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COMPLEXO DE ENSINO RENATO SARAIVA
CARREIRA JURÍDICA – INTENSIVO
DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE, DO IDOSO E DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA
Prof. Luciano Alves Rossato

1 Direitos das Minorias

1.1 Direitos Humanos

Direitos humanos “consistem em um conjunto de direitos considerado indispensável para uma vida humana pau-
tada na liberdade, igualdade e dignidade. Os direitos humanos são os direitos essenciais e indispensáveis à vida
digna”.1 Podem ser: direito-pretensão, direito-liberdade, direito-poder e direito-imunidade.

Direito pretensão: gera o dever de prestar. Direito à educação (art. 208, I da CF).
Direito-liberdade: faculdade de agir de um e, de outro lado, a ausência de direito de qualquer outro. Liberdade de
credo. Liberdade de planejamento familiar (CF, artigo 226, § 7º, regulado pela Lei nº 9.263/1996). Art. 226. § 7º -
Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade responsável, o planejamento familiar é
livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse
direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas” (Lei nº 9.263/1996. Art. 1º. O
planejamento familiar é direito de todo cidadão, observado o disposto nesta Lei). Há necessidade de consentimento
do cônjuge para a realização do procedimento? E de observância de um número mínimo de filhos?

Art. 10. Somente é permitida a esterilização voluntária nas seguintes situações: I - em homens e mulheres com
capacidade civil plena e maiores de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, desde que
observado o prazo mínimo de sessenta dias entre a manifestação da vontade e o ato cirúrgico, período no qual será
propiciado à pessoa interessada acesso a serviço de regulação da fecundidade, incluindo aconselhamento por
equipe multidisciplinar, visando desencorajar a esterilização precoce; II - risco à vida ou à saúde da mulher ou do
futuro concepto, testemunhado em relatório escrito e assinado por dois médicos. § 1º É condição para que se realize
a esterilização o registro de expressa manifestação da vontade em documento escrito e firmado, após a informação
a respeito dos riscos da cirurgia, possíveis efeitos colaterais, dificuldades de sua reversão e opções de contracepção
reversíveis existentes. (...). “§ 6º. A esterilização cirúrgica em pessoas absolutamente incapazes somente poderá
ocorrer mediante autorização judicial, regulamentada na forma da lei”. Necessidade de consentimento do curador.
Requerimento deve partir do curador ou de sua família. Apelação TJ/SP nº 1001521-57.2017.8.26.0360. ADI 5097
(pendente de julgamento).

Classificação da esterilização:
I) Eugênica: busca impedir a transmissão de doenças hereditárias, evitar prole inválida ou inútil
e prevenir a reincidência de pessoas que praticaram crimes sexuais.
II) Cosmetológica: evitar a gravidez independentemente de pender situação de risco à saúde.
III) Terapêutica: ligada ao estado de necessidade ou de legítima defesa.
IV) Para limitação da natalidade: restringir a prole das famílias. Vedada pela Constituição Fe-
deral.

Direito-poder: relação de poder de uma pessoa de exigir que ocorra a sujeição do Estado ou de outra pessoa.
Adolescente tem o direito à assistência da família e do advogado ao ser apreendido.

1
RAMOS, André de Carvalho. Curso de Direitos Humanos. 5ª. Ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 29.

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Direito-imunidade: autorização concedida por uma norma a uma determinada pessoa, impedindo a interferência
de outra de qualquer modo. Impossibilidade da criança ser apreendida em razão da prática de ato infracional.

1.2 Sistema Global de Defesa dos Direitos Humanos

Após os horrores das Guerras Mundiais, a comunidade internacional entendeu que haveria a necessidade de res-
guardar aqueles direitos essenciais e indispensáveis à vida digna. Foi aprovada, então, a Declaração Universal de
Direitos Humanos (1948), que objetivava ser uma etapa anterior de um “tratado internacional de direitos humanos”. 2
Ocorre que a Guerra Fria não proporcionou condições favoráveis para a sua aprovação, de modo que tão somente
em 1966 foram aprovados o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos
Sociais, Econômicos e Culturais. Formou-se o que foi designado de Carta Internacional de Direitos Humanos, que
englobava os documentos antes indicados. Seguiram-se a aprovação de outros documentos de âmbito global, for-
mando-se o sistema global de direitos humanos, ou, ainda, sistema universal ou onusiano.3 Assim, a Carta Interna-
cional de Direitos Humanos passou a ser composta também por outros documentos, englobando as Convenções
sobre os Direitos das Crianças, Convenção sobre as Pessoas com Deficiência etc. Em tais documentos, podem ser
notadas duas características, que os enquadram em gênero diverso: há documentos que são voltados para a defesa
dos direitos humanos de todas as pessoas, como ocorre com a Declaração Universal dos Direitos do Homem; de
outro lado, há documentos internacionais que têm por objetivo propiciar a defesa de direitos de grupos específicos
de pessoas, acarretando na especificação do sujeito, como ocorre com a criança.

1.3 Grupos vulneráveis. Condição de pessoas em especial situação de vulnerabilidade.

Este movimento de especificação do sujeito foi de extrema importância, pois atendia às necessidades inerentes a
alguns grupos de pessoas que, independentemente da quantidade de pessoas que as compunham, passam por
determinadas dificuldades e necessitam da atuação mais acentuada dos Estados para que seja resguardada a sua
dignidade e observada a igualdade.
Assim, este movimento de especificação do sujeito acarretou na busca dos direitos humanos das minorias, que
são compostas por pessoas que, por diversas razões (históricas, físicas etc.), carecem de atuação mais específica
dos Estados e da própria sociedade, com o que se observa a aplicação efetiva do princípio da igualdade.

Crianças

Exemplos de Minorias Idosos

Pessoas com Deficiência

Migrantes

Estes componentes das minorias encontram-se, como regra, em situação de vulnerabilidade, ou ao menos já pas-
saram por isso. Nesta situação, a dignidade das pessoas está comprometida, exigindo-se a adoção de ações de
cunho afirmativo para a observância da igualdade.
Em outras situações, a pessoa em situação de vulnerabilidade pode estar inserida concomitantemente em tipos
diferentes de minorias, como ocorre com as crianças migrantes, ou com a criança com deficiência. Por esse mo-
tivo, a lei pode reconhecer a existência de uma condição especial de vulnerabilidade, como ocorreu no Estatuto

2
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da Igualdade. Art. 5º, parágrafo único: Para os fins da proteção mencionada no caput deste artigo, são considerados
especialmente vulneráveis a criança, o adolescente, a mulher e o idoso, com eficiência.
Em situações como a narrada, em que se tem especial especialmente vulneráveis, haverá a aplicabilidade conco-
mitante de mais de uma fonte normativa para a tutela de seus direitos, quando haverá necessidade de promover a
interpretação correta das diferentes fontes.

2 Crianças, adolescentes e jovens: conceito e fontes normativas.

2.1 Conceito de nascituro, criança, adolescente, jovem, idoso e pessoa com deficiência.

Conceito de criança, adolescente, jovem e idoso. Utilização do critério biopsicológico. Aplicação do Estatuto da
Criança e do Adolescente.

CONCEITO IDADE/TITULARIDADE APLICABILIDADE


Nascituro Confere-se a condição de pessoa, ECA e outras fontes.
titular de direitos (art. 8º do ECA, en- Art. 8º: direito à vida e à saúde do
tre outros). Direitos patrimoniais e nascituro.
não patrimoniais (REsp Alimentos gravídicos: enquanto
1415727/SC). Tutela coletiva. Com- não ocorrer o nascimento, são de ti-
petência da Vara da Infância e da Ju- tularidade da gestante; com o nasci-
ventude: se existir situação de risco. mento, convertem-se automatica-
Gestante manifesta o desejo de en- mente em pensão alimentícia.
tregar criança para adoção.
Criança 0 a 12 anos incompletos. ECA.
Convenção: menos de 18 anos.
Primeira infância: primeiros seis ECA e Lei nº 13.257/2016. Marco
anos completos ou 72 meses de vida Legal da Primeira Infância.
da criança.
Adolescente 12 a 18 anos incompletos. ECA.
Jovem-adolescente: 15 a 18 anos; ECA e Lei nº 12.852/2013 para os
jovem-adulto: 18 a 29 anos. jovens-adolescentes, salvo em re-
lação ao direito à profissionalização
(somente pelo ECA).
Idoso Pessoa com idade igual ou supe- Estatuto do Idoso.
rior a sessenta anos.
Prioridade especial: maiores de oi- Estatuto do Idoso com preferências
tenta anos até mesmo em relação específicas.
aos demais idosos. Art. 3º, § 2º, Es-
tatuto do Idoso.
Direitos específicos aos idosos maio-
res de 65 anos. Art. 33 e 39.
Pessoa com Considera-se pessoa com deficiência Estatuto das Pessoas com Deficiên-
Deficiência aquela que tem impedimento de cia.
longo prazo de natureza física, men-
tal, intelectual ou sensorial, o qual, em
interação com uma ou mais barreiras,
pode obstruir sua participação plena e
efetiva na sociedade em igualdade de
condições com as demais pessoas

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(art. 2º, do Estatuto das Pessoas com
Deficiência).

Aplicação excepcional do Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 2º, parágrafo único, do Estatuto) àqueles que
têm entre 18 e 21 anos de idade:

a) aplicação e execução de medidas socioeducativas para agentes que, ao tempo da ação ou da omissão, eram
adolescentes. Súmula 605 do STJ: “A superveniência da maioridade penal não interfere na apuração de ato infra-
cional nem na aplicabilidade de medida socioeducativa em curso, inclusive na liberdade assistida, enquanto não
atingida a idade de 21 anos”.
b) Competência da Vara da Infância e da Juventude para a ação de adoção se o adotando, quando adolescente,
estivesse sob a guarda legal ou tutela do adotante.
c) Criança e adolescente vítima ou testemunha de violência – Lei nº 13.431/2017 – art. 3º.

Art. 3º. Na aplicação e interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais a que ela se destina e, especial-
mente, as condições peculiares da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento, às quais o Estado,
a família e a sociedade devem assegurar a fruição dos direitos fundamentais com absoluta prioridade. Parágrafo
único. A aplicação desta Lei é facultativa para as vítimas e testemunhas de violência entre 18 (dezoito) e 21
(vinte e um) anos, conforme disposto no parágrafo único do art. 2º da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990
(Estatuto da Criança e do Adolescente).

2.2 Direito da Criança e do Adolescente

A Constituição Federal foi responsável pelo rompimento do paradigma menorista pelo modelo infancista. Em outras
palavras, abandonou-se o Direito do Menor, fundado em um modelo que considerava o menor um objeto de
proteção, denominado Doutrina da Situação Irregular, para encampar-se o Direito da Criança e do Adolescente,
fundado na Doutrina da Proteção Integral, segundo a qual a criança e o adolescente passam a ser considerados
sujeitos de direitos.

Modelo/Paradigma Significado e consequências


Situação Irregular O menor era considerado um objeto de proteção. Não havia a
preocupação com a tutela de seus direitos. A sua opinião não
era levada em consideração para a tomada de decisões. O
atendimento era concentrado no poder decisório do juiz de me-
nores.
Modelo/Paradigma Significado e consequências
Proteção Integral A criança e o adolescente são sujeitos de direitos, assegu-
rando-lhes a observância de seu superior interesse. A família,
a sociedade e o Estado possuem o dever jurídico de assegurar
a observância dos direitos fundamentais daquelas pessoas,
com absoluta prioridade.

Diante destas anotações preliminares, é possível estabelecer um quadro comparativo entre as Doutrinas da Situa-
ção Irregular e da Proteção Integral:

SITUAÇÃO IRREGULAR PROTEÇÃO INTEGRAL


O menor era um objeto de proteção. A criança e o adolescente passaram a ser
considerados sujeitos de direitos.

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A restrição da liberdade era regra. A restrição da liberdade passou a ser a exce-
ção.
A retirada da família era prática comum. A retirada da família somente seria admitida
em hipóteses excepcionais, competindo ao
Poder Público proporcionar os meios neces-
sários para a sua continuidade.
O Juiz de Menores era visto como um bom O Juiz da Vara da Infância e da Juventude
pai, alguém responsável por resolver a situa- deve solucionar os conflitos existentes, bem
ção irregular que se encontrava o menor. como proferir pronunciamentos judiciais com
a finalidade de tutelar os direitos da criança e
do adolescente. Como consequência, houve
a desjudicialização do atendimento.
As políticas públicas eram centradas na Encampou-se o princípio da municipalização,
União. invertendo-se a pirâmide federativa.
Não havia a participação da sociedade. Prevista a participação da sociedade para a
deliberação sobre as ações e programas vol-
tados à infância e à juventude, como ocorre
com os Conselhos de Direitos.

2.3 Fases tratamento legal da infância no Brasil.

Foi um longo processo para que se chegasse ao estágio atual de previsão de tutela dos direitos da criança e do
adolescente, consolidado sob a proteção integral. Nesse sentido, várias são as fases que podem ser delimitadas:
a) fase da absoluta indiferença; b) fase da mera imputação criminal; c) fase tutelar; d) fase da proteção
integral. Anteriormente ao Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, outros documentos legais trataram do
tema, sempre refletindo o posicionamento existente no país a respeito. Foram normas anteriores ao Estatuto da
Criança e do Adolescente:

a) Lei Federal nº 4.242/1921 - fomentou a necessidade de um Código de Menores. Note-se que tal lei se referia a
uma peça orçamentária, muito embora tenha determinado a organização de assistência e proteção à infância aban-
donada e delinquente (art. 3º, I). Definiu hipóteses de abandono e situações equiparadas, ampliou as causas para
a suspensão e destituição do poder familiar, dentre outras normas.
(b) Decreto 12.272/1923, “que dispôs sobre a assistência e proteção aos menores abandonados e delinquentes”.
Até então, a assistência aos menores era prestada por instituições religiosas, sendo que, a partir de referida lei,
cedeu espaço às ações governamentais como políticas sociais;
(c) Decreto nº 5.083/1926 - Consolidação das leis de assistência e proteção de menores;
(d) Decreto nº 17.943-A/1927 - Foi o primeiro Código de Menores do Brasil. Determinou que as crianças fossem
educadas nas escolas públicas e privadas, bem como que fossem atendidos os abandonados e infratores em inter-
natos. O serviço social transformou-se em serviço penitenciário, fato esse característico de outras leis que seguiram,
passando o Estado a responsabilizar-se pela situação de abandono dos menores.
(e) Decreto Estadual nº 9.744/1938 - Criação, no Estado de São Paulo, do Serviço Social de Menores Abandonados
e Delinquentes, com atribuições de fiscalizar o funcionamento de estabelecimentos de amparo às crianças;
f) Decreto-Lei Estadual n º 3.799/1941 - Criação, no Rio de Janeiro, do Serviço de Assistência de Menores;
g) Lei Estadual nº 2.705/1954 - Criação, em São Paulo, do Recolhimento Provisório de Menores;
h) Lei nº 4.513/1964 - Criada a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor, com a introdução de um modelo base-
ado na educação em reclusão;
i) Código de Menores de 1979 - Explicitou verdadeira estigmatização, ao propor a denominação de crianças pobres
como “menores” e dos delinquentes/abandonados como “em situação irregular”. Adotou-se a doutrina da situação

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irregular, por meio da qual crianças eram objeto de proteção, e não sujeitos de direitos, na contramão de direção do
que já existia na comunidade internacional, desde a Declaração dos Direitos da Criança de 1959.

2.4 A Constituição Federal

O art. 227 da CF encampa verdadeira declaração de direitos da criança e do adolescente. Nesse sentido, a família,
a sociedade e o Estado devem-lhes assegurar, assim como ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à
saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e
à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, explo-
ração, violência, crueldade e opressão.

A Constituição Federal não se ocupou de conceituar a criança e o adolescente. Deve ser lembrado que, inicialmente,
essas pessoas eram as únicas mencionadas no caput do art. 227 da Constituição Federal, mas a Emenda Consti-
tucional n. 65/2010 foi responsável por introduzir também a figura do jovem.
Assegurar os direitos da criança, do adolescente e do jovem constitui, por determinação constitucional, um dever
da família, da sociedade e do Estado. Em relação aos idosos também há esta previsão, que está contida no Estatuto
do Idoso.

O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da criança, do adolescente e do jovem, admitida a
participação de entidades não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes precei-
tos:

I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na assistência materno-infantil;


II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as pessoas portadoras de deficiência
física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência,
mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos,
com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.
Consoante determina a Constituição Federal, o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente
deverão ser punidos severamente. Note-se o grau de intensidade atribuído pelo Texto Constitucional, o que torna o
trabalho daqueles que lidam com estas pessoas ainda mais especial e de suma responsabilidade.

Lei nº 13.431/2017:

Art. 1o Esta Lei normatiza e organiza o sistema de garantia de direitos da criança e do adolescente vítima ou
testemunha de violência, cria mecanismos para prevenir e coibir a violência, nos termos do art. 227 da Constituição
Federal, da Convenção sobre os Direitos da Criança e seus protocolos adicionais, da Resolução no 20/2005 do
Conselho Econômico e Social das Nações Unidas e de outros diplomas internacionais, e estabelece medidas de
assistência e proteção à criança e ao adolescente em situação de violência.

Protocolo Facultativo: Decreto nº 5.007/2004.

ARTIGO 2º

Para os propósitos do presente Protocolo:

a) Venda de crianças significa qualquer ato ou transação pela qual uma criança é transferida por qualquer pessoa
ou grupo de pessoas a outra pessoa ou grupo de pessoas, em troca de remuneração ou qualquer outra forma de
compensação;

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b) Prostituição infantil significa o uso de uma criança em atividades sexuais em troca de remuneração ou qualquer
outra forma de compensação;
c) Pornografia infantil significa qualquer representação, por qualquer meio, de uma criança envolvida em ativida-
des sexuais explícitas reais ou simuladas, ou qualquer representação dos órgãos sexuais de uma criança para fins
primordialmente sexuais.

2.5 O Procedimento de Adoção

A adoção de crianças e de adolescentes deverá ser assistida pelo Poder Público, na forma prevista na lei (Estatuto
da Criança e do Adolescente), que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.
Dessa maneira, o deferimento da adoção somente poderá ser realizado mediante procedimento judicial, de compe-
tência do Juízo da Vara da Infância e da Juventude. Não é possível que se efetive a adoção por escritura pública.

O Estatuto da Criança e do Adolescente trata da adoção internacional, prevendo requisitos para que haja a sua
concessão, bem como o procedimento adequado para tanto.
Entrega voluntária da criança para fins de adoção.

2.6 Equiparação dos filhos

Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proi-
bidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
Provimento nº 63/2017, Corregedoria Nacional de Justiça – dispõe sobre o registro de nascimento e emissão da
respectiva certidão dos filhos havidos por reprodução assistida.

2.7 O Atendimento da Infância inserido na Assistência Social

No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em consideração o disposto no art. 204 da CF,
que trata da Assistência Social.

Art. 204. As ações governamentais na área da assistência social serão realizadas com recursos do orçamento da
seguridade social, previstos no art. 195, além de outras fontes, e organizadas com base nas seguintes diretrizes: I
- descentralização político-administrativa, cabendo a coordenação e as normas gerais à esfera federal e a coorde-
nação e a execução dos respectivos programas às esferas estadual e municipal, bem como a entidades beneficen-
tes e de assistência social; II - participação da população, por meio de organizações representativas, na formulação
das políticas e no controle das ações em todos os níveis.

Conselho Nacional da Assistência Social e Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente:
Resolução Conjunta nº 1/2009 – Orientações Técnicas – Serviços de Acolhimento para Crianças e Adoles-
centes e Resolução Conjunta CNAS/CONANDA nº 1/2016.

Crianças e adolescentes em situação de rua:

Art. 1º. Definir como crianças e adolescentes em situação de rua os sujeitos em desenvolvimento com direitos
violados, que utilizam logradouros públicos, áreas degradadas como espaço de moradia ou sobrevivência, de forma
permanente e/ou intermitente, em situação de vulnerabilidade e/ou risco pessoal e social pelo rompimento ou fragi-
lidade do cuidado e dos vínculos familiares e comunitários, prioritariamente situação de pobreza e/ou pobreza ex-
trema, dificuldade de acesso e/ou permanência nas políticas públicas, sendo caracterizados por sua heterogenei-
dade, como gênero, orientação sexual, identidade de gênero, diversidade étnico-racial, religiosa, geracional, territo-
rial, de nacionalidade, de posição política, deficiência, entre outros.

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§ 1º Utiliza-se o termo “situação” para enfatizar a possível transitoriedade e efemeridade dos perfis desta população,
podendo mudar por completo o perfil, repentinamente ou gradativamente, em razão de um fato novo.
§ 2º A situação de rua de crianças e adolescentes pode estar associada a: I - trabalho infantil; II – mendicância; III
- violência sexual; IV - consumo de álcool e outras drogas; V - violência intrafamiliar, institucional ou urbana; VI -
ameaça de morte, sofrimento ou transtorno mental; VII - LGBTfobia, racismo, sexismo e misoginia; VIII – cumpri-
mento de medidas socioeducativas ou medidas de proteção de acolhimento; IX - encarceramento dos pais.
§ 3º Pode ainda ocorrer a incidência de outras circunstâncias que levem crianças e adolescentes à situação de rua,
acompanhadas ou não de suas famílias, existentes em contextos regionais diversos, como as de populações itine-
rantes, trecheiros, migrantes, desabrigados em razão de desastres, alojados em ocupações ou desalojados de ocu-
pações por realização de grandes obras e/ou eventos.
Tipificação dos serviços assistenciais: atenção básica; atenção especial de média e de alta complexidades.
“A atenção especializada poderá ser prestada nas modalidades institucional (abrigo institucional e casa-lar) e fami-
liar (família acolhedora) e deverá ser assegurada em articulação com a rede socioassistencial, com outras políticas
públicas e com os demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos, de modo a proporcionar respostas mais
efetivas às demandas das crianças e adolescentes em situação de rua”.

Em resumo:
A proteção à infância, no seu sentido lato, é direito social amparado pelo art. 6º da Constituição Federal. A Consti-
tuição atribuiu à infância e a juventude um momento especial na vida do ser humano e, por isso, conferiu-lhe no seu
artigo 227 uma proteção jurídica específica, assegurando: o status de pessoas em situação peculiar de desenvolvi-
mento, a titularidade de direitos fundamentais e determinou ao Estado que estes direitos sociais fossem promovidos
por meio de políticas públicas.

O Direito da Criança e do Adolescente possui várias fontes normativas, compostas pela Constituição Federal, con-
venções internacionais e legislação interna de um modo geral.
Recentemente, a Lei nº 13.509, de 22.11.2017, alterou consideravelmente vários dispositivos do Estatuto, para
dispor sobre entrega voluntária, destituição do poder familiar, acolhimento, apadrinhamento, guarda e adoção de
crianças e adolescentes, bem como para alterar o Código Civil e permitir mais uma hipótese de destituição do poder
familiar.
A Lei nº 13.431/2017, que trata do Sistema de Garantia de Direitos da criança e do adolescente vítimas ou teste-
munhas de violência, ainda se encontra em seu período de vacatio legis.
Há outras importantes leis que complementam o Estatuto, como ocorre, por exemplo, com a Lei nº 12.594/2012,
que trata do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo e que regulamenta a execução das medidas socio-
educativas, tema que será abordado com mais vagar adiante.
Integram as fontes do Direito da Criança e do Adolescente, ainda, aquelas provenientes de resoluções aprovadas
pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, notadamente o de âmbito nacional (Conanda), o Conse-
lho Nacional da Assistência Social – CNAS, e mesmo pelo Conselho Nacional de Justiça e sua Corregedoria.
Resolução nº 113, retificada pela Resolução nº 117, do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente:
busca o fortalecimento do Sistema de Garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente.

CAPÍTULO II - DOS INSTRUMENTOS NORMATIVOS DE GARANTIA DOS


DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

Art. 4º Consideram-se instrumentos normativos de promoção, defesa e controle da efetivação dos direitos humanos
da criança e do adolescente, para os efeitos desta Resolução:

I - Constituição Federal, com destaque para os artigos, 5º, 6º, 7º, 24 - XV, 226, 204, 227 e 228;

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II - Tratados internacionais e interamericanos, referentes à promoção e proteção de direitos humanos, ratificados
pelo Brasil, enquanto normas constitucionais, nos termos da Emenda nº 45 da Constituição federal, com especial
atenção para a Convenção sobre os Direitos da Criança;
III - Normas internacionais não-convencionais, aprovadas como Resoluções da Assembléia Geral das Nações Uni-
das, a respeito da matéria;
IV - Lei Federal nº 8.069 (Estatuto da Criança e do Adolescente), de 13 de julho de 1990;
V - Leis federais, estaduais e municipais de proteção da infância e da adolescência;
VI - Leis orgânicas referentes a determinadas políticas sociais, especialmente as da assistência social, da educação
e da saúde;
VII - Decretos que regulamentem as leis indicadas;
VIII - Instruções normativas dos Tribunais de Contas e de outros órgãos de controle e fiscalização (Receita Federal,
por exemplo);
IX - Resoluções e outros atos normativos dos conselhos dos direitos da criança e do adolescente, nos três níveis
de governo, que estabeleçam principalmente parâmetros, como normas operacionais básicas, para regular o funci-
onamento do Sistema e para especificamente formular a política de promoção dos direitos humanos da criança e
do adolescente, controlando as ações públicas decorrentes; e
X - Resoluções e outros atos normativos dos conselhos setoriais nos três níveis de governo, que estabeleçam,
principalmente, parâmetros, como normas operacionais básicas, para regular o funcionamento dos seus respectivos
sistemas.

2.8 Princípios do Direito da Criança e do Adolescente

Embora mencionados como princípios das medidas de proteção e, por extensão, das medidas socioeducativas, os
princípios indicados no parágrafo único, do art. 100, do Estatuto, aplicam-se a todo o Direito da Criança e do Ado-
lescente.

São eles:

I - condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e adolescentes são os titulares
dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na Constituição Federal;
II - proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei deve
ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que crianças e adolescentes são titulares;
III - responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos assegurados a cri-
anças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos casos por esta expressamente ressal-
vados, é de responsabilidade primária e solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização
do atendimento e da possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais;
IV - interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prioritariamente aos interesses
e direitos da criança e do adolescente, sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses legítimos
no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto;
V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito
pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;
VI - intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo que a situação de
perigo seja conhecida;
VII - intervenção mínima: a intervenção deve ser exercida exclusivamente pelas autoridades e instituições cuja
ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente;
VIII - proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a necessária e adequada à situação de perigo em
que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a decisão é tomada;
IX - responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais assumam os seus deveres
para com a criança e o adolescente;

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X - prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada
prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isso não for
possível, que promovam a sua integração em família adotiva;
XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e
capacidade de compreensão, seus pais ou responsável devem ser informados dos seus direitos, dos motivos que
determinaram a intervenção e da forma como esta se processa;
XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na companhia dos pais, de
responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a
participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devida-
mente considerada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1 o e 2o do art. 28 do ECA.

2.9 Proteção Integral. Prioridade e prioridade especial da criança.

A criança e o adolescente fazem jus à proteção especial decorrente de sua situação de pessoa em desenvolvimento.

Esta proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII: a idade
mínima para o trabalho é de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos catorze anos. O trabalho
realizado por pessoa que tenha idade inferior a esta é denominado de trabalho infantil, que é combatido por todo o
Sistema de Justiça.
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas: as crianças e os adolescentes possuem os mesmos direitos
que os adultos, além de outros que lhe são específicos. Por esse motivo, possuem também direitos previdenciários
e trabalhistas.
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola;
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, igualdade na relação processual e
defesa técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica: desse item se ocupará
com mais vagar quando do estudo do art. 228 da Constituição Federal.
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desen-
volvimento, quando da aplicação de qualquer medida privativa da liberdade: da mesma forma, serão feitos comen-
tários quando da análise do art. 228 da CF.
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao
acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem dependente de
entorpecentes e drogas afins

Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta
prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer
circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na
formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas
relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

Vide, ainda, o art. 3º, da Convenção sobre os Direitos da Criança. Regra de Ouro. Superior Interesse da Criança
(Melhor Interesse).

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1. Todas as ações relativas às crianças, levadas a efeito por instituições públicas ou privadas de bem estar social,
tribunais, autoridades administrativas ou órgãos legislativos, devem considerar, primordialmente, o interesse maior
da criança.
2. Os Estados Partes se comprometem a assegurar à criança a proteção e o cuidado que sejam necessários para
seu bem-estar, levando em consideração os direitos e deveres de seus pais, tutores ou outras pessoas responsáveis
por ela perante a lei e, com essa finalidade, tomarão todas as medidas legislativas e administrativas adequadas.
3. Os Estados Partes se certificarão de que as instituições, os serviços e os estabelecimentos encarregados do
cuidado ou da proteção das crianças cumpram com os padrões estabelecidos pelas autoridades competentes, es-
pecialmente no que diz respeito à segurança e à saúde das crianças, ao número e à competência de seu pessoal e
à existência de supervisão adequada.

Exemplo de aplicabilidade:

HABEAS CORPUS - ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE - AÇÃO DE DESTITUIÇÃO DE PODER


FAMILIAR E MEDIDA PROTETIVA DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL - ENTREGA IRREGULAR DO INFANTE
PELA MÃE BIOLÓGICA A TERCEIROS - O ABRIGAMENTO É MEDIDA QUE SE IMPÕE, NO CASO - ORDEM
DENEGADA. Hipótese: Habeas Corpus tirado contra deliberação monocrática exarada por Desembargador relator
de agravo de instrumento que indeferiu a concessão de efeito suspensivo ao recurso esse, de sua vez, interposto
contra decisão proferida pelo Juiz de Direito da Vara da Infância e da Juventude do Foro de Guarulhos que, nos
autos da ação de destituição do poder familiar fundada no efetivo abandono e indícios de adoção à brasileira, cu-
mulada com aplicação de medidas de proteção, promovida pelo Ministério Público Estadual, concedeu a antecipa-
ção de tutela para determinar o acolhimento (medida de proteção prevista no art. 101, VII, do ECA), em favor da
criança, com a consequente ordem de busca e apreensão e proibiu visitas pela genitora, ora impetrantes e seus
familiares sem autorização judicial.
1. A decisão monocrática do relator do agravo de instrumento é desafiável por recurso próprio, porém, optaram os
requerentes por protocolar o presente habeas corpus, subvertendo a ordem recursal própria incidente à espécie, o
que se afigura inadmissível, principalmente por não se revelar a ocorrência de flagrante abuso ou constrangimento
ilegal, únicas circunstâncias que autorizariam, face o sopesamento com o princípio do melhor interesse da criança
que constitui o fundamento de todo o sistema de proteção do menor, a alteração do adequado procedimento judicial
recursal.
2. Na origem fora determinado o acolhimento institucional face a suspensão do poder familiar em razão da inade-
quação na entrega espontânea do infante, pela mãe biológica residente na Bahia, ao casal impetrante domiciliado
em São Paulo, que não possui qualquer vínculo de parentesco com a criança, tampouco é inscrito no cadastro de
pretendentes à adoção.
3. Em princípio, não se afigura teratológica a deliberação do magistrado a quo e do Desembargador relator do
agravo de instrumento que, frente às circunstâncias fáticas do caso entenderam prudente o acolhimento institucional
do menor, ante a existência de fortes indícios acerca da irregularidade na conduta da genitora e dos impetrantes,
ao afrontarem a legislação regulamentadora da matéria sobre a proteção de crianças e adolescentes, bem assim
às políticas públicas implementadas, com amparo do Conselho Nacional de Justiça, que visam coibir práticas como
a da adoção à brasileira. 3. Na hipótese ora em foco, momentaneamente, a defesa do melhor interesse da criança
se consubstancia no acolhimento provisório institucional, tanto em razão do pequeno lapso de tempo de convívio
com os impetrantes, de modo a evitar o estreitamento desses laços afetivos, quanto para resguardar a adequada
aplicação da lei e a observância aos procedimentos por ela instituídos, já que, segundo se depreende dos elementos
colhidos na análise desta controvérsia, para fins de adoção, os impetrantes não estão aptos visto sequer estarem
inscritos no cadastro nacional de pretensos adotantes.
4. Assim, dada a pouca idade do infante e em razão de que os elos de convivência não perduram por período tão
significante a ponto de formar, para o menor, vínculo indissolúvel, prudente e razoável a manutenção do abriga-
mento.
5. Ordem denegada e, por consequência, revogada a liminar anteriormente concedida.

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(HC 439.885/SP, Rel. Ministro LÁZARO GUIMARÃES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 5ª REGIÃO),
Rel. p/ Acórdão Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 15/05/2018, DJe 21/05/2018).

2.10 Principais Documentos Internacionais Específicos para a Defesa dos Direitos da Criança.

a) As convenções da Organização Internacional do Trabalho


A primeira Conferência Internacional do Trabalho, promovida no ano de 1919, resultou na aprovação de seis con-
venções, atendendo aos reclames de sindicatos e da classe operária do final do século XIX e início do século XX,
quais sejam: limitação da jornada de trabalho, proteção à maternidade, proteção ao desemprego, proibição do tra-
balho noturno de menores de 18 anos, e definição da idade mínima de catorze anos para o trabalho na indústria.

b) A Declaração de Genebra – Carta da Liga sobre a criança, de 1924.

De caráter amplo e genérico porque, ao contrário das Convenções da OIT, não se circunscreve a apenas um enfo-
que da defesa dos direitos humanos da criança, mas contempla a proteção à infância em todos os seus aspectos.
É composta de cinco itens:

Pela presente Declaração dos Direitos da Criança, comumente conhecida como a Declaração de Genebra, homens
e mulheres de todas as nações, reconhecendo que a Humanidade deve à criança o melhor que tem a dar, declara
e aceita como sua obrigação que, acima e além de quaisquer considerações de raça, nacionalidade ou crença:
I. A criança deve receber os meios necessários para seu desenvolvimento normal, tanto material como espiritual;
II. A criança que estiver com fome deve ser alimentada; a criança que estiver doente precisa ser ajudada; a criança
atrasada precisa ser ajudada; a criança delinquente precisa ser recuperada; o órfão e o abandonado precisam ser
protegidos e socorridos;
III. A criança deverá ser a primeira a receber socorro em tempos de dificuldades;
IV. A criança precisa ter possibilidade de ganhar seu sustento e deve ser protegida de toda forma de exploração;
V. A criança deverá ser educada com a consciência de que seus talentos devem ser dedicados ao serviço de seus
semelhantes.

Apesar do avanço experimentado na época, com o reconhecimento da vulnerabilidade da criança, a Declaração de


Genebra limitava-se a ser mera recomendação da Liga das Nações aos governos, não possuidora de coercibilidade,
fato comum às Declarações de Direitos.

c) A Declaração dos Direitos da Criança - 1959

A Declaração dos Direitos da Criança é influenciada pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. Aliás, a
esse respeito, Norberto Bobbio assevera que, na época, a comunidade internacional se encontrava diante da ex-
pectativa de fornecer garantias válidas para o conteúdo da DUDH, e, também, de aperfeiçoá-la, articulando-a, es-
pecificando-a, atualizando-a.
Consubstanciada na Resolução n.º 1.386, e denominada de Declaração dos Direitos da Criança, de 1959, foi res-
ponsável por uma verdadeira alteração de paradigma, pois a criança deixou de ser considerada objeto de pro-
teção (recipiente passivo), para ser erigida a sujeito de direito, e, paralelamente, em sentido amplo, a infância
passou a ser considerada um sujeito coletivo de direitos.

Foram adotados dez princípios, cujo núcleo central pode ser assim apresentado:
Princípio I: universalização dos direitos a todas as crianças, sem qualquer discriminação; Princípio II: as leis devem
considerar a necessidade de atendimento do interesse superior da criança; Princípio III: direito a um nome e a uma
nacionalidade, devendo ser prestada assistência à gestante; Princípio IV: a criança faz jus a todos os benefícios da

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previdência social, bem como de desfrutar de alimentação, moradia, lazer e outros cuidados especiais; Princípio V:
aqueles que necessitarem devem receber cuidados especiais (como ocorre com as crianças portadoras de neces-
sidades especiais), bem como de receber amor e cuidados dos pais; Princípio VI: criança deverá crescer sob o
amparo de seus pais, em ambiente de afeto e segurança, podendo a criança de tenra idade ser retirada de seus
pais somente em casos excepcionais; Princípio VII: direito à educação escolar; Princípio VIII: criança deve figurar
entre os primeiros a receber proteção e auxílio; Princípio IX: criança faz jus à proteção contra o abandono e a
exploração no trabalho; Princípio X: criança deve crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão,
amizade e justiça entre os povos.

d) Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989

Adotada pela ONU, em 1989, e vigente desde 1990, destaca-se como o tratado internacional de proteção de direitos
humanos com o mais elevado número de ratificações.
Nos termos dessa convenção, a criança é definida como “todo ser humano com menos de 18 anos de idade, a não
ser que pela legislação aplicável, a maioridade seja atingida mais cedo”.

Em resumo: são incluídos mais de quarenta direitos específicos, mas que, apesar de sua abrangência, deixaram de
fazer previsão de regras protetoras para crianças estrangeiras, para vítimas de migrações internas forçadas e para
proteção contra experiências médicas.
O documento é composto por quarenta e dois artigos, que seguem a filosofia fundada na Declaração Universal dos
Direitos do Homem, cuidando não só de direitos econômicos, sociais, culturais, civis e políticos, mas também incluiu
direitos humanitários e conceitos novos.

Importante notar que nem todos os direitos consagrados nos documentos de proteção homogênea foram repetidos
na Convenção da Criança, o que não se apresenta como um problema, pois é identificada a existência de um diálogo
entre as convenções sobre direitos humanos e a Convenção de 1989, de modo que todos os princípios consubs-
tanciados nos documentos homogêneos serão aplicados à Convenção.
Assim, muito embora um país não tenha assinado, por exemplo, o Pacto sobre Direitos Civis e Políticos, no que se
refere à infância, estará sujeito às regras impostas por aquele documento, em razão dessa ‘ponte permanente’ entre
as convenções.

A Convenção também encampou o princípio do superior interesse da criança (melhor interesse). Este princípio, hoje
quase tratado como cláusula geral, vem sendo utilizado pelo Superior Tribunal de Justiça para abrandar regras
formais e materiais se estas atuarem contra aquele interesse.
Após a aprovação da Convenção, detectou-se a necessidade de serem enfatizados direitos em razão das demandas
da sociedade. Por isso, foram aprovados os Protocolos Facultativos (Proibição de Participação das Crianças em
Conflitos Armados e contra a Venda de Crianças, Prostituição Infantil e Pornografia Infantil e, por último, o que trata
da Sistemática de Controle.

O Terceiro Protocolo Facultativo à Convenção ampliou a sistemática de controle de efetivação dos direitos da cri-
ança. Originariamente, o único sistema admitido era o dos relatórios. Dessa maneira, cada Estado parte deveria
enviar relatório sobre a situação e cumprimento de metas. Atualmente, por conta do Protocolo, que já se encontra
em vigência no âmbito internacional, desde 2014, eis que já aprovado pelo mínimo necessário de Estados Partes,
também se admitirá a sistemática das petições individuais, em caráter subsidiário.

e) Princípios Orientadores de Riad

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Os Princípios Orientadores de Riad ou Princípios Orientadores das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquên-
cia Juvenil referem-se a um conjunto de princípios por meios dos quais se reconhece que a prevenção da delin-
quência juvenil se constitui em uma parte essencial da prevenção do crime da sociedade, requerendo esforços por
parte de toda a sociedade para assegurar o desenvolvimento harmonioso dos adolescentes, com respeito e promo-
ção de sua personalidade, desde a mais tenra idade. Entre os princípios fundamentais do aludido documento, en-
contra-se a previsão de que “a consideração de que o comportamento ou conduta dos jovens, que não é conforme
às normas e valores sociais gerais, faz muitas vezes parte do processo de maturação e crescimento e tende a
desaparecer espontaneamente na maior parte dos indivíduos na transição para a idade adulta”.

f) Regras Mínimas de Beijing


Regras Mínimas das Nações Unidas para a Administração da Justiça da Infância e da Juventude

2.11 Criança e Adolescente Migrante

Lei nº 13.445/2017 – Institui a Lei de Migração. Art. 3º, da Lei nº 13.445/2017 – A política migratória brasileira rege-
se pelos seguintes princípios e diretrizes: VIII – garantia do direito à reunião familiar (princípio da unidade
familiar); IX – igualdade de tratamento e de oportunidade ao migrante e aos seus familiares; XVII – proteção integral
e atenção ao superior interesse da criança e do adolescente migrante.

O visto temporário poderá ser concedido ao imigrante que venha ao Brasil com o intuito de estabelecer residência
por tempo determinado, se o visto temporário tiver a finalidade propiciar a reunião familiar (art. 14, I, i).

Art. 37. O visto ou a autorização de residência para fins de reunião familiar será concedido ao imigrante:

II - filho de imigrante beneficiário de autorização de residência, ou que tenha filho brasileiro ou imigrante beneficiário
de autorização de residência;
III - ascendente, descendente até o segundo grau ou irmão de brasileiro ou de imigrante beneficiário de autorização
de residência; ou
IV - que tenha brasileiro sob sua tutela ou guarda.
Admite-se a excepcional entrada de criança ou adolescente desacompanhado de responsável legal e sem autori-
zação expressa para viajar desacompanhado, independentemente do documento de viagem que portar, hipótese
em que haverá imediato encaminhamento ao Conselho Tutelar ou, em caso de necessidade, a instituição indicada
pela autoridade competente (art. 40, V).

A naturalização provisória poderá ser concedida ao migrante criança ou adolescente que tenha fixado residência
em território nacional antes de completar dez anos de idade e deverá ser requerida por intermédio de seu represen-
tante legal. Admite-se a conversão para naturalização definitiva se o naturalizando expressamente assim o requerer
no prazo de dois anos após atingir a maioridade (art. 70).

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