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Guia Prático de Adestramento para Emergências e Rotinas Veterinárias

Esse material foi desenvolvido para descrever um método


prático de dessensibilização voltado às rotinas de
atendimento e emergência veterinários, para facilitar
tratamentos, avaliações, exames, curativos e cuidados pós
cirúrgicos. Seguindo esse método você será capaz de induzir
o bem estar de forma natural, amenizar medos e traumas
relacionados a tratamentos médicos e, em alguns casos, até
induzir o cão a gostar de ser vacinado, medicado ou tratado.

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Guia Prático de Adestramento para Emergências e Rotinas Veterinárias

Índice
Apresentação 4

Capítulo 1: De onde vem esse medo todo? 6

Capítulo 2: Entenda o gatilho 9

Capítulo 3: Preparação para os exercícios 11


Rotina de alimentação 11
Rotina de exercícios físicos 12
Rotina de brincadeiras 13
Rotina de atenção e carinho 14

Capítulo 4: Comece sempre pelo bem estar 15


Exercícios de concentração 16
Exercícios de relaxamento 17

Capítulo 5: Trabalhando os gatilhos 19


Sustos 20
Medo de contenção 20
Medo de confinamento 21
Medo de manipulação 22
Reatividade imediata à vacina 22
Medo de picadas 23
Medo do ambiente da clínica 24
Medo do veterinário 25
Medo da focinheira 26
Medo do colar elizabetano 27
Recusa a medicamentos 27

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ATENÇÃO!

Os exercícios apresentados neste guia devem ser


aplicados de forma gradativa e fora de qualquer contexto de
emergência ou atendimento, pois foram desenvolvidos para
ensinar seu cão a permitir a manipulação e facilitar
tratamentos, então começamos sempre pelas simulações e,
depois de resultados consistentes, fazemos testes em
situação real. Caso seu cão não apresente melhoras com as
sugestões apresentadas neste material, recomendamos que
procure seu adestrador de confiança ou entre em contato
conosco, pois uma rotina de exercícios com resultados ruins
pode ser pior do que nenhum exercício, por outro lado,
exercícios bem aplicados podem resolver problemas que se
estendem há anos, em poucas semanas de treino.

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OI…

Meu nome é Fernando Félix, sou adestrador


comportamental desde 2012, fundador do site
www.eduquemeucao.com.br, e atuo na recuperação de
manias e traumas, treinos de esportes, treinamentos
especiais, cursos, eventos e palestras voltados às soluções
para desvios comportamentais de forma efetiva e com bem
estar. Nas próximas páginas vou te guiar por um passeio
pelas questões emocionais dos cães com nossos amigos de
jaleco branco, que dificultam, muitas vezes sem real
necessidade, a vida de tutores e veterinários.
Quem já assistiu a um surto do próprio cão na mesa de
atendimento sabe o quanto é difícil - em alguns momentos

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até impossível - fazer o bichinho se acalmar, principalmente


por ele não entender que determinado sofrimento é pelo
bem dele. Na verdade nenhum cão ainda é capaz de
entender isso com tanto discernimento, mas nem tudo está
perdido: todos aqueles que têm um cérebro saudável podem
dar menos valor para certas dores ou desconfortos e,
consequentemente, reagem menos ou preferem até não
reagir. Algumas dores e desconfortos mais leves podem até
ser vistos pelo cão como um desafio para alcançar os prêmios
tão desejados por ele, ou seja, com as recompensas certas
nos momentos certos, o cão pode rapidamente passar a
gostar de visitar o veterinário ou de receber determinados
tratamentos, pois eles tomam um significado mais positivo
dentro da interpretação emocional. Mesmo aqueles mais
traumatizados, que se desesperam ou ficam muito
agressivos, podem ser tratados e, com o tipo de exercício
certo e bem aplicado, perderem completamente o medo das
consultas de rotina, exames e vacinas. Vale lembrar também
que, num caso de emergência onde haja dor muito intensa,
um cão treinado tem mais discernimento e equilíbrio para
confiar na manipulação das pessoas, seja o dono, seja o
veterinário, o que evita mordidas e reações maiores e,
principalmente, evita que uma reação mais exagerada piore
o quadro clínico. É claro que não podemos inibir reações à
dor intensa, pois essa é uma questão natural, mas podemos
amenizá-las de forma expressiva e torná-las controláveis,
então vamos focar nas rotinas e simulações onde possam

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haver reações desnecessárias, tais como sustos, medo de


contenção, medo de confinamento, medo de manipulação,
reatividade imediata à vacina, medo de picadas, medo do
ambiente da clínica, medo do veterinário, medo de
focinheira, medo de colar elizabetano ("ou o famoso cone da
vergonha") e recusa a medicações, dando ao cão um novo
significado para essas rotinas e tornando tratamentos
médicos muito mais eficazes e muito menos traumáticos a
todos.
Agora vamos ao que interessa! Desejo a você uma boa
leitura e um ótimo treino!

Capítulo 1
De onde vem esse medo todo?

Nem todos os cães são medrosos quando se trata de


tratamentos médicos, mas a maioria apresenta problemas
por não entender o motivo do que está acontecendo. Todo
episódio de medo pode ter variadas causas, isoladas ou em

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conjunto, mas que levam sempre à recusa do objeto de


medo, ou seja, aquilo que assusta, o cérebro tenta evitar, se
afastando, congelando ou resolvendo no dente mesmo,
principalmente quando percebe que fugir ou congelar não
está funcionando. Então, se você perceber que o seu cão está
muito tenso numa situação de atendimento, saiba que algum
episódio de agressão pode estar por vir.
Seja em casos de tensão ou não, prevenir é a melhor
opção, uma vez que os exercícios deste guia não tomam
muito tempo e não envolvem nenhum tipo de sofrimento
físico, pelo contrário, quanto mais tranquilidade e bem estar
nas repetições, melhores e mais rápidos são os resultados.
Pra que você entenda melhor o que vamos trabalhar no seu
cão, vou te situar no processo orgânico desse problema.
Existe uma área no cérebro chamada de "cérebro
reptiliano". Essa é a parte responsável por esses estados de
luta, fuga ou congelamento, que servem para garantir a
segurança e a sobrevivência do indivíduo. Sempre que essa
parte do cérebro identifica um perigo, todo o trabalho
cerebral se volta para a solução desse problema e deixa de
lado as informações do ambiente que ele julgue
desnecessárias. Isso significa que, quando o medo aparece, o
foco sai de qualquer coisa que não seja o problema, aquele
que está sendo identificado como perigo, e o cão pára de
aprender para resolver esse perigo e se sentir em segurança
novamente. Outra característica dessa região do cérebro é
que ela é a primeira a ser acionada toda vez que um estímulo

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novo é percebido. Em outras palavras, antes de pensar se


algo é legal ou não, o cérebro analisa se aquilo tem ou não
algum perigo que coloque a vida em risco. Caso não tenha,
outras áreas do cérebro são estimuladas e as interpretações
normais começam a acontecer.
Sendo assim não temos outra opção senão conquistar
esse tal de cérebro reptiliano, caso contrário o bicho vira
bicho e tudo vai por água abaixo. E como fazer isso? Muito
simples: causando felicidade!
Basicamente o bem estar e a felicidade estão
relacionados à sensação de realizar tarefas interessantes e
produtivas, ganhar atenção, comida, brinquedo, passeio,
conforto, segurança ou até um olhar nos olhos. Essa
sensação de bem estar envia uma mensagem para o
reptiliano dizendo “pode ficar tranquilo porque está tudo
bem!”, assim a interpretação de eventuais perigos cessa e o
foco se volta para as partes boas do que está acontecendo,
possibilitando o aprendizado.
Para que essa sensação boa aconteça no organismo, um
conjunto de hormônios é produzido por determinadas
glândulas e secretado para a corrente sanguínea,
trabalhando em todas as áreas do corpo e beneficiando
processos importantes, como o funcionamento correto dos
órgãos e a aceleração da renovação celular dos mais variados
tecidos. O contrário também é válido, pois os hormônios de
estresse também atuam em todo o organismo, deixando-o
preparado pra lutar, fugir ou congelar e, consequentemente,

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preservar a vida. Caso essa defesa da vida não aconteça,


esses hormônios continuam espalhados pelas partes do
corpo e, se não foram utilizados, são reabsorvidos. O
problema é que a reabsorção dos hormônios de estresse
causa danos ao organismo. No português claro, fazer o seu
amigo feliz faz bem pra saúde! E se eu puder completar, fazer
o seu amigo feliz te deixa mais feliz e faz bem também pra
sua saúde! Então, felizmente, podemos corrigir medos em
qualquer cérebro saudável e o processo é mais simples do
que parece. Vamos começar com a identificação exata da
causa do comportamento ruim.

Capítulo 2
Entenda o Gatilho

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Gatilho é todo evento que faz o comportamento ruim


começar, por exemplo, ao ser contido para tomar uma
injeção ou ser examinado o cão se debate e grita como se
estivesse sendo atacado, então o gatilho é a contenção.
Outro exemplo, ao chegar à clínica ou consultório o cão tenta
fugir, latir ou apresenta recusa em entrar, então o gatilho é o
ambiente.
Entender em detalhes o que faz o comportamento
começar é o primeiro passo para um treino de sucesso. É
importante lembrar que um episódio de medo pode ser
causado por um ou mais gatilhos.
Caso o seu bichinho não tenha medo de nenhum dos
gatilhos que vamos abordar aqui, convém fazer todos os
exercícios e ensinar todas as etapas, claro que nesse caso de
forma mais tranquila e com menos repetições pois, sem
reações de medo prévias, o aprendizado fica muito rápido e
natural. A diferença entre o treino de um cão tranquilo e de
um cão assustado está na quantidade e refinamento das
repetições necessárias para cada gatilho possível. Quanto
mais medo de determinado gatilho, mais repetições e mais
detalhes em cada repetição serão necessários. As rotinas
apresentadas a seguir vão servir tanto para diminuir a
reatividade aos gatilhos de medo quanto para dar um novo
significado a cada um desses gatilhos na cabeça do cachorro,
ou seja, se antes do treino a vacina provoca medo, depois do
treinamento ela poderá provocar uma sensação de alegria,
de motivação ou, na pior das hipóteses, provocar indiferença.

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Capítulo 3
Preparação para os exercícios

Antes de começar a trabalhar os gatilhos, é importante


saber se o cérebro está apto a receber as novas mensagens e
fazer interpretações corretas. Para isso devemos nos
certificar de alguns pontos que podem ajudar o cão a se
sentir mais seguro e manter o organismo trabalhando de
forma equilibrada. Esses pontos podem ser trabalhados no
dia a dia e, sendo um caso de medo ou não, ajustam os
processos cerebrais e facilitam a interpretação do ambiente
com uma postura mais calma e confiante. Vamos aos pontos:

Rotina de alimentação

Cães que se alimentam em falta ou em excesso


podem apresentar estresse, medo e outros problemas de
comportamento relacionados. Confira se a porção de ração

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equivale ao recomendado pelo fabricante na parte de trás do


pacote ou, em caso de alimentação natural, se as medidas e
ingredientes estão dentro das necessidades do seu cão. Se
necessário, consulte seu veterinário ou nutricionista animal
de confiança. Além das quantidades, cães que realizam
trabalhos antes de comer tendem a ser mais confiantes,
principalmente pelo exercício das sensações de motivação e
satisfação, que orientam os processos de caça no ambiente
natural. Jogar a ração em curtas distâncias e em ambientes
de difícil acesso (como embaixo da mesa de jantar ou entre
caixas e almofadas) pode ser uma ótima opção pras horas de
comer, mas fica um ALERTA IMPORTANTE: Exercícios que
envolvam movimentação durante a alimentação não devem
ser intensos, devido aos riscos de congestão ou torção de
estômago, que são condições fatais, então nada de botar o
bichinho pra correr na hora da comida, mas farejar pra comer
e procurar os grãos são atividades extremamente benéficas
para o comportamento!

Rotina de exercícios físicos

Além de jogar fora todo o tédio e a energia


acumulada, uma rotina diária de exercícios físicos ajuda a
regular o organismo e promove uma série de benefícios pra
saúde, pois o esforço físico é precursor de hormônios de bem
estar. Antes de começar, consulte o seu médico e o seu
veterinário, para saber se todos estão aptos ao exercício.

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Caso esteja tudo ok, um esquema que aumente


gradativamente a intensidade dos exercícios é o mais
recomendado, dentro dos limites de todos os envolvidos no
treino. Procure fazer o treino de passeio com regras e limites
para o afastamento e com prêmios e festinhas para a
aproximação, até que o cão fique cansado e, de preferência,
pouco antes da próxima refeição. Voltando pra casa, deixe-o
descansar por aproximadamente 15 minutos antes de iniciar
a brincadeira da refeição.
Os sinais mais comuns de cansaço são: Andar mais
pesado, língua muito pra fora, cabeça mais baixa, menor
reatividade a estímulos interessantes e respiração ofegante.
Evite temperaturas extremas para que o cansaço venha pelo
exercício e não pela regulação de temperatura do corpo. É
muito importante conferir a temperatura do solo, para evitar
a queima das patinhas e a dificuldade em refrescar o corpo
no calor, e evitar problemas respiratórios pelo frio intenso.
Por último, mas não menos importante, tenha sempre um
pouco de água para esses momentos.

Rotina de brincadeira

Nem só de trabalho vive o cachorro. Um período


diário de brincadeiras é muito importante, com atividades
animadas e muito carinho, pode ser com ou sem brinquedos.
Agrados mais calorosos e apertos também valem. Pros donos
mais dedicados os truques são uma ótima pedida, pois são

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brincadeiras que estimulam o trabalho cerebral, a


obediência, a concentração e servem como lazer para
bípedes e quadrúpedes.

Rotina de atenção e carinho

Apesar de a atenção e o carinho serem


ingredientes primordiais para um bom treino, devem ser
usados com moderação. Cães que ganham agrados em
excesso ou vivem no colo podem ficar ainda mais medrosos,
pois passam a entender como normais as situações em que
estão sendo acariciados. Logo, assim que essas carícias
parem de acontecer, pode significar para ele que existe um
problema ou motivo pra se preocupar. O contrário também é
prejudicial, pois a falta de carinho induz o cão a buscar essa
atenção que ele não tem, aí ele começa a inventar coisas das
mais variadas para chamar a atenção e acaba sendo o que é
mais conhecido como "cachorro sem vergonha", que
apresenta comportamentos ruins enquanto monitora as
pessoas para encontrar o melhor momento para aprontar.
Então a melhor opção é dar todo o carinho quando
chamamos ou pedimos algo, em momentos aleatórios do dia,
induzindo a sensação de ser premiado por ter merecido, e
ignorar quando não chamamos ou não pedimos nada, para
que o cão não tenha como prêmio a atenção e o carinho logo
após ter errado. Assim conseguimos começar a manter os
padrões de percepção da comunicação em dia. Alguns cães

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precisam de outros tipos de exercício para essas questões de


atenção e carinho, mas a maioria fica muito bem somente
com esse primeiro cuidado de equilibrar a atenção, tanto em
quantidade quanto em frequência, tomando o cuidado de
recompensar somente quando há motivo perceptível pra
isso.

Capítulo 4
Comece sempre pelo bem estar

Rotinas conferidas e adaptadas, podemos induzir o bem


estar com consistência. Quando digo "induzir o bem estar"
me refiro a fazer o cachorro feliz com alguma atividade
específica e repetitiva, que exija concentração, relaxamento
e tenha um momento intenso de recompensa. Sempre que

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essa atividade acontecer, por estar acostumado com ela, o


cérebro entra na zona de bem estar automaticamente,
precisando de um problema realmente sério para que a
preocupação volte e nos dando a chance de aplicar esse
mesmo bem estar nos gatilhos problemáticos. Isso fará com
que o valor dos momentos de desconforto diminua
naturalmente.

Exercícios de concentração

Nessa fase do treinamento é essencial entender que os


prêmios devem ser oferecidos somente quando o cão está
muito concentrado ou muito relaxado. Vamos começar pelos
exercícios de concentração: Tenho um brinquedo que o meu
cão adora e fica fissurado, posso mostrar o brinquedo pra ele
e esperar que ele se controle, fique parado e atento a mim,
sem nenhum tipo de comunicação, até que eu identifique o
momento de maior controle e, como se ele (o cão) tivesse
dado "play" numa cena, eu começo uma comemoração
imediatamente e entrego o brinquedo. Depois de ele curtir
um pouco o brinquedo eu pego novamente e repito o
processo. Dessa forma estou acostumando o bichinho a olhar
pra mim e se concentrar sempre que eu chamar pois, quando
eu chamo, um prêmio pode estar por vir. Se você quiser,
depois que ele já estiver acostumado à brincadeira, pode
colocar comandos como "quer o brinquedo?" ou "fica calmo"
(um comando específico pra cada tarefa), dizendo a frase

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imediatamente antes de a concentração acontecer, como se


vocês estivessem ensaiando uma cena de filme. Então a
rotina toda fica assim: Você fala a frase de comando, oferece
o brinquedo e aguarda a concentração, comemorando e
liberando o prêmio com alguns segundos de missão
cumprida. Esse comando você vai usar mais tarde, quando
chegarmos à parte de trabalhar os gatilhos. Outro exemplo:
Meu cão é doido por um determinado petisco, então posso
seguir o mesmo processo e premiar com o petisco ao invés
do brinquedo. O segredo é a repetição diária e que a
brincadeira aconteça só enquanto há interesse por parte do
cachorro, assim a motivação fica sempre alta e os resultados
são mais efetivos. O prêmio também pode ser com carinho,
mas essa é uma forma mais lenta de alcançar a sensação de
satisfação do cão e pode deixar o exercício mais difícil de ser
compreendido ou com resultados mais demorados. Essas
recompensas também podem ser oferecidas durante a
caminhada, desde que os passos estejam calmos, a atenção
esteja toda voltada pra você e as recompensas sejam em
momentos muito específicos e em pouca quantidade, para
evitar o risco dos problemas digestivos mencionados no
capítulo 3.

Exercícios de Relaxamento

Outro exercício de bem estar que opera milagres é o


relaxamento com massagem. Esse é um exercício de

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manipulação, para que o cachorro se deixe ser apalpado,


virado, torcido, esticado, sem achar que alguém o está
engolindo vivo, mantendo o relaxamento e a calma como se
ele estivesse num spa. Para esse exercício você deve ter o
cão já previamente relaxado (se estiver ainda cansado da
brincadeira ou do passeio, melhor). Comece fazendo um
carinho muito leve, o mais suave que você puder, pra que ele
se mantenha bem relaxado, depois aumente aos poucos a
intensidade e a velocidade da massagem, além das áreas do
corpo que você manipula conforme o relaxamento se
mantém igual. Caso haja qualquer tipo de incômodo, volte ao
ritmo que não incomodava e continue o processo. Dos
toques leves você pode ir para toques mais intensos, mais
rápidos, pegando bem na pele, mexendo nas orelhas,
exibindo os dentes, palpando com mais firmeza a garganta, o
abdómen, as patas e o rabo, fazendo todos os movimentos
articulares possíveis, sempre com atenção para que o
relaxamento se mantenha no máximo.
Alcançando concentração e relaxamento nesses
exercícios, os gatilhos estão mais fáceis de serem tratados e
percebidos pelo cão como banais. Lembrando que não existe
um nível exato de bem estar ou incômodo mas, quanto mais
exercícios, maior a aceitação aos estímulos oferecidos e
maior o bem estar do cão ao se deparar com um dos gatilhos
que antes causavam reações de medo.

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Capítulo 5
Trabalhando os gatilhos

Agora que já temos os gatilhos identificados, o


organismo preparado e uma atividade que cause bem estar
quase que instantaneamente, podemos trabalhar cada
gatilho possível, lembrando de tomar muito cuidado para
não causar desconforto, medo ou qualquer sinal de
reatividade, afinal de contas, queremos que o cachorro perca
o medo, não que ele fique lembrando do medo o tempo
todo, então devo exercitar as melhores posturas possíveis.
Para facilitar o acesso à informação, vamos abordar de
forma prática a ideia de dessensibilização de cada gatilho
com exemplos possíveis, mas você deve adaptar os exercícios
conforme a aceitação e a necessidade do seu cão.

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Sustos

Os sustos são reações automáticas a eventos


repentinos ou inesperados. Uma vez que o cão já tenha
passado por experiências parecidas, é natural que o susto
seja menor, principalmente se essas experiências forem
todas, ou na grande maioria, positivas e agradáveis. Então
nada de evitar pessoas, tipos de manejo ou locais porque o
seu cachorro não gosta. Ajude-o a superar o sofrimento
induzindo sensações positivas nos mesmos gatilhos que
causam susto, mas de maneira suave e gradativa, para evitar
o susto e ficar só com a parte boa.

Medo de contenção

Segurar o cão pelas patas, conter a cabeça ou


imobilizá-lo pode ser perigoso, pois a agressividade é a
reação natural ao medo da contenção. Na cabeça do
cachorro isso funciona como um dispositivo de sobrevivência.
É claro que não são todos que reagem mal à contenção, mas
caso o seu cão seja reativo, induza a brincadeira de bem estar
e, no meio dela, como se nada estivesse acontecendo, faça
uma contenção por meio segundo, seguindo a brincadeira
normalmente. Essa brincadeira pode ser tanto de
concentração quanto de relaxamento, então vale testar os
dois e manter o que funcionar melhor. Caso não haja reação,
use a mesma dinâmica para aumentar gradativamente o

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tempo de contenção. Caso haja reação, diminua o valor do


estímulo com pegadas mais leves ou uma contenção mais
rápida ainda. As brincadeiras de concentração ou
relaxamento devem durar somente o tempo em que o cão
está interessado e animado, caso contrário os exercícios
perdem o efeito, ou seja, se ele não quiser brincar naquele
momento, não insista! Por outro lado, se ele quiser, exercite
à vontade!

Medo de confinamento

Consideramos confinamento a permanência do


cachorro em espaço reduzido em relação ao espaço de
costume, seja uma caixa de transporte, um canil ou um
cômodo da casa. Para acabar com esse medo precisamos
causar memórias de satisfação e bem estar relacionadas à
permanência do cão naquele ambiente. Uma forma fácil de
fazer essa indução é oferecer petisco ou brinquedo induzindo
a movimentação do cão na direção da área de confinamento,
liberando o prêmio cada vez mais perto ao alvo. Quando
estiver tudo bem na área próxima à entrada, jogue o prêmio
dentro do confinamento para que o cão entre para buscar.
CUIDADO: Já vi muita gente fechando a porta ou grade no
primeiro acerto do cachorro... O que acontece na cabeça
dele? "Se eu entrar aqui outra vez, vão me prender de novo"
e aí o medo aumenta, aquela tentativa de brincadeira toma o
significado de medo e o processo todo fica mais difícil.

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É muito importante que ele entre e ganhe o prêmio


várias vezes, até que ele entre por conta própria e bem
tranquilo. Para aumentar o tempo de permanência tranquila,
aumente a quantidade de prêmios que ele ganha enquanto
se mantém dentro do confinamento, para então começar a
fechar o confinamento, também com períodos gradativos,
mantendo a recompensa abundante. Depois de tudo feito, as
recompensas podem ser retiradas também de forma gradual
para que o costume de entrar e ficar preso se estabeleça.

Medo de manipulação

Se o cachorro não se deixa ser palpado, sua saúde


está em risco pois é com a palpação que o médico veterinário
consegue entender determinados quadros clínicos. Para
diminuir a reatividade, trabalhe esse gatilho com as
massagens relaxantes, mencionadas no capítulo 4, mas com
pessoas variadas, inclusive o próprio médico veterinário se
houver essa possibilidade. Você pode também usar o
exercício de concentração e trocar cada pedacinho de
manipulação por um prêmio, pois isso pode acelerar
bastante o processo.

Reatividade imediata à vacina

A reatividade imediata à vacina é uma informação


gravada facilmente devido à atenção que o cão presta no

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corpo enquanto está sendo contido ou manipulado para ser


vacinado, aí a informação de dor vem e pronto! Medo
instalado! Então, antes de tratar a reatividade à vacina,
confira se o medo de manipulação está controlado. Se estiver
tudo bem, faça a brincadeira de concentração - conforme o
capítulo 4 - e, durante o tempo que ele está concentrado,
massageie a pele ou o músculo simulando uma vacina, com o
dedo ou com algum material rígido e não pontiagudo,
liberando o prêmio e comemorando em seguida. Esse
exercício é mais fácil se for feito por duas pessoas, uma
chamando a atenção ao brinquedo e outra simulando o
veterinário. Depois que o exercício estiver fluindo bem em
casa, leve ao veterinário algumas vezes e repita com a maior
semelhança possível. Quando não houver reação por
algumas repetições seguidas, faça o teste com a vacina de
verdade, mantendo o clima como se fosse no exercício. Caso
haja reatividade, recomece o processo aumentando a calma
e a concentração exigidos para cada etapa e aumentando
também os prêmios por parte do exercício concluída.

Medo de picadas

Além da reatividade a todo o contexto da vacina,


alguns cães passam por tratamentos e precisam levar picadas
regulares, seja para exames ou interações medicamentosas.
Nesses casos o cão pode não sentir medo do contexto, mas
sofrer demais com a picada. Alguns salivam em excesso, dão

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muitos sinais de fuga, de desconforto ou até fazem xixi na


mesa de atendimento, ou seja, apesar de não haver
reatividade clara ou agressividade por medo, existe um
sofrimento, que pode ser superado com um prêmio bem
maior logo após a picada. Vamos pegar como exemplo um
exercício de concentração com o petisco onde o cão
consegue receber o prêmio a cada 10 segundos de
concentração. Nesse meio tempo acontece a picada e, logo
após, o prêmio deve ser de uns 6 pedaços entregues de 2 em
2, para que o cão perceba um aumento significativo no
prêmio seguido da sensação da picada. Esse processo leva o
cérebro naturalmente a dar menos valor à dor, sentir menos
dor ou até deixar de sentir. ATENÇÃO: Esses números do
exemplo são hipotéticos, pois cada indivíduo exige um ritmo,
então devemos nos basear pelas reações do cão e não por
tempo ou número de repetições, mas todos podem sentir
menos dor se tiverem menos foco no problema.

Medo do ambiente da clínica

Além de ser um local diferente do costume, existe


no ambiente das clínicas muito "cheiro de medo", ou
feromônios de defesa, que a maioria dos cães deixam
enquanto estão lá dentro, e esse cheiro é interpretado com
alerta, induzindo o cão recém chegado ao medo também... a
não ser que ele saiba que aquele é um local seguro. Como
mostramos isso a ele? Isso mesmo, causando felicidade! :D

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Leve seu cachorro regularmente ao veterinário pra brincar,


pode ser só por 5 ou 10 minutos, para não atrapalhar o
trabalho da clínica, mas por algumas vezes seguidas, até que
ele se acostume com o ambiente e perca o medo. Assim que
ele tiver uma coleção de memórias fortes o suficiente ou em
quantidade suficiente, o medo só volta se houver um motivo
mais forte. Enquanto isso, a clínica vira um local de paz e
tranquilidade ou um local de brincadeira e diversão, tudo vai
da abordagem que você usar nesse exercício, pelo caminho
da concentração ou do relaxamento.

Medo do veterinário

Esse é um paradoxo ainda difícil para a


compreensão dos nossos amigos quadrúpedes. "Alguém que
me provoca dor não quer o meu bem, preciso me defender!":
essa é uma reação natural e isso significa que o cão não será
amigo de quem lhe provoca desconfortos, a não ser que ele
já seja seu amigo e, de repente, como se nada houvesse...
ops... aconteceu uma dor aqui mas já passou... não dá nem
tempo de pensar em reagir, afinal de contas, "só tenho
amigos em volta de mim, logo não estou correndo risco de
vida, então não preciso morder ninguém!". Qual é a solução
então? Simples! Ser amigo antes de causar dor. Quanto mais
amigo for, melhor. Uma forma de o veterinário conseguir
essa amizade bem rápido é pedindo os truques ou exercícios
de concentração que o seu cão já sabe e dando pra ele as

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mesmas recompensas que você dá. Para o cérebro do


cachorro é óbvio: Se a sensação que ele tem com esse
humano é a mesma que ele tem com a família, esse humano
é confiável a ponto de não o assustar.

Medo de focinheira

Alguns cães precisam usar focinheira, seja pelo


porte, seja pelo comportamento agressivo. Em qualquer dos
casos é possível remover o medo da focinheira e transformá-
la num objeto de interesse. O exercício, assim como os
outros, envolve o bem estar com o material, mas aí tem um
segredo: podemos ensinar o cachorro a encaixar o focinho na
focinheira oferecendo a ele um pedaço de petisco por dentro
dela, de forma que ele tenha que enfiar o focinho para
alcançar o prêmio. Se ele não aceitar o exercício pelo medo
do objeto, premie só pela aproximação algumas vezes e
depois tente o encaixe do focinho novamente. Seguindo o
mesmo princípio do treino de confinamento, conforme você
conseguir aumentar o tempo de focinheira encaixada,
aumente a frequência e a quantidade de recompensas, para
que o cão associe que é muito fácil ganhar aquele
determinado petisco: é só enfiar o focinho na fonte e esperar
a comida chegar. Depois de acostumado com o exercício,
aumente gradativamente o tempo entre recompensas para
que você possa prender a focinheira e o cão fique cada vez
mais tempo sem se incomodar.

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Medo de colar elizabetano (o famoso "cone da


vergonha")

O mais comum dos medos é o do colar elizabetano.


Ele é muito útil para que o cão não mexa em pontos, feridas
ou curativos, mas causa um desconforto enorme, não é nada
confortável e atrapalha toda a movimentação do animal.
Felizmente essa dessensibilização é fácil e segue o mesmo
princípio da focinheira. Estimule a sensação de satisfação de
forma progressiva com a aproximação ao colar, com o colar
encostado no pescoço, com o colar fechando no pescoço e,
por último, com o movimento enquanto o colar está fechado
no pescoço – uma caminhada dentro de casa já vale. As
repetições também devem ser curtas e gradativamente
maiores que as anteriores, desde que o cão apresente sinais
de conforto e segurança.

Recusa a medicamentos

Seja em comprimidos, gotas, pomada, spray ou colírio,


medicamentos de uso regular costumam gerar enormes
desconfortos e facilitar o processo traumático. Para evitar
esse processo utilize o exercício de concentração para
premiar o cão pela aproximação do medicamento, pelas
posições que você toma ao aplicar o remédio, mas tudo sem
nenhuma aplicação real, até que o cérebro esteja

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condicionado a entender todo o processo como uma


brincadeira boa e produtiva. Depois do cão já acostumado ao
processo e animado com a brincadeira, comece a aplicar a
medicação real e aumentar de forma perceptível a
frequência e a quantidade de prêmios por aquele pequeno
evento sempre que o remédio for aceito. Caso não seja
aceito, volte para a simulação e tente novamente.

Observação importante

Se o seu cão demorar para entender os primeiros


exercícios, não se apresse! Para que ele aprenda uma tarefa
difícil, é indispensável que ele aprenda bem cada parte dessa
tarefa, assim fica fácil para ele, os prêmios ficam abundantes
e todo o resultado que esperamos do treino fica agradável
para ele também, acelerando a resposta e evitando que
problemas antigos voltem a acontecer, afinal o cérebro busca
sempre as melhores respostas do ambiente e tende a evitar
estresse, portanto a melhor opção é usar essa característica a
nosso favor.

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Agora é só praticar!

Lembre-se que a repetição consistente e regular dos


exercícios são os segredos maiores por trás de um treino de
sucesso, então perceba as pequenas evoluções em cada
repetição, para entender se o caminho está certo, e vá com
muita calma, pois cada passo rumo ao bem estar é um
grande sucesso, assim você terá a chance de ser mais um dos
grandes exemplos de sucesso em tratamentos médicos,
independente da raça ou da idade.
Conheça também os nossos cursos, eventos e
novidades, acompanhe nossas redes sociais para conhecer
um pouco do trabalho com os nossos alunos e seja bem-
vindo ao mundo dos que podem ser mais felizes com seus
melhores amigos! Obrigado e um excelente treino!

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