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a Amor, desilusao e saudade na poesia de Florbela Espanca Resumé? Ge travail consttve Mule du Lime de Séror Saudades de ‘lerbela {spanca (1923). Dans Son éeriture on peut obseever trois aes tematiques: Famour, te désilision et le nostaie, La penpectne dur temps conduit et modiie fe rapport entre ces ‘es. Espana nous fit parcourr son ocusre par ks chemins de Fanngur vas ue Gare es aves pre rent as nash féminins de I époque. Resumo. A seguinte pesquisa constitui 0 estudo do livro de poesias Livro de Soror saudade \1923}, de Hlorbela Espanca, & considerada a figura pottica ferninina mais importante da Literatura Portuguesa até 0 inicio do séaulo XX, segundo Massaud Moisés. Podemos observar na escritura de Florbela Espanca tras eixos teméticos principais: amor, desilusdo saudade. A perspectiva do tempo conduz ¢ modifica a relagdo entre esses temas. Espanca percorre, com sua obra, os caminhos do amor em uma escritura muito arrojada para os modelos convencionais de dicgo feminina do seu tempo. Esse trabalho constituiu-se, portanto, no intuito de cexplicitar essas relaSes, que observarios na poesia florbeliana, Primeiros passos Esse trabalho parte do interesse pelo estudo da Literatura Portuguesa, em especial da poesia portuguesa, e tem como objetivo 0 aprofundamento do conhecimento relative a essa literatura. Assim sendo, entre tantos autores de importénda incontestével no universo. literdrio pportugués, optou-se por trabalhar com uma poeta da contemporaneidade, Florbela Espanca. Esta ‘opgio € devida ao seu importante papel na liberagdo da mulher pelo texto literario, através de Juma escritura muito arrojada para os _modelos cconvencionais de dicgao feminina do seu tempo. ® Bokista do PIBICICNPa 1999/2000, Resultado do projeto de pesquisa Andlise e eeica do texto Mterdio: poesia portuguesa, PIBIC/CNPQ 1999/2000, oFientado pela Prot. Dra. Sika ‘Carmeiro Lbiato Perzerse. DLV = CAL/ UFSM, ‘Simone de Mello de Oliveira® Fspanca 6 considerada a figura poética ferinina mais importante da Literatura Portuguesa até 0 inicio do século XX, segundo Moisés (1971). ituando a poeta Florbela_d’Alma da Conceicdo Espanca nnasceu em Vila Vigosa (Alentejo) no ano de 1894 e suicidou-se em 1930, no mesmo dia do. seu aniversério. Publicou em vida somente dois livros de poesias (Livro de Magoas, 1919 e Livro de Séror Saudade, 1923). Porém posumamente teve a publicacio do restante de sua obra, que se compoe de contos (As Mascaras do Destino, 1931 e O Domin6 Preto, 1982); sua correspondéncia pessoal ‘Gartas de Florbela Espanca a Dona Jilla Alves @ a Guido Battelli, 1931 e Cartas de Florbela Fspanca e ewcagdo rica de Hlorbela Fspanca por Azinhal Abelho e losé Emidio Amaro, s.d.): seu diério intima Disrio do Climo Ano, 1981) e o restante de suas poesas Fsparsos de Horbela, Trocando Olhares, O into D’ele, Livro de Magoas, Livro do nosso amor, tro de Soror Saudade, Chameca em flor e Reliquiae.}. Os titulos atribuidos aos livros de poesia variam de acordo com a edigio e com o organizador (tabela). A mais recente edicao fevereiro de 2000), florbela Espanca - Poesia Completa Rui Guedes)’, foi a uillizada para essa leitura. Edigao [Maria Lica Dal] Rur Guedes Farra Trocando Othares | Fsparsos de Florbela Espanca Titulos [Tivro de Magoas _| Trocando Olhares, dos Livro de Séror |}O Lito D'ele livros | Saudade ‘Chameca em Flor [Livro dle Magoas Reliquiae Livro de Séror Saudade, Esparsa Seleta Charneca em Flor Refiquiae * GUIDIS, Rui. Honbela Espanca: posse completa, Usboa: Dom Quixote, 2000, fx = Situando 0 objeto de estuso Esse lexto constitui 0 resultado do estudo do. livro de poesas Livro de Soror saudade (1923). tscolhemos trabalhas com esse linto, por ter sido um dos Gnicos, a serem publicados em vida pela autora. Também, porque verifica-se que nele esto amadurecidos temas j& presents nos seus primeitos poomas de uma fase mais pucril, A Metodologia ulizada fol a pesquisa bibliogratica, seguida de fichamento do matenal teénico e da fortuna critica acerca da obra trabalhada e da anélise dos textos pottious. A analise & entendida, aqui, na concepgio de Novaes Coetho (1994), como 0 esforso por descobrir a estrutura © a nalureza de um texto literério. Segundo a autora, & um exerciio que fica entre © lingiiitico @ 0 Meratio, € que procura descobrir as varias fungdes da palavra em determinado contexto, assim como a saa literariedade. Tradicionalmente, comegase pda escola Neréria para introduzir 0 estudo de um autor ou de tuma obra. No caso de Florbela Espanca, acontece 0 Tato de a poeta ser clascficada diferentemente por ‘cada autor. Segundo Massaud Moisés (1971), por exemplo, a poeta locdliza-se mais precisamente entre 0 Orfismo a literatura de Presenga. Ja segundo Anténio José Saraiva (1996), a autora esta inserida na Epoce Contemporinea, dentro de um periodo em que dominam as etéticas do Neo- Romantic —_Simbolismo-Decadentismo, imediatamente seguides pela Geracao de Orpheu € Geracao de Presenca. Para RAS Brasl (1971), Florbela fspenca eid situada como a primeira poeta do periodo Pré-Modemista portugues, grupo ‘a que também pertenciam Augusto César Ferreira Gil, Anidnio Alves Martins, Américo Durdo, Francisco Costa, Domingos Monteiro, Joaquim ‘Afonso Duarte e outros poetas. Com isso, pode-se afirmar que Espanca nao 6 uma poeta facil de ce enquacirar nos moldes ou escolas que marcaram sua época, No intuito de se entender methor a époce fem que a poeta viveu, faz-se necessitio, inicialmonte, uma breve descrigio das vanguardas que limitam, de uma forma ou de outra a sia obra, até porque. dessa forma, pode-se methor entender essa variacdo na identificagdo da poeta dentro dos movimerites literérios que aconteciam em seu tempo. Em Portugal, a revolugdo das vanguardas inicia-se por Orphey, uma revista da qual foram publicadas somente dois niimeros; essa revista foi ‘uma tentatva de libertar a Literatura Portuguesa da tutela do século XIX e do Simbolismo de escola. A revisla posicionava-se contra a estagnacdo e contra (© Naturalismo entéo dominante, Esta manifestagio teve um significado profundamente revolucionéio, uma vez que propicou o afloramento de um Proceso oculto, quase imperceptivel, em que convergam as contribuigdes de poetas como Cesdrio Verde, Antonio Nobre, Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes principalmente de Pessoa, ‘ou scja, uma sabita consciéncia do significado dos novos tempos, segundo Saraiva (1999). Qutra corrente renovadora 6 representada pelo grupo Presenca, revista dos anos 30 dirigida Por José Régio, representativa. do segundo Modernismo Portugués (Lourenca, 1988). Segundo Moisés (p. 250), os autores de Presenga, ‘ontinuando 2 nha de Orpen, defendem © prima da Menu via sobre a literatura Toresea. Para tanto antepem anwqeiamente 0 tdhidual a0 socal, a Intaglo 2 qualquer vwrdado objetna ou ‘racinal, © mbtério ao realseno ftogrdico, ‘ete. Propugeam, enlim, por uma Ieratura anibtica £ banca dame Wtertura oneal, ‘ha expontines, asacarue 2 metaacae sara concepxtes de ane, enibora seirmendas a rgorso ce erica, Presenga tem sito objeto de poltmica ‘quanto 2o seu sgniscaso, mais que santo As earacterstieas wx. Sgnifcala que & rwhrdio justamene a conceilos. de Modemiade, tomandose como. um a Prod a quilidade eeréna. (MELO € CASTRO, 1987; 521, Situando a obra analisada © Livro de Séror Saudade & composio por 37 poemas, todos sonetos decasilabus herdicas que, a partir do estudo proposto, foram divididos em 3 grandes grupos tematicos. Esses grupos representam os temas privilegiados pela pola, ou Sa. 0 amor, a deslusio e a saudacte. E necessirio registrar a relevincia dos sinais de pontuagao na escritura florbetiana, Em todos 08 poemas do Livro de Soror Saudade encontamios ‘ignos pausais e meléclicns. Pode-se afirmar mais, que isso: existem 14 pontas de interrogagio, 162 de exclamagio @ 138 reticincias em 37 poemas de 14 estrofes cada uum. Isc representa tim excesso de pontuagio afetiva, que mostra a quebra do pensamento I6gic0 e a. prevaléncia dda exposicao dos sentimentos, Primeiro eixo tematico: amor O primeira exo tomitica & constituide por poemas de inspiragéo amoros. Acredita-se que 0 amor é a fonte geradora de tla a poesia florbeliana. Nesse sentido, a poeta transfigura a sua realidade em arte €, dessa forma, transforma suas firs sensagbes © percepgdes do mundo em que tansmitem essas sensagées (Coelho, 1994). No poema A noite desce... (p. 270), Eepanca descreve a atmosiera ideal para uma cena amcrosa. A posta utiliza-se do campo semantico das flores e, portanto, das impresses produzidas no olfato por essas fragrancias para. consiruir a idéia de seducSo presente na poema: ‘Como pélpebras roxas que tombassen Sobre uns olhos cansados, carinhosas, ‘Anite desce... Ah! Doces mios piedosas Que 0s meas olhos tristissimes lechassern! Assim maos de bondade me bojassom! ‘Assim me adormecessem! Cariclosas Ein bracacios de lis, de mimosas, [No crepuisculo que desce me enterrassern! Anite om sombra e funo se destar... Perfurne de baunitha e de lias, Anoite poe-me embriagada, loucal Ee noite vai descend, sempre cakme.. ‘Meu doce Amor tu bos a minh ama Beijancdo nesta hora a minh bocal Na primeira estrofe, Espanca utiliza a imagem das pilpebras roxas que tombassem / sobre uns olhos cansedos, carinhosas. para descrever a atmosfera de uma noite. Ainda na primeira estrofe, coma também na segunda, a poeta, através do paralelismo, Ah! doces maos piedosas / que meus thos tristssimos fechassem! /! {1 me beljassem! | [...] me adormecessem! / me enterrassem! (v. 3 - 8), consirdi a idéia de sedugdo, apoiada no campo semantico dos odores afrodisfacos como os litios © mimosas (v. 7), baunithas e lilés (v. 10), nomeado pola poeta como aromas perturbantes*. £ com a andfora da noite nos versos 3, 9 12 que se pode apreender a ambientagdo que esté sendo consiruida para a cena amorosa que vai set apresentada somente nos versos 13 € 14, pendltimo e dikimo versos do poema. Isto porque, Para a poeta, ¢ a noite © cenério privilegiado para as cenas amorosas. No poema Prince Charmant (p. 274), a noite também @ evocada como cendrio amoroso, Ela aparece nos versos 5 € 6, Das noites da minh’alma tenebrosas! / Boca sangrando bejos, tlor que senie..., come momento do dia no qual os desejos ailoram. ‘No Linguido esmaccer das amorosas * ESPANCA, Flodtela. Sombre, op. cit. p. 297. 2 Tardes que morrem voluptuosamente Procure-O no meio de ieda a gente. Procurei-O em horas silenciosas! [Das noites da minh alma tenebrosas! Boca sengyando beijos, flor que sente... (Olhes pastas nurt sonho, humildernente.. -Maos cheias de violetas e de rosas.. E nunca O enconiret.. Prince Charmant... Como audaz cavelheiro er velhas lendas Vird, talvez, nas névoas da manna: ‘Ah! Toda a nessa vide anda @ quimera Tecenco ern frégeis deco frdigelsrendas.. ~ Nunca se encontra Aquele que se espera No verso 7, pela expressdo, Olhtos postos num sonho, humildemente.... a metafora do desejo do eu lirico permite a leitura do contraditério, ou do dibio, da multiplidade de sensagoes experimentadas. Observa-se a separacao entre o desejo camal da flor que sente (v. 6) € 0 amor idealizado da espera pelo principe encantado, No vero 9, essa alusdo 20. principe cencantado, pela referéncia ao mundo dos sonhos, remete ao mundo idealizado, Essa marca também, pode ser idontificada pela utiizagio da maiiscula ‘no pronome obliquo O (v. 3.€ 4) do objeto direto, referente ao objeto da procura ¢, portanto, 20 principe encantado. A busca desse ser idealizado percorre as noites thoras silenciosas) som éxito (E nunca O encontre’, e vai buscar no futuro (Vird, talvez, nas névoas da manhal (v. 4, 9 € 11)) a possibilidade de realizagéo. © que consise na grande ilusio de acreditar, mesmo no incerto amanha (Ah! Toda a nossa vida anda a quimera (v. 12). Mas 6 da repeticao do pronome, nos versos 3 € 4 (Procurei-O}, assim como nos versos 9 € 14 (F nunca O enconireit /j Nunca se encontra Aquele que © espera..), que se apreende © significaclo essencial do poema, qual seja, de busca etema do ‘outro’ amoroso. Essa busca, no enlanto, nao implica a realizagio do desejo amoroKo, pois 0 objeto da procura jd ndo esté mais stuado na realidade, mas sim no plano da idealizagio, Segundo eixo tematico: desilusio So representatives do eixo da desilusio, (que resulta da consciencia da realidade, os poemas Ruinas, A vida ¢ Odio?, que proporconam uma visio da conscitncia que a poeta tem da realidade 2. por consequéncia, a sua desilusio frente aos acontecimentos do amor. Primeiramente, na poesia de Florbela Espanca podemos notar uma separacao entre 0 mundo dos sonhos o da realidacie. No poema Ruinas (p. 283), observamos uma referéncia 20 ideas)