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uma conversa com Guy Briole

Patrick Almeida para Radio Lacan: Lacan, retomando


Aristóteles, diz que "o homem pensa com a alma". O número
97 da revista Causa do Desejo tem o título “Internet com
Lacan”. Podemos dizer que a "Internet pensa com Lacan"?
Quais modalidades e quais usos podem favorecer o discurso
analítico como discurso inscrito na cidade?

Guy Briole: você quer saber se a “internet pensa com Lacan”?


A imagem da capa da revista nos confirma que, quais sejam a
sutileza ou a complexidade das conexões, não há relação
sexual. De cada lado de uma cortina feita de películas,
entreaberta no centro, duas mãos avançam, cada uma de um
lado, uma propondo à outra uma conexão impossível, já que
um dos dois fios está solto nas extremidades. Quando se quer
saber onde se encontra o saber, Miller sentencia: “Deus não
responde, mas o Google sempre, e imediatamente”
Portanto, há de conectar-se com esse número da Causa do
Desejo e ver como esse desejo, que se crê, por esse viés,
poder ter à disposição, se perde na multiplicidade dos fios
trançados e nas falhas das emendas, de tal modo que a
decepção do sujeito está à altura das promessas de gozo nas
quais quis acreditar. Como o Google, a ciência responde, mas
erra. É um efeito desse saber sem sujeito.
Nos perguntamos como apreender o corpo com a internet. O
que prevalece em sua presentificação do imaginário, do
simbólico e até mesmo do o real? O que se impõe e que
declina os três registros, é falar do corpo presente para dizer
que ele está ausente. Mas acontece que isso não impede os
encontros, apaixonar-se, viver sentimentos fortes, que nem
por serem virtuais afetam menos o corpo de quem os vive, ao
ponto de chegar a fazer presente o corpo do outro, é claro
que de acordo com seu próprio fantasma. A coisa pode não
passar daí, mas também pode levar a dar o passo dos corpos
em presença, e então tudo se abre à gama do que ocorre ou
não entre dois seres. Na cura, trata-se também de amor,
inclusive, fazemos apenas isso – diz Lacan- falar de amor em
uma cura. E o corpo? Buscamo-lo por todo lugar. Gostaria-se
de limitar a presença dos corpos na sessão. Mas resulta que
isso transborda de todas as partes, desde a imensidade da
China, que se abre com certa avidez ao descobrimento do
inconsciente, até a mobilidade dos analisantes que não
querem trocar de analistas, e é preciso ainda encontrar
respostas quando a liberdade da palavra é ameaçada por um
mestre feroz e nos comprometemos a sustentar uma prática
da psicanálise em qualquer circunstância. Então, o
psicanalista online, o que se abre ao Skype-análise, deve
cuidar para não fazer sintoma, para que sua direção da cura
não perca o fio cortante do ato, não perca o fio de uma
prática que deve ser feita corpo a corpo [prende à bras-le-
corps].

Encontrarão nesse número da Causa do Desejo, outras


questões para se apaixonarem, abordando-as sem a priori,
para não sucumbir à vertigem de serem chacoalhados e
ficarem dando voltas nessa revolução digital.
Texto original: Lacan Cotidien, nº 760 disponível
em https://www.lacanquotidien.fr/blog/wp-
content/uploads/2018/01/LQ-760.pdf
Tradução: Arryson Zenith Jr.