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Cálice - Chico Buarque

Pai, afasta de mim esse cálice Atordoado eu permaneço atento


Pai, afasta de mim esse cálice Na arquibancada pra a qualquer
Pai, afasta de mim esse cálice momento
De vinho tinto de sangue Ver emergir o monstro da lagoa

Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga De muito gorda a porca já não anda
Tragar a dor, engolir a labuta De muito usada a faca já não corta
Mesmo calada a boca, resta o peito Como é difícil, pai, abrir a porta
Silêncio na cidade não se escuta Essa palavra presa na garganta
De que me vale ser filho da santa Esse pileque homérico no mundo
Melhor seria ser filho da outra De que adianta ter boa vontade
Outra realidade menos morta Mesmo calado o peito, resta a cuca
Tanta mentira, tanta força bruta Dos bêbados do centro da cidade

Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado Talvez o mundo não seja pequeno


Se na calada da noite eu me dano Nem seja a vida um fato consumado
Quero lançar um grito desumano Quero inventar o meu próprio pecado
Que é uma maneira de ser escutado Quero morrer do meu próprio veneno
Esse silêncio todo me atordoa Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me
esqueça
ANALISE DA COMPOSIÇÃO

* Sobre os versos da música

"Pai, afasta de mim esse cálice"


Sintetiza uma súplica por algo que se deseja ver à distância. Boa parte da música faz
uma analogia entre a Paixão de Cristo e o sofrimento vivido pela população aterrorizada
com o regime autoritário. O refrão faz uma alusão à agonia de Jesus no calvário, mas a
ambiguidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale-se”, remete à atuação
da censura.

"De vinho tinto de sangue"


O “cálice” é um objeto que contém algo em seu interior. Na Bíblia esse conteúdo é o
sangue de Cristo, na música é o sangue derramado pelas vítimas da repressão e torturas.

"Como beber dessa bebida amarga"


A metáfora do verso remete à dificuldade de aceitar um quadro social em que as pessoas
eram subjugadas de forma desumana.

"Tragar a dor, engolir a labuta"


Significa a imposição de ter que aguentar a dor e aceitá-la como algo banal e
corriqueiro. “Engolir a labuta” significa ter que aceitar uma condição de trabalho
subumana de forma natural e passiva.

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