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PRINCÍPIOS GERAIS

1. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Considere a seguinte situação hipotética: lei federal
fixou alíquotas aplicáveis ao ITR e estabeleceu que a alíquota relativa aos imóveis rurais
situados no Rio de Janeiro seria de 5% e a relativa aos demais Estados do Sudeste de 7%. Tal
enunciado normativo viola o princípio constitucional
A. da uniformidade geográfica da tributação.
B. da legalidade tributária.
C. da liberdade de tráfego.
D. da não diferenciação tributária entre a procedência e o destino do produto.

COMENTÁRIO:
A alternativa correta é a opção “A”. No caso em tela, o enunciado do quesito remete o
candidato ao princípio da Uniformidade Geográfica da Tributação Federal, estampado no art.
151, I, CRFB/88. Dito comando normativo tem por escopo vedar que a União adote perfis
distintos na estruturação dos tributos de sua competência, impondo-se que eles sejam
edificados com um mesmo padrão e que esse padrão uniforme seja aplicado em todo o
território nacional. A intenção é impedir que possa ocorrer discriminação entre os
contribuintes de uma ou outra região do País, o que poderia se dar caso o tributo tivesse
distintos perfis normativos conforme a localidade do território nacional em que ele viesse a
incidir. Não se confunde com os princípios da Legalidade Tributária (art. 150, I, CRFB/88 c/c
o art. 97, CTN), Liberdade de Tráfego (art. 150, V, CRFB/88) nem com o princípio da Não
Discriminação pela Procedência ou Destino (art. 152, CRFB/88), este último sendo
direcionado aos Estados, DF e Municípios, vedando que ditos entes federativos, no uso dos
tributos de suas titularidades, estabeleçam diferenciações no tratamento tributário em razão
de critérios de localidade, de origens ou destinos.

2. (IV Exame de Ordem Unificado – FGV) A redação da Súmula Vinculante 28 (“É


inconstitucional a exigência de depósito prévio como requisito de admissibilidade de ação
judicial na qual se pretenda discutir a exigibilidade do crédito tributário”) tem por escopo
impedir a adoção de que princípio jurídico?
A. Contraditório e ampla defesa.
B. Venire Contra Factum Proprium.
C. Solve et Repete.
D. Exceção de contrato não cumprido.

COMENTÁRIO:
O quesito em apreço nos remete ao importante entendimento firmado no STF para afastar
do ordenamento jurídico a aplicação do repudiável princípio que fora apelidado como Solve
et Repete. Dito comando impunha aos contribuintes uma restrição à liberdade de conseguir
obter no Poder Judiciário a apreciação de seus argumentos expostos para impugnar
determinada cobrança promovida pela Fazenda Pública, gerando uma obrigação de que
primeiramente se depositasse a quantia do montante cobrado para que somente após a
comprovação de que ele fora disponibilizado se iniciasse a apreciação dos fundamentos
expostos na impugnação à cobrança feita. De modo mais simples, é dizer que a cláusula do
solve et repet foi criada para proteger o Estado, exigindo dos contribuintes que pretendessem
questionar cobranças feitas pela Fazenda que primeiro garantisse o valor e somente depois
tivessem acesso à análise dos seus argumentos de impugnação. A regra nunca foi prevista na
Constituição, mas chegou a inspirar a construção de alguns dispositivos escritos na legislação
infraconstitucional, por exemplo, o art. 38 da Lei de Execuções Fiscais (Lei 6.830/80). A
regra, todavia, colide com a garantia constitucional do acesso à Justiça, estampada no art.
5.º, XXXV, da Constituição. O reconhecimento dessa inconstitucionalidade e sua aplicação
reiterada em diversos julgados levaram à edição da Súmula Vinculante 28 pelo STF, que
terminou por consagrar, em definitivo, o afastamento do princípio do solve et repet. A opção
correta é a letra “C”.
3. (X Exame de Ordem Unificado – FGV) Suponha que determinada Medida Provisória
editada pela Presidenta da República, em 29.09.2012, estabeleça, entre outras providências,
o aumento para as diversas faixas de alíquotas previstas na legislação aplicável ao imposto
de renda das pessoas físicas. Nesse caso, com base no sistema tributário nacional, tal Medida
Provisória
A. não violaria o princípio da legalidade e produzirá efeitos a partir da data de sua
publicação.
B. violaria o princípio da legalidade, por ser incompatível com o processo legislativo
previsto na Constituição Federal/1988.
C. não violaria o princípio da legalidade e produzirá efeitos a partir de 90 (noventa) dias
contados a partir da data de sua publicação.
D. não violaria o princípio da legalidade e só produzirá efeitos a partir do primeiro dia do
exercício financeiro subsequente à data de sua conversão em lei.

COMENTÁRIO:
Para que uma MP que cria ou majora impostos produza efeito já no ano seguinte ao que foi
gerada ela precisa se converter em lei nesse mesmo ano de sua edição, exatamente para
que, contando-se o prazo do Princípio da Anterioridade a partir de uma data no próprio ano
em que foi expedida, se possa aplicar a norma no ano subsequente a esse de sua publicação.
E é exatamente esse o teor da norma do art. 62, § 2.º, CRFB/88 (MP que crie ou majore
impostos somente pode ter sua nova norma de tributação aplicada no exercício seguinte, se
for convertida em lei no próprio ano de sua publicação). Nesse linear, as alternativas “A” e
“C” da questão ficam incorretas, já que a letra “A” sugere aplicação imediata da tributação
(ignorando a aplicação do Princípio da Anterioridade), ao passo que a letra “B” sugere
contagem de prazo a partir da data da publicação da Medida Provisória (o que é errado
quando se trata de MP que cria ou majora impostos) e ainda sugere aplicação do Princípio
da Anterioridade apenas por meio da cláusula temporal da “noventena”, a qual,
especificamente em relação ao Imposto de Renda, não se aplica (a norma do mínimo
nonagesimal prevista no art. 150, III, “c”, CRFB/88 não se aplica ao Imposto de Renda – art.
153, III, CRFB/88 – vide expresso afastamento previsto no art. 150, § 1.º, parte final,
CRFB/88). A única alternativa correta na questão é a letra “D”, que acertadamente afirma
que a MP que majora alíquota de IRPF não viola o Princípio da Legalidade, e só produzirá
efeitos a partir do primeiro dia do exercício financeiro subsequente à data da sua conversão
em lei.

4. (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) A respeito dos Princípios Tributários Expressos e
Implícitos, à luz da Constituição da República de 1988, assinale a opção INCORRETA.
É vedado à União instituir isenções de tributos de competência dos Estados, do Distrito
A.
Federal e dos Municípios.
B. O princípio da irretroatividade veda a cobrança de tributos em relação a fatos
geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou
aumentado.
C. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer diferença
tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou
destino.
D. Pelo princípio da anterioridade, para que os tributos possam ser cobrados a cada
exercício, é necessária a prévia autorização na lei orçamentária.

COMENTÁRIO:
As letras “A”, “B” e “C” estão corretas, havendo erro unicamente na letra “D”, que
confunde o Princípio da “Anterioridade” da lei tributária (expressamente previsto no art.
150, III, “b” e “c”, CRFB/88) com o Princípio da “Anualidade Tributária”, o qual, conforme
entendimento doutrinário majoritário, não foi adotado na Constituição de 1988 (pelo menos
expressamente). A letra “A” faz menção ao Princípio da Vedação de Benefícios Fiscais
Heterônomos, que ensina que nenhum ente federativo pode conceder benefício fiscal
relativo a tributo que não é de sua titularidade, e sim de outro ente da federação. A letra “B”
faz correta definição para o clássico Princípio da Irretroatividade, previsto expressamente
no art. 150, III, “a”, CRFB/88, o qual veda a aplicação retroativa de uma nova norma
tributária, determinando que a cada fato se apliquem as normas do tempo do fato (tempus
regit actum), e não normas criadas após a consumação dos fatos. A letra “C” está
igualmente correta, na medida em que aponta de forma acertada o Princípio da Vedação de
Discriminação pela Procedência ou Destino, direcionado aos Estados, DF e Municípios e
com expressa estampa na grafia do texto constitucional (vide seu abrigo no art. 152,
CRFB/88). Por fim, a letra “D”, única verdadeiramente incorreta e, por isso mesmo, o
gabarito da questão. Com base no Princípio da Anterioridade das leis tributárias, veda-se que
certo ente federativo aplique uma nova carga tributária no mesmo ano em que publicou a lei
que introduziu a nova tributação (em razão de criação ou majoração de tributo), vedando
ainda e também que se aplique a novel exação antes de transcorridos pelo menos 90 dias a
contar da data da publicação da lei.

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SISTEM A TRIBUTÁRIO NACIONAL
1. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Caso determinado município venha a atualizar o
valor monetário da base de cálculo do IPTU, tal hipótese
A. deve vir regulada por lei.
B. deve vir regulada por lei complementar.
C. enquadra-se como majoração de tributo.
D. poderá ser disciplinada mediante decreto.

COMENTÁRIO:
A questão em evidência aborda clássica situação que se insere no rol das exceções à regra
da reserva legal. É dizer, medidas práticas que podem ser adotadas pelo Poder Executivo
não havendo qualquer necessidade de uso de lei em sentido estrito, sendo desnecessária a
atuação do Poder Legislativo. A única alternativa correta é a letra “D”, que acertadamente
afirma que a formalização da mera atualização da base de cálculo do IPTU pode ser
disciplinada mediante decreto. Sim, realmente pode o Prefeito, por meio de simples decreto
executivo, promover a atualização dos valores venais dos imóveis na virada de um ano para
o outro que se inicia, aplicando o índice oficial de correção monetária. Registre-se que em
nada se confunde a conduta em análise com a majoração de um tributo. Até porque, caso se
trate de majoração de tributos, estar-se-ia diante de clássico caso em que, como regra, se
dependeria de lei (art. 150, I, CRFB/88 c/c o art. 97, CTN). Apenas se faz, como o próprio
nome sugere, uma mera “atualização” do valor nominal (valor numeral), o que se torna
necessário em razão do passar do tempo. Não ocorre, no caso, qualquer modificação dos
critérios definidos em lei para fixar a base de cálculo. Não se modificam os parâmetros
adotados para se chegar ao valor venal de um imóvel.

2. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) O emprego da analogia, em matéria tributária,


resultará na
A. majoração de tributo.
B. instituição de tributo.
C. exclusão do crédito tributário.
D. impossibilidade de exigência de tributo não previsto em lei.

COMENTÁRIO:
Apesar da redação não muito feliz na elaboração do enunciado da questão, o gabarito
correto é a letra “D”, apoiada no art. 108 do CTN, especialmente no seu § 1.º, que
expressamente consagra a vedação de utilização da analogia se o resultado de sua aplicação
for a geração de uma situação de tributação não prevista em lei.
3. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) De acordo com o Código Tributário Nacional,
aplica-se retroativamente a lei tributária na hipótese de:
A. analogia, quando esta favorecer o contribuinte.
B. extinção do tributo, ainda não definitivamente constituído.
C. graduação quanto à natureza de tributo aplicável, desde que não seja hipótese de crime.
D. ato não definitivamente julgado, quando a lei nova lhe comine penalidade menos
severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática.

COMENTÁRIO:
O quesito em epígrafe remete ao estudo do clássico Princípio da Irretroatividade, e, mais
especificamente, à análise das suas exceções, quando então a lei tributária se aplica
retroativamente, afastando-se o comando de vedação de retroação, o que somente se dá em
três situações, todas elas previstas no CTN, no art. 106, I, no art. 106, II, e no art. 144, § 1.º.
No caso da presente questão, tem-se na letra “D” a resposta correta, na qual se faz citação
ao disposto no art. 106, II, do CTN, dispositivo que consagra a regra da aplicação retroativa
das leis benéficas ao contribuinte infrator em matéria de infrações ou penalidades, desde que
não tenha ocorrido o cumprimento da sanção (ex.: pagamento de multa aplicada) ou a coisa
julgada em processo no qual se tenha discutido o feito. Nessas situações, a lei tributária se
aplica retroativamente e favorece o contribuinte, sendo de imediato aplicada em seu
benefício a nova norma que melhora a sua situação jurídica (seja porque deixa de
considerar a conduta praticada como infração, seja porque atenua a intensidade da sanção,
seja porque estipula outra forma de sanção mais benéfica etc.).

4. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Em Direito Tributário, cumpre à lei ordinária:
A. estabelecer a cominação ou dispensa de penalidades para as ações ou omissões
contrárias a seus dispositivos.
B. estabelecer a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão
concedidos em matéria de ISS.
C. estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre adequado
tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas.
D. estabelecer normas gerais em matéria tributária, especialmente sobre a definição de
tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e empresas de pequeno
porte.

COMENTÁRIO:
Apesar da visível infelicidade na redação do enunciado (sustentando que “cumpre à lei
ordinária”, quando na verdade apenas deveria afirmar que “não é necessário lei
complementar” ou que “pode ser feito por lei ordinária”), o gabarito correto é a letra “A”,
já que as matérias listadas nas outras três alternativas são expressamente reservadas à lei
complementar pelo constituinte, sendo portanto plenamente vedado o uso de leis ordinárias
para normatizá-las (arts. 146, III, e 156, § 3.º, III, ambos da CRFB/88).

5. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Visando fomentar a indústria brasileira, uma nova
lei, publicada em 18.02.2010, majorou a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI), bem como majorou a alíquota do Imposto sobre Exportação (IE). A partir de que data
a nova alíquota poderá ser exigida para o IPI e para o IE?
A. Imediatamente para ambos.
B. No exercício financeiro seguinte para ambos.
C. 90 dias após a publicação da lei para o IPI e imediatamente para o IE.
D. 90 dias após o exercício financeiro seguinte para o IPI e no exercício financeiro
seguinte para o IE.

COMENTÁRIO:
A questão versa sobre o Princípio da Anterioridade e, mais especificamente, sobre as suas
exceções. Buscando a exímia precisão na definição do tema, o quesito aborda a
relativização da aplicação do Princípio da Anterioridade no âmbito dos impostos federais
extrafiscais. No caso em tela, a única alternativa correta é a letra “C”, que de forma
acertada afirma que no caso de majoração de alíquotas de IPI há de se respeitar o prazo
mínimo de 90 dias (por força da norma do art. 150, III, “c”, CRFB/888), sem a necessidade
de se observar a cláusula temporal do exercício financeiro seguinte prevista no art. 150, III,
“b”, CRFB/88 (por força da expressa previsão do art. 150, § 1.º, que afasta a aplicação do
referido comando em relação ao IPI), bem como no tocante ao Imposto de Exportação
(IE), a incidência da nova carga tributária é imediata, não sendo necessário aguardar os 90
dias mínimos nem a virada do exercício financeiro seguinte, ficando as duas cláusulas
temporais do Princípio da Anterioridade (previstas nas alíneas “b” e “c” do art. 150, III,
CRFB/88) expressamente afastadas em relação ao IE no art. 150, § 1.º.

6. (V Exame de Ordem Unificado – FGV) Determinada Lei Municipal, publicada em


17.01.2011, fixou o aumento das multas e alíquotas relativo aos fatos jurídicos tributáveis e
ilícitos pertinentes ao ISS daquele ente federativo. Considerando que determinado
contribuinte tenha sido autuado pela autoridade administrativa local em 23.12.2010, em
razão de falta de pagamento do ISS dos meses de abril de 2010 a novembro de 2010,
assinale a alternativa correta a respeito de como se procederia a aplicação da legislação
tributária para a situação em tela.
A. seriam aplicadas as alíquotas e multas nos valores previstos de acordo com a nova lei.
B. seriam mantidas as alíquotas e multas nos valores previstos na data do fato gerador.
C. seriam aplicáveis as alíquotas previstas na lei nova e as multas seriam aplicadas nos
valores previstos na data do fato gerador.
D. seriam mantidas as alíquotas nos valores previstos na data do fato gerador e as multas
seriam aplicadas nos valores previstos de acordo com a lei nova.

COMENTÁRIO:
A questão aborda o tema referente ao Princípio da Irretroatividade das Leis Tributárias,
previsto no art. 150, III, “a”, CRFB/88, que veda a aplicação retroativa de novas normas que
sejam implementadas. Uma nova norma legal, via de regra, não pode retroagir para
alcançar fatos já ocorridos antes da vigência da lei que a institui, salvo nas hipóteses dos arts.
106, I, 106, II, e 144, § 1.º, do CTN, o que não se deu no caso. No caso em tela tem-se uma
lei que majorou alíquotas e aumentou a intensidade de multas, sendo absolutamente vedada
a aplicação retroativa dessa lei. Nesse contexto, o que rege o fato gerador é a lei vigente ao
tempo do fato gerador (art. 144, caput, CTN) e o lançamento deve ser controlado com base
na aplicação dessa lei, a qual verdadeiramente estava em vigência ao tempo do fato. Uma
lei posterior ao fato gerador só poderia retroagir para regê-lo se fosse uma lei
“interpretativa” (não é o caso na questão em tela), se fosse benéfica em infrações ou
penalidades (não é o caso) ou se estivesse apenas alterando os aspectos formais da cobrança
sem modificar o conteúdo (não é o caso – a lei narrada alterou a alíquota, além de agravar a
penalidade). Portanto, a multa e a alíquota serão as previstas na lei aplicável ao tempo do
fato, não podendo a lei de 2011 retroagir. A única resposta correta é a letra “B”, que afirma
que seriam mantidas as alíquotas e multas nos valores previstos na data do fato gerador.

7. (V Exame de Ordem Nacional – FGV) No exercício de 1995, um contribuinte deixou de


recolher determinado tributo. Na ocasião, a lei impunha a multa moratória de 30% do valor
do débito. Em 1997 houve alteração legislativa que reduziu a multa moratória para 20%. O
contribuinte recebeu, em 1998, notificação para pagamento do débito, acrescido da multa
moratória de 30%.
A exigência está:
A. errada, pois aplica-se retroativamente a lei que defina penalidade menos severa ao
contribuinte.
B. correta, pois o princípio da irretroatividade veda a aplicação retroagente da lei
tributária.
C. errada, pois a aplicação retroativa da lei é regra geral no Direito Tributário.
D. correta, pois aplica-se a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador.
COMENTÁRIO:
Mais uma vez se tem uma questão que aborda o tema referente ao Princípio da
Irretroatividade das Leis Tributárias, previsto no art. 150, III, “a”, CRFB/88, sendo que no
caso em tela o quesito aponta uma clássica situação em que se tem uma exceção à norma
de proibição de aplicação retroativa da nova lei. Cuida-se de hipótese de aplicação retroativa
da lei por se tratar de lei mais benéfica em matéria de penalidades. No caso, a lei que
reduziu a multa de 30% para 20% há de retroagir, nos termos do art. 106, II, CTN. Não
retroagiria (mesmo que benéfica) se já tivesse ocorrido o pagamento da multa ou decisão
judicial transitada em julgado em processo no qual se discutisse sua cobrança; como não há
qualquer informação no enunciado da questão a esse respeito, de se preservar a regra da
aplicação retroativa da lei benigna ao contribuinte infrator. Portanto, a letra correta é a letra
“A” que informa acertadamente que agiu errado o Fisco ao aplicar a multa de 30% já que
deveria ser aplicada a multa de 20%.

8. (VII Exame de Ordem Unificado – FGV) A Lei X, promulgada em 20 de outubro de 2008,


determinou a majoração do ISS. Já a Lei Y, promulgada em 16 de novembro de 2009,
reduziu o ICMS de serviços de telecomunicação. Por fim, o Decreto Z, de 8 de dezembro de
2007, elevou o IOF para compras no exterior. Diante dessas hipóteses, é correto afirmar que:
A. o ISS poderá ser cobrado somente quando decorridos 90 dias da publicação da Lei X,
ao passo que os novos valores do ICMS e do IOF poderão ser cobrados a partir da
publicação dos diplomas legais que os implementaram.
B. todos os impostos mencionados no enunciado somente poderão ser cobrados no
exercício financeiro seguinte à publicação do diploma legal que os alterou por força do
princípio da anterioridade.
C. na hipótese do enunciado, tanto o ISS como o ICMS estão sujeitos ao princípio da
anterioridade nonagesimal, considerada garantia individual do contribuinte cuja
violação causa o vício da inconstitucionalidade.
D. o IOF, imposto de cunho nitidamente extrafiscal, em relação ao princípio da
anterioridade, está sujeito apenas à anterioridade nonagesimal, o que significa que
bastam 90 dias da publicação do decreto que alterou sua alíquota para que possa ser
cobrado.

COMENTÁRIO:
A questão em apreço versa sobre o Princípio da Anterioridade e suas exceções. A única
resposta correta é a que se encontra na letra “A”, já que reconhece que não se aplica o
referido princípio nos casos de redução de carga tributária (e por isso a lei que reduziu a
alíquota do ICMS pode incidir de imediato, não dependendo de aguardar o mínimo de
noventa dias nem a virada do exercício financeiro), reconheceu que, quando o Poder
Executivo majora o IOF (assim como igualmente seria nos casos do Imposto de Importação
e Exportação), a incidência é imediata (não se aplicando a regra temporal limitadora do art.
150, III, “b”, nem a do art. 150, III, “c”) e que, por fim, quanto ao ISS, haveriam de se
aplicar normalmente as duas cláusulas temporais ínsitas no Princípio da Anterioridade, a
cláusula do exercício financeiro seguinte (do art. 150, III, “b”) e a cláusula do mínimo
nonagesimal (do art. 150, III, “c”), já que não há qualquer exceção à previsão contida no
art. 150, § 1.º, para majorações de ISS, e, nesse caso, a nova alíquota somente pode ser
aplicada no ano subsequente e desde que ultrapassados os noventa dias mínimos. Nesse viés,
realmente correta a letra “A”, estando erradas todas as demais. A majoração do IOF incide
de imediato; a do ISS tem que aguardar o período da “noventena”; quanto ao ICMS, como o
caso foi de redução de tributo, não se cogita de aplicação do Princípio da Anterioridade,
inexistindo qualquer óbice à aplicação imediata da lei.

9. (IX Exame Unificado Ipatinga-MG) Determinado Município, mediante edição do Decreto


n. “X”, publicado em 12.11.2011, estabeleceu isenção do IPTU outorgada pessoalmente aos
contribuintes com comprovada deficiência física, cujos requisitos para gozo do benefício
fiscal estariam previstos no respectivo Decreto Municipal. Com base no caso apresentado,
assinale a afirmativa correta.
A. O decreto conforma-se com a ordem jurídica tributária em vigor.
B. O decreto é inconstitucional, visto ferir o princípio da isonomia.
C. O decreto é inconstitucional, eis que somente a lei poderia criar esta isenção.
D. O decreto é ilegal, pois a isenção não foi atribuída por lei complementar.

COMENTÁRIO:
A questão em tela tem na letra “C” a única alternativa correta, indicando o fundamento
certo para evidenciar o vício da conduta promovida pela Administração Tributária do
Município: não pode o Poder Executivo, seja por meio de decreto do seu Chefe ou por via de
qualquer outra fonte, conceder isenções de tributos. Salvo quanto ao caso específico do
ICMS (que atrai regramento próprio), a concessão de uma isenção (assim como dos demais
benefícios fiscais em geral que implicam renúncia de receita) é matéria que depende de lei,
devendo-se frisar, inclusive, que por expressa exigência constitucional essa lei deve ter um
qualitativo, a saber: deve ser uma lei específica, conforme se depreende da leitura do art.
150, § 6.º, CRFB/88. Essa é a regra para a concessão de isenções de tributos, excepcionada
unicamente quando se trata do ICMS, tributo que somente pode ser isento pela via dos
convênios do CONFAZ (Conselho Nacional de Política Fazendária) ou por Tratados
Internacionais. Por assim ser, inadmissível a concessão de isenções por atos unilaterais do
Chefe do Poder Executivo, violando-se a Constituição quando se age de tal forma. Portanto,
registre-se: isenções se concedem por leis e ditas leis devem ser leis específicas, salvo
quando referir-se ao ICMS em que os benefícios fiscais em comento emanam de convênios
do CONFAZ ou Tratados Internacionais.

10. (IX Exame Unificado Ipatinga-MG) Com relação à anistia, segundo o Código Tributário
Nacional, assinale a afirmativa correta.
A. Abrange as infrações cometidas anteriormente e posteriormente à vigência da lei que a
institui, desde que o contribuinte comprove os requisitos para sua obtenção.
B. Pode ser concedida sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a
conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa.
C. Só pode ser concedida limitadamente à determinada região do território da entidade
tributante, em função de condições a ela peculiares.
D. Abrange os atos praticados com dolo, fraude ou simulação pelo contribuinte, desde que
este venha a confessá-los.

COMENTÁRIO:
A questão em tela versa sobre o instituto da anistia, causa de exclusão do crédito tributário,
prevista no art. 175, II, do CTN e disciplinada nos arts. 180 a 182 do mesmo diploma
normativo. A única alternativa correta é a da letra “B” que está em plena harmonia com o
art. 181, II, “d” do CTN. A letra “A” está errada, pois se refere a infrações posteriores à
vigência da lei, ficando incompatível com o art. 180, caput. A letra “C” está errada por
colidir com a norma do art. 181, II, “c” que faculta, mas não obriga o ente a conceder a
anistia limitadamente à determinada região do território da entidade tributante. Por fim, o
erro grosseiro da letra “D” ao afirmar que a anistia atingiria infrações praticadas com dolo,
fraude ou simulação, o que é verdadeiramente incompatível, vide norma do art. 180, I, do
CTN.

11. (IX Exame Unificado Ipatinga-MG) Determinada lei prevê que certo grupo de
eletrodomésticos não ficará sujeito à tributação do IPI, durante o exercício financeiro
seguinte. O benefício fiscal em questão configura
A. imunidade.
B. remissão.
C. isenção.
D. anistia.

COMENTÁRIO:
A questão presente abrange a figura jurídica da isenção, razão pela qual o gabarito correto é
o da letra “C”. Não se trata de imunidade, como sugeriria a letra “A”, pois o enunciado
deixa claro que o benefício é gerado pela lei, e não por força de norma constitucional; como
se sabe, imunidade tributária é o benefício que emana de normas constitucionais proibitivas
da incidência dos tributos. A letra “B” que fala da remissão também está errada, pois o
enunciado deixa claro que o benefício é concernente a relações futuras (característica
própria da isenção), ao passo que a remissão consiste em perdão de débito antecedente,
dívida anterior inadimplida, sendo causa de extinção de créditos pretéritos em razão do
perdão legal (art. 156, IV, c/c o art. 172, CTN). Por fim, a letra “D” está incorreta, pois na
anistia, prevista no art. 175, II, c/c os arts. 180 a 182 do CTN, o benefício atinge apenas
penalidades, e não as dívidas de tributos.

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de
estudo: 11 min.
3
COM PETÊNCIA TRIBUTÁRIA

1. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Conforme a Constituição Federal, o veículo


legislativo adequado para dispor sobre conflitos de competência entre os entes políticos em
matéria tributária é a
A. medida provisória.
B. lei complementar.
C. emenda constitucional.
D. lei ordinária.

COMENTÁRIO:
A questão versa sobre o assunto da reserva de lei complementar em matéria tributária e nos
termos do art. 146, I, CRFB/88 pode-se afirmar que a resposta correta é a letra “B”, que
ensina que cabe à lei complementar estabelecer as normas que solucionam conflitos de
competência tributária. Como se sabe, a regra é a desnecessidade de lei complementar para
que se criem as normas jurídicas legalmente veiculadas, bastando simples lei ordinária para
tal missão. Todavia, em certas matérias, em determinados assuntos dotados de maior
nevralgia político-jurídica, o constituinte exige a lei complementar. Ou seja, para disciplinar
determinados temas o legislador maior impõe que obrigatoriamente a normatização emane
de uma lei complementar, a qual para surgir depende de que o Poder Legislativo aprove o
projeto de lei com o quórum de maioria absoluta na fase deliberativa. É exatamente o que
ocorre no que tange à criação das normas direcionadas a solucionar conflitos de
competência em matéria tributária, sendo de lei complementar tal incumbência.

2. (VI Exame de Ordem Unificado – FGV) A competência tributária não se confunde com a
capacidade tributária ativa. Aquela se traduz na aptidão para instituir tributos, enquanto esta é
o exercício da competência, ou seja, a aptidão para cobrar tributos. Nesse sentido, é correto
afirmar que
A. compete à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos,
taxas, contribuições de melhoria, assim como as contribuições para o custeio do serviço
de iluminação pública.
B. em virtude do princípio federativo, que, entre outras consequências, delimita entre os
entes políticos o poder de tributar, ao Distrito Federal compete apenas instituir espécies
tributárias próprias dos Estados-membros da federação.
C. a União pode instituir, via lei ordinária, impostos além dos previstos na Constituição,
mediante dois requisitos: que eles sejam não cumulativos e que não tenham fato
gerador próprio dos impostos já previstos constitucionalmente.
D. em Território Federal, os impostos estaduais são de competência da União. Caso o
Território não seja dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais
também são de competência da União.

COMENTÁRIO:
A letra “A” está errada, pois inclui na competência partilhada por todos os entes da
federação a titularidade sobre a Contribuição de Iluminação Pública, a qual somente pode
ser instituída pelos Municípios e pelo Distrito Federal, jamais pelos Estados-membros ou pela
União, vide a inteligência do art. 149-A da CRFB/88. O erro da letra “B” consiste em
sustentar que o Distrito Federal institui “apenas” os tributos de competência dos Estados,
negando a sua titularidade sobre os impostos de competência municipal, fruto da regra
especial do art. 147 da CRFB/88, fixando a chamada competência cumulativa tributária do
Distrito Federal (cumula tributos municipais e estaduais). A letra “C” resta viciada por
afirmar que a União poderia instituir os impostos residuais “via lei ordinária”, o que se
revela incompatível, sendo exigida lei complementar para o exercício da chamada
competência residual tributária, abordada na alternativa (art. 154, I, CRFB/88). Resta apenas
a letra “D”, única correta, reconhecendo a competência cumulativa tributária da União nos
Territórios Federais e explicando corretamente seus limites, nos termos do art. 147 da
Constituição. Caso voltem a ser instituídos Territórios Federais no Brasil, a União cumulará os
impostos estaduais com os seus (os federais) dentro do Território, e, caso ele não seja
subdividido em Municípios, a União cumulará também os impostos municipais, o que
evidentemente não ocorrerá caso existam Municípios no Território, situação em que cada
Município cobraria seus próprios impostos e a União apenas cumularia os impostos federais
e estaduais.

3. (XI Exame de Ordem Unificado – FGV) Assinale a alternativa que indica os impostos cujas
alíquotas podem ser majoradas por ato do Poder Executivo, observados os parâmetros
legais.
A. Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e Imposto sobre a
Propriedade Territorial Rural (ITR).
B. Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre a Exportação (IE) e Imposto sobre
Grandes Fortunas (IGF).
C. Imposto de Renda (IR) Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) e Imposto
sobre Grandes Fortunas (IGF).
D. Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto sobre Operações Financeiras
(IOF).

COMENTÁRIO:
A única alternativa correta é a letra “D” que indica dois dos quatro impostos federais que
podem ter suas alíquotas modificadas por atos normativos do Poder Executivo, não
dependendo de lei. Dita possibilidade é cabível em relação ao IPI e IOF, mencionados na
alternativa narrada, como também no que tange aos impostos aduaneiros, o II – Imposto de
Importação e o IE – Imposto de Exportação. Esses quatro impostos formam o rol dos
chamados impostos federais extrafiscais, que possuem função interventiva, regulatória,
sobre segmentos estratégicos da atividade econômica e financeira e que o poder público
precisa controlar e ter o poder de intervir. Para ter rapidez na prática das majorações e
reduções de alíquotas desses quatro impostos (e dessa forma conseguir ter eficiência na
medida interventiva), o Executivo pode modificar a intensidade da tributação sem precisar
passar pela morosidade da atividade legislativa. Foi na busca dessa celeridade que o
constituinte, no art. 153, § 1.º, facultou ao Poder Executivo a modificação das alíquotas dos
tributos ora apreciados. As demais alternativas da questão tornaram-se viciadas na medida
em que mencionaram o IR, ITR e IGF.

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LIM ITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR
(II Exame de Ordem Unificado – FGV) A Cia. de Limpeza do Município de Trás os Montes,
1. empresa pública municipal, vendeu um imóvel de sua titularidade situado na rua Dois, da
quadra 23, localizado no n.º 06. Neste caso, o novo proprietário
A. não paga o imposto de transmissão de bens imóveis, em função de ser bem público.
B. fica isento do imposto predial e territorial urbano, ante a imunidade do patrimônio
público.
C. paga o IPTU, mas não paga o ITBI, uma vez que, nesta última hipótese, quem
transmite a propriedade do bem é empresa pública.
D. fica obrigado a pagar todos os tributos que recaiam sobre o bem.

COMENTÁRIO:
A letra “D” é a correta. O adquirente do imóvel, via de regra, submete-se à incidência do
ITBI (em razão da transmissão onerosa inter vivos do bem imóvel) e posteriormente à do
IPTU (em razão do continuado comportamento de se manter no exercício da propriedade
do bem). Tal regra seria afastada se esse adquirente fosse uma pessoa para a qual a
Constituição apresentasse norma protetiva, determinando a não incidência do tributo,
gerando uma imunidade tributária, como ocorre com as pessoas de direito público previstas
no art. 150, VI, “a” e § 2.º, ou no que tange às pessoas de direito privado previstas no art.
150, VI, “b” e “c” e § 4.º, todos do Texto Magno. Não há, todavia, qualquer indicativo na
questão de que o adquirente seria uma das pessoas listadas nos dispositivos constitucionais
citados (ex.: um ente federativo, uma autarquia ou fundação pública, uma igreja, partido
político, entidade sindical de trabalhadores etc.), o que não legitima presumir a quebra da
regra de que os impostos incidem normalmente contra qualquer adquirente, que fica
obrigado, evidentemente, ao pagamento das quantias devidas. Frise-se que o dever de
pagamento poderia ser dispensado caso houvesse concessão de isenção dada por lei
específica, não havendo, todavia, qualquer informação na questão a esse respeito, não sendo
coerente, portanto, presumir a quebra da regra de ampla e habitual aplicação, que
determina que quem adquira imóvel e o mantenha em sua titularidade se submeta à
incidência do ITBI e IPTU e tenha contra si o dever de pagamento dos débitos. Registre-se
por fim que o mero fato de o alienante ser uma empresa pública municipal não tem
qualquer relevância para fins de se reconhecer a tributação do adquirente.

2. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) A imunidade recíproca impede que


A. a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações financeiras dos Estados
e dos Municípios.
B. o Município cobre a taxa de licenciamento de obra da União.
C. o Estado cobre contribuição de melhoria em relação a bem do Município valorizado em
decorrência de obra pública.
D. o Estado cobre tarifa de água consumida em imóvel da União.

COMENTÁRIO:
A alternativa correta é a da letra “A”, única dentre as quatro que associa a imunidade
recíproca aos impostos. O equívoco das demais alternativas reside em vincular a norma de
imunização em análise a outros tributos, o que é incorreto, já que, como sabido, a imunidade
tributária recíproca dos entes federativos uns em relação aos outros é exclusivamente
destinada aos impostos. A norma do art. 150, VI, “a” e §§ 2.º e 3.º, da Constituição não proíbe
que um ente da federação cobre taxas ou contribuições de outro ente, sendo proibida
unicamente a tributação com impostos.

3. (IX Exame de Ordem Unificado – FGV) O procurador do município Gama decide contestar
judicialmente a cobrança do ICMS discriminada na fatura da conta de luz do imóvel onde
funciona a sede da prefeitura, alegando a condição de ente político para livrar-se da exação.
A demanda da municipalidade deverá ser:
A. acolhida, em razão da imunidade recíproca, que impede que os entes da federação
instituam impostos sobre bens e serviços uns dos outros.
B. rejeitada, pois na situação apresentada o município se apresenta na condição de
contribuinte de direito do ICMS.
C. acolhida, pois a empresa concessionária prestadora do serviço de fornecimento de
energia não tem competência para cobrar ICMS.
D. rejeitada, pois o município não goza de imunidade com relação a imposto que incide
apenas indiretamente sobre seus bens e serviços.

COMENTÁRIO:
Está correta apenas a letra “D” que acertadamente reconhece que a imunidade recíproca
dos entes federativos não os favorece quando estão na mera qualidade de consumidores de
serviços ou mercadorias. Noutras palavras, é dizer que os impostos incidem normalmente
contra particulares fornecedores de mercadorias e serviços quando esses alienam seus bens
e praticam os fatos típicos para a incidência tributária. Nesse sentido, se um particular presta
serviço ou celebra operação de fornecimento de mercadoria, suporta naturalmente a
incidência do ISS e do ICMS respectivamente, independentemente de quem seja o
adquirente, mesmo que seja uma daquelas pessoas previstas no art. 150, VI, “a”, “b” e “c”,
da Constituição. Observe-se que o imposto incide sobre o alienante (que não goza de
imunidade tributária), e não contra o adquirente. Não há qualquer relação de tributação do
Estado (quando cobra o ICMS) ou Município (ao tributar com o ISS) e o adquirente do bem;
a relação se dá unicamente com o alienante, que naturalmente, ao receber a carga
tributária, costuma repassá-la por dentro do preço pactuado para comercializar seu bem,
fazendo que essa carga fiscal venha a repercutir indiretamente no bolso do adquirente, que é
quem termina, de fato, suportando o ônus, ocorrendo o fenômeno da chamada tributação
indireta. Nessas hipóteses, comuns no dia a dia, não há qualquer direito em favor do
adquirente; ele não pode exigir a não incidência do tributo sobre o alienante. A título de
exemplo, se uma Igreja comprar cadeiras de um fornecedor, não poderá exigir que o
Estado não cobre o ICMS do alienante. O imposto incide normalmente e, registre-se, o
vendedor pode, no ato de venda, calcular o preço que cobra embutindo o valor do tributo e
repassando o encargo fiscal indiretamente ao adquirente. O mesmo ocorre quando o Estado
tributa com o ICMS a concessionária de energia elétrica (legitimamente, afinal,
concessionárias não gozam de imunidade tributária) e ela repassa o valor do imposto ao
consumidor adquirente da energia; independentemente de quem seja esse adquirente (uma
autarquia municipal, um partido político, uma entidade de educação sem fins lucrativos
etc.), é devida a tributação e o consumidor final não faz jus a qualquer imunidade tributária
nessas situações.

4. (X Exame de Ordem Unificado – FGV) Uma autarquia federal, proprietária de veículos


automotores adquiridos recentemente, foi surpreendida com a cobrança de IPVA pelo
Estado responsável pelos respectivos licenciamentos, não obstante vincular a utilização
desses veículos às suas finalidades essenciais. Com base na hipótese sugerida, assinale a
afirmativa correta.
A. A cobrança é constitucional, por se tratar de fato gerador do IPVA.
B. A cobrança é constitucional, por se aplicar o princípio da capacidade contributiva.
C. A cobrança é inconstitucional, por se tratar de isenção fiscal.
D. A cobrança é inconstitucional, por se tratar de hipótese de imunidade tributária.

COMENTÁRIO:
No caso em análise a alternativa correta é a letra “D”, que reconhece a aplicação da norma
constitucional prevista no art. 150, VI, “a” e § 2.º, da CRFB/88, a qual acolherá a autarquia
federal vedando que ela se sujeite à incidência de impostos. Cuida-se do famoso tema da
imunidade recíproca que protege os entes federativos, suas autarquias e fundações públicas
contra a incidência de impostos. Um ente federativo não pode cobrar imposto de outro ente
e a vedação se estende a autarquias e fundações públicas mantidas pelo poder público (§ 2.º
do art. 150 da Constituição). O erro da letra “C” se dá no fato de se fazer menção ao instituto
jurídico da isenção, confundindo-a com a imunidade. Sempre que o benefício é gerado por
norma constitucional proibitiva da incidência de tributo, fala-se que a Constituição defere
uma imunidade tributária. A isenção é benefício de natureza diversa, não emana da
Constituição e consiste numa mera dispensa do dever de pagar certo tributo que incide sobre
o fato gerador. Isenções são concedidas por leis específicas (salvo no ICMS em que
emanam de Convênios aprovados no CONFAZ ou de Tratados Internacionais), e não por
normas constitucionais. As letras “A” e “B” estão erradas por afirmarem que a tributação
seria constitucional, e realmente não seria por força da imunidade tributária ora explicada.

5. (XI Exame de Ordem Unificado – FGV) Determinada editora de livros, revistas e outras
publicações foi autuada pela fiscalização de certo Estado, onde mantém a sede da sua
indústria gráfica, pela falta de recolhimento de ICMS incidente sobre álbum de figurinhas.
Nessa linha, à luz do entendimento do STF sobre a matéria em pauta, tal cobrança é
A. inconstitucional, por força da aplicação da isenção tributária.
B. inconstitucional, por força da aplicação da imunidade tributária.
C. constitucional, por força da inaplicabilidade da imunidade tributária.
D. inconstitucional, por estar o referido tributo adstrito à competência tributária da União
Federal.

COMENTÁRIO:
Mais uma vez abordou-se o tema das imunidades tributárias e no caso em apreço a resposta
correta é a letra “B”, pois, conforme jurisprudência pacificada no STF, os álbuns de
figurinhas se equiparam a livros para fins de aplicação da norma constitucional imunizatória
do art. 150, VI, “d”, da CRFB/88. Nesse sentido, vedada a incidência do ICMS, não podendo
os Estados (e o DF) promover atos de cobrança do referido imposto quando ditos materiais
circulam. Assim como já havia ocorrido com as listas telefônicas e as apostilas e
encadernações acadêmicas, o STF deu interpretação extensiva ao conceito de livro para
abarcar os álbuns de figurinhas, chamando-os de “livros ilustrados de complementação
cromada”. Não se trata de isenção, e sim de imunidade, razão pela qual a letra “A” fica
errada. Errada a letra “C” por afirmar que a tributação seria constitucional quando de fato
não seria, vide colisão com o citado art. 150, VI, “d”, da CRFB/88. Errada a letra “D” pois o
art. 155, II, da CF estabelece a competência dos Estados para operações relativas à
avaliação de mercadoria. Oportuno acrescer que, quanto à imunidade dos livros, o STF, em
importante decisão tomada no dia 08.03.2017, reformando antigo entendimento, definiu que
os livros eletrônicos também passam a gozar de imunidades tributárias quando
comercializados, não mais ficando o benefício restrito à circulação de obras literárias
papelificadas. O feito se deu no julgamento do RE 330.817/RJ e no RE 595.676/RJ.

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5
TRIBUTOS EM ESPÉCIE

1. (VII Exame de Ordem Unificado – FGV) No que se refere aos empréstimos compulsórios,
NÃO é correto afirmar que:
A. são restituíveis.
B. podem ser instituídos por medida provisória, desde que haja relevância e urgência.
C. a competência para sua instituição é exclusiva da União Federal.
D. podem ser instituídos em caso de guerra externa ou sua iminência e, neste caso, não
respeitam o princípio da anterioridade.

COMENTÁRIO:
A resposta certa é a que está na letra “B”. Importante frisar que o enunciado da questão
pede que se aponte a alternativa que afirma algo que não é correto, o que somente ocorre na
letra indicada, na qual se afirma algo que não é apropriado. As afirmações fincadas nas
letras “A”, “C” e “D” são tecnicamente corretas e por isso não devem ser marcadas. Em
relação às letras “A” e “C”, de fato somente a União pode instituir Empréstimos
Compulsórios (competência exclusiva afirmada no art. 148, CRFB/88), havendo o dever
inescusável de em momento posterior restituir os valores pagos pelos contribuintes. Em
relação à letra “D”, perfeita a informação de que, caso o tributo seja instituído para custear
despesas com guerra externa, o Princípio da Anterioridade não se aplicará, sendo imediata a
incidência tributária (o mesmo ocorreria nas hipóteses em que o tributo fosse criado para
atender despesas oriundas de calamidades públicas), pois, conforme a norma do art. 150, §
1.º, da CRFB/88, fica afastada a aplicação do disposto nas alíneas “b” e “c” do art. 150, III
(regras temporais do Princípio da Anterioridade). O que torna a alternativa da letra “B”
incorreta é a afirmação de que Empréstimos Compulsórios poderiam ser criados por
medidas provisórias. Tais tributos somente podem ser criados mediante lei complementar
(exigência expressa no caput do art. 148) e, como sabido, o constituinte veda expressamente
o uso de medidas provisórias em matéria reservada à lei complementar (art. 62, § 1.º, III). É
terminantemente proibido o uso de medida provisória em matéria de lei complementar, e,
se houver dito uso, se estará diante de insuperável inconstitucionalidade. Daí o equívoco da
letra “B” e, por isso mesmo, o gabarito da questão.

2. (VIII Exame de Ordem Unificado – FGV) O imposto cuja alíquota é invariável e se aplica
sobre base de cálculo variável, é classificado como
A. progressivo.
B. proporcional.
C. indireto.
D. pessoal.

COMENTÁRIO:
Parte da doutrina costuma afirmar que a tributação é proporcional quando o legislador não
utiliza alíquotas diferenciadas, tributando o fato gerador sempre com alíquotas uniformes,
fixas, iguais, incidindo com uma mesma quantificação sobre as bases de cálculo
diferenciadas. Tal classificação é menos usual na doutrina e nem por todos compartilhada.
Todavia, foi prestigiada na questão em comento e por isso o gabarito foi a letra “B”. Quando
as alíquotas aumentam em razão do crescimento da base de cálculo (alíquota crescendo por
força do aumento do valor da riqueza revelada no fato gerador), fala-se que ocorre o
fenômeno da progressividade e se diz que o tributo é progressivo (ex.: o que ocorre no IPTU,
IR, ITCMD, em que as alíquotas crescem em razão do aumento do valor do imóvel, da
renda, da herança ou do bem doado). Quando o legislador prestigia aspectos da vida pessoal
dos contribuintes para que ditos aspectos interfiram na quantificação da carga tributária a
recolher, fala-se que se está aplicando a pessoalidade e afirma-se que o tributo assume um
caráter pessoal (como ocorre, por exemplo, no Imposto de Renda Pessoa Física, em que o
legislador valora situações da vida pessoal de cada contribuinte e dita valoração interfere no
valor final a pagar – despesas com saúde, educação, filhos e idosos dependentes etc.).
Quando o imposto incide sobre fornecedores de bens de consumo (IPI, ICMS e ISS) em
razão dos atos de alienação dos bens aos consumidores que tipificam as hipóteses legais de
incidência, reconhece-se que os fornecedores (contribuintes legais) podem repassar a carga
tributária que lhes é imposta contra os consumidores (contribuintes de fato), sendo os
adquirentes dos bens indiretamente atingidos pela carga tributária; ainda que o Fisco tenha
cobrado os tributos dos fornecedores, o encargo fiscal é repassado ao consumidor final e
nessas situações a doutrina costuma apelidar os referidos impostos de impostos indiretos,
exatamente por esse aspecto de a lei determinar sua incidência contra uma pessoa (o
fornecedor), mas ele terminar atingindo indiretamente outra pessoa (o consumidor), a qual,
sem receber qualquer ato direto de tributação pela Fazenda, termina por suportar, de fato, o
ônus fiscal, normalmente embutido no preço que paga para adquirir o bem. Na questão em
tela, com certeza as letras “A”, “C” e “D” seriam totalmente inadequadas, restando apenas
a letra “B” como opção, prestigiando-se, repita, classificação de pouca manifestação na
doutrina.

3. (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) Pedro adquire imóvel de João, que o alugava
anteriormente a uma sociedade empresária. Sobre esse imóvel estavam pendentes de
pagamento os seguintes tributos: o IPTU, a Contribuição de Melhoria, a Taxa de Coleta
Domiciliar de Lixo e a Taxa de Inspeção Sanitária devida pelo exercício do poder de polícia,
em função da atividade ali desenvolvida. Com relação à responsabilidade tributária, assinale
a afirmativa correta.
A. Pedro só se torna responsável tributário do IPTU, da Taxa de Coleta Domiciliar de Lixo
e da Contribuição de Melhoria, permanecendo João como sujeito passivo da Taxa de
Inspeção Sanitária.
B. Pedro só se torna responsável tributário do IPTU e da Taxa de Coleta Domiciliar de
Lixo, permanecendo João como sujeito passivo da Taxa de Inspeção Sanitária e da
Contribuição de Melhoria.
C. Pedro é o responsável tributário de todos os tributos, devido à sucessão imobiliária.
D. João continua sendo o sujeito passivo de todos os tributos, muito embora o imóvel tenha
sido adquirido por Pedro.

COMENTÁRIO:
O gabarito correto é a letra “A” que acertadamente exclui da regra da sucessão da dívida
tributária para o adquirente do imóvel o débito referente à taxa de polícia. A norma do art.
130, caput, CTN, que determina que os adquirentes de imóveis assumam os débitos fiscais
referentes aos imóveis adquiridos não inclui as taxas de polícia, somente abarcando os
impostos, taxas de serviços e contribuições. Nesse linear, se alguém adquire um imóvel
sobre o qual recai débito fiscal relativo à taxa cobrada em razão do poder de polícia, essa
dívida não sucederá contra o adquirente, permanecendo com o antigo proprietário do
imóvel. No caso em tela, a Taxa de Inspeção Sanitária, clássica taxa de polícia, não sucede
contra o adquirente Pedro, que somente será responsabilizado pelas dívidas de IPTU, Taxa
de Serviço e Contribuição de Melhoria.

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de
estudo: 46 min.
6
IM POSTOS EM ESPÉCIE

1. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Semprônio dos Santos é proprietário de um sítio de
recreio, local destinado ao lazer, na área de expansão urbana, na região serrana de Paraíso
do Alto. A área é dotada de rede de abastecimento de água, rede de iluminação pública e
esgotamento mantidos pelo município, embora não existam próximos quer escola, quer
hospitais públicos. Neste caso, Semprônio deve pagar o seguinte imposto:
A. o IPTU, por ser área de expansão urbana, dotada de melhoramentos.
B. o ITR, por ser sítio de recreio, não inserido em área urbana.
C. o IPTU, por ser sítio, explorado para fins empresariais.
D. o ITR, por não haver escola ou hospital próximos a menos de 3 km do imóvel.

COMENTÁRIO:
A resposta correta é a letra “A”, conforme norma do art. 32, caput e §§ 1.º e 2.º, do CTN. O
tema remete à análise da hipótese de incidência do IPTU e do ITR, impostos sobre o
patrimônio que recaem sobre propriedade, domínio útil ou posse de imóveis. O ITR somente
incide em duas situações, fora das quais o imposto a incidir é o IPTU, tributo municipal. O
imposto federal sobre imóveis rurais incide quando se tem imóvel na zona rural e quando se
tem, dentro da zona urbana, imóvel explorado com atividade agrária (os chamados imóveis
“rurais” de zona urbana). O fato de ser um sítio de recreio em nada indica o exercício de
atividades agrárias (pecuária, agricultura, extrativismo ou agroindústria) a caracterizar o
imóvel como imóvel rural de área urbana, atraindo dessa forma a incidência do ITR; não é
o caso. A área apresenta melhoramentos previstos em pelo menos dois dos incisos do § 1.º do
art. 32 do CTN e, por assim ser, conjugando-se o primeiro e o segundo parágrafos do art. 32
do Código, afasta-se qualquer dúvida quanto à legítima incidência do imposto munícipe, o
IPTU. O fundamento para dita incidência não tem qualquer relação com o escrito na letra
“C” da questão.

2. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Uma construtora com sede no Município do Rio de
Janeiro constrói um edifício sob regime de empreitada na cidade de Nova Iguaçu, onde não
possui estabelecimento. A competência para a imposição do Imposto Municipal Sobre
Serviços (ISS) caberá à municipalidade
A. do Rio de Janeiro, porque é o município onde a construtora tem a sua sede social.
B. de Nova Iguaçu, porque é o local onde foi construído o edifício.
C. do Rio de Janeiro, porque construção civil não é prestação de serviços.
D. do Rio de Janeiro, porque a construtora não tem estabelecimento em Nova Iguaçu e,
em razão do princípio da territorialidade, não pode ser exigido o tributo sobre
contribuintes estabelecidos fora do território de cada Ente Federado.

COMENTÁRIO:
A resposta certa é a letra “B”. Trata-se de uma das situações em que se quebra a regra
geral aplicada nas hipóteses em que o prestador de serviços tem estabelecimento ou
domicílio em um município, mas executa seu serviço em outra municipalidade. A norma
que regulamenta tais situações se encontra no art. 3.º da Lei Complementar 116/2003 (lei
complementar nacional de normas gerais do ISS), que firma a regra no seu caput e
apresenta exceções nos incisos. A regra estabelece que o ISS deve ser devido ao município
em que o prestador tem seu estabelecimento (e, se não o tiver, onde tenha domicílio), sendo
irrelevante o local em que o serviço será executado. Tal regra, todavia, é afastada em alguns
perfis de contratos de prestações de serviços, indicados expressamente nos incisos do
mesmo art. 3.º. O contrato de serviços de execução de obras de construção mediante
empreitada (previsto no subitem 7.02 da lista anexa após o último artigo da LC 116/2003) é
um desses casos excepcionais, previsto expressamente no inciso III do art. 3.º. Conforme
indicado no inciso, o ISS deve ser recolhido em favor do município em que ocorre a obra,
sendo irrelevante, nesse perfil de contrato de prestação de serviço, em qual município o
prestador tem seu estabelecimento ou domicílio. Por afirmarem erradamente que o ISS
seria devido ao Rio de Janeiro, e não a Nova Iguaçu, as demais alternativas restam erradas.

3. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Nos autos de uma ação de divórcio, os ex-
cônjuges, casados em regime de comunhão total de bens, dividiram o patrimônio total
existente da seguinte maneira: o imóvel situado no Município X, no valor de R$ 50.000,00,
pertencerá ao ex-marido, enquanto o imóvel situado no Município Y, no valor de R$
30.000,00, pertencerá à ex-esposa. Assinale a alternativa correta quanto à tributação
incidente nessa partilha.
A. O tributo a ser recolhido será o ITCMD, de competência do Estado, e incidirá sobre a
base de cálculo no valor de R$ 10.000,00.
B. O tributo a ser recolhido será o ITBI, sobre ambos os imóveis, cada qual para o
município de localização do bem.
C. O tributo a ser recolhido será o ITBI, de competência do Município, e incidirá sobre a
base de cálculo no valor de R$ 10.000,00.
D. Não há tributo a ser recolhido, pois, como o regime de casamento era o da comunhão
total de bens, não há transferência de bens, mas simples repartição do patrimônio
comum de cada ex-cônjuge.

COMENTÁRIO:
A letra correta é a letra “A”. Como o patrimônio do casal era de R$ 80.000,00, a divisão
correta conforme regra da meação asseguraria a cada um, na partilha dos bens, a quantia
de R$ 40.000,00. Ocorre que a ex-esposa aceitou ficar com apenas R$ 30.000,00 em
patrimônio, abrindo mão de um quarto do que lhe caberia (o equivalente a R$ 10.000,00) em
favor do seu ex-marido, o qual faria jus aos mesmos R$ 40.000,00, mas terminou sendo
beneficiado com o acréscimo desses R$ 10.000,00 na partilha, saindo da relação com um
patrimônio de R$ 50.000,00, e não apenas com os R$ 40.000,00 que a lei lhe assegurava. Se
houvesse cobrança da quantia dos R$ 10.000,00 pela ex-esposa para que o ex-marido
pudesse ficar com o imóvel de R$ 50.000,00, acrescendo esse montante de R$ 10.000,00
sobre a parte que efetivamente lhe cabia, poder-se-ia afirmar que o imposto a incidir sobre
esses R$ 10.000,00 seria o ITBI municipal, já que, nessa circunstância ora cogitada, ter-se-ia
uma transmissão onerosa inter vivos de imóvel; é dizer, se dessa forma fosse, não haveria
doação da ex-consorte ao seu ex-cônjuge, e sim uma nítida venda de parte que lhe caberia
para que ele pudesse acrescer. Como no quesito não há qualquer indício de que fora
pactuada a “torna” (reposição financeira) em favor da ex-esposa, presumiu o examinador
que se tratou de mera doação de direitos em valor de R$ 10.000,00, razão pela qual o
imposto estadual (ITCMD) seria o imposto adequado para incidir, sendo o valor da doação a
base de cálculo (dez mil reais nesse caso).

4. (IV Exame de Ordem Unificado – FGV) O Imposto sobre Operações Relativas à


Circulação de Mercadorias e sobre a Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e
Intermunicipal e de Comunicação tem seus princípios delineados na Constituição, que é
complementada pela Lei Complementar 87/1996, com as alterações posteriores. A respeito
desse imposto é correto afirmar que
A. ele incide sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive
lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica, assim
como nas prestações de serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens de
recepção livre e gratuita.
B. é autorizada a sua cobrança sobre bens importados do exterior por pessoa física que
tenha intuito de comercializá-los, mas é vedada a sua incidência quando esses bens,
importados do exterior, são destinados ao consumo próprio da pessoa natural.
C. suas alíquotas aplicáveis às operações e prestações interestaduais e de exportação são
estabelecidas por meio de resolução do Senado Federal, por iniciativa do seu Presidente
ou de um terço dos Senadores da casa, com aprovação dada pela maioria absoluta de
seus membros.
D. ele tem função precipuamente fiscal, podendo ser seletivo em função da
essencialidade, incide sobre o valor agregado, em obediência ao princípio da não
cumulatividade, mas não incide sobre o ouro, quando definido em lei como ativo
financeiro.

COMENTÁRIO:
A questão em tela aborda diversas características referentes ao ICMS, o mais importante dos
impostos estaduais, previsto no art. 155, II da Constituição e regulado nos §§ 2.º a 5.º do
mesmo artigo. A LC 87/96 é a lei complementar nacional de normas gerais para dita espécie
de tributo. A banca examinadora deu como resposta correta a letra “D”. Inequivocamente
as letras “A” e “B” estão erradas, fato inconteste (colidem com o art. 155, § 2.º, X, “b” e
“d”, com o art. 155, § 2.º, IX, “a”, ambos da Constituição). A letra “C” guarda imensa
polêmica, pois estaria em conformidade com o texto do art. 155, § 2.º, IV; não obstante,
acreditamos que a Banca considerou errada pelo fato de afirmar que as alíquotas
efetivamente incidiriam sobre exportações e nas exportações temos imunidade tributária
(art. 155, § 2.º, X, “a”). Nesse contexto, foi dada como resposta certa a letra “D”. Todavia,
ousamos divergir respeitosamente da honrosa comissão examinadora e entendemos que a
questão deveria ter sido anulada, pois, além de mal feita a letra “C”, existe um erro fatal na
letra “D” (apesar de a quase totalidade do seu imenso texto ser verdadeira). A nosso humilde
modo de pensar, a questão deveria ser anulada. O suposto vício por nós indicado na letra
“D” (que não foi reconhecido pela banca) reside no fato de se afirmar que o imposto incide
sobre o valor agregado. Para todos aqueles que realmente estudam o ICMS a fundo e
dominam a sistemática especial regente desse imposto, é incontroverso que o imposto não
incide sobre o valor agregado, não sendo dito valor sua base de cálculo. A base de cálculo do
ICMS, conforme art. 13 da LC 87/96, não é o valor agregado, como ocorre com o IVA em
diversos países do mundo. No Brasil, a base de cálculo é, em regra, o valor da operação de
circulação de mercadoria ou o valor da prestação de serviços (nos casos de serviços
tributáveis – comunicação e transportes intermunicipais e interestaduais). Com a técnica da
não cumulatividade, aplicando-se o regime de compensação de débito e crédito, possibilita-
se que se alcance como valor a pagar um resultado idêntico ao que matematicamente se
atingiria caso se tributasse o valor agregado (o que, com certeza, não permite afirmar que a
tributação recaia sobre o valor agregado e essa é, aliás, uma das principais diferenças entre
o modelo do ICMS brasileiro e o IVA em diversos países do mundo – a base de cálculo do
IVA é reduzida e o imposto incide sobre o valor agregado porquanto o ICMS incide sobre o
valor total de saída da operação ou prestação e somente se alcançará um valor a pagar
equivalente ao do valor agregado se houver efetivo creditamento das quantias pagas nas
operações anteriores, o que nem sempre ocorrerá). Portanto, lamentavelmente essa questão
não foi anulada.

5. (V Exame de Ordem Unificado – FGV) A respeito do ICMS, é correto afirmar que:


A. sendo de competência tributária do Estado-Membro, somente a legislação estadual
pode excluir da incidência do imposto, nas exportações para o exterior, serviços e
produtos determinados.
B. é não cumulativo, significando que, em qualquer hipótese, deverá ser assegurado o
crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações
seguintes.
C. tem as suas alíquotas estabelecidas pelo Senado Federal, aplicáveis às operações e
prestações internas, interestaduais e de exportação.
D. incide sobre prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
comunicação, assim como sobre o valor total da operação, quando as mercadorias
forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência impositiva
municipal.

COMENTÁRIO:
Mais uma questão envolvendo características do ICMS. No caso em apreço o gabarito é a
letra “D” que corretamente reconhece uma das hipóteses de incidência do ICMS (prestação
de serviços de comunicação e de transportes intermunicipais e interestaduais – art. 155, II,
CRFB/88) e que afirma que nas hipóteses de tributação de contratos mistos (contratos em
que ao mesmo tempo se têm o fornecimento da mercadoria e a prestação do serviço) em
que o serviço não pode ser tributado pelo Município com o ISS (por não estar na lista anexa à
LC 116/2003), o ICMS (único imposto a incidir em tais situações) incide sobre todo o valor
do contrato, conforme norma expressamente prevista no art. 155, § 2.º, IX, “b”, da
Constituição. A letra “A” está errada, pois a exclusão da incidência do ICMS na exportação
emana da própria Constituição (art. 155, § 2.º, X, “a”) e, quando em alguns produtos a
exclusão emanava de fonte infraconstitucional, dita norma era oriunda de lei complementar
nacional e não da legislação estadual (conforme art. 155, § 2.º, XII, “e”, e a velha redação
do art. 155, § 2.º, X, “a”, antes da EC 42/2003). A letra “B” está errada, pois nem em toda
situação se assegura o direito de creditamento, vide hipóteses em que a própria Constituição
veda seu manejo (art. 155, § 2.º, II, “a” e “b”). O erro da letra “C” está em incluir as
alíquotas internas na afirmativa; é a lei de cada Estado que fixa as alíquotas internas de
ICMS, cabendo ao Senado, em relação a ditas alíquotas, quando muito, fixar tetos mínimos e
máximos nos termos do art. 155, § 2.º, V, “a” e “b”, CRFB/88).

6. (VIII Exame de Ordem Unificado – FGV) Mário inscreveu-se no programa de incentivo à


aposentadoria mediante indenização, promovido pela empresa em que trabalha. A respeito
do caso proposto, assinale a afirmativa correta.
A. Mário pagará imposto de renda, já que o valor recebido tem natureza salarial.
B. Mário não pagará imposto de renda, já que se trata de verba especial.
C. Mario não pagará imposto de renda, já que o valor recebido tem caráter indenizatório.
D. Mário pagará imposto de renda, em homenagem ao princípio da isonomia.

COMENTÁRIO:
Questão superconhecida no Direito Tributário, referente à não incidência do imposto de
renda sobre verbas de caráter indenizatório. É pacífica a jurisprudência do STF e do STJ
quanto a essa vedação, tendo se assentado o entendimento que verbas indenizatórias têm
caráter de reposição de prejuízo, não configurando qualquer acréscimo para quem as
recebe, sendo incompatível com o conceito de renda ou proventos de qualquer natureza para
fins de tributação. Não haveria manifestação de capacidade contributiva em tais situações.
Indo além, a análise do art. 43 do CTN (que explica o fato gerador do Imposto de Renda)
reforça a inviabilização da incidência do tributo, já que define no inciso I como “renda” o
produto do capital, do trabalho e da combinação de ambos, e a verba indenizatória não
emana do trabalho, nem do capital, quiçá da combinação de ambos. Também não entra no
conceito legal de proventos, pois não é acréscimo, ficando incompatível com a definição do
art. 43, II, CTN. Diversas são as Súmulas do STJ referentes ao tema, podendo ser citadas as
de número 125, 136, 215, 386, 498. Por fim, lembre-se que as verbas pagas pela adesão aos
programas de demissão voluntária incentivada são entendidas nos nossos tribunais como
verbas de caráter indenizatório (vide a própria Súmula 215, STJ). A alternativa correta é a
letra “C”.

7. (VIII Exame de Ordem Unificado – FGV) A respeito dos impostos, assinale a afirmativa
correta.
A. O Imposto de Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) de quaisquer bens e
direitos terá suas alíquotas máximas fixadas pelos Estados competentes para a sua
instituição.
B. As alíquotas máximas e mínimas do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
(ISS) deverão ser fixadas por lei complementar nacional.
C. O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS)
incidirá sobre as operações que destinem mercadorias e serviços ao exterior.
D. A União Federal deverá instituir, mediante lei complementar, na iminência ou no caso
de guerra externa, impostos extraordinários, compreendidos ou não em sua
competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas
de sua criação.

COMENTÁRIO:
A letra correta é a letra “B”, conforme disposto no art. 156, § 3.º, I, CRFB/88, que determina
que lei complementar estabeleça alíquotas mínimas e máximas para o ISS (assunto regulado
na LC 116/2003, arts. 8.º, 8-A e 88, ADCT). A letra “A” está errada, pois a competência para
fixar alíquotas máximas para o ITCMD é do Senado, nos termos do art. 155, § 1.º, IV,
CRFB/88 (a Resolução 09/92 fixou em 8% dito teto máximo). A letra “C” está errada pois
vigora imunidade de ICMS na exportação (art. 155, § 2.º, X, “a”). O erro da letra “D” reside
em afirmar que impostos extraordinários de guerra dependeriam de lei complementar, o
que não se exige no art. 154, II, e é de fato desnecessário, podendo tais impostos ser criados
por mera lei ordinária e até mesmo por medida provisória, não sendo necessária a criação
mediante lei complementar; indo além, errado o uso do termo “deverá” e o mais apropriado
seria “poderá”.

8. (IX Exame de Ordem Unificado – FGV) Acerca do Imposto sobre Produtos


Industrializados, de competência da União, assinale a afirmativa que contempla duas de suas
características.
A. É imposto ordinário e caracterizado pela seletividade.
B. É imposto real e caracterizado por ser direto.
C. É imposto monofásico e qualificado como indireto.
D. É imposto interno e lançado por declaração.

COMENTÁRIO:
A questão envolve a análise de características do IPI, um dos sete impostos ordinários da
União (vide expressa previsão no art. 153, IV, CRFB/88), regido pelo princípio da
seletividade (art. 153, § 3.º, I, CRFB/88). O gabarito é a letra “A”. A letra “B” está errada,
pois o IPI não se insere no rol dos impostos reais (IPTU, ITR, IPVA, ITBI e ITCMD) e é
reconhecido como imposto indireto, e não como tributo direto, em razão de proporcionar o
fenômeno da repercussão tributária com a mera ocorrência de seu fato gerador, referindo-
se o encargo fiscal ao consumidor final do bem adquirido. Apesar de na letra “C” se afirmar
corretamente ser dito tributo qualificado como indireto, o imposto é plurifásico, e não
monofásico, restando errada a assertiva. Seu lançamento se faz na modalidade conhecida
como lançamento por homologação, e não por declaração, tornando-se viciada também a
letra “D”.

9. (X Exame de Ordem Unificado – FGV) A União criou um novo imposto não previsto na
CRFB mediante lei complementar sobre a propriedade de veículos de duas rodas não
motorizados, que adota fato gerador e base de cálculo diferente dos demais discriminados na
Constituição. Nessa situação, a União terá feito uso de competência
A. comum.
B. residual.
C. cumulativa.
D. extraordinária.

COMENTÁRIO:
A questão envolve a chamada Competência Residual da União, prevista nos arts. 154, I, e
195, § 4.º, ambos da Constituição, os quais permitem à União instituir, mediante lei
complementar, outros impostos além dos já previstos na Carta, bem como outras
Contribuições Sociais para custear a Seguridade Social, bem como as dispostas nos incisos do
art. 195. Novos impostos, além dos já autorizados nos arts. 153, 155 e 156 da Carta-Mãe, só
podem ser criados pela União, não podem ser instituídos por lei ordinária (assim como
jamais por medidas provisórias) e devem ter fato gerador e base de cálculo diferentes do
fato e base dos impostos ordinários previstos nos mencionados arts. 153, 155 e 156, devendo
ainda observar, se for o caso, o princípio da não cumulatividade. Dita competência é
apelidada de competência residual tributária, restando correta a letra “B” no quesito ora
analisado.

10. (XI Exame de Ordem Unificado – FGV) Com relação ao Imposto sobre a Propriedade de
Veículos Automotores – IPVA, assinale a afirmativa correta.
A. É instituído pela União e repartido com o Estado em que tenha sido licenciado o veículo.
B. É instituído pelo Estado e repartido com o Município em que tenha sido licenciado o
veículo.
C. É instituído pelo Estado em que tenha sido licenciado o veículo, que ficará com a
integralidade do produto da arrecadação.
D. É instituído pelo Município em que tenha sido licenciado o veículo, que ficará com a
integralidade do produto da arrecadação.

COMENTÁRIO:
A questão envolve o conhecimento sobre a competência para instituir o IPVA e a destinação
do produto da sua arrecadação. O tributo é de competência dos Estados e do Distrito Federal,
de modo que somente ditos entes podem instituí-lo, vide norma do art. 155, III, CRFB/88.
Metade da receita arrecadada pelo Estado deve ser destinada ao Município no qual o veículo
foi licenciado, nos termos da norma do art. 158, III, CRFB/88. Nesse compasso, correta a
letra “B”.

11. (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) Em procedimento de fiscalização, a Secretaria da


Receita Federal do Brasil identificou lucro não declarado por três sociedades empresárias,
que o obtiveram em conluio, fruto do tráfico de entorpecentes. Sobre a hipótese sugerida,
assinale a afirmativa correta.
A. O imposto sobre a renda é devido face ao princípio da interpretação objetiva do fato
gerador, também conhecido como o princípio do pecunia non olet.
B. Não caberá tributação, e, sim, confisco da respectiva renda.
C. Não caberá tributo, uma vez que tributo não é sanção de ato ilícito.
D. Caberá aplicação de multa fiscal pela não declaração de lucro, ficando afastada a
incidência do tributo, sem prejuízo da punição na esfera penal.
COMENTÁRIO:
A resposta correta é a letra “A” que tem texto autoexplicativo. O Brasil segue a teoria de que
as rendas devem ser tributadas independentemente do modo ilícito de se conseguir auferi-
las. Se o caminho para auferir renda é ilícito, que essa ilicitude seja punida. Dita coerência,
todavia, em nada impede que se tribute a renda gerada. O modo ilícito de auferir renda não
impede o lícito e devido exercício de tributação por parte da União Federal. As rendas
devem ser tributadas independentemente da sua origem (princípio da universalidade), e
ainda que esta seja ilícita (princípio do pecunia non olet). Os fatos geradores são
interpretados apenas sob o prisma econômico para fins de tributação, não se levando em
consideração aspectos cíveis ou penais que estejam lateralmente circunscritos à hipótese de
incidência da norma tributária (art. 118, CTN). Uma pessoa que auferiu renda em razão da
prática de tráfico de entorpecentes será tributada porque auferiu renda, e não porque pratica
o tráfico. Porque pratica o tráfico merecerá ser punida, e não tributada; porque aufere renda
deve ser tributada, e não punida. E não há bis in idem fiscal nem penal: nem será tributada
duas vezes tampouco punida duplamente; punida pelo crime e tributada pela materialização
da hipótese de incidência da norma tributária.

13. (XII Exame de Ordem Unificado – FGV) Em relação ao imposto sobre a propriedade de
veículos automotores – IPVA –, assinale a única opção INCOMPATÍVEL com o previsto na
Constituição Federal.
A. Poderão ser estabelecidas alíquotas diferenciadas do IPVA em função da procedência
do veículo, se nacional ou estrangeira.
B. O IPVA é um imposto de competência dos Estados e do Distrito Federal.
C. Poderão ser estabelecidas alíquotas diferenciadas do IPVA em função do tipo e da
utilização do veículo.
D. Pertence aos municípios parte do produto da arrecadação do IPVA relativamente aos
veículos automotores licenciados em seus territórios.

COMENTÁRIO:
As letras “B”, “C” e “D” estão corretas e são compatíveis com o sistema normativo que
rege o IPVA, vide art. 155, III, § 6.º, I e II, e art. 158, III, todos da CRFB/88. O que é
incompatível é o disposto na letra “A”, já que o STF pacificou entendimento no sentido de
que os Estados não podem diferenciar as alíquotas do IPVA pelo critério nacional x
importado, pois, se assim o fizessem, estaria discriminando os veículos de procedência
estrangeira e colidindo com a norma do art. 152 da Constituição que veda a tributação
diferenciada com base nas origens e destinos (princípio da não discriminação pela
procedência ou destino). O gabarito, portanto, é a letra “A”, única realmente incorreta.
Tempo médio
de
estudo: 28 min.
7
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA

1. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Mauro Ricardo decidiu não pagar o imposto de
renda do último ano, pois sua esposa Ana, servidora pública, sofreu acidente de carro e foi
declarada absolutamente incapaz, em virtude de traumatismo craniano gravíssimo. Ocorre
que a Receita Federal efetuou o lançamento e notificou Mauro, nos termos da lei, acerca do
crédito tributário em aberto. Quando Mauro recebeu a notificação, ele se dirigiu à Receita e
confessou a infração, prontificando-se a pagar, de imediato, o tributo devido, sem multa ou
juros de mora. A partir do exposto acima, assinale a afirmativa correta.
A. A confissão de Mauro tem o condão de excluir a sua responsabilidade, sem a imposição
de qualquer penalidade. Entretanto, ele deve pagar o tributo devido acrescido dos juros
de mora.
B. Mauro somente se apresentou à Receita após a notificação, o que exclui qualquer
benefício oriundo da denúncia espontânea, devendo ele recolher o tributo devido, a
penalidade imposta e os juros de mora.
C. A incapacidade civil de Ana tem reflexo direto na sua capacidade tributária, o que
significa dizer que, após a sentença judicial de interdição, Ana perdeu, igualmente, a
sua capacidade tributária, estando livre de quaisquer obrigações perante o Fisco.
D. Caso Mauro tivesse procedido com mera culpa, ou seja, se a sonegação tivesse
ocorrido por mero esquecimento, ele poderia pagar somente o tributo e os juros de
mora, excluindo o pagamento de multa.

COMENTÁRIO:
O quesito apresentado envolve dois institutos superimportantes na órbita das relações
tributárias: a denúncia espontânea do art. 138 do CTN e a capacidade tributária passiva do
art. 126. A letra “C” está errada, pois traz afirmativa equivocada sobre as regras a respeito
da capacidade tributária passiva, colidindo com o disposto no art. 126 do CTN; e que, como
sabido, a capacidade tributária independe da capacidade civil, sendo irrelevante o fato de
uma pessoa ser civilmente incapaz (a incapacidade civil não é causa de incapacidade
tributária, sendo legítima a tributação de incapazes). Quanto às letras “A”, “B” e “D”, que
tratam da denúncia espontânea, apenas a letra “B” está correta. De fato, como Mauro
somente procurou a Administração após receber a cobrança do tributo, não houve
espontaneidade no seu comportamento, razão pela qual não fará jus ao benefício do art. 138
do CTN, o qual livrá-lo-ia do pagamento das multas caso viesse a tempestivamente pagar o
valor integral do tributo acrescido dos juros e correção monetária. No caso apresentado, a
confissão foi tardia, após o lançamento, não se excluindo a responsabilidade pelas multas,
sendo devido todo o montante que integra o crédito tributário.

2. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Pizza Aqui Ltda., empresa do ramo dos
restaurantes, adquiriu o estabelecimento empresarial Pizza Já Ltda., continuando a
exploração deste estabelecimento, porém sob razão social diferente – Pizza Aqui Ltda. Neste
caso, é correto afirmar que:
A. a Pizza Aqui responde solidariamente pelos tributos devidos pela Pizza Já, até a data do
ato de aquisição do estabelecimento empresarial, se a Pizza Já cessar a exploração da
atividade.
B. caso a Pizza Já prossiga na exploração da mesma atividade dentro de 6 (seis) meses
contados da data de alienação, a Pizza Aqui responde subsidiariamente pelos tributos
devidos pela Pizza Já Ltda. até a data do ato de aquisição do estabelecimento.
C. caso a Pizza Já mude de ramo de comércio dentro de 6 (seis) meses contados da data
de alienação, então a Pizza Aqui será integralmente responsável pelos tributos devidos
pela Pizza Já até a data do ato de aquisição desta.
D. caso o negócio jurídico não fosse a aquisição, mas a incorporação da Pizza Já pela
Pizza Aqui, esta última estaria isenta de qualquer responsabilidade referente aos tributos
devidos pela Pizza Já até a data da incorporação.

COMENTÁRIO:
O quesito formulado remete ao assunto do trespasse, operação mercantil que se dá quando
certo empresário aliena seu fundo de comércio para outrem, deixando pendentes dívidas
fiscais geradas na exploração da atividade que se exercia naquele complexo de bens. O
CTN disciplina a sujeição passiva das relações tributárias correspondentes a tais débitos no
seu art. 133. Consoante o dispositivo, nas hipóteses em que o adquirente continua a explorar a
mesma atividade e o alienante cessa por pelo menos seis meses (ou em definitivo) sua
atuação na atividade econômica, deixando de praticar atos de empresa, as dívidas fiscais
que existiam ao tempo da alienação sucedem integralmente contra o adquirente, aplicando-
se a norma do art. 133, I, CTN. Ao contrário, se o alienante continuar a praticar atos de
empresa no período de seis meses a contar da alienação, continua respondendo pelas dívidas
fiscais que gerou e o adquirente somente pode ser responsabilizado subsidiariamente, ficando
portanto protegido, aplicando-se, nessa hipótese, a norma do art. 133, II, CTN. De se
destacar que nos casos especificados nos parágrafos do art. 133 a responsabilidade é
afastada e não haverá sucessão do passivo fiscal ao novo proprietário do fundo de empresa,
nem a título integral nem de forma subsidiária, gozando ele da excludente sucessória
prevista nos aludidos dispositivos (aquisições judiciais na falência ou recuperação judicial do
alienante, sendo o adquirente pessoa estranha a ele). No caso da questão em tela, a resposta
certa é a letra “B”, única que explica adequadamente o sistema normativo do art. 133 do
CTN.

3. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Na denúncia espontânea, o sujeito passivo tem
direito à exclusão
A. da multa e dos juros.
B. da multa e da correção monetária.
C. apenas dos juros.
D. apenas da multa.

COMENTÁRIO:
A denúncia espontânea, prevista no art. 138, CTN, e na Súmula 360, STJ, gera para o
contribuinte que a formaliza de maneira adequada o benefício da exclusão das penalidades
pecuniárias apenas, não envolvendo os juros e a correção monetária. É dizer, aquele
contribuinte que voluntariamente, antes de sofrer qualquer procedimento de fiscalização e
de receber notificação ou lançamento, procura a Administração para espontaneamente
declarar dívida que nunca declarou, relacionada a fato gerador que praticou, e promove o
pagamento integral do débito com os devidos juros e correção monetária, goza do benefício
da exclusão das multas. Frise-se que para que tal benesse se materialize o pagamento deve
ser integral e abranger os juros e correção. Portanto, nos termos do art. 138 do CTN, a letra
“D” é a correta.

4. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Determinada pessoa, havendo arrematado imóvel
em leilão judicial ocorrido em processo de execução fiscal para a cobrança de Imposto
Predial Urbano, vem a sofrer a exigência pelo saldo devedor da execução não coberto pelo
preço da arrematação.
Essa exigência é
A. legal, pois o arrematante é sucessor do executado em relação ao imóvel, e em sua
pessoa fiscal ficam sub-rogados os créditos dos tributos incidentes sobre o mesmo
imóvel.
B. ilegal, pois o crédito do exequente se sub-roga sobre o preço da arrematação,
exonerando o arrematante quanto ao saldo devedor.
C. legal, pois o valor pago pelo arrematante não foi suficiente para a cobertura da
execução.
D. legal, pois a arrematação não pode causar prejuízo ao Fisco.
COMENTÁRIO:
A questão em epígrafe envolve o tema da sucessão de débitos fiscais relativos a imóveis,
quando estes passam a ser adquiridos por um novo proprietário e não tiveram as dívidas
tributárias quitadas. O tema é disciplinado no art. 130 do CTN. Apesar da ressalva sobre o
entendimento pessoal desse professor e autor que ora comenta o assunto e pensa de modo
diferente em relação ao tema, a banca adotou o posicionamento que prevalece
majoritariamente na doutrina no sentido de que em casos como o presente se deve aplicar o
parágrafo único do art. 130 do CTN e impossibilitar a cobrança do tributo contra o
arrematante adquirente. Priorizou-se o entendimento de que arrematante de imóvel em hasta
pública não pode ser responsabilizado após dar o lance arrematatório por dívidas fiscais
anteriores à arrematação. Nesse sentido, a resposta “correta” é a da letra “B” que afirma
ser ilegal a exigência.

5. (IV Exame de Ordem Unificado – FGV) A Empresa ABC Ltda. foi incorporada pela
Empresa XYZ Ltda., em 15.06.2011, sendo que os sócios da empresa incorporada se
aposentaram 7 (sete) dias após a data da realização do negócio jurídico. Em 30.06.2011, a
Fiscalização da Secretaria da Receita Federal apurou crédito tributário, anterior à data da
incorporação, resultante do não recolhimento de IRPJ, CSLL, entre outros tributos devidos da
responsabilidade da Empresa ABC Ltda. Pelo exposto, o crédito tributário deverá ser
cobrado
A. da Empresa ABC Ltda.
B. solidariamente da Empresa ABC Ltda. e da Empresa XYZ Ltda.
C. dos sócios da Empresa ABC Ltda.
D. da Empresa XYZ Ltda.

COMENTÁRIO:
A resposta correta é a da letra “D”, aplicando-se a norma do art. 132 do CTN que determina
que, nos casos de incorporação, as dívidas geradas pela sociedade incorporada sucedem
contra a sociedade incorporadora.

6. (V Exame de Ordem Unificado – FGV) A obrigação tributária principal tem por objeto
A. a escrituração de livros contábeis.
B. o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.
C. a inscrição da pessoa jurídica junto ao Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ.
D. a prestação de informações tributárias perante a autoridade fiscal competente.

COMENTÁRIO:
A letra “B” é a única correta. O objeto de uma relação obrigacional tributária corresponde
às prestações que devem ser cumpridas pelo sujeito passivo (elemento objetivo da relação)
e se convencionou, no Direito Tributário, utilizar (de forma imprópria) a expressão
obrigação tributária para apontar dito objeto. A obrigação é classificada em duas
modalidades, ora chamando-se de obrigação principal, ora de obrigação acessória. Todo e
qualquer dever de pagamento é apelidado de obrigação principal, ao passo que todo dever
que não seja de pagar, mas sim de cumprir certo procedimento, instrumentalizar certo
comportamento (obrigações de fazer, não fazer ou tolerar), recebe a alcunha de obrigação
acessória. Nesse diapasão denomina-se de obrigação principal todo e qualquer dever de
pagamento de tributos, multas fiscais e consectários da mora (juros e correção monetária);
todos os demais deveres imputáveis aos sujeitos passivos, emanáveis da legislação tributária,
são chamados de obrigações acessórias. Desse modo, correta apenas a letra “B”. Vale a
leitura do art. 113 do CTN.

7. (VII Exame de Ordem Unificado – FGV) Determinada pessoa física adquire de outra um
estabelecimento comercial e segue na exploração de suas atividades, cessando ao vendedor
toda a atividade empresarial. Nesse caso, em relação aos tributos devidos pelo
estabelecimento comercial até a data da aquisição do referido negócio jurídico, o novo
adquirente responde
A. pela metade dos tributos.
B. subsidiariamente pela integralidade dos tributos.
C. integralmente por todos os tributos.
D. solidariamente, com o antigo proprietário, por todos os tributos.

COMENTÁRIO:
A questão envolve o famoso tema do trespasse, quando certo empresário aliena seu fundo de
comércio para outrem sem ter quitado as dívidas fiscais geradas na exploração da atividade
que se exercia naquele estabelecimento. O art. 133 do CTN disciplina a sujeição passiva das
relações tributárias correspondentes a tais débitos. Nos casos em que o adquirente continua a
explorar a mesma atividade e o alienante cessa por pelo menos seis meses (ou em
definitivo) sua atuação na atividade econômica, deixando de praticar atos de empresa, as
dívidas fiscais que existiam ao tempo da alienação sucedem integralmente contra o
adquirente, aplicando-se a norma do art. 133, I, CTN. Ao contrário, se o alienante continuar
a praticar atos de empresa no período de seis meses a contar da alienação, continua
respondendo pelas dívidas fiscais que gerou e o adquirente somente pode ser
responsabilizado subsidiariamente, ficando portanto protegido, aplicando-se, nessa hipótese, a
norma do art. 133, II, CTN. De se destacar que nos casos especificados nos parágrafos do
art. 133 a responsabilidade é afastada e não haverá sucessão do passivo fiscal ao novo
proprietário do fundo de empresa, nem a título integral nem de forma subsidiária, gozando
ele da excludente sucessória prevista nos aludidos dispositivos (aquisições judiciais na
falência ou recuperação judicial do alienante, sendo o adquirente pessoa estranha a ele). No
caso da questão em tela, a resposta certa é a letra “C”, posto que o alienante cessou suas
atividades e não há qualquer indício de se tratar de hipótese de aplicação da excludente dos
parágrafos do art. 133.

8. (X Exame de Ordem Unificado – FGV) Três irmãos são donos de um imóvel, em


proporções iguais. Em relação ao IPTU, cada irmão
A. só pode ser cobrado pelo Fisco na razão de 33,33% do imposto.
B. é devedor solidário em relação ao todo do imposto.
C. é devedor na razão de 33,3% do imposto e responsável subsidiário pelo restante.
D. não pode ser cobrado judicialmente pela parte de outro irmão que tenha recursos para
pagá-la.

COMENTÁRIO:
A resposta correta é a letra “B”, nos termos do art. 125, II, CTN, que traz regras específicas
para as hipóteses de solidariedade no Direito Tributário, entre elas a que ensina que, havendo
dois ou mais codevedores solidários em relação a certo débito fiscal (o que ocorre quando
duas ou mais pessoas são coproprietárias de imóvel, em relação ao IPTU devido em razão
do exercício do direito de propriedade do bem), o Fisco pode cobrar de qualquer deles a
dívida integral, e não apenas a quota-parte.

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de
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8
CRÉDITO TRIBUTÁRIO

1. (III Exame de Ordem Unificado – FGV) Segundo o Código Tributário Nacional, remissão é
A. uma modalidade de extinção dos créditos tributários e consiste na liberação da dívida
por parte do credor, respaldada em lei autorizativa.
B. a perda do direito de constituir o crédito tributário pelo decurso do prazo.
C. uma modalidade de exclusão dos créditos tributários com a liberação das penalidades
aplicadas ao sujeito passivo, respaldada em lei autorizativa.
D. uma modalidade de extinção dos créditos tributários em razão da compensação de
créditos entre o sujeito ativo e o sujeito passivo, respaldada em lei autorizativa.

COMENTÁRIO:
A resposta correta é a letra “A”. A remissão é o instituto pelo qual a Fazenda, por meio de lei,
concede o perdão de dívida fiscal vencida e não paga, extinguindo o seu direito de crédito e
libertando o devedor do débito. Conforme art. 156, IV, CTN c/c o art. 172, é causa de
extinção do crédito tributário. Não se confunde com a compensação, instituto que também
indica causa de extinção do crédito (CTN, art. 156, II, c/c os arts. 170 e 170-A), pela qual
dois créditos se extinguem por meio de um “acordo de contas” entre a Fazenda e o
contribuinte nas hipóteses em que ambos são devedores e credores recíprocos e até o
montante em que esses débitos se equivalem. Na compensação os dois sujeitos abrem mão
do direito de cobrar um do outro e se libertam do dever de pagar um ao outro; os créditos se
compensam e se extinguem sem que haja qualquer dever de desembolso de capital,
inocorrendo pagamentos. Quanto à letra “B”, o conceito é adequado para indicar o instituto
da decadência tributária, causa igualmente de extinção do crédito e que ocorre em razão da
inércia da Fazenda em não promover o lançamento no prazo de cinco anos, perdendo o
direito potestativo de constituir o crédito (art. 156, V, c/c o art. 173, CTN). Por fim, a letra
“C” faz alusão à figura jurídica da anistia, causa de exclusão do crédito, e não de
“extinção”, prevista no art. 175, II, CTN c/c os arts. 180 a 182 e que promove a dispensa do
dever de pagamento de penalidades.

2. (VI Exame de Ordem Unificado – FGV) A empresa ABC ingressou com medida judicial
destinada a questionar a incidência da contribuição social sobre o lucro. Em sede de exame
liminar, o juiz concedeu a medida liminar para que a empresa não recolhesse a
contribuição. Durante a vigência da medida judicial, a Receita Federal iniciou procedimento
de fiscalização visando à cobrança da contribuição social sobre o lucro não recolhida
naquele período. Com base no relatado acima, assinale a alternativa correta.
A. A Receita Federal não pode lavrar auto de infração, em virtude da liminar concedida na
medida judicial em questão.
B. A Receita Federal pode lavrar auto de infração, mas somente com a exigibilidade
suspensa para prevenir a decadência.
C. A empresa ABC, diante da abertura do procedimento de fiscalização, pode solicitar ao
juiz nova medida liminar, a fim de que determine o encerramento de tal procedimento.
D. A Receita Federal pode lavrar auto de infração, já que a medida liminar possui caráter
provisório.

COMENTÁRIO:
O gabarito é a letra “B”. Reporta aos efeitos da concessão das tutelas provisórias nas ações
ajuizadas pelos contribuintes pleiteando a invalidação de lançamentos/autos por via dos quais
se cobram tributos/penalidades. Ditas tutelas, sejam de urgência ou evidência, têm o condão
de suspender a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 151, IV e V, do CTN,
impedindo o ajuizamento de execuções fiscais e assegurando aos contribuintes o acesso a
certidões fiscais que não lhe causam embaraços e restrições (a depender do momento em
que a medida judicial é concedida, pode ser uma certidão negativa ou, a depender, uma
certidão positiva com efeito de negativa). Todavia, acertadamente, o STJ firmou
entendimento no sentido de que o fato de ser deferida a liminar não pode impedir a fazenda
de formalizar a cobrança do tributo, promovendo o lançamento, pois existe prazo
decadencial de cinco anos que corre contra o direito de lançar. Imagine-se que a ação fosse
ao final julgada improcedente e dito prazo já tivesse expirado. Ficaria prejudicada a
Fazenda Pública. Daí acolheu-se a tese que legitimava o direito de lançar, mas apenas para
esse efeito de obstar a fluência do prazo decadencial, demonstrando que a Fazenda não ficou
inerte, não foi desidiosa.

3. (VII Exame de Ordem Unificado – FGV) A expiração do prazo legal para lançamento de
um tributo, sem que a autoridade administrativa fiscal competente o tenha constituído,
caracteriza hipótese de
A. remissão.
B. prescrição.
C. decadência.
D. transação.

COMENTÁRIO:
A resposta certa é a letra “C”. O enunciado traz o conceito que se atribui à decadência
tributária, figura jurídica que indica a extinção do crédito tributário em razão do não feitio do
lançamento no prazo de cinco anos. A inércia para a cobrança administrativa pelo prazo
indicado gera a extinção do direito de crédito e tal fenômeno é exatamente a decadência
tributária, prevista no art. 156, V, c/c o art. 173, ambos do CTN. A prescrição, lembre-se,
está ligada à inércia relativa à cobrança judicial; ocorre se a ação de execução fiscal não
for proposta no prazo correto, que também é de cinco anos, contados da constituição
definitiva do crédito tributário, nos termos do art. 174, CTN. A remissão significa o perdão de
débitos inadimplidos e a transação é um acordo entre a Fazenda e o contribuinte, feito
mediante concessões recíprocas para resolver certo litígio a respeito da compreensão de
real limite do débito fiscal; ambas são causas de extinção do crédito e dependem de lei
específica para regulamentá-las; são previstas no art. 156, III e IV, e arts. 171 e 172 do CTN.
4. (VIII Exame de Ordem Unificado – FGV) O Sr. Afrânio dos Santos, administrador da
empresa “X”, que atua no ramo industrial, percebeu ter efetuado pagamento do IPI maior
que o efetivamente devido, ao longo de certo período. Com base no cenário acima, para fins
de aconselhar o administrador acerca da possibilidade de obtenção da restituição do
montante recolhido a maior, assinale a afirmativa correta.
A. Não é possível a restituição, pois o pagamento foi espontâneo, incidindo a máxima
“quem paga mal paga duas vezes”.
B. Não é possível a restituição, pois, embora pago indevidamente, não cabe restituição de
tributo indireto.
C. Cabe apenas pedido administrativo de restituição, em razão do pagamento indevido.
D. Cabe pedido judicial de repetição de indébito, desde que a empresa comprove ter
assumido o referido encargo, sem tê-lo transferido a terceiro.

COMENTÁRIO:
A alternativa correta é a letra “D”. O quesito aborda a temática a respeito dos limites para o
cabimento da restituição de indébito nos tributos indiretos (IPI, ICMS e ISS), regulamentada
no art. 166 do CTN e nas Súmulas 71 e 546 do STF. Quando o contribuinte legal faz o
pagamento indevido em um desses três impostos, somente poderá pleitear a restituição se
provar um de dois requisitos: primeiramente, pode provar que não transferiu o encargo
fiscal ao consumidor final (contribuinte de fato), demonstrando que assumiu dito encargo e
não recuperou essa quantia (indevidamente paga ao fisco) embutindo-a no preço do bem
alienado; a segunda opção, peculiar às situações em que o fornecedor repassa o encargo
fiscal (ocorrendo a repercussão tributária) ao consumidor final, é apresentar na petição
inicial da ação a prova documental de que está autorizado pelo consumidor final a pleitear a
restituição. Se não for cumprida uma ou outra exigência, aplica-se o entendimento da antiga
(e não cancelada) Súmula 71 do STF e veda-se a restituição do pagamento, mesmo que
indevidamente feito. Do contrário, provando-se que não houve o repasse da carga tributária
ou que, caso o tenha feito, porta-se a autorização do contribuinte de fato para o pleito
restitutivo, afasta-se a aplicação da Súmula 71 e legitima-se a restituição, a qual pode ser
pedida tanto em sede administrativa (utilizando-se o instituto da compensação administrativa)
como judicialmente, por meio da Ação de Restituição de Indébito (também chamada de
Ação Repetitória). Correta apenas a letra “D”.

5. (XI Exame de Ordem Unificado – FGV) A remuneração que os Municípios pagam a seus
servidores está sujeita à incidência do Imposto sobre a Renda retido na fonte (IR-Fonte).
Assinale a alternativa que indica o ente público ao qual pertence o produto da arrecadação
do IR-Fonte nesse caso específico.
A. Ao Município que efetua o pagamento da remuneração.
B. À União.
C. Ao Estado em que está situado o Município que efetua o pagamento da remuneração.
D. Metade à União e metade ao Município que efetua o pagamento da remuneração.

COMENTÁRIO:
A questão remete à norma especial do art. 158, I, CRFB/88 que assegura que a renda gerada
com a tributação sobre os pagamentos feitos a terceiros por determinado Município pertence
ao próprio Município. De igual modo, se o pagamento fosse feito por um Estado, a renda
sobre os valores pagos seria tributada e a arrecadação pertencente ao próprio Estado
pagador (art. 157, I, CRFB/88), ocorrendo o mesmo no Distrito Federal. Trata-se de norma
especial atinente ao tema das repartições de receitas tributárias, almejando-se uma melhor
distribuição da arrecadação tributária dentro da federação. A resposta correta é a letra “A”.

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GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO

1. (II Exame de Ordem Unificado – FGV) Delta Ltda. teve sua falência decretada em
11.01.2010. Delta possuía um imóvel hipotecado ao Banco Júnior S.A., em garantia de dívida
no valor de R$ 1.000.000,00. O imóvel está avaliado em R$ 1.200.000,00. A Fazenda Pública
Estadual tem créditos a receber de Delta Ltda. relacionados ao ICMS não pago de vendas
ocorridas em 03.01.2008. Com base no exposto acima, assinale a afirmativa correta.
A. A Fazenda tem direito de preferência sobre o credor com garantia real, em virtude de
seus privilégios.
B. A Fazenda não pode executar o bem, em função de ter havido a quebra da empresa,
prevalecendo o crédito com garantia real.
C. A Fazenda tem direito de preferência uma vez que a dívida tributária é anterior à
hipoteca.
D. A Fazenda respeitará a preferência do credor hipotecário, nos limites do valor do
crédito garantido pela hipoteca.

COMENTÁRIO:
A letra correta é a letra “D”. O quesito remete ao estudo das normas que disciplinam a
ordem de preferência para que se paguem os créditos na falência, disciplinada nos arts. 186
e 188 do CTN, bem como nos arts. 83 e 84 da Lei de Recuperação e Falência (Lei
11.101/2005). Depois de pagas as importâncias passíveis de restituição e os créditos
extraconcursais, inicia-se o pagamento dos créditos gerados antes da quebra da sociedade
falida e, quanto a estes, deve-se observar o plexo de normas fincadas no art. 83 da Lei
11.101/2005. O crédito tributário, conforme art. 83, III, Lei 11.101/2005 c/c o art. 186, CTN,
fica na terceira posição quando relativo a tributos (incluindo-se os juros e correção
monetária); todavia, ocupa a sétima posição quando referente às multas, hipótese em que
fica atrás dos créditos quirografários (art. 83, VII, Lei 11.101/05). No que tange ao tributo
(por exemplo, o ICMS, como narrado na questão), o crédito respeita a preferência inaugural
dos créditos trabalhistas (porém somente até a quantia de 150 salários mínimos – se
excedentes a tal montante, os mencionados créditos se tornam quirografários e não
preferem ao crédito tributário relativo a débitos de tributos) e créditos de acidente do
trabalho e, em segundo lugar, o crédito fiscal respeita também os créditos dos credores com
garantia real, mas somente até o limite do gravame. No caso concreto, o crédito é de R$
1.000.000,00 e a hipoteca foi de um imóvel de R$ 1.200.000,00, não havendo qualquer
problema para esse credor hipotecário; a garantia supera o valor do crédito e, dessa forma,
dito credor deve receber integralmente seu crédito antes que se possa iniciar o pagamento
do crédito tributário. Diferentemente seria se o valor do gravame fosse inferior ao montante
do crédito, hipótese em que esse credor não receberia integralmente antes da Fazenda
Pública, já que o crédito com garantia real só prefere ao tributário até o limite do gravame
(ou seja, até o valor da garantia dada).

2. (VI Exame de Ordem Unificado – FGV) Fulano de Araújo, proprietário de um único


imóvel em que reside com sua esposa, no Município do Rio de Janeiro, é réu em ação de
execução fiscal promovida pela Fazenda Pública Municipal por falta de pagamento do
IPTU. Tendo em vista as disposições gerais contidas no Código Tributário Nacional acerca
do crédito tributário, assinale a alternativa correta.
A. O imóvel residencial próprio do casal é impenhorável, não devendo responder por
qualquer tipo de dívida.
B. Os bens e rendas do sujeito passivo respondem pelo pagamento de todo crédito de
natureza tributária, sem comportar exceções.
C. Bens gravados por ônus real ou por cláusulas de inalienabilidade não podem ser
alcançados para saldar dívidas tributárias.
D. A impenhorabilidade do bem de família não é oponível em face da cobrança do
Imposto Predial Territorial Urbano.
COMENTÁRIO:
A resposta correta é a que se encontra na letra “D”. A Fazenda Pública não tem o dever de
acatar cláusulas de impenhorabilidade criadas contratualmente pela vontade dos
contribuintes na sua autonomia negocial (art. 184, CTN). Em contrapartida, respeita as
cláusulas legais de impenhorabilidade (norma do mesmo art. 184, CTN), por exemplo, as
geradas no art. 833, incisos II ao XII, do CPC/2015 e Lei 8.009/90 – lei do “bem de família”.
Não obstante a Fazenda Pública tenha o dever de respeitar as situações em que a lei
determina a impenhorabilidade de certos bens, como ocorre quase sempre com o caso do
bem de família, a própria Lei 8.009/90 traz exceções à norma proibitiva e termina por
autorizar a penhora do bem de família em certas hipóteses, descortinadas no catálogo de
incisos do art. 3.º do referido diploma legislativo. E no art. 3.º, IV, resta a expressa previsão
de que o bem de família não fica protegido nas hipóteses de dívidas de impostos, taxas e
contribuições referentes ao imóvel. Daí ser possível, em sede de execução fiscal, a penhora
do bem de família do contribuinte quando o objeto exequendo é uma dívida ligada ao
próprio imóvel penhorado, por exemplo, uma dívida de IPTU.

3. (IX Exame Unificado Ipatinga-MG) Um contribuinte, ao impetrar mandado de segurança


contra ato praticado por determinada autoridade coatora, obteve medida liminar deferida
pelo competente Juízo no sentido de autorizá-lo a se abster do pagamento de determinado
tributo, com base em suposta inconstitucionalidade da lei instituidora da respectiva exação
combatida. Nesse caso, de acordo com as regras contidas no Código Tributário Nacional, a
hipótese é de
A. suspensão do crédito tributário.
B. extinção do crédito tributário.
C. exclusão do crédito tributário.
D. preferência do crédito tributário.

COMENTÁRIO:
A resposta correta é a letra “A”. As tutelas provisórias concedidas em ações ajuizadas pelos
contribuintes em face da Fazenda Pública são causas de suspensão da exigibilidade do
crédito, previstas no art. 151, IV e V, CTN, e, após concedidas, por todo o tempo em que
sejam mantidas no processo, o crédito de fato tem sua exigibilidade afetada, impedindo-se o
ajuizamento de execução fiscal. O art. 151, IV, do CTN indica expressamente as liminares
em sede de mandado de segurança como causa de suspensão do crédito tributário.

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estudo: 7 min.
10
EXECUÇÃO FISCAL

1. (IV Exame de Ordem Unificado – FGV) José dos Anjos ajuíza ação anulatória de débito
fiscal após realizar depósito do montante integral do crédito que busca a anulação. Nesse
sentido, é correto afirmar que
A. caso o contribuinte saia vencido, caberá à Fazenda promover execução fiscal para fins
de receber o crédito que lhe é devido.
B. o depósito prévio do montante integral é requisito de admissibilidade da ação ajuizada
por José dos Anjos.
C. o depósito prévio do montante integral produz os efeitos de impedir a propositura da
execução fiscal, bem como evita a fluência dos juros e a imposição de multa.
D. o depósito do montante objeto de discussão judicial poderá ser levantado caso José dos
Santos tenha seu pedido julgado procedente perante o juízo de primeiro grau.

COMENTÁRIO:
A única alternativa correta é a letra “C”. O contribuinte, para ajuizar a ordinária Ação
Anulatória, não é obrigado a promover o depósito do valor cobrado; o não depósito não é
causa de inadmissibilidade da ação, sendo assegurada sua propositura sem tal ônus (Súmula
Vinculante 28, STF), o que torna errada a letra “B”. Caso opte por depositar a quantia
cobrada integralmente e em dinheiro, logrará o benefício da suspensão da exigibilidade do
crédito tributário (art. 151, II, CTN c/c a Súmula 112, STJ) ficando impedida a propositura
de execução fiscal do débito, cortando-se desde a data do depósito a fluência de juros e
correção monetária sobre o montante (caso julgada improcedente a ação, não haverá dever
de acrescer qualquer quantia sobre a quantia depositada no início da ação), ficando correta
portanto a letra “C”. Feito o depósito, só será possível levantar o valor disponibilizado após o
final do processo, com a decisão de procedência transitando em julgado, sendo inviável o
levantamento antes desse resultado (pelo que fica errada a letra “D”). Sendo julgada
improcedente a ação e ocorrendo o trânsito em julgado da decisão, a quantia depositada se
converte em renda em favor da Fazenda Pública, não havendo qualquer necessidade de
propositura de execução fiscal, ocorrendo a extinção do crédito nos termos do disposto no
art. 156, VI, CTN, pela via da chamada conversão do depósito em renda.

2. (VI Exame de Ordem Unificado – FGV) Determinado contribuinte, devedor de tributo,


obtém o seu parcelamento e vem efetuando o pagamento conforme deferido. Apesar disso,
sofre processo de execução fiscal para a cobrança do referido tributo. Nos embargos de
devedor, o contribuinte poderá alegar
A. a carência da execução fiscal, em face da novação da dívida, que teria perdido a sua
natureza tributária pelo seu parcelamento.
B. a improcedência da execução fiscal, por iliquidez do título exequendo, pelo fato de que
parte da dívida já foi paga.
C. o reconhecimento do direito apenas parcial à execução fiscal, por parte do Fisco, em
face da existência de saldo devedor do parcelamento.
D. a carência da execução fiscal em face da suspensão da exigibilidade do crédito
tributário.

COMENTÁRIO:
A única resposta correta é a da letra “D”. O parcelamento é causa de suspensão da
exigibilidade do crédito, nos termos do art. 151, VI, do CTN e impede a exequibilidade da
dívida, relativizando o direito de ajuizamento de execução fiscal. Se o parcelamento foi
deferido e vem sendo regularmente cumprido, nenhuma parcela da dívida pode ser objeto
de execução, versando limitação legal que torna o Fisco carente do direito de ação, uma vez
que não haveria possibilidade jurídica do pedido executório em tais circunstâncias, faltando
também, a nosso ver, interesse jurídico à Fazenda para a propositura da demanda executiva.
Na Ação de Embargos essa deveria ser a tese de defesa alegada para pedir a extinção do
processo.