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VW IV - A COOPERATIVA DOS FUNCIONÁRIOS DA VOLKS

VW IV - COOPERVOLKS
Jacy de Souza Mendonça

28/02/2019

Em reunião com o Diretor Financeiro da empresa, ponderou ele que a


Cooperativa de Consumo do Empregados da Volkswagen não era empresa VW,
mas levava seu nome e por isso precisava ser preservada. A seguir disse que
era desejo da empresa que eu assumisse sua Presidência e, como colaboração,
poderia designar o melhor funcionário da área financeira para acompanhar-
me. Entendi como uma ordem. Assim assumimos o comando.

Com a ajuda de mais um colega VW, duplicamos a área construída da


cooperativa em São Bernardo do Campo. Montamos um sistema de serviços no
qual os sócios, ao chegarem à fábrica, todos os dias, recebiam uma lista dos
produtos que podiam adquirir, com o respectivo preço. Selecionavam o que
queriam, preenchiam as exigências de identificação e, terminada a jornada de
trabalho, ao saírem da fábrica, encontravam uma sacola com os bens
solicitados. A despesa ia diretamente para desconto em sua folha de
pagamento salarial. O sucesso foi enorme. Mantínhamos uma pesquisa de
preços comparando os nossos com os do Mappin, então maior supermercado
de São Paulo. Nosso dístico era que distribuíamos desde o alfinete até o
automóvel (pois mantínhamos um consórcio de veículos).

Sustentamos a tese de que a Cooperativa era consumidor final, apenas


distribuía a mercadoria entre seus associados, por isso suspendemos o
pagamento do ICM, mas tomamos a cautela de manter o valor mensal
correspondente ao exigível em conta bancária intocável. Todas as cooperativas
de consumo de São Paulo nos seguiram. O fisco reagiu, a questão foi para os
tribunais onde, a final, perdemos. Um então Ministro do STF, meu particular
amigo, telefonou-me reconhecendo o acerto jurídico da tese, ponderando,
porém, que ela quebraria as finanças de alguns Estados, por isso não podia ser
acolhida.

A iminência do fechamento das cooperativas que haviam nos acompanhado


era evidente. Procurei, então, o Secretário da Fazenda do Estado de São Paulo,
Murilo Macedo, a quem mostrei o quadro que se avizinhava para, enfim, fazer-
lhe uma proposta: anistiar o passado da cooperativas em compensação estas
voltariam a recolher o tributo imediatamente. Minha proposta foi aceita.

Com a reserva bancária que havíamos formado, compramos um terreno em


Santo André, onde residia a maioria de nossos associados, e construímos lá
uma filial.

Seguiu-se a eleição para os novos dirigentes da entidade e alguns membros do


Sindicato dos Metalúrgicos resolveram disputar. Ganharam. A partir daí a
Coopervolks definhou e chegou ao triste fim de ser processada por débito
fiscal, seus prédios foram levados à hasta pública e adquiridos por terceiros...