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O texto e a construção dos sentidos, Ingedore Villaça KOCH (resenha)

KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. O texto e a construção dos sentidos. 9ª Ed. São Paulo: Contexto, 2007.

A autora

Ingedore Grunfeld Villaça Koch nasceu na Alemanha e veio para o Brasil ainda criança, naturalizando-se brasileira.
Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo e possui licenciatura plena em Letras. É mestre e doutora em
Ciências Humanas: Língua Portuguesa pela PUC/SP, onde foi professora do departamento de Português. Atualmente
é professora titular do Departamento de Lingüística do IEL/UNICAMP.

Resumo da obra

“O Texto e a construção dos sentidos” (Contexto, 2007; 168 páginas) de Ingedore Villaça Koch, baseando-se em
teorias sócio-interacionais da linguagem, tem como objetivo discutir as atividades discursivas existentes no processo
de produção textual, considerando-o uma atividade interacional entre sujeitos com objetivos pré-determinados
dentro de um determinado contexto social.

O livro é dividido em duas partes, sendo a primeira destinada à questões gerais de produção de sentido tanto em
textos orais quanto escritos, enquanto a segunda destina-se unicamente ao texto falado.

A autora retoma teóricos como Leont’ev, Van Dijk, Vigotsky, Marcuschi e Tannen, entre outros (inclusive pesquisas
anteriores próprias), para desenvolver seu trabalho.

No capítulo inicial Koch, de modo geral, coloca a linguagem como sendo uma forma de atividade humana que nasce
a partir de uma motivação inicial, desenvolve-se através de um conjunto de operações lingüísticas e cognitivas, a fim
de se obter um resultado final esperado de caráter basicamente lingüístico, onde uma entidade psico-físico-social –
sujeito pressuposto em toda produção textual - relaciona-se com outro sujeito, planeja e constrói seu objeto-texto
de acordo com suas necessidades e objetivos, concretizando assim o processo de comunicação.

O segundo capítulo inicia-se com algumas definições de texto dentro da Lingüística Textual, as quais podem variar de
acordo com a perspectiva teórica adotada.

A produção textual deve ser vista como uma atividade verbal interacional, resultante de operações e estratégias da
mente humana e a serviço de fins sociais. A Lingüística Textual estuda tais operações, lingüísticas e cognitivas, que
controlam sua produção, além de seus aspectos coerentes e coesivos.

Do ponto de vista semântico, a construção do sentido do texto relaciona-se também como o dado e o novo, dos
quais as proporções apresentadas interferem na construção do sentido. A informação dada encontra-se já na
consciência dos interlocutores e servirá de ponto de apoio para a introdução de uma informação nova.

Para que a relação entre o dado e o novo funcione de forma adequada e possa atingir os objetivos do produtor, há
necessidade da existência de cadeias coesivas, onde a remissão e a inferência constituirão estratégias para (re)ativar
conteúdos da consciência de interlocutores e relacioná-las com o material presente na superfície textual.

Enquanto as cadeias coesivas proporcionarão a progressão textual através da introdução de informações, a


coerência textual será a responsável pela identificação de um texto como texto, ou seja, a atividade comunicativa,
diante de uma manifestação lingüística e de um conjunto de fatores situacionais, cognitivos, socioculturais, será
capaz de atribuir determinado sentido ao texto, que poderá então ser processado e considerado coerente pelos
envolvidos, formando uma situação concreta de atividade verbal.
O terceiro capítulo destina-se a discussão das atividades e estratégias do processamento textual e os sistemas de
conhecimento necessários durante a construção de textos. Estes últimos, divididos em lingüístico, enciclopédico e
sócio-interacional, deixam claro a complexidade do ato de construção textual, que conta com atividades de ordem
sociocognitiva para que seja realizada a produção eficaz dos sentidos.

No capítulo A construção dos sentidos no texto: coesão e coerência, a autora diz concordar com outros teóricos e
comenta que, embora coesão e coerência sejam processos distintos na construção de produções textuais, em alguns
momentos pode-se tornar impossível realizar uma distinção efetiva entre eles.

Os limites entre coesão e coerência confundem-se a partir do momento em que há a necessidade de realização de
determinados cálculos para que as relações coesivas que o texto apresenta sejam interpretadas da maneira
esperada durante o processamento textual, ou seja, os elementos lingüísticos da superfície textual devem ser usados
de forma a evitar que a mensagem que se deseja passar seja captada de maneira equivocada pelo interlocutor.

No quinto capítulo discute-se a intertextualidade, a polifonia e se tais fenômenos podem ser vistos como um só. As
formas de apresentação possíveis de cada um desses mecanismos no discurso são tratadas cada uma de maneira
isolada, e por fim conclui-se todo texto é constituído por diversas vozes para que se possa concretizar a linguagem
humana, sendo todos, portanto polifônicos, embora os conceitos de intertextualidade e polifonia não possam ser
vistos de maneira similar.

Na segunda parte do livro Koch direciona seu trabalho para o estudo da produção do sentido no texto falado.

O sexto capítulo trata a respeito da natureza da fala e suas características próprias enquanto modalidade de uso da
língua, deixando clara a não existência de uma relação dicotômica entre fala e escrita, mas sendo as diferenças
existentes entre elas resultantes de um contínuo tipológico das práticas sociais.

As diferenças existentes em cada processo de construção textual estão relacionadas às condições de produção,
planejamento prévio por parte do sujeito, fluxo de informações, interação, entre outros, não devendo o texto falado
ser visto de maneira preconceituosa e o texto escrito visto como parâmetro ideal de produção. O texto falado possui
uma estruturação própria, de acordo com as situações sócio-cognitivas presentes durante sua produção.

No sétimo capítulo a autora comenta a busca por regularidades que comprovem a existência de um sistema de
desempenho lingüístico diante da concepção de linguagem como atividade exercida por interlocutores na produção
textual. Tais regularidades apresentam-se como marcas formais presentes nos textos, definidas pelo caráter
sistemático determinado pelos processos de construção.

Diante da complexidade da construção, em particular, do texto falado, e por este não exigir domínio apenas de
recursos lingüísticos, algumas atividades de produção de um texto falado podem ser classificadas como estratégias
cognitivas e interacionais de construção devido as funções exercidas por elas. Como exemplos das principais
estratégias de processamento do texto falado estão a inserção e a reformulação (retórica ou saneadora).

Durante a inserção, cuja macrofunção é cognitiva, o locutor faz uma pausa temporária do texto que está produzindo
para inserir algum material novo com o intuito de explicar-se ou justificar-se, retomar algum conhecimento prévio,
citar exemplos ou comentários, manter o interesse do parceiro, introduzir atenuações ou ressalvas, com o objetivo
de facilitar a interação e a compreensão entre os envolvidos.

A reformulação retórica, caracterizada essencialmente pelo seu aspecto interacional, tem como função principal o
reforço da argumentação, seja por repetições, seja por parafraseamentos. Considerando sua função cognitiva, esta
pode ser usada também para facilitar o entendimento do interlocutor através de um processo de desaceleração do
ritmo da fala. A reformulação saneadora, como o próprio nome indica, pode apresentar-se sob a forma de
correções, reparos ou paráfrases saneadoras diante da necessidade do locutor de reaver alguma dificuldade
detectada durante a produção.

O oitavo capítulo aborda a tematização e a rematização e as possibilidades de articulação tema-rema, estratégias de


segmentação que interferem na produção do sentido, tendo papel importante na construção do texto e sua
coerência.
As construções segmentadas apresentam importante papel na construção do texto devido à possibilidade de
destacar um dado elemento do enunciado de acordo com a posição adotada por ele durante a construção,
permitindo uma hierarquização lingüística das unidades. Assim, o enunciador pode moldar seu enunciado e
constituir marcas próprias no discurso.

No capítulo nove discute-se a repetição como estratégia do texto falado. Inicialmente comentam-se as críticas que
as repetições ocorridas durante a produção textual costumam receber, sendo vistas como redundantes e resultantes
de má-estruturação textual.

A autora, porém, acompanha os pensamentos de Tannen e considera a repetição como uma estratégia básica de
construção do discurso presente na conversação quotidiana, sendo fundamental no processo de interação entre os
sujeitos. Tal recurso é visto também como facilitador da aprendizagem e processamento de informações diversas e
ferramenta importante para a retórica, persuasão, coerência e coesão textual.

Além dos aspectos lingüísticos gerais da repetição no contexto interacional, Koch comenta também algumas
características peculiares do português brasileiro no que diz respeito ao tópico proposto, dividindo seus comentários
em dois grupos: as peculiaridades de ordem semântica e as de ordem discursiva.

Por fim, o último capítulo aborda os papéis da digressão e da coerência na dinamicidade dos tópicos no texto.

A digressão, caracterizada pela ruptura provisória da produção textual e a retomada ao tópico interrompido, ao
contrário do que se costuma comentar, não torna o texto incoerente, mas sim acabam por desempenhar importante
papel na construção da coerência durante a produção do texto falado.

Conclusão

“O texto e a construção dos sentidos”, obra pertencente a sub-área da Lingüística Textual, é destinada a estudantes
e docentes da área de Letras.

Considerando a referência e importância da autora na área, pode-se imaginar a qualidade e o grau de especificidade
do título que, apesar de não ser muito extenso, apresenta uma visão geral dos principais tópicos relacionados às
atividades discursivas, suas marcas na materialidade lingüística e produção do sentido, tanto em textos falados
quanto escritos.

Embora possa haver certa dificuldade para o entendimento dos primeiros capítulos, resultado da linguagem técnica
adotada e da necessidade de um mínimo conhecimento prévio do assunto, no decorrer da obra a leitura torna-se
mais agradável e de fácil entendimento, até mesmo pelas informações que vão sendo adquiridas gradativamente.

Os exemplos utilizados, em maior quantidade na segunda parte do livro, ajudam a ilustrar a parte teórica
apresentada, auxiliando na fixação do conhecimento e dando sentido ao que foi exposto anteriormente.

Além das idéias defendidas pela autora, é possível também ampliar o conhecimento a respeito de outros teóricos, já
que Koch fundamenta suas pesquisas utilizando um vasto número de nomes de importantes pesquisadores do
assunto.

Em resumo, não só o presente livro, mas também todo material publicado pela autora são indispensáveis para
profissionais da área, principalmente aos que se identificam com os estudos lingüísticos e cognitivos da mente
humana durante o ato de produção dos sentidos através dos textos.