Anda di halaman 1dari 10

O social e o cultural na perspectiva histórico-cultural: tendências conceituais

contemporâneas

Jesus Garcia Pascual

As bases que fundamentam algumas formulações teóricas derivadas das ideias de Lev
Vygotsky a partir da epistemologia marxiana (materialista, histórica e dialética),
observamos o uso de diferentes nomenclaturas, a exemplo de "sócio-histórica",
"histórico-cultural", "cultural" e "sociocultural".

Com base nos pressupostos filosóficos e nas concepções histórico-sociológicas de Marx


e Engels, Vygotsky advogava que a realidade deveria ser compreendida dialeticamente
com base em dimensões materiais e históricas, e assim também seria a construção
humana, produzida na dialética entre as condições objetivas e subjetivas de sua
existência.

Em sua concepção, o desenvolvimento humano é uma construção histórica e social,


derivada de processos interacionais e de condições objetivas de vida, e a consciência é
constituída com base nas experiências vividas. A realidade e a subjetividade são causa e
efeito um do outro.

Para que o indivíduo se torne sujeito é a sua imersão na cultura. Tal processo se
concretiza por meio da linguagem, que, exclusivamente no ser humano, assume um papel
organizador e planejador do pensamento, tornando-o capaz não apenas de
comunicação, mas também de construir e regular a si e ao mundo.

No sentido materialista-dialético, história significa a "abordagem dialética geral das


coisas", isto é, a compreensão acerca da mútua transformação do sujeito e do mundo,
que caracteriza o desenvolvimento humano. E significa também a "história do
homem", ou seja, a história das construções humanas ao longo da civilização, base
do materialismo histórico e cultural (Vygotsky, 2000, p. 23).

A perspectiva sócio-histórica surge no campo da Psicologia social, baseada na teoria


histórico-cultural de Vygotsky. Ela surgiu nesse processo de revisão e crítica com vistas
à produção de um conhecimento comprometido com a transformação social" (Bock et al.,
2007, p. 51). Essa perspectiva traz para o centro a categoria social e considera o
homem como ativo, social e histórico. E a sociedade é o acúmulo da produção histórica
dos homens por meio do trabalho (Bock, 2002). Uma Psicologia voltada para a realidade
da América Latina.

O fenômeno psicológico não é apriorístico, ele é resultado das circunstâncias sociais e


históricas. Não é preexistente ao homem; reflete a condição social, econômica e cultural
em que vivem os homens" (Bock, 2002, p. 22). Dessa forma, compreendemos que a
existência do fenômeno psicológico está atrelada à existência da sociedade.

Falar do que é subjetivo é falar do que é material e social, é falar da atividade humana.
Acontece que muitas vezes a Psicologia tem naturalizado o que é social, logo, esta
naturalização não cabe interferência do ser humano; cabe registrar e diferenciar. Assim,
as diferenças entre os homens, tomadas como naturais, tornaram-se fontes e justificativas
das desigualdades sociais.

A linguagem, produção ao mesmo tempo social e individual é expressão da síntese e do


movimento entre sujeito e realidade. Significado e sentido, como unidade de contrários,
ao mesmo tempo revelam, possibilitam e concretizam a dialética subjetividade-
objetividade. (p. 53).

Dessa forma, a categoria social emerge demarcando a importância de se conceberem


a atividade e as capacidades desse humano para além do natural.

Crítica a uma suposta neutralidade da Psicologia: atuar como psicólogo é assumir uma
posição ética na intervenção social, reconhecendo o sujeito como ativo e transformador
do mundo.

Superar a concepção positivista e idealista que atravessa a história da Psicologia (Bock,


2002), superação que se realiza com o método materialista histórico e dialético. O
positivismo baseia-se na naturalização do fenômeno psicológico, isolado do contexto,
e o idealismo fez desses fenômenos entidades abstratas.

Não é possível conceber uma estrutura inata, que acompanhará o sujeito até o fim da sua
vida. O tornar-se sujeito é uma construção social e histórica. Ao conceber estruturas fixas,
estou naturalizando o social, logo, se está naturalizado, não cabe interferência do ser
humano, “pobre do Joãozinho, ele é assim. ”

O tornar-se sujeito

O tornar-se sujeito implica na relação com a natureza, as relações sociais e a cultura.

O momento em que o desenvolvimento biológico se encontra com o cultural, supondo


um duplo nascimento da criança em ambos os planos. O desenvolvimento cultural se
inicia posteriormente ao nascimento biológico. É a partir das relações sociais e da
internalização de signos que o desenvolvimento das funções psicológicas superiores
se dá.

Segundo Leontiev (1978), é a partir do desenvolvimento de novas funções psicológicas,


intermediado pela comunicação e sociabilidade, que o ser humano passa a significar e
apropriar-se da cultura, desenvolvendo a si e a natureza que o envolve.

A noção vygotskiana de cultura está no materialismo histórico e dialético e nos processos


de significação. A natureza e a cultura assim eram consideradas mutuamente
influenciáveis, mas não como constitutivos do sujeito. O estudo das funções psicológicas
na perspectiva histórico-cultural, por exemplo, explicita o modo como o natural e o
cultural relacionam-se no desenvolvimento, de modo que, pela mediação cultural, as
estruturas psíquicas elementares/básicas transformam-se em processos superiores.
Funções superiores pressupõem uma base biológica, natural, para que o desenvolvimento
ocorra
O "produto" da vida social e da atividade social é obra do ser humano e, por conseguinte,
que não é obra da natureza. Isso quer dizer que entre a cultura e a natureza existe uma
linha divisória que as separa e que as une e essa linha passa pelo ser humano, ao mesmo
tempo natureza e agente de transformação; portanto alguém capaz de produzir cultura,
mas incapaz de criar natureza (Pino, 2005, p. 89).

Os símbolos e os instrumentos são construções humanas que possibilitam a criação


dessas condições, sendo, ao mesmo tempo, meios de produção de cultura, por mediarem
a ação humana sobre a natureza e sobre outras pessoas, e produtos dessa própria
cultura, da marca humana. Envolve desde a acumulação de informações partilhadas
cotidianamente até a organização das regras e códigos construídos socialmente.

É a capacidade de conferir à matéria uma forma simbólica e ao símbolo uma forma


material que caracteriza a ação criadora do homem. Nessa relação dialética, o autor
compreende que o "ser humano é criador daquilo que o constitui e o define enquanto
humano" (Pino, 2005, p. 15). É produto e é produtor de cultura e se constitui como pessoa
nessa relação.

Em um movimento dialético, o indivíduo inserido em sua cultura se torna sujeito, da


mesma forma que nele se expressa a sua cultura, ou seja, a pessoa carrega em si as
características de seu contexto cultural e as especificidades que a torna singular e única.

A chave está na mediação semiótica, no processo em que a função biológica recebe


atribuição de significação, envolvendo funções intrapessoais (sentimentos, memorização,
pensamentos) e funções interpessoais (uso de signos, interação). Passa, então, à função
cultural, ocorrendo, assim, uma mediação facilitada pelo outro e um processo de
internalização do indivíduo no qual o signo é o mediador.

No processo de apropriação e aquisição da cultura, é o desenvolvimento das funções


psíquicas superiores que possibilita esse aprendizado e a significação dos signos
produzidos.

Ao mesmo tempo, se o se tornar humano depende das mediações semióticas decorrente


do ser humano não nascer dotado das acumulações culturais e históricas, isto o coloca em
gigantescas possibilidades de nos desenvolver enquanto sujeitos, mas por outro lado,
podemos citar a pobreza e a estreiteza do desenvolvimento, privações e desigualdades.

Pensar a cultura e o desenvolvimento humano envolve não apenas a capacidade do


sujeito de adquirir e produzir cultura, mas os contextos sociais e as condições de
praticar, de observar, de relacionar-se e desenvolver-se, isto é, trata-se de uma
implicação material e política.

“todo o cultural é social”, mas não ao contrário. O Cultural tem relação com tudo que já
está posto antes mesmo de nascer. Já o social é o desenvolvimento das funções complexas
que permitem tornar-se sujeito apropriando da cultura e constituindo ela por meio das
relações intra e interpsicológica. O que está fora (social) se reconstrói internamente e
retorna ao exterior como nova produção, que é a base para construção da cultura.
Planos genéticos de desenvolvimento

Uma ideia de que o funcionamento psicológico não está pronto previamente, não é inato,
não nasce com as pessoas, mas também não é um pacote pronto recebido do meio
ambiente. Com isso, Vygotsky é considerado um autor interacionista, pois leva em
consideração coisas que vem de dentro e coisas que vem ambiente.

Quatro entradas de desenvolvimento que juntas caracterizariam o desenvolvimento


psicológico do ser humano.

Filogênese: História da espécie - toda espécie animal tem uma história própria e esta
história define limites e possibilidades do seu desenvolvimento. Somos bípedes, as mãos
ficam liberadas para determinados tipos de atividade, movimento de pinça e outros
movimentos finos. Coisas que são da ordem do corpo do indivíduo que permitirá o
desenvolvimento psicológico depois. Em relação a espécie humana, somos uma das
espécies menos prontas ao nascer. Isto permite uma plasticidade do cérebro para ir se
adaptando a condições ambientais.

Ontogênese: História do Indivíduo da espécie – Desenvolvimento do ser, de um membro


específico de determinada espécie. Nascer, se desenvolver, ficar adulto, reproduzir. Tudo
isso acontece em determinados períodos que são diferentes entre as espécies. Está
intrinsicamente relacionado com a filogênese. Por isso passamos por um determinado
curso de desenvolvimento e não outro.

Sociogênese: História cultural onde o sujeito está inserido – História da cultura onde o
sujeito está inserido, não necessariamente a história do brasil, mas sim, a história cultural
que interfere no funcionamento psicológico. A cultura serve como um alargador das
potencialidades que são determinadas no plano filogenético. Ou seja, o homem anda, mas
não voa. Porém agora voa, pois inventou o avião. Outro aspecto é como cada cultura
organiza o desenvolvimento de um jeito diferente (Ex: infância nos diferentes períodos
históricos, adolescência, relação de opressões das mulheres, índios e negros
escravizados). Exemplo da puberdade que é forjada com base em uma maturação
biológica, porém, a construção da adolescência é social. Outro exemplo é a categoria
terceira idade, que tem mercado específico pra ela, produtos, academias. Não tem relação
com o envelhecimento do corpo, mas sim de uma criação social.

Microgênese: Aspecto mais microscópico do desenvolvimento – Desrespeito ao fato que


cada fenômeno psicológico tem a sua própria história também. Não tem a ver com ser
pequeno, mas sim algo que acontece entre um fato e outro. Entre o aprender algo existe
um fenômeno que acontece, isto é, a microgenese. Exemplo amarrar sapatos. Porta
aberta dentro da teoria para não determinismos. As duas primeiras têm um certo papel
determinista influenciado pela espécie. Na terceira tem aspectos culturais, limites
históricos de desenvolvimento. Porém, na microgênese, cada fenômeno tem uma história
e ninguém tem uma história igual ao outro é aqui aparece a singularidade e
heterogeneidade do ser humano. Tem fatos na história de cada um que vão definir a
história de cada sujeito.
Mediação

É a ideia de ter uma coisa interposta a outra. No caso de ser humano, Vygostski entende
que não é uma relação direta, mas sim uma relação mediada. Ela pode ser por meio de
instrumentos e de signos. A ideia de instrumentos significa que nós nos relacionamos com
o mundo por meio de ferramentas, instrumentos intermediários. Machado, facas,
automóvel. Os instrumentos possibilitam uma relação direta entre o sujeito e o mundo.

Os signos fazem uma mediação com o mundo de forma semiótica, simbólica. Fazem uma
interposição entre o sujeito e o objeto de conhecimento, o eu e o objeto de uma forma que
não é concreta como os instrumentos, mas sim simbólica. Alguns até tem uma natureza
concreta, como por exemplo faixa de pedestre, placas de sinalização e etc. elas fazem a
mediação do sujeito com o objeto e de certa forma todo entende e são capazes de tomar
a decisão de acordo com o signo. É algo que está interposto entre a intenção de fazer
alguma coisa e a própria ação. Trocar a aliança de dedo para lembrar de telefonar não
é o ato de telefonar, por exemplo. Ainda é concreto, porém é de natureza simbólica e não
instrumental.

Outro plano que aparecem os signos é o plano totalmente simbólico. São internalizadas,
colocadas para dentro do sistema simbólico do sujeito e funcionam como mediadores
simbólicos dentro do nosso sistema simbólico. Decorrente disso, aparece algo que é
tipicamente humana que é a capacidade de representação mental. Ou seja, uma
capacidade de transitar por um mundo que é só simbólico. É a capacidade de se relacionar
com o objeto não apenas pela materialidade, o objeto me remete a um conceito do objeto
que está internalizado na minha cabeça, desenho, palavra, imagem do objeto. (exemplo –
elefante cor de rosa). Depende da forma que a gente se relaciona com o objeto, mas o
importante é entender que existe uma forma de representação do mundo que está dentro
de mim que não são o próprio mundo, mas sim representações do mundo. Isto nos permite
transitar pelo universo do simbólico, entre dimensões do tempo, em coisas que já
aconteceram, coisas que estão em outro espaço. Tudo por meio do transito simbólico que
fazem a mediação entre a pessoa e o mundo. Por exemplo: o ato de pôr o dedo na vela é
uma relação direta com o mundo, não mediada. Coloco o dedo no fogo e me queimo.
Num segundo momento, a pessoa pode ver a vela e colocar o dedo perto, porém ao sentir
calor retirar rapidamente. Neste caso a ação dela está sendo mediada pela lembrança
anterior da dor. A primeira vez é uma relação direta, a segunda vez é mediada em relação
pela própria experiência. Porém, também ocorre mediações que são mediadas pelos
outros, por exemplo, a mãe da criança que fala para ela não colocar a mão na vela para
não se queimar, ou na tomada, etc. Ou seja, pela informação que ela recebeu do outro.
Em termos educacionais, isto é muito importante. A boa parte da experiência do ser
humano no mundo é mediada pela experiência dos outros. Isto é essencial para o processo
de desenvolvimento histórico.

Pensamento e Linguagem

Os signos são construídos culturalmente, ou seja, o ser humano não inventa por si próprio.
Desenvolve a capacidade de representação simbólica, inserido em uma cultura que
fornece para ele elementos para ele desenvolver esse campo do simbólico. Isso é
especificamente do ser humano. E o principal lugar que isso ocorre é na língua. Todos os
grupos humanos tem uma língua que é o principal instrumento de representação simbólica
que os seres humanos dispõem.
Língua # de linguagem

Linguagem no pensamento de Vygotsky o termo melhor seria língua. Pois, não é de


qualquer linguagem que ele está falando (linguagem da dança, dos gestos, facial), mas
sim, a língua mesmo, a fala o discurso. Como todos seres humanos tem uma língua, ela é
objeto primordial do Vygotski. Isso vai ser muito importante para pensar a relação com o
pensamento.

A linguagem tem duas funções básicas:

Comunicação: As pessoas desenvolveram primeiramente a língua para se comunicar


para resolver problemas de comunicação. A língua também está presente nos animais,
eles também se comunicação por algum tipo de linguagem (sonora, gestual) com objetivo
explícito de trocas entre os membros da espécie. É assim que a língua nas para os seres
humanos. O bebê quando nasce, a primeira coisa que ele faz é chorar. Primeiro ato de
linguagem. Isto tem uma função comunicativa. Não tem uma função mais elaborada,
conceitual.

Pensamento generalizante: É nesta segunda função que a língua encaixa com o


pensamento. É nessa segunda função que a relação entre pensamento e linguagem é muito
forte. O uso da linguagem implica em uma visão generalizada do mundo. Ao nomear
alguma coisa eu estou realizando um ato de classificação. Eu estou colocando este objeto
numa classe no mundo, podendo agrupá-los com os outros objetos e ao mesmo tempo eu
estou distinguindo de todas as outras. Se eu tiver uma palavra, já consigo classificar o
mundo em duas grandes categorias. Tudo que é copo e o que é não copo. O grande salto
qualitativo na relação do homem como mundo é que a gente é capaz de abstrair,
generalizar, classificar e isso é possível porque temos um sistema simbólico organizado,
compartilhado por regras, como a língua que nenhuma outra espécie animal tem.

O significado é sempre uma generalização ou um conceito. Como as generalizações e


o conceito são atos de pensamento, podemos considerar o significado como um fenômeno
do pensamento.

A relação entre o pensamento e linguagem é muito tipicamente humano. Generalizações


e conceitos. Porém, estas generalizações não nascem com o ser humano. Ela precisa ser
desenvolvida ao longo do desenvolvimento psicológico, tanto na história da espécie, na
filogênese, como na história do indivíduo, na ontogênese.

Filogênese há linguagem, existe linguagem e pensamentos separados. Linguagem com a


função primeira de comunicação. Os chipanzés, por exemplo, usam a linguagem apenas
para função comunicativa, intercambio social. Leões – national geographic (sistema de
caça). A comunicação está ali, tem gestos, sons. Tem alguns primórdios de pensamento,
que na psicologia chama-se inteligência prática. Tem capacidade resolver problemas no
mundo concreto, atua sobre o ambiente, busca soluções, mas de um forma inserida em
um contexto perceptual imediato. Chipanzé é capaz de empilhar caixotes para alcançar
bananas que ele não alcança. Pegar galhos, varas e puxar uma fruta que está fora do
alcance do seu corpo. Ele é capaz de agir, mas ainda é uma inteligência prática, porque
não tem nenhum elemento simbólico. Por exemplo se ele não tiver a banana e vara no
mesmo campo visual ele não resolve problema. Não consegue imaginar que para resolver
o problema ele precisaria de algo além do seu próprio corpo. Isto é um indicador que ele
está agindo no plano concreto.

Na criança pequena também aparece isso. A comunicação com fins de intercambio social
como choro, expressão facial. É uma inteligência prática semelhante ao do chinpanzé. Ela
é capaz de pegar um banquiquinho para alcançar um brinquedo que ela não alcança
sozinha, ela é capaz de pegar uma bola que caiu atrás do sofá, de usar uma coisa para
puxar a outra. Ela age inteligentemente no ambiente resolvendo o problema num plano
concreto, sem mediação simbólica.

Tanto na filogênese, como na ontogênese existe linguagem e primórdios de pensamento


que seria a inteligência prática.

Num determinado momento do desenvolvimento, estas duas potencialidades se unem e o


pensamento e linguagem se unem e não desatrelam mais e vão representar uma parte
substancial do desenvolvimento humano. Isto ocorre em um determinado momento da
humanidade em que a inteligência deixa de ser apenas instrumental e passa ser abstrata.
Passa a funcionar em planos simbólicos, passa a circular por planos, momentos e espaços,
tempos diferentes que não necessariamente, precisam estar no campo perceptual
presentes. Ele é capaz de imaginar, criar, resgatar coisas que estão no passando.
(Filme - Borboletas de zagorsky).

Ele passa a ter um pensamento de natureza simbólica. Isso é permitido pela linguagem.
O fato de termos verbos no passado, presente e futuro permite que a gente transite pelo
tempo. O fato de termos verbos de negação permitem que a gente negue no discurso. A
inexistência, o zero, o nunhum. A língua permite isso. Na ausência da língua seria muito
difícil perceber a ausência. A presença sim, mas a ausência, como ficaria.

A relação entre o pensamento e a palavra é um movimento contínuo e vice-versa. O


pensamento não é simplesmente expresso em palavras. Mas é por meio delas que ele
passa a existir.

A língua está fora da pessoa. Quando a criança nasce, ela já nasce num meio falante. Já
tem uma língua que ela vai se apropriar durante o seu desenvolvimento. Este é um
movimento que vai acontecer de fora para dentro. Para o Vygotsky, o primeiro uso da
linguagem é a fala socializada. É a fala com os outros, para os outros. Só do lado de fora
dela, apenas com esta questão comunicativa inicial. É na interface dela com o outro que
a língua aparece primeiro. O ponto mais elevado da língua é o chamado discurso interior.
É o fato quando nós incorporamos um sistema simbólico no nosso aparato psicológico e
é capaz de ter internamente esse plano simbólico do funcionamento psicológico com o
suporte da língua. Eu não preciso falar alto. É como se o meu pensamento acontecesse
em grande medida apoiada nas palavras, nos conceitos, mas eu não preciso externalizar
isso, ele funciona dentro da minha cabeça. Eu penso sozinho, com o suporte das palavras,
com os modos de pensar da minha língua, como o modos de transito pelo mundo do
simbólico. Então, as coisas começam pelo lado de fora e acabam internalizadas.

O Vygostski propõe que entre o que acontece fora e o que acontece dentro, tem um
momento do desenvolvimento que ele chama de fala egocêntrica. A criança por volta de
3 a 4 anos ela fala sozinha. Fala alto e não tem um interlocutor. Esse fenômeno foi
identificado por Piaget. Porém, usam com concepções bem diferentes, justamente, porque
o Vygotsky está trabalhando de fora pra dentro e Piaget de dentro pra fora. Para Piaget
existe fala egocêntrica, mas para ele é um indicador de que o desenvolvimento está saindo
de fora do sujeito e indo para fora. Já no Vygotsky é ao contrário. A fala egocêntrica
indica que a fala está sendo colocada pra dentro. A comunicação que era entre as pessoas
vai estar sendo internalizada pelo sujeito para se tornar um instrumento dele.

É como se ela estivesse usando um formato ainda socializado da língua, mas como uma
função do discurso interior que é a fala para mim. A criança, por exemplo quando está
fazendo uma tarefa e fala vou pegar o lápis azul ela fala vou pegar o “lapís azul”, mas não
tem o lápis azul, então vou pintar de preto. Eu vou pegar um brinquedo, mas não alcanço,
preciso de um banquinho. Ela vai falando para si mesmo formas de raciocínio, de
resolução de problemas. Ela aparece muito mais quando ela está posta em dificuldade
cognitiva que evidência o fato que a linguagem é um instrumento do pensamento. Ela usa
a língua para ajudar a resolver um problema.

Desenvolvimento e aprendizagem

Vygotsky trabalha muito com o conceito de desenvolvimento para a educação e


principalmente, por um postulado dele que a aprendizagem se dá de fora para dentro. Por
causa da importância da cultura, da importância da imersão do sujeito humano em torno
dele, a ideia que o desenvolvimento aparece para ele como se dá de fora para dentro.
Nesse sentido a aprendizagem é um conceito extremamente importante para o rumo do
desenvolvimento.

Para Vygotsky, a aprendizagem que promove o desenvolvimento. Porque o sujeito faz


coisas no mundo com que ele aprenda é que ele se desenvolve. É como se a aprendizagem
puxasse o desenvolvimento do sujeito. Isto também está atrelado que o caminho do
desenvolvimento está em aberto. Como a cultura vai definir muito por onde o sujeito vai
e também as especificidades de casa sujeito vai ser definida na sua interface com o
mundo, nas suas experiências de aprendizagem, no nível microgenético. O fato de
aprender que vai definir por onde o desenvolvimento vai se dar.

Este é um ponto bastante divergente do Piaget, pois para este autor teria um fator
endógeno que impulsionaria o desenvolvimento psicológico. Para ele, por desenvolver-
se que o sujeito pode aprender. Por ele estar em determinado estágio de desenvolvimento
que ele aprende. Já para Vygotsky, porque ele aprende ele se desenvolve.

Brinquedo

A brincadeira ou o jogo simbólico, ou jogo de papeis. A brincadeira de faz de conta é


muito importante. Nesse lugar, a criança está ao mesmo tempo transitando pelo mundo
do imaginário (ela é a professora, ela é mãe). Mas, ao mesmo tempo está regido por regras.
Se ela vai brincar de escolinha, ela está restrita por regras de funcionamento de uma
escola, seja pela escola verdadeira ou pelas regras imaginárias da criança. Não pode ser
qualquer coisa. A imposição de regras é uma coisa que vem da imposição da cultura: os
jogos de papais, os jogos de faz de conta ele é uma mimica das atividades do mundo
adulto. Portanto ele traz para o funcionamento das crianças as regras do mundo adulto.
Então é um jeito de realizar uma atividade tipicamente infantil que envolve aprendizagem
e promove desenvolvimento. Ela se relaciona com o mundo adulto e se relaciona com
o significado das coisas e não necessariamente com o significado do objeto. Por
exemplo, ela pode pegar um toquinho de madeira e fingir que é um carinho. Então ela
está se relacionando com o significado de carro e não com o objeto toco de madeira.

Isto promove pra ela também um descolamento do mundo perceptual imediato e faz com
que ela se relacione com o mundo do significado. Então ajuda a ela entrar no transito
desse mundo simbólico. Das relações, da língua, da relação entre pensamento e linguagem
e etc.

O brinquedo é um bom exemplo de como atividades realizadas do lado de fora, que


constitui aprendizagem e promovem o desenvolvimento por um caminho tipicamente
atrelado a cultura.

Desenhar e brincar deveria ser um estágio preparatório para o desenvolvimento da


linguagem e escrita das crianças. Os educadores devem realizar cuidadosamente a
transição de um tipo de linguagem para outro. Devem acompanhar estes processos
através dos seus desenvolvimentos críticos. Até o ponto da descoberta que pode
desenha não somente objetos, mas também a fala.

Zona de Desenvolvimento Proximal

Desenvolvimento para Vygotsky deve ser olhado de forma prospectiva e não


retrospectiva. Ou seja, olhado para frente, para aquilo que ainda não aconteceu.
Normalmente a gente pergunta por aquilo que já aconteceu: seu filho sabe ler, sabe amarar
sapato, já senta. Ou seja, tudo aquilo que já está pronto na criança. Mas, aquilo que está
para acontecer que deve ser objeto da intervenção educacional. Também é ali que o
desenvolvimento está acontecendo, em termo a ser compreendido pelo estudioso do
desenvolvimento.

Esta ideia toma corpo num conceito desenvolvido por ele que é a zona de
desenvolvimento proximal ou potencial.

Nível de desenvolvimento real: é o nível de desenvolvimento que a criança já chegou.


Desenvolvimento passado, é o olhar retrospectivo. Ou seja, aquilo que ele já tem.

Nível de desenvolvimento potencial: Ou seja, aquilo que a criança ainda não tem, mas
que podemos imaginar que está próximo de acontecer. Que está num horizonte próximo.
Geralmente sabemos que a criança está próxima porque ela consegue se relacionar com
aqueles objetos de conhecimento e de ação, mas de forma não autônima ainda. Mas,
consegue com ajuda, com instrução do outro, com a intervenção de um colega mais
experiente. O fato dela não fazer sozinha identifica que ela pertence a um plano de
desenvolvimento que está próximo de se consolidar.

Entre aquilo que já está pronto e aquilo que está no horizonte de potencial é que Vygotsky
localiza de zona de desenvolvimento proximal. Isto é o que tem de mais interessante, pois
é onde o desenvolvimento está acontecendo no aqui/ agora. Também é o que permite a
intervenção, ou seja, ali que é possível intervenção para operar transformações.
Ela define as funções que ainda não amadureceram, mas que estão em processo de
maturação. Elas estão presentes em estado embrionário. Este conceito tem um valor
explicativo da teoria, mas não é um conceito instrumental. Ou seja, não posso querer
entrar na sala de aula e medir a zona de desenvolvimento proximal dos estudantes.
Identificar zonas proximais, porque é um conceito muito flexível e complexo –
Microgênese. Ele ajuda a gente entender o desenvolvimento, mas não é visível na prática.
Pois para cada tópico de desenvolvimento, para cada criança, para cada micromomento
tem uma zona de desenvolvimento. Ela está em cada movimento. Se estou em uma sala
de aula ensinando alfabetização, a cada momento que eu falo algo eu altero estas zonas,
individualmente.

Intervenção pedagógica

Uma questão central para Vygostsky é a intervenção de outras pessoas no


desenvolvimento de cada sujeito. A importância do mundo humano, da cultura, mas não
na compreensão de que o sujeito está apenas imerso. Não é como se fosse um caldo onde
a gente tivesse posto lá dentro e passivamente fosse recebendo informações do ambiente.
Ele coloca uma posição muito ativa o próprio sujeito, ou seja, ele está se relacionando
com um mundo de significações, significados, modos de ser onde ele também age. Não é
um ser passivo que recebe infomações do mundo.

A cada momento da história dele, trata-se de um sujeito pleno que dialoga com o
ambiente, impõe significados que traz a sua subjetividade, o seu modo de ver o mundo a
sua própria história naquela relação de aprendizagem que promoverá desenvolvimento.
Além disso a influência do ambiente não se dá apenas por imersão, ou seja, ele só abserve
informações do ambiente que é passivo. Ele recebe informações de um ambiente que está
estruturado pela cultura (exemplo bebê brincando num berco- adereços, acessórios são
estruturados pela cultura porque esses brinquedos e não outro, porque sozinho e não
acompanhado, porque é num quarto e não embaixo de uma arvore). Outro aspecto é a
intervenção ativa das outras pessoas no desenvolvimento, pra ele a intervenção
pedagógica é essencial para a noção de desenvolvimento de cada sujeito. Então o sujeito
não percorreria outros caminhos de desenvolvimento sem ter o resultado de intervenção
deliberada de outras pessoas na vida dele.

Interferir intencionalmente no desenvolvimento das crianças é importantíssimo no


desenvolvimento. Ou seja, o sujeito depende dessa interferência pra se desenvolver
adequadamente nos rumos que aquela cultura pressupõe ser adequado para o
desenvolvimento. Desenvolver-se em uma sociedade que tem escola é diferente de
desenvolver-se em uma sociedade que não tem escolas. A sociedade que tem escola
organizada é um locos cultural extremamente importante para definição dos rumos do
desenvolvimento e a intervenção pedagógica é essencial para o desenvolvimento do
sujeito.