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Análise de discurso – Anotações

A análise do discurso em Michel de Pêcheux

Quando Michel Pêcheux propõe a análise do discurso, fundamentados em Canguilhem e


Althusser, forneceu à ciência da linguagem instrumento para valorizar a exterioridade, dando ao
simbólico uma forma de pensá-la, valoriza o discurso para além da frase e das palavras, possibilitando
ao sujeito do inconsciente e da linguagem um questionamento ideológico. Pretende fornecer à
linguagem um caráter histórico e para isto busca no materialismo histórico, na linguística, na teoria
do discurso e na subjetividade do sujeito os conhecimentos para tornar claro os sentidos aos quais
esses sujeitos estão imbricados na linguagem. A subjetividade possui um valor linguístico para o
sujeito, que o torna o centro das atenções na análise do discurso. O dizer revela os enunciados
regulares que demonstram a posição ideológica do sujeito enquanto é consciente de si e interpelado
pelo discurso. Este sujeito constitui-se de história, ideologia e está em relação com o outro e é
condenado a significar, o que o leva a ser incompleto. O sentido está inscrito na formação discursiva
que projeta a ideologia no dizer dos sujeitos que fornecem suas representações individuais. A análise
do discurso pretende descobrir como os discursos são elaborados por meio da linguística e das
ciências sociais (BRASIL, 2011).

Conceituando a análise de discurso

Eni R. Orlandi (2000) afirma que não se pode não estar sujeito à linguagem, o que significa
que todos estão sujeitos aos equívocos, à opacidade e ao entrar no simbólico e no mundo dos signos
torna o sujeito interprete da realidade quer se queira, quer não. Esta contribuição da análise do
discurso nos leva a refletir e saber que não somos conscientes de tudo, mas também nos torna menos
ingênuos diante da linguagem. Interessa-nos saber como o discurso funciona a partir da memória do
sujeito e de sua relação com o sentido. Estes sentidos, estabelecidos ou não, enquanto objetos
simbólicos são interpretados, cria-se um discurso sobre ele, uma fala que interpreta. Pretende-se
refletir sobre a linguagem, o sujeito, a história e a ideologia sem a pretensão de esgotar o discurso,
tornando-o definitivo ou completo, mas entender os princípios e procedimentos analíticos
possibilitando saber sobre o confronto entre a linguagem e o mundo com os sujeitos e os sentidos na
história.
Existem diferentes formas de se estudar a linguagem, seja ela como um sistema de signos ou
como regras formais através da linguística ou como normas através da gramática. Estas tendências
faz pensar “que há muitas maneiras de se significar que os estudiosos começaram a se interessar pela
linguagem de uma maneira particular que a que deu origem à Análise do Discurso” (ORLANDI,
2000, P. 15). Trata-se, portanto, do discurso que “tem a ideia de curso, de percurso, de correr por, de
movimento” (Ibid.). O discurso não é a língua ou a gramática a ele associado, mas é a fala humana.
Na análise do discurso “procura-se compreender a língua fazendo sentido, enquanto trabalho
simbólico, parte do trabalho geral, constituído de homem e da sua história” (Ibid.). A linguagem é a
principal mediadora entre o mundo natural e social, é o que dá sustentação ou transformação no
ambiente vivido pelo ser humano. É nela que ele significa as coisas e significa-se:

A Análise do Discurso concebe a linguagem como mediação necessária entre o homem e a


realidade natural e social. Essa mediação, que é o discurso, torna possível tanto a
permanência e a continuidade quanto o deslocamento e a transformação do homem e da
realidade em que ele vive. O trabalho simbólico do discurso está na base da produção da
existência humana (ORLANDI, 2000, p. 15)

A análise do discurso entra no mundo humano, buscando entender a produção de sentido e


considerando os sujeitos e suas vidas no meio social. Busca-se as condições e situações em que se
produz o dizer humano revelados pela história na intenção de encontrar regularidade e relação entre
o mundo e a linguagem. Para isto articulará os campos da Linguística e das Ciências Sociais,
colocando questões para ambas, no sentido de refletir “sobre a maneira como a linguagem está
materializada na ideologia e a ideologia se materializa na língua” (ORLANDI, 2000, p. 16). A
materialidade da ideologia é o discurso e a do discurso é a língua, neste sentido é que “não há discurso
sem sujeito e não há discurso sem ideologia” (Ibid., 2000, p. 17). O discurso como objeto da Análise
do Discurso é da década de 60 do século XX, mas seu estudo, ainda que de forma não sistemática é
anterior. O discurso que interessa à análise do discurso é “o da língua funcionando para a produção
de sentidos e que permite analisar unidades para além da frase, ou seja o texto” (Ibid.). A análise de
discurso

[…] procura extrair sentidos dos textos, respondendo à questão: O que este texto quer dizer?
Diferente da análise de conteúdo, a Análise do Discurso considera que a linguagem não é
transparente. Desse modo ela não procura atravessar o texto para encontrar um sentido do
outro lado. A questão que ela coloca é: como este texto significa? (Ibid.).

O texto não será mera ilustração da constatação de algo já conhecido, mas a Análise do
Discurso produz o conhecimento a partir do próprio texto. Esta produção do conhecimento se faz “a
partir do próprio texto, porque o vê como tendo uma materialidade simbólica própria e significativa,
como tendo uma espessura semântica: ela o concebe em sua discursividade” (Ibid., 2000, p. 18).
Embora tenhamos importantes contribuições do linguista francês Michel Bréal no século XIX, que
em sua materialidade linguística indicavam uma semântica histórica, dos formalistas russos nos anos
20 e 30 do século XX, que entendiam o texto como uma estrutura, buscando a lógica interna do texto
de um ponto de vista literário, foi com o estruturalista americano Zellig Harring nos anos 50 com seu
método distribucional, superando as análises conteudistas com o uso do isomorfismo e com o
estruturalismo europeu do britânico Michael Alexander Kirkwood Halliday que pensava a linguagem
em uso, contribuindo na ideia de que o texto é realizado por sentenças, invertendo a perspectiva
linguística, que a linguística se aproxima da Análise do Discurso, ainda que se reconheça os limites
de suas análises (ORLANDI, 2000).
Deve-se considerar que foi somente a partir da década de 60 do século XX que a Análise do
Discurso rompe em definitivo com o século XIX: “Nos anos 60, a Análise do Discurso se constitui
no espaço de questões criadas pela relação entre três domínios disciplinares que são ao mesmo tempo
uma ruptura com o século XIX: a Lingüística, o Marxismo e a Psicanálise” (Ibid., 2000, p. 19). A
língua não é transparente em si mesma, mas possui sua ordem. Isto indica que a relação da linguagem
com o pensamento e o mundo não se realiza de forma completa e direta, não é unívoca. Cada uma
delas possui sua especificidade. A Análise do Discurso toma como base o materialismo histórico,
afirmando um real histórico, ainda que a história não seja transparente. Será na conjugação entre
língua e história que se realiza a produção de sentido: “Daí, conjugando a língua com a história na
produção de sentidos, esses estudos do discurso trabalham o que vai-se chamar a forma material (não
abstrata como a da linguística) que é a forma encarnada na história para produzir sentidos: esta forma
é, portanto, lingüístico-histórica” (Ibid.). A contribuição da psicanálise se dá na indicação do sujeito
da história. Não será mais o homem, e este deslocamento se realiza de forma simbólica:

Nos estudos discursivos, não se separam forma e conteúdo e procura-se compreender


a língua não só como uma estrutura mas sobretudo como acontecimento. Reunindo estrutura
e acontecimento a forma material é vista como o acontecimento significante (língua) em um
sujeito afetado pelo história. Aí entra então a contribuição da psicanálise, com o
deslocamento da noção de homem para a de sujeito. Este por sua vez se constitui na relação
com o simbólico, na história (ORLANDI, 2000, p. 19).

Na análise de discurso a língua tem sua ordem e só é relativamente autônoma, a história é


afetada pelo simbólico, já o sujeito é afetado pela língua e pela história, às quais ele não possui
controle. “Isso redunda em dizer que o sujeito discursivo funciona pelo inconsciente e pela ideologia”
(ORLANDI, 2000, p. 20). Palavras do cotidiano já chegam ao sujeito carregadas de sentidos, que não
sabe como se constituíram nele e para ele. A análise do discurso trabalha com a Psicanálise, a
Linguística e o Marxismo, mas não de modo servil. Interessa a ela o discurso que não é o objeto da
Linguística, não se deixa levar pela Teoria Marxista e nem é a teoria da Psicanálise, mas passa a
questionar cada uma delas em busca de respostas não elaboradas por estas ciências:

Interroga a Lingüística pela historicidade que ela deixa de lado, questiona o


Materialismo perguntando sobre o simbólico e se demarca pela Psicanálise pelo modo como,
considerando a historicidade, trabalha a ideologia como materialmente relacionada ao
inconsciente sem ser absorvido por ele. (Ibid.)

Tudo o que havia de base para a elaboração das Ciências Humanas e Sociais no século XIX
nos conceitos de sujeito e linguagem são superados pela Linguística e pela Psicanálise. Da mesma
forma a noção de língua, como conceito abstrato, não será mais o mesma após a contribuição do
Materialismo. “A Análise de Discurso, trabalhando na confluência desses campos do conhecimento,
irrompe em suas fronteiras e produz um novo recorte de disciplinas constituindo um novo objeto que
vai afetar essas formas de conhecimento em seu conjunto: este novo objeto é o discurso” (ORLANDI,
2000, p. 20).
Para a Análise de Discurso o que importa é o conceito de discurso. Não para trabalhar os
esquemas de comunicação, no qual a mensagem é transmitida por um emissor, denominada referente,
e é recepcionada por um receptor, denominada código, delegando maior importância ao processo de
transmissão de uma mensagem. Para o sujeito que realiza o discurso não se trata de transmissão da
informação de forma linear, no qual se exige uma decodificação e não há separação em emissor e
receptor. Não há na língua um só código, e não existe uma sequência na relação emissor, receptor,
código, mensagem e referente. O importante será que

eles estão realizando ao mesmo tempo o processo de significação e não estão


separados de forma estanque. Além disso, ao invés de mensagem, o que propomos é
justamente pensar aí o discurso. Desse modo, diremos que não se trata de transmissão de
informação apenas, pois, no funcionamento da linguagem, que põem em relação sujeitos e
sentidos afetados pela língua e pela história, temos um complexo processo de constituição
desses sujeitos e produção de sentidos e não meramente transmissão de informação. São
processos de identificação do sujeito, de argumentação, de subjetivação, de construção da
realidade, etc. Por outro lado, tampouco assentamos esse esquema na idéia de comunicação.
A linguagem serve para comunicar e não comunicar. As relações de linguagens são de sujeitos
e de sentidos e seus efeitos são múltiplos e variados. Daí a definição de discurso: o discurso
é o efeito de sentidos entre locutores (ORLANDI, 2000, p. 21).

Para além da dicotomia entre a língua e a fala, proposta por F. Saussure, o discurso não se
opõe à língua como um sistema estático, mas “o discurso tem sua regularidade, tem seu
funcionamento que é possível apreender se não opomos o social e o histórico, o sistema e a realização,
o subjetivo ao objetivo, o processo ao produto” (Ibid., 2000, p. 22). Na Análise do Discurso o discurso
não é visto como liberdade independente de condicionantes da língua ou determinação histórica, nem
língua sem falhas, fechada e sem equívocos. Na sistematização da língua se realiza o discurso: “As
sistematicidades lingüísticas – que nessa perspectiva não afastam o semântico como se fosse externo
– são as condições materiais de base sobre as quais se desenvolvem os processos discursivos. A língua
é assim a condição de possibilidade do discurso” (ORLANDI, 2000, p. 22). A sistematização da língua
não se constitui de algo homogêneo, um todo organizado, no entanto há superposições, mas não
separação, sendo assim a relação entre língua e discurso mantêm-se numa abertura que comporta
falhas e acertos na sistematicidade linguística, estabelecendo uma relação significativa com o mundo
podendo ser equívoco ou não. O processo discursivo não anula os outros, mas torna-se complementar,
dando à língua as condições para sua existência viva.

Referências

BRASIL, Luciana Leão. Michel Pêcheux e a teoria da análise de discurso: desdobramentos


importantes para a compreensão de uma tipologia discursiva. Linguagem – Estudos e Pesquisas,
Vol. 15, n. 01, p. 171-182, jan/jun 2011.