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PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

MANUAL SISTEMATIZADO
(Processo Penal)

Prof. Rafael Medeiros (2018)


PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

MANUAL SISTEMATIZADO DE PROCESSO PENAL


(Atualizado em Agosto de 2018)

Bibliografia utilizada:

CAPEZ, Fernando. Curso de Processo Penal. 21. Ed., São Paulo: Saraiva, 2016.
OLIVEIRA, Eugenio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 21. ed., São Paulo: Atlas, 2017.
LIMA, Renato Brasileiro de. Curso de Processo Penal – Niterói, Rj: Impetus, 2017.
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

DOS PROCEDIMENTOS ............................................................................................................. 4

1. PROCESSO .................................................................................................................. 4

2. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS ......................................................................................... 4

2.1. Pressupostos de existência ............................................................................................... 5


2.2. Pressupostos de validade ................................................................................................. 5

3. PROCEDIMENTOS. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ....................................................................... 6

3.1. Incidência de qualificadoras, causas de aumento e diminuição, agravantes e atenuantes 7


3.1.1. Qualificadoras: ....................................................................................................................... 8
3.1.2. Causas de aumento e diminuição ......................................................................................... 8
3.1.3. Agravantes e atenuantes....................................................................................................... 8
3.2. Conexão entre infrações com procedimentos distintos ..................................................... 8
3.3. Incidência geral e subsidiária do procedimento comum .................................................. 9

4. PROCEDIMENTO COMUM ORDINÁRIO ............................................................................... 9

4.1. Oferecimento da peça acusatória ..................................................................................... 9


4.2. Juízo de admissibilidade: rejeição ou recebimento .......................................................... 10
4.3. Rejeição da peça acusatória. Análise dos incisos do Art. 395 .......................................... 10
4.3.1. Denúncia ou queixa manifestamente inepta (Inciso I) ...................................................... 10
4.3.2. Falta de pressuposto processual (Inciso II, 1ª parte) ......................................................... 11
4.3.3. Falta de condições para o exercício da ação penal (Inciso II, 2ª parte e III) ..................... 11
4.3.4. Recurso cabível contra rejeição da peça acusatória .......................................................... 12
4.4. Recebimento da peça acusatória .................................................................................... 13
4.5. Citação ........................................................................................................................... 14
4.6. Revelia ........................................................................................................................... 14
4.7. Reação defensiva à peça acusatória ............................................................................... 15
4.8. Absolvição sumária ........................................................................................................ 16
4.8.1. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude ...................................................... 17
4.8.2. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo
inimputabilidade ............................................................................................................................. 18
4.8.3. que o fato narrado evidentemente não constitui crime ................................................... 18
4.8.4. Extinta a punibilidade .......................................................................................................... 18
4.8.5. Recurso adequado ............................................................................................................... 18
4.9. Audiência uma de instrução e julgamento (AIJ) .............................................................. 19
4.9.1. Indeferimento de provas ilícitas, irrelevantes, impertinentes ou protelatórias............... 20
4.9.2. Análise dos atos da Audiência de instrução ....................................................................... 20
4.10. Mutatio libelli ................................................................................................................ 24
4.10. Sentença ...................................................................................................................... 24
4.11. Registro da audiência ................................................................................................... 25

5. PROCEDIMENTO COMUM SUMÁRIO ................................................................................ 25

5.1. Noções gerais e aplicabilidade........................................................................................ 26


5.2. Rito procedimental ......................................................................................................... 26
5.3. Diferenças entre o procedimento comum ordinário e o procedimento comum sumário .. 26
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

DOS PROCEDIMENTOS

1. Processo
Segundo Renato Brasileiro de Lima, “processo é instrumento por meio do qual o estado
exerce jurisdição, havendo entre seus sujeitos (partes e juiz) uma relação jurídica, que impõe a todos
deveres, direitos, ônus e sujeições”. Logo, processo nada mais é do que o meio pelo qual a atividade
jurisdicional se concretiza, ao passo que procedimento constitui o instrumento viabilizador do
processo”.

Cuidado para não incluir a ideia de “ação” dentro do conteúdo de “processo”. Ação é, na
verdade, um fenômeno da realidade, matéria que deve anteceder a análise do processo. Logo

Todos os elementos supracitados visam o provimento judicial final, ou seja, a solução da


controvérsia e a concretização da atuação do direito. Porém, cada um mantem suas peculiaridades,
não se confundindo. Segundo Eugênio Pacelli, Processo é gênero, enquanto os diversos
procedimentos são espécies.

Os procedimentos podem ser comuns ou especiais, matéria que veremos mais a frente.
Antes porém de partir para esse assunto, iremos analisar os pressupostos processuais.

2. Pressupostos Processuais
Pressupostos processuais são elementos que devem estar presentes para a existência
válida da relação jurídico processual. Faltando qualquer deles, o processo não poderá se desenvolver.

Esse ponto é um pouco controverso na doutrina, e cada autor costuma trazer uma
classificação própria para os pressupostos processuais. Usaremos, no ponto, as irretocáveis lições de
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Renato Brasileiro de Lima. Antes de adentrar nas classificações, vejamos trecho da obra de Renato
Brasileiro que explica a diferença entre os pressupostos de existência e de validade:

"a falta de um pressuposto de existência implica na virtual inexistência do processo, que será, assim,
um nada jurídico. Tal, portanto, é um vício mais grave do que a nulidade, pois, enquanto esta em
alguns casos pode ser sanada, e sempre será exigido um instrumento legalmente previsto para sua
decretação, a inexistência não precisa ser declarada e nem admite sanatória. Simplesmente aquele
ato ou processo nunca existiu no mundo jurídico. Já a falta de um pressuposto de validade, como é
intuitivo, só desafia a nulidade, que deverá sempre ser declarada, através de provocação de
instrumento próprio, sendo certo que o ato anulável produz efeitos até que se dê a nulidade (LIMA,
Renato. 2017, p. 1300).

2.1. Pressupostos de existência


Conforme o próprio nome diz, são aqueles elementos necessários para que o processo
exista. São eles:

 Demanda veiculada por peça acusatória, onde se exterioriza uma


pretensão punitiva;

 Órgão investido de jurisdição;

 Partes que possam estar em juízo;

2.2. Pressupostos de validade


São os elementos que não devem estar presentes, ou seja, se relaciona à inexistência de
vício ou defeito dos atos processuais e à questão da originalidade da demanda. Renato Brasileiro cita
como exemplos de pressupostos de validade a não verificação de “problemas” como perempção,
litispendência ou coisa julgada.

Perceba que a verificação dos pressupostos de validade se da de maneira negativa, ou


seja, é necessário que não se verifique aquela determinada circunstância (ex: coisa julgada) para que
o processo seja válido.

# Esquematizando:
- Demanda

De existência - Órgão jurisdicional

- Partes em juízo

Pressupostos processuais

De validade - Inexistência de vício


ou defeito processual
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3. Procedimentos. Considerações iniciais


A lei 11.719/08 trouxe várias mudanças para o Código de Processo Penal. De acordo com
a redação atual do artigo 394 CPP:

Art. 394. O procedimento será comum ou especial. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

§ 1o O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo. (Incluído pela Lei nº 11.719, de
2008).

I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a 4
(quatro) anos de pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4 (quatro)
anos de pena privativa de liberdade; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da lei.

Percebe-se de forma clara que o ponto definidor do procedimento a ser usado no caso
concreto é a pena em abstrato cominada para o crime, não fazendo diferença o fato de tal pena ser
de detenção ou de reclusão.

Note que o procedimento sumaríssimo é destinado para as infrações de menor potencial


ofensivo, nos exatos termos da lei 9.099/95, matéria que será estudada mais a frente.

Além do procedimento comum (ordinário, sumário e sumaríssimo), há também o


procedimento especial. Segundo Fernando Capez, são procedimentos especiais aqueles que tem
regramento específico, como o do tribunal do júri e qualquer outro previsto na legislação
extravagante (Lei de drogas ou Código Eleitoral).

#Esquematizando:

Ordinário Pena máxima igual ou superior a 4


anos
(CPP)
Procedimento comum
Sumário Pena inferior a 4 anos e superior a 2
anos
(CPP)

Sumaríssimo Pena de até 2 anos


(9.099/95)

- Crimes falimentares
- Crimes contra a honra
Procedimento especial - - Crimes funcionais
- Júri popular
- Lei de drogas
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Obs: Na prática, depois da reforma trazida em 2008 ao Código de Processo Penal, restaram
pouquíssimas diferenças entre o procedimento comum ordinário e o sumário, ambos agora prezam
pela celeridade.

#Questãodeconcurso:

(DPESC – 2018) Pode-se afirmar que pelo Código de Processo Penal a definição da categoria do rito
comum não terá como parâmetro a pena máxima cominada abstratamente ao crime.

Resposta: Errado! Como visto, a pena máxima cominada é exatamente o parâmetro usado para
escolha do rito (procedimento)

#Questãodeconcurso

(DPEBA – 2016) O procedimento Sumário é aplicável quando tiver por objeto crime cuja sanção
máxima cominada seja inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade.

Resposta: Certo! Exatamente como demonstrado na tabela acima.

Em seguida, foi adicionado a esse material um quadro resumo para ajudar na verificação
do procedimento cabível ao caso concreto (retirado do livro “Pratica Forense Penal”, do professor
Guilherme de Souza Nucci):

3.1. Incidência de qualificadoras, causas de aumento e diminuição, agravantes e


atenuantes
Como visto acima, o que importa para fixar o procedimento legal a ser usado é a pena
máxima. Porém, a depender do caso concreto, a pena poderá ser alterada em razão de
qualificadoras, causas de aumento e diminuição ou até mesmo agravantes e atenuantes. A
indagação, portanto, é a seguinte: “tais mudanças aplicadas sobre a pena base serão levadas em
conta na hora da escolha do procedimento”?

A resposta muda para cada tipo de circunstâncias. Vejamos cada uma deles.
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3.1.1. Qualificadoras:

Interferem no procedimento, pois alteram os limites mínimo e máximo das penas.

Para explicar essa questão, Fernando Capez usa o exemplo do crime de Dano (163, caput,
CP), que em sua forma simples tem pena máxima de 6 meses, e por isso segue o procedimento da lei
9.099/95 (sumaríssimo).

Porém, o Paragrafo Único do mesmo artigo 163 do Código Penal apresenta a figura
qualificada do dano. Caso o agente pratique dano contra o patrimônio da União, por exemplo,
responderá pela pena qualificada do delito, que é de até 3 anos. Nesse caso (da figura qualificada),
tendo em vista que a pena máxima é maior que 2 anos e menor do que 4, aplica-se o procedimento
comum sumário .

3.1.2. Causas de aumento e diminuição

Deverão também interferir na escolha do procedimento a ser seguido , esteja a causa


prevista na parte geral ou na parte especial do Código Penal. São exemplos de causa de diminuição a
tentativa (Art. 14, § único do CP) e o arrependimento posterior (Art. 16, CP). São, por outro lado,
exemplos de causa de aumento o concurso formal de crimes (Art. 70, CP) e o crime continuado (Art.
71 do CP).

*Diferenciando:

Qualificadora: prevê nova pena mínima e máxima para condutas mais graves

Causa de aumento: prevê um quantum de aumento (ex: metade (1/2)) em situações apontadas pela
lei.

3.1.3. Agravantes e atenuantes

NÃO interferem no procedimento, pois não alteram a pena base. Nesse sentido, vide o
teor do enunciado 231 da Súmula do STJ:

Súmula 231, STJ: “A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir a redução da pena
abaixo do mínimo legal”.

3.2. Conexão entre infrações com procedimentos distintos

O que fazer caso ocorra conexão entre infrações penais que sigam procedimentos
diferentes? Imagine, por exemplo, que Tício comete, na mesma situação, o crime de Tráfico de
drogas (procedimento especial) e também desacato (procedimento comum sumaríssimo).

Tal questão não é respondida de forma direta pela doutrina, existindo certa controvérsia.
Adverte Fernando Capez que deverá prevalecer o procedimento previsto para a infração mais grave,
nos termos do artigo 78 do CPP. Outros autores, como é o caso de Vicente Greco Filho, defendem
que deve ser usado o procedimento mais amplo, privando assim pela ampla defesa e o contraditório.
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Na prática, a jurisprudência tem dito que deve se somar as penas máximas, e com esse
resultado aplicar o procedimento cabível.

3.3. Incidência geral e subsidiária do procedimento comum

Como regra geral, aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo


disposições em contrário do código ou de lei especial. No ponto, é importante a pena leitura do Art.
394, §2 e 5, CPP:
o
§ 2 Aplica-se a todos os processos o procedimento comum, salvo disposições em contrário deste
Código ou de lei especial.

§ 4o As disposições dos arts. 395 a 398 deste Código aplicam-se a todos os procedimentos penais de
primeiro grau, ainda que não regulados neste Código.

§ 5o Aplicam-se subsidiariamente aos procedimentos especial, sumário e sumaríssimo as disposições


do procedimento ordinário.

O que a lei tentou fazer foi dizer que em caso de silêncio na legislação específica o
procedimento comum ordinário será usado de maneira subsidiária.

Um exemplo esclarecedor a ser usado é o número de testemunhas previsto na lei de


drogas. Segundo a referida lei (Lei 11.343/06, Art. 55, §1), poderá o réu arrolar até 5 testemunhas
para sua defesa. Ocorre que sabemos que o procedimento comum ordinário permite o número
máximo de 8 testemunhas. Com efeito, por ser o procedimento da lei de drogas especial em relação
ao procedimento comum, o número de testemunhas deverá ser de 5. Porém, se, hipoteticamente, a
lei de drogas não tivesse dito o número máximo de testemunhas, usaríamos o número de 8 prevista
para o procedimento comum, pois, como visto, é ele aplicável de maneira subsidiária a todos os
outros.

#Questãodeconcurso

(MPE – RO) Todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não regulados pelo Código de
Processo Penal, estarão sujeitos à análise de rejeição da acusação e de absolvição sumária.

Resposta: Certo! É claro o comando legal que afirma serem aplicáveis os artigos 395 a 398 para todos
os procedimentos penais de primeiro grau (comuns ou especiais)

4. Procedimento Comum ordinário


Como visto logo acima, é o procedimento mais amplo, devendo ser estudado de forma
mais profunda e completa. Seu entendimento é indispensável para a compreensão dos outros
procedimentos, tanto comuns como especiais.

Nesse ponto usaremos as lições de Renato Brasileiro de Lima, autor de analisa muito bem
a temática de “procedimentos”.

4.1. Oferecimento da peça acusatória


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São elementos da peça acusatória, nos termos do artigo 41 do CPP:

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas
circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo, a
classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas.

A doutrina ainda levanta outros requisitos como endereçamento e a redação em


vernáculo. É importante saber que tais elementos devem estar presentes na “inicial” do processo
penal, pois a falta pode gerar vícios posteriormente, como ainda veremos.

4.2. Juízo de admissibilidade: rejeição ou recebimento

Verificando o magistrado que é competente* para o conhecimento do feito, passará a


analisar se recebe ou rejeita a peça acusatória.

*Observa-se que, no processo penal (diferente do processo civil), o juiz pode declarar sua
incompetência de oficio, seja ela relativa ou absoluta.

O que vai guiar o magistrado nessa escolha é o disposto no artigo 395, CPP:
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando: (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008).

I - for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).

II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou

III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.

Ou seja, não estando presentes nenhum dos impeditivos previstos no dispositivo acima, o
juiz irá receber a peça acusatória e determinar a citação do réu para, no prazo de 10 dias, oferecer
resposta escrita (Art. 396, CPP).

4.3. Rejeição da peça acusatória. Análise dos incisos do Art. 395

Como visto no ponto anterior, existem casos já enumerados pelo CPP em que o juiz irá
rejeitar a peça acusatória. O que faremos nesse tópico é ver um pouco mais detalhadamente cada
um desses casos.

4.3.1. Denúncia ou queixa manifestamente inepta (Inciso I)

Nos termos do já visto art. 41 do CPP, a peça acusatória deve conter:

- a exposição do fato criminoso;

- todas as suas circunstâncias;

- a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo;

- a classificação do crime e;

- quando necessário, o rol de testemunhas.


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Caso falte qualquer dos requisitos da peça acusatória, em regra, haverá rejeição da
denúncia por reconhecida inépcia, fato que poderá ser atacado por Recurso em Sentido Estrito (RESE,
Art. 581, I, CPP).

Digamos que a peça acusatória (denúncia) deixe de descrever o fato delituoso


supostamente cometido pelo infrator. Nesse caso fica claro que o juiz não tem como analisar tal
pedido, e por faltar requisito do artigo 41 (exposição do fato criminoso), deverá haver rejeição da
peça acusatória.

Pontue-se que a rejeição da peça acusatória com base no dispositivo em estudo (Art. 395,
I, CPP) só gera coisa julgada formal, tendo em vista que não há análise do mérito da imputação. Com
efeito, afirma-se que, caso seja corrigido o vício, é possível a propositura de nova acusação.

4.3.2. Falta de pressuposto processual (Inciso II, 1ª parte)

De acordo com o artigo 395, II, a denúncia ou queixa será rejeitada quando faltar
pressuposto processual para a ação.

Nesse ponto, remetemos o aluno para o item “2.2” desse capítulo, onde os pressupostos
processuais foram analisados de forma completa. Para relembrar, vejamos o esquema utilizado
naquela oportunidade:

4.3.3. Falta de condições para o exercício da ação penal (Inciso II, 2ª parte e III)

Nos termos do artigo 395, II, 2ª parte, do CPP, a denúncia ou queixa também será
rejeitada caso falte condições para o exercício da ação penal.

Como já estudado dentro do tema “ação penal”, existem as condições gerais e as


condições específicas. Segundo a maioria da doutrina, são condições gerais da ação penal:
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Possibilidade juridica
do pedido

Condições da ação
Legitimidade

Interesse de agir

Justa causa

- Possibilidade jurídica do pedido: O pedido contido na denuncia deve ser possível.


Imagine que o promotor de justiça peça a condenação de um homem por ter cometido adultério,
hoje não mais considerado como crime por nossa legislação. Trata-se de claro pedido impossível do
ponto de vista jurídico penal, e a denúncia deverá ser rejeitada pelo juiz (falta possibilidade jurídica
para o referido pedido)

- Legitimidade: As partes devem ter legitimidade para figurar na relação processual.


Imagine, por exemplo, que o promotor de justiça ofereça ação penal privada, que, como sabemos, é
de iniciativa exclusiva da vítima. Fala-se, nesse caso, em ilegitimidade da parte (ministério público
não é legitimo para oferecer queixa-crime)

- Interesse de agir: Também é uma condição da ação, e se relaciona à real utilidade da


prestação jurisdicional. A maioria da doutrina afirma que o interesse de agir é presumido no processo
penal, pois só se aplica penalidade em matéria criminal depois de um devido processo legal. Com
isso, é dispensável a discussão do “interesse de agir” no âmbito processual penal.

- *Justa Causa: É o chamado “lastro probatório mínimo” (prova da materialidade e


indícios de autoria), elementos indispensáveis para o início de um processo penal. Segundo Renato
Brasileiro, não se pode admitir processos levianos ou temerários, e qualquer tipo de ação penal
deverá conter o mínimo de provas hábeis à sua continuação. Faltando esse “lastro probatório
mínimo”, e por consequência inexistente a justa causa, pode o juiz rejeitar a peça acusatória e parar
o processo antes mesmo de seu início.

*Obs: Perceba que “justa causa” foi colocado em um inciso separado dentro da análise do artigo 395,
CPP. Pequena parte da doutrina costuma afirmar que isso foi feito pelo fato de que o legislador não
reconhece a justa causa como mais uma das “condições da ação penal”. É importante saber dessa
divergência doutrinária, mas tome nota de que é majoritário o entendimento de que a JUSTA CAUSA é
sim uma das condições da ação penal.

4.3.4. Recurso cabível contra rejeição da peça acusatória


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Sem maiores celeumas, afirma o artigo 581, CPP que é cabível recurso em sentido estrito
(RESE) contra decisão que não receber a denuncia ou queixa. Cuidado com o caso de rejeição no
âmbito do procedimento sumaríssimo previsto na lei 9.099/95, em que o recurso cabível será o de
apelação no prazo de 10 dias.

Rejeição da peça acusatória -> Recurso cabível

Procedimento comum ordinário RESE (5 dias)


(CPP)

Procedimento Comum sumaríssimo Apelação (10 dias)


(Lei 9.099/95)

4.4. Recebimento da peça acusatória


O Código de Processo Penal não disse em quais situações deverá o juiz receber a peça
acusatória. Com isso, doutrina e jurisprudência entendem que se não for caso de alguma das
hipóteses de rejeição (estudadas no item anterior), deverá o juiz receber a peça acusatória. Ou seja,
estando a peça de acusação em completa conformidade com os comandos do CP, e não sendo caso
de rejeição (Art. 395), deverá o juiz recebê-la.

Afirma Renato Brasileiro, que é desnecessária fundamentação profunda por parte do juiz
quando receber a peça acusatória. Segundo o autor (que segue corrente majoritária), não deve
haver excesso na fundamentação justamente para que o juiz não adiante sua decisão final. Se nesse
momento o juiz fizer uma análise muito profunda do caso, pode ser que praticamente já demonstre a
sentença que irá proferir no final do procedimento, o que é inadmissível do ponto de vista do
contraditório e ampla defesa, tendo em vista que o réu ainda não teve a oportunidade de se
defender.

Com isso, afirma-se que no momento do recebimento, o juiz irá apenas atestar a
regularidade da peça acusatória, principalmente se está nos conformes do artigo 41 CPP e se contem
os pressupostos processuais e condições da ação.

Existem julgados, inclusive, que dispensam a fundamentação para recebimento da


denuncia. Vejamos um exemplo:
 Juriusprudência:
TJ-PR - 8181455 PR 818145-5 (Acórdão) (TJ-PR) - Data de publicação: 01/03/2012

Ementa: REVISÃO CRIMINAL ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO DESPACHO


DE RECEBIMENTO DA DENÚNCIA - INEXISTÊNCIA FUNDAMENTAÇÃO DESNECESSIDADE - PLEITO
REVISIONAL IMPROCEDENTE. O despacho de recebimento da denúncia, que não precisa ser
fundamentado, se presta para, presentes os seus requisitos legais, dar andamento ao processo penal,
sendo seu conteúdo ordinatório ou de expediente, "no qual se encerra somente um juízo de
admissibilidade quanto a regularidade formal da denúncia, viabilidade da relação processual e
viabilidade do direito de ação."
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Além disso, o recebimento da peça acusatória gera algumas consequências, sendo as


principais:

- Fixação da competência por prevenção (83, CPP);

- Interrupção da prescrição (117, I, CP);

- Marca o inicio formal do processo*;


* Cuidado! Uma parte da doutrina, com base no que diz o artigo 363, CPP entende que a relação
processual só se completa com a efetiva citação do acusado. Está parece ser a doutrina atualmente
dominante.

Ainda tratando sobre o recebimento da denuncia, há que se ressaltar que em regra não
há recurso para combater tal decisão, tendo em vista ter silenciado do Código. Porém, apesar de não
haver recurso, e considerando que o recebimento da denuncia pode gerar perigo à liberdade de
locomoção do réu, a jurisprudência tem admitido o remédio constitucional do habeas corpus* para
trancar a ação penal, sendo essa a forma atualmente usada para reapreciar a decisão do juiz que
recebe a peça de acusação (denuncia ou queixa).
* Obs: Muito cuidado. O Habeas corpus é ponto que será estudado mais adiante, porém é importante
adiantar que ele só pode ser usado para proteger a liberdade de ir e vir do cidadão. Com isso, afirma-
se tranquilamente que não cabe o remédio do HC caso a única pena possível para o delito no caso
concreto seja uma multa por exemplo (ex: porte de drogas para consumo). Para se usar do HC é
indispensável que seja prevista pena privativa de liberdade ao delito em análise.

4.5. Citação
Recebida a peça acusatória, deve o juiz determinar a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 dias. A regra é que a citação será feita pessoalmente, mas, caso
o acusado não seja encontrado, será citado por edital (Art. 366, CPP). Por conseguinte, verificando o
oficial de justiça que o acusado se oculta para não ser citado, deverá ser feita a citação por hora certa
(Art. 362, CPP).

O assunto da citação será tratado em capítulo específico, junto com as demais


comunicações de atos processuais.

4.6. Revelia
Feita a citação, o acusado fica vinculado ao processo, com todos os ônus daí decorrentes.
Logo, se deixar de oferecer resposta escrita (e tiver sido citado), o processo correrá a sua revelia.
Vejamos o artigo 367, CPP que trata desse ponto:

Art. 367. O processo seguirá sem a presença do acusado que, citado ou intimado
pessoalmente para qualquer ato, deixar de comparecer sem motivo justificado, ou, no caso
de mudança de residência, não comunicar o novo endereço ao juízo.
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

Ressalte-se que a regra de o processo seguir mesmo sem a presença do acusado só se


dará quando ele for citado pessoalmente ou por hora certa. Por outro lado, sendo ele citado por
edital, na forma do art. 366 do CPP, o processo e o prazo prescricional serão suspensos, até que o réu
seja encontrado. Por sua importância, transcrevo o referido dispositivo processual abaixo:

Art. 366. Se o acusado, citado por edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos
o processo e o curso do prazo prescricional, podendo o juiz determinar a produção antecipada das
provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no
art. 312.

Importante lembrar também que o réu que deixa de comparecer a um ato para o qual
tenha sido regularmente intimado, terá sua fiança quebrada, o que acarretará a perda de metade do
valor recolhido, cabendo ao juiz decidir sobre a imposição de outras medidas cautelares ou, se for o
caso, a decretação da prisão preventiva.

Revelia e presunção de veracidade dos fatos alegados (?): É bem verdade que no processo
civil a revelia gera a presunção de todos os fatos levantados pelo autor que não sejam refutados pelo
réu. No processo penal, em outro giro, isso não ocorre. Por conta do princípio da presunção de
inocência, mesmo que o acusado não compareça ou confesse o delito, subsiste o ônus da acusação
de comprovar a imputação constante da peça acusatória. Não há que se falar, no processo penal, em
confissão ficta ou presumida.

Diante do que foi analisado, afirma a doutrina que a única consequência da revelia no
processo penal é a desnecessidade de intimação do acusado para a prática dos demais atos
processuais (com, exceção da intimação da sentença, que deverá sempre ser feita). Logo, decretada
a revelia do acusado, a comunicação dos atos processuais deverá ser feita apenas ao advogado.

Por fim, caso o acusado revel compareça em momento posterior, cessarão os efeitos da
revelia, passando o acusado a participar do processo conforme o estado em que se encontrar (não
terá direito de repetição dos atos já praticados).

4.7. Reação defensiva à peça acusatória


Nos termos do artigo 396, CPP:
Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz, se não a
rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por
escrito, no prazo de 10 (dez) dias.

É a chamada “resposta à acusação”*, segundo o próprio dispositivo legal, deverá ocorrer


logo depois da citação do acusado.

* Cuidado! Em alguns procedimentos especiais, como é o caso da lei de drogas e nos crimes praticados
por funcionários públicos (CPP, 513 a 518), existe a figura da defesa preliminar, que não se confunde
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com a resposta à acusação. A defesa preliminar tem a finalidade de impedir o recebimento da peça
acusatória, e, justamente por isso, deverá ocorrer antes mesmo do recebimento formal da denuncia ou
queixa crime.

O artigo 396-A trata de maneira mais pormenorizada sobre a resposta à acusação,


asseverando o seguinte:

Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua
defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas,
qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário.

Ou seja, como a peça acusatória já foi recebida, o escopo principal da resposta à acusação
é uma eventual absolvição sumária (Art. 397, CPP). Caso a defesa não veja isso como possível, deverá
aproveitar a mesma oportunidade para arguir preliminares, oferecer documentos e justificações,
especificar provas pretendidas e arrolar testemunhas quando necessárias, sob pena de preclusão e
perda da possibilidade de produção de prova testemunhal.

Nos termos do que ensina Renato Brasileiro, não poderá o próprio acusado apresentar
resposta à acusação, à exceção do caso de o acusado ser também advogado inscrito na OAB.

Como visto acima, o prazo para apresentação da referida resposta é de 10 dias, que
deverão ser contados a partir do dia da efetiva citação (e não da juntada do mandado cumprido
como é no processo civil)*. Se a defesa for feita por um defensor público, tal prazo será de 20 dias,
nos termos da Lei Complementar 80/94 (Lei orgânica da Defensoria pública).

Súmula 710 - No processo penal, contam-se os prazos da data da intimação, e não da juntada aos
autos do mandado ou da carta precatória ou de ordem.

Afirma a doutrina que a apresentação da resposta à acusação é obrigatória, e gera


nulidade absoluta sua falta. Nesse caminhar, estabelece o artigo 396-A, §2 que “não apresentada a
resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o juiz nomeara defensor
para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 dias.

Apresentada resposta à acusação, deverá o juiz fundamentar, ainda que sucintamente, a


decisão que acolher ou não as teses defensivas apresentadas pela defesa.

4.8. Absolvição sumária


Apresentada a resposta à acusação (item anterior), nos termos do artigo 397, CPP, o
próximo passo é a análise de possível absolvição sumária. Vejamos o dispositivo:
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;


II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;
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III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou

IV - extinta a punibilidade do agente.

Importante lembrar que a absolvição sumária (assim como a rejeição da peça acusatória e
a resposta à acusação) aplica-se a todos os procedimentos penais de primeiro grau, ainda que não
regulados neste código (procedimento comum ou especial).

Trata-se, em resumo, de um “julgamento antecipado da lide”, por entender o juiz que


aquele caso concreto não precisa passar por todas suas fases, já sendo fulminado nesse primeiro
momento (pelos motivos expostos no artigo 397).

#Questãodeconcurso

(TJSP – 2017) De acordo com o texto expresso do art. 397 do CPP, o juiz deverá absolver sumariamente
o acusado no processo penal quando verificar que ocorreu a extinção da punibilidade.

Resposta: Certo. Exatamente o que consta do artigo 397, IV, CPP

Observa-se, ainda, que pela própria redação dos incisos do artigo 397, a absolvição
sumária, por importar em verdadeiro adiantamento de julgamento, deve ser reservada para as
situações em que não houver qualquer dúvida acerca de seus motivos. Há necessidade de um juízo
de certeza para que se declare a absolvição sumária. Logo, se, por exemplo, não ficar claramente
demonstrado que houve uma excludente de ilicitude, o juiz deverá, na dúvida, dar prosseguimento
ao processo, determinando a produção normal de provas para só ao final julgar. Vigora, então, no
momento da absolvição sumária, o princípio do in dubio pro societate. Veja interessante julgado que
exemplifica a questão:

 Jurisprudência:
RECURSO ESPECIAL. PROCESSO PENAL. CRIME DE CONTRABANDO. TESE DE NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO
ART. 334, 1.º, ALÍNEA C, DO CÓDIGO PENAL; AOS ARTS. 396, 396-A E 399, DO CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL; AO ART. 89 DA LEI N.º 9.099/95; E DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL A RESPEITO DA
ABSOLVIÇAO SUMÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE SE VERIFICAR O CONHECIMENTO, POR PARTE DO
ACUSADO, DA ORIGEM ESTRANGEIRA DAS MÁQUINAS APREENDIDAS E SEUS COMPONENTES SEM A
DEVIDA DILAÇAO PROBATÓRIA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.

1. É incabível a absolvição sumária quando não evidenciada qualquer das hipóteses previstas nos
incisos I a IV do art. 397 do Código de Processo Penal.

2. No caso dos autos, sendo ponto controvertido o conhecimento, por parte da Acusada, da
procedência estrangeira das máquinas apreendidas e de seus componentes, mostra-se descabido o
afastamento do dolo do agente sem a devida instrução probatória.

Passemos agora ao estudo detalhado das possibilidades de absolvição sumária previstas


nos incisos do Artigo 397 acima retratado.

4.8.1. Existência manifesta de causa excludente da ilicitude

O juiz deve absolver sumariamente o acusado quando verificar que o crime foi praticado
sob amparo de causa excludente de ilicitude, ou seja, estado de necessidade, legítima defesa, estrito
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cumprimento do dever legal e exercício regular de direito. As excludentes de ilicitude são estudadas
em direito penal, mas não se esqueça de que também são justificantes (excludentes) aquelas
previstas na parte especial do Código Penal e em leis especiais, bem como as causas supralegais (ex:
consentimento do ofendido).

4.8.2. Existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo


inimputabilidade

Como exemplo de causas excludentes de culpabilidade podemos citar a coação moral


irresistível, a obediência hierárquica, a inexigibilidade de conduta diversa, que funciona como causa
supralegal da exclusão da culpabilidade.

Perceba que o final do inciso III ressalva o caso do inimputável, deixando claro que ele
não poderá ser absolvido sumariamente com base na sua inimputabilidade. Como sabido, a
absolvição baseada na inimputabilidade gera a aplicação de uma medida de segurança, ou seja, trata-
se de uma absolvição imprópria (Art. 26). Devido a tal peculiaridade, e considerando que a medida de
segurança não deixa de ter caráter de sanção penal, o acusado deve ter direito a todo um processo
para se defender. Adiantar a absolvição e aplicar medida de segurança sumariamente significaria
suprimir o direito de defesa do inimputável, que poderia se livrar da sanção (medida de segurança).
Com isso, conclui a doutrina de forma tranquila que não se admite a figura da absolvição sumária
imprópria.
*Cuidado. Não confunda a absolvição sumária do procedimento comum (aqui estudada) com a
absolvição sumária do procedimento do júri (que será estudada mais a frente na matéria). Essa ultima
ocorre em momento distinto, qual seja, no final da judicium acusatione (sumário de culpa), depois de
já vencida toda a primeira fase do júri. Com isso, considerando que nesse momento processual já
houve produção probatória e chance de defesa, pode inclusive o juiz decretar a absolvição sumária
imprópria para o inimputável, aplicando nesse momento a medida de segurança. Não se preocupe
muito com isso, pois estudaremos no momento certo, só saiba que existe a diferença.

4.8.3. que o fato narrado evidentemente não constitui crime

Reconhecida a atipicidade formal ou material da conduta do agente, também será


possível sua absolvição sumária.

4.8.4. Extinta a punibilidade

As causas extintivas da punibilidade estão elencadas no artigo 107, CP, e dentre elas
encontramos a morte do agente, a prescrição e a decadência.

4.8.5. Recurso adequado

O recurso cabível contra a decisão que concede absolvição sumária é o de apelação,


tendo em vista que se trata de genuína sentença definitiva proferida por juiz singular (Art. 593, I). Por
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outro lado, sendo a decisão judicial no sentido de negar a referida absolvição, dando continuidade
para o processo, exsurge a possibilidade de impetração de habeas corpus para trancar a ação penal.

4.9. Audiência uma de instrução e julgamento (AIJ)


Caso o acusado não seja absolvido sumariamente, o procedimento seguirá seu curso
normal. Tal comando está no artigo 399 do código processual penal, que segue abaixo:
Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a
intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do
assistente.

§ 1o O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público
providenciar sua apresentação.

§ 2o O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença.

Segundo os termos do artigo 400, CPP, tratando-se do procedimento comum ordinário*,


a audiência uma de instrução e julgamento (AIJ) deverá ocorrer no prazo de 60 dias. Sendo superado
esse prazo, e estando o réu preso, poderá o defensor pedir o relaxamento da prisão por excesso de
prazo. Daí extraímos que os processos com acusado preso deverão ter prioridade, “passando” na
frente dos outros na ordem de análise.

*Obs: No procedimento comum sumário a prazo para tal audiência é de 30 dias. Essa é uma das
poucas diferenças que subsistem entre os dois procedimentos hoje em dia, assunto que será visto em
ponto específico.

#Questãodeconcurso:

(IESES – TJAM – 2018) No procedimento ordinário a audiência de instrução e julgamento deve ser
realizada no prazo máximo de 90 dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à
inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto
no art. 222 deste Código, bem como aos esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao
reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado.

Resposta: Errado! Como visto, o prazo para audiência é de 60 dias no procedimento ordinário e 30 no
sumário.

Na AIJ deverão ser praticados todos os atos da instrução processual. As partes


apresentarão alegações orais e o juiz proferirá em seguida a sentença. Ocorre então o que a doutrina
chama de concentração de atos, pois estão todos dentro da audiência una.

Vejamos o artigo 400 do CPP que resume de forma clara quais atos deverão ser tomados
na referida ocasião:

Art. 400. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 (sessenta)
dias, proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas arroladas pela
acusação e pela defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 222 deste Código, bem como aos
esclarecimentos dos peritos, às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se,
em seguida, o acusado.
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

4.9.1. Indeferimento de provas ilícitas, irrelevantes, impertinentes ou protelatórias

Como se sabe, o direito à prova é garantido constitucionalmente, tendo estrita ligação


com a ampla defesa e o contraditório. Porém, isso não quer dizer que a partes podem abusar de tal
direito, sendo possível que determinada prova seja recusada pelo juiz, mediante decisão
fundamentada, conforme do §1 do artigo 400 a seguir colacionado:
o
§ 1 As provas serão produzidas numa só audiência, podendo o juiz indeferir as consideradas
irrelevantes, impertinentes ou protelatórias.

Prova irrelevante: apesar de tratar do objeto da causa, não possui aptidão de incluir no
julgamento da causa (acareação por precatória, por exemplo);

Prova impertinente: não diz respeito à questão objeto no processo;

Prova protelatória: Visa apenas ao retardamento do processo.

Com efeito, incumbe ao juiz indeferir fundamentadamente tais provas, sem que isso
caracterize cerceamento da acusação ou da defesa. A parte prejudicada deve requerer que perguntas
ou outras provas indeferidas constem da ata de audiência, pois, assim fazendo, a matéria poderá ser
novamente discutida em eventual preliminar de apelação ou no bojo de um habeas corpus, quando
em risco a liberdade de locomoção.

4.9.2. Análise dos atos da Audiência de instrução

A) Tomada de declarações do ofendido: A oitiva do ofendido está prevista no Capítulo V


do título VII do Código Processual Penal. Suas condição é bem diferente das testemunhas,
principalmente pelo fato de que não presta compromisso de dizer a verdade nem é computado para
o número máximo de testemunhas.

Além disso, o ofendido não responde pelo delito de falso testemunho, mas, se imputar
falsamente crime a outrem poderá responder pelo delito de denunciação caluniosa*.

Art. 339, CP: Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de
investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém,
imputando-lhe crime de que o sabe inocente:

Caso o ofendido não compareça, tendo sido intimado, é possível que a autoridade judicial
ou policial determine sua condução coercitiva.

Em Virtude do sistema da livre persuasão racional do juiz, tem-se que o valor probatório
das declarações do ofendido é relativo. Logicamente, nos crimes cometidos às ocultas, a palavra da
vítima ganha um pouco mais de importância, mas não quer isso dizer que seu valor seria absoluto.
Veja excerto jurisprudência que analisa a questão:
 Jurisprudencia:
CRIMES SEXUAIS - PROVA - PALAVRA DA VÍTIMA - ESTUPRO E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR -
ABSORÇÃO - CONTINUIDADE DELITIVA - PENA - REGIME. Nos delitos sexuais, em regra praticado na
clandestinidade, a palavra da vítima, quando robusta, precisa e coerente, é suficiente para sustentar
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

um decreto condenatório, mormente quando a defesa não apresenta qualquer prova que pudesse
torná-la suspeita, destacar dose que o próprio acusado admitiu ter praticado com a menor atos
libidinosos diversos, inclusive afirmando ter ciência de que ela era menor de 14 anos, apenas tendo
negado a violência física ou moral, eis que os atos foram praticados com o consentimento da ofendida.
TJ-RJ - APELAÇÃO APL 00348325520038190000 RIO DE JANEIRO DUQUE DE CAXIAS 1 VARA CRIMINAL
(TJ-RJ)

B) Inquirição das testemunhas arroladas pela acusação e defesa: Em se tratando de


procedimento comum ordinário, poderão ser arroladas 8 testemunhas, não se compreendendo nesse
número aquelas que não prestem compromisso ou que sejam referidas*.

*obs: Testemunha referida é aquela que foi citada na petição inicial ou por outra testemunha,
podendo também ser ouvida pelo juiz, mas sem contar para o número máximo.

O artigo 400 do CPP (acima colacionado) afirma que as testemunhas da acusação serão
ouvidas primeiro, em seguida as da defesa. O respeito à essa ordem é de suma importância, pois seu
descumprimento pode gerar nulidade relativa.

Além disso, afirma a doutrina que as perguntas para as testemunhas deverão ser feitas
diretamente pelas partes, e o juiz apenas complementará, ao final, com o que entender cabível
(chamado sistema de exame direto, ou cross examination**). Caberá ao juiz vetar as perguntas que
entenda não ter relação com a causa ou que já tiverem sido respondidas, além daquelas que possam
induzir a testemunha à determinada resposta.
** Obs: O sistema do “cross examination” veio a substituir o antigo sistema presidencialista em que
todas as perguntas eram feitas ao juiz, que em seguida repassava para as testemunhas. O sistema
presidencialista ainda vigora em certos momentos, como no caso das perguntas feitas pelo jurado no
tribunal do júri, ponto que será estudado em momento oportuno.

Por fim, registre-se que, nos termos do Artigo 401, §2º, do CPP, a parte poderá desistir da
inquirição de qualquer das testemunhas que tenha arrolado, mesmo que não haja concordância da
parte contrária.

#Questãodeconcurso:

(TJRS – 2017) No curso da instrução criminal, a defesa técnica do acusado poderá manifestar a
desistência do interesse na oitiva das testemunhas arroladas em sede de Resposta à Acusação,
independentemente da concordância do órgão acusatório.

Resposta: Certo! É exatamente o que diz o artigo 401, §2, CPP

C) Esclarecimentos dos peritos: O Perito cumpre o papel de auxiliar do Juízo na prestação


jurisdicional, encarregando-se de suprí-lo de elementos técnicos de matéria técnica específica, para
que a decisão tenha um substrato fático bem delineado e fundamentado.

Ele atua de modo independente, imparcial e estritamente técnico, contatando e ouvindo


os assistentes técnicos, fugindo de interpretação de leis e evitando formação de juízo de valor sobre
questões fora de sua área de competência profissional.

As partes podem requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para
responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem
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esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar
as respostas em laudo complementar.

D) Acareações: Nos termos do que ensina Mirabete, acarear é pôr em presença uma da
outra, face a face, pessoas cujas declarações são divergentes. Trata-se, portanto, de um ato
processual consistente na confrontação das declarações de dois ou mais acusados, testemunhas ou
ofendidos, já ouvidos, e destinado a obter o convencimento do juiz sobre a verdade de algum fato.

E) Reconhecimento de pessoas e coisas: É um meio de prova por meio do qual alguém


identifica uma pessoa ou coisa que lhe é mostrada com pessoa ou coisa que já havia visto, ou que já
conhecia, em ato processual praticado perante a autoridade policial ou judiciária. O procedimento do
referido ato está no artigo 226, CPP:

Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela
seguinte forma:

I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada a descrever a pessoa que deva ser
reconhecida;

Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se possível, ao lado de outras que com
ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a apontá-la;

III - se houver razão para recear que a pessoa chamada para o reconhecimento, por efeito de
intimidação ou outra influência, não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida, a
autoridade providenciará para que esta não veja aquela;

# Reconhecimento X fotografia (?): Apesar de ocorrer uma divergência na doutrina


quanto a admissibilidade do reconhecimento fotográfico, o Supremo Tribunal Federal e o Superior
Tribunal Federal têm decidido pela admissibilidade de tal prova, conforme se observa na
jurisprudência abaixo.

 Jurisprudência:
Este Superior Tribunal sufragou entendimento "no sentido de que o reconhecimento fotográfico,
como meio de prova, é plenamente apto para a identificação do réu e fixação da autoria delituosa,
desde que corroborado por outros elementos idôneos de convicção" (HC 22.907/SP, Rel. Ministro FELIX
FISCHER, QUINTA TURMA, DJ 04/08/2003), assim como ocorreu in casu, onde o reconhecimento por
fotografia feito na fase inquisitiva foi confirmado em juízo, pelas declarações do ofendido, as quais
ganharam ainda mais credibilidade na medida em que uma testemunha afirmou ter presenciado o
reconhecimento feito em sede policial. (HC 22.907/SP, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJ
04/08/2003)

F) Interrogatório do acusado: É o ato por meio do qual o juiz ouve o acusado sobre sua
pessoa e sobre a imputação que lhe é feita. É visto como um meio de prova, apesar de ser
principalmente um meio de defesa do acusado, que poderá nesse momento dizer tudo que lhe caiba
falar.

Com a reforma processual penal de 2008, o interrogatório passou a ser realizado ao final
da instrução processual (o próprio artigo 400 do CPP deixa claro essa ordem a ser seguida). Apesar de
alguns procedimentos, como a lei de drogas, ainda trazerem o interrogatório como o primeiro ato da
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instrução, o STF analisou a questão e deixou claro que o interrogatório sempre será o ultimo ato da
instrução, mesmo nos procedimento especiais, Vejamos a decisão:

 Jurisprudência:
O interrogatório passa a ser sempre o último ato da instrução, mesmo nos procedimentos regidos por
lei especial, caindo por terra a solução de antinomias com arrimo no princípio da especialidade. STJ. 6ª
Turma. HC 403.550/SP, 15/08/2017 e STF HC n. 127.900/AM)

#Questãodeconcurso:

(TJRS – 2017) Na audiência de instrução e julgamento, serão ouvidos, nesta ordem, o acusado, a
vítima, as testemunhas de acusação e as testemunhas de defesa, para, após, serem prestados
esclarecimentos pelos peritos, realizadas as acareações e o reconhecimento de pessoas e coisas.

Resposta: Errado! Como visto acima, o acusado sempre será o ultimo a ser ouvido em audiência.

G) Diligências: O requerimento de diligências está previsto o artigo 402, CPP:

Art. 402. Produzidas as provas, ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o assistente
e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou
fatos apurados na instrução.

Perceba que o requerimento a ser feito por ocasião do final da audiência deve se referir a
diligências cuja necessidade se origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução. Ou seja, se a
necessidade daquela diligência já existia no começo do processo, a parte já deveria ter requerido no
momento oportuno (na peça acusatória ou na resposta a acusação).

Na prática tal restrição é abrandada, e os juízes costumam aceitar pedidos de diligências


em geral, principalmente visando evitar qualquer tipo de declaração posterior de nulidade por
cerceamento de defesa.

Não sendo caso de se determinar as diligências de ofício, e não existindo requerimento


das partes nesse sentido, o procedimento comum avança em direção às alegações orais.

H) Alegações Orais: Chamadas de memoriais quando apresentadas por escrito, as


alegações orais consistem em ato postulatório das partes para influenciar na decisão do juiz antes da
prolação da sentença. Nessa peça, as partes (MP, querelante, advogado do assistente e defensor)
devem realizar minuciosa análise dos elementos probatórios constantes dos autos do processo,
valendo-se de doutrina e jurisprudência para pedir a procedência ou a improcedência de eventual
pedido de condenação do acusado. É a oportunidade, também, para que as partes aleguem alguma
nulidade verificada no decorrer do procedimento.

Nos termos do artigo 403, CPP:

Art. 403. Não havendo requerimento de diligências, ou sendo indeferido, serão oferecidas alegações
finais orais por 20 (vinte) minutos, respectivamente, pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por
mais 10 (dez), proferindo o juiz, a seguir, sentença.

§ 3o O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às partes


o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo
de 10 (dez) dias para proferir a sentença.
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

Homenageando o princípio da oralidade, percebe-se claramente, pela leitura do


dispositivo, que o legislador deu preferência para as alegações orais em audiência. Com efeito, pelos
termos da lei, o juiz só poderá conceder o prazo de 5 dias para apresentação de memoriais escritos
quando a causa for complexa ou tenha vários acusados.

Infelizmente, é perceptível que na prática adota-se quase como unanimidade a


apresentação de memoriais escritos em todos os tipos de processos, tendência essa que vai de
encontro com o determinado pelo Código.

As alegações deverão ser apresentadas na seguinte ordem: primeiro fala a acusação (MP
ou querelante), no prazo de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10. Depois, pronuncia-se o defensor,
pelo prazo de 20 minutos também prorrogáveis por mais 10. Caso haja assistente da acusação, seu
advogado deverá manifestar-se após o MP, sendo-lhe concedido, para tanto, 10 minutos. Havendo
mais de um acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual.

Prevalece na doutrina que a não apresentação de alegações finais gera nulidade absoluta,
ou seja, trata-se de uma peça de apresentação obrigatória. Afinal, à luz da Constituição Federal, a
defesa técnica não é mera exigência formal, mas sim garantia insuprimível, de caráter necessário.
Verificada a negligência do defensor ou advogado, cabe ao juiz intimar o acusado para constituir
novo advogado para a apresentação dos memoriais, sob pena de nomeação de defensor dativo.
Nesse caminhar:

 Jurisprudência:
Ementa: PENAL. PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÕES FINAIS. NULIDADE ABSOLUTA. OMISSÃO
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. PRELIMINAR
DE NULIDADE ACOLHIDA. 1. As alegações finais constituem ato essencial do processo, cuja ausência
acarreta a sua nulidade absoluta. 2. Anulação do processo a partir da fase do art. 500 do Código
de Processo Penal . 3. Apelação provida.

TRF-1 - APELAÇÃO CRIMINAL ACR 14 AM 2004.32.01.000014-6 (TRF-1) 17/08/2007

4.10. Mutatio libelli


Segundo tratado no artigo 384, CPP, encerrada a instrução probatória, se entender
cabível nova definição do fato, em consequência de prova existente nos autos de elemento ou
circunstância da infração penal não contida na acusação, em vez de apresentar alegações orais, deve
o MP aditar a denuncia ou queixa, no prazo de 5 dias.

Ex: MP havia oferecido denuncia por furto qualificado. Ocorre que durante a AIJ nova
prova foi produzida, e restou demonstrado que o fato não fora um furto, e sim um roubo (subtração
com violência ou grave ameaça). Nesse caso, tendo em vista que toda a acusação, e, em
consequência, a defesa, foram embasadas na descrição do furto, deverá o MP aditar a denuncia para
roubo, tendo o réu oportunidade de se defender novamente do novo fato imputado.

4.10. Sentença
PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

Caso as alegações orais sejam substituídas por memoriais, o juiz terá o prazo de 10 dias
para proferir sentença. Vejamos, no ponto, o artigo 403, §3, CPP:
o
403, § 3 O juiz poderá, considerada a complexidade do caso ou o número de acusados, conceder às
partes o prazo de 5 (cinco) dias sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o
prazo de 10 (dez) dias para proferir a sentença.

Em conformidade com o princípio da identidade física do juiz, aquele que colheu a prova
em audiência deverá julgar o caso, comando esse que vale para todos os procedimentos (comuns e
especiais).

4.11. Registro da audiência


Nos termos do artigo 405, CPP, do ocorrido em audiência será lavrado termo em livro
próprio, assinado pelo juiz e pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela
ocorridos.

Sempre que possível o registro dos depoimentos e declarações será feito pelos meios ou
recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar, inclusive audiovisual,
destinada a obter maior fidelidade das informações.

4.12. Esquema do Procedimento ordinário


Abaixo segue colacionado esquema sintético do procedimento comum ordinário (retirado
do Livro “Prática Forense Penal”, do professor Guilherme de Souza Nucci.

5. Procedimento comum sumário


PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

5.1. Noções gerais e aplicabilidade


Como já visto anteriormente, o procedimento comum sumário (previsto nos artigos 531 a
538 CPP) é utilizado quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a 4
(quatro) e superior a 2 (dois) anos de pena privativa de liberdade.

Além disso, sabemos que existem algumas situações que geram o envio do procedimento
dos juizados especiais (procedimento sumaríssimo) para o juízo comum. Tais hipóteses em que essa
remessa ocorrerá estão descritas nos artigos 66, § único e 77, §2 da Lei 9.099/95. Vejamos:
Art. 66, Parágrafo único. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as peças
existentes ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei.

Art. 77, §2: § 2º Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da


denúncia, o Ministério Público poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes, na
forma do parágrafo único do art. 66 desta Lei.

Logo, por expressa previsão do artigo 538 do CPP, quando o processo for enviado do
juizado para o juízo comum, o procedimento a ser adotado também será o comum sumário.

5.2. Rito procedimental


Oferecida a denuncia, proceder-se-á de acordo com o rito previsto nos artigos 531 a 538
do CPP.

Vejamos então o procedimento sumário (perceba que atualmente ele é muito parecido
com o ordinário, e as diferenças serão ressaltadas em ponto posterior desse resumo):

A) Remessa do Inquérito Policial;

B) Distribuição e abertura de vista ao promotor;

C) Promotor tem 3 caminhos:

c.1) Oferece denuncia

c.2) Requer novas diligências

c.3) requer o arquivamento

D) Juiz analisa se é caso de rejeição, artigo 395;

E) Recebida a denuncia, cita-se o réu para responder a acusação no prazo de 10 dias;

F) Depois da resposta o juiz analisa se é caso de absolvição sumária (397, CPP);

G) Não absolvendo sumariamente, juiz designa AIJ a ser realizada no máximo em 30 dias
(nos mesmos termos do Procedimento ordinário). Também será uma audiência única, concentrando
os atos. Serão permitidas no máximo 5 testemunhas para a defesa e 5 para acusação;

5.3. Diferenças entre o procedimento comum ordinário e o procedimento comum sumário


PROCESSO PENAL - RAFAEL MEDEIROS

Para facilitar a visualização, trataremos o assunto em uma tabela comparativa:

Comum ordinário Comum sumário

Prazo para audiência 60 dias 30 dias

Número de testemunhas 8 5

Requerimento de Está expresso no CPP Não está previsto


diligências no final da AIJ

Possibilidade de
substituição das alegações SIM NÃO
orais por memoriais

#Questãodeconcurso:

(IESES – TJAM – 2018) A quantidade de testemunhas que poderão ser arroladas na instrução do rito
comum ordinário corresponde até 8 (oito) para acusação e até 8 (oito) para a defesa conforme art. 401
do CPP. Já na instrução do rito sumário a quantidade de testemunhas é de até 3 (três) para acusação e
3(três) para a defesa, em consonância com o art. 532 do CPP.

Resposta: Errado! Como visto, no procedimento sumário são 5 testemunhas para acusação e 5 para
defesa.

#Questãodeconcurso:

(DPESC – 2018) No procedimento comum sumário, é possível o requerimento de diligências em sede de


audiência de instrução e julgamento, de acordo com o Código de Processo Penal.

Resposta: Errado! Não existe essa previsão para o procedimento sumário. Vide tabela acima.
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