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RECLAMAÇÃO 16.

260 PIAUÍ

RELATOR : MIN. GILMAR MENDES


RECLTE.(S) : MUNICIPIO DE VARZEA BRANCA
ADV.(A/S) : GARCIAS GUEDES RODRIGUES JUNIOR E
OUTRO(A/S)
RECLDO.(A/S) : JUIZ DE DIREITO DA 2ª VARA DA COMARCA DE
SÃO RAIMUNDO NONATO
ADV.(A/S) : SEM REPRESENTAÇÃO NOS AUTOS
INTDO.(A/S) : ALICE DE SOUZA PAES LIMA E OUTRO(A/S)
ADV.(A/S) : YÊDDA CASTRO REIS E OUTRO(A/S)

DECISÃO: Trata-se de reclamação constitucional, com pedido liminar,


ajuizada pelo Município de Várzea Branca em face de ato do Juiz de
Direito da 2ª Vara da Comarca de São Raimundo Nonato/PI (Processo
0000742-71.2013.8.18.0073) que deferiu pedido de antecipação de tutela
formulado por servidores públicos, para determinar que a Fazenda
Pública municipal efetuasse o imediato pagamento das verbas requeridas
(pagamento do décimo terceiro salário referente a dezembro/2012), por se
tratar de verbas de natureza alimentar, sob pena de multa no importe de
R$ 2.000,00 (dois mil reais) por dia de atraso.
O reclamante argumenta que a autoridade reclamada violou o que
decidido na ADI 1.662, Rel. Min. Maurício Corrêa, DJ 19.9.2003, no
sentido de que o sequestro de verbas públicas somente será cabível na
hipótese de preterição da ordem cronológica de apresentação dos
precatórios, nos termos do art. 100, § 2º, da Constituição Federal. No
mérito, pugna pela cassação da decisão reclamada.
O Município de Várzea Branca prestou informações (eDOC 10), nas
quais alega que a decisão vilipendia os princípios do orçamento público e
quebra a ordem de pagamento por precatórios.
Deferi a medida liminar pleiteada para suspender os efeitos da
antecipação de tutela concedida nos autos do Processo 0000742-
71.2013.8.18.0073, em tramitação no Juízo da 2ª Vara da Comarca de São
Raimundo Nonato/PI (eDOC 20).
Contra essa decisão, Ivoneide Ribeiro Dias interpôs agravo
regimental. Nas razões do recurso, alega que o tema da ADI 1.662 referiu-

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se apenas ao bloqueio de verbas se ocorrer preterição de ordem


cronológica para pagamento de precatórios, quando, no caso em
comento, o crédito não se submete ao regime dos precatórios. Sustenta
que, quando a ação é coletiva, o valor global é divido pelo número de
litisconsortes e, portanto, os créditos configuram-se como requisições de
pequeno valor. Pugna pela reconsideração da medida liminar ou pelo
provimento do recurso para que seja mantida da decisão reclamada.
Decido.
No julgamento da ADI 1.662, o Supremo Tribunal Federal fixou o
entendimento de que a única hipótese em que o art. 100, § 2º, da
Constituição autoriza o sequestro de verbas públicas é aquela em que há
quebra da ordem cronológica de pagamento. Confira-se:

“AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE.


INSTRUÇÃO NORMATIVA 11/97, APROVADA PELA
RESOLUÇÃO 67, DE 10.04.97, DO ÓRGÃO ESPECIAL DO
TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, QUE UNIFORMIZA
PROCEDIMENTOS PARA A EXPEDIÇÃO DE PRECATÓRIOS
E OFÍCIOS REQUISITÓRIOS REFERENTES ÀS
CONDENAÇÕES DECORRENTES DE DECISÕES
TRANSITADAS EM JULGADO. 1. Prejudicialidade da ação em
face da superveniência da Emenda Constitucional 30, de 13 de
setembro de 2000. Alegação improcedente. A referida Emenda
não introduziu nova modalidade de seqüestro de verbas
públicas para a satisfação de precatórios concernentes a débitos
alimentares, permanecendo inalterada a regra imposta pelo
artigo 100, § 2º, da Carta Federal, que o autoriza somente para o
caso de preterição do direito de precedência do credor.
Preliminar rejeitada. 2. Inconstitucionalidade dos itens III e XII
do ato impugnado, que equiparam a não-inclusão no
orçamento da verba necessária à satisfação de precatórios
judiciais e o pagamento a menor, sem a devida atualização ou
fora do prazo legal, à preterição do direito de precedência, dado
que somente no caso de inobservância da ordem cronológica de
apresentação do ofício requisitório é possível a decretação do

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seqüestro, após a oitiva do Ministério Público. 3. A autorização


contida na alínea b do item VIII da IN 11/97 diz respeito a erros
materiais ou inexatidões nos cálculos dos valores dos
precatórios, não alcançando, porém, o critério adotado para a
sua elaboração nem os índices de correção monetária utilizados
na sentença exeqüenda. Declaração de inconstitucionalidade
parcial do dispositivo, apenas para lhe dar interpretação
conforme precedente julgado pelo Pleno do Tribunal. 4.
Créditos de natureza alimentícia, cujo pagamento far-se-á de
uma só vez, devidamente atualizados até a data da sua
efetivação, na forma do artigo 57, § 3º, da Constituição paulista.
Preceito discriminatório de que cuida o item XI da Instrução.
Alegação improcedente, visto que esta Corte, ao julgar a
ADIMC 446, manteve a eficácia da norma. 5. Declaração de
inconstitucionalidade dos itens III, IV e, por arrastamento, da
expressão "bem assim a informação da pessoa jurídica de
direito público referida no inciso IV desta Resolução", contida
na parte final da alínea c do item VIII, e, ainda, do item XII, da
IN/TST 11/97, por afronta ao artigo 100, §§ 1º e 2º, da Carta da
República. 6. Inconstitucionalidade parcial do item IV, cujo
alcance não encerra obrigação para a pessoa jurídica de direito
público. Ação direta de inconstitucionalidade julgada
procedente em parte”. (ADI 1.662, Rel. Min. Maurício Corrêa,
Tribunal Pleno, DJ 19.9.2003)

Após a decisão desta Corte na referida ação direta de


inconstitucionalidade, a Emenda Constitucional 62, de 2009, alterou o art.
100, §6º, da Constituição, autorizando o sequestro de verbas públicas
também no caso de não alocação orçamentária do valor necessário à
satisfação do débito.
Na hipótese dos autos, a decisão reclamada consignou o seguinte:

“Com efeito, os requerentes são funcionários efetivos do


município que estão sendo tolhidos de verba alimentar por
parte do município requerido.
Ressalte-se, por importante, que a justificativa do

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requerido de que inexiste orçamento para tanto ou que seria


impossível conceder a tutela antecipada contra a fazenda
pública não se aplica ao caso, uma vez que verba pleiteada deve
constar obrigatoriamente na Lei orçamentária anual, não
havendo como aceitar o argumento do requerido de ausência
de verba para pagamento de tal despesa.
Ademais, há de se considerar que tal gratificação refere-se
ao exercício do serviço de educação, que recebe verba específica
do Governo Federal, como forma de auxiliar os Municípios,
inclusive na contratação e remuneração de servidores.
Diante disso, e tendo em conta o caráter alimentar da
gratificação preterida, concedo em parte a antecipação de tutela
pleiteada, no sentido de determinar ao requerido que efetue o
pagamento do 13º dos requerentes no prazo de 10 dias, sob
pena de multa no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) por dia
de atraso, sem prejuízo da adoção de outras medidas previstas
em lei, em caso de descumprimento”. (eDOC 8, fls. 2/3)

Constata-se, portanto, que não consta da decisão reclamada


motivação quanto à desnecessidade de observância do regime de
precatórios.
Com efeito, embora as prestações devidas pelo reclamante sejam de
caráter alimentar, forçoso reconhecer a obrigatoriedade da adoção do
regime de precatórios. Nesse sentido, cito os seguintes precedentes desta
Corte:

“Agravo regimental no agravo de instrumento. Direito


Constitucional e Administrativo. Competência do relator para
negar seguimento a recurso manifestamente inadmissível.
Débitos contra a Fazenda Pública. Execução. Regime dos
Precatórios. Necessidade. Precedentes. 1. É competente o relator
(art. 557, caput, do Código de Processo Civil e art. 21, parágrafo
1º, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal) para
negar seguimento “ao recurso manifestamente inadmissível,
improcedente, prejudicado ou em confronto com a súmula ou
com jurisprudência dominante do respectivo tribunal, do

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Supremo Tribunal Federal, ou de Tribunal Superior”. 2. A


jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a
Fazenda Pública, quando executada, sujeita-se ao regime de
precatórios, qualquer que seja a natureza do débito, inclusive os
alimentares, ressalvadas as obrigações de pequeno valor. 3.
Agravo regimental não provido.” (AI 813.366-AgR, Rel. Min.
Dias Toffoli, Primeira Turma, DJe 28.11.2013)

“AGRAVO REGIMENTAL. SUSPENSÃO DE TUTELA


ANTECIPADA. DETERMINAÇÃO DE PAGAMENTO
IMEDIATO DE VALORES RECONHECIDOS
JUDICIALMENTE. OCORRÊNCIA DE GRAVE LESÃO À
ORDEM PÚBLICA. VIOLAÇÃO AO ART. 100 DA
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA E AO ART. 2º-B DA LEI
9.494/97. NECESSIDADE DE SUBMISSÃO AO REGIME
CONSTITUCIONAL DOS PRECATÓRIOS. 1. Art. 1º da Lei
9.494/97, c/c art. 4º da Lei 8.437/92: configuração de grave lesão
à ordem pública. Pedido de suspensão de tutela antecipada
deferido. 2. A tutela jurisdicional pretendida pelo agravante,
consubstanciada no pagamento antecipado dos valores
reconhecidos judicialmente só pode ser efetivada após o
trânsito em julgado da ação sob o procedimento ordinário
ajuizada na origem. 3. A jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal, ao interpretar o disposto no caput do art. 100 da
Constituição da República, firmou-se no sentido de submeter,
mesmo as prestações de caráter alimentar, ao regime
constitucional dos precatórios, ainda que reconhecendo a
possibilidade jurídica de se estabelecerem duas ordens distintas
de precatórios, com preferência absoluta dos créditos de
natureza alimentícia (ordem especial) sobre aqueles de caráter
meramente comum (ordem geral). Precedentes. 4. Agravo
regimental improvido”. (STA 90 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie,
Tribunal Pleno, DJe 26.10.2007)

Assim, considerando a necessidade de observância do regime de


precatórios mesmo para o pagamento de dívidas de caráter alimentar não

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honradas pelo Poder Público, a decisão reclamada efetivamente violou a


autoridade da decisão proferida por esta Corte no julgamento da ADI
1.662.
Ante o exposto, confirmo a liminar concedida e, nos termos do art.
161, parágrafo único, do Regimento Interno desta Corte, julgo procedente
a reclamação para cassar a decisão proferida pelo Juízo de Direito da 2ª
Vara da Comarca de São Raimundo Nonato/PI, nos autos do Processo
742-71.2013.8.18.0073. Julgo prejudicado o agravo regimental interposto
contra a decisão que deferiu a medida liminar.

Publique-se.
Brasília, 20 de junho de 2014.

Ministro GILMAR MENDES


Relator
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