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A ACUMULAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS POR MILITARES E A EC Nº


77/2014

SP, 15/12/2014

Nos termos do art. 37, inc. XVI, da CF/1988 é permitida tão


somente aos servidores públicos a acumulação remunerada de cargos,
empregos ou funções públicas quando existir compatibilidade de horários,
observando-se, em qualquer caso, o disposto no inc. XI desse artigo, cujo
teor trata do teto remuneratório, na seguinte forma: a) dois cargos de
professor; b) um cargo de professor com outro técnico ou científico; c) dois
cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões
regulamentadas, a exemplo dos médicos, dentistas e enfermeiros.
Em relação à possibilidade de acumulação de cargos públi-
cos por militares, consoante se verifica no art. 142, § 3º, inc. II, da CF/1988,
tem-se que os membros das Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáu-
tica) e militares dos Estados e Distrito Federal, por força do teor contido no
art. 42, § 1º, da CF/1988, em atividade, que tomarem posse em cargo ou
emprego público civil permanente, ressalvada a hipótese prevista no
art. 37, inc. XVI, al. c, serão transferidos para a reserva ou colocados em
inatividade, nos termos da lei, ou seja, serão afastados temporariamente do
serviço militar.
Demais disso, na forma do art. 142, § 3º, inc. III, da CF/1988,
os membros das Forças Armadas e militares dos Estados e Distrito Federal,
em atividade, que tomarem posse em cargo ou emprego público civil
temporário, não eletivo, ainda que da Administração indireta, ressalvada a
hipótese prevista no art. 37, inc. XVI, al. c, ficarão agregados ao
respectivo quadro e somente poderão, enquanto permanecerem nessa
situação, ser promovidos por antiguidade, contando-se-lhe o tempo de
serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, e
depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, sendo transferido
para a reserva, nos termos da lei.
Observa-se, portanto, que as exceções constitucionais que
permitem a acumulação lícita de cargos, empregos e função pública, ressal-
vada a hipótese prevista no art. 37, inc. XVI, al. c, não se aproveitam aos
membros das Forças Armadas e militares dos Estados e Distrito Federal,
não podendo ocorrer, por conseguinte, a acumulação de cargo civil com a
atividade militar.
Em relação à ressalva prevista no art. 37, inc. XVI, al. c,
acima destacada, cujo teor permite a acumulação de dois cargos ou empre-
gos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas, a
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exemplo da carreira de médico, dentista ou enfermeiro, tem-se que a EC nº


77, de 11.2.2014, ampliou expressamente a possibilidade da acumulação de
cargos e empregos de profissionais da saúde com profissões regulamenta-
das também aos militares.
Verifica-se, assim, que após a edição da EC nº 77/2014,
poderão os médicos, dentistas e enfermeiros das Forças Armadas (Marinha,
Exército e Aeronáutica) e militares dos Estados e Distrito Federal (Polícia e
Bombeiros militares) também trabalhar na área civil, em hospitais ou postos
de saúde estaduais ou municipais da rede do SUS, devendo ser dada a pre-
ferência, todavia, para a atividade militar.
Acerca do impacto dessa alteração do Texto Constitucional,
conforme noticiou o Senado Federal, “A mudança no texto da Constituição
deve evitar a constante evasão de profissionais das Forças Armadas, devido
à impossibilidade de exercício de outro cargo, assim como melhorar o aten-
dimento a populações de regiões de fronteira e distantes dos grandes
centros urbanos” (Disponível em: <http://www12.senado.gov.br/noticias/materias
/2014/02/11/promulgada-emenda-que-autoriza-profissionais-de-saude-militares-a-
atuarem-na-area-civil>. Acesso em: 1º ago. 2014).
Com efeito, esclareça-se que antes da promulgação da
emenda constitucional em destaque o eg. STJ já tinha estendido aos
militares a possibilidade de acumulação de cargos e empregos públicos
privativos de profissionais da saúde com profissões regulamentadas.
Vejamos, in verbis:
“3. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de
que deve haver interpretação sistemática dos dispositivos constitucio-
nais, nestes casos, com a adjudicação do direito de acumulação aos
servidores militares que atuem na área de saúde: RE nº 182.811/MG,
Rel. Min. Gilmar Mendes, 2ª Turma, DJ de 30.6.2006, p. 35, Ement. vol.
2.239-02, p. 351, LEXSTF, vol. 28, nº 331, 2006, p. 222-227. Neste sentido,
no STJ: RMS nº 22.765/RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª
Turma, DJe de 23.8.2010. Ademais, cabe frisar que a Lei nº 2.066/1976
(Estatuto dos Policiais Militares) permite a pleiteada acumulação. Recurso
ordinário provido” (ver RMS nº 32.930/SE, Rel. Min. Humberto Martins, 2ª
Turma, j. em 20.9.2011, DJe de 27.9.2011) (grifou-se).
“1. É vedado aos integrantes das Forças Armadas, dentre
eles os policiais militares estaduais, acumulação de cargos, conforme dicção
do art. 142, § 3º, da Constituição Federal.
2. Esta Corte, ao interpretar os arts. 37, inc. II, e 142, § 3º,
inc. I, da Constituição Federal, decidiu que a proibição de acumulação de
cargos reflete-se apenas nos militares que possuem a função tipicamente
das Forças Armadas. Por isso, entendeu que os militares profissionais da
saúde estão excepcionados da regra. Precedente: RMS nº 2.765/RJ, Rel.
Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, DJe de 23.8.2010" (RMS nº
28.059/RO, Rel. Min. Jorge Mussi).
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Logo, com exceção dos membros das Forças Armadas (Mari-


nha, Exército e Aeronáutica) e militares dos Estados e Distrito Federal (Polí-
cia e Bombeiros militares) que atuam na área da saúde (médicos, dentistas,
enfermeiros), não podem, os demais, tomar posse em cargo, emprego ou
função pública civil, sob pena de terem que deixar a ativa.

Por Aniello dos Reis Parziale – Advogado, membro do Corpo Jurídico da NDJ