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Sumário

PSICOLOGIA DA RELIGIÃO ....................................................................................... 5


I - INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 5
II – ASPÉCTOS DE COMPORTAMENTO ...................................................................................... 6
III – A PSICOLOGIA DA RELIGIÃO É INVESTIGATIVA .................................................................. 7
IV – ISSO É VERDADEIRO EM TRÊS SENTIDOS. ........................................................................ 11
V – CRÍTICAS AO BEHAVIORISMO............................................................................................ 12
VI – CRÍTICAS À PSICANÁLISE .................................................................................................. 12
VII – NASCIMENTO DO HUMANISMO ..................................................................................... 13
VIII – ENFIM A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL ........................................................................... 14
IX – NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA ................................................................................................... 15
X – MITOS E CRENDICES .......................................................................................................... 16
XI – PSICOTERAPIA .................................................................................................................. 16
XII – FUNCIONAMENTO DA PSICOTERAPIA ............................................................................. 18
XIII – MECANISMO DE MUDANÇA EM PSICOTERAPIA ............................................................ 20
XIV – CONCLUSÃO ................................................................................................................... 24

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR .......................................................................... 25


I - INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 25
II – BASES DA DIDÁTICA........................................................................................................... 28
III – ELEMENTOS DA DIDÁTICA ................................................................................................ 29
IV – METODOLOGIA DO ENSINO ............................................................................................. 30
V – CICLO DOCENTE................................................................................................................. 32
VII – PLANO DE AÇÃO DIDÁTICA ............................................................................................. 37
VIII – CONCLUSÃO ................................................................................................................... 39

SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO ..................................................................................... 40


I – INTRODUÇÃO...................................................................................................................... 40
II – PERÍODO HISTÓRICO ......................................................................................................... 40
III - A EPISTEMOLOGIA............................................................................................................. 43
IV – CONHECIMENTO CIENTIFICO DA RELIGIÃO ..................................................................... 45
V – FILOSOFIA DA RELIGIÃO .................................................................................................... 46
VI – ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO ......................................................................................... 56
VII - SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO ............................................................................................... 60
VIII – HISTÓRIA DA RELIGIÃO .................................................................................................. 66
IX-CONCLUSÃO ........................................................................................................................ 71

FILOSOFIA DA RELIGIÃO ........................................................................................ 73


I - INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 73
II - DEFINIÇÃO .......................................................................................................................... 74
III - PROPÓSITO DA FILOSOFIA DA RELIGIÃO........................................................................... 74
IV- CONTRIBUIÇÕES DE OUTRAS CIÊNCIAS ............................................................................. 75
V - A FILOSOFIA DA RELIGIÃO INVESTIGATIVA ........................................................................ 79
VI - AS CARACTERÍSTICAS FILOSÓFICAS DO CRISTIANISMO .................................................... 81
VII — CONFLITOS E CONCILIAÇÃO ENTRE A FÉ E O SABER ..................................................... 85
VIII - CONCLUSÃO .................................................................................................................... 88

PEDAGOGIA DA RELIGIÃO ...................................................................................... 89


I - INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 89
II ENSINO TEOLÓGICO: ............................................................................................................ 90
III — FORMAR: É A VIRTUDE DO CRESCIMENTO ..................................................................... 91
IV - ÉTICA E COMPROMISSO PROFISSIONAL ........................................................................... 92
V - PEDAGOGIA E DIDÁTICA .................................................................................................... 93
VI - OS OBJETIVOS E OS CONTEÚDOS DE ENSINO ................................................................... 93
VII • CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DOS CONTEÚDOS ...................................................................... 94
VIII - OS MÉTODOS DE ENSINO ............................................................................................... 95
IX - A AVALIAÇÃO .................................................................................................................... 96
X - PLANEJAMENTO ................................................................................................................. 97
XI - RELAÇÕES PROFESSOR-ALUNO NA SALA DE AULA ........................................................... 98
XII - PIAGET AO ALCANCE DOS PROFESSORES ........................................................................ 99
XIII - IDEIAS CHAVES DE COMO ENTENDER AS CRIANÇAS .................................................... 100
XIV - DESCOBERTAS IMPORTANTES ...................................................................................... 102
XV - NO ESTÁGIO DO PENSAMENTO INTUITIVO ................................................................... 103
XVI - NO ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS ................................................................. 114
XVII- CONCLUSÃO .................................................................................................................. 116

TEOLOGIA DA REFORMA ...................................................................................... 117


I - INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 117
II - CONTRIBUIÇÃO HISTÓRICA .............................................................................................. 118
III - PRÉ-REFORMA ................................................................................................................. 119
IV - REFORMA NA ALEMANHA, SUÍÇA E FRANÇA. ................................................................ 120
V - AS NOVENTA E CINCO TESES DE LUTERO ........................................................................ 121
VI - EXTENSÃO DA REFORMA PROTESTANTE NA EUROPA.................................................... 131
VII — O MURO DOS REFORMADORES .................................................................................. 132
VIII - NO REINO UNIDO .......................................................................................................... 134
IX - ARQUEOLOGIA BÍBLICA ................................................................................................... 135
X- CONFLITOS E CONCILIAÇÃO ENTRE A FÉ E O SABER ......................................................... 137
XI - CELEBRAÇÃO DA ÚLTIMA CEIA ....................................................................................... 139
XII - IGREJA ORTODOXA......................................................................................................... 141
XIII - IGREJA DO ORIENTE ...................................................................................................... 141
XIV - O PROTESTANTISMO..................................................................................................... 142
XV - CONCLUSÃO ................................................................................................................... 143

QUESTIONÁRIOS .................................................................................................... 145


PSICOLOGIA DA RELIGIÃO ..................................................................................................... 145
DIDÁTICA ............................................................................................................................... 145
SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO..................................................................................................... 146
FILOSOFIA DA RELIGIÃO ........................................................................................................ 147
PEDAGOGIA DA RELIGIÃO ..................................................................................................... 147
TEOLOGIA DA REFORMA ....................................................................................................... 148

ELABORAÇÃO DE MONOGRAFIA E TCC ............................................................. 149


- Orientações ABNT – ............................................................................................................ 149
PSICOLOGIA DA RELIGIÃO

I - INTRODUÇÃO

PSICOLOGIA. “Ciência do comportamento humano”.

Ao contrário da Sociologia, que é a ciência que estuda o grupo social, a


Psicologia estuda o individuo dentro do grupo social, o seu comportamento
diante dos estímulos recebidos pelas circunstâncias sociais que o cercam, por
seu lado a Psicologia Social destaca o papel dos fatores de liberdade de
situações que influem no comportamento humano, enquanto a Psicologia
Individual estuda o homem em relação as suas transformações evolutivas e ao
dinamismo interno de sua personalidade.

Grupo 1909 foto na frente da Clark University.


Fila da frente: Sigmund Freud, G. Stanley Hall, Carl Jung.
Fila de trás: Karl Abraham; A. Brill, Ernest Jones, Sandor Ferenczi.

A Psicologia da Religião é o estudo psicológico das experiências e crenças. No


Cristianismo, a Psicologia da Religião ou Psicologia Pastoral, é um subcampo
da Teologia Pastoral. Há de se verificar ao tecer considerações acerca das
inter-relações entre a Psicologia e Religião as distintas formas ou escolas de

5
psicologia enquanto ciência e a ampla variedade do fenômeno religioso
enquanto objeto de estudo da História e/ou da Sociologia das Religiões.

II – ASPÉCTOS DE COMPORTAMENTO
Sem conhecer os conceitos grupais ou individuais, não há como diferenciá-los,
pois cada um tem estilo de comportamento e regras diferentes de grupo para
grupo e são os fatores de liberdade e as situações que influenciem no
comportamento humano.

No aspecto grupal para a vivência em grupo social é necessário negar seus


conceitos próprios e passar a respeitar o querer e as observações dos grupos,
suas leis, seus costumes, seu modo de viver, sua maneira de vestir, sua língua,
etc.

No aspecto individual estuda o homem em relação as suas transformações


evolutivas, seu dinamismo, sua personalidade, sua crença.

A Psicologia da Religião é o estudo sistemático dos fenômenos religiosos não


importa a igreja ou seita religiosa ou filosofia dos diversos comportamentos
filosóficos das religiões, sua maneira de crer, seu comportamento de adoração,
ela estuda todos os comportamentos de crença e de fé, aferindo os valores de
cada um, positivos e negativos.

EXEMPLOS:

1. Assembleia de Deus tem uma Doutrina, seus costumes, sua maneira de


adoração, de entender seus sacramentos e como agir. Se eu
individualmente não gostar deste sistema, terei que procurar outro que
esteja de acordo com o meu querer e não tentar mudar o que já está
implantado, pois já é natural para os seus seguidores.

2. Isto acontece com todas as igrejas pentecostais ao modelo das


Assembleias de Deus no mundo e não me dá outro direito de contestar
suas crenças, tais como o batismo no Espírito Santo e outros

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sacramentos. Se não creio o que devo fazer? - Procurar outra
denominação.

3. Para identificar uma Seita teremos que diferenciar seus conceitos de


crença, suas interpretações e seus aspectos religiosos tais como:
Testemunhas de Jeová, Mormonismo, Espiritismo em seus vários
seguimentos, Budismo, que é mais uma filosofia do que uma crença e
outras.

4. A Psicologia da Religião é o estudo das Emoções a qual dá ao individuo


a segurança, controlando-o no sentido religioso e humanístico, dando ao
mesmo tempo experiência de vida, assegurando-o dentro do aspecto
social e contribuindo para o bom relacionamento emocional no seu meio
de atividade. O seu comportamento passa a ser assegurado em
diversos aspectos da vida tais como: as emoções da ansiedade e do
temor, no amor, no prêmio que ganhou no carro e no apartamento que
comprou, na crença, em todos estes momentos da vida.

III – A PSICOLOGIA DA RELIGIÃO É INVESTIGATIVA

As experiências místicas que modificam as vidas das pessoas e a maneira


delas pensarem. Interessa-se especialmente pelos estados de consciência,
pelos fenômenos psíquicos, pelas visões e pelos alegados encontros com
seres espirituais. As emoções da ansiedade e do temor, mormente no que diz
respeito às doutrinas do pecado e do julgamento, encontram-se entre seus
interesses.

Na exaltação religiosa a experiência do sagrado e a experiência do seu oposto.


As manifestações demoníacas e os estados mórbidos também são assuntos de
seus estudos.

A Psicologia da Religião nasceu na segunda metade do século XIX nos


Estados Unidos, tempo de um despertar religioso de impressionante vitalidade,
caracterizado pelo surgimento de numerosos surgimentos religiosos, inclusive
pelo aparecimento de movimentos de origem oriental.

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Um cenário de crenças e religiões sem igual em todo o resto do mundo. Os
psicólogos experimentais interessados no fenômeno religiosos depararam
assim diante de um extraordinário campo de estudo que despertava inusitado
interesse com grande vitalidade.

A Cultura Americana apresentava como característica dominante a


individualidade e a Psicologia da Religião nasciam como Psicologia Aplicada
ao indivíduo religioso.

Não se deve ignorar que foi neste período que a filosofia predominante nos
Estados Unidos caracterizou-se pelo surgimento e afirmação do pragmatismo,
isto é, um tipo de pensamento que afirmava que “a religião é aquilo que ela
faz”, com a importante conclusão de que a religião se estrutura em função da
eficácia prática, e, portanto, psicológica.

Atualmente os fenômenos religiosos tem sido alvo de grande interesse por


parte da Psicologia Contemporânea, isto é, o estudo científico da religião a
partir da perspectiva das ciências sociais, aspectos como as origens, as
motivações, as expressões, a dinâmica, o desenvolvimento e os efeitos da
religião são motivos de interesse.

A Psicologia da Religião definida de modo geral como o estudo científico da fé


e/ou da religião com o emprego de métodos psicológicos é um campo fértil
para os que procuram entender melhor a natureza e o comportamento do
homem e, desperta interesse especial por parte dos cristãos que a consideram
uma oportunidade de conciliar as muitas áreas de mútua coincidência e
preocupação entre a psicologia e a teologia.

Julgam que o estudo comparativo conjunto das duas é uma possibilidade de


averiguação da exatidão das verdades de Deus que são descobertas através
de duas ciências, relacionando-as à sua própria vida e aplicando-as a ela na
revelação da correspondência de fatos Psicológicos e Teológicos.

1. A Psicologia através da religião se constitui em uma análise normativa


da natureza humana, a busca da compreensão mais plena da
importância destes processos para a religião. A Psicologia da Religião,

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definida de modo geral como estudo científico da fé e da religião, com o
emprego de métodos psicológicos é um campo fértil para os que
procuram entender melhor a natureza e o comportamento do homem.
2. A Teologia em qualquer experiência de conversão fica claro que a
preocupação da Bíblia é como o Deus que inicia e dirige todo o processo
que envolve a conversão, o que implica dizer que o homem só responde
positivamente ao evangelho porque Deus primeiramente começa a
trabalhar em sua vida.

Em At 16.14: “Certa mulher chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de


púrpura, temente a Deus, nos escutava, o Senhor lhe abriu o coração para
atender as coisas que Paulo dizia”.

O acreditar em uma pregação do evangelho torna-se o compromisso de


considera-lo efetivamente como verdade diante de sua profissão de fé, que é
uma atividade dinâmica que evolui, influenciando o relacionamento com Deus e
de uns com os outros e os membros em particular.

“Uma certa senhora de uma cidade, onde eu era o pastor, dona de uma rede de
supermercados na cidade, um dia esta senhora foi convidada para ir a uma de nossas
congregações, e aceitou a Jesus como seu Salvador. Passados 15 dias de sua
conversão ela foi ao gabinete Pastoral e disse: - Pr. Alcino, gostaria de sua
compreensão e me desse mais 15 dias para eu me apresentar como uma verdadeira
crente de nossa Igreja, pois sou fazendeira e lá em casa, tenho que fazer tudo. Meu
marido não tem esta disposição, eu amanso cavalo, domo todos os tipos de animais e
minha vida toda vesti bermuda, não tenho vestido nem saia como é costume da Igreja,
mas já mandei fazer. Dentro de 15 dias eu serei uma crente completa. Eu perguntei
aquela senhora: Quem falou a senhora deste comportamento? Ela respondeu:
Ninguém falou, eu vim para a Igreja para ficar e não quero ser diferente das outras
irmãs. Então eu disse: Glória a Deus. Ele fala através de sua Palavra”.

A Psicologia a Teologia tem sido relacionadas entre si de muitas maneiras,


como a Psicologia da Religião sendo definida como a tentativa de enquadrar a
religião à dinâmica psicológica ou como busca a compreensão mais plena da
importância destes processos para a religião.
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A Psicologia através da religião se constitui em uma análise normativa da
natureza humana, fornecendo o entendimento psicológico das pessoas e “com”
a religião é entendida como um esforço para oferecer a interpretação
psicológica e religiosa dos mesmos fenômenos inerentes a ela sem reduzir sua
importância particular. Em contrapartida, a Psicologia “pró” religião é uma
perspectiva definida como a tentativa de usar a psicologia para autenticar a
religião.

Em princípio, qualquer aspecto da conduta religiosa pode, de certa maneira,


ser investigado pelos psicólogos e alguns se concentram na influência
formadora do ambiente social e cultural, tais como a família e a igreja se juntam
no processo de conversão e determinam as convicções religiosas do
convertido.

A Bíblia esclarece que pessoas diferentes chegam à conversão de maneiras


diferentes e em um estudo rápido de Atos dos Apóstolos indica que as
conversões ali relatadas se diferenciavam grandemente em suas
circunstâncias.

Quando se faz menção dos aspectos psicológicos da conversão, não significa


que se esqueça, ou que se negue que é a “verdade” que conquista a mente e o
coração do ouvinte, mas que o provocar das emoções é, de certa forma, um
fator de fundamental importância.

Em qualquer experiência de conversão, também fica claro que a preocupação


da Bíblia é com o Deus que inicia e dirige todo o processo que envolve a
conversão, o que implica dizer que o homem só responde positivamente ao
evangelho porque Deus primeiramente começou a trabalhar em sua vida.

Ainda que alguns dos que escreveram sobre a Psicologia da Religião adotaram
o ponto de vista de que ao dar uma explicação da sua conduta religiosa e das
raízes das suas crenças, o homem está negando a veracidade dessas crenças,
a maioria dos psicólogos não concorda com tal conceito, afirmando
veementemente que mesmo que uma crença tenha raízes psicológicas, não
prova que seja falsa e que não precisa haver uma relação entre uma base
psicológica para uma fé e a verdade dessa fé.

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Enquanto uma pessoa convertida descreverá sua experiência em termos
pessoais, que influenciem uma nova relação com Deus na pessoa de Jesus
Cristo, um não convertido pode dizer que sempre encontra este tipo de
explicação supérflua, ou considerará tal descrição sem sentido.

Ao mesmo tempo considerar a relação psicológica como em oposição com a


relação religiosa pessoal equivale a cometer um grande erro, pois como
sintetiza em sua obra o psicólogo da religião R.F. Paloutzian: “Psicologia e
religião são complementares”.

IV – ISSO É VERDADEIRO EM TRÊS SENTIDOS.

Em primeiro lugar não devemos jamais pensar em termos de Psicologia versus


Religião, como explicações opostas do comportamento humano. Não se destrói
a validade de uma área simplesmente porque se aceita a validade da outra
porquanto, elas não são reciprocamente excludentes.

Como uma explicação psicológica da vida das pessoas não elimina o possível
valor de verdade de uma visão religiosa e vice-versa, os pesquisadores e os
peritos e os peritos de um campo não precisam considerar os outros como uma
ameaça, ao contrário, eles são livres para influenciar-se a ajudar-se
mutuamente.

Em segundo lugar a Psicologia e a Religião chegaram, em certos casos, a


conclusões paralelas, dando o sentido das coisas e das crenças, colocando-as
cada uma em seu lugar.

Em terceiro lugar a Psicologia e a Religião são na prática complementares,


pois cada uma com seu conceito diferente, porém, todos em favor dos seres
humanos, dando aos mesmos um comportamento adequado para viver em
sociedade e praticar sua religião com livre conceito de crença e deve haver
respeito a qualquer crença de um ser humano dando a ele a oportunidade de
estudar cada denominação com seus vários costumes.

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V – CRÍTICAS AO BEHAVIORISMO

Maslow era um dos críticos descontentes com a atual ideia da Psicologia. Ele
achava que o Behaviorismo, que estudava o comportamento humano através
do comportamento do animal, não condizia com o estudo da mente humana,
muito mais complexa, envolvendo razão e sentimento.

O aprendizado superior, liberdade pessoal, livre-arbítrio a arte e a ciência, são


também pontos negativos e próprios do ser humano;

a) Como ódio,
b) Magoa,
c) Tendência para fazer o “mal”,
d) Como uma luta pelo melhor para si próprio.

Também falava da falta de definição dos comportamentos patológicos, únicos


do ser humano e criativa ênfase no estudo do comportamento em detrimento à
consciência.

Vale ressaltar que essas críticas de Maslow só são válidas se aplicadas ao


Behaviorismo watsoniano. Os outros behaviorismos em especial ao radical que
é praticamente o único dos dias atuais estudam todos os fenômenos que
Maslow criticou o behaviorismo de não estudar, descaracterizando-se assim a
crítica.

VI – CRÍTICAS À PSICANÁLISE

A CRÍTICA DE Maslow à Psicanálise consiste no reducionismo de toda a


mente para a libido e o inconsciente além de tratar o humano como “doente por
natureza” cuidando apenas dos aspectos patológicos humanos.

Outra crítica comum está na restrição e prejuízos que rótulos diagnósticos


como histeria, psicose e neurose grave podem gerar, segundo eles, ao fazer
com que alguém se identifique e seja identificado com um diagnóstico.
Segundo alguns autores transpessoais o ser humano deve viver livre de rótulos
para alcançar a plenitude.

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VII – NASCIMENTO DO HUMANISMO

Algum tempo depois de Maslow juntamente a Anthony Sutich fundam a


Associação de Psicologia Humanista (Association for Humanistic Psycology) e
lançam um jornal para divulgar a escola.

Foi muito bem aceito por um grande número de psicólogos sendo que muitos
contribuíam com suas teorias naquela mesma época, como Carl Rogers, autor
da Abordagem Centrada na Pessoa (ou cliente), Viktor Frankl, com a Escola do
“Sentido da Vida”, o Logoterapia, Fritz Perls e sua Gestalt-Terapia, e Alexander
Lowen com a Bioenergética.

A ênfase destas teorias humanistas está no presente, no aqui e agora e na


capacidade de mudança, de escolha, baseado nas escolas filosóficas
Fenomenologia e Existencialismo, respectivamente.

Também enfatiza os sentimentos, tanto na vida, como na terapia e a


congruência. Dentro do próprio berço e dos próprios fundadores do humanismo
foi crescendo a ideia de algo que faltava a esta Escola Humanista: o aspecto
espiritual.

- Uma Nova Corrente de Pensamento

Por que uma nova corrente de pensamento? Era a década de 1960, muito
conturbada, devido às várias novas ideologias e a “importação” de filosofias
orientais de vida, como o panteísmo oriental, Hare-Krishna, o Zen-Budismo, o
Taoísmo entre outras. No Vietnã a Guerra explodia de vez e em Paris os
estudantes se revoltavam, o mundo estava precisando acreditar em uma esfera
superior, espiritual.

Experiências como a meditação transcendental, o transe, o G-12 a


efervescência cultural e cientifica abriam portas para uma nova abordagem na
psicologia, voltada para o que Há de mais interior do ser humano, o espírito.

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VIII – ENFIM A PSICOLOGIA TRANSPESSOAL

Para Maslow e Sutch que não aceitavam mais suas próprias teorias por
completo, pois faltava o fator espiritual, e os fatores incomuns da consciência,
foi um pulo até aceitar as ideias de Stanislav Grof, que falava dos estados
alterados da consciência e estruturas diferentes, como o estado de vigília.

O Inconsciente Freudiano e o Inconsciente Coletivo, entre outros, a esta nova


abordagem, nascida em 1967, foi dada o nome de Transpessoal onde
encontramos: as Críticas a psicologia transpessoal e o Mau uso da física
quântica.

A mecânica quântica, a peça central da física moderna, tem sido mal


interpretada para que implique que a mente humana controla a realidade e que
o universo é um todo conectado que não pode ser entendido pela mera
redução de partes.

Entretanto, nenhum argumento ou indício decisivo requer que a mecânica


quântica tenha um papel central na consciência humana ou que forneça
conexões holísticas instantâneas através do universo.

A física moderna incluindo a mecânica quântica permanece completamente


materialista e reducionista na medida em que é consistente com todas as
observações científicas.

A interpretação convencional da mecânica quântica, a interpretação


Copenhague, promulgada por Bohr e ainda mantida pela maioria dos físicos,
não diz nada sobre consciência.

Ela se preocupa apenas com o que pode ser medido e que predições podem
ser feitas sobre como as condições estatísticas de conjuntos de medições
futuras.

O comportamento aparentemente holístico e não local dos fenômenos


quânticos pode ser entendido sem se descartar o bom senso da noção das
partículas seguindo caminhos definidos no espaço e no tempo ou exigindo que
sinais viagem mais rapidamente que a luz.

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Nenhum movimento ou sinalização superluminal foi alguma vez observado em
concordância com o limite definido pela teoria da relatividade. Ademais, as
interpretações dos efeitos quânticos não precisam demolir a física clássica ou o
bom senso para tornarem-se inoperantes em todas as escalas – especialmente
na escala macroscópica na qual os humanos funcionam.

A física Newtoniana que descreve com sucesso virtualmente todos os


fenômenos macroscópicos, segue suavemente o limite de muitas partículas da
mecânica quântica e o bom senso continua a se aplicar na escala humana.

IX – NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA

A sombra – aqui o homem tem seu Self distorcido, ele aliena várias
porções da Psique em detrimento de alguma que causa incongruência.
É um nível negativo e patológico.

O Ego – é o nível superficial da consciência onde o homem se identifica


com uma imagem criada, seu Self individual sem se interessar
profundamente em questões sociais ou ecológicas, ou seja, pensando
em si próprio.

O Biossocial – neste nível o homem tende a ter uma preocupação com


o outro, enxergando também o que o rodeia. Ele aceita uma
responsabilidade perante os outros e pelo ambiente natural.

O Existencial – nele o homem encontra a ligação entre o corpo e a


mente que tende a auto-organização, o qual e ligado a um alto grau de
desenvolvimento e auto atualização. É o grau perfeito para a filosofia e o
humanismo. Emoção e razão se unem para o crescimento.

O Transpessoal – este é o nível que esta escola estuda, sendo o nível


mais profundo que, hoje em dia, consegue se chegar. É um nível
aproximado das experiências místicas onde tudo está imerso no todo – o
Tão, como uma gota d’água no oceano, mas, não de uma forma linear,
cartesiana. Os limites do Ego são ultrapassados.

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É possível entrar em contato com o inconsciente coletivo, entre outros
fenômenos relacionados. Há quem diga que é possível o fenômeno como
precognição e telepatia, mas, estes não são considerados comuns e científicos,
pois estão dentro da parapsicologia, mas ainda assim são válidos dentro da
teoria.

X – MITOS E CRENDICES

É importante ressaltar que esta é uma teoria de certo modo polêmica, já que se
opõe a paradigmas e traz conteúdos ainda sem um estudo conclusivo.

Por esta razão há ainda alguns mitos:

1. Psicologia transpessoal não é magia nem religião, é uma ciência séria


que busca, através de sua transdisciplinaridade, uma forma de ver e
entender o homem no universo e o homem como parte deste universo.
2. Regressões a vida passada não são um conteúdo aceito por todos os
psicólogos transpessoais, por não ser científico e, deve-se ter cuidado
quando se fala sobre este tema, relacionando com Psicologia Transpessoal.
Há terapeutas que se utilizam desta técnica, mas não significa que seja
aceito no meio acadêmico como conceito científico.

XI – PSICOTERAPIA

O termo Psicoterapia refere-se a intervenções psicológicas que buscam


melhorar os padrões de funcionamento mental do indivíduo e o
funcionamento de seus sistemas interpessoais (família, relacionamentos,
etc.). Como todas as formas de intervenção clinico-psicológica, a
Psicoterapia utiliza meios psicológicos, para atingir um
fim especifico.

A cura ou a diminuição do sofrimento do paciente,


geralmente causada por um transtorno mental, baseia-
se no corpo teórico da Psicologia e é praticada por
pessoal especializado “o Psicoterapeuta ou Psicólogo

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Clínico”, em um determinado contexto formal “individual, em casal, com a
presença de familiares, em grupo – de acordo com a indicação”, que é a
estrutura básica da Psicoterapia.

Os vários tipos de Psicoterapia, em todas as suas diferentes formas e


métodos, possuem uma série de características em comum, somente tendo
em mente tais características se pode compreender o funcionamento da
psicoterapia em geral e as qualidades que definem cada uma das diferentes
escolas. Orlinsky e Howard procuraram descrever a interação dinâmica dos
diferentes fatores que influenciam a psicoterapia, independente da linha
específica. Primeiramente as condições da terapia são organizadas por
determinadas circunstâncias sociais, por um lado, a oferta de terapeutas, as
instituições que oferecem terapia, o acesso físico e financeiro da população,
estrutura do sistema de saúde, e, por outro lado, a formação dos terapeutas
e a aceitação de terapia por parte da população – “fatores socioculturais”.

Sobre esse pano de fundo, filtrado pela presença de outras partes


interessadas – pais, família, supervisores, etc., se desenrola então o
processo terapêutico: entre o terapeuta e paciente em determinadas
escolas chamado cliente, cada um dos quais possuindo determinadas
características profissionais e de personalidade, se fecha com um contrato
terapêutico que define as regras do trabalho terapêutico para ambas as
partes.

Dois elementos – a técnica terapêutica o relacionamento terapêutico,


representam a base de trabalho e são ambas influenciadas atributos tanto
do terapeuta quanto do paciente. O trabalho técnico do terapeuta, por outro
lado, só poderá dar frutos se o paciente mostrar abertura a este trabalho.
Os efeitos da terapia se apresentam em diferentes níveis, tanto em relação
aos padrões de funcionamento do indivíduo, quanto em relação a seus
relacionamentos interpessoais.

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XII – FUNCIONAMENTO DA PSICOTERAPIA

Uma vez confirmado o efeito positivo da Psicoterapia sobre a saúde mental


dos pacientes, a pesquisa empírica começou a voltar sua atenção a uma
pergunta muito mais difícil de ser respondida: Como e com que
mecanismos é que ela funciona?

Fases de Mudança do Paciente:

O processo terapêutico começa para o paciente antes da terapia em si e


termina somente muito depois de sua conclusão formal. Prochaska,
DiClemente e Norcross (1992) propuseram um modelo em seis fases que
descreve este processo:

1ª Fase “pré-contemplativa” (precontemplation stage): é a fase da


despreocupação. O paciente não tem consciência de seu problema e
não tem intensão de modificar o seu comportamento – apesar de as
pessoas que estão a sua volta estarem cientes do problema. Nesta fase
os pacientes só procuram terapia se obrigados;

2ª Fase “contemplativa”(contemplation stage): é a fase da tomada de


consciência. O paciente se dá conta dos problemas existentes, mas
ainda não sabe como reagir. Ele ainda não está preparado para uma
terapia: está ainda pensando os prós e os contras;

3ª Fase de “preparação”(preparation): é a fase da tomada de decisão. O


paciente se decide pela terapia – nesta fase o meio social pode
desempenhar um papel muito importante;

4ª Fase da “ação”(action): o paciente investe – tempo, dinheiro, esforço


na mudança. É a fase do trabalho terapêutico propriamente dito;

5ª Fase da “manutenção” (maintenance): é a fase imediatamente após o


fim da terapia. O paciente investe na manutenção dos resultados obtidos
por meio da terapia e introduz as mudanças no seu dia a dia;

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6ª Fase da “estabilidade” (termination): é a fase da cura. Nesta fase o
paciente solucionou o seu problema e o risco de uma recaída não é
maior do que o risco de outras pessoas para esse transtorno específico.

De acordo com o desenvolvimento do paciente através das diferentes fases


que classificam quatro tipos de progressão:

A. O transcurso estável em que o paciente se estagna em uma fase


especifica;
B. O transcurso progressivo em que o paciente se movimenta em
fases;
C. O transcurso regressivo o paciente se movimenta para fase que
já esteve;
D. O transcurso circular (recycling) em que o paciente muda a
direção do movimento pelo menos duas vezes.

Fases da terapia:

A terapia em si se desenvolve em quatro fases consecutivas e cada qual com


objetivos próprios:

1. Indicação: definição do diagnóstico e decisão com respeito à


necessidade de uma terapia de qual tipo “médica, psicoterapêutica ou
ambas”. Aos métodos indicados para o problema em questão,
esclarecimento ao paciente a respeito da terapia;
2. Promoção de um relacionamento terapêutico e trabalho de clarificação
do problema: a estruturação dos papéis “terapeuta e paciente”,
desenvolvimento de uma expectativa de sucesso, promoção do
relacionamento entre paciente e terapeuta, transmissão de um modelo
etiológico do problema;
3. Encenação do aprendizado terapêutico: aquisição de novas
competências ”terapia cognitivo-comportamental”, análise e experiência
de padrões de relacionamento “Psicanálise”, reestruturação da
autoimagem “terapia centrada na pessoa”;

19
4. Avaliação: verificação do cumprimento dos objetivos propostos,
estabilização dos resultados alcançados, fim formal da terapia e da
relação paciente-terapeuta.

As decisões tomadas na fase 1 não devem necessariamente permanecer


imutáveis até o fim da terapia. Pelo contrário, o terapeuta deve estar atento às
mudanças do paciente, a fim de adaptar seus métodos e suas decisões de
trabalho à situação do paciente, que nem sempre é clara no começo da terapia.
Isso se dá o nome indicação adaptável.

XIII – MECANISMO DE MUDANÇA EM PSICOTERAPIA

Vários autores se dedicaram á questão do funcionamento da psicoterapia: o


que é que leva a mudança no paciente. K. Grawe (2005) descreve 5
mecanismos básicos de mudanças (Grundmechanismen der Veränderung)
comuns a todas as escolas psicoterapêuticas:

1. Relacionamento terapêutico (therapeutische Beziehung): a qualidade do


resultado de uma terapia é em grande parte influenciada pela qualidade
do relacionamento entre o terapeuta e o paciente;
2. Ativação de ressources (meios) (Ressourcenaktivierung): a Psicoterapia
auxilia o paciente a mobilizar a força interna que possui para realizar a
mudança necessária e estabiliza-la;
3. A atualização do problema (Problemaktualisierung): a psicoterapia
expõe o paciente ao seu padrão normal de comportamento, como modo
de tornar esses padrões conscientes e assim modificáveis. Exemplos
são o trabalho com meios teatrais como psicodrama, os treinamentos de
competências sociais, que podem ser contados como parte integrante
da terapia comportamental, a técnica de focusing de Gendlin e o
trabalho com transferência e contratransferência, típico da psicanálise e
de outras escolas psicodinâmicas;

20
4. Esclarecimento motivacional (Motivationale Klärung) ou clarificação e
transformação de interpretações (Klärung und Veränderung der
Bedeutungen): a psicoterapia auxilia a clarificação de ambiguidades e
obscuridades na experiência pessoal do paciente, ajudando-o a
encontrar um sentido para aquilo que ele experiencia. Exemplos são
métodos de clarificação típicos da terapia centrada no cliente e os
métodos de reestruturação cognitiva da terapia cognitiva;
5. Competência na superação dos problemas (Problembewältigung): a
psicoterapia capacita o paciente a adquirir a capacidade de adaptação à
realidade psíquica social, típico dos transtornos psíquicos. Exemplo
típico de métodos que usam esse mecanismo de maneira explicita são
os métodos de exposição, comuns a terapia comportamental, outra
abordagem do problema oferecem Prochaska et al. (1992)

Ao descreverem 10 (dez) processos de mudança diferentes, tais processos são


definidos como atividades e experiências pessoais que o paciente, de maneira
direta ou indireta, realiza na tentativa de modificar seu comportamento
problemático.

1. Auto exploração ou auto reflexão (conscious raising), ou seja, o paciente


procura se conhecer melhor;
2. O que leva a uma auto reavaliação;
3. Auto libertação da convicção de que uma mudança não é possível;
4. Contra condicionamento, ou seja, a substituição do comportamento
problemático por outro mais adequado;
5. Controle dos estímulos, ou seja, o evitar ou combater estímulos que
levam ao comportamento problemático;
6. Administração de reforços, ou seja, o paciente se dá uma recompensa
cada vez em que se comporta da maneira desejada “ver
condicionamento operante”;
7. Relacionamentos auxiliadores, ou seja, o paciente se abre a
possibilidade de falar sobre seus problemas com uma pessoa de
confiança (de maneira especial o terapeuta);
8. Alívio emocional através da expressão de sentimentos em relação ao
problema e as suas soluções;
21
9. Reavaliação ambiental, ou seja, o paciente percebe como o seu
problema provoca estresse não apenas para si, mas também para as
pessoas a sua volta e;
10. Libertação social, ou seja, o paciente realiza gestos construtivos para
seu ambiente social “família, amigos, sociedade geral”.

Em seu modelo transteórico da Prochaskaet al. (1992) unem os processos


acima descritos a seu modelo das fases de mudança (ver acima): os diferentes
processos estão intimamente ligados às diferentes fases e determinados
processos são completamente inócuos se realizados em uma fase inadequada.

- Efeitos da psicoterapia:

Ainda sob um ponto de vista geral, ou seja, comum a todas as escolas


psicoterapêuticas, os efeitos da psicoterapia podem ser analisados sobre dois
aspectos:

1. O aspecto processual, isto é, que se refere ao trabalho terapêutico em


si. Aqui podem se observar os seguintes efeitos: o fortalecimento do
relacionamento terapêutico, a intensificação da expectativa de sucesso
paciente, sensibilização do paciente a fatores que ameaçam sua
estabilidade psíquica, um mais profundo conhecimento de si mesmo
(auto exploração) e a possibilidade novas experiências pessoais.
2. O aspecto final se refere às consequências da terapia da vida em si.
Aqui se diferenciam os micro efeitos dos macro efeitos. Os micro efeitos
referem-se aos pequenos processos que acontecem durante a terapia,
entre sessões: os pacientes tem como experiências novas situações,
emoções, novas facetas e formas de comportamento.

Já os Macro efeitos dizem respeito às consequências a longo prazo e às


mudanças mais profundas relacionadas às estruturas mais centrais da
personalidade e do funcionamento psíquico: a pessoa adquire novas
posturas em relação a si mesma e aos demais, adquire novas
capacidades e competências.

22
Sobretudo, uma terapia realizada com sucesso conduz a um aumento da
auto eficácia (self-efficacy), ou seja, da convicção do paciente de ser
capaz de lidar com os problemas que o faziam sofrer, que leva a um
aumento da autoestima. Outros efeitos são ainda uma compreensão
maior dos problemas que afligem o paciente e da história de vida que
conduziu a eles.

Os Micro e os Macro efeitos, podem se dar em três níveis:

1. Melhora do bem estar do paciente,


2. Modificação dos sintomas e
3. Modificação na estrutura da personalidade.

Mudanças na estrutura da personalidade só são possíveis depois de uma


melhora do bem estar e dos sintomas.

Os tipos de psicoterapia, apesar de terem tanto em comum, os diferentes


tipos de psicoterapia se diferenciam na ênfase que dão em cada um desses
aspectos comuns.

Antes de serem concorrentes os diferentes tipos de Psicoterapia possibilitam


uma maior adaptabilidade do tratamento às características individuais do
paciente e podem ser classificados sob diversos pontos de vista, tais como os
aspectos formais:

De acordo com o numero de pessoas: psicoterapia individual, de casal, familiar


ou de grupo, de acordo com a duração: terapias curtas “de 6 a 15 sessões” e
longas “até três ou mais anos”, de acordo com o setting ”contexto”: online ou
pessoalmente;

De acordo com a delegação do “poder terapêutico”: terapias diretivas (power to


the terapist), em que o terapeuta trabalha com apenas um paciente, terapias de
meditação em que o auxilio não é direcionado ao paciente diretamente, mas a
pessoas relevantes para ele (pais, parceiro, etc.), grupos de autoajuda em que
pessoas com os mesmos problemas procuram se ajudar mutuamente na
superação do problema.

23
XIV – CONCLUSÃO

No estudo da Psicologia, nas regras que giram em torno do comportamento


humano, têm que ser observado alguns métodos cujos objetivos são mudanças
intrapessoais “nas funções psíquicas do individuo”, outros tem por fim
mudanças em sistemas interpessoais disfuncionais, de acordo com o fim da
terapia: alguns tipos de psicoterapia têm por fim a superação de um problema,
outras objetivam uma clarificação dos motivos e objetivos pessoais do paciente
como o motivacional e por fim outras buscam enfatizar as ressources do
paciente, dando atenção mais as partes saudáveis da pessoa. Este poder
terapêutico que dará o resultado e a conclusão da terapia e o paciente terá um
resultado favorável. Glória a Deus por isso!

“Antes de andar vagabundo ou perambulando pelas


ruas, lembre-se que temos um Deus que é real e que
tudo pode em nossa vida. Dê um lugarzinho para Ele
atuar e as coisas vão mudar”.

24
DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR

I - INTRODUÇÃO

A expansão do ensino de nível superior tem


demandado cada vez mais docentes
qualificados, tanto para responder às
exigências conteudistas curriculares quanto à
condução pedagógica no espaço da sala de
aula, constituindo-se assim num duplo
desafio. Tem por objetivo discutir os aspectos
da didática aplicáveis ao processo de ensino-
aprendizagem no nível superior,
considerando-se a necessidade de
ressignificação dos modelos de ensino visto que as abordagens Didáticas
tradicionais amiúde deixaram de atender as especificidades da
contemporaneidade.

Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva que utiliza como fonte de


dados uma ampla pesquisa bibliográfica sobre a temática. Procura concluir
com a premente necessidade de reflexão da práxis didático-pedagógica do
docente universitário frente às demandas da sociedade do século XXI e propõe
algumas recomendações didáticas visando alavancar o processo de ensino-
aprendizagem em adultos.

Conceito: Didática Magma. O vocábulo ”Didática” vem do Grego didaktiké, que


quer dizer “arte de ensinar”. A palavra didática foi empregada pela primeira vez
com o sentido de ensinar em 1629, por Ratke, em seu livro “Aphorisma
Didactici Precipui” ou “Principais Aforismos Didáticos”. O termo, porém foi
consagrado por João Amus Comenius na sua obra “Didática Magna” publicada
em 1657.

25
Didática assim, primeiramente, significou arte de ensinar. E como Arte a
Didática dependia muito do jeito de ensinar, da intuição do professor, uma vez
que havia muito pouco a aprender para ensinar. Esse “jeito de ensinar”, pelo
que tudo indica, advém da capacidade de empatia do professor, que se prende
à sensibilidade de colocar-se na situação de outrem e, assim, melhor se sentir
e compreender a situação pela qual esse outro esteja passando. Essa
capacidade de empatia facilita a capacidade do professor e sua aproximação
ao educando, com maiores possibilidades de adequação da ação Didática e na
orientação da aprendizagem.

É de se notar que alguns professores, apesar de sua boa formação


pedagógica, não tem a capacidade de empatia. Outros, têm mais junto às
crianças, outros, junto aos adolescentes, e outros ainda, junto a jovens e
adultos.

Didática a seguir, passou a ser conceituada como ciência e arte de ensinar,


prestando-se assim, a pesquisas referentes à como melhor ensinar. Pode
então ser compreendida em dois sentidos: amplo e pedagógico.

Didática em sentido amplo, tão só preocupa-se com os procedimentos que


levam ao educando a mudar de comportamento ou a aprender algo, tanto para
produzir hábeis delinquentes como a formar autênticos cidadãos.

No sentido pedagógico, no entanto, apresenta compromissos com o sentido


sócio moral da aprendizagem do educando que é a de visar a formação de
cidadãos conscientes, eficientes e responsáveis.

Pode-se, mais explicitamente, vincular o conceito de Didática com o de


Educação e, então, ter-se-ia a seguinte conceituação: “Didática é o estudo
conjunto de recursos técnicos que tem em mira dirigirem a aprendizagem do
educando, tendo em vista leva-lo a atingir um estado de maturidade que lhe
permita encontrar-se com a realidade de maneira consciente, eficiente e
responsável para nela atuar como um cidadão participante e responsável”.

A ação Didática pode ser focalizada do ponto de vista do professor ou do


educando. Assim:

26
PONTO DE VISTA PONTO DE VISTA
ELEMENTO
DO PROFESSOR DO EDUCANDO
Quem orienta a
1. Quem ensina? Professor
aprendizagem?
2. A quem ensina? Quem aprende? Educando
3.Para quem ensina Para que aprende? Objetivos
4. O que ensina? O que aprende? Conteúdo
5. Como ensina? Como aprende? Metodologia
Fase evolutiva do
6. A que nível ensina? Em que nível aprende?
educando.
No lar, escola, oficina ou
outra instituição social,
7. Onde ensina? Onde aprende?
mas sempre vinculada à
realidade/maio.

É preciso ressaltar, no entanto, que a Didática se interessa,


preponderantemente, em “como ensinar ou como orientar a aprendizagem”
sendo que os outros elementos são subsídios importantes para que o ensino
ou a aprendizagem se efetue mais eficientemente. É claro, em direção aos
desígnios da educação. Importante seria fazer-se uma distinção entre ensino e
aprendizagem sob o ponto de vista didático porque esse binômio é uma
constante da ação didática.

Objetivos da Didática: Em termos educacionais convergem todos para


possibilitar a efetivação mais eficiente do conceito de educação e de seus
objetivos gerais ou particulares, mediatos ou imediatos. Os objetivos das
Didáticas podem ser expressos da maneira que se segue:

 Efetivar os propósitos que se conceitue por educação;


 Tornar o ensino e, consequentemente a aprendizagem, mais eficiente;
 Aplicar novos conceitos advindos da Biologia, Psicologia, Sociologia e
Filosofia que possam tornar o ensino mais consequente e coerente;

27
 Orientar o ensino de acordo com a idade evolutiva do educando;
 Adequar o ensino as possibilidade e necessidades do educando;
 Inspirar as atividades ecoares na realidade e ajudar o educando a
perceber o fenômeno da aprendizagem como um todo e não
artificialmente alcançados;
 Orientar a organização dos trabalhos escolares para serem evitadas
perdas de tempo e esforços inúteis;
 Tornar o ensino adequado à realidade e às necessidades do educando e
da sociedade;
 Realizar acompanhamento adequado e controle consciente da
aprendizagem a fim de que possa haver retificações ou recuperações
oportunas da aprendizagem.

II – BASES DA DIDÁTICA

A Didática para tornar-se mais consequente, tem de lançar mão dos


conhecimentos das diversas ciências, principalmente da Biologia, Psicologia,
Sociologia e Metodologia Cientifica coordenados por uma visão filosófica que
se venha a ter da educação.

Essa visão filosófica da educação faria o papel de integradora de todos os


subsídios a fim de coordená-los com o objetivo precípuo de objetivação, no
comportamento do educando e na sociedade, dos propósitos da educação:
tornar o homem livre e responsável, tornar a sociedade aberta, cooperadora e
solidária.

A Biologia dirá sobre a fadiga e as fases evolutivas do educando com os


seus diversificados interesses e necessidades.

A Psicologia quanto aos processos que mais favoreçam o


desenvolvimento da personalidade e mais eficientemente a efetivação
da aprendizagem.

28
A Sociologia as maneiras de trabalho escolar para que se desenvolvam
a cooperatividade, o respeito mútuo, a liderança e clima comunitário.

Cabe aqui uma observação de alerta o perigo dos exclusivismos quanto à


orientação psicológica a ser adotada com relação aos métodos e técnicas de
ensinos.

A Didática deve fazer um esforço muito grande para “em que, como e quando”
é útil aplicar a orientação de uma escola ou concepção psicológica a ser
adotada com relação à reflexologia, behaviorismo, gestalismo, psicanálise,
existencialismo, funcionalismo, geneticismo, etc.

Cada escola ou cada concepção dá uma visão parcial do comportamento


humano e seria deformar a realidade psicológica ou se propor a não alcançar
os objetivos da educação se na orientação da aprendizagem, na estruturação
dos métodos e técnicas de ensino, for adotada uma só posição psicológica.

É preciso haver estudo e acuidade para aplicar uma ou outra concepção na


efetivação do ensino, segundo o tipo de aprendizagem, visando os objetivos
almejados.

Cabe dizer que o “ecletismo” psicológico interessa mais à Didática para não
fugir de uma “definição psicológica”, mas, porque nenhuma delas abarca ou
explica convincentemente, na sua totalidade, o comportamento e a
aprendizagem humana.

III – ELEMENTOS DA DIDÁTICA

A Didática trabalha, fundamentalmente, com professor, educando, meio,


objetivos, conteúdo, metodologia de ensino e avaliação. Ação do professor em
função dos níveis de ensino. Três são os níveis de ensino que exigem atitudes
bem definidas do professor que neles atuem:

1) Nível de ensino “Fundamental” – duas atitudes se fazem necessárias:


A primeira de entusiasmo por tudo que existe a fim de empolgar o

29
educando pelo homem, a sociedade e a natureza, transmitindo-lhe
otimismo e alegria de viver. A segunda deve ser paternal. Paterna, não
no sentido de tudo fazer para o educando ou de tudo a ele dar, mas no
sentido que o educando pode recorrer ao professor com toda a
confiança e em todas as circunstâncias.

2) Nível de ensino “Médio” – há também duas atitudes que devem orientar


a conduta do professor: A primeira, de ação diante dos fenômenos da
natureza e da sociedade. Experimentação a fim de incutir confiança na
ação do homem. A segunda de aventura. Sim, de aventura, aceitando
as sugestões de realização do educando e o estimulando para que
novos planos sejam traçados para melhor conhecimento da realidade.

3) Nível de ensino de “Graduação” – também duas atitudes, mais do que


as outras, devem orientação Didática do professor. A primeira reflexão,
a segunda de universalidade. Pela primeira, o educando deve atirar-se
ao procedimento científico-filosófico, para mais profundo conhecimento
da realidade. Pela segunda, ele deve ser orientado para olhar mais
distante, para que possa abarcar a realidade no seu todo e não tão só,
uma parte que não raro, pode deformar esta mesma realidade.

Funções do Professor: As funções do professor, tudo indica, são cinco:

1) - Técnica,
2) - Didática,
3) - Orientadora,
4) - Não diretiva e,
5) - Facilitadora.

IV – METODOLOGIA DO ENSINO

30
A metodologia do ensino é fundamental no processo de aprendizagem e deve
estar o mais próximo possível da maneira de aprender dos educandos. Deve
propiciar atividade dos educandos, pois mostra a Psicologia da aprendizagem,
a superioridade dos métodos e técnicas ativas sobre as passivas.

Os métodos e técnicas de ensinos passivos são aqueles que levam o


educando a aprender, fixar e, se possível, compreender conhecimentos em que
a memorização é solicitada constantemente.

Os métodos e técnicas de ensinos ativos são aqueles que colocam o educando


em posição de elabora por si os conhecimentos ou formas de comportamentos
desejados, em que a busca, a realização e a reflexão são solicitações
constantes. A concepção de método e técnica de ensino evoluiu daquela que
fornece dados até chegar a que não fornece dado algum para estimular, em
crescente, a ação de pesquisa do educando.

Claro que o ensino de cada disciplina ou área de estudo, requer métodos e


técnicas específicos, mas devem estar todos eles orientados no sentido de
levar o educando a participar ativamente nos trabalhos de classe, retirando-o
daquela posição clássica de só ouvir, anotar e repetir.

Pelo contrário, sejam quais forem os métodos ou técnicas aplicadas, o


professor deve fazer com que o educando viva ou esteja sendo estudado.

Os métodos e técnicas de ensino devem propiciar oportunidades para que o


educando perceba, compare, selecione, classifique, defina, critique, isto é,
elabore por si os frutos da sua aprendizagem.

Os métodos e técnicas de ensino representam as “estratégias instrucionais”


aplicadas no ensino para serem alcançados os objetivos previstos. Eles são os
instrumentos com que efetivar o ensino, realizar a aprendizagem e também os
instrumentos de ação da didática, a fim de levar o educando a alcançar os
objetivos do ensino.

A disposição e maneira de usar os métodos e técnicas de ensino podem


receber a denominação de “Plano de Ação Didática” ou “Estratégia
Instrucional”. Plano de Ação Didática ou Estratégia Instrucional representa a

31
maneira de desenvolver o ensino quanto aos momentos mais oportunos de
utilização da adequada metodologia Didática a fim de tornar o ensino e
consequentemente mais eficiente.

Plano de Ação Didática representa, realmente, a estratégia, a maneira de agir e


de aplicar certos recursos didáticos tendo em vista tornar mais consequente à
marcha para a obtenção dos objetivos visados pelo ensino. O mesmo tema a
ser estudado, em classes ou séries diferentes, poderá admitir Planos de Ação
Didática diferentes, tendo em vista as diferenças e as condições específicas de
cada uma delas.

V – CICLO DOCENTE

O ciclo docente representa a marcha do “ensino-aprendizagem” ou da


orientação de estudo de um tema ou unidade, desde o seu planejamento,
apresentação, estudo propriamente dito e avaliação, até que se considere
vencida a tarefa, para, depois, passar o estudo de outro tema ou unidade.

Em outras palavras, ciclo docente representa o desenvolvimento de um tema


ou unidade, desde o seu planejamento e apresentação até o aprendizado
satisfatório por parte do educando.

Esquematicamente o ciclo docente pode desenvolver-se da seguinte maneira:

Sondagem: Pesquisa dos pré-requisitos necessários ao estudo a ser efetuado,


determinação das condições mais favoráveis para se efetuar o estudo em foco.

Planejamento: Objetivos informativos, formativos e de automização ou


objetivos educacionais e instrucionais visados, material didático necessário,
conteúdo a estudar, métodos e técnicas de ensino mais adequados mais
adequados ao estudo almejado e sua estruturação em Estratégia Instrucional
ou Plano de Ação Didática.

32
Execução: Apresentação do conteúdo ou contato com o tema ou unidade a
estudar: apresentação motivadora, indicação das normas de trabalho, para
estudo coletivo, em grupo ou individualizado.

Estudo: Estudo sistemático, fixação dos elementos essenciais de estudo,


integração da aprendizagem, com a estruturação lógica, em suas partes
essenciais, do objeto de estudo.

Avaliação: Verificação e avaliação da aprendizagem, conforme as


circunstâncias, pela associação das seguintes possibilidades, pelo
desempenho do educando durante o estudo, individualmente ou em grupo,
pelo trabalho realizado, por tarefas ou aplicações do objeto de estudo
efetuadas, por auto avaliação, por provas.

Reorientação da aprendizagem, segundo necessidades: de retificação, de


recuperação.

Reflexão crítica: sobre o processo de estudo e o objeto de estudo.

Ampliação da aprendizagem: Destinada aos educandos mais interessados no


tema ou na unidade. O ciclo docente pode ser simplificado da seguinte
maneira: Sondagem, Planejamento do estudo a efetuar, Motivação,
Apresentação geral do objeto de estudo com indicações metodológicas,
Avaliação propriamente dita, acompanhada de avaliação, sempre que
justificável, Estudo propriamente dito, acompanhado de avaliações de
continuidade e retificações de aprendizagem, sempre que oportunas.

Sondagem: Investigação do pré-requisito para ser efetuado o estudo em foco.

Planejamento: Planejamento do ensino do conteúdo considerado em função da


realidade do educando ou da classe.

Estudo: É a apresentação motivadora do conteúdo, apresentação


propriamente dita do conteúdo, cuja extensão varia segundo a Metodologia de
Ensino adotada.

Elaboração do conteúdo: Por meio de estudo sistemático do conteúdo, por


meio de processos que levam à fixação dos elementos fundamentais do

33
conteúdo em estado, por meio de processos que visem à integração das partes
essenciais do conteúdo em foco.

Avaliação: Avaliação de continuidade, avaliação propriamente dita seguida de

Curso:
Série:
Disciplina:
Número de aulas semanais:
Número total de aulas:
Ano letivo:
Motivação do curso:
retificações quando necessárias, recuperações quando necessárias, ampliação
da aprendizagem para os educandos mais interessados na disciplina ou no
conteúdo de estudo.

PLANO DE CURSO

Plano de Unidade: consta de três momentos: Momento vertical que consiste


em indicar as subunidades e o número de horas-aula que poderão ser
destinadas para cada uma das unidades, Momento horizontal é aquele que em
cada subunidade tem a sua extensão e profundidade delimitada e o Momento
de Coordenação aquele em poderão ser feitos reajuste em função da
articulação com outras atividades, áreas de estudo ou disciplinas.

PLANO DE UNIDADE

Curso:
Série:
Ano letivo:

34
Disciplina:
Unidade:
Número de aulas:
Período de Execução:
Motivação da Unidade:
METODOLOGIA
subunidades
Instrucionais

Nº de Aulas

Integração
Conteúdo-

Métodos e

Fixação e

Avaliação
Objetivos

Técnicas
Didático
Material
Motivação da 1 1 1

Indicação das formas de avaliação a


unidade
1. Menor Nº de objetivos, porém
significativos e exequíveis.

Subunidade (a) 3 2 2
Subunidade (b) 2 3

serem aplicadas
Subunidade (c) 4 4
Subunidade (d) 2
Subunidade (e)
Avaliação
Retificação e 3
Recuperação

TOTAL 15

Plano de Aula: A palavra “aula” vem do grego, “aule” – pátio, em especial pátio
do palácio real, através do latim ”aula” (ae) – pátio. O sentido de “sala onde se
ministram lições” prende-se ao significado antigo através da acepção de
“recinto espaçoso á maneira de pátio”.

A lição é a execução do trabalho de aula, em que o professor “transmite parte


do saber” aos seus alunos. A lição, neste sentido, supõe alunos ignorantes e
professor sábio “transmite” o seu saber àqueles.

35
A aula é representada pela realização de trabalhos entre professor e
educandos, durante determinado tempo, que pode variar de 30 a 45 minutos
nas quatro primeiras séries do 1º grau, e de 45 a 90 minutos nas séries de 2º e
3º graus. Justificam-se as aulas de 60 a 90 minutos, quando se destinam a
aplicação de métodos de ensino como ”estudo dirigido, certas formas de
dinâmicas de grupo e outros”, que requerem mais tempo para que se complete
o seu ciclo natural de estudo. Não seria interessante interromper esse ciclo
para que tivesse continuidade em outra aula, pois haveria o perigo exaurir o
interesse dos educandos pelo trabalho e não terminado.

Tudo indica que o mais preciso conceito de aula seja o seguinte:

“Aula é um período de tempo variável em que o professor ativa o processo de


ensino-aprendizagem que possibilite ao educando alcançar os objetivos
previamente estabelecidos”.

O sentido moderno de aula deve ser o de alunos procurando o saber ao invés


de recebê-lo (Cousinet). Pode-se dizer que a aula é um determinado período
de tempo vivido entre professor e aluno em que aquele orienta as atividades
desse, tendo em vista levá-lo a alcançar objetivos pré-determinados e deve
sofrer planejamento por parte do professor, no escopo de levá-lo a refletir e
sistematizar o que vai executar em classe, eliminando, dessa maneira, a pura
improvisação. O professor fornece o material sobre o qual os alunos vão
trabalhar, dá regras e indicações de trabalho e os alunos realizam a aula, no
lugar do professor.

O Plano de Aula é um projeto de atividade e destina-se a indicar elementos


concretos de realização da unidade didática e, consequentemente do Plano de
Curso. Em sua elaboração não deve ser esquecido o tempo disponível e para o
Professor não cria obrigatoriedade de cumpri-lo fielmente, sem afastamento do
mesmo, pelo contrário, segundo as circunstâncias, o professor deve afastar-se
do Plano.

Ele é um roteiro de trabalho disciplinador de esforços e depende da acuidade


pedagógica do professor saber quando deixar ou quando não deixar de lado o

36
plano para aproveitar motivações espontâneas, a fim de dar outro rumo a aula
e com mais aproveito para os alunos do que se insistisse em manter o plano.

O professor deve preparar o Plano de Aula à medida que for desenvolvendo o


Curso, pois uma unidade pode comportar uma série de aulas, mas nada
impede, conforme o assunto, que a unidade se realize em uma só aula. Ele
deve conter um conjunto significativo de conteúdo que tenha um princípio, uma
sequência e fim e, permita a estruturação de um todo “lógico ou psicológico”
sobre o qual o aluno possa refletir.

O Plano de aula obriga o professor a pensar sobre “oque vai fazer”, sobre “o
que os alunos vão fazer”, no material didático necessário e nos procedimentos
que melhor se ajustem ao tipo de tarefas a executar, logo em última análise, se
não é mais do que “uma reflexão sobre o trabalho a ser executado em classe”.

VII – PLANO DE AÇÃO DIDÁTICA

O Plano de Ação Didática obedece aos critérios normativos dos pareceres do


CNE – Conselho Nacional de Educação que determina quanto a Carga Horária
e a distribuição das matérias por séries evolutivas do Curso. Tendo como
orientação as Ementas publicas no Plano Pedagógico da Instituição de Ensino
Superior. O modelo novo distribuído por este Conselho fala dos Núcleos
Comuns e Núcleos Diversificados, nomenclatura esta que ainda é usada no
Ensino Infantil, Fundamental e Médio, a saber, a “Educação Básica”.

Quanto ao Curso Superior, a dinâmica é outra, é determinado o Núcleo Comum


por linhas horizontais e o Núcleo Diversificado por linhas verticais.

A explicação técnica do Conselho é fazer com que as matérias se juntem


formando assim o Ensino Padrão de determinado Curso.

37
Quanto a Aula propriamente dita, tem hoje aplicação moderna como Datashow,
filmes relacionados à matéria, dinâmica dentro e fora da Instituição, grupo de
pesquisas internas e externas, formando assim o Pensamento Cognitivo do
Educando na visão dos temas propostos.

Cada instituição tem sua orientação uma diversidade de aulas que poderá ser
ministrada pelos seus professores com liberdade, como aula de sondagem, de
motivação, de planejamento, de apresentação de matéria, de discussão, com
base em outra dinâmica de grupo, de estudo dirigido, de demonstração ou
prática, de exercícios, de recapitulação, de avaliação e aula ocasional, de
debates, com base em um tema escolhido o qual pode ser da matéria ou um
tema da cidade, como por exemplo, falar sobre os reservatórios de águas de
São Paulo ou a iluminação das periferias e meios de transportes ou ainda
escolher um debate social que envolva um grupo social, religioso, do trabalho,
do comércio e outros.

Desenvolvimento de uma Aula: Segue uma diversidade de comportamentos


orientados pela Instituição de Ensino. Mesmo com a liberdade acadêmica, o
Professor deve observar com cuidado os três elementos básicos da Educação:
o Aluno, o Sistema Pedagógico e o Local onde se dá a Aula propriamente dita.

Observa-se que a distribuição de Aula tem como base principal a Acomodação


da Classe onde o Professor ficará atento à mesma usando dentro dos 60
minutos o mínimo de 45 minutos de Aulas Expositivas, não devendo abrir mão
deste período. Os 15 minutos restantes serão distribuídos na Acomodação, na
Motivação e na Apresentação do Conteúdo, podendo, porém, além disso, usar
outros métodos didáticos para a sua distribuição.

Professores e Mestres

Profissão ou aptidão? A meu ver é mais do que uma profissão ou aptidão, pois
é uma Chamada da Educação para servir. O Professor não é missionário e não

38
é simplesmente um servidor. Ele é uma pessoa que trabalha para a formação
de diversos profissionais.

VIII – CONCLUSÃO

A Didática não diretiva como é fácil perceber, funciona com base na liberdade
do educando onde expressa, em parte na escolha de algumas unidades da
matéria e disposição na ordem de estudo das mesmas.

Esta liberdade pode ser expressa também por: Liberdade de Ação, que
consiste na liberdade de escolha de método de estudo que pode ser em grupo
ou individual, demonstração ou exposição do professor, instrução programada,
etc.

Enfim, liberdade de escolha de método de estudo, dentro dos limites em que a


escola e o professor oferecem Liberdade de expressão, que consiste em que o
Educando possa expressar todos os seus sentimentos e pontos de vista, sejam
quais forem, com relação à matéria, ao curso, ao professor, sem o perigo de
sofrer represálias e ter consciência de que ele é responsável pelo uso que fizer
da liberdade.

O professor de ter a preocupação de ressaltar que o educando é responsável


pelas suas ações, que é o agente e não o paciente na tarefa escolar e que os
resultados satisfatórios ou não satisfatórios dependem muito dele mesmo.
Assim, levar o educando a tomar decisões como: estudar, não porque é seu
dever, mas porque assim decidiu. Não seguir este ou aquele caminho porque
deve ser seguido, mas porque decidiu fazê-lo.

“ESTUDE COM CUIDADO POIS AS


REGRAS SÃO CLARAS”.

39
SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO

I – INTRODUÇÃO

O termo “teologia” é derivado de duas palavras gregas, theos e logos, sendo


que a primeira significa Deus e a segunda significa estudo, discurso ou
doutrina. Em um sentido mais restrito, Teologia pode ser definida como
Doutrina de Deus.

“Em um sentido mais amplo, porém pode-se definir Teologia como a ciência de
Deus e suas relações com o universo: a Teologia examina todos os aspectos
da metafisica, a teologia propriamente dita “O estudo de Deus”, a antropologia “
O estudo do Homem “ e a cosmologia “ O estudo do universo “.

A ciência pode ser definida como conhecimento organizado das Leis naturais
gerais, principalmente aquelas obtidas através do método cientifico.

Método cientifico pode ser definido como os princípios e modos de buscar o


conhecimento sistemático, incluindo o reconhecimento de um problema e sua
consequente formulação, a soma de informações obtidas através da
observação e das experiências, a apresentação e comprovação das hipóteses.

II – PERÍODO HISTÓRICO

Em alguns períodos da historia, principalmente a partir dos estudos do teólogo


francês Pierre Aberlardo (1079-1142), com que a expressão “ Teologia “
passou a indicar a ciência da Religião, ou seja, o estudo acadêmico acerca das
Escrituras e a respeito de Deus, a Teologia passou a ser considerada a “
Rainha das ciências “ e a Teologia Sistemática “ Sua Coroa “.

A partir daí as ciências comuns passaram a ser opor à ideia de que a Teologia
seja uma ciência, muito menos a rainha das ciências mas é preciso reconhecer
que se a verdade não está limitada à Teologia, todas as ciências revelam uma

40
parte da inteligência, desígnio e vontade de Deus e em função disso, conclui-se
que todas as ciências são revelações de Deus.

As ciências, em suas investigações empíricas, estão pesquisando a verdade de


Deus, produzindo conceitos em muitas áreas importantes para os homens,
embora nenhuma delas se relacionem explicitamente ao Ser Supremo, tarefa
que cabe exatamente à Teologia que, portanto, é, sempre foi e continuará
sendo a “ Rainha das ciências “ e como conceito de ciência disse que se trata
de busca de conhecimento sistemático das verdades que a se relacionam, a
Teologia Sistemática, é, sempre foi e continuará sendo a “ Coroa da Rainha “.

Existem cientistas que se portam como verdadeiros ditadores do conhecimento


desejando anexar a sua ciência os conhecimentos de outras áreas cientificas,
enquanto procuram defender seu próprio território dos ataques de algum
império cientifico rival.

Assim, alguns psicólogos, enquanto defendem seu território cientifico dos


ataques das ciências físicas, ao mesmo tempo se empenham em invalidar as
verdades da ciência teológica, procurando reduzi-las a categorias do seu
próprio domínio, como projeções da mente humana no seu comportamento
externo, tais como “Poder da Mente, regressão, etc.” ao invés de reconhecer a
religiosidade como influência externa como mente do Homem.

“operação da vontade de Deus


manifestado ao homem segundo o seu Espírito, sua Palavra e
sua Graça“.

A ciência, como disciplina, destaca o processo empírico da busca do


conhecimento, embora individualmente alguns cientistas creiam também na
eficiência da razão, da intuição e até das experiências místicas para descobrir
e adquirir o conhecimento de teses cientificas.

É o destaque das ciências comuns sobre o empirismo, em contraste com o


destaque da ciência da religião “a Teologia sobre o misticismo” que de maneira
desnecessária tem provocado conflitos de umas contra as outras. O cientista,
no âmbito da física, restringe suas investigações aos fenômenos cujo
comportamento, segundo pressupõem, pode ser explicado em termos de leis

41
causais com possibilidade de verificação empírica “método fundamentado
unicamente na experiência”.

Por seu lado, as ciências sociais, incluída aí a Teologia interessam-se pela


analise do comportamento humano, devendo levar em conta que o homem é
livre em sua conduta e em função disto, suas ações são imprevisíveis,
dedicando-se o cientista social ao estudo de vários aspectos que motivam tais
ações e seus resultados práticos, tanto no âmbito de consequências ao próprio
individuo, bem como no meio social em que ele vive.

As crenças religiosas, diversamente das crenças cientificas, não são hipóteses


e nem se baseiam nos experimentos comprováveis ou não, sob determinadas
condições, pois Deus não é passível de pesquisa empírica. Elas são
dependentes do exercício do livre-arbítrio do homem, que pode ou não aceitar
a influência externa do Espirito Santo de Deus, desvendando diante de si a
verdade absoluta do Criador.

Algumas pessoas se surpreendem ao constatarem que a ciência também


envolve uma questão de fé. Sem fé na invariabilidade e coerência do processo
de pesquisa, no resultado de suas conclusões, a ciência seria simplesmente
impossível. Nem uma investigação cientifica seria possível sem a rigidez das
leis da natureza, o que garante que uma mesma experiência, repetida sob as
mesmas condições produza os mesmos resultados.

Não poderia haver ciência sem a certeza de que o Universo que nos rodeia, de
alguma maneira, misteriosamente tem correspondência com as nossas mentes
e que as leis da natureza podem ser descobertas por meio da repetição das
experiências. Estas leis naturais, até por força de sua coerência, sugerem a
existência de um Legislador.

E as experiências cientificas que são realizadas em qualquer um de seus


ramos leva sempre a ciência de volta aos princípios religiosos da crença neste
Legislador e na perfeição de suas leis que desmentem cabalmente as ideias de
alguns cientistas quando falam de caos e obras do acaso no Universo.

A mente divina opera em todas as atividades do homem e isso não deve ser
ignorado. A mente humana tem uma afinidade com a Mente Divina por ser o

42
homem criado a imagem e semelhança de Deus, portanto, a mente humana,
sem qualquer ajuda direta, é capaz de obter coisas surpreendentes das suas
buscas de conhecimento em todos os campos do saber.

A Carta do Apóstolo Paulo aos romanos, capítulo I, ensina que até os pagãos
tinham a responsabilidade de saber coisas básicas de Deus e sua vontade,
simplesmente através da revelação da natureza com a ajuda da razão. Não se
pode subestimar os poderes humanos que nos foram concedidos pelo poder de
Deus.

A revelação de Deus através dos livros sagrados da bíblia podem ser


exaltados, mas não devem ser desprezados outros meios de revelação. As
ciências são um desses outros meios que precisam ser considerados e
respeitados.

III - A EPISTEMOLOGIA

A Epistemologia é o estudo das ciências que tem por objetivo analisar seu valor
para o espírito humano e reconhece a partir da perspectiva teológica, quatro
níveis de obtenção de conhecimentos por parte do homem.

Primeiro Nível: Os sentidos físicos – nele o homem adquire conhecimentos


através da visão, da audição, do tato, do olfato e do paladar. Esse
conhecimento é experimental. Aí está a base das ciências. Neste primeiro nível
o homem age como um animal, pois os animais também aprendem por meio
dos sentidos.

Segundo Nível: A capacidade do homem de raciocinar – todos usam a razão.


O cientista é alguém que usa a razão de forma metódica e bem organizada. A
partir dai, o homem se diferencia do animal irracional, mas o homem, criado
como criatura irracional, não se importou quando lhe disseram da
impossibilidade de se responder de modo razoável às questões definitivas
quanto à sua vida e destino e continuou nessa linha de indagações e pesquisas

43
e muitos tem avançado, esforçando-se por serem tão irracionais quanto
possível na obtenção de resposta.

E de pronto admite-se que é a Fé cristã que nos move na busca de respostas


racionais e é também a que nos leva a fazermos perguntas racionais.

“ Pedi e recebereis, buscai e encontrareis, batei e abrir-se-vos-a” é uma


verdade que, como Agostinho frequentemente observava, expressando
perfeitamente tanto o inicio como a finalização da pesquisa filosófica, que o
homem foi feito como criatura racional justamente para não se contentar
enquanto não encontrar as respostas que satisfaçam a sua necessidade de
identificação da verdade da sua origem e destino.

A fé não pode admitir que o homem, em qualquer época de sua existência não
possa conhecer a verdade que o liberta. No inicio do século V vemos, sob a
poderosa influencia do ensino cristão tradicional, que se fixará através de
Agostinho o resultado da pesquisa de John Locke sobre a natureza do
entendimento humano.

Por mais fraco que seja o conhecimento humano de uma total e universal
compreensão de tudo quanto existe, já isso, não obstante, assegura os
homens que eles possuem uma luz suficiente para os guiar ao reconhecimento
de seu Criador e a visão de seus próprios deveres. Não há escusa para o servo
negligente e relapso que não trabalha à luz de uma vela, alegando que o sol
não está brilhando muito.

A vela que nos foi dada, aclara o suficiente para que nos coloquemos em
movimento na realização de todos os nossos propósitos. “Se deixarmos de crer
em tudo, alegando a impossibilidade de conhecer ao certo todas as coisas,
estaremos agindo como aquele que deixou de andar e morreu sentado porque
se queixava de não ter asas para voar “.

Terceiro nível: A capacidade humana da intuição é um poderoso meio de


conhecimento quando os dois níveis anteriores fracassam, característica
própria e natural do homem, vem pronta, está nele.

44
Quarto Nível: A revelação divina uma concessão de Deus ao Homem. È o que
supre as necessidades do homem na obtenção de conhecimento que não
podem ser adquiridos nos três níveis anteriores sendo que a revelação divina é
essencialmente mística.

“O Conhecimento não é adquirido pelo homem em função da sua


capacidade, Ou esforço, mas lhe é concedido pela graça de Deus,
sendo por isso o nível mais elevado da obtenção de conhecimento “.

Este é o campo da Teologia.

IV – CONHECIMENTO CIENTIFICO DA RELIGIÃO

Eis aqui a sabedoria cristã para o nosso século que nos poderá levar ao tal
almejado triunfo sob os inimigos da ciência maior do conhecimento humano – a
religião revelada de Deus na pessoa de Jesus Cristo. Durante a segunda
metade do século XIX, foram se afirmando cada vez mais estudos e
interpretações dos fatos religiosos alinhados com o desenvolvimento de
ciências humanas.

A Linguística e outras ciências:

Como a linguística, a antropologia cultural, a própria psicologia e a sociologia,


foi-se, progressivamente, afirmando a exigência de uma ciência da religião
capaz de reunificar as contribuições que diversas disciplinas vinham
oferecendo a partir de observatório e particular, para o conhecimento cientifico
das religiões.

Nasceu assim a ciência da Religião que por ter um inicio confuso e


contraditório, pagou um tributo excessivo, às chamadas velhas mães – ciências
antigas que procuram impedir não só o seu progresso como sua própria
existência.

Enquanto as ciências físicas necessariamente devem lançar mão de métodos


experimentais ou empíricos, a fé religiosa impera por meio da razão, da

45
intuição e das experiências místicas, o que comprova uma real diferença de
métodos entre elas.

A ciência está interessada no que é prático e material. Ela procura oferecer ao


homem o conforto que a existência física exige, proporcionando-lhe recursos,
tais como medicamentos que lhe proporcionem bem-estar corporal, curando
suas enfermidades físicas, evolução tecnológica tanto na área do trabalho
quanto no lazer, através de instrumentos cada vez mais apropriados e
funcionais, enquanto a fé religiosa está interessada em outra dimensão da vida
humana, a dimensão espiritual, no bem estar da alma, na busca da paz
pessoal diante da vida, com reflexos na sua convivência social, proporcionando
a cada indivíduo os melhores meios de uma conduta ideal em relação ao seu
semelhante.

Haverá sempre separação entre estas duas atividades humanas em função de


objetivos tão distintos, mas na medida em que a ciência for sendo
espiritualizada, ela irá atuando em setores da vida humana que antes
interessavam somente aos filósofos e teólogos, como arqueologia, ramo da
ciência física, que através das suas descobertas tem cada vez mais confirmado
a verdade da bíblia o que confirma uma divisão de setores, porém uma
unificação do conhecimento.

Apesar da ciência e da fé religiosa terem suas respectivas ênfases


operacionais, em última análise estão juntas, buscando uma única e ampla
base de conhecimento. Todas as ciências, não importa o ramo a que se
dediquem, estão subordinadas ao pensamento de Deus para quem todo o
conhecimento está unificado.

Algumas ciências desenvolveram estudos no campo da religião, destacando-se


na cooperação com a “rainha das ciências “, a Teologia na busca do
conhecimento da verdade de Deus como a Filosofia, Antropologia, Sociologia,
Psicologia e a História.

V – FILOSOFIA DA RELIGIÃO

46
Filosofia é o conjunto de concepções, práticas ou teóricas, acerca do ser, do
homem e do seu papel no universo, conjunto de toda ciência, conhecimento ou
saber racional. Filosofia é a história das ideias, é o saber a respeito das coisas.

Etimologicamente o termo provém do grego philein ( amar ) e Sophia (


sabedoria ) podendo, portanto, ser definida com “ amor da ciência do saber, do
conhecimento “.

A Filosofia, segundo a tradição começa historicamente no século VI A.C. com


Aristóteles para quem ela seria “a totalidade do conhecimento humano bem
como os modos de se chegar a esse conhecimento “.

Para Aristóteles, a Filosofia fundamental seria a Teologia, que é o princípio e


as causas últimas, o que incluiria a ideia da divindade, que é o principal de
todos os princípios, a causa de todas as causas.

“Nenhum homem é sábio mas somente Deus. E as pessoas que têm


interesse pelas coisas divinas são buscadoras de sabedoria “

A Filosofia na realidade seria uma religião mediante a qual o indivíduo aprende


como buscar e obter a união com o divino. A Filosofia da religião teve seu
começo como defesa da fé religiosa, quando o raciocínio filosófico, defendendo
de imediato, como exemplo da atividade a que se dedicava racionalidade da
existência da alma e de Deus.

A Filosofia, ao considerar os assuntos religiosos e através da crítica analítica e


da avaliação dos fatos, se identifica como Filosofia da Religião. O seu propósito
não é primordialmente aceitar ou rejeitar as crenças religiosas mas na verdade
compreendê-las e descrevê-las da forma mais exata e abrangente.

A Filosofia da Religião é a abordagem lógica dos conceitos religiosos e do


papel da Teologia na explanação e elucidação de tais conceitos, o exame
minucioso que possibilita diversas interpretações da experiência e das
atividades religiosas e deve ser distinguida da apologética, a ponto de
considerar que o filosofo se dedica ao estudo da mesma não haverá
necessariamente ser praticante dela.

47
A busca da natureza e dos fundamentos da fé religiosa que faz parte da
pesquisa filosófica, é uma das mais antigas e perseverantes áreas do esforço
filosófico.

A crença e as práticas religiosas provocam várias questões filosóficas e


demandam indagações a respeito dos estudos das ciências que tem por
objetivo apreciar o seu valor para o espirito humano, relacionando-as à
justificação da fé religiosa e perguntas sobre o conhecimento das causas
primárias e dos princípios elementares da natureza de Deus e da alma, e
perguntas éticas acerca do relacionamento entre Deus e os valores morais.

No terreno da religião, tantas são as preocupações filosóficas que se cruzam, e


tão fundamental é o interesse por elas, que a Filosofia da Religião é, para os
filósofos cristãos ou não, um dos principais setores do esforço filosófico. A
crença em Deus, a imortalidade da alma, a natureza do milagre, e o problema
do mal se constituem nos problemas clássicos da Filosofia da Religião.

Existência de Deus e Sua Defesa

Na defesa da existência e conhecimento de Deus, os filósofos da religião


buscam outro caminho como argumento comprobatório das suas teses, que é a
experiência religiosa. Uma experiência mística ou um contato pessoal com o
Divino, através da sua revelação, oferece justificados motivos para fé, segundo
afirmativa dos fiéis que viveram tais experiências.

As religiões de modo geral estão alicerçadas sobre experiências místicas: um


profeta recebe uma visão, discípulos reúnem-se em torno dele, como uma
importante figura religiosa, seus discípulos registram suas visões e
ensinamentos, livros sagrados desenvolvem-se a partir desses registros,
forma-se uma organização “igreja” a fim de preservar e promover aqueles
ensinos. Tudo começa nas visões e no discernimento ou intuição do profeta.

Por outro lado, a Filosofia é basicamente uma inquirição racional e empírica,


embora também possa incluir elementos místicos. Muitas pessoas religiosas
opõem-se a filosofia e outras chegam mesmo a despreza-la abertamente. Tal
atitude é difícil de compreender. Deus é o criador do intelecto – “razão” e, não

48
se pode aceitar a existência de criaturas suas como pessoas anti-intelectuais
ainda que não enfatizem a intelectualidade humana.

Apesar de ser verdade que a revelação é a parte principal da existência


religiosa, existem outros modos de produção de conhecimento que a revelação
não esclarece, mas que precisamos considerar como a razão, a intuição e
empirismo.

Em primeiro lugar: ao interpretarmos a revelação estamos fazendo o uso da


razão.

Em segundo lugar: entendimento à revelação é intuição e discernimento


humano.

Em terceiro lugar: todas as áreas da ciência se desenvolveram através do


empirismo.

Em quarto lugar: o conhecimento bíblico tem sido fortalecido e confirmado


pelos estudos da Geologia, da Arqueologia, da Astronomia, da Biologia e
outras ciências.

A ignorância não tem qualquer valor embora, em algumas religiões ela seja
valorizada como se fosse uma virtude.

O próprio Deus é o “Grande Intelecto” sabendo tudo sobre todas as coisas.


Todas as ciências nada mais fazem do que descobrir quais são os propósitos
de Deus e todas elas representam uma busca legítima ( Russel Norman
Champlin ).

O grande reformador Martinho Lutero, aparentemente repudiado a razão,


separando-a da revelação, declarou: “A sabedoria natural de uma criatura
humana em matéria de fé, até que se regenere e nasça de novo, é tudo
escuridão, nada conhecendo das coisas Divinas. Mas numa pessoa crente,
regenerada e iluminada pelo Espirito Santo, através da Palavra de Deus, é
instrumento glorioso e sincero e obra de Deus...” O entendimento pela fé
recebe vida da fé, o que se achava morto vive de novo “”.

49
Comparando-se o pensamento de Lutero com o de Agostinho, quando este
afirma a habilitação da razão pela fé em Cristo, o ensino de Lutero pode ser
considerado verdadeiro, como verdadeiro é o ensino de Agostinho.

Em certo trecho da obra de Agostinho embora ele enfatize o fato de que a fé


procede a razão na compreensão da verdade ele, no entanto, reconhece
claramente haver um momento em que a razão precede a fé, visto que a
Palavra não pode penetrar numa criatura irracional, admitindo-se, daí, que a
razão é o necessário ponto da conexão da alma humana com a Palavra divina.

São de Agostinho as seguintes palavras:

“Morra de vez a ideia de que Deus odeia em nós aquilo em que Ele nos fez
superiores às demais criaturas viventes. Digo, pereça a ideia de que devamos crer que
não temos necessidade de busca uma razão para aquilo em que cremos, porque de
fato já não poderíamos crer se não tivéssemos almas racionais. Em certas coisas que
pertencem à esfera da doutrina salvadora e que ainda não temos capacidade de
alcançar pela razão, e essa fé purifica o coração, de modo que ele pode receber e
suportar a grande luz da razão. “

A Filosofia e a Bíblia

O profeta assim, fala bem racionalmente quando diz:” Se não credes, não
entendereis”, Is7.9. O profeta faz distinção entre fé e razão e nos aconselha
que devemos primeiro crer para que possamos entender aquilo em que
cremos.

Vimos assim ser coisa razoável que a fé preceda a razão.

“ Se, portanto, é razoável que a fé preceda a razão a fim de nos levar a certos
e grandes assuntos que não poderíamos ainda entender, segue-se então,
indubitavelmente, ainda que em grau menor, que a razão, que disso nos convence, de
algum modo precede a fé. Por isso o apostolo Pedro nos admoesta que estejamos
preparados para responder a qualquer que nos pergunte a razão de nossa fé e
esperança”, I Pe 3.15.

50
Certa feita Paulo tentou atuar como filosofo e não obteve muito sucesso – At17.
Entretanto, muitos intelectuais foram conduzidos a Cristo por pregadores que
usaram uma abordagem filosófica da fé religiosa como é o caso de Justino
Mártir, pois ele supunha que a melhor porção da Filosofia Grega atuava como
mestre-escola para conduzir os pagãos a Cristo, tal como a Lei assim fazia no
caso dos judeus. Os pais gregos da igreja concordavam com essa atitude e
sempre encontraram muito uso para a Filosofia.

O único lugar no Novo Testamento onde a palavra “Filosofia” é usada é em


Colossenses 2.8, onde Paulo se mostra enfaticamente contrário às inúteis
especulações do “gnosticismo” e não à Filosofia como um todo.

Paulo usa claramente vários aspectos da Filosofia em suas cartas, como na


que foi escrita aos Efésios e aos Romanos. Também transmite nos seus
ensinos que não pode haver substituto para a mensagem simples da cruz,
porque é através dela que o homem é levado a se reconciliar com seu Criador
pela reconciliação que há em Cristo.

“ A eloquência e a erudição humana com frequência tem sido


usadas com êxito na defesa dos pontos secundários do Cristianismo, mas a
simplicidade e a verdade são as que lhe tem preservado a fortaleza.” Adam Clark

Como o poder não é do homem mas provém de Deus, isto pode ser notado
quando o instrumento que é usado por Ele não é produto simplesmente da
sabedoria, mas testemunho vivo e real do poder divino. A simples substituição
de uma pregação erudita pelo falatório inculto e ignorante não manifesta por si
só o poder espiritual, pois é tão somente a troca da “sabedoria humana” pela “
ignorância humana “.

Por outro lado, quando o poder de Deus realmente se manifesta não há


necessidade de dourar a mensagem com habilidade retórica, mas quando esse
poder está ausente, nem o discurso simples e destituído de sabedoria “ o que
às vezes é motivo de orgulho e ufania” nem o discurso brilhante e retórico
podem ter grande valia.

1- Argumentos clássicos da crença em Deus

51
Podemos mencionar como argumentos clássicos da Filosofia, em defesa da
existência de Deus, os cinco caminhos de Tomás de Aquino e o argumento
ontológico de Anselmo da Cantuária:

Anselmo da Cantuária ( 1033-1109), foi um dos maiores teólogos medievais


nascido no norte da Itália e educado nas melhores escolas de gramática e
dialética do norte da França, argumentou que:

a) Deus é aquele ser maior que podemos conceber – tal realidade deve
existir, pois de outro modo poderíamos conceber algo maior ainda.
Outrossim, tal realidade deve ser perfeita, se Deus existisse apenas
como ideia, mas não na realidade, não seria perfeito e nem seria a
realidade última.
b) Deus é aquele ser que não podemos conceber como não –
existente – Se falarmos em não existência divina, estaremos falamos
sobre uma contradição, porque o divino não pode deixar de existir. Em
outras palavras, Deus é o Ser necessário, ao passo que todas as outras
coisas são decorrentes.

Tomás de Aquino ( 1225-1274), teólogo italiano e doutor da igreja, nasceu em


Roccasecca, perto de Aquino, na Itália. Considerado o maior representante do
Escolasticismo, movimento teológico cristão medieval, postulou cinco caminhos
sobre sua maneira de pensar sobre a existência de Deus:

a) Precisamos referenciar Deus a fim de explicar os movimentos do mundo


– Tais movimentos não consistem apenas na mudança de lugar dos
objetos, mas também em todos os desenvolvimentos, como se dá com
as criaturas vivas, ao que chamamos de crescimento.
b) Argumento Teológico – Esse é necessário para postularmos um causa.
Existem causas intermediárias, mas finalmente precisamos admitir uma
causa primária, como também o princípio de causa, que faz todas as
coisas continuarem existindo. O coração pulsa, mas deve haver muitos
fatores contribuintes, incluindo o de natureza cósmica “as condições
favoráveis da Terra dentro do sistema solar “, para que essas pulsações
continuem. Deus é também esse tipo de causa “sustentadora”, e não

52
apenas a Causa primária. Sem a causa não poderia haver o efeito, e,
portanto, nem a vida e nem a existência de qualquer tipo.
c) Argumento baseado na contingência e na necessidade – Sem um Ser
necessário, outros seres, por serem contingentes, necessariamente
desapareceriam da existência. O conceito do ser, por si mesmo, conduz-
nos ao ser corolário, o conceito do Ser necessário. Esse Ser é Deus.
d) Existem graus de bondade, verdade, nobreza e valores morais – Para
que nossos juízos sobre essas coisas façam sentido precisamos
postular a Bondade Absoluta, a Verdade Absoluta, ou um Ser Supremo
em quem estão incorporados todos os valores, o qual é, ao mesmo
tempo, o alvo de toda a verdade e ações morais, bem como o inspirador
das mesmas.
e) Todas as coisas têm um alvo – bem como um propósito demonstrável. O
estudo das ciências, em um importante sentido, é o estudo do desígnio
que há na natureza, completo com suas invariabilidades. Sem esse fator
não poderia haver ciência. Se há desígnio, então deve haver um
supremo Planejador, cuja inteligência garante a Teologia.

Observamos pelas ideias de Tomás de Aquino que ele dizia que a Filosofia
e a Razão se complementam uma a outra. A Filosofia enfatiza o exercício
da razão, que é propícia à fé, pois Deus, sendo o Intelecto Supremo, e as
almas humanas sendo intelectuais, tem afinidade com Deus.

A Razão aceita muitas doutrinas que podem estar em acordo com o que é
aceito pela fé, que pode ir além da razão, porque a fé religiosa se abastece
de informações por meio da intuição e das experiências místicas “revelação
e de outras formas”. Assim, a fé supera a razão, embora não se oponha a
ela.

Algumas doutrinas se baseiam sobre a fé e a razão e outras sobre a fé


somente, por meio da revelação cristã, como acontece com as doutrinas da
trindade e da encarnação, com seus mistérios e implicações. Essas
doutrinas estão intimamente ligadas à sabedoria de Deus e a razão humana
não tem capacidade de, isoladamente conhecê-las perfeitamente.

2- Principais assuntos examinados pela Filosofia da Religião:

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 A Natureza, a função e os valores da religião.
 A validade das reinvindicações religiosas e dos métodos de
investigação.
 A relação entre a ética e a religião.
 O problema do mal.
 A religião natural versus a religião sobrenatural.
 O problema da revelação, os seus modos e a sua validade.
 A alma, sua existência, sua sobrevivência diante da morte biológica e
o seu destino.
 A natureza e a existência de Deus.
 A liberdade e o determinismo.
 O misticismo.
 O humanismo – “os valores humanos”.
 Os credos, as organizações e os ritos religiosos.
 Como filósofo político e educacional.
 A função religiosa como parte da sociedade.
 A religião é uma das instituições da sociedade.
 A tradição profética: suas reivindicações, suas debilidades, sua
validade, etc.
 A natureza e a validade dos livros sagrados. As funções dos
profetas.
 A autoridade da igreja que preserva a mensagem dos profetas.
 A natureza da linguagem religiosa.

A Filosofia secular, normalmente anticristã, procurou ocupar lugar de destaque


no período moderno. As questões fundamentais tratadas pela Filosofia não têm
sofrido grandes alterações de métodos na abordagem dos seus assuntos, mas
nestes últimos séculos as soluções propostas às questões que ela formula
normalmente têm sido incompatíveis com o Cristianismo.

Surge daí a indagação: É a Filosofia da Religião, em si mesma, uma atividade


legítima para o cristão? Tem havido um tradição que tem contestado esta
pergunta com um não enfático, sustentando que a Filosofia em geral, e a

54
Filosofia da Religião em particular, implicam uma interferência que corrompe a
pureza da fé bíblica.

Deste princípio surge a grande necessidade de restabelecimento da posição de


destaque que os pensamentos e as verdades da revelação divina devem
ocupar na abordagem do estudo filosófico de modo geral, para que se
justifiquem a importância da Filosofia da Religião como área de interesse
legítimo para o Cristianismo. Este objetivo específico da Filosofia Cristã
moderna somente poderá ser atingido através do conhecimento da Teologia
Bíblica.

O estudioso cristão deve forçosamente interessar-se pela Filosofia da Religião,


baseada na Assistência da erudição e da Teologia Cristã, fundamentada na
Bíblia, devido à sua influência sobre o desenvolvimento da história da Filosofia
geral e religiosa, mais especialmente.

Posto que a ortodoxia do Cristianismo é fundamentada nos fatos registrados


nas Escrituras, devendo haver coerência com eles, o filósofo cristão
necessariamente deverá interpretar as Escrituras, como elas interpretam a si
mesmas.

O principal propósito do filósofo cristão é, em primeiro lugar, prestar obediência


ao mandamento maior do Senhor Jesus Cristo, que é o amar a Deus acima de
todas as coisas, com todas as suas forças e capacidade de sentimento,
incluindo a mente.

A Filosofia de um modo geral e a Teologia em particular, têm revelado grandes


nomes através da história da humanidade que se destacam em qualquer
análise que se faça da participação do homem no desenvolvimento destas
ciências.

Entre os grandes filósofos seculares e religiosos “ teólogos “ que muito


contribuíram para o enriquecimento da alma humana, provocando mudanças
radicais no seu comportamento, há um que ganha extraordinário destaque,
colocado em posição de honra merecida, reconhecido pelos outros filósofos e
teólogos como líder inconteste de uma tão brilhante categoria, sobre Ele, e
sobre a tão maravilhosa obra que Ele legou para a humanidade.

55
3- Assim se manifestou Jean- Jacques Rousseau, filósofo político e
educacional:

“Digo ainda mais que a majestade das Escrituras me deixa pasmo de


admiração, na medida em que a pureza do evangelho exerce a sua influência
sobre o meu coração. Investiguemos as obras dos nossos filósofos com todo o
seu pomposo estilo e veremos quão mesquinhas, quão desprezíveis são elas
quanto confrontadas com as Escrituras! Um livro ao mesmo tempo tão simples
e tão sublime poderia ter sido mera obra humana? Seria possível que o
personagem sagrado, cuja história as Escrituras contêm, tenha sido, Ele
mesmo, apenas um homem? Acaso descobrimos que Ele assumiu a pose de
um entusiasta ou de sectário ambicioso? Quanta pureza e quanta doçura em
suas maneiras! Quanta graça contagiante nos seus discursos! Quão grande é a
sublimidade das suas máximas! Quão profunda é a sabedoria dos seus
sermões! Que presença de espirito! Que sutileza! Quanta verdade há nas suas
respostas! Quão grande era o controle sobre as suas paixões!

Onde está o homem onde está o filósofo que poderia ter vivido e morrido com
Ele viveu e morreu sem manifestar fraqueza e ostentação? Haveríamos de
supor que a narrativa dos Evangelhos não passa de ficção? Na verdade, meu
amigo, ela não exibe as marcas distintivas da ficção. Pelo contrário, a história
de homens como Sócrates, que ninguém presume pôr em dúvida, não é tão
bem atestada como a história de Jesus Cristo. Os autores judaico eram
simplesmente incapazes de tal estilo e totalmente estranhos à elevada moral
contida nos Evangelhos, as evidencias da autenticidade dos seus relatos são
tão notáveis e invencíveis que um mero inventor seria um personagem ainda
mais admirável do que o seu herói”. Jean-Jacques Rouseau – 1712-1778

VI – ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO

A Antropologia é o estudo dos seres humanos de uma perspectiva biológica,


social e humanista. Em sentido amplo é estendida como Ciência que se propõe
estudar o homem em sua totalidade física e sociocultural.

56
É assim conceituada como a mais inclusiva das ciências voltadas para o
conhecimento da espécie humana, uma vez que engloba extenso universo da
especulação: desde os aspectos físicos até a variedade de componentes
socioculturais, como a linguagem, expressão estética, organização econômica,
social e política, sistema de crenças, em suma, a complexidade das relações
sociais estabelecidas no interior de determinada sociedade, segundo um
código de normas e valores denominado cultura.

A Antropologia, como ciência, tem duas divisões principais:

1- Antropologia física – que estuda o que o homem era e é como um


animal.
2- Antropologia cultural – que estuda o que o homem tem descoberto e
inventado, aprendido e transmitido como um ser social.

A Antropologia física tem várias subdisciplinas, sendo que a maioria delas não
interessa nem à Filosofia e tampouco à Teologia, embora ela como ciência
aborde a questão das origens, trazendo à tona o problema da evolução e a
questão da identidade do homem, com a maioria dos antropólogos vendo o
homem como um animal. Mas a Teologia tem muito a dizer sobre isso não
considerando o homem apenas em seu corpo físico. Podemos concluir que a
Antropologia só estuda o componente físico do homem e sua vida terrena, mas
não sua verdadeira origem.

A Antropologia Cultura é considerada sob os aspectos filosóficos e teológicos,


tem como interesse central o estudo da ética. A maioria dos antropólogos
defende o chamado relativismo cultural, ou seja, a tese de que a cultura
desenvolve seus próprios conceitos éticos, em função das forças que sobre ela
operam o leva a conclusão de que o padrão de certo e errado deixa de ser
universal, o que provoca a existência de grupos sociais sofrendo desvios éticos
como a existência de promiscuidade moral tolerada e até sacrifícios humanos
em função de cultos religiosos, quando na verdade o homem foi criado para
obedecer a um comportamento ético único originado do seu Criador.

A doutrina do homem se relaciona com Deus, quanto à sua origem, à sua


natureza presente, atividades que desenvolva, deveres e destino.

57
A Teologia ensina-nos que o homem foi criado para relacionar-se com Deus,
participar de seus propósitos e, finalmente compartilhar da natureza divina ( 2
Pe. 1.4 “ pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes
promessas para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina,
livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo”), tal como
originalmente foi criado à imagem de Deus.

O Homem deturpou esta imagem e a redenção tem como objetivo restaurá-la,


mas também conduzi-la na busca da perfeição por meio da criação do homem
espiritual, uma obra da dimensão espiritual divina.

Na Antropologia Teológica o homem é um ser transcendente ou pelo menos


está destinado a sê-lo. É preciso reconhecer-se que as referências que a Bíblia
faz da natureza da humanidade acontecem dentro do contexto total do lugar
que ocupamos na criação e da nossa posição diante de Deus. Não se pode
responder às perguntas antropológicas, biblicamente, sem a referência a
verdade teológica da doutrina da criação, antes de qualquer coisa, o homem é
criatura à imagem e semelhança de Deus.

A raça humana não evoluiu como fruto de um processo independente de


seleção e desenvolvimento natural.

A Bíblia apresenta a humanidade como a criação especial e direta de Deus.


Gênesis 2.7 faz referência a que Deus criou Adão do pó da Terra e soprou em
seu nariz o fôlego da vida de maneira que o homem chegou a ser “um ser
vivente”.

A palavra “ser” é tradução da palavra hebraica “nepes” que ainda


frequentemente se traduz para o português como a palavra “alma” e que deve
ser entendida em seu próprio contexto dentro do Antigo Testamento, como
indicativa de homem e mulher, como seres viventes que se relacionam com
Deus e com outras pessoas.

Além disso, o fato de que o Adão recebeu vida pelo sopro de Deus implica que
sua vida como “alma” nunca foi independente da vontade de Deus e de seu
Espírito, Ec 12.7: “ E o pó volte à terra, como era e o espírito volte a Deus, que
o deu”.

58
Não se deve conceber a vida humana em termos de imortalidade
independente, porque esta vida nunca é independente da vontade de Deus.
Antes da Queda, Adão era efetivamente imortal, já que existia uma relação
perfeita com Deus, na qual sua vida era sustentada permanentemente pela
Vontade de Deus.

Como consequência da Queda, a morte foi o juízo de Deus pronunciado sobre


Adão porque o relacionamento que havia sido a razão da sua imortalidade se
havia rompido e esta ruptura da relação espiritual do homem com Deus, que
constitui a morte espiritual, é o que caracteriza a totalidade da existência
humana sem Cristo, Rm 7.9: “ Outrora sem a lei, eu vivia, mas sobrevindo o
mandamento, reviveu o pecado, e eu morri”.

A decisão de Deus é que a humanidade reine e está escrita no Salmo oito na


forma de uma pergunta: “O que é o homem?” Em outras passagens do Antigo
Testamento a pergunta se repete de várias maneiras, porém, a resposta só é
dada no Novo Testamento com referência a Cristo, Hb 2.9: “ vemos todavia
aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por
causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela
graça de Deus provasse a morte por todo homem”.

Finalmente, a resposta à pergunta da Antropologia: “Que é o homem?”


Somente pode ser discernida em Cristo.

Assim como não pode haver um autêntico conhecimento de Deus,


independente de sua auto revelação em Jesus Cristo, também não pode haver
um conhecimento da natureza humana independente desta revelação.
“Somente em Jesus se revelam e se cumprem a vontade e o propósito eternos
de Deus”. Além disso, somente na Cruz de Cristo se revelam a profundidade, a
totalidade e as consequências da queda da humanidade em relação à eterna
vontade e propósito de Deus.

É nesse sentido que Karl Barth fala de Jesus como revelação, tanto do
verdadeiro homem que somos como do homem verdadeiro que não somos,
somente a pessoas de Jesus Cristo é a fonte determinante de uma
Antropologia Teológica verdadeira.

59
O Objetivo e a natureza autêntica da vida humana são discerníveis
primeiramente em Cristo e só secundariamente no homem. A Divina Trindade
constituída pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, tem um propósito eterno
de escolher os homens e as mulheres para terem um relação de pacto mútuo
por meio da graça.

A questão teológica da Antropologia não foi respondida de maneira adequada,


até reconhecer este propósito divino de ter este pacto com o homem. Talvez
não se deva imaginar a “imagem de Deus”, em termos estáticos ou
individualistas, senão nos termos dinâmicos desta relação pactual, em Cristo,
os homens e as mulheres são chamados a serem à “ imagem” da eterna
relação intima da Trindade.

Certamente não pode haver uma doutrina adequada da natureza humana sem
o reconhecimento de que fomos criados à “imagem” de Deus. Definitivamente
não pode haver uma Antropologia adequada sem referência a uma doutrina
adequada e totalmente trinitária da natureza de Deus.

VII - SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO

Sociologia é a ciência dos fenômenos sociais que tem por objetivo tanto a
descrição sistemática de quanto o estudo dos “fenômenos sociais totais”, que
visa integrar todo fato social no grupo em que ele se manifesta que tem como
métodos a observação “análise objetiva, sondagens estatísticas, etc.” e a
constituição de modelos descritivos.

A Sociologia da Religião tem como objeto especifico o estudo da natureza do


fenômeno social religioso como componente da estrutura das relações sociais,
econômicas, políticas, éticas, culturais.

Ela não coloca a religião como o principal dos seus objetos de estudo antes,
centraliza a atenção no fato religioso entendido como “fenômeno social” ou
como produto de uma criação coletiva, estruturado simbolicamente para
exercer determinado papel no interior das estruturas sociais. Comportamentos

60
sociais particulares, tais como a Sociologia do Trabalho, Sociologia das
Religiões, etc.

Como escreve B. Wilson: “O significado social da religião deve ser buscado na


sua capacidade de oferecer categorias e símbolos que ao mesmo tempo
facilitam a compreensão por parte do homem da sua situação e lhe dão a
possibilidade de avaliá-la e enfrentá-la emotivamente”.

O estudo sociológico da religião desenvolveu-se relacionado com o esforço por


entender o fenômeno religioso em todos os campos da atividade social e são
muitas as tendências da explicação sociológica da religião.

A Religião com sua referência transcendente a um “além” faz que as relações


do homem com esse “além” e seu comportamento diante dele se transformem
em aspecto fundamental do fato cultural. Passa a ter função própria dentro do
conjunto de instituições que formam o sistema social, cooperando para o
equilíbrio ou não do sistema, de acordo com as mudanças obtidas no sistema
como um todo ou em parte dele.

Segundo este conceito, a religião é, de certa forma, uma institucionalização do


comportamento humano.

Em suas origens durante o século XIX, a Sociologia da Religião era


frequentemente opositora ao Cristianismo. Os elaboradores principais das suas
teses, Claude Saint – Simon ( 1760-1825), Auguste Comte ( 1791-1857) e Emili
Durkheim ( 1858-1917), conceituavam a Sociologia da Religião “ como uma
possível imitação da antiquada Teologia como fonte da ética”.

Foi Saint- Simon um dos filósofos que mais se aprofundou na análise do


comportamento social quanto ao verdadeiro papel a ser desempenhado pelo
homem na sua existência como membro de uma sociedade organizada.

“ A Sociedade não é um simples aglomerado


de seres vivos, cujas ações, independentemente de qualquer objetivo final, têm
como única causa o arbítrio das vontades individuais e como único resultado,
acidentes efêmeros e sem importância, a sociedade, ao contrário é uma

61
verdadeira máquina organizada, cujas partes contribuem de maneira diferente
para o movimento do conjunto.”

De outro lado, a sua crença social-religiosa, totalmente voltada para o retorno


às origens, é colocado com clareza em sua obra mais conhecida, O Novo
Cristianismo, que significa para ele “a superação das confissões cristãs,
consideradas como heréticas, opinião esta que tinha por objetivo a pregação
dos restabelecimento do modelo original”.

Esta renovação, segundo ele, implica primeiro uma dura crítica à situação
religiosa do seu tempo, especialmente contra os seus administradores:

“O ensinamento que o clero católico oferece aos leigos faz com que eles se
desviem do caminho do Cristianismo”.

Além disso, segundo ele, os responsáveis pela igreja tinham uma conduta
contrária aos interesses das classes inferiores e dos próprios crentes e, a
atualidade do Cristianismo está essencialmente na ética que professa. Os
novos cristãos devem, através do exercício da sua fé, percorrer o mesmo
caminho percorrido pela igreja cristã primitiva.

O fundamento básico das teses defendidas por Saint- Simon é a prática da


filantropia por parte da igreja cristã, em busca da felicidade social dos mais
pobres, tarefa primordial para a identificação do Cristianismo regenerado, como
ele dizia, dirigindo-se aos chefes da igreja de seu tempo.

“Os primeiros cristãos fundaram a moral geral, proclamando, tanto nos


barracos quanto nos palácios, o principio divino, ” todos os homens devem
considerar-se irmãos, devem amar-se e ajudar-se mutuamente”. A partir desse
princípio, eles organizaram uma doutrina, a qual, porém, recebeu deles apenas
um caráter especulativo, a honra de organizar o poder temporal em
conformidade com essa verdade divina foi reservada a vós. Vós fostes
escolhidos pela eternidade para mostrar a estes princípios que é do interesse
deles e faz parte do seu dever, conceder aos súditos a constituição que mais
diretamente pode levar à melhoria da vida social da classe mais numerosa. Vós
fostes escolhidos para induzir os chefes das nações a submeterem a sua
política ao princípio fundamental da moral cristã. Vós é que salvastes a espécie

62
humana da degradação, depois da queda da potência romana. As
circunstância atuais são as mesmas ( à medida que as diferença de nível
civilizatório o permitem) e são também idêntica as causas que levaram aos
mesmos efeitos. Deveis, senhores seguir o exemplo dos vossos antepassados,
deveis desenvolver uma energia igual à deles-eles fundaram a religião cristã e
vós deveis regenerá-la, deveis completar a organização do sistema moral e
submeter a ela o poder temporal. “

Auguste Comte, discípulo de Saint-Simon, afastou-se progressivamente do seu


mestre não só por razões de ordem pessoal mas, principalmente, pelo enfoque
da sua visão em relação à Sociologia da Religião.

O pensamento de Comte, que sempre evitou em suas reflexões sistematizar o


fato religioso, está resumido em uma espécie de parábola universal, conhecida
sob o nome de “lei dos 3 estágios: fetichismo, politeísmo, monoteísmo”,
segundo a qual a Religião não tem mais lugar de destaque na sociedade, tese
baseada no progresso técnico – científico.

O estudo dessa Sociedade é atribuído por Comte a uma nova ciência, a “física
social”, que terá a função de analisar as estruturas e os mecanismos da
sociedade com os mesmos critérios com os quais as ciências da natureza
examinaram os seus objetivos. ,

Nasce com Auguste Comte o movimento que viria a ser chamado de


“Positivismo”, que deverá ser, segundo ele, a nova religião da humanidade,
uma filosofia sistematizada, que pretende que o espírito humano deva
renunciar a conhecer a natureza das coisas e contentar-se com as verdades
tiradas da observação e da experiência dos fenômenos.

Enquanto isso, Emile Durkheim, cuja obra sofreu uma inegável influência do
pensamento positivista de Comte, assumiu a tarefa de tentar oferecer uma
resposta teoricamente válida e metodologicamente vinculada a um problema.

O declínio da Religião que a ele parecia um aspecto essencial não apenas da


sua vida pessoal, mas também da sociedade à qual pertencia. Ele defendia a
ideia de que a essência da função religiosa seria manter a distinção entre o

63
profano e o sagrado. Isto incluía a tentativa de substituir na mente do homem o
que é profano do que é sagrado.

Ele afirmava que:

“ A própria Sociedade é a origem dessa função religiosa e que os conceitos


religiosos são meros símbolos das características da sociedade.

O Sagrado é Deus, o que é personificado pela sociedade com um Ser


separado. A essência da religião é eterna, mas a cultura modifica as suas
formas e lhe confere suas muitas manifestações.”

Fica claro pelas ideias defendidas por estes filósofos franceses fundadores da
Sociologia da Religião, que ela trata de colocar os fenômenos religiosos no
contexto social, examinar dentro desse contexto social, a forma e a direção
tomada pela religião e o seu impacto social.

Estão considerados aqui dois aspectos, com grande amplitude social-religiosa:


do ponto de vista da Sociologia, refere-se ao convívio do homem no seu grupo,
manifestando-se influências e inter-relações que ocorrem no seio deste grupo
e, do ponto de vista religioso, refere-se às crenças em alguma divindade ou
divindades superiores ao homem, das quais ele se considera dependente. Às
vezes o papel dos fatores sociais são exagerados na Sociologia da Religião.

Alguns insinuam que a credibilidade de uma doutrina depende quase que


exclusivamente da existência de um grupo que conjuntamente dê apoio a esta
doutrina. Mesmo que tal afirmação, por si mesma, seja de fácil aceitação, pois
quando um grupo se reúne em torno de uma ideia unânime, ela tem o poder de
transformar esta ideia em uma verdade, ela não deixa de ser uma verdade do
homem, podendo se constituir em uma negação da transcendental verdade de
uma doutrina originária do próprio Deus, dada ao homem para a sua
sobrevivência em sociedade.

Naturalmente, as crenças estão envolvidas em um processo ético


relacionamento humano, visto que muito da conduta humana resulta das
convicções religiosas.

64
Assim sendo, o comportamento ético do homem torna-se um aspecto
importante da Sociologia da Religião. A Sociologia da Religião tem sido
definida com um estudo dos processos e resultados das associações humanas,
naquilo em que as crenças religiosas dos homens são afetadas e, é neste
momento que é vital para o homem a distinção entre o “sagrado” e o “profano”.

A Sociologia da religião ao analisar o comportamento religioso do homem,


mostra em uma das suas áreas a existência de um religião comum,
mecanicamente habitual, onde o interesse das pessoas se limita a crer na
realidade visível e onde os mistérios são excluídos totalmente da crença
praticada o que faz fundamental diferença em suas vidas.

Ampliadas para incluir o estudo da religião civil e da ideologia, tais observações


podem expor os verdadeiros tesouros de uma sociedade e desta maneira
revelar onde está verdadeiramente seu coração.

O primeiro registro bíblico da Religião como um evento social está no livro de


Gn 4.26: “ A sete também nasceu um filho a quem pôs o nome de Enos. Foi
nesse tempo que os homens começaram a invocar o nome do Senhor.”,

Convém lembrar que o nome Enos significa “homem” e nesta passagem está a
afirmativa de que o homem “começou a invocar o nome do Senhor”, nós o
vemos, não em processo de iniciação de adoração a Deus, mas introduzido
pela primeira vez um culto público, com o decorrente despertamento no sentido
da religião verdadeira.

Os adorados de Deus passaram a unir-se para fazer em matéria de Religião


alguma coisa além do que haviam feito até então. A frase “invocar o nome do
Senhor” se refere a culto público e a adoração a Deus deixou de ser somente
em particular e em família para se tornar um evento social e realizado em
assembleias solenes.

Os adoradores do Deus verdadeiro começaram então a se distinguir das


demais pessoas, pois a partir daí “se chamavam pelo nome do Senhor”.
Enquanto a descendência ímpia de Caim se preocupava somente com as
coisas seculares, a família de Sete invocava o nome do Senhor e o adorava

65
publicamente: vemos aí duas descendências diferentes ocupando a terra dos
justos e a dos ímpios.

Os justos descendentes de Sete alcançam, pela graça de Deus, a revelação de


sua justiça, que através de Abraão, justificado pela fé, recebe a promessa de
que da sua descendência e Senhor levantaria um povo para o seu nome, o que
se cumpriria quando Deus, através de Moisés, confirmou ao povo de Israel que
a promessa estava se tornando realidade ao dizer: “ Eu vos tomarei por meu
povo e serei o vosso Deus”, Ex 6.7, fazendo deles um povo santo e sacerdotal.
O povo creu na verdade da mensagem, aceitou a responsabilidade decorrente
desta realidade, e os relatos das experiências desse povo com seu Senhor
vieram a justificar a sua fé.

A escolha de Israel não foi por mérito dele, mas obra única da raça divina e do
seu amor imerecido. Esta mesma graça se revelaria como prometido a Abraão
a todas as famílias da terra na pessoa de Jesus Cristo, o filho de Deus, e todo
homem passaria a ter a liberdade de escolher seu próprio caminho,
levantando-se na pessoa do Verbo Encarnado.

O novo Israel, a Igreja Evangélica, como “geração eleita, sacerdócio real,


nação santa, povo adquirido...chamado das trevas para a luz”, I Pe 2.9, mas a
descendência de “Caim” não respondeu ao chamado de Deus verdadeiro e
continuou no seu propósito de buscar nas religiões falsas as respostas
espirituais que elas não podem dar, pois se baseiam na verdade do homem,
negando a verdade do Criador Onipotente e através dos séculos, como está
registrado na história, continuou crendo no “absurdo” de tais respostas, tão
incoerentes, inconvenientes e danosas ao homem e ao seu destino final.

VIII – HISTÓRIA DA RELIGIÃO

São muitas as definições de História – como “o estudo do passado” ou


“narração, descrição, resultado de uma indagação, conhecimento”, ou ainda a
definição proposta por Lucien Febvre ( 1878-1956 ) “ História, ciência do
homem”, não o esqueçamos nunca, que é a Ciência da mudança perpétua das

66
sociedades humanas do seu perpétuo e necessário reajustamento a novas
condições de existência material, política, moral, religiosa e intelectual.”

História “ ciência do passado, ciência do presente”. A História, como disciplina,


atua na área do conhecimento que trata do passado e seus eventos relevantes.
É o registro que preserva a experiência, passada da humanidade, através dos
documentos escritos, nas descobertas arqueológicas, nos anais da geologia,
etc.

Ele abrange todas as áreas da atividade social e suas instituições, as Ciências


em geral, os movimentos culturais e políticos, os avanços tecnológicos e a
religião como parte inseparável da história.

A Filosofia da História, mais do que só conhecimento e registro dos fatos


acontecidos, procura interpretá-los tentando desvendar o seu significado e
formular leis gerais que estabeleçam uma sucessão cronológica.

Muitos são os métodos de interpretação da História da Civilização e de acordo


com a mudança das característica das culturas que se sucedem no desenrolar
da História. Os sistemas filosóficos que a interpretam variam de uma civilização
para outra e de uma era para outra, o que dificulta o trabalho dos filósofos e
historiadores no sentido de se pronunciarem como trabalhos conclusivos que
são geralmente parciais e incompletos.

Apresentam evidências de interpretações erradas, por não enxergarem nos


acontecimentos históricos os desígnios de uma inteligência superior, sendo que
outros reconhecem tais desígnios, mas quando a sua base para esse
reconhecimento é a evolução ateísta ou confiam nos ideais progressistas, não
encontram nem mesmo na própria história o necessário respaldo para as suas
opiniões. Somente pela fé é possível se descobrir os desígnios desta
inteligência superior na história da humanidade.

Agostinho disse que “só quando purificada e instruída por fé” a inteligência
humana consegue enxergar tais desígnios.

Ponto de Vista da Religião como Ciências

67
Um dos maiores benefícios que nos é proporcionados pela História da Religião,
como ciência, foi nos chamar a atenção para a maneira como os livros da
Bíblia foram escritos, e mostrar-nos os reais motivos e pensamentos, conceitos
e limitações dos homens que os escreveram. Ela nos revela muitas coisas
acerca da realidade histórica no momento em que foram escritos os livros
sagrados, dando-nos uma visão geral dos tempos e da qualidade de pessoas
que os escreveram, do seu modo de vida e do seu comportamento social.

Tudo isto nos dá um grande e valioso enriquecimento de nossa compreensão


do material bíblico, tanto do ponto de vista religioso quanto do científico.

É verdade que alguns temem que o conhecimento científico possa


comprometer a nossa compreensão espiritual da Bíblia. Mas tal receio não tem
fundamento, porque os servos do Senhor não deixam de perceber que cada
avanço no conhecimento científico por parte do homem capacita-nos a um
entendimento mais profundo da Revelação que Deus confiou à sua Igreja.

Devemos fazer todo esforço para nos aprofundarmos no entendimento da


natureza da inspiração e autoridade da Bíblia, pois as ciências, sejam quais
forem, no sentido de interpretação religiosa nada mais farão do que confirmar a
verdade referente à revelação divina registrada pela Bíblia.

Sob a ótica religiosa cristã, por exemplo, a História é interpretada como o


diálogo da graça divina e da liberdade humana, registrando ao longo do seu
processo que a vontade e o amor de Deus se manifestam tanto na criação do
mundo e do homem, quanto na sua redenção e na encarnação do Verbo
Divino, na vida, ministério, morte e ressureição do Cristo.

A história visível ao homem oculta e revela, ao mesmo tempo, a história


invisível de Deus e o seu plano divino, além dos insondáveis desígnios da
Providência.

Interpretada pelo Cristianismo, a História consiste do desenvolvimento de um


plano providencial, cujas linhas gerais não podem ser alteradas pela liberdade
humana.

68
A Teofania “manifestação de Deus” transcende a história na realização de um
projeto preestabelecido. O Cristianismo cujo mistério central é a encarnação do
Verbo Divino promove a invasão do infinito pelo finito. Pela revelação do Verbo
encarnado abrem-se outras possibilidades com relação ao tempo, pois é no
tempo que o ser humano decide o seu destino eterno.

A respeito do tempo, Agostinho, no capítulo XI da sua Obra Confissões, dá a


entender que a sua percepção clara é a de ser o tempo o problema central da
existência humana, onde o presente, permeado de ilusões, mostra como
realidade a verdade de um futuro se escoando, continuamente sendo
transformado em passado.

A alma imortal, que transcende o corpo perecível, é no entanto prisioneira do


tempo de limitada duração, que a rigor não passa de uma degradação da
eternidade, se não houver a interferência da revelação divina. Vale lembrar que
Agostinho é também o autor de A Cidade de Deus, obra que funda a Filosofia
da história.

Na interpretação do processo histórico os cristãos reconhecem-no como o meio


através do qual Deus tem estado em contato com o homem em sua existência
humana terrena.

A sequência inteira dos acontecimentos mundiais passados presentes e


futuros, raras vezes, se é que houve alguma, era descrita como História antes
da última parte do século XVIII e a discussão do seu significado formou parte
da Teologia através dos anos.

Na Bíblia existe bastante material para preparar uma interpretação da História.


O Antigo testamento apresenta Deus como em um ajuste do processo
histórico, principalmente no êxodo do Egito, mas também em muitos outros
acontecimentos.

Em contraste com as divindades da natureza das nações vizinhas a Israel,


Deus se revela de maneira evidente na História. No Novo Testamento Deus
tomou parte decisiva nos assuntos humanos por meio de Cristo e seus
propósitos começam a desenvolver-se através da Igreja, existindo a promessa

69
de que a História chegará a um fim, com a segunda vinda de Cristo para o
juízo.

Podemos destacar algumas das principais contribuições da Bíblia sobre a


história como:

 Deus tem dirigido o curso total do processo histórico desde o princípio


da criação;
 Ele interfere nos assuntos particulares, geralmente exercendo
misericórdia ou juízo;
 Ele levará seus planos a uma conclusão triunfante nos últimos dias.

Em oposição à opinião da existência de períodos cíclicos da história, defendia


pelos historiadores seculares de acordo com o padrão das evoluções naturais,
os cristãos têm sustentado a tese da linearidade da história como um processo
que se movimenta até um fim predeterminado por Deus. Descrevem seu
controle como providência e o fim dos tempos é sustentado como fundamento
de sua esperança.

A Escatologia é a chave para entender tanto a História como a Teologia e os


cálculos que muitos Cristãos têm feito sobre o futuro se baseiam nas crenças
sobre o Milênio que será o tempo em que Deus, na pessoa de Jesus Cristo,
implantará literalmente seu Reino sobre a terra.

O estudo da História pode ajudar o homem a escrever melhor a sua própria


história, desde que ele atente para as grandes lições que ela ensina,
mostrando as provas inequívocas da obra poderosa do Deus criador do
Universo e na vida dos povos.

Submissão: “Escuta-me, pois, e eu falarei, eu te perguntarei e tu ensina-me”.


Jó 42.4, Estes ouviram, aprenderam e venceram.

A Cronologia da História mostra fatos reais de experiências vividas e fielmente


registradas e não obra literária de ficção tirada de alguma mente criativa e
criadora de ilusões, mostrando o verdadeiro desenrolar do drama da vida, que
caminha rapidamente para o grande desfecho do despertar da maior de todas
as civilizações que o homem ainda não conheceu nem viveu, o Reino Milenial

70
do Príncipe da Paz, o Verbo encarnado: “...fui morto, mas eis aqui estou vivo
para todo o sempre”, Ap 1.18. Amém!

“ E tenho as chaves da morte e do inferno”, Ap 1.18. E pelo insondável amor de


Deus e por sua imensa graça, Ele tem também as chaves do céu para os que
crendo, conheçam e, conhecendo, alcancem a salvação.

IX-CONCLUSÃO

Sociologia é a ciência dos fenômenos sociais que tem por objetivo tanto a
descrição sistemática de quanto o estudo dos “fenômenos sociais totais”, que
visa integrar todo fato social no grupo em que ele se manifesta que tem como
métodos a observação “análise objetiva, sondagens estatísticas, etc. e a
constituição de modelos descritivos”.

A Sociologia da Religião tem como objeto específico o estudo da natureza do


fenômeno social religioso como componente da estrutura das relações sociais,
econômicas, políticas, éticas, culturais. Ela não coloca a Religião como o
principal dos seus objetos de estudos, antes, centraliza a atenção no fato
religioso entendido como “fenômeno social” ou “como produto de uma criação
coletiva, estruturando simbolicamente para exercer determinado papel no
interior das estruturas sociais”.

Na Bíblia existe bastante material para preparar uma interpretação da História.


O Antigo Testamento apresenta Deus como em um ajuste do Processo
Histórico, principalmente no Êxodo do Egito mas também em muitos outros
acontecimentos. Em contraste com as divindades da natureza das nações
vizinhas a Israel,

Deus se revela de maneira evidente na História. No Novo Testamento Deus


tomou parte decisiva nos assuntos humanos por meio de Cristo e seus
propósitos começam a desenvolver-se através da Igreja, existindo a promessa
de que a História chegará a um fim, com a segunda vinda de Cristo para o
juízo.

71
Podemos destacar algumas das principais contribuições da Bíblia sobre a
História como:

a) – Deus tem dirigido o curso total do processo histórico desde o princípio da


criação;

b) – Ele interfere nos assuntos particulares geralmente exercendo misericórdia


ou Juízo.

Deus levará seus planos a uma conclusão triunfante nos últimos dias.

“DEUS TOMOU PARTE DECISIVA NOS ASSUNTOS HUMANOS POR


MEIO DE CRISTO”

DEUS

J
E
S
U
S

HOMEM

72
FILOSOFIA DA RELIGIÃO

I - INTRODUÇÃO

A Filosofia da Religião é uma das disciplinas que constitui uma das divisões da
filosofia.

Tem por objetivo o estudo da dimensão espiritual do homem desde uma


perspectiva filosófica (metafísica, antropológica e ética), indagando e
pesquisando sobre a essência do fenômeno religioso: "o que é afinal a
religião?". Seu sentido Etimologicamente é religar, tornar real o que ficou solto,
voltar a comunhão, ligar o que foi desligado. Para o estudo da Filosofia da
Religião são usados três métodos:

1. Histórico-crítico comparativo- deles compara as várias religiões no tempo e


no espaço em busca de seus aspectos mais comuns e suas diferenças para
verificar o que constitui a essência do fenômeno religioso.

2. O Filológico faz o estudo comparativo das línguas visando encontrar as


palavras utilizadas para descrever e expressar o sagrado e suas raízes comuns
e;

3. O Antropológico- procura reconstruir o passado religioso tendo por base a


etnologia (estudo dos povos primitivos e atuais, suas instituições, crenças,
rituais e tradições). A Filosofia da Religião deve fazer uma adequada
conjugação desses métodos "para obter a melhor soma de elementos para
chegar à conclusão mais correta sobre a essência da religião e suas
características universais".

Filosofia é o conjunto de concepções, práticas ou teorias, acerca do ser, dos


seres, do homem e do seu papel no universo, conjunto de toda ciência,
conhecimento ou saber racional, é a história das ideias, é o saber a respeito
das coisas.

73
II - DEFINIÇÃO

FILOSOFIA: Etimologicamente o termo provém do grego, philein "amar",


Sophia "sabedoria", Podendo, portanto, ser definida como "amor da ciência, do
saber, do conhecimento".

A filosofia, segundo a tradição, começa historicamente no século VI A.C. com


Aristóteles, para quem ela seria "a totalidade do conhecimento humano, bem
como os modos de se chegar a esse conhecimento". Para Aristóteles, a
filosofia fundamental seria a Teologia, que é o princípio e as causas últimas, o
que incluiria a ideia da divindade, que é o principal de todos os princípios, a
Causa de todas as causas.

"Nenhum homem é sábio, mas somente Deus. E as pessoas que têm interesse
pelas coisas divinas são buscadoras de sabedoria".

A filosofia na realidade seria uma religião mediante a qual o indivíduo aprende


como buscar e obter a união com o divino.

A filosofia da religião teve o seu começo como defesa da fé religiosa, usando o


raciocínio filosófico, defendendo de imediato, como exemplo da atividade a que
se dedicava, a racionalidade da existência da alma e de Deus.

III - PROPÓSITO DA FILOSOFIA DA RELIGIÃO

A filosofia ao considerar os assuntos religiosos e através da crítica analítica e


da avaliação dos fatos, se identifica como filosofia da religião.

O seu propósito não é primordialmente aceitar ou rejeitar as crenças religiosas,


mas, na verdade, compreendê-las e descrevê-las da forma mais exata e
abrangente. A filosofia da religião é a abordagem lógica dos conceitos
religiosos e do papel da Teologia na explanação e elucidação de tais conceitos,
o exame minucioso que possibilita as diversas interpretações da experiência e
das atividades religiosas.

74
A filosofia da religião deve ser distinguida da Apologética a ponto de se
considerar que o filósofo que se dedica ao estudo da mesma não deverá
necessariamente ser praticante dela.

A busca da natureza e dos fundamentos da fé religiosa que faz parte da


pesquisa filosófica é uma das mais antigas e perseverantes áreas do esforço
filosófico. A crença e as práticas religiosas provocam várias questões
filosóficas e demandam indagações a respeito dos estudos das ciências que
têm por objeto apreciar o seu valor para o espírito humano, relacionando-as à
justificação da fé religiosa e perguntas sobre o conhecimento das causas
primárias e dos princípios elementares da natureza de Deus e da alma. E
perguntas éticas acerca do relacionamento entre Deus e os valores morais.

No terreno da religião tantas são as preocupações filosóficas que se cruzam e


tão fundamental é o interesse por elas que a filosofia da religião é, para os
filósofos cristãos ou não, um dos principais setores do esforço filosófico, que
são quatro como segue: a crença em Deus, a imortalidade da alma, a natureza
do milagre e o problema do mal, constituindo nos problemas clássicos da
filosofia da religião.

Na defesa da existência e conhecimento de Deus os filósofos da religião buscam outro


caminho como argumento comprobatório das suas teses que é a experiência religiosa.
Uma experiência mística ou um contato pessoal com o Divino através da sua
revelação, oferece justificados motivos para a fé segundo afirmativa dos fiéis que
viveram tais experiências.

Apesar de ser verdade que a revelação é a parte principal da existência religiosa,


existem outros modos de produção de conhecimento que a revelação não esclarece,
mas que precisamos considerar como a Razão, a Intuição e o Empirismo. Ao
interpretarmos a revelação, estamos fazendo uso da razão, o entendimento da
revelação é devido também à intuição e discernimento humano e todas as áreas das
ciências se desenvolveram através do empirismo.

IV- CONTRIBUIÇÕES DE OUTRAS CIÊNCIAS

75
O conhecimento bíblico tem sido fortalecido e confirmado pelos estudos de
outras ciências, elas contribuem para elucidar dúvidas. São as seguintes
ciências: Geologia e Geografia da terra santa, Israel, dados topográficos, clima,
subdivisões.

“Monte do Templo ou Esplanada das Mesquitas, ao centro Mesquita de Al-


Aqsa, construída por Omar sobre as ruínas do Templo de Salomão, destruído
pelos romanos.”

Monte do Templo é o lugar religioso de maior importância no Mundo para


Judeus e Cristãos e segundo a tradição muçulmana o terceiro lugar em
importância para o mundo islâmico. O Monte do Templo em hebraico: Har Ha-
Bayit, em alusão ao antigo templo, pelos judeus e cristãos, e Nobre Santuário
Liz_-_k transi. Al-fiaram ash-Sharif pelos muçulmanos.

Monte Scopus: hebraico (Har HaTzofim), em árabe Al-Masarif, al ôabal-


Mashad, Monte dos Observadores é uma montanha (altitude: 2710 pés ou 826
metros acima do nível do mar do nordeste de Jerusalém, Israel.)

Palestinos: Não há e nem nunca houve na realidade um povo chamado


palestino, nunca houve uma etnia com este nome ou algo semelhante.
Historicamente falando este nome somente tomou o conceito de um povo a fim
de identificar os árabes que vivem na Terra de Israel.

Monte Ebal: Monte das Maldições está localizado no centro de Israel e é uma
das duas montanhas situadas na parte norte da Sumária (Cisjordânia),
segundo as escrituras é um dos montes mais importantes no relato bíblico, fica
próximo da cidade bíblica de Siquém, atualmente chamada de Nablus.

Arqueologia Bíblica, nela alguns céticos duvida da Bíblia simplesmente porque


não encontram monumentos que descrevam todos os seus acontecimentos.
Eles fazem isso com a história das dez pragas do Egito. Por não acharem ali
nada que confirme a história do Êxodo, julgam que ela jamais aconteceu.

Ora, por que os egípcios iriam registrar para o mundo o vexame que passaram
com a saída dos hebreus? É claro que eles ficariam calados a respeito disso.
Contudo, outros povos, fora da Bíblia, testemunharam a ocorrência das pragas

76
que Deus enviou através do profeta Moisés e mesmo dentre a correspondência
particular de alguns egípcios é possível encontrar pistas do que aconteceu ali
naquela época.

Vamos ver primeiro o que escreveu Deodoro Sículo, historiador grego do I


século A.C., cujo testemunho dura até hoje: "Nos tempos antigos houve uma
grande praga no Egito e muitos a atribuíram ao fato de Deus estar ofendido
com eles por causa dos estrangeiros que estavam em seu país"... Os egípcios
concluíram que, a menos que os estrangeiros fossem mandados embora de
seu país, eles jamais se livrariam de suas misérias. Sobre isto, conforme nos
informaram alguns escritores, os mais eminentes e estimados daqueles
estrangeiros que estavam no Egito foram obrigados a deixar o país, [portanto]
eles se retiraram para a província que agora se chama Judéia.

Ela não fica longe do Egito e estava desabitada na ocasião. Aqueles


emigrantes foram, pois conduzidos por Moisés que era superior a todos em
sabedoria e poder. "Ele lhes deu leis e ordenou que não fizessem imagens de
deuses, pois só há um Deus no Céu que está sobre tudo e é Senhor de tudo".
Temos ainda o diário de um egípcio chamado Ipuwer que foi encontrado no
Egito em 1820 e levado para o museu da Universidade de Leiden, na Holanda,
onde permanece até hoje.

Lá o escritor antigo lamenta o estado do Egito e diz numa carta endereçada ao


faraó: "Os estrangeiros hebreus? Vieram para o Egito... eles têm crescido e
estão por toda a parte lit. 'em todos os lugares, eles se tornaram gente' o Nilo
se tornou em sangue as casas e as plantações estão em chamas... a casa real
perdeu todos os seus escravos os mortos estão sendo sepultados pelo rio os
pobres escravos hebreus? estão se tornando os donos de tudo os filhos dos
nobres estão morrendo inesperadamente o nosso ouro está no pescoço dos
escravos? o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu
festival religioso? Essas palavras são muito parecidas com as pragas descritas
em Êxodo 7:14-24, especialmente a primeira e a última. A referência aos
escravos que agora se vão e ainda levam consigo algumas riquezas parece
ecoar o testemunho bíblico de que os hebreus foram "e pediram aos egípcios

77
objetos de Prata e de ouro ... De modo que estes lhes davam o que pediam. E
despojaram os egípcios" (Êx 12:35-36).

Biologia Humana- Seu objetivo é estudar todos os ramos da biologia de


populações humanas, incluindo genética e variação humana, ecologia e
adaptação humana, e evolução humana. Pesquisa a natureza,
desenvolvimento e causas da variação em populações humanas, incluindo as
disciplinas: genética humana, genética de populações, demografia evolutiva,
auxologia, fisiologia ambiental, fisiologia do crescimento, ecologia,
epidemiologia e envelhecimento.

Psicologia, é a ciência que estuda o comportamento (tudo o que um organismo


faz) e os processos mentais (experiências subjetivas inferidas através do
comportamento).

O principal foco da psicologia se encontra no indivíduo, em geral humano, mas


o estudo do comportamento animal para fins de pesquisa e correlação, na área
da psicologia comparada, também desempenha um papel importante (veja
também etologia).

Paralela à psicologia científica aqui tratada existe também uma psicologia do


senso comum ou cotidiana que é o sistema de convicções transmitidas
culturalmente que cada indivíduo possui a respeito de como as pessoas
funcionam, se comportam, sentem e pensam. A psicologia usa em parte o
mesmo vocabulário que adquire assim significados diversos de acordo com o
contexto em que é usado. Assim, termos como "personalidade" ou "depressão"
têm significados diferentes na linguagem psicológica e na linguagem cotidiana.

A própria palavra "psicologia" é muitas vezes usada na linguagem comum


corno sinônimo de psicoterapia e, como esta, é muitas vezes confundida com a
psicanálise. Apesar da semelhança de nome, a parapsicologia representa uma
disciplina completamente diversa com outro objeto de estudo.

Na Filosofia as interpretações comumente aceitas pelo homem constituem


inicialmente o embasamento de todo o conhecimento. Essas interpretações
foram adquiridas, enriquecidas e repassadas de geração em geração.
Ocorreram inicialmente através da observação dos fenômenos naturais e

78
sofreram influência das relações humanas estabelecidas até a formação da
sociedade, isto em conformidade com os padrões de comportamentos éticos
ou morais tidos como aceitáveis em determinada época por um determinado
grupo ou determinada relação humana.

V - A FILOSOFIA DA RELIGIÃO INVESTIGATIVA

É um ramo filosófico que investiga a esfera espiritual inerente ao homem, do


ponto de vista da: Metafísica, Antropologia e Ética. Ela levanta
questionamentos fundamentais, tais como:

O que é a religião? Deus existe? Há vida depois da morte? Como se explica o


mal?

Estas e outras perguntas, ideias e postulados religiosos são estudados por esta
disciplina. Há uma infinidade de religiões, compostas de distintas modalidades
de adoração, mitologias e experiências espirituais, mas geralmente os
estudiosos se concentram na pesquisa das principais vertentes espirituais
como: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo, pois elas oferecem um sistema
lógico e elaborado sobre o comportamento do planeta.

E de todo o Universo, enquanto os orientais normalmente se centram em uma


determinada filosofia de vida, os filósofos têm como objetivo descobrir se o
olhar espiritual sobre o Cosmos é realmente verdadeiro em suas pesquisas. O
filósofo da religião adota como instrumentos teóricos a metodologia histórico-
crítica comparativa que contrapõe as mais diversas religiões, espacial e
temporalmente, para perceber suas semelhanças e o que as distingue,
logrando assim visualizar o núcleo central dos eventos religiosos.

A filológica, que realiza a investigação dos vários idiomas, comparando-os e


buscando expressões usadas para se referir ao sagrado, estabelecendo assim
o que elas têm em comum e a antropológica, que resgata o passado espiritual
dos povos ancestrais e dos contemporâneos, seus institutos, suas convicções,
seus ritos e seus valores. Cabe à Filosofia da Religião realizar uma correta

79
associação destes distintos métodos para assim perceber claramente o que é
essencial nas religiões.

A fé comum em Deus - Em todas as religiões vigentes no Ocidente há algo em


comum: a fé em Deus. A Divindade é vista como um Ser sem corpo e eterno,
criador de tudo que há, extremamente generoso e perfeito, todo-poderoso, ou
seja, onipotente, conhecedor de tudo, portanto onisciente, presente em toda
parte, melhor dizendo, onipresente.

Esta é a imagem teísta de Deus, aquela que proclama sua existência. São
Tomás de Aquino defende pelo menos cinco argumentos a favor da presença
de Deus no Universo, entre eles o ontológico, o cosmológico e o do desígnio.
Qual o verdadeiro significado da Fé?

"Um senhor gerente de um banco foi ao culto no domingo à noite e o pastor


pregou sobre a fé que é o firme fundamento das coisas que não se vê mais se
espera. Seu filho de 8 anos perguntou ao pai o que realmente é fé. O pai ficou
sem dar resposta por não saber como explicar ao filho, pois tudo que falava
não convencia ao filho. O pai sabia de um poço que estava sendo cavado nos
fundos de sua casa e sem que o filho soubesse ele entrou no poço à noite que
tinha em media 3,5m de profundidade e pediu que sua esposa levasse o
menino à beira do poço quando ele desse o sinal. Sem saber que o pai estava
dentro do poço ele foi levado. Ao chegar, o pai avistou o menino mas o menino
não o avistava pois, o poço estava escuro. O pai pergunta: está me vendo meu
filho? Ele respondeu: não! Está muito escuro! O pai pergunta: você acredita no
pai? Ele responde: sim! Acredito. E o pai fala -Meu filho, eu estou de braços
abertos para te pegar. Se você acredita, pule! O menino pulou e seu pai o pega
no escuro e diz: meu filho, isto que você fez é fé. O menino responde - Quer
dizer que fé é um salto no escuro? - Responde o pai — "Sim, meu filho, fé é um
salto no escuro".

Porém, eu que já então neste assunto começava a deixar dobrar pelas


questões de Nebrídio, não me recusei a expor-lhe meus prognósticos e o que
me ocorrera, acrescentando contudo que estava já quase persuadido de que
tudo aquilo era falso e quimérico. "Este trecho evidencia a prática da Astrologia

80
pelo Santo". Entretanto, sua consultoria estava carregada de dúvidas. Quanto
ao vaticínio de Santo Agostinho nunca o saberemos.

Por ser consultado pelo culto amigo, Agostinho obviamente possuía


conhecimentos sólidos de Astrologia e Astronomia, já que naquela época, não
existia nem Canopus nem Vega e muito menos o Solar Fire. Só Deus pode ter
o conhecimento do futuro, nenhuma arte existiria para prevê-lo.

VI - AS CARACTERÍSTICAS FILOSÓFICAS DO CRISTIANISMO

Não há propriamente uma história da filosofia cristã assim como há uma


história da filosofia grega ou da filosofia moderna, pois no pensamento cristão,
o máximo valor, o interesse central, não é a filosofia e sim a religião.
Entretanto, se o cristianismo não se apresenta, de fato, como uma filosofia,
uma doutrina, mas como uma religião, uma sabedoria, pressupõe uma
específica concepção do mundo e da vida, pressupõe uma precisa solução do
problema filosófico.

É o teísmo e o cristianismo. O cristianismo fornece ainda uma -imprescindível -


integração à filosofia, no tocante à solução do problema do mal, mediante os
dogmas do pecado original e da redenção pela cruz. E, enfim, além de uma
justificação histórica e doutrinal da revelação judaico-cristã em geral, o
cristianismo implica uma determinação, elucidação, sistematização racional do
próprio conteúdo sobrenatural da Revelação, mediante uma disciplina
específica, que será a Teologia Dogmática.

Pelo que diz respeito ao teísmo salientamos que o cristianismo o deve,


historicamente, a Israel. Mas entre os hebreus o teísmo não tem uma
justificação, uma demonstração racional, como, por exemplo, em Aristóteles,
de sorte que, em definitivo, o pensamento cristão tomará na grande tradição
especulativa grega esta justificação e a filosofia em geral. Isto se realizará
graças especialmente à Escolástica e, sobretudo, a Tomás de Aquino.

81
Pelo que diz respeito à solução do problema do mal, solução que constitui a
integração filosófica proporcionada pelo cristianismo ao pensamento antigo -
que sentiu profundamente, dramaticamente, este problema sem o poder
solucionar - frisamos que esta representa a grande originalidade teórica e
prática, filosófica e moral do cristianismo.

Soluciona este o problema do mal precisamente mediante os dogmas


fundamentais do pecado original e da redenção da cruz. Finalmente, a
justificação da Revelação em geral e a determinação, dilucidação,
sistematização racional do conteúdo da mesma, têm uma importância indireta
com respeito à filosofia, porquanto implicam sempre numa intervenção da
razão. Foi esta, especialmente, a obra da Patrística e, sobretudo, de Agostinho.

Esta parte, dedicada à história do pensamento cristão, será portanto, dividida


do seguinte modo: o Cristianismo, isto é, o pensamento do Novo Testamento,
enquanto soluciona o problema filosófico do mal, a Patrística, a saber, o
pensamento cristão desde o II ao VIII século, a que é devida particularmente a
construção da teologia, da dogmática católica, a Escolástica, a saber, o
pensamento cristão desde o século IX até o século XV, criadora da filosofia
cristã verdadeira e própria.

A Natureza e a Fé Religiosa A busca da natureza e dos fundamentos da fé


religiosa, que faz parte da pesquisa filosófica, é uma das mais antigas e
perseverantes áreas do esforço filosófico. A crença e as práticas religiosas

Provocam várias questões filosóficas e demandam indagações a respeito dos


estudos das ciências que têm por objeto apreciar o seu valor para o espírito
humano, relacionando-as à justificação da fé religiosa e perguntas sobre o
conhecimento das causas primárias e dos princípios elementares da natureza
de Deus e da alma, e perguntas éticas acerca do relacionamento entre Deus e
os valores morais.

No terreno da religião, tantas são as preocupações filosóficas que se cruzam, e


tão fundamental é o interesse por elas, que a filosofia da religião é, para os
filósofos cristãos ou não, um dos principais setores do esforço filosófico.

82
A crença em Deus, a imortalidade da alma, a natureza do milagre e o problema
do mal se constituem nos problemas clássicos da filosofia da religião.

Na defesa da existência e conhecimento de Deus, os filósofos da religião


buscam outro caminho como argumento comprobatório das suas teses, que é a
experiência religiosa. Uma experiência mística ou um contato pessoal com o
Divino, através da sua revelação, oferece justificados motivos para a fé,
segundo afirmativa dos fiéis que viveram tais experiências.

As religiões de modo geral estão alicerçadas sobre experiências místicas: um


profeta recebe uma visão, discípulos reúnem-se em torno dele, como uma
importante figura religiosa.

Seus discípulos registram suas visões e ensinamentos, livros sagrados


desenvolvem-se a partir desses registros, forma-se uma organização (igreja) a
fim de preservar e promover aqueles ensinos. Tudo começa nas visões e no
discernimento ou intuição do profeta. Por outro lado, a filosofia é basicamente
uma inquirição racional e empírica, embora também possa incluir elementos
místicos. Muitas pessoas religiosas opõem-se à filosofia e outras chegam
mesmo a desprezá-la abertamente. Tal atitude é difícil de compreender.

Deus é o Criador do intelecto (razão), e não se pode aceitar a existência de


criaturas suas, como pessoas anti-intelectuais, ainda que não enfatizem a
intelectualidade humana.

A Revelação de Deus aos Homens: Apesar de ser verdade que a revelação é


a parte principal da existência religiosa, existem outros modos de produção de
conhecimento que a revelação não esclarece, mas que precisamos considerar,
como a razão, a intuição e o empirismo.

Em primeiro lugar, ao interpretarmos a revelação, estamos fazendo uso da


razão, em segundo lugar, entendimento à revelação è intuição e discernimento
humanos, em terceiro lugar, todas as áreas das ciências se desenvolveram
através do empirismo, em quarto lugar o conhecimento bíblico tem sido
fortalecido e confirmado pelos estudos da geologia, da arqueologia, da
astronomia, da biologia e outras ciências mais.

83
A ignorância não tem qualquer valor, embora em algumas religiões ela seja
valorizada como se fosse uma virtude.

O próprio Deus é o "Grande Intelecto", sabendo tudo sobre todas as coisas.


Todas as ciências nada mais fazem do que descobrir quais são os propósitos
de Deus, e todas elas representam uma busca legítima. Russel Norman
Champlin.

O grande reformador Martinho Lutero, aparentemente repudiando a razão,


separando-a da revelação, declarou: "A sabedoria natural de uma criatura
humana em matéria de fé, até que se regenere e nasça de novo, é tudo
escuridão, nada conhecendo das coisas divinas, mas numa pessoa crente,
regenerada e iluminada pelo Espírito Santo, através da Palavra de Deus, é
instrumento glorioso e sincero, e obra de Deus... "O entendimento pela fé
recebe vida da fé, o que se achava morto vive de novo".

Comparando-se o pensamento de Lutero com o de Agostinho, quando este


afirma a habilitação da razão pela fé em Cristo, o ensino

De Lutero pode ser considerado verdadeiro, como verdadeiro é o ensino de


Agostinho.

Em certo trecho da obra de Agostinho, embora ele enfatize o fato de que a fé


precede a razão na compreensão da verdade, ele, no entanto reconhece
claramente haver um momento em que a razão precede a fé, visto que a
Palavra não pode penetrar numa criatura irracional, admitindo-se, daí, que a
razão é o necessário ponto de conexão da alma humana com a Palavra divina.
São de Agostinho as seguintes palavras:

"Morra de vez a ideia de que Deus odeia em nós aquilo em que Ele nos fez
superiores às demais criaturas viventes. Digo, pereça a ideia de que devamos
crer que não temos necessidade de buscar uma razão para aquilo em que
cremos, porque de fato já não poderíamos crer se não tivéssemos almas
racionais. Em certas coisas que pertencem à esfera da doutrina salvadora e
que ainda não temos capacidade de alcançar pela razão, mas que
compreenderemos um dia, a fé precede a razão, e essa fé purifica o coração,
de modo que ele pode receber e suportar a grande luz da razão".

84
VII — CONFLITOS E CONCILIAÇÃO ENTRE A FÉ E O SABER

No plano cultural a Igreja exerceu amplo domínio, traçando um quadro


intelectual em que a fé cristã era o pressuposto fundamental de toda sabedoria
humana. Em que consistia essa fé? Consistia na crença irrestrita ou na adesão
incondicional às verdades reveladas por Deus aos homens.

A Bíblia um Destaque a mais:

Verdades expressas nas Sagradas Escrituras (Bíblia) e devidamente


interpretadas segundo a autoridade da Igreja. "A Bíblia era tão preciosa que
recebia as mais ricas encadernações". De acordo com a doutrina católica a fé
representava a fonte mais elevada das verdades reveladas - especialmente
aquelas verdades essenciais ao homem e que dizem respeito à sua salvação.
Neste sentido, afirmava Santo Ambrósio (340-397, aproximadamente) - Toda
verdade, dita por quem quer que seja, é do Espírito Santo.

Assim, toda investigação filosófica ou científica não poderia, de modo algum,


contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Segundo esta orientação,
os filósofos não precisavam se dedicar à busca da verdade, pois ela já havia
sido revelada por Deus aos homens. Restava-lhes apenas, demonstrar
racionalmente as verdades da fé. Não foram poucos porém, aqueles que
dispensaram até mesmo essa comprovação racional da fé.

Eram os religiosos que desprezavam a filosofia grega, sobretudo porque viam


nessa forma pagã de pensamento uma porta aberta para o pecado, a dúvida, o
descaminho e a heresia (doutrina contrária ao estabelecido pela Igreja em
termos de fé).

Por outro lado, surgiram pensadores cristãos que defendiam o conhecimento


da filosofia grega, na medida em que sentiam a possibilidade de utilizá-la como
instrumento a serviço do cristianismo.

Conciliado com a fé cristã, o estudo da filosofia grega permitiria à Igreja


enfrentar os descrentes e demolir os hereges com as armas racionais da

85
argumentação lógica. O objetivo era convencer os descrentes, tento quanto
possível, pela razão, para depois fazê-los aceitar a imensidão dos mistérios
divinos somente acessíveis à fé.

Filósofos da igreja Católica:

Entre os grandes nomes da filosofia católica medieval destacam-se Agostinho


e Tomás de Aquino. Eles foram os responsáveis pelo resgate cristão das
filosofias de Platão e de Aristóteles, respectivamente. "Tomai cuidado para que
ninguém vos escravize por vãs e enganadoras especulações da "filosofia",
segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não
segundo Cristo"- São Paulo.

A Patrística: "A fé em busca de argumentos racionais a partir de uma matriz


platónica". Desde que surgiu o cristianismo tornou-se necessário explicar seus
ensinamentos às autoridades romanas e ao povo em geral. Mesmo com o
estabelecimento e a consolidação da doutrina cristã, a Igreja católica sabia que
esses preceitos não podiam simplesmente ser impostos pela força. Eles tinham
de ser apresentados de maneira convincente, mediante um trabalho de
conquista espiritual.

Foi assim que os primeiros Padres da Igreja se empenharam na elaboração de


inúmeros textos sobre a fé e a revelação cristã. O conjunto desses textos ficou
conhecido como patrística por terem sido escritos principalmente pelos grandes
Padres da Igreja.

As Questões Universais:

Uma das principais correntes da filosofia patrística inspirada na filosofia greco-


romana tentou munir a fé de argumentos racionais.

Esse projeto de conciliação entre o cristianismo e o pensamento pagão teve


como principal expoente o Padre Agostinho- "Compreender para crer, crer para
compreender"- Santo Agostinho.

A questão dos universais- O que há entre as palavras e as coisas. O método


escolástico de investigação, segundo o historiador francês Jacques Le Goff,

86
privilegiava o estudo da linguagem (o trivium) para depois passar para o exame
das coisas (o quadrivium).

Desse modo surgiu a seguinte pergunta: qual a relação entre as palavras e as


coisas? Rosa, por exemplo, é o nome de uma flor. Quando a flor morre, a
palavra rosa continua existindo. Neste caso a palavra fala de uma coisa
inexistente, de uma ideia geral. Mas como isso acontece? O grande inspirador
da questão foi o inspirador neoplatônico Porfirio em sua obra Isagoge:

"Não tentarei enunciar se os gêneros e as espécies existem por si mesmos ou


na pura inteligência nem, no caso de subsistirem, se são corpóreos ou
incorpóreos nem se existem separados dos objetos sensíveis ou nestes
objetos, formando parte dos mesmos". Esse problema filosófico gerou muitas
disputas. Era a grande discussão sobre a existência ou não das ideias gerais,
isto é, os chamados universais de Aristóteles.

Vários pontos de vista são exclusivamente filosóficos e não bíblicos onde


devemos ter o máximo de cuidado com as interpretações para você não
entender as coisas da filosofia como as espirituais, uma distância que deve ser
observada com muito critério, o grande perigo encontrado no século XXI é a
mudança de comportamento dos líderes.

Alguns perderam o coração de pastor - não conseguem ver mais as ovelhas,


não oram mais e não estão preocupados com a salvação de almas, pois está
claro, se não cuida dos que estão dentro de casa como cuidarão dos de fora?
É uma vergonha a política dentro de nossos templos.

E a falta de amor é assustadora entre os que dizem ser os pregadores da


verdade. Onde vamos parar? "Venha o senhor urgente antes de perder tudo".

Não temos corno trocar as ideias filosóficas, mas elas tem seus significados
importantes dentro do raciocínio cristão. O problema maior é misturar o
espiritual com o material. Esta mistura pode trazer consequências nos dois
seguimentos, tanto material como espiritual. E poderão trazer descrença na fé
cristã. Mais importante é que temos o Espírito de Deus e o discernimento
adequado para seguir em frente.

87
VIII - CONCLUSÃO

Filosofia é o conjunto de concepções, práticas ou teorias, acerca do ser, dos


seres, do homem e do seu papel no universo, conjunto de toda ciência,
conhecimento ou saber racional. Filosofia é a história das ideias, é o saber a
respeito das coisas. Etimologicamente, o termo provém do grego philein (amar)
e Sophia (sabedoria), podendo, portanto, ser definida como "amor da ciência,
do saber, do conhecimento".

A filosofia, segundo a tradição, começa historicamente no século VI a.C. com


Aristóteles, para quem ela seria "a totalidade do conhecimento humano, bem
como os modos de se chegar a esse conhecimento". Para Aristóteles, a
filosofia fundamental seria a teologia, que é o princípio e as causas últimas, o
que incluiria a ideia da divindade, que é o principal de todos os princípios, a
causa de todas as causas.

"Nenhum homem é sábio, mas somente Deus. E as pessoas que têm interesse
pelas coisas divinas são buscadoras de sabedoria".

88
PEDAGOGIA DA RELIGIÃO

I - INTRODUÇÃO

A Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo é reflexão, ordenação,


sistematização e a crítica do Processo Educativo. Esta palavra tem origem na
Grécia Antiga. É, portanto o conjunto de disciplinas agregadas como: Didática,
Metodologia Cientifica, Filosofia da Educação e Sociologia da Educação.

Existem técnicas para planejar, dirigir e orientar o Processo de ensino-


aprendizagem ou é um dom inato do professor?

Neste trabalho encontrarás uma introdução ao estudo da Pedagogia tão


necessária à Educação e ao Professor em sala de aula.

A proposta é orientar a ação docente e levar o educador à percepção e


compreensão, através de uma reflexão crítica do seu trabalho, do seu papel na
sociedade e no processo de ensino aprendizagem.

89
Os desafios do professor:

a) Pensar os objetivos, conteúdos e métodos;


b) Interagir no processo ensino-aprendizagem;
c) Disponibilizar conhecimentos e,
d) Facilitar o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos educandos.

Os fenômenos econômicos e sociais da globalização, flexibilização e o novo


mercado de trabalho, conferem à Educação um dos mais altos graus de
importância.

A Educação Continuada é hoje cantada em verso e prosa por todos os


profissionais da área da educação.

O Ensino à distância (EAD) também ganhou notoriedade com a difusão das


redes de computadores - BBS e Internet.

II ENSINO TEOLÓGICO:

No século XX desenvolveram-se muitas teorias na área da pedagogia. Estudar


essas teorias e verificar suas aplicações no ensino teológico não é tarefa das
mais fáceis. Muitos perguntam:

“Como atingir o perfil do novo profissional que o mercado precisa? Como ser
um cidadão do inundo? Como ter unia vida feliz? Que rumos devo dar à minha
vida?”

E entre outras, a Bíblia tem as respostas.

Não se trata aqui de trilhar os caminhos dos pregadores da Teologia da


Prosperidade, ou ensinar as teorias de Napoleon Hill, Lair Ribeiro, Dr. Silva,
Shinyashiki e tantos outros que, na verdade, oferecem manuais de
condicionamento. A solução está em oferecer um ensino das Sagradas
Escrituras, possibilitando ao, educando uma atitude reflexiva de construção dos
conhecimentos bíblicos.

90
O aluno deve ser levado a descobrir a alegria de estudar a Palavra de Deus. E
o educador participa desse processo se estiver atento aos anseios e a cultura
trazida para a sala de aula. "Mas isto é um desafio".

Nesta concepção de Educação o educador deve possuir sólidos


conhecimentos bíblicos, ter comunhão com Deus, preparo, reflexão,
conhecimento das ferramentas pedagógicas, amor fraterno pelo... próximo,
possuir ferramentas, técnicas de como planejar, orientar e dirigir o Processo
Ensino-aprendizagem que podem ser aprendidas e usadas.

Não são obrigatoriamente características inatas de algumas pessoas que já


nascem professor. Deve promover condições para que o educando desenvolva
a capacidade de pensar criticamente, levando-o a aceitar os desafios que irão
surgir ao longo da vida na Sociedade e na Comunidade Eclesiástica.

É uma tarefa da Escola Bíblica Dominical, devendo auxiliar no desenvolvimento


do educando, prepará-lo para uma participação ativa na Igreja e na Sociedade
através da instrução e do ensino da Palavra de Deus.

As Igrejas podem colaborar na formação do cidadão consciente e participativo.


A formação religiosa que é hoje relegada a um segundo plano nas escolas
seculares, ganha sua real dimensão nas Igrejas, nas Escolas Teológicas e nas
Escolas Bíblicas Dominicais.

III — FORMAR: É A VIRTUDE DO CRESCIMENTO

Somente um processo consciente de ensino-aprendizagem garante uma vida


cristã plena. Qualquer outro processo leva à escravidão pelo fanatismo e pelos
rituais desnecessários. Como exemplo, citamos as Testemunhas de Jeová, que
através de um processo de memorização de versículos bíblicos num
encadeamento desenvolvido a pretexto, se julgam conhecedoras da verdade.
Esta prática educativa propicia uma adesão cega às doutrinas da Sociedade
Torre de Vigia, que os lidera.

91
Nos meios evangélicos pode acontecer o mesmo processo que acaba
alimentando as seitas que se valem desta falta de preparo e de cuidado com a
prática educativa. O quadro a seguir esclarece melhor as ideias:

a) - Aproximadamente 50% das Testemunhas de Jeová;


b) - 50% dos membros da seita do "Reverendo Moon" saíram das Igrejas
Evangélicas a nível mundial;

c) - Os Mórmons crescem tanto no Brasil que já ocupam o 3° lugar a nível


mundial em número de membros e,

d) - O Brasil é a maior nação espírita do mundo com 80 milhões de


simpatizantes.

Mas para a inversão do quadro resumidamente descrito é necessário a


formação profissional do professor, tanto na parte teórico-científica como na
parte técnica-prática, para estar a frente do Processo Ensino-aprendizagem.

Escolhemos a Didática como a primeira disciplina a ser estudada, pois nela se


articulam a teoria e a prática - é a ponte entre "o que" e o "como". Acredita-se
na formação profissional teórica e prática do educador como molas propulsoras
do processo ensino aprendizagem. Não só a teoria ou só a prática dos que
julgam ter o dom natural para o magistério favorecem a prática educativa.

IV - ÉTICA E COMPROMISSO PROFISSIONAL

Por que ensinar Teologia? Quais são as condutas e responsabilidades dos


professores do ensino Teológico? A estagnação, do crescimento, em algumas
igrejas pode estar relacionada com o Ensino Teológico?

As respostas para essas questões passam pela análise do trabalho educador,


mas não significa obrigatoriamente que sejam os responsáveis diretos por
todos os problemas que afligem o mundo. O educador compromissado com o
processo reflete sobre esses e outros problemas e busca soluções
continuamente. O indicador mais forte de seu compromisso e

92
comprometimento está no permanente empenho e esforço em refletir, preparar-
se e educar.

Os valores éticos bem definidos é uma das qualificações esperadas dos


professores das Escolas Bíblicas uma vez que na nossa sociedade pluralista
existem muitas condutas.

Deve-se cultivar valores éticos bem fundamentados na Bíblia, analisar o


modismo no meio evangélico e rejeitar propostas éticas que não estejam
devidamente fundamentadas.

V - PEDAGOGIA E DIDÁTICA

A Pedagogia é a ciência que investiga a teoria e a prática da educação.

A Didática é um dos ramos de estudo da Pedagogia e tem como objeto de


estudo o processo de ensino-aprendizagem. Estuda os objetivos, os
conteúdos, os meios e as condições do processo de ensino-aprendizagem. É
bom lembrar que este processo não está restrito ao retângulo da sala de aula.
É uma disciplina importante na formação profissional do professor.

A Educação é uma prática social que ocorre nas Igrejas, na família, no


trabalho, nos meios de comunicação e concentradamente nas escolas e, a
teoria do Ensino - a Didática - deve estar presente nos vários meios e
atividades humanas.

"A Educação, ou seja, a prática educativa é um fenômeno social e universal


sendo uma atividade humana necessária à existência e funcionamento de
todas as sociedades".

VI - OS OBJETIVOS E OS CONTEÚDOS DE ENSINO

93
É de fundamental importância ter os objetivos bem claros antes de se iniciar o
processo de ensino. Pode parecer lógico e óbvio esta afirmação, mas é comum
vermos professores rodeando como baratas tontas o ano inteiro sem
aparentemente chegar a lugar nenhum. Os

Objetivos não devem ser guardados, a sete chaves dos educandos, eles fazem
parte do processo.

O educador deve apresentar no início de cada trabalho, os objetivos, os


conteúdos e as atividades que serão desenvolvidas. Perceba até as novelas,
que via de regra são ruins, apresentam seu lado pedagógico. Antes do capítulo
do dia têm cenas do capítulo anterior. E no final do capítulo do dia apresentam
cenas dos próximos.

Podemos entender o conteúdo como sendo os conhecimentos de cada matéria


da grade curricular. Pode-se dizer, a princípio, que dar o conteúdo significa
transmitir a matéria. Mas é bom lembrar que esse conteúdo deve estar
contextualizado a um público alvo.

Que o processo ensino-aprendizagem é dinâmico. "Os objetivos antecipam


resultados e processos esperados do trabalho conjunto do professor e alunos".

Selecionar criteriosamente os conteúdos é necessário, pois seria impossível


abranger todo o conhecimento transformando-os em elementos do conteúdo. É
tarefa do professor escolher o conteúdo programático, pois é ele que está mais
próximo dos alunos e, portanto conhece melhor suas condições culturais e
origem social.

Apresentamos a seguir, de forma resumida, a maneira que o professor Libâneo


coloca a questão da escolha dos conteúdos.

VII • CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DOS CONTEÚDOS

A prática escolar atual mostra que não tem havido uma escolha criteriosa de
conteúdos que devem observar os seguintes tópicos:

94
1) Correspondência entre objetivos gerais e conteúdos. Os conteúdos devem
expressar em objetivos sociais e pedagógicos.

2) Caráter Científico. Trata-se de selecionar as bases das ciências


transformadas em objetos de ensino necessários à educação geral.

3) Caráter Sistemático. O programa de ensino deve ser delineado em


conhecimentos sistematizados e não em temas genéricos e esparsos sem
ligação entre si. O sistema de conhecimentos de cada matéria deve garantir
uma lógica interna que permita um estreito relacionamento entre os assuntos.

4) Relevância Social. Significa incorporar no programa as experiências e-


vivências dos educandos na sua situação social concreta.

5) Acessibilidade e Solidez. Significa compatibilizar os conteúdos com o nível


de preparo e desenvolvimento mental dos alunos.

VIII - OS MÉTODOS DE ENSINO

Qual é a função dos meios auxiliares de ensino? Organizar e conduzir com


método e direção o processo de ensino-aprendizagem. É a função básica dos
meios auxiliares de ensino.

"O processo de ensino se caracteriza pela combinação de atividades do


professor e dos alunos". "Por meio de ensino designamos todos os meios e
recursos materiais utilizados pelo professor e pelos alunos para a organização
e condução metódica do processo de ensino e aprendizagem".

Como podemos justificar, pedagogicamente e didaticamente, as tarefas de


casa? Não se trata de meros exercícios e sim tarefas preparatórias para a aula
ou são de aprofundamento teóricos da matéria a ser vista ou já lecionada em

95
sala de aula. As tarefas são relacionadas com os objetivos específicos e devem
ser desenvolvidas como trabalho independente e individual.

O momento em que o educando passa realizando as tarefas de casa é


importante. Ele tem a oportunidade da reflexão e de desenvolvimento de suas
potencialidades autodidatas, enfrentando problemas de interpretação de textos
e dando asas à sua imaginação e criatividade.

Apontamos como um dos motivos do baixo rendimento escolar do educando a


falta de dedicação nessas tarefas caseiras.

A maneira de apresentar essas tarefas deve ser desafiadora e inovadora para


despertar o interesse do jovem educando em passar momentos pesquisando,
meditando, revendo e criando soluções para as tarefas propostas, mas
lembrando que o principal trabalho didático ainda é realizado em sala de aula.

IX - A AVALIAÇÃO

Por que a avaliação escolar é um processo continuo?

96
Veja o diagrama abaixo. Ele representa o sistema educacional num processo
de avaliação contínuo.

Os objetivos específicos estão sendo comparados com os resultados imediatos


obtidos junto ao processo de ensino aprendizagem. A partir de uma avaliação
do resultado podemos tomar decisões no sentido de replanejar. Se o processo
é contínuo, os riscos dos objetivos terem sido deixados a quilômetros de
distância são menores, pois os erros se detectados a cada passo são
facilmente corrigidos.

A avaliação contínua deve estar permeada de reflexão, honestidade nas


análises, objetivos sempre bem vivos na mente. Não é objetivo principal da
avaliação reprovar o educando e sim orientá- lo no sentido de superar as
dificuldades observadas na avaliação.

X - PLANEJAMENTO

Qual a importância do Planejamento de Ensino?

97
O Processo de Planejamento é de fundamental importância, pois é nesse
instante que os rumos do ensino serão tomados, a tríade, objetivos-conteúdos-
métodos, será definida. E para tanto algumas perguntas devem ser
respondidas:

> Estamos educando para que?

> Para quem?

> Qual o alvo?

> Pretende nossa prática escolar estar voltada aos interesses dominadores do
Estado ou da Igreja ou de um grupo social?

➢ Os conteúdos levam em consideração o senso comum?

> E as culturas populares são respeitadas?

➢ Será um ensino democrático destinado a todos?

Após respondidas essas e outras questões, estão definidas as políticas e a


pedagogia a ser adotada e o planejamento estará moldado a essas ideologias?

XI - RELAÇÕES PROFESSOR-ALUNO NA SALA DE AULA

Há distinções entre autoridade e autoritarismo? O autoritarismo é uma doença


da autoridade, é o superlativo da autoridade. Normalmente se manifesta pela
incompetência, pela insegurança ou pelo despreparo do professor para assumir
uma sala de aula.

O autoritarismo não admite críticas, pois a liderança se dá pela força e por


aparelhos repressores da livre expressão. Não se deseja o questionamento dos
erros e o apontar destas atitudes anômalas.

A autoridade se dá pela competência, pelo equilíbrio, pelo diálogo e respeito ao


interlocutor, mostrando caminhos, apontando soluções e discutindo-as,
exercendo o direito e a obrigação do educar com o amor fraterno, que

98
humaniza e faz crescer espiritualmente as partes envolvidas no processo
ensino aprendizagem.

Na sequência apresentamos um trecho, do livro de C. M. Charles, sobre a


teoria pedagógica de Jean Piaget. Recomendamos a leitura do livro, embora
seja difícil de encontrá-lo no mercado.

XII - PIAGET AO ALCANCE DOS PROFESSORES

Para C.M. CHARLES, Jean Piaget é um psicólogo que ganhou fama mundial
por suas pesquisas sobre o pensamento das crianças. Ele descobriu alguns
modos pelos quais as crianças pensam, identificou muitas de suas habilidades
e inabilidades mentais e partindo de suas observações formulou uma teoria do
desenvolvimento intelectual humano.

Piaget nasceu em 1896. Dedicou-se primeiramente à Biologia, mas, com a


idade de 24 anos voltou totalmente sua atenção para a Psicologia. Um ano
depois, 1921, filiou-se ao Instituto Jean Jacques Russel em Genebra. Aí
realizou a maioria dos seus estudos sobre o processo do pensamento infantil.

Ele relatou suas descobertas e conclusões em grande número de livros e


artigos. Suas ideias atraíram muita atenção nos Estados Unidos na década de
1930.

Esse interesse desapareceu por um tempo, com exceção da Europa, tendo


ressurgido nos últimos anos. Piaget é agora considerado, por muitos, o mais
importante teórico do desenvolvimento intelectual humano.

Muitos professores conhecem o nome de Piaget, mas poucos conhecem sua


obra, exceto de que ele acredita que as crianças passam por estágios de
desenvolvimento mental e de que elas têm habilidades diferentes nesses
diferentes estágios.

99
Nos próximos anos, a obra de Piaget certamente atrairá atenção ainda maior,
porque suas descobertas estão cheias de ideias importantes para o ensino.

XIII - IDEIAS CHAVES DE COMO ENTENDER AS CRIANÇAS

Começamos com um sumário das ideias chaves de Piaget sobre como as


crianças aprendem e crescem intelectualmente:

1) As crianças têm estruturas mentais diferentes das dos adultos. Não são
adultos em miniatura, elas têm seus caminhos distintos para determinar a
realidade e para ver o mundo.

2) O desenvolvimento mental infantil progride através de estágios definidos.


Estes estágios ocorrem numa sequência fixa, uma sequência que é a mesma
para todas as crianças.

3) Embora os estágios do desenvolvimento mental ocorram numa ordem fixa,


crianças diferentes passam de um estágio para o outro em idades diferentes.
Além disso, uma criança pode estar num determinado estágio para algumas
coisas e em outro estágio para outras.

4) 0 desenvolvimento mental é influenciado por quatro fatores


interrelacionados:

• Maturação: amadurecimento físico, especialmente do sistema nervoso


central;

• Experiência: manipulação, movimento e pensamento sobre objetos concretos;

• Interação Social: jogo, conversa e trabalho com outras crianças ou pessoas;

• Equilibração: o processo de reunir maturação, experiência e socialização de


modo a construir e reconstruir estruturas mentais raciocinando sobre o objeto.

Nota: Piaget acreditava que o desenvolvimento intelectual ocorre por meio de


dois atributos inatos aos quais chamam de Organização e Adaptação.

100
Organização é a construção de processos simples, como ver, tocar, nomear
em estruturas mentais de ordem mais elevada.

Um individuo compõe assim seus sistemas de considerar o mundo. Adaptação


é a mudança contínua que ocorre no individuo como resultado de sua interação
com o meio. Isto ocorre medida em que se assimila experiências, as adapta as
suas estruturas mentais já existentes e acomoda (modifica) estruturas mentais
de modo a permitir a inclusão de experiências que tido se ajustam as estruturas
existentes.

5) Para os professores três estágios do desenvolvimento mental são


especialmente importantes.

Estágio: média aproximada da idade de entrada e saída

Pensamento Intuitivo: 04 a 07 - anos

Operações Concretas: 07 a 11 - anos

Operações Formais: 11 a 15 - anos

a. Descrições. Pensamento Intuitivo. As crianças pensam e dão explicações na


base de intuições, pressentimentos, em vez de logica.

Elas são muito fracas ao expressar a ordem dos eventos, explicar relações,
especialmente causa e efeito, compreender com precisão o que as outras
pessoas falam e relembrar regras.

b. Operações Concretas. As crianças estão desenvolvendo conceitos de


número, relações, processos e assim por diante. Elas estão se tornando
capazes de pensar através de problemas, mentalmente, mas sempre em
objetos reais (concretos) não em abstrações. Estão desenvolvendo habilidade
maior de compreender regras.

c. Operações Formais. Os estudantes podem pensar usando abstrações.


Formulam teorias sobre qualquer coisa distinta do real. Estão atingindo o nível
do pensamento adulto.

101
6) Operações- São ações executadas mentalmente. São componentes
necessários do pensamento racional. (Os requisitos das operações incluem:)

Conservação: O reconhecimento de que uma propriedade como número,


comprimento ou quantidade permanece a mesma apesar de mudanças de
posição, forma ou agrupamento.

Reversibilidade: O reconhecimento de que qualquer mudança de posição,


forma, ordem e outros podem ser reversíveis, isto é, retorna a posição, forma
ou ordem inicial.

7) O desenvolvimento mental das crianças. Impõe limitações definidas sobre o


que podem aprender e sobre como (as condições sob as quais) aprendem.

8) O pensamento. Cresce partindo de ações e não de palavras.

9) O conhecimento. Não pode ser dado as crianças. Ele tem de ser descoberto
e reconstruído através das atividades dos alunos.

10) As crianças. Aprendem melhor partindo de experiências concretas.

11) Por natureza as crianças estão ativas. Elas têm de descobrir e dar sentido
ao mundo. Quando elas estão fazendo isto, refazem as estruturas mentais que
permitem tratar de informações cada vez mais complexas.

12) Este refazer de estruturas mentais toma possível a genuína aprendizagem,


aprendizagem estável e duradoura. Quando estruturas necessárias não estão
presentes, a aprendizagem é superficial: não é útil nem duradoura.

XIV - DESCOBERTAS IMPORTANTES

Agora voltaremos nossa atenção para algumas descobertas de Piaget que


parecem ter especial importância na educação. Estas descobertas nos
mostram muitas coisas que podemos esperar dos estudantes nos vários
estágios do desenvolvimento intelectual. Igualmente importante elas nos
mostram muitas coisas que não podemos esperar. Incluídas estão descobertas

102
relacionadas à linguagem, regras e jogos, pensamento e raciocínio,
classificação e relação, número, casualidade, honestidade, competição,
autoridade e obediência, culpa e punição e comportamento social.
Observaremos essas características como elas ocorrem tipicamente, nos
estágios do Pensamento Intuitivo, Operações Concretas e Operações Formais.

XV - NO ESTÁGIO DO PENSAMENTO INTUITIVO

Antes da idade de mais ou menos quatro anos a criança deu enormes passos
no crescimento mental. Tomou-se capaz de formar "símbolos mentais", que
representam objetos reais, de usar palavras para referir-se a objetos e eventos,
de agrupar objetos de forma rudimentar (embora, às vezes, inconscientemente)
e de raciocinar num nível muito simples, provavelmente, usando imagens
mentais em vez de palavras. Mais ou menos em torno dos quatro anos, em
média, a criança começa a entrar no que Piaget chamou de estágio do
pensamento

intuitivo. Observamos antes que as crianças deste nível raciocinam e dão


explicações como adultos, tipo lógico. Também observamos que apesar do
grande progresso intelectual que fizeram, ainda são muito fracas em coisas tais
como: compreender a ordem dos eventos, explicar relações, compreender
números e suas relações, compreender com precisão o que as outras pessoas
falam e compreender regras.

1 --LINGUAGEM E SUA APLICABILIDADE

A linguagem verbal das crianças neste nível é de dois tipos: comunicativa e


egocêntrica. A linguagem comunicativa consiste em falar com intenção de
transmitir informação a outros ou de fazer perguntas.

A linguagem egocêntrica é não comunicativa. Pode consistir na mímica de sons


e de palavras ou pode ser um monólogo, a criança simplesmente fala enquanto
brinca, sem intenção de se comunicar com outros. Faz isso, assim parece, por

103
prazer ou talvez porque ainda não faz diferença, completamente, entre
palavras, coisas e atos.

Anteriormente grande parte da linguagem da criança era egocêntrica, não


comunicativa. Agora se tornou bem mais comunicativa, embora ela ainda seja
observada falando consigo mesma, ocasionalmente.

As palavras também tornaram-se o instrumento do processo do pensamento, a


criança cada vez mais pensa com palavras em vez de visualizações. Porém, as
palavras têm de sempre relacionar-se com experiências concretas anteriores.

A criança ainda não pode fazer abstrações puras. Ela usa muitas palavras
altamente sofisticadas embora, muitas vezes, esteja apenas vagamente
consciente dos seus significados.

Agora que o aluno está se tornando capaz de usar abstrações ele torna-se
ainda mais influenciado pela linguagem formal. Ele vê que a linguagem lhe dá
um sistema de conceitos, ideias, classificações e relações que são
convencionais, no sentido de que refletem significados sobre os quais há um
acordo geral com o veículo de pensamento, especialmente para o pensamento
abstrato onde os objetos concretos não existem.

A linguagem egocêntrica pode abranger cerca de 40% da linguagem total da


criança neste estágio. Os professores que se dedicam à educação de crianças
deveriam compreender que isto é perfeitamente normal. As crianças
simplesmente falam consigo mesmas mesmo estando em grupos.

Na linguagem comunicativa as crianças têm dificuldades de compreender umas


às outras com precisão, elas têm problemas de relembrar mais de um passo ou
instrução ao mesmo tempo.

No entanto, estão começando a usar palavras para verbalizar imagens mentais


e a linguagem, então, é reflexo do pensamento. Usam palavras e expressões
cada vez mais sofisticadas, as quais em muitos casos não compreendem.

2 — ARGUMENTOS E PERSUASÃO

104
Crianças pequenas argumentam muito. Todos os professores e pais deveriam
saber disto. Seus argumentos são disputas verbais, vigorosas afirmações de
conflito. Há pouco interesse em persuadir ou convencer.

Os professores deveriam compreender que argumentos neste estágio têm


efeitos poderosos. As palavras e a realidade não são bem diferenciadas.

Nomes ofensivos ferem terrivelmente os sentimentos e dizê-los, deveriam ser


fortemente evitados. A criança ainda argumenta bastante, especialmente com
outras crianças e não tanto como adultos, cuja autoridade, raras vezes, desafia
diretamente.

Os argumentos tendem a ser em voz alta e agressiva. Palavras ainda ferem


gravemente. Porém há uma crescente tendência para a razão e a persuasão.

3 — JOGOS, REGRAS E COMPETIÇÃO.

O jogo da criança torna-se cada vez mais social. Anteriormente egocêntrico e


espontâneo, torna-se agora cada vez mais relacionado e dependente de
outros.

Os jogos favoritos incluem correr para pegar outras crianças, esconder e achar,
procurar objetos que estão faltando e jogos de adivinhação. Certas regras vão
se tornando necessárias. Estão ligadas ao tipo de jogo e não a quem vence ou
perde. (De fato, ainda há pouca noção de ganhar ou perder).

Ainda a criança é incapaz de conhecer e seguir mais do que regras simples.


Embora ela esteja segura de que conhece as regras do jogo, raramente é
capaz de considerar ambos, ou seja, seus próprios interesses e os do grupo.
Esta é a razão pela qual a criança tão facilmente quebra as regras, embora não
o faça mal-intencionada. Os jogos tornam-se cada vez mais coletivos e menos
individualistas. Exigem-se cooperação e esforço de grupo.

Aos 9 anos, em média, as crianças mostram desejo por regras definidas para
regular o jogo. Enquanto qualquer criança individualmente pode querer
transpor as regras do jogo, ela não desejará isto de parte de outras crianças.
Ela reclama a violação das regras e grande parte das discussões entre as

105
crianças, procedem de disputas sobre se as regras dos jogos foram
adequadamente seguidas.

Além da crescente necessidade de regras, emerge um forte sentido de


competição. As crianças ainda são bastante cooperativas na maioria dos
esforços de grupo e continuarão assim.

Quanto a jogos, a boa vontade torna-se muito importante. Ao mesmo tempo,


perder torna-se intolerável para muitas crianças. Perder pode produzir cenas,
agressão e choro. Isto não significa que as crianças não possam tolerar não
serem as primeiras na maioria das atividades. Mas nos esportes e nos jogos
elas necessitam de ajuda para aprender a perder esportivamente.

A competição em jogos e no trabalho virtualmente não significa nada para


crianças deste estágio. Elas têm uma ideia muito limitada do significado de
ganhar e perder ou de superar outros. Cada criança joga ou trabalha para si
mesma e pelo prazer da atividade. Ela não joga contra os outros.

4 — PENSAMENTO E RACIOCÍNIO

Devemos lembrar continuamente de que as crianças não pensam como os


adultos. Neste estágio elas não podem efetuar operações em suas cabeças,
operações como adicionar e subtrair, seguir passos na resolução de um
problema, agrupar e reagrupar, colocar eventos em ordem, nomear os passos
de um processo ou descrever como chegar de um lugar para outro. São muito
fracas na explicação das relações.

Acreditam que os objetos naturais são feitos pelos homens, que existem para
servir ao homem e que desempenham motivos do tipo humano. São incapazes
de pensar de uma vez em vários aspectos de uma situação. Podem pensar no
todo ou em algumas partes, mas não em ambos ao mesmo tempo.

Atos são pensamentos e vice-versa. Suas propriedades e resultados são vistos


como absolutos, certo-errado, melhor - pior, maior-menor, sem variações. As
crianças fazem estes juízos de valores na base das primeiras impressões,
sobre instituições e conforme o prazer ou desprazer pessoal.

106
Muitas dessas características foram mencionadas nos parágrafos introdutórios
que descrevem a transição das crianças para o estágio das operações
concretas. Basicamente, observamos que a criança se tornou mais parecida
com o adulto nos seus processos de pensamento.

Ela pode efetuar operações mentalmente, embora continue pensando em


objetos reais quando o faz. É capaz de conservar quantidades, comprimentos,
números, etc. Isto é, mantê-los constantes em sua mente, apesar do
reagrupamento de partes ou mudanças na aparência.

Ela pode tornar reversíveis as operações, desfazê-las, mentalmente,


permitindo assim exploração mental de vários procedimentos com a habilidade
de retornar ao início, sempre que necessário. Cada vez mais, ela se toma
capaz de usar palavras e outros símbolos para representar objetos concretos
quando faz suas explorações mentais.

Nosso aluno tornou-se um teórico no auge da sua capacidade. Se ele não for
exato, pelo menos, é produtivo. Formula teorias sobre qualquer coisa. Tudo
tem sua explicação, seu lugar. As teorias que prescrevem o certo e o errado
são abundantes.

Esta tendência de formular hipótese e teorias gira em tomo de uma nova


habilidade adquirida de fazer proposições, o tipo de pensamento "se... então".

Não há necessidade de proceder do real para o teórico, como por exemplo:


"Todos os gatos são bons trepadores e salteadores por que...". Ao invés disto,
podemos facilmente começar com a teoria e voltar aos particulares. “Boa
habilidade trepadora e saltadora é útil para a sobrevivência”. Esta é
provavelmente a razão por que muitos animais diferentes como o gato, sabem
subir e saltar tão bem".

Em outras palavras, o raciocínio agora trabalha plenamente com o possível


tanto quanto com o real. A realidade ainda é importante, mas não mais do que
a possibilidade. O exercício deste novo poder de trabalhar do "certo" e do
"possível" em termos abstratos produz o idealismo característico da
adolescência e pós-adolescência.

107
Aqui também, a habilidade anteriormente adquirida de tomar inversas as
operações, permite exploração mental de hipóteses, você pode desenvolvê-las
na sua mente. Se não der certo, você pode voltar ao começo e tomar uma nova
direção.

5 — CLASSIFICAÇÃO E RELAÇÕES

Durante este estágio a criança progride rapidamente da habilidade de apenas


agrupar de modo rudimentar para a habilidade de classificar adequadamente.
Está se tornando capaz de fazer coleções e esta desenvolvendo interesse em
fazê-lo. Além disso, é capaz de fazer subdivisões ou suba grupamentos dentro
de um grupo maior.

No entanto, quando solicitada a considerar tanto o grupo maior como os


menores dentro dele, é capaz de fazê-lo. Isto é, ela não pode apreender em
sua mente simultaneamente a noção do todo e a noção de suas partes.

Esta incapacidade obviamente tem importância no ensino da aritmética, como


observaremos.

A maioria das crianças de 4 ou 5 anos não é capaz de dispor objetos em


ordem, como do menor para o maior, do mais curto para o mais longo e assim
por diante. Pelos 6 anos, no entanto, a maioria é capaz de executar esta tarefa
corretamente, embora geralmente o façam através de ensaio e erro, colocando
e recolocando os objetos conforme os comparam os objetos adjacentes.

Semelhantemente, a criança de 6 anos geralmente é capaz de estabelecer


relações bi-unívoco entre objetos, mas neste caso ela também trabalha na
base do ensaio e erro sem ter aparentemente princípios norteadores.

As habilidades recentemente adquiridas permitem à criança fazer uma série de


coisas que ela não era capaz de fazer antes, especialmente nas ciências e
matemática. Realizar experimentos e fazer explanações e predicações lógicas
são exemplos.

Torna-se cada vez mais capaz de estabelecer relações válidas entre as coisas
que observa. De fato, maiores oportunidades para observação e manipulação
de objetos parecem ser de extrema importância para o crescimento mental.

108
As explanações que ela faz sobre o que observa mudam vagarosamente da
concretização anterior sobre artificialismo e animismo para explanações mais
"naturais". Para uma descrição detalhada dos tipos de explicações que as
crianças fazem sobre fenômenos naturais.

6 — NÚMEROS, MATEMÁTICA E CIÊNCIAS.

É somente neste estágio do desenvolvimento mental que surge uma noção


adequada de experimentação. O aluno pode pensar: "Se eu fizer assim e assim
resultará isto".

Depois ele poder organizar um experimento para verificar se está certo. Ele
começa agora a compreender as relações geométricas, questões que tratam
de proporções, da noção geral da relatividade e o elo entre ações e reações.
Ao mesmo tempo seu senso de admiração pela natureza aumenta.
Experimenta sentimentos de inadequação.

Rejeitou o animismo, porém a ideia das forças físicas em equilíbrio


(responsáveis pelos movimentos e posições dos objetos do mundo) o
extasiam.

Piaget demonstrou que a criança não pode conceituar adequadamente o


número até que compreenda classes e relações. Com outras palavras, a
criança tem de ser capaz de "conservar", para compreender que a quantidade
permanece a mesma independentemente de como é dividida em partes, antes
que adquira o conceito de número.

Estas observações tomam muitos de surpresas, por acharem que tão logo a
criança seja capaz de contar, ela está pronta para começar a trabalhar com
números.

As investigações de Piaget mostram que a contagem e a conservação de


números são operações bem distintas e que o conceito de números não segue
imediatamente a habilidade de contar. Ao contrário, ela vem consideravelmente
mais tarde.

109
Professores descobrem que muitas crianças com mais ou menos 6 anos e até
mesmo mais cedo, podem aprender alguns fatos numéricos básicos em adição
e subtração.

Piaget nota esta habilidade, também, mas mantém seu ponto de vista de que
as crianças podem efetuar operações numéricas com compreensão somente
quando se tornarem capazes de estabelecer Correspondências, isto é,
compreender que o número não muda quando os objetos são reagrupados.

Algumas ideias de Piaget sobre o desenvolvimento do conceito de número são


explanadas no material no Apêndice B. Como já se observou, a criança
desenvolveu a capacidade mental de tratar efetivamente com números e
operações numéricas.

Ela é capaz agora de estabelecer correspondência bi-unívocas exata. Pode


conservar números e demonstrar esta conservação precisamente através de
agrupamento e reagrupamento. É capaz também de medir adequadamente
porque tem a habilidade de conservar comprimento e é ou se tornará capaz em
breve de conservar massas. Esta habilidade permite o uso de réguas, balanças
e outros instrumentos de medida.

Pelo fato das operações mentais que a criança efetua ainda se basearem na
visualização de objetos concretos, reais, as atividades em matemática ainda
precisam dar muita ênfase à manipulação de objetos.

7 — HONESTIDADE E COMPORTAMENTO

Antes a criança "mentia" como é natural, simplesmente para embelezar,


inventar ou repetir as experiências de outros sem qualquer real intenção de
enganar com malícia.

Agora a criança tem o conceito cada vez mais significativo de honestidade.


Torna-se capaz de desassociar a "verdade" de situações temporárias e

110
específicas (isto é, vê a verdade como uma ideia e não meramente como parte
de uma situação específica).

Ela pode, quando as condições favorecem, fazer tentativas conscientes de


enganar através de mentira. Ela tem o conceito de moralidade. Percebe que
quanto mais a mentira tem intenção de enganar, pior ela é. Em resumo, ela
desenvolveu urna consciência, baseada, pelo menos em parte, no respeito
pelos outros e nas consciências da obediência coletiva de regras e
expectativas.

Estudos têm mostrado que os professores consideram a desonestidade um


aspecto muito sério do caráter. Eles acham que mentir, por exemplo, indica um
estado depravado e que isto jamais pode ser tolerado.

Piaget lembra que "mentir" é comum às crianças no estágio do Pensamento


Intuitivo. Talvez mentir não seja a palavra usada, porque raramente a criança
tem intenção de enganar.

Os fatos se confundem em sua mente, ela ainda não pode diferenciar


completamente fato de ficção, a história pode soar melhor desta forma, ou se
uma criança relata uma experiência, outras afirmarão que fizeram o mesmo.

8 — AUTORIDADE E OBEDIÊNCIA

Nas idades de 4 a 5 anos, a maioria das crianças é muito obediente aos


adultos. As maneiras dos adultos são justas. Ser bom é ser obediente, ser mal
é ser desobediente. Este assunto é individual, as crianças não compreendem
responsabilidades de grupo.

Elas não esperam que o grupo todo seja punido pelo mau comportamento de
alguns. Mas ainda, não há nada errado com a desobediência em si mesma, ela
não é errada.

É simplesmente uma violação da autoridade adulta, e corno tal, é bastante


aceitável de que ela deva trazer punição.

111
A criança que se comporta mal raramente se sente culpada de suas ações, no
entanto, a reprovação do adulto para seu mau comportamento é esperada.
Ações erradas de outras crianças sempre exigem punição de pessoa adulta.

Na idade de 6 a 7 anos, no entanto, esta aceitação total da autoridade do


adulto começa a vacilar. As crianças começam a notar inconsistência nas
maneiras de comportar-se.

Apesar disto, a maioria das crianças ainda aceita a autoridade adulta. A criança
é ainda bastante obediente aos adultos e reconhece sua autoridade. Isto,
porém, não significa que ela não tenha começado a perder sua fé de que eles
sempre estão totalmente certos.

Tornou-se consciente de muitas inconsistências, de muitos erros dos adultos.


Ao mesmo tempo, tem uma crescente consciência dos modos pelos quais as
regras são feitas. Desenvolve-se também uma confiança nas normas de
orientação dos colegas.

Na maioria das vezes, obedecerá aos adultos, mesmo quando fazem


exigências absurdas. Mas poderá responder impertinentemente, dentro de si
mesma, e começara a acumular insultos verbais na ausência das autoridades
adultas quando estiver conversando com seus colegas.

9 — MORALIDADE, CULPA E PUNIÇÃO

A mentira é agora vista como algo intencionalmente falso. Regras e leis devem
ser moralmente certas e aplicadas com justiça. A quebra de regras não é mais
vista como absolutamente errada.

A punição pela quebra das regras, por exemplo, deve considerar fatores tais
como: a intenção em quebrar a regra, a idade do violador e o registro anterior
do comportamento. Muitas regras podem ser vistas como "erradas", nenhum
dano é causado por quebrá-las. Agir mal merece punição, mas somente para
aquele que age mal.

A punição de grupo por causa de violações, quando existem membros


inocentes no grupo, é vista como grosseira injustiça. Como se observou, a

112
culpa não e nada mais do que ser apanhado fazendo algo errado, e o mau
comportamento é meramente desobediência a regras adultas.

Não há nada errado no mau comportamento como tal. No entanto, a punição é


uma consequência natural do mau comportamento e é esperada. É justa. É
necessária.

Desde que a criança começou a desenvolver uma consciência, ela tem um


sentido crescente do certo e do errado. Saberá quando faz coisas erradas se
está, ou não, sendo diretamente desobediente a um adulto.

Raras vezes, a criança escolhe a punição como consequência devida a sua


própria ação errada. Porém, ainda vê a punição como consequência adequada
das ações erradas dos outros.

Insiste, no entanto, na imparcialidade completa dos adultos no cumprimento


das regras e na tomada de ações disciplinares.

Para ser justa, a punição deve compensar exatamente a ação errada que já foi
praticada. Ela vê grande injustiça na aplicação inconsciente da punição.
Ressente-se profundamente pela punição do grupo por causa da culpa de
alguns.

10 - COMPORTAMENTO SOCIAL

Vimos anteriormente que a grande parte da linguagem da criança, no começo


deste estágio, é egocêntrica. À medida que avança para as idades de 6 a 7
anos, seu interesse social aumenta. Envolve-se em uma linguagem mais
comunicativa e menos egocêntrica, embora este último tipo apareça e
reapareça por vários anos. Os jogos também se tornam cada vez mais sociais.
Outros participantes são exigidos e não simplesmente tolerados.

As crianças deste estágio imitam cada vez mais as outras. Se alguém faz um
ruído ou um gesto engraçado, outras repetirão. Uma das características mais
notáveis das crianças deste estágio é a diminuição do tamanho de suas tarefas
familiares.

113
Os animais de estimação perdem seu status especial como membros imediatos
da família, equivalentes aos irmãos e irmãs. Mas isto não significa que eles
perdem seu valor. Julgando pela quantidade de discussões com os membros
da família, os animais de estimação podem até subir na hierarquia.

Além disso, as crianças estão crescendo quanto ao respeito que elas têm pelos
outros. Ao mesmo tempo. Cresce o desejo de estar com outras crianças, de ter
jogos em grupo, começar a formar grupinhos, clubes e facções.

E certamente, as crianças se veem umas às outras sob uma nova luz, à luz da
posição social. Um dos interesses maiores agora é a consideração de vários
pontos de vista sociais.

O aluno gosta de pesá-los, esclarecê-los, uns em relação aos outros. Ele


pensa em política, instituições, relações humanas, e assim por diante.

Sua teorização sobre sistemas ideais pode conduzi-lo a ser abertamente crítico
e rejeitar falhas que vê na realidade.

Porém, raramente ele se entregará com seriedade a uma nova ideia social. Ele
pode rejeitar, amarga e severamente, em linguagem, muitas convenções e
valores sociais. No entanto, em geral suas ações refletem uma adesão às
convenções e valores que prevalecem.

XVI - NO ESTÁGIO DAS OPERAÇÕES CONCRETAS

Em média, a criança de mais ou menos 7 anos de idade começa a passar do


estágio do pensamento intuitivo para o estágio das operações concretas.
Observe novamente que a idade de 7 anos é uma idade média. Algumas
crianças começam a transição mais cedo, outras mais tarde. E nenhuma delas
faz a transição repentinamente.

Uma dada criança pode, por exemplo, começar a pensar no estágio de


operações concretas quanto à conservação de número, mas ela pode pensar
no estágio de pensamento intuitivo quanto à conservação de um volume.

114
Em geral, podemos dizer que a transição ocorre primeiro para operações
simples como conservação de comprimento e mais tarde para operações mais
complexas, como conservação de volume. Para esclarecimento posterior da
natureza destas operações.

As capacidades de efetuar operações concretas desenvolvem-se uma por uma


e não todas de uma vez. Mais ou menos aos 11 anos, as crianças começam a
passar do estágio das operações concretas para o estágio das operações
formais.

Este é novamente um ponto muito significativo no decorrer do desenvolvimento


intelectual. Nesse período a criança está passando para a maneira adulta de
pensar.

Isto não significa que ala possa tomar decisões tão bem quanto o adulto
solucionar problemas tão bem ou ser tão equilibrada quanto ele em situações
novas. Simplesmente significa que os seus processos de pensamento são
semelhantes aos do adulto.

Está se tomando capaz de pensar sobre ideias abstratas e de efetuar


operações. Usando abstrações que não têm nenhuma referência concreta,
tangível. Esta habilidade de usar abstrações dá à criança, poderosos e novos
instrumentos para estruturar seu mundo.

É capaz de pensar além do mundo real e além do presente. Não necessita


mais limitar-se aos símbolos que representam coisas reais (embora a maioria
de nós faça isto na maior parte do tempo).

Pode fazer uso efetivo de conceitos de amor, ódio, honestidade e lealdade, de


números negativos, forças, velocidades, tempo e partículas atômicas. Com
outras palavras, pode penar sobre o pensamento.

Mais ou menos no fim do estágio das operações formais, que ocorre em média
aos 15 anos, a pessoa atingiu a maturidade intelectual.

Seus trabalhos mentais alcançaram o nível máximo de desenvolvimento. Não


se tornarão mais sofisticados ou complexos.

115
É claro, que podem, através da prática, tomarem-se mais eficientes e mais
coerentes. O indivíduo mais tarde se tomará mais sábio. Mas pela primeira vez,
os professores podem esperar que as percepções dos seus alunos se
assemelhem às suas próprias.

XVII- CONCLUSÃO

Neste trabalho encontrar-se uma introdução ao estudo da Pedagogia da


Religião tão necessária à Educação Religiosa, tendo em vista ser ela a
disciplina que mais trata de Ética e Comportamento humano, Estudos têm
mostrado que os professores consideram a desonestidade um aspecto muito
sério do caráter. Eles acham que mentir, por exemplo, indica um estado
depravado e que isto jamais pode ser tolerado. Piaget lembra que "mentir" é
comum às crianças no estágio do Pensamento Intuitivo. Talvez mentir não seja
a palavra usada, porque raramente a criança tem intenção de enganar.

Professor em sala de aula. Explica que os fatos se confundem em sua mente,


ela ainda não pode diferenciar completamente fato de ficção, a história pode
soar melhor desta forma, ou se uma criança relata uma experiência, outras
afirmarão que fizeram o mesmo, e, portanto um desafio que temos que encarar
para tornar a nossa juventude com mais firmeza e de um Caráter seguro em
seus procedimentos.

"Somente uma vida com Deus pode dar ao educando um comportamento mais
rígido e coerente com a verdade da Palavra de DEUS"

116
TEOLOGIA DA REFORMA

I - INTRODUÇÃO

Na defesa da existência e conhecimento de Deus, os filósofos buscam outro


caminho como argumento comprobatório das suas teses que é a experiência
religiosa. Uma experiência mística ou um contato pessoal com o Divino,
através da sua revelação, oferece justificados motivos para a fé, segundo
afirmativa dos fiéis que viveram tais experiências.

Apesar de ser verdade que a revelação é a parte principal da existência


religiosa, existem outros modos de produção de conhecimento que a revelação
não esclarece, mas que precisamos considerar como a Razão, a Intuição e o
Empirismo.

Em primeiro lugar: Ao interpretarmos a revelação estamos fazendo uso da


razão. Filosofar é buscar a verdade das coisas.

117
Em segundo lugar: O entendimento da revelação é devido à intuição e
discernimento do conhecimento revelado humano.

Em terceiro lugar: Todas as áreas das ciências humanas e sociais se


desenvolveram através do empirismo.

II - CONTRIBUIÇÃO HISTÓRICA

A Reforma muito contribuiu para a mudança do comportamento religioso do


século XX, a história do pensamento filosófico ocidental encontrava-se
intimamente associada às tentativas de esclarecer certos aspectos do
paganismo, do judaísmo e do cristianismo, enquanto que em tradições como o
hinduísmo, o budismo ou o taoísmo, há uma distinção ainda menor entre a
investigação filosófica e a religiosa.

O problema clássico de conceber um objeto apropriado para a crença religiosa


consiste em compreender se é possível lhe atribuir algum termo - fará sentido
dizer que esse objeto cria e conhece coisas, que deseja certos acontecimentos,
que é bom ou providencial, que é uma ou muitas coisas?

Na Teologia da via negativa afirma-se que Deus só pode ser conhecido quando
negamos que os termos vulgares possam ser-lhe aplicados, outra sugestão
influente é a de que os termos vulgares só se lhe aplicam metaforicamente,
não existindo qualquer esperança de eliminar essas metáforas. Mas mesmo
que se chegue a uma descrição do Ser Supremo, continuamos com o problema
de encontrar um motivo para se supor que exista algo correspondente a essa
descrição.

A época medieval foi a mais fértil em pretensas demonstrações da existência


de Deus, como as cinco vias de Santo Tomás de Aquino ou o argumento
ontológico de Santo Anselmo. Essas provas deixaram de ter ampla aceitação
desde o século XVIII, embora ainda convençam muitas pessoas e alguns
filósofos.

118
De uma maneira geral, até os filósofos religiosos, ou talvez estes em especial,
têm sido cautelosos em relação às manifestações populares da religião. Kant,
um simpatizante da fé religiosa, distinguiu (5) cinco perversões dessa fé:

a) Teosofia: uso de concepções transcendentais que confundem a razão;

b) Demonologia: favorecimento de concepções antropomórficas do Ser


Supremo;

c) Teurgia: ilusão fanática de que esse ser pode nos comunicar sentimentos ou
de que podemos exercer influência sobre Ele e,

d) Idolatria: ou a delusão supersticiosa de que podemos nos tornar aceitáveis


perante o Ser Supremo através de outros meios que não o de ter a lei moral no
coração. No entanto, essas tendências para o contato arrebatado têm se
tornado cada vez mais importante na teologia moderna. Desde Feuerbach há
uma tendência crescente na filosofia da religião em se concentrar nas
dimensões sociais e antropológicas da crença religiosa (ver também, ogo de
linguagem),

e) Magia: ou para a conceber como uma manifestação de várias necessidades


psicológicas explicáveis.

III - PRÉ-REFORMA

A Pré-Reforma foi o período anterior à Reforma Protestante na qual se


iniciaram as bases ideológicas que posteriormente resultaram na reforma
iniciada por Martinho Lutero. A Pré-Reforma tem suas origens em uma
denominação cristã do século XII conhecida como Valdenses, que era formada
pelos seguidores de Pedro Valdo, um comerciante de Lyon que se converteu
ao Cristianismo por volta de 1174.

Ele decidiu encomendar uma tradução da Bíblia para a linguagem popular e


começou a pregá-la ao povo sem ser sacerdote. Ao mesmo tempo renunciou à
sua atividade e aos bens que repartiu entre os pobres. Desde o início os

119
valdenses afirmavam o direito de cada fiel de ter a Bíblia em sua própria língua,
considerando ser a fonte de toda autoridade eclesiástica. Eles reuniam-se em
casas de famílias ou mesmo em grutas, clandestinamente, devido à
perseguição da Igreja Católica, já que negavam a supremacia de Roma e
rejeitavam o culto às imagens, que consideravam como sendo idolatria.

O PRECURSOR DA PRÉ -REFORMA

John Wycliffe

No seguimento do colapso de instituições monásticas e da escolástica nos


finais da Idade Média na Europa, acentuado pelo Cativeiro Babilônico da igreja
no papado de Avignon, o Grande Cisma e o fracasso da conciliação se viu no
século XVI o fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos
posteriores valores religioso fundamental.

No século XIV o inglês John Wycliffe, considerado como precursor da Reforma


Protestante levantou diversos questionamentos sobre questões controversas
que envolviam o Cristianismo, mais precisamente a Igreja Católica Romana.
Entre outras ideias, Wycliffe queria o retorno da Igreja à primitiva pobreza dos
tempos dos evangelistas, algo que, na sua visão, era incompatível.

Com o poder político do papa e dos cardeais e que o poder da Igreja devia ser
limitado às questões espirituais, sendo o poder político exercido pelo Estado,
representado pelo rei. Contrário à rígida hierarquia eclesiástica Wycliffe
defendia a pobreza dos padres e os organizou em grupos. Estes padres foram
conhecidos como "lolardos". Mais tarde, surgiu outra figura importante deste
período: Jan Hus. Este pensador tcheco iniciou um movimento religioso
baseado nas ideias de John Wycliffe. Seus seguidores ficaram conhecidos
como Hussitas.

IV - REFORMA NA ALEMANHA, SUÍÇA E FRANÇA.

No início do século XVI o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as ideias


dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e

120
1517. A 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja
do Castelo de Wittenberg; com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse
fato é considerado como o início da Reforma Protestante.

Martinho Lutero aos 46 anos de idade suas teses condenavam a "avareza e o


paganismo" na Igreja e pediam um debate teológico sobre o que as
indulgências significavam. As 95 Teses foram logo traduzidas para o alemão e
amplamente copiadas e impressas. Após um mês se haviam espalhado por
toda a Europa. Com um desejo ardente de trazer a verdade à luz, as seguintes
teses serão defendidas em Wittenberg sob a presidência do Rev. Frei Martinho
Lutero, Mestre de Artes, Mestre de Sagrada Teologia e Professor oficial da
mesma. Ele, portanto, pede que todos os que não puderem estar presentes e
disputar com ele verbalmente, façam-no por escrito. Em nome de Nosso
Senhor Jesus Cristo. Amém.

V - AS NOVENTA E CINCO TESES DE LUTERO

1. Ao dizer: "Fazei penitência", etc. Mt 4.17, o nosso Senhor e Mestre Jesus


Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2. Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é,
da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3. No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior, sim, a


penitência interior seria nula se, externamente, não produzisse toda sorte de
mortificação da carne.

4. Por consequência a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo


(isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos
céus.

5. O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas
que impôs por decisão própria ou dos cânones.

121
6. O papa não tem o poder de perdoar culpa a não ser declarando ou
confirmando que ela foi perdoada por Deus ou, certamente, perdoados os
casos que lhe são reservados. Se ele deixasse de observar essas limitações a
culpa permaneceria.

7. Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo,


sujeitá-la em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8. Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos, segundo os


mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9. Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em
seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10. Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam
aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11. Essa cizânia de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece


ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12. Antigamente se impunham as penas canônicas não depois mas antes da


absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13. Através da morte os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis
canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14. Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo


grande temor e tanto mais quanto menor for o amor.

15. Este temor e horror por si só já bastam (para não falar de outras coisas)
para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do
desespero.

16. Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero,
o semi desespero e a segurança.

17. Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua


na medida em que cresce o amor.

122
18. Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem
da Escritura, que elas se encontrem fora do estado de mérito ou de
crescimento no amor.

19. Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam
certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de
nossa parte, tenhamos plena certeza disso.

20. Portanto, por remissão plena de todas as penas, o papa não entende
simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21. Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa


é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22. Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena
que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23. Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele,
certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24. Por isso a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por
essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25. O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral,
qualquer bispo e cura têm em sua diocese e paróquia em particular.

26. O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das
chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27. Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda
lançada na caixa, a alma sairá voando (do purgatório para o céu).

28. Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, pode aumentar o lucro e a cobiça,
a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29. E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser


resgatadas, como na história contada a respeito de São Severino e São
Pascoal?

123
30. Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição muito menos de
haver conseguido plena remissão.

31. Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire


autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32. Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles


que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33. Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências
do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é
reconciliada com Ele.

34. Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de


satisfação sacramental determinadas por seres humanos.

35. Os que ensinam que a contrição não é necessária para obter redenção ou
indulgência estão pregando doutrinas incompatíveis com o cristão.

36. Qualquer cristão que está verdadeiramente contrito tem remissão plena
tanto da pena como da culpa, que são suas dívidas, mesmo sem uma carta de
indulgência.

37. Qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, participa de todos os benefícios


de Cristo e da Igreja, que são dons de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38. Contudo, o perdão distribuído pelo papa não deve ser desprezado, pois,
como disse — é uma declaração da remissão divina.

39. Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar


simultaneamente perante o povo a liberalidade de indulgências e a verdadeira
contrição.

40. A verdadeira contrição procura e ama as penas ao passo que a abundância


das indulgências as afrouxa e faz odiá-las ou pelo menos dá ocasião para
tanto.

124
41. Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas para
que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras
do amor.

42. Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra
de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de
misericórdia.

43. Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao


necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44. Ocorre que-através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna


melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas
apenas mais livre da pena.

45. Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para
gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira
de Deus.

46. Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância,
devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma
desperdiçar dinheiro com indulgência.

47. Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não
constitui obrigação.

48. Deve ensinar-se aos cristãos que, ao conceder perdões, o papa tem mais
desejo (assim como tem mais necessidade) de oração devota em seu favor do
que do dinheiro que se está pronto a pagar.

49. Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não
depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o
temor de Deus por causa delas.

50. Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos
pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de São Pedro
a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

125
51. Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto —como é seu
dever — a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de
indulgências extorquem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse
necessário vender a Basílica de São Pedro.

52. Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências mesmo


que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia
pelas mesmas.

53. São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que, por causa da pregação de
indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54. Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica


tanto ou mais tempo ás indulgências do que a ela.

55. A atitude do Papa necessariamente é: se as indulgências (que são o menos


importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma
cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com
uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56. Os tesouros da Igreja, a partir dos quais o papa concede as indulgências,


não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57. É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que
muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58. Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre
operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o
inferno do ser humano exterior.

59. São Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma
empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60. É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que foram
proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem estes tesouros.

61. Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos especiais, o
poder do papa por si só é suficiente.

126
62. O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da
graça de Deus.

63. Mas este tesouro é certamente o mais odiado, pois faz com que os
primeiros sejam os últimos.

64. Em contrapartida, o tesouro das indulgências é certamente o mais


benquisto, pois faz dos últimos os primeiros.

65. Portanto, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se


pescavam homens possuidores de riquezas.

66. Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se
pesca a riqueza dos homens.

67. As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores


graças realmente podem ser entendidas como tais, na medida em que dão boa
renda.

68. Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação


com a graça de Deus e a piedade da cruz.

69. Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os


comissários de indulgências apostólicas.

70. Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e
atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os
seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbidos pelo papa.

71. Seja excomungado e amaldiçoado quem falar contra a verdade das


indulgências apostólicas.

127
72. Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e
licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.

73. Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma,
procuram defraudar o comércio de indulgências,

74. Muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências,
procuram fraudar a santa caridade e verdade.

75. A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes a ponto de


poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus,
caso isso fosse possível, é loucura.

76. Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular
sequer o menor dos pecados venais no que se refere à sua culpa.

77. A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente,
poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.

78. Dizemos contra isto que qualquer papa, mesmo São Pedro, tem maiores
graças que essas, a saber, o Evangelho, as virtudes, as graças da
administração "ou da cura", etc., como está escrito em I Co 12.

79. É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida,
equivale à cruz de Cristo.

80. Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que
semelhantes sermões sejam difundidos entre o povo.

81. Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil nem
para os homens doutos defender a dignidade do papa contra calúnias ou
questões, sem dúvidas argutas dos leigos.

128
82. Por exemplo, por que o papa não esvazia o purgatório por causa do
santíssimo amor e da extrema necessidade das almas, o que seria a mais justa
de todas as causas, se redime um número infinito de almas por causa do
funestíssimo dinheiro para a construção da basílica — que é uma causa tão
insignificante?

83. Do mesmo modo, por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos


falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as
doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos
redimidos?

84. Que nova piedade de Deus e do papa é essa que, por causa do dinheiro,
permite ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, mas
não a redime por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta por
amor gratuito?

85. Do mesmo modo, por que os cânones penitenciais — de fato e por desuso
já há muito revogados e mortos — ainda assim são redimidos com dinheiro,
pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86. Por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos ricos mais crassos,
não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São
Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87. O que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita,
têm direito à plena remissão e participação?

88. Que beneficio maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa,


assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas
remissões e participações cem vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

129
89. Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do
que o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências, outrora já
concedidas, se são igualmente eficazes?

90. Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela
força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à
zombaria dos inimigos e fazer os cristãos infelizes.

91. Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o


espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente
respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92. Portanto, fora com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo "Paz,
paz!" sem que haja paz!

93. Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo "Cruz!
Cruz!" sem que haja cruz!

94. Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu
cabeça, através das penas, da morte e do inferno.

95. E que confiem entrar no céu antes passando por muitas tribulações do que
por meio da confiança da paz.

-o-

Após diversos acontecimentos, em junho de 1518 foi aberto um processo por


parte da Igreja Romana contra Lutero, a partir da publicação das suas 95
TESES. Alegava-se, com o exame do processo, que ele incorria em heresia.
Depois disso, em agosto de 1518, o processo foi alterado para heresia notória.

Finalmente, em junho de 1520 reapareceu a ameaça no escrito "Exsurge


Domini" e, em janeiro de 1521, a bula "Decet Romanum Pontificem"
excomungou Lutero. Devido a esses acontecimentos, Lutero foi exilado no
Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde permaneceu por cerca de um ano.

Durante esse período de retiro forçado, Lutero trabalhou na sua tradução da


Bíblia para o alemão, da qual foi impresso o Novo Testamento, em setembro
de 1522.

130
VI - EXTENSÃO DA REFORMA PROTESTANTE NA EUROPA.

Enquanto isso, em meio ao clero saxônio, aconteceram renúncias ao voto de


castidade, ao mesmo tempo em que outros tantos atacavam os votos
monásticos.

Entre outras coisas, muitos realizaram a troca das formas de adoração e


terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas igrejas
e a ab-rogação do celibato. Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos
os cristãos para que se resguardem da insurreição e rebelião".

Seu casamento com a ex-freira cisterciense Catarina Von Bora incentivou o


casamento de outros padres e freiras que haviam adotado a Reforma. Com
estes e outros atos consumou-se o rompimento definitivo com a Igreja
Romana.

Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel


importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas
teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma. Autoridades de várias
regiões do Sacro Império Romano/Germânico pressionadas pela população e
pelos luteranos expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das
igrejas, substituindo-os por religiosos com formação luterana.

Toda essa rebelião ideológica resultou também em rebeliões armadas, com


destaque para a Guerra dos camponeses (1524-1525). Esta guerra foi de
muitas maneiras uma resposta aos discursos de Lutero e de outros

131
reformadores. Revoltas de camponeses já tinham existido em pequena escala
em Flandres (1321-1323), na França (1358), na Inglaterra (1381-1388), durante
as guerras hussitas do século XV e muitas outras até o século XVIII.

A revolta foi incitada principalmente pelo seguidor de Lutero, Thomas Münzer,


que comandou massas camponesas contra a nobreza imperial, pois propunha
uma sociedade sem diferenças entre ricos e pobres e sem propriedade privada,
Lutero por sua vez defendia que a existência de "senhores e servos" era
vontade divina, motivo pelo qual eles romperam, sendo que Lutero condenou
Münzer e essa revolta.

VII — O MURO DOS REFORMADORES

Em 1530 foi apresentada na Dieta imperial convocada pelo Imperador Carlos


V, realizada em abril desse ano, a Confissão de Augsburgo, escrita por Felipe
Melanchton com o apoio da Liga de Esmalcalda.

Os representantes católicos na Dieta resolveram preparar uma refutação ao


documento luterano em agosto, a Confutatio Pontificia (Confutação), que foi
lida na Dieta. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem que sua
Confissão havia sido refutada.

A reação luterana surgiu na forma da Apologia da Confissão de Augsburgo,


que estava pronta para ser apresentada em setembro do mesmo ano, mas foi
rejeitada pelo Imperador.

A Apologia foi publicada por Felipe Melanchton no fim de maio de 1531,


tornando-se confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a
Confissão de Augsburgo, em Esmalcalda, em 1537. Ao mesmo tempo em que
ocorria uma reforma em um sentido determinado, alguns grupos protestantes
realizaram a chamada Reforma Radical.

Queriam uma reforma mais profunda e foi parte importante dessa reforma
radical os Anabatistas, cujas principais características eram a defesa da total
separação entre igreja e estado e o "novo batismo", que em grego é

132
anabaptizo. Enquanto na Alemanha a reforma era liderada por Lutero, na
França e na Suíça a Reforma teve como líderes João Calvino e Ulrico Zuínglio.

João Calvino foi inicialmente um humanista. Nunca foi ordenado sacerdote.


Depois do seu afastamento da Igreja católica, este intelectual começou a ser
visto como um representante importante do movimento protestante. Vítima das
perseguições aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em João Calvino
1533 onde faleceu em 1564.

Genebra tornou-se um centro do protestantismo europeu e João Calvino


permanece desde então como uma figura central da história da cidade e da
Suíça. Calvino publicou as Institutas da Religião Cristã que é uma importante
referência para o sistema de doutrinas adotado pelas Igrejas Reformadas.

Os problemas com os huguenotes somente concluíram quando o Rei Henry IV,


um ex-huguenote, emitiu o Édito de Nantes, declarando tolerância religiosa e
prometendo um reconhecimento oficial da minoria protestante, mas sob
condições muito restritas.

O catolicismo se manteve como religião oficial estatal e as fortunas dos


protestantes franceses diminuíram gradualmente ao longo do próximo século,
culminando na Louis XIV do Édito de Fontainebleau, que revogou o Édito de
Nantes e fez do catolicismo única religião legal na França.

Em resposta ao Édito de Fontainebleau, Frederick William de Brandemburgo


declarou o Édito de Potsdam, dando passagem livre para franceses
huguenotes refugiados e status de isenção de impostos a eles durante 10
anos.

Ulrico Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas
suíças. Zuínglio não deixou igrejas organizadas mas as suas doutrinas
influenciaram as confissões calvinistas. A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo
magistrado e pela população de Zurique, levando a mudanças significativas na
vida civil e em assuntos de estado em Zurique.

133
VIII - NO REINO UNIDO

O Curso da Reforma foi diferente na Inglaterra. Desde muito tempo havia uma
forte corrente anticlerical, tendo a Inglaterra já visto o movimento Lollardo que
inspirou os Hussitas na Boémia. No entanto, ao redor de 1520, os lollardos já
não eram uma força ativa ou pelo menos um movimento de massas.

Embora Henrique VIII tivesse defendido a Igreja Católica com o livro Assertio
Septem Sacramentorum (Defesa dos Sete Sacramentos), que contrapunha as
95 Teses de Martinho Lutero, Henrique promoveu a Reforma Inglesa para
satisfazer as suas necessidades políticas. Sendo este casado com Catarina de
Aragão, que não lhe havia dado filho homem, Henrique solicitou ao Henrique
VIII Papa Clemente VII a anulação do casamento.

Perante a recusa do Papado, Henrique fez-se proclamar, em 1531, protetor da


Igreja inglesa. O Ato de Supremacia, votado no Parlamento em novembro de
1534, colocou Henrique e os seus sucessores na liderança da igreja, nascendo
assim o Anglicanismo.

Os súditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados,


perseguidos e executados, tribunais religiosos foram instaurados e católicos
foram obrigados à assistir cultos protestantes, muitos importantes opositores
foram mortos, tais como Thomas More, o Bispo John Fischer e alguns
sacerdotes, frades franciscanos e monges cartuchos. Quando Henrique foi
sucedido pelo seu filho Eduardo VI em 1547, os protestantes viram-se em
ascensão no governo. Uma reforma mais radical foi imposta diferenciando o
anglicanismo ainda mais do catolicismo.

Seguiu-se uma breve reação católica durante o reinado de Maria I (1553-1558).


De início moderada na sua política religiosa, Maria procura a reconciliação com
Roma, consagrada em 1554, quando o Parlamento votou o regresso à
obediência ao Papa.

Um consenso começou a surgir durante o reinado de Elizabeth I. Em 1559,


Elizabeth I retornou ao anglicanismo com o restabelecimento do Ato de
Supremacia e do Livro de Orações de Eduardo VI. Através da Confissão dos

134
Trinta e Nove Artigos (1563), Elizabeth alcançou um compromisso entre o
protestantismo e o catolicismo: embora o dogma se aproximasse do
calvinismo, só admitindo como sacramentos o Batismo e a Eucaristia, foi
mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimônias religiosas.

A Reforma na Inglaterra procurou preservar o máximo da Tradição Católica


(episcopado, liturgia e sacramentos). A Igreja da Inglaterra sempre se viu como
a ecclesia anglicanae, ou seja, a Igreja cristã na Inglaterra e não como uma
derivação da Igreja de Roma ou do movimento reformista do século XVI. A
Reforma Anglicana buscou ser a "via média" entre o catolicismo e o
protestantismo.

Em 1561 apareceu uma confissão de fé com _uma Exortação à Reforma da


Igreja modificando seu sistema de liderança, pelo qual nenhuma igreja deveria
exercer qualquer autoridade ou governo sobre outras e ninguém deveria
exercer autoridade na Igreja se isso não lhe fosse conferido por meio de
eleição. Esse sistema, considerado "separatista" pela Igreja Anglicana, ficou
conhecido como Congregacionalismo.

Richard Fytz é considerado o primeiro pastor de uma igreja congregacional,


entre os anos de 1567 e 1568, na cidade de Londres.

Por volta de 1570 ele publicou um manifesto intitulado As Verdadeiras Marcas


da Igreja de Cristo. Em 1580 Robert Browne, um clérigo anglicano que se
tornou separatista, junto com o leigo Robert Harrison, organizou em Norwich
uma congregação cujo sistema era congregacionalista, sendo um claro
exemplo de igreja desse sistema.

Na Escócia, John Knox (1505-1572), que tinha estudado com João Calvino em
Genebra, levou o Parlamento da Escócia a abraçar a Reforma Protestante em
1560, sendo estabelecido o Presbiterianismo. A primeira Igreja Presbiteriana, a
Church of Scotland (ou Kirk), foi fundada como resultado disso.

IX - ARQUEOLOGIA BÍBLICA

135
Alguns céticos duvidam da Bíblia simplesmente porque não encontram
monumentos que descrevam todos os seus acontecimentos. Eles fazem isso
com a história das dez pragas do Egito. Por não acharem ali nada que confirme
a história do Êxodo, julgam que ela jamais aconteceu.

“Ora, por que os egípcios iriam registrar para o mundo o vexame que passaram
com a saída dos hebreus?”.

É claro que eles ficariam calados a respeito disso. Contudo, outros povos, fora
da Bíblia, testemunharam a ocorrência das pragas que Deus enviou através do
profeta Moisés e mesmo dentre a correspondência particular de alguns
egípcios é possível encontrar pistas do que aconteceu ali naquela época.
Vamos ver primeiro o que escreveu Deodoro Siculo, historiador grego do I
século a.C, cujo testemunho dura até hoje:

"Nos tempos antigos houve uma grande praga no Egito e muitos a atribuíram
ao fato de Deus estar ofendido com eles por causa dos estrangeiros que
estavam em seu país... Os egípcios concluíram que, a menos que os
estrangeiros fossem mandados embora de seu país, eles jamais se livrariam de
suas misérias. Sobre isto, conforme nos informaram alguns escritores, os mais
eminentes e estimados daqueles estrangeiros que estavam no Egito foram
obrigados a deixar o país, portanto, eles se retiraram para a província que
agora se chama Judéia. Ela não fica longe do Egito e estava desabitada na
ocasião.

Aqueles imigrantes foram pois conduzidos por Moisés, que era superior a todos
em sabedoria e poder. Ele lhes deu leis e ordenou que não fizessem imagens
de deuses, pois só há um Deus no Céu que está sobre tudo e é Senhor de
tudo. Temos ainda o diário de um egípcio chamado Ipuwer que foi encontrado
no Egito em 1820 e levado para o museu da Universidade de Leiden, na
Holanda, onde permanece até hoje.

O povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival
religioso? Essas palavras são muito parecidas com as pragas descritas em Êx
7:14-24, especialmente a primeira e a última. A referência aos escravos que
agora se vão e ainda levam consigo algumas riquezas parece ecoar o

136
testemunho bíblico de que os hebreus foram "e pediram aos egípcios objetos
de prata e de ouro ... de modo que estes lhes davam o que pediam. E
despojaram os egípcios", Êx 12:35-36. Mais uma vez a História confirma a
Palavra de Deus.

"A ignorância não tem qualquer valor, embora em algumas religiões ela seja
valorizada como se fosse uma virtude. O próprio Deus é o "Grande Intelecto",
sabendo tudo sobre todas as coisas. Todas as ciências nada mais fazem do
que descobrir quais são os propósitos de Deus, e todas elas representam uma
busca legítima". Russel Norman Champlin

Na Teologia da via negativa afirma-se que "Deus só pode ser conhecido


quando negamos que os termos vulgares possam ser-lhe aplicados", outra
sugestão influente é a de que os termos vulgares só se lhe aplicam
metaforicamente, não existindo qualquer esperança de eliminar essas
metáforas, mas mesmo que se chegue a uma descrição do Ser Supremo,
continuamos com o problema de encontrar um motivo para se supor que exista
algo correspondente a essa descrição.

"Poderão ainda dizer que as estrelas indicam, mas não realizam


acontecimentos. É como se a sua posição fosse uma linguagem de predizer o
futuro 'foi de fato o parecer de homens não mediocremente doutos". Não é
assim que os astrólogos costumam falar. Não dizem, por exemplo: - Esta
posição de marte anuncia um homicida- mas - faz um homicida. “Concedamos,
porém, que eles não falam como devem e que deviam tomar dos filósofos á
sua maneira de falar para anunciar os acontecimentos que julgam descobrir na
posição dos astros”.

X- CONFLITOS E CONCILIAÇÃO ENTRE A FÉ E O SABER

No plano cultural, a Igreja exerceu amplo domínio, trançando um quadro


intelectual em que a fé cristã era o pressuposto fundamental de toda sabedoria
humana.

137
Em que consistia essa fé? Consistia na crença irrestrita ou na adesão
incondicional às verdades reveladas por Deus aos homens. Verdades
expressas nas Sagradas Escrituras "Bíblia" e devidamente interpretadas
segundo a autoridade da Igreja. "A Bíblia era tão preciosa que recebia as mais
ricas encadernações".

De acordo com a doutrina católica a fé representava a fonte mais elevada das


verdades reveladas - especialmente aquelas verdades essenciais ao homem e
que dizem respeito à sua salvação.

Neste sentido, afirmava Santo Ambrósio (340-397, aproximadamente): "Toda


verdade, dita por quem quer que seja, é do Espírito Santo".

Assim, toda investigação filosófica ou científica não poderia, de modo algum,


contrariar as verdades estabelecidas pela fé católica. Segundo essa
orientação, os filósofos não precisavam se dedicar à busca da verdade, pois
ela já havia sido revelada por Deus aos homens. Restava-lhes, apenas,
demonstrar racionalmente as verdades da fé. Não foram poucos, porém,
aqueles que dispensaram até mesmo essa comprovação racional da fé.

Eram os religiosos que desprezavam a filosofia grega, sobretudo porque viam


nessa forma pagã de pensamento uma porta aberta para o pecado, a dúvida, o
descaminho e a heresia "doutrina contrária ao estabelecido pela Igreja em
termos de fé".

Por outro lado, surgiram pensadores cristãos que defendiam o conhecimento


da filosofia grega, na medida em que sentiam a possibilidade de utilizá-la como
instrumento a serviço do cristianismo. Conciliado com a fé cristã, o estudo da
Filosofia Grega permitiria à Igreja enfrentar os descrentes e demolir os hereges
com as armas racionais da argumentação lógica. O objetivo era convencer os
descrentes, tanto quanto possível, pela razão, para depois fazê-los aceitar a
imensidão dos mistérios divinos, somente acessíveis à fé.

Entre os grandes nomes da filosofia católica medieval destacam-se Agostinho


e Tomás de Aquino. Eles foram os responsáveis pelo resgate cristão das
filosofias de Platão e de Aristóteles, respectivamente. "Tomai cuidado para que
ninguém vos escravize por vãs e enganadoras especulações da filosofia,

138
segundo a tradição dos homens, segundo os elementos do mundo, e não
segundo Cristo, e sim o Apóstolo Paulo".

"Não tentarei enunciar se os gêneros e as espécies existem por si mesmos ou


na pura inteligência nem, no caso de subsistirem, se são corpóreos ou
incorpóreos, nem se existem separados dos objetos sensíveis ou nestes
objetos, formando parte dos mesmos”.

Vários pontos de vista são exclusivamente filosóficos e não bíblicos onde


devemos ter o máximo de cuidado com as interpretações para você não
entender as coisas da filosofia como as espirituais, uma distância que deve ser.

XI - CELEBRAÇÃO DA ÚLTIMA CEIA

Na Igreja Católica, Chamado de a Eucaristia é um dos sete sacramentos.


Segundo o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, a Eucaristia é “o
próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para
perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso,
confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição”.

É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se


recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna.
Segundo o papa João Paulo II, em sua encíclica Ecclesia de Eucharistia, a
Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra, é
um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa
história e vem iluminar o nosso caminho. Ainda nessa encíclica, é chamada
atenção para o fato significativo de que no lugar onde os Evangelhos
Sinópticos narram a instituição da Eucaristia, O Evangelho de João propõe a
narração do lava-pés, gesto que mostra Jesus mestre de comunhão e de
serviço, em seguida o papa atenta para o fato de que mais tarde o apóstolo
Paulo qualifica como indigna duma comunidade cristã a participação na Ceia
do Senhor que se verifique num contexto de discórdia e de indiferença pelos
pobres.

139
Comungar ou receber a Comunhão é nome dado ao ato pelo qual o fiel pode
receber a sagrada hóstia sozinha ou acompanhada do vinho consagrado,
especialmente nas celebrações de Primeira eucaristia e Crisma. Segundo o
Compêndio "Para receber a sagrada Comunhão é preciso estar plenamente
incorporado à Igreja católica e em estado de graça, isto é, sem consciência de
pecado mortal. Quem tem consciência de ter cometido pecado grave deve
receber o sacramento da Reconciliação antes da Comunhão. São também
importantes o espírito de recolhimento e de oração, a observância do jejum
prescrito pela Igreja e ainda a atitude corporal (gestos, trajes), como sinal de
respeito para com Cristo." (n. 291).

A transubstanciação do pão em Corpo de Cristo na missa de canonização do


Frei Gaivão em 11 de maio de 2007.

A Igreja Católica confessa a presença real de Cristo, em seu corpo, sangue,


alma e Divindade após a transubstanciação do pão e do vinho, ou seja, a
aparência permanece de pão e vinho, porém a substância se modifica, passa a
ser o próprio Corpo e Sangue de Cristo.

Eucaristia também pode ser usada como sinônimo de hóstia consagrada no


Catolicismo. "Jesus Eucarístico" é como os católicos se referem a Jesus em
sua presença na Eucaristia.

"Comunhão" é como o sacramento é mais conhecido. As crianças farão a sua


Primeira comunhão. "Comunhão Eucarística" é a participação na Eucaristia.

Também há uma adoração especial, chamada "adoração ao Santíssimo


Sacramento" e um dia especial para a Eucaristia, o Dia do Corpo de Cristo (em
lat. Corpus Christi). Segundo Santo Afonso Maria de Ligório, a devoção de
adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as
devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil.

Para a Igreja, a presença de Cristo nas hóstias consagradas que se conservam


após a Missa perdura enquanto subsistirem as espécies do pão do vinho. Um
dos grandes fatores que contribuíram para se crer na presença real de Cristo e
adorá-lo foram os "milagres Eucarísticos" em várias localidades do mundo,
entre eles, um dos mais conhecidos foi o de Lanciano (Itália).

140
São João Crisóstomo destaca o efeito unificador da Eucaristia no Corpo de
Cristo, que é identificado pelos cristãos como a própria Igreja: Com efeito, o
que é o pão? É o corpo de Cristo. E em que se transformam aqueles que o
recebem? No corpo de Cristo, não muitos corpos, mas um só corpo.

De fato, tal como o pão é um só apesar de constituído por muitos grãos, e


estes, embora não se vejam, todavia estão no pão, de tal modo que a sua
diferença desapareceu devido à sua perfeita e recíproca fusão, assim também
nós estamos unidos reciprocamente entre nós e, todos juntos, com Cristo. João
Paulo II ensinou que à desagregação enraizada na humanidade é contraposta
a força geradora de unidade do corpo de Cristo.

Segundo a igreja católica a consagração da Hóstia pode ser feita apenas por
presbíteros (ou padres) ou por dotes de maior grau hierárquico (bispos,
cardeais, ou papa) os diáconos não ministram este sacramento.

XII - IGREJA ORTODOXA

Como a doutrina da transubstanciação surgiu no ocidente após o cisma com a


Igreja Ortodoxa nela não há uma formulação teológica.

Na formulação teológica sobre o que acontece com os elementos na liturgia


divina - é tido como "mistério". O pão na liturgia ortodoxa é fermentado
(simbolizando a nova natureza em Cristo) e o vinho é servido a todos os fiéis
(inclusive crianças) servido com uma colher.

XIII - IGREJA DO ORIENTE

Na Igreja do Oriente a Qurbana Qadisha (em aramaico: o Santo Sacrifício)


seguem um dos mais antigos ritos em uso, o de Addai e Mari. Suas orações
eucarísticas, Gehantha, possuem grande semelhança com as orações e
bênçãos judaicas sobre as refeições. Nela a doutrina da transubstanciação é

141
desconhecida e em sua liturgia não há as palavras de instituição "este é meu
corpo... este é meu sangue...". Indiferença pelos pobres.

XIV - O PROTESTANTISMO

Dentro do protestantismo cuja teologia remonta aos princípios da reforma e são


influenciados por Lutero e Calvino são três visões principais quanto a
Eucaristia. Nas igrejas Luteranas existe o entendimento da ceia como essência
ou substância do corpo de Cristo e não transformada no mesmo. A essa forma
de entendimento dá-se o nome de consubstanciação.

Na visão de Zwinglio a ceia é a lembrança do sacrifício de Cristo - essa posição


é chamada de memorialismo.

A proposta de Calvino, em oposição a Lutero e Zwinglio, era que na ceia


ocorria a presença de Jesus, não nos elementos, mas como co-participante e
co-celebrante junto com os comungantes. A essa forma de entendimento dá-se
o nome de presença real.

Na Igreja Anglicana o entendimento é de um sacramento, independente de


como o mesmo será entendido pelo comungante e por essa liberdade é
permitida até mesmo o entendimento não sacramental da ceia.

Dentro da Teologia Evangélica a Eucaristia é chamada geralmente por "Santa


Ceia" ou "Ceia do Senhor" derivando da teologia de Zwinglio. O reformador
suíço doutrinava que a ceia não podia promover efeitos espirituais, sendo
apenas um símbolo e tendo como único efeito o de lembrança.

No século XVII, quando do surgimento da denominação batista, o seu


fundador, John Smith, baseou-se em relação à ceia, nos princípios
disseminados por Zwinglio, assim concebendo a ceia apenas como um rito
simbólico ordenado por Cristo “Vai aqui uma critica ao sistema de nossas
Igrejas no Brasil".

142
PERGUNTA: Como devo celebrar a ceia do Senhor? O que devo fazer com o
vinho que sobra da ceia? O pão é picado por alguém autorizado pelo Pastor da
Igreja? O que fazer com o restante do pão? Qual o tipo de vinho deve ser
usado? Onde posso aprender e ter informações para isto? Quem deve preparar
a mesa?

APRESENTAÇÃO DO "FILME DE LUTERO", APÓS, FAZER COMENTÁRIO


SOBRE O MESMO E FOCAR O BEM DA REFORMA PROTESTANTE.

XV - CONCLUSÃO

Ao rever todos os conceitos de grandes homens que se envolveram na


Reforma protestante temos visto que o ideal era o mesmo focar a crença e a
confiança em Deus tirando a visão Papal e dando a Bíblia o valor que ela
merece. Entre outras coisas muitos realizaram a troca das formas de adoração
e terminaram com as missas, assim como a eliminação das imagens nas
igrejas e a ab-rogação do celibato.

Ao mesmo tempo em que Lutero escrevia "a todos os cristãos para que se
resguardem da insurreição e rebelião", seu casamento com a ex-freira
cisterciense Catarina von Bora incentivou o casamento de outros padres e
freiras que haviam adotado a Reforma. Com estes e outros atos consumou-se
o rompimento definitivo com a Igreja Romana.

Em janeiro de 1521 foi realizada a Dieta de Worms, que teve um papel


importante na Reforma, pois nela Lutero foi convocado para desmentir as suas
teses, no entanto ele defendeu-as e pediu a reforma. Autoridades de várias
regiões do Sacro Império Romano-Germânico pressionadas pela população e
pelos luteranos, expulsavam e mesmo assassinavam sacerdotes católicos das
igrejas, substituindo-os por religiosos com formação luterana.

"Lutero começa a tradução da bíblia em outras línguas e cria um mal estar em


seu país, Alemanha. Cria uma grande intriga entre o papado e uma guerra

143
entre a corte. Porém, deus estava no controle, como está agora nesta última
etapa da igreja do Senhor ou a igreja do arrebatamento."

144
QUESTIONÁRIOS

PSICOLOGIA DA RELIGIÃO

1- O que a Psicologia da Religião estuda?


2- Do comportamento humano cite dois exemplos.
3- Quando nasceu a Psicologia da Religião?
4- O que levou a criação desta disciplina?
5- Como se chamava uma mulher de Tiatira?
6- Qual a ciência que trabalha a normativa da natureza?
7- O que você entende por biossocial?
8- 8- Qual é a função do Ego?
9- 9- Em que nível encontra-se o transpessoal?
10- 10-Faça uma dissertação sobre psicoterapia.

DIDÁTICA

1- A Didática tem vários conceitos, cite pelo menos três.


2- Faça uma diferenciação entre professor e aluno.
3- Qual o objetivo da Didática?
4- Cite três objetivos.
5- Quais são as bases da Didática?

145
6- A psicologia da Religião se ocupa no comportamento grupal?
7- Quais são as principais atitudes no ensino fundamental?
8- Cite duas atitudes do ensino médio.
9- O que você entende por função do professor?
10- Cite três delas.
11- O que é ciclo docente?
12- Qual a função do ciclo docente?
13- Faça uma dissertação sobre as fases do planejamento.

SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO

01- Exemplifique a epistemologia da Sociologia da Religião.


02- Em que base se encontra o empirismo na Sociologia da Religião?
03- Fé e Ciência podem andar juntas? Explique.
04- Quais são os quatro níveis que o ser humano pode alcançar?
05- Fale sobre dois tópicos do conhecimento científico da religião.
06- Cite as ciências que desenvolvem no homem o estudo do campo das
religiões.
07- Na defesa da existência de Deus qual a sua experiência? Conte
08- Cite os quatro imperismos do conhecimento da Sociologia da Religião.
09- Qual a ligação da Bíblia em Sociologia da Religião?
10- Como se chamava o teólogo dos anos 1033 a 1109?
11- Cite os dois argumentos clássicos da crença em Deus.
12- Quais são os principais assuntos examinados pela Sociologia da
Religião?

146
13- Qual o primeiro registro bíblico sobre a Sociologia da Religião.

FILOSOFIA DA RELIGIÃO

01- Faça uma dissertação crítica sobre filosofia da religião com no mínimo 50
linhas.

PEDAGOGIA DA RELIGIÃO

01- O que significa Pedagogia?


02- Qual a responsabilidade da pedagogia no ensino religioso?
03- Cite os quatro desafios do professor.
04- Quando começou a desenvolver o ensino teológico no Brasil?
05- Qual o impedimento do crescimento da Teologia nas igrejas?
06- O que você entende por formar ou educar.
07- Qual a principal conduta do professor de teologia?
08- O que significa Didática?
09- Didática é um ramo da pedagogia ou não? Explique.
10- O que significa conteúdos ou ementas?
11- Cite o critério da seleção dos conteúdos.
12- O método tem que ser rígido ou não?
13- O que significa avaliação e o porquê dela?
14- Qual o conceito que você encontra entre a relação professor e aluno?
15- Quais são as ideias chaves para entender uma criança?
16- Cite os estágios crescentes a partir do quarto ano de vida.
17- Qual a diferença entre operações concretas e operações formais?
18- Quando começa o estágio do pensamento intuitivo?
19- O que significa honestidade e comportamento?
20- Explique qual o estágio da idade de 06 a 07 anos.

147
TEOLOGIA DA REFORMA

01- O que é a Reforma?


02- Qual a contribuição da história da reforma?
03- Cite o nome de um dos reformadores da pré reforma.
04- Com qual idade Martin Lutero escreveu as 95 teses?
05- Das 95 teses cite 10 que mais lhe chamou a atenção
06- Por quem foi publicado Apologia em 1531?
07- Quem foi João Calvino?
08- Faça uma dissertação entre fé e o saber.

148
ELABORAÇÃO DE MONOGRAFIA E TCC

- Orientações ABNT –

I — ESTRUTURA GRÁFICA

1) Formato
Em seu aspecto extrínseco, as dissertações e teses devem ser
apresentadas de acordo com os seguintes parâmetros:
• em papel branco, formato A-4 (21 cm x 29,7 cm) na posição vertical;
• digitadas ou datilografadas na cor preta, com fonte Times New Roman
ou Arial, 12 polegadas, aplicando tamanho menor, 11 polegadas, para
as citações, notas de rodapé, paginação e legendas das ilustrações e
das tabelas. Quando o trabalho for datilografado, deve ser observado
um recuo de 4 cm da margem esquerda para as citações;
• escritas no anverso da folha, exceto a folha de rosto, que traz no seu
verso a ficha catalográfica;
• o projeto gráfico é de responsabilidade do autor do trabalho.
2) Margem
• Esquerda — 3,0 cm;
• Superior — 3,0 cm;
• Direita — 2,0 cm;
• Inferior — 2,0 cm;
• Cabeçalho — 1,5 cm;
• Rodapé — 1,5 cm.
3) Espacejamento
A parte textual deve ser digitada em espaço 1,5 (um e meio), porém
devem ser digitados em espaço simples:
• As citações de mais de 3 linhas;
• As notas explicativas;
• As notas de referências;
• Os resumos. As partes pré e pós-textuais, podem ser digitadas em
espaço simples:

149
• A natureza do trabalho, o objetivo, o nome da instituição a que é
submetida, a área de concentração (no anverso da folha de rosto);
• As referências;
• As legendas de ilustração;
• As legendas de tabelas;
• A ficha catalográfica (no verso da folha de rosto).

Embora o espaço das referências seja simples, elas devem ser separadas
entre si por espaço um e meio. Ex.:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.

Apresentação de citações em documentos. Rio de Janeiro: ABNT/Fórum


Nacional de Normalização, 1988. 3 p. (NBR 10520). Apresentação de livros.
Rio de Janeiro: ABNT/Fórum Nacional de Normalização, 1993. 5 p. (NBR
6029).

Os títulos das seções devem ser separados do início do texto que os precedem
ou os sucedem por três espaços simples.

Na folha de rosto e na folha de aprovação, a especificação da natureza e do


objetivo do trabalho, o nome da Instituição a que é submetido e a área de
concentração devem ser alinhadas no meio da mancha (parte escrita da
página) para a margem direita.

4) Notas de Rodapé
As notas devem ser digitadas ou datilografadas dentro das margens,
ficando separadas do texto por um espaço simples de entrelinhas e por
filete de 3 cm, a partir da margem esquerda.'
5) Indicativos de Seções
Seções são as partes em que se divide o texto de um documento,
contendo as matérias consideradas afins na exposição ordenada do
assunto.
Seções primárias são as principais divisões do texto de um documento
(denominadas "capítulo") e devem ser iniciadas em folha distinta.

150
Cada seção primária pode ser dividida em seções secundárias, estas em
seções terciárias, as terciárias em quaternárias etc.

Recomenda-se limitar o número de seções até a quinaria.

O indicativo numérico de uma seção precede seu título, alinhado à esquerda,


separado por um espaço. Quando não houver um título próprio, a numeração
precede a primeira palavra do texto, separada por espaço. São utilizados
algarismos arábicos.

Nas seções primárias a numeração segue a sequência dos números inteiros a


partir de 1. Nas seções secundárias, coloca-se o indicativo da seção primária a
que pertence seguido do número que lhe foi atribuído na sequência do assunto
e separado por ponto. Repete-se o mesmo processo em relação às demais
seções.

Os números indicativos das seções e subseções obedecem à mesma margem


e não se coloca ponto, hífen, travessão ou qualquer outro sinal entre o último
algarismo e o início do texto ou do título.

Destacam-se gradativamente os títulos das seções, utilizando o recurso de


negrito, itálico ou grifo e redondo, caixa alta ou versal. O título das seções
(primárias, secundárias etc.) deve ser colocado após a sua numeração,
separado por um espaço. O texto deve ser iniciado em outra linha. No sumário,
as seções devem ser grafadas conforme apresentadas no corpo do trabalho.
Ex.

1 A EXPOSIÇÃO

1.1 A cidade do Rio de Janeiro

1.1.1 Urca

1.1.1.1 Av. Pasteur

1.1.1.1.1 A casa dos meninos cegos

Títulos sem indicativos de seções:

151
• errata;

• agradecimentos;

• lista de ilustrações;

• lista de abreviaturas e siglas;

• lista de símbolos;

• resumo;

• sumário;

• referências;

• glossário;

• apêndice(s);

• anexo(s) e

• índice(s).

Elementos sem títulos e sem indicativos de seções:

• folha de rosto;

• folha de aprovação;

• dedicatória e

• epígrafe.

As seções podem, ainda, ser divididas em alíneas, que enumeram diversos


assuntos de uma seção que não possui título. São ordenadas alfabeticamente
por letras minúsculas, seguidas do sinal de fechamento de parênteses.

Ex.: a)

b)

c)

152
Quando as alíneas forem cumulativas ou alternativas, podem ser
acrescentadas, após a penúltima, as conjunções "e" ou "ou", conforme o caso.
O texto da alínea começa por letra minúscula e termina por ponto e vírgula,
exceto a última que termina por ponto.

Outras regras para a apresentação das alíneas são:

• a frase que introduz as alíneas termina por dois pontos;

• as alíneas são ordenadas alfabeticamente;

• as letras indicativas das alíneas são reentradas em relação à margem


esquerda;

• o texto da alínea começa por letra minúscula e termina por ponto e vírgula,
exceto a última que termina por ponto. Quando houver subalíneas, estas
terminam por vírgula;

• a segunda e as demais linhas do texto da alínea começam na mesma direção


da primeira letra do texto da própria alínea.

Se for necessário, subdividir uma alínea em subalínea utilizando apenas o


hífen para caracterizá-la. O hífen deve ser colocado sob a primeira letra do
texto da alínea correspondente, dele separada por um espaço. As linhas
seguintes do texto da subalínea começam sob a primeira letra do próprio texto.
As subalíneas terminam por vírgula

Ex.:

• resumo

• sumário

Os indicativos devem ser citados ao longo do texto de acordo com os exemplos


abaixo.

Ex.:

• ... na seção 4

• ... ver 2.2

153
• ... em 1.1.2.2, § 3° ou 3° parágrafo de 1.1.2.

6) Paginação
Todas as folhas, a partir da folha de rosto, devem ser contadas
sequencialmente, mas não numeradas. A numeração é colocada a partir
da primeira folha da parte textual, em algarismos arábicos, centralizado
no rodapé da página, utilizando a mesma fonte utilizada no texto, porem,
com o tamanho da fonte, uma polegada a menos (11') que a utilizada na
parte textual da dissertação. Se o trabalho for constituído de mais de um
volume, deve ser mantida uma única sequência de numeração das
páginas, do primeiro ao último volume. Havendo apêndice e anexo, as
suas folhas devem ser numeradas de maneira contínua e a paginação
deve dar seguimento à do texto principal.
7) Siglas
Quando aparecem pela primeira vez no texto, devem ser precedidas
pela forma completa e colocadas entre parênteses. Ex.: Universidade
Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).
8) Equações e Fórmulas
Aparecem destacadas no texto, de modo a facilitar a sua visualização e
leitura. Na sequência normal do texto é permitido o uso de uma
entrelinha maior para comportar expoente, índices e outros. Quando
vierem destacadas do parágrafo devem ser centralizadas e, se
necessário, deve-se enumerá-las. Quando fragmentada em mais de
uma linha, por falta de espaço, devem ser interrompidas antes do sinal
de igualdade ou depois dos sinais de adição, subtração, multiplicação ou
divisão.

9) Ilustrações

Qualquer que seja o tipo de identificação, esta deve aparecer na parte


inferior, precedida da palavra designativa, seguida de seu número de
ordem de ocorrência no texto (em algarismos arábicos), do respectivo
título e/ou da legenda explicativa de forma breve e clara, dispensando
consulta ao texto, e da fonte. A ilustração deve ser inserida o mais
próxima possível ao trecho a que se refere, conforme o projeto gráfico.

154
10) Tabelas, Quadros e Figuras

Devem conter um título objetivo e expressivo e sua numeração deve ser


sequencial, em algarismos arábicos, para facilitar a consulta, sempre
que necessária. Segundo o IBGE (1993), as Tabelas se diferenciam dos
Quadros porque nas tabelas os dados vêm limitados por linhas em todas
as margens e nos quadros, as linhas de delimitação só aparecem nas
partes superior e inferior.

II - ESTRUTURA DO TRABALHO CIENTÍFICO

A estrutura de um trabalho científico é composta de três partes fundamentais


(ABNT, 1993):

• Pré-textual

• Textual

• Pós-Textual

1) PARTE PRÉ-TEXTUAL
Elementos que antecedem o texto principal:
• Capa;
• Lombada;
• Folha de Rosto
• Ficha catalográfica (impressa no verso da folha de rosto);
• Errata;
• Folha de Aprovação;
• Dedicatória;
• Agradecimentos;
• Epígrafe;
• Resumo em língua vernácula;
• Resumo em língua estrangeira;
• Lista de ilustrações (quadros, figuras, tabelas); Lista de tabelas;
• Lista de abreviaturas e siglas;
• Lista de símbolos;
• Sumário.

155
Elementos essenciais:

Capa

Devem constar as seguintes informações, dispostas na ordem apresentada:

• nome da instituição;

• nome do autor;

• título;

• subtítulo (se houver);

• número de volumes (se houver mais de um deve constar em cada capa a


especificação do respectivo volume);

• local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado;

• ano de apresentação.

Lombada

Os elementos devem ser impressos, conforme a NBR 12225, trazendo:

• o nome do autor, impresso longitudinalmente e legível do alto para o pé da


lombada;

• o titulo, impresso da mesma forma que o autor;

• sigla da instituição;

• elementos alfanuméricos de identificação, por exemplo: v. 2. (anexo 1).

Folha de rosto

É composta pelos seguintes itens:

Anverso da folha de rosto:

•Autor;

• Título principal do trabalho: deve ser claro e preciso, identificando o seu


conteúdo e possibilitando a indexação e recuperação da informação;

156
• Subtítulo (se houver) deve ser evidenciado a sua subordinação ao título
principal, precedido por dois pontos;

• Número de volumes (se houver mais de um deve constar em cada capa a


especificação do respectivo volume);

• Natureza do trabalho (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso e


outros) e objetivo (grau pretendido, aprovação em disciplina e outros), nome da
instituição a que é submetido o trabalho e a área de concentração, orientador
e, se houve, co-orientador;

• Local da instituição que o trabalho vai ser apresentado;

• Ano de Publicação (da entrega). (anexo 2).

Ficha catalográfica

Descreve o trabalho acadêmico quanto aos aspectos físicos e temáticos,


devendo ser impressa na parte inferior do verso da folha de rosto, segundo o
que estabelece o código de catalogação adotado no Brasil (AACR-Anglo
American Cataloging Rules, j.nd). Deve ser elaborada pelo bibliotecário da
UESB.

Folha de aprovação:

• O nome do autor;

• O título do documento por extenso e subtítulo (se houver);

• A natureza, o objetivo, o nome da instituição a que é submetido e a área de


concentração;

• A data de aprovação;

• O nome, a titulação, a assinatura e a instituição dos membros que constituem


a Banca Examinadora. O Orientador deve aparecer em primeiro lugar, por ser o
presidente da banca.

Obs: a data de aprovação e a assinatura dos membros componentes da banca


são colocadas após a aprovação o trabalho.

157
Resumo na língua vernácula

O resumo é digitado ou datilografado em espaço simples, devendo ressaltar o


objetivo, o método, as técnicas de abordagem, os resultados e as conclusões
do trabalho com frases, concisas, objetivas e coerentes, e não uma simples
enumeração de tópicos. No resumo devem ser identificadas as novas técnicas,
se for o caso, e paia trabalhos não experimentais, descrever as fontes e os
tratamentos dos dados.

Nos resultados devem-se destacar fatos novos, descobertas significativas,


contradições e teorias anteriores, relações e efeitos novos verificados. Deve-se
indicar os valores numéricos, brutos ou derivados; os resultados de uma ou
várias observações repetidas e os limites de precisão e graus de validade.
Descrevem-se as conclusões, ou seja, as conseqüências dos resultados, e
como eles se relacionam com os objetivos propostos no documento em termos
de recomendações, aplicações, sugestões, novas relações e hipóteses aceitas
ou rejeitadas.

No resumo, a primeira frase deve ser significativa, explicando o tema principal


do documento. A seguir, indicar informações sobre a categoria do tratamento,
isto é, qual o aspecto a ser abordado, por exemplo: memória científica, estudo
de caso, etc. Deve ser evitado o uso de frases negativas, símbolos ou
contrações que não sejam de uso corrente, fórmulas, equações, diagramas etc.
que não sejam absolutamente necessárias; quando for indispensável, defini-las
na primeira vez que aparece. O resumo deve ser redigido em só parágrafo, de
preferência, na 3a pessoa do singular e o verbo na voz ativa com, no máximo,
500 palavras e no mínimo 150 palavras. (ABNT, 2006).

O resumo deve vir antecedido pela referência bibliográfica do trabalho,


conforme apresentado no (anexo 5). Acrescentando ao final do resumo os
descritores com inicial maiúscula.

Resumo em idioma estrangeiro

158
Deve apresentar a versão do resumo em idioma de divulgação internacional
(anexo 6) e digitado em espaço simples.

Sumário

Consiste na "enumeração das principais divisões, seções e outras partes de


um documento, na mesma ordem e grafia em que a matéria nele se sucede,
acompanhado dos números das páginas". Se houver mais de um volume o
sumário completo deve constar em cada um deles.

Ver como exemplo, o sumário deste trabalho.

Obs: O sumário não deve ser confundido como índice.

• Elementos opcionais

São os elementos opcionais: errata, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, lista


de ilustração, lista de tabelas, lista de siglas, de abreviaturas e lista de
símbolos.

Errata

Consiste em uma lista das folhas e linhas onde ocorreram erros, seguidos das
devidas correções. Apresenta-se, quase sempre, em papel avulso ou
encartado, acrescido ao trabalho depois de impresso. Deve vir logo após a
folha de rosto.

Ex. ERRATA

Folha Linha Onde se lê: Leia-se:

33 5 atencao atenção

Dedicatória

Colocada após a folha de aprovação, onde o autor presta homenagem ou


dedica seu trabalho.

Agradecimentos

159
Colocado após a dedicatória e deve ser dirigido àqueles que contribuíram de
maneira relevante na elaboração do trabalho.

Epígrafe

A epígrafe é a folha onde o autor apresenta uma citação, seguida de indicação


de autoria, relacionada com a matéria tratada no corpo do trabalho. Deve vir
após os agradecimentos. Podem também constar epígrafes nas folhas de
abertura das seções primárias.

Listas de ilustrações

Devem ser elaboradas de acordo com .a ordem apresentada no texto, com


cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo
número da página. Quando for necessário, deve ser elaborada uma lista para
cada tipo de ilustração, ex.: desenhos, esquemas, fluxogramas, fotografias,
gráficos, mapas, organogramas, planta, quadros, retratos, etc.

Listas de tabelas

Elaboradas de acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item


designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da
página.

Listas de siglas, abreviaturas, entre outras

Relação alfabética das abreviaturas e siglas, utilizadas no texto, seguidas das


palavras e expressões correspondentes grafadas por extenso. Recomenda-se
a elaboração de listas separadas.

Listas de símbolos

Apresentadas de acordo com a ordem apresentada no texto, com o devido


significado.

1)PARTE TEXTUAL

Esta parte deve ser composta dos seguintes itens:

•Introdução;

160
•Desenvolvimento;

• Introdução

É a apresentação do trabalho e deve indicar a delimitação do assunto tratado,


os objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do
trabalho.

Deve indicar o tema da pesquisa de maneira clara e simples, apresentar a


metodologia do trabalho e fazer rápidas referências a trabalhos anteriores, que
tratem do mesmo assunto.

•Desenvolvimento

Parte principal do texto que contém a exposição ordenada e pormenorizada do


assunto. Divide-se em seções e subseções, que variam em função da
abordagem do tema e do método. Deve ser visto como algo que subsiste
sozinho sem necessitar da introdução ou da conclusão. O desenvolvimento
lógico do trabalho aparece por inteiro no desenvolvimento.

• Conclusão

Parte final do texto, na qual se apresentam conclusões correspondentes aos


objetivos e/ou hipóteses.

161
Deve responder aos objetivos e às hipóteses apresentadas na introdução. Para
tanto, é importante a retomada da visão ampla apresentada na introdução.

A conclusão deve fazer sentido para quem não leu o resto do trabalho, ou pelo
menos para quem leu, no máximo, a introdução. Ela não deve conter dados
novos.

Recomendações e sugestões para a implementação da pesquisa, também


podem ser incluídas no trabalho.

2)PARTE PÓS-TEXTUAL

Nesta parte estão incluídos os seguintes itens:

•Referências (obrigatório);

•Glossário;

•Apêndice;

•Anexos;

•índice.

• Referência':

Conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento


que permite sua identificação individual, conforme a NBR 6023, mesmo
mencionados em notas de rodapé. (ABNT, 2002). A lista das publicações
citadas na pesquisa, ou que serviram de fundamento para o desenvolvimento
da mesma, deve constar de um capítulo à parte, denominado Referências.2

• Glossário:

relação de palavras ou expressões técnicas de uso restrito ou de sentido


obscuro, utilizadas no texto, acompanhadas das respectivas definições. É um
elemento opcional, elaborado em ordem alfabética.

• Apêndice:

162
elemento opcional que consiste em um texto ou documento elaborado pelo
autor, a fim de complementar sua argumentação, sem prejuízo da unidade
nuclear do trabalho. Os apêndices são identificados por letras maiúsculas
consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos.

Ex.: APÊNDICE A — A avaliação numérica de células aleatórias totais aos


quatro dias de evolução.

APÊNDICE B — Avaliação das células musculares presentes nas caudas em


regeneração.

• Anexo: elemento opcional, que consiste em um texto ou documento não


elaborado pelo autor, que serve de fundamentação, comprovação e ilustração.
Os anexos são identificados por letras maiúsculas consecutivas, travessão e
pelos respectivos títulos.

Ex.: ANEXO A - PÁGINA DE ROSTO

• índice: é a lista de palavras ou frases, ordenadas segundo um determinado


critério, que localiza e remete para as informações contidas no texto. O índice
aparece no final da publicação.

III - REGRAS GERAIS DE APRESENTAÇÃO

163
• Transcrição de dados bibliográficos Antes de se começar a escrita do
trabalho científico, na etapa da pesquisa bibliográfica, deve-se ter o cuidado de
transcrever indicações sobre as obras consultadas, para facilitar a
normalização posterior. Os dados indispensáveis (ABNT, 2002) a serem
transcritos são:

Para livros:

• Autor e título (do capítulo e do livro);

• Edição;

• Local, editor e data (do livro);

• Página(s) mencionada(s).

Para artigos de revistas:

• . Autor e título do artigo;

• Título da revista;

• Local de publicação;

• N° do volume e do fascículo;

• Páginas do artigo (inicial e final);

• Data de publicação;

• Página(s) mencionada(s).

Bibliografia

• PAULA, Rogério Pinto de. Manual para elaboração e normalização de


dissertação e tese. Vitória da Conquista - Ba: UESB, 2009, 128p.

Este capítulo foi elaborado por:

Rogério Pinto de Paula — CRB 1746-6 Reg.

Diretor da Biblioteca Regina Célia Ferreira Silva — BIRCEFS

164
Presidente do Conselho de Bibliotecas da UESB

Assessor de Cultura e Extensão Comunitária — ASCULT

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) — Campus de


Itapetinga-BA

165