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1. O que é Evangelizar?

1.1. Etimologia
1 – Etimologia. A palavra “Evangelho” vem de duas palavras gregas: eu, que quer dizer “bom”, e de angelia,
que significa “mensagem, notícia, novas”. Assim, a palavra euuangelion que quer dizer “boas novas, notícias
alvissareiras”. Essa palavra aparece tanto no Antigo Testamento como na literatura extra bíblica.

No hebraico é bessorah (2 Sm 18.20, 25, 27; 2 Rs 7.9), que a Septuaginta traduziu por euuangelion.
Originalmente significava “pagamento pela transmissão de uma boa notícia”. Com o tempo passou a ganhar novo
significado no mundo romano de fala grega, em virtude do culto ao imperador, pois a palavra euuangelion era usada
para anunciar o nascimento deste ou a sua coroação.

Euangelizomai (Aristófanes) evangelizo uma forma que só se encontra no gr. posterior juntamente com o
substantivo adjetival euangelion (Homero) e o subst. Euangelos (Ésquilo), todos derivados de angelos, “mensageiro”
(é provável que originalmente fosse uma palavra iraniana tomada por empréstimo), ou do verbo Angelló,
“anunciar”; (Anjo). Euangelos, “mensageiro”, é aquele que traz uma mensagem de vitória ou quaisquer outras
notícias políticas ou pessoais que causam alegria.

2 – Novo Testamento. Esse vocábulo, que é encontrado 76 vezes em todo o Novo Testamento, só aparece
no singular; o verbo euuangelizo, “evangelizar”, 54; e euuangelistes, “evangelista”, três. O Senhor Jesus Cristo é o
conteúdo do Evangelho: sua vinda, seu ministério terreno, seu sofrimento, morte e ressurreição (Rm 1.1-7). É a
mensagem de Cristo que salva o pecador (Jo 3.16; Rm 1.16). É o meio empregado por Deus para a salvação de todo
aquele que crer (1 Co 15.2). Só através do Evangelho é que o homem conhece a salvação na pessoa de Jesus. O
Evangelho de Cristo é a única resposta para este mundo que perece em conseqüência do pecado.

3 – Os três estágios da palavra Evangelho.

A) No mundo grego, tinha o sentido de recompensa por trazer boas novas.

B) No Antigo Testamento (Septuaginta), o vocábulo indica as próprias boas-novas. Aparece em termos


proféticos com o mesmo sentido que encontramos no Novo Testamento: “Quão suaves são sobre os montes os pés
do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu
Deus reina!” (Is 52.7). Veja o seu cumprimento em Romanos 10.15.

C) No Novo Testamento são as boas novas que falam do Reino de Deus, da salvação e do perdão dos pecados
na pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É o Evangelho da graça de Deus (At 20.24).

1.2. O Evangelista
Os evangelistas eram os “missionários” pátrios ou estrangeiros. Algumas traduções, como a de Goodspeed,
dizem mesmo “missionários”. Os apóstolos eram evangelistas, e muitos profetas também o eram; porém, além
desses, havia outros, especialmente talentosos, dotados do dom da fé, da exortação e de outras manifestações
espirituais apropriadas para seu ofício, os quais eram presenteados à Igreja para multiplicá-la em número. O grupo
dos evangelistas era aquele que efetuava a missão evangelizadora da Igreja entre os judeus ou os gentios, em
posição subordinada aos apóstolos. Geralmente os evangelistas não estavam limitados a qualquer comunidade cristã
local, mas foram de lugar em lugar, estabelecendo novas congregações locais, conduzindo os homens à fé e à
conversão a Cristo.

O evangelista é alguém especial e completamente capacitado para comunicar o Evangelho e levar descrentes a
Cristo. Ele sempre conduz um número maior de pessoas a Cristo, e isto, com muito mais facilidade, porque comunica
melhor a palavra da fé. Ele não prega mensagens complicadas, mas simples, com convicção e objetividade, as quais
explodem nos corações dos perdidos que o ouvem. Ele não precisa ser um bom orador, nem um teólogo, nem trazer
mensagens recheadas de coisas novas, isto porque ele é ungido por Deus para realizar tal tarefa. Os evangelistas são
“especialmente talentosos, dotados do dom da fé, de exortação e de outras manifestações espirituais apropriadas
para o seu ofício, os quais [os evangelistas] eram apresentados à Igreja para multiplicá-la em número”.

1.3. O Pecador
A situação do pecador perdido muito grande é o clamor dos perdidos: “...Passa à Macedônia e ajuda-nos!” (At
16:9).

O mundo jaz no maligno (1 Jo 5:19). Com a entrada do pecado, Satanás tornou-se deus deste século (2 Co 4.4) e
o príncipe deste mundo (Jo 14:30; 16:11). O pecador está preso nos laços do diabo (2 Tm 2:26), e é denominado
como príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência (Ef 2:2). Dominado
totalmente por Satanás, o pecador está entregue a toda sorte de práticas desagradáveis aos olhos de Deus: faz a
vontade da carne e dos pensamentos (Ef 2:3); é dominado pelas concupiscências do seu coração (Rm 1:24) e pelas
paixões infames (Rm 1:26). Os pecadores estão entregues a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não
convém, estando cheios de toda iniquidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio,
contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos,
presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem afeição
natural, irreconciliáveis, sem misericórdia (Rm 1:28-31).

É devido a essa situação caótica em que se encontram os pecadores, que o Senhor, que não pode suportar o
mal (Hc 1:13), já tem determinado o castigo dos que se recusarem a receber a graça de Deus (2 Pe 2:4-9). Porém, os
que crêem são libertos dessa geração perversa (At 2:4) e passam a ser propriedade de Deus, pois foram comprados
do mundo com o sangue de Jesus (Ap 5:9), e “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e
concupiscências” (Gl 5:24), e, assim podem viver “...neste presente século uma vida sóbria e justa e piamente;
aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo”
(Tt 2:12-13), o qual nos levará deste mundo para a sua gloriosa mansão, nos céus (Jo 14:1-3).

1.3.1. O estado do pecador


1- O pecado tem despojado o pecador dos seus bens espirituais (Rm 3:23), deixando-o caído na estrada da
vida, “meio morto” (Lc 10:30-35). Pela vida do pecador já tem passado o levita (v.32), uma figura das filosofias
humanas; também pela vida já tem passado o sacerdote (v.31), uma figura das milhões de religiões existentes.
Porém, o homem continua caído, despojado e meio morto. A única pessoa que pôde socorrer o moribundo da
estrada foi o bom samaritano que é, primeiramente, uma figura do Senhor; mas que, também, é uma figura do
crente salvo que, para efetuar esse trabalho, tem em suas mãos os recursos do azeite (graça), vinho (palavra) e
dinheiro (dons).

2- “... Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo...” (Sl 40:2). O pecador está atolado no lodo (pecado)
preso pelos laços do diabo (2 Tm 2:26) e impossibilitado de sair pelos seus próprios esforços (Jo 8:34). Somente o
crente, que já está com os pés firmados na rocha (Sl 40:2), poderá ajudá-lo a sair daquele horrível lugar para a rocha
da nossa salvação: Cristo (Ef 2:20, 21). Ao aceitar Jesus como Salvador, o pecador é tirado da potestade das trevas
para o reino do filho de seu amor (Cl 1:13); das trevas para a luz (1 Pe 2:9).

3- O pecador está rodeado pelo fogo da condenação (Jo 3:8) e não tem condições, por si, de sair. Mas, como o
crente já saiu da mesma condição (Jo 5:24; Rm 8:1), o Senhor confiou-lhe a urgente tarefa de salvar alguns,
arrebatando-os do fogo (Jd 23).

4- Os perdidos estão destinados à morte e estão sendo levados para a matança (Pv 24:11). Deus quer que todo
crente não ignore essa terrível situação dos pecadores (Pv 24:12); por isso os incumbiu da realização do importante
trabalho de retirá-los dessa circunstância (Pv 24:11).

5- Todos os homens foram mordidos por uma serpente venenosa chamada pecado (Rm 3:23; 1 Jo 1:8); e,
como conseqüência, são candidatos à morte eterna (Rm 6:23; Ap 21:8). Somente o crente tem o verdadeiro remédio
para o pecado: Cristo. Ao crer em Jesus o veneno do pecado é extirpado da vida do ser humano (Jo 1.7:9).

6- “... Não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque...” (Jo 5:7). O pecador está
com a enfermidade do pecado (Is 1:6); por si mesmo não pode chegar no tanque (salvação). Somente o crente
poderá fazer este trabalho (Lc 14:22, 23).

7- “Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai. Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê
testemunho, a fim de que não venham parar neste lugar de tormento” (Lc 16:27, 28). Como é comovente a situação
deste rico que havia partido para a eternidade sem salvação! Estava agora atormentado nas chamas (v.24). Diante
do pedido acima, foi-lhe dito da impossibilidade de alguém sair de lá de onde ele estava, isto é, do Hades, para a
Terra, a fim de testificar para seus irmãos. Também lhe foi dito que este trabalho é feito pelos que estão na terra. A
responsabilidade de pregar a palavra foi confiada aos crentes (2 Tm 4:2). Se o pecador crer em Jesus, será salvo e
livre da condenação (Jo 5:24) e, ao partir desta vida, irá gozar das delícias do paraíso celestial (Lc 23:43; 2 Co 12:4; Fp
1:21-23; 3:20, 21).

8- “Olhei para a minha direita, e vi, mas não havia quem me conhecesse: refúgio me faltou; ninguém cuidou da
minha alma” (Sl 142:4). O pecador está à espera de alguém que possa cuidar da sua alma. Essa missão foi confiada
aos crentes.

2. O que é Evangelismo
2.1. É a obra do Espírito
O Espírito Santo é capaz de fazer a Palavra alcançar tanto êxito hoje como nos dias dos apóstolos. Ele pode
salvar as almas às centenas ou aos milhares, como também de uma em uma, ou de duas em duas. A razão por que
não somos mais prósperos é que não contamos com o Espírito Santo entre nós, em poder e energia, como nos
tempos primitivos.

“Se contássemos com o Espírito para selar o nosso ministério com poder, isso significaria que poucos valores
dariam ao talento humano. Os homens podem ser pobres e sem estudo, suas palavras hesitantes e gramaticalmente
erradas; porém, se o poder do Espírito as estiver bafejando, o evangelista mais humilde será mais bem sucedido do
que o mais erudito dos doutores, ou o mais eloquente dos pregadores”.

“É o extraordinário poder de Deus, e não os talentos humanos, que obtêm a vitória. É da unção espiritual
extraordinária e não de poderes mentais extraordinários, que precisamos. O poder intelectual pode encher um
templo de angústia de alma. O poder intelectual pode atrair numerosa congregação, mas somente o poder espiritual
pode salvar almas. Precisamos do poder espiritual” (Charles H. Spurgeon).

“Se o Espírito estiver ausente, poderá haver sabedoria de palavra, mas não a sabedoria de Deus; poderá haver
os poderes da oratória, mas não o poder de Deus; a demonstração do Espírito Santo, a lógica convincente de Seu
resplendor, como a que convenceu a Saulo, próximo à porta de Damasco. Quando o Espírito se derramou, todos os
discípulos ficaram cheios do poder do alto, e a língua menos culta pôde silenciar os contradizentes e, com suas
chamas novas, foi queimando e abrindo caminho através de obstáculos de toda sorte, sopradas por poderosos
ventos que varreram florestas” (Arthur T. Pierson).

“Os ministros do Evangelho, de fato, precisam do poder do Espírito Santo, porque sem ele serão inaptos para o
ministério. Nenhum homem é competente para o trabalho do ministério do Evangelho mediante apenas suas
aptidões e habilidades pessoais, sua erudição e experiência adquiridas dos homens. Sua eficiência vem do poder do
Espírito Santo. Enquanto ele não houver sido dotado desse poder, a despeito de todas as suas virtudes e
capacidades, terá que esperar até que do alto seja revestido de poder. Competia aos discípulos esperar em
Jerusalém, até que recebessem a promessa do Espírito”.

“Mas recebereis a virtude do Espírito Santo que há de vir sobre vós, e ser-me-eis testemunhas, tanto em
Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, até os confins da terra” (At 1:8). Antes de os discípulos receberem o
batismo no Espírito Santo, ficaram trancados num lugar onde se reuniam com medo dos judeus (Jo 20:19). Também
estavam despreocupados com a incumbência que lhes fora dada de pregar a Palavra (Jo 21:3). Mas quando
receberam o poder do Espírito Santo (At 2:1-4), o quadro modificou-se totalmente:

Eles que estavam assentados (At 2.:), ficaram de pé (At 2:14);

As portas, que até então estavam fechadas (Jo 20:13), abriram-se e eles saíram às ruas, às praças, às
sinagogas, a pregar a Palavra; Pedro, que chegara a negar vergonhosamente o Mestre (Lc 22:54-62), agora podia
pregar com coragem e autoridade (At 2:14).

Realmente, o batismo no Espírito Santo capacita o crente para o glorioso trabalho de ganhar almas, pois o
possibilita a pregar com autoridade (At 4:13, 20, 29, 31, 33) e também com graça (At 4:33). Quando o ganhador de
almas estiver equipado com esta ferramenta celestial (2 Co 10:4-5), haverá muitas conversões, como fruto do seu
trabalho (At 11:22-24). O mandamento bíblico neste sentido é: “... Enchei-vos do Espírito Santo” (Ef 5.18).

A relação do evangelista com o Espírito Santo deve ser algo diferente, até mesmo indescritível, de tudo o que
já se ouviu sobre o assunto. Ele deve ser completamente submergido no Espírito, submisso à Sua direção para ter
uma comunhão fora de comum, que fará com que sua mensagem, sua vida, seus gestos e tudo mais em seu ser se
transformem em poderosas armas de testemunho do poder e graça de Deus.

O evangelista deve ter tal intimidade com o Espírito que, palavras como “revelação”, “visão” e “poder”, serão
comuns em sua experiência e não somente vocabulário. Ele, sem esta relação, não passará de um “alto-falante”
espiritual. Embora ele fale muito bem, explique claramente, ensine coisas muito bonitas, sem a Unção do Espírito,
não será mais que um bom orador ou mestre. Todavia, Deus não chamou para tal. Por isso, proveu o meio para que
o evangelista estivesse sempre ligado à fonte divina de poder transformador: O Espírito Santo. Sem essa relação não
há autoridade, poder, manifestações transformadoras ou salvação. (2 Co 13:13).

2.2. Evangelismo é sofrer a dor de parto


“Sião, mal sentiu as dores de parto, e já deu à luz aos seus filhos” (Is 66.8). Essa é a obra suprema da Igreja.
Uma mulher pode dar a luz sem dores de parto? Pode haver nascimento sem parto? Porém, esperamos que no reino
de Deus, algo que não é possível na esfera natural seja possível na espiritual. Precisamos estar certos que
sofreremos dores de parto para gerarmos filhos espirituais. Finney diz-nos que não tinha palavras a proferir, mas
podia tão somente gemer e chorar, quando pleiteava perante Deus em favor de uma alma perdida. Ele
experimentava o autêntico aperto da alma.

Poderíamos sentir dor no coração por uma criança que se afoga, não, porém, por uma alma que perece? Não é
difícil que alguém chore quando percebe que seu pequenino está mergulhando para o fundo do rio pela última vez.
É quando a angústia é espontânea. Não é difícil, semelhantemente, que alguém sinta angústia, quando vê o ataúde
que contém tudo quanto ele amava sobre a terra afastar-se na direção do cemitério. As lágrimas brotam
naturalmente em tal oportunidade! Porém, entender que almas preciosas, imortais, perecem ao nosso derredor,
precipitando-se irremediavelmente nas trevas do desespero, perdidas na eternidade, e não sentir angústia
nenhuma, não derramar lágrimas é não conhecer o parto de alma! São frios os nossos corações? Não conhecemos a
compaixão de Jesus? Deus no-la pode conceder. A falta será nossa se não a recebermos.

“Porque ainda que tenhais dez mil aios em Cristo, não tendes, contudo, muitos pais; pois eu, pelo Evangelho,
vos gerei em Cristo Jesus.” (1 Co 4.15)
Paulo fala da diferença entre os aios em Cristo e os pais em Cristo:

O termo aqui traduzido por “preceptores”, ou “instrutores”, é o mesmo traduzido por aio, conforme algumas
traduções dizem em Gal. 3.24, e onde há uma alusão à lei, como o agente que ajuda alguns homens a serem levados
aos pés de Cristo. Aqui estão em vista os “atendentes” de meninos pequenos, que os acompanhavam na ida e na
volta da escola. Usualmente esses paidagogoi eram escravos relativamente sem importância. Podiam ser numerosos
e podiam ser trocados com frequência. Mas havia um único pai, e ninguém poderia tomar seu lugar ou suplantá-lo
em importância com relação à criança.

“Os dois pronomes, no grego ‘ego’ e ‘umas’, estão em proximidade enfática. ‘Quem quer que tenha sido o
progenitor de outras igrejas, fui ‘eu’, quem em Cristo ‘vos’ gerou”. (Robertson e Plummer, in loc.).

Paulo, através da pregação do evangelho de Cristo, os havia gerado em suas viagens missionárias.

E para gerarmos filhos espirituais precisamos sofrer as dores de parto, como as mães, que depois de um
período de nove meses, sofrem mudanças físicas, emocionais e no final a dor do parto. Mas, quando a criança nasce,
elas se esquecem de todas as dores que passaram, restando apenas a alegria pelo filho que nasceu.

Assim é a recompensa do evangelista. Após um período de dificuldades e sofrimentos para gerar um filho
(espiritual) esquece de todo o sofrimento que passou ao ver uma nova vida nascendo em Cristo Jesus.

“Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo
os seus molhos”. (Sl 126:6)

Levar os Pecadores à Convicção de Pecado:

Nos grandes reavivamentos espirituais do passado, sempre ocupou lugar de preeminência uma profunda e
autêntica convicção de pecado. Esse é um dos elementos vitais que, dizemo-lo tristemente, deixou de existir em
nossos dias.

Sempre que manifesta a genuína convicção de pecado, não há necessidade de exortar, de repreender, de
instar ou pressionar na força da carne. Os pecadores se dobram sem serem forçados a dobrar-se. E humilham-se,
porque não podem agir de outro modo. Voltam para suas casas, após terem estado nos cultos com pregação do
Evangelho, incapazes de comer ou dormir, em face da profunda convicção de pecado. Não precisam ser
repreendidos nem exortados a buscar alívio para as suas almas.

“Existe outro Evangelho, por demais populares nos dias que correm, e que parece excluir a convicção de
pecado e o arrependimento do plano da salvação. Tal Evangelho requer do pecador o mero assentimento intelectual
ante o fato de sua culpa e pecaminosidade. Paralelamente, que haja um assentimento semelhante, de ordem
intelectual, quanto à suficiência da expiação realizada por Cristo. Uma vez dado esse assentimento, o pecador que vá
para casa em paz, feliz no que concerne à sua alma. Assim é que os pregadores proclamam: ‘Paz! Paz!’, quando não
há paz”.

Conversões superficiais e falsas, dessa espécie, podem ser uma explicação, dentre outras, da existência de
tantos indivíduos que se dizem crentes convertidos, mas desonram a Deus e trazem opróbrio contra a Igreja. Vivem
de modo incoerente com sua profissão de fé, em razão de se deleitarem no mundanismo e no pecado. É necessário
que o pecado seja profundamente sentido, antes de poder ser lamentado. Os pecadores devem sentir tristeza, antes
de receber consolo. As verdadeiras conversões eram comuns antigamente, e voltarão a ser de novo, quando a Igreja
sacudir-se e atirar longe a sua letargia, apegando-se ao poder de Deus, o antigo poder do Espírito, que vem do alto.
“Então sim: Como no passado, os pecadores estremecerão ante o terror do Senhor” (J. H. Lord).

Pensaríamos em chamar um médico antes de cairmos doentes? Exortamos aqueles que estão em pleno vigor e
em boa saúde para que se apressem a consultar um médico? O atleta que nada com perfeição porventura implora
ao povo que está na praia que venha salvá-lo de afogamento, se nem sequer já molhou os pés na água do mar? Claro
que não! Porém, basta que a enfermidade se declare, e imediatamente sentiremos a nossa necessidade de ir ao
médico. Só então entendemos que precisamos de algum medicamento. E quando o imprudente nadador se vê
exausto e prestes a desaparecer no turbilhão das águas, ao perceber que vai morrer afogado, não se demora em
pedir socorro. É tremenda a agonia que experimenta a pessoa prestes a afogar-se. Estando sem forças, sabe que, se
ninguém a acudir depressa, fatalmente perecerá.

O mesmo acontece à alma que perece. Quando alguém se convence de modo absoluto de sua condição de
perdido, põe-se a clamar na amarga angústia de seu coração: “Que é necessário que eu faça para me salvar?” Não é
necessário exortação nem incentivo; para o pecador convicto salvar-se, torna-se a maior questão, caso de vida ou
morte, e estará pronto a fazer qualquer coisa para esse fim, contanto que seja salvo.

É exatamente essa falta de convicção de pecado que resulta em reavivamentos espúrios, que frustram a obra
inteira de evangelização. Uma coisa é levantar a mão e assinar um cartão de decisão, mas outra, inteiramente
diferente, é estar realmente salvo. As almas precisam ser libertas de modo total e permanente, para que possam
desfrutar a eternidade. Fácil tarefa é contar cem convertidos confessores durante a excitação de uma campanha;
mas é coisa inteiramente diferente voltar ali cinco anos mais tarde, e encontrar todos esses convertidos ainda firmes
no Senhor.

2.3. O evangelho é Fonte de Benefícios

O evangelismo enche de pessoas qualquer Igreja. Encheu as igrejas metodistas há mais de duzentos anos. O
metodismo nasceu por causa do evangelismo. Esse movimento wesleyano só cresce e tem vida em função do
evangelismo. A Igreja de Cristo só é Igreja por causa do evangelismo, desde os dias dos apóstolos. É o que leva as
pessoas à salvação. Os novos convertidos vão ocupando os assentos (até então vazios) das igrejas.

Além disso, o evangelismo resolve o problema financeiro. Tudo quanto Pedro teve de fazer foi apanhar o
peixe: o dinheiro encontrava-se na boca desse peixe. Sempre foi assim. Basta que conquistemos os perdidos para
Cristo, que estes suprem os recursos para levar avante a sua obra. É pelo fato de o evangelismo haver-se amortecido
que tantas de nossas igrejas foram obrigadas a fechar as suas portas.

A Igreja dos Povos não é exceção. Ao longo dos anos de sua existência, temos conduzido um contínuo e
eficiente ministério de evangelismo, e continuamos a evangelizar. Entoamos hinos de louvor de teor evangelístico e
pregamos sermões que anunciam a salvação em Cristo.

2.4. O Evangelho é Preservação contra a corrupção


“Não havendo profecia, o povo se corrompe...” (Provérbios 29:18). Quanta verdade! Multidões fervilham por
toda parte em nossas cidades superpopulosas. Massas humanas que perecem por falta de visão espiritual. Povos
sem Cristo. Pessoas por quem Jesus morreu. Gente que talvez jamais ouça a mensagem da salvação de Deus, a
menos que nós, crentes, recebamos a visão espiritual das necessidades das massas. Nossos grandes centros
populacionais, pelos quais somos responsáveis diante de Deus, desconhecem o Evangelho da graça de Deus, porque
nós, os seguidores de Jesus não têm visão profética. Que faremos quanto à nossa falha? Quando sentiremos o peso
de nossa responsabilidade? Quando faremos o que nos compete, sensibilizados pela morte espiritual das multidões
sem Cristo? É real a mensagem desse versículo: “Não havendo profecia, o povo se corrompe...”.

2.5. O Evangelho é pessoal


2.6. Conclusão: Evangelismo é ainda:
A) Informação: Evangelismo é uma ação que tem por fim informar. É preciso que o pecador seja informado a
respeito de sua condição de pecador; da natureza e conseqüência do pecado em sua vida; do amor de Deus e de sua
providência para a salvação de suas criaturas; o que é necessário fazer para se salvar. Todos os meios possíveis
devem ser usados para que o homem seja informado de tudo quanto diz respeito a sua situação espiritual e do amor
divino para com ele.

B) Persuasão: Não basta apenas informar. É também preciso persuadir. O pecador deve ser persuadido a
submeter-se a Cristo incondicionalmente. Quem convence o pecador é o Espírito Santo (Jo 16.8). O crente é um
instrumento do Espírito para persuadir o pecador.

C) Integração: Após a conversão do pecador, ele deve ser imediatamente integrado a uma Igreja, preparado
para o batismo, batizado e matriculado na Escola Dominical. O discípulo, neste caso, não é tarefa apenas para o
pastor da Igreja, mas de todos os membros que amam as almas perdidas. O crescimento do povo convertido deve
ser uma preocupação de toda a Igreja.
2.7. O que não é Evangelismo

3. As armas do evangelista
Para realizarmos a tarefa de evangelizar é preciso a utilização sábia de instrumento adequado. O marinheiro
usa a bússola; o alfaiate a tesoura, o lavrador o arado. E aquele que evangeliza, de quais armas precisas? É
necessário:

3.1. Oração
“Lemos nas biografias de nossos antepassados que se mostraram mais bem sucedidos na conquista de almas,
que oravam em secreto durante horas a fio. Fazemos então uma pergunta: Poderíamos obter os mesmos excelentes
resultados sem seguir o exemplo deles? Caso não precisemos orar tanto, provemo-lo ao mundo: Descubramos um
método superior! Caso contrário, em nome de Deus, começaremos a seguir aqueles que a fé, com paciência,
tornaram-se herdeiros da promessa. Nossos progenitores espirituais choraram, oraram e agonizaram diante do
Senhor, em favor dos ímpios, visando a salvação deles, e não descansavam enquanto os pecadores não fossem
feridos pela espada da Palavra do Senhor. Esse é o segredo do êxito retumbante dos gigantes espirituais do passado.
Quando as coisas se paralisavam eles lutavam em oração até que Deus derramasse de Seu Espírito sobre os homens,
que assim se convertiam.”

Todos os homens de Deus eram poderosos homens de oração. Somos informados de que o sol nunca surgia
no horizonte, na China, sem encontrar Hudson Taylor de joelhos. Não admira, portanto, que a Missão para o interior
da China tenha sido tão maravilhosamente usada por Deus!
A conversão é uma operação efetuada pelo Espírito Santo, e a oração é o poder que assegura essa operação.
As almas não são salvas pelo homem, e sim, por Deus; e posto que ele opere em resposta à oração, não temos
alternativa além de seguir o plano divino. A oração movimenta o braço divino, que põe o avivamento em ação.

A oração que prevalece não é fácil. Somente aqueles que têm estado em conflito com os poderes das trevas
sabem que ela é difícil demais. Paulo escreveu dizendo que “não temos que lutar contra a carne e o sangue, e, sim,
contra os principados, contra as potestades, contra as forças espirituais da maldade nas regiões celestes” (Efésios
6:12). E o Espírito Santo ora com “... gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26).

O que acontece, quando oramos?

• Orando, as portas se abrem Ef 6:18-19;

• Orando, o braço de Deus se move;

• Orando, os corações são quebrantados At 2:37.

Oração e jejum pelas cidades – O homem pecador se opõe a Deus (1Co 2.14; Rm 8.7; Ef 2.1). O diabo força o
homem a não buscar a Deus (Ef 2.2; 2Co 4.4). Qualquer plano de evangelização, por melhor que seja, com recursos,
métodos, estratégias, fracassará, se não tiver o poder de Deus. E o poder de Deus só pode ter adquirido pela busca,
pela oração. Deus age (Fp 1.29; Ef 2.8; Jo 6.44). Os demônios infestam as cidades. Só são expulsos pelo poder da
oração (Sl 122; Jr 29.7; Lc 19.41). A oração é a base.

3.2. Palavra
A Bíblia é o manual por excelência de missões, porque é a revelação de Deus à humanidade. Além de ser a
única fonte inspirada de teologia e ética, ela nos ensina como fazer evangelismo e missões.

A Bíblia é a única obra literária do mundo que registra a nossa origem: Deus quer que todos os seres humanos
conheçam a verdade sobre Ele e de como Ele se revelou nas Santas Escrituras; e também sobre a natureza humana.
A vontade de Deus é que todos os homens se arrependam e tenham conhecimento da verdade (I Tm 2:4).

Deus sempre se preocupou com o bem-estar do homem. Essa vontade só pode ser conhecida pela revelação,
verdade que só é encontrada nos oráculos divinos: a Bíblia Sagrada.

A palavra é a ferramenta do evangelista pessoal. Ele deve manejar bem a palavra da verdade (2 Tm 2:15) para
mostrar ao pecador os pontos salientes do caminho da salvação, aplicando a cada circunstância a mensagem
correspondente. É importante ter bem claros na mente os versículos e suas respectivas referências que falem sobre
cada situação que a pessoa pode estar experimentando ou experimentar, como, por exemplo, pecado,
arrependimento, confissão, perdão, o amor de Deus, salvação, segurança, proteção, paz, vitória, vida eterna e outros
tópicos de igual importância.

Preparo das pessoas para a evangelização das cidades – Esse preparo refere-se ao estudo da Palavra de Deus.
É o preparo na Palavra (2 Tm 2:15). As seitas preparam bem seus adeptos. As igrejas precisam gastar tempo e
recursos no preparo dos que evangelizam.

4. Por Que Evangelizar?


1 – Porque Deus nos deu o ministério da reconciliação e também pôs em nós a palavra da reconciliação, de
sorte que, somos embaixadores da parte de Cristo.

2 – Porque é uma obrigação de todos sem exceção. Todos têm a incumbência de Jesus (1 Pe 2.9). Alguns
começaram a trabalhar de madrugada; outros na terceira hora, isto é, às nove horas; outros perto da hora sexta, ou
seja, entre as onze e doze horas; e outros perto da hora undécima, isto é, faltando apenas uma hora para terminar o
dia. (Os judeus contavam o período do dia, das seis horas da manhã às seis horas da tarde) (Mt 20:1-6).

3 – Porque a pessoa salva é a única que pode afirmar com convicção quem Ele era, quem Ele é, e quem Ele
será, ou seja: era um perdido pecador (Rm 3:23), candidato à morte eterna (Rm 6:23; Ap 21:8) e à condenação (Jo
5:24). Porém, hoje, é um pecador remido (Tt 2:14), liberto por Jesus (Jo 8:34); e, no futuro, estará eternamente na
presença do Senhor (1 Ts 4:17) nos céus (Fp 3:20), possuindo um corpo imortal e incorruptível (1 Co 15:51-54).

4 – Porque não tínhamos condições de pagar nossa dívida para com Deus.

A obra de ganhar almas constitui-se numa mensagem de perdão das dívidas que o homem tem para com
Deus.

Quando permanecíamos no pecado, tínhamos uma dívida enorme, e estávamos sem condições de pagá-la,
mas tudo foi perdoado por Deus (Mt 18.23, 27; Cl 2.14). “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que
estão em Cristo Jesus... (Rm 8.1). Precisamos levar a mensagem da cruz a todos os perdidos para suas salvações,
pois, fazendo assim, estaremos dando de graça, o que de graça recebemos (Mt 10:8)”.

As ilustrações e história a seguir retratam a necessidade da evangelização.

Alguém perguntou a um evangelista sobre o seu trabalho. Ele disse que era semelhante ao de um mendigo
que achara muito pão, e, agora anunciava aos outros o caminho do alimento.

“Uma vez um artista procurou pintar um quadro sobre o evangelismo. Ele pintou um quadro onde havia uma
tormenta no mar, um bote sendo destroçado pelas ondas e jogando seus tripulantes ao mar, e, numa rocha, que saía
das águas, um marinheiro apoiado com ambas as mãos para se salvar. Ao olhar o quadro, o pintor ficou insatisfeito e
quis fazer outro. Então, ele pintou a mesma tempestade, o mesmo cenário de desespero, o mesmo bote naufragado,
os mesmos homens aflitos pedindo por socorro e a mesma pedra salvadora. No entanto, ele acrescentou algo: um
homem bem apoiado sobre a Rocha que estava no meio das águas revoltas. Com uma das mãos ele se segurava na
Rocha e com a outra oferecia socorro a quem quisesse sair da água”.

A obra desse ministro, se explicada cabalmente e nos mínimos detalhes, com certeza, mereceria outro livro. O
Senhor Jesus, o Evangelista por excelência, resumiu Sua obra da seguinte maneira: “Porque o Filho do homem veio
buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19:10).

4.1. ESTRATÉGIA DE EVANGELIZAÇÃO

4.1.1 Evangelismo pessoal


A evangelização pessoal ainda é, por excelência, o método mais eficaz na obra de ganhar almas. Nenhuma
estratégia, por mais perfeita que seja, pode substituir com a mesma eficiência o contato pessoal na pregação do
Evangelho.

Jesus e os apóstolos pregaram às multidões, mas nunca desprezaram a evangelização pessoal, por
entenderem que a salvação é uma questão individual (Rm 14:12), que deve ser tratada com as pessoas uma a uma,
como fez o Mestre ao escolher os seus discípulos. É, por outro lado, a estratégia mais simples e de menor custo, pois
é fruto do amor apaixonado de cada crente pelas almas perdidas, que o faz buscá-las pessoalmente e sem
esmorecimento, onde quer que se encontrem como fez o pastor com a que se encontrava desgarrada do redil (Lc
15:4-7).

Se cada cristão entendesse o seu papel e ganhasse, pelo menos, uma pessoa a cada ano, e cada um desses
novos cristãos ganhasse também uma pessoa por ano, o alvo de 50 milhões de almas até o ano 2010, lançado pela
Década da Colheita, poderia ser alcançado em pouco mais de dois anos.

A) Ponto de contato

A evangelização pessoal tem como fundamento o contato entre o evangelista e a pessoa a ser evangelizada. Se
não houver contato, não há evangelização. É obvio que o contato se dá em duas direções:

Primeiro com Deus e segundo com o próximo. A forma de aproximação mais conhecida como ponto de
contato vai determinar em grande parte o êxito da iniciativa. Ela será a chave para tornar o interlocutor mais
acessível ao diálogo, que poderá levá-lo a reconhecer os seus pecados e, consequentemente, à conversão.

Não basta simplesmente iniciar uma conversa mostrando já as consequências de quem se rebela contra
Deus. Talvez esta seja a forma mais rápida de fechar as portas à pregação. Em nenhuma parte da Bíblia a mensagem
de juízo precede a de arrependimento.

Descobrir o ponto de contato significa fazer uso da habilidade de intuir em cada situação a maneira pela qual
o evangelista pode identificar-se com a pessoa que está sendo evangelizada. Veja o exemplo de Filipe. Ele descobriu
que o eunuco lia o profeta Isaías e fez uso deste ponto de aproximação para entabular a conversa, enquanto corria
ao lado do carro (At 8.30). Paulo, no Areópago, utilizou-se da figura do altar ao Deus desconhecido para apresentar
aos atenienses o verdadeiro Deus (At 17.22-24). Ponto de contato é a chave “para se dizer o que é certo de maneira
que não ofenda as pessoas”.

B) Como compreender o ser humano

Compreender as necessidades humanas é, também, uma forma que leva ao ponto de aproximação. O
evangelista pessoal tem que olhar a comunidade que o cerca sob essa perspectiva, entendendo que ele está
tratando com pessoas de temperamentos distintos e que vivem circunstâncias diferentes. Tratar a todas sob o
mesmo ângulo é desconhecer que cada uma possui necessidades específicas e carece de tratamento específico.

O que fez Paulo no cárcere em Filipos? Sob a nossa ótica, a fuga imediata, talvez fosse o caminho mais lógico
para ganhar a liberdade, após o terremoto. No entanto, ele teve pleno domínio da situação e prolongou sua
permanência na cadeia por mais algum tempo, por compreender que aquela circunstância era o meio pelo qual
poderia legitimar as verdades do Evangelho através do próprio comportamento, levando uma família à conversão
(At 16.25-39).

C) Aprendendo com Jesus

Cristo, nosso maior exemplo, foi quem melhor soube utilizar-se dos pontos de aproximação e compreender as
necessidades humanas. Enquanto a mulher samaritana estava preocupada em tirar água do poço de Jacó, Ele
aproveitou o fato para falar-lhe da água da vida, sem entrar no mérito da histórica inimizade entre judeus e
samaritanos. Em relação à mulher adúltera, teve a visão correta da sua necessidade e da hipocrisia dos que a
cercavam. Quanto a Zaqueu, o publicano, tocou no seu ponto nevrálgico para levá-lo ao conhecimento da salvação.
No que tange à multidão faminta, no deserto, movido de íntima compaixão, ordenou aos discípulos: “Dai-lhe vós de
comer”, e não a despediu enquanto não foi alimentada. (SE)

2) Como fazer a evangelização pessoal

A) Fazendo amizade

A evangelização pessoal tem como pressuposto a amizade, principalmente quando se trata de um projeto em
médio prazo em relação à determinada pessoa. Uma proposta de relacionamento amistoso e sincero é a primeira
atitude que o evangelista pessoal precisa demonstrar na sua busca incessante pelas almas perdidas. É preciso que
haja da parte do pecador, absoluta confiança nas intenções de quem o está evangelizando.

B) Pelo exemplo

O exemplo é outro fator de atração que deve ir na frente para conquistar, sem palavra, a expectativa do
incrédulo. Há uma diferença entre o salvo e o não salvo e esta precisa ficar bem caracterizada não apenas pelo
discurso, mas principalmente pelas ações. “Eis que tenho observado que este homem que passa por aqui é um santo
homem de Deus” (2 Rs 4.9), já dizia a mulher a respeito de Eliseu. De que adianta um turbilhão de palavras bem
concatenadas se o testemunho não corresponde ao que se prega?

C) Pelo discipulado

Aqui significa que o evangelista pessoal não vai pregar para alguém e abandoná-lo à beira do caminho. O
discipulado implica em adotar essa pessoa e levá-la pacientemente a cumprir todos os passos da salvação até que
Cristo seja gerado nela. Este procedimento produzirá crentes maduros que, por sua vez, serão levados a ter a mesma
atitude de fazer novos discípulos (2 Tm 2:2).

Foi assim com Filipe, que após o chamado do Mestre, trouxe as boas novas para Natanael e o levou a Cristo (Jo
1:45-47). O mesmo ocorreu com a mulher samaritana, que anunciou ter encontrado o Messias aos conterrâneos de
Samaria: “Vinde e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito, porventura não é este o Cristo?” (Jo
4:39). O endemoninhado gadareno foi outro que não titubeou. Depois de liberto, “foi apregoando por toda a cidade,
quão grandes coisas Jesus lhe tinha feito” (Lc 8:39). Gerar um novo crente significa acompanhá-lo passo a passo, tal
como uma criança, até que possa andar com os seus próprios pés.

5. QUALIDADES DO EVANGELISTA

1 – Demonstrar convicção

Entre as muitas qualidades exigidas do evangelista pessoal, além da conversão e da certeza de salvação, está a
convicção absoluta naquilo que crê. Jó escreveu: “Eu sei que o meu Redentor vive” (Jó 19:25). O apóstolo Paulo não
teve dúvida: “Eu sei em quem tenho crido” (2 Tm 1:12). A ineficiência na exposição das verdades da salvação passa a
idéia de que o pregador não está muito convicto daquilo que prega e não permite ao Espírito Santo usar a palavra
para atingir o coração do ouvinte, isto, porque, “se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a
batalha?” (1 Co 14:8). Ou seja, se o soldado der o toque de recolher para, em seguida, dar o toque da alvorada no
momento exato de iniciar a guerra, como os recrutas irão agir?

2 – Ser convertido

“... E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos” (Lc 22:32). “... E grande número creu e se converteu...”
(At 11:21). Há muitas pessoas que querem dar o segundo passo, sem ter conhecido o primeiro. A princípio, eles
tentaram usar o poder do nome de Jesus, sem experimentá-lo em suas vidas. E depois, tentaram levar homens
pecadores e rebeldes ao conhecimento da vontade divina. O homem salvo por Cristo, que está reconciliado com
Deus, não vive mais em rebeldia, seja qual for a forma que ela tiver. Que Deus nos ajude a estar dentro da Sua
vontade! Nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos (Jo 3:11). Porque hás de ser sua testemunha para
com todos os homens do que tens visto e ouvido (At 22:15). O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que
temos contemplado, e as nossas mãos tocaram na Palavra da vida. O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos (1
Jo 1:1-3).

3 – Ter bom testemunho

“Convém que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta e no laço do diabo”
(1 Tm 3:7).
4 – Ser preparado

“Sofre, pois, comigo, as aflições como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com
negócio desta vida, a fim de agradar àquele que alistou para a guerra. E, se alguém também milita, não é coroado se
não militar legitimamente. O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos”. (II Tm 2:3-6).

Há um ditado que diz: “Um homem prevenido [preparado] vale por dois”. No caso do evangelista (ou qualquer
outro ministro) isso é regra. Ele deve se preparar para estar sempre pronto a responder à altura de um anunciador
das Boas-novas. A Bíblia compara o crente como um soldado ou atleta; estes títulos, em si mesmos, já denotam
preparação. O evangelista deve se preparar e também preparar o ambiente e as pessoas, através da oração. “A
proclamação funciona bem, num ambiente, onde as pessoas têm sido preparadas para ouvir o Evangelho.”

Estar preparado é mais do que ficar sempre lendo materiais sobre evangelismo. É estar cheio da Palavra, do
Espírito e da Graça de Deus. Estar preparado é também ser sensível à direção do Espírito. O evangelista deve estar
pronto, tanto para pregar quando o Espírito quiser, como para não pregar quando o Espírito assim o mandar (Atos
16.6, 7). “Um ministro pode ter educação, treinamento, personalidade e qualquer outro dom, geralmente
considerado como uma necessidade para um ministério próspero; contudo, o fracasso será iminente se ele
descuidar do maior de todos os requisitos para alcançar o verdadeiro e permanente ministério: a preparação
espiritual de si mesmo”.

5 – Ter o senso da oportunidade

Ter o senso da oportunidade é não deixar passar a hora e aproveitar as circunstâncias favoráveis. O
evangelista pessoal está sempre atento aos fatos e a tudo que o cerca, pois uma situação inesperada pode ser o
ponto de partida para ganhar uma alma.

Filipe ia a caminho de Gaza, deixando para trás um poderoso avivamento em Samaria (At 8.1-8) e
aparentemente desperdiçando tempo, pois diz a Bíblia que a região estava deserta. Mais eis que de repente surge
alguém numa carruagem lendo o profeta Isaías. Era a oportunidade que não podia ser desperdiçada e Filipe não
perdeu tempo. O resultado todos conhece.

Aqui fica também uma lição: aqueles que se consideram pregadores de grandes multidões devem ter o senso
do valor de uma alma, como Filipe. Ele trocou as conveniências de uma cidade grande por uma região deserta, tendo
em vista uma só alma.

6 – Conhecer o pecador

O pecador manifesta diferentes reações à palavra pregada. Cabe ao evangelista pessoal conhecê-las e saber
como lidar com elas. Há os que se mostram indiferentes, enquanto outros estão interessados. Há os que desejam a
salvação, mas se acham impedidos, enquanto outros não crêem que possam ser salvos. Há os que se consideram
fracassados e não sabem como ser restaurados. Enfim, há diferentes situações, mas para cada uma há respostas
convincentes nas Escrituras. É preciso que o evangelista pessoal as conheça e permita que o Espírito Santo as use no
momento adequado.

6. OS QUATRO “COMOS” DO EVANGELISMO


Vamos examinar a Carta aos Romanos, capítulo 10, versículos 13-15: “Porque todo aquele que invocar o nome
do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não
ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito:
Quão formosos são os pés dos que anunciam a paz, dos que anunciam coisas boas.”
Aqui temos os quatros “comos” da Palavra de Deus. Primeiramente encontramos a promessa “ser salvo”
condicionada ao verbo “invocar”. Porém, para que invoquem, precisam antes confiar. Para que confiem, precisam
antes ouvir. Para que ouçam, alguém deve pregar-lhes as boas novas. Mas para que preguem, terão antes de ser
enviados. Dessa maneira, Deus põe a responsabilidade sobre nós. Se enviarmos os missionários, eles poderão
pregar. Se eles pregarem, pessoas poderão crer; e se crerem, invocarão; e se invocarem, serão salvos. Mas todo o
processo é iniciado por nós. Antes de qualquer coisa, é necessário que enviemos.

6.1. SAQUEANDO O INFERNO


Para tornarmos efetiva a nossa vitória nesta batalha, precisamos de uma estratégia bem planejada e estudada,
e esta estratégia já está descrita na Palavra de Deus, e constitui-se dos seguintes passos:

1 – Derrubar as portas do inferno

Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela (Mt 16.18).

Neste verso, Jesus está apresentando o instrumento de Deus para a execução dos Seus planos de restauração
da humanidade. Jesus está dizendo: “Eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra
ela”, ou seja, o trabalho de Deus na restauração da humanidade começa com um ataque frontal ao inferno. A Igreja
é o instrumento de Deus para atacar o inferno, e o primeiro passo nesta estratégia é derrubar as portas do inferno.

Tenho ouvido interpretações erradas deste versículo por pessoas afirmando que os crentes estão dentro do
templo, tremendo de medo, e Satanás está em volta, tentando entrar, mas as portas da Igreja estão firmes e ele não
pode entrar. Contudo, é exatamente o contrário o que a Bíblia afirma: Satanás é quem está dentro do inferno, bem
trancado, tremendo de medo do poder de Cristo através da Igreja, tentando segurar as vidas que estão em suas
mãos. Assim, o papel da Igreja é derrubar as portas do inferno e entrar lá para tirar as vidas do domínio de Satanás e
levá-las para as mãos de Cristo. As portas do inferno não resistem ao poder de Cristo manifesto na Sua Igreja.
Aleluia!

2 – Amarrar o inimigo

Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; só então lhe
saqueará a casa (Mc 3:27).

O segundo passo na estratégia da batalha espiritual é amarrar o inimigo. No contexto deste verso, Jesus Cristo
está falando sobre Satanás, e apresenta-nos a estratégia de amarrá-lo. Pela autoridade da nossa posição em Cristo,
pela Palavra de Deus, pelo nome de Jesus Cristo, podemos amarrar Satanás e os espíritos malignos, para, finalmente,
tirarmos as vidas de suas mãos. Se estivermos acima de todo domínio e poder, temos, então, autoridade espiritual
sobre este poder. Por isso, o crente em Cristo, simplesmente pode amarrar Satanás, para executar a obra de Deus.
Isto não quer dizer que podemos impedir a atuação de Satanás no mundo, pois isto só se dará no final dos tempos,
mas o que podemos e devemos fazer é impedir a atuação de Satanás e espíritos malignos, especificamente sobre a
pessoa ou área onde estivermos evangelizando.

3 - Roubar-lhe os bens

Ninguém pode entrar na casa do valente para roubar-lhe os bens, sem primeiro amarrá-lo; e só então lhe
saqueará a casa (Mc 3.27).

O bom crente é um “ladrão”! E deve “roubar” muito. No verso, Jesus diz que devemos amarrar o valente e
saquear lhe os bens. Quais são os bens de Satanás? São as vidas que ele tem em seu domínio. Portanto, estas vidas
precisam ser resgatadas. Precisamos tirá-las das mãos de Satanás e levá-las para Cristo. Isto é feito no campo
espiritual. Há muita gente tentando convencer os outros de que as doutrinas bíblicas são certas e de que somente
em Cristo há salvação, pensando que se a pessoa aceitar estes argumentos intelectuais estará salva. A apresentação
do plano de salvação e o uso de argumentos poderão ajudar a pessoa a tomar a decisão, que produzirá efeitos
espirituais, porque a salvação de Cristo consiste em tirar as vidas das mãos de Satanás e transportá-las para o reino
de Deus. Por isso, devemos amarrar Satanás e saquear lhe os bens.

4 – Garantir os bens saqueados

Após roubarmos as vidas das mãos de Satanás, estas precisam ser protegidas e garantidas para não caírem
mais no domínio do inimigo. Poderemos fazer isto de três maneiras:

A) Discipulando – Precisamos levar o novo convertido a compreender a Palavra de Deus, a conhecê-la não só
na teoria, mas também na prática. Aquele que se firmar na Palavra de Deus, colocando-a em prática estará firmando
sua vida espiritual sobre a rocha, que é Cristo, e nada poderá derrubá-lo desta posição. Daí a necessidade de alguém
mais experimentado na Palavra, para tomar o novo convertido e, pessoalmente, ajudá-lo no crescimento espiritual.

B) Resistindo a Satanás – “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4:7). O
versículo diz que devemos primeiro estar em submissão a Deus. A nossa luta espiritual mostra que a vitória vem do
poder de Deus em nossas vidas. Desta forma, precisamos estar em inteira submissão ao Espírito Santo de Deus, para
então, resistirmos ao diabo. Quando resistimos a Satanás e aos seus ataques, ele foge. Note que coisa interessante:
quem foge é o diabo, não o crente. Temos visto crentes fugindo de medo do diabo e de pessoas possuídas por
demônios, porque não conhecem sua posição em Cristo. Quando exercemos autoridade e resistimos ao diabo, ele
foge. O diabo é quem precisa fugir.

C) Não dando lugar ao diabo – “... nem deis lugar ao diabo” (Ef 4:27). A vitória já está garantida, temos
autoridade sobre Satanás, mas precisamos tomar cuidado para não lhe dar lugar. O diabo é astuto e não vai aparecer
diante de nós como um bicho feio. Ao contrário, a Bíblia diz que ele se transforma em anjo de luz, para nos enganar.
E o faz com muita sutileza; às vezes, trazendo um mau pensamento, desviando-nos dos propósitos de Deus; outras
vezes, provocando divisões, contendas, etc. Assim, devemos tomar cuidado e não dar lugar ao pecado, contendas,
divisões na Igreja, para que ele não tenha vantagem nesta batalha.

Resumindo, esta deve ser então, nossa estratégia: derrubar as portas do inferno e entrar lá; amarrar
Satanás; tirar as vidas de seu domínio e transportá-las para o reino de Cristo; treinar estas vidas para que se tornem
também soldados contra o inimigo.

A vitória já está garantida, pois a Bíblia diz que Jesus se manifestou para destruir as obras do diabo (1 Jo 4:8).
Além disso, quando a última pessoa ouvir a mensagem do Evangelho na terra, Jesus Cristo voltará com poder e
grande glória (Mt 24:14). Então veremos a derrota final do Inimigo (Ap 20:7-10).

7. CONCLUSÃO

No coração de Deus há um clamor, dia e noite, gritando: ALMAS! ALMAS! ALMAS! Ele clama para que seus
servos se entreguem à obra de ganhar almas. Somente estes, que procuram ter um coração segundo o de Deus
sabem o que significa este clamor: “...Ai de mim, se não anunciar este Evangelho!” Paulo sabia que era responsável
perante Deus, de resgatar o mundo das trevas. O Senhor tem chamado e preparado homens especiais para este
serviço: Os Evangelistas. Esses homens têm transformado o mundo com as Boas-novas de salvação, desde o tempo
de Jesus, e vão continuar com este ministério até que Ele volte.
Jesus, após sua ressurreição, enunciou aos discípulos uma condensação do Velho Testamento. Disse ele: “São
estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco, que importava se cumprisse tudo o que de mim está
escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”. “Quando então lhes abriu o entendimento para
compreenderem as Escrituras, e lhes disse: Assim está escrito, que o Cristo havia de padecer...”.

Sacerdotes e rabinos judeus, aos milhares, já dedicaram incontáveis horas de estudo aos textos do Velho
Testamento e, no entanto, não conseguiram perceber ali a maior revelação: o Messias teria que sofrer e morrer...

E Jesus continua: “... e ressuscitar dentre os mortos ao terceiro dia...” A ressurreição do Messias, outro
importante “ponto cego” na mente do povo escolhido de Deus é a segunda parte do conciso sumário que ele faz do
Velho Testamento.

Mas nós, os cristãos, que vivemos 2000 mil anos depois, tendo os benefícios de conhecer o desenrolar
subsequente da História, devemos ter o cuidado de não rir desse erro dos judeus, que não discerniram o tema
central do Antigo Testamento, pois Jesus continuou a sua exposição, mencionando o terceiro fator que constitui um
dos principais: “E que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados, a todas as nações,
começando em Jerusalém” Lc 24:44-47.

8. Textos para Evangelizar


1 – Por que preciso ser salvo?
Rom 3:10-12 – … Não há um justo, nem um …
Rom 3:23 – … todos pecaram e destituídos ….
Jo 3:3,5 – aquele que não nascer de novo, …
Mat 25:41,43 – Apartai-vos de mim, malditos, para …
Luc 16:24 – … manda a Lázaro, que …
Rom 5:18a – … por uma só ofensa veio o juízo sobre …
Rom 6:23a – … o salário do pecado é a morte …
Mar 9:43-44 – … inferno … o fogo que nunca se apaga …
Ap 20:15 – E aquele que não foi achado escrito …
Ap 21:8 – … quanto aos tímidos … lago que arde com …
2 – Mas não posso ser salvo por …
2.1 – Esforçar-me ao máximo?
Isa 64:6 – … imundo … trapo da imundícia …
Heb 11:6 – … sem fé é impossível …
2.2 – Cumprir a lei? Gal 2:16; Rom 3:20
2.3 – Fazer boas obras? Efe 2:8-9; Tit 3:5; Rom 4:2-8.
2.4 – Ter sido batizado? 1Ped 3:21; Efe 2:15
2.5 – Ser religiosíssimo?
Jo 14:6 – … caminho …verdade … vida;
Jo 3:3,5 – … aquele que não nascer de novo …
At 4:12 – … debaixo do céu nenhum outro nome …
1Tim 2:5 – … um só Mediador …
3 – Que acontecerá se eu crer – aceitar Cristo como meu único e total Salvador e Senhor – controlador?

3.1 – Tornar-me-ei filho de Deus.


Jo 1:12 – Mas, a todos quantos o receberam, …
3.2 – Serei perdoado e justificado. At 13:38
3.3 – Começarei a ter uma nova vida.
2Cor 5:17 – … se alguém está em Cristo, nova criatura …
4 – Qual a melhor ocasião para se salvo?

Luc 12:20 – … Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e …


2Cor 6:2; Heb 3:7-8 – HOJE
Sl 95:7-9; Prov 27:1; 29:1; Isa 55:6; At 17:30.
5 – Salvação é possível? Deus quer me salvar?

Rm 5:6-8;
1Tim 1:15 … para salvar os pecadores …
Mt 11:28-30 … vinde a mim …
Ap 3:20 – .. estou à porta, e bato;…

6 – Então, como ser salvo?

a) Arrependa-se!
Luc 13:3 – … se não vos arrependerdes …
At 3:19 – “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para…
b) Converta-se!
Mt 18:3 – … se não vos converterdes e não …
c) Creia!
At 16:31 – … Crê no Senhor Jesus Cristo e …
Jo 3:18 – Quem crê nele não é condenado; mas …
d) Receba Cristo como seu único e total Salvador e Senhor!
Jo 1:12 – Mas, a todos quantos o receberam … filhos de Deus …
Rom 10:9-10 – … boca confessares … em teu coração creres
e) Confesse a Cristo publicamente!
Mt 10:32-33 –… qualquer que me confessar diante dos homens, eu

9. DEZ PASSOS PARA UM EVANGELISMO PESSOAL EFICIENTE

PARTE I – Conhecer a Palavra de Deus


Como pode uma pessoa falar a respeito do que não conhece?
Como contra argumentar uma tese sem base para isso? Para que você possa falar de alguma coisa
para alguém é necessário que antes você saiba um mínimo possível a respeito do que irá falar.
Pode um professor dar aula sem conhecer o assunto? II Tm. 2:15 Procura apresentar-te diante de
Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da
verdade.
II Tm. 3:16 Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender,
para corrigir, para instruir em justiça; 17 para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente
preparado para toda boa obra
PARTE II – Confiar na Palavra de Deus
É questão de ética que todo e qualquer homem defenda as questões nas quais acredita.
Não posso anunciar uma coisa na qual eu não acredito. Não posso dizer que Deus fará
determinado milagre se não creio que Ele realmente pode fazer.
Só devo anunciar a mensagem de salvação de Cristo se realmente acredito que Ele a tem. Is. 55: 11
assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me
apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.
PARTE III – Obedecer a Palavra de Deus
Já vimos que é necessário conhecer e confiar na Palavra de Deus, porém o mais importante é
obedecer a Palavra de Deus.
Na epistola de Tiago 1: 22 diz: “E sede [cumpridores] da palavra e não somente ouvintes,
enganando-vos a vós mesmos.”
É claro para nós que devemos obedecer aos mandamentos de Deus, cabe a nós assim fazer-mos.
Josué 1: 8 Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes medita nele dia e noite, para que tenhas
cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu
caminho, e serás bem sucedido.
PARTE IV – Perseverar em plantar
A perseverança deve ser uma marca em todo crente. Mateus 24:13 diz que aquele que perseverar
até o fim será salvo.
Cristo disse na parábola dos dois servos (Mateus 24:46) que bem aventurado é aquele que for
encontrado trabalhando quando Ele voltar.
Ec. 11: 4 “Quem observa o vento, não semeará, e o que atenta para as nuvens não segará. 5 Assim
como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está
grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas. 6 Pela manhã semeia a
tua semente, e à tarde não retenhas a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta,
se aquela, ou se ambas serão, igualmente boas”.
PARTE V – Ter fé
Não podemos fazer nada sem Ter fé.
Hebreus 10:38 diz que o justo viverá da fé, Hebreus 11:6 diz que sem fé é impossível agradar a
Deus.
Somos justificados pela graça de Deus e pela redenção em Cristo Jesus (Romanos 3:24), portanto
devemos viver pela fé.
Quando evangelizamos é porque queremos agradar a deus, só que sem fé é impossível agradar a
Deus. Hebreus 11:1 diz que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das
coisas que não se vêem.
Se evangelizamos com a esperança de ver uma mais alma entrar no Reino de Deus, devemos
colocar a fé como nosso fundamento. E pela fé podemos ver a nossa esperança se tornar em
realidade.
PARTE VI – Orar
I Ts. 5:17 diz que devemos orar sem cessar.
Há quem diga que “evangelismo é falar mais com Deus a respeito dos homens do com os homens a
respeito de Deus”.
Sabemos que a oração é uma de nossas armas contra o diabo, e evangelismo é luta espiritual, Deus
quer e o diabo não. Devemos pegar essa arma e usá-la, se quisermos vencer.
Temos como exemplo os apóstolos. Eles se reuniam todos os dias para orar. Atos 1: 14 Todos estes
perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os
irmãos dele.
PARTE VII – Ser cheio do Espírito Santo
É sabido de todos nós que devemos andar de acordo com o Espirito Santo.
A primeira obra evangelística da igreja Primitiva está em Atos 2:14-47, isso foi logo após a descida
do Espirito Santo no dia de Pentecostes.
De acordo com Atos 1:8 é o poder do Espirito santo que nos faz pregar da maneira que Deus quer
Atos 1: 8 Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas,
tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samária, e até os confins da terra.
PARTE VIII – Se purificar
A purificação sempre foi exigida por Deus, desde o Antigo Testamento, aonde era ordenado que o
sacerdote se purifica-se antes de entrar na presença de Deus.
Em Levítico 11:44 Deus diz que devemos ser santos porque Ele é Santo. II Tim. 2: 21 Se, pois,
alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e útil ao Senhor, preparado
para toda boa obra.
PARTE IX – Pregar
No livro de Atos podemos observar que antes de qualquer conversão havia uma pregação (discurso
– ex.: Atos 2:14-47).
Cristo disse em Lucas 19:40 que se nós nos calarmos as pedras clamarão. Não podemos cessar de
pregar as Boas Novas de Cristo.
Se não pregarmos como as pessoas podem conhecer a Deus? Romanos 10: 14 Como pois invocarão
aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão,
se não há quem pregue?
PARTE X – Persuadir
É comum vermos as pessoas falarem que devemos insistir uma pessoa a se converter, isso é
verdade, porém não quer dizer que não devemos tentar convencê-las.
Persuadir significa levar alguém a crer. Persuadir é você conversar com essa pessoa com o objetivo
de convencê-la a aceitar o que você diz.
Em Atos 13:43 o apóstolo Paulo exortava, ou seja, persuadia, Judeus e prosélitos a perseverarem
na Graça de Deus, ou seja, o Evangelho de Cristo. Em Atos 18:4 a Bíblia diz que Paulo discutia
todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e gregos.
Paulo chegava ao ponto de discutir para convencer as pessoas, há ainda versões que trazem
disputar no lugar de discutir. Paulo verdadeiramente tomou o evangelismo como uma luta para si.
Paulo chegou a evangelizar o rei Agripa e foi ousado a ponto de dizê-lo que queria que todos se
tornassem Cristãos como ele era (Atos 26:27-29). Atos 13: 43 E, despedida a sinagoga, muitos
judeus e prosélitos devotos seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam a
perseverarem na graça de Deus.
Atos 18: 4 Ele discutia todos os sábados na sinagoga, e persuadia a judeus e gregos. Atos 26: 27
Crês tu nos profetas, ó rei Agripa? Sei que crês.28 Disse Agripa a Paulo: Por pouco me persuades a
fazer-me cristão.29 Respondeu Paulo: Prouvera a Deus que, ou por pouco ou por muito, não
somente tu, mas também todos quantos hoje me ouvem, se tornassem tais qual eu sou, menos
estas cadeias
Prova
Evangelismo Matéria 1:
Assinale com o X a letra com a resposta correta (Uma só resposta correta por questão).

1) O que significa a palavra evangelho?


A) Profecias pessoais para crentes.
B) Mensagem de boas novas de salvação.
C) Mensagem de Condenação eterna.
D) Promessas de prosperidade material.

2) O que é evangelismo?
A) A pregação de bênçãos materiais
B) A apresentação das boas novas.
C) O convidar para nossa igreja.
D) Falar que todo caminho leva a Deus.

3) O que Não é evangelismo?


A) Pregar o evangelho.
B) Falar do amor de Deus.
C) Fazer discípulos.
D) Pregar placa de Igreja.

4) Porque Devemos evangelizar.


A) Para encher nossa denominação.
B) Para ganhar dinheiro com os convertidos.
C) Porque é uma ordem do Senhor.
D) Não temos obrigação de evangelizar.

5) Como devemos fazer o evangelismo pessoal?


A) Fazendo amizades e com nosso bom testemunho.
B) Demonstrando a superioridade de nossa igreja e obrigando a aceitar o evangelho.
C) Colocando som alto nas casas e impondo nossa crença.
D) Sendo arrogantes e esperado o pecador implorar ajuda.
1. O que é Missão
1.1. Missão é Levar o Evangelho a todos

1.2. MISSÃO CRISTÃ – CONCEITOS E TERMOS


Para uma compreensão básica deste tema, é necessário fazer uma breve apresentação de alguns termos
muito utilizados na reflexão sobre Missão Cristã, embora aqui apresentados de forma informativa, no decorrer do
material, aparecerão melhor explanados. O doutor John Stott escreveu que “o ponto de vista mais antigo ou
tradicional era o de igualar missão e evangelismo, missionários e evangelistas, missões a programas evangelísticos”
(STOTT, 2010. p.47). Além disso, estes termos, geralmente, são utilizados com os sentidos mais variados possíveis,
algumas vezes gerando confusão entre os mesmos e uma compreensão não correta sobre o que de fato é a missão.
Missão: derivado do latim missio, “envio”, mais especificamente da expressão latina missione, do verbo mittere, que
significa: ação, tarefa, ordem, mandato, compromisso, incumbência, encargo ou obrigação de enviar. Cabe ressaltar
o que um simples dicionário apresenta sobre este termo: ato de enviar ou ser enviado, encargo, incumbência de um
dever, compromisso, ordem. E o antônimo é, entre outros, ociosidade. Na língua grega, corresponde à palavra
apostole, que em português é “apóstolo”, isto é, alguém enviado por ordem de outrem para realizar uma tarefa. É
associada, exclusivamente, ao cristianismo, até mesmo no Léxico das religiões, editado por Hans Waldenfels, o
verbete missão, de Karl Müller SVD, trata exclusivamente da missão cristã.
1.3. O Missionário
Um missionário ou evangelista é uma pessoa que se deixa usar como cooperador de Deus na Missão e é
fundamental que não haja confusão nos papéis, como percebido, por exemplo, em I Coríntios 3.5-9: 5 Afinal de
contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério
que o Senhor atribuiu a cada um. 6 Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer; 7 de modo que nem o que
planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento. 8 O que planta e o que
rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho. 9 Pois nós somos
cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus. O missionário é o cooperador do dono da obra,
mas a obra não é dele. Como o próprio Jesus um dia disse ao apóstolo Pedro: “Simão, filho de João, você me ama?”
Ele respondeu: “Sim, Senhor, tu sabes que te amo”. Disse Jesus: “Pastoreie as minhas ovelhas” (João 21.16), as
ovelhas são do Senhor. Num dos artigos escritos pelo professor Antônio Carlos Barros2, no caso aqui, tratando
particularmente do missionário num contexto transcultural, comenta que “o missionário também existe na forma da
sua cultura, tem a mesma aparência do seu povo e os mesmos costumes. Tem a sua cultura eclesiástica enraizada e
com ela identifica-se plenamente. O missionário deve abrir mão do seu direito de pertencer a sua própria cultura
antes mesmo de deixá-la.”.

1.4. Missiologia
É a disciplina/ciência teológica que busca estudar a realidade da ação missionária em seu conjunto e em seus
diversos elementos e características. Ou seja, é a disciplina da Teologia que se ocupa de analisar e estudar as
missões da Igreja sob a luz dos princípios da revelação divina, da história da Igreja, das doutrinas teológicas,
conjugando-se com os temas importantes como: a soteriologia, a Trindade, a cristologia, a eclesiologia, entre outros.
Somam-se ainda os conhecimentos da antropologia, sociologia e de outros aspectos relacionados, pois em sua
pesquisa, é importante o contato e parceria com outras disciplinas de estudo.

1.5. A Grande Comissão


A Grande Comissão foi a última comunicação terrena do Senhor Jesus. A tarefa remidora é muito grandiosa e
requer uma autoridade especial por detrás da mesma, a autoridade de Cristo, registrada em Mateus 28.18-20: 18
Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade nos céus e na terra”. 19 Portanto, vão e
façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, 20 ensinando-os a
obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos. A Grande Comissão
ordena a todos os cristãos que partam e façam discípulos em todas as nações. O caráter centrípeto da evangelização
centraliza-se na comunhão com a igreja, o lar espiritual dos que decidem arrepender-se e confiar na verdade do
evangelho (BOWIE, 1992, p.15). Gary North diz que a Grande Comissão é necessária porque o homem, em sua
rebelião contra Deus, esqueceu quem foi que lhe deu a sua missão. Ele esqueceu a quem é histórica e eternamente
responsável. Os homens precisam de regeneração para reconquistar o favor de Deus. O homem ainda está debaixo
do governo de Deus, mas recusa conhecer esse fato. Ele adora outros deuses, quer feitos por ele ou encontrados na
natureza (Romanos 1.18-21). Ele pode até mesmo adorar a própria natureza (panteísmo), personificando-a como
feminina. O fato é que as duas missões de Deus estão unidas por seu status como pactos. Deus estabeleceu primeiro
o pacto do domínio (família) porque o homem não tinha se rebelado ainda. Ele então estabeleceu a Grande
Comissão (Igreja) porque tinha estabelecido o fundamento judicial para um Novo Pacto, um pacto universal que une
todos os homens, de todas as raças e antecedentes, sob Deus. 15 E disse-lhes: “Vão pelo mundo todo e preguem o
evangelho a todas as pessoas”. 16 Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. 17 Estes
sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; 18 pegarão em
serpentes; e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal nenhum; imporão “As mãos sobre os doentes, e
estes ficarão curados”. 19 Depois de lhes ter falado, o Senhor Jesus foi elevado aos céus e assentou-se à direita de
Deus. 20 Então, os discípulos saíram e pregaram por toda parte; e o Senhor cooperava com eles, confirmando-lhes a
palavra com os sinais que a acompanhavam. (Marcos 16.15-20) Aqui, como os discípulos, recebemos a grande
comissão missionária, onde o Senhor que agora se assenta à direita de Deus nos convoca para que Sua obra continue
por intermédio da Igreja, Seu corpo místico.

2. O QUE É MISSÃO CRISTÃ?


Gosto da definição de Hermann Brandt (2006, p. 37), quando diz: minha definição é muito singela: missão é
impulso para a transformação. Trata-se de uma definição propositalmente minimalista, oriunda da perspectiva
externa. Embora ela não baste para a concepção de Missio Dei (sem excluí-la, entretanto), não se expõe à crítica de
que missão seria exclusivamente proselitismo ou colonialismo. Antes, tal redução da compreensão de missão presta-
se para incluir a múltipla e recíproca influência, distanciamento, adoção e transformação, os quais, muitas vezes, são
excluídos ao se preconizar ou repudiar uma “ordem” autoritativa de fazer missão. A Missão Cristã teve um
desdobramento histórico importante que vale a pena ser percebido: “Até o século XVI, o termo missão era usado
para a Trindade, referindo-se ao ato do Pai enviar o Filho e, do Pai e o Filho enviarem o Espírito Santo. A conotação
era compreendida no sentido da Missio Dei (BOSCH, 2002, p. 17). A partir daí, uma nova conotação emergiu, [1]
“especialmente a partir do século 18, se concebia a missão essencialmente em termos geográficos: era quase
sempre um cruzamento de fronteiras geográficas com o propósito de levar o evangelho [...] para os ‘campos
missionários’ do mundo não-cristão (os países pagãos)” (PADILLA, 2009, p. 14), mas hoje o conceito começa a ser
visto, uma vez mais, como Missio Dei. Como já visto, missão é um atributo divino. Esse conceito difere do que
tradicionalmente era aceito, ou seja, a propagação do cristianismo, historicamente falando.

2.1. Objetivo da Missão Cristã


O objetivo da Missão Cristã é, primordialmente, a salvação da humanidade em todos os seus aspectos. “A
missão não pode ser nada menos que a continuação da atividade redentora de Deus mediante a publicação dos
fatos da salvação. Esta é a sua autoridade maior e sua comissão suprema”. Deus nos envia a dar continuidade na
história da salvação, a história da Missio Dei. A meta da missão cristã não é simplesmente uma salvação individual,
pessoal, nem sequer espiritual; é a realização da esperança da justiça, da socialização de toda a humanidade e da paz
do mundo. Esse outro aspecto de reconciliação com Deus pela realização da justiça foi descuidado pela Igreja. A
Igreja deve trabalhar por essa realização, baseada na esperança futura, como escreveu Moltmann. 16 A Missão
Cristã deve estar intimamente relacionada ao propósito divino e universal, propósito esse enfatizado por Jesus.
Sendo assim, o objetivo da Missão Cristã é produzir não somente discípulos, mas também trazer de volta ao Pai Seus
filhos, para que sejam transformados dia a dia segundo a imagem do Filho de Deus, e possam se transformar em
proclamadores das palavras de salvação a outros. Efésios 4.13 – “até que todos cheguemos à unidade da fé e ao
conhecimento do filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo”.

2.2. Motivação para Missão Cristã


Motivação é um dos mais importantes processos que explicam a conduta humana. Pode ser definida como uma
ação dirigida a objetivos, sendo autorregulada, biológica, cognitivamente e espiritualmente. Define-se pelo desejo
de exercer altos níveis de esforço em direção a determinados objetivos. Ou “conjunto de processos que dão ao
comportamento uma intensidade, uma direção determinada e uma forma de desenvolvimento próprias da atividade
individual” (HOUAISS, 2007, p. 1297). Há quem diga, num jogo de palavras, que motivação seja o ‘motivo da ação’,
isto é, qual a razão/motivo que está por trás da ação? O que impulsiona tal ação? Em nossa opinião, quem melhor
respondeu a estas questões foi o apóstolo Paulo em sua carta aos Filipenses (2.1-11, grifos do autor), 1 Se por
estarmos em Cristo nós temos alguma motivação, alguma exortação de amor, alguma comunhão no Espírito, alguma
profunda afeição e compaixão, 2 completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, um
só espírito e uma só atitude. 3 Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os
outros superiores a si mesmos. 4 Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos
outros. 5 Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus, 6 que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual
a Deus era algo a que devia apegar-se; 7 mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando se semelhante aos
homens. 8 E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de
cruz! 9 Por isso Deus o exaltou à mais alta posição e lhe deu o nome que está acima de todo nome, 10 para que ao
nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, 11 e toda língua confesse que Jesus Cristo
é o Senhor, para a glória de Deus Pai. O motivo da ação evangelística não pode, de maneira alguma, ser a ambição
egoísta ou a vaidade (muitas vezes percebemos o quanto isso motiva alguns, igrejas maiores, mais recursos, maior
reconhecimento pessoal etc.). Paulo escreve que devemos aprender com o Senhor Jesus, em Sua humildade e
obediência, agindo para a glória de Deus.

Qual era o segredo de tal fervor nas ações evangelísticas da Igreja Primitiva? Qual a motivação no cumprimento
da Missão? Para oferecer uma resposta a esta questão recorremos a Green (1984), em sua obra “Evangelização na
Igreja Primitiva”, onde este autor resume em pelo menos três aspectos, três sentimentos, que norteavam as ações e,
sem dúvida, era à motivação para cumprir o chamado do Senhor. 1. O Sentimento de Gratidão 2. O Sentimento de
Responsabilidade 3. O Sentido de Preocupação.

3. Missão Nacional
4. Missão Transcultural
5. Missão atual
PACTO DE LAUSANNE Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos
pecados e ressuscitou, segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão
dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e creem. Mas a evangelização
propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito
de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o
convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos
os que queiram segui-lo a negarem a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova
comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e
um serviço responsável no mundo. *Documento produzido durante o Congresso Internacional de
Evangelização Mundial, realizado em Lausanne, Suíça, de 16 a 25 de julho de 1974, com a presença de
2.700 participantes, representando mais de 150 países.

Qual o “papel” da Igreja no processo de evangelização? Para estudarmos este tópico, recorremos às palavras
de Damy Ferreira, como seguem: Segundo o Novo Testamento, a tarefa de evangelizar foi dada aos crentes na
qualidade de membros do corpo de Cristo, a Igreja. Entendem os eruditos das Escrituras, que a Igreja surgiu
efetivamente em Atos 2.1-42, na descida do Espírito Santo. E foi essa igreja que se preparava para a sua formalização
que recebeu a incumbência de ser testemunha de Cristo (Atos 1.8). A mesma ideia de igreja, reunida quando Jesus
deu aos crentes a tarefa de pregar o Evangelho a toda a criatura, encontra-se em Mateus 28.16-20 e Marcos 16.9-20.
Não é, pois, sem razão, que o apóstolo Paulo diz que Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela (Efésios
5.25). Isto é, ao morrer pelo pecador, e salvá-lo, Cristo estava determinando que ele seria inevitavelmente incluído
no Seu Corpo, a Igreja, e virá buscar a sua Igreja, que é chamada a noiva do Cordeiro. Eis porque nestes últimos
tempos, tem havido um esforço muito grande para fugir desta realidade e eliminar o fator igreja do cristianismo. Daí,
têm surgido muitas organizações missionárias sem vínculo com qualquer igreja. No entanto, esta tendência não
resiste a provas das Escrituras (FERREIRA, 2001, p.31). Precisa ser entendido que a Igreja não é simplesmente uma
organização/instituição de quatro paredes com endereço e CNPJ, ela transcende a tudo isso, ela é viva e acontece a
partir da vida de cada um de seus membros. Ela é o resultado da unidade entre seus membros e tem como líder
máximo, inspirador e edificador o Senhor Jesus, embora necessite (para nossa perspectiva) ser organizada nos
moldes que conhecemos, ela abriga um grande mistério – ser Corpo de Cristo. Quando cada um desempenha o
chamado que recebeu, a Igreja se movimenta em obediência ao que o Senhor estabeleceu. Embora cada um receba
do Senhor capacidades e chamados específicos, há um ponto em comum entre todos os cristãos, todos somos
chamados a evangelizar, mesmo que em espaços e condições diferentes, todos somos chamados a evangelizar.
5.1. Missão é Evangelizar
Recorremos a um artigo do pastor Sérgio Paulo Ribeiro Lyra (online)8 , no qual nos apresenta Deus
comissionando Seu povo para cumprir a missão de evangelizar. Afirma o pastor Lyra que a missão foi comissionada
ao povo de Deus, pois foi por decisão divina que a nação de Israel foi feita povo missionário de Deus e,
posteriormente, a responsabilidade e privilégio recaiu sobre a igreja (I Pedro 2.9-19). Essa verdade revelada nos leva
a indagar: qual a missão desse povo escolhido por Deus? Não é difícil responder que a adoração vem em
primeiríssimo lugar. Por adoração, devemos entender uma vida pessoal dedicada a Deus, obediente aos
mandamentos revelados na Bíblia (João 14.21) e a expressão cúltica comunitária daqueles que participam da mesma
fidelidade ao Senhor. Uma vida inteira voltada para adorar e não apenas momentos de adoração coletiva em alguns
dias. O profeta Isaías, 700 anos antes da vinda de Jesus, profetizou acerca dessa responsabilidade missionária. O
Deus único e verdadeiro estava anunciando antecipadamente através daquele profeta a nova aliança que Ele estava
para fazer com o seu povo (Isaías 42.6). A nova aliança seria o cumprimento do que já fora prometido acerca da
salvação, mas também traria uma nova responsabilidade para o povo através de Jesus: “Eu [Deus] o enviei como
garantia da aliança que farei com o meu povo, como a luz da salvação que darei aos outros povos” (Isaías 42.6).
Observe que a salvação trazida ao povo de Deus pelo Messias tem como objetivo levar a salvação aos outros povos.
Aqui reside o centro da missão da igreja, o povo escolhido de Deus. Os missionários de Deus no mundo são as
pessoas que já foram transformadas pela graça de Cristo. Esta verdade bíblica põe por terra a ideia errada e tão
difundida em nossas igrejas que missionários são apenas aqueles que foram vocacionadas para levar o Evangelho a
povos em lugares distantes. Destaco também que levar o Evangelho não deve ser entendido apenas como o anúncio
da mensagem de esperança e fé em Jesus, mas também a chegada dos valores do Evangelho. Sem deixar de
reconhecer o anúncio do Evangelho como a melhor e mais importante notícia para o ser humano, mas também sem
desprezar as boas obras, trago a excelente definição do missiólogo David Bosch (2002, p, 476) acerca da missão do
povo de Deus: “Missões é o povo de Deus vivendo o Evangelho em palavras e ações, quebrando barreiras em
direção da não-fé e da não-igreja”. Escreve ainda o autor que é também missão o anunciar a glória de Deus e além
de anunciar que Deus, através de Jesus Cristo, providenciou a salvação da desgraça gerada pelo pecado, a missão do
povo de Deus implica em mostrar a grandeza gloriosa, magnífica e única de Deus, o Criador e Senhor de tudo e
todos. O profeta Isaías, ao perceber a grandiosidade da obra missionária do Messias, bradou: “Que o Senhor Deus
seja louvado, e que a sua glória seja anunciada no mundo inteiro!” (Isaías 42.12).
5.2. Todos fomos chamados para fazer Missão
A tarefa de todo aquele que é membro da Igreja de Jesus Cristo é o de testificar aos outros de sua própria
experiência, do amor perdoador revelado na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Uma das razões que nos
faz enfatizar missões hoje em dia é que a Igreja do século XXI tem se esquecido de sua principal tarefa. Hoje se
pensa mais no próprio conforto, no próprio programa, na sua própria forma; e assim a Igreja está perdendo a
sua identidade (LEITE FILHO, 2004. p.26). O Cristo que a igreja reconhece como Senhor é o Senhor de todo o
universo. Nesta afirmação de seu senhorio universal, a igreja encontra a base para sua missão. Cristo foi coroado
como Rei, e Sua soberania se estendem sobre a totalidade da criação. Como tal, Ele comissiona os Seus
discípulos a fazer discípulos de todas as nações (PADILLA, 2005, p.39).

Não nos esqueçamos de que o grande primeiro motor da pregação do Evangelho não vem de fora (da
“necessidade do mundo”), tampouco de dentro (do “impulso religioso”), mas de cima, como coerção divina – ai
de mim se não pregar o Evangelho!

5.3. É Deus que chama para a Missão


Alguém certa vez disse que Deus não tem uma missão para a sua Igreja, mas uma Igreja para a Sua missão, a
missão de proclamar o Evangelho a todos e em todos os lugares. A Igreja do Senhor, formada/constituída do povo
que Ele resgatou e salvou. Recorro novamente a Bosch4 (2002.) para aqui apresentar alguns aspectos interessantes
para nosso estudo: Em um estudo discernente, identificou cinco tipos eclesiais principais. A igreja o propõe, pode ser
vista como instituição, como corpo místico de Cristo. Como sacramento, como arauto ou como servo. Qualquer uma
dessas concepções implica uma interpretação diferente da relação entre igreja e missão. Numa perspectiva histórica,
escreve que os católicos sempre tiveram a igreja em elevado conceito. Isso explica por que os dois primeiros
modelos de Dulles tendem a predominar na eclesiologia católica. Realçando o primeiro deles, afirma-se que, desde a
Contrarreforma até a segunda metade do século 19, a ênfase prevalecente estava no externo, no jurídico e no
institucional. Durante o século 20, o conteúdo das asserções sobre a igreja começou gradualmente a mudar. Via-se a
igreja agora como Corpo de Cristo, e não, primordialmente, como uma instituição divina. Esse desenvolvimento
culminou na promulgação da encíclica Mystici Corporis Christi, em 1943, mas não rompeu com a eclesiologia que a
precedeu; a encíclica deixa transparecer uma identificação incondicional do corpo místico de Cristo com a Igreja
Católica Romana empírica e inclinava-se por um conceito menos elevado de igreja. Muitas vezes, distinguia-se a
“igreja verdadeira” – a ecclesiola ou pequena igreja – dentro da ecclesia, à igreja grande e nominal; essa ecclesiola, e
não a igreja oficial tendia a ser vista como a verdadeira portadora da missão. Aqui havia um apreço ainda menor pela
ideia de igreja como portadora da missão. Seguia-se amplamente o “princípio do voluntariado”. Grupos de
indivíduos – às vezes, membros de uma denominação, outras vezes, crentes de várias denominações – reuniam se
em sociedades missionárias que eles consideravam portadoras da missão. Paulatinamente, no entanto, apareceu
uma mudança fundamental na percepção da relação entre igreja e missão, tanto no catolicismo quanto no
protestantismo, de modo que Moltmann (1977, p.68) pode afirmar: “Atualmente, um dos impulsos mais vigorosos
para a renovação do conceito teológico de igreja provém da teologia da missão”. O Deus da redenção é também o
criador e juiz de toda a humanidade que deseja a justiça e a reconciliação para todos. Seu propósito para a igreja,
portanto, não pode ser separado de seu propósito para o mundo. A igreja somente é entendida corretamente
quando for vista como o sinal do Reino universal de Deus, os primeiros frutos da humanidade redimida. Aqui e
agora, em antecipação do fim, na igreja e por meio dela, todo o mundo é colocado sob o senhorio de Cristo e,
portanto, sob a promessa de Deus de um novo céu e uma nova terra no Reino de Deus (PADILLA, 2005, p.85). Aqui a
igreja não é a remetente, mas a remetida. Sua missão (o fato de “ser enviada”) não é secundária em relação à sua
existência; a igreja existe ao ser enviada e edificar-se visando à sua missão. A eclesiologia, portanto, não precede a
missiologia. A missão não constitui uma atividade periférica de uma igreja firmemente estabelecida, uma causa
piedosa que [pode] ser atendida quando o fogo doméstico já [está] queimando fulgurantemente. A atividade
missionária não é tanto uma ação da igreja, mas é simplesmente a igreja em ação, trata-se de um dever que é de
toda a igreja, visto que Deus é Deus missionário o seu povo deve ser missionário também. Não se pode mais falar de
igreja e missão, apenas falar da missão da igreja. Na obra “Missões e Antropologia”, Filho (2004) aponta, com base
em Atos dos Apóstolos 1.8, que na história da Igreja, esse testemunhar tem tomado muitas formas. A missão tem
sido levada de muitas maneiras. Através do Novo Testamento, lemos sobre testemunhas verbais, mas há evidências
de outras atividades pelas quais os cristãos causaram impacto nas vidas das pessoas de suas comunidades, ou seja: a
adoração dos cristãos primitivos, a natureza de suas vidas diárias, de seu cuidado com suas necessidades físicas, sua
coragem sob o fogo (todos testificavam do que Deus queria dizer ao Seu povo), e a diferença do senhorio de Jesus
Cristo em suas vidas. A Igreja reconhecia que a obediência a Deus requer firmeza contra algumas práticas sociais e
crenças de seu tempo, tais como: tratamento dos escravos, morte dos inocentes, a degradação da mulher, o
abandono das viúvas, o insulto à criança etc. E acrescenta que, até hoje, a Igreja de Jesus Cristo permanece no
mundo como a luz verdadeira que alumia nas trevas, como disse João Batista. Ela é totalmente apologista da fé em
Jesus Cristo. Essa Igreja que tem atravessado os séculos é a única agência defensora das verdades divinas
fundamentais. Por esta razão, a Igreja deve defender tudo aquilo que implica em verdade (e vida). Jesus Cristo disse
que o mundo não podia compreender o mistério da vinda do Espírito para habitar corporalmente no seio da Igreja,
mas disse Ele: “Vós entendereis”, acrescentando ainda: “Quando Ele vier convencerá o mundo do pecado, da justiça
e do juízo”. Desta forma, a Igreja (que foi tirada para fora), deve compreender a razão de sua inauguração no Dia de
Pentecostes. Pelo seu estabelecimento sob a unção do Espírito, passamos a compreender que ela foi fundada para
salvar (aí se usa o verbo, no grego, que significa salvar do pecado, das doenças, aflições, culpas e juízo eterno) o
mundo inteiro. Portanto, a missão da Igreja é opor-se a tudo aquilo que leva à ruína espiritual. O remédio para a cura
do ser humano não se encontra no antropólogo, cientista, biólogo, matemático, psiquiatra ou estadista, mas sim na
Igreja composta de homens e mulheres transformados pelo poder da obra de redenção de Jesus Cristo. Assim,
missão é a propagação das boas novas ao que perece (LEITE FILHO, 2004).

5.4. A MISSÃO DA IGREJA À LUZ DO REINO DE DEUS


Para este subtópico, recorremos a René Padilla (2005), onde este autor nos diz que cada tentativa de definir a
relação entre o Reino de Deus e a Igreja, por um lado, e entre o Reino de Deus e o mundo, por outro, será
necessariamente incompleta. Falar do Reino de Deus é falar do propósito redentor de Deus para toda a criação e da
vocação histórica que a igreja tem com respeito a este propósito aqui e agora, “entre os tempos”. É também falar de
uma realidade escatológica que constitui simultaneamente o ponto de partida e a meta da igreja. A missão da igreja,
consequentemente, só pode ser entendida à luz do Reino de Deus. Precisa haver uma centralidade do Reino, pois o
Reino é a ótica e o caminho para o qual se movimenta o caminho da missão. Não se pode separar o Reino da pessoa
de Jesus, como também não se pode identificar a Igreja com o Reino. Ela está no mundo a serviço do Reino já
acontecendo na história e aberto ao futuro. O reino, neste sentido, é mais amplo do que a Igreja.

Qual o “papel” da Igreja no processo de evangelização? Para estudarmos este tópico, recorremos às palavras de
Damy Ferreira, como seguem: Segundo o Novo Testamento, a tarefa de evangelizar foi dada aos crentes na
qualidade de membros do corpo de Cristo, a Igreja. Entendem os eruditos das Escrituras, que a Igreja surgiu
efetivamente em Atos 2.1-42, na descida do Espírito Santo. E foi essa igreja que se preparava para a sua formalização
que recebeu a incumbência de ser testemunha de Cristo (Atos 1.8). A mesma ideia de igreja, reunida quando Jesus
deu aos crentes a tarefa de pregar o Evangelho a toda a criatura, encontra-se em Mateus 28.16-20 e Marcos 16.9-20.
Não é, pois, sem razão, que o apóstolo Paulo diz que Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela (Efésios
5.25). Isto é, ao morrer pelo pecador, e salvá-lo, Cristo estava determinando que ele fosse inevitavelmente incluído
no Seu Corpo, a Igreja, e virá buscar a sua Igreja, que é chamada a noiva do Cordeiro. Eis porque nestes últimos
tempos, tem havido um esforço muito grande para fugir desta realidade e eliminar o fator igreja do cristianismo. Daí
tem surgido muitas organizações missionárias sem vínculo com qualquer igreja. No entanto, esta tendência não
resiste a provas das Escrituras (FERREIRA, 2001, p.31).
5.5. A MISSÃO DE EVANGELIZAR
Recorremos a um artigo do pastor Sérgio Paulo Ribeiro Lyra (online)8 , no qual nos apresenta Deus
comissionando Seu povo para cumprir a missão de evangelizar. Afirma o pastor Lyra que a missão foi comissionada
ao povo de Deus, pois foi por decisão divina que a nação de Israel foi feita povo missionário de Deus e,
posteriormente, a responsabilidade e privilégio recaiu sobre a igreja (I Pedro 2.9-19). Essa verdade revelada nos leva
a indagar: qual a missão desse povo escolhido por Deus? Não é difícil responder que a adoração vem em
primeiríssimo lugar. Por adoração, devemos entender uma vida pessoal dedicada a Deus, obediente aos
mandamentos revelados na Bíblia (João 14.21) e a expressão cúltica comunitária daqueles que participam da mesma
fidelidade ao Senhor. Uma vida inteira voltada para adorar e não apenas momentos de adoração coletiva em alguns
dias. O profeta Isaías, 700 anos antes da vinda de Jesus, profetizou acerca dessa responsabilidade missionária. O
Deus único e verdadeiro estava anunciando antecipadamente através daquele profeta a nova aliança que Ele estava
para fazer com o seu povo (Isaías 42.6). A nova aliança seria o cumprimento do que já fora prometido acerca da
salvação, mas também traria uma nova responsabilidade para o povo através de Jesus: “Eu [Deus] o enviei como
garantia da aliança que farei com o meu povo, como a luz da salvação que darei aos outros povos” (Isaías 42.6).
Observe que a salvação trazida ao povo de Deus pelo Messias tem como objetivo levar a salvação aos outros povos.
Aqui reside o centro da missão da igreja, o povo escolhido de Deus. Os missionários de Deus no mundo são as
pessoas que já foram transformadas pela graça de Cristo. Esta verdade bíblica põe por terra a ideia errada e tão
difundida em nossas igrejas que missionários são apenas aqueles que foram vocacionadas para levar o Evangelho a
povos em lugares distantes. Destaco também que levar o Evangelho não deve ser entendido apenas como o anúncio
da mensagem de esperança e fé em Jesus, mas também a chegada dos valores do Evangelho. Sem deixar de
reconhecer o anúncio do Evangelho como a melhor e mais importante notícia para o ser humano, mas também sem
desprezar as boas obras, trago a excelente definição do missiólogo David Bosch (2002, p, 476) acerca da missão do
povo de Deus: “Missões é o povo de Deus vivendo o Evangelho em palavras e ações, quebrando barreiras em
direção da não-fé e da não-igreja”. Escreve ainda o autor que é também missão o anunciar a glória de Deus e além
de anunciar que Deus, através de Jesus Cristo, providenciou a salvação da desgraça gerada pelo pecado, a missão do
povo de Deus implica em mostrar a grandeza gloriosa, magnífica e única de Deus, o Criador e Senhor de tudo e
todos. O profeta Isaías, ao perceber a grandiosidade da obra missionária do Messias, bradou: “Que o Senhor Deus
seja louvado, e que a sua glória seja anunciada no mundo inteiro!” (Isaías 42.12). Anunciar a glória de Deus significa
falar, divulgar, difundir e mostrar as maravilhas, a beleza singular, o saber infinito e os poderosos feitos de Deus, o
único e verdadeiro Deus (Salmo 19.1). As pessoas que não conhecem essa verdade não podem adorar a Deus pelo
que Ele é e fez. Logo, se faz necessário e urgente que o povo conhecedor da glória divina seja o divulgador de tão
preciosa e importante mensagem e grandiosas ações. O povo de Israel era o foco das ações maravilhosas de Deus,
ações que deveriam servir como amostra do que Deus faz pelo seu povo. De forma bastante clara, a nação de Israel
deveria ser uma espécie de nação showroom, uma vitrine aos demais povos do que realmente seria um povo
governado por Deus na sua integralidade. Os escritos do Novo Testamento fazem a mesma proposta missionária
para a igreja. Jesus ordenou: “vão a todos os povos do mundo e façam com que sejam meus seguidores, batizando-
os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que tenho ordenado a vocês”
(Mateus 28.19-20). A diferença entre o povo de Israel e a Igreja é que a Igreja não é mais uma “vitrine fixa”, imóvel,
que espera que os de fora venham e se aproximem para observar. A Igreja deve ser vista como “mostruário
ambulante” da glória de Deus, comunidade que deve ir ao encontro da não igreja. Pela própria etimologia da palavra
“igreja”, ela é uma comunidade “chamada para fora”. O povo missionário de Deus não tem a missão voltada para si
mesmo, mas para o mundo. Acredito que devemos repetir as mesmas palavras que o profeta Isaías proferiu e nos
prontificarmos e moldarmo-nos como servos dessa missão: “Cantem ao Senhor uma nova canção! Que ele seja
louvado no mundo inteiro, pelos que navegam nos mares, pelas criaturas que vivem nas águas do mar e pelos povos
de todas as nações distantes!” (Isaías 42.10). A missão da Igreja de Jesus nasceu no coração do Deus ao qual
servimos e adoramos com nossas vidas. A glória de Deus já pode ser experimentada pelo seu povo. O serviço a Deus
não é penoso ou resultado de pura obrigação sem prazer (Salmo 1.1,2). Servir ao Senhor Deus é fator produtor de
alegria. Anunciar às pessoas as maravilhas do nosso Deus é privilégio muito recompensador.
6. O 3 modos de fazer Missão

6.1. O envio de Missionários

Na igreja primitiva Deus separou os melhores obreiros e os enviou a pregar. A igreja enviadora ficou na
retaguarda e eles foram desbravando campos, ganhando vidas para Cristo e plantando igrejas.

Em menos de cinqüenta anos, o Império Romano foi evangelizado, foi uma verdadeira revolução. Hoje, os desafios
são enormes. Há portas abertas em todo o mundo e também portas que estão sendo fechadas.
Devemos rogar ao Senhor da seara que envie trabalhadores para a sua seara. Nós e nossos filhos podemos ser
levantados e enviados por Deus para pregar sua santa Palavra, aqui, ali e além-fronteira.

Fazer a obra de Deus não é um sacrifício, mas um privilégio. Charles Studd disse acertadamente: “Se Jesus Cristo é
Deus e ele deu sua vida por mim, nenhum sacrifício é grande demais que eu faça por amor a ele”.
Nenhuma missão na terra é mais nobre, mais importante, mais urgente e mais compensadora. Ser embaixador de
Deus é uma posição mais honrosa do que ocupar os mais altos escalões dos governos terrenos.

6.2. A intercessão pelos missionários

A oração toca o mundo inteiro. Ela não tem fronteiras geográficas, barreiras linguísticas nem preconceitos
culturais. Pela oração podemos nos envolver com os povos da terra; pela oração podemos inflamar nosso coração
pela obra de Deus; pela oração podemos sustentar espiritualmente os missionários que estão na linha de frente.

Não existe obra missionária vitoriosa sem oração. Não existem obreiros fortes e poderosamente usados por
Deus sem intercessão. A oração é um dos mais importantes trabalhos que a igreja pode fazer por missões, pois
quando a igreja ora, o próprio Deus age com poder na realização da sua obra.
Pela oração vem o poder do Espírito Santo à igreja. Pela oração as portas para a evangelização são abertas. Pela
oração os missionários são encorajados. As coisas mais importantes que Deus realiza na terra, ele o faz mediante as
orações do seu povo.
6.3. A contribuição financeira

A devoção do nosso coração é medida pela liberalidade do nosso bolso. Não há coração aberto onde o bolso
está fechado. A Bíblia diz que onde está o nosso tesouro, aí estará também o nosso coração. Não há amor por
missões onde a contribuição missionária é inexistente.
O nosso amor por Deus e pela sua obra é proporcional à disposição que temos para investir na evangelização dos
povos. O melhor investimento que podemos fazer é contribuir com missões, pois quem ganha almas é sábio.
Quem contribui com missões faz uma semeadura com colheita garantida e de resultados eternos. Não podemos
separar nossa espiritualidade da contribuição. Quando entregamos o dízimo a Deus e ofertamos com alegria,
estamos nos tornando cooperadores de Deus na implantação do seu reino.

7. Missão no Novo Testamento


É bom deixar claro desde o começo que o NT não apresenta uma visão uniforme da missão, mas cada escrito
tem sua própria maneira de tratar a questão, de modo que é preciso tomar consciência de que estamos diante de
uma variedade de enfoques, de modelos e de teologias da missão. Isso nos leva a considerar sumariamente a
perspectiva de todos os evangelistas.

7.1. A MISSÃO EM PAULO


O 1o aspecto que chama a atenção é a vocação de Paulo. O acontecimento de Damasco (At 9;22;26; Gl 1,11-17;
1Cor 9,1-2; 15,8-10) é fundamental para compreender e definir a sua missão. “Deus me enviou... para proclamá-lo
entre os Gentios” (Gl 1,15s). Para expressar a sua vocação-missão Paulo si identifica com as figuras proféticas de
Jeremias e do Dêutero-Isaías. Na experiência a caminho de Damasco ele descobre Jesus não só como Ressuscitado,
mas como Soberano universal, que oferece a sua salvação a todos, judia e pagã. Esta convicção está na origem de
sua missão. A missão de Paulo é universal. Em Rm 1,1 ele se apresenta como “servo de Jesus Cristo / apóstolo
escolhido para o Evangelho de Deus” e logo mais adiante afirma ser “devedor a gregos e a bárbaros...” (Rm 1,14); ele
coloca o Evangelho no centro de toda a sua existência e de toda a sua atividade (Rm 1,16s). Nesse sentido ele se
considera apóstolo entre judeus e gentios, mostrando que a sua missão depende totalmente da iniciativa divina.
Segundo Paulo, a partir da Soberania divina: “não há mais distinção entre judeus e gentios, o mesmo Senhor é o
Senhor de todos... (Rm 10,12; cf Gl 3,28; At 10,36). É este o “Evangelho” que ele anuncia em sua atividade
missionária: a graça de Deus é a fonte/fundamento da missão. O texto de 2Cor 5,14-21 apresenta a missão como
ministério de reconciliação. Algumas expressões podem iluminar o modo de Paulo entender a missão. Em 1o lugar
realça a importância da morte e da ressurreição de Jesus: ele morreu e ressuscitou por todos. Nisso ele encontra o
mais profundo motivo da missão, pois é a experiência do amor de Cristo que o impulsiona a anunciar o Evangelho
(vv.14-15). Em 2o lugar mostra como isso o transformou em “embaixador de Cristo” ou “ministro da reconciliação”
(vv. 18-20). Em decorrência disso Paulo não tem uma autoridade e uma mensagem própria, tudo isso lhe foi
entregue: o protagonista de tudo é Deus que age em Jesus Cristo. Surge então a necessidade de anunciar o
Evangelho (1Cor 9,16): “Anunciar o Evangelho...é uma necessidade que se me impõe: ai de mim se não evangelizar”.
Livre em relação a todos, Paulo se faz servo de todos (v. 19) e se torna tudo para todos (v. 22) e tudo faz por causa
do Evangelho (v. 23). Ele se dedica totalmente ao Evangelho indo ao encontro dos outros lá onde eles estão e
respeitando o que eles são (judeus, pagãos, fracos) com a finalidade de “ganhá-los” ao Evangelho. É interessante
notar o contraste entre “livre” e “servo” (v.19): se ele sendo livre se faz servo é porque tem como modelo o próprio
Cristo (9,21: está sob a “Lei de Cristo”). Por trás disso ele deixa transparecer que na base do seu modo de agir está o
“amor de Deus”. Na exortação aos Gálatas ele se expressa de maneira semelhante: “Carregai o peso uns dos outros
e assim cumprireis a Lei de Cristo” (Gl 6,2;cf Rm 13,8). Para Paulo o Evangelho de Jesus é destinado a todos
indistintamente e pode ser proclamado com eficácia sem se impor a ninguém. Dessa forma Paulo não Paganiza os
judeus nem judaíza os pagãos, mas leva a ambos ao encontro com Cristo. Entretanto Paulo está bem consciente de
que diante de sua pregação pode haver rejeição. Para evitar que o Evangelho seja confundido com uma ideologia, ou
seja, considerado como simples propaganda religiosa, toma as devidas distâncias do judaísmo e do paganismo,
porque os primeiros “pedem sinais” e os pagãos “buscam sabedoria” (1Cor 1,22-24): os dois nesse sentido não
passam de autossuficiência humana. Com efeito, para o egocentrismo religioso judaico o Crucificado é escândalo, e
para o egocentrismo intelectual grego é realmente uma loucura. Entretanto Paulo anuncia que Deus tomou a
iniciativa de se revelar através da cruz do seu Filho. O conteúdo essencial da missão de Paulo é o mesmo que
recebeu da tradição das primeiras testemunhas: Jesus morto e ressuscitado (1Cor 15,1-5). Ele fala, porém do “seu
evangelho” (Rm 2,16; 2Cor 4,3) para desvincular o anúncio cristão do condicionamento judaico, não no sentido de
abolir todas as diferenças (culturais, sociais e antropológicas: Gl 3,28), mas no sentido de indicar que elas não
determinam mais o sentido e o destino da vida cristã. Deus não discrimina ninguém e trata todo mundo com
absoluta imparcialidade (cf At 10,34-35). Paulo faz questão de evidenciar que está em jogo a “verdade do
Evangelho” (Gl 2,14), e os Gálatas, ameaçados pela atividade dos judaizantes são repreendidos por terem passado
depressa a outro evangelho (Gl 1,6- 8). O livro dos Atos pode dar a impressão de que Paulo seja quase
exclusivamente um pregador itinerante, mas levando em conta também as informações das cartas paulinas, ele não
só funda, mas também acompanha o crescimento cristão das comunidades. Como método missionário ele escolhe
os grandes centros urbanos onde se desenvolve a cultura, o comércio, a religião, e onde se formam as opiniões e as
filosofias. Nesses centros Paulo funda comunidades cristãs, e dentro delas suscita as lideranças de modo que o
Evangelho se irradie pelas redondezas alcançando os povoados vizinhos. A partir dos centros de Corinto e de Éfeso
funda as comunidades de Cencréia (Rm 16,1-2) e aquelas de Colossos e de Laodicéia no vale do Lico (Col 1,7; 4,16). A
missão de Paulo é abrangente e quer alcançar a todos. Para não criar problemas aos outros ele faz questão de
trabalhar com as próprias mãos (1Cor 4,12; 1Ts 2,9); prega antes de tudo nas sinagogas dos centros urbanos onde
não encontra somente os judeus da diáspora, mas também muitos pagãos simpatizantes do judaísmo, mas anuncia
também nas casas de Lídia em Filipos, e de Jasão em Tessalônica, na casa de Áquila e Priscila (1Cor 14,19) e de Tício
Justo e Gaio em Corinto (At 18,7). Nisso ele encontra um ponto de apoio para a difusão da mensagem cristã, mas
leva adiante a sua missão inclusive no lugar de trabalho (1Ts 2,9.11). Cerca-se de muitos colaboradores organizando
o seu trabalho de forma articulada e eficiente: há um grupo de colaboradores mais próximo (Barnabé, Silas e
Timóteo) outro grupo goza de mais autonomia (Áquila e Priscila, Tito) e outros representantes das várias
comunidades. No caso da grande coleta para os pobres de Jerusalém, incentiva as suas comunidades para que sejam
solidárias e manifestem concretamente a unidade da igreja (Rm 15,25-28; 1Cor 16,1-4; 2Cor 1,16; 8-9;Gl 2,10).

7.2. A MISSÃO NOS ATOS DOS APÓSTOLOS


O livro dos At pode ser entendido como o itinerário da experiência missionária que leva a mensagem cristã
da Palestina, província periférica do império, até Roma, o seu centro. As cartas de Paulo mostram o nascimento,
a formação e o desenvolvimento das comunidades que são fruto do anúncio evangélico. De forma sintética
assinalamos só alguns aspectos significativos que nos At marcam o itinerário da missão: a força da Palavra e do
Espírito, o Testemunho e a abertura universal. A fonte da missão Quando Lucas escreve o livro dos At nos
grandes centros urbanos do império já existem grupos ou comunidades cristãs. Para poder reconstruir sua
difusão ele realça 3 elementos importantes: a) A iniciativa divina é a fonte da expansão do movimento cristão; b)
Ela se manifesta especialmente nos momentos cruciais da história: no início os Apóstolos recebem solenemente
a ‘missão’; no centro acontece a passagem do mundo judaico ao mundo pagão, e no fim o desenvolvimento da
missão de Paulo tem como meta Roma, o centro do império. c) O ‘Programa’ a ser desenvolvido é anunciado em
At 1,8: “Mas recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em
Jerusalém e em toda a Judéia e Samaria e até as extremidades da terra”. Estas Palavras de Jesus antes da
Ascensão serão confirmadas pelo Espírito Santo no dia de Pentecostes, dessa forma os Apóstolos recebem a
habilitação e a missão de anunciar o Evangelho a todos os povos. Para Paulo não é diferente, pois na origem da
sua missão está a iniciativa gratuita de Jesus ressuscitado e lhe entrega a tarefa de ser ‘ servo e testemunha’
(26,16). Deus é o verdadeiro protagonista da missão, é a fonte que sustenta e acompanha o caminho de seus
apóstolos, e que habilita Paulo para a missão universal (9,3-6.15; 22,6- 10.14-15; 26,12-18). Também no caso da
1a missão oficial na diáspora judaica, em Antióquia fora da Palestina, a iniciativa é do Espírito Santo que escolhe
Barnabé e Paulo (13,2). No episódio de Cornélio, a presença divina atua em profundidade na vida dos
personagens envolvidos. O testemunho gratuito do Espírito provoca uma ‘conversão’ também em Pedro que
deve abandonar certas ‘amarras’ que o prendem à religião judaica para poder encontrar “humanamente” o
pagão Cornélio (10,44-47). Esta nova realidade deverá ser reconhecida publicamente pela igreja de Jerusalém:
“Também aos pagãos Deus concedeu a conversão para a vida” (11,18; cfr. 15,8). A reviravolta histórica que
produz a passagem da missão cristã do mundo judaico ao mundo pagão é atribuída unicamente à iniciativa de
Deus. Assim Paulo e Barnabé voltando da 1a atividade missionária relatam à comunidade de Antióquia e àquela
de Jerusalém “tudo aquilo que Deus tinha feito com eles abrindo aos pagãos a porta da fé” (14,27; 15,12). Lucas
mostra que todos os ‘protagonistas’ da missão atuam segundo um projeto guiado pela iniciativa divina. A difusão
do cristianismo primitivo é fruto da resposta pronta e generosa dos que foram enviados por Jesus ressuscitado,
os quais atuam sob o impulso do Espírito Santo. Os protagonistas da missão Lucas prioriza a iniciativa divina, mas
realça também os protagonistas da missão. Na 1a parte dos At, Lucas dá grande destaque a Pedro e na 2a parte
dá destaque a Paulo. Pedro atua no ambiente judaico de Jerusalém e da Judéia e presença de João ao seu lado
confirma e reconhece a sua autoridade de representante dos Doze. Trata-se de uma responsabilidade eclesial
que deve ser exercida em sintonia com a comunidade em que residem os outros apóstolos (8,14; 11,1-2). O
grupo dos “Sete” também possui seus representantes na figura de Estêvão e de Filipe. Depois da morte de
Estêvão, Filipe evangeliza a Samaria, a costa ao longo do Mediterrâneo até se estabelecer em Cesaréia, onde
anima uma comunidade contando com a ajuda de suas 4 filhas “profetisas” (21,8-9). É claro que Filipe não tem a
envergadura nem de Pedro, nem de Paulo, mas Lucas não quer deixar cair no esquecimento este missionário de
segundo plano, e lhe atribui o título de “evangelista” (21,8). Cristãos Helenistas e que atuam de forma anônima,
percorrem as cidades da Fenícia e anunciam o Evangelho aos pagãos de Antióquia (11,19-21). Também esta
experiência missionária iniciada casualmente recebe o reconhecimento da igreja de Jerusalém mediante o envio
de Barnabé como delegado oficial (11,22). Barnabé é um cristão da ‘1a hora’ que recebe a função de ser
animador da comunidade cristã de Antióquia, e em seguida juntamente com Paulo se torna protagonista da 1a
atividade missionária da diáspora. A partir desse momento surgem outros colaboradores: basta mencionar João
Marcos, cristão de Jerusalém, filho de Maria que hospeda em sua casa um grupo de cristãos; Silas também de
Jerusalém, Timóteo de Listra (15,37-40; 16,1-3). Além do mais, Paulo encontra novos colaboradores nas
comunidades que ele funda. Lucas admira principalmente Paulo que numa década consegue criar uma rede de
comunidades cristãs nos principais centros urbanos do império. Os destinatários da missão No início dos At
ficam estabelecidos o itinerário da missão: de Jerusalém até as extremidades da terra (1,8). A abertura universal
aparece logo no discurso de Pedro ao citar Joel 3,5: “Quem invocar o nome do Senhor será salvo” (2,21),
seguindo a perspectiva de dirigir o anúncio antes aos judeus e depois aos pagãos (3,25-26; 13,26.32-33). O
mesmo acontece em 18,6 quando Paulo entra em choque com a oposição dos judeus da sinagoga. Na parte final
dos At uma citação de Isaías (40,5) confirma e define o horizonte universal da mensagem cristã: “Foi enviada aos
gentios esta salvação de Deus, e eles a ouvirão” (28,28). O fato de o anúncio cristão passar do mundo judaico ao
mundo pagão depende unicamente do projeto divino. Antes de tudo ele se dirige ao ambiente judaico de
Jerusalém, e logo alcança o território da Judéia e da Samaria; em seguida ultrapassa a mentalidade e o território
judaico com a acolhida do pagão Cornélio na igreja; e só depois deste episódio os Helenistas se dirigem aos
pagãos de Antióquia, onde Paulo e Barnabé vão iniciar as grandes viagens missionárias no mundo grego.
Segundo esta trajetória a afirmação de Pedro no seu discurso em Cesaréia ocupa realmente um lugar central:
“Na verdade estou me dando conta de que Deus não é parcial, mas em toda nação, quem o teme e pratica a
justiça lhe é aceito” (10,34). Na base de tudo está o Ressuscitado, o Senhor de todos (10,36); é ele que provoca a
superação das barreiras nacionais judaicas. É a fé nele que dá novo alento à missão que tem sua referência
principal na missão histórica de Jesus de Nazaré. Muitos gestos de Jesus realizados em sua atividade pública são
lembrados para que os discípulos sejam responsáveis de uma missão cada vez mais universal (Lc. 13,29-30;
11,29-32). Outro fator de superação é a experiência da diáspora judaica que tem na sinagoga o seu centro
religioso e cultural. De fato em torno das sinagogas se cria um ambiente de simpatia que leva muitos pagãos à
‘conversão’. Os primeiros destinatários do anúncio cristão fora do judaísmo são os pagãos simpatizantes que
frequentam a sinagoga. Desta forma a experiência da diáspora e o relativo ambiente sinagogal oferecem ao
anúncio cristão o ambiente propício para a sua difusão no império romano. A finalidade e o método missionário
A finalidade de toda atividade missionária encontra a sua expressão mais clara e profunda nas palavras que Jesus
dirige a Paulo: “Este é o motivo por que te apareci: para constituir-te servo e testemunha da visão na qual me
viste e daquelas nas quais ainda te aparecerei. Eu te livrarei do povo e das nações gentias às quais eu te envio
para lhes abrires os olhos e assim se converterem das trevas à luz e da autoridade de satanás para Deus. De tal
modo receberão, pela fé em mim, a remissão dos pecados e a herança entre os santificados” (26,16-18). Aqui
consiste em anunciar a salvação entendida como passagem das trevas à luz, da idolatria à fé, do poder de
Satanás à soberania de Deus. Pela fé em Jesus se obtém a remissão dos pecados e a herança eterna. O método
missionário apresentado por Lc é o seguinte: antes de tudo o anúncio da Palavra parte dos fatos e das
expectativas das pessoas, em seguida interpreta estes fatos à luz do “evento – Jesus” situado dentro do
horizonte das promessas proféticas, e termina com o convite tomar uma decisão concreta de fé e de conversão.
Tudo isso ajuda a construir uma comunidade que seja estável e sólida em sua adesão de fé. Este método
missionário se revela eficaz porque cria uma sintonia com as expectativas e os problemas das pessoas e do
ambiente de modo que a proposta da mensagem cristã dá um novo significado à vida humana. Nesse sentido o
estilo de vida dos missionários e das comunidades se caracteriza como “caminho” (9,2; 16,17; 19,9.23; 24,22). O
encontro com as pessoas, a solidariedade e o diálogo, formam a trama do itinerário missionário mediante o qual
a Palavra de Deus sob o impulso do Espírito dá sentido às expectativas salvífica e oferece uma nova esperança a
todos os homens.
Prova
Missão Matéria 2:
Assinale com o X a letra com a resposta correta (Uma só resposta correta por questão).

1) O que significa a palavra Missão?


A) Significa fazer o que quer.
B) Perguntar se quer ser enviado.
C) Escolher ser enviado.
D) Enviar com uma incumbência.

2) O que é Missão?
A) Levar o evangelho a alguns.
B) Deixar Deus levar o evangelho a alguns.
C) Levar o evangelho a todos.
D) Deixar os Anjos levar o evangelho a todos.
3) O que é Missão Nacional?
A) É evangelizar seu próprio povo.
B) É evangelizar estrangeiros.
C) É mudar de pais e evangelizar os nativos.
D) Pregar placa de Igreja.

4) O que é Missão Transcultural?


A) É obrigar outras culturas a mudarem.
B) É se preparar para evangelizar outras culturas.
C) É evangelizar seu próprio povo.
D) É lutar pelos direitos humanos.

5) Quais os três modos de fazer Missão?


A) Enviando os missionários, orando pelos missionários e contribuindo para missões.
B) Construindo templos bonitos, fazendo cultos de missões para aumentar a igreja local e postando fotos de
missionários em redes sociais.
C) Fazendo Shows, Mandando palavras de apoio a “evangélicos famosos” e assistindo programas gospels.
D) Não precisamos fazer missão, cada igreja deve tomar conta só de seus interesses locais.
1. O que é Bibliológica
2. O que é Bíblia

2.1 Como foi escrita


No tempo que foi escrita a Bíblia não existia papel como hoje, muito menos as máquinas impressoras. A
Bíblia foi escrita à mão, e em diversos materiais, como cerâmica, papiro e pergaminho.

CERÂMICA: conhecida como a arte mais antiga da humanidade. O barro servia para fazer desde vasos, até chapas,
nas quais se escrevia. Muitos textos bíblicos foram escritos nesses " tijolos".

PAPIRO: planta originária do Egito. Nascia e crescia espontaneamente às margens do Rio Nilo, chegando até a altura
de 4 metros. Do Egito o papiro passou para a Síria, Sicília e Palestina (onde foi escrita a Bíblia). Do papiro era feita
uma espécie de folha de papel para nela se escrever. Seu caniço era aberto em tiras e prensado ainda úmido. O
papiro era ainda usado na fabricação de barcos e cestos. Dizem que 3.000 a.C os egípcios já escreviam no papiro.
Tais folhas eram escritas só de um lado e depois guardadas em rolos. Daí que veio a palavra BÍBLIA. A folha tirada do
caule do papiro chamava-se BIBLOS.

BIBLOS = Livro (plural de Biblos = BÍBLIA)

BÍBLIA = os livros ou coleção de livros

PERGAMINHO: feito de couro curtido de carneiro. Começou a ser usado como "papel" na cidade de Pérgamo, pelo
rei Éumens II 200 a.C. Pérgamo era uma importante cidade da Ásia Menor. Os egípcios, com inveja da grande
importância da biblioteca de Pérgamo, não quiseram mais vender papiro para os moradores daquela cidade. Por
isso, o rei de Pérgamo se viu obrigado a usar outro material para a escrita, que foi a pele de ovelha. O pergaminho se
espalhou rapidamente para outras regiões. Os pergaminhos, assim como as folhas de papiro, não eram
"encadernados" num livro como fazemos hoje. Os antigos ligavam umas folhas às outras e faziam "rolos".
1. Data de escrita

2. Harmonia das Escrituras


A harmonia e unidade das Escrituras se constituem num milagre singular. Nunca em qualquer outro lugar e
em circunstâncias tão adversas, se juntaram tantos e diferentes tratados contendo história, biografia, ética e poesia,
para formar um único livro. Neste particular a Bíblia não tem nenhum paralelo com a literatura humana, visto que
todas as condições humanamente falando, não apenas são desfavoráveis, mas fatais a tal combinação.

5.1 Pormenores da Harmonia das Escrituras

A existência da Bíblia até os nossos dias é algo simplesmente miraculoso. Seus 66 livros escritos por cerca de
40 autores, durante um período de mais ou menos dezesseis séculos, somam-se num só com uma mensagem una e
harmônica. Seu aspecto miraculoso e sobrenatural se acentua quando analisados os seguintes elementos, partes do
seu processo de preparação como livro.

5.1.1 Os Escritores: Os homens escolhidos por Deus, para compor a Bíblia, eram homens de praticamente todas as
atividades da vida humanas então conhecidas, razão porque encontramos os mais variados estilos nos seus escritos.
Por exemplo: Moisés foi príncipe e legislador. Josué foi um valoroso soldado. Davi e Salomão foram reis e poetas.
Isaías, estadista e profeta. Daniel, ministro de Estado na Babilônia. Jeremias e Zacarias, sacerdotes e profetas.

Amos, agricultor e vaqueiro. Pedro, Tiago e João, pescadores. Mateus, funcionário público romano. Lucas, médico e
historiador. Paulo, teólogo e erudito. Apesar da variedade de formação e ocupação dos escritores da Bíblia,
examinados os seus escritos, é incrível notar como eles se harmonizam e se inteiram do começo ao fim. Eles não
tomam rumos diferentes. Do começo ao fim eles tratam dum só assunto, formando um só livro.
5.1.2 As Condições: Foram as mais variadas às condições sob as quais os escritores da Bíblia receberam e
registraram a Palavra de Deus. Note, por exemplo: Moisés escreveu os seus livros nas solitárias paragens do deserto
durante a peregrinação do Egito para Canaã. Jeremias, nas trevas e imundícies dum cárcere. Davi, nas campinas e
elevações dos campos. Paulo escreveu suas epístolas ora em prisões, ora em viagens. João escreveu o Apocalipse na
ilha de Patmos quando exilado por causa do testemunho de Jesus Cristo. Não obstante tantas e diferentes condições
em que os livros da Bíblia foram escritos, juntos eles são duma uniformidade incrível. O pensamento de Deus, e não
propriamente o dos seus escritores, corre uniforme e progressivamente através dela, como um rio que brotando da
sua nascente, assemelha-se a um tênue fio d’água que vai se avolumando até se tornar num caudaloso "Amazonas"
de Deus. Esta harmonia e perfeição é uma característica exclusiva do Livro de Deus.

5.1.3 As Circunstâncias: Foram as mais diversas as circunstâncias às quais estavam sujeitos os escritores da Bíblia
quando tiveram de escrever os seus respectivos livros. Partes dos escritos do rei Davi foram feitos no calor das
batalhas, enquanto que Salomão escreveu na paz e conforto dos seus palácios. Alguns dos profetas escreveram os
seus livros em meio à mais profunda tristeza, ao passo que Josué escreveu o seu livro em meio às alegrias da
conquista de Canaã. Apesar dessa pluralidade de condições, a Bíblia apresenta uma uniformidade incrível a fluir
suavemente do Gênesis ao Apocalipse.

5.2 O Porquê da Harmonia e Unidade da Bíblia

Se a Bíblia fosse um livro resultante de esforços puramente humanos, certamente que a sua composição seria algo
extremamente confuso e indecifrável. Seria uma verdadeira Babel.

5.2.1 A Confusão do Homem e a Harmonia Divina: Imaginemos quarenta dos melhores escritores da atualidade,
providos de todos os recursos necessários, isolados uns dos outros, em situações as mais diversas, cada um com a
missão de escrever um livro que juntado aos demais livros formasse um todo perfeito e harmônico. Qual seria o
resultado de tão empreendedor esforço? Não há dúvida, o resultado seria algo confuso. Teríamos algo semelhante a
uma colcha de retalhos, de cores e texturas diferentes. Seria uma verdadeira miscelânea. Pois bem, imaginemos isto
acontecendo nos antigos tempos em que os livros da Bíblia foram escritos. A confusão seria muito maior. Numa
época em que os meios de comunicação em nada se assemelhavam aos de nossos dias, nada a não ser a mente
inteligente de Deus assegurou o sucesso e a harmonia das Escrituras.

5.3 As línguas que a Bíblia foi escrita

5.3.1 hebraico: foi à língua em que foi escrito a maioria do Antigo Testamento. Era a língua falada pelos hebreus e,
atualmente, é a língua oficial do estado de Israel. Apenas alguns trechos do Antigo Testamento foram escritos em
outra língua.

5.3.2 Aramaico: era um grupo de dialetos muito ligado à língua hebraica. Era falado não só em Israel, mas também
em vários outros países da época no mundo bíblico (2 Rs 18. 26). Os trechos bíblicos do Antigo Testamento que
foram escritos em aramaico são: Ed 4. 8-6, 18; Ed 7. 12-26; Dn 2. 4-7, 28 e Jr 10. 11). Todo o restante do Velho
Testamento foi escrito originalmente em hebraico.

5.3.3 grego: Já no Novo Testamento temos como língua original o grego. Ele não foi escrito no grego clássico, mas
em um grego popular que é chamado de grego Coiné.

5.4 Lugares onde a Bíblia foi escrita

A Bíblia foi escrita em lugares diferentes. A maior parte dela foi escrita na Palestina, onde o Povo vivia, por
onde Jesus andou e onde nasceu a Igreja. Algumas partes do Antigo Testamento foram escritas na Babilônia, onde o
povo viveu no cativeiro, 600 anos a.C. Outras partes foram escritas no Egito para onde o povo emigrou depois do
cativeiro. O Novo Testamento foi escrito na Síria, na Ásia Menor, na Grécia e na Itália, onde havia muitas
comunidades, fundadas pelo Apóstolo Paulo. Nesses povos havia a diferença de costumes, de cultura, de religião, de
situação econômica, social e política. Tudo isto deixou marcas na Bíblia e teve influência na maneira da Bíblia nos
apresentar a palavra de Deus.

3. Formação do Canon
3.1 O que é Canon

3.2 Como foi definido o Canon


1. O que é a Bíblia?
Como vimos na primeira aula, quando estudamos a Bíblia como um livro ou literatura que sua etimologia
tem origem da palavra bible (bíblia) é remota. A forma mais antiga de livro de que se tem notícia era um rolo de
papiro, planta abundante às margens do rio Nilo, usada pelos antigos egípcios, gregos e romanos para escrever. A
palavra grega para papiro é biblos, derivada do nome do porto fenício de Biblos (atual Jubayl / Líbano), através do
qual o papiro era largamente exportado. O plural de biblos em grego era ta bíblia, que significava literalmente 'os
livros', e que acabou entrando para o latim eclesiástico para designar o conjunto de livros sagrados que compõem a
Bíblia. Porém a palavra Bíblia não é mencionada em nenhum trecho dos escritos bíblicos, e sim as expressões: As
Escrituras, O Livro, Sagradas Letras, Sagradas Escrituras.

Porem, para nós a Bíblia é muito mais que uma complexa e harmoniosa coleção de livros, e nessa aula irá
estudar as Escrituras por aquilo que realmente elas são, a Palavra de Deus. Do mesmo modo que temos uma
definição técnica e etimológica sobre a Bíblia também existe sua definição pratica e teológica, a definição que será
apresentada deverá ser guarda no coração, pois representa o que a Bíblia é para o povo de Deus.

Concluímos em suma que a Bíblia é a Palavra de Deus, mas em uma definição mais ampla, entendemos que
Ela é o registro histórico das intervenções divinas a favor da humanidade e as respostas a todas suas necessidades,
também os registros de como o homem lidou com essas intervenções divinas e assimilou suas respostas.

1.1. Definição pratica e teológica da Bíblia

2. Revelação Divina
2.1. Conceito de Revelação
Revelar significa "tirar o véu", ou "remover a coberta" que esconde um objeto para expô-lo à vista. Deus é
conhecido, segundo a Bíblia, não porque os homens, nos seus esforços intelectuais o descobriram (/ Co 1.21), mas
Deus mesmo se revelou. O Poder e a Divindade de Deus foram revelados através da Sua criação (Rm 1.20). No
entanto, as maravilhas da criação não dá ao homem a capacidade de adquirir o conhecimento de Deus que o seu
coração pede. Deus é a fonte da Vida, e o conhecimento dEle introduz o homem em uma vida cada vez mais perfeita
(S119). Conhecer Deus através de palavras é uma coisa, mas conhecer Deus porque Ele se revelou, é algo de causar
impacto duradouro. Jacó teve uma revelação especial de Deus (Gn 28.10-13) Moisés conhecia Deus por tradição do
seu povo, um dia, porém, o próprio Deus se revelou a ele, e aquela revelação mudou radicalmente a sua vida (Ex 3.1-
6). Quando o Senhor se revelou a Jó, ele não se conteve e exclamou: "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus
olhos te vêem. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza” (Jó 42.5,6). Extensa é a lista de homens e
mulheres que, nas páginas sagradas, tiveram uma revelação de Deus. O Criador opera, a Criatura contempla: o
Senhor se apresenta, o homem percebe; o Senhor fala, o homem ouve: o Senhor se revela e o homem entende algo
da Sua Majestade, da Sua Santidade, da Sua Justiça e da Sua Glória.
2.2 . Tipos de Revelação

2.2.1. Revelação Geral

2.2.2. Revelação Especial


3. Necessidade das Escrituras

4. Inspiração
4.1. O que é inspiração
Influência sobrenatural do Espírito Santo como um sopro, sobre os escritores da Bíblia, capacitando-os a receber e
transmitir a mensagem divina sem mistura ou erros.

4.2. Inspiração Plenária, verbal e dinâmica.


Doutrina que assegura ser a Bíblia, em sua totalidade, produto da inspiração divina. 1) Plenária: Todos os
livros da Bíblia, sem qualquer exceção, foram inspirados por Deus. 2) Verbal: O Espírito Santo guiou os autores não
somente quanto às idéias, mas também quanto às palavras dos mistérios e concertos do Altíssimo (2 Tm 3.16).A
inspiração plenária e verbal, todavia, não eliminou a participação dos autores humanos. Pelo contrário: foram eles
usados de acordo com seus traços pessoais, experiências e estilos literários. Trata-se de uma inspiração única. Além
da Bíblia, nenhum outro livro foi produzido de igual forma. Eis porque a Palavra de Deus é a obra-prima por
excelência da raça humana. 3) Dinâmica e não mecânica: A inspiração não significa ditado, no sentido de que os
escritores fossem passivos, sem que tomassem parte as suas faculdades no registro da mensagem, embora sejam
algumas porções das Escrituras ditadas, como por exemplo, os Dez Mandamentos e a Oração Dominical. A própria
palavra inspiração exclui o sentido de ação meramente mecânica, e a ação mecânica exclui qualquer sentido de
inspiração. Por exemplo, um homem de negócios não inspira sua secretária ao ditar-lhe as cartas. Deus não falou
pelos homens como quem fala por um alto falante. Antes seu Divino Espírito usou as suas faculdades mentais,
produzindo desta maneira uma mensagem perfeitamente divina, e que, ao mesmo tempo, conservasse os traços da
personalidade do autor. Embora seja a Palavra do Senhor, é ao mesmo tempo, em certo sentido, a palavra de
Moisés, ou de Paulo.
4.3. A Bíblia da testemunho de sua inspiração
As Escrituras se dizem inspiradas; um exame delas revelará o fato de que seu caráter sustenta essa posição.
A Bíblia, ao se apresentar em juízo, o faz com bom testemunho! Quanto a seus autores, foi ela escrita por homens
cuja honestidade e integridade não podem ser postas em dúvida; quanto ao seu conteúdo, há nele a mais sublime
revelação de Deus ao mundo; quanto à influência, tem trazido a luz salvadora às nações e indivíduos, e possui um
poder infalível para guiar os homens a Deus e transformar-lhes o caráter; quanto à sua autoridade, desempenha o
papel dum tribunal supremo em assuntos religiosos, de maneira que até mesmo os cultos falsos são obrigados a
citar suas palavras para poderem impressionar o público.

4.4 Provas que a Bíblia é a Palavra de Deus


5. A Bíblia foi escrita com um propósito
A Bíblia é a Palavra de Deus - isto é a principal coisa, a saber, a seu respeito. Não podemos por nós mesmos
encontrar a Deus. Ele se revela, e é confiável, em suas obras. "Os atributos invisíveis de Deus, assim como o seu
eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo,
sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas" (Rm 1:20). Mas, precisamos conhecer muito mais do que
o seu "eterno poder e divindade". Somos pecadores, e necessitamos conhecer a sua bondade e os meios que Ele
forneceu para salvar-nos. Este é o tema da Bíblia. A Bíblia nos revela o caminho da salvação. O caminho apresentado
no Antigo Testamento; e, no Novo Testamento, na vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, é realizado este
maravilhoso plano. Não poderíamos descobri-lo por nós mesmos. "Porque qual dos homens sabe as cousas do
homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as cousas de Deus, ninguém as conhece, senão
o Espírito de Deus" (1 Co 2:11). Se vamos conhecer a Deus, Ele precisa falar-nos. Ele nos fala na Bíblia.
1. O que é teologia?
Constituída de dois termos gregos: theos (Deus) e logos (palavra, estudo) a palavra teologia significa de um
modo amplo um discurso sobre Deus.

1.1 Doutrina de Deus


Em nosso estudo dentro da teologia sistemática, começaremos abordando a teologia propriamente dita, ou seja,
a doutrina de Deus, que é o estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e
relações com o mundo e com os homens. O estudo da doutrina de Deus no nível básico pode ser dividido em: 1:
Argumentos que provam sua existência. 2: O estudo de sua personalidade através de seus nomes. 3: O estudo de sua
natureza através de seus atributos. E 4: Doutrina da trindade.
1.2. Definição teológica de Deus

1. As provas da Existência de Deus

2.1. Porque crer em Deus?


2.1.1. Porque é intrínseco do ser humano. Após o Senhor Deus soprar o espirito sobre Adão, todos seus
descendentes seriam agraciados por essa parte divina que sai do próprio Deus (Ec 12.7). Assim sendo não existe
verdadeiramente ateu, pois o sopro de Deus dentro de nós nos compele a busca-lo (Sl 53.1). Assim sendo, o nosso
espirito nos direciona da Deus, fazendo que todos os homens em todas as épocas, sempre procurassem a divindade.

2.1.2. Porque todas as culturas em todas as épocas mantinham um conceito de divindade. A noção do divino esta
presente em todos os povos, por todas as eras, muitas dessas culturas nem se conheceram, mas todas tinham em
comum a reverencia pelo sagrado. Essa busca pelo divino em todas as culturas é uma prova que Deus é intrínseco do
ser humano e, portanto, real.

2.1.3. Porque o universo Aparenta ter um propósito definido. Todos que observam o universo percebem que sua
organização é providencial para o sustento da vida. A possibilidade de tantos elementos se combinarem ao acaso
para dar sustentabilidade à vida é praticamente impossível. O universo tem o propósito de sustentar a vida, e se
tudo que foi feito tem uma intenção clara, isso demonstra a existência de um projetista.

2.1.4. Porque temos experiências com Ele. Porem, a prova cabal da existência de um Deus pessoal é a nossa
capacidade de interagir com Ele. Podemos o conhecer, sentir dentro de nós e vivenciar experiências espirituais. As
experiências com Deus de milhões e milhões de pessoas se constitui uma prova de sua existência, pois não só se
interagem e conhece o que existe.

2.2. (argumento um) A existência de Deus nas Escrituras.


2.2.1. A Bíblia declara que Deus existe. A Palavra em nenhum momento tenta provar a existência de Deus, pois
parte do pressuposto absoluto que Ele existe (Hb 11.3).
2.2.2. A Bíblia declara que através da criação podemos ver Sua existência. Quando se olha toda a natureza é
impossível não se admirar com sua funcionalidade e beleza demonstrando a existência de um criador poderoso.
Encontrar Deus na criação é tão obvio que aqueles que o enxergarem na natureza serão indesculpáveis no dia do
juízo (Rm 1.20).

2.2.3. A Bíblia declara a própria existência e sustento do universo prova a Deus. Desde sempre o homem tenta
entende como o universo veio existir e qual o motivo de sua existência. A Bíblia é clara em nos dizer que tudo foi
criado por Deus (Gn 1.1) para sua glória (Sl 19.1) e ainda que continuação da existência só seja possibilitada através
de seu poder (Hb 1.3).

2.3. (argumento dois) O designe inteligente.


A Teoria do Design Inteligente diz que “causas inteligentes são necessárias para explicar as complexas e ricas
estruturas da Biologia, e que estas causas são empiricamente detectáveis.” Certas características biológicas desafiam
o padrão darwiniano de “coincidências fortuitas”. Ela parece haver sido desenhada. Uma vez que o desenho
necessita, logicamente, de um desenhista inteligente, a aparência do desenho (design) é citada como evidência para
a existência de um Desenhista (designer).

2.4. (argumentos TRÊS E QUATRO) Argumentos Cosmológico e teleológico


2.5. (argumentos CINCO E SEIS) Argumentos ontológico e moral

2.6. (argumento SETE) Argumento histórico

2. A Natureza de Deus
3. Os nomes de Deus

4.1. Elohim

4.2. Yahveh
5. Os atributos de Deus

5.1. Atributos Naturais ou concernentes a sua divina pessoa


5.2. Atributos Não comunicáveis ou de demonstração de Sua Grandeza

5.2.1 Vida própria cujas demais derivam.

5.2.2. A graça
5.2.3. Sua Espiritualidade

5.2.4. Sua Infinitude


5.2.5. Sua Transcendência

5.2.6. Sua Imanência


5.2.7. Sua Eternidade e sua Imutabilidade

5.2.8 Sua Onipresença, Onisciência e Onipotência.


5.3. Atributos Comunicáveis ou de seu caráter
5.3.1. A Santidade

5.3.2. Fidelidade
5.3.3. Amor

5.3.4. Bondade

5.3.5. Justiça
5.3.6. Sabedoria

5.3.7 Sabedoria
1. Doutrina da Trindade
A doutrina da Trindade é fundamental para a fé cristã. Ela é crucial para um apropriado entendimento de como
Deus é, como Ele se relaciona conosco e como devemos nos relacionar com Ele. Apesar de não podermos entender
completamente tudo sobre a Trindade (ou sobre qualquer outra coisa espiritual), é possível responder questões
como essas e chegar a uma sólida compreensão do que significa ser Deus três em um.

1.1. O termo trindade.


A doutrina da Trindade significa que há um Deus que existe eternamente como três pessoas distintas: Pai, Filho e
Espírito Santo. Explicando de outra maneira, Deus é único em essência e triplo em personalidade. Essas definições
expressam três verdades cruciais: (1) Pai, Filho e Espírito Santo são pessoas distintas, (2) cada pessoa é totalmente
Deus, (3) há somente um Deus. O termo trindade não aparece na Bíblia, mas sua doutrina emerge das Sagradas
escrituras (Mt 28.19), o termo técnico ”trindade” foi cunhado pelo bispo Tertuliano (160-230) e aceito pela ortodoxia
como doutrina verdadeira no primeiro concilio ecumênico em Nicéia (325 d.C.).

1.2. A trindade conceituada


A uma equivalência natural entre as 3 partes que compõe a luz e a trindade divina, a luz pode ser
decomposta em três partes distintas. A primeira uma onda eletromagnética que viaja no vácuo a quase 300.000
km/s, a segunda um fóton luminoso que produz a luz que enxergamos e a terceira uma energia radiante que gera o
calor que essa onda produz. Do mesmo modo que a luz pode ser decomposta em três partes com funções diversas, e
ainda ser só um fenômeno, Deus também, é um só Deus com três operações distintas.

1.3. Sua doutrina declarada nas Escrituras e no credo da igreja primitiva

1.4. Sua doutrina exposta em passagens Bíblicas.


1.4.1. A revelação da trindade a Moises na sarça ardente
Nessa passagem de êxodo 3 podemos vislumbrar a aparição das 3 pessoas da trindade, Sendo o Filho
caracterizado pelo Anjo que Moises viu, o Espirito Santo pela aparição da chama de fogo e o Pai se manifesta através
da voz que clama de dentro da sarça ardente.

1.4.2. A revelação da trindade no batismo de Jesus


No ato em que Jesus se batizava, João Batista viu descer e repousar sobre Jesus o Espirito Santo em forma de uma
pomba e do céu se ouviu uma voz que dizia “Esse é meu Filho de quem me comprazo”. Nesse ato solene na vida
corpórea de Jesus, participaram além dEle o Filho, o Espirito que desceu a Ele e a voz do Deus Pai que mostrou
aprovação. Tanto a voz de Deus Pai como João Batista o reconhece como Filho de Deus, que é o mesmo de dizer
gerado por Deus, e participante da mesma substancia.

2. Os argumentos em favor da trindade


2.1. O nome Elohim
Elohim é a palavra hebraica traduzida como “Deus” em cada passagem de Gênesis 1, bem como em mais de dois
mil lugares em todo o Antigo Testamento. O substantivo Elohim é plural da forma “El” que literalmente significa
Deus, isto é, “El” é sempre usado com seus verbos no singular, quando designa Deus e normalmente nomeia a Deus
“Pai” ou uma única pessoa divina. A palavra “Elohim” literalmente significa “Deuses”, demonstrando uma
pluralidade ou unidade composta da divindade.

2.2. O nome Elohim usado com verbos no singular


Em algumas passagens que os autores sagrados usaram nome de Elohim para descrever Deus o verbo que da
ação ao substantivo esta no singular no singular, como por exemplo, Gn 1, onde Moises expressa “ No principio criou
Elohim (Deuses) o céu e a terra. O acompanhamento do nome de Deus (Elohim) com verbos no singular indicam que
a divindade não é uma unidade simples (absoluta) e sim uma unidade composta, onde mais de uma pessoa é
qualificada como Deus.

2.3. O nome Elohim usado com verbos no plural


O Senhor Deus, quando se refere a uma intervenção direta de Sua pessoa, Ele faz uso do verbo no plural para
acompanhar o substantivo (Elohim), exemplo Gn 11.7, “... desçamos e confundamos...”, sugerindo que mais de uma
pessoa esta ligada a essa ação divina. No Antigo Testamento, encontramos ainda referências nas quais Deus fala de
Si mesmo no plural, como por exemplo: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gên.
1:26). Esses textos nos mostram uma concordância entre as pessoas divinas, e também um dialogo entre seres de
mesma substancia e autoridade que atendem pelo mesmo nome e são um (Elohim).

2.4. O uso do pronome nós sugere a comunicação entre de Deus

Textos como Gênesis 1.26, 3.22, 11.7 e Isaías 6.8 têm sido bastante difíceis de explicar. Nesses textos é como se
Deus falasse consigo mesmo na primeira pessoa do plural: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança...” (Gn 1.26). Com quem Deus estava falando nesses momentos? Certamente não era com os anjos, pois
o homem não foi feito à semelhança dos anjos, nem os anjos estão no mesmo nível de Deus 5. E a Bíblia não diz que
Deus tome conselho com anjos ou qualquer outra criatura (Is 40.13-14). A resposta mais plausível é que Deus falava
consigo mesmo dentro da Trindade. Esse entendimento só é possível à luz da revelação do Novo Testamento, a qual
de uma maneira ainda mais clara demonstra o relacionamento dentro da Trindade, conforme pode ser visto nas
palavras do próprio Jesus: “Respondeu Jesus: Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e
viremos para ele e faremos nele morada” (Jo 14.23). O mesmo “nós” dos textos do Antigo Testamento pode ser visto
no relacionamento de Jesus com o Pai.

2.5. A existência do Anjo do Senhor

Uma boa referência do Antigo Testamento sobre a Trindade encontra-se na pessoa do Anjo do SENHOR. O caso
é que algumas vezes esse Anjo, que deve ser distinguido dos demais anjos, se identifica com o próprio Senhor,
enquanto que em outras ocasiões ele é distinguido do Senhor, o que nos leva a pensar em pluralidade de
personalidade (Ver Gn 16.7-13; 22.15-16; Gn 31.11-13; Ex 3.2-6; Ex 23.23, 32.34 e Nm 20.16). Geralmente associa-se
essa figura do Anjo do SENHOR com a Segunda Pessoa da Trindade.

2.6. “Shema Israel”

Como conciliamos a fé num Deus único expressa no Antigo Testamento com a afirmação de que ele é o Deus
Trino? Ora, antes de tudo, deve ser afirmado que a crença cristã na Trindade não é a crença em três deuses, mas a
crença em três pessoas que participam da natureza divina de maneira plena e integral. Assim, mesmo em Dt 6.4,
onde lemos a afirmativa que Deus é único, podemos identificar o Deus Trino. Vejamos:
Shemá Israel YHWH Eloheinu YHWH ehad.
“YAHVEH nosso Deus Javé Um”.

Atentemo-nos para a palavra “um”. Na língua hebraica existem duas palavras que expressam unidade:
1) ehad “único”, “um”: “enfatiza a unidade, embora reconheça diversidade dentro da unidade”.
2) Yahid: também significa “único”, “um”, mas se refere a uma unidade simples (singular) ou absoluta.

A palavra usada em Dt 6.4 é ehad! Sobre isso, Stanley Rosenthal afirma:


A última palavra hebraica da Shema ‘Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é único’ (Dt 6.4) é echad, que, embora
traduzido por ‘único’, é um substantivo coletivo, em outras palavras, um substantivo que, embora, denote unidade,
a classifica, pois, representa uma unidade que contém várias unidades. Poderíamos citar um bom número de
exemplos. Em Números 13.23 lemos que os espias pararam em Escol onde ‘cortaram um ramo de vide com um
cacho de uvas’. A palavra hebraica que aqui aparece como ‘um’, em ‘um cacho’, novamente é echad; porque, como
é evidente, esse único cacho de uvas consistia em muitas uvas3. Portanto, a palavra ehad seria uma alusão ao Deus
único, mas que contém em si a diversidade de pessoas.

2.7. Nos casos que aparecem mais pessoas divinas em um texto


Observe o texto de Gênesis 19:24 “Então o Senhor fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre
Sodoma e Gomorra;”. Esse capitulo bíblico fala da decida do Anjo do Senhor (teofania de Cristo) para anunciar a
Abraão que as promessas iriam se cumprir em sua vida, porém o anjo, chamado por Abraão de Senhor (Yahweh)
decidiu destruir Sodoma e as outras cidades pecaminosas, então o Senhor (Yahveh) fez chover fogo do Senhor
(Yahweh) desde os céus. Nota-se claramente que o Senhor que estava na terra, era igual, pois era chamado pelo
nome exclusivo de Deus (Yahveh), mas distinto do Senhor (Yahveh) que estava nos céus.

2.8. Na relação da pessoa de Jesus com o Pai.


Jesus sempre deixou claro seu relacionamento intimo com o Pai, em varias oportunidades afirma que os dois são
uma só pessoa (Jo 10.30; Jo 14.8-11). Em João 1.14 o apostolo amado nos diz que Jesus é o filho unigênito de Deus,
o que significa que Ele é igual em substancia que Deus. A total proximidade entre o Pai e Jesus só é possível porque
os dois são iguais, ou seja, são Deus, assim como também o Espirito Santo.

2.9. A Bíblia declara abertamente a Deidade de Cristo.


O evangelho segundo escreveu o apostolo João começa dizendo que “no principio era o verbo e o verbo estava
com Deus e o verbo era Deus”, a palavra que se usa para descrever Deus Pai é a mesma que é colocada para
descrever que o verbo também era Deus. No original bíblico essa palavra serve para qualificar o supremo Deus, e ao
usar a mesma palavra ”Deus” para descrever o Deus Pai e Deus Filho, João proclama a deidade e a igualdade de
Jesus com deus Pai.

2.10. A Bíblia chama Jesus de Senhor.


O Novo Testamento usa a palavra Senhor mais de 200 vezes para descrever Jesus, esse titulo é tributado ao Deus
Filho por todos os autores veterotestamentários (Mt 12.8; Mt8.25; Jo 13.13 e Rm 5.1), essa nomeação além de ser
usada pelos apóstolos e Paulo também é um auto reconhecimento do próprio Jesus. O que torna esse titulo uma
confirmação da Deidade de Jesus é que a palavra que o Novo Testamento usa para expressar Senhor em grego é a
mesma que os pagãos usavam para chamar seu Deus soberano Zeus e seu imperador, Senhor era a palavra mais
nobre para descrever alguém, era o reconhecimento da soberania de Jesus. Além disso, o Novo Testamento usa a
palavra Senhor para descrever o conceito de Yahveh do Antigo Testamento, que é o nome pessoal de Deus. Quando
a Palavra chama Jesus de Senhor, na verdade, esta declarando que Ele é deus soberano e deve ser chamado por seu
exclusivo nome Yahveh.

2.11. Jesus é adorado


“Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a
Deus”. Romanos 14.11.
Nesse versículo a cima, Paulo diz que perante o senhor Jesus todo o joelho se dobrará, ou seja, que todos irão
ter que o adorar e se humilhar o Filho de Deus. O versículo segue com o vaticínio que todos os seres humanos terão
que reconhecer que Cristo é verdadeiramente Deus. Esse texto é uma verdade escatológica, que mostra que nos
finais dos tempos todos terão que reconhecer a deidade e Senhorio de Jesus mesmo os que em vida não
reconheceram.

2.12. As profecias messiânicas já atestavam sua Deidade


Isaias 9.6, numera as características que teria o messias:

2.12.1. Maravilhoso conselheiro: Maravilho define Ele como inefável, inexplicável, e conselheiro mostrando sua
onisciência que é atributo exclusivo de Deus.
2.12.2. Deus forte: se entende com essas palavras, que o Emanuel seria verdadeiramente Deus e forte fala de
sua onipotência que é outro atributo exclusivo de Deus.
2.12.3. Pai da Eternidade: A palavra nos revela que o único que é eterno, ou seja, que sempre existiu que pode
ser nominado de “Eu Sou” é o Senhor Deus, e o Messias como eterno é claramente descrito como
participante da natureza divina e por ser eterno é o único que esta em todos os lugares e momentos, só
sendo possível por ser onipresente.
2.12.4. Príncipe da Paz: Em nossa cultura o príncipe é filho de rei, mas na cultura hebreia o líder ou rei era
descrito como príncipe do povo (1 Sm 13.14; 2 Rs 20.5), ou trazendo para nós o príncipe regente ou o
rei. Então claramente o Messias é o rei da paz, o soberano da paz ou o detentor da paz.

2.13. O Espírito Santo como um agente Divino e inteligente


Acerquemo-nos deste sublime assunto com reverência, santo temor e oração, tendo em mente que se trata de
um assunto assaz difícil, haja vista o Espírito Santo não falar de si mesmo (Jo 16.13). O eterno Deus, o Pai, revela
muito de si mesmo nas Páginas Sagradas; de igual modo, o Filho. Mas o divino Consolador, não. Daí tratar-se este
assunto de um insondável mistério, do qual devemos nos acercar primeiramente pela fé em Cristo (Rm 3.27).

A terceira Pessoa da Trindade não aparece com nomes revelados, como o Pai e o Filho, e sim com títulos
descritivos das suas natureza e missão no mundo, entre os homens, bem como através de seus atos realizados.
“Espírito Santo” não é rigorosamente um nome como apelativo, e sim um título descritivo da sua natureza (Espírito)
e da sua missão principal (Santo), a de santificar-nos nesta dispensação.

Ele habita nos servos do Senhor Jesus. As suas operações, portanto, são invisíveis, nas profundezas do nosso
interior. Todos esses fatos mencionados tomam o estudo sobre o Espírito Santo muito difícil, cabendo aqui à
pergunta: “Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-poderoso?” (Jó 11.7).

O Espírito Santo, como Deus, age de maneira multiforme. Em I Coríntios 2.4-12, o Espírito de Deus é
mencionado de modo enfático como devendo ter toda primazia em nossas vidas, em nosso meio e em nosso
trabalho. O espírito do homem, mencionado no versículo 2, só entende as coisas humanas, terrenas, naturais (Pv
20.27; 27.19; Jr 17.9). Nossa santificação deve, pois, prevalecer em nosso espírito, e daí abranger alma e corpo (I Ts
5.23).

Na primeira passagem em apreço, o “espírito do mundo” também é mencionado (v. 12), o qual é
pecaminoso e nocivo ao cristão. O aviso sobre isso, na Palavra de Deus, é enfático e claro (I Jo 2.15-17; 5.19; Jo
14.30; 17.14,16).

2.13.1. Seis diferentes “coisas” aparecem na passagem de I Coríntios 2.9-16:


1ª: as que Deus preparou para os que o amam (v.9);

2ª as das profundezas de Deus (v. 10);

3ª as do homem (v. 11);

4ª as de Deus (v. 11);

5ª as espirituais (v. 13); e;


6ª as do Espírito de Deus (v. 14).

Uma dessas “coisas” alude à esfera humana; as demais são da parte de Deus. Isso denota a sua multiforme
ação. Ainda tomando como base o texto de I Coríntios 2.4-14, vemos que o Espírito Santo é mencionado juntamente
com o Senhor Deus (vv.5,7,9-12,14) e o Senhor Jesus Cristo (v.8; também os vv.2,I6), o que já denota a divindade do
Espírito Santo. Essa sublime verdade da Trindade Santa vê-se também através da Bíblia em muitas outras passagens,
como I Coríntios 12.4-6.

2.13.2. OS ATRIBUTOS DIVINOS DO ESPÍRITO SANTO


Onipotência. O divino Consolador tem pleno poder sobre todas as coisas (SI 104.30). O Espírito Santo tem poder
próprio. E dEle que flui a vida, em suas dimensões e sentidos bem como o poder de Deus (SI 104.30; Ef 3.16; At 1.8).
Isso é uma evidência da deidade do Espírito Santo. Ele tem autoridade e poder inerentes, como vemos em toda a
Bíblia, máxime em o Novo Testamento.

Em I Coríntios 2.4, na única referência (no original) em que aparece o termo traduzido por “demonstração do
Espírito Santo”, designa-se literalmente uma demonstração operacional, prática e imediata na mente e na vida dos
ouvintes do evangelho de Cristo. E isso ocorre pela poderosa ação persuasiva e convincente do Espírito, cujos efeitos
transformadores foram visíveis e incontestáveis na vida dos ouvintes de então, confirmando o evangelho pregado
pelo apóstolo Paulo (I Co 2.4,5).

Era nítido o contraste entre a ação poderosa do Espírito e os métodos secos e repetitivos dos mestres e filósofos
gregos da época, que tentavam convencer e conseguir admiradores e discípulos mediante demonstrações
encenadas de retórica, dialética e argumentação filosófica; isto é, “sabedoria dos homens” (v.5). Que diferença faz o
evangelho de poder do Senhor Jesus Cristo, o qual “é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê” (Rm 1.16)1

Paulo reconhecia que os mestres gregos o superavam em capacidade acadêmica e humana (2 Co 10.10; 11.6).
Mas a sabedoria, a oratória e a argumentação filosófica deles era tão-somente um espetáculo teatral, vazio, que
atingia apenas os sentidos dos espectadores. No apóstolo Paulo, ao contrário, operava, nesse sentido, o poder de
Deus (I Co 2.4,5; Cl 1.29; I Ts 1.5; 2 Co 13.10).

O poder do Espírito Santo, que evidencia a sua deidade, é também revelado em passagens como Lucas 1.35, Jó
26.13 e 33.4, Salmos 33.6 e Gênesis 1.1,2. Esse divino poder, como já afirmamos, é liberado através da pregação do
evangelho de Cristo:

1) Na conversão dos ouvintes (At 2.37,38).

2) No batismo com o Espírito Santo para os novos crentes (At 10.44).

3) Na expulsão de espíritos malignos (At 8.6,7; Lc 11.20).

4) Na cura divina dos enfermos (At 3.6-8).

5) Na obediência dos crentes ao Senhor (Rm 16.19).

Onisciência. Esta é mais uma evidência da deidade do Espírito Santo, o qual sabe e conhece todas as coisas (I
Co 2.10,11). Isso é um fato solene, mormente se considerarmos que Ele habita em nós: “habita convosco, e estará
em vós” (Jo 14.17). A primeira parte dessa declaração de Jesus indica a permanência do Espírito Santo em nós
(“habita convosco”); e a segunda, a sua presença constante dentro de nós (“e estará em vós”). Alguém pode habitar
numa casa e não estar presente nela em determinada ocasião. Porém, o Espírito Santo quer estar sempre presente
no crente, como uma das maravilhas dessa “tão grande salvação” (Hb 2.3). Aos que amam a Deus, o Espírito Santo
revela as infinitas e indizíveis bênçãos preparadas para os salvos, já nesta vida, e muito mais na outra (I Co 2.9,10). O
profeta Isaías, pelo Espírito, profetizou essas maravilhas (64.4; 52.15). Os demais profetas do Antigo Testamento
também tiveram a revelação divina dessas coisas miríficas que os santos desfrutarão na glória (I Pe I.10-12). O
Espírito também revelou aos escritores do Novo Testamento essas maravilhas consoladoras, inclusive a Paulo (I Co
2.10).
Ele é o nosso divino Mestre na presente dispensação da Igreja (I Co 2.13), como já estava predito em
Provérbios 1.23. Concernente a esta missão do Espírito Santo, Jesus declarou: “Esse vos ensinará todas as coisas” (Jo
14.26). O texto de Lucas 12.12 também é bastante elucidativo quanto a mais esta ação do Espírito na igreja.
Onipresença. O Espírito Santo está presente em todo lugar (SI 139.7-10; I Co 2.10). Atentemos para duas ênfases
contidas nesses textos que evidenciam a onipresença do Espírito: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde
fugirei da tua face?” e “O Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus”.

Eternidade. Ele é infinito em existência; sem princípio; sem fim; sem limitação de tempo (Hb 9.14). Ele estava
presente no princípio, quando todas as coisas foram criadas (Gn 1.1,2).

Outros atributos. O Espírito de Deus é denominado Senhor (2 Co 3.16-18); é descrito como Criador (Jó 26.13; 33.4; SI
33.4; 104.3; Gn 1.1,2; Ez 37.9,10); e é classificado e mencionado juntamente com o Pai e o Filho, o que, claramente,
é uma grande evidência da sua divindade.

1) Na fórmula doutrinária do batismo nas águas (Mt 28.19). Aqui a Bíblia não diz “nos nomes”, como se as três
Pessoas da santíssima Trindade fossem uma só, mas “em nome” — singular —, distinguindo cada Pessoa existente
em Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

2) Na invocação da bênção tríplice sobre a igreja (2 Co 13.13).

3) Na doutrina da habitação do Espírito Santo no crente (Rm 8.9).

4) Na descrição bíblica do estado do crente diante de Deus (I Pe 1.2).

5) Nas diretrizes ao povo de Deus (Jd vv.20,2I). Aqui o Espírito Santo é mencionado primeiro; em seguida, o Pai; por
fim, o Filho.

6) Na doutrina da unidade da fé cristã (Ef 4.4-6). Aqui também o Espírito é mencionado em primeiro lugar, seguido
do Senhor Jesus e de Deus, o Pai.

7) Na saudação bíblica às sete igrejas da Ásia (Ap 1.4,5).


1. Introdução
A doutrina do pecado é uma das mais importantes doutrinas da teologia crista, pois se ocupa a ressaltara
condição que o homem está em função do pecado, demonstrar sua impossibilidade em agradar a Deus, com o
objetivo de demonstrar que o homem está perdido e abismado em relação a Deus, e que, sozinho não pode fazer
nada para alterar essa realidade.

“Certamente nada nos ofende de forma mais rude do que esta doutrina [o pecado], e ainda assim,
sem esse mistério, o mais incompreensível de todos, somos incompreensíveis para nós mesmos.” BLAISE
PASCAL.

“Tão longe de nós, porém, este reconhecimento [homem com pecado] está de formentarnos a
presunção, que antes, subjugada a ela, à humildade nos prostra.” JOÃO CALVINO

“Em função do pecado nascemos num mundo onde a rebelião contra Deus já tomou espaço e nos
arrasta como numa correnteza.” EDWARD OAKES

Origem do Mal

O problema do mal que há no mundo sempre foi considerado um dos mais profundos problemas da filosofia
e da Teologia. É um problema que se impõe naturalmente à atenção do homem, visto que o poder do mal é forte e
universal, é uma doença sempre presente na vida em todas as manifestações desta, e é matéria da experiência diária
na vida de todos os homens. Como podemos então explicar o relacionamento entre Deus e o mal? Alguns afirmam o
mal e negam a realidade de Deus (Ateísmo). Outros afirmam a Deus e negam a realidade do mal (Panteísmo).
Outros, no entanto, procuram afirmar um em oposição eterna com o outro (Dualismo). Já o Teísmo explica o
relacionamento entre Deus e o mal com um Deus infinitamente bom e poderoso que permitiu o mal para produzir
um bem maior. Ou seja, esse mundo livre é a melhor maneira de produzir o melhor mundo. Deus não é o autor do
mal. Ele livremente criou o mundo, não porque precisava fazê- lo, mas sim, porque desejava criar. Deus criou
criaturas semelhantes a Ele mesmo, que poderiam amá-lo livremente. No entanto, essas criaturas poderiam também
odiá-lo. Ele deseja que todos os homens o amem, mas não forçará nenhum deles a amá-lo contra sua vontade. Deus
persuadirá os homens a amá-lo tanto quanto for possível. Ele outorgará àqueles que não querem amá-lo a escolha
livre deles eternamente (ou seja, o inferno). Finalmente, o amor de Deus é engrandecido quando retribuímos seu
amor (visto que primeiramente nos amou), bem como quando não o retribuímos. Ele demonstra assim quão
grandioso Ele é amando até mesmo aqueles que O odeiam.

No final, deus terá compartilhado Seu amor com todos os homens. Ele terá salvo tantos quanto podia salvar
sem violar o livre arbítrio dos homens. John W. Wenham afirma:

“A devoção de um ser livre é de um nível mais elevado... A outorga de liberdade de escolha ao


homem envolve a possibilidade (na presciência de Deus envolve certeza) de pecar, com todas suas
horríveis consequências. Todavia, parece que esta liberdade foi um pré-requisito para um conhecimento
profundo de Deus. A devoção de um ser livre e racional é de um nível mais elevado e mais bela do que a
de um animal, muito embora o amor entre os seres humanos e os animais possa ser notável. Entretanto,
esta liberdade humana envolve a possibilidade de crueldade, imoralidade, ódio, e guerra... todavia,
apesar de todas essas coisas, nenhum homem convertido desejaria mudar sua situação para a de um
animal ou de uma máquina.”

2. Queda
A queda é o marco da origem do pecado no mundo e de todas as deficiências que existem nele. É o
momento histórico que explica tanto a origem de todo o mal existente no mundo, como a concepção correta do
pecado. Assim, não compreender o pecado do ponto de vista do Velho Testamento impossibilita vislumbrar a
maravilhosa graça no Novo Testamento. Da mesma forma, é necessário compreender a queda do ponto de vista
teológico, pois apenas assim pode-se notar suas consequências danosas na humanidade, bem como em todos seus
relacionamentos. A. Queda como Fato Histórico Para que a queda tenha qualquer sentido real, é necessário que os
acontecimentos narrados em Gênesis sejam verdadeiros. Para que a salvação possa ter qualquer validade é
necessário que exista uma deficiência que careça ser sanada. Ou seja, sem a queda não se pode reconhecer o
pecado, e sem ele não há necessidade de salvação.

3. Definição de Pecado
Antes de uma definição significativa do pecado é válido buscar informações tanto no Velho como no Novo
Testamento, com a intenção de buscar informações que revelem a realidade do pecado.

Conceito no Velho Testamento No Velho Testamento: Podemos encontrar as seguintes palavras


normalmente encontradas com o sentido de pecado: hatah – significa basicamente errar, tornar-se culpado; heth’ –
erro, malogro; awon – iniquidade; pesha – transgressão, infração; Nos profetas do Antigo Testamento, o pecado é
muito mais que uma violação de regras, mas significa o rompimento de um relacionamento pessoal com Deus. Isso
poder ser observado em Is.59.2: Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos
pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça.

Conceito no Novo Testamento: No Novo Testamento podemos ressaltar as seguintes palavras:


hamartano: não acertar o alvo, atingir alvo errado; hamartia: transgressão, pecado. Normalmente visto como atos
específicos; Especialmente na literatura paulina, o pecado é observado como uma força em si, que opera no homem
e o mantém cativo. Por vezes o pecado é personificado, como em Rm.7.20: Mas, se eu faço o que não quero, já não
sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim. Segue-se que no Novo Testamento podemos perceber que o
pecado é não acertar o alvo correto. Ou seja, não é um ato passivo, mas uma intenção determinada em não se
conformar com a Lei preestabelecida. Assim, após observar o uso das palavras, uma definição de pecado pode ser
assim esboçada: “Tudo aquilo que não redunda em, ou contribui para, a Glória de Deus. É um mal orientado contra
Deus, que envolve ato, natureza e culpa 2 ”. (cf. 1Jo.3.4) A abrangência do conceito do pecado pode ser observada
pelo texto de 1Co.10.31, que diz: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para
a glória de Deus”. O que se nota neste texto é que mesmo as atividades mais simples, como comer e beber, podem
ser maculadas pela presença de motivos ou propósitos distintos ao padrão estabelecido no referido versículo. Ou
seja, qualquer atividade que não tenha como motivo primeiro a Glória de Deus, É PECADO! Assim, o pecado pode ser
observado como a incapacidade de viver em conformidade com o que Deus espera de nós no que diz respeito a ATO,
NATUREZA e a CULPA.

Ações que não se conformam com a vontade de Deus; qualquer falta de conformidade ativa com a lei moral
de Deus. Essas ações podem ser praticadas ou não, pois segundo Tg.4.17, não fazer o que se deve fazer é pecado. Ou
seja, omitir-se de responsabilidades é PECADO. Diante desse fato, qual é a relação entre o cristão e o pecado como
Ato?

Em caso do cristão incorrer na prática do pecado ele pode confessar. Em 1Jo.1.9, a palavra utilizada é
“ovmologe,w” (omologéo), de onde procede nossa palavra HOMOLOGAR. Ou seja, a confissão de pecado nada mais
é do que dizer a mesma coisa, ou falar em conformidade, ou conformar-se, ou concordar com o que a Palavra de
Deus diz e reconhecer sua falha em arrependimento. Entretanto, é necessário que cristão não apenas confesse o
pecado, mas também deixe o pecado:

O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará
misericórdia (Pr.28.13). Mas, a essa altura é necessário que se diga que a disposição de Deus em perdoar não serve
como desculpa, ou estímulo para a prática do pecado: Todo aquele que permanece nele [em Cristo] não vive
pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu (...). Aquele que pratica, o pecado procede do
diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio.

Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. Todo aquele que é nascido de Deus
não vive na prática de pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando,
porque é nascido de Deus. (1Jo.2.7-9).

Natureza

É uma inclinação herdada, dede Adão, potencialmente presente em todos, para a prática do mal orientado contra
Deus. Essa inclinação herdada é também chamada de “pecaminosidade”, e afeta o homem como um todo. Assim,
nesse ponto as motivações são tão perniciosas quanto às ações. Mas é importante ressaltar que não atinge apenas o
homem como um todo, mas todo homem. Dessa forma, todo ser humano possui de maneira completa esta
inclinação. Ou seja, “não é simplesmente que somos pecadores por que pecamos; [mas] pecamos por que somos
pecadores”. É o que Paulo afirma em Ef.2.3: “e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais”. O
pecado, visto como essa inclinação é considerado estúpido, por que não anula a consciência do homem. Em Rm.
7.15-17 podemos ler: Porque nem mesmo compreendo o meu próprio modo de agir, pois não faço o que prefiro, e
sim o que detesto. Ora, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. 17 Neste caso, quem faz isto já não
sou eu, mas o pecado que habita em mim. Sobre isso R.C. Sproul diz:

“Parece estupidez fazermos algo que sabemos que vai roubar-nos a felicidade. Contudo o fazemos. O
mistério do pecado não é somente o fato da ser perverso e destrutivo, mas de ser estúpido. O crente
possui uma Nova Natureza, mas não anulou a Antiga Natureza pecaminosa, que ainda existe
substancialmente: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl.3.5). Com a conversão a Natureza
Pecaminosa recebe um golpe substancial, embora não deixe de existir.”.

Culpa

O conceito de culpa nos dias atuais é visto de uma perspectiva incorreta, e por esse motivo leva a uma
realidade também erronia sobre essa ela. Após o advento dos estudos de Freud, a culpa passou a ser vista como um
sentimento irracional que não merece atenção, pois não prestamos contas a mais ninguém além de nós mesmos e
algumas pessoas ao nosso redor. Assim, se ninguém é prejudicado por uma atividade pessoal, não existe motivo
para ter culpa. Contudo, a perspectiva teológica aborda a questão a partir da isenção de dignidade que o homem
sofre diante de Deus. Portanto, culpa é mais que errar executar algo mau ou sentir-se mal por isso, mas é o
resultado da violação original da Lei Moral de Deus, e atinge judicialmente a todos os descendentes de Adão. Assim,
a Culpa do Pecado provem do ato rebelde de Adão, e é imposta a todo o qualquer ser humano, de maneira que, esta
redunda diretamente em condenação.

Depravação Humana

O pecado, como demonstrado, não é apenas uma atividade, um ato de agressão à dignidade e santidade de
Deus, mas é tudo o que não se conforma com a Lei Moral de Deus, e isso inclui o estado em que o homem se
encontra, bem como a culpa judicial que carrega. Assim, notamos que a Natureza Pecaminosa do homem, o estado
em que se encontra, tem grande importância no estudo teológico, e, nessa altura, nasce uma pergunta: “Qual é a
abrangência dessa Natureza Pecaminosa?”. Para responder a essa pergunta, devemos, primeiramente, demonstrar o
termo teológico que sugere essa abrangência: Depravação. Dessa forma, em outras palavras poderíamos perguntar:
“Essa depravação, é total ou parcial?”.

Depravação Total
A pergunta em pauta exige certa explicação, pois é possível que exista uma má compreensão dos termos
empregados, fazendo com que a conclusão seja errônea. Com Depravação afirma-se a falta de retidão original, por
um lado, e, por outro lado, a corrupção moral ou inclinação para o mal. Assim, essa Depravação pode corromper
parte do homem ou o homem como um todo, o que seria a Depravação Parcial ou Depravação Total,
respectivamente. Diante do relato bíblico, seria incorreto afirmar que um aspecto da constituição imaterial do
homem seja maculado pelo pecado, enquanto outro não. Dessa forma, se pode afirmar que a Depravação do
Homem é total, ou seja, todos os aspectos do homem foram corrompidos pelo pecado. Entretanto é válido
demonstrar que afirmar que todos os aspectos do homem são corrompidos, não significa que eles são aniquilados,
ou seja, eles ainda existem, mas estão estragados, decompostos. Assim o homem é totalmente depravado. Contudo,
muitas vezes esta frase é mal compreendida, e, portanto requer cuidadosa interpretação.

Negativamente não implica

(1) que todo homem é tão completamente depravado como poderia chegar a ser;

(2) que o pecador não tem nenhum conhecimento inato de Deus, nem tampouco tem uma consciência que discerne
entre o bem e o mal;

(3) que o homem pecador raramente admira o caráter e os atos virtuosos dos outros, ou que é incapaz de afetos e
atos desinteressados em suas relações com o semelhante;

(4) que todos os homens não regenerados, em virtude da sua pecaminosidade inerente, se entregarão a todas as
formas de pecado: muitas vezes acontece que uma forma de pecado exclui a outra.

(5) que o pecador seja destituído de consciência;

(6) que o pecador seja desprovido de todas as qualidades agradáveis e úteis aos olhos do homem.

Positivamente indica

(1) que a corrupção inerente abrange todas as partes da natureza do homem, todas as faculdades e poderes da alma
e do corpo;

(2) que absolutamente não há no pecador bem espiritual algum com relação a Deus, mas somente perversão.
(Rm.7.18; 2Tm.3.2-4).

(3) totalmente destituído daquele amor a Deus (Jo.5.42).

(4) carregado de desejo que ultrapassa a consideração por Deus e sua Lei (2Tm.3.4).

(5) supremamente determinado em sua preferência do “eu” (egoísta) em relação a Deus, interna ou externamente
((2Tm.3.2).

(6) possuído de aversão a Deus (Rm.8.7).

(7) desordenado e corrompido em cada faculdade (Ef.4.18; Tt.1.15; 2Co.7.1; Hb.3.12).

Incapacidade Total

Com respeito ao seu efeito sobre os poderes espirituais do homem, a Depravação Total tem como
conseqüência lógica a Incapacidade Total, ou seja, diante de Deus o homem é incapaz de agradá- lo. Aqui, de novo, é
necessário fazer adequada distinção. Na atribuição da incapacidade total à natureza do homem, não queremos dizer
que é impossível fazer o bem em todo e qualquer sentido da palavra.
Os teólogos Reformados geralmente dizem que ele ainda é capaz de realizar:

(1) o bem natural;

(2) o bem civil ou a justiça civil;

(3) externamente, o bem religioso.

Admite-se que mesmo o não regenerado possui alguma virtude, a qual se revela nas relações da vida social,
em muitos atos e sentimentos que merecem a sincera aprovação e gratidão dos seus semelhantes. Ao mesmo
tempo, afirma-se que esse mesmo ato e sentimentos, quando considerados em relação a Deus, são radicalmente
defeituosos. Seu defeito fatal é que não são motivados pelo amor a Deus, nem pela consideração de que a vontade
de Deus os exige, e muito menos, orientados para conceder ou atribuir Glória a Deus.

Quando falamos da corrupção do homem em termos de incapacidade total, queremos dizer duas coisas:

(1) que o pecador não regenerado não pode praticar nenhum ato, por insignificante que seja, que
fundamentalmente obtenha a aprovação de Deus e corresponda às exigências da lei Santa de Deus;

(2) que ele não pode mudar sua preferência fundamental pelo pecado e por si mesmo, trocando-a pelo amor
a Deus; não pode sequer fazer algo que se aproxime de tal mudança. Numa palavra, ele é incapaz de fazer qualquer
bem espiritual. Há abundante suporte bíblico para essa doutrina: Jo.1.13; 3.5; 6.44; 8.34; 15.5; Rm.7.18, 24; 8.7,8;
1Co.2.14; 2Co.3.5; Ef.2.1, 8-10; Hb.11.6.

É válido demonstrar que a incapacidade do homem não tange apenas à sua moralidade, mas à sua
insuficiência e insignificância diante da Majestade e Soberania de Deus. Qualquer atividade que tenha por foco
distinto da Glória de Deus, não agrada a Deus. Não interessa qual seja essa atividade. Por mais que se reconheça a
possibilidade da consecução de um bem natural, cívico, sem fé é impossível agradar a Deus (Hb.11.6).

Depravação, Incapacidade e a Liberdade Humana

No que diz respeito a toda essa discussão sobre o pecado, é inevitável que uma questão seja lançada: “Teria
o homem o livre-arbítrio?”. Essa questão deve ser respondida tanto positiva como negativamente. Pode-se dizer que
o homem inevitavelmente possua liberdade para realizar algo, ou deixar de realizar; adquirir ou não conhecimento;
vestir essa ou aquela camisa; decidir o que lhe agrada e o que não lhe agrada; o que lhe é bonito ou não é bonito;
neste sentido pode-se aplicar o termo livre-arbítrio. Entretanto, por definição, o livre arbítrio é impossível, pois se
refere principalmente às ações e à vontade humana, e pretende significar que o homem é dotado do poder de, em
determinadas circunstâncias, agir sem motivos ou finalidades diferentes da própria ação. Ou seja, livre arbítrio é a
habilidade de mover-se em direção a consecução de um ato almejado dentre algumas possibilidades, sem
consideração de motivos ou circunstâncias, a ponto de não sofrer qualquer inclinação distinta do interesse de
realizar este ato. Contudo, todo ato exige motivo ou interesse. Não existe ato absolutamente livre de qualquer
inclinação, interesse ou motivo. Se as decisões para executar ou realizar algo não exigem pressupostos racionais, são
espontâneas, e por conseqüência as decisões não são tomadas, elas acontecem. Segue-se que o livre arbítrio por
definição é impossível.

Separação Espiritual:

O homem e o Criador A Queda implica diretamente na separação espiritual com Deus. Em função da entrada
do pecado no mundo, o homem está privado de desfrutar dessa bem-aventurança, pois Deus não pode conviver,
nem manter comunhão com o pecado. Por essa razão afirma-se não existir mais comunhão direta entre Deus e os
homens. No relato de Gênesis, vemos que após cometerem uma infração direta à Lei de Deus, tanto o homem como
a mulher “esconderam-se”. Isso implica que a comunhão com Deus havia sido quebrada.
Separação Psicossomática:

O homem em si mesmo O homem, em função do pecado, sofre da falta de unidade no que tange aos
aspectos imateriais do homem. Ou seja, o pecado desestabilizou a harmonia inicial do homem, e devido a isso, não
pode portar-se de maneira irrepreensível diante da Lei de Deus, e do próprio Deus. E as consequências ainda podem
ser claramente observadas: A mulher passa a sofrer as dores do parto (3.16), o homem a penar em sua labuta diária
(3.19a) e a morte passa a reinar na experiência humana (3.19b), sem contar que suas inclinações, agora, propendem
ao pecado, ao erro, a pratica do mal orientado contra Deus.

Separação Sociológica: o homem do homem

O homem não perde apenas comunhão com Deus, e harmonia consigo mesmo, mas em função do pecado o
homem está separado do homem. Em Gênesis 3 podemos ler a seguinte declaração:

“Então disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi
(v.12)”.

O primeiro conflito do homem encontra-se no contexto matrimonial. Ou seja, entre homem e mulher o
conflito já estava anunciado na queda. Contudo, Deus ainda profere punições para esse relacionamento:

“E à mulher disse: (...) o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse:
Visto que atendeste a voz de tua mulher, e comeste da árvore que eu te ordenara não comesse...” (16-
17).

O que se nota é que não existe mais harmonia matrimonial, antes sobressai o conflito existente nessa
relação, como conseqüência do pecado. Entretanto, o relacionamento homem mulher não é o único prejudicado,
mas qualquer espécie de relacionamento, pois em Gn.4 podemos notar o ciúmes e o homicídio de Caim para com
Abel.

Separação Antro-ecológica: o homem da natureza

O relacionamento do homem para com a natureza é também afetado, pois é necessário que o homem viva
em constante trabalho para sua sobrevivência (3.18-19). Entretanto, esse trabalho é enfadonho agora, pois a terra
precisa ser cuidada para que de fruto.

Separação Ecológica:

A natureza da natureza Por conseqüência do pecado , a natureza passa a sofrer. Note que agora a “terra é
maldita”, “produzirá cardos e abrolhos” e esta sujeita à vaidade (Rm.8.20; cf.Is.11.6s; 65.25).

Separação Final

No meio do juízo adâmico, o Senhor Deus deu a promessa da vitória sobre Satanás através da semente da
mulher (Gn.3.15). A promessa de bênção (1.28) por meio de um filho prometido é a chave da teologia bíblica.
Quando o Deus Pai não pode olhar para o Filho na cruz, houve uma divisão catastrófica que pagou o preço de todo
pecado e destruiu a base do juízo. Na divisão na cruz, a solução de cada divisão da Queda é providenciada e
garantida. Agora, a reconciliação com Deus e a cura parcial nos níveis psicológicos e sociais pode ser realizados
através da fé. E, no futuro, a cura e a restauração completa (até da natureza) ocorrerão. A história ainda vai ver a
salvação de Cristo, não por meio do esforço humano, mas pela intervenção divina. Assim, eliminada a causa, cessam
as consequências.
Breve Exegese de Salvação
De uma forma simples, podemos dizer que “salvação é o fato do homem ser salvo do poder e dos efeitos do
pecado”. “O vocábulo português se deriva do latim salvare, “salvar” e de salus, “saúde”, “ajuda”, e traduz o termo
hebraico yeshu’a e cognatos (largura, facilidade, segurança) e o vocábulo grego sõteria, e cognatos (cura,
recuperação, redenção, remédio, salvação, bem estar). Significa a ação ou o resultado de livramento ou preservação
de algum perigo ou enfermidade, subentendendo segurança, saúde e prosperidade. Nas Escrituras, o movimento
parte dos aspectos mais físicos para o livramento moral e espiritual. Assim é que as porções mais antigas do AT dão
ênfase aos meios dos servos individuais de Deus escaparem das mãos de seus inimigos, a emancipação de Seu povo
da escravidão e o estabelecimento dos mesmos numa terra de abundância; já as porções posteriores dão maior
ênfase às condições e qualidades morais e religiosas da bem-aventurança, e estende suas amenidades além das
fronteiras nacionais” (O Novo Dicionário da Bíblia, Vol-II, p 1464 – 5).

Em primeira instância, o verbo sõzõ, “salvar” bem como o substantivo sõtêria, “salvação”, denotam o
“salvamento” e a “libertação” no sentido de evitar algum perigo que ameaça a vida. Pode ocorrer na guerra ou em
alto mar. Aquilo de que se recebe o livramento pode, no entanto, ser uma doença. Onde não se menciona qualquer
perigo imediato, também podem significar “conservar” ou “preservar”. O verbo e o substantivo podem até significar
“voltar com segurança” para casa.

No Novo Testamento, o verbo sõzõ ocorre 106 vezes, e o substantivo sõtêria, 45 vezes. Sendo que a graça de
Deus é a grande fonte de salvação (cf Ef 2:8 – 9), e o Filho de Deus é o Salvador do Mundo (cf Lc 2:11; 1 Jo 4:14).

Etimologia

A palavra Soteriologia é composta de duas palavras de origem grega (sotero = salvação, e logia = estudo, tratado).
Assim sendo Soteriologia é a parte da Teologia Sistemática que estuda a doutrina da salvação.

Conceito

A salvação é a manifestação da graça de Deus, através de Jesus Cristo, na vida de uma pessoa, salvando-a da
perdição eterna provocada pelo pecado, quando ela, arrependida, num ato voluntário de fé aceita e crê em Jesus
como seu único, suficiente e eterno Salvador.

A Concepção da Salvação

A salvação do pecador perdido foi concebida pelo conselho da Santíssima Trindade, segundo o eterno
propósito de Deus em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos. “Como também nos elegeu nele antes da fundação do
mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção
por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” Ef 1.4,5. (Veja ainda 1 Pe 1.18-20; Ef 1.3-5;
3.8-12; At 4.26- 28; Ap 13.8).

O Fundamento da Salvação

A salvação do pecador perdido está fundamentada no grandioso amor que Deus tem pelas suas criaturas
morais. Esse amor, que é um dos atributos morais da Deidade, é o amor sacrificial, desinteressado, não
circunstancial. É o amor eterno que Deus nos tem em Cristo Jesus. “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que
deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” Jo 3.16. (Veja
ainda Rm 5.8; Gl 2.20; 2 Ts 2.16; 1 Jo 4.8-10,16,19; Ap 1.5).

Arrependimento
Formada por duas palavras gregas (meta + nous), “arrependimento” não significa como muitos pensam um
rosto cuja face corre lágrimas de remorso, e cujos lábios proferem promessas de mudança e um voto de jamais cair
no mesmo pecado. Na Palavra de Deus descobrimos que a palavra quer dizer “mudança de mente”. “Esta
experiência tem sido descrita como sendo o ato pelo qual o pecador, ao aceitar a Cristo, dá uma meia volta no rumo
em que seguia na vida até então, e avança em direção diametralmente oposta. Isto significa uma mudança total de
conduta ou procedimento. É o primeiro passo para a salvação. É a volta do pecador a Deus.”

Cremos que o verdadeiro arrependimento envolve três faculdades básicas do homem: seu intelecto, suas emoções e
sua vontade.

1. O intelecto – arrepender-se significa mudar de pensamento. Langston afirmou que “intelectualmente falando, o
arrependimento é uma mudança na maneira de pensarmos em Deus, em nosso pecado e em nossas relações com o
nosso próximo”. Há uma radical mudança na maneira de pensar. O filho pródigo é um clássico exemplo disso.

2. As emoções – arrepender-se significa mudar de sentimentos. “O homem arrependido deixa de amar ou apreciar o
que antes amava ou apreciava. O prazer deixa de fixar-se nas coisas terrenas para descansar nas celestiais... O
arrependimento chora seus pecados, mas chora ainda mais a falsa atitude que antes tinha para com Deus... O
arrependimento verdadeiro fixa os olhos do arrependido mais em Deus do que no pecado cometido” (Langston). O
Salmo 32 exemplifica isso muito bem.

3. A vontade – arrepender-se significa mudar de propósitos. “Antes de arrepender-se, o homem quer fazer a própria
vontade, quer dirigir-se a si mesmo, quer andar no seu próprio caminho. No arrependimento, porém, ele quer fazer
a vontade de Deus, quer ser dirigido por Ele, porque está convencido de que a vontade e a direção de Deus são
melhores...” (Langston). Após o arrependimento, Davi orou: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova
dentro de mim um espírito inabalável” (Sl 51:10).

Seus Resultados

1. O texto de Atos 3:19 é claro em mostrar um dos principais resultados do arrependimento: cancelamento dos
pecados, que é outro modo de dizer que são perdoados os seus pecados (cf Cl 2:14).

2. A alegria entre os anjos é um outro resultado do arrependimento (cf Lc 15:7). 3. Sem o arrependimento, o Espírito
Santo não virá habitar em qualquer coração humano (cf At 2:38; Ef 1:13).

A fé (Crer em Jesus)
O outro passo que deve ser tomada é o passo da fé. A salvação oferecida, gratuitamente, por Deus ao
pecador perdido, deve ser recebida pela fé. O pecador, arrependido, deve aceitar e crer em Jesus como seu único,
suficiente e eterno Salvador. “E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” At 16.31
(Veja ainda Mc 1.15; Mc 16.15,16; Ef 2.8; Rm 5.1; 10.8-11; Gl 2.16; 3.11).

Fé Antigo Testamento

Em hebraico, a raiz ‘aman, no niphal, significa: “ser leal, digno de confiança, fiel”. Pode se aplicar aos
homens (Nm 12:7; servos – 1 Sm 22:14; a uma testemunha – Is 8:2; a um mensageiro – Pv 25:13; aos profetas – 1 Sm
3:20). Pode, no entanto, também ser aplicado ao próprio Deus, que guarda Sua aliança e dá graça àqueles que o
amam (Dt 7:9). No AT o termo “fé” é encontrado apenas duas vezes (Dt 32:20 e Hc 2:4). Isso não significa,
entretanto, que a fé não seja elemento importante no ensino do AT, pois ainda que a palavra não seja frequente, a
idéia, o é. É usualmente expressa por verbos tais como “crer”, “confiar” ou “esperar”, os quais ocorrem com
abundância.

Fé no Novo Testamento

No NT, a fé é altamente proeminente. O substantivo pistis e o verbo pisteuõ ocorrem ambos mais de 240
vezes, enquanto que o adjetivo pistos ocorre sessenta e sete vezes. No NT, o pensamento que Deus enviou Seu Filho
para ser Salvador do mundo, é central. Cristo realizou a salvação do homem ao morrer expiatóriamente na cruz do
Calvário. No quarto Evangelho, as formas de pensamento são diferentes de outras partes do NT. A fé surge do
testemunho, que é autenticado por Deus, e nela os sinais também desempenham um papel (Jô 1:7). Por isso, quem
é da verdade escuta esta chamada da parte de Deus (Jô 18:37). A fé e o conhecimento (Jô 6:69), o conhecimento e a
fé (Jô 17:8), não são dois processos mutuamente independentes; pelo contrário, são coordenadas instrutivas que
falam, a partir de pontos de vistas diferentes, do recebimento do testemunho. Há intima conexão entre a fé e a vida.
Aquele que crê no Filho tem a promessa de que não perecerá, mas que, pelo contrário, terá a vida eterna (Jô 6:16,
36; 11:25). Portanto, a fé é atitude mediante a qual o homem abandona toda a confiança em seus próprios esforços
para obter a salvação, quer sejam eles ações de piedade, de bondade ética, ou seja, o que for. Em João, a fé ocupa
um lugar importantíssimo, pois ali o verbo pisteuõ é encontrado noventa e oito vezes. Curioso é que o substantivo
pistis – ‘fé’, nunca é encontrado. Isso possivelmente se deve ao seu uso em círculos de tipo gnóstico. O enorme uso
de pisteuõ em João se deve ao próprio objetivo claramente revelado no Evangelho em João 20:31. A fé não consiste
meramente em aceitar certas coisas como verdadeiras, mas consiste em confiar numa Pessoa, e essa Pessoa é Jesus
Cristo. E como a fé é fundamental ao Cristianismo, os cristãos são simplesmente chamados ‘crentes’.

E crer implica em: • Confiar (Jô 4:50) • Seguir (Jô 8:12) • Servir (Jô 13:12 – 15; 21:15 – 17) • Obedecer (Jô
14:23 – 24).

Regeneração
Do lado divino, a mudança de coração é chamada de regeneração, de novo nascimento; do lado humano, é
chamada de conversão. Na regeneração, a alma é passiva; na conversão, é ativa. Podemos definir a concessão de
uma nova natureza (2 Pe 1:4) ou coração (Jr 24:7; Ez 11:19; 36:26), e a produção de uma nova criação (2 Co 5:17; Ef
2:10; 28 4:24). No entanto, a regeneração não é uma mudança às substâncias da alma. Hodge o diz muito bem:
“Como a mudança não é na substância nem no mero exercício da alma, ela ocorre naquelas disposições,
princípios, gostos ou hábitos imanentes aos qual todo o exercício consciente está subordinado, e que
determinam o caráter do homem e de todas as suas ações”.

A Necessidade da Regeneração

A Escritura declara repetidamente que o homem tem que ser regenerado antes de poder ver a Deus. Estas
afirmações da Palavra de Deus são reforçadas pela razão e pela consciência. A santidade é uma condição
indispensável para sermos aceitos na comunhão com Deus. Mas toda a humanidade é pecadora por natureza, e
quando chega a consciência moral, torna-se culpada de transgressão real. Portanto, em seu estado natural, a
humanidade não pode ter comunhão com Deus. Agora, esta mudança moral no homem somente pode ser feita por
um ato do Espírito de Deus. Ele regenera o coração e comunica a este a vida e a natureza de Deus. As Escrituras
mostram esta experiência como sendo um novo nascimento, pelo qual o homem se transforma em Filho de Deus (Jô
1:12; 3:3 – 5; 1 Jo 3:1). Por natureza, os homens são: (1) Filhos da ira – Ef 2:3; (2) Filhos da desobediência – Ef 2:2; (3)
Filhos do Mundo – Lc 16:8; (4) Filhos do Diabo – Mt 13:38; 23:15; At 13:10; 1 Jo 3:10. Esta última expressão é usada
especialmente para os que rejeitaram a Cristo, em João 8:44. Somente o novo nascimento pode produzir uma
natureza santa dentro dos pecadores de modo a tornar possível a comunhão com Deus.
Os Meios da Regeneração
A Escritura apresenta a regeneração como obra de Deus. Mas há numerosos meios e agências envolvidos na
experiência, que faremos bem em notar.

1. A Vontade de Deus. Somos nascidos “da vontade de Deus” (Jô 1:13). As palavras de Tiago esclarecem
ainda mais: “Pois, segundo seu querer, ele nos gerou pela palavra da verdade” (Tg 1:18).

2. A Morte e Ressurreição. Precisamos nos lembrar que o novo nascimento é condicionado à fé no Cristo
crucificado (Jô 3:14 – 16); e que a ressurreição de Cristo está igualmente envolvida em nossa regeneração (1 Pe 1:3).

3. A Palavra de Deus. É um dos principais agentes para a nossa regeneração, como já vimos em Tiago 1:18. O
mesmo pensamento é expresso em Jô 3:5; 1 Pe 1:23. Que a água a que se refere João 3:5 não é o batismo é
evidenciado pelo fato de que em Ef 5:26 a nossa purificação é relacionada à Palavra. Deve-se explicar Tito 3:5 da
mesma maneira, pois é claro que a água não tem poder regenerador. Paulo havia gerado os coríntios mediante o
Evangelho (1 Co 4:15), mas havia batizado apenas alguns deles (1 Co 1:14 – 16). Zaqueu (Lc 19:9), o ladrão
arrependido (Lc 23:42 – 43, e Cornélio (At 10:47) foram declarados salvos antes de terem sido batizados.

4. O Espírito Santo. O Agente eficaz real na regeneração é o Espírito Santo (Jô 3:5; Tt 3:5). A verdade não
constrange a vontade por si só; além disso, o coração não regenerado odeia a verdade até ser trabalhado pelo
Espírito Santo. O Senhor Jesus disse acerca do Espírito Santo, em João 16:8: “Quando ele vier convencerá o mundo
do pecado, da justiça e do juízo”. Portanto, podemos afirmar que o Espírito Santo é tanto um Advogado quanto um
Acusador. O rabino Eliezer bem Jacob diz: “Quem cumpre um mandamento – conseguiu um advogado para si, e
quem transgride um mandamento – conseguiu um acusador para si”. Diz Strong:

“Não é um simples aumento na claridade que vai permitir que um cego veja; a enfermidade do olho tem
que ser curada primeiro antes que os objetos externos se tornem visíveis... Apesar de trabalhada
juntamente com a apresentação da verdade ao intelecto, a regeneração difere da persuasão moral por
ser um ato imediato de Deus”.

Os Resultados da Regeneração

(1) Aquele que é nascido de Deus vence a tentação (1 Jo 3:9; 5:4,18). O tempo presente em que todos esses verbos
são usados indica uma vida de vitória contínua.

(2) A pessoa regenerada ama aos irmãos (1 Jo 5:1), à Palavra de Deus (Sl 119:97; 1 Pe 2:2), seus inimigos (Mt 5:43 –
48), e as almas perdidas (2 Co 5:14).

(3) A pessoa regenerada também goza de certos privilégios como Filho de Deus, como a satisfação de suas
necessidades (Mt 6:31 – 32), de uma revelação da vontade do Pai (1 Co 2:10 – 12), e de ser guardada (1 Jo 5:18).

(4) O homem que é nascido de Deus é herdeiro de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8:16 – 17). Embora o entrar
realmente no gozo da herança ainda esteja quase no futuro, o filho de Deus já agora tem um penhor dessa herança
na dádiva do Espírito Santo (Ef 1:13 – 14). É claro que estes resultados não são diferentes visíveis aos olhos do
mundo, mas são, não obstante, muito reais para aquele que nasceu para a família de Deus.

O Novo Nascimento
O que é? O Novo Nascimento é um milagre do Espírito Santo operado na natureza do indivíduo,
transformando-o completamente. De fato o Novo Testamento é um novo começo. Por mais maculado que seja o seu
passado; por mais deformado que seja o seu presente; por mais sombrio que pareça o seu futuro, há uma saída, há
uma possibilidade de começar tudo de novo, pelo NOVO NASCIMENTO. Não é esta uma notícia maravilhosa?
Portanto, o Novo Nascimento é obra do Espírito Santo, não representa fruto do esforço ou boas qualidades do
homem. Não há mérito humano na operação (João 3:6 – 7).

1. O batismo não efetua o Novo Nascimento. É falsa a doutrina que prega a regeneração pelo batismo.

2. Não se adquire por hereditariedade (João 1:12 – 13). A Igreja não tem poder de operar o Novo Nascimento. Como
disse alguém: “Não serás um automóvel pelo fato de teres nascido em uma garagem”. Ninguém nasce de novo por
pertencer a esta ou àquela Igreja.

3. Nenhum rito religioso, afinal, será capaz de efetuar o Novo Nascimento.

4. Não representa fruto de resoluções humanas. Assim como o nascimento físico depende de fatores fora do eu, na
regeneração o eu é passivo, ele recebe o Novo Nascimento (Jô 1:12 – 13).

O Novo Nascimento é a penetração da vida divina no ser humano. O estado de pecado é um estado de
morte, morte espiritual (Ef 2:1). O Novo Nascimento opera uma nova vida no ser humano. Como se vê, o fenômeno
é inexplicável em seu alcance mais profundo. O próprio Nicodemos que era príncipe, um sábio, e mestre em
Jerusalém, não entendeu isso pela mera exposição em palavras (João 3:4, 8, 9). Jesus insistiu na necessidade de
experimentar o Novo Nascimento. Em matéria de religião, de vida espiritual, o caminho para a compreensão é viver,
experimentar primeiro para depois entender. A mera especulação mental não penetra os mistérios espirituais. A
doutrina do Novo Testamento é amplamente encontrada nas Escrituras tanto no Novo, como no Antigo Testamento.
É apresentada, às vezes, com palavras diferentes, mas a verdade é a mesma: que o homem não pode mover a si
mesmo na direção do propósito de Deus; que como essa natureza total está comprometida com a corrupção do
pecado é- lhe impossível andar retamente no caminho de Deus. É necessário uma mudança de natureza e é Deus
quem nele opera a transformação, tornando-o um novo ser em Cristo. Há vários textos que merecem consideração e
estudo para o conhecimento da doutrina, mas o capítulo 3 do Evangelho de João é o que mais longamente expõe o
tema do Novo Nascimento. É o texto mais impressionante de toda a Bíblia; nenhum crente o pode ignorar como
fato, muito menos na sua interpretação, pois a aplicação de seu eterno princípio de regeneração pela fé depende à
entrada de qualquer um no Reino dos Céus.

Evidências do Novo Nascimento

1. Uma nova visão e compreensão espiritual –


2. 2 Co 4:6; Ef 1:18; 1 Co 2:14 2. O coração sofre uma revolução – Ez 36:26; Ef 4:20 – 24
3. 3. Uma vontade transformada – Ef 5:15 – 17
4. 4. Uma atitude diferente para com o pecado – Rm 6:1 – 23
5. 5. Uma disposição de obedecer a Deus – 1 Jo 2:6
6. 6. Um coração habitado por Cristo – Jô 14:23; Cl 1:27
7. 7. Uma vida separada do mundo Tg 4:4; 1 Jo 2:15 – 17 a. Luz do mundo – Mt 5:14 – 16 b. Sal da terra – Mt
5:13 c. Bom Perfume – 2 Co 15:16

Justificação
Por natureza, o homem não somente é filho do mal, mas é também um transgressor e um criminoso (Rm
3:23; 5:6 – 10; Cl 1:21; Tt 3:3). Na regeneração, o homem recebe uma nova vida e uma nova natureza; na
justificação, uma nova posição. A justificação pode ser definida como o ato de Deus pelo qual Ele declara justo
aquele que crê em Cristo. O Breve Catecismo afirma:

“Justificação é um ato da livre graça de Deus, pelo qual ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita
como justos a seus olhos, somente pela justiça de Cristo a nós imputada e recebida pela fé.” A
justificação é um ato declarativo. Não é algo operado no homem, mas sim algo declarado a respeito do
homem”.

1. A Remissão da Pena. A pena para o pecado é a morte (Rm 5:12 – 14; 6:23). Se o homem for ser salvo, esta pena
terá que ser removida primeiro. Foi removida pela morte de Cristo, e é na morte de Cristo, que sofreu o castigo de
nossos pecados em Seu próprio corpo no madeiro (1 Pe 2:24).

2. A Imputação da Justiça. Como justificação é acertar a pessoa com a Lei, precisamos observar, como diz Strong, que
“a lei requer não simplesmente a ausência de ofensa negativamente, mas toda maneira de obediência e semelhança
a Deus positivamente”. Em outras palavras, o pecador precisa não apenas ser perdoado por seus pecados passados,
mas também receber uma justiça positiva antes de poder ter comunhão com Deus. Esta necessidade é satisfeita na
imputação da justiça de Cristo ao crente. Imputar é debitar a alguém (cf Sl 32:2; Rm 1:17; 1 Co 1:30; 2 Co 5:21; Fm
18). Devemos observar que este não é o atributo de Deus, pois a nossa fé nada tem a ver com ele; mas sim a justiça
que Deus providenciou para aquele que crê em Cristo. Assim, Deus nos restaura ao favor imputando-nos a justiça de
Cristo. Esta é a veste nupcial que está pronta para todo aquele que aceita o convite para o banquete (Mt 22:11 – 12;
Lc 15:22 – 24).

O Método da Justificação

1. Não é pelas obras da Lei – Rm 3:20; Gl 2:16. Os homens não são salvos por “fazerem o melhor que podem”, mas
são salvos por “crerem naquele que fez o melhor”. A justificação pela Lei só acontece através do cumprimento
“total” da mesma!

2. É pela Graça de Deus – Rm 3:24; Tt 3:7.

3. É pelo Sangue de Cristo – Rm 5:9.

4. É pela Fé – Rm 3:26 – 30; 4:5 – 12; 5:1; Gl 3:8, 24.

Adoção
A doutrina da adoção é puramente paulina. Os outros autores do NT associam as bênçãos que Paulo
relaciona à adoção com as doutrinas da regeneração e da justificação. A palavra grega traduzida como adoção
(huiothesia), somente ocorre cinco vezes nas Escrituras, e todas elas nos escritos de Paulo: Rm 8:15, 23; 9:4; Gl 4:5;
Ef 1:5. Uma vez é aplicado a Israel como nação (Rm 9:4); uma vez relaciona a completa realização da adoção à vinda
futura de Cristo (Rm 8:23); e três vezes, declara ser ela um fato presente na vida do Cristão.

Definição

Como a palavra grega (huiothesia) indica, adoção é literalmente colocar na posição de filho. Scofield diz:
Adoção, “colocar na posição de filho” não é tanto uma palavra de relacionamento como de posição. A relação de
filho do crente para com Deus resulta do novo nascimento (Jô 1:12 – 13), ao passo que adoção é o ato de Deus pelo
qual aquele que já é filho, através de redenção da lei, é colocado na posição de filho adulto (Gl 4:1 – 5). O Espírito
que habita no crente o leva à percepção disto em sua experiência presente (Gl 4:6); mas a plena manifestação de sua
filiação aguarda a ressurreição, transformação e trasladação dos santos, e é chamada de “redenção do corpo” (Rm
8:23; 1 Ts 4:14 – 17; Ef 1:4; 1 Jo 3:2). Quer-nos parecer que Paulo considerava os crentes do AT como “filhos”
embora “de menor idade”; mas os crentes do NT ele considerava tanto como “filhos” quanto “filhos adultos”. As
principais vantagens da filiação, segundo Paulo, são a libertação da Lei (Gl 4:3 – 5) e a posse do Espírito Santo, o
Espírito de Filiação (Gl 4:6). Resumindo: na regeneração, recebemos nova vida; na justificação, uma nova reputação;
na adoção, uma nova posição.
O Tempo da Adoção

A adoção tem um relacionamento tríplice de tempo:

(1) Nos conselhos de Deus, foi um ato do passado eterno (Ef 1:5). Antes mesmo de começar a raça hebraica, sim
antes da criação, Ele nos predestinou para esta posição (cf Hb 11:39 – 40).

(2) Na experiência pessoal ela se torna verdadeira para o crente na hora em que ele aceita a Jesus Cristo (Gl 3:26).

(3) Mas a percepção plena da filiação aguarda a vinda de Cristo. É naquela hora que a adoção será plenamente
consumida (Rm 8:23).

Os resultados da Adoção

(1) Talvez o primeiro dentre eles seja a libertação da lei (Rm 8:15; Gl 4:4 – 5). O crente já não está debaixo de
“guardiões e aios”.

(2) O penhor da herança, que é o Espírito Santo (Gl 4:6 – 7; Ef 1:11 – 14). O Pai ajuda o filho adulto a começar com a
investidura do Espírito.

Santificação

Santidade de Deus A palavra hebraica para “santo” é quadash, derivada da raiz quad, que significa “cortar”
ou “separar”. A idéia básica de santidade de Deus não é tanto uma qualidade moral de Deus, mas, sim, a posição ou
relação entre Deus e alguma coisa ou pessoa. É dupla a idéia bíblica da santidade de Deus.

(1) Ele é absolutamente distinto de todas as suas criaturas e exaltado sobre elas em infinita majestade.

(2) Há um aspecto especificamente ético, e isto significa que em virtude de Sua santidade Deus não tem comunhão
com o pecado (Jô 34:10; Hc 1:13; 1 Jo 1:5).

Definição de Santificação

1. Separação para Deus. A separação para Deus pressupõe separação da impureza. Isto se refere a coisas, lugares ou
pessoas (2 Co 6:14 – 7:1).

2. Imputação de Cristo como nossa santidade. A imputação de Cristo como nossa santidade acompanha a imputação
de Cristo como nossa justiça. Ele se tornou justiça e santificação para nós (1 Co 1:30). Paulo diz que somos
“santificados em Cristo Jesus” (1 Co 1:2; At 26:18; Ef 5:26). Assim, o crente é reconhecido como santo bem como
justo por estar revestido com a santidade de Cristo.

Neste sentido, todos os crentes são chamados de “santos” sem levar em consideração suas conquistas espirituais
(Rm 1:7; 1 Co 1:2; Ef 1:1; Fp 1:1; Cl 1:1). É a conhecida “santificação posicional”.

3. Purificação do Mau Moral. Esta é a “santificação progressiva”. A pergunta do salmista é: “de que maneira poderá
o jovem guardar puro o seu caminho?”. Tem como resposta, “observando-o segundo a Tua Palavra” (Sl 119>9). É um
processo contínuo.

4. Conformidade com a Imagem de Cristo. A conformidade com a imagem de Cristo é o aspecto positivo da
santificação, assim como a purificação é o negativo, a separação e imputação são o posicional. Alguns textos básicos
para esta verdade são: Rm 8:9; 2 Co 3:18; Gl 5:22 – 23; Fp 1:6; 3:10; 1 Jo 3:2). Claramente este é um processo que se
estende por toda a vida e que só será consumado por completo quando estivermos com o Senhor.
Os Meios de Santificação

“Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19:2; 1 Pe 1:16). Evidentemente que estamos nos
referindo à “santificação progressiva”. O primeiro meio de santificação é a Palavra de Deus, ou seja, a meditação e a
obediência à mesma (Sl 119:9; Jô 15:3; 17:17; Ef 5:26; 2 Tm 3:16; 1 Pe 1:22 – 23). O segundo meio de santificação é a
prática da autodisciplina através de jejum, oração, meditação, estudos, etc. (1 Co 9:27). E o terceiro meio seria por
meio do poder do Espírito Santo (Rm 8:13).

Glorificação

No programa de Deus, em relação à Igreja, há uma bênção futura para todos os crentes, que é a redenção ou
glorificação do corpo. Isso quer dizer que todos os salvos, os falecidos e os que estiverem vivos, quando do
arrebatamento da Igreja, terão os seus corpos glorificados, habilitando-os, assim, a viverem para sempre com o
Senhor. “Pois a nossa pátria está nos Céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual
transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que
ele tem de até subordinar a si todas as coisas.” Fp 3.20,21. (Veja ainda Rm 8.17,30; Cl 3.4; 1 Pe 5.1; 1 Jo 3.2; Ef 5.27;
1 Co 15.53-57). 11) A Ordus Salutis (A ordem dos decretos de Deus em relação a salvação) a) Deus decretou eleger
alguns (a Igreja) para a vida eterna b) Deus decretou permitir a queda que gerou no pecador a culpa, a corrupção e a
total inabilidade c) Deus decretou entregar Cristo como dom celestial para redimir os eleitos e ofertar a salvação
para todos d) Deus decretou a concessão do Espírito Santo para gerar no eleito a obra redentora e) Deus decretou
santificar os redimidos e regenerados

Calvinismo x Arminianismo
João Calvino, um dos expoentes da reforma protestante em suas Institutas enfatizou a doutrina da
predestinação, afirmando que o ser humano só pode usufruir da salvação eterna dispensada pelos méritos de Cristo
se tiver sido predestinado para tal. “... e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna” At 13.48.
Calvino ensinava que essa predestinação era baseada unicamente na livre graça de Deus, independente de qualquer
ato ou fé previsto do pecador que viesse a torná-lo agradável a Deus. “Nele, digo, em quem também fomos feitos
herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da
sua vontade” Ef 1.11. Ensinava Calvino ainda que o pecado inabilitou completamente o homem e por isso ele é
totalmente incapaz de se aproximar de Deus se o Espírito Santo o não regenerar primeiro. “E continuou: Por isso vos
disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido” Jo 6.65. “Ninguém pode vir a mim se o Pai que
me enviou não o trouxer...” Jo 6.44,45. Jacob Arminius, teólogo holandês, discordando de Calvino, ensinava que o
pecado não inabilitou o homem totalmente e sim que ele ainda conservava a faculdade de por si mesmo,
independente da ação divina, de dá resposta ao evangelho de Cristo. Queria dizer Arminius que o homem
colaborava com a sua salvação, pois, ele tinha o livre arbítrio de aceitar ou de rejeitar a obra redentora de Cristo.
Afirmava ainda Arminius que a salvação uma vez recebida poderia ser perdida se o indivíduo não perseverasse na fé.
No Sinodo de Dort, o arminianismo foi condenado como herético e os reformadores elaboraram os cinco pontos do
calvinismo que tratam do assunto da salvação, conforme abaixo:

Os Cinco Pontos do Calvinismo

Depravação Total (o pecado atingiu o homem tão profundamente que o inabilitou de qualquer capacidade
de dá resposta positiva aos apelos do Evangelho) - Eleição Incondicional (Deus, na sua graça infinita, elegeu a Igreja
para a salvação independente de qualquer ato previsto). - Expiação Limitada (Cristo morreu na cruz do Calvário
somente pelos eleitos, ou seja, somente aqueles que são predestinados para a salvação é que serão eficazmente
salvos). - Graça Irresistível (Todos os eleitos serão, no devido tempo, atraídos pelo Espirito Santo a Cristo para
alcançar a salvação. Nenhum dos escolhidos de Deus deixará de receber a salvação através de Cristo). -
Perseverança dos Santos (todos os eleitos perseverarão na fé até o final de sua jornada aqui neste mundo. Jamais
cairão da graça de Deus que os sustenta).

Os cinco pontos do Arminianismo

Vontade livre, O primeiro ponto do arminianismo sustenta que o homem é dotado de vontade livre. -
Eleição condicional: Arminius ensinava também que a eleição estava baseada no pré-conhecimento de Deus em
relação àquele que deve crer. - Expiação universal: A morte de Cristo oferece a Deus base para salvar a todos os
homens, contudo, cada homem deve exercer sua livre vontade para aceitar a Cristo. - A graça pode ser impedida: O
arminiano, em seguida, crê que uma vez que Deus quer que todos os homens sejam salvos, ele envia seu Santo
Espírito para atrair todos os homens a Cristo. Contudo, desde que o homem goza de vontade livre absoluta, ele pode
resistir à vontade de Deus em relação a sua própria vida. (A ordem arminiana sustenta que, primeiro, o homem
exerce sua própria vontade e só depois nasce de novo) - O homem pode cair da graça: O homem não pode
continuar na salvação, a menos que continue a querer ser salvo, ensinava Arminius.
Esse termo é usado tanto na Teologia (homem em relação a Deus), como na Ciência (História Natural da
Raça, Psicologia, Sociologia, Ética, Anatomia, Fisiologia e História Natural). O conhecimento dessa doutrina servirá de
alicerce para entender melhor as doutrinas sobre o ‘pecado’, o ‘juízo’ e a ‘salvação’, as quais se baseiam no homem.

Criacionismo X Evolucionismo
Hoje em dia, provavelmente nenhuma questão é mais debatida em diferentes esferas da sociedade do que a
origem do homem. O debate sobre a Inerrância das Escrituras acertadamente tem incluído uma discussão sobre a
historicidade da narrativa que Gênesis faz da criação. Muitos pontos de vista diferentes procuram ser aceitos, alguns
defendidos inclusive por evangélicos.

Evolução Ateísta:

Evolução significa simplesmente uma mudança em qualquer direção. Mas quando essa palavra é usada para
se referir às origens do homem, seu significado envolve a origem com base em um processo natural, tanto no
surgimento da primeira substância viva quanto no de novas espécies. Essa teoria afirma que, bilhões de anos atrás,
substâncias químicas existentes no mar, influenciadas pelo Sol e pela energia cósmica, acabaram unindo-se por obra
do acaso e dando origem a organismos unicelulares. Desde então, vêm se desenvolvendo por intermédio de
mutações benéficas e de seleção natural, formando todas as plantas, animais e pessoas.

Evolução Teísta:

Afirma que Deus direcionou, usou e controlou o processo da evolução natural para ‘criar’ o mundo e tudo o que nele
existe. Normalmente, essa visão inclui as seguintes idéias: os dias da criação de Gênesis 1, na verdade, foram eras; o
processo evolutivo estava envolvido na criação de Adão; a Terra e as formas pré-humanas são extremamente
antigas.

Criação:

Ainda que existam variantes no conceito de criacionismo, a principal característica desse ponto de vista é que ele
tem a Bíblia como sua única base. A ciência pode contribuir para nosso entendimento, mas jamais deve controlar ou
mudar nossa interpretação das Escrituras para acomodar suas descobertas. A Bíblia claramente nos ensina que o
homem foi uma criação especial de Deus. Nunca existiu uma criatura subumana ou um processo de evolução.
Gênesis 1:26 – 27: “...Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os
criou.” Os criacionistas possuem diferentes pontos de vista em relação aos dias da criação, mas para alguém ser um
criacionista é preciso acreditar que o registro bíblico é historicamente factual e que Adão foi o primeiro homem.
Embora a Bíblia não seja um livro de Ciência, isso não significa que ela não seja precisa quando revela verdades
científicas. Com certeza, tudo o que ela revela sobre qualquer área do conhecimento é verídico, preciso e confiável.
A Bíblia não responde a todas as perguntas que desejamos fazer a respeito das origens, mas o que ela revela deve
ser reconhecido como verdade. Somente o registro bíblico nos dá informações precisas sobre a origem da
humanidade. Duas características principais do ato da criação do homem destacam-se no texto.

1- Foi planejada por Deus (Gênesis 1:26);

2- Ocorreu de forma direta, especial e imediata (Gênesis 1:27; 2:7)


Imago dei (A Imagem de Deus no Homem)

Da mesma forma que se discute a origem do homem, discute-se também o propósito da Criação do mesmo.
De todas as Criaturas que Deus fez, só de uma delas, o homem, diz se ter sido feita “à imagem de Deus”. O que isso
significa? Podemos usar a seguinte definição: O fato de ser o homem à imagem de Deus significa que ele é
semelhante a Deus e o representa. Quando Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança”, isso significa que ele pretende fazer uma criatura semelhante a si. As palavras hebraicas que exprimem
“imagem” e “semelhança” se referem a algo similar, mas não idêntico, à coisa que representa ou de que é uma
“imagem”. A palavra imagem também pode ser usada para exprimir algo que representa outra coisa. Os teólogos
gastam muito tempo tentando especificar uma característica do homem ou bem poucas delas, em que se vê
primordialmente a imagem de Deus. Alguns já cogitam que a imagem de Deus consiste na capacidade intelectual do
homem, ou no seu poder de tomar decisões morais e fazer escolhas voluntárias. Outros conceberam que a imagem
de Deus era uma referência à pureza moral original do homem, ou ao fato de termos sido criados homem e mulher,
ou ao domínio humano sobre a terra. Dentro dessa discussão, melhor seria concentrar a atenção primeiramente nos
significados das palavras “imagem” e “semelhança”. Esses termos tinham significados bastante claros para os
primeiros leitores:

a) Imagem: (no Hebraico = Tselem; no Grego = Eikon; no Latim = Imago) significa: molde, modelo, imagem,
representação. Uma representação formada, concreta.

b) Semelhança: (no Hebraico = Damuth; no Grego = Homoiosis; no Latim = Similitudo) significa: similitude,
semelhança. Uma similaridade abstrata, imaterial, ideal.

Embora alguns venham tentando fazer uma distinção entre as duas palavras para ensinar que existem dois aspectos
na imagem de Deus, nenhum contraste grande entre eles tem apoio na lingüística. Os termos são sinônimos
potenciais/facultativos. O uso ocasional dos dois termos juntos sugere um reforço de um termo por sua associação
com outro. Ao usar as duas palavras juntas, o autor bíblico parece estar tentando expressar uma idéia muito difícil,
na qual deseja deixar claro que o homem, de alguma maneira, é o reflexo concreto de Deus, mas, ao mesmo tempo,
deseja espiritualizar isso, em direção à abstração. Para os primeiros leitores, Gênesis 1:26 significava simplesmente:
“Façamos o homem como nós, para que nos represente”.

Como “imagem” e “semelhança” já carregavam esses significados, as Escrituras não precisam dizer algo como:

“O fato de ser o homem à imagem de Deus significa que o homem é como Deus nos seguintes aspectos:
capacidade intelectual, pureza moral, natureza espiritual, domínio sobre a terra, criatividade,
capacidade de tomar decisões éticas, capacidade relacional e imortalidade.”

Tal explicação é desnecessária, não só porque os termos tinham significados claros, mas também porque
nenhuma lista desse tipo faria justiça ao tema: o texto precisa afirmar que o homem é como Deus, e o restante das
Escrituras fornece mais detalhes que explicam esse ponto. De fato, na leitura do restante da Bíblia, percebemos que
uma compreensão da plena semelhança do homem a Deus exigiria uma plena compreensão de quem é Deus no seu
ser e nos seus atos, e uma plena compreensão de quem é o homem e o que faz. Quanto mais sabemos sobre Deus e
o homem, mais semelhanças reconhecemos, e mais plenamente compreendemos o que as Escrituras querem dizer
ao afirmar que o homem existe à semelhança de Deus. A expressão se refere a todo aspecto em que o homem é
como Deus. Na verdade, em toda a Escritura, o alvo do homem é o de ser semelhante a Deus.

Homem X Mulher
Um dos aspectos da criação do ser humano à imagem de Deus foi sua feitura como homem e mulher
(Gênesis 1:27). O mesmo elo entre criação à imagem de Deus e criação como homem e mulher se faz em Gênesis 5:1
– 2. Embora a criação do ser humano como homem e mulher não seja o único aspecto da nossa criação à imagem de
Deus, ele é tão significativo que as Escrituras o mencionam logo no mesmo versículo em que descrevem a criação do
homem por Deus. Podemos resumir da seguinte maneira os aspectos segundo os quais a criação dos dois sexos
representa algo da nossa criação à imagem de Deus: A criação do ser humano como homem e mulher revela a
imagem de Deus em (1) relações interpessoais harmoniosas, (2) igualdade em termos de pessoalidade e de
importância e (3) diferença de papéis e autoridade.

A Estrutura do Homem
De quantas partes compõe-se o homem? Todos concordam que temos um corpo físico. A maioria das
pessoas sente que também tem uma parte imaterial – uma ‘alma’ que sobreviverá à morte do corpo. Mas aqui
termina a concordância. Algumas pessoas crêem que, além do ‘corpo’ e da ‘alma’, temos uma terceira parte, um
‘espírito’ que se relaciona mais diretamente com Deus. A concepção de que o homem é constituído de três partes
chama-se tricotomia. Embora essa seja uma idéia comum no ensino bíblico evangélico popular, hoje poucos
estudiosos a defendem. Segundo muitos tricotomistas, a alma do homem abarca o seu intelecto, as suas emoções e
a sua vontade. Eles sustentam que todas as pessoas têm alma, e que os diferentes elementos da alma podem ou
servir a Deus ou ceder ao pecado. Argumentam que o espírito do homem é uma faculdade humana superior que
surge quando a pessoa torna-se cristã. O espírito de uma pessoa seria aquela parte dela que mais diretamente adora
e ora a Deus. Outros dizem que o ‘espírito’ não é uma parte distinta do homem, mas simplesmente outra palavra
que exprime ‘alma’, e que ambos os termos são usados indistintamente nas Escrituras para falar da parte imaterial
do homem, a parte que sobrevive após a morte do corpo. A idéia de que o homem é composto de duas partes
chama-se dicotomia. Aqueles que sustentam essa idéia muitas vezes admitem que as Escrituras usam a palavra
espírito mais frequentemente com referência à nossa relação com Deus, mas que esse uso não é uniforme e que a
palavra alma é também usada em todos os sentidos em que se pode usar espírito.

O Espírito do Homem
É Imperativo que um crente saiba que tem um espírito e que toda comunicação de Deus com o homem
ocorre ali. Se o crente não discerne seu próprio espírito, ele, invariavelmente, desconhece como comungar com
Deus no espírito. Substitui, facilmente, os pensamentos ou emoções da alma pelas obras do espírito. Dessa forma,
ele confina a si mesmo à esfera exterior, sempre incapaz de alcançar a esfera espiritual. Os versos a seguir das
Escrituras são suficientes para provar que nós, seres humanos, possuímos um espírito humano. Este espírito não é
sinônimo da nossa alma, nem é o mesmo que o Espírito Santo. Nós adoramos a Deus neste espírito: 1 Coríntios 2.11
fala do “espírito do homem que nele está”; 1 Coríntios 5.4 menciona “meu espírito”. Romanos 8.16 diz “nosso
espírito”; 1 Coríntios 14.14 usa “meu espírito”; 1 Coríntios 14.32 fala dos “espíritos dos profetas”; Provérbios 25.28
faz alusão ao “seu próprio espírito”; Hebreus 12.23 registra “os espíritos dos justos aperfeiçoados”; Zacarias 12.1
declara que “o Senhor... formou o espírito do homem dentro dele”.

Segundo o ensino da Bíblia e a experiência dos crentes, pode-se dizer que o espírito humano inclui três
partes, ou em outras palavras, pode-se dizer que ele tem três funções principais: consciência, intuição e comunhão.

A consciência é o órgão de discernimento, que distingue o certo e o errado, mas não por meio da influência
do conhecimento acumulado na mente, senão por um julgamento espontâneo e direto. Frequentemente o
raciocínio justifica coisas que nossa consciência julga. O trabalho da consciência é independente e direto; não se
curva às opiniões exteriores. Se o homem agir errado, ela levanta sua voz de acusação.

A Intuição é o órgão sensitivo do espírito humano. É tão diametralmente diferente do sentido físico e da
alma, que é chamado intuição. Ela envolve um sentimento direto e independente de qualquer influência exterior.
Aquele conhecimento que chega a nós, sem qualquer ajuda da mente, emoção ou vontade, chega intuitivamente.
Nós realmente “conhecemos” através da nossa intuição; nossa mente simplesmente nos ajuda a “entender”. As
revelações de Deus e todos os movimentos do Espírito Santo tornam-se conhecidos do crente por meio da sua
intuição. O crente deve, portanto, estar atento a estes dois elementos: a voz da consciência e o ensino da intuição.
Comunhão é adorar a Deus. Os órgãos da alma são incompetentes para adorar a Deus. Deus não é percebido
pelos nossos pensamentos, sentimentos ou intenções, pois Ele só pode ser conhecido diretamente em nosso
espírito. Nossa adoração a Deus e as comunicações de Deus conosco são diretamente no espírito. Elas acontecem no
“homem interior” e não na alma ou no homem exterior.
Podemos concluir então que estes três elementos da consciência, intuição e comunhão estão
profundamente correlacionados e funcionam coordenadamente. O relacionamento entre a consciência e a intuição
é que a consciência julga segundo a intuição; ela condena toda conduta que não segue as direções dadas pela
intuição. A intuição está relacionada com a comunhão ou adoração, visto que Deus é conhecido pelo homem
intuitivamente e revela Sua vontade ao homem na intuição. Medida alguma de expectativa ou dedução nos concede
o conhecimento de Deus.

Pode-se observar imediatamente, dos seguintes três grupos de versos bíblicos, que nosso espírito possui a
função da consciência (não dizemos que o espírito é a consciência), a função da intuição (ou sentido espiritual), e a
função da comunhão (ou adoração).

A Função da Consciência no Espírito do Homem: “O Senhor teu Deus lhe endurecerá o espírito” (Dt 2.30);
“Salva os contritos de espírito” (Sl 34.18); “Põe um espírito novo e reto dentro de mim” (Sl 51.10); “Tendo Jesus dito
isto, turbou-se em espírito” (Jo 13.21); “Revoltava-se nele o seu espírito, vendo a cidade cheia de ídolos” (At 17.16);
“O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8.16); “Presente no espírito, já
julguei, como se estivesse presente” (1Co 5.3); “Não tive descanso no meu espírito” (2Co 2.13); “Porque Deus não
nos deu o espírito de covardia” (2Tm 1.7).

A Função da Intuição no Espírito do Homem: “O espírito na verdade está pronto” (Mt 26.41); “Mas Jesus logo
percebeu em seu espírito” (Mc 2.8). “Ele, suspirando profundamente em seu espírito” (Mc 8.12); “Comoveu-se
(Jesus) em espírito” (Jo 11.33); “Paulo foi pressionado no espírito” (At 18.5). “Sendo fervoroso de espírito” (At
18.25); “Eu, constrangido no meu espírito, vou a Jerusalém” (At 20.22). “Pois, qual dos homens entende as coisas do
homem, senão o espírito do homem que nele está” (1Co 2.11). “Porque recrearam o meu espírito assim como o
vosso” (1Co 16.18). “O seu espírito tem sido recreado por vós todos” (2Co 7.13).

A Função da Comunhão no Espírito do Homem: “Meu espírito exulta em Deus meu Salvador” (Lc 1.47). “Os
verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade” (Jo 4.23). “Deus, a quem sirvo em meu espírito”
(Rm 1.9). “Para servirmos em novidade de espírito” (Rm 7.6). “Recebestes o espírito de adoção, pelo qual clamamos:
Aba, Pai” (Rm 8.15). “O Espírito mesmo testifica com o nosso espírito” (Rm 8.16). “O que se une ao Senhor é um
espírito com ele” (1Co 6.17). “Cantarei com o espírito” (1Co 14.15). “Se bendisseres com o espírito” (1Co 14.16). “E
levou-me em espírito” (Ap 21.10).

Por estas Escrituras podemos saber que nosso espírito possui, pelo menos, estas três funções. Embora os
não regenerados ainda não possuam vida, eles, todavia, possuem estas funções (mas o culto deles é de espíritos
maus). Algumas pessoas manifestam mais destas funções enquanto que outras menos. Entretanto, isto não implica
que não estejam mortos em delitos e pecados. O Novo Testamento não considera os que têm uma consciência
sensitiva, intuição aguda ou tendência e interesse espiritual, como sendo indivíduos salvos. Tais pessoas apenas nos
provam que, à parte da mente, da emoção e da vontade da nossa alma, também temos um espírito. Antes da
regeneração, o espírito está separado da vida de Deus; só depois dela é que a vida de Deus e do Espírito Santo habita
em nosso espírito. Eles foram, então, vivificados para serem instrumentos do Espírito Santo.

Nosso alvo, ao estudar a importância do espírito, visa capacitar-nos a entender que nós, como seres
humanos, possuímos um espírito independente. O espírito não é a mente, nem a vontade, nem a emoção do
homem; pelo contrário, ele inclui as funções da consciência, da intuição e da comunhão. É aqui no espírito que Deus
nos regenera,
nos ensina e nos conduz ao Seu descanso. Mas, lamentavelmente, devido aos longos anos de cativeiro à alma,
muitos cristãos conhecem muito pouco do seu espírito. Devemos estremecer diante de Deus e pedir a Ele que nos
ensine através da experiência, o que é espiritual e o que é da alma.

Antes do crente nascer de novo, seu espírito torna-se tão submerso e cercado por sua alma, que é impossível para
ele distinguir se algo emana da alma ou do espírito. As funções do último misturam-se com as da anterior. Além
disso, o espírito perdeu sua função primária - para com Deus; pois está morto para Deus. Assim parecia que ele se
tornou um acessório da alma. E quando a mente, emoção e vontade se fortalecem, as funções do espírito tornam-se
tão eclipsadas a ponto de fazê-las quase desconhecidas. É por isso que deve haver a obra de separação entre a alma
e o espírito depois que o crente é regenerado.

Examinando as Escrituras, parece que um espírito não regenerado funciona do mesmo modo que a alma. Os
seguintes versos ilustram isto: “Seu espírito estava perturbado” (Gn 41.8). “Então o espírito deles se abrandou para
com ele” (Jz 8.3). “O que é de espírito precipitado exalta a tolice” (Pv 14.29). “O espírito abatido seca os ossos” (Pv
17.22). “Os errados de espírito” (Is 29.24). “Uivareis pela angústia de espírito” (Is 65.14). “Seu espírito se endureceu”
(Dn 5.20).

Estas passagens mostram-nos as obras do espírito não regenerado e indicam como são semelhantes às da
alma. A razão porque o espírito, e não a alma, é mencionado, visa revelar o que aconteceu nas profundezas do
homem. Isto mostra como o espírito do homem veio a ser controlado e influenciado completamente por sua alma,
com o resultado de que ele manifesta as obras da alma. O espírito, entretanto, ainda existe porque estas obras
procedem do espírito. Embora governado pela alma, o espírito não deixa de ser um órgão.

A Alma do Homem
Além de ter um espírito que o capacita a ter comunhão com Deus, o homem também possui uma alma, sua
consciência própria. Ele torna-se consciente da sua existência pela obra da alma. Ela é a sede da sua personalidade.
Os elementos que nos fazem seres humanos pertencem à alma. Intelecto, pensamento, ideais, amor, emoção,
discernimento, escolha, decisão etc., são apenas as várias experiências da alma.

Já foi explicado que o espírito e o corpo estão fundidos na alma, a qual, por sua vez, forma o órgão da nossa
personalidade. É por isso que, às vezes, a Bíblia chama o homem de “alma”, como se o homem tivesse apenas esse
elemento. Por exemplo: Gênesis 12.5 refere-se às pessoas como “almas”. Quando Jacó trouxe sua família inteira
para o Egito, novamente é registrado que “todas as almas da casa de Jacó, que vieram para o Egito eram setenta”
(Gn 46.27). Inúmeros exemplos ocorrem na linguagem original da Bíblia, onde “alma” é usado em lugar de
“homem”. Porque a sede e essência da personalidade é a alma. Compreender a personalidade do homem é
compreender sua pessoa. A existência, características e vida do homem estão todas na alma. A Bíblia, por
conseguinte, chama o homem de “uma alma”.

O que constitui a personalidade do homem são as três principais faculdades: vontade, mente e emoção.
Vontade é o instrumento para nossas decisões e revela nosso poder de escolha. Ela manifesta nossa disposição ou
indisposição: “queremos” ou “não queremos”. Sem ela o homem é reduzido a um autômato. A mente, o
instrumento para nossos pensamentos, manifesta nosso poder intelectual. Dela surge a sabedoria, o conhecimento e
o raciocínio. A falta dela faz o homem tolo e embotado. O instrumento para os nossos gostos e antipatias é a
faculdade da emoção. Por meio dela somos capazes de expressar amor ou ódio e sentir alegria, ira, tristeza ou
felicidade. Qualquer falta dela tornará o homem tão insensível como pau ou pedra. Um estudo cuidadoso da Bíblia
fornecerá a conclusão de que essas três faculdades principais da personalidade pertencem à alma.

A Vida da Alma
Alguns eruditos da Bíblia indicam-nos que existem três palavras diferentes empregadas no grego para
designar “vida”: (1) bios, (2) psiqué, (3) zoe. Todas elas descrevem a vida, mas exprimem significados bem
diferentes. Bios refere-se aos meios de vida ou subsistência. Nosso Senhor Jesus usou esta palavra quando elogiou a
mulher que havia lançado no tesouro do templo toda a sua subsistência. Zoe é a vida mais elevada, a vida do
espírito. Sempre que a Bíblia fala de vida eterna ela usa esta palavra. Psiqué refere-se à vida animada do homem,
sua vida natural ou a vida da alma. A Bíblia emprega este termo, quando descreve a vida humana.

Aqui devemos observar que as palavras “alma” e “vida da alma”, na Bíblia, são uma só e a mesma palavra no
original. No Antigo Testamento a palavra hebraica para “alma” - nefesh - é usada igualmente para “vida da alma”. O
Novo Testamento consequentemente emprega a palavra grega psiqué tanto para “alma” como para “vida da alma”.
Por isso sabemos que a “alma” não é apenas um dos três elementos do homem, mas também a vida do homem, sua
vida natural. Em muitos lugares na Bíblia “alma” é traduzida como “vida”. Exemplo: A carne, porém, com sua vida,
isto é, com seu sangue (Gn 9.4,5); os que buscavam a vida do menino estão mortos (Mt 2.20); é lícito no sábado...
salvar a vida ou tirá-la? (Lc 6.9); têm exposto as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo (At 15.26); em
nada tenho a minha vida como preciosa (At 20.24); para dar a sua vida em resgate de muitos (Mt 20.28); o bom
pastor dá a sua vida pelas ovelhas (Jo 10.11, 15, 17). A palavra “vida” nestes versos é “alma” no original. Foi
traduzida assim porque seria mais difícil de entender de outra forma. A alma é realmente a própria vida do homem.

Conforme já mencionamos, a “alma” é um dos três elementos do homem. A “vida da alma” é a vida natural
do homem, aquilo que o faz existir e que o estimula. É a vida pela qual o homem vive hoje; é o poder pelo qual o
homem vem a ser o que ele é. Visto que a Bíblia aplica os termos nefesh e psiqué tanto para a alma como para a vida
do homem, é evidente para nós que estes dois, embora distinguíveis, não são separáveis. São distinguíveis porque
em certos lugares psiqué (por exemplo) deve ser traduzido ou como “alma” ou como “vida”. As traduções não
podem ser intercambiadas. Por exemplo: “alma” e “vida” em Lucas 12.19-23 e Marcos 3.4 são na verdade as
mesmas palavras no original, entretanto, traduzem-nas com a mesma palavra em português ficaria sem sentido. São
inseparáveis, no entanto, porque estas duas estão completamente unidas no homem. Um homem sem alma, não
vive. A Bíblia nunca nos diz que o homem natural possui outra vida além da alma. A vida do homem é apenas a alma
permeando o corpo. Quando a alma é unida ao corpo, ela torna-se a vida do homem. Vida é o fenômeno da alma. A
Bíblia considera o atual corpo do homem como um “corpo da alma” (1Co 15.44, original), pois a vida do nosso corpo
atual é a da alma. A vida do homem é, portanto, simplesmente uma expressão de um composto das suas energias
mentais, emocionais e volitivas. A “personalidade”, na esfera natural, engloba estas diferentes partes da alma, mas
apenas isto. A vida da alma é a vida natural do homem. Reconhecer que a alma é a vida do homem, é um fato muito
importante, pois se relaciona grandemente com a espécie de cristão que nos tornamos, se espirituais ou da alma.

A Alma e o Ego do Homem


Vimos como a alma é a sede da nossa personalidade, o órgão da vontade e da vida natural e, por isso,
podemos facilmente concluir que esta alma é também o “verdadeiro Eu” - Eu mesmo. Nosso ego é a alma. Isto pode
ser demonstrado também pela Bíblia. Em Números 30, a frase “ligar a si mesmo” ocorre dez vezes. No original é
“ligar sua alma”. Disso somos levados a entender que a alma é o nosso próprio eu. Em muitas outras passagens da
Bíblia nós vemos que a palavra “alma” é substituída por pronomes. Por exemplo: nem neles vos contaminareis (Lv
11.43); não vos contaminareis (Lv 11.44); por si e pela sua descendência (Et 9.31); oh tu, que te despedaças na tua
ira (Jó 18.4); este se justificava a si mesmo (Jó 32.2); eles mesmos vão para o cativeiro (Is 46.2); ao que cada um
(original, “cada alma”) houver de comer; somente isso poderá ser feito por vós (Êx 12.16); o homicida que tiver
matado alguém (original, “alguma alma”) involuntariamente (Nm 35.11,15); que eu (original, “minha alma”) morra a
morte dos justos (Nm 23.10); quando alguém (original, “alguma alma”) trouxer uma oferta de cereais (Lv 2.1); tenho
feito acalmar e sossegar a minha alma (SI 131.2); não imagines que, por estares no palácio do rei (tu) (original,
“alma”) escaparás (Et 4.13); Jurou o Senhor Deus por si mesmo (original, “jurou por sua alma”) (Am 6.8). Estas
Escrituras do Antigo Testamento nos informam de várias maneiras como a alma é o ego do homem.
O Novo Testamento transmite a mesma impressão. A tradução “oito pessoas” em 1Pe 3.20 no original é
“almas” e também em Atos 27.37 “duzentos e setenta e seis pessoas”. A frase em Rm 2.9 traduzia como “todo ser
humano que pratica o mal” no original é “toda a alma de todo o homem que pratica o mal”. Daí, advertir a alma de
um homem que pratica o mal é advertir o homem mal. Em Tiago 5.20 o salvar uma alma é considerado como salvar
um pecador. Lucas 12.19 mostra o homem tolo dizendo palavras de conforto à sua alma, como falando a si mesmo.
Está claro, portanto, que a Bíblia, no todo, considera a alma do homem ou a vida da alma como o próprio homem.

Podemos encontrar uma confirmação disso nas palavras do Senhor Jesus, dadas em dois Evangelhos
diferentes. Assim lemos em Mateus 16.26: Pois que aproveitará ao homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua
vida (psiqué)? Ou que dará o homem em troca da sua vida (psiqué)? Ao passo que Lucas 9.25 assim o traduz: Pois,
que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder-se ou prejudicar-se a si mesmo (eautou)? Os dois
evangelistas registram a mesma coisa, todavia, um usa “vida” (ou “alma”) enquanto que o outro usa “si mesmo”.
Isto quer dizer que o Espírito Santo está usando Mateus para explicar o sentido de “si mesmo” em Lucas e Lucas para
explicar o sentido de “vida” em Mateus. A alma ou vida do homem é o próprio homem, e vice-versa. Tal estudo nos
capacita a concluir que, para ser um homem, devemos participar daquilo que está incluído na alma do homem. Todo
homem natural possui este elemento e qualquer coisa que ele inclua, pois a alma é a vida comum partilhada por
todos os homens naturais. Antes da regeneração, tudo o que estiver incluído na vida - seja o ego, vida, força, poder,
escolha, pensamento, opinião, amor, sentimento - pertence à alma. Em outras palavras, a vida da alma é a vida que
o homem herda no nascimento. Tudo o que esta vida possui e tudo o que ela possa vir a ser está na esfera da alma.
Se, distintamente, nós reconhecermos o que é da alma, então mais tarde será mais fácil reconhecermos o que é
espiritual. Será possível separar o espiritual do que é da alma.

AS FUNÇÕES DO CORPO
A parte física do homem é totalmente material, como a palavra diz é apenas corpo, foi feito do barro, e para
o barro voltará Eclesiastes 12:7 , não necessita de julgamento de Deus, pois o corpo, não tem poder de decisão
dentro do homem, ele apenas executa as decisões da alma, o corpo não tem vida após a morte, e serve apenas para
esta vida, dentro desse mundo.

O corpo humano que recebemos ao nascer não será o mesmo corpo que o homem terá após o
arrebatamento da igreja, na eternidade futura, o corpo após o arrebatamento da igreja e a ressurreição dos mortos
de que trata o Apostolo São Paulo em I Coríntios 15:49 a 54 " e nós seremos transformados " e assim entendemos
que o corpo humano passará por uma grande transformação no arrebatamento da igreja, e assim os salvos em
Cristo receberão um corpo glorioso Filipenses 3: 21, desta forma o corpo daqueles que forem arrebatados não
voltará ao pó da terra, mas também não serão os mesmos, serão transformados para ser um corpo celestial, pois
existe corpo material e corpo espiritual. I Coríntios 15:44.

Quando Deus criou o Homem, ele já o fez com instintos, capacitando-o para realizar os desejos divinos para
o qual foi criado, e este instinto, Deus colocou no homem, ele já nasce com esta capacidade, é uma herança, um
Dom divino, alguns estão no corpo, e outros na alma e no Espírito.

Estes instintos naturais dentro do corpo humano servem para dar qualidade a vida do homem, e ao mesmo
tempo lhe qualidade para tudo que o homem fizer para o criador, um exemplo disso é o instinto da estética, que
através dele o homem pode perceber a beleza e perfeição de qualquer coisa, bem como a imperfeição.

Através do corpo humano o homem pode:

1. Se alimentar fisicamente

2. Se movimentar
3. Ouvir

4. Enxergar

5. Se reproduzir

6. Trabalhar ( Cultivar o Jardim do Éden )

7. Dominar ( Dominai sobre os animais da terra )

8. Estética ( E viu Deus que era bom ) Etc..

Espírito, alma e corpo após a queda


Adão vivia pelo fôlego de vida tornando-se o espírito nele. Pelo espírito ele percebia a Deus, conhecia a voz
de Deus e comungava com Deus. Ele possuía uma consciência muito aguda de Deus, mas depois de sua queda seu
espírito morreu.

Quando Deus falou com Adão no princípio Ele disse: “no dia em que dela comeres (o fruto da árvore do
conhecimento do bem e do mal) certamente morrerás” (Gn 2.17).

Entretanto, Adão e Eva continuaram a viver por centenas de anos depois de comerem do fruto proibido.
Obviamente, isto indica que a morte predita não era física. A morte de Adão começou no seu espírito.

O que é a morte realmente? Segundo a definição científica, morte é “a suspensão da comunicação com o
ambiente”. A morte do espírito é a suspensão da sua comunicação com Deus. A morte do corpo é a interrupção da
comunicação entre este e o espírito. Por isso, quando dizemos que o espírito está morto, não significa que não haja
mais espírito; quer dizer simplesmente que o espírito perdeu sua sensibilidade para com Deus e assim está morto
para Ele. A situação exata é que o espírito está incapacitado de ter comunhão com Deus. Usemos como ilustração
um mudo: ele tem boca e pulmões, mas algo está errado com suas cordas vocais tornando-o sem capacidade para
falar. No tocante à linguagem humana, sua boca pode ser considerada como morta. Semelhantemente o espírito de
Adão morreu por causa da sua desobediência a Deus. Ele ainda tinha seu espírito, todavia estava morto para Deus
porque havia perdido seu instinto espiritual. Isto ainda é assim: o pecado destruiu o aguçado e intuitivo
conhecimento de Deus que o espírito possuía tornando o homem espiritualmente morto. Ele pode ser religioso,
respeitável, educado, capaz, forte e sábio, mas está morto para Deus. Ele pode até mesmo falar sobre Deus,
raciocinar sobre Deus e pregar a Deus, mas ainda assim está morto para Ele. O homem não pode ouvir ou sentir a
voz do Espírito de Deus. Por isso, no Testamento, Deus frequentemente se refere àqueles que estão vivendo na
carne como mortos.

A morte que iniciou no espírito de nosso antepassado gradativamente até alcançar seu corpo. Embora
continuado a viver por muitos anos depois que seu espírito morreu a morte, todavia, continuou operando nele até
que seu espírito, alma e corpo estivessem mortos. Seu corpo que poderia ter sido transformado e glorificado
retornou ao pó. Porque seu homem interior precipitou-se no caos, seu corpo exterior deve morrer e ser destruído. A
partir dali o espírito de Adão (como também os de todos os seus descendentes) caiu sob a opressão da alma até que,
gradativamente, uniram-se com a alma tornando-se as duas partes intimamente unida. O escritor de Hebreus diz
que a Palavra de Deus vai penetrar e dividir alma e espírito (4.12). A separação é necessária porque o espírito e a
alma tornaram-se um. Enquanto estiver intimamente unidos o homem será lançado por eles no mundo psíquico.
Tudo é feito segundo os preceitos do intelecto ou sentimento. O espírito perdeu seu poder e impressão, como se
estivesse em profundo sono. Qualquer instinto que ele tenha para conhecer e servir a Deus, está completamente
paralisado. Ele permanece em coma como se não existisse. Este é o significado de Judas 19: “naturais, não tendo
espírito” (literal). Certamente isso não quer dizer que o espírito humano deixa de existir, pois Números 16.22 diz
claramente que Deus é “o Deus dos espíritos de toda carne”. Todo ser humano ainda tem em sua posse um espírito,
embora esteja obscurecido pelo pecado e impotente para manter comunhão com Deus.

Por mais morto que esse espírito esteja para com Deus, ele ainda pode permanecer tão ativo como a mente
ou o corpo. Ele é considerado morto para Deus, mas ainda é muito ativo em outros aspectos. Algumas vezes o
espírito de um homem caído pode ser até mais forte do que sua alma ou corpo e ganhar domínio sobre todo o seu
ser. Tais pessoas são “espirituais”, da mesma forma que muitas pessoas são grandemente da alma ou do corpo, pois
seus espíritos são muito maiores do que os das pessoas comuns. Estes são os feiticeiros e bruxos, e verdadeiramente
mantém contatos com a esfera espiritual, só que realizam isso através do espírito maligno e não pelo Espírito Santo.
Desta forma, o espírito do homem caído está aliado com Satanás e seus espíritos maus. Está morto para Deus,
entretanto bem vivo para Satanás e segue o espírito mal que agora opera nele.

Rendendo-se à exigência das suas paixões e cobiças, a alma tornou-se escrava do corpo de tal forma que o
Espírito Santo considera inútil contender pelo lugar de Deus neste alguém. Daí a declaração da Escritura: “Meu
Espírito não pleiteará para sempre com o homem; porque ele é realmente carne” (Gn 6.3). A Bíblia refere-se à carne
como sendo o composto da alma regenerada e a vida física embora mais frequentemente indique o pecado que está
no corpo. Uma vez que o homem esteja totalmente sob o domínio da carne, ele não tem possibilidade de liberar-se.
A alma tomou o lugar de autoridade do espírito. Tudo é feito independentemente e segundo as ordens da sua
mente. Mesmo em questões religiosas, na mais acalorada busca de Deus, tudo é realizado pela força e vontade da
alma do homem, sem a revelação do Espírito Santo. A alma não está apenas independente do espírito;
adicionalmente ela está sob o controle do corpo. Ela é solicitada a obedecer, a executar e cumprir as cobiças,
paixões e exigências do corpo. Cada filho de Adão está, não somente morto em seu espírito, mas ele é também “da
terra, terreno” (1Co 15.47). Os homens caídos são governados completamente pela carne, andando em reação aos
desejos das suas vidas da alma e das paixões físicas. Estes estão incapacitados de ter comunhão com Deus. Às vezes
eles exibem sua inteligência, em outras ocasiões suas paixões, porém, o mais frequente são ambas: inteligência e
paixão. Sem impedimento, a carne está em rígido controle sobre o homem total.

Isto é o que está esclarecido em Judas: “... escarnecedores, andando segundo as suas ímpias
concupiscências. Estes são os que se põem à parte, homens naturais, não tendo espírito”. Ser da alma é antagônico
ao ser do espírito, nossa parte mais nobre, a parte que pode unir-se a Deus e que deve regular a alma e o corpo, está
agora sob o domínio da alma, aquela parte em nós que é terrena tanto no motivo como no alvo. O espírito foi
despojado da sua posição original. A condição atual do homem é anormal, por conseguinte, ele é descrito como não
tendo espírito. O resultado de ser da alma é que ele se torna um escarnecedor, buscando paixões ímpias e criando
divisões.

1 Coríntios 2.14 fala de tais pessoas não regeneradas desta forma: “O homem natural não aceita as coisas do
Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”
Tais homens, sob o controle de suas almas e com seus espíritos oprimidos, estão em contraste direto com as pessoas
espirituais. Eles podem ser excessivamente inteligentes, capazes de apresentar idéias ou teorias magistrais, todavia
não aprovam as coisas do Espírito de Deus. São inadequados para receber revelação do Espírito Santo. Tal revelação
é amplamente diferente das idéias humanas. O homem pode pensar que o intelecto e o raciocínio humanos são
todo-poderosos, que o cérebro é capaz de compreender todas as verdades do mundo, mas o veredicto da Palavra de
Deus é: “vaidade de vaidades”.

Enquanto o homem está em seu estado da alma, ele frequentemente sente a insegurança desta era, e, por
isso, também busca a vida eterna da era vindoura. Mas mesmo que o faça, ainda é impotente para descobrir a
Palavra da vida pelo seu muito pensar e teorizar. Quão indignos de confiança são os raciocínios humanos!
Frequentemente observamos como pessoas muito inteligentes colidem em suas diferentes opiniões. As teorias
conduzem o homem facilmente ao erro. São castelos no ar, atirando-o nas trevas eternas.
Quão verdadeiro é que, sem a liderança do Espírito Santo, o intelecto não é apenas indigno de confiança,
mas também extremamente perigoso, porque frequentemente confunde a questão do certo e errado. Um pequeno
descuido pode provocar não só a perda temporária, mas até danos eternos. A mente entenebrecida do homem
muitas vezes o conduz à morte eterna. Se as almas não regeneradas apenas pudessem ver isto, quão bom seria!

Enquanto o homem é carnal, ele pode ser controlado por mais do que simplesmente a alma; ele pode estar
sob a direção do corpo também, porque a alma e o corpo estão intimamente entrelaçados. Pelo fato do corpo de
pecado estar abundando em desejos e paixões, o homem pode cometer os mais hediondos pecados. Visto que o
corpo é formado do pó, assim sua tendência natural é em direção à terra. A introdução do veneno da serpente no
corpo do homem transforma todos os seus desejos legítimos em lascívia. Tendo cedido uma vez ao corpo, em
desobediência a Deus, a alma vê-se compelida a ceder toda vez. Os baixos desejos do corpo podem ser
frequentemente manifestados por meio da alma. O poder do corpo torna-se tão irresistível que a alma não consegue
senão ser o escravo obediente.

A idéia de Deus é que o espírito tenha a preeminência, governando nossa alma. Mas uma vez que o homem
torna-se carnal, seu espírito afunda em servidão à alma. Maior degradação sucede quando o homem torna-se
“material” (do corpo), pois o corpo, mais baixo, ergue-se para ser soberano. O homem desceu então do “controle do
espírito” para o “controle da alma”, e do “controle da alma” para o “controle do corpo”. Ele afunda cada vez mais
profundamente. Quão lamentável deve ser quando a carne ganha o domínio.

O pecado matou o espírito: morte espiritual então, torna-se a porção de todos, pois todos estão mortos em
delitos e pecados. O pecado levou a alma a ser independente: a vida da alma é, portanto, uma vida egoísta
obstinada.

O pecado finalmente deu autoridade ao corpo: a natureza pecaminosa consequentemente reina através do
corpo.

O Destino do Homem
Dentre os diversos livros que mencionam a história da humanidade, Antropologia, etc..., a bíblia é a única
que contem a origem do homem, de onde ele veio, como foi criado, o objetivo pelo qual foi criado, e ainda diz para
onde ele vai, a bíblia é chamada de o livro completo, pois contem o passado, presente e futuro do homem.

Na sociedade em geral existem pensamentos variados sobre esta questão, as diversas religiões, os diversos
níveis de conhecimento bíblico, as diversas classes sociais, a cultura diferenciada de cada região, fazem com que
existam linhas de pensamentos dos mais variáveis possíveis, e assim daremos alguns dentre eles.

O DESTINO DO CORPO FÍSICO


Nesta questão não há muito a discutir ou a ensinar, o corpo humano, a carne, no momento da morte do
homem, o corpo começa a se decompor, e sem vida a parte física conhece o sentido literal da palavra morte, de
acordo com Eclesiastes 12:7, o corpo volta ao pó, de onde foi criado.

O costume de enterrar o corpo após a morte do homem é um costume muito antigo, já aconteceu com os
primeiros habitantes deste mundo, Abraão, Sara, Jacó, Raquel, etc..., todos foram sepultados Gênesis 23:4, 35:20,
49:30-31, 50:5, e este costume se estende até os nossos dias.

Ao contrario do que pensam muitas pessoas, não é o corpo que poderá ser lançado no inferno, ou mesmo
ser salvo, pois o corpo não tem poder de decisão, e assim não se pode julga-lo, condena-lo, é a alma que comanda o
corpo, e não o corpo que comanda a alma, a condenação do corpo é a morte física do homem, mas isto já é o
suficiente, esta morte física é uma punição pelo pecado que Adão e Eva cometeram, e não a punição da alma do
individuo.

A IMORTALIDADE DA ALMA
A alma possui natureza espiritual, é muito conhecido como a consciência do homem, e por isso entendemos
que a alma é eterna, não existe extinção da alma, o pensamento mais popular que diz " Morreu, acabou ", I Coríntios
15:32, não é a expressão da verdade, pois não se pode matar a alma, a alma pode se separar do corpo no momento
da morte física, mais matar a alma, isto é impossível. Em Apocalipse 20:4 fala sobre a alma daqueles que foram
degolados por amor a Cristo, o corpo foi degolado, mas a alma ainda vive.

A alma é a parte intelectual do homem, é a alma que possui os poderes de decisão dentro do corpo, é ela
que obedece ou não a Deus, é ela que decide consagrar se a Deus, ou menosprezar os conselhos do Espírito, e por
esta razão a alma receberá julgamento pelos atos e decisões que tomou enquanto ainda vivia o corpo.

Na bíblia encontramos o exemplo da Parábola do Rico e Lazaro São Lucas 16:19 a 31, ambos viviam no
mesmo mundo, e na mesma época, eram separados pela classe social em que viviam, e pela fé que possuíam, e
quando morreram, ambos continuaram separados, o corpo se desfez, mas a alma continuou a viver fora do corpo,
não neste mundo, mas num mundo espiritual, notemos agora alguns pontos nesta passagem bíblica:

APÓS A MORTE DO CORPO A ALMA CONTINUA A VIVER


Após a morte do Rico e de Lazaro, ambos ainda podiam pensar, apreciar, viver bem ou mal, Lazaro de acordo
com os ensinamentos bíblicos, tanto Lazaro como rico, estavam bem conscientes, tinham lembranças de suas vidas
antes da morte, sabiam onde estavam, o rico demonstrou conhecer a Abraão e também a Lazaro, e também
demonstrou arrependimento.

A ALMA NÃO PODE VOLTAR AO CORPO

Esta historia mostra que a alma é imortal, mesmo havendo a morte do corpo, o homem continua a possuir o
poder de pensar, enxergar, conversar, falar, arrepender, porém mesmo havendo arrependimento a alma não tem o
poder de voltar a viver no corpo, mesmo que seja em um outro corpo qualquer, isto não lhe é possível, o Rico pediu
a Abraão que lhe permitisse voltar a vida, que ressuscitasse, afim de que pudesse avisar seus irmãos para não
cometem o mesmo erro que ele, porém isto não é possível a alma.

O DESTINO DA ALMA
Enquanto Lázaro estava no seio de Abraão, o paraíso de Deus, que também Jesus prometeu ao ladrão na
cruz , São Lucas 23:43, o Rico que neste mundo teve uma vida em desobediência, estava no Hades, um lugar de
tormento, de angustia, e de muita dor, lá a sede é imensa, e as lembranças dos erros desta vida são constantes, o
desejo de voltar ao passado estão ao todo momento, porém isto não é possível.

Existem dois destinos para a alma, um para os salvos em Cristo, e outro para aqueles que rejeitaram o amor
de Cristo.
O DESTINO DAS ALMAS QUE ACEITARAM O AMOR DE CRISTO
O homem enquanto vive neste mundo, antes da morte física, ele tem a escolha de aceitar ou não o amor de
Cristo, se ele o aceita, estará aceitando ir morar com Cristo , estar ao lado de Jesus, São João 17:24, 3:16 a 21, assim
a alma daqueles que aceitam a Cristo estarão na luz para sempre, no momento da morte física, no mesmo instante
vão para o paraíso, São Lucas 23:43, um lugar de gozo espiritual, um lugar de alegria.

O Paraíso é um lugar de espera até o arrebatamento da Igreja, pois neste dia Jesus Cristo virá até as nuvens e
todos os mortos que morreram em Cristo, ressurgirão num corpo incorruptível, um corpo glorioso, Filipenses 3:21, I
Coríntios 15:12, e 51-52, e daí para frente estarão para sempre junto do Senhor , seja no reinado de Cristo no
milênio Apocalipse 3:21 e 20:4, e na eternidade futura a nova Jerusalém, Apocalipse 21.

O DESTINO DAS ALMAS DAQUELES QUE NÃO ACEITARAM O AMOR DE CRISTO


Aqueles que rejeitam o amor de Cristo, rejeitam a vida, a luz, a salvação da alma, Cristo é a luz do mundo, é a
única opção de vida para a alma, e se alguém o rejeita, esta rejeitando a vida eterna, São João 5:27 a 29, e 6:47.

Ap 20.15 E todo aquele que não foi achado inscrito no livro da vida, foi lançado no lago de fogo.
Prova
Teologia Sistemática 3:
Assinale com o X a letra com a resposta correta (Uma só resposta correta por questão).

1) Qual a definição teológica da Bíblia?


A) A Bíblia contém a Palavra de Deus, bem como conselhos para a humanidade.
B) A Bíblia é um livro comum, que deve ser entendido aleatoriamente.
C) A Bíblia é a Palavra de Deus, bem como seu trato com a humanidade.
D) A Bíblia é um livro simbólico e deve ser entendido como historias alegóricas.

2) São argumentos que provam a trindade de Deus.


A) A palavra YAHVEH, Jesus sendo inferior ao Pai e a oração só em nome de Jesus.
B) O uso do nome Deus exclusivo no singular, o Espirito Santo não sendo uma pessoa e a negativa da
adoração a Jesus.
C) O relacionamento de Deus com os anjos, a impossibilidade de Cristo perdoar pecados e o Espirito não
tendo sentimentos.
D) A palavra Elohim que mostra a pluralidade de Deus, Jesus sendo chamado de Senhor e a participação ativa
do Espirito na nossa salvação.

3) Qual é o conceito de pecado?


A) Errar o alvo
B) Obedecer a Deus.
C) Acertar o alvo.
D) Sacrificar a Deus
4) O que é ser salvo?
A) É cumprir toda a lei.
B) Aceitar pela fé a graça de Jesus.
C) É ter boas obras.
D) Todos serão salvos, pois Deus é amor.

5) Defina espirito, alma e corpo do homem.


A) O espirito é o onde temos comunhão com Deus, caráter e a inteligência, a alma é a personalidade e as
emoções e o corpo é nossa interação natural com o mundo físico.
B) O Espirito não existe, a alma é a inteligência e as emoções e o corpo é que nos possibilita adorar a Deus.
C) A espirito e alma são uma só parte que nos possibilita vencer o pecado, o corpo é nossa parte que deseja
pecar.
D) O espirito personalidade e as emoções, a alma é o onde temos comunhão com Deus, caráter e a
inteligência e o corpo é algo material como dos outros animais.
1. DEFINIÇÃO DE HERMENÊUTICA E EXEGESE

Hermenêutica é a ciência e arte da interpretação. O termo vem do nome “Hermes” que, segundo a
mitologia grega, era o mensageiro e intérprete dos deuses.

1.1. Uso da Hermenêutica

- Literatura grega – para conciliar o mito e a filosofia. Os filósofos passaram ”interpretar” a mitologia ao invés de
fazerem uma leitura literal, o que seria incompatível com a filosofia.

- Direito – os advogados aplicam à hermenêutica quando interpretam as leis.

- Bíblia – aplicamos à hermenêutica quando a interpretamos.

Exegese é a aplicação prática dos princípios e regras da hermenêutica.


1.2. O que é Hermenêutica

1.3. NECESSIDADE DA HERMENÊUTICA

A hermenêutica é necessária devido aos bloqueios à interpretação natural: distância histórica, cultural, idiomática e
filosófica. Nossa postura cultural funciona como uma lente quando lemos a bíblia. Isto pode causar muitas
distorções de sentido. A questão idiomática faz com que a relação entre conceitos e palavras seja diferente de uma
língua para outra. A questão filosófica trata da diferença entre a cosmovisão dos autores bíblicos e do leitor atual.
Cosmovisão é visão do mundo, maneira de entender o universo e as relações entre seus elementos.

- A hermenêutica é necessária para que os ensinamentos bíblicos possam ser aplicados na atualidade. Para ser útil,
o texto bíblico precisa ser lido, compreendido e aplicado.

Um exemplo bíblico da necessidade e importância da hermenêutica está em Atos 8.26-35. Filipe encontrou
o eunuco etíope quando este lia o livro do profeta Isaías. O evangelista lhe fez então uma pergunta que se aplica a
todos os leitores da bíblia: “Entendes o que lês?” Em seguida, Filipe começou a explicar-lhe o sentido do texto. O
papel de Filipe é comparável ao ministério dos pastores, evangelistas e mestres que, hoje, interpretam as Escrituras
e levam o ensinamento ao povo. Esta é uma missão de grande valor e maior responsabilidade.

O eunuco, importante oficial do governo da Etiópia, nada compreendia sobre as Escrituras. Da mesma forma,
nos nossos dias muitos estão confusos ou totalmente ignorantes em relação ao conteúdo da palavra de Deus e,
principalmente, a respeito do seu significado. Esta ignorância dá lugar aos seguintes erros:

- Invenção de versículos - Muitas pessoas mencionam ditados populares, ou até impopulares, e afirmam se
tratar de versículos bíblicos. Por exemplo: “Faça a tua parte que eu te ajudarei.” “Não cai uma folha de uma árvore
sem que seja da vontade de Deus.” “Uma alma vale mais que o mundo inteiro”, etc. Algumas frases desse tipo
podem até conter uma idéia verdadeira, mas não estão escritas na bíblia.

- Distorção de versículos - Aprendemos muitos versículos por ouvi-los citados por outras pessoas. Muitas
vezes os aprendemos através da letra de alguma música. Algumas vezes os versículos sofrem ligeira alteração para
se adequarem à melodia. Com isso, aprendemos um texto que não corresponde ao que a bíblia diz, e isso pode
conduzir a entendimentos incorretos. Por exemplo, cita-se com frequência o seguinte texto como se fosse passagem
bíblica: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas”. Porém, o
que Jesus disse foi: “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” A
troca de “estas” por “todas as outras” muda totalmente o sentido do texto. Muitos estão esperando que Deus lhes
dê riqueza material, empresas, casas de luxo, carros importados, etc., e ele podem dar, mas Jesus não prometeu
isso. O que ele estava dizendo é que Deus daria a comida, a bebida, e as vestes. “Estas” coisas são aquelas
mencionadas nos versículos anteriores a Mateus 6.33.

- Isolamento de versículos – A facilidade de se guardar um pequeno versículo transforma-se em risco na


medida em que passamos a “compreendê-lo” fora do seu contexto original. Sabemos muitos versículos sem,
contudo, ter idéia a respeito do capítulo ou do livro onde o mesmo se encontra inserido. Por exemplo: a maioria dos
crentes sabe de cor o texto de Filipenses 4.13: “Tudo posso naquele que me fortalece.” Normalmente, essa frase é
usada como um tipo de afirmação do pensamento positivo, indicando que, com a ajuda de Deus, o crente vai vencer
sempre, estando sempre por cima, sendo bem sucedido, ou seja, nada pode dar errado em seu caminho. O
conhecimento do contexto, contudo, nos faz saber que essa frase foi escrita por Paulo quando este estava na prisão.
Nos versículos anteriores, o apóstolo afirma que estava capacitado a passar por situações boas ou ruins, ter
abundância ou fome, porque, diz ele, “tudo posso naquele que me fortalece”. Isto não significa que todas as
circunstâncias seriam positivas para Paulo, mas que, sendo positivas ou negativas, ele estava pronto para passar por
elas e continuar firme em seu caminho com Deus.

- Interpretação livre – o desconhecimento das regras e princípios da hermenêutica faz com que muitos se aventurem
de modo perigoso no terreno da interpretação bíblica. Assim, não compreendem de fato as Escrituras, mas
inventam um sentido para o texto, de acordo com suas idéias e desejos. A hermenêutica nos permite uma
interpretação parametrizada. Os princípios e regras procuram nos impedir de cair no precipício do erro teológico.

A idéia que muitas pessoas têm sobre o conteúdo bíblico e seu significado pode ser ilustrado por um
amontoado de letras e números embaralhados, borrados e rabiscados. Os princípios da hermenêutica permitirão
um processo de organização desses elementos na medida do possível. Vamos colocar a lei de Moisés no seu lugar, a
graça em outro, o amor como principio maior, Israel, igreja, passado, presente, futuro, Velho Testamento, Novo
Testamento, letra, espírito, etc. É verdade que nosso entendimento não ficará 100% claro e organizado. Isto se deve
às limitações humanas, incluindo limitações da hermenêutica, diante das grandezas espirituais. Mas vamos obter um
nível de organização bastante razoável, o que nos permitirá uma boa qualidade de interpretação bíblica e a
possibilidade de evitarmos alguns erros absurdos.

1.4. Objetivo da Hermenêutica

2. Os Riscos das Interpretações Equivocadas


A falsa compreensão das Escrituras pode parecer algo inofensivo, mas sua grande ameaça é a produção de
heresias, que são falsas doutrinas baseadas no erro de interpretação. Assim, muitos líderes exigem o absurdo e
proíbem o que seria direito legítimo dos fiéis. Fazendo isso em nome de Deus, prejudicam gravemente aqueles que
deveriam estar sendo conduzidos de modo sensato. Quantos líderes estão levando as pessoas a ofertarem tudo no
altar, sob o argumento de que elas serão abençoadas com riqueza material? Quantos são proibidos de usarem
roupas de determinada cor, proibidos de se casarem, proibidos de comerem este ou aquele alimento (I Tm.4.1-3). É
verdade que as heresias não se limitam aos erros de interpretação bíblica, mas têm neles sua base principal.

Tais equívocos de compreensão bíblica produzem idéias erradas sobre Deus e expectativas infundadas em
relação ao cristianismo, que vão gerar frustração, revolta e apostasia. O pior efeito desse processo é a perdição
eterna.

As heresias são comparáveis a um alicerce de areia. Jesus disse que algumas pessoas haveriam de ouvir a sua
palavra, mas, por não obedecerem, seriam comparáveis ao homem que edificou sua casa sobre a areia (Mt.7.26).
Depois, por causa do vento, da chuva e dos rios, aquela casa caiu. Por que essas pessoas não obedeceram a palavra?
Podemos mencionar diversos motivos, mas, certamente, um deles é a falta de entendimento do verdadeiro sentido
das palavras do Senhor. É o caso daquela semente que cai à beira do caminho e é levada pelas aves (Mt.13.19).

Muitas das religiões e denominações hoje existentes surgiram do falso entendimento das Escrituras, embora outras
tenham surgido do esforço de se corrigirem os erros do passado. As heresias têm duas fontes possíveis: o homem
(Gálatas 5.19-20) e o Diabo (Gn.3.1; Mt.4.6). Precisamos compreender bem a bíblia porque, de outro modo,
correremos o risco de cair no engano de Satanás ou ele simplesmente procurará se aproveitar do nosso próprio
engano.

2.1. OS PRESSUPOSTOS DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

Quando vamos ao encontro das Sagradas Escrituras levamos conosco uma série de pressupostos, ou seja,
suposições prévias, preconceitos, expectativas e desejos. Já vamos “preparados” para encontrar algo que nem
sempre está lá ou, se está não se encontra em toda a parte ou na medida em que gostaríamos.

Os pressupostos podem ser bons ou maus, importantes e perigosos. Depende de quais são eles e de como
conduzem nossa compreensão e aplicação das Escrituras. Exemplificando de modo prático: o policial que vai ao
encontro do suspeito pressupõe que o mesmo se encontra armado. Tal pressuposto pode salvar a vida do policial,
mas pode também levar à morte do suspeito. Depois do desfecho da situação, se constatará se o indivíduo possuía
ou não uma arma. Será tarde demais para corrigir um erro cometido por causa de um pressuposto equivocado.

Os pressupostos são muito variados. Por exemplo, se uma turma de amigos vai viajar, a expectativa de cada um
pode ser bastante diferente dos demais, dependendo dos desejos e interesses particulares.

Quem supervaloriza um tema, em detrimento de outros, tende a ver aquilo por toda parte. Por exemplo, algumas
pessoas têm preferência e grande interesse pela escatologia. Terão, possivelmente, a tendência de fazer uma
“leitura escatológica” de uma grande porção das Escrituras ou até da sua totalidade. Isto pode produzir erros
quando a idéia escatológica não existe, de fato, no texto. Quem tem preferência pelas questões relacionadas à cura,
poderá se sentir propenso a relacionar tudo com esse assunto. Outros assuntos que formam pressupostos
atualmente são: prosperidade, batalha espiritual, demônios, bênção e maldição, dízimos e ofertas, boas obras etc.
Um exemplo digno de nota é o caso de um escritor que afirmou que Jó perdeu tudo o que tinha porque não era
dizimista. Sua preferência pelo tema produziu uma conclusão infundada. O mesmo autor afirma que o dono dos
porcos que foram destruídos pelos demônios sofreu aquele prejuízo porque não era dizimista. Há também quem
use o versículo de I Cor.9.7, “Deus ama quem dá com alegria”, para se referir aos dízimos. Outro versículo usado com
esse propósito é Lc.6.38. Contudo, ambos os versos não se referem aos dízimos, mas à ajuda ao próximo. Podemos
extrair princípios que se aplicam a várias situações, mas não podemos afirmar que o escritor bíblico estivesse se
referindo ao assunto que gostaríamos.

A linha denominacional do leitor determina muitos dos seus pressupostos. Assim, o pentecostal pode ter a
tendência de ver tudo sob o prisma do poder, dos dons e do Espírito Santo. O “tradicional” deixará de ver muitos
desses aspectos. As ênfases denominacionais podem criar uma espécie de “filtro” ou “lente” que poderá nos ajudar
em determinadas passagens bíblicas e provocar interpretações erradas em outras. No sentido mais pejorativo, os
pressupostos podem ser comparados a “trilhos”, “fôrmas” e “viseiras”. O que fazer? Precisamos identificar nossos
pressupostos, preconceitos, expectativas, e julgar tudo isso sob a luz dos princípios hermenêuticos que, por sua
natureza didática e impessoal, podem nos conduzir a uma leitura bíblica mais consistente e fiel ao conteúdo textual.

A religião do leitor ou sua linha teológica também produzirão muitos pressupostos. Nós, cristãos, fazemos uma
leitura cristã do Velho Testamento, embora Jesus não seja ali mencionado literalmente. Evidentemente, temos
razões suficientes no Novo Testamento para fazermos tal leitura do Velho. Os judeus, em geral, por não aceitarem o
Novo Testamento, também não admitem uma leitura cristã do Antigo.

Outro exemplo é o caso dos teólogos da libertação. Julgando que a salvação seja um processo de libertação social e
econômica, esses estudiosos leem a bíblia com uma visão diferente daqueles que entendem a salvação como um
livramento, sobretudo, espiritual e eterno.

Católicos, espíritas e protestantes fazem leituras bíblicas diferentes. A idéia que temos sobre Deus também interfere
nessa leitura. Nossa cosmovisão, teologia, soteriologia, etc. acabam formando um arcabouço teórico no qual
procuramos encaixar o que lemos na bíblia. Já nos aproximamos das Escrituras com muitos preconceitos formados,
quando deveríamos tomá-la “desarmados”.

Por exemplo, o texto de João 3.3, sobre o novo nascimento, é entendido pelos espíritas como uma referência que
justifica a reencarnação. Parece que Nicodemos também teve um entendimento semelhante, mas foi
imediatamente corrigido por Jesus, que lhe mostrou tratar-se de um nascimento espiritual.

Alguém disse o seguinte: “O sapo acha que o mundo é um brejo”. Por outro lado, “quem sempre viveu na terra seca
pode duvidar que existisse o mar”. Nossas experiências e preferências podem criar muitos condicionamentos que
levamos para a leitura bíblica. Precisamos abrir nossa mente, com cuidado. Precisamos admitir que existissem na
bíblia outros assuntos além daqueles que preferimos. Precisamos deixar que os autores bíblicos falassem, ao invés
de colocarmos em suas palavras o significado que gostaríamos de encontrar nelas.

Não quero dizer com isso que todos os pressupostos estejam errados. Existem conceitos corretos e necessários que
nos auxiliam na compreensão da Bíblia. Questões como Inerrância, inspiração, literalidade, veracidade e
historicidade das Escrituras, existência de Deus, divindade de Cristo, trindade, igreja, compreensão dos conceitos de
lei e graça e suas relações, tudo isso, quando compreendido corretamente, será determinante para a interpretação
bíblica. O fato de termos ou não algum tipo de compromisso com Deus também influenciará nosso entendimento
da Bíblia. Podemos vê-la como uma carta de Deus para nós, ou como um documento estranho que fala sobre as
relações de povos antigos com um Deus que não conhecemos.

2.2. Pressupostos Importantes

Nessa “viagem” do conhecimento bíblico, algumas “bagagens” são necessárias. Alguns pressupostos são
importantes e necessários, enquanto que outros podem ser prejudiciais.

O estudante da bíblia precisa decidir sobre as questões apresentadas a seguir. É preciso um posicionamento que
pode ser definitivo ou provisório. Muitas vezes o fator determinante para tal definição será a FÉ. Este é o elemento
que separará o cristão de todos os estudantes intelectuais das Escrituras, ainda que o verdadeiro crente também
utilize suas faculdades racionais para compreender a Palavra de Deus. Contudo, a razão será um instrumento de
auxílio, e não um fator determinante para a aceitação da bíblia.

Questões que vão influenciar a interpretação:

O que a bíblia é? livro de Deus para o homem, livro do homem sobre Deus, palavra de Deus, livro de história, livro
de lendas, livro didático ou manual?

O que a bíblia contém? (não inverta; não negue; são aspectos importantes, embora secundários) história, geografia,
ciência, sociologia, filosofia, poesia, antropologia, teologia, palavra de Deus, palavras do homem?

A posição evangélica é de que a bíblia é a palavra de Deus e contém história, geografia, ciência, sociologia, filosofia,
poesia, etc. Não podemos negar esses elementos nem considerá-los como se algum deles fosse o conteúdo bíblico
principal ou razão de sua existência. A bíblia existe para que a alma humana seja salva. Seu conteúdo inclui uma
série de temas que emolduram a mensagem de salvação.

Como a bíblia é? Está em questão a Inerrância e a inspiração. Entre aqueles que admitem que a bíblia seja um livro
inspirado, existem supostas diferenças entre níveis de inspiração. Alguns acreditam que os escritores bíblicos
estavam tão inspirados quanto um poeta ou um compositor qualquer. Outros acreditam na inspiração divina em
cada letra ou palavra escrita. Nós cremos que os autores bíblicos foram inspirados, ou seja, orientados por Deus para
escreverem as Sagradas Escrituras, mas tinham liberdade para usarem seu estilo pessoal e seu nível de
conhecimento e cultura. Contudo, as porções proféticas são produzidas de modo mais direto por Deus. Os relatos
históricos dependiam do conhecimento do escritor. Por exemplo, podemos citar os evangelhos. Por quê eles não
são idênticos? Porque cada livro foi produzido de acordo com as informações que cada autor possuía. Entretanto,
todos foram inspirados por Deus para escreverem. Paulo, ao escrever para Timóteo, mostrou sua própria posição
em relação a este assunto, considerando toda a Escritura divinamente inspirada. Naquele momento, a Escritura
disponível e reconhecida como palavra de Deus era o Velho Testamento (II Tm.3.16).

Quanto à Inerrância, a Bíblia é perfeita para os fins aos quais se destina. Não devemos buscar ali exatidão literal em
declarações secundárias sobre aspectos científicos. Por exemplo, dizer que “o sol parou” era suficiente para a
compreensão dos leitores contemporâneos de Josué. Afinal, as Escrituras precisavam usar uma linguagem
compreensível para a época. Hoje, muitos questionam a referida passagem dizendo que ali existe um erro, pois, na
realidade, é a terra que se move em torno do sol. Entretanto, dizer que o sol “nasce” pela manhã, é uma expressão
bíblica (Ec.1.3) que usamos até hoje, e isto não significa erro, senão uma figura de linguagem.

Na bíblia encontramos também arredondamentos numéricos. Tal prática é usada também nos dias atuais. Quando
dizemos que a população mundial é de 6 bilhões de pessoas, estamos, obrigatoriamente, arredondando. Ninguém
sabe quantas pessoas existem no planeta. Mesmo numa cidade grande, não se sabe quantas pessoas existem, mas a
definição de um número, mesmo que aproximado, será útil para os planejamentos do governo. Assim, a bíblia
apresenta muitos números aproximados, o que era perfeitamente satisfatório para os fins desejados. Um exemplo é
a idade de Noé. Em Gênesis 5.32 diz que Noé viveu 500 anos e gerou Sem, Cão e Jafé. Temos aí um resumo e um
arredondamento. Lendo o versículo, podemos imaginar que os três filhos de Noé eram gêmeos e nasceram quando
o pai tinha 500 anos. Contudo, em Gênesis 10.21 somos informados de que Sem era mais velho que seus irmãos. Em
Gênesis 11.10, vemos que Sem tinha 100 anos quando gerou Arfaxade, e isto ocorreu dois anos depois do dilúvio.
Sabendo que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos (Gn.7.11), concluímos que quando Sem tinha 100 anos,
Noé tinha 602. Logo, Sem nasceu quando Noé tinha 502 anos. Fica então demonstrado que em Gênesis 5.32 existe
arredondamento numérico.

Ao extrairmos um versículo bíblico para aplicação, precisamos estar bem conscientes do seu contexto, autoria, etc.
Por exemplo, o livro de Jó contém inúmeras declarações de seus amigos. No final, Deus diz que as palavras que eles
disseram não eram retas (Jó 42.7). Portanto, ali existem palavras humanas, poéticas, muito bem elaboradas, porém
erradas. As declarações daqueles homens estavam essencialmente incorretas ou só não eram adequadas para o caso
de Jó? Precisamos compará-las ao contexto bíblico geral antes de extrairmos dali princípios norteadores para a
nossa relação com Deus. Esta é uma questão muito delicada que merecerá estudos mais minuciosos.

O que fazer com o que a bíblia nos traz? Ler, apreciar, obedecer literalmente, extrair princípios, imitar os
personagens?

Depois de decidirmos sobre o que a bíblia é e o que ela contém, precisamos decidir sobre o que faremos com o que
a bíblia nos traz. Esta definição também será um poderoso pressuposto para nossa compreensão das Escrituras.
Pensou-se que a bíblia deve ser sempre obedecida literalmente, corremos o risco de arrancar nossos olhos como
Jesus mandou. Se a bíblia existe para que imitemos seus personagens, poderemos querer andar sobre as águas
como Pedro, ou então produzir objetos sagrados, verdadeiros amuletos, para distribuição nos cultos. A definição
dessa questão se dará no decorrer do nosso estudo. Em alguns momentos deveremos obedecer literalmente à
bíblia. Em outros casos, precisaremos interpretar sua linguagem simbólica, não tentando fazer exatamente o que
está escrito. Em grande parte de seu conteúdo, procuraremos extrair princípios espirituais que possam ser aplicados
nos nossos dias, em uma cultura muito diferente daquelas em que viviam os escritores bíblicos.

Como a bíblia está organizada? Precisamos compreender o relacionamento de Deus com o homem no decorrer da
história e decidir sobre: continuidade, descontinuidade, lei e graça, alianças, dispensações, revelação progressiva,
plano de salvação (meio ou meios de salvação). Os que optam por uma continuidade prevalecente, querem,
geralmente, aplicar nos dias atuais a lei mosaica, pois compreendem que o plano de Deus é único em toda a bíblia e
em toda a história. Alguns argumentam a favor de uma descontinuidade que rompe com o Velho Testamento, como
se o mesmo não mais tivesse utilidade para nós. Talvez a melhor alternativa seja uma combinação entre ambos os
conceitos. O plano de Deus para o relacionamento com os homens é único, mas a revelação é progressiva e as
próprias atitudes humanas, especialmente de Israel, fazem com que haja algumas descontinuidades nesse processo.

Alguns dividem a história do relacionamento de Deus com os homens em dispensações, ou seja, períodos sucessivos
onde as regras de um não se aplicam ao seguinte. Outros dividem a mesma história em alianças de Deus com o
homem. Nesse modelo, porém, existe uma ênfase na continuidade, pois, cada aliança complementa e amplia a
anterior, encampando seus objetivos e características. Para um aprofundamento nestas questões indicamos a leitura
do livro “Hermenêutica Avançada”, de Henry A. Virkler (Editora Vida). Uma ilustração bastante proveitosa para se
compreender a história do relacionamento de Deus com os homens é oferecida pela “teoria epigenética”: a
revelação divina no decorrer da história é comparável ao crescimento de uma árvore oriunda de uma semente. A
árvore é perfeita em todos os seus estágios, sendo uma plantinha ou atingindo a maturidade. Ela passa por
momentos diferentes na medida em que vai crescendo rumo ao objetivo de frutificar. Assim, a relação de Deus com
os homens desde o início do Velho Testamento até a era da igreja, passou por estágios diferentes, embora
complementares e demonstrativos de um propósito único.

2.3. Extremos Perigosos

1- Dizer que a bíblia não pode ser compreendida.

Muitas pessoas se detêm diante das dificuldades de interpretação bíblica. Os obstáculos são considerados como
barreiras intransponíveis (distância cultural, histórica, idiomática, filosófica, etc.). O grande risco é o abandono das
Escrituras. A dificuldade muitas vezes é usada como desculpa para ocultar o desinteresse.

2- Dizer que tudo o que a bíblia diz pode ser entendido por todos.
Até mesmo os grandes eruditos precisam de humildade para reconhecer que não sabem tudo sobre a bíblia. Querer
dar resposta para tudo poderá produzir interpretações erradas. Podemos compreender grande parte do que dizem
as Escrituras, mas não tudo. Entretanto, esta limitação não deve desmotivar nosso estudo bíblico.

2.4. Limites da Hermenêutica

Evitando os extremos supracitados, precisamos conciliar possibilidade e limites. Como o alpinista diante de uma
montanha, ele não deve desistir nem ir além do que sua capacidade e seus instrumentos permitem.

A hermenêutica nos oferece um conjunto de princípios e regras para a interpretação bíblica. Porém, precisamos
estar conscientes de que o texto bíblico está envolvido não apenas por questões técnicas, mas, sobretudo, por
questões espirituais que não podem ser decifradas por regras humanas.

A realidade bíblica e espiritual está dividida em três partes: o que sabemos o que podemos e o que não podemos
saber.

O QUE SABEMOS O QUE PODEMOS SABER O QUE NÃO PODEMOS SABER

Pequeno domínio do nosso Grande domínio da nossa Infinito domínio da onisciência


conhecimento ignorância divina.

As coisas reveladas que já As coisas reveladas que As coisas ocultas - Dt.29.29


conhecemos – Dt.29.29 podemos conhecer – Dt.29.29
Mistérios de Deus.

A hermenêutica nos ajuda


nesta área.

O que está ao nosso alcance O que pode ser revelado por


através da leitura, do estudo, Deus, ou não.
da pesquisa.

Não nos orgulhemos de tão Sejamos dedicados para Sejamos humildes para
pequeno conhecimento. alcançar o conhecimento que reconhecer que não sabemos
está disponível. o que está oculto por Deus.

O conhecimento flui da coluna da direita para a coluna da esquerda, mas isso só acontece na medida em que
Deus permite. A coluna da direita se refere ao pleno conhecimento que Deus tem de todas as coisas. A coluna do
meio se refere a tudo aquilo que Deus colocou à nossa disposição através da Bíblia principalmente, e que podemos
aprender compreender. A coluna da esquerda indica o que já aprendemos até aqui.
Precisamos estar conscientes de que Deus não permitirá que saibamos tudo. Nunca seremos oniscientes. A
bíblia menciona alguns mistérios. Podemos citar: o mistério da iniquidade (II Tss.2.7), o mistério da fé (I Tm.3.9), o
mistério da piedade (I Tm.3.16), o mistério de Cristo (Col.4.3). Alguns mistérios de Deus ficam ocultos por um tempo
determinado. Na época certa, Deus os revela para as pessoas a quem ele quer. Daniel, um dos homens mais sábios
do Velho Testamento, não compreendeu algumas de suas visões. Pediu ao Senhor a revelação, mas Deus não lhe
concedeu. “Tu, porém, Daniel, cerra as palavras e sela o livro até o fim do tempo; muitos correrão de uma parte para
outra, e a ciência se multiplicará... Eu, pois, ouvi, mas não entendi; por isso perguntei: Senhor meu, qual será o fim
destas coisas? Ele respondeu: Vai-te, Daniel, porque estas palavras estão cerradas e seladas até o tempo do fim.
Muitos se purificarão, e se embranquecerão, e serão acrisolados; mas os ímpios procederão impiamente; e nenhum
deles entenderá; mas os sábios entenderão.” (Daniel 12.4,8-10).

O mistério de Cristo esteve oculto durante todo o período do Velho Testamento, mas foi revelado no Novo
(Ef. 3.4; Col.1.26-27). Outros mistérios, como aqueles que dizem respeito aos últimos dias, estão selados até que
chegue a hora determinada pelo Pai. O livro de Apocalipse fala sobre a abertura dos selos. Isto representa o
desvendamento de vários mistérios.

O que quero demonstrar é que a hermenêutica tem seus limites, mas isto serve apenas para nos alertar e
não para nos desestimular em relação ao estudo. Precisamos apenas estar conscientes de que nem tudo pode ser
desvendado pela hermenêutica. Por exemplo, a “trindade” é um mistério indecifrável para nós. Por mais que
criemos figuras e exemplos, não temos como explicar o fato de Deus ser um só e ao mesmo tempo serem três
pessoas.

A bíblia apresenta vários níveis de complexidade. Para o ímpio, por exemplo, ela pode parecer um livro sem
sentido. “Os ímpios procederão impiamente; e nenhum deles entenderá; mas os sábios entenderão.” (Daniel 12.10).
“Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, é naqueles que se perde que está encoberto, nos quais o deus
deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de
Cristo, o qual é a imagem de Deus” (II Cor.4.3-4). “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas
a eles não lhes é dado” (Mt.13.11).

Quando nos convertemos, a bíblia passa a fazer sentido. Porém, algumas porções das Escrituras dependem
do conhecimento de outras, como uns quebra-cabeças com múltiplas interdependências. Na medida em que vamos
lendo e estudando, nossa compreensão vai crescendo. Entretanto, algumas passagens bíblicas vão depender da
revelação divina para serem compreendidas ou então do seu efetivo cumprimento. Vemos isso em relação ao Velho
Testamento em suas passagens referentes ao Messias. Muito do que foi escrito não foi compreendido enquanto o
Messias não veio.

Os grandes doutores da lei em Israel, com todo o seu conhecimento técnico, achavam que o Messias estabeleceria
um reino terreno em oposição a Roma e outros inimigos humanos. Portanto, precisamos ter uma vida de comunhão
com Deus para que o nosso conhecimento técnico não nos afaste dos propósitos do Senhor. Lembremo-nos de
Nicodemos. Jesus jogou por terra toda a sabedoria daquele homem ao falar do novo nascimento. “Perguntou-lhe
Nicodemos: Como pode ser isto? Respondeu-lhe Jesus: Tu és mestre em Israel, e não entendes estas coisas?” (João
3.9-10).

A condição espiritual do leitor ou do estudante interfere na interpretação bíblica. A parábola do semeador nos
mostra que alguns ouvem a palavra, mas não entendem. Outros entendem, mas não obedecem (Mt.13.10-19; II
Pd.3.15-16; II Cor.4.3-4). Caso contrário, o ímpio poderia estudar hermenêutica e interpretar corretamente a bíblia.

“Falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e
entendidos, e as revelaste aos pequeninos” (Mt.11.25). A compreensão de algumas verdades espirituais dependerá
de revelação (Mt.16.16-17). Porém, precisamos ter bastante cuidado nessa questão, pois muitos dizem que
receberam revelação do Senhor. Toda revelação deverá estar coerente com o ensino geral das Escrituras e, mesmo
não sendo produzida a priori pela Hermenêutica, deverá estar coerente com os princípios de interpretação bíblica.
Por exemplo, em Atos 2, quando Pedro citou os escritos de Davi e os relacionou à ressurreição de Cristo, ele
interpretou de forma inédita aquela passagem bíblica do Velho Testamento. Os judeus nem esperavam que o
Messias morresse, quanto menos que viesse a ressuscitar. O apóstolo compreendeu aquela Escritura por uma
revelação do Espírito Santo. Ele não poderia depender da hermenêutica, embora também não estivesse contra ela.

3. Sentidos Possíveis da Hermenêutica

Muitas vezes o leitor questiona: “O que este texto significa para mim?” Contudo, a pergunta certa seria: “O que este
texto significa para o autor e seus primeiros destinatários?” As regras da hermenêutica têm o objetivo de descobrir
esse sentido original do texto.

Quantos significados têm determinada passagem bíblica? A dificuldade de interpretar é usada por algumas pessoas
para inventarem significados para o texto. Um texto tem, geralmente, um só significado. Algumas passagens
indicam mais de uma linha de interpretação, mas creio que estes casos são excepcionais. Por exemplo, o texto de
Ezequiel 28 se refere ao rei de Tiro e, ao mesmo tempo, a Satanás. O Salmo 22 fala da experiência do salmista e, ao
mesmo tempo, fala sobre Jesus. Isaías 49 fala do próprio autor, fala de Israel e do Messias, referindo-se a todos eles
como “o servo do Senhor”. Além disso, alguns textos podem ter um significado que não era do conhecimento do
escritor. Já mencionamos o fato de que Daniel escreveu algumas coisas que ele mesmo não compreendeu. Deus
mandava os profetas falarem e escreverem, mas isso não significa que eles tivessem plena consciência de toda a
extensão do cumprimento de suas palavras.

3.1. O Conteúdo Bíblico e suas Implicações

O texto bíblico tem dois autores: o humano e o divino. Portanto, pode, em algumas passagens, ter dois significados
distintos, porém coerentes. São duas áreas de significado e cumprimento.

HUMANO DIVINO

Letra Espírito (Rm.2.29; 7.6; II Cor.3.6-7) (II Tm.3.15)


Fariseus (Mt.23.23).

Compreensão natural Revelação. (II Cor.3.13-15).

Recursos e ponto de vista humanos Propósitos divinos (ex. registros de erros e


pecados). (Rm.15.4)

Significado humano (salmo 22) (Ct.- Significado divino (salmo 22)


Salomão e sua amada)
(Ct. – Jesus e a igreja)

Narrativa natural Princípios ou leis espirituais (possível


aplicação)

Área da hermenêutica Área do conhecimento espiritual.

Imanência da palavra (o que é Transcendência (sentido amplo e


imediato) (sentido restrito) cumprimento pleno) (futuro)

(Por isso a bíblia não perde a validade).

(Por isso a bíblia nos diz respeito).

TRANSCENDÊNCIA – As Escrituras possuem um sentido que vai além da letra. Porém, devemos ter cuidado para não
irmos longe demais por nossa própria conta. Cuidado com o desejo de encontrar “algo mais” em cada versículo
bíblico. Sempre compare sua interpretação com a de outras pessoas, principalmente os mais instruídos. Ouça e
examine as críticas. Sua interpretação precisa estar coerente com a mensagem geral da bíblia e com o que ela nos
mostra sobre o caráter de Deus.

3.2. A Letra e o Espirito

Paulo disse que “a letra mata, mas o espírito vivifica” (II Cor.3.6). Há quem use tal texto para negar o sentido literal
das Escrituras. Este sentido não deve ser negado nem menosprezado, pois ele é a base do sentido espiritual. Por
exemplo, se negarmos a existência real de Adão e Eva, cairá por terra toda a doutrina bíblica do pecado e suas
implicações espirituais.

Por outro lado, não devemos usar a letra contra o Espírito. Isto acontece quando, por exemplo, usamos a letra como
um limite para nossa ação a favor do próximo. Nesse caso, a letra mata. Alguém poderia dizer: “Já entreguei meu
dízimo, portanto não preciso ajudar ao meu irmão necessitado”. Estaria assim, apegando-se ao sentido literal do
dízimo e negando-se a cumprir o amor para com o próximo.

A letra abrange um sentido limitado. O espírito vai além. Em Mateus 5, Jesus mostrou isso. “Ouviste o que foi dito
aos antigos..” (a letra). “Eu porém vos digo..” (o espírito). O Novo Testamento veio mostrar o conteúdo espiritual
que havia por trás da lei e que era ignorado por grande parte do povo de Israel. Ao repreender os fariseus, Jesus
chamou a atenção daqueles líderes para a justiça, a misericórdia e a fé, que representavam o sentido espiritual da
lei. Os fariseus estavam apegados apenas à letra.

4. Significado, Cumprimento e Aplicações de Princípios

Um texto bíblico terá um significado, às vezes dois ou mais. As profecias poderão ter mais de um cumprimento. As
promessas, da mesma forma. Além disso, podemos extrair princípios espirituais, lições, dos textos bíblicos que
poderão ser aplicados em inúmeras situações.

Tomemos, por exemplo, a bênção de Jacó sobre seus filhos. A primeira preocupação do leitor é saber o significado
do texto. As figuras ali utilizadas, poderão ser melhor compreendidas se estudarmos no próprio livro de Gênesis a
história dos filhos de Jacó. O verso 5 diz: “Simeão e Levi são irmãos; as suas espadas são instrumentos de violência”.
Para saber o significado desse texto, é preciso ler o capítulo 34, onde está o relato da chacina realizada pelos dois
irmãos. Em seguida, em Gn.49, consta uma maldição contra eles e sua descendência. Portanto, aquela profecia se
cumpriria na história das tribos de Simeão e Levi. Resolvidas as questões de significado e cumprimento, podemos
pensar nos princípios que podemos extrair do texto. Aprendemos sobre o risco da união para a prática do pecado,
sobre a colheita daquilo que plantamos, sobre o poder que os pais têm para abençoar ou amaldiçoar seus filhos, etc.
Os princípios são conceitos ou “leis” espirituais que podem ser aplicados em qualquer tempo e lugar, apesar das
mudanças culturais.

Em outro ponto do capítulo 49, Jacó disse:


“Judá, a ti te louvarão teus irmãos; a tua mão será sobre o pescoço de teus inimigos: diante de ti se prostrarão os
filhos de teu pai. Judá é um leãozinho. Subiste da presa, meu filho. Ele se encurva e se deita como um leão, e
como uma leoa; quem o despertará? O cetro não se arredará de Judá, nem o bastão de autoridade dentre seus
pés, até que venha aquele a quem pertence; e a ele obedecerão os povos. Atando ele o seu jumentinho à vide, e o
filho da sua jumenta à videira seleta, lava as suas roupas em vinho e a sua vestidura em sangue de uvas. Os olhos
serão escurecidos pelo vinho, e os dentes brancos de leite”.

Esses versículos têm duplo sentido e muitos cumprimentos. Em primeiro lugar, o texto se refere a Judá, filho de
Jacó. Em segundo lugar, o texto se aplica à tribo de Judá e seus descendentes, prevendo o estabelecimento da
monarquia em Israel e a ocupação do trono pelos descendentes de Judá. Em último lugar, essa passagem é uma
profecia sobre Jesus, relacionando-se até ao fato de sua entrada em Jerusalém, montado em um jumento, sua
morte e o seu reino. Essa profecia mencionou fatos que influenciariam toda a história futura até o Apocalipse, onde
novamente o “Leão da Tribo de Judá” é mencionado.

Outro exemplo: as palavras de Deus para Abraão, em Gênesis 12, cumpriram-se na vida daquele patriarca e também
na vida de Isaque, Jacó, e continuam se cumprindo até hoje no povo de Israel, alcançando também a igreja por meio
de Jesus Cristo. Promessas de bênção ou maldição podem ter inúmeros cumprimentos. Funcionam como um
“dispositivo automático” que é ativado sempre que determinadas condições se satisfazem.

4.1. Aplicação, Objetivo final da Interpretação.

Mesmo que um texto não tenha vários sentidos, ele pode ser aplicado de várias formas, desde que não venha a
induzir ao erro ou a um sentido contraditório ou a um ensinamento anti-bíblico. Aplicação é a utilização do texto na
nossa realidade. Portanto, tomando o texto sobre Simeão e Levi, podemos relacioná-lo a diversas situações da nossa
vida, sem com isso alterar o significado do texto. Extrairemos dali os princípios espirituais que o texto contém e os
aplicaremos à nossa realidade.

Outro exemplo: Podemos ler sobre o fato de Pedro ter negado Jesus três vezes. Daí extraímos vários princípios:

1 – o risco que todos corremos de cair em pecado, por mais fortes e experientes que possamos ser ou parecer.

2 – a necessidade do compromisso com Jesus e fidelidade em qualquer situação.

3 – as dificuldades para que se mantenha um testemunho íntegro.

4 – Jesus nos conhece profundamente e até nossos futuros erros.

5 – A humildade necessária para reconhecer o erro e voltar ao caminho certo.

6 – Jesus nos ama a ponto de nos perdoar por tê-lo negado.

7 – Mesmo alguém que negou o Senhor pode ser restaurado e poderosamente usado por Deus.

Os princípios nos mostram padrões da ação humana, divina ou até mesmo demoníaca. Os homens de hoje têm a
mesma natureza que Pedro ou outro personagem bíblico. Depois de entender a história de Pedro, podemos fazer
analogias, comparações com situações atuais em que alguém possa ser tentado a negar a Cristo. Assim, estaremos
aplicando os princípios, as lições do texto, à nossa realidade.
5. EXERCÍCIO APLICADO EM SALA

Ler Isaias 49.1-7 e dizer quem é o “servo do Senhor”.

Observações:

- A maioria utilizou o contexto para se justificar. Foram mencionados versículos do mesmo capítulo 49. Foi
mencionado outro capítulo do mesmo livro (53) e também um versículo de outro livro da bíblia (Lc.2.32). Este
procedimento foi correto, pois nossas interpretações precisam estar apoiadas pelo texto bíblico. Não basta “achar”
determinada resposta.

- Alguns alunos foram influenciados pelos exemplos aleatórios dados pelo professor enquanto explicava o enunciado
o exercício (João e Jeremias). Estas respostas estão incorretas. Precisamos tomar cuidado com as influências que
recebemos para interpretar a bíblia. Algumas delas são boas e úteis, mas todas devem ser examinadas. Precisamos
conhecer o fundamento de determinada interpretação e não apenas aceitá-la porque alguém falou que é assim.

- O nome de Jacó aparece no texto, mas ele não era vivo nessa época. Então, o autor não se refere ao patriarca Jacó,
mas ao povo de Israel. Assim como as referências a Jezabel e Balaão em Apocalipse não se referem aos conhecidos
personagens do Velho Testamento. O autor pode estar se referindo a um tipo de comportamento que lembra a vida
de Jezabel e Balaão e por isso usou esses nomes de modo figurativo.

- Ao responder quem é o servo o Senhor em Isaías 49, a maioria dos alunos escolheu uma resposta só. O texto
permite mais de uma resposta e precisamos estar atentos para essa possibilidade no estudo da bíblia.

- Nenhum aluno interpretou plenamente o texto, mas, juntando todas as respostas e eliminando as incorretas,
conseguimos uma visão bastante ampla da mensagem de Isaías. Portanto, é aconselhável que sempre comparemos
nossas interpretações bíblicas com as de outras pessoas, sempre buscando conhecer a justificativa e o fundamento
bíblico de suas posições. Aqui entra a utilidade dos comentários bíblicos, que podem enriquecer nosso
entendimento do texto. Entretanto, devemos usá-los com cuidado, com visão crítica, sempre questionando e
avaliando o que ali encontramos. Se não conhecemos determinado assunto e lemos apenas um comentário, não
temos condições de comparar opiniões. Quanto maior o número de fontes consultadas, mais confirmações
obteremos para os pontos corretos e mais questionamentos em relação aos erros de alguma delas.

- Interpretação de Isaías 49.1-7 – Em primeiro lugar, o servo do Senhor é o próprio Isaías porque grande parte do
texto está na primeira pessoa. O profeta fala de si mesmo. Em segundo lugar, o servo do Senhor é Israel, porque o
versículo 3 nos informa isso. Israel é o primeiro destinatário daquela profecia. Em terceiro lugar, o servo do Senhor é
Jesus porque só ele é “a luz dos gentios” (verso 6) e só ele será adorado (v.7). A profecia de Isaías parece ter uma
progressão que vai ampliando seu sentido e objetivo.

- Aplicação – podemos considerar que o “servo do Senhor” de Isaías 49 é qualquer servo de Deus, inclusive nós, sem
omitir os servos já mencionados acima. Porque podemos dizer isso? Nós também somos destinatários das Escrituras.
Além disso, várias características e comportamentos ali mencionados, são presentes também em nossas vidas. Essa
perspectiva permite que a palavra de Deus seja útil para nós hoje e não apenas um livro de história. A referência a
Israel no texto (v3) talvez possa ser aplicado à igreja de hoje. Porém, devemos ter cuidado, pois nem tudo que se
aplicava a Israel se aplica à igreja.
A aplicação do texto parte da pergunta: “O que esse texto tem a ver conosco?” A resposta está nos princípios que
podemos extrair da passagem bíblica. Os princípios serão extraídos através de paralelos existentes entre a situação
do texto e a situação atual. Observando pessoas, objetos, ações, características, propósitos, necessidades, ordens,
etc., verificamos o que existe no texto em comum com as pessoas da atualidade e a ação de Deus hoje. As ações
são diferentes, mas por trás delas estão os princípios (motivos, propósitos, etc.). A extração de princípios do texto
bíblico exige observação, com atenção e tempo. O conhecimento histórico e gramatical vai nos ajudar no sentido de
compreendermos o texto antes de podermos extrair princípios. Não se trata de mera imitação de ações, pois as
circunstâncias atuais são bastante diferentes.

O estudo bíblico relacionado a objetos precisa ser feito com cautela. Por exemplo, em Isaías 49, a flecha é um objeto
destacado pelo autor. O servo do Senhor é comparado à flecha. Então, várias características da flecha podem ser
encontradas no servo do Senhor. Isto não significa que, assim como a flecha fere e mata, o servo do Senhor deva
sair ferindo e matando as pessoas. Não era essa a idéia de Isaías quando fez a comparação. Portanto, o bom senso e
a mensagem geral da bíblia sempre devem ser usados para limitar nossa imaginação. Em muitas passagens, os
objetos não têm nenhum valor espiritual ou simbólico. Será um erro, portanto, tomá-los nesse sentido, forçando o
texto a dizer algo que não está lá. Por exemplo, na passagem onde Jesus acalma a tempestade, Marcos nos informa
que o Mestre estava dormindo sobre uma almofada (Mc.4.38). Se quisermos elaborar uma mensagem sobre a
almofada, ou extrair de suas características lições para nossa vida, estaremos cometendo um erro absurdo. O objeto
só merece destaque se o texto indicar isso. Detalhes insignificantes de objetos podem levar a interpretações ou
aplicações esdrúxulas.

- A interpretação de Isaías 49 nos revela vários nomes para o “servo do Senhor”, mas nem todos os detalhes se
aplicam a todos os servos. Israel seria adorado? (v.7). Jesus diria que gastou suas forças em vão? (v.4). Isaías
levaria salvação até as extremidades da terra? (v.6). Outro exemplo é o texto de Ezequiel 28. Algumas frases são
próprias para o rei de Tiro. Outras só fazem sentido em relação a Satanás.

A partir do exercício surgiram as questões:

1- Por que diferenciar entre Israel e Igreja? Um aluno mencionou que “em Cristo não há judeu nem grego” (Gál.
3.28). Como podemos fazer diferença em relação à aplicação da lei? Visto de modo isolado, esse versículo pode
servir de base para muitas conclusões erradas. No texto de Gálatas 3.28, Paulo estava mostrando que todos são
aceitáveis diante de Deus. Ele não faz acepção de pessoas, mas aceita igualmente pessoas diferentes. Isto não
significa que todas passaram a ser iguais. Paulo estava mostrando que na igreja, não existem pessoas melhores do
que as outras, mas isto não significa que sejam iguais. Tanto é assim, que Paulo dá instruções específicas para cada
tipo de pessoa. A sociedade na época de Paulo era formada por judeus e gentios, livres e escravos, ricos e pobres,
etc. Estas condições determinavam o valor das pessoas aos olhos humanos. Esse valor dependia também de quem
estava avaliando. O evangelho gerou a igreja, uma comunidade onde todos deveriam ser igualmente valorizados,
mas isso não significa que se tornaram iguais do ponto de vista social. O servo continuava servo, o senhor continuava
senhor, a mulher continuava sujeita ao marido, etc. Contudo, essas diferenças não deviam ser levadas para o
âmbito espiritual, causando divisões na igreja. Conclusão: as diferenças continuavam existindo, mas o que nos une
em Cristo é muito maior do que as nossas diferenças.

Tratamos Israel e Igreja de modo distinto porque a bíblia apresenta tratamento diferenciado. O propósito de Deus
para Israel tinha muitos aspectos exteriores, voltados para o culto e o regulamento da vida social. Por meio de Israel
haveria de nascer Jesus, o Salvador do mundo. Uma vez que Cristo já veio e estabeleceu a igreja, esta não comunga
dos mesmos propósitos anteriores à vinda de Cristo, embora as questões morais sejam basicamente as mesmas.
2- A extração de princípios não se rege pela conveniência de cada um, extraindo e obedecendo apenas ao que lhe
interessa? De fato, esta é a tendência natural do ser humano. O mesmo ocorre no exame das leis do nosso país.
Cada advogado procura na lei aquilo que trará benefícios ao seu cliente. Não devemos examinar assim as Escrituras.
Precisamos ser imparciais. É uma atitude difícil, principalmente quando podemos encontrar princípios que
contrariam nossos desejos e nosso modo de viver. Por outro lado, talvez essa visão parcial do que a bíblia está
ensinando pode ser fruto do nosso conhecimento deficiente. Quanto mais amplo for o nosso conhecimento bíblico,
maior será nossa compreensão do caráter e da vontade de Deus e, assim, estaremos cada vez mais aptos a extrair
adequadamente os princípios espirituais que a bíblia contém. De qualquer forma, nunca teremos um nível de
conhecimento tal que nos torne intérpretes perfeitos das Escrituras. Portanto, é sempre bom ouvir outras opiniões
sobre os textos que estamos estudando. É bom comparar nossa interpretação com a de outras pessoas, sempre
procurando saber o fundamento de suas conclusões. Fazendo assim, vamos descobrir muitos princípios espirituais
do texto, mesmo aqueles que não gostaríamos.

6. HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA

Estudando a história da hermenêutica conheceremos vários métodos de interpretação bíblica que se sucederam.
Podemos assim compará-los, buscando, quando possível, o aproveitamento de suas melhores características.
Sobretudo, tal abordagem será útil para que não repitamos os mesmos erros dos intérpretes do passado. Estaremos
também um pouco mais aptos para a avaliação de outros métodos que porventura surgirem. Na sequência,
apresento resumo do relato histórico apresentado por Henry A. Virkler em sua obra “Hermenêutica Avançada”.

6.1. Exegese judaica antiga (536 a.C ate séc. 1 d.C)

Esdras (Nee.8.8). O povo que voltava do cativeiro falava aramaico e estava bem distante da realidade de Moisés.
Esdras certamente traduzia e explicava a lei. Ele parece ter sido a primeira figura de destaque na Hermenêutica
judaica.

Rabinos posteriores: Depois de Esdras, os rabinos primaram pela supervalorização da letra. As cópias eram feitas
com extremo zelo e reverência. Detalhes de estilo literário, como as figuras de linguagem e paralelismo, ou
incidentais, como a repetição de palavras, ocorrência de sinônimos, repetição de letras ou a forma das mesmas,
eram considerados como motivos para interpretações engenhosas. Esse comportamento recebe o nome de
“letrismo” e muitas vezes substituiu o sentido que o autor bíblico pretendia.

Rabinos no tempo de Cristo: praticavam a interpretação literal (peshat), midráshica, pesher e alegórica. O tipo de
interpretação variava de acordo com o grupo judaico e com o propósito.

Literal – é o sentido normal do texto, com base em suas palavras. Esse tipo de interpretação era adequado
para os interesses judiciais e práticos.

Midráshica - Midrash era um tipo de comentário da lei – obras desse tipo surgiram a partir do século 4 a.C.
– Os adeptos desse método determinavam o significado do texto pelo significado das palavras, sem consideração do
contexto e da idéia do autor. Comparavam palavras e frases de textos diferentes e autores diferentes, sem levar em
conta se o assunto era o mesmo. Teciam interpretações com base em questões gramaticais (tempo verbal, etc).
Somavam os valores numéricos de uma palavra e faziam sua substituição por outra palavra do mesmo valor,
mudando assim o sentido do texto, ou tirando conclusões totalmente independentes do mesmo. Por exemplo, o
nome “Eliezer” possui valor numérico igual a 318. Relacionando-se isso ao fato de que Abraão formou um exército
de 318 homens, um intérprete concluiu que o servo Eliezer valia por 318 homens ou tinha o valor de um exército. A
interpretação midráshica, que desconhecia qualquer regra, conduzia quase sempre a fantasias absurdas.

Pesher – esse método, praticado pelos essênios, era semelhante à interpretação midráshica, mas possuía ênfase
escatológica. Os essênios esperavam o fim do mundo para os seus dias. Por isso, liam as Escrituras procurando em
toda parte mensagens para os últimos dias.

Alegórica – Alegorizar significa dar um sentido místico ou espiritual para um relato histórico. Por exemplo, se
tomarmos a história de Adão e Eva e falarmos sobre Jesus e a igreja estarão alegorizando. Fílon de Alexandria dizia
que a interpretação literal, por sua facilidade, era própria dos imaturos. Haveria, portanto, um sentido alegórico
oculto em cada história bíblica. A alegoria é um recurso válido, mas deve ser usado com cautela. O uso da alegoria
não nos deve fazer negar, esquecer ou menosprezar o sentido literal de uma passagem bíblica. Por exemplo, Paulo
alegoriza a história de Sara e Agar, mas não nega seu sentido histórico. É bom deixar claro que existem algumas
passagens bíblicas que contém alegoria. É o caso do texto de Paulo em Gálatas 4.24-31. Outra coisa é a nossa
iniciativa de alegorizar as passagens bíblicas, quando, de fato, trata-se de texto histórico ou de outro tipo.

Os judeus antigos costumavam alegorizar uma passagem bíblica nas seguintes situações:

- Se o significado literal fosse indigno de Deus.

- Se a declaração fosse contrária a outra declaração bíblica.

- Se o texto afirmasse tratar de alegoria.

- Se houvesse expressões dúplices ou palavras supérfluas.

- Se houvesse repetição de algo já conhecido.

- Se uma expressão fosse variada.

- Se houvesse emprego de sinônimos.

- Se fosse possível jogo de palavras.

- Se houvesse algo anormal em numero ou tempo verbal.

- Se houvesse presença de símbolos

6.2. Uso do Antigo Testamento pelo Novo Testamento

10% do conteúdo do Novo Testamento compõem-se de citações do Velho, incluindo menção a 30 de seus livros.
Jesus e os autores do Novo Testamento citam o Velho Testamento quase sempre o interpretando de modo literal.

Mateus destaca o cumprimento do VT em seus dias.


Jesus citou personagens do VT como pessoas reais, afirmando, inclusive o retorno das mesmas para o juízo final.
Além disso, o Mestre criticou o uso das tradições na interpretação das Escrituras que acabavam por inutilizá-la
(Mt.15.1-9).

Os apóstolos – Pedro destaca em Atos 2 o cumprimento de Joel 2.

Paulo e Pedro declararam a inspiração divina do VT (II Tm.3.16 / II Pd.1.21).

Paulo usou alegoria em Gálatas. Se ele usou, nos podermos usar com cuidado e conhecimento de causa, sem negar
o sentido histórico do texto.

6.3. Exegese Patrística (100 a 600 d.C.)

Os pais da igreja interpretaram o Velho Testamento principalmente de modo alegórico. Com isso, foram
muito longe da intenção dos autores. Não havia regras para a interpretação.

Clemente de Alexandria - (150 a 215 d.C.) – Dizia que o verdadeiro significado das Escrituras está oculto para que
sejamos inquiridores. Afirmava a existência de cinco sentidos ou camadas no texto bíblico: histórico, doutrinal,
profético, filosófico e místico.

Orígenes – (185 a 254) – Valorizava I Cor.2.6-7 e considerava as Escrituras como uma vasta alegoria na qual cada
detalhe era simbólico. Dizia que, assim como o homem tem três partes, as Escrituras têm três sentidos: literal, moral
e alegórico (místico). Na prática, ele desprezou o sentido literal.

Agostinho – (354 a 430) – Estabeleceu regras avançadas para a época. Algumas são usadas até hoje. Defendeu a
existência de quatro sentidos: histórico, etiológico (ref.origem), analógico e alegórico. Na prática, Agostinho usou
alegorização excessiva, justificando-se com II Cor.3.6. Suas regras são:

o O intérprete precisa possuir fé cristã.

o Deve-se considerar o sentido literal e histórico das Escrituras.

o A Escritura tem mais que um significado. Portanto, o método alegórico é adequado.

o Há significado nos números bíblicos.

o O Antigo Testamento é um documento cristão porque Cristo está retratado nele.

o Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer e não introduzir outro significado.

o O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo.

o Um versículo deve ser estudado dentro do seu contexto e não isolado.

o Se um texto é obscuro não pode ser usado como matéria de fé (doutrina).

o O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender as Escrituras.

o A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara.

o O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.


A Escola de Antióquia da Síria – Teve como destaque Teodoro de Mopsuéstia (350-428) – rejeitaram o letrismo e o
alegorismo da Escola de Alexandria. Valorizaram a interpretação histórico-gramatical. Rejeitaram o uso da
autoridade sobre a interpretação.

A Escola de Alexandria – Ensinava a existência de um significado espiritual acima dos fatos históricos. Embora o
princípio tivesse algo válido, aqueles intérpretes se entregaram a fantasias sem limites. Os intérpretes de Antioquia
admitiam a existência de um significado espiritual implícito no próprio acontecimento (princípios detectáveis no
texto), sem a necessidade de suposições externas.

6.4. Exegese Medieval (600 a 1500)

Foi uma época de ignorância e domínio católico. Os dogmas e a tradição regulamentavam a interpretação bíblica.
Durante esse período a interpretação foi dominada pela alegorização e pelo “sentido quádruplo” sugerido por
Agostinho, expresso pelos itens a seguir:

1- A letra mostra-nos o que Deus e nossos pais fizeram. (Por exemplo, nesse sentido, Jerusalém seria a própria
cidade histórica em Israel).

2- A alegoria mostra-nos onde está oculta a nossa fé. (Jerusalém representaria, portanto, a igreja).

3- O significado moral dá-nos as regras da vida diária. (Jerusalém significaria a alma humana).

4- A anagogia (escatologia) mostra-nos onde terminamos nossa luta. (As referências a Jerusalém indicariam então a
Nova Jerusalém de Apocalipse).

É preciso verificar se o texto bíblico contém indicadores destes sentidos.

O “letrismo” também continuava e alcançava níveis ridículos. Até anagramas eram construídos a partir de palavras
bíblicas, atribuindo-se a cada letra uma relação a outra frase ou palavra que não estava contida no texto original.

Em meio a essa confusão exegética, alguns judeus espanhóis (séculos12 a 15) defendiam o uso do método histórico-
gramatical.

Alguns católicos franceses, da Abadia de São Vitor, propunham preferência ao sentido literal e que a exegese dessa
origem à doutrina e não o contrário.

Nicolau de Lira (1270 a 1340) defendeu a utilização do “sentido quádruplo”, mas entendia que o literal seria a base
dos demais. Lutero foi influenciado por suas idéias.

6.5. Exegese da Reforma (século XVI)

Observou-se o abandono gradual do “sentido quádruplo”.

Lutero (1483 a 1546) defendeu a tese de que a fé e a iluminação do Espírito Santo são fundamentais para a correta
interpretação da bíblia.

Afirmava que as Escrituras estão acima da igreja. A interpretação correta procede de uma compreensão literal.
Devem ser consideradas as condições históricas, a gramática e o contexto. As Escrituras são claras e não obscuras
como dizia a Igreja Romana. O Velho Testamento aponta para Cristo. É fundamental a distinção entre Lei e Graça,
embora ambos estejam presentes em toda a bíblia.

Calvino (1509 – 1564) – Dizia que a alegorização era artimanha de Satanás. Segundo Calvino, a Escritura interpreta a
Escritura. Destacou a importância do contexto, gramática, palavras e passagens paralelas, em lugar de trazer para o
texto o significado do intérprete.

6.6. - Exegese Pós-reforma (1550-1800)

Confessionalismo – Nessa época foram definidos os credos católicos e protestantes como base da exegese. A
variedade de credos e a preferência do intérprete conduziam a muitas discrepâncias teológicas. O uso das Escrituras
ficou restrito à escolha de textos para “comprovação” de posições religiosas pré-determinadas.

Pietismo – Philipp Jakob Spener (1635-1705) – O pietismo foi um movimento contra a exegese dogmática.
Incentivou o retorno às boas obras, ao conhecimento bíblico, ao preparo espiritual dos ministros e o trabalho
missionário. Por algum tempo, houve boa utilização do método histórico-gramatical. Depois, a tendência de
espiritualizar de forma piedosa os textos, fortaleceu a tese de uma “luz interior” para a interpretação e o desprezo
ao método histórico-gramatical, distanciando os intérpretes das intenções do autor.

Racionalismo – A razão em confronto com a revelação - A razão passou a ser considerada como única autoridade na
interpretação bíblica. Só se aceitava o que se podia compreender. Após a Reforma, o empirismo aliou-se ao
racionalismo. Empirismo significa que o conhecimento vem apenas por meio dos sentidos físicos. Só se podia aceitar
o que se pudesse comprovar.

Lutero disse anteriormente que a razão deve ser um instrumento para a compreensão da Palavra (uso ministerial) e
não um juiz (uso magisterial).

Entendemos que o uso da razão na compreensão das Escrituras é proveitoso, mas precisa estar sujeito à fé. Os
milagres não podem ser compreendidos pela razão. Nosso culto é racional (Rm.12.1-2), mas a razão não é a sua
base de sustentação.

6.7. Hermenêutica Moderna. (após 1800)

Nos últimos séculos, o método histórico-gramatical tem sido o mais aceito, embora ainda ocorram interpretações
por algumas das formas praticadas durante a história.

7. REGRAS DA HERMENÊUTICA GERAL

As regras da “Hermenêutica geral” são procedimentos de interpretação que podem ser aplicados a qualquer
passagem bíblica em estudo.

7.1. MÉTODO HISTÓRICO-GRAMATICAL

Já enfatizamos que, durante o processo de interpretação bíblica, não importa o sentido que nos agrada ou o
que gostaríamos de encontrar no texto, mas precisamos descobrir o sentido pretendido pelo autor. Para isso, o
processo de interpretação envolverá a busca de informações históricas, textuais, gramaticais e teológicas. Significa
familiarizar-se com as palavras do texto, lendo-as várias vezes, em diferentes versões no português e também na
língua original. Significa também se familiarizar com a linha de pensamento do texto, observando como a narrativa
ou argumentação é desenvolvida. A forma de desenvolver este passo é através da observação, o que alguns autores
também chamam de “primeira aproximação ao texto”.

7.2. ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL

Para entendermos alusões, referências, que o autor faz, precisaram conhecer o contexto histórico que envolve a
obra. Desse modo, o propósito do autor ficará mais claro para o nós.

Por exemplo, em João 4 está escrito que os judeus não tinham bom relacionamento com os samaritanos. Contudo, o
autor não explica os motivos da desavença. Faz apenas uma rápida alusão ao assunto. Se quisermos compreender a
questão, precisaremos estudar a história de Israel, que está no Velho Testamento. Isto nos ajudará a compreender
de modo mais amplo a passagem de João 4. O encontro de Jesus com a mulher samaritana passa a ser visto de outra
forma quando se tem o conhecimento histórico. Detalhes daquele diálogo tornam-se também mais significativos.

Ao estudarmos uma passagem bíblica, será excelente se pudermos descobrir:

- Quem é o autor.

- Quem são os destinatários

- Quem são os personagens.

- Localização (do autor e destinatários ou personagens).

- Seu tempo (quando foi escrito o livro ou quando ocorreram os fatos nele descritos).

- Sua história.

- Seus costumes (cultura).

- Circunstâncias imediatas (que podem ser problemas ou necessidades que motivaram a produção do livro
e estão ligados ao tema ou propósitos do mesmo)

Faz muita diferença quando lemos um livro sabendo quem foi o autor e quem são os destinatários, etc. Fará mais
diferença ainda se soubermos a história dessas pessoas, sua cultura e as circunstâncias do momento em que o livro
foi escrito. Se não soubermos essas coisas, a mensagem do livro e seu propósito poderão ficar bastante obscuros
para nós. A interpretação pode ficar comprometida. É verdade que nem sempre conseguiremos esses dados. Por
exemplo, não sabemos quem foi o autor da carta aos Hebreus. Contudo, existem muitas informações disponíveis
para que o nosso estudo bíblico seja bastante proveitoso.

Onde podemos conseguir informações históricas? Nossa fonte principal é a própria bíblia.

Por exemplo, aos lermos os Salmos, eles terão mais sentido para nós se conhecermos os livros dos Reis, Crônicas e
Samuel, visto que a maioria dos Salmos foram escritos por Davi em circunstâncias relatadas em outros livros. Além
disso, se conhecermos bem o Velho Testamento, teremos mais facilidade na compreensão de muitas passagens do
Novo.

É importante também a busca de dados históricos em livros extra bíblicos. Eles nos fornecerão muitas informações
adicionais que não se encontram nas Escrituras. Quanto ao período do Novo Testamento, existe muito material nos
livros de História Geral. Quanto ao Velho Testamento, não existe muito material de primeira mão, principalmente
em português. Entre as poucas obras disponíveis estão os livros de Flávio Josefo, um historiador judeu que viveu no
primeiro século depois de Cristo e recontou a história do Velho Testamento, incluindo informações que não estão na
bíblia. De qualquer modo, podemos recorrer a muitos outros livros que, mesmo não sendo tão antigos, são úteis
porque resultam de grandes trabalhos de pesquisa. Entre eles estão os dicionários bíblicos e as enciclopédias
bíblicas.

7.3. ANÁLISE CONTEXTUAL

Quando pensamos haver encontrado o sentido de um texto ou palavra, precisamos verificar a coerência da nossa
conclusão:

- Dentro da frase.

- Dentro do versículo.

- Dentro do capítulo.

- Dentro do livro (de acordo com o tema e propósito).

- Dentro da obra do autor.

- Dentro da bíblia.

Por exemplo, em Filipenses 4.13 está escrito: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

“Tudo posso” pode ser entendido como “posso fazer qualquer coisa”, “posso fazer o que eu quiser”, “tudo é
permitido”. Seria correta essa interpretação?

Precisamos verificar a coerência disso usando a frase completa: “Tudo posso naquele que me fortalece.” Precisamos
descobrir quem é o autor da frase. Sabendo que é o apóstolo Paulo, já eliminamos qualquer sentido “permissivo”
que pudéssemos ver no texto. O conhecido caráter do autor interfere diretamente na interpretação que possamos
fazer. Depois, precisamos saber quem é “aquele” que fortalece o autor. Sabendo que ele se refere a Deus,
entendemos que Paulo “podia” tudo o que pudesse ser feito pela força dada por Deus. Assim, isso não poderia
incluir, por exemplo, a prática do pecado, ou um entendimento egoísta da frase.

O versículo pode ser entendido como uma garantia de que tudo dará sempre certo para o cristão, ou que ele estará
sempre “por cima” em qualquer situação? Seria uma declaração de pensamento positivo? Quando tomamos
conhecimento das circunstâncias que envolvem o autor, abandonamos todas estas idéias erradas sobre o texto.
Paulo estava preso quando escreveu aos Filipenses. Então, nem tudo estava “dando certo” no sentido humano de
ver as coisas. O que Paulo queria dizer então? Para saber isso, precisamos ler todo o capítulo 4 de Filipenses, ou
pelo menos os versículos que antecedem o 13. Vamos transcrever um pequeno trecho:

“Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias já tenho experiência;
tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece.”
(Fp.4.12-13).

O autor estava vivendo uma situação terrível, mas afirmou que estava fortalecido para suportar tudo aquilo.
Outro exemplo: Em Atos 16.31 estão escritas palavras de Paulo que disse “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua
casa”. Isto significa que a família de todo convertido será salva? Muitos são os que interpretam assim esse texto, o
que não corresponde à realidade. Precisamos verificar a quem aquela palavra foi dirigida: ao carcereiro de Filipos.
Paulo, talvez por uma revelação divina, disse que toda a família do carcereiro se converteria. Isto não significa uma
promessa para qualquer crente em qualquer lugar. Foi apenas a experiência particular do carcereiro. Da mesma
forma, o fato de Pedro ter andado sobre as águas não significa uma garantia de que todos os cristãos possam fazê-lo
quando quiserem.

Paulo mesmo, em I Coríntios 7.16 disse: ”Como sabes tu, ó mulher, se salvarás teu marido? ou, como sabes tu, ó
marido, se salvarás tua mulher?” Vemos então, que Paulo não cria nessa “doutrina” de salvação da família por haver
nela um crente. De fato, Deus quer que todos se salvem e todos devem procurar levar sua família a Cristo. O erro
está em entender Atos 16.31 como uma promessa ou doutrina.

O conhecimento contextual é um projeto para a vida. Isto envolve um estudo amplo da bíblia, da história e dos
costumes dos tempos antigos.

7.4. ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

Quando lemos qualquer texto, uma das grandes dificuldades está nas palavras desconhecidas. Se simplesmente
“pularmos” essas palavras, perderemos a mensagem. Precisamos procurar o significado para que cheguemos a uma
interpretação correta.

A parte léxica da análise diz respeito ao significado das palavras isoladas. A parte sintática se refere à função das
palavras dentro da frase, o que pode variar muito e conduzir a uma idéia bem diferente daquele que se obtém pelo
estudo da palavra em si. Cada palavra é como um ingrediente que se adiciona ao bolo da frase.

Além do significado de uma palavra, precisamos saber qual é a sua classe gramatical, se é substantivo, adjetivo,
numeral, advérbio, pronome, verbo, artigo, conjunção, preposição, etc. É preciso saber também as relações entre as
classes e como uma interfere no sentido da outra. Por exemplo, localizado um adjetivo na frase, precisamos saber a
qual substantivo ele se refere.

Em Gênesis 3.15, temos alguns pronomes pessoais e possessivos:

“Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar”.

Se não entendermos bem a relação entre as palavras não entenderemos a mensagem, podendo, inclusive, inverter a
posição dos personagens. Precisamos saber quem são as “pessoas do discurso”. Quem está falando? Com quem? O
que está sendo dito e a respeito de quem?

Examinando o contexto, percebemos que Deus está falando com a serpente. Portanto, todos os pronomes
relacionados à segunda pessoa, se referem à serpente. A “tua” semente é a semente da serpente. Os pronomes da
terceira pessoa se referem à mulher, que é a pessoa de quem se fala. A “sua” semente é a semente da mulher. O
pronome demonstrativo “esta” se refere à última semente mencionada na frase, ou seja, a semente da mulher.
Sendo assim, compreendemos que a descendência (ou o descendente) da mulher esmagaria a cabeça da serpente e
teria seu calcanhar ferido. As deficiências no conhecimento gramatical devem ser corrigidas através de estudos da
língua portuguesa. Sem isso, é improvável que o aluno venha a compreender a gramática grega ou hebraica.

Uma palavra pode ter vários significados. Além disso, estes podem se dividir entre sentidos denotativos (literais) e
conotativos (figurados). Qual é o sentido pretendido pelo autor? Observe o contexto. O gênero literário ajudará a
determinar se o uso é literal ou simbólico, conforme veremos no estudo da hermenêutica especial.

Ao buscar o significado de uma palavra, será útil um dicionário de português. Nesse caso, estaremos esclarecendo os
termos usados pelo tradutor e não pelo escritor bíblico. Isto é importante, mas pode ser necessário descobrir a
palavra usada no grego ou hebraico e o seu sentido na época em que o livro bíblico foi escrito. Não estou propondo
que o estudante faça sua própria tradução da bíblia, mas que pesquise as línguas originais nas seguintes situações:

- Quando houver dúvida em relação ao sentido da frase em português.

- Quando se encontrar diferença entre versões bíblicas.

- Quando se quiser aprofundar no conhecimento sobre as palavras-chaves do texto.

- Quando se estiver elaborando ou investigando doutrinas.

O significado de uma palavra em português pode não corresponder ao sentido bíblico. Por exemplo: “batizar” tem o
sentido de “dar nome”, de acordo com o dicionário Aurélio. Contudo, isso não tem nenhuma relação com o
significado bíblico, mas trata-se de um sentido adquirido através do costume de se dar nome por ocasião do batismo
da criança na igreja católica.

Mesmo quando estudamos o significado de uma palavra nas línguas originais, precisamos ter alguns cuidados. Por
exemplo, o significado das palavras no grego clássico nem sempre correspondem ao que elas significavam nos dias
de Cristo, pois alguns séculos já haviam passado.

A etimologia é o estudo que nos permite conhecer o processo de formação de uma palavra. Descobrimos, assim,
como os termos se uniram ou se transformaram para formarem uma palavra nova. Por exemplo, a palavra
“longanimidade” é uma tradução de “makrothymia” (grego), que vem da união de duas palavras: “makros” (longo) e
“thymia” (sentimento). Longanimidade tem esse sentido de “sentimento longo” ou paciência. É uma palavra que
guardou o sentido dos termos que a produziram. Contudo, isto nem sempre acontece. Algumas vezes, uma palavra
adquire outros sentidos com o uso e perde o seu sentido original. Portanto, a etimologia pode ser útil e
esclarecedora, mas o estudante da bíblia não deve se prender aos sentidos dos termos formadores de uma palavra,
como se eles estivessem obrigatoriamente presentes em todos os textos em que aquela palavra aparece.

As palavras adquirem novos sentidos na medida em que são usadas durante um período de tempo muito longo.
Precisamos tomar cuidado para não aplicarmos determinado sentido sobre um texto bíblico escrito em uma época
em que a palavra não tinha aquele significado. Por exemplo, a palavra “dynamus” (grego) significa “poder”. Daí,
muitos séculos mais tarde, veio a palavra “dinamite”. Contudo, é incorreto pregar sobre textos bíblicos que
mencionam a palavra “poder” dando a ela o “sentido explosivo da dinamite”. Não era essa a intenção do autor
bíblico, pois em sua época não existia dinamite.

8. ANÁLISE TEOLÓGICA

Nem todo estudo bíblico é teológico. Teologia é o estudo sobre Deus e suas relações com o universo, especialmente
com o homem. Ao estudarmos uma passagem bíblica, podemos estar concentrados em questões antropológicas,
filosóficas e não necessariamente teológicas. Contudo, se assim fizermos, estaremos desprezando o principal
aspecto da bíblia.

Fazemos análise teológica de um texto quando examinamos as lições e princípios nele existentes em relação aos
parâmetros gerais da relação de Deus com o homem.

De acordo com Sebastião A.G. Soares, o texto bíblico em estudo “é como um fio de um tecido bem mais amplo que é
o conjunto das Escrituras”. Precisamos ter uma visão global para compreendermos as questões que se encontram
em pequenos trechos bíblicos. O objetivo da análise teológica é saber se determinada lição extraída de um relato
bíblico pode ser aplicada na vida de qualquer servo de Deus em qualquer época. A pergunta chave é: existe um
padrão imutável de relacionamento de Deus com o homem? De Adão até hoje, existe continuidade ou
descontinuidade na relação de Deus com os homens? A bíblia é um livro teologicamente fragmentado ou existe
unidade nele? A resposta a esta questão nos ajudará a formar alguns pressupostos hermenêuticos.

Existem algumas hipóteses de organização dos dados bíblicos que tentam demonstrar continuidade ou
descontinuidade no modo de Deus se relacionar com os homens. Tais teorias vão desde uma continuidade completa
até uma descontinuidade absoluta. As principais hipóteses são:

- Modelo “teologias, mas nenhuma teologia”

- Modelo dispensacional.

- Teoria Luterana.

- Teoria das alianças.

- Modelo epigenético

8.1. Modelo “teologias, mas nenhuma teologia”

Elaborada por teólogos liberais, que vêem a bíblia como pensamento do homem sobre Deus e não como palavra de
Deus para o homem. Não crêem na inspiração divina das Escrituras.

-Ênfase na descontinuidade.

-Não vêem uma teologia na bíblia, mas muitas teologias descontínuas.

8.2. Teoria dispensacional

- Elaborada por cristãos sinceros que crêem na inspiração das Escrituras.


- Ênfase na descontinuidade.

- Dispensação – “período em que o homem é provado com respeito à sua obediência a alguma revelação divina
específica” (Scofield).

- Cada dispensação seria destinada a pessoas diferentes, com ordens, circunstâncias e responsabilidades diferentes.

- Em cada dispensação o homem falha e Deus estabelece outra dispensação.

AS DISPENSAÇÕES

1- Da inocência ou liberdade – Adão antes do pecado.

2- Da consciência – desde a queda até Noé.

3- Do governo civil – de Noé até Abraão.

4- Da promessa – de Abraão até Moisés.

5- Da lei mosaica – de Moisés até Jesus.

6- Da graça – de Jesus até a sua 2a vinda.

7- Da Grande Tribulação – (este período não é considerado dispensação alguns teólogos).

8- Do milênio.

Os teólogos dispensacionais se dividem em suas posições com relação a algumas questões de sua própria teoria.
Alguns vêem as dispensações como unidades tão isoladas umas das outras que não seria possível, por exemplo,
utilizar hoje nenhuma lição extraída do Velho Testamento, uma vez que estamos vivendo em outra dispensação.
Outros teólogos que aceitam as dispensações defendem a tese de que existem entre elas alguns elementos de
continuidade. Ensinam que a salvação, por exemplo, sempre foi pela graça e que a diferença entre os períodos está
no modo de vida que o servo de Deus deveria apresentar após a salvação.

De qualquer forma, permanece uma dificuldade: como aplicar na vida dos crentes de uma dispensação as ordens
divinas de outra dispensação?

Precisamos ser cuidadosos quanto ao nosso posicionamento, lembrando que a bíblia não menciona tal divisão da
história em dispensações. A palavra “dispensação” aparece somente no Novo Testamento e com outros propósitos,
significando “ato de conceder, entregar, ceder provisoriamente ou distribuir” (Dicionário Aurélio) (Ef.1.10; 3.2; 3.9;
Col.1.25; I Cor.9.17).

8.3. Teoria luterana

Lutero afirmava que a lei e o evangelho estão sempre presentes nas Escrituras. A lei demonstra o ódio de Deus
contra o pecado, devido à santidade divina. O evangelho demonstra a graça salvadora, o amor de Deus. Passagens
que trazem ordens ou julgamentos apresentam lei – Mt.22.37. Passagens que trazem consolo ou salvação
apresentam o evangelho – Gn.7.1. Outros textos trazem ambos os casos - João 3.36.
De fato, o Novo Testamento também contém lei para os servos de Deus, embora não estejamos sujeitos à lei de
Moisés (A lei de Cristo – Gal.6.2; I Cor.9.21; lei de Deus – Rm.8.7; lei da fé – Rm.3.27; lei da liberdade – Tg.2.12; lei do
Espírito de vida – Rm.8.2).

A teoria de Lutero enfatiza a continuidade nas relações de Deus com o homem no decorrer da história. Contudo, o
modelo é simplista por não diferenciar Velho e Novo Testamentos, quando as diferenças são evidentes na bíblia.
Suas corretas observações podem ser absorvidas por um modelo mais abrangente.

9. Teoria das alianças.

Esta teoria divide a relação de Deus com os homens em 2 alianças: das obras e da graça. A Aliança das obras iria da
criação até a queda do homem. A Aliança da graça, desde a queda do homem até o presente.

A teoria é simplista. Não diferencia Velho e Novo Testamentos, embora concordemos que todos são salvos pela
graça em todos os tempos. Além disso, a teoria não diferencia Israel e igreja.

A bíblia fala de duas grandes alianças que correspondem ao VT e ao NT, e não nas duas defendidas por esta teoria
(Jr.31.31-32; Heb.8.6,13).

Além disso, a bíblia fala sobre alianças diversas: Noé, Abraão, Israel, Davi, igreja, o que se aproxima mais da teoria
dispensacional.

10. Modelo epigenético


“Epigenia” significa mudança no fenótipo sem alteração do genótipo, ou seja mudança exterior em ser vivo durante
seu processo de crescimento, enquanto que o DNA continua o mesmo.

Revelação progressiva – Analogia da árvore

A revelação divina é progressiva como o crescimento de uma árvore a partir de uma semente. A semente, a
plantinha, a árvore nova e a árvore madura são perfeitas em cada estágio, embora sejam incompletas. Muda a
aparência, mas permanece a essência. Temos, portanto, descontinuidade e continuidade.

Analogia da família

O tratamento dos pais para com seus filhos muda bastante durante a vida. Podemos dividir esse período em várias
fases: gestação, amamentação, restante da infância, adolescência, juventude, idade madura. A forma de orientar,
cuidar ou corrigir os filhos muda bastante, ou seja, é descontínua, mas o amor dos pais é o elemento de
continuidade em todo esse processo.

Analogia do edifício
Pensemos nas fases de construção e utilização de um edifício. Elas são bastante diferentes. As equipes de trabalho
são diferentes, bem como suas responsabilidades, seus propósitos, suas normas e procedimentos. Da mesma forma,
podemos ver Israel e a igreja, como duas “equipes” de trabalho diferentes. A primeira estava preparando um cenário
para a 1a vinda de Cristo. Depois que ele veio, estabeleceu a igreja com propósitos diferentes e regras diferentes.
Isto não significa incoerência, mas mudanças necessárias. Hoje, não precisamos repetir o que Israel fazia no Velho
Testamento. Seu propósito já foi cumprido. Contudo, para que o “edifício” exista e seja bem utilizado, existem
propósitos gerais e princípios gerais de construção, manutenção e utilização que são sempre válidos. A segunda
“equipe” não precisa construir, mas precisar manter o que foi construído. Temos, portanto, continuidade e
descontinuidade, sem contradição.

O “modelo epigenético” utiliza o que há de bom na teoria dispensacional, embora dê maior destaque à
continuidade.

A promessa feita por Deus a Abraão é um fator de unidade, continuidade, em toda a história desde então, apesar
das variações em outros aspectos da teologia.

Em resumo, apresentamos alguns elementos de continuidade e descontinuidade na bíblia e nas relações de Deus
com os homens.

CONTINUIDADE

Deus

Seu caráter (amor, justiça, etc)

Seu propósito geral (salvar)

Graça divina

Salvação

Cristo

Espírito Santo

DESCONTINUIDADE

Israel

Igreja

Cultura

Circunstâncias

Propósitos específicos

Leis específicas

Posicionamento humano.
Como escolher entre os modelos apresentados?

O leigo acredita na opção defendida por sua denominação. O estudante corre o risco de aceitar o primeiro modelo
estudado. É preciso deixar claro que todos os modelos são apenas teorias sobre o relacionamento de Deus com os
homens. Para que se escolha uma delas, o estudante deverá confrontar as afirmações de cada caso com os dados
bíblicos.

O modelo escolhido será determinante para a interpretação bíblica, principalmente no momento da aplicação das
lições extraídas do texto. Pensaram-se que a relação de Deus com os homens é contínua em todos os aspectos,
então entenderemos que todas as ordens de Deus para os seus servos no Velho Testamento são aplicáveis hoje. Se
pensamos que a relação de Deus com os homens é totalmente descontínua, então não nos interessaremos pelo
Velho Testamento. Se tivermos uma visão que englobe tanto continuidade quanto descontinuidade, procuraremos
extrair princípios espirituais do Velho Testamento para aplicação na atualidade e desconsiderar práticas que
estavam restritas às circunstâncias daqueles tempos.

Consideramos o modelo epigenético como o mais coerente com os dados bíblicos, englobando o que há de melhor
da teoria dispensacional, teoria luterana e das alianças, sendo que nenhuma delas satisfaz isoladamente. Com
relação à teoria “teologias, mas nenhuma teologia”, consideramos tratar-se de um grande equívoco.

11.HERMENÊUTICA ESPECIAL
Enquanto a “hermenêutica geral” se aplica a qualquer passagem bíblica, a “hermenêutica especial” nos
oferece regras e princípios específicos para gêneros literários distintos. Portanto, ao tomarmos um texto para
interpretação, começamos nosso estudo com as regras da hermenêutica geral:

- Pesquisamos o contexto histórico-cultural.

- Verificamos a relação do texto com o versículo, capítulo, livro, obra do autor e a bíblia como um todo.

- Investigamos o significado das palavras e suas funções na frase.

- Confrontamos o texto com o conceito de “revelação progressiva” e com a localização daquela mensagem
dentro do plano de desenvolvimento do relacionamento de Deus com o homem durante a história.

Em seguida, ou mesmo entre os passos anteriores, precisamos identificar o propósito do autor quanto ao uso literal
ou simbólico do texto, ou se existem termos figurativos dentro de um trecho literal. Para isso, precisamos saber o
gênero literário que estamos examinando e quais são as suas características.

O sentido literal é aquele que corresponde ao significado natural das palavras. Por exemplo, quando Samuel diz que
Davi matou um leão, entendemos isso no sentido literal, ou seja, Davi é um homem e o leão é um animal. É o sentido
óbvio. Quando lemos em Apocalipse a respeito do “leão da tribo de Judá”, entendemos que o autor não se refere ao
animal, mas ao Senhor Jesus. Portanto, nesse caso, não consideramos a palavra “leão” no seu sentido literal, mas
simbólico. O problema ocorre quando o intérprete inverte essas questões. Por exemplo, se disser que o leão que
Davi venceu era Satanás.

Símbolo ou figura é aquilo que representa, por analogia, semelhança ou convenção, outra coisa, pessoa ou fato. O
símbolo substitui o elemento real na frase ou na narrativa. Por exemplo, cores, números, animais, e outros
elementos, podem aparecer no texto para representar pessoas ou idéias. No texto de Apocalipse, o leão é usado
com símbolo do Senhor Jesus. Por quê? Usando simplesmente a palavra “leão”, o autor já resumiu uma série de
características de Cristo: coragem, força, poder, etc. Assim, de modo resumido, muitas idéias são transmitidas, além
do efeito estético para a mensagem.

Nosso desafio, ao ler uma porção das Escrituras, é distinguir se o texto deve ser interpretado de forma literal ou
simbólica. Para decidir entre esses sentidos, precisamos verificar a intenção do autor e o gênero literário utilizado.
Contudo, é preciso lembrar que um livro pode ser predominantemente simbólico e conter algumas passagens literais
e vice-versa.

A decisão entre simbólico ou literal não depende da preferência do leitor, que pode ser tentado a ver símbolos onde
não existem, ou entender de modo literal passagens simbólicas. Por exemplo: Jesus disse: “Se o teu olho te faz
tropeçar, arranca-o e atira-o para longe de ti”. Entender e praticar isso de forma literal seria desastroso. Por outro
lado, a ordem para honrar pai e mãe não pode ser considerada simbólica.

Dizer que um texto é simbólico pode ser uma forma de escapar de um significado que desagrada o leitor ao mostrar
seu pecado. Muitos consideram simbólico o que lhes parece incrível, como a história de Adão e Eva, Jonas e o peixe,
a ressurreição de Cristo, etc. Fazendo assim, tais intérpretes estão extirpando a essência do evangelho.

Não tente enxergar sentido simbólico em tudo. Esse “simbolismo” exagerado torna-se um hábito negativo.

Ao ler um texto, precisamos considerar primeiramente a possibilidade do sentido literal. Não sendo possível
entender dessa forma, poderemos procurar a leitura simbólica. O mesmo texto pode ter um sentido literal e
simbólico. Nesse caso, precisamos entender o literal para que possamos assimilar o simbólico. Se não soubermos o
significado das palavras que ali estão, como poderemos compreender a utilidade dos símbolos que porventura ali
existam?

Precisamos conhecer o terreno onde estamos pisando. O quadro a seguir apresenta os gêneros literários presentes
na bíblia. Cada livro é mencionado de acordo com o seu conteúdo predominante, mas não podemos nos esquecer de
que podem existir dentro do mesmo livro mais de um estilo literário. O autor pode estar contando uma história e no
meio dela citar uma poesia ou um cântico.

CLASSIFICAÇÃO DO TEXTO BÍBLICO PELO CONTEÚDO DOMINANTE

FORMA GÊNERO/ ELEMENTOS OBJETIVO LIVROS

ESTILO DOMINANTES

PROSA PARÁBOLAS Símbolos Uma lição Mt, Mc, Lc, Joao


(escrita direta) PROFECIA Símbolos Prevenção e Is, Jr, Ez, Dn, Os,
exemplo. Joel, Am, Ob, Mq,
(Promessas, benção, e literais Na, Hab, Sf, Ag,
maldição) Zc, Mal.

LITERATURA Símbolos Prevenção Apocalipse


APOCALÍPTICA.

LEIS Literais Prescrição e Ex, Lv, Nm, Dt


prevenção
(Alguns símbolos
para hoje)

CARTAS Literais Descrição e Rm, I Cor, II Cor,


prescrição. Gal, Ef, Fp, Col,

I Tss, II Tss, I Tm,


II Tm, Tito, Fm,
Heb, I Pd, II Pd,

I Jo, II Jo, III Jo,


Judas.

HISTÓRIA Literais Narrativo Gn, Js, Jz, Rt, I


(exemplos e Sm, II Sm, I Rs,
(ALEGORIA?) princípios)
II Rs, I Cr, II Cr,
TIPOLOGIA?
Ed, Ne, Et, Jonas

SAPIENCIAL Comparações Jo, Ec, Ct.

POESIA SALMOS Literais, Litúrgico Salmos


comparações/
(escrita em
versos) Paralelismo

SAPIENCIAL - Símbolos Provérbios

PROVERBIOS de fácil
compreensão.

LAMENTAÇÕES Comparações Litúrgico Lamentações

O gênero histórico serve como recipiente ou moldura para todos os outros. A bíblia começa com história e termina
com profecia, ou seja, uma história contada por antecipação.

O grau de dificuldade de interpretação vai aumentando na medida em que passamos de um gênero literário para
outro. Começando por narrativas históricas e leis, passando por comparações, provérbios, parábolas, profecias e
chegando ao gênero apocalíptico que é um tipo especial de profecia, a dificuldade de interpretação se torna cada
vez maior. Tal situação não ocorre unicamente pelos estilos em si, mas por nossa falta de conhecimento do contexto
histórico e cultural que envolve todos os textos.
As narrativas históricas apresentam relativa facilidade de compreensão. Seu conteúdo deve ser entendido de modo
literal. A dificuldade, nesse caso, reside nas questões culturais apresentadas ou subjacentes ao texto. Não
conhecemos muito das culturas antigas e estranhamos o que conhecemos, devidos às grandes diferenças em relação
ao contexto atual.

Entre a linguagem literal e a simbólica temos um procedimento intermediário: as comparações (símiles), que
confrontam dois elementos. Por exemplo, um texto fala sobre a vida de Jesus e tem sentido literal. Outro texto
compara Jesus ao Sol (Ap.1.16), aproximando assim o literal do simbólico. Outro texto se refere ao Messias como “o
sol da justiça” (Mal.4.2). Nesse caso, temos linguagem simbólica, pois a pessoa, Jesus, não foi mencionado
diretamente, mas apenas o elemento que o representa no texto. A simbologia usa um para representar outro. Saber
quem é a pessoa representada por um símbolo pode ser difícil. Nós entendemos que o “sol da justiça” seja Cristo,
mas, na época de Malaquias, isto não estava claro para os seus ouvintes ou leitores.

Os gêneros literários se encontram mesclados em algumas passagens bíblicas. Existem parábolas dentro de
profecias, parábolas dentro de história (na boca do personagem), profecia dentro de história, poesia dentro da prosa
(e não o contrário), literatura apocalíptica dentro de história (evangelhos), profecia dentro dos Salmos, etc. Sempre
que possível, é bom observamos onde se interrompe um estilo e começa outro. No caso das profecias dentro dos
Salmos, é difícil fazermos a distinção.

Não é comum encontrar simbologia dentro das leis. A lei tem um objetivo literal absoluto. A lei de Moisés tinha um
sentido literal para o povo hebreu do Velho Testamento. Entretanto, para nós, alguns de seus mandamentos já
adquirem sentido simbólico ou tipológico. Paulo fez esse tipo de leitura da lei (I Cor.9.9). Também o autor da carta
aos Hebreus faz uma interpretação da lei além do literal (Hb.10.1). Por exemplo, vemos nos animais sacrificados a
representação do sacrifício de Cristo.

Uma parábola é ampliação de uma metáfora. Uma alegoria é ampliação da símile.

No estudo das parábolas, deve-se buscar uma lição central e evitar o apego aos detalhes, a não ser que o próprio
texto lhes dê destaque. Por exemplo, na parábola das 10 virgens, a lição é que todo cristão deve se preparar para a
volta de Cristo. Uma maneira de se distorcer o objetivo do texto é supor que Jesus tenha se casado com 10
mulheres.

Nos estudos das epístolas, deve-se levar em conta as circunstâncias do autor e dos destinatários. Precisamos
verificar se uma ordem se destinava a resolver um problema específico dos destinatários ou se é um problema
humano. Neste caso, é provável que a ordem também se refira a nós.

Não tente interpretar simbolicamente os relatos históricos, como fez o pregador que disse que Eliseu simbolizava
Jesus. Podemos, porém, fazer comparações entre os personagens, sem dizer, com isso, que um esteja simbolizando
o outro. Diferente é o caso das tipologias, conforme estudaremos a seguir.

Não faça uma lei ou doutrina a partir de um texto histórico, como os Atos dos apóstolos, por exemplo. A experiência
de alguém não deve ser tomada como regra geral.

Não faça uma lei ou doutrina a partir de provérbios, pois são conselhos. Certos provérbios se aplicam a certas
circunstâncias e não a todas. Porém, existem provérbios que levam em conta a lei ou a citam.

Tipologia é a representatividade de um personagem em relação a outro. Por exemplo, José do Egito recebeu o título
de “salvador do mundo” e, de fato, salvou muitas pessoas da fome. Ele foi um “tipo” de Jesus, ou seja, existem
muitos paralelos entre o caráter e a ação de ambos os personagens. Da mesma forma, Moisés foi um libertador
para o povo de Israel, tornando-se também um tipo de Cristo. Não devemos “eleger” um personagem como tipo de
outro, a não ser que haja fortes evidências bíblicas a favor dessa interpretação. A tipologia não nega o sentido literal
das passagens utilizadas.

Sugestão de tópicos para estudo:

Figuras de linguagem; expressões idiomáticas; poesia hebraica.

12.COMO ANALISAR UM LIVRO BÍBLICO

Leia todo o livro.

Observe palavras e frases que se repetem. Verifique as idéias principais.

Verifique o significado de palavras desconhecidas. Se necessário, use um léxico grego ou hebraico.

Verifique as relações entre as palavras nos versículos mais difíceis.

Verifique textos de outros livros da bíblia que se referem aos mesmos fatos do livro em análise. Cuidado. Não
misture as épocas e os costumes bíblicos.

Verifique a data de escrita, mesmo aproximada, se possível.

Estude sobre o local, o povo, os costumes, a história, as circunstâncias, se possível.

Identifique as divisões do livro. Algumas indicações das editoras ajudam. Pode ser divisão em capítulos ou
conjunto de capítulos, mas lembre-se de que não havia esta divisão no texto original.

Identifique o propósito do autor, tema, problema central, motivos, objetivos, quem é o autor e quem são os
destinatários.

Verifique informações sobre o autor e os destinatários no próprio livro e em outros.

Identificar a forma literária – prosa, poesia, etc.

Identificar conectivos (conjunções, preposições, pronomes relativos).

Formular explicação clara do texto.

Leia comentários e compare sua interpretação.

13.CONCLUSÃO

O curso de hermenêutica nos dá ferramentas para trabalharmos em um campo muito vasto. Ao fim do curso, o
aluno não se sente um hábil intérprete da bíblia e nem poderia. O campo ainda precisa ser percorrido e conhecido,
mas agora o aluno tem diretrizes e instrumentos para não se perder e, além disso, andar com segurança, obtendo
resultados consistentes em sua vida em busca do conhecimento.
O aluno aprende o valor do contexto literal, contexto histórico, mas isso não significa que ele já conheça tais
contextos. A geografia, as línguas originais, a arqueologia, a gramática, tudo isso é destacado como importante, mas
o conhecimento dessas coisas é um desafio para o futuro.

O curso de hermenêutica aponta o caminho, mas ele ainda precisa ser percorrido. O aluno recebe vasilhas vazias que
serão preenchidas por outras disciplinas e também pelo conhecimento bíblico, histórico e teológico que será obtido
no futuro. Este é um projeto para uma vida inteira.

O aluno está preparado para uma viagem. O curso de hermenêutica lhe oferece uma bagagem, um mapa e
instruções sobre o melhor caminho e os riscos que o esperam. Agora, resta-lhe avançar.

BIBLIOGRAFIA

ZUCK, Roy B., A Interpretação Bíblica – Ed.Vida Nova.

STEIN, Robert H., Guia Básico Para a Interpretação da Bíblia – Ed.CPAD

PIERSON, A.T., Chaves Para o Estudo da Palavra – Ed.Tesouro Aberto.

STUART, Douglas, FEE, Gordon D., Entendes o que lês? – Ed.Vida Nova.

CARSON, Donald A., Os perigos da Interpretação Bíblica - Ed.Vida Nova.

ARTHUR, Kay, Como Estudar Sua Bíblia Pelo Método Indutivo – Ed.Vida.

VIRKLER, Henry A., Hermenêutica Avançada – Ed.Vida

Bíblia de Referência Thompson - Tradução de João Ferreira de Almeida - Versão

Contemporânea - Ed. Vida

Bíblia Apologética - Tradução de João Ferreira de Almeida – ICP Editora.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – Ed. Nova Fronteira.

Este Estudo foi realizado através de Pesquisa do BISPO ELVIS DE ASSIS na Internet, sendo considerado o teor desta
Apostila, de qualidade ótima e digna de figurar entre os Estudos Bíblicos e Teológicos dos Cristãos.

(Membros, Obreiros e Ministros) de qualquer Denominação Evangélica, inclusive, de grande utilidade cultural para
os estudiosos de nosso Seminário Teológico.
Prova
Hermenêutica 4:
Assinale com o X a letra com a resposta correta (Uma só resposta correta por questão).

1) Qual a definição de hermenêutica bíblica?


A) Técnicas de oratória para sermões.
B) Formulas magicas para se entender a Palavra
C) Interpretações pessoais e individuais da Bíblia.
D) Princípios de interpretações das Escrituras.

2) Qual o objetivo da hermenêutica bíblica.


A) Descobrir o que realmente Deus revelou ao autor.
B) Mostrar que qualquer um pode interpretar a Palavra do seu jeito.
C) Demonstrar que há muitas maneiras de interpretar a Bíblia.
D) Prover uma maneira mística de entender as Escrituras.
3) O que consiste o método histórico-gramatical de interpretação?
A) Conhecer as palavras chaves e as estudar em outros textos.
B) Fazer uma analise espiritual do texto.
C) Descobrir significados ocultos no texto.
D) Se familiar com as palavras e gramatica do texto.

4) O que consiste o método histórico-cultural de interpretação?


A) Conhecer a gramatica do texto.
B) Conhecer o fundo histórico do texto.
C) Interpretar o texto segundo a cultura atual.
D) Interpretar o texto segundo ideias espirituais.

5) O que é analise contextual?


A) É verificar se a interpretação do texto é coerente com o contexto da passagem e da Bíblia.
B) É separar textos bíblicos para interpretação separada não precisando verificar o contexto, já que a Palavra
é de particular interpretação.
C) É aplicar a interpretação de acordo com que eu precisar no momento.
D) É forçar o texto bíblico para se encaixar a interpretação pessoal.
1. Noções de Homilética
O termo “Homilética” vem do grego “omiletke”. “Omile” é “pregação”; “Tke” é “arte”, de onde vem o vocábulo
“técnica”. O dicionário de português Aurélio nos informa que Homilética é “a arte de pregar sermões”. Trata-se de
uma ciência diretamente ligada à ordem de Jesus: “Ide por todo o mundo e pregue o evangelho a toda criatura.
Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc.16.15-16).

Jesus começou o seu ministério pregando. A pregação é o principal meio de se conhecer o evangelho e alcançar a
salvação.

“Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, pois invocarão aquele em quem não creram?
e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão se não há quem pregue?” (Rm.10.13-14).
Haveremos de pregar o evangelho, mas não podemos fazê-lo de qualquer maneira, pois isto poderia dificultar a fé e
a salvação dos ouvintes. “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te
salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (ITm.4.16). O mau vendedor não terá êxito em seu trabalho. O
semeador que nada sabe sobre o que faz acabará destruindo as sementes e nenhum fruto colherá. A semente que o
Senhor nos deu é perfeita. Se a nossa pregação não produz resultados, o problema pode estar em nós ou
naqueles que recebem a palavra, pois nem toda terra é fértil (Mt.13). O semeador precisa conhecer a semente, o
tempo, o solo e o modo de semear.
A pregação do evangelho, para ser bem feita, precisa ser bem preparada. O pregador também deve se preparar.
Mensageiro e mensagem precisam estar integrados e harmônicos para que os ouvintes sejam alcançados de modo
satisfatório.

O que se diz a respeito da pregação pode também ser aplicado, quase em sua totalidade, aos estudos bíblicos,
sendo estes mais longos, com utilização de mais textos bíblicos e menos efeitos de oratória.

A Homilética tem por objetivo nos conscientizar de todo o preparo relacionado ao ministério da Palavra, bem como
nos oferecer técnicas de aperfeiçoamento da prédica.

2. A PREPARAÇÃO
Quando alguém vai receber convidados em sua casa para uma refeição, procura resolver com antecedência uma
série de questões, além de preparar o alimento. Será importante saber quem virá, qual será o prato, os ingredientes,
o horário, etc.

A palavra de Deus é alimento para o nosso espírito e não pode ser servida de qualquer maneira. Precisamos
preparar. “Pré” significa “antes”. É bom que a preparação para a pregação seja feita com uma antecedência
razoável, de alguns dias ou semanas. Preparar-se em cima da hora não é um bom hábito, pois se corre o risco de um
imprevisto no último instante tornar-se um impedimento decisivo.

Jesus disse que os discípulos não deviam se preocupar com o que iriam dizer quando fossem presos, pois o Espírito
Santo falaria por meio deles (Mt.10.18-20). Eles não seriam avisados sobre a prisão. Logo, não poderiam se
preparar. Nós, porém, sabemos com antecedência quando vamos ministrar e devemos estar preparados. Isto não
impedirá que o Espírito Santo nos use e nos leve a falar algo que não havíamos pensado nem planejado. Contudo,
não podemos justificar nossa negligência por meio de uma suposta dependência do Espírito Santo.

Existe algum nível de preparação que deve ser permanente em nós. Se alguém, a qualquer momento, nos perguntar
sobre a razão de sermos cristãos, não pode alegar que fomos apanhados de surpresa e não sabemos explicar. Pedro
disse que devemos estar sempre prontos para responder àqueles que nos pedirem a razão da esperança que há em
nós (IPd.3.15). Outra coisa é uma pregação ou estudo bíblico. Não é bom que seja assumido de repente, sem
um preparo, caso seja a primeira vez que se vai falar sobre aquele assunto.

Quanto mais experiente for o pregador, mais habilitado estará para aceitar desafios inesperados, mas não é o caso
do iniciante. A preparação da mensagem começa com a escolha do tema. Se possível, é bom que se saiba também
alguma coisa sobre as pessoas que irão assistir: seu nível cultural, social, etc. Estes detalhes não são primordiais, mas
algum conhecimento deles será útil.

De posse do tema, será necessário um trabalho de pesquisa para que se consiga o maior domínio possível sobre o
mesmo. Nem tudo o que for pesquisado será ministrado, mas esse trabalho produzirá o conjunto de tópicos a serem
pregados.

O primeiro material de estudo do pregador é a bíblia. Por exemplo, se alguém for convidado para ministrar sobre
“família”, então poderá começar pela leitura de passagens bíblicas a respeito desse assunto. Diante de um tema tão
amplo, será necessário escolher algum aspecto a ser ministrado. Não dá para se falar tudo sobre família em uma
pregação ou em um estudo bíblico. Poderíamos escolher, por exemplo, algo como “o valor da família na igreja”, ou
“a importância da família na sociedade”, ou “os males que afligem a família”, ou “os fundamentos de uma família
bem sucedida”, etc. Alternativa seria escolher uma família específica e fazer uma análise dos fatos a ela
relacionados.
Por exemplo, poderíamos estudar a respeito da família de Jacó. Observe que, ao se escolher a essência da
mensagem, surge automaticamente o título da mesma. Isto será útil por uma questão de organização e clareza. Não
se pode ir para o púlpito sem idéia da mensagem a ser pregada. Não é bom começar em um assunto e passar para
outro e outro e outro, de modo que não exista um “fio da meada” e não se perceba aonde o orador quer chegar.
Nesses casos, nem ele mesmo sabe.

Escolher um assunto bem específico é como escolher o destino em uma viagem. Se eu resolver ir aos Estados
Unidos, precisarei optar por uma cidade. Não é possível conhecer todo o país instantaneamente. Se eu não souber
para onde vou, posso me perder no meio do caminho e, de fato, isto não fará nenhuma diferença para alguém que
não sabe aonde quer chegar.

Para se descobrir um assunto na bíblia, será útil uma concordância ou chave bíblica. Ali se encontrará a palavra
desejada e as referências onde se pode localizá-la nas Escrituras. Para se obtiver esclarecimento sobre o texto lido,
pode-se consultar um dicionário bíblico, enciclopédia bíblica, comentário bíblico. Os livros evangélicos que tratam
do assunto em estudo podem ser muito úteis, mas podem também conter erros. Se formos utilizar algum argumento
extraído de um livro, precisamos estar bem seguros de seu fundamento bíblico. A leitura de várias obras sobre
determinado assunto coloca em confronto as idéias de vários autores, de modo que o leitor se familiariza com o
tema e obtém confirmação para o que está certo e mais condições de discernir o que está errado. É desejável que se
tenha domínio do tema a ser pregado. Domínio pleno é algo inatingível, mas devemos procurar o melhor
conhecimento possível, de modo que possamos oferecer mais informações do que incertezas. Quanto maior o
conhecimento, menor será a dependência do preletor em relação às suas anotações.

Em alguns casos, é mais sensato recusar convites para falar sobre alguns temas, devido à sua complexidade ou à
nossa inadequação para abordá-los. Na fase preparatória, não podemos nos esquecer de orar. Este é um dos
principais fatores que determinarão o sucesso ou fracasso do pregador.

3. CONTEÚDO DA MENSAGEM.
Algumas pessoas leem um versículo bíblico e depois falam muitas coisas que não estão relacionadas ao texto lido. É
como se tivessem lido apenas por costume ou para justificarem biblicamente suas próprias idéias. Por exemplo, o
candidato que lê um versículo na igreja para, em seguida, fazer um discurso político. Nesse caso, não se trata de uma
pregação bíblica, por mais correta que seja sua mensagem.

A pregação deve ser essencialmente bíblica, em seu conteúdo e propósitos. Caso contrário, não estaremos
anunciando a palavra de Deus, por mais certos que estejamos daquilo que queremos ensinar. Filosofia, psicologia e
sociologia podem estar ocupando o lugar do ensinamento bíblico em algumas situações. É verdade que podemos
usar com cuidado tais disciplinas, mas elas não podem ser a essência da nossa mensagem.

Não sejamos apenas repetidores das mensagens alheias. Ainda que isso possa ser proveitoso, o pregador pode se
perder no meio do assunto, principalmente se for questionado sobre algum tópico. O melhor é que a nossa pregação
não seja simplesmente a repetição do que lemos nos livros, mas sim fruto das nossas próprias conclusões,
devidamente fundamentadas na bíblia.

4. O ESBOÇO DA PREGAÇÃO
O estudo preparatório deve produzir algum material escrito. Enquanto se lê a bíblia e outros livros, devem ser feitas
anotações das referências e pontos principais do assunto. Trata-se de uma coleta de dados. No final, será necessária
uma seleção e organização das idéias. Desorganização no preparo conduz ao nervosismo e erro no momento da
pregação.
Normalmente se obtém um grande volume de informações sobre o tema, de modo que torna-se inviável a utilização
de tudo na mensagem, mesmo porque, na medida em que se estuda, percebe- se o destaque de alguns dados em
detrimento de outros. Precisamos, portanto, escolher as informações que têm maior relevância e relação mais direta
com o que queremos transmitir.

Os pontos selecionados darão origem ao esboço da mensagem, que deve ser o mais curto e objetivo possível.

Os esboços de pregação não têm uma forma rígida. Podem variar muito, mas aqui vão algumas dicas que podem
servir como base para sua elaboração.

A estrutura do esboço é a mesma da pregação. O esboço será então um roteiro para o pregador não se perder
durante a ministração, ou mesmo para não se esquecer dos pontos mais importantes da mensagem. Em outras
palavras, é um mapa com alguns pontos de referência que o ajudarão a alcançar seu objetivo.

4.1. O esboço PODERÁ ter:

4.2. Analisando cada parte.


Título: É o tema a ser tratado, ou o “nome” da mensagem. Por exemplo: "A vinda de Cristo ao mundo" é o titulo de
uma mensagem evangelística.

Texto bíblico base: Toda pregação precisa ter um texto bíblico como base. Este é o fundamento que vai dar
autoridade a toda a mensagem. Normalmente, o texto é pequeno: 1 versículo ou 2, ou 3. Raramente se deve utilizar
um capítulo todo. Só quando o capítulo estiver todo relacionado ao mesmo assunto. Se eu for falar sobre a oração
que Jesus ensinou aos discípulos, não preciso ler todo o capitulo 6 de Mateus. No caso do nosso exemplo (A vinda de
Cristo ao mundo), usaremos o texto de I Timóteo 1.15: "Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: que Cristo
Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal.".

Introdução: Existem inúmeras maneiras de se começar uma pregação. Por exemplo: "Nesta noite, eu gostaria de
compartilhar com os irmãos a respeito do assunto tal..." ou "No texto que acabamos de ler, temos as palavras de
Paulo a respeito da vinda de Cristo ao mundo." Para muitas pessoas, a primeira frase é a mais difícil. Apesar de
muitas alternativas, o ideal é que a introdução seja algo que prenda logo a atenção dos ouvintes, despertando-lhes
o interesse para toda a mensagem. Pode-se então começar com uma ilustração, um relato interessante sobre
algo que esteja relacionado com o assunto da pregação. Outro recurso muito bom é começar com uma pergunta
para o auditório, cuja resposta será dada pelo pregador durante a mensagem. Se for uma pergunta interessante ou
intrigante, a atenção do povo estará garantida até o final da palestra. Voltando ao nosso exemplo, poderíamos
começar a mensagem perguntando: "Você sabe para quê Jesus veio ao mundo? Nossa mensagem de hoje pretende
responder a esta pergunta tão importante para todos nós." No esboço, podemos colocar uma palavra ou uma frase
para nos lembrar de como iniciaremos a mensagem.

Tópicos: Os tópicos são as divisões lógicas do assunto, ou a divisão mais lógica possível. Podem ser argumentos,
características, causas e consequências, aspectos positivos e negativos de algo ou listas diversas: informações,
pecados, bênçãos, milagres, pessoas, promessas, etc.

Por exemplo, se o título da minha mensagem for "O Maior Problema da Humanidade", eu poderia ter os seguintes
tópicos: 1- a origem do pecado; 2 - as consequências do pecado; 3 - a solução divina para o homem. A divisão em
três tópicos é aconselhável por ser um número pequeno, de modo que o povo tenha facilidade de acompanhar o
raciocínio do pregador, sem perder o “fio da meada”. Podemos até mudar este número, tomando cuidado para não
elaborarmos uma mensagem complexa. Os tópicos devem ser organizados numa ordem que demonstre o
desenvolvimento natural do tema, de modo que os ouvintes vão sendo levados a compreender gradualmente o
assunto até a conclusão.

Em algumas mensagens, os tópicos podem ser argumentos a favor de uma idéia que se quer defender com o
sermão. Será bom se eles estiverem organizados de maneira que os mais interessantes ou mais importantes sejam
deixados por último, de modo que a mensagem vá se tornando cada vez mais significativa, mais consistente e mais
interessante a cada momento até a conclusão. Se você usar seu melhor argumento logo no início, sua mensagem
ficará fraca no final. Numa mensagem sobre “Homens de Deus na bíblia”, cada tópico poderia ser o nome de uma
pessoa, sobre a qual o pregador falará resumidamente. Por exemplo: Abraão, Moisés, Davi e Jesus. Esta ordem é
natural e ascendente. Se for invertida, a pregação começará forte e terminará fraca.

Em alguns casos, o próprio texto bíblico já tem sua própria divisão que usaremos para formar nossos tópicos. O texto
de I Timóteo 1.15 é assim. Dele tiramos os seguintes tópicos para o nosso esboço:

1 - Jesus veio ao mundo - Falar sobre a aceitação geral da vinda de Jesus. É difícil encontrar alguém que não creia
que ele tenha vindo.

2 - Para salvar os pecadores - Falar sobre diversas idéias que as pessoas têm sobre o objetivo da vinda de Cristo e
qual foi sua real missão. Fundar uma religião? Uma escola filosófica? Dar um golpe de estado? Nada disso. Ele veio
salvar os pecadores.

3 - Dos quais eu sou o principal - Falar sobre a importância do reconhecimento do pecador para que a obra de Cristo
tenha eficácia em sua vida. Questão individual. João 3.16: Outro exemplo de divisão natural do texto é João:

1 - Deus amou o mundo. Falar sobre o amor de forma geral e sobre o amor de Deus.

2 - Deu o seu Filho Unigênito - O amor de Deus em ação. Deus não ficou na teoria ou no sentimento.

3 - Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna - O objetivo da ação de Deus.
Esse versículo é riquíssimo. Podemos elaborar várias mensagens através dele. É importante prestar atenção a este
detalhe. Se tivermos um entendimento muito abrangente de um versículo, é melhor elaborar mais de um sermão,
do que tentar colocar tudo em um só, tornando a mensagem longa ou complexa, principalmente quando o texto
permitir vários ângulos de abordagem, ou contiver mais de um assunto.

Ilustrações: Ilustrações são ditados, provérbios (não necessariamente os de Salomão) ou pequenas histórias que
exemplificam o assunto da mensagem ou reforçam sua importância. Como alguém já disse, as ilustrações são as
"janelas" do sermão. Por elas entra a luz, que faz com que a mensagem se torne mais clara, mais compreensível.
Jesus sempre ilustrou suas mensagens através do relato de situações comuns da vida de seus ouvintes: pastores e
ovelhas, pais e filhos, senhores e servos, etc. Muitas vezes, os argumentos que usamos podem ser difíceis, ou
obscuros, mas, quando colocamos uma ilustração, tudo se torna mais fácil. Existem muitas “historinhas” por aí que
não aconteceram de fato e são usadas para ilustrar mensagens. Não há problema em usá-las. Podem ser
comparadas às parábolas bíblicas. Entretanto, é importante que o pregador diga que aquilo é apenas uma
ilustração. As histórias podem ser fictícias desde que não sejam testemunhos. Estes devem ser reais. Não podemos
inventar a história de um milagre que nunca aconteceu. Não podemos colocar Deus como personagem de uma
lenda. Observe que as parábolas de Jesus foram usadas para exemplificar e esclarecer seus ensinamentos, mas
nelas não encontramos pseudo-testemunhos sobre a ação de Deus.

Se usarmos testemunhos (verdadeiros!) como ilustrações, eles devem ser bem curtos. A ilustração não pode ser tão
grande a ponto de se sobrepor à mensagem, assim como a janela não pode ser maior do que a parede. As
ilustrações são muito importantes, porque despertam o interesse dos ouvintes, eliminam as distrações e ficam
gravadas na memória. Pode ser que, na segunda-feira, os irmãos não se lembrem de muita coisa do sermão de
domingo, mas será bem mais fácil lembrar-se das ilustrações, dos “casos” contados como exemplo e, juntamente
com essa lembrança, será também recordado um importante ensinamento.

As ilustrações podem aparecer em qualquer parte da pregação, mas não em todos os tópicos da mesma mensagem.
No exemplo da mensagem de I Timóteo, poderíamos usar uma ilustração no tópico 3, mencionando que um doente
precisa reconhecer sua doença para ser curado, ou contando um curta história sobre um doente que reconheceu ou
não a sua doença e qual foi a consequência disso. Não é obrigatório o uso de ilustrações no sermão. Se não tiver
nenhuma, paciência. Às vezes, os próprios relatos bíblicos já ilustram muito bem os assuntos que abordamos.
Quando pregamos com base no Novo Testamento, podemos usar um pequeno relato do Velho Testamento como
exemplo.

Outro detalhe a se observar: não é bom usar muitas ilustrações na mesma mensagem, pois ela se tornaria uma
coleção de contos sem consistência. Como dissemos, ilustração é luz, e luz demais pode ofuscar a visão. Observe que
neste estudo de Homilética, usamos até aqui os seguintes elementos ilustrativos: refeição, vendedor, semeador,
viagem, mapa, janela, parede e luz.

Conclusão: A conclusão será o ápice da mensagem, o fechamento. Não basta fazer como aquele pregador que disse:
"Pronto! Terminei". A conclusão é a idéia ou conjunto de idéias construídas a partir dos argumentos apresentados
no decorrer da mensagem. Nesse momento pode-se fazer uma rápida citação dos tópicos, dando-lhes uma
"amarração" final. A conclusão está diretamente ligada ao objetivo da mensagem, que deverá ser focalizado e
mencionado nesse momento final. Nessa parte, normalmente se convida para o posicionamento dos ouvintes em
relação ao tema. Ainda não é o apelo. O pregador incentiva as pessoas a tomarem determinada decisão em relação
ao assunto pregado. Depois desse incentivo, dessa proposta, o assunto está encerrado e pode-se fazer o apelo, se
for o caso, e/ou uma oração final. No caso do nosso exemplo (A vinda de Cristo ao mundo), poderíamos concluir
convidando os ouvintes a reconhecerem sua condição de pecadores, para que o objetivo da primeira vinda de Cristo
se concretize na vida de cada um. Para fechar bem podemos encerrar dizendo que Cristo virá outra vez a este
mundo para buscar aqueles que tiverem se rendido ao evangelho.

O esboço deve ser o menor possível. Pode-se, por exemplo, usar uma frase para cada parte. Pode haver
determinado tópico representado por uma única palavra. O esboço é o "esqueleto" da mensagem. Coloca-se o que
for suficiente para lembrar ao pregador o conteúdo de cada divisão. Se uma palavra ou uma frase não forem
suficientes, pode-se colocar mais, mas com o cuidado de não se elaborar um roteiro muito grande e complicado,
pois o pregador poderia ficar perdido no próprio esboço na hora de pregar. Então, o recurso que deveria ser útil
torna-se um problema. Opcionalmente, o pregador pode fazer o esboço, bem pequeno e, em outro papel, um
resumo da mensagem. No púlpito, só o esboço será usado. O destino do resumo será o arquivamento. Em outra
ocasião, quando o pregador for usar o mesmo sermão, o resumo será muito útil. Se tiver guardado apenas um
esboço muito curto, este poderá não ser suficiente para lembrá-lo de todo o conteúdo de sua mensagem.

Eis o esboço que construímos durante esta explicação:

Título: A vinda de cristo ao mundo

Texto bíblico base: ITm.1.15.

Introdução: Você sabe para quê Jesus Cristo veio ao mundo?

Tópico 1: "Jesus veio ao mundo" - Falar sobre a aceitação geral da vinda de Jesus. Todos crêem que ele veio (até os
ímpios).

Tópico 2: "Para salvar os pecadores" - Falar sobre diversas idéias que as pessoas têm sobre o objetivo da vinda de
Cristo. Fundar uma religião? Dar um golpe de estado? Ensinar uma nova filosofia de vida? Qual foi sua real missão?
Salvar os pecadores.

Tópico 3: "Dos quais eu sou o principal" - Falar sobre a importância do reconhecimento do pecador para que a obra
de Cristo tenha eficácia em sua vida.

Ilustração: O doente precisa reconhecer sua doença.

Conclusão: Qual é o nosso posicionamento em relação à pessoa de Jesus Cristo? Conduzir ao reconhecimento
individual da condição de pecado. Conduzir a aceitação de Cristo como Salvador.

Não é aconselhável que se escreva toda a mensagem para se ler na hora. Isso torna a palestra monótona. Escreva
apenas algumas frases norteadoras. Também não se deve ler todo o esboço diante do auditório. Trata-se de um
roteiro para o pregador e não para os ouvintes.

4.2. EXEMPLOS DE ESBOÇOS DE SERMÃO TÍTULO: A ARMADURA DE DEUS


Texto bíblico base: Ef.6.10-18

Introdução – Falar sobre o domínio do Império Romano na época de Paulo. O soldado romano e suas roupas
especiais. A armadura de Deus é um conjunto de virtudes e práticas.

Tópico 1 – O cinto da verdade – os riscos da mentira e a importância da verdade na vida do cristão. O cinto prende
toda a armadura.

Tópico 2 – A couraça da justiça – O que é justiça? O justo está protegido, revestido.

Tópico 3 – Os calçados do evangelho – Importância de conhecer e testemunhar. Os calçados são importantes para
que se cumpra o “Ide”.
Tópico 4 – O escudo da fé – O que é fé? Os dardos são ataques contra a fé: argumentos malignos, heresias e
acusações. Ilustração: as cidades muradas eram atacadas com flechas incendiadas. O inimigo não entra, mas, ataca
de longe.

Tópico 5 – O capacete da salvação – A importância de ser salvo e estar convicto disso. A ausência do capacete
inutiliza o restante da armadura.

Tópico 6 - A espada do Espírito – a palavra de Deus – Os equipamentos anteriores são de defesa. A espada é arma
de ataque. Importância do conhecimento e da proclamação. Exemplo: Jesus atacou Satanás com a palavra (Mt.4).

Conclusão: Ef.6.18 – Orando, vigiando e perseverando – De que adianta a armadura se o soldado estiver dormindo?
Conduzir o auditório à reflexão, oração e tomada de decisão sobre o tema.

4.3. TÍTULO – A SUPERIORIDADE DE CRISTO


Texto base: Lucas 9.18-22

Introdução: As pessoas viam Jesus pregando e curando em vários lugares. Contudo, não sabiam muito bem quem
ele era.

Tópico 1 - Opiniões sobre Jesus - Os mais bem informados achavam que ele era filho de José, o carpinteiro.
Alguns, mais “espirituais”, achavam que ele era um antigo profeta ressuscitado.

Tópico 2 - Opiniões positivas, porém erradas. Também nos nossos dias, as pessoas têm idéias erradas sobre Jesus.
Dizem que ele é simplesmente um mestre, ou um espírito iluminado, um revolucionário, fundador de uma religião.

Tópico 3 - Quem é Jesus? O Filho de Deus. Ele é superior a todos os profetas e a todos aqueles que são considerados
“deuses”, guias, anjos, santos ou entidades espirituais.

Tópico 4 – Ele fez o que nenhum outro poderia fazer. O texto fala sobre sua morte e ressurreição. Nenhum outro
morreu por nós e, se morresse, não teria ressuscitado.

Conclusão: Precisamos reconhecer a superioridade de Cristo, renunciar a outros “salvadores” e ídolos, aceitar o
sacrifício de Cristo e fazer um compromisso com ele.

4.4. ESBOÇO DA AULA DE HOMILÉTICA Título – Noções de Homilética


Texto bíblico base – Mc.16.16.

Introdução: Conceito – Homilética é a arte de pregar; Importância da homilética – Ide e pregai... Quem crer será

A preparação: Orar com antecedência, Escolha de tema específico.

Tipo de sermão (temático, textual, expositivo) Leitura bíblica e pesquisa.

Material: bíblia, dicionário bíblico, enciclopédias, livros evangélicos.


5. Tipos de Assuntos para Sermões

6. Tipos de Sermões
7. Como Escolher um Tema

8. A PREGAÇÃO
É aconselhável que o pregador faça um curso de oratória. Entretanto, mesmo não se podendo fazê-lo, o talento e a
prática podem desenvolver bastante as habilidades de quem fala em público. A observação de outros pregadores, as
críticas construtivas dos ouvintes e algumas dicas de pessoas experientes no assunto poderão ser muito úteis.

Algumas considerações sobre a pregação:

1 - O domínio do assunto a ser falado é o princípio da segurança do orador. Portanto, estude bem o assunto com
antecedência.

2 - Ao falar, evite ficar andando de um lado para outro. Isso cansa as pessoas. O orador pode andar mas não o tempo
todo.

3 - Evite repetições excessivas de frases ou palavras. Por exemplo, algumas pessoas falam o "né" no fim de cada
frase. Isso cansa e desvia a atenção de quem ouve.

4 – Utilize o esboço para se orientar durante a pregação.

5 - Ao falar não fique olhando apenas em uma direção ou apenas para uma pessoa. Procure ir dirigindo seu olhar
para as várias pessoas no auditório.

6 - Falar corretamente é fundamental. Se houver algum problema nesse caso, procure fazer um curso de língua
portuguesa. Os termos chulos e as gírias não são admitidos na pregação.

7 - O outro extremo também é problemático. Procure não utilizar palavras muito difíceis, a não ser que esteja
disposto a explicar seu significado. O uso de termos complexos ou estrangeiros demonstra erudição do orador mas
pode inutilizar a mensagem se os ouvintes não forem capazes de compreendê-los.
8 - O uso de gestos é bom, mas deve ser praticado com moderação e cuidado. Não use gestos ofensivos. Não use
gestos que não combinem com o assunto. Imagine que alguém esteja falando sobre a ceia do Senhor e ao mesmo
tempo pulando ou batendo palmas. Não combina.

9 - O tom de voz também é importante. É bom que seja variado. Se você falar o tempo todo com voz suave, o povo
poderá dormir. Se você gritar o tempo todo, talvez às pessoas não vão querer ouvi-lo novamente. O tom de voz deve
acompanhar o desenvolvimento do assunto, apresentando ênfase e volume nos pontos mais importantes, nos
apelos ou nas conclusões que se quer destacar. O falar suave e o falar alto e enfático devem ocorrer alternadamente
para não cansar o ouvido do público.

10 - Em se tratando de sermões sobre temas bíblicos, é fundamental que o pregador tenha orado antes de falar e
que também esteja se consagrando ao Senhor para pregar com unção e autoridade.

11 - O nervosismo e a timidez devem ser tratados com a prática. O início é mesmo difícil, mas com o tempo e a
perseverança, a segurança vem. Não existe outro caminho. Algumas pessoas aconselham o tímido a começar
falando sozinho diante do espelho para treinar. Não sei se isso resolve. O certo é que começar com uma plateia
pequena é mais aconselhável. O nervosismo será menor. Antes de falar no templo, será melhor começar nos cultos
domésticos. Além disso, acrescente-se o valor do exercício. Quanto mais vezes você pregar, maior probabilidade terá
de se tornar um bom pregador.

12 - Outro detalhe importante é a duração da palestra. Algumas sugestões: Se for um sermão em igreja, o tempo
deve ser de 30 minutos. Se o assunto for maravilhoso e envolvente, então pode até chegar aos 40 minutos. Estudos
bíblicos podem durar 1 hora. Em vigílias e acampamentos esse tempo pode até se estender um pouco mais. Não
existem regras para isso, mas apenas percepções práticas e habituais. Esses limites podem variar dependendo do
lugar, do propósito, do auditório, e de muitos outros fatores. Mas, de forma geral, esses tempos sugeridos são
razoáveis. Se quisermos ir muito além, poderemos cansar muito o auditório e o que passar do limite não será mais
captado nem aproveitado pelos ouvintes. Se você sabe pouco sobre o assunto escolhido, fale pouco. Não invente.
Paulo disse que “em parte conhecemos e em parte profetizamos” (ICor.13.9) e, muitas vezes, trata-se de uma
partícula.

9. O PREGADOR
O fato de alguém pregar o evangelho de vez em quando não o torna um pregador, assim como a simples
participação em um jogo não transforma o indivíduo em um jogador de futebol.

Todo convertido pode anunciar o evangelho, mas nem todos se dedicarão a essa função de modo específico,
habitual ou exclusivo. Todos podem pregar, mas o verdadeiro pregador fará melhor e obterá melhores resultados.

O ministério evangelístico assemelha-se ao trabalho de um vendedor. Embora não estejamos vendendo a palavra de
Deus, em ambos os casos encontraremos questões de habilidade, talento e eficiência.

O pregador, por maiores que sejam seus conhecimentos gerais, precisa conhecer profundamente a palavra de Deus,
a bíblia.

Além do conhecimento bíblico e das técnicas de oratória, o fator atraente da pregação envolve dois elementos: dom
e unção. Se não fosse assim, qualquer pessoa poderia se tornar um grande evangelista. Sabemos, porém, que Deus
deu esse dom a algumas pessoas (Ef.4.10-11). Quem não o tiver poderá se esforçar muito, sem conseguir o resultado
desejado, ou então poderá pedir ao Senhor que lhe dê o dom.

O dom pode até suprir a falta das técnicas de oratória, mas não costuma substituir o conhecimento bíblico. Não se
pode usar o dom como desculpa para a negligência. O talento do pregador não é tudo o que ele precisa para ser
eficaz, pois, se assim fosse, o indivíduo poderia se desviar do evangelho e usar o mesmo dom para propagar outro
tipo de mensagem.
Comparemos o dom a um aparelho de rádio. Ele tem todos os componentes necessários para funcionar. Porém, isso
só vai acontecer se estiver sintonizado à emissora. Assim, nosso dom vai funcionar perfeitamente, seremos porta-
vozes de Deus, na medida em que estivermos ligados ao Senhor. O resultado vai ser a unção em nossa pregação e,
por conseqüência, o fruto.

"Estar sintonizado" envolve oração, jejum e abstinência do pecado. Quando pecamos, estamos sintonizados em
"outra emissora" e, ainda que falemos as palavras de Deus, elas não estarão vindo direto da boca de Deus. Na
pregação, existem dois elementos importantes: a mensagem e o mensageiro. A mensagem, por melhor que
seja, pode ser destruída por um mensageiro mal preparado ou inadequado. Imagine se o repórter de um telejornal
aparecesse com uma camiseta rasgada e com o cabelo despenteado. Isso influenciaria na receptividade de sua
mensagem. O mensageiro precisa ter reputação e comportamento que inspirem credibilidade.

Voltando à figura do vendedor, sua eficiência será maior na medida em que ele conhecer o seu produto, tanto na
teoria quanto na prática. Se ele mesmo usa e gosta do que está oferecendo, seu entusiasmo vai contagiar o cliente.
Da mesma forma, se o pregador fala sobre o evangelho, mas não existe entusiasmo em sua voz, se não existe paixão
nem comprometimento, isso vai enfraquecer sua mensagem.

O pregador deve apresentar em sua vida os efeitos de sua pregação. Não é bom que o vendedor ou garoto-
propaganda de creme dental seja banguelo. Assim, a vida, o exemplo e a reputação do pregador serão decisivos na
receptividade de sua mensagem. Até as pedras podem clamar, mas o Senhor prefere que seus discípulos o façam.

Até as mulas podem falar, mas Deus prefere que o profeta fale e esteja bem preparado para isso.

9.1. Trabalho para a vida


A capacitação do pregador nunca termina. É um processo que dura à vida toda. Suas constantes experiências com
Deus o habilitarão cada vez mais para o ministério. A busca pelo conhecimento bíblico e geral deve ser ininterrupta,
pois aquele que é sábio aos seus próprios olhos, ainda não compreendeu a extensão de sua própria ignorância.

10.Da preparação do Sermão a sua Apresentação


Prova
Homilética 5:
Assinale com o X a letra com a resposta correta (Uma só resposta correta por questão).

1) Qual a definição de Homilética?


A) Noções de interpretações bíblicas.
B) Arte de pregar sermões
C) Doutrina das ultimas coisas.
D) Estudo da igreja.

2) Para que serve o esboço ao pregador.


A) Um texto para o pregador ler para a plateia.
B) Um texto fixo para o pregador não improvisar.
C) Um roteiro para o pregador não se perder.
D) Uma anotação sem maiores importâncias.
3) O que é o titulo da mensagem?
A) É o tema da mensagem.
B) É algo para ser bonito sem vinculo com o tema.
C) É um texto base.
D) É o nome da mensagem.

4) O que são os tópicos na mensagem?


A) São divisões logicas dos argumentos.
B) Os versículos usados no texto base.
C) São divisões aleatórias.
D) Os sermões não possuem tópicos.

5) Como escolhe o tema para o sermão?


A) Não precisa escolher um tema prévio.
B) Escolhe-se o tema pela característica do publico e do culto.
C) As mensagens não precisão de tema.
D) Qualquer tema serve, já que não se precisa levar em conta a necessidade do publico e do culto.
Sobre o autor: MATHEUS MELQUIADES BARBOSA, Casado com Laís Cerqueira
C. Barbosa.

PRESBITERO DA ASSEMBLEIA DE DEUS MINISTERIO DE MADUREIRA EM RIO


CLARO SP, presidida pelo Pastor Marcos Fogaça.

GRADUAÇÃO: BACHAREL EM TEOLOGIA MEC pela UNIMARTIN e Mestrado em


Teologia e Educação Cristã pela FAITE/CNTB.

Diretor Administrativo da FAITE (Faculdade internacional de Teologia) para o


Estado de São Paulo. Leciona atualmente para os cursos Teológicos dos níveis
básicos ao bacharel.

CEL/WHATSAPP (19) 996386324/ (19) 998651702 - Rio Claro SP

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