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ESTUDO DO REAPROVEITAMENTO DE RESÍDUOS DE PNEUS COMO CARGA EM

COMPOSTOS ELASTOMÉRICOS

Aluno: Rafael Alonso da Costa Santos (rafael_alonso55@hotmail.com)

Orientador: Prof. Dr. Nilson P. Casimiro (nilpereira@mackenzie.br)

RESUMO

Neste trabalho estudou-se as propriedades físico-mecânicas de elastômeros a base do


copolímero de etileno, propileno e monômero dieno (EPDM) com a adição de resíduo de
pneu, usando como base de comparação o mesmo polímero reforçado com sílica, que é
uma carga que melhora as propriedades mecânicas das borrachas e é muito utilizada na
indústria. Entre os vários tipos de resíduos sólidos que são oriundos de descarte após uso
estão os pneus, os quais, muitas vezes, têm como destino as áreas verdes, rios, mananciais
e aterros sanitários, contribuindo de forma negativa para preservação do meio ambiente.

Para concluir se os compostos obtidos, a partir da substituição das cargas convencionais,


por resíduos de borracha de pneu, os produtos foram caracterizados por ensaios
mecânicos, reológicos e químicos.

Palavras-chave: Resíduo de pneu. Carga. Compostos. Elastômeros.

ABSTRACT
In this work, it was studied the physical-mechanical properties of elastomers base on the
copolymer of ethylene, propylene and diene monomer (EPDM) with tire residue addition,
using as comparison the same polymer with silica dust, wich is a loading that improves the
mechanical properties of the rubbers and it’s frequently used on industry. Among a lot of
types of solid wastes derived of the discard after the use are the tires, that many times have
the destiny the green areas, rivers, fountainheads, sanitary embankments, contributing
negatively for environment preservation.
To conclude if the obtained compounds, from conventional loadings to tire dust the products
were characterized by mechanical, rheological and chemical tests.
Key-words: Tire dust. Loading. Compound. Elastomers.

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1. INTRODUÇÃO
Desde 1999, o Conselho Nacional do Meio Ambiente criou a resolução 258 que regulariza o
descarte ambientalmente correto de pneus por parte dos fabricantes de pneu e das
empresas de recauchutagem. Estima-se que em 2006 eram descartados nos EUA cerca de
290 milhões de pneus usados. (O estado de S.Paulo, 2006). A borracha é um elastômero
composto de cadeias orgânicas unidas por ligações cruzadas através de agentes de
vulcanização. Os agentes de vulcanização podem ser peróxidos, enxofre, selênio ou telúrio.
Os cross-links, como também são conhecidas as ligações cruzadas, impedem que a
borracha tenha fluidez quando aquecida, como no caso dos termoplásticos. Ao contrário, as
borrachas tendem a ser degradadas quando submetidas a altas temperaturas.
A borracha EPDM é um copolímero largamente utilizado na indústria automobilística, porque
possui propriedades de resistência à altas temperaturas, resistência ao ozônio, além de ser
mais resistente às radiações ultravioleta comparando-se com outros elastômeros. Por este
motivo foi escolhida para este estudo, que tem como objetivo viabilizar uma destinação para
os pneus, que em razão de suas características químicas (polímero reticulado) não é
possível sua reciclagem. O único meio de aproveitamento deste material é através de
compósitos particulados, com granulometria bem fina a fim de obter-se um polímero de
massa homogênea e com boas características mecânicas. O SiO2 é uma carga que
aumenta as propriedades mecânicas da borracha e foi usado como parâmetro para
avaliação do desempenho do resíduo de pneu quanto as propriedades mecânicas e
químicas que podem apresentar.

2. REFERENCIAL TEÓRICO
Muitos polímeros naturais e sintéticos apresentam grande alongamento quando submetidos
ao estiramento, podendo chegar a mais de 200%, mas cessada a força exercida, o material
volta à sua dimensão original. Estes polímeros são chamados de elastômeros e apresentam
comportamento bem diferente dos termoplásticos nos ensaios de tração, porque grande
parte da deformação é elástica e não-linear (ASKELAND, 2008).

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Estiramento das ligações
Desenrolamento das
cadeias

Stress(M
Pa)
1.6
Y
F

1.4

1.2

1.0

0.8
[1]

0.6

0.4
M

0.2

0.0 B
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280
Strain(%)

Figura 1 – Comportamento elastômero em ensaio de tração.

A matriz para esta experiência é o EPDM, que é um copolímero de propileno, etileno e mais
um dieno, este último tem a função de deixar uma ligação dupla para que o agente de
vulcanização possa ligar duas cadeias.
Reação de polimerização do EPDM:

Para a formação de um elastômero é necessária a reticulação através de agentes que


interligam as cadeias poliméricas. O agente de vulcanização mais utilizado industrialmente é
o enxofre, que foi adotado para este trabalho.
Alguns aditivos e extensores são adicionados aos polímeros de engenharia para a formação
de compósitos particulados. É o caso do negro-de-fumo, que é constituído de pequenos
esferóides de carbono de 5 a 500 nm de diâmetro. As propriedades que são afetadas e

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melhoradas pelo negro-de-fumo são: resistência mecânica, rigidez, dureza, resistência ao
desgaste e degradação causada por raios ultravioleta.Também são adicionadas
nanopartículas de sílica aos penus para aumentar sua rigidez. Extensores como diversas
argilas, carbonato de cálcio, entre outros, são adicionados a fim de reduzir a quantidade de
polímero.Estes, geralmente diminuem o limite de resistência e a ductilidade. Entretanto,
podem aumentar a resistência ao desgaste, dureza, condutividade térmica, ou resistência a
fluência.(ASKELAND, 2008).
A tensão de escoamento para SBR 1502 com 50 phr de SiO2 é de aproximadamente 8 MPa,
para o Negro-de-fumo e SBR 1500, cerca de 14 MPa. A tensão máxima para estas duas
composições é respectivamente: 21 MPa e 26 MPa.(MARK, 1994).

3. METODOLOGIA

3.1 FORMULAÇÃO

Foram formulados compostos da borracha EPDM, com carga de reforço convencional Sio2,
nas proporções em partes por 100 partes da resina (phr), 10, 20, 30, 40 phr. Na proposta
inicial, seriam usadas duas borrachas: SBR e EPDM, em todas as composições abaixo,
porém teriam de ser confeccionadas muitas amostras e, optou-se pelo copolímero EPDM.
Para comparação de propriedades, com os compostos utilizando cargas convencionais,
foram formulados compostos das borracha EPDM, com cargas de resíduos de pneus, de
granulometria M40. As proporções foram as mesmas utilizadas para cargas de reforço
convencionais, ou seja, 10, 20 30, 40 phr.
Formulações básicas para processamento:

QUANTIDADE
COMPONENTE (PHR) FUNÇÃO FABRICANTE
EPDM-KELTAN 57C 100 RESINA DCM BRASIL LTDA.
ZnO 5 ATIVADOR DE
VULCANIZAÇÃO BRASÓXIDOS LTDA.
SiO2 10/20/30/40 CARGA REFORÇADORA PARABOR LTDA.
ÁCIDO ESTEÁRICO 2 AGENTE DE PROTEÇÃO BRASWEY AS
MBTS 1 ACELERADOR DE
VULCANIZAÇÃO BANN QUÍMICA LTDA.
TMTD 0,5 ACELERADOR DE
VULCANIZAÇÃO BANN QUÍMICA LTDA.
ENXOFRE 1,5 AGENTE DE
VULCANIZAÇÃO FRAGON LTDA.

Tabela 1 – Composição borracha EPDM com carga de SiO2.

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QUANTIDADE
COMPONENTE (PHR) FUNÇÃO FABRICANTE
EPDM-KELTAN 57C 100 RESINA DCM BRASIL LTDA.
ZnO 5 ATIVADOR DE
VULCANIZAÇÃO BRASÓXIDOS LTDA.
PÓ DE PNEU M40 10/20/30/40 SEMOG RESÍDUOS DE BORRACHA
Nº1010 CARGA REFORÇADORA LTDA.
ÁCIDO ESTEÁRICO 2 AGENTE DE PROTEÇÃO BRASWEY AS
MBTS 1 ACELERADOR DE
VULCANIZAÇÃO BANN QUÍMICA LTDA.
TMTD 0,5 ACELERADOR DE
VULCANIZAÇÃO BANN QUÍMICA LTDA.
ENXOFRE 1,5 AGENTE DE
VULCANIZAÇÃO FRAGON LTDA.

Tabela 2 – Composição borracha EPDM com carga de Resíduo de pneu.

3.2 PROCESSAMENTO

Para o processamento dos compostos foram usadas as seguintes etapas:


1 – Mistura dos aditivos em misturador aberto (calandra).
2 – Moldagem por compressão para a vulcanização dos compostos, em temperatura de
150°C, utilizando-se molde para obtenção de placa, e molde para obtenção de corpos de
prova cilíndricos. Foram adotados 11 minutos de prensagem para todos os corpos de prova
de acordo com ensaio realizado no curômetro MiniTester – Moving Die, Prescott
Instruments.
Após processamento e obtenção dos compostos vulcanizados, a partir das placas, foram
obtidos corpos de prova para ensaio de tração e dureza. Os corpos de prova cilíndricos
foram utilizados para ensaios de deformação permanente por compressão e teste de
resistência ao óleo.

3.3 ENSAIO DE TRAÇÃO E RASGAMENTO

Um dos ensaios mecânicos de tensão-deformação mais comuns é executado sobre tração.


O ensaio de tração pode ser usado para avaliar diversas propriedades mecânicas dos
materiais. Uma amostra é deformada, geralmente até a sua fratura, mediante uma carga de
tração gradativamente crescente que é aplicada uniaxialmente ao longo do eixo mais
comprido de um corpo de prova.
O módulo de elasticidade (chamado de módulo de tração) e a ductibilidade em termos do
alongamento percentual são determinados para os polímeros da mesma maneira que para
os metais (CALLISTER, 2004).

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A resistência à tração será determinada pela norma ASTM D 412. O objetivo do ensaio é
descrever o comportamento de um material quando este é submetido a forças que tendem a
puxá-lo separadamente (opostamente), e determina a extensão em que um material estava
antes da ruptura. O módulo de elasticidade sob tração é uma indicação da rigidez relativa de
um material, sendo determinado pelo diagrama tensão versus deformação. Para a
caracterização mecânica por ensaio de tração, serão ensaiados cinco corpos de prova de
cada composição.
A resistência ao rasgamento foi obtida de acordo com a norma ASTM D 624 die B. Neste
ensaio a força aplicada não é distribuída por todo o corpo-de-prova, mas concentrada na
posição do corte.

3.4 ENSAIO DE DUREZA

Para a caracterização mecânica por teste de dureza, serão testados dureza em cinco pontos
distintos do corpo de prova, utilizando durômetro Shore A.
O ensaios de dureza Shore A, serão realizados conforme a norma ASTM D 1415. Os
corpos-de-prova serão acondicionados à temperatura de (23 + 2)°C e (50 + 5)% de umidade
relativa, pelo menos 72 horas anteriores ao ensaio.

3.5 ENSAIO DE DEFORMAÇÃO PERMANENTE POR COMPRESSÃO (COMPRESSION


SET)

Para os ensaios de deformação permanente por compressão, serão ensaiados dois corpos
de prova, de cada composição, de acordo com a norma ASTM D 395.
Será aplicado o método B, onde o aparelho de ensaio deve possuir um dispositivo capaz de
comprimir o corpo de prova sob deformação constante, entre duas placas de aço planas e
paralelas, tendo as superfícies de ensaio especularmente polidas. A deformação imposta é
mantida constante por meio de espaçadores convenientemente localizados.

3.6 TESTE DE RESISTÊNCIA AO ÓLEO

Os testes de resistência aos fluidos serão efetuados, de acordo com a norma ASTM D 471.
Os períodos de imersão deverão ser escolhidos entre os seguintes: 22,27,166 e 670 horas,
dependendo da natureza do óleo de imersão e da temperatura do ensaio.
As principais determinações que serão efetuadas neste ensaio serão: variação em peso
sofrida pela composição(%), variação de dureza e variação de volume.

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3.7 MÉTODO DE ANÁLISE DOS RESULTADOS

O método a ser utilizado para análise dos resultados será o estatístico, com
obtenção da média e desvio padrão.

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 ANÁLISE VISUAL DAS AMOSTRAS

A Fotografia 1 apresenta as mantas obtidas a partir de compostos reforçados com Sio 2 e


com resíduo de pneu após a cura, em suas respectivas concentrações.

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Fotografia 1 –. Mantas brancas com carga de sílica. Mantas cinzas com carga
de resíduos de pneu. Os números representam a porcentagem em massa,
em gramas, de carga em relação a 100 gramas de resina.
4.2 ANÁLISE DOS ENSAIOS DE TRAÇÃO E RASGAMENTO

Os ensaios de tração e de rasgamento foram realizados na máquina universal de ensaios,


modelo QTEST, do fabricante MTS.
A seguir os resultados do ensaio de tração, com o desvio padrão em seguida.

Módulo de Elasticidade
(Mpa)
0,1 σ 0,2 σ 0,3 σ 0,4 σ
Resíd 0,12
uo 2,3780 50 2,618 0,063 2,436 0,065 2,858 0,639
0,09
Sílica 2,082 9 2,084 0,0995 2,728 0,214 2,57 0,214
Tabela 3 – Módulo de Elasticidade para as amostras de EPDM com sílica e
resíduo de pneu.

Resistência a Tração
(Mpa)
0,1 σ 0,2 σ 0,3 σ 0,4 σ
Resíd
uo 1,332 0,05 1,23 0,066 1,354 0,07 1,458 0,147
0,08 0,17
Sílica 1,486 1 1,43 0,184 1,13 6 1,608 0,151
Tabela 4 – Resistência à tração para as amostras de EPDM com sílica e resíduo
de pneu.

Gráfico 1 – Módulo de elasticidade e Resistência à Tração para as amostras

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de Sílica e de Resíduo de Pneu.

REFERÊNCIAS

1. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS – ASTM D 412, Standard Test


Method for Tension Resistance in Elastomers .

2. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS – ASTM D 1415, Standard Test


Method for Hardness Measurement.

3. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS – ASTM D 395, Standard Test


Method for Compression Set Measurement.

4. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING MATERIALS – ASTM D 471, Standard Test


Method for Resistance to Fluids.

5. ASKELAND, D. R; PHULÉ, P. P. – “Ciência e Engenharia dos Materiais”. 1ª ed. São


Paulo: Cenage Learning, 2008.

6. CALLISTER, W. D. Jr. - “Ciência e Engenharia de Materiais: Uma Introdução”. 6.


ed. Rio de Janeiro: LTC - Livros Técnicos e Científicos Editora S.A.,2004.