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Versos de Orgulho

O mundo quer-me mal porque ninguém

Tem asas como eu tenho! Porque Deus

Me fez nascer Princesa entre plebeus

Numa torre de orgulho e de desdém!

Porque o meu Reino fica para Além!

Porque trago no olhar os vastos céus,

E os oiros e os clarões são todos meus!

Porque Eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo! O que é o mundo, ó meu amor?!

O jardim dos meus versos todo em flor,

A seara dos teus beijos, pão bendito,

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...

São os teus braços dentro dos meus braços:

Via Láctea fechando o Infinito!...

Charneca em flor, Florbela Espanca


Agora Aqui Ninguém Precisa de Si – Arnaldo Antunes
Sentimental, Eucanaã
CONGRESSOINTERNACIONAL DOMEDO

Provisoriamente não cantaremos o amor,

que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.

Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,

não cantaremos o ódio porque esse não existe,

existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,

o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,

o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,

cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,

cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,

depois morreremos de medo

e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Drummond, sentimento do mundo

ELEGIA 1938

Trabalhas semalegria para ummundo caduco,

onde as formas e as ações não encerramnenhumexemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,

sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchemos parques da cidade emque te arrastas,

e preconizama virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.

À noite, se neblina, abremguarda-chuvas de bronze

ou se recolhemaos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra

e sabes que, dormindo, os problemas te dispensamde morrer.

Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina

e te repõe, pequenino, emface de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e comeles conversas


sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.

A literatura estragou tuas melhores horas de amor.

Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota

e adiar para outro século a felicidade coletiva.

Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição

porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.