Anda di halaman 1dari 322

2

Sumário
PENSAMENTOS ERRANTES ......................................................................................................................... 3
OS ARTIFÍCIOS DE SATANÁS ...................................................................................................................... 8
O CAMINHO BÍBLICO DA SALVAÇÃO .................................................................................................... 14
PECADO ORIGINAL ..................................................................................................................................... 21
O NOVO NASCIMENTO ............................................................................................................................... 27
O ESTADO DE DESERTO............................................................................................................................. 34
O PESO DAS MÚLTIPLAS TENTAÇÕES ................................................................................................... 42
NEGAR A SI MESMO .................................................................................................................................... 50
A CURA DA MALEDICÊNCIA .................................................................................................................... 56
O USO DO DINHEIRO................................................................................................................................... 62
O BOM MORDOMO ...................................................................................................................................... 69
A REFORMA DA CONDUTA ....................................................................................................................... 77
SOBRE A MORTE DO REV. SR. GEORGE WHITEFIELD........................................................................ 88
SOBRE A ETERNIDADE .............................................................................................................................. 99
SOBRE A TRINDADE ................................................................................................................................. 104
A APROVAÇÃO DE DEUS DE SUA OBRA.............................................................................................. 109
SOBRE A QUEDA DO HOMEM ................................................................................................................. 114
SOBRE A PREDESTINAÇÃO ..................................................................................................................... 120
O AMOR DE DEUS PELO HOMEM CAÍDO ............................................................................................. 124
O LIVRAMENTO GERAL ........................................................................................................................... 130
O MISTÉRIO DA INIQÜIDADE ................................................................................................................. 136
A FINALIDADE DA VINDA DE CRISTO ................................................................................................. 146
A EXPANSÃO GERAL DO EVANGELHO................................................................................................ 152
A NOVA CRIAÇÃO ..................................................................................................................................... 158
O DEVER DE REPROVAR NOSSO PRÓXIMO ........................................................................................ 162
OS SINAIS DOS TEMPOS ........................................................................................................................... 167
SOBRE A PROVIDÊNCIA DIVINA ........................................................................................................... 173
A SABEDORIA DOS CONSELHOS DE DEUS ......................................................................................... 180
A IMPERFEIÇÃO DO CONHECIMENTO HUMANO .............................................................................. 187
A RAZÃO IMPARCIALMENTE CONSIDERADA ................................................................................... 194
SOBRE OS ANJOS DE DEUS ..................................................................................................................... 200
DOS ANJOS DO MAL ................................................................................................................................. 205
DO INFERNO ............................................................................................................................................... 212
DA IGREJA ................................................................................................................................................... 218
SOBRE O CISMA ......................................................................................................................................... 224
SOBRE A PERFEIÇÃO ................................................................................................................................ 229
ADORAÇÃO ESPIRITUAL ......................................................................................................................... 238
IDOLATRIA ESPIRITUAL .......................................................................................................................... 244
SOBRE A DISSIPAÇÃO .............................................................................................................................. 249
SOBRE A AMIZADE COM O MUNDO ..................................................................................................... 254
EM QUE SENTIDO NÓS DEVEMOS DEIXAR O MUNDO ..................................................................... 260
SOBRE A TENTAÇÃO ................................................................................................................................ 266
SOBRE A PACIÊNCIA ................................................................................................................................ 272
A QUESTÃO IMPORTANTE ...................................................................................................................... 276
OPERANDO NOSSA PRÓPRIA SALVAÇÃO ........................................................................................... 284
UM CHAMADO AOS APÓSTATAS .......................................................................................................... 288
O PERIGO DAS RIQUEZAS ....................................................................................................................... 296
SOBRE O VESTUÁRIO ............................................................................................................................... 304
O CAMINHO MAIS EXCELENTE ............................................................................................................. 310
UM ISRAELITA VERDADEIRO ................................................................................................................ 317
3

Pensamentos errantes

'Destruindo os conselhos e toda altivez, que se levantam contra o conhecimento de Deus, e levando cativo
todo entendimento à obediência de Cristo' (II Cor. 10:5)

1. Mas irá Deus, então, levar 'cativo todo entendimento para a obediência de Cristo', para que
nenhum pensamento errante encontre lugar na mente, mesmo enquanto permanecemos no corpo? Então,
alguns têm veementemente mantido; sim, têm afirmado que ninguém é perfeito no amor, a menos que seja
assim perfeito no entendimento; que todos os pensamentos errantes sejam postos de lado; a menos que não
apenas cada afeição e temperamento sejam santos, justos e bons, mas cada pensamento individual, que surja
na mente seja sábio e equilibrado.

2. Está não é uma questão de pequena importância. Tanto quanto aqueles que temem a Deus; sim, e o
ama, talvez, com todo seu coração, têm estado grandemente aflito por este assunto! Quantos, por não
entenderem corretamente, não têm estado apenas angustiados, mas grandemente machucados em suas almas;
— lançados, em compreensões sem proveito e danosas, tais que retardam seus movimentos em direção a
Deus, e os enfraquecem diante da corrida que se colocou diante deles!além do que, muitos, através de
entendimentos equivocados dessa mesma coisa, têm jogado o dom precioso de Deus. Eles têm sido
induzidos, primeiro, a duvidar, e, então, a negar a obra de Deus, forjada em suas almas; e, por esta razão têm
afligido o Espírito de Deus, até que ele se retirou e os deixou na mais extrema escuridão.

3. Como é, então, que, no meio de uma abundância de livros, que têm sido ultimamente publicados
sobre todos os assuntos, nós não devemos ter algum sobre pensamentos errantes? Pelo menos, nenhum que
vá satisfazer uma mente calma e seria? Com o objetivo de colocar isto em alguns degraus, eu proponho
inquirir:

I. Quais são as diversas formas de pensamentos errantes?


II. Quais são as ocasiões gerais para eles?
III. Quais deles são pecaminosos, e quais, não?
IV. Quais deles nós podemos orar para que sejamos libertos?

(1) Eu proponho inquirir, primeiro, quais são as diferentes formas de pensamentos errantes? As
espécies particulares são inumeráveis; mas, no geral, são de duas formas: pensamentos que falam
incoerentemente de Deus; e pensamentos que falam de um ponto pessoal que nós temos em mão.

(2) Com respeito ao primeiro, todos os nossos pensamentos são naturalmente desse tipo: porque eles
estão continuamente se desviando de Deus: nós pensamos nada com respeito a ele: Deus não está em todos
os nossos pensamentos. Nós somos, um e todos, como o Apóstolo observa: 'sem Deus no mundo'. Nós
pensamos a respeito do que nós amamos; mas nós não amamos Deus; por conseguinte, nós não pensamos
nele. Ou, se nós somos constrangidos a pensar nele, por um tempo, ainda que não tenhamos prazer nisso,
mais ainda, como esses pensamentos não apenas são insípidos, mas, também, desagradáveis e aborrecidos
para nós, nós os conduzidos para fora, tão logo podemos, e retornamos ao que amamos pensar a respeito.
Assim, o mundo, as coisas do mundo, — o que devemos comer, o que devemos ganhar, — como podemos
agradar nossos sentidos ou nossa imaginação, — dedicarmo-nos todo nosso tempo, e apoderando-nos de
todos os nossos pensamentos. Assim sendo, como amamos o mundo; ou seja, tanto quanto estamos em
nosso estado natural; todos os nossos pensamentos, de manhã ao anoitecer, e do anoitecer até a manhã
seguinte, não são outra coisa que pensamentos errantes.

(3) Mas, muitas vezes, nós não estamos apenas 'sem Deus no mundo', mas também, lutando contra
ele; já que há, em cada homem, através da natureza, uma mente 'carnal que tem inimizade contra Deus'. Não
me admira, por conseguinte, que os homens abundem com pensamentos incrédulos; tanto dizendo aos seus
corações, 'que não existe Deus', ou questionando; se não, negando, seu poder e sabedoria; sua misericórdia,
4

ou justiça, ou santidade. Não me admira que eles, tão freqüentemente, duvidem de sua providência, pelo
menos, de estender-se a todos os eventos; ou que, mesmo embora eles aceitem isto, eles ainda hospedem
pensamentos murmurantes e queixosos. Proximamente relatados a esses, e freqüentemente conectados com
eles, estão o orgulho e as imaginações vãs. Novamente: Algumas vezes, eles são tomados com raiva,
malícia, ou pensamentos de vingança; em outras vezes, com graciosos cenários de prazer, se de sentido ou
imaginação; por meio do qual, a mente mundana e sensual torna-se mais mundana, e sensual ainda. Através
de todos esses eles guerreiam claramente com Deus: Esses são os pensamentos errantes do mais alto nível.

(4) Largamente, as diferenças, entre esses, são de outra sorte de pensamentos errantes; no qual o
coração não se desvia de Deus, mas o entendimento se desvia de um ponto particular, que ele teve, então,
em vista. Por exemplo: Eu considero as palavras, no verso, antecedente ao texto: 'as defesas de nossa luta
não são carnais, mas poderosamente são de Deus'. Eu penso que isto deveria ser o caso de todos os que são
chamados cristãos. Mas é exatamente o contrário. Olhe, em redor, em quase toda parte do que é conhecido
como mundo cristão. De que maneira são essas defesas usadas? Em que tipo de luta elas são engajadas;
enquanto homens, assim como demônios, dilaceram uns aos outros, em todo tipo de disputa infernal? Veja
como esses cristãos amam uns aos outros! Em que eles são preferíveis aos ateus e os pagãos? Que
abominação pode ser encontrada entre os maometanos ou ateus, que não seja encontrada também entre os
cristãos? E, assim, antes que eu tenha consciência, minha mente foge de uma circunstância a outra. Tudo
isto é, de alguma forma, pensamentos errantes: já que, embora eles não se desviam de Deus, muito menos,
lutam contra ele, ainda assim, eles se desviam de algum ponto particular, que eu tive em vista.

II

Tal é a natureza; tais são as formas (falando mais especificamente do que filosoficamente) dos
pensamentos errantes Mas quais são as ocasiões gerais deles? Isto, nós vamos, em segundo lugar,
considerar:

(1) E é fácil observar, que a ocasião das primeiras formas de pensamentos, que se opõem e se
desviam de Deus, é, em geral, dos temperamentos pecaminosos. Por exemplo: por que Deus não está em
todos os pensamentos; em qualquer pensamento do homem natural? Por uma razão clara: seja ele rico ou
pobre, culto ou não, ele é um ateu; (embora não seja vulgarmente assim chamado); ele nem conhece e nem
ama a Deus. Por que esses pensamentos estão continuamente vagueando, em busca do mundo? Porque ele é
um idólatra. Ele até não adora uma imagem, ou se curva ao tronco de uma árvore; ainda assim, ele está
mergulhado, em igualmente execrável idolatria: ele ama o que ele adora, o mundo.Ele busca felicidade nas
coisas que são vistas, nos prazeres que perecem ao uso. Por que é que seus pensamentos estão
perpetuamente se opondo a finalidade de sua existência, o conhecimento de Deus, em Cristo? Porque ele é
um descrente; porque ele não tem fé; ou, pelo menos, não mais do que o diabo. Então, todos esses
pensamentos errantes facilmente e naturalmente brotam dessa raiz diabólica da descrença.

(2) O caso é o mesmo em outros exemplos: orgulho, ira, vingança, vaidade, luxúria, cobiça; cada um
deles ocasiona pensamentos adequados à sua própria natureza. Assim como cada temperamento pecaminoso
que a mente humana seja capaz. Não é necessário entrar em detalhes. É suficiente observar que assim como
muitos temperamentos maus encontram um lugar em qualquer alma, então, por muitos meios essa alma irá
se apartar de Deus, através da pior forma de pensamentos errantes.

(3) As oportunidades do ultimo tipo de pensamentos errantes, os que lutam contra Deus, são diversas.
Abundância deles é ocasionada pela união natural entre a alma e o corpo. Quão imediatamente e quão
profundamente é o entendimento afetado por um corpo doente! O sangue move-se irregularmente no
cérebro, e todo pensamento regular está no fim. Segue-se a loucura feroz; e, então, adeus a toda
uniformidade de pensamento. Sim, deixe apenas que espírito esteja apressado e seja agitado, até um certo
grau, e a loucura temporária, o delírio, impede todo pensamento equilibrado. E não é a mesma irregularidade
de entendimento, em certa medida, ocasionada pela enfermidade nervosa? Então, o 'corpo corruptível
deprime a alma, e ela cisma a respeito de muitas coisas'.
5

(4) Mas isto só é causado, quando de uma doença ou enfermidade anormal? Não exatamente. Mesmo
em um estado de saúde perfeita, pode acontecer. Um homem que seja sempre sadio, pode, nas vinte e quatro
horas, ter seus momentos de delírio. Enquanto dorme, esse homem não está sujeito a sonhar? E quem, então,
é o mestre de seus próprios pensamentos, ou capaz de preservar a ordem e consistência deles? Quem pode
manter os pensamentos fixos, em algum ponto; ou impedi-los de vaguearem de um pólo a outro?

(5) Mas suponha que estejamos acordados. Nós estamos sempre tão acordados, para sermos capazes
de firmemente governar nossos pensamentos? Nós não estamos inevitavelmente expostos, aos extremos
contrários, pela mesma natureza dessa máquina, o corpo? Algumas vezes, nós estamos tão abatidos; tão
entorpecidos e desanimados, para buscar alguma série de pensamentos. Algumas vezes, por outro lado, nós
estamos muito ativos. A imaginação, sem permissão, vai, de um lado para outro, e nos conduz de cá para lá,
queiramos ou não; e tudo isto meramente pelo movimento natural do espírito, ou vibração dos nervos.

(6) Mais além: Quantos pensamentos errantes podem surgir dessas várias associações de nossas
idéias, e que são feitas inteiramente, sem nosso conhecimento, e independes de nossa escolha? Quantas
dessas conexões são formadas, nós não sabemos; a não ser que elas são formadas de milhares de maneiras
diferentes. Nem é do poder dos homens mais sábios e santos interromperem essas associações, ou
impedirem as conseqüências necessárias deles, e motivo de observação diária.

(7) Uma vez mais: Vamos fixar nossa atenção, tão cuidadosamente quanto nós sejamos capazes em
algum assunto; ainda que algum prazer ou dor surjam, especialmente, se for intenso, e isto exigirá nossa
atenção imediata, e fixará nosso pensamento em si mesmo. Isto irá interromper a contemplação mais firme,
e distrair a mente de seu assunto favorito.

(8) As ocasiões dos pensamentos errantes encontram-se nisto; são forjados dentro da nossa própria
natureza. Mas eles irão, do mesmo modo, naturalmente e necessariamente, se erguerem dos vários impulsos
dos objetos exteriores. O que quer que atinja os órgãos dos sentidos, os olhos ou ouvidos, irá fazer surgir
uma percepção na mente. E, concordantemente, o que quer que vejamos ou ouvimos irá interromper nossa
primeira série de pensamentos. Cada homem, por conseguinte, que faz alguma coisa a nossa vista, ou fale
alguma coisa em nossos ouvidos, faz com que nossa mente vagueie, mais ou menos, de um ponto que ele
estava pensando anteriormente.

(9) E não existe dúvida, a não ser que esses espíritos diabólicos que estão continuamente buscando a
quem eles possam devorar, façam uso de toda ocasião precedente para agitar e distrair nossas mentes.
Algumas vezes, por um; algumas vezes, através de outros desses meios, eles irão atormentar e nos
desorientar, e, assim sendo, até onde Deus permitir, interromper nossos pensamentos, particularmente,
quando eles estão engajados em nossos melhores objetivos. Nem isto é, afinal, estranho: Eles irão entender
as próprias fontes de pensamento; e conhecer de quais órgãos corpóreos, a imaginação, o entendimento, e
cada outra faculdade da mente, mais imediatamente dependem. Acrescente a isto, que eles possam injetar
milhares de pensamentos, sem qualquer dos meios precedentes; sendo tão natural ao espírito agir sobre o
espírito, quanto a matéria agir sobre a matéria. Come essas coisas sendo consideradas, nós não podemos nos
admirar que nossos pensamentos tão freqüentemente vagueiam de um ponto que temos em vista.

III

(1) Quais tipos de pensamentos errantes são pecaminosos, e quais não são, é a terceira coisa a ser
inquirida. Primeiro, todos esses pensamentos que se desviam de Deus, que não deixam a ele lugar em nossas
mentes, são indubitavelmente pecaminosos. Já que todos eles implicam ateísmo prático; e, através desses,
nós estamos sem Deus no mundo. E muito mais estão todos aqueles que são contrários a Deus, que implicam
oposição ou inimizade para com ele. Tais estão todos os pensamentos murmurantes e descontentes, que
dizem, em efeito: 'Nós não queremos teu controle sobre nós'; — todos os pensamentos descrentes, se com
respeito à existência de Deus; aos seus atributos, ou à sua providência. Quero dizer, sua providência
particular sobre todas as coisas, assim como sobre todas as pessoas, no universo; sem a qual 'nem um pardal
cai ao chão'; pela qual 'os cabelos de nossas cabeças são numerados'; assim como a providência geral
6

(vulgarmente assim chamada), distinguindo-se de uma particular, é apenas uma palavra decente e profunda,
que significa justamente nada.
(2) Novamente: Todos os pensamentos que brotam dos temperamentos pecaminosos são, sem
dúvida, pecaminosos. Tais, por exemplo, aqueles que brotam do temperamento vingativo, do orgulho, da
luxúria, ou vaidade. 'uma árvore má não pode dar bons frutos': Assim sendo, se uma árvore é má, o fruto
deverá ser igualmente mau.

(3) E assim devem ser aqueles que tanto produzem, como alimentam qualquer temperamento
pecaminoso; que tanto originam o orgulho ou vaidade, a ira ou amor do mundo; assim como confirmam e
aumentam estes; ou qualquer outro temperamento maldoso, paixão ou afeição ímpia. Já que não apenas o
que flui do mal é pecaminoso; mas também o que conduz a ele; o que quer que tenda a alienar a alma de
Deus, e fazer com que permaneça mundana, sensual e diabólica.

(4) Por isso, mesmo aqueles pensamentos que são ocasionados pela fraqueza ou enfermidade, por um
mecanismo natural do corpo, ou por leis da união vital, por mais inocentes que eles possam ser, em si
mesmos, eles podem, todavia, se tornar pecaminosos, quando, tanto produzem, apreciam, ou estimulam, em
nós, tais temperamentos pecaminosos; presumindo-se os desejos da carne, os desejos dos olhos, ou o
orgulho da vida. De igual modo, os pensamentos errantes que são ocasionados pelas palavras ou ações de
outros homens, se eles causam ou alimentam qualquer disposição errada, então, eles principiam o pecado. E
o mesmo nós podemos observar daqueles que são sugeridos ou injetados pelo diabo. Quando eles
contribuem para qualquer temperamento mundano ou diabólico, (o que eles fazem, quando se dá lugar a
eles; e, por esse meio, os tornam seus); então, eles são igualmente pecaminosos com os temperamentos para
os quais eles colaboram.

(5) Mas, desviando-se destes casos, pensamentos errantes, num sentido posterior da palavra, ou seja,
pensamentos nos quais nosso entendimento vagueia de um ponto que têm em vista, não são mais
pecaminosos do que o movimento do sangue em nossas veias, ou o espírito em nosso cérebro. Se eles
surgem de uma constituição frágil, ou de alguma fraqueza acidental, ou indisposição, eles são tão inocentes,
como se eles tivessem uma constituição fraca, ou um corpo desordenado. E, certamente, ninguém irá
duvidar que um estado de nervos debilitados, uma febre de alguma espécie, e mesmo um delírio, transitório
ou duradouro, podem consistir com uma perfeita inocência. E se eles podem surgir, na alma que está unida a
um corpo saudável, mesmo de uma união natural entre o corpo e alma, ou de algumas das dez mil mudanças
que podem ocorrer naqueles órgãos do corpo que servem ao pensamento; — em alguns desses casos, eles
são perfeitamente inocentes, assim como as causas, que os ocasionaram. O mesmo acontecendo, quando eles
brotam de associações casuais e involuntárias de nossas idéias.

(6) Se nossos pensamentos vagueiam de um ponto que tivemos em vista, e diferentemente afetam
nossos sentidos, através de outros homens, eles são ainda igualmente inocentes: Já que não mais constitui
um pecado o entendimento do que vejo e ouço. Ter olhos e ouvidos não pode ajudar muito na compreensão
do que se vê e ouve. 'Mas, se o diabo injeta pensamentos errantes, não são esses pensamentos diabólicos?'.
Eles são problemáticos, e naquele sentido, maus; mas não são pecaminosos. Eu não sei o que ele falou para
nosso Senhor com uma voz audível; talvez ele tenha falado apenas para seu coração, quando ele disse:
'Todas essas coisas eu darei a ti, se tu te humilhares e adorares a mim'. Mas, quer ele tenha falado,
interiormente ou exteriormente, nosso Senhor, sem dúvida, entendeu o que ele disse. Ele tinha entretanto um
pensamento correspondente para aquelas palavras. Mas este foi um pensamento pecaminoso? Nós sabemos
que não foi. Nele não havia pecado, tanto de ação, palavra ou pensamento. Nem havia qualquer pecado, em
milhares de pensamentos da mesma espécie, com que Satanás possa ter injetado em qualquer um dos
seguidores de nosso Senhor.

(7) Segue-se que nenhum desses pensamentos errantes (o que quer que seja o que as pessoas imprudentes
tenham afirmado, e, por meio disto, afligindo a quem o Senhor não tinha afligido) é inconsistente com o
amor perfeito. De fato, se eles fossem, então, não apenas uma dor aguda, mas o próprio sono seria
inconsistente com ele: — a dor aguda; no que quer que ela intervenha, naquilo que pensávamos
anteriormente, irá interromper nosso pensamento, e, é evidente, arrastá-lo para uma outra condição: — o
7

próprio sono, como se trata de um estado de insensibilidade e estupidez; e como tal, geralmente misturado
com pensamentos errantes sobre a terra, é incorreto, desarranjado, e incoerente. Contudo, certamente, esses
são consistentes com o amor perfeito: assim como todos os pensamentos errantes dessa espécie.

IV

(1) Do que tem sido observado, é fácil dar uma resposta clara para a última questão: Que tipo de
pensamentos errantes nós podemos esperar e orar para que nos livremos.

Da primeira sorte de pensamentos errantes: aqueles nos quais o coração desvia-se de Deus; de todos
que são contrários à sua vontade, ou que nos deixam sem Deus no mundo; cada um que é perfeito no amor
está inquestionavelmente liberto. Esse livramento, no entanto, nós podemos esperar; nós podemos, e nós
devemos orar por ele. Os pensamentos errantes dessa espécie implicam descrença, se não inimizade contra
Deus; mas ambos, ele irá destruir; irá trazer completamente ao fim. De certo, de todos os pensamentos
errantes pecaminosos nós seremos absolutamente libertos. Todo aquele que é perfeito no amor serão libertos
desses; mesmo que eles não tenham sido salvos do pecado. Homens e demônios irão tentá-los, de todas as
maneiras; mas eles não prevalecerão sobre eles.

(2) Com respeito à última sorte de pensamentos errantes, o caso é amplamente diferente. Até que a
causa seja removida, nós não podemos, de modo algum, esperar que cesse o efeito. Mas as causas e ocasiões
desses irão permanecer, por quanto tempo permanecermos vivos. Assim sendo, nós temos todos os motivos
para acreditar que eles irão permanecer também.

(3) Para ser mais especifico: suponha a alma, mesmo que santa. Habitando em um corpo desajustado;
suponha que o cérebro seja tão totalmente desordenado, como os que se seguem à loucura; os pensamentos
não serão desajustados e desconexos, por quanto tempo persistir a enfermidade? Suponha que a febre
ocasione essa loucura temporária, o que nós denominamos de delírio. Pode existir alguma conexão justa de
pensamento, até que o delírio seja removido? Suponha o que seja chamado de desordem nervosa, surgindo
em tão alto grau que ocasione, pelo menos, uma loucura parcial; não existirão ali milhares de pensamentos
errantes? E esses pensamentos irregulares não irão continuar, por quanto tempo a enfermidade que os
ocasiona persistir?

(4) Não será o mesmo caso, com respeito àqueles pensamentos que necessariamente surgem de uma
dor violenta? Eles não irão, mais ou menos, continuar, enquanto a dor continuar, através da ordem inviolável
da natureza? Essa ordem, igualmente, irá acontecer, quando os pensamentos são perturbados, quebrados,
interrompidos, por alguma deficiência de apreensão, julgamento ou imaginação, fluindo da constituição
natural do corpo. E quantas interrupções podem surgir das associações incontáveis e involuntárias de nossas
idéias! Agora, todos esses são direta e indiretamente causados pelo corpo corruptível, deprimindo a mente.
Nem, entretanto, podemos esperar que eles sejam removidos, até que 'essa corrupção possa ser trocada por
idoneidade'.

(5) E, então, apenas quando nós nos reduzimos a pó, podemos ser libertos desses pensamentos
errantes que são ocasionados pelo que vemos e ouvimos; em meio a esses, pelos quais estamos agora
cercados. Para evitá-los, nós devemos sair do mundo: porque, por quanto tempo permanecermos nele; por
quanto tempo existam homens e mulheres à nossa volta, e nós tivermos olhos para ver, e ouvidos para ouvir,
as coisas que diariamente vemos e ouvimos, certamente, irão afetar nossa mente, e irão, mais ou menos,
perturbar, e interromper nossos pensamentos anteriores.

(6) E, tanto tempo quanto os espíritos diabólicos perambulem, de um lado para outro, num mundo
miserável e desordenado; por quanto tempo eles irão assaltar (possam ser impedidos ou não), cada habitante
de carne e sangue. Eles irão perturbar, mesmo aqueles a quem eles não podem destruir. Eles irão atacar,
mesmo que não possam dominar. E desses ataques de nossos inimigos indóceis e incansáveis, nós não
podemos buscar um livramento completo, até que nós habitemos 'onde o perverso cesse de perturbar, e
onde o cansado esteja livre de aborrecimentos.
8

(7) Para concluir: Esperar livramento desses pensamentos errantes que são causados por espíritos
diabólicos, é esperar que o diabo possa morrer ou cair no sono, ou, pelo menos, não possa ir, de lá para cá,
como um leão rugindo. Esperar livramento desses que são ocasionados por outros homens, é esperar que
tanto esses homens não mais existam na terra; que nós possamos estar completamente isolados deles, e
termos nenhum intercurso com eles; quanto, tendo olhos, nós não possamos ver; e tendo ouvidos, não
possamos ouvir, mas sermos insensíveis como objetos ou pedras. E orar para nos livrarmos desses que são
ocasionados pelo corpo é, em efeito, orar para que nós possamos deixar o corpo: Do contrário, é orar por
impossibilidades e absurdos; orando para que Deus possa reconciliar contradições, através da continuidade
de nossa união com o corpo corruptível, sem as conseqüências naturais e necessárias dessa união. É como se
nós pudéssemos orar para sermos anjos e homens, mortais e imortais, ao mesmo tempo. Mais ainda: quando
aquele que é imortal vier, a mortalidade irá desaparecer.

(8) Melhor que nós oremos, tanto com o espírito, quanto com o entendimento, para que todas essas
coisas possam operar juntas para o nosso bem; para que possamos sofrer todas as enfermidades de nossa
natureza, todas as interrupções de homens, todos os assaltos e sugestões de espíritos diabólicos, e, em tudo.
sermos 'mais que vencedores'. Que nós oremos para nos livrarmos de todos os pecados; que tanto aqueles
da raiz quanto dos ramos possam ser destruídos; que nós possamos ser 'limpos de toda poluição da carne e
espírito', de cada temperamento mau, palavra e obra; para que possamos 'amar o Senhor, nosso Deus, com
todo nosso coração; com toda nossa mente; com toda nossa alma; e com todas as nossas forças'; para que
todos os frutos do Espírito sejam encontrados em nós: não apenas amor, alegria e paz, mas também,
'longanimidade, gentileza, bondade, fidelidade, mansidão, temperança'. Orar para que todas essas coisas
possam florescer e abundar; possam aumentar em você mais e mais, até que lhe seja dada uma larga
permissão para entrar no reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo!

OS ARTIFÍCIOS DE SATANÁS

―Porque não ignoramos as suas maquinações‖. II Corintios 2:11

1. Os artifícios, por meio dos quais o sutil deus do mundo trabalha para destruir os filhos de Deus, –
ou, pelo menos, atormentar a quem ele não pode destruir, com o objetivo de causar perplexidade e impedi-
los de correr a corrida que se coloca diante deles – são numerosos como as estrelas do céu, ou a areia do
mar. Mas é sobre um deles apenas que eu agora me proponho a falar (embora exercitado de várias
maneiras), por meio do qual, ele se esforça para dividir o evangelho contra si mesmo, com uma parte dele
dominando a outra.

2. O reino do céu interior, estabelecido no coração de todo aquele que se arrepende e crê no
evangelho, não é outro, senão a ―retidão, e paz, e alegria no Espírito Santo‖. Todo bebê em Cristo sabe que
nós somos feitos parceiros desses, no momento em que cremos em Jesus. Mas estes são apenas os primeiros
frutos de seu Espírito; a colheita ainda não existe. Embora essas bênçãos sejam inconcebivelmente grandes,
ainda assim, nós confiamos ver maiores do que essas. Confiamos amar o Senhor nosso Deus, não apenas
como fazemos agora, com uma fraca, embora sincera, afeição, mas ―com todo nosso coração, com toda
nossa mente, com toda nossa alma, e com todas as nossas forças‖. Nós buscamos o poder para ―nos
regozijarmos, sempre mais, para orarmos, sem cessar, e em todas as coisas, darmos graças‖, sabendo que
―esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus, concernente a nós‖.

3. Nós esperamos ser ―feitos parceiros no amor‖, naquele amor que lança fora todo temor doloroso,
e todo desejo; a não ser aquele de glorificá-lo, de amar e servir a ele, mais e mais. Nós buscamos por tal
crescimento no conhecimento experimental e amor a Deus, nosso Salvador, de maneira a nos capacitar
sempre ―a caminhar na luz, como ele está na luz‖. Nós acreditamos que toda a mente, ―que estava também
em Jesus Cristo‖, estará em nós; que poderemos amar todo homem, de maneira a darmos a vida por ele; de
maneira a, através do amor, estarmos livres da ira, e orgulho, e de todo tipo de afeição indelicada. Nós
esperamos sermos ―limpos de todos os nossos ídolos‖, ―de todo a sujidade‖, quer ―da carne ou do
9

espírito‖; sermos ―salvos de toda impureza‖, interior e exterior; sermos ―purificados, assim como Ele é
puro‖.

4. Nós confiamos nas promessas daquele que não pode mentir, de que certamente virá o tempo, em
que nós realizaremos sua abençoada vontade sobre a terra, em toda a palavra e obra, como ela é feita no
céu; quando em todo o nosso modo de vida, seremos temperados com sal, completamente adequados para
ministrarmos a graça para os ouvintes; quando, quer comamos ou bebamos, ou o que quer que façamos, será
feito para a glória de Deus; quando todas as nossas obras e feitos serão ―no nome do Senhor Jesus, dando
graças a Deus, até mesmo o Pai, através dele‖.

5. Agora este é o grande conselho de Satanás, destruir a primeira obra de Deus na alma, ou, pelo
menos, impedir seu crescimento, através de nossa expectativa daquela obra maior. É, portanto, meu presente
objetivo:

I. Primeiro, apontar os diversos caminhos, por meio dos quais, ele empreende isto.

II. Em Segundo Lugar, observar como podemos repelir esses dardos inflamáveis do diabo; como
poderemos nos levantar o mais alto do que ele pretende pela ocasião de nossa queda.

1. Eu apontarei, em primeiro lugar, os diversos meios, pelos quais, o diabo se esforça para destruir a
primeira obra de Deus na alma, ou, pelo menos, impedir seu crescimento, através de nossa expectativa
daquela obra maior. Ele se esforça para diminuir nossa alegria no Senhor, pela consideração de nossa
própria vileza, pecaminosidade, indignidade; acrescido a isto, que deve existir uma mudança ainda mais do
que já existe, ou não poderemos ver o Senhor. Se soubéssemos que deveríamos permanecer como somos, até
o dia de nossa morte, nós possivelmente extrairíamos um tipo de conforto, pobre, por assim dizer, desta
necessidade. Mas como sabemos que não precisamos permanecer neste estado, já que estamos certos de que
existe uma mudança muito maior para vir, e que, exceto se todo o pecado desaparecer nesta vida, não
poderemos ver Deus na glória., -- que o adversário sutil sempre diminui a alegria que poderíamos, ao
contrário, sentir no que já obtivemos, através de uma representação perversa do que não obtivemos, e da
absoluta necessidade de se obter isto. De maneira que não podemos nos regozijar no que temos, porque
existe mais daquilo que não temos. Não podemos testar corretamente a bondade de Deus, e que tem feito tão
grandes coisas por nós, porque existem muitas coisas maiores que ainda não fizemos. Igualmente, Deus
opera em nós a mais profunda convicção de nossa presente iniqüidade, e quanto mais veemente desejo, nós
sentimos, em nosso coração, da inteira santidade que ele prometeu, quanto mais somos tentados a pensar
superficialmente a respeito dos dons presentes de Deus, e subestimamos o que já recebemos, por causa
daquilo que não recebemos.

2. Se ele pode prevalecer até ai; se ele pode diminuir nossa alegria, ele logo atacará nossa paz
também. Ele irá sugerir: ―Você está adequado para ver a Deus? Ele tem os olhos muito puros para observar
a iniqüidade. Como você pode, então, se vangloriar, de maneira a imaginar que ele observa você com
aprovação?Deus é santo: Você não. O que de comum tem a luz com a escuridão? Como é possível que você,
impuro como você é, esteja em um estado de aceitação com Deus? Você vê, de fato, a marca, o prêmio, de
seu alto chamado; mas você não vê que ele está tão distante? Como você se atreve, então, a pensar que
todos os seus pecados já estão apagados? Como pode ser isto, até que você seja trazido para mais perto de
Deus, até que você tenha mais semelhança com Ele?‖. Desta forma, ele se esforça, não apenas para abalar
sua paz, mas, até mesmo, para derrubar o próprio alicerce dela; trazer você de volta, através de níveis
inconscientes, ao ponto, de onde você partiu primeiro, até mesmo, na busca pela justificação pelas obras, ou
por sua própria retidão –para fazer, alguma coisa em você, o alicerce para sua aceitação; ou, pelo menos,
necessariamente prévia a ela.

3. Ou, se segurarmos com firmeza, ―nenhum homem poderá colocar outro alicerce, do que o que
está colocado, mesmo Jesus Cristo‖, e, ―eu sou justificado livremente pela graça de Deus, através da
10

redenção que está em Jesus‖; ainda assim, ele não cessará de instigar: ―Mas a árvore é conhecida por seus
frutos: E você tem os frutos da justificação? A mente que havia em Cristo, está em você? Você está morto
para o pecado, e vivo para a retidão? Você se tornou obediente à morte de Cristo, e conhece o poder de sua
ressurreição?‖. E, então, comparando os pequenos frutos, nós sentimos em nossas almas, com a plenitude
das promessas, que estaríamos prontos a concluir: ―Certamente, Deus não disse que meus pecados me foram
perdoados. Certamente, eu não recebi a remissão de meus pecados; porque, que porção eu tenho em meio
àqueles que estão santificados?‖.

4. Mais especialmente, em tempos de enfermidade e dor, ele irá pressionar isto com toda sua força
―Não é verdade que a palavra Dele não pode mentir, que ‗sem santidade, nenhum homem verá a Deus?‘.
Mas você não é santo. Você sabe disto muito bem; você sabe que a santidade é a completa imagem de Deus;
e quão longe ela está acima das suas vistas? Você não pode alcançá-la. Portanto, todo seu trabalho tem
sido em vão. Todas essas coisas, você tem sofrido em vão. Você gastou sua força por nada. Você ainda está
em seus pecados, e deve, portanto, perecer no final‖. E, assim, se seus olhos não estiverem prontamente
fixos Nele, que carregou todos os nossos pecados, ele o trará novamente debaixo daquele ―temor da morte‖,
por meio do qual você esteve, por tanto tempo, ―sujeito à escravidão‖, e, por esses meios, prejudicar, se
não, destruir totalmente, sua paz, assim como a alegria no Senhor.

5. Mas sua peça principal de sutileza ainda está por trás. Não contente em golpear sua paz e alegria,
ele irá levar seus esforços ainda mais além: Ele irá igualar seu ataque contra sua retidão também. Ele irá se
esforçar para abalá-la, sim, se for possível, destruir a santidade que você já recebeu, através da sua própria
expectativa de receber mais, alcançar toda a imagem de Deus.

6. A maneira, como ele empreende isto, pode parcialmente aparecer do que já tem sido observado.
Primeiro, golpeando nossa alegria no Senhor, ele golpeia igualmente nossa santidade: Uma vez que a alegria
no Espírito Santo é um meio precioso de promover todo temperamento santo; um instrumento escolhido por
Deus, por meio do qual, ele realiza muito de sua obra na alma que crê. E é uma ajuda considerável, não
apenas para a santidade interior, mas também para a santidade exterior. Ela fortalece nossas mãos a
prosseguir na obra da fé, e no trabalho do amor; corajosamente ―lutar a boa luta da fé, e aguarmos firme a
vida eterna‖. É especificamente designado por Deus, para ser o equilíbrio, tanto contra os sofrimentos
interiores quanto exteriores; para ―erguer as mãos que se abaixam, e confirmar os joelhos fracos‖.
Conseqüentemente, o que quer que diminua nossa alegria no Senhor, proporcionalmente obstrui nossa
santidade. E, portanto, na medida em que Satanás abala nossa alegria, ele impede nossa santidade também.

7. O mesmo efeito irá suceder, se ele puder, por quaisquer meios, tanto destruir quanto abalar nossa
paz. Porque a paz de Deus é outro meio precioso de promover a imagem de Deus em nós. Dificilmente
existe uma ajuda maior para a santidade do que esta, uma tranqüilidade contínua do espírito, a serenidade de
uma mente junto a Deus, um descanso calmo no sangue de Jesus. E sem isto, dificilmente é possível
―crescer na graça‖, e no ―conhecimento‖ vital ―de nosso Senhor Jesus Cristo‖. Porque todo temor (exceto
o temor terno e filial) congela e entorpece a alma. Ele impede toda a fonte da vida espiritual, e interrompe
todo o movimento do coração em direção a Deus. E, sem dúvida, por assim dizer, atola a alma, de modo que
ela se enterra rapidamente no barro profundo. Portanto, na mesma proporção que qualquer um desses
prevalece, nosso crescimento na santidade é obstruído.

8. Ao mesmo tempo em que nosso sábio adversário se esforça para tornar nossa convicção da
necessidade do amor perfeito, uma oportunidade de estremecer nossa paz, através das dúvidas e medos, ele
se esforça para enfraquecer, se não, destruir nossa fé. Na verdade, esses estão inseparavelmente ligados, de
maneira que eles devem permanecer ou caírem juntos. Por quanto tempo a fé subsiste, nós permanecemos
em paz; nossos corações mantêm- se firmes, enquanto acreditam no Senhor. Mas, se nós abandonamos nossa
fé, nossa confiança filial, no Deus amoroso e redentor, nossa paz chega ao fim; com o próprio alicerce onde
ela permaneceu, sendo destruído. E este é o único alicerce da santidade, assim como da paz;
conseqüentemente, o que quer que o golpeie, golpeia a própria raiz de toda a santidade: Porque sem esta fé,
sem a consciência interior de que Cristo nos amou, e deu a si mesmo por mim, sem a convicção contínua de
que Deus, por causa de Cristo, é misericordioso para comigo, um pecador, seria impossível que eu pudesse
11

amar a Deus: ―Nós O amamos, porque ele primeiro nos amou‖; e na proporção para a força e evidência de
nossa convicção de que ele nos amou, e nos aceitou em seu Filho. E, exceto se amarmos a Deus, é possível
que amemos nosso próximo como a nós mesmos; nem, conseqüentemente, que tenhamos quaisquer afeições
corretas, quer em direção a Deus, ou em direção ao homem. Evidentemente se segue que, o que quer que
enfraqueça nossa fé, deve, no mesmo grau, obstruir nossa santidade: E este não é apenas o mais eficaz, mas
também o mais conciso meio de destruir toda a santidade; uma vez que não afeta apenas um temperamento
cristão, uma simples graça ou fruto do Espírito, mas, até onde ela tem sucesso, destrói a própria raiz de toda
a obra de Deus.

9. Não é de se admirar, portanto, que o governador da escuridão deste mundo pudesse aqui depositar
toda a sua força. E assim, nós nos certificamos pela experiência. Porque é muito mais fácil conceber do que
é expressar, a violência inexplicável, como esta tentação é freqüentemente estimulada sobre aqueles que tem
fome e sede de retidão. Quando eles vêem, em uma luz mais forte e clara, de um lado, a maldade perigosa de
seus próprios corações, -- por outro, a santidade sem mácula para a qual eles são chamados em Jesus Cristo;
de um lado, a profundidade da própria corrupção deles, de sua total alienação de Deus, -- do outro, a altura
da glória de Deus, aquela imagem do Espírito Santo, no qual eles são renovados; existe, muitas vezes,
nenhum espírito restante neles; eles poderiam quase clamar: ―Por Deus, isto é impossível!‖. Eles estão
prontos a desistir, tanto da fé quanto da esperança; lançar fora aquela mesma confiança, por meio da qual
eles devem conquistar todas as coisas, e fazer todas as coisas, com Cristo os fortalecendo; em que, ―após
terem feito a vontade de Deus‖, eles deverão ―receber a promessa‖.

10. E, se eles ―mantiverem firme a confiança imutável deles, do começo até o fim‖, indubitavelmente
receberão a promessa de Deus, no tempo e na eternidade. Mas aqui existe outra armadilha colocada para
nossos pés: enquanto sinceramente desejamos aquela parte da promessa que deve ser cumprida aqui, ―pela
gloriosa liberdade dos filhos de Deus‖, podemos ser levados, de maneira insensata, da consideração da
glória que deverá ser revelada dali em diante. Nossos olhos podem ser insensivelmente desviados daquela
coroa que o justo Juiz prometeu dar naquele dia ―a todos que amam sua vinda‖; e podemos nos afastar da
visão daquela herança incorruptível que está reservada no céu para nós. Mas isto também seria uma perda
para nossas almas, e uma obstrução à nossa santidade. Porque caminhar na visão contínua de nosso objetivo
é uma ajuda necessária para corrermos a corrida que se coloca diante de nós. Foi a ―consideração pela
recompensa do premio‖, que, no passado, encorajou Moisés preferivelmente a―sofrer aflição com o povo de
Deus, do que desfrutar os prazeres do pecado por uma tempo; considerando a reprovação de Cristo uma
riqueza maior do que os tesouros do Egito. Mais do que isto, é dito expressamente de alguém maior do que
ele, que ―por causa da alegria, colocada diante dele, ele suportou a cruz e desprezou a vergonha‖, até que
―se sentou à direita do trono de Deus‖. De onde podemos facilmente concluir, o quanto é mais necessário
para nós a visão daquela alegria diante de nós, para que possamos suportar qualquer que seja a cruz que a
sabedoria de Deus coloca sobre nós, e nos pressionarmos, através da santidade para a glória.

11. Mas, enquanto estamos tentando alcançar isto, e também aquela gloriosa liberdade que é prévia a
ela, podemos correr o risco de cair em outra armadilha do diabo, na qual ele trabalha para confundir os
filhos de Deus. O nos preocuparmos em demasia com o amanhã, de maneira a negligenciarmos o
aprimoramento do hoje. O esperarmos, de tal forma, pelo amor perfeito, de modo a não usarmos o que já
temos espalhado em nossos corações. Não existe falta de exemplos daqueles que têm sofrido grandemente
por conta disto. Eles se preocuparam tanto pelo que receberiam dali em diante, que negligenciarem
extremamente o que eles já receberam. Na expectativa de ter cinco talentos mais, eles enterraram o único
talento deles na terra. Pelo menos, não o melhoraram como deveriam ter feito, para a glória de Deus, e o
bem de suas próprias almas.

12. Desta forma, o sutil adversário de Deus e do homem se esforça para tornar nulo o conselho de
Deus, dividindo o Evangelho contra si mesmo, e fazendo com que uma parte dele destrua a outra; enquanto
a primeira obra de Deus na alma é destruída, pela expectativa de sua obra perfeita. Nós temos visto diversas
maneiras em que ele tenta isto, removendo, por assim dizer, as fontes de santidade. Mas isto ele igualmente
faz mais diretamente, fazendo daquela abençoada esperança, uma oportunidade de temperamentos
pecaminosos.
12

13. Assim, quando quer que nosso coração esteja avidamente sedento por todas as grandes e
preciosas promessas; quando ansiamos pela plenitude de Deus, como o cervo em busca do riacho; quando
nossa alma irrompe em desejo ardente: ―Por que sua carruagem está demorando a vir?‖ -- ele não
negligenciará a oportunidade de nos instigar a murmurar contra Deus. Ele usará de toda sua sabedoria, e
toda sua força, se por acaso, em uma hora descuidada, possamos ser influenciados a nos queixarmos de
nosso Senhor pela demora de sua vinda. Pelo menos, ele trabalhará para estimular alguns graus de irritação
ou impaciência; e, talvez, de inveja daqueles a quem acreditamos já ter alcançado o prêmio de nosso alto
chamado. Ele bem sabe que, dando oportunidade a alguns desses temperamentos, nós demolimos a própria
coisa que construímos. Seguindo em busca da santidade perfeita, tornamo-nos mais pecaminosos do que
antes. Sim, existe um grande perigo de nosso último estado seja pior do que o primeiro; como aqueles dos
quais o Apóstolo fala nestas terríveis palavras: ―Teria sido melhor que eles nunca tivessem conhecido o
caminho da retidão, do que, depois de a conhecerem, voltarem atrás do mandamento santo, entregue a
eles‖.

14. E disto, ele espera alcançar outra vantagem, até mesmo produzir um relato prejudicial do bom
caminho. Ele está consciente, de quão poucos são capazes de distinguir (e de quantos não estão dispostos a
assim fazer), entre o uso impróprio, e a tendência natural de uma doutrina. Esses, portanto, ele
continuamente irá misturar, com respeito à doutrina da Perfeição Cristã, com o objetivo de causar danos às
mentes dos homens descuidados, contra as gloriosas promessas de Deus. E quão freqüentemente; quão
geralmente; eu poderia dizer, quão universalmente, ele tem prevalecido nisto! Porque, quem existe, que ao
observar alguns desses efeitos danosos acidentais desta doutrina, não conclui imediatamente que esta é sua
tendência natural; e não prontamente clama: ―Veja, são esses os frutos (significando os frutos naturais,
necessários) de tal doutrina?‖. Não exatamente. Eles são frutos que podem acidentalmente brotar do uso
impróprio de uma grande e preciosa verdade: Mas o uso impróprio desta ou de alguma outra doutrina
bíblica, de modo algum destrói sua utilidade. Nem pode a deslealdade do homem perverter sua maneira
correta, tornar a promessa de Deus sem nenhum efeito. Não: Que Deus seja verdadeiro, e todo homem um
mentiroso. A palavra do Senhor, deve permanecer. ―Fiel é aquele que prometeu: Ele também irá cumprir‖.
Que nós, então, não sejamos ―removidos da esperança do Evangelho‖. Antes, vamos observar, qual foi a
segunda coisa proposta: Como nós podemos repelir esses dados afiados do diabo: como podemos subir mais
e mais alto do que ele pretende para a ocasião de nossa queda.

II

1. Em Primeiro Lugar, satanás não se esforça para diminuir sua alegria no Senhor, através da
consideração de sua pecaminosidade; acrescido a isto, que sem a santidade completa e universal, nenhum
homem poderá ver ao Senhor? Você pode lançar de volta este dardo sobre a própria cabeça dele, enquanto,
através da graça de Deus, quanto mais você sente a sua própria vileza, mais você se regozija na esperança
certa de que tudo isto acabará. Enquanto você segura firme esta esperança, todo temperamento pecaminoso
que você sente, embora você o odeie com um ódio perfeito, pode ser um meio, não de diminuir sua alegria
humilde, mas, antes de aumentá-la. ―Isto e isto‖, você pode dizer, ―deverá igualmente perecer na presença
do Senhor. Como cera derretida no fogo, assim, isto deverá derreter-se diante da face Dele‖. Desta forma,
quanto maior é a mudança daquilo que permanece para ser forjado em sua alma, mais você pode triunfar no
Senhor, e regozijar-se no Deus de sua salvação, que já tem feito tão grandes coisas por você, e irá fazer
coisas muito maiores do que essas.

2. Em Segundo Lugar. Quanto mais veementemente ele assalta sua paz com esta sugestão: ―Deus é
santo; você não é; você está imensamente distante daquela santidade, sem a qual você não verá a Deus:
Como, então, você pode estar no favor de Deus? Como você pode fantasiar que você está justificado?‖. –
toma o mais sincero cuidado de se segurar nisto: ―Não pelas obras de retidão que eu tiver feito, que eu me
encontro Nele; eu sou aceito no Amado; não tendo minha própria retidão (quando o caso, quer no todo, ou
em parte, de nossa justificação diante de Deus), a não ser aquela que é pela fé em Cristo, a retidão que é de
Deus pela fé‖. Ó, ata isto em volta de teu pescoço: Escreve isto, na tábua do teu coração. Usa isto como um
bracelete em teu braço, como adorno da testa, entre teus olhos: ―Eu sou justificado livremente pela sua
13

graça, através da redenção que está em Jesus Cristo‖. Valorize e estime, mais e mais, esta preciosa
verdade: ―pela graça somos salvos, através da fé‖. Admire, mais e mais, a livre graça de Deus, no amar o
mundo de maneira a dar ―seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida
eterna‖. Assim, a consciência da iniqüidade que você tem, por um lado, e a santidade que você espera, por
outro, ambas contribuem para estabelecer sua paz, e fazê-la fluir como um rio. Assim esta paz deverá fluir
como uma correnteza, a despeito de todas aquelas montanhas de incredulidade, que deverá se tornar uma
planície, quando o Senhor viver para tomar posse completa de seu coração. Nem a doença, dor, ou
aproximação da morte, ocasionará qualquer dúvida ou medo. Você sabe que um dia, uma hora, um momento
com Deus, significa milhares de anos. Ele não pode ser restringido pelo tempo, em que opera o que quer que
permaneça para ser feito em sua alma. E o tempo de Deus é sempre o melhor tempo. Portanto, não te
preocupes com coisa alguma: Apenas faze teu pedido conhecido junto a Ele, e isto, não com dúvida e temor,
mas com ação de graças; como que previamente seguro, de que Ele não pode reter de ti o que quer que seja
bom.

3. Em Terceiro Lugar: Quanto mais você é tentado a desistir de seu escudo, e lançar fora sua fé, sua
confiança no amor de Deus, mais cuide de segurar firme o que você já obteve; quanto mais trabalhe para
encorajar o dom de Deus que está em você. Nunca diga esta frase, de maneira descuidada: ―Eu tenho ‗um
Advogado com o Pai, Jesus Cristo, o justo‘; e ‗ a vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus,
que me amou e deu a si mesmo por mim‘‖. Seja esta tua glória e coroa de regozijo. E cuida que ninguém
tire tua coroa. Segura isto firme: ―Eu sei que meu Redentor vive, e deverá estar no último dia sobre a
terra‖; e ―Eu agora ‗tenho redenção em seu sangue, até mesmo o perdão dos pecados‘‖. Assim, estando
preenchido com toda a paz e alegria em crer, prossiga, na paz e alegria da fé para a renovação de toda a tua
alma, na imagem Dele que criou a ti! Entretanto, clame continuamente a Deus para que possas ver aquele
prêmio de teu alto chamado, não como satanás o representa, de uma forma terrível, mas em sua beleza
nativa genuína; não como alguma coisa que deve ser, do contrário, tu deverás ir para o inferno, mas como o
que pode ser, para conduzir-te ao céu. Observa isto como o mais desejável dom que está em todos os
depósitos das ricas misericórdias de Deus. Contemplando-o neste verdadeiro ponto de luz, mais e mais terás
fome dele; toda tua alma estará sedenta de Deus, e desta gloriosa conformidade com seu semblante; e tendo
recebido a boa esperança disto, e a forte consolação, através da graça, não mais estarás fraco e cansado em
tua mente, mas seguirás em frente, até que o obtenhas.

4. No mesmo poder da fé, prossiga para a glória. Na verdade, este é o mesmo panorama ainda. Deus
reuniu desde o começo, perdão, santidade, céu. E porque o homem os colocaria de lado? Ó, cuidado com
isto! Que nenhuma argola da corrente de ouro seja quebrada: ―Deus, por causa de Cristo, perdoou-me. Ele
está me renovando em sua própria imagem. Brevemente, ele me tornará apropriado para si mesmo, e me
levará para estar diante de sua face. Eu, a quem ele justificou, através do sangue de seu Filho, estando
totalmente santificado pelo seu Espírito, rapidamente ascendo para a ‗Nova Jerusalém, a cidade do Deus
vivo‘. Daqui a pouco tempo, e eu ‗virei para a assembléia geral e a igreja do Unigênito, e de Deus, o Juiz
de todos, e para Jesus, o Mediador da Nova Aliança‘. Quão logo essas sombras fugirão, e o dia da
eternidade amanhecerá sobre mim! Quão breve, eu deverei beber do ‗rio da água da vida, saindo do trono
de Deus e do Cordeiro! Lá todos os servos louvarão a ele, e verão sua face; e seu nome estará sobre suas
testas. E nenhuma noite existirá lá; e eles não terão necessidade de iluminação, ou da luz do sol. Porque o
Senhor Deus os iluminará, e eles reinarão para todo sempre‘‖.

5. E, se você assim ―testar da boa palavra, e dos poderes do mundo vindouro‖; você não murmurará
contra Deus, pelo fato de ainda não estar ―apropriado para a herança dos santos na luz‖. Em vez de
lamentar por não estar totalmente livre, você deverá orar a Deus para livrá-lo. Você deverá dar glórias a
Deus, pelo que Ele tem feito, e ter isto como uma garantia do que ele irá fazer. Você não deverá se voltar
contra ele, porque você ainda não está renovado, mas dar-lhe-á graças, pelo que você deverá ser; e porque
―agora a sua salvação,‖ de todo o pecado, ―está mais perto, do que quando você acreditou‖, pela primeira
vez. Em vez de atormentar-se desnecessariamente, porque o tempo não chegou completamente, você
calmamente e silenciosamente, esperará por ele, sabendo que ele ―virá, e sem demora‖. Você pode,
portanto, mais alegremente suportar, até o momento, o fardo do pecado que ainda permanece em você,
14

porque ele não permanecerá sempre. Mais algum tempo, e ele será retirado. Apenas ―espera, tu, no tempo
do Senhor‖: É forte e coloca tua confiança no Senhor, e ―Ele confortará teu coração!‖.

6. E se alguém lhe parecer (até onde o homem pode julgar, mas Deus apenas sonda os corações)
partícipe da esperança deles, já ―feito perfeito no amor‖; longe de ter inveja da graça de Deus nele, regozije-
se e conforte seu coração. Glorifique a Deus por causa dele! ―Se algum membro for honrado, todos os
membros não deverão se regozijar com ele?‖. Antes de sentir ciúme ou pensar mal a respeito dele, louve a
Deus pela consolação! Regozije-se em ter uma prova renovada da fidelidade de Deus, no cumprimento de
suas promessas; e encoraje-se mais para ―compreender aquilo pelo qual você também é compreendido por
Jesus Cristo!‖.

7. Com esse objetivo, redima o tempo. Aprimore o presente momento. Aproveite cada oportunidade
de crescer na graça, ou fazer o bem. Não permita que o pensamento de receber mais graça amanhã, torne
você negligente hoje. Você tem um talento agora: se você esperar cinco mais, tanto melhor é aperfeiçoar o
que você tem. E quanto mais você espera receber para o futuro, mais trabalhe para Deus agora. Suficiente
para o dia é a graça dele. Deus está agora derramando seus benefícios sobre você. Agora, confirme-se como
um fiel mordomo da presente graça de Deus. O que quer que aconteça amanhã, dê toda diligência hoje, para
―acrescentar à sua fé, coragem, temperança, paciência, amor fraternal‖, e o temor a Deus, até que você
obtenha aquele amor puro e perfeito! Que essas coisas estejam agora ―em você e abundem!‖. Não seja
indolente ou infrutífero: ―Assim uma entrada será ministrada no reino eterno de nosso Senhor Jesus
Cristo!‖.

8. Por fim: Se no passado, você usou de maneira imprópria esta abençoada esperança de ser santo,
como Ele é santo, ainda assim, não a jogue fora. Que o abuso cesse, e o uso permaneça. Use-a agora para a
mais abundante glória de Deus, e proveito de sua própria alma. Na fé constante, na calma tranqüilidade de
espírito, na completa segurança da esperança, regozijando-se, mais e mais, pelo que Deus tem feito, siga em
direção à perfeição! Diariamente, crescendo no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo, e seguindo em
frente, de força em força, em resignação, em paciência, em gratidão humilde pelo que você já obteve, e pelo
que você deverá correr a corrida que se coloca diante de você, ―olhando para Jesus‖, até que, através do
perfeito amor, você entre em sua glória!

[Editado por Dave Giles, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Caminho Bíblico da Salvação

'Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus'. (Efésios 2:8)

1. Nada pode ser mais intrincado, complexo e difícil de entender, do que a religião, como ela tem
sido freqüentemente descrita. E isto não é apenas verdade, concernente a religião dos pagãos, mesmo dos
mais sábios deles, mas concernente à religião daqueles que também foram, em algum sentido, cristãos; sim,
de homens de grande nome no mundo cristão; homens que pareciam ser os pilares dela. Ainda assim, quão
facilmente é entendida; que coisa clara e simples, é a religião genuína de Jesus Cristo; proporcionada apenas
para que a tomemos em sua forma nativa, justamente como ela é descrita nos oráculos de Deus! Ela é
exatamente adequada, pelo sábio Criador e Governador do mundo, para o entendimento fraco e a capacidade
estreita dos homens, no seu presente estado. Quão observável é isto, tanto com respeito à finalidade que ela
se propõe, quanto aos meios para se alcançar esta finalidade. A finalidade é, em uma palavra, salvação; os
meios de obtê-la, fé.

2. É facilmente discernido que essas duas pequenas palavras - quero dizer fé e salvação - incluem a
substância de toda a Bíblia; a medula, como se diz, de todas as Escrituras. Tanto mais devemos tomar todo
cuidado possível para evitar todo engano, concernente a elas, e formar um julgamento verdadeiro e correto,
concernente a uma, tanto quanto a outra.
15

3. Permita-nos inquirir seriamente:

I. O que é salvação?

II. Qual é está fé, por meio da qual, somos salvos? E...

III. E como podemos ser salvos por ela?

1. Primeiro, nós vamos inquirir, o que é salvação? A salvação, de que aqui se fala, não é o que é
freqüentemente entendido por esta palavra, o ir para o céu, e para a felicidade eterna. Não é o ir da alma para
o paraíso, denominado por nosso Senhor, 'Seio de Abraão'. Não é uma bênção que se estende do outro lado
da morte; ou, como nós usualmente falamos, do outro lado do mundo. As mesmas palavras do texto colocam
isto além de toda questão: 'Vocês estão salvos'. Não é alguma coisa distante: é uma coisa presente; uma
bênção que, através da livre misericórdia de Deus, vocês agora têm posse dela. Mais ainda, as palavras
podem ser interpretadas, e isto com igual propriedade, 'Vocês têm sido salvos': de modo que a salvação de
que falamos aqui, pode ser estendida para a inteira obra de Deus; desde o primeiro amanhecer da graça na
alma, até que seja consumada na glória.

2. Se nós tomamos isto em sua extensão extrema, ela irá incluir tudo o que é forjado na alma, pelo
que é freqüentemente denominado 'consciência natural', mas, mais propriamente, 'graça preventiva'; --
todas as delineações do Pai; os desejos, em busca de Deus, que, se nós nos rendermos a eles, aumentam mais
e mais; -- toda aquela luz, por meio da qual, o Filho de Deus 'iluminou todo aquele que veio ao mundo';
demonstrando para cada homem como 'fazer corretamente; amar a misericórdia, e caminhar humildemente
com seu Deus'; -- todas as convicções que Seu Espírito, de tempos em tempos, opera em todo filho do
homem – embora, seja verdade que a generalidade deles as reprime, tão logo quanto possível, e, depois de
algum tempo, esqueça, ou, pelo menos, negue que as teve, afinal.

3. Mas, no momento, nós estamos apenas preocupados com aquela salvação, do qual o Apóstolo está
falando diretamente a respeito. E esta consiste em duas partes gerais, justificação e santificação.

Justificação é uma outra palavra para perdão. É o perdão de todos nossos pecados; e, o que
necessariamente implica nisto, nossa aceitação com Deus. O preço, por meio do qual, isto tem sido buscado
para nós (comumente denominado 'a causa meritória de nossa justificação'). É o sangue e retidão de Cristo;
ou, para expressá-la, mais claramente, tudo o que Cristo tem feito e sofrido por nós, até que Ele despejou
Sua alma pelos transgressores'. Os efeitos imediatos da justificação são, a paz de Deus; 'a paz que ultrapassa
todo entendimento', e um 'regozijar-se na esperança da glória de Deus', 'com alegria inexprimível e glória
completa'.

4. E, ao mesmo tempo em que somos justificados, sim, naquele mesmo momento, a santificação
começa. Naquele instante, somos nascidos novamente; nascido alto; nascido do Espírito: Existe uma
mudança real, assim como relativa. Nós somos interiormente renovados pelo poder de Deus. Nós sentimos
'o amor de Deus, espalhando-se pelo nosso coração, através do Espírito Santo, que é dado junto a nós';
produzindo amor a toda humanidade, e mais especialmente, aos filhos de Deus; expelindo o amor ao
mundo; o amor ao prazer, à comodidade; à honra; ao dinheiro; juntos, com o orgulho, a ira, a obstinação, e
todos os outros temperamentos pecaminosos; em uma palavra, mudando da mente terrena, sensual, perversa,
para a 'mente que estava em Jesus Cristo'.

5. Quão naturalmente, estes que experimentam tal mudança, imaginam que todos os pecados se
foram,; que eles estão inteiramente arrancados de seus corações, e que têm não mais lugar nele! Quão
facilmente, eles esboçam esta conclusão: 'Eu não sinto pecado; portanto, eu não tenho pecado algum: ele
não mais perturba; por conseguinte, não existe: ele não tem movimento; assim sendo, não tem vida!'
16

6. Mas, raramente, é muito tempo antes que eles não sejam enganados, certificando-se que o pecado
estava tão somente suspenso e não destruídos. As tentações retornam, e o pecado revive; mostrando que
estavam apenas adormecidos anteriormente, e não mortos. Eles agora sentem dois princípios, em si mesmos,
claramente contrários, um ao outro: 'a carne cobiçando contra o Espírito'; a natureza opondo-se à graça de
Deus. Eles não podem negar que, apesar de ainda sentirem poder para crer em Cristo, e amar a Deus; e,
embora Seu 'Espírito' ainda 'testemunhe com seus espíritos que eles são filhos de Deus'; ainda assim, eles
sentem, em si mesmos, algumas vezes, orgulho, ou obstinação; algumas vezes, ira ou descrença. Eles
encontram um ou mais desses, freqüentemente agitando seus corações, embora que não conquistando; sim,
talvez, 'causando ferida neles para que possam cair'; mas o Senhor é o socorro deles.

7. Quão exatamente Macário, cento e quatorze anos atrás, descreve a presente experiência dos filhos
de Deus: 'O inábil', ou inexperiente, 'quando a graça opera, presentemente imagina que ele não tem mais
pecado. Enquanto que aqueles que têm prudência não podem negar que, mesmo nós que temos a graça de
Deus, podemos ser molestados novamente. Porque nós temos freqüentemente tido exemplos de alguns, entre
os irmãos, que têm experimentado tal graça, como a confirmar que eles não têm mais pecados neles; e,
ainda assim, depois de tudo, quando eles se acreditaram inteiramente livres dele, a corrupção que
espreitava interiormente, levantou-se renovada, e eles quase foram destruídos'.

8. Do momento de nosso nascer de novo, o trabalho gradual da santificação toma lugar. Nós somos
habilitados 'através do Espírito, a mortificar as ações do corpo'; de nossa natureza pecaminosa; e, quanto
mais estamos mortos para o pecado, mais e mais, estamos vivos para Deus. Nós seguimos, de graça em
graça, enquanto cuidamos de 'nos abstermos de toda a aparência do mal', e somos 'zelosos das boas obras',
quando temos oportunidade, fazendo o bem a todos os homens; enquanto caminhamos, em todas as Suas
ordenanças, sem culpa; neste sentido, adorando a Ele, em espírito e em verdade, enquanto tomamos nossa
cruz, e negamos, a nós mesmos, todo o prazer que não nos conduz a Deus.

9. É assim que nós esperamos pela santificação inteira; porque uma salvação completa de todos os
nossos pecados, -- do orgulho, obstinação, ira, descrença; ou, como o Apóstolo expressa isto, 'buscar a
perfeição'. Mas o que é perfeição? A palavra tem vários sentidos: aqui ela significa amor perfeito. É o amor
eu exclui o pecado; amor preenchendo o coração, dedicando-se a toda capacidade da alma. É o amor
'regozijando-se, sempre mais; orando, sem cessar; e em todas as coisas dando graças'.

II

Mas o que é a fé, por meio da qual somos salvos? Este é o segundo ponto que deverá ser
considerado.

1. A fé, em geral, é definida pelo Apóstolo como uma evidência; a evidência e convicção divina (a
palavra significa ambas) das coisas que não são vistas; não visíveis; não perceptíveis, tanto pelas vistas,
quanto por qualquer outro sentido externo. Isto implica ambas em uma evidência de Deus, e das coisas de
Deus; uma espécie de luz espiritual, exibida para a alma, e um panorama ou percepção supernatural disto.
De acordo com o que as Escrituras falam de Deus, fornecendo, algumas vezes, luz; algumas vezes, poder de
discerni-la. Assim, Paulo diz: 'Deus que ordenou que a luz brilhasse na escuridão, tem brilhado em nossos
corações, para nos dar a luz do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'. E, em outra parte,
o mesmo Apóstolo fala a respeito dos 'olhos' de nosso 'entendimento sendo abertos'. Através da dupla
operação do Espírito Santo, tendo os olhos de nossa alma, ambos abertos e iluminados, nós vemos as coisas
que 'os olhos' naturais 'não vêem, nem os ouvidos ouvem'. Nós temos um prospecto das coisas invisíveis de
Deus; nós vemos o mundo espiritual, que está em volta de nós, e ainda assim, não mais discernido, através
de nossas faculdades naturais, do que se ele não tivesse existido. E nós vemos o mundo eterno; penetrando,
através do véu que se estende entre o tempo e a eternidade. Nuvens e trevas, então, não mais repousam sobre
ele, porque agora já podemos ver a glória que deverá ser revelada.
17

2. Tomando a palavra, em um sentido mais particular, a fé é uma evidência e convicção divina, não
apenas de que 'Deus está em Cristo, reconciliando o mundo para Si Mesmo', mas também, que Cristo me
amou, e deu a Si Mesmo por mim. É através da fé (quer nós a denominemos essência, ou antes, uma
propriedade desta) que nós recebemos Cristo; que recebemos a Ele, em todos os Seus ofícios; como nosso
Profeta, Sacerdote e Rei. É, através disto, que 'Deus O faz sabedoria, retidão, santificação e redenção, junto
a nós'.

3. 'Mas esta é a fé da convicção, ou fé da lealdade?'.

As Escrituras não mencionam tal distinção. O Apóstolo diz, 'Existe uma fé, e uma esperança de
nosso chamado'; um cristão, uma fé salvadora; 'assim como existe um Senhor', em quem acreditamos, e 'um
Deus e Pai de todos nós'. E é certo que essa fé implica necessariamente uma convicção (que aqui é apenas
uma outra palavra para evidência, ficando difícil dizer a diferença entre elas) de que Cristo me amou, e deu a
Si Mesmo por mim. Porque 'aquele que crê', com a verdadeira fé viva, 'tem testemunho em si mesmo': 'O
Espírito Santo testemunha com seu espírito que ele é filho de Deus'. 'Porque ele é um filho, Deus enviou o
Espírito de Seu Filho, ao seu coração, clamando, Aba, Pai'; dando a ele uma convicção de que ele é assim,
e uma confiança inocente Nele. Mas que seja observado que, pela mesma natureza da coisa, a convicção
vem antes da confiança. Porque um homem não pode ter uma confiança pueril em Deus, até que ele saiba
que ele é filho de Deus. Portanto, convicção, confiança, esperança, lealdade, ou o que mais possa ser
chamado, não é a primeira, como alguns supõem, mas a segunda ramificação ou ato da fé.

4. Através da fé, somos salvos, justificados, e santificados; tomando a palavra em seu sentido mais
sublime. Mas como nós somos justificados e salvos por ela? Esta é nossa terceira indagação. Sendo o ponto
principal na questão, e um ponto de extraordinária importância; e não será impróprio dar a ela a mais distinta
e particular consideração.

III

1. E, primeiro, como nós somos justificados pela fé? Em que sentido isto deve ser entendido? Eu
respondo, a Fé é a condição; a única condição da justificação. É a condição: ninguém é justificado, a não ser
aquele que crê: sem a fé, nenhum homem é justificado. E é a única condição: esta, tão somente, é suficiente
para a justificação. Todos os que crêem são justificados, o que quer que tenham ou não tenham. Em outras
palavras: nenhum homem é justificado, até que creia; todos os homens, quando crêem, são justificados.

2. 'Mas Deus não nos ordena que nos arrependamos também? Sim, que produzamos os frutos do
arrependimento – cessando, por exemplo, de fazermos o mal, e aprendendo a fazermos o bem? E, tanto um
quanto o outro, da mais extrema necessidade; considerando que, se nós negligenciamos, prontamente um,
nós não podemos razoavelmente esperar sermos justificados, afinal? E, se for assim, como podemos dizer
que a fé é a única condição de justificação?'.

Deus, indubitavelmente, nos ordena a tanto nos arrependermos, quanto a produzirmos os frutos do
arrependimento; o que se prontamente negligenciamos, nós não poderemos razoavelmente esperar sermos
justificados, afinal: Conseqüentemente, o arrependimento e os frutos produzidos por ele são, em algum
sentido, necessários para a justificação. Mas eles não são necessários, no mesmo sentido, para a fé; não no
mesmo grau; porque esses frutos são apenas necessários, condicionalmente; se existe tempo e oportunidade
para eles. Por outro lado, um homem pode ser justificado, sem eles, como foi o caso do ladrão na cruz (se
nós podemos chamá-lo assim; porque um recente escritor descobriu que ele não era um ladrão, mas uma
pessoa muito honesta e respeitável!), mas ele não poderia ser justificado, sem fé; isto é impossível; já que a
fé é imediatamente necessária para a justificação. Permanece que a fé é a única condição, imediatamente e
proximamente necessária para a justificação.

3. 'Mas você acredita que nós somos santificados pela fé? Nós sabemos que você acredita que somos
justificados pela fé; mas você não acredita, e, portanto, ensina que nós somos santificados pelas nossas
obras?'.
18

E assim tem sido redondamente e veementemente afirmado, durante esses vinte e cinco anos: mas eu
tenho constantemente declarado justamente o contrário, e isto, de todas as maneiras possíveis. Eu tenho
continuamente testificado, em público ou privado, que nós somos santificados, assim como justificados,
através da fé. E, de fato, uma dessas grandes verdades, ilustra grandemente a outra. Exatamente como nós
somos justificados pela fé, nós somos santificados pela fé. A fé é a condição; e a única condição da
santificação, exatamente como é da justificação. É a condição: ninguém, é santificado, a não ser aquele que
crê; sem a fé, nenhum homem é santificado. E esta é a única condição: apenas esta é suficiente para a
santificação. Todos que crêem são santificados, o que quer que tenham ou não. Em outras palavras, nenhum
homem é santificado, até que ele creia: todo homem que crê é santificado.

4. "Mas não existe um conseqüente arrependimento sobre isto, tanto quanto um arrependimento
prévio para a justificação? E não é incumbência de todos que são justificados, serem 'zelosos das boas
obras?'. Sim, e essas não são assim necessários, de modo que se um homem prontamente negligenciá-las,
ele não poderá razoavelmente esperar que possa ser, alguma vez, santificado, em seu sentido completo; ou
seja, perfeito no amor? Mais do que isto, ele pode crescer, afinal, na graça, no conhecimento amoroso de
nosso Senhor Jesus Cristo? Sim, pode reter a graça que Deus já deu a ele? Pode continuar na fé, que
recebeu, ou no favor de Deus? Você mesmo não admite e continuamente afirma tudo isto? Mas, se assim
for, como se pode dizer que esta é a única condição de santificação?".

5. Eu admito tudo isto, e mantenho continuamente, como a verdade de Deus. Eu admito que exista
um arrependimento, como conseqüência, tanto quanto o arrependimento prévio para a justificação. É
incumbência de todo aquele que é justificado ser zeloso das boas obras. E existe tal necessidade, porque, se
um homem prontamente as negligencia, ele não poderá razoavelmente esperar que seja, alguma vez,
santificado; ele não poderá crescer na graça, na imagem de Deus; na mente que estava em Jesus Cristo; mais
ainda, ele não poderá reter a graça que recebeu; ele não poderá continuar na fé; no favor de Deus. Qual é a
inferência que devemos traçar, daqui a diante? Uma vez que tanto o arrependimento, corretamente
entendido, quanto a prática de todas as boas obras, -- obra de devoção, assim como obras de misericórdia
(agora, propriamente assim chamada, já que elas brotaram da fé) são, em algum sentido, necessários à
santificação.

6. O arrependimento conseqüente à justificação, é largamente diferente daquele que a antecede. Isto


implica, em nenhuma culpa, no sentido de condenação; nenhuma consciência da ira de Deus. Ele não admite
qualquer dúvida do favor de Deus, ou algum 'temor de ter tormento'. É uma convicção razoável, forjada pelo
Espírito Santo, do pecado que ainda permanece em nossos corações; da mente carnal, que 'ainda perdura'
(como nosso igreja fala) 'mesmo naqueles que são regenerados'; embora ela não reine por muito tempo; ela
não tenha agora domínio sobre eles. É uma convicção de nossa predisposição ao mal; de um coração
inclinado à apostasia; da tendência ainda contínua da carne de cobiçar contra o espírito. A menos que
vigiemos e oremos continuamente, ela se entrega ao orgulho; algumas vezes, à ira; algumas vezes, ao amor
do mundo, ao amor às facilidades; ao amor à honra; ao amor ao prazer, mais do que amor a Deus. Trata-se
de uma convicção ou tendência de nosso coração à obstinação, ao ateísmo, ou à idolatria; e, acima de tudo, à
descrença; por meio da qual, por milhares de caminhos, e debaixo de milhares de pretextos, nós estamos
sempre partindo, mais ou menos, do Deus vivo.

7. Com esta convicção do pecado, permanecendo em nossos corações, existe uma clara convicção do
pecado remanescendo em nossas vidas; ainda aderindo-se a todas as nossas palavras e ações. No melhor
desses, nós agora discernimos uma mistura do mal no espírito, tanto no conteúdo, quanto na maneira deles;
alguma coisa que não poderia resistir ao julgamento reto de Deus, fosse ele extremado para marcar o que é
feito erroneamente. Onde menos suspeitamos, nós encontramos uma faísca de orgulho ou obstinação; de
descrença ou idolatria; de maneira que estamos agora mais envergonhados das nossas melhores obrigações,
do que anteriormente de nossos piores pecados: e conseqüentemente, nós não podemos deixar de sentir que
esses estão longe de terem alguma coisa meritória neles; sim, tão longe de serem capazes de permanecer na
vista da justiça divina, que, por causa desses também seríamos culpados diante de Deus, não fosse pelo
sangue do redentor.
19

8. A experiência mostra que, junto com esta convicção do pecado, permanecendo em nossos
corações, e aderindo-se a todas as nossas palavras e ações; tanto quanto a culpa que, por causa disto, nós
poderíamos incorrer, não fôssemos constantemente borrifados com o sangue redentor; uma coisa mais é
subtendida neste arrependimento; ou seja, a convicção de nosso desamparo; de nossa extrema incapacidade
de termos um bom pensamento; ou formamos um bom desejo; e muito menos, falarmos uma palavra correta;
ou executarmos alguma boa ação, a não ser, através da Sua graça Onipotente; primeiro nos prevenindo, e,
então, nos acompanhando todo momento.

9. 'Mas que boas obras são essas, cuja prática você afirma ser necessária para a santificação:'.

Primeiro, todas as obras de devoção; tais como oração pública; oração familiar; e orando em seus
aposentos; recebendo a Ceia do Senhor; buscando as Escrituras; ouvindo, lendo, meditando, e usando tal
medida de jejum ou abstinência, como nossa saúde corpórea permite.

10. Em Segundo Lugar, todas as obras de misericórdia, quer se refiram aos corpos ou às almas dos
homens; tais como alimentar o faminto; vestir o despido; entreter o estranho; visitar aqueles que estão na
prisão, ou doentes, ou afligidos de maneira variada; tais como se esforçar para instruir o ignorante; acordar o
pecador estúpido; estimular o desinteressado; confirmar o oscilante; confortar o fraco de espírito; socorrer o
tentado; ou contribuir, de alguma maneira, para salvar as almas da morte. Este é o arrependimento, e esses
são 'os frutos encontrados nele', e que são necessários para a completa santificação. Este é o caminho que
Deus tem indicado aos Seus filhos, em sua busca pela salvação completa.

11. Conseqüentemente, pode aparecer o extremo absurdo daquela opinião, aparentemente inocente,
de que não existe pecado em um crente; que todo pecado está destruído, raiz e ramificação, no momento em
que o homem é justificado. Não existe lugar para o arrependimento naquele que crê que não existe pecado,
quer em sua vida, ou em seu coração: assim sendo, não existe lugar, para que ele seja perfeito no amor, para
o qual aquele arrependimento, é indispensavelmente necessário.

12. Por esta razão, pode igualmente aparecer, que não existe possivelmente perigo nesse esperar pela
salvação completa. Porque, supondo-se que estejamos enganados; supondo-se que tal bênção nunca foi, ou
nunca poderá ser obtida, ainda assim, nós não perdemos coisa alguma; mais do que isto, esta mesma
expectativa nos estimula a usar todos os talentos que Deus nos tem dado; sim, a aperfeiçoá-los; de modo
que, quando nosso Senhor vier, Ele receberá o que é seu com crescimento.

13. Mas para retornar: Embora seja permitido que ambos esse arrependimento e seus frutos sejam
necessários para a completa salvação; ainda assim, eles não são necessários, tanto no mesmo sentido, quanto
no mesmo grau, para a fé:

-- Não, no mesmo grau; porque esses frutos são apenas necessários, condicionalmente, se houver
tempo e oportunidade para eles; se, por um lado um homem pode ser santificado, sem eles; por outro, ele
não poderá ser santificado, sem a fé. Ou seja, um homem tenha muito desse arrependimento, ou muito das
boas obras, ainda assim, isto tudo não será de proveito algum, afinal: porque ele não será santificado até que
creia. Mas, no momento em que crer, com ou sem esses frutos; sim, com, mais ou menos, desse
arrependimento, ele será santificado.

-- Não, no mesmo sentido; porque esse arrependimento e esses frutos são apenas remotamente
necessários, -- necessários, com o objetivo da continuidade de sua fé, assim como, do crescimento dela;
considerando que a fé é imediatamente e diretamente necessária para a santificação. Assim sendo, a fé é a
única condição que é imediatamente e proximamente necessária para a santificação.

14. 'Mas que fé esta, por meio da qual somos santificados, --salvos do pecado, e perfeitos no amor?'.
20

É a evidência e convicção, divinas; primeiro, do que Deus tem prometido nas santas Escrituras. Até
que estejamos totalmente satisfeitos com isto, não teremos movido um passo adiante sequer. E alguém
poderia imaginar que não seria necessária uma única palavra mais, para convencer um homem razoável
disto, do que a promessa antiga: (Deuteronômio 30:6) "E o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e
o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus com todo o coração, e com toda a tua
alma, para que vivas". Quão claramente, isto expressa o ser perfeito no amor! – quão fortemente, implica o
ser salvo de todo pecado! Porque, por quanto tempo o amor tomar todo o nosso coração, que espaço existirá
para o pecado, nele?

15. Em Segundo Lugar, é a evidência e convicção, divinas, de que o que Deus tem prometido, Ele é
capaz de realizar. Admitindo, portanto, que 'com os homens é impossível extrair coisa limpa da sujeira';
purificar o coração de todo o pecado, e cultivá-lo com toda santidade; ainda assim, isto não cria dificuldade
no caso, vendo que 'com Deus, todas as coisas são possíveis'. E, certamente, ninguém imaginou que isto
fosse possível a qualquer outro poder menor do que aquele do Altíssimo! De maneira que, se Deus fala, isto
deverá ser feito. Deus diz: 'Haja luz; e houve luz!'

16. Em Terceiro Lugar, é uma evidência e convicção de que Ele é capaz e está disposto a fazer isto
já. E por que não? Um momento para Deus, não é o mesmo que mil anos? Ele não pode querer mais tempo,
para executar qualquer que seja a vontade Dele. E não pode necessitar ou esperar por mais merecimento ou
aptidão nas pessoas, as quais Ele se agradou de honrar. Nós podemos dizer, por conseguinte, a qualquer
tempo, 'Agora é o dia da salvação!'. 'Hoje, se você ouvir a voz Dele, não endureça seu coração!'. 'Observe
que todas as coisas já estão prontas; venha para o casamento!'.

17. Para esta confiança de que Deus é tanto capaz, quanto de boa vontade nos santifica agora, é
necessário que acrescentemos uma coisa mais, -- a evidência e a convicção, divinas, de que Ele faz isto. De
que naquela hora é feita: Deus diz, no mais profundo da alma: 'De acordo com tua fé, que ela seja junto a
ti!'. Então, a alma é purificada de toda mancha do pecado; é limpa 'de toda iniqüidade'. O crente, então,
experimenta o profundo significado daquelas palavras solenes: 'Se caminharmos na luz, como Ele está na
luz, nós teremos camaradagem, um com o outro, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos limpará de todos
os pecados'.

18. 'Mas Deus opera está grande obra em nossa alma, gradualmente ou instantaneamente?'. Talvez,
em alguns, ela possa ser forjada gradualmente; eu quero dizer, neste sentido, -- eles não atentam para o
momento particular, em que o pecado cessa de existir. Mas seria infinitamente desejável, fosse da vontade
de Deus, que isto pudesse ser feito instantaneamente; que o Senhor pudesse destruir o pecado, 'através do
respirar de Sua boca'; de repente, num piscar de olho. E assim, Ele geralmente faz; um fato claro de que
existe evidência suficiente para satisfazer qualquer pessoa sem preconceito. Portanto, busque por ela, todo
momento! Busque por ela, no caminho acima descrito; em todas essas boas obras, para o que você 'foi
renovado em Jesus Cristo'. Não existe nisto, então, perigo: você não poderá ser pior, se você não for melhor,
para esta espera. Porque mesmo que você fosse desapontado em sua esperança, ainda assim, não teria
perdido coisa alguma. Mas você não será desapontado em sua esperança: ela virá, e não tardará. Busque por
ela, então, todos os dias, todas as horas, todos os momentos! Por que não nesta hora, neste momento?
Certamente você pode buscá-la agora, se você acredita que é, através da fé. E, através desse sinal, você pode
certamente saber, se você a está buscando pela fé, ou pelas obras. Se pelas obras, você necessita que alguma
coisa seja feita, primeiro, antes que você seja santificado. Você pensa: eu devo primeiro ser ou fazer assim e
assim. Então, você a está buscando, através das obras, até o momento. Se você a busca pela fé, você pode
esperar por ela, como você está; e esperá-la agora. É importante observar que existe uma conexão
inseparável entre esses três pontos, -- esperá-la pela fé; esperá-la, como você está; e esperá-la agora! Negar
um deles, é negar a todos eles; permitir um deles, é permitir a todos. Você crê que nós somos santificados
pela fé? Então, seja verdadeiro para com seus princípios; e busque por essa bênção, exatamente como você
é, nem melhor, nem pior; como um pobre pecador, que, ainda assim, não tem coisa alguma a pagar; nada a
pleitear, a não ser a 'Cristo morto'. E se você buscar por isto, como você é, então, aguarde por ela agora. Por
nada mais; por que você deveria? Cristo está pronto, e Ele é tudo que você necessita. Ele está esperando por
você: Ele está à porta! Consinta que o mais profundo de sua alma clame:
21

Entra, entra, convidado celestial!


Não se remova daqui novamente;
Mas ceia comigo, e que o banquete
Seja o amor eterno.

[Editado por Anne-Elizabeth Powell, Bibliotecária na Point Loma Nazarene College, com correções por
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

PECADO ORIGINAL

'E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos
pensamentos de seu coração era só má continuamente'. (Gênesis 6:5)

1. Quão maravilhosamente diferente é isto, dos formosos quadros da natureza humana que os homens
têm esboçado em todas as épocas! Os escritos de muitos dos anciões abundam com descrições alegres da
dignidade do homem; a quem alguns deles pintam, como tendo todas as virtudes e felicidade em sua
composição, ou, pelo menos, estando inteiramente em seu poder, sem observar a qualquer outra existência,
como auto-suficiente, capaz de viver por sua própria conta, e pouco inferior ao próprio Deus.

2. Não se trata apenas dos pagãos; homens que são guiados em suas buscas, por um pouco mais do
que uma pálida luz de razão, mas muitos deles, igualmente, que testemunham o nome de Cristo, e para os
quais foram confiados os oráculos de Deus, têm falado da natureza do homem, tão magnificamente, como se
ela fosse toda inocência e perfeição. Relatos deste tipo têm particularmente abundado no presente século; e,
talvez, em nenhuma outra parte do mundo mais do que em nossa própria região. Aqui, não poucas pessoas
de forte entendimento, assim como de extenso aprendizado, têm empregado as mais extremas habilidades,
para mostrarem o que eles denominam de 'o maravilhoso lado da natureza humana'. E deve-se reconhecer
que, se seus relatos forem justos, o homem é 'um pouco inferior do que os anjos'; ou, como as palavras
podem ser mais literalmente afirmadas, 'um pouco menos do que Deus'.

3. É de se admirar que esses relatos tenham sido tão prontamente recebidos, pela generalidade de
homens? Quem não é facilmente persuadido a pensar favoravelmente de si mesmo? Assim sendo, os
escritores deste tipo são mais universalmente lidos, admirados, aplaudidos. E inumeráveis são os convertidos
que eles têm feito, não apenas no mundo leviano, mas no mundo ilustrado. De modo que agora é
completamente fora de moda falar de outro modo; dizer qualquer coisa para a depreciação da natureza
humana; a que geralmente se permite, não obstante algumas poucas enfermidades, ser muito inocente, sábia
e virtuosa!

4. Mas, neste meio tempo, o que devemos fazer com nossas Bíblias? Porque esses relatos nunca irão
concordar com isto. Como quer que eles agradem à carne e ao sangue, são extremamente irreconciliáveis
com os relatos bíblicos. As Escrituras asseveram que 'através da desobediência de um homem, todos os
homens foram constituídos pecadores'; que 'em Adão todos morreram' -- morreram espiritualmente,
perderam a vida e a imagem de Deus; que aquele pecador e caído Adão, então, originou um filho à sua
própria semelhança'; -- nem seria possível que ele pudesse originá-lo de outra forma, porque 'quem pode
produzir uma coisa pura de uma impureza?'— que, conseqüentemente, nós estávamos, assim como outros
homens, pela natureza, 'mortos nas transgressões e pecados'; 'sem esperança, e sem Deus no mundo', e,
portanto, 'filhos da ira'; de modo que todo homem podia dizer, 'Eu fui moldado na iniqüidade; e, no pecado,
minha mãe me concebeu'; que 'não existe diferença', em 'todos que pecaram e não alcançaram a glória de
Deus'; daquela gloriosa imagem de Deus, na qual o homem foi originalmente criado. E, conseqüentemente,
quando 'o Senhor olhou dos céus para os filhos dos homens, Ele viu que todos eles haviam saído do
caminho; que eles haviam se tornado completamente abomináveis; que não havia um justo; não; nem um',
ninguém que verdadeiramente buscasse a Deus. De acordo com isto, e o que é declarado pelo Espírito Santo,
22

nas palavras acima citadas, 'Deus viu', quando ele olhou dos céus, antes, 'que a maldade do homem estava
grande na terra'; tão grande, que 'cada imaginação dos pensamentos de seu coração era, tão somente,
continuamente pecaminosa'.

Este é o relato de Deus do homem: Do qual eu devo aproveitar a oportunidade:

I. Primeiro, para mostrar o que os homens eram antes do dilúvio:


II. Segundo, para inquirir, se eles não são da mesma maneira agora:
III. Terceiro, para acrescentar algumas inferências.

1. Em Primeiro Lugar, eu vou mostrar, esclarecendo as palavras do texto, o que os homens eram
antes do dilúvio. E nós podemos nos basear completamente no relato fornecido aqui: Porque Deus o viu, e
Ele não pode se enganar. Ele 'viu que a maldade do homem era grande': -- Não este ou aquele homem: não
apenas alguns poucos homens; não meramente uma parte maior, mas o homem em geral; os homens
universalmente. A Palavra inclui toda a raça humana; todos os que fazem parte da natureza humana. E não é
fácil para nós computarmos o número deles, para dizer quantos milhares ou milhões eles eram. A Terra,
então, retinha muito de sua beleza primitiva e fertilidade original. A face do globo não era rachada e dividida
como ela é agora; e primavera e verão eram bem definidos. É, portanto, provável que ela proporcionasse
sustento para muito mais habitantes do que é hoje capaz; e esses deviam ser imensamente multiplicados,
enquanto os homens criavam filhos e filhas, por setecentos ou oitocentos anos juntos. Ainda assim, em meio
a todo este número inconcebível, apenas 'Noé encontrou favor com Deus'. Ele somente (talvez, incluindo
parte de sua família) foi uma exceção à iniqüidade universal, que, pelo justo julgamento de Deus, pouco
tempo depois, foi levada à destruição. Todos os demais foram participantes da mesma culpa, assim como, da
mesma punição.

2. 'Deus viu todas as criações dos pensamentos de seu coração'; -- de sua alma, de seu homem
interior, o espírito dentro dele, o princípio de todos os seus movimentos internos e externos. Ele 'viu todas as
criações': Não é possível encontrar uma palavra de um significado mais extensivo. Ela inclui o que quer que
seja formado, feito, e fabricado dentro; tudo que existe ou se passa na alma; toda inclinação, afeição, paixão,
apetite; todo temperamento, desígnio, pensamento. Deve-se, em conseqüência, incluir toda palavra e ação,
como fluindo naturalmente dessas fontes, e sendo tanto boa quanto má, de acordo com a fonte de onde ela
severamente flui.

3. Deus viu, agora, que tudo isto, o todo disto, era mal; -- contrário à retidão moral; contrário à
natureza de Deus, que necessariamente inclui todo bem; contrário à vontade divina, o padrão eterno de bem
e mal; contrário à imagem pura e santa de Deus, onde o homem foi originalmente criado, e, onde ele
permaneceu, quando Deus, inspecionando as obras que havia criado, viu, então, que tudo era muito bom;
contrário à justiça, à misericórdia, e verdade, e às relações essenciais que cada homem tem com seu Criador
e seu próximo.

4. Mas não havia bem misturado com o mal? Não havia luz misturada com a escuridão? Não;
nenhuma afinal: 'Deus viu que o todo da imaginação do coração do homem era tão somente mau'. E de fato,
não se pode negar que muitos deles, talvez, todos tivessem boas intenções, colocadas em seus corações; uma
vez que o Espírito de Deus também 'empenhava-se com o homem', se, por acaso, ele pudesse arrepender-se,
mais especialmente, durante aquele gracioso adiamento temporário, de cento e vinte anos, enquanto a arca
estava sendo preparada. Mas, ainda assim, 'em sua carne não habitava coisa alguma boa'; toda sua natureza
era puramente má. Ela era totalmente consistente consigo mesma, e não misturada com qualquer coisa de
uma natureza oposta.

5. No entanto, ainda pode ser o caso de se perguntar: 'Não havia intermissão deste mal? Não havia
intervalos lúcidos, em que alguma coisa boa pudesse ser encontrada no coração do homem?'. Nós não
vamos considerar aqui o que a graça de Deus poderia ocasionalmente operar em sua alma; e, abstraídos
23

disto, nós não temos motivos para acreditar que houvesse alguma intermissão daquele mal. Porque Deus,
que 'viu que o todo da imaginação dos pensamentos de seu coração era tão somente mau', viu, igualmente,
que ele sempre foi o mesmo; que ele 'era mau, continuamente'; cada ano; cada dia; cada hora; e cada
momento. Ele nunca se desviou para o bem.

II

Tal é o relato autêntico de toda a raça humana, que Ele que conhece o que está no homem; que sonda
o coração e testa as afeições, tem deixado registrado para nossa instrução. Tais eram todos os homens antes
que Deus trouxesse o dilúvio sobre a terra.

Nós vamos, agora, em Segundo Lugar, inquirir se eles são o mesmo agora.

1. E isto é certo, as Escrituras não nos dão motivo para pensar de alguma forma diferente delas. Do
contrário, todas as passagens das Escrituras citadas acima se referem àqueles que viveram depois do dilúvio.
Acima de mil anos antes que Deus declarasse, através de Davi, com respeito aos filhos dos homens: 'Todos
eles saíram do caminho da verdade e santidade; não existe alguém justo; nem um'.

E a isto, testemunham todos os profetas, em suas diversas gerações. Como Isaias, concernente ao
povo peculiar de Deus, (e certamente os ateus não estavam em melhor condição): 'Toda a mente está doente;
e todo o coração desfalece. Dos pés à cabeça, não existe sanidade; mas machucaduras, e injúria, e feridas
pútridas'. O mesmo relato é dado por todos os Apóstolos; sim, através de todo o teor dos oráculos de Deus.
De tudo isto, nós aprendemos, concernente ao homem em seu estado natural, não auxiliado pela graça de
Deus, que 'cada imaginação dos pensamentos de seu coração é' ainda 'mau; tão somente mau', e
'continuamente mau'.

2. Este relato do presente estado do homem é confirmado por experiências, diariamente. É verdade
que o homem natural não se preocupa com ele. E isto não é de se admirar. Por quanto tempo um homem
nascido cego continuar assim, ele dificilmente estará consciente de sua necessidade: Muito menos
poderíamos supor um lugar onde todos que foram nascidos sem luz, pudessem estar conscientes da
necessidade dela. De igual maneira, por quanto tempo os homens permaneçam em sua cegueira natural de
entendimento, eles não estão conscientes de suas necessidades espirituais, e, em particular, deste. Mas, tão
logo Deus abra os olhos de seu entendimento, eles vêem o estado que eles estavam anteriormente; eles estão,
completamente convencidos que 'cada homem vivente', especialmente eles mesmos, é, pela natureza,
'completamente vaidade'; ou seja, insensatez e ignorância; pecado e maldade.

3. Quando Deus abre nossos olhos, vemos que estávamos antes, sem Deus, ou melhor, éramos
ateístas, no mundo. Tínhamos, pela natureza, nenhum conhecimento de Deus; nenhuma familiaridade com
ele. É verdade, que tão logo começamos a usar a razão, tomamos conhecimento 'das coisas invisíveis de
Deus, até mesmo seu poder eterno e Divindade, das coisas que estão feitas'. Das coisas que são vistas,
inferimos a existência de um Ser poderoso e eterno, que não é visível. Mas ainda assim, embora
reconheçamos sua existência, nós não temos familiaridade com Ele.

Assim como sabemos que existe um Imperador da China, a quem ainda não conhecemos; nós
sabíamos que existia um Rei de toda a Terra, ainda assim, não o conhecemos. Na verdade, não poderíamos,
através de qualquer uma de nossas faculdades naturais. Através de nenhuma dessas, poderíamos obter o
conhecimento de Deus. Não poderíamos percebê-lo mais do que vê-lo com nossos olhos. Porque 'ninguém
conhece o Pai, a não ser o Filho, e ele a quem o Filho irá revelá-lo'.

4. Nós lemos de um rei antigo, que, estando desejoso de saber qual era a língua natural dos homens,
com o objetivo de trazer o assunto para um certo debate, fez o seguinte experimento: Ele ordenou que duas
crianças, tão logo elas tinham nascido, fossem transportadas para um lugar preparado para elas, onde elas
foram levadas, sem qualquer instrução, afinal, e sem nunca ouvir uma voz humana. E o que aconteceu?
Aconteceu que quando elas foram, por fim, trazidas para fora do seu confinamento, elas não falaram língua
24

alguma, afinal; apenas articulavam apenas alguns sons estranhos, como aqueles de outros animais. Que essas
duas crianças foram, da mesma maneira, trazidas do útero, sem serem instruídas em alguma religião, não
havia motivo para dúvida, mas (a menos que a graça de Deus se interpusesse), o evento seria justamente o
mesmo. Elas não teriam religião, afinal. Elas não teriam mais conhecimento de Deus do que as bestas do
campo; do que o selvagem potro. Tal é a religião natural, abstraída da tradicional, e das influências do
Espírito de Deus!

5. E não tendo conhecimento, não podemos ter o amor de Deus: Não podemos amar o que não
conhecemos. A maioria dos homens fala, de fato, do Deus amoroso, e, talvez, imaginam que eles conheçam;
pelo menos, alguns irão reconhecer que eles não O amam: Mas o fato é muito claro para ser negado.Nenhum
homem ama a Deus, através da natureza, mais do que ele o faz a uma pedra, ou à terra que ele pisa. No que
nós amamos, nós nos deleitamos: Mas nenhum homem tem naturalmente qualquer deleite em Deus. Em
nosso estado natural, não podemos conceber como alguém poderia deleitar-se Nele. Nós não temos prazer
nele, afinal; ele é extremamente insípido para nós. Amar a Deus! Está muito além de nossas vistas. Nós não
podemos alcançar isto, naturalmente.

6. Pela natureza humana, tão somente, não temos amor, mas também, medo de Deus. Na verdade, é
certo que a maioria dos homens tem, mais cedo ou mais tarde, uma forma de medo irracional e inconsciente,
propriamente chamado de superstição; embora os descuidados epicuristas tenham dado a isto o nome de
religião. Ainda assim, isto não é natural, mas adquirido; principalmente, através de conversa ou de exemplo.
Pela natureza, 'Deus não está em todos os nossos pensamentos': Nós o deixamos manejar seus próprios
assuntos, sentado-se quietamente, como imaginamos, no céu, e nos deixando na terra, para manejarmos os
nossos; de modo que não temos mais temor de Deus, diante de nossos olhos, do que o amor de Deus, em
nossos corações.

7. Assim, são todos os homens 'ateus no mundo'. Mas o próprio ateísmo não nos protege da idolatria.
Em seu estado natural, cada homem nascido no mundo é um idólatra completo. Talvez, não deve ser de tal
maneira no sentido comum da palavra. Nós não adoramos, como os idólatras ateus, ferro fundido ou
imagens esculpidas. Nós não nos curvamos a um tronco de uma árvore; ao trabalho de nossas próprias mãos.
Nós não oramos para os anjos ou santos nos céus, não mais do que os santos que estão sobre a Terra. Mas o
que acontece, então? Nós temos fixado nossos ídolos em nossos corações; e a estes nós nos curvamos e
adoramos. Nós adoramos a nós mesmos, quando concedemos que a honra, que é devida somente a Deus,
seja dada a nós. E, embora o orgulho não fosse criado para o homem, ainda assim, onde está o homem que
nasceu sem ele? Assim sendo, roubamos de Deus seu inalienável direito e idolatricamente usurpamos sua
glória.

8. Mas o orgulho não é apenas uma espécie de idolatria, da qual somos todos culpados pela natureza.
Satanás tem estampado sua própria imagem em nosso coração na vontade própria também. 'Eu irei', ele
disse, antes de ser expulso do paraíso, 'Eu me assentarei aos lados do norte'; Eu farei minha vontade e
prazer; independentemente daquela de meu Criador.

'E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e
no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte'. (Isaías 14:13)

O mesmo cada homem nascido no mundo diz, e isto, em milhares de instâncias; mais ainda, e declara
isto também, sem nunca corar diante do relato; sem temer ou envergonhar-se.

Pergunte ao homem: 'Por que você faria isto?'. Ele responderá: 'Porque eu estou inclinado a fazê-
lo''. O que é isto, senão, 'porque é da minha vontade'; ou seja, em efeito, porque o diabo e eu concordamos;
porque Satanás e eu governamos nossas ações, através de um e do mesmo princípio. A vontade de Deus,
neste meio tempo, não está em seus pensamentos; ela não é considerada no menor grau: embora seja a regra
suprema de toda criatura inteligente; quer no céu, quer na terra, resultante da relação essencial e inalterada
que toda criatura testemunhe seu Criador.
25

9. Desta mesma forma, levamos a imagem do diabo, e trilhamos seus passos, Mas, no próximo passo,
deixamos satanás para trás; nós seguimos uma idolatria, em que ele não é o culpado: eu quero dizer o amor
do mundo; que é agora tão natural a cada homem, quanto amar a sua vontade própria. O que é mais natural
para nós, do que buscar felicidade na criatura, em vez do Criador? – buscar aquela satisfação nas obras de
suas mãos, e que pode ser encontrada apenas em Deus? O que é mais natural, do que o 'desejo da carne?'.
Ou seja, do prazer do sentido de todo tipo? Os homens, de fato, falam magnificamente de despirem-se
desses prazeres inferiores, particularmente, os homens de aprendizado e educação. Eles simulam se
libertarem da gratificação desses apetites, em que eles se situam no mesmo nível que as bestas que perecem.
Mas é mero fingimento; porque cada homem é consciente de que, neste aspecto, ele é, pela natureza, a
mesma besta. Apetites sexuais, até mesmo aqueles do tipo mais inferior, têm, mais ou menos, um domínio
sobre ele. Eles o conduzem cativo; eles o arrastam para um lado e para o outro, a despeito de sua razão
ostentada. O homem, com toda sua boa educação, e outros complementos, não tem primazia sobre uma
cabra: mais ainda, é para se duvidar, se a besta não tem primazia sobre ele. Certamente, ele tem, se nós
podemos ouvir atentamente a algum dos seus oráculos modernos, quem muito decentemente nos diz: Numa
determinada época, as bestas também provam do amor; apenas a besta da razão é sua escrava, e, nesta
insensatez, ocupa-se o ano todo.

Uma diferença considerável, de fato, deve-se admitir, existe entre os homens (além daquela forjada
pela graça preventiva), surgindo da diferença de constituição e educação. Mas, não obstante isto, quem, que
não seja ignorante de si mesmo, pode aqui atirar a primeira pedra no outro? Quem pode suportar o teste da
observação de nosso amado Senhor, no sétimo mandamento: 'aquele que olhar para uma mulher, para
cobiçá-la, já em seu coração, cometeu adultério?'. De modo que não se sabe do que se admirar mais, se da
ignorância, ou da insolência daqueles homens que falam com tal desdém daqueles que são dominados pelos
desejos que todo homem tem sentido em seu próprio peito; o desejo de cada prazer do sentido, inocente ou
não, sendo natural a todo filho do homem.

10. E assim é 'o desejo dos olhos'; o desejo dos prazeres da imaginação. Esses surgem tanto dos
grandes, quando dos objetos bonitos e incomuns; -- se os dois primeiros não coincidem com o último, visto
que, talvez, possa parecer, numa sindicância zelosa, que nem os objetos grandes, nem os bonitos agradam
mais do que aqueles que são novos; quando a novidade deles acaba, a maior parte, pelo menos, do prazer
que eles proporcionavam termina; e na mesma proporção que eles se tornam familiares, eles se tornam
vazios e insípidos. Mas mesmo que experimentemos isto tão freqüentemente, o mesmo desejo irá ainda
permanecer. A sede inata continua fixada na alma; mais do que isto: quanto mais temos indulgência, mais
ela aumenta, e nos incita a seguir atrás de outro, e outro objeto mesmo assim; embora deixemos cada um
com uma esperança fracassada, e uma expectativa iludida.

11. Um terceiro sintoma dessa doença fatal, o amor do mundo, que está tão profundamente enraizado
em nossa natureza, é o orgulho da vida'; o desejo do reconhecimento, da honra que vem dos homens. Os
maiores admiradores da natureza humana admitem que isto seja estritamente natural; tão natural quanto ver,
ouvir, ou qualquer outro dos sentidos externos. E será que eles estão envergonhados disto, mesmo os
homens letrados; homens refinados e de grande entendimento? Muito longe disto, eles se gloriam neste
sentido! Eles aplaudem a si mesmos, por causa do amor deles pelo aplauso! Sim; cristãos eminentes, assim
chamados, não têm dificuldade em adotar o dizer do velho ateu vaidoso: 'Não considerar o que os homens
pensam sobre nós, é a marca de uma mente enfraquecida e abandonada'. Assim, ir com calma e
equilibrado, através da honra e desonra; através de um relato bom ou ruim, é, para eles, sinal de alguém que
não está, na verdade, adequado para viver: 'Fora da terra com tal disposição'. Mas alguém imaginaria que
esses homens ouviram de Jesus Cristo ou de seus Apóstolos; ou que eles soubessem quem foi que disse:
'Como você pode acreditar em alguém que recebe honra de outro, e não busca a honra que vem de Deus
somente?'. Mas, se isto é realmente assim; se for impossível acreditar, e conseqüentemente agradar a Deus,
por quanto tempo recebemos ou buscamos a honra de uns dos outros, e não a honra que vem de Deus
apenas, então, em que condição está a humanidade! Os cristãos, assim como os pagãos; uma vez que todos
buscam honra um do outro! Uma vez que seja natural para eles procederem desta forma; sendo eles mesmos
os juízes; assim como é natural ver a luz que toca seus olhos, ou ouvir o som que entrar por seus ouvidos;
26

sim, uma vez que eles consideram isto um sinal de uma mente vitoriosa, contentar-se com a honra que vem
de Deus apenas!

III

1. Eu prossigo, esboçando algumas inferências do que foi dito. Primeiro, que disto podemos aprender
uma grande e fundamental diferença entre o Cristianismo, considerado como um sistema de doutrinas, e a
maioria do refinado Ateísmo. Muitos dos antigos ateus têm descrito largamente a tendência habitual
condenável de homens específicos. Eles têm falado muito contra a avareza, crueldade, luxúria, e
prodigalidade deles. Alguns se atreveram a dizer que 'nenhum homem nasce sem essa tendência condenável,
de uma espécie ou de outra'. Mas como ainda nenhum deles foram avisados da queda do homem, então,
nenhum deles sabe de sua total corrupção. Eles não souberam que todo homem foi esvaziado de todo bem, e
preenchido com toda forma de mal. Eles eram totalmente ignorantes da completa depravação de toda
natureza humana, de cada homem nascido no mundo, em toda faculdade de sua alma; não tanto devido
àquelas tendências específicas, que reinam em pessoas específicas, como por meio da inundação geral de
ateísmo e idolatria, do orgulho, da vontade própria, e amor do mundo. Isto, por conseguinte, é o primeiro
grande ponto de distinção entre Ateísmo e Cristianismo. Um reconhece que muitos homens estão infectados
com muitos vícios, e, até mesmo, nascem com uma propensão a eles; mas supõe, além disto, que em alguns
o bem natural contrabalança em muito o mal: O outro declara que todos os homens são concebidos no
pecado, 'e moldados na maldade', -- que, conseqüentemente, existe em cada homem 'uma mente carnal que
é inimiga de Deus; que não é, nem pode ser, objeto de' sua 'lei'; e que assim infecta toda a alma; que 'habita'
nele, 'em sua carne', em seu estado natural, 'nenhuma coisa boa', mas 'cada pensamento de seu coração é
mau', e tão somente mau; e isto, 'continuamente'.

2. Conseqüentemente, podemos aprender, em Segundo Lugar, que todo aquele que nega isto; que o
chama de pecado original; ou por algum outro título, são ainda considerados ateus, no ponto fundamental
que diferencia o Ateísmo do Cristianismo. Eles podem, na verdade, admitir que os homens têm muitos
vícios; que alguns desses vícios nasceram conosco; e que, conseqüentemente, não nascemos completamente
tão sábios, ou tão virtuosos, como deveria ser; existindo poucos que irão afirmar redondamente: 'Nós
nascemos com propensão, tanto para o bem, quanto para o mal; e todo homem, pela natureza, é virtuoso e
sábio, tanto quanto Adão foi quando de sua criação'. Mas aqui está o lema: Será que, pela natureza, o
homem está preenchido com toda forma de mal? Ele está vazio de todo bem? Ele está totalmente caído? Sua
alma é totalmente corrupta? Ou, para voltarmos ao texto, 'toda imaginação dos pensamentos de seu coração
são tão somente maus, e isto, continuamente?'. Se admitir isto, você estará longe de ser um cristão. Negar
isto, você, ainda assim, será um ateu.

3. Nós podemos aprender isto, em Terceiro Lugar, qual é a natureza própria da religião; da religião
de Jesus Cristo. A terapia da alma é o método de Deus para curar uma alma que está assim doente. Por isto,
o grande Médico das almas aplica medicamentos para curar esta enfermidade, para restaurar a natureza
humana, totalmente corrupta, em todas as suas faculdades. Deus cura todo o nosso Ateísmo, através do
conhecimento de Si Mesmo, e de Jesus Cristo, a quem Ele enviou; nos fortalecendo na fé, uma evidência e
convicção divina de Deus, e das coisas de Deus, -- em específico, desta importante verdade, 'Cristo me
amou – e deu a Si mesmo por mim'. Pelo arrependimento e mansidão de coração, a doença mortal do
orgulho é curada; através da resignação, humildade e submissão agradecida à vontade de Deus, a vontade
própria é curada; o amor de Deus sendo o remédio soberano para o amor do mundo, em todas as suas
ramificações. Agora, isto é propriamente religião; é a 'fé', assim, 'operando através do amor'; operando a
mansidão humilde genuína, a morte completa para o mundo, com o amor, e a aquiescência grata nele, e
conformidade para com toda a vontade e Palavra de Deus.

4. De fato, se o homem não tivesse, assim, caído, não haveria necessidade de tudo isto. Não haveria
oportunidade para este operar no coração; este renovar no espírito de nossa mente. A superficialidade da
religiosidade seria, então, uma mera expressão própria, assim como a 'superficialidade da perversidade'.
Porque uma religião exterior, sem qualquer religiosidade, afinal, seria suficiente para todos os intentos e
propósitos racionais. Assim sendo, seria suficiente, no julgamento daqueles que negam esta corrupção de
27

nossa natureza. Eles fazem muito pouco mais da religião, do que o famoso Sr. Hobbes fez da razão. De
acordo com ele, a razão é apenas 'uma bem organizada série de palavras': De acordo com eles, a religião é
apenas uma bem organizada série de palavras e ações. E eles falam consistentemente consigo, mesmos,
porque se o interior não for cheio de maldade; se isto já estiver limpo, o que permanece, a não ser 'a limpeza
do exterior de uma xícara?'. A reforma exterior, se a suposição deles for justa, é de fato, alguma coisa
necessária.

5. Mas nós não temos aprendido assim dos oráculos de Deus. Nós sabemos que aquele que busca o
que está no homem faz um relato diferente, tanto da natureza quanto da graça, de nossa queda e nossa
recuperação. Nós sabemos que a grande finalidade da religião é renovar nossos corações na imagem de
Deus; reparar aquela perda total de retidão e santidade verdadeira, que nós mantivemos, por conta do pecado
de nosso primeiro antepassado. Ainda assim, sabemos que toda religião que não responde a esta finalidade;
toda sorte de interrupção disto, da renovação de nossa alma na imagem de Deus, em busca da similitude
Dele que a criou, não é outra do que uma pobre farsa, e uma mera zombaria de Deus, para a destruição de
nossa própria alma. Oh! Previna-se daqueles professores de mentiras, que impingiria isto sobre você, como
Cristianismo! Não os leve em consideração, embora eles venham até você, com toda o engano da
iniqüidade; com toda lisura da linguagem; toda decência; sim, beleza e elegância de expressão; todas as
declarações de boa vontade sincera para com você, e reverência para com as Santas Escrituras. Mantenha o
plano da velha fé, 'uma vez, entregue aos santos', e entregue pelo Espírito de Deus aos nossos corações.
Conheça a sua enfermidade! Conheça a sua cura! Você nasceu no pecado: Por conseguinte, 'você deve
nascer de novo'; nascer de Deus. Pela natureza, você é totalmente corrupto. Pela graça, você está totalmente
renovado. Em Adão, todos morremos: No segundo Adão, em Cristo, todos fomos trazidos à vida. 'Você que
estava morto nos pecados, Ele tem vivificado'. Ele já deu a você o princípio da vida; até mesmo a fé Nele,
que o amou e deu a Si mesmo por você! Agora, 'vai de fé em fé', até que toda a doença será curada; e toda
aquela 'mente que esteve em Jesus Cristo, esteja também em você'.

[Editado por George Lyons da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a Wesley Center for Applied
Theology.]

O Novo Nascimento

"Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo" (João 3:7)

1. Se alguma doutrina, dentro de toda a extensão do Cristianismo, pode ser propriamente denominada
fundamental, essas duas, sem dúvida são elas: a doutrina da justificação, e aquela do novo nascimento. A
primeira relativa àquele grande trabalho o qual Deus operou por nós, perdoando nossos pecados; a última,
ao grande trabalho que Deus operou em nós, renovando nossa natureza caída. Na ordem do tempo, nenhuma
delas é colocada antes da outra: No momento em que nós estamos justificados, pela graça de Deus, através
da redenção que está em Jesus, nós somos também "nascidos do Espírito", mas, em ordem de pensamento,
como está denominada, justificação precede o novo nascimento. Nós, primeiro, temos em mente, sua ira
sendo desviada, e, então, seu Espírito operando em nossos corações.

2. De quão grande importância, então, deve ser para todos os filhos do homem, entenderem
completamente essas doutrinas fundamentais! Da total convicção disso, muitos homens excelentes têm
escrito bastante largamente a respeito da justificação, explicando cada ponto relativo a ela, e abrindo as
Escrituras que tratam a esse respeito. Muitos, igualmente, têm escrito sobre o novo nascimento: E alguns
deles, largamente suficiente; mas, ainda assim, não tão claramente como poderia ser desejado; nem tão
profundamente ou corretamente; tendo dado um relato obscuro, e de difícil compreensão, assim como,
insignificante e superficial. Entretanto, um completo, e, ao mesmo tempo, claro relato do novo nascimento
parece ser ainda esperado; de tal maneira, que possa ser capaz de nos dar uma resposta satisfatória a essas
três questões:
28

I. Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento da doutrina do novo nascimento?
II. Como nós devemos nascer de novo? Qual a natureza do novo nascimento?
III. Para que nós devemos nascer novamente? Para que finalidade ele é necessário?
IV. Essas questões, pela assistência de Deus, eu devo, responder, brevemente e plenamente; e,
então, acrescentar algumas poucas inferências as quais naturalmente se seguem:

(1) Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento dessa doutrina?

O alicerce dela é tão remoto quanto a criação do mundo; num relato bíblico, a respeito do que nós
lemos: (Gen. 1:26,27) "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar; sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e
sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus
o criou; homem e mulher os criou". — Não somente, em sua imagem natural, um retrato de sua própria
imortalidade; uma existência espiritual, Doda com entendimento, liberdade de vontade,e afecções várias; —
não meramente em sua imagem política, de governador desse mundo aqui de baixo, tendo "domínio sobre os
peixes do mar, e sobre toda a terra"; — mas, principalmente, em sua imagem moral; que, de acordo com o
Apóstolo, em (Efésios 4:24) "E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão
precedentes da verdade". Nessa imagem de Deus o homem foi feito. "Deus é amor". Por conseguinte, o
homem de sua criação era cheio de amor; que era o princípio único de todo seu temperamento, pensamentos,
palavras e ações. Deus é cheio de justiça, misericórdia, e verdade; de modo que assim era o homem, quando
ele veio das mãos de seu Criador.

Deus é imaculadamente puro; e assim o homem era, no início; puro de toda mancha de pecado; do
contrário, Deus não o teria pronunciado, tanto quanto toda obra de suas mãos, "bem feita" (Gen. 1:31) "Viu
Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". Isto ele não seria, se ele não estivesse puro do pecado, e
cheio com a retidão e a santidade verdadeira. Porque não existe meio termo: se nós supomos uma criatura
inteligente que não ame a Deus, que não seja reta e santa, nós necessariamente supomos que, afinal, não seja
uma boa pessoa; muito menos, que seja "muito boa".

(2) Mas, embora o homem tenha sido feito a imagem de Deus, ainda assim, ele não foi feito
imutável.

Isso teria sido inconsistente com o estado de experimentação, na qual Deus estava satisfeito de situá-
lo. Ele foi, entretanto, criado capaz de permanecer nele, e ainda sujeito a cair. E isso o próprio Deus o
notificou a respeito, e deu a ele um aviso solene contra. Contudo, o homem não subsistiu na honra: Ele caiu
do seu alto posto. Ele "comeu da árvore que o Senhor tinha ordenado a ele que não comesse". Por esse ato
proposital de desobediência ao seu Criador, essa rebelião clara contra o Todo-Poderoso, ele declarou
abertamente que não poderia ter as regras de Deus sobre ele, por muito tempo. Que ele seria governado por
sua própria vontade, e não a vontade Dele que o criou; e que ele não buscaria sua felicidade em Deus, mas
no mundo, no trabalho de suas mãos. Agora, Deus disse a ele: "No dia em que comeres" daquele fruto, "tu
certamente morrerás". E a palavra do Senhor não pode ser quebrada. Por conseguinte, naquele dia, ele
morreu: ele morreu para Deus, — a mais terrível das mortes. Ele perdeu a vida de Deus. Ele foi separado
Dele, em cuja união sua vida espiritual consiste.

O corpo morre, quando ele é separado da alma; a alma, quando ela é separada de Deus. Mas essa
separação de Deus, Adão manteve nesse dia, no momento em que ele comeu do fruto proibido. E disso, ele
deu prova imediata; presentemente, mostrando, por seu comportamento, que o amor de Deus fora extinguido
em sua alma, e que agora era "alienado da vida de Deus". Em vez disso, ele estava debaixo do poder servil
do medo, de modo que ele fugia da presença do Senhor. Sim, tão pouco ele reteve, até mesmo, do
conhecimento Dele que encheu os céus e a terra, que ele se esforçou para "esconder a si mesmo do Senhor
Deus, entre as árvores do Jardim". (Gen. 3:8). Assim sendo, ele perdeu tanto o conhecimento quanto o amor
de Deus, sem o que a imagem de Deus não poderia subsistir. Disso, entretanto, ele foi despojado, no mesmo
29

instante, e tornou-se impuro e infeliz. Nessa oportunidade, ele afundou no orgulho e vontade própria, a
mesma imagem do diabo; e nos apetites sexuais e desejos; a imagem das bestas que perecem.

(3) Se tivesse sido feita apenas uma ameaça, 'no dia em que comeres dele, tu certamente morrerás',
referindo à morte temporal; apenas essa; à morte do corpo, tão somente", a resposta seria clara: afirmar isso
é positivamente e palpavelmente fazer de Deus um mentiroso; asseverar que o Deus da verdade
positivamente afirmou o contrário da verdade. Porque é evidente que Adão não morreu nesse sentido, "no
dia em que ele comeu do fruto". Ele viveu, ao contrário, novecentos anos mais. De maneira que isso não
poderia ser possivelmente entendido como a morte do corpo, sem contestar a veracidade de Deus. Isto deve
ser entendido, no entanto, como a morte espiritual; a perda da vida e imagem de Deus.

(4) E, em Adão, todos morreram; toda a espécie humana; todos os filhos dos homens estavam, então,
na força motriz de Adão. A conseqüência natural disso é que cada um dos descendentes dele veio para o
mundo, espiritualmente morto; morto para Deus; totalmente morto no pecado; inteiramente vazio da vida de
Deus; vazio da imagem de Deus, de toda retidão e santidade, na qual, Adão foi criado. Em vez disso, todo
homem nascido no mundo carrega agora a imagem do diabo, no orgulho e amor-próprio; a imagem da besta,
nos apetites sexuais e desejos. Isso, então, é o fundamento do novo nascimento —, a corrupção total de
nossa natureza. Assim sendo, que, tendo nascido no pecado, nós devemos "nascer novamente".
Conseqüentemente, cada um que é nascido de uma mulher deve ser nascido do Espírito de Deus.

II

(1) Mas, quanto é necessário que um homem nasça de novo? Qual a natureza do novo nascimento?

Essa é a segunda pergunta. E é uma questão, no momento mais importante que pode ser concebida.
Nós não devemos, entretanto, num assunto tão grave, nos contentar com uma inquisição insignificante; mas
examiná-la, com todo o cuidado possível, e ponderá-la, em nossos corações, até que entendamos
completamente esse ponto importante, e vejamos claramente como nós devemos nascer novamente.

(2) Nem devemos esperar, em momento algum, um relato filosófico da maneira como isso é feito.
Nosso Senhor nos guardou suficientemente contra tal expectativa, pelas palavras que se seguem
imediatamente ao texto; onde ele lembra Nicodemos do fato tão incontestável quanto qualquer um em todo o
contexto da natureza, que, não obstante o homem mais sábio debaixo do sol não é capaz de explicar
totalmente. "O vento sopra para onde quer", — não através do teu poder ou sabedoria; "e tu ouves o som
dele", – tu estás absolutamente seguro, sem sombra de dúvida, que ele sopra; "mas tu não podes dizer de
onde ele vem, nem para onde ele vai"; — a maneira precisa como ele começa e termina, se levanta e cai,
nenhum homem pode dizer. "Assim é todo aquele que é nascido do Espírito". — Tu podes estar
absolutamente seguro do fato, assim como do sopro do vento; mas a maneira precisa como ele é feito, como
o Espírito Santo trabalha isso na alma, nem tu, nem o mais sábio dos filhos dos homens é capaz de explicar.

(3) De qualquer modo, é suficiente para todo propósito racional e cristão, que, sem cair na mera
curiosidade, das inquisições críticas, nós podemos dar um relato bíblico claro da natureza do novo
nascimento. Isso irá satisfazer todo homem razoável, que deseja apenas a salvação de sua alma. A expressão
"ser nascido de novo" não foi primeiramente usada por nosso Senhor em sua conversa com Nicodemos: Ela
foi conhecida antes daquele tempo, e foi de uso comum entre os judeus, quando nosso Senhor apareceu no
meio deles. Quando um pagão adulto estava convencido de que a religião judaica era de Deus, e desejava
fazer parte dela, era costume batizá-lo, e se dizia que ele nasceu de novo; ou seja, aquele que era antes um
filho do diabo, era agora, adotado na família de Deus, e considerado um de seus filhos. Essa expressão,
entretanto, que Nicodemos, sendo um "professor em Israel", deveria ter entendido bem, nosso Senhor usa na
conversa com ele; apenas que num sentido mais forte do que ele estava acostumado. E isso seria a razão de
sua pergunta: "Como essas coisas podem ser?". Elas não poderiam ser literalmente: — Um homem não pode
"entrar, uma segunda vez, no útero de sua mãe, e nascer novamente": — Mas essas coisas podem ser
compreendidas espiritualmente: Um homem pode nascer do alto; nascer de Deus; nascer do Espírito; numa
forma que conduz a uma analogia bem próxima do nascimento natural.
30

(4) Antes de uma criança nascer no mundo, ela tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve.
Ela tem o mesmo uso imperfeito de qualquer outro sentido. Ela não tem o conhecimento de qualquer outra
coisa do mundo, ou qualquer outro entendimento natural. Para esta maneira de existência, em que ela se
encontra, então, nós não podemos dar o nome de vida. É apenas quando um homem nasce, que nós podemos
dizer que ele começa a viver. Já que, tão logo nasce, ele começa a ver a luz, e os vários objetos que estão ao
seu redor. Seus ouvidos, então, estão abertos, e ele ouve os sons que sucessivamente chegam até eles. Ao
mesmo tempo, todos os outros órgãos do sentido começam a ser exercitados em seus objetos apropriados.
Ele igualmente respira, e vive de uma maneira totalmente diferente do que ele vivia anteriormente.

Quão exato paralelo existe em todos esses exemplos! Enquanto um homem está, em um estado
meramente natural, antes de ser nascido de Deus, ele tem, em um sentido espiritual, olhos e não vê; um véu
grosso e impenetrável se estende sobre eles; ele tem ouvidos, mas não ouve; ele está totalmente surdo para o
que ele deve, mais do que tudo, estar preocupado em ouvir. Seus outros sentidos espirituais estão
encarcerados: Ele está, na mesma condição, como se ele não os tivesse. Por esse motivo, ele não tem
conhecimento de Deus; nenhuma relação com ele; ele não está, afinal, familiarizado com ele. Ele não tem o
conhecimento verdadeiro das coisas de Deus, assim como, das coisas espirituais ou eternas; assim sendo,
embora ele seja um homem vivente, ele é um cristão morto. Mas, tão logo ele é nascido de Deus, há uma
mudança total em todas essas particularidades. Os "olhos de seu entendimento são abertos"; (tal é a
linguagem do grande Apóstolo); e, Ele, que nos tempos antigos, "ordenou que a luz brilhasse fora da
escuridão, brilhando em seu coração, ele vê a luz da glória de Deus"; seu amor glorioso, "na face de Jesus
Cristo". Com seus ouvidos abertos, ele é agora capaz de ouvir a voz interior de Deus dizendo: "Tenha
ânimo! Teus pecados foram perdoados de ti! Vá, e não peques mais!".

Esse é o significado do que Deus fala ao seu coração; embora que, talvez, não nessas mesmas
palavras. Ele está pronto a ouvir o que quer que "Ele, que leva ao homem conhecimento", se agrada de
revelar a ele, de tempos em tempos. Ele "sente em seu coração" (para usar as palavras de nossa igreja), "o
trabalho poderoso do Espírito de Deus"; não, em um sentido grosseiro e carnal, como o homem do mundo,
estúpida e obstinadamente, mal interpreta a expressão; e, embora tenha sido dita a eles, várias vezes, nós não
queremos dizer, nem mais, nem menos do que isso: Ele sente, e está interiormente sensível a isso, as graças
com as quais o Espírito de Deus opera em seu coração. Ele sente, e está consciente disso, a "paz que excede
todo entendimento". Ele, muitas vezes, sente tal alegria "inexprimível em Deus, e cheia de glória". Ele sente
"o amor de Deus, espalhando-se, por todo seu coração através do Espírito Santo que é dado a ele": e todos os
seus sentidos espirituais são, então, exercitados para discernir o bem e o mal espiritual.

Através do uso desses sentidos, ele está diariamente progredindo, no conhecimento de Deus, e de
Jesus Cristo, a quem Ele enviou, e em todas as coisas pertinentes ao seu reino interior. E agora ele pode
dizer, com toda propriedade, que ele vive: Deus o tendo vivificado, pelo seu Espírito, ele está vivo para
Deus, por meio de Jesus Cristo. Ele vive a vida que o mundo não conhece, a "vida que se oculta com Cristo
em Deus". Deus está continuamente respirando, assim como antes, em sua alma; e ela está respirando em
Deus. A graça está em seu coração; e oração e louvor sobem aos céus: E, por esse intercurso entre Deus e o
homem; essa camaradagem com o Pai e o Filho, assim como através de uma espécie de respiração espiritual,
a vida de Deus em sua alma se mantém; e o filho de Deus cresce, até que ele se torna da "mesma medida e
estatura de Cristo".

(5) Disso, evidentemente aparece qual é a natureza do novo nascimento: a grande mudança que Deus
opera na alma, quando ele a traz para a vida; quando ele a ergue, de entre os mortos do pecado, para a vida
de retidão. É a mudança forjada, em toda a alma, através do poderoso Espírito de Deus, quando ela é "criada
de novo em Jesus Cristo"; quando ela é "renovada na busca da imagem de Deus, na retidão e santidade
verdadeira"; quando o amor do mundo é trocado pelo amor de Deus; orgulho pela humildade; paixão pela
brandura; o ódio, a inveja, e malícia, pelo amor sincero, terno e desinteressado por toda a humanidade. Em
uma palavra, é aquela mudança onde a mente mundana, sensual e diabólica torna-se "a mente que estava em
Jesus Cristo". Essa é a natureza do novo nascimento: "Assim é todo aquele que é nascido do Espírito".
31

III

(1) Não é difícil para aquele que tem considerado essas coisas, ver a necessidade do novo
nascimento, e responder à terceira questão: Para que; com que finalidade é necessário que nós nasçamos
novamente?

É muito facilmente discernido que isto é necessário. Primeiro, com o objetivo da santidade. Mas o
que é santidade de acordo com a Palavra de Deus? Não uma mera religião externa, um círculo de obrigações
exteriores, quantas sejam elas exatamente; e quão exatamente sejam executadas. Não: A santidade
evangélica não é menos do que a imagem de Deus, estampada no coração; não é outra, do que toda a mente
que estava em Jesus Cristo; ela consiste de todas as afeições celestes e temperamentos entrosados em um.
Ela implica em tal amor ininterrupto e agradecido a Ele que não impediu seu Filho de nós; seu único filho;
quando torna natural, e de certa maneira necessário a nós, que amemos cada filho do homem; quando nos
preenche com misericórdia, bondade, gentileza, e longanimidade.

Tal é o amor que nos ensina a sermos irrepreensíveis, em todas as formas de conversação; como a
nos capacitar a apresentar nossas almas e corpos; tudo que somos e temos; todos os nossos pensamentos,
palavras e ações, como um sacrifício contínuo para Deus, aceitável através de Jesus Cristo. Agora, essa
santidade pode não ter existência, até que sejamos renovados na imagem de nossa mente. Ela não se
principia na alma, até que a mudança seja forjada; até que, pelo poder do Altíssimo esteja sobre nós, e
sejamos "trazidos das trevas para a luz; do poder do diabo, para Deus"; ou seja, até que nasçamos
novamente; o que, entretanto, é absolutamente necessário, com o objetivo da santidade.

(2) Mas, "sem santidade, nenhum homem verá o Senhor"; poderá ver a face de Deus na glória. Como
conseqüência, o novo nascimento é absolutamente necessário para a salvação externa. Os homens podem, de
fato, enganarem a si mesmo (tão desesperadamente mau, e tão enganoso é o coração do homem!),
acreditando que eles podem viver, em seus pecados, até que venham para o último fôlego, e, mesmo assim,
mais tarde, viverem com Deus; milhares realmente acreditam, que eles encontraram um caminho largo, que
não conduz à destruição. "Que perigo", eles perguntam, "pode uma mulher ser, naquele que é tão inofensivo
e virtuoso? Que medo há de que um homem tão honesto; alguém de tão estrita moralidade possa perder o
paraíso; especialmente se, além de tudo isso, ele constantemente atender à igreja e aos sacramentos?".

Alguém irá perguntar com toda segurança: "O que! Eu não faço o bem ao meu próximo?". Sim, você
faz, assim como seus vizinhos profanos; tanto quanto seus vizinhos que morrem em seus pecados! Porque
vocês todos irão cair na mesma cova juntos; no inferno mais baixo! Vocês irão juntos para o lago de fogo;
"o lago de fogo que queima com enxofre". Então, por fim, vocês verão a Deus (mas Deus concede que vocês
possam ver antes!) a necessidade da santidade, com o objetivo da glória; e, conseqüentemente, do novo
nascimento, uma vez que ninguém pode ser santo, exceto se nascer de novo.

(3) Por esse mesmo motivo, exceto se tiver nascido de novo, ninguém poderá ser feliz, mesmo nesse
mundo. Já que é impossível, pela natureza das coisas, que um homem possa ser feliz, sem que seja santo.
Mesmo o poeta pobre e profano nos diria, "nenhum homem mau é feliz". A razão é clara: Todo
temperamento, que não é santo, é temperamento difícil: Não apenas a malícia, ódio, inveja, ciúme e desejo
de vingança criam um inferno presente no peito, mas também as paixões mais brandas, se não mantidas
dentro dos limites, trazem, milhares de vezes, mais dores do que prazer.

Até mesmo a "esperança", quando "adiada" (e quão freqüentemente esse é o caso!) "torna o coração
doente", e todo desejo que não está de acordo com a vontade de Deus está propenso a nos "despedaçar,
através das muitas tristezas": E todas essas fontes gerais de pecado — orgulho, vontade-própria, e idolatria
— são, na mesma proporção que predominam, fontes de miséria geral. Entretanto, por quanto tempo, esses
sentimentos reinarem, em nossa alma, a felicidade não terá lugar nela. No entanto, eles devem reinar até que
a propensão de nossa natureza seja mudada; até que nós nasçamos de novo; conseqüentemente, o novo
nascimento é absolutamente necessário, para que exista felicidade nesse mundo, do mesmo modo que no
mundo que a de vir.
32

IV

Eu propus, em Último lugar, acrescentar algumas poucas inferências, que naturalmente se seguem
das observações precedentes.

(1) O batismo não é novo nascimento: Eles não são um só, e a mesma coisa. Muitos realmente
parecem imaginar que eles são exatamente o mesmo; pelo menos, eles falam, como se eles pensassem dessa
forma; mas eu não sei se esta opinião é publicamente admitida, através de qualquer denominação cristã que
seja. Certamente, não é através de alguma dentro desses reinos, se da Igreja Estabelecida, ou da parte
dissidente dela. O julgamento da última é claramente declarado em um amplo Catecismo:

"Quais são as partes de um sacramento?".


As partes de um sacramento são duas: uma é o sinal exterior e sensível; a outra, a graça interior e
espiritual; desse modo, representado.

"O que é batismo?".


O batismo é um sacramento, em que Cristo ordenou a lavagem com água, como sinal e selo da
regeneração pelo seu Espírito.

Aqui está manifesto que o batismo, o sinal, é falado, de maneira distinta, da regeneração, e a coisa
representada.

O julgamento de nossa Igreja está declarado com a mais extrema clareza:

"O que queres tu dizer com a palavra sacramento?".


Eu quero dizer o sinal exterior e visível da graça interior e espiritual.

"Qual é a parte exterior ou forma no batismo?".


A água, onde a pessoa é batizada, em nome do Pai, Filho e Espírito Santo.

"Qual é a parte interior, ou conseqüência?".


A morte no pecado, e um novo nascimento na retidão. Nada, entretanto, é mais claro do que isto: de
acordo com a Igreja da Inglaterra, o batismo não é o novo nascimento. O motivo é tão claro e evidente que
não precisa de outra autoridade.

"No que pode ser mais claro, para uma pessoa, do que uma coisa visível, e outra invisível, e,
conseqüentemente, totalmente diferente uma da outra?".
Uma sendo o ato do homem, purificando o corpo; e a outra, a mudança forjada por Deus na alma:
De modo que a primeira distingue-se justamente da última, assim como a alma do corpo, ou a água do
Espírito Santo.

2) Das reflexões precedentes, nós podemos, em Segundo Lugar, observar que, como o novo
nascimento não é a mesma coisa que o batismo, então, ele nem sempre acompanha o batismo: Eles não
andam constantemente juntos. Um homem pode possivelmente "nascer da água", e, ainda assim, "não nascer
do Espírito". Pode existir, algumas vezes, sinal exterior, quando não existe a graça interior. Eu não falo com
respeito às crianças: É certo que nossa Igreja supõe que todo aquele que é batizado, na infância, estão, ao
mesmo tempo, nascendo de novo; e é permitido que o Ofício total do Batismo das Crianças origine-se dessa
suposição. Nem é alguma objeção, de qualquer relevância, contra o fato de que nós não podemos
compreender como esse trabalho pode ser forjado nas crianças. Já que nós nem podemos compreender,
como ele é forjado na pessoa na idade madura. Mas, qualquer que seja o caso com as crianças, é certo que
todos aqueles, em idade madura, que sejam batizados, não estão, ao mesmo tempo, nascendo novamente. "A
árvore é conhecida pelos seus frutos". E, por meio disso, parece muito claro, para ser negado, que diversos
33

desses que foram crianças do mal, continuem a ser os mesmos depois do batismo: "já que eles fazem o
trabalho do pai deles": Eles continuam servos do pecado, sem pretensão à santidade interior, ou exterior.

(3) A Terceira inferência, que nós podemos esboçar do que tem sido observado, é que o novo
nascimento não é o mesmo que santificação. Isto é tomado realmente como confirmado por muitos;
particularmente, por um eminente escritor, em seu último tratado sobre "A Natureza e Alicerces da
Regeneração Cristã". Para acenar diversas outras objeções relevantes, que poderiam ser feitas para aquele
tratado, aqui está uma que é palpável: Há muito tempo, tem-se falado da regeneração, como um trabalho
progressivo, que é levado, na alma, através de graus vagarosos, do momento de nosso primeiro regresso para
Deus. Isso é, incontestavelmente, a verdade da santificação; mas o novo nascimento não é verdade da
regeneração. Essa é uma parte da santificação, não, o todo; é o portal para ela; a sua entrada. Quando nós
nascemos novamente, então, nossa santificação - nossa santidade interior e exterior - começa; e, daquele
momento em diante, gradualmente, "crescemos Nele que é nossa Cabeça". Essa expressão do Apóstolo
ilustra admiravelmente a diferença entre uma e a outra; e, posteriormente aponta a exata analogia que há
entre as coisas naturais e espirituais. A criança nascida da mulher, de repente, ou depois de um curto espaço
de tempo, gradualmente, e com crescimentos sucessivos, chega à estatura de um homem; dessa mesma
forma, a criança que nasce de Deus, em um curto período de tempo, se não, imediatamente, através de
passos sucessivos, chega à medida de toda estatura de Jesus Cristo. A mesma relação, entretanto, que há
entre nosso nascimento natural e nosso crescimento para a vida adulta, existe também entre nosso novo
nascimento e nossa santificação.

(4) Um ponto a mais que podemos aprender, das observações precedentes, é um ponto de tão grande
importância, que não podemos nos recusar de considerá-lo, mais cuidadosamente, dando seguimento a ele,
com alguma minúcia.

O que deve alguém que ama as almas dos homens, e está angustiado que nenhuma delas possa
perecer, dizer àqueles que ele vê, não respeitando o dia do Senhor; vivendo a embriaguez; ou qualquer outro
pecado obstinado? O que ele pode dizer, se as observações precedentes são verdadeiras, a não ser que "ele
deve nascer de novo?".

"Não", diz um homem zeloso, "isto não pode ser! Como você pode falar, de maneira, não
misericordiosa a este homem? Ele já não havia se batizado? Então, ele não pode nascer novamente!".

Ele não pode nascer de novo? E isto que você está afirmando? Então, ele não pode ser salvo! Embora
ele tenha uma idade tão avançada como Nicodemos tinha, ainda assim, "exceto se ele nascer novamente, ele
não poderá ver o reino de Deus". Por conseguinte, ao dizer que "ele não pode nascer novamente", você, de
fato, o está entregando à condenação; E onde se está a falta de misericórdia agora? Do meu lado, ou do seu?
Eu repito que ele deve nascer de novo, e, então, se tornar um herdeiro da salvação. Você diz, "Ele não pode
nascer de novo": Se fosse assim, ele inevitavelmente iria perecer! Assim, você impede totalmente o caminho
da salvação dele, e o envia ao inferno, fora da mera caridade!

Mas, talvez, o próprio pecador, a quem, na verdadeira misericórdia, podemos dizer, "Você deve
nascer novamente", tenha sido ensinado a dizer, "Eu desprezo sua nova doutrina; eu não preciso nascer
novamente; eu nasci novamente, quando fui batizado. O que! Você quer que eu negue o meu batismo?".

Eu respondo, Primeiro, que não há nada, debaixo dos céus, que possa desculpar uma mentira; caso
contrário, eu diria a um pecador declarado: se você foi batizado, você não possuiu isto. Quão potencialmente
isso agrava a sua culpa! Como aumentará a sua condenação! Você estava devotado a Deus, aos oito anos de
idade? E, todos esses anos, você não tem sido devotado ao diabo? Você não foi, mesmo antes do uso da
razão, consagrado a Deus, ao Pai, ao Filho, e ao Espírito Santo? E você, desde que começou a fazer uso dela,
não tem flutuado, na face de Deus, e consagrado a si mesmo ao diabo?

A abominação da desolação - o amor da palavra, orgulho, ira, luxúria, desejos tolos, e toda série de
afeições vis – está onde não deveria estar? Você não tem colocado todas as coisas execráveis, naquela alma
34

que, uma vez, foi o templo do Espírito Santo; reservada para a "habitação de Deus, através do Espírito"; sim,
solenemente, entregue a ele? E você não se gloria nisso, de que você, uma vez, pertenceu a Deus? Oh!
Envergonhe-se! Enrubesça! Esconda-se na terra! Não se glorie mais do que o preenche com confusão, e faz
com que você se envergonhe diante de Deus e do homem!

Eu respondo, em Segundo Lugar, você já negou o seu batismo; e isto, da maneira mais eficaz. Você
o negou, milhares de vezes; e você ainda o nega, dia-a-dia; já que, em seu batismo, você renunciou ao mal, e
às todas as suas obras. Quando quer, entretanto, que você dá lugar a ele novamente; quando quer que você
realize alguma de suas obras, então, você nega o seu batismo. Por conseguinte, você o nega, por meio dos
pecados obstinados; por meio de todos os atos de sujidade, bebedeira, ou vingança; por meio de toda palavra
obscena e profana; através de praga que sai de sua boca. Todo tempo, você profana o dia do Senhor; você,
por meio disso, nega seu batismo; sim, todo tempo, você faz alguma coisa para alguém, que você não
gostaria que ele fizesse a você.

Eu respondo, Terceiro Lugar, seja batizado ou não, "você deve nascer de novo"; do contrário, não é
possível que você seja santo internamente; e sem a santidade interior, assim como a exterior, você não pode
ser feliz, mesmo nesse mundo, muito menos, no mundo que há de vir.

Você diz: "Não, eu não causo dano algum a qualquer homem; eu sou honrado e justo em meus
procedimentos; eu não praguejo, ou tomo o nome do Senhor em vão; eu não profano o dia do Senhor; eu não
sou alcoólatra; eu não difamo meu próximo, nem vivo, em qualquer pecado obstinado". Se for dessa forma,
que todo homem chegue até onde você chegou; no entanto, ainda assim, você deve ir mais longe, ou você
não poderá ser salvo: ainda assim, você deve "nascer de novo‖.

E você acrescenta: "Eu já fui além; já que eu, não apenas, não causo dano, como faço todo bem que
posso". Eu duvido desse fato; eu temo que você teve milhares de oportunidades de fazer o bem, o qual você
sofreu para executar, por não estar aperfeiçoado, e pelo qual, por conseguinte, você é responsável perante
Deus. Mas, se você os tem melhorado; se você tem realmente feito todo o bem, que você possivelmente
poderia fazer a todo homem, ainda assim, isso, de forma alguma, altera seu caso; "você ainda deve nascer
novamente". Sem isso, nada fará bem à sua pobre, pecadora e contaminada alma.

"Não, mas eu atendo constantemente todas as ordenanças de Deus: eu mantenho minha igreja e o
sacramento". É bom que você o faça: Mas, tudo isso não irá mantê-lo longe do inferno, exceto se você
nascer novamente. Ir à igreja, duas vezes ao dia; sentar-se à mesa do Senhor, toda semana; orar sempre em
privativo; ouvir sempre os bons sermões; ler sempre todos os bons livros; ainda assim, "você deve nascer de
novo". Nenhuma dessas coisas irá substituir o lugar do novo nascimento; não, nem qualquer outra coisa
debaixo dos céus. Permita-se, entretanto, se você ainda não experimentou essa obra interna de Deus, estar
em oração contínua: "Senhor, acrescenta isso a todas as tuas bênçãos, -- que eu possa nascer novamente!
Negues o que quer que te agrades, mas não negues isto; deixa-me 'nascer do alto!'. Joga fora o que quer que
pareça a ti bom – reputação, fortuna, amigos, saúde – e apenas dá-me isto, nascer do Espírito; ser recebido
entre os filhos de Deus! Deixa-se nascer 'não, da semente corruptível, mas incorruptível, através da palavra
de Deus, que vive e que permanece para sempre'; e, então, deixa-me diariamente 'crescer na graça e no
conhecimento de nosso Senhor, e Salvador Jesus Cristo!".

**

Este sermão foi originalmente editado por Michael Anderson, estudante da Northwest Nazarene
College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para o Wesley Center for Applied Theology. Ele foi
designado para o "John Wesley Holiness of Heart and Life" web site at http://gbgm-
umc.org/UMW/Wesley/index.html.

O Estado De Deserto
35

'Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se
alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará'. (João 16:22)

1. Depois de Deus ter operado um grande livramento para Israel, trazendo seu povo para fora da casa
de escravidão, eles não entraram imediatamente na terra que Ele havia prometido aos seus antepassados;
mas 'perderam o caminho no deserto', e foram variavelmente tentados e afligidos. De igual maneira, depois
de Deus tê-los livrado daquele medo da escravidão do pecado e satanás; depois que eles foram 'justificados
livremente, pela Sua graça, através da redenção que está em Jesus', ainda assim, não muitos deles, entraram
imediatamente 'no descanso que permanece para o povo de Deus'. A grande parte deles perdeu-se, mais ou
menos, do bom caminho que Ele trouxe a eles. Eles vieram, por assim dizer, para um 'enorme deserto
devastado', onde foram tentados e atormentados de várias maneiras. E isto, alguns, em alusão ao caso dos
israelitas, têm denominado 'um estado de deserto'.

2. É certo que a condição em que esses se encontraram merece a mais terna compaixão. Eles
labutaram debaixo de doenças terríveis e maléficas; embora comumente não compreendessem bem; e, por
esta mesma razão, foi mais difícil a eles encontrarem um remédio. Não é possível supor que eles mesmos,
estando na escuridão, entenderam a natureza da própria enfermidade; e poucos desses irmãos; talvez, de seus
professores, sabiam a doença deles, assim como curá-la. Assim sendo, existe ainda mais necessidade de
inquirir:

I. Em Primeiro Lugar, qual a natureza desta enfermidade?

II. Em Segundo Lugar, qual a causa?

III. Em Terceiro Lugar, qual a cura para ela?

1. Primeiro: Qual a natureza desta enfermidade, que acometeu a tantos, depois que eles creram? No
que ela propriamente consiste; e quais são os sintomas genuínos dela?

Em Primeiro Lugar, ela consiste propriamente na perda daquela fé que Deus, uma vez, forjou em
seus corações. Eles que estão no deserto, não têm agora a 'evidência' divina; aquela convicção satisfatória
'das coisas não vistas', da qual eles desfrutaram uma vez. Eles não têm aquela demonstração interior do
Espírito que, antes, os capacitava a dizer: 'A vida que eu vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me
amou, e deu a si mesmo por mim'. A luz dos céus não mais 'brilha em seus corações', nem eles 'vêem a ele
que é invisível'; mas a escuridão está novamente no semblante de suas almas, e a cegueira nos olhos de seu
entendimento. O Espírito Santo, não mais 'testemunha com seus espíritos, que eles são filhos de Deus'; nem
Ele continua como o Espírito de adoção, 'clamando' em seus corações, 'Aba, Pai'. Eles não têm mais
confiança certa em seu amor, e a liberdade de aproximar-se dele com coragem santa. 'Embora ele me mate,
ainda assim, eu irei confiar nele', não é mais a linguagem de seus corações; mas eles perderam suas forças, e
se tornaram débeis e fracos de espírito, assim como os outros homens.

2. Disto, Em Segundo Lugar, sucede a perda do amor; que não pode deixar de nascer e morrer, ao
mesmo tempo, e na mesma proporção, que a fé verdadeira e viva. Assim sendo, eles que estavam
desprovidos de sua fé, foram também desprovidos do amor de Deus. Eles não puderam dizer: 'Senhor, tu
sabes todas as coisas; tu sabes que eu amo a Ti'. Eles não estavam felizes em Deus, como todos os que
verdadeiramente O amam. Eles não mais se deleitaram Nele, como no passado, e 'sentiram o aroma de seu
ungüento'. Antes, todos 'os desejos' deles 'eram junto a Ele, e na lembrança de Seu nome'; agora, mesmo
seus desejos estavam frios e sem vida; se não, extremamente extinguidos. E como o amor deles para com
Deus tornou-se frio, então, também o seu amor para com seu próximo. Agora, eles não mais tinham aquele
zelo pelas almas dos homens; aquele desejo em busca do bem-estar deles; aquele desejo ardoroso, irrequieto,
e ativo de serem reconciliados para Deus. Eles não mais sentiam aquelas 'entranhas de misericórdia', pela
36

ovelha perdida, -- aquela 'compaixão pelo ignorante, e por aqueles que estavam fora do caminho'. Antes,
eles 'eram gentis em direção a todos os homens'; humildemente instruindo tais que se opunham à verdade; e,
'se alguém era surpreendido na falta, restauravam-no, no espírito da submissão': Mas, depois de uma
pausa; talvez, de muitos dias, a ira começou a readquirir seu poder; sim, a impertinência e a impaciência
causaram-lhes dores, até que eles caíram; ainda que, algumas vezes, não fossem dirigidos a 'pagar o mal
com o mal, e a injúria com a injúria'.

3. Em conseqüência da perda da fé e amor, segue-se, Em Terceiro Lugar, a perda da alegria no


Espírito Santo. Porque, se não mais existe a consciência do perdão, a alegria resultante dela não poderá
permanecer. Se o Espírito não mais testemunha com nosso espírito que somos filhos de Deus, a alegria que
fluía do testemunho interior deverá também estar no fim. E, de igual maneira, eles que, uma vez, se
'regozijaram com alegria inexprimível', 'na esperança da glória de Deus', agora se encontram desprovidos
daquela 'esperança completa da imortalidade'; desprovidos da alegria que ela proporcionava; como também,
daquela que resultava da consciência do 'amor de Deus', então, 'espalhado por todo seus corações'. Uma vez
a causa, sendo removida, então, também o efeito: Com a fonte sendo represada, essas águas vívidas não
mais brotavam frescas para a alma sedenta.

4. Com a perda da fé, amor e alegria, Em Quarto Lugar, sucede também a perda da paz que antes
ultrapassava todo o entendimento. Aquela doce tranqüilidade de mente, aquela mansidão de espírito não
mais existem. Dúvidas dolorosas retornam; dúvidas, se, alguma vez, cremos, ou, talvez, se deveremos crer.
Começamos a duvidar, se encontramos, em nossos corações, o testemunho real do Espírito; se, antes, não
enganamos nossas almas, e tomamos a voz da natureza, pela voz de Deus. Mais do que isto, se alguma vez,
ouviremos a voz Deus e encontraremos favor aos Seus olhos. E essas dúvidas estavam novamente reunidas
ao medo servil, ao medo que causava tormento. Assim como antes de crermos, passamos a temer a ira de
Deus: Tememos, com receio de que pudéssemos ser tirados de Sua presença; e, por isto, mergulharmos
novamente naquele medo da morte, do qual tínhamos sido libertos anteriormente.

5. Mas, mesmo isto não é tudo; porque a perda da paz é acompanhada com a perda do poder. Nós
sabemos que todo aquele que tem paz com Deus, através de Jesus Cristo, tem poder sobre todo o pecado.
Mas quando quer que ele perca a paz de Deus, ele perde também o poder sobre o pecado. Enquanto esta paz
permanece, o poder também permanece; mesmo sobre o pecado constante, se pecado da sua natureza,
constituição, educação, ou aquele de sua crença; sim, e sobre todos aqueles temperamentos e desejos
pecaminosos que, até então, ele não pôde vencer; o pecado, então, não tinha mais domínio sobre ele; mas
agora, ele é que não tem mais domínio sobre o pecado. De fato, ele pode se esforçar, mas não pode vencer; a
coroa saiu de sua cabeça. Seus inimigos novamente prevalecem sobre ele, e, mais ou menos, o trazem
cativo. A glória está separada dele, mesmo o reino de Deus que estava em seu coração. Ele está despojado
da retidão, assim como da paz e alegria no Espírito Santo.

II

1. Tal é a natureza do que muitos têm denominado, e não impropriamente, 'O Estado de Deserto'.
Mas a natureza dele pode ser mais completamente entendida inquirindo, Em Segundo Lugar, quais são as
causas dele?

Essas, de fato, são várias. Mas eu não me atrevo a enumerar, em meio a essas, a mera e soberana
vontade de Deus. Ele 'se regozija na prosperidade de seus servos: Ele se deleita, não em afligir ou em
molestar os filhos dos homens'. Sua vontade invariável é nossa santificação, atendida com 'a paz e alegria
no Espírito Santo'. Esses são seus dons gratuitos; e nós afirmamos que 'os dons de Deus são', da parte Dele,
'sem arrependimento'. Ele nunca se arrepende do que dá, ou deseja removê-los de nós. Desta forma, Ele
nunca desiste de nós, como alguns dizem; somos nós apenas que desistimos Dele.

1a. Causa
37

2. A causa mais usual da escuridão interior é o pecado, de um tipo ou de outro. Isto é o que
geralmente ocasiona o que é freqüentemente uma complicação do pecado e miséria. Primeiro, o pecado de
cometimento. Este se pode freqüentemente observar, escurece a alma de repente; especialmente, se, se tratar
de um pecado conhecido, obstinado ou insolente. Se, por exemplo, uma pessoa que agora está caminhando
na luz clara do semblante de Deus, de alguma forma, prevalecer em cometer um ato simples de embriaguez,
ou impureza, não seria de se admirar, se, naquela mesma hora, ela caísse na mais profunda escuridão. É
verdade que existem alguns casos raros, em que Deus impediu isto, através de uma disposição extraordinária
de sua misericórdia redentora, quase no mesmo instante. Mas, em geral, tal abuso da bondade de Deus; tão
grosseiro insulto ao seu amor, ocasiona uma imediata alienação de Deus, e uma 'escuridão que pode ser
sentida'.

3. Mas, pode-se esperar que este caso não seja muito freqüente; que não existem muitos que assim
desprezam as riquezas de sua bondade, enquanto eles caminham em Sua luz; que, tão grosseiramente e
presunçosamente, se rebelem contra Ele. Aquela luz é muito mais freqüentemente perdida, ao se dar lugar
aos pecados de omissão. Estes, de fato, não extinguem o Espírito imediatamente, mas gradualmente e
vagarosamente. O anterior pode ser comparado a derramar água sobre o fogo; o segundo em diminuir o
combustível dele. E, muitas vezes, aquele Espírito amoroso reprova ou negligencia, antes de partir de nós.
Muitas são os obstáculos interiores, as notícias secretas que Ele dá, antes que Sua influência seja diminuída.
De maneira que apenas uma série de omissões, obstinadamente persistida, pode nos levar para a mais
extrema escuridão.

4. Talvez, nenhum pecado de omissão mais freqüentemente ocasione isto, do que a negligência da
oração privada; a falta dela não pode ser suprida por qualquer outra ordenança que seja. Nada pode ser mais
óbvio do que a vida de Deus na alma não mais continuar; muito menos, aumentar, a menos que usemos de
todas as oportunidades de comunhão com Deus, e despejemos nossos corações diante Dele. Se, portanto,
somos negligentes nisto; se nós permitimos que o trabalho, companhia ou qualquer outra ocupação que seja
impeçam esses exercícios secretos da alma, (ou, o que vem a ser a mesma coisa, nos faça passar rapidamente
por ela, de uma maneira superficial e sem cuidados), aquela vida irá certamente declinar. E se nós a
interrompermos, por muito tempo, ou freqüentemente, ela irá gradualmente morrer.

5. Um outro pecado de omissão, que freqüentemente conduz a alma de um crente para dentro da
escuridão, é a negligência do que estava tão fortemente unido, mesmo sob a dispensação judaica: 'Tu
deverás, de qualquer forma, repreender teu próximo, e não permitir o pecado sobre ele: Tu não deverás
odiar teu irmão no teu coração'. Agora, se odiamos nosso irmão em nossos corações; se não o alertamos,
quando virmos que ele está em falta, mas permitimos o pecado sobre ele, isto logo trará pobreza para nossa
própria alma; vendo que, por meio disto, somos cúmplices de seu pecado. Negligenciando reprovar nosso
próximo, estamos tornando o pecado dele, nosso próprio pecado: Nós nos tornamos responsáveis por ele
diante de Deus: Se virmos o perigo que ele corre, e não o advertimos: Assim, 'se ele perecer em sua
iniqüidade'. Deus pode justamente requerer 'seu sangue de nossas mãos'. Não é de se admirar, então, que
se, através disto, afligimos o Espírito Santo, perderemos a luz de Seu semblante.

6. Uma terceira causa de perdermos isto, é dar caminho para algum tipo de pecado interior. Por
exemplo: Nós sabemos que todo aquele que é 'orgulhoso no coração, é uma abominação para o Senhor'; e
isto, embora esse orgulho do coração não possa aparecer na conversa exterior. Agora, quão facilmente, uma
alma, preenchida com a paz e a alegria, pode cair nesta armadilha do diabo! Quão natural, é para ele
imaginar que ele tem mais graça, mais sabedoria ou força, do que ele realmente tem, para 'pensar mais
altamente de si mesmo do que deveria'. Quão natural, glorificar-se em alguma coisa que ele tenha recebido,
como se ele não a tivesse recebido! Mas, vendo que Deus continuamente 'opõe-se ao orgulho, e dá graça'
apenas 'para o humilde', isto deve certamente obscurecer, se não, destruir totalmente, a luz que antes
brilhava em seus corações.

7. O mesmo efeito pode ser produzido, ao se dar lugar à ira, qualquer que seja a provocação ou
oportunidade; sim, embora disfarçada com o nome de zelo pela verdade, ou pela glória de Deus. Na verdade,
todo zelo que é outro, que não a chama do amor é 'mundano, animal e diabólico'. É a chama da ira: É a ira
38

clara, pecaminosa, nem melhor, nem pior. E nada é um inimigo tão maior para o amor meigo e gentil de
Deus, do que isto: eles nunca subsistiram, nem nunca poderão subsistir juntos em um peito. Na mesma
proporção que esta prevalece, o amor e a alegria no Espírito Santo decresce. Isto é particularmente
observável no caso da ofensa; eu quero dizer, a ira para com qualquer um de nossos irmãos; a qualquer um
desses que estão unidos a nós, seja por alianças civis ou religiosas. Se nós dermos caminho para o espírito da
ofensa, nós perderemos as doces influências do Espírito Santo; de modo que, em vez de reformá-los, nós
destruiremos a nós mesmos e nos tornaremos presas fáceis para qualquer inimigo que nos assalte.

8. Mas suponha que estejamos vigilantes quanto a esta armadilha do diabo, nós podemos ser atacados
de outra parte. Quando a ferocidade e a ira estão adormecidas, e apenas o amor está desperto, nós podemos,
não menos, sermos postos em perigo, pelo desejo que igualmente tende a obscurecer a alma. Este é o efeito
certo de qualquer desejo tolo; qualquer afeição vã e excessiva. Se nós colocamos nossa afeição nas coisas da
terra, em alguma pessoa ou coisa debaixo do sol; se nós desejarmos alguma coisa, a não ser Deus, e o que
tende a Deus; se nós buscarmos felicidade em alguma criatura; o Deus zeloso certamente irá contender
conosco, porque ele não pode admitir rival. E, se nós não ouvirmos Sua voz de advertência, e retornamos
para Ele com toda nossa alma, se continuarmos a afligi-lo com nossos ídolos, e correndo atrás de outros
deuses, nós deveremos logo estar frios, improdutivos e estéreis; e o deus deste mundo irá cegar e escurecer
nossos corações.

9. Mas isto ele freqüentemente faz, mesmo quando nós não damos chance a algum pecado evidente.
É suficiente, ele dar a ele suficiente vantagem; se nós não 'estimularmos o dom de Deus que está em nós'; se
nós não agonizamos continuamente para 'entrarmos pelo portão estreito'; se nós, sinceramente, não nos
'esforçamos para obter o domínio', e 'tomarmos o reino dos céus, através da violência'. Não haverá
necessidade de lutar, e certamente seremos conquistados. Basta que sejamos apenas descuidados ou 'fracos
em nossa mente'; que sejamos fáceis e indolentes, e nossa escuridão natural logo irá retornar, e espalhar-se
em nossa alma. Será suficiente, portanto, darmos oportunidade para a indolência espiritual; isto irá
certamente escurecer a alma: Irá certamente destruir a luz de Deus, se não tão prontamente, quanto um
assassinato ou adultério.

10. Mas deve ser bem observado que a causa da nossa escuridão (qualquer que seja ela, se de
omissão, ou cometimento; quer pecado interior ou exterior) não está sempre à mão. Algumas vezes, o
pecado que ocasionou a presente angústia pode se situar a uma distância considerável. Ele pode ter sido
cometido, dias, semanas, ou meses antes. E o fato de Deus retirar agora sua luz e paz, por causa do que foi
feito tanto tempo atrás, não é (como algum poderia a princípio imaginar) um exemplo de sua severidade,
mas, antes, uma prova de sua misericórdia longânime e terna. Ele esperou todo este tempo, para que, por
acaso, pudéssemos ver, reconhecer e corrigir o que estava impróprio. E na falta disto, Ele, por fim, mostrou
seu desprazer, para que, assim, pelo menos, Ele pudesse nos trazer ao arrependimento.

2a. Causa

1. Uma outra causa geral desta escuridão, é a ignorância, que é igualmente de vários tipos. Se os
homens não conhecem as Escrituras; se eles imaginam que existem passagens, tanto no Velho, quanto no
Novo Testamento que afirmam que todos os crentes, sem exceção devem, algumas vezes, estarem na
escuridão; esta ignorância irá naturalmente trazer sobre eles a escuridão que eles esperavam. E quão comum
tem sido o caso, em nosso meio! Quão poucos existem que não esperam isto! E não é de se admirar, uma
vez que eles são ensinados a esperarem-na; uma vez que seus guias os conduzem para este caminho. Não
apenas os escritores místicos da Igreja de Roma, mas muitos dos mais espirituais e experimentais em nossa
própria Igreja (poucos foram exceção no último século) colocam isto com toda a segurança, como uma
doutrina Bíblica clara e inquestionável, e citam muitos textos para provarem.

2. A ignorância também da obra de Deus na alma, freqüentemente ocasiona esta escuridão. Os


homens imaginam (porque eles assim têm sido ensinados; particularmente, pelos escritores da comunhão
papista, cujas afirmativas plausíveis, muitos dos protestantes têm recebido sem um exame devido) que eles
não caminham sempre na fé luminosa. Que este é apenas um plano menor; que como eles subiram muito
39

alto, eles devem deixar esses confortos sensíveis, e viverem pela fé nua (nua, de fato, se ela for despida pelo
amor, paz e alegria no Espírito Santo!); que o estado de luz e alegria é bom, mas que o estado de escuridão e
aspereza é melhor; que é somente através desses que podemos ser purificados do orgulho, amor ao mundo e
do amor próprio desordenado; e que, portanto, nós não devemos, nem esperar, nem desejar caminharmos
sempre na luz. Conseqüentemente é que, (embora outras razões possam ocorrer) o principal corpo de
homens devotos na Igreja papista geralmente caminha na escuridão desconfortável, e se, alguma vez ele
recebeu, logo perdeu a luz de Deus.

3a. Causa

1. A Terceira causa geral desta escuridão é a tentação. Quando a luz do Senhor brilha sobre nossa
cabeça, a tentação freqüentemente foge, e desaparece totalmente. Tudo está calmo por dentro; talvez, por
fora também, enquanto Deus faz com que nossos inimigos estejam em paz conosco. É, então, muito natural
supor que nós não possamos ver a guerra mais. E existem muitos exemplos, onde esta calma tem
continuado, não apenas por semanas, mas por meses e anos. Mas, comumente acontece o contrário: Em
pouco tempo, 'os ventos sopram, a chuva cai, e as inundações se erguem' renovadas. Eles que não conhecem
o Pai, nem o Filho, e, conseqüentemente, odeiam os filhos de Deus, quando Ele afrouxa as rédeas que estão
em seus dentes, mostram aquele ódio de várias maneiras. Como no passado, 'ele que nasceu segundo a
carne perseguiu aquele que nasceu segundo o Espírito, assim como é hoje'; a mesma causa produz ainda o
mesmo efeito. O mal que ainda permanece no coração irá também se movimentar; a ira, e muitas outras
raízes da amargura irão se esforçar para brotarem. Ao mesmo tempo, satanás não será deficiente em lançar
seus dardos flamejantes; e a alma terá de lutar, não apenas com o mundo, não apenas 'com a carne e o
sangue, mas com principados e potestades; com os soberanos da escuridão deste mundo; com os espíritos
maus nos lugares elevados'. Agora, quando tantos assaltos são feitos de repente, e, talvez, com a mais
extrema violência, não é estranho que possa ocasionar, não apenas aflição, mas também escuridão no crente
fraco; -- mais especialmente, se ele não esteve vigiando; se esses assaltos foram feitos, em uma hora em que
ele não os viu; quando ele esperava nada menos, mas credulamente dissera a si mesmo, -- o dia do diabo não
retornará mais.

2. A força dessas tentações, que se erguem interiormente, serão excessivamente alimentadas, se,
antes, superestimarmos a nós mesmos, como se nós já estivéssemos limpos de todo pecado. E quão
naturalmente, imaginamos isto durante o entusiasmo do nosso primeiro amor! Quão prontos, estamos em
acreditar que Deus 'cumpriu em nos' toda 'a obra de fé com poder!'. Que, porque nós não sentimos o pecado,
nós não temos mais algum deles em nós; e que a alma é toda amor! E bem pode um ataque severo de um
inimigo, que nós supomos estar não apenas derrotado, mas morto, nos atirar para dentro da maior opressão
da alma; sim, algumas vezes, para a mais extrema escuridão. Particularmente, quando raciocinamos com
este inimigo, em vez de, imediatamente, clamarmos a Deus, e nos colocarmos em Suas mãos, através da fé
simples no 'único sabe como livrar' a nós 'da tentação'.

III

Estas são as causas comuns desta segunda escuridão. Em Terceiro Lugar, vamos inquirir, qual é a
cura para ela?

1. Supor que isto seja uma e a mesma coisa em todos os casos, é um erro fatal; e ainda assim,
extremamente comum, mesmo em meio a muitos que passam por cristãos experimentados; sim, talvez,
professores em Israel, e guias de outras almas. Assim sendo, eles conhecem e usam apenas um
medicamento, qualquer que seja a causa da enfermidade. Eles começam imediatamente aplicando as
promessas; a pregar o Evangelho, como eles o denominam. Dar conforto é o único objetivo que eles
almejam; para o qual eles dizem coisas muito delicadas e ternas, concernentes ao amor de Deus aos pobres
pecadores desamparados, e da eficácia do sangue de Cristo. Agora, isto é, na verdade, charlatanice, e da pior
espécie, uma vez que tende, se não a matar os corpos dos homens; ainda assim, sem a misericórdia peculiar
de Deus, 'a destruir seus corpos e suas almas no inferno'. É difícil falar desses negociantes de promessas,
como eles merecem. Eles bem merecem o título que tem sido, de maneira ignorante, dado a outros: Eles são
40

charlatões espirituais. Eles, em efeito, tornam 'o sangue da aliança uma coisa impura'. Eles prostituem
perversamente as promessas de Deus, aplicando-as, sem qualquer distinção. Visto que, na verdade, a cura
das enfermidades espirituais, assim como corpóreas devem ter vários medicamentos, conforme as suas
várias causas. A primeira coisa, portanto, é encontrar a causa; e isto irá naturalmente apontar a cura.

2. Por exemplo: É o pecado que ocasiona a escuridão? Que pecado? É o pecado exterior de que tipo?
A sua consciência o acusa de cometer algum pecado, por meio do qual você aflige o Espírito Santo? É por
este motivo que Ele está separado de você, e aquela alegria e paz não estão mais consigo? E como você
espera que elas possam retornar, até que você tire fora esta coisa detestável? 'Que o pecaminoso renuncie a
seu caminho'; 'limpe suas mãos, vocês pecadores'; 'tire o mal de seus feitos'; desta forma, sua 'luz deverá
brilhar na obscuridade', e o Senhor irá retornar e 'perdoar abundantemente'.

3. Se, depois de uma procura minuciosa, você não puder encontrar pecado de cometimento que
ocasione a nuvem sobre sua alma, inquira a seguir, se não existe algum pecado de omissão que separa você
de Deus. Você 'não permitiu o pecado junto a seu irmão?'. Você não reprovou aqueles que pecaram aos
seus olhos? Você caminhou em todas as ordenanças de Deus? Nas orações públicas, familiares, privadas? Se
não, se você habitualmente negligencia qualquer um desses deveres conhecidos, como você pode esperar
que a luz do semblante de Deus continue a brilhar junto a você? Apresse-se para 'fortalecer as coisas que
permanecem', então, sua alma deverá viver. 'Hoje, se você ouvir a voz Dele', através de Sua graça, supra o
que está faltando. Quando você ouvir uma voz atrás de si dizendo, 'Este é o caminho, caminhe nele', não
endureça seu coração; não seja mais 'desobediente ao chamado celeste'. Até que o pecado, se de omissão ou
cometimento, seja removido, todo conforto é falso e enganoso. Ele está apenas brilhando sobre a ferida que
ainda ulcera e causa inflamação abaixo. Não busque pela paz dentro, até que você esteja em paz com Deus;
o que não poderá acontecer sem 'os frutos do arrependimento'.

4. Talvez, você não esteja consciente; até mesmo, de algum pecado de omissão que diminuiu sua paz
e alegria no Espírito Santo. Não existe, então, algum pecado interior que, como a raiz da amargura, brota em
seu coração para atormentar você? A sua aspereza e aridez da alma não foram ocasionadas, porque seu
coração 'se afastou do Deus vivo?'. A 'raiz do orgulho não avança contra' você? Você não 'tem pensado
mais elevado sobre si mesmo do que deveria?'. Você não tem atribuído o seu sucesso, em qualquer
empreendimento, à sua própria coragem, força ou sabedoria? Você não tem se vangloriado de alguma coisa
que 'recebeu, como se não tivesse recebido?'. Você não tem se gloriado em coisa alguma, 'salvo sobre a
cruz de nosso Senhor Jesus Cristo?'. Você não buscou ou desejou o louvor de homens? Você não teve
prazer nisto? Se assim for, você sabe o caminho que deve tomar. Se você caiu por causa do orgulho,
'humilhe-se, debaixo da mão poderosa de Deus, e Ele irá exaltar você no devido tempo'. Você não o obrigou
a partir de você, dando lugar à ira? Você não tem 'se afligido por causa do descrente' ou 'sido objeto de
inveja dos malfeitores?'. Você não tem se ofendido com quaisquer de seus irmãos, olhando para os seus
pecados (reais ou imaginários), de maneira a pecar você mesmo contra a grande lei do amor, afastando seu
coração deles? Então, olhe para o Senhor, para que você possa renovar suas forças; para que toda esta
aspereza e frieza possam sair; para que o amor, a paz e a alegria possam retornar, juntas, e para que você
possa ser invariavelmente gentil, e 'bondoso de coração, perdoando, um ao outro, assim como Deus, por
causa de Cristo, perdoou a você'. Você tem dado lugar a algum desejo tolo? A alguma espécie ou grau de
afeição excessiva? Como, então, o amor de Deus pode ter lugar no seu coração, até que você jogue fora seus
ídolos? 'Não se engane: Deus não é falso': Ele não irá habitar em um coração dividido. Por quanto tempo,
portanto, você afagar Dalila em seu peito, Ele não terá lugar lá. É inútil esperar por uma recuperação de Sua
luz, até que você arranque o olho direito, e o atire para longe de si. Ó, que não haja uma demora maior!
Clame a Ele, para que Ele possa capacitar você a assim fazer! Lamente a sua impotência e desamparo; e com
o Senhor, sendo seu ajudador, entre no portão estreito; tome o reino dos céus veementemente! Atire fora
todo ídolo de seu santuário, e a glória do Senhor logo deverá aparecer.

5. Talvez, seja exatamente isto, a necessidade de empenho, a indolência espiritual que mantêm sua
alma na escuridão. Você habita em paz na terra; não existe guerra em suas costas; e então você está quieto e
despreocupado. Você segue em frente, na mesma trilha das obrigações exteriores, e está satisfeito lá para
continuar. E você se surpreende, entretanto, que sua alma esteja morta? Oh! Movimente-se diante do
41

Senhor! Levante-se e sacuda o pó; lute com Deus pela bênção poderosa: derrame sua alma junto a Deus, na
oração, e continue nisto com toda perseverança! Vigie! Acorde do sono; e se mantenha acordado! Do
contrário, nada poderá ser esperado, a não ser que você se aliene, mais e mais, da luz e vida de Deus.

6. Se, em um exame completo e mais imparcial de si mesmo, você não puder discernir que você, no
momento, dá lugar, tanto à indolência espiritual, ou algum outro pecado interior ou exterior, então, traga à
lembrança o tempo que é passado. Considere seus temperamentos anteriores, palavras e ações. Estes têm
estado corretos diante de Deus? 'Converse intimamente com Ele em seu aposento, e esteja quieto'; e deseje
que Ele investigue a razão de seu coração, e traga para sua lembrança o que quer que, em qualquer tempo,
tenha ofendido os olhos de Sua glória. Se a culpa de algum pecado não arrependido permanecer em sua
alma, você irá permanecer na escuridão, até que, tendo sido renovado pelo arrependimento, você possa
novamente ser lavado pela fé na 'fonte aberta para o pecado e impureza'.

7. Inteiramente diferente será a maneira de curar, se a causa da enfermidade não for o pecado, mas a
ignorância. Pode ser a ignorância do significado das Escrituras; talvez, ocasionada pelos explanadores
ignorantes; ignorância, pelo menos, neste aspecto, qualquer conhecimento e aprendizado que eles possam ter
em outros particulares. E, neste caso, aquela ignorância deve ser removida, antes que possamos remover a
escuridão se erguendo dela. Nós devemos mostrar o verdadeiro significado daqueles textos que têm sido mal
compreendidos. Meu objetivo não me permite considerar todas as passagens das Escrituras que têm sido
reclamadas neste serviço. Eu devo justamente mencionar duas ou três que são freqüentemente trazidas para
provar que todos os crentes devem, mais cedo ou mais tarde, 'caminhar na escuridão'.

8. Um desses está em (Isaias 50:10) 'Quem há entre vós que tema ao Senhor, e ouça a voz do seu
servo? Quando andar em trevas, e não tiver luz nenhuma, confie no nome do Senhor, e firme-se sobre o seu
Deus'. Mas como aparece, tanto do texto quanto do contexto, que a pessoa aqui falada, alguma vez teve luz?
Alguém que seja convencido do pecado 'teme o Senhor, e obedece a voz de seu servo'. E ele, nós podemos
afirmar, embora esteja ainda na escuridão da alma, e nunca tenha visto a luz do semblante de Deus, ainda
assim, 'confia no nome do Senhor, e permanece junto ao seu Deus'. Este texto, portanto, não prova nada
menos, que o crente em Cristo 'deve, algumas vezes, caminhar na escuridão'.

9. Um outro texto que tem sido suposto falar da mesma doutrina está em (Oséias 2:14) 'Portanto, eis
que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração'. Disto tem sido inferido que Deus irá
trazer todo crente para o deserto, para o estado de morte e escuridão. Mas é certo que o texto não fala tal
coisa; porque não parece que ele fala de alguns crentes em particular, afinal: Ele manifestadamente se refere
à nação judaica; e, talvez, a esta apenas. Mas, se ela for aplicável às pessoas específicas, o significado claro
dele é este: - eu irei atraí-lo pelo amor; em seguida, irei convencê-lo do pecado; e, então, confortá-lo, através
da misericórdia redentora.

10. A terceira Escritura, da qual a mesma inferência tem sido esboçada é aquela acima citada: (João
16:22) 'Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se
alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará'. Mas tem sido suposto que isto significa que Deus, depois
de um tempo, se afastaria de todos os crentes; e que eles não poderiam, até que eles estivessem assim
entristecidos, ter a alegria que nenhum homem poderia tirar deles. Mas o contexto todo mostra que nosso
Senhor está aqui falando, estritamente, aos Apóstolos, e não a outros; e que Ele está falando, concernente
aqueles eventos particulares, sua própria morte e ressurreição. 'Por algum tempo', diz ele, 'e vocês não mais
me verão'; a saber, enquanto eu estiver na sepultura: 'E novamente, por algum tempo, e vocês não verão a
mim'; quando eu tiver me erguido dos mortos. Vocês irão chorar e lamentar, e o mundo irá se regozijar: Mas
a tristeza de vocês se tornará em alegria. – 'Vocês agora têm tristeza', porque eu estou preste a ser tirado do
comando de vocês; 'mas eu verei vocês novamente', depois de minha ressurreição, 'e seus corações irão se
regozijar; e a alegria', que eu, então, lhes darei, 'nenhum homem poderá tirar de vocês'. Tudo isto nós
sabemos foi literalmente cumprido no caso particular dos Apóstolos. Mas nenhuma inferência pode ser
esboçada disto com respeito aos acordos de Deus para com os crentes em geral.
42

11. O quarto texto que tem sido freqüentemente citado como prova da mesma doutrina (para não
mencionar mais) está em (I Pedro 4:12) 'Amados, não achem estranho, com respeito à prova ardente que
irá testar vocês'. Mas isto é tão completamente deslocado do ponto quanto o precedente. O texto,
literalmente afirmado segue assim: 'Amados, não estranhem a ardente prova que vem sobre vocês para
tentá-los'. Agora, como quer que isto seja acomodado às provas interiores, em um sentido secundário; ainda
assim, primariamente, ela, sem dúvida, se refere ao martírio e sofrimentos ligados a eles. Nem este texto
tem, portanto, alguma coisa, afinal, com o propósito para o qual ele é citado. E nós podemos desafiar todos
os homens a trazerem um texto, se do Velho, ou do Novo Testamento, que tenha alguma mais a ver com o
proposto do que este.

12. 'Mas as trevas não são de mais proveito para a alma do que a luz? A obra de Deus no coração,
não é mais prontamente e efetivamente conduzida, durante o estado de sofrimento interior? O crente não é
mais prontamente e totalmente purificado pela tristeza do que pela alegria? – através da angústia, dor,
aflição, e martírios espirituais, do que pela paz contínua?'. Assim os místicos ensinam; assim está escrito
em seus livros; mas não nos oráculos de Deus. As Escrituras, em parte alguma diz que a ausência de Deus
aperfeiçoa sua obra no coração! Antes, Sua presença, e a comunhão clara com o Pai e o Filho: Uma forte
consciência disto fará mais em uma hora, do que sua ausência em um século. A alegria no Espírito Santo irá
mais efetivamente purificar a alma, do que a falta daquela alegria; e a paz de Deus é o melhor meio de
refinar alma dos entulhos das afeições mundanas. Retire, então, a opinião inútil, de que o reino de Deus está
dividido contra si mesmo; de que a paz de Deus e a alegria no Espírito Santo são obstrutivas da retidão; e de
que somos salvos, não pela fé, mas pela incredulidade; não pela esperança, mas pelo desespero!

13. Por quanto tempo os homens sonharem assim, eles bem poderão 'caminhar nas trevas': Nem o
efeito poderá cessar, até que a causa seja removida. Mas, ainda assim, nós não devemos imaginar que ela
cesse imediatamente, mesmo quando a causa não existe mais. Quando tanto a ignorância quanto o pecado
causaram as trevas, um ou outro pode ser removido; porém, a luz que era obstruída por meio deles pode não
retornar imediatamente. Como se trata do dom livre de Deus, Ele pode restaurá-lo, cedo ou tarde, como
agradar a Ele. O pecado começa, antes da punição, que pode justamente permanecer depois do pecado ter
terminado. E mesmo no curso natural das coisas, embora uma ferida não possa ser curada, enquanto o dardo
estiver cravado na pele; não necessariamente ele é curado, tão logo este é arrancado dela, mas a sensação
dolorosa e a dor podem permanecer muito depois.

14. Por fim, se as trevas forem ocasionadas pelas múltiplas, pesadas, e inesperadas tentações, a
melhor maneira de remover e prevenir isto é ensinar aos crentes a sempre esperar a tentação, vendo que eles
habitam, em um mundo pecaminoso, em meio aos espíritos iníquos, hábeis e maliciosos, e têm um coração
capaz de todo o mal. Convença-os de que toda a obra da santificação não é, como eles imaginam, forjada
imediatamente; e que, no primeiro momento em que crêem, eles não passam de bebês recém-nascidos, que
irão gradualmente se tornar adultos, e podem esperar muitas tentações, antes que eles tenham a estatura
completa de Cristo. Acima de tudo, permita-lhes serem instruídos a não raciocinem com o diabo, quando a
tempestade cair sobre eles, mas a orem; que eles; a derramarem suas almas diante de Deus, e a mostrarem a
Ele as suas preocupações. E estas são as pessoas, junto aos quais, principalmente, somos capazes de aplicar
as grandes e preciosas promessas; não para o ignorante, até que a ignorância seja removida; muito menos, ao
pecador impenitente. A esses nós podemos, largamente e afetuosamente, declarar a bondade amorosa de
Deus, nosso Salvador; discorrer sobre suas misericórdias ternas, que têm existido desde sempre. Aqui, nós
podemos habitar junto à fidelidade de Deus, cuja 'palavra é testada ao extremo'; e junto à virtude daquele
sangue que foi derramado por nós, para 'nos limpar de todo pecado': E Deus irá, então, ser testemunha de
Sua palavra, e tirar suas almas para fora dos problemas. Ele dirá: 'Levanta, brilha; porque tua luz é vinda, e
a glória do Senhor está sobre ti'. Sim, e que luz, se você caminha humildemente e intimamente com Deus,
irá 'brilhar mais e mais junto ao dia perfeito'.

[Editado por Joshua Williams, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Peso das Múltiplas Tentações


43

'Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um
pouco contristados com várias tentações' (I Pedro 1:6)

1. No discurso precedente, eu falo, em específico, daquela escuridão de mente, para a qual vão,
aqueles que uma vez caminharam na luz do semblante de Deus, e caíram. Proximamente relacionado a isto
está o peso da alma, que é ainda mais comum, mesmo entre os crentes. De fato, quase todos os filhos de
Deus experimentam isto, em um grau maior ou menor. E tão grande é a semelhança entre um e outro, que
eles freqüentemente os confundem, e se sentem aptos a dizerem indiferentemente: 'Tal está na escuridão';
ou 'Tal pessoa está oprimida'; -- como se eles fossem termos equivalentes; um dos quais implica não mais
do que o outro.

Mas eles estão longe disto. Escuridão é uma coisa; opressão é outra. Existe uma diferença; sim, uma
diferença ampla e essencial, entre a primeira e a última. E tal diferença, todos os filhos de Deus devem estar
profundamente interessados em compreender: Do contrário, nada será mais fácil para eles, do que trocar
opressão por escuridão. Com o objetivo de prevenir isto, eu me esforçarei para mostrar:

I. Quais são aquelas pessoas a quem o Apóstolo diz: 'Vocês estão contristados'.
II. Em que tipo de opressão elas se encontram:
III. Quais são as causas dela:
IV. Qual a finalidade dela:
V. Devo concluir com algumas inferências.

1. Em primeiro Lugar, eu vou mostrar, como são aquelas pessoas a quem o Apóstolo diz: 'Vocês
estão oprimidos'. Para começar, está acima de qualquer disputa, que eles eram crentes, no momento em que
o Apóstolo se dirigiu a eles: Uma vez que ele diz expressamente: (I Pedro 1:5) 'Que mediante a fé estais
guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo'. E novamente
em (I Pedro 1:7), ele menciona: 'Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que
perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo'. E de novo
em (I Pedro 1:9), ele fala de eles 'Alcançarem a finalidade da vossa fé, a salvação das vossas almas'. Ao
mesmo tempo, portanto, que eles estavam 'em opressão', eles estavam possuídos da fé viva. A Opressão
deles não destruiu a fé deles: Eles ainda 'persistiam em ver a Ele que é invisível'.

2. Nem a opressão destruiu a paz deles; 'a paz que ultrapassa todo entendimento'; que é inseparável
da fé verdadeira e viva. Isto nós podemos facilmente reunir do segundo verso, em que o Apóstolo não diz
que a graça e a paz podem ser dadas a eles; mas, tão somente, que elas poderão 'ser multiplicadas junto a
eles'; que a bênção, que eles já desfrutam, poderia ser mais abundantemente conferida junto a eles.

3. As pessoas das quais o Apóstolo aqui fala estavam também cheias de uma esperança viva. Porque
assim ele fala em (I Pedro 1:3) 'Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua
grande misericórdia, nos gerou de novo para uma esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre
os mortos', -- eu e você, todos nós que somos 'santificados pelo Espírito', e desfrutamos 'do sangue
aspergido de Jesus Cristo', -- 'para uma esperança viva, para uma herança', -- ou seja, para a esperança
viva de uma herança, 'incorruptível, imaculada, e que não se desvanece'. De modo que, não obstante sua
opressão, eles ainda retém uma esperança cheia da imortalidade.

4. E eles ainda se 'regozijam na esperança da glória de Deus'. Eles foram preenchidos com a alegria
no Espírito Santo. Assim, em (I Pedro 1:8), o Apóstolo, tendo justamente mencionado 'a revelação' final
'de Jesus Cristo' (ou seja, quando Ele começa a julgar o mundo), ele imediatamente acrescenta, 'em quem,
vocês não podem ver agora'; não com seus olhos corpóreos, 'ainda assim, crêem, vocês se regozijam com
alegria inexprimível e cheia de glória'.
44

(I Pedro 1:7-9) 'Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é
provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo; ao qual, não o
havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso; -
Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas'.

A opressão deles, portanto, não era apenas consistente com aquela esperança viva, mas também com
a alegria inexprimível: Ao mesmo tempo em que eles estavam assim oprimidos, eles, apesar disto, eles se
regozijavam com alegria cheia de glória.

5. Em meio à opressão, eles igualmente ainda desfrutavam do amor de Deus, que derramava por todo
seus corações, -- 'a que', diz o Apóstolo, 'não tendo visto, vocês amam'. Embora não vejam, face a face;
vocês, conhecendo a Ele, pela fé, têm obedecido à sua palavra: 'Meu filho, dê-me seu coração'. 'Ele é seu
Deus, e o seu amor; o desejo de seus olhos; e a sua grande recompensa'. Vocês têm buscado, e encontrado a
felicidade Nele; vocês 'se deleitam no Senhor', e dão a Ele o 'desejo de seus corações'.

6. Uma vez mais: Embora eles estivessem oprimidos, ainda assim, eles eram santos; eles retiveram o
mesmo poder sobre o pecado. Eles ainda estavam 'protegidos' disto, 'pelo poder de Deus'; eles eram 'filhos
obedientes, não modeladas de acordo com seus desejos anteriores'; mas 'como Aquele que os havia
chamado era santo'; então, eles eram 'santos em todas as formas de conversação'. Sabendo que foram
'redimidos pelo precioso sangue de Cristo, como um Cordeiro, sem mácula, e sem culpa'; eles, através da fé
e esperança que tinham em Deus, 'purificaram suas almas, através do Espírito'. Assim sendo, o que se
conclui é que a opressão deles era constituída com a fé, com a esperança, com o amor de Deus e homem,
com a alegria no Espírito Santo, com a santidade interior e exterior. Eles, de modo algum diminuíram, muito
menos, destruíram, alguma parte da obra de Deus em seus corações. Ela não se interpôs com aquela
'santificação do Espírito', que é a raiz de toda obediência verdadeira; nem com a felicidade que precisa
resultar da graça e paz reinando no coração.

II

1. Disto, nós podemos facilmente aprender o tipo de opressão que eles tinham; -- e que, em Segundo
Lugar, eu me esforçarei para mostrar. A palavra no original, "islupEthentes", -- feito pesaroso, afligido; de
lupE, -- aflição ou tristeza. Este é o significado constante, literal, da palavra: E isto, sendo observado, não
existe ambigüidade na expressão; nem alguma dificuldade na compreensão dela. As pessoas, das quais se
fala aqui, estavam afligidas: A opressão em que eles se encontravam, não era, nem mais, nem menos, do que
tristeza ou aflição; -- uma paixão que todo filho do homem está bastante familiarizado.

2. É provável que nossos tradutores a interpretaram como opressão (embora uma palavra menos
comum) para denotar duas coisas: Primeiro, o grau; e em seguida, a continuidade dele. De fato, parece que
não se trata de um grau insignificante ou inconsiderado de aflição, de que se fala a respeito aqui; mas de tal
que causa uma forte impressão sobre a alma, e a faz deprimir-se. Nem ela parecer ser uma tristeza
temporária, tal que passa em uma hora; mas, antes, tal que se segura com firmeza no coração, e que não
desaparece rapidamente, mas continua por algum tempo, como um temperamento enraizado,
preferivelmente, do que uma paixão, -- mesmo naqueles que têm a fé viva em Cristo, e o amor genuíno de
Deus, em seus corações.

3. Mesmo nesses, essa opressão pode ser, algumas vezes, tão profunda, que obscurecesse toda a
alma; para dar uma aparência de verdade, por assim dizer, a todas as afeições, tais que irão aparecer em todo
o comportamento. Ela pode igualmente ter uma influência sobre o corpo; particularmente, naqueles que são
tanto de uma constituição naturalmente fraca, ou estão enfraquecidos por alguma doença acidental,
especialmente, do tipo nervoso. Em muitos casos, nós nos certificamos que 'o corpo corruptível deprime a
alma'. E nisto, a alma, certamente, deprime o corpo, e o enfraquece mais e mais. Eu não direi que a tristeza
profunda e duradoura do coração não pode, algumas vezes, enfraquecer uma constituição forte, e causar tais
45

desordens corpóreas, não facilmente removidas: No entanto, tudo isto pode ainda consistir com a medida
daquela fé que é operada pelo amor.

4. Esta bem pode ser denominada uma 'provação ardente': E embora não seja a mesma que o
Apóstolo fala no quarto capítulo [I Pedro 4:12 'Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós
para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse']; ainda assim, muitas das expressões lá usadas,
com respeito aos sofrimentos exteriores, podem ser adaptadas a essa aflição interior. Na verdade, elas não
podem, com alguma propriedade, serem aplicadas àqueles que estão na escuridão: Esses, não podem
regozijar-se; nem é verdade que 'o Espírito da glória e de Deus repousa sobre' eles. Mas Ele freqüentemente
o faz naqueles que estão na opressão; de modo que, embora pesarosos, eles, mesmo então, se regozijam
sempre.

III

1. Mas para prosseguir para o Terceiro ponto: Quais são as causas de tal tristeza ou opressão em um
verdadeiro crente? O Apóstolo nos diz claramente: 'Vocês estão contristados', diz ele, 'pelas múltiplas
tentações'; múltiplas, não apenas muitas em número, mas de muitos tipos. Elas podem ser variadas e
diversificadas, em milhares de formas, pela mudança ou adição de numerosas circunstâncias. E esta mesma
diversidade e variedade tornam mais difícil nos protegermos delas. Entre essas nós podemos classificar
todas as doenças corpóreas; particularmente, as enfermidades repentinas, e a dor violenta de todo tipo; quer
afetando o corpo todo, ou a menor parte dele. É verdade, que aqueles que têm desfrutado de saúde
ininterrupta, e não têm sentido qualquer uma dessas enfermidades podem fazer pouco delas; e se admirarem
de que a doença ou a dor do corpo possa trazer opressão sobre a mente. Talvez, um, em mil, seja de uma
constituição tão peculiar, que não sinta dor como os outros homens. De modo que Deus tem se agradado de
mostrar seu poder, produzindo alguns desses prodígios da natureza, que parecem não se preocupar com a
dor, afinal; mesmo a dos tipos mais severos, se este desprezo pelas dores não se dever parcialmente à força
da educação; e, parcialmente, a uma causa sobrenatural, -- ao poder tanto dos bons, quanto dos maus
espíritos, que elevam estes homens, acima do estado da mera natureza. Mas, abstraindo esses casos
particulares, em geral, a justa observação é que a dor é miséria plena e extrema; aniquilando completamente
toda resignação. E mesmo onde esses são protegidos pela graça de Deus; onde os homens 'mantêm suas
almas pacientes, ela pode, não obstante, ocasionar muita opressão interior; com a alma compadecendo-se do
corpo.

2. Todas as enfermidades de longa duração, embora menos dolorosas, estão aptas a produzirem o
mesmo efeito. Quando Deus determina sobre nós a consumação, ou a febre intermitente, que esfria e
queima, se ela não for rapidamente removida, não irá apenas 'consumir os olhos', mas 'causará tristeza no
coração'. Este é eminentemente o caso, com respeito a todas estas que são denominadas doenças nervosas. E
a fé não destrói o curso da natureza: As causas naturais ainda produzem efeitos naturais. A fé não mais
impede os declínios dos espíritos (como se diz), em uma doença histérica que surge da agitação de uma
febre.

3. Novamente: quando 'a calamidade vem como um redemoinho de vento, e a escassez como um
homem armado'; trata-se de uma pequena provação? Não é estranho que ela cause tristeza e opressão?
Mesmo que esta seja uma coisa pequena para aqueles que se mantêm a uma distância, ou que olham, e
'passam, pelo outro lado'; ainda assim, por outro lado, é dessa forma, para aqueles que a sentem. 'Tendo
alimento e vestimenta' (de fato, a última palavra, skepasmata, sugere moradia, assim como, vestuário), nós
podemos, se o amor de Deus está em nossos corações, 'estarmos satisfeitos com isto'. Mas o que devem
fazer aqueles que nada têm? Quem, por assim dizer, 'adotam a rocha como abrigo?'. Que têm apenas a terra
para se deitar, e apenas o céu para cobri-los? Que não têm uma residência seca, quente, nem mesmo limpa,
para si mesmos, e seus pequeninos; nenhuma roupa para mantê-los, ou àqueles a quem eles amam, junto a si
mesmos, do frio penetrante, tanto do dia, quanto da noite? Eu rio do estúpido pagão clamando: 'Quão
ridículos os homens podem ser!'.
46

A pobreza tem alguma coisa pior, do que fazer os homens serem capazes de rirem dela? É um sinal
de que esse poeta inútil falou, sem pensar, das coisas que ele não conhecia. Não é a falta de alimento,
alguma coisa pior do que isto? Deus a decretou como uma calamidade sobre o homem, para que ele possa
prover, 'através do suor de sua testa'. Mas quantos existem, nesta região cristã, que labutam, e trabalham, e
suam, e não o têm, afinal, mas lutam com fraqueza e fome juntas? Não é pior para alguém, depois de um dia
de trabalho, voltar para sua moradia pobre, fria, suja e desconfortável, e encontrar nem mesmo o alimento
que é necessário para reparar suas forças perdidas? Vocês, que vivem confortavelmente na terra; que nada
necessitam, a não ser, de olhos para verem, ouvidos para ouvirem, e corações para entenderem o quanto bem
Deus tem partilhado com vocês, -- não é pior buscar o pão, dia a dia, e encontrar nada? Talvez, encontrar o
conforto também de cinco ou seis crianças, clamando pelo que ele não tem para dar! Não fosse ele refreado
por uma mão invisível, ele não poderia logo 'amaldiçoar a Deus e morrer?'. Ó necessidade de pão!
Necessidade de pão! Quem pode dizer o que isto significa, sem ter sentido isto em si mesmo? Eu estou
surpreso que isto ocasione não mais do que opressão, mesmo nesses que crêem!

4. Talvez, proximamente a isto, nós possamos colocar a morte daqueles que eram próximos, e
queridos a nós; de um pai jovem, e um que não entrou muito no declínio dos anos; de uma criança amada,
recém surgindo para a vida, e apertando nossos corações; de um amigo que foi como nossa própria alma, --
próximo à graça de Deus, o último, e o melhor dom do Céu. E milhares de circunstâncias podem acentuar a
aflição. Talvez, a criança e o amigo morreram em nossos braços! – talvez, foram arrebatados, quando nós
não cuidamos deles! No vigor da juventude, e cortados como uma flor! Em todos esses casos, nós, não
apenas não podemos, mas devemos, estar afligidos: é o objetivo de Deus que possamos. Ele não nos teria
como animais e pedras. Ele não teria nossas afeições equilibradas, não extintas. Portanto, -- 'A natureza não
repreendida, faz derramar uma lágrima'. Pode haver tristeza, sem pecado.

5. Uma tristeza ainda mais profunda, nós podemos sentir por aqueles que estavam mortos, enquanto
viviam; com respeito à indelicadeza, ingratidão, apostasia daqueles que estavam unidos a nós na mais íntima
aliança. Quem pode expressar o que um amante das almas pode sentir por um amigo, um irmão, morto para
Deus? Por um marido, uma esposa, um pai, um filho, precipitando-se no pecado, como um cavalo dentro da
batalha; e, a despeito de todos os argumentos e persuasões, apressando-se para executar a sua própria
condenação? E esta angústia do espírito pode ser intensificada a um grau inconcebível, ao se considerar que
ele que agora caminha para a destruição, uma vez, seguiu bem no caminho da vida. O que quer que ele tenha
sido no passado, serve agora a nenhum outro propósito, do que nos fazer refletir no que ele está mais
penetrado e afligido.

6. Em todas essas circunstâncias, nós podemos estar seguros de que nosso grande adversário não
ficará sem aproveitar sua oportunidade. Ele, que sempre 'tem andado buscando a quem ele possa devorar',
irá, então, usar, especialmente, todos os seus poderes, todas as suas habilidades, se, por acaso, ele puder
obter alguma vantagem sobre a alma que já está subjugada. Ele não poupará seus dardos certeiros, tais que
são mais adequados para encontrarem uma entrada, e fixarem-se mais profundamente no coração, porque
são próprios das tentações que o assaltam. Ele irá trabalhar para injetar os pensamentos descrentes,
blasfemos ou descontentes. Ele irá sugerir que Deus não cuida, e não governa, a terra; ou, pelo menos, que
Ele não a governa da maneira correta; não, através da justiça e misericórdia. Ele irá se esforçar para incitar o
coração contra Deus; para renovar nossa inimizade natural contra Ele. E se nós empreendemos lutar com
Ele, com as suas próprias armas, nós iremos raciocinar com ele, e mais e mais opressão, irá, sem dúvida,
resultar, se não, escuridão extrema.

7. Freqüentemente se supõe que existe uma outra causa; se não, da escuridão, pelo menos, da
opressão; ou seja, Deus se retira da alma, porque é sua vontade soberana. Certamente, Ele irá fazer isto, se
nós afligirmos seu Espírito Santo, tanto por pecado exterior, quanto exterior; tanto por fazer o mal; por
negligenciar a fazer o bem; dando oportunidade para o orgulho ou ira; para a indolência espiritual; para o
desejo tolo, ou afeições desordenadas. Mas que Ele sempre se retira, porque Ele quer; meramente porque é
seu bom prazer, eu absolutamente nego. Não existe um texto em toda a Bíblia que faz qualquer menção a tal
suposição. Mais do que isto: trata-se de uma suposição contrária; não apenas a muitos textos particulares,
mas a todo o teor das Escrituras. É repulsiva à própria natureza de Deus: É extremamente inferior à sua
47

majestade e sabedoria, (como um escritor eminente, expressa fortemente), 'brincar de esconde-esconde com
suas criaturas'. É inconsistente, com sua justiça e misericórdia, e com a profunda experiência de todos os
seus filhos.

8. Uma causa mais da opressão, é mencionada por muitos daqueles que são denominados autores
místicos. E a noção tem se arrastado, eu não sei como, até mesmo entre as pessoas sinceras que não têm
familiaridade com eles. Eu não posso explicar isto melhor, do que nas palavras de uma recente escritora, que
relata isto como sua própria experiência: -- 'Eu continuei tão feliz no meu Amado, que, mesmo que eu tivesse
sido forçada a perambular no deserto, eu não teria encontrado dificuldade nisto. Este estado, porém, não
durou muito, quando, em efeito, eu me encontrei conduzida ao deserto. Eu me achei numa condição de
desamparo, completamente pobre, desgraçada e miserável. A fonte apropriada desta aflição, o
conhecimento de nós mesmos; através do qual, nos certificamos que existe uma extrema dessemelhança
entre Deus e nós. Nós nos vemos em maior oposição a Ele; vemos que no fundo de nossa alma, somos
inteiramente corruptos, depravados, e cheios de toda espécie de mal e malignidade, do mundo e da carne; e
todas as sortes de abominações'. – Disto, pode-se concluir que o conhecimento de nós mesmos, sem o que
podemos perecer eternamente, deve, mesmo depois de termos conseguido a justificação pela fé, nos
ocasionar a mais profunda opressão.

9. Mas, sobre isto, eu observaria:

(1) No parágrafo precedente, esta escritora diz: 'Compreendendo que eu não tinha a fé verdadeira
em Cristo, eu me entreguei a Deus, e imediatamente senti seu amor'. Pode ser; e ainda assim,
não parece que isto foi justificação. É mais provável que não foi mais do que é usualmente
denominado de 'As delineações do Pai'. E se for assim, o peso e a escuridão que se seguem, não
são outra coisa, que a convicção do pecado; que na natureza das coisas, deve preceder aquela fé,
por meio da qual somos justificados.

(2) Supondo-se que ela fosse justificada, quase no mesmo momento em que ela foi convencida da
falta de fé, não houve, então, tempo para aquele crescimento gradual do autoconhecimento, que
costuma preceder a justificação: Neste caso, portanto, ele veio depois, e foi, provavelmente, o
mais severo, o menos esperado.

(3) Pode ser que vá existir um conhecimento de nosso pecado inato, de nossa corrupção total pela
natureza, mais profundo, mais claro e mais completo, depois da justificação, e que nunca houve
antes dela. Mas esta necessidade não ocasiona obscuridade da alma: Eu não direi que ela deva
nos trazer para a opressão. Se fosse assim, o Apóstolo não teria usado aquela expressão; se fosse
preciso, haveria uma necessidade absoluta e indispensável dele, para todos que conhecessem a si
mesmos; ou seja, em efeito, para todos que conhecessem o amor perfeito de Deus, e fossem, por
meio disto, 'feitos adequados para serem parceiros na herança dos santos na luz'. Mas isto, de
modo algum, é o caso. Ao contrário, Deus pode aumentar o conhecimento de nós mesmos em
algum grau; e aumentar na mesma proporção, o conhecimento de Si mesmo e a experiência de
Seu amor. E, neste caso, não haveria 'deserto, miséria, condição de abandono'; mas amor, paz, e
alegria, gradualmente brotando para a vida eterna.

IV

1. Para que finalidade, então, (a Quarta coisa que deverá ser considerada) Deus permite que a
opressão caia sobre tantos de seus filhos? O Apóstolo nos dá uma resposta clara e direta a esta importante
questão: - 'Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo
fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo' (I Pedro 1:7). Pode haver uma
alusão a isto, naquela bem conhecida passagem do quarto capítulo (embora primeiramente relacione-se a
quase outra coisa, como já foi observado): 'Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para
vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das
48

aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis' (I Pedro 4:12,
&c).

2. Disto, nós aprendemos que a primeira e grande finalidade de Deus permitir as tentações, que
trazem opressão sobre seus filhos, é testar a fé deles, que é testada por elas, como o ouro, pelo fogo. Agora,
nós sabemos que o ouro tentado no fogo, é purificado, através dele; é separado de sua impureza. E assim é a
fé, no fogo da tentação; quanto mais ela é tentada, mais é purificada; -- sim, e não apenas purificada, mas
também fortalecida, confirmada, abundantemente aumentada, por tantas mais provas de sabedoria e poder, o
amor e fidelidade de Deus. Por isto, então, -- para aumentar nossa fé, -- é uma das graciosas finalidades de
Deus permitir essas múltiplas tentações.

3. Elas servem para experimentarem, purificarem, confirmarem e aumentarem aquela esperança viva
também, onde junto 'a Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo temos sido recriados de sua abundante
misericórdia'. De fato, nossa esperança não pode deixar de aumentar, na mesma proporção que nossa fé.
Sobre este alicerce, ela se situa: Crendo em Seu nome; vivendo pela fé no Filho de Deus, nós esperamos;
nós temos expectativa confiante da glória que será revelada; e, conseqüentemente, o que quer que fortaleça
nossa fé, aumenta nossa esperança também. Ao mesmo tempo, em que aumenta nossa alegria no Senhor,
que não pode deixar de atender a uma esperança cheia de imortalidade. Neste panorama, o Apóstolo exorta
os crentes em outro capítulo: 'Regozijem-se vocês, parceiros dos sofrimentos de Cristo'. A este mesmo
respeito, 'felizes são vocês; porque o Espírito da glória e Deus descansa sobre vocês': E, por meio disto,
somos capacitados, mesmo em meio aos sofrimentos, a 'nos regozijarmos com alegria inexprimível e cheia
de glória'.

4. Eles se regozijam mais, porque as provas que aumentam a fé e a esperança, aumentam também seu
amor; sua gratidão para com Deus, por todas as suas misericórdias, e sua boa-vontade para com toda
humanidade. Assim sendo, quanto mais profundamente conscientes eles estão da bondade amorosa de Deus,
seu Salvador, mais seus corações inflamam-se com amor para com Ele que 'primeiro os amou'. Quanto mais
clara e forte a evidência que eles têm da glória que deverá ser revelada, mais eles amam a Ele que a adquiriu
para eles, e 'deu a eles a garantia' dela, 'em seus corações'. E esta, o aumento de seu amor, é outra
finalidade para que seja permitido que as tentações venham sobre eles.

5. Uma outra finalidade ainda, é o crescimento deles na santidade: santidade de coração; santidade de
conversação; a última, resultando da primeira; porque uma boa árvore produz bons frutos. E toda santidade
interior é o fruto imediato da fé que é operada pelo amor. Através disto, o Espírito abençoado purifica o
coração do orgulho, obstinação, paixão; do amor do mundo, dos desejos tolos e danosos; das afeições vis e
inúteis. Além do que, afeições santificadas têm, através da graça de Deus, uma tendência imediata e direta à
santidade. Através da operação do seu Espírito, elas humilham e degradam, mais e mais, a alma diante de
Deus. Elas acalmam e abrandam nosso espírito turbulento; submetem a fúria de nossa natureza;
enfraquecem nossa obstinação e vontade própria; crucificam-nos para o mundo; e nos fazem esperar nossa
força, e buscar nossa felicidade, em Deus.

6. E todas essas têm como grande objetivo, que nossa fé, esperança, amor, e santidade 'possam ser
encontrados', se eles ainda não apareceram; 'para o louvor' do próprio Deus; ' e a honra' de todos os
homens, e anjos; 'e a glória', imputada, pelo grande Juiz, a todos que perseverarem até o fim. E isto será
imputado naquele dia terrível, a todo homem, 'de acordo com suas obras'; de acordo com a obra que Deus
tem forjado em seu coração, e as obras exteriores que ele tem forjado para Deus; e igualmente de acordo
com o que ele tem suportado. De modo que todas essas tentações são um ganho inexplicável. De várias
maneiras, essas 'aflições brandas, que são apenas para o momento, forjam em nós um mais excelente, e
eterno ônus de glória!'.

7. Acrescentemos a isto, a vantagem que outros podem receber, vendo nosso comportamento debaixo
de aflição. Nós nos certificamos, pela experiência, que o exemplo freqüentemente causa uma impressão
mais profunda em nós, do que preceitos. E quais exemplos têm uma influência mais forte, não apenas
naqueles que são parceiros de igual fé preciosa, mas, naqueles que não têm conhecido a Deus, do que de
49

uma alma calma e serena, em meio às tempestades; triste, ainda assim, regozijando-se; humildemente
aceitando o que quer que seja da vontade de Deus, embora seja doloroso para a natureza; dizendo, na doença
e dor: 'O cálice que meu Pai me deu, eu não deverei beber?'. – na perda e necessidade, 'O Senhor deu; o
Senhor tira; abençoado seja o nome do Senhor!'.

1. Eu vou concluir, com algumas inferências. Em Primeiro Lugar, quão ampla é a diferença entre a
escuridão da alma e a opressão; que, não obstante, são tão geralmente confundidas uma com a outra; mesmo
pelos cristãos experientes! Escuridão, ou estado de deserto, implica uma total perda da alegria no Espírito
Santo: A opressão não; em meio a ela, nós podemos 'nos regozijar com alegria inexprimível'. Eles que estão
na escuridão perderam a paz de Deus. Eles que estão na opressão não a perderam. Longe disto, naquele
mesmo momento, 'a paz', assim como 'a graça' podem 'ser multiplicadas' junto a eles. No primeiro caso, o
amor de Deus tornou-se frio, se não foi totalmente extinguido; no segundo, ele retém toda sua força; ou
melhor, aumenta, diariamente. No primeiro, a própria fé, se não totalmente perdida, está, não obstante,
gravemente em declínio: A evidência, e a convicção das coisas que não são vistas; particularmente, do amor
redentor de Deus, não está mais tão clara ou forte, quanto no passado; e a confiança deles em Deus está
proporcionalmente enfraquecida: No segundo, embora eles não o vejam, ainda assim, têm uma confiança
clara e inabalável em Deus; e uma evidência duradoura do amor, por meio do qual, seus pecados foram
apagados. De modo que, assim como nós podemos distinguir a fé da descrença; esperança do desespero; paz
da guerra; amor a Deus do amor do mundo; nós podemos infalivelmente distinguir opressão de escuridão!

2. Em Segundo Lugar, nós podemos aprender disto, que pode haver necessidade de opressão; mas
não, necessidade de escuridão. Pode haver necessidade de estamos 'contristados por algum tempo', com o
objetivo das finalidades acima citadas; pelo menos, neste sentido, como resultado natural dessas 'múltiplas
tentações', que são necessárias para testarem e aumentarem nossa fé; para confirmarem e aumentarem nossa
esperança; para purificarem nossos corações de todos os temperamentos não santos, e aperfeiçoarem-nos no
amor. E, em conseqüência disto, elas são necessárias com o objetivo de fazerem brilhar nossa coroa, e
acrescentarem ao nosso ônus de glória eterna. Mas nós não podemos dizer que a escuridão seja necessária
com o objetivo a algumas dessas finalidades. De modo algum, ela nos conduz a elas: A perda da fé,
esperança, amor, certamente não é, nem condutiva à santidade; nem aumenta aquela recompensa no céu que
será na proporção de nossa santidade na terra.

3. Em Terceiro Lugar, nós podemos reunir, da maneira do Apóstolo falar, que, mesmo a opressão,
não é sempre necessária. 'Agora, por um tempo, se preciso'; De modo que nem é necessária a todas as
pessoas; nem para alguma pessoa todo o tempo. Deus é capaz; Ele tem poder e sabedoria para operar,
quando lhe agradar, a mesma obra da graça, em alguma alma, por outros meios. E, em algumas instâncias,
Ele faz assim; Ele faz com que esses, a quem Ele se agrada de seguir adiante, de força em força, até mesmo
fazendo com que eles 'aperfeiçoem a santidade em seu medo'; raramente com alguma opressão, afinal; como
tendo um poder absoluto sobre o coração do homem, e movendo todas as fontes dele como lhe agrada. Mas
esses casos são raros: Deus geralmente acha bom testar 'os homens aceitáveis na fornalha de aflições'. De
modo que aquelas múltiplas tentações e opressão são, mais ou menos, usualmente a porção de seus filhos
mais queridos.

4. Para concluir, nós devemos, portanto, vigiar e orar; e usarmos de nossos mais extremos esforços,
para evitarmos cair na escuridão. Mas não precisamos estar apreensivos, em como evitarmos, tanto quanto,
em como melhorarmos, através da opressão. Nosso grande cuidado deve ser, então, nos comportarmos sob
ela; esperarmos junto ao Senhor, para que ela possa responder completamente a todo o desígnio de Seu
amor; permitindo que ela venha sobre nós; e que ela possa ser os meios de aumentar nossa fé; de confirmar
nossa esperança; de aperfeiçoar-nos em toda santidade. Quando quer que ela venha, que tenhamos um olho
para essas finalidades graciosas, para as quais ela é permitida; e usemos de toda a diligência que pudermos,
para que não tornemos sem efeito o conselho de Deus a nós mesmos. Vamos, sinceramente, trabalhar junto
com ela, através da graça que Ele continuamente nos dá; 'purificando a nós mesmos da poluição da carne e
50

espírito'; e diariamente crescendo na graça de nosso Senhor Jesus Cristo, até que sejamos recebidos em seu
reino eterno!

[Editado por Tim Dawson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Negar a Si Mesmo

'E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me'.
(Lucas 9:23)

I. O significa um homem negar a si mesmo, e carregar sua cruz.

II. Se um homem não for completamente discípulo de Cristo, será sempre devido à falta disto.

III. Conclusão.

1. Tem sido freqüentemente imaginado que a direção dada aqui se refere, principalmente, se não
completamente, aos Apóstolos; pelo menos, aos cristãos dos primeiros séculos, ou àqueles em uma condição
de perseguição. Mas este é um erro grave; porque, embora nosso abençoado Senhor esteja aqui dirigindo seu
discurso mais imediatamente aos seus Apóstolos, e aos outros discípulos que o atenderam, nos dias de Sua
carne; ainda assim, nele, Ele fala a nós, e a toda humanidade, sem qualquer exceção ou limitação. A mesma
razão da coisa em si coloca isto além de disputa; de modo que o dever aqui ordenado não é peculiar a eles,
ou aos cristãos dos primeiros tempos. Ele não diz mais respeito a alguma ordem particular de homens, ou
tempo particular, do que a uma região em particular. Não: Ele é de uma natureza mais universal,
concernente a todos os tempos, e a todas as pessoas; sim, e a todas as coisas; não às carnes e bebidas apenas,
e todas as coisas pertinentes aos sentidos. O significado é, 'Se algum homem', qualquer que seja a classe,
posto ou circunstâncias, em alguma nação, em qualquer época do mundo, efetivamente 'vier após mim, que
negue a si mesmo', em todas as coisas; e 'tome sua cruz diária', qualquer que seja ela; sim, e isto
'diariamente; e me siga'.

2. O negarmos a nós mesmos, e tomarmos nossa cruz - na extensão completa da expressão - não é
uma coisa de pequeno interesse: Não é expediente apenas, como são algumas circunstanciais da religião;
mas é absolutamente e indispensavelmente necessário tanto para começarmos quanto para continuarmos
suas disciplinas. É absolutamente necessário, na mesma natureza das coisas, para nosso vir após Ele e segui-
lo, de tal maneira que, por quanto tempo não estivermos praticando isto, não seremos seus discípulos. Se nós
continuamente não negarmos a nós mesmos, nós não aprenderemos Dele, mas de outros mestres. Se nós não
tomarmos nossa cruz continuamente, nós não poderemos segui-lo, mas seguiremos o mundo, o príncipe do
mundo, ou nossa mente mundana. Se nós não estivermos caminhando no caminho da cruz, não poderemos
continuar a segui-lo; nós não estaremos trilhando em seus passos; mas estaremos caminhando atrás, ou pelo
menos, muito afastado, Dele.

3. É por esta razão, que tantos Ministros de Cristo, em quase todas as épocas e nações;
particularmente, desde a Reforma da Igreja, das inovações e corrupções que gradualmente moveram-se
dentro dela, escreveram e falaram tão largamente sobre este dever importante, ambos em seus discursos
públicos e exortações privadas. Isto os induziu a difundir amplamente muitos tratados sobre o assunto; e
alguns em nossa própria nação. Eles conheciam, ambos dos oráculos de Deus, e do testemunho de suas
próprias experiências, quão impossível seria não negar nosso Mestre, a menos que negássemos a nós
mesmos; e quão futilmente, tentaríamos seguir Aquele que estava crucificado, a menos que tomássemos
nossa cruz diariamente.
51

4. Mas esta mesma consideração não torna razoável inquirir, se muito já tem sido dito ou escrito
sobre o assunto, que necessidade existe de não se falar ou escrever mais? Eu respondo que não existem
números insignificantes, mesmo das pessoas tementes a Deus, que não tenham tido oportunidade, tanto de
ouvir o que tem sido falado, quanto lido o que tem sido escrito sobre ela. E, talvez, se eles tivessem lido
muito do que tem sido escrito, eles não poderiam ter sido tão proveitosos. Muitos que têm escrito (alguns
deles, largos volumes) pareceram, de modo algum, terem entendido o assunto. Tanto eles tinham visões
imperfeitas da própria natureza dela (e, então, eles nunca puderam explicá-la a outros), quanto eles estavam
alheios à extensão devida dela; eles não viram o quanto esta ordem é excessivamente ampla; ou eles não
estavam conscientes da sua absoluta e indispensável necessidade. Outros falam dela, de uma maneira tão
obscura, tão perplexa, tão intrincada, tão mística, como se eles designassem preferivelmente dissimulá-la no
vulgar, do que explicá-la aos leitores comuns. Outros falam admiravelmente bem, com grande clareza e
força, da necessidade da autonegação; mas, então, eles tratam dos gerais apenas, sem virem para as
instâncias particulares, de modo que elas são de pouco uso para a grande massa da humanidade; para os
homens de capacidade e educação comum. E se alguns desses desceram aos pormenores, foi para esses
apenas que não afetam a generalidade dos homens, uma vez que eles raramente, se alguma vez, ocorreram
na vida comum, -- tal como prisão perpétua, ou torturas; desistir, em um sentido literal, de suas casas ou
terras, seus maridos ou esposas, filhos, ou da própria vida; para nenhum desses nós somos chamados, nem
igualmente deveremos ser, a menos que Deus permitisse que os tempos de perseguição pública retornassem.
Neste meio tempo, eu não conheço um escritor na língua inglesa que tenha descrito a natureza da
autonegação em termos claros e inteligíveis, tal como para nivelá-la aos entendimentos comuns, e aplicá-la a
esses pequenos particulares que diariamente ocorrem na vida cotidiana. Um discurso deste tipo é esperado
ainda; e é esperado mais, porque em todo estágio da vida espiritual, embora exista uma variedade de
obstáculos particulares, para que obtenhamos a graça ou cresçamos nela, ainda assim, todos são resolúveis
nesses dois gerais. -- tanto em negarmos a nós mesmos, quanto em tomarmos nossa cruz.

Com o objetivo de suprir este defeito em alguns graus, eu devo me esforçar para mostrar:

I. Em Primeiro Lugar, o que significa a um homem negar a si mesmo, e o que significa tomar a sua
cruz;

II. Em Segundo Lugar, que se um homem não for um discípulo completo de Cristo, é sempre devido
à falta disto.

1. Em Primeiro Lugar, eu vou me esforçar para mostrar o que é para um homem 'negar a si
mesmo', e tomar sua cruz diariamente'. Este é o ponto mais necessário de ser considerado, e de ser
totalmente entendido, com respeito a todos os outros; até mesmo porque, de todos eles, este é o mais
contestado por inimigos numerosos e poderosos. Toda a nossa natureza deve certamente se erguer contra
isto, mesmo em sua própria defesa; o mundo, e, conseqüentemente, os homens - que tomam a natureza como
seu guia, e não a graça, - abominam o próprio som dele. E o grande inimigo de nossas almas, bem sabendo
sua importância, não pode deixar de mover cada pedra contra ele. Mas isto não é tudo: Mesmo esses que
têm, em alguma medida, sacudido fora o jugo do diabo, que têm experimentado, especialmente, nos últimos
anos, uma obra verdadeira da graça em seus corações, ainda não são partidários desta grande doutrina do
Cristianismo, embora ela seja tão peculiarmente insistida pelo seu Mestre. Alguns deles estão tão
profundamente e tão totalmente ignorantes, com respeito a ela, como se não existe palavra alguma a respeito
na Bíblia. Outros estão mais distantes, tendo absorvido, por descuido, fortes preconceitos contra ela. Estes,
eles receberam, parcialmente, dos cristãos de fora, homens de uma fala e comportamento uniformes; e que
não necessitam de coisa alguma de devoção, a não ser poder; nada de religião, a não ser espírito; -- e,
parcialmente, daqueles que, uma vez, se ele o fazem agora, 'testaram dos poderes do mundo que há de vir'.

Mas existem alguns desses que não praticam a autonegação, e recomendam-na aos outros? Vocês
estão pouco familiarizados com a humanidade, se vocês duvidam disto! Existe todo um corpo de homens
que apenas não declaram guerra contra ela. Para ir não mais além do que Londres: Observem todo o corpo
52

de Predestinados [Os que acreditam no desígnio de Deus, pelo qual conduz os eleitos para a bem-
aventurança eterna, por oposição à qualidade ou condição de precito (condenado)], que através da livre
misericórdia de Deus tem sido ultimamente tirado da escuridão da natureza para a luz da fé. Eles são
padrões de autonegação? Quão poucos deles, alguma vez, professaram praticá-la, afinal! Quão poucos deles
recomendaram-na a si mesmos, ou estão satisfeitos com aqueles que o fazem! Antes, eles não a representam
continuamente nas mais odiosas cores, como se estivessem buscando 'salvação pelas obras', ou buscando
'estabelecer sua própria retidão?'. E quão prontamente os Antinomianos de todos os tipos [O
Antinomianismo é a doutrina de que, pela fé e a graça de Deus, anunciadas no Evangelho, os cristãos estão
libertos não só da lei de Moisés, mas de todo o legalismo e padrões morais de qualquer cultura] – dos
serenos Morávios [Denominação protestante, surgida no século XVIII, pela renovação do antigo movimento
dos Irmãos Boêmios, que dá ênfase à vida cristã pura e simples e à fraternidade dos homens. Mais
comumente conhecida como Irmãos Morávios], aos impetuosos Ranters [Apelido dado aos primitivos
Metodistas], juntaram o clamor, com seus tolos e sem sentidos cantos de legalidade, e pregaram a lei!
Embora vocês estejam em perigo constante de serem persuadidos, intimidados ou ridicularizados fora desta
importante doutrina evangélica, tanto pelos falsos professores, quanto falsos irmãos (mais ou menos iludidos
da simplicidade do evangelho), se você não está profundamente alicerçado nele; permita que a oração
ardorosa, então, vá antes, acompanhe, e siga o que você agora está preste a ler, para que possa ser escrito em
seu coração, através do dedo de Deus, de modo que nunca possa ser apagado.

2. Mas o que é o negar a si mesmo? Em que nós devemos negar a nós mesmos? E por que motivo, a
necessidade disto surge? Eu respondo que a vontade de Deus é a regra suprema e inalterada de toda criatura
inteligente; igualmente, comprometendo todo anjo no céu, e todo homem na terra. Nem poderia ser ao
contrário: Este é o resultado natural e necessário da relação entre as criaturas e seu Criador. Mas, se a
vontade de Deus for nossa única regra de ação, em todas as coisas, grandes e pequenas, segue-se, por
inegável conseqüência, que não deveremos fazer nossa própria vontade em coisa alguma. Aqui, portanto,
nós vemos, de imediato, a natureza, com o alicerce e a razão da autonegação. Nós vemos a natureza do
negar a si mesmo: que é o de nos negarmos ou nos recusarmos a seguir nossa própria vontade, da convicção
de que a vontade de Deus é a única regra de ação para nós. E nós vemos a razão disto, porque nós somos as
criaturas; porque 'foi Ele quem nos fez, e não nós!'.

3. Esta razão para o negar a si próprio se emprega, até mesmo, aos anjos de Deus no céu; e ao
homem, inocente e santo, uma vez que ele saiu das mãos do Criador. Uma razão a mais para ela surge da
condição em que todos os homens se encontram desde o pecado original. Nós somos todos agora 'moldados
na maldade; e, no pecado, nossa mãe nos concebeu'. Nossa natureza é completamente corrupta, em todo
poder e faculdade. Toda nossa vontade, pervertida igualmente com o restante, é totalmente inclinada a ter
indulgência, com respeito a nossa corrupção natural. Por outro lado, não é da vontade de Deus que nós
resistamos e contrariemos aquela corrupção, algumas vezes, ou em algumas coisas apenas, mas todo o
tempo, e em todas as coisas. Aqui, portanto, está um fundamento a mais para o constante e universal negar a
si mesmo.

4. Para ilustrar isto um pouco mais: A vontade de Deus é um caminho que conduz direto para Ele. A
vontade do homem que corre paralela à vontade do Pai, é agora um outro caminho, não apenas diferente
dele, mas em nosso estado atual, diretamente contrário a ele. Ele conduz a Deus. Se, portanto, caminhamos
em um, devemos necessariamente desistir do outro. Nós não podemos caminhar em ambos. De fato, um
homem de coração fraco e mãos frágeis pode seguir nos dois caminhos, um depois do outro. Mas ele não
poderá caminhar nos dois ao mesmo tempo: ele não pode, num determinado momento, e ao mesmo tempo,
seguir sua vontade, e seguir a vontade de Deus: Ele deve escolher uma ou outra; negando a vontade de Deus,
ele irá seguir a sua própria; negando a si mesmo, ele seguirá a vontade de Deus.

5. Agora, é certamente prazeroso, para o momento, seguir nossa própria vontade, cedendo, em
qualquer instância que se ofereça, à corrupção de nossa natureza: Mas, seguindo-a, no que quer que seja, nós
estaremos assim fortalecendo a obstinação de nossa vontade; e por favorecê-la, nós continuamente
aumentamos a corrupção de nossa natureza. De modo que nós podemos freqüentemente aumentar as
53

enfermidades corpóreas, através do alimento que é agradável ao paladar: Ele gratifica o paladar, mas inflama
a enfermidade. Ele traz prazer, mas também, a morte.

6. Do todo, então, negar a nós mesmos é negar nossa própria vontade, onde ela não se harmoniza
com a vontade de Deus; e isto, por mais agradável que ela possa ser. Ou seja, negar a nós mesmos, qualquer
prazer que não surja, ou que não conduza a Deus; o que significa, em efeito, recusar-se a sair de nosso
caminho, ainda que para um caminho agradável e florido; recusar o que sabemos ser um veneno mortal,
mesmo que agradável ao paladar.

7. E todo aquele que pretende seguir a Cristo, que pretende ser seu discípulo verdadeiro, deve não
apenas negar a si mesmo, mas tomar sua cruz também. Uma cruz não é alguma coisa contrária a nossa
vontade; alguma coisa desagradável à nossa natureza. Assim sendo, tomar nossa cruz vai um pouco mais
além do que negar a nós mesmos; ela se ergue um pouco mais elevado, e é uma tarefa mais difícil para a
carne e o sangue; -- uma vez que é mais fácil privar-se do prazer do que suportar a dor.

8. Agora, para retornar 'à corrida que se apresenta diante de nós', concordante com a vontade de
Deus, existe freqüentemente uma cruz colocada no caminho; ou seja, não se trata apenas de uma coisa não
prazerosa, mas dolorosa; alguma coisa que é contrária a nossa vontade; que é desagradável à nossa natureza.
O que, então, deverá ser feito? A escolha é clara: Ou tomamos a nossa cruz, ou nos desviamos do caminho
de Deus; 'do mandamento santo entregue a nós'; isto, se não pararmos completamente, ou voltarmos para a
perdição eterna!

9. Com o objetivo de curar aquela corrupção; aquela enfermidade diabólica que todo homem traz
consigo para o mundo, freqüentemente é necessário arrancar, por assim dizer, o olho direito, e cortar a mão
direita; -- tão dolorosa, é tanto a própria coisa que deve ser feita, quanto os meios de se fazê-la;
provavelmente, a ruptura de um desejo insensato, de uma afeição desordenada, ou a separação do objeto
dele, sem o que, essa enfermidade nunca poderá ser extinta.

Primeiro, o arrancar tal desejo, ou afeição, quando ele está tão profundamente enraizado na alma, é
freqüentemente como o ser perfurado por uma espada; sim, é como 'separar a alma e o espírito; as juntas e
o tutano'. O Senhor, então, coloca, na alma, como que um fogo refinador, para queimar toda a matéria inútil
dela. E esta é uma cruz, realmente; é essencialmente doloroso; e deve ser assim, na mesma natureza das
coisas. A alma não pode, desta forma, ser colocada de lado; ela não pode deixar de passar pelo fogo, sem
sentir dor.

10. Em Segundo Lugar, é freqüentemente doloroso curar a alma doente; curar o desejo tolo, a
afeição desordenada; não pela natureza da coisa, mas pela natureza da enfermidade. Assim sendo, quando
nosso Senhor disse para o jovem rico: (Marcos 10:21) 'Vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres',
(como bem se sabe este é o único meio de curar a sua avareza), o próprio pensamento disto trouxe a ele
tantas dores, que 'ele foi embora deprimido'; escolhendo, preferivelmente, separar-se de sua esperança do
céu, do que de suas posses na terra. Este era um fardo que ele não consentiria levantar; uma cruz que ele não
tomaria. E, quer de uma maneira ou de outra, todo seguidor de Cristo irá certamente necessitar 'tomar sua
cruz diariamente'.

11. O 'tomar' difere um pouco do 'suportar a cruz'. Nós diremos, propriamente, então, 'suportar
nossa cruz', quando suportamos o que é colocado sobre nós, sem nossa escolha, com humildade e
resignação. Da mesma forma, não dizemos apropriadamente 'tomar nossa cruz', a não ser, quando,
voluntariamente, permitimos o que está em nosso poder evitarmos; quando, de boa-vontade, abraçamos a
vontade de Deus, embora contrária a nossa própria; quando escolhemos o que é doloroso, porque é o desejo
de nosso sábio e gracioso Criador.

12. Assim sendo, convém a todo discípulo de Cristo tomar sua cruz, tanto quanto, suportá-la. Na
verdade, em um sentido, ela não é dele somente; é comum a ele, e muitos outros; uma vez que não existe
tentação que sobrevenha a qualquer homem, -- 'a não ser tal que seja comum aos homens'; tal que seja
54

incidente e adaptada à natureza e situação comum deles, no mundo atual. Mas, em outro sentido, como ela é
considerada com todas as suas circunstâncias, ela é dele; peculiar a si mesmo: É preparada por Deus, para
ele; é dada por Deus a ele, como um sinal de Seu amor. E se ele a recebe como tal, e, depois usa tais meios
para remover a opressão, como a sabedoria cristã direciona, coloca-se como o barro nas mãos do oleiro; é
disposto e ordenado por Deus para seu bem; ambos com respeito á qualidade dela, e com respeito à sua
quantidade e grau, sua duração e todas as outras circunstâncias.

13. Com tudo isto, nós podemos facilmente conceber que nosso abençoado Senhor age como um
Médico de nossas almas; não meramente, 'para seu próprio prazer, mas para nosso proveito; para que
possamos ser parceiros de Sua santidade'. Se, em examinar nossas machucaduras, Ele nos faz sentir dor, é
apenas com o objetivo de curá-las. Ele arranca o que está podre ou enfermo, com o propósito de preservar a
parte boa. E se nós livremente escolhemos a perda do membro, preferivelmente, a todo o corpo perecer;
quanto mais escolheríamos, figurativamente, cortar fora a mão direita, preferivelmente, a toda a alma ser
lançada no inferno!

14. Nós vemos plenamente, então, ambos a natureza e o fundamento de tomarmos nossa cruz. Ela
não implica em punir a nós mesmos (como alguns dizem); o literalmente rasgar nossa própria pele: o usar
tecido de crina, ou espartilho (ou cintas) de ferro, ou alguma coisa mais que poderia danificar nossa saúde
corpórea; (embora não saibamos qual a permissão que Deus pode fazer para esses que agem assim, através
da ignorância involuntária), mas o abraçar a vontade de Deus, embora contrária a nossa; a salutar escolha,
embora medicamento amargo; o aceitar livremente a dor temporária, de qualquer tipo, e em qualquer grau,
quando é tanto essencialmente, quanto acidentalmente necessário ao prazer eterno.

II

1. Em Segundo Lugar, eu vou mostrar que é sempre devido à falta, tanto do negar a si mesmo,
quanto do tomar sua cruz, que algum homem não segue totalmente, nem é completamente um discípulo de
Cristo. É verdade, que isto pode ser devido, parcialmente, em alguns casos, à falta dos meios da graça; do
ouvir a palavra verdadeira de Deus, falada com poder; dos sacramentos, ou da camaradagem cristã. Mas,
onde nada disto falta, o grande obstáculo de recebermos ou crescermos na graça de Deus, será sempre a falta
de negarmos a nós mesmos, ou tomarmos nossa cruz.

2. Alguns poucos exemplos irão tornar isto claro. Um homem ouve a palavra que é capaz de salvar
sua alma: Ele está feliz com o que ouve, reconhece a verdade, e está um tanto afetado por ela; ainda assim,
permanece 'morto nas transgressões e pecados', inconsciente e adormecido. Por que isto? Porque ele não se
separa do seu pecado, embora saiba agora que ele é uma abominação ao Senhor. Ele vem ouvir, cheio de
desejos luxuriosos e profanos; e ele não irá se separar deles. Portanto, nenhuma impressão profunda é feita
nele, mas seu coração tolo ainda está endurecido: Ou seja, ele ainda está inconsciente e adormecido, porque
ele não nega a si mesmo.

3. Suponha que ele comece a despertar do sono, e seus olhos estejam um pouco abertos, por que eles
se fecham tão rapidamente de novo? Por que ele novamente mergulha no sono da morte? Porque ele
novamente consente no seu pecado interior; porque ele bebe novamente do veneno prazeroso. Portanto, é
impossível que alguma impressão restante possa ser feita em seu coração: Ou seja, ele reincide na sua
insensibilidade fatal, porque ele não nega a si mesmo.

4. Mas este não é o caso com todos. Nós temos muitos exemplos desses que, quando uma vez
acordados, não dormem mais. As impressões, uma vez recebidas, não se corroem: Elas não são apenas
profundas, mas duradouras. E ainda assim, muitos desses não têm encontrado o que eles buscam: Eles
murmuram, e mesmo assim, não são confortados. Agora, por que isto? É por que eles não 'produzem os
frutos do arrependimento'; porque eles, de acordo com a graça recebida, não 'cessam de fazer o mal, e fazem
o bem'. Eles não cessam facilmente de se envolverem com o pecado, o pecado de sua constituição, de sua
educação, de sua profissão; ou se omitem de fazer o bem que eles podem, e sabem que devem fazer, por
55

causa de algumas circunstâncias desagradáveis que o atendem: Ou seja, eles não atingem a fé, porque eles
não 'negam a si mesmos', ou 'tomam a sua cruz'.

5. Mas este homem recebeu 'o dom celestial'; ele 'testou dos poderes do mundo que haverá de vir';
ele viu 'a luz da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'; a 'paz que ultrapassa todo entendimento'; seguiu o
'preceito de seu coração e mente'; e 'o amor de Deus irradiou-se', por todo ele, 'pelo Espírito Santo que foi
dado junto a si'; -- ainda assim, ele está fraco, como qualquer outro homem; ele novamente aprecia as coisas
da terra, e tem mais prazer pelas coisas que são vistas, do que por aquelas que não são visíveis; o olho de seu
entendimento está fechado novamente, de maneira que ele não pode 'ver a Ele que é invisível'; seu amor se
tornou frio, e a paz de Deus não mais decide em seu coração. E não é de se admirar: porque ele novamente
deu lugar ao diabo, e afligiu o Espírito de Deus. Ele se voltou novamente para a insensatez, se não, na ação
exterior, ainda assim, no coração. Ele deu lugar ao orgulho, ira, desejo, vontade própria, obstinação. Ou ele
não estimulou os dons de Deus que estavam nele; ele deu abriu caminho para a indolência espiritual, e não
estaria preocupado em 'orar sempre, e vigiar isto com toda perseverança': Ou seja, ele um naufrágio da fé,
por falta de negar a si mesmo, e tomar sua cruz diariamente.

6. Mas, talvez, ele não tenha naufragado sua fé: Ele tenha ainda uma medida do Espírito de adoção
que continua a testemunhar com seu espírito que ele é um filho de Deus. Não obstante, ele não vai mais em
'busca da perfeição'; ele não está, como outrora, faminto e sedento a cerca da retidão, buscando a imagem
total e alegria completa de Deus, como o veado adulto busca o riacho. Antes, ele está fatigado e
enfraquecido em sua mente, e, por assim dizer, flutuando entre a vida e a morte. E por que ele é assim, a não
ser porque ele se esqueceu da Palavra de Deus, -- 'Pelas obras, a fé se torna perfeita?'. Ele não usa de toda a
diligência na executar as obras de Deus. Ele não 'continua em oração', individual, assim como pública; na
comunhão, audição, meditação, jejum, e conferência religiosa. Se ele não negligencia totalmente alguns
desses meios, pelo menos, ele não os usa com todo seu poder. Ou ele não é zeloso das obras de caridade,
tanto quanto, das obras de devoção. Ele não é misericordioso, segundo seu poder, com toda a habilidade que
Deus lhe deu. Ele não serve ardorosamente ao Senhor, ao fazer o bem aos homens, de todo tipo e em todo
grau que ele puder, quer para suas almas, ou para seus corpos. E por que ele não continua em oração?
Porque na época da seca é dor e aflição junto a ele. Ele não continua a ouvir todas as oportunidades, porque
dormir é agradável; ou está frio, ou escuro, ou chuvoso. Mas por que ele não continua nas obras de
misericórdia? Porque ele não pode alimentar o faminto, ou vestir o nu, a menos que ele reduza as despesas
de seu próprio vestuário, ou usar de alimento prazeroso, mais barato e em menor quantidade. Além do que, o
visitar o doente, ou aqueles que estão na prisão, é atendido, com muitas circunstâncias desagradáveis. E,
assim, todas as obras de misericórdia espiritual; reprovação, em particular. Ele reprovaria seu próximo; mas
algumas vezes, se envergonharia; algumas vezes, temeria se envolver: Porque ele se exporia, não apenas ao
ridículo, mas às conseqüências mais pesadas também. Por estas e por considerações semelhantes, ele omite
uma ou mais, se não todas as obras de misericórdia e devoção. Por esta razão, sua fé não é perfeita, nem ele
pode crescer na graça; isto é, porque ele não nega a si mesmo e toma sua cruz diariamente.

7. Manifestadamente se segue, que é sempre devido à falta, tanto do negar a si mesmo, quanto do
tomar sua cruz, que o homem não segue seu Senhor totalmente; que ele não é completamente um discípulo
de Cristo. É devido a isto, que ele, que está morto no pecado, não desperta, embora a trombeta seja tocada;
que ele, que começa a acordar do sono, ainda assim, não tenha a convicção profunda e duradoura; que
aquele que está, profundamente e de maneira duradoura, convencido do pecado, não retém a remissão dos
pecados; que alguns que têm recebido este dom celestial não o retêm, mas naufragam a fé; e que outros, se
não recaem na perdição, ainda assim, estão fatigados e fracos em suas mentes, e não alcançam a marca do
prêmio do alto chamado de Deus, em Jesus Cristo.

III

1. Em Primeiro Lugar, quão facilmente, nós podemos aprender disto, que aqueles que, direta ou
indiretamente; em público ou em privativo, opõem-se a negar a si mesmos, e a carregarem diariamente sua
cruz, não conhecem as Escrituras, nem o poder de Deus! Quão totalmente ignorantes esses homens são de
centenas de textos específicos, assim como, do grande teor de todos os oráculos de Deus! E quão
56

inteiramente alheios eles devem ser com respeito à experiência cristã verdadeira e genuína, -- da maneira
como o Espírito Santo sempre operou, e opera até hoje, nas almas dos homens! Eles podem falar, de fato,
muito eloqüentemente e confiantemente (um fruto natural da ignorância), como se eles fossem os únicos
homens a entenderem, tanto a Palavra de Deus, quanto a experiência de seus filhos. Mas suas palavras são,
em todo sentido, obras vãs; elas são pesadas na balança, e ainda ficam deficientes.

2. Em Segundo Lugar, nós podemos aprender disto, a causa real porque não apenas muitas pessoas
particulares, mas, até mesmo, grupos de homens, que foram outrora luzes ardentes e brilhantes, perderam
agora sua luz e calor. Se eles não a odiaram e se opuseram a ela, eles, no mínimo, estimaram ligeiramente
esta preciosa doutrina evangélica. Se eles, evidentemente, não disseram: 'Nós pisoteamos todo o negar a si
mesmo, nós o consagramos à destruição'; ainda assim, eles nunca a valorizaram, de acordo com a sua mais
alta importância, nem se preocuparam em praticá-la. Disse um grande homem perverso: 'Os escritores
místicos ensinam o negar a si mesmo'. – Não; os escritores inspirados! E Deus a ensina a toda alma que está
desejosa de ouvir sua voz!

3. Em Terceiro Lugar, nós podemos aprender, disto, que não é suficiente para um Ministro do
Evangelho não se opor à doutrina do negar a si mesmo, e dizer coisa alguma concernente a ela. Mais do que
isto, ele não pode cumpri sua obrigação por falar um pouco a favor dela. Se ele deve, de fato, ser puro do
sangue de todos os homens, ele deverá falar dela freqüente e amplamente; ele deverá inculcar a necessidade
dela, de uma maneira mais clara e forte; ele deverá impô-la com sua força, a todas as pessoas, todos os
momentos, e em todos os lugares; assentando 'linha por linha; linha por linha; preceito por preceito;
preceito por preceito': De maneira que ele terá uma consciência isenta de ofensa; de modo que ele salvará
sua própria alma e daqueles que o ouvem.

4. Por último: Vejam que vocês apliquem isto; cada um de vocês, às suas próprias almas! Meditem
sobre isto, quando estiverem em secreto. Ponderem em seus corações! Cuidem de não apenas entenderem
isto totalmente, mas de lembrarem disto, até o fim de suas vidas! Clamem junto ao Forte, por força, para que
vocês possam não apenas entender prontamente, mas praticar prontamente. Não percam tempo, mas
pratiquem isto imediatamente, a partir de agora! Pratiquem universalmente, em todas as milhares de
situações que ocorrerão, em todas as circunstâncias da vida! Pratiquem diariamente, sem intermissão, do
momento em que puserem mãos à obra, e continuem nisto até o fim, até que seu espírito retorne para Deus!

[Editado por Waylon Brown, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A Cura da Maledicência

'Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o, entre ti e ele só. Se te ouvir, ganhaste a teu irmão.
Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda
palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-a a igreja. E, se também não escutar à igreja,
considera-o como um gentio e publicano'. (Mateus 18:15-17)

I. O caminho mais literal de seguir essa primeira regra, 'se teu irmão pecar contra ti, vai e
repreende-o, entre ti e ele só', onde puder ser praticado, é o melhor.

II. Nós não devemos esperar que freqüentemente uma repreensão mais moderada e terna tenha
efeito; mas a benção que desejarmos para outro irá retornar para nossa própria alma. Então, o que devemos
fazer?

III. 'Se te ouvir', então, e não, até então, 'dize-a a igreja'. A questão é, como essa palavra 'a igreja'
deve ser entendida aqui.
57

1. 'Não fale mal de homem algum', diz o grande Apóstolo: — Tão claro quanto o mandamento, 'Não
matarás'. Mas quem, entre os cristãos, respeita esse mandamento? Sim. Quão poucos existem que o
entendem? O que é maledicência? Ela não significa, como alguns supõem, o mesmo que mentira ou
difamação infundada. Tudo que um homem disser pode ser tão verdadeiro quanto a Bíblia; e, ainda assim
esse dizer significa maledicência. Porque maledicência é nem mais, nem menos, que falar mal de uma
pessoa ausente; relatando alguma coisa má, que foi realmente feita, ou dita, por uma pessoa que não está
presente, quando ela é relatada. Supondo-se que eu, tendo visto um homem bêbado; ou o tendo ouvido
praguejar ou amaldiçoar, falo a respeito, quando ele está ausente; isto é maledicência.

Em nossa língua isto é também, através de um nome extremamente apropriado, denominado de


calúnia. Nem existe alguma diferença material entre essa, e a que nós usualmente intitulamos mexerico. Se o
relato for entregue de uma maneira delicada e calma (talvez, com expressões de boa-vontade da pessoa, e na
esperança de que aquelas coisas não sejam assim tão completamente más), então, nós podemos chamar isto
de boatos. Mas, qualquer que seja a maneira como é feita, dará no mesmo; — na mesma substância, se não,
na mesma circunstância. Ainda será maledicência; ainda esse mandamento, 'Não fale mal de homem algum',
é pisoteado; se nós relatamos a falta de outra, para uma terceira pessoa, quando ela não está presente para
responder por si mesma.

2. E quão extremamente comum é esse pecado, entre todas as classes e níveis de homens! Como ele é
praticado por altos e baixos; ricos e pobres; sábios e ignorantes; letrados ou analfabetos! Pessoas que
diferem umas das outras em todas as coisas, não obstante, concordam nisto. Quão poucos existem que
podem testificar diante de Deus: 'Eu estou limpo, no que diz respeito a esse assunto; eu tenho sempre
colocado um vigia diante de minha boca, e mantido a porta dos meus lábios, fechada! Que tipo de conversa
você ouve, com alguma minúcia considerável, que não tenha a maledicência como um dos ingredientes? E
isto, mesmo entre pessoas que, em geral, têm temor a Deus, diante de seus olhos, e que desejam realmente
ter uma consciência livre de ofensas em direção a Deus e ao homem.

3. E a mesma freqüência desse pecado torna difícil esquivarmo-nos disto. Já que nós estamos
cercados por ele, por todos os lados; de modo que, se nós não estivermos profundamente sensíveis ao perigo,
e nos guardarmos contra ele, continuamente, estaremos sujeitos a sermos levados pela correnteza. Nessa
instância está, quase a totalidade da humanidade, em conspiração contra nós. De que maneira o exemplo
dela leva vantagem sobre nós, nós não sabemos; assim sendo, insensivelmente acostumamo-nos a imitá-la.
Além disso, é recomendado tanto de dentro, quanto de fora. Escassamente existe algum temperamento
errado na mente do homem que não possa ser ocasionalmente gratificado por ela, e, conseqüentemente nos
incline a isto. Ela gratifica nosso orgulho, em relatar a falta de outros, onde nós acreditamos que nós
mesmos não somos culpados. Raiva, ressentimento, e todo temperamento descortês são favorecidos pelo
falar contra aqueles com quem nos desagradamos; e, em muitos casos, relatando os pecados de seus
próximos, os homens favorecem seus próprios desejos tolos e perniciosos.

4. A maledicência é mais difícil de ser evitada, porque ela freqüentemente nos ataca na dissimulação.
Nós não estamos falando de uma indignação nobre e generosa (melhor seria não falarmos), contra essas
criaturas vis! Nós cometemos pecados, por mero ódio do pecado! Nós servimos ao diabo, pelo puro zelo por
Deus! É meramente com o objetivo de punir os descrentes, que nós incorremos nessa perversidade. 'Assim,
as paixões' (como alguém diz) 'justificam a si mesmas', e escondem o pecado sobre nós, debaixo do véu da
santidade!

5. Mas não existe um meio de evitar a armadilha? Inquestionavelmente, existe. Nosso abençoado
Senhor tem traçado um caminho claro para seus seguidores, nas palavras acima citadas. Ninguém que
caminhe com prudência e firmeza nesses passos, irá cair na maledicência. Essa regra é tanto um preventivo
infalível, quanto a cura certa dela. Nos versos precedentes, nosso Senhor diz, 'Ai do mundo, por causa dos
escândalos', -- misérias inexprimíveis se surgirão, dessa fonte maligna: (Ofensas são todas as coisas, por
meio das quais alguém é desviado dos caminhos de Deus, ou impedido de seguir nele): 'Porque deverão ser
estas ofensas a virem , -- tais como a natureza das coisas; a perversidade, insensatez, e fraqueza da
58

humanidade: 'Mas ai do homem', -- miserável é aquele homem, 'por meio do qual os escândalos virão'.
'Porque, se tua mão, teus pés, teus olhos fizerem com que tu te escandalizes', -- se o prazer mais caro; a
pessoa mais amada e útil, desviar-te e impedir que tu sigas no caminho, 'arranca fora', -- e atira para longe
de ti.

Mas como nós podemos evitar ofender alguns, sendo ofendidos por outros? Supondo-se,
especialmente, que eles estejam completamente no erro, e nós vemos isto com nossos próprios olhos? Aqui,
nosso Senhor nos ensina como: Ele nos coloca um método certo de evitar ofensas e toda maledicência,
juntas. 'Se teu irmão pecar contra ti, vá até ele, e diz-lhe de suas faltas;entre ti e ele somente: Se ele ouvir a
ti, terás ganho um irmão. Mas, se ele não ouvir a ti, tome contigo um ou mais, para que pela boca de duas
ou três testemunhas, toda palavra possa ser estabelecida. E se ele não ouvir a elas, dize isto à igreja: Mas
se ele não ouvir a Igreja, que ele seja para ti como um pagão e um publicano'.

1. Primeiro: 'Se teu irmão pecar contra ti, vá, e diz a ele de sua falta, entre ti e ele somente'. A
maneira mais literal de seguir essa primeira regra, onde ela seja praticável, é a melhor: Entretanto, se veres
um irmão, um companheiro cristão, cometer pecado incontestável; ou ouvires, tu mesmo, de maneira que
seja impossível que duvides do fato; então, tua parte nisto é clara: Na primeira oportunidade, vá até ele; e, se
puderes ter acesso, 'dize-lhe de sua falta, entre ti e ele somente'. De fato, grande cuidado deve ser tomado
para que isto seja feito, em um espírito correto, e de uma maneira correta. O sucesso de uma reprovação
depende grandemente do espírito, em que ela é dada. Não estejas em falta, portanto, de orares sinceramente
a Deus, para que ela possa ser dada, em um espírito humilde; com uma convicção profunda e penetrante, de
que é Deus, tão somente, que faz com que tu te diferencies; e que, se algum bem é feito, pelo que é agora
falado, é Ele mesmo que o faz. Ora para que ele guarde teu coração, aclare tua mente, e direcione tua língua
para tais palavras, em que ele pode se agradar de abençoar. Vê que tu fales com um espírito humilde e
manso; já que 'a ira do homem não opera a retidão de Deus'. Se ele for 'surpreendido em uma falta', ele não
poderá, de modo algum, ser restaurado, 'a não ser no espírito de mansidão'. Mesmo que ele se oponha à
verdade; ainda assim, ele não poderá ser trazido ao conhecimento disso, a não ser através da gentileza. Fale
ainda, com um espírito de amor terno, 'que muitas águas não podem extinguir'. Se o amor não for dominado,
ele dominará todas as coisas. Quem poderá dizer da força do amor?

O amor pode curvar o pescoço obstinado;


A pedra em carne se converter;
amansar, derreter, esfarelar e quebrar
um coração inflexível.
Confirme, então, seu amor, em direção a ele,
e você irá, por meio disto,
'amontoar as brasas do fogo sobre a sua cabeça'.

2. Mas, nisto, veja também que a maneira como você fala esteja de acordo com o Evangelho de
Cristo. Evite tudo, no olhar, gesto, palavra, e tom de voz, que cheire a orgulho, ou presunção.
Estudiosamente, evite tudo que for autoritário ou dogmático; tudo que parecer arrogância ou ostentação.
Precavenha-se da aproximação mais distante, que venha desdenhar, dominar, ou levar desprezo. Com igual
cuidado, evite toda aparência de raiva; e, embora faça grande uso da maior clareza de linguagem, ainda
assim, não permita que exista reprovação; alguma acusação afrontosa; algum toque de qualquer fervor, a
não ser aquele do amor. Acima de tudo, permita que não exista sombra de ódio, ou má-vontade; amargura
ou expressão de mau humor; mas o uso da atmosfera e linguagem da doçura, assim como da gentileza, para
que tudo possa parecer fluir do amor no coração. E, ainda que essa delicadeza não impeça o seu falar, da
maneira mais séria e solene; tanto quanto for possível, que você fale, nas mesmas palavras dos oráculos de
Deus (já que não existe algum como eles), e debaixo dos olhos Dele, que virá julgar os vivos e os mortos.

3. Se você não tiver uma oportunidade de falar com ele, pessoalmente, ou não puder ter acesso, você
deve fazê-lo, através de um mensageiro; através de um amigo comum, em cuja prudência, tanto quanto
59

lealdade, você pode confiar totalmente. Tal pessoa, falando em seu nome, e em um espírito e maneira acima
descritos, poderá responder à mesma finalidade; e, em um bom nível, suprir a sua falta. Apenas, precavenha-
se de não simular a falta de oportunidade, com o objetivo de evitar a cruz; nem tome isto, para afirmar que
você não poderá ter acesso, sem antes fazer alguma tentativa. Quando quer que você possa falar
pessoalmente, será muito melhor. Mas você deve trocar uma coisa por outra, preferivelmente a não fazer
nada, afinal: esse meio é melhor do que nenhum.

4. Mas o que fazer, se você, nem pode falar pessoalmente, nem encontra tal mensageiro em quem
confiar? Se este for realmente o caso, resta, então, apenas escrever. E podem existir algumas circunstâncias
que torna isto a mais aconselhável maneira de falar. Uma dessas, é quando a pessoa com quem você tem de
fazê-lo, é de um temperamento tão 'esquentado' e impetuoso, que não suporta reprovação; especialmente, de
um igual ou inferior. Mas o assunto pode ser introduzido e amenizado, no escrito, de maneira a tornar a
coisa mais tolerável. Além disso, muitos irão ler as mesmas palavras, que eles não poderiam suportar ouvir.
Não seria um choque tão violento para o orgulho deles; nem tocaria tão sensivelmente as suas próprias
honras. E, supondo-se que cause pequena impressão, a princípio, eles irão, talvez, dar a ele uma segunda
leitura; e, depois de consideração posterior, irão colocar no coração o que antes eles haviam desdenhado. Se
você acrescentar seu nome, isto é aproximadamente a mesma coisa que ir até ele, e falar pessoalmente. E
isto pode sempre ser feito, a menos que se mostre impróprio, por alguma razão muito pessoal.

5. Deve-se observar bem, que este não é apenas um passo que nosso Senhor absolutamente ordena a
nós que tomemos, mas que ele ordena que tomemos primeiro; antes de atendermos a qualquer outro.
Nenhuma alternativa é permitida; nenhuma escolha de algum tipo: este é o caminho; caminha tu nele. É
verdade que ele nos impõe, se a necessidade requer, que tomemos outros dois passos; mas eles devem ser
tomados sucessivamente depois desse primeiro, e nenhum deles antes disso. Muito menos, devemos tomar
algum outro, tanto diante, quanto ao lado desse. Portanto, fazer alguma coisa a mais, ou não fazer isto, é
igualmente indesculpável.

6. Não pense em desculpar-se por tomar um passo inteiramente diferente, dizendo: 'Ora, eu não falei
com ninguém, até que eu estive tão sobrecarregado, que não pude conter-me'. Você esteve sobrecarregado!
Não é de se admirar que você estivesse, a menos que sua consciência fosse endurecida; e também porque
você estava debaixo da culpa do pecado, da desobediência de um mandamento claro de Deus! Você deveria
ter ido, e imediatamente falado 'com seu irmão sobre sua falta, entre você e ele somente'. Se você não o fez,
de que outra maneira poderia estar, se não sobrecarregado (a menos que seu coração estivesse extremamente
endurecido), enquanto você estava pisoteando o mandamento de Deus, e 'odiando seu irmão em seu
coração?'. E que caminho você encontrou para aliviar a si mesmo? Deus reprova você, pelo pecado da
omissão; por não dizer a seu irmão a respeito da falta dele; e você se conforta debaixo da reprovação Dele,
através do pecado do cometimento, por dizer ao seu irmão a falta de uma outra pessoa! Conforto comprado
através do pecado é um preço elevado! Eu confio que em Deus, você não terá conforto, mas irá
sobrecarregar-se ainda mais, até que você 'vá ao seu irmão e o diga'; e ninguém mais.

7. Eu conheço apenas uma exceção a essa regra: Pode existir um caso peculiar, em que é necessário
acusar o culpado, embora ausente, com o objetivo de preservar um inocente. Por exemplo: você tem
conhecimento pessoal do objetivo que um homem tem contra a própria vida, ou de seu próximo. Agora, o
caso pode ser circunstanciado, já que não existe outro meio de impedir que aquele objetivo se realize, a não
ser, sem demora, levando ao conhecimento daquele, contra quem ele está sendo colocado. Neste caso,
portanto, essa regra é deixada de lado, como aquela do Apóstolo: Não fale mal de homem algum': e é
legítimo, sim, é nosso dever sagrado, falar mal de uma pessoa ausente, com o objetivo de impedir que ele
faça mal a outros e a si, ao mesmo tempo. Mas lembre-se que, enquanto isso, toda aquela maledicência é, em
sua natureza própria, um veneno mortal. Por conseguinte, se você for, algumas vezes, constrangido a fazer
uso dela, como um remédio, use-a com temor e tremor; vendo que é um remédio tão perigoso, que nada, a
não ser a absoluta necessidade, pode desculpar você de usá-la, afinal. Concordantemente, use-a tão
raramente quanto possível; nunca, a não ser quando existir tal necessidade: E mesmo então, use tão pouco
dela quanto possível; apenas o tanto necessário para a finalidade proposta. Em todos os outros momentos,
'vá, e diz a ele de sua falta, entre ti e ele, somente'.
60

II

1. Mas, como fazer, 'se ele não ouvir?'. Se ele pagar o bem com o mal? Se ele preferir ficar
enfurecido a convencido? O que fazer, se ele ouvir, para nenhum propósito, e seguir em frente, ainda em seu
caminho pecaminoso? Nós devemos esperar que esse seja freqüentemente o caso; que a reprovação mais
branda e terna não tenha efeito; ainda assim, a benção que nós desejamos para o outro, retornará para nosso
próprio seio. E o que devemos fazer então? Nosso Senhor tem nos dado uma direção clara e completa:
Então, 'tome contigo um ou dois mais': Este é o segundo passo. Tome um ou dois, que você conheça ser de
espíritos amorosos, amantes de Deus e de seu próximo. Veja, igualmente, que eles sejam de espíritos
amáveis, e 'cobertos com humildade'. Que eles sejam também mansos e gentis; pacientes e longânimes; não
aptos a 'retornar o mal pelo mal; ou o insulto pelo insulto; mas, ao contrário, benção'. Que eles sejam
homens de entendimento, tais que dotados com a sabedoria que vem do alto; e homens livres da
parcialidade; livres de preconceito de espécie alguma. Cuidado deverá ser igualmente tomado, para que
tanto as pessoas, quanto seu caráter, sejam bem conhecidos dele. E permita que esses que são aceitos por ele
sejam os escolhidos, preferivelmente a quaisquer outros.

2. O amor irá ditar de que maneira eles deverão proceder, de acordo com a natureza do caso. Nem
poderá alguma maneira particular ser prescrita para todos os casos. Mas, talvez, em geral, alguém deva
aconselhar que, antes de eles levar a coisa, por si mesma, que eles declarem, mansamente e amorosamente,
que não têm raiva ou preconceito, com respeito a ele; e que é meramente por um princípio de benevolência,
que eles agora vieram; ou, afinal, com respeito a si mesmos, com seus afazeres. Para tornar isto mais
aparente, eles devem, então, atender calmamente à repetição de sua conversa anterior com ele, e ao que ele
disse, em sua própria defesa, antes de tentarem determinar alguma coisa. Depois disso, eles estariam
melhores capacitados para julgar, como procederem, 'já que, pela boca de duas ou três testemunhas, toda
palavra deverá ser estabelecida'; para que o que quer que você tenha dito possa ter sua força completa,
através do peso adicional da autoridade deles.

3. Com o objetivo disto, eles podem:

1o. Falar resumidamente o que você disse, e o que ele respondeu?


2o. Estender-se, expor, e confirmar as razões que você tem dado?
3o. Dar peso à sua reprovação, mostrando quão justo, quão delicado, e quão oportuna ela foi? E, por
último, reforçar os conselhos e persuasões, que você tem anexado a ela? E esses podem igualmente, daqui
por diante, se a necessidade requerer, testemunhar o que foi falado.

4. Com respeito a isto, tanto quanto à regra precedente, nós podemos observar que nosso Senhor nos
dá nenhuma chance; não nos deixa nenhuma alternativa, mas expressamente nos ordena a fazer isto, e nada
mais no lugar disto. Ele igualmente nos direciona, quando fazê-lo; nem muito cedo, nem muito tarde; ou
seja, depois de nós tomarmos o primeiro, e antes de termos tomado o terceiro passo. Só então, estamos
autorizados a relatar o mal que o outro tem feito, àqueles a quem desejamos que testemunhe uma parte
conosco, no grande exemplo de nosso amor fraternal. Mas vamos ser cuidadosos, em como relatar isto para
alguma outra pessoa, até que ambos os passos tenham sido tomados. Se nós negligenciarmos tomar esses; ou
se nós tomamos alguns outros, qual a surpresa que estejamos ainda sobrecarregados? Já que somos
pecadores contra Deus, e contra nosso próximo; e, por mais imparcialmente possamos colori-lo, ainda assim,
se nós temos alguma consciência, nosso pecado irá nos desmascarar e trazer um peso sobre nossas almas.

III

1. Para que possamos ser instruídos totalmente nessa tarefa pesada, nosso Senhor nos tem dado uma
direção ainda mais adiante: 'Se ele não ouvir a eles', então, e não antes disso, 'diga-o à igreja'. Este é o
terceiro passo. Toda a questão é, como esta palavra 'a igreja' deve ser aqui entendida. Mas a mesma natureza
da coisa irá determinar isto, além de toda dúvida razoável. Você não pode dizer isto à Igreja nacional; a todo
corpo de homens denominados 'a Igreja da Inglaterra'. Nem ela responderia a qualquer finalidade cristã, se
61

você pudesse fazê-lo; portanto, este não é o significado da palavra. Nem você poderá dizer a todo corpo de
pessoas na Inglaterra, com quem você tem uma conexão mais imediata. Nem, de fato, isto iria responder a
alguma boa finalidade: A palavra, por conseguinte, não é para ser entendida assim. Não responderia a
alguma finalidade valiosa dizer as faltas de todo membro particular à igreja (se você pudesse, assim,
denominar isto), à congregação, ou à sociedade, reunidas em Londres. Permanece que você diz isto ao
presbítero ou presbíteros da igreja; para os que inspecionam aquele rebanho de Cristo, ao qual ambos
pertencem; aqueles que vigiam as almas de vocês, e as suas próprias, 'como se eles devessem prestar contas
disto'. E isto poderia ser feito, se possível, convenientemente na presença da pessoa interessada, e, embora,
de maneira clara, ainda assim, com toda a ternura e amor que a natureza da coisa irá admitir. Pertence
necessariamente ao ofício deles, determinar concernente ao comportamento de todos sob seus cuidados; e
repreender, de acordo com o demérito da ofensa, 'com toda autoridade'. Quando, por conseguinte, você
tiver feito isto, você terá feito tudo o que a Palavra de Deus, ou a lei do amor requereram de você: Você não
é agora parceiro do pecado dele; mas, se ele perecer, seu sangue estará sobre a sua própria cabeça.

2. Aqui, também, deve ser observado, que este, e não outro, é o terceiro passo, o qual devemos
tomar; e que devemos tomá-lo, na sua ordem, depois dos outros dois; nem antes do segundo; muito menos,
do primeiro; exceto, em algumas circunstâncias bastante particulares. Realmente, em um caso, o segundo
passo pode coincidir com isto: Eles podem ser, de certa maneira, um, e o mesmo. O presbítero, ou os
presbíteros da igreja, pode estar ligado com o irmão ofensor, e deverá ser colocado de fora da necessidade, e
seu lugar suprido, por uma ou duas testemunhas; de maneira que seja suficiente dizer isto a elas, depois de
você ter dito isto para seu irmão, 'entre você e ele somente'.

3. Quando você tiver feito isto, você terá livrado a sua própria alma. 'Se ele não ouvir a igreja'; se ele
persistir em seu pecado, 'que ele seja para ti, como um pagão e um publicano'. Você não estará debaixo da
obrigação de pensar nele mais. Mas de deixá-lo, aos cuidados de seu próprio Mestre. De fato, você ainda
deve a ele, como a todos os outros pagãos, boa-vontade, sincera e terna. Você deve a ele cortesia, e, tanto
quanto a ocasião oferecer, todos os ofícios da humanidade. Mas não tenha amizade, nem familiaridade com
ele; nenhum outro intercurso do que com os pagãos declarados.

4. Mas, se esta deve ser a regra por meio da qual os cristãos caminham, qual é a terra onde os cristãos
vivem? Alguns poucos você pode possivelmente encontrar espalhados, acima e abaixo, que têm consciência
em observar isto. Mas, quão poucos! Quão escassamente dispersos sobre a face da terra! E onde existe
algum corpo de homens que, sem exceção, caminham por meio disto? Nós podemos encontrá-lo na Europa?
Ou ir mais longe, na Grã Bretanha ou Irlanda? Eu temo que não: Eu temo que nós podemos pesquisar esses
reinos completamente, e, ainda assim, nossa busca terá sido em vão.

Ai do mundo cristão! Ai dos Protestantes! Ai dos Cristãos Reformados! Ó, 'quem se erguerá comigo
contra o perverso?'. 'Quem ficará do lado de Deus', contra os maledicentes? Você é este homem? Pela
graça de Deus, você será alguém que não será carregado pela correnteza? Você está completamente
determinado, Deus sendo seu ajudador, nesta mesma hora, a colocar um vigia; um 'vigia contínuo, diante de
sua boca, e manter a porta de seus lábios fechada?'. Desse momento em diante, você irá caminhar por esta
regra, 'não fale mal de homem algum?'. Se você vir seu irmão praticar o mal, você irá 'dizer a ele sobre sua
falta, entre você e ele somente?'. Depois disto, 'tomará uma ou duas testemunhas', e, só, então, 'dirá isto
para a igreja?'. Se este for todo o propósito do seu coração, então, aprenda bem uma lição: 'não dê ouvidos
à maledicência'. Se não houver ouvintes, não haverá oradores, para o mau. E não é quem recebe (de acordo
com o provérbio vulgar), tão mau quanto o ladrão?

Então, se alguém começar a falar mal em seus ouvidos, interrompa-o imediatamente. Recuse-se a
ouvir a voz do 'encantador'; mesmo que ele nunca tenha encantado tão docemente; deixe que ele use de toda
maneira delicada, de uma ênfase tão suave, mesmo as maiores profissões de boa vontade, para aquele que
ele colocou na escuridão; a quem ele atacou debaixo da quinta costela! Resolutamente, recuse-se a ouvir,
embora o segredista queixe-se de 'estar sobrecarregado, até que possa falar'.
62

Sobrecarregado! Tu, tolo! Tu labutas com teu segredo maldito, tanto quanto uma mulher labuta com
uma criança? Vá, então, e livre-se de teu fardo, no caminho que o Senhor te ordenou! Primeiro, 'vá e dize ao
teu irmão das suas faltas, entre ti e ele somente'. Em seguida, 'tome contigo um ou dois', de seus amigos em
comum, e diga-lhe na presença deles: Se nenhum desses passos tiver efeito, então, 'dize-o à igreja'. Mas,
com toda a pureza de tua alma, não dize isto a qualquer outro; tanto antes, quanto depois, a menos naqueles
casos em exceção, quando for absolutamente necessário preservar um inocente! Por que tu irias querer
sobrecarregar um outro, tanto quanto a ti mesmo, por torná-lo parceiro do teu pecado?

5. Que todos vocês que testemunham a reprovação de Cristo; que estão sendo zombateiramente
chamados de Metodistas, possam estabelecer um exemplo para o mundo cristão, assim chamado; pelo
menos, nesse caso! Joguem fora a maledicência, as fofocas e os sussurros: Não permitam que eles saiam de
suas próprias bocas! Vejam que vocês 'não falem mal de homem algum'; em sua ausência, mas somente o
que for bom. Se vocês devem ser distinguidos, quer queira ou não, que estas sejam as marcas de distinção de
um Metodista: 'Ele não censura homem algum, pelas costas: Através desse fruto, você pode conhecê-lo';

Que efeito abençoado desse desprendimento, nós sentimos rapidamente em nossos corações! Como
nossa 'paz fluiria como um rio', se nós assim ' seguíssemos em paz com todos os homens!'. Como o amor de
Deus abundaria em nossas próprias almas, se nós confirmássemos assim nosso amor para com nossos
irmãos! E que efeito isto poderia ter em todo que estavam unidos em nome do Senhor Jesus! Como o amor
fraternal aumentaria continuamente, se este grande obstáculo dele fosse removido!

Todos os membros do corpo de Cristo, então, naturalmente, cuidariam uns dos outros. 'Se algum
membro sofresse, todos sofreriam com ele'; se um fosse honrado, todos se regozijariam com isto'; e cada
um iria amar seu irmão 'com um coração puro, fervorosamente'. E não é tudo: Que efeito isto teria, mesmo
nesse mundo selvagem e irracional! Quão logo eles iriam distinguir em nós, o que eles não poderiam
encontrar em todos os milhares de seus irmãos, e clamariam (como Julio, o Apóstata, para seus irmãos
bajuladores), 'Vejam como esses cristãos amam uns aos outros!'. Através disto, principalmente, Deus
convenceria o mundo, e o prepararia também para Seu reino; como nós podemos facilmente aprender
daquelas palavras notáveis, na última oração solene de nosso Senhor, em (João 17:20-21): 'Eu não peço
somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos
sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo
creia que tu me enviaste! O Senhor apressa o tempo! O Senhor nos capacita a assim amarmos uns aos
outros, não apenas 'na palavra e na língua, mas em ação e em verdade', assim como Cristo amou a nós.

O USO DO DINHEIRO

'Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos
faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos'. (Lucas 16:9)

I. Convém ganharmos tudo que pudermos ganhar, mas isto é certo que não devemos fazer; nós não
devemos ganhar dinheiro pelo preço da vida, nem pelo preço de nossa saúde.

II. Não atire seus dons preciosos no mar.

III. Tendo, primeiro, adquirido tudo que você pôde; economize tudo que você puder; e, então,
'distribua tudo que for possível'.

(1). Tendo, nosso Senhor, terminado a bonita parábola do Filho Pródigo, que Ele particularmente
endereçou àqueles que murmuravam, porque Ele recebia publicanos e pecadores, acrescenta uma outra
relação de um tipo diferente, endereçada, preferivelmente aos filhos de Deus. 'Ele disse aos seus discípulos',
-- não tanto aos escribas e fariseus, aos quais Ele falara anteriormente: -- 'Havia certo homem rico, que tinha
um mordomo; e este foi acusado perante ele de estar dissipando os seus bens. Chamou-o, então, e lhe disse:
63

Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua mordomia; porque já não podes mais ser meu
mordomo' (Lucas 16:1-2).

(2) Depois de relatar o método que o mau mordomo usou para prover contra o dia de necessidade,
nosso Senhor acrescenta: 'Seu senhor elogia o mordomo injusto', ou seja, neste aspecto que ele usou de
precaução adequada, e acrescenta esta reflexão importante: 'Os filhos deste mundo são mais sábios para com
suas gerações, do que os filhos da luz' (Lucas 16:8).

Esses que buscam nenhuma outra porção do que este mundo 'são mais sagazes' (não absolutamente,
porque eles todos são verdadeiramente tolos; são os mais notórios alienados debaixo dos céus; mas, 'em suas
gerações', em seus próprios caminhos, eles são mais consistentes consigo mesmos; eles são mais
verdadeiros para com seus princípios reconhecidos; mais prontamente vão ao encalço de seus objetivos), 'do
que os filhos da luz'; -- o Unigênito Filho de Deus, o Criador, Senhor e Possuidor dos céus e terra e tudo que
nela existe; o Juiz de todos, a quem deveremos 'prestar contas de nossa mordomia', quando 'não formos
mais mordomos', nos ensina a este respeito, até mesmo, através do mordomo injusto: 'Eu digo a vocês,
façam amigos', através da precaução oportuna e sábia, 'do "mammon" da injustiça'. "Mammon" significa
riquezas ou dinheiro. É denominado 'riquezas da injustiça', devido à maneira iníqua como ela é
freqüentemente procurada; e mesmo aquela que é honestamente procurada, é geralmente empregada. 'Façam
amigos' disto, fazendo todo bem possível, particularmente, aos filhos de Deus; 'para que, quando estas
faltarem a você', -- quando vocês retornarem ao pó; quando vocês não tiverem mais lugar debaixo do sol, --
aqueles que foram antes 'possam recebê-los'; possam lhes dar as boas-vindas 'nas habitações eternas'.

2. Uma ramificação excelente da sabedoria cristã está aqui inculcada, através de nosso Senhor, sobre
todos os seus seguidores, ou seja, o correto uso do dinheiro – um assunto largamente discutido a respeito,
segundo a maneira deles, pelos homens do mundo; mas não suficientemente considerado por aqueles a quem
Deus separou para Si mesmo. Esses, geralmente, não consideram, como a importância do assunto requer, o
uso deste dom excelente. Nem entendem como empregá-lo para um proveito maior; a introdução do qual, no
mundo, é um dos exemplos admiráveis da sábia e graciosa providência de Deus. Na verdade, esta tem sido a
maneira de poetas, oradores e filósofos, em quase todas as épocas e nações, injuriarem contra ele, como o
grande corruptor do mundo, a ruína da virtude, a enfermidade da sociedade humana.

Disto, nada tão comumente ouvido como: 'O ouro é mais danoso do que o aço mais afiado'.

Disto, a mais lamentável queixa: 'A riqueza, trazida à luz, é incentivo para toda enfermidade'.

Mais do que isto, um célebre escritor exorta gravemente seus compatriotas, com o objetivo de banir
todos os vícios, imediatamente; a 'atirarem todo seu dinheiro no mar':

Mas isto tudo não é mero discurso vazio? Existe alguma razão sólida nisto? De modo algum. Porque,
que o mundo seja tão corrupto como ele deseja, que culpa tem o ouro e a prata nisto? 'O amor ao dinheiro',
nós sabemos, 'é a raiz de todo mal'; mas não a coisa em si. A falta não se coloca no dinheiro, mas naqueles
que o usam. Ele pode ser usado de maneira errada: e o que não pode? Ele pode, por outro lado, ser usado de
maneira correta: Ele é completamente aplicável aos melhores, assim como aos piores fins. É de serviço
inexprimível para todas as nações civilizadas, em todas as tarefas comuns da vida. Trata-se do mais
compendioso instrumento de transação de todos os tipos de negócios (se nós o usarmos de acordo com a
sabedoria cristã), para fazer todo o tipo de bem. É verdade que, estivesse o homem no estado de inocência,
ou fossem todos os homens 'preenchidos com o Espírito Santo', como o filho da igreja de Jerusalém,
'nenhum homem consideraria alguma coisa como sua', mas 'distribuição seria feita a todos, conforme suas
necessidades', e o uso dele seria suplantado; uma vez que nós não podemos conceber que exista alguma
coisa deste tipo em meios aos habitantes do céu. Mas, no presente estado da humanidade, é um excelente
dom de Deus, responder às mais nobres finalidades. Nas mãos de seus filhos, haverá comida para o faminto;
bebida para o sedento; vestimenta para o nu: Haverá lugar onde o viajante, e o estrangeiro deitem suas
cabeças. Através dele, podemos preencher o lugar de um marido para a viúva, e de um pai para o órfão.
Talvez, possamos oferecer um amparo para o oprimido, meios de saúde para o doente, conforto a eles que
64

estão com dores; ele pode ser como os olhos para o cego, os pés para o coxo; sim, aquele que ergue os
portões da morte!

3. É, portanto, da mais alta preocupação que todos que temem a Deus saibam como empregar este
valioso talento; que eles sejam instruídos em como ele pode responder àquelas gloriosas finalidades, e no
mais alto grau. E, talvez, todas as instruções que são necessárias para isto possam ser reduzidas em três
regras claras, através da exata observância de onde nós podemos nos confirmar como fiéis mordomos 'das
riquezas da iniqüidade'.

1. O primeiro desses é 'Ganhe tudo que você puder' (quem ouve, que entenda!). Aqui nós podemos
falar como os filhos do mundo: Nós os encontramos em seus próprios domínios. E é nosso dever sagrado
fazer isto: nós devemos ganhar tudo que pudermos, sem comprar ouro a preço elevado, sem pagar mais por
ele do que ele vale. Mas é certo que não devemos ganhar dinheiro ao preço da vida, nem (o que é, em efeito,
a mesma coisa), a preço de nossa saúde. Portanto, não ganhar o que quer que possa nos induzir a entrar, ou a
continuar em algum empreendimento, que seja de tal tipo, ou atendido com trabalho tão difícil e tão longo,
de modo a prejudicar nossa constituição. Nem começarmos ou continuarmos algum trabalho que
necessariamente nos prive dos momentos apropriados para a alimentação e sono, na proporção tal, que nossa
natureza requeira.

Na verdade, existe uma grande diferença aqui. Alguns empreendimentos são absolutamente e
totalmente danosos à nossa saúde. Como aqueles que implicam o lidar muito com arsênico, ou outros
minerais prejudiciais parecidos; ou o respirar um ar envenenado com vapores de chumbo derretido, que, aos
poucos destrói a mais firme constituição. Outros até nem podem ser tão prejudiciais, mas apenas para
pessoas de constituição fraca. Estes são aqueles que requerem muitas horas, escrevendo, especialmente se
uma pessoa escreve sentada, e se debruça sobre seu estômago, ou permanece longo período em uma postura
desconfortável. Mas qualquer que seja ele, que a razão ou a experiência mostre ser destrutivo para a saúde
ou força, não devemos nos submeter, uma vez que 'a vida é mais' valiosa 'do que a carne; e o corpo, que a
vestimenta'. E se nós estamos prontamente engajados em tal empreendimento, podemos trocá-lo, tão logo
quanto possível, por algum que, embora diminua nosso ganho, não irá, entretanto, diminuir nossa saúde.

2. Em segundo lugar, ganhar tudo que pudermos, sem ferir nossa consciência, não mais do que nosso
corpo. Porque nem nós podemos fazer isto. Nós devemos preservar, de qualquer maneira, o espírito de uma
mente saudável. Portanto, não devemos nos engajar ou continuar em algum comércio pecaminoso; algum
que seja contrário à lei de Deus, ou de nosso país. Tais são todos aqueles que necessariamente implicam em
roubarmos ou defraudarmos o rei em suas taxas legais. Porque é, no mínimo, tão pecaminoso defraudar o rei
em seu direito, como é roubar os pertences de nossos companheiros. Outros empreendimentos existem que,
embora inocentes, em si mesmos, não podem agora continuar inocentes, pelo menos, não na Inglaterra; tal,
por exemplo, que não permita uma manutenção competente, sem fraude, mentira, ou conformidade com
alguns costumes que não são consistentes com uma boa consciência: Esses, igualmente, devem ser
sagradamente evitados, qualquer ganho que eles possam atender, em se seguir o costume do comércio; uma
vez que, para ganharmos dinheiro, não devemos perder nossas almas. Existem, ainda assim, outros, que
muitos buscam, com perfeita inocência, sem ferirem quer seus corpos ou suas consciências. E, mesmo
assim, você não deverá mantê-los: Quer porque possam envolver você, com uma empresa que poderia
destruir sua alma; e, por experimentos repetidos parecer que você não poderá separar uma coisa da outra; ou
porque exista uma idiossincrasia, -- uma peculiaridade na constituição de sua alma (como existe na
constituição corpórea de muitos), pela simples razão, de que aquele empreendimento é mortal para você, o
qual para uma outra pessoa poderia parecer seguro.

Assim, eu estou convencido, dos muitos experimentos, que eu não posso estudar, para algum grau de
perfeição, quer Matemática, Aritmética, ou Álgebra, sem ser um Deísta, se não, um Ateísta: E, ainda assim,
outros podem estudá-los, e viverem todas as suas vidas, sem experimentarem qualquer inconveniência.
65

Ninguém, portanto, pode aqui determinar para o outro, mas cada homem deve julgar por si mesmo, e abster-
se do que ele, em particular, considera que seja danoso para sua alma.

3. Em terceiro lugar, ganhar tudo que pudermos, sem ferir nosso próximo. Mas isto, não devemos,
não podemos fazer, se nós amamos nosso próximo como a nós mesmos. Se nós amamos a todos, como a nós
mesmos, não podemos afligir quem quer que seja em sua essência. Não podemos impedir o progresso de
suas terras, e, talvez, as próprias terras e casas, através do jogo, do aumento das contas (quer por conta de
gastos médicos, ou lei, ou qualquer outra coisa), ou exigindo ou tendo tal interesse, o que até mesmo as leis
de nosso país proíbem. Por meio disto, toda penhora é excluída: uma vez que, qualquer bem que pudermos
fazer por meio disto, todos os homens imparciais verão com aflição ser abundantemente preponderado pelo
mal. E, mesmo que fosse ao contrário, ainda assim, nós não admitiríamos 'fazer o mal para que o bem possa
vir'. Não podemos, consistentes com nosso amor fraternal, vender nossos bens abaixo do preço de mercado;
nós não podemos planejar arruinar nosso próximo que é comerciante, com objetivo próprio; muito menos
podemos induzir ou receber algum de seus servos ou trabalhadores dos quais ele tem necessidade. Ninguém
pode ganhar, consumindo os bens de seu próximo, sem ganhar a condenação do inferno!

4. Nem podemos ganhar, ferindo nosso próximo em seu corpo. Portanto, não podemos vender coisa
alguma que tenda a prejudicar a saúde. Tal como é, eminentemente, todos aqueles líquidos inflamáveis,
comumente chamados de bebida alcoólica, ou líquidos espirituosos. É verdade que esses podem ter
aplicação na Medicina; eles podem ser usados em algumas doenças corpóreas; embora existam raras
oportunidades para eles, não fosse a inabilidade do médico. Portanto, tais que os preparam e vendem, apenas
para esta finalidade, podem manter suas consciências limpas. Mas quem são eles? Quem os prepara e vende,
apenas com este objetivo? Vocês conhecem, pelo menos, dez destes destiladores na Inglaterra? Então,
excetue esses, mas todos os que os vendem, do modo comum, a qualquer um que possa comprar, são
envenenadores em geral. Eles matam os súditos de sua Majestade, em grande quantidade, e não têm piedade
ou indulgência. Eles os dirigem para o inferno, feito carneiros. E qual é o ganho deles, afinal? Não é o
sangue desses homens? Quem, então, invejaria suas grandes propriedades e suntuosos palácios? Uma
maldição está no meio deles: A maldição de Deus transpassa as pedras, a madeira, a mobília deles. A
maldição de Deus está em seus jardins, suas passarelas, seus bosques; um fogo que queima até os confins do
inferno! Sangue, sangue lá está: O alicerce, o chão, os caminhos, o telhado estão sujos de sangue! E tu
esperas, ó homem de sangue, embora tu estejas 'vestido em escarlate e fino linho, e muito suntuosamente
todos os dias'; entregar teus campos de sangue para a terceira geração? Não será desta forma: porque existe
um Deus nos céus: Portanto, teu nome será, em breve, arrancado pela raiz. Como aqueles a quem tu tens
destruído, o corpo e a alma, 'tua memória perecerá contigo!'.

5. E não são parceiros da mesma culpa, embora em um grau menor, os cirurgiões, farmacêuticos, ou
médicos que brincam com as vidas ou saúde dos homens, para aumentarem seus próprios ganhos? Os que
propositadamente prolongam a dor ou doença que eles são capazes de remover rapidamente? Os que
retardam a cura do corpo de seus pacientes, com o objetivo de despojarem de seus bens? Pode algum
homem, que não encurta toda doença, 'tanto quanto ele puder', e remover toda enfermidade e dores, 'tão
logo ele possa', estar limpo, diante de Deus? Ele não pode: porque nada pode ser mais claro do que aquele
que não 'ama seu próximo, como a si mesmo'; do que aquele que não 'faz aos outros, o que ele gostaria que
fosse feito a si mesmo'.

6. Este é um ganho a preço alto. E assim é, o que quer que seja buscado, ferindo nosso próximo em
sua alma; ministrando, supõe-se, tanto direta, quanto indiretamente, à sua falta de decência, ou
intemperança, o que, certamente, ninguém, que tenha algum temor de Deus, ou algum desejo real de agradar
a Ele, poderá fazer. Isto, aproximadamente diz respeito a todos que consideram que têm alguma coisa a ver
com as tavernas, os estabelecimentos comerciais, as casas de espetáculos, aos teatros, ou qualquer outro
lugar de diversão pública moderna. Se estes beneficiarem as almas dos homens, você esteja certo de que seu
empreendimento é bom, e seu ganho inocente; mas se eles são tanto pecaminosos em si mesmos, ou uma
entrada natural para o pecado de vários tipos, então, teme-se que você tenha um triste relato a ser feito.
Cuide, a fim de que Deus não diga naquele dia: 'Estes pereceram em suas iniqüidades, mas o sangue deles
eu vou requerer de tuas mãos!'.
66

7. Para que se observem essas precauções e restrições, é um dever sagrado de todos que estão
engajados nos negócios mundanos, seguirem a primeira e grande regra da sabedoria cristã, com respeito ao
dinheiro: 'ganhe tudo que você puder'. Ganhe tudo que você puder, através de empresas honestas. Use toda
diligência possível em seu chamado. Não perca tempo. Se você entende a si mesmo, e sua relação com Deus
e homem, você sabe que não poderá poupar quem quer que seja. Se você entende seu chamado particular,
como você deve, você não terá tempo a perder. Todo negócio irá dispor de algum empreendimento
suficiente para todo dia e toda hora. Que, onde quer que você esteja colocado, se você seguir na honestidade,
você não achará tempo livre para diversões tolas e inúteis. Você terá sempre alguma coisa melhor para fazer;
alguma coisa que irá ser proveitosa a você, mais ou menos. E 'o que quer que suas mãos encontrem o que
fazer, faça-o, com toda tua força'. Faça, tão logo seja possível: Sem demora! Não protele para o dia
seguinte, ou para a hora seguinte! Nunca deixa para amanhã o que você pode fazer hoje. E faça tão bem
quanto possível. Não durma ou boceje sobre ele: coloque toda tua força no trabalho: não poupe dores. Não
deixe coisa alguma ser feita pela metade, ou de maneira inadequada ou descuidada. Não deixe coisa alguma
em seu trabalho, sem ser feita, se ela pode ser feita, com esforço e paciência.

8. Ganhe tudo o que você puder, pelo bom-senso, aplicando em seus negócios, todo o entendimento
que Deus tem dado a você. É surpreendente observar, quão poucos fazem isto; como os homens seguem as
mesmas pegadas melancólicas de seus antepassados. Mas o que quer que aqueles que não conhecem a Deus
façam, isto não servirá de regra para você. É vergonhoso para um cristão não progredir mais do que eles, no
que quer que tenha nas mãos. Você deverá aprender continuamente da experiência de outros, de sua própria
experiência, lendo, e refletindo, para fazer tudo que você tiver que fazer, melhor hoje, do que fez ontem. E
veja que você pratique o que quer que tenha aprendido, para que você possa fazer o melhor de tudo aquilo
que está em suas mãos.

II

1. Tendo adquirido tudo que você puder, pela sabedoria honesta e diligência incansável, a segunda
regra da prudência cristã é: 'poupe tudo que você puder'. Não atire seu talento precioso no mar: Deixe esta
tolice para os filósofos pagãos. Não jogue fora, em gastos inúteis, o que é o mesmo que atirar ao mar. Não
empregue parte alguma dele, meramente para gratificar o desejo da carne, o desejo dos olhos ou o orgulho
da vida.

2. Não gaste qualquer parte de tão precioso talento, meramente para gratificar os desejos da carne;
procurando os prazeres do sentido, de qualquer tipo; particularmente, prolongando o prazer do paladar. Eu
não estou dizendo, para evitar a glutonaria e bebedeira apenas: um pagão honesto poderia condenar estes.
Mas existe uma espécie de sensualidade regular e conceituada; um elegante epicurismo, que não
imediatamente ataca o estômago, nem (conscientemente, pelo menos), prejudica o entendimento. E ainda
assim (para não mencionar outros efeitos dela agora), ela não pode ser mantida sem um gasto considerável.
Arranque fora esta despesa! Despreze a iguaria e variedade, e seja consistente com o que a natureza simples
requer.

3. Não gaste qualquer parte de tão precioso talento, meramente em gratificar o desejo dos olhos,
através de vestimentas supérfluas e caras, ou através de ornamentos desnecessários. Não gaste parte dele em
curiosamente adornar suas casas; em mobílias supérfluas ou caras; em quadros, pinturas, decoração, livros,
dispendiosos; em elegante preferivelmente a jardins úteis. Deixe que seus vizinhos, que não conhecem coisa
alguma melhor, façam isto: 'permita que os mortos enterrem seus mortos'. Mas 'o que é isto para ti?', diz
seu Senhor: 'Segue-me'. Você está disposto: então, você é capaz de fazê-lo.

4. Não disponha de coisa alguma para gratificar o orgulho da vida, para ganhar a admiração ou
louvor dos homens. Este motivo de gasto é freqüentemente entrelaçado com um ou ambos dos primeiros
[acima citados]. Os homens são dispendiosos em alimento, vestuário, ou mobília, não apenas para agradar
seu apetite ou para gratificar seus olhos, sua imaginação, mas por causa de sua vaidade também. 'Por quanto
tempo tu fazes bem a ti mesmo, os homens irão falar bem de ti'. Por quanto tempo tu 'te vestires em linho
67

púrpura, e fino, e quanto mais suntuosamente', todos os dias, não tenha dúvida de que muitos irão aplaudir
tua elegância de gosto, tua generosidade e hospitalidade. Mas não compre os aplausos, assim tão caros.
Antes, contente-se com a honra que vem de Deus.

5. Quem gastaria alguma coisa, em gratificar esses desejos, se ele considerasse que gratificá-los é
aumentá-los? Nada pode ser mais certo do que isto: A experiência diária mostra que, quanto mais eles são
prestigiados, mais eles aumentam. Quando quer, portanto, que você gaste alguma coisa para agradar seu
paladar ou outros sentidos, você paga muito mais pela sensualidade. Quando você dispõe seu dinheiro para
agradar seus olhos, você dá muito mais para o aumento da curiosidade, -- devido a um apego mais forte a
esses prazeres que perecem ao uso. Enquanto você está obtendo alguma coisa que os homens usam para
aplaudir, você está adquirindo mais vaidade. Você não tinha, então, suficiente de vaidade, sensualidade e
curiosidade antes? Existe necessidade de alguma adição? E você pagaria por ela também? Que tipo de
sabedoria é esta? Não seria uma tolice menos danosa, literalmente atirar seu dinheiro ao mar?

6. E por que você desperdiçaria dinheiro com seus filhos, mais do que consigo mesmo em comidas
finas, em vestimentas alegres e caras, em superficialidade de algum tipo? Por que você granjearia mais
orgulho ou luxúria para eles; mais vaidade, ou desejos tolos e danosos? Eles não querem coisa alguma mais;
eles já têm o suficiente; a natureza tem feito provisão para eles: por que você seria ainda mais dispendioso
para aumentar a tentação e armadilhas, e afligi-los com muito mais tristezas?

7. Não deixe que eles despedissem. Se você tiver um bom motivo para crer que eles iriam
desperdiçar o que está agora em seu poder, para gratificar, e, por meio disto, aumentar o desejo da carne, o
desejo dos olhos, ou o orgulho da vida, arriscando as almas deles, ou a sua própria, não coloque essas
armadilhas no caminho deles. Não ofereça seus filhos ou suas filhas para Belial, não mais do que a Moloch
[ídolo fenício]. Tenha pena deles, e remova de seu caminho, o que você facilmente pode prever poderia
aumentar os pecados deles, e, conseqüentemente, lançá-los, mais profundamente, na perdição eterna! Quão
surpreendente, então, é a obsessão desses pais, que pensam que eles nunca poderão deixar o suficiente para
seus filhos! O que? Você não pode deixar a eles suficiente flechas, tições, e morte? Não pode deixar
suficientes desejos tolos e danosos? Suficiente orgulho, luxúria, e vaidade ambiciosa? Não pode deixar
suficiente fogo eterno? Pobre miserável! Tu temes o que não deverias temer! Certamente, tanto tu quanto
eles, quando erguerem seus olhos no inferno, terão suficiente dos 'vermes que nunca morrem', e de 'fogo que
nunca se extingue!'.

8. O que vocês fariam, então, se vocês estivessem em meu lugar? Se vocês tivessem uma fortuna
considerável para deixar? Quer faça isto ou não, eu sei o que eu devo fazer: Isto não admite dúvida alguma
razoável. Se eu tivesse um filho, mais velho ou mais jovem, que soubesse o valor do dinheiro; um que eu
acreditasse poderia fazer uso correto dele, eu penso que seria meu dever absoluto e indispensável deixar para
aquele filho a maior parte de minha fortuna; e aos demais, exatamente o que possibilitaria a eles viverem da
maneira como eles estavam acostumados a viver. Mas, como, se todos os seus filhos forem igualmente
ignorantes do uso correto do dinheiro? Eu devo, então (palavra dura! Quem pode ouvi-la?), dar a cada um o
que os manterias ainda na miséria, e concederia aos demais, da maneira que eu julgasse seria mais para a
glória de Deus.

III

1. Mas que nenhum homem imagine que terá feito o suficiente, meramente por chegar assim tão
longe, 'ganhar e poupar tudo que ele possa', se parar por aqui. Tudo isto é nada, se um homem não seguir
adiante, se ele não objetivar tudo isto para uma finalidade mais além. Nem, de fato, um homem pode
propriamente dizer que poupou alguma coisa, se ele apenas juntar seu dinheiro. Você pode igualmente atirar
seu dinheiro no mar, tanto quanto enterrá-lo. E pode enterrá-lo, assim como colocá-lo em seu cofre, ou no
Bank of England. Não usá-lo é efetivamente atirá-lo fora, Se, na verdade, você 'faz de si mesmo, amigo do
mamon da injustiça', acrescente a terceira regra às duas precedentes.

1º. Ganhe tudo que você puder;


68

2º. Poupe tudo que você puder;


3º. Distribua tudo que você puder.

2. Com o objetivo de ver o fundamento e a razão disto, considere que, quando o Senhor dos céus e
terra o trouxe para a existência, e o colocou neste mundo, ele o colocou aqui, não como proprietário, mas
como mordomo. Como tal, Ele confiou a você, para uma temporada, os bens de vários tipos; mas a
propriedade única destes repousa sobre Ele, e não pode ser alienada Dele. Assim como você não se pertence,
mas a Ele, tal é, igualmente, tudo que você desfruta. Tal é sua alma e seu corpo, que não são seus, mas de
Deus. E assim são seus bens, em particular. E Ele tem dito a você, nos termos mais claros e categóricos,
como você deve empregá-los para Ele, de tal maneira que ele possa ser um sacrifício santo, e aceitável
através de Jesus Cristo. E por esse serviço leve e fácil, ele promete a recompensa com o peso eterno da
glória.

3. As direções que Deus nos deu, no tocante ao uso de nossos bens mundanos, podem ser resumidas
nos seguintes detalhes. Se você deseja ser um mordomo fiel e sábio, daquela porção dos bens de seu Senhor,
que Ele, no presente, colocou em suas mãos, com direito a recuperá-los, quando quer que agrade a Ele, Em
Primeiro Lugar, providencie as coisas necessárias para si mesmo; alimento, vestimentas, o que quer que a
natureza, moderadamente, requeira para preservar o corpo na saúde e força. Em Segundo Lugar,
providencie estes para sua esposa, filhos, servos, ou alguns outros que pertençam à sua casa. Se quando isto
for feito, existirem algumas sobras, então, 'faça o bem àqueles que são seus familiares na fé'. Se ainda restar
mais alguma coisa, 'se tiver oportunidade, faça o bem a todos os homens'. Ao fazer isto, você estará dando
tudo que você pode; mais do que isto, em um sentido mais profundo, tudo que você tem: Porque tudo que é
disposto desta forma, é realmente dado para Deus. 'Retribua a Deus as coisas que são de Deus', não apenas,
pelo que você dá ao pobre, mas também, pelo que você gasta ao providenciar coisas necessárias para si
mesmo e seus familiares.

4. Se, então, a qualquer tempo, uma dúvida surgir em sua mente, com respeito ao que você irá gastar,
quer consigo mesmo ou alguma parte de sua família, você tem uma maneira correta de removê-la.
Calmamente e seriamente pergunte-se:

(1) Ao fazer isto, eu estou agindo de acordo com meu caráter? Eu não estou agindo como um
proprietário, mas como um mordomo dos bens do Senhor?

(2) Eu estou fazendo isto, em obediência à sua Palavra?

(3) Eu posso oferecer esta ação, este gasto, como um sacrifício para Deus, através de Jesus
Cristo?

(4) Eu tenho razão para crer que por esta mesma obra, eu deverei receber a recompensa do justo?

Você raramente necessitará de alguma coisa mais, para remover qualquer dúvida que surja em sua
cabeça; mas por estas quatro considerações, você irá receber uma luz clara de qual caminho você deverá
seguir.

5. Se alguma dúvida ainda permanecer, você pode examinar você mesmo ainda, através da oração, de
acordo com aqueles questionamentos. Tente dizer ao Pesquisador dos corações, se sua consciência não o
condenar: 'Senhor, tu vês que eu estou usando esta soma, em alimento, vestimenta, mobiliário. Tu sabes que
eu ajo, com um olho puro, como um mordomo de teus bens, gastando a porção deles, no cumprimento do
objetivo para o qual tu os confiaste a mim. Tu sabes que eu faço isto, em obediência ao Senhor, como tu
ordenaste, e porque tu ordenaste isto. Eu imploro a ti que permita que isto seja um sacrifício santo e
aceitável, por meio de Jesus Cristo! E permita-me dar o testemunho de que, por este trabalho de amor, eu
receberei a recompensa, quando tu irás recompensar cada homem de acordo com suas obras'. Agora, se
sua consciência testemunhar com o Espírito Santo de que esta oração é agradável a Deus, então, você não
tem razão para duvidar, mas aquele gasto é correto e bom, e, como tal, nunca irá envergonhá-lo.
69

6. Você está vendo o que é 'fazer de si mesmo, amigo do espírito da iniqüidade', e, por quais meios,
você pode assegurar que 'quando você faltar, eles poderão recebê-lo nas habitações eternas'. Você está
vendo a natureza e o comprimento da prudência verdadeiramente cristã, no que se refere ao uso daquele
grande talento, o dinheiro. Ganhe tudo que você puder, sem ferir, quer a si mesmo ou seu próximo, na alma
ou corpo, aplicando-se a isto, com diligência ininterrupta e com todo o entendimento que Deus tem lhe
dado: -- poupe tudo que você puder, eliminando toda despesa que sirva apenas para favorecer os desejos
tolos; para gratificar os desejos da carne, os desejos dos olhos, ou o orgulho da vida; não desperdice nada,
vivendo ou morrendo, no pecado ou insensatez, quer por você mesmo, ou seus filhos; -- e, então, dê tudo
que você puder, ou, em outras palavras, dê tudo que você tem a Deus. Não se restrinja, como um judeu,
preferivelmente do que um cristão, desta ou daquela porção. 'Retribua a Deus', não um décimo, uma terça
parte, ou metade, mas tudo que é de Deus, seja mais ou menos; empregando tudo, para si mesmo, seus
familiares, seus familiares na fé, e toda a humanidade, de tal maneira, que você possa dar um bom relato de
sua mordomia, quando você não mais puder administrar; da maneira que os oráculos de Deus direcionam,
ambos, por meio de preceitos gerais e específicos; de tal maneira que, o que quer que você faça, isto 'seja
um sacrifício de cheiro suave a Deus', e que cada ato possa ser recompensado naquele dia, quando o Senhor
virá com todos os seus santos.

7. Irmãos, nós podemos ser mordomos sábios, e fiéis, sem que assim manejemos os bens do Senhor?
Nós não podemos, como testificam os oráculos de Deus e nossa própria consciência. Então, por que
devemos demorar? Por que nós conferenciamos com a carne e sangue, ou homens do mundo? Nosso reino,
nossa sabedoria não é deste mundo: costumes pagãos não têm nada a ver conosco. Nós não seguimos
homens, mais do que eles são seguidores de Cristo. Ouça a Ele. Sim. Hoje, enquanto é chamado hoje, ouça e
obedeça a Sua voz! Nesta hora, e a partir deste momento, faça a vontade Dele: Cumpra Sua Palavra, nisto, e
em todas as coisas! Eu imploro a você, em nome do Senhor Jesus, aja de acordo com a dignidade de seu
chamado! Não mais indolência! O que quer que sua mão encontre o que fazer, faça-o com toda sua força!
Não perca mais tempo! Elimine todos os gastos com a exigência da moda, capricho, ou carne e sangue! Não
cobice mais! Mas empregue tudo que Deus confiou a você, para fazer o bem, todo bem possível, de toda
maneira e grau possíveis, aos seus familiares da fé, e a todos os homens! Esta não é uma parte pequena 'da
sabedoria do justo'. Dê tudo que você tem, assim como, tudo que você é, como um sacrifício espiritual a
Ele, que não reteve Seu Filho de você; seu único Filho: Assim sendo, 'armazenai, para si mesmos, um bom
alicerce contra o tempo que está por vir, para que você possa alcançar a vida eterna!'.

[Editado por Jennette Descalzo, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Bom Mordomo

'E ele, chamando-o, disse-lhe: Que é isto que ouço de ti? Dá contas da tua mordomia, porque já não
poderás ser mais meu mordomo'. (Lucas 16:2)

I. Em quais aspectos nós somos agora mordomos de Deus?

II. Quando Ele requer nossas almas de nós, nós 'não podemos mais ser mordomos'.

III. Nós devemos 'dar um relato de nossa administração'.

IV. Não existe ocupação de nosso tempo, nenhuma ação, ou conversa que seja inteiramente
indiferente e nunca podemos fazer mais do que nossa obrigação.

1. A relação que temos para com Deus; a criatura para com seu Criador é apresentada a nós nos
oráculos de Deus, sob várias representações. Considerado como um pecador, uma criatura caída, ele é lá
representado como um devedor para com seu Criador. Ele é também representado freqüentemente como um
70

servo que, de fato, é essencial a Ele como uma criatura; de tal maneira, que esta apelação é dada para o Filho
de Deus, quando, em Seu estado de humilhação, ele 'tomou para si a forma de um servo, sendo feito na
semelhança de homens'.

2. Mas nenhum caráter mais exatamente concorda com o presente estado do homem, do que este de
um mordomo. Nosso abençoado Senhor, freqüentemente, o representa como tal; e há uma adequação
peculiar na representação. É apenas em um aspecto particular, ou seja, uma vez que ele é um pecador, é que
ele é intitulado um devedor; e, quando ele é denominado um servo, o título é geral e indeterminado: Mas um
mordomo é um servo de um tipo particular; tal como homem é em todos os aspectos. Este título é
exatamente indicativo de sua situação no mundo presente; especificando que tipo de servo ele é para Deus, e
que espécie de serviços seu Mestre Divino espera dele.

Pode ser útil, então, considerar este ponto totalmente, e fazer nosso completo aperfeiçoamento dele.
Com este objetivo, vamos:

I. Primeiro, inquirir em quais aspectos nós somos mordomos de Deus.

II. Em Segundo Lugar, vamos observar que, quando ele requer nossas almas de nós, 'não podemos
mais ser mordomos'.

III. Em Terceiro Lugar, restará apenas, como podemos observar, 'fornecer um relato de nossa
administração'.

1. Primeiro, nós iremos inquirir, em quais aspectos nós somos agora mordomos de Deus. Nós
estamos, no momento, em débito para com Ele, por tudo que temos; mas embora um devedor seja obrigado
a retornar o que ele recebeu, ainda assim, até que o dia do pagamento chegue, ele está livre para usá-lo como
lhe agrada. Mas não acontece o mesmo com o mordomo; ele não está livre para usar o que está
temporariamente em suas mãos, como lhe agrada, mas como agrada a seu senhor. Ele não tem o direito de
dispor de coisa alguma que esteja em suas mãos, mas de acordo com a vontade de seu senhor. Porque ele é
proprietário de nenhuma dessas coisas, mas apenas incumbido delas por outro; e incumbido nesta condição
expressa, -- que ele deva dispor de tudo como seu mestre ordena.

Agora, este é exatamente o caso de todos os homens com relação a Deus. Nós não estamos livres
para usar o que Ele nos colocou temporariamente em nossas mãos, como nos agrada, mas como agrada a
Ele, que é o único proprietário do céu e terra, e o Senhor de toda criatura. Nós não temos o direito de dispor
de coisa alguma que temos, a não ser de acordo com a vontade Dele, uma vez que não somos donos de
qualquer uma dessas coisas; elas todas, como diz, largamente, nosso Senhor, são pertencentes à outra
pessoa; nem coisa alguma propriamente é nossa, na terra de nossa peregrinação. Nós não podemos receber o
que nos pertence, até virmos para nossa região. Somente as coisas eternas são nossas: Com respeito a todas
essas coisas temporais, nós fomos apenas encarregados por outro, o Disponente e Senhor de tudo. E Ele nos
incumbe com elas nesta condição clara, -- que a usemos apenas como bens de nosso Mestre, e de acordo
com as direções pessoais que Ele nos dá em Sua palavra.

2. Nestas condições, Ele nos confiou com nossas almas, nossos corpos, nossos bens, e quaisquer
outros talentos que temos recebido: Mas, com o objetivo de estampar esta verdade valiosa em nossos
corações, será necessário virmos para os particulares.

Em Primeiro Lugar, Deus nos encarregou com nossa alma; um espírito imortal, feito à imagem de
Deus; junto com todos os poderes e faculdades dela: entendimento, imaginação, memória, vontade e uma
série de afeições, tanto incluída nela, quanto intimamente dependente dela, -- amor e ódio; alegria e tristeza;
concernente ao bem e ao mal, no presente; desejo e aversão; esperança ou temor, com respeito ao que está
por vir. Paulo parece incluir todos estes, em duas palavras, quando ele diz: 'A paz de Deus deverá manter
71

seus corações e mentes'. Talvez, de fato, a ultima palavra (noEmata) deva, preferivelmente, se referir aos
pensamentos, estipulando que usemos esta palavra, em seu sentido mais extenso; para cada percepção da
mente, quer ativa ou passiva.

3. Agora, é certo que, disto tudo, somos apenas mordomos. Ele nos encarregou desses poderes e
faculdades; não para que possamos empregá-los, de acordo com nossa vontade, mas de acordo com as
ordens expressas que Ele nos deu; embora seja verdade que, ao fazer a vontade Dele, mais efetivamente,
asseguramos nossa própria felicidade; vendo que é desta forma, tão somente, que podemos ser felizes, quer
no tempo, quer na eternidade. Assim, deveremos usar nosso entendimento, nossa imaginação, nossa
memória, para glorificarmos totalmente a Ele que os deu a nós. Assim, nossa vontade deverá estar
totalmente entregue a Ele; e todas as nossas afeições, ajustadas como ele direciona. Nós somos capazes de
amar e odiar; de nos regozijarmos ou nos afligirmos; de desejarmos e evitarmos; de termos esperança e de
temermos, de acordo com a regra que Ele determina, a que, e a quem deveremos servir em todas as coisas.
Mesmo nossos pensamentos não são nossos, neste sentido; eles não estão à nossa disposição; mas para cada
movimento deliberado de nossa mente, deveremos prestar contas ao nosso grande Mestre.

4. Em Segundo Lugar, Deus nos encarregou de nossos corpos (estes máquinas maravilhosamente
forjadas, tão 'terrivelmente e maravilhosamente criadas'), com todos os poderes e os membros dela. Ele nos
encarregou com órgãos de sentido; de visão, audição e os demais: Mas nenhum destes nos foram dados
como nossos, para serem empregados, de acordo com nossa vontade. Nenhum desses nos foram dados por
empréstimo, de maneira a que possamos usá-los livremente, como nos agrada por um tempo. Não: Nós os
temos recebido nestas mesmas condições, -- que, por quanto tempo eles permanecem conosco, nós
possamos empregá-los todos, da mesma maneira que Ele indica, e não de outra.

5. Nos mesmos termos, Ele nos concedeu o talento mais excelente, o da fala. 'Tu me deste uma
língua', diz o escritor antigo, 'para que eu possa louvar a Ti, por meio dela'. Para este propósito, ela foi dada
a todos os filhos dos homens, -- para ser empregada em glorificar a Deus. Nada, portanto, é mais ingrato, ou
mais absurdo do que pensar ou dizer: 'Nossa língua é nossa'. Não pode ser, a menos que tenhamos criado a
nós mesmos, e assim, sermos independentes do Altíssimo. Mais do que isto, 'foi Ele quem nos fez, e não nós
mesmos'; a conseqüência disto, é que Ele é ainda Senhor sobre nós; nisto, e em todos os outros aspectos.
Segue-se que não existe uma palavra de nossa língua, a qual não devamos prestar contas a Ele.

6. A Ele nós devemos igualmente prestar contas pelo uso de nossas mãos e pés, e todos os membros
de nosso corpo. Estes são os muitos talentos que estão confiados à nossa responsabilidade, até o tempo
determinado pelo Pai. Até, então, nós temos o uso de todos esses; mas como mordomos, não como
proprietários; para a finalidade que devemos 'atribuir a eles, não como instrumentos da iniqüidade, junto ao
pecado, mas como instrumentos da retidão junto a Deus'.

7. Em Terceiro Lugar, Deus nos encarregou com a porção de bens mundanos; com alimento,
vestimentas, e lugar onde deitar nossa cabeça; não apenas com as coisas necessárias, mas com as
conveniências da vida. Acima de tudo, Ele confiou à nossa responsabilidade aquele talento precioso, que
contém todos os demais, -- dinheiro: Na verdade, é inexprimivelmente precioso, se formos mordomos sábios
e fiéis dele. Se empregarmos cada parte dele, para tais propósitos como nosso abençoado Senhor nos tem
ordenado fazer.

8. Em Quarto Lugar, Deus nos encarregou com diversos talentos, que não propriamente vieram sob
alguns desses títulos. Tais como força física, saúde, uma personalidade prazerosa, um trato agradável; tais
como aprendizado e conhecimento, em seus vários níveis, com todas as outras vantagens da educação. Tais
como a influência que temos sobre outros, quer através do amor e estima deles por nós, quer pelo poder; o
poder de fazer-lhes o bem ou lhes causar dano; de ajuda-los ou afastá-los, nas circunstâncias da vida.
Acrescente a esses, aquele talento invariável do tempo, com o qual Deus nos incumbe de momento a
momento. Acrescente, por fim, aquilo do qual tudo o mais depende, sem o que, eles todos seriam maldições,
e não bênçãos, ou seja, a Graça de Deus, o poder de seu Espírito Santo, o único que opera em nós tudo que é
aceitável aos olhos Dele.
72

II

1. Em tantos aspectos, os filhos dos homens são mordomos do Senhor, o Possuidor do céu e terra:
Tão grande porção de Seus bens, de vários tipos, Ele confiou à responsabilidade deles. Mas não é para
sempre; nem, na verdade, por algum tempo considerável: Nós temos esta confiança, depositada em nós,
apenas durante o pequeno e incerto período, em que permanecemos aqui em baixo; apenas por quanto tempo
permanecermos na terra; enquanto este fôlego passageiro estiver em nossas narinas. A hora está se
aproximando rápido; já está à mão, quando 'não seremos por mais tempo mordomos!'. No momento em que
o corpo 'retornar ao pó, por assim dizer, e o espírito retornar a Deus que o deu', nós não mais teremos este
caráter; o tempo de nossa mordomia estará terminado. Parte destes bens, dos quais estivemos encarregados
antes, está agora chegando ao fim; pelo menos, ela está, com respeito a nós; nem nós estaremos mais tempo
incumbidos dela: E, aquela parte que permanece, não poderá, por mais tempo, ser empregada ou
aperfeiçoada, como fora antes.

2. Parte daquilo de que fomos encarregados antes está no fim, pelo menos, com respeito a nós. O que
teremos de fazer, depois desta vida, com o alimento, vestuário, casas e posses mundanas? O alimento dos
mortos é o pó da terra; eles são cobertos apenas com vermes e podridão. Eles habitam na casa preparada
para toda carne; suas terras não mais o conhecem: Todos os seus bens mundanos são entregues a outras
mãos, e eles não têm 'mais porção, debaixo do sol'.

3. O caso é o mesmo com respeito ao corpo. O momento em que o espírito retorna a Deus, nós não
somos, por mais tempo, mordomos desta máquina, que está, então, disseminada na corrupção e desonra.
Todas as partes e membros, dos quais ela fora composta pulveriza-se na argila. As mãos não têm mais poder
de mover; os pés esqueceram seu ofício; a carne, nervos e ossos estão todos se dissolvendo rapidamente no
pó comum.

4. Aqui terminam também os talentos da natureza promíscua; nossa força; nossa saúde; nossa beleza;
nossa eloqüência; nossas maneiras; nossa faculdade de agradar ou persuadir, ou convencer outros. Aqui
terminam, igualmente, todas as honras que alguma vez desfrutamos; todos os poderes que estavam locados
em nossas mãos; todas as influências que uma vez tivemos sobre outros; se através do amor ou estima que
eles tinham por nós. Nosso amor, nosso ódio, nosso desejo, pereceram: Nenhuma lembrança de como nós
fomos, uma vez, afetados em direção a eles. Eles olham para os mortos, como não mais capazes de ajudar ou
causar-lhes danos; de modo que 'um cão vivo é melhor do que um leão morto'.

5. Talvez, uma dúvida ainda permaneça, concernente a alguns dos outros talentos, dos quais estamos
agora encarregados, se eles irão cessar de existir, quando o corpo retornar ao pó, ou se apenas cessarão de
serem aperfeiçoados. Na verdade, não existe dúvida, mas o tipo de discurso, do qual fazemos uso agora, por
meio desses órgãos corpóreos, não existirá mais, quando esses órgãos forem destruídos. É certo que a língua
não terá mais oportunidade de quaisquer vibrações no ar; nem os ouvidos conduzirão esses movimentos
trêmulos ao sensor comum. Mesmo o som agudo e grave, que os poetas supõem pertencerem ao espírito
separado, nós não podemos admitir que terá uma existência real; esta é uma mera viagem da imaginação. De
fato, não pode ser questionado, mas os espíritos separados têm algum meio de comunicar seus sentimentos
uns aos outros; mas o que os habitantes da carne e sangue podem explicar sobre isto? O que denominamos
de 'discurso', eles não podem ter: Assim sendo, nós não poderemos mais ser mordomos deste talento,
quando formos incluídos com os mortos.

6. Pode-se admitir uma dúvida, se nossos sentidos irão existir, quando os órgãos de percepção forem
destruídos. Não é provável que esses de uma espécie inferior irão cessar – o tato, o olfato e o gosto – já que
eles têm uma referência mais imediata com o corpo, e são principalmente, e não totalmente, pretendidos à
preservação dele? Mas algum tipo de visão não irá permanecer, embora os olhos estejam fechados na morte?
E não haverá algum tipo na alma equivalente ao presente sentido da audição? Mais do que isto, não é
provável que esses não apenas irão existir, em um estado separado, mas existirão, em um grau maior, e de
uma maneira mais eminente, do que agora, quando a alma livre de sua casa de argila, não for mais 'uma
73

faísca pequena perecível em um lugar obscuro'; quando não mais 'olhar através das janelas dos olhos e
ouvidos'; mas, preferivelmente, todos os olhos, ouvidos, sentidos, serão de uma maneira que nós não
podemos ainda conceber? E nós não temos uma prova clara da possibilidade disto; de ver, sem o uso dos
olhos, e ouvir, sem o uso dos ouvidos? Sim, e a garantia disto continuamente? A alma não vê, de uma
maneira mais clara, quando os olhos não estão sendo usados; ou seja, nos sonhos? Ela, então, não desfruta
da faculdade do ouvir, sem qualquer ajuda dos ouvidos? Mas, como quer que isto seja, é certo que, nem
nossos sentidos, serão incumbidos a nós, não mais do que nosso poder de fala, da maneira como os usamos
agora, quando o corpo deitar-se na sepultura silenciosa.

7. Por quanto tempo o conhecimento ou aprendizado, que temos adquirido através da educação irá
permanecer, nós não podemos dizer. Salomão, de fato, diz: 'Não haverá obra, nem conselho, nem
conhecimento, nem sabedoria, na sepultura, para onde tu irás'. Mas é evidente, que essas palavras não
podem ser entendidas em seu sentido absoluto. Porque está tão distante de ser verdade, que não existe
conhecimento depois de termos deixado o corpo, que as dúvidas se colocam de outra forma: se existe tal
coisa, como conhecimento real até então; se se trata de uma verdade plenamente sensata, e não de uma mera
ficção poética, que todas essas sombras, que tomamos por coisas, não são apenas sonhos vazios, que no sono
profundo criamos; com exceção, apenas, das coisas que o próprio Deus tem se agradado de revelar ao
homem. Eu falarei como alguém que, depois de ter buscado a verdade, com alguma diligência, por meio
século, está, no presente momento, dificilmente certo de coisa alguma, a não ser daquilo que aprendeu da
Bíblia. Mais do que isto, eu afirmo positivamente que eu, certamente, não sei coisa alguma mais, que eu
pudesse ousar por em risco minha salvação sobre ela.

Tanto mais, portanto, podemos aprender das palavras de Salomão que 'não existe' tal 'conhecimento
ou sabedoria na sepultura', como para ser de algum uso para o infeliz espírito; 'não existe conselho', lá, por
meio do qual podemos aperfeiçoar aqueles talentos que Ele uma vez nos confiou. Porque não existe mais o
tempo; o tempo de nosso julgamento para a felicidade eterna ou miséria é passado. Nossos dias, o dia do
homem, estão terminados; o dia da salvação está terminado! Nada agora permanece, a não ser 'o dia do
Senhor', anunciando amplamente a eternidade imutável!

8. Mas, ainda assim, nossas almas, sendo incorruptíveis e imortais, de uma natureza 'pouco inferior a
dos anjos' (mesmo, se nós entendermos esta frase de nossa natureza original, que pode bem dar margens à
dúvida), quando nossos corpos forem desfeitos na terra, todas as suas faculdades irão permanecer. Nossa
memória e nosso entendimento estarão, tão longe, de serem destruídos; sim, ou enfraquecidos, pela
dissolução do corpo que, ao contrário, nós temos motivos para crer que eles serão inacreditavelmente
fortalecidos. Nós não temos uma razão ainda mais clara para crer que eles serão, então, totalmente libertos
daqueles defeitos que agora naturalmente resultam da união da alma com o corpo corruptível? É altamente
provável que, do momento em que esses forem separados, nossa memória não deixará passar coisa alguma;
sim, que ela irá exibir fielmente tudo para nossa visão, o que uma vez esteve confiado a ela. É verdade, que
o mundo invisível é denominado nas Escrituras, 'a terra do esquecimento'; ou, como é ainda mais
fortemente expresso, na antiga tradução, 'a terra, onde todas as coisas são esquecidas'. Elas são esquecidas;
mas por quem? Não pelos habitantes daquele lugar, mas pelos habitantes da terra. É com respeito a eles que
o mundo não visto é 'a terra do esquecimento'. Todas as coisas nele são tão freqüentemente esquecidas por
esses; mas não pelos espíritos, desprovidos da matéria. Do momento em que eles são colocados fora do
tabernáculo terreno, nós dificilmente podemos acreditar que eles esquecem alguma coisa.

9. De igual maneira, o entendimento irá, sem dúvida, ser liberto dos defeitos que são agora
inseparáveis dele. Por muitas épocas, tem existido uma máxima inquestionável, -- a ignorância e o erro são
inseparáveis da natureza humana. Mas a totalidade desta afirmativa é apenas verdadeira, com respeito aos
homens viventes; e não duram mais do que enquanto 'o corpo corruptível pressiona a alma'. A ignorância,
de fato, pertence a todo entendimento finito (vendo que não existe nada além de Deus que conhece todas as
coisas); mas o erro: quando o corpo é deixado de lado, este também é colocado aparte para sempre.

10. O que, então, podemos dizer para um homem engenhoso, que descobriu ultimamente que os
espíritos desprovidos da matéria não têm apenas sentidos (nem mesmo visão ou audição), mas nenhuma
74

memória, ou entendimento; nenhum pensamento ou percepção; nem mesmo, a consciência de suas próprias
existências! Que eles estão em um sono profundo, da morte até a ressurreição! Na verdade, tal sono nós
podemos chamar de 'um parente próximo da morte', se não for a mesma coisa. O que podemos dizer, a não
ser que esses homens engenhosos têm sonhos estranhos; e estes eles confundem, algumas vezes, com
realidades?

11. Mas para retornarmos. Como a alma irá reter seu entendimento e memória, não obstante a
dissolução do corpo, então, sem dúvida, a vontade, incluindo todas as afeições, irá permanecer em seu
completo vigor. Se nosso amor ou ira; nossa esperança, ou desejo perecerem, será apenas com respeito
àqueles que deixamos para trás. A eles não importa, se eles foram objetos de nosso amor ou ódio; de desejo
ou aversão. Mas, nos espíritos separados, em si mesmos, nós não temos razão para acreditar que alguns
desses serão extinguidos. É mais provável que eles irão operar com uma força muito maior do que enquanto
a alma esteve obstruída com a carne e sangue.
12. Mas, embora todos esses; embora tanto nosso conhecimento e sentidos; nossa memória e
entendimento, juntos com nossa vontade, nosso amor, ódio e todas as nossas afeiçoes, permaneçam depois
do corpo ser sepultado; ainda assim, neste aspecto, eles estão como se não existissem – nós não mais somos
mordomos deles. As coisas continuam, mas nossa mordomia não: Nós não mais atuamos naquela aptidão.
Mesmo a graça que foi anteriormente confiada a nós, com o objetivo de nos capacitar a sermos fiéis e sábios
mordomos, não mais se incumbirá deste propósito. Os dias de nossa administração estarão terminados.

III

1. Agora permanece que, sendo não mais mordomos, nós daremos um relato de nossa mordomia.
Alguns têm imaginado, que isto será feito imediatamente depois da morte, tão logo entramos no mundo dos
espíritos. Mais ainda, a Igreja de Roma absolutamente afirma isto; sim, faz disto uma cláusula de fé. Tanto
assim, que nós podemos admitir que, no momento em que a alma deixa o corpo, e fica nua diante de Deus, e
não pode deixar de saber qual será sua porção para toda a eternidade. Ela terá, diante dessa visão, tanto a
alegria eterna completa, quanto o tormento eterno completo; já que não mais será possível ser enganado no
julgamento que temos sobre nós mesmos. Mas as Escrituras nos dá nenhuma razão para crer, que Deus irá,
então, sentar-se, em julgamento sobre nós. Não existe passagem em todos os oráculos de Deus que afirme tal
coisa. O que tem sido freqüentemente alegado para este propósito, parece, antes, provar o contrário, ou seja:
(Hebreus 9:27) 'E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Porque,
em toda razão, a palavra 'uma vez' está aqui aplicada ao julgamento, tanto quanto à morte. De modo que a
inferência justa a ser esboçada deste mesmo texto é que não haverá dois julgamentos: um particular e outro
geral; mas que nós seremos julgados, assim como iremos morrer, apenas uma vez: Nem uma vez,
imediatamente depois da morte, e novamente depois da ressurreição geral; mas, então, apenas 'quando o
Filho do homem deverá vir em Sua glória, e todos os seus santos anjos com Ele'. A imaginação, portanto, de
um julgamento na morte, e um outro no fim do mundo, pode não ter lugar com aqueles que fizeram da
Palavra escrita de Deus o total e único estandarte de sua fé.

2. O tempo, então, em que deveremos dar este relato, é quando o 'grande trono branco descer dos
céus, e Ele que está assentado nele, de cuja face os céus e terra fogem, e não é encontrado lugar para eles'.
Então, 'os mortos, pequenos e grandes, ficarão diante de Deus; e os livros serão abertos' (Apocalipse
20:11): O Livro das Escrituras, àqueles que foram incumbidos disto; o livro da consciência de toda
humanidade. O 'livro da lembrança', igualmente (para usar uma outra expressão bíblica), que foi escrito
desde a fundação do mundo, irá, então, ser colocado aberto, às vistas de todos os filhos dos homens. Diante
de todos esses, até mesmo, de toda a raça humana, diante do diabo e seus anjos, diante de uma companhia
inumerável de anjos santos, e diante de Deus, o Juiz de todos, tu irás aparecer, sem qualquer abrigo ou
coberta; sem qualquer possibilidade de disfarce, para dar um relato pessoal da maneira como tu tens
empregados todos os bens do Senhor!

3. O Juiz de todos irá, então, inquirir:


75

"Como tu tens empregado tua alma? Eu incumbi a ti com um espírito imortal, dotado com vários
poderes e faculdades; com entendimento, imaginação, memória, vontade, afeições. Eu dei a ti, sobretudo,
direções completas e expressas, de como esses deveriam ser empregados. Tu empregaste teu entendimento,
tanto quanto ele era capaz, de acordo com essas direções; ou seja, no conhecimento de ti mesmo e de mim –
minha natureza, meus atributos? – minhas obras, se da criação, providência ou graça? – em te
familiarizares com minha palavra? -- no usares de todos os meios para aperfeiçoares teu conhecimento
nisto? – em meditares nisto, dia e noite?".

"Tu empregaste a tua memória, de acordo com minha vontade, em juntares quaisquer
conhecimentos que tenhas adquirido, os quais conduziriam a ti, para minha glória, para tua própria
salvação, ou para o proveito de outro? Tu guardaste nisto, não as coisas sem valor, mas qualquer instrução
que tu tenhas aprendido de minha palavra; qualquer experiência que tenhas tido de minha sabedoria,
verdade, poder e misericórdia? A tua imaginação foi empregada, não em pintar imagens vãs; muitos menos,
para nutrir tais 'desejos tolos e prejudiciais'; mas para apresentar a ti, o que quer que tua alma possa ter
proveito, e despertar tua busca de sabedoria e santidade?".

"Tu seguiste minhas direções com respeito à tua vontade? Ela foi totalmente entregue a mim? Ela foi
tragada pela minha, de modo à nunca se opor, mas sempre seguir paralelo a ela? As tuas afeições foram
situadas e reguladas, da maneira como eu indiquei em minha palavra? Eu fui objeto de teu amor? Todos os
teus desejos eram para comigo, e para com a lembrança do meu nome? Eu fui a alegria de teu coração; o
deleite de tua alma; o principal entre infinitos outros? Tu não te entristeceste por coisa alguma, mas com o
que afligiu meu Espírito? Tu temeste ou odiaste alguma coisa mais, a não ser o pecado? Todo o fluxo de
tuas afeições estava de acordo com minha vontade – não com o propósito das finalidades da terra, nem com
a tolice, ou pecado, mas com quaisquer coisas que fossem puras; quaisquer coisas que fossem santas; com
o que quer que fosse condutivo para minha glória, e para a paz e boa-vontade entre os homens?".

4. Teu Senhor irá, então, inquirir:

"Tu empregaste o corpo, no que eu incumbi a ti? Eu dei a ti uma língua para me louvares por meio
dela: Tu a usaste para a finalidade a qual ela foi dada? Tu a empregaste, não na maledicência, ou diálogos
vãos; em conversas impiedosas e inúteis; mas em tais que foram boas, assim como necessárias e úteis, tanto
a ti mesmo quanto aos outros? Tais que sempre tenderam, diretamente ou indiretamente, a 'ministrar graça
aos ouvintes?'".

"Eu dei a ti, juntamente com teus outros sentidos, essas grandes vias de acesso de conhecimento,
visão e audição: estes foram empregados para aqueles propósitos excelentes, para os quais eles foram
concedidos a ti? Para trazerem a ti, mais e mais instrução na retidão e santidade verdadeira? Eu dei a ti,
mãos e pés, e vários membros, por meio dos quais executas as obras que foram preparadas para ti: eles
foram empregados, não para fazer 'a vontade da carne', da natureza pecaminosa; ou a vontade da mente;
(as coisas para as quais tua razão ou imaginação conduzem a ti); mas 'para a vontade Dele que enviou' a ti
para o mundo; ;meramente para operar tua própria salvação? Tu ofertaste todos teus membros, não para o
pecado, como instrumento de iniqüidade, mas a mim somente, através do Filho de meu amor, 'como
instrumentos de retidão?'".

5. O Senhor de todos irá em seguida inquirir:

"Como tu empregaste os bens mundanos que eu depositei em tuas mãos? Tu usaste de tua comida;
não tanto para buscares ou colocares tua felicidade nela, mas também para preservares teu corpo sadio, na
força e vigor, um instrumento adequado para a alma? Tu usaste de vestimenta, não para alimentares o
orgulho ou vaidade; muito menos, para tentares os outros ao pecado, mas para, convenientemente e
decentemente, protegeres a ti mesmo dos danos do clima? Tu preparaste e usaste tua casa, e todas as outras
conveniências, com um olhar puro para minha glória -- em todos os pontos, buscando, não tua honra, mas a
minha; planejando agradares, não a ti mesmo, mas a mim?".
76

"Uma vez mais: de que maneira, tu empregaste aquele talento abrangente do dinheiro? – não em
gratificar o desejo da carne, o desejo dos olhos, ou o orgulho da vida; não o esbanjando em despesas vãs –
o mesmo que jogá-lo no mar; não em ajuntá-lo, para deixá-lo atrás de ti – o mesmo que enterrá-lo; mas,
primeiro, suprindo tuas próprias necessidades razoáveis, junto com aquelas de tua família; então,
devolvendo o que sobrou a mim, através do pobre, a quem eu tenho designado recebê-lo; olhando para ti
mesmo, apenas como mais um desses pobres, cujas necessidades deveriam ser supridas, com parte de
minhas posses, e que eu coloquei em tuas mãos para este propósito; deixando a ti o direito de ser suprido
primeiro, e as bênçãos de dar, preferivelmente a receber?".

"Foste tu, conseqüentemente, um benfeitor geral da humanidade? Alimentaste o faminto, vestiste o


nu, confortaste o doente, assististe o estranho, aliviaste o aflito, de acordo com suas várias necessidades?
Tu foste os olhos dos cegos, e os pés do coxo; um pai para o órfão, e um marido para a viúva? Trabalhaste
para melhorar todas as obras exteriores de misericórdia, como meios de salvar tua alma da morte?".

6. Teu Senhor irá inquirir, mais além:

"Tu tens sido um mordomo sábio e fiel, com respeito aos talentos de uma natureza promíscua, os
quais eu emprestei a ti? Tu tens empregado tua saúde e força, não em tolice ou pecado; não nos prazeres
que perecem ao uso, 'não em fazeres provisão para a carne, para executares os desejos dela', mas na busca
vigorosa daquela melhor parte que ninguém poderia tirar de ti? Tu empregaste tudo o que era agradável,
em tua pessoa ou maneira; tudo o que conseguiste, através da educação; tudo que compartilhaste do
aprendizado; tudo que conheceste das coisas ou homens, e que foram confiadas a ti, para promoveres a
virtude no mundo, para ampliares o meu reino?".

"Tu empregaste qualquer parte do poder que tu tiveste; toda a influência sobre outros, através do
amor ou estima que eles tinham concedido a ti, para o crescimento da sabedoria e santidade deles? Tu
empregaste aquele talento inestimável do tempo, com cautela e circunspeção, como devidamente pesando o
valor de cada momento, e sabendo que tudo será incluído na eternidade? Acima de tudo, tu foste um bom
mordomo de minha graça, impedindo, acompanhando, e seguindo a ti? Tu observaste devidamente, e
cuidadosamente melhoraste todas as influências de meu Espírito – todo bom desejo; toda medida de luz;
toda as reprovações duras ou gentis Dele? Que proveito tu tiveste 'do Espírito de escravidão e medo', que
foi prévio 'ao Espírito de adoção?'. E quando tu foste feito parceiro deste Espírito, clamando em teu
coração, 'Aba, Pai', tu permaneceste firme na liberdade glorioso, por meio da qual eu te tornei livre?".

"Tu glorificaste a mim, com todo teu corpo e espírito, deste momento em diante, através de tua alma
e corpo, todos os teus pensamentos, tuas palavras e ações, em uma chama de amor, como um sacrifício
santo?".

E o que restará, tanto ao mordomo fiel, quanto infiel? Nada, a não ser a execução daquela sentença
que tem sido passada, através do justo Juiz; fixando a ti, em um estado que admite nenhuma mudança,
através dos tempos eternos! Permanecerá, apenas, que tu serás recompensado, por toda eternidade, de acordo
com tuas obras.

IV

1. Destas considerações claras, podemos aprender, Em Primeiro Lugar, quão importantes são esses
breves e incertos dias de nossa vida! Quão preciosa, acima de toda elocução, acima de toda concepção, será
cada porção dele!

O menor desses demanda um sério cuidado;


Porque embora poucos, eles são areias douradas!
77

Quão profundamente, concerne a cada filho do homem, não deixar alguns desses serem desperdiçados; mas
melhorá-los, todos, para propósitos mais nobres, por quanto tempo o fôlego de Deus estiver em nossas
narinas!

2. Nós aprendemos disto, Em Segundo Lugar, que não existe empreendimento de nosso tempo,
nenhuma ação ou conversa, que sejam puramente indiferentes. Tudo é bom ou mal, porque todo nosso
tempo, assim como tudo que temos não é nosso. Todos esses são, como diz o Senhor – propriedade de outro;
de Deus, nosso Criador. Agora, estes podem ser empregados ou não, de acordo com a vontade Dele. Se de
acordo com Sua vontade, tudo será para o bem; se, do contrário, tudo será para o mal. Novamente: É da
vontade Dele que possamos continuamente crescer na graça, e no conhecimento vivificante de nosso Senhor
Jesus Cristo. Conseqüentemente, todo pensamento, palavra, e obra, por meio dos quais este conhecimento é
aumentado; por meio dos quais crescemos na graça, serão para o bem; e todo aqueles, por meio dos quais,
este conhecimento não é aumentado, serão verdadeiramente e propriamente para o mal.

3. Nós aprendemos disto, Em Terceiro Lugar, que não existem obras de supererrogação; que nós
nunca faremos mais do que nossa obrigação; vendo que tudo que temos não é nosso, mas de Deus; tudo que
podemos fazer é devido a Ele. Nós não temos recebido Dele, isto ou aquilo, ou muitas coisas, apenas, mas
tudo: portanto, todas as coisas são dívidas que temos para com Ele. Ele que as deu a nós deve ter o direito
sobre todas elas: de modo que, se pagarmos a Ele, qualquer coisa menos do que tudo, nós não poderemos ser
mordomos fieis. Assim sendo, 'todo homem deverá receber sua própria recompensa, de acordo com seu
próprio trabalho'; nós não podemos ser mordomos sábios, exceto se trabalharmos com toda a força de nosso
poder; não deixando coisa alguma sem ser feita, daquilo que possivelmente podemos fazer, mas empregando
nisto toda nossa força.

4. Irmãos, 'quem é o homem de entendimento, e dotado com o conhecimento, entre vocês?'. Que ele
mostre a sabedoria que vem do alto, caminhando adequadamente com seu caráter. Se ele assim se considera
um mordomo dos múltiplos dons de Deus, que ele veja que todos os seus pensamentos, e palavras, e obras,
sejam concordantes ao ofício que Deus tem designado a ele. Não é uma coisa sem importância, deixar Deus
fora de tudo que você tem recebido Dele. Ela requer toda sua sabedoria, toda sua resolução, toda sua
perseverança e constância, muito mais do que, alguma vez, você teve, através da natureza, mas, não mais do
que você possa ter, por meio da graça. Porque a graça Dele é suficiente para você; e 'todas as coisas', você
sabe 'são possíveis a todo aquele que crê'. Pela fé, então, 'retribua ao Senhor Jesus Cristo'; 'retribua todo o
amor de Deus'; e você será capaz de glorificar a Ele, em todas as palavras e obras; sim, de trazer cada
pensamento cativo na obediência de Cristo!

Edinburgh, 14 de Maio de 1768.

[Editado por Kristina Hedstrom, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A reforma da Conduta

Pregado, diante da Sociedade, para a reforma das condutas, no domingo de 30 de Janeiro de 1763, na Capela
em West-Street, na cidade de Seven Dials.

"Quem se levantará a meu favor, contra os perversos?" (Salmos 94:16)

1. Em todos os tempos, os homens, que nem temeram a Deus, nem consideraram o homem, têm se
unido, e formado alianças, para levarem adiante as obras da escuridão. E nisso, eles têm mostrado, a si
mesmos, sábios, em suas gerações; porque, desse modo, eles efetivamente promovem mais o reino do pai
deles, o diabo. Por outro lado, os homens, que temeram a Deus, e desejaram a felicidade de seus
companheiros, têm achado necessário, em todos os tempos, reunirem-se, com o propósito de se oporem aos
78

trabalhos da escuridão, para expandirem o conhecimento de Deus, o Salvador deles, e promoverem seu reino
sobre a terra. De fato, Ele próprio os tem instruído a fazer assim. Desde que os homens estão sobre a terra,
Ele os tem ensinado a se reunirem, em seu serviço ministerial, e os tem unido, em um só corpo, através de
um Espírito único. E, para esse mesmo propósito, Deus os tem juntado, "para que eles possam destruir as
obras do mal"; primeiro, neles que já estão unidos, e, através deles, a todos que necessitam ao redor deles.

2. Esse é o desígnio original da Igreja de Cristo. Ela é um corpo de homens compactados, com o
propósito, primeiro de salvar, cada um, a sua própria alma; então, assistir, um ao outro, no trabalho da
salvação; e, mais tarde, tão longe quanto esteja colocado neles, salvar todos os homens da miséria presente e
futura, para aniquilar o reino do mal, e estabelecer o reino de Cristo. E este deve ser o cuidado e esforço
contínuos de cada membro de sua Igreja; do contrário, este será merecedor de ser chamado um membro
dela, uma vez que ele não é um membro vivo de Cristo.

3. Conseqüentemente, esse deve ser o cuidado e esforço constante de todos esses que estão unidos
nesses reinos, e são comumente chamados de A Igreja da Inglaterra. Eles estão unidos, para esse mesmo
propósito: oporem-se ao mal e a todas as suas obras, e empreenderem uma guerra contra o mundo e a carne,
os aliados constantes e fiéis dele. Mas eles, de fato, respondem pela finalidade dessa união? Todos aqueles
que se intitulam "membros da Igreja da Inglaterra", opondo-se de todo coração às obras do mal, e lutando
contra o mundo e a carne? Ai de mim! Nós não podemos dizer isso! Bem longe desse propósito, é que a
grande parte; eu temo, a maior parte deles é também do mundo, -- as pessoas que não conhecem a Deus para
algum propósito de salvação, estão favorecendo a carne, dia a dia, com as afeições e desejos, em vez de
"mortificá-la", e fazendo, eles mesmos, esses trabalhos do mal, que eles estão peculiarmente engajados a
destruírem.

4. Existe ainda, entretanto, mesmo nesses condados cristãos, (como nós cortesmente intitulamos a
Grã-Bretanha), sim, nessas igrejas cristãs (se nós podemos dar este titulo para a parte principal de nossa
nação), alguns para "se erguem contra o iníquo", e reúnem-se "contra os malfeitores". Mais do que isso,
nunca houve mais necessidade, do que nesses dias, daqueles "que temem ao Senhor, de falarem,
freqüentemente", sobre esse mesmo assunto: como eles poderiam "levantar um estandarte contra a
iniqüidade", que inunda a terra. Existe motivo abundante para todos os servos de Deus reunirem-se contra as
obras do mal; com os corações, desígnios e esforços unidos, para construírem um suporte para Deus, e para
reprimirem, tanto quanto está colocado neles, essas "inundações de incredulidade".

5. Para esse mesmo propósito, poucas pessoas, em Londres, já no fim do último século, uniram-se, e,
depois de algum tempo, estabeleceram a Sociedade para a Reforma das Maneiras; realizando um trabalho
inacreditável, durante quase quarenta anos. Mas, então, a maioria dos membros originais, tendo ido buscar o
seu galardão, aqueles que os sucederam, cresceram fracos, em suas mentes, e se afastaram da obra: De modo
que, uns poucos anos atrás, a Sociedade cessou; nem alguma outra do tipo permaneceu no reino.

6. É uma sociedade com as mesmas características, a que tem se formado ultimamente. Eu proponho
mostrar: (1) A natureza do objetivo deles, e os passos que eles têm tomado nessa direção; (2) A excelência
dela; com as várias objeções que têm sido levantadas contra; (3) Como devem ser os homens que pretendem
engajar-se, em tal propósito; (4) Com que espírito, e de que maneira, eles deveriam prosseguir na execução
dela. Eu devo concluir com uma aplicação, a eles e a todos os que temem a Deus.

(1) Eu, Primeiro, vou mostrar a natureza do objetivo deles, e os passos que eles terão que tomar
nessa direção.

A primeira menção feita sobre a profanação grosseira e aberta do dia sagrado, por pessoas
comprando, vendendo e mantendo as lojas abertas, tomando bebida alcoólica nas tabernas, de pé, ou
sentadas, nas estradas e campos, mascateando suas mercadorias, como nos dias comuns; especialmente, em
Moorfields, que ficava, então, cheia, todo domingo, de uma extremidade à outra, aconteceu no dia do
79

Senhor, em Agosto de 1757, em um pequeno grupo que se encontrava comigo para oração e conversas
religiosas. Nesse dia, foi considerado qual método seria usado para remediar tais calamidades, ficando
acertado que seis pessoas do grupo poderiam, de manhã, esperar pelo Sr. John Fielding para instrução. Eles
assim o fizeram. O Sr. Fielding aprovou o que fora designado, e os dirigiu a como levar isso em execução.

(2) Eles, primeiro, entregaram petições ao ilustre Sr. Prefeito, e ao Conselho Municipal; para sala de
Justiça, em Hick's Hall; e aquelas em Westminster, e receberam de todos esses honrados cavalheiros muitos
incentivos para prosseguirem.

(3) Em seguida foi julgado apropriado expressarem o objetivo deles para as muitas pessoas notáveis
do grupo, e para o corpo de clérigos, assim como para os Ministros de outras denominações, pertencentes às
diversas igrejas e assembléias, dentro e nos arredores das cidades de Londres e Westminster, e ele tiveram a
satisfação de se encontrarem com o consentimento afetuoso e a aprovação universal deles.

(4) Eles, então, imprimiram e distribuíram, às próprias custas, diversos milhares de livros de
instrução para os Condestáveis (guardas) e outros Oficiais Paroquianos, explicando e reforçando as diversas
obrigações deles: E, para prevenir, tanto quanto possível, a necessidade de procedimento, para uma
execução atual das leis, eles igualmente imprimiram e distribuíram, em todas as partes da cidade,
dissuasivos da profanação do Sabbath, extraído dos Atos do Parlamento contra isso, e notificações para os
ofensores.

(5) O caminho sendo pavimentado por essas precauções, no início do ano de 1758, depois das
notificações serem entregues, várias vezes, e de serem freqüentemente desprezadas, foi que as informações
atuais foram feitas para os Magistrados contra as pessoas que profanavam o dia do Senhor. Dessa forma,
eles primeiro limparam as ruas e campos desses ofensores notórios, que, sem qualquer cuidado, tanto para
com Deus, quanto para com o rei, estavam vendendo suas mercadorias de manhã à noite. Daí, prosseguiram
em direção à mais difícil das tentativas: prevenir o uso de bebidas alcoólicas, no dia do Senhor, quando o
homem gasta na taberna, o tempo que deveria ser gasto no trabalho mais imediato de adoração a Deus.

Com isso, eles foram expostos a uma abundância de reprimendas, insultos e abusos de todo tipo;
tendo não apenas os grandes bebedores, e aqueles que os entretinham, os donos das tabernas, para lutarem
contra eles, mas os homens ricos e honoráveis — em parte, os senhorios desses donos das cervejarias — em
parte, aqueles que as abasteciam com bebidas, e, em geral, todos que ganhavam através dos pecados deles.
Alguns desses eram, não apenas homens de posses, mas homens, na autoridade; além do que, eles eram as
mesmas pessoas, diante dos quais os delinqüentes eram trazidos, em mais de uma ocasião. E o tratamento
que eles deram a esses que forneceram as notificações, naturalmente encorajou "as pessoas selvagens" a
seguirem o exemplo, tratando-os como indivíduos não adequados a viverem sobre a terra. Em conseqüência
disso, não tiveram escrúpulo, não apenas para tratá-los com a linguagem mais vil, atirando neles lama e
pedras, ou o que viesse a mão, mas, muitas vezes, batendo neles, sem misericórdia, e arrastando-os contra as
pedras, ou pelas sarjetas. E se eles não os assassinaram, não foi por falta de vontade, mas porque a rédea
estava em seus dentes.

(6) Então, tendo recebido ajuda de Deus, eles seguiram restringindo os padeiros igualmente, de
gastarem tão grande parte do dia do Senhor, exercitando o trabalho de sua profissão. Mas muitos desses
eram mais nobres do que taverneiros. Eles estavam longe de se ressentirem, ou olharem para isso, como uma
afronta, e mesmo os que tinham se precipitado a agir, contrário às suas próprias consciências, sinceramente
agradeceram o trabalho deles, e reconheceram isso como uma real generosidade.

(7) Da limpeza das ruas, campos e bares dos profanadores do Sabbath, eles se lançaram sobre uma
outra espécie de ofensores, tão danosos para a sociedade, quanto qualquer outro, isto é, os vários tipos de
jogadores. Alguns desses eram da classe mais baixa e mais vil, comumente chamados apostadores; cujo
comércio é apanhar os homens jovens e inexperientes, desviando a atenção de todo o dinheiro deles; e,
depois de levá-los à miséria, freqüentemente lhes ensinarem o mesmo mistério da iniqüidade. Diversos
80

ninhos desses, eles têm extirpado; e, não poucos deles têm sido constrangidos a honestamente ganharem o
pão de cada dia, através do suor do seu rosto e do trabalho de suas mãos.
(8) Crescendo em número e força, eles estenderam seus horizontes, e começaram não apenas a
reprimir a blasfêmia profana, mas a remover de nossas ruas, outra praga pública, e escândalo para o nome
Cristão, as prostitutas comuns. Muitas dessas foram impedidas de exercerem seus meios de vida da maldade
audaciosa. E, com o objetivo de ir até a raiz do mal, muitas das casas que as abrigavam foram detectadas,
acionadas de acordo com a lei, e totalmente suprimidas. E algumas dessas mulheres pobres e desoladas,
embora caídas na linha mais baixa da infâmia humana, têm reconhecido a providência graciosa de Deus, e
romperam com seus pecados através do arrependimento eterno. Diversas dessas foram removidas, e diversas
recebidas no Hospital Magdalene.

(9) Se uma pequena digressão é possível ser permitida, quem poderá admirar suficientemente a
sabedoria da Providência Divina, na disposição dos tempos e épocas, de maneira a ajustar uma ocorrência a
outra? Por exemplo: Justamente, no momento em que muitas dessas pobres criaturas tendo cessado o curso
do pecado, encontraram um desejo de levarem uma vida melhor, como em resposta àquela triste questão:
"Mas, e se eu abandonar essa vida, o que eu posso fazer para viver, já que eu não sou dona de algum
comércio; e não tenho amigos que irão me receber?". Eu digo, exatamente nesse momento, que Deus tem
preparado o Hospital Magdalen. Aqui, aquelas que não têm comércio, nem qualquer amigo para recebê-las,
são recebidas com toda a ternura; sim, elas podem viver, e com conforto, sendo providas com todas as coisas
que são necessárias "para a vida e santidade".

(10) Mas, retornando. O número de pessoas trazidas para a justiça, de Agosto de 1757, a Agosto de
1762, foi de 9.596. Dessa data, até o presente momento, por causa dos jogos ilícitos e blasfêmias profanas
(40); por terem quebrado o Sabbath (400); mulheres lascivas, e mantenedoras das casas de má fama (550);
pelo oferecimento para venda, de impressos obscenos (02). Ao todo foram 10.588 pessoas.

(11) Na admissão dos membros na Sociedade, nenhuma atenção é dada, com respeito a alguma seita
ou grupo em particular. Quem quer que seja considerado, em um inquérito, ser um homem de bem, é
admitido prontamente. E ninguém que tenha objetivos egoístas ou pecuniários, irá continuar por muito
tempo nisso; não apenas porque ele não pode ganhar coisa alguma, por esse meio, mas porque ele poderia
tornar-se rapidamente um perdedor, visto que ele deve começar a subscrever, tão logo seja um membro. De
fato, o clamor vulgar é: "Esses são todos os Whitefieldites". Mas isso é um grande erro. Por volta de vinte
dos membros constantemente subscritos estão todos os que estão em conexão com o Sr. Whitefield; por
volta de cinqüenta, os que estão em conexão com o Sr. Wesley; por volta de vinte, e que são das Igrejas
Estabelecidas, não têm conexão com qualquer um deles; e, por volta de setenta são Dissidentes; que
perfazem ao todo, cento e sessenta. Há, realmente, muitos mais que assistem nos trabalhos em subscrições
ocasionais.

II

Esses são os passos que têm sido tomados, até aqui, na execução desse objetivo. Eu vou, em
Segundo Lugar, mostrar a excelência dessa medida, não obstante as objeções, as quais têm se erguido
contra ela. E isso pode surgir das considerações diversas:

(1) Colocar-se abertamente contra toda a descrença e iniqüidade, que se espalha sobre a nossa terra,
como uma inundação, é um dos mais nobres caminhos de confessar Cristo na cara de seus inimigos. Dando
glória a Deus, e mostrando para a Humanidade, que, mesmo nesses resíduos de tempo, há quem prefira a fé;
embora poucos, e fidelidade para com Deus. E o que mais excelente do que render a Deus a honra devida a
seu nome? Declarar por meio de provas mais fortes do que palavras, mesmo através de sofrimento, e
correndo todos os riscos, que "Verdadeiramente há uma recompensa para o justo; e sem dúvida há um Deus
que julga a terra".

(2) Quão excelente é o objetivo de prevenir a qualquer grau a desonra feita ao seu nome glorioso, o
desrespeito que brotou sobre sua autoridade, e o escândalo trazido sobre nossa religião santa, pela maldade
81

grosseira e flagrante desses que são ainda chamados pelo nome de Cristo! Para estancar, de qualquer forma,
a torrente de vícios; para represar as inundações da descrença; para remover, nas horas vagas, essas ocasiões
de blasfêmias o nome honrado, por meio do qual nós somos chamados, é um dos mais nobres desígnios que
pode possivelmente ser concebido no coração do homem.

(3) E como esse desígnio evidentemente tende a trazer "glória a Deus, nas Alturas", então, não
menos evidentemente conduz ao estabelecimento da "paz na terra". Porque, como todo pecado diretamente
tende a destruir nossa paz com Deus, colocando-o na rebeldia declarada, com o propósito de banir a paz de
nosso próprio peito, e colocar a espada de cada homem contra seu próximo; então, o que quer que previna
ou remova o pecado, promove, da mesma maneira a paz – da nossa própria alma, paz com Deus, e paz com
o outro. Tais são os frutos genuínos desse objetivo, mesmo no presente mundo. Mas, por que nós devemos
confinar nossos horizontes aos limites estreitos do tempo e espaço, ao invés de passar por esses para a
eternidade? E qual o fruto dele que devemos encontrar lá? Vamos deixar o Apóstolo falar em (Tiago 5:19-
20) "Irmãos, se um de vocês se desviar da verdade, e um convertê-lo" (não para essa, ou aquela opinião, mas
para Deus!) "deixe-o saber que aquele que converteu o pecador do erro de seu caminho, salvou uma alma
da morte, e afastou uma multidão de pecados".

(4) Nem são para os indivíduos apenas, quaisquer que sejam os que induzem o outro ao pecado, ou
aqueles que estejam sujeitos a serem induzidos ou destruídos por eles, que os benefícios desse objetivo
redundam, mas para a comunidade da qual somos membros. Porque não é uma observação correta, "a
retidão exalta a nação?". E não é certo, por outro lado, que "o pecado é uma desgraça para qualquer
pessoa?". Sim, e traz a ira de Deus sobre elas? Tão longe quanto a retidão, em qualquer ramo é fomentada,
tão longe é o interesse nacional desenvolvido. Tão longe o pecado — especialmente, o pecado declarado —
é restringido, a assolação e a reprovação são removidas de nós. Quem quer, então, que trabalhe nisso, são
em geral benfeitores. Eles são os verdadeiros amigos de seu rei e país. E, na mesma proporção, que esse
objetivo toma lugar, não existe dúvida de que Deus dará prosperidade nacional, em cumprimento à sua
palavra fiel: "Aqueles que me honrarem, eu irei honrar".

(5) Mas objeta-se: "Como quer que seja a excelência desse objetivo, ele não diz respeito a você.
Visto que não existem pessoas, a quem essas ofensas estejam sendo feitas (a não ser a Deus), e a quem a
punição correta aos ofensores pertença? Não existem Condestáveis (guardas), e outros Oficiais Paroquianos,
que estejam constrangidos pelo juramento dessa mesma coisa? Existem. Condestáveis e Curadores da Igreja,
em particular, estão engajados pelo juramento solene a dar informações contra os profanadores do dia do
Senhor, e todos os outros pecadores escandalosos. Mas, se eles deixam, sem ser feito; se, não obstante o
juramento, eles não se preocupam com o assunto, isso concerne a todo aquele que teme a Deus, que ama a
Humanidade, e que deseja o bem para seu rei e país, executar esse desígnio, com o mesmo vigor, como se
não existisse Oficial algum".

(6) "Mas essa é apenas uma pretensão: O verdadeiro objetivo é ganhar dinheiro, dando informações".

Isso é o que tem sido, freqüentemente e redondamente, afirmado, mas sem a menor sombra de
verdade. O contrário pode ser provado por milhares de exemplos: Nenhum membro da Sociedade toma
qualquer parte do dinheiro, o qual é, pela lei, repartido ao informante. Eles nunca fizeram no começo; nem
qualquer um deles alguma vez recebeu alguma coisa para suprimir ou privar as informações deles. Esse é
um outro erro, se não, uma calúnia proposital, já que não existe o menor fundamento.

(7) "Mas esse objetivo é impraticável. Os vícios se erguem, de tal maneira, que é impossível suprimi-
lo; especialmente por esses meios. O que pode um punhado de pobres pessoas fazer, em oposição ao
mundo?".

"Com os homens é impossível, mas não com Deus". E eles confiam, não em si mesmos, mas nele.
Sejam, então, os patrocinadores dos vícios, sempre tão fortes, para Ele, esses não passam de gafanhotos. E
todos os meios são semelhantes a Ele: É a mesma coisa com Deus "liberto por muitos ou por poucos". O
82

pequeno número, entretanto, desses que estão do lado do Senhor é nada; nem o grande número daqueles que
são contra ele. Ainda que Ele faça o que lhe agrada; e "não exista deliberação ou força contra o Senhor".

(8) "Mas, se a finalidade que você planeja é realmente reformar os pecadores, você escolheu os
meios errados. É a Palavra de Deus que deve fazer isso, e não as leis humanas; e é trabalho dos Ministros,
não dos Magistrados; de qualquer forma, a aplicação desses pode apenas produzir uma reforma externa. Não
faz mudança alguma no coração".

É verdade que a Palavra de Deus é o meio principal e superior, por meio do qual, pode mudar os
corações, assim como as vidas dos pecadores, e faz isso, principalmente, através dos Ministros do
Evangelho. Mas é igualmente verdadeiro que o Magistrado é "um ministro de Deus"; e que ele é designado
de Deus "para ser o terror dos fazedores de mal", executando as leis humanas sobre eles. Se isso não muda o
coração, pelo menos, previne o pecado externo, o que é um ponto valioso ganho. Há, assim, menos desonra
feita a Deus; menos escândalo trazido sobre nossa santa religião; menos maldição ou reprovação para com
nossa nação; menos tentação colocada no caminho de outros; sim, e menos ira sobre os mesmos pecadores,
no dia da ira do Senhor.

(9) "Não apenas isso; já que muitos deles podem se tornar hipócritas, fingindo serem o que não são.
Outros, por serem expostos à vergonha, ou terem imputado neles despesas, podem se tornar impudentes e
sem esperança na maldade; de modo que, na realidade, nenhum deles se torna uma pessoa melhor; isso, se
não tornarem piores do que eram antes".

Isso é um erro por completo. Porque, (1) Onde estão esses hipócritas? Nós não conhecemos alguém
que tenha fingido ser o que não eram; (2) Expor os ofensores obstinados à vergonha, e imputando neles
despesas, não os torna sem esperança na ofensa, mas temerosos de ofender; (3) Algum deles, longe de se
tornarem piores, estão substancialmente melhores, tendo todo o teor de suas vidas sendo mudado. Sim, (4)
alguns mudaram interiormente, sempre "da escuridão para a luz, e do poder do diabo, para o poder de Deus".

(10) "Mas muitos não estão convencidos de que comprar ou vender no dia do Senhor é um pecado".

Se eles não estão convencidos, eles devem ser: já é mais do que hora de saberem. O caso é simples,
como a simplicidade pode ser. Porque, se uma brecha aberta e obstinada, tanto para a lei de Deus, quanto
para a lei da terra, não é pecado; por favor, diga-me o que é? E se tal brecha para as leis divinas e humanas
não é para ser punida, porque o homem não está convencido de que é um pecado, existe um fim para toda a
execução da justiça, e todos os homens podem viver como melhor lhe agradar.

(11) "Mas métodos brandos devem ser experimentados primeiro".

Eles devem: e, eles são. A repreensão branda, dada a todo ofensor diante da lei, é colocada em
execução contra ele; homem algum é processado, até que ele seja expressamente notificado de que esse será
o caso, a menos que ele impeça o processo, removendo a causa dele. Em toda situação, o método mais
brando é usado; o que a natureza da questão irá determinar; nem os meios mais severos são aplicados, a não
ser que isto seja absolutamente necessário a esta finalidade.

(12) "Mas, depois disso tudo mexer, no que diz respeito à reforma, qual o bem real que terá sido
feito?".

Inexprimível bem; e abundantemente mais do que qualquer um poderia esperar, em tão curto espaço
de tempo, considerando o pequeno número de instrumentos, e as dificuldades que eles encontrariam. Muitas
das ações más tinham sido prevenidas, e muito mais, removidas. Muitos pecadores tinham sido reformados
exteriormente, e mudado interiormente. A honra dele, de cujo nome somos testemunhas, tão abertamente
afrontada, tem sido abertamente defendida. E não é fácil determinar a quantidade e quão grandes bênçãos
essa pequena defesa, feita para Deus e a sua causa, contra seus inimigos audazes, já têm derivado sobre toda
83

a nossa nação. No todo, então, depois de toda objeção feita, homens razoáveis podem ainda concluir um
objetivo mais excelente, que raramente entrou no coração do homem.

III

(1) Mas como devem ser esses homens que se engajam em tais projetos?

Alguns podem imaginar que, qualquer um que deseje assistir nisso, deve rapidamente ser admitido; e
que o maior número de membros, quanto maior, será a influência deles. Mas isso, de forma alguma, é
verdadeiro: Na verdade, inegavelmente prova o contrário. Enquanto a Sociedade anterior para a Reforma
das Maneiras consistiu da escolha de membros apenas, embora nem muitos, nem ricos, nem poderosos, eles
abriram caminho, através de toda oposição, e foram eminentemente bem sucedidos, em todos os ramos de
empreendimentos deles; mas, quando um número de homens foi escolhido, menos criteriosamente, e foi
recebido, dentro da Sociedade, tornou-se cada vez menos útil, até que, por graus insensíveis, esses homens
definharam no nada.

(2) O número de membros, entretanto, não é mais para ser atendido por riqueza e eminência. Esse é
um trabalho de Deus. Ele é para ser empreendido, no nome de Deus, e por causa dele. Segue-se que homens
que, nem amam ou temem a Deus, não têm parte ou porção nesse propósito. "Por que tu tomas minha
aliança em tua boca?". Possa Deus dizer a qualquer um desses: "considerando que tu odeias ser reformado, e
tens lançado minhas palavras longe de ti?". Quem quer que, entretanto, viva em algum pecado conhecido,
não está capacitado para engajar-se no trabalho de reforma dos pecadores: Mais especialmente, se ele é
culpado, em alguma instância, ou, no último grau, de profanar o nome de Deus, comprando, vendendo ou
fazendo algum trabalho desnecessário, no dia do Senhor; ou ofendendo, em algumas dessas outras
instâncias, as quais essa sociedade é peculiarmente designada reformar. Não; não deixe que alguém que
necessite dessa reforma presuma intrometer-se com tal incumbência. Primeiro deixe que ele "arranque a
trava do próprio olho": que ele primeiro seja irrepreensível em todas as coisas.

(3) Nem isso será suficiente: Todo aquele que estiver engajado nele deve ser mais do que um homem
inofensivo. Ele deve ser um homem de fé; tendo pelo menos, tal grau daquela "evidência das coisas não
vistas", almejar não as coisas que são vistas, e que são temporais, mas aquelas que não são vistas, e que são
eternas; tal fé que produz um medo firme de Deus, com a resolução eterna, pela sua graça, de abster-se de
tudo aquilo que ele tem proibido, e fazer tudo o que ele tem ordenado. Ele irá, mais especialmente, precisar
daquele ramo particular de fé: a confiança em Deus. Essa é a fé que "remove montanhas"; que "extingue a
violência do fogo"; que abre caminho através de toda oposição; e capacita a permanecer contra, e "afugentar
milhares", sabendo em quem sua força se situa, e, mesmo quanto ele tem "a sentença da morte, em si
mesmo, confia nele que se ergueu de entre os mortos".

(4) Ele, que tem fé e confiança em Deus, irá, em conseqüência, ser um homem de coragem. E tal
coragem é altamente necessária a todo aquele que estiver engajado nesse empreendimento: já que muitas
coisas irão ocorrer, na execução dele, que são terríveis para a natureza; de fato, tão terríveis, que todo aquele
que "conferencia com a carne e o sangue" estará temeroso de conflitar-se com elas. Aqui, entretanto, a
coragem verdadeira tem seu lugar próprio, e é necessária no mais alto grau. E isso, tão somente a fé pode
fornecer. Um crente pode dizer: "Eu não temo a rejeição; nenhum perigo eu temo; nem começar a prova; já
que Jesus está por perto".

(5) Para a coragem, a paciência é a aliada mais próxima; uma cuida da maldade futura, a outra da
maldade presente. E o que quer que se envolva para continuar um objetivo dessa natureza, terá uma grande
oportunidade para isso. Já que, não obstante, toda sua correção, ele se achará na situação de Ismael: "sua
mão contra todo homem, e a mão de todo homem contra ele". E não é de se admirar: se for verdade, que
"todo aquele que viver a Palavra de Deus, deva sofrer perseguição", quão eminentemente deve isso ser
cumprido naqueles que, não contentes de viverem eles mesmos a Palavra, constrangem os descrentes a
também fazê-lo, ou, pelo menos, se absterem da incredulidade notória. Isso não é declarar guerra contra o
mundo? Colocar todos os filhos do mal na oposição? E não irá o próprio Satã, "o príncipe desse mundo, o
84

soberano da escuridão", por meio disso, mostrar toda sua sutileza e toda sua força, em defesa de seu
cambaleante reino? Quem poderá esperar que o leão que ruge, se submeterá, mansamente, a tirar a presa de
seus dentes? "Nós temos", entretanto, "de ter paciência; que, depois de fazermos a vontade de Deus, nós
possamos receber a promessa".

(6) E nós devemos estar certos de que nós podemos "segurar com firmeza" essa "profissão de nossa
fé, sem hesitar". Isto também deve ser encontrado, em todo aquele que se une a essa Sociedade; o que não é
uma incumbência para o "homem irresoluto"; por aquele que é "inconstante em seus caminhos". Ele, que é
como um junco trêmulo pelo vento, não é adequado para esse combate; o qual demanda um propósito firme
de alma, uma resolução constante e determinada. Aquele que atende a isso pode "colocar mãos à obra"; mas
quão logo ele irá "rememorar!". Ele pode, realmente, "suportar por um tempo; mas, quando a perseguição ou
tribulação"; problemas públicos ou pessoais, "erguerem-se por causa do trabalho, ele se sentirá
imediatamente ofendido".

(7) De fato, é difícil para qualquer um perseverar, em um trabalho tão desagradável, a menos que o
amor subjugue tanto a dor quanto o medo. E, por conseguinte, é um recurso valoroso que todo aquele que
esteja engajado nisso tenha o "amor de Deus derramado por todo seu coração"; para que estejam capacitados
a declarar que "nós o amamos, porque Ele nos amou primeiro". A presença Dele a quem suas almas amam,
irá tornar o trabalho leve. Eles poderão dizer, então, não da impetuosidade de uma imaginação exaltada, mas
com a mais extrema verdade e sobriedade: "Com tua convivência, eu esqueço, todo o tempo, e labuta, e
cuidado: O trabalho é descanso, e a dor é doce, enquanto tu, meu Deus, estás aqui".

(8) O que acrescenta ainda uma grande suavidade, mesmo para a labuta e dor, é o "amor cristão ao
nosso próximo". Quando eles "amam o próximo", isto é, toda a alma do homem, "como a si mesmos", como
suas próprias almas; quando "o amor de Cristo os constrange" a amar um ao outro, "assim como Ele nos
amou"; quando, assim como Ele "experimentou a morte, por causa de todo homem", eles estão "prontos a
colocar suas vidas por seus irmãos"; (incluindo, nesse número, a alma de todo aquele por quem Cristo
morreu), que possibilidade de perigo será capaz, então, de amedrontá-los de seus "trabalhos de amor?". Que
sofrimento eles não estarão prontos a suportar para salvar a alma de alguém das chamas eternas? Que
continuação de tarefa, desapontamento, e dor irão reprimir a resolução fixa deles? Eles não serão contra
toda repulsa fortalecidos, nunca se sentindo cansados do dia penoso e da noite mal sucedida; já que o amor
tanto "socorre" como "suporta" todas as coisas: de modo que a "misericórdia nunca fracasse?".
(9) O amor é necessário para todos os membros de tal Sociedade, por outro lado igualmente; mesmo
porque, ele "não se ensoberbece": ele produz não apenas coragem e paciência, mas humildade. E quão
necessário é isso para todo aquele que está tão engajado nessa tarefa! O que pode ser de maior importância
do que eles serem pequenos, e inferiores, e insignificantes, e desprezíveis a seus próprios olhos? Porque, do
contrário, pudessem eles pensar alguma coisa deles mesmos; pudessem eles imputar alguma coisa a si
mesmos; pudessem eles admitir alguma coisa de um espírito farisaico, "confiando em si mesmos que eles
são retos, e menosprezando outros"; nada poderia tender mais diretamente a subverter todo o desígnio. Uma
vez que, então, eles não poderiam apenas ter todo o mundo, mas também o próprio Deus, para lutar contra;
vendo que ele "deteria o orgulho, e daria graça" apenas "ao humilde". Profundamente consciente, entretanto,
deve todo membro dessa sociedade ser de sua própria insensatez, fragilidade e impotência; continuamente
implorando, com toda sua alma por Ele que sozinho tem sabedoria e força, com uma convicção inexprimível
de que "a ajuda que é feita sobre a terra, é o próprio Deus quem faz"; e que é Ele apenas "que opera em nós
o desejo e o fazer o que lhe agrada".

(10) Um ponto mais para quem quer que se engaje nesse objetivo deve estar profundamente impresso
em seu coração, isto é, que "a ira do homem não opera a retidão de Deus". Que o homem, entretanto,
aprenda Dele que foi manso e humilde; e que ele habite na mansidão, assim como na humildade: e "com
toda sua humildade e mansidão", que ele "caminhe meritório da vocação para a qual ele é chamado". Que
ele seja "gentil para com todos os homens", bons ou maus, por sua própria causa, por causa deles, por causa
de Cristo. Existem alguns "ignorantes ou fora do caminho?" Que ele tenha "compaixão" por eles. Eles
sempre se opõem à palavra e trabalho de Deus; sim, eles se colocam em ordem de batalha contra ele? Tanto
85

mais ele precisa "na mansidão, instruir aqueles que assim se opõem"; se, por acaso, eles puderem "escapar
da armadilha do diabo", e não mais se "tornarem cativo da vontade dele".

IV

(1) Das qualificações daqueles que são apropriados para engajar-se em tal empreendimento como
esse, eu continuo a mostrar, em Quarto Lugar, com que espírito e de que maneira ele deve ser
desempenhado. Com que espírito: Agora isso primeiro considera o motivo, que deve ser preservado em
cada passo que é dado; já que se, a qualquer tempo "a luz que há em ti for escurecida, quão grande será
aquela escuridão! Mas, se teu olho for único, todo teu corpo estará cheio de luz". Isto é, entretanto, para ser
continuamente lembrado, e transportado em toda palavra e ação. Nada deve ser falado ou feito – grande ou
pequeno -, com o objetivo de uma vantagem temporal; nada, com um objetivo de favor ou estima, de amor
ou de exaltação dos homens. Mas a intenção - o olho da mente - deverá estar sempre fixada na glória de
Deus e bem do homem.

(2) Mas o espírito com o qual todas as coisas devem ser feitas concerne ao temperamento, assim
como ao motivo. E isto não é outra coisa do que aquilo que foi descrito acima. Porque a mesma coragem,
paciência, e firmeza que qualificam um homem para o trabalho, deverão ser exercidas nele. Acima de tudo,
que ele "tome o escudo da fé": Isso irá extinguir milhares de dardos de fogo. Que ele manifeste toda a fé que
Deus tem lhe dado, em todo momento difícil. E que todos os seus feitos sejam realizados no amor: que isto
nunca seja arrancado dele. Nem deverão as águas agitadas extinguirem esse amor, nem as correntezas da
ingratidão submergi-lo. Que, igualmente, aquela mente humilde que estava em Cristo Jesus, também esteja
nele; sim, e que ele "seja coberto com humildade", preenchendo seu coração e adornando todo seu
comportamento. Ao mesmo tempo, que ele "se cubra de misericórdia, bondade e longanimidade"; evitando a
menor aparência de malícia, amargura, raiva ou ressentimento; sabendo que esse é nosso chamado, não para
"superar o mal com o mal, mas para superar o mal com o bem". Com o objetivo de preservar esse amor
humilde e gentil, é necessário fazer todas as coisas com reminiscência de espírito; em oposição a toda
pressa, ou dissipação de pensamento, assim como em oposição ao orgulho, à ira ou ao mau humor; Mas isso
não pode ser, ao contrário, preservado, do que por um "instante contínuo na oração", antes e depois de ele
entrar no campo, e durante toda a ação; e fazendo tudo, no espírito de sacrifício, oferecendo tudo a Deus,
através do Filho de seu amor.

(3) Com respeito à maneira de agir exterior, a regra geral é que seja expressiva desses temperamentos
interiores. Para ser mais particular: Que cada homem cuide de não "causar mal para que o bem possa vir".
Por conseguinte, "deixando de lado toda mentira, que todos os homens falem a verdade para seu próximo".
Não use de fraude ou malícia, tanto com o objetivo de detectar, como de punir qualquer homem, mas
"através da simplicidade e sinceridade divina" recomendar a si mesmo às consciências dos homens aos olhos
de Deus. É provável que, pela sua adesão à essas regras, menos ofensores sejam convencidos; mas tão mais
as bênçãos de Deus acompanharão todo o empreendimento.

(4) Mas que a inocência seja unida com a prudência, propriamente assim chamada; -- não aquele
fruto do inferno a que o mundo chama de prudência, e que é mera astúcia, esperteza e dissimulação; mas
com aquela "sabedoria que vem do alto", e que nosso Senhor peculiarmente recomenda a todo aquele que
promove seu reino sobre a terra. "Seja você, portanto, sábio como serpentes", enquanto você é "inofensivo
como pombos". Essa sabedoria irá instruir você a como adequar suas palavras com todo seu comportamento,
às pessoas com quem você terá de lidar; ao tempo, lugar, e às todas as outras circunstâncias. Isso irá instruí-
lo a eliminar as oportunidades de ofensa, mesmo daqueles que buscam ocasião para isso, e a fazer as coisas
de natureza mais ofensiva, da maneira menos ofensiva possível.

(5) Sua maneira de falar, particularmente aos ofensores, deve, todo o tempo, ser profundamente séria
(a fim de que não pareça ser insulto ou triunfo sobre eles); e, mais propriamente, propensa à preocupação;
mostrando que você tem pena deles, pelo que eles fazem; e simpatia para com eles, pelo que eles sofrem.
Que a aparência e o tom de sua voz, tanto quanto suas palavras, sejam imparciais, calmos e moderados; sim,
onde não se assemelhariam à dissimulação, mesmo que gentis e amigáveis. Em alguns casos, onde suas
86

palavras serão recebidas como elas significam, você pode reconhecer a disposição com que você os tolera;
mas ao mesmo tempo, (para que eles não pensem que procedem do medo, ou de qualquer inclinação
errônea), professando a sua intrepidez, e resolução inflexível para objetar e punir vícios ao extremo.

(1) Resta apenas fazer algumas aplicações do que tem sido falado; em parte, a você que já está
engajado nessa tarefa; em parte, a todo aquele que teme a Deus; e, mais especialmente, a eles que amam,
assim como, o temem. Com respeito a você que já está engajado nesse trabalho, o primeiro conselho que eu
daria é que você considere profundamente e calmamente a natureza de seu empreendimento. Conhecendo o
seu meio; estando completamente familiarizado com o que você tem à mão; considerando as objeções as
quais são feitas a toda a sua incumbência; e, antes de prosseguir, estar convencido de que aquelas objeções
não têm peso real: Assim sendo, todo homem pode agir já que ele está completamente persuadido em sua
própria mente.

(2) Em segundo lugar, eu aconselho a você a não estar com pressa de aumentar seu número: E, em
acrescentando, a isso, que você não considere riqueza, prestígio, ou qualquer outra circunstância exterior;
apenas com respeito às qualificações acima descritas. Inquirindo diligentemente, se a pessoa proposta tem
um comportamento irrepreensível, e se ele é um homem de fé, coragem, paciência, firmeza; se ele é um
amante de Deus e homem. Se for assim, ele irá acrescentar à sua força, tanto quanto ao seu número: Se não,
você irá perder com ele, mais do que irá ganhar; porque você irá desagradar a Deus. E não esteja temeroso
de purgar fora do seu meio, qualquer um que não responda ao caráter precedente. Dessa forma, diminuindo
seu número, você irá aumentar sua força: você será "instrumento adequado para o uso de seu Mestre".

(3) Em terceiro lugar, eu aconselho você a estreitamente observar por qual motivo você, a qualquer
tempo, age ou fala. Cuidando, para que sua intenção não seja manchada com qualquer consideração ao
proveito e reconhecimento. O que quer que você faça, "faça-o para o Senhor; como os servos de Cristo. Não
almeje agradar a si mesmo, em qualquer ponto, mas agradar a Ele de quem você é, e a quem você serve. Que
seu olho seja único, do começo ao fim; o olho de Deus apenas em toda palavra e obra".

(4) Em quarto lugar, eu aconselho você, a observar que você faça tudo, com um temperamento
correto; com humildade e suavidade; com paciência e gentileza, em conformidade com o Evangelho de
Cristo. Dê cada passo, confiando em Deus, com o espírito mais terno e amoroso de que você seja capaz.
Nesse meio tempo, esteja atento sempre contra toda precipitação e dissipação de espírito; e ore sempre, com
toda sinceridade e perseverança, para que sua fé não fracasse. E não permita que alguma coisa interrompa
este espírito de sacrifício de tudo que você tem e é; de tudo que você suporta e faz, e que ele possa ser uma
oferta de aroma perfumado a Deus, através de Jesus Cristo!

(5) Para a maneira de agir e falar, eu aconselho a você a fazê-lo com toda inocência e simplicidade;
prudência e seriedade. Acrescentando a essas, toda calma e moderação possíveis; mais ainda, toda ternura
que o caso merecer. Você não deve comportar-se como carniceiros ou carrascos; mas como cirurgiões
preferivelmente; aquele que dá ao paciente não mais dor do que seja necessária para a cura. Para esse
propósito, cada um, igualmente, tem necessidade da "mão de uma lady, com um coração de um leão".
Assim, muito devem, mesmo aqueles aos quais você está constrangido a punir, "glorificar a Deus no dia da
visitação".

(6) Eu exorto todos vocês que temem a Deus, já que vocês sempre esperam encontrar misericórdia
nas mãos dele; já que vocês temem serem encontrados (embora vocês não saibam disso) "lutando contra
Deus", que, em qualquer circunstância, razão, ou pretensão que seja, tanto diretamente, quanto
indiretamente, não se oponham ou impeçam tão misericordioso desígnio, e algo tão condutivo para sua
glória. Mas isso não é tudo: se vocês amam a humanidade; se vocês cobiçam diminuir os pecados e misérias
do seu próximo, poderão vocês satisfazer a si mesmos; poderão vocês ser limpos diante de Deus, por
meramente não se oporem a isso? Vocês não estão também compelidos, pela aliança mais sagrada, "já que
vocês têm a oportunidade, a fazer o bem a todos os homens?" E aqui não existe a oportunidade de vocês
87

fazerem o bem a muitos, mesmo o bem da mais alta espécie? Em nome de Deus, então, abracem essa
oportunidade! Ajudem a fazer esse bem; se não, por outro lado, ainda que através das orações sinceras por
aqueles que estão imediatamente empregados nesta tarefa. Auxiliá-los de acordo com a sua habilidade, a
custear os gastos que, necessariamente, atendem a ela, e que, sem a assistência das pessoas misericordiosas,
seria um peso que eles não poderiam suportar. Ajudá-los, se puderem, sem inconveniência, através de
subscrições trimestrais ou anuais. Pelo menos, assistindo-os agora, usando a presente hora, fazendo o que
Deus coloca em seus corações. Que não seja dito que vocês viram seu irmão trabalhando para Deus, e sem
auxiliá-los, com um de seus dedos. Nesse caminho, entretanto, "venha ajudar ao Senhor; ajudar o Senhor
contra o poderoso!".

(7) Eu tenho a mais alta pretensão com respeito a você que ama, tanto quanto teme a Deus. Aquele a
quem você teme; aquele a quem você ama, tem qualificado você para promover seu trabalho, da maneira
mais excelente. Porque você ama a Deus, você ama também o seu irmão: Você ama, não apenas seus
amigos, mas seus inimigos; não apenas os amigos de Deus, mas também os inimigos dele. Você "se vestiu,
como eleito de Deus, de humildade, gentileza, e longanimidade". Você tem fé em Deus, e em Jesus Cristo a
quem ele enviou; a fé que supera o mundo: E, por meio disto, você subjuga tanto a vergonha do diabo,
quanto aquele "medo do homem que traz a armadilha"; de modo que você pode se colocar com coragem,
diante daqueles que o desdenham, e não tomam conhecimento do seu trabalho. Qualificado, então, como
você está, e armado para a luta, você será como os filhos de Efraim, "que arrearam os cavalos, e arcos, e
voltaram atrás no dia da batalha?". Você irá deixar alguns de seus irmãos permanecerem sozinhos, contra
todos os hóspedes dos forasteiros?

Oh! Não diga que "essa é uma cruz bastante pesada; eu não tenho forças ou coragem para suportá-
la!". Verdade; você mesmo, não: Mas você que crê, "pode fazer todas as coisas, através de Cristo que o
fortalece". "Se tu podes crer, todas as coisas são possíveis àquele que crê". Nenhuma cruz é tão pesada para
ele suportar; sabendo que eles que "sofrem com ele, reinam com ele".

Não diga, "além disso, eu não posso suportar por ser excepcional". Então, você não pode entrar no
reino dos céus! Ninguém pode entrar lá, a não ser através de um caminho estreito; e todos os que caminham
nele são singulares.

Não diga, "mas eu não posso tolerar a reprovação, o nome odioso de um informante". E existiu
algum homem que salvou sua alma, que não tenha sido um exemplo e um provérbio de reprovação? Nem tu
podes salvar a tua alma, a menos que aceites, de boa vontade, que os homens possam dizer toda sorte de
coisas más sobre ti.

Não diga, "mas se eu estiver ativo nesse trabalho, eu irei perder, não apenas, minha reputação, mas
meus amigos, meus clientes (no caso de comerciantes), meu trabalho, meu sustento; de maneira que eu serei
levado ao empobrecimento". Tu não irás; tu não podes: isto é absolutamente impossível, a menos que o
próprio Deus escolha isso; já que seu "reino está sobre tudo", e "mesmo os cabelos de tua cabeça são todos
contados". Mas, se a sabedoria e a graciosidade de Deus escolher isso para ti, você irá murmurar ou queixar-
se? Irá você preferivelmente dizer, "o cálice que meu Pai me deu, eu não devo beber?". Se você "sofrer pela
causa de Cristo, feliz você será; o Espírito da glória e de Deus descansará sobre você".

Não diga, "eu iria sofrer todas as coisas, mas minha esposa não consentiria nisso; e, certamente, um
homem deve deixar pai e mãe e tudo o mais, para unir-se à sua esposa". Verdade; tudo, a não ser Deus; tudo,
a não ser Cristo: Ele não deve deixar Deus, pela sua esposa! Ele não pode deixar esse trabalho, sem ser
realizado, por causa de um ente querido. O próprio nosso Senhor tem dito, nesse sentido, "se algum homem
ama seu pai, ou mãe, ou esposa, ou filhos, mais do que a mim, ele não é merecedor de mim!".

Não diga, "bem, eu poderia renunciar a tudo por Cristo; mas um dever não deve impedir o outro; e
isso poderia freqüentemente impedir meu atendimento à adoração pública". Algumas vezes, provavelmente,
pode ser. "Vá, então, e aprenda o que isso significa, eu irei ter misericórdia e não sacrifício". E, o que quer
88

que esteja perdido, por mostrar essa misericórdia, Deus irá recompensar sete vezes outro tanto em teus
desejos secretos.

Não diga, "Mas, eu posso ferir minha própria alma. Eu sou um homem jovem, e estar em contato
livremente com mulheres, irá me expor à tentação". Sim, se você fez isso, com suas próprias forças, ou para
seu próprio prazer. Mas este não é o caso. Você confia em Deus; e você almeja agradar somente a ele. E se
ele pode chamar você, mesmo no meio de uma fornalha fervente, "embora tu caminhes através do fogo, tu
não serás queimado; nem as chamas incidirão sobre ti". "Verdade; se ele me chamar para dentro da fornalha;
mas eu não vejo que eu tenha sido chamado para isso". Talvez, você não esteja disposto a ver isso.
Entretanto, se tu não fostes chamado antes, eu te chamo agora, em nome de Cristo: Tome a tua cruz, e o
siga! Não raciocine mais com a carne e o sangue, mas resolva participar da mesma sorte com os mais
desprezados, os mais mal-afamados dos seguidores dele; a imundície e refugo do mundo! Eu chamo a ti, em
particular, que, uma vez, tornou forte a mão deles, quando voltastes atrás. Tome coragem! Seja forte!
Preencham a alegria deles, retornando com o coração e mão! Deixe transparecer que tu "partistes por um
tempo, e que eles deveriam receber-te novamente, para sempre".

Oh! Não seja "desobediente ao chamado dos céus!". E, assim como para todos vocês que sabem para
o que foram chamados, considerem todas as coisas perdidas, de modo que vocês possam salvar uma alma
pela qual Cristo morreu! E, nisso, "não deixe nada para o dia seguinte", mas "lance todas as suas
preocupações nele, que se preocupa com você!". Confie suas almas, corpos, e tudo o mais, a ele, "como a
um Criador misericordioso e fiel!".

[Depois disso, e da Sociedade ter subsistido, por diversos anos, e feito inexprimível bem, ela foi
totalmente destruída por uma sentença dada contra ela, no tribunal do Rei, com um prejuízo de trezentas
libras. Eu duvido que um relato severo permaneça para as testemunhas, o juro e todos que foram
constrangidos neste caso terrível!]

SOBRE A MORTE DO REV. SR. GEORGE WHITEFIELD

Pregado na Capela em Tottenham-Court Road e no Tabernáculo, perto de Moorfields, no Domingo,


18 de Novembro de 1770.

"Quem contará o pó de Jacó e o número da quarta parte de Israel? Que a minha alma morra da
morte dos justos, e seja o meu fim como o seu".(Números 23:10)

1. "Que meu fim seja como o dele!". Quantos de vocês se unem a este desejo? Talvez, existam
poucos de vocês que não, até mesmo, nesta numerosa congregação! E, Ó, que este desejo possa repousar
sobre suas mentes! – que ele não morra, até que suas almas também habitem "onde o perverso cessou de
perturbar, e onde o exausto descansa!".

2. Uma exposição elaborada do texto não será esperada nesta ocasião. Ela o reteria, muito tempo, do
pensamento muito agradável de nosso amado irmão, amigo, e pastor; sim, e pai também: porque quantos
estão aqui, aos quais ele "procriou no Senhor!". Não será mais adequado às suas inclinações, assim como
para esta solenidade, falar diretamente deste homem de Deus, a quem vocês tão freqüentemente ouviram
falar neste lugar? – a finalidade daquelas conversas, vocês sabem: "Jesus Cristo, o mesmo ontem, e hoje, e
para sempre". E nós não podemos:

I. Observar alguns particulares de sua vida e morte?


II. Ter alguns vislumbres de seu caráter?
III. Inquirir em como podemos melhorar esta terrível providência, sua súbita remoção de nós?

I
89

1. Nós podemos, Em Primeiro Lugar, observar alguns poucos particulares de sua vida e morte. Ele
nasceu em Gloucester, em Dezembro de 1714, e matriculou na escola de gramática lá, com por volta de doze
anos. Quando fez dezessete, ele começou a ser seriamente religioso, e serviu a Deus, no melhor de seu
conhecimento. Por volta dos dezoito, ele se transferiu para a Universidade, e foi admitido no Pembroke
College em Oxford; e um ano depois, tornou-se familiarizado com os Metodistas (assim chamados), aos
quais, desde aquele tempo, ele amou como sua própria alma.

2. Através deles, ele foi convencido de que nós "devemos nascer novamente", ou que a religião
exterior não nos traria proveito algum. Ele juntou-se a eles nos jejuns às quartas e sextas-feiras; no visitar o
doente e prisioneiros; e em reunir os vários fragmentos de tempo, para que nenhum momento pudesse ser
perdido: e mudou o curso de seus estudos; lendo principalmente tais livros que entravam no âmago da
religião e conduzia diretamente a um conhecimento experimental de Jesus Cristo, e Ele crucificado.

3. Ele logo foi tentado como com fogo. Não apenas sua reputação foi perdida, e alguns dos seus mais
queridos amigos desistiram dele; mas ele foi experimentado com provações interiores, e estas do tipo mais
severo. Muitas noites, ele se deitou sem sono em sua cama; muitos dias, prostrado no chão. Mas depois que
gemeu diversos meses, sob o "espírito da escravidão", Deus se agradou de remover-lhe o fardo pesado;
dando-lhe "o Espírito de adoção"; capacitando-o, através da fé viva, a se agarrar ao "Filho do Seu amor".

4. No entanto, pensou-se necessário, para a recuperação de sua saúde, que estava enfraquecida, que
ele fosse para o campo. Ele, concordantemente foi para Gloucester, onde Deus o capacitou para despertar
diversos jovens. Esses, logo se reuniram em uma pequena sociedade, e foram alguns dos primeiros frutos do
seu trabalho. Pouco tempo depois, ele começou a ler, duas ou três vezes por semana, para alguns pobres na
cidade; e todos os dias, ele lia e orava com os prisioneiros na cadeia do condado.

5. Estando agora por volta de vinte e um anos de idade, foi-lhe solicitado que entrasse nas ordens
santas. Disto, ele estava grandemente temeroso, profundamente consciente de sua própria insuficiência. Mas
o próprio bispo enviou-lhe convite e lhe disse: "Embora eu tenha proposto ordenar ninguém com menos de
vinte e três anos, ainda assim, eu ordenarei você, quando quer que você venha" –- e diversas outras
circunstâncias providenciais ocorreram –- ele ofereceu-se, e foi ordenado no Domingo da Trindade, em
1736. No domingo seguinte, ele pregou para um auditório lotado, na igreja em que foi batizado. A semana
seguinte, ele retornou para Oxford, e recebeu seu grau de Bacharel: ele estava agora completamente
ocupado; o cuidado com os prisioneiros e os pobres caiu principalmente sobre ele.

6. Mas não muito tempo depois, ele foi convidado a Londres, para servir ao curato de um amigo que
ia para o interior. Ele continuou lá dois meses, habitando na Torre, lendo orações na capela, duas vezes por
semana, catequizando e pregando uma vez, além de visitar os soldados nos acampamentos e enfermaria. Ele
também lia orações, todas as tardes, na capela em Wapping, e pregava na prisão de Ludgate, toda terça-feira.
Enquanto ele esteve aqui, cartas vieram de seus amigos da Geórgia, que o fizeram desejar ajudá-los: mas
não visualizando claramente seu chamado, no momento designado, ele retornou para sua pequena
responsabilidade em Oxford, onde diversos jovens se encontravam diariamente em sua sala, para edificarem
uns aos outros em sua mais santa fé.

7. Mas ele rapidamente recebeu convite de lá novamente, para suprir o curato de Dummer, em
Hampshire. Aqui, ele lia orações, duas vezes ao dia; cedo na manhã, e à tarde, depois que as pessoas vinham
do trabalho. Ele também catequizava diariamente as crianças, e fazia visitas de casa em casa. Ele agora
dividia o dia em três partes, distribuindo proporcionalmente oito horas para o sono e refeições, oito horas
para estudo e isolamento, e oito horas para ler as orações, catequizar, e visitar as pessoas. Existe uma
maneira mais excelente de servir a Cristo e Sua Igreja? Se não, quem "seguirá o exemplo e fará o mesmo?".

8. Ainda assim, sua mente se inquietava em sair fora de casa; e estando agora completamente
convencido de que ele foi chamado por Deus para isto, ele colocou todas as coisas em ordem, e, em Janeiro
de 1737, partiu para se despedir dos seus amigos em in Gloucester. Foi nesta jornada, que Deus começou a
abençoar seu ministério de uma maneira incomum. Onde quer que ele pregasse, multidões espantosas de
90

ouvintes se reuniram, em Gloucester, em Stonehouse, em Bath, em Bristol; de modo que o calor das igrejas
dificilmente era suportável: e as impressões feitas nas mentes de muitos não eram menos extraordinárias.
Depois de seu retorno a Londres, enquanto ele esteve detido pelo general Oglethorpe, de semana a semana, e
de mês a mês, agradou a Deus abençoar a sua palavra ainda mais. E ele foi infatigável em seu trabalho:
geralmente aos domingos, ele pregava quatro vezes, para os excessivamente grandes auditórios; além de ler
as orações, duas ou três vezes, e caminhar de um lado para outro, freqüentemente dez ou doze milhas.

9. Em 28 de Dezembro, ele deixou Londres. Foi no dia 29, que ele primeiro pregou, sem
apontamento. Em 30 de Dezembro, ele embarcou; mas foi acima de um mês antes, que ele fez-se ao largo.
Um efeito feliz de suas muito vagarosas passagens, ele menciona no mês de Abril seguinte: "Abençoado seja
Deus, que nós agora vivemos muito confortavelmente em uma grande cabine. Nós falamos nada mais do
que Deus e Cristo; e escassamente uma palavra é ouvida, em nosso meio, quando juntos, mas o que tem
referência a nossa queda, no primeiro Adão, e nosso novo nascimento, no Segundo". Parece, igualmente, ter
sido uma providência peculiar que ele pudesse passar pouco tempo em Gibraltar; onde ambos cidadãos e
soldados, alto e baixo; jovem e idoso, reconheceram o dia da visitação deles.

10. Do domingo, 7 de Maio de 1738, até final de Agosto seguinte, ele "fez prova completa de seu
ministério", na Geórgia, particularmente, em Savana: onde leu orações e expôs duas vezes ao dia, e visitou
os doentes diariamente. No domingo, ele explanou às cinco da manhã; às dez, leu as orações e pregou, e às
três da tarde; e às sete da tarde, expôs o Catecismo da Igreja. Quão mais fácil é para nossos irmãos, no
ministério, quer na Inglaterra, Escócia, ou Irlanda, encontrar falhas, com tal trabalhador na vinha do Senhor,
do que seguir seu exemplo!

11. Foi, neste momento, que ele observou a condição deplorável de muitas crianças aqui; e Deus
colocou em seu coração o primeiro pensamento de fundar um Orfanato, para o qual ele determinou levantar
contribuições na Inglaterra, se Deus pudesse dar a ele um salvo retorno de lá. Em Dezembro seguinte, ele
retornou para Londres; e, no domingo, 14 de Janeiro de 1739, ele foi ordenado sacerdote, na Igreja de
Cristo, em Oxford. No dia seguinte, veio para Londres novamente; e no domingo dia 21, pregou duas vezes.
Mas, embora as igrejas fossem largas, e excessivamente cheias, ainda assim, muitas centenas permaneceram
no pátio da igreja, e centenas mais retornaram para suas casas. Isto colocou sobre ele o primeiro pensamento
de pregar ao ar livre. Mas, quando ele mencionou isto a seus amigos, eles julgaram ser mera loucura: assim,
ele não levou isto em execução, até depois que ele deixou Londres. Foi na quarta-feira, 21 de Fevereiro, que,
encontrando todas as portas da igreja fechadas em Bristol (além de que não havia igreja capaz de conter
metade da congregação), às três da tarde, ele foi para Kingswood, e pregou fora de casa, para
aproximadamente duas mil pessoas. Na sexta-feira, ele pregou lá para quatro ou cinco mil; no domingo para,
supõe-se, dez mil! O número continuamente crescendo todo o tempo em que ele esteve em Bristol, e a
chama do amor santo foi acesa, o que não facilmente seria apagada. A mesma chama foi, mais tarde, acesa
em várias partes de Gales, de Gloucestershire, e Worcestershire. Na verdade, onde quer que ele esteve, Deus
abundantemente confirmou a palavra de seu mensageiro.

12. No domingo, dia 29 de Abril, ele pregou, pela primeira vez, em Moorfields, e em Kennington
Common; e os milhares de ouvintes estavam tão quietos, como se eles estivessem na igreja. Novamente
detido na Inglaterra, por vários meses, ele fez pequenas excursões nos diversos condados, e recebeu as
contribuições de multidões desejosas de um Orfanato na Geórgia. O embargo que estava agora colocado
sobre a embarcação, deu a ele folga para mais jornadas, através das várias partes da Inglaterra, pelo que
muitos terão razão de dar graças a Deus, por toda a eternidade. Por fim, em 14 de Agosto, ele embarcou:
mas ele não aportou na Pensilvânia, até 30 de Outubro. Mais tarde, ele foi, através da Pensilvânia, para
Jersey, Nova York, Maryland, Virgínia, Carolina do Norte; pregando continuamente para as imensas
congregações, com tão grandes e completos efeitos, como na Inglaterra. Em 10 de Janeiro de 1740, ele
chegou em Savana.

13. Em 29 de Janeiro, ele acrescentou três órfãos desamparados, para perto de vinte que ele tinha em
sua casa antes. No dia seguinte, ele colocou o alicerce para a nova casa, por volta de dez milhas de Savana.
Em 11 de Fevereiro, ele ingressou quatro órfãos mais; e partiu para Frederica, com o objetivo de mandar vir
91

os órfãos que estavam nas partes sul da colônia. Em seu retorno, ele fixou uma escola, para os filhos e
pessoas adultas, em Darien. E trouxe quatro órfãos de lá. Em 25 de Março, ele colocou a primeira pedra do
Orfanato; para o qual, com grande propriedade, ele deu o nome de Bethesda [significa "casa da
misericórdia"]; uma obra para a qual os filhos ainda não nascidos deveriam louvar ao Senhor. Ele tinha
agora por volta de quarenta órfãos, de maneira que havia perto de centenas de bocas para serem alimentadas
diariamente. Mas ele não "se preocupou com nada", colocando seus cuidados sobre Ele que alimenta os
corvos jovens que chamam por Ele.

14. Em Abril, ele fez uma outra viagem, através da Pensilvânia, os Jerseys, e Nova York. Multidões
inacreditáveis reuniram-se para ouvir, em meio aos quais havia abundância de negros. Em todos os lugares,
a maior parte dos ouvintes era afetada a um grau espantoso. Muitos foram profundamente convencidos de
seu estado de perdição; muitos verdadeiramente se converteram a Deus. Em alguns lugares, milhares
clamaram alto; muitos quando nas agonias da morte; a maioria afundava-se em lágrimas; alguns
empalideciam como na morte; outros retorciam suas mãos; outros caíam ao chão; outros se afundavam nos
braços de seus amigos; quase todos levantavam seus olhos e clamavam por misericórdia.

15. Ele retornou para Savana, em 5 de Junho. Na tarde seguinte, durante o serviço público, o todo da
congregação, jovem e idoso, estavam dissolvidos em lágrimas: depois do serviço, diversos dos paroquianos
e todos os seus familiares, particularmente, as crianças pequenas, retornaram para casa, clamando por toda a
estrada, e alguns não puderam ajudar orando em voz alta. Os gemidos e gritos das crianças continuaram toda
a noite, e grande parte do dia seguinte.

16. Em Agosto, ele partiu novamente, e através de várias províncias veio para Boston. Enquanto
esteve aqui, e nos lugares vizinhos, ele esteve extremamente fraco no corpo; ainda assim, multidões de
ouvintes eram tão grandes, e os efeitos produzidos neles tão espantosos, como os mais antigos, então, vivos
na cidade, nunca viram ou ouviram anteriormente. O mesmo poder atendeu suas pregações em Nova York,
particularmente no domingo, dia 2 de Novembro: quase tão logo ele começou, clamor, choro e lamentos
eram ouvidos de todos os lados. Muitos sucumbiram ao chão, quebrantados no coração; e muitos foram
preenchidos com a consolação divina. Em direção ao fim de sua jornada, ele fez esta reflexão: "Este é o
septuagésimo quinto dia, desde que eu cheguei em Rhode Island, excessivamente fraco no corpo; ainda
assim, Deus me capacitou a pregar cento e setenta e cinco vezes em público, além de exortar
freqüentemente em privado! Nunca Deus concedeu-me maiores confortos: nunca eu executei minhas
jornadas com menos fadiga, ou vi tal continuidade da divina presença nas congregações para as quais eu
preguei". Em Dezembro, ele retornou para Savana, e em Março seguinte chegou na Inglaterra.

17. Você pode facilmente observar, que o relato precedente é extraído principalmente de seu próprio
Diário, que, por causa da simplicidade natural e simples deles, pode rivalizar com alguns escritos do tipo. E
que exemplo exato é este de seus trabalhos, tanto na Europa quanto na América, para a honra de seu amado
Mestre, durante os trinta anos que se seguiram, assim como da ininterrupta chuva de bênçãos, na qual Deus
se agradou de produzir de seus trabalhos! Não é para se lamentar muito, que alguma coisa tivesse impedido
sua continuidade deste relato, até, pelo menos, perto do momento em que ele foi chamado pelo seu Senhor,
para deleitar-se dos frutos de seu trabalho? Se ele tivesse deixado alguns papéis deste tipo, e seus amigos me
relatassem digno de honra, seria minha glória e alegria sistematizar, transcrever, e prepará-los para o
conhecimento público.

18. Um relato particular da última cena de sua vida é dada por um cavalheiro de Boston:--

"Depois de aproximadamente um mês conosco em Boston, e sua adjacência, e pregando todos os


dias, ele foi para Velha York; pregou na quinta-feira, 27 de Setembro, lá; prosseguiu para Portsmouth, e
pregou na sexta-feira. No sábado de manhã, ele partiu para Boston; mas antes que viesse para Newbury,
onde ele tinha se comprometido a pregar na manhã seguinte, ele foi importunado a pregar pelo caminho. A
casa não sendo larga, o suficiente, para conter as pessoas, ele pregou em um campo aberto. Mas tendo
estado enfermo, por diversas semanas, isto exauriu suas forças, de maneira que quando ele veio para
Newbury, ele não pôde sair da embarcação, sem a ajuda de dois homens. À tarde, no entanto, ele recuperou
92

sua vivacidade, e apareceu com sua usual alegria. Ele foi para seus aposentos às nove; ele fixou tempo, o
que nenhuma companhia poderia fazê-lo mudar de idéia, e dormiu melhor do que tinha feito, por algumas
semanas antes. Ele se levantou às quatro da manhã, no dia 30 de Setembro, e foi para seu closet, e sua
companhia observou que ele estava demorando, de maneira incomum, em seu privativo. Ele deixou seu
closet, retornou para sua companhia, atirou-se na cama, e ficou por volta de dez minutos. Então, ele caiu de
joelhos, e orou mais fervorosamente a Deus, para que, se fosse consistente com a vontade Dele, ele pudesse
aquele dia terminar a obra de seu Mestre. Ele, então, desejou que seu ajudante chamasse o Sr. Parsons, o
clérigo, em cuja casa ele estava; mas, um minuto antes que o Sr. Parson pudesse chegar até ele, morreu,
sem um suspiro, ou gemido. Nas notícias de sua morte, seis cavalheiros partiram para Newbury, com o
objetivo de trazer seus restos mortais para cá: mas ele não poderia ser removido; de modo que suas
preciosas cinzas devem permanecer em Newbury. Centenas teriam vindo desta cidade para atender seu
funeral, não tivessem eles esperado que fosse enterrado aqui... Que este golpe seja santificado para a Igreja
de Deus, em geral, e para esta província em específico!".

II

1. Em Segundo Lugar, vamos tomar algumas visões de seu caráter. Uma pequena delineação disto foi
logo depois publicada, na Gazeta de Boston; um extrato do qual está anexo: -- ["Pouco pode ser dito dele,
mas o que todo amigo do Cristianismo vital, aquele se colocou sob seu ministério irá atestar".]

"Em seus trabalhos públicos ele, por muitos anos, espantou o mundo com sua eloqüência e devoção.
Com que compaixão divina ele persuadiu o impenitente pecador a abraçar a prática da devoção e virtude!
[Preenchida com o espírito da graça, ele] falou do coração, e com um zelo fervente, talvez, sem paralelo,
desde o dia dos Apóstolos [adornadas as verdades, ele entregou com o mais gracioso fascínio de retórica e
oratória]. Do púlpito ele não teve rival no comando de um auditório superlotado. Nem ele foi o menos
agradável e instrutivo em sua conversação privada; feliz em uma notável facilidade de endereçar-se;
disposto a comunicar, cuidadoso para edificar. Pode a geração que surge pegar uma faísca daquela chama
que brilhou, com tal brilho distinto, no espírito e prática deste servo fiel do Altíssimo Deus!".

2. Um caráter dele mais específico e igualmente justo apareceu em um dos documentos ingleses.
Pode não ser enfadonho a você acrescentar à essência deste igualmente:- -

"O caráter desta pessoa verdadeiramente devota deve ser [profundamente] imprimida no coração de
todo amigo da religião vital. A despeito de sua constituição terna [e delicadeza], ele continuou até o fim de
sua vida, pregando, com a freqüência e fervor, que parecia exceder a força natural do mais robusto. Sendo
chamado ao exercício de sua função, em uma idade, em que a maioria dos jovens está apenas começando a
qualificar-se para isto, ele não teve tempo para um progresso considerável nas linguagens aprendidas. Mas
este defeito foi amplamente suprido por uma índole viva e fértil, por um zelo fervente, e por uma
convincente e mais persuasiva elocução. E, embora no púlpito ele freqüentemente achasse necessário,
através 'dos terrores do Senhor, persuadir homens', ele tinha nada de melancólico em sua natureza; sendo
singularmente alegre, assim como caridoso e de bom coração. Ele esteve tão pronto a aliviar as
necessidades corpóreas e espirituais daqueles que apelaram a ele".

"Deve também ser observado que ele constantemente reforçava, junto à sua audiência, toda
obrigação moral; particularmente diligência em seus diversos chamados, e obediência aos seus superiores.
Ele se empenhou, através dos esforços mais extraordinários pregar, em diferentes lugares, e, até mesmo, em
campos abertos, para estimular as pessoas de classe mais baixa, do último grau de desatenção e
ignorância, para um senso de religião. Para isto, e seus outros trabalhos, o nome de GEORGE
WHITEFIELD será lembrado por muito tempo com estima e veneração".

3. Que ambos esses relatos são justos e imparciais, prontamente se admitirá, ou seja, tão longe quanto
eles forem. Mas eles vão um pouco mais além do que o exterior do seu caráter. Eles mostram a vocês o
pregador, mas não o homem, o cristão, o santo de Deus. Posso acrescentar um pouco sobre este assunto, de
um conhecimento pessoal de quase quarenta anos: Na verdade, eu estou totalmente consciente quão difícil é
93

falar sobre assunto tão delicado; mas a prudência requer evitar, ambos os extremos, para dizer nem tão
pouco, nem muito! Não. Eu sei que é impossível falar, afinal; dizer tanto mais quanto menos, sem atrair de
alguns o padrão; de outros, as recentes censuras. Alguns irão seriamente pensar que muito pouco é dito; e
outros, que é muito. Mas, sem atentar para isto, eu falarei exatamente o que sei, diante Dele a quem nós
todos deveremos prestar contas.

4. Menção já tem sido feita de seu zelo sem paralelo; sua atividade infatigável; sua sensibilidade para
com o aflito, e caridade em direção ao pobre. Mas nós devemos igualmente mencionar sua profunda gratidão
a todos que Deus usou como instrumentos do bem para ele? – dos quais ele não cessou de falar, da maneira
mais respeitosa, até mesmo, no dia de sua morte. Nós não devemos mencionar que ele tinha um coração
suscetível à mais generosa e terna amizade? Eu freqüentemente tenho ensinado que isto, de todas as outras,
foi a parte distinta de seu caráter. Quão poucos, nós temos conhecido, de tão delicado temperamento, de tão
largas e harmoniosas afeições! Não foi principalmente por isto, que os corações de outros estavam tão
estranhamente mergulhados e unidos a ele? Pode alguma coisa, a não ser o amor, produzir amor? Isto se
refletia em seu próprio semblante, e continuamente exalava em todas as suas palavras, quer em público ou
privado. Não foi isto que, rápido e penetrante como a luz, fluiu de coração a coração? Que deu aquela vida
aos seus sermões, suas conversações, suas cartas? Vocês são testemunhas!

5. Mas, fora com a vil interpretação errônea de homens de mentes corruptas, que não conhecem o
amor, mas o que é mundano e sensual! Que seja lembrado, ao mesmo tempo, que ele foi dotado com a mais
doce e pura modéstia. Seu ofício o chamou a conversar muito freqüentemente e largamente com mulheres,
assim como com homens; e esses de todas as idades e condições. Mas todo seu comportamento em direção a
eles foi uma observação prática sobre aquele conselho de Paulo a Timóteo: "Trate as mulheres mais idosas,
como mães, e as mais jovens, como irmãs, com toda pureza".

6. Entretanto, quão adequado às afabilidades de seu espírito foi a franqueza e clareza de sua
conversação! – embora estivesse tão longe da rudeza, por um lado, assim como da fraude [e dissimulação]
de outro. Não foi esta franqueza, uma vez, o fruto e prova de sua coragem e intrepidez? Armado com esses,
ele não temeu as faces dos homens, mas "usou de grande clareza de discurso", com pessoas de todo nível e
condição, alta ou baixa; rica ou pobre; esforçando-se apenas "pela manifestação da verdade, recomendar-se
a toda consciência humana, aos olhos de Deus".

7. Nem ele esteve temeroso de trabalho ou dor, mais do que "o que o homem [poderia] fazer a ele";
sendo igualmente paciente, em suportar o mal, e fazer o bem. E isto pareceu na firmeza com que ele
diligenciou o que ele empreendeu fazer, por amor a seu Mestre. Testemunhem um exemplo de todos: -- o
Orfanato na Geórgia, que ele começou e concluiu, a despeito de todos os desencorajamentos. Na verdade, no
que dissesse respeito a si mesmo, ele era complacente e flexível. Neste caso, era "fácil de ser solicitado";
fácil de ser, tanto convencido quanto persuadido. Mas era imutável nas coisas de Deus, ou onde quer que sua
consciência estivesse interessada. Ninguém poderia persuadi-lo, não mais do que aterrorizá-lo a mudar, no
menor ponto, daquela integridade que foi inseparável de todo seu caráter, e regulou todas as suas palavras e
ações. Nisto ele permaneceu como um pilar de ferro forte, e firme como um muro de bronze.

8. Se for inquirido qual foi o alicerce desta integridade, ou de sua sinceridade, coragem, paciência, e
todas as outras valiosas e agradáveis qualidades, é fácil dar uma resposta. Não foi a excelência de seu
temperamento natural, nem a força de seu entendimento; não foi a força da educação; não, nem o conselho
de seus amigos; não foi outro do que a fé no Senhor que sangra; "fé daquela operação de Deus". Foi a
"esperança viva da herança incorruptível, imaculada, e que não desaparece". Foi "o amor de Deus,
espalhado por todo seu coração, através do Espírito Santo, que foi dado junto a ele", preenchendo sua alma
com amor terno e desinteressado por todo filho do homem. Desta fonte, ergueu-se aquela torrente de
eloqüência que freqüentemente fez cair todos diante dela; disto, desta força de persuasão espantosa que a
maioria dos ouvintes endurecidos não pôde resistir. Isto foi o que freqüentemente fez sua "cabeça como
águas, e seus olhos como uma fonte de lágrimas". Esta foi o que o capacitou a derramar sua alma em oração,
de uma maneira específica a ele mesmo, com tal plenitude e facilidade, unidas com tal força e variedade,
ambas de sentimento e expressão.
94

9. Eu posso encerrar este assunto, observando que honra agradou a Deus colocar sobre este servo
fiel, permitindo-lhe declarar Seu Evangelho eterno, em tantas regiões, para tais números de pessoas, e com
tão grande efeito sobre muitas de suas preciosas almas! Nós lemos ou ouvimos de alguma pessoa, desde os
Apóstolos, que testificaram o Evangelho da graça de Deus, através de um espaço tão amplamente estendido,
através de tão larga parte do mundo habitado? Nós lemos ou ouvimos de alguma pessoa, que chamou tantos
milhares, tantas miríades de pecadores ao arrependimento? Acima de tudo, temos lido ou ouvido de alguém
que tenha sido instrumento abençoado, nas mãos Dele, em trazer tantos pecadores "das trevas para a luz; do
poder de satanás, para o poder de Deus?". É verdade, fôssemos falar assim para o mundo festivo, nós
seriamos julgados por falarmos como bárbaros. Mas vocês entendem a linguagem da região a qual vocês
estão indo, e da qual nosso querido amigo foi, pouco antes de nós.

III

Mas como devemos melhorar esta terrível providência? Esta é a terceira coisa que nós temos que
considerar. E a resposta a esta importante questão é fácil (possa Deus escrevê-la em todos os nossos
corações!) Mantendo-nos próximos às grandes doutrinas que ele entregou, e bebendo em seu espírito.

1. E, Em Primeiro Lugar, vamos nos manter próximos às grandes doutrinas bíblicas que ele em
todos os lugares declarou. Existem muitas doutrinas, de uma natureza menos essencial, com respeito às
quais, até mesmo os filhos sinceros de Deus (tal é o presente estado de fraqueza do entendimento humano)
estão e têm estado divididos por muitas eras. Nessas, nós podemos pensar e deixar pensar; nós podemos
"concordar em discordar". Mas, entretanto, vamos abraçar as essências "da fé que uma vez foi entregue aos
santos"; e que este campeão de Deus, tão fortemente insistiu a respeito, em todos os tempos, e em todos os
lugares!

2. Seu ponto fundamental foi: "Dê a Deus toda a glória do que quer que seja bom no homem"; e, "na
tarefa da salvação, coloque Cristo tão alto, e o homem tão baixo, quanto possível". Com este ponto, ele e
seus amigos em Oxford, os originais Metodistas, assim chamados, puseram-se a caminho. O grande
princípio deles era, não existe poder (pela natureza) e no mérito do homem. Eles insistiram: todo poder para
pensar, falar, e agir corretamente, está no Espírito de Cristo, e origina-se Dele; e todo mérito (não no
homem, por maior que seja na graça, mas meramente) no sangue de Cristo. Assim, ele e eles ensinaram: não
existe poder no homem, até que seja dado a ele do alto, fazer alguma boa obra, falar alguma boa palavra, e
formar um bom desejo. Porque não é suficiente dizer, todos os homens estão doentes do pecado: não, nós
estamos todos "mortos nas transgressões e pecados". Segue-se que, todos os filhos dos homens são, "pena
natureza, filhos da ira". Nós somos todos, "culpados diante de Deus", e propensos à morte temporal e eterna.

3. E nós estamos todos desamparados, ambos com respeito ao poder e à culpa do pecado. "Porque
quem tira uma coisa limpa da impureza?". Ninguém menos do que o Altíssimo. Quem pode ressuscitar
esses dos mortos; espiritualmente mortos no pecado? Ninguém, a não ser Ele que nos ressuscita do pó da
terra. Mas em consideração a que, Ele fará isto? "Não pelas obras de retidão que fizermos". "O morto não
pode louvar a Ti, Ó, Senhor"; nem fazer coisa alguma, pelo seriam ressuscitados para a vida. O que quer,
portanto, que Deus faça, Ele faz meramente por causa do seu bem-amado Filho: "Ele foi ferido por nossas
transgressões; Ele foi injuriado por nossas iniqüidades". Ele mesmo "carregou nossos pecados em seu
próprio corpo no madeiro". Ele "foi entregue por nossas ofensas, e ressuscitou novamente por nossa
justificação". Aqui, então, está a única causa meritória de todas as bênçãos que nos desfrutamos e podemos
desfrutar; em específico, de nosso perdão e aceitação com Deus; de nossa completa e livre justificação. Mas,
por quais meios nós nos tornamos interessados no que Cristo tem feito e sofrido? "Não pelas obras, a fim de
que homem nenhum se vanglorie"; mas pela fé somente. "Nós concluímos", diz o Apóstolo, "que um homem
é justificado pela fé, sem as obras da lei". E "a tantos quanto" assim "O recebam, Ele dá poder para torná-
los filhos de Deus; certamente, àqueles que acreditam em Seu nome; que são nascidos, não da vontade do
homem, mas da vontade de Deus".
95

4. E, "exceto que o homem seja", desta forma, "nascido do Espírito", ele tem "o reino de Deus nele".
Cristo estabeleceu Seu reino em seu coração; "retidão, paz, e alegria no Espírito Santo". "A mente que
estava em Cristo, está nele", capacitando-o a "caminhar como Cisto também caminhou". O Espírito que
habita nele o torna ambos, santo no coração, e "santo em todo modo de vida". Mas, ainda assim, vendo tudo
isto, como um dom livre, através da retidão e sangue de Cristo, existe eternamente a mesma razão para
lembrar que "Ele que glorifica, que ele glorie-se no Senhor".

5. Vocês não são ignorantes de que essas são as doutrinas fundamentais, nas quais ele insistiu a
respeito, em todos os lugares. E elas não podem ser resumidas, por assim dizer, em duas palavras, -- o novo
nascimento e a justificação pela fé? A respeito destas, permitam-nos insistir, com toda ousadia, em todos os
tempos, e em todos os lugares, -- em público (aqueles de nós, chamados para isto), e em todas as
oportunidades em particular. Fiquem perto dessas boas, velhas e antiquadas doutrinas, por mais que muitos
contradigam e blasfemem. Sigam, meus irmãos, em "nome do Senhor, e no poder de Sua força". Com todo
cuidado e diligência, "mantenham ileso o que é confiado aos seus cuidados"; sabendo que "céus e terra
passarão, mas esta verdade não passará".

6. Mas será suficiente manter-se próximo à suas doutrinas, por mais puras que elas sejam? Não existe
um ponto de ainda maior importância do que isto, ou seja, beber de seu espírito? – ser, aqui, um seguidor
dele, até mesmo, como ele foi de Cristo? Sem isto, a pureza de nossas doutrinas apenas aumentaria nossa
condenação. Esta, portanto, é a coisa principal – tomar como modelo seu espírito. E admitindo que, em
alguns pontos, devemos estar contentes em admirar o que nós não pudermos imitar; sim, em muitos outros,
nós podemos, através da mesma graça livre, ser parceiros da mesma bênção. Cônscios, então, de suas
próprias necessidades e de Seu amor abundante, aquele que "dá livremente, e não censura", clame a Ele que
opera tudo em todos, pela medida da mesma fé preciosa; do mesmo zelo e atividade; as mesmas justiças de
misericórdias, bondade, benevolência. Luta com Deus, pelo mesmo grau de temperamento afetivo, grato,
amigável; da mesma franqueza, simplicidade e sinceridade santas; "amor sem dissimulação". Pelejem, até o
poder do alto operar em vocês a mesma coragem e paciência, firmes; e, acima de tudo, porque é a coroa de
tudo, a mesma integridade invariável.

7. Existe algum outro fruto da graça de Deus, com que ele foi eminentemente dotado, e a necessidade
do qual, em meio aos filhos de Deus, ele freqüentemente e veementemente lamentou? Existe um, que é o
amor universal; aquela afeição terna e sincera que é devida a todos aqueles que têm razão para acreditar que
são filhos de Deus, pela fé; em outras palavras, todos aqueles, em toda persuasão, que "temem a Deus e
operam a retidão". Ele desejou ver todos que "testaram da boa palavra"; do verdadeiro espírito universal;
uma palavra pouco entendida e ainda assim menos experimentado, por muitos que a têm freqüentemente em
suas bocas. Quem é este que responde a este caráter? Quem é o homem de um espírito universal? Alguém
que ama, como amigos, como irmãos no Senhor, como parceiros unidos do presente reino do céu, e co-
herdeiros de Seu reino eterno, todos, de qualquer que seja a opinião, modo de adoração, ou congregação, que
crêem no Senhor Jesus; que amam a Deus e ao homem; que, se regozijando em agradar, e temendo ofender a
Deus, são cuidadosos para absterem-se do mal, e zelosos das boas obras. É um homem de um espírito
verdadeiramente católico, aquele que suporta todos esses continuamente sobre seu coração; aquele que,
tendo uma ternura inexplicável para com essas pessoas, e um desejo sincero do bem-estar dela, não cessa de
recomendá-los a Deus em oração, assim como de defender a causa deles diante de homens; quem fala
confortavelmente com ele, e trabalha, através de todas as suas palavras, para fortalecer suas mãos em Deus.
Ele os assiste, no extremo de seu poder, em todas as coisas espirituais e temporais; ele está pronto a "gastar-
se e deixar-se gastar", por eles; sim, "a colocar sua vida a disposição de seus irmãos".

8. Quão amável caráter é este! Quão desejável a todo filho de Deus! Mas, por que, então, ele é tão
raramente encontrado? Como é que existem tão poucos exemplos dele? Na verdade, supondo-se que
tenhamos testado do amor de Deus, como pode algum de nós descansar, até que ele seja nosso? Porque,
existe um conselho delicado, por meio do qual, satanás persuade milhares que ele pode parar de repente, e,
ainda assim, livrar-se de culpa. Seria bom, se muitos aqui presentes não tivessem, nesta "armadilha do
diabo, se tornado cativos de sua vontade". "Ó, sim", diz alguém, "eu tenho todo este amor por aqueles que
eu acreditam sejam filhos de Deus; mas eu nunca acreditarei que seja filho de Deus, quem pertence àquela
96

vil congregação! Você pensa que pode ser um filho de Deus, aquele que mantém tais opiniões detestáveis?
Ou ele que toma parte em tais adorações estúpidas e supersticiosas, se não, idólatras?". Assim, nós
podemos justificar a nós mesmos, em um pecado, acrescentando um segundo a ele! Nós desculpamos a
necessidade de amor, em nós mesmos, colocando a culpa em outros! Para colorir nosso próprio
temperamento diabólico, nós declaramos que nossos irmãos são do diabo! Ó, fiquem longe disto! – e, se
vocês já foram pegos na armadilha, escapem dela, tão logo quanto possível! Vão e aprendam que o
verdadeiro amor universal "não se apressa", ou se impacienta em julgar; aquele amor que "não pensa mal";
que "crê e espera todas as coisas"; que permite aos outros, o que desejamos que os outros nos façam! Então,
tomaremos conhecimento da graça de Deus que está em todo homem, qualquer que seja sua opinião ou
modo de adoração; então, todos que temem a Deus serão próximos e queridos a nós "nas justiças de Jesus
Cristo".

9. Não é este o espírito de nosso querido amigo? E por que ele não seria o nosso? Ó, Tu, Deus do
amor, por quanto tempo, Teu povo deve ser um provérbio, em meio aos ateus? Por quanto tempo, eles
zombarão de nós, e dirão: "Veja como esses cristãos amam uns aos outros!". Quando Tu rolarás fora nossa
vergonha? A espada deverá devorar para sempre? Por quanto tempo, antes que Tu ordenes a Teu povo que
deixe de "perseguir uns aos outros?". Agora, pelo menos, "que todo o povo fique quieto, e não persiga seus
irmãos mais!". Mas o que quer que os outros façam, que todos nós, meus irmãos, ouçamos a voz dele que,
estando morto, ainda assim fala! Suponham ouvi-lo dizer: "Agora, pelo menos, sejam vocês meus
seguidores, como eu fui de Cristo! Que irmão não mais levante a espada contra irmão; nem vocês saibam
mais guerrear!". Antes, coloquem em vocês, como eleitos de Deus, sensibilidade misericordiosa, humildade
de mente, delicadeza fraternal, gentileza, longanimidade, indulgência uns para com os outros no amor. Que
o tempo passado tenha sido suficiente para a disputa, inveja, contenda; para reprimir e devorar um ao outro.
Abençoado seja Deus, que vocês, há muito, não têm consumido um ao outro! Doravante, mantenham-se na
unidade do Espírito, no laço da paz.

10. Ó, Deus, Junto a Ti, nenhuma palavra é impossível! Tu fazes o que quer que te agrade! O, se tu
fizesses o manto de Teu profeta, a quem tu levas para o alto, agora cair sobre nós que ficamos! "Onde está o
Deus de Elias?". Que seu espírito descanse junto a estes Teus servos! Mostre que Tu és Deus que responde,
através do fogo! Que o fogo do Teu amor caia sobre todo coração! E porque nós amamos a Ti, que amemos
uns aos outros, com um "amor mais forte que a morte!". Tira fora de nós "toda raiva, ira, e amargura; todo
clamor e maledicência!". Que Teu Espírito, assim, descanse junto a nós, para que, desde este momento,
possamos ser "delicados uns com os outros, bondosos de coração, perdoando um ao outro, como Deus, por
causa de Cristo nos perdoou!".

[(Mateus 25:21) "E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel,
sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor"].

Hino – "Servant of God, well done!"

"Servos de Deus, bravo!" / "Bem está, servo bom e fiel"

Servant of God, well done! Servo de Deus, bravo!


Thy glorious warfare‘s past; Tua gloriosa luta passou
The battle‘s fought, the race is won, A batalha está feita, a corrida, ganha
And thou art crowned at last. E tu foste coroado finalmente

Of all thy heart‘s desire De todo desejo de teu coração


Triumphantly possessed; triunfantemente dotado;
Lodged by the ministerial choir Abrigado pelo coro ministerial
In thy Redeemer‘s breast. No seio de teu Redentor

In condescending love, No amor condescendente


Thy ceaseless prayer He heard; Tua oração incessante, Ele ouviu;
97

And bade thee suddenly remove E ordenou tua repentina remoção


To thy complete reward. Para tua completa recompensa

Ready to bring the peace, Pronto para trazer a paz,


Thy beauteous feet were shod, Teus belos pés foram calçados,
When mercy signed thy soul‘s release, Quando a misericórdia marcou o alivio de tua alma
And caught thee up to God. E o elevou até Deus.

With saints enthroned on high, Com os santos, entronado no alto,


Thou dost thy Lord proclaim, Tu proclamas teu Senhor.
And still to God salvation cry, E ainda clamas a Deus pela salvação,
Salvation to the Lamb! Salvação ao Cordeiro!

O happy, happy soul! Ó, feliz, feliz alma!


In ecstasies of praise, Em êxtase de louvor
Long as eternal ages roll, Longo como as eras eternas
Thou seest Thy Savior‘s face. Tu vês a face de Teu Salvador.

Redeemed from earth and pain, Redimido da terra e dor,


Ah! when shall we ascend, Ah! Quando nós deveremos ascender,
And all in Jesus‘ presence reign E todos na presença de Jesus reinar
With our translated friend? Com nosso amigo arrebatado

Come, Lord, and quickly come! Vem, Senhor, e vem rapidamente!


And, when in Thee complete, E, quando em Ti perfeito,
Receive Thy longing servants home, Recebes teus servos saudosos em casa,
To triumph at Thy feet. Para triunfarem aos Teus pés

[A edição Sugden inclui as edições nos colchetes dentro do texto] [Introdução de Sugden]:

George Whitefield morreu em Newburyport, Massachusetts, trinta milhas de Boston, em 30 de


Setembro de 1770, na casa paroquial Presbiteriana [presbitério], que ainda está preservado. Ele foi enterrado
em uma cripta funerária, sob o púlpito da casa de reunião Presbiteriana, em 2 de Outubro, conforme sua
vontade; e em 1828, um cenotáfio [memorial] foi erguido na igreja, com uma inscrição adequada: Sob a data
de 10 de Novembro de 1770, Wesley diz: "Eu retornei para Londres, e as notícias melancólicas da morte
do Sr. Whitefield, confirmada por seus testamenteiros, que pediram-me para pregar seu sermão fúnebre, no
domingo dia 18". [Este foi seu próprio desejo. "Se você morrer, fora de casa", disse Sr. Keen, "quem nós
teremos para pregar seu sermão fúnebre? Deverá ser seu velho amigo, Rev. John Wesley?". Esta questão
foi freqüentemente colocada, e sempre freqüentemente, Whitefield respondia: "Ele é o homem"]. "Com o
objetivo de escrever isto, eu me retirei para Lewisham, na segunda-feira; e no domingo seguinte, fui para a
capela, em Tottenham Court Road. Uma imensa multidão se aglomerou de todos os cantos da cidade. Eu
estava, a princípio, temeroso que grande parte da congregação não conseguisse ouvir; mas agradou a Deus
fortalecer minha voz, de maneira que mesmo aqueles na porta ouviram distintamente. Foi um momento
maravilhoso. Tudo estava quieto como a noite; a maioria pareceu estar profundamente afetada; e uma
impressão, que alguém poderia esperar não se apagaria rapidamente, foi causada em muitos. No
Tabernáculo, o tempo designado para meu início foi cinco e meia, mas ele estava completamente cheio às
três horas; assim, eu comecei às quatro. A princípio, o barulho estava excessivamente grande; mas cessou,
quando comecei a falar; e minha voz estava novamente tão fortalecida que todos que estavam dentro
puderam ouvir, exceto algum barulho acidental obstruindo aqui e ali, por poucos momentos. Ó, que todos
possam ouvir a voz Dele, com quem estão as questões da vida e morte; e que, em voz gritante, através desse
golpe inesperado, clama a todos os Seus filhos, para amarem uns aos outros". Na sexta-feira seguinte, ele
repetiu o sermão no Tabernáculo em Greenwich para uma congregação superabundante. Novamente, em 2
de Janeiro de 1771, ele pregou em Deptford "um tipo de sermão fúnebre para o Sr. Whitefield. Em todos os
lugares, eu desejo mostrar todo respeito possível pela memória daquele grande e bom homem".
98

Não se deve esquecer que, neste mesmo tempo, Wesley esteve no centro da controvérsia com o Rev.
Walter Shirley e os pregadores da Condessa de Huntingdon, a respeito das famosas Atas de 1770, nas quais
Wesley colocou claramente as diferenças entre suas visões e aquelas dos Calvinistas. Foi muito pelo crédito,
ambos dos amigos do Sr. Whitefield e de Wesley que não foi permitido que isto interferisse com aquele
convite, para ele pregar o sermão, nem com seu próprio reconhecimento afetuoso e incansável da gratidão e
bondade de seu colaborador que partira. Na verdade, eles nunca permitiram que a diferença de opinião,
desde a disputa em 1741, interrompesse o amor e estima, mútuos; eles concordavam diferir, e, ainda assim,
amavam um ao outro.

O sermão foi, ao mesmo tempo, publicado em Londres; e uma reimpressão foi editada em Dublin,
também datada de 1770, com um hino adicional, "Glória e graças e amor"; e foi colocado, mais
recentemente, nos sermões no volume IV (1771). Uma ataque acalorado foi feito sobre ele no Magazine
Evangelho de Fevereiro de 1771, provavelmente, pelo Sr. Romaine. Ele primeiro objetou o texto. "Quão
impróprio", ele diz, "aplicar as palavras de um profeta louco a tão santo homem como Sr. Whitefield!'. É
claro que a resposta de Wesley foi óbvia: ele não aplicou as palavras ao Sr. Whitefield, mas a si mesmo; e
ele ironicamente diz: "Nada seria mais adequado do que para Balaão junior usar as palavras de seu
antepassado; certamente um pobre réprobo pode, sem ofensa, desejar morrer como um dos eleitos!". A
parte mais séria do ataque foi sobre a afirmação em III (5), de que "as doutrinas fundamentais na qual o Sr.
Whitefield insistiu" foram "o novo nascimento e justificação pela fé". Romaine, ao contrário, afirma que "as
grandes doutrinas fundamentais, que ele pregou em todos os lugares, foram a aliança eterna entre o Pai e o
Filho, e absoluta predestinação fluindo disto".

Wesley responde: (1) "Que o sr. Whitefield não pregou esses em todos os lugares. Em todos os
momentos, eu mesmo o ouvi pregar, e nunca o ouvir afirmar uma sentença quer de um ou de outro. Sim, em
todos os momentos que ele pregou na Capela West Street, e em quatro outras capelas, através da Inglaterra,
ele não pregou essas doutrinas, afinal; não, nem um simples parágrafo". (2) "Que ele não pregou o novo
nascimento e justificação pela fé, em todos os lugares. Ambos, na Capela West Street e em todas as nossas
outras capelas, através da Inglaterra, ele não pregou a necessidade do novo nascimento e justificação pela fé,
tão claramente, como ele tem feito em seus dois volumes de sermões impressos".

Wesley não era ignorante das diferenças entre ele e Whitefield, com respeito à predestinação; mas,
mais propriamente neste sermão, enquanto ele reconhece (iii.I) que existem diferenças de opiniões entre os
filhos de Deus, ele enfatiza os pontos de concordância; e o que quer que Whitefield possa ter acreditado a
respeito dos graus eternos, nenhum homem, alguma vez, pregou uma salvação completa e livre mais
constantemente e efetivamente do que ele. A única solução desta dificuldade deve ser encontrada no
reconhecimento de que as duas visões opostas representam os dois lados de uma verdade, que nosso
entendimento finito não é capaz de sintetizar; mas que nós podemos, não obstante, aceitar, exatamente como
aceitamos a Unidade na Trindade, na Divindade, ou na pessoa humana-divina de nosso Senhor.

Incidentalmente, aprendemos da réplica de Wesley a Romaine que um dos hinos cantados no serviço
foi o de Charles Wesley: "Recuar a mão fria diante da morte", dos Hinos Breves nas Passagens
Selecionadas (1762), agora número 823 no Hinário Metodista; o outro foi, sem dúvida, o anexado ao
sermão, "Servo de Deus, Bravo!", escrito por Charles Wesley para esta ocasião, e publicado como "Um Hino
sobre a Morte do Rev. Sr. Whitefield", na terceira (póstuma) série dos Hinos Fúnebres. O hino anexado à
edição Dublin do sermão é o número 42, na segunda série dos Hinos Fúnebres, publicados em 1759 (edição
Osborn das Obras Poéticas, vi. 285).

A Capela Tottenham Court Road Chapel, ou Tabernáculo de Whitefield, como foi freqüentemente
chamado, permaneceu no lado oeste da rodovia, entre a rua Tottenham e Howland. O lugar era, então,
cercado por campos e jardins, e havia apenas duas casas para o norte dele. A pedra de fundação foi colocada
por Whitefield em Junho de 1756, e ele a inaugurou em 7 de Novembro, do mesmo ano. Logo se certificou
que era muito pequeno e foi ampliado em 1759. Uma abóbada foi preparada sob a capela, na qual Whitefield
pretendeu que ambos, ele mesmo e os dois Wesleys pudessem ser enterrados; mas seu desejo não foi
99

cumprido. Em 1890, a construção foi tombada e reerguida. [Ela é agora conhecida como a Missão Central de
Whitefield].

O Tabernáculo foi originalmente um galpão de madeira, ao norte de Upper Moorfields, perto da


Fundição de Wesley, aberto em 1741; em 1753, ele foi substituído por uma construção de tijolo, aquela em
que este sermão foi pregado à tarde. Esta foi usada por mais de um século, e foi, então substituída por um
Tabernáculo, na esquina da Rua Tabernacle e Leonard, Finsbury, que ocupou o lugar antigo. O antigo
púlpito, do qual Wesley pregou nesta ocasião, foi conservado. [A construção é agora usada para propósitos
comerciais].

[Editado por Scott Denfeld, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
de George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

SOBRE A ETERNIDADE

―Para todo o sempre, tu és Deus‖. (Salmos 90:2)

1. Eu, de bom grado, falaria deste maravilhoso assunto, --- eternidade. Mas como podemos
compreendê-lo em nosso pensamento? Ele é tão vasto, que a mente estreita do homem está completamente
incapacitada disto. Mas ele não carrega alguma afinidade com outra coisa incompreensível, -- a imensidão?
O espaço, embora uma coisa imaterial, pode ser comparada com a duração de outra coisa imaterial? O que é
a imensidão? Ela é um espaço infinito. Ela é de duração infinita.

2. Eternidade tem geralmente sido considerada como divisível em duas partes; que são denominadas
de eternidade, a parte anterior e a parte posterior, -- ou seja, em Inglês claro, aquela eternidade que é
passado, e aquela eternidade vindoura. E não parece existir uma insinuação desta distinção no texto? ―Tu és
Deus desde sempre‖: -- Aqui está uma expressão daquela eternidade que é passado: ―Para sempre‖ – Aqui
está uma expressão daquela eternidade que é vindoura. Talvez, na verdade, alguns possam pensar que não é
estritamente apropriado dizer que existe uma eternidade que é passado. Mas o significado é facilmente
entendido: Nós queremos dizer, por meio disto, a duração que não tem começo: quanto à eternidade
vindoura, aquela duração que não tem fim.

3. É Deus apenas (para usar a linguagem sublime das Escrituras) quem ―habita a eternidade‖, em
ambos os sentidos. O grande Criador apenas (não alguma de suas criaturas) é ―de sempre a sempre‖. Sua
duração apenas, já que ela não teve começo, então não pode ter algum fim. Nesta consideração é que alguém
fala assim, ao endereçar-se a Emanuel, Deus conosco: --

Salve, Deus o Filho, com glória, coroado


Prévio ao tempo, que começou a existir,
Entronizado com Sua Vossa Majestade,
Por metade da esfera
Da ampla eternidade!

E novamente --
Salve, Deus o Filho, com glória, coroado
Prévio ao tempo, que deixará de existir;
Entronizado com o Pai,
Por toda a esfera,
De toda a eternidade!
100

4. ―Antes que o tempo existisse‖, -- Mas o que é o tempo? Não é fácil dizer, tão freqüentemente
quanto nós temos a palavra em nossas bocas. Nós não sabemos o que ele propriamente é. Não podemos
satisfatoriamente defini-lo.Mas ele não é, no mesmo sentido, um fragmento da eternidade, interrompido em
ambas as extremidades? – aquela porção de duração, que começou quando o mundo foi criado, que
continuará por quanto tempo este mundo durar, e, então, expirará para sempre? – aquela porção dele, que é,
no momento, medido pelo movimento do sol e planetas; estendendo-se (por assim dizer), entre duas
eternidades, a que é passado, e a que é vindoura. Mas, tão logo os céus e terras passarem da face Dele, que
se senta no grande trono branco, o tempo não mais existirá; mas mergulhará para sempre no oceano da
eternidade!

5. Mas, através de que meios, pode um homem mortal, uma criatura de um dia, formar alguma idéia
da eternidade? O que podemos encontrar, no limite da natureza, para ilustrar isto? Com o que podemos
comparar isto? O que existe que carrega alguma semelhança com isto? Não parece existir alguma espécie de
analogia, entre a duração ilimitada, e o espaço infinito? O grande Criador, o Espírito infinito, habita, tanto
em um, quando no outro. Esta é uma de suas peculiares prerrogativas: ―Eu não preencho céu e terra, diz o
Senhor?‖ – sim, não apenas as regiões mais extremas da criação, mas toda a expansão do espaço infinito!
Entretanto, quantos dos filhos dos homens podem dizer:

Veja, numa estreita língua de terra,


Em meio a dois mares ilimitados, eu permaneço,
Seguro, inconsciente!
Um instante do tempo, um espaço momentâneo,
Remova-me para aquele lugar celestial,
Ou me encarcere no inferno!

6. Mas, deixando um desses mares infinitos para o Pai da eternidade, a quem somente a duração, sem
começo, pertence, vamos nos concentrar na duração sem fim. Este não é um atributo incomunicável do
grande Criador; mas ele se agradou graciosamente de tornar inumeráveis multidões de suas criaturas,
parceiras dela. Ele tem concedido isto, não apenas aos anjos, e arcanjos, e todas as companhias do céu, que
não são pretendidos morrer, mas glorificarem a ele, e viverem em sua presença para sempre; mas também
para os habitantes da terra, que habitam em casas de barro. Seus corpos, de fato, estão ―destruídos diante da
traça‖; mas suas almas nunca morrerão; Deus as fez, como o escritor antigo fala, para sem ―retratos de sua
própria eternidade‖. Na verdade, todos os espíritos, nós temos motivos para acreditar, estão vestidos com a
imortalidade; tendo nenhum principio interior de corrupção, e não estando inclinados à violência externa.

7. Talvez, possamos dar um passo além ainda: A própria matéria, assim como o espírito, não é em
um sentido eterna? Nem, na verdade, a parte precedente, como alguns filósofos insensatos, tanto antigos,
quanto modernos, têm sonhado. Não que alguma coisa tenha existido, desde a eternidade: observando-se
que, se fosse assim, deveria ser Deus; sim, deveria ser, através do Deus Único; porque é impossível que
houvesse dois Deuses, ou dois Eternos. Mas, embora nada além do grande Deus pode ter existido desde a
eternidade , -- ninguém mais possa ser eterno na parte precedente; ainda assim, não existe absurdo em supor
que todas as criaturas sejam eternas na parte posterior. Toda matéria, de fato, está continuamente mudando,
e isto em dez mil formas; mas ela ser mutável, de maneira alguma, implica que é perecível. A substância
pode permanecer uma e a mesma, embora sob inúmeras formas diferentes. É muito possível que alguma
porção da matéria possa separar-se em átomos dos quais ela foi originalmente composta: Mas que razão
temos para acreditar que algum desses átomos sempre foi, ou sempre será aniquilado? Ele nunca poderá, a
menos, através do poder incontrolável de seu todo-poderoso Criador. E é provável que Ele sempre exercerá
este poder em desfazer alguma das coisas que ele fez? Nisto também, Deus não é ―um filho do homem, para
que ele possa se arrepender‖. Na verdade, toda criatura debaixo do céu muda, e deve continuamente mudar
sua forma, o que nós podemos agora facilmente levar em consideração; uma vez que aparece claramente das
recentes descobertas, que o fogo etéreo entra na composição de cada parte da criação. Agora, isto é
essencialmente edax rerum [devorador do tempo]: É uma menstruum [substância], um discohere [solvente]
universal de todas as coisas debaixo do sol. Através desta força até mesmo os corpos mais fortes, os mais
firmes são dissolvidos. Do experimento repetidamente feito pelo grande Lorde Bacon, aparece que, até
101

mesmo os diamantes, através de um grau altíssimo de calor, pode virar pó: e que, em um grau ainda maior
(estranho como isto possa parecer), desaparecer totalmente. Sim, através disto os próprios céus serão
dissolvidos: ―os elementos deverão se derreter, com o calor fervente‖. Mas eles serão apenas dissolvidos, e
não destruídos; eles derreterão, mas não perecerão. Embora eles percam sua presente forma, ainda assim,
nem uma partícula deles perderá, alguma vez, sua existência; mas cada átomo deles permanecerá, sob uma
forma ou outra, para toda a eternidade.

8. Mas, ainda poderíamos inquirir: o que é esta eternidade? Como poderíamos emitir alguma luz
sobre este assunto difícil? Ele não pode ser o objeto de nosso entendimento. E com que parâmetro
poderíamos compará-lo? Quão infinitamente ele transcende todos esses! O que são quaisquer coisas
temporais, colocadas em comparação com aquelas que são eternas? Qual é a duração de um carvalho
longevo, de um castelo antigo, da Coluna de Trajano, do Anfiteatro de Pompéia? O que é a antigüidade das
Urnas de Tuscano, embora provavelmente mais antiga do que a fundação de Roma; sim, das Pirâmides do
Egito, supondo-se que elas tenham permanecido, por mais de três mil anos: -- quando colocados na balança
com a eternidade? Isto desaparece no nada. Mais ainda, qual é a duração das ―colinas eternas‖,
figurativamente assim chamada, que têm permanecido desde o dilúvio geral, se não, desde a fundação do
mundo, em comparação com a eternidade? Não mais do que uma insignificante cifra, Para ir mais além,
ainda: Considerem a duração, desde a criação dos primogênitos filhos de Deus, de Miguel, o Arcanjo, em
especial, do momento em que ele for incumbido de soar a sua trombeta, e proferir sua voz poderosa, através
da abóbada celeste: ―Levantem-se, vocês que estão mortos, e venham para o julgamento!‖. Não é um
momento, um ponto, um nada, em comparação à eternidade insondável? Acrescente a isto mil, um milhão de
anos, acrescente milhões de milhões de anos, ―antes que as montanhas surgissem, ou a terra e o mundo
redondo fosse feito‖: O que é tudo isto, em comparação com a eternidade, que é passado: Não é menos,
infinitamente menos do que um dia, uma hora, um momento, para um milhão de eras! Voltem atrás milhões
de anos ainda; mesmo assim, você não está nem perto do começo da eternidade.

9. Será que nós estamos mais capacitados a formar uma concepção mais adequada da eternidade
vindoura? Com este objetivo, vamos comparar isto com os diversos graus de duração, com os quais estamos
familiarizados – Uma efemérida vive seis horas; das seis da tarde à meia-noite. Esta é uma vida curta se
comparada com aquela de um homem, que continua sessenta ou oitenta anos; e isto em si mesmo é curto, se
comparado aos novecentos e sessenta e nove anos de Matusalém. Ainda assim, o que são esses anos, sim,
todos os que sucederam um ao outro, desde o tempo que os céus e a terra foram criados, até o tempo, quando
os céus passarão, e a terra com as obras dela serão queimadas, se compararmos isto com a extensão daquela
duração que nunca terá fim?

10. Com o objetivo de ilustrar isto, um falecido autor repetiu aquele admirável pensamento de
Cripriano: ―Suponha que existisse uma bola de areia, tão grande quanto o globo terrestre: suponha que um
grão desta areia fosse para ser aniquilado, reduzido a nada, em mil anos: ainda assim, todo aquele espaço
de duração, em que esta bola seria aniquilada, no caso de um grão, em mil anos, seria infinitamente menor,
em proporção à eternidade, duração sem fim, do que um simples grão de areia seria para toda a
magnitude!‖.

11. Para gravarem este ponto importante o mais profundamente em suas mentes, considerem uma
outra comparação: -- Suponham que o oceano seja tão amplo, de maneira a incluir todo o espaço entre a
terra e os céus estrelados. Suponham que uma gota deste fosse para ser aniquilada, em milhares de anos;
ainda assim, todo aquele espaço de duração, em que este oceano seria aniquilado, no caso de uma gota em
mil anos, seria infinitamente menor em comparação com a eternidade, do que uma gota de água para todo
aquele oceano.

Observem, então, estes espíritos imortais, se eles estão neste ou no outro mundo. Quando eles
deverão ter vivido milhares de milhares de anos, sim, milhões de milhões de eras, a duração deles será como
se apenas começando: Eles estarão apenas no limiar da eternidade!
102

12. Mas, além desta divisão da eternidade, naquela que é passado, e naquela que é vindoura, existe
uma outra divisão da eternidade, que é de inexprimível importância: Aquela que está por vir, quanto se
refere aos espíritos imortais, é tanto eternidade feliz, quanto eternidade miserável.

13. Vejam os espíritos dos retos que já estão orando a Deus, na eternidade feliz! Nós estamos prontos
a dizer: Quão breve ela parecerá àqueles que bebem dos rios de prazer à direita de Deus! Estamos prontos
para clamar alto:

Um dia, sem noite,


Eles habitam às vistas Dele,
Uma eternidade parece como um dia
!
Mas, isto é apenas falar, segundo a maneira de homens: Porque as medidas de muito e pouco são
apenas aplicáveis ao tempo que admite limite, e não para o de duração ilimitada. Este gira (de acordo com
nossas concepções inferiores) com velocidade indizível e inconcebível; se alguém, preferivelmente não
disser que ele não gira ou se move, afinal, mas é um oceano ainda imóvel. Porque os habitantes do céu,
―não descansam dia e noite‖, mas continuamente clamam: ―Santo, santo, santo, é o Senhor, e Deus, e
Altíssimo, que viu, e que é, e que virá!‖. E, quando milhões e milhões de eras passarem, a eternidade deles
terá apenas começado.

14. Por outro lado, em que condição, estes espíritos imortais que têm feito a escolha de uma
eternidade miserável! Eu digo, feito a escolha; porque é impossível que esta possa ser a sina de alguma
criatura, a não ser através de seu próprio ato e feito. O dia está chegando, quando toda alma será
constrangida a reconhecer, à vista de homens e anjos:

Nenhum decreto terrível de ti selaria


Ou fixaria a inalterável sentença
Confiaria minha alma inata ao inferno,
Ou me condenaria do útero de minha mãe.

Em que condição, tal espírito estaria depois da sentença executada: ―Parta, você amaldiçoado, para
o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos!‖. Suponha que ele esteja exatamente agora
mergulhado no ―lago de fogo ardente com enxofre‖, onde ―eles não têm descanso, dia ou noite, a não ser a
fumaça de seus tormentos subindo, sempre e sempre‖. ―Para sempre e sempre!‖. Porque, se nós fossemos
ficar presos um dia, sim, uma hora, em um lago de fogo, quão espantosamente longo parecia um dia ou uma
hora! Eu não sei se não pareceria como mil anos. Mas (pensamento terrível), depois de milhares e milhares,
ele teria apenas testado de seu cálice amargo! Depois de milhões, não estaria mais perto do fim do que se
estivesse no momento em que ele começou!

15. Quem é este, então, – quão tolo, quão louco, e que grau indescritível de distração – que,
parecendo ter o entendimento de um homem, deliberadamente prefere as coisas temporais às eternas? Quem
(admitindo este absurdo, oposição incrível, de que a maldade é felicidade, -- uma suposição extremamente
contrária a toda razão, assim como ao fato) prefere a felicidade de um ano, digamos mil anos, à felicidade da
eternidade, em comparação a qual, mil anos são infinitamente menos do que um ano, um dia, um momento?
Especialmente, quando tomamos isto em consideração (o que, de fato, nunca deveria ser esquecido) que o
recusar a eternidade feliz, implica a escolha da eternidade miserável: Porque não existe, não pode existir,
meio termo entre alegria eterna e dor eterna. É um pensamento inútil que alguns têm nutrido, de que a morte
porá um fim, nem em um, nem em outro: isto apenas altera a maneira da existência delas. Mas, quando o
corpo ―retornar para o pó como ele era, o espírito retornará a Deus que o deu‖. Portanto, no momento da
morte, deve ser inexplicavelmente feliz, ou inexplicavelmente miserável. E esta miséria nunca terminará.

Nunca! Onde mergulha a alma naquele terror imenso?


Em um abismo, quão escuro, e quão profundo!
103

Quão freqüentemente ele, que fez a escolha desprezível, deseja pela morte, ambas da alma e corpo!
Não é impossível que ele orasse de tal maneira como Dr. Young supõe:

Quando eu tiver me contorcido, dez mil anos no fogo,


Dez mil vezes mil, permita-me, então, expirar!

16. Ainda assim, esta inexplicável tolice, esta loucura indescritível, de preferir as coisas presentes à
eterna, é a doença de todo homem no mundo, enquanto em seu estado natural. Porque tal é a constituição de
nossa natureza, já que os olhos vêem apenas tal porção do espaço, de uma só vez, então, a mente vê apenas
tal porção de tempo, de uma só vez. E uma vez que todo o espaço que se estende além daquela esfera é
invisível para a mente. Assim sendo, nós não percebemos quer o espaço ou o tempo que está a uma
distância de nós. Os olhos vêem distintamente o espaço que está perto dele, com os objetos que ele contém:
De igual maneira, a mente vê distintamente aqueles objetos que estão dentro de tal distância de tempo. Os
olhos não vêem as belezas da China: Eles estão a uma grande distância. Existe um espaço muito grande,
entre nós e eles: Conseqüentemente, não somos afetados por eles. Eles são como nada para nós: É
exatamente o mesmo para nós, como se eles não existissem. Pela mesma razão, a mente não vê, quer as
belezas ou os terrores da eternidade. Nós não somos afetados, afinal, por eles, porque eles estão também
distantes de nós. Por esta razão, é que eles parecem como nada para nós: exatamente como se eles não
tivessem existência. Entretanto, somos totalmente estimulados com as coisas presentes, seja no tempo ou no
espaço; e as coisas parecem cada vez menores, à medida que estão mais e mais distantes de nós, quer em um
respeito ou em outro. E assim deve ser: tal é a constituição de nossa natureza; até que a natureza seja
mudada pela graça onipotente. Mas isto não é forma de desculpas para aqueles que continuam em sua
cegueira natural para a futuridade: porque um remédio para isto é fornecido, o qual é encontrado por todos
que o buscam: Sim. Ele é livremente dado a todos que sinceramente pedem por ele.

17. Este remédio é a fé. Eu não quero dizer aquela que é a fé de um pagão, que acredita que existe
um Deus, e que ele é um recompensador daqueles que diligentemente o buscam; mas aquela que é definida
pelo Apóstolo: ―uma evidência‖, ou convicção, ―das coisas não vistas‖; uma evidência e convicção divina
do mundo invisível e eterno. Esta apenas abre os olhos do entendimento, para ver Deus e as coisas de Deus.
Esta, por assim dizer, tira fora ou atribui transparência ao véu impenetrável...

O qual sustenta a ‗giro da existência mortal e imortal,


quando a fé empresta sua luz realizadora,
as nuvens se dispersam, as sombras fogem,
o invisível aparece aos olhos,
e Deus é visto pelo olho mortal.

Assim sendo, um crente, no sentido bíblico, vive na eternidade, e caminha na eternidade. Seu
panorama é alargado: Sua visão não é mais limitada pelas coisas presentes: Não; nem pelo hemisfério
terrestre. Embora fosse, como Milton fala; ―dez vezes mais o comprimento deste terreno‖. A fé coloca o
mundo invisível e eterno continuamente diante de sua face. Conseqüentemente, ele não olha para ―as coisas
que são vistas‖;

Riqueza, honra, prazer, ou o que for


Que este mundo passageiro pode dar

Estes não são os objetivos dele, o objeto de sua busca, seu desejo ou felicidade; -- mas ―as coisas
que não são vistas‖; no favor, imagem e glória de deus; assim como sabendo que ―as coisas que são vistas
são temporais‖, -- um vapor, uma sombra, um sonho que desaparece; enquanto que ―as coisas que não são
vistas são eternas‖; reais, sólidas, imutáveis.

18. O que, então, pode ser uma ocupação mais conveniente para um homem sábio, do que meditar
sobre essas coisas? Freqüentemente expandir seus pensamentos ―além dos limites desta esfera diurna‖, e
vaguear acima, atém mesmo, dos céus estrelados, no campo da eternidade? Quais meios existiriam para
104

confirmar seu desprezo pelas coisas pobres e pequenas da terra! Quando um homem de grandes posses
estava vangloriando-se para seu amigo da extensão de sua propriedade, Sócrates pediu que ele trouxesse um
mapa da terra, e apontou Ática [região da Grécia antiga, próxima a Atenas] nele. Quando isto foi feito
(embora não muito facilmente, já que se tratava de uma região pequena), ele em seguida pediu que
Alcebíades indicasse sua própria propriedade nele. Quando ele não pôde fazer isto, foi fácil observar quão
insignificantes eram as posses, pelas quais ele estava tão orgulhoso de si mesmo, em comparação à toda
terra. Quão aplicável é isto para o presente caso! Alguém se vangloria de suas posses terrenas? Ai de mim, o
que é todo o globo terrestre para o espaço infinito! Uma mera partícula da criação. E o que é a vida do
homem, sim, a duração da própria terra, a não ser uma partícula de tempo, se comparada com a extensão da
eternidade! Pense sobre isto: Deixe isto mergulhar em seus pensamentos, até que você tenha alguma
concepção, mesmo que imperfeita daquele abismo, enorme, insondável, sem um fundo ou margem

19. Mas, se a nua eternidade, por assim dizer, for um objeto tão imenso, tão espantoso, de maneira a
oprimir seu pensamento, como ela ainda amplia a idéia de observá-la revestido de felicidade ou miséria?
Bem-aventurança eterna ou dor! Felicidade eterna, ou miséria eterna! Alguém poderia pensar que ela
absorveria todo outro pensamento em toda criatura razoável. Permita-me apenas isto, -- ―Tu estás na
iminência tanto da eternidade feliz quanto miserável; teu Criador te ordena agora a esticar tua mão, quer
em direção a uma ou a outra‖; -- e alguém imaginaria que nenhuma criatura racional poderia pensar sobre
alguma coisa mais. Alguém poderia supor que este ponto simples monopolizaria toda a atenção dele.
Certamente, ele deveria assim fazer: Certamente, se essas coisas são assim, pode existir a não ser uma coisa
necessária . Ó, que você e eu, pelo menos, o que quer que outros façam, escolhamos aquela melhor parte que
nunca deverá ser tirada de nós!.

20. Antes que eu encerre este assunto, permita-me tocar em duas passagens notáveis em Salmos
(uma no oitavo, a outro, centésimo quadragésimo quarto), que tem uma relação próxima a isto. A primeira é:
―Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem,
para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?‖. Aqui o homem é considerado como
uma cifra, um ponto, comparado com a imensidade. A última é: ―Ó Senhor, que é o homem, para que tomes
conhecimento dele, e o filho do homem, para que o consideres? O homem é semelhante a um sopro; os seus
dias são como a sombra que passa?‖. Este não é um pensamento que tem golpeado muitas mentes sérias,
assim como ele o fez com Davi e criou uma espécie de temor, que se ergue de uma espécie de suposição de
que Deus é tal como nós mesmos? Se nós considerar o espaço infinito, ou a duração infinita, nós
retrocedemos ao nada antes dele. Mas Deus não é um homem. Um dia, e milhões de anos, são a mesma
coisa para ele. Portanto, existe a mesma desproporção entre Ele a algum ser finito, como entre Ele e a
criatura de um dia. Portanto, quando quer que o pensamento ocorra,; quando quer que você seja tentado a
temer, a fim de que não possa ser esquecido perante o imenso e eterno Deus, lembre-se que nada é pequeno
ou grande; que nenhuma duração é longa ou curta, perante Ele. Lembre-se que Deus ita praesidet singulis
sicut universis, et universis sicut singulis: Que ele ―governa cada criatura individual, como se fosse o
universo; e o universo, como se fosse cada indivíduo‖. De maneira que você pode corajosamente dizer:

Pai, quão amplamente tua glória brilha,


Senhor do universo --- e meu!
Tua bondade zela pelo todo,
Como se o mundo todo fosse uma só alma;
Ainda assim, considera cada um dos meus cabelos, sagrado,
Enquanto permaneço em teu simples cuidado!

[Editado por Shane Campbell, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

izilda bella

Sobre a Trindade
105

'Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra,


e o Espírito Santo; e estes três são um'. (I João 5:7)

Aviso:

Há alguns dias, pediram-me que eu pregasse sobre este texto. Eu o fiz ontem de manhã. À tarde, eu
fui pressionado a escrever e imprimir meu sermão, se possível, antes de deixar Cork. Eu o escrevi esta
manhã; mas eu devo implorar ao leitor que leve em consideração, as desvantagens a que eu estou submetido,
uma vez que eu não tenho aqui livro algum para consultar; nem, de fato, tempo para consultá-los.

Cork, 8 de Maio, 1775

1. O que quer que a generalidade das pessoas possa pensar, é certo que opinião não é religião: Não,
nem a opinião correta; aquiesce a uma, ou para dez mil verdades. Existe uma larga diferença entre elas:
Mesmo a opinião correta está tão distante da religião, quanto o leste está do oeste. As pessoas podem estar
absolutamente certas, em suas opiniões, e, no entanto, não terem religião, afinal; e, por outro lado, as
pessoas podem ser verdadeiramente religiosas, e terem muitas opiniões errôneas. Alguém pode
possivelmente duvidar disto, enquanto existirem romanistas no mundo? Quem poderá negar que, não apenas
muitos deles foram verdadeiramente religiosos outrora, como Thomas a Kempis, Gregory Lopes, e o
Marques de Renty; mas que muitos deles, até mesmo hoje em dia, são verdadeiros cristãos interiores? E
mesmo assim, que quantidade de opiniões errôneas eles abraçam, entregues pela tradição de seus
antepassados! Mais ainda, quem poderá duvidar delas, enquanto existirem calvinistas no mundo, --
defensores da predestinação absoluta? Quem se atreverá a afirmar que nenhum desses são homens
verdadeiramente religiosos? Não apenas muitos deles, no último século foram luzes ardentes e brilhantes,
mas muitos deles são agora cristãos verdadeiros, amando a Deus e toda a humanidade. E, ainda assim, o que
são todas as opiniões absurdas de todos os romanistas do mundo, comparadas àquela de que o Deus do
amor, o sábio, misericordioso Pai dos espíritos de toda carne tem fixado, de toda a eternidade, um decreto,
absoluto, imutável, irresistível, de que parte da humanidade deva ser salva, faça o que fizer; e o restante
dela, condenada, faça o que puder!

2. Disto, nós não podemos deixar de afirmar que existem milhares de erros que podem consistir com
a religião verdadeira; com respeito ao que todo homem imparcial, e ponderado irá pensar e permitirá pensar.
Mas existem algumas verdades mais importantes que outras. Parece que existem algumas que são de
profunda importância. Eu não as denomino verdades fundamentais; porque esta é uma palavra ambígua: E,
por conseguinte, deve haver tantas muitas disputas acaloradas a respeito do número de fundamentais. Mas
certamente, existem algumas que proximamente nos concerne conhecer, como tendo uma íntima conexão
com a religião vital. E, sem dúvida, nós podemos enfileirar, em meio a essas, as que estão contidas nas
palavras acima citadas: 'Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e
estes três são um'.

3. Eu não quero dizer que seja importante acreditar nesta ou naquela explicação dessas palavras. Eu
não sei se algum homem de bom julgamento tentaria explicá-las, afinal. Um dos melhores tratados que
aquele grande homem, Dean Swift, escreveu, foi seu Sermão sobre a Trindade. Nisto, ele mostra que todos
que se esforçaram para explicá-la, perderam completamente sua direção; acima de todas as outras pessoas,
danificaram a causa que eles pretenderam promover; tendo apenas, como Jó diz, em (Jó 38:2), 'Quem é este
que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?'. Foi numa má hora, que esses explanadores
começaram seu trabalho infrutífero; eu ínsito em nenhuma explicação, afinal; não, nem mesmo sobre o
melhor que eu tenha visto; eu quero dizer aquela que nos é dada, no credo comumente imputado a Atanásio.
Eu estou longe de dizer, que ele que não reconhece isto, sem dúvida, perecerá eternamente. Porque a
finalidade desta e de outra condição, eu, por algum tempo, tive escrúpulos de afirmar aquele credo; até que
eu considerei: (1) que essas sentenças apenas se relacionam ao descrente obstinado, não involuntário;
106

àqueles que, tendo todos os meios de conhecer a verdade, não obstante, a rejeitam, obstinadamente : (2) que
eles relatam apenas a substância da doutrina lá entregue; não as ilustrações filosóficas dela.

4. Eu não insisto sobre qualquer um usar a palavra Trindade, ou Pessoa. Eu mesmo as uso sem
qualquer escrúpulo, porque eu não conheço nenhuma melhor. Mas, se algum homem tem algum escrúpulo
concernente a elas, quem poderá constrangê-lo a usá-las? Eu não posso: Muito menos, eu queimaria um
homem vivo, e isto com madeira verde e úmida, por dizer, 'Embora eu creia que o Pai é Deus, o Filho é
Deus, e o Espírito Santo é Deus; ainda assim, eu hesito em usar as palavras Trindade e Pessoas, porque eu
não encontro esses termos na Bíblia'. Estas são as palavras que o misericordioso John Calvin cita como
escrita por Servitus, em uma carta a si mesmo. Eu insistiria apenas nas palavras diretas, inexplicadas,
exatamente como elas se apresentam no texto: 'Porque três são os que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e
o Espírito Santo; e estes três são um'.

5. 'Como elas se apresentam no texto': -- mas aqui surge uma questão: Este texto é genuíno? Ele foi
originalmente escrito pelo Apóstolo, ou inserido nos últimos tempos? Muitos têm duvidado disto; e, em
particular, a grande luz da igreja cristã, ultimamente removido para a igreja acima, Bengelius, -- o mais
devoto, o mais criterioso, e o mais laborioso, de todos os estudiosos sobre o Novo Testamento. Por algum
tempo, ele permaneceu em dúvida sobre a sua autenticidade, porque ela está deficiente em muitas das
transcrições antigas. Mas suas dúvidas foram removidas, através de três considerações:

(1) Que embora ela seja deficiente em muitas transcrições, ainda assim, é encontrada em mais; e
estas transcrições, da maior autoridade; --

(2) Que ela é citada por uma completa gama de escritores antigos, desde o tempo de João, até o de
Constantino. Este argumento é conclusivo: Já que eles não a teriam citado, não estivesse no cânone
sagrado:--

(3) Nós podemos facilmente compreender a razão porque ele continua deficiente, depois desta época,
quando nos lembramos que o sucessor de Constantino era um zeloso ariano, que usou de todos os meios
para promover sua causa iníqua, para espalhar o arianismo, por todo o império; em particular, para apagar
este texto, das muitas transcrições que lhe caíram nas mãos. Ele prevaleceu até agora, já que a época em que
ele viveu é comumente chamada de 'A época ariana' [seita de Ario, que, no dogma da Santíssima Trindade,
não admitia a consubstancialidade do Pai com o Filho]; havia apenas um homem eminente que se opôs a ele,
com risco de morte. De modo que foi um provérbio: 'Atanásio contra o mundo'.

6. Mas alega-se: 'No que quer que o texto se torne, nós não podemos crer naquilo que não podemos
compreender. Quando, portanto, você nos exige que acreditemos nos mistérios, nós oramos para que você
nos desculpe'.

Aqui existe erro duplo:

1o. Nós não ordenamos a vocês que acreditem em algum mistério nisto; considerando que vocês
supõem o contrário. Mas,

2o. vocês já acreditam em muitas coisas que vocês não compreendem.

Considerando que, para começar com o último, vocês já acreditam em muitas coisas que vocês não
compreendem. Vocês acreditam que existe um sol sobre suas cabeças. Mas, quer ele se situe, ainda no meio
do seu sistema, ou não apenas gire sobre seu próprio eixo, mas se regozije como um gigante a seguir seu
curso; vocês não podem compreender tanto um quanto o outro. Como ele se move, e como ele se apóia.
Através de que poder; que poder natural e mecânico, ele está soerguido no fluido também? Vocês não
podem negar o fato; ainda assim, vocês não podem responder por ele, de maneira a satisfazerem algum
inquiridor racional. Vocês podem, decerto, nos dar as hipóteses de Ptolomeu, Tycho Brahe, Copérnico, e
107

vinte outros mais. Eu os tenho lido, repetidas vezes. Eu estou enjoado deles; eu não dou a mínima por eles
todos.

A cada nova solução, uma mais se permite,


Novas mudanças de termos, e pilhas de palavras
Em outra roupagem minha questão eu recebo
E tomo de volta minha dúvida,
da mesma maneira que entreguei.

Ainda eu insisto; no fato, vocês acreditam; vocês não podem negar; mas a maneira, vocês não podem
compreender.

8. Vocês acreditam que exista tal coisa como a luz; quer fluindo do sol, ou algum outro corpo
luminoso; mas vocês não podem compreender tanto sua natureza, ou a maneira como ela flui. Como ela se
move de Júpiter até a terra, em oito minutos; a duzentas mil milhas, em um momento? Como os raios da
vela, trazida para a sala, se dispersam instantaneamente em cada canto? Novamente: Aqui existem três velas,
ainda assim, existe apenas uma luz. Eu explico isto, e eu irei explicar o Deus trino.

9. Vocês acreditam que exista tal coisa como o ar. Ele cobre tanto vocês quanto suas vestimentas; e,
amplamente difundido, envolve essa terra florida. Mas vocês podem compreender como? Vocês podem me
dar um relato satisfatório de sua natureza, ou a causa de suas propriedades? Pensem em apenas uma: sua
elasticidade: vocês podem responder por isto? Ela pode ser devido ao fogo elétrico ligado a cada partícula
dela; pode ser que não; e nem mesmo vocês, nem eu posso dizer. Mas se nós não o respirarmos, até que
compreendamos, nossas vidas estarão perto do seu final.

10. Vocês acreditam que exista tal coisa como a terra. Aqui vocês fixam seus pés sobre ela: vocês são
apoiados por ela. Mas vocês compreendem o que é que sustenta a terra? 'Ó, um elefante', diz o filósofo
malabárico [de Malabar (índia)] 'um touro o sustenta'. Mas o que apóia o touro? O indiano e o bretão estão
igualmente perdidos, por uma resposta. Nós sabemos que é Deus que 'expande o norte sobre o espaço vazio,
e projeta a terra no nada'. Este é o fato. Mas de que maneira? Quem poderá responder por isto? Talvez,
criaturas angélicas, mas não criaturas humanas.

Eu sei o que é plausivelmente dito, com respeitos aos poderes da projeção e atração. Mas por mais
delicadamente que possamos engendrar, o fato em si varre todas as nossa hipóteses sutis, fora. Conectem a
força de projeção e atração como vocês puderem, elas nunca irão produzir um movimento circular. No
momento em que o aço projetado se aproxima da atração do imã, ele não forma uma curva, mas se inclina
para baixo.

11. Vocês acreditam que têm uma alma. 'Esperem ai', diz o Doutor; [Dr. Bl-r, em seu último tratado].
Eu não acredito em tal coisa. Se vocês têm uma alma imaterial, então os animais também têm'. Eu não irei
puxar briga com alguns que pensam que eles tenham; ao contrário, eu desejo que eles possam provar isto: E
certamente, eu antes permitira a eles, almas, do que desistiria da minha própria. E nisto eu cordialmente
concordo com o sentimento do honesto pagão: 'Se eu erro, eu erro prontamente; e eu veementemente me
recuso a ser convencido disto'. Eu confio que a maioria destes que não desmentem a Trindade pense da
mesma maneira. Permita-me, então, seguir adiante. Vocês acreditam que têm uma alma ligada com a
morada de barro. Mas vocês podem entender como? Quais são os laços que unem a chama celeste com ao
torrão de terra? Vocês entendem exatamente nada do assunto. Assim ela é; mas, como ela é, ninguém pode
dizer.

12. Vocês certamente acreditam que têm um corpo, unido com sua alma, e que cada um é dependente
do outro. Enfie um espinho em sua mão; imediatamente, a dor é sentida em sua alma. Se, por outro lado, a
vergonha é sentida em sua alma, instantaneamente, o rubor se espalha por sua face. A alma sente temor, ou
ira violenta? Logo o corpo treme. Esses também são fatos que vocês não podem negar; nem vocês podem
dar conta deles.
108

13. Eu trago, a não ser um exemplo mais: Ao comando de sua alma, sua mão é erguida. Mas quem é
capaz de responder por isto? Porque da conexão entre a ação da mente, e as ações exteriores? Mais ainda,
quem poderá responder a respeito do movimento muscular, afinal; em qualquer instância que seja? Quando
um dos mais engenhosos Físicos na Inglaterra terminou seu discurso sobre aquela matéria, ele acrescentou:
'Agora, cavalheiros, eu tenho dito a vocês todos as descobertas de nossos tempos eruditos; e, se vocês
entenderem um jota do que eu disse, vocês terão entendido mais do que eu entendo'. O resumo do assunto é
este: Aqueles que não acreditam em nada, a não ser naquilo que eles podem compreender, não devem
acreditar que exista um sol no firmamento; que exista luz, brilhando em derredor deles; que exista ar,
embora ele os rodeiem de todos os lados; que exista qualquer terra, embora eles permaneçam sobre ela. Eles
não devem acreditar que tenham uma alma; não, nem que tenham um corpo.

14. Mas, em Segundo lugar, por mais estranho que isto possa parecer, em exigir que vocês acreditem
'Que existem três que testificam no céu: o Pai, a Palavra, e o Espírito Santo; e que estes três são um', vocês
não estarão sendo questionados a acreditarem em mistério algum. Mais ainda; que, o grande e bom homem,
Dr. Peter Browne, algumas vezes, Bispo de Cork, tem provado largamente que a Bíblia não requer que
vocês acreditem em algum mistério, afinal. A Bíblia requer apenas que vocês acreditem em tais fatos; não na
maneira deles. Agora o mistério não se coloca nos fatos, mas inteiramente na maneira.

Por exemplo: 'Deus disse, haja luz: e houve luz'. Eu creio nisto: Eu creio no fato claro: não existe
mistério, nisto. O mistério se coloca na maneira dele. Mas disto eu acredito em nada, afinal; nem Deus
requer isto de mim.

Novamente: 'A palavra se fez carne'. Eu acredito neste fato também. Não existe mistério nele; mas
quanto à maneira como ele se fez carne, no qual o mistério se encontra, eu nada sei a respeito; eu creio em
nada com relação a isto: isto não é mais o objeto da minha fé, do que é do meu entendimento.

15. Aplicando isto ao caso diante de nós: 'Porque três são os que testificam no céu o Pai, a Palavra,
e o Espírito Santo; e estes três são um'. Eu acredito neste fato também, (se eu posso usar a expressão) que
Deus é Trino. Mas a maneira eu não compreendo e não creio nela. Agora, nisto, na maneira, situa-se o
mistério; e, assim sendo, eu não tenho preocupação com ela: ela não é o objeto de minha fé: eu creio
exatamente no quanto Deus tem revelado, e não mais. Mas isto, a maneira, Ele não revelou; portanto, eu
creio em nada sobre ela. Mas não seria um absurdo eu negar o fato, porque eu não entendo a maneira? Ou
seja, rejeitar o que Deus tem revelado, porque eu não compreendo o que Ele tem revelado?

16. Este é um ponto que deve ser muito observado. Existem muitas coisas que 'os olhos não vêem,
nem os ouvidos ouvem, nem tem entrado no coração do homem conceber'. Parte dessas, Deus 'nos tem
revelado, através de Seu Espírito': -- 'Revelado'; ou seja, tirado o véu, descoberto: Esta parte, Ele requer que
acreditemos. Parte delas Ele não tem revelado: Esta nós não precisamos, e de fato, não podemos crer: está
muito acima; fora de nossas vistas.

Agora, onde está a sabedoria de rejeitar o que é revelado, porque nós não compreendemos o que não
é revelado? De negar o fato de que Deus tem tirado o véu, porque nós não podemos ver a maneira, que ainda
está velada?

17. Especialmente, quando nós consideramos que o que Deus tem se agradado de revelar sobre sua
cabeça, está longe de ser um ponto de indiferença; na verdade, ele é de extrema importância. Ele entra no
próprio coração do Cristianismo: e se situa no coração de toda religião vital.

A menos que esses Três sejam Um, de que maneira, 'os homens poderão honrar o Filho, do mesmo
modo que eles honram o Pai?'. "Eu não sei o que fazer", diz Socinus, em uma carta ao seu amigo, "com
meus seguidores adversos: Eles não irão adorar Jesus Cristo. Eu digo a eles que está escrito: 'Que todos os
anjos de Deus o adoram'. Eles respondem: De qualquer modo, se ele não for Deus, nós não devemos adorá-
lo. Já que 'está escrito que tu deves adorar o Senhor teu Deus, e a Ele, tão somente, deves servir'".
109

Mas a coisa que eu aqui particularmente quero dizer é esta: O conhecimento do Deus Trino mistura-
se com toda fé cristã verdadeira; com toda religião vital.

Eu não digo que todo cristão real pode dizer o mesmo que o Marquês de Renty: 'Eu trago comigo
continuamente uma verdade experimental, e uma plenitude da presença da sempre abençoada Trindade. Eu
compreendo que está não seja a experiência de bebês', mas, preferivelmente, dos 'pais em Cristo'.

Mas eu não sei como alguém pode ser um crente cristão, até que ele 'tenha', como João diz, 'o
testemunho, em si mesmo'; até que 'o Espírito de Deus testemunhe com seu espírito que ele é um filho de
Deus', ou seja, em efeito, até que Deus – o Espírito Santo – testemunhe que Deus – o Pai – o aceitou, através
dos méritos de Deus – o Filho: E tendo esse testemunho, ele honra o Filho, e o abençoado Espírito, 'assim
como ele honra o Pai'.

18. Não que todo crente cristão alude a isto; talvez, em princípio, nem um em vinte: Mas, se vocês
perguntarem algumas poucas questões a algum deles, vocês irão facilmente se certificar que ele está
inserido no que ele acredita. Portanto, eu não vejo como é possível ter uma religião vital, alguém que nega
que esses Três são um. E todas as minhas esperanças por eles, não é, que eles sejam salvos, durante a
descrença deles (exceto sobre o fundamento dos honestos pagãos, sobre o pretexto da ignorância
invencível), mas que Deus, antes que eles sigam adiante, 'os traga para o conhecimento da verdade'.

[Editado por David R. Leonard, estudante Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A APROVAÇÃO DE DEUS DE SUA OBRA

―E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto‖ (Gênesis
1:31)

I. Deus primeiro criou os quarto elementos; dos quais todo o universo foi composto; terra, água, ar e
fogo.

II. O mundo, no princípio, estava em um estado totalmente diferente do que nós o encontramos
agora.

1. Quando Deus criou os céus e terra, e tudo que está nela, no término de cada dia de trabalhado foi
dito: ―E Deus viu que estava bom‖. O que quer que foi criado foi bom em seu tipo; adequado à finalidade
para a qual foi designado; adaptado para promover o bem do todo, e a glória do grande Criador. Agradou a
Deus fazer esta constatação com respeito a cada criatura em específico. Mas existe uma variação notável
daquela expressão, com respeito a todas as partes do universo, tomadas em ligação umas com as outras, e
constituindo um sistema: ―E Deus viu tudo que o que ele criara, e observou que era muito bom‖.

2. Quão pequena parte desta grande obra de Deus o homem é capaz de entender! Mas é nossa
obrigação contemplar o que ele tem forjado, e entender dela, tanto quanto somos capazes. Porque ―a
misericórdia do Senhor‖, como o salmista observa, ―tem assim feito suas obras maravilhosas‖ da criação,
assim como da providência, ―para que elas estivessem na lembrança‖, de todos os que o temem; o que elas
não poderiam ser corretamente, exceto se forem compreendidas. Vamos, então, através da assistência
daquele Espírito que dá ao homem entendimento, esforçarmo-nos para termos uma visão geral das obras que
Deus criou neste mundo inferior, como elas eram. antes que fossem desarranjadas e corrompidas em
conseqüência do pecado do homem: Nós devemos ver facilmente, como cada criatura era boa em seu estado
110

primitivo. Então, quando todos foram compactados em um sistema geral, ―observou que tudo estava muito
bom‖. Eu não me lembro de ter visto alguma tentativa deste tipo, exceto naquele poema verdadeiramente
excelente, (denominado pelo Sr. Hutchinson, ―Aquela Farsa Perniciosa!‖), ―Paraíso Perdido‖ de Milton.

1. ―No princípio, Deus criou a matéria dos céus e terra‖. (Assim, as palavras, como um grande
homem observa, podem propriamente ser traduzidas). Ele primeiro criou os quatro elementos, dos quais
todo o universo foi composto; terra, água, ar, e fogo, todos misturados em uma massa comum. As partes
mais grosseiras dele, a terra e água, eram extremamente sem forma, até que Deus infundiu o princípio de
movimento, ordenando o ar para se mover ―sobre a superfície das águas‖. Em seguida, ―o Senhor Deus
disse: Aja luz: e houve luz‖. Aqui estavam as quarto partes constituintes do universo; os verdadeiros,
originais elementos simples. Eles eram todos essencialmente distintos uns dos outros; e, ainda assim, tão
intimamente misturados, em todos os corpos compostos, de maneira que não podemos encontrar algum, seja
ele, mesmo que minúsculo, que não os contenham todos.

2. ―E Deus viu que‖ cada um desses ―era bom‖; era perfeito em seu tipo. A terra era boa. Toda a
superfície dela era bonita em um alto grau. Para tornar isto mais concordante, Ele vestiu a face universal
com verde aprazível. Ele a adornou com flores de cada matiz, e com arbustos, e árvores de cada tipo. E cada
parte era fértil, assim como bela; ela não era, de forma alguma, deformada pelas rochas ásperas; não chocava
os olhos, com precipícios horríveis, abismos enormes, ou cavernas sombrias; com profundos, e intransitáveis
pântanos, ou desertos de areia estéril. Mas nós não temos autoridade para dizer, com alguns letrados e
engenhosos autores, que não havia montanhas na terra original, não havia desigualdade sobre sua superfície.
Não é fácil conciliar esta hipótese com aquelas palavras de Moisés: ―as águas prevaleceram; e todas as
altas montanhas que estavam sob todo o céu foram cobertas. Quinze côvados acima‖, acima da mais alta
―as águas prevaleceram; e as montanhas foram cobertas‖ (Gênesis 7:19-20). Nós não temos razão para
acreditar que essas montanhas foram produzidas, através do próprio dilúvio: Nem a menor insinuação disto é
dada: Portanto, não podemos duvidar de que elas existiram antes dele. – Na verdade, elas responderam
muitos excelentes propósitos, além de aumentar grandemente a beleza da criação, pela variedade de
panoramas, que teriam sido totalmente perdidos, caso a terra tivesse sido uma planície prolongada. Ainda
assim, não precisamos supor que seus lados eram abruptos, ou de difícil acesso. É altamente provável que
eles se erguiam e caiam, através de graus quase imperceptíveis.

3. Quanto às partes internas da terra, até mesmo hoje, nós escassamente temos algum conhecimento
deles. Muitos têm suposto que o centro do globo é cercado com um abismo de fogo. Muitos outros têm
imaginado que ele é circundado com um abismo de água; que eles supõem ser denomina nas Escrituras de
―a grande profundidade‖ (Gênesis 7:11 ―No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete
dias do mês, romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as janelas do céu se abriram‖), todas as
fontes do qual irromperam, com o objetivo do grande Dilúvio. Mas, como quer que isto fosse, estamos
certos de que todas as coisas foram dispostas nele, com a mais perfeita ordem e harmonia. Disto, não havia
agitações nos interiores do globo; não havia convulsões violentas, abalos da terra, nenhum terremoto; mas
tudo estava imóvel como pilares do céu! Não havia, então, tais coisas como erupções de fogo; não havia
vulcões, ou montanhas ardentes. Nem Vesúvio, Etna, ou Hecla, se eles tivessem alguma existência, então,
derramou fumaça e fogo, mas estavam cobertos com um manto verdejante, do topo ao sopé.

4. O elemento água, provavelmente, estava, em sua maioria, confinado dentro de um grande abismo.
Na nova terra (como fomos informados pelo Apóstolo em Apocalipse 21:1) ―não haverá mais mar‖, nada
cobrindo, como agora, a face da terra, e conferindo uma parte tão larga dela inabitável pelo homem. Disto, é
provável, que não existiu mar exterior na terra paradisíaca; nada, até que a grande profundeza irrompeu as
barreiras que estavam originalmente designadas para ela. – Na verdade, não havia, então, aquela necessidade
de oceano para navegação, que existe agora: Porque, como o poeta supõe...

Omnis tuli omnia tellus;


111

Tanto cada região produzia o que quer que fosse requisito, quer para a necessidade ou conforto dos
seus habitantes; quanto o homem, sendo, então (como ele será novamente, quando da ressurreição), igual
aos anjos, era capaz de se transportar, a seu prazer, para qualquer distância dada; para cima e para abaixo, de
modo que aqueles mensageiros flamejantes estivam sempre prontos a ministrar aos herdeiros da salvação.
Mas quer houvesse mar ou não, havia rios suficientes para regar a terra, e torná-la muito produtiva. Esses
responderam a todos os propósitos da conveniência e prazer, através de queda d‘água de correntezas
murmurantes; para a qual foram acrescidas precipitações suaves e geniais, com névoas salutares e
evaporações. Mas não havia lagos pútridos; águas lodosa ou estagnada; mas apenas tal, que levava impressa,
a límpida imagem da natureza em seu plácido peito.

5. O elemento ar era, então, sempre perene, e sempre amigável para o homem. Ele continha nenhum
meteoro assustador; não continha vapores insalubres; exalações venenosas. Não havia tempestades, mas
apenas brisas frescas e gentis, -- genitabilis aura Favoni, -- refrescando a ambos, homem e besta, e soprando
os odores agradáveis em suas asas silenciosas.

6. O sol, fonte de fogo deste grande mundo, tanto os olhos quanto a alma, estava situado na mais
exata distância da terra, de maneira a produzir quantidade suficiente de calor (nem muito pouco, nem
excessivo) para toda parte dela. Deus, ainda assim, não havia ordenado aos seus anjos mudar a obliqüidade
deste globo oblíquo. [Milton – Paraíso Perdido].

Não havia, portanto, região alguma que gemia, sob a ira de Ártico, e o congelamento eterno. Não
havia inverno violento, ou verão sufocante; nenhum extremo, quer de calor ou frio. Nenhum solo queimava,
devido ao calor solar; nada inabitável, pela necessidade dele. Assim, terra, água, ar, e fogo, todos
conspiravam juntos para o bem-estar e prazer do homem!

7. Para o mesmo propósito, serviu a agradável vicissitude de luz e trevas, -- dia e noite. Porque, como
o corpo humano, embora não inclinado à morte ou dor, ainda necessitava de substância contínua, através do
alimento; então, embora não estivesse propenso ao cansaço, ele necessitava da contínua reparação pelo sono.
Através deste, as fontes da máquina animal eram regularizadas, de tempos em tempos, e mantinham-se
sempre ajustadas para o trabalho prazeroso para o qual o homem foi designado, pelo seu Criador. Desta
forma, ―a tarde e a manhã foram o primeiro dia‖, antes que o pecado ou a dor estivesse no mundo. O
primeiro dia natural tinha uma parte escura para o período de repouso; uma parte de luz para o período de
trabalho. E, até mesmo no paraíso, ―Adão dormia‖ (Gênesis 2:21) ―Então o Senhor Deus fez cair um sono
pesado sobre o homem, e este adormeceu‖; antes que ele pecasse: O sono, portanto, pertencia à natureza
humana inocente. Mesmo assim, eu não compreendo que possa ser deduzido disto, que existem tanto trevas
ou sono no céu. Certamente não existem trevas naquela cidade de Deus. Não está expressamente dito em
(Apocalipse 22:5) ―E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de luz de lâmpada nem de luz do sol,
porque o Senhor Deus os alumiará; e reinarão pelos séculos dos séculos‖, que ―não deverá haver noite
lá?‖. Na verdade, eles não têm Luiz do sol, mas ―o Senhor fornece a eles a luz‖. Assim, tudo é dia no céu,
como é noite no inferno! Na terra, nós temos uma mistura de ambos. Dia e noite sucedem um ao outro, até
que a terra se transforme em céu. Nem podemos, afinal, acreditar no relato dado pelo poeta antigo,
concernente ao sono no céu; embora ele admita ―nuvens constrangem Júpiter‖ para permanecer acordado,
enquanto os deuses inferiores estão dormindo. É de se lamentar, portanto, que nosso grande poeta copiasse
tão servilmente segundo o antigo ateu, quando nos diz: --

O sono tem velado


Tudo, a não ser os olhos despertos do próprio Deus

Não é assim: Eles estão ―diante do trono de Deus para servi-lo, dia e noite‖. Falando, segundo a
maneira de homens, ―em seu templo‖. (Apocalipse 7:15) ―Por isso estão diante do trono de Deus, e o
servem de dia e de noite no seu santuário; e aquele que está assentado sobre o trono estenderá o seu
tabernáculo sobre eles‖; ou seja, sem qualquer intervalo. Como espíritos maus são atormentados, dia e noite,
112

sem qualquer interrupção de sua miséria; assim os espíritos santos desfrutam de Deus, dia e noite, sem
qualquer interrupção de sua felicidade.

8. No segundo dia, Deus circundou o globo terráqueo, com aquele suplemento nobre, a atmosfera,
consistindo principalmente de ar, mas repleto com partículas terrenas de vários tipos, e com grandes
volumes de água, algumas vezes,invisíveis; algumas vezes, visíveis, mantida flutuando por aquele fogo
etéreo, uma partícula do qual fende-se a cada partícula de ar. Através disto, a água foi dividida em
inumeráveis gotas, que, descendo, irrigaram a terra, e a tornaram muito abundante, sem incomodar
quaisquer de seus habitantes. Porque havia, então, nenhuma corrente impetuosa de ar; não havia ventos
tempestuosos; granizos furiosos; não havia torrentes de chuva; trovões estrondosos; ou raios bifurcados.
Uma primavera perene estava perpetuamente sorrindo sobre toda a superfície da terra.

9. No terceiro dia, Deus ordenou que todo o tipo de vegetais brotassem da terra; e, então, acrescentou
a eles, inumeráveis ervas, misturadas com flores de todas as matizes. A essas ele acrescentou arbustos de
todo tipo; junto com árvores altas e majestosas, quer pelo sombreado, madeiramento, ou pelo fruto, em
variedade interminável. Alguns desses foram adaptados a climas e exposições específicos; enquanto vegetais
de um uso mais geral (como trigo em particular) não foram confinados a uma região, mas floresceriam em
quase todo o clima. Mas, em meio a todos esses, não havia ervas daninhas; não havia plantas desnecessárias,
nenhuma que comprometesse o solo; muito menos, existiram algumas venenosas, inclinadas a ferir qualquer
criatura; mas todas as coisas eram salutares em seu tipo, adequadas ao gracioso desígnio de seu grande
Criador.

10. O Senhor agora criou ―o sol para governar o dia, e a lua para governar a noite‖.

O sol era deste grande mundo, ambos os olhos e alma: --

O olho, tornando todas as coisas visíveis, distribuindo luz a todas as partes do sistema, e, por meio
disto, exultando ambos terra e céu; -- e a alma; o princípio de toda a vida, quer para vegetais ou animais.
Algumas das utilidades da lua, nós estamos familiarizados; o fato de causar o fluxo e refluxo do mar; e
influenciar, em um maior ou menor grau, todos os fluidos no globo terráqueo. E muitos outros usos, ela pode
ter, desconhecidos a nós, mas conhecidos ao sábio Criador. Mas é certo que ela não causa dano, nenhuma
influência prejudicial em alguma criatura viva. ―Ele criou as estrelas também‖; ambas aquelas que se
movem ao redor do sol, quer da primeira ou da ordem secundária; ou aquelas que, estando a uma distância
muito grande, parecem a nós, como fixadas no firmamento. Quer os cometas sejam enumerados em meio às
estrelas, quer foram partes da criação original, não é tão fácil de determinar, pelo menos, com certeza; já que
temos nada, a não ser conjecturas prováveis, concernentes à natureza ou uso deles. Nós não sabemos, (como
alguns homens engenhosos têm imaginado) se eles são mundos destruídos; - - mundos que sofreram uma
conflagração geral; ou se (como outros não improvavelmente supõem) eles são imensos reservatórios de
fluidos, designados a revolverem, em certas ocasiões, e suprirem a ainda umidade decrescente da terra. Mas
nós estamos certos de que eles não produziram ou pressagiam algum mal. Eles não (como muitos têm
imaginado, desde então) derramam pestes e guerra, de seus horríveis cabelos.

11. O Senhor Deus, mais tarde, povoou a terra com animais de todo tipo. Ele primeiro, ordenou às
águas para produzir abundantemente; -- produzir criaturas, que, por habitarem o elemento mais grosseiro,
eram, em geral, de uma natureza mais simples; dotados com menos sentidos e menos entendimento do que
os outros animais. Os moluscos, em específico, parecem ter nenhum sentido, a não ser o do tato, exceto,
talvez, uma pequena medida de paladar; de maneira que eles são apenas um grau acima dos vegetais. E, até
mesmo a rainha das águas (um título que alguns dão à baleia, devido à sua enorme magnitude), embora ela
tenha visão, acrescida ao gosto e tato, não parece ter um entendimento proporcionado ao seu volume. Antes,
ela é inferior nisto, não apenas a maioria dos pássaros e bestas, mas à generalidade de, até mesmo, os répteis
e insetos. No entanto, nenhum desses, então, tentavam devorar, ou, de alguma forma, causar dano, um ao
outro. Tudo era pacífico e tranqüilo, como eram os campos úmidos, que eles percorriam à vontade.
113

12. Parece que os tipos de insetos foram, pelo menos, um grau acima dos habitantes da água. Quase
todos esses também devoram um ao outro, e cada criatura que eles podem conquistar. Na verdade, tal é o
estado miseravelmente desorganizado do mundo no momento, de maneira que criaturas inumeráveis podem,
de modo algum, preservar suas próprias vidas, do que destruindo outras. Mas, no princípio, não foi assim. A
terra paradisíaca proporcionou uma suficiência de alimento para todos os seus habitantes; de modo que
nenhum deles tinha alguma necessidade ou tentação de fazer do outro, presa. A aranha era, então, tão
inofensiva como uma mosca, e, então, não se colocava a espera por sangue. As mais fracas delas rastejavam
seguramente sobre a terra, ou estendiam suas asas douradas no ar, para esvoaçarem na brisa, e brilharem ao
sol, sem alguém para causar-lhes medo. Enquanto isto, os répteis de cada tipo, eram igualmente inofensivos,
e mais inteligentes do que elas; sim, uma espécie deles ―era mais engenhosa‖, ou inteligente ―do que
algumas da‖ criaturas brutas, ―que Deus criou‖.

13. Mas, em geral, os pássaros, criados para voar no firmamento aberto do céu, parece ter sido de
uma ordem muito superior a tanto os insetos quanto os répteis; embora ainda consideravelmente inferior às
bestas; já que nós agora restringimos esta palavra aos quadrúpedes; animais de quatro patas, que, duzentos
anos atrás, incluíam todo tipo de criaturas vivas. Muitas espécies desses não são apenas dotadas com uma
larga medida de entendimento natural, mas são igualmente capazes de muita melhoria, através da habilidade,
tal como alguém não poderia rapidamente conceber. Mas, em meio a todos esses, não havia pássaros ou
bestas de rapina; nenhuma que destruiu ou molestou outra; mas todas as criaturas respiravam, em seus
diversos tipos, da benevolência do seu grande Criador.

14. Tal era o estado da criação, de acordo com as idéias insuficientes que podemos agora formar,
concernente a ele, quando seu grande Autor, inspecionou todo o sistema de uma só vez, e o declarou ―muito
bom‖. Foi bom, no mais alto grau, em que ele foi capaz, e sem qualquer mistura de mal. Cada parte estava
exatamente ajustada às outras, e condutivas para o bem do todo. Existia ―uma corrente dourada‖ (para usar
a expressão de Platão) ―saindo do trono de Deus‖; e exatamente ligada às séries de seres, do mais superior,
ao mais inferior; da terra morta, através de fósseis, vegetais, animais, ao homem, criado na imagem de Deus,
e designado para conhecer, amar, e desfrutar de seu Criador para toda a eternidade.

II

1. Aqui está um firme alicerce colocado, sobre o qual podemos permanecer, e responder todos os
sofismas dos precisos filósofos; todas as objeções que ―homens vãos‖, que ―seriam sábios‖, fariam à
bondade ou sabedoria de Deus na criação. Todos essas estão alicerçados em um completo equívoco; ou
seja, de que o mundo está agora no mesmo estado que esteve no princípio. E com esta suposição, eles
plausivelmente constroem abundância de objeções. Mas todas essas caem por terra, quando observamos que
esta suposição não pode ser admitida. O mundo, no princípio, estava em um estado totalmente diferente do
que ele se encontra agora. Alegue, portanto, o que quer que lhe agrade do presente estado, tanto da criação
animada e inanimada; se em geral, ou com respeito a algumas instâncias específicas; e a resposta está
pronta:-- Essas não são agora, como elas eram no princípio. Vocês, por conseguinte, ouviram que o vão rei
de Castela, clamando, com maravilhosa auto-suficiência: ―Se eu tivesse feito o mundo, eu o teria feito
melhor do que Deus Altíssimo o fez‖; vocês teriam replicado: ―Não: O Deus Altíssimo, se você o conhece
ou não, não o criou, como ele é agora. Ele mesmo o fez melhor, inexprimivelmente melhor, do que é no
presente. Ele o fez, sem qualquer mancha; sim, sem qualquer defeito. Ele o criou sem corrupção, sem
destruição, na criação inanimada. Ele não criou a morte na criação animal, nem seus precursores, -- o
pecado e dor. Se você não acreditar no próprio relato dele, acredite em seu irmão ateu: foi apenas...‖.

Post ignem aetherea domo


Subductum,

-- ou seja, em um Inglês claro:-- ―depois do homem, em extreme desafio a seu Mestre, comeu da
árvore do conhecimento…‖

Macies, et nova febrium


114

Terris incubuit cohors;

―... foi que todo um exército de males, totalmente novos, totalmente desconhecidos, até então,
irromperam sobre o homem rebelde, e todas as criaturas, e se espalhou na face da terra‖.

2. ―Mais do que isto‖, (diz um homem audacioso, sr. S---J---s], que, desde então, tem personificado
um cristão, e, desta forma, muitos pensam que ele é um ); ―Deus não deve culpar pelos males naturais ou
morais que estão no mundo; porque ele fez isto, tão bem quanto ele pôde; vendo que o mal deve existir na
própria natureza das coisas‖. Deve, na natureza presente das coisas; supondo-se que o homem rebelou-se
contra Deus: Mas o mal não existiu, afinal, na natureza original das coisas. Ele não foi o resultado
necessário da matéria, mais do que foi o resultado necessário do espírito. Todas as coisas, então, sem
exceção, eram muito boas. E como poderiam ser ao contrário? Não havia defeito, afinal, no poder de Deus,
não mais do que em sua bondade ou sabedoria. Sua bondade inclinou-o a fazer todas as coisas boas; e isto
foi executado pelo seu poder e sabedoria. Que todo infiel sensível, então, envergonhe-se de fazer tal
miserável alegação para seu Criador. Ele necessita nada de nós para fazer apologias, quer para ele, ou para
sua criação. ―Uma vez que para Deus, seu caminho é perfeito‖, e tal, originalmente, eram todas as suas
obras; e tais serão novamente, quando ―o Filho de Deus‖ destruir todas ―as obras do mal‖.

3. Neste fundamento, então, de que ―Deus fez o homem ereto‖, e toda a criatura perfeita em seu tipo,
em que aquele homem ―descobriu para si mesmo muitas invenções‖ de felicidade, independente de Deus, e
isto, através de sua apostasia de Deus, ele atirou, não apenas a si mesmo, mas igualmente toda a criação que
estava intimamente ligada a ele, na desordem, miséria, morte; -- neste fundamento, eu digo, nós não
achamos difícil justificar os caminhos de Deus para com os homens.

Porque, embora ele deixasse o homem, nas mãos de seu próprio conselho, para escolher entre o bem
e o mal; vida ou morte; embora ele não tirasse a liberdade que ele tinha dado a ele, mas permitisse que ele
escolhesse a morte, em conseqüência do que toda a criação agora geme junta; ainda assim, quando
consideramos que todos os males introduzidos na criação podem cooperar para nosso bem; sim, podem
―proporcionar-nos um peso mais excelente e eterno de glória‖, nós podemos louvar a Deus por permitir
esses males temporários, com o objetivo de nosso bem eterno: Sim, nós podemos bem clamar: ―Ó, a
profundidade de ambos, a sabedoria‖, e a bondade de Deus! ―Ele fez todas as coisas boas‖. ―Glória a
Deus, e ao Cordeiro, para todo o sempre!‖.

[Editado por Kevin Farrow, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

Sobre a Queda do Homem

'No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és
pó e em pó te tornarás'. (Gênesis 3:19)

1. Por que existe dor no mundo; vendo que Deus 'ama a todo o homem, e sua misericórdia é sobre
todas as suas obras?'. Porque existe pecado: Não existisse pecado, não haveria dor. Mas dor (supondo-se
que Deus seja justo) é o efeito necessário do pecado. Mas, por que ainda existe pecado no mundo? Porque o
homem foi criado à imagem de Deus: Porque ele não é uma mera matéria, um torrão de terra, uma massa de
argila, sem consciência ou entendimento; mas um espírito como seu Criador; um ser humano dotado, não
apenas com senso e entendimento, mas também, com uma vontade, manifestando-se em várias afeições.
Para coroar todo o restante, ele foi dotado de liberdade; um poder de direcionar suas próprias afeições e
ações; uma capacidade de decidir-se, ou de escolher o bem e o mal. De fato, se o homem não tivesse sido
dotado com isto, tudo o mais seria de nenhuma utilidade: Se ele não fosse um ser humano livre e inteligente,
115

seu entendimento não seria capaz da santidade, ou de qualquer espécie de virtude, como uma árvore ou um
bloco de mármore. E tendo este poder, um poder de escolher o bem e o mal, ele escolheu o último: Ele
escolheu o mal. Assim, 'o pecado entrou no mundo', e a dor de todo tipo, preparatória para a morte.

2. Mas este claro e simples relato da origem do mal, se natural ou moral, toda a sabedoria humana
não pôde descobrir, até que agradou a Deus revelá-la para o mundo. Até, então, o homem foi um mero
enigma a si mesmo; um mistério que ninguém, a não ser Deus poderia resolver. E de que maneira completa
e satisfatória Ele resolveu isto neste capítulo! De tal maneira, como, realmente, a não gratificar a curiosidade
vã, mas sendo abundantemente suficiente para responder a uma finalidade mais nobre, justificar os caminhos
de Deus com os homens.

Para esta grande finalidade, eu queria,

I. Primeiro, considerar brevemente a parte precedente deste capítulo; e, então,


II. Em Segundo Lugar, mais particularmente, pesar as palavras solenes que Ele já relatou.

1. Em Primeiro Lugar, vamos considerar brevemente a parte precedente deste capítulo. 'Ora, a
serpente era mais astuta', ou inteligente', 'que todas as alimárias do campo que o Senhor Deus tinha feito'.
(Gênesis 3:1) – dotada com mais entendimento, do que qualquer outro animal, na criação bruta. Realmente,
existe nenhuma improbabilidade, na conjuntura de um homem engenhoso [o recente Dr. Nicholas Robinson]
de que a serpente era privilegiada com a razão, que é agora, propriedade do homem. E isto considera a
circunstância que, sobre nenhuma outra suposição, seria totalmente incompreensível.
Como foi que Eva não ficou surpresa; sim, chocada e aterrorizada, ao ouvir a serpente falar e
raciocinar; a não ser pelo fato de que ela sabia que aquela razão, e discurso, em conseqüência dela, eram
propriedades originais da serpente? Por esta razão, sem mostrar qualquer surpresa, Eva imediatamente
iniciou uma conversa com ela. "E ela disse à mulher: 'Não comereis de toda a árvore do jardim?'". Veja
como ela que era uma mentirosa, desde o inicio, misturou verdade e falsidade juntas! Talvez, de propósito,
para que ela pudesse estar mais inclinada a falar, com o objetivo de imputar a Deus a responsabilidade
injusta. Conseqüentemente, a mulher disse à serpente: (Gênesis 3:2-3) "Nós poderemos comer do fruto das
árvores do jardim: Mas da árvore, no meio do jardim, Deus disse:'Você não deve comer dela, nem deverá
tocá-la, a fim de que não morra'". Assim sendo, ela parece ter sido isenta da culpa. Mas, por quanto tempo,
ela continuou assim? "E a serpente disse à mulher: 'você certamente morrerá: Porque Deus sabe, que no
dia em que dele você comer, seus olhos se abrirão, e você será como Deus, sabendo o bem e o mal'"
(Gênesis 3:4-5). Aqui o pecado começa, ou seja, a descrença. 'A mulher estava iludida', diz o Apóstolo. Ela
acreditou na mentira: Ela deu mais crédito à palavra do diabo do que à palavra de Deus. A descrença
produziu o pecado efetivo: Mas 'o homem', como o Apóstolo observa, 'não foi ludibriado'. Como, então, ele
veio a se unir com a transgressão? 'Ela deu ao seu marido, e ele comeu'. Ele pecou com seus olhos abertos.
Ele se rebelou contra seu Criador, como é altamente provável, que --

Através de nenhuma razão foi movido,


a não ser afetuosamente dominado
pelo encanto feminino

E, se este foi o caso, não existe absurdo na afirmação daquele grande homem, 'Que Adão pecou no
seu coração, antes de pecar exteriormente; antes que ele comesse o fruto proibido';ou seja, através da
idolatria interior; por amar a criatura mais do que o Criador.

2. Imediatamente a dor se seguiu ao pecado. Quando ele perdeu sua inocência, ele perdeu sua
felicidade. Ele temeu dolorosamente que Deus, no amor de quem sua felicidade suprema consistiu
anteriormente. 'Ele disse': Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e tive medo'. (Gênesis
3:10). Ele fugiu Dele que era, até, então, seu desejo, e glória e alegria. Ele 'se escondeu da presente do
Senhor Deus, em meio às árvores do jardim'. Escondeu-se! Do que, dos olhos que tudo vê? Dos olhos que,
116

com um relance, penetra o céu e terra? Veja como seu entendimento foi igualmente enfraquecido! Que
insensatez espantosa foi esta! Tal como alguém poderia imaginar muito poucos, mesmo de sua posteridade,
teriam caído. Tão mortalmente foi seu 'tolo coração enegrecido', pelo pecado, culpa, tristeza, e medo. Sua
inocência foi perdida, e, ao mesmo tempo, sua felicidade, e sua sabedoria. Aqui está a resposta clara e
inteligível da questão, 'Como o mal entrou para o mundo?' .

3. Alguém não pode deixar de observar, através de toda esta narrativa, a inexprimível ternura e
indulgência do Todo Poderoso Criador, de quem eles tinham se revoltado; o Soberano, contra quem eles
tinham se rebelado. "E o Senhor Deus chamou Adão, e disse a ele: 'Onde estavas?'" – assim, graciosamente,
pedindo para retornar aquele que, do contrário, teria fugido eternamente de Deus. "E Adão respondeu: 'Eu
ouvi tua voz no jardim, e tive temor, porque eu estava nu'". Ainda aqui não existe reconhecimento de sua
falta; nenhuma humilhação por ela. Mas com que ternura espantosa Deus o conduziu a fazer aquele
reconhecimento! "E Deus disse: 'Quem contou a ti, que tu estavas nu? Como vieste a fazer esta descoberta?
Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses?'". 'E o homem disse', ainda sem se sentir
humilhado; sim, jogando a culpa indiretamente sobre o próprio Deus: 'A mulher que me deste por
companheira, ela me deu da árvore, e eu comi'. "E o Senhor Deus, ainda com o objetivo de trazê-lo ao
arrependimento, disse a mulher: 'O que foi que tu fizeste?' (Gênesis 3:13). E a mulher respondeu, cruamente
declarando a coisa como ela era: 'A serpente me enganou, e eu comi'". "Ao que o Senhor Deus disse à
serpente", para testificar Sua completa abominação ao pecado, através de um monumento permanente de seu
desprazer, ao punir a criatura que fora meramente o instrumento dele: 'Porquanto fizeste isto, maldita serás
mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó, tu comerás
todos os dias da tua vida – E eu colocarei inimizade entre ti e a mulher; e entre tua semente a semente da
mulher: E esta te ferirá a cabeça, e tu feriras seu calcanhar'. Assim, no meio do julgamento Deus
conservou a misericórdia, desde o começo do mundo; ligando a grande promessa da salvação com a mesma
sentença da condenação!

4. "E, junto à mulher, Ele disse: 'Multiplicarei grandemente teu sofrimento', ou em 'tua concepção:
Com sofrimento', ou dor, 'tu darás à luz filhos'; -- sim, acima de qualquer outra criatura debaixo do céu; cuja
maldição original, nós vemos que está vinculada à sua última posteridade. 'E o teu desejo será para o teu
marido, e ele te dominará'". Parece que a última parte desta sentença é explicativa da primeira. Houve, até
agora, alguma outra inferioridade da mulher para com o homem, do que aquela que nós podemos conceber
de um anjo para outro? "E Deus disse a Adão: 'Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da
árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti – Espinhos e cardos
ela produzirá para ti'": -- Produções inúteis; sim, danosas; considerando que nada, planejado, para causar
dano ou dor, teve, a princípio, algum lugar na criação. 'E tu irás comer da erva do campo': -- Grosseira e vil,
comparada às frutas deliciosas do paraíso! 'No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à
terra; porque dela foste tomado; porquanto, tu és pó, e em pó te tornarás'

II

1. Vamos agora, em Segundo Lugar, pesar essas palavras solenes, de uma maneira mais particular.
'Tu és pó': Mas quão terrivelmente e maravilhosamente forjado, em inumeráveis fibras, nervos, membranas,
músculos, artérias, veias, vasos de vários tipos! E quão espantosamente este pó está ligado com a água; com
os fluidos circulantes fechados, diversificados em milhares de maneiras, através de milhares de tubos e
filtros! Sim, e quão maravilhosamente o ar está comprimido, em todas as partes, sólidas ou fluídas, da
máquina animal; ar não elástico; que faria a máquina em pedaços, mas tão fixado como a água debaixo do
pólo! Mas tudo isto não teria proveito, não fosse o fogo etéreo, intimamente misturado com esta terra, ar e
água. E todos esses elementos estão misturados, na mais exata proporção; de maneira que, enquanto o corpo
está sadio, nenhum deles predomina, em nenhum grau, sobre os demais.

2. Tal era o homem, com respeito à sua parte corpórea, quando ele saiu das mãos de seu Criador.
Mas, desde que ele pecou, ele não é apenas pó, mas um pó mortal, corruptível. E, através da triste
experiência, nós nos certificamos que este 'corpo corruptível pressiona a sua alma para baixo'. Ele
freqüentemente oculta a alma em suas operações, e, na melhor das hipóteses, a serve muito imperfeitamente.
117

Ainda assim, a alma não pode dispensar seus serviços, imperfeitos como eles são: porque um espírito, sem
corpo, não pode formar um pensamento, a não ser com a mediação de seus órgãos corpóreos. Por pensar,
como muitos supõem, que não se trata da ação de um espírito puro; mas da ação de um espírito conectado a
um corpo, e atuando sobre um grupo de padrões materiais. Por conseguinte, ele não pode criar
possivelmente música alguma melhor, do que a natureza e estado de seus instrumentos permitem. Por esta
razão, toda desordem do corpo, especialmente, das partes mais imediatamente subservientes ao pensamento,
situa-se numa barreira quase insuperável, no caminho de seu pensamento justamente. Disto, a máxima
recebida em todas as épocas: O homem é errado e ignorante.

''Não apenas ignorante', (isto pertence, mais ou menos, a toda criatura no céu e terra; vendo que
ninguém é onisciente; ninguém conhece todas as coisas, salvo o Criador), 'mas o erro está imposto sobre
cada filho do homem'. O engano é, assim como a ignorância, inseparável da humanidade, neste nosso
presente estado. Todo filho do homem comete milhares de equívocos, e está propenso aos erros da carne, a
todo o momento. E um erro de julgamento pode ocasionar um erro na prática; sim, naturalmente conduz a
isto. Eu me engano, e possivelmente, não posso evitar confundir o caráter deste ou daquele homem. Eu
suponho que ele seja o que ele não é; seja melhor ou pior do que realmente é. Sobre esta suposição errada,
eu me comporto de modo errado com ele; ou seja, mais ou menos, afetuosamente do que ele merece. E, pelo
engano que é ocasionado, através da deficiência de meus órgãos corpóreos, eu sou naturalmente conduzido a
assim proceder. Tal é a condição presente da natureza humana. De uma mente dependente de um corpo
mortal. Tal é o estado vinculado aos espíritos humanos, enquanto unidos com a carne e o sangue!

3. 'E ao pó, tu retornarás'. Quão admiravelmente bem, o sábio Criador assegurou a execução de sua
sentença sobre toda a descendência de Adão! É verdade que Ele se agradou de fazer uma exceção a regra
geral, no mesmo início dos tempos, em favor de um homem eminentemente religioso. Então nós lemos em
(Gênesis 5:23-24) 'E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com
Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou'; depois de Enoque ter 'caminhado com Deus',
trezentos e sessenta e cinco anos, 'ele não se foi; porque Deus o arrebatou': Ele o isentou da sentença
passada a toda carne, e o levou vivo ao céu. Muitas décadas depois, Ele se agradou de fazer a segunda
exceção; ordenando ao Profeta Elias para ser levado ao céu, em uma carruagem de fogo, -- muito
provavelmente, por um comboio de anjos, assumindo aquela aparência. E não é improvável que Ele viu por
bem fazer a terceira exceção, na pessoa de seu amado discípulo. Existe um relato particular do Apóstolo
João, na velhice, que nos foi transmitido; mas não temos relato de sua morte, e nem da menor insinuação
concernente a ela. Por isso, nós podemos razoavelmente supor que ele não morreu, mas que, depois de ter
terminado seu curso, e 'caminhado com Deus', por volta de cem anos, o Senhor o tomou, como a Enoque;
não de uma maneira tão declarada e conspícua como Ele fez com o Profeta Elias.

4. Mas deixando essas duas ou três instâncias de lado, quem tem sido capaz, no curso de
aproximadamente seis mil anos, de evadir-se da execução dessa sentença, passada para Adão e toda sua
posteridade? Mesmo que os homens sejam tão grandes mestres na arte da cura, eles podem prevenir ou curar
a decadência gradual da natureza? Todas as suas habilidades grosseiras podem livrá-los da velhice, ou
impedir o pó de retornar ao pó? Mais do que isto: quem entre os maiores mestres da medicina tem sido
capazes de acrescentar um século à sua própria existência? Sim, ou de prolongar sua vida, algum tempo
considerável, além do período comum? Os dias do homem, por volta de três mil anos (desde o tempo de
Moisés, pelo menos), têm sido fixados, numa média de setenta anos. Quão poucos existem que alcançam os
oitenta anos! Talvez, dificilmente um em quinhentos. Tão pouco proveito tem a capacidade humana contra
as determinações de Deus!

5. Deus tem, de fato, providenciado os meios para a execução de seu próprio decreto, nos próprios
princípios de nossa natureza. Bem se sabe que o corpo humano, quando ele vem ao mundo, consiste de
membranas, perfeitamente finas, que são preenchidas com fluido circulante, para as quais as partes sólidas
nutrem uma proporção muito pequena. Dentro dos tubos compostos dessas membranas, a nutrição deve ser
continuamente introduzida; do contrário, a vida não pode continuar, mas chega ao fim, tão logo ela começa.
E suponha que essa nutrição seja liquida, o que, a medida em que ela flui, através desses canais finos,
continuamente os alarga, em todas as suas dimensões; ainda assim, ela contém inumeráveis partículas
118

sólidas, que continuamente se aderem à superfície interior dos vasos, através dos quais elas fluem; de modo
que, na mesma proporção que algum vaso se dilata, ele é endurecido também.

Assim, desde a meninice até a maturidade, o corpo se torna mais firme, tanto quanto mais largo. Aos
vinte, vinte e cinco, ou trinta anos, ele alcança a sua medida e firmeza completa. Todas as partes do corpo
estão, então, aumentadas, em seu limite total; quanto mais as substâncias da terra se aderem a todos os
vasos, mais dão a solidez que eles severamente precisam para os nervos, artérias, veias, músculos, com o
objetivo de exercitar suas funções, da maneira mais perfeita. Porque nos vinte, ou trinta anos seguintes,
embora mais e mais partículas da terra continuamente se adiram à superfície interior de todos os vasos do
corpo, ainda assim, a inflexibilidade causada, por meio disto, é dificilmente observável, e ocasiona pequena
inconveniência. Mas, depois de sessenta anos (mais ou menos, de acordo com a constituição natural, e
milhares de circunstâncias acidentais) a mudança é facilmente percebida, mesmo na superfície do corpo. As
rugas mostram a proporção dos fluídos sendo diminuídos, assim como a secura da pele, através da
diminuição de sangue e humores orgânicos, que, antes a umedeciam e mantinham-na lisa e flexível. As
extremidades do corpo ficando frias, não apenas, como se elas tivessem sido removidas do centro do
movimento, mas como se a menor das veias estivessem entupidas, e não pudessem mais admitir fluído
circulante.

Conforme a idade aumenta, cada vez menos, os vasos ficam permeáveis, e capazes de transmitir o
fluído vital; exceto nos mais grossos, a maioria dos quais estão alojados dentro do tronco. Na extrema
velhice, as próprias artérias, o grande instrumento de circulação, através de contínua oposição a terra,
tornam-se duras, como se fossem ossos, até que, tendo perdido o poder de contraírem-se, elas não podem
mais propelir o sangue, até mesmo, através de canais largos; em conseqüência do que, a morte naturalmente
se segue. Assim, são as sementes da morte, semeadas em nossa própria natureza! Desta forma, desde o
primeiro momento, quando surgimos no estágio da vida, estamos viajando em direção a ela: Estamos nos
preparando, quer queiramos ou não, para retornarmos ao pó de onde viemos!

6. Agora vamos fazer um pequeno retrospecto de tudo, já que ele foi entregue com inimitável
simplicidade; o que uma pessoa imparcial poderia, mesmo disto, inferir ser a palavra de Deus. Naquele
período de duração, que Ele considerou mais apropriado (o que tão somente Ele, cujos olhos viram todas as
possibilidades das coisas do Eterno para a eternidade, poderia ser o juiz), o Todo Poderoso, erguendo-se na
grandeza de suas forças, decidiu criar o universo. 'No início Ele criou', vindo do nada, 'a matéria dos céus e
terra': (Assim, o Sr. Hutchinson observa, as palavras originais propriamente significando): Então, 'o
Espírito', ou o fôlego 'do Senhor', ou seja, o ar, 'moveu-se sobre a face das águas'. Aqui estava a terra, água,
ar; três dos elementos, ou partes componentes do mundo abaixo. "E Deus disse 'Haja luz, e houve luz'".
Através desta palavra onipotente, luz, ou seja, fogo, o quarto elemento, nasceu. Destes, diferentemente
modificados, e proporcionados uns com os outros, Ele compôs o todo. 'A terra produziu grama, a erva
produziu semente, e a árvore produziu fruto, segundo a sua espécie': e, então, as várias tribos de animais, os
habitantes das águas, do ar, e da terra. Mas o próprio pagão poderia observar: "Ainda havia a necessidade de
uma criatura de um nível mais elevado, capaz de sabedoria e santidade".

Assim, 'Deus criou o homem a sua própria imagem; na imagem de Deus, Ele o criou!'. Sinal da
repetição enfática. Deus não o fez meramente matéria; um pedaço de argila inconsciente, sem inteligência;
mas um espírito, como Si próprio, embora coberto com o veículo material. Como tal, ele foi dotado com
entendimento; com a vontade incluindo várias afeições; e com a liberdade, um poder de usá-la, da maneira
correta ou errada, de escolher o bem ou o mal. Do contrário, nem seu entendimento, nem sua vontade teria
sido de algum propósito, porque ele seria tão incapaz de virtude ou santidade como um tronco de árvore.
Adão, em quem toda a humanidade foi, então, contida, livremente preferiu o mal ao bem. Ele escolheu fazer
a sua própria vontade, preferivelmente, a vontade de seu Criador. Ele não foi ludibriado', mas
conscientemente e deliberadamente revelou-se contra seu Pai e seu Rei. Naquele momento, ele perdeu a
imagem moral de Deus, e, em parte, a natural: Ele começou ímpio, tolo e infeliz. E, 'em Adão todos
morreram': Ele designou a toda sua posteridade o erro, culpa, tristeza, medo, dor, enfermidade e morte.
119

7. Como, realmente, todas as coisas a nossa volta, mesmo a face do mundo todo, concordam, com
este relato! Abram os olhos! Olhem em volta de vocês! Vejam as trevas que podem ser sentidas; vejam a
ignorância e o erro; vejam o vício, em milhares de formas; vejam a consciência da culpa, medo, tristeza,
vergonha, remorso, cobrindo a face da terra! Vejam a miséria, a filha do pecado. Vejam, de todos os lados, a
enfermidade e a dor; habitantes de todas as nações debaixo do céu; empurrando o pobre, os desamparados
filhos dos homens, em todos os tempos, para os portões da morte! Assim, eles têm feito, quase desde o
começo do mundo. Assim, eles farão, até a consumação de todas as coisas.

8. Mas o Criador pode menosprezar a obra de suas próprias mãos? Certamente que é impossível! Ele
pode, então, providenciar um remédio para todos esses males, vendo que tão somente Ele é capaz disto?
Sim, verdadeiramente Ele pode! E um medicamento suficientemente adequado, em todos os sentidos, para a
enfermidade. Ele tem cumprido sua palavra: tem permitido 'à semente da mulher, pisotear a cabeça da
serpente'. -- 'Deus amou tanto o mundo, que Ele deu seu Unigênito, para que todo aquele que Nele cresse,
não perecesse, mas tivesse a vida eterna'. Aqui está um remédio preparado para todas as nossas culpas: Ele
'carregou todos os nossos pecados em seu corpo no madeiro'. E 'se alguém pecou, nós temos um Advogado
com o Pai, Jesus Cristo, o justo'. E aqui está o remédio, para todas as nossas enfermidades, toda a corrupção
de nossa natureza. Porque Deus também, pela intercessão de seu Filho, nos deu seu Espírito Santo, para nos
renovar 'no conhecimento', em sua imagem natural; -- abrindo os olhos de nosso entendimento, e nos
iluminando com tal conhecimento, já que é requisito necessário para nosso Deus amável; -- e também em
sua imagem moral, ou seja, 'retidão e santidade verdadeira'. E, supondo que isto seja feito, nós entendemos
que 'todas as coisas' irão 'trabalhar juntas para nosso bem'. Nós sabemos, através de experiência, bem
sucedida, que todas as maldades inatas mudam sua natureza, e voltam-se para o bem; que a tristeza,
enfermidade, dor, todas provarão ser medicamentos, para curar nossa enfermidade espiritual. Todas serão
para nosso proveito; todas irão tender para nossa vantagem inexprimível, fazendo com que sejamos mais
amplamente 'parceiros de Sua santidade', enquanto permanecermos na terra; acrescentando tantas estrelas
para aquela coroa que está reservada no céu para nós.

9. Observem, então, ambas a justiça e misericórdia de Deus! – sua justiça em punir o pecado; o
pecado dele, em quem estamos todos contidos; sobre Adão e toda sua posteridade; -- e sua misericórdia, em
providenciar um medicamento universal para um mal universal; em indicar o Segundo Adão para morrer por
todos que tinham morrido no primeiro; 'como em Adão todos morreram, então, em Jesus Cristo todos'
deveriam 'viver'; 'como, por meio da ofensa de um homem, o julgamento trouxe condenação a todos os
homens; então, por meio da retidão de um, o dom livre' viria 'sobre todos na justificação da vida' --
'justificação da vida', como estando ligada com o novo nascimento, o início da vida espiritual, que nos
conduz, através da vida de santidade, para a vida eterna; para a glória.

10. E deve ser particularmente observado que, 'onde o pecado é abundante, a graça é muito mais'.
Porque, assim como é para a condenação, assim é para o dom livre; mas nós podemos obter infinitamente
mais, do que temos perdido. Nós podemos agora alcançar os mais altos graus de santidade, e os mais altos
graus de glória, do que teria sido possível alcançarmos, se Adão não tivesse pecado, e se o Filho de Deus
não tivesse morrido: Conseqüentemente, se aquele exemplo espantoso do amor de Deus para com o homem,
que tem, em todas as épocas, despertado a mais sublime alegria, amor, e gratidão de Seus filhos, nunca
tivesse existido, nós teríamos amado o Deus Criador, o Deus Preservador, o Deus Governador; mas não teria
havido lugar para o Deus Redentor. Isto não teria existido. A mais sublime glória e alegria dos santos da
terra, e do céu, Cristo crucificado, teria sido ausente.

Nós não poderíamos, então, ter louvado a Ele que, pensando que nenhum ladrão fosse igual com
Deus, ainda assim, esvaziou a si mesmo, tomou sobre si a forma de um servo, e foi obediente para a morte,
mesmo a morte na cruz! Este é agora o mais nobre motivo para todos os filhos de Deus na terra; sim, nós
não necessitamos de escrúpulos para afirmarmos que, até mesmo, dos anjos e arcanjos, e toda a companhia
do céu.

'Aleluia', eles clamam, 'ao Rei do céu, o grande e eterno Eu Sou; ao Cordeiro que foi sacrificado, e
reviveu. Aleluia a Deus e ao Cordeiro!'
120

[Editado por George Lyons da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a Wesley Center for Applied
Theology.]

SOBRE A PREDESTINAÇÃO

'Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a
fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos; e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos
que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou'.(Romanos 8:29, 30)

1. 'Nosso amado irmão Paulo', diz Pedro, 'de acordo com a sabedoria que é dada a ele, tem escrito a
vocês; assim também em todas as suas Epístolas, falando nelas dessas coisas; nas quais estão algumas
coisas difíceis de serem entendidas, e que eles que são incultos ou inseguros interpretam mal, como fazem
também com as outras Escrituras, para a própria destruição deles. (II Pedro 3:15, 16)

2. Em meio a essas coisas faladas por Paulo, que são difíceis de serem entendidas, não é improvável
que o Apóstolo Pedro situasse o que ele fala sobre este assunto no oitavo e nono capítulos de sua Epistolas
aos Romanos. E é certo que não apenas o inculto, mas muitos da maioria dos homens letrados do mundo, e
não apenas o 'inseguro', mas muitos que pareceram bem alicerçados nas verdades do Evangelho, têm, por
diversos séculos, 'interpretado mal' essas passagens 'para a própria destruição deles'.

3. Nós podemos aceitar que elas sejam 'difíceis de serem entendidas', quando consideramos quanto
os homens de um entendimento melhor, aperfeiçoado por todas as vantagens da educação, têm
continuamente diferido no julgamento concernente a elas. E da própria consideração, de que existe tão
ampla diferença, sobre o assunto, entre os homens de um maior aprendizado, consciência, e piedade; o que
alguém poderia imaginar fosse fazer com que todos falassem sobre o assunto, com excessiva cautela e
reserva. Mas eu não sei como, justamente o contrário é observado em toda parte do mundo cristão. Nenhum
escritor sobre a terra parece mais experiente que esses que escrevem sobre este assunto difícil. Mais do que
isto, os mesmos homens que, escrevendo sobre qualquer outro assunto, são notavelmente modestos e
humildes, com respeito a este, colocam de lado toda a dúvida sobre si mesmo, e falam de uma cátedra
infalível.

Isto é particularmente observável, em quase todos aqueles que afirmam as leis absolutas de Deus.
Mas certamente é possível evitar isto: o que quer que seja que propomos, pode ser proposto com moderação,
e com deferência àqueles homens bons e sábios que são de opinião contrária; e o preferível, porque tanto
tem sido dito já, em todas as partes da questão; tanto volumes têm sido escritos, que é raramente possível
afirmar algo que não foi falado antes. Tudo que eu puder oferecer no momento, não aos amantes da
contenda, mas aos homens de piedade e candura, são algumas poucas dicas, que, talvez, possa lançar alguma
luz no texto acima citado.

4. Quanto mais freqüentemente e cuidadosamente, eu tenho considerado isto, mais eu estou inclinado
a pensar que o Apóstolo não está descrevendo aqui (como muitos têm suposto), uma série de causas e
efeitos; (isto não parece ter entrado no seu coração); mas simplesmente mostrar o método como Deus opera;
a ordem na qual os diversos ramos da salvação constantemente seguem um ao outro. E isto, eu compreendo,
irá trazer esclarecimentos a algum inquiridor sério e imparcial, examinando a obra de Deus, de um lado ao
outro; do começo ao fim, ou do fim ao começo.

5. Em Primeiro Lugar, vamos olhar adiante em toda a obra de Deus, na salvação do homem;
considerando-a, do começo, o primeiro ponto, até terminar na glória. O Primeiro passo é a presciência de
Deus. Deus "pré-viu" aqueles em todas as nações; aqueles que iriam crer, desde o começo do mundo até a
consumação de todas as coisas. Mas, com o objetivo de lançar uma luz sobre esta questão obscura, dever-se-
ia observar que, quando nós falamos da presciência de Deus, nós não falamos de acordo com a natureza das
121

coisas, mas segundo a maneira de homens. Porque, se nós falarmos propriamente, não existe tal coisa como
presciência, ou pós-ciência em Deus. Todo o tempo, ou preferivelmente, toda a eternidade (para os filhos
dos homens), é o momento presente para Ele; Ele não conhece uma coisa em um ponto de vista, mas do
eterno para o eterno. Como todo o tempo, com tudo que existe nele, é o momento presente para Ele, então,
Ele vê, de imediato, o que quer que foi ou será até o fim dos tempos.

Mas observe: Nós não devemos pensar que eles existem, porque Ele os conhece. Não: Ele os
conhece, porque eles existem. Justamente como (se é permitido a alguém comparar as coisas de homens com
as coisas profundas de Deus) eu sei que o sol brilha: Ainda assim, o sol não brilha, porque eu o conheço,
mas eu sei disto, porque ele brilha. Meu conhecimento supõe que o sol brilhe. Mas de maneira alguma,
causa isto. De igual maneira, Deus sabe que aquele homem peca; porque ele conhece todas as coisas: Ainda
assim, nós não pecamos porque ele sabe disto, mas ele sabe disto, porque nós pecamos; e seu conhecimento
supõe nosso pecado; mas, de maneira alguma, é a sua causa. Em uma palavra, Deus, olhando para todas as
épocas, da criação à consumação, como sendo um momento, e vendo, de imediato, o que está nos corações
de todos os filhos dos homens, sabe cada um que crê e que não crê, em todas as eras e nações. Ainda assim,
o que ele sabe, quer seja fé ou descrença, não é, de forma alguma, causada por seu conhecimento. Os
homens são livres para crerem ou não, como se Ele não soubesse disto, afinal.

6. De fato, se o homem não fosse livre, ele não seria responsável, quer pelos seus pensamentos,
palavras ou ações. Se ele não fosse livre, ele não seria capaz, quer da recompensa ou punição; ele seria
incapaz da virtude ou do vício; de ser tanto moralmente bom quanto mal. Se ele não tivesse mais liberdade
que o sol, a lua, ou as estrelas, ele não seria mais responsável do que eles. Na suposição de que ele não teria
mais liberdade do que eles, as pedras da terra seriam tão capazes da recompensa, ou sujeitas à punição
quanto o homem: Um seria tão responsável quanto o outro. Ainda assim, seria tanto um absurdo afirmar a
virtude ou o vício dele, quanto afirmar isto à um tronco de árvore.

7. Mas, prosseguindo: 'Aquele que Ele conheceu com antecipação, é quem Ele predestinou ser
conforme a imagem de seu Filho'. Este é o Segundo passo (para falar, segundo a maneira dos homens:
Porque, em efeito, não existe antes ou depois em Deus): Em outras palavras, Deus decreta, da eternidade
para a eternidade, para que todos os que crêem no Filho de seu amor sejam conforme a sua imagem; sejam
salvo de todo pecado interior e exterior, na santidade interior e exterior. Assim sendo, é fato claro e inegável
que todos os que verdadeiramente crêem no nome do Filho de Deus 'recebem' agora 'a finalidade de sua fé,
a salvação de suas almas'; e isto na virtude do imutável, irreversível e irresistível decreto de Deus, -- 'Ele
que crê deverá ser salvo'; 'ele que ao crê, deverá ser condenado'.

8. 'Quem Ele predestinou, a este, Ele também chamou'. Este é o Terceiro passo (ainda lembrando que
falamos, segundo a maneira de homens): Para expressar isto um pouco mais largamente: De acordo com o
Seu decreto fixo, de que os que crêem deverão ser salvos, estes a quem Ele previu, como tal, Ele chamou
exteriormente e interiormente, -- exteriormente, através da palavra de Sua graça; e interiormente, através do
Seu Espírito. Esta aplicação interior de Sua palavra no coração parece ser o que alguns denominam de
'chamado eficaz'. E ele implica, o chamado dos filhos de Deus; a aceitação deles 'no Amado'; a justificação
deles 'livremente pela sua graça, através da redenção que está em Jesus Cristo'.

9. 'A quem Ele chamou, a eles Ele justificou'. Este é o Quarto passo. Geralmente se permite que a
palavra, 'justificado', seja compreendida em seu sentido especifico; o que significa que Ele os tornou justos
ou retos. Ele executou seu decreto, 'ajustando-os à imagem de seu Filho'; ou, como falamos usualmente, os
santificou.

10. 'A quem Ele justificou, Ele também glorificou'. Este é o Último passo. Tendo feito deles
'parceiros na herança dos santos na luz', Ele deu a eles 'o reino que lhes foi preparado, antes da criação do
mundo'. Este é o mandamento, em que 'de acordo com a deliberação de Sua vontade', o plano que Ele
estabeleceu da eternidade, Ele salva aqueles a quem ele pré-conheceu; os verdadeiros crentes, em todos os
lugares e gerações.
122

11. A mesma grande obra de salvação pela fé, de acordo com a presciência e decreto de Deus, pode
aparecer, sob uma luz ainda mais clara, se nós a virmos de trás para frente, do fim para o começo. Suponha,
então, que você esteja com 'a grande multidão que nenhum homem pode contar, de toda a nação, e língua, e
família, e pessoas'; que 'louvou ao Ele que está sentado no trono, e junto ao Cordeiro, para sempre e
sempre', você não encontraria um entre eles todos que tivessem entrado na glória, que não fosse testemunha
daquela grande verdade, 'Sem santidade, homem algum verá ao Senhor'; 'ninguém daquela companhia
incomensurável foi santificado, antes que tivesse sido glorificado'. Através da santidade, ele foi preparado
para a glória; de acordo com a vontade invariável do Senhor, aquela coroa, adquirida, por meio do sangue de
seu Filho, poderá ser dada a ninguém, a não ser àqueles que são nascidos de novo, através de seu Espírito.
Ele se torna 'o autor da salvação eterna', apenas 'a eles que o obedecem'; 'e obedecem a Ele, interior e
exteriormente; que são santos no coração, e santos em todos os seus modos de vida'.

12. E, se você pudesse dar uma olhada naqueles que estão agora justificados, você não encontraria
um deles que tenha sido santificado, até que tivesse sido chamado. Ele primeiro foi chamado, não apenas
com um chamado externo, através da palavra e dos mensageiros de Deus, mas, igualmente, com um
chamado interior, através de Seu Espírito, aplicando Sua palavra, capacitando-o a crer no Unigênito Filho de
Deus, e testemunhando com seu espírito que ele é um filho de Deus. E foi, através deste mesmo meio que
eles todos foram santificados. Foi, através da consciência do amor de Deus, espalhado em seu coração, que
cada um deles foi capacitado a amar a Deus. Amando a Deus, ele amou seu próximo, como a si mesmo; e
tem o poder de caminhar em todos os seus mandamentos, imaculado. Esta é a regra que admite nenhuma
exceção. Deus chama um pecador, por sua iniciativa, ou seja, o justifica, antes de santificar. E, por meio
disto, a consciência de Seu favor, Ele opera nele aquela gratidão e afeição de filho, do qual brota todo
temperamento bom, e palavra e obra.

13. E quem são eles que são assim chamados por Deus, a não ser aqueles que Ele antes predestinou,
ou decretou, 'a serem conforme a imagem de seu Filho?'. Este decreto (ainda falando, segundo a maneira
dos homens) precede todo o chamado dos homens. Cada crente foi predestinado, antes que ele tivesse sido
chamado. Porque Deus não chama alguém, a não ser 'de acordo com a deliberação de Sua vontade'; de
acordo o plano de ação que Ele estabeleceu antes da fundação do mundo.

14. Uma vez mais: Já que todos que são chamados foram predestinados, então, todos a quem Deus
tem predestinado, Ele pré-conheceu. Ele conheceu; Ele os viu como crentes, e como tais, os predestinou à
salvação, de acordo com seu decreto eterno, 'Ele que crê será salvo'. Assim, nós vemos todo o processo da
obra de Deus, do fim ao começo. Quem está glorificado? Ninguém, a não ser aqueles que foram antes
santificados. Quem está santificado? Ninguém, a não ser quem foi antes justificado. Quem está justificado?
Ninguém, a não ser aqueles que foram primeiro predestinados. Que está predestinado? Ninguém, a não ser
aqueles a quem Deus pré-conheceu como crentes. Assim, o propósito e palavra de Deus se mantêm
inabaláveis, como os pilares dos céus: -- 'Ele que crê será salvo; ele que não crê será condenado'. E, assim,
Deus está limpo do sangue de todos os homens; uma vez que, quem quer que pereça, perece por seus
próprios atos e façanhas. 'Eles não virão comigo', diz o Salvador de homens; e 'não existe salvação em
nenhum outro'. Eles 'não crerão'; e não existe outro caminho; quer para a salvação presente ou eterna.
Portanto, o sangue deles está sobre suas próprias cabeças; e Deus ainda está 'justificado em dizer' que ele
'deseja que todos os homens sejam salvos, e venham ao conhecimento de Sua verdade'.

15. A soma de tudo isto é: o Altíssimo, Todo sábio, Deus, vê e conhece, da eternidade para a
eternidade, tudo que é, foi e será, através de um eterno agora. Com Ele nada é passado ou futuro, mas todas
as coisas igualmente presentes. Ele tem, portanto, se falarmos, de acordo com a verdade das coisas,
nenhuma presciência; nenhuma pós-ciência. Isto seria nada consistente com as palavras do Apóstolo, 'Com
Ele, não existe inconstância ou sombra de desvio'; e com o relato que Ele dá de Si mesmo, através do
Profeta, 'Eu, o Senhor, não mudo'. Ainda assim, quando Ele nos fala, sabendo onde fomos feitos; sabendo a
insuficiência de nosso entendimento, Ele se permite descer até a nossa capacidade, e fala de Si mesmo,
segundo a maneira de homens. Assim, em condescendência à nossa fraqueza, Ele fala de seu propósito,
deliberação, plano, presciência. Não que Deus tenha alguma necessidade de recomendar, de propor, ou de
planejar Sua obra antecipadamente. Que esteja muito longe de nós imputarmos isto ao Altíssimo; mensurá-
123

lo por nós mesmos! É meramente em compaixão a nós que Ele fala assim, de si mesmo; como prevendo as
coisas no céu ou terra, e como as predestinando ou pré-ordenando. Mas nós podemos imaginar possível que
essas expressões devam ser tomadas literalmente? Para alguém que fosse tão grosseiro em suas concepções,
Ele não poderia dizer: 'Pensas que eu sou tal como tu és? Não, mesmo! Assim como os céus são mais
excelentes que a terra, então meus caminhos são mais excelentes que os teus. Eu conheço, decreto,
trabalho, de tal maneira, como se não fosse possível a ti compreender: mas para dar a ti algum
conhecimento tênue, e luzente dos meus caminhos, eu uso a linguagem dos homens, e me ajusto à tua
compreensão neste teu estado pueril de existência'.

16. O que é isto, então, que nós aprendemos de todo este relato? Trata-se disto e não mais: -- (1)
Deus conhece todos os que crêem; (2) deseja que eles sejam salvos do pecado; (3) com esta finalidade,
justificá-los, (4) santificá-los e (5) conduzi-los até a glória.

Ó, que os homens possam louvar ao Senhor por esta sua bondade; e que eles possam estar contentes
com este claro relato disto, e não se esforcem para atacarem aqueles mistérios que são tão profundos, até
mesmo para os anjos sondarem!

[Editado por Dave Giles e George Lyons no Northwest Nazarene College (Nampa, ID), para a
Wesley Center for Applied Theology.]

------------

[Excerto da carta escrita por George Whitefield (defensor da predestinação) em resposta ao sermão
de John Wesley (defensor da Justificação pela fé), 'Graça Livre" – tradutora]
------------
George Whitefield ao Sr John Wesley: "Não, meu caro, Senhor, você errou!".
George Whitefield
ao Rev. Mr. John Wesley

Em resposta ao Sermão do Sr. Wesley, intitulado·


“Graça Livre”

―E chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível‖.


(Gal. 211)

PREFÁCIO

―Eu estou muito consciente dos diferentes efeitos que a publicação dessa carta, contra o prezado
Sermão do Sr. Wesley, irá produzir. Muitos dos meus amigos que são defensores estrênuos da redenção
universal serão imediatamente ofendidos. Muitos que são zelosos, por outro lado, serão muito regozijados.
Eles dois são tépidos, de ambos os lados, e são levados por argumentações carnais, o que faz com que esse
assunto nunca possa ser levado sob debate‖.

―As razões que eu dei, no começo da carta, eu penso que são suficientes para satisfazer toda a minha
conduta nela. Eu desejo, então, que eles, que abraçam a eleição, não triunfem e comemorem, por um
lado (porque eu detesto qualquer coisa desse tipo) – e que eles, que são preconceituosos contra esta
doutrina, não se sintam muito consternados ou ofendidos uns com os outros‖.
124

―Conhecidos por Deus são todos os seus caminhos, desde o começo do mundo. O grande dia irá revelar

porque o Senhor permite que o querido Sr. Wesley e eu tenhamos maneiras tão diferentes de pensar. No

momento, eu não devo fazer indagações nesse assunto, além do relato o qual ele mesmo tem dado dele,

na carta que se segue, e que eu recentemente recebi das suas prezadas mãos‖.

Londres, Agosto 9, 1740

John Wesley responde ao Sr. George Whitefield

Meu prezado Irmão,

―Eu agradeço a você pela sua carta de 24 de Maio. O caso é bastante evidente. Existem os
fanáticos, tanto a favor da predestinação quanto contra ela. Deus está enviando uma mensagem àqueles de
ambos os lados. Mas ninguém irá recebê-la, exceto aqueles que tenham opinião própria. Por essa razão,
nesse momento, você é permitido ser de uma opinião e eu de outra. Mas, quando o tempo chegar, Deus irá
fazer o que o homem não pode, ou seja, fazer-nos ambos com uma mente apenas‖.

―Então, persecução irá se extinguir, e será visto, se nós consideramos nossas vidas preciosas para
nós mesmos, de modo que possamos terminar nossa jornada com alegria‖.

Eu sou, meu mais querido Irmão,


Sempre seu,

J. Wesley

―Assim, meu honrado amigo, eu oro fervorosamente a Deus para apressar o tempo, para que ele
seja claramente iluminado em todas as doutrinas da divina revelação, para que possamos estar, assim,
intimamente unidos, em princípio e julgamento, tanto quanto em coração e afeição. E, então, se o Senhor
puder nos chamar para isso, eu não me importo, se eu for com ele, para a prisão, ou para a morte. Porque
como Paulo e Silas, eu espero que possamos cantar louvores a Deus, e levarmos isto em conta de nossa
enorme honra em sofrer pela causa de Cristo, e dispor nossas vidas pelos irmãos‖.

----

O Amor de Deus pelo Homem Caído

'Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais
a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos'.
(Romanos 5:15)

1. Quão excessivamente comum, e quão cruel é o clamor contra nosso primeiro pai pelo dano que ele
não apenas trouxe sobre si mesmo, mas impôs sobre suas últimas posteridades! Foi devida sua rebelião
obstinada contra Deus que 'o pecado entrou no mundo'. 'Pela desobediência de um homem', como observa o
125

Apóstolo, muitos 'foram feitos', ou constituídos, 'pecadores': Desprovidos, não apenas do favor de Deus,
mas também de sua imagem; de toda virtude, retidão, e santidade verdadeira; e sucumbiram, parcialmente,
através da imagem do diabo, -- do orgulho, malícia, e todos os outros temperamentos demoníacos;
parcialmente, da imagem do bruto, estando sob o domínio das paixões brutais e apetites humilhantes. Por
meio disto, também, a morte entrou no mundo, com todos os seus precursores e atendentes, -- dor, doença, e
toda uma série de dificuldade, assim como paixões e temperamentos pecaminosos.

2. Assim sendo, tem ecoado, de geração em geração, que, 'por tudo isto, nós só temos a agradecer a
Adão'. A mesma responsabilidade lhe sendo imputada, em todas as épocas, e em todas as nações, onde os
oráculos de Deus são conhecidos; nas quais, tão somente este grande e importante evento tem sido
descoberto pelos filhos dos homens. Será que seu coração, e provavelmente os seus lábios, também não se
juntaram na responsabilidade geral? Quão poucos existem que acreditam na relação bíblica do homem
caído, e que não têm nutrido o mesmo pensamento com respeito ao nosso primeiro pai, condenando
severamente aquele que, através de desobediência obstinada ao único comando de seu Criador, trouxe para o
mundo a morte e toda as nossas aflições!

3. Seria bom que a responsabilidade ficasse por aqui. Mas ela certamente não fica. Não se pode negar
que ela freqüentemente lança-se de Adão, para seu Criador. Por acaso milhares desses que são chamados
cristãos, não tiveram a liberdade de chamar a misericórdia de Deus, se não, Sua justiça também, para o
questionamento desta mesma responsabilidade? De fato, alguns têm feito isto um pouco mais
modestamente; de uma maneira oblíqua e indireta; mas outros têm arrancado a máscara e perguntado: 'Será
Deus não previu que Adão abusaria de sua liberdade? Ele não sabia das conseqüências danosas que isto
deveria ter naturalmente sobre toda sua posteridade?Por que, então, Ele permitiu esta desobediência? Não
seria mais fácil ao Altíssimo tê-la impedido?' – Ele certamente previu o todo. Isto não pode ser negado.
Porque 'conhecidas são para Deus todas as suas obras, desde o começo do mundo'; antes, desde toda a
eternidade, como as palavras propriamente significam. E estava indubitavelmente em seu poder impedir isto;
porque Ele tem todo o poder sobre os céus e a terra. Mas, ao mesmo tempo, ele sabia que seria melhor
impedir. Ele sabia que 'a transgressão não é como o dom gratuito'; que o mal resultante do primeiro, não
seria como o bem resultante do segundo, -- não seria merecedor de ser comparado a ele. Ele sabia que
permitir a queda do primeiro homem seria muito melhor para a humanidade em geral; porque o bem seria
abundantemente maior do que o mal que poderia advir para a posteridade de Adão, através de sua queda;
que se o pecado abundasse'; ainda assim, a graça 'abundaria muito mais'; sim, e esta a cada indivíduo da
raça humana, a menos que fosse de sua própria escolha.

4. É muito estranho que dificilmente alguma coisa tenha sido escrita, ou pelo menos, publicada sobre
este assunto; mais ainda, que ele tenha sido tão pouco avaliado ou entendido pela generalidade dos cristãos,
especialmente considerando que não se trata de assunto de mera curiosidade, mas de uma verdade da mais
profunda importância; sendo impossível, sobre qualquer outro princípio, afirmar a Providência graciosa, e
justificar os caminhos de Deus para com os seres humanos; e considerando, com isto, quão clara é esta
importante verdade para todos os inquiridores conscientes e sinceros. Possa o Amante dos homens abrir os
olhos de nosso entendimento, para que possamos perceber claramente que, pela queda de Adão, a
humanidade em geral, adquiriu a capacidade:

I. Em Primeiro Lugar, de ser mais santa e mais feliz sobre a terra;


II. Em Segundo Lugar, de ser mais feliz no céu, do que, de outro modo, ela poderia ter sido!

1. Em Primeiro Lugar, através da queda de Adão, a humanidade em geral adquiriu a capacidade de


obter mais santidade e felicidade na terra, do que teria sido possível para eles, se Adão não tivesse caído.
Porque se Adão não tivesse caído, Cristo não teria morrido. Nada pode ser mais claro do que isto; nada mais
inegável: Quanto mais completamente nós consideramos o ponto, mais profundamente nos convencemos
disto. A menos que todos os participantes da natureza humana tivessem recebido aquela ofensa mortal em
126

Adão, não teria sido necessário para o Filho de Deus tomar nossa natureza sobre Ele. Você não vê que esta
foi a mesma razão de sua vinda para o mundo? 'Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e
pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens; por isso, todos pecaram'. (Romanos
5:12). Não foi para remediar esta mesma coisa que 'A Palavra se fez carne', que 'como em Adão todos
morreram, então, em Cristo, todos' deverão 'viver?'. Se 'pela desobediência de um, muitos se tornaram
pecadores; então, pela obediência de um, muitos foram feitos justos' (Romanos 5:19). Assim, não haveria
lugar para aquela maravilhosa manifestação do amor do Filho de Deus para com a humanidade: Não haveria
oportunidade para sua 'obediência à morte; até mesmo, à morte na cruz'. Não poderia, então, ter sido dito,
para o espanto de todos os anfitriões do céu, 'Deus amou o mundo', sim, o mundo pecaminoso, que não tinha
pensamento ou desejo de retornar a Ele, 'que deu seu Filho'; Filho do seu seio; seu Unigênito, 'para que,
quem quer que nele creia, não pereça, mas tenha a vida eterna'. Nem nós poderíamos, então, ter dito: 'Deus
estava em Cristo, reconciliando o mundo para Si mesmo'; ou que ele 'o fez para ser pecado', ou seja, uma
oferenda do pecado, 'por nós, quem não conheceu o pecado, para que nós pudéssemos ser feitos à retidão
de Deus, através Dele'. Não teria havido tal oportunidade para 'um Advogado com o Pai', como 'Jesus
Cristo, o reto'; nem para Ele se apresentar 'à direita de Deus, para interceder por nós'.

2. Qual seria a conseqüência necessária disto? Seria esta: Não haveria tal coisa como a fé em Deus,
amando o mundo, dando seu único Filho por nós, seres humanos, e para nossa salvação. Não haveria tal
coisa como a fé no Filho de Deus; 'amando-nos, e dando a si mesmo por nós'. Não haveria fé no Espírito
Santo, renovando a imagem de Deus em nossos corações; erguendo-nos da morte do pecado para a vida de
retidão. Na verdade, o privilégio total da justificação, através da fé não teria existência; não poderia haver a
redenção no sangue de Cristo; nem Cristo teria sido 'feito de Deus, junto a nós; assim como 'a sabedoria,
retidão, santificação' ou 'redenção'.

3. E o mesmo grande vazio que estava em nossa fé, deveria estar igualmente em nosso amor. Nós
poderíamos ter amado o Autor de nossa existência, o Pai dos anjos e homens, como nosso Criador e
Preservador. Nós poderíamos ter dito, 'Ó Senhor, nosso Governador, quão excelente é Teu nome em toda a
terra! – Mas nós não poderíamos tê-lo amado, debaixo de uma relação mais próxima e mais querida, --
quanto à de nos ter entregue seu Filho por nós todos.

Nós poderíamos ter amado o Filho de Deus, como sendo 'o esplendor da glória do Pai; a imagem
expressa de sua pessoa'; (embora este alicerce pareça pertencer, antes, aos habitantes do céu do que aos da
terra); mas nós não poderíamos tê-lo amado quando Ele 'carregou nossos pecados sobre seu corpo no
madeiro', e 'por aquela oferenda de si mesmo, fez, de uma só vez, um sacrifício completo pelos pecados de
todo o mundo'. Nós não poderíamos ter sido 'confortados por sua morte', nem 'conhecido o poder de sua
ressurreição'.

Nós não poderíamos ter amado o Espírito Santo, por nos ter revelado ao Pai e ao Filho; por ter aberto
os olhos de nosso entendimento; nos tirando da escuridão, para sua maravilhosa luz; renovando a imagem de
Deus em nossas almas; e nos selando para o dia da redenção. De maneira que, na verdade, 'a religião pura e
imaculada', que está agora 'aos olhos de Deus, até mesmo do Pai', e não do homem falível, não teria, então,
existido; visto que ela depende totalmente desses grandes princípios – 'Pela graça vocês são salvos, através
da fé', e, 'Jesus Cristo é de Deus, feito, junto a nós, sabedoria, retidão, santificação e redenção'.

4. Nós constamos, então, a vantagem inexplicável que nós obtivemos da queda de nosso primeiro
antepassado, com respeito à fé; -- Fé em Deus, o Pai, que não poupou seu próprio Filho, seu único Filho,
mas 'o feriu por nossas transgressões', e 'afligiu por nossas iniqüidades': e, em Deus, o Filho, que despejou
de sua alma por nós transgressores, e nos lavou em Seu sangue. Nós vemos a vantagem que deriva disto,
com respeito ao amor de Deus – de Deus, o Pai, e de Deus, o Filho. O principal fundamento deste amor, por
quanto tempo ele permanecer no corpo, é declarado claramente pelo Apóstolo: 'Nós O amamos, porque Ele
primeiro nos amou'. Mas o maior exemplo de seu amor nunca teria sido dado, se Adão não tivesse caído.

5. E mesmo nossa fé, em Deus, o Pai, e no Filho, não receberia um crescimento inexplicável, se não
fosse por este grande evento; assim como, nosso amor pelo Pai e Filho; também o amor ao nosso próximo;
127

nossa benevolência para com toda humanidade, que não poderia crescer na mesma proporção que nossa fé e
amor a Deus. Porque quem não apreende a força daquela inferência traçada pelo Apóstolo amoroso:
'Amados, se Deus nos amou tanto assim, nós não devemos também amar uns aos outros?'. Se Deus, ASSIM,
nos amou, -- observe o estresse do argumento colocado neste mesmo ponto: ASSIM, nos amou, de maneira
a entregar seu único Filho para morrer uma morte abominável pela nossa salvação. Amados, que tipo de
amor é este, com o qual Deus tem nos amado; de modo a dar seu único Filho, na glória igual com o Pai, em
Majestade co-eterna? Que tipo de amor é este, em que o Unigênito Filho de Deus tem nos amado, de
maneira a esvaziar-se, tanto quanto possível, de sua Divindade eterna; de modo a precipitar-se daquela
glória que ele tinha com o Pai, antes que o mundo fosse criado; e tomar sobre si, a forma de um servo, e se
transformar em homem; e, então, humilhar-se ainda mais, 'sendo obediente à morte, até mesmo, à morte na
cruz!'. Se Deus, ASSIM, nos amou, quanto mais nós devemos amar uns aos outros! Mas este motivo para
amar fraternalmente não existiria, se Adão não tivesse caído. Conseqüentemente, nós não poderíamos, então,
ter amado uns aos outros, em tão alto grau, como nós podemos fazê-lo agora. Nem poderia ter existido
aquela altura e profundidade no mandamento de nosso amado Senhor: 'Como eu os tenho amado; Assim,
amem uns aos outros'.

6. Através da queda de Adão, nós podemos ser tais beneficiários, no que concerne ao amor de Deus e
ao nosso próximo. Mas existe um outro grande ponto, o qual, embora pouco advertido a respeito, merece
nossa mais profunda consideração. Por este único ato de nosso primeiro pai, não apenas 'o pecado entrou no
mundo', mas a dor também, e não foi semelhante à justiça, mas a inexprimível bondade de Deus. Porque
quanto mais maravilhas Ele continuamente nos trouxe deste mal! Quanto mais santidade e felicidade dessa
dor!

7. Quão inumeráveis são os benefícios que Deus transmite para os filhos dos homens, através do
canal de sofrimentos! – de maneira que se poderia dizer: O que são denominadas aflições, na língua dos
homens, na linguagem de Deus denominam-se bênçãos'. De fato, não houvesse sofrimento no mundo, uma
considerável parte da religião; sim, em alguns aspectos, a parte mais excelente, não teria lugar nele; uma vez
que mesmo a existência dela depende de nosso sofrimento; de modo que não houvesse sofrimento, ela não
teria existido. Partindo desta fundamentação, até mesmo nosso sofrimento, sobre o qual toda nossa graça
passível está construída; sim, a mais nobre de todas as graças cristãs, -- o amor suportando todas as coisas.
Aqui está o alicerce para a resignação com Deus, nos capacitando a dizer de todo nosso coração, em todas as
nossas horas de provação: 'É o Senhor: Que Ele faça o que lhe parece bom': 'Devemos receber o bem das
mãos do Senhor, e não devemos receber o mal!'. E que gloriosa demonstração é esta! Ela não constrange,
até mesmo, o céu a clamar: 'Veja um espetáculo merecedor de Deus'; um bom homem lutando com a
adversidade, e sendo superior a ela. Aqui está o alicerce para a confiança em Deus, tanto com respeito ao
que nós sentimos, quanto com respeito ao que nós devemos temer, não estivesse nossa alma calmamente
fixada Nele. Que espaço poderia haver para a confiança em Deus, se não houvesse tal coisa como dor ou
perigo? Quem não diria, então, 'O cálice que meu Pai me deu, eu não deverei beber?'. É com os sofrimentos
que nossa fé é testada, e, portanto, feita mais aceitável para Deus. É no dia da dificuldade que temos
oportunidade de dizer: 'Embora Ele me mate, ainda assim, confiarei Nele'. E isto é bem agradável a Deus,
que nós possamos reconhecê-lo, em face do perigo: em desafio da tristeza, doença, dor, ou morte.

8. Novamente: Não tivesse existido o mal natural ou moral no mundo, o que teria sido feito da
paciência, humildade, gentileza, longanimidade? É manifesto que não teriam existência; vendo que todas
essas seriam noviças aos seus objetos. Se, portanto, o mal não tivesse entrado no mundo, nem esses
caracteres do temperamento teriam lugar nele. A quem se pagaria o mal com o bem, se não houvesse quem
fizesse o mal no universo? Como seria possível, supondo-se que fosse assim, 'sobrepujar o mal com o
bem?'. Mas você poderá dizer: 'Mas todas essas graças não teriam sido introduzidas divinamente nos
corações dos homens?'. Sem dúvida, que teriam: mas se elas tivessem, elas não teriam uso ou exercício para
elas. Enquanto que, no estado presente das coisas, nós nunca necessitaremos de oportunidade para exercitá-
las: E quanto mais elas são exercitadas, mais todas as nossas graças são fortalecidas e aumentadas. E, na
mesma proporção que nossa resignação, nossa confiança em Deus, nossa paciência e fortaleza, nossa
humildade, gentileza, e longanimidade, juntas com nossa fé, e o amor de Deus e homem, aumentam, nossa
felicidade deve aumentar, mesmo no mundo presente.
128

9. E ainda: Como a permissão de Deus para a queda de Adão deu, a toda sua posteridade, milhares de
oportunidades de sofrimento, e, por meio disto, exercitando todas as graças passiva que aumentam tanto a
sua santidade quanto felicidade; então, forneceu a eles a oportunidade de fazer o bem em inumeráveis
instâncias; de exercitarem a si mesmos em várias boas obras que, de outro modo, não teriam existido. E que
esforço de benevolência, de compaixão, de misericórdia divina, teria sido, então, impedida totalmente!
Quem poderia, assim, ter dito ao Amante dos homens: 'todas as alegrias do mundo são menores, do que
aquela de praticar a bondade'.

Certamente, 'mantendo este mandamento', se nenhum outro, 'existe grande recompensa'. 'Quando
tivermos tempo, façamos o bem a todos os homens'; bem de todos os tipos, e em todos os níveis. Assim
sendo, quanto mais bem fazemos (outras circunstâncias sendo iguais) mais felizes podemos ser. Quanto mais
compartilhamos nosso pão com o faminto, e cobrimos o nu, com vestimentas, -- quanto mais aliviamos o
estranho, e visitamos aqueles que estão doentes ou na prisão, -- quanto mais tipos de serviços nós fazemos
àqueles que gemem, sob os vários males da vida humana, -- mais conforto recebemos, até mesmo, no mundo
presente, maior a recompensa que temos em nosso próprio seio.

10. Para resumir o que tem sido dito sob este assunto: Quanto mais santos, nós somos sobre a terra,
mais felizes podemos ser; (vendo que existe uma ligação inseparável entre santidade e felicidade); quanto
mais bem fazemos aos outros, mais recompensa presente resulta de nosso próprio âmago; até mesmo, nossos
sofrimentos por causa de Deus nos conduz a nos regozijarmos Nele, 'com alegria inexplicável e cheios de
glória'; assim sendo, a queda de Adão, -- Primeiro, por nos dar a oportunidade de sermos mais santo;
segundo, por nos dar a oportunidade de fazermos inumeráveis boas obras, que, do contrário, não teriam sido
feitas; e, em terceiro, colocando em nosso poder, sofrer por Deus, por meio do qual 'o Espírito da glória e de
Deus repousa sobre nós',-- pode ser de tal vantagem para os filhos dos homens, mesmo na vida presente,
que eles não irão compreender totalmente, até que atenham a vida eterna.

II

1. Assim, nós devemos nos capacitar para compreendermos completamente, não apenas as vantagens
que resultam, no presente momento, da queda do primeiro pai, mas as vantagens infinitamente maiores que
os filhos dos homens podem colher dela na eternidade. Com o objetivo de formar alguma concepção disto,
nós podemos lembrar da observação do Apóstolo? Assim como 'uma estrela difere de outra, na glória,
também a ressurreição dos mortos'. As mais gloriosas estrelas indubitavelmente serão aquelas que são as
mais santas, que testemunham mais daquela imagem de Deus, por meio da qual elas foram criadas; e, as
próximas a estas na glória estarão aquelas que têm sido mais abundantes nas boas obras; e próximas a estas,
aquelas que têm sofrido mais, de acordo com a vontade de Deus. No entanto, que vantagens, em qualquer
um desses aspectos, os filhos de Deus receberão no céu, porque Deus permitiu a introdução da dor sobre a
terra, em conseqüência do pecado!

Através desta oportunidade, eles alcançaram muitos temperamentos santos, que, de outra forma, não
teriam existência; -- resignação para com Deus; confiança Nele, em tempos de dificuldades e perigo;
paciência; humildade; gentileza, longanimidade, e toda a série de virtudes passivas: E, por causa desta
santidade superior, eles, então, desfrutariam de felicidade superior. Repetindo: Cada um irá, assim, 'receber
sua própria recompensa, de acordo com suas próprias obras'. Mas a queda fez surgir inumeráveis boas
obras, que, de outra forma, não teriam existido; tais como contribuir para as necessidades dos santos; sim,
aliviar o aflito de todas as formas: e por meio disto, inumeráveis estrelas serão acrescentadas na coroa eterna
deles. Sim, novamente: Haverá uma recompensa abundante no céu para o aflito, assim como para aquele que
faz a vontade de Deus: 'Essas aflições leves, que são por algum momento, perfazem para nós um mais
excedente e eterno peso de glória'. Portanto, aquele evento que ocasionou a entrada do sofrimento no mundo
proporcionou, por meio disto, um crescimento da glória para toda eternidade, a todos os filhos de Deus.
129

2. Existe uma vantagem a mais que nós colhemos da queda de Adão, e que não desmerece nossa
atenção. Embora em Adão, todos tenham morrido; por causa de nosso primeiro pai, todo descendente de
Adão; cada um dos filhos do homem deverá responder por si mesmo a Deus. Parece ser uma conseqüência
necessária disto, que, se ele não tivesse caído; se não tivesse violado uma vez a ordem de Deus, não haveria
oportunidade de seu despertar novamente: não haveria ajuda, mas ele teria perecido sem reparação. Porque
aquela aliança não sabia mostrar misericórdia: A palavra era: 'A alma que pecar, esta deverá morrer'.
Agora, quem não iria antes estar nas mesmas condições que ele está agora, -- debaixo da aliança da
misericórdia? Quem desejaria arriscar toda a eternidade nesta única aposta? Não seria mais infinitamente
desejável estar numa condição em que, embora cercado com enfermidade, ainda assim, não corremos tal
risco desesperado, mas se nós caímos, nós podemos nos levantar novamente? – onde nós podemos dizer: 'Eu
vejo minhas transgressões abundantemente perdoadas em Cristo. Eu vejo Sua misericórdia se erguer!'

3. Por Cristo! Deixe-me suplicar a cada pessoa séria, uma vez mais, para fixar sua atenção aqui.
Tudo que tem sido dito; e que poderá ser dito sobre esses assuntos, centrado neste ponto: A queda de Adão
produziu a morte de Cristo. Ouça, oh céus; e dê ouvidos, oh terra! Sim, que a terra e céus concordem; que os
anjos se juntem para celebrarem comigo, o Salvador da humanidade; para adorarmos o Cordeiro todo
conciliador; e darmos graças pelo som do nome de Jesus!

Se Deus tivesse impedido a queda do homem, 'O Verbo' nunca teria sido 'feito carne'; nem nós
teríamos, alguma vez, 'visto sua glória; a glória como a do Unigênito do Pai'. Esses mistérios nunca teriam
sido expostos, 'os quais', até mesmo 'os anjos desejaram conhecer'. Parece-me que esta consideração supera
todo o restante, e nunca deverá estar fora de nossos pensamentos. A menos que 'o julgamento de um homem
tivesse levado todos os homens à condenação', nem os anjos, nem os homens teriam, alguma vez, conhecido
as riquezas insondáveis de Cristo'.

4. Veja, então, disto tudo, quão pouca razão temos para lamentarmos a queda de nosso primeiro pai;
uma vez que, disto, nós podemos obter tais vantagens inexplicáveis, ambas no tempo e na eternidade. Veja
que pretexto pequeno existe para questionarmos a misericórdia de Deus, em permitir que aquele evento
acontecesse; já que, neste sentido, a misericórdia, através de graus infinitos, regozija-se sobre o julgamento.
Onde, então, está o homem que pretende culpar a Deus, por não impedir o pecado de Adão? Nós não
deveríamos, preferivelmente, dar graças a Ele, do fundo de nosso coração, porque nisto está colocado o
grande plano da redenção do homem, abrindo caminho para a gloriosa manifestação de Sua sabedoria,
santidade, justiça e misericórdia? Se, de fato, Deus tivesse ordenado, antes da criação do mundo, que
milhões de homens pudessem habitar no fogo eterno, porque Adão pecou, centenas ou milhares de anos,
antes que eles tivessem uma existência, eu não sei quem poderia agradecer a Ele por isto, a não ser o diabo e
seus anjos: vendo que, nesta suposição, todos aqueles milhões de espíritos infelizes seriam mergulhados no
inferno pelo pecado de Adão, sem receber qualquer ganho possível disto. Mas, abençoado seja Deus, que
este não seja o caso. Tal decreto nunca existiu. Ao contrário, todo aquele nascido da mulher pode ser um
ganhador inexplicável, por meio disto: E ninguém, alguma vez, foi, ou será um perdedor, a não ser por sua
própria escolha.

5. Vemos aqui uma resposta completa para aquela plausível consideração sobre a origem do mal,
proclamada ao mundo, desde então, e que se supõem ser sem explicação: Que 'necessariamente resultou da
natureza da questão, que Deus não pôde alterar'. Não se trata, nas palavras doces deste orador, de desculpar
a Deus! Não existe realmente qualquer chance disto, porque Deus respondeu por Si mesmo. Ele criou o
homem à sua própria imagem; um espírito capacitado com entendimento e liberdade. O homem, abusando
desta liberdade, produziu o mal; trouxe o pecado e a dor para o mundo. Este Deus permitiu, com o objetivo
de uma manifestação completa de sua sabedoria, justiça, e misericórdia, conceder a todos os que fossem
recebê-lo uma felicidade infinitamente maior do que possivelmente poderiam ter obtido, se Adão não tivesse
caído.

6. 'Ó a profundidade das riquezas, ambas da sabedoria e do conhecimento de Deus!'. Embora


milhares de pormenores de 'seus julgamentos e de seus caminhos sejam insondáveis' a nós, ainda assim,
podemos discernir o plano, através do tempo para a eternidade. 'De acordo com o conselho de sua própria
130

vontade', o plano ele estabeleceu, antes da criação do mundo; Ele criou o pai de toda humanidade em sua
própria imagem, e permitiu a todos os homens serem feitos pecadores, pela desobediência daquele único
homem, para que, pela obediência de um homem, todos que recebem o dom livre pudessem ser
infinitamente mais santos e felizes para toda a eternidade.

[Editado por Bob Westfall, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Livramento Geral

'Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou
sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a
mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora'.
(Romanos 8:19-22)

1. Nada é mais certo do que, como 'o Senhor ama cada homem', então, 'sua misericórdia é sobre
todas as suas obras'; todos que têm consciência; todos que são capazes de prazer ou dor; de felicidade ou
miséria. Em conseqüência disto, 'Ele abre sua mão, e preenche todas as coisas vivas com abundância. Ele
prepara alimento para o gado', assim como 'as ervas para os filhos dos homens'. Ele provém para os
pássaros, 'alimentando os jovens corvos, quando eles clamam por ele'. 'Ele envia as fontes para os rios, que
correm entre os vales, para dar de beber a todas as bestas do campo', e até mesmo 'os asnos selvagens
podem extinguir sua sede'. E, adequadamente a isto, ele nos direciona a sermos ternos, até mesmo, para com
as criaturas mais desprezíveis; e a mostrarmos misericórdia a estas também. 'Tu não deves amordaçar o boi
que esmaga o milho': -- Um costume que é observado nas regiões orientais, até hoje. E isto, de maneira
alguma, é contestado pela pergunta de Paulo, em (I Coríntios 9:9) 'Porque na lei de Moisés está escrito:
Não atarás a boca ao boi que trilha o grão. Porventura tem Deus cuidado dos bois?'. Sem dúvida que sim.
Nós não podemos negar isto, sem contradizer plenamente sua palavra. O significado claro do Apóstolo é:
isto é tudo que está inserido no texto? Ele não tem um significado mais além? Ele não nos ensina que nós
devemos alimentar os corpos desses a quem desejamos que alimentem nossas almas? Entretanto, é certo que
Deus 'dá grama ao gado', assim como 'ervas para o uso dos homens'.

2. Mas como essas Escrituras são reconciliadas para o estado presente das coisas? Como elas são
consistentes com o que vemos diariamente a nossa volta, em todas as partes da criação? Se o Criador, Pai de
todas as coisas viventes, é rico em misericórdia em direção a todos; se Ele deseja que até mesmo o mais
desprezível deles seja feliz, de acordo com seu nível; como se explica que tal complicação de males oprima;
sim, subjugue a eles? Como é que a miséria de todos os tipos se espalha sobre a face da terra? Esta é a
questão que tem embaraçado os mais sábios filósofos em todas as épocas. E ela não pode ser respondida,
sem recorrermos aos oráculos de Deus. Mas, tomando esses por nosso guia, nós podemos inquirir:

I. Qual era o estado original da criação bruta?

II. Em que estado ela se encontra no momento?

III. Em que estado ela estará na manifestação dos filhos de Deus?

1. Nós podemos inquirir, em Primeiro Lugar, qual era o estado original da criação bruta? Não
podemos aprender disto, até mesmo do lugar que foi designado a eles; ou seja, o jardim de Deus? Todas as
bestas do campo, e todas as aves do céu estavam com Adão no paraíso. E não há dúvida de que o estado
deles era adequado ao lugar deles: Ele era paradisíaco; perfeitamente feliz. Sem dúvida, ele exibia uma
131

semelhança próxima ao estado do próprio homem. De maneira que, tendo uma visão resumida de um, nós
podemos conceber o outro. Agora, 'o homem foi feito à imagem de Deus'. Mas 'Deus é um Espírito': E
assim, por conseguinte, era o homem. (Apenas este espírito, sendo designado para habitar na terra, foi
alojado em um tabernáculo terreno). Como tal, ele tinha um princípio inato de movimento próprio. E, assim,
parece que tem todo espírito no universo; esta sendo a diferença peculiar, entre o espírito e a matéria, que é
totalmente, e essencialmente, passiva e inativa, como aparece de milhares de experimentos. Ele foi, segundo
a semelhança de seu Criador, dotado com entendimento; uma capacidade de apreender quaisquer que fossem
os objetos trazidos diante dele, e de julgar concernente a eles. Ele foi dotado com uma vontade,
manifestando-se nas várias afeições e paixões. E, por fim, com a liberdade, ou a liberdade de escolha; sem o
que, todo o restante teria sido em vão, e ele não seria mais capaz de servir ao seu Criador do que um
punhado de terra, ou um pedaço de mármore; ele teria sido tão incapaz da imoralidade ou virtude, assim
como qualquer parte da criação inata. Nesses, no poder do automovimento, entendimento, vontade, e
liberdade, consistiu a imagem natural de Deus.

2. Quão longe seu poder de automovimento estendeu-se, é impossível a nós determinarmos. É


provável que ele teve um grau mais alto de vivacidade e força, do que, alguma vez, teve alguém de sua
posteridade; muito menos, tiveram algumas de suas criaturas inferiores. É certo que ele possuía tal força de
entendimento, como homem alguma vez conseguiu. Seu entendimento era perfeito em sua espécie; capaz de
apreender todas as coisas claramente, e de julgar concernente a elas, de acordo com a verdade, sem qualquer
equívoco. Sua vontade não possuía tendência errônea de qualquer sorte; mas todas as suas paixões e afeições
eram regulares; sendo, firmemente e uniformemente, dirigidas pelos preceitos de seu entendimento infalível;
abraçando nada, a não ser o que é bom; e todo bem, em proporção ao seu grau de bondade intrínseca. Sua
liberdade igualmente foi totalmente guiada pelo seu entendimento: Ele escolheu, ou recusou, de acordo com
a direção dele. Acima de tudo, (o que foi sua excelência máxima, muito mais valiosa do que todo o restante),
ele foi uma criatura capacitada por Deus; capacitada para conhecer, amar, e obedecer a seu Criador. E, de
fato, ele conheceu a Deus; sinceramente o amou, e, uniformemente, obedeceu a ele. Esta foi a suprema
perfeição do homem; (como foi a de todas as existências inteligentes): o buscar contínuo; o amar e o
obedecer ao Pai dos espíritos de toda carne. Do estado correto e do correto uso de todas as suas faculdades,
sua felicidade naturalmente fluiu. Nisto, consistiu a essência de sua felicidade; mas ela aumentou, através de
todas as coisas que o circundavam. Ele viu, com prazer inexplicável, a ordem, a beleza, e a harmonia de
todas as criaturas; de toda natureza viva e inanimada; a serenidade dos céus; o sol brilhando; a roupagem
docemente matizada da terra; as árvores, os frutos, as flores, e o espaço líquido das fontes murmurantes.
Nem este prazer foi interrompido pelo mal de qualquer tipo. Não houve mistura prejudicial de tristeza ou
dor, se no corpo, ou na mente. Por quanto tempo ele foi inocente, ele foi impassível; incapaz de sofrimento.
Nada poderia macular sua pureza de alegria. E, para coroar tudo, ele era imortal.

3. Para esta criatura, dotada com todas essas faculdades excelentes, assim qualificadas para sua
sublime responsabilidade, diz disse em (Gênesis 1:28) 'E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e
multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e
sobre todo o animal que se move sobre a terra'. E assim o salmista em (Salmos 8:6) 'Fazes com que ele
tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo tu puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois,
assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas
dos mares'. De modo que o homem era o representante de Deus sobre a terra; o príncipe e o governador do
mundo; e todas as bênçãos de Deus fluíam, através dele, para suas criaturas inferiores. O homem era o canal
de comunicação entre seu Criador e toda a criação bruta.

4. Mas quais bênçãos foram estas que eram, então, transmitidas, através do homem para as criaturas
inferiores? Qual era o estado original das criaturas brutas, quando elas foram, a princípio, criadas? Isto
merece uma consideração mais atenta do que tem sido usualmente dada a ela. É certo que essas tinham,
tanto quanto o homem, um princípio inato de automovimento; e, pelo menos, em um grau tão alto quanto o
que eles desfrutam até hoje. Novamente: Eles foram dotados com um nível de entendimento; não menor do
que aquele que eles possuem agora. Eles possuíam também uma vontade, incluindo várias paixões, que,
igualmente, eles ainda desfrutam: E eles tinham liberdade; um poder de escolha; um grau do qual ainda é
encontrado em toda criatura vivente. Nem nós podemos duvidar, a não ser que o entendimento deles era
132

também, no princípio, perfeito em sua espécie. As paixões e afeições deles eram regulares, e suas escolhas,
sempre guiadas, através de seu entendimento.

5. Qual, então, é a linha divisória, entre os homens e os animais? A linha que eles não podem
transpor? Não é a razão. Coloque de lado este termo ambíguo: Troque-o por uma palavra clara --
entendimento: e quem poderá negar que os brutos têm isto? Nós poderemos negar que eles tenham visão,
assim como ouvido. Mas trata-se disto: O homem é capacitado por Deus; as criaturas inferiores não são. Nós
não temos alicerce para crer que elas sejam, em algum grau, capazes de conhecer, amar, e obedecer a Deus.
Esta é a diferença específica, entre o homem e os animais; o grande abismo que eles não podem ultrapassar.
E como uma obediência amorosa a Deus, era a perfeição do homem, então, uma obediência amorosa ao
homem, era a perfeição da criação bruta. E, por quanto tempo eles continuaram nisto, eles foram felizes,
segundo a espécie deles; felizes, no estado correto, e no uso correto de suas respectivas faculdades. Sim, e
por quanto tempo eles tiveram alguma imagem obscura, mesmo da bondade moral. Porque eles tinham
gratidão ao homem, pelos benefícios recebidos, e um respeito por ele. Eles possuíam igualmente uma
espécie de benevolência, uns para com os outros, não misturada com qualquer temperamento contrário.
Quão belos eram muitos deles, nós podemos conjeturar daqueles que ainda restam; e não apenas, das
criaturas mais nobres, mas daquelas de uma classe mais inferior. E eles eram todos rodeados, não apenas
com alimento abundante, mas com tudo que pudesse dar a eles prazer; prazer não misturado com a dor;
porque a dor ainda não existia; ela ainda não havia entrado no paraíso. E eles eram também imortais: Porque
'o Criador não criara a morte; nem tinha prazer na morte de algum ser vivente'.

6. Quão verdadeira é, então, aquela palavra: 'Deus observou todas as coisas que tinha criado; e viu
que era muito bom!'. Mas, quão longe, isto está do presente caso! Em que condição está todo o mundo! –
para não dizer coisa alguma das criaturas inanimadas, onde todos os elementos parecem estar fora do curso,
e, por sua vez, em luta contra o homem. Desde que o homem se rebelou contra seu Mestre. Em que estado
está toda a natureza inata! Bem poderia o Apóstolo dizer disto: 'Toda a criação geme e labuta em dores até
agora'. Isto se refere diretamente à criação bruta; cujo estado presente nós iremos agora considerar.

II

1. Como todas as bênçãos de Deus, no paraíso, fluíram através do homem, para as criaturas
inferiores; como o homem era o grande canal de comunicação, entre o Criador e toda a criação bruta; então,
quando o homem se tornou incapaz de transmitir essas bênçãos, aquela comunicação foi necessariamente
interrompida. O intercurso entre Deus e as criaturas inferiores pararam, e essas bênçãos não puderam mais
fluir sobre eles. E, então, aconteceu que 'a criatura', todas as criaturas 'foram subjugadas à vaidade', à
tristeza, à dor de todo o tipo, a todas as formas de maldades: Na verdade, não 'propositadamente'; não,
através de sua própria escolha; não, através de algum ato ou ação própria; 'mas pela razão Dele que a
sujeitou', através da sábia permissão de Deus, determinando tirar o bem eterno desse mal temporário.

2. Mas em que aspecto 'a criatura'; todas as criaturas ficaram, então, 'sujeitas à vaidade?'. O que as
mais inferiores criaturas sofreram, quando o homem rebelou-se contra Deus? É provável que elas sofreram
muita perda; mesmo em suas faculdades inferiores: seu vigor, força e vivacidade. Mas, sem dúvida, elas
sofreram muito mais em seu entendimento; mais do que nós podemos conceber facilmente. Talvez, os
insetos e vermes tivessem, então, tanto entendimento, quanto a mais inteligente das criaturas brutas tem
agora. Considerando que milhões de criaturas têm, no momento, muito menos entendimento do que a terra
na qual elas rastejam, ou as rochas, nas quais elas se aderem. Elas experimentaram ainda mais perda, em sua
vontade; em suas paixões; que foram, então, diferentemente distorcidas, e freqüentemente colocadas em
oposição clara ao pequeno entendimento que ainda restava nelas. A liberdade delas, igualmente, foi
grandemente enfraquecida; sim, em muitos casos, totalmente destruída. Elas estão ainda totalmente
subjugadas, aos apetites irracionais, que têm um completo domínio sobre elas. Os próprios alicerces de sua
natureza estão fora do curso; estão em declínio. Como o homem foi privado de sua perfeição, sua obediência
amorosa a Deus; então, os brutos foram privados de sua perfeição, sua obediência amorosa ao homem. A
grande parte delas fugiu dele; evitou cuidadosamente sua presença odiosa. A maioria do restante o colocou
em oposição declarada; sim, para destruir a ele, se estiver em seu poder. Alguns poucos apenas; esses que
133

comumente denominamos de animais domésticos, retêm mais ou menos de sua disposição original (através
da misericórdia de Deus), e o amam ainda, e prestam obediência a ele.

3. Colocando esses poucos de lado, quão pouca sombra de bondade, de gratidão, de benevolência, de
algum temperamento correto, é agora encontrado em alguma parte da criação bruta! Do contrário, que fúria
selvagem, que crueldade inexorável, são invariavelmente observadas em milhares de criaturas; sim, são
inseparáveis de suas naturezas! Será que o leão, o tigre, o lobo, entre os habitantes das florestas e planícies –
o tubarão, e alguns poucos mais monstros vorazes, entre os habitantes das águas, -- ou a águia, em meio às
aves, -- são os únicos que rasgam a carne, sugam o sangue e esmagam os ossos de suas indefesas co-
criaturas? Não; os insetos inofensivos; as laboriosas formigas, as coloridas borboletas, são tratadas da
mesma maneira impiedosa; mesmo pelos inocentes pássaros canoros do bosque! As tribos inumeráveis dos
pobres insetos são continuamente devoradas por eles. E, considerando que existe a não ser um pequeno
número, comparativamente, de bestas de rapina sobre a terra, é completamente o contrário no elemento
líquido. Existe a não ser poucos habitantes nas águas, se no mar, ou nos rios, que não devoram o que quer
que eles possam dominar: Sim, eles excedem nisto, todas as bestas da floresta, e todas as aves de rapina.
Porque em nenhuma delas se observou fazer de presa sua própria espécie: Mesmo os ursos selvagens não
despedaçam uns aos outros. Mas as bestas das águas tragam tudo, mesmo de sua própria espécie, que seja
menor e mais fraca do que elas mesmas. Sim, tal, no momento, é a constituição miserável do mundo; a tal
vaidade ele está agora sujeito, de maneira que uma imensa maioria de criaturas, talvez um milhão delas, não
pode, de maneira alguma, preservar suas próprias vidas, a não ser destruindo suas co-criaturas!

4. E mesmo a forma, a aparência exterior de muitas das criaturas não são tão horríveis quanto suas
disposições? Onde está a beleza que uma vez foi estampada nelas, quando elas vieram das mãos de seu
Criador? Não existe o menor traço restante: Muito longe disto, elas são repugnantes ao se observar! Mais do
que isto, elas não são apenas terríveis e horríveis de se observar, mas deformadas, e no mais alto grau. Ainda
assim, suas feições, horríveis, como elas são, no melhor das hipóteses, ficam freqüentemente mais
deformadas do que o de costume, quando elas estão distorcidas pela dor; que elas não podem evitar, não
mais do que os filhos pecaminosos dos homens. Dor de vários tipos, fraqueza, doença, inumeráveis
enfermidades vieram sobre elas; talvez de si mesmas; talvez de algum outro; talvez da inclemência das
estações do ano; do fogo, raio, neve, ou tempestade; ou de milhares de causas que elas não podem prever ou
prevenir.

5. Assim, 'como através de um homem o pecado entrou no mundo, e a morte, através do pecado;
mesmo assim, a morte foi transmitida a todos os homens'; e não apenas ao homem, mas a essas criaturas
também que 'não pecaram, segundo a similitude da transgressão de Adão'. E não apenas a morte veio sobre
eles, mas todas as suas seqüências de males preparatórios; a dor, e milhares de sofrimentos. Não apenas
esses, mas igualmente, todas aquelas paixões irregulares; todos aqueles temperamentos repugnantes, (que
nos homens são pecados, e nos brutos são fontes de miséria), 'foram transmitidos a todos' os habitantes da
terra; e permanecem em todos, exceto nos filhos de Deus.

6. Durante esta época de vaidade, não apenas as mais fracas criaturas são continuamente destruídas
pelos mais fortes; não apenas os fortes são freqüentemente destruídos por aqueles que são de igual força;
mas, tanto um quanto o outro, estão expostos à violência e crueldade daquele que é agora o maior inimigo
deles, -- o homem. E, se sua vivacidade e força não é igual à deles, ainda assim, sua habilidade mais do que
supre aquele defeito. Através disto, ele ilude todas as forças deles, por maiores que elas possam ser; através
disto, ele derrota toda a vivacidade deles; não obstante, seus vários truques e destreza, o homem descobre
todos os seus refúgios. Ele os persegue pelas planícies mais amplas, e através das florestas mais espessas.
Ele os surpreende nos espaços do ar; ele os encontra nas profundezas do mar. Nem as criaturas mais simples
e amigas que ainda permanecem em seu domínio, e são submissas aos seus comandos, estão seguras, por
causa disto, da mais do que brutal violência; da afronta e abuso de vários tipos. Será que o cavalo generoso,
que serve a necessidade ou o prazer do seu mestre com diligência incansável, -- o fiel cão, que espera o
movimento de sua mão, ou de seus olhos, são exceção a isto? Qual a paga que muitas dessas pobres criaturas
encontram, por seu longo e fiel serviço? E que diferença terrível existe, entre o que elas sofrem de seus
camaradas brutos, e o que elas sofrem do homem tirano! O leão, o tigre, ou o tubarão causam-lhes dor, por
134

mera necessidade, com o objetivo de prolongarem suas próprias vidas; e os coloca fora de suas dores, de
imediato: Mas o tubarão humano, sem qualquer necessidade, os atormenta, de sua livre escolha; e talvez
continue a dor prolongada deles, até que, depois de meses e anos, a morte os liberte.

III

1. Mas 'a criatura'; mesmo a criação bruta, irá permanecer sempre nesta condição deplorável? Deus
proíbe que possamos afirmar isto; sim, ou mesmo acolher tal pensamento! Enquanto 'toda a criação geme
junta' (se homens atendem ou não), seus gemidos não são dispersos no ar ineficiente, mas entram nos
ouvidos Dele que os criou. Enquanto suas criaturas 'labutam juntas, na dor', ele conhece todas as suas dores,
e as está trazendo, cada vez mais perto do nascimento, que deverá ser concluído em sua época. Ele vê 'a
expectativa sincera', por meio da qual, toda criação animada 'espera' pela 'manifestação' final 'dos filhos de
Deus'; em que, 'eles mesmos deverão também ser libertos' (não pela aniquilação; aniquilação não é
livramento) 'da' atual 'escravidão da corrupção, na' medida da 'liberdade gloriosa dos filhos de Deus'.

2. Nada pode ser mais explícito: Fora com os preconceitos vulgares, e que a palavra clara de Deus
tome lugar. Eles 'deverão ser libertos da escravidão da corrupção, para a liberdade gloriosa', -- mesmo
uma medida, de acordo com o que sejam capazes, -- da 'liberdade dos filhos de Deus'.

Uma visão geral disto nos é dada no 21o. Capítulo de Apocalipse: (Apocalipse 21:5) 'E o que estava
assentado sobre o trono' teria pronunciado: 'Eis que faço novas todas as coisas'; quando a palavra será
cumprida; 'E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis'. 'O tabernáculo de Deus será
para os homens e eles serão seu povo, e o próprio Deus será com eles, e será seu Deus': -- então, a bênção
seguinte deverá tomar lugar (não apenas sobre os filhos dos homens; não existe tal restrição no texto; mas)
sobre toda criatura, de acordo com sua capacidade: 'Deus deverá enxugar todas as lágrimas de seus olhos. E
não haverá mais morte; nem tristeza; nem clamor. Nem existirá mais qualquer dor: Porque as coisas velhas
já terão se passado'. (II Corintios 5:17) 'Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo'.

3. Para restringir a poucos particulares: Toda a criação bruta irá, então, indubitavelmente, ser
restaurada; não apenas no vigor, força e vivacidade, que ela possuía, quando da sua criação, mas num grau
muito mais alto, do que ela, alguma vez, desfrutou, em cada um deles. Eles serão restaurados, não apenas
para aquela medida de entendimento que eles tinham no paraíso, mas para um grau dele, muito mais elevado
do que o anterior, assim como o entendimento de um elefante é fora de alcance para um verme. E quaisquer
afeições que tinham, no jardim de Deus, serão restauradas com um crescimento vasto; sendo nobres e
refinadas, de uma maneira, que nós mesmos não somos capazes de compreender. A liberdade que eles,
então, tiveram, será completamente restaurada, e eles serão livres em seus movimentos. Eles serão libertos
de todos os apetites irregulares; de todas as paixões obstinadas; de toda disposição que seja tanto um mal em
si mesma, quanto tenha alguma tendência para o mal. Não será encontrada ira em alguma criatura, nenhuma
ferocidade, nenhuma crueldade, ou sede por sangue. Muito longe disto, de modo que 'o lobo deverá habitar
com o cordeiro; o leopardo deverá se deitar com a criança; o bezerro e o jovem leão, juntos; e a criança
pequena deverá conduzi-los. A vaca e o urso deverão se alimentar juntos; e o leão deverá comer palha,
como o boi. Eles não machucarão, nem destruirão, em meu santo monte' (Isaías 11:6-9).

4. Assim, naquele dia, toda a vaidade, a qual eles estão agora sujeitos, sem auxílio, será abolida; eles
não irão sofrer mais, tanto dentro, quando fora; os dias de seus murmúrios estarão terminados. Ao mesmo
tempo, não poderá haver dúvida razoável, mas toda a repugnância de suas aparências, e toda a deformidade
de seus aspectos, desaparecerão, e serão restaurados para sua beleza primitiva. E com sua beleza, sua
felicidade irá retornar; para a qual, então, não poderá haver obstrução. Como haverá nada dentro; então, não
haverá coisa alguma fora, para dar a eles alguma inquietação: Nem calor, nem frio; nem tempestade, nem
tormenta, mas uma primavera perene. Na nova terra, assim como, nos novos céus, não haverá coisa alguma
para trazer dor, mas tudo que a sabedoria e a bondade de Deus pode criar para dar felicidade. Como uma
recompensa pelo que eles uma vez sofreram, enquanto sob 'a escravidão da corrupção', quando Deus
135

'renovará a face da terra', e seus corpos corruptíveis tornar-se-ão incorruptíveis, eles deverão desfrutar da
felicidade adequada ao estado deles, sem diminuição, sem interrupção, sem fim.

5. Embora eu não duvide que o Pai de Todos tenha um cuidado terno, até mesmo com respeito a
essas criaturas menores, e, que, em conseqüência disto, ele irá fazer grandes correções, já que todos eles
sofrem, enquanto sob sua presente escravidão; ainda assim, eu não me atrevo a afirmar que ele tenha o
mesmo cuidado por eles, que pelos filhos dos homens. Eu não acredito que ele veja com os mesmos olhos,
como Senhor de Todos, um herói perecer, ou um pardal cair. De maneira alguma. Isto é muito bonito; mas é
absolutamente falso. Porque, embora a misericórdia, com a verdade e a graça sem fim, reine sobre todas as
Suas obras; ainda assim, ele se deleita em abençoar, principalmente, sua criatura favorita, o homem. Deus
cuida muito de suas criaturas inferiores; mas ele cuida muito mais do homem. Ele não cuida da mesma
forma de um herói e de um pardal; o melhor dos homens, e o menor dos brutos. 'Quanto mais o seu Pai
celestial cuida de você!', diz Ele 'que está no seio de Seu Pai'. Esses que se excedem, estão claramente
confusos pela sua questão: 'Você não será muito melhor do que eles?'. Permita que Deus cuide de tudo que
ele criou, em sua própria ordem, e na proporção da medida de sua própria imagem que está estampada nisto.

6. Posso mencionar aqui uma conjetura, concernente à criação bruta? Qual é o problema, se agrada
ao todo-sábio, ao todo-gracioso Criador, colocá-los, mais alto, na escala dos seres? Qual o problema, se
agrada a Ele, quando nos torna 'igual aos anjos'; torná-los, no que somos agora, -- criaturas capazes de
Deus; capazes de conhecer, amar e alegrar-se com o Autor de suas existências? Se puder ser assim, nossos
olhos deverão ser maus, porque Ele é bom? O que quer que seja, Ele certamente irá fazer o que for melhor
para sua própria glória.

7. Se tudo isto for objetado (como provavelmente será), 'qual será a necessidade daquelas criaturas
naquele estado futuro?'. Eu respondo a isto com outra questão: qual a utilidade delas agora? Se forem,
(como tem sido comumente suposto), oito mil espécies de insetos, quem é capaz de nos informar qual a
utilidade de sete mil delas? Se forem quatro mil espécies de peixes, quem poderá nos dizer qual a utilidade
das mais de três mil delas? Se forem seiscentas espécies de pássaros, quem poderá nos contar a utilidade de
quinhentas delas? Se forem quatrocentas espécies de bestas, para o que servem trezentas delas? Considere
isto; considere quão pouco sabemos, mesmo dos objetivos presentes de Deus; e, então, você não irá se
surpreender que nós saibamos menos ainda, do que ele designa ser feito nos novos céus e na nova terra.

8. 'Mas a que finalidade responde discorrermos sobre esse assunto, que nós tão imperfeitamente
entendemos?'. Considerarmos o quanto nós entendemos; o quanto Deus tem se agradado de nos revelar,
pode responder àquela finalidade excelente – para ilustrar aquela misericórdia de Deus, que 'está sobre todas
as suas obras'. E pode confirmar plenamente nossa crença do quanto mais ele 'ama cada homem'. Porque,
quão melhor nós podemos frisar as palavras de nosso senhor: 'Não serão vocês melhores do que eles?'. Se,
então, o Senhor cuida dos pássaros do céu, e das bestas do campo, ele não deverá cuidar muito mais de
vocês, criaturas de uma ordem mais nobre? Se 'o Senhor irá salvar', como os escritores inspirados afirmam,
'ambos, homem e besta', em seus diversos níveis, certamente 'os filhos dos homens poderá colocar sua fé,
sob a sombra de suas asas!'. (Salmos 36:7) 'Quão preciosa é, ó Deus, a tua benignidade, pelo que os filhos
dos homens se abrigam à sombra das tuas asas'.

9. Isto não pode responder a uma outra finalidade; ou seja, nos fornecer uma resposta completa para
uma objeção plausível contra a justiça de Deus, no sofrimento de inúmeras criaturas que nunca pecaram, e
são tão severamente punidas? Elas podem não ter pecado, porque elas não eram agentes morais. Ainda
assim, quão severamente elas sofrem! – sim, muitas delas, bestas de carga, em particular, quase todo o
tempo de sua permanência na terra; de modo que eles não podem ter retribuição aqui em baixo. Mas a
objeção desaparece, se nós considerarmos que alguma coisa melhor permanece depois da morte dessas
pobres criaturas também; que essas, igualmente, um dia, serão libertas da escravidão da corrupção, e
deverão, então, receber uma ampla reparação por todos os seus sofrimentos presentes.

10. Uma finalidade, indubitavelmente mais excelente, pode ser respondida pelas considerações
precedentes. Elas podem nos encorajar a imitar a Ele, cuja misericórdia está sobre todas as suas obras. Elas
136

enternecem nossos corações, em direção às criaturas mais inferiores, sabendo que o Senhor se preocupa com
elas. Ela pode ampliar nossos corações em direção a essas pobres criaturas, ao refletirem que, por mais vis
que possam parecer aos nossos olhos, nenhuma delas está esquecida, aos olhos de nosso Pai, que está nos
céus. Através de toda vaidade, à qual elas estão agora submetidas, vamos olhar para o que Deus tem
preparado para elas. Sim, vamos nos habituar a olhar mais adiante, além desta presente cena de escravidão,
para o tempo feliz, quando as criaturas serão libertas disto, para a liberdade dos filhos de Deus.

11. Do que tem sido dito, eu não posso deixar de fazer uma afirmação, que nenhum homem de razão
poderá negar. Se for isto o que distingue os homens das bestas, -- que eles são criaturas capazes de Deus;
capazes de conhecer, amar e alegrar-se com Ele; então, quem quer que esteja 'sem Deus no mundo'; quem
quer que não conheça, não ame, e não se alegre em Deus, e não seja cuidadoso a respeito do assunto, em
efeito, nega a natureza do homem, e se degrada à condição de uma besta. Vamos conceder uma pequena
atenção a essas notáveis palavras de Salomão, em (Eclesiastes 3:18) 'Disse eu no meu coração, quanto à
condição dos filhos dos homens, que Deus os provaria, para que assim pudessem ver que são em si mesmos
como os animais'. Esses filhos dos homens são, sem dúvida, bestas; e isto, através de seus próprios atos e
feitos; porque eles deliberadamente e propositadamente repudiam a única característica da natureza humana.
É verdade, que eles podem ter uma parcela de raciocínio; eles têm a linguagem, e eles caminham eretos; mas
eles não têm a marca, a única marca que separa totalmente o homem da criação bruta. 'Aquele que sobrevier
às bestas, a mesma coisa sobrevirá a eles'. Elas estão igualmente sem Deus no mundo; 'da mesma forma, o
homem' desta espécie 'não tem preeminência acima da besta'.

12. Tanto mais, permitam que todos, que são de uma mente mais nobre, afirmem a dignidade distinta
de suas naturezas. Que todos os que são de um espírito mais generoso conheçam e mantenham seu nível na
escala dos seres. Não descansem, até que vocês desfrutem do privilégio da humanidade – o conhecimento e
amor de Deus. Levantem suas cabeças, vocês, criaturas capazes de Deus! Ergam seus corações à Fonte de
suas existências! Conheçam a Deus, e ensinem suas almas a conhecerem as alegrias que fluem da religião.
Dêem seus corações a Ele que, junto com milhares de bênçãos, deu a vocês seu Filho. Seu único Filho!
Permitam sua 'camaradagem' contínua 'com o Pai, e com o Filho, Jesus Cristo!'. Permitam que Deus esteja
em todos os seus pensamentos, e vocês serão homens de fato. Permitam que ele seja seu Deus e seu Tudo, --
o desejo de seus olhos, a alegria de seu coração, e sua porção para sempre.

[Editado por Sarah Anderson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
pór George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Mistério da Iniqüidade

'Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado'. (II
Tessalonicenses 2:7)

1. Sem inquirir o quão distante essas palavras se referem a algum evento particular na Igreja Cristã,
eu gostaria, na presente ocasião, de considerar esta importante questão: -- de que maneira o mistério da
iniqüidade tem operado, em nosso meio, até quase cobrir toda a terra.

2. E certo que 'Deus fez o homem correto'; perfeitamente santo, e perfeitamente feliz: Mas, por se
rebelar contra Deus, ele destruiu a si mesmo; perdeu o favor e a imagem de Deus, e acarretou pecado, com
seu atendente, a dor, sobre si mesmo e toda sua posteridade. Ainda assim, seu Criador misericordioso não o
abandonou, neste estado de abandono e desesperança: Ele imediatamente indicou seu Filhos, seu Bem-
Amado Filho, 'que é o esplendor de sua glória; a imagem expressa de sua pessoa', para ser o Salvador de
homens; 'a conciliação para os pecados de todo o mundo'; o grande médico que, através de seu Espírito
Todo-Poderoso, deveria curar a doença de suas almas, e restaurá-lo, não apenas para o favor, mas para a
'imagem de Deus, na qual, eles foram criados'.
137

3. Este grande mistério da religiosidade começa a operar, desde o momento da mesma promessa
original. Conseqüentemente, o Cordeiro sendo, no propósito de Deus, 'sacrificado desde o começo do
mundo', desde o mesmo período em que seu Espírito santificado começou a renovar as almas dos homens.
Nós temos um exemplo inegável disto em Abel, que 'obteve um testemunho' de Deus 'de que ele era justo'.
(Hebreus 11:4) 'Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho
de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala'. E todos,
desde então, foram partícipes da mesma fé; partícipes da mesma salvação; não foram apenas reinstalados no
favor, mas igualmente restaurados para a imagem de Deus.

4. Mas, quão excessivamente pequeno foi o número daqueles, mesmo nos tempos mais antigos! Tão
logo, 'os filhos dos homens multiplicaram sobre a face da terra', Deus, olhando dos céus, 'viu que a maldade
do homem era grande na terra'; tão grande, que 'toda imaginação dos pensamentos de seu coração era
pecaminosa'; apenas má, e isto, 'continuamente'.

(Gênesis 6:1-5) 'E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da
terra, e lhes nasceram filhas, Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram
para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para
sempre com o homem; porque ele também é carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos. Havia
naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens
e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. E viu o
Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de
seu coração era só má continuamente'. E, então, permaneceu, sem qualquer intermissão, até que Deus
executou aquela sentença terrível: (Gênesis 6:7) 'E disse o Senhor: Destruirei o homem que criei de sobre a
face da terra, desde o homem até ao animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os
haver feito'.

5. Apenas 'Noé encontrou graça nos olhos do Senhor'; sendo 'um homem justo e perfeito, em suas
gerações'. Ele, conseqüentemente, com sua esposa, seus filhos, e as esposas destes, Deus preservou da
destruição geral. Alguém até poderia ter imaginado que estes poucos remanescentes iriam igualmente ser
'perfeitos em suas gerações'. Mas quão longe esteve isto de acontecer! Logo depois desse sinal ser entregue,
encontramos um deles, Cão, envolvido em pecado, e debaixo da maldição de seu pai. E como 'o mistério da
iniqüidade', operou, mais tarde, não apenas na posteridade de Cão, mas na posteridade de Jafé; sim e de
Sem, -- com exceção de Abraão e sua família!

6. Sim, como ela operou, até mesmo, na posteridade de Abraão; no povo escolhido de Deus! Não
fossem esses também, descendentes de Moisés, Davi, Malaquias, Herodes, o Grande, uma geração incrédula
e obstinada, 'uma nação pecadora, um povo carregado com iniqüidade', continuamente abandonando o
Senhor, e 'afligindo o Espírito Santo de Israel?'. E, ainda assim, nós não temos motivos para acreditar que
essa foi pior do que as nações que a circundaram, que foram, sem exceção, tragadas, em todas as maneiras
de maldade, assim como, idolatrias condenáveis; não tendo o Deus do céu 'em todos os seus pensamentos',
mas operando toda impureza com cobiça.

7. Na plenitude do tempo, quando a iniqüidade de todo tipo; quando a descrença e falta de retidão,
tinham se espalhado, por todas as nações, e coberto a terra, como uma inundação, agradou a Deus erguer um
estandarte contra ela, 'trazendo seu Unigênito para o mundo'. Agora, então, alguém poderia esperar que 'o
mistério da religiosidade' fosse prevalecer totalmente sobre o 'mistério da iniqüidade'; que o Filho de Deus
iria ser 'a luz para iluminar os gentios', assim como, 'salvação para seu povo Israel'. Alguém poderia
imaginar que toda Israel; sim, e toda a terra, logo seriam preenchidas com a glória do Senhor. Não: 'O
mistério da iniquidade' prevaleceu ainda, quase sobre toda a face da terra. Quão excessivamente pequeno foi
o número daqueles, cujas almas foram curadas pelo próprio Filho de Deus! (Atos 1:15) 'E naqueles dias,
levantando-se Pedro no meio dos discípulos (ora a multidão junta era de quase cento e vinte pessoas)'. E,
até mesmo esses foram curados, mas imperfeitamente; a grande parte deles, um pouco antes, tão fraca na fé
138

que, embora não tivesse, assim como Pedro, renegado seu Mestre; ainda assim, 'renunciou a Ele e fugiu'.
Uma prova clara de que o 'Espírito Santificado não foi', então, 'dado, porque Jesus não foi glorificado'.

8. Foi quando Ele 'ascendeu ao céu, e levou a escravidão cativa', que 'a promessa do Pai' foi
cumprida; o que eles ouviram Dele. Foi quando Ele mesmo começou a operar, mostrando que 'todo o poder
foi dado a Ele no céu e terra'. -- 'E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos, reunidos, no mesmo
lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em
que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram
sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas,
conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. (...) De sorte que foram batizados os que de bom
grado receberam a sua palavra; e naquele dia agregaram-se quase três mil almas', debaixo do sermão de
Pedro (Atos 2:1-41). 'Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E, todos os dias, o Senhor
acrescentava à Igreja, aqueles que se haviam de salvar' (Atos 2:47); não, como se fossem salvos; uma
deturpação manifesta do texto; mas 'tais quando foram salvos'. A expressão é peculiar; e, de fato, é a
posição das palavras, que transcorrem assim: 'E o Senhor acrescentou aqueles que foram salvos,
diariamente para a Igreja'. Primeiro, eles 'foram salvos' de todo o poder do pecado; então, eles 'foram
acrescentados' para a assembléia do crente.

9. Com o objetivo de ver que eles já estavam salvos, nós precisamos apenas observar o pequeno
relato deles que está registrado na última parte do segundo, e no quarto, capítulos. 'Eles continuaram firmes
na doutrina Apostólica, e na camaradagem, em repartir o pão, e nas orações'. Ou seja, eles foram ensinados
diariamente pelos Apóstolos, e tiveram todas as coisas comuns, e receberam a Ceia do Senhor, e atenderam
a todos os serviços públicos. 'E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do
pão, e nas orações' (Atos 2:42). 'E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam
suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister' (Atos 2:44-45). E
novamente: ''E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do
que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns' (Atos 4:32). E ainda novamente: 'E os
apóstolos davam, com grande poder, testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia
abundante graça. Não havia, pois, entre eles, necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades
ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E
repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha' (Atos 4:33).

10. Mas aqui uma questão irá naturalmente ocorrer: 'Como eles vieram a agir assim, tendo todas as
coisas em comum, vendo que eles não leram qualquer mandamento concreto para fazer isto?'. Eu repondo:
Não existe necessidade de ordem exterior: O mandamento foi escrito em seus corações. Ele resultou
naturalmente e necessariamente de um grau de amor que eles desfrutaram. Observem! 'Eles eram de um só
coração, e uma só alma': E não tanto quanto alguém (assim como as palavras expressam) disse, (que eles
não poderiam, enquanto seus corações se inundaram assim com amor) 'que quaisquer coisas que possuíam
era deles mesmos'. E onde quer que a mesma causa prevalecesse, o mesmo efeito naturalmente se seguiria.

11. Aqui estava o alvorecer da própria atividade evangélica. Aqui estava a própria Igreja Cristã. Aqui
estava agora 'o sol da retidão', erguendo-se sobre a terra, 'com a cura em suas asas'. Ele agora 'salvou seu
povo dos seus pecados': Ele 'curou todas as suas enfermidades'. Ele não apenas ensinou aquela religião que
é a verdadeira 'cura da alma', mas efetivamente a plantou na terra; preenchendo as almas de todos os que
creram Nele, com retidão, -- gratidão para com Deus, e boa-vontade para com os homens; que atenderam
com a paz que ultrapassa todo o entendimento, e com a alegria inexprimível e glória completa.

12. Mas quão logo, 'o mistério da iniqüidade' operou novamente, e obscureceu a panorama glorioso!
Ela começou a operar (não abertamente, de fato, mas de maneira sutil), em dois dos cristãos, Ananias e
Safira. 'Eles venderam a possessão deles', como os demais, e provavelmente, pelo mesmo motivo; mas, mais
tarde, deram lugar ao diabo, e raciocinaram com a carne e o sangue, eles 'retiveram parte do valor recebido'.
Observem os primeiros cristãos, que 'naufragaram na fé e na boa consciência'; os primeiros que 'voltaram
para a perdição'. Prestem atenção à primeira enfermidade que afetou a Igreja Cristã, ou seja, o amor ao
dinheiro! Em vez de continuarem a 'acreditar na salvação' final 'da alma'. E não será o grande flagelo, em
139

todas as gerações, quando quer que Deus reviva a mesma obra? Ó, vocês, crentes em Cristo, tomem
cuidado! Quer vocês sejam ainda crianças pequenas, ou homens jovens, para que sejam fortes na fé, vejam a
armadilha; a armadilha de vocês, em particular; -- aquela na qual vocês estarão particularmente expostos,
depois de terem escapado da densa poluição. 'Não amem o mundo, nem as coisas do mundo! Se algum
homem ama o mundo', o que quer que ele tenha sido nos tempos passados, 'o amor do Pai não está' agora
'nele'.

13. Embora aquela enfermidade estivesse suspensa na primeira Igreja Cristã, ao se tirar fora
instantaneamente as pessoas afetadas. Através daquele sinal do julgamento de Deus sobre os primeiros
ofensores, 'grande temor veio sobre eles'.-- (Atos 5:11) 'E houve um grande temor em toda a Igreja, e em
todos os que ouviram estas coisas'. Nesse meio tempo, os crentes, homens cheios de fé e amor, que se
regozijavam de ter todas as coisas em comum, 'eram mais acrescidos ao Senhor, multidões de homens e
mulheres'. -- (Atos 5:14) 'E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia
cada vez mais'.

14. Se nós inquirirmos de que maneira 'o mistério da iniqüidade'; a energia de satanás, começou a
operar novamente na Igreja Cristã, nós podemos encontrá-la, forjada de maneira completamente diferente;
colocada totalmente de outra forma: Parcialmente, movendo-se lentamente, em meio aos crentes cristãos.
Aqueles, através dos quais a distribuição a cada um foi feita, tinham relação com as pessoas; suprindo
largamente aquelas de sua própria nação, enquanto as outras viúvas que não eram hebréias 'eram
negligenciadas, na administração diária'.-- (Atos 6:1) 'Ora, naqueles dias, crescendo o número dos
discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas
no ministério cotidiano. Vendo que os gregos, assim como os hebreus, tinham 'vendido tudo que tinham, e
colocado o preço aos pés do Apóstolo'. Vendo que a segunda enfermidade que irrompeu sobre a Igreja
Cristã! – Parcialmente, na relação para com as pessoas; muito cuidado para com aqueles de nosso próprio
lado; e muito menos, para os outros, embora igualmente meritórios.

15. A infecção não parou aqui, mas um mal produziu muitos mais. Da imparcialidade nos hebreus,
'ergueu-se um murmurar dos gregos contra' eles; não apenas pensamentos descontentes e ressentidos, mas
palavras adequadas a isto; expressões indelicadas, discursos pesados, maledicência, e apostasia,
naturalmente se seguiram. E, através da 'raiz da amargura', assim, 'brotando', indubitavelmente, 'muitos
foram corrompidos'. Os Apóstolos, de fato, logo encontraram os meios para remover os motivos desse
murmurar; ainda assim, até porque a raiz pecaminosa permaneceu, Deus viu a necessidade de usar de um
medicamento mais severo. Ele deixou o mundo à sua própria sorte; se, por acaso, através do sofrimento
deles; através de danificarem os seus bens; através da dor, da prisão, e da própria morte, Ele pudesse, de
uma só vez, punir e emendar a eles. E a perseguição, o último medicamento de Deus, para a apostasia das
pessoas, teve o efeito feliz, que ele pretendeu.Tanta a parcialidade dos hebreus, quanto o murmúrio dos
gregos, cessaram: e, 'então, as Igrejas tiveram descanso, e foram edificadas'; feitos no amor de Deus, e um
para com o outro; 'e caminhando no temor do Senhor, e nos confortos do Espírito Santo, foram
multiplicados'.-- (Atos 9:31) 'Assim, pois, as Igrejas em toda a Judéia, e Galiléia e Samaria tinham paz, e
eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e consolação do Espírito Santo'.

16. Parece ter sido algum tempo depois disto, que 'o mistério da iniqüidade' começou a operar na
forma de zelo. Grandes preocupações surgiram, através daqueles que zelosamente contenderam pela
circuncisão, e o restante pela lei cerimonial; até que os Apóstolos e presbíteros colocaram um fim, ao mal
espalhado, através daquela determinação final: -- (Atos 15:28) 'Na verdade pareceu bem ao Espírito
Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das
coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais fazeis, bem, se
vos guardardes. Bem vos vá'. Ainda assim, este mal não foi totalmente suprimido, mas que ele
freqüentemente irrompeu novamente; como aprendemos das várias partes das Epístolas de Paulo,
particularmente, aquela dos Gálatas.

17. Proximamente aliado a isto, esteve um outro grave mal, que, ao mesmo tempo se espalhou na
Igreja; -- a falta de clemência, e, da conseqüente, ira, discussão, contenda, divergência. Nós encontramos um
140

exemplo muito notável disto, neste mesmo capítulo, quando "Paulo diz a Barnabé: 'Vamos visitar os
irmãos, onde pregamos a palavras', e Barnabé determinou levar consigo João"; porque ele era 'seu
sobrinho'. 'Mas Paulo pensou que não fosse bom levar consigo, alguém que tinha desertado deles antes'. E
ele tinha certamente razão, por esse ângulo. Mas Barnabé resolveu seguir seu próprio caminho. – E houve
uma fagulha de ira. Não se fala da parte de Paulo: Barnabé apenas teve paixão, para suprir a falta de razão.
Assim sendo, ele deixou o trabalho, e foi para casa, enquanto Paulo seguiu adiante através da Síria e Cilicia,
confirmando as igrejas'. (Atos 15:41).

18. A própria primeira sociedade de cristãos de Roma não estava completamente livre dessa
influência diabólica. Havia 'divisões e ofensas', em meio deles também: (Romanos 16:17) 'E rogo-vos,
irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-
vos deles'. Mas quão prematuramente 'o mistério da iniqüidade' operou, e quão poderosamente, na Igreja de
Corinto! Não apenas cismas e heresias; animosidades; contendas ferozes e amargas, estavam em meio deles;
mas os pecados declarados e reais; sim, 'tal fornicação, como não foi mencionada, em meio aos pagãos'. (I
Corintios 5:1) 'Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os
gentios se nomeia, como é haver quem abuse da mulher de seu pai'. Mais do que isto, havia necessidade de
lembrá-los que 'nem os adúlteros, nem os ladrões ou bêbados', poderiam 'entrar no reino dos céus': (I
Corintios 6:9) 'Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os
devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem
os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus'. E em
todas as Epístolas de Paulo, nós encontramos com uma abundância de provas de que as pragas cresceram,
com o trigo, em todas as Igrejas, e que 'o mistério da iniqüidade', em todos os lugares, de milhares de
formas diferentes, operou contra 'o mistério da santidade'.

19. Quando Tiago escreveu sua Epístola, dirigida mais imediatamente 'às doze tribos, dispersas
amplamente', para converter os judeus, a praga semeada, em meio ao seu trigo, produziu uma colheita farta.
A grande peste do Cristianismo, a fé sem obras, foi espalhada, distante e amplamente; preenchendo a Igreja
com a 'sabedoria que vem da terra', e que foi 'mundana, sensual, diabólica', e que deu origem, a não apenas
ao julgamento apressado, e maledicência, mas a 'inveja, contenda, confusão, e todo tipo de obra diabólica'.
De fato, quem quer que examine atentamente o quarto e quinto capítulos desta Epístola; com atenção séria,
será inclinado a crer que, até mesmo, nesses primeiros períodos, a praga tinha quase tocado o trigo; e que,
em meio àqueles para os quais Tiago escreveu, não mais do que a forma de santidade, se muito, restava.

20. Pedro escreveu, na mesma época, a respeito, para os 'estranhos', os cristãos, 'difundidos por todos
os lados'; por todas aquelas províncias amplas 'Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia' (I Pedro 1:1).
Esses, provavelmente, eram alguns dos mais eminentes cristãos que havia no mundo. Ainda assim, quão
excessivamente longe estavam, até mesmo, esses, de serem 'sem mácula e manchas!'. E que praga dolorosa
estava aqui também, crescendo entre o trigo! Algumas delas foram 'trazidas nas heresias abomináveis, até
mesmo, negando o Senhor que os trouxe'.

(II Pedro 2:1-3) 'E também houve, entre o povo, os falsos profetas, como entre vós haverá também
falsos doutores, que introduzirão sutilmente as heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou,
trazendo, sobre si mesmos, repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais o
caminho da verdade será blasfemado. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os
quais, já de largo tempo, a sentença não será tardia, e a sua perdição não dormita. '.

E 'muitos seguirão seus caminhos perniciosos'; dos quais o Apóstolo dá aquela característica terrível:
'Eles caminham segundo a carne', na 'luxúria da impureza, como as feras brutas, feitas para serem tomadas
e destruídas. Eles são impuros e difamados, enquanto eles banqueteiam com vocês'; (nos 'banquetes de
caridade', então, celebrado em toda a Igreja) 'tendo os olhos cheios de adultério, e que não podem cessar de
pecar. Esses são poços sem água; nuvens que foram carregadas pela tempestade, para quem a névoa da
escuridão é reservada para sempre'. E ainda assim, esses mesmos homens foram chamados de cristãos, e
foram, até mesmo, então, o seio da Igreja! Nem o Apóstolo os menciona, como infestando alguma Igreja em
141

particular apenas; mas como uma praga geral. Que até mesmo, foi difundida, distante a amplamente, em
meio a todos os cristãos aos quais ele escreveu!

(II Pedro 2:9-11) 'Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o
dia do juízo, para serem castigados; mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em
concupiscências de imundícia, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar
das dignidades; Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo
blasfemo diante do Senhor. Mas estes, como animais irracionais, que seguem a natureza, feitos para serem
presos e mortos, blasfemando do que não entendem, perecerão na sua corrupção'

21. Tal é o relato autêntico do 'mistério da iniqüidade', operando, mesmo nas Igrejas apostólicas! –
um relato fornecido, não pelos judeus, ou pagãos, mas, através dos próprios Apóstolos. A este, nós podemos
acrescentar o relato que é dado pelo Chefe e Fundador da Igreja: Ele 'que coloca as estrelas em sua mão
direita'; que é 'a Testemunha fiel e verdadeira'. Nós podemos facilmente inferir qual era o estado da Igreja,
em geral; o estado das sete Igrejas na Ásia. Uma desses, de fato, a Igreja da Filadélfia, 'manteve sua palavra,
e não negou seu nome': (Apocalipse 3:8) 'Conheço tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e
ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome'.
Igualmente, foi a Igreja de Esmirna, em seu estado florescente: Mas todas as demais foram, mais ou menos,
corruptas; de tal maneira que muitas delas não foram um jota melhor do que a atual raça de cristãos; e nosso
Senhor, então, ameaçou, o que Ele tinha feito antes, 'remover o castiçal' deles.

22. Tal era o estado real da Igreja Cristã, mesmo durante o primeiro século; enquanto, não apenas
João, mas a maioria dos Apóstolos esteve presente com ela e a presidiu. Mas que mistério é este, que fez
com que o Todo-sábio, o Todo-gracioso, o Altíssimo, permitisse que assim existisse, não apenas em uma,
mas, tanto quanto aprendemos, em todas as sociedades cristãs; com exceção daquelas de Esmirna e
Filadélfia! E como essas vieram a ser excetuadas? Por que essas foram menos corruptas (para não ir mais
além) do que as outras Igrejas da Ásia? Pelo que parece, foi porque elas eram menos prósperas. Os cristãos
da Filadélfia não eram literalmente 'próspero em seus bens', como aqueles em Éfeso, ou Laodicéia; e, se os
cristãos em Esmirna adquiriram mais prosperidade, retiveram mais da simplicidade e pureza do evangelho.

23. Mas quão contrário é este relato bíblico dos antigos cristãos, com relação às apreensões comuns
dos homens! Nós estamos aptos a imaginar que a Igreja Primitiva foi tão excelente e perfeita; respondeu a
esta forte descrição, que Pedro cita de Moisés: 'vocês são a geração escolhida; o sacerdócio real; a nação
santa; um povo peculiar'. (I Pedro 2:9) 'Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o
povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz'. E tal foi, sem dúvida, a primeira Igreja Cristã, que começou no dia de Pentecostes. Mas, quão logo, o
ouro fino tornou-se opaco! Quão logo, o vinho misturou-se com água! E quão pouco tempo decorreu, antes
que 'o deus do mundo' recuperasse seu império, até hoje, de modo que os cristãos em geral dificilmente
foram distinguidos dos ateus; salvo, através de suas opiniões e moldes de adoração!

24. E, se o estado da Igreja, no mesmo primeiro século foi tão ruim, nós não podemos supor que ela
foi alguma coisa melhor, no segundo. Sem dúvida, ela ficou cada vez mais pior. Tertuliano, um dos mais
eminentes cristãos daquela época, nos dá um relato dela, em várias partes dos seus escritos, de onde nós
aprendemos que a religião real, interior, dificilmente foi encontrada; mais do que isto; que não apenas os
temperamentos dos cristãos foram exatamente os mesmos que aqueles de seus vizinhos pagãos, (orgulho,
paixão, amor do mundo, reinando igualmente em ambos), mas que suas vidas e maneiras também. O dar um
testemunho fiel, contra a corrupção geral de cristãos, parece ter erguido o clamor contra Montano [que criou
da Doutrina ou seita do Montanismo, do século II, que afirmava estar próxima a vinda do Espírito Santo, à
Igreja, e a descida da Jerusalém celeste. A seita tomou caráter ascético, condenando segundas núpcias]; e
contra o próprio Tertuliano [que criou o Tertulianismo - Doutrina religiosa de Tertuliano, depois que este se
afastou da Igreja Romana, para aderir ao montanismo], quando ele foi convencido de que o testemunho de
Montano era verdadeiro. Sobre as heresias atribuídas a Montano, não é fácil se certificar o que elas eram. Eu
creio que sua grande heresia foi manter que 'sem a santidade', interior e exterior, 'nenhum homem poderá
ver ao Senhor'.
142

25. Cipriano, Bispo de Cartagena, em todos os aspectos, uma testemunha inquestionável, que se
distinguiu, por volta da metade do terceiro século, nos deixou abundância de cartas, nas quais ele dá um
relato largo e particular do estado da religião naquele tempo. Ao ler isto, alguém poderia estar apto a
imaginar, que ele estava lendo um relato do presente século: tão totalmente vazia da verdadeira religião,
estava a generalidade, tanto de leigo quanto do clero; tão imersa na ambição, inveja, cobiça, luxúria, e todos
os outros vícios, que os cristãos da África eram, então, exatamente o mesmo como os cristãos da Inglaterra
são agora.

26. É verdade que, durante todo esse período, durante os primeiros três séculos, havia estações, mais
longas e mais curtas, misturadas, onde o verdadeiro Cristianismo reviveu. Nestas épocas, a justiça e
misericórdia de Deus largaram os ateus sobre os cristãos. Muitos desses foram, então, chamados a resistir
com sangue. E 'o sangue dos mártires foi a semente da Igreja'. O espírito apostólico retornou; e muitos 'não
consideram suas vidas preciosas a si mesmo, de modo que eles terminaram seu curso com alegria'. Muitos
outros foram reduzidos à uma pobreza feliz; e estando despidos do que eles muito amaram, 'eles se
lembraram que fora disto que eles caíram, e se arrependeram, e realizaram suas primeiras obras'.

27. A perseguição nunca causou; nem nunca poderia ter causado qualquer dano permanente ao
Cristianismo verdadeiro. Mas o maior, que ele, alguma vez, recebeu, o grande golpe que foi dado na própria
raiz daquele amor paciente, humilde e gentil, que é o cumprimento da Lei Cristã, a essência total da religião
verdadeira, foi dado, no quarto século, por Constantino, o Grande, quando ele chamou a si mesmo de
cristão, e despejou uma inundação de riquezas, honras e poder sobre os cristãos, mas, especialmente, sobre o
clero. Então, foi cumprida na Igreja Cristã, o que Sallust disse das pessoas de Roma: Sublata imperii aemula,
non sensim, sed praecipiti cursu, a virtutibus descitum, ad vitia transcursum –

[O Sr. Wesley, sem dúvida, citou de memória; e esta é a razão do ligeiro equívoco, que cometeu. A
passagem, a que se refere, não se acha em Sallust, mas em Velleius Paterculus e lê-se assim: Remoto
Carthaginis metu, sublataque imperri aemula, non gradu, sed praecipiti cursu, a virtute descitum, ad vitia
transcursum. Lib. ii. cap. 1. -- Editor].

Assim sendo, quando o temor da perseguição foi removido, e a prosperidade e honra atenderam a
profissão cristã, os cristãos 'não afundaram gradualmente, mas investiram de ponta cabeça, em todo tipo de
vícios'. Então, 'o mistério da iniqüidade' não mais ficou oculto, mas atacou à espreita, amplamente na face
do sol. Assim começou, não a era do ouro, mas a era do ferro da Igreja. Por isto, alguém poderia
verdadeiramente dizer:

De repente, naqueles tempos infelizes,


Toda maldade, e todo pecado mortal irromperam:
Verdade, modéstia, e amor fugiram,
E força, e sede de ouro,
clamaram influência universal

28. E este é o evento que a maioria dos expositores cristãos mencionam com tal triunfo! Sim, que
alguns desses supõem ser simbolizado em Apocalipse, através da 'Nova Jerusalém descendo dos céus!'.
Melhor dizer que foi a vinda de satanás, e todas as suas legiões do abismo sem fim: vendo que, desde aquele
mesmo tempo, ele fixou seu trono sobre a face de toda terra, e reinou sobre o mundo cristão, assim como o
pagão, com quase nenhum controle. Historiadores, de fato, nos contam, muito gravemente, das nações, em
todos os séculos, que foram, através de tais e tais (Santos, sem duvida!) convertidas ao Cristianismo: Mas,
ainda esses convertidos praticaram todos os tipos de abominações, exatamente como faziam antes; de
maneira alguma diferindo, tanto em seus temperamentos, quanto em suas vidas, das nações que ainda eram
chamadas de pagãs. Tal tem sido o estado deplorável da Igreja Cristã, dos tempos de Constantino até a
Reforma. Uma nação cristã, uma cidade cristã, (de acordo com o modelo bíblico) não era vista, em lugar
alguma; mas, toda cidade e região, exceto alguns poucos indivíduos, estavam mergulhados em maldades de
todos os tipos.
143

29. O caso foi alterado desde a Reforma? 'O mistério da iniqüidade' não mais opera na Igreja? Não:
A própria Reforma não tem estendido um terço acima da Igreja Ocidental: de modo que dois terços desses
permanecem como eles sempre foram; assim como as Igrejas do Leste, Sul, Norte. Eles estão tão cheios de
barbarismo, ou pior do que os bárbaros, abominações, assim como sempre estiveram antes. E qual é a
condição das Igrejas Reformadas? É certo que eles eram reformados em suas opiniões, tanto quanto em seus
modelos de adoração. Mas isto é tudo? Os temperamentos, assim como as vidas deles estavam reformadas?
Não, ao todo. De fato, muitos dos 'reformadores queixaram-se de que a Reforma não foi levada longe o
suficiente'. Mas o que eles quiseram dizer? Que eles não reformaram suficientemente os ritos e cerimônias
da Igreja. Vocês, tolos, são cegos! Fixarem toda sua atenção nos circunstanciais da religião! A queixa de
vocês deveria ter sido que os princípios básicos da religião não foram levados o suficiente longe! Vocês
deveriam veementemente ter insistido na completa mudança do temperamento e vidas dos homens; para que
eles mostrassem que tinham 'a mente que estava em Cristo', que 'caminhavam como Ele também caminhou'.
Sem isto, quão intensamente levianas foram as reformas de opiniões e ritos e cerimônias! Agora, que alguém
examine o estado do Cristianismo nas partes Reformadas da Suíça; na Alemanha ou França; na Suécia,
Dinamarca, Holanda; na Grã Bretanha ou Irlanda. Quão poucos desses cristãos reformados são melhores do
que os das nações pagãs! Eles têm mais (eu não direi, comunhão com Deus, embora que não exista
Cristianismo sem isto), mas eles têm mais justiça, misericórdia, ou verdade, do que os habitantes da China,
ou Indostan? [O domínio Britânico na Índia] Ó, não! Nós devemos reconhecer com tristeza e vergonha, que
nós estamos muito aquém deles!

30. Não é este o caminho da queda ou apostasia de Deus, profetizada por Paulo, no Segundo Capítulo
da Epístola aos Tessalonicenses? (II Tessalonicenses 2:3) 'Ninguém de maneira alguma vos engane;
porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da
perdição'. De fato, eu não ousaria dizer, com George Fox, que esta apostasia era universal; que nunca houve
algum cristão real no mundo, desde os dias dos Apóstolos, até seu tempo. Mas nós podemos evidentemente
dizer, que onde quer que o Cristianismo tenha se espalhado, a apostasia tem se espalhado também; de tal
maneira que, embora existam agora, e sempre tenham existido, indivíduos que foram cristãos reais; ainda
assim, o mundo todo nunca mostrou, nem pôde até hoje mostrar, uma região ou cidade cristã.

31. Eu agora iria submeter a todo homem de reflexão, que crê que as Escrituras sejam de Deus, se
esta apostasia não implica a necessidade de reforma geral? Sem permitir isto, como podemos possivelmente
justificar tanto a sabedoria quanto a benevolência de Deus? De acordo com as Escrituras, a religião cristã foi
designada para 'curar as nações'; para a salvação do pecado, através dos meios do Segundo Adão, todos que
foram 'constituídos pecadores', através do primeiro. Mas ela não responde a esta finalidade: nunca
respondeu; a menos, por um curto tempo em Jerusalém. O que podemos dizer, a não ser que, se ela não o fez
ainda, ela certamente o fará? O tempo é chegado, quando não apenas 'toda Israel deverá ser salva', mas 'a
plenitude dos gentios virá'. O tempo é chegado, quando 'a violência não mais será ouvida na terra,
devastando ou destruindo dentro de nossos limites'; mas todas as cidades chamarão 'seus muros de
Salvação, e seus portões, Louvor'; quando todas as pessoas, diz o Senhor, 'serão justas, e herdarão a terra
para sempre;as ramificações de meu plantio, o trabalho de minhas mãos, para que eu possa ser
glorificado'.

(Isaías 60:18, 21) 'Nunca mais se ouvirá de violência na tua terra, de desolação; nem de destruição.
nos teus termos; mas aos teus muros chamarás Salvação, e às tuas portas Louvor. Nunca mais te servirá o
sol, para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o
teu Deus, a tua glória. Nunca mais o teu sol se porá, nem a tua lua minguará; porque o Senhor será a tua
luz perpétua, e os dias do teu luto findarão. E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a
terra; serão renovados; por mim, eles serão plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja
glorificado'.

32. Das considerações precedentes, nós podemos aprender uma resposta completa a uma das grandes
objeções dos infiéis contra o Cristianismo; ou seja, a vida dos cristãos. Dos cristãos, você diz? Eu duvido se,
alguma vez, você conheceu um cristão na sua vida. Quando Tomo Chachi, o chefe índio, sutilmente replicou
144

àqueles que disseram a ele da existência de cristãos, 'Por que, esses, em Savannah, são cristãos! Esses, em
Frederica, são cristãos!' – a resposta apropriada foi: 'Não, eles não são; eles não são mais cristãos do que
você e Sinauky'. 'Mas esses, em Canterbury, em Londres, em Westminster, não são cristãos?'. Não: não mais
do que eles são anjos. Ninguém é cristão, a não ser aquele que tem a mente que estava em Cristo, e caminha
como ele caminhou. 'Por que, se apenas esses são cristãos', disse um sábio eminente, 'eu nunca vi um
cristão ainda?'. Eu acredito nisto: você nunca viu; e, talvez, nunca vá ver; porque você nunca irá encontrá-
los no mundo nobre e divertido. Os poucos cristãos que estão sobre a terra, apenas são encontrados onde
você nunca procurou por eles. Nunca mais, portanto, afirme essa objeção: Nunca objete, para o
Cristianismo, as vidas e temperamentos dos pagãos. Embora eles sejam chamados cristãos, o nome não
implica a coisa: Eles estão, tão longe disto, quanto o inferno do céu!

-------

[Trecho do Diário de John Wesley, quando em viagem para a América, no início de seu ministério,
com o propósito de doutrinar os índios.]

13.02.1736 - Aproximadamente, à uma hora, Tomo Chachi (chefe índio), o sobrinho dele,
Thleeanouhee, sua esposa, Sinauky, com duas outras mulheres, e duas ou três crianças índias, vieram a
bordo. Tão logo entramos, eles todos se levantaram e apertaram nossas mãos; e Tomo Chachi (intérprete do
Sr. Musgrove) falou como segue: 'Eu me alegro que tenham vindo. Quando estive na Inglaterra, eu desejei
que alguns pudessem falar do grande mundo para mim e minha nação; então, desejei ouvir isso; mas agora,
nós estamos todos confusos; ainda, que eu esteja feliz que tenham vindo. Eu irei até lá e falarei a todos os
homens sábios de nossas nações; e espero que eles me ouçam. Mas não seríamos feitos cristãos, como os
espanhóis fazem cristãos: nós seríamos ensinados, antes de sermos batizados'. Ao que respondi: 'Há apenas
um: Ele que está nos céus; único capaz de ensinar sabedoria aos homens. Embora tenhamos vindo, de tão
longe, não sabemos, se Ele terá prazer em ensiná-los, através de nós, ou não. Se Ele ensinar, você
aprenderá sabedoria, mas nós mesmos não podemos fazer nada'. — E, então, nos retiramos. [tradutora]

--------

33. Nós podemos apreender disto, em Segundo Lugar, a extensão da queda, -- a espantosa ampliação
da corrupção original. Afinal, não existe entre os muitos milhares; os muitos milhões, 'ninguém reto; não,
nem um?'. Não, pela natureza! Mas incluindo a graça de Deus, eu não irei dizer com o poeta pagão: --

"Rari quippe boni: numero vix sunt totidem, quot Thebarum portae, vel divitis ostia Nili".

[O que se segue é tradução de Gifford, dessa citação de Juvenal:-- Os bons são poucos! "O
destacamento valioso". Escassamente passam os portões de Teba; e as embocaduras do Nilo].

Como se ele tivesse admitido muito, ao supor que havia uma centena de homens bons no Império
Romano, ele chega à conclusão, e afirma que existe dificilmente sete. Não; certamente, havia sete mil!
Havia tantos, muito tempo atrás, em uma pequena nação, onde Elias supôs que haveria ninguém, afinal.
Mas, admitindo-se algumas poucas exceções, nós estamos autorizados a dizer: 'o mundo todo jaz na
malignidade'; sim 'no capeta', como as palavras propriamente significam. 'Sim, todo o mundo pagão'. E todo
o mundo cristão (assim chamado), também; por que onde está diferença, salvo em algumas poucas
aparências? Vejam com seus próprios olhos! Olhem para dentro das grandes regiões de Indostan. Existem
cristãos e pagãos lá também. Qual deles têm mais justiça, misericórdia e verdade? Os cristãos ou os pagãos?
Qual é mais corrupto, infernal, diabólico, no seu temperamento e prática? O inglês ou os hindus? Qual tem
arruinado regiões inteiras, e entupido os rios com corpos mortos?

Ó, nome sagrado do cristão! Quão profanado!


Ó terra, ó terra, ó terra,
como tu gemes,
debaixo das vilanias
145

de seus habitantes cristãos!

34. Das muitas circunstâncias precedentes, nós podemos ficar sabendo, em Terceiro Lugar, qual é a
inclinação genuína das riquezas: Qual a influência perniciosa que elas têm, em todas as épocas, sobre a
religião pura e imaculada. Não que o dinheiro seja um mal em si mesmo: ele é aplicável para os bons, tanto
quanto, para os maus propósitos. Mas, não obstante, é uma verdade inquestionável que 'o amor ao dinheiro,
é a raiz de todo o mal'; e também, aquela da possessão das riquezas naturalmente alimenta o amor deles.
Assim sendo, é uma observação antiga que:

'Na mesma proporção em que o dinheiro aumenta, aumenta o amor a ele'; e sempre irá, sem o
milagre da graça. Embora, por conseguinte, outras causas possam ocorrer; ainda assim, este tem sido, em
todas as épocas, o principal motivo da decadência da religião verdadeira em toda comunidade cristã. Por
quanto tempo, os cristãos, em qualquer parte, ficaram longe do poder do dinheiro, eles foram devotados a
Deus. Enquanto eles tinham pouco do mundo, eles não amaram o mundo; mas quanto mais obtinham, mas
eles o amavam. Isto constrangeu o Amor de suas almas, em diversas épocas, a desacorrentar seus
perseguidores, que, por fazerem com que eles retornassem à sua condição de pobreza anterior, fizeram com
que eles retornassem à sua condição anterior de pureza. Ainda assim, lembrem-se, vocês, que as riquezas
têm, em todas as épocas, sido a causa da destruição do Cristianismo genuíno.

35. Nós podemos aprender disto, em Quarto Lugar, de quão grande vigilância, aqueles que desejam
ser verdadeiros cristãos, precisam; considerando qual o estado do mundo em que se encontram! Cada um
deles não pode dizer,

Em um mundo de rufiões enviados,


eu caminho sobre solo hostil:
seres humanos selvagens se arrastam
sobre a inclinação para matar.
Os lobos vorazes rodeiam?

Eles são os mais perigosos, porque comumente aparecem em roupas de cordeiro. Mesmo estes que
não fingem para religião; que, ainda assim, fazem profissões justas de boa vontade, de prontidão para nos
servir, e, talvez, de verdade e honestidade. Mas, cuidem de não tomarem sua palavra! Não confiem em
homem algum, até que ele tema a Deus. Esta é a grande verdade:

Aquele que não teme a Deus, não pode amar o amigo:

Portanto, fiquem atentos, contra todo aquele que não busca sinceramente salvar sua alma. Nós temos
necessidade de mantermos ambos nosso coração e boca, como se 'com uma rédea, enquanto o descrente está
por perto'. A conversa deles, e seu espírito, são infecciosos, e nos espreitam, inesperadamente, sem que
saibamos como. 'Feliz é o homem que teme sempre', neste sentido também, a fim de que não seja parceiro de
outros em seus pecados. Ó 'mantenham-se puros!'. 'Vigiem e orem, para que não caiam em tentação!'.

36. Nós podemos aprender disto, por fim, que a gratidão torna estes que têm escapado da corrupção
que está no mundo; a quem Deus tem escolhido fora do mundo, santos e irrepreensíveis. 'Quem é aquele que
faz com que tu te diferencies?'. 'E o que tu tens que ainda não recebeste?'. Não é tão somente 'Deus, que
opera em ti, tanto o querer quanto o fazer o que agrada a Ele?'. Que todos aqueles, aos quais o Senhor tem
redimido e livrado das mãos do inimigo', dêem graças a Ele. Vamos louvar a quem nos permitiu ver o estado
deplorável, que está a nossa volta; ver a maldade que domina a terra, e ainda assim, não para sermos
arrastados pela correnteza! Nós vemos a contaminação geral, e quase universal; e mesmo assim, ela não
pode se aproximar para nos causar dano! Damos graças a Ele 'que nos livrou de morte tão terrível, e ainda
nos tem livrado!'. E nós não temos motivo além para a gratidão; sim, para o grande consolo, na abençoada
esperança que Deus nos tem dado, de que o tempo está à mão, quando a retidão deverá ser tão universal,
quanto a iniqüidade é agora? Admitindo que 'agora toda a criação murmura junta', debaixo do pecado do
homem, nosso contorto é, que ela não murmure sempre. Deus irá levantar e manter sua própria causa; e toda
146

a criação deverá, então, estar livre da corrupção, moral e natural; do pecado e suas conseqüências; não mais
haverá dor: a santidade e felicidade irão cobrir a terra. Então, todos os cantos do mundo verão a salvação de
nosso Deus; e toda a raça humana deverá conhecer, e amar, e servir a Deus, e reinar com Ele para todo o
sempre!

---
[Editado por Travis Tindall, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A Finalidade da Vinda de Cristo

'Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se
manifestou: para desfazer as obras do diabo'. (I João 3:8)

1. Muitos escritores eminentes, pagãos, assim como cristãos, nos séculos, precedentes e recentes, têm
empregado todo seu trabalho e habilidade em retratar a beleza da virtude. E os mesmos esforços têm sido
tomados para descrever, nas cores mais vivas, a deformidade da imoralidade; da imoralidade em geral, e
daquelas específicas, as quais foram mais predominantes, em suas respectivas épocas e regiões. Com igual
cuidado, eles colocaram, sob uma luz mais convincente, a felicidade que atende a virtude, e a miséria que
usualmente acompanha a imoralidade, e sempre a segue.

Pode-se reconhecer que tratados deste tipo não são totalmente sem seu uso. Provavelmente, por meio
deles, alguns, por um lado, têm sido estimulados a desejarem e a seguirem em busca da virtude; e alguns,
por outro, têm interrompido sua carreira de imoralidade, -- talvez, reclamando dela, pelo menos, por algum
tempo. Mas a mudança efetuada nos homens, através desses meios, raramente é profunda ou total: Muito
menos, é durável; em um pequeno espaço de tempo, ela desaparece, como uma nuvem matutina. Tais
motivos são muito fracos para superarem as tentações inumeráveis que nos circundam. Tudo que se possa
dizer a respeito da beleza e vantagem da virtude, e da deformidade, e os efeitos danosos da imoralidade, não
pode resistir, e muito menos superar e remediar um apetite e paixões irregulares.

2. Existe, portanto, uma necessidade absoluta, se, alguma vez, pudermos subjugar a imoralidade, ou
perseverarmos firmemente na prática da virtude, de termos armas de um tipo melhor do que essas; do
contrário, veremos o que é certo, mas não poderemos alcançá-lo. Muitos homens de reflexão, em meios aos
próprios ateus estiveram profundamente sensíveis disto.

Quão exatamente concordante com as palavras do Apóstolo: (Personalizando um homem consciente


do pecado, mas não ainda o subjugando) 'O bem que eu poderia, eu não faço; mas o mal que eu não
poderia, este eu faço!'. A impotência da mente humana, mesmo do filósofo romano poderia descobrir:
'Existe em qualquer homem', diz ele, 'essa fraqueza'; (ele poderia ter dito, esta ferida inflamada) – a sede
pela glória. A natureza indica a enfermidade; mas a natureza não nos mostra remédio'.

3. Nem é de se admirar que, embora eles buscassem por um remédio, ainda assim, eles não
encontraram remédio algum. Porque eles o buscaram onde ele nunca foi, e nunca será encontrado, ou seja,
em si mesmos; na razão, na Filosofia: Em que não se pode confiar, bolhas, fumaça! Eles não o buscaram em
Deus, em quem, tão somente, é possível encontrá-lo. Em Deus! Não; eles repudiaram totalmente isto; e em
termos mais fortes. Porque, embora Cícero, um de seus oráculos, tenha uma vez tropeçado sobre aquela
estranha verdade: 'Nunca houve algum grande homem que não tenha sido divinamente inspirado'; ainda
assim, no mesmo trato, ele contradiz a si mesmo, e subverte sua própria afirmativa, por perguntar: 'Quem,
alguma vez, retribuiu a Deus agradecimento pela própria virtude ou sabedoria?'. O poeta romano é, se
possível, mais explícito; quem, depois de mencionar diversas bênçãos exteriores, honestamente acrescenta: -
- Nós perguntamos a Deus, o que ele pode dar ou tomar, -- vida; posses; mas virtuoso eu mesmo me faço.
147

4. Os melhores deles, tanto buscaram a virtude parcialmente de Deus, e parcialmente de si mesmos;


quanto a buscaram desses deuses que eram, de fato, diabos, e assim, não igualmente para tornarem seus
adoradores melhores do que si mesmos. Tão sombria foi a luz do mais sábio dos homens, até que a 'vida e
imortalidade fossem trazidas para a luz, através do Evangelho'; até que 'o Filho de Deus foi manifestado
para destruir as obras do diabo!'.

I. Mas quais são 'as obras do diabo', aqui mencionadas?

II. Como 'o Filho de Deus foi manifestado' para destruí-las?

III. E como, de que maneira, e através de que passos, ele atualmente as 'destrói'?

Esses três pontos muito importantes, nós iremos considerar em sua ordem.

1. Quais são as obras do diabo, nós aprendemos das palavras precedentes e seguintes do texto:

(I João 3:3-6) 'E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é
puro. Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade. E bem
sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece
nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu'; porque o diabo peca desde o começo. Para
este propósito, foi que o Filho de Deus se manifestou, para que pudesse destruir as obras do diabo:

(I João 3:8) 'Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o
Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo'.

(I João 3:9) ' Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece
nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus'. De maneira que parece que 'as obras do diabo', aqui
faladas, são os pecados, e os frutos do pecado.

2. Mas, desde que a sabedoria de Deus dissipou as nuvens que, por tanto tempo cobriram a terra, e
colocou um fim nas conjecturas infantis dos homens, concernentes à essas coisas, pode ser útil ter uma visão
mais distinta dessas 'obras do diabo'; tanto quanto os oráculos de Deus nos instruem. É verdade que o
objetivo do Espírito Santo foi assistir nossa fé, e não gratificar nossa curiosidade; e, portanto, o relato que
ele tem dado, nos primeiros capítulos de Gênesis é excessivamente breve. Não obstante, ele é tão claro, que
nós podemos aprender do que quer que nos concerne saber.

3. Para começar do início: 'O Senhor Deus' (literalmente, Jeová, os Deuses; ou seja, Um e Três)
'criou o homem a sua própria imagem'; -- em sua imagem natural, como para sua melhor parte; isto é, um
espírito, como Deus é um espírito; dotado com entendimento; que, se não é a essência, parece ser a
propriedade mais essencial de um espírito. Provavelmente o espírito humano, assim como o angelical,
discerniu, então, a verdade, através da intuição. Conseqüentemente, ele nomeou cada criatura, tão logo ele a
viu, de acordo com sua natureza íntima. Ainda assim, o conhecimento era limitado, já que ele era uma
criatura: Portanto, a ignorância era inseparável dele; mas o erro não era; não parece que ele era um equivoco
em qualquer coisa. Mas ele era capaz de errar; de se iludir, embora não fosse compelido a isto.

4. Ele era dotado também com a vontade, com as várias afeições; (que são apenas a vontade
manifestando-se de várias maneiras), para que possa amar, desejar, e deleitar-se no que fosse bom: Do
contrário, seu entendimento não teria tido propósito. Ele era igualmente dotado com a liberdade; o poder de
escolher o que é bom, e recusar o que não é. Sem isto, ambos, a vontade e o entendimento, poderiam ter sido
absolutamente inúteis. De fato, sem a liberdade, o homem teria estado longe de ser um agente livre; de tal
modo que ele não poderia ter sido um agente, afinal. Porque toda existência, não livre, é puramente passiva;
não ativa, em qualquer grau. Você tem uma espada em sua mão? Um homem, mais forte do que você
148

poderia prendê-lo, e forçá-lo a ferir uma terceira pessoa? Nisto, você não seria o agente; não mais do que sua
espada: A mão é tão passiva, quanto o aço. Assim é, em todo caso possível. Ele que não é livre, não é um
agente, mas um paciente.

5. Portanto, parece que cada espírito no universo, como tal, é dotado com entendimento, e, em
conseqüência, com uma vontade, e com uma medida de liberdade; e que esses três são inseparavelmente
unidos em cada natureza inteligente. Liberdade forçada, ou dominada, não é liberdade, afinal. É uma
contradição em termos. É o mesmo que liberdade não livre; ou seja, inequívoco contra-senso.

6. Pode ser observado, mais além, (e é uma observação importante) que onde não existe liberdade,
não pode haver boa ou má moral; nenhuma virtude, ou depravação. O fogo nos aquece; ainda assim, não é
capaz de virtude. Ele nos queima; ainda assim, não é depravação. Não existe virtude, mas onde criatura
inteligente conhece, ama, e escolhe o que é bom; nem existe alguma imoralidade, mas onde tal criatura
conhece, ama, e escolhe o que é mal.

7. E Deus criou o homem, não apenas à sua imagem natural, mas igualmente, à sua imagem moral.
Ele o criou não apenas 'no conhecimento', mas também na retidão e santidade verdadeira. Como seu
entendimento foi sem mancha, perfeito em sua espécie; assim, foram todas as suas afeições. Elas foram
todas corrigidas, e devidamente exercitadas em seus objetivos apropriados. E como um agente livre, ele
escolheu firmemente o que era bom, de acordo com a direção de seu entendimento. E em fazer isto, ele foi
inexplicavelmente feliz; habitando em Deus, e Deus nele; tendo uma camaradagem ininterrupta com o Pai e
o Filho, através do Espírito eterno; e o contínuo testemunho de sua consciência, para que todos os seus
caminhos fossem bons e aceitáveis para Deus.

8. Ainda assim, sua liberdade (como foi observado antes), necessariamente, incluiu o poder de
escolher ou recusar o bem e o mal. De fato, tem-se duvidado que o homem pudesse, então, escolher o mal,
sabendo que ele é tal. Mas não se pode duvidar que ele possa tomar o mal pelo bem. Ele não era infalível;
portanto, não era impecável. E isto se esclarece na dificuldade total da grande questão: 'Como o mal entrou
no mundo?'. Ele veio de 'Lúcifer, filho da manhã'. Foi obra do diabo. 'Porque o diabo'¸ diz o Apóstolo,
'pecou, desde o início'; ou seja, ele foi o primeiro pecador no universo, o autor do pecado, o primeiro ser
que, através do abuso de sua liberdade, introduziu o mal na criação. Ele foi um dos primeiros, se não, o
primeiro arcanjo que se permitiu tentar, ao pensar mais altamente de si mesmo. Ele livremente entregou-se à
tentação; e deu caminho, primeiro, ao orgulho, então, à vontade própria. Ele disse: 'Eu me sentarei nos lados
do norte: Eu seria como o Altíssimo'. Ele não caiu sozinho, mas logo carregou consigo uma terceira parte
das estrelas do céu; em conseqüência do que, elas perderam sua glória e felicidade, e foram dirigidas para
fora de sua habitação anterior.

9. 'Tendo grande ira', e, talvez, inveja da felicidade das criaturas a quem Deus havia recém criado,
não é de se estranhar que ele pudesse desejar e se esforçar para privá-las dela. Com este objetivo, ele se
ocultou na serpente, que era a mais sutil, ou inteligente de todas as criaturas brutas; e, desta forma, a menos
propensa a levantar suspeita. De fato, alguns supõem (não improvavelmente) que a serpente foi, então,
dotada com alguma razão e linguagem. Não tivesse Eva sabido que ela era, teria admitido alguma
conferência com ela? Como o Apóstolo observa que ela teve. Para enganá-la, satanás misturou a verdade
com a falsidade: -- 'Deus não disse que você podia comer de toda a árvore do jardim?' – e logo depois, a
persuadiu a desacreditar de Deus, por supor que seu trato não poderia ser cumprido. Ela, então, ficou
propensa a toda a tentação: -- Ao 'desejo da carne'; porque a árvore era 'boa para o alimento': Ao 'desejo
dos olhos'; porque ela era 'agradável a estes': E ao 'orgulho da vida'; porque ela era 'desejável para tornar
alguém sábio', e, conseqüentemente, honrado. Então a descrença gerou o orgulho: Ela se considerou mais
sábia do que Deus; capaz de encontrar um caminho melhor para a felicidade do que Deus a havia ensinado.
Ela gerou a vontade própria: Ela estava determinada a fazer a sua própria vontade, e não a vontade Dele que
a fez. Ela gerou os desejos tolos; e completou a todos, através do pecado exterior: 'Ela tomou do fruto, e o
comeu'.
149

10. Ela, então, 'deu ao seu marido, e ele comeu'. E, naquele dia; sim, naquele momento, ele morreu!
A vida de Deus foi extinta de sua alma. A glória partiu dele. Ele perdeu toda a imagem moral de Deus, -- a
retidão e a santidade verdadeira. Ele era impuro; e era infeliz; ele era cheio de pecado; cheio de culpa e
medos torturantes. Separado de Deus, e olhando a si mesmo agora como um Juiz cruel, 'ele teve medo'. Mas,
como seu entendimento foi enegrecido, ao pensar que ele poderia 'esconder-se da presença de Deus, em
meio às árvores do jardim!'. Assim, sua alma foi totalmente morta para Deus! E, naquele dia, seu corpo
igualmente começou a morrer, -- tornou-se odioso para a fraqueza, doença e dor; todas preparatórias para a
morte do corpo, que, naturalmente, conduz à morte eterna.

II

Tais eram 'as palavras do diabo'; pecado e seus frutos; considerados em sua ordem e conexão. Nós,
em Segundo Lugar, vamos considerar como Filho de Deus foi manifestado com o objetivo de destruí-las.

1. Ele foi manifestado como o único Filho Unigênito de Deus, em glória e igual com o Pai, para os
habitantes dos céus, antes e quando da fundação do mundo. Essas 'estrelas da manhã cantaram juntas';
todos esses 'filhos de Deus gritaram de alegria', quando eles o ouviram pronunciar: 'Haja luz; e houve luz'; -
- quando ele 'espalhou o norte sobre o espaço vazio', e 'estendeu os céus como uma cortina'. De fato, foi
uma crença geral na Igreja primitiva, que o Deus Pai, não teria visto, nem poderia ver; que de toda a
eternidade ele teria habitado na luz inacessível; e foi apenas no Filho de seu amor, e através dele, que Ele
revelou, naquele momento, a si mesmo às suas criaturas.

2. Como o Filho de Deus foi manifestado para nossos primeiros pais no paraíso, não é fácil
determinar. Geralmente, e não é improvável, supôs-se que Ele apareceu a eles na forma de um homem, e
conversou com eles face a face. Nem eu posso acreditar, afinal, no sonho engenhoso do Dr. Watts,
concernente 'à gloriosa natureza humana de Cristo', a qual ele supõe ter existido, antes do mundo existir, e
ter sido dotada com, eu não sei quais, poderes surpreendentes. Não, eu olho para isto, como um perigo
enorme; sim, uma hipótese danosa, já que ela exclui completamente o valor de muitas Escrituras que se
pensou, até aqui, provar a Divindade do Filho. E eu temo que seja um grande meio de deixar este grande
homem, à parte da fé, uma vez, entregue aos santos; -- ou seja, se ele for colocado de lado; se aquele bonito
monólogo for genuíno; aquele que foi impresso, entre suas Obras Póstumas, onde ele tão honestamente
implora ao Filho de Deus, não se desagradar do fato de ele não poder acreditar que ele seja co-igual e co-
eterno com o Pai.

3. Nós não podemos razoavelmente crer que foi por aspectos similares que Ele foi manifestado, em
sucessivas épocas, para Enoque, enquanto ele 'caminhou com Deus'; para Noé, antes e depois do dilúvio;
para Abraão, Isaque, e Jacó, em várias ocasiões; e, para não mencionar mais, para Moisés? Este parece ser o
significado natural da palavra: 'Meu servo Moisés é fiel, em toda minha casa. – Com ele eu falo, boca a
boca, mesmo aparentemente, e não em discursos obscuros; e a similitude de Jeová deverá ser observada';
ou seja, o Filho de Deus.

4. Mas todos esses foram apenas tipos de sua grande manifestação. Foi, na plenitude do tempo
(exatamente na idade média do mundo, como um grande homem prova largamente) que Deus 'trouxe seu
Unigênito para o mundo, feito de uma mulher'; através do poder do Altíssimo, ofuscando-na. Ele, mais
tarde, foi manifestado para os pastores; para o devoto Simeão; para Ana, a profetisa; e para 'todos que
esperaram pela redenção em Jerusalém'.

5. Quando estava no tempo devido, para executar seu oficio sacerdotal, Ele foi manifestado para
Israel; pregando o evangelho do reino de Deus, em toda região, e em toda cidade. E, por um tempo, foi
glorificado por todos que reconheceram que Ele 'falava como nunca homem algum falara'; que 'Ele falava
como alguém que tinha autoridade', com toda a sabedoria e poder de deus. Ele foi manifestado, através de
inumeráveis 'sinais e maravilhas, e as obras poderosas que fez', assim como por toda sua vida; sendo o
único nascido de uma mulher, 'que não conheceu pecado', que, desde seu nascimento, até sua morte, fez
'todas as coisas boas'; fazendo continuamente, 'não a sua vontade, mas a vontade Daquele que o enviara'.
150

6. Afinal, 'observe o Cordeiro de Deus, tirando os pecados do mundo!'. Esta foi a mais gloriosa
manifestação de si mesmo, do que qualquer uma que ele tenha feito antes. Quão maravilhosamente ele foi
manifestado aos anjos e homens, quando 'ele foi ferido por nossas transgressões'; quando ele 'carregou
todos os nossos pecados em seu próprio corpo no madeiro'; quando, fez 'um sacrifício, expiação e
penitência pelos pecados de todo o mundo, através do sacrifício único de si mesmo, uma vez oferecido',
quando ele clamou: 'Está terminado; e tombou sua cabeça; e entregou seu espírito'. (Lucas 23:46) Pai, nas
tuas mãos, eu entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou'. Nós necessitamos apenas mencionar
algumas manifestações mais adiante, -- sua ressurreição dos mortos; sua ascensão aos céus, na glória que ele
teve antes do mundo existir; e seu derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes; ambos belamente
descritos naquelas bem conhecidas palavras do salmista: (Salmos 68:18) 'Tu subiste ao alto, levaste cativo o
cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os teus inimigos, para que o Senhor Deus habitasse
em meio' ou 'neles''.

7. 'Para que o Senhor possa habitar neles': Isto se refere à ainda mais uma manifestação a mais do
Filho de Deus; mesmo à manifestação interior de si mesmo. Quando ele falou disto para seus Apóstolos,
pouco antes de sua morte, um deles imediatamente perguntou: 'Senhor, como tu irás te manifestar a nós e
não ao mundo?' -- (João 14:22) 'Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de
manifestar a nós, e não ao mundo?'. Por nos habilitar a crer em seu nome. Porque ele é, interiormente
manifestado a nós, quando nós somos capazes de dizer com confiança: 'Meu Senhor, e meu Deus!'. Então,
cada um de nós pode corajosamente dizer: 'A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que
me amou e deu a si mesmo por mim'. (Gálatas 2:20) 'Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu,
mas Cristo vive em mim; e a vida que eu agora vivo na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, o qual me
amou, e se entregou a si mesmo por mim'. E é por assim manifestar a si mesmo em nossos corações que ele
efetivamente 'destrói as obras do diabo'.

III

1. Como Ele faz isto; de que maneira, e através de que passos, ele verdadeiramente as destrói, nós
iremos agora considerar. Primeiro, como satanás começou sua obra em Eva, envenenando-a com a
descrença, então, o Filho de Deus começa sua obra no homem, nos capacitando a crer Nele. Ele abre e
ilumina os olhos de nosso entendimento. Fora da escuridão, ele ordena à luz que brilhe, e arranca o véu que
o 'deus deste mundo' tinha espalhado sobre nossos corações. E nós, então, não através de uma corrente de
raciocínio, mas através de uma espécie de intuição; através de uma visão direta de que 'Deus estava em
Cristo, reconciliando o mundo para si mesmo; não imputando a eles suas primeiras transgressões'; não as
imputando a mim. Naquele dia, 'nós saberemos que somos de Deus'; filhos de Deus pela fé; 'tendo
redenção, através do sangue de Cristo, mesmo o perdão dos pecados'. 'Sendo justificado pela fé, nós
teremos lugar com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo'; -- aquela paz, que nos capacita, em todas as
condições também a estarmos satisfeitos; que nos livra de todas as dúvidas desconcertantes; de todos os
medos tormentosos; e, em particular, de todo 'medo da morte, por meio do qual, nós estivemos toda nossa
existência, sujeitos à escravidão'.

2. Ao mesmo tempo, o Filho de Deus golpeia a raiz da grande obra do diabo, -- o orgulho; fazendo
com que o pecador se humilhe diante do Senhor, e abomine a si mesmo, de certo modo, se reduza ao pó e
cinzas. Ele golpeia na raiz da vontade própria; capacitando o pecador humilhado a dizer em todas as coisas:
'Não como eu quero, mas como Tu queres'. Ele destrói o amor ao mundo; libertando aqueles que crêem Nele
de 'todo desejo tolo e danoso'; do 'desejo da carne; do desejo dos olhos; do orgulho da vida'. Ele os poupa
de buscar, ou de esperar encontrar felicidade em alguma criatura. Como satanás mudou o coração do homem
do Criador para a criatura; então, o Filho de Deus mudou seu coração, da criatura para o Criador. Assim
sendo, manifestando a si mesmo, Ele destrói as obras do diabo; restaurando o culpado, rejeitado de Deus,
para seu favor, perdão e paz; o pecador, em quem não habita coisa boa, para o amor e santidade; o pecador
oprimido e miserável, para a alegria inexprimível, para a felicidade real e substancial.
151

3. Mas pode ser observado, que o Filho de Deus não destrói toda a obra do diabo no homem, por
quanto tempo ele permanece nesta vida. Ele ainda não a destrói a fraqueza corpórea, doença, dor, e milhares
de enfermidades, próprias da carne e sangue. Ele não destrói toda aquela fraqueza de entendimento, que é a
conseqüência natural da alma habitar um corpo corruptível; de modo que 'a ignorância e o erro', ainda,
'pertencem à humanidade'. Ele nos confia apenas uma porção muito pequena do conhecimento, em nosso
estado presente; a fim de que nosso conhecimento não possa interferir com nossa humildade, e novamente
possamos nos sentir como deuses. É para remover de nós toda tentação para o orgulho, e todo pensamento
de independência - (que é a mesma coisa que os homens em geral tão sinceramente cobiçam, sob o nome de
liberdade) - que ele nos deixa rodeados com todas essas enfermidades; particularmente, fraqueza de
entendimento; até que a sentença tome lugar: 'Tu és pó, e ao pó retornarás!'.

4. Então, o erro, a dor, e todas as doenças corpóreas cessarão: Todas essas serão destruídas através da
morte. E a própria morte, 'o último inimigo' do homem, deverá ser destruída na ressurreição. No momento
em que ouvirmos o arcanjo e a trompa de Deus, 'então, será cumprido o que está escrito: a morte será
tragada na vitória'. Este corpo 'corruptível deverá se tornar incorrupto'; esse corpo 'mortal deverá se tornar
imortal'; e o Filho de Deus, manifestado nas nuvens do céu, deverá destruir esta última obra do diabo!

5. Aqui, então, nós vemos, em uma luz mais clara e forte, o que é a religião verdadeira: A restauração
do homem, através Dele que esmaga a cabeça da serpente [Gênesis 3:15]; a restauração de tudo que a velha
serpente o privou; a restauração, não apenas para o favor, mas, igualmente, para a imagem de Deus;
implicando, não meramente no livramento do pecado, mas sendo preenchido com a plenitude de Deus.
Evidentemente, se nós atendermos às considerações precedentes, de que nada menos do que isto seja
religião cristã. Todas as demais coisas, se contrárias ou aparentes, estão completamente longe do alvo. Mas
que paradoxo é este! Quão pouco, ela é entendida no mundo cristão; sim, nessa época erudita, onde é tido
por certo que o mundo é mais sábio do que nunca foi antes, desde o início!

Em meio a todas as nossas descobertas, quem descobriu isto? Quão poucos, mesmo entre os cultos
ou incultos! E, ainda assim, se nós cremos na Bíblia, quem poderá negá-la? Quem poderá duvidar dela? Ela
está na Bíblia, do começo ao fim, em uma corrente unida; e o argumento de cada parte dela, com todas as
outras, é, propriamente a analogia da fé. Cuide de não tomar qualquer coisa; ou qualquer coisa menos do que
isto por religião! Nem coisa alguma a mais: Não imagine que uma forma exterior, uma sucessão de deveres,
públicos ou privados, seja religião! Não suponha que a honestidade, a justiça, ou o que quer que seja
chamado de moralidade (embora excelente em seu ligar) seja religião! E menos do que tudo, não fantasie
que a ortodoxia, a opinião correta (vulgarmente chamada de fé) seja religião. De todas as fantasias
religiosas, esta é a mais vã; a que toma feno e restolho por ouro, atirado ao fogo!

6. Não tome, nem mais nem menos, do que isto, como sendo a religião de Jesus Cristo! Não tome
parte dela, como sendo o todo! O que Deus reuniu, não separe. Não aceite nada menos do que 'a fé que é
operada pelo amor'; toda santidade interior e exterior, como religião Dele. Não esteja satisfeito com
qualquer religião, que não implique na destruição de todas as obras do diabo; ou seja, de todos os pecados.
Nós sabemos, que a fraqueza de entendimento, e milhares de enfermidades irão permanecer, enquanto restar
este corpo corruptível; mas o pecado não precisa permanecer: Esta é a obra do diabo, eminentemente assim
chamada, a que o Filho de Deus foi manifestado para destruir nesta vida atual. Ele é capaz; ele está desejoso
de destruí-la agora, em todos que crerem Nele. Apenas não se restrinja a si mesmo! Não desconfie de seu
poder ou de seu amor! Coloque sua promessa à prova! Ele tem falado: E ele não está pronto igualmente para
executar? Apenas 'venha corajosamente para o trono da graça', confiando em sua misericórdia; e você se
certificará que 'Ele salva ao extremo todos aqueles que vêm para Deus, através Dele!'.

[Editado por Amber Powers, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções
por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
152

A Expansão Geral do Evangelho

'Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento
do Senhor, como as águas cobrem o mar'. (Isaías 11:9)

1. Em que condição está o mundo, no momento! Como a escuridão, as trevas intelectuais, ignorância,
com vício e miséria, presentes sobre ele, cobrem a face da terra! Da investigação cuidadosa feita com
infatigáveis esforços, por nosso engenhoso conterrâneo, Sr. Brerewood; (que viajou por uma grande parte do
mundo conhecido, com o objetivo de formar um julgamento mais exato), supondo-se que o mundo esteja
dividido em trinta partes; dezenove delas são ateus declarados, tão completamente ignorantes de Cristo,
quanto se Ele nunca tivesse vindo ao mundo:Seis das partes restantes são Maometanos declarados: De modo
que apenas cinco em trinta são tanto quanto nominalmente cristãos!

2. E que seja lembrado que, desde que este cálculo foi feito, muitas nações novas foram descobertas;
inúmeras ilhas, particularmente no Mar do Sul, larga e bem habitada: Mas, por que? Pelos ateus do tipo mais
comum; muitos deles inferiores às bestas do campo. Se eles comem homens ou não (o que, na verdade, eu
não possa encontrar algum fundamento suficiente para acreditar), eles certamente matam tudo que lhes cai
nas mãos. Eles são, portanto, mais selvagens do que os leões; que matam não mais criaturas do que seja
necessário para satisfazer sua fome no momento. Veja a real dignidade da natureza humana! Aqui ela
aparece em sua pureza genuína, não poluída, se por aqueles 'corruptores gerais, reis', ou pelo menor traço
de religião!

O que Abbe Raynal [Guillaume-Thomas-Francois Raynal (1713-1796). O "Abbe Raynal," escritor


francês, que nasceu em Saint- Geniez em Rouergue em 12 de Abril de 1713. Filósofo e Historiador Político.
Entre os objetos de seus mais ferozes ataques estava a Inquisição e os métodos europeus de colonização --
tradutora] iria dizer disto?

3. Um pouco, e não mais que um pouco, acima dos pagãos na religião, estão os Maometanos. Mas
quão longe e amplamente esta ilusão miserável tem se espalhado sobre a face da terra! De tal maneira, que
os Maometanos são consideravelmente maiores em número (na proporção de seis para cinco) do que os
cristãos. E por todos os relatos que têm alguma pretensão de autenticidade, esses também, em geral, são
extremamente estranhos a toda a religião verdadeira, como seus irmãos quadrúpedes; tão destituídos de
misericórdia, como os leões e tigres; tanto desistiram da luxúria brutal, quanto dos touros ou cabras. De
modo que eles são, na verdade, uma desgraça para a natureza humana, e uma praga a todo que estão sob seu
jugo de ferro.

4. É verdade que uma escritora notável (Lady Mary Wortley Montague) dá uma característica muito
diferente deles. Com a mais fina fluência de palavras; da maneira mais elegante de linguagem, ela se esforça
para lavar o etíope branco. (*) Ela os representa como muitos graus acima dos cristãos; como alguns dos
povos mais amáveis no mundo; como possuídos de todas as virtudes sociais; como alguns dos mais
aperfeiçoados dos homens. Mas eu não posso, de maneira alguma, receber seu relato: eu não posso confiar
em sua autoridade. Eu acredito que esses ao redor dela tinham exatamente tanta religião quanto a
admiradora deles tinha, quando ela foi admitida no nas partes interior do Grande Harém do Lorde. Não
obstante, portanto, todo que tal testemunha faz ou pode dizer em favor deles, eu creio que os turcos, em
geral, são pouco melhores, se algum, afinal, do que a generalidade dos pagãos.

[Lady Mary Woethley (1689-1762) introduziu na Inglaterra a prática turca de inoculação da varíola,
em crianças sadias, com o objetivo de conferir imunidade. Embora esse crédito tenha sido dado a Edward
Jenner (1749-1823) -- tradutora].

[(*) Fábula traduzida por George Fyler Townsend: O Etíope. -- O comprador de um servo negro foi
persuadido de que a cor de sua pele surgiu da sugeira contraída, através da negligência de seus primeiros
mestres. Ao trazê-lo para casa, ele recorreu a todos os meios para limpá-lo e sujeitou o homem a incessantes
153

esfregões. O servo pegou uma gripe severa, mas ele nunca mudou sua cor ou compleição – O que é inato irá
se fixar à carne. – tradutora]

5. E poucos, se algum, afinal, melhores do que os turcos são os cristãos nos domínios turcos, mesmo
os melhores deles; aqueles que vivem na Morea, ou estão espalhados, para cima e para baixo na Ásia. Os
mais numerosos corpos de georgianos, cristãos mengrelianos, são um aforismo de reprovação aos próprios
turcos; não apenas por sua ignorância deplorável, mas por sua total, estúpida, e bárbara religião.

6. Dos mais autênticos relatos, que nós podemos obter dos cristãos sulistas, aqueles na Abissínia, e
das Igrejas nordeste, sob a jurisdição do Patriarca de Moscou, nós temos razão para temer que muitos estão
na mesma condição, ambos com respeito ao conhecimento e religião, que aqueles na Turquia. Ou, se aqueles
na Abissínia são mais civilizados, e têm uma maior porção de conhecimento, ainda assim, eles não parecem
ter alguma religião mais do que tanto os Maometanos quanto os pagãos.

7. As igrejas ocidentais parecem ter a primazia sobre todas essas em muitos aspectos. Elas têm
abundantemente mais conhecimento: Elas têm formas de adoração mais bíblica e mais racional. Ainda
assim, dois terços delas estão envolvidas nas corrupções da Igreja de Roma; e a maioria destas familiarizada
com tanto a teoria, quanto a prática da religião. E com respeito àqueles que são chamados de Protestantes,
ou Reformados, qual familiaridade eles têm com ela? Coloque os Papistas e Protestantes; francês e inglês,
juntos, a parte principal de uma e de outra nação; e que tipo de cristãos eles são? Eles são 'santos, assim
como Ele que os chamou é santo?'. Eles estão preenchidos com a 'retidão, a paz, e a alegria no Espírito
Santo?'. Existe neles 'aquela mente que também estava em Jesus Cristo?'. E eles 'caminham, como Cristo
também caminhou?'. Não, eles estão tão longe disto, quanto o inferno dos céus!

8. Tal é o presente estado da humanidade em todas as partes do mundo! Mas quão espantoso é isto,
se existe um Deus no céu, e se seus olhos estão sobre toda a terra! Será que Ele pode menosprezar a obra de
suas próprias mãos? Certamente, este é um dos maiores mistérios debaixo do céu! Como é possível
reconciliar isto com tanto a sabedoria, quanto a bondade de Deus? E o que pode trazer tranqüilidade à uma
mente zelosa, sob tão melancólica perspectiva? O que, a não ser a consideração de que as coisas não serão
sempre assim; que um outro cenário será inaugurado? Deus será zeloso de sua honra: Ele irá levantar e
manter sua própria causa. Ele irá julgar o príncipe deste mundo, e destruí-lo de seu domínio usurpado. Ele
dará a seu Filho 'os ateus para sua herança, e as partes mais extremas da terra para sua possessão'. 'A terra
deverá ser preenchida com o conhecimento do Senhor, assim como as águas cobrem o mar'. O
conhecimento amoroso de Deus deverá cobrir a terra; deverá preencher cada alma do homem, produzindo
santidade e felicidade uniformes e ininterruptas.

9. 'Impossível', alguns homens dirão, 'sim, a maior de todas as impossibilidades, é a de que podemos
ver um mundo cristão; sim, uma nação cristã, ou uma cidade! Como essas coisas podem ser?'. Sobre uma
suposição, de fato, não apenas toda a impossibilidade, mas toda a dificuldade desaparece. Apenas supondo
que o Altíssimo aja irresistivelmente, e a coisa é feita; sim, com a mesma facilidade de quando 'Deus disse,
Haja luz, e houve luz'. Mas, então, o homem não existiria mais: Sua natureza interior estaria mudada. Ele
não mais seria um agente moral, não mais do que o sol, ou o vento; já que ele não mais seria dotado de
liberdade, -- um poder de escolha, ou uma autodeterminação: conseqüentemente, ele não mais seria capaz de
virtude ou vicio, de recompensa ou punição.

10. Mas colocando de lado este grosseiro modo de desfazer o nó que nós não somos capazes de
desatar, como todos os homens podem se tornar santos e felizes, enquanto continuam sendo homens?
Enquanto eles ainda desfrutam, ambos do entendimento, afeições, e a liberdade que são essenciais a um
agente moral? Parece existir um caminho claro e simples de remover esta dificuldade, sem nos
emaranharmos em algumas indagações engenhosas e metafísicas. Uma vez que Deus é Único, então a obra
de Deus é uniforme em todas as épocas. Nós não podemos, então, conceber como ele irá operar nas almas
dos homens, nos tempos vindouros, considerando como Ele opera agora, e como Ele forjou nos tempos
passados?
154

11. Pegue um exemplo disto, e tal exemplo, no qual você não poderá facilmente ser enganado. Você
sabe como Deus forjou em sua própria alma, quando Ele primeiro o capacitou a dizer, 'A vida que eu agora
vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou, e deu a si mesmo por mim'. Ele não desprezou seu
entendimento, mas o iluminou e fortaleceu. Ele não destruiu quaisquer de suas afeições; elas ficaram mais
vigorosas do que antes. Menos do que tudo, Ele não lhe tirou sua liberdade; seu poder de escolher o bem ou
o mal: Ele não o forçou; mas, sendo assistido pela Sua graça, você, assim como Maria, escolheu a melhor
parte. Exatamente assim, Ele assistiu cinco em uma casa para fazer aquela escolha feliz; cinqüenta ou cinco
mil em uma cidade; e muitos milhares em uma nação; -- sem despojar, de algum deles, a liberdade que é
essencial a um agente moral.

12. Não que eu negue que existam casos isentos, nisto. O poder esmagador da graça salvadora,
durante um tempo, operou tão irresistivelmente quanto a luz caiu dos céus. Mas eu falo da maneira geral de
Deus de operar, da qual eu conheço inumeráveis exemplos; talvez, mais nestes cinqüenta anos passados, do
que alguém na Inglaterra ou na Europa. E, com respeito, até mesmo, a esses casos isentos; embora Deus
trabalhe irresistivelmente, durante algum tempo, ainda assim, eu não acredito que exista alguma alma
humana, na qual Deus operou irresistivelmente em todos os tempos. Mais do que isto, eu estou
completamente persuadido de que não existe. Eu estou persuadido de que não existem homens vivos que
tenham, tantas vezes, resistido ao Espírito Santo', e tornado nulo 'o conselho de Deus, contra si mesmos'.
Sim, eu estou persuadido que cada filho tem tido, ao mesmo tempo, 'vida e morte colocadas diante dele';
vida eterna e morte eterna; e tem, em si mesmo, o voto decisivo. Também verdadeiro é aquele renomado
dizer de Santo Austin (um dos mais nobres que ele alguma vez afirmou): 'Ele que nos fez, sem nós mesmos,
não irá nos salvar sem nós mesmos'. Agora, da mesma maneira, como Deus converteu tantos para si mesmo,
sem destruir sua liberdade, Ele pode, indubitavelmente, converter todas as nações, ou o mundo todo; e é tão
fácil para Ele converter o mundo, quanto uma alma individual.

13. Vamos observar o que Deus já tem feito. Entre cinqüenta ou sessenta anos atrás, Deus ergueu
alguns jovens, na Universidade de Oxford, para testificar essas grandes verdades, que eram, então, pouco
atendidas: -- que sem a santidade, nenhum homem veria ao Senhor; -- que esta santidade é a obra de Deus,
quem opera em nós tanto o querer quanto o fazer; -- que Ele faz isto, de seu bom prazer, meramente pelos
méritos de Cristo; -- que esta santidade é a mente que estava em Cristo; nos capacitando a caminhar, assim
como Ele também caminhou; -- que nenhum homem pode ser assim santificado, até que ele seja justificado;
-- em que nós somos justificados pela fé somente. Essas grandes verdades, eles declararam em todas as
ocasiões, em privado ou em público; tendo nenhum objetivo, a não ser promover a glória de Deus, e nenhum
desejo, a não ser salvar almas da morte.

14. De Oxford, onde primeiro apareceu, a pequena levedura se espalhou mais e mais amplamente.
Mais e mais, viu a verdade, como ela está em Jesus, e a recebeu no Seu amor. Mais e mais, encontrou
'redenção, através do sangue de Jesus, até mesmo, o perdão dos pecados'. Eles nasceram novamente do Seu
Espírito, e foram preenchidos, com a retidão, a paz, e a alegria, no Espírito Santo. Mais tarde, espalha-se
para todas as partes da terra, e algo pequeno transforma-se em milhares. Espalha-se, então, na Grã-Bretanha
Norte e Irlanda; e poucos anos depois, para dentro de Nova York, Pensilvânia, e muitas outras províncias na
América, mesmo tão grande, quanto Terra Nova e Nova Escócia. De modo que, embora, a princípio, este
'grão de semente de mostarda' fosse 'o menor de todas as mentes'; ainda assim, em poucos anos, ele se
tornou 'uma árvore larga, e produziu grandes ramos'.

15. Geralmente, quando essas verdades, justificação pela fé, em particular, foram declaradas em
alguma grande cidade, depois de alguns dias, ou semanas, lá, de repente, se reuniu uma grande congregação,
-- não em um lugar afastado, mas em Londres, Bristol, Newcastle-upon-Tyne, em particular, -- um violento
e impetuoso poder que, como vento poderoso ou temporal ameaçador, fez, então, os opositores todos
fugirem.

E isto continuou, com intervalos mais curtos ou mais longos, por diversas semanas ou meses. Mas,
gradualmente diminuiu, e, então, a obra de Deus foi conduzida, por graus moderados; enquanto que o
Espírito concedeu, ao irrigar a semente que tinha sido semeada; ao confirmar e fortalecer aqueles que tinham
155

crido, que sua influência infundisse, secretamente, renovando-se, como orvalhos silenciosos. E esta
diferença, em sua maneira usual de trabalhar foi observável, não apenas na Grã-Bretanha e Irlanda, mas em
cada parte da América, do Sul ao Norte, onde quer que a palavra de Deus chegasse com poder.

16. Assim sendo, não é altamente provável que Deus irá levar sua obra, da mesma maneira, como Ele
começou? Que Ele irá levá-la, eu não posso duvidar; por mais que Lutero possa afirmar, que um avivamento
da religião nunca dura mais que uma geração, -- que é, de trinta anos; (considerando que o presente
avivamento já continua acima de cinqüenta anos), ou, não obstante os profetas do mal possam dizer: 'Tudo
chegará ao fim, quando os primeiros agentes forem removidos'. É muito provável, então, que haverá um
grande abalo; mas eu não posso me persuadir a pensar que Deus tem forjado tão gloriosa obra, para deixá-la
submergir e morrer em poucos anos. Não: Eu confio que isto é apenas o começo de uma obra ainda maior; o
alvorecer 'da glória dos últimos dias'.

17. E não é provável que Ele irá levar sua obra, da mesma maneira que Ele começou? Primeiro,
expandindo-na, neste ou naquele lugar, para que possa haver uma abundância, uma torrente de graça; e,
assim, em algumas outras ocasiões específicas, que 'o Pai reservou em seu próprio poder': Mas, em geral,
parece que o reino de Deus não 'virá com contemplação'; mas silenciosamente aumentará, onde quer que ele
se estabeleça, e se espalhará de coração para coração, de casa em casa, de cidade em cidade, de um reino
para outro. Ele não pode se espalhar, primeiro, através das províncias restantes, então, através das ilhas da
América do Norte; e, ao mesmo tempo, da Inglaterra para a Holanda, onde já existe um trabalho abençoado
em Utrecht, Harlem, e muitas outras cidades? Provavelmente, ele irá se espalhar desses para os Protestantes
na França; para aqueles na Alemanha, e aquelas na Suíça; então para a Suécia, Dinamarca, Rússia, e todas as
outras nações Protestantes na Europa.

18. Nós não podemos supor que a mesma levedura da pura e imaculada religião, do conhecimento e
amor de Deus, experimental; de santidade interior e exterior, irá, mais tarde, se espalhar para os Católicos
Romanos, na Grã-Bretanha, Irlanda, Holanda; na Alemanha, França, Suíça; e em todas as outras regiões,
onde os Papistas e Protestantes vivem misturados e usualmente conversam uns com os outros? Não será,
então, fácil para a sabedoria de Deus traçar um caminho para a religião, na vida e poder dela, dentro dessas
regiões que são meramente Papistas; como a Itália, Espanha e Portugal? E ela não pode ser gradualmente
difundida dessas para todas que são chamadas pelo nome de Cristo, nas várias províncias da Turquia, na
abissínia; sim, e nas partes mais remotas, não apenas da Europa, mas da Ásia, África e América?

19. E, em cada nação, debaixo do céu, nós podemos razoavelmente acreditar que Deus irá observar a
mesma ordem que Ele tem dado, desde o começo do Cristianismo, 'Eles todos deverão conhecer a mim, diz
o Senhor'; não do maior para o menor (esta é aquela sabedoria do mundo que é tolice para Deus); mas 'do
menor para o maior'; para que o louvor não possa ser de homens, mas de Deus. Antes do fim, mesmo os
ricos deverão entrar no reino de Deus. Junto com eles, entrarão o grande, o nobre, o honrado; sim, os
soberanos, os príncipes, os reis da terra. Por último, o sábio e culto, os homens de engenhosidade, os
filósofos, serão convencidos de que eles são tolos; serão 'convertidos, e se tornarão como as criancinhas', e
'entrarão no reino de Deus'.

20. Então, aquela graciosa promessa deverá ser consumada na casa de Israel; a Israel espiritual, "Eu
colocarei minhas leis nas mentes deles, e escreverei em seus corações: E serei para eles um Deus, e eles
serão para mim, meu povo. E todo homem ensinará ao seu próximo; e cada homem a seu irmão, dizendo:
'Eu conheço o Senhor': Porque eles deverão me conhecer, do maior para o menor. Porque eu seria
misericordioso para os iníquos, e dos seus pecados e suas iniqüidades não mais me lembrarei". Então, 'os
tempos da renovação' universal 'virão da presença do Senhor'. O grande 'Pentecoste virá completamente', e
'os homens devotos, em todas as nações, debaixo do céu', mesmo que distantes umas das outras, 'serão
preenchidos com o Espírito Santo'; e 'continuarão firmes na doutrina apostólica, e na camaradagem, e no
repartir o pão, e nas orações'; eles 'comerão sua carne', e farão tudo que eles tiverem que fazer, 'com
alegria e singeleza de coração. Grande graça estará sobre eles todos'; e eles serão 'todos de um só coração
e uma só alma'. A conseqüência natural e necessária disto será a mesma que foi no começo da Igreja Cristã:
'Nenhum deles irá dizer que quaisquer que sejam as coisas que ele possui lhe pertencem; mas terão todas as
156

coisas em comum. Nem existirá entre eles alguém que necessite: Porque os que tiverem posses de terras e
casas irão vendê-las; e a distribuição será feita a todo homem, de acordo com sua necessidade'. Todos os
seus desejos, portanto, e paixões, e temperamentos terão um só molde; enquanto todos estiverem fazendo a
vontade de Deus na terra, assim como ela é feita nos céus. Todas 'as suas conversas serão temperadas com
sal' e 'ministrarão a graça aos que ouvem'; vendo que não será tanto eles que falarão, 'mas o Espírito do Pai
que falará neles'. E não haverá 'raiz de amargura brotando', quer para corromper ou perturbá-los: Não
haverá Ananias ou Safira, para trazer de volta a praga do amor ao dinheiro em meio deles: Não haverá
parcialidade; nenhuma 'viúva negligenciada na ministração diária'. Conseqüentemente, não existirá
tentação para algum pensamento murmurante, ou palavra indelicada, de um contra o outro, enquanto eles
todos foram de um só coração e alma. E apenas o amor instrua o todo.

21. A grande pedra de tropeço, estando, assim, felizmente, removida do caminho, ou seja, das vidas
dos cristãos, os maometanos irão olhar para eles com outros olhos, dando atenção às suas palavras. E como
as palavras destes serão revestidas com a energia divina, atendidas com a demonstração do Espírito, e do
poder, aqueles que temem a Deus, logo irão tomar conhecimento do Espírito, por meio do qual os cristãos
falam. Eles 'receberão com mansidão a palavra enxertada', e produzirão frutos com amor. Partindo deles, a
levedura logo se espalhará para aqueles que, até então, não tinham o temor de Deus, diante dos olhos.
Observando os 'galhofeiros cristãos', como eles costumam denominá-los, terem mudado a natureza deles;
tornando-se sóbrios, moderados, justos, benevolentes; e isto, apesar de todas as provocações ao contrário;
por admirarem suas vidas, eles certamente serão conduzidos a considerar e abraçar a doutrina deles. E,
então, o Salvador dos pecadores irá dizer, 'A hora é chegada; eu glorificarei meu Pai: Eu buscarei e
salvarei o rebanho que estava vagueando nas montanhas escuras. Agora eu me vingarei do meu inimigo, e
arrancarei a presa dos dentes do leão. Eu recuperarei para mim as épocas perdidas: Eu reivindicarei a
compra de meu sangue'. Assim, Ele seguirá na grandeza de Suas forças, e todos os seus inimigos fugirão
diante Dele. Todos os profetas das mentiras desaparecerão, e todas as nações que os seguiram deverão
conhecer o grande Profeta do Senhor, 'poderoso na palavra e ação'; e 'honrará o Filho, assim como eles
honram o Pai'.

22. E, então, a grande pedra de tropeço, sendo removida, também das nações pagãs, o mesmo
Espírito se derramará sobre eles; até mesmo aqueles que permanecem nas partes mais extremas do mar. Os
pobres selvagens americanos não mais perguntarão, ''Por que os cristãos são melhores do que nós?' --
Quando eles vêem a sua prática firme da temperança universal, e da justiça, misericórdia, e verdade. Os
ateus malabarianos [de Malabar, na Índia] terão não mais espaço para dizer, 'Cristão toma minha mulher:
Cristão bebe muito: Cristão mata o homem! Cristão diabólico! Eu não cristão!'. Antes, vendo quão longe,
os cristãos excederam seus próprios compatriotas, em tudo quanto é amoroso e de bom relato, eles irão
adotar uma linguagem muito diferente, e dizer, 'Cristão-Anjo!'. As vidas santas dos cristãos serão um
argumento que eles não saberão como resistir: vendo que os cristãos firmemente e uniformemente praticam
o que é de acordo com a lei escrita em seus próprios corações; seus preconceitos irão rapidamente
desaparecer, e eles receberão alegremente 'a verdade, como ela está em Jesus'.

23. Nós podemos razoavelmente acreditar que as nações pagãs que estão misturadas com os cristãos,
essas que limitam as nações cristãs, e têm um intercurso constante e familiar com eles, serão algumas das
primeiras que aprenderão a adorar a Deus em espírito e verdade; aquelas, por exemplo, que vivem, no
continente da América, ou nas ilhas, e têm recebido colônias da Europa. Tais são igualmente todos esses
habitantes das Índias orientais que estão em contato com qualquer uma das colônias cristãs. A essas, podem
ser acrescentadas numerosas tribos de tártaros, as partes atéias da Rússia, e os habitantes da Noruega,
Finlândia, e Lapônia. Provavelmente, essas serão seguidas por aquelas das nações mais distantes, com as
quais, os cristãos negociam; às quais eles irão conceder o que é de um valor infinitamente maior do que as
pérolas da terra, ou o ouro e prata. O Deus do amor irá, então, preparar seus mensageiros, e abrir caminho
nas regiões polares; nas mais profundas reentrâncias da América, e no interior das partes da África; sim, no
coração da China e Japão, com as cidades anexas a elas. E 'o som deles' irá, então, 'seguir em frente, para
todas as terras, e suas vozes, até os confins da terra!'.
157

24. Mas uma considerável dificuldade ainda permanece: Existem muitas nações pagãs no mundo que
não têm intercurso, quer, através de comércio, ou alguns outros meios, com os cristãos de qualquer tipo. Tais
são os habitantes de numerosas ilhas no Mar do Sul, e provavelmente, em todos os largos braços do oceano.
Agora, o que deverá ser feito a esses pobres proscritos? 'Eles deverão crer', diz o Apóstolo, 'naquele a quem
eles nunca tinham ouvido? E como eles deveriam ouvir, sem um pregador?'. Você pode acrescentar: 'E
como eles pregarão, a menos que sejam enviados?'. Sim, mas Deus não é capaz de enviá-los? Ele não pode
levantá-los, por assim dizer, dessas pedras? E Ele, alguma vez, necessitou de meios para enviá-los? Não:
Existissem outros meios: Ele poderia 'tirá-los de Seu Espírito', como ele fez com Ezequiel. 'Então o Espírito
me levantou, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do
Senhor, desde o seu lugar' (Ezequiel 3:12). Ou, através de Seu anjo, como com Felipe, e os fez descer para
onde agradou a Ele. 'Mas um anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai em direção do sul,
pelo caminho que desce de Jerusalém a Gaza, o qual está deserto'.(Atos 8:26). Sim, Ele pode se certificar
de milhares de caminhos para o homem tolo desconhecido. E ele certamente o fará: Porque céu e terra
passarão; mas Sua palavra permanecerá: Ele dará 'a parte mais extrema da terra, para a possessão de Seu
Filho'.

25. E assim, também, toda Israel deverá ser salva. Porque 'a ignorância tem acontecido a Israel',
como o grande Apóstolo observa em (Romanos 11:25-30), até que a plenitude dos 'gentios haja sobre eles'.
Então, 'o Libertado,r que apareceu em Sião, desviará as iniqüidades de Jacob'. 'Deus agora os firmou na
descrença, para que Ele pudesse ter misericórdia para com todos'. Sim, e Ele terá misericórdia sobre toda a
Israel, quando der a eles todas as bênçãos temporais, juntamente com todas as bênçãos espirituais. Porque
esta é a promessa: 'Porque o Senhor teu Deus te reunirá de todas as nações, para onde o Senhor teu Deus te
espalhou. E Ele irá trazer-te para a terra que teus antepassados possuíram, e tu deverás possuí-la também.
E o Senhor teu Deus irá circuncidar teu coração, e o coração de tua semente, no amor do Senhor teu Deus,
com todo teu coração, e com toda tua alma'. (Deuteronômio 30:3). Novamente: 'Eu os ajuntarei de todas
as regiões, para onde eu os dirigi: E os trarei novamente para este lugar, e farei com que eles habitem
seguramente: E darei a eles um coração, e um caminho, para que eles possam temer a mim para sempre. Eu
colocarei o temor de mim, em seus corações, para que eles não se separem de mim. E os fixarei nesta terra,
seguramente, com todo meu coração e com toda minha alma'. (Jeremias 21:37). E novamente: 'Eu o tirarei
de entre os pagãos, e o tirarei de todas as regiões, e o trarei para sua própria terra. Então, eu irei borrifar
água limpa sobre você, e você ficará limpo: Eu o limparei de toda sua sujidade, e de todos os seus ídolos; E
você habitará na terra que eu dei aos seus antepassados, e você será meu povo, e eu serei o teu Deus
(Ezequiel 36:24).

26. Naqueles dias, todas aquelas gloriosas promessas feitas à Igreja Cristã serão executadas, e não
serão restritas a esta ou aquela nação, mas incluirão todos os habitantes da terra. 'Eles não causarão dano,
nem destruição em todos os meus montes santos'. (Isaías 11:9) 'A violência não mais será ouvida em tua
terra, devastação, nem destruição dentro de tuas fronteiras; mas tu chamaras tuas muralhas de Salvação, e
teus portões de Louvor'. Tu serás rodeado de todos os lados com salvação, e todos que atravessarem teus
portões louvarão a Deus. 'O sol não mais deverá ser tua luz, através do dia; nem a lua fornecerá a ti
luminosidade: Mas o Senhor será para ti a luz eterna, e teu Deus e tua glória'. A luz do sol e da lua será
tragada, na luz do semblante do Senhor, brilhando sobre ti. 'Teu povo também deverá ser todo justo… a obra
de minhas mãos, para que eu possa ser glorificado'. 'Como a terra produzirá seu embrião, e o jardim fará
com que as coisas que são semeadas nele brotem; assim o Senhor Deus fará com que a retidão e o louvor
brotem diante de todas as nações (Isaías 60:18 em diante; e 61:11 em diante)

27. Esta eu entendo ser a resposta; sim, a única resposta completa e satisfatória que pode ser dada,
para a objeção contra a sabedoria e bondade de Deus, tomada do presente estado do mundo. Não será
sempre assim: Essas coisas são permitidas apenas por um tempo, através do grande Governador do mundo,
para que ele possa tirar um bem imenso e eterno deste mal temporário. Esta é a mesma chave que o próprio
Apóstolo nos dá nas palavras acima citadas: 'Deus os permitiu na descrença, para que Ele tivesse
misericórdia sobre todos'. Na visão deste evento glorioso, quão bem podemos clamar, 'Ó, a profundidade
das riquezas, tanto da sabedoria, quanto do conhecimento de Deus!', embora, por um tempo, 'seus
julgamentos fossem insondáveis, e seus caminhos inescrutáveis.' (Romanos 11:32-33). É suficiente que nós
158

estejamos seguro deste único ponto, de que todos esses males transitórios desaparecerão; e haverá um final
feliz; e que a 'misericórdia, primeira e última, irá reinar'. Todos as pessoas preconceituosas poderão ver
que o Senhor está renovando a face da terra: E nós temos forte razão para esperar que a obra que Ele
começou, Ele irá levar para o dia do Senhor Jesus; que Ele nunca irá cessar esta obra abençoada de seu
Espírito, até que Ele tenha cumprido todas as suas promessas; até que ele coloque um ponto final no pecado,
e miséria, e enfermidade, e morte; e restabeleça a santidade e felicidade universal, e faça com que todos os
habitantes da terra cantem juntos, 'Aleluia, o Senhor Deus Onipotente reina!'. 'Bênção, e glória, e sabedoria,
e honra, e poder, e força, serão junto ao nosso Deus para sempre e sempre!' (Apocalipse 7:12).

[Editado por Syl Hunt IV, estudante na Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George
Lyons para Wesley Center for Applied Theology.]

A Nova Criação

'E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas.
E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis'.
(Apocalipse 21:5)

1. Que cena estranha está aqui aberta para nossa visão! Quão distante de nossas apreensões naturais!
Nem um relance do que está aqui revelado, foi, alguma vez, visto no mundo pagão. Não apenas os ateus
modernos, bárbaros, incivilizados não tiveram a menor concepção dele; mas foi desconhecido igualmente
aos ateus refinados e polidos, da antiga Grécia e Roma. E quase tão pouco pensado ou entendido, pela
generalidade dos cristãos: eu quero dizer, não meramente aqueles que são nominalmente tais, que têm a
forma de santidade, sem o poder; mas mesmo aqueles que, em alguma medida, temem a Deus, e buscam
operar retidão.

2. Deve-se admitir que, depois de todas as pesquisas que possamos fazer, ainda assim, nosso
conhecimento da grande verdade, entregue a nós nessas palavras, é excessivamente reduzido e imperfeito.
Como este é um ponto de mera revelação, além do alcance de todas as nossas faculdades naturais, nós não
podemos penetrar muito profundamente, nem formamos qualquer concepção adequada dele. Mas pode ser
um encorajamento para esses que têm, em algum grau, testado dos poderes do mundo, a se formarem, e
irem, tão longe quanto puderem; interpretando, Escrituras por Escrituras, de acordo com a analogia da
verdade.

3. O Apóstolo apreende as visões de Deus, e nos diz, no primeiro verso do Capítulo, 'Eu vi um novo
céu e uma nova terra'; e acrescenta em (Apocalipse 21:5) 'E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis
que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis'.

4. Muitos estudiosos cogitam a estranha opinião de que isto diz respeito apenas ao estado atual das
coisas, e nos dizem gravemente que as palavras devem se referir ao estado florescente da igreja, e que isto
principiou, depois das perseguições pagãs. Mais ainda: alguns deles têm descoberto que tudo aquilo do qual
o Apóstolo fala, concernente ao 'novo céu e nova terra', foi cumprido, quando Constantino, o Grande,
despejou riquezas e honras sobre os cristãos. Que caminho miserável é este, para tornar inútil todo o
conselho de Deus, com respeito a todas aquelas grandes cadeias de eventos, com referência à sua igreja; sim,
e a toda a humanidade, desde o tempo em que João estavam em Patmos, até o fim do mundo! Não. A linha
de sua profecia alcança mais além ainda: Ela não termina, no mundo presente, mas nos mostra o que irá
acontecer, quando este mundo não mais existir.

5. Porque, assim diz o Criador e Governador do universo: 'Observe, eu faço novas todas as coisas'; --
tudo o que está incluído naquela expressão do Apóstolo: 'Um novo céu e uma nova terra'. Um novo céu: a
palavra original em Gênesis -- (Gen 1) 'No princípio Deus criou os céus e a terra' – está no plural. E, de
159

fato, isto é a linguagem constante das Escrituras. Assim sendo, o escritor ancião judeu está acostumado a
considerar três céus; em conformidade ao que, o Apóstolo Paulo fala de sua constituição: 'alcançar o
terceiro céu'. É este, o terceiro céu, que usualmente se supôs ser a residência imediata de Deus; tão distante
quanto alguma residência possa ser imputada ao seu Onipresente Espírito, que penetra e preenche todo o
universo. É aqui (se falarmos da maneira dos homens), onde o Senhor senta-se em seu trono, cercado pelos
anjos e arcanjos, e por todos os seus ministros flamejantes.

6. Nós não podemos pensar que este céu irá passar por alguma mudança; alguma mais do que seu
Grande morador. Certamente este palácio do Altíssimo foi o mesmo, desde a eternidade, e será, para o
mundo sem fim. Apenas os céus inferiores estão sujeitos à mudança; o mais alto deles nós usualmente
chamamos de céus estrelados. Pedro nos informa que este 'está reservado ao fogo, contra o dia do
julgamento e destruição dos homens iníquos'. Naquele dia, 'ardendo no fogo', ele deverá, primeiro,
'contrair-se como um rolo de pergaminho'; e, então, deverá 'dissolver-se, e desaparecer com um grande
estrondo'; finalmente, ele dever 'fugir da face Dele que está sentado no trono e não será encontrado lugar
para ele'.

(II Pedro 3:10) 'Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com
grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão.
Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade,
aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os
elementos, ardendo, se fundirão? '.

7. Ao mesmo tempo, 'as estrelas cairão dos céus'; a corrente secreta sendo quebrada, o que as tinha
preservado, em suas diversas órbitas, desde a fundação do mundo. Enquanto isto, o céu mais baixo, ou
sublunar, com os elementos (ou princípios que o compõem) 'se desfarão com fogo ardente'; ao mesmo
tempo em que 'a terra, com as obras que nela há, deverá desfazer-se no fogo'. Esta é a introdução para o
estado mais nobre das coisas, tais que ainda não entraram nos corações dos homens conceberem, -- a
restauração universal, que sucederá à destruição universal. Porque 'nós vemos', diz o Apóstolo, 'os novos
céus e terra, onde habitará a retidão'.

(II Pedro 3:7) 'Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como
tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas, amados, não
ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não
retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo
que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão
de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e
as obras que nela há, se queimarão. Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém
ser em santo trato, e piedade, aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus,
em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão? Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos
novos céus e nova terra, em que habita a justiça'.

8. Uma diferença considerável haverá, sem dúvida, no céu estrelado, quando ele for feito novo: Não
haverá estrelas em chamas, nem cometas. Quer esses orbes horrendos e excêntricos sejam planetas mal
formados, em um estado caótico (eu falo na suposição da pluralidade dos mundos), ou tais que tenham se
submetido, a sua conflagração geral, eles certamente não terão lugar no novo céu, onde tudo estará em
ordem e harmonia. Poderá haver outras diferenças, entre o céu que agora existe e aquele que existirá depois
da renovação. Mas elas estão acima de nossa compreensão: Nós devemos deixar para a eternidade explicá-
las.

9. Nós podemos mais facilmente conceber as mudanças que irão ser forjadas no céu inferior, na
região da atmosfera. Ele não será mais feito em pedaços por furações, ou agitados por tempestades furiosas,
ou tormentas destrutivas. Meteoros perigosos e horripilantes não terão mais lugar nele. Nós não teremos
mais chance de dizer: Como uma trombeta sonora e forte, teu trovão faz tremer as nossas costas; enquanto
160

os relâmpagos avermelhados acenam, junto aos estandartes de teu anfitrião! Não: Tudo será, então, luz,
calmaria, serenidade; um quadro vivo do dia eterno.

10. Todos os elementos (tomando a palavra em seu sentido comum, com relação aos princípios dos
quais todas as coisas naturais são compostas) serão novos, de fato; inteiramente mudados em suas
propriedades, embora não em sua natureza. O fogo, no momento, é um destruidor geral de todas as coisas
debaixo do sol, dissolvendo tudo que vem para sua esfera de ação, e reduzindo ao seu átomo primitivo. Mas,
tão logo ele execute seu último grande trabalho de destruir os céus e terra; (quer você queira dizer com isto,
um sistema apenas, ou toda a fábrica do universo; a diferença entre um e milhões de mundos, sendo nada,
antes do grande Criador); quando, por assim dizer, ele tiver feito isto, as destruições forjadas pelo fogo virão
para o fim perpétuo. Ele não mais irá destruir; ele não irá consumir mais: ele irá esquecer seu poder de
queimar, -- poder que ele possui apenas durante o presente estado de coisas, -- e ser tão inofensivo, nos
novos céus e terra, como ele é agora nos corpos dos homens e outros animais, e na essência das árvores e
flores; em todos em que (como os recentes experimentos mostram) grandes quantidades de fogo etéreo estão
alojadas; se não for, preferivelmente, uma parte do componente essencial de toda matéria existente debaixo
do sol. Mas provavelmente ele irá reter seu poder vívido, embora desnudado de seu poder de destruição.

11. Certamente, pode-se deduzir que o vento calmo, plácido, não mais será perturbado pelas
tempestades e tormentas. Não haverá mais meteoros, com seus horríveis clarões, aterrorizando os pobres
filhos dos homens. Diante disto, será que poderíamos acrescentar (embora, a princípio possa soar como um
paradoxo) que não haverá mais chuva? Percebe-se que não existia no Paraíso; uma circunstância que Moisés
particularmente menciona: 'O Senhor Deus não tem feito chover. – Mas subiu um vapor da terra', que cobriu
os abismos de águas, 'e regou toda a face da terra', com umidade suficiente para todos os propósitos de
vegetação.

(Gênesis 2:5-6) 'E toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo
que ainda não brotava; porque ainda o Senhor Deus não tinha feito chover sobre a terra, e não havia
homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a sua superfície'.

Nós temos razões para cremos que o caso será o mesmo, quando o paraíso for restaurado.
Conseqüentemente, não existirão mais nuvens ou neblinas. Mas um dia de luz refulgente. Muito menos,
haverá gases tóxicos, ou rajadas repentinas de vento pestilento. Não existirá mais siroco [vento quente] na
Itália; ventos ressecados e sufocantes na Arábia; não haverá ventos noroestes mordazes, em nossa própria
região.

12. Mas que mudança os elementos da água irão sofrer, quando todas as coisas forem feitas novas!
Ela será, em todas as parte do mundo, clara e límpida; pura de todas as misturas desagradáveis e insalubres;
surgindo aqui e ali, em fontes cristalinas, para refrescar e adornar a terra 'com líquido escoando de córregos
murmurantes'. Porque, indubitavelmente, como foi no Paraíso, haverá vários rios gentilmente deslizando
continuamente, para o uso e prazer de homens e animais. Mas o inspirado escritor tem expressamente
declarado que 'não haverá mais mares'.

(Apocalipse 21:1) 'E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra
passaram, e o mar já não existe'.

Nós temos toda razão para crermos que, no início do mundo, quando Deus disse: (Gênesis 1:9)
'Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca'; a terra seca espalhou-se sobre
a face da água e a cobriu de todos os lados. E assim, parece ter sido feito, até que, com o objetivo do dilúvio
geral que Deus determinara trazer sobre a terra, imediatamente 'as janelas dos céus foram abertas e as
fontes do grande abismo se romperam'. Mas o mar irá, então, se recolher aos seus limites primitivos, e não
mais irá aparecer sobre a superfície da terra. Uma vez que, de fato, não haverá mais necessidade dele.
Porque, assim como supõe o Poeta antigo, – cada parte da terra irá naturalmente produzir o que os seus
habitantes necessitarem, -- ou toda humanidade irá procurar o que toda a terra oferece, através de meios
mais fáceis e prontos. Uma vez que, como nosso Senhor nos informa, todos os habitantes da terra serão
161

iguais aos anjos, nas mesmas condições deles, em rapidez, e força; de maneira que eles poderão, tão rápido
quanto o pensamento, transportarem-se, ou o que quer que eles queiram, de um lado para o outro do globo.

13. Não que eu possa acreditar naquela maravilhosa descoberta de Jacob Behmen, com que muitos,
tão zelosamente, combatem, de que a própria terra com todos os seus apetrechos e habitantes, será, então,
transparente como vidro. Não parece haver o menor fundamento para isto, tanto nas Escrituras, quanto na
razão. Certamente não nas Escrituras: Eu não conheço um texto, seja no Velho, ou no Novo Testamento, que
afirme tal coisa. Certamente, não pode ser inferido daquele texto em Apocalipse: (Apocalipse 4:6) 'E havia
diante do trono como que um mar de vidro, semelhante ao cristal. E no meio do trono, e ao redor do trono,
quatro animais cheios de olhos, por diante e por detrás'. E, ainda assim, se eu não me engano, este é a
principal, se não a única Escritura que tem sido afirmada em favor desta opinião! Nem eu posso conceber
que existe algum fundamento no raciocínio. De fato, tem sido calorosamente suposto, que todas as coisas
seriam muito mais bonitas, se elas fossem completamente transparentes. Mas eu não posso compreender
isto: Sim; eu apreendo inteiramente o contrário. Suponha que cada parte do corpo humano fosse transparente
como cristal, pareceria mais bonito do que o é agora? Não. Antes, iria nos chocar acima de qualquer medida.
O corpo todo, e, em particular, 'a face divina humana', é, sem dúvida, um dos mais bonitos objetos que
podem ser encontrados debaixo do céu; mas se você pudesse olhar, através da face rosada, da fronte lisa e
regular, ou do seio elevado, e distintamente ver tudo que está nele, você sairia fora, com repugnância e
horror!

14. Vamos a seguir examinar estas mudanças que podemos razoavelmente supor, que terão lugar na
terra. Não haverá mais estreita ligação com o frio intenso, nem se ressecará com o extremo calor; mas terá
tal temperatura que será mais conducente a sua fertilidade. Se, com o objetivo de punir seus habitantes, Deus
fez o antigo...

Ordene seus anjos a virarem de soslaio, esse lóbulo oblíquo, por meio do qual, ocasionam o frio violento, de
uma parte, e o calor intenso, de outra; então, indubitavelmente, ordene a eles que retomem sua posição
original: Assim, chegará ao final, de um lado, o calor ardente que torna algumas partes dele dificilmente
habitadas e, de outro, a fúria dos Árticos e gelo eterno.

15. Não haverá, então, princípios dissonantes ou destrutivos em seu seio. Não haverá mais quaisquer
dessas violentas convulsões em suas entranhas. Não será mais chacoalhada ou feita em pedaços, pela força
impetuosa dos terremotos; e, conseqüentemente, não precisará mais de Vesúvio, nem Etna, nem quaisquer
das montanhas ardentes para impedi-los. Não haverá mais rochas horríveis ou precipícios assustadores;
nenhum deserto selvagem, ou praias improdutivas; nenhum pântano intransitável, ou brejos inférteis, para
tragarem o viajante imprudente. Haverá, sem dúvidas, desigualdades na superfície da terra, que não serão
defeitos, mas belezas. Porque, embora eu não possa afirmar que a Terra tem sua diversidade do céu, de
prazer situado na colina e vale; ainda assim, eu não posso pensar que as colinas, erguendo-se gentilmente
serão algum defeito, mas um ornamento, da nova terra criada. E, sem dúvida, nós poderemos, igualmente,
ter oportunidade de dizer – Veja, lá sua habilidade maravilhosa veste os campos de verde agradável! Sua
mão exibe milhares de ervas, milhares de flores entre elas!

16. E qual será o produto geral da terra? Sem espinhos, sem roseira brava, ou cardo; nenhuma erva
daninha inútil ou fétida; nenhuma planta venenosa, prejudicial, ou desagradável; mas cada um que pode ser
conducente, de alguma forma, tanto para nosso uso quanto prazer. Quão além do que a maioria da
imaginação viva é agora capaz de conceber! Nós devemos não mais lastimar a perda do paraíso terrestre, ou
suspirar diante daquela descrição bem delineada de nosso grande poeta:

Que esta colina do paraíso, então,


Pelo poder das ondas, se mova,
Empurrada pela inundação curva,
Com todo seu verde espalhado,
E às arvores à deriva do grande rio,
Para o abismo aberto, e lá crie raízes,
162

Numa ilha salgada e desnuda!

Porque toda a terra será, então, um paraíso mais bonito do que o que Adão, alguma vez, viu.

17. Tal será o estado da nova terra, com respeito à forma das partes inanimadas dela. Mas, por maior
que esta mudança vá ser, ela é pequena, é nada, em comparação com aquela que irá, então, tomar lugar,
através de toda natureza animada. Na parte viva da criação onde é visto os mais deploráveis efeitos da
apostasia de Adão. Toda a criação animada; tudo quanto tem vida, desde o leviatã até o menor acarino, foi,
desta forma, feito objeto de tal vaidade, como as criaturas inanimadas não poderiam ser. Eles foram objeto
daquele monstro cruel, a Morte, o conquistador de tudo que respira. Eles foram objeto para sua dor
precursora, em milhares de suas formas; embora 'Deus não tenha criado a morte; nem tenha prazer na
morte de algum vivente'.

Quantos milhões de criaturas no mar, no ar, e em todas as partes da terra, podem agora, de modo
algum, preservar suas próprias vidas, a não ser tirando a vida de outros; rasgando em pedaços e devorando
as suas pobres, inocentes e submissas presas! Miserável destino de tais inumeráveis multidões, que,
insignificantes como elas pareçam, são os frutos de um mesmo Pai; criaturas do mesmo Deus do amor! É
provável que, não apenas dois terços, da criação animal, mas noventa e nove em cem estão debaixo da
necessidade de destruírem ao outro, com o objetivo de preservarem sua própria vida! Mas não deverá ser
sempre assim. Ele que está sentado em seu trono logo mudará a face de todas as coisas, e fornecerá uma
prova demonstrativa para todas as criaturas, de que 'sua misericórdia é sobre todas as Suas obras'.

O estado horrível das coisas que, no presente, se obtém, logo irá chegar ao seu fim. Na nova terra,
nenhuma criatura irá matar, machucar, ou causar dor em alguma outra. O escorpião não terá uma picada
venenosa; a víbora, nenhum veneno em seus dentes. O leão não terá unhas afiadas, para rasgar o cordeiro;
nenhum dente para triturar sua carne e ossos. Mais ainda; nenhuma criatura, animal, pássaro, peixe, terá
alguma inclinação, para ferir alguma outra, porque a crueldade terá desaparecido, e a selvageria e fúria,
esquecidas. De modo que não se ouvirá mais falar de violência; nem assolação ou destruição será vista sobre
a face da terra. 'O lobo irá habitar com o cordeiro'; (as palavras podem ser literalmente, assim como
figurativamente entendidas), 'e o leopardo se deitará com uma criança: Eles não ferirão ou destruirão'; do
amanhecer até o pôr-do-sol.

18. Mas o mais gloriosa de todas será a mudança irá, então, tomar lugar nos pobres, pecadores e
miseráveis filhos dos homens. Esses tinham caído, em muitos aspectos, como de uma grande altura, então,
para a mais baixa profundidade, do que alguma outra parte da criação. E eles deverão "ouvir uma grande voz
dos céus, dizendo: 'Observe o tabernáculo de Deus é com os homens: E ele irá habitar neles, e eles serão o
seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus'". (Apocalipse 21:3-4). Conseqüentemente,
surgirá um estado puro de santidade e felicidade, muito superior a que Adão desfrutou no Paraíso.

De que maneira bonita, isto está descrito pelo Apóstolo: 'Deus enxugou todas as lágrimas; e não
haverá mais morte, nem tristeza, nem choro; nem haverá mais dor alguma: porque as coisas antigas já se
passaram!'. (Apocalipse 21:3) Como não haverá mais morte, e nenhuma dor ou enfermidade que leve a isto;
como não haverá mais pelo que se afligir, ou se separar dos amigos; então, não haverá mais tristeza ou
choro. Mais do que isto - haverá um livramento maior do que todo este; porque não existirá mais pecado. E,
para coroar tudo, haverá uma união profunda, íntima, e ininterrupta com Deus; uma comunhão constante
com o Pai e seu Filho, Jesus Cristo, através do Espírito; uma alegria contínua do Deus Trino, e de todas as
criaturas Nele!

[Editado por Jennette Descalzo, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com
correções por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

O Dever de Reprovar Nosso Próximo


163

'Não aborrecerás a teu irmão no teu coração; não deixarás de repreender o teu próximo, e nele não
sofrerás pecado'. (Levítico 19:17)

Uma grande parte do livro de Êxodo e quase todo o livro de Levítico relatam o ritual ou lei
cerimonial de Moisés; que era peculiarmente dada aos filhos de Israel; mas tal 'jugo', diz o Apóstolo Pedro,
'nem nossos antepassados, nem nós seríamos capazes de suportar'. Nós estamos, por conseguinte, libertos
dele: E isto é uma das ramificações da 'liberdade com a qual Cristo nos tem feito livres'. Ainda assim, é fácil
observar que muitos preceitos morais excelentes estão entremeados nessas leis cerimoniais. Diversos deles,
nós encontramos nesse mesmo capítulo: Tais como:

'Semelhantemente, tu não rabiscarás a tua vinha; nem colherás os bagos caídos da tua vinha; irás
deixá-los aos pobres e ao estrangeiro. Eu sou o Senhor vosso Deus' (Levítico 19:10).

Você não deve roubar ou mentir um ao outro. 'Não furtareis, nem mentireis, nem usareis de
falsidade, cada um com o eu próximo' (Levítico 19:11).

'Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do jornaleiro não ficará contigo até à manhã'
(Levítico 19:13).

'Não amaldiçoarás ao surdo, nem porás tropeço diante do cego; mas terás temor do teu Deus. Eu
sou o Senhor' (Levítico 19:14). Como se ele tivesse dito: "Eu sou aquele cujos olhos estão sobre toda a
terra, e cujos ouvidos estão abertos ao clamor deles".

'Não fareis injustiça no juízo; o que os homens compassivos podem estar tentados a fazer; não
aceitarás o pobre, nem respeitarás o grande; com justiça julgarás o teu próximo', para o que existem
milhares de tentações (Levítico 19:15).

'Não andarás como mexeriqueiro, entre o teu povo; não te porás contra o sangue do teu próximo. Eu
sou o Senhor'. Embora este seja um pecado que as leis humanas nunca tinham sido capazes de evitar.

Então segue: 'Não aborrecerás a teu irmão no teu coração;não deixarás de repreender o teu
próximo,e nele não sofrerás pecado' (Levítico 19:17).

Com o objetivo de entender essa importante direção, corretamente, e aplicá-la de maneira proveitosa
para nossas almas, vamos considerar:

I. O que devemos repreender ou reprovar? Qual é a coisa que está aqui ordenada?

II. Quem eles são, a quem somos ordenados a reprovar? E…

III. Como deveremos reprová-los?


I

1. Vamos considerar, Primeiro, qual o dever que está aqui prescrito? O que é isto que devemos
repreender ou reprovar? Dizer a cada um de suas faltas; como claramente aparece das palavras seguintes:
'Você não sofrerá pecado nele'. O Pecado é, portanto, a coisa que nós somos chamados a reprovar; ou,
preferivelmente, a ele que comete pecado. Nós devemos fazer tudo o que está em nós para convencê-lo de
sua falta, e conduzi-lo ao caminho certo.

2. O amor, de fato, requer que nós o admoestemos, não apenas por causa do pecado (embora, por
isto, principalmente), mas igualmente, por qualquer erro que, se persistido nele, naturalmente conduziria ao
pecado. Se nós não 'o odiarmos em nosso coração', se nós amarmos nosso próximo como a nós mesmos,
164

este será nosso esforço constante; chamar-lhe a atenção a cada caminho pecaminoso, e a cada equívoco que
se incline ao mal.

3. Mas, se nós não desejamos perder nosso trabalho, nós raramente deveremos reprovar alguém, por
alguma coisa que seja de natureza disputável; que se poderá dizer, ser de ambos os lados. Uma coisa pode
parecer possivelmente má, para mim; portanto, eu tenho aversão, pelo fato de fazê-la; mas, se eu tiver de
fazê-la, enquanto aquele escrúpulo permanecer em mim, eu serei um pecador diante de Deus. Mas um outro
não deverá ser julgado, pela minha consciência: Pelo seu mestre, ele resiste ou cai. Por conseguinte, eu não o
reprovaria, a não ser por aquilo que fosse claramente e inegavelmente pecaminoso. Tais, por exemplo, como
blasfêmia e juramento profano; que, mesmo aqueles que os praticam, não irão freqüentemente se aventurar a
defender, se alguém indulgentemente objetá-los. Tal, como bebedeira, que mesmo um bêbado habitual irá
condenar, quando sóbrio. E tal, por conta da generalidade das pessoas, que é o profanar o dia do Senhor. E,
se alguém que seja culpado desses pecados, durante um tempo, tentar defendê-los, muito poucos irão
persistir em fazê-lo, se vocês os olharem firmemente em seu rosto, e apelarem para suas consciência, às
vistas de Deus.

II
1. Em Segundo Lugar, vamos considerar quem são esses, a quem nós somos chamados a reprovar. É
bastante necessário considerar isto, porque é afirmado por muitas pessoas sérias, que existem alguns
pecadores, os quais as próprias Escrituras nos proíbem de reprovar. Esse entendimento tem sido colocado,
naquela solene precaução de nosso Senhor, em seu Sermão do Monte: 'Não jogue pérolas aos porcos, a fim
de ele eles não as pisem, e voltem-se e despedacem vocês'. Mas o claro significado dessas palavras é: Não
ofereçam as pérolas; as doutrinas sublimes e os mistérios do Evangelho, para aqueles que vocês sabem
serem homens brutos, imersos no pecado, e que não têm o medo de Deus diante de seus olhos. Isto exporia
aquelas jóias preciosas à contenda, e vocês mesmos ao tratamento injurioso. Mas, mesmos esses a quem nos
sabemos ser, no entendimento de nosso Senhor, cães e porcos, se nós os virmos fazer, ou os ouvirmos falar,
o que eles mesmos sabem é pecaminoso, nós devemos, de qualquer maneira, reprová-los; em vez de
'odiarmos nosso irmão em nossos corações'.

2. As pessoas compreendidas como 'nosso próximo' são todos os filhos dos homens; todos que
respiram o ar vital; todos os que têm almas a serem salvas. E se nós nos refrearmos de executar esse ofício
de amar a qualquer um, porque eles são pecadores acima de outros homens, eles podem persistir em suas
iniqüidades, mas o sangue deles será requerido de nossas mãos.

3. Quão notável é a reflexão do Sr. Baxter, a este respeito, em seu, 'Dia do Descanso Eterno!'.
"Suponha que tu encontres, no mundo mais baixo, alguém a quem tu tenhas negado o ofício do amor,
quando ambos estavam juntos debaixo do sol; que resposta tu poderias dar para a repreensão dele? 'Em tal
momento e lugar, enquanto nós estávamos debaixo do sol, Deus me entregou em tuas mãos. Eu, então, não
conhecia o caminho da salvação, mas buscava a morte no erro da minha vida; e, nisto, tu permitistes que eu
permanecesse, sem, uma única vez, esforçar-te para acordar-me do sono! Tiveste tu concedido a mim teu
conhecimento, e me advertido a fugir da ira que há de vir, nem tu, nem eu precisaríamos ter vindo para este
lugar de tormento'".

4. Cada um, portanto, que tem uma alma a ser salva, tem direito a esse bom oficio de amor de vocês.
Ainda assim, isto não implica que ele deva ser feito, da mesma maneira, a todos. Não pode ser negado que
existem alguns, aos quais ele é particularmente devido. Em primeiro lugar, aos nossos pais, se alguém
permanece na dependência deles; a menos que coloquemos nossos cônjuges e nossos filhos em igual valor.
Próximo a esses, nós podemos situar nossos irmãos e irmãos; e, mais tarde nossos parentes, já que eles são
unidos a nós, de maneira mais ou menos distante, se pelo sangue, ou pelo casamento. Imediatamente após,
estão nossos servos, se confinados a nós, por contrato de anos, ou algum termo mais curto. Por fim, tais em
níveis diversos são nos compatriotas, nossos concidadãos, e os membros da mesma sociedade, se civis ou
religiosos: Os últimos têm uma reivindicação particular para com nosso serviço; vendo que essas sociedades
são formadas com o objetivo de vigiar uns aos outros, para essa mesma finalidade: para que não possamos
tolerar pecado sobre nosso irmão. Se nós negligenciamos reprovar algum desses, quando uma oportunidade
165

justa se oferece, nós indubitavelmente estaremos entre aqueles que 'odeiam seus irmãos em seus corações'.
E quão severa é esta sentença do Apóstolo contra esses que caem nessa condenação! 'Ele que odeia seu
irmão', mesmo que ele não o faça por palavras ou ações, 'ele é um assassino'. 'E você sabe', continua o
Apóstolo, que nenhum assassinado tem a vida eterna habitando nele'. Ele não tem sementes plantadas em
sua alma, que crescem para a vida eterna: em outras palavras, ele está em tal estado, que se ele morrer nele,
ele não poderá ver vida. Segue-se claramente que, negligenciar isto não é uma coisa pequena, mas
eminentemente perigosa para nossa salvação final.

III

Nós vimos o que significa reprovar nosso irmão, e quais são estes que nós devemos reprovar. Mas a
principal coisa permanece a ser considerada. Como - de que maneira - nós devemos reprová-los?

1. Concorda-se que existe uma dificuldade considerável em executar isto de uma maneira correta.
Embora, ao mesmo tempo, ela seja bem menos difícil para alguns do que é para outros. Existem alguns que
são particularmente qualificados para isto, se pela natureza, prática, ou graça. Eles são incumbidos tanto da
vergonha diabólica, quanto daquela opressão, o medo do homem: Eles estão ambos prontos a empreender
seu trabalho de amor, e são hábeis em realizá-los. Para esses, por conseguinte, ele é uma cruz pequena, ou
nenhum sacrifício afinal; mais do que isto, eles têm uma espécie de inclinação a ele, e uma satisfação nele;
além do que, a consciência de ter feito a sua obrigação. Mas mesmo que ele seja uma cruz para nós, maior
ou menor, nós sabemos para o que fomos chamados. E mesmo que a dificuldade seja sempre tão grande, nós
sabemos em que nós temos de confiar; e que Ele irá certamente cumprir sua palavra: 'Assim como seu dia, a
sua força será'.

2. De que maneira, então, nós devemos reprovar nossos irmãos, para que nossa reprovação possa ser
mais efetiva?

Em primeiro lugar, nós devemos tomar cuidado para que possamos fazer tudo, no 'espírito de amor';
no espírito de boa-vontade amorosa para com nosso próximo; já que se trata de alguém que é filho de nosso
Pai comum, e alguém por quem Cristo morreu, para que ele possa ser um participante da salvação. Então,
pela graça de Deus, o amor produz amor. A afeição de um orador irá espalhar-se pelo coração do ouvinte; e
vocês irão se certificar, no devido tempo, que o trabalho de vocês não tem sido em vão no Senhor.

3. Nesse meio tempo, o maior cuidado deverá ser tomado para que vocês falem no 'espírito de
humildade'. Precavenham-se de pensar em vocês mesmos, mais altamente do que deveriam pensar. Se
vocês pensam tão altamente sobre vocês mesmos, vocês dificilmente poderão evitar desdenhar seu irmão. E
se vocês mostram, ou mesmo sentem o menor menosprezo por aqueles a quem vocês irão reprovar, isto irá
estragar todo o trabalho de vocês, e fará com que vocês percam todo ele. Para prevenir a mesma aparência
de orgulho, é necessário freqüentemente ser sincero; para repudiar tudo que prefira vocês mesmos diante
dele; e ao mesmo tempo, reprovar aquilo que é pecaminoso, para dar e glorificar a Deus, por aquilo que é
bom nele.

4. Grande cuidado deve ser tomado, em Terceiro lugar, para falarem no 'espírito de mansidão'. O
Apóstolo nos assegura que 'a ira dos homens não opera a retidão de Deus'. Raiva, embora ela seja adornada
com o nome de zelo, produz ira. Não amor ou santidade. Nós devemos, por conseguinte, evitar, com todo
cuidado possível, a mesma aparência dela. Não deixe existir traço algum dela, tanto em seus olhos, gestos,
ou no tom da voz; mas que todos esses concorram para manifestarem o espírito de amor, humildade, e
imparcialidade.

5. Mas, em todo o tempo, veja que vocês não confiem em si mesmos. Ponham nenhuma confiança
em sua própria sabedoria, ou atitudes, ou habilidades de quaisquer espécies. Porque todo o sucesso do que
quer que vocês falem ou façam, está em não confiar em si mesmos, mas no grande Autor de todos os dons
bons e perfeitos. Por conseguinte, enquanto vocês estão falando, continuamente elevem seus corações a Ele
que opera tudo em todos. E o que for falado, no espírito de oração, não irá cair ao chão.
166

6. Tanto para o espírito, por meio do qual nós devemos falar quando reprovamos nosso próximo. Eu
agora prossigo para a maneira exterior. Tem sido freqüentemente visto que, prefaciar a reprovação, com uma
profissão franca de boa-vontade, tem feito com que o que foi falado mergulhe profundamente no coração.
Isto geralmente terá melhor efeito, do que a engenhosidade moderna maravilhosa, -- adulação, por meio da
qual os homens do mundo têm feito freqüentemente coisas surpreendentes. Mas as mesmas coisas; sim,
muito maiores, têm sido muito mais freqüentemente efetivas, através de uma declaração clara e sincera de
amor desinteressado. Quando vocês sentem que Deus tem acendido essa chama em seus corações, não a
ocultem; dêem vazão a ela! Ela irá penetrar como a luz. O resistente e o de coração duro irão se derreter
diante de vocês, e saberão que Deus está com quem tem a verdade.

7. Embora seja certo que o ponto principal na reprovação seja fazer isto com o espírito correto; ainda
assim, deve-se entender que existem diversas pequenas circunstâncias com respeito às maneiras exteriores,
que não deverão ser, de maneira alguma, menosprezadas. Uma dessas é, em qualquer que seja o momento
que vocês forem reprovar, fazerem-no com a maior seriedade; de modo que se vocês estiverem realmente
sendo sinceros, que isto apareça em vocês. Uma reprovação ridícula causa pequena impressão, e é logo
esquecida; além disso, muitas vezes, faz mal, como se vocês ridicularizassem a pessoa que vocês reprovam.
De fato, aqueles que não estão acostumados a zombar de alguém, não ficam bem em serem ridículos nisso.
Uma maneira de dar um ar sério ao que vocês falam, é, tão freqüentemente quanto possa ser possível,
usarem das mesmas palavras das Escrituras. Freqüentemente, nós nos certificamos que a palavra de Deus,
mesmo em conversa privada, tem uma energia peculiar; e o pecador, quando menos ele espera, sente-a como
'uma espada afiada de dois gumes'.

8. Ainda assim, existem algumas exceções para essa regra geral de reprovar seriamente. Existem
alguns casos isentos nisto, como um bom juiz da natureza humana observa: uma brincadeira dessa natureza,
bem colocada no momento da repreensão, irá penetrar mais profundamente do que um argumento sólido.
Mas isto tem lugar principalmente, quando nós temos de fazê-la com aqueles que são estranhos à religião. E
quando nós somos condescendentes ao dar uma reprovação ridícula, para uma pessoa desse caráter, parece
que estamos autorizados a assim proceder, através daquele conselho de Salomão: 'Responda ao tolo de
acordo com sua própria tolice, a fim de que ele seja sábio aos seus próprios olhos'.

9. A maneira de reprovar pode, em outros aspectos também, variar de acordo com a ocasião.
Algumas vezes, vocês podem achar apropriado usar muitas palavras para expressar a idéia de vocês
largamente. Outras vezes, vocês podem julgar mais expediente usar poucas palavras; talvez, uma simples
sentença; e, em outras, pode ser aconselhável usar nenhuma palavra, afinal, mas um gesto, um sinal, ou um
olhar, particularmente quando a pessoa que vocês reprovariam está numa condição hierárquica muito
superior a vocês. E, freqüentemente, essa espécie de silêncio de reprovação será atendida pelo poder de
Deus, e, conseqüentemente, ter um efeito muito melhor do que um discurso longo e laborioso.

10. Uma vez mais: Lembrem-se da observação de Salomão: 'Uma palavra falada, no momento
adequado, quão boa ela é!'. É verdade que se vocês forem providencialmente chamados a reprovar alguém a
quem parece que vocês não irão ver mais, vocês devem agarrar a presente oportunidade, e falar, 'no
momento certo' ou 'fora do momento'; mas com os que vocês têm a oportunidade de ver freqüentemente,
vocês podem esperar pelo momento oportuno. Aqui, o conselho do poeta tem seu lugar: Vocês podem falar,
quando ele está de bom humor, ou quando ele pergunta a vocês. Aqui, você pode escolher o momento em
que a mente dele está leve, e as feições moderadas: E, então, Deus irá ensinar como falar, e abençoar o que é
falado.

11. Mas deixem-me avisá-los de um erro. Ele passa por uma máxima indiscutível: 'Nunca tente
reprovar um homem que esteja intoxicado com bebida. A reprovação é feita, e, então, ela é jogada fora, e
não pode ter efeito bom'. Eu não me atreveria a dizer isto. Eu tenho visto não poucos exemplos claros,
exatamente do contrário. Aqui vocês têm um: Muitos anos atrás, em Moorfields, passando por um homem
que estava tão bêbado, que mal podia permanecer de pé, eu coloquei um papel nas mãos dele. Ele olhou para
o que estava escrito, e disse: 'Uma Palavra – Uma Palavra a um Bêbado, — este sou eu, — Sir, Sir! Eu
167

estou errado, — Eu sei que estou errado, — eu imploro que me deixe falar um pouco com você'. Ele me
segurou pela mão, por meia hora: E eu creio que nunca mais bebeu.

12. Eu suplico a vocês, irmãos, pela misericórdia de Deus, para que não menosprezem os pobres
bêbados! Tenham compaixão deles! Estejam um instante com eles, nas boas oportunidades, ou fora delas!
Não deixem que a vergonha ou o medo de homens; os impeçam de tirar esses galhos do fogo: Muitos deles
já condenaram a si mesmos. Nem eles podem discernir as situações pecaminosas, já que eles estão nelas; a
não ser o desespero de não terem esperança de escapar daquilo; e eles afundam, no mais profundo, porque
ninguém oferece alguma esperança para eles! 'Pecadores de todas as outras espécies', diz um clérigo
notável, 'eu tenho freqüentemente convertido para Deus. Mas um bêbado habitual, eu nunca conheci um que
fosse convertido!'. Mas eu [John Wesley] conheci quinhentos, talvez, cinco mil. "Ho! Vocês que leram essas
palavras. Então, ouçam as palavras do Senhor! Eu tenho uma mensagem de Deus, para vocês, Ó pecador!
Assim diz o Senhor: 'Não jogue fora a esperança. Eu não me esqueci de vocês. Aquele que diz a vocês que
não existe esperança, é um mentiroso desde o início'. Olhe para o alto! Vejam o Cordeiro de Deus, que toma
os pecados do mundo! Esse dia é a salvação vinda para suas almas: Vejam apenas que vocês não desprezem
a ele que fala! Exatamente agora ele diz a vocês: 'Filhos, tenham ânimo! Seus pecados foram perdoados de
vocês!'

13. Por fim: Vocês que são diligentes nesse ofício de amor, vejam que vocês não sejam
desencorajados; mesmo que vocês não vejam os frutos presentes, depois de terem usado o melhor de seus
esforços. É preciso paciência, e, então, 'depois de terem feito a vontade de Deus', em seguida, a colheita virá.
Nunca se 'cansem de fazer o bem; no devido tempo, vocês terão proveito, se vocês não esmorecerem'. Sigam
Abraão que 'contra a esperança, ainda acreditou na esperança'. 'Atirem o pão nas águas; e vocês irão
encontrá-lo, depois de muitos dias'.

14. Eu tenho apenas algumas poucas palavras para acrescentar a vocês, meus irmãos, que,
vulgarmente, são chamados de 'Metodistas': Eu nunca ouvi ou li, a respeito de algum avivamento
considerável de religião, que não fosse atendido com o espírito de reprovação. Eu acredito que não possa ser
de outro modo. Para que existe a fé, se não for para ser operada pelo amor? Assim, foi em todas as partes da
Inglaterra, quando o avivamento da religião presente começou, por volta de cinqüenta anos atrás: Todos os
responsáveis pelo avivamento, -- todos os Metodistas, assim chamados, em todas as partes, foram
reprovadores do pecado exterior. E, de fato, assim são todos os que 'justificados pela fé, têm paz com Deus,
através de Jesus Cristo'. Dessa forma, eles são, a princípio; e se eles usam aquele dom precioso, ele nunca
lhes será tirado. Venham irmãos, em nome de Deus, vamos começar novamente! Rico ou pobre, vamos nos
levantar como um só homem; e de alguma forma, que todos os homens 'reprovem seu próximo, e não sofra
pecado por ele!'. Então, toda a Grã Bretanha e Irlanda saberão que nós não 'estamos em guerra com nossa
própria costa'. Sim; 'e que Deus nos abençoe, e todas as extremidades do mundo possam temê-lo'.

Manchester, 28 de Julho, 1787


------

Reconhecimentos:

[Editado por Dave Giles, estudante da 'Northwest Nazarene College (Nampa, ID)', com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]
Este documento é da Christian Classics Ethereal Library server.

OS SINAIS DOS TEMPOS

'E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis
discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos tempos?' (Mateus 16:3)
168

1. A passagem inteira discorre assim: 'E os fariseus e os saduceus, aproximando-se, para o tentarem,
pediram-lhe que lhes mostrasse algum sinal do céu. Mas Ele, respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a
tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E, pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque
o céu está de um vermelho sombrio. Hipócritas, sabeis discernir a face do céu, e não conheceis os sinais dos
tempos?' (Mateus 16:1-3)

2. 'Os fariseus vieram também com os saduceus'. Em geral, esses eram, completamente opostos, um
ao outro: mas não é uma coisa incomum para os filhos do mundo, colocar aparte a oposição de um para com
o outro, (ao menos, por um tempo), e uni-los cordialmente em oposição aos filhos de Deus. 'E tentaram'; ou
seja, fizeram uma prova, se Ele realmente tinha sido enviado de Deus; 'e pediram a Ele que mostrasse os
sinais dos céus'; o que eles acreditavam que nenhum falso profeta seria capaz de fazer. Não é improvável
que eles tenham imaginado que isto iria convencê-los, de que Ele era realmente enviado de Deus. 'Mas Ele,
respondendo, disse-lhes: Quando é chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está rubro. E,
pela manhã: Hoje haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio'. Provavelmente,
existiram mais sinais do bom e mau tempo no clima deles, do que no nosso. 'Ó, vocês, hipócritas'; fazendo
declarações de amor, enquanto vocês têm inimizade em seus corações; vocês podem discernir a face do céu',
e julgar, por meio disto, como o tempo será; 'mas vocês não podem discernir os sinais dos tempos', quando
Deus traz seu Primogênito para mundo?

3. Vamos inquirir mais particularmente:

I. Primeiro, quais foram os tempos, sobre os quais nosso Senhor fala aqui; e quais foram os sinais,
por meio dos quais, aqueles tempos deveriam ser distinguidos de outros? Nós podemos, então,
inquirir:
II. Em Segundo Lugar, quais são os tempos que nós temos razão para acreditar estão agora à mão; e
como é que, aqueles que são chamados de cristãos, não discernem os sinais desses tempos?

1. Vamos inquirir, em Primeiro Lugar: Que tempos eram aqueles, dos quais nosso Senhor está
falando? É fácil responder: os tempos do Messias; os tempos ordenados, antes da fundação do mundo, em
que Deus se agradou de dar seu único filho, Primogênito, para tomar nossa natureza sobre ele, e ser
'encontrado, de tal maneira, como um homem'. Para viver uma vida de tristeza e dor; e, finalmente, ser
'obediente à morte, mesmo à morte na cruz', para que 'todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a
vida eterna'. Este foi o importante tempo dos sinais, os quais os fariseus e saduceus não puderam discernir.
Perspicazes, como eles eram em si mesmos, ainda assim, havia um véu tão espesso sobre os corações desses
homens, que eles não puderam discernir os sinais de sua chegada, embora predita, há tanto tempo.

2. Mas quais foram esses sinais da vinda do Justo, que, há tanto tempo e tão claramente têm sido
preditos, e por meio dos quais, eles poderiam facilmente ter discernido, não tivesse o véu estado em seus
corações? Eles são muitos em números; mas pode ser suficiente mencionar alguns poucos deles. Um dos
primeiros é aquele apresentado nas solenes palavras faladas por Jacó, pouco antes de sua morte: (Gênesis
49:10) 'O cetro não se arredará de Judá, nem o legislador dentre seus pés, até que venha Siló; e a ele se
congregarão os povos'. Todos, ambos os judeus antigos e os modernos, concordam, que através de Siló, nós
entenderíamos o Messias; que estava, por conseguinte, para vir, de acordo com a profecia, 'antes que o
cetro', ou seja, a autoridade soberana 'partisse de Judá'. Mas, sem controvérsia, ele partiu de Judá, naquele
mesmo tempo; -- um sinal infalível de que naquele mesmo tempo, Siló, ou seja, o Messias, viria.

3. Um segundo eminente sinal daqueles tempos, os tempos da vinda do Messias, nos é dado no
terceiro capítulo da profecia de Malaquias: 'Eis que eu envio o meu mensageiro, que preparará o caminho
diante de mim; e de repente virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais; e o mensageiro da aliança, a
quem vós desejais, eis que ele vem, diz o Senhor dos Exércitos' (Malaquias 3:1). Quão manifestamente foi
isso cumprido, primeiro, pela vinda de João Batista; e, então, pelo nosso abençoado Senhor, 'vindo, de
repente, ao seu templo!'. E que sinal poderia ser mais claro para esses que consideraram imparcialmente as
169

palavras do profeta Isaias: (Isaías 40:3) 'Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor;
endireitai, no ermo, a vereda a nosso Deus'.

4. Porém, sinais ainda mais claros do que esses (se algum pode ser mais claro) foram as obras
poderosas que ele realizou. Na verdade, ele mesmo declara: 'As obras que eu faço, elas me testificam'.E,
para essas, ele explicitamente apela em sua resposta à pergunta de João Batista; (não proposta, como alguns
têm estranhamente imaginado, de alguma dúvida que ele mesmo tivesse; mas de um desejo de confirmar
seus discípulos, que possivelmente poderiam oscilar, quando seu Mestre fosse tirado do comando): ´'És tu
que deverias vir', o Messias? Ou procuramos por outro?'. Não uma mera resposta verbal poderia ter sido
tão convincente, como a que eles viram com seus próprios olhos. Jesus, entretanto, referiu-se a eles para esse
testemunho: 'E Jesus, respondendo, disse-lhes: Ide, e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes: Os cegos
vêem, e os coxos andam; os leprosos são limpos, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos
pobres é anunciado o evangelho' (Mateus 11:4-5)

5. Mas como é, então, que aqueles que eram tão perspicazes em outras coisas; que podiam 'discernir
a face do céu', eram tão incapazes de discernir aqueles sinais que indicavam a vinda do Messias? Eles não
puderam discerni-los, não pela falta de evidência – esta era completa e clara, -- mas pela necessidade de
integridade em si mesmos; porque eles eram uma 'geração má e adúltera'; porque a perversidade de seus
corações espalhou uma nuvem sobre o entendimento deles. Portanto, embora do Sol da Retidão brilhasse
forte, ainda assim, eles eram insensíveis a ele. Eles não estavam dispostos a serem convencidos: Assim
sendo, eles permaneceram na ignorância. A luz era suficiente; mas eles fecharam seus olhos, para que não
pudessem vê-la: de modo que, não houve desculpa, até que a vingança veio ao extremo sobre eles.

II

1. Nós vamos, em Segundo lugar, considerar quais são os tempos que nós temos razão para acreditar,
estão agora à mão? E como é que todos aqueles que são chamados cristãos não conseguem discernir os
sinais desses tempos?

Os tempos que nós temos razão para acreditar que estejam à mão (se eles ainda não começaram) são
os que muitos homens devotos denominaram de o tempo da 'glória dos últimos dias'; --- significando o
tempo em que Deus iria gloriosamente dispor seu poder e amor, no cumprimento de sua graciosa promessa,
para que 'o conhecimento do Senhor possa cobrir a terra, como as águas cobrem o mar'.

2. 'Mas existem, na Inglaterra, ou em qualquer parte do mundo, alguns sinais dos tempos se
aproximando?'. Não faz muitos anos, que uma pessoa de considerável cultura, tanto quanto eminência na
igreja (então, bispo de Londres), em sua carta circular à sua diocese, fez essa observação: 'Eu não posso
imaginar o que as pessoas querem dizer, falando de uma grande obra de Deus nesse tempo. Eu não vejo
qualquer obra de Deus agora, mais do que tem sido, em qualquer outro tempo!'. Eu creio: Eu creio que
aquele grande homem não viu qualquer obra extraordinária de Deus. Nem ele, nem a generalidade dos
cristãos, assim chamados, viram alguns sinais do dia gloriosos que se aproxima. Mas como isto deve ser
considerado? Como é que aqueles que podem agora 'discernir a face do céu', que não são apenas grandes
filósofos, mas grandes homens de Deus, tão eminentes quanto os saduceus; sim, quanto os fariseus sempre
foram, não discernem os sinais daqueles tempos gloriosos, que, se não começaram, estão quase à porta?

3. Nós compreendemos que, de fato, em todas as épocas da igreja, 'o reino de Deus não veio com
contemplação', com esplendor e pompa, ou com algumas das circunstâncias exteriores, que usualmente
atendem aos reinos desse mundo. Nós compreendemos que esse 'reino de Deus está dentro de nós'; e que,
conseqüentemente, quando ele começa, tanto em um indivíduo, quanto em uma nação, ele 'é como a semente
do grão de mostarda', que, primeiro, 'é a menor das sementes', mas, não obstante, gradualmente aumenta,
até que se 'torna uma árvore grande'. Ou, para usar de outra comparação de nosso Senhor, em (Mateus
13:33) 'O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de
farinha, até que tudo esteja levedado'.
170

4. Mas, não pode ser perguntado, 'Existem alguns sinais agora, de que o dia do poder de Deus esteja
se aproximando?'. Eu apelo a toda pessoa lúcida e sem preconceito, se nós não podemos, nesse momento,
discernir todos esses sinais, (entendendo as palavras em um sentido espiritual), aos quais nosso Senhor se
referiu aos discípulos de João?

'Os cegos recebem o sinal deles': Aqueles que eram cegos de nascença, incapazes de verem seus
próprios estados deploráveis, e muito mais de verem a Deus, e o remédio que Ele preparou para eles no
Filho do Seu amor, agora vêem a si mesmos; sim, e vêem 'a luz da glória de Deus, na face de Jesus Cristo'.
Os olhos do entendimento deles, estando agora abertos, eles vêm todas as coisas claramente. --

'Os surdos ouvem': Aqueles que eram antes extremamente surdos para todos os chamados exteriores
e interiores de Deus, agora ouvem; não apenas seus chamados providenciais, mas também os sussurros de
Sua graça. –

'Os coxos andam: Aqueles que nunca antes se ergueram da terra, ou deram um passo, em direção aos
céus, agora caminham em todos os caminhos de Deus: sim; 'correndo a corrida que se coloca diante deles' -
-

'Os impuros são limpos': Aqueles que estavam mortalmente sujos pelo pecado, que eles trouxeram
consigo para o mundo, e que nenhuma façanha do homem pode curar, é agora limpo completamente. E
certamente nunca, em qualquer época ou nação, desde os Apóstolos, essas palavras foram tão
eminentemente cumpridas, 'Os pobres têm o Evangelho pregado a eles', como nesses dias. Nesses dias, a
levedura do Evangelho, a fé operada pelo amor, -- santidade interior ou exterior, -- ou (para usar o termo de
Paulo), 'retidão, paz e alegria no Espírito Santo',-- tem se espalhado tanto, em várias partes da Europa,
particularmente, na Inglaterra, Escócia, Irlanda, nas ilhas, no norte s sul, da Geórgia, à Nova Inglaterra, e
Terra Nova, que os pecadores têm se convertido verdadeiramente para Deus; completamente mudados no
coração e na vida; não através de dezenas, ou centenas, mas através de milhares, sim, miríades! O fato não
pode ser negado: nós podemos indicar as pessoas, com seus nomes e lugares de moradia. E, ainda assim, os
homens sábios do mundo, os homens de eminência, os homens de aprendizado e renome, 'não podem
imaginar o que nós queremos dizer, por falarmos de alguma obra extraordinária de Deus!'. Eles não podem
discernir os sinais desses tempos! Eles não podem ver sinal algum, afinal, de Deus se levantando, para
manter sua própria causa, e estabelecer seu reino sobre a terra!

5. Mas como isto pode ser levado em conta? Como é que eles não podem discernir os sinais desses
tempos? Nós podemos considerar a vontade de discernimento deles sobre o mesmo princípio que nós
consideramos aquele dos fariseus e saduceus; ou seja, que eles são, igualmente, o que aqueles eram, uma
'geração adúltera e pecadora'. Se os olhos deles fossem puros, todo o corpo deles seria cheio de luz: mas
supondo-se que os olhos deles sejam maus, todo o seu corpo deverá ser cheio de escuridão. Todo
temperamento mau escurece a alma; toda paixão má anuvia o entendimento. Como, então, podemos esperar
que, os que estão cheios de toda paixão desordenada, e escravos de todo temperamento pecaminoso, sejam
capazes de discernir os sinais dos tempos?

Mas este é realmente o caso. Eles estão cheios de orgulho: Eles pensam em si mesmos, muito mais
além do que deveriam pensar. Eles são vãos: Eles 'buscam a honra um do outro, e não a honra que vem de
Deus apenas'. Eles afagam o ódio e a malícia em seus corações: eles dão lugar à ira, à inveja e à vingança:
Eles pagam o mal com o mal, e ódio com ódio. Eles não têm escrúpulos em pleitear olho por olho, dente por
dente, em vez de sobrepujarem o mal com o bem. Eles 'saboreiam não as coisas que são de Deus, mas as
coisas que são de homens'. Eles estabelecem suas afeições, não nas coisas acima, mas nas coisas que estão
na terra. Eles 'amam a criatura mais do que o Criador'. Eles são 'amantes do prazer, mais do que amantes
de Deus'. Como, então, eles deveriam discernir os sinais dos tempos? O deus desse mundo, a quem eles
servem, tem cegado seus corações, e coberto suas mentes com o véu espesso da escuridão. Ai de mim! O
que essas 'almas de carne e sangue' (como alguém fala) têm a ver com Deus, ou com as coisas de Deus?
171

6. João afirma essa mesma razão para os judeus não entenderem as coisas de Deus, ou seja, que em
conseqüência de seus pecados precedentes, e de terem terrivelmente rejeitado a luz, Deus os entregou a
satanás, que os cegou, sem esperança. Repetidas vezes, quando eles poderiam ter visto, eles não puderam;
eles fecharam seus olhos à luz: e, agora, eles não podem ver, já que Deus os entregou a uma mente sem
discernimento: portanto, eles não acreditaram, pelo que Isaias disse (ou seja, por causa da razão dada
naquele dizer de Isaias) 'Ele tem cegado seus olhos, e endurecido seus corações de modo que eles não
podem ver com seus olhos, nem entender com seus corações, e serem convertidos, e eu possa curá-los'.
(Isaías 44:18) – 'Nada sabem, nem entendem; porque tapou os olhos para que não vejam, e os seus
corações para que não entendam'. O significado claro é que Deus não fez isto através de seu próprio poder
imediato – seria uma blasfêmia vulgar dizer que Deus, nesse sentido, endurece algum homem; mas seu
Espírito não mais se empenha com eles, e, então, Satanás os endurece efetivamente.

7. E, como foi com eles, nos tempos antigos, assim é, com a presente geração. Milhares daqueles que
carregam o nome de Cristo, estão agora entregues a uma mente sem discernimento. O deus do mundo tem
cegado tanto seus olhos, que a luz não pode brilhar sobre eles; de modo que eles não podem discernir os
sinais dos tempos, não mais do que os fariseus e saduceus puderam no passado. Um exemplo maravilhoso
dessa cegueira espiritual, dessa total inabilidade de discernir os sinais dos tempos, mencionados nas
Escrituras, nos é dado no mesmo trabalho célebre de um recente escritor eminente, que supõe que a Nova
Jerusalém desceu dos céus, quando Constantino, o Grande, chamou a si mesmo de cristão. Eu digo, chamou
a si mesmo de cristão; porque eu não me atrevo a afirmar que ele foi um; não mais do que Peter, o Grande.
Eu não posso deixar de acreditar, que ele teria chegado perto disto, se tivesse dito que foi no tempo, quando
uma nuvem enorme de enxofre infernal e fumaça saiu do abismo sem fim! Porque, certamente, nunca houve
um tempo, em que satanás teve tão fatal vantagem sobre a Igreja de Cristo, quando tal inundação de ricos,
honrados e poderosos irrompeu, particularmente, no Clero!

8. Pela mesma regra, quais sinais esse escritor teria esperado da conversa similar dos pagãos? Ele
teria, sem dúvida, esperado um herói, parecido com Charles da Suécia, ou Frederico da Prússia, para levar
fogo, espada e Cristianismo, através de todas as nações imediatamente! E não pode ser negado, que, desde
os tempos de Constantino, muitas nações têm sido convertidas dessa maneira. Mas pode ser dito,
concernente a tais conversas como essas, que: 'O Reino dos céus não se aproxima com cautela?'.
Certamente, todos podemos observar um guerreiro atravessando a terra, no comando de cinqüenta a sessenta
mil homens! Mas é este o caminho, para se espalhar o Cristianismo, que o autor dele, o Príncipe da Paz, tem
escolhido? Não. Não é dessa maneira, que a semente de um grão de mostarda se transforma numa grande
árvore. Não é assim que um pouco de fermento levada toda a farinha. Antes, ele se espalha devagar, mais e
mais, até que tudo esteja levedado. Nós podemos formar um julgamento do que irá acontecer, daqui a diante,
através do que já temos presenciado. E este é o caminho, no qual, a verdadeira religião cristã, a fé que é
operada pelo amor, tem sido espalhada, particularmente, através da Grã-Bretanha, e suas dependências, por
meio século.

9. Da mesma maneira, ela continua a se espalhar, no momento presente, como facilmente pode
parecer para todos aqueles cujos olhos estão cegos. Todos esses que experimentam, em seus corações, o
poder de Deus, na salvação, irão, prontamente, perceber como a mesma religião que eles desfrutam, é ainda
espalhada de coração para coração. Eles reconhecem a mesma graça de Deus, fortemente e suavemente,
operando de todos os lados; e regozijam-se de encontrar um ou outro pecador, primeiro inquirindo, 'O que
devo fazer para ser salvo?', – e, então, testificando, 'Minha alma exalta o Senhor, e meu espírito regozija-se
em Deus, meu Salvador'. Sobre uma inquisição sincera e clara, eles se certificam, mais e mais, não apenas
daqueles que tinham alguma forma de religião, mas daqueles que não tinham forma, afinal, e que eram
pecadores dissolutos e abandonados, agora, inteiramente mudados, verdadeiramente temendo a Deus, e
operando retidão. Eles observam, mais e mais, que, até mesmo esses pobres homens proscritos, estão
mudados, interiormente e exteriormente; amando a Deus e seu próximo; vivendo na prática da justiça,
misericórdia e verdade uniforme; e, quando têm tempo, fazendo o bem a todos os homens; tranqüilos e
felizes em suas vidas, e triunfantes na morte.
172

10. Que desculpa, então, aquele que acredita que as Escrituras sejam a Palavra de Deus, tem para não
discernir os sinais desses tempos, como preparatório para o chamado geral dos pagãos? O que Deus poderia
ter feito, que ele ainda não fez, para convencer vocês de que o dia está chegando, que o tempo está à mão,
quando Ele irá cumprir Suas gloriosas promessas; quando Ele se erguerá para manter sua própria causa, e
estabelecer seu reino sobre toda a terra? O que, realmente, a menos que ele tivesse forçado vocês a
acreditarem? E isto ele não faria, sem destruir a natureza que Ele deu a vocês: Já que Ele fez de vocês
agentes livres, tendo um poder interior de autodeterminação, que é essencial para a natureza de si mesmos. E
Ele dialoga com vocês, como agentes livres, do começo ao fim. Como tais, vocês podem fechar ou abrir seus
olhos, como quiserem. Vocês têm suficiente luz brilhando ao redor de vocês; ainda assim, vocês não
precisam vê-la, a menos que queiram. Mas estejam certos de que Deus não está feliz com o fato de vocês
fecharem seus olhos, e dizerem, 'Eu não posso ver'. Eu aconselho vocês a fazerem um exame imparcial
sobre todo o assunto. Depois de um claro questionamento sobre o problema, considerem profundamente, 'O
que Deus tem feito?'. 'Quem poderá ver tal coisa? Quem poderá ouvir tal coisa?'. Terá a nação, como ela
está, se 'formado em um só dia'? Quão rápido, assim como, quão profundo, e quão extensivo trabalho tem
sido forjado na presente época! E, certamente, 'não pela força, nem pelo poder, mas através do Espírito do
Senhor'. Porque quão extremamente inadequados foram os meios! Quão insuficientes foram os instrumentos
para operar tal efeito; -- pelo menos, aqueles que agradou a Deus fazer uso nos domínios britânicos na
América! Porém, quão inauspiciosos instrumentos Deus tem se agradado de operar desde o início! 'Alguns
poucos obstinados', disse o bispo de Londres, 'o que eles podem pretender fazer?'. Eles pretenderam ser na
mão de Deus, o que a caneta é na mão de um homem. Eles pretenderam, (e assim o fazem até hoje) fazer a
obra para a qual eles foram enviados; fazer justo o que agrada a Deus. E, se é do Seu prazer, derrubar as
muralhas de Jericó, as fortalezas de satanás, não através dos mecanismos da guerra, mas através do sopro de
chifres de carneiros, quem deverá dizer junto a Ele,'O que tu fazes!'.

11. Nesse meio tempo, 'abençoados sejam seus olhos, porque eles vêm: muitos profetas e homens
retos têm desejado ver as coisas que vocês vêem, e não têm visto, e ouvir as coisas que vocês ouvem, e não
têm ouvido'. Vocês vêem e reconhecem o dia de sua visitação; tal visitação, como nunca vocês, nem seus
antepassados conheceram. Vocês podem bem dizer, 'Este é o dia que o Senhor fez; Ele irá se regozijar e
estar satisfeito nele'. Vocês vêem a alvorada daquele dia glorioso, do qual todos os profetas têm falado. E
quão vocês deverão mais efetivamente melhorar esse dia de sua visitação?

12. O primeiro ponto é ver que vocês mesmos não receberam a bênção de Deus em vão. Comecem
pela raiz, se vocês ainda não o fizeram. Agora se arrependam e acreditem no Evangelho! Se vocês têm
acreditado, 'cuidem, para que não percam o que têm feito, mas para que receberam a recompensa completa!
Estimulem o dom de Deus que está em vocês. Caminhem na luz, como Ele está na luz. E, enquanto vocês
'seguram firmes o que vocês obtiveram, sigam para a perfeição'. Sim, e quando vocês 'forem feitos perfeitos
no amor', não obstante, 'esquecendo-se deles que estão atrás, pressionem para a marca, para o prêmio do
alto chamado de Deus em Jesus Cristo'.

13. No próximo passo, cabe a vocês auxiliarem o seu próximo. 'Permitam que a luz de vocês brilhe,
de tal maneira diante de homens, que eles possam ver suas boas obras, e possam glorificar seu Pai que está
nos céus'. Quando tiverem tempo, façam o bem a todos os homens; mas, especialmente, àqueles que são
familiarizados da fé. Proclamem as boas novas da salvação, prontas a serem reveladas, não apenas para
aqueles de sua própria casa; não apenas para os seus parentes, amigos, e conhecidos, mas para todos que
Deus, providencialmente, entrega em suas mãos! 'Sim', aqueles que já sabem em quem eles têm crido, 'que
são o sal da terra'. Trabalhem para temperarem, com o conhecimento e amor de Deus, todos com os quais
têm algum intercurso! 'Vocês são como a cidade, situada encima de uma colina'; vocês não podem, e não
devem ser ocultados. Vocês são a luz do mundo: os homens não acendem a candeia e a colocam debaixo do
alqueire' (Mateus 5:15); quanto menos, o Deus de toda sabedoria! Não; que ela brilhe para todos que estão
na casa; todos que são testemunhas de sua vida e conversa. Acima de tudo, continuem em oração constante,
por si mesmos, por toda a igreja de Deus, e por todos os filhos dos homens, para que eles possam se lembrar
de si mesmos, e voltar para nosso Deus; para que eles possam igualmente alegrar-se no Evangelho,
abençoando a terra, e a glória de Deus no céu!
173

[Editado por Amy Johnston, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons for the Wesley Center for Applied Theology.]

SOBRE A PROVIDÊNCIA DIVINA

"E até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois; mais valeis vós do que muitos
passarinhos". (Lucas 12:7)

1. A doutrina da providência divina tem sido recebida pelos homens sábios em todas as épocas.
Muitos dos eminentes pagãos acreditaram, não apenas os filósofos, mas oradores e poetas. Inumeráveis são
os testemunhos concernentes a ela que são espalhadas aqui e ali, nos escritos deles; de acordo com o bem
conhecido dizer em Cícero Deorum moderamine cuncta geri: "Todas as coisas, todos os eventos neste
mundo estão sob a direção de Deus". Nós traríamos uma nuvem de testemunhos para confirmar isto, fosse
algum tão ousado, a ponto de negá-la.

2. A mesma verdade é reconhecida hoje, na maior parte do mundo; sim, até mesmo, por aquelas
nações que são tão bárbaras, de maneira a não conhecerem o uso das letras. Assim, quando se perguntou a
Paustoobee, um chefe Índio, do Chicasaw, nação da América do Norte: "Por que vocês pensam que O
Amado (assim eles denominam Deus) cuida de vocês?", ele respondeu, sem qualquer hesitação: "Eu estive
na batalha com a França; e a bala passou por este lado; e este homem morreu, e aquele homem morreu;
mas eu estou vivo ainda; e por isto eu sei que O Amado cuida de mim".

3. Mas, embora os antigos, assim como os modernos pagãos têm alguma concepção da divina
providência, ainda assim, as concepções que a maioria deles toma em consideração, concernente a isto eram
obscuras, confusas, imperfeitas. Sim, os relatos do mais instruído entre eles, eram usualmente contraditórios
uns com os outros. Acrescente a isto, que eles estavam, de modo algum, seguros da verdade daqueles
mesmos relatos: Eles dificilmente se atreveram a afirmar alguma coisa, mas falaram com a mais extrema
precaução e difidência; de tal maneira, que o próprio Cícero; o autor daquela nobre declaração se aventura a
afirmar, a sangue frio, no final de sua longa disputa sobre o assunto, resulta em não mais do que esta falha e
impotente conclusão: Mihi verisimilior videbatur Cotta oratin: "O que Cotta disse", (A pessoa que
argumentou na defesa da existência e providência de Deus) "pareceu a mim mais provável do que o que seu
oponente tinha avançado ao contrário".

4. E não é de se surpreender: Porque apenas o próprio Deus pode dar um relato claro, consistente,
perfeito (ou seja, tão perfeito quanto nosso entendimento fraco pode receber, neste nosso estado infantil de
existência; ou, pelo menos, como é consistente com os desígnios do seu governante), de sua maneira de
governar o mundo. E isto Ele tem feito em sua palavra escrita: Todos os oráculos de Deus, todas as
Escrituras, ambas do Velho Testamento e Novo, descrevem tantas cenas da providência divina. É uma
bonita observação de um fino escritor: "Aqueles que objetam o Velho Testamento, em específico, como não
estando ligado à história das nações, mas apenas às agregações de eventos quebrados, desconectados, não
observam a natureza e objetivo desses escritos. Eles não vêem que as Escrituras são a história de Deus".
Aqueles que pensam assim facilmente perceberão que os escritores inspirados nunca perderam isto de vista,
a não ser preservar uma cadeia inteira, e ligada do começo ao fim. Tudo sobre aquele livro maravilhoso,
como "a vida e imortalidade" (vida imortal) é gradualmente "trazida ao conhecimento", assim é Emanuel,
Deus conosco, e seu reino sobre todos.

5. Nós versos precedentes, o texto, nosso Senhor tem armado seus discípulos contra o temor do
homem: "Não tema", diz Ele, (verso 4) "aqueles que podem matar o corpo, e depois disto, nada mais que
podem fazer". Ele os protege contra este medo, primeiro, lembrando-os do que era infinitamente mais
174

terrível do que alguma coisa que o homem poderia infligir: "Tema a Ele, que depois que mata, tem o poder
de lançar no inferno". Ele os protege mais além, contra isto, pela consideração de uma providência
governante: "Cinco pardais não são vendidos por duas farthings [moeda inglesa de ¼ de pêni], e nenhum
deles é esquecido diante de Deus?". Ou, como as palavras são repetidas por Mateus, com a mesma variação
insignificante (10:29-30) " Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra
sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados".

6. Nós devemos, de fato, observar que esta forte expressão, embora repetida, por ambos os
Evangelistas, não precisa implicar (embora, se alguém pensar que sim, ele pode pensar muito
inocentemente), que Deus literalmente numera os cabelos que estão nas cabeças de todas as suas criaturas.
Mas trata-se de uma expressão proverbial, implicando que nada é tão pequeno ou insignificante, às vistas
dos homens, de maneira a não ser um objeto do cuidado e providência de Deus, diante de quem nada é
pequeno quando diz respeito à felicidade de alguma de suas criaturas.

7. Escassamente existe alguma doutrina em todo o compasso da revelação, que seja de importância
tão mais profunda do que isto. E, ao mesmo tempo, existe escassamente alguma que seja tão pouco cuidada,
e talvez, tão pouca compreendida. Vamos nos esforçar, então, com a assistência de Deus, para examiná-la
em sua profundidade; para ver junto a qual fundamento ela se situa, e o que propriamente implica.

8. O eterno, poderoso, todo-sábio, todo-gracioso Deus é o Criador do céu e terra. Ele chamou do
nada, através de sua palavra toda-poderosa, todo o universo, tudo que existe. "Assim, os céus e terra foram
criados, e toda a multidão de homens". E, depois, Ele estabeleceu todas as coisas mais, em uma ordem; as
plantas, segundo os tipos; peixes e pássaros; bestas e répteis, segundo suas espécies. "Ele criou o homem,
segundo sua própria imagem". E o Senhor viu que toda parte distinta do universo era boa. Mas, quando viu
tudo que tinha feito, tudo que estava em ligação uns com os outros, "observou que isto era muito bom".

9. E como este todo sábio, todo gracioso Ser criou todas as coisas, então, Ele mantém todas coisas.
Ele é o Preservador, assim como, o Criador de tudo que existe. "Ele sustenta todas as coisas, através da
palavra de seu poder", ou seja, através da sua palavra poderosa. Agora Ele deve conhecer todas as coisas
que Ele fez, e todas as coisas Ele preserva, de tempos em tempos; do contrário, Ele não poderia preservá-las;
Ele não poderia continuar a dar o que Ele tem dado. E não é nada estranho que Ele que é Onipresente, que
"preenche céus e terra"; que está intimamente presente. Se o olho do homem discerne coisas a uma pequena
distância; o olho de uma água, que está a uma maior; o olho de um ângulo, que está mil vezes a uma
distância maior (talvez, tomando a superfície da terra em um só olhar); como o olho de Deus não deverá ver
tudo, através de toda a extensão da criação? Especialmente considerando que nada está distante Dele, em
quem nós todos "vivemos, e nos movemos e temos nossa existência".

10. É verdade, que nossos entendimentos estreitos compreendem, a não ser imperfeitamente isto.
Mas quer compreendamos ou não, estamos certo de que assim é. Tão certo quanto foi Ele que criou todas as
coisas, e que Ele ainda mantém tudo que é criado; tão certo quanto Ele está presente, em todos os tempos;
em todos os lugares; acima, abaixo; que Ele "nós observa por trás e pela frente", e, por assim dizer, "coloca
suas mãos sobre nós". Nós admitimos que "tal conhecimento é muito alto", e maravilhoso para nós; nós
"não podemos alcançá-lo". A maneira de sua presença, nenhum homem pode explicar, nem, provavelmente,
algum anjo no céu. Talvez, o que o filósofo antigo fala da alma, com respeito à sua residência no corpo, que
ela é tota in toto, et, tota in qualibet parte, poderia, em algum sentido, falar-se do Espírito onipresente, com
respeito a todo o universo: Que Ele não é apenas "Tudo no todo", mas "Tudo em cada parte". Seja isto
como for, não se pode duvidar que Ele vê todo átomo de Sua criação, e isto milhares de vezes mais
claramente do que vemos as coisas que são próximas a nós: Mesmo aquelas em que vemos apenas a
superfície, enquanto Ele vê a essência interior de cada coisa.

11. O Deus Onipresente vê e sabe todas as propriedades dos seres que Ele fez. Ele conhece todas as
conexões, dependências, e relações, e todos os caminhos em que um deles pode afetar o outro. Em
específico, Ele vê todas as partes da criação inanimada, quer no céu, ou na terra. Ele sabe como as estrelas,
cometas, ou planetas influenciam os habitantes da terra; que influência os céus mais baixos, com seus
175

periódicos de fogo, granizo, neve, vapores, ventos, e tempestades, têm sobre nosso planeta; e que efeitos
pode ser produzido nas entranhas da terra, pelo fogo, ar, ou água; quais exalações podem surgir daquilo, e
que mudanças forjadas, por meio delas; quais efeitos todo mineral ou vegetável podem ter junto aos filhos
dos homens: Todos esses se colocam nus e abertos aos olhos do Criador e Preservador do universo.

12. Ele conhece todos os animais do mundo inferior, quer sejam bestas, pássaros, peixes, répteis ou
insetos: Ele conhece todas as qualidade e poderes que Ele deu a eles, do mais alto ao mais baixo: Ele
conhece todo anjo bom e anjo mal, em toda parte de seus domínios e olha do céu para os filhos dos homens,
sobre toda a face da terra. Ele conhece todos os corações dos filhos dos homens e entende todos os seus
pensamentos: Ele vê o que algum anjo, algum demônio, algum homem pensa, fala, ou faz; sim, e tudo que
eles sentem. Ele vê todos os sofrimentos deles, com todas as circunstâncias deles.

13. E o Criador, o Preservador do mundo está despreocupado com o que Ele vê nele? Ele olha para
essas coisas com um olho nocivo ou descuidado? Ele é um deus epicurista? Ele se senta confortável no céu,
sem se preocupar com os pobres habitantes da terra? Não pode ser. Ele nos fez, não nós a nós mesmos; e ele
não pode menosprezar a obra de suas próprias mãos. Nós somos seus filhos: E pode uma mãe esquecer os
filhos de seu ventre? Sim, ela pode esquecer; ainda assim, Deus não irá nos esquecer! Do contrário, ele tem
expressamente declarado que, como seus "olhos estão sobre toda a terra", então, Ele "é amoroso com todo
homem, e Sua misericórdia está sobre todas as suas obras". Conseqüentemente, ele está preocupado, a todo
o momento, pelo que sobrevém a toda criatura sobre a terra; e, mais especialmente, por todas as coisas que
sobrevém a alguns dos filhos dos homens. É difícil, de fato, compreender isto, é difícil acreditar nisto,
considerando a maldade e a miséria, intricadas, que vemos de todos os lados. Mas nós devemos acreditar
nisto, a menos que façamos de Deus um mentiroso; embora seja certo que nenhum homem pode
compreender isto. Cabe a nós, então, nos humilharmos diante de Deus, e reconhecer nossa ignorância. Na
verdade, como podemos esperar que um homem possa ser capaz de compreender um verme? Quanto menos
se pode supor que um homem possa compreender a Deus!

Por que, como pode o finito medir o infinito?

14. Ele é infinito em sabedoria, assim como em poder: E toda Sua sabedoria está continuamente
empregada em manejar todos os assuntos de Sua criação para o bem de todas as Suas criaturas. Porque Sua
sabedoria e bondade seguem de mão em mão: Elas estão inseparavelmente unidas, e continuamente agem
em concerto com o poder Altíssimo, para o bem verdadeiro de todas as Suas criaturas. Seu poder, sendo
igual a Sua sabedoria e bondade continuamente coopera com elas. E para Ele todas as coisas são possíveis:
Ele faz o que quer que lhe agrade, no céu e terra, e no mar, e todos os lugares profundos: E nós não podemos
duvidar de Seu exercer todo Seu poder, como no sustentar, assim no governar, tudo que Ele fez.

15. Apenas ele que pode fazer todas as coisas, antes, não pode negar a si mesmo: Ele não pode
contrariar a si mesmo, ou opor-se à sua própria obra. Não fosse por isto, ele destruiria todo o pecado, com
sua dor concomitante, imediatamente. Ele aboliria a maldade de toda sua criação, e completamente
subverteria toda sua própria obra, e desfaria tudo que ele tem feito, desde que Ele criou o homem sobre a
terra. Porque Ele criou o homem, em sua própria imagem: Um espírito como Ele mesmo; um espírito dotado
com entendimento, com vontade ou afeições, e liberdade; sem o que, nem seu entendimento, nem suas
afeições, teriam sido de algum uso, nem ele teria sido capaz quer dos maus hábitos ou da virtude. Ele não
poderia ser um agente moral, não mais do que uma árvore ou uma pedra. Se, portanto, Deus fosse assim para
mostrar seu poder, certamente não mais haveria maus hábitos, mas, é igualmente certo que nem haveria
alguma virtude no mundo. Fosse a liberdade do homem tirada, os homens seriam tão incapazes da virtude,
quanto as pedras. Portanto (com reverência seja isto falado), o próprio Altíssimo não pode fazer isto. Ele não
pode contradizer-se, ou desfazer o que fez. Ele não pode destruir, da alma do homem, aquela imagem de si
mesmo, na qual Ele o fez: E, sem fazer isto, ele não pode abolir o pecado e dor do mundo. Mas fosse isto
para ser feito, implicaria em nenhuma sabedoria, afinal; mas meramente uma façanha da Onipotência.
Considerando que toda as múltiplas sabedorias de Deus (assim como todo seu poder e bondade) está
colocado no governar o homem como homem; não como um bloco ou pedra, mas como um espírito
inteligente e livre, capaz de escolher o bem ou o mal. Nisto, aparece a profundidade da sabedoria de Deus,
176

em sua providência adorável; no governar os homens, de maneira não a destruir, quer o entendimento deles,
vontade, ou liberdade. Ele comanda todas as coisas, ambos no céu e terra; para assistir o homem no ater a
finalidade de sua existência, no operar sua própria salvação, até onde ela pode ser feita, sem compulsão, sem
governar sua liberdade. Um inquiridor atento pode facilmente discernir, toda a estrutura da providência
divina é tão constituída quanto a fornecer ao homem toda possibilidade de ajuda, com o objetivo de seu
fazer o bem e evitar o mal, que pode ser feito, sem transformar o homem em uma máquina; sem torná-lo
incapaz da virtude ou maus hábitos, recompensa ou punição.

16. Neste meio tempo, tem sido notado, por um escritor devoto, que aqui está, como ele expressa
isto, um círculo triplo da providência divina, além daquele que preside sobre todo o universo. Nós agora não
falamos daquela mão governante que dirige a criação inanimada; que mantém o sol, lua, e estrelas em suas
situações, e guia seus movimentos; nós não nos referimos ao seu cuidado, com a criação animal; toda parte
da qual nós sabemos está sob o governo Dele, "quem dá alimento para o gado, e os jovens corvos que
chamam por ele"; mas nós aqui falamos daquela providência superintende que cuida dos filhos dos homens.
Cada um desses é igualmente distinguido do outro, por aqueles que corretamente observam os caminhos de
Deus. O círculo externo inclui toda a raça humana; todos os descendentes de Adão; todas as criaturas
humanas que estão dispersas sobre a face da terra. Isto inclui não apenas o mundo cristão, aqueles que são
chamados pelo nome de Cristo, mas os maometanos também, que consideravelmente excedem, até mesmo,
os cristãos nominais; sim, e os pagãos igualmente, que muito além excedem os maometanos e cristãos,
colocados juntos. "Ele é o Deus dos judeus", diz o Apóstolo, "e não dos gentios também?". E, assim, nós
podemos dizer: Ele é o Deus dos cristãos, e não dos maometanos e ateus? Sim, indubitavelmente, dos
maometanos e pagãos também. Seu amor não está confinado: "O Senhor é amor junto a todo homem e sua
misericórdia está sobre todas as suas obras". Ele cuida dos homens proscritos: Verdadeiramente pode ser
dito:

Livres, como o ar tuas generosidades fluem, sobre todas as tuas obras: Os feixes de luz de tuas
misericórdias, difusos, como o nascer do sol.

17. Ainda assim, pode-se admitir que Ele toma um cuidado mais imediato com aqueles que estão
compreendidos no segundo; no círculo menor; que inclui todos que são chamados cristãos; todos que
professam acreditar em Cristo. Nós podemos razoavelmente pensar que esses, em algum grau, honram a ele,
pelo menos, mais do que os pagãos o fazem: Deus igualmente, em alguma medida, honra a eles, e tem uma
preocupação mais próxima por eles. Através de muitas instâncias, parece que o príncipe deste mundo não
tem completo poder sobre esses, assim como sobre os pagãos. O Deus a quem eles professam sempre servir,
em alguma medida, mantém sua própria causa; de modo que os espíritos da escuridão não reinam tão
incontroláveis sobre eles, assim como eles fazem sobre o mundo pagão.

18. Dentro do terceiro, no circulo mais interior, estão contidos apenas os cristãos reais; aqueles que
adoram a Deus, não na forma apenas, mas em espírito e em verdade. Aqui estão incluídos todos que amam a
Deus, ou, pelo menos, verdadeiramente temem a Deus e operam retidão; todos em quem está a mente que
estava em Cristo, e caminham como Cristo também caminhou. As palavras de nosso Senhor acima citadas
peculiarmente se referem a esses. É a esses, em especial que ele diz? "Até mesmo os cabelos de sua cabeça
são todos numerados". Ele vê suas almas e seus corpos; ele toma peculiar cuidado de todos os
temperamentos, desejos e pensamentos; todas as suas palavras e ações. Ele assinala todos os seus
sofrimentos, interiores e exteriores, e a busca de onde eles surgem; de modo que podemos bem dizer:

Tu conheces as dores que teu servo sente,


Tu ouves o choro de teus filhos,
E seus melhores desejos para cumprir,
Tua graça está sempre por perto.

Nada relativo a esses é tão grande; nada tão pequeno, para a atenção Dele. Ele tem seus olhos
continuamente, como que junto a toda pessoa, em particular, que é membro desta sua família; como junto a
177

toda a circunstância que se refere, tanto às suas almas ou corpos; tanto ao estado interior quanto exterior;
onde tanto a felicidade presente quanto eterna é, em algum grau, participante.

19. Mas o que dizem os homens sábios do mundo a isto? Eles respondem, com toda prontidão:
"Quem duvida disto? Nós não somos ateístas. Nós todos reconhecemos a providência: Ou seja, a
providência geral; porque, de fato, a providência específica, da qual alguns falam. Nós não conhecemos do
que é feita: Certamente os pequenos assuntos dos homens estão longe do cuidado do grande Criador e
Governador ou do universo! Assim sendo: Ele vê com olhos iguais, como Senhor de todos, um herói que
perece e um pardal que cai".

Ele o faz, de fato? Eu não posso pensar isto; porque (o que quer que aquele fino poeta fez, ou seu
patrão, a quem ele tão profundamente menosprezou, e ainda assim, grosseiramente lisonjeou), eu acredito na
Bíblia, em que o Criador, ou Governador do mundo, me diz completamente o contrário. Que ele tem um
cuidado terno por estas criaturas, eu sei: Ele o faz em parte: "toma cuidado com o rebanho": Ele
"providencia alimento para o gado", assim como para "os vegetais para o uso dos homens". "Os leões
rosnando em busca de sua presa, buscam pelo seu alimento, de Deus". "Ele abre sua mão, e preenche todas
as coisas vivas com abundância".

Os vários bandos do mar e terra


Com respeito à necessidade comum, concordam;
Todos esperam tua mão que distribui
E têm seus donativos diários de ti.
Eles reúnem o que teus estoques dispersam.
Sem a preocupação deles de prover;
Tu abres tua mão; o universo,
O mundo, em súplica, é todo suprido.

Nosso Pai celeste alimenta as aves do ar: Mas assinale! "Você não é muito melhor do que eles?". Ele,
então, não "alimenta muito mais você", que é proeminente, através de tantas vantagens? Ele, neste sentido,
não olha para você e eles, "com olhos iguais"; não coloca você no mesmo nível que eles; menos do que
tudo, ele não coloca você no mesmo nível que brutos, com respeito á vida e morte: "Preciosa, às vistas do
Senhor, é a morte de seus santos". Você realmente pensa que a morte de um pardal é igualmente preciosa às
vistas Dele? Ele nos diz, de fato, que "nenhum pardal cai ao solo, sem nosso Pai"; mas ele pergunta, ao
mesmo tempo: "Você não tem mais valor do que muitos pardais?".

20. Mas, no suporte de uma providência geral, em contradição com uma específica, o mesmo
elegante poeta a escreve como uma máxima inquestionável:

A Causa Universal age, não por leis parciais, mas por leis gerais.

Plenamente significando que Ele nunca se desvia daquelas leis gerais em favor de alguma pessoa em
específico. Esta é a suposição comum; mas que é completamente inconsistente com todo o teor das
Escrituras: Porque se Deus nunca se desvia dessas leis gerais, então, nunca existiu um milagre no mundo;
vendo-se que todo milagre é um desvio das leis naturais. O Altíssimo confinou a si mesmo a essas leis
gerais, quando ele dividiu o Mar Vermelho? Quando Ele comandou as águas para se situarem na cabeceira,
e fez um caminho para seus remidos passarem? Ele agiu através de leis gerais, quando ele fez com que o sol
ficasse parado pelo espaço de todo um dia? Não; nem em alguns dos milagres que estão registrados no
Velho e Novo Testamento.

21. Mas é na suposição de que o Governador do mundo nunca se desvia daquelas leis gerais, que o
Sr. Pope acrescenta aquelas bonitas linhas em triunfo complete, como tendo agora claramente ganho o
ponto: -

Pode o Etna ardente, se o sábio requerer,


178

Esquecer o trovão, e anular seu fogo?


Sobre o ar ou mar, novos movimentos de serem cedidos
Ó Betel inocente! Para aliviar teu peito!
Quando a montanha solta treme do alto,
Deverá a gravitação cessar, se você se for?
Ou algum velho templo oscilando em sua queda,
Porque a cabeça de Chatre conserva a parede pendente?

Nós respondemos que, se agrada a Deus continuar a vida de algum de seus servos, ele suspenderá
esta ou alguma outra lei da natureza: A pedra não deverá cair; o fogo não deverá queimar; a inundação, não
deverá fluir; ou, ele dará incumbência a seus anjos, e nas mãos eles, eles deverão segurá-lo, através e acima
de todos os perigos!

22. Admitindo, então, que, no curso comum da natureza, Deus não age através de leis naturais, ele
nunca impede a si mesmo de fazer exceções a elas, quando quer que lhe agrade; tanto suspendendo aquela
lei, em favor daqueles que o amam, ou empregando seus anjos poderosos: Através de ambos os meios, Ele
pode livrar de todos os perigos aqueles que confiam Nele.

"O que! Você espera milagres, então?". Certamente, eu sim, se eu acredito na Bíblia: Porque a Bíblia
me ensina que Deus ouve e responde oração: Mas cada resposta à oração é, propriamente, um milagre.
Porque, se as causas naturais tomam seu curso; se as coisas seguem seu caminho natural, não é resposta,
afinal. A gravitação, portanto, deve cessar, ou seja, cessar de operar, quando quer que o Autor se agrade. Os
homens do mundo não podem entender essas coisas? Não é de surpreender: Foi observado há muito tempo:
"Um homem sem sabedoria não considera isto, e um tolo não entende".

23. Mas eu ainda não terminei com esta mesma providência geral. Pela graça de Deus, eu irei
analisá-la até o fundo: E eu espero mostrar que ela é tal absurda tão completo, que qualquer homem
consciente deve ficar extremamente envergonhado a respeito.

Você diz: "Você admite uma providência geral, mas nega uma específica". E qual é a geral, de
qualquer tipo que seja, que não inclui as especificas? Não é toda geral, necessariamente feita para suas
diversas particularidades? Pode você exemplificar alguma geral que não seja? Diga-me algum gênero, se
você puder que não contenha variedades? O que é isto que constitui um gênero, a não ser tantas variedades
juntas? O que, eu imploro, existe um todo que não contenha partes? Mero absurdo e contradição! O todo,
qualquer que seja, deve, na natureza das coisas, ser feito para suas diversas partes; de tal maneira que, se não
existem partes, não pode existir todo.

24. Como este é um ponto da mais extrema importância, nós podemos considerar isto um pouco mais
além. O que você quer dizer por uma providência geral, distinguida de uma parte? Você quer dizer uma
providência que superintende apenas as partes mais largas do universo? Supondo-se o sol, a lua, e estrelas.
Isto não diz respeito à terra também? Você admite que sim. Mas isto igualmente não diz respeito aos
habitantes dela? Ou, o que a terra, uma massa inanimada de matéria, significa? Não é um espírito, um
herdeiro da imortalidade, de um valor maior do quer toda a terra? Sim, embora você acrescente a ela o sol, a
luz e as estrelas? Mais do que isto, toda a criação inanimada? Nós não poderíamos dizer: "Esses devem
perecer; mas" este "permanecerá: Esses todos deverão apodrecer, como acontece com o vestuário"; mas
este (deve ser dito em um sentido menor, até mesmo das criaturas) continua "o mesmo, e seus anos não
devem desvanecer-se?".

25. Ou você quer dizer, quando você afirma uma providência geral; distinta de uma pequena parte,
que Deus se preocupa apenas com algumas partes do mundo, e não cuida dos outros? Quais partes Ele
cuida? Aqueles foram, ou aqueles dentro do sistema solar? Ou ele se preocupa com algumas partes da terra,
e não outras? Quais partes? Apenas aqueles dentro das zonas temperadas? Quais partes, então, estão sob o
cuidado da providência Dele? Onde você colocará a linha? Você excluir dela aqueles que vivem nas zonas
179

tórridas? Ou aqueles que habitam dentro dos círculos árticos: Não, antes diga: "O Senhor é amoroso com
todo homem", e Seu cuidado "está sobre todas as Suas obras".

26. Você quer dizer (porque nós gostaríamos de nos certificar do seu significado, se você tem algum
significado afinal) que a providência de Deus não se estende a todas as partes da terra, com respeito aos
grandes e singulares eventos, tais como o surgimento e queda de impérios; mas que a pequena preocupação
deste ou daquele homem é indigna da orientação do Altíssimo? Então, você não considera que o grande e
pequeno são termos meramente relativos, que têm lugar apenas com respeito aos homens. Com respeito ao
Altíssimo, o homem e todas as preocupações dos homens são nada, menos do que nada, diante Dele. E nada
é pequeno, às vistas deles, que, em algum grau, afete o bem-estar de alguém que teme a Deus e opera
retidão. O que se torna, então, da providência geral, exclusiva de uma partícula? Que seja, para sempre
rejeitado por todos os homens racionais, como absurdo, um absurdo autocontraditório. Nós podemos, então,
resumir toda a doutrina bíblica naquelas belas palavras de Agustinho: Ita praesidet singulis sicut universis,
et universis sicut singulis!

Pai, quão amplamente tua glória brilha,


Senhor do universo e meu!
Tua bondade observa o todo
Como se todo o mundo fosse uma só alma;
Como se eu permanecesse em teu cuidado, único!

27. Nós aprendemos deste panorama resumido da providência de Deus, Primeiro, a colocar toda a
nossa confiança Nele, que nunca falhou com aqueles que o buscam. Nosso abençoado Senhor, ele mesmo,
fez uso da grande verdade agora diante de nós. "Não tema, portanto": Se você verdadeiramente teme a Deus,
você não precisa temer ninguém além. Ele será uma torre forte para todo que confia Nele, diante da face de
seus inimigos. O que existe, tanto no céu, quanto na terra, que pode causar mal a você, enquanto você está
sob o cuidado do Criador e Governador do céu e terra! Que toda a terra e todo o inferno combinem contra
vocês; sim, e toda criação animada e inanimada; eles não podem lhe causar dano, enquanto Deus está do seu
lado: Sua delicadeza favorável cobre você como um escudo.
28. Proximamente aliada a esta confiança em Deus, está a gratidão que devemos por sua carinhosa
proteção. Que aqueles aos quais o Senhor assim livra das mãos de todos os seus inimigos dêem graças. Que
bênção inexplicável é estar, sob o cuidado especifico Dele que tem todo o poder no céu e terra! Como
podemos louvar suficientemente a Ele, enquanto estamos, sob as suas asas, e sua fidelidade e verdade são
nossos escudos e proteção!

29. Mas, neste meio tempo, nós devemos tomar o cuidado extremo de caminhar humildemente e
intimamente com Deus. Caminhar humildemente: Porque, se você, de alguma forma, rouba de Deus a honra
Dele, ao atribuir alguma coisa a si mesmo, as coisas que teriam sido para sua saúde provarão a você uma
"ocasião para queda". E caminhar intimamente: Veja que você tem uma consciência nula de ofensa, em
direção a Deus e ao homem. Por quanto tempo você fizer isto, você terá o cuidado específico de seu Pai que
está no céu. Mas que a consciência do cuidado dele por você, não o torne descuidado, indolente ou
preguiçoso: Do contrário, enquanto você é penetrado com aquela verdade profunda, "a ajuda que é feita
sobre a terra, Ele mesmo a faz"; seja tão sincero e diligente no uso de todos os meios, como se você fosse
seu próprio protetor.

Por fim: Em que condição melancólica, estão aqueles que não acreditam que existe alguma
providência; ou, que vêm exatamente para o mesmo ponto, e não um específico! Em qualquer situação que
eles estejam, por quanto tempo eles estiverem no mundo, eles estão sujeitos aos inúmeros perigos, que
nenhuma sabedoria humana pode prever, e nenhum poder humano pode resistir. E não existe ajuda! Se eles
confiam em homens, eles os encontram "enganosos, em suas medidas". Em muitos casos, eles não podem
ajudar; em outros, eles não irão. Mas mesmo tão dispostos, eles morrerão: Portanto, a ajuda do homem é vã,
e a de Deus está muito acima; fora das vistas deles: Eles não esperam ajuda Dele. Esses modernos
epicuristas (como os antigos) aprenderam que...
180

A Causa Universal atua, não por leis parciais, mas gerais.

Ele apenas cuida do próprio grande globo; não de seus insignificantes habitantes. Ele não presta
atenção como essas...

Formigas errantes rastejam, ao acaso, na bolha suspensa no ar.

Quão desconfortável é a situação daquele homem que não tem esperança mais além do que esta!
Mas, por outro lado, quão inexplicavelmente "feliz é o homem que tem o Senhor para sua ajuda, e cuja
esperança está no Senhor seu Deus!'; que pode dizer: "Eu tenho colocado o senhor sempre diante de mim;
porque ele está do meu lado direito, eu não devo me mover!". Portanto, "embora eu caminhe através de do
vale da sombra da morte, eu não temerei mal algum: Porque tu estás comigo; tua vara e teu bastão me
confortam".

[Editado por Chris Thompson, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de
George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

A Sabedoria dos Conselhos de Deus

'Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus

juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!'

(Romanos 11:33)

1. Alguns apreendem a sabedoria e o conhecimento de Deus significando uma, e a mesma coisa.


Outros acreditam que a sabedoria de Deus refere-se mais diretamente no Ele indicar as finalidades de todas
as coisas; e seu conhecimento significa o que Ele tem preparado e feito, conducente a essas finalidades. O
primeiro parece ser a explicação mais natural; já que a sabedoria de Deus, em seu significado mais
extensivo, deve incluir um, tanto quanto o outro: os meios assim como os fins.

2. Agora, a sabedoria - assim como o poder de Deus - é abundantemente manifestada em sua criação;
na formação e organização de todas as suas obras, nos céus e na terra; e em adaptá-las todas às diversas
finalidades para as quais elas foram designadas: de tal maneira que, cada uma delas, aparte das restantes, é
boa; mas, juntas, são muito melhores; todas conspirando, em um sistema conectado, para a glória de Deus,
na felicidade de suas criaturas inteligentes.

3. Como essa sabedoria aparece até mesmo para os homens míopes (e muito mais para os espíritos de
uma categoria mais alta) na criação e disposição de todo o universo, e cada parte dele; então, ela igualmente
aparece na preparação deles, no seu 'suporte de todas as coisas, através da palavra de seu poder'. E não
menos eminentemente aparece, no permanente governo de tudo que Ele criou. Quão admiravelmente sua
sabedoria dirige os movimentos dos corpos celestes! Todas as estrelas do firmamento, se as que estão fixas,
ou aquelas que perambulam, embora que nunca fora de suas diversas órbitas! O sol, no meio do céu! Os
corpos maravilhosos dos cometas que disparam, em todas as direções, através dos incomensuráveis campos
de éter! Como Ele superintendente todas as partes desse mundo mais baixo, essa 'partícula da criação', a
terra! De maneira que todas as coisas são, ainda, como elas eram no início, 'belas em suas épocas'; e o verão
e inverno; os tempos de plantio e colheita, regularmente seguem um ao outro. Sim, todas as coisas servem
ao seu Criador. 'Raio e granizo; neve e vapor, vento e tempestade, estão cumprindo sua palavra'; de tal
forma, que podemos bem dizer, 'Ó, Senhor, nosso Governador, quão excelente é teu nome em toda a terra!'.
181

4. Igualmente conspícua é a sabedoria de Deus, no governo das nações, dos estados e reinos; sim,
preferivelmente, mais conspícua, se ao infinito pode ser admitido algum grau. Porque toda criação
inanimada, estando totalmente passiva e inerte, não pode fazer oposição à sua vontade. Portanto, no mundo
natural, todas as coisas deslizam, em um mesmo e ininterrupto curso. Mas, por outro lado, vai além no
mundo moral. Aqui, os homens maus e espíritos diabólicos continuamente se opõem à vontade divina, e
criam inúm