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Práticas educacionais

Renata Largura
Práticas educacionais

01 Laureate- International Universities


Sumário
CAPÍTULO 4 - Gestão democrática e cidadã......................................................................05

Introdução.....................................................................................................................05

4.1 Função social da escola.............................................................................................05

4.2 O projeto político pedagógico e o regimento escolar ...................................................07

4.3 Conselho escolar na prática.......................................................................................16

4.4 O Plano Nacional de Educação e a meta 19...............................................................17

Síntese...........................................................................................................................19

Referências Bibliográficas.................................................................................................20

03
Capítulo 4
Gestão democrática e cidadã

Introdução
Neste capítulo, você conhecerá a importância do exercício da gestão escolar democrática para
a formação da cidadania plena. Mas antes de iniciar este estudo, é preciso pensar: o que signi-
fica desenvolver uma formação que possibilite a cidadania plena? Em seu cotidiano, como você
enxerga e valoriza as ações de cidadania?

Para auxiliá-lo na compreensão dessa temática, será necessário estudar o conceito de cidadania,
embasado na obra de Paulo Freire, já que esse educador dedicou sua vida a pensar e a praticar
a educação em uma perspectiva humanista, que valoriza a cultura do outro, a necessidade de
ouvir o que o outro conhece, a certeza da incompletude do ser humano, a conscientização, a
democracia e o diálogo (FERNANDES, 2011, p. 14).

Nessa perspectiva, reconhece-se a educação como um processo não só de aquisição de conhe-


cimento, mas também um ato político que visa a desenvolver integralmente o cidadão, levando
em consideração a sociedade em que está inserido. Assim:

[...] é importante destacar que a concepção de educação e cidadania de Paulo Freire se insere
num determinado contexto histórico, no qual a sociedade brasileira recebe influências do
pensamento europeu sobre o homem, a liberdade, a democracia, a educação, a sociedade e
a cultura. (FERNANDES, 2011, p. 14)

É possível perceber que, nesse cenário, o exercício da cidadania – que é concebida como o pro-
cesso em que o indivíduo se torna consciente dos seus direitos, deveres, participação e inclusão
da vida em sociedade – é elemento essencial no processo de ensino/aprendizagem e na vida
acadêmica de todos os cidadãos.

Nesse sentido, é importante que você reflita: de que educação e de qual cidadania estamos fa-
lando ao pensar sobre a formação de nossos alunos?

Paulo Freire (2005, p. 95) coloca que “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo.
Os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”, corroborando com o pensamento de
que nossa sociedade está imersa em uma cultura influenciada pelo pensamento europeu. Logo, é
necessário desenvolver práticas que se adaptem à função social da escola brasileira, bem como
pensar em ações que promovam a gestão democrática.

4.1 Função social da escola


A escola tem como função social formar o cidadão por meio da construção de conhecimentos,
valores e atitudes. O ato de educar – e todo o processo educacional – precisa estar carregado de
intencionalidades que possam transformar alunos em cidadãos atuantes em sua própria história
e na sociedade em que estão inseridos.

É por meio do desenvolvimento da formação para a solidariedade, a criticidade, a ética e a


participação ativa do aluno que esse processo pode ser efetivo e se carregar de significado. O
aluno/cidadão precisa conscientizar-se de que é o protagonista de seu processo educacional e,

05
Práticas educacionais

consequentemente, participante de uma sociedade mais justa, equânime e igualitária. Mas como
a escola deve se articular junto aos professores para dar conta dessa formação?

A maneira como o professor compreende de que forma se dá a construção do conhecimento


dos indivíduos interfere na maneira como ele constrói a sua prática em sala. O mesmo acontece
com a gestão da escola: as práticas que constituem o modo de educar resultam no exercício da
gestão democrática.

Mas no que consiste a ação da gestão? E no cenário educacional? Como neste capítulo estamos
tratando da gestão democrática, faz-se necessário conceituar o que é gestão de maneira geral,
para transpor esse conceito para o cenário educacional de forma democrática.

Lück (2006, p. 37) aponta que “gestão é o processo que se caracteriza pelo reconhecimento da
importância da participação consciente e esclarecida das pessoas nas decisões sobre a orien-
tação e o planejamento do seu trabalho, além da capacidade de gerenciar as relações sociais,
pessoais e econômicas”.

No cenário educacional, além de manter um processo organizado na escola, o gestor precisa


primar pela valorização da qualidade educacional – e isso se traduz em ações que oportunizem
a capacitação dos professores, a dedicação ao que está descrito no projeto político pedagógico
da escola, a supervisão e a orientação pedagógica.

Para realizar um trabalho de qualidade e efetivo, o gestor precisa manter a escola de acordo com
as normas exigidas pelo sistema educacional. No que diz respeito à gestão democrática, o artigo
14 da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) indica que:

Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na


educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.
(BRASIL, 1996)

Analisando o que determina a LDB sobre as diretrizes para a gestão democrática da educação,
podemos perceber que é um processo que está vinculado aos mecanismos legais e institucionais.
Mas não é só a diretriz que aponta o que precisa ser executado na prática cotidiana; nesse senti-
do, destaca-se a necessidade de adotar ações que possibilitem a participação social em diversos
momentos do processo educacional, como, por exemplo:

• no planejamento e elaboração de políticas educacionais;


• na tomada de decisões acerca de todo o processo em que a escola está inserida;
• na escolha do uso de recursos e prioridades de aquisições financeiras para a escola;
• na execução das resoluções colegiadas;
• nos períodos de avaliação da escola, entre outras ações;
Para a prática da gestão democrática ser efetiva, é necessário compreender a importância do
trabalho da gestão escolar como atividade meio – o que quer dizer que, quanto mais a escola
consegue ampliar a participação social dos alunos e da comunidade, mais é possível construir
processos de emancipação humana.

O papel do gestor, bem como sua formação, deve ser embasado em atitudes e conhecimen-
tos que propiciem resultados efetivos e significativos no processo de ensino/aprendizagem, a
partir do desenvolvimento de competências e habilidades. Essas habilidades devem servir para
diagnosticar situações de conflitos, bem como propor soluções assertivas para a resolução das
causas geradoras de conflitos.

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NÃO DEIXE DE LER...
Diálogos e mediação de conflito nas escolas: um guia para educadores é um material
de apoio ao curso presencial de práticas restaurativas nas escolas, promovido pelo
Conselho Nacional do Ministério Público. Esse documento apresenta diversas informa-
ções sobre diálogo e mediação de conflitos, bem como atividades sugeridas, detalha-
damente descritas para que o professor/gestor encontre, em conjunto com seus alunos,
os caminhos para solucionar os conflitos cotidianos, restabelecendo a tranquilidade na
comunidade escolar e fortalecendo o vínculo de pertencimento ao grupo. Disponível
no endereço: <http://www.cnmp.mp.br/portal/images/stories/Comissoes/CSCCEAP/
Di%C3%A1logos_ezMedia%C3%A7%C3%A3o_de_Conflitos_nas_Escolas_-_Guia_
Pr%C3%A1tico_para_Educadores.pdf>.

É necessário também que o gestor desenvolva habilidades e competências que permitam tomar
decisões sobre técnicas que possibilitem uma boa administração do tempo do corpo docente
durante a jornada diária, pois só assim as práticas didáticas geram ganhos na qualidade e
produtividade profissional dos envolvidos. Além dessas habilidades, Silva et al. (2006, p. 16)
colocam ainda que:

O gestor de uma escola precisa ser portador de profundos conhecimentos pedagógicos para
que tenha a capacidade de compreender o universo escolar em sua totalidade. Para este
profissional, é necessária a capacidade de viabilizar a articulação das políticas de formação
com a de gestão além de se ter uma visão estratégica e holística, sobretudo no que tange a
construção do projeto político pedagógico, que é uma ferramenta que possibilita a gestão
democrática.

Corroborando o que dizem Silva et al. e conforme a LDB, art. 14, a prática da gestão democrá-
tica, que é um processo constante, deve se iniciar com a construção do projeto político peda-
gógico e com a participação da comunidade nos conselhos escolares. Você estudará, a seguir,
como são construídos e aplicados os principais documentos nos quais o gestor precisa manter a
atenção para efetivar a gestão democrática na escola.

4.2 O projeto político pedagógico e o regimento


escolar
Se a escola precisa exercer o papel de articuladora do processo democrático com vistas a de-
senvolver alunos cidadãos, quais são os documentos e as práticas que norteiam esse trabalho?
O projeto político pedagógico (PPP) surge a partir da necessidade de planejar a vida escolar
e requer a construção colaborativa entre a instituição de ensino e a comunidade na qual está
inserida.

Esse documento preconiza as metas que a escola terá que cumprir e os meios para concretizá-
-las. É por meio desse exercício de construção que o PPP pode propor a oferta de educação de
qualidade, pois os meios de avaliação podem levar em conta os problemas que os alunos en-
frentam e que podem atrapalhar o seu desempenho escolar.

Para levantar esses problemas, é necessário conhecer e investigar a comunidade em que a escola
está inserida, com o propósito de estabelecer e aperfeiçoar o currículo para atender às necessi-
dades socioculturais dos alunos.

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Práticas educacionais

É chamado projeto por reunir propostas de ações concretas a serem executadas durante um
determinado período de tempo.

Tem cunho político, pois considera a escola como um espaço de formação de cidadãos conscien-
tes, responsáveis e críticos, que atuarão individual e coletivamente na sociedade, modificando
os rumos que ela vai seguir.

E, finalmente, é pedagógico, pois define e organiza os projetos educacionais e práticas do pro-


cesso de ensino/aprendizagem.

Ao atuar nessas três dimensões, o PPP apresenta-se como um guia que indica o caminho para
o processo ensino/aprendizagem ser efetivo e possibilita a inserção do aluno como atuante na
sociedade. Sendo assim, sob a ótica da gestão democrática, deve ser um documento que, ao ser
finalizado, expresse a síntese do processo de construção coletiva entre a escola e a comunidade.

É um documento que precisa ser autossuficiente em sua descrição, para não deixar dúvidas sobre
a rota que a escola deve seguir, mas também não há como definir um modelo preciso e exato,
pois cada instituição apresenta características singulares e é traçando seu caminho no desenvol-
vimento das ações pedagógicas que pode também trilhar o caminho da gestão democrática. A
estrutura principal do PPP deve contemplar os seguintes itens:

• Missão ou marco referencial


Deve considerar os valores nos quais a comunidade escolar acredita e as aspirações que tem em
relação à aprendizagem dos alunos. Precisa responder a perguntas como: “O que é Educação,
em nossa concepção?” e “Qual a formação que queremos proporcionar ao aluno?”.

São questões de forte embasamento teórico, que fazem com que a comunidade escolar se volte
para a reflexão sobre a verdadeira intencionalidade da escola. A partir da clareza dessas defini-
ções é que se podem projetar ações sobre o que se espera nas dimensões pedagógicas, admi-
nistrativas e democráticas.

Nesse sentido, Gandin (1994, p. 82) aponta três eixos centrais para a discussão do marco
referencial. O marco situacional aponta para a reflexão sobre a relação da educação em
contextos mais amplos do que a comunidade em que está inserida, em nível nacional e mundial.

A intenção é partir da realidade local da escola, do modo de vida dos sujeitos envolvidos, da cul-
tura local e da utilização dos espaços comunitários. Essa discussão desencadeia reflexões acerca
do desenvolvimento histórico da comunidade, bem como seus valores, quem a representa e quais
as necessidades que precisam ser atendidas por meio do processo educacional.

Perguntas como as destacadas a seguir podem nortear o trabalho de discussão sobre o marco
situacional do PPP (GANDIN, 1994, p. 82):

• Que aspectos sociais, econômicos, políticos, culturais e educativos são destaques hoje no
Brasil e no mundo?

• A partir dos aspectos listados na questão anterior, quais os pontos positivos e negativos
que podem ser elencados?

• Quais as tendências e problemas da sociedade atual que se destacam como problemáticas


no processo educacional?

• Quais os valores cultuados pela nossa sociedade na atualidade?

08 Laureate- International Universities


A partir das reflexões e sínteses acerca do marco situacional é que se chega ao ponto de discutir
o marco doutrinal, que precisa abordar os fundamentos teóricos e sociais sobre que educa-
ção se espera ofertar para os alunos, com vistas a definir o tipo de sociedade que queremos
construir. Define a função social da escola no processo educacional e na formação dos alunos/
cidadãos a fim de projetar um futuro melhor para a nossa sociedade a partir da educação.

As perguntas norteadoras, nesse caso, são (GANDIN, 1994, p. 98):

• Qual é a sociedade que desejamos construir?


• Comopodemos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, equânime,
democrática e participativa?

• Quais os valores e as atitudes que esperamos dos futuros atuantes em nossa sociedade e
como faremos esse trabalho?

• Quais os fatores que motivam os alunos a se tornarem agentes ativos de transformação


da nossa sociedade?

• O que significa ser aluno, sujeito participante da construção de sua própria história?
Finalmente, o marco operativo é aquele que articula as concepções da escola com a sociedade.
Para ser definido, precisa estar embasado nos dois marcos estudados anteriormente, pois trata
da definição da escola que queremos. As perguntas que podem embasar essa discussão são
(GANDIN, 1994, p. 82):

• Qual o ideal que buscamos para a nossa escola?


• Como desenvolveremos o processo educacional voltado para a realidade da comunidade?
• Como tornaremos nossa escola democrática, aberta e participativa?
• Quais os princípios que nortearão nossa prática pedagógica?
• Como o processo educacional resultará em qualidade de ensino?
É importante ressaltar que essas discussões podem ser embasadas em versões anteriores do PPP,
caso a escola já o tenha descrito anteriormente, pois, dessa maneira, a construção e reavaliação
do documento pode contemplar aspectos históricos evolutivos da instituição e da comunidade.

• Clientela
Neste item, é importante realizar uma pesquisa que descreva o histórico da comunidade a partir
da fundação da escola. Também é interessante elaborar um levantamento detalhado sobre as
condições social, econômica e cultural das famílias.

• Dados sobre a aprendizagem


A intenção é coletar informações quantitativas sobre matrículas, aprovação, reprovação, eva-
são, distorção idade/série, transferências e resultados de avaliações. Além dessa pesquisa, é
importante fazer uma análise qualitativa a partir das dificuldades de aprendizagem dos alunos,
para que esses dados sirvam de base para elaborar o planejamento curricular e pedagógico da
escola.

09
Práticas educacionais

NÓS QUEREMOS SABER!


Qual a diferença entre pesquisa qualitativa e pesquisa quantitativa? As pesquisas
qualitativas têm caráter exploratório, pois estimulam os entrevistados a pensar e falar
livremente sobre o tema, objeto ou conceito que está sendo pesquisado. Esse tipo de
pesquisa, de maneira geral, desperta aspectos subjetivos nos envolvidos da pesquisa,
pois podem atingir motivações não explícitas ou inconscientes, de forma espontânea;
daí a importância de utilizar essa técnica na investigação das dificuldades no processo
educacional.

Já as pesquisas quantitativas são indicadas para levantar opiniões e atitudes explícitas


e conscientes dos envolvidos no estudo, pois utilizam instrumentos padronizados, como
questionários, por exemplo. Pela natureza dos métodos empregados, pode ser utilizada
quando se sabe exatamente o que precisa ser investigado, como é o caso do número
de matrículas, aprovações, reprovações e assim por diante (GUNTHER, 2006).

• Relação com as famílias


No PPP, é necessário definir a maneira como os pais podem contribuir com os projetos da ins-
tituição escolar e como podem participar das tomadas de decisões. Esse item tem um teor de
grande importância na perspectiva da gestão democrática, visto que é a partir do envolvimento
da família no processo educacional que a proximidade da comunidade começa a acontecer de
maneira prática. E é a partir do início da aproximação que o engajamento para a mobilização
democrática pode acontecer. Esse processo torna-se o trampolim para a sociedade que se deseja
construir. Gandin (1994, p. 39) elenca algumas estratégias para mobilizar a construção coletiva
do PPP:

• elaborar panfletos sobre o que é o PPP, sua importância para a escola e a necessidade da
participação da comunidade;

• elencar um dia de mobilização para construção do PPP da escola;


• promover palestras, seminários de troca de experiências com outras escolas que estejam
elaborando o PPP;

• utilizarcanais de comunicação virtual para a divulgação da mobilização e promover


espaços de discussões virtuais;

• realizara divulgação da mobilização para a construção do PPP por meio de jornais


comunitários e da associação de moradores;

• promover debates nas salas de aulas e organizar atividades culturais com o objetivo de
discutir sobre a importância da participação de todos.

• Diretrizes pedagógicas
Neste item, será necessário elaborar a composição do currículo da escola e descrever os objeti-
vos e conteúdos de ensino, metas do processo de ensino/aprendizagem e as formas dos proces-
sos de avaliação (por série ou ciclo e por disciplina).

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• Recursos
Neste item, é importante descrever a estrutura física da escola (prédios, salas, equipamentos,
mobiliários e espaços livres), os recursos humanos (composição da equipe, qualificação e horas
de trabalho), recursos financeiros e materiais pedagógicos.

• Plano de ação
Configura-se como o planejamento de um conjunto de ações que serão executadas com vistas a
resolver os problemas elencados nas etapas anteriores do desenvolvimento do PPP. A execução
desse compilado também objetiva provocar mudanças na realidade da escola. Gandin (1994, p.
92) sugere que seja planejado a partir de quatro dimensões, com o propósito de desenvolver um
plano temporal em curto, médio e longo prazo, a partir das necessidades da escola.

1º Dimensão: ações concretas

São ações que possuem um objetivo específico. Pode-se mensurar um período de


finalização, como, por exemplo, a capacitação de professores sobre a utilização dos
recursos tecnológicos em sala de aula.

2º Dimensão: orientações para a ação

São ações que dizem respeito ao desenvolvimento de valores, habilidades e atitudes e


não se configuram como propostas concretas, como é o caso de promover a participação
democrática dos alunos e da comunidade.

3º Dimensão: atividades permanentes

São as atividades de rotina da escola e que têm caráter permanente, como, por exemplo,
o desenvolvimento semanal do planejamento das aulas ou, no caso administrativo, o
pagamento de uma determinada conta mensal.

4º Dimensão: determinações gerais

São ações que envolvem todos os segmentos da comunidade escolar e são elaboradas a
partir do diagnóstico da escola, como, por exemplo, a apresentação pelos professores do
planejamento das aulas aos alunos.

É importante que as formas de encaminhamentos do plano de ação sejam desenvolvidas de for-


ma visual, para que todos os envolvidos nos processos tenham conhecimento dos detalhamentos
das ações. Veja o exemplo no Quadro 1:

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Práticas educacionais

Período de exe-
Área Metas Ações Parcerias
cução

• Reforma do
muro de entra-
da da escola.
Entre novembro
Melhoria do es- • Construção de
Prefeitura de 2015 e feve-
paço físico guarita.
reiro de 2016.
• Instalação de
portão na re-
cepção.

• Agendar visita
técnica para
análise do
Gestão do solo.
Espaço
• Construir
áreas de de- Floricultura do
limitação da bairro.
horta.
Revitalização da Pais. Outubro de
horta • Plantar as 2015.
mudas. Alunos.

• Elaborar cro-
nograma de
trabalho com
as turmas que
serão respon-
sáveis pela
horta.
• Avaliar a pe-
riodicidade de
atividades que
componham
os descritores
Corpo docente.
de leitura.
Aumentar o per-
Gestão peda- A partir de junho
centual do rendi- Alunos.
gógica • Promover reu- de 2015.
mento escolar.
niões com o
corpo docente
para avaliar o
andamento e
progresso de
leitura.
Quadro 1 – Exemplo de um plano de ação.
Fonte: Elaborado pela autora, 2015

12 Laureate- International Universities


Mas e se mesmo com todo o levantamento de dados feito a partir dos itens elementares do PPP
a escola não conseguir elencar as principais dificuldades e necessidades para elaborar um plano
de ação? A que recursos o corpo docente pode recorrer?

O plano de desenvolvimento da escola (BRASIL, 2006), elaborado pelo MEC, indica a utilização
da técnica de avaliação estratégica conhecida como FOFA, que consiste em fazer um levanta-
mento junto ao corpo docente da escola acerca das forças (pontos fortes), das fraquezas (pontos
fracos), oportunidades e ameaças (riscos). Esse levantamento deve ser realizado em um formulá-
rio como este, que você observa no Quadro 2, com dados do MEC (BRASIL, 2006).

Forças (+) Oportunidades (+)

7. Formação continuada oferecida pela Se-


1. União da Equipe
cretaria do Estado.
2. Espaço físico amplo e recursos didáticos
8. Eventos culturais com a participação da
variados.
comunidade.
3. Projeto Valores e Atitudes.
9. Campanhas comunitárias.
4. ...
10. ...
5. ...
11. ...
6. ....
12. ....
Fraquezas (-) Ameaças (-)

1. Prática didática tradicional em sala. 7. Gestão da educação descontinuada.

2. Currículo ultrapassado e descontextuali- 8. Vulnerabilidade social da comunidade.


zado.
9. Falta de oferta de programas de apoio
3. Atendimento inadequado na EJA. aos alunos pelos órgãos municipais.

4. .... 10. ...

5. .... 11. ...

6. .... 12. ...

Quadro 2 – Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças (FOFA)


Fonte: Elaborado pela autora, 2015.

A partir das respostas – que devem ser sucintas e a sob a perspectiva do cotidiano da escola – é
que será aplicada a análise. É necessário que sejam elencadas três forças, três oportunidades,
três fraquezas e três ameaças que foram mais citadas e que seja feito o cruzamento dessas res-
postas nos quadros 3, 4, 5 e 6 (BRASIL, 2006).

A seguir, é necessário que seja atribuída às ações uma classificação: F para interação forte, M
para interação média ou Fr para interação fraca.

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Práticas educacionais

Oportunidade 1 Oportunidade 2
Oportunidade 3
Formação continuada Eventos culturais com a
Campanhas comuni-
oferecida pela Secreta- participação da comu-
tárias.
ria do Estado. nidade.

Força 1
F M F
União da equipe
Força 2
Espaço físico amplo
M F F
e recursos didáticos
variados.
Força 3
Projeto Valores e F F F
Atitudes

Quadro 3 – Forças x Oportunidades


Fonte: Elaborado pela autora, 2015.

As combinações destacadas em negrito apresentam interações fortes e são consideradas favo-


ráveis para a implementação de futuros planos de ação.

Ameaça 3
Ameaça 1 Ameaça 2 Falta de oferta de pro-
Gestão da educação Vulnerabilidade social gramas de apoio aos
descontinuada. da comunidade. alunos pelos órgãos
municipais.

Fraqueza 1
Prática didática tradi- M M FR
cional em sala
Fraqueza 2
Currículo ultrapassa-
F F M
do e descontextuali-
zado

Fraqueza 3
Atendimento inade- F F F
quado na EJA

Quadro 4 – Fraquezas x Ameaças


Fonte: Elaborado pela autora, 2015.

As combinações destacadas em negrito apresentam interações fortes e são consideradas des-


favoráveis para a implementação de futuros planos de ação.

14 Laureate- International Universities


Ameaça 3
Ameaça 1 Ameaça 2 Falta de oferta de pro-
Gestão da educação Vulnerabilidade social gramas de apoio aos
descontinuada. da comunidade. alunos pelos órgãos
municipais.

Força 1
F M M
União da equipe
Força 2
Espaço físico amplo
FR M M
e recursos didáticos
variados.
Força 3
Projeto Valores e M F M
Atitudes

Quadro 5 – Forças x Ameaças


Fonte: Elaborado pela autora, 2015.

As combinações destacadas em negrito apresentam interações fortes e ajudam a neutralizar o


efeito das mudanças à medida que são implementadas.

Oportunidade 1 Oportunidade 2
Oportunidade 3
Formação continuada Eventos culturais com a
Campanhas comuni-
oferecida pela Secreta- participação da comu-
tárias.
ria do Estado. nidade.

Fraqueza 1
Prática didática tradi- F F M
cional em sala
Fraqueza 2
Currículo ultrapassa-
M F M
do e descontextuali-
zado
Fraqueza 3
Atendimento inade- FR M F
quado na EJA

Quadro 6 – Fraquezas x Oportunidades


Fonte: Elaborado pela autora, 2015.

As combinações destacadas em negrito apresentam interações fortes e dificultam o aproveita-


mento das oportunidades.

A partir da análise do quadro preenchido com a atribuição de interação sobre as ações é que o
plano de ação pode começar a ser pensado. Duas questões podem ser tomadas como base para
nortear a sua elaboração:

1. Quais ações o corpo docente sugere para proporcionar equilíbrio nos efeitos das fraquezas
e das ameaças?

2. Quais ações o corpo docente sugere para reforçar os efeitos das forças e oportunidades?

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Práticas educacionais

As ações levantadas serão norteadoras e o trabalho deverá ser realizado em parceria com todo o
corpo docente e com a comunidade. Os itens que foram citados na pesquisa inicial e não foram
analisados podem ser arquivados e registrados para uma segunda rodada de análise, utilizando
a técnica sempre que houver necessidade de avaliar os processos na escola.

NÃO DEIXE DE LER...


Se você ainda tiver dúvidas de como elaborar e aplicar o FOFA, consulte o material
disponível em: <http://www.rededosaber.sp.gov.br/portais/Portals/84/docs/pde_esco-
la.pdf>

Enquanto o projeto político pedagógico se configura como a expressão da identidade da insti-


tuição de ensino em conexão com as vontades e necessidades locais, respeitando suas carac-
terísticas e singularidades, outra ferramenta, o regimento escolar, é um documento que se
constitui como um texto referencial, em consonância com os princípios democráticos adotados
pelas Secretarias de Estado da Educação.

O regimento escolar tem como base a promoção da reflexão, da discussão e da tomada de


decisão pelo coletivo da instituição de ensino. Busca respostas para questões relativas ao desen-
volvimento do processo de ensino/aprendizagem, que será regulamentado e legitimado por ele.

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O regimento escolar do Colégio Estadual Mendes Gonçalves na íntegra, disponível
em: <http://www.giamendesgoncalves.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.
php?conteudo=20>.

4.3 Conselho escolar na prática


O conselho escolar é o órgão colegiado composto por representantes da comunidade escolar e
da comunidade local. Sua principal atribuição é promover e articular a gestão democrática na
escola. Entre os papéis desempenhados, destacam-se as seguintes ações (BRASIL, 2015):

• deliberar as normas internas e o funcionamento da escola;


• participar da elaboração do projeto político pedagógico;
• identificar problemas e apontar soluções sobre todo o processo educacional;
• por meio de avaliações, diagnosticar as dificuldades dos alunos, apontar estratégias
pedagógicas para a recuperação deles e, quando necessário, decidir se deve ficar retido
na série/ano;

• estabelecer os princípios, finalidades e objetivos do conselho de classe em sua escola;


• mobilizar a comunidade escolar e local para participar de atividades que visam à melhoria
da qualidade da educação.

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Baseado nas principais atribuições, é possível afirmar que o conselho escolar possui instâncias
de discussões, acompanhamentos e deliberações que buscam promover a formação participativa
e cidadã.

Se considerarmos a contribuição fundamental da escola pública para a construção de uma


cidadania participativa e a tomarmos como uma construção permanente e coletiva, verá que os
Conselhos Escolares são, primordialmente, o sustentáculo de projetos político-pedagógicos que
permitem a definição dos rumos e das prioridades das escolas numa perspectiva emancipadora,
que realmente considera os interesses e as necessidades da maioria da sociedade. (BRASIL,
2004, p. 35)

É importante ressaltar que, quando o trabalho do conselho escolar é bem conduzido – isto é, não
se foca apenas nos resultados de avaliações e em notas –, a prática pedagógica e a condução
do processo de ensino/aprendizagem se tornam mais efetivos e geram resultados significativos
na gestão democrática da escola.

No que diz respeito ao projeto político pedagógico, depois do que foi estudado, você considera
que é importante o papel do conselho escolar no desenvolvimento desse documento?

É de suma importância, pois o PPP, quando elaborado apenas por especialistas que não estão
envolvidos com os anseios e as necessidades da comunidade escolar e local, não será capaz de
ser um documento norteador, que promova a criação de práticas pedagógicas contextualizadas
e que possa contribuir para um processo de ensino e aprendizagem significativo.

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Sobre essa importante participação e desempenho do conselho escolar, o Ministério
da Educação elaborou uma série de publicações para o fortalecimento dos Conselhos
Escolares, é o Caderno 3, Conselho Escolar e o Respeito e a Valorização do Saber e da
Cultura do Estudante e da Comunidade. Você pode acessar esse caderno no seguinte
link: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12
619&Itemid=661>

4.4 O Plano Nacional de Educação e a meta


19
O Plano Nacional de Educação foi aprovado em 25 de junho de 2014 e tem vigência de 10
anos. Entre as suas diretrizes, está a promoção do princípio da gestão democrática da educação
pública.

Como estamos tratando da gestão democrática para a formação cidadã neste capítulo, estuda-
remos qual o impacto dessa lei para a execução de uma prática pedagógica que subsidie ações
que possam transformar o processo educacional. Mas como o Plano Nacional de Educação pode
auxiliar na promoção da gestão democrática?

Em síntese, o PNE apresenta 20 metas estruturantes para a garantia do direito à educação básica
com qualidade, que dizem respeito ao acesso, à universalização da alfabetização e à ampliação
da escolaridade e das oportunidades educacionais (BRASIL, 2014).

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Práticas educacionais

NÃO DEIXE DE LER...


Para conhecer as 20 metas propostas no PNE, acesse o seguinte link: <http://pne.mec.
gov.br/images/pdf/pne_conhecendo_20_metas.pdf>.

É por meio dessas metas estabelecidas pelo PNE que as escolas, os municípios e os estados de-
vem organizar seus planos de trabalho com a intenção de melhorar a qualidade da educação.
Sobre a gestão democrática, é a meta 19 que define as intencionalidades:

Meta 19: assegurar condições, no prazo de 2 (dois) anos, para a efetivação da gestão
democrática da educação, associada a critérios técnicos de mérito e desempenho e à consulta
pública à comunidade escolar, no âmbito das escolas públicas, prevendo recursos e apoio
técnico da União para tanto. (BRASIL, 2014, p. 59)

Perceba que o que a meta 19 nos traz é de extrema importância – baseado no que você estudou
até aqui para a execução da gestão democrática – e se torna um suporte indispensável nesse
processo.

Também preconiza a necessidade de consulta pública à comunidade escolar, o que remete à


questão da importância do envolvimento da comunidade na construção do Projeto Político Peda-
gógico, documento que deve estar alinhado ao plano que a escola irá desenvolver. Por último,
coloca o apoio técnico e recursos da União, pois é sabido que transformações requerem inves-
timento e planejamento.

Além do que determina a lei, é importante que você compreenda quais as estratégias elencadas
pelo PNE para garantir que a meta seja atendida. Esse direcionamento é importante para que os
envolvidos no processo educacional comecem a desenhar seus planos de maneira concreta. As
estratégias elencadas para atingir a meta 19, bem como o andamento de cada etapa do desen-
volvimento, podem ser consultados em: <http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/19-
-gestao-democratica/estrategias>.

NÃO DEIXE DE VER...


Quando sinto que já sei (Brasil, 2014) é um documentário que registra práticas edu-
cacionais inovadoras que estão acontecendo no Brasil atualmente. A obra reúne de-
poimentos de pais, alunos, professores, educadores e diversos profissionais da área
educacional e levanta importantes reflexões sobre a necessidade de mudanças no tradi-
cional modelo de escola, bem como a importância da gestão democrática na constru-
ção de formações cidadãs, reflexivas e participativas. Disponível no endereço: <http://
www.quandosintoquejasei.com.br/>.

18 Laureate- International Universities


Síntese Síntese
Neste capítulo, você:

• descobriu a importância do exercício da gestão escolar democrática;


• compreendeu a função social da escola;
• entendeu o projeto político pedagógico e o regimento escolar como documentos
norteadores da gestão democrática;

• analisou a construção de um plano de ação;


• acompanhou a análise de um processo de avaliação estratégica;
• viu os desafios do Plano Nacional de Educação sobre a efetivação da meta 19.

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