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A UTILIZAÇÃO DA LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA NO ENSINO DE HISTÓRIA

Célia Maria David1


Melissa Carolina Marques Silva2
Paula Vanessa Moscardini de Oliveira3

Resumo: Este artigo relata o desenvolvimento do Projeto de ação-pedagógica: “A utilização da


linguagem cinematográfica no ensino de história”, junto ao Núcleo de Ensino da
UNESP/Franca, na 7ª B da “EE Mário D’Elia”, em Franca, com a participação de duas
alunas bolsistas. O objetivo primordial foi permitir aos alunos da ROE o contato com a
linguagem cinematográfica como documento histórico e instrumento didático pedagógico
privilegiado para o ensino de história. O tema trabalhado foi A Revolução Industrial
retratada nos filmes: Oliver Twist e Germinal, das obras literárias de Charles Dickens e
Emile Zola , respectivamente, e Tempos Modernos, de Charles Chaplin.

Palavras-chave: cinema, educação, ensino de História.

1. INTRODUÇÃO
Trata-se de um projeto de ação didático-pedagógica desenvolvido junto ao Núcleo de
Ensino da Unesp/Franca, em parceria com a Escola Estadual “Mário D’Elia”, no período
compreendido entre maio e dezembro de 2002. O objetivo primeiro foi propiciar aos alunos da rede
pública de ensino o contato e a exploração da linguagem do cinema como documento histórico e
recurso didático para o ensino de história.

O projeto integra-se ao quarto ciclo dos Parâmetros Curriculares Nacionais, cujo eixo
temático consiste na “História das representações e das relações de poder” e seus subtemas:
nações, povos, lutas, guerras e revoluções. O tema indicado, pela professora de história da classe,
para ser desenvolvido na 7ª série B do Ensino Fundamental, foi a Revolução Industrial.

A proposta justifica-se na medida em que, como professores de história sentimos a


necessidade premente de revisão no ensino da disciplina, aliada a uma análise profunda da postura
da escola diante do contexto do mundo hoje. Temos a consciência de que a modernidade está
exigindo pessoas com um aguçado senso crítico para enfrentar as novas formas de linguagens que a
sociedade oferece, mais que isto, impõe. Frente aos avanços tecnológicos e científicos, faz-se
necessário ampliar os horizontes do conhecimento por intermédio dos novos meios que a sociedade
apresenta, em especial, no domínio da comunicação. Tal afirmativa questiona o papel da educação e
coloca em cheque a postura tradicional da escola.

1
Professora doutora do Departamento de Educação, Ciências Sociais e Política Internacional da FHDSS/UNESP –
Franca/SP.
2
Aluna do 4º ano do Curso de História e bolsista do Projeto.
3
Aluna do 4º ano do Curso de História e bolsista do Projeto.

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Lembrando oportunamente as colocações de Lambert:

A escola tradicional encontra-se defasada em relação ao aparato tecnológico à


disposição de grande parte da população e, também, por isso, o ensino da história,
como das demais disciplinas, torna-se em ‘ fracasso de bilheteria’ (1990, p.12).

Na busca de novos caminhos para o ensino da disciplina, o filme insere-se como fonte
documental. Sustenta tal postura as concepções da Nova História, segundo a qual afirma Jacques Le
Goff:
Ampliou o campo do documento histórico; substituiu a história fundada
essencialmente nos textos, no documento escrito, por uma história baseada numa
multiplicidade de documentos: escritos de todos os tipos, documentos figurados,
produtos de escavações arqueológicas, documentos orais, uma estatística, uma curva
de preços, uma fotografia, um filme, uma ferramenta, um ex-voto são para a história
nova, documentos de primeira ordem ( 1990, p.28 ).

O historiador francês Marc Ferro, um dos principais nomes no campo da pesquisa e


ensino da história por intermédio da linguagem cinematográfica, propõe duas vias para a leitura do
cinema: “leitura histórica do filme e leitura cinematográfica da história: esses são dois eixos a serem
seguidos para quem se interroga sobre a relação entre cinema e história” (1992 ,p. 19 ). A primeira
leitura corresponde à leitura do filme através da história, ou seja, na direção em que foi produzido; a
segunda leitura é vista como uma leitura do filme enquanto um discurso do passado, a história lida
pelo cinema.
O ponto central do projeto em questão é a linguagem do cinema. Mas o que é Cinema?
Algumas reflexões se impõem na pauta de estudiosos do assunto. Para Antônio Costa, esta pergunta
possui diferentes respostas sustentadas sob a ótica do observador, senão vejamos: pode-se dizer
que cinema é “técnica, indústria, arte, espetáculo, divertimento, cultura. Depende do ponto de vista do
qual o consideramos. Cada um deles é igualmente fundamentado e não pode ser negligenciado”
(1987, p.28).
Irene Tavares Sá propõe sejam considerados três ângulos.Expressa-se a autora:

Para os críticos de diferentes matizes é uma técnica a ser avaliadas segundo padrões
variados... para os produtores é, antes de tudo, um capital em movimento... e para os
diretores independentes é uma arte e uma técnica a serem manipulados com
diferentes finalidades, satisfação artística, atrativo profissional ou meio de vida,
estímulo criacional, móvel de competição aos Festivais... (1967, p. 24).

O certo é que o cinema vem exercendo uma expressiva influência cultural no mundo,
não só pelas salas de cinema, mas também pelo acesso a fitas de videocassete em nosso ambiente
doméstico. A este respeito, manifesta-se Azzi:

O vídeo trouxe uma mudança qualitativa para quem gosta de cinema.É fundamental
para quem quer se aprofundar num filme. É muito útil para a crítica, que pode ver o
filme mais de uma vez, evitando erros de avaliação. O vídeo é como se fosse uma
mariola particular, em que você pode parar, voltar, ver novamente. O vídeo transforma
o filme em um livro (1996, p. 5).

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Considerando-se, por outro lado, o peso da influência da linguagem do cinema em
nossos alunos, que à guisa de entretenimento são levados, salvo raras exceções, a uma apreciação
acrítica e , por via de conseqüência, a uma visão direcionada, o projeto buscou tratar a linguagem
cinematográfica como fonte documental e instrumento didático-pedagógico privilegiado para o ensino
de História. O objetivo que nos moveu foi despertar o senso crítico e ético do aluno, quer para a
compreensão do passado , em um mundo na era da comunicação , quer sobre o que está disponível
em audiovisual no mercado , ou seja, aguçar o senso crítico do aluno-expectador, para que ele não
seja levado, pela força da comunicação imagem-som, a tirar conclusões precipitadas. Cuidou-se,
ademais, para que os filmes não se prestassem a mera ilustração de aula expositiva. Buscou-se,
sobretudo, trabalhar o conhecimento, unindo-se teoria e prática, a história ensinada e a história
vivida. Destacou-se a projeção não como uma reprodução do real, mas como um discurso, uma fonte
que requer ser tratada considerando as semelhanças e diferenças entre filmes com a mesma
temática e outras fontes.

As ligações do cinema com a história podem ser analisadas sob três aspectos: história
do cinema, história no cinema e cinema na história. A primeira ocupa-se da historiografia do cinema,
vista como uma disciplina de metodologia própria, tal qual a história da literatura, história da música,
história do teatro e assim por diante. A segunda utiliza os filmes como meio de representação do
passado, quando, então, os filmes são vistos como fontes documentais para a história. O terceiro e
último apresenta o papel do cinema na história, ou seja, sua propaganda política, a ideologia que
passa, o conteúdo sociopolítico e cultural expressos na imagem.

A classificação dos filmes em história é bem diversificada, documentários,


reconstrução histórica, biografia histórica, filme de época, ficção histórica, filme mito, filme etnográfico
e adaptações literárias e teatrais. A pesquisa insere-se nas adaptações literárias, isto é, filmes que
reconstituem o passado por meio de uma literatura específica.

No levantamento de fontes sobre a Revolução Industrial, encontramos filmes e


trabalhos específicos que foram utilizados no desenvolvimento do projeto. Destacamos “Oliver Twist”
de Charles Dickens e “Germinal” de Emile Zola.

A realização das sessões de cinema, na classe, processou-se em duas etapas: a


primeira consistiu em assistir ao filme ininterruptamente, em um horário determinado; e a segunda, na
análise e discussão. Para esta etapa, os alunos foram divididos em grupos e utilizaram todo o
material levantado no decorrer da pesquisa, como: trechos da literatura do período, recortes de
jornais da atualidade, comparação com outros filmes.

Cada filme foi analisado individualmente, obedecendo a um procedimento que buscou


resgatar a cronologia da produção, verificar as versões sobre o tema central do filme, levantar a ficha
técnica da equipe e o público alvo da produção. Mas, também, buscar o conteúdo, o enredo, os
gestos, as entrelinhas, o que o produtor/diretor queria expressar ao expectador, as palavras
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desconhecidas, o ambiente cenográfico, as roupas, o vocabulário, enfim, analisar internamente o
filme.

Todo filme, desde que analisado criticamente, pode ser utilizado como recurso didático
pelo professor, pois “a natureza da análise independe, assim, tanto do gênero cinematográfico
(documentário, reconstrução, reconstituição) como da época em que ele se situa”, nos adverte Ferro
(1989, p. 66).

A pesquisa não pretendeu investigar verdades históricas com relação ao filme e sim
verossimilhanças com a produção cenográfica e a fonte escrita, a fim de levar os alunos a uma
reflexão entre o concreto e o abstrato; entre o real e o imaginário, na busca do conhecimento, no
caso específico, da história. Dessa forma, “A utilização da linguagem cinematográfica no ensino de
história” apresenta-se como uma nova opção metodológica no ensino dessa disciplina.

2. O PROJETO
A tarefa de se trabalharem conteúdos da disciplina de História por meio da linguagem
cinematográfica sempre aparenta ser uma tarefa simples e incapaz de propor uma inovação. No caso
específico deste projeto, o que se pretendeu foi justamente propor inovações metodológicas a
respeito de atividades relacionadas ao cinema e ao conteúdo de História.

Antes de iniciar o trabalho de projeção e análise dos filmes com a 7ª sérieB do período
da tarde da Escola Estadual “Mário D’Elia”, marcamos uma reunião que tinha como objetivo
apresentar o Projeto ao corpo docente, à professora-coordenadora e à diretora(s) e levá-los a
conhecer as atividades programadas de pesquisa, a ação didático-pedagógica e a elaboração de
material didático, que seriam realizadas até o final do ano letivo. Notamos, nesta reunião, que os
professores, em geral, acolheram de maneira bastante positiva a intenção de realização do projeto na
escola, demonstrando que, ao contrário de muitas escolas estaduais, estão abertos às novas
tendências que os alunos universitários apresentam dentro da escola.

Dando seqüência às atividades do projeto, tivemos uma reunião com a professora da


classe com a qual iríamos trabalhar, a fim de que pudéssemos, da melhor forma, acertar o tema mais
adequado para a execução do projeto. Decidimos pela Revolução Industrial. A ação subseqüente foi
a seleção dos filmes. A partir desse momento, o contato com os alunos passou a ser semanal.
Assistimos aos filmes: “Oliver Twist”, “Germinal”, “Pelle, o conquistador”, “Daens, um grito de justiça”
e “Tempos Modernos”. Destes filmes, selecionamos “Oliver Twist”, “Germinal” e “Tempos Modernos”,
adotando para cada um deles, uma metodologia diversificada que buscou atingir, como específicos,
os seguintes objetivos:

- Relembrar e narrar toda a história do filme;


- Constatar cenas fundamentais que propiciem um conhecimento histórico;

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- Enfocar cenas que funcionem como fio condutor para o tema proposto, a partir dos
filmes “As aventuras de Oliver Twist”, “Germinal” e “Tempos Modernos”;
- Refletir e comentar sobre as mesmas e comentá-las através de uma abordagem
crítica;
- Relacionar as mesmas a um contexto histórico específico (século XIX, XX e XXI);
- Elaborar um panorama geral destes séculos;
- Analisar, com base nas projeções e em textos, as questões centrais expostas nos
filmes;
- Notar a importância de ter conhecimentos sobre autores, diretores e produtores de
uma história que constitui um filme;
- Propor a renovação do ensino de História a partir do contato com a linguagem
cinematográfica.

OLIVER TWIST

Passada no século XIX na Inglaterra, a história de Oliver Twist mostra a divertida


aventura de um pobre órfão que ousou querer mais.

O filme projetado para os alunos foi dirigido pelo diretor Tony Bill que se baseou no
clássico da literatura inglesa de Charles Dickens. Ainda criança, Oliver se vê sozinho nas ruas de
Londres e é acolhido por uma gangue de pequenos ladrões. Preso por causa de um crime que não
cometeu, Oliver luta bravamente para provar sua inocência, escapar das garras do bando e encontrar
a família que sempre desejou.

É preciso ressaltar que o filme foi projetado em uma aula dupla e trabalhado com os
alunos em outra, em novo horário. A classe foi dividida em seis grupos com seis participantes cada.
Nesse dia, estavam presentes 36 alunos. Foram entregues os textos com os quais cada grupo
deveria trabalhar.Cada aluno recebeu uma pasta para arquivar todo material a ser entregue e
também produzido.

O texto do primeiro grupo trazia informações sobre a obra literária de Charles Dickens,
bem como sobre este escritor britânico. Fazia referência também sobre o diretor do filme “As
Aventuras de Oliver Twist”, Tony Bill. Com base no texto e no filme visto, este grupo deveria analisar
a maneira como Tony Bill retratou Oliver Twist em seu filme e verificar se foi fiel à obra original de
Dickens.

O segundo grupo analisou o contexto geral da Revolução Industrial, relembrando-o e


comparando com cenas vistas no filme. O terceiro grupo verificou como a Revolução Industrial
ocorreu em um país específico, Inglaterra, também relacionando-a com as imagens cinematográficas.
O quarto grupo comparou cenas específicas do personagem Oliver Twist com informações do livro de
Charles Dickens. O quinto grupo tratou de questões atuais, através de um artigo de jornal que retrata
as condições de crianças órfãs e comparou-as com a situação vivenciada por Oliver na Inglaterra do

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século XIX. O sexto grupo teve como incumbência estabelecer um paralelo entre um depoimento de
um menino de rua com a situação de Oliver Twist.

Todos os grupos tiveram 15 minutos para realizar a leitura do texto. Em seguida,


receberam uma questão que serviu de apoio para realizarem a atividade proposta. Primeiro leram o
texto, depois comentaram com os colegas e, por último, fizeram anotações com base na questão que
deveriam trabalhar. É preciso ressaltar que os alunos estiveram sob a orientação constante das
alunas bolsistas que aplicaram a aula.

GERMINAL

Para a realização desta aula, as professoras (bolsistas) adotaram uma metodologia


diferente da aula exposta através do filme Oliver Twist. A classe ficou disposta em círculo, de forma a
facilitar o diálogo entre alunos e professoras. A primeira parte foi executada por uma das professoras
e restringiu-se a uma análise do significado do título do filme. Entretanto, por meio do diálogo, sempre
interativo, os próprios alunos chegaram ao significado da palavra Germinal inserida no contexto da
fita. Isto se deu pela exposição de dados sobre Emile Zola, autor do livro “Germinal”, e o período em
que a obra foi escrita. Em seguida, pediu-se à classe que destacassem os personagens principais e
as situações vivenciadas por estes na história vista. Estabeleceu-se, em seguida, um debate sobre as
condições vividas pelos personagens o que permitiu, aos alunos, a exposição dos seus pontos de
vista. As ponderações revelaram-se oportunas, pertinentes, singularmente reflexivas.

Na segunda parte, para uma análise histórica, levamos trechos da obra O Manifesto
Comunista de Marx, a fim de comparar a vida e as condições dos operários, que o filme mostra, por
intermédio de alguns escritos históricos e políticos da época. O texto foi distribuído para cada aluno, a
fim de que pudesse ser lido individualmente para, em seguida, atentar-se para os aspectos
essenciais do texto.

Observamos que os alunos aproveitaram bastante a oportunidade que tiveram de se


manifestar. Neste sentido, percebemos que gostaram mais da aula sobre o filme “Germinal” do que
da aula anterior, sobre o filme “Oliver Twist”.

A proposta de se trabalhar por meio de questionamentos e com somente dois textos


resultou mais produtiva do que a metodologia de grupos adotada anteriormente. Os alunos, no
debate em círculo, puderam compartilhar com seus colegas as visões que tiveram dos personagens
principais e as situações mostradas no filme; e isto certamente produziu melhores resultados.

Para melhor avaliar o desempenho dos alunos no trabalho com os dois primeiros
filmes, ou seja, “Oliver Twist” e “Germinal”, resolvemos vê-los novamente, com o objetivo de entender
por que tiveram melhor desempenho nas atividades do segundo, “Germinal”. Concluímos que os
alunos tiveram maior dificuldade em analisar “Oliver Twist”, levados pela própria dinâmica do filme,

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que apresenta um enredo de fácil compreensão; personagens divertidos, infantis e com bastante
movimento nas cenas, o que não prendeu tanto a atenção das crianças, como era esperado. Outro
fator que pode não ter ajudado na aula é que resolvemos não pedir anotações sobre o filme4, o que
gerou maior dificuldade com o trabalho de comparação com os textos. Um outro problema notado na
exploração do filme “Oliver Twist” foi com relação à metodologia de grupos. Ao mencionar que teriam
de formar grupos (grupos que não seriam com os quais estão habituados a trabalhar), notamos que a
reação dos alunos não foi receptiva à idéia de realizar um trabalho com outros colegas, o que tornou
o resultado menos eficiente.

Nota-se, pela metodologia adotada, que os alunos apresentam desempenho mais


positivo, quando inseridos nos grupos de costume, ou seja, as ditas “panelas”. O problema decorrente
dos grupos habituais é a falta de oportunidade de compartilhar conhecimento e experiências com
outros colegas. O trabalho em grupos não parece fazer parte do cotidiano das aulas.

Para Lindgren:

As discussões em grupo não só têm efeito estimulante sobre os processos cognitivos,


como também capacitam os professores a criar situações que abrem canais de
comunicação e melhoram o estado de ânimo e coesão nos grupos (1975, p. 402).

Com relação à “Germinal”, importa ainda comentar que foi surpreendente a


participação dos alunos no questionamento informal realizado a respeito do filme. Foi notória a
compreensão do enredo, os problemas enfrentados pelos trabalhadores das minas de carvão;
memorizaram nomes de personagens e as atuações destes no filme.

A maneira como trabalharam, isto é, individual e de certa forma tradicional, em


carteiras enfileiradas, proporcionou um maior controle dos alunos e gerou inclusive um debate entre
eles. É claro que o desempenho foi melhor, mas não podemos deixar de alertar que este fato
comprova cada vez mais que o método tradicional é bastante adotado entre os professores em geral,
decorrendo em um desempenho inferior dos alunos, quando estimulados a trabalhar de outra forma.

TEMPOS MODERNOS

Para esta aula propusemos um trabalho interdisciplinar com a disciplina de Educação


Artística. Feita a análise do filme conforme o descrito nos anteriores, disponibilizamos, para os
alunos, diversos tipos de papel, como color set, camurça, dobradura e outros materiais, a saber: cola,
tesoura e canetinhas. Colorindo o filme em preto e branco dirigido e estrelado por Charlie Chaplin, os
alunos confeccionaram painéis onde puderam deixar a imaginação avançar. Uns preferiram privilegiar
a figura impressionante do personagem Carlitos e outros demonstraram as modificações ocorridas na
indústria, desde a representada no filme “Tempos Modernos”, até a indústria que temos atualmente.

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Não solicitamos anotações sobre o filme, justamente para verificar como seria o desempenho dos alunos na aula em que
teriam de trabalhar cenas do filme, com textos elaborados.

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Entretanto, algo semelhante ocorreu como a aula sobre o filme “Oliver Twist”, onde os alunos
deveriam trabalhar em grupos; notamos que o desempenho destes poderia ter sido melhor se
tivessem trabalhado individualmente ou em duplas, por exemplo.

É possível perceber que quando a metodologia para se trabalhar um determinado


conteúdo histórico, propõe algo diferente do que o habitual, o rendimento de certos alunos decresce e
a disciplina fica difícil de ser controlada. Mesmo assim, obtivemos ótimos resultados.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Embora curto o espaço de tempo e em que pesem as dificuldades encontradas
mormente com relação ao horário das aulas, eventuais desencontros entre o calendário da escola
trabalhada e da faculdade, questões relativas à disponibilidade da aparelhagem de projeção, alguns
resultados podem ser elencados, e positivos:

♣ Os objetivos foram pontualmente alcançados.


♣ O trabalho com filmes teve excelente recepção. Os alunos avaliaram as aulas como
agradáveis, descontraídas e a história, muito interessante, o que referenda a
afirmativa de que o cinema insere-se entre os recursos considerados altamente
motivadores e estimuladores do espírito crítico.
♣ A escola considerou a importância de se abrir um “espaço” para o trabalho com filmes,
pensando na riqueza da aula e também num melhor aproveitamento do material
tecnológico disponível, aliás, na maioria das escolas da rede pública.
♣ Evidenciou-se a possibilidade de selecionarem-se filmes que subsidiem o trabalho do
professor, na direção de uma revisão metodológica do ensino de História.

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Riolando Azzi afirma que:

Quanto à utilização dos filmes com finalidade pedagógica, não só o professor tem
oportunidade de ver o filme mais de uma vez, podendo extrair com mais clareza os
conteúdos educativos que deseja enfatizar, como também os alunos podem realizar
um trabalho mais aprimorado de pesquisa e descoberta sob a orientação do professor,
aproveitando ao máximo a grande riqueza cultural contida na produção
cinematográfica (1996, p. 6).

Importa acrescentar que o projeto foi apresentado na 7ª Jornada de Iniciação Científica


da UNESP/Franca, em agosto de 2002, e no I Congresso Nacional de Educação de Uberlândia, em
novembro deste mesmo ano, oportunidades em que teve excelente apreciação e repercussão .

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Paulinas, 1996. (filmes em Cartaz)
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: História. Brasília:
MEC/SEF, 1998.
COSTA, ANTÔNIO. Compreender o cinema. Trad. Nilson Moulin Louzada. Rio de Janeiro: Globo,
1987.
FERRO, MARC. A história vigiada. Trad. Doris Sanches Pinheiro. São Paulo: Martins Fontes, 1989.
_______. Cinema e história. Trad. Flávia Nascimento. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
LAMBERT, H. M. F. C. Cinema e historiografia: as versões da escravidão. In: História. Franca.
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LINDGREN, H. C. Psicologia na sala de aula. Trad. Hilda de Almeida Guedes. Rio de Janeiro: Livros
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ROCHA, A. P. O filme: um recurso didático no ensino de História? São Paulo: FDE. Diretoria Técnica,
1992.
SÁ, IRENE TAVARES. Cinema e educação. Rio de Janeiro: Agir, 1967.

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