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Invasões da PM na sede do PCB/SP

Paulo Henrique Pereira Mota1

Escrito em 26 / 10 / 2018

Muitos cidadãos, autoridades e personalidades públicas se impressionaram e se


indignaram diante dos ataques de censuras contra mais de trinta campi universitários
em todo o país, ocorridos na última semana de campanha das eleições para a esfera
do Executivo, nos quais defendiam explicitamente as bandeiras da democracia e o
antifascismo – coincidentemente, temas também apoiados pela esquerda política da
sociedade. Sob o pretexto de reprimir irregularidades de campanha cometidas pelo
candidato à presidência Fernando Haddad (uma vez que legalmente é proibida a
realização de campanha partidária no interior de instituições públicas de ensino) a
polícia militar invade esses espaços para apreender os tais “materiais de campanha”,
questionar professores sobre suas ideologias e até deter estudantes no interior da
academia. Contudo, atitudes semelhantes já ocorriam durante os eventos de educação
e formação críticas na sede do Partido Comunista Brasileiro (PCB), de São Paulo.

Anteriormente a esses fatos, no dia 04 de outubro do ano da eleição mais


inusitada e singular que já ocorrera durante os últimos 57 anos, ou seja, desde Jânio
Quadros, acontece uma manifestação de caso particular do qual expressava de forma
sintomática o tempo de repressão que vivemos. Durante um encontro de campanha
de um dos candidatos a deputado federal de São Paulo, objetivava-se promover a
discussão sobre a obrigatoriedade do ensino da história da ditadura no Brasil na
educação básica. Tratava-se de organizar e debater ideias para pensar uma das
propostas do candidato: a implementação de uma lei que institua a obrigatoriedade do
ensino de história da ditadura no Brasil. Devido à criação de um evento na rede social
Facebook, atenção da população virtual fora atraída e facilmente contava-se com mais
de cinco mil pessoas confirmadas e quarenta mil perfis interessados em circular
pensamento na noite daquela quinta-feira.

1
Graduando em Filosofia pela Universidade de São Paulo e militante do Partido Comunista Brasileiro.
Localizada no centro da capital de São Paulo, a sede do PCB aguardava por
milhares de pessoas para tornar concreto um anseio de muitos devido à convivência
de um momento histórico inesperado – se houve, em menos de dez anos, uma
ascensão impulsiva de uma nova direita em âmbito mundial (de Obama a Trump, de
Sarkozy a Macron, de Kirchner a Macri, de Lula a Bolsonaro), então qual foi o papel
que a educação assumiu nos últimos anos para permitir a entrada dos quatrocentos
golpes contra os direitos sociais e trabalhistas? Antes de começar o encontro, porém,
um policial militar entra no lugar com a intenção clara de, ao menos, torná-los atentos
para o que iriam falar ou fazer. Com apenas poucas pessoas na sede, o policial fardado
adentra para saber quem é o responsável principal do evento. Um dos integrantes se
oferece honestamente à legalidade, procurando responder o interrogatório do policial:
nome, idade, profissão, natureza, objetivo e duração temporal da atividade. Por fim,
ele simplesmente diz que tais dados servem para manter a segurança do bairro, na
tentativa de lembrar que sua missão é manter a ordem em ordem. A esquerda e os
marginalizados da sociedade sentem muito bem o significado dessas palavras. Ainda
assim, os militantes, após se “despedirem” do oficial, continuaram “normalmente”
com a atividade prometida, sem internalização alguma de culpa e má consciência.
Todo temor e indignação aqui residem na invasão dos militares: uma vê eu a sede do
PCB não é um espaço público, não havia motivo legal nenhum para interromper e
indicar monitoramente de segurança. Um aviso claro que o PCB deveria voltar,
novamente, para clandestinidade.

Isso demonstra claramente que há tempos vivemos em uma vida social


armada, em que modos diversos de organização e posicionamento no interior da
sociedade são imediatamente censurados e até reprimidos. Nenhum caso fora
noticiado por nenhum jornal ou mídia, pois de certa maneira há uma naturalização da
presença militar nos espaços potencialmente subversivos. A justificação da segurança
encontra seu lugar ais bem aproveitado para se satisfazer e assim preceder os maiores
terrorismos que a humanidade já vivenciou. É sempre através da justificação da
segurança que qualquer atitude eternamente repudiada poder ser relativizada e aceita
pela consciência da população. Não foi de outra maneira que a República de Weimar
abriu espaço para tornar regra uma exceção, a saber, o direito ao homicídio: o
convencimento de que os judeus representavam a causa efetiva dos males contra os
arianos representantes dos maiores sistemas bancários passou a ser a própria
atividade, a fim de extinguir a possibilidade de perpetuação desse povo.

Não estaríamos na linha da paranoia se disséssemos que de uma maneira ou de


outra o Partido Comunista Brasileiro há um tempo já convive na iminência das
consequências da inversão da exceção em regra e, assim, impossibilitar qualquer
discurso e ação comunicativa capaz de criar novos regimes de socialização que não à
obediência absoluta, ou seja, a miséria de se aceitar as piores medidas contra o povo s
simplesmente aceitar sem projeção de um futuro distinto deste. Quer dizer, assim
como a policia militar atua nos lugares urbanos somente enquanto exceção (alguma
movimentação extraordinária para “preservar a segurança pública” ), o PCB vivencia
tal repreensão “velada” há tempos enquanto ritmo de regra. Se podemos dizer que as
instituições públicas de ensino superior são pisoteadas por uma marcha de crise,
através da censura, no Partido Comunista Brasileiro de São Paulo tal experiência já
constitui seu próprio modo de vida, pois a crise da censura é a regra de sua existência.
Não é comum que os militantes dialoguem entre si com a presença do medo eminente
causada pela força militar armada. Pois não é comum que numa democracia (ainda
que formal e liberal), o PCB em plena legalidade precise caminhar com a perseguição e
opressão como modelos da forma de sua sombra.

O problema é que essa havia sido a terceira vez, a contar desde agosto de 2017,
que a polícia militar invade a sede do Partido Comunista Brasileiro sem haver qualquer
espécie de denúncia por parte dos participantes do encontro – ação esperada para que
haja polícia. Uma vez que uma parte dos eventos se dirige à formação política e crítica,
com frequência aparecem um número alto de interessados em aprender, pensar e
discutir da melhor maneira possível sobre marxismo e tradição crítica da esquerda. Em
2017, o mesmo ocorre durante o início de um dos eventos que começava numa manhã
de sábado: com menos de cinco participantes, um policial militar fardado invade a
sede e começa a interpelar sobre o nome do responsável do evento, sua idade; sobre a
natureza, objetivo e duração temporal da atividade, concluindo com um comentário
voraz de quem conhece muito bem o que se faz naquele lugar: “tem muita gente
confirmada [confirmada no evento do Facebook] neste evento, não é?”, alegando
trabalho de segurança (particular) no bairro. Não há suspeitas de como eles sabem do
horário e dia dos eventos, mas se sabe de uma certeza: há monitoramento constante
nas organizações de esquerda, por menos que sejam.

Todos esses casos ocorrerão com muito mais frequência e assiduidade com o
governo do ex-capitão do exército Jair Messias Bolsonaro, pois, uma vez que não sente
nenhum pudor em prometer que vai “metralhar a petralhada”, não reconhecerá
nenhum movimento de oposição e, portanto, o conflito interno próprio de qualquer
democracia. Enquanto o MST continuar com o estigma de “fábrica de guerrilheiro”,
toda a existência tranquila da esquerda sofrerá o choque báquico da perseguição,
repressão e negação da sua vida. Pois quando ele dizia “petralhada”, não se tratava
apenas dos eleitores e militantes do Partido dos Trabalhadores, mas se tratava
simplesmente de “metralhar” toda ideologia que pretende levar a bandeira vermelha,
ou seja, todos os seguimentos de esquerda e movimentos revolucionários. Seu poder e
apoio se encontram com tamanho reforço voluntário, que não haverá população que
efetivamente consiga resistir à criminalização da esquerda.

Desse modo, aqueles que se identificam e reivindicam o corpo de ideias da


esquerda para si não devem desdobrar em si as dimensões entre os distintos
segmentos, mas procurar a crítica imanente à unidade da esquerda democrática,
buscando mais que tudo o trabalho de base que a direita com seus aparatos sociais e
tecnológicos realizou. Quer dizer, é necessária uma frente única de esquerda e
disposta a manter a Ideia comunista sem perder de vista a crítica necessária ao PT e
simultaneamente fazendo o trabalho de base a fim de mostrar uma alternativa
genuinamente revolucionária à classe trabalhadora. Pois a Ideia comunista só resistirá
enquanto houver uma frente única de esquerda portadora da transformação da
sociedade para uma nova essência humana.