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Caroline do Amaral

Tópicos Avançados em Dança – Desenvolvimento de vocabulários próprios

08/12/17

“Dinamarca” por Grupo Magiluth

Começa em festa: a festa de casamento de Gertrudes, mãe de Hamlet, com


Cláudio, seu tio fratricida. A festa se ergue e desaba durante o espetáculo todo, tal qual
Hamlet, o herói, a vive: seu luto, sua mágoa e sua ofensa aumentam, acalmam, explodem
e desabam até que sua vingança destrua-o e a todos ao redor.

É uma peça de teatro com uma dramaturgia que parece dançar – não há linearidade
na sucessão dos acontecimentos, há um desenho de sensações, sons, estados corporais,
luminosidade e relação com o público. Tal desenho nos leva a diferentes estados de
atenção: no começo, ao invés de simplesmente se sentar e aguardar, é possível ir ao palco
e tomar uma taça de champagne – não é possível descer do palco com a bebida porque o
Itaú Cultural não deixa (risos); a música neste momento é agitada e popular: dançamos.
Depois as coisas começam a ruir e os próximos picos de energia serão de caos. Não há
linearidade e a história de Hamlet não é contada, o texto, no entanto, atualiza as palavras
de Shakespeare para o que vivemos hoje no Brasil. O movimento geral de cair e levantar,
construir e desabar, acalmar e explodir, lembra o impeachment de Dilma, as aclamações
pelo impeachment de Temer e a desmoralização que sua imagem sofreu com a constante
“Fora Temer” e a vida, sempre vivida entre altos e baixos.

A Dinamarca do Grupo Magiluth tem a frieza da política brasileira sob o sol de


Recife, as ilhas de calor de São Paulo e as estruturas de poder em Brasília, sob nossas
cabeças demasiadamente humanas desaba a esperança de justiça, qual o caminho agora?
Recolher os cacos e aceitar que nossas utopias também desabaram? É preciso morrer para
renascer mais forte.