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Valter Campanato/Agência Brasil

Helena Chagas
Lydia Medeiros

A primeira batalha
Uma análise da conjuntura

A reforma da Previdência começou a tomar corpo


politicamente, ainda que o projeto seja desconhecido, e se tornou
importante elemento de negociação na disputa pelo poder no
Congresso - as eleições para as presidências da Câmara e do Senado.
Fortalecido com a decisão do presidente do STF, Dias Toffoli, de
manter o voto secreto nas eleições para os comandos do Legislativo,
o senador Renan Calheiros (MDB-AL) movimenta-se nos bastidores.
Quer se apresentar ao governo Jair Bolsonaro como o fiador, no
Legislativo, da aprovação de uma reforma profunda no sistema de

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aposentadorias, e promete ajudar o Planalto na formação da maioria
parlamentar necessária.

Esse recado já foi passado ao ministro da Economia, Paulo


Guedes, junto à defesa de um regime de Previdência diferenciado
para os militares - tema que vem esquentando com seguidas
declarações de chefes militares do novo governo, alegando que a
carreira tem peculiaridades e que não poderiam ser equiparados aos
demais servidores públicos.

Ao convergir com o Planalto numa de suas tarefas mais


urgentes, posição que externou em entrevista (O Globo), Renan tenta
não apenas neutralizar eventual oposição da poderosa ala militar do
governo a seu nome, mas agradar ao próprio presidente da
República. Dá a ele mais argumentos para atingir seu objetivo: deixar
os militares de fora do regime único da nova Previdência. Por isso, as
apostas já são de que, apesar da posição contrária da equipe
econômica, os militares vão conseguir um regime especial, regulado
por lei complementar, que deve elevar a idade mínima para a
passagem à reserva e o tempo de serviço para a aposentadoria com
vencimentos integrais, hoje de 30 anos.

BOLSONARO VAI BATER O MARTELO NA PREVIDÊNCIA?

A semana que começa será decisiva no tema mais importante


deste início de governo: na terça-feira, ou depois, o primeiro esboço
do texto da reforma da Previdência será levado pela equipe
econômica ao presidente. Só então vai ficar claro o jogo: Bolsonaro
de fato recuou para dar espaço para que seu “Posto Ipiranga”
proponha a reforma profunda com que sempre sonhou, conforme
sinalizou depois dos atritos da semana passada, ou, mais uma vez, o
presidente recuará do recuo?

Dessa resposta dependerão os humores do establishment, que


terminou a semana animado com as perspectivas das mudanças na
Previdência, com a aprovação do Planalto ao acordo Embraer-Boeing

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e com a inflação de 3,75% em 2018, bem abaixo da meta, permitindo
prever que os juros continuarão baixos este ano.
Entre frases de efeito nas redes sociais, um grande esforço para
entreter a platéia com a disputa ideológica e trapalhadas
administrativas em série, que vão se sucedendo à razão de pelo
menos uma ao dia, pode-se dizer que os destinos do governo
Bolsonaro estão hoje intrinsecamente amarrados ao arranjo de poder
que vai sair das eleições internas das duas Casas do Congresso -
senhoras do futuro do sistema previdenciário do país.

EM JOGO NO MAPA DO PODER:

A eleição no Senado

Para chegar à 5ª vez ao comando do Senado, Renan Calheiros


age com cautela. Criou a imagem de um “velho Renan”, que termina
o mandato e não pode opinar sobre o que fará o “novo Renan”, que
será empossado em 1º de fevereiro. Antes de assumir a candidatura,
quer unir o MDB, que soma 13 votos. Sua colega Simone Tebet (MS)
já manifestou o desejo de disputar o cargo. Terá de enfrentar também
a oposição de Flávio Bolsonaro (PSL). O filho do presidente cola em
Renan a pecha da “velha política” e faz campanha nas redes sociais.

Aliados do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), como Antonio


Anastasia (PSDB-MG), relançaram o nome do cearense na disputa.
Nas redes sociais, Anastasia se colocou como um articulador da
campanha do tucano, que se apresentou candidato, mas está fora de
Brasília e não dá declarações desde o fim do ano passado.

Outras candidaturas, como as de Davi Alcolumbre, do DEM,


Major Olímpio (PSL), Esperidião Amin (PP) e Sérgio Petecão (PSD)
têm pouca ou nenhuma chance. A prioridade do partido é reeleger
Rodrigo Maia presidente da Câmara. Sem bancadas fortes, seria
impensável ter o DEM no comando de todo o Legislativo. E, no caso
do PSL, falta experiência ao candidato, representante de um partido

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sem qualquer tradição que ganhou força graças ao fenômeno eleitoral
Bolsonaro.

A eleição na Câmara

Rodrigo Maia (DEM) segue como favorito na disputa, mas


enfrenta problemas para compor com partidos da esquerda - PDT,
PSB e PCdoB -, que ficaram a seu lado há dois anos. Recebeu o
apoio do PSL, mas o acerto afastou também o PP e o MDB. Os
deputados Fábio Ramalho (MDB) e Artur Lira (PP) têm se
movimentado e, assim como Maia, colocam-se na defesa das
reformas constitucionais, especialmente a da Previdência, para
ganhar, no mínimo, a neutralidade do Planalto.

Pela esquerda, Marcelo Freixo, do PSol, recém-chegado à Casa,


coloca-se como opção oposicionista. Quer arregimentar PT, PCdoB,
PDT e PSB numa aliança - que não será automática e exigirá muita
negociação. A tendência, hoje, é de que haverá segundo turno, com
vantagem para Rodrigo Maia.

Qual o modelo?

As negociações no Legislativo esbarram na falta de um modelo


definido de articulação política do Executivo. A opção anunciada de
Bolsonaro de privilegiar negociações com as bancadas temática em
detrimento dos partidos políticos tem dificultado as conversas para a
composição dos cargos das Mesas Diretoras. Bancadas setoriais,
como as da Agricultura e da Segurança Pública, unem-se apenas em
assuntos de interesse comum, mas seus integrantes disputam espaço
entre si. Essas bancadas não têm poder, por exemplo, de indicar
representantes para os postos nas Mesas. Será um teste para o novo
governo.

MORO NA CHAPA QUENTE

A escalada da violência no Ceará desafia o governo Bolsonaro


e em especial o ministro Sérgio Moro, nomeado para combater o

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crime organizado. Também é um teste para o governador petista
Camilo Santana e seus padrinhos políticos, os irmãos Ciro e Cid
Gomes - que têm projetos de poder para 2022. A situação no estado
se agrava, com ataques diários, explosões e incêndios.

A situação do Ceará está longe de ser caso isolado no país. Ao


contrário. Na madrugada de domingo, a ex-chefe da Polícia Civil do
Rio, delegada Marta Rocha, teve o carro alvejado por tiros. A tensão
crescente nas cidades torna urgente o programa de Moro contra o
crime organizado.

Para cumprir sua promessa, o ministro tem defendido


mudanças legais que devem despertar fortes debates no Legislativo.,
como a proposta de tornar crime a prática de caixa dois, revelada
neste domingo pela Folha de S.Paulo. O projeto tem tudo para
ressuscitar o desejo de alguns parlamentares de aprovar uma anistia
aos políticos que recorreram ao caixa dois em eleições passadas. O
próprio ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, já admitiu ter
recebido R$ 100 mil da JBS para cobrir gastos da campanha de 2014.

Em setembro de 2016, houve uma tentativa de negociar a


inclusão de uma anistia no pacote de medidas anticorrupção. Seria
apresentada uma emenda, em plenário. Sem acordo unânime entre os
batidos, o projeto foi retirado de pauta. Mas, numa sessão noturna,
houve mobilização silenciosa para a apresentação da proposta, com
urgência urgentíssima, que dispensaria o cumprimento de prazos e
etapas regimentais. Não havia sequer autor conhecido ou texto
formal. A manobra foi notada pelo deputado Miro Teixeira, em
plenário, e a articulação não foi adiante.

Para ter sucesso em sua agenda legislativa, Moro terá de


aprender a negociar com um Congresso fortemente atingido pela
Lava-Jato. Conta com a renovação do Parlamento em cerca de 50% e
com o alinhamento a Bolsonaro, que brandiu o tema do combate à
corrupção na campanha eleitoral vitoriosa. Mas sua agenda tem
pontos polêmicos, como a execução das penas depois de decisão do
Tribunal do Júri, sem necessidade de esperar os recursos. Trata-se de
um debate tão explosivo quanto o que envolve a prisão após a

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condenação em segunda instância - pauta que deve voltar ao plenário
do Supremo Tribunal Federal.

RUMO A DAVOS

Jair Bolsonaro prepara sua estreia no Fórum Econômico


Mundial, em Davos (Suíça), de 22 a 25 de janeiro. Seria o primeiro
encontro com Donald Trump, de quem é admirador confesso, mas o
americano anunciou que não irá, devido à crise que paralisa sua
administração. Para o evento, que reúne líderes políticos,
economistas, empresários e ativistas, o presidente brasileiro leva na
comitiva os esteios de seu governo, os ministros Paulo Guedes e
Sérgio Moro. São eles que tentarão passar ao mundo uma mensagem
importante: o Brasil é um bom lugar para fazer negócios - o país quer
conquistar novos mercados e oferece segurança jurídica aos
investidores.

Bolsonaro, porém, deve ouvir cobranças. As posições sobre


temas como clima e terras indígenas defendidas pelos ministros
Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Salles (Meio
Ambiente) - como a de que mudanças climáticas são uma
conspiração marxista - provocam reações de surpresa. Como mostrou
editorial do jornal Washington Post da semana passada (link
abaixo*), que exortou empresas e consumidores a evitar produtos
brasileiros de áreas desmatadas, as exigências do comércio
internacional no século XXI vão além das vagas promessas de
campanha de uma economia liberal.

* https://www.washingtonpost.com/opinions/will-jair-bolsonaro-rip-up-
environmental-protections-and-endanger-the-amazon/2019/01/04/
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MERECE ATENÇÃO NA SEMANA:

1) Bolsonaro deve assinar medida provisória contra fraudes na


Previdência.

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2) Nesta segunda-feira poderá ser editado o decreto que trata da
flexibilização do porte de armas, uma promessa de campanha.

3) Na quarta-feira, Bolsonaro tem encontro com o presidente


argentino, Mauricio Macri.

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