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O USO DO PÓ CERÂMICO PARA A FORMULAÇÃO DE UM NOVO

CONCRETO
Igor Sossai Aguiar1
Endrik Nardotto Rios2
RESUMO

Considerando o concreto como um dos principais produtos utilizado pela construção


civil, percebe-se também seu alto nível de componentes químicos, principalmente o
cimento. Pensando em propostas mais sustentáveis para a substituição gradativa do
cimento sem perder as propriedades essenciais do concreto, pensou-se na utilização
em testes do pó de resíduo cerâmico como um elemento importante e possível. Com
o objetivo de desenvolver soluções mais sustentáveis para a fabricação do concreto
substituindo componentes impactantes pelo resíduo cerâmico. Este projeto se baseia
em dois tipos de pesquisas, uma bibliográfica, constituído principalmente de livros e
artigos científicos. E a outra uma pesquisa experimental que consiste em determinar
um objeto de estudo, selecionar as variáveis capazes de influenciá-lo e definir as
formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto. Dessa
maneira obteve-se resultados satisfatórios com o coeficiente de variação e força
média aplicada para cada lote de concreto com substituição de cimento por pó de
cerâmica com diferenciais de porcentagem envolvendo 10%, 20% e 30%. E conclui-
se que a porcentagem de 20% de pó cerâmico parece ser uma proporção adequada
e ideal para se manter as propriedades do concreto e sua resistência.

Palavras-Chave: Concreto, Aditivo e Pó Cerâmico.

ABSTRACT

Considering concrete as one of the main products used by civil construction, it is also
noticed its high level of chemical components, mainly cement. Thinking of more
sustainable proposals for the gradual replacement of cement without losing the
essential properties of concrete, it was thought that the use of ceramic waste dust tests
as an important and possible element. With the objective of developing more
sustainable solutions for the manufacture of concrete replacing impacting components
by the ceramic residue. This project is based on two types of research, a bibliographical
one, consisting mainly of books and scientific articles. And the other an experimental
research that consists of determining a study object, selecting the variables capable of
influencing it and defining the ways of controlling and observing the effects that the
variable produces on the object. In this way, it was obtained satisfactory results with
the coefficient of variation and average force applied for each concrete lots with the
addition of ceramic powder with percentage differentials involving 10%, 20% and 30%.
It is concluded that the percentage of 20% of ceramic powder seems to be an adequate
and ideal proportion to maintain the properties of the concrete and its resistance.

Key-words: Concrete, Additive and Ceramic Powder.

1 Graduando em Engenharia Civil no Centro Universitário do Espírito Santo - UNESC


2 Mestre em Engenharia Civil (UFV) e Docente do Centro Universitário do Espírito Santo - UNESC
3

INTRODUÇÃO

A construção civil é considerada uma grande geradora de resíduos dos produtos


que utiliza nos serviços realizados bem como grande consumidora consequentemente
dos recursos renováveis e não renováveis do planeta. Com isso, apresenta grande
campo para estudos que busquem soluções viáveis para a substituição de
componentes, produtos prontos e outras alternativas que resultem em caminhos mais
baratos e menos impactantes.
Considerando o concreto como um dos principais produtos utilizado pela
construção civil, percebe-se também seu alto nível de componentes químicos,
principalmente o cimento. Pensando em propostas mais sustentáveis para a
substituição gradativa do cimento sem perder as propriedades essenciais do concreto,
pensou-se na utilização em testes do pó de resíduo cerâmico como um elemento
importante e possível.
Desse modo, o trabalho apresenta um estudo sobre o uso do pó de resíduo
cerâmico na composição do concreto como parte ativa e substitutiva parcial do
cimento. O objetivo geral da pesquisa é desenvolver soluções mais sustentáveis para
a fabricação do concreto substituindo componentes impactantes pelo resíduo
cerâmico.
A abordagem justifica-se pela grande necessidade de encontrar soluções
sustentáveis e com menor agressão ao meio ambiente e também à saúde das
pessoas tendo em vista que a produção em especial do cimento gera grande volume
de CO2 no planeta, o descarte de alguns resíduos podem poluir solos e lençóis
freáticos dentre outros fatores.
4

1 REVISÃO DE LITERATURA

1.1 A CONSTRUÇÃO CIVIL E A PRODUÇÃO DOS RESÍDUOS

A preocupação com resíduos é ainda recente no que se refere ao Brasil. A


reciclagem, o reaproveitamento de alguns materiais e lixo doméstico ainda caminha a
passos superficiais em comparação a outros países como os Estados Unidos em que
ações mais profundas já são exercitadas (JOHN, 2001).

O fato é que com isso muitos resíduos ainda são mal descartados no meio
ambiente de maneira indiscriminada ou sem tratamento adequado. Por outro lado, a
fabricação de produtos em geral ainda pode utilizar grande volume de recursos
naturais que muitas vezes não são renováveis causando consequências imensuráveis
no meio ambiente. Há um confronto entre o meio ambiente e o desenvolvimento pelo
não estabelecimento de normas rígidas para esse fim (ANGELIS NETO; ANGELIS,
1999).

A construção civil surge neste cenário como grande produtora de resíduos e o


consumo exacerbado de recursos naturais. Com isso, surge com ela a preocupação
de produzir produtos e componentes sustentáveis, mas que não percam o poder
essencial de sua função dentro da construção. Tomando-se o concreto como principal
produto utilizado pela construção civil, é viável que se reformule a sua fabricação em
torno de uma versão adequada, com as mesmas propriedades e de maneira
sustentável.

Com o grande aumento populacional, a intensificação da urbanização, do


crescimento pelas construções e organização das cidades, o uso e produção se
expandiram significativamente. Sendo o concreto um composto para a construção civil
que se utiliza do cimento como principal componente, houve um aumento do impacto
gerado pela produção desse elemento.

Um dos principais objetos de discussão a cerca dos impactos causados pela


construção civil é o que diz respeito aos resíduos. Devido aos métodos
utilizados no processo, este setor é responsável pela geração de grandes
volumes de resíduos, os quais são ainda maiores e, com isso mais
problemáticos, se os quantificar a partir da produção dos insumos, tendo
assim a geração em etapas anteriores à construção propriamente dita
(KRÜGER, 2013, p.18).
5

De acordo com Pinheiro e Crivelaro (2014) os resíduos que são provocados


pela construção civil se enquadram em classes. A classe I remete aos resíduos mais
perigosos que demandam de maior atenção tendo em vista que são os principais
responsáveis pelos acidentes e impactos graves no meio ambiente. A classe II
remete-se aos resíduos não inertes podendo ser descartados em aterros sanitários e
reciclados. No entanto, alguns componentes desses resíduos devem ser avaliados
para se verificar o nível de reciclagem. Já a classe III refere-se àqueles não inertes
também, mas que em contato com a água, por exemplo, não alteram seu teor de
potabilidade.

A construção civil deve elaborar um Programa de Gerenciamento de Resíduos


da Construção Civil – PGRCC como estratégia para sanar alguns impactos e obter
soluções sustentáveis para os problemas que podem atribuir ao meio ambiente e às
comunidades do entorno da obra. Para isso, o documento deve conter alguns
elementos como a caracterização dos resíduos pelo critério de classificação acima
citada, a minimização dos resíduos podendo reutilizá-los como matéria-prima,
segregação desses resíduos, acondicionamento adequado, transporte, transbordo e
destinação dos resíduos produzidos e inaproveitáveis (KRÜGER, 2013).

1.2 O CONCRETO E SEUS IMPACTOS NO MEIO AMBIENTE

O concreto pode ser considerado como o material mais utilizado na construção


civil em todo o país. É um material com características adesivas e coesivas que fazem
com que consiga unificar substâncias minerais em uma forma compacta (NEVILLE,
2016).

O concreto é um material de larga aplicação na construção civil, obtido pela


composição de cimento, agregados e água, podendo conter aditivos que
também influenciam o seu desempenho. A proporção de seus componentes
(dosagem ou traço) deve atender às condições requeridas de resistência,
trabalhabilidade e durabilidade, que são propriedades fundamentais do
concreto. (RIBEIRO, 2006, p.59).
6

No campo da indústria de concretos e outros materiais destinados à construção


civil, já houve alguns avanços no que se refere aos produtos e componentes
sustentáveis. Alguns estudos como aponta Metha (2008) afirmam que cerca de 60%
da massa de clínquer do cimento pode ser perfeitamente substituída.

A partir do surgimento das preocupações ambientais e da sustentabilidade


começou-se a pensar em possíveis substituições aos componentes mais agressivos
no intuito de minimizar esses impactos na sociedade.

Neville (2016) afirma que o concreto era produzido com a mistura de apenas
três substâncias sendo elas o cimento, a água e agregados. Com o passar do tempo,
com a finalidade de proporcionar maior resistência e melhorar as propriedades do
concreto, passaram a ser adicionados produtos químicos em pequenas quantidades.

De acordo com Andrade (2011) o principal benefício à sociedade quando se


utiliza adições minerais é o de redução do consumo energético e poluição do ar
gerados pela produção do cimento, redução do calor da hidratação, melhoria da
coesão, diminuição da exsudação, incremento da resistência em idades avançadas,
melhoria da fluidez do concreto, redução da permeabilidade, aumento da resistência
química dentre outros fatores.

Além disso, Krüger (2013, p.21) aponta como vantagens na utilização de


resíduos a “diminuição da quantidade de lixo a ser destinada ao tratamento
convencional; Preservação dos recursos naturais; Economia de energia; Diminuição
de impactos ambientais; Geração de empregos diretos e indiretos”.

1.3 O PÓ CERÂMICO COMO COMPONENTE PARA A SUBSTITUIÇÃO


SUSTENTÁVEL DO CIMENTO

Para isso, já existem em testes a substituição do cimento por pó de cerâmica


no concreto. A viabilidade para a utilização desse resíduo está no volume de produção
das cerâmicas e o grande grau de desperdício do componente pela sua fragilidade,
ou seja, se quebra muito fácil e ainda gera pilhas de entulhos que por conta dos custos
de retirada acabam permanecendo nos pátios dessas empresas ou ainda são mal
descartados.
7

Trata-se de um resíduo não degradável e que pode ser reutilizado com a


aplicação da logística reversa nos processos. De acordo com Silva (2006), os resíduos
cerâmicos podem ser processados em máquinas apropriadas e depois utilizados
como assentamento, revestimentos ou componente na fabricação de concreto.

Dentre as vantagens de se utilizar os resíduos de cerâmica de acordo com


Smith (2012) estão as características que os norteiam, pois, são materiais inorgânicos
unidos quimicamente por metais e não-metais em combinações simples ou
complexas. Possuem resistência quando expostos a altas temperaturas e pouca
resistência à tração. A cerâmica é considerada um bom isolante elétrico e térmico.

Com isso, o estudo prima demonstrar a suposta viabilidade da utilização dos


resíduos cerâmicos como aditivos do concreto mantendo-se as qualidades primárias
desse produto na construção civil. Desse modo, outras vantagens surgem com essa
substituição que seriam os impactos ambientais mais rasos.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

O concreto empregado nas pesquisas foi resultante da substituição em partes


do cimento por pó cerâmico. Os principais procedimentos metodológicos para esse
objetivo aconteceram no laboratório de Materiais de Construção Civil do Centro
Tecnológico UNESC, campus I.
O pó cerâmico, obtido com a moagem da cerâmica em pedaços grandes por
meio de um moinho específico, foi advindo de uma Industria da região de Marilândia
– ES.
Essencialmente o delineamento seguiu: a moagem do resíduo cerâmico, a
peneiração do material, a caracterização dos materiais utilizados, ensaios, e as
dosagens dos elementos que compõem o concreto sustentável.
O resíduo cerâmico foi quebrado em pedaços menores com auxílio de uma
marreta, logo em seguida colocado em um moinho, transformando-o em pó. No
laboratório o pó, anteriormente citado, foi peneirado através de um peneirador,
seguindo as normas da ABNT 7217/1987, sendo utilizado o material passante da
peneira ABNT 200 (# 0,075mm)
A pesquisa sobre a utilização dos resíduos de pó cerâmico na composição do
concreto foram por meio de experimentos, onde foram utilizados os materiais como
8

cimento, agregados miúdos, agregados graúdos, resíduo da indústria cerâmica, e


água.
Para se obter o traço utilizado levou-se em conta o método de dosagem da
Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Onde o cálculo se baseia na
massa específica dos materiais utilizados, curva granulométrica do agregado miúdo
(areia), as dimensões do agregado graúdo, a resistência normal do cimento aos 28
dias, a resistência à compressão do concreto requerida aos 28 dias (25 Mpa), o tipo
de construção (concreto bombeado – até 40m), sua trabalhabilidade (mole) e como
foi executado (com vibração).
A tabela 1 demonstra o percentual retido e acumulado de cada peneira na
caracterização granulométrica do agregado miúdo (areia), onde o mesmo foi
peneirado mecanicamente obedecendo às normas da ABNT 7217/1987. O agregado
miúdo usado nos ensaios é uma areia média oriunda da região de Colatina/ES, com
massa específica de 2,4 g/cm³.

AGREGADO MIÚDO (AREIA)


Diâmetros Peneiras (mm) Massa Retida (g) Retida (%)
Individual Acumulado
75 0 0 0
37,5 0 0 0
19 0 0 0
9,5 0 0 0
4,8 7,317 0,712 0,5216
2,4 36,127 3,54 4,3201
1,2 196,103 19,55 24,0850
0,6 364,184 34,61 54,65
0,3 299,954 29,97 87.98
0,15 105,358 9,67 100,1625
Fundo 3,987 0,553 100,1654
∑ 1013,03 Módulo de finura= 2,5
Tabela 1- Curva granulométrica do agregado miúdo (areia).
9

O agregado graúdo utilizado no experimento foi a brita Nº 0 com dimensões de


9,3 mm e com massa especifica de 2,6 g/cm³.
Dessa maneira o material oriundo de resíduo cerâmico foi adicionado no
concreto tradicional, na forma de pó, como elemento substitutivo de maneira parcial
ao cimento em porcentagens de 10%, 20% e 30%. Essa distribuição serviu para a
realização do comparativo de porcentagens de substituição de cimento por pó
cerâmico, de acordo com a alteração de resistência do concreto. A base da
experiência foi colacionar o concreto convencional e o concreto elaborado na
pesquisa.
Foram moldados no total 24 corpos-de-prova cilíndricos com dimensões de 10 x
20 cm (diâmetro x altura), de acordo com o método de dosagem da ABCP, utilizando
cimento Portland CP V. A tabela 2 apresenta o quantitativo de material utilizado para
confecção de 6 corpos-de-prova.

Traço Pó Cimento Agregado Pó Agregado Água


Cerâmico (Kg) miúdo (Kg) Cerâmico Graúdo (L)
(%) (Kg) (Kg)
0% pó 0 4 11,32 0 9,8 2,76
cerâmico
10% pó 10 3,6 11,32 0,4 9,8 2,76
cerâmico
20% pó 20 3,2 11,32 0,8 9,8 2,76
cerâmico
30% pó 30 2,8 11,32 1,2 9,8 2,76
cerâmico
Tabela 2- Quantidade de material usado para cada traço.

Os testes no concreto com a substituição foram realizados no estado sólido para


comparar o nível de resistência final desses blocos. O método foi pelo ensaio de
resistência à compressão CP cilíndrico onde foi avaliada a tensão máxima ou limite
de resistência à compressão. A máquina utilizada foi a Emic DL30000N com o
programa Tesc versão 3.04 conforme a figura 1 abaixo.
10

Figura 1 – Máquina para os testes do tipo Emic DL30000N


Fonte: Autoria própria (2018).

2.1 COLETA DE DADOS E AMOSTRAGEM

Os corpos-de-prova foram curados por imersão em água durante 14 dias e


obedecendo a norma NBR 5739:2007, onde foram verificadas as suas características,
por meio de ensaios de compressão simples colacionando ao concreto convencional.
Em cada teste foram utilizados 6 corpos-de-prova em temperatura ambiente
todos com a mesma área quadrada para padronização dos resultados. A figura 2
demonstra o capeamento dos materiais para então iniciar os testes de compressão,
sendo útil avaliar o aspecto do material considerando que o pó cerâmico é bem fino
podendo ser útil no preenchimento dos poros do concreto.
11

Figura 2 – Processo final de produção do concreto com substituição de cimento por pó


cerâmico
Fonte: Autoria própria (2018).

Cada lote fabricado foi devidamente identificado pela porcentagem de pó


cerâmico, conforme pode ser visualizado na Figura 2 acima.
Após a identificação, os corpos-de-prova (CP’s) foram colocados na prensa da
máquina de compressão. Todos os procedimentos realizados com os CP’s acima
visualizados foram registrados por meio de anotações e pelos relatórios emitidos na
própria prensa.

3 RESULTADOS

A tabela a seguir apresenta os valores obtidos nos 6 ensaios realizados para


cada grupo.
Traço 1° Ensaio 2° Ensaio 3° Ensaio 4° Ensaio 5° Ensaio 6° Ensaio

0% de 21,56 Mpa 15,12 Mpa 14,83 Mpa 17,31 Mpa 16,32 Mpa 16,39 Mpa

cerâmico
10% de 15,75 Mpa 18,81 Mpa 19,56 Mpa 19,45 Mpa 20,74 Mpa 15,66 Mpa

cerâmico
12

20% de 19,07 Mpa 20,46 Mpa 24,87 Mpa 21,06 Mpa 24,67 Mpa 20,35 Mpa

cerâmico
30% de 13,84 Mpa 14,73 Mpa 15,18 Mpa 15,54 Mpa 18,54 Mpa 19,46 Mpa

cerâmico

Tabela 3- Valores obtidos no ensaio de compressão a resistência simples

O gráfico abaixo apresenta a média dos resultados dos 6 corpos de prova

MÉDIA DE RESISTÊNCIA (MPA)


Resistência

25
21.75

20 18.33
16.92 16.22
15

10

0
0% de pó 10% de pó 20% de pó 30% de pó

Gráfico 1- média dos valores de compressão a resistência simples

Dentre os percentuais utilizados, o de 30% deteve o maior índice de


consideração de variável para o ensaio. Esse percentual também foi o responsável
pela maior dispersão nos resultados tanto de resistência à força quanto à relação entre
deformação e tensão.
No entanto, a maior média de resistência à compressão foi evidenciada pela
porcentagem de substituição à 20%, o que pode favorecer essa quantidade de
proporção do pó cerâmico na mistura como fator importante. O estudo também
evidenciou que os níveis de resistência aumentaram com o passar do número dos
dias.
As análises levaram a concluir que as amostras que receberam a adição do pó
cerâmico a 10% tiveram um aumento de resistência à compressão de 8%; a 20% um
13

crescimento de 28% e a 30% uma diminuição de 5% em relação ao concreto


convencional. Isso confirma que o pó cerâmico na medida proporcional e correta pode
ser resistente substituindo uma parte do cimento com eficácia.
Outro elemento analisado foi o nível de força aplicada, que foram de 14.680
kgF/cm²; 17.420 kgF/cm² e 12990 kgF/cm², respectivamente a 10%, 20% e 30%
implicando em outra vantagem da adição da cerâmica no composto a 20 %, pois, o
corpo de prova sofreu mais impacto resistindo mais tempo.
Percebeu-se que o material com adição a 20% sofreu menos diferenças de
dispersões em comparação aos demais corpos e ao referencial. Isso também
comprova que a adição a 20% parece ser uma proporção adequada e ideal para se
manter as propriedades do concreto e sua resistência.
Comparando os corpos de prova de referência os quais não sofreram nenhuma
substituição do cimento, obteve os resultados, mostrando um coeficiente de variação
de 14,45 % e uma força média aplicada de 13550 kgF/cm², deixando claro que a
adição do pó cerâmico trouxe benefícios para o concreto.

4 DISCUSSÃO

Em estudo comparativo com SALES e ALFERES (2014), observa-se que teve o


mesmo intuito de avaliar a adição do pó de resíduo cerâmico no concreto. Porém
usou-se porcentagens do material cerâmico em 10%, 20% e 40% enquanto no
presente trabalho foi usado porcentagens envolvendo 10%, 20% e 30%.
De acordo com VIEIRA (2005), foram averiguados dois ensaios, um físico onde
foram feitos ensaios de determinação da absorção de água, massas específicas e
índices de vazios. E um mecânico, para determinar as características do concreto com
a substituição de cimento por pó cerâmico.
Conforme SALES e ALFERES (2014), o pó obtido para a substituição parcial do
cimento no concreto foi de blocos de vedação, já na presente pesquisa utilizou-se
restos de lajotas que estavam em pilhas de entulhos no pátio da indústria cerâmica e
que não possui utilização.
14

SCANDOLARA (2010), utilizou o cimento tipo CP II-32


(Cimento Portland composto com pozolana), que contém adição de material
pozolânico que varia de 6% à 14% em massa, o que confere ao cimento menor
permeabilidade. Já o cimento utilizado na pesquisa em questão foi CP-V ARI (Cimento
Portland de Alta Resistência Inicial) que atinge resistências elevadas em um curto
intervalo de tempo.
Como pode ser observado nos resultados apresentados acima o concreto foi
testado com 14 dias de cura. Já na pesquisa de LEITE e MOLIN (2002), o concreto
foi testado com idade de 1 dia, 3 dias, 7 dias e 28 dias.
É válido ressaltar que os ensaios utilizando as porcentagens de 10 % (0,4
quilogramas), 20% (0,8 quilogramas) e 30 % (1,2 quilogramas) obteve resultados de
coeficiente de variação em 11,60%, 11,17% e 13,88% respectivamente. Já na
pesquisa de SALES e ALFERES (2014), com as porcentagens já supra citadas
encontra-se coeficiente de variação variados de acordo com a idade do material de
teste e a porcentagem do pó adicionado.

CONCLUSÃO

Pensando no futuro do planeta e principalmente em alguns recursos não


renováveis que ainda são muito utilizados e que algumas organizações ainda não
perceberam a gravidade desse abuso, é viável encontrar soluções alternativas para a
fabricação do concreto na construção civil.

Sendo assim o presente projeto teve como objetivo desenvolver soluções mais
sustentáveis para a fabricação do concreto substituindo componentes impactantes,
como o cimento, pelo resíduo cerâmico.

Diante do exposto, buscou-se por meio da pesquisa experimental entender o


comportamento do material e simular seu desempenho em teste, sobretudo quanto à
tensão e deformação com e sem a adição do pó cerâmico.

Sendo assim, a pesquisa atendeu ao seu objetivo obtendo a maior média de


resistência à compressão pela percentagem de adição do componente a 20% com 14
dias de idade do concreto.
15

Ademais, sugere-se para a continuidade das pesquisas relacionadas à área: a


aplicação do pó cerâmico em maiores quantidades na substituição do cimento pela
adição, assim haveria reduções significativas na emissão de CO² para a atmosfera,
além de evitar, ou reduzir, a disposição inadequada dos resíduos cerâmicos em
aterros, ou em áreas ainda menos apropriadas, e de reduzir a exploração de recursos
não renováveis.

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Centro Universitário do Espírito Santo- UNESC por ter me fornecido o


equipamento, local e pessoas adequadas para o desenvolvimento do TCC. E
agradeço também ao meu Orientador Endrik Nardotto Rios pelo tempo dedicado a
essa pesquisa, e pela disposição que teve a me ajudar nessa etapa do curso que é
de suma importância.
16

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