Josué e Calebe rasga-
esqueceu-se das promessas do Senhor. ram suas vestes e tentaram animar o povo
O povo, subitamente, esqueceu-se do a confiar em Deus; porém, ao contrário,
Deus que deu um filho a Abraão na sua todos tencionaram apedrejá-los, o que só
velhice, através de uma mulher estéril. não aconteceu porque Deus manifestou a
Esqueceram-se daquEle que trouxe as sua glória (Nm 14.5-10). Uma cena incrível!
dez pragas ao Egito e os tirou com mão Como pessoas alcançadas pela bondade
forte e braço estendido das garras de maravilhosa de Deus foram tão ingratas e
Faraó. Nenhuma imagem, palavra, teoria, incrédulas? Não acontece isso, porventura,
ou discurso seria mais eloquente do que muitas vezes em nossos dias?

JOVENS 37
2. O povo é reprovado. Os mais de
SUBSÍDIO
seiscentos mil homens adultos daquela
geração foram, então, reprovados pelo “A fé encoraja nossas crenças e expec-
Senhor: não entrariam na Terra Prometida. tativas com confiança. A fé pode nos
A promessa que repousava sobre eles tornar destemidos. “Ter esperança é
passou para a geração seguinte. Eles não ouvir a melodia do futuro. Ter fé é dan-
eram dignos de herdar a bênção divina, çar ao som dessa melodia”, declarou
pois viram a glória do Senhor e os sinais Rubem Alves.
realizados no Egito e no deserto, mas Como a fé realiza esta obra sobrenatu-
mesmo assim rejeitaram Deus por dez ral? Concedendo-nos uma perspectiva
vezes e não obedeceram à voz do Eterno. eterna. Pessoas de fé enxergam a vida
As pessoas que um dia participaram de modo diferente. O otimismo cheio
dos banquetes espirituais e se fizeram de esperança acerca do futuro, quando
participantes do Espírito Santo e, depois, reforçado pela fé, modera nossa an-
decidiram apostatar da fé, correm o risco siedade acerca do presente. Olhamos
de não serem mais admitidas por Deus.
para a vida com lentes maiores. Ver os
Esse risco não só é real, como também
problemas da vida com as grandes
é impreterível (Hb 6.4-6).
lentes do futuro ajuda a colocar em
3. Quarenta dias se tornam em qua-
perspectiva os aborrecimentos de hoje,
renta anos. Deus demonstrou indignação
problemas no carro, discussões na
pela falta de confiança dos israelitas, por
família, voos atrasados. Muitas coisas
isso Ele transformou 40 dias de desânimo e
que antes nos aborreciam agora po-
falta de fé em 40 anos de caminhada pelo
dem ser vistas como o que de fato são:
deserto (Nm 14.33,34). Um ensinamento
irritações triviais, temporárias.
que o povo de Israel jamais esqueceria.
Mas a fé vai além de nos ajudar a lidar
Deus estava mostrando que a dúvida
com meros aborrecimentos. Vemos
em relação à sua Palavra traria sérias
o verdadeiro poder da fé com mais
consequências. Nunca perca a fé, jamais
clareza nos momentos de dor. A fé
murmure, olhe para o futuro com espe-
transforma a esperança em uma cer-
rança e sempre creia no poder de Deus.
teza de que o sofrimento fará sentido
Se o povo for obediente, a vitória será
mesmo quando nossa perspectiva
certa, mas se apostatar da fé, e voltar ao
terrena não vê sentido algum. Em ou-
Egito, atrairá para si uma dor e vergonha
tras palavras, quando a dor nos atinge
que nunca serão esquecidas.
até a alma e as provações nos dão um
soco no estômago, a fé é responsável
Pense!
Por que Deus transformou 40 dias de por manter viva a nossa esperança”
desânimo em 40 anos de deserto? (PARROTT, Les. Você é Mais Forte do
que Pensa. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD,
Ponto Importante 2014, p. 52).
Os hebreus tinham saído do Egito,
mas o Egito não tinha saído deles.
Por isso, as palavras de Deus soavam
tão timidamente em seus corações!

38 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
PARROTT, Les. Você é Mais Forte do que Pensa.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A geração que saiu do Egito tinha, de fato, enormes dificuldades para con-
quistar os “gigantes” de Canaã; mas, quaisquer que fossem os obstáculos,
Deus lhe introduziria, como prometido, naquela boa terra. Os hebreus só
precisavam crer e obedecer, porém preferiram a rebeldia em seus corações.
Por isso, morreram e foram enterrados em sepulturas no deserto. Poderia
ter sido diferente, pois “o justo viverá da fé”.

HORA DA REVISÃO
1. Conforme a lição, ao determinar o envio de espias, o que Deus estava indicando?
Deus estava indicando o fim da caminhada.
2. Segundo Números 13.20, em que momento Deus comissionou os espias?
No tempo das primícias das uvas.
3. Identifique pelo menos uma passagem bíblica que demonstre a fé e obediência
de Calebe.
Números 13.30.
4. Qual referência bíblica afirma que os hebreus voltaram ao Egito em seus corações?
Atos 7.39.
5. Qual a lição que Deus ensinou ao transformar 40 dias de desânimo dos espias
em 40 anos de caminhada no deserto?
Se o povo for obediente, a vitória será certa, mas se apostatar da fé, e voltar ao
Egito, atrairá para si dor e vergonha que nunca serão esquecidas.
6
LIÇÃO

10/02/2019

O PECADO DA REBELIÃO

AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
SEGUNDA - Êx 23.21
“Porque a rebelião é como o
pecado de feitiçaria, e o porfi- Advertência contra a rebelião
ar é como iniquidade e idola- TERÇA - Dt 31.27
tria. Porquanto tu rejeitaste a
palavra do SENHOR, ele tam- A rebelião de Israel era conhecida
bém te rejeitou a ti, para que
QUARTA - Sl 78.8
não sejas rei.” (1 Sm 15.23)
A geração contumaz e rebelde
QUINTA - Js 1.18
SÍNTESE O terrível castigo aos rebeldes
A rebelião à hierarquia
SEXTA - Jr 29.32
(notadamente àquela firmada
por Deus), instala o caos e O rebelde não tem um
faz os melhores projetos bom futuro
sucumbirem.
SÁBADO – Mq 7.18
O Senhor perdoa a rebelião

40 JOVENS
OBJETIVOS
• MOSTRAR que a caminhada pelo deserto evidenciou
o fato de que os hebreus que saíram do Egito eram de
dura cerviz;
• SABER que as rebeliões que surgiram no meio da lide-
rança eram contagiantes, alcançando muitos do povo;
• REFLETIR a respeito da vontade de Deus.

INTERAÇÃO
Estimado(a) professor(a), todo intento para que venha
lograr êxito, em regra, passou por um eficaz planejamento.
Na educação cristã não é diferente. Não é necessário ser
um pedagogo para fazer um planejamento, pois planejar
nada mais é do que organizar a aula antes de ministrá-la.
As lições de professor oferecem excelentes subsídios
pedagógicos e didáticos, tudo que você precisa fazer é
estudar com afinco, ler o livro de apoio à lição, e organizar
o roteiro de sua aula com antecedência, definindo um
tempo para cada tópico da lição e atividades a serem
desenvolvidas. Não é demais lembrar a recomendação
bíblica: “Se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7).

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
O tema da aula de hoje é de extrema relevância para a
igreja da atualidade: rebelião. Muitos têm enveredado por
esse caminho, com consequências trágicas na vida. Para
iniciar a aula, faça a seguinte pergunta: “O cristão deve
obedecer seu líder mesmo que não concorde com ele?”
“Nesse caso, é correto levantar oposição?” Espere que os
alunos respondam e registre todas as colocações. Após,
comece a analisar as respostas, junto com eles, com o
cuidado de não causar constrangimento. Essa atividade
vai diagnosticar se os alunos entendem o que significa
o princípio da autoridade e submissão.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO

Números 12.1-14 INTRODUÇÃO


1  E falaram Miriã e Arão contra Moisés,
por causa da mulher cuxita, que tomara;
Números capítulo 13 narra a respei-
porquanto tinha tomado a mulher cuxita.  to da derrocada espiritual e social
2  E disseram: Porventura, falou o SE- da geração de ex-escravos hebreus
NHOR somente por Moisés? Não falou que saiu do Egito, a qual preferiu,
também por nós? E o SENHOR o ouviu.  em seus corações, retornar à vida
3  E era o varão Moisés mui manso, mais de escravidão debaixo do jugo de
do que todos os homens que havia so- Faraó. Os israelitas demonstraram
bre a terra. o seu grave sentimento de insub-
4  E logo o SENHOR disse a Moisés, e a missão — fator decisivo para que
Arão, e a Miriã: Vós três saí à tenda da
não entrassem em Canaã.
congregação. E saíram eles três. 
5  Então, o SENHOR desceu na coluna Todas as vezes que o povo de Deus
de nuvem e se pôs à porta da tenda; se insurgiu contra a sua liderança
depois, chamou a Arão e a Miriã, e espiritual, a qual era fiel ao Senhor,
eles saíram ambos.  as consequências foram trágicas.
6  E disse: Ouvi agora as minhas pala- O pecado da rebelião, disse Deus, é
vras; se entre vós houver profeta, eu, como o pecado da feitiçaria (1 Sm
o SENHOR, em visão a ele me farei
conhecer ou em sonhos falarei com ele. 
15.23), porque o rebelde (assim como
o feiticeiro) busca alcançar o fim
7  Não é assim com o meu servo Moisés,
que é fiel em toda a minha casa.  pretendido independentemente da
8  Boca a boca falo com ele, e de vista, vontade do Senhor; acha que os fins
e não por figuras; pois, ele vê a seme- justificam os meios e, por isso, realiza
lhança do SENHOR; por que, pois, não qualquer conduta para ter o que deseja.
tivestes temor de falar contra o meu
Após o pecado em Cades, os hebreus
servo, contra Moisés?
desencadearam outras revoltas e o
9  Assim, a ira do SENHOR contra eles
se acendeu; e foi-se.  resultado, em todas elas, foi tristeza,
10  E a nuvem se desviou de sobre a ten-
morte e luto. Poderia ter sido diferen-
da; e eis que Miriã era leprosa como te, pois bastava somente obedecer!
a neve; e olhou Arão para Miriã, e eis
que era leprosa.  I – UM POVO DE DURA CERVIZ
11  Pelo que Arão disse a Moisés: Ah! Se-
1. Inveja na família do líder. Um
nhor meu! Ora, não ponhas sobre nós
este pecado, que fizemos loucamente caso emblemático, que retrata o espírito
e com que havemos pecado!  de oposição dos israelitas, aconteceu
12  Ora, não seja ela como um morto, que, precisamente na família de Moisés
saindo do ventre de sua mãe, tenha (Nm 12.1-15). Arão e Miriã falaram contra
metade da sua carne já consumida. 
Moisés, mas o Senhor o ouviu (Nm 12.1,2).
13  Clamou, pois, Moisés ao SENHOR,
dizendo: Ó Deus, rogo-te que a cures.  A consequência é que Miriã ficou leprosa,
14  E disse o SENHOR a Moisés: Se seu como castigo de Deus. Logo após, “Arão
pai cuspira em seu rosto, não seria en- disse a Moisés: Ah! Senhor meu! Ora,
vergonhada sete dias? Esteja fechada não ponhas sobre nós este pecado, que
sete dias fora do arraial; e, depois, a
recolham. 
fizemos loucamente e com que havemos
pecado!” (Nm 12.11).

42 JOVENS
Muitas pessoas têm ficado “leprosas” que caía do céu, oportunidade em que o
por que levantam oposições injustas Altíssimo fez com que fossem atacados
contra seus líderes, enquanto eles por víboras ardentes, as quais picaram o
estão agindo no centro da vontade de povo, sendo grande a mortandade.
Deus. Há uma verdade inexorável: quem A desonra com que alguns tratam
desatende ao princípio da autoridade seus líderes destoa daquilo que a Igreja
e submissão será quebrado por Deus. aprendeu ao longo dos séculos. Eusébio
2.Teimosia. Após receberem uma de Cesareia, por exemplo, diz que o mártir
sentença forte de Deus, de que eles não Policarpo, bispo de Esmirna, “sempre fora
entrariam na Terra Prometida por causa tratado com grande respeito”, a tal ponto
da desobediência, o Senhor determinou que não tinha o costume de tirar os sapatos,
que voltassem ao deserto, pelo caminho “pois sempre tivera irmãos que, logo ao seu
do mar Vermelho (Dt 1.40). Os hebreus, lado, disputavam entre si para servi-lo”.
porém, com soberba, resolveram desafiar
Moisés e o próprio Deus e partiram Pense!
para a guerra. Foram fragorosamente A forma como os crentes de Es-
derrotados (Nm 14.40-45). mirna tratavam Policarpo não era
exagerada, quase uma idolatria?
A motivação de toda a rebelião fica
bastante patente aqui: Para os hebreus,
independente dos conselhos ou da
Ponto Importante
A igreja em Esmirna tinha muito
vontade de Deus, o que importava era a
respeito por Policarpo, não
opinião própria deles, o desejo vaidoso. E, bajulação ou idolatria. A conduta
como sempre acontece com os rebeldes, fiel daquela igreja fê-la não ser
o fim não foi bom. Acerca disso Moisés repreendida pelo Senhor (Ap 2.8-11).
escreveu, relembrando o momento em
que os sobreviventes israelitas voltaram II - LÍDERES EM CONFLITO
chorando após o massacre dos amorreus: 1. Insubmissão e desrespeito. Havia
“Tornando, pois, vós e chorando perante o em Israel, no deserto, três homens muito
SENHOR, o SENHOR não ouviu a vossa voz, influentes: Corá, Datã e Abirão. Eles tinham
nem vos escutou” (Dt 1.45). Triste desfecho uma grande liderança (Nm 16.2-4), mas
para quem poderia ter sido vitorioso. desprezavam a Palavra do Senhor que dizia:
3. Murmuração. Os atos de rebeldia “Os juizes não amaldiçoarás e o príncipe
do povo continuaram acontecendo e, dentre o teu povo não maldirás” (Êx 22.28).
cada vez mais, morriam no deserto os É fato que todo rebelde, com frequência,
desobedientes. Em Números 20.2-5 e critica a liderança, não só nas coisas im-
21.4,5 há o registro de duas outras histórias portantes, mas inclusive nos pequenos
de insubmissão, as quais redundaram em acontecimentos, e isso deve ter acontecido
danos e mortes. No primeiro episódio com esse trio. Um dia, porém, resolveram
o povo murmurou tanto que o próprio dar vazão a toda a indignação acumulada
Moisés perdeu o bom senso e feriu a contra o líder Moisés. Eles queriam fazer
rocha, quando a ordem divina era para falar uma divisão no meio do povo e o resultado
à rocha; no segundo caso, reclamaram da rebelião foi: Eles foram exterminados
do cuidado divino e desprezaram o maná pelo Senhor (Nm 16.32-35).

JOVENS 43
2. O memorial dos rebeldes. Números por Deus são exclusivas dEle e estão
16. 40 relata uma determinação divina in- relacionadas com sua escolha soberana.
teressante: a construção de um memorial, Ana, por exemplo, poderia ter murmurado
no altar do Senhor, para que os filhos de contra o sacerdote Eli, tanto pela crítica
Israel se lembrem da conduta de Corá e infundada, como pela desordem sacerdotal
seus seguidores. Deus, além do justo juízo da época, mas tratou-o respeitosamente
inflingido aos rebeldes, deixou a adver- e foi abençoada (1 Sm 1.13-20).
tência “para que nenhum estranho, que
não for da semente de Arão, se chegue Pense!
para acender incenso perante o SENHOR É correto suscitar rebelião contra
um homem de Deus, ainda que ele
[...]” (Nm 16.40).
tenha realizado conduta “politica-
Na verdade, ser da tribo de Levi era um mente incorreta”?
privilégio concedido pelo Senhor, pois os
levitas deveriam ser cuidados, por toda a Ponto Importante
vida, pelos demais israelitas (Dt 12.19). En- Não havendo desobediência à
tretanto o ministério sacerdotal somente Palavra de Deus na conduta da
seria exercido pelos descendentes de Arão. autoridade, a submissão deve ser a
mais ampla possível, sob pena de se
Corá, como levita, achava que a medida era
cometer um pecado semelhante à
um equívoco de Moisés e, ainda com as feitiçaria (1Sm 15.23).
muitas demonstrações do Senhor quanto
a isso, não retroagiu em seu intento, e o III - DEUS MOSTRA A SUA VONTADE
fim foi trágico. O memorial serviria para 1. Deus firma a liderança. O Senhor,
que os filhos de Israel (e não apenas os como forma de firmar a liderança sacerdo-
levitas) não se esquecessem disso. tal de Arão, e de fazer cessar as contendas,
3. O castigo dos inconformados. É determinou que “cada cabeça da casa de
impressionante como a rebelião, em regra, seus pais” deveria trazer uma vara até a
é extremamente contagiosa. Não obstante tenda da congregação. A vara do homem
o castigo que aconteceu, no dia seguinte o a quem o Senhor havia escolhido flores-
povo quis destruir a liderança pelos danos ceria” (Nm 17.5). É interessante como Deus
que o Senhor causara. Diante disso, mais disse que murmuravam contra Moisés
uma vez, Moisés e Arão foram buscar a e Arão, porém, na verdade, as palavras
Deus, intercedendo pelos que estavam eram lançadas contra Ele próprio. O fato
solidários aos que morreram. O Senhor mais relevante é que Deus não suporta
matou outras 14.700 pessoas e só não os que se dão à murmuração e, por isso,
foram mais porque Moisés e Arão apazi- eles sofrerão danos; ademais, o Senhor
guaram a Justiça de Deus rapidamente. recomenda que não haja murmuradores
É inacreditável como há pessoas que, no meio do povo (Fp 2.14; 1 Pe 2.1), mas
sem temor, quebram o princípio da auto- adoradores com o coração transbordante
ridade e submissão contra um homem de de ações de graças (1 Cr 29.13).
Deus, e ainda justificam que realizaram 2. Deus honra o líder. Números 17.8
algo “politicamente correto”. Erram por não relata que a vara de Arão floresceu e a
conhecerem as Escrituras. As regras que dos outros permanceram mortas. O Se-
regem a liderança espiritual estabelecidas nhor estava prestigiando aquele que o

44 JOVENS
servia fielmente. Afinal, quem se entrega
SUBSÍDIO
inteiramente nas mãos do Deus, o Senhor
o colocará em lugares estratégicos, de “O Pecado de Miriã e Arão (Nm 12.1-
honra. O grande problema é que, em 15). Pelo que deduzimos, a murmuração
inúmeras ocasiões, a pessoa, na verdade, e a reclamação eram incontroláveis,
está sendo preparada, moldada, para as- pouco importando a severidade com
sumir responsabilidades maiores, porém que Deus as tratasse. Neste ponto,
não discerne o que está se passando e surgem nos escalões mais altos do
reage de maneira egoísta e imprudente, acampamento, em Miriã, a profetisa (Êx
criando rebelião. Quem o Senhor escolhe, 15.20), e Arão, o sacerdote. A passagem
cedo ou tarde, será sumamente honrado, é bastante clara em mostrar que foi
como aconteceu com Arão. Miriã quem iniciou a crítica e que Arão,
3. Deus protege o líder. Números 17.10 como sempre, foi mero porta-voz. A
fala a respeito da ordem para se guardar crítica que fizeram de Moisés era du-
a vara de Arão, que floresceu, dentro da pla: o desgosto por ele escolher uma
Arca da Aliança (Hb 9.4), para servir como esposa e a questão sobre por que Miriã
sinal aos filhos rebeldes, para que não e Arão não deveriam ser reconhecidos,
morressem. O Senhor, com isso, estava ao lado de Moisés, como competentes
protegendo o sacerdote Arão, de maneira para receber as mensagens de Deus.
que pudesse exercer seu ministério com A primeira destas reclamações não
toda a desenvoltura diante dos filhos de tinham fundamento na transgressão
Israel, sem oposição. Os homens que con- moral ou legal, como seria caso tivesse
fiaram inteiramente em Deus tinham uma Moisés se casado com uma cananeia
característica interessante: “da fraqueza, (Dt 7.1-6). Pelo visto, brotou do coração
tiraram forças” (Hb 11.34). Como Jesus, de uma irmã ciumenta quanto ao que
eles venceram. Arão deveria saber que era o segundo casamento de Moisés.
a vida não seria fácil, mas Deus estava A segunda reclamação tinha menos
com ele, protegendo-o e projetando-lhe fundamento, existente somente na
um futuro brilhante. Esse é o destino de mente de Miriã e Arão. Miriã recebera
quem serve a Deus fielmente: ser mais certa posição de honra e respeito,
que vencedor (Rm 8.37), porque Ele já destacando-se particularmente por sua
venceu o mundo (Jo 16.33). liderança na canção da vitória logo após
a travessia do Mar Vermelho. Arão fora
Pense! designado como porta-voz de Moisés
Se Deus firma, honra e protege os e, mais recentemente, se tornara o
líderes que Ele nomeia, por que
principal sacerdote dos israelitas. Não
eles sofrem tanto?
há que duvidar que Miriã e Arão ainda
viam Moisés como o caçulinha e se
Ponto Importante
O sofrimento faz parte da vida ministe- ressentiam de sua posição de liderança
rial, pois para levar a preciosa semente, com o povo e de seu favor com Deus”
ao que parece, deve ser “andando e (Comentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol.
chorando”. Mas o bom é que, no fim, 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 347).
haverá muita alegria (Sl 126.5,6).

JOVENS 45
ESTANTE DO PROFESSOR
MERRILL, Eugene H. História de Israel no
Antigo Testamento: O Reino de Sacerdotes
que Deus Colocou entre as Nações. 6.ed.
Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Os ministérios de Moisés e de Arão foram marcados por muitas rebeliões,
mas o Senhor sempre os honrou e protegeu.
Talvez em algum momento, tenha surgido no seu coração algum sentimen-
to de rebelião contra alguma autoridade espiritual constituída por Deus,
como ocorreu com Corá, Datã e Abirão. Se isso aconteceu, arrependa-se,
peça perdão a Deus e retorne à plena submissão a Cristo.

HORA DA REVISÃO
1. Conforme a lição, quais os benefícios do princípio da autoridade e submissão?
O princípio da autoridade e submissão estabelece a ordem e cria condições
para o crescimento, em todo e qualquer agrupamento humano.
2. Conforme a lição, quais os malefícios de agir em rebelião à autoridade constituída
pelo Senhor?
A rebelião à hierarquia (notadamente àquela firmada por Deus), instala o caos
e faz os melhores projetos sucumbirem.
3. Qual conduta Moisés teve que o impediu de entrar na Terra Prometida?
Feriu a rocha, quando deveria apenas ter falado a ela.
4. Cite os nomes dos três líderes que se levantaram contra Moisés e Arão.
Corá, Datã e Abirão.
5. Qual sinal físico chancelou a autoridade sacerdotal de Arão?
Sua vara floresceu.
7
LIÇÃO

17/02/2019

OS PERIGOS DO
DESERTO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - Gn 16.7
“O nosso socorro está em
o nome do SENHOR, que Encontrada por Deus no deserto
fez o céu e a terra.” TERÇA - Gn 36.24
(Sl 124.8)  Encontrando fontes termais
no deserto
QUARTA - Êx 3.1
Apascentando o rebanho
no deserto
SÍNTESE
QUINTA - Sl 95.8
Em algum momento da nossa
trajetória haverá desertos a Corações endurecidos no deserto
serem transpostos; é preciso, SEXTA - Sl 106.14
ter muito cuidado para
não sucumbirmos ante aos Corações cobiçosos no deserto
perigos que surgem nesses SÁBADO - Mt 4.1-11
dias difíceis.
Deserto, lugar de tentação

JOVENS 47
OBJETIVOS
• DEMONSTRAR que nos períodos de provações (desertos),
habitualmente surgem críticas indevidas, como aconteceu
com Moisés;
• SABER que como aconteceu com Jesus, no deserto a
obediência de cada um é testada;
• RECONHECER que há instantes, na vida de um servo
de Deus, que ocorrerão perdas pessoais irreparáveis, as
quais podem contribuir para o surgimento da solidão.

INTERAÇÃO
Estimado(a) professor(a), a relação professor-aluno precisa
ser o mais amigável possível, de forma a desenvolver
um forte vínculo afetivo e de confiança com aqueles
que Deus lhe confiou para ensinar e orientar. O contato
pessoal que acontece semanalmente, aos domingos, não
é suficiente para o estabelecimento de duradouros elos
de amizade. Por isso, procure ter contato com os alunos
fora do horário da Escola Dominical. Se os discentes
confiarem em você, receberão de bom grado o seu ensi-
no, seguirão suas orientações e ouvirão seus conselhos.
Por outro lado, a proximidade com eles proporcionará a
você um melhor conhecimento a respeito de suas vidas,
e isso é algo que todo professor de Escola Dominical
deve buscar com afinco.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Distinto(a) professor(a), para a aula de hoje convide, com
antecedência, um membro de sua igreja que tenha passado
por uma grande dificuldade durante um longo tempo.
Ele deve narrar parte dos sofrimentos suportados, de
forma sucinta, mencionando as críticas que sofreu, as
perdas materiais, a eventual solidão nesse período e os
dramas emocionais [se perdeu (ou quase) a paciência,
o equilíbrio ou mesmo a fé]. O objetivo é fazer uma
conexão entre o testemunho e o tema da lição. Tenha
cuidado com o tempo destinado a essa atividade, para
evitar que se prolongue em demasia. Ao final, agradeça
ao convidado pela presença e peça que ele ore pela
turma. Encerre a atividade explicando que na lição de
hoje terão a oportunidade de entender alguns aspectos
da experiência de caminhar no deserto com Deus.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 20.1-13
INTRODUÇÃO
1  Chegando os filhos de Israel, toda a
congregação, ao deserto de Zim, no Números 20 narra episódios que
mês primeiro, o povo ficou em Cades; aconteceram no quadragésimo ano
e Miriã morreu ali e ali foi sepultada.
da viagem do povo de Israel pelo
2 E não havia água para a congregação; deserto. Os fatos são sobremodo
então, se congregaram contra Moisés
e contra Arão. 
decisivos e menciona, por exemplo,
3  E o povo contendeu com Moisés, e
o falecimento de duas pessoas
falaram, dizendo: Antes tivéssemos muito queridas de Moisés: seus
expirado quando expiraram nossos irmãos Miriã e Arão. Trata também
irmãos perante o SENHOR!  da rejeição e repulsa de um povo
4  E por que trouxestes a congregação coirmão: Edom, que impediu Israel
do SENHOR a este deserto, para que de passar por seu território.
morramos ali, nós e os nossos animais? 
O longo período de caminhada
5  E por que nos fizestes subir do Egito,
para nos trazer a este lugar mau? Lugar naquele ambiente inóspito certa-
não de semente, nem de figos, nem mente propiciou a Moisés muita
de vides, nem de romãs, nem de água experiência, tornando-o apto para
para beber.  entender a natureza humana como
6  Então, Moisés e Arão se foram de diante poucos. Mesmo com todos os sinais
da congregação, à porta da tenda da miraculosos que aconteceram em
congregação e se lançaram sobre o
seu rosto; e a glória do SENHOR lhes
seu ministério, ele foi censurado
apareceu. por sua espiritualidade, morali-
7  E o SENHOR falou a Moisés, dizendo:  dade e integridade enquanto ser
8  Toma a vara e ajunta a congregação, tu
humano. Diante de tudo que ele
e Arão, teu irmão, e falai à rocha perante enfrentou, ainda teve que lidar com
os seus olhos, e dará a sua água; assim, a dificuldade em achar amigos ver-
lhes tirarás água da rocha e darás a beber dadeiros. Diante desse emaranhado
à congregação e aos seus animais.  de emoções, ele, por um instante,
9  Então, Moisés tomou a vara de diante fraquejou e perdeu a sua recom-
do SENHOR, como lhe tinha ordenado.
pensa: entrar, juntamente com o
10  E Moisés e Arão reuniram a congregação
seu povo, em Canaã. O deserto,
diante da rocha, e Moisés disse-lhes:
Ouvi agora, rebeldes: porventura, ti- sem dúvida, é um lugar perigoso.
raremos água desta rocha para vós? 
11  Então, Moisés levantou a sua mão e
I – NO DESERTO SURGEM CRÍTICAS
feriu a rocha duas vezes com a sua
vara, e saíram muitas águas; e bebeu 1. Quanto à espiritualidade. Em Nú-
a congregação e os seus animais.  meros 16.3, Moisés foi acusado por Corá,
12  E o SENHOR disse a Moisés e a Arão: Datã e Abirão de não possuir autoridade
Porquanto não me crestes a mim, para espiritual para conduzir o povo. Esse é um
me santificar diante dos filhos de Israel,
por isso não metereis esta congregação dos perigos do deserto. A mesma coisa
na terra que lhes tenho dado.  aconteceu com Jesus, ao ser tentado por
13  Estas são as águas de Meribá, porque Satanás ao longo de 40 dias após seu ba-
os filhos de Israel contenderam com o tismo: o Inimigo colocou em questão se, de
SENHOR; e o SENHOR se santificou neles.
fato, Jesus era o Filho de Deus (Mt 4.1-11).

JOVENS 49
Ora, Moisés, desde os primeiros vizinhos desconfiavam das reais intenções
sinais no Egito, tinha apresentado au- de Moisés.
toridade espiritual. Mas, no deserto, até A honestidade, integridade, since-
ela foi contestada. A espiritualidade de ridade e pureza de propósitos de um
cada cristão é testada fortemente no líder cristão apresentam-se, sem dúvida,
período em que caminha no meio da como seu maior patrimônio. A índole
escassez, por isso é necessário manter de Moisés, nos 40 anos de caminha-
uma constante comunhão com Deus. A da, deveria ser suficiente para que os
comunhão é importante para que não edomitas confiassem nele, entretanto,
venha desfalecer. O segredo de Moisés no deserto, as coisas acontecem sem-
é que ele conhecia os caminhos do pre de maneira inesperada, pois num
Senhor (Sl 103.7). ambiente cheio de perigos espirituais,
2. Quanto à moralidade. Depois de morais e físicos, as pessoas, em regra,
tantos anos sendo cuidados por Deus, os desconfiam de tudo.
israelitas ainda conseguiam murmurar a
respeito das decisões de Moisés e com Pense!
isso desestimulavam o povo a herdar Se o deserto é um lugar de tantos
perigos, por que Deus habitu-
a Terra Prometida, que manava leite e
almente conduz seus filhos por
mel. Eles questionavam a moralidade esse ambiente?
de Moisés, acusando-o de agir com
irresponsabilidade. Os hebreus não Ponto Importante
estavam com os olhos voltados para as A experiência do deserto é
coisas espirituais, eternas, mas se fixavam insubstituível para quem anda
apenas nas transitórias, materiais. com o Senhor, o qual sempre se
revela de um modo especial nos
Era uma grande ingratidão. Nenhum
momentos mais difíceis da vida.
israelita morreu de fome ou de sede en-
quanto atravessava o deserto, nem suas II – NO DESERTO A OBEDIÊNCIA
roupas envelheceram ou seus sapatos É TESTADA
estragaram (Dt 29.5). Os que morreram 1. Pode-se perder a paciência. Moisés
e foram sepultados no deserto foi por era considerado o homem mais manso
causa da desobediência. Deus, porém, da terra. Entretanto, no momento em
manteve sua fidelidade e sua palavra que foi pressionado, sendo questionado
empenhada. sobre o porquê de, 40 anos antes, ter
3. Quanto à sinceridade. Em Números trazido Israel do Egito para sofrer no
20.14-21 encontramos registrado o pedido deserto (eles preferiam a morte), perdeu
que Moisés fez aos edomitas, solicitando a paciência. Ao que tudo indica, o ca-
passagem. Mas eles não quiseram sequer minho do deserto traz consigo o perigo
dialogar. Duvidaram da honestidade, da da desobediência. E a desobediência
boa fé de Moisés e, por isso, arregimen- acarreta prejuízos para todas as áreas da
taram um grande exército para afugentar nossa vida. A história de fé e obediência
o povo. No deserto, a desconfiança sobre de Moisés se desfez mediante um único
o líder se propaga, inclusive para além ato de insubmissão e arrogância, por isso
dos limites do povo de Deus; até os seus todo cuidado é pouco.

50 JOVENS
2. Pode-se perder o equilíbrio. Moi- lugar da adoração, atraindo para si a glória
sés, em desobediência à Palavra do quanto ao milagre, a qual deve ser dada
Senhor, feriu a rocha por duas vezes (Nm exclusivamente a Deus, “porque dele,
20.11). O Senhor, porém, tinha determina- por ele e para ele são todas as coisas”.
do que Moisés falasse à rocha. A conduta
imprudente dele, corroborada por Arão, Pense!
desagradou muitíssimo ao Senhor. Por que Deus puniu Moisés e
Arão pelo incidente em Meri-
Os filhos de Deus estão sujeitos, aqui
bá, mas nada fez contra os que
ou acolá, a perder o equilíbrio emocional, murmuravam?
como aconteceu com Moisés e Arão,
e praticarem algo errado, embora não Ponto Importante
aparente ser um “grande” pecado. Esse A conduta de quem recebe auto-
triste episódio nos mostra que devemos ridade espiritual de Deus deve ser
vigiar para que não venhamos a transgre- cuidadosa, pois “a quem muito foi
dado, muito será exigido; e a quem
dir contra o Senhor, principalmente no
muito foi confiado, muito mais
exercício de uma atividade eclesiástica, será pedido” (Lc 12.48 - NVI).
pois a presença de Deus exige de nós
reverência, solenidade, santidade e um III – NO DESERTO CHEGA A SO-
profundo senso de adoração. Moisés sa- LIDÃO
bia disso tudo e, mesmo assim cometeu 1. A morte de Miriã. A morte de Miriã
o desatino de desobedecer ao Senhor. (Nm 20.1) foi uma grande perda para Moi-
3. Pode-se perder a promessa. Não sés, pois ele perdia uma das colunas de
existe algo mais seguro na vida do que sustentação do seu ministério. Alguém
as promessas do Altíssimo. Ocorre que já afirmou que “todo líder é um solitário.”
a maioria delas é condicional; ou seja, No deserto, todavia, essa realidade é
para a concretização carecem de que os potencializada, como aconteceu com
beneficiários permaneçam obedientes Moisés. A ausência de sua irmã, certa-
a Deus (Lv 26.3-12). Esse era o caso da mente, aumentou essa solidão.
promessa a respeito da entrada em Miriã contribuiu para que o plano de
Canaã. Se o povo fosse rebelde, não Joquebede para salvar Moisés desse
entraria na boa terra. Moisés e Arão, certo; ela profetizou e liderou o grupo
porém, cometeram, aparentemente, de louvor que adorou a Deus após a
um ato de pouca rebeldia, mas não travessia do mar Vermelho (Êx 15.20,21).
para Deus. Por isso, ambos os irmãos É verdade que Miriã, em dado momento
perderam a promessa. da história, por castigo de Deus, ficou
Tal fato demonstra a existência de leprosa por murmurar contra seu irmão
algumas situações que, às vezes, julgamos caçula (Nm 12.16). Entretanto isso, não
não terem muita importância, mas, na retirou o amor que Moisés nutria por ela.
verdade, para Deus, são extremamente A morte de um ente querido é sempre
relevantes. Moisés perdeu a promessa difícil de ser superada.
só porque desobedeceu a Deus e feriu a 2. A morte de Arão. Naquele mesmo
rocha? Não! Foi muito mais. Ele usurpou, ano, depois da morte de Miriã e da rejei-
com o auxílio do sumo sacerdote Arão, o ção de Deus quanto a Moisés entrar em

JOVENS 51
Canaã, mais um fato ruim surgiu: morreu o
SUBSÍDIO
irmão e companheiro de Moisés, o sumo
sacerdote de Israel há 40 anos: Arão. “Depois de trinta e nove anos de
Arão foi usado por Deus como por- tediosas peregrinações, ou melhor,
ta-voz de Moisés diante de Faraó (Êx tediosos descansos, no deserto,
7.1,2). Ele sustentou os braços de Moisés aproximando-se e afastando-se do
na guerra (Êx 17.12); viu a glória de Deus Mar Vermelho, os exércitos de Israel
(Êx 24.1-10) e foi eleito por Deus como o agora, por fim, se voltaram outra vez
patriarca de toda a linhagem sacerdotal para Canaã, e não tinham chegado
(Êx 28). Seu pecado em Meribá antecipou muito longe do lugar onde estavam
sua morte, por isso, foi impedido de entrar quando, pela justa sentença da justiça
na Terra Prometida (Nm 20.12). Depois divina, foram forçados a dar início às
de ser despido das vestes sacerdotais, suas peregrinações. Até aqui, eles
o Senhor o recolheu, nos mostrando que tinham sido conduzidos por uma
todo ministério terreno é transitório. O espécie de labirinto, enquanto se
povo pranteou por Arão durante um mês. fazia a execução dos rebeldes que
3. Moisés, um líder com poucos ami- eram condenados. Mas agora foram
gos. A Bíblia não registra o fato de que trazidos ao caminho correto outra
Moisés tivesse amigos. A pessoa que lhe vez: eles ficaram em Cades (v.1), não
era mais chegada, Josué, é citada como Cades-Barneia, que estava perto das
seu “servidor”. Moisés passou dois terços fronteiras de Canaã, mas outra Cades,
de sua vida no deserto, quer cuidando nas fronteiras de Edom, mais afastada
das ovelhas de Jetro, seu sogro, quer da Terra da Promessa, mas a caminho
tentando conduzir os israelitas até o lugar dela, a partir do Mar Vermelho, ao qual
dos seus sonhos, o que lhe possibilitou tinham sido forçados a voltar.
evitar as distrações naturais da vida, O capitulo teve início com o funeral
fazendo acender a necessidade de uma de Miriã e termina com o funeral de
maior intimidade com Deus. seu irmão, Arão. Quando a morte se
Talvez o Senhor tenha requerido abate sobre uma família, em alguns
esse isolamento para Moisés, a fim de casos ela ataca em dobro. […] Moisés,
que ele pudesse cultivar uma maior cujas mãos tinham antes vestido Arão
comunhão com Ele. Mas, certamente com suas vestes sacerdotais, agora o
Moisés não se sentia solitário, pois ele despe delas. […] Nós veremos poucos
podia contar com a presença do próprio motivos para nos orgulhar das nossas
Todo-Poderoso. roupas, dos nossos ornamentos, ou
sinais de honra, se considerarmos
Pense! quão cedo a morte nos despirá de
Será que todo “líder cristão toda nossa glória” (HENRY, Matthew.
é um solitário”? Comentário Bíblico do Novo Testa-
mento. 1. ed. Vol. 1. Rio de Janeiro:
Ponto Importante CPAD, 2010, pp. 512,515).
O líder que procura agradar a
Deus sempre sofrerá oposição e
terá de experimentar a solidão.

52 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
Comentário Bíblico Beacon.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Como pode tanta coisa ruim acontecer ao mesmo tempo? Moisés poderia
ter feito esse questionamento. Em Números 20, algumas das maiores
tragédias aconteceram com Moisés: morrem Miriã e Arão, seus irmãos;
os vizinhos edomitas (descendentes de Esaú) demonstram aversão para
com os hebreus e, por fim, Moisés é reprovado por Deus, o qual não lhe
permite entrar na Terra Prometida. Os perigos do deserto são muitos. É
preciso vigilância.

HORA DA REVISÃO
1. Segundo a lição, qual o povo que não acreditava na sinceridade de Moisés e por
isso lhe negou um pedido?
Edom.
2. Qual referência bíblica menciona o pecado de Moisés e Arão, que os impediu de
entrar em Canaã?
Números 20.10-12.
3. A rocha ferida por Moisés representa quem?
Cristo Jesus.
4. Quais os nomes dos irmãos de Moisés que faleceram no mesmo ano? Onde
encontrar refúgio diante da perda de um ente querido?
Miriã e Arão. Encontramos refúgio em Jesus Cristo.
5. O que você tem a dizer a respeito da afirmação: “Todo líder cristão genuíno é uma
pessoa solitária?”
Resposta pessoal.
8
LIÇÃO

24/02/2019

AS GUERRAS NO
DESERTO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
SEGUNDA - Js 5.4
“Ó Deus, nós ouvimos com os
nossos ouvidos, e nossos pais Guerreiros mortos no deserto
nos têm contado os feitos que TERÇA - 1 Cr 12.8
realizaste em seus dias, nos
tempos da antiguidade.” Guerreiros refugiados no deserto  
(Sl 44.1)
QUARTA - 2 Cr 14.11,13
Deus concede vitória na guerra
QUINTA - 2 Cr 20.17
SÍNTESE Deus concede vitória sem
Ainda que os inimigos sejam ter que pelejar
muitos, fortes e bem preparados
para a guerra, se buscarmos a SEXTA - Ec 9.11
Deus em oração e lhe obedecer- Não é dos fortes a batalha
mos, agindo com fé e coragem,
eles serão derrotados. SÁBADO - Hb 11.34
Guerras vencidas pela fé

54 JOVENS
OBJETIVOS
• MOSTRAR que as aflições do deserto são passageiras;
• REFLETIR a respeito da vida no deserto;
• SABER que é Deus quem nos concede a vitória.

INTERAÇÃO
Professor(a), a conexão entre os educadores e os alunos,
deve ser plenamente cultivada. Numa escola secular
isso acontece mediante os encontros diários e, assim, os
laços de amizade têm mais possibilidades de florescerem.
No caso da Escola Dominial, os professores devem agir
proativamente para alcançar esse fim. Inúmeras estra-
tégias podem e devem ser articuladas entre os docentes,
de maneira que a classe se transforme em um lugar de
aprendizado e comunhão. Este, sem dúvida, é o mais
expressivo desafio dos docentes. Você pode propor que
todos se reúnam na residência de um dos alunos, algum
dia da semana, quando debaterão os aspectos mais in-
teressantes da lição da semana. Se possível, inclua um
lanche nessa programação.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), inicie a aula lendo com os alunos Deutero-
nômio 3.11. Fale a respito das medidas da cama de Ogue,
rei de Basã, a qual era de ferro e media aproximadamente
4 metros de comprimento por um metro e oitenta de
largura, segundo as medidas daquele tempo. Explique
que por essas dimensões, podemos afirmar que Ogue era
bem mais alto que Golias. Ele foi um dos últimos reis da
raça de gigantes. Depois, leia com a turma 1 Samuel 17.4
e compare as medidas de Ogue com Golias. Golias tinha
quase três metros de altura. Depois peça aos alunos
que com uma ou duas palavras, definam o sentimento
que possivelmente invadiu o coração dos filhos de Israel
ao saberem que iriam guerrear contra homens com o
tamanho de Ogue.
TEXTO BÍBLICO I – A VITÓRIA DEPOIS DO LUTO
1. Perdas imprevisíveis. Depois da
Números 21.31-35 morte de Miriã e Arão, o rei de Arade
31  Assim, Israel habitou na terra dos amorreus.  entendeu que a intenção dos hebreus
32  Depois, mandou Moisés espiar a Jazer, era de atacá-lo, pois eles seguiam pelo
e tomaram as suas aldeias e daque-
“caminho dos espias”, ou seja, estavam
la possessão lançaram os amorreus
que estavam ali.  marchando para conquistar terras,
33  Então, viraram-se e subiram o caminho o mesmo itinerário seguido quase
de Basã; e Ogue, rei de Basã, saiu contra quatro décadas antes. Para piorar a
eles, e todo o seu povo, à peleja em Edrei.  tristeza dos hebreus, alguns homens
34  E disse o SENHOR a Moisés: Não o temas, foram aprisionados. Isso nunca tinha
porque eu to tenho dado na tua mão, a
ele, e a todo o seu povo, e a sua terra, e acontecido antes.
far-lhe-ás como fizeste a Seom, rei dos Perdas imprevisíveis, injustas agres-
amorreus, que habitava em Hesbom.  sões, nalgumas vezes, servem para
35  E de tal maneira o feriram, a ele, e a seus tirar os filhos de Deus do imobilismo,
filhos, e a todo o seu povo, que nenhum
deles escapou; e tomaram a sua terra
da inércia e do comodismo. Aquele
em possessão. era o momento de se tomar uma nova
atitude, de se buscar um novo começo
com Deus. Eles teriam forças para isso?
COMENTÁRIO
2. Compromisso com Deus. “Então,
Israel fez um voto ao SENHOR, dizendo:
INTRODUÇÃO
Se totalmente entregares este povo na
O capítulo 20 do livro de Números minha mão, destruirei totalmente as
começa com a morte de Miriã e suas cidades” (Nm 21.2). Aquela nova
termina com a morte de Arão, geração que entraria em Canaã, talvez
tendo o povo pranteado durante 30
pela primeira vez tenha dado um salto
dias. Agora, de forma súbita, o rei
de Arade, com seu exército, ataca
os israelitas, alcançando vitória
na batalha. Algo emocionalmente
devastador. Israel, então, buscou
o Senhor e fez um voto, ao que
o Altíssimo atendeu e deu-lhes
a vitória. Em seguida, mais uma
vez, faltou água pelo caminho e
o povo murmurou, tendo Deus
enviado serpentes que matavam as
pessoas. Mas o Senhor, novamente,
trouxe livramento e cura. Depois
desse grave problema, surgiu uma
guerra inesperada: uma forte
nação vizinha quis destruir Israel,
mas o Todo-Poderoso concedeu
outro grande êxito ao seu povo.

56 JOVENS
de fé, resolveu confiar no Senhor. A partir trado uma grande fé e receberam uma
desse momento, a desesperança, der- grande vitória, mas agora, diante da
rota e morte, tão patente em Números escassez de água, voltam a murmurar
20, desaparece completamente. Surge contra o Senhor e Moisés. Nesse ponto
um novo compromisso com Deus. Eles do livro de Números, quase toda a
não poupariam nenhuma das cidades geração que saiu do Egito havia faleci-
desobedientes, por amor ao Senhor. do, entretanto os hebreus mantêm os
Ainda que não haja informações a mesmos argumentos, o mesmo tom das
respeito do poder bélico do rei de Arade, murmurações de seus pais (Nm 21.5).
o relevante é que Israel decide, desde Como repreensão, o Senhor enviou
aquele momento, confiar no Senhor. Uma serpentes venenosas que matavam as
nova página na história daquela geração pessoas e, mais uma vez, Israel procurou
estava sendo escrita. Um capítulo no ajuda de Deus. Em resposta, o Altíssimo
qual ainda seriam vistos erros horríveis, determinou que Moisés confeccionasse
mas era um sinal de que o treinamento uma serpente de bronze; em seguida a
do deserto já estava surtindo efeitos po- colocasse no alto de uma haste e aqueles
sitivos. Davi disse: “Antes de ser afligido, que olhassem para ela seriam curados.
andava errado; mas agora guardo a tua Deus, em sua longanimidade, mais uma
palavra” (Sl 119.67). vez, deu um grande livramento ao seu
3. Oração atendida. “O SENHOR, povo. A nova geração estava aprendendo
pois, ouvira a voz de Israel e entregou como andar com Deus no deserto. O
os cananeus, que foram destruídos mesmo desafio se impõe aos cristãos,
totalmente, eles e as suas cidades [...]” atualmente, em todo o mundo.
(Nm 21.3). Enfim, surge o primeiro feito 2. A dificuldade recorrente. Depois da
na história daquela geração trazendo solução do problema com as serpentes,
alegria e regozijo, satisfação pessoal, o povo saiu a peregrinar por inúmeros
alegria íntima, pois Deus ouviu a voz de lugares e, quando chegaram em Beer,
Israel. Qualquer vitória, naquelas circuns- ao que tudo indica, o povo teve sede.
tâncias, seria muito celebrada, haja vista Não há nada mais comum no deserto do
ser um grande feito, pelo simbolismo, que a escassez de água, dificuldade essa
pela mudança de trajetória espiritual. que é potencializada se a necessidade é
O Senhor conhece bem o seu povo, sentida por milhões de pessoas, como
e, certamente, caso Israel sofresse mais no caso de Israel.
uma derrota naquele momento, consisti- Entre uma guerra e outra, além da
ria em uma tragédia, com consequências murmuração e consequente envio das
emocionais inimagináveis. O povo (e serpentes por Deus, mais uma vez, falta
sobretudo Moisés) não suportava mais água; só que, desta vez, as pessoas
tanta decepção. não resmungam. Sentem a aflição, mas
resolvem ficar caladas. Diante disso, o
II – UM POUCO DA VIDA NO DE- Senhor chamou Moisés e ensinou uma
SERTO nova maneira para prover o que faltava:
1. Uma murmuração cultural. Poucos mandou o povo ficar junto e, em vez de
dias antes, os israelitas tinham demons- murmurar, cantar. O Altíssimo estava

JOVENS 57
apontando o caminho para uma vida do que Israel. As guerras enfrentadas
de provisão na sua presença. pelos israelitas fizeram com que eles se
3. O poder do louvor. Deus ofereceu tornassem mais confiantes no Senhor.
uma extraordinária experiência de pro- 2. Ogue, rei de Basã. Com a mesma
visão. Com as pessoas cantando juntas, importância histórica nacional, encontra-
em coro, Deus fez com que do poço -se também a guerra contra Ogue, rei de
seco brotasse água que dessedentou Basã. Deuteronômio 3.4,5 diz que foram
toda aquela multidão. O cântico era conquistadas 60 cidades que eram prote-
muito simples, e não possuía nenhum gidas por altos muros, portas e ferrolhos,
poder mágico, mas a fé do povo moveu o além de muitas outras sem muros. Deus
coração de Deus e o milagre aconteceu disse a Moisés que não temesse nessa
(Nm 21.17,18). O poder de Deus atuou por batalha (Nm 21.34), porque, de fato, Ogue
intermédio do louvor, como aconteceu era um gigante (Dt 3.11) mas, está escrito:
em inúmeros episódios da história do “Operando eu, quem impedirá?” (Is 43.13).
povo de Deus. Números 20 trouxe histórias de infor-
A vida de cada cristão é permeada túnios para Israel e também para Moisés,
por pequenos milagres e livramentos, mas no capítulo seguinte o quadro é
provisões, curas, diariamente. Afinal “o diferente. O ambiente de triunfo e alegria,
justo viverá da fé’ e os milagres aconte- pelas proezas realizadas, tomou conta
cem de forma inesperada e de maneira de todas as tribos de Israel, e ninguém
perfeita em sua vida. falava noutro assunto, conforme relata
Flávio Josefo.
III – A VITÓRIA SOBRE O MAIS FORTE 3. Uma recompensa importante. As
1. Seom, rei dos Amorreus. Números batalhas contra Seom e Ogue deixaram
21.21-32 narra a guerra contra Seom, rei um legado, uma herança, um direito,
dos amorreus. Foi uma batalha intensa para os israelitas. Eles agora tinham uma
e fora do comum, sempre mencionada possessão, embora fosse aquém do rio
em outros momentos, juntamente com Jordão. Toda bênção deve ser celebra-
o conflito seguinte (contra Ogue, rei de da; se veio de Deus, enriquecerá e não
Basã), não como um feito heroico do acrescentará dores (Pv 10.22).
povo, mas como um grande milagre Deus traz bênçãos em meio às pro-
realizado pelo Senhor, porque esses vações e, não poucas vezes, também
povos eram mais fortes e preparados acontece o contrário: permite surgir uma
prova no meio da bênção. Neste caso, o
povo estava sendo provado há aproxima-
damente 40 anos e o Senhor, depois de
As guerras enfrentadas permitir muitas dores e lágrimas, propiciou
pelos israelitas fizeram com conquistas que levantaram o ânimo e a fé
que eles se tornassem mais do povo. Bom lembrar, porém, que tudo
confiantes no Senhor. começou a mudar quando os hebreus,
em Beer, não murmuraram pela falta de
água mas, juntos, debaixo da orientação de
Moisés, cantaram ao Senhor (Nm 21.17,18).

58 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Embora os espias que Moisés tinha “Siom, o seu rei, estava entre os mor-
enviado 38 anos antes, tivessem tos, e, como os mais valentes haviam
passado e voltado a passar desper- morrido na batalha, os vitoriosos não
cebidos, ainda assim a sua vinda e o encontraram mais resistência.
seus afazeres, provavelmente, foram Assim foram os amorreus castigados
posteriormente de conhecimento pela sua imprudência no proceder
dos cananeus, e os alarmaram, e os e pela covardia no combate. Os he-
levaram a vigiar Israel e ter conheci- breus tornaram-se os senhores do
mento de todos os seus movimentos. país deles.
Agora, quando Israel pensava que
Estavam as coisas nesse pé quando
estava dirigindo-se a Canaã, este
Ogue, rei de Galaade e Gaulanite, que
Arade, pensando na sua política de
vinha em socorro a Siom, seu amigo
manter a guerra a distância, lhes fez
e aliado, soube que ele havia perdido
um ataque e lutou com eles. Mas
a batalha. Como era muito ousado,
ficou provado que ele se intrometeu não deixou de querer combater os
para seu próprio prejuízo. Se tivesse israelitas e de se gabar da certeza
ficado quieto, o seu povo poderia de derrotá-los. Mas estes o desba-
ser o último de todos os cananeus rataram com todo o seu exército, e
destruídos, mas agora eles seriam ele mesmo foi morto em combate.
os primeiros. […] Seus primeiros sol- Era um gigante de enorme estatura,
dados prenderam alguns israelitas e o seu leito, que era de ferro e podia
desgarrados e os levaram prisioneiros ser visto na cidade capital do seu
(v. 1). Isto, sem dúvida, o deixou cheio reino, chamada Rabatha, tinha nove
de orgulho, e ele começou a pensar côvados de comprimento e quatro
que teria a honra de esmagar este de largura. E Ogue não tinha menos
formidável exército, salvando o seu coragem do que força.
país da destruição que tal exército
Moisés, depois dessa vitória, atraves-
ameaçava. Isto foi, um teste para a
sou o rio Jaboque, entrou no reino
fé dos israelitas e simultaneamente de Ogue e apoderou-se de todas
uma repreensão a eles, por suas as suas cidades, fazendo matar os
desconfianças e descontentamentos” habitantes mais ricos. Tão grande
(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico êxito não trouxe aos hebreus apenas
do Novo Testamento: Antigo Testa- vantagem momentânea, mas lhes
mento, Gênesis a Deuteronômio. 1.ed. abriu caminho para outras conquistas,
Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 516). pois tomaram sessenta cidades fortes
e bem municiadas” (JOSEFO, Flávio.
História dos Hebreus. Rio de Janeiro:
CPAD, 2012, pp. 206,207).

JOVENS 59
ESTANTE DO PROFESSOR
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus. Rio de
Janeiro: CPAD, 2012.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A caminhada com Deus será sempre cheia de aventuras, surpresas e so-
bressaltos. Nunca haverá monotonia em nossa caminhada até o céu, pois,
o Senhor deseja nos levar a um patamar sempre mais alto. Israel aprendeu
essa importante lição durante sua longa temporada no deserto. Deus permite
em nossa caminhada guerras e conflitos com o propósito de nos moldar e
nos preparar para adentrarmos na Terra Prometida, a Nova Jerusalém.

HORA DA REVISÃO
1. Quais as três guerras mencionadas em Números 21?
Guerras contra o cananeu rei de Arade; Seom, rei dos amorreus e Ogue, rei de Basã.
2. Em quais lugares mencionados em Números 21 faltou água para o povo beber?
Nos arredores da terra de Edom e em Beer.
3. Qual a solução, a fim de ficar vivo, para quem fosse picado por uma serpente no deserto?
Olhar para a serpente de bronze levantada por Moisés.
4. Cite um personagem bíblico, mencionado em Números 21, que era gigante.
Ogue, rei de Basã.
5. Aponte duas outras passagens bíblicas que tratam sobre a guerra contra Seom,
rei dos amorreus.
Deuteronômio 2.34-37 e Juízes 11.19-26.
9
LIÇÃO

03/03/2019

A PROTEÇÃO NO
DESERTO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA - 1 Tm 6.9
“Pois contra Jacó não vale Os que querem ficar ricos
encantamento, nem adivinhação caem em tentação
contra Israel; neste tempo se
dirá de Jacó e de Israel: Que TERÇA – 1 Tm 6.10
coisas Deus tem feito!” A avareza é a raíz de
(Nm 23.23) todos os males
QUARTA - 1 Co 10.12
Quem pensa estar em pé,
tome cuidado
SÍNTESE QUINTA - Lc 10.19
O maligno não toca no
O povo de Deus passou por
aflições no deserto, mas povo de Deus
o Todo-Poderoso jamais SEXTA - Tg 1.15
os deixou sozinhos. Eles O pecado tem poder mortal
puderam contar sempre com SÁBADO – Rm 3.23
a ajuda do Senhor. O pecado sempre tem
um custo

JOVENS 61
OBJETIVOS
• SABER que os inimigos do povo de Deus podem se
levantar de qualquer lugar;
• COMPREENDER que o Senhor é o escudo do seu povo
e, por isso, o maligno não lhe toca;
• EXPOR a força destrutiva do pecado.

INTERAÇÃO
Querido(a) professor(a), toda pessoa nascida de novo é um
instrumento de Deus, por isso confie a seus discentes tarefas
desafiadoras. Não se esqueça de que as pessoas trabalham
com mais empenho, e de forma mais persistente, quando
reconhecem a importância de sua contribuição individual.
Assim, diga-lhes que a aula seguinte será muito melhor se
houver visitantes não evangélicos e, após, estimule-os a
lançar o convite aos amigos e vizinhos não cristãos. Eles se
sentirão importantes com tal tarefa. Ofereça uma premiação
(ainda que simbólica), que pode ser individual ou em grupo,
para quem trouxer mais convidados para a aula. Você foi
escolhido(a) por Deus para fazer a diferença na vida dos seus
alunos, por isso invista incansavelmente neles.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), leia juntamente com seus alunos e comen-
te o texto de 2 Pedro 2.15. Explique que o caminho de
Balaão era mal, pois ele era o típico profeta profissional,
mercenário, ansioso por obter lucro com o seu dom.
Depois, leia Judas 1.11. Fale que o engano de Balaão foi
o seu raciocínio, baseado numa moralidade desvirtu-
ada, de que um Deus justo levaria em consideração o
suborno recebido pelo profeta, a fim de cometer uma
injustiça. Em seguida, leia Apocalipse 2.14 e explique
que a doutrina de Balaão era maligna, pois seduziu os
israelitas ao pecado, o mesmo que faz Satanás, e, com
isso, garantiu que Israel se arruinaria.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 23.1-10, 19-21
1  Então, Balaão disse a Balaque: Edifi-
INTRODUÇÃO
ca-me aqui sete altares e prepara-me Números capítulo 21 mostra-nos
aqui sete bezerros e sete carneiros. 
momentos de alegria e vitória para
2  Fez, pois, Balaque como Balaão dissera; os hebreus. Deus lhes concedeu a
e Balaque e Balaão ofereceram um
bezerro e um carneiro sobre cada altar. 
vitória. A nova geração que nas-
ceu no deserto (não tinha sido
3  Então, Balaão disse a Balaque: Fi-
ca-te ao pé do teu holocausto, e eu escrava no Egito) vivia, até então,
irei; porventura, o SENHOR me sairá seu melhor momento com Deus.
ao encontro, e o que me mostrar te As recentes conquistas contra o
notificarei. Então, foi a um alto.  rei de Arade, Seom e Ogue, bem
4  E, encontrando-se Deus com Balaão, como o milagre acontecido em
lhe disse este: Preparei sete altares
Beer (água brotar de um poço
e ofereci um bezerro e um carneiro
sobre cada altar.  seco), eram provas cabais desse
5  Então, o SENHOR pôs a palavra na boca
avanço espiritual.
de Balaão e disse: Torna para Balaque As notícias a respeito das vitórias
e fala assim.  esmagadoras sobre alguns reis,
6  E, tornando para ele, eis que estava ao espalharam-se rapidamente por
pé do seu holocausto, ele e todos os todas as nações vizinhas, motivo
príncipes dos moabitas. 
pelo qual os moabitas ficaram bas-
7  Então, alçou a sua parábola e disse:
tante preocupados. Acreditavam
De Arã me mandou trazer Balaque,
rei dos moabitas, das montanhas do que seriam os próximos. No afã de
oriente, dizendo: Vem, amaldiçoa-me conseguir deter a marcha triunfal
a Jacó; e vem, detesta a Israel.  do povo hebreu, Balaque, rei dos
8 Como amaldiçoarei o que Deus não moabitas, enviou mensageiros
amaldiçoa? E como detestarei, quan- para contratarem um profeta que
do o SENHOR não detesta?  morava na Mesopotâmia, Balaão, a
9  Porque do cume das penhas o vejo e fim de amaldiçoar o povo de Deus.
dos outeiros o contemplo: eis que este
É o que veremos na lição de hoje.
povo habitará só e entre as nações não
será contado. 
10 Quem contará o pó de Jacó e o número
da quarta parte de Israel? A minha alma
I – OS INIMIGOS
morra da morte dos justos, e seja o meu
fim como o seu. 1. Inimigos que não conhecem a
19  Deus não é homem, para que minta; Deus. Toda vez que o povo de Deus
nem filho de homem, para que se arre- cresce e prospera, o mal se levanta
penda; porventura, diria ele e não o fa- para detê-lo. Foi exatamente o que
ria? Ou falaria e não o confirmaria? 
aconteceu nesse momento da traves-
20 Eis que recebi mandado de abençoar;
pois ele tem abençoado, e eu não o sia dos hebreus pelo deserto. Balaque,
posso revogar.  rei dos moabitas, compreendeu que a
21 Não viu iniquidade em Israel, nem força deles era espiritual, vinda de Deus,
contemplou maldade em Jacó; o SE- por isso tencionou derrotá-los na vida
NHOR, seu Deus, é com ele e nele, e
entre eles se ouve o alarido de um rei. 
espiritual. Porventura não é isso que,
com frequência, acontece em nosso

JOVENS 63
cotidiano? O Inimigo sabe que Deus age 3. Os Inimigos espirituais. Os princi-
em nosso favor, mas, mesmo assim, ele pais inimigos de Israel não eram seres
tenta arruinar nossas vidas e impedir a espirituais. Balaque estava ciente de
nossa caminhada até o céu. que a guerra vindoura (Nm 22.3) seria
2. Inimigo que conhece a Deus. No travada, sobretudo, nas trincheiras da
afã de destruir Israel, Balaque busca (e espiritualidade, por isso contratou um
consegue) apoio de alguém que conhe- expert em assuntos espirituais para
cia o Deus de Israel: o profeta Balaão. enganar o povo de Deus.
Ele aparece de forma misteriosa nas Balaão, amando o prêmio da injus-
Escrituras (Nm 31.8; 2 Pe 2.15; Jd 11; Ap tiça, negociou o que tinha recebido de
2.14). Ele era, sem dúvida, muito afama- Deus. As “hostes espirituais da malda-
do, tanto que Balaque acreditava que de” (Ef 6.12) dominaram totalmente o
suas palavras determinariam a bênção coração dele, como aconteceu com o
ou a maldição (Nm 22.6), por isso pagou de Judas, por isso Jesus o chamou de
caro para ele amaldiçoar Israel. filho da perdição (Jo 17.12), pelas inú-
O problema de Balaão era o seu meras chances que ele teve de acertar,
caráter duvidoso. Ele teve a ousadia mas errou em todas elas. Precisamos
de orar perguntando a Deus se deveria começar bem e, com Deus, terminar
aceitar suborno para amaldiçoar Israel. melhor, mas Balaão, ao contrário, deixou
O Senhor lhe disse um não veemente o Diabo encher seu coração.
(Nm 22.12). No entanto, quando viu
que o valor do seu “cachê” havia au- Pense
mentado, Balaão foi perguntar a Deus Será que Balaão teria
novamente se poderia almaldiçoar argumentos para responder à
os hebreus. pergunta: “De que adianta ao
homem ganhar o mundo inteiro
e perder a sua alma?”

Ponto Importante
Balaão perdeu-se na estrada
da vida porque o seu coração
era mau e ganancioso.

II – NÃO CABE ENCANTAMENTO


CONTRA JACÓ
1. Deus se opõe a Balaão. Todos
aqueles que se levantarem contra o
povo de Deus, mais cedo ou mais tarde,
vão sofrer oposição da parte do Senhor,
como aconteceu com Balaão. A jumenta
que transportava o profeta viu o anjo do
Senhor no caminho, e salvou-lhe a vida.
Diante disso, Balaão ainda questionou ao
anjo se deveria seguir naquele mesmo

64 JOVENS
destino. Quanta loucura e ganância! Que
caráter mesquinho! A jumenta tinha mais
“visão de Deus” do que o próprio Balaão.
Sem dúvida, quando se está no cami- Balaão, amando o prêmio da
nho errado, o mais correto a fazer é dar injustiça, negociou o que tinha
meia volta e retornar ao centro da vonta- recebido de Deus.
de de Deus. Balaão, entretanto, buscava
somente sua vontade, o aumento do seu
patrimônio. Por isso o Senhor se opôs a
ele. Na caminhada cristã, igualmente,
o servo de Deus deve tomar cuidado
inimigos (Nm 24.5-9); g) Deus enviaria o
para não lutar contra quem o Senhor
Messias o qual daria a vitória completa
abençoou! Isso é muito perigoso.
ao povo (Nm 24.17-24).
2. Deus constrange Balaão. Caminhar
para um lugar longe da vontade Senhor Todo o tempo em que Balaão tencio-
só produz vergonha e dissabor. Foi isso nava amaldiçoar os hebreus, o Senhor os
que aconteceu com Balaão; desagradou a protegia e, certamente, nenhum deles
Deus e a Balaque, o qual não lhe prestou sabia o que se passava nos arredores do
nenhuma homenagem, mesmo tendo acampamento. Isso acontece também
empreendido uma viagem tão longa. conosco, pois todas as vezes em que o
Todas as tentativas de “convencer” o Inimigo vem para matar, roubar e destruir,
Senhor da indignidade de Israel foram Deus concede o livramento.
inúteis, o que fazia com que o contratante
dos “serviços proféticos” ficasse cada Pense!
Se o coração de Balaão era
vez mais irado com Balaão. Atualmente,
corrompido, a ponto de aceitar
algumas pessoas também recorrem a a proposta de suborno de
alguns “profetas” para que lhes digam Balaque, por que Deus
as palavras que querem ouvir. continuou falando com ele?
3. Deus abençoa Israel. Foram três
bênçãos proferidas por Balaão, além Ponto Importante
da última que tratou, inclusive, da vinda Enquanto Deus frustrava a
do Messias. maldição de Balaão, mostrava a
Israel sua proteção e anunciava
Deus não ouviu Balaão e transformou
sua soberania a Balaque. O Senhor
a maldição em bênção (Dt 23.5), pois o precisava falar com alguém, e
Senhor amava o seu povo. Balaão teve Balaão, ainda que desviado, era o
de pronunciar as seguinte bênçãos: a) O único meio ideal.
crescimento de Israel (Nm 23.9,10); b) A
fidelidade das promessas de Deus (Nm III – A FORÇA DESTRUTIVA DO
23.19,20); c) A lealdade e a santidade PECADO
de Israel (Nm 23.21); d) A força de Israel 1. O caminho de Balaão. Balaão tinha
(Nm 23.22); e) Nenhum encantamento o “coração exercitado na avareza”; essa
contra Jacó os alcançaria (Nm 23.23); f) era sua conduta, seu caminho (2 Pe 2.14,
Prosperidade, riqueza e vitória contra os 15). Era um “profissional da religião”, que

JOVENS 65
cobrava pelos prognósticos “proféticos”. com as armas, foi alcançado pela força
Balaão ensinou seu mau caminho aos destrutiva do pecado. Flávio Josefo diz
hebreus e o prejuízo para o povo de que “para agradar àquelas moças, que se
Deus foi enorme. tornaram suas esposas, não temeram violar
O Senhor convoca todos a experimen- os mandamentos do verdadeiro Deus”.
tarem uma “mudança de mente”, do grego As Escrituras ensinam o antídoto para
metánoia (Rm 12.2). Novos pensamentos a doutrina de Balaão: Assentar no coração
que visem a glória de Deus, para que se a firme convicção de, como Daniel (Dn
compreenda toda a sua vontade. O ca- 1.8), oferecer o corpo em sacrificio vivo,
minho de Balaão continua, infelizmente, santo e agradável a Deus, o nosso culto
sendo palmilhado por muitos “profissionais racional (Rm 12.1).
da fé”, os quais intitulam o dom recebido 3. O castigo merecido. O pecado,
de Deus como “ganha pão” e, com isso, sugerido por Balaão, foi consumado por
cobram cachês astronômicos, comparan- muitos hebreus, o que gerou a morte de
do-se às celebridades do mundo artístico. 24 mil pessoas (Nm 25.9) e só cessou por
É importante ressaltar que dar uma oferta, causa de um ato de bravura e fé do sacer-
compatível com a capacidade financeira da dote Fineias. A mortandade foi encerrada
igreja, a um cantor ou pregador, o qual teve imediatamente, mas um grande estrago já
gastos diversos para chegar até a igreja, não tinha acontecido. A geração que fora cria-
é um cachê, trata-se de um compromisso da no deserto seguia os mesmos passos
moral e espiritual de quem convida. Entre- daquela que havia saído do Egito. O futuro,
tanto, exigir vultosas quantias em dinheiro por isso, parecia sombrio para o povo.
para realizar atividades inerentes à fé, não Deus advertiu, com veemência, a
parece ser adequado ao crente. condicionalidade das suas promessas
2. A doutrina de Balaão. Frustrado para Israel à total obediência (Lv 26.14-
por não conseguir amaldiçoar o povo de 39). Se houvesse rebeldia, os castigos
Deus, Balaão ensinou “Balaque a lançar seriam rigorosos. Este episódio demonstra
tropeços diante dos filhos de Israel para cabalmente isso. É preciso seguir com
que comessem dos sacrifícios da idolatria
Deus de modo cuidadoso, “em santo trato
e se prostituíssem” (Ap 2.14). Com isso,
e piedade” (2 Pe 3.11), “porque a nossa
as filhas dos moabitas conquistaram o
salvação está, agora, mais perto de nós
coração de milhares de hebreus. O que
do que quando aceitamos a fé” (Rm 13.11).
os ferozes inimigos não conseguiram

Pense!
O que representou, de fato a
É preciso seguir com Deus de
apostasia de Israel no caso
em que estudamos?
modo cuidadoso, “em santo trato
e piedade” (2 Pe 3.11), “porque a
nossa salvação está, agora, mais
Ponto Importante
Os critérios da justiça divina não
perto de nós do que quando podem ser aquilatados por seres
aceitamos a fé” (Rm 13.11). limitados e imperfeitos, como os
homens, que não conhecem a real
e profunda natureza do pecado.

66 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Foram levados pelo engano do
“Balaque, muito irritado por ver-se prêmio de Balaão. Como em 2 Pedro,
desiludido em suas esperanças, Judas usa os pecados de Balaão
despediu Balaão sem lhe prestar como exemplo do que esses homens
homenagem alguma. Tendo o profeta são. Balaão foi um falso profeta e
chegado próximo do Eufrates disse: um paradigma de falso mestre, o
‘Não espereis que a raça dos israeli- que mostra o modus operandi dos
tas pereça pelas armas, pela peste, sonhadores contemporâneos e dos
pela carestia ou por qualquer outro falsos profetas. A referência explícita
acidente, pois Deus, que a tomou sob ao ‘prêmio de Balaão’ aqui em Judas,
sua proteção, a preservará de todas e ao ‘prêmio da injustiça’ em Pedro
as desgraças. Ainda que eles sofram 2.15 (também em Ap 2.14) dá uma
algum desastre, levantar-se-ão com ideia de atos motivados por ganância.
mais glória ainda, pois se tornarão
O pecado de Balaão foi tão grave
mais sensatos pelo castigo. Mas se
quanto o daqueles homens — o
quereis triunfar sobre eles por algum
sincretismo. Isso é o que o torna tão
tempo, dar-vos-ei o meio para tanto.
sedutor, e por essa razão, se introdu-
Mandai ao seu acampamento as mais
ziram sem serem notados. A ostensiva
belas de vossas filhas, bem adorna-
heresia poderia ter sido imediatamente
das, e ordenai-lhes que de nada se
detectada. Mas estes homens pene-
esqueçam para suscitar amor aos mais
traram secretamente na comunhão,
jovens e os mais corajosos dentre eles.
e, de modo sedutor, espalharam o
É o único meio que tendes para fazer
sincretismo licencioso oferecendo
com que Deus se encha de cólera
um cristianismo que, na verdade, não
contra eles.’
é cristianismo. A referência a Balaão
[…] Os mídianitas não titubearam em vem de Números 25, onde induziu os
executar logo o conselho, isto é, enviar filhos de Israel ao sincretismo (isto é,
as suas filhas e instruí-las conforme à união da adoração a Jeová com a
ele lhes havia dito. adoração a Baal). A porta de entrada
Os moços, enamorados, aceitaram ao sincretismo foi a ‘imoralidade se-
as condições: abandonaram a fé de xual’ entre os homens de Israel e as
seus pais, adoraram vários deuses, mulheres moabitas (Nm 25.1). Desse
ofereceram-lhes sacrifícios seme- modo, os falsos mestres, movidos
lhantes aos dos mídianitas e comeram pela ganância, inclinaram-se aos
indiferentemente de todas as iguarias. erros de Balaão, introduzindo uma
Para agradar àquelas moças, que se negação moral do senhorio de Cristo,
tornaram suas esposas, não temeram enquanto ainda mantinham uma apa-
violar os mandamentos do verdadeiro rente ortodoxia (Comentário Bíblico
Deus” (JOSEFO, Flávio. História dos Pentecostal. 2.ed. Rio de Janeiro:
Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, CPAD, 2004, p. 1813).
pp. 210,211).

JOVENS 67
ESTANTE DO PROFESSOR
Comentário Bíblico Pentecostal.
2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A experiência narrada em Números 25 deixou marcas profundas no povo
hebreu, sendo tal fato relembrado posteriormente, durante séculos. Nunca
devemos nos esquecer das consequências danosas do pecado. Os feitos de
homens da estirpe de Balaão deveriam ficar registrados “para exemplo aos que
vivessem impiamente” (2 Pe 2.6). “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejei-
temos, pois, as obras das trevas e vistamo-nos das armas da luz” (Rm 13.12).

HORA DA REVISÃO
1. Que rei moabita contratou Balaão para amaldiçoar Israel?
Balaque.
2. Em que lugar residia Balaão?
Mesopotâmia (Dt 23.4).
3. O que motivou Balaão a tentar amaldiçoar Israel?
O prêmio da injustiça — dinheiro oferecido por Balaque.
4. Quais os textos do Novo Testamento que falam do caminho e da doutrina de Balaão?
2 Pedro 2.14,15 e Apocalipse 2.14.
5. Quantas pessoas morreram em face do castigo pelo pecado do povo?
Foram 24 mil pessoas.
10
LIÇÃO

10/03/2019

OS CUIDADOS E
DEVERES DA NOVA
GERAÇÃO
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
“Dá ordem aos filhos de Israel SEGUNDA - Sl 44.3
e dize-lhes: Da minha oferta, Foi Deus quem concedeu
do meu manjar para as minhas
vitória a Israel
ofertas queimadas, do meu
cheiro suave, tereis cuidado, TERÇA - Js 1.7,8
para mas oferecer a seu tem-
po determinado.” (Nm 28.2) Guardando a lei de Deus
QUARTA - Sl 119.97
Amando a lei de Deus
SÍNTESE QUINTA – Rm 12.11
No deserto, Deus se Cuidado redobrado
relacionava intimamente com
o seu povo e lhe concedeu SEXTA – 1 Tm 4.16
leis, que o ajudara a ter Cuidando da doutrina
relacionamentos saudáveis, e a
SÁBADO – 1 Tm 5.8
oportunidade de adorá-lo.
Cuidando da família

JOVENS 69
OBJETIVOS
• MOSTRAR o propósito do censo que foi ordenado pelo
Senhor;
• EXPLICAR a importância das leis divinas para os he-
breus;
• RECONHECER a importância da adoração.

INTERAÇÃO
Estimado(a) professor(a), estamos no último mês do
trimestre e, diante disso, é possível que alguns alunos
tenham perdido a empolgação inicial e, por isso, faltaram
algumas aulas. Ante essa circunstância seja proativo
e convoque os outros professores e alunos para que
façam um jejum pelos discentes que estão afastados
da Escola Dominical. Se possível, planeje com a turma
ou parte dela, uma visita a cada um dos faltosos. Essa
estratégia, sem dúvida, vai melhorar significativamente a
frequência de sua classe. O professor(a) comprometido(a)
com a obra para a qual foi vocacionado, jamais desiste
de seus alunos!

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Para apresentar o terceiro tópico da lição, faça alguns
esquetes. Lembrando que o objetivo dessa atividade é
aumentar a participação dos alunos nas aulas.
Divida a turma em dois grupos e peça que representem,
em cinco minutos, uma cena que simbolize a adoração
no tabernáculo (apresentação de uma oferta). Escolha
três jurados e ofereça um prêmio ao grupo vencedor,
que poderá ser caixa de bombons. Parabenize a todos que
participaram. Ao final, conclua dizendo que a adoração
era o cerne da vida comunitária hebraica.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 26.1,2,52-55,64,65
INTRODUÇÃO
1  Aconteceu, pois, que, depois daquela
praga, falou o SENHOR a Moisés e Os capítulos 26 a 30 do livro de
a Eleazar, filho de Arão, o sacerdote, Números, seguem o mesmo padrão
dizendo: 
dos capítulos iniciais e o intervalo
2  Tomai a soma de toda a congregação entre um evento e outro dista qua-
dos filhos de Israel, da idade de vinte
anos para cima, segundo as casas de
se quatro décadas. As gerações são
seus pais, todo que, em Israel, vai para diferentes: A primeira foi escrava
o exército.  no Egito e morreu no deserto,
52  E falou o SENHOR a Moisés, dizendo:  restando apenas Moisés, Josué e
53 A estes se repartirá a terra em herança, Calebe (Nm 26.64,65). A segunda
segundo o número dos nomes.  geração era formada por pessoas
54 Aos muitos, multiplicarás a sua herança; com, no máximo, 59 anos de ida-
e, aos poucos, diminuirás a sua heran- de. Diante de um novo grupo de
ça; a cada qual se dará a sua herança, indivíduos, o Senhor ordenou que
segundo os que foram deles contados. 
fosse feito novamento um censo
55 Todavia, a terra se repartirá por sortes;
(Nm 26.1-51), relembrou a lei e
segundo os nomes das tribos de seus
pais, a herdarão. estabeleceu algumas leis civis (Nm
64 E entre estes nenhum houve dos que
26.52-56; 27.1-11; 30.1-16; 36.1-13).
foram contados por Moisés e Arão, o O Senhor também falou a respeito
sacerdote, quando contaram aos filhos da importância da adoração (Nm
de Israel no deserto do Sinai. 
28,29), pois os novos hebreus pre-
65 Porque o SENHOR dissera deles que cisavam conhecer sua identidade
certamente morreriam no deserto; e
nenhum deles ficou, senão Calebe,
e força (censo), suas responsabi-
filho de Jefoné, e Josué, filho de Num. lidades civis e familiares (leis) e
o dever de adorar ao Senhor em
todo o tempo.

I – A IMPORTÂNCIA DAS PES-


SOAS
1. Um censo providencial. “Aconte-
ceu, pois, que, depois daquela praga,
falou o SENHOR a Moisés e a Eleazar, filho
de Arão, o sacerdote, dizendo:  Tomai a
soma de toda a congregação dos filhos
de Israel, da idade de vinte anos para
cima, segundo as casas de seus pais,
todo que, em Israel, vai para o exército”
(Nm 26.1,2). As provações do deserto
consumiram os últimos ex-escravos
hebreus que saíram do Egito e, agora,
o povo deveria ser numerado novamen-

JOVENS 71
te pois, conforme Deus prometera, o o número dos nomes” (Nm 26.52,53). O
caminho para Canaã estava liberado, Senhor poderia ter dado essas instruções
mas ainda havia muitas terras a serem após a conquista da Terra, mas preferiu
conquistadas. animar e fortalecer o coração e a fé de
Deus estava “cansado” da ingratidão todos previamente. Israel deveria espe-
e da rebelião dos hebreus. Por isso, Ele rar, confiar e descansar nas promessas
intentou ferir todo o povo, exterminan- de Deus.
do-os para fazer a partir de Moisés um Sabemos que as pessoas só vão
novo povo (Nm 14.11,12). Mas Moisés, até onde a visão delas alcança. Assim,
como um líder amoroso e humilde, o Senhor estava internalizando naque-
intercedeu em favor dos seus irmãos. la nova geração o sentimento de luta
Então, o Senhor ouviu e aceitou a súplica e conquista, mostrando, sobretudo,
do seu servo. Deus ouve e responde as que eles eram mais que vencedores,
nossas súplicas, por isso nunca desista pois havia a garantia, em Deus, de que
de clamar. tudo fluiria bem; tanto que o Altíssimo
2. Um exército poderoso. Segundo instruiu em como dividir a herança da
Números 26.2, “todos os filhos de Israel”, Terra Prometida.
maiores de 20 anos, deveriam ser conta-
bilizados em um novo censo. Deus estava Pense!
tratando da nova geração do deserto. O fato de Moisés ter “mudado
a opinião” de Deus a respeito
Eles precisavam aprender que, diante
do extermínio dos hebreus
dos inimigos e das guerras vindouras, incrédulos, demonstra que o
não deveriam se gloriar quanto ao nú- Senhor não é imutável?
mero de guerreiros ou à força física dos
jovens soldados. Precisavam aprender Ponto Importante
a confiar inteiramente no Deus que os Moisés não “mudou a opinião”
tirou do Egito e que já havia prometido de Deus acerca da morte dos
que eles possuiriam “a porta dos seus hebreus incrédulos, mas apenas
retardou o acontecimento; com
inimigos” (Gn 22.17).
isso, o próprio Moisés também
Quando Balaque tentou empreen- não pôde entrar em Canaã.
der um “ataque espiritual” em desfavor
de Israel, por intermédio do suborno II – A IMPORTÂNCIA DAS LEIS
ao profeta Balaão, o rei dos moabitas 1. Lei acerca da divisão da terra (Nm
afirmou que Israel era um grande e 26.52-65). O povo que fora criado no
poderoso povo. deserto precisava de regras e normas.
Deus fez dos hebreus um povo va- Era um povo santo, separado e não
lente, guerreiro. Ele também fez cair um poderia viver segundo os costumes
pavor, um respeito, nas nações circun- adquiridos no Egito e nem segundo os
vizinhas em relação a Israel. hábitos das nações vizinhas. Por isso,
3. Um povo abençoado. Depois que no livro de Números, vamos encontrar
foi concluído o recenseamento, “falou o várias leis civis e normas de condutas.
SENHOR a Moisés, dizendo: A estes se Por exemplo, em Números 26.52-65, o
repartirá a terra em herança, segundo Senhor determina regras para a divisão

72 JOVENS
das terras que seriam conquistadas. O III – A IMPORTÂNCIA DA ADORAÇÃO
Altíssimo conhecia o seu povo, sabia da 1. Uma vida bem cuidada. A partir
dureza de coração deles e que poderia do capítulo 21, o livro de Números narra
haver brigas e discórdias na partilha das vários conflitos bélicos vencidos pelos
terras que haveriam de ser conquistadas. hebreus, os quais trouxeram muitas rique-
2. Lei para proteger os relaciona- zas das cidades despojadas. Em várias
mentos (Nm 30.1-16). Deus estabeleceu ocasiões, naquela jornada extenuante,
leis acerca dos votos das mulheres e dos faltou água, mas nunca faltou o cuidado
homens. O propósito do Senhor era evitar divino. Sempre houve milagres. Quer
que os votos feitos viessem afetar os seja a rocha proporcionando água em
relacioamentos entre marido e mulher ou abundância, como rios caudalosos, para
entre pai e filha. Sabemos que um povo dessedentar a necessidade de milhões
forte e próspero é também o resultado de pessoas e animais, quer fazendo
de famílias fortes e unidas. Contudo, o brotar água de um poço seco (em Beer),
objetivo não era apenas evitar os confli- depois de, juntos, os israelitas cantarem
tos familiares, pois segundo a Bíblia de um louvor a Deus, “falando” ao poço.
Estudo Pentecostal “esse capítulo deixa O fornecimento milagroso de água e de
claro que Deus requeria do seu povo o maná ao longo da peregrinação demonstra
cumprimento das promessas feitas a Ele de maneira inequívoca uma verdade que
e ao próximo.” O Senhor desejava mostrar permeia todas as Escrituras: Deus provê
a seriedade de um voto ou promessa. as necessidades daqueles que o servem
3. Lei a respeito da divisão da presa e o adoram em espírito e em verdade.
(Nm 31.25-47). O Senhor também estabe- 2. O dever de um povo agradecido.
leceu critérios a respeito dos espólios de Em Números 28 e 29 o Senhor revela
guerra. Eles deveriam ser divididos em que o seu povo não deveria descuidar da
duas partes iguais, sendo que uma parte adoração. Então Ele mostra, mediante o
seria dada aos guerreiros que lutaram na estabelecimento das ofertas, a primazia da
batalha e a outra seria distribuída entre adoração. Israel seria uma comunidade de
os “que ficaram com a bagagem” (1 Sm adoradores, por isso deveriam aprender a
30.24,25). Uma parte também deveria ser serem agradecidos. A gratidão ao Senhor
entregue ao Senhor como uma oferta. seria revelada mediante as ofertas.
Desta forma ninguém ficaria com tudo A especificação de algumas regras
e nem ninguém ficaria sem nada. para o recebimento de ofertas, na pre-
sença do Senhor, demonstrava que os
Pense! hebreus não poderiam fazer o que bem
Sendo Israel um povo santo, po- quisessem. As regras eram de Deus e
deria aproveitar o ordenamento isso deveria ser cumprido reverente-
jurídico de outros povos?
mente sob pena de danos terríveis aos
adoradores. Vivemos debaixo de uma
Ponto Importante nova aliança, mas tal aliança não admite
Deus sabia que as leis de outros
povos eram injustas. Por isso, os permissividade. As mortes de Ananias e
hebreus deveriam ser um referen- Safira servem como exemplo disso, a fim
cial para outras nações. de que se entenda o que pode acontecer

JOVENS 73
com alguém que desobedece, volun-
SUBSÍDIO
tariamente, dentro de uma ambiência
litúrgica e cultural divina. “Imediatamente após um ato de apos-
3. Um Deus que merece ser adorado. tasia (capítulo 25), vem um censo mais
A vida deve ser como um culto contínuo detalhado, semelhante ao descrito no
de adoração; esse era e é o propósito capítulo 1. Esse censo inclui os des-
do Deus de Israel. O cerne da existência cendentes dos israelitas que saíram
e das atividades do povo de Deus. Não do Egito (v. 4b) e que eram da idade
era por acaso que o tabernáculo encon- de vinte anos ou mais, a idade mínima
trava-se no centro do acampamento e para a inclusão no primeiro censo. A
tudo se movia ao seu redor. frase da NVI, ‘estes foram os israelitas
Números 28 começa com uma grave que saíram do Egito’ não pode dizer
advertência de Deus:“Dá ordem aos filhos respeito à primeira geração, pois os
de Israel e dize-lhes: Da minha oferta, versículos 64,65 dizem expressamente
do meu manjar para as minhas ofertas que ninguém dessa geração, exceto
queimadas, do meu cheiro suave, tereis Calebe e Josué, estavam entre eles.
cuidado, para mas oferecer a seu tem- O propósito imediato desse levanta-
po determinado”. Deus demonstrou o mento é produzir dados estatísticos
cumprimento da aliança com seu povo. para a partilha da terra após a sua
Todavia, agora, o Senhor estava deixando conquista (vv. 52-56). Isso, por si só,
claro que as falhas da jornada no deserto já é um fato curioso, considerando-se
não deveriam se repetir e que a adoração a formidável oposição que tinham
dos hebreus, na Terra Prometida, deveria pela frente.
se transformar num estilo de vida. A visão de Deus para o futuro era di-
ferente da visão dos espias. Os espias
Pense! haviam dito: ‘Não somos capazes de
A liturgia do culto ao Senhor pode tomar a terra’. Deus dizia: ‘Tomarão a
ser compatível com os modismos terra’. Com esse intuito, Israel inicia
sociais e culturais do nosso tempo?
confiantemente suas preparações
sem sentir que está se precipitando.
Ponto Importante A primeira geração estava fadada
O culto a Deus deve ser solene e
reverente, calçado na simplicidade, a perecer no deserto, por causa de
santidade e obediência. seus pecados. Deus havia levantado
um segunda geração para pôr os pés
na terra prometida” (HAMILTON, Victor
P. Manual do Pentateuco. 1.ed. Rio
de Janeiro: CPAD, 2016, pp. 405,407).

A gratidão ao Senhor seria


revelada mediante as ofertas.

74 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
BRAZIL, Tiago. Em Espírito e em Verdade:
A Essência da Adoração Cristã.
1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
A partir da morte dos últimos representes da antiga geração, um novo
grupo de israelitas, que conquistaria a terra dos cananeus, precisava
entender alguns princípios acerca da vontade de Deus. Por isso, o
Senhor determinou um novo censo, estabeleceu leis e fez um apelo
incisivo sobre a necessidade de que Israel adorasse ao Senhor volun-
tariamente, de todo o coração. A conquista de Canaã exigiria muitos
esforços dos israelitas.

HORA DA REVISÃO
1. Qual referência bíblica demonstra que todos da geração de ex-escravos que saiu
do Egito morreram no deserto?
Números 26.64,65.
2. Quais os nomes das duas pessoas que saíram do Egito e entraram em Canaã?
Josué e Calebe.
3. Cite dois tipos de assuntos versados nas leis mencionadas à segunda geração
dos hebreus.
Lei que trata de herança e de relacionamento familiar.
4. Qual a referência na qual Deus exige que a oferta seja prestada com cuidado, no
tempo certo?
Números 28.2.
5. Segundo a lição, o propósito de Deus era que a vida dos hebreus fosse como um
culto contínuo de adoração?
Sim. Esse era o real propósito divino.
11
LIÇÃO

17/03/2019

MOISÉS, UM LÍDER
VITORIOSO
www.escola-ebd.com.br
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
SEGUNDA - Êx 20.1-26
“E nunca mais se
levantou em Israel Moisés, o estadista
profeta algum como
TERÇA - Sl 77.20
Moisés, a quem o SENHOR 
conhecera face a face.” Moisés, o líder que guiou
(Dt 34.10)
o povo de Deus
QUARTA - Sl 90.1-17
Moisés, o poeta
SÍNTESE QUINTA - Sl 105.26
Os milagres na vida de Moisés, servo de Deus
Moisés eram eventos naturais
para Deus. Mas para ele e seu SEXTA - Sl 106.23
povo eram sobrenaturais. Moisés, o intercessor
SÁBADO - Jo 1.17
Moisés, o legislador

76 JOVENS
OBJETIVOS
• MOSTRAR a difícil jornada de Moisés enquanto líder
pelo deserto;
• CONSCIENTIZAR de que Moisés era um homem à
frente do seu povo;
• REFLETIR a respeito da última batalha de Moisés.

INTERAÇÃO
Prezado(a) professor(a), as deficiências estruturais de
algumas classes de Escola Dominical não devem ser
empecilhos para que se ofereça aos alunos um ensino
bíblico de qualidade. Ame seus alunos e eles sentirão que
são especiais. Quem ama os alunos procura propiciar um
ambiente que seja o mais aconchegante possível, apesar
das limitações. Uma simples decoração pode fazer uma
enorme diferença. Lembre-se de que em alguns lugares
(países onde os cristãos são perseguidos), as dificuldades
são ainda maiores, mas nem por isso a obra de Deus
deixou de crescer e os alunos de serem edificados em
Cristo. Não podemos nos esquecer de que a primeira
reunião da Escola Dominical no Brasil aconteceu na
cozinha do casal Kalley. Portanto, esteja certo de que
Deus o ajudará a vencer quaisquer dificuldades. Não
desista nunca e sempre dê o seu melhor.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor(a), você tem o hábito de realizar trabalhos em
grupos com seus alunos? Essa ferramenta apresenta-se
bastante útil, pois propicia dinamismo no encontro
com os discentes, promove a unidade, evita que sejam
ministradas aulas estritamente expositivas, propor-
cionando uma aprendizagem participativa, portanto,
mais eficaz. Para tanto, é preciso que os grupos sejam
formados aleatoriamente, buscando a interação entre
os que têm menos afinidade. Assim, no início da aula,
forme 3 ou 4 grupos heterogêneos, e dê-lhes tempo para
que falem a respeito dos seguintes temas: (1)Moisés, o
libertador; (2) Moisés, o legislador; (3) Moisés, o histo-
riador; (4) Moisés, o amigo de Deus. Se você conseguir
contatar os alunos, formando os grupos, ao longo da
semana, será um incentivo a mais para que participem
ativamente da aula.
TEXTO BÍBLICO I –A JORNADA DE MOISÉS
1. Um homem com um ideal. Há
Números 27.12-17
certas motivações que impulsionam
12  Depois, disse o SENHOR a Moisés:
as pessoas fortemente, fazendo-as
Sobe este monte Abarim e vê a terra
que tenho dado aos filhos de Israel.  conquistarem objetivos aparentemen-
13  E, havendo-a visto, então, serás recolhido te inalcançáveis. Moisés, o libertador
ao teu povo, assim como foi recolhido hebreu, guardava no coração e mente
teu irmão Arão; 
o desejo profundo de conduzir o seu
14  porquanto rebeldes fostes no deserto
povo até a Terra Prometida. Esse foi o
de Zim, na contenda da congregação,
ao meu mandado de me santificardes seu ideal de vida.
nas águas diante dos seus olhos. (Es- Aos 40 anos, decidiu por conta pró-
tas são as águas de Meribá de Cades, pria, retirar o seu povo da escravidão
no deserto de Zim.)
egípcia. Mas não deu certo e ele teve
15  Então, falou Moisés ao SENHOR, dizendo: 
de amargar um ostracismo que durou
16  O SENHOR, Deus dos espíritos de toda
carne, ponha um homem sobre esta 40 anos. Até que Deus, então, lhe apa-
congregação,  receu e o chamou. Moisés precisava
17  que saia diante deles, e que entre diante libertar o povo e conduzi-lo a uma
deles, e que os faça sair, e que os faça terra que manava leite e mel. A partir
entrar; para que a congregação do
SENHOR não seja como ovelhas que
de então, ele batalhou, usando toda a
não têm pastor. sua energia — por 40 anos — para que
seu objetivo fosse alcançado. E você?
COMENTÁRIO Desiste facilmente de seus projetos
de vida?
INTRODUÇÃO 2. Um homem que também cometeu
A vida de Moisés é um milagre em to- erros. Depois de quase 40 anos sofren-
dos os sentidos. Nascido sob condições
extremamente desfavoráveis, sem ter
sequer o direito de viver, foi escondido
por três meses por seus pais. Para
salvar sua vida, sua mãe colocou-o
dentro de um cesto betumado no rio
Nilo (um rio cheio de crocodilos). Mas,
a filha de Faraó o encontrou nas águas
do rio e o resgatou. Tirado das águas
(daí provém seu nome), ele foi criado
como filho da filha de Faraó.
Quando adulto, não compreendeu
o tempo de Deus para a sua vida e
de seu povo e acabou agindo com
precipitação e arrogância, tendo
de fugir do Egito.
A formação desse homem extra-
ordinário, suas lutas, dilemas e
conquistas, será o tema dessa lição.

78 JOVENS
do num deserto inóspito e conduzindo deste mundo para o Pai [...]” (Jo 13.1).
milhões de pessoas insubordinadas e Como cristãos necessitamos conhecer
de corações duros, Moisés cometeu o tempo de Deus em nossas vidas e
um desatino. Deus o mandou falar à ministério.
rocha, mas na sua ira ele a feriu por
duas vezes (Nm 20.7-11). Certamente Pense!
este foi o maior erro de sua vida. O sal- Por que Deus foi tão rigoroso em
punir Moisés por ferir a rocha?
mista, séculos depois, afirmou no Salmo
106.33: “Porque irritaram o seu espírito,
de modo que falou imprudentemente
Ponto Importante
Às vezes, nossos erros produ-
com seus lábios”. zem consequências implacáveis
Em determinadas ocasiões, os em nossa vida pessoal, familiar
erros cometidos podem não trazer e em nosso ministério, mas Deus
consequências tão graves, mas em não nos abandona. Ele deseja
que nos arrependamos e deixe-
noutros momentos, porém, os equí-
mos o nosso erro.
vocos são inadmissíveis, inaceitáveis,
principalmente no que tange às coisas II – MOISÉS, UM HOMEM À FREN-
que digam respeito à obra de Deus, o TE DO SEU TEMPO
ministério. 1. Um homem de sucesso. Mas o
3. Um homem que aceita parar. O que é o sucesso para você? Será possuir
sonho de adentrar na Terra Prometida riquezas, prestígio, fama? Certamente
termina para Moisés quando o Senhor que não. Conta-se que, certa vez, uma
lhe diz: “Pelo que verás a terra diante atriz famosa disse a um repórter: “Se
de ti, porém não entrarás nela, na terra sou uma lenda como você diz, porque
que darei aos filhos de Israel” (Dt 32.52). estou tão sozinha? Vou lhe dizer uma
Moisés ainda tentou argumentar com coisa: tudo bem ser uma lenda, desde
o Altíssimo, como fizera outras vezes, que você tenha por perto, alguém que
mas o Senhor foi taxativo: “Basta; não te ame”.
me fales mais neste negócio” (Dt 3.26). Uma pessoa de sucesso é aquela
Em momento algum vemos no texto que, apesar de seus pequenos recursos,
bíblico, ainda que indiretamente, sinais obtém êxito em realizações pessoais e
demonstrando que Moisés tenha ficado coletivas. Sucesso, então, é algo relativo,
com raiva de Deus. Absolutamente! Ele mas que sempre envolve amor e a
foi um servo submisso e fiel ao Senhor conquista de desafios. Nesse sentido,
até o fim dos seus dias. Moisés pode ser considerado um homem
Como servo, ele tinha consciência de de sucesso, pois ele viveu perto de
que chegaria o seu momento de parar. pessoas que o amavam: Arão, Miriã,
Conhecer o tempo de começar e de Josué, Calebe, entre outros. Moisés
terminar é uma virtude que somente deixou a sua marca na história do seu
os mais nobres e espirituais possuem. povo. Conquistou o que era impossível
Jesus compreendia perfeitamente o aos olhos humanos e foi um sucesso
tempo do Pai: “[…] sabendo Jesus que como legislador, poeta, libertador,
já era chegada a sua hora de passar profeta e estadista.

JOVENS 79
2. Uma referência para sua geração. (Nm 31. 1,2), não era aparentemente
Moisés também é um referencial na perigosa, pois do exército de Israel foram
história do direito, pela entrega ao povo enviados apenas doze mil homens, um
de um código legal muito avançado número irrisório. O exército de Israel
para sua época. Também é o maior pelejou contra os midianitas e o Senhor
profeta do Antigo Testamento. As suas ordenou que todos os homens fossem
realizações extraordinárias, seu caráter mortos. Mas Israel decidiu poupar as
e sua fidelidade a Deus fazem dele o mulheres midianitas, ao que se indignou
mais importante personagem do Antigo Moisés e disse: “Deixastes viver todas
Testamento. as mulheres? Eis que estas foram as
3. Um homem que cumpriu sua que, por conselho de Balaão, deram
missão. Moisés cumpriu o projeto que ocasião aos filhos de Israel de prevaricar
Deus tinha para sua vida. Alcançou contra o SENHOR, no negócio de Peor,
um patamar de excelência, tendo seu pelo que houve aquela praga entre a
nome incluído na galeria dos heróis da congregação do SENHOR” (Nm 31.15,16).
fé (Hb 11.23-29). O deserto e as muitas A santidade e a obediência de Moisés
adversidades não lhe impediram de não foram observadas e imitadas pelo
cumprir com a missão que lhe foi povo. Eles não observaram o exemplo
outorgada pelo Senhor. do seu líder.
3. A purificação. O Senhor então
Pense! determinou o cumprimento integral
Moisés cumpriu com a sua
missão. O que você tem feito para da sua palavra e ordenou que ficassem
que os propósitos de Deus se alojados durante sete dias fora do
cumpram em sua vida? arraial a fim de serem purificados (Nm
31. 19). Deus, mais uma vez, estava
Ponto Importante demonstrando ao seu povo a importância
Como Moisés, cumpra a missão da obediência e da santidade. Ainda
que lhe foi confiada pelo Senhor,
hoje, o Senhor requer de cada crente a
ainda que seja preciso atravessar
o deserto. adoção de um alto padrão de devoção
e o comprometimento com Ele, porque
III – A ÚLTIMA BATALHA DE MOISÉS está escrito: “Mas, como é santo aquele
1. A última missão. Foi Deus quem que vos chamou, sede vós também
falou com Moisés que a sua carreira e o santos em toda a vossa maneira de
seu tempo de vida nesta terra estavam viver” (1 Pe 1.15).
chegando ao final (Nm 27.12,13). Moisés
tinha maturidade emocional para ouvir Pense!
o que o Senhor lhe havia revelado. Deus ainda continua a exigir
santidade do seu povo?
Você teria essa mesma maturidade?
Como reagiria? Moisés confiava no
Deus a quem dedicou grande parte
Ponto Importante
Moisés também cometeu
da sua vida. erros, mas ele cumpriu todo
2. Um erro fatal. A guerra contra o propósito que Deus tinha
os midianitas, a última de Moisés para sua vida.

80 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2

“MOISÉS, hb. Tirado. Libertador, esta- “Salmo 90.


dista, historiador, poeta e legislador A condição de Israel no deserto é tão
hebreu — o maior vulto do Antigo preeminentemente explicada em cada
Testamento. Deus o usou para formar, versículo. Moisés era poderoso em
de uma raça de escravos egípcios palavras, assim como em obras e nós
e sob as maiores dificuldades, uma cremos que este salmo é um de seus
nação poderosa que completamente poderosos discursos. Ele canta sobre
alterou o curso da humanidade. A a fragilidade do homem e a pouca
história de Moisés ocupa os livros de duração da vida, comparadas aqui
Êxodo, Levítico, Números e Deute- com a eternidade de Deus. Moisés
ronômio — a sétima parte da Bíblia. era um homem idoso e muito vivido,
Ele merece a fama de ter sido um mas a idade e a experiência lhe tinham
dos maiores homens de todas as ensinado que, entre as mudanças
épocas. Apesar de ser criado em perpétuas que estão acontecendo
um foco de idolatria e cercado em no universo, uma coisa, pelo menos,
toda a vida de adoração a ídolos, permanece imutável, a fidelidade
ele não se contaminou e edificou Daquele que ‘de eternidade a eter-
a nação de Israel na Rocha Firme e nidade’, é Deus.
a ensinou a cultuar ao único Deus,
O Salmo 90 pode ser citado como,
Jeová. Qual outro homem cujas obras
talvez, a mais sublime das compo-
foram acompanhadas de tantas e
sições humanas — a mais profunda
tão estupendas maravilhas? Falava
em sentimentos — a mais eminente
‘boca a boca’ com Deus (Nm 12.8).
em concepção teológica — a mais
“E nunca mais se levantou em Israel
magnífica em suas comparações.
profeta algum como Moisés, a quem
Depois de sua saída do Egito, o seu
o SENHOR conhecera face a face;
tempo foi absolutamente desperdiça-
nem semelhante em todos os sinais e
do, e não era digno de ser o assunto
maravilhas, que o SENHOR o enviou
de uma história, mas somente de
para fazer na terra do Egito, a Faraó,
uma ‘conto ligeiro’; pois somente foi
e a todos os seus servos, e a toda a
para passar o tempo, como contando
sua terra; e em toda a mão forte e em
histórias, que eles passaram aqueles
todo o espanto grande que operou
anos no deserto; todo esse tempo
Moisés aos olhos de todo o Israel (Dt
eles estavam se consumindo, e outra
34.10-12)” (BOYER, Orlando. Pequena
geração estava surgindo” (SPURGEON,
Enciclopédia Bíblica. 36.ed. Rio de
Charles. Os Tesouros de Davi. 1.ed.
Janeiro: CPAD, 2016, pp. 364,365).
Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.
682,690,691,701).

JOVENS 81
ESTANTE DO PROFESSOR
BOYER, Orlando. Pequena Enciclopédia Bíblica.
36.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2016.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Moisés, servo fiel do Senhor, tornou-se um líder vitorioso no deserto, não
obstante as suas lutas. Aprendemos com ele que, em nossa trajetória, nem
tudo ocorre como planejamos, mas Deus nunca perde o controle da nossa
história. Moisés concluiu sua trajetória de vida como um homem feliz,
embora não tenha entrado na Terra Prometida.

HORA DA REVISÃO
1. Segundo a lição, qual era o ideal de vida de Moisés?
Entrar com o povo na Terra Prometida.
2. Moisés foi um sucesso em quais áreas?
Moisés foi um sucesso como legislador, poeta, libertador, profeta e estadista.
3. Qual a última missão de Moisés?
Derrotar completamente os midianitas.
4. Cite três características de um líder vitorioso.
O líder vitorioso reconhece a justiça de Deus, estimula a santidade e conduz o
povo ao arrependimento.
5. O que você considera mais marcante na trajetória de Moisés?
Resposta pessoal.
12
LIÇÃO

24/03/2019

UM LÍDER FORMADO
NO DESERTO
www.escola-ebd.com.br
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA SEGUNDA – 2 Co 12.15
“Esforça-te e tem bom ânimo, O amor é a principal
porque tu farás a este povo característica do líder cristão
herdar a terra que jurei a seus TERÇA - At 13.22
pais lhes daria.  Tão somente O líder cristão deve ser
esforça-te e tem mui bom obediente a Deus
ânimo [...].” (Js 1.6,7)
QUARTA – 1 Cr 9.20
As pessoas precisam ver e reco-
nhecer que o Senhor é com o líder
QUINTA – Sl 100.2
SÍNTESE O líder deve servir a Deus e
O deserto é uma escola ao próximo com alegria
de formação de líderes; SEXTA – 1 Tm 3.6
por isso, não se deixe O líder cristão não pode
abater pelas lutas, ser neófito
provações edificuldades. SÁBADO – 1 Tm 3.2
O líder cristão precisa
ser irrepreensível

JOVENS 83
OBJETIVOS
• MOSTRAR que a formação de Josué se deu no deserto,
ao lado de Moisés;
• CONSIDERAR o fato de que Josué foi escolhido pelo
Senhor;
• COMPREENDER que Josué foi fortalecido por Moisés
e por Deus.

INTERAÇÃO
Prezado(a) professor(a), no próximo domingo será o
encerramento do trimestre, portanto programe-se.
Desafie seus alunos, peça que tragam o maior número
possível de parentes e amigos à Escola Dominical, in-
dependentemente da idade, salvos ou não. Os objetivos
são: Congregar toda a família, apresentar a classe àqueles
que não a conhece e trazer de volta os que andam au-
sentes. Cuide para que os parentes e visitantes sejam
apresentados à igreja. Premie os alunos mais esforçados,
na medida do possível. Sugestões de brindes: caixas de
bombons que possam ser compartilhadas por seu aluno
com os familiares, amigos presentes e/ou livros da CPAD.
A Escola Dominical deve ser, sempre, um momento de
aprendizado e de celebração da unidade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Estimado(a) professor(a), o foco da aula de hoje será
Josué, o homem escolhido pelo Senhor para substi-
tuir o líder Moisés. Convide, previamente, três alunos
para falarem de 3 a 5 minutos, a respeito de algumas
peculiaridades desse servo de Deus extraordinário.
Os tópicos a serem tratados pelos alunos a respeito
de Josué são: A família dele; seu caráter e o serviço de
Josué. Depois, entregue uma pequena lembrança para
os que participaram da atividade.
TEXTO BÍBLICO I – UM JOVEM VALOROSO
1. Cheio de confiança. Josué foi um
Números 27.18-23 homem cheio do Espírito de Deus (Nm
18  Então, disse o SENHOR a Moisés: Toma 27.18). Ele é identificado não somente
para ti a Josué, filho de Num, homem
por sua coragem e seus conhecimentos,
em quem há o Espírito, e põe a tua mão
sobre ele.  mas por sua comunhão com o Senhor.
19  E apresenta-o perante Eleazar, o sacer- A primeira referência que encontramos
dote, e perante toda a congregação, e a respeito dele está em Êxodo 17.9.
dá-lhe mandamentos aos olhos deles,  Moisés ordena que Josué escolha
20 e põe sobre ele da tua glória, para soldados e saia para pelejar contra
que lhe obedeça toda a congregação
dos filhos de Israel.  os amalequitas. Josué não somente
21  E se porá perante Eleazar, o sacerdote, o lutou, mas formou o exército. Alguns
qual por ele consultará, segundo o juízo autores defendem a ideia de que ele
de Urim, perante o SENHOR; conforme foi treinado para a guerra ainda no
o seu dito, sairão; e, conforme o seu
dito, entrarão, ele, e todos os filhos de
Egito, razão pela qual assumiu o posto
Israel com ele, e toda a congregação.  de general das tropas de Israel.
22  E fez Moisés como o SENHOR lhe A habilidade para a guerra deve ter
ordenara; porque tomou a Josué e apre- sido levada em consideração na escolha
sentou-o perante Eleazar, o sacerdote,
de Josué para assumir o lugar de Moisés,
e perante toda a congregação; 
23  e sobre ele pôs as mãos e lhe deu man-
damentos, como o SENHOR ordenara
pela mão de Moisés.

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO
O deserto é uma escola de formação
de líderes onde muitos servos de Deus
foram treinados. O deserto prova a
nossa fé, expõe os nossos limites,
delineia a nossa confiança, quebra o
nosso orgulho e revela o nosso caráter.
Não é por acaso que o próprio Jesus,
no início do seu ministério, foi levado
pelo Espírito Santo para o deserto a
fim de ser tentado.
Na lição de hoje, estudaremos a
respeito de Josué, filho de Num,
homem valente que foi formado na
escola do deserto, e que foi esco-
lhido, pelo Senhor, para substituir
Moisés e conduzir os hebreus até
a Terra Prometida.

JOVENS 85
entretanto, o seu caráter foi o fator pre- formação adequada, amantes apenas
ponderante para a escolha. A fidelidade das “cebolas, pepinos e panelas de
e o temor a Deus são características in- carne” do Egito.
dispensáveis do líder cristão. Paulo disse
que Jesus Cristo o teve por fiel e, por isso, Pense!
colocou-o no ministério (1 Tm 1.12). Por que é preciso submeter-se
2. Que gostava de estar na presença aos líderes e aprender com eles,
para só depois ser ordenado ao
de Deus. Josué subiu o monte de Deus
ministério?
juntamente com Moisés (Êx 24.13). Assim
como Jesus queria que seus discípulos o
Ponto Importante
acompanhassem em alguns momentos, O líder cristão deve ter conheci-
Moisés também apreciava a companhia mento teológico, mas somente
de Josué, nos instantes em que subia ao após enfrentar, ao lado do seu
monte para falar com Deus. pastor, as agruras do deserto, es-
O sumo sacerdote tinha a obrigação tará apto para ensinar a outros.
de estar a sós com Deus, uma vez por
ano no santo dos santos (Hb 9.7). Porém II – “PÕE TUA MÃO SOBRE ELE”
Moisés, diferentemente dos demais sumos 1. Escolhido pelo Senhor. Segundo
sacerdotes, entrava no lugar santíssimo a Bíblia de Estudo Pentecostal, “o nome
constantemente, devido à sua comunhão Josué significa o Senhor é salvação. A
com Deus. Todo líder cristão precisa forma grega desse nome é Jesus (Mt
amar e priorizar os seus momentos de 1.21).” Josué é um tipo de Jesus Cristo.
oração em particular, sua comunhão A escolha de Josué para substituir
com o Senhor. Moisés foi divina, não teve a influência
3. Submisso a Deus e ao seu líder. do homem, e foi anunciada pelo Senhor:
No deserto, ou a pessoa obedece e “Então, disse o SENHOR a Moisés: Toma
confia em Deus ou ela murmura contra para ti a Josué, filho de Num, homem
Ele e a liderança, como aconteceu com em quem há o Espírito, e põe a tua mão
a geração que saiu do Egito. Josué sub- sobre ele” (Nm 27.18). Seu sucesso em
meteu-se à liderança que fora constituída conduzir o povo até a Terra Prometida
por Deus e suportou com alegria, fé e deve-se a isso e não à sua força ou co-
gratidão às circunstâncias adversas que ragem. Certa vez, para que a vitória de
surgiram em sua caminhada. Israel fosse completa, Josué orou e Deus
Josué sempre esteve ao lado de fez o sol parar (Js 10.12,13). Somente do
Moisés em várias ocasiões, nas guerras “Senhor é a salvação”.
(Êx 17.9), nos momentos de perplexidade 2. Encarava os desafios. Josué nunca
(Nm 11.28) e nos desafios (Nm 13.16). fugiu de um desafio, nunca se acovardou,
Isso faz diferença na vida do jovem que mas sempre agiu com dignidade, afinal
almeja o ministério da Palavra de Deus. “a vida é muito curta para ser pequena”,
Com isso, aprendemos que é preferível como bem dizia Benjamim Disraeli,
haver duas pessoas bem preparadas escritor e político inglês do século XIX.
(Josué e Calebe), que caminham e sofrem Sem titubear, Josué (e também Calebe)
com seus líderes, do que muitos sem fizeram um ardoroso discurso, inspirando

86 JOVENS
o povo a crer no Deus que fez a promessa apresentado ao sacerdote e ao povo para
da conquista de Canaã (Nm 14.6-9). assumir a posição que fora de Moisés.
Deus conta com pessoas corajosas Segundo Deuteronômio 1.38 e 3.28, Deus
(não atrevidas) e a intrepidez de Josué, ordenou que Moisés cuidasse de Josué
sem dúvida, foi uma das tônicas do animando-o e fortalecendo-o.
seu ministério. Essa também deve ser 2. Deus promete ir adiante de Josué
uma característica marcante dos jovens (Dt 31. 8). O Senhor prometeu a Josué
cristãos atuais. que ele não estaria sozinho em sua
3. Um coração obediente. Números caminhada até a Terra Prometida. O
32.12 afirma que em meio a uma grande Senhor estaria com ele, portanto, que
oposição, Josué, juntamente com Calebe, não temesse, nem se espantasse. Do
perseveraram em seguir ao Senhor. Eles que mais precisava Josué? Do que mais
agiram em total obediência, que é uma precisamos nós? Pois Jesus também
condição indispensável para um líder. prometeu que estaria conosco todos
Josué sabia que crendo e obedecen- os dias (Mt 28.20). A conquista de “no-
do à Palavra de Deus herdaria insondáveis vos territórios” para Deus é um desafio
bênçãos (Dt 28.1-14). Ele aprendeu a para toda a Igreja (Mt 28.19,20). Mas a
obedecer em um cenário de escassez, garantia do nosso sucesso foi outorgada
murmuração e conflitos. Ora, obedecer por Jesus (Mt 16.18).
quando tudo vai bem não é tão difícil, 3. A nobreza de Josué. Ele era tão
pois, como dizia Shakespeare, “em mar especial para o Senhor e para o seu povo
calmo todo barco navega bem”, mas, que nunca foi contestado por ninguém,
quando tudo parece perdido não é fácil, diferentemente do que aconteceu com
por isso a provação no deserto tem tanto Moisés. Contudo, a verdadeira nobreza
valor para a formação ministerial. de Josué não lhe foi outorgada por
suas extraordinárias realizações (ele
Pense! conquistou mais de 30 nações), mas
O fato de Deus mandar Moisés
por sua humildade.
apresentar Josué ao sacerdote e
ao povo, como sendo seu substi- Josué, por exemplo, ao escrever o livro
tuto eventual, não enfraqueceria que leva o seu nome, apresenta-se como
Moisés politicamente? sendo, “filho de Num, servo de Moisés”
(Js 1.1), e, ao longo da narrativa, sempre
Ponto Importante chama Moisés de “servo do Senhor”.
Deus espera que lhe Quando, porém, Josué faleceu, alguém
obedeçamos independente das
escreveu as últimas linhas do livro, cha-
circunstâncias, pois só Ele sabe
o que é melhor para nós. mando-o, por fim, de “servo do Senhor”.
Não havia, portanto, nenhum sentimento
III – JOSUÉ É FORTALECIDO de autoengrandecimento, vaidade, domi-
1. Deus pede que Moisés anime nação política, no espírito de Josué. Seu
Josué (Dt 1.38; 3.28). O Senhor afirmou ideal de vida era servir fielmente a Deus,
que Josué tinha o Espírito e que ele havia honrar ao seu líder Moisés bem como ao
sido escolhido para substituir Moisés. seu povo; por isso o Senhor o honrou de
Depois, Deus mandou que Josué fosse maneira tão distintiva.

JOVENS 87
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Josué era filho de Num, da tribo de “Em muitos aspectos, ‘Josué do Antigo
Efraim. Como tinha mais de 40 anos Testamento’ prefigura características
de idade quando deixou o Egito e do Jesus do Novo Testamento. Não
parecia bem qualificado para assumir foi registrado nenhum mal contra ele.
o comando das forças israelitas que Ele estava livre de todo o desejo de
lutaram contra os amalequitas em autopromoção ou cobiça; não existe
Refidim (Êx 17.8-16), é possível que traço de egoísmo que manche a
tivesse sido treinado pelo exército de nobreza simples de seu caráter. Em
faraó. Durante aquele ano, no Monte todas as circunstâncias ele demos-
Sinai, Josué serviu como auxiliar di- trou um desejo supremo: conhecer
reto de Moisés quando esse último a vontade de Deus. Sua principal
recebeu as leis, e todas as vezes que ambição era fazer a vontade divina.
ia à tenda onde encontrava e ouvia Josué foi um homem de coragem
o Senhor (Êx 24.23; 32.17; 33.21). Mes- inabalável e perseverança invencível
mo depois de deixar o Sinai, Moisés que mostrou profunda confiança
considerava Josué como um ‘moço’ diante das dificuldades. Suas ações
e achava necessário censurá-lo por imediatas lhe deram vitórias. As outras
proibir dois anciãos do acampamento pessoas lhe deram grande honra em
de profetizar (Nm 11.27-29). função da desconsideração altruísta
Além dos possíveis contatos que de seus próprios interesses pessoais.
pode ter tido antes do Êxodo com Ele nunca deixou de demonstrar
Canaã e seus habitantes, que vinham uma profunda preocupação pelos
comercializar com os egípcios, ou interesses daqueles a quem liderava.
mesmo que pudesse ter viajado ao Desse modo, na plenitude dos tempos,
Egito em alguma campanha militar, quando Deus precisava de um homem
Josué adquiriu experiência dessa terra bem preparado, Ele escolheu Josué.
por ser um dos 12 espias. O Senhor encontrou naquele homem
Quando Moisés e seu sucessor se alguém que ouviria suas instruções.
dirigiram à porta da tenda, Deus Josué era alguém que cumpriria suas
comissionou Josué de uma forma tarefas. Estas qualidades de caráter
direta (Dt 32.14,15,23). Depois da morte tão associadas à disposição de Josué
de Moisés, o Senhor bondosamente são sempre aprovadas por Deus” (Co-
repetiu essa ordem particularmente a mentário Bíblico Beacon. 1.ed. Vol. 8.
Josué, aumentando as suas promes- Rio de Janeiro: CPAD, 2015, pp. 24,25).
sas com a finalidade de encorajá-lo
na véspera da invasão de Canaã (Js
1.1-9)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.
ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 1.095).

88 JOVENS
ESTANTE DO PROFESSOR
GOWER, Ralph. Usos e Costumes dos
Tempos Bíblicos. 1.ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2002. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
Josué é um exemplo para todo o crente, desde a sua formação como discí-
pulo (servo) de Moisés, no deserto, até a sua ascensão ao posto mais alto da
nação. Ele demonstrou um grande senso de serviço e devoção ao Senhor
mesmo em tempos difíceis, como a travessia pelo deserto.

HORA DA REVISÃO
1. Transcreva a referência em que Josué foi citado pela primeira vez na Bíblia.
“Pelo que disse Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra
Amaleque; amanhã, eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na
minha mão” (Êx 17.9).
2. Quem, juntamente com Josué, trouxe um relatório de fé ao espiar Canaã?
Calebe.
3. Qual era o costume de Josué segundo Êxodo 33.11?
Ele nunca se apartava do meio da tenda.
4. Segundo Número 27.18 o que diferenciava Josué dos demais líderes?
Homem em que há o Espírito (Nm 27.18).
5. Qual a característica de Josué que você considera a mais importante para um líder?
Resposta pessoal.
13
LIÇÃO

31/03/2019

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O DESERTO VAI
PASSAR
AGENDA DE LEITURA
TEXTO DO DIA
SEGUNDA - Js 24.14
“Não to mandei eu?
Esforça-te e tem bom ânimo; Temor e sinceridade diante
não pasmes, nem te espantes, do Senhor
porque o SENHOR, teu
Deus, é contigo, por onde TERÇA – Js 24.15
quer que andares.” (Js 1.9) Escolha a quem quer servir
QUARTA – Js 24.17
O Senhor é o nosso Deus
SÍNTESE QUINTA – Js 24.19
A caminhada do povo de Deus é santo e zeloso
Deus pelo deserto deste
mundo em breve terminará SEXTA – Js 24.23
e estaremos para todo o Inclinai o coração ao Senhor
sempre com o Senhor.
SÁBADO – Js 24.13
A terra, a herança do Senhor

90 JOVENS
OBJETIVOS

• MOSTRAR o perigo de ficar no liminar da Terra Prometida;


• COMPREENDER que para receber os benefícios do
Senhor é preciso ter fé;
• CONSCIENTIZAR de que um dia nossa jornada nesse
mundo chegará ao fim.

INTERAÇÃO
Chegamos ao final do estudo do livro de Números. Cami-
nhamos pelo deserto, juntamente com o povo de Deus. O
trimestre foi concluído, mas nosso trabalho docente não.
É hora de iniciar o planejamento do próximo trimestre.
Esmere-se fazendo o melhor para Deus, investindo no
estudo bíblico e na oração. Com isso, você continuará
aprendendo a respeito de Deus. Certo professor em
uma conferência de Escola Dominical disse o seguin-
te: “Quando eu aprendo, consigo ensinar; ensinando,
aprendo de novo”.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Chegamos ao final de mais trimestre. Com certeza a sua
fé no Deus que guiou o seu povo pelo deserto à Terra
Prometidas foi fortalecida mediante o estudo de cada
lição. Conclua mostrando aos alunos que embora sejamos
filhos(as) de Deus estamos sujeitos a enfrentar algumas
crises em nossa caminhada, como os hebreus enfren-
taram no deserto. Contudo, as crises não são para nos
destruir, castigar, desanimar, mas o Pai as permite para
nos moldar, lapidar e para que possamos confiar mais
nEle, em sua fidelidade. Incentive os alunos a verem os
“desertos” como oportunidades de crescimento espiri-
tual, de transformação. O Deus que sustentou o povo no
deserto durante os anos é o mesmo que vai sustentá-lo
e ajudá-lo a enfrentar as dificuldades da vida.
TEXTO BÍBLICO COMENTÁRIO
Números 32.31-33
31  E responderam os filhos de Gade e
INTRODUÇÃO
os filhos de Rúben, dizendo: O que Neste trimestre acompanhamos
o SENHOR falou a teus servos, isso
faremos. 
a longa jornada do povo hebreu
pelo deserto. Eles caminharam
32  Nós passaremos, armados, perante
o SENHOR à terra de Canaã e tere- por aproximadamente 40 anos,
mos a possessão de nossa herança num lugar onde as pessoas, em
daquém do Jordão. regra, não se arriscavam a fixar
33  Assim, deu-lhes Moisés, aos filhos de residência pelas condições ex-
Gade, e aos filhos de Rúben, e à meia tremamente desfavoráveis, um
tribo de Manassés, filho de José, o “grande e terrível deserto de ser-
reino de Seom, rei dos amorreus, e
o reino de Ogue, rei de Basã: a terra
pentes ardentes, e de escorpiões,
com as suas cidades nos seus termos, e de terra seca, em que não havia
as cidades do seu contorno.  água” (Dt 8.15). A jornada estava
Números 33.50-56 chegando ao fim.
50  E falou o SENHOR  a Moisés, nas A geração que atravessou o mar
campinas dos moabitas, junto ao Vermelho a pé enxuto havia sido
Jordão, de Jericó, dizendo: 
consumida durante a peregrina-
51  Fala aos filhos de Israel e dize-lhes:
ção, —— mais de seiscentos mil
Quando houverdes passado o Jordão
para a terra de Canaã,  homens; entretanto, nenhum
52  lançareis fora todos os moradores da
deles faleceu por falta do cui-
terra diante de vós e destruireis todas dado de Deus, morreram pela
as suas figuras; também destruireis desobediência; tentaram a Deus
todas as suas imagens de fundição e caíram no deserto (Hb 3.16,17).
e desfareis todos os seus altos; 
53  e tomareis a terra em possessão e
nela habitareis; porquanto vos tenho
dado esta terra, para possuí-la. 
I – CHEGANDO AO FIM DA JORNADA
54  E por sortes herdareis a terra segun-
do as vossas famílias; aos muitos, a 1. A antecipação da herança. Os filhos
herança multiplicareis, e, aos poucos, de Rúben, Gade, e metade da tribo de
a herança diminuireis; onde a sorte Manassés eram afeitos à pecuária, donos
sair a alguém, ali a terá; segundo as
tribos de vossos pais, tomareis as
de muitos animais. Eles solicitaram a
heranças.  antecipação da sua herança a Moisés.
55  Mas, se não lançardes fora os mo- Porém, essas tribos se prontificaram a
radores da terra de diante de vós, transpor o Jordão e ajudar a derrotar os
então, os que deixardes ficar deles
exércitos cananitas (Js 4.12,13).
vos serão por espinhos nos vossos
olhos e por aguilhões nas vossas 2. O perigo de ficar à margem de
costas e apertar-vos-ão na terra em Canaã. Ao que tudo indica, os rubenitas,
que habitardes. 
gaditas e os homens da meia tribo de
56  E será que farei a vós como pensei
Manassés não perceberam o perigo que
fazer-lhes a eles.
corriam em ficar, na verdade, no “limiar
da herança”. O futuro revelaria o erro
daquela decisão, pois aqueles israelitas

92 JOVENS
— separados do restante das tribos pelo Ponto Importante
Jordão, e sem nenhuma defesa natural As duas tribos e meia
contra os inimigos — foram os primeiros desprezaram todo o esforço
a se tornarem idólatras e, vulneráveis, empreendido e, por isso, pagaram
também os primeiros a serem levados um alto preço anos depois.
cativos à Assíria (1 Cr 5.25,26).
Convém observar que aquelas duas II – FÉ E HERANÇA
tribos e meia tinham um sério problema: 1. Chegando ao fim da viagem. Os
não anelavam entrar na Terra Prometida. hebreus fixaram acampamento nas cam-
Qualquer campina serviria para eles. pinas dos moabitas, junto ao Jordão, na
3. Recordando a viagem no deserto. direção de Jericó (Nm 33.50). A cansativa
Depois da purificação do exército de viagem pelo deserto estava chegando
Israel (Nm 31. 13-24), e da resolução a ao fim e esse era um momento de es-
respeito das terras a leste do Jordão, pecial alegria. Há cerca de 38 anos eles
que ficaram com as tribos de Rúben, estavam em Cades Barneia (Nm 13) e ali,
Gade e metade da tribo de Manassés tomados pelo desânimo e pela falta de
(Nm 32), chegou a hora da despedida fé, decidiram retornar ao Egito.
do grande líder. Moisés então faz um O Deus que guiou os hebreus até a
longo discurso. Ele discorre a respeito Terra Prometida deseja nos guiar em nos-
da história da travessia pelo deserto, sa trajetória por esse mundo tenobroso;
começando com a saída do Egito (Nm precisamos crer nisso, ter fé. Deus é bom
33). Esse capítulo possui uma peculiari- e tem cuidado de nós; por isso podemos
dade: relembra o passado e, por isso, traz descansar o nosso coração, pois o Senhor
consigo uma forte carga de informações nunca erra, nem se atrasa, ou permite
valiosas sobre como viver no presente. É que a luta da vida seja mais dura do que
necessário trazer a memória do povo as possamos suportar. Tenha fé!
experiências do passado, a fim de que 2. A herança pela fé, uma visão. Em
os mesmos erros não sejam praticados Números 34.2, Deus está falando a res-
novamente. peito do futuro, no qual os israelitas her-
Por fim, o Senhor (vv. 50-56) adverte o dariam, pela fé, a Terra Prometida. A vinda
povo a respeito das consequências para do tempo de Deus para aquela geração
quem se tornar relapso em obedecê-lo. não tardaria. As profecias bíblicas, agora,
O amor do Altíssimo por seu povo, a teriam seu cabal cumprimento.
cada novo parágrafo das Escrituras, O Senhor estava fornecendo uma
mostra Deus como um Pai cuidadoso, visão aos hebreus do que seria a herança
que não quer que nenhum dos seus deles. O propósito era encorajar o povo
filhos se perca, mas cheguem ao pleno a seguir caminhando e conquistando as
conhecimento da verdade (1 Tm 2.4). muitas cidades. Aos olhos dos israelitas
não havia nenhuma possibilidade de
Pense! êxito nas batalhas, mas a visão espiritual
Se era tão ruim ficar ao leste do
Jordão, por que Moisés autorizou fornecida a eles pelo Senhor tornou-se
a antecipação da herança das o combustível necessário para lançá-los
duas tribos e meia? à guerra.

JOVENS 93
3. A herança pela fé, uma proteção. O Moisés, as últimas leis penais (homicídio
Senhor, ao estabelecer os limites da he- culposo e doloso) e hereditárias (bastante
rança dos hebreus, estava aguçando a fé avançadas para a época). Deus estabeleceu
do povo e os protegendo contra a cobiça. diversas leis devido a dureza do coração
O Eterno não desejava que a aquisição dos hebreus. Israel deveria refletir a glória
de bens materiais fosse a força motriz de do Senhor em seu ordenamento jurídico.
Israel, — eles precisavam anelar, como As leis tinham um propósito maior:
Abraão, a cidade que tem fundamentos apontavam, sobretudo, para a justiça que
(Hb 11.10). A herança oferecida pelo Senhor, provém da cruz do Calvário. Eram justas,
entretanto, deveria ser conquistada com proféticas, e messiânicas.
força e coragem, pela fé (Js 1.9). 3. Conquistando o impossível. Ao lon-
go de 40 anos, Israel palmilhou por uma
Pense! estrada de muitas dificuldades. Agora, às
Por que os hebreus deveriam margens da Terra Prometida, receberia
lutar por uma herança que as últimas instruções de Deus e, debaixo
já lhes pertencia?
da sua bênção, entraria triunfantemente
em Canaã, para conquistar o que aparen-
Ponto Importante temente era impossível. Isso poderia ter
O servo de Deus deve buscar
acontecido há quase quatro décadas, mas,
a realização de seus projetos
pessoais, mas desde que seja pela incredulidade da primeira geração
segundo a vontade divina. de hebreus, a porta foi fechada.
Agora, o caminho estava aberto e
III – O FIM DA JORNADA uma nova geração que cresceu no de-
1. A oferta aos levitas. Os dois últimos serto, marcharia vitoriosa. O rio Jordão
capítulos do livro de Números trazem estava cheio, transbordando pelas suas
as últimas recomendações de Moisés ribanceiras, mas não haveria problema
para o povo, pouco antes da entrada quanto a esse fato, pois Deus cumpriria
em Canaã. Segue-se, após, a repetição brevemente sua promessa.
da lei em Deuteronômio e a morte de A vida do crente é semelhante a do
Moisés, quando encerra-se a história da povo de Deus no deserto. São muitas es-
caminhada de 40 anos no deserto. tradas empoeiradas pelas quais devemos
Depois de determinar a divisão da trilhar, tendo em vista o aprimoramento
terra, o Senhor fez lembrar da necessi- espiritual para, depois, tomarmos posse
dade de os levitas morarem em cidades das bênçãos que estão preparadas para
próprias e da existência, também, de aqueles que amam a Deus.
cidades de refúgio. Santidade e justiça são
virtudes imprescindíveis para quem quer Pense!
ser abençoado. Israel sabia que a bênção
Qual era o real propósito das
muitas leis entregues aos hebreus?
do Senhor decorreria da obediência ao
seu padrão ético e moral e, por isso, essas
Ponto Importante
determinações foram atendidas. A dureza do coração dos hebreus
2. Estabelecimento de leis justas. Por fez com que Deus, por amor,
fim, o Senhor entregou, por intermédio de concedesse leis civis e cerimoniais.

94 JOVENS
SUBSÍDIO 1 SUBSÍDIO 2
“Números 34.1-15. Aqui temos a “Números 32. Nesse mesmo tempo,
definição da linha pela qual a terra as tribos de Gade e de Rúben e a
de Canaã foi medida e limitada por metade da de Manassés, que eram
todos os lados. Havia uma concessão muito ricas em gado e em todas as
muito maior prometida a eles, a qual, espécies de bens, rogaram a Moisés
no devido tempo, teriam possuído, se que lhes desse o país dos amorreus,
tivessem sido obedientes, chegando conquistado algum tempo antes,
até o rio Eufrates (Dt 11.24). E até lá o porque era muito rico em pastagens.
domínio de Israel estendeu-se, nos Esse pedido fê-lo crer que o desejo
tempos de Davi e de Salomão (2 Cr deles era evitar, sob esse pretexto, o
9.26). Mas o que aqui está descrito combate contra os cananeus. Assim,
é apenas Canaã, que era a parte das disse-lhe que era apenas por covardia
nove tribos e meia, pois as outras que lhe faziam aquele pedido, para
duas e meia tribos já tinham sido viver em tranquilidade numa terra con-
assentadas (vv. 14,15). quistada pelas armas de todo povo.
Aqueles que estivessem dentro Eles responderam que estavam tão
destas fronteiras, e somente a eles, longe da intenção de querer evitar o
os israelitas deveriam destruir. Até perigo quanto desejavam colocar, por
aqui a sua espada sanguinária devia esse meio, as suas mulheres, os seus
ir, e não além. Deus não desejava filhos e os seus bens em segurança,
que o seu povo aumentasse o seu para estar sempre prontos a seguir o
desejo de possessões mundanas, exército aonde os quisessem levar.
mas que soubesse quando tivesse o Moisés, satisfeito com a explicação,
suficiente, e ficasse satisfeito com isto. concedeu-lhes o que pediam, com
Os próprios israelitas não deveriam a condição de que essas tribos mar-
estar sozinhos no meio da terra, mas chariam com as outras contra os
deveria deixar lugar para que seus inimigos até que a guerra estivesse
vizinhos vivessem a seu lado. Deus completamente terminada. Assim,
determinou os limites da nossa terra. eles tomaram posse daquele país e
Devemos, então, definir limites aos ali construíram cidades fortificadas.
nossos desejos, fazendo com que o Puseram nelas as suas mulheres, filhos
nosso pensamento e a nossa vontade e bens, a fim de estarem mais livres
estejam de acordo com nossa condi- para tomar as armas e cumprir a sua
ção” (HENRY, Matthew. Comentário promessa” (JOSEFO, Flávio. História
Bíblico do Novo Testamento. 1.ed. dos Hebreus. Rio de Janeiro: CPAD,
Vol. 1. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, 2012, pp. 214,215).
pp. 554,555).

JOVENS 95
ESTANTE DO PROFESSOR
CABRAL, Elienai. Josué: Um Líder que Fez a
Diferença. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012.

ANOTAÇÕES

CONCLUSÃO
O livro de Números, ao narrar a caminhada dos hebreus, por cerca de 40
anos, em uma região desértica, simboliza a vida de fé de cada cristão, em
todos os tempos. Cabe a cada crente se apropriar de cada fato narrado no
livro de Números e assim guardar as importantes lições que o ajudarão
na jornada de fé até a Canaã Celestial.

HORA DA REVISÃO
1. Por que as tribos de Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés resolveram antecipar
a sua herança?
Porque essas tribos eram afeitas à pecuária, donos de muitos animais e as terras
pareciam excelentes para a pecuária.
2. Segundo a lição, por que é necessário relembrar as experiências do passado?
Faz-se necessário que a memória do povo esteja atenta para experiências do
passado, a fim de que os mesmos erros não sejam praticados novamente.
3. Por que as leis foram dadas por Deus?
Deus estabeleceu diversas leis devido a dureza do coração dos hebreus. Israel
deveria refletir a glória do Senhor em seu ordenamento jurídico.
4. Segundo a lição, por que foi importante Deus mencionar os limites da Terra
Prometida ?
Foi importante para proteger os hebreus da cobiça.
5. O que você aprendeu de mais significante a respeito do livro de Números?
Resposta pessoal.
O QUE FAZER QUANDO A FÉ
SE ENCONTRA COM A VIDA
REAL NA UNIVERSIDADE?
É possível um jovem entrar na universidade e prosperar na
sua caminhada com Cristo? A resposta é um sim!

O ensino superior não precisa ser uma batalha perdida.


Com um pouco de ajuda, os estudantes cristãos pode-
rão ver a universidade como um canal das bênçãos de
Deus em vez de uma armadilha espiritual.
Lembre-se a quem você pertence! Você pertence a Je-
sus Cristo. Que seu santo nome seja glorificado atra-
vés de seus estudos e vida profissional.

“Filho meu, se aceitares as minhas palavras e escon-


deres contigo os meus mandamentos, para fazeres
atento à sabedoria o teu ouvido, e para inclinares o teu
coração ao entendimento, e, se clamares por enten-
dimento, e por inteligência alçares a tua voz, se como
a prata a buscares e como a tesouros escondidos a
procurares, então, entenderás o temor do SENHOR e
acharás o conhecimento de Deus.”
Provérbios 2.1-5