Anda di halaman 1dari 17

Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Propostas de resolução – Guiões de leitura

Guião de Leitura 1

O Cavaleiro da Dinamarca, Sophia de Mello Breyner Andresen

A análise desta obra pode ser complementada com atividades propostas num PowerPoint®
disponível no CD de Recursos.

Antes da leitura
A. A autora
Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)
Breve biografia:
Poetisa e contista portuguesa, nasceu no Porto, no seio de uma família aristocrática, e aí viveu até
aos dez anos, altura em que se mudou para Lisboa. De origem dinamarquesa por parte do pai, a sua
educação decorreu num ambiente católico e culturalmente privilegiado que influenciou a sua
personalidade. Frequentou o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa, em consonância com o seu fascínio pelo mundo grego (que a levou igualmente a viajar pela
Grécia e por toda a região mediterrânica), não tendo todavia chegado a concluí-lo.
Teve uma intervenção política empenhada, opondo-se ao regime salazarista (foi cofundadora da
Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos) e também, após o 25 de Abril, como deputada.
Presidiu ao Centro Nacional de Cultura e à Assembleia Geral da Associação Portuguesa de
Escritores.
O ambiente da sua infância reflete-se em imagens e ambientes presentes na sua obra, sobretudo nos
livros para crianças. Os verões passados na praia da Granja e os jardins da casa da família
ressurgem em evocações do mar ou de espaços de paz e amplitude. A civilização grega é igualmente
uma presença recorrente nos versos de Sophia (…)
(…)
A sua obra literária encontra-se parcialmente traduzida em França, Itália e nos Estados Unidos da
América. Em 1994 recebeu o Prémio Vida Literária, da Associação Portuguesa de Escritores e, no
ano seguinte, o Prémio Petrarca, da Associação de Editores Italianos. O seu valor, como poetisa e
figura da cultura portuguesa, foi também reconhecido através da atribuição do Prémio Camões, em
1999.
Em 2001, foi distinguida com o Prémio Max Jacob de Poesia, num ano em que o prémio foi
excecionalmente alargado a poetas de língua estrangeira.
(…)
in http://www.astormentas.com (consultado em 01-10-2009; texto com supressões)

Algumas obras: Obra Poética I, II e III; A Menina do Mar; A Árvore; A Fada Oriana; O Rapaz de
Bronze; O Cavaleiro da Dinamarca; Histórias da Terra e do Mar; A Floresta; Noite de Natal.

B. Elementos paratextuais
1. Os elementos paratextuais constantes na capa do livro são o nome da autora (Sophia de Mello
Breyner Andresen), o título da obra (O Cavaleiro da Dinamarca), a editora (Figueirinhas) e a
ilustração.

1 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

2. O título realça uma categoria da narrativa – a personagem. Assim, o Cavaleiro será o protagonista
da ação, sabendo-se a sua nacionalidade: dinamarquesa. Por outro lado, a Dinamarca pode ser um
dos espaços físicos onde se passa a ação.
2.1. Provavelmente os alunos associam um cavaleiro a tempos antigos, em que o cavalo era o meio
de transporte. Daí que o título também forneça, ainda que indiretamente e de forma imprecisa, uma
indicação sobre o tempo.
3. A ilustração da capa sugere uma floresta que se alonga para a contracapa. Trata-se de uma
floresta densa, com uma vegetação de tal maneira entrelaçada que faz lembrar um labirinto de onde
será difícil sair.

Leitura
A. Análise global
1. Página 5, 1.° parágrafo.
2. Página 5, 2.° parágrafo.
3.1. O Cavaleiro anunciou à sua família o desejo de passar o Natal seguinte em Belém, na gruta onde
nasceu Jesus Cristo, referindo que partiria na primavera. Prometeu que, dali a dois anos, passaria
novamente o Natal com toda a família.
4. Em meados de março, embarcou em Jafa. (pág. 13) → Depois de cinco dias de tempestade no
mar, chegou a Ravena, em Itália. (págs. 13-14) → Foi para Veneza. (pág. 15) → Passados um mês e
três dias, em abril, deixou Veneza em direção a Génova. (pág. 22) → A meio da viagem, decidiu fazer
um desvio para Florença, tendo passado antes por Ferrara e Bolonha. (pág. 23) → No princípio de
maio, chegou a Florença. (pág. 23) → Passados um mês e três dias, deixou Florença em direção a
Génova. (pág. 34) → Adoeceu no caminho e ficou num convento dois meses e meio (págs. 34-35)
mais cinco semanas (pág. 36). → No fim de setembro, chegou a Génova. (pág. 36) → Dois dias
depois, seguiu viagem por terra até Bruges. (pág. 37) → Atravessou os Alpes, os campos, os vales e
as montanhas de França. (pág. 37) → No inverno, chegou à Flandres e dirigiu-se para Antuérpia.
(pág. 37) → Ao quarto dia, partiu por terra em direção a sua casa. (pág. 47) → Na antevéspera do
Natal, chegou a uma pequena povoação que ficava a poucos quilómetros da sua floresta. (pág. 48) →
Na madrugada do dia 24 de dezembro, partiu em direção à floresta. (pág. 49) → Chegou à aldeia dos
lenhadores já o dia tinha escurecido. (pág. 50) → Chegou finalmente a casa, já de noite. (pág. 58).
4.1. Dois anos. A narração inicia-se numa noite de Natal em que o Cavaleiro anuncia a intenção de
viajar até Jerusalém. O Natal seguinte é passado em Jerusalém. Um ano depois, na noite de Natal,
chega a sua casa.
5. O Mercador de Veneza; o banqueiro Averardo; os frades de um convento; um negociante
flamengo.
5.1.
História 1 História 2 História 3 História 4
(págs. 17 a 22) (págs. 25 a 28) (págs. 28 a 33) (págs. 41 a 45)
Título da história História de História de Giotto História de Dante História de Pêro
Vanina Dias
Cidade onde o Veneza Florença Florença Antuérpia
Cavaleiro se
encontra
Narrador da Mercador de Filippo Filippo Capitão de um
história Veneza navio
Resumo da Conta-se a Conta-se a Conta-se a Conta-se a
história história de amor história do Pintor história de Dante história de um

2 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

entre Vanina e Giotto, que foi e da sua paixão marinheiro


Guidobaldo, que discípulo de por Beatriz, que português, Pêro
Jacob Orso Cimabué e que morreu muito Dias, que tentou,
tentou contrariar. pintou o retrato de jovem, e que sem sucesso,
Dante. motivou a escrita comunicar com
de “A Divina um negro
Comédia”. africano.

6.1. Na antevéspera do Natal, ao fim da tarde, o Cavaleiro chegou a uma povoação, que ficava
próxima da sua floresta, onde ficou hospedado em casa de um dos seus amigos. Na madrugada do
dia 24 de dezembro retomou a sua viagem. Enfrentava agora a floresta labiríntica devido à vegetação
densa. Apesar das dificuldades, prosseguiu a viagem até chegar a uma aldeia de lenhadores.
Descansou mais uma vez, mas partiu pouco depois porque queria chegar a casa antes da meia-noite,
conforme tinha prometido. Seguiu o curso do rio mas perdeu-se. Lembrando-se da noite de Natal que
passou em Jerusalém e do facto de os Reis Magos terem lido o caminho no céu, começou a rezar até
que viu uma luz. Seguiu-a e verificou que era a luz do pinheiro que ficava junto de sua casa.
7. O pinheiro é o único sinal de vida na floresta e, por essa razão, é o símbolo da esperança. A árvore
indica ao Cavaleiro o caminho até casa, quando este se perde.

B. Análise de um excerto
1.1. O tempo verbal é o pretérito imperfeito do indicativo.
1.2. Esta descrição permite: localizar geograficamente a Dinamarca e caracterizar os invernos e o
aspeto do país nessa estação; situar no tempo e no espaço o início da ação; mostrar como se
apresentava a floresta onde vivia o Cavaleiro, ao longo das quatro estações do ano; dar a conhecer
como eram preparadas e vividas as noites de Natal em casa do Cavaleiro.
2. “Norte da Europa” → “Dinamarca” → 1 “extremo Norte do país” → “uma grande floresta” → 2 “casa
construída numa clareira” → “em frente da porta” → 3 “um grande pinheiro”.
2.1. a. do geral para o particular.
3. “Há muitos anos, há dezenas e centenas de anos, havia um certo lugar da Dinamarca (…)”
4.1. Primavera → “(…) as bétulas cobriam-se de jovens folhas (…)”; “(…) a neve desaparecia e o
degelo soltava as águas do rio (…)” que “(…) recomeçava a cantar (…)”; “(…) a floresta enchia-se de
cogumelos e morangos selvagens.”; “(…) os pássaros voltavam do Sul, o chão cobria-se de flores e
os esquilos saltavam de árvore em árvore.”; “O ar povoava-se de vozes e de abelhas e a brisa
sussurrava nas ramagens.” (págs. 5-6).
Verão → “(…) manhãs (…) verdes e doiradas (…)”; “(…) flores, morangos, amoras, cogumelos.”; “(…)
relvas finas (…)”; “(…) sombra luminosa e trémula dos carvalhos e das tílias.” (pág. 6).
Inverno → “(…) a floresta ficava imóvel e muda presa em seus vestidos de neve e gelo.” (pág. 6).
4.2. Exemplos:
■ dupla adjetivação → “(…) a floresta ficava imóvel e muda (…)”;
■ tripla adjetivação → “(…) jovens folhas, leves e claras (…)”;
■ personificação → “(…) a brisa sussurrava nas ramagens.”;
■ metáfora → “(…) presa em seus vestidos de neve e gelo.”
4.3. Exemplos:

3 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

■ sensações visuais → “Nas manhãs de verão verdes e doiradas (…)”;


■ sensações auditivas → “O ar povoava-se de vozes (…)”.
5. Parágrafos 6 a 9.
5.1. O contraste é estabelecido no sétimo parágrafo (“Lá fora havia gelo, vento, neve. Mas em casa
do Cavaleiro havia calor e luz, riso e alegria.”). O espaço exterior pode ser caracterizado como frio,
agreste; o espaço interior, como agradável, confortável, animado.
6.1. Trata-se do advérbio de predicado “sempre” que se repete quatro vezes.
6.2. A figura retórica é a anáfora.

Soluções do jogo
3. Percorreu as ruas e as praças, visitou os conventos, os palácios, as bibliotecas e as igrejas. (pág.
33)
7. Convidou-o a estabelecer-se em Florença, associando-se aos seus negócios. (pág. 33)
12. Seguiu para o porto de Génova para embarcar num navio que o iria levar a Antuérpia. (pág. 34)
15. Adoece e vê-se obrigado a pedir ajuda num convento. (págs. 34-35)
19. Chás de raízes de flores, pílulas de aloés, xaropes de mel e vinho quente, pós misteriosos e
emplastros de farinhas e ervas. (pág. 35)
22. No final do mês de setembro. (pág. 36)
25. Vai por terra, a cavalo. (pág. 37)
27. Chegou no início do inverno. (pág. 37)
31. Porque estava temperada com especiarias de que ele desconhecia o sabor. (pág. 38)
34. Num havia pequenas pérolas; no outro havia ouro; e num terceiro, pimenta. (pág. 39)
38. Explorar as costas de África. (págs. 39-40)
40. Foi um marinheiro português que morreu ao tentar estabelecer
contacto com um indígena. (págs. 41-45)
43. Que o sangue dos dois era da mesma cor. (pág. 45)
45. Devido ao inverno rigoroso e ao perigo dos gelos e dos temporais.
(pág. 46)
49. Os rios estavam gelados, a terra coberta de neve, os dias
eram cada vez mais curtos, os caminhos pareciam não ter fim e o
frio aumentava. (pág. 47)
52. Apenas os pinheiros estavam verdes. (pág. 49)
56. Porque a história do Cavaleiro foi “levada de boca em boca”
pelos países do Norte e assim nasceu a tradição de se iluminarem
os pinheiros na noite de Natal. (pág. 58)

4 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Guião de Leitura 2

História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar

Os elementos paratextuais
1. Trata-se de uma narrativa que tem duas personagens principais – uma gaivota e um gato.
2.1. a. V; b. IS; c. V; d. V; e. V.
2.2. “graça”; “força”; “grande”; “mensagem de esperança”; “altíssimo valor literário e poético”.
2.3. Para além de fornecer informações sobre a ação central do conto, o texto da badana revela a
nacionalidade do autor e apresenta um juízo crítico sobre a obra.
3. Refere que a obra foi traduzida do espanhol (Chile) por Pedro Tamen.
4. A obra está organizada em duas partes, sendo a primeira parte constituída por nove capítulos e a
segunda, por onze. Todos os capítulos têm títulos que apontam já para o assunto de cada um.
5. c. uma dedicatória.

O texto
1.1. Trata-se do problema da poluição: uma ave (gaivota) é atingida por uma maré negra.
1.2. As consequências são a poluição do mar e da praia e a morte das aves marinhas.
1.3. Exemplo: A imagem mostra, em grande plano, uma gaivota nas mãos de alguém que calça
umas luvas manchadas de preto. O corpo da ave está coberto de uma massa espessa, negra e
reluzente. Em segundo plano, vê-se um indivíduo equipado com um fato branco que procede à
limpeza da areia, também ela manchada de negro.

Primeira parte
1. b.
2. Exemplo: Uma gaivota foi apanhada por uma maré negra de petróleo e caiu numa varanda onde
se encontrava um gato. Sabendo que ia morrer, ela pediu ao gato que lhe prometesse não comer o
ovo que ela estava prestes a pôr, que tomasse conta dele até nascer a gaivotinha e que a ensinasse
depois a voar. O gato disse que sim aos três pedidos. (63 palavras)

Capítulo primeiro
1. mar: “oceano”, “arenques”, “barcos”, “mar largo”, “portos”, “água”, “mergulhou”, “estibordo”;
ave: “gaivota de vigia”, “bando”, “grasnidos”, “voo”, “gaivotas-piloto”, “planar”, “ninhos”, “ovos”,
“penas”, “bico”, “céus”.
2.1. “(…) as gaivotas-piloto as tivessem conduzido (…)” (pág. 11); “Seguindo as instruções das
gaivotas-piloto (…)” (pág. 12); “No plano de voo estava previsto (…)” (pág. 13).
2.2. Ao fim de “seis horas de voo sem interrupções”, as gaivotas “voavam sobre a foz do rio Elba, no
Mar do Norte”. Depois seguiriam “para Den Helder, onde se lhes juntaria o bando das ilhas Frísias”.
De seguida, voariam “até ao estreito de Calais e ao Canal da Mancha, onde seriam recebidas pelos
bandos da baía do Sena e de Saint-Malo, com os quais voariam juntas até chegarem aos céus de
Biscaia”.
2.3. Toda aquela movimentação deve-se ao facto de haver um encontro de gaivotas – “a grande
convenção das gaivotas dos mares Báltico, do Norte e Atlântico”.

5 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

3. Não ouviu o grasnido de alarme dado pelas outras gaivotas, pelo que ficou “sozinha na imensidade
do oceano”.
4. Poderão ser indicados o primeiro e o quinto parágrafos. O tempo verbal predominante é o pretérito
imperfeito do indicativo.
4.1. Uma comparação → “(…) os barcos alinhados uns atrás dos outros, como pacientes e
disciplinados animais aquáticos (…)”.
Uma tripla adjetivação → “(…) pacientes e disciplinados animais aquáticos (…)”.

Capítulo segundo
1.1. a. personagem; c. espaço.
1.2. O grupo nominal é constituído por um determinante artigo, um nome, três adjetivos e uma
conjunção coordenativa copulativa.
1.3. Esta resposta é de carácter pessoal: os alunos devem realçar a importância do adjetivo como
modificador.
2. Narrador → “gato grande, preto e gordo”; “bolinha de carvão”; “rabo todo alçado e vibrante”;
“pequeno gato preto”; “pequeno Zorbas”;
Mãe → “Tu és ágil e vivaço”; “um gato de porto”; “todo preto”; “pequeno tufo de pelo branco (…)
debaixo do queixo”;
Menino → “não gostas de água”; “gatinho”.
3. “E tu vens comigo, Zorbas. Serás um bom gato de mar.”; “Costumavam passar muitas horas juntos
na varanda (…)”.
4. O narrador fá-lo para recordar o episódio que deu início à amizade do gato com o garoto. “Zorbas
contraíra essa dívida precisamente no dia em que (…)” (pág. 17) até “(…) disse o garoto, colocando-o
nos braços.” (pág. 20)
4.1. Exemplo: A certa altura, o gatinho saiu do cesto, porque queria provar uma cabeça de peixe e
queria ver o mundo. Ao passar na venda do peixe, desequilibrou-se e foi cair dentro do enorme papo
de um pássaro muito feio. Então tentou libertar-se, mas o pássaro hesitava se devia engoli-lo ou
cuspi-lo. Finalmente, Zorbas foi salvo pelo garoto que, tendo visto o que acontecera, obrigou o
pelicano a abrir o bico.
4.2.1. A mãe refere-se ao facto de os humanos gostarem de terem gatos nos portos, pois os gatos
afastam os ratos.
4.2.2. A mãe acha que o facto de Zorbas ser preto o pode prejudicar, pois há humanos que julgam
que um gato preto dá azar.
5. “Assim começara aquela amizade que já durava há cinco anos.” (pág. 20)
6. Sente-se feliz porque, durante quatro semanas, “seria dono e senhor do apartamento”, podendo
andar à sua vontade.

Capítulo terceiro
1. Kengah foi apanhada pela maré negra, pois não conseguiu ouvir “o grasnido de alarme” das
companheiras.
2. Quando Kengah estendeu as asas para levantar voo, foi coberta por uma onda de petróleo. Apesar
de ter vindo à superfície, constatou que a sua visão fora afetada pela maldição dos mares. Por isso,
para tentar limpar os olhos, mergulhou várias vezes até que conseguiu ver alguma luz. Contudo, não

6 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

conseguia mexer as asas, pois a mancha viscosa colou-lhas ao corpo. Logo começou a movimentar-
se para se libertar daquelas águas negras. Após muito esforço, conseguiu chegar à água limpa.
3.1. Kengah poderia ser alvo de uma morte lenta por asfixia devido ao petróleo ou ser apanhada
pelos grandes peixes. Poderia ainda morrer à fome.
3.2. Quando se vê sozinha naquela situação, Kengah não critica as outras gaivotas, aceitando que
elas apenas cumpriram a lei que “proíbe presenciar a morte das companheiras”. Por outro lado,
apesar de amaldiçoar os humanos, considera que nem todos são maus, porque, se há uns que
poluem os mares, há outros que tentam impedir esses crimes.
4. Em primeiro lugar, bateu as asas energicamente, encolheu as patas e ergueu-se uns dois palmos.
No entanto, caiu na água. Aproveitou para submergir o corpo e mover as asas debaixo de água e
conseguiu erguer-se mais de um metro. Porém caiu novamente, porque o petróleo pegava-lhe as
penas da rabadilha, o que dificultava a orientação da subida. Resolveu arrancar algumas penas e à
quinta tentativa conseguiu levantar voo. Sentiu dificuldades em planar mas conseguiu ganhar altura
por duas vezes. Todavia, não sentia os efeitos do sol.
5. Ao ver que as forças lhe começavam a faltar, resolveu voar terra adentro, para procurar um lugar
onde pudesse descer.
6. Eis um breve texto de apresentação da organização Greenpeace, retirado do site
http://www.greenpeace.org/portugal/greenpeace/a-greenpeace-em-accao (consultado em 08-10-
2009): “A Greenpeace é uma organização mundial de campanhas que age para mudar atitudes e
comportamentos, para proteger e conservar a natureza e promover a paz através de:
– Em defesa dos Oceanos, desafiando a pesca dissipadora e destrutiva e criando uma rede
internacional de reservas marinhas.
– Catalisando uma revolução energética, para lidar com a ameaça número um que o nosso planeta
enfrenta.
– Protegendo as florestas ancestrais do mundo e os animais, as plantas e as pessoas que dependem
deles.
– Trabalhando para o desarmamento e a paz, cuidando das causas, dos conflitos e exigindo a
eliminação de todas as armas nucleares.
– Criando um futuro livre de materiais tóxicos, com alternativas mais seguras aos químicos perigosos
usados nos produtos e na indústria atuais.
– Fazendo campanha por uma agricultura sustentável, rejeitando os organismos geneticamente
modificados, protegendo a biodiversidade e estimulando a agricultura socialmente responsável.
(…)
A Greenpeace tem conduzido campanhas contra a degradação ambiental desde 1971, altura em que
um pequeno barco de voluntários e jornalistas navegou até Amchitka, região do Norte do Alasca,
onde o governo norte-americano estava a realizar testes nucleares subterrâneos. Esta tradição de
“prestar testemunho” de forma não violenta continua atualmente; os nossos navios são parte
importante de todo o nosso trabalho de campanha. (…)
Fomos buscar o nome do nosso navio-bandeira, “Rainbow Warrior” (Guerreiro do Arco-Íris), a uma
lenda dos índios norte-americanos Cree. Ela descreve um tempo em que a ganância da humanidade
teria feito adoecer a Terra. Nessa altura, apareceria para a defender uma tribo de pessoas chamadas
Guerreiros do Arco-Íris.”

Capítulo quarto
1.1. Exemplo: O fim do voo de Kengah
2. A introdução abrange os dois primeiros parágrafos; o desenvolvimento tem o seu início no terceiro
parágrafo e termina no fim do penúltimo parágrafo; a conclusão é constituída pelo último parágrafo.
Quando Zorbas se encontrava a apanhar sol, viu cair na sua varanda uma gaivota muito suja e
malcheirosa.

7 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Aproximou-se dela e começou a lamber-lhe a cabeça para tentar retirar-lhe a substância negra que a
cobria. Reparou, contudo, que a gaivota respirava com muita dificuldade. Entretanto, esta disse-lhe
que ia pôr um ovo e pediu-lhe que não o comesse, que tomasse conta da sua cria e que a ensinasse
a voar. Zorbas prometeu- lhe cumprir todos os seus pedidos e partiu em busca de auxílio.
Mas Kengah não resistiu e, antes do último suspiro, pôs o ovo.
3.1. O modo de organização das sequências narrativas é a alternância. Com efeito, as duas
narrativas – da gaivota e do gato – desenvolvem-se paralelamente (vão alternando), sendo apenas
estabelecida uma ligação entre as duas no 4.° capítulo, momento em que as vidas das personagens
gaivota e gato se cruzam.

Capítulos quinto a oitavo


1.1. Colonello era um gato muito experiente e tinha talento para dar conselhos àqueles que estavam
em dificuldades. Daí que Zorbas achasse que ele poderia ajudá-lo a tratar da gaivota e da cria que
estava para nascer.
2. Sabetudo era um gato muito sábio e tinha muitas enciclopédias, os livros do saber. Os três amigos
estavam convencidos de que poderiam encontrar a resposta para o problema da gaivota naqueles
livros.
3. Zorbas e os amigos encontraram a gaivota já sem vida.
3.1. Zorbas encontrou um ovo branco com pintinhas azuis, ficando espantado e aflito porque não
sabia o que fazer com o ovo.

Capítulo nono
1. A ação localiza-se à noite: “À luz da lua (…)”; “(…) nesta noite de lua despedimo-nos (…)”.
2. Os gatos cantaram uma canção de despedida dedicada à gaivota morta (“Os quatro gatos
começaram a miar uma triste litania ao pé do velho castanheiro (…).”).
3. Os gatos das vizinhanças, os da outra margem do rio, os cães, os canários, os pardais, as rãs e o
chimpanzé Matias. Os gatos miavam, os cães uivavam, o canário piava de uma forma lastimosa, as
rãs coaxavam tristemente e o Matias guinchava.
3.1. Os alunos podem referir a solidariedade como sentimento mais importante, a união dos animais,
a ausência de discriminação…
4. Os habitantes estranharam a tristeza que, de repente, se tinha apoderado dos animais.

Segunda parte
Capítulo primeiro
1. Considerando que a ação central é o cumprimento das promessas de Zorbas a Kengah, os títulos
revelam-nos os passos que progressivamente o gato vai dando (no choco, no papel de mãe,
ensinando a voar) até à concretização final das suas promessas (“O voo”).
2.1. O gato evidencia grande preocupação com o ovo, como se pode verificar nos segmentos que se
seguem: “Muitos dias passou o gato grande, preto e gordo deitado junto do ovo, protegendo-o,
aproximando-o de si muito suavemente (…)”; “(…) só abandonava o ovo para ir comer e visitar o
caixote (…)”; “Todas as manhãs, durante as visitas do amigo, Zorbas ocultara o ovo no meio de uns
vasos da varanda (…)”; “Não foi fácil fazer rolar o ovo para debaixo de uma cama, mas conseguiu-o
(…)”.

8 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

3. Todas as manhãs, escondia o ovo no meio dos vasos da varanda, para distrair o amigo do dono,
miava-lhe, esfregava o corpo contra as pernas. Um dia, quando viu que o amigo se dirigia para a
varanda com o aspirador, saltou e partiu uma fruteira que se encontrava na cozinha, assim desviando
o indivíduo da varanda. Depois fez rolar o ovo para debaixo da cama.
4. O ovo começou a mexer-se e Zorbas sentiu umas cócegas na barriga. Este deu um salto e viu que
uma parte do ovo começava a partir-se até que de lá saiu uma cabeça branca e húmida.
4.1. Zorbas não respondeu, pois ficou profundamente emocionado.

Capítulo segundo
1. A gaivotinha era “branca como o leite”, tinha “umas penas finas, ralas e curtas”. A comparação
salienta a sua brancura e a pureza própria de um novo ser.
2. Primeiramente, Zorbas foi à cozinha buscar uma maçã mas, quando a gaivotinha deu a primeira
bicada, não conseguiu comer; depois deu-lhe uma batata e algumas das suas bolachas mas ela
continuava a não conseguir comer, pois o bico era muito mole e dobrava-se em contacto com coisas
duras. Finalmente, lembrou-se de que os pássaros comem insetos, logo foi para a varanda apanhá-
los e conseguiu alimentar a gaivotinha.
3. “O gordinho está a fazer ginástica rítmica”; “Com um corpo assim qualquer um é bailarino”; “Que
gracioso”.

Capítulos terceiro e quarto


1.1. O primeiro perigo veio do amigo da família. Para defender a gaivota, Zorbas virou um vaso vazio
por cima dela e sentou-se-lhe em cima. O segundo veio dos gatos malvados. Um deles segurava a
gaivota pela rabadilha com a sua pata. Atraído pelos gritos da gaivota, Zorbas saltou sobre os gatos e
com as suas garras esmagou-lhes as cabeças contra o chão. Entretanto o gato pegou na gaivotinha e
foram até ao bar de Harry. Aí esta foi atacada por uma ratazana mas logo Zorbas interveio e a salvou.
Os gatos decidiram então que Zorbas e a gaivotinha passariam a viver no bar do Harry para que esta
estivesse mais protegida, sobretudo dos homens.
2. Segundo os gatos, os humanos são imprevisíveis e às vezes causam danos graves, como foi o
caso da gaivota que morreu devido ao facto de os homens terem envenenado o mar com o petróleo.

Capítulo quinto
1.1. Barlavento, mascote do Hanes II, era “um autêntico gato de mar”, um gato “cor de mel com olhos
azuis”.
1.2. barlavento n.m. 1 lado de onde sopra o vento; 2 NÁUTICA bordo da embarcação voltado para o
lado de onde o vento sopra (…) (in Grande Dicionário Língua Portuguesa, Porto Editora – adaptado)
Sendo um “gato do mar”, é natural que lhe tenham dado um termo náutico como nome próprio. Outra
interpretação possível: a entrada de Barlavento na ação, mais propriamente no bar do Harry, é
agitada e ruidosa – “(…) a cada passo balanceava o corpo da esquerda para a direita (…)”–,
sugerindo a passagem do vento.
2.1. “Às vezes pergunto a mim mesmo se alguns humanos enlouqueceram, ao tentarem fazer do
oceano uma enorme lixeira.”; “(…) e nem podem imaginar a quantidade de imundície que as marés
arrastam. (…) Tirámos barris de inseticida, pneus e toneladas das malditas garrafas de plástico que
os humanos deixam nas praias” (págs. 85-86).

9 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

2.2.1. “Pelas guelras da pescada!” (pág. 87); “Pelas presas da barracuda!” (pág. 84); “Pela tinta da
lula!” (pág. 85).
2.2.2. Observe-se que todas as locuções interjetivas fazem referência a um ser do mar. Podem estar
relacionadas com o facto de Barlavento ser “um autêntico gato de mar”, mas também podem
reproduzir expressões que ele ouve frequentemente aos marinheiros, quando expressam as suas
emoções.
3. Os gatos deram-lhe o nome de Ditosa.
3.1. Este nome significa “que tem sorte, feliz, afortunada”. Ora, se pensarmos em tudo o que
aconteceu a Kengah e à luta pela sobrevivência da gaivotinha, este nome adequa-se perfeitamente
porque, de facto, ela teve sorte com Zorbas e com os outros gatos e foi muito feliz enquanto com eles
viveu.

Capítulo décimo primeiro


1. A ação localiza-se em Hamburgo: “Caía sobre Hamburgo uma espessa chuva e dos jardins
elevava-se o aroma da terra húmida. O asfalto das ruas brilhava e os anúncios fluorescentes
refletiam-se disformes no chão molhado.”
2.1. Como o Matias não o deixava sair, Zorbas atirou-se contra a janela, partiu os vidros e saltou para
o exterior. O objetivo foi entregar a gaivota ao poeta que a ia ensinar a voar.
3. Foi a partir deste espaço que Ditosa começou a voar.
5. Com a repetição de “Vais voar” e com o imperativo “Voa!”, Zorbas tenta incentivar e dar
confiança a Ditosa para ela não ter medo de voar.
6. Ditosa está eufórica por ter conseguido voar (“(…) grasnava ela, eufórica (…)”); o poeta sente-se
realizado/aliviado por ter ajudado a gaivota a concretizar o seu sonho (“(…) disse ele suspirando.”);
Zorbas estava comovido (“(…) não soube se foram as gotas de chuva ou as lágrimas que lhe
embaciaram os olhos (…)”).
7.1. Poderão associar-se a estas características a bondade, a lealdade e a honra, mas também o
respeito pela natureza e pela diversidade.
8. Este poema apresenta alguns pontos de contacto com a obra. Assim, não podemos esquecer que
foi escolhido um poeta para pôr a gaivota a voar, porque na opinião de Zorbas ele sabia voar com as
palavras. Daí uma ligação possível com o primeiro verso da primeira estrofe “A gaivota já poisou em
todos os meus versos”.
A referência ao mau tempo também é importante, porque foi num dia de chuva intensa que Ditosa
conseguiu finalmente voar. Recorde-se ainda o poema “As gaivotas” que o poeta cita (pág. 114) e
que fala da paixão daquelas aves pela chuva.
A terceira estrofe poderá ser relacionada com o momento em que se diz que Ditosa “voava solitária
na noite de Hamburgo. Afastava-se batendo as asas energicamente até se elevar sobre as gruas do
porto (…)”. Tal como a gaivota do poema, também Ditosa deixa uma marca (uma “pena”) naqueles
com quem viveu, particularmente no gato Zorbas.
A última estrofe poderá ser relacionada com o momento da despedida, isto é, quando Zorbas se
apercebeu de que finalmente Ditosa tinha voltado para o seu ambiente. Contudo, fica apenas em
observação e não manifesta o desejo de ir voar, ao contrário do sujeito poético. A última estrofe
lembra ainda as palavras de Zorbas que explica ao poeta “que só voa quem se atreve a fazê-lo”.

10 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Guião de Leitura 3

Leandro, Rei da Helíria

A palavra à autora
1.1. Foi jornalista profissional durante 11 anos; atualmente, é jornalista “freelancer”. Obras: Rosa,
Minha Irmã Rosa.
1.2. Pode promover-se a leitura de forma eficaz contando histórias às crianças desde muito bebés
para elas serem atingidas pela magia dos sons das palavras, pela música da língua, e dando livros
aos filhos.
1.3. A autora considera que os livros digitais não substituem o livro e que é muito importante tocar um
livro, cheirá-lo, levá-lo para a cama e adormecer agarrado a ele.
1.4. A escritora considera a ilustração “imprescindível nos álbuns que se destinam a leitores de faixas
etárias mais baixas”. Contudo, considera que elas já não são tão necessárias nos livros para
adolescentes. Acha ainda que a ilustração de um livro deve apenas complementá-lo.
1.5. Alice Vieira não está muito otimista quanto à evolução da leitura no nosso país porque um livro
como Rosa, Minha Irmã Rosa que ela lia, há vinte anos, a crianças dos 3.° e 4.° anos, lê- o agora aos
jovens que frequentam os 6.° e 7.° anos. Ou seja, cada vez os jovens leem menos e evoluem cada
vez mais lentamente nas suas leituras.
1.6. “(agora sou, em bom português, “freelancer”)”: Alice Vieira utiliza uma palavra estrangeira que
anteriormente classifica de um exemplo de “bom português”.
1.7. A autora tem necessidade de contactar com o público jovem para o conhecer, para saber os seus
gostos, porque tudo muda rapidamente, a linguagem, as preferências. Este contacto e conhecimento
ajudam-na a construir personagens verosímeis.
1.8. Exemplo: Alice Vieira é uma das escritoras mais lidas pelo público juvenil, que ela, aliás,
conhece bem. Todos os anos, a convite de inúmeras escolas, a escritora contacta diretamente com
os seus jovens leitores, conhecendo-os e dando-se a conhecer.

Análise global
1. O título aponta para a existência de uma personagem, provavelmente principal, que se chama
Leandro e que é rei de uma terra chamada Helíria. Neste sentido, temos a alusão ao espaço onde se
desenrola a ação – a Helíria.
Quanto à ilustração, temos a presença, em último plano, de dois palácios diferentes que sugerem a
existência de dois espaços onde se vai desenrolar a ação. Em primeiro e segundo planos,
encontram-se duas personagens – um bobo e um velho esfarrapado. De destacar ainda a presença
de um cetro de rei que se encontra no chão, o que pode sugerir a perda do reino.
2.1. 1.ª parte (primeiro parágrafo): alusão a uma passagem da história popular que serviu de
inspiração à construção desta obra.
2.ª parte (segundo parágrafo): classificação da obra – “[…adaptado ao teatro.]” e enumeração dos
temas presentes na história.
3.ª parte (terceiro parágrafo): dados biográficos de Alice Vieira.
2.2. Exemplos: Amor → 1.° ato, cena II – “Não sois vós o sol que alumia a minha velhice?”; 2.° ato,
cena XI – “Amo-vos, Senhor. Não quero recompensas.”;

11 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Ingratidão → 2.° ato, cena III – “Desde já te digo, querida irmã, que nos meus domínios não há lugar
para ele.”; “Quero lá saber! Tivesse pensado nisso antes!”;
Sonhos → 1.° ato, cena I – “Estranho sonho tive esta noite…”; “Os sonhos são recados dos deuses.”;
Remorsos → 2.° ato, cena XI – “Como fui louco! E tanto que eu vos amava!”; “Não entendi o que
então me dissestes.”;
Longas viagens de aprendizagem → 2.° ato, cena XI – “Aprendi a passar sem ela, mas nunca
aprendi a passar sem a tua lembrança.”
3. A peça divide-se em dois atos; cada ato tem onze cenas.
4. É o diálogo.
5. Introdução – cenas I a VI do 1.° ato;
Conflito – cena VII do ato I até cena VIII do 2.° ato;
Desenlace – cena IX até Cena XI do 2.° ato.
6. As indicações cénicas surgem entre parênteses e em itálico.
6.1. Exemplos: Cenógrafo → “No jardim do palácio real da Helíria.”;
Sonoplasta → “Tocam as trombetas)”; “(…) ouvem-se muito ao longe vozes antigas)”;
Luminotécnico → “(…) e a luz centra-se apenas no bobo (…)”

Análise das cenas


1.° ATO
Cena I
1.1. “(No jardim do palácio real de Helíria.)” (pág. 11).
2. e 2.1. O rei está angustiado, devido ao sonho que teve.
3. Porque acorda de manhã com os sinos e a partir daí é um rodopio: é chamado pelo rei, pelas
filhas, sobe e desce escadas.
4.1. O Bobo revolta-se com o facto de não darem valor à vida dos pobres, que trabalham muito
durante o dia, restando-lhes pouco tempo para descansarem. Por outro lado, os ricos pouco se
importam se os pobres têm ou não de comer, se têm algo que os aqueça quando têm frio. O Bobo
considera que o seu sangue é igual ao dos fidalgos e lamenta o facto de nem sequer saberem o seu
nome e acharem que ele não tem direito a sonhar, dado que sonhar é um “luxo, um desperdício”.
4.2. Exemplos: “Só os grandes fidalgos é que sonham! (…) Sonhar seria um luxo, um desperdício!”;
“Todas as manhãs, quando o frio me desperta e sinto o corpo quebrado de dormir na palha estendido
no chão, então é que eu percebo como sou feliz…”
4.3. “Aqui há dias comi um besugo estragado, deu-me volta às
tripas, e olha…”; “Mais abertos, não consigo…”
4.4. “É o que faz ser deus… Eu cá, quando quero mandar recado, é uma limpeza: “Ó Brites, guarda-
me aí o melhor naco de toucinho para a ceia!” Não preciso de mandar os meus recados pelos sonhos
de ninguém!”
5. Não deveria ser dito o chamado texto secundário, isto é, as indicações cénicas.

12 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Cena II
1. Hortênsia e Amarílis são irmãs e o Rei é o pai delas.
2.1. Ele refere-se sempre às filhas como as suas flores.
2.2. Amarílis é hipócrita (“(…) quando me chamaste para eu te cantar umas trovas sobre a tua
irmãzinha, já eu te servia (…)”) e manhosa (“Nada, nada…”); Hortênsia é autoritária e agressiva
(“Quero saber, já!, o que foi que tu contaste a meu respeito, bobo imbecil!”; “Eu mato-a! Eu mato-a!”).
3. ■ reticências: indicam que o seu discurso foi interrompido e retomado posteriormente.
■ aspas: assinalam a citação das frases ditas por Amarílis a propósito de Hortênsia.
3.1. O Bobo pretende proteger-se, deixando bem claro que ele apenas está a repetir as palavras ditas
por Amarílis.

Cena III
1. e 1.1. Violeta é a “Cor da temperança, feita de uma proporção igual de vermelho e de azul, de
lucidez e de ação refletida, de equilíbrio entre a terra e o céu, os sentidos e o espírito, a paixão e a
inteligência, o amor e a sabedoria.” (in Dicionário dos Símbolos, A. Gheerbrant e J. Chevalier, Ed.
Teorema, 1994)
2. As duas irmãs mais velhas desprezam Violeta por ser a irmã mais nova e não permitem a sua
opinião. Por outro lado, Violeta afirma a sua maturidade, referindo o facto de ter um pretendente.
3. Violeta não se sente afetada com as palavras das irmãs e refere que saberá lidar muito bem com o
príncipe.
4. Amarílis refere a idade avançada do pai e o seu débil estado de saúde.
5. “Salamaleques de um lado, salamaleques do outro (…)” até “(…) Adeusinho!” (págs. 26-27).
5.1. As indicações cénicas que surgem imediatamente antes e
depois do aparte: “(A cena para, e o Bobo dirige-se à plateia)”; “(A ação é retomada onde estava)”
mostram que há interrupção da ação.
6. Neste diálogo, põe-se em evidência a simbologia das flores que deram origem ao nome das três
raparigas. Violeta, símbolo da modéstia; Amarílis, símbolo da traição; Hortênsia, símbolo da vaidade.
Estas informações são importantes para o desenvolvimento da ação, porque é a simplicidade de
Violeta que vai provocar a sanha do pai e a sua expulsão de casa. Contudo, vai ser muito feliz porque
tem o amor sincero do príncipe Reginaldo, com quem casa, e acaba por mostrar ao pai que ele não
compreendeu bem a sua mensagem. Já as irmãs são caprichosas, vaidosas e vão tratar mal o pai.
Acabam por ser vítimas da sua própria ambição e maldade, guerreando-se uma à outra.

Cenas IV a IX
1.1. Felizardo é vaidoso, convencido, altivo, grosseiro, gabarola.
Simplício não tem vocabulário e limita o seu discurso a uma única frase: “Tiraste-me as palavras da
boca.” No entanto, apoia incondicionalmente o que Felizardo diz.
Reginaldo é terno, delicado, apaixonado, respeitador.
2. Violeta ouvia muito barulho de armas, de espadas, gritos e a voz do pai a chamar pelas filhas. As
irmãs riam-se muito e de tal modo que ela não conseguia distinguir o riso do ruído das armas e dos
gritos do pai. Ela estendia a mão ao pai mas ele não a via. Parecia estar cego. Apesar de chamar por
ele, não a ouvia. Viu-o a caminhar à toa junto a um precipício e por mais que o quisesse ajudar não
conseguia porque ele não a via.

13 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

2.1. De facto o sonho é um indício do que vai acontecer: Violeta vai ser expulsa do reino pelo pai,
porque este não compreende o que ela quer dizer quando lhe diz que gosta tanto do pai como a
comida do sal. As filhas mais velhas ficam com o poder, embora repartido. O Rei Leandro vai ficar
cego e vai vagabundear pelo mundo depois de as filhas o expulsarem do reino.
3. Todas as falas das personagens são em verso.
3.1. Esta cena revela a existência, na corte, de um mundo paralelo, constituído por homens e
mulheres que vivem e morrem “por meio tostão”. Repare-se nos seis últimos versos do “coro das
criadas”, que são repetidos, no final, por todos (criados e criadas). O ritmo acelerado da canção com
extensas enumerações sugere uma vida intensa de trabalho.
3.2. Elas não representam seres individuais, sendo antes representantes de uma classe.
Observação: poderá ser aqui introduzida a noção de personagem-tipo.

Cena X
1.1. A cena situa-se na sala do banquete.
1.2. O rei anuncia que entregará a governação do reino à filha que provar ter mais amor por si. Então
Violeta compara a falta que o pai lhe faz à necessidade que a comida tem do sal. Não
compreendendo estas palavras, o rei decide expulsar Violeta do reino.
2.1. Violeta levanta-se de imediato e fica de pé muito séria, porque também ela teve um sonho e nele
via que algo iria provocar a desagregação da família.
3. Na opinião do Rei, os deuses querem que ele deixe de reinar. Daí que ele tenha tomado a decisão
de abandonar o poder e entregá-lo à filha que melhor demonstrasse o seu amor por ele. Cada uma
delas expressou o seu amor pelo pai, mas o rei não percebeu as palavras de Violeta. Por isso,
acabou por expulsá-la do reino e a partir desse dia impediu que se falasse no nome dela em todo o
reino. Também foi nesse dia que começou a sua própria desgraça.
4. O Rei gostaria de ser um simples habitante do seu reino e viver em liberdade, em pleno contacto
com a natureza. Acha que já fez tudo o que tinha a fazer quer pelo reino quer pelas filhas; chegou,
por isso, a hora de descansar.
5. Ao longo da peça, o Bobo, para além da sua função cómica, assume também o papel de
comentador e de crítico. Nesta cena, os seus apartes permitem conhecer melhor as pessoas que
rodeiam o rei, como é o caso do conselheiro.
6. Exemplos: Movimentação de personagens: “(…) o rei, que se levanta (…)”; “(…) Violeta levanta-
se da mesa (…)”;
Gestos: “Simplício encolhe os ombros”, “Simplício diz que não com a cabeça (…)”;
Expressões faciais: “zangado”; “o conselheiro sorri (…)”;
Tom e altura de voz: “dá um grito (…)”, “apoplético”.

Cena XI
1.1. Um texto possível:
Aviso
Avisam-se todos os habitantes do reino que, a partir de hoje, não será permitido pronunciar o nome
de Violeta, minha filha mais nova, sob pena de morrer pela forca. Mais aviso que ela nunca mais
poderá voltar a este reino e que sairá imediatamente despojada de todos os bens. Desejo que morra
à fome e à sede, que se esvaia em sangue, que se perca nas florestas e nas montanhas.

14 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Leandro, Rei da Helíria


2. Uma resposta possível: Reginaldo revela o seu amor por Violeta ao dizer ao rei que Violeta não
irá sozinha e que ele a acompanhará. Por outro lado, diz-lhe que não precisa da riqueza de Violeta,
pois apenas o amor o move. Mostra ser um homem honrado.
3. O Rei torna as outras duas filhas senhoras absolutas dos domínios que até ali ele governava,
dividindo o reino. Assim, Amarílis fica com a governação do Norte e Hortênsia com a governação do
Sul.
4. São confirmados pela última frase de Hortênsia a ingratidão, a maldade, a mesquinhez.

2.° ATO

Cena I
1.1. As personagens encontram-se muitos anos depois, numa estrada.
2. Leandro e o Bobo “vestem farrapos”. Este pormenor indicia que o Rei terá perdido o seu reino,
vivendo agora miseravelmente.
3. O Bobo é comentador/narrador. Mais uma vez dirige-se à assistência e mostra que o seu
companheiro de viagem já não é rei mas um simples pedinte. Por outro lado, estabelece o contraste
entre o passado e o presente, explicando aos espectadores o que originou tal mudança.
4. Frase: “Eu sou Leandro, o rei da Helíria!”;
Uma explicação possível: O Rei tenta convencer-se a si próprio de que ainda é quem era. Observe-
se que apenas a primeira frase é dirigida ao Bobo; as outras quatro são murmuradas, isto é, têm o
Rei como único destinatário.
5.1. Esta expressão significa “arte de sobrepor uma melodia a outra melodia; de exprimir uma
oposição a outra ideia”. O rei canta dizendo que teve um reino, um manto, um cetro e uma coroa e o
bobo contrapõe dizendo que o rei deu o reino, o manto, o cetro e a coroa.

Cenas II, III e IV


1.1. Fá-lo dizendo que ele é o rei de copas, rindo-se e convidando- o a entrar no seu palácio.
1.2. Chamam-lhe a atenção a cor dos olhos, o tamanho das barbas e o porte altivo.
1.3. Uma interpretação possível: O pastor é o pretexto para que o Bobo dê a conhecer a causa
para a atual situação em que se encontram; como se verá mais adiante, é o pastor que conduz o Rei
até junto da sua filha Violeta.
2. Constitui um recuo no tempo.
2.1. A mudança de tempo é sugerida através da luz: “(A luz vai diminuindo e apaga-se sobre o bobo,
o rei e o pastor, e ilumina as princesas e os príncipes)” (pág. 73); “(A luz regressa à gruta)” (pág. 79).
3. As filhas, Amarílis e Hortênsia, e os respetivos maridos não quiseram Leandro nos seus reinos. Daí
que o tenham proibido de aí permanecer, dizendo que não permitiam a presença de preguiçosos.
4. Resposta possível: O adjetivo poderia ser ingratas: o pai gostava das filhas e foi generoso;
quando abdicou, elas trataram-no como um inútil.

15 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

Cenas V, VI e VII
1.1. É o pastor quem estabelece a ligação entre as cenas.
1.2. A cena V decorre no palácio de Violeta e Reginaldo; a cena VI, na gruta; a cena VII, no palácio
de Violeta e Reginaldo.
1.3. As cenas V e VII ocorrem no presente; a cena VI, no passado.
1.4. São as últimas palavras da cena V: “(…) eu disse…” (pág. 84).
2. O Pastor fica surpreendido, porque pensa ter encontrado o pai de Violeta, uma vez que aquele
homem corresponde à descrição que Violeta faz dele todos os domingos, desde que foi viver para o
reino com o príncipe Reginaldo.
3.1. “Em toda a parte” o Rei encontra “dor, ingratidão, miséria, ódio, privações, ciúme, morte,
ambição, loucura, medo, conspirações, intrigas, fome, traições, vinganças, grades, ciladas,
injustiças”.
3.2. Uma interpretação possível: O abandono de que foi vítima por parte das filhas mais velhas leva
a que o Rei tenha uma visão pessimista do mundo.
3.3. É um reino onde há liberdade, ausência de violência e repressão, trabalho para todos, respeito
pelo saber dos mais velhos, alimento em quantidade.
4. O pastor sabe que o Bobo ficou cheio de vontade de encontrar um lugar com as características
daquele que ele lhe descreveu.
5. b. vai pôr em prática o seu plano.

Cena VIII
1. Estão às portas do reino de Violeta e Reginaldo.
2. O Rei nunca conseguiu ver que as filhas mais velhas não eram verdadeiras quando diziam que
gostavam muito dele, nem conseguiu ver que o conselheiro o enganava.
3. “Não sentes por aqui um cheiro familiar?” (pág. 92); “Conheço este cheiro…” (pág. 93).

Cenas IX, X e XI
1. A ação situa-se no reino de Reginaldo e Violeta.
2. Estas cenas representam o momento em que o Rei chega ao reino onde vive a sua filha mais
nova. Pode dizer-se que se dá início ao desenlace.
3.1. As indicações cénicas que demonstram a crescente intensidade da reação do Rei são: “o rei
prova e delicadamente põe de lado”; “o rei prova e, enjoado, põe de lado”; “o rei prova, faz uma
careta e põe de lado.”; “(…) e a rejeição do rei, num crescendo de desagrado até acabar por dar um
safanão nos criados, deitar ao chão as travessas (…)”; “explode” (pág. 104).
4. c. fazer uma alusão ao passado (mostrando a intenção não compreendida das suas palavras).
5. Ao presenteá-lo com alimentos sem sal, Violeta pretendeu mostrar ao pai quanto valem os
melhores manjares, quando lhes falta o sal. Por outro lado, fez ver ao pai que ele nunca a perdeu e
que ela tinha sido sincera na expressão do seu amor usando palavras simples. (47 palavras)
6. Hoje em dia faz-se a apologia da utilização de pouco sal na comida, na medida em que prejudica a
saúde.
6.1. Salário vem do latim “salarium”, que denominava o “soldo para comprar sal”, pois os soldados
romanos recebiam um pagamento específico para comprarem sal.

16 DIAL7 © Porto Editora


Propostas de resolução – Guiões de Leitura

7.1. O mais importante é o amor desinteressado porque nunca acaba.


8.1. Pontos de contacto: o que as filhas dizem ao pai para lhe manifestarem o amor que lhe têm; a
expulsão da filha mais nova; a festa em que a filha expulsa serve comida sem sal ao pai.
Pontos de afastamento: a existência de mais personagens na peça de teatro; o que acontece ao rei
depois de ter expulsado a filha mais nova; a forma como a filha mais nova conhece o seu noivo.

17 DIAL7 © Porto Editora