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Jacob Palis

Euclides Roxo

David Hilbert

George F. B. Riemann

George Boole

Niels Henrik Abel

Karl Friedrich Gauss

René Descartes

Gottfried Wilhelm von Leibniz

Nicolaus Bernoulli II
1
Sumário do Volume
Matemática

Matemática Básica.......................................................................................5
1. Noções sobre Fundamentos Numéricos...................................................................................................5
1.1 Introdução..................................................................................................................................................... 5
1.2 Potenciação................................................................................................................................................... 5
1.3 Divisibilidade de números naturais............................................................................................................... 7
1.4 Divisores naturais de um número natural..................................................................................................... 8
1.5 Múltiplos naturais de um número natural.................................................................................................. 12
1.6 Frações ....................................................................................................................................................... 15
1.7 Radicais....................................................................................................................................................... 18

2. Notação científica..................................................................................................................................27
2.1 Introdução................................................................................................................................................... 27
2.2 Representação............................................................................................................................................. 27
2.3 Operações com Notação Científica.............................................................................................................. 28

3. Fundamentos de Álgebra.......................................................................................................................33
3.1 Introdução................................................................................................................................................... 33
3.2 Fatoração de expressões algébricas............................................................................................................ 33
3.3 Frações algébricas....................................................................................................................................... 34
3.4 Produtos notáveis........................................................................................................................................ 35

4. Noções sobre proporcionalidade...........................................................................................................42


4.1 Introdução................................................................................................................................................... 42
4.2 Razão........................................................................................................................................................... 42
4.3 Proporção.................................................................................................................................................... 42
4.4 Regra de três simples.................................................................................................................................. 47
4.5 Regra de três composta............................................................................................................................... 49
4.6 Escala .......................................................................................................................................................... 51

5. Porcentagem.........................................................................................................................................58
5.1 Introdução................................................................................................................................................... 58
5.2 Definição..................................................................................................................................................... 58

Álgebra.......................................................................................................65
1. Noções sobre Conjuntos........................................................................................................................65
1.1 Introdução .................................................................................................................................................. 65
1.2 Representação............................................................................................................................................. 66
1.3 Relações e operações.................................................................................................................................. 67
1.4 Conjuntos Numéricos.................................................................................................................................. 72
1.5 Conjunto dos números irracionais (Ir)............................................................................................................. 73
1.6 Conjunto dos números reais ()................................................................................................................... 74
1.7 Conjunto dos números complexos ()........................................................................................................ 75

2. Noções gerais sobre funções..................................................................................................................79


2.1 Introdução................................................................................................................................................... 79
2.2 Definição..................................................................................................................................................... 79
2.3 Lei de Formação.......................................................................................................................................... 81
2.4 Gráfico de uma função............................................................................................................................... 84
2.5 Classificação de uma função quanto à imagem .......................................................................................... 86
2.6 Taxa média (M) de variação de uma função............................................................................................................ 89
2.7 Composição de funções.............................................................................................................................. 91
2.8 Inversão de função...................................................................................................................................... 94
2 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1
Sumário do Volume
3. Função Afim........................................................................................................................................ 104
3.1 Introdução................................................................................................................................................ 104
3.2 Definição................................................................................................................................................... 104
3.3 Gráfico....................................................................................................................................................... 104
3.4 Zero da Função Afim.................................................................................................................................. 106
3.5 Estudo de sinal da Função Afim............................................................................................................... 110
3.6 Inequações de 1o grau.............................................................................................................................. 111

4. Função Quadrática............................................................................................................................... 120


4.1 Introdução................................................................................................................................................ 120
4.2 Definição e Lei de Formação..................................................................................................................... 120
4.3 Zeros......................................................................................................................................................... 120
4.4 Imagem...................................................................................................................................................... 122
4.5 Gráfico...................................................................................................................................................... 122
4.6 Estudo de sinal da função quadrática....................................................................................................... 130

5. Noções sobre módulo e Função modular............................................................................................. 138


5.1 Introdução................................................................................................................................................ 138
5.2 Definição geométrica do módulo de um número real............................................................................. 138
5.3 Definição algébrica do módulo de um número real................................................................................. 138
5.4 Módulo de expressão algébrica................................................................................................................. 139
5.5 Função modular elementar....................................................................................................................... 141
5.6 Equações modulares................................................................................................................................. 143
5.7 Inequações modulares.............................................................................................................................. 144

Geometria Analítica..................................................................................149
1. Noções Básicas.................................................................................................................................... 149
1.1 Introdução ................................................................................................................................................ 149
1.2 Sistema cartesiano ortogonal.................................................................................................................... 149
1.3 Distância entre dois pontos...................................................................................................................... 152
1.4 Razão de secção....................................................................................................................................... 155
1.5 Área de um polígono................................................................................................................................. 160

2. Noções sobre reta no Plano Cartesiano................................................................................................ 170


2.1 Introdução ................................................................................................................................................ 170
2.2 Equação geral de uma reta........................................................................................................................ 170
2.3 Posições genéricas de uma reta no plano................................................................................................. 172
2.4 Equação reduzida da reta.......................................................................................................................... 175
2.5 Paralelismo e Perpendicularismo.............................................................................................................. 179
2.6 Ângulo agudo entre duas retas................................................................................................................. 184
2.7 Distância de ponto a reta.......................................................................................................................... 186
2.8 Inequações de primeiro grau..................................................................................................................... 189

3. Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano................................................................................ 196


3.1 Introdução................................................................................................................................................. 196
3.2 Definição................................................................................................................................................... 196
3.3 Equação reduzida...................................................................................................................................... 196
3.4 Equação Geral............................................................................................................................................ 199
3.5 Posições relativas...................................................................................................................................... 201
3.6 Inequações de 2o grau............................................................................................................................... 207


3
Sumário Completo
Volume 1 Volume 3
Matemática Básica Álgebra I
• Noções sobre Fundamentos Numéricos • Noções sobre polinômios e equações algébricas
• Notação científica • Noções sobre sistemas lineares
• Fundamentos de Álgebra • Noções sobre matrizes
• Noções sobre proporcionalidade • Noções sobre determinantes
• Porcentagem
Álgebra II
Álgebra • Noções sobre probabilidades
• Noções sobre conjuntos • Noções sobre números binomiais
• Noções gerais sobre funções • Noções sobre binômio de Newton
• Função Afim
• Função Quadrática Geometria Espacial Métrica 1
• Noções sobre módulo e função modular • Noções sobre prismas
• Noções sobre cilindros
Geometria Analítica • Noções sobre pirâmides
• Noções básicas
• Noções sobre reta no Plano Cartesiano Geometria Espacial Métrica 2
• Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano • Noções sobre cones
• Noções sobre sólidos semelhantes
• Noções sobre troncos de pirâmides e de cones
Volume 2 • Noções sobre esfera

Álgebra I
• Noções sobre função exponencial
• Noções sobre logaritmos e função logarítmica
• Noções sobre matemática financeira
• Noções sobre números complexos

Álgebra II
• Noções sobre sequências
• Noções sobre análise combinatória

Geometria Analítica
• Noções gerais sobre cônicas

Trigonometria
• Circunferência trigonométrica e razões trigonométricas
• Funções trigonométricas e suas inversas
• Transformações trigonométricas

Geometria Espacial De Posição


• Noções gerais básicas
• Noções sobre Poliedros Convexos

4 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

1
Matemática Básica

Noções sobre Fundamentos


Numéricos
1.1 Introdução

É
difícil encontrar alguma situação na qual não se necessite do uso de números. Os números estão
tão presentes em nossa vida que nem nos damos conta disso. Dependemos deles, atualmente, para
quase tudo, como, por exemplo, na obtenção da quantidade de pessoas em uma sala, nos cálculos
da altura de um prédio e na codificação do CPF de uma pessoa...
Mas nem sempre foi assim. Se voltarmos historicamente no tempo, veremos que essa dependência vai
diminuindo até quase não existir à medida que nos aproximamos dos tempos da origem do ser humano.
Há relatos de que, no início do processo de contagem, as pessoas usavam, para contar, os dedos das mãos
(de onde vem a palavra dígito), pedras (de onde vem a palavra cálculo), os nós de uma corda, marcas num
osso, dentre outros meios.

Neste capítulo, abordaremos tópicos importantes da Teoria dos Números, tais como potências, divisi-
bilidade, divisores, frações, múltiplos e radicais. Esses tópicos já foram estudados em anos anteriores e, por
esse motivo, serão apresentados desconsiderando-se a ordem cronológica do surgimento dos números e
das operações entre eles.

1.2 Potenciação

D
ados dois números reais a e n, chamamos de potência de base a e expoente n o número an. Par-
ticularmente, no caso em que n ∈ N , o número an é obtido por meio do produto de n fatores
iguais a a. Assim:

an = a . a . a... a ⇒ an = a . a n–1

Devemos ressaltar duas particularidades:

1a : a1 =a      2a : a0 = 1   

Com essa definição, já estamos aceitando, neste texto, sempre que necessário, que 00 = 1, embora não
exista uma unanimidade entre os matemáticos com relação a esse valor.

Exemplos:

• 51 = 5   •80 = 1   • 2 . 2 . 2 . = 23   • 3 . 3 . 3 . 3 . 3 = 3


5

4 4 4 4 4 4

Noções sobre Fundamentos Numéricos


5
 Propriedades

Considerando as condições de existência das potências envolvidas, é possível demonstrar as seguintes


propriedades:

P2: ac = ab – c a c= ac
b
P1: ab . ac = ab + c P3: (ab)c = ab . c P4: (a . b)c = ac . bc P5:
a b bc

Em particular:

a–n = 1n , para an ≠ 0
a

Exemplos:

• 23 . 24 = 23+4 • 32 = 35–2 • (52)4 = 52 . 4 • 3 = 33 • 2–3 = 13


5 3 3
• (2 . 3)5 = 25 . 35
3 7 7 2

Exercícios resolvidos
1 Simplifique cada expressão numérica a seguir:
3 2 3
b)E = 2 c) E = 2 d) E = (2 ) e) E = (3 . 5)
7 7
a) E = 3 . 32
25
25 24 32 . 5

Resolução:

Devemos considerar , em cada caso, a(s) propriedade(s) das potências convenientemente.

b) E = 2 ⇒ E = 27–5
7
a) E = 3 . 32 ⇒ E = 31+2
 E = 33 ⇒ E = 27 25
 ∴ E = 27  E = 22 ⇒ E = 4
 ∴ E = 4

c) E = (24) ⇒ E = 2(3 · 2)–4


3 2 3
d) E = (3 . 5) ⇒ E = 3 . 5
3 3

2 3 .5
2
3 .5
2

 E = 22 ⇒ E = 4  E = 3 . 5 ⇒ E = 75
2

 ∴ E = 4  ∴ E = 75

Exercícios de sala
2 Simplifique cada expressão a seguir:
–3
a) E = 2 . 2 b) E = 3 . 2 c) E = 3 . 2 d) E = (2 )
8 3 4 2 –4 –2 4

26 (3 . 2)4 (3 . 2)–1 (43)–2

6 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


1.3 Divisibilidade de números naturais

D
e modo geral, na divisão de um número natural a (dividendo) por um número natural b (divisor),
com b ≠ 0, obtém-se um quociente (q) e um resto (r), conforme algoritmo a seguir, em que r ≥ 0.
a b ⇒a=b.q+r
r q

Embora seja possível a divisibilidade entre números inteiros (positivos ou negativos), nos concentrare-
mos no estudo relacionado aos números naturais.
A ideia de divisão exata está associada à de repartir em partes iguais, sem sobrar restos. Nesse sentido,
um número natural a é divisível por outro número natural b ≠ 0, quando a divisão for exata (apresentar
resto nulo). Caso contrário, dizemos que a não é divisível por b.

Exemplos:

• 20 é divisível por 4, pois a divisão é exata. • 34 não é divisível por 6, pois deixa resto 4.
20 4 ⇒ 20 = 4 . 5 + 0 34 6 ⇒ 34 = 6 · 5 + 4
–20 5 –30 5
0 4

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado em alguns critérios de divisibilidade, recomendamos acessar o link: http://cnec.lk/05ya

Exercícios resolvidos
3 Com base no conceito de divisão, obtenha os 4 primeiros números naturais que divididos por 7 apresentam:
a) resto 3. b) resto igual à metade do quociente.

Resolução:

Seja n o número genérico procurado. Aplicando o algoritmo da divisão, temos:

a) n 7 ⇒ n = 7 . q + 3
3 q
Atribuindo valores para q, temos:
q=0: n=7.0+3⇒ n=3 q = 2 : n = 7 . 2 + 3 ⇒ n = 17
q = 1 : n = 7 . 1 + 3 ⇒ n = 10 q = 3 : n = 7 . 3 + 3 ⇒ n = 24

∴ Os 4 primeiros números naturais procurados são 3, 10, 17, e 24.

b) n 7 ⇒ n = 7q + q n = 14q + q ⇒ n = 15q
q q 2 2 2
2
Atribuindo valores convenientes (pares) para q, de modo que n seja inteiro, temos:

q = 0 : n = 15 . 0 ⇒ n = 0    q = 2 : n = 15 . 2 ⇒ n = 15
2 2

q = 4 : n = 15 . 4 ⇒ n = 30    q = 6 : n = 15 . 6 ⇒ n = 45
2 2
∴ Os 4 primeiros números naturais procurados são 0, 15, 30 e 45.

Noções sobre Fundamentos Numéricos


7
Exercícios de sala

4 Na divisão de números naturais por n, qual é o maior resto possível, nos casos em que:
a) n = 8?     b) n = 15?     c) n = 100?

5 Obtenha os divisores naturais de cada número a seguir.


a) 15 b) 72 c) 23

6 Obtenha os três primeiros números naturais que divididos por 5 deixam resto igual
a) a 3.    b) ao quociente.   c) a metade do quociente.

7 Considere um número natural que dividido por 5 deixa resto 3 e que dividido por 3 deixa resto 5. Qual é o
resto da divisão desse número por 15?

1.4 Divisores naturais de um número natural

D
ado um número natural a, chamamos de divisor natural de a qualquer número natural k (indi-
camos por k|a) tal que a divisão de a por k seja exata (deixe resto 0). Em outras palavras, existe
um número natural b, tal que a = k · b.

Exemplos:

• 2 é divisor natural de 14, pois 14 = 2 · 7 + 0.


• 5 é divisor natural de 60, pois 60 = 5 · 12 + 0.

Nota: Se n é um divisor natural de a, então –n é um divisor inteiro e negativo de a.

8 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Números primos
Saiba mais Existem números inteiros positivos que possuem apenas dois di-
visores naturais (o número 1 e o próprio número). Desse modo, es-
Para todo a ∈  e n ∈ , (a – 1) ses números possuem somente quatro divisores inteiros (1, –1, eles
divide (an – 1). mesmos e o oposto deles). Tais números positivos são chamados de
Existe um algoritmo, chamado números primos. Os demais são chamados de números compostos,
crivo de Eratóstenes, que permite ou não primos. Pela própria definição, que exige quatro divisores, o
visualizar os números primos determi- número 1 não é considerado primo, visto que apresenta apenas dois
nando-os um a um. divisores.

Exemplos:

• 2 é primo, pois seus divisores inteiros são 1, –1, 2 e –2.


• 5 é primo, pois seus divisores inteiros são 1, –1, 5 e –5.
• 8 é composto, pois seus divisores inteiros são 1, –1, 2, –2, 4, –4, 8 e –8.

Nota: Chamando de P o conjunto dos números primos positivos, po-


demos enumerar seus 10 primeiros elementos como segue:

P = {2; 3; 5; 7; 11; 17; 19; 23; 29; 31; ...}

 Teorema fundamental da aritmética (TFA)

Todo número inteiro (não primo) maior que 1 pode ser decom-
posto em um produto de fatores primos de uma única maneira, a me-
nos da ordem (Teorema Fundamental da Aritmética).
Nesse sentido, para decompor um número em fatores primos
(2, 3, 5, 7, ...), fazemos divisões sucessivas por esses fatores até obter-
mos quocientes 1. Em seguida, multiplicamos os divisores (que são
fatores primos procurados) e escrevemos esse produto sob a forma
de potências.

Exemplos:

• 36 = 22 . 32, pois: • 700 = 22 . 52 . 7, pois:


36 2 36 2 700 2 700 2
0 18 2 18 2 0 350 2 350 2
0 9 3 9 3 0 175 5 175 5
0 3 3 3 3 0 35 5 35 5
0 1 1 0 7 7 7 7
0 1 1
∴ 36 = 22 . 32 ∴ 700 = 2 . 5 . 7
2 2

 Obtenção dos divisores inteiros de um número natural

Se o número natural não nulo b é um divisor do número natural


a; então, o número inteiro –b também é divisor de a. Existe um algo-
ritmo que permite obter os divisores de um número inteiro a partir de
seus fatores primos.

Exemplo:

Os divisores de 18 são D(18) = {±1, ±2, ±3, ±6, ±9, ±18}.

1o passo: Fatoramos o número 18 (Fig. 1).

2o passo: Traçamos uma vertical ao lado dos fatores primos (Fig. 2).

Noções sobre Fundamentos Numéricos


9
3o passo: Ao lado desse novo traço e uma linha acima, colocamos o número 1. Na linha seguinte
(a linha do primeiro fator, que é 2), colocamos o produto desse fator pelo número que está na linha acima
dele (2 x 1 = 2), indicando que 2 é divisor de 18 (Fig. 3).

4o passo: Na linha seguinte (a linha do segundo fator, que é 3), colocamos o produto desse fator pelos
números que estão nas linhas acima dele, à direita do traço (3 x 1 = 3 e 3 x 2 = 6), indicando que 3 e 6 são
divisores de 18 (Fig. 4).

5o passo: Repetimos esse procedimento nas outras linhas, anotando cada resultado uma só vez. Como os
produtos 3 x 1 e 3 x 2 já foram anotados, na linha do segundo fator 3, anotaremos somente os produtos
ainda não obtidos (3 x 3 = 9 e 3 x 6 = 18), indicando que 9 e 18 são divisores de 18 (Fig 5).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 Fig. 5


1 1 1
18 2 18 2 18 2 2 18 2 2 18 2 2
9 3 9 3 9 3 9 3 3; 6 9 3 3; 6
3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 9; 18
1 1 1 1 1
∴ D = (18) = {±1, ±2, ±3, ±6, ±9, ±18}

Exercícios resolvidos
8 Pedro quer distribuir suas 135 bolinhas de gude em saquinhos plásticos. De quantas formas ele pode fazer
isso e, para cada forma, quantos saquinhos são necessários?

Resolução:
Trata-se de obter quantidades inteiras e positivas de bolinhas e saquinhos. Para obter os divisores na-
turais de 135, devemos aplicar o algoritmo correspondente:
1
135 3 3
 45 3 9
 15 3 27
⇒ D+ (135) = {1, 3, 5, 9, 15, 27, 45, 135}
  5 5 5, 15, 45, 135
  1

∴ As possibilidades são: 1 saquinho com 135 bolinhas, ou 3 saquinhos com 45 bolinhas, ou 9 saqui-
nhos com 15 bolinhas, ou 27 saquinhos com 5 com bolinhas, ou 15 saquinhos com 9 bolinhas, ou 45
saquinhos com 3 bolinhas, ou, finalmente, 135 saquinhos com 1 bolinha.

 Máximo divisor comum (M.D.C)

Como o próprio nome sugere, o M.D.C de dois ou mais números é o maior divisor comum desses nú-
meros.
Existem dois algoritmos que permitem obter o M.D.C de dois ou mais números.

Exemplo:

• M.D.C (60, 40, 24)

Algoritmo I:

1o passo: Escrevemos, em sequência, os números dos quais queremos extrair o M.D.C e colocamos um
traço à direita. (Fig. 1).

10 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2o passo: Dividimos cada número pelo fator primo comum e indicamos, sob cada um deles, o resultado
encontrado. (Fig. 2).

3o passo: Prosseguimos assim até encontrar quocientes que não tenham fator primo comum, isto é, que
sejam primos entre si. (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3


60, 40, 24 60, 40, 24 2 60, 40, 24 2
30, 20, 12 30, 20, 12 2
15, 10, 6
não tem fator
primo comum

O M.D.C será obtido pelo produto de fatores primos comuns colocados à direita do traço.
M.D.C (60, 40, 24) = 2 . 2 ⇒ MDC (60, 40, 24) = 4
Algoritmo II:

Decompomos os números 60, 40 e 24 em fatores primos.


60 2 40 2 24 2
30 2 20 2 12 2
15 3 10 2 6 2
5 5 5 5 3 3
1 1 1
60 = 22 . 3 . 5 40 = 23 . 5 24 = 23 . 3
O M.D.C é obtido pelo produto de todos os fatores comuns a todos os números envolvidos, tomados
com o menor expoente:

M.D.C (40, 24, 60) = 22 ⇒ M.D.C (40, 24, 60) = 4

Exercícios resolvidos
9 Um marceneiro tem uma tábua de 144 cm, uma de 96 cm e uma de 240 cm. Ele deseja cortá-las em tábuas
de maior comprimento possível, todas idênticas, sem que sobrem pedaços com outras medidas. Despreze as
perdas com os cortes e calcule
a) o comprimento de cada tábua. b) a quantidade de tábuas obtidas.

Resolução:
a) A tábua deverá ter uma medida que divida as medidas de 144, 96 e 240 sem deixar restos. Além disso,
a medida procurada deverá ser a menor possível. Conclui-se, então, que a medida procurada é dada pelo
M.D.C (144, 96, 240):
1o modo: 2o modo:
144, 96, 240 2
144 2 96 2 240 2
 72, 48, 120 2
 72 2 48 2 120 2
 36, 24,  60 2
 36 2 24 2  60 2
 18, 12,  30 2
 18 9 12 2  30 2
  9,  6,  15 3
  9 3  6 2  15 3
  3,  2,   5
  3 3  3 3   5 5
  1   1    1 
144 = 2 · 3
4 2
96 = 2 · 3
5
240 = 24 · 3 · 5

M.D.C.(144, 96, 240) = 24 . 3 ⇒ M.D.C.(144, 96, 240) = 48


∴ O comprimento das tábuas será de 48 cm.

Noções sobre Fundamentos Numéricos


11
b) Observando o primeiro modo de obtenção do M.D.C, notamos que a tábua de 144 cm com irá gerar 3 peças
(144 ÷ 48 = 3), a de 96 cm, 2 peças (96 ÷ 48 = 2) e a de 240 cm, 5 peças (240 ÷ 48 = 5). Assim, sendo n o
número de tábuas a serem obtidas nesse processo, temos:

n = 3 + 2 + 5 ⇒ n = 10

∴ serão obtidas 10 tábuas.

1.5 Múltiplos naturais de um número natural

D
ado um número natural a, chamamos de múltiplo natural de a qualquer número dado por a · k,
sendo k ∈ N . Se considerarmos também os simétricos desses múltiplos, obteremos os múltiplos
inteiros de a.

Exemplos:
• Os múltiplos inteiros de 3 formam o conjunto infinito M(3)= {0; ± 3; ± 6; ± 9; ...}
• Os múltiplos inteiros de 0 (zero) formam o conjunto unitário M(0) = {0}
• Os múltiplos inteiros de 1 formam o conjunto dos números inteiros M(1) = 

Mínimo múltiplo comum (M.M.C)


 

Como o próprio nome diz, o M.M.C de dois ou mais números é o menor múltiplo comum desses nú-
meros.
Existem dois algoritmos que permitem obter o M.M.C de dois ou mais números.

Exemplo:

• M.M.C (25, 18, 30)

Algoritmo I:

1o passo: Escrevemos os números dados, separando-os por vírgula, e colocamos um traço ao lado do últi-
mo número (Fig. 1).
2o passo: No outro lado do traço, colocamos o menor dos fatores primos de algum dos números dados,
seja ele uma fator comum ou não (no exemplo, o 2) (Fig. 2).
3o passo: Sob cada número que for divisível pelo fator primo, colocamos o quociente da divisão. No
exemplo, sob o 18 colocamos o 9 e sob o 30, o 15. Os números não divisíveis pelo fator primo devem ser
repetidos (no exemplo, 25) (Fig. 3).
4o passo: Prosseguimos com esse processo até chegar ao quociente 1 sob todos os números (Fig. 4).

Fig. 1. Fig. 2. Fig. 3. Fig. 4.


18, 25, 30 2
18, 25, 30 2
18, 25, 30 9, 25, 15 3
18, 25, 30 2 9, 25, 15
3, 25, 5 3
1, 25, 5 5
1, 5, 1 5
1, 1, 1

O M.M.C será obtido pelo produto dos fatores primos colocados do lado direito do traço.

M.M.C (18, 25, 30) = 2 . 32 . 52 ⇒ M.M.C (18, 25, 30) = 450

Algoritmo II

Decompomos os números em fatores primos.

12 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


25 5 18 2 30 2
5 5 9 3 15 3
1 3 3 5 5
1 1
25 = 52 18 = 2 . 32 30 = 2 . 3 . 5

O M.M.C é obtido tomando-se o produto de todos os fatores primos (comuns ou não) com o maior
expoente.

M.M.C (25, 18, 30) = 2 . 32 . 52 ⇒ M.M.C (25, 18, 30) = 450

 Relação entre o M.M.C e o M.D.C de dois números naturais

Considerando os números naturais a e b, bem como o M.M.C (a, b) e o M.D.C (a, b), é possível de-
monstrar que:

M.M.C (a, b) . M.D.C (a, b) = a . b

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado nessa demonstração, recomendamos acessar o link: http://cnec.lk/07s3.

Exercícios resolvidos
10 Considere quatro lâmpadas do tipo “pisca-pisca”. Uma delas pisca a cada 6 s, a outra a cada 18 s, a outra
a cada 15 s e a outra a cada 21 s. Essas lâmpadas são instaladas em uma árvore de natal de modo que, ao
serem ligadas na energia, elas piscam juntas pela primeira vez. Após quanto tempo, elas irão piscar juntas
novamente?

Resolução:

A primeira lâmpada piscará em instantes dados por múltiplos de 6, a segunda, irá piscar em instantes
dados por múltiplos de 18, a terceira e a quarta, em instantes dados por múltiplos de 15 e 21, respectiva-
mente. Sendo assim, todas irão piscar juntas em instantes que sejam dados por múltiplos comuns de 6, 18,
15 e 21. Isso indica que a próxima vez que piscarem juntas o instante será dado pelo M.M.C (6, 18, 15, 21):

1o modo 2o modo
6, 18, 15, 21 2
3, 9, 15, 21 3 18 2
6 2 15 2 21 3
1, 3, 5, 7, 3 9 3
3 3 5 5 7 7
1, 1, 5, 7, 5 3 3
1 1 1
1, 1, 1, 7, 7 1
1, 1, 1, 1 6=2.3 18 = 2 . 32 15 = 3 . 5 21 = 3 . 7

M.M.C (6, 18, 15, 21) = 2 . 32 . 5 . 7 ⇒ M.M.C (6, 18, 15, 21) = 630

∴ as lâmpadas piscarão juntas, novamente, após 630 s.

Noções sobre Fundamentos Numéricos


13
Exercícios de sala

11 Seja M(x) o conjunto dos múltiplos de x, sendo que x ∈ N . Nessas condições,


a) enumere M(2) e M(3).   b) indique a operação entre M(2) e M(3) que permite obter M(6).

12 Obtenha o MDC e o MMC de cada sequência numérica a seguir:


a) (8, 12) b) (27, 45, 72) c) (7, 12, 18)

13 Considere dois números naturais a e b, tais que MMC (a, b) = 360 e MDC (a, b) = 3. Se 8a = 15b, calcule
esses números.

14 Uma costureira tem duas peças de tecidos diferentes, mas de mesma largura. Uma delas tem 90 cm de
comprimento, e a outra, 72 cm. Ela deseja dividir ambas de modo a obter peças menores, todas de mesmo
comprimento, sem mudar a largura original.
Qual deve ser o comprimento adotado, de modo que se obtenha a menor quantidade possível de
peças? Qual será essa quantidade?

15 Três ônibus A, B e C partem simultaneamente do terminal urbano com destino a três bairros distintos da
cidade de Uberaba. A cada 30 min, A retorna ao terminal, enquanto B e C lá retornam a cada 40 min e
60 min, respectivamente. Após algum tempo, eles partirão juntos novamente desse terminal. Até que isso
ocorra, qual a distância percorrida por A, sabendo que ele desenvolve uma velocidade média de 40 km/h?

14 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


1.6 Frações

D
ados dois números a e b, com b ≠ 0, definimos fração de numerador a e denominador b ao
número a ÷ b = a . As frações de mesmo denominador são ditas semelhantes, e a fração b é a
b a
a
inversa da fração , com a ≠ 0 e b ≠ 0.
b
Uma fração não muda de valor caso seu numerador e seu denominador sejam multiplicados por um
mesmo número k, tal que k ≠ 0 . Nesse caso, a fração obtida recebe o nome de fração equivalente.

Exemplos:

• As frações 1 , 3 e 7 são semelhantes, pois todas elas apresentam denominador 4.


4 4 4
• As frações 7 e 3 são inversas uma da outra.
3 7
• 3 é a fração de numerador 3 e denominador 5, a qual tem como equivalentes as frações
5
6 , 9 , 12 , ... 3k (k ≠ 0)
10 15 20 5k

 Soma e subtração de frações

Para somar ou subtrair duas ou mais frações, devemos analisar dois casos:
1o caso: As frações são semelhantes.
Nesse caso, basta preservar o denominador e operar, convenientemente, com os numeradores.

Exemplos:

• E = 3 + 2        • E = 5 – 1          • E = 3 + 5 – 1
7 7 3 3 8 8 8

E = 3 + 2 ⇒ E = 5      E = 5 – 1 ⇒ E = 4       E = 3 + 5 – 1 ⇒ E = 7
7 7 3 3 8 8

2o caso: As frações não são semelhantes.


Nesse caso, podemos proceder de duas formas:

1a : Usar frações equivalentes, de modo a obter frações semelhantes.

Exemplos:

• E = 5 + 3        • E = 8 – 4          • E = 3 + 1 – 3
4 2 3 5 4 3 2

E = 5 + 6 ⇒ E = 11    E = 40 – 12 ⇒ E = 28     E = 9 + 4 – 18 ⇒ E = 5
4 4 4 15 15 15 12 12 12 12

2a: Usar o MMC dos denominadores como sendo o denominador comum de todas as frações.

Exemplos:

• E = 3 + 5        • E = 3 – 1 + 3        •E= 3 – 2 + 1


8 6 8 4 7 5 3 7

MMC (8, 6) = 24      • MMC (8, 4, 7) = 56       • MMC (5, 3, 7) = 105

E = 3 . 3 + 4 . 5 ⇒ E = 29    E = 3 . 3 –14 . 1 + 8 . 3 ⇒ E = 19   E = 21 . 3 –35 . 2 + 15 . 1 ⇒ E = 8
24 24 56 56 105 105

Noções sobre Fundamentos Numéricos


15
 Multiplicação de frações

Para multiplicar duas frações, devemos multiplicar os numeradores entre si e os denominadores entre si:

Exemplos:

• 3 . 2 . 3 . 2 = 3.2 ⇒ 3 . 2 = 6 • 7 . 3 . 1 = 7 . 3 . 1 ⇒ 7 . 3 . 1 = 21 = 7
5 7 5 7 5 .7 5 7 35 6 8 2 6.8.2 6 8 2 96 32

 Divisão de frações

Para dividir duas frações, basta conservar a primeira e multiplicar pelo inverso da segunda.

• 3 ÷ 2 = 3 . 5 ⇒ 3 ÷ 2 = 15 • 7 ÷ 1 = 7 . 4 ⇒ 7 ÷ 1 = 28 = 7
4 5 4 2 4 5 8 8 4 8 1 8 4 8 2

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado em uma abordagem geométrica das operações com frações, recomendamos acessar o
link: http://cnec.lk/05yx

 Número misto

As frações que representam números maiores do que 1 são chamadas frações impróprias.
Essas frações podem ser escritas na forma de número misto, composto de uma parte interna e outra
fracionária.

Exemplos:
5 3+2 5 3 2 = 10 + 2 ⇒ 12 = 10 + 2
• 3 =3 ⇒3=3+3 • 12
5 5 5 5
5
2
5 = 1 + 2 ⇒ 5 = 13 (um inteiro e dois terços) 12 = 2 + 2 ⇒ 12 = 2 25 (dois inteiros e dois quintos)
3 3 3 5 5 5

 Fração com decimal exata

Como já vimos, uma divisão entre dois números inteiros pode, ou não, ser exata. No caso de a divisão
não ser exata, podemos indicá-la sob a forma de fração, ou sob a forma decimal.

Exemplos:

• A divisão de 3 por 5, bem como a de 1 por 8 não são exatas e podem ser representadas sob a forma de
fração ou, então, sob a forma de decimal exata:

1 8
–0,8 0,125 1÷8= 1
3 5 3÷5= 3 0,20 ⇒ 8
–3 0,6 ⇒ 5 –0,16 1 ÷ 8 = 0,125
3 ÷ 5 = 0,6
0 0,04
–0,04
0

16 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Dízima periódica e fração geratriz

Algumas vezes, ao fazermos a divisão, encontramos uma forma decimal com infinitos algarismos (os
quais apresentam um padrão que se repete periodicamente). Essa forma é chamada de dízima periódica, e
o padrão apresentado é o seu período.
De modo geral, a fração cuja forma decimal é uma dízima periódica é chamada de fração geratriz da dízima.

Exemplos:

• 1 é a fração geratriz da dízima 0,333... . Essa dízima é melhor indicada por 0, 3 .


3
• 11 é a fração geratriz da dízima 1,222... . Essa dízima é melhor indicada por 1, 2 .
9

 Obtenção da fração geratriz

Existe um procedimento que pode ser usado para a obtenção da fração geratriz de uma dízima perió-
dica. Esse procedimento envolve operações de multiplicação, subtração e divisão.

Exemplos:

• 0,333... = x (I) • 1,222... = x (I)


3,333... = 10x (II) 12,222... = 10x (II)
Fazendo (II) – (I), temos que: Fazendo (II) – (I), temos que:
10x – x = (3,333... – 0,333...) ⇒ 9x = 3 10x – x = (12,222... – 1,222...) ⇒ 9x = 11

x = 3 ⇒ 0,333... = 1 x = 11 ⇒ 1,222... = 11
9 3 9 9

∴A fração geratriz de 0,333... é 1 ∴ A fração geratriz de 1,222... é 11


3 9

Exercícios resolvidos
16 Calcule a soma S e a diferença D das dízimas 0,323232... e 2,011111... .

Resolução:
Primeiramente, vamos obter as frações geratrizes de cada uma dessas dízimas.
0,3232.... = x (I) 2,011111... = y (I)
3,2323.... = 10x (II) 20,111111... = 10 y (II)
32,3232.... = 100x (III) 201,111111... = 100 y (III)

Fazendo (III) – (I), temos que: Fazendo (III) – (II), temos que:
100x – x = (32,3232... – 0,3232...) ⇒ 99x = 32
181 = 90 y ⇒ y = 181
x = 32 ⇒ 0,3232... = 32 90
99 99
Desse modo, temos:
S = 0,323232... + 2,011111... ⇒ S = x + y D = 0,323232... – 2,011 ⇒ D = x – y

S = 32 + 181 ⇒ S = 32 · 10 + 181 · 11 D = 32 – 181 ⇒ D = 32 · 10 + 181 · 11


99 90 990 99 90 990

S = 320 + 1991 ⇒ S = 2311 D = 320 + 1991 ⇒ D = 1671 = 557


990 990 990 990 330

∴ A soma é S = 2311 , e a diferença é D = 557


990 330

Noções sobre Fundamentos Numéricos


17
Exercícios de sala

17 Obtenha o valor de cada expressão a seguir e, se possível, dê a resposta na forma de número misto.
3 5 7 5 7 5
+ · ÷
4 3 4 6 6 4
a) E = b) E = c) E = d) E = 1,5 . 0,4
13 4 2 1 4 2 (0,6)2
– + ·
2 3 3 8 3 5

18 Obtenha a fração geratriz de cada dízima periódica a seguir:


a) 0,888... = 0, 8 b) 1,1222... = 1,1 2 c) 2,23232... = 2,3

19 Euler deu a quinta parte de suas bolinhas de gude ao seu primo e a metade das bolinhas restantes ao seu
irmão. Depois disso, ele guardou as 45 bolinhas restantes. Quantas eram as bolinhas que Euler tinha?

1.7 Radicais

D
ados um número real não negativo a (a > 0) e um número natural n, demonstra-se que existe
sempre um número real b, com b > 0, tal que bn = a.
Nessas condições, para o número b, dá-se o nome de raiz enézima de a. Esse fato é
indicado
n
por b = .
O símbolo a é chamado de radical de índice n, enquanto que a é chamado de radicando.
Nesse texto, admitiremos, sempre, n > 2, sendo que, para n = 2, não será necessário representar o ín-
dice.

Exemplos:
3 7
• 64 = 4, pois 43 = 64 • 5 1 = 1, pois 17 = 1
• 81 = 9, pois 92 = 81 • –32 = –2, pois (–2)3 = –32

18 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Radicais semelhantes

Exemplos:
n n n n n
No símbolo k a , dizemos que k é o coeficiente de a e que a , 2 a , 3 a representam radicais seme-
lhantes.
3 3 3 3
• 2 , 2 2 , 3 2 , 4 2 ,... • – 3 5 , – 2 5 , – 5 , 5 ...

Saiba mais
Dizemos que um número natural a é um quadrado perfeito quando ele tiver raiz quadrada exata. Desse modo, have-
rá um número natural b, tal que b2 = a.
Dizemos que um número inteiro a é um cubo perfeito quando ele tiver raiz cúbica exata. Desse modo, haverá um
número inteiro b, tal que b3 = n.

Exemplos:
• 16 é um quadrado perfeito, pois: 16 = 4 • 1 é um quadrado perfeito e, também, um cubo perfeito.
3
• 125 é um cubo perfeito, pois: 125 = 5 • 64 é um quadrado perfeito e, também, um cubo perfeito.

Exercícios resolvidos
20 Qual é o menor número natural pelo qual devemos multiplicar o número 360 de modo que o produto seja
a) um quadrado perfeito? Justifique. b) um cubo perfeito? Justifique.

Resolução:

Seja k o número procurado.


Primeiramente, vamos decompor o número 360 em fatores primos.

360 2
180 2
 90 2
 45 3 ⇒ 360 = 23 · 32 · 5
 15 3
  5 5
  1

a) Quadrado perfeito é todo número que tem raiz quadrada exata. Desse modo, os expoentes de seus fa-
tores primos devem ser números pares. Como k deve ser o menor possível, devemos pensar em “ajeitar”
os expoentes dos fatores de 360 de modo que sejam os menores números pares possíveis.

Desse modo, o expoente do 2 deve passar a ser 4, o do 3 não se deve alterar e o do 5 deve passar a ser
2. Daí, concluímos que k = 2 . 5, ou seja, k = 10.

Justificativa:
Para k = 2 . 5, teremos:
360k = 23. 32 . 5 . (2 . 5) ⇒ 360k = 24 . 32 . 52
360k = (22 . 3 . 5)2 ⇒ 360k = (60)2
360k = 602 ⇒ 360k = 60
∴ O menor número é 10.

b) Cubo perfeito é todo número que tem raiz cúbica. Desse modo, como k deve ser o menor possível os
expoentes de seus fatores primos de 360 devem ser os menores múltiplos de 3 possíveis.

Noções sobre Fundamentos Numéricos


19
Nesse caso, o expoente do 2 não deve se alterar, o do 3 deve passar a ser 3 e o do 5 deve, também,
passar a ser 3. Daí, concluímos que k = 3 · 52, ou seja, k = 75.

Justificativa:
Para k = 3 . 52, teremos:
360k = 23 · 32 · 5 · (3 · 52) ⇒ 360k = 23 . 33 . 53
360k = (2 · 3 · 5)3 ⇒ 360k = 753
3
360k = 753 ⇒ 3 360k = 75
∴ O menor número é 75.

 Propriedades

Considerando as condições de existência dos radicandos e dos índices dos radicais, é possível demons-
trar as seguintes propriedades:
n n n n n n n
• a · b = a · b • ( a )b = ab • anb = a b


n
a = n a • n p a = np a • n am = np am · p
n
b b

Exemplos:

• 3 2 · 3 3 = 3 2 · 3 ⇒ 3 2 · 3 3 = 3 6 •( 3 2 )5 = 3 25 ⇒ ( 3 2 )5 = 3 23 · 22

• 5 = 4 5 • 3 = 3 · 2 3 ⇒ 3 = 6 3
4 3 3

4
3 3
• 5 34 = 3 · 5 33 · 4 ⇒ 5 34 = 15 312
• 3 22 · 5 = 23 5

Algumas dessas propriedades podem ser usadas, em casos específicos, para racionalizar denominado-
res.

Exemplos:
3 2
• E = 1 ⇒ E = 1 . 2 • E = 35 ⇒ E = 35 . 3 3
2 2 2 3 3 32
2 ⇒ E = 2 E = 5 32 ⇒ E = 5 9
3 3
E=
22 2 3 3
3 3

 Potência com expoente racional não inteiro

Com a definição de radical, podemos definir potência de expoente racional não inteiro.
p

Dados os números a, p e q, tais que a ∈ *+, p ∈  e q ∈ N *, define-se a potência a q pela relação


p
q
a q = ap

Exemplos:
3 3 5 5 –3 –3
3 2 = 35 ⇒ 3 2 = 243    • 5
• 2 4 = 4 23 ⇒ 2 4 = 4 8    •  4
= 4 5–3 ⇒ 5 4
= 4 1
53

 Extração e introdução de fatores no radicando

Usando convenientemente algumas propriedades dos radicais, podemos promover a extração ou, en-
tão, a introdução de fatores em um radicando.

20 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos:

• E = 3 16 ⇒ E = 3 24   • E = 5 2187 ⇒ E = 35 · 32 • E = 4 80 ⇒ E = 4
24 · 5

E = 3 23 · 2 ⇒ E = 23 2   E = 35 32 ⇒ E = 35 9 E = 24 5 ⇒ E = 24 5

• E = 3 2 ⇒ E = 32 · 2   • E = 23 5 ⇒ E = 3 23 · 5 • E = 54 5 ⇒ E = 4
54 · 5

E = 9 · 2 ⇒ E = 18   E = 3 8 · 5 ⇒ E = 3 40 E = 4 625 · 5 ⇒ E = 4 3125

 Adição e subtração de dois ou mais radiciais

Só é possível somar ou subtrair radicais quando forem semelhantes ou, então, quando puderem ser
reduzidos a radicais semelhantes. Para tanto, basta preservar os radicais e operar convenientemente com os
coeficientes.

Exemplos:

• E = 2 + 3 2 ⇒ E = (1+3) 2 • E = 4 3 – 2 3 ⇒ E = (4 – 2) 3

∴ E = 4 2 ∴ E = 2 3

• 3 16 + 3 2 ⇒ E = 3 8 · 2 + 3 2 • E = 4 243 + 4 48 ⇒ E = 4
34 · 3 + 4 24 · 3

E = 3 23 · 2 + 3 2 ⇒ E = 23 2 + 3 2 E = 34 3 + 24 3 ⇒ E = 54 3
∴ E = 33 2 ∴ E = 54 3

 Multiplicação e divisão dos radicais

Para a multiplicação ou a divisão de radicais, devemos considerar dois casos:


1o: Os radicais apresentam o mesmo índice
Nesse caso, basta aplicar as propriedades dos radicais.

Exemplos:

• E = 6 · 3 ⇒ E = 6 · 3 • E = 16 ⇒ E =
3
3 16
3
2 2

E = 18 ⇒ E = 3 2 E = 3 8 ⇒ E = 2

• E = 3 3 · 3 9 ⇒ E = 3 3 · 9 • E = 6 ⇒ E = 6
24 24

E = 3 27 ⇒ E = 3 E= 1 ⇒E= 1
4 2
2o: Os radicais têm índices diferentes

Nesse caso, antes de efetuar quaisquer das operações, devemos reduzir os radicais a um mesmo índice.
Essa redução pode ser feita usando o MMC dos índices dos radicais envolvidos.

Exemplos:

• E = 8 ⇒ E = 4 8
4 4
• E = 3 3 · 2 ⇒ E = 6 32 · 6 23
E = 6 33 · 23 ⇒ E = 6 72 2 22

• E = 4 2 . 10 2 ⇒ E = 20 25 · 20 22 E= 4 8 ⇒E = 4 2
E = 20 25 · 22 ⇒ E = 20 128 4

Noções sobre Fundamentos Numéricos


21
Exercícios de sala

21 Simplifique cada expressão a seguir:


2
b) E = 16 – 2 128 · 2
3 3
a)  E = 18 + 3 8
4
c) E = d) E = (3 2 · 3 50 ) 3

32 – 3 2 3
2
5
32

22 Considere que {x, y} ⊂ + e simplifique cada expressão a seguir:

a) E = 12 x5 · 12 x b) E = 5 x4 y2 · 5 xy3 c) E = 3x x2y –2 x4y + 6x2 y

23 Calcule o valor de:


1
5 3
a) E = 31 + 10 – 83 – 4    b) E = 320,2 + 27    c) E = 30 –
6 10
10 10 – 3

22 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


24 Racionalize os denominadores das seguintes expressões:

a) E = 4 b) E = 10 c) E = 2
3 2 3
5 5
8

25 Se
x
2 = 12 2 e 3 y 5 = 15 5 , calcule o valor de x + y 2048 .

Exercícios propostos
26 (ENEM) Um estudante se cadastrou numa rede social na internet que exibe o índice de popularidade do
usuário. Esse índice é a razão entre o número de admiradores do usuário e o número de pessoas que visi-
tam seu perfil na rede.
Ao acessar seu perfil hoje, o estudante descobriu que seu índice de popularidade é 0,3121212... . O
índice revela que as quantidades relativas de admiradores do estudante e pessoas que visitam seu perfil
são
a) 103 em cada 330. b) 104 em cada 333. c) 104 em cada 3 333.
d)139 em cada 330. e) 1 039 em cada 3 330.

27 (ENEM) Um clube de futebol abriu inscrições para novos jogadores. Inscreveram-se 48 candidatos. Para re-
alizar uma boa seleção, deverão ser escolhidos os que cumpram algumas exigências: os jogadores deverão
ter mais de 14 anos, estatura igual ou superior à mínima exigida e bom preparo físico. Entre os candidatos,
7 têm mais de 14 anos e foram pré-selecionados. Dos pré-selecionados, 1 têm estatura igual ou superior
8 2
2
à mínima exigida e, destes, têm bom preparo físico.
3

A quantidade de candidatos selecionados pelo clube de futebol foi


a) 12 b) 14 c) 16 d) 32 e) 42

Noções sobre Fundamentos Numéricos


23
28 (ENEM)  Uma carga de 100 contêineres, idênticos ao modelo apresentado na Figura 1, deve-
rá ser descarregada no porto de uma cidade. Para isso, uma área retangular de 10 m por 32 m
foi cedida para o empilhamento desses contêineres (Figura 2).

Figura 1 Figura 2
6,4 m

2,5 m Área para


32 m armazenar
contêineres

2,5 m
10 m

De acordo com as normas desse porto, os contêineres deverão ser empilhados de forma a não sobra-
rem espaços nem ultrapassarem a área delimitada. Após o empilhamento total da carga e atendendo à
norma do porto, a altura mínima a ser atingida por essa pilha de contêineres é
a) 12,5 m d) 22,5 m
b) 17,5 m e) 32,5 m
c) 25,0 m

29 (ENEM) De forma geral, os pneus radiais trazem em sua lateral uma marcação do tipo abc como
deRfg
185 . Essa marcação identifica as medidas do pneu da seguinte forma:
65R15

• abc é a medida da largura do pneu, em milímetro;


• de é igual ao produto de 100 pela razão entre a medida da altura (em milímetro) e a medida da largura
do pneu (em milímetro);
• R significa radial;
• fg é a medida do diâmetro interno do pneu, em polegada.
A figura ilustra as variáveis relacionadas com esses dados.

O proprietário de um veículo precisa trocar os pneus de seu carro e, ao chegar a uma loja, é informado
por um vendedor que há somente pneus com os seguintes códigos: 175 , 185 , 175 , 185 e
65R15 75R15 80R15 60R15
205 . Analisando, juntamente com o vendedor, as opções de pneus disponíveis, concluem que o pneu
55R15
mais adequado para seu veículo é o que tem a menor altura.

Desta forma, o proprietário do veículo deverá comprar o pneu com a marcação

a)  205 b)  175  c)  175 d) 175 e) 185


55R15 65R15 65R15 80R15 60R15

30 (ENEM) O gerente de um cinema fornece anualmente ingressos gratuitos para escolas. Este ano, serão
distribuídos 400 ingressos para uma sessão vespertina e 320 ingressos para uma sessão noturna de um
mesmo filme. Várias escolas podem ser escolhidas para receberem ingressos. Há alguns critérios para a
distribuição dos ingressos:
1) cada escola deverá receber ingressos para uma única sessão;
2) todas as escolas contempladas deverão receber o mesmo número de ingressos;
3) não haverá sobra de ingressos (ou seja, todos os ingressos serão distribuídos).

24 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


O número mínimo de escolas que podem ser escolhidas para obter ingressos, segundo os critérios es-
tabelecidos, é
a) 2 b) 4 c) 9 d) 40 e) 80

31 (FGV) A raiz quadrada da diferença entre a dízima periódica 0,444... e o decimal de representação finita
10 vezes

0,44444... 4 é igual a 1 dividido por


a) 90 000 b) 120 000 c) 150 000 d) 160 000 e) 220 000

32 (UECE) Se S e P são, respectivamente, a soma e o produto dos seis menores números naturais primos,
então o número racional P pertence ao intervalo fechado
s
a) [700, 750] b) [750, 800] c) [800, 850] d) [850, 900]

33 (IBMEC-RJ) Seja n um número natural, tal que: 1 < n < 24. Considere os conjuntos:
48
M= x ∈N x= P = {x | x = 2n} Q = {x | x = 2n}
n

É correto dizer que, se X = (M ∩ P) – Q, o número de elementos do conjunto X é:


a) 2. b) 3. c) 4. d) 5. e) 6.

34 (MACK-SP) A soma dos naturais positivos, que divididos por 37 dão resto igual ao cubo do quociente, é
a) 258 b) 290 c) 301 d) 320 e) 348

35 (UNIFOR-CE) N e P são números naturais constituídos pelos algarismos ‘a’ e ‘b’ de acordo com os seguintes
formatos: N = ab e P = ba. No quadro a seguir, temos o algoritmo da divisão aplicado às divisões de N por
a + b e de P por a – b, respectivamente.

N  a + b P  a – b
6   7 2   6

Então, podemos afirmar que N – 2P é igual a:


a) 8 b) 10 c) 15 d) 22 e) 25

36 (MACK-SP) Se m, n e p são inteiros positivos tais que m = 3p e n = 48 – 3p, então, para o menor valor
possível de p, a soma m + n é igual a 7
a) 30 b) 35 c) 38 d) 40 e) 42

37 (UEPG-PR) Considerando os números naturais p e q, diferentes de zero, sobre o máximo divisor comum


(m.d.c.) e o mínimo múltiplo comum (m.m.c.), assinale o que for correto.
01) m.d.c. (p, 1) = p, se p ≠ 1.
02) Se m.m.c. (p, q) = p . q, então p e q são números primos.
04) Se p é múltiplo de q, então m.m.c. (p, q) = p.
08) Se p é divisor de q, então m.d.c. (p, q) = p.
16) m.m.c. (p, 2p) = 2p2.

38 (PUC) Usando a tecnologia de uma calculadora, pode-se calcular a divisão de 2 por 3 4 e obter um resul-
tado igual a
a)  4 b) 3 3 c) 5 d)3 2 e) 42

39 (USP) A expressão 3 –2 · 243 é igual a


3

6
81

a)  2 b) 1 c) 2 d) 1 e) 5
9 3 3 3

Noções sobre Fundamentos Numéricos


25
40 (UNESP) Uma faixa retangular de tecido deverá ser totalmente recortada em quadrados, todos de mes-
mo tamanho e sem deixar sobras. Esses quadrados deverão ter o maior tamanho (área) possível. Se as
dimensões da faixa são 105 cm de largura por 700 cm de comprimento, o perímetro de cada quadrado,
em centímetros, será:
a) 28 b) 60 c) 100 d) 140 e) 280

41 (PUC-MG) Das 96 maçãs que chegam semanalmente à banca de Dona Maria, algumas são do tipo verde e
as outras do tipo fuji. As maçãs verdes vêm embaladas em sacos com 7 unidades e as do tipo fuji, em sacos
com 9 unidades. A partir dessas informações, pode-se afirmar que o número de maçãs verdes recebidas
por essa banca a cada semana é:
a) 42 b) 49 c) 56 d) 63

Exercícios de aprofundamento
42 (ESPM-SP) Um número natural N, quando dividido por 18 ou por 15, deixa o mesmo resto R. Se R é o maior
possível e N o menor possível, o valor de N + R é:
a) 98 b) 121 c) 100 d) 105 e) 118

43 (IME-RJ) Quantos restos diferentes são possíveis da divisão de n2 por 11, sendo n um número natural?
a) 3 b) 4 c) 5 d) 6 e) 7

44 (USP-Escola-Politécnica) O valor de 3 · 3 + 3 · 3 + 3 + 3 · 3 – 3 + 3 é

a) 3 5 + 3    b)3 6 + 3    c)3 + 5 + 3 3    d)3 + 6 + 2 3    e)3 + 5 + 6 3


1

45 (UPE) O valor numérico de 512 2 + 2 + 2 + 2 +...


é igual a

a) 256    b) 2 + 2     c) 16 2     d)8 2     e) 16


2

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26 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

2 Notação científica

2.1 Introdução

E
xistem determinadas situações nas quais há a necessidade de ler, representar e compreender núme-
ros muito grandes ou muito pequenos e operar com eles.
Em alguns casos, tais números são compostos, apenas, por potências inteiras de 10. Para
esses números temos notações, nomes e símbolos especiais, como mostra a tabela a seguir:

Número Forma exponencial Prefixo Símbolo


1 000 000 000 000 1012 tera T
1 000 000 000 109 giga G
1 000 000 106 mega M
1 000 103 kilo K
1 100 – –
0,1 10–1 deci d
0,01 10–2 centi c
0,001 10–3 mili m
0,000 001 10–6 micro µ
0,000 000 001 10–9 nano n
0,000 000 000 001 10–12 pico p

Para os outros casos, usamos a representação na forma de notação científica, a qual, como veremos,
pode representar, também, os números da tabela.
Um estudo mais apurado da notação científica envolve critérios de arredondamento e ordem de gran-
deza. Nesse texto, limitaremos-nos, apenas, à representação e às operações envolvendo essa notação.

2.2 Representação

E
m geral, podemos escrever qualquer número positivo na forma de notação científica. Essa notação
é composta pelo produto de um número racional positivo e menor que 10 (chamado coeficiente)
por uma potência de base 10. Esse número racional é chamado de coeficiente da potência de 10.

Exemplos:

• 8,0 . 103 é a notação científica correspondente ao número 8 000, sendo 8,0 o coeficiente.

• 9,6 . 102 é a notação científica correspondente ao número 960, sendo 9,6 o coeficiente.

• 4,0 . 10-3 é a notação científica correspondente ao número 0,004, sendo 4,0 o coeficiente.

De modo geral, podemos reescrever números, escritos na forma de notação científica, usando potên-
cias de base 10 com expoente inteiro qualquer. Para tanto, multiplicamos ou dividimos os coeficientes por
potências convenientes de base 10, aumentando ou diminuindo os expoentes dessas potências.

Notação científica
27
Exemplos:

• O número 50 000 escrito com potência de expoente 4 fica 5 . 104; já com expoente 3 fica 50 . 103 e com
expoente 5 fica 0,5 · 105.
• O número 17 escrito com potência de expoente 2, 0 e –1 fica, respectivamente, 1,7 . 102, 17 . 10 e
1 70 . 10-1.
• O número 0,002 escrito com potências de expoente –3, –4 e –2 fica, respectivamente, 2 . 10-3, 20 . 10-4 e
0,2 . 10-2.

2.3 Operações com Notação Científica


 Adição e subtração

A adição ou subtração de números expressos sob a forma de notação científica só pode ser realizada
quando as bases das potências de 10 têm expoentes iguais. Nesse caso, conserva-se a potência e adicionam-
-se (ou subtraem-se) os coeficientes. Nos demais casos, basta reduzir os números a potências de base 10
com o mesmo expoente e, depois, efetuar a soma ou a subtração.

Exemplos:

• 5,0 . 107 – 3,0 . 107 = (5 – 3) . 107 ⇒ 5,0 . 107 – 3,0 . 107 = 2,0 . 107

• 3,8 . 1 0-4 + 1,4 . 10-4 = (3,8 + 1,4) . 10-4 ⇒ 3,8 . 10-4 + 1,4 . 10-4 = 5,2 . 10-4

•8,0 . 105 + 1,0 . 107 = 0,08 . 107 + 1,0 . 107 ⇒ 8,0 . 105 + 1,0 . 107 = 1,08 . 107

 Multiplicação e divisão

A multiplicação ou a divisão de números expressos sob a forma de notação científica consiste em mul-
tiplicar ou dividir ordenadamente os coeficientes entre si e, também, as potências de 10 entre si.

Exemplos:

• (8,0 . 107) . (4,0 . 103) = (8 . 4) . (107 . 103) ⇒ (8,0 . 107) . (4,0 . 103) = 3,2 . 1011

• 6,0 . 107 ÷ 3,0 . 103 = (6 ÷ 3) . (107 ÷ 103) ⇒ 6,0 . 107 ÷ 3,0 . 103 = 2 . 104

 Potenciação e radiciação

Em se tratando da potenciação e da radiciação, basta aplicar as regras e propriedades relativas a essas


operações.

Exemplos:

• (2,0 . 103)2 = (2,0)2 . (103)2 ⇒ (2,0 . 103)2 = 4,0 . 106

• 9,0 . 108 = 9,0 . 108 ⇒ 9,0 . 108 = 3,0 . 104

Exercícios resolvidos
1 Simplifique cada expressão a seguir:

a) E = 3,5 . 10 – 2,6 . 10 b) E = 5,0 . 10 . 8,3 . 10


3 3 4 3

3,0 . 102 . 2,0 . 103 8,1 . 107

c) E = 0,004 + 0,008 d) E = 0,007 . 15000


0,03 0,003

28 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Resolução:

a) E = 3,5 . 10 – 2,6 . 10 ⇒ E = (3,5 –2,6) . 10 c) E = 0,004 + 0,008 ⇒ E = 4,0 . 10 . 0,8 . 10


3 3 3 –3 –3

3,0 . 102 . 2,0 . 103 (3,0 . 2,0) . 102 . 103 0,03 2 . 10–2

E = 0,9 . 10 ⇒ E = 0,9 . 103–5 E = (4,0 + 0,8) . 10 ⇒ E = 4,8 . 10


3 –3 –3
  

6 . 10 5 6 2 . 10–2 2 . 10–2

E = 0,15 . 10–2 ⇒ E = 1,5 · 10–3   


E = 4,8 . 10–3+2 ⇒ E = 2,4 . 10–1
2
∴ E = 1,5 . 10–3   
∴ E = 2,4 . 10–1

b) E = (5,0 . 8,1) . 10 . 10 ⇒ E = 40,5 . 10     d) E = 0,007 . 15000 ⇒ E = 7 . 10 . 1,5 . 10


4 3 4+3 –3 4

8,1 . 106 9 . 103 0,003 3 . 10–3

E = 40,5 · 10 ⇒ E = 4,5 . 107–3 E = 7 . 1,5 . 10–3+4–(–3) ⇒ E = 3,5 . 101+3


7

9 103 3

∴ E = 4,5 . 104 ∴ E = 3,5 . 104

Exercícios de sala
2 Calcule o valor de cada expressão a seguir:

a) E = 3,0 · 10 + 5,0 · 10   b) E = 6,8 · 10 · 3,0 · 10   c) E = 65 000 + 3 000   d) E = 0,08 + 0,02


4 4 4 –2

16 · 104 1,7 · 103 · 2,0 · 102 0,0025 36 · 10–8

Notação científica
29
3 Um determinado livro tem 850 páginas e 3,8 cm de espessura (incluindo as duas capas de 0,2 cm cada).
Em cada página estão escritas, em média, 1 200 palavras. Nessas condições, responda:
a) Qual é a espessura média de cada página?
b) Quantas palavras compõem o conteúdo do livro (descontando-se as capas)?

Enunciado para as questões 4 e 5.

Um ano tem, aproximadamente, 32 milhões de segundos e a velocidade da luz é de 300 milhões de


quilômetros por segundo. Um ano-luz é a distância percorrida pela luz em um ano. Nessas condições:

4 Represente, em notação científica, a velocidade da luz em metros por segundo.

5 Represente, em notação científica, e em metros, a medida de um ano-luz.

6 Um fio de cabelo humano tem um diâmetro médio de 45 micrômetros (µm). Sabendo que 1 µm = 1–3 mm,
escreva o citado diâmetro, em notação científica, quando medido em metros.

7 (ENEM) Um dos grandes problemas da poluição dos mananciais (rios, córregos e outros) ocorre pelo hábi-
to de jogar óleo utilizado em frituras nos encanamentos que estão interligados com o sistema de esgoto.
Se isso ocorrer, cada 10 litros de óleo poderão contaminar 10 milhões (107) de litros de água potável.
Manual de etiqueta. Parte integrante das revistas Veja (ed. 2055), Claudia (ed. 555), National Geographic (ed. 93) e Nova Escola (ed. 208) (adaptado).

Suponha que todas as famílias de uma cidade descartem os óleos de frituras através dos encanamentos
e consomem 1 000 litros de óleo em frituras por semana.
Qual seria, em litros, a quantidade de água potável contaminada por semana nessa cidade?
a) 102 b) 103 c) 104 d) 105 e) 109

8 (ENEM) Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostraram o processo de
devastação sofrido pela Região Amazônica entre agosto de 1999 e agosto de 2000. Analisando fotos
de satélites, os especialistas concluíram que, nesse período, sumiu do mapa um total de 20 000 quilô-
metros quadrados de floresta. Um órgão de imprensa noticiou o fato com o seguinte texto:

30 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


"O assustador ritmo de destruição é de um campo de futebol a cada oito segundos". Considerando
que um ano tem aproximadamente 32 . 106s (trinta e dois milhões de segundos) e que a medida da área
oficial de um campo de futebol é aproximadamente 10-2 km2 (um centésimo de quilômetro quadrado), as
informações apresentadas nessa notícia permitem concluir que tal ritmo de desmatamento, em um ano,
implica a destruição de uma área de
a) 10 000 km2, e a comparação dá a ideia de que a devastação não é tão grave quanto o dado numérico
nos indica.
b) 10 000 km2, e a comparação dá a ideia de que a devastação é mais grave do que o dado numérico nos indica.
c) 20 000 km2, e a comparação retrata exatamente o ritmo da destruição.
d) 40 000 km2, e o autor da notícia exagerou na comparação, dando a falsa impressão de gravidade a um
fenômeno natural.
e) 40 000 km2 e, ao chamar a atenção para um fato realmente grave, o autor da notícia exagerou na com-
paração.

9 (ENEM) A resolução das câmeras digitais modernas é dada em megapixels, unidade de medida que repre-
senta um milhão de pontos. As informações sobre cada um desses pontos são armazenadas, em geral, em
3 bytes. Porém, para evitar que as imagens ocupem muito espaço, elas são submetidas a algoritmos de
compressão, que reduzem em até 95% a quantidade de bytes necessários para armazená-las. Considere
1 KB = 1 000 bytes, 1 MB = 1 000 KB, 1 GB = 1 000 MB.
Utilizando uma câmera de 2.0 megapixels cujo algoritmo de compressão é de 95%, João fotografou 150
imagens para seu trabalho escolar. Se ele deseja armazená-las de modo que o espaço restante no disposi-
tivo seja o menor espaço possível, ele deve utilizar
a) um CD de 700 MB.  b) um pendrive de 1 GB. c) um HD externo de 16 GB.
d) um memory stick de 16 MB.  e) um cartão de memória de 64 MB.

10 (ENEM) A Agência Espacial Norte Americana (NASA) informou que o asteroide YU 55 cruzou o espaço entre a
Terra e a Lua no mês de novembro de 2011. A ilustração a seguir sugere que o asteroide percorreu sua trajetória
no mesmo plano que contém a órbita descrita pela Lua em torno da Terra. Na figura, está indicada a proximida-
de do asteroide em relação à Terra, ou seja, a menor distância que ele passou da superfície terrestre.

Fonte: NASA
Disponível em: http://noticias.terra.com.br (adaptado).

Com base nessas informações, a menor distância que o asteroide YU 55 passou da superfície da Terra é
igual a
a) 3,25 x 102 km b) 3,25 x 103 km  c) 3,25 x 104 km
d) 3,25 x 10 km
5
e) 3,25 x 10 km
6

11 (UNIFOR) A massa em gramas de um elétron é dada por um número que pode ser representado assim:

0 911

27 zeros

Notação científica
31
Esse mesmo número também pode ser representado como
a) 9,11 x 10–28 b) 9,11 x 10–27 c) 911 x 10–28 d) 911 x 10–27 e) 911 x 10–26

12 (UFMG) Simplificando a expressão 9 · 10–6 · 0,0049 · 2,5 · 103, obtém-se


a) 105 b) 10,5 c) 1,05 d) 0,105 e) 0,0105

13 (UERJ) Um evento está sendo realizado em uma praia cuja faixa de areia tem cerca de 3 km de extensão e
100 m de largura.
A ordem de grandeza do maior número possível de adultos que podem assistir a esse evento sentados
na areia é de:
a) 104 b) 105 c) 106 d) 107

14 (FGV) Admita que o couro cabeludo de uma mulher normal adulta tenha aproximadamente 4 fios de ca-
belo por milímetro quadrado. Das aproximações a seguir, acerca da ordem de grandeza do total de fios de
cabelo da cabeça dessa mulher, a mais plausível é
a) 105 b) 1010 c) 1015 d) 1020 e) 1025

15 (ESPM) Escrevendo-se o número N = 820 · 554 em notação científica, isto é, N = a . 10b, com 1 ≤ a < 10 e b
∈ Z, o valor de a + b é igual a
a) 63,2 b) 48,5 c) 51,7 d) 61,4 e) 58,6

16 (UFRGS) A atmosfera terrestre contém 12.900 quilômetros cúbicos de água. Esse valor corresponde, em
litros, a
a) 1,29 x 109 b) 1,29 x 1012 c) 1,29 x 1015 d) 1,29 x 1016 e) 1,29 x 1018

Exercícios de aprofundamento
17 Um quilobyte (kB) corresponde a 210 bytes e um megabyte (mB) corresponde a 210 quilobytes. Deter-
mine o número de bytes contidos em 6 . 521 megabytes e dê a resposta em notação científica.

18 (ESPM) Certa vez, o menino Antônio disse a seu pai que tinha inventado um número muito grande.
Indagado sobre o valor desse número, que ele chamou de mictilhão, Antônio respondeu:
Não tem o milhão? Então, o milhão é 1, o bilhão é 2, o trilhão é 3, o mictilhão é 1000.

De acordo com a explicação do menino, podemos concluir que 1 mictilhão é igual a:


a) 103030 b) 101003 c) 103001 d) 103300 e) 103003

19 (FATEC) Você certamente não percebeu, mas a Lua está se afastando de nós. O satélite da Terra está atual-
mente 18 vezes mais longe do que quando se formou, há 4,5 bilhões de anos, e vem se afastando de nosso
planeta a uma velocidade de 3,78 centímetros por ano.
<http://tinyurl.com/pezmcwj>. Acesso em: 19.03.2015. Adaptado.

Admita que a velocidade de afastamento da Lua em relação à Terra sempre foi constante. Nessas con-
dições, é correto concluir que a distância da Lua à Terra, há 4,5 bilhões de anos, era aproximadamente, em
quilômetros, igual a
a) 1,0 x 104 b) 1,0 x 105 c) 1,0 x 106 d) 1,0 x 107 e) 1,0 x 108

20 (ESPM) Escrevendo-se o número N = 820 · 554 em notação científica, isto é, N = a . 10b, com 1 ≤ a < 10 e
b ∈ Z, o valor de a + b é igual a
a) 63,2 b) 48,5 c) 51,7 d) 61,4 e) 58,6

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32 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

3 Fundamentos de Álgebra
3.1 Introdução

N
este capítulo, faremos um breve estudo de alguns temas de suma importância para o desenvol-
vimento da Matemática do Ensino Médio. Na sua maior parte, esses termos já foram estudados
em anos anteriores, de modo que nossa abordagem terá caráter revisional.

3.2 Fatoração de expressões algébricas

E
xpressão algébrica é toda expressão matemática composta por números (chamados de coeficientes),
letras (chamadas de variáveis) e operações (soma, subtração, produto, potência ou radical).
As expressões algébricas são, geralmente, chamadas de polinômios. Particularmente, se essa
expressão apresentar um único termo, apenas dois termos, ou apenas três termos, ela se chamará
monômio, binômio e trinômio, respectivamente.
Uma expressão algébrica pode ser irracional (caso alguma incógnita esteja submetida a um radical) ou
racional (caso ela não seja irracional).

Exemplos:

• x2 . y3 . 3 z (monômio irracional) • 4xy + 5x2 + 2y2 (trinômio racional)


• ax + b xy (binômio irracional) • x3 + y2 + z3 – 4 (polinômio racional)
• x2 + 4 x + 4 (trinômio irracional) • x4 + x3 + 3x2 – 2x + 4 (polinômio racional)

 Fatoração de expressões algébricas

Fatorar uma expressão algébrica, quando possível, implica obter uma expressão equivalente composta
por produtos de expressões (geralmente mais simples).

Exemplos:

• E = ab + ac
Notemos que, em ambas as parcelas ab e ac, aparece o fator a, o qual é chamado de fator comum.
Nesse caso, podemos fatorá-lo (colocá-lo em evidência):

E = ab + ac ⇒ E = a(b + c)

\ E = a(b + c)

• E = 5x2y – 20xy2


Essa expressão pode ser reescrita da seguinte forma:
E=5.x.x.y–4.5.x.y.y
Notemos, agora, que 5xy é fator comum.

\ E = 5xy(x – 4y)

• E = mx + ny + my + nx
Nessa expressão, m é fator comum nas parcelas mx e my, e n é fator comum nas parcelas nx e ny.
Assim:
E = mx + my + mx + ny ⇒ E = m(x + y) + n(x + y)

Fundamentos de Álgebra
33
Notemos, agora, que (x + y) é fator comum, permitindo outra fatoração.

∴ E = (x + y) (m + n)

• E = ab + 2a + 3b + 6
Nas duas primeiras parcelas, o fator a é comum e, nas duas últimas, o fator 3 é comum. Assim:
E = ab + 2a + 3b + 6 ⇒ E = a(b + 2) + 3(b + 2)

∴ E = (b + 2) (a + 3)

3.3 Frações algébricas

F
ração algébrica é toda fração na qual o denominador é uma expressão algébrica.
É importante ressaltarmos que esse denominador não pode ser nulo.

Exemplos:

•E= 1 , com a3– b3 ≠ 0 • E = 3x + 2y – 1 , com x + y – 4 ≠ 0


a3 – b3 x+y–4

• E = x – 4x + 6 , com x – 2 ≠ 0 • E = x + y , com x . y ≠ 0
2

(x – 2)2 x.y

 Simplificação de frações algébricas

Em determinadas condições, após fatorarmos numerador e denominador, podemos simplificar uma


fração algébrica.

Exemplos:

• F = ax + ay , com x + y ≠ 0 e b ≠ 0. •F= a–b , com a ≠ b e m ≠ n.


bx + by ma – nb + mb – na

F = a(x + y) ⇒ F = a F= a–b ⇒F= a–b


b(x + y) b m(a – b) – n(a – b) (a – b)(m – n)

∴E= a ∴F= 1
b m–n

Exercícios de sala
1 Fatore as seguintes expressões algébricas:
a) E = x3 + 3x2   b) E = 14x2y + 7xy2   c) E = x3 + 3x2 + 2x + 6   d) E = mx + ny – my – nx

34 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2 Simplifique as expressões a seguir, com a ≠ 0 e b ≠ 0.

a) E = a . a + a . a a2b4 + a4b2


3 -1 2
b) E =
a .a
2 -1
a3b + b3a

2
3 Sabendo que x – y = 3, obtenha o valor numérico da expressão E = mx + ny – my – nx , com m ≠ n.
n–m

3.4 Produtos notáveis

A
lgumas expressões algébricas, por serem de grande aplicação e por apresentarem um padrão de
fácil reconhecimento, são chamadas de produtos notáveis. Alguns desses produtos notáveis são
mostrados a seguir:

 Quadrado da soma de dois termos

A expressão (a + b)2 = (a + b) (a + b) é conhecida como quadrado da soma de dois termos. Desenvol-


vendo o segundo membro, temos:

(a + b)2 = a(a + b) + b(a + b) ⇒ (a + b)2 = a2 + ab + ba + b2


\ (a + b)2 = a2 + 2ab + b2

O termo quadrado perfeito associado ao desenvolvimento de (a + b)2 justifica-se pelo fato de que esse
trinômio representa a área de um quadrado de lado (a + b).
Vale ressaltar que, exceto nos casos em que a = 0 ou b = 0, ou a = – b, devemos ter, sempre,
(a + b)2 ≠ a2 + b2
O desenvolvimento da expressão (a + b)2 é conhecido como trinômio quadrado perfeito.

Fundamentos de Álgebra
35
Exemplos:

• (x + 2y)2
(x + 2y)2 = x2 + 2 . x(2y) + (2y)2 ⇒ (x + 2y)2 = x2 + 4xy + 4y2

• (2x2 + 3y3)2
(2x2 + 3y3)2 = (2x2)2 + 2 . (2x2) (3y3) + (3y3)2 ⇒ (2x2 + 3y3) = 4x4 + 12x2y3 + 9y6

 Quadrado da diferença de dois termos

Analogamente ao quadrado da soma de dois termos, temos o quadrado da diferença de dois termos,
indicado por (a – b)2.

(a – b)2 = [a + (– b)]2 ⇒ (a – b)2 = a2 + 2a(–b) + (–b)2

∴ (a – b)2 = a2 – 2ab + b2

Vale ressaltar que, exceto nos casos em que a = 0 ou b = 0 ou a = b, devemos ter, sempre,
(a – b)2 ≠ a2 + b2 e (a – b)2 ≠ a2 – b2.

Exemplos:

• (x2 – y)2
(x2 – y)2 = (x2)2 – 2(x2) y + y2 ⇒ (x2 – y)2 = x4 – 2x2y + y2

• ( x – 1)2
( x – 1)2 = ( x )2 – 2( x ) . (1) + 12 ⇒ ( x – 1)2 = x – 2 x + 1

Saiba mais
A expressão A ± B é chamada de radical duplo e pode, sempre, ser escrita na forma A + C ± A – C com
C = A2 – B.
2 2 2
A justificativa é a seguinte:
2 2
A± B = x ± y ⇒ A± B = x ± y

A± B =x±2 x y + y ⇒ A ± B = x + y ± 4xy

Por comparação:

A=x+y⇒y=A–x

B = 4xy ⇒ xy = B
4
x . (A – x) = ⇒ x – Ax + B = 0
B 2

4 4

Resolvendo, vem:

x= A± A– A –B ⇒y= A± A– A –B
2 2

2 2

Fazendo A2 – B = C, temos:

∴ A + B = A + C + A – C   e   A – B = A + C – A – C
2 2 2 2

36 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Cubo da soma de dois termos

(a + b)3 = (a + b) (a + b) (a + b) ⇒ (a + b)3 = (a + b) (a + b)2

(a + b)3 = (a + b) (a2 + 2ab + b2) ⇒ (a + b)3 = a3 + 2a2b + ab2 + ba2 + 2ab2 + b3

\ (a + b)3 = a3 + 3a2b + 3ab2 + b3

Esse resultado é conhecido como cubo perfeito por representar o volume de um cubo de aresta
(a + b).
Vale ressaltar que, exceto nos casos em que a = 0 ou b = 0, ou a = – b, devemos ter, sempre,
(a + b)3 ≠ a3 + b3.

Exemplo:

• (x +2)3
(x + 2)3 = x3 + 3x2 . (2) + 3x . (2)2 + 23 ⇒ (x + 2)3 = x3 + 6x2 + 12x + 8

 Cubo da diferença de dois termos

Analogamente ao cubo da soma de dois termos, temos o cubo da diferença de dois termos:

(a – b)3 = (a – b) (a – b) (a – b) ⇒ (a – b)3 = (a – b) (a – b)2


(a – b)3 = (a – b) (a2 – 2ab + b2) ⇒ (a – b)3 = a3 – 2a2b + ab2 – ba2 + 2ab2 – b3

Vale ressaltar que, exceto nos casos em que a = 0, b = 0 ou a = b, devemos ter, sempre,

(a – b)3 ≠ a3 – b3

Exemplo:

• (x – 2)3
(x – 2)3 = x3 – 3x2 · 2 + 3x . 22 – 23 ⇒ (x – 2)3 = x3 – 6x2 + 12x – 8

 Produto da soma pela diferença de dois termos

Consideremos o produto (a + b) (a – b) e façamos seu desenvolvimento:

(a + b) (a – b) = a(a – b) + b(a – b) ⇒ (a + b) (a – b) = a2 – ab + ba – b2

O resultado obtido no segundo membro é conhecido como a diferença de dois quadrados.


O termo diferença de dois quadrados, associado ao binômio (a2 – b2) justifica-se pelo fato de represen-
tar a diferença entre as áreas de um quadrado de lado medindo a e de outro quadrado de lado medindo b.
Esse produto notável é uma ferramenta fundamental usada em casos específicos de racionalização de
denominadores.

Exemplos:

• (2x + y) (2x – y)
(2x + y) (2x – y) = (2x)2 – y2 ⇒ (2x + y) (2x – y) = 4x2 – y2

• ( x – y )( x + y )
( x – y ) ( x + y ) = ( x )2 – ( y )2 ⇒ ( x – y ) ( x + y ) = x – y

 Soma de dois cubos

Para obtermos a soma dos cubos de dois termos, tomemos, inicialmente, o cubo da soma desses ter-
mos:

Fundamentos de Álgebra
37
(a + b)3 = a3 + 3a2b + 3ab2 + b3 ⇒ (a + b)3 = a3 + b3 + 3ab(a + b)
(a + b)3 – 3ab(a + b) = a3 + b3 ⇒ (a + b) [(a + b)2 – 3ab] = a3 + b3
(a + b) (a2 + 2ab + b2 – 3ab) = a3 + b3 ⇒ (a + b) (a2 + b2 – ab) = a3 + b3

\ a3 + b3 = (a + b) (a2 – ab + b2)

Esse resultado é útil na racionalização de alguns denominadores específicos.

Exemplos:

• E = x3 + 64
E = (x + 4) (x2 – x · 4 + 42) ⇒ E = (x + 4) (x2 – 4x + 16)

 Diferença de dois cubos

Para obtermos a diferença dos cubos de dois termos, tomemos inicialmente o cubo da diferença desses
termos:

(a – b)3 = a3 – 3a2b + 3ab2 – b3 ⇒ (a – b)3 = a3 – b3 – 3ab(a – b)


(a – b)3 + 3ab(a – b) = a3 – b3 ⇒ (a – b) [(a – b)2 + 3ab] = a3 – b3
(a – b) (a2 – 2ab + b2 + 3ab) = a3 – b3 ⇒ (a – b) (a2 + ab + b2) = a3 – b3

\ a3 – b3 = (a – b) (a2 + ab + b2)

Esse produto notável é útil na racionalização de alguns denominadores específicos.

Exemplos:

• x3 – 8
(x3 – 8) = (x – 8) (x2 + 2x + 22) ⇒ (x3 – 8) = (x – 8) (x2 + 2x + 4)

 Produtos notáveis e a racionalização de denominadores


Quando o denominador da fração a ser racionalizada envolve soma ou diferença de duas parcelas (das quais
pelo menos uma é um radical), podemos usar os produtos notáveis para efetuar a racionalização. Nesses casos, o
número pelo qual se multiplica o denominador e o numerador da fração chama-se fator racionalizante.

Exemplos:

•E= 7 • E = 2
5– 3 2– 2

E= 7 . 5 + 3 ⇒ E = 7( 5 + 3 ) E= 2 ⇒E= 2 . 2+ 2
5– 3 5+ 3 ( 5 )2 – ( 3 )2 2– 2 2– 2 2+ 2

E = 7( 5 + 3 ) ⇒ E = 7( 5 + 3 ) E = 2(2 + 2 ) ⇒ E = 2 + 2
5–3 2 2

1 • E = 1
•E= 3
2 +1
3
3 –32

1 . [( 2 )2 – ( 2 ) . 1 + 12] E = . [( 3 ) + 3 . 2 + ( 2 ) ]
3 3 3 3 3
E= 1 3 2 2
3
2 + 1 [(3 2 )2 – (3 2 ) . 1 + 12] 3
3 – 2 [(3 3 )2 + 3 3 . 3 2 + (3 2 )2]
3

4 – 3 2 + 1 E= 9 + 6 + 4 ⇒E=39 +36 +34


3 3 3
E = 23 – 2 + 1 ⇒ E =
3 2 3 3

( 2 )3 + (1)3 3 (3 3 )3 – (3 2 )3

38 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios resolvidos

4 Para a ≠ 0 e b ≠ 0, simplifique cada expressão a seguir:

a) F = a4 – a2b2    b)F = (a + b)2 + (a – b)2    c) F = a3 + b3    d) F = a – b


a2 + 2ab + b2 (a4 + b4) a+b a3 – b3

Resolução:

a) F = a4 – a2b2 ⇒ F = a2 (a2 – b2) b) F = (a + b) + (a – b) ⇒ F = a + 2ab + b + a – 2ab + b


2 2 2 2 2 2

a + 2ab + b2
2
(a + b)2 (a + b )
4 4
(a + b ) (a –b )
2 2 2 2

F = a (a + b) (a – b) ⇒ F = a (a – b) 2a2 +2b2 2 (a2 + b2)


2 2
F= ⇒F=
(a + b)2 (a + b) (a2 + b2) (a2 – b2) (a2 + b2) (a2 – b2)

∴ F = a (a – b) 2
2
∴F=
(a + b) a2 – b2

c) F = a – b ⇒ F = (a + b) (a – ab + b ) a–b 1
3 3 2 2
d) F = ⇒F=
a+b a+b (a – b) (a ab + b )
2 2
a + ab + b2
2

∴ F = a2 – ab + b2 ∴F= 1
a + ab + b2
2

Exercícios de sala
5 Considere as devidas condições de existência e simplifique cada expressão a seguir:

a) E = a–4   b) E = 1 – 1   c) E = a–2 – 2 + b–2  d) E = 3 – a


a – 4a + 4
2
a– 2 a+ 2 ab 3a – a2 9 – 3a

6 Qual o valor numérico de E = 4752 – 4742?

Fundamentos de Álgebra
39
7 Sabendo que x2 + 1 = 14, calcule, para x > 0, o valor de:
x2
a) x + 1 b) x3 + 1
x x3

8 Racionalize os denominadores das seguintes expressões:

a) E = 4 b) E = 6 c)E = 2 d)E = 3– 2


2– 1 3+ 2 5–1 3+ 2

Exercícios propostos
9 (UNIFOR-CE) Se a e b são números reais positivos, a expressão a + b + 2 ab é equivalente a
a– b
a)  a + b (
b) b · a + b ) c) a – b d) a – b e) a + b

10 (FUVEST-SP) A diferença entre os quadrados de dois números naturais é 21. Um dos possíveis valores da
soma dos quadrados desses dois números é:
a) 29 b) 97 c) 132 d) 184 e) 252

11 (UNESP-SP) A expressão 4x + 8 3x – 3 , para x ≠ ± 1, x ≠ - 2, é equivalente a:


+ 2
x2 + 3x + 2 x –1

a)  4 – 3    b) 1    c) 7    d) 4 + 3    e) 1


x+ 1 x– 1 x+ 1 x+1 x+ 1 x+ 1 x+ 1

12 (UFC-CE) Se a expressão 2x + 5 = a + b , onde a e b são constantes, é verdadeira para todo


4x – 1
2
2x + 1 2x – 1
número real x ≠ ± 1/2, então o valor de a + b é:
a) –2 b) –1 c) 1 d) 2 e) 3

40 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


13 (FUVEST-SP) A igualdade correta para quaisquer a e b, números reais maiores do que zero, é

1 =–1
3
c) a – b = a – b
2
a)  a3 + b3 = a + b b)
a – a2 + b2 b

d) 1 = 1 + 1 e) a3 – b3 =a–b
a+b a b a2 + ab + b2

(FGV) O valor da expressão y = 0,49 – x para x = –1,3 é:


2
14
0,7 + x

a) 2 b)–2 c) 2,6 d) 1,3 e)– 1,3

15 (UNIFOR-CE) Para todos os números reais x e y tais que x · y ≠ 0, a expressão (x–4 – y–4): (x–2 + y–2) é
equivalente a

a)  x – y b) (x – y) c) x + y d) y – x e) (x + y)
2 2 2 2 2 2 2 2

xy xy
2 2
xy xy2 2
xy
2 2

16 (FUVEST-SP) Dado 2 – 2 é igual a:


5– 3 3
2

a)  5 + 3 + 4   b) 5 + 3 – 2   c) 5 – 3 – 2   d) 5 + 3 – 4   e) 5 – 3 – 4


3 3 3 3 3

17 (UESPI) Se a + b = x, a2 + b2 = y, então, podemos afirmar que a3 + b3 é igual a:


a) x(3y – x2)/2  b) y(3x – y2)/2  c) x(2y – x2)/2  d) y(2x – x2)/2  e) y(2y – x2)/2

Exercícios de aprofundamento
18 (UFC-CE) O expoente do número 3 na decomposição por fatores primos positivos do número natural
1063 – 1061 é igual a:
a) 6. b) 5. c) 4. d)3. e) 2.

19 (EFEI) Se x – 1 = 2, calcule o valor de A = x3 + x2 – 1 + 1 .


x x3 x2

20 (UFC-CE) O valor exato de 32 + 10 7 + 32 – 10 7 é:


a) 12 b) 11. c) 10. d) 9. e) 8.

Navegar é preciso
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Ao leitor interessado em mais exercícios relacionados à este capítulo, recomendamos acessar o o link:
http://cnec.lk/07s6.

Fundamentos de Álgebra
41
Cap.

4 Noções sobre
proporcionalidade
4.1 Introdução

N
o nosso dia a dia, é muito comum fazermos comparações entre duas grandezas. Essas compa-
rações, em alguns casos, podem facilitar a tomada de decisões.
Neste capítulo, apresentaremos algumas ferramentas matemáticas que nos permitirão ava-
liar essas comparações.

4.2 Razão

U
ma forma de comparar grandezas é verificar qual é o quociente entre as quantidades que repre-
sentam essas grandezas. A esse quociente, damos o nome de razão.
Formalmente, a razão r entre dois números a e b, com b ≠ 0, é igual ao quociente entre a e
b, nessa ordem.
r=a:b⇒r= a
b
Exemplos:

• A razão entre 8 e 3 é 8 e entre 3 e 8 é 3 .   • A razão entre 12 e 4 é 12 = 3 e entre 4 e 12 é 4 = 1 .


3 8 4 12 3

4.3 Proporção

P
odemos definir proporção como uma igualdade entre duas razões.
Formalmente, se a, b, c e d formam uma proporção, então:
a = c ⇒ a:b=c:d
b d
Nessa proporção, a e d são os extremos, enquanto b e c são os meios (essas nomenclaturas são mais
facilmente visíveis na forma a : b = c : d).

Exemplos:

• 6, 10, 12 e 20 formam, nessa ordem, uma proporção, enquanto que 8, 12, 14, 22 não, pois:
6 12 ⇒ 3 3 8 14 ⇒ 2 ≠ 7
= = ≠
10 20 5 5 12 22 3 11

 Propriedade fundamental

Numa proporção, o produto dos meios é igual ao produto dos extremos.


a c ⇒ a·d b·c
= =
b d
Exemplo:

• 3 = 9 • 8 = 32
5 15 3 12

3 · 15 = 5 · 9 ⇒ 45 =45 8 · 12 = 3 · 32 ⇒ 96 = 96

42 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Saiba mais Exercícios resolvidos

Existem outras propriedades das 1 Um carro A gasta 20 litros de gasolina para percorrer 300 km, en-
proporções e algumas são mostradas quanto que um carro B gasta 17 litros desse combustível para per-
a seguir; com {b, d} ∈ * correr 204 km. Qual deles é mais econômico?

a = c ⇒ a+b = c+d Resolução:


b d b d
a = c ⇒ a–b = c–d Para essa situação, podemos calcular as razões referentes ao consu-
b d b d mo de cada carro e compará-las.

Carro A Carro B
300 km = 15 km/L 204 km = 12 km/L
20 L 17 L

Como o carro A percorre mais quilômetros com a mesma quanti-


dade de gasolina, então ele é mais econômico.

∴ O mais econômico é o carro A.

2 Os números 3, 8, 6 e x formam, nessa ordem, uma proporção. Cal-


cule x.

Resolução:

Se, na ordem dada, os números formam uma proporção,


então:
3 = 6 ⇒ 3x = 6 · 8
8 x

x = 48 ⇒ x = 16
3
∴ x = 16

 Números diretamente proporcionais

Formalmente, dizemos que os termos das sequências (a1, a2, a3, ...,
an) e (b1, b2, b3, ..., bn) são diretamente proporcionais quando há uma
igualdade entre as razões dos seus termos, tomados ordenadamente.
a1 a a a
= 2 = 3 = ... = n = k
b1 b2 b3 bn

Nesse resultado, k é a constante de proporcionalidade (ou razão de


proporção).

Exemplo:

• As sequências (15, 25, 35, 45) e (3, 5, 7, 9) representam, ordenada-


mente, números diretamente proporcionais. Nesse caso, dizemos que
os números da primeira sequência são diretamente proporcionais aos
números correspondentes da segunda.
15 = 25 = 35 = 45 = 5 (A razão de proporção é 5)
3 5 7 9

Noções sobre proporcionalidade


43
 Números inversamente proporcionais

Formalmente, dizemos que os termos das sequências (a1, a2, a3, ..., an) e (b1, b2, b3, ..., bn) são diretamente
proporcionais quando há uma igualdade entre as razões dos seus termos, tomados ordenadamente.

a1 . b1 = a2 . b2 = a3 . b3 = ... = an . bn = k

Nesse resultado, k é a constante de proporcionalidade (ou razão de proporção).


A igualdade a, b, = a2b2 = a3b3 = ... = anbn = k pode ser reescrita na forma
a1 = a2 = a3 = ... = an = k
1 1 1 1
b1 b2 b3 bn

Isso indica que os números da primeira sequência são, também, diretamente proporcionais aos inversos
dos números da segunda sequência.

Exemplo:

As sequências (2, 3, 6) e (12, 8, 4) representam, ordenadamente, números inversamente proporcionais.

2 . 12 = 3 . 8 = 6 . 4 = 24 ⇒ 2 = 3 = 6 = 24 (A razão de proporção é 24)


1 1 1
12 8 4

 Grandezas diretamente proporcionais

De modo geral, dizemos que duas grandezas são diretamente proporcionais quando um aumento (ou
diminuição) ocorrido, em uma delas, acarreta em um aumento (ou diminuição) na outra, de modo a per-
manecer constante a razão (quociente) entre os valores dessas grandezas.

Exemplo:

• O preço pago por uma certa quantidade de copos de suco (que custa R$ 2,00 cada) é diretamente propor-
cional a essa quantidade:

1 copo = 2,00 ⇒ 2,00 = 2,00 3 copos = 6,00 ⇒ 6,00 = 2,00


1 3

2 copos = 4,00 ⇒ 4,00 = 2,00 10 copos = 20,00 ⇒ 20,00 = 2,00
2 10

Exercícios resolvidos
3 Se as sequências (1, x, 7) e (2, 6, y) são de termos diretamente proporcionais, calcule os termos incógnitos
x e y.

Resolução:

Se as sequências são diretamente proporcionais, então, existe um número k, tal que 1 = x = 7 = k.


2 4 y
Observando as razões, percebemos que k = .1
2
x = 1 ⇒x=3 7 = 1 ⇒ y = 14
6 2 y 2

∴ x = 3 e y = 14

44 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


4 Dividindo-se 120 balas entre Joãozinho (9 anos), Pedrinho (8 anos) e Tales (7 anos), proporcionalmente às
suas idades, quantas balas cada um receberá?

Resolução:
Joãozinho recebe x balas, Pedrinho, y balas, e Tales, z balas, tais que x + y + z = 120.
Da proporcionalidade direta, temos que x = y = z = k.
9 8 7

x = k ⇒ x = 9k y = k ⇒ y = 8k z = k ⇒ z = 7k
9 8 7

x + y + z = 120 ⇒ 9k + 8k + 7k = 120

24k = 120 ⇒ k = 5

x = 9(5) ⇒ x = 45   y = 8(5) ⇒ y = 40   z = 7(5) ⇒ z = 35

∴ Cada um receberá, respectivamente, 45, 40 e 35 balas.

 Grandezas inversamente proporcionais

De modo geral, dizemos que duas grandezas são inversamente proporcionais quando um aumento (ou
diminuição) ocorrido em uma delas acarreta uma diminuição (ou aumento) na outra de modo a permanecer
constante o produto dos valores dessas grandezas.

Exemplo:
• A velocidade desenvolvida num certo trecho (que é de 60 km) é inversamente proporcional ao tempo
gasto nesse trecho.

6 km/h = 60 km ⇒ 6 · 10 = 60 30 km/h = 60 km ⇒ 30 · 2 = 60
10h 2h

15 km/h = 60 km ⇒ 15 · 4 = 60 60 km/h = 60 km ⇒ 60 · 1 = 60
4h 1h

Exercícios resolvidos
5 Se as sequências (4, 6, x) e (y, 20, 15) são de termos inversamente proporcionais, calcule os termos
incógnitos x e y.
6
Resolução:
Se as sequências são inversamente proporcionais, então, existe um número k, tal que:

4 . y = 6 . 20 = x . 15 = k ⇒ k = 120
4 . y = 120 ⇒ y = 30 x . 15 = 120 ⇒ x = 8

Lembrando que a primeira sequência será diretamente proporcional ao inverso da segunda, podemos,
também, proceder da seguinte forma:
4 6 x = k ⇒ 4y = 6 . 20 = x . 15 = k
= =
1 1 1
y 20 15
4y = 120 ⇒ y = 30 x · 15 = 120 ⇒ x = 8

∴ x = 30 e y = 8

Noções sobre proporcionalidade


45
7 Dividindo R$ 150,00 em partes inversamente proporcionais às idades de dois irmãos, um com 10 anos e
outro com 20 anos, quanto receberá cada um?

Resolução:

Sendo x e y os valores recebidos pelos irmãos, respectivamente, então:

1o modo: 2o modo:

x= k x= k
10 x = y =k⇒ 10
x · 10 = y · 20 = k ⇒
1 1
y= k y= k
20 10 20 20

x + y = 150 ⇒ k + k = 150 x + y = 150 ⇒ k + k = 150


10 20 10 20

2k + k = 150 ⇒ 3k = 150 2k + k = 150 ⇒ 3k = 150


20 20 20 20

k = 100 ⇒ x = 100 k = 100 ⇒ x = 100


y = 50 y = 50

∴ O mais novo receberá R$ 100,00 e, o mais velho, R$ 50,00.

Exercícios de sala
8 Verifique, em cada item a seguir, se as grandezas x e y indicadas são diretamente proporcionais (D.P.) ou
inversamente proporcionais (I.P.) ou nenhum desses casos (N.C). Justifique sua responta.

a)  c)
x 3 7 8 12 15 x 2 4 6 8 10
y 12 28 32 48 60 y 4 6 8 10 12

b)  d)
x 1 2 3 4 6 x 1 2 3 4 5
y 12 6 4 3 2 y 1 4 9 16 25

9 Divida a quantia de R$ 3 636,00 em três partes de modo que a divisão seja


a) diretamente proporcional aos números 3, 7 e 8.
b) inversamente proporcional aos números 3, 7 e 8.

46 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


10 Qual veículo tem maior rendimento: um que percorre 500 km com 45 litros de combustível ou um que
consome 1 litro para cada 12 km?

4.4 Regra de três simples

A
regra de três simples é um algoritmo (dispositivo prático) que permite, a partir de três termos
conhecidos de uma proporção, obter o quarto termo.
De modo geral, resolver uma regra de três simples equivale a obter um quarto termo que se
relaciona convenientemente e de forma diretamente proporcional (regra de três simples e direta)
ou inversamente proporcional (regra de três simples e inversa) com três termos conhecidos (referentes a
duas grandezas).
Na aplicação desse algoritmo, podemos proceder da seguinte forma:
1o passo: criamos uma tabela com duas colunas, uma para cada grandeza envolvida.
2o passo: verificamos se as grandezas são direta ou inversamente proporcionais.
3o passo: preenchemos, convenientemente, as lacunas com os valores conhecidos, de modo que, no campo
do valor desconhecido, aplicamos uma incógnita a ser determinada.
4o passo: escolhemos uma das grandezas e a chamamos de grandeza base (facilita se escolhermos a que
contém o termo incógnito).
5o passo: calculamos o quarto termo. Para o cálculo, temos 2 possibilidades:
No caso de serem grandezas diretamente proporcionais, escrevemos as razões referentes a cada grande-
za, igualamos às obtidas em cada coluna e aplicamos a propriedade fundamental das proporções (o produto
dos meios é igual ao produto dos extremos).
No caso de serem grandezas inversamente proporcionais, devemos considerar o fato de que os produ-
tos devem ser constantes ou, alternativamente, podemos inverter uma das razões de modo que passem a
representar grandezas diretamente proporcionais.

Exemplos:

• Se 8 m de um determinado tecido custam R$ 72,00, então, 12 metros desse tecido custarão R$ 108,00.
Nesse caso, as grandezas envolvidas são a quantidade de tecidos e o preço a pagar. Confeccionemos
uma tabela com essas grandezas (Fig. 1).
Se dobrarmos a quantidade de tecido, o preço dobra; se triplicarmos a quantidade de tecido, o preço
triplica, e assim por diante. Isso indica que as grandezas são diretamente proporcionais. Assim, as razões
entre os valores das grandezas são constantes, e a regra de três é simples e direta.
Preenchendo a tabela, podemos visualizar os valores referentes às grandezas envolvidas, escolhendo o
preço como grandeza base (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
Comprimento (m) Preço (reais) Comprimento (m) Preço (reais)
8 72,00
12 x
8 = 72 ⇒ 8x = 12 (72)
12 x

x = 874 ⇒ x = 108,00
8
∴ 12 metros desse tecido custarão R$ 108,00.

• Um automóvel percorre um determinado trajeto em 20 min com uma velocidade de 30 km/h.


Então, se a velocidade aumentar para 50 km/h, esse trajeto será percorrido em 12 min.

Noções sobre proporcionalidade


47
As grandezas envolvidas são a velocidade e o tempo, conforme tabela (Fig. 1).
Se dobrarmos a velocidade, o tempo se reduz à metade; se triplicarmos a velocidade, o preço se reduz
à terça parte.
Isso indica que as grandezas são inversamente proporcionais. Assim, o produto dos valores das gran-
dezas é constante, e a regra de três é simples e inversa.
Preenchendo a tabela (Fig. 2), podemos visualizar os valores referentes às grandezas envolvidas (esco-
lhemos o tempo como grandeza base).
Fig. 1 Fig. 2
Velocidade (km/h) Tempo (min) Velocidade (km/h) Tempo (min)
30 20
50 x

Nesse caso, podemos resolver de dos modos:

1o modo: o produto é constante 2o modo: (usando a razão inversa)

30 · 20 = 50 . x ⇒ 30 · 20 = x 20
=
50 ⇒ 50x = 20 . 30
50 x 30

x = 600 ⇒ x = 12 x = 600 ⇒ x = 12
50 50

∴ A 50 km/h, o tempo gasto será de 12 min.

Exercícios de sala
11 Sabe-se que 3,5 kg de arroz custam R$ 7,00. Quanto custarão 8,0 kg desse produto?

12 Um determinado tanque, totalmente vazio, tem 6 torneiras idênticas. Se abrirmos totalmente 4 delas,
o tanque se encherá em 36 min. Em quanto tempo o tanque se encherá se abrirmos todas as torneiras?

13 Um relógio atrasa 5s a cada 6 dias. Em um ano comercial (360 dias), qual será o seu atraso?

48 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


14 Um grupo de 5 pedreiros (igualmente capacitados) conclui uma determinada obra em 30 dias. O proprie-
tário quer que a obra seja concluída em 20 dias. Quantos pedreiros, com a mesma capacidade dos demais,
devem ser contratados, no mínimo?

4.5 Regra de três composta

R
egra de três composta é um algoritmo utilizado para resolver problemas envolvendo mais de
duas grandezas direta ou inversamente proporcionais. Nesses problemas, devemos obter um
valor desconhecido a partir dos demais, já conhecidos.
Antes de apresentarmos um método de resolução regra de três composta, é conveniente
enunciarmos as seguintes propriedades:

P1: Se uma grandeza é diretamente proporcional a duas ou mais grandezas, então ela será diretamente
proporcional ao produto das medidas dessas grandezas.
Isso significa que a razão entre aos valores referentes à primeira é igual ao produto das razões entre os
valores referentes às demais.

P2: Se uma grandeza é inversamente proporcional a duas ou mais grandezas, ela será diretamente pro-
porcional ao produto dos inversos das medidas dessas grandezas.
Isso significa que a razão entre os valores referentes à primeira é igual ao produto dos inversos das ra-
zões referentes às demais.

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado na comprovação dessas propriedades, recomendamos acessar o link: http://cnec.lk/07s7.

De modo geral, para resolvermos uma regra de três composta, podemos proceder da seguinte forma:
1o passo: criamos uma tabela com uma coluna para cada grandeza envolvida.
2o passo: escolhemos a grandeza base (facilita se for a que tem valor incógnito) e a comparamos com as
demais para identificar se são direta ou inversamente proporcionais .
3o passo: preenchemos, convenientemente as colunas da tabela com os valores conhecidos. No campo do
valor desconhecido, aplicamos uma incógnita a ser determinada.
4o passo: montamos a equação, colocando a razão referente à grandeza base no primeiro membro e, no se-
gundo membro, aplicamos o produto dos valores referente às demais grandezas, mantendo a razão (no caso
de serem diretamente proporcionais) e invertendo a razão (no caso de serem inversamente proporcionais).

Exemplos:

• Para azulejar uma parede de 4 m de comprimento e 3 m de altura são necessários 300 azulejos. Então, para
azulejar uma parede de 8 m de comprimento e 4 m de altura serão necessários 800 desses azulejos.
A quantidade de azulejos procurada depende do comprimento e da altura da parede. Então, temos três
grandezas envolvidas (Fig. 1). Escolhemos a quantidade de azulejos como grandeza base.
Se imaginarmos constante a altura da parede, perceberemos que a quantidade de azulejos é diretamente
proporcional ao comprimento dessa parede. Se imaginarmos constante o comprimento da parede, percebe-
remos que a quantidade de azulejos é diretamente proporcional à altura dessa parede. Assim, a quantidade
de azulejos é diretamente proporcional ao comprimento e, também, à altura da parede.

Noções sobre proporcionalidade


49
Nesse caso, dizemos que a quantidade de azulejos é diretamente proporcional ao produto do compri-
mento pela altura.
Preenchendo a tabela, podemos visualizar os valores referentes às grandezas envolvidas (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
No de azulejos Comprimento (m) Altura(m) No de azulejos Comprimento (m) Altura(m)
300 4 3
x 8 4

Escrevemos no primeiro membro a razão referente à grandeza base e, no segundo membro, o produto
das razões referente às demais grandezas. Em seguida, fazemos os cálculos envolvidos.
300 = 4 · 3 ⇒ x = 800
x 8·4
∴ Serão necessários 800 azulejos.

• Para alimentar 50 galinhas durante 15 dias, são necessários 90 kg de farelo de milho. Então, com 576 kg
desse produto, é possível alimentar 240 galinhas durante 20 dias.
A quantidade de galinhas depende da quantidade de ração e do número de dias. Então, temos três gran-
des envolvidas (Fig. 1). Escolhemos a quantidade de galinhas como grandeza base.
Se imaginarmos constante a quantidade de dias, o número de galinhas será diretamente proporcional à
quantidade de farelo. No entanto, se imaginarmos constante a quantidade de farelo, o número de galinhas
será inversamente proporcional à quantidade de dias.
Nesse caso, o número de galinhas é diretamente proporcional à quantidade de farelo e é inversamente
proporcional ao número de dias. Então, o número de galinhas é diretamente proporcional ao inverso do
número de dias. Desse modo, o número de galinhas é diretamente proporcional ao produto da quantidade
de farelo pelo inverso do número de dias.
Preenchedo a tabela, podemos visualizar os valores referentes às grandezas envolvidas (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
No de azulejos Comprimento (m) Altura(m) No de azulejos Comprimento (m) Altura(m)
50 90 15
x 115,2 20
Escrevemos no primeiro membro a razão referente à grandeza base e, no segundo membro, o produto
da razão da quantidade de farelo pelo inverso da razão do número de dias:
50 = 90 · 20 ⇒ x = 240
x 576 15
∴ É possível alimentar 240 galinhas.

Exercícios de sala
15 Um automóvel percorre, a 80 km/h, uma distância de 400 km em 5 horas. Se o automóvel viajar a
100 km/h, em quanto tempo ele percorrerá 700 km?

50 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


16 Em 8 horas, 20 carretas descarregam 160 m3 de pedras. Se aumentarem 5 caminhões (com a mesma efici-
ência), em quanto tempo é possível descarregar 125 m3 desse material?

17 Para abrir uma trincheira de 50 m de comprimento e 2 m de profundidade, 10 soldados gastam 6 dias.


Quantos soldados abrirão uma trincheira de 80 m de comprimento e 3 m de profundidade em 9 dias?

18 Foram contratados 20 caminhões idênticos para descarregar 480m3 de areia. Esses caminhões consegui-
riam fazer isso 8 horas. Ocorre que o engenheiro da obra, após 3 horas de operação, apresentou mais 5
caminhões idênticos aos demais. Quantas horas ainda serão necessárias para concluir o serviço?

4.6 Escala

U
ma das aplicações da proporção é a utilização de escalas, que podem ser de redução ou de am-
pliação.
Engenheiros, arquitetos e cartógrafos utilizam muito o conceito de escala de redução em
seus projetos. Os construtores de microscópios, por outro lado, utilizam o conceito de escala de
ampliação.
Quando se “reproduz” um objeto real sob a forma de desenho, ou de miniatura, este deve ser seme-
lhante àquele, pois devem manter a mesma forma e, com isso, uma proporção entre as medidas lineares
correspondentes. A essa proporção, dá-se o nome de escala.
É importante ressaltarmos que, em razões de grandezas de mesma espécie, devemos utilizar sempre a
mesma unidade de medida. Assim, a escala 1:100, por exemplo, significa que cada 1 cm na representação
de um objeto equivale a 100 cm nesse objeto ou, ainda, 1 m na representação equivale a 100 m no objeto.

Noções sobre proporcionalidade


51
Assim, dizemos que escala é, nessa ordem, a razão entre a medida da representação de um elemento
linear de um objeto e a medida real correspondente (homóloga).
medida da representação
escala =
medida real
Exemplos:

• 1 = 1 : 25 (lê-se 1 para 25) é uma escala de redução.


25

• 1 = 1 : 100 (lê-se 1 para 100) é uma escala de redução.


100

• 50 : 1 (lê-se 50 para 1) é uma escala de ampliação.

• 1000 : 1 (lê-se 1000 para 1) é uma escala de ampliação.

Saiba mais
O conceito de escala é baseado em proporções e semelhanças geométricas entre o objeto a ser representado e sua
representação.
É possível mostrar, com recursos da geometria, duas relações importantes:

1a: A relação entre medidas superficiais (áreas) correspondentes é igual ao quadrado da razão representada pela
escala.
2a: A relação entre medidas volumétricas (volumes) correspondentes em uma escala é igual ao cubo da razão repre-
sentada pela escala.
Desse modo, temos:

medida superficial representada medida volumétrica representada


= E2 = E3
medida superficial real medida volumétrica real

Exercícios resolvidos
19 Num mapa, feito na escala 1:2 000 000, a distância entre duas cidades (em linha reta) é de 8 cm. Qual é a
distância real entre elas?

Resolução:
A escala é de redução e indica que cada unidade de comprimento representa 2 000 000 unidades na
realdade. Assim:

Escala = medida da representação ⇒ 1 = 8


medida real 2 000 000 cm medida real

medida real = 2000 000 · 8 cm ⇒ media real = 16 000 000 cm


media real = 16 0000 m ⇒ medida real = 160 km
∴ A distância real entre as cidades é de 160 km.

20 Um determinado microscópio tem um poder de ampliação máximo indicado pela escala 8000: 1. Uma
partícula com um comprimento real de 2,5 · 10–4 cm é observada nesse microscópio em sua ampliação
máxima. Qual é o comprimento máximo da imagem dessa partícula observada nesse microscópio?

52 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Resolução:
A escala é de ampliação e indica que cada 8 000 unidades de comprimento da imagem máxima corres-
pondem a 1 unidade na realidade. Assim, sendo x a medida máximo procurada, temos:

Escala = medida da representação ⇒ 8000 = x


medida real 1 2,5 · 10–4 cm

x = 2,5 · 10–4 8000 ⇒ x = 2,5 · 10–4 8,0 · 103

x = 20 · 10–1 ⇒ x = 2,0 cm

∴ O comprimento máximo da imagem será de 2,0 cm.

Exercícios de sala
21 Associe corretamente as colunas indicadas a seguir:

a) 1:250 (1) (  ) 1 cm representa 250 m


b) 1:25.000 (2) (  ) 1 cm representa 2,5 m
c) 1:250.000 (3) (  ) 1 cm representa 2,5 km
d) 1:2.500 (4) (  ) 1 cm representa 0,4 mm
e) 25:1 (5) (  ) 1 cm representa 250 dm

22 Numa planta arquitetônica de uma casa, um quarto está representado com 16 cm de comprimento por 12
cm de largura. A medida real do comprimento desse quarto é de 4 cm.
a) Qual é a escala dessa planta? b) Qual é a medida da largura real desse quarto?

23 Uma empresa fabricante de ferramentas resolveu presentear seus funcionários com uma réplica de um de
seus produtos sob a forma de chaveiro. As figuras a seguir mostram a ferramenta e a réplica.

8 cm
120°

40 cm

Noções sobre proporcionalidade


53
Nessas condições, responda:
a) Qual a medida do ângulo assinalado na réplica da ferramenta? (Justifique sua resposta).
b) Qual a escala usada?

24 Considere a escala a seguir e responda aos itens a e b:

0 50 100 150 200 250 (Km)

1 cm

a) Qual a representação numérica dessa escala?


b) Em um mapa feito nessa escala, as cidades A e B estão separadas por 10 cm. Qual seria a distância real
entre elas?

Exercícios propostos
25 (ENEM) Uma pesquisa recente aponta que 8 em cada 10 homens brasileiros dizem cuidar de sua beleza,
não apenas de sua higiene pessoal.
CAETANO, M.; SOEIRO, R.; DAVINO, R. Cosméticos. Superinteressante, n. 304, maio 2012 (adaptado).

Outra maneira de representar esse resultado é exibindo o valor percentual dos homens brasileiros que
dizem cuidar de sua beleza.
Qual é o valor percentual que faz essa representação?
a) 80% d) 0,08%
b) 8% e) 0,008%
c) 0,8%

26 (ENEM) Durante um jogo de futebol foram anunciados os totais do público presente e do público pagante.
Diante da diferença entre os dois totais apresentados, um dos comentaristas esportivos presentes afirmou
que apenas 75% das pessoas que assistiam àquele jogo no estádio pagaram ingresso.
Considerando que a afirmativa do comentarista está correta, a razão entre o público não pagante e o
público pagante naquele jogo foi

a)  1 b) 1 c) 3 d) 4 e) 3
4 3 4 3 1

27 (ENEM) Para se construir um contrapiso, é comum, na constituição do concreto, se utilizar cimento, areia e
brita, na seguinte proporção: 1 parte de cimento, 4 partes de areia e 2 partes de brita. Para construir o con-
trapiso de uma garagem, uma construtora encomendou um caminhão betoneira com 14 m3 de concreto.
Qual é o volume de cimento, em m3, na carga de concreto trazido pela betoneira?
a) 1,75 b) 2,00 c) 2,33 d) 4,00 e) 8,00

54 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


28 (ENEM) José, Carlos e Paulo devem transportar em suas bicicletas uma certa quantidade de laranjas. Deci-
diram dividir o trajeto a ser percorrido em duas partes, sendo que ao final da primeira parte eles redistri-
buiriam a quantidade de laranjas que cada um carregava dependendo do cansaço de cada um. Na primei-
ra parte do trajeto José, Carlos e Paulo dividiram as laranjas na proporção 6 : 5 : 4, respectivamente. Na
segunda parte do trajeto José, Carlos e Paulo dividiram as laranjas na proporção 4 : 4 : 2, respectivamente.
Sabendo-se que um deles levou 50 laranjas a mais no segundo trajeto, qual a quantidade de laranjas
que José, Carlos e Paulo, nessa ordem, transportaram na segunda parte do trajeto?
a) 600, 550, 350  b) 300, 300, 150  c) 300, 250, 200  d) 200, 200, 100  e) 100, 100, 50

29 (ENEM) A resistência mecânica S do uma viga de madeira, em forma de um paralelepípedo retângulo, é


diretamente proporcional à largura (b) e ao quadrado de sua altura (d) e inversamente proporcional ao
quadrado da distância entre os suportes da viga, que coincide com o seu comprimento (x), conforme ilus-
tra a figura. A constante de proporcionalidade k é chamada de resistência da viga.

d
X

A expressão que traduz a resistência S dessa viga de madeira é

a) S = k · b · d2   b) S = k · b · d   c) S = k · b · d2   d) S = k · b2 d   e) S = k · b · 2d


x2 x2 x x x

30 (ENEM) Para a construção de isolamento acústico numa parede cuja área mede 9m2 sabe-se que, se a fon-
te sonora estiver a 3m do plano da parede, o custo é de 500,00 Nesse tipo de isolamento, a espessura do
material que reveste a parede é inversamente proporcional ao quadrado da distância até a fonte sonora,
e o custo é diretamente proporcional ao volume do material do revestimento.
Uma expressão que fornece o custo para revestir uma parede de área A (em metro quadrado), situada
a D metros da fonte sonora, é

a)  500 · 81 b) 500 · A c) 500 · D d) 500 · A · D e) 500 · 3 · D


2 2 2

A · D2 D2 A 81 A

31 (ENEM) Uma confecção possuía 36 funcionários, alcançando uma produtividade de 5 400 camisetas por
dia, com uma jornada de trabalho diária dos funcionários de 6 horas. Entretanto, com o lançamento da
nova coleção e de uma nova campanha de marketing, o número de encomendas cresceu de forma acen-
tuada, aumentando a demanda diária para 21 600 camisetas. Buscando atender essa nova demanda, a
empresa aumentou o quadro de funcionários para 96. Ainda assim, a carga horária de trabalho necessita
ser ajustada.

Qual deve ser a nova jornada de trabalho diária dos funcionários para que a empresa consiga atender
a demanda?
a) 1 hora e 30 minutos. b) 2 horas e 15 minutos. c) 9 horas.
d) 16 horas. e) 24 horas.

32 (ENEM) Um biólogo mediu a altura de cinco árvores distintas e representou-as em uma mesma malha
quadriculada, utilizando escalas diferentes, conforme indicações na figura a seguir.

I II III IV V
1:100 2:100 2:300 1:300 2:300

Noções sobre proporcionalidade


55
Qual é a árvore que apresenta a maior altura real?
a) I b) II c) III d) IV e) V

33 (ENEM)A Figura 1 representa uma gravura retangular com 8 m de comprimento e 6 m de altura.

Deseja-se reproduzi-la numa folha de papel retangular com 42 cm de comprimento e 30 cm


de altura, deixando livres 3 cm em cada margem, conforme a Figura 2.

Figura 1 Figura 2

3 cm Folha de papel 3 cm

3 cm 3 cm

6 metros 30 cm

8 metros 3 cm 3 cm

3 cm 3 cm

42 cm

Região disponível para reproduzir a gravura


Região proibida para reproduzir a gravura

A reprodução da gravura deve ocupar o máximo possível da região disponível, mantendo-se as propor-
ções da Figura 1.
PRADO, A. C. Superinteressante, ed. 301, fev. 2012 (adaptado).
A escala da gravura reproduzida na folha de papel é
a) 1 : 3. b) 1 : 4. c) 1 : 20. d) 1 : 25. e) 1 : 32.

34 (UFRN) Marcos, Kátia, Sérgio e Ana foram jantar em uma pizzaria e pediram duas pizzas gigantes, que,
cortadas, resultaram em 16 fatias. Marcos e Sérgio comeram quatro fatias cada, enquanto Kátia e Ana
comeram três cada uma. Se o preço de cada pizza era de R$ 21,00 e a conta do jantar foi dividida propor-
cionalmente à quantidade de fatias que cada um consumiu, o valor pago por cada homem e cada mulher
foi, respectivamente,
a) R$ 6,00 e R$ 4,50. c) R$ 10,50 e R$ 7,90.
b) R$ 12,00 e R$ 9,00. d) R$ 24,00 e R$ 18,00.

35 (FUVEST-SP) Em uma festa com n pessoas, em um dado instante, 31 mulheres se retiraram e restaram
convidados na razão de 2 homens para cada mulher. Um pouco mais tarde, 55 homens se retiraram e res-
taram, a seguir, convidados na razão de 3 mulheres para cada homem. O número n de pessoas presentes
inicialmente na festa era igual a
a) 100 b) 105 c) 115 d) 130 e) 135

36 (UFPE) Se, em uma fábrica de automóveis, 12 robôs idênticos fazem uma montagem em 21 horas, em
quantas horas 9 desses robôs realizam a mesma tarefa?
a) 23 horas b) 24 horas c) 25 horas d) 26 horas e) 28 horas

37 (UEPG-PR) Sabendo-se que uma máquina impressora faz certo serviço em 4 horas, trabalhando numa
velocidade de 300 páginas por hora, assinale o que for correto.
01) Com velocidade de 375 páginas por hora, o mesmo serviço será feito em 3 horas e 20 minutos.
02) Para que o mesmo serviço seja feito em 2 horas e 30 minutos, a máquina deve imprimir 480 páginas
por hora.
04) Se a velocidade da máquina for de 250 páginas por hora, o mesmo serviço será feito em menos de 3
horas.
08) Se a velocidade da máquina dobrar, o mesmo serviço será feito em 2 horas.

56 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


38 (UNESP) Os professores de matemática e educação física de uma escola organizaram um campeonato de damas
entre os alunos. Pelas regras do campeonato, cada colocação admitia apenas um ocupante. Para premiar os três
primeiros colocados, a direção da escola comprou 310 chocolates, que foram divididos entre os 1o, 2o e 3o colo-
cados no campeonato, em quantidades inversamente proporcionais aos números 2, 3 e 5, respectivamente.
As quantidades de chocolates recebidas pelos alunos premiados, em ordem crescente de colocação no
campeonato, foram:
a) 155, 93 e 62. d) 150, 103 e 57.
b) 155, 95 e 60. e) 150, 105 e 55.
c) 150, 100 e 60.

Exercícios de aprofundamento

39 (ESPM-SP) Para a confecção de 30 000 brindes promocionais, num prazo de 12 dias, uma empresa contra-
tou 5 funcionários trabalhando 6 horas por dia. Ao final do 8o dia, um dos funcionários pediu demissão.
Para que se possa cumprir o contrato no prazo estipulado, os funcionários restantes deverão trabalhar:
a) 8 h/dia c) 7,5 h/dia e) 8,5 h/dia
b) 10 h/dia d) 9 h/dia

40 (UFC-CE) Uma garrafa está cheia de uma mistura, na qual 2/3 do conteúdo é composto pelo produto A
e 1/3 pelo produto B. Uma segunda garrafa, com o dobro da capacidade da primeira, está cheia de uma
mistura dos mesmos produtos da primeira garrafa, sendo agora 3/5 do conteúdo composto pelo produto
A e 2/5 pelo produto B. O conteúdo das duas garrafas é derramado em uma terceira garrafa, com o triplo
da capacidade da primeira. Que fração do conteúdo da terceira garrafa corresponde ao produto A?
a) 10/15
b) 5/15
c) 28/45
d) 17/45
e) 3/8

41 (ESPM) Uma empresa propôs um sistema de reajuste salarial aos seus funcionários de modo que o per-
centual de aumento fosse inversamente proporcional ao salário atual de cada um. Um funcionário que
ganhava R$ 3.000,00 passou a ganhar R$ 3.600,00 segundo essa regra. Um outro funcionário que ganhava
R$ 6.000,00 passou a receber, então:
a) R$ 6.600,00
b) R$ 7.200,00
c) R$ 6.800,00
d) R$ 6.400,00
e) R$ 7.400,00

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Noções sobre proporcionalidade


57
Cap.

5 Porcentagem
5.1 Introdução

H
istoricamente, acredita-se que o surgimento dos cálculos percentuais (cálculos de porcentagens)
se deve às cobranças de impostos na Roma antiga. Naquela época ainda não se usava o símbolo
%, o qual foi introduzido após as crescentes relações comerciais e monetárias, no intuito de
simplificar representações.

5.2 Definição

U
ma percentagem (ou porcentagem) é qualquer fração centesimal, ou seja, fração com denomina-
dor 100.
O símbolo característico da porcentagem é %. Desse modo, para indicar k %, a fórmula de
definição é k % = k . Assim, qualquer percentagem pode ser escrita na forma de um número
100
racional. Por outro lado, qualquer número racional n pode ser escrito em forma percentual. Basta que utilizemos
a relação n = n · 100% (baseada no fato de que 100% = 1):

Exemplos:

• 35% = 35 ⇒ = 0,35 • 3 = 3 · 100% ⇒ 3 = 60%


100 5 5 5

• 2% = 2 ⇒ 2% = 0,02 • 1 = 1 · 100% ⇒ 1 = 25%


100 4 4 4

 Percentagem de um número

Sendo toda percentagem uma fração, quando se calcula uma percentagem de um número, o processo é
equivalente ao de calcular uma fração de um número. Assim, quando se quer calcular uma percentagem p
de um número x (a notação % está implícita no símbolo p), temos:

p de x = p · x

Exemplos:

• 10% de 80 • 800% de 4

10% de 80 = 10 · 80 ⇒ 10% de 80 = 8 800% de 4 = 800 · 4 ⇒ 800% de 4 = 32


100 100

• 35% de 300 • 2% de 40

35% de 300 = 35 · 300 ⇒ 35% de 300 = 105 2% de 40 = 2 · 2 ⇒ 2% de 40 = 0,8


100 100

58 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios resolvidos

1 Numa certa cidade, a população é 50 000 habitantes. Desses, 40% são pessoas louras e, as demais, more-
nas. Nessas condições, calcule o número de pessoas com cada característica citada.

Resolução:

Nas condições citadas, se 40% da população é loura, então 60% é morena. Consideremos L o número
de pessoas louras e M o número de pessoas morenas. Assim:

L = 40% de 50 000 ⇒ L = 40 . 50 000 M = 60% de 50 000 ⇒ L = 60 . 50 000


100 100
L = 0,4 . 50 000 ⇒ M = 20 000 M = 0,6 . 50 000 ⇒ F = 30 000

∴ São 20 000 pessoas louras e 30 000 morenas.

2 Considere que, numa determinada fruta, 80% da massa é de água e 5% do restante é de sementes (sem
água). Qual é o percentual das sementes em relação à massa da fruta?

Resolução:
Se 80% da massa é de água, então 20% é do restante. As sementes correspondem a 5% desses 20%.
Assim, sendo S o percentual de sementes, temos:

S = 5% de 20% ⇒ S = 5 · 20
100 100
S= 1 ⇒ S = 1%
100
∴O percentual é de 1%.

 Variação percentual

Consideremos n1 e n2 dois números reais, com n1 ≠ 0. Definimos variação percentual de n1 para n2


como sendo a razão V dada por:

V = n 2 – n1
100

Vale ressaltar que, se n1 < n2, a variação é positiva, enquanto que, se n1 > n2, a variação é negativa.

Exemplos:

• A variação percentual V no aumento de 4 para 6. • A variação percentual V na queda de 5 para 3.

V= 6–4 ⇒V= 2 V= 3–5 ⇒V=– 2


4 4 5 5

V = 0,5 ⇒ V = 50% V = –0,4 ⇒ V = –40%

 Ponto percentual

Define-se ponto percentual como sendo unidade de porcentagem, que é 1%. Assim, a diferença abso-
luta entre duas porcentagens é dada em pontos percentuais.

Exemplo:
• A diferença entre 12% e 8% é de 4%, ou seja, de 4 pontos percentuais.

Porcentagem
59
Exercícios resolvidos

3 Considere que o índice de desemprego em certo país passou de 20% para 10% e calcule essa variação em
a) pontos percentuais. b) porcentagem.

Resolução:

A queda em pontos percentuais é dada pela diferença absoluta entre os índices citados. Essa queda
em porcentagem é dada pela variação percentual desses índices. Assim, sendo n e p, respectivamente, os
valores procurados para queda, temos:

a) n = 10% – 20% ⇒ n = –10%

∴ A variação foi uma queda (justificada pelo sinal negativo) de 10 pontos percentuais.

b) P = 10% – 20% ⇒ P = –10%


20% 20%

P = – 1 ⇒ P = –50%
2

∴ A variação foi uma queda (justificada pelo sinal negativo) de 50%.

 Aumento porcentual

Se incidirmos um aumento percentual p sobre um valor VI, obtermos um valor VF tal que:

VF = VI + p · VI ⇒ VF = VI(1 + p)

Exemplos:

• Aumento de 30% incidindo sobre VI. • Aumento de 100% incidindo VI.

VF = 1 + 30 VI ⇒ VF = 1,3 VI VF = 1 + 100 VI ⇒ VF = 2 VI
100 100

 Desconto percentual

Se iniciarmos um desconto percentual p sobre um valor VI, obtermos um valor VF tal que:

VF = VI – pVI ⇒ VF = VI (1 – p)

Exemplos:

• Desconto de 30% incidindo VI . • Desconto de 80% incidindo sobre VI .

VF = 1 – 30 VI ⇒ VF = 0,7 VI . VF = 1 – 80 VI ⇒ VF = 0,2 VI .
100 100

60 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios resolvidos

4 Aumentando os lados a e b de um retângulo em 20% e 30%, respectivamente, qual será a variação ocor-
rida em sua área?

Resolução:
Seja R1 o retângulo original de lados a e b e R2 o retângulo resultante de lados A e B.

b R1 B R2

Do enunciado, temos:

A = a 1 + 20 ⇒ A = 1,2a B = b 1 + 20 ⇒ B = 1,3b
100 100

Área1 = a . b Área2 = A . B

Área2 = (1,2a) · (1,3b) ⇒ Área2 = 1,56 ab

Área2 = 1,56 · Área Área2 = Área1 1 + 56


100
∴ A área aumenta em 56%.
5 Uma dona de casa foi ao mercado e comprou três dúzias e ovos. No entanto, no caminho de volta para
casa, quebrou, acidentalmente, 25% deles. Com quantos ovos inteiros restaram?

Resolução:
A quantidade de ovos foi reduzida em 25%. Assim, sendo Q a quantidade de ovos restantes, temos:

Q = 36 1 – 25 ⇒ Q = 36(1 – 0,25)
100

Q = 36(0,75) ⇒ Q = 27
∴ Restaram 27 ovos inteiros.

Exercícios de sala
6 Considerando os números equivalentes a 2% de 88 ou 3% de 59, qual deles é menor?

Porcentagem
61
7 A qual porcentagem corresponde o número de cada item a seguir?

a) 0,75 b) 7 c) 2,1
8

8 Após um aumento de 10% na quantidade de alunos, um colégio passa a ter 682 alunos. Quantos havia antes?

9 Suponha que uma certa melancia tenha massa de 12 kg e que, nela, 90% é de massa líquida. Se a massa
das sementes representa 10% da massa sólida, calcule:
a) a massa líquida da melancia b) a massa de sementes da melancia.

Enunciado para as questões de 10 a 12.

De modo geral, o lucro L que se obtém na venda de um produto por um valor V, tendo esse produto
um valor C de custo de produção (ou de compra), é dado por L = V – C.

10 Um comerciante vendeu um produto com lucro de 20% sobre o preço de venda. Para essa venda, calcule
a) o percentual do custo em relação ao preço de venda. b) o percentual do lucro em relação ao preço de custo.

11 Uma mercadoria foi comprada por um comerciante por R$ 20,00. Se ele deseja um lucro de 30% sobre o
preço de custo, por quanto ele deve vendê-la?

12 Por quanto deve ser vendida uma mercadoria que custou R$ 100,00 para que o lucro sobre o preço de
venda seja de 20%?

Exercícios propostos
13 (ENEM) O Brasil é um país com uma vantagem econômica clara no terreno dos recursos naturais, dispondo
de uma das maiores áreas com vocação agrícola do mundo. Especialistas calculam que, dos 853 milhões
de hectares do país, as cidades, as reservas indígenas e as áreas de preservação, incluindo florestas e ma-
nanciais, cubram por volta de 470 milhões de hectares.

62 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Aproximadamente 280 milhões se destinam à agropecuária, 200 milhões para pastagens e 80 milhões
para a agricultura, somadas as lavouras anuais e as perenes, como o café e a fruticultura.
FORTES, G. “Recuperação de pastagens é alternativa para ampliar cultivos”. Folha de S. Paulo, 30 out. 2011.
De acordo com os dados apresentados, o percentual correspondente à área utilizada para agricultura
em relação à área do território brasileiro é mais próximo de
a) 32,8% b) 28,6% c) 10,7% d) 9,4% e)8,0%

14 (ENEM) Em uma cidade, os impostos que incidem sobre o consumo de energia elétrica residencial são
30% de sobre o custo do consumo mensal. O valor total da conta a ser paga no mês é o valor cobrado pelo
consumo acrescido dos impostos.
Considerando x o valor total da conta mensal de uma determinada residência e o valor dos impostos,
qual é a expressão algébrica que relaciona x e y?
a) y = 0,3x b) y = x c) y = 0,7x d) y = 0,3x e) y = 1,3x
1,3 1,3 0,3

15 (ENEM) O Brasil é o quarto produtor mundial de alimentos, mas aproximadamente 64 toneladas de cada
100 toneladas que se produz são perdidas ao longo da cadeia produtiva. Em relação ao total de alimentos
produzidos, a perda de alimentos é distribuída da seguinte forma: 20 toneladas na colheita, 8 toneladas
no transporte e armazenamento, 15 toneladas na indústria de processamento, 1 tonelada no varejo e 20
toneladas no processamento culinário e hábitos alimentares.
Disponível em: www.bancodealimentos.org.br. Acesso em: 26 out. 2011 (adaptado).
De acordo com os dados apresentados, os alimentos que são perdidos no processamento culinário e nos
hábitos alimentares representam qual porcentagem em relação ao total de alimentos que são perdidos no país?
a) 12,28% b) 20,00% c) 31,25% d) 36,00% e) 44,00%

16 (ENEM) Uma concessionária de automóveis revende atualmente três marcas de veículos, A, B e C que são respon-
sáveis por 50%, 30% e 20% respectivamente, de sua arrecadação. Atualmente, o faturamento médio mensal dessa
empresa é de R$ 150 000,00. A direção dessa empresa estima que, após uma campanha publicitária a ser realizada,
ocorrerá uma elevação de 20%, 30% e 10% na arrecadação com as marcas A, B e C respectivamente. Se os resultados
estimados na arrecadação forem alcançados, o faturamento médio mensal da empresa passará a ser de
a) R$ 180.000,00.  b) R$ 181.500,00.  c) R$ 157.500,00.  d) R$ 240.000,00.  e) R$ 257 400,00.

17 (ENEM) Um grupo de pacientes com Hepatite C foi submetido a um tratamento tradicional em que 40%
desses pacientes foram completamente curados. Os pacientes que não obtiveram cura foram distribuídos
em dois grupos de mesma quantidade e submetidos a dois tratamentos inovadores. No primeiro trata-
mento inovador, 35% dos pacientes foram curados e, no segundo, 45%.
Em relação aos pacientes submetidos inicialmente, os tratamentos inovadores proporcionaram cura de
a) 16%. b) 24%. c) 32%. d) 48% e) 64%.

18 (ENEM) Uma ponte precisa ser dimensionada de forma que possa ter três pontos de sustentação. Sabe-se que a
carga máxima suportada pela ponte será de 12 t. O ponto de sustentação central receberá 60% da carga da pon-
te, e o restante da carga será distribuído igualmente entre os outros dois pontos de sustentação.
No caso de carga máxima, as cargas recebidas pelos três pontos de sustentação serão, respectivamente,
a) 1,8 t; 8,4 t; 1,8 t. b) 3,0 t; 6,0 t; 3,0 t. c) 2,4 t; 7,2 t; 2,4 t. d) 3,6 t; 4,8 t; 3,6 t. e) 4,2 t; 3,6 t; 4,2 t.

19 (PUCRJ) Dois descontos sucessivos de 3% no preço de uma mercadoria equivalem a um único desconto de:
a) menos de 6%    b) 6%   c) entre 6% e 9%   d) 9%   e) mais de 9%

20 (UECE) Em um empreendimento imobiliário, o centro comercial e o parque de estacionamen-


to ocupam, respectivamente, 42% e 53% da área do terreno. A área restante, que corresponde a
3 0002, é destinada a jardins e vias de circulação. Nestas condições, a medida da área do terreno ocupada
pelo centro comercial, em m2, é
a) 24 800.        b) 25 000.        c) 25 200.        d) 25 400.

21 (PUC-SP) Chama-se renda per capita de um país a razão entre seu produto interno bruto (PIB) e sua popu-
lação economicamente ativa. Considerando que, no período de 1996 a 2010, a renda per capita de certo
país aumentou em 36%, enquanto o seu PIB aumentou em 56,4%, é correto afirmar que, neste mesmo
período, o acréscimo percentual da sua população economicamente ativa foi de
a) 11,5% b) 15% c) 16,5% d) 17% e) 18,5%

Porcentagem
63
22 (FGV) Uma empresa estima um aumento de 15% na quantidade vendida de um produto em 2012, em rela-
ção a 2011. Se, no mesmo período, o preço por unidade vendida crescer 10%, o aumento em porcentagem
da receita de 2012, em relação a 2011, será:
a) 25% b) 25,5% c) 26% d) 26,5% e) 27%

23 (UECE) As ações da Empresa BRASTEC, nos anos de 2011 e 2012, valorizaram 12% e 7% respectivamente,
e nos anos de 2013 e 2014 desvalorizaram 2% e 8% respectivamente. A valorização das ações correspon-
dentes ao período considerado (2011/2014) foi aproximadamente de
a) 9% b) 8,5% c) 8% d) 7,5%

24 (ESPM-SP) Uma pessoa fez um investimento em ações. No primeiro semestre, ela perdeu 30% do capital
aplicado e no segundo semestre ela recuperou 60% do que havia perdido. Em relação ao investimento
inicial, seu prejuízo nesses 2 semestres foi de:
a) 22% b) 12% c) 18% d) 24% e) 16%

25 (UNESP SP) Um artifício usualmente praticado pelas indústrias brasileiras para aumentar seus lucros é di-
minuir a massa ou o volume de seus produtos, juntamente com alguma alteração nos preços. Um exemplo
é um certo tipo de bolacha em cuja embalagem constava conteúdo com 200g e custava R$ 1,00. Com a
nova embalagem, o seu conteúdo passou para 165g e seu custo para R$ 1,65. Qual foi a porcentagem do
reajuste realizado por unidade de massa?
a) 2,0%. b) 17,5%. c) 55,0%. d) 82,5%. e) 100%.

26 (FGV) Pedro comprou dois aparelhos de ar-condicionado e, com isso, seu consumo de energia elétrica, de
setembro para outubro, cresceu em 40%. Se a conta de outubro registra um consumo de 210 kWh, a conta
de setembro registrava um consumo de:
a) 126 kWh. b) 138 kWh. c) 150 kWh. d) 166 kWh. e) 180 kWh.

Exercícios de aprofundamento
27 (ESPM-SP) Na câmara dos vereadores de uma cidade, uma proposta recebeu 42% de aprovação, 48% de
rejeição e 5 vereadores se abstiveram de votar. Após intensa negociação, houve uma nova votação em que
4 dos vereadores que haviam rejeitado a proposta e 3 dos que se abstiveram passaram a aprová-la. Dessa
forma, a proposta foi aprovada com um percentual de:
a) 53% b) 54% c) 55% d) 56% e) 57%

28 (UNESP-SP) Suponha que um comerciante, não muito honesto, dono de um posto de gasolina, vende ga-
solina “batizada”. Ele paga à Petrobras R$ 1,75 o litro de gasolina e adiciona, a cada 10 litros desta, 2 litros
de solvente, pelos quais paga R$ 0,15 o litro. Nessas condições, o comerciante vende o litro da gasolina
“batizada” por R$ 2,29 e tem um lucro de 35% em cada litro. Se a gasolina sofrer um reajuste de 10%, qual
deverá ser o preço de venda, aproximado, para que o percentual de lucro seja mantido?
a) R$ 2,48. b) R$ 2,49. c) R$ 2,51. d) R$ 2,52. e) R$ 2,53.

29 (ESPM-SP) Em uma eleição disputada por apenas 2 candidatos, o total de votos apurados foi igual a T. No
instante em que exatamente 60% dos votos tinham sido apurados, o candidato B foi declarado vencedor.
Podemos concluir que o candidato A tinha obtido, no máximo, um voto a menos que:
a) 8% de T b) 9% de T c) 10% de T d) 12% de T e) 15% de T

30 (FUVEST-SP) Um reservatório, com 40 litros de capacidade, já contém 30 litros de uma mistura gasolina/
álcool com 18% de álcool. Deseja-se completar o tanque com uma nova mistura gasolina/álcool de modo
que a mistura resultante tenha 20% de álcool. A porcentagem de álcool nessa nova mistura deve ser de:
a) 20% b) 22% c) 24% d) 26% e) 28%

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64 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

1
Álgebra

Noções sobre Conjuntos

1.1 Introdução

A
ideia de conjunto é geralmente associada à de grupo ou coleção. Nos mais
variados ramos da Ciência, esse termo é usado para designar qualquer grupo
de objetos (reais ou não) juntos por alguma circunstância (uma regra, por
exemplo).
No estudo de conjuntos, é muito comum o emprego de símbolos lógicos. A tabela a
seguir mostra alguns dos mais usados:
Símbolo Significado matemático

∈ Pertence

∉ Não pertence

⊂ Está contido

⊄ Não está contido

⊃ Contém

⊃ Não contém

" Qualquer que seja

$ Existe

$ Não existe

$| Existe um único

= Igual a

≠ Diferente de
| Tal que
⇒ Implica

⇔ Dupla implicação

< Menor que

> Maior que

< Menor ou igual

> Maior ou igual

Noções sobre Conjuntos


65
1.2 Representação

D
e modo geral, um conjunto pode ser representado por enumeração, ou por diagrama de Venn,
ou, ainda, por propriedades comuns a seus elementos.

Exemplo:
• Conjunto V das vogais da Língua Portuguesa.

Enumeração: Diagrama de Venn:


V = {a; e; i; o; u}
a e V
Propriedade: u
o
V = {x | x é vogal da Língua Portuguesa} i

  Pertinência
Cada objeto constituinte de um conjunto chama-se elemento. O fato de um elemento pertencer a um
conjunto é indicado pelo símbolo ∈.
Se um determinado elemento não é constituinte de um conjunto, ele não pertence a esse conjunto. Indica-
mos isso por meio do símbolo ∉.
A seguir, a quantidade de elementos, distintos entre si, pertencentes ao conjunto A, será indicada
por n(A).

Exemplo:
• Considerando o conjunto A = {a, b, g} bem como os objetos (letras gregas) a, b, g, l e q, temos que:
a ∈ A, pois a é elemento de A. l ∉ A, pois l não é elemento de A.
b ∈ A, pois b é elemento de A. q ∉ A, pois q não é elemento de A.
g ∈ A, pois g é elemento de A. n(A) = 3, pois A apresenta 3 elementos distintos.

 Conjunto universo
O Universo é o conjunto ao qual todos os elementos a serem estudados, em um certo contexto, pertencem.

Exemplo:
• O conjunto Universo U das letras minúsculas do alfabeto latino é:
U = {a, b, c, d, ..., k, ..., w, x, y, z} ⇒ n(U) = 26

 Conjunto unitário
É todo conjunto que apresenta um único elemento.

Exemplo:
• O conjunto C das capitais do Estado de Minas Gerais.
C = {Belo Horizonte} ⇒ n(C) = 1

 Conjunto vazio
É todo conjunto que não apresenta elementos.

Exemplo:
• O conjunto V das palavras proparoxítonas, da Língua Portuguesa, não acentuadas.

V = {  } ou V = ∅ ⇒ n(V) = 0

  Conjunto infinito e conjunto finito


Conjunto infinito é todo aquele que apresenta uma infinidade (infinitos) de elementos. Caso contrário,
o conjunto é denominado finito.

66 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplo:
• O conjunto P formado pelos nomes de todos os polígonos convexos existentes é infi nito.
P = {triângulo, quadrilátero, ..., icoságono...}
• O conjunto E dos nomes dos estados da região sudeste do Brasil é fi nito.
E = {São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo}

1.3 Relações e operações

A
nalisando os elementos de dois ou mais conjuntos, podemos estabelecer relações e realizar ope-
rações entre esses conjuntos, como veremos a seguir:

 Igualdade
Podemos dizer que dois conjuntos, A e B, são iguais (A = B) quando possuem os mesmos elementos,
independentemente de repetições ou da ordem em que esses elementos são apresentados.

Exemplos:
• A = {1, 2, 2, 4}, B = {4, 2, 1, 1} e C = {1, 2, 4} são iguais entre si, pois, observados de dois em dois,
notamos que os conjuntos A, B e C apresentam os mesmos elementos.

 Continência (ou inclusão)


Dizemos que um conjunto B (não vazio) está contido em um conjunto A, quando todos os elementos
de B forem também elementos de A. Indicamos isso por meio do símbolo ⊂. Nesse caso, dizemos B é um
subconjunto de A, ou, ainda, B é uma parte de A.
Para indicar o caso em que um conjunto B não está contido em um conjunto A, usamos o símbolo ⊄.

Notas:
• A sentença B ⊂ A mostra que B está contido em A e equivale à sentença A ⊃ B, indicando que A contém
B.
• A sentença B ⊄ A mostra que B não está contido em A e equivale à sentença A ⊃ B, indicando que A
não contém B.
• O conjunto vazio está contido em qualquer conjunto, ou seja: "A, ∅ ⊂ A.
Graficamente, podemos indicar isso por meio de diagramas:

A A A

B B B

B⊂A⇒A⊃B B⊄A⇒A ⊃B B⊄A⇒A ⊃B

Exemplo:
• A = {a, b, c, d}, B = {a, b, c} e C = {a, d, e}
Para esses conjuntos, temos que:
B ⊂ A (B é subconjunto de A) ⇒ A ⊃ B C ⊄ A (C não é subconjunto de A) ⇒ A ⊃ C

 Quantidade de subconjuntos de um conjunto


A quantidade de subconjuntos de um conjunto com n elementos é obtida pela fórmula 2n. Esse resul-
tado pode ser obtido por meio do princípio fundamental da contagem.

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado nessa demonstração recomendamos acessar o link: http://cnec.lk/07sa.

Noções sobre Conjuntos


67
 Conjunto das partes de um conjunto
É o conjunto formado por todos os subconjuntos possíveis de um conjunto dado.

Exemplo:
• Se A = {a, b, c}, então seus subconjuntos são:
∅; {a}; {b}; {c}; {a, b}; {a, c}; {b, c}; {a, b, c}.

Enumerando esses subconjuntos, temos o conjunto das partes de A, indicado por P(A), como segue:
P(A) = {∅; {a}; {b}; {c}; {a; b}; {a; c}; {b; c}; {a; b; c}} ⇒ n (P(A)) = 8

  Intersecção
A intersecção entre dois conjuntos, A e B, é o conjunto A ∩ B formado por todos os elementos per-
tencentes, simultaneamente, a esses conjuntos (Fig. 1).
Particularmente, se A ∩ B = ∅, dizemos que A e B são conjuntos disjuntos (Fig. 2).

A ideia de simultaneidade é, semanticamente, indicada pela conjunção lógica e. Assim, a intersecção


entre os conjuntos A e B pode ser definida por:

A ∩ B = {x | x ∈ A e x ∈ B}

Exemplo:
• A = {a, b, c, d}, B = {a, b, m, n} e C = {d, e, f}
Para esses conjuntos, temos:
A ∩ B = {a, b}, A ∩ C = {d}; B ∩ C = ∅

  Diferença
Dados dois conjuntos, A e B, o conjunto diferença A – B, nessa ordem, é o conjunto formado pelos
elementos que pertencem a A e não pertencem a B, ou seja, retiram-se de A os elementos pertencentes ao
conjunto A ∩ B (Fig. 1).
Analogamente, B – A é o conjunto de todos os elementos de B que não pertencem a A (Fig. 2).

Exemplo:
• A = {a, b, c, d}, B = {c, d, e} e C = {a, b, c, d, f, g, h}
A – B = {a, b} e B – A = {e} A – C = ∅ e C – A = {f, g, h}

 Complementar (ou complemento)


Dados dois conjuntos, A e B; tais que A ⊂ B, dizemos que A – B é o conjunto complementar de B em
B
relação ao A ( indicamos A – B = A ) . Particularmente, dizemos que o complemento do conjunto A em
relação ao conjunto universo U é o conjunto (A) dos elementos do universo U que não pertencem ao A.

68 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Isso é indicado por:
A = {x ∈ U | x ∉ A} ⇒ A = U – A
Por meio de diagramas, temos:

Exemplos:
• A = {1, 2, 3, 4, 5} e B = {1, 4}
B B
A = A – B ⇒ A = {2, 3, 5}

• Seja U o universo de pessoas e A o conjunto das pessoas que têm olhos azuis. Assim, A é o conjunto das
pessoas que não têm olhos azuis.

 União
A união de dois conjuntos A e B é o conjunto A ∪ B formado pelos elementos que pertencem alter-
nativamente a qualquer um dos dois conjuntos, ou seja, que pertencem a A ou a B. Em símbolos, temos:

A ∪ B = {x | x ∈ A ou x ∈ B}

Os conjuntos podem ser disjuntos (Fig. 1) ou não disjuntos (Fig. 2):

Dados dois conjuntos, A e B, podemos determinar a quantidade de elementos da união desses conjun-
tos por meio da fórmula:

n(A ∪ B) = n(A) + n(B) – n(A ∩ B)

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado nessa demostração recomendamos acessar o link: http://cnec.lk/07sb.

Exemplos:

• A = {a, b, c, d}, B = {c, d, e} e C = {e, f, g, h}

n(A) = 4 n(A) = 4
n(B) = 3 ⇒ n(A ∪ B) = 4 + 3 – 2 = 5 n(C) = 4 ⇒ n(A ∪ B) = 4 + 4 – 0 = 8
n(A ∩ B) = 2 n(A ∩ C) = 0

Noções sobre Conjuntos


69
Exercícios resolvidos
1 Dois conjuntos A e B são tais que n(A) = 14 e n(B) = 18. Calcule o número de elementos do conjunto A ∪ B,
nos casos em que
a) A e B são disjuntos. b) n(A ∩ B) = 6.

Resolução:
De modo geral, temos que n(A ∪ B) = n(A) + n(B) – n(A ∩ B).
a) Nesse caso, n(A ∩ B) = ∅ ⇒ n(A ∩ B) = 0. Então: b) Nesse caso, n(A ∩ B) = 6. Então:
n(A ∪ B) = 14 + 18 – 0 ⇒ n(A ∪ B) = 32 n(A ∪ B) = 14 + 18 – 6 ⇒ n(A ∪ B) = 26

\ n(A ∪ B) = 32 \ n(A ∪ B) = 26

2 Um conjunto tem 63 subconjuntos não vazios. Quantos são os elementos desse conjunto?

Resolução:
Seja A o conjunto em questão, o qual tem n elementos. Nessas condições, A terá 2n subconjuntos, dos
quais um é o conjunto vazio. Assim:
2n – 1 = 63 ⇒ 2n = 64
2n = 26 ⇒ n = 6
\ O conjunto tem 6 elementos

3 Numa pesquisa feita com 400 pessoas acerca do consumo dos produtos A e B, obteve-se o seguinte resultado:
• 200 consomem A.   • 250 consomem B.   • 40 não consomem algum desses produtos.
Nessas condições, quantas são as pessoas que consomem ambos os produtos?

Resolução:
Representemos, por meio de diagramas, a situação proposta (Fig. 1). Chamemos de x a quantidade de
pessoas que consomem ambos os produtos e, a partir daí, representemos as quantidades relevantes (Fig. 2).

Como o total de pessoas entrevistadas é 400, temos:


(200 – x) + x + (250 – x) + 40 = 400 ⇒ x = 90

\ 90 pessoas consomem ambos os produtos

Exercícios de sala
4 Analise as proposições a seguir e julgue-as como verdadeiras (V) ou falsas (F), considerando que o símbolo
∅ representa o conjunto vazio.
a) a ∈ {a, b} ( ) e) {a, b} ⊂ {a, b, c, d} ( ) i) ∅ ∈ {⊂, ⊃, ∈, ∅} ( )
b) a ∈ {a, {a}} ( ) f) A = {a, b, c} e B = {a, a, c, c, b} ⇒ A = B ( ) j) ∅ ≠ {∅} ( )
c) a ∈ {a, {a}} ( ) g) ∅ ⊂ {a, b, c, d} ( ) k) ∅ ⊂ {∅} ( )
d) {a, b} ∈ {a, b, c,} ( ) h) ∅ ⊂ {⊂, ⊃, ∈, ∅} ( ) l) {a) ∈ {a, b, c} ( )

70 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


5 Dados os conjuntos A = { , , , } e B = { , , } e sabendo que P(X) é o conjunto das partes do conjunto
X, obtenha os seguintes conjuntos:
a) A ∪ B b) A ∩ C c) A – B d) B – A e) P(A) f) P(B – A)

6 O conjunto A tem 32 subconjuntos, enquanto o conjunto B tem 15 subconjuntos não vazios. Se o conjunto
A ∪ B tem 7 elementos, então, quantos elementos tem o conjunto A ∩ B?

7 Sejam os conjuntos A = {PAZ; AMOR; SAÚDE; AMIZADE} e B = {RAIO; CÉU; NUVEM; SOL}.
Enumere, agora, os seguintes conjuntos:
a) M das palavras monossílabas. b) H das palavras que contêm hiato.

8 Numa cidade com 50 000 habitantes, há, apenas, os jornais A notícia e O dia. 25 000 pessoas leem A no-
tícia, 17 000 leem O dia e 12 000 não leem jornal. Nessas condições, pede-se o número de habitantes que:
a) leem ambos os jornais. b) leem somente A notícia.

9 Em uma enquete, feita com 500 estudantes, sobre a preferência de cada um por três tipos diferentes de
sucos (laranja, uva e abacaxi), chegou-se ao seguinte resultado: 300 gostam do suco de laranja; 200 gos-
tam do suco de uva; 150 gostam do suco de abacaxi; 75 gostam dos sucos de laranja e abacaxi; 100 gostam
dos sucos de laranja e uva; 10 gostam dos três sucos e 65 não gostam de nenhum dos três sucos.
Qual é o número de alunos que gostam dos sucos de uva e abacaxi?

Noções sobre Conjuntos


71
1.4 Conjuntos Numéricos

D
e modo geral, os números estão associados às ideias de contagem e, também, de medição.
  Didaticamente, os números podem ser representados por meio de conjuntos específicos, os
quais são chamados de conjuntos numéricos.

  Conjunto dos números naturais ( N )


De certo modo, os números naturais surgiram para representar quantidades de elementos de conjun-
tos e, por esse motivo, são, também, chamados de cardinais. Nesse sentido, cada número natural pode
ser obtido por meio de processos de contagem.
  O menor número natural possível é 0, que é cardinal do conjunto vazio, seguido do 1, que é o cardinal
do conjunto unitário e assim por diante. Em símbolos, temos:

N = {0; 1; 2; 3; 4...}

Geometricamente, podemos representar o conjunto N como se vê a seguir:

Convém destacar o seguinte subconjunto de N :


N * = {1, 2, 3, 4, ...}

Nota:
A soma e a multiplicação de dois números naturais resultam em números naturais. Por isso, dizemos
que essas operações são fechadas em N . No entanto, as operações de subtração e de divisão não são fecha-
das nesse conjunto.

Exemplos:
• Não é possível, em N , efetuar a operação 3 – 5. • Não é possível, em N , efetuar a operação 3 ÷ 5.

  Conjunto dos números inteiros relativos ()


Como vimos, os números naturais são suficientes para resolver problemas de contagem (soma
e multiplicação). Entretanto, como já foi dito anteriormente, a operação de subtração (e não só ela) não é
fechada nos naturais. Assim, houve a necessidade de estender os naturais para que se fechassem cálculos de
diminuição.
Para esse fim, definiu-se o oposto de um número natural n como sendo o número (–n), tal que n +
(–n) = 0. Todas as outras propriedades da adição e da multiplicação ficam valendo, o que permite afirmar
que a + (– b) = a – b.
O conjunto dos números inteiros (ou números relativos) é designado por  e dado por:

 = { + k k ∈ N } ⇒  = {...; –2; – 1; 0; 1; 2; ...}

Geometricamente, o conjunto  pode ser representado como se vê a seguir.

Convém destacar alguns subconjuntos de :


• * = {..., –3, –2, –1, 1, 2, 3...} ⇒ * =  – {0}
• + = {0, 1, 2, ...} ⇒ + = N (inteiros não negativos)
• – = {... –3, –2, –1, 0} (inteiros não positivos)

Nota:
As operações de adição, de multiplicação e de subtração são fechadas em . No entanto, a operação de
divisão não é fechada nesse conjunto.

72 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos:
• Não é possível, em , efetuar a operação –3 ÷ 8. • Não é possível, em , efetuar a operação 8 ÷ 5.

 Conjunto dos números racionais (Q )


Os números, inteiros ou não, que podem ser obtidos por meio de medidas utilizando frações da unidade,
são denominados números racionais. Desse modo, de acordo com essa definição, números inteiros tam-
bém são racionais.
  O conjunto de todas as frações (inteiras ou não) é denotado por Q e definido por

Q = a | a ∈  e b ∈ *
b

Nessa notação, a é chamado de numerador, e b, é chamado de denominador da fração a .


b
A forma decimal de uma fração é obtida por meio da divisão indicada por essa fração. Algumas vezes,
ao fazermos essa divisão, obtemos um número decimal infinito, chamado dízima periódica. Nesse caso,
o resultado apresentará, em sua parte decimal (após a vírgula), uma sequência de algarismos que se repete
sempre, e a fração em questão será chamada de fração geratriz dessa dízima.

Exemplos:

 • 3 = 0,6 • 1 = 0,125 • – 7 = –1,75 • 1 = 0,333... • – 16 = –1,454545...


5    8   
4    3    11

Exemplos:

• – 1 = –0,33333... que podemos indicar por – 0,3 . A fração – 1 é a fração geratriz da dízima – 0,3 .
3 3
6
•  = 0,545454... que podemos indicar por 0,54. A fração 6 é a fração geratriz da dízima 0,54.
11 11
Um processo de obtenção da fração geratriz de uma dízima periódica será apresentado no item
"Dízima periódica e fração geratriz", deste material.

Geometricamente, podemos representar alguns elementos do conjunto Q como segue:

É conveniente destacar o seguinte subconjunto de Q:


• Q* = Q – {0}

Nota:
• As quatro operações básicas (adição, subtração, multiplicação e divisão) são fechadas em Q*.

1.5 Conjunto dos números irracionais (Ir)

C
onsideramos irracionais todos os números que não podem ser escritos sob a forma de quociente
entre dois números inteiros não nulos.
  Prova-se que os números 2 ; 3 ; p = 3,141... são irracionais. Em geral, o cálculo desses núme-
ros gera uma dízima que não é periódica.

Exemplos:

• 2 = 1,4142135....    • 3 5 = 1,7099759....    • 
p = 3,1415926...

Noções sobre Conjuntos


73
Geometricamente, podemos representar alguns elementos do conjunto Ir como segue:

1.6 Conjunto dos números reais (¡)

C
onsideramos reais todos os números do conjunto  = Q ∪ Ir. Desse modo, de acordo com as
definições dos conjuntos numéricos, percebemos que eles se relacionam, pela inclusão, como
mostrado nesta figura:

Existe uma correspondência biunívoca entre os pontos da reta numérica e os números reais. Isso sig-
nifi ca que cada ponto da reta representa um único número real e cada número real é representado por um
único ponto dessa reta.
Assim, os números reais completam a reta numérica e podem ser representados como segue:

 Intervalos reais
Não é possível representar, um a um, todos os números reais compreendidos entre dois números reais
a e b. Assim, para poder representar todos esses números, são usadas notações gráficas chamadas de inter-
valos reais. Nessas condições, dizemos que os intervalos são conjuntos contínuos, visto que não apresen-
tam “falhas”, podendo os extremos a e b pertencerem ao intervalo (o que representaremos por ) ou não
(o que representaremos por ). O intervalo de que um dos limites não participa é chamado intervalo aberto
nesse limite.
Pode haver casos em que falte um dos limites, por se tratar de intervalos ilimitados. Na notação abrevia-
da (entre colchetes), no lugar do limite ausente, colocamos o símbolo do infinito (+∞) se o limite ausente
for o direito; (– ∞), se for esquerdo. O limite infinito é sempre aberto.

Exemplos:
• I1 = {x ∈  | a < x < b} ⇒ I1 = ]a; b[ • I2 = {x ∈  | a ≤ x < b} ⇒ I2 = [a; b[
a b a b

• I3 = {x ∈  | a < x ≤ b} ⇒ I3 = ]a; b] • I4 = {x ∈  | a ≤ x ≤ b} ⇒ I4 = [a; b]


a b a b

• I = {x ∈  | x < b} ⇒ I = ]– ∞; b] • J = {x ∈  | x > a} ⇒ J = ]a; + ∞[


b a

74 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Operações com intervalos
As operações com intervalos são efetuadas da mesma maneira que as dos conjuntos. Ocorre que, para
torná-las mais simples, usamos a forma gráfica.

Exemplos:
• A = [–2, 6] e B = ]2, 8] • A = [–3, 5] e B = [2, 7[

• A = [4, 8[ e B = ]–2, 10] • A = ]– ∞ , 4[ e B = [– 8, ∞[

1.7 Conjunto dos números complexos ()

D
iante da impossibilidade de se extrair raiz de índice par de número negativo, ocorreu a necessi-
dade de se criar um novo conjunto no qual fosse possível operar com tais raízes: o conjunto dos
números complexos, cuja base é i = –1, chamada de unidade imaginária. Esse conjunto será
estudado em outro momento.

Exercícios de sala
10 Classifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as afirmativas a seguir:
a) Toda dízima é número irracional. (    )
b) Toda dízima não periódica é número irracional. (    )
c) Toda dízima periódica é número racional. (    )
d) Todo número que pode ser escrito sob forma decimal é real. (    )
e) A soma de dois números irracionais é certamente irracional. (    )
f) A soma de dois números irracionais pode ser irracional. (    )
g) A soma de dois números irracionais pode ser racional. (    )
h) O produto de um número irracional por um número irracional é um número irracional. (    )
i) O oposto do número racional pode não ser racional. (    )
j) O inverso do número irracional pode ser racional. (    )
k) O produto de um número racional por um número irracional pode ser um número racional. (    )

11 Resolva, graficamente, cada operação a seguir:


a) [–2, 8[ ∩ [6, 10[ b) [–3, 6[ ∪ ]–1, 8] c) [–5, 10[ – [–2, 12]

Noções sobre Conjuntos


75
12 Considere os números reais x e y, tais que – 4 < x < 6 e –2 < y < 4, e obtenha o intervalo numérico no qual
se encontra o número z, tal que:
a) z = x + y b) z = x – y c) z = x . y d) z = x
y

Exercícios propostos
13 (ENEM) Numa escola com 1 200 alunos foi realizada uma pesquisa sobre o conhecimento desses em duas
línguas estrangeiras, inglês e espanhol.
Nessa pesquisa constatou-se que 600 alunos falam inglês, 500 falam espanhol e 300 não falam qual-
quer um desses idiomas.
Escolhendo-se um aluno dessa escola ao acaso e sabendo-se que ele não fala inglês, qual a probabilida-
de que esse aluno fale espanhol?
a)  1 b)  5 c)  1 d)  5 e)  5
2 8 4 6 14
14 (ENEM) No contexto da matemática recreativa, utilizando diversos materiais didáticos para motivar seus alu-
nos, uma professora organizou um jogo com um tipo de baralho modificado. No início do jogo, vira-se uma
carta do baralho na mesa e cada jogador recebe em mãos nove cartas. Deseja-se formar pares de cartas, sendo
a primeira carta a da mesa e a segunda, uma carta na mão do jogador, que tenha um valor equivalente àquele
descrito na carta da mesa. O objetivo do jogo é verificar qual jogador consegue o maior número de pares. Ini-
ciado o jogo, a carta virada na mesa e as cartas da mão de um jogador são como no esquema:
6 4,3 7,5 4 6,8
8 0,75 3
3
34% 4
3,4
%
75

6
8

Carta da mesa 3
Cartas da mão 4

Segundo as regras do jogo, quantas cartas da mão desse jogador podem formar um par com a carta da mesa?
a) 9 b) 7 c) 5 d) 4 e) 3

15 (ENEM) Em um jogo educativo, o tabuleiro é uma representação da reta numérica e o jogador deve posi-
cionar as fichas contendo números reais corretamente no tabuleiro, cujas linhas pontilhadas equivalem a
1 (uma) unidade de medida. Cada acerto vale 10 pontos.
Na sua vez de jogar, Clara recebe as seguintes fichas:
3 −1 −3 −2,5
2 2

X Y Z T

Para que Clara atinja 40 pontos nessa rodada, a figura que representa seu jogo, após a colocação das
fichas no tabuleiro, é:
a) d)

T Y Z X T Y ZX
0 0

b) e)

XZ Y T YT ZX
0 0

c)
T Y X Z
0

76 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


16 (ENEM) Uma pesquisa foi realizada para tentar descobrir, do ponto de vista das mulheres, qual é o perfil da
parceira ideal procurada pelo homem do século XXI. Alguns resultados estão apresentados no quadro a seguir.

O QUE AS MULHERES PENSAM QUE OS HOMENS PREFEREM

72% das mulheres têm certeza de que os homens 65% pensam que os homens preferem mulheres que
odeiam ir ao shopping façam todas as tarefas da casa

No entanto, apenas 39% dos homens disseram achar a No entanto, 84% deles disseram acreditar que as
atividade insuportável tarefas devem ser divididas entre o casal
Correio Braziliense, 29 jun. 2008 (Adaptado).

Se a pesquisa foi realizada com 300 mulheres, então a quantidade delas que acredita que os homens
odeiam ir ao shopping e pensa que eles preferem que elas façam todas as tarefas da casa é
a) inferior a 80. c) superior a 100 e inferior a 120. e) superior a 140.
b) superior a 80 e inferior a 100. d) superior a 120 e inferior a 140.

17 (ENEM) Um fabricante de cosméticos decide produzir três diferentes catálogos de seus produtos, vi-
sando a públicos distintos. Como alguns produtos estarão presentes em mais de um catálogo e ocupam
uma página inteira, ele resolve fazer uma contagem para diminuir os gastos com originais de impressão.
Os catálogos C1, C2 e C3 terão, respectivamente, 50, 45 e 40 páginas.
Comparando os projetos de cada catálogo, ele verifica que C1 e C2 terão 10 páginas em comum; C1 e C3
terão 6 páginas em comum; C2 e C3 terão 5 páginas em comum, das quais 4 também estarão em C1.
Efetuando os cálculos correspondentes, o fabricante concluiu que, para a montagem dos três catálogos,
necessitará de um total de originais de impressão igual a:
a) 135. b) 126. c) 118. d) 114. e) 110.

18 (UEPG-PR) Sobre os conjuntos A = {2, 3, 5}, B = {3, 4} e C, tal que A ∩ C = {2}, B ∩ C = {4} e A ∪ B ∪ C = {1,
2, 3, 4, 5}, assinale o que for correto.
01) A ∩ B ∩ C = ∅. 02) C – B = {1, 2}. 04) C – A = {3, 5}. 08) 3 ∈ C. 16) (A ∩ B) ∪ C = {1, 2, 5}.

19 (PUC-RJ) Considere o conjunto A = {3, 5}. Sabendo que B ∩ A = {3} e B ∪ A = {1, 2, 3, 4, 5}, determine o


conjunto B.
a) B = {1, 2, 3}   b) B = {1, 2, 4}   c) B = {1, 2, 3, 4}   d) B = {1, 2, 3, 5}   e) B = {1, 2, 3, 4, 5}

20 (UECE) Os conjuntos X = {0, 4, 5, 6, 7, x} e Y = {1, 3, 6, 8, x, y} possuem o mesmo número de elementos e
X ∩ Y = {2, 6, 7}. Para os elementos x e y, o valor numérico de 7x – 2y é
a) 0. b) 5. c) 25. d) 45.

21 (UEL-PR) Uma pesquisa foi feita com 40 pessoas. As questões foram as seguintes:


1) Você consome o produto A?  2) Você consome o produto B?  3) Você consome o produto C?
 Feito o levantamento de dados, constatou-se que
• 19 pessoas consomem A. • 10 pessoas consomem tanto A como C.
• 20 pessoas consomem B. • 12 pessoas consomem tanto B como C.
• 19 pessoas consomem C. • 11 pessoas consomem tanto A como B.
• 7 pessoas não consomem A, nem B e nem C.
 O número de pessoas que não consomem C é
a) 12 b) 14 c) 15 d) 18 e) 21

22 (UFOP-MG) Em uma determinada cidade, as mulheres constituem 60% da população. Sabe-se ainda que
10% dos homens e 15% das mulheres são analfabetos. O percentual de habitantes alfabetizados nessa
cidade é:
a) 12% b) 13% c) 25% d) 87% e) 88%

23 (UNIFEI-MG) Dos alunos de uma escola infantil, 60 são meninas, 37 crianças são loiras, 20 meninos são
não loiros e 13 meninas são loiras. Quantos alunos existem nessa escola?
a) 60 b) 86 c) 104 d) 130

Noções sobre Conjuntos


77
24 (UFRN) Uma escola de ensino médio tem 3 600 estudantes, assim distribuídos:
• 1 200 cursam o 1º ano, 1 200 cursam o 2º ano, e 1 200 cursam o 3º ano;
• de cada série, metade dos estudantes são do sexo masculino e metade do sexo feminino;
• de cada sexo, metade dos estudantes estuda Inglês e metade estuda Francês.
Considere que, em cada série, a quantidade de alunos de Inglês e de Francês é a mesma.
O número de estudantes dessa escola que estão cursando o 3º ano ou que não estudam Francês é:
a) 3 000 b) 600 c) 1 200 d) 2 400

25 (PUC-RS) Um grupo de estudantes de Ensino Médio visitou a Biblioteca para pesquisar sobre Literatura
Brasileira (LB) e Literatura Estrangeira (LE). A respeito dessa atividade, sabe-se que:
• cada estudante consultou somente uma obra;
• 40% do número total de estudantes eram meninos;
• 80% do número total de estudantes consultou obras de LB;
• 50% do total de estudantes que consultou obras de LE eram meninos;
• 20 meninas consultaram obras de LE.
Nessas circunstâncias, o número de meninas que compareceram à Biblioteca para pesquisar sobre Lite-
ratura foi de
a) 130 b) 120 c) 100 d) 90 e) 70

26 (Ueg) Se colocarmos os números reais – 5, 1, – 3 , e 3 em ordem decrescente, teremos a sequência


5 8
a)  3 , 1, – 3 , – 5    b)  3 , 1, – 5, – 3    c) 1, 3 , – 3 , – 5   d) 1, 3 , – 5, – 3
8 5 8 5 8 5 8 5
27 (FUVEST) O número real x, que satisfaz 3 < x < 4, tem uma expansão decimal na qual os 999.999 primeiros
dígitos à direita da vírgula são iguais a 3. Os 1 000 001 dígitos seguintes são iguais a 2 e os restantes são
iguais a zero.
Considere as seguintes afirmações:
I) x é irracional.

II) x > 10 .
3
III) x . 102 000 000 é um inteiro par.
Então,
a) nenhuma das três afirmações é verdadeira.
b) apenas as afirmações I e II são verdadeiras.
c) apenas a afirmação I é verdadeira.
d) apenas a afirmação II é verdadeira.
e) apenas a afirmação III é verdadeira.

28 (UFJF) Define-se o comprimento de cada um dos intervalos [a, b], ]a, b[, ]a, b] e [a, b[ como sendo a dife-
rença (b – a). Dados os intervalos M = [3, 10], N = ]6, 14[, P = [5, 12[, o comprimento do intervalo resultante
de (M ∩ P) ∪ (P – N) é igual a:
a) 1. b) 3. c) 5. d) 7. e) 9.

Exercícios de aprofundamento
29 Obtenha uma fórmula para o cálculo do número de elementos da união dos conjuntos A, B e C, indicada
por n(A ∪ B ∪ C).

30 Sejam A, B e C três conjuntos tais que n(A) = 10, n(B) = 6, n(C) = 9 e n(A ∪ B ∪ C) = 20. Qual é o número
máximo de elementos obtidos com a operação (A ∩ B) ∪ (B ∩ C)?

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado em mais exercícios relacionados à este capítulo, recomendamos acessar o link:
http://cnec.lk/07sc

78 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

2 Noções gerais sobre funções

2.1 Introdução

N
o desenrolar da história das ciências, o homem sempre procurou estabelecer
relações entre as entidades que estudou. Muitas vezes, essas relações eram
quantitativas e, então, fazia-se necessário o uso de ferramentas matemáticas
para entendê-las. Essa é a grande motivação para o estabelecimento do con-
ceito de função, que será feito nesta unidade.
De modo intuitivo, a ideia de função está associada à de transformação. Nesse senti-
do, devemos entender função como sendo um dispositivo que transforma informações
fornecidas a ele, gerando uma nova informação.

Informação fornecida FUNÇÃO Informação transformada

2.2 Definição

F
ormalmente, consideremos um conjunto D (chamado de domínio) e um conjun-
to Cd (chamado de contradomínio).
Pode-se definir função de D em Cd como sendo toda relação que faça corres-
ponder a cada elemento x ∈ D um único elemento y ∈ Cd.
Decorre da definição que:
1o) todo elemento x do domínio (x ∈ D) deve ter um único y correspondente no con-
tradomínio (y ∈ Cd).
2o) no conjunto contradomínio, podem “sobrar” elementos, ao passo que, no conjunto
domínio, isso não pode ocorrer.

O conjunto formado pelos elementos do contradomínio, que são correspondentes


do elementos de domínio, é denominado conjunto imagem (Im) da função.
Desse modo, de acordo com a definição dada, para cada valor de x, um único valor
y é determinado.
Esquematicamente, temos:

Informação fornecida (x) ⇒ FUNÇÃO ⇒ Informação transformada (y)

Vale ressaltar que os elementos de D e de Cd não se restringem apenas a números.


No entanto daremos maior ênfase aos casos numéricos.

De acordo com a defi nição de função, dizemos que x é a variável independente, e y, a


variável dependente. Em outros termos, dizemos que y é a imagem de x obtida por meio
da função.

Noções gerais sobre funções


79
Exemplos:
• Seja D = {x1, x2, x3, x4} e Cd = {y1, y2, y3, y4}. As relações apresentadas por meio de diagramas a seguir
representam funções de D em Cd, indicadas por f: D → Cd

• A relação que associa cada pessoa ao seu nome é uma função, considerando que toda pessoa tem nome
e esse nome é único.

• As relações a seguir não representam função de D em Cd:

No primeiro, sobram elementos no Domínio; no segundo, há elementos do Domínio com mais de um


correspondente no contradomínio e, no terceiro, verifi cam-se ambos os impedimentos.

• A relação que associa cada nome a uma pessoa com esse nome não é função, visto que um mesmo nome
serve a várias pessoas.

Exercício de sala
1 Analise os diagramas a seguir e justifique, em cada caso, o fato da relação f representar ou não uma fun-
ção de A em B.
a) b) c) d)

e) f) g) h)

80 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2.3 Lei de Formação

P
odemos representar uma função por meio de uma sentença matemática. Tal sentença é
chamada de lei de formação da função.
  Formalmente, a lei de formação é uma sentença matemática que associa a cada valor da va-
riável independente (x) um único valor correspondente da variável dependente (y), mostrando
claramente a dependência entre essas variáveis.
Em símbolos, podemos escrever:
y = f(x) (lê-se y é uma função de x)
Exemplos:
• A lei de formação da função que associa cada número real x ao seu dobro é a função definida pela senten-
ça f:  →  | f(x) = 2x, a qual indica a transformação do número real x no número real y = 2x.

• A lei de formação da função que associa cada número inteiro x ao seu sucessor é a função definida pela
sentença f:  →  | f(x) = x + 1, a qual indica a transformação do número inteiro x no número inteiro y,
tal que y = x + 1.

  Funções com várias sentenças


Nos exemplos mostrados até esse momento, as leis de formação das funções apresentam uma única sen-
tença, aplicada ao seu domínio também único.
No entanto existem funções cuja lei de formação é indicada por várias sentenças, cada qual aplicada a
seu domínio específico. Esse tipo de função é chamado de função definida por várias sentenças.

Exemplos:
3x2 – 4x, se x < 1
• f(x) = x + 4, se x < 3 • f(x) = 2, se x = 1
2x – 5, se x > 3 –3x, se x > 1
  Valor de uma função
Consideremos, genericamente, a lei de formação f(x) de uma função. Chama-se valor da função, para
x = a, o valor de f(a) obtido pela substituição de x por a na expressão da lei de formação.

Exemplos:
• Se f(x) = 3x + 4, então:
f(0) = 3 . (0) + 4 ⇒ f(0) = 4 f(–1) = 3 . (–1) + 4 ⇒ f(–1)= 1

f(2) = 3 . (2) + 4 ⇒ f(2)= 10 f – 4 =3 – 4 +4⇒f – 4 =0


3 3 3

x2, se x < 3
• Se f(x) = x – 1, se 3 < x < 6 , então:
2x, se x > 6
f(–1) = (–1)2 ⇒ f(–1) = 1 f(5) = 5 – 1 ⇒ f(5) = 4
f(0) = (0)2 ⇒ f(0) = 0 f(6) = 6 – 1 ⇒ f(6) = 5
f(3) = (3)2 ⇒ f(3) = 9 f(7) = 2(7) ⇒ f(7) = 14
f(4) = 4 – 1 ⇒ f(4) = 3 f(8) = 2(8) ⇒ f(8) = 16

 Zero de uma função


Se o valor de uma função for nulo (igual a zero) para x = a, então a é um zero dessa função. Ou seja,
um número real a é zero de uma função de f(a) = 0.

Exemplos:
• O número 4 é zero de f(x) = 3x – 12, pois f(4) = 3(4) – 12 ⇒ f(4) = 0.

• A função f(x) = x2 – 4x + 3 tem um zero para x = 1, pois f(1) = 12 – 4(1) + 3 ⇒ f(1) = 0.

Noções gerais sobre funções


81
 Restrições de domínio
De modo geral, conhecendo-se a lei de formação de uma função, é possível verificar se existe alguma
restrição em seu domínio.

Exemplos:
• A função f:  →  | f(x) = 3x – 2 não apresenta restrição de domínio, visto que, para qualquer x, obte-
remos um único valor real f(x).
• A função f:  →  | f(x) = 1 apresenta uma restrição de domínio, visto que, para x = 0, a função não
x
fica definida, ou seja, não existe f(0).
• A função f: * →  | f(x) = 1 não apresenta restrição em seu domínio, pois x = 0 não pertence ao domínio *.
x
• A função f:  →  | f(x) = x apresenta restrição em seu domínio, visto que, para x < 0, a função não
fi ca defi nida.

• A função f: + →  | f(x) = x não apresenta restrição em seu domínio, pois nenhum x < 0 pertence ao
domínio +.

Exercício resolvido
2 Um motorista de táxi cobra R$ 20,00 por “corridas” de até 8 km. A partir dessa quilometragem, ele cobra
R$ 3,00 por quilômetro excedente. Qual é a lei de formação da função que fornece o preço a ser pago por
uma “corrida” de quilometragem x?

Resolução:
De 0 km a 8 km, o preço a ser pago é 20 reais. Assim, se 0 < x < 8, f(x) = 20.
A partir de 8 km, a cada quilômetro excedente há um acréscimo de 3 reais. A quilometragem excedente
é (x – 8). Assim, se x > 8, f(x) = 20 + (x – 8) . 3. Desse modo, a lei de formação é:
20, se 0 < x < 8
f(x) = ⇒ f(x) = 20, se 0 < x < 8
20 + (x – 8) . 3, se x > 8 20 + 3x – 24, se x > 8

\ A lei é f(x) = 20, se 0 < x < 8 .


3x – 4, se x > 8

Exercícios de sala
3 Considere a função f(x) que associa cada número real ao seu simétrico e g(x) que associa cada número real
ao seu inverso. Escreva a lei de formação de cada uma e verifique se há alguma restrição de domínio em
alguma delas.

4 Verifique, em cada caso a seguir, se há restrição de domínio para a lei de formação de f(x) e, nos casos em
que ocorra, indique essa restrição. 2
a) f(x) = x2 + 4         b) f(x) = x2 + 4          c) f(x) = x
x –4 x

82 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


5 Seja a função f(x) = 3x – 5. Para essa função, determine:
a) o valor de f(4).    b) x, tal que f(x) = 4.    c) o valor de f(0).     d) o zero.

6 Sejam f(x) e g(x) duas funções, tais que f(x) = 2x – 6 e g(x) = x2 – a. Se f(a) = 2, calcule:
a) o valor de a.    b) g(a).    c) x, tal que f(x) = a.    d) x, tal que g(x) = a.

x + 4, se x < 2
7 Considere a função f(x) = e determine:
x – 4, se x > 2
a) f(1). b) f(5). c) f(2). d) x, tal que f(x) = 8.

8 Uma empresa que cuida do abastecimento de água de uma certa cidade cobra taxa mínima de R$ 12,00
mensais para consumo de até 20 m3 mensais. A partir desse consumo, são acrescidos R$ 2,00 por metro
cúbico excedente. Forneça a lei de formação da função que associa o consumo de x metros cúbicos ao
preço a ser pago.

9 Um estacionamento cobra uma taxa fixa de R$ 5,00 e mais uma taxa de R$ 2,00 por hora, para veículos ali
estacionados. A cobrança é feita “arredondando” para cima as frações de hora. Nessas condições, o tempo
t de estacionamento será sempre inteiro, assim como o preço P(t) a pagar.
a) Qual é a lei da função P(t)?
b) Quanto se paga por 3 horas de estacionamento?
c) Quanto se paga por 4 horas e 10 minutos de estacionamento?
d) Se uma pessoa pagou R$ 22,00, qual o tempo de estacionamento?

Noções gerais sobre funções


83
2.4 Gráfico de uma função

É
muito comum a representação gráfica da relação entre duas variáveis, seja essa relação uma função
ou não. Daremos maior ênfase aos casos em que essas relações representam funções. Para tanto,
usaremos o sistema cartesiano ortogonal, o qual é composto por um eixo horizontal Ox (eixo das
abscissas) e por um eixo vertical Oy (eixo das ordenadas) (Fig. 1).
Nesse sistema, cada ponto P pode ser representado por um par ordenado (xP , yP), sendo xP a abscissa
e yP a ordenada desse ponto (Fig. 2).
Desse modo, se marcarmos nesse sistema todos os pares ordenados (x, y), em que x representa, con-
vencionalmente, a variável independente, e y, a imagem de x pela função correspondente, construiremos o
gráfico dessa função (Fig. 3).

Por ora, nos deter-nos-emos apenas à análise de gráficos, sem nos preocuparmos com sua construção.
De acordo com os conceitos de função, podemos dizer que, para que um gráfico represente uma função
de domínio D, é necessário que cada abscissa pertencente a D tenha um e somente um ponto correspon-
dente no gráfico (Fig. 1). Caso algum elemento de D não tenha ponto correspondente no gráfico (Fig. 2)
ou tenha mais de um ponto correspondente nesse gráfico (Fig. 3), não se trata de função.

  Obtenção do domínio e da imagem por meio do gráfico


Dado o gráfico de uma função, seu domínio pode ser obtido projetando-se ortogonalmente seus pon-
tos sobre o eixo Ox ; enquanto que a imagem pode ser obtida projetando-se ortogonalmente esses pontos
sobre o eixo Oy .

Exemplos:
• • •

Para esse gráfico, temos: Para esse gráfico, temos:   Para esse gráfico, temos:
D = {x ∈  | x1 < x < x2} D = {x ∈  | x1 < x < x2} D = {x ∈  | x1 < x < x2}
Im = {y ∈  | y1 < y < y2} Im = {y ∈  | 0 < y < y2} Im = {y ∈  | y1 < y < y2}

84 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Análise genérica do gráfico de uma função
Analisando o gráfi co de uma função, podemos visualizar o crescimento, o sinal e os zeros dessa função.

Exemplos:
• Sejam as funções f(x), g(x), h(x) e p(x) indicadas pelos gráficos a seguir:

Nessas condições, temos:


• A função f(x) é crescente e positiva em todo o seu domínio [a, b], pois os valores da função aumentam à
medida que x aumenta nesse intervalo. Todos os valores da função são positivos, pois o gráfi co está todo
acima do eixo Ox , indicando que a função não tem zeros.

• A função g(x) é decrescente em todo o seu domínio [a, b], pois os valores da função diminuem à medida
que x aumenta nesse intervalo. Todos os valores da função são positivos, pois o gráfi co está todo acima do
eixo Ox , indicando que a função não tem zeros.

• A função h(x) é crescente e negativa no intervalo [a, c[; é crescente e positiva no intervalo ]c, b] e nula para
x = c, indicando que c é zero dessa função.

• A função p(x) é decrescente e positiva no intervalo [a, c[; é decrescente e negativa no intervalo ]c, d];
é crescente e negativa no intervalo [d, e[; é crescente e positiva no intervalo ]e, f] e é nula para x = c e
para x = e, indicando que c e e são zeros dessa função. Alem disso, a função é constante no intervalo
[f, b].

Exercícios de sala
10 Verifique, em cada caso a seguir, se o gráfico representa uma função de domínio D e, nos casos afirmati-
vos, indique seu domínio e sua imagem.
a) b) c) d)

Noções gerais sobre funções


85
11 Considere o gráfico de cada função f(x) a seguir, classifique-as convenientemente quanto aos sinais e cres-
cimento e indique os seus zeros, caso haja.
a) b)

12 O gráfico a seguir mostra a variação da temperatura T de um objeto em condições controladas dentro de


um laboratório ao longo do tempo t, durante 16 horas.

Nessas condições, responda:


a) Em qual(is) intervalo(s) o objeto esteve sob aquecimento? c) Qual foi a temperatura mínima atingida?
b) Em qual(is) intervalo(s) o objeto esteve sob resfriamento? d) Qual foi a temperatura máxima atingida?

2.5 Classificação de uma função quanto à imagem

A
nalisando a imagem de uma função, podemos classificá-la das seguintes maneiras:

  Função sobrejetiva (sobrejetora)


Uma função é sobrejetiva, ou sobrejeção, quando sua imagem é igual ao contradomínio. Isso significa que
todos os elementos do contradomínio (Cd) têm, no mínimo, um correspondente no domínio (D). Assim:
f é sobrejetiva ⇔ Im(f) = Cd
Por meio de diagramas, temos:
D Cd D Cd D Cd D Cd

86 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Função injetiva (injetora)
Uma função é injetiva, ou injeção, quando cada elemento da imagem possui um único correspondente
no domínio. Isso significa que nenhum elemento do contradomínio (Cd) tem mais de um correspondente
no domínio (D). Desse modo, elementos distintos de D correspondem a elementos distintos em Cd.
f é injetiva ⇔ (x1 ≠ x2 ⇒ f(x1) ≠ f(x2))
Por meio de diagramas, temos:

D Cd D Cd

  Função bijetiva (bijetora)


Uma função bijetiva, ou bijeção, ou função biunívoca, é aquela em que cada elemento do contradomínio
corresponde a um único elemento do domínio.
Notemos que ela é, simultaneamente, uma função injetiva e sobrejetiva, pois temos Im = Cd e nenhum
elemento do contradomínio tem mais de um correspondente no domínio.
f é bijetiva ⇔ (Im(f) = Cd e x1 ≠ x2 ⇒ f(x1) ≠ f(x2))
Por meio de diagramas, temos:

  Função singular
De modo geral, uma função que não se enquadre em qualquer um dos casos citados é classificada como
função singular.

 Função par
Uma função de domínio D é par se, para todo x ∈ D, tivermos f(–x) = f(x).

Exemplo:
• f:  →  | f(x) = x2 + 2
f(–x) = (–x)2 + 2 ⇒ f(–x) = x2 + 2
f(–x) = f(x) ⇒ f(x) é par

Nota:
O gráfico de uma função par apresenta simetria em relação ao eixo Oy . Isso se justifica pelo fato de
que f(–x) = f(x).

Noções gerais sobre funções


87
 Função ímpar
Uma função de domínio D é ímpar se, para todo x ∈ D, tivermos f(–x) = – f(x).

Exemplo:
• g:  →  | g(x) = 3x
g(–x) = 3(–x) ⇒ g(–x) = –3x
g(–x) = –g(x) ⇒ g(x) é ímpar

Nota:
O gráfico de uma função ímpar apresenta simetria em relação à origem. Isso se justifi ca pelo fato de
que f(–x) = –f(x).

 Função sem paridade


Existem funções que não podem ser classificadas em par ou ímpar. Nesses casos, dizemos que a função
é sem paridade.

Exemplo:
• h:  →  | h(x) = 2x + 1
h(–x) = 2(–x) + 1 ⇒ h(–x) = –2x + 1
h(–x) ≠ h(x) e h(–x) ≠ –h(x) ⇒ h(x) é sem paridade

Exercícios de sala
13 Classifique cada função a seguir quanto à sua imagem, em injetora, sobrejetor e bijetora.
a) b) c) d)

14 Verifique a possibilidade de paridade das funções representadas pelos gráficos a seguir:


a) b) c) d)
y y y y
b b
c
–a
O a x
b
–b
–a O a x –a O a x O x

88 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


15 Em cada gráfico a seguir está indicado o domínio D e o contradomínio Cd. Classifique as funções a seguir
em sobrejetora, injetora, bijetora ou singular.
a) b) c) d)
y y y y

O x x
O x O x O
D = ; Cd = * D= Cd = + D = + ; Cd =  D = ; Cd = 

16 Verifique a paridade de cada função a seguir:


a) f(x) = x2 b) f(x) = x2 + x c) f(x) = x3 d) f(x) = x3 + x

2.6 Taxa média (M) de variação de uma função

A
o estudarmos uma determinada função, além de conhecermos os valores da variável dependente
correspondentes aos valores da independente, também é interessante sabermos como se relacio-
nam as variações dessas variáveis.
  Nesse sentido, vamos estudar a taxa média (M) de variação da função.

  Determinação algébrica de M
De modo geral, qualquer variação ocorrida na variável independente provoca uma variação na variável
dependente, exceto no caso da função constante.
Para uma função qualquer, y = f(x), chamamos de taxa média de variação, no intervalo [x1, x2], corres-
pondente ao intervalo [y2 – y1], com y1 = f(x1) e y2 = f(x2 ), a fração dada por:
f(x2 ) – f(x1) y2 – y1
M= x –x ⇒M= x –x
2 1 2 1

Exemplos:
• f(x) = x2 – 2, no intervalo [3, 5] • f(x) = x3 – x, no intervalo [–1, 2]
x1 = 3 ⇒ f(x1) = 32 – 2 = 7 x1 = –1 ⇒ f(x1) = (–1)3 – (–1) = 0
x2 = 5 ⇒ f(x2 ) = 52 – 2 = 23 x2 = 2 ⇒ f(x2 ) = 23 – 2 = 6
f(x2 ) – f(x1) f(x2 ) – f(x1)
M= x –x ⇒ M = 23 – 7 M= x –x ⇒M= 6–0
2 1 5–3 2 1 2 – (–1)
\M=8 \M=2

  Determinação gráfica de M
Sem perda da generalidade, tomemos o caso em que f(x) é crescente no intervalo [x1, x2 ]. O caso em
que f(x) é decrescente é análogo.
Considerando o gráfico da função (Fig. 1), podemos visualizar os elementos dessa variação por meio
dos pontos A(x1, y1 ) e B(x2, y2 ) relativos ao intervalo [x1, x2] em questão (Fig. 2).

Noções gerais sobre funções


89
Os pontos A e B determinam a reta r que forma com o eixo Ox um ângulo a, tomado no sentido an-
ti-horário (Fig. 3).

Observando o triângulo ABC destacado, temos:


^
BA C = a (Paralelismo), BC = y2 – y1 e AC = x2 – x1
y2 – y1
tg a = BC ⇒ tg a = x – x
AC 2 1

\ tg a = M

Exemplos:
• 

M = tg a ⇒ M = 6 – 2
10 – 4
4
M= ⇒M= 2
6 3
\M= 2
3

M = tg a ⇒ M = – tg b

M = –7 – 1 ⇒ M = – 6
5–1 4

\M=– 3
2

90 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios de sala
17 Calcule a taxa média de variação da função f(x) = x2 – x em cada intervalo a seguir:
a) [0, 4] b) [–3, 3] c) [1, 3]

18 Os gráficos a seguir representam funções no intervalo indicado pelos pontos A e B. Para cada gráfico, cal-
cule a taxa média de variação da função, analise o seu sinal e classifique-a em crescente ou decrescente
nesse intervalo.
a) b) c)

2.7 Composição de funções

F
ormalmente, sejam A, B e C três conjuntos e sejam f: A → B (Fig. 1) e g: B → C (Fig. 2) duas
funções. Chama-se função composta de g com f ou g composta com f a função gOf (Fig. 3), cuja
lei de formação é gOf: A → C | gOf = g [f(x)].
Esquematicamente, temos:

O símbolo gOf (lê-se g “bola” f ) indica a aplicação da função f na função g, representada por g[f(x)].
É importante notarmos que f deve ser sobrejetora e g pode ser qualquer, de modo que a imagem de f seja
o domínio de g.

Noções gerais sobre funções


91
 Sentença da composta
De acordo com a definição, para obtermos a lei de formação da composta gOf, na variável x, basta apli-
carmos a função f(x) à função g(x), considerando que a imagem de f(x) é o domínio de g(x). Analogamente,
podemos obter a lei de fOg.
Na expressão fOg, nesse nosso texto, dizemos que f é a primeira componente, e g, a segunda; enquanto
que, na expressão gOf, g é a primeira, e f, a segunda.

Exemplos:
• f(x) = x + 2 e g(x) = 3x – 1 • f(x) = x2 + 1 e g(x) = 1 – x
gOf = g[f(x)] ⇒ gOf = 3(x + 2) – 1 gOf = g[f(x)] ⇒ gOf = 1 – (x2 + 1)
gOf = 3x + 6 – 1 ⇒ gOf = 3x + 5 gOf = 1 – x2 – 1 ⇒ gOf = –x2
fOg = f [g(x)] ⇒ fOg = (3x – 1) + 2 fOg = f[g(x)] ⇒ fOg = (1 – x)2 + 1
fOg = 3x – 1 + 2 ⇒ fOg = 3x + 1 fOg = 1 – 2x + x2 + 1 ⇒ fOg = x2 – 2x + 2

  Sentença da segunda componente


Dadas as funções gOf e g(x), podemos obter f(x), que é a segunda componente da composta gOf, do
seguinte modo:
1o passo: Trocamos, em g(x), o valor de x pelo símbolo f(x), obtendo uma expressão de g[f(x)].

2o passo: Igualamos a expressão obtida g[f(x)] com a expressão gOf(x) dada, pois representam a mesma
função.

3o passo: Isolamos o símbolo f(x), obtendo a sentença procurada.

Exemplos:
• gOf = x2 – 1 e g(x) = –x + 1 • gOf = x2 + 1 e g(x) = x
g[f(x)] = –[f(x)] + 1 ⇒ gOf = – f(x) + 1 g[f(x)] = f(x) ⇒ gOf = f(x)
x2 – 1 = – f(x) + 1 ⇒ f(x) = 2 – x2 x2 + 1 = f(x) ⇒ f(x) = x2 + 1

 Sentença da primeira componente


Dadas as funções gOf e f(x), podemos obter g(x), que é a primeira componente da composta gOf,
do seguinte modo:
1o passo: fazemos gOf = g[f(x)].

2o passo: no primeiro membro da igualdade gOf(x) = g[f(x)], usamos a sentença dada para gOf(x) e, no
segundo membro, trocamos o símbolo f(x) por sua expressão em x, também dada.

3o passo: fazemos f(x) = t e isolamos x, obtendo uma expressão de x dependente de t.

4o passo: retornamos ao resultado obtido no 2o passo. No primeiro membro, substituímos a expressão de


f(x) por t.

5o passo: após as devidas simplificações e operações que se fizerem necessárias, obtemos uma expressão
cujo primeiro membro é g(t) e cujo segundo membro depende de t.

6o passo: trocamos t por x, para obter a sentença procurada.

Exemplos:
• gOf = 4x2 + 5 e f(x) = x – 3 • gOf = 3x + 4 e f(x) = x – 5
gOf = g[f(x)] ⇒ 4x2 + 5 = g(x – 3) gOf = g[f(x)] ⇒ 3x + 4 = g(x – 5)
x–3=t⇒x=t+3 x–5=t⇒x=t+5
4(t + 3)2 + 5 = g(t) ⇒ g(t) = 4t2 + 24t + 41 3(t + 5) + 4 = g(t) ⇒ g(t) = 3t + 19
A troca de t por x não alterará a sentença A troca de t por x não alterará a sentença

\ g(x) = 4x2 + 24x + 41 \ g(x) = 3x + 19

92 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios de sala
19 Dadas as funções f(x) = 3x + 1 e g(x) = – x + 1, obtenha:
a) f [g(x)]           b) g[f(x)]          c) g[g(x)]

20 Se f(x) = x2 e g(x) = x – 1, obtenha fOg(2) das seguintes formas:


a) obtendo, primeiramente, g(2). b) obtendo, primeiramente, fOg(x).

21 Se fOg(x) = x2 – 1 e f(x) = x + 1, obtenha a sentença de g(x).

22 Se fOg(x) = x2 – x e g(x) = x – 1, obtenha:


a) a sentença de f(x). b) o valor de fOf(2).

23 Considere os gráficos das funções f(x) e g(x) a seguir.

Obtenha:
a) o valor de f(f(1)). b) o valor de f(2f(f(1))). c) as soluções de g(g(x)) = 2.

Noções gerais sobre funções


93
24 Uma certa indústria calcula seu lucro (L) em função do gasto (P) com matéria-prima pela função L = 8 + 4 P.
Sabe-se que o preço de venda (C) é dado por C = 20 + 2P. Nessas condições, obtenha: 5
a) a função que relaciona, diretamente, o lucro com o preço de venda.
b) o lucro para um preço de venda igual a 30.

2.8 Inversão de função

S
ejam A e B dois conjuntos, tais que as relações A → B e B → A representam funções, de modo
que (x, y) sejam pares ordenados da primeira e (y, x) sejam pares ordenados da segunda. Dizemos,
nesse caso, que a função f-1: B → A é a função inversa da função f: A → B.
  Desse modo, temos duas condições:
1a) A e B devem ter mesma quantidade n de elementos, ou seja, f: A → B deve ser bijetora.
2a) Os pares (x1, y1 ), (x2, y2 ), (x3, y3 ), ..., (xn, yn ) pertencem à representação de f: A → B e (y1, x1), (y1, x1),
(y2, x2), (y3, x3), ..., (yn, xn) pertencem a representação de f-1: B → A.
Se uma dessas condições não for satisfeita, não haverá inversão.

Exemplos:

f: A → B é bijetora f: A → B não é bijetora


f -1: B → A é função ⇒ f -1 é inversa de f f: B → A não é função

f: A → B não é bijetora f: A → B: {(x1, y1 ), (x2, y2 ), (x3, y3 ), (x4, y4 )}


f: B → A não é função f: B → A: {(y1, x1 ), (y2, x2 ), (y3, x4), (y4, x3)}

  Gráfico da inversa
Como vimos, se o par ordenado (x, y) pertence à relação cuja lei de formação é a função f(x), então o
par ordenado (y, x) pertence à relação cuja lei de formação é f -1(x), inversa de f(x). Esses pares ordenados
são simétricos em relação à bissetriz dos quadrantes ímpares (y = x).
Com base nesse fato, demonstra-se que os gráficos de duas funções inversas entre si, num mesmo sistema
cartesiano, são simétricos em relação à reta bissetriz dos quadrantes ímpares, a qual contém os pontos (x, y)
com x = y.

94 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos:
• f(x) e f -1(x) • g(x) e g-1(x)

y y g(x) y=x
f(x) y=x

f -1(x)
g -1(x)
1
−1
1 x x
−1

 Sentença da inversa
Primeiramente, devemos nos lembrar, sempre, que a imagem de f(x) será o domínio de f -1(x). Visto isso,
para obtermos a sentença da função inversa, podemos usar o seguinte procedimento:
Tomamos a sentença no formato y = f(x) e, nela, isolamos o valor de x. Isso mostrará qual a relação que
leva cada y a seu x correspondente, ou seja, isso fornecerá x = f -1(y). Em seguida, para seguir o costume
de fornecer y em função de x, trocamos os nomes dessas variáveis, obtendo y = f -1(x).

Exemplos: 2x + 3
• f:  →  | f(x) = 3x + 1 • f: * →  – {2} | f(x) =
x
2x + 3 2x + 3
f(x) = 3x + 1 ⇒ y = 3x + 1 f(x) = ⇒y=
x x
y–1 xy = 2x + 3 ⇒ xy – 2x = 3
y – 1 = 3x ⇒ x =
3 3
x(y – 2) = 3 ⇒ x =
Troquemos os nomes das variáveis: y–2
y–1 x–1 3 3
x= ⇒y= x= ⇒y=
3 3 y–2 x–2
x–1 3
\ f -1(x) = \ f -1(x) =
3 x–2

Exercício resolvido
25 Verifique, em cada caso a seguir, se a função f(x) é inversível e obtenha, caso haja, a sentença da sua in-
versa.
a) f:  →  | f(x) = 3x – 1 b) f:  →  | f(x) = 1 c) f:  → * | f(x) = 1
x x
Resolução:
a) A função f:  →  | f(x) = 3x – 1 é inversível (ou invertível), pois ela é bijetora. A bijeção é comprovada
da seguinte forma:
A imagem () é igual ao contradomínio () indicando que é sobrejetora. Além disso, para x1 ≠ x2, tem-
se, sempre, f(x1) ≠ f(x2), indicando que é injetora.
Para a lei da inversa, temos:
y = 3x – 1 ⇒ x = y + 1
3
Trocando os nomes das variáveis, obtemos a lei procurada.

\ f-1: ¡ → ¡ | f-1(x) = x + 1
3

Noções gerais sobre funções


95
1
b) A função f:  →  | f(x) = não é inversível, pois não há valor de x no domínio para o qual se tem f(x) = 0.
x
Assim, a imagem (que é *) não é igual ao contradomínio (que é ), indicando que a função não é sobre-
jetora, embora seja injetora, pois, para x1 ≠ x2, tem-se f(x1) ≠ f(x2).
\ f(x) não é inversível
1
c) A função f: * → * | f(x) = é inversível, pois é bijetora.
x
Para a lei de inversa, temos:
1
y= ⇒x= 1
x y
Basta, agora, trocar os nomes das variáveis.

\ f-1: ¡* → ¡* | f-1(x) = 1
x

Exercícios de sala
26 Indique, dentre os diagramas a seguir, qual(is) representa(m) uma função invertível (ou inversível). Justifique
sua resposta.
a) b) c) d)d)
A BB A B A BB A B

27 Obtenha a lei de formação da função inversa de f(x) em cada caso a seguir, considerando domínios e con-
tradomínios convenientes:
1
a) f(x) = –2x + 4    b) f(x) = 3 x – 2     c) f(x) =      d) f(x) = x2 – 4
x–4

96 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


28 Em cada item a seguir está representado o gráfico da função f(x). Represente, no mesmo sistema de eixos,
o gráfico de f-1(x) e obtenha os valores de f-1(0) e f-1(5).
a) b)

y y f
f

O x O x

29 Considere a função f em cada caso a seguir e classifique-a quanto a inversibilidade (invertibilidade).


a) f: associa cada país da América Latina à sua capital. b) f: associa cada pessoa ao seu nome.

Exercícios propostos
30 (ENEM) Para comemorar o aniversário de uma cidade, um artista projetou uma escultura transparente e
oca, cujo formato foi inspirado em uma ampulheta. Ela é formada por três partes de mesma altura: duas
são troncos de cone iguais e a outra é um cilindro. A figura é a vista frontal dessa escultura.

No topo da escultura foi ligada uma torneira que verte água, para dentro dela, com vazão constante.
O gráfico que expressa a altura (h) da água na escultura em função do tempo (t) decorrido é
a) b) c) d) e)
h h h h h

t t t t t

Noções gerais sobre funções


97
31 (ENEM) Uma fundição de alumínio utiliza, como matéria-prima, lingotes de alumínio para a fabricação de
peças injetadas. Os lingotes são derretidos em um forno e o alumínio, em estado líquido, é injetado em
moldes para se solidificar no formato desejado. O gráfico indica as curvas de resfriamento do alumínio
fundido no molde para três diferentes fluidos refrigerantes (tipo I, tipo II e tipo III), que são utilizados
para resfriar o molde, bem como a curva de resfriamento quando não é utilizado nenhum tipo de fluido
refrigerante. A peça só pode ser retirada do molde (desmolde) quando atinge a temperatura de 100 °C.
Para atender a uma encomenda, a fundição não poderá gastar mais do que 8 segundos para o desmolde
da peça após a sua injeção.
700
600
Sem fluido refrigerante
500
Temperatura (°C)

400
300 I

200
100 II
III

0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20
Tempo de resfriamento (s)

Com a exigência para o desmolde das peças injetadas, qual(is) fluido(s) refrigerante(s) poderá(ão) ser
utilizado(s) no resfriamento?
a) Qualquer um dos fluidos do tipo I, II e III.
b) Somente os fluidos do tipo II e III.
c) Somente o fluido do tipo III.
d) Não será necessário utilizar nenhum fluido refrigerante.
e) Nenhum dos fluidos refrigerantes indicados atende às exigências.

32 (ENEM) Um reservatório é abastecido com água por uma torneira e um ralo faz a drenagem da água desse
reservatório. Os gráficos representam as vazões Q em litro por minuto, do volume de água que entra no
reservatório pela torneira e do volume que sai pelo ralo, em função do tempo t em minuto.
Q (L/min) Q (L/min)Q (L/min)
Torneira Ralo
20 20 20

5 5
t (min) t (min) t (min)
0 5 10 15 20 25 0 5 10 15 20 25
Em qual intervalo de tempo, em minuto, o reservatório tem uma vazão constante de enchimento?
a) De 0 a 10. b) De 5 a 10. c) De 5 a 15. d) De 15 a 25. e) De 0 a 25.

33 (ENEM) Em um exame, foi feito o monitoramento dos níveis de duas substâncias presentes (A e B) na
corrente sanguínea de uma pessoa, durante um período de 24h, conforme o resultado apresentado na
figura. Um nutricionista, no intuito de prescrever uma dieta para essa pessoa, analisou os níveis dessas
substâncias, determinando que, para uma dieta semanal eficaz, deverá ser estabelecido um parâmetro
cujo valor será dado pelo número de vezes em que os níveis de A e de B forem iguais, porém, maiores que
o nível mínimo da substância A durante o período de duração da dieta.
Substância A
Nivel

Substância B

0 24 Tempo (h)

98 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Considere que o padrão apresentado no resultado do exame, no período analisado, se repita para os
dias subsequentes.
O valor do parâmetro estabelecido pelo nutricionista, para uma dieta semanal, será igual a
a) 28. b) 21. c) 2. d) 7. e) 14.

34 (ENEM) O gráfico fornece os valores das ações da empresa XPN, no período das 10 às 17 horas, num dia
em que elas oscilaram acentuadamente em curtos intervalos de tempo.
Valor da Ação (em reais)
460
380
330
280
200
150
100
Tempo (em horas)
10 11 12 13 14 15 16 17

 Neste dia, cinco investidores compraram e venderam o mesmo volume de ações, porém em horários
diferentes, de acordo com a seguinte tabela.
Investidor Hora da compra Hora da venda
1 10:00 15:00
2 10:00 17:00
3 13:00 15:00
4 15:00 16:00
5 16:00 17:00
 Com relação ao capital adquirido na compra e venda das ações, qual investidor fez o melhor negócio?
a) 1 b) 2 c) 3 d) 4 e) 5

35 (ENEM) A Lei da Gravitação Universal, de Isaac Newton, estabelece a intensidade da força de atração entre duas
m m
massas. Ela é representada pela expressão F = G 1 2 2 onde m1 e m2 correspondem às massas dos corpos, d à
d
distância entre eles, G à constante universal da gravitação e F à força que um corpo exerce sobre o outro.
O esquema representa as trajetórias circulares de cinco satélites, de mesma massa, orbitando a Terra.
A

TERRA
B D

Qual gráfico expressa as intensidades das forças que a Terra exerce sobre cada satélite em função do tempo?
a) b) c) d) e)
A E A A B E D
B C C
Força

Força

C
Força

Força
Força

D B
D
B D E E A

Tempo Tempo Tempo


C C

D B
E A
Tempo Tempo

Noções gerais sobre funções


99
36 (UFOP-MG) Seja f:  → ; f(x) = x3
y

 Então podemos afirmar que


a) f é uma função par e crescente. d) f é uma função ímpar e bijetora.
b) f é uma função par e bijetora. e) f é uma função par e decrescente.
c) f é uma função ímpar e decrescente.

37 (UNIMONTES-MG) Considere r um número real positivo. Uma função f: ] – r, r [ →  é par quando, para


todo x ∈ ] –r, r[, f(–x) = f(x). Entre os gráficos a seguir, o único que tem o aspecto do gráfico de uma
função par é
a) b) c) d)
y y y y

0 x 0 x 0 x 0 x

38 (UNIFOR-CE) Neste plano cartesiano, estão representados os gráficos das funções y = f(x) e y = g(x), ambas
definidas no intervalo aberto ]0, 6[:
y
g
f g
f
3 4 5
0 1 2 6 x

g f

Seja S o subconjunto de números reais definido por S = {x ∈ ; f(x) . g(x) < 0}, então, é correto afirmar
que S é
a) {x ∈ ; 2< x < 3} ∪ {x ; 5< x < 6} d) {x ∈ ; 0< x < 1} ∪ {x ; 3< x < 6}
b) {x ∈ ; 1< x < 2} ∪ {x ; 4< x < 5} e) {x ∈ ; 0< x < 2} ∪ {x ; 3< x < 4}
c) {x ∈ ; 0< x < 2} ∪ {x ; 3< x < 5}

39 (UNIMONTES-MG) Entre os gráficos a seguir, o único que representa o gráfico de uma função é:
a) b) c) d)
y y y y

0 x 0 x 0 x 0 x

100 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


40 (UNIMONTES-MG) As tabelas a seguir representam algumas conjugações do verbo estar.
Tabela 1 Tabela 2 Tabela 3 Tabela 4
A B A B A B A B
eu estou eu estava eu estivesse eu estaria
tu estás tu estavas tu estivesses tu estarias
ele está ele estava ele estivesse ele estaria
nós estamos nós estávamos nós estivéssemos nós estaríamos
vós estais vós estáveis vós estivésseis vós estaríeis
eles estão eles estavam eles estivessem eles estariam
Das tabelas anteriores, a única que representa uma bijeção de A em B é a
a) Tabela 1.    b) Tabela 2.    c) Tabela 3.    d) Tabela 4.

41 (UFT-TO) Cada um dos gráficos a seguir representa uma função y = f(x) tal que f: Dr → [–3, 4]; Dr ⊂ [–3, 4].
Qual deles representa uma função bijetora no seu domínio?
a) b) c) d)
y y y y
4 4 4 4

2
1 1
-3 4 x -3 1 4 x -3 4 x -3 1 2 4 x

-3 -3 -3 -3

42 (UNIMONTES-MG) Todas as afirmações a seguir são corretas, exceto:


a) Toda função crescente é injetora. c) Toda função injetora é crescente.
b) Toda função decrescente é injetora. d) Existem funções injetoras que são decrescentes.

43 (UEG) O gráfico das funções y = f(x) e y = g(x) é mostrado na figura a seguir.

y
7 y = g(x)
6
5
4
3
2
1
x
-3 -2 -1 1 2 3
-1
-2
y = f(x)
-3
-4
-5

De acordo com o gráfico, verifica-se que o valor de g(f(2)) + f(g(0)) é


a) –2 b) 0 c) 1 d) 3

44 (ESPM-SP) Uma função f é definida apenas para números naturais, de modo que f(0) = 8, f(1) = 2 e
f(n – 1)
f(n) = f(n – 2) para n > 1. O valor de f(50) é:
a)  1 b)  1 c) 8 d) 2 e) 1
8 4
45 (ESPM-SP) O conjunto imagem de uma função inversível é igual ao domínio de sua inversa. Sendo f: A → B,
tal que f(x) = 2x – 1 uma função real inversível, seu conjunto imagem é:
x+1
a)  – {1}     b)  – {–1}     c)  – {–2}     d)  – {0}     e)  – {2}

Noções gerais sobre funções


101
46 (UNICAMP) A figura a seguir exibe o gráfico de uma função y = f(x).
y
5
4
3
2
1 x
0
-6 -5 -4 -3 -2 -1-1 0 1 2 3 4 5 6
-2
-3
-4
-5

Então, o gráfico de y = 2f(x – 1) é dado por


a) c)
y y
5 5
4 4
3 3
2 2
1 x 1 x
0 0
-6 -5 -4 -3 -2 -1-1 0 1 2 3 4 5 6 -6 -5 -4 -3 -2 -1-1 0 1 2 3 4 5 6
-2 -2
-3 -3
-4 -4
-5 -5

b) d)
y y
5 5
4 4
3 3
2 2
1 x 1 x
0 0
-6 -5 -4 -3 -2 -1-1 0 1 2 3 4 5 6 -6 -5 -4 -3 -2 -1-1 0 1 2 3 4 5 6
-2 -2
-3 -3
-4 -4
-5 -5

Exercícios de aprofundamento
47 Se a função f -1(x) é a inversa da função f: ] – ∞, 2] → [2, + ∞ [ | f(x) = x2 – 4x + 6, determine o valor de:
a) f -1(6) b) f -1(– 4)

48 (ITA-SP) Sejam X e Y dois conjuntos finitos com X ⊂ Y e X ≠ Y. Considere as seguintes afirmações:


I) Existe uma bijeção f: X → Y.
II) Existe uma função injetora g: Y → X.
III) O número de funções injetoras f: X → Y é igual ao número de funções sobrejetoras g: Y → X.
É(são) verdadeira(s)
a) nenhuma delas. c) apenas III. e) todas.
b) apenas I. d) apenas I e II.

49 (UFTM) A figura indica o gráfico da função contínua f, de domínio [–12, 16] e imagem [–5, 16].
y = f(x)
16

5
14 16
-12 -7 0 5 13 x
-2
-5

102 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 De acordo com o gráfico, o número de soluções da equação f(f(x)) = 5 é
a) 3. b) 4. c) 5. d) 6. e) 7.

50 (IBMEC-SP) O conjunto A = {1, 2, 3, 4, 5} foi representado duas vezes, na forma de diagrama, na figura a
seguir.

A1 A2
1 1
2 2
3 3
4 4
5 5

Para definir uma função sobrejetora f: A → A, uma pessoa ligou cada elemento do diagrama A1 com um
único elemento do diagrama A2, de modo que cada elemento do diagrama A2 também ficou ligado a um
único elemento do diagrama A1. Sobre a função f assim definida, sabe-se que:

• f(f (3)) = 2

• f(2) + f(5) = 9

 Com esses dados, pode-se concluir que f(3) vale


a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5.

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Noções gerais sobre funções


103
Cap.

3 Função Afim
3.1 Introdução

A
função afim tem uma vasta aplicação nos mais variados campos de atuação humana.
  Esse tipo de função é muito usado na modelagem de problemas de Física,
Química, Economia, dentre outros.
  Neste capítulo, será feito um estudo mais detalhado dessa função, no qual procu-
raremos mostrar algumas situações em que ela possa ser usada para modelar problemas.

3.2 Definição

F
ormalmente, função afim é toda função cuja lei de formação é dada por um binô-
mio do primeiro grau da abscissa x. De forma geral, temos, com a ∈ ¡* e b ∈ ¡:

f: ¡ → ¡ | f(x) = ax + b
Dependendo dos valores de a e b, temos as seguintes definições particulares:
1a) se b = 0 e a ≠ 0, a função afim é conhecida como Função Linear.

f(x) = ax

2a) se b = 0 e a = 1, a função afim é conhecida como Função Identidade.

f(x) = x
Exemplos:
• f(x) = 3x – 4    • f(x) = –8x + 20    • f(x) = 5x    • f(x) = – 3 x
2
Nota:
Se considerarmos o caso em que a = 0, teremos uma função constante f(x) = b. Não
daremos ênfase a esse caso, por não se tratar de uma função afim.

3.3 Gráfico

O
gráfico de uma Função Afim f(x) = ax + b com a ≠ 0 é uma reta inclinada em
relação aos eixos coordenados. Convencionalmente, dizemos que essa reta
forma com o eixo Ox um ângulo de medida a, tomado no sentido anti-ho-
rário.
Assim, temos dois casos a considerar: a pode ser agudo, ou seja, 0 < a < 90° (Fig. 1), ou
a pode ser obtuso, ou seja, 90° < a < 180° (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
y y

α α
x x
0 0
0o < α < 90o 90o < α < 180o

À tangente desse ângulo a, damos o nome de coeficiente angular da reta.

104 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


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 Taxa média de variação e coeficiente angular


Consideremos a Função Afim f(x) = ax + b e tomemos x1 e x2, tais que f(x1) = ax1 + b e f(x2) = ax2 + b.
Calculemos a taxa média de variação (M) dessa função no intervalo [x1, x2 ], como segue:
1o modo: (Algebricamente)
f(x2 ) – f(x1) ax2 + b – (ax1 + b)
M= x –x ⇒M= x2 – x 1
2 1
ax2 – ax1 a(x2 – x1)
M= x –x ⇒M= x –x
2 1 2 1 M=a
2o modo: (Grafi camente)
Como o gráfi co é uma reta inclinada em relação ao eixo Ox , temos dois casos a considerar:

1o caso: (0° < a < 90°)


Nesse caso, a reta forma com o eixo Ox um ângulo agudo.
y

f(x2) B

f(x1) α C
α x
0 x1 x2
0o < α < 90o ⇒ tg α > 0
^
O ângulo BA C do triângulo ABC mede a, pois AC // Ox . Nesse triângulo, temos:
f(x2 ) – f(x1)
tg a = BC ⇒ tg a = x 2 – x1
AC
tg a = M ⇒ tg a = a

2o caso: (90° < a < 180°)


Nesse caso, a reta forma com o eixo Ox um ângulo obtuso.
y

A
f(x1)

β B
f(x2)
C

β α x
0 x1 x2
90o < α < 180o ⇒ tg α < 0
^
O ângulo ABC do triângulo ABC mede b, pois AD // Ox . Além disso, b + a = 180° e tg a = – tg b.
f(x1) – f(x2 )
tg b = AC ⇒ tg b = x 2 – x1
CB
f(x2 ) – f(x1)
–tg a = – x 2 – x1 ⇒ –tg a = –M
tg a = M ⇒ tg a = a

Função Afim
105
Desse modo, concluímos que o coefi ciente angular da reta que representa o gráfi co da função
f(x) = ax + b é igual a a.
No caso da função constante, f(x) = b, o gráfi co é uma reta paralela ao eixo Ox (horizontal), a qual
estará acima desse eixo se b > 0 (Fig. 1) ou abaixo dele se b < 0 (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2

b f(x) = b
0

0 b f(x) = b

Saiba mais
A função Afim tem várias aplicações na Física.
No movimento uniforme (MU), a posição S em relação ao tempo t é dada por S = S0 + Vt, sendo S0 a posição inicial
(para t = 0) e V a velocidade (constante). Assim, o gráfico de S é uma reta inclinada com coeficiente angular V, e o de V é
uma reta paralela ao eixo dos tempos (Fig. 1 e Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
S V S V
t
S0 +V S0
S=
α V
S0 0 t
α
0 tg α = V t 0 t 0 tg α = V t V

No movimento uniformemente variado (MUV), a velocidade V em relação ao tempo t é dada por V = V0 + at, sendo
V0 a velocidade inicial (para t = 0) e a a aceleração (constante). Assim, o gráfico de V é uma reta inclinada com coeficiente
angular a, e o de a é uma reta paralela ao eixo dos tempos (Fig. 1 e Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
V a V a
t
+a V0
V0
V=
α a
V0 0 t
α
0 tg α = V t 0 t 0 tg α = V t a

3.4 Zero da Função Afim

C
omo já dissemos no capítulo anterior, para obtermos o(s) zero(s) de uma função f(x), fazemos,
algebricamente, f(x) = 0. Assim, para a função afim f(x) = ax + b, temos:
0 = ax + b ⇒ x = – b
a
\ – b é o zero de f(x) = ax + b
Exemplos: a
• f(x) = 4x + 8 • f(x) = –3x + 9
f(x) = 0 ⇒ 0 = 4x + 8 f(x) = 0 ⇒ 0 = –3x + 9
–8 = 4x ⇒ x = – 2 3x = 9 ⇒ x = 3

\ O zero de f(x) = 4x + 8 é –2 \ O zero de f(x) = –3x + 9 é 3

106 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios resolvidos
1 Esboce o gráfico de cada função a seguir:
a) f(x) = x + 3 b) f(x) = – 2 x + 4 c) f(x) = 1 x
3 4
Resolução:
Como vimos, toda função afim (f(x) = ax + b) tem, por representação gráfica, uma reta inclinada em
relação a Ox . Desse modo, para a construção do gráfico, basta obtermos dois de seus pontos. Geral-
mente, quando possível, os pontos (0, y) e (x, 0) são escolhidos, por serem aqueles nos quais o gráfico
corta os eixos coordenados.
a) Nesse caso, é conveniente obtermos os pontos (0, y) e (x, 0), como segue:
f(x) = x + 3 ⇒ y = x + 3
Para x = 0:  Para y = 0:
y = (0) + 3 ⇒ y = 3 0 = x + 3 ⇒ x = –3
Desse modo, o gráfico passa pelos pontos (0, 3) e (–3, 0).
y
f(x) = x + 3
3
\

3 0 x

b) Analogamente, temos:
f(x) = – 2 x + 4 ⇒ y = – 2 x + 4
3 3
Para x = 0:  Para y = 0:
y = – 2 (0) + 4 ⇒ y = 4 0=– 2 x+4⇒x=6
3 3
Então, o gráfico passa pelos pontos (0, 4) e (6, 0).
y
(0, 4)

x
0 (6, 0) f(x) = − 2 x + 4
3
c) Nesse caso, vamos notar que (0, y) e (x, 0) são, ambos, iguais a (0, 0). Assim, será conveniente obtermos
outro ponto, por exemplo (8, y).
f(x) = 1 x ⇒ y = 1 x
4 4
Para x = 0:  Para x = 8:
1
y= .0⇒y=0 y= 1 .8⇒y=2
4 4
Então, o gráfico passa pelos pontos (0, 0) e (8, 2)
y
(8, 2)
2
\

0 8 x

Função Afim
107
2 O gráfico da função f(x) = ax + b contém os pontos (2, 4) e (–6, 2). Obtenha a lei de f(x).

Resolução:
f(x) = ax + b ⇒ y = ax + b
Nesse caso, temos duas incógnitas a e b. Devemos, então, obter duas equações.
Usando os pontos dados, temos:
Ponto (2, 4):  Ponto (–6, 12):
4 = a(2) + b ⇒ 2a + b = 4 (I) 2 = a(– 6) + b ⇒ – 6a + b = 12 (II)
Resolvendo o sistema, formado por (I) e (II), obteremos a = –1 e b = 6.
\ A lei de formação é f(x) = – x + 6.
x + 4, se x < 3
3 Esboce o gráfico da função f(x) = .
2 – x, se x > 3
Resolução:
Por ser uma função com mais de uma sentença, devemos observar os domínios de cada uma. As sentenças
representam funções afins, então, para cada uma, obteremos dois pontos do gráfico:
f(x) = x + 4, se x < 3 f(x) = 8 – x, se x > 3
Para x = 3: f(3) = 3 + 4 ⇒ f(3) = 7 Para x = 3: f(3) = 3 + 4 ⇒ f(3) = 7
Para x = 0: f(0) = 0 + 4 ⇒ f(0) = 4 Para x = 5: f(5) = 8 – 5 ⇒ f(5) = 3
Assim, podemos esboçar separadamente o gráfico de cada sentença e, depois, aplicar os domínios cor-
respondentes, obtendo o gráfico de f(x).
y y
7 7

4
f(x) = x + 4, se x ≤ 3
3

0 3 x 0 3 8 x
y
7

4
3

0 3 8 x

Exercícios de sala
4 Esboce o gráfico de cada função a seguir, obtenha o seu zero e classifique-a quanto a sua taxa de cresci-
mento. 2 – x, se x < 0
a) f(x) = 3x – 9 b) f(x) = –5x + 10 c) f(x) = 2 + x, se 0 < x < 3 .
x, se x > 3

108 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


5 Considere cada gráfico retilíneo a seguir (de  em ) e obtenha a lei de formação da função associada a
ele.
a) b)
y f(x) y
g(x)

5
(0,2)

45o
0 x 15 x

6 A taxa de crescimento de uma determinada função afim f(x) é igual a 2 e seu gráfico contém o ponto (2, 4).
Qual é a lei de formação da função inversa de f(x)?

7 O gráfico retilíneo a seguir ilustra a variação da temperatura (T), em graus Celsius, de uma barra de metal
em função do tempo (t), em segundos (em condições controladas e durante os primeiros 300 segundos
indicados).
T(oC)

20

10

0 300 t(s)
-5

Nessas condições, considerando esses 300s, responda:


a) A barra foi aquecida ou resfriada? b) Em qual instante a temperatura da barra se anula?

Função Afim
109
8 Um taxista cobra R$ 10,00 a bandeirada (valor a ser pago independentemente do deslocamento que o táxi
fizer), acrescido R$ 1,50 por quilômetro rodado. Nessas condições, responda:
a) Qual é a expressão matemática que relaciona o preço P a ser pago por uma “corrida” de q quilômetros?
b) Qual é o preço a ser pago por uma corrida de 6 km?
c) Quantos quilômetros deverão ser rodados para que o preço da corrida seja de R$ 28,00?

3.5 Estudo de sinal da Função Afim

C
omo já vimos, estudar o sinal de uma função f(x) consiste em obter os intervalos dos valores de x
para os quais se tem f(x) < 0, f(x) = 0 ou f(x) > 0.
  Observemos que, no caso de uma função f(x) = ax + b, parte do gráfico fica acima do eixo Ox
(indicando que f(x) > 0), e parte fica abaixo desse eixo (Indicando que f(x) < 0).
y y

+
f(x) > 0 f(x) > 0
f(x) > 0 f(x) > 0
0 −−−−− +++++ + +++++ −−−−
x x x
f(x) < 0 −b −b −b f(x) < 0 − b f(x) < 0 x
a f(x) < 0 a a a
− −
a>0
a<0

Assim, temos os seguintes resultados para o estudo de sinal da função f(x) = ax + b:

b b
se x < – a , então f(x) < 0; se x < – a , então f(x) > 0;
b
Para a > 0 se x = – , então: f(x) = 0; Para a < 0 se x = – b , então: f(x) = 0;
a a
b b
se x > – a , então: f(x) > 0. se x > – a , então: f(x) < 0.

Com base nesses resultados, podemos associar o sinal da função afim ao sinal de seu coeficiente angu-
lar (a), conforme esquema prático a seguir:
sinal contrário ao de a mesmo sinal de a x
−b
a

Exemplos:
• f(x) = 3x + 12 • f(x) = –2x

Zero: Zero:
f(x) = 0 ⇒ 3x + 12 = 0 –2x = 0 ⇒ x = 0
3x = –12 ⇒ x = – 4

110 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Como a = 3, ou seja, a > 0, temos: Como a = –2, ou seja, a < 0, temos:

Estudo de sinal: Estudo de sinal:

−−−−−−−−−−− +++++++++++ x +++++++++++ −−−−−−−−−−− x


-4 0
f(x) < 0 ⇔ x < – 4 f(x) < 0 ⇔ x > 0
\ f(x) = 0 ⇔ x = 0
\ f(x) = 0 ⇔ x = – 4
f(x) > 0 ⇔ x > – 4 f(x) > 0 ⇔ x < 0

3.6 Inequações de 1o grau

C
omo consequência do estudo de sinal da função afi m, podemos resolver as inequações que envol-
vem expressões de primeiro grau em x.
Teoricamente, uma inequação é uma desigualdade que compara quaisquer duas expressões
(variáveis ou não). A resolução de uma inequação depende das expressões envolvidas. Para ine-
quações envolvendo apenas expressões de primeiro grau, o método de resolução é similar ao das equações.
Consiste em isolar a variável num membro, obtendo um intervalo a que ela pertença, por meio de opera-
ções de adição e de multiplicação.
A solução de uma inequação pode ser apresentada sob a forma de conjunto ou de intervalo numérico.

Exemplos:
• 42 + 5x < 22 • 9 – 5x > 2x – 5
42 + 5x < 22 ⇒ 5x < 22 – 42 9 – 5x > 2x – 5 ⇒ 9 + 5 > 2x + 5x
5x < –20 ⇒ x < –4 14 > 7x ⇒ x < 2

\ S = {x ∈ ¡ | x < –4} ou x ∈ ]–∞, –4[ \ S = {x ∈ ¡ | x < 2} ou x ∈ ]–∞, 2[

Exercício resolvido
9 Obtenha o domínio de cada função a seguir:

a) f(x) = x – 2 , de  em . b) f(x) = x + 2 , de  em .
4x–8

Resolução:
a) A única restrição para essa função é que não há, no campo dos números reais, raiz com índice par de
números negativos. Assim, temos:
x–2>0⇒x>2
\ S = {x ∈ ¡ | x > 2} ou x ∈ [2, +∞[

b) Nesse caso, além de não haver raiz com índice par de números negativos, no denominador não pode
ocorrer resultado nulo. Assim:
x–8>0⇒x>8
\ S = {x ∈ ¡ | x > 8} ou x ∈ ]8, + ∞[

 Inequações simultâneas
Consideremos as expressões E, F e G, tais que E < F < G. Nesse caso, dizemos que essas expressões
constituem uma inequação composta por duas inequações simultâneas.
De modo geral, essa sentença pode ser separada, constituindo um sistema com duas inequações, cuja
solução geral é obtida por meio da intersecção (simultaneidade) das soluções parciais.

Função Afim
111
Exemplo:
• 2x – 5 < x < 9 – 2x
Separando as inequações e dispondo os resultados parciais num esquema prático, temos:
2x – 5 < x (I)
2x – 5 < x < 9 – 2x ⇒ e
x < 9 – 2x (II)
(I) 2x – 5 ≤ x ⇒ x ≤ 5.

(II) x ≤ 9 – 2x ⇒ 3x ≤ 9 ⇒ x ≤ 3.

\ A solução é {x ∈  | x < 3} ou x ∈ ]– ∞, 3]

  Inequações-produto
Inequação-produto é toda inequação em que haja a preocupação com o sinal de um produ-
to de expressões variáveis. Assim, essa inequação compara um produto com o número 0 (zero).
Uma forma geral é do tipo E . F . ... . G >< 0.
Para resolver uma inequação dessa forma, estudamos os sinais de cada expressão e multiplicamos, con-
venientemente, os sinais obtidos.

Exemplos:
• (2x – 4) (3 – x) > 0
Primeiramente, encontremos os zeros dos fatores e, em seguida, estudaremos os sinais e aplicaremos a
multiplicação.

(I) 2x – 4 = 0 ⇒ x = 2.
(II) 3 – x = 0 ⇒ x = 3.

\ S = {x ∈  | 2 < x < 3}

• x(–x + 1) (x + 2) < 0
Primeiramente, vamos obter os zeros das expressões envolvidas e, em seguida, façamos o estudo de
sinais.

(I) x = 0
(II) –x + 1 = 0 ⇒ x = 1
(III) x + 2 = 0 ⇒ x = –2

\ S = {x ∈  | –2 < x < 0 ou x > 1}

 Inequações-quociente
Inequação-quociente é toda inequação em que haja preocupação com o sinal de um quociente. Uma
E1 . E2 . ... . En >
forma geral é do tipo < 0.
F1 . F2 . ... . Fm

112 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


O grande cuidado que deve ser tomado aqui é no denominador: os pontos que representam os zeros do
denominador são sempre vazios. Isso se justifica pelo fato de que a expressão do denominador não pode
ser nula. Observado isso, o processo de resolução é o mesmo das inequações-produto.

Exemplos:
(x – 2) (4x + 8)
• >0
(–x + 3)
Primeiramente, vamos obter os zeros das expressões envolvidas e, em seguida, façamos o estudo de
sinais.

I: (x – 2) = 0 ⇒ x = 2
II: (4x + 8) = 0 ⇒ x = –2
III: (–x + 3) = 0 ⇒ x = 3

\ S = {x ∈ ¡ | x < –2 ou 2 < x < 3}

• 1 >1
x–4
Primeiramente, vamos gerar uma inequação-quociente com 0 no segundo membro, equivalente à
inequação dada:
1 – 1 > 0 ⇒ 1 – (x – 4) > 0
x–4 x–4
1–x+4 >0⇒ 5–x >0
x–4 x–4
Agora, façamos como de costume:

5 – x = 0 ⇒ x = 5.
x – 4 = 0 ⇒ x = 4.

\ S = {x ∈ ¡ | 4 < x < 5}

Exercícios de sala
10 Resolva cada inequação a seguir:
a) x – 4 > 3x + 6 b) –x < x – 8 < 2 – x c) (x – 4) (–x + 6) < 0

Função Afim
113
11 Qual é o menor número inteiro que verifica cada inequação a seguir?
a) (x – 3)3 < 0 b) x + 1 > 1
(x + 1) (x – 4) 2x – 4

12 Obtenha o domínio de cada função a seguir:


3x – 4 4 x – 3 c) f(x) =
a) f(x) = b) f(x) = 4 x–3
2x – 6 4 x–4 x–4

13 Considere os gráficos das funções f (Fig. 1) e g (Fig. 2).


Fig. 1 Fig.2
y y
f
g
2
1

O 4 x -3 O x

Obtenha todos os valores de x, para os quais se tem


a) f > g b) f < g

114 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


14 Numa certa empresa, os empregados devem ter idade de 21 a 36 anos. Se Pedro nasceu em 1989, durante
quais anos ele poderá trabalhar nessa empresa?

15 Um sapateiro A cobra R$ 10,00 de mão de obra por qualquer serviço, mais R$ 6,00 por par de sapatos
consertado. Já o sapateiro B cobra R$ 16,00 de mão de obra, mais R$ 4,60 por par consertado. A partir de
quantos pares de sapato vale a pena optar pelo serviço do sapateiro B?

16 Dois estacionamentos vizinhos, o Fik-Aki e o Pare-Aki, apresentam os seguintes planos de pagamentos:


Fik-Aki: Pague R$ 10,00 pelas duas primeiras horas, e R$ 3,00 a mais por hora excedente.
Pare-Aki: Pague R$ 5,00 fixos, mais R$ 5,00 por hora de ocupação da vaga.
Nessas condições, a partir de quanto tempo de ocupação o plano da Pare-Aki é mais vantajoso? (Suges-
tão: esboce os gráficos.)

Exercícios propostos
17 (ENEM) Um produtor de maracujá usa uma caixa-d’água, com volume V, para alimentar o sistema de irri-
gação de seu pomar. O sistema capta água através de um furo no fundo da caixa a uma vazão constante.
Com a caixa-d’água cheia, o sistema foi acionado às 7h da manhã de segunda-feira. Às 13h do mesmo dia,
verificou-se que já haviam sido usados 15% do volume da água existente na caixa. Um dispositivo eletrô-
nico interrompe o funcionamento do sistema quando o volume restante na caixa é de 5% do volume total,
para reabastecimento.
 Supondo que o sistema funcione sem falhas, a que horas o dispositivo eletrônico interromperá o funcio-
namento?
a) Às 15h de segunda-feira. c) Às 14h de terça-feira. e) Às 21h de terça-feira.
b) Às 11h de terça-feira. d) Às 4h de quarta-feira.

18 (ENEM) Um investidor inicia um dia com x ações de uma empresa. No decorrer desse dia, ele efetua
apenas dois tipos de operações, comprar ou vender ações. Para realizar essas operações, ele segue estes
critérios:
I) vende metade das ações que possui, assim que seu valor fica acima do valor ideal (Vi);
II) compra a mesma quantidade de ações que possui, assim que seu valor fica abaixo do valor mínimo
(Vm);
(III) vende todas as ações que possui, quando seu valor fica acima do valor ótimo (Vo).

Função Afim
115
 O gráfico apresenta o período de operações e a variação do valor de cada ação, em reais, no decorrer
daquele dia e a indicação dos valores ideal, mínimo e ótimo.
Valor da ação (R$)
Vo

Vi

Vm

Tempo (hora)
10 11 12 13 14 15 16 17

Quantas operações o investidor fez naquele dia?


a) 3 b) 4 c) 5 d) 6 e) 7

19 (ENEM) Após realizar uma pesquisa de mercado, uma operadora de telefonia celular ofereceu aos clientes
que utilizavam até 500 ligações ao mês o seguinte plano mensal: um valor fixo de R$ 12,00 para os clien-
tes que fazem até 100 ligações ao mês. Caso o cliente faça mais de 100 ligações, será cobrado um valor
adicional de R$ 0,10 por ligação, a partir da 101a até a 300a; e caso realize entre 300 e 500 ligações, será
cobrado um valor fixo mensal de R$ 32,00.
Com base nos elementos apresentados, o gráfico que melhor representa a relação entre o valor mensal
pago nesse plano e o número de ligações feitas é:
a) d)
33 33
30 30
Valor mensal pago por

Valor mensal pago por

27 27
plano em reais

plano em reais

24 24
21 21
18 18
15 15
12 12
9 9
6 6
3 3
Número de Número de
0 50 100 150 200 250 300 350 400 0 50 100 150 200 250 300 350 400
ligações ligações

b) e)
33 33
30 30
Valor mensal pago por

Valor mensal pago por

27 27
plano em reais

plano em reais

24 24
21 21
18 18
15 15
12 12
9 9
6 6
3 3
Número de Número de
0 50 100 150 200 250 300 350 400 0 50 100 150 200 250 300 350 400
ligações ligações

c)
33
30
Valor mensal pago por

27
plano em reais

24
21
18
15
12
9
6
3
Número de
0 50 100 150 200 250 300 350 400 ligações

20 (ENEM) Certo município brasileiro cobra a conta de água de seus habitantes de acordo com o gráfico.
O valor a ser pago depende do consumo mensal em m3.
R$ Conta de água
25

15
10

0 10 15 25 m3

116 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Se um morador pagar uma conta de R$ 19,00, isso significa que ele consumiu
a) 16 m3 de água. b) 17 m3 de água. c) 18 m3 de água. d) 19 m3 de água. e) 20 m3 de água.

21 (ENEM) Uma empresa de telefonia fixa oferece dois planos aos seus clientes: no plano K, o cliente paga
R$ 29,90 por 200 minutos mensais e R$ 0,20 por cada minuto excedente; no plano Z, paga R$ 49,90 por
300 minutos mensais e R$ 0,10 por cada minuto excedente.
O gráfico que representa o valor pago, em reais, nos dois planos em função dos minutos utilizados é
a) c) e)
R$ R$ R$
Z
89,90 89,90 K 89,90 K
Z Z
79,90 79,90 79,90
69,90 K 69,90 69,90
59,90 59,90 59,90
49,90 49,90 49,90
39,90 39,90 39,90
29,90 29,90 29,90
min min min
0 100 200 300 400 500 0 100 200 300 400 500 0 100 200 300 400 500

b) d)
R$ R$

89,90 K 89,90 K

79,90 Z 79,90
Z
69,90 69,90
59,90 59,90
49,90 49,90
39,90 39,90
29,90 29,90
min min
0 100 200 300 400 500 0 100 200 300 400 500

22 (ENEM) O gráfico mostra o número de favelas no município do Rio de Janeiro entre 1980 e 2004, conside-
rando que a variação nesse número entre os anos considerados é linear.

750
573

372

1980 1992 2004


Favela Tem Memória. Época. N.o 621, 12 abr. 2010 (adaptado).

Se o padrão na variação do período 2004/2010 se mantiver nos próximos 6 anos, e sabendo que o
número de favelas em 2010 é 968, então o número de favelas em 2016 será
a) menor que 1 150. d) 177 unidades maior que em 2010.
b) 218 unidades maior que em 2004. e) maior que 1 200.
c) maior que 1 150 e menor que 1 200.

23 (UFRN) Na tabela a seguir, X representa dias, contados a partir de uma data fixa, e Y representa medições
feitas em laboratório, nesses dias, para estudo de um fenômeno.

X 1 5 20 100 ...
Y 5 25 100 500 ...

De acordo com a tabela, pode-se afirmar que as grandezas são


a) diretamente proporcionais e relacionadas por uma função quadrática.
b) inversamente proporcionais e relacionadas por uma função linear.
c) diretamente proporcionais e relacionadas por uma função linear.
d) inversamente proporcionais e relacionadas por uma função quadrática.

Função Afim
117
24 (ENEM) Os sistemas de cobrança dos serviços de táxi nas cidades A e B são distintos. Uma corrida de táxi
na cidade A é calculada pelo valor fixo da bandeirada, que é de R$ 3,45, mais R$ 2,05 por quilômetro ro-
dado. Na cidade B a corrida é calculada pelo valor fixo da bandeirada, que é de R$ 3,60, mais R$ 1,90 por
quilômetro rodado.
 Uma pessoa utilizou o serviço de táxi nas duas cidades para percorrer a mesma distância de 6 km.
Qual o valor que mais se aproxima da diferença, em reais, entre as médias do custo por quilômetro
rodado ao final das duas corridas?
a) 0,75 b) 0,45 c) 0,38 d) 0,33 e) 0,13

25 (PUC-RJ) Quantos números inteiros satisfazem simultaneamente as desigualdades 2x + 3 < x + 7 < 3x + 1?


a) 4 b) 1 c) 3 d) 2 e) 5

26 (FGV) Quantos números inteiros satisfazem a inequação (3x – 25)(5 – 2x) > 0?


a) 3 b) 4 c) 5 d) 6 e) 7

27 (PUC-RJ) A soma das soluções da inequação –x + 3 > 0 onde x pertence ao conjunto dos números natu-
2x – 1
rais é:
a) 3 b) 4 c) 5 d) 6 e) 8

28 (UEA-AM) Uma pequena empresa que fabrica camisetas verificou que o lucro obtido com a venda de seus
produtos obedece à função L(x) = 75x – 3 000, sendo L(x) o lucro em reais e x o número de camisetas ven-
didas, para 40 < x < 120. Para que o lucro da empresa chegue a R$ 4.000,00, o menor número de camisetas
a serem vendidas é
a) 97. b) 96. c) 95. d) 94. e) 93.

29 (FGV) Uma fábrica de panelas opera com um custo fixo mensal de R$ 9.800,00 e um custo variável por
panela de R$ 45,00. Cada panela é vendida por R$ 65,00. Seja x a quantidade que deve ser produzida e
vendida mensalmente para que o lucro mensal seja igual a 20% da receita.
A soma dos algarismos de x é:
a) 2 b) 3 c) 4 d) 5 e) 6

30 (UEFS-BA) Um estacionamento X cobra 6 centavos por minuto, até um valor máximo de R$ 40,00. Outro
estacionamento Y cobra uma tarifa fixa de R$ 5,00 por qualquer período até completar 1 hora, e, a partir
daí, cobra 5 centavos por minuto extra.
Com base nesses valores, só será mais vantajoso deixar o carro em Y do que em X, se for por um perío-
do de
a) 2h20min até 11h40min.
b) 2h20min até 13h20min.
c) 3h20min até 12h40min.
d) 3h20min até 13h20min.
e) 4h40min até 12h40min.

31 (UNIMONTES-MG) Em , o conjunto solução de 1 < 1 é


x – 1 2x + 1

a)  x ∈  x < – 1 ou 0 < x < 1


2

b) {x ∈  | x < –2}

c)  x ∈  x < –2 ou 1 < x < 1


2

d)  x ∈  x < – 1
2

118 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios de aprofundamento

32 (UFAM) A solução da equação trigonométrica 2 cos x – 5 sec x = 9 é igual a:

a) S = x = kp ± p ; k inteiro
4

b) S = x = kp ± p ; k inteiro
6

c) S = x = 2kp ± 2p ; k inteiro


3

d) S = x = 2kp ± p ; k inteiro


4

e) S = x = 2kp ± p ; k inteiro


6

33 (FUVEST-SP) Seja f a função que associa, a cada número real x, o menor dos números x + 3 e – x + 5. Assim,
o valor máximo de f(x) é:
a) 1 b) 2 c) 4 d) 6 e) 7

34 (ESPM-SP) A função que melhor se ajusta ao gráfico a seguir é:

y
2

1 x

2 2
a) f(x) =  x + 1 b) f(x) =  x – 1 c) f(x) =  x + 1 d) f(x) =  x2 + 1 e) f(x) =  x2 – 1
x–1 x–1 x–1 x –1 x –1

f(x + 1) – 1, se x < 2
35 (ESPM-SP) Uma função ƒ é tal que f(x) = . O valor de ƒ(4) é:
2f(x – 1), se x > 2
a) 2 b) 4 c) 6 d) 8 e) 10

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Função Afim
119
Cap.

4 Função Quadrática

4.1 Introdução

O
estudo da função quadrática é de grande importância para o entendimento de
alguns tópicos da Física e, também, para a modelagem de problemas de várias
áreas do conhecimento humano.

4.2 Definição e Lei de Formação

F
ormalmente, Função Quadrática é toda função em que a va-
riável dependente é dada por um trinômio do segun-
do grau da variável independente. De forma geral, temos, sendo
a ∈ * e {b, c} ⊂ , a seguinte lei de formação para essa função.

f: ¡ → ¡ | f(x) = ax2 + bx + c

Exemplo:
• f(x) = 3x2 – 4x + 1 • f(x) = 5x2 + 2x • f(x) = –x2 + 16 • f(x) = –2x2

4.3 Zeros

O
bservando a lei de formação da função quadrática f(x) = ax2 + bx + c, nota-
mos que, para obtermos seus zeros, basta resolvermos a equação de 2o grau
correspondente.
f(x) = 0 ⇒ ax2 + bx + c = 0
Desse modo, os zeros de uma função quadrática são as raízes de uma equação de
o
2 grau, as quais podem ser encontrados por meio da Fórmula de Bháskara:
ax2 + bx + c = 0 ⇒ x = – b ± D , sendo que D = b2 – 4ac (discriminante).
2a
Notemos que há uma raiz quadrada nessa fórmula, o que traz limitações quanto à
existência ou não dos zeros (das raízes) num domínio real. Conforme o sinal do discrimi-
nante D, temos as seguintes quantidades de zeros:

D > 0 ⇔ dois zeros reais distintos;


D = 0 ⇔ dois zeros reais iguais;
D < 0 ⇔ nenhum zero real.

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Ao leitor interessado na demonstração da fórmula de Bháskara, recomendamos acessar o link:


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120 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos:
• f(x) = x2 – 6x + 5 • f(x) = x2 – 4x + 4 • f(x) = –2x2 + 4x – 5

D = (–6)2 – 4 . 1 . 5 ⇒ D = 16 D = (– 4)2 – 4(1) . (4) ⇒ D = 0 D = 42 – 4(–2) . (–5) ⇒ D = –24


–(–6) ± 16 x=1 –(– 4) ± 0 – 4 ± –24
x= ⇒ x= =2 x= ⇒x∈
2.1 x=5 2 2 (–2)
\ Os zeros são x = 1 ou x = 5. \ x = 2 é o zero de f(x). \ Não há zeros reais.

Exercício resolvido
2
1 Seja f(x) = x2 – (m + 2)x + m uma função quadrática. Calcule m de modo que f(x):
4
a) Tenha zeros reais iguais  b) Tenha zeros reais e distintos  c) Não tenha zeros reais

Resolução:
A quantidade de zeros reais de f(x) = ax2 + bx + c se refere ao valor do discriminante (D = b2 – 4ac).
2
D = [–(m + 2)]2 – 4(1) m ⇒ D = (m + 2)2 – m2
4
2 2
D = m + 4m + 4 – m ⇒ D = 4m + 4

a) Zeros reas iguais ⇒ D = 0   b) Zeros reais e distintos ⇒ D > 0 c) Zeros não reais ⇒ D < 0
4m + 4 = 0 ⇒ m = –1 4m + 4 > 0 ⇒ m > –1 4m + 4 < 0 ⇒ m < –1
\ m = –1 \ {m ∈ ¡ | m > –1} \ {m ∈ ¡ | m < –1}

Exercícios de sala
2 Obtenha, caso haja, os zeros de cada função a seguir:
a) f(x) = x2 – 4x + 2      b) f(x) = 3x2 – 12x + 8      c) f(x) = –x2 + 64

3 Considere a função f(x) = x2 – 4x + k e obtenha o valor de k de modo que:


a) f(x) admita 3 como um de seus zeros. c) f(x) admita zeros reais e distintos.
b) f(x) admita zeros reais e iguais. d) f(x) não admita zeros reais e distintos.

Função Quadrática
121
4.4 Imagem

P
ara obter a imagem, lembremos que ela é formada por todas as ordenadas y que possuem um x
correspondente.
Em outras palavras, podemos dizer que são as ordenadas y tais que:
y = ax2 + bx + c ⇒ ax2 + bx + (c – y) = 0
Resolvendo a equação resultante, temos:
–b ± b2 – 4a(c – y) –b ± b2 – 4ac + 4ay
x= ⇒x=
2a 2a
Para que haja solução, a expressão dentro do radical não pode ser negativa. Assim:
b2 – 4ac + 4ay > 0 ⇒ 4ay > – (b2 – 4ac)
y > – D , se a > 0
4a
4ay > – D ⇒
y < – D , se a < 0
4a
Desse modo, temos duas possibilidades para a imagem:

1a) Se a > 0 ⇒ Im = y ∈  y > – D , indicando que o valor mínimo da função é y = – D .


4a 4a

2a) Se a < 0 ⇒ Im = y ∈  y < – D , indicando que o valor mínimo da função é y = – D .


4a 4a

4.5 Gráfico

G
eometricamente, o gráfi co de uma função quadrática é uma curva côncava chamada parábola.

Analisando a imagem da função quadrática, percebemos que há um valor extremo – D (o qual


4a
é mínimo se a > 0 e máximo se a < 0). Isso permite concluir que seu gráfi co admite um ponto
extremo V chamado de vértice (Fig. 1). A estrutura geométrica da parábola sugere que ela admite
um eixo de simetria e, o qual passa por V (Fig. 2).
Fig. 1 V Fig. 2 e V
a>o

a<o
V V e

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Ao leitor interessado na demonstração do fato de que o gráfico da função quadrática f(x) = ax2 + bx + c é representa-
do por uma parábola, recomendamos acessar o link http://cnec.lk/06dg.

 Coordenadas do vértice
Seja V(xV, yV) o par ordenado que representa o vértice da parábola representativa da função quadrática
f(x) = ax2 + bx + c. Substituindo (xV, yV) em f(x), temos:
yV = axV2 + bxV + c ⇒ – D = axV2 + bxV+ c
4a
Isolando xV, vamos obter xV = b .
2a

122 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Assim, temos:
\V= – b ;– D
2a 4a
Desse modo, o gráfi co da função quadrática pode ser uma parábola com concavidade voltada para cima
se a > 0 (Fig. 1) ou voltada para baixo se a < 0 (Fig. 2).
Fig. 1 y Fig. 2 y
yV V
a>0

xV
x xV x
yV a<0
V

De modo geral, dizemos que a função f(x) = ax2 + bx + c assume valor extremo – D para x = – b .
Esse valor é mínimo se a > 0 e máximo se a < 0. 4a 2a

Exercício resolvido
4 Considere todos números reais de soma 20.
a) Quais aqueles cujo produto é máximo? b) Qual é o produto máximo?

Resolução:
Sejam m e n os números procurados, cujo produto é P. Então:
m + n = 20 (I) P = m . n (II)
Fazendo m = 20 – n em (I) e substituindo em (II), temos:
P = (20 – n) . n ⇒ P = 20n – n2
A expressão que fornece P é do tipo f(x) = ax2 + bx + c, com a < 0, pois a = –1. Assim, essa função admite
valor máximo (Pmáx.) no vértice da parábola que a representa.
a) Queremos os valores de m e n para que o produto seja máximo. Estamos, então, interessados em obter
a abscissa do vértice da parábola representativa do gráfico de P = 20n – n.
Assim:
xV = – b ⇒ xV = –20
2a 2(–1)
xV = 10 ⇒ n = 10
m + 10 = 20 ⇒ m = 10
\ Os números são 10 e 10.

b) Queremos o valor do produto máximo. Estamos, então, interessados na ordenada do vértice da parábo-
la em questão. Assim:
202 – 4(–1) 0
yV = D ⇒ yV =
4a 4(–1)
400
yV = ⇒ Pmáx. = 100
–4 \ O produto máximo é 100.

5 Considere um terreno retangular de 28 m por 24 m (Fig. 1). Pretende-se pavimentar parte desse terreno e
gramar o restante, gastando-se o mínimo possível com gramado (que custa R$ 10,00 o metro quadrado).
 Considerando a simetria, a parte correspondente ao gramado é composta por um trapézio isósceles e
um quadrado (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
Pavimento

Pavimento
Gramado

24 cm

28 cm
Se as pretensões forem satisfeitas, qual será o gasto com o gramado?

Função Quadrática
123
Resolução:
Seja x a medida da parte quadrada do gramado (Fig. 1). Então esse gramado terá uma outra parte que
é um trapézio de bases x e 28 metros, com uma altura (24 – x) metros (Fig. 2).

Fig. 1 x Fig. 2 x
x x x x

x x
24 − x
28

Desse modo, a área (S) do gramado será:


2
S = 28 + x . (24 – x) ⇒ S = –x – 4x + 672
2 2
x 2 4x 672 x2
S=– – + ⇒ S = – 2x + 336
2 2 2 2
O gasto será mínimo quando essa área for mínima.

(–2)2 – 4 – 1 . (336)
2
Smín. = ⇒ Smín. = 338 m2
4 –1
2
Como cada metro quadrado custa R$ 10,00, o custo total mínimo (C) será:
C = 338 . 10 ⇒ C = 3 380
\ O gasto mínimo será de R$ 3.380,00.

  Construção do gráfico
Como vimos, o gráfi co da função f(x) = ax2 + bx + c é uma parábola.
Por ser uma curva que se estende ao infi nito a partir de seu vértice, a parábola nunca pode ser de-
senhada, a menos que indiquemos todos os seus pontos. Entretanto, na impossibilidade de tal processo
ser executado, basta escolhermos alguns pontos principais para esboçar o gráfi co da função quadrática.
Esses pontos podem ser o vértice, a intersecção com o eixo Ox (se houver) e a intersecção com eixo Oy .
Em geral, esses pontos, quando determinados, são sufi cientes para esboçar o gráfi co de uma função
quadrática. No entanto, considerando a simetria da curva, podemos escolher outros pontos para esboçar
esse gráfico.

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Exemplos:
• f(x) = x2 – 2x – 3
O gráfi co corta Oy no ponto (0, y) e Ox em seus zeros (x, 0):
b D
Vértice: V – ,–
2a 4a y = 02 – 2(0) – 3 ⇒ y = –3,
–2
xV = – ⇒ xV = 1 – (–2) ± (–2)2 – 4(1) (– 3)
2(1) x2 – 2x – 3 = 0 ⇒ x =
2
2(1)
yV = – (–2) – 4(1) (–3) ⇒ yV = –4 x= 2 ± 4 ⇒ x = 3 ou x = –1
4(1) 2

Assim, o vértice V = (1, – 4) e os pontos (0, –3) (3, 0) e (–1, 0) pertencem ao gráfi co a ser construído.

124 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Esses pontos já são sufi cientes para o esboço (Fig. 1). Podemos, no entanto, obter outros, usando
abscissas simétricas em relação ao vértice, que é xV = 1. Então, x = 0 e x = 2 são abscissas simétricas, bem
como x = –2 e x = 4.
Para x = 0, obtemos y = –3 Para x = –2, obtemos y = 5
Para x = 2, obtemos y = –3 Para x = 4, obtemos y = 5

De posse desses resultados, podemos elaborar uma tabela (Fig. 2) a qual indica que os pontos (2, –3),
(–2, 5) e (4, 5) também pertencem ao gráfi co (Fig. 3).
Fig. 1 y Fig. 2 Fig. 3 y
5 x y 5
4 1 −4 (Vértice V) 4
3 3
2 0 −3 2
1 2 −3 1
-2 1 2 -2 1 2
-1 0 3 4 x −1 0 (Zero) -1 0 3 4 x
3 0 (Zero)
-3 −2 5 -3
-4 4 5 -4
V V (1, -4)

Saiba mais
No movimento uniforme variado (MUV), a posição S em relação ao tempo t é dada por uma função quadrática
2
S = S0 + V0t + at2 , sendo S0 a posição inicial (Para t = 0), V0 a velocidade inicial (para t = 0) e a a aceleração (constante).
Desse modo, a representação gráfica de S é uma parábola de concavidade voltada para cima (se a > 0) ou, voltada para
baixo (se a < 0). O vértice indica o ponto mais próximo da origem no primeiro caso (Fig. 1) e mais afastado da origem no
segundo caso (Fig. 2).
Fig. 1 S Fig. 2 S
Smáx. V
S0
S0
Smín.
V
O t O t

Exercício resolvido
1, se x < –2
6 Esboce o gráfico da função f(x) = x, se –2 < x < 0 .
x2 – 4x + 3, se > 0
Resolução:
Trata-se de uma função com várias sentenças. Vamos esboçar separadamente o gráfico para cada sen-
tença e, em seguida, reuni-los num só.
f(x) = 1 é constante para x < –2 (Fig. 1)
f(x) = x é a função identidade para –2 < x < 0 (Fig. 2)
f(x) = x2 – 4x + 3 é a função quadrática de zeros 1 e 3, vértice (2, –1), cortando Oy no ponto (0, 3) para x > 0 (Fig. 3).
Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y
3
1
-2
-2 0 x 0 x 1
1 3
0 x
-1
-2

Função Quadrática
125
y

\ 1
1 2 3
-2 x
-1

-2

Exercícios de sala
7 Obtenha as coordenadas do vértice da parábola representativa de cada função quadrática a seguir, indique
a imagem dessa função e diga se o vértice é de máximo ou de mínimo.
a) f(x) = x2 – 6x + 5     b) f(x) = –2x2 + 8x – 5     c) f(x) = –x2 + 64

8 Esboce o gráfico de cada função quadrática a seguir e, a partir dele, indique a imagem da função.
a) y = x2 – 6x + 5 b) y = – 2x2 + 8x – 1 c) h(x) = x2 – 4

f(x) g(x) h(x)


y y y

x x x

126 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


9 Considere uma função quadrática f(x) = ax2 + bx + c. Em cada caso a seguir, obtenha o valor de f(5).
a) f(1) = 3, f(0) = 8 e f(–1) = 13 b)
y
3 f(x)

2
1

0 1 3 x
-1
V

10 Considere cada esboço gráfico de uma função f(x) = ax2 + bx + c a seguir e dê o sinal de cada parâmetro a, b e c.
a) b) c) d)
y y y y
V

V
O x O x V O x O x
V

11 Uma empresa produz e vende determinado tipo de produto. A quantidade que ela consegue vender varia
2
conforme o preço unitário de cada unidade vendida. Nesse sentido, com um preço unitário P = 50 – x ,
em reais, ela vende x unidades do produto. 2
Nessas condições, responda:
a) Na venda de x unidades desse produto, qual a função que modela a receita obtida?
b) Qual a renda obtida na venda de 20 unidades desse produto?
c) Quantas unidades devem ser vendidas para que a receita seja de R$ 1.050,00?
d) Quantas unidades devem ser vendidas para que a receita seja máxima?
e) Qual é a receita máxima possível de ser obtida pela empresa?

Função Quadrática
127
12 Considere que a temperatura (T) de uma certa substância líquida, ao longo do tempo, seja dada pela função
T(t) = k – 6t – t2. Nessa expressão, T é dado em °C e t é dado em horas.
 Sabendo que a substância atinge temperatura nula uma única vez e que ela se solidifica a uma tempe-
ratura de –15 °C, responda:
a) Qual o valor de k? b) A substância chega a se solidificar?

 Outras formas da Lei de Formação


A Lei de Formação da função quadrática f(x) = ax2 + bx + c pode ser expressa de três outras formas:
1a) Forma fatorada:
Se x1 e x2 são os zeros de f(x), então:
f(x) = a(x – x1) . (x – x2 ).

2a) Forma da soma e produto:


Se S é a soma e P é o produto dos zeros de f(x), então:
f(x) = a(x2 – Sx + P).

3a) Forma canônica:


Se xV e yV são as coordenadas do vértice, então:
f(x) = a(x – xV) + yV .

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Exemplos:
• f(x) = 3(x – 4) (x + 2) é a forma fatorada da função f(x) = 3x2 – 6x – 24, cujos zeros são –2 e 4.
• f(x) = (x + 1) (x – 2) é a forma fatorada da função f(x) = x2 + x – 2, cujos zeros são –1 e 2.
• f(x) = –2(x – 2)2 – 24 é a forma canônica da função f(x) = –2x2 + 8x + 16, cujo vértice é o ponto (2, –24).
• f(x) = (x – 4)2 – 1 é a forma canônica da função f(x) = x2 – 8x + 15, cujo vértice é o ponto (4, –1).
• f(x) = 3(x2 – 2x – 3) é a forma de soma e produto da função cujos zeros são –1 e 3.
• f(x) = x2 + 8x + 12 é a forma de soma e produto da função cujos zeros são –2 e –6.

Exercício resolvido
13 Em cada caso a seguir, obtenha a lei de formação da função quadrática f(x).
a) Os zeros são 1 e 3 e o gráfico passa por (2, 4). b) O vértice é (–1, 3) e o gráfico passa por (1, 0).

Resolução:
a) 1o modo: (Forma fatorada)
f(x) = a(x – x1) (x – x2) ⇒ f(x) = a(x – 1) (x – 3)
O gráfico passa por (2, 4), então, f(x) = 4 se x = 2
4 = a(2 – 1) (2 – 3) ⇒ 4 = a(1) (–1)
4 = –a ⇒ a = –4
f(x) = –4(x – 1) (x – 3) ⇒ f(x) = 4(x2 – 3x – x + 3)
f(x) = –4(x2 – 4x + 3) ⇒ f(x) = – 4x2 + 16x – 12

128 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2o modo: (Forma da soma e produto)
f(x) = a(x2 – Sx + P) ⇒ f(x) = a [x2 – (1 + 3)x + (1 . 3)]
f(x) = a(x2 – 4x + 3) ⇒ 4 = a(22 – 4 . 2 + 3)
4 = a(4 – 8 + 3) ⇒ a = – 4
f(x) = – 4(x2 – 4x + 3) ⇒ f(x) = – 4x2 – 16x + 12
\ f(x) = – 4x2 – 16x + 12
b) Usando a forma canônica, temos:
f(x) = a(x – xV)2 + yV ⇒ f(x) = a[x – (–1)]2 + 3
f(x) = a(x + 1)2 + 3 ⇒ 0 = a(1 + 1)2 + 3
0 = 4a + 3 ⇒ a = – 3
4
f(x) = – 3 (x + 1)2 + 3 ⇒ f(x) = 3 (x2 + 2x + 1) + 3)
4 4
f(x) = 3 x2 + 6x + 3 + 3 ⇒ f(x) = 3 x2 + 3 x + 15
4 4 4 4 2 4
\ f(x) = 3 x2 + 3 x + 15
4 2 4

Exercícios de sala
14 O gráfico de uma função quadrática f(x) corta os eixos nos pontos (1, 0), (3, 0) e (0, –2). Calcule f(4).

15 Considere os gráficos de f(x) em cada caso a seguir e obtenha sua lei de formação.
y y y
6
5 5

9
2

O 4 6 x O 6 x O 2 x

16 Os zeros da função quadrática f(x) = (x – m) (x – n) apresentam produto 5 e soma 6. Calcule esses zeros.

Função Quadrática
129
4.6 Estudo de sinal da função quadrática

O
bservemos os seis tipos genéricos de gráficos da função quadrática f(x) = ax2 + bx + c, cujo
discriminante é D, e analisemos os sinais para cada caso:

y y
0 x1 + x2 +++ x
a>0 x − − − x1 x2 − − −
+ +
∆>0 −
0 +++ −−−−+++ − a<0
x1 − x2 x x1 x2 x ∆>0

y 0 y x 1 = x2
a>0 x −−− −−− x
+ ∆=0 + x1 = x2
− a<0 −
0 +++ +++ ∆=0
x1 = x2 x x1 = x2 x

y
a>0 0 y
− x −−−−−−−−− x
+ ∆<0 +
− a<0 −
0 + ++++++++++
∆=0
x x

Nessas figuras, podemos perceber que o sinal de uma função quadrática depende do coeficiente a, bem
como do sinal do discriminante D, visto que este determina a quantidade de zeros da função. Desse modo,
podemos elaborar o seguinte esquema prático para o estudo de sinal dessa função:
mesmo sinal contrário mesmo
sinal de a ao de a sinal de a
∆>0 x1 x2 x

mesmo sinal de a mesmo sinal de a


∆=0 x1 = x2 x

mesmo sinal de a
∆<0 x

Notemos que o sinal só será contrário ao de a entre os zeros, ou seja, só haverá sinal contrário ao de a
se o discriminante for positivo. Em todos os outros casos e posições, o sinal é o mesmo de a.

Exemplos:
• f:  →  | f(x) = –x2 + 3 • f(x) = x2 – 3x + 2
Encontremos, inicialmente, os zeros da função:
f(x) = 0 ⇒ –x2 + 3 = 0 x2 – 3x + 2 = 0 ⇒ x = 1 ou x = 2
x2 = 3 ⇒ x = ± 3
Como a = –1 (a < 0), temos: Como a = 1 (a > 0), temos:
−−−−−− ++++++++++ −−−−−−
x ++++++ −−−−−−−−−− ++++++
− 3 3 1 2 x

f(x) < 0 ⇔ x < – 3 ou x > 3 f(x) < 0 ⇔ 1 < x < 2


\ f(x) = 0 ⇔ x = ± 3 \ f(x) = 0 ⇔ x =1 ou x = 2
f(x) > 0 ⇔ – 3 < x < 3 f(x) > 0 ⇔ x < 1 ou x > 2

130 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios resolvidos
17 Seja f(x) = x2 – 2x + k uma função positiva para todo x ∈ . Calcule k.

Resolução:
Para que a função f(x) = x2 – 2x + k, que tem a = 1 (ou seja, a > 0), seja positiva para todo x ∈ , devemos
impor que a função não tenha zero real, indicando que seu discriminante seja negativo. Assim:
a > 0 (já satisfeita, pois a = 1)
Condições:
D<0
D = b2 – 4ac ⇒ D = (–2)2 – 4(1)(k)
D = 4 – 4k ⇒ 4 – 4k < 0
– 4k < – 4 ⇒ k > 1
\ {k ∈ ¡ | k > 1}.

18 Considere a função f(x) = (2 + m)x2 + 6x + k, a qual assume valores positivos, exclusivamente, no intervalo
]1, 5[. Calcule os valores de m e de k.

Resolução:
Primeiramente, lembremos que o sinal da função f(x) = ax2 + bc + c é contrário ao sinal de a apenas no
intervalo entre os zeros dessa função.
Do enunciado, concluímos que 1 e 5 são os zeros da função e que o coeficiente de x2 deve ser negativo,
pois o sinal da função é positivo no intervalo ]1, 5[. Assim:
2 + m < 0 ⇒ m < –2 (I)
(2 + m) . 12 + 6 . 1 + k = 0 ⇒ m + k = –8 (II)
(2 + m) . 52 + 6 . 5 + k = 0 ⇒ 25m + k = –80 (III)
Resolvendo o sistema formado por II e III, temos m = –3 e k = –5. Como –3 < –2, o valor de m = –3
resolve a questão.
\ m = –3 e k = –5

 Inequações:
O estudo dos sinais de uma função quadrática é útil na resolução de inequações de 2o grau e na obten-
ção de domínios de algumas funções.
A abordagem e a solução de inequações de 2o grau são similares às apresentadas para inequações de 1o
grau. No entanto, no caso de inequações de 2o grau, devemos, sempre, fazer o estudo de sinais.

Exemplos:
• x2 > 9
x2 > 9 ⇒ x2 – 9 > 0

Estudemos o sinal da função f(x) = x2 – 9, correspondente à inequação x2 – 9 > 0, equivalente à inequa-


ção proposta. Nessa função, temos a = 1, indicando que a função é negativa no intervalo entre seus zeros,
pois a > 0.

Zeros:
x2 – 9 = 0 ⇒ x = ± 3

Sinais:

++++++ −−−−−−−− ++++++


-3 3 x

\ S = {x ∈ ¡ | x < – 3 ou x > 3}

Função Quadrática
131
• –x2 + 3x – 2 > 0
a = –1 ⇒ a < 0 (Indicando que a função é positiva no intervalo entre seus zeros).

Zeros:
x1 = 2 e x2 = 1

Sinais:
−−−−−− ++++++++ −−−−−−
1 2 x

Como f(x) > 0, temos que 1 < x < 2

\ S = {x ∈ ¡ | 1 < x < 2}

x2 – 5x + 4
• >0
x–3
Os zeros do numerador e do denominador são obtidos como segue:
x2 – 5x + 4 = 0 ⇒ x = 1 ou x = 4
x–3=0⇒x=3
O estudo de sinal é o seguinte:

\ S = {x ∈ ¡ | –1 < x < 3 ou x > 4}

Exercícios resolvidos
19 Considere as funções f(x) = x – 1 e g(x) = x2 – 5x – 6 e determine os valores de x para os quais ambas se
tenha f(x) > 0 e g(x) < 0.

Resolução:
f(x) < 0 ⇒ x – 1 > 0 g(x) < 0 ⇒ x2 – 5x – 6 < 0
Como se trata de inequações simultâneas, a solução geral é dada pela intersecção das soluções parciais.
f(x) < 0 ⇒ x – 1 > 0 (I)
Zeros: Sinais:
x–1=0⇒x=1
(I) −−−−−− +++++++++++++
1 x

x – 1 > 0 ⇒ SI = {x ∈  | x > 1}

g(x) < 0 ⇒ x2 – 5x – 6 < 0 (II)

Zeros: Sinais:
x = –1 ou x = 6 (II) ++++ −−−−−−−− ++++++
-1 6 x
x2 – 5x – 6 < 0 ⇒ SII = {x ∈  | –1 < x < 6}

132 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


A solução é dada por S = SI ∩ SII

\ S = {x ∈ ¡ | 1 < x < 6}

20 Qual é o domínio da função f(x) = x2 – 4x ?

Resolução:
O radicando não pode ser negativo. Assim, temos:
x2 – 4x > 0

Zeros: Sinais
x2 – 4x = 0 ⇒ x = 0 ou x = 4
+++++++ –––––––– +++++++
0 4 x

\ D = {x ∈ ¡ | x < 0 ou x > 4}

Exercícios de sala
21 Resolva as seguintes inequações:
a) x2 + 2x > 8 b) – x2 + 2x > 0 c) x2 – 9 > 0

22 Considere cada inequação a seguir e indique a menor solução inteira de cada uma.
2
a) 0 < x2 – 9 < 27 b) –x + 4x – 2 < 1
x–2

Função Quadrática
133
23 Estude, em função de m, a quantidade de zeros da função real f(x) = x2 – 4mx + 4m.

24 Qual é o maior valor inteiro de x, tal que a expressão E = (x2 – 4) . (–x2 + 4x) tenha significado no campo
dos números reais?

25 Para determinada empresa, a receita na venda de x centenas de determinado produto é dada por
R(x) = 100x – 2x 2, enquanto que o custo para produzi-las é dado por C(x) = –x2 + 70x + 125. Se o lucro
é a diferença entre R e C, nessa ordem, calcule para que níveis de produção a empresa terá prejuízo.

Exercícios propostos
26 (ENEM) Um túnel deve ser lacrado com uma tampa de concreto. A seção transversal do túnel e a tampa de
concreto têm contornos de um arco de parábola e mesmas dimensões. Para determinar o custo da obra,
um engenheiro deve calcular a área sob o arco parabólico em questão. Usando o eixo horizontal no nível
do chão e o eixo de simetria da parábola como eixo vertical, obteve a seguinte equação para a parábola:
y = 9 – x2, sendo x e y medidos em metros.
Sabe-se que a área sob uma parábola como esta é igual a 2 da área do retângulo cujas dimensões são,
3
respectivamente, iguais à base e à altura da entrada do túnel.
Qual é a área da parte frontal da tampa de concreto, em metro quadrado?
a) 18 b) 20 c) 36 d) 45 e) 54
27 (ENEM) Dispondo de um grande terreno, uma empresa de entretenimento pretende construir um espaço
retangular para shows e eventos, conforme a figura.
Palco

Área para o público y (metro)

x (metro)

134 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


A área para o público será cercada com dois tipos de materiais:
• nos lados paralelos ao palco será usada uma tela do tipo A mais resistente, cujo valor do metro linear é
R$ 20,00;
• nos outros dois lados será usada uma tela do tipo B comum, cujo metro linear custa R$ 5,00.
A empresa dispõe de R$ 5.000,00 para comprar todas as telas, mas quer fazer de tal maneira que obte-
nha a maior área possível para o público. A quantidade de cada tipo de tela que a empresa deve comprar é
a) 50,0 m da tela tipo A e 800,0 m da tela tipo B. d) 125,0 m da tela tipo A e 500,0 m da tela tipo B.
b) 62,5 m da tela tipo A e 250,0 m da tela tipo B. e) 200,0 m da tela tipo A e 200,0 m da tela tipo B.
c) 100,0 m da tela tipo A e 600,0 m da tela tipo B.

28 (ENEM) Um estudante está pesquisando o desenvolvimento de certo tipo de bactéria. Para essa pesqui-
sa, ele utiliza uma estufa para armazenar as bactérias. A temperatura no interior dessa estufa, em graus
Celsius, é dada pela expressão T(h) = –h2 + 22h – 85, em que h representa as horas do dia. Sabe-se que
o número de bactérias é o maior possível quando a estufa atinge sua temperatura máxima e, nesse mo-
mento, ele deve retirá-las da estufa. A tabela associa intervalos de temperatura, em graus Celsius, com as
classificações: muito baixa, baixa, média, alta e muito alta.
Intervalos de temperatura (°C) Classificação
T<0 Muito baixa
0 < T < 17 Baixa
17 < T < 30 Média
30 < T < 43 Alta
T > 43 Muito alta
 Quando o estudante obtém o maior número possível de bactérias, a temperatura no interior da estufa
está classificada como
a) muito baixa. b) baixa. c) média. d) alta. e) muito alta.

29 (ENEM) Uma pequena fábrica vende seus bonés em pacotes com quantidades de unidades variáveis. O lu-
cro obtido é dado pela expressão L(x) = −x2 + 12x − 20, onde x representa a quantidade de bonés contidos
no pacote. A empresa pretende fazer um único tipo de empacotamento, obtendo um lucro máximo. Para
obter o lucro máximo nas vendas, os pacotes devem conter uma quantidade de bonés igual a
a) 4. b) 6. c) 9. d) 10. e) 14.

30 (UEMG) Seja p(x) um polinômio do 2o grau, satisfazendo as seguintes condições:


• –1 e 4 são raízes de p(x). • p(5) = –12.
 O maior valor de x para o qual p(x) = 8 é
a) 0. b) 3. c) 6. d) 12.

31 (UEPB) O gráfico da função f:  →  dada por f(x) = mx2 + nx + p com m ≠ 0 é a parábola esboçada a
seguir, com vértice no ponto V. Então podemos concluir corretamente que:
y
V

0 x

a) m < 0, n < 0 e p < 0. c) m < 0, n < 0 e p > 0. e) m > 0, n > 0 e p > 0.


b) m < 0, n > 0 e p > 0. d) m > 0, n < 0 e p > 0.

32 (FGV) Dadas as funções reais f(x) = x e g(x) = 2 , o conjunto solução da inequação f(x) < g(x) é:
x–1
a) {x ∈  | x < –1 ou x > 2} d) {x ∈  | x < 1 ou x > 2}
b) {x ∈  | x < –1 ou 1 < x < 2} e) {x ∈  | 1 < x < 2}
c) {x ∈  | x > 1 ou x < 2}

Função Quadrática
135
33 (UNIFESP) A figura mostra um arco parabólico ACB de altura CM = 16 cm, sobre uma base AB de 40 cm. M
é o ponto médio de AB.
C

A M B

 A altura do arco em centímetros, em um ponto da base que dista 5 cm de M, é:


a) 15. b) 14. c) 13. d) 12. e) 10.
2
34 (UFJF-MG) Os valores de x que satisfazem à inequação x – 2x – 3 > 0 pertencem a:
x–2
a) [–1, 2) ∪ [3, ∞). b) (–1, 2] ∪ [3, ∞). c) [1, 3]. d) [–3, 2). e) [–3, –2] ∪ (2, ∞).

35 (UNESP) Todos os possíveis valores de m que satisfazem a desigualdade 2x2 – 20x + 2m > 0, para todo x
pertencente ao conjunto dos reais, são dados por
a) m > 10. b) m > 25. c) m > 30. d) m < 5. e) m < 30.

36 (PUC-SP) Para abastecer seu estoque, um comerciante comprou um lote de camisetas ao custo de 16 reais
a unidade. Sabe-se que em um mês, no qual vendeu (40 – x) unidades dessas camisetas ao preço unitário
de x reais, o seu lucro foi máximo. Assim sendo, pela venda de tais camisetas nesse mês, o percentual de
aumento repassado aos clientes, calculado sobre o preço unitário que o comerciante pagou na compra do
lote, foi de:
a) 80% b) 75% c) 60% d) 45%

37 (UEMG) O lucro de uma empresa é dado pela expressão matemática L = R – C, onde L é o lucro, C o custo
da produção e R a receita do produto.
Uma fábrica de tratores produziu n unidades e verificou que o custo de produção era dado pela função
C(n) = n2 – 1 000n e a receita representada por R(n) = 5 000n – 2n2.
Com base nas informações anteriores, a quantidade n de peças a serem produzidas para que o lucro
seja máximo corresponde a um número do intervalo
a) 580 < n < 720 b) 860 < n < 940 c) 980 < n < 1 300 d) 1350 < n < 1 800

38 (FUVEST) A trajetória de um projétil, lançado da beira de um penhasco sobre um terreno plano e hori-
zontal, é parte de uma parábola com eixo de simetria vertical, como ilustrado na figura a seguir. O ponto P
sobre o terreno, pé da perpendicular traçada a partir do ponto ocupado pelo projétil, percorre 30 m desde
o instante do lançamento até o instante em que o projétil atinge o solo. A altura máxima do projétil, de
200 m acima do terreno, é atingida no instante em que a distância percorrida por P, a partir do instante do
lançamento, é de 10 m. Quantos metros acima do terreno estava o projétil quando foi lançado?

P
a) 60 b) 90 c) 120 d) 150 e) 180

39 (UNICAMP) Seja (a, b, c) uma progressão geométrica de números reais com a ≠ 0. Definindo S = a + b + c,


o menor valor possível para S é igual a
a
1
a)  . b)  2 . c)  3 . d)  4 .
2 3 4 5

136 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


40 (MACKENZIE) Na figura, temos o gráfico da função real definida por y = x2 + mx + (8 – m). O valor de k + p é
y

k x
a) –2 b) 2 c) –1 d) 1 e) 3

41 (FUVEST-SP) Suponha que um fio suspenso entre duas colunas de mesma altura h, situadas à distância d
(ver figura), assuma a forma de uma parábola.

h h

d
Suponha também que
(I) a altura mínima do fio ao solo seja igual a 2;
(II) a altura do fio sobre um ponto no solo que dista d de uma das colunas seja igual a h .
4 2
Se h = 3 d , então d vale:
8
a) 14 b) 16 c) 18 d) 20 e) 22

Exercícios de aprofundamento
42 Seja f(x) = mx2 – (1 – m)x – m uma função quadrática, cujos zeros são x1 e x2, com x1 < x2. Calcule m de
modo que se tenha x1 < 1 < x2.

43 (ESPM-SP) As paredes da cabana representada a seguir foram construídas com ripas verticais de madeira
e a porta tem a forma de um arco de parábola. De acordo com as medidas apresentadas na figura, o com-
primento da menor ripa de madeira usada é de:

1m
1m
1m
1m 1m 1m 1m 3m

a) 1 m b) 92,5 cm c) 90 cm d) 85 cm e) 87,5 cm

44 (IBMEC-SP) Considere a expressão algébrica E, dada por E = t3 – 10t2 – 49t + 490.


O conjunto de todos os valores inteiros e positivos da variável t para os quais E assume um valor negativo
a) é vazio. c) possui 2 elementos. e) possui 4 elementos.
b) possui um único elemento. d) possui 3 elementos.
x2 – 4x + 4, se 1 < x < p
45 (IBMEC-SP) Considere a função f, definida no intervalo [1; 7[, dada pela lei f(x) = 2 .
f(p) será o valor mais alto de f(x) somente se x – 12x + 36, se p < x < 7
a) 1 < p < 2.    b) 1 < p < 3.    c) 2 < p < 5.    d) 3 < p < 6.    e) 4 < p < 7.

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Função Quadrática
137
Cap.

5 Noções sobre módulo e


Função modular

5.1 Introdução

N
esta unidade, estudaremos aspectos relativos ao valor absoluto de um número ou de uma variá-
vel, ou, ainda, de uma expressão variável.
  O estudo do módulo de expressões variáveis possibilitará a apresentação e o estudo da função
modular.
Para tanto, vamos iniciar com a ideia de módulo (valor absoluto) de um número.

5.2 Definição geométrica do módulo de um número real

C
omo já vimos, para representar um número real na reta numérica, tomamos um ponto cuja distân-
cia até a origem, a qual representa o número 0 (zero), tenha comprimento dado por esse número.
  De modo geral, para um número real n, a medida dessa distância é chamada módulo de n ou
valor absoluto de n. Indicamos o módulo de n por |n|.
Desse modo, o módulo de um número não nulo é sempre positivo, visto que representa a distância
desse número até a origem (número zero). Evidentemente, o módulo de zero é zero, ou seja, |0| = 0.

Exemplos:
• A distância do número –8 até a origem é 8, e a distância do número 12 até a origem é 12. Desse modo,
dizemos que o módulo de –8 é |–8| = 8, e o de 12 é |12| = 12.

|-8| = 8 |12| = 12
-8 0 12 -8 0 12
u x u x
8 unidades 12 unidades

• Os números 3 e –3 têm, ambos, o mesmo módulo que é 3, pois ambos distam 3 unidades da origem (zero).

|−3| = 3 |3| = 3

-3 0 x 0 3 x

5.3 Definição algébrica do módulo de um número real

F
ormalmente, para definirmos o módulo de um número x, indicamos por |x|, de acordo com a
seguinte sentença:

x, se x > 0
|x| =
–x, se x < 0

Exemplos:
• 
|– 4| •  |4|
|– 4| = –(–4) ⇒ |– 4| = 4, pois –4 < 0 |4| = 4, pois 4 > 0

138 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercício resolvido
1 Calcule o módulo de cada número x a seguir:
a) x = 2 – 1 b) x = 1 – 2

Resolução:
a) Como 2 ≅ 1,4, teremos que 2 – 1 > 0. Então, seu módulo é igual ao próprio número.

\ | 2 – 1| = 2 – 1

b) Como 2 ≅ 1,4, teremos que 1 – 2 < 0. Então, seu módulo será igual ao seu simétrico.
|1 – 2| = –(1 – 2) ⇒ |1 – 2| = –1 + 2

\ |1 – 2| = 2 – 1

 Propriedades do módulo
A partir da definição de módulo, é possível demonstrar as propriedades que seguem, para {x, y} ⊂ .
• |x| > 0 • |xn | = |x|n, n ∈ 
• |x| > x • |x|n = xn, com n ∈ {0, 2, 4, ...}
• |x . y| = |x| . |y| • |x + y| < |x| + |y|
x |x|
• y = • |x – y| > |x| – |y|
|y|
O uso dessas propriedades facilita bastante a resolução de alguns exercícios, em especial os que deman-
dam operações mais complexas que envolvem módulos.

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5.4 Módulo de expressão algébrica

D
ada uma expressão algébrica E, a qual representa números reais, seu módulo é |E| e pode ser
obtido com base na definição algébrica do módulo de um número real.
Nesse sentido, ao utilizarmos essa defi nição, estaremos decompondo o módulo dessa expres-
são, como segue:
E, se E > 0
|E| =
– E, se E < 0
Exemplos:
• |x + 4|
Aplicando a decomposição, temos:
x + 4, se x + 4 > 0
|x + 4| =
– (x + 4), se x + 4 < 0
x + 4, se x > – 4
\ |x + 4| = – x – 4, se x < – 4

• |x2 – 2x|
Aplicando a decomposição, temos:
x2 – 2x, se x2 – 2x > 0 x2 – 2x, se x2 – 2x > 0
|x2 – 2x| = ⇒ |x 2 – 2x| =
–x2 + 2x, se x2 – 2x < 0
– (x2 – 2x), se x2 – 2x < 0

Noções sobre módulo e Função modular


139
Devemos, agora, fazer o estudo de sinal da expressão x2 – 2x, a qual se encontra dentro do módulo.

++++++++0 ––––– 2++++++++


x2 – 2x = 0 ⇒ x = 0 ou x = 2
x2 – 2x –x2 + 2x x2 – 2x

x2 – 2x, se x < 0 ou x > 2


\ |x2 – 2x| =
– x2 + 2x, se 0 < x < 2

Exercícios de sala
1 Analise cada afirmação a seguir e classifique-a em verdadeira (V) ou falsa (F).
a) |–8| = 8 ( ) c) –|– 14| = 14 ( ) e) |2 – p| = 2 – p ( )
b) –|4| = – 4 ( ) d) |p – 2| = p – 2 ( ) f) |– |–18|| = 18 ( )

2 Considere seus conhecimentos de módulo e a definição de raiz quadrada em ¡. Com base nesses concei-
tos, indique, em função de x, o valor de x2 , justificando sua resposta.

3 Julgue as afirmativas a seguir, como verdadeiras (V) ou falsas (F).


a) 32 = ± 3. ( )    c) –(32) = –3. ( )    e) |5 – 3 | = 5 – 3 . ( )
b) –32 = 3. ( )     d) (–32) = 3. ( ) f) |1 – 3 | = 3 – 1. ( )

4 Sejam a e b dois números reais e não nulos. Quantos são os valores possíveis para a expressão indicada
| a | | b| | ab|
por E = + + ?
a b ab

5 Decomponha, de acordo com a definição, cada expressão a seguir:


a) E = |x – 3| b) E = 3 – | x | c) E = |32 – 2x2|

140 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


5.5 Função modular elementar

F
unção modular elementar é a função real que associa cada número real ao seu módulo. Assim, para
essa função, temos a seguinte lei de formação:

f: ¡ → ¡ | f(x) = |x|

Considerando que o módulo de uma expressão pode ser decomposto em duas sentenças, a função modu-
lar pode ser decomposta da seguinte maneira:
x, se x > 0
f(x) = |x| ⇒ f(x) =
–x, se x < 0

  Gráfico da função modular elementar


Da definição, concluímos que a função modular é não negativa para todo x ∈ , ou seja, f(x) > 0. Desse
modo, percebemos que f(x) tem um ponto mínimo, que é o de ordenada nula. Mediante a Lei de Formação,
concluímos que a abscissa desse ponto é x = 0, ou seja, o vértice é o ponto (0, 0). Considerando as senten-
ças parciais obtidas com a decomposição da função modular, podemos representar graficamente cada uma
das sentenças (Fig. 1 e Fig. 2) e, depois, reuni-las num só gráfico (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3


y y y

x
0

f(x
f(x

)=
x≥

)=
)=

f(x
se

-x
-x
,s
x,

e
)=

x<
f(x

0 x 0 x 0 x

 Composições
Existem funções compostas obtidas a partir da função modular elementar. Para essas funções, aplica-
mos a decomposição e, a partir dessa decomposição, podemos esboçar seu gráfico.

Exemplos:
• f(x) = |2x – 4|
2x – 4, se 2x – 4 > 0 2x – 4, se x > 2 (I)
|2x – 4| = ⇒ f(x) =
–(2x – 4), se 2x – 4 < 0 –2x + 4, se x < 2 (II)
Construindo os gráficos das sentenças I (Fig. 1) e II (Fig. 2), podemos agrupá-los, obtendo o gráfico de
f(x) (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
y y y
4 4

0 2 x 0 2 x 0 2 x

-4

• f(x) = |2x – 4| + 1

Vamos decompor a expressão de f(x):

f(x) = 2x – 4 + 1, se 2x – 4 > 0 ⇒ f(x) = 2x – 3, se x > 2 (I)


–2x + 4 + 1, se 2x – 4 < 0 5 – 2x, se x < 2 (II)

Noções sobre módulo e Função modular


141
Esboçaremos os gráfi cos das sentenças I (Fig. 1) e II (Fig. 2). Reunido-os, obtemos o esboço do grá-
fi co da função (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
y y y
3 3 3
2 2 2
1 1 1
0 1 2 3 x 0 1 2 3 x 0 1 2 3 x

• f(x) = |x2 – 2x|


x2 – 2x, se x2 – 2x > 0 x2 – 2x, se x < 0 ou x > 2 (I)
|x2 – 2x| = ⇒ f(x) =
–(x2 – 2x), se x2 – 2x < 0 –x2 + 2x, se 0 < x < 2 (II)
Agrupando os gráficos parciais I (Fig. 1) e II (Fig. 2), obtemos os gráfi cos da função (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
y y y

1 1
1 2
2 x 1 x 1 2 x
-1

Exercícios de sala
6 Esboce o gráfico da função f(x) = |x – 1|, como é pedido a seguir:
a) por decomposição do módulo. b) por reflexão.

7 Esboce o gráfico de cada uma das funções a seguir e, a partir dele, indique sua imagem.
a) f(x) = |x – 1|    b) f(x) = 6 – |3x|    c) f(x) = |x2 – 1|    d) f(x) = x2 – 2|x|

142 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


8 Sabe-se da Óptica Geométrica que um raio de luz que incide num espelho plano se reflete simetricamente
em relação à normal (Fig. 1).
Desse modo, considere que um raio luminoso passe pelo ponto P(0, 6) e incida no ponto Q(4, 0), si-
tuado na superfície de um espelho plano, representado pelo eixo Ox (Fig. 2) e se reflita segundo a lei da
reflexão (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
Normal y y
P (0,6) P

0 Q (0,4) x 0 Q x
Qual a lei de formação de uma função f(x) cujo gráfico coincide com a trajetória desse raio em seu per-
curso total?

5.6 Equações modulares

C
hamamos de equação modular toda equação na qual a incógnita está submetida a um ou mais mó-
dulos.
  A resolução desse tipo de equação se baseia na definição e na decomposição de expressões
modulares. Nesse sentido, sendo E uma expressão e k um número real, temos:
k, se E > 0
|E| = k ⇒ E = , com k > 0
–k, se E < 0
Esse resultado pode ser estendido para o caso de, no segundo membro, haver uma outra expressão
variável.
Nesse caso, inicialmente, devemos impor a condição de que essa expressão seja positiva (pois a expres-
são em módulo no primeiro membro é, necessariamente, positiva).

Exemplos:
• |2x – 5| = 7 • |x|2 + 2|x| – 15 = 0
|2x – 5| = 7 ⇒ 2x – 5 = ±7 Fazendo |x| = t, com t > 0, temos:
2x – 5 = 7 ⇒ x = 6 t2 + 2t – 15 = 0 ⇒ t = –5 (não convém) ou t = 3
ou Como |x| = t e t = 3, temos:
2x – 5 = –7 ⇒ x = –1 |x| = 3 ⇒ x = 3 ou x = –3

\ S = {–1, 6} \ S = {–3, 3}

• |3x – 12| = x + 2 • |x2 – 2| = x


Para x + 2 > 0, temos x > –2 Impondo a condição x > 0, temos:
|3x – 12| = x ⇒ 3x – 12 = ±(x + 1) |x2 – 2| = x ⇒ |x2 – 2| = ±x
3x – 12 = x + 2 ⇒ x = 7 (Ok)
ou (I) x2 – x – 2 = 0 ⇒ x = –1 (não convém) ou x = 2.
3x – 12 = –x – 2 ⇒ x = 5
2 (II) x2 + x – 2 = 0 ⇒ x = –2 (não convém) ou x = 1.

\ S = 5, 7 \ S = {1, 2}
2

Noções sobre módulo e Função modular


143
Exercícios de sala
9 Resolva as equações modulares a seguir:
a) |x – 6| = 10 b) |x2 + 6x – 1| = 6 c) |x + 1| = 2x – 5

10 Considere a função f(x) = x2 – 4|x| – 5 e obtenha:


a) os seus zeros; b) a solução para f(x) = 0.

5.7 Inequações modulares

À
semelhança das equações modulares, as inequações modulares são aquelas que têm sua incóg-
nita submetida a um ou mais módulos.
Antes de passarmos à resolução dessas inequações, é conveniente lembrarmos que o módulo
de um número representa a distância desse número até a origem (zero). Baseados nesse fato,
vamos analisar alguns aspectos que podem ajudar sua compreensão dessas inequações.
1o) Os números reais cujos módulos valem k, com k > 0, são –k e k (Fig. 1).
2o) Todo número real situado entre –k e k apresenta módulo menor que k (Fig. 2).
3o) Todo número real situado à esquerda de –k ou à direita de k apresenta módulo maior que k (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3


-k 0 k -k 0 k -k 0 k
|x| = k ⇒ x = -k ou x = k x |x| < k ⇒ x = -k < x < k x |x| > k ⇒ x < -k ou x > k x
Alternativamente, podemos visualizar as desigualdades analisando o gráfi co da função f(x) = |x |.

y y y

k k

-k k x -k k x -k k x
|x| = k ⇒ x = -k ou x = k |x| < k ⇒ -k < x < k |x| < k ⇒ x < -k ou x > k

Esses resultados podem ser estendidos, convenientemente, para desigualdades envolvendo expressões
modulares.

144 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos:
• |x| < 2 e |x| > 2
Qualquer número cujo módulo é menor que 2 será um daqueles cuja distância até o zero é menor que 2.
Tais números estão situados entre –2 e 2, ou seja, –2 < x < 2. (Fig. 1)
Qualquer número cujo módulo é maior que 2 será um daqueles cuja distância até o zero é maior que 2.
Tais números estão a esquerda de –2 ou à direita de 2, ou seja, x < –2 ou x > 2 (Fig. 2)

Fig. 1 y Fig. 2 y

2 2

-2 2 x -2 2 x -2 2 x -2 2 x

• |4 – x| > 5
Decompondo a desigualdade, temos:
4 – x > 5 (I) (I) 4 – x > 5 ⇒ x < –1
|4 – x| > 5 ⇒ ou
4 – x < –5 (II) (II) 4 – x < –5 ⇒ x > 9

Notando que (I) e (II) são expressões alternativas, a solução fi nal será a união das soluções obtidas.
Assim:

\ S = {x ∈ ¡ | x < –1 ou x > 9}

Exercício resolvido
11 Qual é o maior número inteiro que verifica a inequação |x – 4| > 3x + 2?

Resolução:
Decompondo o módulo, temos:

x – 4, se x – 4 > 0
x – 4, se x > 4
|x – 4| = ou ⇒ |x – 4| =
–(x – 4), se x – 4 < 0 –x + 4, se x < 4

x – 4 > 0 ⇒ x > 4 (IA)


(I) e
x – 4 > 3x + 2 ⇒ x < –3 (IB)

SI = {∅}

Noções sobre módulo e Função modular


145
x – 4 < 0 ⇒ x < 4 (IIA)
(II) e
1
–x + 4 > 3x + 2 ⇒ x < (IIB)
2

1
SII = x ∈ ¡ | x <
2
A solução geral está na união das duas soluções SI e SII obtidas.

\S= x∈¡|x< 1
2

Exercícios de sala
12 Resolva, em ¡, cada inequação a seguir.
a) |x + 4| < 8 b) |3x + 5| > 6 c) x2 – |x| > 0

13 Qual o menor inteiro que verifica a inequação |2x + 4| < 1 – x?

Exercícios propostos
14 (ESPM-SP) A diferença entre o quadrado de um número real e ele próprio não supera 6 unidades. Além
disso, sabe-se que seu valor absoluto (ou módulo) não é inferior a 3 unidades. Podemos afirmar que esse
número é:
a) par.  b) primo.  c) um quadrado perfeito.  d) irracional.  e) inteiro negativo.

146 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


15 (UERN) Dentre os gráficos a seguir, assinale o que representa corretamente a função modular
f(x) = |x – 2| – 1.
a) b) c) d)
0y 0y 0y

0y

1 1
1 2 3 -3 -2 -1
-1 1 0x -1 0x -1 1 2 0x 0x

-1 -1 -1 -1

16 (UEG-GO) Na figura a seguir, é apresentado o gráfico de uma função f, de  em .


y
4

x
-3 -2 -1 1 2 3 4 5

A função f é dada por


|2x + 2|, se x < 0 |x – 1|, se x < 0
a) f(x) = c) f(x) =
|x – 2|, se x > 0 |x + 2|, se x > 0
–|x| + 2, se –1 < x < 2 –|x + 2|, se –1 < x < 2
b) f(x) = d) f(x) =
|2x – 3|, se x < –1 e x > 2 |2x| + 1, se x < –1 e x > 2

17 (IBMEC-SP) O gráfico da função f:  → , dada por f(x) = x2 – 5|x| + 6, é melhor representado por
a)  c) e)
y y y
6 6 1
5 5
-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x
4 4 -1
3 3 -2
2 2 -3
1 1 -4
-5
-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x -6
-1 -1
-2 -2 -7

b) d)
y y
6 6
5 5
4 4
3 3
2 2
1 1

-5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x -5 -4 -3 -2 -1 1 2 3 4 x
-1 -1
-2 -2

Noções sobre módulo e Função modular


147
18 (MACKENZIE-SP) Os gráficos de f(x) = 2|x2 – 4| e g(x) = (x – 2)2 se interceptam em
a) apenas um ponto.   b) dois pontos.  c) três pontos.  d) quatro pontos.  e) nenhum ponto.

19 (UFV-MG) Seja S a soma das raízes reais da equação modular |x – 2| = 3x2. O valor da expressão 9S + 15 é
a) 16 b) 14 c) 12 d) 18

20 (ITA-SP) O produto das raízes reais da equação |x2 − 3x + 2| = |2x − 3| é igual a


a) −5. b) −1. c) 1. d) 2. e) 5.

Exercícios de aprofundamento
21 Em cada item a seguir, obtenha o conjunto solução no campo dos números reais.
a) |2x| + |x – 1| = 10 b) |x + 1| + |2x – 1| < 10 c) |x – 4| – |2x| > – 5

22 (ACAFE-SC) O volume de água de uma piscina varia com o tempo, de acordo com a função definida por
V(t) = 30 – |2 – 2t| – |2t – 8|, com t ∈ +.
Sabendo que o volume é medido em m3, após t horas, contadas a partir das 7 horas da manhã (t = 0),
analise as seguintes proposições:
I) O volume de água na piscina permanece constante entre 8 horas e 11 horas da manhã.
II) O volume constante é de 24 m3 de água.
III) O volume da piscina também pode ser representado pela função V(t) = 40 – 4t, se t > 0.
IV) Às 12 horas a piscina se encontra com 20 m3 de água.
Das proposições anteriores, tem-se exatamente:
a) 1 correta. b) 2 corretas. c) 3 corretas. d) 4 corretas.

23 (IME-RJ) Seja f(x) = |x – 1| + |x – 2| + |x – 3| + ... + |x – 2017| . O valor mínimo de f(x) está no intervalo:
a) (− ∞, 1008) b) (1008, 1009) c) (1009, 1010) d) (1010, 1011) e) (1011, + ∞)

24 (UFU-MG) Sejam k1 e k2 dois números reais positivos com k2 = 3k1.


Suponha que os gráficos cartesianos das funções reais definidas por f(x) = |x| + k1 e g(x) = –|x| + k2
delimitam um quadrilátero de área 8 unidades de área.
Segundo essas condições, o valor do produto k1 . k2 é igual a
a) 9. b) 15. c) 18. d) 12.

25 (ITA-SP) O número de soluções inteiras da inequação 0 < x2 – |3x2 + 8x| < 2 é


a) 1. b) 2. c) 3. d) 4. e) 5.

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Ao leitor interessado em mais exercícios relacionados à este capítulo, recomendamos acessar o link:
http://cnec.lk/07sl.

148 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Cap.

1
Geometria Analítica

Noções Básicas
1.1 Introdução

O
filósofo e matemático francês René Descartes (1596-1650), com o objetivo
de transferir às demais ciências os métodos matemáticos, associou a Álgebra
à Geometria Euclidiana, criando condições apropriadas para o surgimento
da Geometria Analítica (ou Geometria Cartesiana). Essa associação permite
expressar, de forma bem sintetizada, as relações entre números que expressam medidas
de grandezas, proporcionando uma interpretação imediata das informações relativas a
essas grandezas.
Para a formalização dessa associação, foi necessária a criação de alguns elementos, René Descartes
tais como eixo orientado, plano cartesiano, coordenadas e par ordenado, dentre outros.

  Eixo orientado (ou reta numérica)


Em diversas situações, nas quais apenas uma grandeza precisa ser analisada, é comum o uso de um
recurso gráfico chamado eixo orientado para representar a medida dessa grandeza.
Formalmente, dizemos que eixo orientado é a reta na qual se tomam um ponto (O) como origem (mar-
co zero), uma unidade arbitrária para identificação dos números inteiros (os quais são representados por
pontos desse eixo) e um sentido de orientação positiva (Fig. 1). Nesse aparato, os demais números reais
(representados, também por pontos do eixo) são localizados entre dois números inteiros (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
-3 -2 -1 0 1 2 3 -3 -2 -1 0 1 2 3
O + -e - 2 O 3 π +
3

1.2 Sistema cartesiano ortogonal

N
as situações em que duas grandezas se relacionam, o recurso gráfico a ser considerado é aquele
que associa cada grandeza a um eixo orientado. Desse modo, cada informação completa será
composta por duas informações parciais, cada uma associada ao seu respectivo eixo orientado.
  Nesse nosso estudo, adotaremos um recurso no qual os eixos orientados são perpendiculares
entre si. Esse recurso recebe o nome de sistema cartesiano ortogonal (o termo cartesiano refere-se a Car-
tesius, nome de Renê Descartes em latim).
Formalmente, dizemos que o sistema cartesiano ortogonal é constituído por dois eixos orientados, Ox
e Oy , perpendiculares entre si. Por comodidade, esses eixos são tomados na horizontal (Ox ) e na vertical
(Oy ), de modo que:
O ponto O, intersecção dos eixos Ox e Oy , é chamado de origem (Fig. 1).
O eixo Ox é chamado eixo das abscissas e é orientado positivamente para a direita do leitor (Fig. 2).
O eixo Oy é chamado eixo das ordenadas e é orientado positivamente para cima (Fig. 3).

Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y


+

+
O x O x O x

Um sistema assim definido é chamado de sistema cartesiano ortogonal xOy.

Noções Básicas
149
De modo formal, estabelecido o sistema xOy, podemos lo-
calizar qualquer ponto do plano por meio de um par ordena-
Você se lembra do (x, y) de números reais. Assim, dado um ponto (xP, yP) do pla-
no, dizemos que os números reais xP e yP são as coordenadas do
O postulado da separação dos ponto P, sendo, ordenadamente, abscissa e ordenada desse ponto.
pontos de um plano garante que Na representação cartesiana do ponto P (Fig. 1), a abscissa xP indica o
“toda e qualquer reta de um plano afastamento de P em relação ao eixo das ordenadas, enquanto a ordenada
divide esse plano em dois semiplanos yP indica o afastamento de P em relação ao eixo das abscissas (Fig. 2).
com origem nessa reta”. Isso signifi ca
que os pontos dessa reta pertencem Fig.
Fig.11 y Fig.
Fig.22 y
ao dois semiplanos. xP
P(xP,yP) P(xP,yP)
yP

yP

O xP x O x

Vale ressaltar que dois pares ordenados são iguais quando repre-
sentam o mesmo ponto. Assim:
A(xA, yA) = B(xB, yB) ⇒ xA = xB e yA = yB

Exemplos:
A (4, 0)
B (7, 5)
B
C (0, 3)
D (-4, 1) C
D A
E (-2, 0)
F (-5, -5) E O
G (0, -4) G
H (8, -7) F
O (0, 0) H

 Quadrantes
Notemos que os dois eixos (Ox e Oy ) dividem o plano em quatro
regiões. Essas regiões são denominadas quadrantes, cuja identificação
é feita no sentido anti-horário (Fig. 1). Com base no postulado da
separação dos pontos de um plano, podemos localizar um ponto em
relação aos quadrantes, usando os sinais de suas coordenadas (Fig. 2).
Fig. 1 y Fig. 2 y
x≤0 x≥0
II Q. I Q.
y≥0 y≥0
O x x≤0 O x≥0 x
III Q. IV Q. y≤0 y≤0
Assim, podemos dizer que os pontos dos eixos coordenados per-
tencem a dois quadrantes simultaneamente, sendo que a origem O (0, 0)
pertence aos quatro.

Exemplos:
• A(2, 4) ∈ I Q., B(–4, 3) ∈ II Q., C(–3, –3) ∈ III Q. e D(5, –2) ∈ IV Q.
(Fig. 1)

• E(4, 0) ∈ I Q. e IV Q., F(0, 3) ∈ I Q. e II Q., G(–3, 0) ∈ II Q. e


III Q., H(0, –1) ∈ III Q. e IV Q. (Fig. 2)

• O(0, 0) ∈ I Q., II Q., III Q., e IV Q. (Fig. 3)

150 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y
4 A
B 3 F 3

-3 5 -3 O E
-4 O 2 x G -1 H 4 x O x
-2
C -3 D

Exercício resolvido
1 Se o ponto P(a, b) pertence ao interior do III quadrante, então, os pontos Q(–a, b) e R(a, –b) pertencem, respec-
ti vamente, a quais quadrantes?

Resolução:
Como P pertence ao terceiro quadrante, temos que a < 0 e b < 0. Desse modo, –a será positi vo e –b
também. Assim:
a<0 a < 0 ⇒ –a > 0 a<0
P(a, b) ∈ III Q. ⇒ Q(–a, b): R(a, –b):
b<0 b<0 b < 0 ⇒ –b > 0
 Desse modo, usando apenas os sinais, temos:
P(–, –), Q(+, –) e R(–, +)
\ Q ∈ IV Q. e R ∈ II Q.

Exercícios de sala
2 Marque no plano cartesiano ortogonal (Fig. 1) os pontos de A até H indicados a seguir e, em seguida, mar-
que os simétricos de H em relação ao eixo Ox e, também, em relação ao eixo Oy (Fig. 2).
A(6, 0), B(2, 4), C(0, 4), D(–3, 3), E(–8, 0), F(–4, –4), G(0, –3) e H(8, –1).
Fig. 1 y Fig. 2 y

O x O x

3 Considere a reta r que contém as bissetrizes dos quadrantes pares e a reta s que contém as bissetrizes dos
quadrantes ímpares.
Obtenha uma relação entre a abscissa x e a ordenada y dos pontos de
a) r. b) s.

4 Um ponto da bissetriz dos quadrantes ímpares é tal que a soma dos quadrados de suas coordenadas é 200.
Qual é esse ponto?

Noções Básicas
151
5 Se P(–a, b) pertence ao interior do segundo quadrante, a qual quadrante pertencerá o ponto Q, tal que
a) Q(a, b)? b) Q(–b, – a)? c) Q(a, – b)?

6 De modo geral, no plano cartesiano ortogonal, é possível associar às figuras planas uma relação entre as
abscissas x e as ordenadas y de seus pontos (podendo ser uma equação ou uma inequação).
Além disso, algumas figuras planas são tais que seus pontos, e apenas seus pontos, apresentam uma
determinada propriedade. Nesse caso, dizemos que essa figura é o Lugar Geométrico (L.G.) dos pontos
que apresentam essa propriedade.
Nessas condições, de acordo com o conceito de Lugar Geométrico, defina cada um dos eixos coordenados.

7 Sabe-se, da Óptica Geométrica, que a imagem de um objeto puntiforme, obtida através de um espelho
plano, situa-se numa posição simétrica desse objeto em relação ao espelho (Fig. 1).
Considere que os eixos Ox e Oy representem perfis de espelhos planos.
Considere também um objeto puntiforme, situado no ponto A(5, 3) em relação a esses espelhos (Fig. 2).

Fig. 1 P (objeto pun�forme) Fig. 2


y
3 A
//

(Perfil do espelho)
///

O 5 x
//

P’ (imagem do objeto)

Quais são as coordenadas das imagens desse objeto?

1.3 Distância entre dois pontos

A
distância entre dois pontos, A(xA, yA ) e B(xB , yB ), situados num plano cartesiano ortogonal, pode
ser determinada a partir das suas coordenadas.
  Temos três casos genéricos para analisar:

1o caso: A e B pertencem a um dos eixos coordenados.
Se ambos pertencerem ao eixo Ox (Fig. 1), a distância entre eles será dada pelo módulo da diferença
entre suas abscissas (Fig. 2).
Se ambos pertencerem ao eixo Oy (Fig. 3), a distância entre eles será dada pelo módulo da diferença
entre suas ordenadas (Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 y Fig. 4 y


+

B yB
A B x xA xB x
+ +
A yA
AB = |xB- xA| AB = |yB- yA|

152 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2o caso: A e B determinam um segmento paralelo a um dos eixos coordenados.
Se AB // Ox (Fig. 1), a distância entre os pontos A e B será dada pelo módulo da diferença entre suas
abscissas (Fig. 2).
Se AB // Oy (Fig. 3), a distância entre os pontos A e B será dada pelo módulo da diferença entre suas
ordenadas (Fig. 4).
Fig. 1 Fig. 2 y Fig. 3 Fig. 4 y
y A // B y
yA=yB yB B
A // B yB B
yA=yB

//

//
//

//
yA A
// yA A
// O xA xB x O xA= xB x
O xA xB x AB = |xB- xA| O xA= xB x AB = |yB - yA|

3o caso: A e B determinam um segmento não paralelo a qualquer dos eixos coordenados.


Se AB não for paralelo a algum dos eixos (Fig 1 e Fig 2), a distância entre os pontos A e B pode ser
obtida aplicando-se o Teorema de Pitágoras (Fig. 3 e Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4


y y y y
B A B A
yB yA yB yA

|yB-yA|
|yB-yA|
yA A yB B yA A yB B
|xB-xA| |xB-xA|
O xA xB x O xA xB x O xA xB x O xA xB x

No triângulo destacado, temos:

AB2 = AC2 + BC2 ⇒ AB2 = |xB – xA|2 + |yB – yA|2

Como |xB – xA|2 = (xA – xB)2 e |yB – yA|2 = (yA – yB )2, temos:

AB = (xA – xB)2 + (yA – yB)2 ou AB = Dx2 + Dy2

Esse resultado é geral e independe do quadrante ao qual pertence cada um dos pontos A e B. Além
disso, independe da inclinação do segmento AB , valendo, então, para os dois primeiros casos.

Exemplos:

• A(2, 0) e B(–3, 0) • A(0, –5) e B(0, 8)


1o modo: 1o modo:
AB = |2 – (–3)| ⇒ AB = 5 AB = |–5 –8| ⇒ AB = 13
2o modo: 2o modo:
AB = [2 – (–3)]2 + (0 – 0)2 ⇒ AB = 5 AB = (0 – 0)2 + (–5 – 8)2 ⇒ AB = 13

• A(3, 1) e B(6, 1) • A(–5, 8) e B(–5, 12)


1o modo: 1o modo:
AB = |3 – 6| ⇒ AB = 3 AB = |8 – 12| ⇒ AB = 4
2o modo: 2o modo:
AB = (3 – 6)2 + (1 – 1)2 ⇒ AB = 3 AB = [–5 – (–5)]2 + (8 – 12)2 ⇒ AB = 4

• A(2, 4) e B(–6, 10) • A(0, 5) e B(6, 0)

AB = [2 – (–6)]2 + (4 – 10)2 ⇒ AB = 10 AB = (0 – 6)2 + (5 – 0)2 ⇒ AB = 51

Noções Básicas
153
Exercícios resolvidos
8 Obtenha, no eixo das abscissas, um ponto que dista 10 do ponto A(3, 8).

Resolução:
O ponto procurado pode ser representado por B(x, 0), pois todo ponto do eixo das abscissas tem orde-
nada nula (Fig. 1). Do enunciado, sabemos que AB = 10 (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2 A(3, 8)

10
B(x, 0) B(x, 0)
x x

Desse modo, temos:


2 2 2 2
AB = (xB – xA) + (yB – yA) ⇒ 10 = (x – 3) + (0 – 8)

100 = (x – 3)2 + 64 ⇒ (x – 3)2 = 36


(x – 3) = ±6 ⇒ x = –3 ou x = 9
\ O problema admite exatamente as soluções B1(–3, 0) e B2(9, 0).

9 Verifi que a existência do triângulo ABC, com A(2, 4), B(6, –1) e C(0, 0), e, em seguida, classifi que-o quanto
aos lados e aos ângulos.

Resolução:
Primeiramente, vamos calcular as medidas dos lados AB, AC e BC .

AB = (2 – 6) + [4 – (–1)] ⇒ AB = 41 (AB ≅ 6,40)


2 2

AC = (2 – 0)2 + (4 – 0)2 ⇒ AC = 20 (AC ≅ 4,47)


BC = (6 – 0)2 + (–1 – 0)2 ⇒ BC = 37 (BC ≅ 6,08)

Como a medida do maior lado é menor do que a soma das medidas dos outros dois, concluímos que o
triângulo existe. Além disso, as medidas dos lados são disti ntas, isso indica que o triângulo é escaleno.
Para classifi cá-lo quanto aos ângulos, vamos aplicar a Lei dos Cossenos considerando o maior ângulo
(a), o qual é oposto ao maior lado.
41 2 = 20 2 + 37 2 – 2 20 . 37 cos a ⇒ 41 = 20 + 37 – 2 740 cos a
2 740 cos a = 16 ⇒ cos a = 8
740
Como cos a > 0, é garanti do que a é agudo. Sendo a o maior dos ângulos, conclui-se que os demais
são, também, agudos. Isso indica que o triângulo é acutângulo.
\ O triângulo é escaleno e acutângulo.

Exercícios de sala
10 Calcule a distância entre os pontos A e B nos casos a seguir:
a) A(–1, 3) e B(2, –1) b) A(21, –17) e B(33, –22) c) A(0, 0) e B(3, –6)

154 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


11 Considerando os pontos A(2, 4), B(a, 9) e C(9, a), calcule o valor de a, de modo que:
a) AB = 13      b) AC = 5      c) BC = 10 2

12 Obtenha um ponto P que dista 2 5 do ponto (2, 4), sabendo que:


a) P pertence à bissetriz dos quadrantes ímpares. b) P pertence ao eixo das ordenadas.

13 No plano cartesiano, seja l o L.G. (Lugar Geométrico) dos pontos P(x, y) que distam 2 da origem. Obtenha
a relação entre as coordenadas x e y dos pontos de l.

1.4 Razão de secção

S
eja AB um segmento de reta e seja P um ponto da reta determinada por A e B.
  Chamamos razão de secção do segmento AB, determinada pelo ponto P, ao número real r, dado
AP
por r = . Nessas condições, o ponto P é chamado de ponto divisor do segmento AB.
PB
Para a razão de secção, adotam-se as seguintes convenções:
1a: Caso P seja interno ao segmento AB (Fig. 1), consideramos r > 0.
2a: Caso P seja externo ao segmento AB (Fig. 2), consideramos r < 0.

Fig. 2 Fig. 2
A B P
A P B
ou
P A B

AP AP
>0⇒r>0 <0⇒r<0
PB PB

Noções Básicas
155
Para o cálculo da razão de secção r, vamos considerar o caso mais relevante, no qual o segmento AB
não é paralelo a quaisquer dos eixos (Fig. 1).
Sem perda da generalidade, tomemos P interno a AB (Fig. 2) e notemos que os triângulos APC e PBD
são semelhantes (Fig. 3).
Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y
yB B yB B yB B

yP P yP P
D
yA yA yA
A A C
A
O xA xB x O xA xP xB x O xA xP xB x
Da semelhança dos triângulos citados, temos:
AP AC PC AC PC
= = ⇒r= ou r =
PB PD BD PD BD
xP – xA y –y
r= ou r = P A , com (xB ≠ xP e yB ≠ yP).
xB – xP yB – yP

Exemplos:
• A(1, –1), B(4, 2) e P(3, 1) • A(2, 3), B(3, 4) e P(5, 6)
AP AP
r= r=
PB PB
1o modo: 1o modo:
x –x 3–1 x –x 5–2
r= P A ⇒r= r= P A ⇒r=
xB – xP 4–3 xB – xP 3–5
2 3 3
r= ⇒r=2 r= ⇒r=–
1 –2 2
2o modo: o
2 modo:
y –y 1 – ( –1) y –y
r= P A ⇒r= r= P A ⇒r= 6–3
yB – yP 2–1 yB – yP 4–6
2 3 3
r= ⇒r=2 r= ⇒r=–
1 –2 2

P é interno a AB. P é externo a AB.

Exercício resolvido
14 Até qual ponto devemos prolongar o segmento AB, no senti do de A(2, 4) para B(5, 2), até que ele triplique?

Resolução:
Seja AB a medida de AB (Fig. 1). Prolongando AB até um ponto C(xC, yC), de modo que AB triplique,
teremos AC = 3AB (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
AB
A B C A B C
(2,4) (5,2) (xC,yC)
3AB

156 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Consideremos B o ponto divisor de AC e notemos que BC = 2AB. Desse modo, temos:

AB = AB ⇒ AB = 1
BC 2AB BC 2
Usando a razão de secção, temos:

AB = xB – xA ou AB = yB – yA 1 = 5 – 2 ⇒ x = 11 ou 1 = 2 – 4 ⇒ y = –2
BC xC – x B BC yC – yB 2 xC – 5 C 2 yC – 2 C

\ Devemos prolongar até o ponto (11, –2).

  Coordenadas do ponto médio de um segmento


Sejam A e B dois pontos distintos (Fig. 1) e M o ponto médio de AB (Fig. 2). Nessas condições, M
divide AB em dois segmentos congruentes AM e MB (Fig. 3).
Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y
yB B yB B yB B
//
yM yM
M M
//
yA yA yA
A A A
O xA xB x O xA xM xB x O xA xM xB x

Nessas condições, as coordenadas do ponto médio M são dadas por:


xA + xB yA + yB
M ,
2 2

Demonstração:
Como M é ponto médio, então AM ≡ MB , ou seja, M divide AB na razão AM = 1. Daí:
MB
xM – x A xA + xB yM – yA yA + yB
xB – xM = 1 ⇒ xM = 2
ou yB – xM = 1 ⇒ yM = 2

xA + xB yA + yB
\M ,
2 2

Exemplo:

• A(8, –4) e B(6, 10) • A(–3, –5) e B(–4, 2)


Fig. 1 B Fig. 2 B
//
(6,10) //
(-4,2)
M M
//
//
(xM,yM) (xM,yM)
A A
(8,-4) (-3,-5)

–3 + (–4)
x M = 8 + 6 ⇒ xM = 7 xM = ⇒ xM = – 7
2 2 2

yM = – 4 + 10 ⇒ yM = 3 yM = – 5 + 2 ⇒ yM = – 3
2 2 2

\ M(7, 3) \M – 7,– 3
2 2

Noções Básicas
157
Exercício resolvido
15 Obtenha o simétrico do ponto A(2, 4) em relação ao ponto B(5, 3).

Resolução:
Seja C simétrico de A em relação a B. O ponto C(xC, yC) deve pertencer à reta AB (Fig. 1) de modo que
AB = BC (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2 B
C //
(x,y)
M
B //
(5,3)
A
A (2,4)
Da simetria, concluímos que B é médio de AC. Desse modo:
x +x 2 + xC y +y 4 + yC
xB = A C ⇒ 5 = yB = A B ⇒ 3 =
2 2 2 2
10 = 2 + xC ⇒ xC = 8 6 = 4 + yC ⇒ yC = 2

\ O simétrico é o ponto C(8, 2).

 Coordenadas do baricentro de um triângulo


Consideremos um triângulo ABC cujos pontos médios dos lados BC, AC e AB são, respectivamente,
M, N e P (Fig. 1). A mediana relativa ao lado BC é o segmento AM (Fig. 2). Ao ponto de concorrência
das três medianas de um triângulo dá-se o nome de baricentro G (Fig. 3).
Fig. 1 A Fig. 2 A Fig. 3 A
//

//
/

P N P / N
G
//

//
/

/// /// /// /// /// ///


B C B C B C
M M M

Nessas condições, as coordenadas do baricentro G são dadas por:


xA + xB + xC yA + yB + yC
G ,
3 3

Demonstração:
Sabe-se, da Geometria Plana, que o baricentro G de um triângulo ABC divide cada mediana, a partir do
vértice, na razão de 2 para 1, ou seja:
AG = 2 ; BG = 2 ; CG = 2
GM 1 GN 1 GP 1

Tomando a mediana AM, e considerando G o ponto divisor, temos:


xG – xA 2 y –y
= ou G A = 2
xM – xG 1 yM – yG 1

xG – xA = 2(xM – xG) ⇒ xG – xA = 2xM – 2xG yG – yA = 2(yM – yG) ⇒ yG – yA = 2yM – 2yG

xB + xC x + xB + xC yB + yC y + yB + yC
3xG = 2 + xA ⇒ xG = A 3yG = 2 + yA ⇒ yG = A
2 3 2 3
xA + xB + xC yA + yB + yC
\G ,
3 3

158 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Você se lembra
A mediana de um triângulo é o segmento que tem uma extremidade no vérti ce e a outra no ponto médio do lado
oposto.
O baricentro de um triângulo é conhecido como centro de gravidade desse triângulo.
Experimentalmente, se manti vermos um fi o preso ao teto e ao seu baricentro, o triângulo fi cará em equilíbrio em
um plano horizontal.

Exercício resolvido
16 O baricentro do triângulo ABC pertence à bissetriz dos quadrantes ímpares. Se B(2, 4), C(8, 3) e yA = 2,
determine A.

Resolução: x +x +x y +y +y
As coordenadas do baricentro G são xG = A B C e yG = A B C .
3 3
Se G pertence à bissetriz dos quadrantes ímpares, então suas coordenadas são iguais, ou seja, xG = yG.
x + 10 xA + 10
xG = xA + 2 + 8 ⇒ xG = yG = 2 + 4 + 3 ⇒ yG = 3 = 3 ⇒ xA = –1
3 3 3 3
\ A(–1, 2)

Exercícios de sala
17 Considere um segmento AB de extremidades nos pontos A(12, 24) e B(36, 12). Sejam M e N os pontos que
dividem AB em três partes iguais. Obtenha M e N.

18 Até que ponto devemos prolongar o segmento AB, no senti do de A(2, 8) para B(0, 0), de modo que ele se
quadruplique?

19 Em cada caso a seguir, obtenha o ponto médio M do segmento AB:


a) A(–3, –4) e B(0, 0) b) A(48, –45) e B(–64, 35)

Noções Básicas
159
20 São dados os pontos médios M(3, 3), N(5, –1) e P(1, 5) dos lados respectivos AB, AC e BC de um triângulo
ABC. Para esse triângulo, determine
a) as coordenadas dos vértices. b) as coordenadas do baricentro.

21 Os pontos A(2, 4), B(3, 6) e C(8, –2) são, nessa ordem, os vértices consecutivos de um paralelogramo ABCD.
Quais as coordenadas de D?

1.5 Área de um polígono

O
  cálculo analítico de áreas de polígonos consiste em associar as coordenadas dos vértices desse po-
lígono ao número real que quantifica essa área.
  Iniciaremos esse breve estudo com o cálculo da área de um triângulo.

 Área de Triângulo
A área de um triângulo de vértices A(xA, yA ), B(xB, yB ) e C(xC, yC ) é dada por:

1
S ABC = 2 |D|

xA yA 1
Sendo D = xB yB 1 (Determinante).
xC yC 1

Demonstração:
Consideremos o triângulo ABC cujos vértices são A(xA, yA ), B(xB, yB ) e C(xC, yC ) (Fig. 1). Observemos
os triângulos AMC, BNC e APB (Fig. 2).

Fig. 1 y Fig. 2 y
A A M
yA yA

yC C yC C

yB B yB P B N
O x A xB xC x O xA xB xC x

160 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Nessas condições, a área (S) do triângulo ABC é dada por:
S ABC = SAMNP – S APB – S AMC – S BNC

Calculando essas áreas, temos:


AM . MC (xC – xA) (yA – yC)
SAMNP = PN . NM ⇒ SAMNP = (xC – xA) (yA – yB) S AMC = ⇒S =
2 AMC 2
x –x y –y (xC – xB) (yC – yB)
S = PB . AP ⇒ S APB = ( B A) ( A B) S BNC = BN . NC ⇒ S =
APB
2 2 2 BNC 2
Fazendo as devidas substituições e simplificações, vamos obter:
1
S ABC = 2 . (xAyB + xCyA + xByC – xCyB – xByA – xAyC )
Da teoria de determinantes, temos:
xA yA 1
D = xB yB 1 ⇒ D = (xAyB + xCyA + xByC – xCyB – xByA – xAyC )
xC yC 1

Como sabemos, a área deve ser tomada com valor positivo.


1
\S ABC = 2 |D|

O valor desse determinante D pode ser obtido com o dispositivo prático a seguir:
xA yA
yAxB xB yB xA yB
yBxC xC yC xByC
yCxA xA yA xCyA

Somando os produtos à esquerda (S1 ) e à direita (S2 ), temos:

S1 = yAxB + yBxC + yCx A S2 = yA yB + yB yC + yC yA

Comparando com o resultado entre parênteses, temos que:

D = S2 – S 1

Exemplo:

• A(3, 6), B(0, 0) e C(2, –8)

1o modo: (Determinante) 2o modo: (Dispositivo prático)


3 6 1 3 6
1
S = |D| e D = 0 0 1 0 0
2
2 –8 1 S = 1 |D| e D =
2 2 –8
3 6
D = 0 + 12 – 0 – 0 + 24 – 0 ⇒ D = 36
D = (0 – 0 + 12) – (0 – 0 – 24) ⇒ D = 36

S = 1 |36| ⇒ S 18 S = 1 |36| ⇒ S = 18
2 2

\ A área é 18 unidades de área.

Noções Básicas
161
Exercício resolvido
22 O vérti ce A do triângulo ABC, com B(4, 2) e C(–2, 4), pertence ao eixo Oy . Se a área do triângulo é 10,
obtenha o vérti ce A.

Resolução:
Podemos representar o vérti ce A por A(0, yA ), pois ele pertence ao eixo Oy (Fig. 1), formando com B e
C um triângulo ABC (Fig. 2).

Fig. 1 y Fig. 2 A(0,yA)

A(0,yA)

B(4,2) C(-2,4)

Como a área do triângulo mede 10, temos:


1 1
S= |D| ⇒ 10 = |D|
2 2
20 = |D| ⇒ D = ±20

0 y
4 2
D= ⇒ D = (0 + 16 –2y) – (4y – 4 – 0)
–2 4
0 y

D = 20 – 6y ⇒ ±20 = 20 – 6y
20 – 6y = 20 ⇒ y = 0
20
20 – 6y = –20 ⇒ y =
3 \ A(0, 0) ou A 0, 20
3

 Área de polígono não entrelaçado


Os polígonos (de n lados) a seguir (chamados de não entrelaçados, porque seus lados não consecutivos
não se cruzam), podem ser divididos em (n – 2) triângulos.
Fig. 1 An-1 Fig. 2 An An-1 Fig. 3 An-1
An A1
Tn-2 An
Tn-2 Tn-2
An-2 A1
A1 T1 ...
T1 An-2
...

T1 T2 T3
...

T2 T2
A3 A3 An-2 A3
A2 A2 A2 A4

Evidentemente, a soma das áreas desses triângulos equivale à área do polígono. Assim, podemos obter
a área de cada um deles e, em seguida, somá-las.

SPOLÍG = ST1 + ST2 + ... + STn-2

162 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Alternativamente, podemos usar um dispositivo prático que pode ser calculado de modo análogo ao da
área do triângulo e que permite obter, mais facilmente, esse resultado:
x1 y1
x2 y2
x3 y3
SPOLIG = 1 |D|, sendo: D = .. ..
2 . .
xn yn
x1 y1
Nesse dispositivo, os pares (x1, y1); (x2, y2); (x3, y3); ...; (xn, yn) são os vértices do polígono, os quais de-
vem ser tomados no sentido horário ou, então, no sentido anti-horário.
No caso de polígono com número de lados maior do que 3 (n > 3), é conveniente construirmos um es-
boço, no plano cartesiano, para que possamos estabelecer o sentido no qual os vértices devem ser tomados.

Exemplo:
• A área determinada por A(1, 4), B(0, 0), C(4, –2), D(2, 6) pode ser obtida de dois modos:
1o modo: (Dividindo em triângulos)
Construindo um esboço do polígono ABCD (Fig. 1), podemos traçar uma de suas diagonais, dividin-
do-o nos triângulos ABC e CDA (Fig. 2).
Fig. 1 y Fig. 2 y D
6 D 6
A A
4 4

B 1 4 B 1 4
2 x 2 x
-2 C -2 C

Assim, temos que a área S do polígono é dada por:

S=S ABC +S ACD ⇒ S = 1 |DABD| + 1 |DACD|


2 2
4 –2 4 –2
DABC = 0 0 ; DACD = 1 4 .
1 4 2 6
4 –2 4 –2
DABD = –18 ⇒ |DABD| = 18 DACD = –12 ⇒ |DACD| = 12
Daí, temos:
S = 1 . 18 + 1 . 12 ⇒ S = 15
2 2
2o modo: (Usando o dispositivo prático)
Observando as figuras, percebemos que o polígono não é entrelaçado. Assim, tomando os vértices no
sentido anti-horário a partir de A até D, temos:
xA yA 1 4
xB yB 0 0
D = xC yC ⇒ D = 4 –2
xD yD 2 6
xA yA 1 4
D = (0 – 0 + 24 + 8) – (0 + 0 – 4 + 6) ⇒ D = 30

S = 1 |D| ⇒ S = 1 |30|
2 2
\ S = 15

Noções Básicas
163
Exercícios de sala
23 Qual é a área do triângulo de vérti ces A(–4, 2), B(0, 6) e C(6, –2)?

24 Considere o polígono de cada fi gura a seguir e calcule a sua área.


Fig. 1 y Fig. 2 y
4
(0,6) 3

-4 6
-2 O 2 x
-2
x -3
O (8,0) -4

25 Considere um ponto A que determina com B(2, 4) e C(3, – 6) um triângulo de área 20. Obtenha esse ponto
de modo que ele pertença
a) ao eixo das abscissas. b) à bissetriz dos quadrantes pares.

26 Mariano é lati fundiário em uma certa cidade mineira. Ele tem várias propriedades, dentre as quais a fa-
zenda Santa Maria, “menina dos olhos”. Futuramente, Mariano deseja transformar a fazenda Santa Maria
num santuário da natureza, fazendo ali um parque ecológico.
Assim, Mariano pediu que fosse feito um levantamento topográfi co da fazenda na escala
1 : 1 000 000, obtendo um esboço de projeto, no qual os pontos E1, E2, E3, E4 e E5 representam as principais
estacas que limitam a área da fazenda.
y
E2
2
E1 E3
1
-2 2
-3 -1 O 1 3 4 x
E5 -1
0 1
-2 E4 1 cm

164 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Qual é a área dessa fazenda, em hectares (ha), sabendo que 1 ha = 10 000 m2?

 Condição de alinhamento de três pontos


Dados três pontos distintos A, B e C, os quais podem ser vértices de um triângulo (Fig. 1), ou, então,
podem estar alinhados (Fig. 2).

Fig. 1 y B Fig. 2 y

C C

B
A A
O x O x

No caso de estarem desalinhados, podemos calcular a área do triângulo ABC por meio da fórmula:
xA yA 1
1
S = |D|, com D = xB yB 1
2
xC yC 1
Intuitivamente, no caso de estarem alinhados, podemos considerar que eles delimitam uma região plana
ABC de área nula. Assim:
xA yA 1
D = 0 ⇒ xB yB 1 = 0
xC yC 1
Evidentemente, podemos usar o dispositivo prático, o qual deve apresentar resultado nulo.
Exemplos:
• A(6, 2), B(5, 1) e C(0, –4) • D(2, 4), E(0, –1) e F(3, 8).

6 2 2 4
5 1 0 –1
D= ⇒ D = (6 – 20 + 0) – (10 + 0 – 24) D= ⇒ D = (–2 + 0 + 12) – (0 – 3 + 16)
0 –4 3 8
6 2 2 4
D = –14 + 14 ⇒ D = 0 D = 10 – 13 ⇒ D = –3
\ Os pontos estão alinhados. \ Os pontos não estão alinhados.

Noções Básicas
165
Exercício resolvido
27 Considere o ponto C, do eixo das abscissas, bem como os pontos A(2, 4) e B(5, 3). Obtenha C de modo que
a) A, B e C estejam alinhados. b) A, B e C determinem um triângulo ABC.

Resolução:
Seja C(xC, 0) o ponto procurado.

 Se A, B e C estão alinhados, então DABC = 0 e, no caso contrário, DABC ≠ 0.


2 4 1
DABC = 5 3 1 ⇒ DABC = (6 + 4xC + 0) – (3xC + 0 + 20)
xC 0 1
DABC = 6 + 4xC – 3xC – 20 ⇒ DABC = xC – 14

a) xC – 14 = 0 ⇒ xC = 14 b) xC – 14 ≠ 0 ⇒ xC ≠ 14
\ C(14 ,0) \ C(xC, 0), com xC ≠ 14

Exercícios de sala
28 Verifi que, em cada caso, se os pontos A, B e C estão alinhados.
a) A(5, 2), B(–3, –2) e C(11, 10) b) A(1, 2), B(5, 4) e C(–1, 1)

29 Sejam A, B e C tais que A ∈ Oy , B(2, –5) e C(3, 3). Obtenha A, de modo que
a) A, B e C estejam alinhados. b) A, B e C determinem um triângulo.

30 Considere os pontos A e B situados em um mesmo lado em relação a uma reta r e o ponto A’ simétrico de
A em relação a essa reta (Fig. 1). É possível provar que o menor caminho entre A e B, passando por um
ponto P de r, é composto pelos segmentos AP e PB, com P alinhado com A’ e B (Fig. 2). Assim, AP + PB
representam o menor caminho.
Fig. 1 Fig. 2 A B
A B
//

r
//

r
P
//
//

A’(simétrico de A em relação a r)
(A’P + PB) é mínimo = (AP + PB) é mínimo

166 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Nessas condições, considere A(2, 12) e B(6, 4) dois pontos do plano cartesiano ortogonal e o ponto P do
eixo das abscissas, tal que AP + PB é mínimo.
a) Obtenha P. b) Obtenha o comprimento do menor caminho citado.

Exercícios propostos
31 (ENEM) Nos últi mos anos, a televisão tem passado por uma verdadeira revolução, em termos de quali-
dade de imagem, som e interati vidade com o telespectador. Essa transformação se deve à conversão do
sinal analógico para o sinal digital. Entretanto muitas cidades ainda não contam com essa nova tecnologia.
Buscando levar esses benefí cios a três cidades, uma emissora de televisão pretende construir uma nova
torre de transmissão, que envie sinal às antenas A, B e C, já existentes nessas cidades. As localizações das
antenas estão representadas no plano cartesiano:
y (km)
70
60
C
50
40
30
20
A B
10
x (km)
10 20 30 40 50 60 70 80 90

A torre deve estar situada em um local equidistante das três antenas.


O local adequado para a construção dessa torre corresponde ao ponto de coordenadas
a) (65; 35). b) (53; 30). c) (45; 35). d) (50; 20). e) (50; 30).

32 (ENEM) Devido ao aumento do fl uxo de passageiros, uma empresa de transporte coleti vo urbano está
fazendo estudos para a implantação de um novo ponto de parada em uma determinada rota. A fi gura
mostra o percurso, indicado pelas setas, realizado por um ônibus nessa rota e a localização de dois de seus
atuais pontos de parada, representados por P e Q.
y
320
Rua C Q
Rua B

20 P
Rua A

O 30 550 x
Os estudos indicam que o novo ponto T deverá ser instalado, nesse percurso, entre as paradas já exis-
tentes P e Q de modo que as distâncias percorridas pelo ônibus entre os pontos P e T e entre os pontos T
e Q sejam iguais.
De acordo com os dados, as coordenadas do novo ponto de parada são
a) (290; 20).    b) (410; 0).    c) (410; 20).    d) (440; 0).    e) (440; 20).

Noções Básicas
167
33 (UECE) Se (m – 2, 2n) e (3n, m – 3) representam o mesmo ponto no plano cartesiano ortogonal, então o
produto m . n é igual a
a) 0. b) 1. c) 5. d) 6.

34 (ITA-SP) Sejam A(0, 0), B(0, 6) e C(4, 3) vértices de um triângulo. A distância do baricentro deste triângulo
ao vértice A, em unidades de distância, é igual a

a)  5 b)  97 c)  109 d)  5 e)  10


3 3 3 3 3
35 (UEPB) Os pontos A(1, 1), B(–2, m), C(0, 2) no plano cartesiano são vértices de um triângulo, se:
a) m ≠ 2 b) m ≠ 6 c) m ≠ 3 d) m ≠ 1 e) m ≠ 4

36 (UEPB) O quádruplo da área de um triângulo de vértices B(0, –1), C(1, 2) e D(–3, 1) é:


a)  11  u.a. b) 11 u.a. c) 22 u.a. d) 88 u.a. e) 44 u.a.
4

37 (UNIMONTES-MG) A área do pentágono cujos vértices são A(0, 0), B(3, 2), C(2, 3), D(1, 5) e E(–2, 1) é
a) 14,5. b) 10,5. c) 12,5. d) 11,5.

38 (UEG-GO) Considere no plano cartesiano o triângulo ABC com vértices nos pontos A(1, 3), B(4, 4) e C(3, 1).
O triângulo A’B’C’ simétrico ao triângulo ABC em relação ao eixo das ordenadas tem vértices nos pontos
a) A’(−1, −3), B’(−4, −4), C’(−3, −1) c) A’(1, −3), B’(4, −4), C’(3, −1)
b) A’(-1, 3), B’(-4, 4), C’(-3,1) d) A’(3, 1), B’(4, 4), C’(3, 1)

39 (PUC-MG) Os catetos AC e AB de um triângulo retângulo estão sobre os eixos de um sistema cartesiano.


Se M = (–1, 3) for o ponto médio da hipotenusa BC, é correto afirmar que a soma das coordenadas dos
vértices desse triângulo é igual a:
a) – 4 b) –1 c) 1 d) 4

40 (IBMEC-RJ) O triângulo ABC é isósceles, com AB = AC. Os vértices B e C são, respectivamente, (15, 1) e (19, 3).
Se o vértice A pertence ao eixo das ordenadas (0y), sua ordenada é igual a:
a) 35 b) 36 c) 37 d) 38 e) 39

41 (FGV) No plano cartesiano, M(3, 3), N(7, 3) e P(4, 0) são os pontos médios respectivamente dos lados AB ,
BC e AC de um triângulo ABC. A abscissa do vértice C é:
a) 6 b) 7 c) 8 d) 9 e) 0

42 (MACK-SP) Dados os pontos A(1, 2) e B(3, 0), o segmento AB é prolongado, no sentido de A para B, até o ponto
C, tal que AC = 3 . AB. A soma das coordenadas do ponto C vale:
a) 11. b) 7. c) 4. d) 3. e) –11.

43 (UFES) As coordenadas dos pontos que dividem em três partes iguais o segmento de extremos (–2, –1) e (3, 2) são:

a) (–1, 0) e (–1, 1) c) (– 1, 0) e (1, 1) e) – 1 , 0 e 4 , 1


3 3
b) 1 , 0 e – 4 , 1 d) – 3 , 0 e 4 , 1
3 3 3 3

44 (UNESP) Um triângulo tem vértices P = (2, 1), Q = (2, 5) e R = (x0, 4), com x0 > 0. Sabendo-se que a área do
triângulo é 20, a abscissa x0 do ponto R é:
a) 8. b) 9. c) 10. d) 11. e) 12.

45 (UESPI) Em um sistema de coordenadas cartesianas ortogonais, os pontos com coordenadas (1, 2) e (x, 7),
com x sendo um número real, estão no primeiro quadrante e distam 13 entre si. Qual o valor de x?
a) 15 b) 14 c) 13 d) 12 e) 11

168 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


x
46 (UEPB) Na fi gura a seguir, os pontos A, B estão no gráfi co das funções y = 2x e y = 1 e os segmentos AD
2
e BC são paralelos ao eixo y. O perímetro do quadrilátero ABCD, em cm, é:
x y y= 2x
y= 1
2
B

D (-1,0) O C (2,0) x

a) 14 c) 6 +  13 e) 9 +  13


b) 9 –  13 d) 8 +  13

Exercícios de aprofundamento
47 Considere, no plano cartesiano ortogonal, o triângulo de vérti ces A(0, 0), B(b, 0) e C(c, d). Mostre que seu
baricentro G determina, com cada um de seus vérti ces, triângulos equivalentes (de mesma área).

48 Usando pontos convenientes no plano cartesiano ortogonal, mostre que:


a) a base média de um triângulo tem medida igual à metade da medida do lado oposto a ela.
b) a base média de um trapézio tem medida igual à semissoma das medidas das bases.

49 Classifi que, quanto aos lados e aos ângulos, o triângulo ABC, sabendo que A(–2, 6), B(1, 2) e C(6, 0).

50 (UFMG) Neste plano cartesiano, está representado o quadrilátero ABCD:


y C
E
D

A B x

 Sabe-se que:
• A = (1, 0), C = (11, 11) e E = (3, 7);
• o ponto B está no eixo x e o ponto E, no lado CD; e
• os lados AD e BC são paralelos ao eixo y.
 Então, é correto afi rmar que a área do quadrilátero ABCD é:
a) 87,5. b) 82,5. c) 85. d) 86.

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Noções Básicas
169
Cap.

2 Noções sobre reta no Plano


Cartesiano

O
2.1 Introdução
estudo analítico da reta no plano é de muita importância no tratamento da relação entre duas
grandezas.
  Neste estudo, faremos uso, nos próximos itens, de conceitos geométricos associados às pos-
síveis posições de um ponto em relação a uma reta e às possíveis posições dessa reta no plano.

2.2 Equação geral de uma reta

S
abemos, do estudo de Geometria, que dois pontos distintos determinam uma única reta. Desse
modo, se considerarmos os pontos A(xA, yA) e B(xB, yB) distintos (Fig. 1), teremos uma única reta
r que passa por eles (Fig. 2).
  Consideremos, então, um ponto genérico P(x, y) dessa reta, distinto de A e B (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 r Fig. 3 r
B(xB,yB) B(xB,yB) B(xB,yB)
P(x,y)
A(xA,yA) A(xA,yA) A(xA,yA)

Evidentemente, P está alinhado com A e B, valendo, então, a condição de alinhamento, a qual pode ser
obtida com o determinante ou, então, com o dispositivo prático.
xA yA
xA yA 1
x y
D = 0 ⇒ xB yB 1 = 0 D = 0 ⇒ xB yB = 0
x y 1 xA yA

 Equação Geral
Uma reta pode ser representada por uma equação a qual é denominada equação geral, como segue:

ax + by + c = 0 (Equação Geral)

Demonstração:
Usando o dispositivo prático, temos: xA yA
xA yA yA . xB xB yB xA . yB
xB yB yB . x x y xB . y
x y = 0 xA yA
y . xA x . yA
xA yA
S1 = yA . xB + yB . x + y . xA S2 = xA . yB + xB . y + x . yA

S 2 – S 1 = 0 ⇒ x Ay B + xy A + x By – xy B – x By A – x Ay = 0

Fatorando, convenientemente, temos:


x(yA – yB ) + y(xB – xA ) + (xAyB – xByA ) = 0 ⇒ (yA – yB )x + (xB – xA )y + (xAyB – xByA ) = 0

Os valores de xA, yA, xB e yB são conhecidos. Então, fazendo (y A – y B ) = a, (x B – x A ) = b e


(x Ay B – x By A ) = c, teremos a equação ax + by + c = 0.

170 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercício resolvido
1 Obtenha a equação geral da reta que passa pelos pontos A e B, em cada caso a seguir:
a) A(2, 4) e B(–3, 6) b) A(–1, 8) e B(1, 1) c) A(2, 6) e B(5, 6) d) A(3, 6) e B(3, –8)

Resolução:
Vamos usar o dispositi vo práti co:
a) b)
2 4 –1 0
–3 6 = 0 ⇒ (12 – 3y + 4x) – (–12 + 6x + 2y) = 0 1 1 = 0 ⇒ (–1 + y + 0) – (0 + x – y) = 0
x y x y
2 4 –1 0

12 – 3y + 4x + 12 – 6x – 2y = 0 ⇒ 2x + 5y – 24 = 0 –1 + y + 0 – 0 – x + y = 0 ⇒ x – 2y + 1 = 0

\ A equação da reta é 2x + 5y – 24 = 0. \ A equação da reta é x – 2y + 1 = 0.

c) d)
2 6 3 6
5 6 3 –8
= 0 ⇒ (12 + 5y + 6x) – (30 + 6x + 2y) = 0 = 0 ⇒ (–18 + 3y + 6x) – (18 –8x + 3y) = 0
x y x y
2 6 3 6

12 + 5y + 6x – 30 – 6x – 2y = 0 ⇒ y – 6 = 0 –24 + 3y + 6x – 18 + 8x – 3y = 0 ⇒ x – 3 = 0

\ A equação da reta é y – 6 = 0. \ A equação da reta é x – 3 = 0.

 Posição relativa entre um ponto e uma reta


Dada uma reta e um ponto, há duas possibilidades: o ponto pertence à reta, ou, então, o ponto não
pertence à reta.
Dessa forma, considerando um ponto P(xP, yP ) e a reta (r)ax + by + c = 0, analisemos os casos possí-
veis:
1o caso: P(xP, yP) pertence à reta (r):
Nesse caso, as coordenadas de P devem verificar a equação de r.

• 2o caso: P(xP, yP) não pertence à reta (r):


Nesse caso, as coordenadas de P não podem verificar a equação de r.
r P(xP,yP) r
P(xP,yP)

+ c =0 + c =0
ax + by ax + by
P ∈ r ⇒ a(xP) + b(yP) + c = 0 P ∉ r ⇒ a(xP) + b(yP) + c ≠ 0

Exemplo:
• O pontos A(2, 4) e B(0, 5) pertencem à reta de equação x + 2y – 10 = 0, enquanto os pontos C(5, 3) e
D(5, 0) não pertencem a ela, pois:
A(2, 4): C(5, 3):
2 + 2(4) – 10 = 0 ⇒ 0 = 0 5 + 2(3) – 10 ≠ 0 ⇒ 1 ≠ 0
B(0, 5): D(5, 0):
0 + 2(5) – 10 = 0 ⇒ 0 = 0 5 + 2(0) – 10 ≠ 0 ⇒ –5 ≠ 0

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


171
Exercícios de sala
2 Em cada caso a seguir, obtenha a equação geral da reta que passa por A e B e, em seguida, verifi que se o
ponto P(2, 4) pertence a ela.
a) A(–5, 6) e B(2, 8) b) A(0, 2) e B(–3, –1) c) A(–1, 4) e B(7, 4)

3 Considere a reta de equação 3x – y + 12 = 0 e determine seu ponto:


a) de ordenada 2;   b) de abscissa 3;   c) de intersecção com Ox ;   d) de intersecção com Oy .

4 Obtenha, na reta 3x – y = 0 um ponto que diste 5 unidades do ponto (–2, –1).

2.3 Posições genéricas de uma reta no plano

D
e modo genérico, uma reta r pode ocupar uma das quatro posições indicadas a seguir:
1a: oblíqua ao eixo Ox , com inclinação aguda (Fig. 1);
2a: oblíqua ao eixo Ox , com inclinação obtusa (Fig. 2);
3a: paralela ao eixo Ox , ou seja, horizontal (Fig. 3);
4a: perpendicular ao eixo Ox , ou seja, vertical (Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4 r


y r y r y y

θ θ θ
O x O x O x O x
0° < θ < 90° 90° < θ < 180° θ = 0° θ = 90°

Nessas figuras, o ângulo θ é chamado de ângulo de inclinação da reta r em relação ao eixo Ox .

 Coeficiente angular de uma reta


O coeficiente angular ou declividade de uma reta r, caso exista, é um número real m, associado à inclina-
ção θ da reta, de modo que m = tg θ.
Esse coeficiente pode ser positivo (Fig. 1) ou negativo (Fig. 2) ou nulo (Fig. 3) ou, ainda, pode não
existir (Fig. 4).

172 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y Fig. 4 y r
r
r
r
θ θ
θ
O x O x O x O x
0° < θ < 90° ⇒ tg θ > 0 90° < θ < 180° ⇒ tg θ < 0 θ = 0° ⇒ tg θ = 0 θ = 90° ⇒ m
m = tg θ ⇒ m > 0 m = tg θ ⇒ m < 0 m = tg θ ⇒ m = 0 m = tg θ ⇒ tg θ
Genericamente, podemos calcular o coeficiente angular de uma reta de três modos:
1o modo: Conhecendo o ângulo θ, de inclinação da reta.
Nesse caso, usamos a definição:
m = tg θ

2o modo: Conhecendo dois pontos A e B da reta.


Devemos analisar duas possibilidades:
1a) A reta tem inclinação aguda (Fig. 1 e Fig. 2).
2a) A reta tem inclinação obtusa (Fig. 3 e Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4


y y y
yB B y B
yB A
yA A yA
yB- yA

yA - yB
yA A A α
yA yB β B
xB- xA yB B θ xB - x A β θ
θ θ
O xA xB x O xA xB x O xA xB x
O xA xB x

Na primeira possibilidade, temos: Na segunda possibilidade, temos:


0 < q < 90° ⇒ tg q > 0 (Fig. 1) 90° < q < 180° ⇒ tg q < 0 (Fig. 3)
a = q ⇒ tg a = tg q (Fig. 2) q + b = 180° ⇒ tg q = – tg b (Fig. 4)
y –y y –y y –y y –y
tg a = B A ⇒ tg q = B A tg b = A B ⇒ tg q = B A
xB – xA xB – xA xB – xA xB – xA
yB – yA y –y yB – yA y –y
m= ou m = A B m= ou m = A B
xB – xA xA – xB xB – xA xA – xB

yA – yB Dy
\m= ou m =
xA – xB Dx

3o modo: Conhecendo sua equação geral.


Nesse caso, como vimos, a reta que passa pelos pontos A e B tem sua equação dada pela expressão
(yA – yB )x + (xB – xA )y + (xAyB – xByA ) = 0, a qual pode ser escrita na forma geral ax + by + c = 0.
O coef iciente angular m de uma reta que passa por A(xA, yA ) e B(xB, yB ) pode ser obtido por
y –y
m = xB – xA .
B A

Da equação geral, tiramos que yA – yB = a e xB – xA = b.

Desse modo:
yB – yA – (yA – yB)
m= x –x ⇒m= x –x
B A B A
a
\m=–
b

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


173
Exemplos:
• • •
y y y
r
r
150°
45°
O x O r x x
θ = 45° ⇒ mr = tg 45° θ = 150° ⇒ mr = tg 150° θ = 0° ⇒ mr = tg 0°

\m=1 \m=– 3 \m=0


3
• • •
r r
0 A(3,6) B(4,-1) A(1,5) B(1,8)
x-3y+8= r

Dy Dy
mr = – a ⇒ mr = – 1 mr = ⇒ mr = –1 – 6 mr = ⇒ mr = 8 – 5
b –3 Dx 4–3 Dx 1–1

\m= 1 \ m = –7 \ m = 3 ⇒ $ mr
3 0

 Coeficiente linear
Seja uma reta r de equação geral ax + by + c = 0. Como vimos, um ponto pertencente ao eixo Oy tem
abscissa nula. Assim, para a reta r citada, se fizermos x = 0, vamos obter y = – c .
b
Concluímos que o ponto onde r corta o eixo Oy é 0, – c , conforme figuras a seguir:
b
y r y r y y
x
0,- c O O x
b 0,- c
b 0,- c
x b
x 0,- c
O O b

O número – c , que indicaremos por q, é o que chamamos de coeficiente linear da reta.


b

Exercícios resolvidos
5 Em cada caso a seguir, obtenha os coefi cientes angular e linear da reta representada.
a) b) c)
y y y
(0,5) s (0,4)
(0,3)

30° O
O r x (4,0) O x (4,0) t x

174 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Resolução:
O coeficiente angular é igual à tangente do ângulo de inclinação, o qual é tomado no sentido anti-horário.
O coeficiente linear é a ordenada do ponto no qual a reta corta o eixo Oy .
No caso da reta r, o ângulo de inclinação é 180° – 30° = 150° (Fig. 1).
No caso da reta s, o ângulo de inclinação é a (Fig. 2).
No caso da reta t, o ângulo de inclinação é b (Fig. 3).
Vamos redesenhar as figuras com os elementos adequados:

Fig.11
Fig. Fig. 2 Fig. 3
y y Fig. 3 y
(0,5) s

A 4
3 β
150°
α α
O x B 4 O x O 4 t x
r

a) mr = tg 150° ⇒ mr = – 3 q = 5
3
\ O coeficiente angular é – 3 e o coeficiente linear é 5.
3
b) O triângulo AOB é retângulo de catetos medindo (oposto a a) e 4 (adjacente a a).
ms = tg a ⇒ ms = 3 q=3
4
\ O coeficiente angular é 3 e o coeficiente linear é 3.
4
c) O triângulo AOB é isósceles, indicando que a = 45° e que b = 135°.
mt = tg 135° ⇒ mt = –1 q = 4

\ O coeficiente angular é – 1 e o coeficiente linear é 4.

6 Quais são os coeficientes angulares das retas r e s, sabendo que r passa por A(2, 4) e B(3, 6) enquanto s
passa por C(0, 8) e D(2, 2)?

Resolução:
O coeficiente angular m pode ser calculado por meio do quociente entre a variação das ordenadas e a
variação das abscissas, nessa ordem. Assim:
mr = 6 – 4 ⇒ mr = 2 ms = 2 – 8 ⇒ ms = –3
3–2 2–0
\ Os coeficientes são, respectivamente, 2 e –3

2.4 Equação reduzida da reta

A
simples observação da equação geral de uma reta não nos permite visualizar, com clareza, como
variam as ordenadas em função das abscissas.
  Essa clareza pode ser visualizada na equação reduzida da reta, obtida quando isolamos y no
primeiro membro da equação geral, como segue:

ax + by + c = 0 ⇒ by = – ax – c

y = – ax – c ⇒ y = – a x – c
b b b
Lembrando que o coeficiente angular é m = – a e o coeficiente linear é q = – c , temos:
b b
a c
y = – x – ⇒ y = mx + q
b b

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


175
Essa é a forma reduzida da equação da reta, na qual ficam evidentes os coeficientes angular e linear.

Exemplos:
• 2x + 3y – 6 = 0 • 6x – 3y + 8 = 0
2x + 3y – 6 = 0 ⇒ 3y = – 2x + 6 6x – 3y + 8 = 0 ⇒ 6x + 8 = 3y

y = – 2 x + 6 ⇒ y = – 2 x + 2 y = 6x + 8 ⇒ y = 2x + 8
3 3 3 3 3 3
\ A equação reduzida é y = – 2 x + 2 \ A equação reduzida é y = 2x + 8
3 3
  Intersecção de duas retas
Sabe-se, da Geometria Plana, que duas retas são concorrentes quando têm um único ponto comum
(Fig. 1). Desse modo, existe um ponto P(xP , yP) que pertence, simultaneamente, a essas duas retas (Fig. 2).

Fig. 1 r Fig. 2 y r
P yP P
r∩s = {P (xP,yP)}
r∩s = {P} s s
O xP x

Evidentemente, o ponto P(xP, yP) de intersecção de duas retas concorrentes r e s pertence a cada uma
dessas retas. Sendo assim, suas coordenadas devem verificar as equações de ambas as retas.
Nessas condições, considerando as equações dessas retas, o ponto P(xP, yP) é a solução do sistema for-
mado por essas equações.

Exemplos:
• 2x + 5y – 3 = 0 e x – y + 2 = 0 • y = 3x + 8 e y = x – 4
2x + 5y – 3 = 0 y = 3x + 8

x– y+2= 0 y=x–4
Resolvendo, vamos obter x = –1 e y = 1.   Resolvendo, vamos obter x = – 6 e y = –10.
\ O ponto de intersecção é (–1, 1). \ O ponto de intersecção é (– 6, –10).

  Feixe de retas concorrentes (Equação fundamental)


Consideremos um ponto (x0, y0) do plano cartesiano (Fig. 1). Como sabemos, há, nesse plano, infinitas
retas passando por esse ponto (Fig. 2), sendo uma horizontal (Fig. 3) e uma vertical (Fig. 4).

Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y Fig. 4 y


(x0,y0) (x0,y0)
y0 (x0,y0)
y0
(x0,y0)

O x0 x O x O x O x0 x

Dessas retas, apenas a vertical não apresenta coeficiente angular, visto que $ tg 90°. O coeficiente angu-
lar das demais pode ser obtido considerando dois pontos dessa reta. Nesse sentido, sendo (x0, y0 ) um deles
e (x, y) um outro ponto genérico, temos:
y – y0
m = x – x ⇒ y – y0 = m(x – x0 )
0

Essa equação, conhecida como equação fundamental, representa todas as possíveis retas que passam
por (x0, y0), exceto aquela dada pela equação x = x0, pois esta é vertical e não tem coeficiente angular.

Assim, o feixe de retas concorrentes em (x0, y0 ) é constituído pelas retas de equações y – y0 = m(x – x0 )
e x = x0.

176 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercício resolvido
7 Qual é a equação do feixe de retas concorrentes no ponto (4, 3)?

Resolução:
Todas as retas que passam por (4, 3) podem ter coefi ciente angular m, exceto uma, que é verti cal.
No últi mo caso, a reta é x = 4. Nos demais casos, usamos a equação fundamental.
y – y0 = m(x – x0) ⇒ y – 3 = m(x – 4)

\ A equação do feixe é a reunião das equações y – 3 = m(x – 4) e x = 4, m ∈ .

Exercícios de sala
8 Obtenha a equação reduzida da reta r de equação geral 8x + 2y – 3 = 0 e, a parti r dela, indique os coefi -
cientes angular e linear.

9 Obtenha a intersecção das retas (r) x – 2y + 6 = 0 e (s) x + y – 3 = 0.

10 Obtenha a equação geral da reta r, de coefi ciente angular m, que passa pelo ponto P em cada caso a seguir:
a) P(2, 4) e mr = 2 b) P(–1, –2) e mr = –3

11 Em cada caso a seguir, encontre a equação da reta r.


a) b) c) d)
y r y r y
y
(6,5) (5,6) (2,4)
r

45° 45°
O 2 x O x O x O x
r

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


177
12 Qual a área limitada pelas retas de equações x + y = 0, x – y + 12 = 0 e 2x – y + 12 = 0?

y
13 A equação x + q = 1 é conhecida como equação segmentária de uma reta. Nesse formato, ela mostra
p
explicitamente a abscissa (p) e ordenada (q) dos pontos em que a reta corta os eixos coordenados. Ou seja,
ela mostra as medidas algébricas, respectivamente, dos segmentos que a reta determina nos eixos Ox e Oy .
Por isso ela é chamada equação segmentária.
y y y y
p x p x
(0,q) (0,q)
O (p,0) (p,0) O
q q q q
(p,0) (p,0)
O p x p O x (0,q) (0,q)

Nessas condições, considere as retas r e s dos planos cartesianos a seguir:


Fig. 1 y Fig. 2 y s
O 2 x
4

-3

O 6 r x

a) Qual a equação segmentária de r? b) Qual a área que r delimita com os eixos coordenados?
c) Qual a equação reduzida de s? d) Qual a área que s delimita com os eixos coordenados?

14 As equações x = f(t) e y = g(t) representam, respectivamente, as abscissas e as ordenadas dos pontos de uma
mesma curva, em função de um parâmetro t. Essas equações são chamadas de equações paramétricas da cur-
va. Nos casos em que x e y se relacionam por meio de expressões de 1o grau, essa curva é uma reta.
x = t–4
Nessas condições, obtenha a equação reduzida da reta dada por , com t ∈ .
y = 2t + 6

178 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2.5 Paralelismo e Perpendicularismo

C
Você se lembra om base no conceito de inclinação e de coeficiente angular de
uma reta, podemos estabelecer as condições de paralelismo e
Duas retas r e s de um pla- de perpendicularismo entre duas retas.
no são paralelas e disti ntas quando
apresentam interseção vazia, ou,
ainda, quando formam ângulos  Condição de paralelismo
de medidas iguais com uma ter- Duas retas são paralelas se elas forem verticais ou, então, apresen-
ceira reta. Duas retas r e s de um tarem o mesmo coeficiente angular. Desse modo, temos três casos a
plano são perpendiculares quando considerar.
são concorrentes e formam 90° 1o caso: As retas são verticais (Fig. 1).
entre si. 2o caso: As retas são horizontais (Fig. 2).
3o caso: As retas são oblíquas aos eixos (Fig. 3 e Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2
y r s y
r

O x O x

Fig. 3 Fig. 4
y r s y r s

α β α β
O x O x

Demonstração:
Se considerarmos os ângulos de inclinação dessas retas e seus co-
eficientes angulares, temos:
1o caso: As retas formam 90° com Ox indicando que não apresentam
coeficiente angular. Assim, $ mr e $ ms.
2o caso: As retas formam 0° com Ox e, ambas, têm coeficiente angu-
lar nulo. Assim, mr = 0 e ms = 0.
3o caso: Como r // s, temos que a = b. Daí, tg a = tg b.
tg a = mr e tg b = ms ⇒ mr = ms

\ r // s ⇒ mr = ms

 Retas paralelas distintas


Se r e s forem paralelas e distintas, elas terão coeficientes lineares
distintos. Assim:
mr = ms e qr ≠ qs ⇒ r // s e r ≠ s

 Retas paralelas coincidentes


Se r e s forem coincidentes, elas terão o mesmo coeficiente linear.
Assim:
mr = ms e qr = qs ⇒ r // s e r = s

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


179
Exercícios resolvidos
15 Verifi que a posição relati va das retas r e s, em cada caso a seguir:
a) (r) x + y – 4 = 0, (s) y = –x + 1  b) (r) y = 3x, (s) x + 2y – 4 = 0  c) (r) 4x – 2y + 6 = 0, (s) y = 2x + 3

Resolução:
Devemos comparar os coefi cientes angulares e, se necessário, comparar os coefi cientes lineares. Desse
modo, devemos, por comodidade, usar as equações reduzidas.
a) (r) x + y – 4 = 0 ⇒ y = –x + 4 (s) y = –x + 1   mr = ms e qr ≠ qs ⇒ r // s e r ≠ s
\ As retas são paralelas distintas

b) (r) 3x (s) x + 2y – 4 = 0 ⇒ y = – x + 2 mr ≠ ms ⇒ r s
2
\ As retas são concorrentes

c) (r) 4x – 2y + 6 = 0 ⇒ y = 2x + 3 (s) y = 2x + 3 mr = ms e qr = qs ⇒ r // s e r = s

\ As retas são coincidentes

16 Estude, em função de k, a posição relati va das retas (r) y = k2x + k e (s) y = 4x – 2.

Resolução:
Observando as equações, temos que:
mr = k2 e ms = 4 qr = k e qs = –2

Para que as retas sejam paralelas (disti ntas ou não), devemos ter mr = ms.
k2 = 4 ⇒ k = ±2
Para k = 2, temos:  Para k = –2, temos:
mr = (2)2 ⇒ mr = 4 mr = (–2)2 ⇒ mr = 4
mr = ms e qr ≠ qs mr = ms e qr = qs
qr = 2 qr = –2
Nesse caso, teremos r // s e r ≠ s  Nesse caso, teremos r = s.

 Para serem concorrentes, devemos ter ms ≠ ms.


r s ⇒ mr ≠ ms k2 ≠ 4 ⇒ k ≠ ±2
Se k = 2, as retas são paralelas e distintas.
\ Se k = –2, as retas são paralelas e coincidentes.
Se k = ≠ ±2, as retas são concorrentes.

17 Encontre uma equação que represente todas as retas paralelas à reta r, em cada caso a seguir:
a) (r) 3x + 2y – 4 = 0 b) y = 1 x + 6
5
Resolução:
Duas retas são paralelas quando apresentam coefi cientes angulares iguais. Nesse senti do, consideran-
a
do a equação ax + by + k = 0, independentemente do valor de k, temos que m = – . Desse modo, pode-
b
mos dizer que essa equação consti tui um feixe de retas paralelas entre si, para k ∈ . O mesmo ocorre
a
com as retas de equação y = – x + k.
b
a) Toda reta da forma 3x + 2y + k = 0 será paralela a r.
\ A equação é 3x + 2y + k = 0, com k ∈ .
1
b) Toda reta da forma y = x + k será paralela a r.
5
\ A equação é y = 1 x + k, com k ∈ .
5

180 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


18 Conduza por P(–3, 5) uma reta paralela à reta 3x + y – 1 = 0.

Resolução:
Das infinitas retas que passam por P (Fig. 1), apenas uma é paralela à reta dada (Fig. 2).
Fig. 1 Fig. 2
r
P(-3,5)
P (-3,5) s
r//s
y- 1=0
3x +

Podemos obter a equação de r de dois modos:

1o modo: (Equação Fundamental): 2o modo: (Feixe de Paralelas):


r // s ⇒ mr = ms  Como r // s e (s) 3x + y – 1 = 0 ⇒ 3x + y + k = 0

ms = – a ⇒ ms = – 3 P(–3, 5) ∈ r ⇒ 3(–3) + (5) + k = 0


b 1
ms = –3 ⇒ mr = –3 –9 + 5 + k = 0 ⇒ k = 4.
(–3, 5) ∈ r ⇒ y – 5 = –3 . [x – (–3)]  Daí, temos a equação:
y – 5 = –3x – 9 ⇒ 3x + y + 4 = 0 3x + y + 4 = 0
\ A equação de r é 3x + y + 4 = 0
 Perpendicularismo
Duas retas r e s são perpendiculares quando são concorrentes e formam 90° entre si.

  Condição de Perpendicularismo
Duas retas são perpendiculares se uma for vertical e a outra horizontal, ou, então, se seus coeficientes
angulares forem inversos entre si e de sinais trocados, ou seja, se apresentarem produto igual a –1.

Demonstração:
1o caso: Uma das retas é vertical, e a outra, horizontal (Fig. 1).
2o caso: Nenhuma das retas é vertical (Fig. 2).
Fig. 1 y s Fig. 2 y
s r

r
C

α β
x
O x O A B
Nesse caso, podemos estabelecer uma relação entre seus coeficientes angulares, como segue:
Se considerarmos os ângulos de inclinação dessas retas e seus coeficientes angulares, temos:
Para o 1o caso, consideremos que r é horizontal e que s é vertical. Então, mr = 0 e $ ms.
Para o 2o caso, seja mr = tg a e ms = tg b.

β = α + 90° (b é externo do ABC).

Da trigonometria, temos:

tg β = tg (α + 90o) ⇒ tg β = – cotg α
1
tg β = – ⇒ tg a . tg b = –1
tg α
  Como mr = tg a e ms = tg b, temos a condição de perpendicularismo entre r e s:
1
ms = – ⇒ mr . ms = –1
mr

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


181
Exercícios resolvidos
19 Calcule k, de modo que as retas (r) kx – 9y – 1 = 0 e (s) 2x + 6y – 3 = 0 sejam perpendiculares.

Resolução:
Como nenhuma das retas é verti cal, temos:
k k 2 1
mr = – ⇒ mr = ms = – ⇒ ms = –
–9 9 6 3
Da condição de perpendicularidade, temos:
1 k 1
mr = – ⇒ =–
ms 9 1

3
k
= 3 ⇒ k = 27
9
\ O valor de k é 27.

20 Obtenha uma equação que represente todas as retas perpendiculares à reta (r) em cada caso a seguir:
a) (r) 4x – 3y + 6 = 0 b) y = –2x + 5

Resolução:
Duas retas são perpendiculares quando seus coefi cientes angulares forem inversos entre si e com sinais
trocados. Nesse senti do, considerando uma reta (r) de equação dada por ax + by + c = 0, seu coeficiente
a
angular é mr = – .
b
Notemos, então, que toda reta (s) de equação bx – ay + k = 0 será perpendicular a (r), pois, dessa forma,
b 1
ms = , indicando que ms = – .
a mr
Assim, bx – ay + k = 0 consti tui um feixe de retas perpendiculares a r, para k ∈ . O mesmo ocorre com

a equação y = b x + k.
a
a) Toda reta do ti po 3x + 4y + k = 0, com k ∈ , é perpendicular a r.

\ A equação é 3x + 4y + k = 0, com k ∈ .

b) Toda reta do ti po y = 1 x + k, com k ∈ , é perpendicular a r.


2
\ A equação é y = 1 x + k, com k ∈ .
2
21 Conduza por P(3, 5) uma reta r perpendicular à reta (s) 2x – y + 5 = 0.

Resolução:
Das infi nitas retas que passam por um ponto P dado (Fig. 1), apenas uma é perpendicular a uma reta (s)
dada (Fig. 2).

Fig. 1 Fig. 2
0

P(-3,5)
5=

P(-3,5)
y+
2x -

r s

s r

182 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Podemos obter a equação de r, passando por (x0, y0 ) = (3, 5), de dois modos:

1o modo: (Equação Fundamental): 2o modo: (Feixe de Perpendiculares):


 Sejam mr os coeficientes angulares de r e ms e de s. (s) 2x – y + 5 = 0 ⇒ (r) –x – 2y + k = 0
1
ms = – 2 ⇒ ms = 2 mr = – m1 ⇒ mr = – P(3, 5) ∈ r ⇒ –(3) – 2(5) + k = 0
–1 s 2
1
y – y0 = mr (x – x0) ⇒ y – 5 = – (x – 3) –13 + k = 0 ⇒ k = 13
2
2y – 10 = –x + 3 ⇒ x + 2y – 13 = 0 (r) –x – 2y – 13 = 0 ⇒ (r) = x + 2y – 13 = 0

\ A reta tem equação x + 2y – 13 = 0

Exercícios de sala
22 Calcule a, de modo que as retas (r) 3x + 2y + 6 = 0 e (s) ax + 6y + 3 = 0 sejam:
a) paralelas; b) concorrentes; c) perpendiculares.

23 Conduza por P(2, 4) uma reta (s) que seja:


a) paralela à reta (r) 3x – 2y + 4 = 0; b) perpendicular à reta (r) 4x + 2y + 3 = 0.

24 Sabe-se que a altura de um triângulo é o segmento compreendido entre o vérti ce e o lado oposto, conti do
na perpendicular a esse lado.
Qual a equação da reta suporte da altura do triângulo de vérti ces A(2, 4), B(0, 0) e C(4, 3), relati va ao
lado BC?

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


183
25 Em cada figura a seguir, determine a equação da reta suporte de BC.
a) b) c)
y y y
C
D C
4
B (0,1)
B
0 x
D
45° 45° O 1 60° A(-1, -2)
0 4 B x A C x

26 Da Geometria Plana, sabemos que a mediatriz de um segmento de reta é a reta que passa pelo ponto mé-
dio desse segmento e é perpendicular a ele. Desse modo, obtenha a equação da mediatriz do segmento
de extremidades A(2, 4) e B(6, 2).

27 Discuta, em função de m, a posição relativa de cada par de retas a seguir.


a) (r) mx + y + 4 = 0 e (s) 3x – y + 4 = 0 b) (r) m2x + y – 6 = 0 e (s) y = –16x + (2 – m)

2.6 Ângulo agudo entre duas retas

Q
uando duas retas são concorrentes (Fig. 1), formam entre si dois ângulos suplementares adja-
centes, sendo que o agudo chamaremos de q (Fig. 2), conforme figura a seguir.

Fig. 1 r Fig. 2 r
180°- θ
θ
P P
s s

No plano cartesiano, podemos relacionar esse ângulo agudo com os coeficientes angulares das retas r
e s, do seguinte modo:

184 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


1o caso:
As retas r e s têm coeficiente angular (ou seja, não são verticais) e não são perpendiculares entre si (Fig. 1 e Fig. 2).

2o caso:
Apenas uma das retas (s, por exemplo) é vertical (Fig. 3 e Fig. 4).
Fig. 1 y r s Fig. 2 y
A r s

θ A
θ
β
α β α
0 B C x 0 B C x
Fig. 3 y s Fig. 4 y r s
r
A A
θ θ

α
α
0 B C x 0 C B x

Para o 1o caso, temos:


No triângulo ABC, das figuras 1 e 2, temos que b é externo e q é agudo. Daí:
β=α+θ⇒θ=β−α
Da Trigonometria, temos:
tg b – tg a
tg θ = tg (β − α) ⇒ tg q =
1 + tg b . tg a
Como tg b = mr , tg a = ms e tg q > 0, concluímos que:
mr – ms
tg q =
1 + mr . ms
Para o 2o caso, temos:
Na figura 3, temos que:   Na figura 4, temos que:
a + q = 90° ⇒ q = 90° – a a = 90° + q ⇒ q = a – 90°
tg q = tg (90° – a) ⇒ tg q = cotg a tg q = tg (a – 90°) ⇒ tg q = – cotg a
1
Como cotg a = , tg α = mr, e tg θ > 0, concluímos que:
tg a
1
tg q =
mr

Exemplos:
• As retas (r) 3x – 8y + 2 = 0 e (s) x + 2y – 1 = 0. • (r) x – y + 1 = 0 e (s) x – 3 = 0

mr = 3 e ms = – 1 (r e s têm coeficiente angular)


1 1
mr = – ⇒ mr = 1 e ms = – ⇒ $ ms
8 2 –1 0
Sendo q o ângulo entre r e s, temos: $ ms ⇒ s é vertical
3 – –1 Sendo q o ângulo entre r e s, temos:
mr – ms 8 2
tg q = ⇒ tg q =
1 + mr . ms 1 ⇒ tg θ = 1
1+ 3 . – 1 tg θ =
m 1
8 2 r
tg q = 14 ⇒ tg q = 14
13 13 tg θ = 1 ⇒ q = 45°

\ O ângulo é q = arctg 14 . \ O ângulo é de 45°.


13
Noções sobre reta no Plano Cartesiano
185
Exercícios de sala
28 Calcule a medida do ângulo agudo θ formado por (r) e (s), em cada caso:
a) y = 2x + 4 (r) e y = –x + 6 (s) b) 3 x – y + 4 = 0 (r) e y + 2 = 0 (s) c) x + y – 4 = 0 (r) e x – 6 = 0 (s)

29 Obtenha a inclinação entre as retas x – 6 = 0 e x + y = 0

2.7 Distância de ponto a reta

C
onsideremos o caso mais relevante, constituído por uma reta (r) de equação geral ax + by + c = 0
e um ponto P(x0, y0 ) fora dela (Fig. 1) e seja d a distância entre eles (Fig. 2).

Fig. 1 P Fig. 2 P

ax+by+c=0 ax+by+c=0

Demonstra-se que a distância d é dada por:

|ax0 + by0 + c|
d=
a2 + b2

Navegar é preciso
http://

Ao leitor interessado nessa demonstração, recomendamos acessar o link: htt p://cnec.lk/07sn.

186 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exemplos: • P(0, 0) e (r) y = 3 x – 5
4
4) e (r) 3x + 2y – 6 = 0 é 11 3
• P(3,
3
y = x – 5 ⇒ 3x – 4y – 20 = 0
3 4
3.3+2.4–6
d= ⇒ d = 11
32 + 22 13 d= 3 . 0 – 4 . 0 – 20 ⇒ d = –20
32 + (–4)2 25
11 13 11 13
d= ⇒d= d = –20 ⇒ d = |–4|
13 . 13 13 5

\ A distância é 11 13 . \ A distância é 4.
13

Exercício resolvido
30 Calcule a distância entre as retas paralelas de equações dadas por (r) 4x – 3y + 15 = 0 e (s) 4x – 3y – 15 = 0 é 6.

Resolução:
Inicialmente, lembremos que a distância entre duas retas paralelas se mantém constante ao longo do
plano (Fig. 1). Por esse moti vo, essa distância é igual à distância de qualquer ponto de uma até a outra (Fig. 2).
Fig.1 Fig.2
r r P

//
//

//

s s

Vamos, primeiramente, encontrar um ponto P ∈ r. Para tanto, atribuímos um valor arbitrário a x (por
exemplo, x = 0) e obtemos o valor correspondente de y.
4 . 0 – 3y + 15 = 0 ⇒ y = 5
P(x0, y0 ) ⇒ P(0, 5) ∈ r

Para encontrar a distância d de P a s, uti lizamos a fórmula da distância de ponto a reta:


4 . 0 – 3 . 5 – 15
d= ⇒ d = –15 – 15
42 + (–3)2 25

30
d= – ⇒d=6
5
\ A distância é 6.

Exercícios de sala
31 Calcule a distância entre P e (r) nos casos:
a) P(2, 4) e (r) x + 2y – 8 = 0. b) P(3, 6) e (r) 4x + 3y = 0.

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


187
32 Qual a medida da altura do triângulo ABC, relativa ao lado BC, sendo A(5, –10), B(0, 0) e C(3, 4)?

12
33 Qual a distância entre as retas (r) e (s) de equações dadas por 12x + 5y – 1 = 0 e y = – x + 8, respectivamente?
5

34 Considere o ponto P(2, 4) e a reta (r) 5x + 12y + 4 = 0. Obtenha uma reta (s) distante 5 do ponto P tal que:
a) r // s; b) r ^ s.

35 A figura a seguir representa o levantamento topográfico feito em uma fazenda, consideravelmente plana,
segundo as orientações norte (N) e leste (L).
Os pontos indicados por E1, E2, ..., E5 representam as seis principais estacas de delimitação da fazenda (Fig. 1).
O fazendeiro deseja construir uma cerca perpendicular à direção de E4 e E5, dividindo a fazenda em
duas partes, ambas contendo a estaca E2 (Fig. 2).
Fig.1 Fig.2
N(km) N(km)
E3 E3
7 7
6 E2 6 E2

3 E4 3 E4
E5 E5
E1 2 4 6 10 L(km) E1 2 4 6 10 L(km)
Quantos quilômetros de cerca deverão ser construídos?

188 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


2.8 Inequações de primeiro grau

D
a Geometria Plana, sabemos que toda reta divide o plano
Você se lembra em duas regiões (chamadas semiplanos) com origem nessa
reta. Analiticamente, existem inequações que representam
Para uma expressão polinomial essas regiões. Tomemos, inicialmente, os casos mais sim-
E, temos: ples, envolvendo retas verticais ou retas horizontais e, em seguida, os
Se |E| < a ⇒ –a < E < a casos envolvendo retas oblíquas ao eixo Ox .
Se |E| > a ⇒ E < – a ou E > a
 Inequações do tipo x < x0 e do tipo x > x0.
Se construirmos a reta x = x0, essa reta dividirá o plano de modo
que os pontos situados à sua esquerda têm, todos, abscissa menor que
x0, representando a inequação x < x0 (Fig. 1 e Fig. 2).
Por outro lado, os pontos situados à sua direita terão, todos, abs-
cissa maior que x0, representando a inequação x > x0 (Fig. 3 e Fig. 4).
Fig. 1 y Fig. 2 y

x< x0 x < x0

x0 x O x0 x
Fig. 3 y Fig. 4 y

x > x0 x > x0

x0
x0 O x O x

 Inequações do tipo y < y0 e do tipo y > 0.


Analogamente, os pontos situados abaixo da reta y = y0 represen-
tam a inequação y < y0 (Fig. 1 e Fig. 2), e os pontos situados acima
dessa reta representam a inequação y > y0 (Fig. 3 e Fig. 4).

Fig. 1 y Fig. 2 y

y0
O x
y0
y < y0
y > y0
O x
Fig. 3 Fig. 4
y y

y > y0
O x
y > y0 y0

y0
O x

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


189
Exemplos:
• x < –4 •x>3
y y

x < -4 x≥3

-4 3
O x O x

• y < –2 •y>3
y y

y>3
O x
3
-2
y ≤ -2 x
O

Exercício resolvido
36 Resolva, grafi camente as regiões R1, R2, R3 e R4 defi nidas a seguir:
R1: |x| < 1  R2: |x| > 1  R3: |y| < 2  R4: y > 2

Resolução:
Eliminando os módulos, temos:
R1: –1 < x < 1  R2: –1 < x < 1  R3: –2 < y < 2  R4: y < –2 ou y > 2

\ As representações são:

R1 y R2 y

O 1 x O 1 x
-1 -1

R3 y R4 y
2 2

O x O x

-2 -2

190 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


 Inequações do tipo y < mx + q e do tipo y > mx + q
Nesse caso, tomemos, sem perda da generalidade, a reta (r) y = mx + q e os pontos P, Q e R, situados
acima de r e abaixo de r e pertencentes a r respectivamente, todos com a mesma abscissa x (Fig. 1 e Fig. 2).
Notemos que, para qualquer x, teremos:
y > mx + q
yR = mx + q, yP > yR e yQ < yR ⇒ P
yQ < mx + q

Desse modo, os pontos situados acima de r representam a inequação y > mx + q, e os pontos situados
abaixo de r representam a inequação y < mx + q (Fig. 3 e Fig. 4).

Fig. 1 y Fig. 2 y
yP P q y= yP P
mx+ mx
yR = + q
R y
yR R
yQ Q yQ Q
O x x O x x
r r

q Fig. 4
Fig. 3 y x+ y= y
y =m mx y>
+q + q m
x x+
y >m q y< q
mx+ mx
y < + q
O x O x

Exemplos:
• y > –2x • y < 3x + 2
y y
x y x y
2 2
0 0 0 6

–1 2 –2 0
-1 O x -2 O x

Exercício resolvido
37 Determine, grafi camente, a solução de cada inequação a seguir e, em seguida, descreva a região obti da.
x–y+4>0
a) b) |x + y| < 4
x+y–2<0

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


191
Resolução:
a) Primeiramente, vamos obter as equações reduzidas e resolver cada desigualdade separadamente (Fig. 1 e
Fig. 2) e, depois, hachurar a solução procurada (Fig. 3).
(r) x – y + 4 > 0 ⇒ y < x + 4 (s) x + y – 2 < 0 ⇒ y < –x + 2
Fig. 1 y r y Fig. 3 s y
x y x y Fig. 2 s 4
4

0 4 0 2 2
2
-4 -4
–4 0 O x 2 0 O 2 x O 2 x

\ A solução gráfica é uma região angular.

b) Primeiramente, vamos decompor o módulo:


y > –x – 4 (r)
|x + y| < 4 ⇒ – 4 < x + y < 4 –x – 4 < y < –x + 4 ⇒ e
y < –x + 4 (s)

Representamos, separadamente, as desigualdades y > –x – 4 (Fig. 1) e y < –x + 4 (Fig. 2). Em seguida,


representemos a solução geral (Fig. 3).
Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 s y
x y x y 4
4
r
0 –4 0 4 -4
-4 O x O 4 x
O 4 x
s
–4 0 4 0
-4 r -4

\ A solução gráfica é a região interna a duas retas paralelas.

Exercícios de sala
38 Represente, grafi camente, a região plana indicada em cada item a seguir:
a) x < 4   b) 1 < y < 2   c) x + 2y – 6 > 0   d) x – y – 8 < 0

192 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


39 Resolva, grafi camente, cada sistema de inequações a seguir:
y < x+4
x–y+2>0 |x + y| < 2
a) b) c) y < –x + 2
|x| < 4 –1 < y < 2
x>0

40 Certo professor de Matemáti ca costuma representar, matemati camente, quase todas as coisas que en-
volvem despesas. Certa ocasião, precisou comprar sal e açúcar e ti nha R$ 20,00 para fazer a compra.
O quilograma de sal custava R$ 1,00 e o quilograma do açúcar, R$ 2,00. Após representar grafi camente as
possíveis compras de x quilogramas de sal e y quilogramas de açúcar, qual o resultado obti do pelo professor?

Exercícios propostos
41 (ENEM) Um bairro de uma cidade foi planejado em uma região plana, com ruas paralelas e perpendicula-
res, delimitando quadras de mesmo tamanho. No plano de coordenadas cartesianas seguinte, esse bairro
localiza-se no segundo quadrante, e as distâncias nos eixos são dadas em quilômetros.

8
6
4
2
-8 -6 -4 -2 -2 2 4 6 8
-4
-6
-8

A reta de equação y = x + 4 representa o planejamento do percurso da linha do metrô subterrâneo


que atravessará o bairro e outras regiões da cidade. No ponto P = (–5, 5), localiza-se um hospital público.
A comunidade solicitou ao comitê de planejamento que fosse prevista uma estação do metrô de modo
que sua distância ao hospital, medida em linha reta, não fosse maior que 5 km.
 Atendendo ao pedido da comunidade, o comitê argumentou corretamente que isso seria automati ca-
mente sati sfeito, pois já estava prevista a construção de uma estação no ponto.
a) (–5, 0). b) (–3, 1). c) (–2, 1). d) (0, 4). e) (2, 6).

42 (UFOP-MG) A reta r contém os pontos (–1, –3) e (2, 3). O valor de m, de modo que o ponto (m, 7)
pertença a r, é:
a) 1 b) 2 c) 3 d) 4

Noções sobre reta no Plano Cartesiano


193
43 (PUCRJ) Sejam r e s as retas de equações y = x – 2 e y = – x + 5 , respectivamente, representadas no grá-
2 2
fico abaixo. Seja A o ponto de interseção das retas r e s. Sejam B e C os pontos de interseção de r e s com
o eixo horizontal, respectivamente.

s y
r

A
B C x

A área do triângulo ABC vale:


a) 1,0. b) 1,5. c) 3,0. d) 4,5. e) 6,0.

44 (UNIFEI-MG) A equação da mediatriz do segmento que une os pontos A(1, 9) e B(–9, 3) é:


a) 5x + 3y + 2 = 0. b) 3x + 2y + 5 = 0. c) 2x + 5y + 3 = 0. d) x + y = 0.

45 (FEI-SP) Num sistema cartesiano ortogonal xOy, a equação geral da reta t, que passa pelo ponto de inter-
seção das retas r: x + y – 5 = 0 e s: –3x + 2y = 0 e que tem coeficiente angular igual a –1 é dada por:
a) x + y – 5 = 0  b) x – y + 5 = 0  c) x – y + 1 = 0   d) x + y – 1 = 0  e) –x – y + 7 = 0

46 (FGV) No plano cartesiano, a reta que passa pelo ponto P(6, 9) e é paralela à reta de equação 2x + 3y = 6
intercepta o eixo das abscissas no ponto:
a) (13, 0)    b)  35 , 0     c) (18, 0)    d)  39 , 0     e) (23, 0)
2 2

47 (UNIFOR-CE) Considere as retas r e s definidas por kx – (k+2)y = 2 e ky – x = 3k respectivamente. Determine
o valor de k, de modo que as retas r e s sejam paralelas:
a) k = –1 ou k = 1  b) k = –1 ou k = 2  c) k = 1 ou k = 2  d) k = 0 ou k = 2  e) k = –2 ou k = 2

48 (MACK-SP) Na figura, se r e s são retas perpendiculares, a abscissa de P é
y
3
s

x
O 2 r

a) 4 b)  6 c)  18 d)  2 e)  6


13 13 7 7
49 (FEI-SP) Num sistema cartesiano ortogonal (O, x, y), considere a reta que passa pelos pontos A(2, 0) e
B(0, 3). A equação da reta perpendicular à reta determinada pelos pontos A e B, no ponto B é:
a) 3x + 2y – 6 = 0  b) 3x + 2y – 4 = 0  c) 2x – 3y + 9 = 0  d) 2x + 3y – 9 = 0  e) 2x + 3y + 9 = 0

50 (FGV) A medida da altura AH de um triângulo de vértices A(1, 5); B(0, 0) e C(6, 2) é:
a)  2 7 b)  5 10 c)  3 10 d)  7 10 e)  8 10
10 7 5 5 7

51 (FGV) A distância entre duas retas paralelas é o comprimento do segmento de perpendicular às retas que
tem uma extremidade em uma reta e a outra extremidade na outra reta.
No plano cartesiano, a distância entre as retas de equações 3x + 4y = 0 e 3x + 4y + 10 = 0 é:
a) 0,5 b) 1 c) 1,5 d) 2 e) 2,5

194 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


3x + 5y – 15 < 0
52 (FGV) A área da região triangular limitada pelo sistema de inequações 2x + 5y – 10 > 0 é igual a:
x>0
a) 2,5 b) 7,5 c) 5 d) 12,5 e) 3

53 (UESPI) Qual a medida do ângulo agudo formado pelas retas com equações y = 3x e y = 3x – 3?


3–1
a) 15° b) 30° c) 45° d) 60° e) 75°

54 (UNIFOR-CE) Seja r a reta de equação 2x + 3y + 6 = 0. Os pontos de r que equidistam dos eixos coordenados


pertencem aos
a) eixos coordenados. d) segundo e terceiro quadrantes.
b) primeiro e segundo quadrantes. e) terceiro e quarto quadrantes.
c) primeiro e terceiro quadrantes.

Exercícios de aprofundamento

55 Obtenha, na bissetriz dos quadrantes pares, um ponto que diste 14 da reta 4x – 3y + 7 = 0.

56 Obtenha a equação do L.G. dos pontos distantes 5 unidades da reta (s) 3x + 4y – 12 = 0.

57 Resolva grafi camente:


a) |x| + |y| < 1 b) |x| – |y| > 1

58 (UPE) As retas perpendiculares à reta de equação 3x + 4y – 9 = 0, que distam 4 unidades da origem, são:
a) 4x – 3y = 5 e 4x – 3y = –5 d) 3x + 4y = 10 e 3x + 4y = –10
b) 4x – 3y = 20 e 4x – 3y = –20 e) 4x – 3y = 10 e 4x – 3y = –10
c) 4x – 3y = 4 e 4x – 3y = – 4

59 (UFTM) As retas r e s são simétricas com relação à reta y = x. Se a equação de r é y = ax + b, com a ≠ 0 e b ≠ 0,


então a equação de s é:

a) y =  x  + b b) y = –  x  + b c) y = –  x  – b d) y =  x  +  b e) y =  x  –  b
a a a a a a a

60 (UFAM) Dada a reta r: y = 3x + 2 e um ponto P(2, 5), então o ponto da reta r mais próximo de P é:

a)  11 ;  55 b) (5, 2) c)  1;  55 d)  11 ;  53 e)  9 ;  53


10 10 10 10 10 10 10

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Noções sobre reta no Plano Cartesiano


195
Cap.

3 Noções sobre Circunferência


no Plano Cartesiano

3.1 Introdução

O
estudo analítico da circunferência baseia-se na principal característica dessa figura, que é o fato
de que todos seus pontos se situam a uma igual distância do seu centro. Esse estudo permite
relacionar as coordenadas de um ponto da circunferência com os demais pontos do plano.

3.2 Definição

D
ado um ponto C de um plano e uma medida r (Fig. 1), chama-se circunferência de centro C e
raio r o conjunto dos pontos desse plano que distam r de C (Fig. 2).
  Se considerarmos o Plano Cartesiano Ortogonal, representamos C por suas coordenadas a e
b (Fig. 3) e os pontos da circunferência por suas coordenadas x e y (Fig. 4).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3 Fig. 4


y y

C r (x,y)
C (a,b) r
C b b
C (a,b)
r
O a x O a x

Nesse sentido, a circunferência é o Lugar Geométrico (L.G.) dos pontos do plano que equidistam (dis-
tam r) de um ponto fixo desse plano.

3.3 Equação reduzida

S
eja, no plano cartesiano, uma circunferência λ de centro C(a, b) e raio r (Fig. 1).
  Podemos obter uma sentença que relacione as coordenadas (x, y) dos pontos da circunferência
com seu centro C(a, b) e seu raio r. Para tanto, consideremos um ponto genérico P(x, y) de l (Fig. 2).
Pela definição, a distância entre P e C mede r (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3


y y y
λ λ P (x,y) λ P (x,y)
r
b C (a,b) r b C (a,b) b C (a,b)

O a x O a x O a x

196 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Da distância entre dois pontos, temos:
CP = (xP – xC)2 + (yP – yC)2 ⇒ CP = (x – a)2 + (y – b)2
Como CP = r, então
2
r = (x – a)2 + (y – b)2 ⇒ (x – a)2 + (y – b)2 = r2

\ (x – a)2 + (y – b)2 = r2

Essa equação é conhecida como equação reduzida da circunferência de centro (a, b) e raio r.

Exemplo:
• C(2, 4), r = 4 • C(–1, 0) e r = 5
(x – 2)2 + (y – 4)2 = 42 ⇒ (x – 2)2 + (y – 4)2 = 16 [x – (–1)]2 + (y – 0)2 = ( 5 )2 ⇒ (x + 1)2 + y2 = 5
\ A equação é (x – 2)2 + (y – 4)2 = 16. \ A equação é (x + 1)2 + y2 = 5.
Nota: Se um ponto P(xP, yP) pertencer à circunferência de equação (x – a)2 + (y – b)2 = r2, teremos:
(xP – a)2 + (yP – b)2 = r2 ⇒ (xP – a)2 + (yP – b)2 – r2 = 0

Exercícios resolvidos
1 Obtenha o centro e o raio da circunferência de equação dada em cada caso a seguir:
a) (x – 4)2 + (y – 6)2 = 81 b) (x + 2)2 + (y – 6)2 = 3

Resolução:
A equação da circunferência de centro (a, b) e raio r é do ti po (x – a)2 + (y – b)2 = r2. Assim, basta com-
parar essa equação com a equação dada e obter os elementos procurados.
a) (x – a)2 + (y – b)2 = r2 b) (x – a)2 + (y – b)2 = r2
2 2
(x – 4) + (y – 6) = 81 (x + 2)2 + (y – 6)2 = 3
a = 4, b = 6 e r = 9 a = –2, b = 6 e r = 3
\ O centro é (4, 6) e o raio mede 9. \ O centro é (–2, 6) e o raio mede 3.

2 Obtenha a equação da circunferência, com centro na origem do sistema cartesiano, que passa por P(2, 4).

Resolução:
A equação é do ti po (x – a)2 + (y – b)2 = r2, com (a, b) = (0, 0). Assim:
(x – 0)2 + (y – 0)2 = r2 ⇒ x2 + y2 = r2
Precisamos obter a medida r. Podemos fazer isso de dois modos disti ntos:
1o modo: 2o modo:
r é a distância entre C(0, 0) e P(2, 4) P(2, 4) pertence à circunferência
r = (2 – 0)2 + (4 – 0)2 ⇒ r = 20 22 + 42 = r2 ⇒ r = 20

\ A equação é x2 + y2 = 20.

Exercícios de sala
3 Qual é a equação reduzida da circunferência de centro C e raio r em cada caso a seguir?
a) C(3, 6) e r = 1 b) C(–3, –1) e r = 3

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


197
4 Obtenha a equação da circunferência de diâmetro AB, sendo A(– 4, 6) e B(2, 2).

5 Em quais pontos a circunferência de centro (3, 6) e raio 4 corta os eixos coordenados, caso isso ocorra?

6 Um móvel descreve uma trajetória circular num plano cartesiano vertical xOy, cuja equação é dada por
(x – 1)2 + (y – 5)2 = 16. As ordenadas dos pontos dessa circunferência fornecem as alturas (em metros) do
→
móvel em relação ao eixo Ox (horizontal).
 Nessas condições, para esse móvel, forneça:
a) a representação gráfica da trajetória. b) as alturas mínima e máxima atingidas.

7 É comum, em projetos de rodovia, a necessidade de se construírem túneis que atravessam montanhas e


serras, encurtando distâncias. As figuras 1 e 2 seguintes mostram, respectivamente, um túnel, cuja entra-
da tem o formato semicircular, e um modelo matemático dessa entrada, associada a um sistema de eixos.
 Considere que a origem dos eixos coincida com o centro da pista que, por sua vez, é dotada de duas
faixas de rolamento com 5 m cada, como mostra a figura 3.
Fig. 1 Fig. 2 y Fig. 3 y

x -5 5 x

Despreze a altura da calçada e responda:


a) Qual a altura máxima do túnel?
b) Qual a maior altura que pode ter um veículo de 3 m de largura, de modo que possa trafegar usando
somente uma faixa de rolamento?
c) Qual a maior largura possível para um veículo de altura 3 m poder trafegar pelo centro da pista?

198 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


3.4 Equação Geral

T
omemos a equação reduzida da circunferência de centro (a, b) e raio r e, em seguida, desenvolva-
mos os parênteses.
(x – a)2 + (y – b)2 = r2 ⇒ x2 – 2ax + a2 + y2 – 2by + b2 = r2
Agrupando, convenientemente os termos da equação obtida, temos:
x2 + y2 – 2ax – 2by + a2 + b2 – r2 = 0
Essa equação é denominada equação geral, também conhecida como equação normal da circunferência.

Exemplo:
• (x – 2)2 + (y – 5)2 = 1
(x – 2)2 + (y – 5)2 = 1 ⇒ x2 – 4x + 4 + y2 – 10y + 25 = 1

\ A equação geral é x2 + y2 – 4x – 10y + 24 = 0.

 Obtenção do centro e do raio a partir da equação geral


Para obtermos o centro e o raio de uma circunferência, dada sua equação geral, podemos proceder de
dois modos:

1o modo:
Comparar os coeficientes da equação dada com os coeficientes da equação geral.

2o modo:
Formar, acrescentando valores convenientes, os quadrados perfeitos que resultarão na equação reduzi-
da da circunferência.

Exemplo:
• x2 + y2 – 4x + 8y – 5 = 0

1o modo: (Comparação) – 2a = – 4 ⇒ a = 2
C(2, – 4)
– 2b = 8 ⇒ b = – 4
x2 + y2 – 4 x + 8 y –5 =0
a2 + b2 – r2 = – 5 ⇒ 22 + (– 4)2 + 5 = r2
x2 + y2 – 2a x – 2b y + a2 + b2 – r2 = 0 4 + 16 + 5 = r2 ⇒ r = 5 (r > 0)

2o modo: (Formando quadrados)


x2 + y2 – 4x + 8y – 5 = 0 ⇒ x2 – 4x + y2 + 4y = 5
x2 – 4x + 4 + y2 + 8y + 16 = 5 + 4 + 16 ⇒ (x2 – 4x + 4) + (y2 + 8y + 16) = 25
(x – 2)2 + (y + 4)2 = 25 ⇒ C(2, – 4) e r = 5
\ O centro é C(2, – 4) e o raio é r = 5.

Exercícios resolvidos
8 A equação 4x2 + 4y2 – 16x + 15 = 0 representa uma circunferência. Obtenha seu centro e seu raio.

Resolução:
15
Primeiramente, dividamos a equação por 4, obtendo x2 + y2 – 4x + = 0. Passemos, agora, ao cálculo
das coordenadas do centro e da medida do raio. 4
1o modo:
15
x2 + y2 – 4 x + 0 y + =0
4
x2 + y2 – 2a x – 2b y + a2 + b2 – r2 = 0

1
Por comparação, temos C(2, 0) e r = .
2

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


199
2o modo:
15 15
x2 + y2 – 4x = + = 0 ⇒ x2 + y2 – 4x = –
4 4
15 1
x2 – 4x + 4 + y2 = – + 4 ⇒ (x – 2)2 + (y – 0)2 =
4 4
1
De onde ti ramos C(2, 0) e r = .
2
\ O centro é C(2, 0) e o raio é r = 1 .
2

9 Discuta, em cada caso a seguir, em função de m, se a equação representa ou não uma circunferência:
a) x2 + y2 – 4x + 6y – m = 0 b) mx2 + y2 + 4x + 8y – 4 = 0

Resolução:
Vamos comparar a equação dada com a equação geral e, a parti r dos resultados obti dos, fazer a discussão.
a) x2 + y2 – 4x + 6y – m = 0 x2 + y2 – 2ax – 2by + a2 + b2 – r2 = 0
Por comparação, temos:
–2a = –4    –2b = 6    a2 + b2 – r2 = –m
Daí, temos:
a = 2 e b = –3
22 + (–3)2 – r2 = –m ⇒ 4 + 9 – r2 = –m
13 – r2 = –m ⇒ r2 = 13 + m
Como r2 > 0, pois r > 0, então 13 + m > 0 ⇒ m < –13
Se m < –13, a equação representa uma circunferência.
\
Se m > –13, a equação não representa uma circunferência.

b) mx2 + y2 + 4x – 8y + 4 = 0    x2 + y2 – 2ax – 2by + a2 + b2 – r2 = 0


Para que seja possível, devemos ter m = 1. Vejamos, agora, se esse resultado é sufi ciente, usando os
demais resultados da comparação:
–2a = 4 ⇒ a = –2    –2b = –8 ⇒ b = 4
a2 + b2 – r2 = 4 ⇒ (–2)2 + 42 – r2 = 4
4 + 16 – r2 = 4 ⇒ r2 = –16 (não convém)

\ Não existe m, de modo que a equação representa uma circunferência.

Exercícios de sala
10 Obtenha, em cada caso a seguir, a equação geral da circunferência de centro C(a, b) e raio r:
a) C(4, 4) e r = 4 b) C(–2, 0) e r = 2

11 Obtenha o centro e o raio da circunferência de equação x2 + y2 – 4x – 8y + 11 = 0 das seguintes maneiras:


a) comparando com a equação geral. b) formando quadrados perfeitos.

200 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


12 Verifi que, em cada caso a seguir, se a equação dada representa ou não uma circunferência:
a) x2 + y2 – 4x + 4y – 8 = 0 b) x2 + y2 – 8x + 6y + 25 = 0 c) 2x2 + 2y2 – 10y + 18 = 0

3.5 Posições relativas

N
esse tópico, analisaremos as posições de uma circunferência em relação a um ponto, a uma reta
e a outra circunferência.

 Ponto e circunferência
Dado um ponto e uma circunferência coplanares, temos as três seguintes possibilidades:
1a: O ponto pertence à circunferência e, nesse caso, a sua distância até o centro dessa curva é igual a medida
do raio (Fig. 1).
2a: O ponto é interno à circunferência e, nesse caso, a sua distância até o centro dessa curva é menor que a
medida do raio (Fig. 2).
3a: O ponto é externo à circunferência e, nesse caso, a sua distância até o centro dessa curva é maior que a
medida do raio (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
P
d P d
r r
r d P
C (a,b)
C (a,b)
C (a,b)
d=r d<r d>r

Desse modo, para verificar a posição relativa de um ponto P e uma circunferência l, basta calcular a
distância de P ao centro de l e comparar com o raio desta.

Exercício resolvido
13 Verifi que a posição relati va de cada um dos pontos A(3, 5), B(0, 0), D(2, 2) e E(4, 2) em relação à circunfe-
rência l de equação (x – 2)2 + (y – 3)2 = 5.

Resolução:
O centro da circunferência e o seu raio são C(2, 3) e r = 5 .

AC = (3 – 2)2 + (5 – 3)2 ⇒ AC = 1 + 4 DC = (2 – 2)2 + (2 – 3)2 ⇒ DC = 0 + 1


AC = 5 ⇒ AC = r (Indicando que A ∈ l) DC = 1 ⇒ DC < r (Indicando que D é interno a l)

BC = (0 – 2)2 + (0 – 3)2 ⇒ BC = 4 + 9 EC = (4 – 2)2 + (2 – 3)2 ⇒ EC = 4 + 1


BC = 13 ⇒ BC > r (Indicando que B é externo a l) EC = 5 ⇒ EC = r (Indicando que E ⊂ l)

\ O ponto A pertence a l, o ponto B é externo a l e o ponto D é interno a l.

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


201
 Reta e circunferência
Dada uma reta e uma circunferência coplanares, temos as seguintes possibilidades:
1a: A reta e a circunferência são exteriores e, nesse caso, a intersecção entre essas curvas é vazia. Além disso,
a distância entre o centro da circunferência e a reta é maior do que o raio (Fig. 1).
2a: A reta e a circunferência são tangentes e, nesse caso, a intersecção é um único ponto (chamado de ponto
de tangência). Além disso, a distância do centro da circunferência até a reta é igual ao raio (Fig. 2).
3a: A reta e a circunferência são secantes e, nesse caso, a intersecção se dá em dois pontos (chamados de
pontos de secância). Além disso, a distância do centro da circunferência até a reta é menor que o raio (Fig. 3).
Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3
Ax+By=C=0

0
C=
0 C (a,b)
C=

y=
C (a,b) C (a,b) Q

+B
y=

r r r
+B

Ax
d
Ax

d T
d P

Desse modo, para estabelecer a posição relativa entre uma reta s e uma circunferência l, podemos cal-
cular a distância do centro de l até s e comparar com a medida r do raio de l.
Alternativamente, podemos analisar a quantidade de intersecções que há entre s e l. Nesse sentido,
para obtermos a intersecção entre a reta e a circunferência (caso haja), basta resolvermos o sistema formado
pelas equações dessas curvas.

Exercícios resolvidos
14 Considere a circunferência l de equação (x – 1)2 + (y – 2)2 = 25 e determine, em cada caso a seguir, a po-
sição relati va entre ela e a reta s.
a) (s) 4x + 3y + 20 = 0     b) 3x + 4y + 14 = 0     c) x + y – 4 = 0

Resolução:
O centro e o raio de l são C(1, 2) e r = 5. Sendo d a distância entre C(1, 2) e a reta s, podemos comparar
com a medida r = 5 do raio.
4 . 1 + 3 . 2 + 20 3 . 1 + 4 . 2 + 14 1+2–4
a) d = ⇒ d = 6  b) d = ⇒ d = 5  c) d = ⇒d= 2
2
4 +3 2 2
3 +4 2 2
1 +1 2 2
d > r ⇒ s é exterior à l d = r ⇒ s é tangente à l. d < r ⇒ s é secante à l.

\ s é exterior à l. \ s é tangente à l. \ s é secante à l.

15 Obtenha a intersecção entre a reta (r) x – y = 0 e a circunferência (l) x2 + y2 – 4x = 0 e, a parti r desse resul-
tado, indique a posição relati va entre essas curvas.

Resolução: x–y=0
Para obtermos a intersecção procurada, basta resolvermos o sistema 2 2 . Observe:
x + y – 4x = 0
Isolemos y na equação da reta e, em seguida, façamos a substi tuição na equação da circunferência:
x–y=0⇒y=x
x2 + y2 – 4x = 0 ⇒ x2 + (x)2 – 4x = 0
2x2 – 4x = 0 ⇒ x2 – 2x = 0
Resolvendo, temos x = 0 ou x = 2.
x = 0 ⇒ y = 0 A(0, 0)
ou
x = 2 ⇒ y = 2 B(2, 2)

\ l ∩ r = {A(0, 0), B(2, 2)}, indicando que r é secante à l.

202 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


16 Obtenha a equação da reta paralela à reta (r) x – y – 1 = 0, tangente à circunferência l de equação x2 + y2 = 1.

Resolução:
Dentre as infinitas retas paralelas à reta r (Fig. 1), há apenas duas (t1 e t2) que tangenciam a circunfe-
rência l (Fig. 2).

Fig. 1 r Fig. 2 r

t2

t1

O centro de l é (0,0) e o raio mede 1. Como já vimos, toda reta paralela à reta 3x – 4y + 6 = 0 é do tipo
x – y + k = 0. A reta procurada pode ser obtida de duas formas diferentes:
1a: (Distância do centro à reta)
A distância d do centro de l até r tem que ser igual a medida do raio que é 1.

d = 1(0) – 1(0) + k ⇒ 1 = k
12 + (–1)2 2

|k| = 2 ⇒ k = ± 2

2a: (Intersecção)

x–y+k=0
2 2
⇒ y2= x +2 k
x +y =1 x +y =1
x2 + (x + k)2 = 1 ⇒ 2x2 + 2kx + k2 – 1 = 0
O resultado da intersecção é uma equação de 2o grau e, como a reta deve ser tangente, esse sistema
deve ter solução única. Para que isso ocorra, essa equação deverá ter uma única raiz, ou seja, o discrimi-
nante (D) deve ser nulo. Assim:
D = (2k)2 – 4(2) . (k2 – 1) ⇒ 0 = 4k2 – 8k2 + 8
4k2 = 8 ⇒ k = ± 2

\ Há duas possibilidades: x – y – 2 = 0 e x – y + 2 = 0.

  Duas circunferências
Dadas duas circunferências coplanares, temos as seguintes possibilidades:
1a: As circunferências são externas e, nesse caso, a intersecção entre elas é vazia. Além disso, a distância
entre seus centros é maior que a soma das medidas dos seus raios. (Fig. 1).
2a: As circunferências são tangentes externas e, nesse caso, a intersecção entre elas é um único ponto (cha-
mado de ponto de tangência). Além disso, a distância entre seus centros é igual à soma das medidas dos
seus raios (Fig. 2).
3a: As circunferências são tangentes internas e, nesse caso, a intersecção entre elas é um único ponto. Além
disso, a distância entre os seus centros é igual à diferença positiva das medidas dos seus raios (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3


λ1 λ1 λ1

λ2 λ2 λ2
d d d
C1 C2
C1 C1 T C1 C2 T

d > r1+ r2 d = r1+ r2 d < |r1- r2|

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


203
4a: As circunferências são secantes e, nesse caso, a intersecção entre elas é um par de pontos (chamados de
pontos de secância). Além disso, a distância entre seus centros está compreendida entre a diferença positiva
e a soma das medidas dos seus raios (Fig. 4).
5a: As circunferências são interiores e, nesse caso, a intersecção entre elas é vazia. Além disso, a distância
entre seus centros é menor que a diferença positiva das medidas dos seus raios (Fig. 5). Particularmente, se
elas forem concêntricas, a distância entre seus centros será nula (Fig. 6).

Fig. 4 Fig. 5 Fig. 6


λ1 λ1
λ1
d λ2
λ2
C2 d λ2
C1
C1 C2
C1=C2

|r1- r2| < d < r1+ r2 d < |r1- r2| d=0

Assim, para verificarmos a posição relativa entre duas circunferências, basta obtermos a distância entre
seus centros e comparar, convenientemente, essa distância com a soma e a diferença positiva entre as me-
didas dos seus raios.
Vale ressaltar que a intersecção entre duas circunferências, caso haja, pode ser obtida resolvendo-se o
sistema formado por suas equações.

Exercícios resolvidos
17 Verifi que a posição relati va entre as circunferências de equações x2 + y2 = 1 e x2 + y2 – 6x + 8y = 8.

Resolução:
Primeiramente, vamos obter os centros e os raios:
l1: l2:
2 2 2 2
x + y = 1 ⇒ (x – 0) + (y – 0) = 1 2 x2 + y2 – 6x + 8y = 0 ⇒ (x + 3)2 + (y – 4)2 = 52
C1(0, 0) e r1 = 1 C2(–3, 4) e r2 = 5
Calculemos, agora, a distância d entre os centros, bem como a soma e a diferença positi va das medidas
dos raios.

d = (0 + 3)2 + (0 – 4)2 ⇒ d = 5 r1 + r2 = 6 e |r1 – r2| = 4

Agora, comparando os valores obti dos, temos |r1 – r2| < d < r1 + r2.
Desse modo, concluímos que l1 e l2 são secantes.

\ As circunferências são secantes.

18 Qual é a intersecção das circunferências de equações x2 + y2 = 2 e x2 + y2 – 2x – 2y – 2 = 0?

Resolução
Basta resolvermos o sistema formado por essas equações, como se segue:
x2 + y2 = 2 (I)
x2 + y2 – 2x – 2y – 2 = 0 (II)
Resolvendo o sistema, obtemos:

x = –1 e y = 1 x = 1 e y = –1

\ Os pontos de intersecção são A(–1, 1) e B(1, –1).

204 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios de sala
19 Verifi que, em cada caso a seguir, a posição do ponto P em relação à circunferência l de equação x2 + y2 = 16.
a) P(0, 3) b) P( 7 , 3) c) P(2, 4)

20 Qual a posição da reta 3x + 4y – 6 = 0 em relação à circunferência x2 + y2 – 8x + 6y + 24 = 0?

21 Estude, em função de k, a posição da reta (r) 4x + 3y + k = 0 em relação à circunferência (l) de equação


(x – 2)2 + (y – 4)2 = 16.

22 Qual a equação da circunferência, de centro C(2, 4), tangente à reta de equação x + y – 4 = 0?

23 Obtenha a posição relati va entre a circunferência (x – 2)2 + (y – 1)2 = 4 e cada circunferência a seguir:
a) x2 + y2 = 1 b) (x + 1)2 + (y – 5)2 = 9 c) (x – 2)2 + y2 = 1

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


205
24 Qual a intersecção das circunferências x2 + y2 = 25 e (x – 1)2 + (y – 1)2 = 25?

25 Obtenha a equação da circunferência, de raio medindo 2, tangente à circunferência x2 + y2 = 36, em cada


caso a seguir.
a) A tangência é interna; b) A tangência é externa.

26 Em cada caso a seguir, considere, convenientemente, a tangência da circunferência de centro C com os


eixos coordenados.
y y λ2 y
λ3
λ1
C
12 C
7 C

0 14 x 0 6 x 0 6 x

Qual a equação reduzida de cada circunferência que é possível obter em cada caso?

206 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


3.6 Inequações de 2o grau

E
xistem vários tipos de inequações de 2o grau nas variáveis x e y. No entanto daremos ênfase àque-
las que têm alguma relação com a equação cartesiana de uma circunferência.
  Como já vimos, uma circunferência de equação (x – a)2 + (y – b)2 = r2 é o conjunto dos pontos
do plano que distam r do ponto C(a, b). Assim, essa circunferência divide o plano em duas regiões,
sendo uma convexa e outra côncava. A primeira contém os pontos P, cuja distância até C é menor que r
(Fig. 1), e a segunda contém os pontos Q, cuja distância até C e maior que r (Fig. 2). Evidentemente, os
pontos T da circunferência distam r de C (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Q (x,y) Fig. 3


λ λ λ T (x,y)
P (x,y) r
C (a,b) r C (a,b) r C (a,b)

Desse modo, tomando um ponto interno à circunferência, temos:

PC < r ⇒ (x – a)2 + (y – b)2 < r


(x – a)2 + (y – b)2 < r2 ⇒ (x – a)2 + (y – b)2 – r2 < 0

Tomando, agora, um ponto externo à circunferência, temos:

QC > r ⇒ (x – a)2 + (y – b)2 > r


(x – a)2 + (y – b)2 > r2 ⇒ (x – a)2 + (y – b)2 – r2 > 0

Assim, os pontos internos à circunferência verificam a inequação (x – a)2 + (y – b)2 – r2 < 0 (Fig. 1), os
externos, a inequação (x – a)2 + (y – b)2 – r2 > 0 (Fig. 2) e os pontos da circunferência satisfazem a equação
(x – a)2 + (y – b)2 – r2 = 0 (Fig. 3).

Fig. 1 Fig. 2 Fig. 3

r r r
C (a,b) C (a,b) (x-a)2 + (y-b)2 - r2 > 0 C (a,b)

(x-a)2 + (y-b)2 - r2 < 0

Exemplos:
• (x – 4)2 + (y – 3)2 < 9 • x2 + y2 – 8x > 0 • x2 + y2 > 4

y y y

3 o o
4 x -2 2 x

o 4 x

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


207
Exercício resolvido
x2 + y2 – 16 < 0
27 Resolva o sistema de inequações .
y > –x + 2

Resolução:
Fazendo separadamente as soluções de x2 + y2 – 16 < 0 (Fig. 1) e y = –x + 2 (Fig. 2) e depois, reunindo-as
em uma representação simultânea (Fig. 3), temos:

Fig. 1 y Fig. 2 y Fig. 3 y


4 4

2 2
-4 o 4 x o 2 x -4 o 2 4 x

-4 -4

O símbolo na figura indica que os pontos a ele associados não fazem parte da solução.

Exercícios de sala
28 Resolva, grafi camente, cada inequação a seguir:
a) x2 + y2 – 16 < 0. b) (x – 2)2 + (y – 4)2 > 4.

29 Em cada caso a seguir, represente grafi camente e calcule a área correspondente à solução de cada sistema
de inequações:
x>0
x2 + y2 < 25 x2 + y2 > 4
a) y > 0 b) c) 2 2
x – 2y < 0 x + y – 8x – 20 < 0
x2 + y2 < 100

208 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


Exercícios propostos

30 (ENEM) Considere que os quarteirões de um bairro tenham sido desenhados no sistema cartesiano, sen-
do a origem o cruzamento das duas ruas mais movimentadas desse bairro. Nesse desenho, as ruas têm
suas larguras desconsideradas e todos os quarteirões são quadrados de mesma área e a medida de seu
lado é a unidade do sistema.
A seguir há uma representação dessa situação, em que os pontos A, B, C e D representam estabelecimentos
comerciais desse bairro.
y

C
B
x

1 quateirão:

Suponha que uma rádio comunitária, de fraco sinal, garante área de cobertura para todo estabeleci-
mento que se encontre num ponto cujas coordenadas sati sfaçam à inequação: x2 + y2 – 2x – 4y – 31 < 0.
 A fi m de avaliar a qualidade do sinal, e proporcionar uma futura melhora, a assistência técnica da rádio
realizou uma inspeção para saber quais estabelecimentos estavam dentro da área de cobertura, pois estes
conseguem ouvir a rádio enquanto os outros não.
 Os estabelecimentos que conseguem ouvir a rádio são apenas
a) A e C. b) B e C. c) B e D. d) A, B e C. e) B, C e D.

31 (ENEM) A fi gura mostra uma criança brincando em um balanço no parque. A corda que prende o assento
do balanço ao topo do suporte mede 2 metros. A criança toma cuidado para não sofrer um acidente, então
se balança de modo que a corda não chegue a alcançar a posição horizontal.
Topo do
suporte
t ro s
e
2m

Chão do parque

 Na fi gura, considere o plano cartesiano que contém a trajetória do assento do balanço, no qual a ori-
gem está localizada no topo do suporte do balanço, o eixo X é paralelo ao chão do parque, e o eixo Y tem
orientação positi va para cima.
 A curva determinada pela trajetória do assento do balanço é parte do gráfi co da função.

a) f(x) = – 2 – x2    d) f(x) = – 4 – x2

b) f(x) = 2 – x2    e) f(x) = 4 – x2

c) f(x) = x2 – 2

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


209
32 (UEPG) Se a equação ax2 + 5y2 – bxy – 10x + 15y + 5c = 0 representa uma circunferência de raio igual a 1,
assinale o que for correto:
01) O centro da circunferência pertence ao primeiro quadrante.
02) a + b + c = 29
4
04) A soma das coordenadas do centro é –1.
08) 4c – 2b = 9
16) a . b . c = 45
4

33 (UFSM) Uma antena de telefone celular rural cobre uma região circular de área igual a 900p km2. Essa
antena está localizada no centro da região circular e sua posição no sistema cartesiano, com medidas em
quilômetros, é o ponto (0, 10).
Assim, a equação da circunferência que delimita a região circular é
a) x2 + y2 – 20y – 800 = 0.   c) x2 + y2 – 20x – 800 = 0. e) x2 + y2 = 900.
2 2
b) x + y – 20y + 70 = 0. 2 2
d) x + y – 20y – 70 = 0.

34 (FGV) No plano cartesiano, os pontos A(1, 2) e B(–2, –2) são extremidades de um diâmetro de uma circun-
ferência; essa circunferência intercepta o eixo das abscissas em dois pontos. Um deles é:

a) (4, 0)   b)  7 , 0    c) (3, 0)   d)  5 , 0    e) (2, 0)
2 2

35 (FGV) Dada a circunferência de equação x2 + y2 + 4x – 6y + 12 = 0 e os pontos A = (p, –1) e B = (1, 1), o valor
de p para que o centro da circunferência e os pontos A e B estejam alinhados é:
a) 3 b) 2 c) –3 d) 4 e) – 4

36 (FGV) A circunferência g da figura seguinte é tangente aos eixos x e y e tem equação x2 + y2 – 6x – 6y + 9 = 0. A


área da superfície sombreada é
y
γ

9(4 – p) 9(9p – 4) 6(6 – p)


a) 9(p – 1)   b) 81p – 9   c)     d)     e) 
4 4 4
37 (FGV) No plano cartesiano, uma circunferência, cujo centro se encontra no segundo quadrante, tangencia
os eixos x e y.
Se a distância da origem ao centro da circunferência é igual a 4, a equação da circunferência é:
a) x2 + y2 + (2 10 )x – (2 10 )y + 0 = 0 d) x2 + y2 – (2 8)x + (2 8)y + 8 = 0
2 2
b) x + y + (2 8)x – (2 8)y + 8 = 0 e) x2 + y2 – 4x + 4y + 4 = 0
2 2
c) x + y – (2 10 )x + (2 10 ) y + 10 = 0

38 (FGV) Dada a circunferência de equação x2 + y2 – 6x – 10y + 30 = 0, seja P seu ponto de ordenada máxima.


A soma das coordenadas de P é:
a) 10 b) 10,5 c) 11 d) 11,5 e) 1

39 (FUVEST-SP) No plano cartesiano Oxy, a circunferência C é tangente ao eixo Ox no ponto de abscissa 5 e


contém o ponto (1, 2). Nessas condições, o raio de C vale
a)  5 b) 2 5 c) 5 d) 3 5 e) 10

40 (FGV) Uma circunferência de raio 3, situada no 1o quadrante do plano cartesiano, é tangente ao eixo y e à


reta de equação y = x . Então, a ordenada do centro dessa circunferência vale:
a) 3 2 – 1 d) 2 3 + 3
b) 2 3 + 1 e) 3 2 + 3
c) 3 2 + 2

210 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1


41 (UFC-CE) A equação da circunferência com centro no ponto (2, 3) e tangente à reta de equação x + 2y – 3 = 0 é:
a) (x –3)2 + (y –2)2 = 13 c) x2 + y2 = 13 e) (x – 3)2 + (y – 2)2 = 5
2 2
b) (x – 2) + (y – 3) = 13 2 2
d) (x – 2) + (y – 3) = 5

42 (UFC-CE) Em um sistema cartesiano de coordenadas, o valor positivo de b tal que a reta y = x + b é tangente
ao círculo de equação x2 + y2 = 1 é:
a) 2. b) 1. c)  2. d)  1 e) 3.
2
43 (FGV) No plano cartesiano, a reta tangente à circunferência de equação x2 + y2 = 8 , no ponto P de coorde-
nadas (2, 2), intercepta a reta de equação y = 2x no ponto:

a)  7 , 14    b)  6 , 12    c)  5 , 10    d)  4 , 8    e)  3 , 3


6 6 5 5 4 4 3 3 2
44 (UFRGS) Considere as circunferências definidas por (x – 3)2 + (y – 2)2 = 16 e (x – 10)2 + (y – 2)2 = 9, repre-
sentadas no mesmo plano cartesiano.
As coordenadas do ponto de interseção entre as circunferências são
a) (7, 2). b) (2, 7). c) (10, 3). d) (16, 9). e) (4, 3).

45 (FUVEST) A equação x2 + 2x + y2 + my = n, em que m e n são constantes, representa uma circunferência no


plano cartesiano. Sabe-se que a reta y = –x + 1 contém o centro da circunferência e a intersecta no ponto
(–3, 4). Os valores de m e n são, respectivamente,
a) –4 e 3.    b) 4 e 5.    c) –4 e 2.    d) –2 e 4.    e) 2 e 3.

46 (FGV) No plano cartesiano, a circunferência que passa pelo ponto P(1, 3) e é concêntrica com a circunfe-
rência x2 + y2 – 6x – 8y – 1 = 0 tem a seguinte equação:
a) x2 + y2 + 6x + 8y – 40 = 0 d) x2 + y2 + 3x + 4y – 25 = 0 e) x2 + y2 – 3x + 4y – 19 = 0
2 2
b) x + y – 3x – 4y + 5 = 0 2 2
c) x + y – 6x – 8y + 20 = 0

47 (FUVEST-SP) No plano cartesiano, os pontos (0, 3) e (–1, 0) pertencem à circunferência C. Uma outra cir-
cunferência, de centro em (–1 / 2,4), é tangente a C no ponto (0, 3) .
  Então, o raio de C vale

a)  5 . b)  5 . c)  5 . d)  3 5 . e)  5.


8 4 2 4
48 (IBMEC-SP) Considere as circunferências cujas equações cartesianas são x2 + y2 + 2x – 2y – 14 = 0 e x2 + y2 – 6x
– 8y + k = 0.
 Para que essas circunferências sejam tangentes externamente, o valor de k deve ser:
a) 20 b) 22 c) 24 d) 26 e) 28

49 (UEG) A circunferência de centro (8, 4) que tangencia externamente a circunferência x2 + y2 – 4x + 8y – 16


possui raio igual a
a) 16. b) 10. c) 8. d) 6. e) 4.

50 (UEPB) Os valores de k, para os quais o ponto (k, –2) seja exterior à circunferência x2 + y2 – 4x + 6y + 8 = 0, são:
a) k < 0 ou k > 4     b) 0 < k < 4     c) 0 < k < 3      d) k > 3     e) k < 1

51 (UNESP) Dentre as regiões sombreadas, aquela que representa no plano cartesiano o conjunto
U = {(x, y) ∈ 2 | y > 2x + 1 e x2 + y2 < 4} é:
a) b) c)
y y y

(0,1) (0,1) (0,1)


(2,0) (2,0) (2,0)
(-1,-1) x (1,-1) x (-1,-1) x

Noções sobre Circunferência no Plano Cartesiano


211
d) e)
y y

(0,1) (0,1)
(4,0) (4,0)
(-1,-1) x (-1,-1) x

52 (FATEC-SP) Considere que R é a região do plano cartesiano cujos pontos sati sfazem as sentenças (x – 2)2 +
(y – 2)2 < 4 e x < y. A área de R, em unidades de superfí cie, é
a) p. b) 2p. c) p2. d) 4p. e) 4p2.

Exercícios de aprofundamento
53 Obtenha as equações das retas que passam por P(2, 4) e tangenciam a circunferência de equação
(x – 4)2 + (y – 8)2 = 4.

54 Qual é o L.G. dos pontos do plano pelos quais é possível traçar segmentos, tangentes à circunferência
(x – 2)2 + (y – 4)2 = 9, medindo 4?

55 Considere todas as cordas de comprimento 6 em uma circunferência de equação x2 + y2 = 25. Identi fi que,
por meio da equação, o L.G. dos pontos médios dessas cordas.

56 Considere, num plano cartesiano ortogonal, todos os pares de retas perpendiculares entre si, sendo que
uma passa por A(0, 0) e a outra por B(2, 2). Qual é o L.G. dos pontos de intersecção dessas retas? Qual é
a sua equação?

57 (FGV) Dada a equação x2 + y2 = 14x + 6y + 6, se p é o maior valor possível de x, e q é o maior valor possível


de y, então, 3p + 4q é igual a:
a) 73. b) 76. c) 85. d) 89. e) 92.

58 (FGV) Dado um triângulo de vérti ces (0, 12), (0, 0) e (5, 0) no plano cartesiano ortogonal, a distância entre
os centros das circunferências inscrita e circunscrita a esse triângulo é

a)  3 5 . b)  7 . c)  15 . d)  65 . e)  9 .


2 2 2 2

59 (UECE) As circunferências C1 e C2 são as duas circunferências no primeiro quadrante que são tangentes aos
eixos coordenados e à reta x + y – 3 = 0. A distância entre os centros de C1 e C2, em unidades de compri-
mento (u.c.), é:
a) 3 u.c. b) 6 u.c. c) 9 u.c. d) 12 u.c.

60 (UEL-PR) Seja a circunferência de equação x2 + y2 = 20. A distância do ponto P, de interseção das retas


tangentes a esta circunferência nos pontos de abscissa x = –2, ao centro desta circunferência é:
a) 5 b) 6 c) 8 d) 10 e) 12

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212 Sistema de Ensino CNEC – 3ª série do Ensino Médio - Volume 1