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XX Semana de Engenharia Florestal da UFRPE: Recife, 08 a 10 de Outubro de 2018.

AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS: ESTUDO DE CASO NO


CEMITÉRIO SÃO MIGUEL, EM BOA VISTA – PB
Júlia Andresa Freitas da Silva 1, Laura Maiara de Freitas Oliveira 2, Rafael Santos Damacena 3, Jéssica Bruna Alves da
Silva 4, Caio César Feitosa Souza Dantas 5, Soahd Arruda Rached Farias 6

Introdução
Na idade média, os sepultamentos eram realizados dentro das igrejas e capelas, mas com a expansão das cidades e o
crescimento populacional, o aumento da demanda junto com o risco de contaminação por doenças fez com que fossem
criados cada vez mais cemitérios coletivos a céu aberto (Santos et al., 2015).
Este tipo de empreendimento frequentemente é origem de polêmicas, pois além da possibilidade de riscos ambientais,
há também o apelo psicológico, espiritual e religioso que traz. Por outro lado, sua existência permite que se mantenha
algum tipo de contato com entes que se foram, sendo assim, indispensável para a sociedade (Leli, et al., 2012).
No Brasil, a implantação e operação de cemitérios é atualmente regida pelo CONAMA, na resolução 335/2003, que
sofreu alterações pelas resoluções: 368/2006 e 402/2008. Estas resoluções trazem normas que devem ser seguidas nos
procedimentos e atividades para reduzir os riscos de problemas e contaminação do ambiente, normatizando desde o
espaçamento entre túmulos até a distância mínima entre o cemitério e os corpos d’água, para garantir que o mesmo não
seja contaminado.
O presente trabalho objetivou avaliar os impactos ambientais presentes no Cemitério São Miguel, no município de
Boa Vista – PB.

Material e métodos
A. Área de estudo
O estudo foi realizado no cemitério público São Miguel, localizado no município de Boa Vista, região metropolitana
de Campina Grande, na Paraíba. A cidade está localizada no Cariri paraibano e possui clima seco, sendo a precipitação
anual esperada de 416,3 mm, segundo dados da Agencia Executiva de Gestão das Águas (2018).
O Rio Boa Vista, que corta a cidade, é de extrema importância para a população da cidade e de cidades no entorno.
Ele desagua no médio curso do Rio Paraíba.
B. Avaliação de Impactos
Inicialmente, foi realizada uma pesquisa de outros estudos realizados em cemitérios e, com base nessa literatura,
organizou-se um checklist com os possíveis impactos a ser encontrados (Quadro 1).

Quadro 1 – Checklist guia para a avaliação de impactos ambientais no Cemitério São Miguel
Itens avaliados
Integridade tumular
Distribuição tumular
Isolamento nos túmulos

1
Primeiro Autor é Graduanda em Engenharia Florestal, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manuel de Meiros, s/n, Dois
Irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900. E-mail: julia.dresa@gmail.com
2
Segundo Autor é, Graduanda em Engenharia Florestal, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manuel de Meiros, s/n, Dois
Irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.
3
Terceiro Autor é Graduando em Engenharia Florestal, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manuel de Meiros, s/n, Dois
Irmãos, Recife, PE, CEP 52171-900.
4
Quarto Autor é Graduanda em Engenharia Florestal, Universidade Federal Rural de Pernambuco. Rua Dom Manuel de Meiros, s/n, Dois Irmãos,
Recife, PE, CEP 52171-900.
5
Quinto Autor é Engenheiro Agrícola pela Universidade Federal de Campina Grande.
6
Sexto Autor é Professor Adjunto na Universidade Federal de Campina Grande. R. Aprígio Veloso, 882 - Universitário, Campina Grande - PB,
58429-900
XX Semana de Engenharia Florestal da UFRPE: Recife, 08 a 10 de Outubro de 2018.

Número de sepultamentos mensais


Sistema viário interno
Estacionamentos
Arborização
Capela, velório, banheiros, espaços administrativos, lanchonetes
Projeto arquitetônico para sua implantação
Escoamento de águas pluviais
Tratamento de necrochorume
Saneamento
Resíduos sólidos
Resíduos orgânicos e de caixões
Manchas no solo
Odores fortes
Presença de vetores de doenças
Erosão do solo
Crematório
Tratamento e acondicionamento dos corpos

Procedeu-se então com a visitação, avaliando visualmente os itens do checklist e atentando-se a outros possíveis
impactos não esperados que poderiam estar presentes no local, em seguida foi realizada uma entrevista com um
funcionário do local para se obter mais informações. As características do cemitério bem como os possíveis impactos
identificados foram anotados e registrados em fotografia. Por fim, contatou-se a prefeitura, para a obtenção de
documentação e dados oficiais do cemitério.

Resultados e Discussão
Não foi possível obter documentação sobre a fase de implantação do cemitério, assim, não sabe-se a sua data de
criação, entretanto observou-se que um dos túmulos mais antigos data de 1863. Também não foi possível saber se há
algum projeto arquitetônico do mesmo. A gestão do cemitério é de responsabilidade da Prefeitura de Boa Vista e no
período em que esta atividade, a equipe de gestão estava passando por modificações de pessoal.
A manutenção do local conta com apenas duas pessoas fixas, provavelmente, por se tratar de um cemitério em uma
cidade pequena, e em que ocorrem 4 ou 5 enterros por mês. Foi observado que os trabalhadores do local não estavam
utilizando equipamentos de proteção individual.
O terreno que o cemitério ocupa atualmente já foi expandido duas vezes e há planos para outra expansão. O cemitério
possui sala de velório e os sanitários que, apesar de localizados dentro do mesmo, são acessíveis apenas pelo lado de
fora; não há crematório; e o cemitério conta também com uma capela interna.
Em seu interior não há espaço para o transito de veículos, há poucas vias calçadas, o restante da circulação se dá entre
os túmulos. O cemitério conta com água encanada, saneamento e coleta de resíduos sólidos.
A arborização interna do cemitério possui fins estéticos sendo composta, em sua maioria por buquê-de-noiva
(Plumeria pudica), também havia um exemplar de fícus (Ficus benjamina L.) e outro de nim-indiano (Azadirachta
indica).
Mesmo sepultando pessoas de cidades vizinhas, geralmente, ocorrem apenas cerca de 4 a 5 sepultamentos ao mês,
não havendo impactos no trânsito ou fluxo de pessoas.
Os lotes vendidos tem dimensões padronizadas (2,5m x 3m) e o comprador pode decidir se irá construir um mausoléu
ou solicitar a abertura no jazigo no chão.
Os túmulos não são impermeabilizados nem possuem sistema de tratamento do necrochorume. Essa ausência é
agravada pelo fato do cemitério ser localizado na margem de um trecho do Rio Boa Vista, com poucos metros
separando seu muro lateral do espelho d’agua. Também não há sistema de escoamento das águas pluviais, sendo esta
escoada pelo solo.
Durante a visita, não foram constatadas manchas escuras no solo, odores, vazamento de líquidos, resíduos orgânicos,
nem resíduos de corpos. Não foi observada a presença de animais vetores de doenças, porém havia presença de insetos,
como abelhas, formigas e cupins.
Foi observada a intensa erosão nos túmulos, que junto com a presença de plantas, indica a falta de manutenção em
alguns túmulos. Também havia resíduos sólidos e restos de material de construção, provavelmente, provenientes da
manutenção de algum mausoléu.
Pela baixa quantidade de sepultamentos, a exumação ocorre 3 anos após o enterro, apenas se a família solicitar ou
houver a necessidade do espaço. No caso dos mausoléus, há o ossuário; no caso dos jazigos, os ossos são
acondicionados em uma sacola de plástico comum e entregues para que a família, para seu devido fim. Os caixões são
transportados para outro local, onde são queimados.

Conclusões
Por meio do estudo realizado, foi possível concluir que o Cemitério São José é fonte de impactos que geram danos
ambientais, sociais e econômicos, sendo necessário a implantação de medidas mitigadoras.
XX Semana de Engenharia Florestal da UFRPE: Recife, 08 a 10 de Outubro de 2018.

Além disso, é necessário sejam realizados estudos mais aprofundados para avaliar se há contaminação no solo e na
água do Rio Boa Vista, em função do necrochorume.

Referências

AGÊNCIA EXECUTIVA DE GESTÃO DAS ÁGUAS (AESA). Meteorologia – chuvas. 2018. Disponível em: <
http://www.aesa.pb.gov.br/aesa-website/meteorologia-chuvas/ >. Acesso em: 31/08/18.

BRASIL. Resolução CONAMA nº. 335, de 3 de abril de 2003. Brasília, DF, 2003.

BRASIL. Resolução CONAMA nº. 368, de 28 de março de 2006. Brasília, DF, 2006.

BRASIL. Resolução CONAMA nº. 402, de 17 de novembro de 2008. Brasília, DF, 2008.

LELI, I.T.; ZAPAROLI, F.C.M.; SANTOS, V.C.; OLIVEIRA, M.; REIS, F.A.G.V. Estudos ambientais para
cemitérios: indicadores, áreas de influência e impactos ambientais. Bol. geogr., Maringá, v. 30, n. 1, 2012, p. 45-54.

SANTOS, P. J. A.; GAMA, C. M.; CAVALCANTE, L. P S.; LIMA, V. L. A. Avaliação de Impactos Ambientais:
Estudo de caso no Cemitério Público do município de Queimadas – PB. Revista Monografias Ambientais. Santa Maria,
2013. v. 14, n. 3, p. 10-17.