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FACIP Notas de Aula Matem´atica Finita
FACIP Notas de Aula Matem´atica Finita

FACIP

Notas de Aula

Matem´atica Finita

Aula 1

Preliminares

Nota¸c˜oes:

1.

A, B, C,

...

,

Y, Z para conjuntos e Ω para o conjunto universal;

  • 2. a A ou a / A para as rela¸c˜oes de pertinˆencia;

  • 3. A ou |A| para o n´umero de elementos do conj. A;

  • 4. A B para a rela¸c˜ao de inclus˜ao;

  • 5. A B, A B, n

i=1 A i , n

i=1 A i ;

  • 6. A c para o conj. complementar de A;

  • 7. A B = {x A|x / B}.

Teorema 1.

1. Para

todo conj. A , A ∪ ∅ = A, A ∩ ∅ = .

  • 2. A B A B = B.

  • 3. A B A B = A.

  • 4. C) = (A B) C.

A (B

  • 5. C) = (A B) C.

A (B

  • 6. C) = (A B) (A C).

A (B

2

3

  • 7. A (B

C) = (A B) (A C).

  • 8. A A c = Ω, A A c = , c = Ω, c =

  • 9. (A c ) c = A. Ainda, A B B c A c .

10.

(A B) c = A c B c

  • 11. (A B) c = A c B c

Demonstra¸c˜ao. Exerc´ıcio

Defini¸c˜ao 2. O produto cartesiano de A por B ´e o conjunto A × B = {(a, b)|a A, b B}

Defini¸c˜ao 3. A finito, n˜ao-vazio. Uma parti¸c˜ao de A ´e uma fam´ılia de subconjuntos A 1 , A 2 ,

n˜ao vazios, tais que


1.

k

i=1 A i =

A

, A k ;
, A k ;
  • 2. A i A j = se i

= j

Exemplo 4. A = {a, b, c}

T´ecnicas B´asicas de Contagem

Principio Aditivo: A e B disjuntos, |A| = p, |B| = q.

Ent˜ao |A B| = p + q.

(regra do ou)

Principio Multiplicativo: Se uma decis˜ao d 1 pode ser tomada de x maneiras e se, tomada a

decis˜ao d 1 , a decis˜ao d 2 pode ser tomada de y maneiras, ent˜ao o n´umero de maneiras de se tomarem

as decis˜oes d 1 e d 2 ´e x.y (regra do e)

Exemplo 5. Numa sala h´a 3 homens e 4 mulheres. De quantos modos ´e poss´ıvel escolher um casal

homem-mulher?

Exemplo 6. Para fazer uma viagem Rio-SP-Rio, posso usar como transporte o trem, ˆonibus ou

avi˜ao. De quantos modos posso fazer a viagem se n˜ao desejo usar na volta o mesmo transporte

usado na ida?

Exemplo 7. Uma bandeira ´e formada por quatro listras, que devem ser coloridas usando-se apenas

as cores amarelo, branco e cinza, n˜ao devendo listras adjacentes possuirem a mesma cor. De quantos

modos pode ser colorida a bandeira?

Exemplo 8. Quantos n´umeros naturais de trˆes algarismos distintos(na base 10) existem?

4

Observa¸c˜ao 9. Observe no exemplo anterior que se tiv´essemos come¸cado pelo ultimo

´

algarismo

ter´ıamos 10 modos de escolher o ultimo,

´

9 modos de escolher o pen´ultimo e ...

e agora temos um

problema: de quantos modos podemos escolher o primeiro? Depende! Se o zero tiver sido usado

em alguma casa a resposta ´e 8, caso contr´ario, a resposta ´e 7.

tiv´essemos come¸cado pelo primeiro!

Essa dificuldade n˜ao ocorreria se

Recomenda¸c˜ao: Se alguma decis˜ao ´e mais complicada que as demais, ela deve ser tomada em

1 o lugar.

Exemplo 10. As placas de autom´oveis s˜ao formadas por trˆes letras (alfabeto com 26 letras)

seguidas por 4 algarismos. Quantas placas podem ser formadas?

Exemplo 11. Quantos s˜ao os n´umeros naturais pares que se escrevem (base 10) com trˆes algaris-

mos distintos?

Aula 2

Permuta¸c˜oes Simples

Sejam n objetos distintos a 1 , a 2 ,

...

,

a n . De quantas maneiras ´e poss´ıvel orden´a-los?

Aula 2 Permuta¸c˜oes Simples Sejam n objetos distintos a , a , ... , a .

Cada ordena¸c˜ao ´e dita permuta¸c˜ao simples de n objetos e temos:

P n = n! (0! = 1)

Exemplo 12. Quantos s˜ao os anagramas da palavra PRATICO?

Exemplo 13. Quantos s˜ao os anagramas da palavra PRATICO que come¸cam e terminam por

consoante?

Exemplo 14. De quantas maneiras 5 rapazes e 5 mo¸cas podem se sentar em 5 bancos de dois

lugares cada, de modo que cada banco fique com um rapaz e uma mo¸ca?

Exemplo 15. De quantos modos podemos dividir um grupo de 8 pessoas em dois grupos de 4

pessoas cada?

EXTRA:

1. Quantos s˜ao os divisores positivos de 126.000?

5

6

  • 2. Quantos subconjuntos possui A = {a, b, c}? (usar propriedade de estar ou n˜ao estar)

  • 3. Quantos sunconjuntos tem um conjunto com n elementos?

  • 4. Seja n um n´umero par de objetos idˆenticos. De quantas maneiras podemos coloc´a-los em duas caixas idˆenticas, de modo que nenhuma fique vazia?

6 2. Quantos subconjuntos possui A = { a, b, c } ? (usar propriedade de

Aula 3

Combina¸c˜oes Simples

De quantas maneiras podemos escolher p objetos distintos entre n objetos distintos? Em outras

palavras, quantos s˜ao os subconjuntos com p elementos, de um conjunto com n elementos?

Cada subconjunto com p elementos ´e dito ser uma combina¸c˜ao simples de classe p dos n

objetos.

Analisemos:

A = {a 1 , a 2 , a 3 , a 4 , a 5 }. Combina¸c˜oes de

3 elementos:

5.4.3 = 60

Entretanto, {a 1 , a 2 , a 3 } = {a 1 , a 3 , a 2 } =

{a 2 , a 1 , a 3 } =

...

Em

cada combina¸c˜ao de 3 elementos

temos P 3 = 3! = 6 ordens poss´ıveis. Assim, cada combina¸c˜ao foi contada 6 vezes. Logo, a solu¸c˜ao

´e 60 = 10. No caso geral,

6

Ou de modo an´alogo,

p

  • C n

=

n(n 1)(n

2)...(n

p + 1)

p!

, 0 < p n

p

C

n

=

n!

p)!p! , 0 p n(C n = 1)

0

(n

Exemplo 16. Quantas saladas contendo exatamente 4 frutas podemos formar se dispomos de 10

frutas diferentes?

Exemplo 17. Quantos triˆangulos e quantos quadril´ateros diferentes podem ser tra¸cados utilizando-

se 14 pontos de um plano, n˜ao havendo 3 pontos alinhados.

7

8

Exemplo 18. De quantos modos podemos escolher 6 pessoas, incluindo pelo menos duas mulheres,

em um grupo de 7 homens e 4 mulheres?

Exemplo 19. De quantos modos podemos dividir 8 pessoas em dois grupos de 4 pessoas cada.

EXTRA:

  • 1. Quantos s˜ao os anagramas formados por 2 vogais e 3 consoantes se dispomos de 18 consoantes

2

e 5 vogais? (C

5

3

.C 18 .5!)

  • 2. Quantos anagramas da palavra UNIFORMES come¸cam por consoante e terminam em vogal?

1

(C

5

1

.C

4

.7!)

  • 3. Marcam-se 5 pontos sobre uma reta r e 8 pontos sobre uma reta s paralela `a primeira. Quantos triˆangulos existem com v´ertices nesses 13 pontos? (220)

Aula 4

Combina¸c˜oes Circulares

De quantas maneiras podemos colocar n objetos distintos em n lugares equiespa¸cados em torno de

um c´ırculo, se considerarmos equivalentes disposi¸c˜oes que coincidam por rota¸c˜ao?

Representaremos a permuta¸c˜ao circular de n objetos por PC n . No caso n = 3 temos

P 3 = 3! = 6 enquanto PC 3 = 2:

Aula 4 Combina¸c˜oes Circulares De quantas maneiras podemos colocar n objetos distintos em n lugares equiespa¸cados

Proposi¸c˜ao 20. O n´umero de maneiras distintas de se colocar n objetos distintos em n lugares

equiespa¸cados em torno de um c´ırculo ´e PC n = (n 1)!

Demonstra¸c˜ao. Ao todo temos n! disposi¸c˜oes poss´ıveis. Considerando as equivalˆencias, cada per-

muta¸c˜ao circular ´e gerada por n disposi¸c˜oes. Assim,

PC n =

n!

= (n 1)!

n

9

Aula 4 Combina¸c˜oes Circulares De quantas maneiras podemos colocar n objetos distintos em n lugares equiespa¸cados

10

Exemplo 21. De quantas maneiras podemos formar uma roda de ciranda com 7 crian¸cas, d emodo

que duas determinadas crian¸cas n˜ao fiquem juntas?

Solu¸c˜ao 22. Separando as duas crian¸cas, podemos formar PC 5 = 4! rodas distintas com as outras

crian¸cas.

Agora, existem 5 maneiras de colocar a crian¸ca A na roda e 4 maneiras d ecolocar a

crian¸ca B na roda. Ao todo, 4! × 5 × 4 = 480.

Pemuta¸c˜oes de Elementos nem Todos Distintos

Quantos anagramas possui a palavra TARTARA? Observe que as letras A, R, T aparecem com

repeti¸cao, gerando anagramas idˆenticos. Usaremos a nota¸c˜ao P

7

3,2,2

para indicar a permuta¸c˜ao de

7 elementos dos quais um repete trˆes vezes e dois repetem duas vezes.

O n´umero total de permuta¸c˜oes ´e 7!. Desse total, como a letra A aparece 3 vezes contamos

cada anagrama 3! vezes. Analogamente, contamos cada anagrama 2! vezes por serem iguais os dois

R e mais 2! vezes por serem iguais os dois T. Logo,

3,2,2

P 7
P
7

=

7!

3!2!2! = 210.

No caso geral, se temos n objetos com repeti¸c˜oes α, β,

...

, λ tais que α + β +

...

+ λ = n ent˜ao

α,β,

P

n

...

=

n!

α!β!...λ!

.

Exemplo 23. Quantos s˜ao os anagramas da palavra MATEMATICA?

EXTRA:

  • 1. De quantas maneiras podemos distribuir 13 pessoas em 3 quartos, sendo 5 no primeiro quarto,

    • 2 no segundo e 6 noterceiro quarto?

  • 2. Se um time de futebol jogou 13 partidas em um campeonato tendo perdido 5 jogos, empatado

    • 2 e vencido 6 jogos, de quantos modos isto pode ter ocorido?

  • 3. De quantas maneiras 8 crian¸cas podem dar as m˜ao para brincar de roda se Pedro e Ana ficam sempre lado a lado?

Aula 5

Combina¸c˜oes Completas

De quantas maneiras ´e poss´ıvel comprar 4 sorvetes em uma loja que oferece 7 sabores?

4

A resposta n˜ao ´e C

7

= 35. Este seria o n´umero de maneiras de se escolher 4 sabores diferentes entre

os 7 sabores. Denotaremos a solu¸c˜ao deste problema por CR n p , isto ´e, uma combina¸c˜ao completa

de classe p de n objetos. Em palavras queremos escolher 4 objetos distintos ou n˜ao, entre 7 objetos

dados.

Podemos interpretar CR n p de outro modo. Voltemos ao problema dos sorvetes: Para efetuar a

compra devemos escolher valores para as vari´aveis x 1 , x 2 ,

...

,

x 7 , onde x i ´e a quantidade que iremos

comprar do i-´esimo sabor.

´

E claro que cada vari´avel ´e um n´umero inteiro n˜ao negativo e que

x 1 + x 2 +

...

+ x 7 = 4.

Assim, comprar 4 sorvetes em uma loja que os oferece em 7 sabores ´e tomar uma solu¸c˜ao em inteiros

n˜ao negativos da equa¸c˜ao

x 1 + x 2 +

...

+ x 7 = 4.

Se representarmos cada unidade da solu¸c˜ao por uma bola e usarmos tra¸cos para separar as inc´ognitas,

devemos enfileirar 4 bolas e 6 tra¸cos. Mas o n´umero de modos de se fazer isto ´e:

Logo, CR 7 4 = C 1 0 4 = 210.

P 1 0 4,6 =

10!

4!6! = C 1 0 4

No caso geral, para calcular CR n p , isto ´e, o n´umero de solu¸c˜oes inteiras e n˜ao negativas da equa¸c˜ao

x 1 + x 2 +

...

+ x n = p,

11

12

devemos enfileirar p bolas e n 1 tra¸cos, logo,

CR n p = P

p,n1

p+n1 =

(n + p 1)

p!(n 1)!

= C

p

n+p1

Exemplo 24. Quantas s˜ao as solu¸c˜oes inteiras e n˜ao negativas de x + y + z = 5?

Exemplo 25. De quantas maneiras podemos comprar 3 refrigerantes em uma loja onde h´a 5 tipos

de refrigerante ?

Exemplo 26. Quantas s˜ao as solu¸c˜oes inteiras e n˜ao negativas de x + y + z 5?

Observa¸c˜ao 27. Uma outra maneira de se calcular as solu¸c˜oes inteiras e n˜ao negativas de x +

y + z 5 ´e definindo-se a folga da solu¸c˜ao por f

= 5 (x + y + z).

Observe que existe uma

correspondˆencia biun´ıvoca entre as solu¸c˜oes inteiras e n˜ao negativas de x + y + z 5 e as solu¸c˜oes

inteiras e n˜ao negativas de x + y + z + f = 5. Logo o n´umero de solu¸c˜oes nteiras e n˜ao negativas

5

de x + y + z 5 ´e CR 4

5

= C

8

= 56.

Exemplo 28. Quantas s˜ao as solu¸c˜oes inteiras de x + y + z = 20, com x 2, y 2, z 2?

EXTRA:

  • 1. Determine uma f´ormula para calcular o n´umero de solu¸c˜oes inteiras positivas da equa¸c˜ao x 1 + x 2 +

...

+ x n = p

  • 2. Encontre o n´umero de solu¸c˜oes inteiras positivas de 0 < x 1 + x 2 + x 3 + x 4 6

  • 3. Encontre o n´umero de solu¸c˜oes inteiras n˜ao negativas de x 1 + x 2 + x 3 + x 4 + x 5 = 18, nas quais exatamente duas inc´ognitas s˜ao nulas.

Aula 6

Princ´ıpio da Inclus˜ao-Exclus˜ao

O Princ´ıpio da Inclus˜ao-Exclus˜ao ´e uma f´ormula para se calcular o n´umero de elementos que

pertencem `a uni˜ao de v´arios conjuntos n˜ao necessariamente disjuntos. Na sua vers˜ao mais simples:

(A B) = A + B (A B).

(A B) ´e o n´umero de elementos que pertencem a pelo menos um dos conjuntos A ou B. Assim,

contamos os elementos de A e os elementos de B:

A + B.

Quando fazemos isto, contamos os

elementos de A B duas

vezes, assim,

(A B) = A + B (A B).

Para trˆes conjuntos o Princ´ıpio diz que:

(A B C) = A + B + C (A B) (A C) (B C) (A B

C).

Em suma, o n´umero de elementos da uni˜ao ´e obtido somando-se os elementos de cada conjunto

e subtraindo-se os elementos das intersec¸c˜oes dois a dois, trˆes a trˆes, quatro a quatro, etc.

Exemplo 29. Quantos inteiros entre 1 e 1000 s˜ao divis´ıveis por 3 ou 7?

´

Exemplo 30. Quantos s˜ao os anagramas da palavra CAP ITULO que tˆem C em primeiro lugar ou

A em segundo lugar ou P em terceiro lugar ou I em quarto lugar?

Teorema 31. Sejam um conjunto e A 1 , A 2 ,

...

,

A n subconjuntos de . Defina:

S 0 =

S 1 = i=1 n ( A i )

S 2 =

1i<jn (A i A j )

S 2 = 1i<j<kn (A i A j A k )

.

.

.

13

14

(Observe que h´a C n parcelas em S 1 , C n parcelas em S 2 , etc.) Ent˜ao:

1

2

  • a) O n´umero de elementos de que pertencem a exatamente p(p n) dos conjuntos A 1 , A 2 ,

...

,

A

n

´e

a p =

np

(1) k C

k

p+k S p+k

k=0

  • b) O n´umero de elementos de que pertencem a pelo menos p(p n) dos conjuntos A 1 , A 2 ,

...

,

A

n

´e

b p =

np

(1) k C

k p+k−1 S p+k
k
p+k−1 S p+k

k=0

  • c) O n´umero de elementos do conjunto A 1 A 2

. . .

A n ´e

S 1 S 2 +

. . .

+ (1) n1 S n

Exemplo 32. Quantos s˜ao os inteiros compreendidos entre 1 e 1000 inclusive, que s˜ao divis´ıveis

por exatamente dois dos n´umeros 2, 3, 7, 10? E por pelo menos dois deles?

Exemplo 33. Para cada inteiro positivo n define-se ϕ(n) como sendo o n´umero de inteiros positivos

que s˜ao primos com n e menores ou iguais a n.Assim, por exemplo, ϕ(12) = 4, ϕ(7) = 6. A fun¸c˜ao

ϕ ´e dita Fun¸c˜ao ϕ de Euler. O valor de ϕ(n) pode ser calculado a partir da decomposi¸c˜ao de n em

fatores primos. Se

n = p j 1 p j 2 p j 3 · · · p j r

1

2

3

r

ent˜ao

Demonstre a f´ormula acima.

ϕ(n) = n(1

1

p 1

)(1

1

p 2

). . .

(1

1

p r

)

EXTRA:

  • 1. Dentre os inteiros de 1 a 1.000.000, inclusive, quantos n˜ao s˜ao quadrados perfeitos, nem cubos perfeitos e nem quartas potˆencias perfeitas?

  • 2. Dado um inteiro positivo n e sendo p 1 , p 2 ,

. . .

, p r n´umeros menores ou iguais a n e primos

entre si, encontre uma f´ormula para calcular o n´umero de inteiros positivos menores ou iguais

a n que n˜ao s˜ao divis´ıveis por nenhum dos n´umeros p 1 , p 2 ,

. . .

, p r .

Aula 7

Permuta¸c˜oes Ca´oticas

Uma permuta¸c˜ao dos n´umeros (1, 2,

...

,

n) ´e dita ca´otica quando nenhum n´umero est´a no seu lugar

primitivo. Por exemplo, 2143 e 2341 s˜ao ca´oticas, mas 1342 n˜ao ´e ca´otica. Seja D n o n´umero de

permuta¸c˜oes ca´oticas de (1, 2,

...

,

n) e defina A i = conjunto das permuta¸c˜oes de (1, 2,

...

, n) em que

o n´umero i ocupa o i-´esimo lugar, ou seja, est´a em seu lugar primitivo. Assim, D n ´e o n´umero

de elementos do conjunto Ω das permuta¸c˜oes de (1, 2,

...

,

n) que pertencem a exatamente zero dos

subconjuntos A 1 , A 2 ,

...

, A n . Temos:

S 0 = Ω = n!

S 1 = i=1 n ( A i ) = n

i=1

(n 1)! = n(n 1)! = n!

S 2 =

2

1i<jn (A i A j ) = 1i<jn (n 2)! = C n (n 2)! =

n!

2!

S 2 = 1i<j<kn (A i A j A k ) = 1i<j<kn (n 3)! = C

n (n 3)! =

3

n!

3!

.

.

.

S n = C

n

n

(n n)! =

n!

n!

O n´umero de elementos de Ω que pertencem a exatamente zero dos conjuntos A 1 ,

...

, A n ´e

a 0 =

n0

(1) k C

k 0+k S 0+k
k
0+k S 0+k

k=0

=

n

(1) k S k = S 0 S 1 + S 2

k=0

...

+ (1) n S n =

= n! n! +

n!

2!

n!

3! +

...

+

(1) n n! =

n!

n![

1

0!

1

1

1! + 2!

...

+ (1) n

n!

]

15

16

Logo, o n´umero de permuta¸c˜oes ca´oticas de (1, 2,

D n = n![

1

0!

1

1

1! + 2!

...

n) ´e

,
,

+ (1) n

n!

]

´

E interessante observar que D n ´e aproximadamente igual a n! , mais ainda, D n ´e o inteiro mais

e

pr´oximo de n! .

e

Exemplo 34. De quantos modos ´e poss´ıvel colocar 8 torres brancas em um tabuleiro de xadrez

8 × 8 d emodo que nenhuma torre fique na diagonal branca e n˜ao haja duas torres na mesma linha

ou na mesma coluna?

Aula 8

Lemas de Kaplansky

De quantos modos ´e poss´ıvel formar um p-subconjunto (isto ´e, um subconjunto com p elementos)

de {1, 2,

...

,

n} no qual n˜ao existam n´umeros consecutivos? Vamos proceder do seguinte modo: ao

formar o subconjunto marcaremos com + os elementos do conjunto que far˜ao parte do subconjunto

e com os elementos que n˜ao far˜ao parte.

Assim, por exemplo, no conjunto {1, 2,

...

, 6} os 3-

subconjuntos s˜ao {1, 3, 5}, {1, 3, 6}, {1, 4, 6} e {2, 4, 6} e podem representados assim:

{1, 3, 5}

+ + +

{1, 3, 6}

+ + − −+

{1, 4, 6}

+ − − + +

{2, 4, 6}

+ + +

Assim, para formar 3-subconjuntos devemos colocar 3 sinais + e 3 sinais em fila sem que

haja dois sinais + consecutivos. Para fazer isto colocamos os sinais (1 modo) e depois colocamos

3

os sinais + nos 4 espa¸cos intermedi´arios, ou seja, 1 × C

4

= 4.

No caso geral, temos p sinais + e n p sinais e o n´umero de modos de arranjar estes sinais

como acima ´e C

p

np+1 .

Primeiro Lema de Kaplansky: O n´umero de p-subconjuntos de {1, 2,

...

,

n} nos quais n˜ao

h´a dois n´umeros consecutivos ´e

f(n, p) = C

p

np+1

Exemplo 35. As trˆes provas de um vestibular devem ser realizadas na primeira semana do ano.

17

18

De quantos modos ´e poss´ıvel escolher os dias das provas de modo que n˜ao haja provas em dias

consecutivos?

Exemplo 36. Uma fila tem 15 cadeiras nas quais devem sentar-se 5 homens, de modo que n˜ao

fiquem dois homens sentados em cadeiras cont´ıguas. De quantos modos isso pode ser feito?

Exemplo 37. Quantos s˜ao os anagramas da palavra MISSISSIPI nos quais n˜ao h´a duas letras S

consecutivas?

Suponhamos agora que os elementos de {1, 2,

...

,

n} est˜ao sobre um c´ırculo. Agora os elementos

1 e n s˜ao consecutivos. De quantos modos ´e poss´ıvel formar um p-subconjunto no qual n˜ao haja

n´umeros consecutivos? O total ser´a a soma do n´umero de subconjuntos nos quais o elemento 1

figura, com o n´umero de subconjuntos nos quais o elemento 1 n˜ao figura.Temos:

i) Subconjuntos nos quais o 1 figura.

conjunto {3, 4,

...

, n 1}. Ou seja,

Devemos escolher p 1 elementos n˜ao consecutivos no

f(n 3, p 1) = C

n3(p1)+1 = C

p1

p1

np1

ii) Subconjuntos nos quais o 1 n˜ao figura.

Devemos escolher p elementos n˜ao consecutivos no

conjunto {2, 3,

,

n}. Ou seja,

f(n 1, p) = C

n1p+1 = C np

p

p

Portanto, no total temos:

p1

p

=

n

(n p)!

=

n

  • C n p p!(n 2p)!

np1 + C np

n p

p

  • C np

Segundo Lema de Kaplansky: O n´umero de p-subconjuntos de {1, 2,

...

,

n} nos quais n˜ao

h´a dois n´umeros consecutivos, considerando-se 1 e n como consecutivos ´e

f(n, p) =

n

n p

C

p

np

Exemplo 38. Pic´o deve ter aula de tˆenis trˆes vezes por semana durante um semestre. Quantos

sa˜o os modos de escolher os dias de aula, se Pic´o n˜ao deseja ter aulas em dias consecutivos?

Aula 9

Princ´ıpio da Reflex˜ao

Uma part´ıcula, estando no ponto (x, y) pode se movimentar para o ponto (x + 1, y + 1) ou para o

ponto (x + 1, y 1) (subidas e descidas). Pergunta-se:

  • a) Quantos s˜ao os trajetos poss´ıveis de (0, 0) a (8, 6)?

Vamos representar um movimento do tipo (x +1, y + 1) por S(subida) e do tipo (x +1, y 1)

por D(descida). Para ir de (0, 0) a (8, 6) devemos ter S + D = 8, pois em cada movimento,

a abcissa da part´ıcula avan¸ca uma unidade. Tamb´em devemos ter S D = 6 pois em cada

movimento de subida a ordenada aumenta uma unidade e em cada movimento de descida a

ordenada diminui uma unidade. Assim, obtemos S = 7 e D = 1. O n´umero de trajetos ´e

7,1

P 8
P
8

= 8.

  • b) Quantos s˜ao os trajetos poss´ıveis de (0, 0) a (10, 4)?

Temos S + D = 10 e S D = 4, logo, S = 7 e D = 3. Portanto os trajetos poss´ıveis s˜ao

7,3

P

10

= 120

  • c) Quantos desses trajetos tocam na reta y = 1?

Todo trajeto de (0, 0) a (10, 4) que toque na reta y = 1 pode ser transformado, por uma

reflex˜ao do trecho que vai de (0, 0) at´e o primeiro toque, em torno desta reta, em um trajeto do

ponto (0, 2) at´e (10, 4) e vice-versa! (Princ´ıpio da Reflex˜ao) Nesse ultimo

´

temos S +D = 10

e S D = 6, da´ı S = 8 e D = 2. Portanto,

8,2

P

10

= 45.

19

Aula 10

Princ´ıpio de Dirichlet

Muitas vezes n˜ao desejamos contar elementos de conjuntos mas determinar a existˆencia ou n˜ao de

conjuntos com certas propriedades. Uma ferramenta simples para resolver alguns destes problemas

´e o seguinte princ´ıpio:

Princ´ıpio das gavetas de Dirichlet: Se n objetos forem colocados em no m´aximo n 1

gavetas, ent˜ao pelo menos uma delas conter´a no m´ınimo dois objetos.

Demonstra¸c˜ao. Suponha que cada gaveta cont´em no m´aximo um objeto. Ent˜ao o n´umero total de

objetos ´e no m´aximo n 1. Absurdo!

Aula 10 Princ´ıpio de Dirichlet Muitas vezes n˜ao desejamos contar elementos de conjuntos mas determinar a

Exemplo 39. Num conjunto de 13 pessoas, pelo menos duas aniversariam no mesmo mˆes.

Exemplo 40. Escolhan dentre os elementos do conjunto {1, 2,

...

,

200}, 101 n´umeros ao acaso.

Mostre que, entre os n´umeros escolhidos, h´a dois n´umeros taisss que um divide o outro.

Exemplo 41. Escolhem-se 5 pontos ao acaso sobre a superf´ıcie de um quadrado de lado 2. Mostre

que pelo menos um dos segmentos que eles determinam tem comprimento menor ou igual a 2.

Exemplo 42. Mostre que num conjunto de n pessoas h´a sempre duas pessoas que conhecem ex-

atamente o mesmo n´umero de pessoas do conjunto.(conhecer ´e uma rela¸c˜ao sim´etrica)

O Princ´ıpio de Dirichlet pode ser reformulado como se segue:

Se m objetos s˜ao colocados em n gavetas, ent˜ao pelo menos uma gaveta cont´em [ m1 ]+1 objetos

n

Demonstra¸c˜ao. Suponha que cada gaveta tem no m´aximo [ m1 ]+1 objetos. Ent˜ao o n´umero total

n

de objetos ser´a no m´aximo n[ m1 ] n m1 = m 1 < m. Absurdo!

n

n

Aula 10 Princ´ıpio de Dirichlet Muitas vezes n˜ao desejamos contar elementos de conjuntos mas determinar a

20

21

Exemplo 43. Mostre que em um grupo de 40 pessoas, pelo menos 4 pessoas tˆem o mesmo signo.

H´a ainda uma outra formula¸c˜ao poss´ıvel:

Sejam n gavetas e µ um inteiro positivo dado. Coloquemos a 1 objetos na primeira gaveta, a 2

objetos na segunda gaveta, e assim sucessivamente, at´e a n objetos na en´esima gaveta. Ent˜ao se a

m´edia a 1 +a 2

n
n

n

for maior do que µ, uma das gavetas conter´a pelo menos µ + 1 objetos.

Demonstra¸c˜ao. Exerc´ıcio!

21 Exemplo 43. Mostre que em um grupo de 40 pessoas, pelo menos 4 pessoas tˆem

Exemplo 44. S˜ao dados dois discos A e B, cada um deles divididos em 200 setores iguais, pintados

de branco ou de preto. No disco A h´a 100 setores brancos e no disco B h´a 100 setores pretos em

ordem desconhecida. No disco B n˜ao sabemos quantos setores s˜ao brancos. Coloquemos o disco

A sobre o disco B de modo que os setores de A fiquem exatamente sobre os setores de B. Mostre

que ´e poss´ıvel ent˜ao, rodando o disco A, obter uma posi¸c˜ao na qual pelo menos 100 setores de A

tenham a mesma cor que os correspondentes de B.

De fato, coloque A sobre B e seja a 1 o n´umero de setores sobrepostos que tˆem cores coincidentes.

Gire A de um setor, mantendo B fixo e seja a 2 o n´umero de setores coincidentes. Continue com

o processo at´e obter a 200 . O n´umero total de coincidˆencias ´e a 1 + a 2 +

...

+ a 200 = 100 × 200. De

fato, fixe um setor do disco B (preto, por exemplo). Como A tem 100 setores pretos, haver´a 100

posi¸c˜oes em que este setor de B ter´a a mesma cor sque o correspondente em A.

Assim, temos

a 1 + a 2 +

+ a 200

...

  • 200 = 100 > 99.

Pelo princ´ıpio de Dirichlet, algum a i ´e maior ou igual a 100. Ou seja, em alguma posi¸c˜ao o n´umero

de coincidˆencias ´e maior ou igual a 100.