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TURMA: Gestão Empresarial 65

DISCIPLINA: Direito Empresarial para Gestores


PROFESSOR: Júlio de Assis Araújo Bezerra Leite
ALUNO: ____________________________
TELEFONE: __________________________
Diretor Clovis de Faro
Direção Acadêmica Diretor Executivo Carlos Osmar Bertero e Diretora Adjunta Elisa Maria
Rodrigues Sharland
Central de Qualidade Coordenadora Prof Elisa Sharland
Direção Executiva FGV Management Diretor Ricardo Spinelli de Carvalho

FGV Management
Diretor Executivo Ricardo Spinelli de Carvalho
Superintendência de Núcleos
Rio de Janeiro Superintendente Mário Couto Soares Pinto e Superintendente Adjunto Márcio
Pezzella Ferreira
São Paulo Superintendente Paulo Mattos de Lemos
Brasília Superintendente Silvio Roberto Badenes de Gouvea e Superintendente Adjunto Kleber
Vieira Pina
Superintendência de Rede Ricardo Spinelli de Carvalho
Superintendentes Adjuntos:
Magno Vianna e Maria Alice da Justa Lemos.

ouvidoria@fgv.br
1

MBA em Gestão Empresarial

DIREITO EMPRESARIAL
PARA GESTORES

Prof. Julio de Assis Bezerra Leite


Mestre

julio@jbleite.com

Realização

Fundação Getúlio Vargas


FGV Management

Conveniada

Todos os direitos em relação ao design deste material didático são reservados à Fundação
Getulio Vargas.
Todos os direitos quanto ao conteúdo deste material didático são reservados ao(s)
autor(es).

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2

FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS

ESTRUTURA DO FGV MANAGEMENT

Direito Empresarial para Gestores


3

SUMÁRIO

03 1.PROGRAMA DA DISCIPLINA.

05 1.1. EMENTA.

05 1.2.CARGA HORÁRIA TOTAL.

05 1.3.OBJETIVOS.

05 1.4.CONTEÚDO PROGRAMÁTICO.

05 1.5. METODOLOGIA.

05 1.6.CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO.

06 1.7.BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA.

06 2.0.CURRICULUM RESUMIDO DO PROFESSOR.

07 3.INTRODUÇÃO.

07 4.CONCEITO DE RELAÇÃO JURÍDICA.

08 4.1.ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA RELAÇÃO JURÍDICA.

09 5.CONCEITO DE OBRIGAÇÃO.

10 5.1.ELEMENTOS DA RELAÇÃO OBRIGACIONAL.

10 5.2.DAS OBRIGAÇÕES DE DAR, DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER, DAS OBRIGAÇÕES DE


NÃO-FAZER.

11 6. DO INADIMPLEMENTO DAS OBRIGAÇÕES: DA MORA, DAS PERDAS E DANOS, DOS


JUROS LEGAIS, DA CLÁUSULA PENAL.

14 7.DO CONTRATO: CONCEITO E ELEMENTOS CONSTITUTIVOS.

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15 7.1.PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO REGIME CONTRATUAL.

17 7.2. FORMAÇÃO DO CONTRATO E CLASSIFICAÇÃO CONTRATUAL.

22 7.3.CONTRATOS DE ADESÃO.

22 7.4. CIRCULAÇÃO DOS CONTRATOS.

23 7.5. EFEITOS DOS CONTRATOS.

23
7.6. DOS DEFEITOS E DA INVALIDADE DOS CONTRATOS.

24 7.7. EXTINÇÃO DOS CONTRATOS.

24 7.8. DA RESILIÇÃO E RESCISÃO DOS CONTRATOS, DA CLÁUSULA RESOLUTIVA, DA


EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO, DA RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE
EXCESSIVA. DA INTERPRETAÇÃO CONTRATUAL.

26 8.0. CONTRATOS NAS RELAÇÕES DE CONSUMO : DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR,


REVISÃO DO CONTRATO NAS RELAÇÕES DE CONSUMO, PROTEÇÃO CONTRATUAL,
DAS CLÁUSULAS ABUSIVAS.

31 9.0. RESPONSABILIDADE CIVIL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO: CÓDIGO


CIVIL E CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR.

39 10. ANEXO I - CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

69
11. ANEXO II - CASOS CONCRETOS. JURISPRUDÊNCIAS DE TRIBUNAIS

69
12. ANEXO III- EXERCÍCIOS

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1.1 Ementa

Teoria Geral dos Contratos e sua aplicação ao cotidiano do gestor: princípios, requisitos,
consentimento, formação, interpretação dos contratos e outras disposições. Código de Defesa
do Consumidor: justificativa da tutela e relação jurídica de consumo. Proteção contratual sob
a ótica do CDC, responsabilidade e instrumentos profiláticos de gestão para o fornecedor.

1.2 Carga horária total


24 horas/aula

1.3 Objetivos

Estudo das relações jurídicas, obrigações e contratos em conformidade com a legislação em


vigor e entendimentos dos Tribunais.

1.4 Conteúdo programático

Teoria Geral dos Contratos e sua aplicação ao cotidiano do gestor: princípios, requisitos,
consentimento, formação, interpretação dos contratos e outras disposições. Código de Defesa
do Consumidor: justificativa da tutela e relação jurídica de consumo. Proteção contratual sob
a ótica do CDC, responsabilidade e instrumentos profiláticos de gestão para o fornecedor.

1.5 Metodologia

● Aulas expositivas
● Trabalhos individuais e em grupo
● Discussão dirigida
● Exibição de slides

1.6 Critérios de avaliação

A avaliação será feita através de trabalho em equipe e prova individual, respeitadas as normas
acadêmicas do regulamento da FGV.

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1.7 Bibliografia recomendada

1. DINIZ, Maria Helena. Compêndio de Introdução à Ciência do Direito. 19.a. Ed.,


SP: Saraiva, 2008.
2. FIUZA, César. Direito Civil. Curso completo. 9.a. Ed, SP: Del Rey, 2006.
3. GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 10ª Ed., SP: Saraiva, 2008.
4. MARQUES, Cláudia Lima. Contratos no Código de Defesa do Consumidor.5ª Ed.,
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006.
5. Venosa, Sílvio de Salvo. Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos
Contratos.4ª Ed., SP, Atlas, 2004.

Curriculum vitae resumido do professor

Julio de Assis Araujo Bezerra Leite é advogado com atuação na área


empresarial, professor em graduações, pós-graduações e Cursos de Extensão,
Mestre em Direito Constitucional (Unifor), Pós-Graduado em Direito Empresarial
(FGV), Pós-Graduado em Processo Civil e Penal (UFC), Bacharel em Direito
(UFC). Atualmente, é Conselheiro do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB/CE
(Gestão 2016/2018). Ex-Secretário Geral da Comissão de Defesa e Assistência
do Advogado da OAB/Ce. Professor da FGV nas disciplinas Direito do
Consumidor, Gestão das Relações Obrigacionais, Direito nas Relações de
Consumo e Criação; e, Direito Empresarial para Gestores.

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3.Introdução.
A vida em sociedade é permeada de interesses contrapostos de indivíduos.
A importância do Direito relaciona-se diretamente com a necessidade de paz social. O
Direito, através do Estado, repele a vingança privada e avoca o encargo de pacificar a
sociedade.
O vínculo entre as pessoas no ordenamento jurídico denomina-se relação
jurídica; e, quando existem interesses divergentes, entra em ação o Estado, via normas
postas, para analisar tais normas e indicar a solução para o problema ou divergência.

As obrigações são deveres jurídicos que restam previstas de forma geral no


ordenamento jurídico, sendo também inseridas nos termos de contratos que sintetizam o
acordo de vontade entre duas ou mais pessoas. Os contratos, além de possibilitar
segurança jurídica aos contratantes, são os grandes responsáveis pela circulação de
riquezas na sociedade.

Os contratos existem dentro e fora das relações de consumo. Sendo de


consumo a relação, aplica-se o Código de Defesa do Consumidor. Não havendo relação
de consumo aplica-se, via de regra, o Código Civil Brasileiro ou a legislação específica
sobre o tema.

As relações de consumo, diretamente ligadas com o direito contratual,


representam um estudo à parte posto que o Código de Defesa do Consumidor constitui-
se em verdadeiro microssistema legal, com normas que lhes são próprias. O Código de
Defesa do Consumidor representa importante marco na história jurídica brasileira e
representa verdadeira mudança de paradigma nas relações contratuais.

Assim, por força da legislação consumerista, a responsabilidade dos


Bancos, por exemplo é objetiva frente ao consumidor e, não, subjetiva. A diferenciação é
importante porque em se tratando de responsabilidade subjetiva, necessário se faz
provar a existência de uma das modalidades de culpa (imprudência, imperícia e
negligência) para se tipificar dada conduta ilícita.
Nesse cenário, relevante é o estudo do tema proposto para fins de melhor
compreensão do sistema jurídico brasileiro, sobretudo no que se refere ao direito
contratual e obrigacional. Tal estudo propiciará, ainda, a adoção de medidas preventivas,
a fim de se minorar ou impedir a configuração de um dano, seja ele material ou moral.

4.Conceito de relação jurídica.


Relação é vínculo. Na sociedade existem interesses contrapostos entre os
indivíduos, um querendo o que o outro possui e vice-versa. Surge o Direito para regular
as relações entre as pessoas, regular a vida em sociedade; isso, ao impor regras e
impedir a vingança privada; ou, noutras palavras, o exercício arbitrário das próprias
razões.
Direito positivo pode ser entendido como “o conjunto de normas
estabelecidas pelo poder político que se impõem e regulam a vida social de um dado

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povo em determinada época.”1

A relação jurídica é o vínculo com reflexos no ordenamento jurídico. É o


vínculo existente entre pessoas onde uma pode pretender o bem da outra, sendo que
esta outra também é obrigada com relação a este bem. É necessário que este vínculo
esteja normatizado no ordenamento jurídico.2

Assim, existe relação jurídica entre duas pessoas quando uma deve
determinado valor a outra ou, ainda, quando uma deve entrega um bem a outra em
virtude de uma obrigação. As relações jurídicas são protegidas pelo direito posto, ou
seja, pelo direito de dado país.

4.1. Elementos Constitutivos da relação jurídica.


São elementos das relações jurídicas, conforme Maria Helena Diniz 3, os
sujeitos ativo e passivo; o objeto imediato e mediato; o fato propulsor e a proteção
jurídica.

Sujeito ativo é aquele que tem a permissão legal ou o direito subjetivo


para demandar em juízo, à procura de seu direito, caso este não seja satisfeito pelo
sujeito passivo. Da definição de sujeito ativo, conclui-se que sujeito passivo é aquele
que deve cumprir uma obrigação diante do sujeito ativo. Caso o sujeito passivo não
cumpra a obrigação (p.ex., pagar a dívida), o sujeito ativo pode demandar, ou seja,
acionar o Estado através do Poder Judiciário, para que a obrigação seja satisfeita (p.ex.,
ajuizar execução, ação de cobrança, ação monitória, etc.).
O objeto imediato relaciona-se com uma obrigação de dar, fazer ou não
fazer cujas as quais o sujeito ativo tem a permissão jurídica para exigir. O objeto
mediato recai sobre bem móvel, imóvel ou semovente, abrangendo, ainda, bens
imateriais como a vida, o nome, a liberdade e a honra.

Fato propulsor, por sua vez, é o acontecimento que desencadeia a


produção das conseqüências jurídicas. Tal acontecimento, cria, modifica ou extingue
direitos. A título de exemplo, o fato propulsor da propriedade pode ser a compra e
venda, como bem explica Maria Helena Diniz4:

De modo que se pode dizer, exemplificativamente, que o


direito de propriedade é um vínculo, oriundo do contrato de
compra e venda (fato propulsor), entre o proprietário (sujeito
ativo), que tem o domínio sobre a coisa (objeto mediato), em
razão de permissão legal, e demais pessoas (sujeito
passivo), que são obrigadas a respeitar tal domínio (objeto
imediato).

A proteção jurídica, por sua vez, consiste na autorização do ordenamento


jurídico para se adentrar em Juízo.

1
Maria Helena DINIZ, Compêndio de Introdução à Ciência do Direito, p. 245.
2
Maria Helena DINIZ, op.cit., p.511
3
Maria Helena DINIZ, op. cit., p.512 usque 513.
4
Maria Helena DINIZ, op.cit., p.513

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Definida a relação jurídica e apresentados seus elementos, insta,


outrossim, a apresentação de outros conceitos e definições jurídicas imprescindíveis para
o perfeito entendimento das relações jurídicas.

5. Conceito de Obrigação.
Para melhor compreensão do tema, antes de se adentrar no conceito de
obrigação, faz-se importante a explicitação sobre o que seja fato jurídico, ato e negócio
jurídico.

Fato é acontecimento; e, fato jurídico é acontecimento no mundo


jurídico. O fato (acontecimento), para ser jurídico, deve atingir o Direito. Por exemplo,
um evento da natureza que ocasiona fatos que levam ao acionamento de um contrato de
seguro.

Os fatos jurídicos podem ser naturais ou humanos5. Os fatos jurídicos


naturais não dependem de atos do homem, mas geram efeitos jurídicos, como ocorre
com o nascimento e a morte. Já os fatos jurídicos humanos advêm de atos praticados
pelo homem, a exemplo de um contrato, acidente, etc.

Assim, fato jurídico é “todo evento natural, ou toda ação ou omissão do


homem que cria, modifica ou extingue relações ou situações jurídicas.”6

Já ato jurídico “é todo fato jurídico humano. É assim, toda ação ou


omissão do homem, voluntária ou involuntária, que cria, modifica ou extingue relações
ou situações jurídicas.”7 O ato jurídico subdivide-se em três espécies: a) ato jurídico
em sentido estrito; b) negócios jurídicos; c) atos ilícitos.

O ato jurídico stricto sensu consiste em uma ação lícita onde prevalece
mais a lei do que a vontade do agente, ou seja, os efeitos derivam da lei. A vontade da
pessoa refere-se apenas à manifestação. Ex: registro de nascimento, adoção, protesto.

Já os negócios jurídicos caracterizam-se pela autonomia privada que


deriva da vontade do agente. A vontade é a característica principal. Contudo, tal vontade
não é absoluta e encontra limitação no próprio texto da lei. Ex.: contratos.

A validade dos negócios jurídicos deve obedecer ao que preconiza o


Art. 104 do Código Civil Brasileiro, a saber:
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
São defeitos do negócio jurídico o erro ou ignorância, o dolo, a coação, o

5
César FIÚZA, op. Cit., p. 200
6
César FIÚZA, op. Cit., p. 200
7
César FIÚZA, op. Cit., p. 200

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estado de perigo, a lesão, a fraude contra credores.

O ato ilícito insere-se na categoria de ato jurídico pela repercussão que


gera no mundo jurídico. Sua definição repousa no art. 186 do Código Civil: “ Aquele que,
por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano
a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.”

Obrigação é sinônimo de dever, o qual pode ou não ser jurídico.


Após as afirmações acima pode-se afirmar, citando César Fiúza8, que
“obrigação é situação dinâmica consistente em relação jurídica entre credor e
devedor, ficando este adstrito, basicamente, a cumprir prestação de caráter
patrimonial em favor daquele, que poderá exigir judicialmente seu
cumprimento.”
A obrigação relaciona-se com o dever jurídico e não deve ser confundida
com direito subjetivo, este último, significa a faculdade de alguém em exercer um
direito seu. Pode-se afirmar que o direito subjetivo de alguém termina quando nasce o
dever jurídico de observar o direito subjetivo de outrem.

5.1. Elementos da relação obrigacional.


A existência de uma obrigação implica na ocorrência de um vínculo entre
dois sujeitos, que via de regra são denominados sujeito ativo (credor) e sujeito
passivo (devedor).

Além dos sujeitos, tem-se o objeto da obrigação ou prestação


enquanto elemento da relação obrigacional.

5.2. Das obrigações de dar, das obrigações de fazer, das


obrigações de não-fazer.
No que se relaciona com o objeto, classificam-se as obrigações em: a)
obrigações de dar (positiva); b) obrigações de fazer (positivas); c) obrigações de não-
fazer (negativas).

A obrigação de dar pode referir-se a coisa certa ou coisa incerta. A


obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela, salvo se o contrário resultar do
título ou das circunstâncias do caso. A obrigação de fazer implica em uma ação, um
ato positivo. O devedor que se recusar à prestação a ele imposta, incorre na obrigação
de indenizar perdas e danos; sendo que, se a prestação do fato tornar-se impossível sem
culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; e, se por culpa dele, responderá este por
perdas e danos. A obrigação de não fazer implica numa prestação negativa, ou seja,
não fazer algo. Via de regra, aplica-se multa para caso de descumprimento judicial de
obrigação de fazer ou não fazer.

8
César FIÚZA, op. Cit., p.285

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6. Do inadimplemento das obrigações: da mora, das


perdas e danos, dos juros legais, da cláusula penal.
Adimplir é cumprir o previsto no contrato. O inadimplemento vai além do
não pagamento de valores visto que inadimplente é todo aquele que não cumpre com as
cláusulas de dado contrato, de dada obrigação. A mora relaciona-se com o não
cumprimento do avençado.

As perdas e danos, comumente conhecida por “indenização por perdas e


danos”, abrange os danos materiais e morais, os quais podem ser oriundos do mesmo
fato.

Os danos materiais relacionam-se com o prejuízo efetivamente


verificado. Os danos materiais envolvem os danos emergentes (damnus emergens) e
os lucros cessantes (lucrus cessans). Assim, em um acidente automobilístico com um
taxista, por exemplo, os danos emergentes relacionam-se com o prejuízo do veículo; e,
os lucros cessantes com o prejuízo arcado pelo taxista durante os dias em que o veículo
encontrava-se na oficina.

Já os danos morais referem-se aos transtornos sentidos pela vítima, a


perturbação psíquica. Não existe na legislação brasileira critério objetivo para aferir o
dano moral. A regra que predomina é a de que os danos morais não devem enriquecer a
vítima e, ao mesmo tempo, devem punir o agressor, o responsável pelo ato ilícito que
levou à caracterização do dano moral.
Quando se fala em dano moral, faz-se necessário também ter em mente
que existe a honra subjetiva e a honra objetiva; sendo que, aquela representa a idéia
que a pessoa tem dela mesma; e, esta, a idéia que a pessoa transmite, sobre ela, no
meio em que vive. Enquanto a pessoa física tem honra subjetiva e objetiva, a pessoa
jurídica somente possui honra objetiva.

Também torna-se indispensável o registro de que qualquer interessado na


extinção da dívida pode pagá-la. A recusa no recebimento implica na possibilidade de
manejo de ação de consignação em pagamento.

O estudo dos juros sempre foi problema sério tanto na doutrina quanto
jurisprudência pátrias. E, referido estudo sempre se ateve principalmente a dois tópicos:
a porcentagem dos juros bancários e a sua forma de cobrança, por juros simples ou juros
compostos.

Basicamente os juros são legais ou convencionais, os primeiros decorrentes


da lei e, os segundos, decorrentes do acordo entre partes (contratos). Ainda, podem ser
eles remuneratórios, cuja função é remunerar o capital; e, moratórios, quando utilizados
a título de cláusula penal pelo inadimplemento.

Já os juros remuneratórios podem ser simples ou compostos. A utilização

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de juros compostos nos contratos de mútuo bancário gera fenômeno conhecido por
anatocismo, em que os juros são corrigidos sobre juros anteriores, numa prática
conhecida pela máxima de “cobrança de juros sobre juros”.
Até o advento da Emenda Constitucional nº 40 havia dúvidas doutrinárias e
jurisprudenciais quanto à autoaplicabilidade do §3º do Art. 192 da Constituição Federal
de 1988, hoje revogado, mas cujo texto era o seguinte:

Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma


a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir
aos interesses da coletividade, será regulado em lei
complementar, que disporá, inclusive, sobre:

§ 3º. As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e


quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente
referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores
a doze por cento ao ano; a cobrança acima deste limite será
conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas
modalidades, nos termos que a lei determinar.

No que concerne à nova redação do Art. 192 da CF/88, assim dispôs a EC


nº 40/2003:

Art. 192. O sistema financeiro nacional, estruturado de forma


a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir
aos interesses da coletividade, em todas as partes que o
compõem, abrangendo as cooperativas de crédito, será
regulado por leis complementares que disporão, inclusive,
sobre a participação do capital estrangeiro nas instituições
que o integram. (Redação dada ao caput pela Emenda
Constitucional nº 40, de 29.05.2003, DOU 30.05.2003)

Assim, como já afirmado, importante trazer à lume que o §3º do Art. 192
da Constituição Federal de 1988, o qual previa taxa de juros anual em 12% ao ano, foi
revogado pela Emenda Constitucional nº 40/2003. A redação de citado dispositivo legal,
antes da revogação, era a seguinte:

§ 3º. As taxas de juros reais, nelas incluídas comissões e


quaisquer outras remunerações direta ou indiretamente
referidas à concessão de crédito, não poderão ser superiores
a doze por cento ao ano; a cobrança acima deste limite será
conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas
modalidades, nos termos que a lei determinar. (dispositivo
legal revogado pela Emenda Constitucional nº 40/2003)

Ao abordar os juros moratórios, assim se posiciona o Código Civil Brasileiro


em vigor:

Art. 406. Quando os juros moratórios não forem


convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando
provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a

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taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de


impostos devidos à Fazenda Nacional.

Dentro de um exercício hermenêutico, tem-se que o Art. 406 do Código


Civil de 2002 remete o tema para o §1º do Art.161 do Código Tributário Nacional (CTN),
a saber:
Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é
acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo
determinante da falta, sem prejuízo da imposição das
penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de
garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.

§ 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de


mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao
mês.

§ 2º. O disposto neste artigo não se aplica na pendência de


consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para
pagamento do crédito. (grifo nosso).

Em resumo, se os juros de mora não forem convencionados e nos demais


casos previstos no CCB, Art.406, aplica-se a taxa em vigor para a Fazenda Nacional que
é de 1% (um por cento ao mês), conforme previsão no CTN, como visto acima.
Entretanto, não aplicar-se-á a taxa de 1% ao mês “se a lei dispuser de forma diversa”.

E, se a taxa de juros for convencionada ? Neste caso há de se verificar


a existência ou não de abusos. É o que entendeu o Superior Tribunal de Justiça, no
agravo regimental apresentado de decisão junto ao agravo de instrumento nº
817.539/PR – (2006.0200192-5); isso, através de sua 3ª Turma, em que figurou como
Relator o Ministro Ari Pargendler, em decisão publicada no DJU de 04.06.2007, na qual
se lê: “os juros podem ser abusivos se destoarem da taxa média de mercado
sem que as peculiaridades do negócio os justifiquem”.

Em se tratando de débito tributário, contudo, e por expressa previsão


legal, há a aplicação da taxa SELIC, como se verifica na decisão abaixo: “Em
decorrência do permissivo legal do §1º do art. 161 do CTN, as leis ns. 9.065/95
e 9.250/95 estabeleceram que os juros de mora passariam a ser estipulados
pela Taxa SELIC, razão pela qual a sua incidência sobre créditos tributários é
devida.” (TRF 1ª R. – AC 2003.34.00.020270-0/DF – 7ª T – Rel. Catão Alves – DJe
14.11.2008 – p. 244)
Nos Tribunais Superiores, o tema ainda não se encontra pacificado. O
Tribunal Regional Federal da 2ª Região, na Apelação Cível nº 2000.51.04.001024-59,
decidiu, por exemplo, que é "legítima a cobrança de juros moratórios com base na taxa
selic, face à inocorrência de violação a qualquer garantia constitucional do sistema
tributário nacional."

Entretanto, o que não se pode admitir, porque representa uma verdadeira


incongruência lógica, é a intenção de se utilizar a taxa selic para correção de débitos não

Direito Empresarial para Gestores


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tributários quando, por exemplo, não restar convencionada a taxa de juros (CCB, Art.
406); primus, porque a falta de convenção entre as partes remete para o CTN, Art. 161,
§1º; secundus, porque o CTN, em seu Art. 161, §1º preceitua taxa de juros de 1% ao
mês; tercius, porque a SELIC somente será aplicada em débitos tributários, pois há
legislação específica que assim dispõe.
Nesse diapasão, verifica-se o encrudescimento de decisões que aceitam a
taxa de juros pactuada, desde que condizente com a taxa média de mercado.
Ainda, as decisões dos tribunais, em sua maioria, são assentes no sentido
de vedar o anatocismo, ou seja, a cobrança de juros sobre juros conforme disposto na
Súmula 121 do STF:

121 - É vedada a capitalização de juros, ainda que expressamente


convencionada.10

O anatocismo é tema recorrente nos Tribunais, sendo interessante


observar, que alguns estudiosos do tema admitem o anatocismo, desde que pactuado
entre as partes, embora tal entendimento não seja pacífico. Ademais disso, a Súmula 93
do STJ admite capitalização de juros sobre cédulas de crédito rural, comercial e
industrial.

A cláusula penal representa uma penalidade ligada a algum motivo


previsto no contrato. Incorre o devedor na cláusula penal se deixar de cumprir
culposamente de cumprir a obrigação ou se constituir em mora.

A cláusula penal pode-e referir à inexecução completa da obrigação, a de


alguma cláusula ou simplesmente, à mora.

O valor da cominação prevista na cláusula penal não pode exceder ao da


obrigação principal. Ainda, a penalidade poderá ser reduzida de forma equitativa pelo
juiz, no caso de cumprimento em parte da obrigação ou se a penalidade for excessiva,
considerando-se a natureza e finalidade do negócio.

7. Do contrato: conceito e elementos constitutivos.


O termo “contrato” relaciona-se diretamente com obrigação, sendo fonte
desta e costumeiramente designado e entendido enquanto lei entre as partes
convalentes11. No campo prático, é o acordo de vontades o requisito essencial dos
instrumentos obrigacionais conhecido por contratos; acordo de vontades este mitigado
pela utilização de contratos em massa, verdadeiros pactos adesivos que, para possuírem
validade material, devem obedecer a requisitos analisados nos tópicos adiante expostos.
Nas palavras de César Fiúza12, “contratos são negócios jurídicos. Por
sempre dependerem de pelo menos duas atitudes, de pessoas diferentes, pode-se
classificá-los como negócios jurídicos bilaterais ou plurilaterais.” E, continua o autor:

10

11
O fato de ser lei entre as partes não implica em validade absoluta do contrato, ou seja, ainda sendo lei entre as partes, o
contrato não poderá sobrepor-se à legislação em vigor.
12
César FIÚZA, op. Cit., p. 387.

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Contrato é ato jurídico lícito, de repercussão pessoal e sócio-


econômica, que cria, modifica ou extingue relações
convencionais dinâmicas, de caráter patrimonial, entre duas
ou mais pessoas, que, em regime de cooperação, visam
atender necessidades individuais ou coletivas, em busca da
satisfação pessoal, assim promovendo a dignidade humana.

Os elementos essenciais do negócio jurídico encontram-se previstos no Art.


104 do Código Civil Brasileiro: agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa
em lei.

7.1. Princípios fundamentais do regime contratual.


No que se refere aos princípios gerais que regem as relações obrigacionais,
destacamos, por reputarmos os mais importantes: princípio da autonomia da vontade,
consensualismo, relatividade dos contratos, força vinculante dos contratos, revisão dos
contratos, proibição da onerosidade excessiva e boa-fé contratual.

Princípio da Autonomia da Vontade:

O princípio da autonomia da vontade assegura que as partes possuem


liberdade ampla para contratar, sendo equilibrado com o princípio da supremacia da
ordem pública, consoante o qual há a prevalência do interesse público que, por sua vez,
vem a delimitar o alcance do princípio da autonomia da vontade, numa espécie de ciclo
constante.

Princípio do Consensualismo:

O princípio do consensualismo, por sua vez, assevera que o instrumento de


avença resulta do acordo de vontade. A avença mencionada, em tese, seria fruto de uma
paridade ou de uma bilateralidade típica, a afastar a natureza adesiva, já que, uma vez
configurada, esta aplicar-se-ia, havendo caracterização de relação consumeirista, os
princípios e regras que regem o direito do consumidor.

Princípio da Relatividade dos Contratos:

Pelo princípio da relatividade dos contratos, tem-se que os efeitos dos


contratos atingem apenas os que nele participam através das manifestações de suas
respectivas vontades, o que preserva direitos de terceiros.
Princípio da Força Vinculante dos Contratos:

Já o princípio da força vinculante dos contratos traduz-se na


obrigatoriedade, pelas partes, do obedecimento aos termos pactuados. Enquanto que o
princípio da autonomia da vontade não obriga ninguém a se vincular, o da força
vinculante, uma vez existindo o liame contratual, em prol principalmente da segurança
jurídica, obriga as partes contratantes a cumprir o pactuado.
Princípio da Revisão dos Contratos:

Um dos princípios mais aplicados na seara judicial é o princípio da revisão


dos contratos, o qual vem a se localizar em rota de colisão com o princípio anterior à

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16

exata medida em que se prevalente ocasionará a respectiva modificação, via judicial, dos
termos contratuais.

A conhecida cláusula rebus sic stantibus, outrossim denominada teoria da


imprevisão, insere-se na realidade jurídica da revisão dos contratos. Segundo ela, a
modificação considerável de uma situação de fato que venha a modificar de forma
extraordinária a situação contratual é suficiente para rever as cláusulas contratuais,
sobretudo, pela onerosidade excessiva que gera para uma das partes.
Os Tribunais pátrios caracterizam as relações bancárias enquanto de
consumo com a conseqüente possibilidade da discussão das cláusulas através da
interpretação da cláusula “rebus sic stantibus”.
Em passado não muito distante, no direito pátrio, a cláusula rebus sic
stantibus foi aplicada aos contratos de arrendamento mercantil (leasing) de veículos
indexados em dólar, sendo também largamente utilizada pelos tribunais superiores do
país em matérias que vêm a preservar o equilíbrio dos contratos. Reconhece-se, assim, a
onerosidade excessiva, dês que, conforme já decidiu a 3ª Turma do STJ, “o
arrendamento mercantil contém norma jurídica própria (lei 8.088/94 e resolução 980/84
do Bacen) que somente admite o reajuste vinculado à variação cambial no caso de os
bens arrendados serem adquiridos com recursos provenientes de empréstimos
contraídos, direta, ou indiretamente do exterior”.

Princípio da Boa-fé Contratual Objetiva:

O princípio da boa-fé vem a dispor sobre o dever de lealdade que deve


permear o contrato tanto na sua formação quanto na sua execução, encontrando-se
devidamente positivado no Código Civil em vigor:

Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e


nos limites da função social do contrato.

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na


conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios
de probidade e boa-fé.

Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas


ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a
interpretação mais favorável ao aderente.

Princípio da Função Social do Contrato:

O princípio da função social do contrato é resultado da


constitucionalização paulatina do direito privado, consistindo em uma das maiores
conquistas da sociedade moderna na busca pelo equilíbrio na vida social, sendo
conseqüência das lutas em prol da dignidade da pessoa humana.
A mitigação do princípio do pacta sunt servanda, outrora absoluto, via
interpretação constitucional dos fatos jurídicos e seus corolários (ato jurídico, negócio
jurídico e ato ilícito) pode, sem sombra de dúvidas, ser considerada uma das maiores
conquistas sociais da humanidade.
A interpretação do direito contratual sob a ótica constitucional, fruto da

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17

passagem da sociedade para uma nova dimensão, ao mitigar o princípio da relatividade


dos contratos ao confrontá-lo com o princípio da supremacia da ordem pública, ou seja,
ao evoluir da liberal autonomia privada para o que podemos denominar movimento de
prevalência da ordem pública, vem a inserir a dignidade da pessoa humana sobre a
vontade particular outrora predominante no direito privado. Tudo isso sedimentou a
função social do contrato enquanto norte principal da mais moderna e justa aplicação do
direito contratual, abrindo-se caminho para a elaboração de leis que privilegiem o ser
humano ao possibilitar uma interpretação sob a ótica da coletividade, a exemplo do que
ocorre com o Código de Defesa do Consumidor e Estatuto do Idoso.

7.2. Formação do contrato e classificação contratual.


A vontade é o elemento que rege a formação dos contratos, restando eles
formados a partir das manifestações de vontade.

A manifestação da vontade pode ser expressa (verbal, mímica ou escrita)


ou tácita (subentendida).

César Fiúza13 assevera que a formação dos contratos possui três fases:
negociações preliminares, proposta e aceitação.

As negociações preliminares não podem ser consideradas, inicialmente,


contratos. Existe, entrementes, a figura do contrato preliminar, o qual obrigará as partes,
a exemplo do contrato preliminar de compra e venda de imóveis. No contrato preliminar,
as partes comprometem-se a celebrar outro contrato, o definitivo.

A proposta do contrato obriga o proponente (aquele que faz a proposta).


A aceitação seria a última fase.

A formação dos contratos é abordada nos Arts. 427 a 435 do CCB:


Art. 427. A proposta de contrato obriga o proponente, se o
contrário não resultar dos termos dela, da natureza do
negócio, ou das circunstâncias do caso.
Art. 428. Deixa de ser obrigatória a proposta:

I - se, feita sem prazo a pessoa presente, não foi


imediatamente aceita. Considera-se também presente a
pessoa que contrata por telefone ou por meio de
comunicação semelhante;

II - se, feita sem prazo a pessoa ausente, tiver decorrido


tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do
proponente;
III - se, feita a pessoa ausente, não tiver sido expedida a

13
César FIÚZA, op. Cit., p. 443.

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18

resposta dentro do prazo dado;

IV - se, antes dela, ou simultaneamente, chegar ao


conhecimento da outra parte a retratação do proponente.

Art. 429. A oferta ao público equivale a proposta quando


encerra os requisitos essenciais ao contrato, salvo se o
contrário resultar das circunstâncias ou dos usos.

Parágrafo único. Pode revogar-se a oferta pela mesma via de


sua divulgação, desde que ressalvada esta faculdade na
oferta realizada.
Art. 430. Se a aceitação, por circunstância imprevista, chegar
tarde ao conhecimento do proponente, este comunicá-lo-á
imediatamente ao aceitante, sob pena de responder por
perdas e danos.

Art. 431. A aceitação fora do prazo, com adições, restrições,


ou modificações, importará nova proposta.

Art. 432. Se o negócio for daqueles em que não seja costume


a aceitação expressa, ou o proponente a tiver dispensado,
reputar-se-á concluído o contrato, não chegando a tempo a
recusa.

Art. 433. Considera-se inexistente a aceitação, se antes dela


ou com ela chegar ao proponente a retratação do aceitante.

Art. 434. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos


desde que a aceitação é expedida, exceto:

I - no caso do artigo antecedente;

II - se o proponente se houver comprometido a esperar


resposta;

III - se ela não chegar no prazo convencionado.

Art. 435. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar em que


foi proposto.

Classificam-se os contratos em inúmeras categorias, conforme abaixo


explicitado.

tipificação legal:

a) típicos: tipificados em lei (compra e venda, locação de imóveis);

b) atípicos: não se encontram tipificados em lei (alienação fiduciária,


factoring). Regem-se pelas normas gerais dos contratos.

Características ontológicas:
a) puros: únicos em essência, não sendo fruto da combinação de outros
contratos (doação, empréstimo);

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19

b) mistos: derivam da combinação de outros contratos (leasing, mistura


de compra e venda e locação).

Forma:

a) consensuais: podem ser verbais, escritos, tácitos. A lei não exige


forma específica. Consideram-se celebrados no momento em que as partes entram em
acordo.

b) Formais ou solenes: além do consenso, há a necessidade de


cumprimento de solenidades. Normalmente, a forma escrita é por instrumento público.

c) Reais: só se consideram celebrados após a traditio rei.(empréstimo).

Reciprocidade das prestações:

a) onerosos: ambas as partes suportam o ônus correspondente. Na


compra e venda, o comprador tem a vantagem do recebimento do objeto, mas deverá
pagar o preço, o mesmo raciocínio aplicando-se ao vendedor. São, pois, comutativos,
onde a prestação de uma das partes corresponde a uma contraprestação da outra.
b) Gratuitos ou benéficos: Nos contratos gratuitos não há qualquer
ônus que corresponda à vantagem obtida. Pode haver um encargo, que não se confunde
com contraprestação. Ex: doação.
Obrigações das partes:

a) Bilaterais ou sinalagmáticos: Ambas as partes possuem direitos e


deveres. Aplicação da exceptio non adimplenti contractus.
b) Unilaterais: uma das partes só tem deveres e a outra, somente
direitos. Ex.: doação.
Previsibilidade das prestações:

a) Pré-estimados: a prestação de ambas as partes é determinada no


momento da celebração. Na locação, desde o início sabe-se a obrigação do locador e a do
locatário.

b) Aleatórios: Pelo menos uma das prestações é incerta. Ex.:


contrato de seguro.

Momento da execução:

a) execução imediata: executam-se no momento da celebração: compra


e venda à vista.
b) execução futura: pode ser de execução diferida (momento posterior à
celebração: compra e venda a prazo) ou execução sucessiva: a obrigação sobrevive,
apesar dos pagamentos periódicos.

Amplitude do vínculo:

a) individuais: obrigam-se apenas aqueles que tomam parte da


celebração. Ex.: locação.

b) Coletivos: obrigações abrangem todos do grupo, ainda que não tenham


participado diretamente da celebração.

Negociabilidade:

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20

a) negociáveis: cláusulas são fruto de discussões e debates entre si.


b) adesão: aceitação de uma das partes por cláusulas propostas pela
outra.

Conteúdo fiduciário:

a) Impessoais: uma parte não se importa quem seja a outra, basta que
satisfaça sua expectativa.

b) Intuitu personae (em razão da pessoa): realizam-se com base na


confiança recíproca entre as partes

Grau de interdependência:
a) Principais: formam-se independentemente de qualquer outro negócio.
b) acessórios: formam-se em razão de outro negócio. O acessório segue
o principal. A fiança e o mandato formam-se de forma acessória a outros contratos. O
penhor existe em decorrência do empréstimo.

Aos contratos inominados, ou seja, aqueles não tipificados no Código Civil,


aplicam-se as disposições previstas para os contratos em geral (Arts. 421 a 480 do
Código Civil). Em qualquer caso, necessária é a observância dos requisitos legais
repousantes no Art. 104 do Código Civil.

Os contratos nominados ou típicos encontram-se regulados nos Arts.


481 a 926 do Código Civil. A eles aplicam-se as normas que lhes são próprias, bem
como, as disposições gerais previstas nos Arts. 421 a 480 do Código Civil. São contratos
nominados: compra e venda, troca ou permuta, contrato estimatório, doação, locação de
coisas, empréstimo (comodato e mútuo), prestação de serviço, empreitada, depósito,
mandato, comissão, agência e distribuição, corretagem, transporte (pessoas e coisas),
seguro, constituição de renda, jogo e aposta, fiança, transação e compromisso. Do
Código Civil, destaca-se:
Através do contrato de compra e venda, um dos contratantes se obriga
a transferir o domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro.

A Troca ou permuta é modalidade de contrato típico onde as partes


obrigam-se entre si a dar uma coisa por outra diferente de dinheiro; daí, a diferença com
relação à compra e venda. Aplica-se a tal modalidade contratual, no que couber, as
disposições referentes à compra e venda com as modificações previstas no Art. 533 do
Código Civil Brasileiro: a) salvo disposição em contrário, cada um dos contratantes
pagará por metade as despesas com o instrumento da troca; b) é anulável a troca de
valores desiguais entre ascendentes e descendentes, sem consentimento dos outros
descendentes e do cônjuge do alienante.
Contrato estimatório é aquele através do qual o consignante entrega
bens móveis ao consignatário, que fica autorizado a vendê-los, pagando àquele o preço
ajustado, salvo se preferir, no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa consignada.

Considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade,


transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra.

Na locação de coisas, uma das partes se obriga a ceder à outra, por


tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa não fungível, mediante certa

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21

retribuição.

O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se


com a tradição do objeto.

O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a


restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e
quantidade.

A prestação de serviço aqui regulada é a de natureza civil e difere da


relação de emprego, onde resta necessária a caracterização da habitualidade,
subordinação e dependência econômica.
A empreitada é também conhecida por locação de obra. Nela, o
empreiteiro se obriga perante outrem (dono da obra) a executar determinada obra
pessoalmente ou por terceiro, com o sem material próprio.

Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, para


guardar, até que o depositante o reclame.
Opera-se o mandato quando alguém recebe de outrem poderes para, em
seu nome, praticar atos ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do
mandato.

O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a venda de bens


pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do comitente.

Pelo contrato de agência, uma pessoa assume, em caráter não eventual


e sem vínculos de dependência, a obrigação de promover, à conta de outra, mediante
retribuição, a realização de certos negócios, em zona determinada, caracterizando-se a
distribuição quando o agente tiver à sua disposição a coisa a ser negociada.

Através do contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em


virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência,
obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções
recebidas.
Pelo contrato de transporte alguém se obriga, mediante retribuição, a
transportar, de um lugar para outro, pessoas ou coisas.

Em decorrência do contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante


o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a
coisa, contra riscos predeterminados.

Por intermédio do contrato de constituição de renda, pode uma pessoa,


pelo contrato de constituição de renda, obrigar-se para com outra a uma prestação
periódica, a título gratuito.

As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se


pode recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou
se o perdente é menor ou interdito.

Pelo contrato de fiança, uma pessoa garante satisfazer ao credor uma


obrigação assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.

Advém da transação a idéia de que é lícito aos interessados prevenirem

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22

ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas.

O compromisso judicial ou extrajudicial, pode ser utilizado para resolver


litígios entre pessoas que podem contratar.

Nesse cenário, atípicos de seu turno, são todos aqueles contratos não
nominados na legislação pátria e que obedecem aos requisitos de validade do ato
jurídico, ou seja, aqueles previstos no Art. 10414do Código Civil em vigor. A forma
contratual deve ser prescrita ou não defesa 15 em lei. A previsão legal para os contratos
atípicos resta prevista no Art. 425 do Código Civil: “Art. 425. É lícito às partes estipular
contratos atípicos, observadas as normas gerais fixadas neste Código.”
Ao discorrer sobre contratos atípicos, explica César Fiúza16 que tais
contratos “não se encontram tipificados em lei, como ocorre com os contratos de fidúcia,
de alienação fiduciária de imóveis, de factoring, etc. Regem-se pelas normas da teoria
geral das obrigações, da teoria geral dos contratos e, analogicamente, pelas normas de
outros contratos similares.”

7.3. Contratos de adesão.


O termo “adesão” relaciona-se com todo contrato que não se insira na
realidade da “bilateralidade típica”, onde a avença resulta de forma tranqüila e pacífica
do acordo de vontade entre as partes. A definição de contrato de adesão repousa no Art.
54 do Código de Defesa do Consumidor:

Art.54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham


sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas
unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou serviços,
sem que o consumidor possa discutir ou modificar
substancialmente seu conteúdo.

Importante a referência do legislador à imposição unilateral de cláusulas e


mantença da qualidade adesiva do contrato ainda que haja modificações, pois apenas as
modificações substanciais aptas a desconstituir a natureza adesiva do contrato. Nessa
realidade, pequenas modificações realizadas pelo contratante-consumidor no ato da
contratação, conforme previsão legal, garantem a natureza adesiva do contrato.
Os contratos de adesão relacionam-se diretamente com o fenômeno
conhecido por “massificação contratual”, aplicando-se neles, de forma mais incisiva, o
“dirigismo contratual”.

7.4. Circulação dos contratos.

14
Lei 10.406/02 (Código Civil Brasileiro em vigor):
Art. 104. A validade do negócio jurídico requer:
I - agente capaz;
II - objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III - forma prescrita ou não defesa em lei.
15
proibida
16
César FIÚZA, op. cit., p.467

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23

Os contratos são instrumentos históricos de circulação de riquezas. Foi


assim no mundo antigo, na idade média, moderna e continua sendo no mundo
globalizado.

A evolução da sociedade levou ao fenômeno da massificação dos


contratos que consagrou diferentes momentos históricos, a depender do movimento
social predominante. No liberalismo, por exemplo, onde mínima era a intervenção
estatal, vigeu em sua plenitude o princípio de que os pactos deveriam ser cumpridos
(pacta sunt servanda).

De todos os instrumentos utilizados pela sociedade humana para reger as


relações entre seus pares, o contrato, decerto, é um dos que mais possui importância
para o desenvolvimento e paz das sociedades modernas; isso, desde que praticado com
equilíbrio através da intervenção estatal.
Com efeito, as relações entre particulares e entre nações, ou seja, em
maior ou menor escala sempre possuiu o substrato contratual para início, manutenção ou
fim de suas relações.

E, a dignidade humana, enquanto direito fundamental tem, nesse contexto,


o importante condão de pugnar, via regramentos legais existentes, pela aplicação dos
direitos fundamentais no âmbito do Direito Privado.

7.5. Efeitos dos contratos.


Os contratos, por serem leis entre as partes, geram efeitos entre elas;
contudo, tais efeitos não são absolutos, sendo limitados pela ordem jurídica ou, noutras
palavras, pela legislação em vigor. Tal fenômeno denomina-se “dirigismo contratual”
que, por sua vez, pode ser analisado enquanto uma mitigação do princípio da autonomia
da vontade. Pode-se, portanto, afirmar que as disposições contratuais não são absolutas,
já que prevalece a ordem pública na interpretação contratual.

7.6. Dos Defeitos e da Invalidade dos contratos.


Os negócios jurídicos poderão ser nulos ou anuláveis. Os atos nulos não
produzem efeito desde o seu início; e, os anuláveis, a partir de sua decretação.
São defeitos do negócio jurídico o erro ou ignorância, o dolo, a coação, o
estado de perigo, a lesão e a fraude contra credores.

Nesse cenário, sobre o erro ou ignorância tem-se, em conformidade com o


Art. 138 do Código Civil Brasileiro, que “são anuláveis os negócios jurídicos, quando as
declarações de vontade emanarem de erro substancial que poderia ser percebido por
pessoa de diligência normal, em face das circunstâncias do negócio.”

Acerca do dolo, reza o Art. 145 do Código Civil que “são os negócios
jurídicos anuláveis por dolo, quando este for a sua causa.”

Já a coação, “para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta


ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família,
ou aos seus bens.” (CCB, Art. 151)

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24

Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade


de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte,
assume obrigação excessivamente onerosa.
Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por
inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da
prestação oposta.

Sobre a fraude contra credores, explica o Art. 158 do CCB que “Os
negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor
já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser
anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos.”

Nulo o negócio jurídico, não é ele passível de confirmação nem convalesce


pelo decurso do tempo.

O negócio jurídico pode ser anulável pela incapacidade relativa do agente


e por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra
credores.

7.7. Extinção dos contratos.


A extinção representa o fim do contrato. O contrato pode terminar por seu
distrato ou pelo pagamento, por exemplo.

Pode, outrossim, findar pela resilição ou rescisão, assuntos abordados no


tópico seguinte.

7.8. Da resilição e rescisão dos contratos, da cláusula


resolutiva, da exceção do contrato não cumprido, da
resolução por onerosidade excessiva. Da Interpretação
Contratual.
A resilição é a extinção do contrato pela vontade de uma das partes.

A resilição bilateral resta consagrada pelo legislador no Art. 472 do


Código Civil Brasileiro, a saber:
Art. 472. O distrato faz-se pela mesma forma exigida para o
contrato.

A rescisão relaciona-se com a extinção do contrato por ato ou fato ligado


à culpa contratual.

A cláusula resolutiva pode ser expressa ou tácita, sendo que enquanto a


expressa opera de pleno direito, a tácita depende de interpelação judicial. Sobre ela,
explica César Fiúza17 que:

A forma natural de extinção é a execução de seu objeto pelas

17
César FIÚZA, op. Cit., p. 482

Direito Empresarial para Gestores


25

partes, culminada com o pagamento. Há, porém, outras


formas naturais de extinção O implemento da condição
resolutiva é uma delas. Suponhamos contrato de empréstimo
em que A empresta carro a B até que este se case.
Ocorrendo as núpcias, ou seja, implementando-se a
condição, dissolve-se o empréstimo.

A exceção de contrato não cumprido resta regulada no Art. 476 do


Código Civil Brasileiro em vigor, onde se lê que “nos contratos bilaterais, nenhum dos
contratantes, antes de cumprida sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.”
Já a resolução por onerosidade excessiva resta prevista no Art. 478 do
Código Civil:

Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou diferida,


se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente
onerosa, com extrema vantagem para a outra, em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, poderá o
devedor pedir a resolução do contrato. Os efeitos da
sentença que a decretar retroagirão à data da citação.

Sobre a interpretação contratual, lembra-nos César Fiúza18 que o “Código


Civil é pobre em normas de hermenêutica contratual”, mas que:

Na verdade, o hermeneuta deve procurar a vontade das


partes, viajando através da declaração para atingir o âmago,
que é a vontade real. Assim, pesquisará as circunstâncias
em que se celebrou o contrato, os elementos sociais e
econômicos que envolviam cada uma das partes, os
documentos e demais papéis que sustentam o negócio, as
correspondências trocadas etc. Deve avaliar se houve má-fé
ou boa fé. Se o caso foi de erro, dolo ou coação. Enfim, é o
caso concreto, em sua riqueza de detalhes, que permitirá ao
intérprete chegar a uma conclusão.
No entanto, o intérprete deve ter em mente que seu objetivo
é pesquisar a vontade dos contratantes e não impor a sua.
Deve estar sempre se policiando, a fim de evitar
subjetivismos de sua parte.
A interpretação dos contratos, diga-se enfaticamente, está
sempre vinculada à principiologia contratual. Interpretar é,
antes de tudo, aplicar princípios, é saber que princípio deve
ser aplicado a que caso concreto.
Não é à toa que, por exemplo, o Art. 112 do Código Civil Brasileiro afirma
que “Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do
que ao sentido literal da linguagem”; e, o Art.114 do CCB, que os negócios benéficos
(doação e fiança) devem ser interpretados restritivamente.

Há ainda, outras regras de interpretação contratual geral previstas no

18
op.cit., p. 440.

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26

Código Civil Brasileiro:

Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos


limites da função social do contrato.

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na


conclusão do contrato, como em sua execução, os princípios de
probidade e boa-fé.

Art. 423. Quando houver no contrato de adesão cláusulas ambíguas


ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais favorável
ao aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as cláusulas que
estipulem a renúncia antecipada do aderente a direito resultante da
natureza do negócio.

Art. 425. É lícito às partes estipular contratos atípicos, observadas


as normas gerais fixadas neste Código.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a herança de pessoa
viva.
Do Código de Defesa do Consumidor, extrai-se:

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não


obrigarão os consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de
tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os respectivos
instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão
de seu sentido e alcance.

Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira


mais favorável ao consumidor.

Art. 48. As declarações de vontade constantes de escritos


particulares, recibos e pré-contratos relativos às relações de
consumo vinculam o fornecedor, ensejando inclusive execução
específica, nos termos do art. 84 e parágrafos.

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias


a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou
serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e
serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente
por telefone ou a domicílio.

Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de


arrependimento previsto neste artigo, os valores eventualmente
pagos, a qualquer título, durante o prazo de reflexão, serão
devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.
Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será
conferida mediante termo escrito.
Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve ser
padronizado e esclarecer, de maneira adequada em que consiste a
mesma garantia, bem como a forma, o prazo e o lugar em que pode

Direito Empresarial para Gestores


27

ser exercitada e os ônus a cargo do consumidor, devendo ser-lhe


entregue, devidamente preenchido pelo fornecedor, no ato do
fornecimento, acompanhado de manual de instrução, de instalação
e uso do produto em linguagem didática, com ilustrações.

8.0. Contratos nas relações de consumo : direitos básicos


do consumidor, revisão do contrato nas relações de
consumo, proteção contratual, das cláusulas abusivas
A Constituição Federal de 05 de outubro de 1988, marco nacional na
defesa da dignidade do homem na história jurídica e social brasileira, em seu art. 5º,
inciso XXXII, já previa a necessidade de uma legislação voltada às relações de consumo.

Os anseios da sociedade brasileira viraram realidade através da


promulgação, em 11 de setembro de 1990, da Lei 8.078/90, outrossim conhecida por
Código de Defesa do Consumidor (CDC).

As normas repousantes no Código de Defesa do Consumidor possuem


caráter de ordem pública e interesse social, o que, em outras palavras implica na
afirmação de que a sociedade brasileira elege uma ordem econômica fundada na livre
iniciativa ao mesmo tempo em que regula as relações contratuais através da ingerência
estatal, sempre visando existência digna para todos e os ditames da justiça social.

Constitui-se o Código de Defesa do Consumidor em um microssistema


legal. Tal entendimento significa que o CDC prevalece ainda diante de normas
posteriores, como no caso da Lei dos Planos de Saúde (Lei nº 9.656/98) ou, ainda,
perante a Convenção de Varsóvia e Pacto de Montreal, que limitam valores indenizatórios
em caso de extravio de bagagens.

O Código de Defesa do Consumidor somente será aplicado se restar


caracterizada uma relação de consumo. A contrario sensu, pois, não existindo
relação de consumo aplicam-se o Código Civil – Lei 10.406/2002 - e demais legislação
específica que se adequar a dado assunto.

Impende, nesse diapasão, desmistificar a idéia original de que o CDC


afasta de forma absoluta eventual lei específica que rege o tema. A bem da verdade, o
CDC apenas prevalecerá sobre eventual preceito de uma outra lei, isso, por ser um
microssistema legal, assunto já alhures abordado. Fala-se, aqui, em lídima interpretação
sistemática.
Nesse cenário, para existir uma relação de consumo urge a
necessidade de que o liame obrigacional seja composto entre fornecedor e
consumidor; e, o objeto do negócio entre eles envolva produto ou serviço.

O Art. 2º do CDC define consumidor como “toda pessoa física ou jurídica


que adquire ou utiliza produtos ou serviço como destinatário final”, sendo que o
parágrafo único do mesmo artigo afirma “equipara-se a consumidor a coletividade de
pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.”

Dessarte, e por exemplo, a relação jurídica entre o posto de gasolina e a


distribuidora de combustíveis não é relação de consumo, razão pela qual não se lhe

Direito Empresarial para Gestores


28

aplicam as regras do CDC e, sim, as regras do Código Civil e demais leis que regem o
tema. De igual forma, aplica-se o mesmo raciocínio à relação entre a fábrica de móveis e
aquele que vende a madeira bruta para construção do mobiliário.
Já a relação entre o posto de gasolina e a pessoa física que abastece o
carro é relação de consumo sujeita ao CDC, sendo a ilação semelhante na relação
existente entre a fábrica de móveis e a venda direta ao consumidor.

Pode-se afirmar, então, que aquele que retira o bem do mercado é


destinatário final; mas, e se a pessoa retirar o bem do mercado para utilizar em sua
empresa, ou na sua profissão ? É destinatária final ? É consumidora ?
Nas palavras de Cláudia Lima Marques (2006: 83 usque 85):

Destinatário final é aquele destinatário fático e econômico do


bem ou serviço, seja ele pessoa jurídica ou física. Logo,
segundo esta interpretação teleológica19, não basta ser
destinatário fático do produto, retirá-lo da cadeia de
produção, levá-lo para o escritório ou residência – é
necessário ser destinatário econômico do bem, não adquiri-lo
para revenda, não adquiri-lo para uso profissional, pois o
bem seria novamente um instrumento de produção cujo
preço será incluído no preço final do profissional que o
adquiriu. (...) O destinatário final é o consumidor final, o que
retira o bem do mercado ao adquiri-lo ou simplesmente
utilizá-lo (destinatário final fático), aquele que coloca um fim
na cadeia de produção (destinatário final econômico), e não
aquele que utiliza o bem para continuar a produzir, pois ele
não é o consumidor final, ele está transformando o bem,
utilizando o bem, incluindo o serviço contratado no seu, para
oferecê-lo por sua vez ao seu cliente, seu consumidor,
utilizando-o no seu serviço de construção, nos seus cálculos
do preço, como insumo da sua produção.

Doutro giro, no dizer do Art. 3º do CDC, Fornecedor é “toda pessoa


física ou jurídica, pública ou privada nacional ou estrangeira, bem como os entes
despersonalizados, que desenvolvem atividades de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de
produtos ou prestação de serviços.” Destaque-se que o fornecedor pode ser pessoa
física ou jurídica, bem como ente despersonalizado, ou seja, aquele que está na
informalidade, mas nem por isso deixa de exercer ato empresarial, comércio, como por
exemplo alguém que possua uma gráfica na garagem de casa ou uma confecção, etc.
O mesmo artigo que define fornecedor, explica o que é produto e serviço:
a) Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial; b) Serviço é
qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive
as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.
Direitos Básicos do Consumidor, são direitos mínimos deste. É o básico, o

19
Interpretação teleológica é o mesmo que finalística, o objetivo da Lei.

Direito Empresarial para Gestores


29

mínimo aceitável. São eles, conforme previsão expressa no CDC, Art. 6º:
● O direito à proteção da vida, saúde e segurança
contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de
produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
● O direito à educação e divulgação sobre o consumo
adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade
de escolha e a igualdade nas contratações. Ex: necessidade
que a taxa de juros conste no contrato de forma expressa.
● O direito à informação adequada e clara sobre os
diferentes produtos e serviços, com especificação correta de
quantidade, características, composição, qualidade e preço,
bem como sobre os riscos que apresentem;
● O direito à proteção contra a publicidade enganosa e
abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem
como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no
fornecimento de produtos e serviços;
● O direito à modificação das cláusulas contratuais que
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em
razão de fatos supervenientes que as tornem
excessivamente onerosas;
● O direito à efetiva prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
● O direito ao acesso aos órgãos judiciários e
administrativos com vistas à prevenção ou reparação de
danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou
difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e
técnica aos necessitados;
● O direito à facilitação da defesa de seus direitos,
inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no
processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a
alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as
regras ordinárias de experiências. Ex: inversão do ônus da
prova no caso de saques indevidos em instituição bancária,
ou no caso de alegativa, pelo Banco, de que o envelope de
depósito continha valor a menor.
● O direito à adequada e eficaz prestação dos serviços
públicos em geral.
O Art. 30 do CDC dispõe que “toda informação ou publicidade,
suficientemente precisa, veiculada por qualquer forma ou meio de comunicação com
relação a produtos e serviços oferecidos ou apresentados, obriga o fornecedor que a fizer
veicular ou dela se utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado.”

Em conformidade com o Art. 31 do CDC, “a oferta e apresentação de


produtos ou serviços devem assegurar informações corretas, claras, precisas, ostensivas
e em língua portuguesa sobre suas características, qualidades, quantidade, composição,
preço, garantia, prazos de validade e origem, entre outros dados, bem como sobre os
riscos que apresentam à saúde e segurança dos consumidores.”
O Art. 32 vem a asseverar que “os fabricantes e importadores deverão

Direito Empresarial para Gestores


30

assegurar a oferta de componentes e peças de reposição enquanto não cessar a


fabricação ou importação do produto.”

Em consonância com o Art. 37 do CDC toda publicidade enganosa ou


abusiva é proibida.

A definição de publicidade enganosa encontra-se prevista no §1º do Art.


37 do CDC: “É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter
publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por
omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características,
qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre
produtos e serviços.”

Por outro lado, o § 2º do Art.37 do CDC define publicidade abusiva: “É


abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à
violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e
experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o
consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.”

A publicidade é enganosa por omissão quando deixar de informar sobre


dado essencial do produto ou serviço.

Importante aspecto do CDC na proteção do consumidor reside no elenco


exemplificativo das práticas abusivas que, ex vi do disposto no Art. 39 do CDC são: a)
condicionamento de fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro
produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos; b) recusa no
atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas disponibilidades
de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes; c) prática de enviar ou
entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto, ou fornecer qualquer
serviço; d) prevalência da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua
idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou
serviços; e) exigência do consumidor de vantagem manifestamente excessiva; f)
execução de serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização expressa do
consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as partes; g)
repasse informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor no exercício
de seus direitos; h) colocação, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em
desacordo com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas
específicas não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra
entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade
Industrial (Conmetro); i) recusa da venda de bens ou a prestação de serviços,
diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados
os casos de intermediação regulados em leis especiais; i) elevação sem justa causa do
preço de produtos ou serviços; j) não estipular prazo para o cumprimento de sua
obrigação ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério; k) aplicação de
fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente estabelecido.

Outrossim, os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao


consumidor, no caso de envio ao consumidor sem solicitação, equiparam-se às
amostras grátis, inexistindo obrigação de pagamento.

Tratando-se de orçamento, este deverá conter o valor discrimiando da


mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem empregados, as condições de

Direito Empresarial para Gestores


31

pagamento, bem como as datas de início e término dos serviços; e, salvo estipulação em
contrário, o valor orçado terá validade pelo prazo de dez dias, contado de seu
recebimento pelo consumidor.

Quando o assunto for cobrança de débitos (CDC, Art. 42), o consumidor


inadimplente não será exposto a ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de
constrangimento ou ameaça; sendo que o consumidor cobrado em quantia indevida tem
direito à repetição do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

No que se relaciona com os Bancos de Dados e Cadastros de


consumidores, estes, sem prejuízo do disposto no art. 86 do CDC, terão acesso às
informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo
arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes; e, sempre que o
consumidor encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros, poderá exigir sua imediata
correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis, comunicar a alteração aos
eventuais destinatários das informações incorretas.

Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros,


verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações
negativas referentes a período superior a cinco anos.

A proteção contratual possui especial atenção do Código de Defesa do


Consumidor, como se depreende do exato teor de seu Art. 46, consoante o qual “os
contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os consumidores, se não
lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os
respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu
sentido e alcance.”
E, em caso de dúvidas, as cláusulas contratuais serão interpretadas de
maneira mais favorável ao consumidor. (Art. 47, CDC).

Ocorrendo a contratação fora do estabelecimento comercial, o


consumidor poderá desistir do contrato, no prazo de 7(sete) dias a contar de sua
assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço.

Ainda, a garantia contratual é complementar à legal e será


conferida mediante termo escrito.

As cláusulas abusivas trabalham diretamente com a decretação de suas


nulidades, sendo certo afirmar que o que é nulo não produz efeitos jurídicos desde o
nascedouro do ato ou fato que deva ser nulificado.

O rol do Art. 51 do CDC é exemplificativo e considera nulas de pleno


direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e
serviços que: a) impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor
por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou
disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor
pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; b)
subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos casos previstos
neste código; c) transfiram responsabilidades a terceiros; d) estabeleçam obrigações
consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem
exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade; e) estabeleçam

Direito Empresarial para Gestores


32

inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor; f) determinem a utilização


compulsória de arbitragem; g) imponham representante para concluir ou realizar outro
negócio jurídico pelo consumidor; h) deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o
contrato, embora obrigando o consumidor; i) permitam ao fornecedor, direta ou
indiretamente, variação do preço de maneira unilateral; j) autorizem o fornecedor a
cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual direito seja conferido ao consumidor;
k) obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação, sem que
igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor; l) autorizem o fornecedor a modificar
unilateralmente o conteúdo ou a qualidade do contrato, após sua celebração; m)
infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais; n) estejam em desacordo
com o sistema de proteção ao consumidor; o) possibilitem a renúncia do direito de
indenização por benfeitorias necessárias.

Presume-se exagerada, entre outros casos, a vontade que ofende os


princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence; restringe direitos ou
obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato, de tal modo a ameaçar seu
objeto ou equilíbrio contratual; e/ou se mostra excessivamente onerosa para o
consumidor, considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e
outras circunstâncias peculiares ao caso. A nulidade de uma cláusula contratual abusiva
não invalida o contrato, exceto quando de sua ausência, apesar dos esforços de
integração, decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.

09. Responsabilidade Civil no Ordenamento Jurídico


Brasileiro: Código Civil e Código de Defesa do
Consumidor (CDC).
De acordo com o entendimento adotado no Direito Brasileiro, a
responsabilidade pode ser objetiva ou subjetiva.

No Código Civil Brasileiro, prevalece a responsabilidade subjetiva,


podendo-se também aplicar a responsabilidade objetiva, conforme regra repousante no
parágrafo único do Art. 927. No Código de Defesa do Consumidor prevalece a
responsabilidade objetiva, sendo a responsabilidade subjetiva aplicada aos profissionais
liberais.

A responsabilidade subjetiva desdobra-se através de uma de suas três


modalidades de culpa: imprudência (excesso na prática do ato), imperícia (falta de
perícia, ausência de domínio de certa técnica) e negligência (ausência da prática de
determinada conduta). Na responsabilidade subjetiva, o indivíduo somente será
condenado se agir por imprudência, imperícia ou negligência. Há a necessidade de prova
para se caracterizar o nexo com uma das modalidades de culpa ora relatadas.

A responsabilidade objetiva, por sua vez, prescinde da prova da


culpa (imprudência, imperícia ou negligência). Verificado o ato ilícito, nasce a
obrigatoriedade da indenização, seja ela por danos materiais e/ou morais. Basta o
nexo. Assim, havendo relação de consumo, a inscrição indevida do nome de alguém em
órgãos de proteção ao crédito gera o dever respectivo de indenização sem a necessidade
de se provar imprudência, imperícia ou negligência.

Direito Empresarial para Gestores


33

Nas palavras de César Fiúza20:

Haverá responsabilidade por atos ou fatos lícitos nos


contratos, mas também fora deles. Se duas pessoas
celebram um contrato, tornam-se responsáveis por cumprir
as obrigações que convencionaram. Mas a esfera da licitude
não se resume tão-somente aos contratos. Há outros atos
lícitos como a gestão de negócios e a promessa de
recompensa. Há fatos lícitos como a paternidade e outros,
todos gerando responsabilidade num sentido positivo, ou
seja, no sentido de cumprimentodas obrigações decorrentes
desses atos ou fatos.

(...) haverá ato ilícito, sempre que uma pessoa atuar


contrariamente ao Direito, seja por ação ou por omissão.
Situam-se na esfera do ilícito o inadimplemento contratual; a
quebra de uma promessa; a prática de um ato
intrinsecamente ilícito, como o homicídio, o furto e o
estupro; o abuso do direito. Todos são ilícitos para o Direito
Civil e geram responsabilidade.

(...)

Responsabilidade contratual é a que decorre da


celebração ou da execução de um contrato. Como vimos, a
responsabilidade contratual poderá ser por ato lícito ou
ilícito.

(...) a responsabilidade extracontratual decorre de


atos unilaterais de vontade, como a promessa de
pagamento, a gestão de negócios e o pagamento indevido;
decorre também de fatos lícitos, como a paternidade, e
decorre, por fim, do abuso de direito e dos intrinsecamente
ilícitos.

Ao tratar dos atos ilícitos, afirmam os Arts. 186 a 188 do Código Civil
Brasileiro:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,


negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a
outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito


que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites
impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou
pelos bons costumes.

Art. 188. Não constituem atos ilícitos:


I - os praticados em legítima defesa ou no exercício regular
de um direito reconhecido;

20
op.cit., p.276

Direito Empresarial para Gestores


34

II - a deterioração ou destruição da coisa alheia, ou a lesão a


pessoa, a fim de remover perigo iminente.

Parágrafo único. No caso do inciso II, o ato será legítimo


somente quando as circunstâncias o tornarem
absolutamente necessário, não excedendo os limites do
indispensável para a remoção do perigo.

Acerca da obrigação de indenizar, afirma o Art. 927 e seguintes do Código


Civil Brasileiro:

Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar
dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano,


independentemente de culpa, nos casos especificados em lei,
ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor
do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de
outrem.

Art. 928. O incapaz responde pelos prejuízos que causar, se


as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de
fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes.

Parágrafo único. A indenização prevista neste artigo, que


deverá ser eqüitativa, não terá lugar se privar do necessário
o incapaz ou as pessoas que dele dependem.

Art. 929. Se a pessoa lesada, ou o dono da coisa, no caso do


inciso II do art. 188, não forem culpados do perigo, assistir-
lhes-á direito à indenização do prejuízo que sofreram.

Art. 930. No caso do inciso II do art. 188, se o perigo


ocorrer por culpa de terceiro, contra este terá o autor do
dano ação regressiva para haver a importância que tiver
ressarcido ao lesado.

Parágrafo único. A mesma ação competirá contra aquele em


defesa de quem se causou o dano (art. 188, inciso I).

Art. 931. Ressalvados outros casos previstos em lei especial,


os empresários individuais e as empresas respondem
independentemente de culpa pelos danos causados pelos
produtos postos em circulação.

Art. 932. São também responsáveis pela reparação civil:


I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua
autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se
acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados,
serviçais e prepostos, no exercício do trabalho que lhes
competir, ou em razão dele;

Direito Empresarial para Gestores


35

IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou


estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, mesmo
para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e
educandos;

V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos


do crime, até a concorrente quantia.

Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo


antecedente, ainda que não haja culpa de sua parte,
responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali
referidos.

Art. 934. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem


pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou,
salvo se o causador do dano for descendente seu, absoluta
ou relativamente incapaz.
Art. 935. A responsabilidade civil é independente da
criminal, não se podendo questionar mais sobre a existência
do fato, ou sobre quem seja o seu autor, quando estas
questões se acharem decididas no juízo criminal.

Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano


por este causado, se não provar culpa da vítima ou força
maior.

Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos


danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta
de reparos, cuja necessidade fosse manifesta.

Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde


pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem
lançadas em lugar indevido.

Art. 939. O credor que demandar o devedor antes de


vencida a dívida, fora dos casos em que a lei o permita,
ficará obrigado a esperar o tempo que faltava para o
vencimento, a descontar os juros correspondentes, embora
estipulados, e a pagar as custas em dobro.

Art. 940. Aquele que demandar por dívida já paga, no todo


ou em parte, sem ressalvar as quantias recebidas ou pedir
mais do que for devido, ficará obrigado a pagar ao devedor,
no primeiro caso, o dobro do que houver cobrado e, no
segundo, o equivalente do que dele exigir, salvo se houver
prescrição.

Art. 941. As penas previstas nos arts. 939 e 940 não se


aplicarão quando o autor desistir da ação antes de
contestada a lide, salvo ao réu o direito de haver indenização
por algum prejuízo que prove ter sofrido.
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do

Direito Empresarial para Gestores


36

direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano


causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos
responderão solidariamente pela reparação.

Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os


autores os co-autores e as pessoas designadas no art. 932.
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de
prestá-la transmitem-se com a herança.
A indenização, nos casos de responsabilidade civil, resta regulada pelo Art.
944 e seguintes do Código Civil Brasileiro, a saber:
Art. 944. A indenização mede-se pela extensão do dano.

Parágrafo único. Se houver excessiva desproporção entre a


gravidade da culpa e o dano, poderá o juiz reduzir,
eqüitativamente, a indenização.

Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o


evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em
conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor
do dano.

Art. 946. Se a obrigação for indeterminada, e não houver na


lei ou no contrato disposição fixando a indenização devida
pelo inadimplente, apurar-se-á o valor das perdas e danos
na forma que a lei processual determinar.

Art. 947. Se o devedor não puder cumprir a prestação na


espécie ajustada, substituir-se-á pelo seu valor, em moeda
corrente.

Art. 948. No caso de homicídio, a indenização consiste, sem


excluir outras reparações:

I - no pagamento das despesas com o tratamento da vítima,


seu funeral e o luto da família;

II - na prestação de alimentos às pessoas a quem o morto


os devia, levando-se em conta a duração provável da vida
da vítima.
Art. 949. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o
ofensor indenizará o ofendido das despesas do tratamento e
dos lucros cessantes até ao fim da convalescença, além de
algum outro prejuízo que o ofendido prove haver sofrido.

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito pelo qual o ofendido


não possa exercer o seu ofício ou profissão, ou se lhe
diminua a capacidade de trabalho, a indenização, além das
despesas do tratamento e lucros cessantes até ao fim da
convalescença, incluirá pensão correspondente à importância
do trabalho para que se inabilitou, ou da depreciação que ele
sofreu.

Direito Empresarial para Gestores


37

Parágrafo único. O prejudicado, se preferir, poderá exigir


que a indenização seja arbitrada e paga de uma só vez.

Art. 951. O disposto nos arts. 948, 949 e 950 aplica-se ainda
no caso de indenização devida por aquele que, no exercício
de atividade profissional, por negligência, imprudência ou
imperícia, causar a morte do paciente, agravar-lhe o mal,
causar-lhe lesão, ou inabilitá-lo para o trabalho.
Art. 952. Havendo usurpação ou esbulho do alheio, além da
restituição da coisa, a indenização consistirá em pagar o
valor das suas deteriorações e o devido a título de lucros
cessantes; faltando a coisa, dever-se-á reembolsar o seu
equivalente ao prejudicado.
Parágrafo único. Para se restituir o equivalente, quando não
exista a própria coisa, estimar-se-á ela pelo seu preço
ordinário e pelo de afeição, contanto que este não se
avantaje àquele.

Art. 953. A indenização por injúria, difamação ou calúnia


consistirá na reparação do dano que delas resulte ao
ofendido.

Parágrafo único. Se o ofendido não puder provar prejuízo


material, caberá ao juiz fixar, eqüitativamente, o valor da
indenização, na conformidade das circunstâncias do caso.

Art. 954. A indenização por ofensa à liberdade pessoal


consistirá no pagamento das perdas e danos que
sobrevierem ao ofendido, e se este não puder provar
prejuízo, tem aplicação o disposto no parágrafo único do
artigo antecedente.

Parágrafo único. Consideram-se ofensivos da liberdade


pessoal:

I - o cárcere privado;

II - a prisão por queixa ou denúncia falsa e de má-fé;


III - a prisão ilegal.

Doutra face, havendo relação de consumo, a Responsabilidade pelo Fato


do Produto e do Serviço é regulada pelo Art. 12 e seguintes do CDC, onde, o
fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador
responsáveis, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção,
montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus
produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e
riscos.
O parágrafo primeiro do Art. 12 define produto defeituoso como sendo

Direito Empresarial para Gestores


38

aquele que “não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em
consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais: I - sua apresentação; II - o
uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam; III - a época em que foi colocado
em circulação.

Ainda, o produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de


melhor qualidade ter sido colocado no mercado, a exemplo do aprimoramento de dado
produto.

O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será


responsabilizado quando provar que não colocou o produto no mercado; que, embora
haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste; a culpa exclusiva do consumidor
ou de terceiro.

Já o comerciante será igualmente responsável quando o fabricante, o


construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados; o produto for
fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;
ou, se não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

No que se refere a serviços, reza o CDC, Art. 14 que “o fornecedor de


serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos
causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como
por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos”, considerando-
se defeituoso o serviço quando não fornecer a segurança que o consumidor dele pode
esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais, o
modo de seu fornecimento, o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;
e, a época em que foi fornecido.

À semelhança do produto, o serviço não é considerado defeituoso pela


adoção de novas técnicas. Quanto à excludente de ilicitude relacionada ao serviço, tem-
se que o fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar que, tendo
prestado o serviço, o defeito inexiste ou se provar a culpa exclusiva do consumidor ou de
terceiro.

O Art. 17 do CDC trata dos consumidores por equiparação, ao


equiparar a consumidores todas as vítimas do evento.

Enquanto os arts. 12 a 17 do CDC referem-se a defeito pelo fato do


produto ou do serviço, os arts. 18 a 25, também do CDC, referem-se a vícios do produto
e do serviço.
No ensejo, assevera o Art. 18 do CDC que “Os fornecedores de produtos
de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de
qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se
destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade,
com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem
publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.”

O Art. 18 do CDC contém em seu bojo uma das mais conhecidas regras
consumeristas, i.e., o prazo legal para que o vício seja sanado. Com efeito, diz o §1º do
Art. 18 do CDC:

Direito Empresarial para Gestores


39

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta


dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua
escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em


perfeitas condições de uso;
II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente
atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
III - o abatimento proporcional do preço.

Doutro giro, encerra o § 3° do Art.18 a possibilidade legal de o consumidor


fazer uso imediato das alternativas do § 1° do mesmo artigo, isso, sempre que, “em
razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer
a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de
produto essencial21.”

O Art. 19 do CDC trata da responsabilidade solidária dos fornecedores no


que se refere aos vícios de quantidade do produto; e, o Art. 20 dispõe sobre a
responsabilidade do fornecedor de serviços.

Nesse cenário, o Código de Defesa do Consumidor, adota em quase sua


totalidade a responsabilidade objetiva. As duas únicas exceções refere-se aos
profissionais liberais e no caso de empresas coligadas, onde prevalece a aplicação da
responsabilidade subjetiva.

A responsabilidade dos Bancos, no caso, é sempre objetiva, bastando-se,


para sua caracterização, apenas a prova do nexo causal entre o fato e o dano verificado.

Inúmeras são as hipóteses em que a responsabilidade civil dos


estabelecimentos bancários pode ser suscitada, a exemplo de fraudes de cheques,
desconto de valores indevidos das contas e saques indevidos em caixas eletrônicos e na
internet.

Contudo, necessária a cautela necessária na análise do caso concreto, pois


a aplicação do Código de Defesa do Consumidor nas relações bancárias somente ocorrerá
se caracterizada uma relação de consumo. Dessarte, a relação entre uma empresa e uma
factoring, por exemplo, pode não configurar uma relação de consumo:

32142577 - CONTRATO DE FACTORING - REVISÃO DE


CLÁUSULAS CONTRATUAIS - NÃO INCIDÊNCIA DO CÓDIGO
DE DEFESA DO CONSUMIDOR - SOLUÇÃO À LUZ DO CÓDIGO
CIVIL - INAPLICABILIDADE DA TEORIA DA IMPREVISÃO -
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS EM QUANTIA
MÓDICA - MAJORAÇÃO - 1. O contrato típico de factoring
não encerra relação de consumo, porque a empresa
faturizada não se enquadra no conceito de
consumidora, na medida em que a venda dos seus
direitos creditórios ao faturizador tem por escopo

21
Produto essencial é aquele imprescindível para o consumidor no momento da compra. Assim, é essencial um
par de sapatos para alguém que o compra na data de uma festa de casamento para nele comparecer. Neste caso, a
espera de trinta dias tornaria desnecessária a compra do par de sapatos.

Direito Empresarial para Gestores


40

fomentar a sua atividade comercial. Ausente a relação


de consumo, não há que se aplicar o Código de Defesa
do Consumidor. 2. A revisão do contrato à luz do Código
Civil implica na incidência da teoria da imprevisão, mas não
restando demonstrada a ocorrência de acontecimentos
extraordinários ou imprevisíveis que possam ensejar o
desequilíbrio contratual, mantem-se o ajuste na forma
pactuada pelas partes, no âmbito da liberdade de contratar.
3. Impõe-se a majoração dos honorários advocatícios quando
arbitrados em quantia módica, em desobediência às
disposições constantes do art. 20 do Código de Processo
Civil. 4. Recurso interposto na ação cautelar conhecido e
provido para majorar a verba honorária. Recurso interposto
na ação principal conhecido e improvido. (TJDFT - APC
20010110219213 - 1ª T.Cív. - Rel. Des. Roberval Casemiro
Belinati - DJU 05.12.2006 - p. 78)

10. ANEXO I

LEI N° 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990

Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte lei:

TÍTULO I
Dos Direitos do Consumidor

CAPÍTULO I
Disposições Gerais

Art. 1° O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor,


de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5°, inciso XXXII, 170, inciso V,
da Constituição Federal e art. 48 de suas Disposições Transitórias.

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto
ou serviço como destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que


indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou


estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de
produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Direito Empresarial para Gestores


41

§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante


remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo
as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

CAPÍTULO II
Da Política Nacional de Relações de Consumo

Art. 4° A Política Nacional de Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento


das necessidades dos consumidores, o respeito a sua dignidade, saúde e segurança, a
proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como
a transferência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o


atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e
segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de
vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os
seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 9.008, de 21.3.1995)

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor:

a) por iniciativa direta;

b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas;

c) pela presença do Estado no mercado de consumo;

d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade,


segurança, durabilidade e desempenho.

III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e


compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento
econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem
econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio
nas relações entre consumidores e fornecedores;

IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus


direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo;

V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de


qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos
de solução de conflitos de consumo;

VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de


consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações

Direito Empresarial para Gestores


42

industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar
prejuízos aos consumidores;

VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos;

VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo.

Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o


poder público com os seguintes instrumentos, entre outros:

I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor


carente;

II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do


Ministério Público;

III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de


consumidores vítimas de infrações penais de consumo;

IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para


a solução de litígios de consumo;

V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa


do Consumidor.

§ 1° (Vetado).

§ 2º (Vetado).

CAPÍTULO III
Dos Direitos Básicos do Consumidor

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas


no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;

II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços,


asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com


especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos
incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem; (Lei nº12.741/12)

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais


coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no
fornecimento de produtos e serviços;

Direito Empresarial para Gestores


43

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações


desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem
excessivamente onerosas;

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,


coletivos e difusos;

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou


reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a
proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da


prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação
ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

IX - (Vetado);

X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Art. 7° Os direitos previstos neste código não excluem outros decorrentes de


tratados ou convenções internacionais de que o Brasil seja signatário, da legislação
interna ordinária, de regulamentos expedidos pelas autoridades administrativas
competentes, bem como dos que derivem dos princípios gerais do direito, analogia,
costumes e eqüidade.

Parágrafo único. Tendo mais de um autor a ofensa, todos responderão


solidariamente pela reparação dos danos previstos nas normas de consumo.

CAPÍTULO IV
Da Qualidade de Produtos e Serviços, da Prevenção e da Reparação dos Danos

SEÇÃO I
Da Proteção à Saúde e Segurança

Art. 8° Os produtos e serviços colocados no mercado de consumo não acarretarão


riscos à saúde ou segurança dos consumidores, exceto os considerados normais e
previsíveis em decorrência de sua natureza e fruição, obrigando-se os fornecedores, em
qualquer hipótese, a dar as informações necessárias e adequadas a seu respeito.

Parágrafo único. Em se tratando de produto industrial, ao fabricante cabe prestar as


informações a que se refere este artigo, através de impressos apropriados que devam
acompanhar o produto.

Art. 9° O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à


saúde ou segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da
sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em
cada caso concreto.

Direito Empresarial para Gestores


44

Art. 10. O fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo produto ou


serviço que sabe ou deveria saber apresentar alto grau de nocividade ou periculosidade à
saúde ou segurança.

§ 1° O fornecedor de produtos e serviços que, posteriormente à sua introdução no


mercado de consumo, tiver conhecimento da periculosidade que apresentem, deverá
comunicar o fato imediatamente às autoridades competentes e aos consumidores,
mediante anúncios publicitários.

§ 2° Os anúncios publicitários a que se refere o parágrafo anterior serão veiculados


na imprensa, rádio e televisão, às expensas do fornecedor do produto ou serviço.

§ 3° Sempre que tiverem conhecimento de periculosidade de produtos ou serviços


à saúde ou segurança dos consumidores, a União, os Estados, o Distrito Federal e os
Municípios deverão informá-los a respeito.

Art. 11. (Vetado).

SEÇÃO II
Da Responsabilidade pelo Fato do Produto e do Serviço

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o


importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos
danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação,
construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de
seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua
utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele


legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre
as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor


qualidade ter sido colocado no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será


responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

Direito Empresarial para Gestores


45

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior,


quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser


identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor,


construtor ou importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o


direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação
do evento danoso.

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de


culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à
prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre
sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele


pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a


verificação de culpa.

Art. 15. (Vetado).

Art. 16. (Vetado).

Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as
vítimas do evento.

Direito Empresarial para Gestores


46

SEÇÃO III
Da Responsabilidade por Vício do Produto e do Serviço

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis


respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem
impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor,
assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do
recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações
decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes
viciadas.

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor
exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições


de uso;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem


prejuízo de eventuais perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no


parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias.
Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado,
por meio de manifestação expressa do consumidor.

§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo


sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder
comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar
de produto essencial.

§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e


não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de
espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de
eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste
artigo.

§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o


consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor.

§ 6° São impróprios ao uso e consumo:

I - os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;

II - os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados,


corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em

Direito Empresarial para Gestores


47

desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;

III - os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se
destinam.

Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do


produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu
conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem,
rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente
e à sua escolha:

I - o abatimento proporcional do preço;

II - complementação do peso ou medida;

III - a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem
os aludidos vícios;

IV - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem


prejuízo de eventuais perdas e danos.

§ 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo anterior.

§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição


e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais.

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem
impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes
da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária,
podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I - a reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem


prejuízo de eventuais perdas e danos;

III - o abatimento proporcional do preço.

§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente


capacitados, por conta e risco do fornecedor.

§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que


razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas
regulamentares de prestabilidade.

Art. 21. No fornecimento de serviços que tenham por objetivo a reparação de


qualquer produto considerar-se-á implícita a obrigação do fornecedor de empregar
componentes de reposição originais adequados e novos, ou que mantenham as

Direito Empresarial para Gestores


48

especificações técnicas do fabricante, salvo, quanto a estes últimos, autorização em


contrário do consumidor.

Art. 22. Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias,


permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a
fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos.

Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações


referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os
danos causados, na forma prevista neste código.

Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre os vícios de qualidade por inadequação


dos produtos e serviços não o exime de responsabilidade.

Art. 24. A garantia legal de adequação do produto ou serviço independe de termo


expresso, vedada a exoneração contratual do fornecedor.

Art. 25. É vedada a estipulação contratual de cláusula que impossibilite, exonere ou


atenue a obrigação de indenizar prevista nesta e nas seções anteriores.

§ 1° Havendo mais de um responsável pela causação do dano, todos responderão


solidariamente pela reparação prevista nesta e nas seções anteriores.

§ 2° Sendo o dano causado por componente ou peça incorporada ao produto ou


serviço, são responsáveis solidários seu fabricante, construtor ou importador e o que
realizou a incorporação.

SEÇÃO IV
Da Decadência e da Prescrição

Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca
em:

I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;

II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.

§ 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do


produto ou do término da execução dos serviços.

§ 2° Obstam a decadência:

I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o


fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser
transmitida de forma inequívoca;

II - (Vetado).

Direito Empresarial para Gestores


49

III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.

§ 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que


ficar evidenciado o defeito.

Art. 27. Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação pelos danos causados por
fato do produto ou do serviço prevista na Seção II deste Capítulo, iniciando-se a
contagem do prazo a partir do conhecimento do dano e de sua autoria.

Parágrafo único. (Vetado).

SEÇÃO V
Da Desconsideração da Personalidade Jurídica

Art. 28. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando,


em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da
lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração
também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou
inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

§ 1° (Vetado).

§ 2° As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas,


são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código.

§ 3° As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações


decorrentes deste código.

§ 4° As sociedades coligadas só responderão por culpa.

§ 5° Também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua


personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados
aos consumidores.

CAPÍTULO V
Das Práticas Comerciais

SEÇÃO I
Das Disposições Gerais

Art. 29. Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores
todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas.

SEÇÃO II
Da Oferta

Art. 30. Toda informação ou publicidade, suficientemente precisa, veiculada por


qualquer forma ou meio de comunicação com relação a produtos e serviços oferecidos ou

Direito Empresarial para Gestores


50

apresentados, obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se utilizar e integra o


contrato que vier a ser celebrado.

Art. 31. A oferta e apresentação de produtos ou serviços devem assegurar


informações corretas, claras, precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre suas
características, qualidades, quantidade, composição, preço, garantia, prazos de validade
e origem, entre outros dados, bem como sobre os riscos que apresentam à saúde e
segurança dos consumidores.

Parágrafo único. As informações de que trata este artigo, nos produtos


refrigerados oferecidos ao consumidor, serão gravadas de forma indelével. (Incluído pela
Lei nº 11.989, de 2009)

Art. 32. Os fabricantes e importadores deverão assegurar a oferta de componentes


e peças de reposição enquanto não cessar a fabricação ou importação do produto.

Parágrafo único. Cessadas a produção ou importação, a oferta deverá ser mantida


por período razoável de tempo, na forma da lei.

Art. 33. Em caso de oferta ou venda por telefone ou reembolso postal, deve constar
o nome do fabricante e endereço na embalagem, publicidade e em todos os impressos
utilizados na transação comercial.

Parágrafo único. É proibida a publicidade de bens e serviços por telefone, quando a


chamada for onerosa ao consumidor que a origina. (Incluído pela Lei nº 11.800, de
2008).

Art. 34. O fornecedor do produto ou serviço é solidariamente responsável pelos atos


de seus prepostos ou representantes autônomos.

Art. 35. Se o fornecedor de produtos ou serviços recusar cumprimento à oferta,


apresentação ou publicidade, o consumidor poderá, alternativamente e à sua livre
escolha:

I - exigir o cumprimento forçado da obrigação, nos termos da oferta, apresentação


ou publicidade;

II - aceitar outro produto ou prestação de serviço equivalente;

III - rescindir o contrato, com direito à restituição de quantia eventualmente


antecipada, monetariamente atualizada, e a perdas e danos.

SEÇÃO III
Da Publicidade

Art. 36. A publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e
imediatamente, a identifique como tal.

Direito Empresarial para Gestores


51

Parágrafo único. O fornecedor, na publicidade de seus produtos ou serviços,


manterá, em seu poder, para informação dos legítimos interessados, os dados fáticos,
técnicos e científicos que dão sustentação à mensagem.

Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.

§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter


publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por
omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características,
qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre
produtos e serviços.

§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a


que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de
julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz
de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou
segurança.

§ 3° Para os efeitos deste código, a publicidade é enganosa por omissão quando


deixar de informar sobre dado essencial do produto ou serviço.

§ 4° (Vetado).

Art. 38. O ônus da prova da veracidade e correção da informação ou comunicação


publicitária cabe a quem as patrocina.

SEÇÃO IV
Das Práticas Abusivas

Art 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços:

Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços, dentre outras práticas


abusivas: (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994)

I - condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de outro


produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites quantitativos;

II - recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida de suas


disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os usos e costumes;

III - enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer produto,


ou fornecer qualquer serviço;

IV - prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua


idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus produtos ou
serviços;

V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;

Direito Empresarial para Gestores


52

VI - executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização


expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas anteriores entre as
partes;

VII - repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo consumidor


no exercício de seus direitos;

VIII - colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou serviço em desacordo


com as normas expedidas pelos órgãos oficiais competentes ou, se normas específicas
não existirem, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra entidade
credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial
(Conmetro);

IX - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a


fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério;

IX - recusar a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se


disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento, ressalvados os casos de
intermediação regulados em leis especiais; (Redação dada pela Lei nº 8.884, de
11.6.1994)

X - (Vetado).

X - elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços. (Incluído pela Lei nº
8.884, de 11.6.1994)

XI - Dispositivo incluído pela MPV nº 1.890-67, de 22.10.1999, transformado em


inciso XIII, quando da converão na Lei nº 9.870, de 23.11.1999

XII - deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação ou deixar a


fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério.(Incluído pela Lei nº 9.008, de
21.3.1995)

XIII - aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou contratualmente


estabelecido. (Incluído pela Lei nº 9.870, de 23.11.1999)

Parágrafo único. Os serviços prestados e os produtos remetidos ou entregues ao


consumidor, na hipótese prevista no inciso III, equiparam-se às amostras grátis,
inexistindo obrigação de pagamento.

Art. 40. O fornecedor de serviço será obrigado a entregar ao consumidor orçamento


prévio discriminando o valor da mão-de-obra, dos materiais e equipamentos a serem
empregados, as condições de pagamento, bem como as datas de início e término dos
serviços.

§ 1º Salvo estipulação em contrário, o valor orçado terá validade pelo prazo de dez
dias, contado de seu recebimento pelo consumidor.

Direito Empresarial para Gestores


53

§ 2° Uma vez aprovado pelo consumidor, o orçamento obriga os contraentes e


somente pode ser alterado mediante livre negociação das partes.

§ 3° O consumidor não responde por quaisquer ônus ou acréscimos decorrentes da


contratação de serviços de terceiros não previstos no orçamento prévio.

Art. 41. No caso de fornecimento de produtos ou de serviços sujeitos ao regime de


controle ou de tabelamento de preços, os fornecedores deverão respeitar os limites
oficiais sob pena de não o fazendo, responderem pela restituição da quantia recebida em
excesso, monetariamente atualizada, podendo o consumidor exigir à sua escolha, o
desfazimento do negócio, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

SEÇÃO V
Da Cobrança de Dívidas

Art. 42. Na cobrança de débitos, o consumidor inadimplente não será exposto a


ridículo, nem será submetido a qualquer tipo de constrangimento ou ameaça.

Parágrafo único. O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição


do indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção
monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável.

Art. 42-A. Em todos os documentos de cobrança de débitos apresentados ao


consumidor, deverão constar o nome, o endereço e o número de inscrição no Cadastro
de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ do
fornecedor do produto ou serviço correspondente. (Incluído pela Lei nº 12.039, de 2009)

SEÇÃO VI
Dos Bancos de Dados e Cadastros de Consumidores

Art. 43. O consumidor, sem prejuízo do disposto no art. 86, terá acesso às
informações existentes em cadastros, fichas, registros e dados pessoais e de consumo
arquivados sobre ele, bem como sobre as suas respectivas fontes.

§ 1° Os cadastros e dados de consumidores devem ser objetivos, claros,


verdadeiros e em linguagem de fácil compreensão, não podendo conter informações
negativas referentes a período superior a cinco anos.

§ 2° A abertura de cadastro, ficha, registro e dados pessoais e de consumo deverá


ser comunicada por escrito ao consumidor, quando não solicitada por ele.

§ 3° O consumidor, sempre que encontrar inexatidão nos seus dados e cadastros,


poderá exigir sua imediata correção, devendo o arquivista, no prazo de cinco dias úteis,
comunicar a alteração aos eventuais destinatários das informações incorretas.

§ 4° Os bancos de dados e cadastros relativos a consumidores, os serviços de


proteção ao crédito e congêneres são considerados entidades de caráter público.

Direito Empresarial para Gestores


54

§ 5° Consumada a prescrição relativa à cobrança de débitos do consumidor, não


serão fornecidas, pelos respectivos Sistemas de Proteção ao Crédito, quaisquer
informações que possam impedir ou dificultar novo acesso ao crédito junto aos
fornecedores.

Art. 44. Os órgãos públicos de defesa do consumidor manterão cadastros


atualizados de reclamações fundamentadas contra fornecedores de produtos e serviços,
devendo divulgá-lo pública e anualmente. A divulgação indicará se a reclamação foi
atendida ou não pelo fornecedor.

§ 1° É facultado o acesso às informações lá constantes para orientação e consulta


por qualquer interessado.

§ 2° Aplicam-se a este artigo, no que couber, as mesmas regras enunciadas no


artigo anterior e as do parágrafo único do art. 22 deste código.

Art. 45. (Vetado).

CAPÍTULO VI
Da Proteção Contratual

SEÇÃO I
Disposições Gerais

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de consumo não obrigarão os


consumidores, se não lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de seu
conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a
compreensão de seu sentido e alcance.

Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de maneira mais favorável ao


consumidor.

Art. 48. As declarações de vontade constantes de escritos particulares, recibos e


pré-contratos relativos às relações de consumo vinculam o fornecedor, ensejando
inclusive execução específica, nos termos do art. 84 e parágrafos.

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua
assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de
fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial,
especialmente por telefone ou a domicílio.

Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto


neste artigo, os valores eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo de
reflexão, serão devolvidos, de imediato, monetariamente atualizados.

Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e será conferida mediante


termo escrito.

Direito Empresarial para Gestores


55

Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve ser padronizado e


esclarecer, de maneira adequada em que consiste a mesma garantia, bem como a forma,
o prazo e o lugar em que pode ser exercitada e os ônus a cargo do consumidor, devendo
ser-lhe entregue, devidamente preenchido pelo fornecedor, no ato do fornecimento,
acompanhado de manual de instrução, de instalação e uso do produto em linguagem
didática, com ilustrações.

SEÇÃO II
Das Cláusulas Abusivas

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas
ao fornecimento de produtos e serviços que:

I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por


vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição
de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica,
a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis;

II - subtraiam ao consumidor a opção de reembolso da quantia já paga, nos casos


previstos neste código;

III - transfiram responsabilidades a terceiros;

IV - estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o


consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a
eqüidade;

V - (Vetado);

VI - estabeleçam inversão do ônus da prova em prejuízo do consumidor;

VII - determinem a utilização compulsória de arbitragem;

VIII - imponham representante para concluir ou realizar outro negócio jurídico pelo
consumidor;

IX - deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato, embora obrigando


o consumidor;

X - permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do preço de maneira


unilateral;

XI - autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente, sem que igual


direito seja conferido ao consumidor;

XII - obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de sua obrigação,


sem que igual direito lhe seja conferido contra o fornecedor;

Direito Empresarial para Gestores


56

XIII - autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo ou a


qualidade do contrato, após sua celebração;

XIV - infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais;

XV - estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor;

XVI - possibilitem a renúncia do direito de indenização por benfeitorias necessárias.

§ 1º Presume-se exagerada, entre outros casos, a vontade que:

I - ofende os princípios fundamentais do sistema jurídico a que pertence;

II - restringe direitos ou obrigações fundamentais inerentes à natureza do contrato,


de tal modo a ameaçar seu objeto ou equilíbrio contratual;

III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a


natureza e conteúdo do contrato, o interesse das partes e outras circunstâncias
peculiares ao caso.

§ 2° A nulidade de uma cláusula contratual abusiva não invalida o contrato, exceto


quando de sua ausência, apesar dos esforços de integração, decorrer ônus excessivo a
qualquer das partes.

§ 3° (Vetado).

§ 4° É facultado a qualquer consumidor ou entidade que o represente requerer ao


Ministério Público que ajuíze a competente ação para ser declarada a nulidade de
cláusula contratual que contrarie o disposto neste código ou de qualquer forma não
assegure o justo equilíbrio entre direitos e obrigações das partes.

Art. 52. No fornecimento de produtos ou serviços que envolva outorga de crédito ou


concessão de financiamento ao consumidor, o fornecedor deverá, entre outros requisitos,
informá-lo prévia e adequadamente sobre:

I - preço do produto ou serviço em moeda corrente nacional;

II - montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros;

III - acréscimos legalmente previstos;

IV - número e periodicidade das prestações;

V - soma total a pagar, com e sem financiamento.

§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigação no seu termo


não poderão ser superiores a dez por cento do valor da prestação.

Direito Empresarial para Gestores


57

§ 1° As multas de mora decorrentes do inadimplemento de obrigações no seu


termo não poderão ser superiores a dois por cento do valor da prestação.(Redação dada
pela Lei nº 9.298, de 1º.8.1996)

§ 2º É assegurado ao consumidor a liquidação antecipada do débito, total ou


parcialmente, mediante redução proporcional dos juros e demais acréscimos.

§ 3º (Vetado).

Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante


pagamento em prestações, bem como nas alienações fiduciárias em garantia,
consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das
prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a
resolução do contrato e a retomada do produto alienado.

§ 1° (Vetado).

§ 2º Nos contratos do sistema de consórcio de produtos duráveis, a compensação


ou a restituição das parcelas quitadas, na forma deste artigo, terá descontada, além da
vantagem econômica auferida com a fruição, os prejuízos que o desistente ou
inadimplente causar ao grupo.

§ 3° Os contratos de que trata o caput deste artigo serão expressos em moeda


corrente nacional.

SEÇÃO III
Dos Contratos de Adesão

Art. 54. Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham sido aprovadas pela
autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou
serviços, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu
conteúdo.

§ 1° A inserção de cláusula no formulário não desfigura a natureza de adesão do


contrato.

§ 2° Nos contratos de adesão admite-se cláusula resolutória, desde que a


alternativa, cabendo a escolha ao consumidor, ressalvando-se o disposto no § 2° do
artigo anterior.

§ 3° Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com


caracteres ostensivos e legíveis, de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor.

§ 3o Os contratos de adesão escritos serão redigidos em termos claros e com


caracteres ostensivos e legíveis, cujo tamanho da fonte não será inferior ao corpo doze,
de modo a facilitar sua compreensão pelo consumidor. (Redação dada pela nº 11.785, de
2008)

Direito Empresarial para Gestores


58

§ 4° As cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor deverão ser


redigidas com destaque, permitindo sua imediata e fácil compreensão.

§ 5° (Vetado)

(...)

TÍTULO III
Da Defesa do Consumidor em Juízo

CAPÍTULO I
Disposições Gerais

Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá
ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo.

Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de:

I - interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os


transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e
ligadas por circunstâncias de fato;

II - interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os


transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de
pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base;

III - interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os


decorrentes de origem comum.

(...)

TÍTULO V
Da Convenção Coletiva de Consumo

Art. 107. As entidades civis de consumidores e as associações de fornecedores ou


sindicatos de categoria econômica podem regular, por convenção escrita, relações de
consumo que tenham por objeto estabelecer condições relativas ao preço, à qualidade, à
quantidade, à garantia e características de produtos e serviços, bem como à reclamação
e composição do conflito de consumo.

§ 1° A convenção tornar-se-á obrigatória a partir do registro do instrumento no


cartório de títulos e documentos.

§ 2° A convenção somente obrigará os filiados às entidades signatárias.

§ 3° Não se exime de cumprir a convenção o fornecedor que se desligar da


entidade em data posterior ao registro do instrumento.

Direito Empresarial para Gestores


59

(...)

Art. 118. Este código entrará em vigor dentro de cento e oitenta dias a contar de
sua publicação.

Art. 119. Revogam-se as disposições em contrário.

Brasília, 11 de setembro de 1990; 169° da Independência e 102° da República.

FERNANDO COLLOR
Bernardo Cabral
Zélia M. Cardoso de Mello
Ozires Silva

11. ANEXO II- CASOS CONCRETOS. JURISPRUDÊNCIAS DE TRIBUNAIS

DANOS MORAIS

1163901346 – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL – RESPONSABILIDADE


CIVIL – DANOS MORAIS – DEMORA NA PROPOSITURA DA AÇÃO – REFLEXO NA FIXAÇÃO DO
QUANTUM INDENIZATÓRIO – PRECEDENTES – 1- A demora na busca da reparação do dano
moral é fator influente na fixação do quantum indenizatório, a fazer obrigatória a consideração
do tempo decorrido entre o fato danoso e a propositura da ação. 2- Embargos de divergência
acolhidos. (STJ – ED-REsp 526.299 – (2005/0017834-3) – C.Esp. – Rel. Hamilton Carvalhido – DJe
05.02.2009 – p. 1383)

1163900864 – CIVIL E PROCESSUAL CIVIL – AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE


INSTRUMENTO – CONTRATO DE TRANSPORTE AÉREO DE PASSAGEIROS – ATRASO –
DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL – DANO MORAL – SÚMULA 7/STJ – APLICAÇÃO DO
CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR EM DETRIMENTO DA CONVENÇÃO DE VARSÓVIA –
VALOR INDENIZATÓRIO – RAZOABILIDADE – I- Esta Superior Corte já pacificou o
entendimento de que não se aplica, a casos em que há constrangimento provocado por erro
de serviço, a Convenção de Varsóvia, e sim o Código de Defesa do Consumidor, que traz em
seu bojo a orientação constitucional de que o dano moral é amplamente indenizável. II- A
conclusão do Tribunal de origem, acerca do dano moral sofrido pelos Agravados, em razão do
atraso do vôo em mais de onze horas, não pode ser afastada nesta instância, por depender do
reexame do quadro fático-probatório (Súmula 7/STJ). III- Tendo em vista a jurisprudência desta
Corte a respeito do tema e as circunstâncias da causa, deve ser mantido o quantum
indenizatório, diante de sua razoabilidade, em R$ 3.000,00 (três mil reais). Agravo regimental
improvido. (STJ – AgRg-AI 903.969 – (2007/0109757-3) – 3ª T – Rel. Sidnei Beneti – DJe 03.02.2009
– p. 3853)

1335337081 JNCCB.406 JCTN.161 JCTN.161.1 – CIVIL E PROCESSUAL CIVIL –


RESPONSABILIDADE CIVIL – DANO MORAL – ASSALTO EM AGÊNCIA DA CAIXA ECONÔMICA
FEDERAL (CEF) – MORTE DE CLIENTE – RESPONSABILIDADE OBJETIVA – DEVER DE

Direito Empresarial para Gestores


60

PROVER A SEGURANÇA DO LOCAL – INDENIZAÇÃO DEVIDA – FIXAÇÃO DO QUANTUM EM


SALÁRIOS MÍNIMOS – VEDAÇÃO – VALOR – ADEQUAÇÃO – 1- É objetiva a responsabilidade
da instituição financeira por morte de cliente, decorrente de assalto ocorrido dentro de uma de
suas agências, tendo em vista que a atividade por ela desenvolvida envolve riscos, os quais a
empresa pública tem o dever de minimizar, sendo inadmissível a afirmação de que o evento
era imprevisível. 2- Afastada a alegação de caso fortuito e de força maior. 3- Indenização fixada
em valor correspondente a 500 (quinhentos) salários mínimos, segundo o salário mínimo
vigente na data da prolação da sentença. Vencido no ponto o relator. 4- Tratando-se indenização
por dano moral, cujo valor foi reduzido pelo Tribunal, a data do julgamento do apelo é o termo inicial
da correção monetária. 5- Juros moratórios, fixados em 0,5% ao mês, são devidos desde o evento
danoso (Súmula 54-STJ), até a entrada em vigor do novo Código Civil (10.1.2003) e, a partir de
então, em 1% ao mês (Código Civil, art. 406; CTN, art. 161, § 1º).6- Sentença reformada. 7- Apelação
parcialmente provida. (TRF 1ª R. – AC 2006.35.00.000296-5/GO – 6ª T – Rel. Daniel Paes Ribeiro –
DJe 12.01.2009 – p. 52)

1400854615 JCF.37 JCF.37.6 – CIVIL – REPARAÇÃO A TÍTULO DE DANO MORAL – RESTRIÇÃO


INDEVIDA DE CPF NA RECEITA FEDERAL – EQUÍVOCO NA NUMERAÇÃO –
RESPONSABILIDADE CIVIL – ART. 37, § 6º, DA CF – RECURSO E REMESSA DESPROVIDOS –
Trata-se de apelação cível e de remessa necessária de sentença que, nos autos de ação de
conhecimento, pelo rito ordinário, julgou parcialmente procedente o pleito autoral referente ao
pagamento de indenização a título de danos morais decorrentes de restrição indevida de CPF- Na
espécie, conforme bem salientado pelo magistrado de piso "é incontestável o fato de a restrição ao
CPF da autora ter sido fruto de equívoco perpetrado pelo INSS, que informou o número do CPF da
autora como sendo pertencente a outro segurado beneficiário de aposentadoria, e, especialmente, da
Receita Federal que, de forma negligente, não averiguou os dados que dispunha, tendo em conta que
um simples confronto entre os nomes dos contribuintes revelaria o equívoco da numeração do CPF",
circunstância esta que recomenda a manutenção da sentença que reconheceu a ocorrência de dano
moral- No pertinente ao quantum debeatur, entendo razoável- Observadas a gravidade da lesão
e a posição familiar, cultural, política, social e econômico-financeira da ofendida- O valor
indenizatório fixado pelo magistrado a quo no montante de R$ 10.000,00 (dez mil reais),
quantia que julgo idônea para reparar os danos sofridos pela apelada e, ainda, para constituir
sanção educativa ao agente causador, sem configurar enriquecimento sem causa- Recurso e
remessa desprovidos. (TRF 2ª R. – AC 2005.51.03.002116-5 – (414215) – 5ª T.Esp. – Rel. Paulo
Espirito Santo – DJe 20.01.2009 – p. 31)

1400854442 JCDC.3 JCDC.3.2 JCDC.5 JCDC.5.V JCDC.5.X JCDC.6 JCDC.6.VI JCDC.6.VII –


RESPONSABILIDADE CIVIL – CEF – FUNDO DE FINANCIAMENTO AO ESTUDANTE DO ENSINO
SUPERIOR – FIES – DÉBITO – INSCRIÇÃO NO SERASA – QUITAÇÃO – MANUTENÇÃO DA
INSCRIÇÃO – DANO MORAL PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE – REDUÇÃO DO QUANTUM – 1- O
caso atrai a incidência das normas do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que a
relação jurídica em comento se enquadra perfeitamente aos preceitos do artigo 3º, § 2º, da Lei
nº 8078/90. 2- Inexistência de controvérsia quanto a matéria fática, porquanto, a despeito do farto
acervo probatório juntado pelo autor, a ré não trouxe aos autos qualquer elemento que ilidisse o
afirmado na petição inicial. 3- Em que pese o autor haver procedido a quitação do débito para
com a Caixa Econômica Federal, esta manteve o nome daquele inscrito junto a cadastro de
inadimplente (SERASA), fato que impossibilitou a aquisição de uma geladeira pelo
demandante junto a loja de grande circulação, de modo que exsurge cristalino o dever de
indenizar. 4- Segundo precedentes desta Corte, "Os danos morais são admitidos na Constituição
Federal de 1988, notadamente nos incisos V e X, do art. 5º, bem como nos incisos VI e VII, do
art. 6º, do CDC, devendo ser quantificado de acordo com o critério da razoabilidade a ser

Direito Empresarial para Gestores


61

utilizado pelo Magistrado, em cada caso, observando-se o nível sócio econômico das partes e
as circunstâncias peculiares de cada evento, evitando-se o enriquecimento sem causa da
autora" (TRF-2- AC- 330795- Quarta Turma- DJU- Data:: 29/06/2004- Página:: 121- Relator
Desembargador Federal Benedito Gonçalves). 5- O valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais) afigura-se
excessivo a ensejar a reparação dos danos sofridos pelo autor, devendo este ser reduzido
para o patamar de R$ 3.000,00 (três mil reais). 6- Apelo parcialmente provido apenas para reduzir o
quantum da condenação a título de danos morais. 7- Recurso adesivo desprovido. (TRF 2ª R. – AC
2003.51.10.004002-0 – (342359) – 6ª T.Esp. – Rel. Jose Antonio Lisboa Neiva – DJe 16.01.2009 – p.
166)

1500318248 – CIVIL – RESPONSABILIDADE POR ATO ILÍCITO – DANO MORAL – INSERÇÃO


INDEVIDA DE NOME EM CADASTRO DE INADIMPLENTE – VALOR DA COMPENSAÇÃO
FINANCEIRA – 1- A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que,
independentemente de prova do efetivo prejuízo, deve a instituição bancária ser condenada ao
pagamento de compensação financeira por conta de dano moral infligido a cliente que teve seu nome
indevidamente inscrito em cadastros de inadimplentes. 2- Ao fixar o valor da compensação
financeira devida em razão do dano moral, o juiz deve pautar-se por critérios de razoabilidade,
não devendo fazê-lo em importe tão alto que produza o enriquecimento da vítima ou a ruína do
causador do dano, tampouco em quantum tão baixo que avilte a honra do primeiro ou
desestimule investimentos em segurança e qualidade dos serviços prestados pelo segundo. 3-
Recursos desprovidos. (TRF 3ª R. – AC 1999.61.05.007812-1 – (1293966) – 2ª T. – Rel. Nelton dos
Santos – DJe 22.01.2009 – p. 376)

1500318249 – CIVIL – RESPONSABILIDADE POR ATO ILÍCITO – DANO MORAL – INSERÇÃO


INDEVIDA DE NOME EM CADASTRO DE INADIMPLENTE – VALOR DA COMPENSAÇÃO
FINANCEIRA – 1- A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme no sentido de que,
independentemente de prova do efetivo prejuízo, deve a instituição bancária ser condenada ao
pagamento de compensação financeira por conta de dano moral infligido a cliente que teve
seu nome indevidamente inscrito em cadastros de inadimplentes. 2- Age pelo menos com
culpa a instituição financeira que, estando o débito quitado, promove a inscrição do mutuário
em cadastros de inadimplentes. 3- Ao fixar o valor da compensação financeira devida em razão
do dano moral, o juiz deve pautar-se por critérios de razoabilidade, não devendo fazê-lo em
importe tão alto que produza o enriquecimento da vítima ou a ruína do causador do dano,
tampouco em quantum tão baixo que avilte a honra do primeiro ou desestimule investimentos
em segurança e qualidade dos serviços prestados pelo segundo. 4- Na ocasião da inscrição
havia inadimplência, configurando-se o dano indenizável apenas na omissão em excluir o nome do
cadastro de devedores. 5- Recursos desprovidos. (TRF 3ª R. – AC 2000.61.15.000845-5 – (1280956)
– 2ª T. – Rel. Nelton dos Santos – DJe 22.01.2009 – p. 377)

999959787 – DANO MORAL – FIXAÇÃO DO QUANTUM – GRAVIDADE OBJETIVA DO DANO –


Apesar de inexistir orientação uniforme e objetiva na doutrina ou na jurisprudência de nossos
tribunais para a fixação dos danos morais, é ponto pacífico que o Juiz deve sempre observar
as circunstâncias fáticas do caso, examinando a gravidade objetiva do dano, seu efeito lesivo,
natureza e extensão, as condições sócio-econômicas da vítima e do ofensor, visando com isto
que não haja enriquecimento indevido do ofendido e que a indenização represente
verdadeiramente um desestímulo a novas agressões. (TJMG – AC 1.0394.07.072215-9/001 – 11ª
C.Cív. – Relª Selma Marques – J. 16.01.2009)

999958840 JCF.37 JCF.37.6 – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO – RESPONSABILIDADE OBJETIVA –


ABALROAMENTO DE TRENS URBANOS – PASSAGEIRA – DANOS MATERIAIS E MORAIS –

Direito Empresarial para Gestores


62

LUCROS CESSANTES – PENSÃO VITALÍCIA – LESÕES – DANOS MATERIAIS – NÃO


COMPROVAÇÃO – DANOS MORAIS – OCORRÊNCIA – QUANTUM – Prevalece em relação às
empresas de transporte coletivo, na qualidade de concessionárias de serviço público, a
responsabilidade objetiva nos termos do § 6º, do art. 37 da Constituição Federal, somente se
eximindo da obrigação de indenizar se provar que o ato lesivo se efetivou por culpa exclusiva da
vítima. Não havendo nos autos provas dos gastos feitos pela vítima em razão do acidente, descabida
a indenização por danos materiais. Se a parte não sofreu redução em sua capacidade laborativa, não
faz jus ao recebimento de pensão mensal. É devido o ressarcimento por dano moral se manifesto
o prejuízo resultante da dor imputada à pessoa da vítima, em razão de ato cujas
conseqüências ofendem, indevidamente, seus sentimentos, provocando tristeza, mágoa ou
atribulações na esfera interna pertinente à sua sensibilidade. Compete ao julgador, segundo o
seu prudente arbítrio, estipular eqüitativamente os valores devidos, analisando as
circunstâncias do caso concreto e obedecendo aos princípios da razoabilidade e da
proporcionalidade. (TJMG – AC 1.0024.05.632608-5/001 – 15ª C.Cív. – Rel. José Affonso da Costa
Côrtes – J. 14.01.2009)

999958928 JNCCB.734 JNCCB.398 JCPC.75 JCPC.75.I – JUNTADA DE DOCUMENTO –


ADMISSÃO – CONTRATO DE TRANSPORTE – RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – FORÇA
MAIOR – EXTRAVIO DE BAGAGEM – DANO MORAL – JUROS E CORREÇÃO – DENUNCIADA –
LITISCONSÓRCIO – DPVAT – INOVAÇÃO EM SEDE RECURSAL – Quanto os documentos são
confeccionados após a propositura da ação, pode a parte juntá-los no decorrer do processo, desde
que respeitado o contraditório e a ampla defesa. Nos termos do art. 734 do Código Civil, a
responsabilidade do transportador é objetiva. A exclusão do nexo causal só é admitida quando
ocorrer força maior. O transportador é responsável pela reparação, independentemente de fato de
terceiros, já que possui o dever de levar o passageiro ao local de destino com segurança. Além do
mais os acidentes em rodovias são previsíveis, ou seja, são riscos da atividade de transporte. Não
estando provado o valor da perda patrimonial em virtude do extravio de bagagem, o quantum da
reparação deve ser arbitrado nos termos do Decreto 32.656/91. O valor da reparação por danos
morais deve recompor o abalo sofrido. Deve ser arbitrado com proporcionalidade, tendo em
vista a extensão do dano e as condições econômicas do violador do dever de cuidado. Os juros
de mora e a correção monetária são devidos desde o dia do cometimento do ato ilícito, nos termos do
art. 398 do Código Civil. Todavia, a correção monetária, em se tratando de reparação por danos
morais, deve incidir a partir do arbitramento, nos termos do Enunciado 362 do STJ. Como a
seguradora contestou o pedido inicial, nos termos do art. 75, I, do CPC o mesmo se tornou
litisconsorte e, conseqüentemente, é solidariamente responsável com a condenação. Tendo em vista
que a parte não requereu a dedução de eventual quantia paga a título de DPVAT, há inovação em
sede recursal, motivo pelo qual suas alegações devem ser apreciadas. (TJMG – AC
1.0145.05.248366-9/001 – 15ª C.Cív. – Rel. Tibúrcio Marques – J. 14.01.2009)
999958994 JNCCB.405 – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO – DANOS MATERIAIS – DANOS MORAIS –
ACIDENTE – AUTOMOBILÍSTICO – MORTE – COMPROVAÇÃO CULPA – INDENIZAÇÃO –
DEVIDA – QUANTUM – JUROS – TERMO INICIAL – Em se tratando de responsabilidade civil
extracontratual presente o ato ilícito imputado ao réu, o dano material suportado pelos autores
e o nexo de causalidade entre tais elementos, impõe-se a condenação do primeiro ao
pagamento de indenização. O valor da indenização por dano moral deve atender ao chamado
"binômio do equilíbrio", não podendo causar enriquecimento ou empobrecimento das partes
envolvidas, devendo ao mesmo tempo desestimular a conduta do ofensor e consolar a vítima.
Os juros de mora contam-se da citação nos termos do art. 405 do Código Civil. (TJMG – AC
1.0433.06.196629-0/001 – 15ª C.Cív. – Rel. José Affonso da Costa Côrtes – J. 14.01.2009)

Direito Empresarial para Gestores


63

CONSÓRCIO
132148431 - CIVIL - CONSÓRCIO DE AUTOMÓVEL - DESISTÊNCIA DE CONSORCIADO -
RESTITUIÇÃO DAS QUANTIAS PAGAS - DISPOSITIVOS DO CDC - LEI Nº 8.078/90, NORMA DE
ORDEM PÚBLICA E INTERESSE SOCIAL - ABUSIVA CLÁUSULA QUE IMPÕE AGUARDAR
ENCERRAMENTO DO GRUPO PARA DEVOLUÇÃO DAS PRESTAÇÕES PAGAS - ART. 51, IV, DO
CDC - MITIGAÇÃO DO PACTA SUNT SERVANDA - DESVANTAGEM EXAGERADA DO
CONSORCIADO - CIRCULAR DO BACEN - SUJEIÇÃO AO CONTROLE DE LEGALIDADE PELO
PODER JUDICIÁRIO - FUNÇÃO SOCIAL DO CONTRATO - BOA-FÉ CONTRATUAL - ENUNCIADO
109/FONAJE - RETENÇÃO INDEVIDA - DEVOLUÇÃO IMEDIATA - PRECEDENTES DAS TURMAS
RECURSAIS - SENTENÇA MANTIDA - UNÂNIME - 1. O estado, sob a influência das modernas
tendências protetivas do consumidor, observados os princípios e direitos traduzidos na Lei nº
8.078/90, outorgou-lhe amplo teor de proteção, coibindo costumeiros abusos e criando
mecanismos poderosos de prevenção e repressão contra antigos excessos. Dentre as novas
medidas protetivas ao consumidor, destaca-se a atenuação do princípio da força obrigatória
do contrato (pacta sunt servanda), ao permitir a modificação das cláusulas que estabeleçam
prestações desproporcionais, e a revisão das que forem excessivamente onerosas; a prática
do dirigismo contratual para regulamentar condutas e sancionar cláusulas abusivas, bem
como pelo controle concreto de cláusula prejudicial ao consumidor (art. 51, § 4º, do CDC),
privilegiando-lhe a interpretação mais favorável (art. 47, CDC). Desse modo, não é mais
intangível a força do pacta sunt servanda. 2. O consorciado pode voluntariamente desistir de
continuar integrando o consórcio ao qual havia aderido e pleitear a devolução do que pagou, sendo
irrelevante perquirir os motivos que o levaram a tal decisão. O que se discute, em tais casos, são
apenas as parcelas que podem ser retidas pela administradora, quando da devolução, e o momento
em que esta deve acontecer, como está no contrato, ou de forma imediata. 3. Manifesta-se abusiva
e iníqua, por colocar o consumidor em desvantagem exagerada, a cláusula que determina a
restituição, somente após o encerramento do prazo do consórcio, das importâncias pagas
pelo consorciado que, por inadimplência contratual ou desistência voluntária, foi excluído do
grupo ao qual aderiu. 4. Foge ao princípio da razoabilidade exigir-se que, num consórcio de
150 meses de duração, o consorciado que desistiu logo no início tenha que aguardar mais de
10 anos para reaver a importância que desembolsou. Assim, é de se declarar a nulidade de tal
cláusula, por ofender o disposto no art. 51, IV, do CDC, devendo ser providenciada a
restituição imediata das parcelas pagas pela consorciada desistente, subtraída, porém, a
remuneração pelos serviços prestados e o seu período, nos corretos termos da sentença
guerreada. 5. A circular do BACEN está sujeita ao controle de legalidade dos atos pelo poder
judiciário. Recurso conhecido, mas não provido. Sentença mantida. Unânime. De conformidade com
o regramento que está amalgamado no artigo 55 da Lei dos juizados especiais (Lei nº 9.099/95), a
recorrente, sucumbindo no seu inconformismo, sujeita-se ao pagamento das custas processuais e
dos honorários advocatícios, os quais arbitro em 15% (quinze por cento) sobre o valor corrigido da
condenação. Recurso conhecido e improvido, consoante reiterados julgados das turmas recursais,
legitimando a lavratura do acórdão nos moldes autorizados pelo artigo 46 da Lei nº 9.099/95.
Unânime. (TJDFT - ACJ 20060810084043 - 2ª T.R.J.E. - Rel. Des. Alfeu Machado - DJU 28.06.2007 -
p. 136)

FIANÇA
101000027350 - LOCAÇÃO - PRORROGAÇÃO POR PRAZO INDETERMINADO - FIANÇA -
CONTRATO ACESSÓRIO - PREVISÃO CONTRATUAL ATÉ A ENTREGA DAS CHAVES -
RESPONSABILIDADE DO FIADOR - PRECEDENTE DA TERCEIRA SEÇÃO - OUTORGA UXÓRIA -
LEGITIMIDADE RESTRITA AO CÔNJUGE NÃO CONTRATANTE - PRECEDENTES - 1- O
entendimento firmado no âmbito da Terceira Seção, a partir do julgamento do EREsp nº 566.633/CE,

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prestigiou o instrumento de acordo de vontades entre as partes. Com efeito, se o fiador não se
exonerou na forma da lei civil, continuará a garantir o contrato por ele assinado com cláusula
expressa de responsabilidade fidejussória até a entrega das chaves. 2- Inteligência que se coaduna
com o disposto no art. 39 da Lei nº 8.245/1991, segundo o qual, salvo disposição contratual em
contrário, qualquer das garantias da locação se estende até a efetiva devolução do imóvel. 3-
Prorrogada a locação por prazo indeterminado, remanesce o contrato de fiança, dado a seu
caráter acessório. Porém, a partir daí, faculta-se ao garantidor a possibilidade de denunciar o
contrato, conforme sua conveniência (art. 835, NCC). 4- No tocante à alegada inexistência de
outorga uxória, a par da circunstância de que o fiador, por ocasião do contrato, estava qualificado
como divorciado, a jurisprudência desta Corte orienta-se no sentido de que ao cônjuge que deu causa
à nulidade descabe alegá-la. Precedentes de ambas as Turmas da Terceira Seção. 5- Agravo
regimental improvido. (STJ - AgRg-AI 1.134.564 - (2008/0278087-5) - 5ª T - Rel. Min. Jorge Mussi -
DJe 29.03.2010 - p. 788)

2010
30197000000993 - "RECURSO ESPECIAL - EXECUÇÃO DE DÉBITOS ORIUNDOS DO
CONTRATO DE LOCAÇÃO - MORATÓRIA CONCEDIDA AO LOCATÁRIO, SEM ANUÊNCIA DOS
FIADORES - EXONERAÇÃO DA GARANTIA - ART 838, I, DO CC/2002 - 1. A moratória concedida
ao locatário, pelo parcelamento da dívida oriunda do contrato locatício, constitui o aditamento das
obrigações assumidas pelos garantes do contrato de locação. 2. Nos termos da jurisprudência deste
Superior Tribunal de Justiça, os fiadores exoneram-se da garantia prestada no contrato de locação,
bem como da solidariedade em relação ao locatário, se não anuíram com o pacto moratório. Art. 838,
I, do Código Civil de 2002 (art. 503, I, CC/1916). Aplicação do enunciado da Súmula nº 214 desta
Corte. 3. Recurso especial a que se dá provimento." (STJ - REsp 990.073 - 6ª T. - Rel. Min. og
Fernandes - DJe 01.03.2010)

2007
116359661 - DIREITO CIVIL - RECURSO ESPECIAL - FIANÇA - OUTORGA UXÓRIA OU MARITAL
- AUSÊNCIA - NULIDADE TOTAL DA GARANTIA - PRECEDENTES - RECURSO ESPECIAL
CONHECIDO E PROVIDO - 1. É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no
sentido de ser nula a fiança prestada sem a necessária outorga uxória ou marital, não havendo
considerá-la parcialmente eficaz para constranger a meação do cônjuge fiador. 2. Recurso
Especial conhecido e provido. (STJ - RESP 200601000779 - (851364 RS) - 5ª T. - Rel. Min. Arnaldo
Esteves Lima - DJU 22.10.2007 - p. 00359)

2006
116317231 - PROCESSUAL CIVIL - LOCAÇÃO - FIANÇA - PRORROGAÇÃO DO CONTRATO SEM
A ANUÊNCIA DA ESPOSA - AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE - 1. O fiador responderá pelos
encargos decorrentes do contrato de locação tão-somente pelo período inicialmente determinado,
ainda que exista cláusula estendendo a sua obrigação até a entrega das chaves. Precedentes do
STJ. 2. O contrato acessório de fiança obedece à forma escrita, é consensual, deve ser interpretado
restritivamente e no sentido mais favorável ao fiador. Assim, a prorrogação por tempo indeterminado
do contrato de locação, compulsória ou voluntária, desobriga o fiador que a ela não anuiu.
Precedentes. 2. No presente caso, a fiança prestada pelo marido no aditamento do contrato ocorrida
em 01/09/1999, sem a necessária outorga uxória, não tem o condão de convalidar o contrato
originário, isso porque não se admite que qualquer dos cônjuges preste fiança sem a autorização do
outro. Precedentes. 3. Recurso conhecido e provido. (STJ - RESP 200601515136 - (860795 RJ) - 5ª
T. - Relª Min. Laurita Vaz - DJU 30.10.2006 - p. 415)

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2004
116053135 - LOCAÇÃO - FIANÇA PRESTADA SEM OUTORGA UXÓRIA - NULIDADE DE PLENO
DIREITO - CONFISSÃO DE DÍVIDA IGUALMENTE NULA - Esta Corte já firmou posicionamento
de que a fiança concedida sem a necessária outorga uxória invalida o ato por inteiro,
alcançando, inclusive, a meação do outro cônjuge. Tal ato, por conseguinte, não é anulável,
mas sim, nulo de pleno direito. No caso em apreço, a confissão de dívida que se originou do
contrato de fiança, torna-se, de igual forma, nula. Recurso Especial a que se dá provimento. (STJ
- RESP 604326 - SP - 6ª T. - Rel. Min. Paulo Medina - DJU 29.03.2004 - p. 00288)

2010

30 101000023964 - LOCAÇÃO - FIANÇA - PENHORA EM BEM DE FAMÍLIA DE FIADOR -


POSSIBILIDADE - PRECEDENTE DO STF - DECISÃO MANTIDA - 1- Pacífico o entendimento desta
Corte de ser penhorável o imóvel familiar dado em garantia de contrato locativo, em face da exceção
introduzida no inciso VII do artigo 3º da Lei nº 8.009, de 1990 pela Lei do Inquilinato. 2- O Supremo
Tribunal Federal já decidiu que essa compreensão não ofende o direito de moradia previsto no artigo
6º da Carta Magna. 3- Agravo regimental improvido. (STJ - AgRg-AI 1.181.865 - (2009/0158611-2) -
5ª T - Rel. Min. Jorge Mussi - DJe 15.03.2010 - p. 889)

2009
1163965998 - AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL - FIANÇA CONCEDIDA EM
CONTRATO DE LOCAÇÃO - VALIDADE DA PENHORA DO BEM DE FAMÍLIA - RECURSO QUE
PREENCHE OS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE - MATÉRIA PREQUESTIONADA -
AFASTADA A INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF - DISSÍDIO CONFIGURADO - 1- Tecendo o
Tribunal a quo juízo de valor acerca do tema - Impenhorabilidade do bem de família, não há como
acolher a assertiva da agravante de que a matéria não foi objeto de prequestionamento. Afastada a
aplicação da Súmula 282/STF. 2- Não há deficiência de fundamentação quando das razões expostas
na petição de interposição do recurso especial. Percebe-se que a recorrente apontou ofensa
específica à lei, bem como tratou de particularizar os dispositivos tidos como violados pelo aresto
recorrido. 3- Esta Corte traçou orientação no sentido de ser válida a penhora do bem destinado à
família do fiador, em ação de cobrança de contrato de locação. Precedentes. Dissídio configurado. 4-
Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ - AgRg-REsp 928.944 - (2007/0041258-6) - 6ª T -
Rel. Min. Og Fernandes - DJe 13.10.2009 - p. 1813)

ESTACIONAMENTO

132143151 – DIREITO DO CONSUMIDOR – FURTO EM ESTACIONAMENTO – ÁREA PÚBLICA –


AUSÊNCIA DE VIGILÂNCIA PELA FORNECEDORA – INDENIZAÇÃO INCABÍVEL – Se o
estacionamento utilizado pelo consumidor para freqüentar academia de ginástica localiza-se
em área pública e não há prova de que a fornecedora exerce vigilância sobre o local, não se
pode responsabilizá-la pela deficiência da segurança pública na localidade. Incabível, portanto,
a indenização por danos materiais. Sentença mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos.
(TJDFT – ACJ 20060110276765 – 1ª T.R.J.E. – Rel. Des. Hector Valverde Santana – DJU
07.12.2006 – p. 242)

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220940 – DIREITO DO CONSUMIDOR – INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS –


SEQÜESTRO-RELÂMPAGO OCORRIDO NO ESTACIONAMENTO DE SUPERMERCADO –
AUSÊNCIA DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR – RESPONSABILIDADE DO FORNECEDOR
– 1. A conduta do supermercado de disponibilizar aos seus clientes estacionamento privativo
é inequivocamente direcionada à finalidade de angariar clientela, razão pela qual responde
objetivamente por danos decorrentes da inadequada prestação desse serviço. 2. A prestação
do serviço de guarda e vigilância do veículo é falha tanto nos casos de furto (Súmula 130 do STJ)
como nos de roubo ou seqüestro-relâmpago, pelo que não pode haver desigualdade no tratamento
de situações jurídicas idênticas. 3. Tratando-se de área privativa de estacionamento, a
responsabilidade pela segurança dos clientes e dos veículos deixados sob a guarda do
supermercado é de sua exclusiva responsabilidade, não podendo ser imputada ao poder público.
(TJDFT – EI 2000.07.1.005711-3 – 3ª C.Cív. – Rel. Des. Vasquez Cruxên – DJU 31.08.2004 – p. 120)
(Ementas em sentido diverso)

132051836 – AÇÃO DE REPARAÇÃO DE DANOS – FURTO NO INTERIOR DE LOJA DE


DEPARTAMENTOS – CLIENTE QUE DEIXA A BOLSA EM CIMA DE UM BALCÃO, EM LOJA DE
GRANDE MOVIMENTO, E EM SEGUIDA VOLTA TODA SUA ATENÇÃO PARA UM CONHECIDO
QUE CHEGA, ESQUECENDO-SE DA BOLSA, A QUAL É SUBTRAÍDA SEM QUE PERCEBA –
CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA, A AFASTAR A RESPONSABILIDADE DA LOJA – APELO
PROVIDO – 1. A responsabilidade da empresa fornecedora de produtos, em garantir a
segurança de seus clientes, não exime o consumidor de cuidar de seus próprios pertences
pessoais, sobre os quais detém a guarda e, por conseqüência, o dever de vigilância. 2. Se o
furto ocorreu por culpa exclusiva da vítima, a qual simplesmente deixou a bolsa com seus pertences
em cima de um balcão, sem sequer avisar a qualquer funcionário da loja, voltando depois sua
atenção para um conhecido que chega, esquecendo-se de vigiar a bolsa, a qual vem a ser subtraída,
não há como querer responsabilizar civilmente a empresa pelo dano, pois afastado está o nexo
causal que poderia ligar aquela ao evento danoso. 3. Não existe similitude entre tal situação e o furto
de objetos em veículo (ou do próprio veículo), ocorrido em estacionamento de estabelecimento
comercial, pois, neste caso, ocorre a transferência, para o estabelecimento, da guarda do bem (por
conseqüência, do dever de vigilância), enquanto no caso da bolsa feminina, quando levada para o
interior do estabelecimento, esta permanece sob a guarda pessoal da consumidora, que dela só se
desfaz quando, de forma expressa, entrega o bem aos cuidados de um funcionário do
estabelecimento, o que não ocorreu no caso concreto. (TJDFT – ACJ 20030110588887 – 1ª T.R.J.E.
– Rel. Des. Jesuíno Aparecido Rissato – DJU 13.12.2004 – p. 36)

132051838 – CIVIL – CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR – FURTO DE MOTOCICLETA EM


ESTACIONAMENTO DE SHOPPING – RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTABELECIMENTO –
SÚMULA 130, DO STJ – Sentença condenatória mantida. O shopping apelante, ao estabelecer um
sistema próprio de vigilância sobre a área de estacionamento que o circunda, com vigilantes
uniformizados, colocados em pontos estratégicos, com objetivo de oferecer segurança aos
seus freqüentadores e assim atrair mais e melhor clientela, assume o dever de vigilância para
com os veículos ali estacionados. Se, por falha do serviço, algum dos freqüentadores tem o seu
veículo furtado, está obrigado a reparar o dano. Decisão: Recurso conhecido, porém improvido.
(TJDFT – ACJ 20030110682082 – 1ª T.R.J.E. – Rel. Des. Jesuíno Aparecido Rissato – DJU
13.12.2004 – p. 37)

220941 – RESPONSABILIDADE CIVIL – DANO MORAL E MATERIAL – SEQÜESTRO


RELÂMPAGO OCORRIDO EM ESTACIONAMENTO DE SUPERMERCADO – FATO INEVITÁVEL –
INDENIZAÇÃO AFASTADA – O 'seqüestro relâmpago' ocorrido no interior do estacionamento
de supermercado constitui verdadeiro caso fortuito que exclui por completo a

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responsabilidade do empresário pelos danos advindos ao consumidor, vez que causados por
agente estranho aos quadros da empresa e decorrentes de evento inevitável, mesmo diante
das medidas de segurança que se pode dela razoavelmente exigir. Ao empresário não é
permitida a prática de atos de polícia tanto no interior de sua loja quanto em seu estacionamento
privativo, ainda que no intuito de garantir a incolumidade física e patrimonial da respectiva clientela,
também não sendo razoável exigir-lhe medidas destinadas a garantir a segurança pública nas
imediações, vez que se trata de ônus exclusivo do Estado, não transferível ao particular. (TJDFT –
AC 2000.07.1.005711-3 – 2ª T.Cív. – Rel. Des. Carmelita Brasil – DJU 10.12.2003 – p. 27)

ÔNIBUS

20000005584 – CONSTITUCIONAL – CIVIL – ADMINISTRATIVO – ACIDENTE DE TRÂNSITO –


PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO PRESTADORA DE SERVIÇO PÚBLICO DE
TRANSPORTE DE PASSAGEIROS – CONCESSIONÁRIA OU PERMISSIONÁRIA DE SERVIÇO
PÚBLICO – RESPONSABILIDADE OBJETIVA EM RELAÇÃO AO USUÁRIO DOS SERVIÇOS –
OBRIGAÇÃO DE COMPENSAR DANOS MORAIS – 01. A empresa que explora o serviço de
transporte de passageiros, responde objetivamente em relação aos usuários dos serviços que presta
e, subjetivamente, em relação a outras pessoas que não ostentam essa qualidade. 02. Atua de forma
imprudente o preposto da empresa de transporte coletivo de passageiros que, em curva declive à
direita, por não adotar velocidade e cautelas compatíveis com o local, perde o controle da direção do
ônibus e invade a contra mão de direção, indo se chocar com veículo que trafegava em sendo
contrário, causando a morte de oito passageiros e ferindo outros treze, imprudência esta que,
somada à responsabilidade objetiva, torna certa a obrigação de compensar os danos morais
experimentados pelos descendentes dos falecidos no evento. 03. O valor da compensação do dano
moral deve atender às finalidades compensatória, punitiva e preventiva ou pedagógica e aos
princípios gerais da prudência, bom senso, proporcionalidade, razoabilidade e adequação,
considerando as circunstâncias que envolveram o fato, as condições pessoais, econômicas e
financeiras dos envolvidos, o grau da ofensa moral, a repercussão da restrição e a preocupação de
não permitir que a compensação se transforme em fonte de renda indevida e que não seja
parcimoniosa a ponto de passar despercebida, perseguindo sempre o necessário efeito pedagógico
de evitar futuros e análogos fatos. 04. Em caso de responsabilidade civil extracontratual ou aquiliana
a gerar danos morais, os juros moratórios são devidos desde a data do evento danoso (Súmula 54 do
STJ) e, a correção monetária, a contar da data da publicação da sentença ou acórdão que reconhece
a obrigação de compensar o dano imaterial. 05. Recursos conhecidos. Parcialmente provido o apelo
das demandantes e desprovido o apelo da demandada. Sentença parcialmente reformada. (TJDFT –
AC 2006 01 1 071881-6 – (304706) – Rel. Des. João Batista Teixeira – DJe 12.05.2008)

80095710 – AGRAVO DE INSTRUMENTO – EMPRESA DE TRANSPORTE COLETIVO – FATO DE


TERCEIRO – IRRELEVANTE – SINISTRO OCORRIDO NO INTERIOR DO VEÍCULO –
RESPONSABILIDADE OBJETIVA – RECURSO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO – 1- A
responsabilidade pelo transporte dos passageiros é objetiva. Se o acidente ocorre enquanto trafegava
o ônibus, o fato de terceiro ter contribuído para ocorrência do sinistro, não exclui o nexo causal.
Ficando a transportadora obrigada a ressarcir a vítima. 2- Sendo a responsabilidade objetiva, para se
eximir de qualquer obrigação de indenizar deverá a parte comprovar a ocorrência de caso fortuito,
força maior ou culpa exclusiva da vítima. 3- Não cuidou a recorrente de demonstrar, de forma
inequívoca, quaisquer das excludentes de responsabilidade, nem mesmo a alegada culpa exclusiva
da vítima, trazendo apenas alegações desprovidas de qualquer indício de prova. 4- Nestes termos,
sendo o agravado pessoa de idade avançada e carecedora de cuidados médicos, dê-se parcial

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provimento ao recurso para determinar que os cuidados de enfermagem sejam prestados ao


agravado na medida de sua necessidade. 5- Recurso conhecido e parcialmente provido. (TJES – AI
024089008692 – 2ª C.Cív. – Rel. Des. Manoel Alves Rabelo – J. 02.09.2008)

80095255 – APELAÇÃO CÍVEL – INDENIZAÇÃO – ACIDENTE DE TRÂNSITO – MOTORISTA –


CAUTELAS NECESSÁRIAS – CIRCUNSTÂNCIAS – CULPA – INEXISTÊNCIA – EMPRGADORA –
RESPONSABILIDADE CIVIL – ISENÇÃO – RECURSO DESPROVIDO – 1- Provado que no momento
do acidente o ônibus envolvido no sinistro foi colocado em movimento pelo motorista após a adoção
das cautelas necessárias e compatíveis com as circunstâncias, bem como que em razão destas não
era razoável dele exigir providências especiais e atenção redobrada, não há como inferir-se culpa por
atropelamento de vítima que se encontrava deitada sob o coletivo com a cabeça atrás de suas rodas
traseiras. 2- Consequentemente, não há como responsabilizar civilmente a empregadora do motorista
condutor do ônibus. 3- Recurso desprovido. (TJES – AC 048030068331 – 1ª C.Cív. – Rel. Des. Fabio
Clem de Oliveira – J. 01.07.2008)

20000008792 JNCCB.757 – CIVIL – RESPONSABILIDADE CIVIL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO –


DANOS MORAIS, ESTÉTICOS, MATERIAIS E LUCROS CESSANTES – ACIDENTE DE TRÂNSITO
– IMPRUNDÊNCIA DO CONDUTOR DO VEÍCULO DE PROPRIEDADE DA APELANTE –
CARACTERIZADA – ARBITRAMENTO EXCESSIVO – NÃO CONFIGURADO – VALOR
CONDIZENTE COM OS PREJUÍZOS SOFRIDOS PELO VÍTIMA – DENUNCIAÇÃO À LIDE –
SEGURADORA – NULIDADE – AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA PARTE E ADVOGADO NA
PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA – COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO – ATO CONVALIDADO –
EXCLUSÃO DE COBERTURA – AFASTADA – CONDENAÇÃO REGRESSIVA EM DANOS
MATERIAIS LIMITADA À IMPORTÂNCIA DA CONDENAÇÃO PRINCIPAL – 1. A empresa
concessionária de transporte coletivo de passageiro (apelante) é responsável pelo ressarcimento dos
prejuízos morais, estéticos, materiais e lucros cessantes, suportados pela vítima de acidente de
trânsito, ocasionado por imprudência do condutor de veículo de sua propriedade (ônibus), que
efetivou manobra imprudente, transgredindo as regras de circulação de trânsito; 2. Outrossim, não se
configura excessivo o valor arbitrado a título de anos morais, estéticos e matérias, quando condizente
com os prejuízos suportados pela vítima, e não havendo impugnação dos lucros cessantes em fase
recursal a matéria torna-se preclusa; 3. Inexiste nulidade da sentença por ausência de intimação pela
ausência do nome da parte e advogado na publicação quando o procurador comparece
espontaneamente no cartório tomando ciência da decisão e apresenta apelação no prazo legal
impugnando todos os pontos da decisão que lhe são desfavoráveis, porque não há prejuízo e o ato
cumpriu sua finalidade; 4. A cobertura estabelecida a título de dano corporal compreende também o
dano estético, porque ambos são originários de lesão física, causado ao corpo de uma pessoa, na
forma descrita na apólice acordada entre as partes, não podendo posteriormente ser mitigada por
simples manual, sob pena de violação ao princípio da boa fé objetiva; 5. Os danos matérias
arbitrados a título de indenização na demanda principal, vincula o limite máximo do valor da
condenação a título regressivo da denunciação à lide em relação ao mesmo capítulo da sentença. 6.
Os danos objeto da condenação regressiva encontram-se dentro da cobertura seguritária, porque
decorrente da própria atividade econômica explorada pela segurada, sendo inerentes aos riscos
assumidas pela seguradora, ex vi art. 757 do Código Civil; 7. Recursos conhecidos e parcialmente
providos à unanimidade." (TJPA – AC 20073005557-9 – 2ª C.Cív.Isol. – Rel. Des. Dahil Paraense de
Souza – DJe 23.06.2008)

28051152 JCF.37 JCF.37.6 JCDC.14 JCDC.22 – EMBARGOS INFRINGENTES – APELAÇÃO


CÍVEL – ASSASSINATO NO INTERIOR DE TRANSPORTE COLETIVO – RESPONSABILIDADE DO
TRANSPORTADOR EM SUPORTAR A INDENIZAÇÃO – NÃO CONFIGURAÇÃO DE CASO
FORTUITO OU DE FORÇA MAIOR – CONCESSÃO DE PROVIMENTO PARCIAL – Preliminares

Direito Empresarial para Gestores


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suscitadas nas contra-razões: não conhecidas, em função de não terem sido as mesmas objeto de
divergência na câmara que apreciou a apelação. Empresa concessionária de serviço público
(transporte coletivo) submete-se, por força do art. 37, §6º da CF e dos arts. 14 e 22 do CDC à Teoria
do Risco Administrativo. Os assaltos a ônibus (como o retratado nos autos) não constituem fatos
imprevisíveis, pois, devido à regularidade em que os mesmos vêm ocorrendo, já se tornaram fato
notório, sendo noticiados com freqüência pela imprensa. O dever maior de proteção e vigilância é do
Estado, mas, em casos dessa espécie, deve, sem sombra de dúvidas, até mesmo por obrigação
legal, a empresa concessionária do serviço público de transporte procurar meios de dificultar fatos
dessa natureza, inclusive em razão de sua previsibilidade. Sem obscurecer a existência do dever
estatal de promover a segurança pública, os empreendedores que, no exercício do mister
empresarial, assumem o encargo de prestar serviços que impliquem em riscos para os usuários
devem, concomitantemente ao Poder público, adotar medidas básicas de segurança, visando
garantir, de todas as formas possíveis, a integridade dos tomadores do serviço. Assim, incumbe à
empresa concessionária do serviço público de transporte o dever de indenizar os danos morais
causados ao ofendido não no valor por este perseguido, mas sim naquele defendido pelo voto
vencido. À unanimidade de votos, não se conheceu das preliminares argüidas nos presentes
embargos, por não terem sido as mesmas objeto de divergência na câmara que apreciou a apelação.
MÉRITO: Por maioria de votos, deu-se provimento parcial aos Embargos Infringentes, fazendo
prevalecer o voto vencido e reformar o acórdão impugnado, fixando a indenização por danos morais
em R$ 41.000,00 (quarenta e um mil e quinhentos reais), tudo nos termos do voto do Relator. (TJPE
– EI 114932-8/01 – Rel. Des. Antenor Cardoso Soares Junior – DJ 21.08.2008)

20000010054 JCF.37 JCF.37.6 JCDC.14 – APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


DANOS MATERIAIS E MORAIS – ASSALTO NO INTERIOR DE ÔNIBUS – MORTE DO CÔNJUGE
DA AUTORA – EXCLUDENTE NÃO DEMONSTRADA – FATO DE TERCEIRO NÃO RECONHECIDO
– DANOS COMPROVADOS – DEVER DE INDENIZAR – Nos termos do no § 6º do art. 37, da
Constituição Federal e art. 14, da Lei 8.078/90, a responsabilidade do transportador é objetiva. Sendo
o fato de terceiro previsível de acordo com os elementos trazidos aos autos, aliados ainda à
negligência da ré que não identificou os passageiros permitindo os seus embarques com bilhetes
diversos, e à desídia na prestação do socorro à vítima, bem como a ausência de qualquer espécie de
auxílio posterior, surge a obrigação de indenizar. Tendo o julgador fixado os valores das indenizações
com prudente arbítrio, em respeito ao princípio da razoabilidade, servindo como instrumento
reparador, punitivo e pedagógico, mantém-se a sentença. Decisão unânime, de acordo com o parecer
ministerial superior. (TJPI- AC 06.002258-2 – 2ª C.Cív.Esp. – Rel. Des. Brandão de Carvalho – DJe
04.07.2008)

ZONA AZUL

1700624542 - RESPONSABILIDADE CIVIL - FURTO DE VEÍCULO ESTACIONADO EM


ZONA TARIFADA DE VIA PÚBLICA - "ÁREA AZUL" - DEVER DE INDENIZAR INEXISTENTE - O
fato de ser tarifada a ocupação de vagas de estacionamento na chamada "área azul" (que tem por fim
estabelecer rotatividade no estacionamento de veículos deixados na via pública) não implica em
reconhecimento do dever de guarda e vigilância sobre os veículos ali deixados, não dando ensejo a
qualquer pretensão indenizatória contra as mantenedoras. Recurso provido. Unânime. (TJRS - Proc.
71000876466 - 1ª T.R.Cív. - Rel. Des. João Pedro Cavalli Júnior - J. 06.07.2006)

186100328 - ADMINISTRATIVO - RESPONSABILIDADE CIVIL - INDENIZAÇÃO - FURTO DE


VEÍCULO ESTACIONADO EM "ZONA AZUL" - INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO CONTRATUAL - LEI
QUE AFASTA EXPRESSAMENTE O DEVER DE GUARDAR E VIGIAR - RECURSO NÃO PROVIDO
- "1- O contrato de estacionamento de veículo nas áreas denominadas `zona azul' não gera a

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70

responsabilidade de guarda e vigilância do Poder Público ou da empresa concessionária. Trata-se de


simples locação de espaço público com a finalidade de controlar o estacionamento de veículos nos
centros urbanos, proporcionando uma maior rotatividade das vagas e, por conseqüência, o
atendimento de interesse público específico. "2- Não demonstrado o dever de guarda e vigilância dos
veículos encontrados em via pública, bem assim a culpa do Poder Público, é de ser afastada a sua
responsabilidade pelos danos resultantes do infortúnio" (Apelação Cível nº 2008.002685-7. Rel. Des.
Luiz Cézar Medeiros. julgado em 19.03.2008). (TJSC - AC 2008.034135-7 - 4ª CDPúb. - Rel. Des.
Jaime Ramos - DJe 26.05.2009 - p. 260)

169088 - APELAÇÃO CÍVEL - FAZENDA PÚBLICA - RESPONSABILIDADE CIVIL - FURTO DE


VEÍCULO ESTACIONADO NA VIA PÚBLICA, DURANTE A NOITE - ATO DE TERCEIRO - CULPA
DO ESTADO NÃO DEMONSTRADA - AÇÃO IMPROCEDENTE - RECURSO NÃO PROVIDO -
INEXISTE O DEVER DO ESTADO INDENIZAR O PROPRIETÁRIO DE VEÍCULO FURTADO, QUE
ESTAVA ESTACIONADO LIVREMENTE, À NOITE, NA VIA PÚBLICA - A omissão, que enseja a
responsabilidade subjetiva, traduz-se no que se denomina faute du service, quando o Poder Público
devia agir e não agiu, agiu mal ou tardiamente. Tal só ocorreria se o veículo estivesse sob a sua
guarda, acobertado e fiscalizado por agentes públicos, como nas chamadas zonas azuis. Ademais, a
teoria da responsabilidade objetiva, estabelecida no artigo 37, § 6º da Constituição Federal não
agasalha a hipótese, pois nosso ordenamento jurídico não adotou a teoria do risco integral. (TJSP -
AC 074.607-5 - 3ª CDPúb. - Rel. Des. Rui Stoco - J. 26.07.2000)
186046948 - FURTO DE VEÍCULO EM VIA PÚBLICA - ZONA AZUL - Administração feita por
empresa permissionária - Prestação de serviço público - Remuneração feita por meio de tarifas -
Permissão bilateral - Responsabilidade objetiva - Artigo 37, § 6º, da Constituição Federal -
Prescindibilidade de demonstração de culpa - Dano e nexo causal configurados - Dever de ressarcir.
(TJSC - AC 2003.019568-8 - Joinville - 1ª CDCiv. - Rel. p/o Ac. Des. Orli Rodrigues - J. 23.11.2004)

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71

12. ANEXO III - EXERCÍCIOS

-EXERCÍCIOS-

Questão 01: Luis Silva propõe ação de perdas e danos em face de Auto Peças
Automobile Ltda., alegando que seu carro pegou fogo, iniciado no bloqueador de gasolina
instalado pela Ré, cujo fabricante não foi possível identificar. Em contestação, a Ré
argumenta que não pode ser responsabilizada pela resistência do material empregado
pelo fabricante. Considerando os fatos comprovados, decida a questão com os
fundamentos legais. Analise a possibilidade de inversão do ônus da prova. Caberiam
danos morais?

Questão 02: Carlos Pompeu foi surpreendido com protestos oriundos de cheques sem
provisão de fundos. Ao solicitar a microfilmagem, verificou que as assinaturas não eram
verdadeiras. Ainda, ao comparecer ao Banco, concluiu que referidos títulos eram
oriundos de formulários de cheques extraviados dentro da agência bancária. Ação de
reparação de danos foi ajuizada e o Banco, em sua defesa, alegou engano justificável.
Discorra sobre a providências cabíveis, inclusive no que se refere à responsabilidade civil

Questão 03: Marcos propôs ação ordinária em face do Hotel Fazenda Lumiar Ltda., em
que pleiteia indenização por danos sofridos em razão de acidente que lhe causou
tetraplegia.

Alega que contratou um pacote de férias com a Ré e, na 1ª noite da hospedagem,


foi nadar em uma das piscinas do hotel, ocasião em que bateu violentamente com a
cabeça no piso da piscina, que estava parcialmente vazia. Expõe que não havia qualquer
aviso, nem mesmo um obstáculo ou cobertura que impedisse o acesso dos hóspedes ao
local.

Em contestação, o Hotel assevera que o Autor ingeriu bebidas alcoólicas, e que,


por volta das 3 h, resolveu usar a piscina do hotel, na qual já se banhavam alguns de
seus amigos, sem o cuidado de verificar as condições da mesma, que possui 1,10m de
profundidade. Alegou, ainda, que Marcos utilizou um escorregador para crianças e que a
piscina tinha horário de funcionamento até às 20 h.
Decida a questão, à luz dos princípios da responsabilidade civil do Código de
Defesa do Consumidor. Não se esqueça de discutir a Teoria do Risco Criado e todas as
possibilidades de Excludentes de Responsabilidade.

Questão 04: Maria da Costa necessitou de transporte aéreo para seu filho em
decorrência de problema de saúde. O Plano médico, de seu turno, negou o transporte
sob o pálio de que existia cláusula contratual excludente da cobertura para a realização
de transporte aéreo urgente de paciente. A cliente adentrou com pedido liminar urgente
na Justiça, alegando o direito constitucional e fundamental à vida, bem como, a
abusividade da cláusula. O CDC prevelece sobre o contrato? E sobre a Lei dos Planos de
saúde?

Questão 05: O hospital Todos os Santos recebe um paciente para tratamento de


hemodiálise. O médico especialista recepciona o paciente, leva-o até a sala adequada e
coloca-o no aparelho apropriado ao tratamento.
O médico sai da sala e, no corredor, encontra um antigo colega que o convida

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72

para tomar um café. Passado certo tempo, o médico lembra-se que o paciente está no
aparelho. Corre até a sala. Por azar, o aparelho havia apresentado defeito. Como não
havia ninguém na sala, o problema com o aparelho acabou ocasionado a morte do
paciente.

Levando-se em conta que a família do paciente deseja acionar o(s)


responsável(is) pelo acidente, discuta se a responsabilidade que irá fundamentar a ação
será objetiva ou subjetiva (explicando todas as razões e possibilidades de sua análise).
Identifique também qual o prazo determinado na lei para que seja proposta a
referida ação.

QUESTÃO 06: Ao desembarcar no aeroporto do Rio de Janeiro, vindo da Suíça, Graziella


constata que sua mala foi extraviada. Em ação indenizatória, pleiteia R$ 5.000,00, a
título de danos materiais, no valor que correspondia aos bens contidos na mala, e 100
salários mínimos por dano moral.

Em contestação, a companhia aérea invoca a aplicação das Convenções de Varsóvia e


Montreal, pleiteando que a indenização seja fixada nos limites ali estipulados. Argumenta
que tais convenções não foram revogadas e que regulam especificamente a Aviação Civil.
Assim sendo, prevalecem em relação ao CDC. Decida a questão fundamentadamente.

Questão 07: João Carlos fraturou o joelho em partida de futebol com os amigos. Após
exames médicos verificou-se a necessidade de colocação de prótese, sendo que o plano
de saúde recusa-se a utilizar a prótese importada que, segundo os especialistas é melhor
que a nacional. O contrato entre João e o plano de Saúde é de adesão? O que se entende
por contrato de adesão?
Questão 08: GHT Ltda contratou um consórcio, desistindo do contrato quando metade
das prestações se encontrava quitada. Diante da negativa da Administradora em
devolver os valores pagos, o cliente ajuizou ação de rescisão contratual cumulada com
perdas e danos com fundamento no CDC. A Administradora alegou que o valor somente
deveria ser devolvido ao final do grupo. Aplica-se o CDC na espécie? Fundamente? Está
com a razão a Administradora? Quais princípios contratuais aplicam-se na espécie?

Questão 09: Responda as questões abaixo:

1) O fornecedor de produtos e serviços responde, segundo o CDC, pela reparação


dos danos causados aos consumidores. Nos contratos alcançados pela legislação
consumerista, é INCORRETO afirmar:

a) o produto não é considerado defeituoso se outro de melhor qualidade vier a ser


lançado no mercado
b) a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro isenta o fornecedor da
responsabilidade pelos danos causados pelo produto/serviço
c) o fornecedor pode ser eximido de responsabilidade quando demonstrar sua
ignorância sobre os vícios de qualidade e/ou quantidade
d) o comerciante será responsabilizado quando não for possível identificar o
fabricante, o construtor, o produtor ou o importador

Direito Empresarial para Gestores


73

e) o profissional liberal tem sua responsabilidade apurada mediante a verificação de


culpa

QUESTÃO 10: No campo da responsabilidade civil consumerista, podemos afirmar que:


a) a cláusula de não indenizar é possível nos contratos de guarda
b) a responsabilidade objetiva é a regra
c) pessoas jurídicas não podem utilizar o CDC
d) a empresa não responderá pelos atos de seus prepostos se estes não tiverem
vínculo empregatício
Questão 11: Conforme o Código de Defesa do Consumidor, o direito de reclamar pelos
vícios aparentes caduca:

a) em 30 dias, tratando-se do fornecimento de serviço ou produto não duráveis, e


em 90 dias, tratando-se do fornecimento de produto ou de serviço duráveis,
iniciando-se a contagem do prazo a partir da entrega efetiva do produto ou do
término da execução do serviço
b) em 30 dias, tratando-se do fornecimento de serviço ou produto não duráveis, e
em 90 dias, tratando-se do fornecimento de produto ou de serviço duráveis,
iniciando-se a contagem do prazo a partir do momento em que ficar evidenciado o
vício
c) em 30 dias, tratando-se do fornecimento de serviço ou produto não duráveis, e
em 60 dias, tratando-se do fornecimento de produto ou de serviço duráveis,
iniciando-se a contagem do prazo a partir da entrega efetiva do produto ou do
término da execução do serviço
d) em 30 dias, tratando-se do fornecimento de serviço ou produto não duráveis, e
em 60 dias, tratando-se do fornecimento de produto ou de serviço duráveis,
iniciando-se a contagem do prazo a partir do momento em que ficar evidenciado o
vício.

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74

Direito Empresarial para Gestores


75

Fundação Getúlio
Vargas

Direito Empresarial para Gestores


Prof. Julio Bezerra Leite
julio@jbleite.com

-2018- 1

Introdução

• Vida em sociedade.
• Vínculo entre pessoas (relação jurídica).
• Autotutela e vingança privada.
• Direito enquanto instrumento de pacificação social.
• Meios alternativos de solução de conflitos.
76

Direito Positivo

• Direito positivo pode ser entendido como “o


conjunto de normas estabelecidas pelo poder
político que se impõem e regulam a vida social de
um dado povo em determinada época.”
• Maria Helena DINIZ, Compêndio de Introdução à
Ciência do Direito, p. 245.

Hierarquia Constitucional
Pirâmide Hierárquica de
Hans Kelsen

4
77

CF/88:
• Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada
pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e
do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:
• I - a soberania;
• II - a cidadania;
• III - a dignidade da pessoa humana;
• IV - os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa;
• V - o pluralismo político;
• Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que
o exerce por meio de representantes eleitos, ou
diretamente, nos termos desta Constituição.

CF/88:
• Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

O princípio da igualdade consiste em quinhoar os iguais e


desiguais na exata proporção de suas igualdades e
desigualdades. A regra da igualdade reside no
tratamento desigual. Desiguala-se para igualar.

6
78

• I - homens e mulheres são iguais em direitos


e obrigações, nos termos desta Constituição;
• II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar
de fazer alguma coisa senão em virtude de
lei;

ART. 5. CF/88
● (...)
● V - é assegurado o direito de resposta, proporcional
ao agravo, além da indenização por dano
material, moral ou à imagem;
● (...)
● X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a
honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito à indenização pelo dano material ou
moral decorrente de sua violação;

8
79

• (...)
• LV - aos litigantes, em processo judicial ou
administrativo, e aos acusados em geral são
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes;
• (...)

Relação Jurídica
• relação jurídica é o vínculo com reflexos no
ordenamento jurídico. É o vínculo existente entre
pessoas onde uma pode pretender o bem da outra,
sendo que esta outra também é obrigada com
relação a este bem. É necessário que este vínculo
esteja normatizado no ordenamento jurídico.
• Maria Helena DINIZ, op.cit., p.511
80

Fato x Fato jurídico


• Fato é acontecimento
• fato jurídico é acontecimento no mundo jurídico.
O fato (acontecimento), para ser jurídico, deve
atingir o Direito. Por exemplo, um evento da
natureza que ocasiona fatos que levam ao
acionamento de um contrato de seguro.

• Os fatos jurídicos podem ser naturais ou


humanos. Os fatos jurídicos naturais não
dependem de atos do homem, mas geram efeitos
jurídicos, como ocorre com o nascimento e a morte.
Já os fatos jurídicos humanos advêm de atos
praticados pelo homem, a exemplo de um contrato,
acidente, etc.
• César FIÚZA, op. Cit., p. 200
81

• fato jurídico é “todo evento natural, ou toda ação


ou omissão do homem que cria, modifica ou
extingue relações ou situações jurídicas.”

• César FIÚZA, op. Cit., p. 200

• Já ato jurídico “é todo fato jurídico humano. É


assim, toda ação ou omissão do homem, voluntária
ou involuntária, que cria, modifica ou extingue
relações ou situações jurídicas.” O ato jurídico
subdivide-se em três espécies: a) ato jurídico em
sentido estrito (Nascimento, adoção,etc); b)
negócios jurídicos (CONTRATOS); c) atos ilícitos.

• César FIÚZA, op. Cit., p. 200


82

• Já os negócios jurídicos caracterizam-se pela


autonomia privada que deriva da vontade do
agente. A vontade é a característica principal.
Contudo, tal vontade não é absoluta e encontra
limitação no próprio texto da lei. Ex.: contratos.

• Nos negócios jurídicos (contratos) aplicam-se as


normas do contrato que não conflitem com a
Lei;
• Se houver relação de consumo, aplica-se o
Código de Defesa do Consumidor (CDC);
• Se não houver relação de Consumo, aplicam-se
as normas do Código Civil e demais leis.
• O Código Civil e demais leis podem ser aplicados
subsidiariamente ao CDC.

16
83

• Os elementos essenciais do negócio jurídico


encontram-se previstos no Art. 104 do Código Civil
Brasileiro: agente capaz, objeto lícito, possível e
determinado e forma prescrita ou não defesa
em lei.

Defeitos do Negócio Jurídico


• o erro ou ignorância, o dolo (intenção de causar o
dano); a coação (fundado temor de dano iminente),
o estado de perigo (obrigação excessivamente
onerosa assumida para salvar-se ou a pessoa de sua
família); a lesão (necessidade ou inexperiência
levam a prestação excessivamente onerosa)
• a fraude contra credores (transmissão gratuita de
bens ou perdão de dívidas por devedor insolvente).
84

Ato Ilícito
• Ato ilícito é todo ato contrário ao Direito. A
definição jurídica encontra-se no Art. 186 do
Código Civil:
• Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão
voluntária, negligência ou imprudência, violar direito
e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilícito.

Conceito de Obrigação

• Para César Fiúza, “obrigação é situação dinâmica


consistente em relação jurídica entre credor e
devedor, ficando este adstrito, basicamente, a
cumprir prestação de caráter patrimonial em
favor daquele, que poderá exigir judicialmente
seu cumprimento.” César FIÚZA, op. Cit., p.285
•Obrigação é dever jurídico.
85

• As obrigações podem ser, ainda, contratuais e


extracontratuais. As obrigações contratuais têm
por fonte os contratos; e, as extracontratuais, têm
por fontes os atos ilícitos, os unilaterais, ou, então,
o enriquecimento sem causa.

Direito Subjetivo x Dever Jurídico

• A obrigação relaciona-se com o dever jurídico e não


deve ser confundida com direito subjetivo, este
último, significa a faculdade de alguém em exercer
um direito seu.
• Pode-se afirmar que o direito subjetivo de alguém
termina quando nasce o dever jurídico de observar o
direito subjetivo de outrem.
86

Elementos da relação obrigacional


• A) Sujeito Ativo (credor)
• B) Sujeito Passivo (devedor)
• C) Objeto da obrigação

Das obrigações de dar, fazer e não fazer

• Dividem-se as obrigações em dar (coisa certa ou


incerta), fazer (praticar um ato, obrigação positiva)
e não fazer (abster-se da prática de um ato,
obrigação negativa).
• É possível a aplicação de multa diária nos casos
relacionados à obrigação de fazer e não fazer.
87

Do inadimplemento das Obrigações


• Adimplir é cumprir o contrato.
• Inadimplir é não cumprir o pactuado.
• Mora relaciona-se com o não cumprimento do
avençado.

Cláusula Penal

A cláusula penal representa uma


penalidade ligada a algum motivo
previsto no contrato. Incorre o devedor
na cláusula penal se deixar de cumprir
culposamente a obrigação ou se
constituir em mora.

26
88

Mora no CCB

• O Conceito de mora aplica-se tanto ao devedor


quanto ao Credor.
• Afirma o Art. 394 do CCB que “Considera-se em
mora o devedor que não efetuar o pagamento e o
credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e
forma que a lei ou a convenção estabelecer.”
• De acordo com o Art. 398 do CCB “Nas obrigações
provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor
em mora, desde que o praticou.”

• Caso fortuito e Força maior.


• Purgar a mora é extinguir a obrigação que se
atribuía à pessoa.
89

Danos Materiais e Morais


• Os danos materiais relacionam-se com o prejuízo
efetivamente verificado. Os danos materiais
envolvem os danos emergentes (damnus
emergens) e os lucros cessantes (lucrus cessans).
Assim, em um acidente automobilístico com um
taxista, por exemplo, os danos emergentes
relacionam-se com o prejuízo do veículo; e, os
lucros cessantes com o prejuízo arcado pelo taxista
durante os dias em que o veículo encontrava-se na
oficina.

• Por fim, quando se fala em dano moral, faz-se


necessário também ter em mente que existe a
honra subjetiva e a honra objetiva; sendo que,
aquela representa a idéia que a pessoa tem dela
mesma; e, esta, a idéia que a pessoa transmite,
sobre ela, no meio em que vive. Enquanto a pessoa
física tem honra subjetiva e objetiva, a pessoa
jurídica somente possui honra objetiva.
90

Em resumo
Danos materiais

31

Danos Morais

Pessoa Física

Pessoa Jurídica Dano moral


Pessoa Física indireto ou
reflexo na
pessoa física
32
91

RESPONSABILIDADES SUBJETIVA E OBJETIVA.


O NEXO CAUSAL.

• Na responsabilidade subjetiva o nexo causal


relaciona-se diretamente com a imprudência, a
imperícia e a negligência. Há a necessidade de
se verificar a ocorrência de uma dessas
modalidades de culpa para se gerar o dever de
indenizar. Na responsabilidade objetiva, o nexo
causal é suficiente para gerar o dever de
indenizar.

33

Nexo Causal
NEXO
CAUSAL

34
92

Responsabilidade Subjetiva

35

Responsabilidade Objetiva

É a regra no CDC !

36
93

Jurisprudência (Responsabilidade Objetiva)

• 34030164 – PROCESSUAL CIVIL – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO –


RELAÇÃO ESTABELECIDA ENTRE HOSPITAL E PACIENTE –
RESPONSABILIDADE OBJETIVA – COMPROVAÇÃO DO NEXO
CAUSAL – DEVER DE INDENIZAR – LUCROS CESSANTES –
NÃO DEMONSTRAÇÃO – DANOS MORAIS – MAJORAÇÃO –
INVIABILIDADE – A relação entre hospital e paciente
caracteriza-se como de consumo, qualificando-se o hospital
como autêntico prestador de serviços, nos termos dos artigos
2º e 3º, § 2º, da Lei 8.078/90, respondendo objetivamente
pelo danos causados ao paciente ou a sua família (RT
774/396). Não comprovando a incapacidade para o trabalho, o
período no qual perdurou tal impedimento, bem como a média
dos rendimentos, não se pode buscar lucros cessantes, ante a
ausência de provas do montante a ser auferido. Inviável a
majoração da indenização por danos morais quando
verificados que estes foram arbitrados em estrita atenção ao
dano ocorrido e às condições das partes. (TAMG – AP
0444364-5 – (91925) – Ubá – 4ª C.Cív. – Rel. Juiz Antônio
Sérvulo – J. 17.11.2004)

37

Jurisprudência (Responsabilidade Objetiva e Subjetiva)


• 158000043189 - APELAÇÃO CÍVEL - RESPONSABILIDADE CIVIL HOSPITALAR PELA ATUAÇÃO DO

CORPO CLÍNICO - ERRO MÉDICO - NÃO VERIFICAÇÃO - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO MÉDICO QUE

SEGUIU O NORMALMENTE OBSERVADO PELA CULTURA MÉDICA - INEXISTÊNCIA DOS

PRESSUPOSTOS DO DEVER DE INDENIZAR - A responsabilidade civil das instituições hospitalares é,

em regra, objetiva, fundada no Código de Defesa do Consumidor. Isso porque, ao oferecer no mercado

de consumo serviços de assistência médica e hospitalar mediante remuneração, os hospitais se sujeitam

às disposições da legislação consumerista, enquadrando-se no conceito de fornecedora de serviços da

área de saúde, nos termos do art. 14 do CDC . Não obstante isso, se a pretensão da parte autora se baseia

na falha na atuação dos médicos, não poderá o hospital responder objetivamente, pois o art. 14, § 4º do CDC ,

impõe aos profissionais liberais responsabilidade subjetiva. Caso concreto em que, considerando a prova

dos autos, é de se concluir pela adequação e regularidade do tratamento médico-hospitalar oferecido ao

autor, não tendo os hospitais-réus, por meio de seu corpo clínico, atuado com culpa em qualquer de suas

modalidades. Esta conclusão, aliada à ausência de sequelas decorrentes do tratamento, leva ao

reconhecimento da inexistência dos pressupostos daresponsabilidade civil dos demandados.

Improcedência do pedido mantida. APELO DESPROVIDO. (TJRS - AC 70035004373 - 9ª C.Cív. - Relª Desª

Marilene Bonzanini Bernardi - J. 15.09.2010 )


38

94

Responsabilidade Solidária

Na responsabilidade solidária, o sujeito ativo da relação


jurídica (consumidor, p.ex.) pode ajuizar o feito contra todos
que figurem na relação de consumo. Ex.: Em caso de vício
no produto, o consumidor pode ajuizar a ação contra o
fornecedor e o fabricante, ou só contra um dos dois.

39

Responsabilidade Subsidiária

Na responsabilidade subsidiária, existem vários sujeitos


que respondem pela relação jurídica; contudo, existe uma
gradação legal onde um responde somente quando o que
lhe precede não puder responder. Ex: As sociedades
coligadas respondem subsidiariamente quando a pessoa
jurídica principal não puder responder. Ainda, em caso de
defeito do produto, o fornecedor responde
subsidiariamente quando o fabricante não puder ser
identificado.

40
95

• 1. ( v ) Relação jurídica é vínculo com reflexos no


ordenamento jurídico.
• 2. ( v ) A proteção jurídica repele a vingança
privada
• 3. ( f ) Todo acontecimento é fato jurídico.
• 4. ( v ) O cheque pós-datado é negócio jurídico
simulado (CCB, Art. 167, III), não possuindo
validade jurídica.

• 5. ( f ) dever jurídico e direito subjetivo são


sinônimos
• 6. ( f ) A obrigação de fazer é negativa.
• 7. ( f ) A multa arbitrada pelo juiz em virtude de
descumprimento de obrigação de fazer pertence ao
Estado.
96

• 8. ( f ) inadimplemento refere-se apenas a não pagamento de


montante financeiro
• 9.( f ) Pessoa jurídica possui honra subjetiva e objetiva.
• 10. ( v ) sócio de pessoa jurídica pode sofrer dano moral
indireto
• 11. ( v ) Podem-se cumular em uma mesma ação danos
materiais e danos morais

• 13. ( v ) Os danos materiais abrangem os danos emergentes e


os lucros cessantes.
97

Contrato: conceito e elementos constitutivos

• “Contrato é ato jurídico lícito, de repercussão


pessoal e sócio-econômica, que cria, modifica ou
extingue relações convencionais dinâmicas, de
caráter patrimonial, entre duas ou mais pessoas,
que, em regime de cooperação, visam atender
necessidades individuais ou coletivas, em busca da
satisfação pessoal, assim promovendo a dignidade
humana.” (César Fiúza)

Massificação Contratual
O termo “contrato” relaciona-se diretamente com
obrigação, sendo fonte desta e costumeiramente
designado e entendido enquanto lei entre as partes
convalentes. No campo prático, é o acordo de
vontades o requisito essencial dos instrumentos
obrigacionais conhecido por contratos; acordo de
vontades este mitigado pela utilização de contratos
em massa, verdadeiros pactos adesivos que, para
possuírem validade material, devem obedecer a
requisitos analisados nos tópicos adiante expostos.

46
98

Princípios Fundamentais do Regime


Contratual
• 1) Princípio da Autonomia da Vontade: O
princípio da autonomia da vontade assegura que as
partes possuem liberdade ampla para contratar,
sendo equilibrado com o princípio da supremacia da
ordem pública, consoante o qual há a prevalência do
interesse público que, por sua vez, vem a delimitar
o alcance do princípio da autonomia da vontade,
numa espécie de ciclo constante. É o pacta sunt
servanda.

• 2) Princípio do Consensualismo:
O princípio do consensualismo, por sua vez,
assevera que o instrumento de avença resulta do
acordo de vontade. A avença mencionada, em tese,
seria fruto de uma paridade ou de uma
bilateralidade típica, a afastar a natureza adesiva, já
que, uma vez configurada, esta aplicar-se-ia,
havendo caracterização de relação consumeirista, os
princípios e regras que regem o direito do
consumidor.
99

• 3) Princípio da Relatividade dos Contratos:


• Pelo princípio da relatividade dos contratos,
tem-se que os efeitos dos contratos atingem apenas
os que nele participam através das manifestações
de suas respectivas vontades, o que preserva
direitos de terceiros.

• 4) Princípio da Força Vinculante dos


Contratos:
• Já o princípio da força vinculante dos contratos
traduz-se na obrigatoriedade, pelas partes, do
obedecimento aos termos pactuados. Enquanto que
o princípio da autonomia da vontade não obriga
ninguém a se vincular, o da força vinculante, uma
vez existindo o liame contratual, em prol
principalmente da segurança jurídica, obriga as
partes contratantes a cumprir o pactuado.
100

5) Princípio da Revisão dos Contratos:


Um dos princípios mais aplicados na seara judicial
é o princípio da revisão dos contratos, o qual vem a
se localizar em rota de colisão com o princípio
anterior à exata medida em que se prevalente
ocasionará a respectiva modificação, via judicial, dos
termos contratuais.

Teoria da Imprevisão (CCB):

• Art. 478. Nos contratos de execução continuada ou


diferida, se a prestação de uma das partes se
tornar excessivamente onerosa, com extrema
vantagem para a outra, em virtude de
acontecimentos extraordinários e imprevisíveis,
poderá o devedor pedir a resolução do contrato. Os
efeitos da sentença que a decretar retroagirão à
data da citação.
101

• 6) Princípio da Boa-fé Contratual Objetiva


• O princípio da boa-fé vem a dispor sobre o
dever de lealdade que deve permear o contrato
tanto na sua formação quanto na sua execução.

• 7) Princípio da Função Social do Contrato:


• O princípio da função social do contrato é
resultado da constitucionalização paulatina do
direito privado, consistindo em uma das maiores
conquistas da sociedade moderna na busca pelo
equilíbrio na vida social, sendo conseqüência das
lutas em prol da dignidade da pessoa humana.
• A mitigação do princípio do pacta sunt
servanda, outrora absoluto, via interpretação
constitucional dos fatos jurídicos e seus corolários
(ato jurídico, negócio jurídico e ato ilícito) pode,
sem sombra de dúvidas, ser considerada uma das
maiores conquistas sociais da humanidade.
• Dignidade da pessoa humana
102

Formação do Contrato e classificação


contratual

• Vontade
• Manifestação da Vontade
• Negociações Preliminares x Contrato Preliminar
• Proposta do Contrato

Negociações Preliminares x Contrato


Preliminar
As negociações preliminares não podem
ser consideradas, inicialmente, contratos.
Existe, entrementes, a figura do contrato
preliminar, o qual obrigará as partes, a
exemplo do contrato preliminar de
compra e venda de imóveis. No contrato
preliminar, as partes comprometem-se a
celebrar outro contrato, o definitivo.

56
103

Art. 427. A proposta de contrato obriga o


proponente, se o contrário não resultar
dos termos dela, da natureza do negócio,
ou das circunstâncias do caso.

57

• A proposta do contrato obriga o proponente


(aquele que faz a proposta). A proposta somente
não obrigará o proponente nos casos previstos no
Art. 428 do Código Civil: a) não houve aceitação
imediata; b) sem prazo a ausente e com tempo para
resposta; c) ausente que não obedece ao prazo da
resposta; d) se antes da proposta ou
simultaneamente chegar a
• Retratação do proponente.
104

Contratos inominados

• Aos contratos inominados, ou seja, aqueles não


tipificados no Código Civil, aplicam-se as disposições
previstas para os contratos em geral (Arts. 421 a
480 do Código Civil).

Disposições contratuais gerais (preliminares)


no Código Civil Brasileiro (CCB)
• Art. 421. A liberdade de contratar será exercida em
razão e nos limites da função social do contrato.
• Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar,
assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé.
105

• Art. 423. Quando houver no contrato de adesão


cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á
adotar a interpretação mais favorável ao aderente.
• Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as
cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do
aderente a direito resultante da natureza do
negócio.

Contratos Nominados

• COMPRA E VENDA: Pelo contrato de compra e


venda, um dos contratantes se obriga a transferir o
domínio de certa coisa, e o outro, a pagar-lhe certo
preço em dinheiro.
• TROCA OU PERMUTA: Aplicam-se as mesmas
regras da compra e venda, sendo que não existe a
circulação de dinheiro.
106

• DO CONTRATO ESTIMATÓRIO: Pelo contrato


estimatório, o consignante entrega bens móveis ao
consignatário, que fica autorizado a vendê-los,
pagando àquele o preço ajustado, salvo se preferir,
no prazo estabelecido, restituir-lhe a coisa
consignada. Lojista não imobiliza capital.
• Ex: Venda de veículos usados, dono de galeria que
recebe quadros para venda.

• DA DOAÇÃO: Considera-se doação o contrato em que


uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu
patrimônio bens ou vantagens para o de outra.
107

• DA LOCAÇÃO DE COISAS: Na locação de coisas,


uma das partes se obriga a ceder à outra, por
tempo determinado ou não, o uso e gozo de coisa
não fungível, mediante certa retribuição.
• DO COMODATO: O comodato é o empréstimo
gratuito de coisas não fungíveis. Perfaz-se com a
tradição do objeto. FUNGÍVEL é tudo que pode ser
substituído. Ex: empréstimo de prateleiras pelo
fabricante ao fornecedor para venda de seus
produtos.

• DO MÚTUO: O mútuo é o empréstimo de coisas


fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao
mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo
gênero, qualidade e quantidade.
• Ex: empréstimo de dinheiro
• DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO: Contrato que tenha
por objeto relação de trabalho diferente da relação
de emprego.
• Ex: Diarista, pintor, marceneiro.
108

• DA EMPREITADA: Em referido contrato, alguém


contrata terceiro para executar determinado serviço.
• DO DEPÓSITO:Pelo contrato de depósito recebe o
depositário um objeto móvel, para guardar, até que
o depositante o reclame.
• Ex: depósito legal, estacionamento (custódia).

• DO MANDATO: Opera-se o mandato quando


alguém recebe de outrem poderes para, em seu
nome, praticar atos ou administrar interesses. A
procuração é o instrumento do mandato.
109

• DA COMISSÃO: O contrato de comissão tem por


objeto a aquisição ou a venda de bens pelo
comissário, em seu próprio nome, à conta do
comitente (não obriga-se à identificação). Não há
preço estimado, como no contrato estimatório.
• Ex: Mercado de Café (antigamente). Hoje, é
cláusula da franquia, da distribuição de mercadorias.

• DA AGÊNCIA E DISTRIBUIÇÃO: Pelo contrato de agência, uma


pessoa assume, em caráter não eventual e sem vínculos de
dependência, a obrigação de promover, à conta de outra,
mediante retribuição, a realização de certos negócios, em zona
determinada, caracterizando-se a distribuição quando o agente
tiver à sua disposição a coisa a ser negociada. Ex: representante
comercial (Lei 4.886/65), Agente de Turismo.
110

• DA CORRETAGEM: Pelo contrato de corretagem,


uma pessoa, não ligada a outra em virtude de
mandato, de prestação de serviços ou por qualquer
relação de dependência, obriga-se a obter para a
segunda um ou mais negócios, conforme as
instruções recebidas. O corretor aproxima o terceiro
do comitente. Há informalidade.
• Ex: corretor de automóveis, de atletas profissionais.

• DO TRANSPORTE: Pelo contrato de transporte


alguém se obriga, mediante retribuição, a
transportar, de um lugar para outro, pessoas ou
coisas.
• DO SEGURO: Pelo contrato de seguro, o segurador
se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a
garantir interesse legítimo do segurado, relativo a
pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados.
111

• DA CONSTITUIÇÃO DE RENDA: Pode uma pessoa, pelo contrato


de constituição de renda, obrigar-se para com outra a uma
prestação periódica, a título gratuito ou oneroso.
• Ex: Previdência privada, arrendamento.

• DO JOGO E DA APOSTA: As dívidas de jogo ou de


aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode
recobrar a quantia, que voluntariamente se pagou,
salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é
menor ou interdito.
112

• DA FIANÇA: Pelo contrato de fiança, uma pessoa


garante satisfazer ao credor uma obrigação
assumida pelo devedor, caso este não a cumpra.

• DA TRANSAÇÃO: É lícito aos interessados


prevenirem ou terminarem o litígio mediante
concessões mútuas. Quando isso ocorre, verifica-se
a transação.
• DO COMPROMISSO: Pelo compromisso busca-se,
judicial ou extrajudicialmente, a resolução de litígios
entre pessoas que podem contratar.
113

Circulação dos Contratos

• Os contratos são instrumentos históricos de


circulação de riquezas. Foi assim no mundo
antigo, na idade média, moderna e continua sendo
no mundo globalizado.

Efeitos dos Contratos


• Os contratos, por serem leis entre as partes,
geram efeitos entre elas; contudo, tais efeitos não
são absolutos, sendo limitados pela ordem jurídica
ou, noutras palavras, pela legislação em vigor. Tal
fenômeno denomina-se “dirigismo contratual”
que, por sua vez, pode ser analisado enquanto uma
mitigação do princípio da autonomia da vontade.
114

Extinção dos Contratos

• A resilição é a extinção do contrato pela vontade


de uma das partes, conforme previsto no Art. 473
do Código Civil Brasileiro:
• Art. 473. A resilição unilateral, nos casos em que a
lei expressa ou implicitamente o permita, opera
mediante denúncia notificada à outra parte.

• A resilição bilateral resta consagrada pelo


legislador no Art. 472 do Código Civil Brasileiro, a
saber: “Art. 472. O distrato faz-se pela mesma
forma exigida para o contrato”.
115

• A rescisão relaciona-se com a extinção do contrato


por ato ou fato ligado à culpa contratual.

• A exceção de contrato não cumprido resta


regulada no Art. 476 do Código Civil Brasileiro em
vigor, onde se lê que “nos contratos bilaterais,
nenhum dos contratantes, antes de cumprida sua
obrigação, pode exigir o implemento da do outro.”
116

• Já a resolução por onerosidade excessiva


resta prevista no Art. 478 do Código Civil: nos
contratos de execução continuada ou diferida, se a
prestação de uma das partes se tornar
excessivamente onerosa, com extrema vantagem
para a outra, em virtude de acontecimentos
extraordinários e imprevisíveis, poderá o devedor
pedir a resolução do contrato. Os efeitos da
sentença que a decretar retroagirão à data da
citação.

Interpretação Contratual

1. Hermenêutica é a ciência que estuda a


interpretação. Busca do sentido e do alcance
das normas.
2. Hermeneuta deve procurar a vontade das
partes;
3. Interpretação dos contratos está sempre
relacionada aos princípios contratuais;

84
117

CCB:

Art. 111. O silêncio importa anuência,


quando as circunstâncias ou os usos
o autorizarem, e não for necessária a
declaração de vontade expressa.

85

CCB:

Art. 112. Nas declarações de vontade


se atenderá mais à intenção nelas
consubstanciada do que ao sentido
literal da linguagem.

86
118

CCB:

Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados


conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração.
Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia
interpretam-se estritamente.

87

CCB:

Art. 421. A liberdade de contratar será exercida


em razão e nos limites da função social do
contrato.
Art. 422. Os contratantes são obrigados a
guardar, assim na conclusão do contrato, como
em sua execução, os princípios de probidade e
boa-fé.

88
119

CCB:

Art. 423. Quando houver no contrato de adesão


cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á
adotar a interpretação mais favorável ao
aderente.
Art. 424. Nos contratos de adesão, são nulas as
cláusulas que estipulem a renúncia antecipada do
aderente a direito resultante da natureza do
negócio.
89

CCB:

Art. 425. É lícito às partes estipular contratos


atípicos, observadas as normas gerais fixadas
neste Código.
Art. 426. Não pode ser objeto de contrato a
herança de pessoa viva.

90
120

CDC

Art. 46. Os contratos que regulam as relações de


consumo não obrigarão os consumidores, se não lhes for
dada a oportunidade de tomar conhecimento prévio de
seu conteúdo, ou se os respectivos instrumentos forem
redigidos de modo a dificultar a compreensão de seu
sentido e alcance.
Art. 47. As cláusulas contratuais serão interpretadas de
maneira mais favorável ao consumidor.

91

CDC

Art. 48. As declarações de vontade constantes de


escritos particulares, recibos e pré-contratos
relativos às relações de consumo vinculam o
fornecedor, ensejando inclusive execução
específica, nos termos do art. 84 e parágrafos.

92
121

CDC

Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo


de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de
recebimento do produto ou serviço, sempre que a
contratação de fornecimento de produtos e serviços
ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente
por telefone ou a domicílio.
Parágrafo único. Se o consumidor exercitar o direito de
arrependimento previsto neste artigo, os valores
eventualmente pagos, a qualquer título, durante o prazo
de reflexão, serão devolvidos, de imediato,
monetariamente atualizados. 93

CDC

Art. 50. A garantia contratual é complementar à legal e


será conferida mediante termo escrito.
Parágrafo único. O termo de garantia ou equivalente deve
ser padronizado e esclarecer, de maneira adequada em
que consiste a mesma garantia, bem como a forma, o prazo
e o lugar em que pode ser exercitada e os ônus a cargo do
consumidor, devendo ser-lhe entregue, devidamente
preenchido pelo fornecedor, no ato do fornecimento,
acompanhado de manual de instrução, de instalação e uso
do produto em linguagem didática, com ilustrações.
94
122

• 1. ( v ) O dirigismo contratual pode ser entendido


como a mitigação do princípio da autonomia da
vontade (pacta sunt servanda)
• 2. ( f ) Pelo princípio da relatividade dos
contratos, tem-se que seus efeitos atingem terceiros
que dele não participaram.

• 3.( v ) É possível classificar de contrato de


adesão instrumento que não caracterize relação de
consumo.
• 4. ( v ) A teoria da imprevisão também é
conhecida por cláusula rebus sic stantibus e
constitui-se em mitigação do pacta sunt servanda
123

• 5.( v ) Encerra o princípio da função social do


contrato a ideia de que o contrato influencia no
equilíbrio da vida em sociedade.
• 6.( v ) Contrato assinado por menor de 16 anos é
nulo, não sendo possível sua validação
• 7.( f ) Negociação preliminar é sinônimo de
contrato preliminar.

8.( v ) o contrato de seguro é modalidade de


contrato aleatório.
9.( f ) O Código Civil regula a locação de bem
imóvel.
10. ( f ) O mandato, para ter validade necessita
obrigatoriamente de reconhecimento de firma.
124

11.( f ) O benefício de ordem aplica-se ao aval.


12. ( v ) O contrato de adesão é fruto de
fenômeno conhecido por massificação contratual.
13.( v ) Objeto ilícito anula o negócio jurídico.

Direito do Consumidor
• Liberalismo
• Dirigismo Contratual
• Estado Social. Estado Democrático de Direito
• CCB/1916 e CCB/2002
• Código de Defesa do Consumidor
• Dignidade contratual e Dignidade do Consumidor
• Função Social do Contrato.
125

Código de Defesa do Consumidor - LEI


8078 de 1990

• LEI Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990


• (DOU 12.09.1990, ret. DOU 10.01.2007)
• Dispõe sobre a proteção do consumidor, e dá outras
providências

Consumidor

• Art. 2º. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica


que adquire ou utiliza produtos ou serviço como
destinatário final.
• Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a
coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis,
que haja intervindo nas relações de consumo.
126

Fornecedor

• Art. 3º. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica,


pública ou privada nacional ou estrangeira, bem
como os entes despersonalizados, que desenvolvem
atividades de produção, montagem, criação,
construção, transformação, importação, exportação,
distribuição ou comercialização de produtos ou
prestação de serviços.

Produto e Serviço
• § 1º. Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel,
material ou imaterial.
• § 2º. Serviço é qualquer atividade fornecida no
mercado de consumo, mediante remuneração,
inclusive as de natureza bancária, financeira, de
crédito e securitária, salvo as decorrentes das
relações de caráter trabalhista.
• Notas:
• 1) Ver Ação Direta de Inconstitucionalidade STF nº
2.591-1.
127

Política Nacional das Relações de


Consumo
• A Política Nacional das Relações de Consumo tem
por objetivo o atendimento das necessidades dos
consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e
segurança, a proteção de seus interesses
econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida,
bem como a transparência e harmonia das relações
de consumo (Art.4.o. CDC).

• Faz parte da política nacional das relações de


consumo o reconhecimento da vulnerabilidade do
consumidor no mercado de consumo; bem como, a
presença do Estado no mercado de consumo;
• Vulnerabilidade x Hipossuficiência do consumidor.
128

Direitos Básicos do Consumidor


• Direitos básico do consumidor são direitos mínimos do
consumidor. Destacam-se enquanto direitos básicos do
consumidor, em conformidade com o Art. 6.o. do CDC:
• a) a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos
provocados por práticas no fornecimento de produtos e
serviços considerados perigosos ou nocivos;
• b) a educação e divulgação sobre o consumo adequado
dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de
escolha e a igualdade nas contratações;
• c) a informação adequada e clara sobre os diferentes
produtos e serviços, com especificação correta de
quantidade, características, composição, qualidade e
preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

• d) a proteção contra a publicidade enganosa e


abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais,
bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou
impostas no fornecimento de produtos e serviços;
• e) a modificação das cláusulas contratuais que
estabeleçam prestações desproporcionais ou sua
revisão em razão de fatos supervenientes que as
tornem excessivamente onerosas;
• f) a efetiva prevenção e reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos;
129

• g) o acesso aos órgãos judiciários e administrativos,


com vistas à prevenção ou reparação de danos
patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou
difusos, assegurada a proteção jurídica,
administrativa e técnica aos necessitados;
• h) a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive
com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no
processo civil, quando, a critério do Juiz, for
verossímil a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de
experiências;
• Ônus da prova x inversão do ônus da prova.
Conceito e diferenciação.

Da Proteção à Saúde e Segurança

• Os produtos e serviços colocados no mercado de


consumo não acarretarão riscos à saúde ou
segurança dos consumidores. (art.8º)
• Dever de informação por parte do fornecedor.
• Recall aos consumidores e comunicação às
autoridades.
130

Da Responsabilidade pelo Fato do


Produto e do Serviço (Art.12)
• reparação dos danos causados aos consumidores
por defeitos decorrentes de projeto, fabricação,
construção, montagem, fórmulas, manipulação,
apresentação ou acondicionamento de seus
produtos, bem como por informações insuficientes
ou inadequadas sobre sua utilização e riscos
(Art.12)
• Defeito x Vício. Conceito. Diferenciação.

• O produto é defeituoso quando não oferece a


segurança que dele legitimamente se espera

• O produto não é considerado defeituoso pelo fato de


outro de melhor qualidade ter sido colocado no
mercado.
131

Excludente de ilicitude
• O fabricante, o construtor, o produtor ou importador
só não será responsabilizado quando provar:
• que não colocou o produto no mercado;
• que, embora haja colocado o produto no mercado,
o defeito inexiste;
• a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiro.

Reparação de danos na PRESTAÇÃO


DE SERVIÇOS
• O fornecedor de serviços responde,
independentemente da existência de culpa, pela
reparação dos danos causados aos consumidores
por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou inadequadas
sobre sua fruição e riscos.
132

Serviço Defeituoso

• O serviço é defeituoso quando não fornece a


segurança que o consumidor dele pode esperar

Da Responsabilidade por Vício do


Produto e do Serviço (art.18)
• Os fornecedores de produtos de consumo duráveis
ou não duráveis respondem solidariamente pelos
vícios de qualidade ou quantidade que os tornem
impróprios ou inadequados ao consumo a que se
destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por
aqueles decorrentes da disparidade, com a
indicações constantes do recipiente, da embalagem,
rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as
variações decorrentes de sua natureza, podendo o
consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
(Art. 18)
133

Direitos do consumidor, conforme


escolha própria.
• Não sendo o vício sanado no prazo máximo de
trinta dias, pode o consumidor exigir,
alternativamente e à sua escolha:
• a substituição do produto por outro da mesma
espécie, em perfeitas condições de uso;
• a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
• o abatimento proporcional do preço.

Desprezo ao prazo de 30 dias

• O consumidor poderá desprezar o prazo de trinta


dias sempre que, em razão da extensão do vício, a
substituição das partes viciadas puder comprometer
a qualidade ou características do produto, diminuir-
lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
134

Vícios de qualidade dos serviços


• O fornecedor de serviços responde pelos vícios de
qualidade que os tornem impróprios ao consumo
ou lhes diminuam o valor podendo exigir,
alternativamente e à sua escolha:
• a) a reexecução dos serviços, sem custo
adicional e quando cabível;
• b) a restituição imediata da quantia paga,
monetariamente atualizada, sem prejuízo de
eventuais perdas e danos;
• c) o abatimento proporcional do preço.

Obrigação do fornecedor quanto ao


suprimento de peças
• No fornecimento de serviços que tenham por
objetivo a reparação de qualquer produto
considerar-se-á implícita a obrigação do
fornecedor de empregar componentes de
reposição originais adequados e novos, ou
que mantenham as especificações técnicas
do fabricante, salvo, quanto a estes últimos,
autorização em contrário do consumidor.
135

Da Decadência e da Prescrição
• O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de
fácil constatação caduca em:
• trinta dias, tratando-se de fornecimento de
serviço e de produtos não duráveis;
• noventa dias, tratando-se de fornecimento de
serviço e de produtos duráveis.
• Inicia-se a contagem do prazo decadencial a
partir da entrega efetiva do produto ou do término
da execução dos serviços.

Vício Oculto

• Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial


inicia-se no momento em que ficar evidenciado o
defeito.
136

Prescrição

• Prescreve em cinco anos a pretensão à reparação


pelos danos causados por fato do produto ou do
serviço, iniciando-se a contagem do prazo a partir
do conhecimento do dano e de sua autoria.

Da Desconsideração da
Personalidade Jurídica
• O juiz poderá desconsiderar a
personalidade jurídica da sociedade quando, em
detrimento do consumidor, houver abuso de
direito, excesso de poder, infração da lei, fato
ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou
contrato social. A desconsideração também será
efetivada quando houver falência, estado de
insolvência, encerramento ou inatividade da
pessoa jurídica provocados por má
administração. (Art. 28)
137

Da Oferta

• Obriga o fornecedor que a fizer veicular ou dela se


utilizar e integra o contrato que vier a ser celebrado
• Deve assegurar informações corretas, claras,
precisas, ostensivas e em língua portuguesa sobre
suas características, qualidades, quantidade,
composição, preço, garantia, prazos de validade e
origem, entre outros dados, bem como sobre os
riscos que apresentam à saúde e segurança dos
consumidores.

Da Publicidade
• É enganosa qualquer modalidade de informação ou
comunicação de caráter publicitário, inteira ou
parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo
por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a
respeito da natureza, características, qualidade,
quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer
outros dados sobre produtos e serviços.
• É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de
qualquer natureza, a que incite à violência, explore o
medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de
julgamento e experiência da criança, desrespeita valores
ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a
se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua
saúde ou segurança.
• a publicidade é enganosa por omissão quando deixar
de informar sobre dado essencial do produto ou serviço
138

Das Práticas Abusivas


• Práticas abusivas relacionam-se com atos praticados pelos fornecedores
no dia-a-dia da empresa. Diferem das cláusulas abusivas porque estas
últimas relacionam-se com contratos. Assim, de acordo com o Art. 39 do
CDC, destacam-se enquanto práticas abusivas:
• condicionar o fornecimento de produto ou de serviço ao fornecimento de
outro produto ou serviço, bem como, sem justa causa, a limites
quantitativos;
• recusar atendimento às demandas dos consumidores, na exata medida
de suas disponibilidades de estoque, e, ainda, de conformidade com os
usos e costumes;
• enviar ou entregar ao consumidor, sem solicitação prévia, qualquer
produto, ou fornecer qualquer serviço;
• prevalecer-se da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista
sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para impingir-lhe seus
produtos ou serviços;
• exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva;
• executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização
expressa do consumidor, ressalvadas as decorrentes de práticas
anteriores entre as partes;
• repassar informação depreciativa, referente a ato praticado pelo
consumidor no exercício de seus direitos;

• colocar, no mercado de consumo, qualquer produto ou


serviço em desacordo com as normas expedidas pelos órgãos
oficiais competentes ou, se normas específicas não existirem,
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas ou outra
entidade credenciada pelo Conselho Nacional de Metrologia,
Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro);
• recusar a venda de bens ou a prestação de serviços,
diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto
pagamento, ressalvados os casos de intermediação regulados
em leis especiais;
• deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação
ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo
critério;
• elevar sem justa causa o preço de produtos ou serviços.
• deixar de estipular prazo para o cumprimento de sua obrigação
ou deixar a fixação de seu termo inicial a seu exclusivo critério.
• aplicar fórmula ou índice de reajuste diverso do legal ou
contratualmente estabelecido.
139

Orçamento
• O fornecedor de serviço será obrigado a
entregar ao consumidor orçamento prévio
discriminando o valor da mão-de-obra, dos
materiais e equipamentos a serem
empregados, as condições de pagamento,
bem como as datas de início e término dos
serviços. Salvo estipulação em contrário, o
valor orçado terá validade pelo prazo de dez
dias, contado de seu recebimento pelo
consumidor.

Cobrança de dívidas
• Reza o Art. 42 do CDC que na cobrança de
débitos, o consumidor inadimplente não será
exposto a ridículo, nem será submetido a
qualquer tipo de constrangimento ou
ameaça.
• O consumidor cobrado em quantia indevida
tem direito à repetição do indébito, por valor
igual ao dobro do que pagou em excesso,
acrescido de correção monetária e juros
legais, salvo hipótese de engano justificável.
140

Dos Bancos de Dados e Cadastros de


Consumidores
• O consumidor tem acesso às informações
existentes em cadastros, fichas, registros e
dados pessoais e de consumo arquivados
sobre ele, bem como sobre as suas
respectivas fontes (Art. 43 do CDC).
• Consumada a prescrição relativa à cobrança
de débitos do consumidor, não serão
fornecidas, pelos respectivos Sistemas de
Proteção ao Crédito, quaisquer informações
que possam impedir ou dificultar novo
acesso ao crédito junto aos fornecedores.

Da Proteção Contratual
• Os contratos não obrigarão os consumidores, se não
lhes for dada a oportunidade de tomar
conhecimento prévio de seu conteúdo, ou se os
respectivos instrumentos forem redigidos de modo a
dificultar a compreensão de seu sentido e alcance.
141

Interpretação mais favorável ao


consumidor
• As cláusulas contratuais serão interpretadas de
maneira mais favorável ao consumidor.

Direito à desistência

• O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de


7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de
recebimento do produto ou serviço, sempre que a
contratação de fornecimento de produtos e serviços
ocorrer fora do estabelecimento comercial,
especialmente por telefone ou a domicílio.
142

Garantia contratual x garantia legal

• A garantia contratual é complementar à legal e será


conferida mediante termo escrito.

Cláusulas abusivas

• As cláusulas abusivas previstas no Art. 51 do


CDC relacionam-se com disposições
contratuais. Toda cláusula abusiva é nula e
de acordo com o CDC, são nulas as que:
• impossibilitem, exonerem ou atenuem a
responsabilidade do fornecedor por vícios de
qualquer natureza dos produtos e serviços
ou impliquem renúncia ou disposição de
direitos.
• subtraiam ao consumidor a opção de
reembolso da quantia já paga, nos casos
previstos neste código;
143

• transfiram responsabilidades a terceiros ou


estabeleçam obrigações consideradas
iníquas, abusivas, que coloquem o
consumidor em desvantagem exagerada, ou
sejam incompatíveis com a boa-fé ou a
eqüidade;
• estabeleçam inversão do ônus da prova em
prejuízo do consumidor ou determinem a
utilização compulsória de arbitragem;

• imponham representante para concluir ou realizar outro


negócio jurídico pelo consumidor;
• deixem ao fornecedor a opção de concluir ou não o contrato,
embora obrigando o consumidor;
• permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variação do
preço de maneira unilateral;
• autorizem o fornecedor a cancelar o contrato unilateralmente,
sem que igual direito seja conferido ao consumidor;
• obriguem o consumidor a ressarcir os custos de cobrança de
sua obrigação, sem que igual direito lhe seja conferido contra o
fornecedor;
• autorizem o fornecedor a modificar unilateralmente o conteúdo
ou a qualidade do contrato, após sua celebração;
• infrinjam ou possibilitem a violação de normas ambientais
• possibilitem a renúncia do direito de indenização por
benfeitorias necessárias
144

Nulidade de cláusula x Nulidade de


contrato
• A nulidade de uma cláusula contratual abusiva
não invalida o contrato, exceto quando de sua
ausência, apesar dos esforços de integração,
decorrer ônus excessivo a qualquer das partes.
• Para ser entendida enquanto nula, é necessário que
a cláusula passe pelo crivo judicial. Ao Poder
Judiciário cabe declarar nula ou não uma cláusula.

Contratos de Adesão

• Contrato de adesão é aquele cujas cláusulas tenham


sido aprovadas pela autoridade competente ou
estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de
produtos ou serviços, sem que o consumidor possa
discutir ou modificar substancialmente seu
conteúdo. (Art. 54)
145

Aspectos importantes nos contratos


de adesão:
• A inserção de cláusula no formulário não desfigura
a natureza de adesão do contrato.
• Nos contratos de adesão admite-se cláusula
resolutória, desde que a alternativa, cabendo a
escolha ao consumidor
• Os contratos de adesão escritos serão redigidos
em termos claros e com caracteres ostensivos e
legíveis, de modo a facilitar sua compreensão pelo
consumidor.
• As cláusulas que implicarem limitação de direito
do consumidor deverão ser redigidas com destaque,
permitindo sua imediata e fácil compreensão.

• O Empresário e as relações de consumo.


• Prevenção
• Defesa
•CDC é instrumento protetivo
146

1.( v ) O Código de Defesa do Consumidor


constitui-se em um microssistema legal
2.( v ) O Código de Defesa do Consumidor
prevalece à Lei dos Planos de Saúde
3.( f ) A responsabilidade, no CDC, é sempre
objetiva
4.( v ) Tanto no CDC quanto no CCB, a
interpretação, em caso de dúvida em contrato de
adesão deve ser favorável ao aderente.


5.( f ) a inversão do ônus da prova, no CDC,
aplica-se a todos os casos.
6.( f ) a desistência da venda, pelo CDC, é possível
sempre, desde que exercido o direito em 07 dias
147

• 7.( f ) Aplicar-se-ão sempre aos contratos


bancários as normas do CDC.
• 8.( f ) A responsabilidade civil dos Bancos é
subjetiva