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Revista Brasileira

ISSN 1982-3541 de Terapia Comportamental


2012, Vol. XIV, nº 3, 4-33 e Cognitiva

Acompanhante Terapêutico: caracterização da


prática profissional na perspectiva da Análise
do Comportamento
Therapeutic Companions: characterization of professional practice
in the perspective of Behavior Analysis.

Mariana Nunes da Costa Marco *


Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento – Mestre em Psicologia (UNESP)

Sandra Leal Calais **


Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e
Aprendizagem – Doutora em Psicologia (PUC-Campinas)

Agradecimentos à CAPES pelo auxílio financeiro


Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento
e Aprendizagem – UNESP / Bauru.

Resumo

O Acompanhamento Terapêutico é uma atuação clínica nascida dos movimentos político-ideológicos da


Antipsiquiatria. Boa parte da literatura tenta construir um perfil para o acompanhante terapêutico a partir do
seu surgimento e contexto histórico. Entretanto, ainda não se chegou a um consenso científico, apesar de
existirem alguns fatores característicos. A prática diversificada dificulta a identificação das variáveis e,
consequentemente, a construção de um conceito definitivo. Com o objetivo de caracterizar o Acompanha-
mento Terapêutico sob a perspectiva da Análise do Comportamento, fez-se uso de descrições do trabalho
desse profissional. Foram participantes treze acompanhantes terapêuticos, de ambos os sexos, atuantes na
cidade de São Paulo, submetidos a uma entrevista semiestruturada. Os resultados foram analisados em qua-
tro dimensões de análise, as quais foram desmembradas em categorias e itens. Notou-se, diante dos dados,
que o perfil do Acompanhamento Terapêutico está em constante mudança e que caracterizá-lo implica a
observação de variáveis aqui discutidas.

Palavras-chave: acompanhante terapêutico; análise do comportamento; psicologia clínica

*
Rua Dom Pedro II 79 – Centro – 12282-370 Caçapava SP tels.: (12) 9186-8232/ (12) 8183-4880/ fone-fax (12) 3652-4140 e-mail: mariananmarco@gmail.com
**
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Abstract

Therapeutic Accompaniment as a clinical practice was born in the antipsychiatry political-ideological mo-
vement. Most research papers try to build a Therapeutic Accompaniment profile from the beginning of this
historical context, but the concept has not yet reached a scientific consensus. Although there are some com-
mon characteristics, the Therapeutic Accompaniment’s diverse practice makes it difficult to identify the
variables and consequently to built a final concept. The main purpose of this study was to characterize
therapeutic companions under the behavior analysis perspective. Thirteen Therapeutic Companions, of
both sexes, participated of this research. They were from the city of São Paulo and submitted to a semi-s-
tructured interview. The results were analyzed in four analysis dimensions and unfolded in categories. It is
possible to observe that the Therapeutic Accompaniment’s profiles are constantly changing and to charac-
terize them imply the observation of many variables that will be discussed here.

Keywords: therapeutic companions; behavior analysis; clinical psychology

Introdução sas científicas, as quais têm crescido significativa-


mente com muitos envolvidos, visto que sua ampla
Em 1970, Kanfer e Philipps comentaram sobre a re- atuação tange diversas áreas da saúde.
levância e importância do planejamento do ambien-
te para a modificação do comportamento, ressaltan- A denominação Acompanhamento Terapêutico é
do o trabalho em ambiente natural. Como o com- derivada de propostas psicanalíticas. O Acompa-
portamento se dá na interação organismo-ambiente, nhamento Terapêutico tem como precursores o mo-
o planejamento deste ambiente poderia promover vimento antipsiquiátrico e a psicoterapia institucio-
alterações no comportamento. Propuseram o treina- nal que ocorreram a partir da década de 50 na Euro-
mento às pessoas não diretamente envolvidas com pa e nos Estados Unidos. Enquanto na América
Psicologia, mas que estariam próximas do cliente Latina, o AT parece ter surgido no final da década
no momento em que o comportamento-problema de 60, em Buenos Aires, na Argentina, onde muitos
viesse a ocorrer naturalmente. Enfatizaram que a psicanalistas estiveram ligados aos hospitais psiqui-
manutenção dos comportamentos desejáveis e sua átricos. Contudo a prática do AT não apenas trans-
generalização eram intensificadas quando a inter- cende a terapia de gabinete (aquela que se limita ao
venção ocorria em casa, na escola e em instituições consultório), como era conceituado no seu surgi-
em que o cliente vivia. Estas propostas se asseme- mento, mas também se dispõe a intervir no ambien-
lham com o que atualmente o acompanhante tera- te do indivíduo – onde estão oferecidos os reforça-
pêutico (AT)1 desenvolve, entretanto o Acompanha- dores necessários para a aprendizagem de novas
mento Terapêutico (AT), nestes termos, é uma pro- habilidades – arranjando contingências de reforço
posta relativamente nova e tem sido alvo de pesqui- (Guedes, 1993). A problemática em propor o AT

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AT refere-se a Acompanhamento Terapêutico e at, ao acompanhante terapêutico

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como um campo de atuação se apresenta na falta de da em cuidados domiciliares, embora alguns o si-
consonância entre as teorias, e sua conceituação tuem entre modalidades psicoterápicas.
ainda não logrou um consenso científico. Pesquisa-
dores das mais variadas abordagens teóricas, princi- O acompanhante terapêutico transformou-se em um
palmente desde a década de 1980, começaram a se aliado importante no processo de manutenção de
interessar pelo tema embora existam produções da- vínculos sociais e na participação ativa na qualidade
tadas da década 60. Há alguns elementos para a de vida do indivíduo que havia sido acometido por
conceituação do AT, porém a diversidade de práti- problemas de saúde, os quais afetavam as suas ca-
cas problematiza a identificação de aspectos co- pacidades de continuar no trabalho, no estudo ou
muns às diferentes formas de atuação assim deno- mesmo de manter uma estrutura familiar e cuidar de
minadas e, consequentemente, da construção de um si mesmo (Pitia & Santos, 2005).
conceito mais sólido. Deste modo, as controvérsias
continuam presentes e a conceituação do at tem se Na tentativa de conceituar o AT, os pesquisadores
baseado em aspectos como a formação profissional, concentram esforços em contextualizar suas práti-
função na equipe multiprofissional, referencial teó- cas e características a partir do seu surgimento his-
rico adotado e o trabalho desempenhado (Simões, tórico e têm encontrado dificuldade nesta tarefa
2005; Zamignani, Kovac & Vermes, 2007). (Rossi, 2006). Como esta prática, desde o início, foi
respondendo a diferentes necessidades clínicas e
Considerações históricas sobre o surgimen- orientando-se conceitualmente de maneira variada,
to do Acompanhamento Terapêutico são relevantes, a reconstrução dessa história e uma articulação teó-
pois de alguma maneira auxiliam na descrição das rico-clínica precisa é um trabalho delicado.
práticas atuais. O acompanhamento terapêutico é
uma modalidade de atuação germinada nos movi- Observa-se que enquanto a Análise do Comporta-
mentos político-ideológicos de reforma antipsiquiá- mento descreve o AT como uma proposta integrada
trica, da psicoterapia institucional e da luta antima- à Psicologia, é possível observar que a prática é
nicomial. No cerne deste movimento político, fo- configurada de outra maneira em outras aborda-
ram criadas novas funções para os agentes de saúde gens e em outros países. Mauer e Resnizky (2008),
mental, que passaram a ser denominados auxiliares por exemplo, propõem uma caracterização do
psiquiátricos e, em outros lugares, atendentes tera- Acompanhamento Terapêutico na perspectiva psi-
pêuticos (Barreto, 1998; Benevides, 2007). canalítica, defendendo a ideia de atendimento em
Mais tarde, o termo acompanhante terapêutico pas- abordagem múltipla – que significa neste contexto,
sou a denominar os profissionais que estavam en- atender a toda rede familiar do cliente em equipe
volvidos em práticas clínicas fora do setting tradi- multiprofissional – em que o at poderia ser qual-
cional do consultório e clínicas psiquiátricas, o que quer profissional que realizasse saídas e/ou propos-
segundo autores (Estellita-Lins, Oliveira & Couti- tas de reinserção social. Na Argentina, país com
nho, 2009; Reis-Neto, 1995) poderia ser estabeleci- prática predominantemente psicanalítica, por
do no contexto da reforma psiquiátrica como uma exemplo, foi publicado em agosto de 2010 um có-
modalidade de intervenção em saúde mental basea- digo de ética dos Acompanhantes Terapêuticos (Lic

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& Bustos, 2010). Lá o AT é caracterizado como rencial antipsiquiátrico em sua origem nos anos 60,
profissão regulamentada. passando por um modelo ligado à reforma psiquiá-
trica e à luta antimanicomial, chegando à incorpora-
A característica de atuação não fixa e/ou restrita ao ção de um instrumental clínico que prescinde do
espaço físico de uma determinada instituição – hos- setting convencional (Simões, 2005). Segundo Za-
pital, consultório ou escola, por exemplo – amplia mignani et al. (2007), a discussão conceitual na
as possibilidades de intervenção, as quais são tão abordagem analítico-comportamental tem se apre-
variadas quanto as suas definições e as histórias que sentado pouco definida, pois o setting não define a
abordam o seu nascimento. Basicamente suas ativi- prática do AT, e a denominação do profissional que
dades se sustentam no tripé (a) atendimento fora do sai do ambiente tradicional para atuar no ambiente
consultório, (b) diálogo com a família e (c) trabalho fora do consultório fica sob controle de outras vari-
em equipe (Simões, 2005; Zamignani et al., 2007). áveis, como por exemplo, o papel que ocupa na
equipe multidisciplinar.
Diversos nomes foram dados para esta prática como:
amigo qualificado, atendente psiquiátrico, auxiliar O AT, independentemente da visão teórica, apresen-
psiquiátrico, acompanhante domiciliar e acompa- ta-se para Ribeiro (2002)|,| oscilando ora como uma
nhante terapêutico. A sequência temporal para as de- prática paralela de atendimento a pessoas que este-
nominações e funções daquilo que hoje chamamos jam em sofrimento psíquico, atravessando situações
de AT é imprecisa (Ayub, 1996). Para Yagiu (2007), o que exijam atenção mais intensiva do que a encon-
objetivo do atendente psiquiátrico era estabelecer trada no tratamento regular – os sujeitos estão em
vínculos com o paciente e ter uma “escuta diferencia- algum atendimento e existe a possibilidade de agre-
da da loucura” (p. 2), de modo a desenvolver e forta- gar uma série de outros acompanhamentos dentro
lecer relações sociais saudáveis e propor uma nova das demandas existentes – ora como possibilidade
dinâmica aos estabelecimentos psiquiátricos. Esta de construção de uma clínica própria, em que todos
descrição de objetivos feita por Yagiu (2007) funda- os saberes estejam em interlocução nessas interven-
menta-se na teoria psicanalítica e, embora o termo ções (Reis, 2006).
atendente psiquiátrico tenha caído em desuso, a prá-
tica do AT decorrente deste contexto e desta orienta- A multiplicidade aparece também no modo de ca-
ção teórica ainda é bastante semelhante. A atuação racterizar o acompanhamento terapêutico como
que se inicia com o “atendente psiquiátrico” ou “au- uma prática no campo da saúde, que pode ser tanto
xiliar psiquiátrico” continua a sua trajetória de acom- tomado como um programa quanto como uma es-
panhar de outras formas os psicóticos, visando à re- tratégia de intervenção (Silva & Silva, 2006). Neste
creação, ao lazer e à socialização. sentido, os autores apontam a necessidade da distin-
ção entre programa e estratégia, quando relaciona-
O “amigo qualificado” surgiu para transformar as dos à prática do AT. Esta distinção evidencia que o
maneiras de cuidado intensivo em saúde mental, as comportamento do at estaria sob controle de dife-
quais foram integradas ao propósito de atuação do rentes contingências, pois assinala diferenças que
AT. Pode-se afirmar que o AT evoluiu de um refe- marcam não só os pressupostos teóricos|,| como

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também influenciam na tomada de decisão. Morin modificadores do comportamento e terapeutas com-


(1996) define programa como uma sequência de portamentais exigiu dos profissionais um grande es-
atos decididos a priori e que devem começar e fun- forço e empenho, pois o alvo da intervenção deixou
cionar um após o outro, sem variar. “Certamente, de ser somente um, ou um grupo homogêneo, e pas-
um programa funciona muito bem quando as condi- sou a ser também pais, filhos, professores, cônjuge,
ções circundantes não se modificam e, sobretudo, dependendo do objetivo (Zamignani et al., 2007a).
quando não são perturbadas” (p. 284). Enquanto a
estratégia, embora planejada, pode ser modificada Vale apontar que todo o movimento dos modifica-
em função das informações, dos acontecimentos, dores de comportamento muito influenciou as práti-
dos imprevistos que sobrevenham no curso da ação. cas dos terapeutas comportamentais que passaram a
Ela lida, impreterivelmente, com incertezas. trabalhar dentro dos consultórios. Boa parte da bi-
bliografia produzida neste primeiro movimento
Conforme apontam Zamignani, Banaco e Wie­ descreve o que atualmente tem sido visto como a
lesnka (2007), a terapia fundamentada nos princí- prática atual do AT. Kazdin (1984) aponta que o
pios da Análise do Comportamento tem sido uma analista aplicado não procura identificar processos
alternativa eficaz e consistente para os problemas subjacentes, mas trabalha com as contingências nas
relacionados ao comportamento humano, e muito quais o comportamento se encaixa, ou seja, o trata-
daquilo que se assume hoje é produto das transfor- mento acontece onde os comportamentos proble-
mações ocorridas na modificação de comportamen- máticos ocorrem. O terapeuta se desloca para estes
to e na análise aplicada do comportamento. Os au- lugares para observar as contingências e reestruturá
tores ressaltam então que, nos primórdios, ambas -las. Alternativamente, ele desenvolve junto com o
aplicavam seus conhecimentos em ambientes consi- cliente ou com seus responsáveis programas a se-
derados fechados, pois nestes locais os pesquisado- rem executados nestes lugares. Contingências apli-
res/terapeutas tinham, além do fácil acesso, maior cadas por outros, como o enfermeiro, a esposa, o
controle das variáveis ambientais que produziam os professor ou os pais do cliente, sob supervisão de
comportamentos dos sujeitos que passavam pela in- um analista aplicado, caracterizam tratamento por
tervenção. Situação semelhante ao laboratório de mediador. O que o autor chama de tratamento por
pesquisa básica. mediador se assemelha com as práticas do atual at.

Embora os ambientes controlados proporcionassem Baumgarth, Guerrelhas, Kovac, Mazer e Zamignani


maior eficácia para as intervenções, garantir a gene- (1999) e Londero et al. (2010), autores que referen-
ralização destes ganhos clínicos no ambiente natural ciam a prática atual da terapia comportamental, res-
era pouco provável. Posterior às práticas bastante saltam que o AT também tem como principal carac-
criticadas dos modificadores de comportamento, terística intervenções realizadas em ambiente natu-
buscou-se a implementação de procedimentos em ral e em situações cotidianas do cliente. O ambiente
ambientes naturais, com o objetivo de alterar estes extraconsultório, onde as contingências mantenedo-
ambientes e produzir, como consequência, a modifi- ras dos comportamentos a serem alteradas operam,
cação das ações do indivíduo. Esta transição entre os é muito rico para a prática do analista do comporta-

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mento. Como auxiliar, o at coleta dados, aplica téc- nhantes terapêuticos, considerando tempo de atua-
nicas e também maneja contingências, as quais ne- ção, formação básica e específica, tipo de queixa
cessitam de mudança e foram previamente determi- atendida e local de atuação, além das dificuldades e
nadas pelos responsáveis pelo atendimento (Guer- vantagens.
relhas, 2007).
Método
O acompanhante terapêutico pode ser visto então
como “um arranjador de contingências de reforço e Participantes
dispensador de reforço positivo” (Savoia & Sam- Foram entrevistados 16 participantes. No entanto, ao
paio, 2010, p. 39). O termo utilizado pelos autores final, somente foram considerados 13. O descarte de
ilustra a importante função da relação terapêutica três participantes se fez necessário uma vez que, no
para ajudar a modelagem de um novo repertório decorrer da entrevista, observou-se que não corres-
comportamental no cliente. Um “arranjador de con- pondiam aos critérios de inclusão. Deste modo, fo-
tingências” visa promover condições nas quais a ram participantes desta pesquisa acompanhantes te-
probabilidade de angariar reforçadores positivos rapêuticos atuantes na cidade de São Paulo que obe-
aos comportamentos a serem modelados é potencia- deceram aos seguintes critérios para inclusão:(a) es-
lizada. Para tanto, Zamignani (1997) ao relatar um tar atendendo pelo menos a um caso no período da
caso sugere que o estabelecimento de vínculo tera- entrevista ou ter encerrado o atendimento no período
pêutico é fundamental para a adesão à terapia. de dois meses antecedentes à data da entrevista; (b)
ter atendido pelo menos três casos desde a sua inser-
O at pode tornar-se, então, um agente importante ção; (c) ser psicólogo formado ou em formação e (d)
para a Psicologia, independente de como sua prática atuar dentro da abordagem teórica da Análise do
se configure. No entanto, a variabilidade de atendi- Comportamento. Nesta pesquisa, a coleta de dados
mentos e performances, se por um lado é bastante foi realizada por meio de uma amostra não probabi-
valiosa e pode ser considerada a principal vantagem lística de conveniência, submetida a entrevistas se-
do trabalho, por outro lado dificulta estudos mais miestruturadas. O acesso aos participantes se deu via
controlados, valorizados pela comunidade científica. núcleos de pesquisa e formação de AT, psicoterapeu-
Investigar a atuação do acompanhante terapêutico tas que inserem at em seus casos e também por indi-
pode gerar dados que incentivem novos programas cação dos próprios participantes. Todos os procedi-
de formação profissional em AT e aprimoramento mentos éticos na pesquisa com humanos foram obe-
naqueles existentes, além da contribuição científica decidos, conforme Comitê de Ética em Pesquisa da
para a Análise Aplicada do Comportamento. Faculdade de Ciências da Universidade Estadual
Paulista (Processo nº 2138/46/01/09).
Assim, esta pesquisa teve por objetivo caracterizar a
prática de acompanhantes terapêuticos na perspecti- Análise de Dados
va da Análise do Comportamento. Para tanto, foi As respostas dos participantes à entrevista recebe-
aplicada uma entrevista aos participantes, a fim de ram tratamento de análise categorial do discurso
descrever o trabalho de uma amostra de acompa- (Bardin, 1977). Para o estudo quantitativo e qualita-

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tivo foram estabelecidas quatro dimensões de análi- A partir dos dados construíram-se categorias de re-
se: a) inserção e permanência na área de acompa- gistro, as quais facilitaram a análise dos dados, pois
nhamento terapêutico; b) descrição sobre a prática se agruparam em classes menos abrangentes temas
do acompanhamento terapêutico; c) questões sobre recorrentes nas entrevistas, visto que o relato verbal
a formação profissional e d) condições que agradam dificulta a criação de categorias excludentes. Desta
e desagradam nesta prática. forma, os totais não correspondem necessariamente
ao total de eventos categorizados. A análise foi rea-
Inserção e permanência na área de Acompanhamen- lizada, inicialmente, observando-se a frequência ab-
to Terapêutico: esta primeira dimensão foi desmem- soluta e relativa dos dados coletados e, após esta
brada nas categorias inserção ao tema, inserção aos primeira fase, processaram-se as relações entre as
atendimentos e justificativas de permanência. Fo- quatro dimensões anteriormente mencionadas.
ram considerados nas categorias de “inserção” os
trechos que relatavam como o participante teve seu Resultados e discussão
primeiro contato com o AT e quando fez seu primei-
ro atendimento. Foi pedido para que o at contasse Inserção e permanência na área de
“...como e quando começou na área de Acompanha- Acompanhamento Terapêutico
mento Terapêutico...”. Como anteriormente descrito, esta primeira dimen-
são analisada no discurso foi desmembrada nas ca-
Descrição sobre a prática do Acompanhamento Te- tegorias: inserção ao tema, inserção aos atendimen-
rapêutico: esta dimensão de análise é ampla e abran- tos e justificativas de permanência. Nota-se, então,
ge múltiplas categorias. Nela foi analisada a exposi- que a inserção na área de acompanhamento terapêu-
ção minuciosa que os participantes fizeram sobre a tico ocorre predominantemente na graduação, seja
sua maneira de proceder no AT, desde o momento apenas por conhecimento do tema, seja inserida di-
da sua entrada no caso até o momento de alta ou retamente com a prática. Não é tratado na literatura
desistência, incluindo supervisão e considerações como se dá a inserção do at na área, pois quando se
teóricas. discute inserção os autores têm procurado pesquisar
sobre a proposta do acompanhamento terapêutico.
Questões sobre a formação profissional: a composi- Os dados referentes à inserção, conforme exibe a
ção desta terceira dimensão envolve os aspectos que, Tabela 1, demonstraram que ela ocorre predomi-
de acordo com participantes, precisam ser observa- nantemente na graduação e, embora não tenha sido
dos e alterados na formação do at. Foram considera- observada diretamente em outras publicações, há
dos trechos de opinião pessoal sobre a formação ge- evidências de que é um dado coerente com aquilo
ral de at e sobre a própria formação do participante. que foi produzido em AT. Ao pesquisar as caracte-
rísticas do at, lê-se que frequentemente é um estu-
Condições que agradam e desagradam nesta práti- dante (Londero et al., 2010; Zamignani & Wielenska,
ca: e aqui se consideraram trechos dos relatos que 1999; Zamignani, et al., 2007b), portanto tem seu
inferiam variáveis que os mantinham ou os afasta- primeiro contato com o tema e efetua seu primeiro
vam da prática do AT. atendimento na graduação.

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Quanto à permanência, os participantes relataram vante para casos de restabelecimento de contatos e


que a prática clínica fora do ambiente de consultó- repertórios sociais (Caballo, Irutia & Arias, 2010),
rio é coerente com a Análise do Comportamento, e de manutenção de um cotidiano mais adaptativo ou
proporciona a observação direta das contingências de criação de novos espaços produtivos para o indi-
em ação, o que consequentemente gera resultados víduo, de doenças físicas/biológicas limitantes, qua-
mais rápidos e efetivos. Além disso, há um aspecto dros psiquiátricos, dependências químicas e compli-
pessoal que foi considerado por todos os participan- cações geriátricas (Londero et al., 2010). As ações
tes como, por exemplo, a preferência pela ausência dos at, em atendimento no ambiente fora do consul-
de rotina e pelo ambiente pouco restrito. tório, diferem pouco da prática do terapeuta com-
portamental em consultório. No nível tecnológico,
Descrição sobre a prática do Acompanhamento existe um conjunto de técnicas derivadas de pesqui-
Terapêutico sas realizadas e, em geral, são manipulações diretas
Destacaram-se trechos que faziam referência às ne- de eventos antecedentes e consequentes, como
cessidades do cliente e/ou do terapeuta que pode- exemplo a Exposição e Prevenção de Respostas
riam ser supridas com a prática do AT. Além disso, (EPR), sistema de pontos, procedimento de time out,
foi solicitado que o participante descrevesse o que reforçamento ou extinção sensorial ou social, pro-
fazia nos casos atendidos. Cada caso tem sua parti- gramas de treino de habilidades específicas confor-
cularidade e sua demanda exclusiva, porém a esco- me demonstra a Tabela 2. Nela são exemplificados
lha de adotar o atendimento fora da clínica tradicio- os itens elaborados para analisar o que o participante
nal tem suas similaridades e a prática do AT, segun- faz quando atua como at. O at deve utilizar as técni-
do os relatos, se preocupa com a observação das cas como um instrumento do seu trabalho e reconhe-
contingências em ação, planejamento e intervenção cer que a sua atuação não se resume à aplicação das
sobre as variáveis de controle no momento em que mesmas. Deste modo, revela-se outra possível parti-
elas acontecem. Todavia sua indicação tem sido rele- cularidade do AT, visto que o psicólogo que atende

Tabela 1. Justificativas dos at para a permanência na área de acompanhamento

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no ambiente tradicional de consultório, mesmo fa- Questões sobre a formação profissional


zendo parte de uma equipe multidisciplinar, não re- Sete participantes apontaram a necessidade de trei-
cebe instruções para seu atendimento. Londero e nar a prática do at e instrumentalizar melhor o pro-
Pacheco (2006) apresentaram um estudo sobre o en- fissional, o que se entende como o ensino de teoria,
caminhamento para o AT e observaram que as indi- técnica e metodologias que objetivam o alcance de
cações são influenciadas pelas “incapacidades fun- um resultado terapêutico. Os at – de modo geral –
cionais” do cliente, que envolvem desde as habilida- veem a importância em fortalecer o embasamento
des mais básicas, como cuidados com a higiene, au- teórico e ampliar a discussão sobre a literatura em
togerenciamento, autocontrole e atividades de vida AT, que ainda é incipiente. “A formação conceitual,
diária até planejamentos para adesão ao tratamento. o embasamento teórico é importante [...] e faltam
Também são indicados para a população que tem publicações na área, que deem diretrizes mais cla-
comprometimento na capacidade de relacionamento ras.” (Participante 5).
social, seja por quadro sindrômico ou não.
Embora os participantes desta pesquisa não defen-
Estar no ambiente do cliente também facilita a ge- dam que um at deva necessariamente ter feito um
neralização dos comportamentos. “A manutenção curso de AT, foi apontada a incorência da formação
de comportamentos desejados e sua generalização de um profissional – que fica muito mais exposto às
para outras situações é intensificada quando o trata- contingências e às múltiplas variáveis de controle –
mento é feito em casa, na escola ou na instituição ser menor do que daquele profissional que pretende
onde o paciente vive” (Kanfer & Phillips, 1970, p. atender em um ambiente mais controlado, como o
75). Nestes termos, não se encontram publicações consultório. Os at comentaram também sobre a falta
sobre o at como facilitador da generalização, contu- de conhecimento da população e do grupo de profis-
do é papel da terapia comportamental promover a sionais da área para com o trabalho de AT, e que há
generalização e autonomia do indivíduo e o am- necessidade de divulgação e esclarecimentos sobre a
biente natural tem sido considerado mais capaz de prática. O desconhecimento daquilo que o at faz di-
promovê-la. A exposição no ambiente natural tem ficulta também o reconhecimento do trabalho. Quan-
como consequência que as respostas adquiridas e do questionados sobre como avaliar o trabalho de
reforçadas na interação com o at frequentemente se um acompanhante terapêutico, os participantes men-
generalizam para outros ambientes, ficando sob cionaram que o critério fundamental está relaciona-
controle das contingências naturais. O at planeja do às atividades acadêmicas e tempo de experiência.
atendimentos e arranja contingências mais próxi-
mas do ambiente natural do cliente, potencializando Condições que agradam e desagradam
o acesso aos reforçadores e a emissão do novo com- nesta prática
portamento. A observação do ambiente natural é fa- As controvérsias sobre o termo apropriado para de-
tor fundamental para o AT, entretanto não surgiu nominar o trabalho fora do consultório se ampliam
nesta pesquisa como objetivo principal para intro- quando, nesta última dimensão de análise, os parti-
dução do at no caso, mas sim como parte da análise cipantes apontam que é comum o at ser um profis-
e planejamento de intervenção. sional pouco valorizado dentro da equipe. Sua des-

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valorização é um item que compõe as informações número de casos – devido ao tempo gasto com des-
dos participantes sobre as condições que qualificam locamento e com cada atendimento (cerca de 2h30
como desagradáveis, como mostra a Tabela 3. a 3h), a dificuldade que alguns familiares têm em
aceitar o Acompanhamento Terapêutico, o tornar-se
Além do preconceito com o termo, foram mencio- o principal articulador de informações entre cliente,
nados aspectos como o deslocamento, a restrição de família e equipe, e o retorno financeiro. Enquanto

Tabela 2. Ações que os at desempenham nos casos encaminhados para AT

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Tabela 3. Condições que agradam e desagradam nesta prática

nas condições agradáveis no AT, nota-se o item “re- lho, condições recorrentes fora da clínica tradicional
lação mais próxima com o cliente”, que confirma o (Cortoni & Cortoni, s.d). Além disso, o fato de não
interesse dos profissionais em estabelecer com o depender exclusivamente do relato verbal permite,
cliente uma relação terapêutica positiva. A ausência segundo os entrevistados, alcançar mudanças mais
de rotina e imprevisibilidade no atendimento foi efetivas e, de certa forma, mais rápidas. Todos os
considerada também como agradável. A possibili- participantes relataram em algum momento da en-
dade de improvisar e de testar alternativas no mo- trevista que o AT tem um papel importante para a
mento em que o comportamento ocorre são aspec- clínica e que se identificam com este tipo de atendi-
tos valorizados pelos at. mento, seja pelo setting, pela proposta teórica e/ou
pelos resultados terapêuticos observados. O exercí-
Neste ponto, ressalta-se uma questão sobre aspectos cio profissional do at apresenta-se predominante-
profissionais da geração dos participantes. Há de se mente autônomo, embora haja casos de vínculo em-
considerar que os at se encontram na faixa etária en- pregatício (profissional ou estágio) e o acesso aos
tre 20 e 30 anos, apelidada de Geração Y1 que, se- casos, segundo os participantes, se dá por indicação
gundo pesquisadores de administração, apresentam (institucional, entre colegas de profissão ou outros
necessidade de flexibilidade e pouca rotina no traba- profissionais da saúde e dos próprios clientes).

Geração Y é uma expressão adotada nas ciências administrativas para representar os profissionais nascidos a partir da década de 80 e que possuem habilidades e interesses
1

característicos, decorrentes do contexto histórico-tecnológico.

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Mariana Nunes da Costa Marco – Sandra Leal Calais

Os resultados das entrevistas demonstraram que o presença do outro. Assim, o falar não expressa ne-
perfil do at está em constante mudança e que carac- cessariamente aquilo que faz publicamente, mas
terizá-lo implica a consideração de muitas variáveis. sim o que diz que faz.
Ao questionar os profissionais que estão envolvidos
com a formação do at, observou-se uma série de O AT na Análise do Comportamento sofreu influên-
condições fundamentais para a realização de seu tra- cia de dois movimentos distintos: o da luta antima-
balho, como o conhecimento teórico sólido, habili- nicomial e da reforma psiquiátrica, e o das primei-
dades pessoais de traquejo social e disponibilidade ras tentativas de práticas clínicas derivadas da Aná-
de tempo. Porém, não é possível delimitar como o lise Experimental do Comportamento. As influên-
acompanhamento terapêutico acontece, visto que cias da luta antimanicomial colocam o AT na função
cada profissional, considerando seus ideais teóricos de impedir ou prevenir que clientes crônicos ou com
e filosóficos, propõe um tipo de intervenção. Muito diagnósticos psiquiátricos sejam internados e exclu-
provavelmente, a única característica em comum e ídos da comunidade, enquanto as influências das
sem exceções é o atendimento extraconsultório. práticas clínicas derivadas da Análise Experimental
do Comportamento posicionam o AT como uma in-
Considerações finais tervenção coerente com os pressupostos teóricos de
manejo direto de contingências.
Ao elaborar um balanço dos resultados, considera-
se que os entrevistados representam uma parcela da Pode-se afirmar, então, que o Acompanhamento Te-
comunidade de acompanhantes terapêuticos analis- rapêutico na perspectiva da Análise do Comporta-
tas do comportamento que ofereceram elementos os mento se caracteriza por um atendimento no am-
quais permitiram rediscutir os aspectos apontados biente do cliente, fora da clínica de gabinete, que
na literatura. Propor a caracterização de um profis- visa à reinserção social do cliente e ao desenvolvi-
sional e suas práticas baseando-se em seu autorrela- mento de repertórios alternativos, assim como efe-
to não é uma tarefa simples. Primeiro, porque o tua a análise e intervenção para solução de um pro-
acompanhante terapêutico não tem sido bem defini- blema sem restringir-se a contingências artificial-
do teoricamente devido a todas as implicações des- mente arranjadas no ambiente da clínica. As carac-
critas e comentadas neste trabalho e, segundo, por- terísticas deste AT são similares à prática clínica,
que ainda que o comportamento verbal esteja sujei- visto que a compreensão do fenômeno humano par-
to aos mesmos princípios que governam o compor- te do mesmo pressuposto filosófico do Behavioris-
tamento não verbal, existe uma característica que o mo Radical. Então, a intervenção que se baseia nes-
difere significativamente e o faz merecer uma análi- tes pressupostos faz uso de análise e manipulação
se separada: a natureza do reforço que o estabelece de contingências que governam qualquer padrão de
e o mantém – o que requer a mediação de outra pes- comportamento.
soa. Por isso, o falar a alguém sobre sua atuação no
acompanhamento terapêutico seja em níveis teóri- O at parece ser, então, um profissional que atende
cos ou em níveis práticos traz no relato a história no ambiente do cliente, inserido neste contexto via
pessoal de cada participante e sofre influência da indicação de outro profissional (mais experiente ou

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Acompanhante Terapêutico: caracterização da prática profissional na perspectiva da Análise do Comportamento

que não atende à demanda fora do consultório). Sua Outra condição própria destes participantes é que
escolaridade tem sido de ensino superior completo estão organizados em grupos de estudantes e profis-
ou em andamento, visto que necessita de um reper- sionais vinculados a instituições e/ou clínicas. Esta
tório terapêutico básico. É uma prática que ocorre parece ser uma boa alternativa, porque possibilita o
em equipe multidisciplinar e o profissional pode as- acesso dos usuários aos serviços de AT, assim como
sumir tanto a função de auxiliar ao processo, como favorece a contínua formação teórico-técnica por
a de responsável e coordenador do caso. meio de supervisões e grupos de estudo.

Observou-se que desempenham funções tais como Observa-se então que o AT tem sido considerado
o terapeuta que atende em clínica fechada, fazendo uma modalidade de intervenção terapêutica que se
contrato inicial, observação, avaliação, planejamen- realiza no contexto do cliente, que não chegou a um
to terapêutico e aplicando técnicas. A principal dife- consenso científico e ainda sofre modificações.
rença é o setting, o tipo de variáveis a que se tem Com relação à denominação para este tipo de inter-
acesso e os objetivos terapêuticos. Este tipo de in- venção, a conceituação científica não é clara por
tervenção é recomendado em casos em que se pre- enquanto. O termo por si só não define a própria
cisa desenvolver e aprimorar os repertórios sociais, prática. Em todo caso, há profissionais que defen-
casos com dificuldades moderadas e graves e que dem que a expressão por si só não determina qual a
trazem prejuízo para o cliente, em situações onde o função do at, e o que ele faz na Análise do Compor-
indivíduo apresenta incapacidades funcionais, difi- tamento. Por outro lado, tornou-se representativo a
culdades no envelhecimento, transtornos invasivos um tipo de atendimento para a comunidade usuária
do desenvolvimento, transtornos de ansiedade e ou- e para outras abordagens.
tros diagnósticos psiquiátricos. Aquilo que se pro-
punha para AT, como uma atividade de prevenção Ressalta-se aqui outro problema em nomear acom-
de recaídas e internações, não tem sido mais o prin- panhante terapêutico qualquer pessoa que atue fora
cipal foco e não necessariamente tem sido caracteri- do consultório: a falta de controle no exercício pro-
zada como auxiliar. fissional. Sendo psicólogo ou outro profissional da
saúde, responde aos seus devidos conselhos, e sen-
As características pessoais que o profissional apre- do estudante é necessário caracterizá-lo como esta-
senta são traquejo social, agilidade e improvisação, giário, pois é importante considerar os riscos para
as quais são valorizadas pelos profissionais que for- cliente e profissional ao realizar uma proposta sem
mam e/ou indicam os at para os casos e favorecem a amparo das leis e do código de ética.
predileção por atividades sem a restrição do consul-
tório – seja complementar a um processo psicotera- Conforme exposto, parece ficar claro que para o
pêutico ou uma proposta de intervenção integral- analista do comportamento atuar fora do consultó-
mente fora do consultório. A ideia de o AT ser com- rio é coerente com os pressupostos teóricos. Apon-
ponente auxiliar da psicoterapia tem se diluído com ta-se a necessidade de observar em quais variáveis
a ampliação de pesquisas na área e com a formação de controle esta decisão está pautada: se pela de-
dos analistas do comportamento. manda do cliente, pelas hipóteses prognósticas e

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Mariana Nunes da Costa Marco – Sandra Leal Calais

eficácia da intervenção ou se pelo conforto em não Cortoni, L. F., & Cortoni, S. Z. (s.d). Duas gerações convivendo
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Recebido em 12 de dezembro de 2011


Revisado em 7 de outubro de 2012
Aceito em 10 de novembro de 2012

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