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STM

DIREITO CONSTITUCIOnal
Poder judiciário

Livro Eletrônico
DIREITO CONSTITUCIONAL
Poder Judiciário
Prof. Aragonê Fernandes

SUMÁRIO
Poder Judiciário...........................................................................................5
Apresentação da Metodologia........................................................................5
I – Disposições Gerais – Artigos 92 a 100.......................................................6
1.1. Órgãos do Poder Judiciário.....................................................................6

1.2. Ingresso na Carreira da Magistratura.......................................................9


1.3. Promoção na Carreira.......................................................................... 10
1.4. Hipóteses de Perda do Cargo................................................................ 12
1.5. Das Sessões Administrativas................................................................ 14
1.6. Possibilidade de Criação de Órgão Especial............................................. 14
1.7. Cláusula de Reserva de Plenário............................................................ 14
1.8. Fim das Férias Coletivas....................................................................... 18
1.9. Regra do Quinto Constitucional............................................................. 18
1.10. Garantias dos Magistrados.................................................................. 19
1.10.1. Vitaliciedade.................................................................................. 19
1.10.2. Inamovibilidade.............................................................................. 20
1.10.3. Irredutibilidade de Subsídios............................................................ 21
1.11. Proibições dos Magistrados................................................................. 21
1.11.1. Exercício de Outro Cargo ou Função.................................................. 21
1.11.2. Quarentena de Saída...................................................................... 22
1.11.3. Dedicação a Atividades Político-Partidária........................................... 23
1.12. Julgamento de Juízes e de Membros do Ministério Público....................... 23

1.13. Autonomia Administrativa, Financeira e Orçamentária dos Tribunais......... 25


1.14. Juizados Especiais............................................................................. 27
1.15. Precatórios....................................................................................... 30
II – Dos Tribunais – Composição e Competências – Artigos 101 a 126.............. 35
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1. Supremo Tribunal Federal....................................................................... 37


1.1. Composição e Processo de Escolha........................................................ 37
1.2. Competências do STF.......................................................................... 37
1.2.1. Competência Originária..................................................................... 38
1.2.2. Competência Recursal....................................................................... 51
1.2.2.1. Recurso Ordinário (RO).................................................................. 52
1.2.2.2. Recurso Extraordinário (RE)............................................................ 53
1.2.3. Repercussão Geral............................................................................ 55
1.2.4. Súmulas Vinculantes......................................................................... 55

2. Conselho Nacional de Justiça................................................................... 59

2.1 Composição e Atribuições...................................................................... 60


3. Superior Tribunal de Justiça..................................................................... 65

3.1. Composição....................................................................................... 66
3.2. Competência Originária........................................................................ 68
3.3. Competências Recursais....................................................................... 78
3.3.1. Recurso Ordinário (RO)..................................................................... 79
3.3.2. Recurso Especial (RESP).................................................................... 81
3.4. Conselho da Justiça Federal (CJF) e Escola Nacional de Formação e
Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM).................................................... 85

4. Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais............................................ 86


4.1. Composição....................................................................................... 87
4.2. Competência Originária dos TRFs.......................................................... 88
4.3. Competência Recursal dos TRFs............................................................ 90
4.4. Competência dos Juízes Federais........................................................... 91
4.5. Federalização de Crimes – IDC.............................................................. 96
5. Tribunais e Juízes do Trabalho.................................................................. 98

5.1. Tribunal Superior do Trabalho – TST...................................................... 98


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5.2. Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSTJ) e Escola Nacional de

Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do Trabalho (ENAMAT).............. 100


5.3. Tribunais Regionais do Trabalho e Juízes do Trabalho – TRTs.................... 101
5.4. Competência da Justiça do Trabalho.................................................... 102
6. Tribunais e Juízes Eleitorais................................................................... 109

6.1. Tribunal Superior Eleitoral – TSE ........................................................ 109


6.2. Tribunal Regional Eleitoral – TRE ........................................................ 110

6.3. Irrecorribilidade das Decisões do TSE................................................... 112


6.4. Possibilidade de Interposição de Recursos Contra Decisões dos TREs........ 112
7. Tribunais e Juízes Militares.................................................................... 113
7.1. Superior Tribunal Militar..................................................................... 114
7.2. Competência da Justiça Militar............................................................ 115
8. Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal.................................. 118
8.1. Representação de Inconstitucionalidade Estadual.................................. 119
8.2. Justiça Militar Estadual....................................................................... 122
Questões de Concurso.............................................................................. 126
Gabarito................................................................................................. 136
Questões Comentadas.............................................................................. 137

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ARAGONÊ FERNANDES
Atualmente, atua como Juiz de Direito do TJDFT. Contudo, em seu
qualificado percurso profissional, já se dedicou a ser Promotor de
Justiça do MPDFT; Assessor de Ministros do STJ; Analista do STF; além
de ter sido aprovado em vários concursos públicos. Leciona Direito
Constitucional em variados cursos preparatórios para concursos.

PODER JUDICIÁRIO

Apresentação da Metodologia

Caro(a) aluno(a),

O capítulo destinado ao Poder Judiciário é frequentemente cobrado nas provas

de concurso. Diferentemente do que você possa imaginar, questões relacionadas

ao Judiciário caem também em certames de outras áreas e Poderes. É o caso, por

exemplo, de concursos nas carreiras policiais, do Executivo, do Ministério Público e

do Legislativo.

O ponto-chave aqui é mesclar a leitura da Constituição com a interpretação

dada pelo STF e pelo STJ. A doutrina, neste ponto, não é tão importante.

As disposições gerais – artigos 92 a 100 – são exaustivamente cobradas nas

provas. Logo, fazer questões das provas anteriores será de fundamental importân-

cia para assimilação do conteúdo.

Tem mais: a competência dos Tribunais, para muitos, é um verdadeiro tormen-

to! Vou tentar tornar as coisas mais simples, decodificando o juridiquês.

Mãos à obra!

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I – Disposições Gerais – Artigos 92 a 100

Eu já avisei ali em cima e aproveito para reafirmar: as disposições gerais são

exaustivamente cobradas nas provas.

Você vai ver que várias vezes eu farei menção à EC 45/2004, responsável pela

“Reforma do Poder Judiciário”. A bem da verdade, ela (a EC 45) tratou também

de outros pontos, mas é no Judiciário e nas funções essenciais à Justiça que ela

promoveu modificações mais consistentes.

E tem mais: eu diria que ela é a “Reforma do Judiciário – Parte I”, pois contem-

plou apenas os assuntos acerca dos quais houve consenso. Ficaram de fora outros

pontos, mas isso não nos interessa, ao menos por ora...

1.1. Órgãos do Poder Judiciário

Logo aqui começam várias indagações. Então, a melhor coisa a fazer é transcre-

ver o artigo 92, para depois pontuar as observações que eu entendo necessárias.

Avançando, o artigo 92 da Constituição diz que o Judiciário é composto pelos

seguintes órgãos:

I – o Supremo Tribunal Federal – STF;


I-A – o Conselho Nacional de Justiça – CNJ (EC 45/2004);
II – o Superior Tribunal de Justiça – STJ;
II-A – o Tribunal Superior do Trabalho – TST (EC 92/2016);
III – os Tribunais Regionais Federais (TRF) e os Juízes Federais;
IV – os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V – os Tribunais (TSE e TRE) e Juízes Eleitorais;
VI – os Tribunais e Juízes Militares (STM) e auditorias militares;
VII – os Tribunais (TJ) e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.

A primeira coisa a destacar é que o CNJ, como você viu, está inserido como

órgão do Poder Judiciário.


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E qual a importância dessa constatação?

Ora, há inúmeras questões de prova indicando que o CNJ faria o controle ex-

terno do Judiciário. Você, no entanto, tem que lembrar que o controle feito pelo

CNJ é interno (STF, ADI 3.395).

Há mais: a EC 92/2016 inseriu o inciso II-A, deixando clara a presença do

TST entre os órgãos. Antes dessa inovação, havia apenas o registro da expressão

“Tribunais e Juízes do Trabalho”. A novidade, sem dúvida, aparecerá nas próximas

provas!

Mas o mais importante vem de algo que não está no artigo 92: as turmas re-

cursais! Objeto de cobrança em diversas provas, objetivas e subjetivas (eu mesmo

já fiz concurso que o tema foi cobrado – Juiz do TJPB): o STF entendeu que as

Turmas Recursais não são órgãos do Poder Judiciário.

Na mesma linha, o acesso a elas não caracteriza promoção, e, sim, mera de-

signação. Consequentemente, não é necessária a observância dos critérios de an-

tiguidade e merecimento (RE 590.409/RJ). Em consequência, não haverá vagas

para os membros do MP e da OAB (quinto constitucional).

Avançando, diz o texto constitucional que o STF e os Tribunais Superiores

têm sede na Capital Federal e jurisdição em todo o território nacional. Já o CNJ,

criado pela EC 45/2004, embora tenha sede na Capital Federal não possui jurisdi-

ção – ele não tem competências jurisdicionais.

A Justiça desportiva (STJD e TJD), o Tribunal Marítimo, os Tribunais de Contas

e os Tribunais Arbitrais não são integrantes do Poder Judiciário. Eles são tribunais

administrativos.
Foi também a EC 45/2004 a responsável pela extinção dos Tribunais de Alçada
– TA –, que pertenciam à estrutura do Poder Judiciário estadual (ficavam posicio-
nados um pouco abaixo dos TJs). Os membros que integravam os TAs foram trans-
formados em Desembargadores de Tribunais de Justiça.
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Falando nisso, entendo ser importante fazer uma observação, pois muita gente

confunde e outros não sabem, mas ficam com vergonha de perguntar: os membros

do Poder Judiciário de 1ª instância (1º grau) são chamados de juízes; aqueles que

atuam na 2ª instância (2º grau) recebem o nome de Desembargador; os que tra-

balham nos Tribunais Superiores e no STF são denominados Ministros. Embora haja

essa diferenciação na nomenclatura, todos podem ser chamados de Magistrados.

Outra informação importante, especialmente para as provas objetivas: o STF

entende que o princípio do duplo grau de jurisdição não está previsto nem

explícita nem implicitamente na CF/1988. Ele existiria na legislação supralegal

(Pacto de São José da Costa Rica), e não na Constituição (STF, AI 513.044).

De outro lado, não haveria afronta ao princípio do juízo natural no fato

de os órgãos fracionários dos Tribunais (turmas, câmaras ou seções) serem

compostos majoritariamente por juízes de primeiro grau convocados (STF,

RE 597.133).

Lembramos, por fim, não existe Poder Judiciário, Ministério Público ou

mesmo Defensoria Pública na esfera municipal.

Veja abaixo o organograma do Judiciário:

Organograma do Poder Judiciário


STF CNJ
STM TSE TST STJ
TM *1
TRE TRT TRF TJ*2
Turma recursal de
Turma recursal de jui-
juizados especiais
Auditorias Juízes e juntas Juízes do Juízes Juízes zados especiais*3
federais*3
militares eleitorais trabalho federais estaduais
Juizados especiais
Juizados especiais
federais
*1: só haverá em tempos de guerra.

*2: nos estados em que o efetivo de militares (PM e Bombeiros) superar 20.000 integrantes pode ser criado um TJM (Tribunal de Justiça
Militar). Caso ele não exista, esses militares são julgados no TJ.

*3: Em regra, decisão proferida por Turma Recursal de Juizados Especiais é definitiva. Exceções: a) se houver violação à CF, pode ser
interposto recurso extraordinário (RE) para o STF; b) pode ser impetrado habeas corpus (HC) e mandado de segurança (MS), apontando-se
como autoridade coatora a Turma Recursal. Nesse caso, o julgamento será feito pelo respectivo TJ ou TRF (antes também ia direto para
STF); c) a decisão de Turma Recursal não pode ser questionada por meio de recurso especial no STJ (STJ, Súmula 203), mas há outros
meios de impugnação, que serão detalhados à frente.

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1.2. Ingresso na Carreira da Magistratura

Há previsão de que lei complementar, de iniciativa do STF, disporá sobre o


Estatuto da Magistratura. Essa lei ainda não foi editada. Em razão disso, continuam
sendo observadas as regras contidas na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LC
n. 35/1979) naquilo que não contrariarem o atual texto constitucional.
O cargo inicial para ingresso na carreira da Magistratura é o de juiz substituto.
O candidato deve se submeter a concurso público de provas e títulos, sendo obri-
gatória a participação da OAB em todas as fases da disputa.
Uma inovação trazida pela EC 45/2004 é a chamada quarentena de entrada.
De acordo com essa regra, exige-se do bacharel em Direito, no mínimo, três anos
de atividade jurídica. O dispositivo surgiu com o claro intuito de que o futuro jul-
gador tenha mais experiência, dada a relevância das funções que exercerá.
Para regulamentar o conceito “atividade jurídica”, o CNJ editou a Resolução n.
75/2009. Nela são previstas diversas hipóteses de contagem do prazo de três anos.
Destaco que não há a obrigatoriedade de o candidato exercer a advocacia,
sendo essa apenas uma das diversas hipóteses – eu, por exemplo, usei tanto no
concurso de Promotor de Justiça quanto no de Juiz o período em que fui Analista
Judiciário do STF e Assessor de Ministro do STJ – eu também passei para Defensor
Público, mas, na época (2011), não havia a exigência para Defensor, o que acon-
teceu apenas com a EC 80/2014.
Em decisão recorrentemente cobrada nas provas, o STF entendeu que a con-
tagem do prazo de três anos se inicia com a conclusão do curso, e não com
a colação de grau.
Ainda sobre o tema, há uma decisão importantíssima (para as provas e para a
vida!): “a comprovação de atividade jurídica pode considerar o tempo de
exercício em cargo não privativo de bacharel em Direito, desde que, ausen-
tes dúvidas acerca da natureza eminentemente jurídica das funções desempenha-

das” (STF, MS 28.226).


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Assim, nada impede que o candidato que trabalhe como técnico judici-

ário (nível médio) de um Tribunal ou técnico administrativo no Ministério

Público se candidate ao concurso da Magistratura (ou MP ou Defensoria),

quando comprovar que desempenhava a chamada atividade-fim.

Outra coisa: em regra, os requisitos do cargo público devem ser comprovados

no ato da posse. No entanto, para a Magistratura, a comprovação deve ser

feita na inscrição definitiva (STF, RE 655.265).

Para que não haja dúvidas, deixe-me explicar aqui a “maratona” que é um con-

curso desse porte: primeiro, o candidato faz a inscrição preliminar. Depois, sub-

mete-se a provas objetivas, subjetivas e de sentença. Após a sentença (e antes da

prova oral), é hora da inscrição definitiva, oportunidade de comprovação também

dos três anos de atividade jurídica. Finalizando, acontecem as provas orais e de

títulos, esta última de caráter meramente classificatório.

1.3. Promoção na Carreira

A promoção acontece de entrância para entrância, e da primeira para a se-

gunda instância, sempre de maneira alternada, por antiguidade e merecimento,

observadas as regras constantes na seguinte ilustração:

1 se juiz estiver na lista por três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas, será obrigatoria-
mente promovido;

2 juiz tem de ter, no mínimo, dois anos na entrância e deve integrar a quinta parte entre os mais
Promoção por antigos, salvo se os que preenchem os requisitos não quiserem (Exemplo: se Tribunal tem 100
merecimento juízes, candidato deve ser um dos 20 mais antigos);

3 para aferir (medir) merecimento, devem ser utilizados critérios objetivos de produtividade e
presteza no exercício da jurisdição + frequência e aproveitamento em cursos oficiais ou reconheci-
dos de aperfeiçoamento;

Promoção por 1 o Tribunal só pode recusar o juiz + antigo pelo voto fundamentado de 2/3 dos membros, asse-
antiguidade gurada ampla defesa.

Se o juiz retiver, injustificadamente, os autos que estão em seu poder além do prazo legal, não será promovido,
nem por antiguidade nem por merecimento.

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Um esclarecimento: entrância é divisão existente nas leis de organização judi-

ciária. Em alguns estados, há comarcas de primeira, segunda e terceira entrância

(ou até entrância especial). A primeira contemplaria as Comarcas menores e a úl-

tima estaria situada nos grandes centros. Parte-se da premissa de que as causas

mais complexas estão nos grandes centros. Então, a lógica seria colocar os juízes

iniciantes na primeira entrância, enquanto os mais tarimbados ficariam nas demais.

A mudança de uma entrância para outra é uma espécie de promoção,

que ocorre na horizontal. O mais importante é lembrar que o Magistrado que atua

em qualquer uma dessas entrâncias ainda será um juiz de 1º grau (1ª instância).

Nesse contexto, o Magistrado só passará ao cargo de Desembargador quando

for promovido da 1ª para a 2ª instância.

Em data recente, o STF entendeu que, na promoção por antiguidade, o quo-

rum de 2/3 (dois terços) deve considerar as cadeiras preenchidas e aque-

les em condições legais de votar, e não o número de cargos de Desembargador.

Em outras palavras, se o TJ conta com 40 cargos de Desembargador, mas 10 deles

estão afastados pelo CNJ, os 2/3 serão computados sobre o número 30 (STF, MS

31.361).

Por fim, como falei ali em cima, o ato de composição das turmas recursais

não caracteriza promoção de magistrado para outra entrância ou mesmo de

remoção, porém de mera designação para integrar órgão de primeiro grau, não

se impondo, portanto, a observância dos critérios de merecimento ou antiguidade

(STF, MS 28.254).

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1.4. Hipóteses de Perda do Cargo

O texto constitucional faz a seguinte diferenciação, levando em conta o fato de

o Magistrado possuir – ou não – a vitaliciedade:

HIPÓTESES DE PERDA DO CARGO


ANTES do vitaliciamento APÓS o vitaliciamento
A perda do cargo pode ocorrer em duas hipóteses:
a. deliberação do Tribunal a que o juiz está vincu- A perda do cargo fica restrita à sentença
lado; judicial transitada em julgado*.
b. sentença judicial transitada em julgado.

Há, ainda, outra hipótese de perda do cargo pouco lembrada pela doutrina, mas

que já foi cobrada, por exemplo, na prova de Juiz Federal da 2ª Região (RJ e ES),

elaborada pelo CESPE.

Com efeito, quando estudamos as competências do Senado Federal – art. 52 da

CF/1988 – vimos competir àquela Casa processar e julgar, nos crimes de respon-

sabilidade, os Ministros do STF e os membros do CNJ e do CNMP, além de outras

autoridades.

Levando em conta que uma das consequências possíveis da condenação por cri-

me de responsabilidade é a perda do cargo, salientamos que os Ministros do STF

e os membros do Judiciário que estejam integrando os conselhos acima

referidos também poderão perder o cargo por decisão do Senado Federal.

Mas, aproveitando que falei das hipóteses de perda do cargo de Magistrado, não

há como deixar de falar nos casos de perda do cargo do servidor estável.

Mais do que isso, veja o quadro que preparei para você com as diferenças cen-

trais entre estabilidade e vitaliciedade:

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PARÂMETRO ESTÁVEL VITALÍCIO


Dois anos de efetivo exercício
para quem ingressa na 1ª instân-
Período necessá- cia, por meio de concurso.
Três anos de efetivo exercício
rio para aquisição Obs.: os membros que entram
diretamente nos Tribunais são
vitalícios desde a posse.
I – sentença condenatória transitada
em julgado;
Em regra, apenas sentença con-
II – mediante processo administrativo,
denatória transitada em julgado.
em que lhe seja assegurada ampla
Obs.: ministros do STF, PGR,
defesa;
Hipóteses de membros do CNJ e do CNMP
III – mediante avaliação periódica de
perda do cargo também podem perder o cargo
desempenho, na forma de lei comple-
por decisão do Senado Federal, no
mentar, assegurada ampla defesa;
Crime de Responsabilidade (artigo
IV – se for ultrapassado limite de
52, I, da Constituição).
gastos com pessoal (artigo 169, § 4º,
da Constituição).
Sim. Contudo, o foro especial
Manutenção das cessa com a aposentadoria.
prerrogativas Assim, mesmo Desembargadores
Não.
do cargo após a e Ministros dos Tribunais Superio-
aposentadoria res serão processados na 1ª ins-
tância após a aposentadoria.
A todos os servidores efetivos, aos Aos Membros do Judiciário, do
A quem se aplica Membros da Defensoria Pública e Ministério Público e dos Tribu-
da Advocacia Pública. nais de Contas.

O STF decidiu ser inconstitucional lei estadual que preveja a exoneração de servidor

em estágio probatório pelo simples fato de ele participar de movimento grevista.

Na ocasião, entendeu-se que a norma previa indevida diferenciação entre estáveis

e não estáveis (STF, ADI 3.235).

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1.5. Das Sessões Administrativas

As decisões administrativas dos tribunais serão motivadas e em sessão públi-

ca, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros.

Antes da EC 45/2004, as decisões administrativas eram reservadas (fecha-

das).

1.6. Possibilidade de Criação de Órgão Especial

O inciso XI do artigo 93 da Constituição diz que, se o Tribunal tiver mais de

25 membros, poderá ser criado órgão especial, com o mínimo de 11 e o má-

ximo de 25 membros.

Esse órgão especial terá competência para o exercício das atribuições adminis-

trativas e jurisdicionais delegadas pelo Tribunal Pleno.

Para entender a necessidade de criação do órgão especial (que pode ter vários

nomes, como Corte Especial ou Conselho Especial), basta pensar no funcionamento

do TJSP, Tribunal que conta atualmente com quase 400 Desembargadores. É nota-

damente mais fácil reunir 25 do que 400 desses Magistrados.

A composição do órgão deverá contar com metade das vagas preenchida pelo

critério da antiguidade, enquanto a outra metade será por eleição do Tribunal

Pleno.

Vale destacar que caberá ao Plenário do Tribunal definir quais são as atribuições

que delega ao Órgão Especial (STF, MS 26.411).

1.7. Cláusula de Reserva de Plenário

Eu diria que a cláusula de reserva de plenário é, ao mesmo tempo, importantís-

sima para quem se prepara para concursos públicos e pouco compreendida pelos

candidatos!
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Prevista no art. 97 da Constituição, é também chamada full bench (banco cheio).

Embora um Juiz de primeira instância possa, isoladamente, declarar a

inconstitucionalidade de uma norma (controle difuso), nos Tribunais a regra

é diferente. Isso porque se prevê que somente pelo voto da maioria absoluta

de seus membros (Plenário) ou dos membros do órgão especial poderão

os Tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do

Poder Público.

Vale lembrar que em matéria de controle de constitucionalidade, o ordena-

mento brasileiro adota um sistema misto, abrangendo o controle difuso – de

origem norte-americana – e o controle concentrado, sistema adotado na Europa.

O controle difuso de constitucionalidade pode ser feito por qualquer juiz ou

Tribunal do país, enquanto o controle concentrado é realizado apenas pelo STF

(guardião da Constituição Federal) e pelo TJ (guardião da Constituição Estadual).

Quando o controle difuso é feito por um Tribunal – exemplo: STJ, TJDFT, TST –

incidirá a regra segundo a qual a norma somente será declarada inconstitucional se

houver decisão nesse sentido de maioria absoluta dos membros do Tribunal ou de

seu órgão especial – como visto acima, este substitui o Plenário do Tribunal.

Pensando no STJ para ilustrar, a inconstitucionalidade não poderá ser declarada

por um Ministro, pela Turma ou por uma Seção, ficando reservada à Corte Especial,

uma vez que lá há o órgão especial.

A razão da existência da referida cláusula é a seguinte: é certo que uma decisão

proferida por um Juiz de determinada Comarca é importante. No entanto, muito

mais importante é uma decisão proferida por um Tribunal da envergadura do STJ,

pois nesse último caso, todos os Tribunais inferiores indicarão o julgamento a título

de orientação e exemplo.

Vale dizer, as decisões dos Tribunais são mais importantes e, por isso,

não podem ser tomadas monocraticamente ou por um pequeno número de

julgadores (órgão fracionário).


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Esse tema, de difícil compreensão por grande parte dos estudantes, tem direta

relação com a Súmula Vinculante n. 10, que tem esta redação:

viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de
tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato
normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte”.

Qual a razão de ser da SV 10?

É o seguinte: muitas vezes, para fugir da exigência de submeter a questão re-

lativa à inconstitucionalidade ao Plenário – ou órgão especial –, os órgãos fracio-

nários dos Tribunais (turmas, câmaras ou seções) dão “um jeitinho”: ao invés de

dizer que a norma é inconstitucional, eles deixam de aplicá-la. No final das contas,

só deixaram de aplicá-la por entender que era inconstitucional...

Por fim, cabe alertar que somente será necessário submeter a questão ao Ple-

nário – ou ao órgão especial – quando se entender que a norma é inconstitucional,

pois todas as normas nascem com presunção (relativa) de constitucionalidade.

Ou seja, para se afirmar a constitucionalidade da norma não há necessidade de

uma Turma mandar o caso para o Plenário, pois estará confirmando a regra, “cho-

vendo no molhado”.

Foi exatamente dentro dessa diferença que trabalhou o examinador de recente

concurso para a Magistratura no DF. Na ocasião, perguntou-se a diferença entre

a Interpretação Conforme à Constituição e a Declaração de Inconstitucionalidade

Parcial sem redução de texto.

Antes mesmo de dar a resposta, vou lembrá-lo(a) de uma dica: todas as vezes

que for indagada a diferença entre institutos, você deve encontrar inicial-

mente a semelhança.

Isso porque as perguntas giram em torno de temas com vários pontos de inter-

secção. Exemplificando, não será perguntada a diferença entre caneta e relógio. A


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pergunta recairia sobre a diferença entre tênis e sapato. Em casos assim, o can-

didato responderia: “ – embora ambos sejam calçados, masculino e feminino (se-

melhança), o tênis é utilizado para ocasiões mais casuais, enquanto o sapato para

eventos formais” (diferença).

Pois bem.

Voltando à questão feita no concurso do TJDFT, tanto a interpretação conforme

à Constituição quanto a declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de

texto são técnicas de manipulação situadas entre os limites constitucionalidade/in-

constitucionalidade (elas estariam dentro do grande gênero “sentenças intermediá-

rias”, na subdivisão “decisões transitivas”). Além disso, as duas atuam em palavras

plurissignificativas – até aqui, vimos as semelhanças!

Avançando sobre a distinção, tem-se que na interpretação conforme à Cons-

tituição se faz um juízo positivo de constitucionalidade. Em outras palavras,

afirma-se a constitucionalidade, o que conduz à desnecessidade de remeter o

caso ao Plenário (ou órgão especial, se houver).

Já na declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto,

o juízo é negativo. Neste caso, como se profere um juízo de inconstitucionalida-

de (negativo), será necessária a observância da regra do artigo 97 da CF, ora em

estudo.

Por fim, atenção!

Não há necessidade de observância da cláusula de reserva de plenário

por juízes de primeira instância, por Turmas Recursais de Juizados Espe-

ciais (embora colegiadas, são compostas por juízes de primeiro grau) e

também pelas Turmas do STF (STF, AI 607.616).

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1.8. Fim das Férias Coletivas

A Reforma do Judiciário também extinguiu as férias coletivas nos juízos de 1º e

2º grau, ou seja, na 1ª e na 2ª instância a atividade jurisdicional será ininterrupta.

Por outro lado, as férias coletivas não acabaram no âmbito do STF e dos

Tribunais Superiores. Nesses órgãos, elas continuam ocorrendo no período de 2

a 31 de janeiro e 2 a 31 de julho.

1.9. Regra do Quinto Constitucional

Um quinto (1/5) das vagas dos TRFs, dos TJs (dos Estados e do DF), do TST

e dos TRTs será preenchido por membros do Ministério Público e da OAB, indicados

em lista sêxtupla pelos órgãos de representação das classes.

Caso 1/5 das vagas não resulte em número inteiro, o arredondamento deve ser

feito sempre para cima. Exemplificando, no TST, onde se tem 27 Ministros, 1/5 da-

ria o resultado 5,4, que é arredondado para 6 vagas.

Depois que o respectivo Tribunal recebe a lista sêxtupla, ele deve fazer uma

votação, reduzindo essa lista para tríplice (3 nomes).

A partir daí, competirá ao chefe do Poder Executivo escolher um dos listados,

no prazo de 20 dias.

Lembro que será do Presidente da República a escolha referente aos membros

do TST, dos TRTs e dos TRFs, pois esses Tribunais integram o Poder Judiciário da

União. De outro lado, tratando-se de Poder Judiciário Estadual (TJ), a escolha ca-

berá ao governador.

Há, ainda, a peculiar situação do Distrito Federal. Isso porque o TJDFT também é

integrante do Poder Judiciário da União. Assim, é do Presidente da República a prerro-

gativa de escolher o membro que ocupará a cadeira do quinto constitucional no TJDF.


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Em relação aos membros do Ministério Público, exige-se que eles possuam mais

de 10 anos de carreira; quanto aos membros da OAB, além do requisito anterior,

também há previsão de que eles possuam notório saber jurídico e reputação ilibada.

Ademais, o STF entende que viola o princípio da separação dos Poderes,

norma de Constituição Estadual que preveja aprovação, pela Assembleia Le-

gislativa, de candidatos do 1/5 constitucional à vaga no TJ (STF, ADI 4.150).

No âmbito do STJ, não há o 1/5 constitucional, mas, sim, o 1/3, pois há divisão

igualitária entre Desembargadores de TJ, Juízes de TRF (Desembargadores Fede-

rais) e Membros do MP/OAB.

Pergunta: há a possibilidade de o Tribunal recusar a lista sêxtupla encaminhada

pelo órgão de classe? Em caso positivo, haveria o dever de fundamentar a recusa?

A questão foi tratada no STF diante de impasse envolvendo vaga oriunda da OAB

para o STJ. Na ocasião, o Tribunal entendeu pela possibilidade de recusa, e tam-

bém pela desnecessidade de fundamentação quanto a ela (STF, RMS 27.920).

1.10. Garantias dos Magistrados

Os magistrados possuem basicamente três garantias, que devem ser interpre-

tados não como privilégios, mas como prerrogativas para atuarem sem medo de

retaliação de detentores do poder econômico ou político. São elas:

1.10.1. Vitaliciedade

É adquirida após dois anos de efetivo exercício, para aqueles que ingres-

sam, mediante concurso público, na 1ª instância. Os membros que ingressam

diretamente nos Tribunais, seja pelo quinto constitucional, seja por indicação

(STF, STJ, TST, TSE etc.), são vitalícios desde a posse.


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Lembro, ainda, que os conceitos de vitaliciedade e de titularidade não se


confundem. Desse modo, pode um juiz titular não ser vitalício, assim como pode
um juiz já vitalício ainda ser substituto.
Por outro lado, vitaliciedade e estabilidade apresentam algumas distinções, que
já trabalhei algumas linhas acima. Para se olhar para apenas uma delas, o prazo
para a aquisição da estabilidade é bem maior – 3, e não 2 anos.
Fique atento(a), pois os detentores de vitaliciedade (Magistrados, Membros
do Ministério Público e dos Tribunais de Contas) mantêm as prerrogativas do
cargo após a aposentadoria, mas uma delas – talvez a mais importante para
as provas – não é mantida: o foro especial.
Então, pedimos sua atenção porque o STF entende que, com a aposentado-
ria, acaba o foro por prerrogativa de função. Exemplificando, um Ministro
do STJ que estivesse respondendo a ação penal perante o STF, caso se
aposente, o processo passará a tramitar na 1ª instância (STF, RE 549.560)!

1.10.2. Inamovibilidade

Os juízes não podem ser removidos de ofício, salvo se houver motivo de


interesse público. A decisão para afastar a inamovibilidade do magistrado será
tomada pela maioria absoluta dos membros do Tribunal ou do CNJ. Fique de olho,
pois esse quorum era de 2/3 até a EC 45/2004.
A questão queridinha das bancas examinadoras nesse ponto diz respeito a outra
peculiaridade: o STF entendeu que a inamovibilidade valeria para os Magis-
trados titulares e também para os Substitutos. Em relação a estes, a inamo-
vibilidade estaria na Comarca ou na Circunscrição (STF, MS 27.958).
Ilustrando, um Juiz Substituto que esteja lotado na Comarca de Ribeirão Preto/

SP poderá substituir os Colegas que estiverem afastados, doentes, em férias etc.

Contudo, não se pode exigir que ele deixe sua Comarca. Do contrário, ele viveria

como artistas circenses, vagando de uma cidade para outra.


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1.10.3. Irredutibilidade de Subsídios

Nesse ponto, destaca-se a observância do teto do funcionalismo e o pagamento

de tributos. Ademais, com base na tese de que não há direito a regime jurídico, o

STF entendeu que Magistrados não poderiam incorporar quintos incorporados em

regime jurídico diverso (STF, RE 587.381).

Para você entender melhor, vou usar meu caso como exemplo: eu era Técnico

Judiciário (nível médio) e possuía direito a 2/5 (dois quintos) de gratificação em

chefia, proporcionais ao período em que a lei ainda permitia a incorporação. Quando

virei Analista (nível superior), pude trazer comigo aquele valor incorporado. Contu-

do, ao mudar de regramento, saindo da Lei n. 8.112/1990 para LC 35/1979 (Lei da

Magistratura Nacional), deixei de fazer jus à incorporação, perdendo aquela parcela.

Ah, importante lembrar que verbas de caráter indenizatório (exemplo, férias

pagas em pecúnia) não se submetem ao teto constitucional.

1.11. Proibições dos Magistrados

Se, de um lado, a Constituição assegura um leque de garantias, de outro consa-

gra diversas vedações, justificadas pela importante função exercida por tais agen-

tes estatais. Veja as principais proibições previstas no art. 95:

1.11.1. Exercício de Outro Cargo ou Função

Veda-se o exercício de outro ofício ou profissão, ainda que em disponibilidade,

salvo uma de Magistério.

Foi com base nesse dispositivo constitucional que o CNJ editou a Resolução n.

10/2005, a partir da qual se proibiu que os membros do Judiciário também

integrassem a Justiça desportiva. Esse ato normativo foi questionado junto ao

STF, que entendeu pela sua autoaplicabilidade (STF, MS 25.938).


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Quando se fala “salvo uma de Magistério”, não há uma restrição numérica, mas,

sim, ligada à compatibilidade de horários, para que não haja prejuízo à função ju-

dicante (STF, ADI 3.126).

Ainda sobre o tema, em recente decisão, o CNJ entendeu pela proibição do

exercício de atividades de coaching, mentoria ou similares (Resolução n.

226/2016). Por outro lado, idêntica proibição não alcança os Membros do Ministério

Público.

Ah, considerando o entendimento do STF no sentido de que, na acumulação

lícita de cargos públicos deve ser observado o teto de remuneração em cada cargo

isoladamente e não na somatória dos valores, é possível que, na prática, o Magis-

trado supere o subsídio mensal pago aos Ministros do STF.

1.11.2. Quarentena de Saída

Todo cuidado é pouco aqui, pois são muitas questões cobrando esse assunto:

você viu que são exigidos três anos de atividade jurídica para o ingresso na carreira

(quarentena de entrada).

Agora é hora de vermos a quarentena de saída, que nada mais é do que o

período em que se proíbe que o Magistrado exerça a advocacia no juízo ou

Tribunal do qual se afastou, também pelo período de três anos.

Note que a restrição alcança o Tribunal do qual o Magistrado se afastou, ainda

que a Corte tenha jurisdição em todo o território nacional. Assim, poderia um Mi-

nistro do STF advogar no STJ, por exemplo.

Há, ainda, uma importante polêmica sobre o tema: em 2013, o Conselho Fede-

ral da OAB editou ato segundo o qual a proibição de advogar se estenderia a

todo o escritório integrado pelo Magistrado aposentado.

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Esse ato foi questionado junto ao STF por meio de ADPF, mas ela não foi julga-

da. É importante acompanhar a tramitação, pois o tema certamente será objeto de

perguntas nas provas que estão por vir (STF, ADPF 310).

1.11.3. Dedicação a Atividades Político-Partidária

Para os Magistrados, essa vedação já estava prevista desde o texto original da

Constituição, do ano de 1988, enquanto para os Membros do Ministério Público foi

incluída apenas no ano de 2004, com a Emenda 45.

Um ponto importante: a vedação não persiste durante a inatividade. Ou seja,

com a aposentadoria do Magistrado, poderia candidatar-se a mandato eletivo.

É por tal razão, por exemplo, que se fala na possibilidade de o Ministro Joaquim

Barbosa ou qualquer outro membro do Judiciário, que esteja aposentado, lançar-se

candidato.

1.12. Julgamento de Juízes e de Membros do Ministério Pú-


blico

Os juízes Estaduais e os do Distrito Federal serão julgados pelos respectivos

Tribunais de Justiça, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a com-

petência da Justiça Eleitoral.

É também do Tribunal de Justiça a competência para julgar os membros do

Ministério Público Estadual nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalva-

da a competência da justiça Eleitoral.

De outro lado, a questão não é tão simples quando envolver os membros do

Ministério Público da União – MPU. Inicialmente, lembro que o MPU possui qua-

tro ramos: MP Federal; MP do Trabalho; MP Militar; e MP do Distrito Federal e dos

Territórios.
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Veja as regras:

1. O PGR será julgado, nos crimes comuns, pelo STF e, nos crimes de respon-

sabilidade, pelo Senado Federal.

2. Os membros do MPU que atuem perante Tribunais (de 2ª instância ou supe-

riores) serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo STJ.

3. Os membros do MPU que atuam na primeira instância serão julgados, nos

crimes comuns + responsabilidade, pelo respectivo TRF.

4. Os membros do MPDFT são julgados, nos crimes comuns + responsabilidade,

pelo TRF, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral (STF, RE 418.852).

Para ajudar a sistematizar, vou usar um quadro esquemático:

FORO PARA JULGAMENTO DE MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Ministério Público ESTADUAL Ministério Público da UNIÃO

Em crime comum TJ Em crime comum STF

PGJ Em crime de respon- PGR Em crime de responsa- Senado


TJ (STF, ADI 541)
sabilidade bilidade Federal

Se atuar em tribunal
Se atuar em 2ª instância TJ, exceto crime eleitoral STJ
(2ª instância ou superior)

TRF, exceto
Se atuar em 1ª instância TJ, exceto crime eleitoral Se atuar na 1ª instância
crime eleitoral

Os Juízes do TJDFT são julgados nos crimes comuns e nos de responsabilidade

pelo próprio TJDFT, ressalvada a competência da justiça eleitoral; já os Promoto-

res de Justiça do MPDFT serão julgados pelo TRF nos mesmos crimes.

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1.13. Autonomia Administrativa, Financeira e Orçamentária


dos Tribunais

De acordo com a Constituição, cada Tribunal deve: a) elaborar seu regimento

interno e eleger seus órgãos diretivos; b) prover os cargos de juiz de carreira da

respectiva jurisdição; c) propor a criação de novas varas; e d) prover, por concurso

público, os cargos necessários à administração da Justiça (exemplo: analista, téc-

nico), exceto os de confiança – que não precisam de concurso.

Invocando o artigo 96, I, a, da Constituição, o STF declarou a inconstitucionali-

dade de portaria editada pelo Presidente de Tribunal de Justiça, a qual estabelecia

novo horário de funcionamento da Corte Estadual. Na ocasião, entendeu-se pela

necessidade de Resolução, editada pelo Colegiado (e não apenas pelo Presidente)

para tratar sobre o tema (STF, ADI 2.907).

Ainda segundo a Constituição, o STF, os Tribunais Superiores e os Tribunais de

Justiça devem propor ao Legislativo: a) a alteração do número de membros dos

Tribunais inferiores; b) a criação de cargos e a remuneração dos seus serviços

auxiliares, bem como a fixação de subsídio de seus membros e dos juízes; c) a

criação ou extinção dos Tribunais inferiores; e d) a alteração da organização e da

divisão judiciárias;

Trata-se de iniciativa privativa de lei. Assim, não cabe aos outros Poderes dar

início ao processo legislativo nas matérias acima listadas.

Além disso, não se permite que emenda parlamentar que provoque aumento de

despesa em projeto de iniciativa do Poder Judiciário ou mesmo do Ministério Público

(STF, ADIs 4.062 e 4.075).

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Embora a organização judiciária seja tratada por meio de lei em sentido formal,

a jurisprudência do STF entende ser possível a especialização de varas

também por meio de resolução do Tribunal de Justiça – e não apenas por

meio de lei. Aliás, essa questão aparece frequentemente em provas de concursos,

especialmente para cargos do Poder Judiciário (STF, HC 91.024).

Os Tribunais elaborarão as propostas orçamentárias dentro dos limites estipu-

lados conjuntamente com os demais Poderes na Lei de Diretrizes Orçamentárias

– LDO.

Vamos então para mais um quadro, esquematizando o encaminhamento das

propostas orçamentárias:

Encaminhamento de propostas orçamentárias


No âmbito da União No âmbito dos Estados, DF e Territórios
Compete ao Presidente do STF e dos Tribu-
Compete ao Presidente do Tribunal de Justiça,
nais Superiores, com aprovação dos respec-
com aprovação dos respectivos Tribunais.
tivos Tribunais.
Se os órgãos responsáveis não encaminharem as propostas dentro do prazo estabelecido na
LDO, o Poder Executivo considerará os valores aprovados na LDO vigente. Ou seja: vai repetir
para o ano seguinte os valores repassados no ano corrente (na prática, é uma punição, porque
as despesas normalmente são crescentes).
Se proposta orçamentária for encaminhada em desacordo com limites da LDO, o Poder Execu-
tivo poderá ajustar valores.
Durante a tramitação do projeto da LOA, pode o Legislativo promover cortes no orçamento do
Judiciário, mesmo que eles sejam muito drásticos. Por essa razão, o STF negou pedido for-
mulado pela Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho – ANAMATRA, que pretendia a
declaração de inconstitucionalidade da Lei n. 13.255/2016, por que ela promoveu um corte de
90% nas despesas de investimento e de 24,9% nas de custeio no orçamento de 2016 da Jus-
tiça do Trabalho (STF, ADI 5.468).
Não pode haver realização de despesas nem assunção (assumir) obrigações que extrapolem
limites da LDO. Exceção: se houver abertura de créditos suplementares ou especiais.

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1.14. Juizados Especiais

Diz o art. 98, I, da Constituição, que a União, no DF e nos Territórios, e os Esta-

dos criarão Juizados Especiais, promovidos por juízes togados, ou togados e leigos,

competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de

menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo.

Os popularmente conhecidos “juizados de pequenas causas” – na verdade, jui-

zados especiais – estão inseridos na estrutura dos Tribunais de Justiça (TJ) e dos

Tribunais Regionais Federais (TRF). Eles surgiram com o claro intuito de resolver as

causas de menor complexidade de maneira mais célere.

Nesse contexto, eventual recurso contra a decisão proferida pelos juizados es-

peciais deve ser encaminhado à Turma Recursal, que é composta por três juízes de

primeiro grau.

Note que na turma recursal não há Desembargadores e, na linha do entendi-

mento do STF, elas não são consideradas Tribunais (STF, RE 590.409).

Avançando, o STF entende que o acesso às Turmas Recursais não caracte-

riza promoção, e sim mera designação. Em consequência, não há necessidade

de observância dos critérios de antiguidade e merecimento.

Em outras palavras, a definição dos critérios para composição da Turma Recur-

sal seria um ato interno do próprio Tribunal (STF, MS 28.254).

Como regra, a decisão proferida pelas turmas recursais será irrecorrível.

No entanto, havendo violação à Constituição, caberá recurso extraordinário,

endereçado ao STF. Há também a possibilidade de impetração de habeas corpus e

mandado de segurança, que serão julgados pelo respectivo TJ ou TRF.

Nesse ponto, uma atenção especial para as provas: está superada a Súmula

690/STF, que previa a competência do STF para o julgamento de HC ou MS impe-

trados contra as turmas recursais.


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Por outro lado, mesmo que violada a legislação federal, não será cabível a

interposição de recurso especial contra decisão de turmas recursais (STJ,

Súmula 203).

Essa observação é importante, pois o aluno costuma fazer um paralelo entre o

recurso extraordinário (RE) e o recurso especial (RESP), sendo o primeiro julgado

pelo STF – guardião da Constituição –, enquanto o último é da competência do STJ

– guardião da lei federal.

Uma pergunta: decisão de turma recursal de juizado especial que contra-

rie o entendimento do STJ pode ser combatida por meio de algum recurso?

Nesse caso, deve ser feita a seguinte diferenciação:

1. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial estadual:

a lei dos juizados especiais estaduais – Lei n. 9.099/1995 – não prevê a existência

de turma de uniformização de jurisprudência. Em razão disso, não haveria como

combater a decisão proferida pela turma recursal (ressalvado, como visto, o cabi-

mento do recurso extraordinário por violação à Constituição ou a impetração do HC

e do MS).

Por conta dessa falta de recurso próprio, o STF, num primeiro momento, firmou

a compreensão de que, se a decisão de turma recursal de juizado especial estadu-

al contrariar a jurisprudência do STJ, será cabível reclamação para este tribunal

(STJ) – (STF, RE 571.572).

Regulamentando a reclamação, o STJ editou a Resolução n. 12/2009. Contudo,

no ano de 2016, diante do excessivo número de reclamações que chegavam ao

Tribunal contra decisões das Turmas Recursais Estaduais, o STJ editou outro ato

normativo.

Pois é, atualmente, segundo a Resolução n. 3/2016 (já na vigência do Novo

CPC), entende-se que a parte que se sentir prejudicada com a decisão de

Turma Recursal de Juizado Estadual deve ingressar com reclamação no

próprio TJ. Ou seja, o STJ empurrou esse abacaxi para o TJ descascar...


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Então, sistematizando, caberá reclamação para o TJ Estadual (ou TJDFT) quando

a decisão da Turma Recursal de Juizado Estadual contrariar jurisprudência do STJ

que esteja consolidada em: a) incidente de assunção de competência; b) incidente

de resolução de demandas repetitivas (IRDR); c) julgamento de recurso especial

repetitivo; d) enunciados das Súmulas do STJ; e) precedentes do STJ.

2. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial federal:

a Lei n. 10.259/2001, que trata dos juizados especiais federais, trouxe um proce-

dimento próprio para tratar da questão.

Segundo seu artigo 14, a parte que se sentir prejudicada com a decisão da

Turma Recursal de Juizado Federal poderá formular pedido de uniformização de

jurisprudência para a Turma Regional de Uniformização de Jurisprudência

(TRU). Daí, caberá novo pedido para a Turma Nacional de Uniformização de

Jurisprudência (TNU). Se a orientação acolhida pela Turma de Uniformização

contrariar súmula ou jurisprudência dominante no STJ, a parte interessada po-

derá provocar a manifestação deste (STJ), que dirimirá a divergência. Repito:

a provocação do STJ não será feita por meio de recurso especial (STJ, Súmula 203).

3. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial da Fa-

zenda Pública: a Lei n. 12.153/2009, que trata dos juizados especiais da Fazenda

Pública, também prevê a possibilidade de a questão ser submetida ao STJ, nas

hipóteses de contrariedade a Súmulas do STJ, ou mesmo para uniformizar a orien-

tação nas Turmas Estaduais.

Ou seja, em linhas gerais, o procedimento se assemelha àquele usado pela Lei

n. 10.259/2001. Há diferenças, mas elas não interessam ao objetivo deste traba-

lho, porque caem em concursos muito específicos.

Ultrapassada toda essa discussão, mas ainda sobre os juizados, chamo sua

atenção para o fato de que dentro da ideia de menor complexidade não se insere

o julgamento relativo a pedidos de indenização decorrentes das consequências da-

nosas advindas do cigarro (STF, RE 537.427).


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Em outro julgamento, o STF confirmou a constitucionalidade do art. 41 da

Lei Maria da Penha – Lei n. 11.340/2006 –, regra que afasta da incidência

dos juizados especiais o julgamento de crimes ou contravenções penais

cometidos mediante violência doméstica contra a mulher (STF, HC 106.212).

1.15. Precatórios

Quando a gente fala em precatório, o aluno já torce o nariz... O primeiro proble-

ma que surge é que o candidato sequer sabe o que é um precatório.

Para piorar, as regras são realmente confusas, pois há um grande número de

emendas à Constituição, disposições espelhadas no artigo 100 da Constituição e

também em alguns pontos do ADCT e inúmeras decisões judiciais relevantes, par-

tindo do STF.

Ou seja, segure-se aí, pois a tarefa não será fácil. Ah, se você preferir pular o

assunto, pode ir, mas saiba que as bancas examinadoras adoram cobrar questões

sobre precatórios nas provas.

Começando, eu conceituaria, de maneira resumida, precatório como o meio

utilizado para se cobrar um débito do Poder Público – Fazenda Federal, Estadual ou

Municipal –, decorrente de decisão judicial.

Como eu já adiantei, há algumas emendas à Constituição tratando do tema. Eu

destacaria a EC 62/2009, fruto da denominada PEC dos Precatórios – também

conhecida de “PEC do calote” – e a EC 94/2016, que incluiu um regime especial

de pagamento para os casos de mora.

Vejamos, então, os principais pontos, que ajudarão você a se sair bem nas pro-

vas objetivas e discursivas.

De início, alerto que o pagamento dos débitos do Poder Público provenientes

de decisões judiciais deve obedecer à ordem cronológica de apresentação dos


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precatórios, proibida a designação de casos ou de pessoas nas dotações orça-

mentárias e nos créditos adicionais abertos para este fim. Em outras palavras, é

proibido “furar a fila”.

Pensando em uma instituição bancária, há uma “fila normal”, uma “fila prefe-

rencial” e aquelas pessoas que vão resolver situações muito simples, que sequer

enfrentarão qualquer fila, como é o caso do cidadão que quer apenas trocar uma

nota de R$ 50,00, viabilizando um depósito no envelope no montante de R$ 30,00.

Traçando um paralelo, teríamos a situação dos credores em geral (“fila normal”),

uma fila preferencial, destinada a detentores de crédito de natureza alimentícia

(menor, mas continua tendo fila), e a situação daquelas pessoas que resolverão

questões simples – os credores de RPV (requisições de pequeno valor).

Pois bem.

Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes de

salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações, benefícios

previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez, fundadas em responsa-

bilidade civil, em virtude de sentença judicial transitada em julgado, e serão pagos

com preferência sobre todos os demais débitos, à exceção da hipótese narrada logo

a seguir.

Além das filas “normal” e preferencial (débitos de natureza alimentícia), há ain-

da o RPV, cujo valor varia para cada uma das esferas de governo – federal, estadual

e distrital, e municipal.

Quanto à definição do RPV, o § 4º do artigo 100 estipula que o valor míni-

mo será igual ao montante do maior benefício do Regime Geral da Previ-

dência Social – RGPS. Com base nessa disposição, o STF deferiu a cautelar para

suspender a aplicação de lei municipal que fixava em R$ 1.950,00 o marco do RPV

(STF, ADPF 370, decisão cautelar).


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É certo que, em regra, não é possível o fracionamento do valor do pre-

catório, para se receber uma parcela como RPV e o restante na fila, seja normal

ou preferencial. No entanto, há previsão na Constituição possibilitando o fracio-

namento.

A exceção fica por conta dos créditos de natureza alimentícia cujos titulares,

originários ou por sucessão hereditária, tenham acima de 60 (sessenta) anos

de idade, sejam portadores de doença grave ou pessoas com deficiência,

assim definidos na forma da lei.

Nesses casos, faz-se o fracionamento, para se pagar, com preferência

sobre todos os demais débitos, o montante relativo até o triplo do valor

fixado em lei como RPV. O saldo restante, por sua vez, será pago na ordem cro-

nológica de apresentação do precatório. 

Vale lembrar que a expressão “ou por sucessão hereditária” foi incorporada pela

EC 94/2016, ampliando os legitimados a se beneficiarem do fracionamento do pre-

catório. A referida Emenda também retirou o trecho “na data da expedição do pre-

catório”, responsável por violar o princípio da isonomia, segundo decidiu o Supremo

Tribunal (STF, ADI 4.425). E mais: incluiu os deficientes entre os beneficiados para

o fracionamento dos precatórios.

É obrigatória a inclusão, no orçamento das entidades de direito público, de ver-

ba necessária ao pagamento de seus débitos, oriundos de sentenças transitadas

em julgado, constantes de precatórios judiciários apresentados até 1º de julho,

fazendo-se o pagamento até o final do exercício seguinte, quando terão seus

valores atualizados monetariamente.

Sobre o tema, a Súmula Vinculante n. 17 diz que durante o período previs-

to no parágrafo primeiro do artigo 100 da Constituição, não incidem juros

de mora sobre os precatórios que nele sejam pagos. Ou seja, caso o precatório

seja pago dentro do prazo constitucional especificado no parágrafo anterior, não

dever o Estado pagar juros.


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A organização da fila dos precatórios fica a cargo do Presidente do Tri-

bunal. Caso ele, por ato comissivo ou omissivo, retarde ou tente frustrar a liquida-

ção regular de precatórios incorrerá em crime de responsabilidade e responde-

rá, também, perante o Conselho Nacional de Justiça.

A EC 62/2009 trouxe ao credor a faculdade de entregar seus créditos em

precatórios para compra de imóveis públicos do respectivo ente federado. Tal

disposição, no entanto, depende de lei a ser editada pela entidade devedora.

Tem mais: o credor poderá ceder, total ou parcialmente, seus créditos em

precatórios a terceiros, independentemente da concordância do devedor. Entre-

tanto, em caso de cessão, não se fala em observâncias às regras mais benéficas

(de idade; de doença e de RPV).

Exemplificando, se um credor de precatório possui 30 anos de idade e o crédito

não possui natureza alimentícia, caso ele ceda o valor a que faz jus para seu avô

de 90 anos, por exemplo, o crédito não passa a tramitar de forma prioritária. Aliás,

se isso fosse possível, você acha que quantas pessoas recorreriam a tal manobra?

A cessão de precatórios somente produzirá efeitos após comunicação, por meio

de petição protocolizada, ao tribunal de origem e à entidade devedora.

Avançando, o STF declarou inconstitucional a EC 62/2009 quanto à atua-

lização de precatórios e requisições de pequeno valor pela TR, sob o funda-

mento de que “este referencial é manifestamente incapaz de preservar o valor real

do crédito de que é titular o cidadão” (STF, ADI 4.357). Em modulação de efeitos,

estabeleceu-se a incidência do índice oficial de remuneração básica da caderneta

de poupança (TR) até a data de conclusão do julgamento (25/03/2015). Após tal

marco, a correção deveria seguir o Índice de Preços ao Consumidor Amplo Especial,

IPCA-E.

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Em outro ponto, também se declarou a inconstitucionalidade do regime

de compensação que constava nos §§ 9º e 10 do art. 100 da CF/1988. Na oca-

sião, destacou-se a ofensa à isonomia entre o poder público e o particular, pois este

não disporia de ferramenta idêntica em seu benefício.

Por outro lado, entendeu o STF que “o regime ‘especial’ de pagamento de

precatórios para Estados e Municípios, criado pela EC n. 62/2009, ao veicular

nova moratória na quitação dos débitos judiciais da Fazenda Pública e ao

impor o contingenciamento de recursos para esse fim, viola a cláusula consti-

tucional do Estado de Direito (CF, art. 1º, caput), o princípio da Separação de

Poderes (CF, art. 2º), o postulado da isonomia (CF, art. 5º), a garantia do acesso à

justiça e a efetividade da tutela jurisdicional (CF, art. 5º, XXXV), o direito adquirido

e à coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI)” (STF, ADI 4.425).

Mudando o foco, fique atento(a) quando o assunto relacionar precatórios e ho-

norários advocatícios, certo?

É que a Súmula Vinculante 47 dispõe que os honorários advocatícios in-

cluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao cre-

dor são entendidos como verba autônoma, de natureza alimentar.

Por conta disso, os honorários serão quitados por meio de RPV – caso se encai-

xem nesses valores –, ou por meio de precatórios na fila preferencial.

Desse modo, pode ocorrer de o advogado receber antes de seu cliente. Como

assim?

Imaginemos a situação em que o crédito principal (do cliente) não seja enten-

dido como de natureza alimentícia. Nessa situação, o cliente aguardará na “fila

normal”, enquanto seu advogado receberá via fila preferencial ou como RPV, a de-

pender do montante (STJ, RESP 1.347.736).

Ressalto ainda que “as sociedades de economia mista prestadoras de serviço

público de atuação própria do Estado e de natureza não concorrencial subme-

tem-se ao regime de precatório” (STF, RE 852.302).


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Esse benefício, todavia, não seria extensível àquelas entidades que ex-

ploram atividade econômica, em regime de concorrência ou que tenham

como objetivo distribuir lucros aos seus acionistas. Afastou, com base nessa pre-

missa, a aplicação do regime de precatórios à Eletronorte (STF, RE 599.628).

Pronto! Você viu os pontos principais dos precatórios, o que já dá munição sufi-

ciente para fazer uma boa prova!

II – Dos Tribunais – Composição e Competências – Artigos 101


a 126

Aqui, o desafio não é menor do que aquele verificado ao tratarmos das Disposi-

ções Gerais. Isso porque a questão relativa à competência dos Tribunais tira o sono

de muitos candidatos.

Vou tentar ser claro e objetivo, indo direto ao ponto, sem fugir das “bolas divi-

didas” ou dos temas polêmicos, ok?

Uma dica: é muito comum o aluno errar questões sobre competência dos Tribu-

nais, porque na hora da prova ele olha para o cargo ocupado pela pessoa que será jul-

gada, acha pomposo, e logo pensa que a competência deveria ser do STF ou do STJ.

É aí que mora o problema: as competências dos artigos 102 e 105 devem ser

interpretadas restritivamente. Em outras palavras, se não está em um desses dis-

positivos, é porque outro deve ser o órgão competente para julgamento.

Quer um exemplo?

O julgamento de um HC impetrado contra Delegado de Polícia Federal, em re-

gra, deverá ser julgado pela Justiça Federal de 1ª instância.

Daí o examinador vem e manda: “a quem cabe julgar HC impetrado contra o

Chefe da Interpol no Brasil?”

Você me responde: “e eu lá sabia que tinha chefe da Interpol no Brasil...”


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Pois é. Tem, sim. Essa função é ocupada por um Delegado de Polícia Federal.

Logo, o HC também será dirigido ao Juiz Federal de 1ª instância.

O problema é que o aluno cai no canto da sereia de dizer que a competência

seria do STF...

Para não errar novamente, lembre sempre que o STF e o STJ possuem pouquís-

simos julgadores (11 e 33, respectivamente), enquanto a Magistratura de 1º grau

é composta por cerca de 16.000 juízes.

Ou seja: é muito mais lógico as coisas começarem lá embaixo do que lá no an-

dar de cima, já assoberbado pela quantidade de processos que, naturalmente, vão

para lá por conta do grande rol de competências originárias e recursais.

Ah, falando nisso, competência originária é quando o processo começa direta-

mente no Tribunal. É o caso de julgamento de Membros do Congresso Nacional em

crimes comuns, que se dá no próprio STF.

Já na competência recursal, o processo normalmente nasce na 1ª instância e

vem subindo até chegar aos Tribunais Superiores e no STF.

Agora vem outro detalhe: a regra é o processo parar na 2ª instância (TJ, TRF,

TRT ou TRE), até porque daí para cima nós falamos em “recursos excepcionais”.

Como assim?

Ora, pense no STJ: além das competências originárias, seus 33 Ministros rece-

bem recursos vindos de todos os TRFs e TJs do país.

Se você lembrar que apenas o TJSP já conta com quase 400 Desembargadores,

já dá para ter uma ideia de que o filtro para impedir a subida deve ser muito eficaz.

Do contrário, não haveria como o Tribunal funcionar.

Está bem! Já falei demais! Hora de colocar a mão na massa e ver os pontos mais

importantes para as provas!

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1. Supremo Tribunal Federal

1.1. Composição e Processo de Escolha

O STF é composto por 11 (onze) Ministros, escolhidos livremente pelo Presi-

dente da República, entre brasileiros natos com mais de 35 e menos de 65 anos

de idade. Eles devem possuir notório saber jurídico e reputação ilibada.

Repare que não há formação de listas para a escolha do novo membro e tam-

bém não se fala em quinto constitucional.

Atendendo a regra dos freios e contrapesos (checks and balances) o nome in-

dicado pelo Presidente da República (Executivo) para ocupar uma cadeira no STF

(Judiciário) deverá ser aprovado pelo voto de maioria absoluta do Senado Federal

(Legislativo).

Fique atento(a), pois a aprovação do nome pelo Senado Federal acontecerá em

votação secreta, exceção à regra das votações abertas no Parlamento.

1.2. Competências do STF

É certo que o STF, órgão de cúpula do Poder Judiciário, tem a missão de ser o

guardião da Constituição Federal. A ele cabe interpretar a norma constitucio-

nal, dando-lhe os contornos e os limites.

Também em decorrência disso, o STF fará o controle concentrado de cons-

titucionalidade quando a ofensa se direcionar à Constituição Federal. Tratan-

do-se, no entanto, de violação à Constituição Estadual, caberá aos TJs realizar

o controle concentrado.

Aproveitando, lembro que o controle difuso pode ser feito por qualquer

Juiz ou Tribunal do País, o que obviamente também inclui o STF. Ou seja, o Tri-

bunal atuará nas duas frentes, como adiante se verá.


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Antes de verificarmos o rol de competências originárias e recursais do Supremo

Tribunal, lembro que elas deverão ser interpretadas restritivamente.

1.2.1. Competência Originária

O artigo 102, I, da Constituição diz que cabe ao STF, processar e julgar, ori-

ginariamente:

I – as ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) de lei ou ato normativo fe-

deral ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade (ADC) de lei ou ato

normativo federal;

Sempre digo que as ferramentas do controle concentrado são cinco, ca-

bendo em minha mão! Então, tome nota: ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI Inter-

ventiva.

No primeiro inciso, a Constituição trata de duas das ações: a ADI e a ADC. Não

é por acaso que elas estão juntas: fala-se que elas são ações de sinal trocado ou

efeito ambivalente.

Como assim?

Ora, a decisão em uma implica o contrário da outra. Exemplificando, quando

alguém ajuíza uma ADI, busca que a norma seja declarada inconstitucional. Se

ganhar, a norma é inconstitucional; se perder, foi confirmada a constitucionalidade.

Agora, raciocinando com a ADC, o objetivo do autor é espantar as dúvidas sobre

a validade da norma, confirmando sua constitucionalidade. Caso a ação seja julga-

da improcedente, isso significa que se declarou a inconstitucionalidade.

Avançando, eu chamo sua atenção para um detalhe: a ADI pode ser usada

para questionar a validade de normas federais e estaduais, além das dis-


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tritais de natureza estadual – a CLDF edita normas próprias dos Estados e dos

Municípios. Por exclusão, não cabe ADI para questionar normas municipais e

distritais de natureza municipal (STF, Súmula 642).

Já a ADC somente pode ser utilizada quando a norma acerca da qual

se quer confirmar a constitucionalidade for de natureza federal. Em outras

palavras, não caberá ADC para normas estaduais, distritais ou municipais.

Ah, mas eu citei serem cinco as ferramentas, lembra?

A terceira, a ADO, nada mais é do que a ADI. Acontece que a inconstituciona-

lidade pode surgir por ação (a norma existe e é inconstitucional) ou por omissão

(exatamente na falta da norma que está a inconstitucionalidade).

Então, assim como ocorre na ADI, a ADO também pode questionar omis-

sões relativas a normas federais, estaduais e distritais de natureza esta-

dual, mas não as municipais (e distritais de natureza municipal).

Por sua vez, a ADPF, nascida para proteger os preceitos fundamentais – concei-

to abstrato, que vem sendo moldado pelo STF ao longo dos anos –, tem espectro

bem mais amplo, podendo questionar normas federais, estaduais, distri-

tais e municipais, inclusive anteriores à Constituição em vigor (o que não

acontece com as outras ferramentas).

Ela (ADPF), no entanto, é regida pelo princípio da subsidiariedade. Isso implica

dizer que ela será cabível apenas se não houver, no controle concentrado, outro meio

capaz de sanar a lesão ao preceito fundamental tido por violado (STF, ADPF 266).

Avançando, há nove legitimados para o ajuizamento de quatro das cin-

co ações do controle concentrado (apenas a ADI Interventiva é o patinho feio,

como logo mais você verá).

Segundo o artigo 103 da Constituição, ADI, ADO, ADC e ADPF podem ser

propostas pelos seguintes legitimados: a) Presidente da República; b) Mesa

do Senado Federal; c) Mesa da Câmara dos Deputados; d) Mesa de Assembleia

Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF; e) Governador de Estado ou do DF;


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f) Procurador Geral da República (PGR); g) Conselho Federal da Ordem dos Advo-

gados do Brasil (OAB); h) Partido político com representação no Congresso; e i)

Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

Ah, os legitimados são divididos entre “universais” e “especiais”. Os especiais

precisariam demonstrar o seu interesse no caso, a chamada pertinência temática.

No grupo dos legitimados especiais entram os Governadores, as Mesas

das Assembleias (ou da CLDF) e também as confederações sindicais e as

entidades de classe de âmbito nacional.

Exemplificando a questão do interesse vou apresentar duas situações: na pri-

meira, o Estado de Goiás editou ato normativo estabelecendo que a alíquota de

ICMS de produtos vindos de todos os Estados seria de 10%, exceto a do DF, que

ficaria em 15%. Nesse caso, há interesse do DF em questionar a norma? Não há

dúvidas de que sim. Logo, há pertinência temática.

Já na segunda, imagine que uma Lei do Estado de Goiás conceda aumento

para os servidores da Polícia Civil daquele Estado. Nessa situação, há interesse por

parte de Minas Gerais em questionar a constitucionalidade da lei? Ao que parece,

não. Então, não está demonstrado o interesse (pertinência temática).

No caso dos legitimados universais (ou neutros), inexiste a necessidade de

comprovação da pertinência temática.

Por fim, a ADI Interventiva pode ser ajuizada pelo PGR – e apenas por

ele! – para proteger os princípios constitucionais sensíveis – artigo 34, VII,

da Constituição. Eles carregam esse nome, porque, se violados, autorizam a inter-

venção federal. Vale pontuar que tal medida é considerada drástica em uma Fede-

ração, uma vez que se afasta a autonomia de um Ente Federado.

Pronto! Tracei linhas gerais sobre as ações do controle concentrado a serem jul-

gadas pelo STF. É claro que o assunto é mais complexo, mas os outros pontos são

estudados dentro do controle de constitucionalidade. Minhas rápidas palavras aqui

foram usadas para dar um norte a você.


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II – nas infrações penais comuns:

a. Presidente e Vice-Presidente da República (Executivo)


b. membros do Congresso Nacional (Legislativo)
c. Ministros do STF (Judiciário)
d. Procurador-Geral da República (Ministério Público)

A primeira coisa que a gente precisa pontuar é que a expressão “infrações pe-
nais comuns” abrange os crimes eleitorais, militares e as contravenções penais
(STF, RCL 500).
Avançando, sei que os alunos têm uma grande dificuldade em lembrar qual o
órgão competente para julgar as diversas autoridades com foro especial na Cons-
tituição. Não é para menos, pois há um grande número de beneficiados e também
falta uma sistematização do texto.
Sempre associei as autoridades aí de cima como as do 1º Escalão da República!
Eu pensava assim: o pessoal do 1º escalão responde no STF por apenas um
crime, o comum.
Seguindo, no crime de responsabilidade (impeachment), a competência,
nesse caso, passa a ser do Senado Federal, como se vê no artigo 52, incisos I
e II, da Constituição.
Mas há uma ressalva: os Parlamentares se submetem a um regramento
diferente, uma vez que eles não respondem por crime de responsabilidade, mas,
sim, por quebra de decoro parlamentar, na respectiva Casa.
Fique de olho, pois o artigo 51, I, da Constituição exige autorização de 2/3
da Câmara dos Deputados para abrir processo contra o Presidente, o Vice
e os Ministros de Estado. Dada a autorização, a competência para julgamento
será do STF (crimes comuns) ou do Senado Federal (crimes de responsabilidade).
Aliás, basta prestar atenção ao noticiário para relembrar dessas regras. Nunca
antes na história desse país houve tanta movimentação do direito constitucional
aplicado à prática. Quando você pensar que está ruim para você, imagine a situa-
ção dos professores da disciplina...
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Um alerta: a competência originária do STF é para julgar crimes comuns, certo?

Logo, não é só porque há importantes autoridades da República no processo que a

competência será do STF.

Em outras palavras, o STF não será competente para o processo e o julgamento

de causas de natureza civil que não se achem inscritas no texto constitucional

(ações populares, ações civis públicas, ações cautelares, ações ordinárias, ações

declaratórias e medidas cautelares), mesmo que instauradas contra o Presi-

dente da República ou contra qualquer outra autoridade (STF, PET 1.738).

Tem uma exceção ao que falei aí em cima: quem julga ação de improbidade

administrativa contra Ministros do STF é o próprio Tribunal, para que não haja uma

subversão à ordem do sistema (STF, PET 3.211)

Outra coisa: se um processo começou na 1ª instância e, durante as investiga-

ções (exemplo, interceptações telefônicas), fortuitamente se descobriu o envolvi-

mento de autoridade com foro especial no STF, deve o juiz imediatamente remeter

os autos ao STF.

Ao contrário, ou seja, se ele continuar coletando provas relativas à autoridade

com foro especial, ocorrerá a usurpação de competência, contaminando a prova

colhida. Ah, se o juiz agir dentro do esperado (remessa dos autos ao STF), a prova

até ali produzida será mantida (STF, INQ 3.732).

Por fim, é importante lembrar que a orientação atual do STF é no sentido de

que, em regra, se houver mais de um réu e apenas alguns tiverem foro especial no

STF, ocorrerá o desmembramento. Ou seja, o STF vai julgar a autoridade com foro

e os demais investigados serão julgados na 1ª instância.

Mas há um detalhe que você precisa saber: exclusivamente o STF (nunca o Juiz

de 1º grau) pode dizer se é ou não caso de desmembramento. Ou seja, o certo é

mandar tudo para o STF e, se for o caso, ele devolve para a 1ª instância o julga-

mento das pessoas sem foro especial (STF, INQ 3.983).


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III – nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade:

a. Ministros de Estado e os Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica;


b. membros dos Tribunais Superiores (STJ, TSE, TST e STM);
c. membros do TCU;
d. chefes de missão diplomática de caráter permanente.

Aí em cima eu falei que as autoridades do 1º Escalão da República seriam jul-

gadas pelo STF por um crime (o crime comum), não foi?

Pois é, seguindo na sistematização, chegamos às autoridades do 2º escalão.

Aqui, a regra será a seguinte: as autoridades do 2º escalão serão julgadas no

STF por dois crimes, o comum e o de responsabilidade.

Se você não entendeu, pense aqui comigo: no Executivo, quem está abaixo do

Presidente e do Vice (1º escalão)? Os Ministros de Estado, certo?! Mais: no orga-

nograma do Judiciário, quem está abaixo do STF? Se você respondeu os Tribunais

Superiores, acertou.

Ah, considerando o que diz o artigo 73, § 3º, da Constituição, se os Ministros

do TCU têm os mesmos direitos e prerrogativas dos Ministros do STJ, eles também

devem ser julgados no STF pelos crimes comuns ou de responsabilidade.

Fazendo esse raciocínio, o único “estranho no ninho” para decorar seria o dis-

positivo que trata dos chefes de missão diplomática de caráter permanente, que

pouco cai em provas.

Em relação aos Ministros de Estado, algumas observações devem ser feitas: a)

se o crime de responsabilidade for praticado em conexão com o Presidente ou Vi-

ce-Presidente da República, os Ministros de Estado serão julgados pelo Senado Fe-

deral e não pelo STF; b) equiparam-se a Ministro de Estado o Presidente do Banco

Central e o Advogado-Geral da União (AGU), entre outras autoridades.

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Destaque-se que o AGU, embora seja equiparado a Ministro de Estado, possui

duas importantes distinções: a idade mínima para ocupar o cargo é de 35 anos,

enquanto para os outros Ministros de Estado se exige o mínimo de 21 anos. Além

disso, no crime de responsabilidade, estando ou não em conexão com o Presidente,

o AGU será julgado pelo Senado Federal (artigo 52, II, da Constituição).

IV – o habeas corpus, sendo paciente qualquer das pessoas anteriormente listadas e


o mandado de segurança e habeas data contra atos do Presidente da República, das
Mesas da Câmara e do Senado, do TCU, do PGR e do próprio STF;
V – os litígios (disputa processual) entre Estado estrangeiro ou organismo interna-
cional vs União, Estados, DF e Territórios;

Repare para o detalhe: se o conflito envolver município ou pessoa (natural ou

jurídica) domiciliada no país versus Estado estrangeiro ou organismo internacional,

a competência para julgamento será do juiz federal de 1ª instância – art.

109 da Constituição. E o recurso cabível contra a decisão proferida por esse juiz

federal será julgado pelo STJ – recurso ordinário, previsto no art. 105, II, da Cons-

tituição.

Do contrário, se a disputa envolver Estado Estrangeiro ou Organismo Internacio-

nal contra União, Estados, DF ou Territórios, o processo já começa direto no STF.

Ah, os outros países têm a chamada imunidade de jurisdição. Sabe o que isso

significa? É que não há a possibilidade de execução judicial contra Estados

estrangeiros, exceto na hipótese de expressa renúncia, por eles, a essa prerro-

gativa (STF, ACO 709).

VI – as causas e os conflitos entre a União e os Estados, a União e o DF, ou entre uns e


outros, inclusive as respectivas entidades da Administração Indireta;

Esse é o chamado conflito federativo. Vou exemplificar com uma hipótese de

concretização de tal competência originária:


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O IPVA é um tributo de competência estadual. Assim, buscando recolher IPVA

sobre os carros e motos pertencentes à Empresa de Correios e Telégrafos (ECT)

– empresa pública federal, os Estados ingressam com ação judicial diretamente

no STF.

Ah, sobre esse tema, o STF entende que os Correios possuem imunidade tribu-

tária recíproca, não precisando pagar o IPVA sobre seus veículos.

Tem mais: esse raciocínio vale tanto para as atividades prestadas em regime

de monopólio (entrega de correspondências gerais) quanto para a entrega de en-

comendas expressas (SEDEX), nas quais os Correios concorrem com empresas

privadas (FEDEX, TAM Cargo etc.).

Prevaleceu no STF a orientação segundo a qual a “vantagem” que os Correios

ganham ao não ser tributados serve para compensar os prejuízos que a empresa

toma dentro da entrega de correspondências (STF, ACO 765).

Avançando, preste atenção a outro ponto: o STF entendia ser o competente

para o julgamento de conflitos de atribuições envolvendo membros do Ministério

Público Federal x Ministério Público Estadual. Isso porque o MPF é um dos quatro

ramos do MPU (MPF, MPT, MPM e MPDFT).

Contudo, modificando seu posicionamento, o Tribunal transferiu para o Procura-

dor-Geral da República a competência para dirimir conflitos de atribuições entre os

membros do MP Federal x MP Estadual (STF, ACO 1.567). É certo que não faltaram

críticas à nova orientação, porque o membro do MP Estadual não possui nenhum

vínculo de subordinação ou hierarquia com o PGR, que chefia apenas o MPU.

Seja como for, nossa ideia aqui é dar subsídio para você resolver a sua prova,

de modo que os apontamentos aí de cima serão mais que suficientes.

Antes de seguir para a próxima competência originária, um lembrete: ao estu-

dar os remédios constitucionais, você viu que, em regra, não há foro especial para

o julgamento de ação popular.


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Entretanto, já naquele momento eu falei que se a ação popular envolvesse

sobre conflito federativo (exemplo: União x Estado; Estado x Estado; Estado x

DF), a competência para julgamento seria do STF, originariamente.

Foi o que aconteceu, a título de exemplo, com o processo envolvendo a demar-

cação da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, conflito que envolvia a União e o

Estado de Roraima (STF, PET 3.388). A mesma lógica vale também para a transpo-

sição do Rio São Francisco (STF, ACO 684).

VII – extradição solicitada por Estado estrangeiro.

O julgamento de extradição compete ao STF. Honestamente, não é tão difícil as-

sim lembrar, pois com razoável frequência você assiste pelo noticiário informações

envolvendo extradições julgadas pelo STF. Foi assim, por exemplo, no caso Cesare

Battisti (STF, EXT 1.085).

O que eu quero destacar para você é que a EC 45/2004 transferiu do STF

para o STJ a competência para julgamento de homologação de sentença

estrangeira e para a concessão de exequátur.

Ficou com dúvida sobre o que significa exequátur? Dê uma olhadinha nos co-

mentários que fiz lá na competência originária do STJ...

VIII – o habeas corpus, quando a autoridade coatora (impetrado) for Tribunal Superior
ou o paciente for autoridade ou funcionário cujos atos estejam sujeitos diretamente à
jurisdição do STF;
IX – a revisão criminal e a ação rescisória de seus próprios julgados.

Cada Tribunal julga suas próprias revisões criminais, ações rescisórias, manda-

dos de segurança e habeas data. Aqui vale o ditado popular, “roupa suja se lava

em casa”.

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Dentro dessa diretriz, uma ação rescisória contra decisão do STJ será julgada

pelo próprio STJ. Um mandado de segurança contra ato do TSE deve ser julgado

por esse Tribunal etc.

Então, cabe ao STF julgar as revisões criminais e as ações rescisórias quando o

questionamento recair sobre decisões da própria Corte.

X – a reclamação para a preservação de sua competência;

Muita atenção com o instituto da reclamação, devido à sua alta incidência nas

provas.

A primeira coisa a saber é qual sua natureza jurídica. Em outras palavras, o que

ela é para o Direito?

O STF entende que a reclamação tem natureza jurídica de direito de petição

(STF, ADI 2.212).

Avançando, a reclamação é usada para a) garantir a correta aplicação de uma

súmula vinculante; b) preservar a autoridade das decisões de um Tribunal; e c)

para preservar a competência de um Tribunal.

Mas cuidado com uma coisa: o STF entende que a reclamação só é cabível

quando a parte tiver esgotado todos os recursos ordinários na causa em que profe-

rido o ato supostamente contrário à autoridade de decisão do STF.

Exemplificando, numa situação em que o STF julgue recurso extraordinário (RE)

com repercussão geral, a decisão daí decorrente vincularia as demais esferas do

Judiciário. No entanto, caso um Tribunal de Justiça deixe de seguir a orientação

como deveria, teoricamente caberia a reclamação (eu disse teoricamente, pois,

como você viu, o Tribunal entende que a parte deveria seguir primeiro os caminhos

ordinários (passando pelos Tribunais abaixo dele primeiro).

A orientação é para evitar que haja uma inversão na pirâmide do organograma

do Judiciário, com o STF chamando para si assuntos que seriam de competência de

outras instâncias e dos Tribunais Superiores (STF, RCL 24.686).


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XI – a ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indireta-


mente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do Tribunal de
origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados;

Sobre o tema, é importante ficar atento(a) à Súmula 731/STF, segundo a qual

é de competência originária do STF saber se, em face da Lei Orgânica da Magistra-

tura (LOMAN), os juízes teriam direito à licença prêmio.

É também baseado neste dispositivo que está pendente no STF a análise sobre

o cabimento ou não de auxílio moradia para Juízes e para membros do MP.

XII – os conflitos de competência entre o STJ e quaisquer Tribunais, entre Tribunais


Superiores, ou entre estes e qualquer outro Tribunal;

Lá no item sobre o conflito federativo, falei sobre conflito de atribuições e, agora,

veremos sobre conflito de competência.

Vamos diferenciar os dois: o conflito de competências envolve, de ambos os

lados, órgãos do Judiciário. Podem ser dois Tribunais, dois juízes ou um Tribunal

versus um juiz.

Por sua vez, no conflito de atribuições, de um ou dois lados estão órgãos admi-

nistrativos. Assim, ficaria órgão administrativo x órgão administrativo (exemplo:

MPF x MPE) ou órgão administrativo x órgão judicial.

Tanto num quanto noutro caso o conflito pode ser positivo (ambos querem atu-

ar) ou negativo (ninguém quer atuar). Pense aí qual o que normalmente aconte-

ce... Costumo brincar que ninguém quer ser pai de menino feio... rsrs.

Sendo ainda mais claro, no conflito positivo de competência dois juízos se de-

claram ao mesmo tempo competentes, enquanto no negativo ambos se dizem in-

competentes para apreciar aquele caso.

Nesses vários anos como concurseiro e como professor de cursos preparatórios

já vi um montão de questões sobre o tema.


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Pensando nisso, tentei criar um “método” para ajudar você a responder às per-

guntas que aparecem principalmente nas provas objetivas.

Funciona assim: basta você pensar que o Judiciário é uma família. Isso porque

nas famílias também surgem (e muito) conflitos, que precisam ser resolvidos para

a convivência harmoniosa.

Então, haverá algumas diretrizes, como você pode ver abaixo:

1ª A regra básica para resolução de conflito de competência é encarar o Poder Judi-


ciário como uma grande família.
2ª O grande patriarca seria o STF. Ele só será incomodado se o conflito envolver um
de “seus filhos”. Ou seja, se um Tribunal Superior estiver na jogada. Exemplo: conflito
entre TST x STJ; STJ x TRT; TRE x STM etc.
3ª Entre “pai e filho” não há conflito, pois quem manda é o pai (ou a mãe)... Assim,
não existe conflito, por exemplo, entre STF x STJ; TST x TRT; TSE x TRE; STJ x TJ; STJ
x TRF.
4ª Quando o conflito envolver “irmãos”, o pai será chamado. Desse modo, conflito
entre TJGO x TJSP é resolvido pelo STJ; entre TRT/MG x TRT/DF é resolvido pelo TST;
entre TRF/1ª Região x TRF/2ª Região é resolvido pelo STJ.
5ª Se conflito envolver “filhos de pais diferentes” – primos ou tio/sobrinho –,
a competência será do STJ. Desse modo, conflito entre TJ x TRE; TRT x TRF; JD x
JF; Juiz do trabalho x Juiz Federal; TRF x JT; TRT x JE; TRE x JD serão todos resolvidos
pelo STJ.
6ª Conflito de competência entre Juiz Federal e Juiz de Juizado Especial Federal deve
ser resolvido pelo TRF e não mais pelo STJ (STF, RE 590.409). O mesmo raciocínio se
aplica na esfera estadual. Assim, conflito entre Juiz Estadual x Juiz de Juizado Especial
Estadual será dirimido pelo respectivo TJ.
7ª O CNJ nunca resolve conflito de competência (lembra que ele não tem jurisdi-
ção?!).

Voltando, após essa análise “rigorosamente científica”, o STF só julgará conflito

de competência se um dos Tribunais Superiores estiver envolvido.

Ah, se você não se lembrar de nada do que eu expliquei, marque que a compe-

tência será do STJ, pois você provavelmente vai acertar...

Aproveitando, lembro que atualmente o STF entende que compete ao PGR

julgar conflitos de atribuições entre membros do MP Federal x MP Estadual.

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XIII – o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for


atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputa-
dos, do Senado Federal, das Mesas dessas Casas legislativas, do TCU, de um dos Tribu-
nais Superiores, ou do próprio STF.
XIV – as ações contra o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra o Conselho
Nacional do Ministério Público (CNMP).

Todo cuidado é pouco com esse dispositivo, esquecido pelos alunos, mas muito

lembrado pelos Examinadores...

É o seguinte: quando o CNJ e o CNMP foram criados (EC 45/2004), atribuiu-se

ao STF a competência originária para julgar ações contra esses Conselhos. O pro-

blema é que começaram a chegar muitos processos...

Daí veio uma interpretação restritiva da parte do STF: o termo “ações” passou

a ser entendido como “ações constitucionais”, restringindo o acesso ao Tribunal

apenas para julgamento de Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Injunção e

Mandado de Segurança. Resumindo, ficariam os remédios constitucionais (HC, HD,

MI e MS).

Ou seja, não seria competência do STF julgar ações ordinárias contra o CNJ

(STF, AO 1.706).

O problema é que ainda continuou sendo grande o número de mandados de

segurança impetrados contra atos do CNJ, em especial.

Então, em nova interpretação restritiva, o Tribunal fixou a orientação segundo a

qual não cabe MS para o STF contra deliberação negativa do CNJ.

Você da sua casa se pergunta: “mas que diabo é deliberação negativa?”

Espere aí que eu já explico: deliberação negativa é aquela que não muda

o entendimento do órgão de origem.

Exemplificando, se um candidato questiona decisão proferida pelo Tribunal de

Justiça do Estado X acerca da forma de contagem de títulos para um concurso de

Tabelião, o CNJ pode manter o que foi decidido pelo Tribunal ou modificar.
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Sendo mantida a decisão, não caberia MS para o STF, pois nesse caso a delibe-

ração foi negativa (não inovou, não alterou).

Do contrário, se o CNJ modifica a forma de contagem de pontos, será possível

que alguém se sinta prejudicado e submeta a questão ao STF, por meio de MS, pois

teríamos uma deliberação positiva.

Surge, então, outra pergunta: sendo caso de deliberação negativa, o que o pre-

judicado poderia fazer?

Pois bem, nessa situação, caberá MS, a ser julgado pelo Tribunal de origem. Em

outras palavras, o pedido do candidato se voltará contra aquela primeira decisão

que lhe negou o pedido de contagem de títulos na forma em que esperava.

A decisão no MS julgado pelo TJ poderia ser questionada via recurso ordinário

em mandado de segurança (ROMS), a ser apreciado pelo STJ. A partir daí, haven-

do violação à Constituição Federal, talvez seja cabível a interposição de recurso

extraordinário (RE) para o STF, caso se ultrapassem os filtros para a interposição

desse recurso.

Ou seja, a ideia é sempre restringir as hipóteses de julgamento pelo STF, já tão

assoberbado pelos processos que chegam aos montes naquela Corte.

Mas, se você lembra bem, eu avisei que essa era a chave do sucesso lá no co-

mecinho de nossa conversa sobre a competência dos Tribunais...

Vamos partir para analisar as competências recursais do STF.

1.2.2. Competência Recursal

Se na competência originária o processo começava no STF, a competência re-

cursal é aquela na qual a ação se iniciou em outro local e depois chegou ao Tribunal.

A competência recursal do STF se manifesta por meio de dois instrumentos: o

recurso ordinário (RO) e o recurso extraordinário (RE).


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Ao contrário do que você possa imaginar, esses recursos não vêm apenas de

Tribunais Superiores. Eles podem vir de um Tribunal de 2ª instância ou até mesmo

lá da 1ª instância, subindo direto para o STF.

Eu digo isso, porque, quando iniciei minha “carreira de concurseiro”, eu olhava

para o organograma do Judiciário e imaginava que o processo caminhava “de ca-

sinha em casinha” até chegar lá em cima. Quando me dei conta que, às vezes, ele

“pulava casinha”, vi que as dificuldades seriam maiores do que eu imaginava...

Vou começar pelo recurso ordinário, ok? Depois a gente segue para o recurso

extraordinário...

1.2.2.1. Recurso Ordinário (RO)

De acordo com o artigo 102, inciso II, da Constituição, cabe ao STF julgar, em

recurso ordinário (RO):

I – os habeas corpus (HC), mandados de segurança (MS), habeas data (HD) e os man-
dados de injunção (MI) decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, se
denegatória a decisão;

Dois pontos para chamar sua atenção: primeiro, que dos remédios constitucio-
nais, só faltou a ação popular. Então, a lista contempla os quatro restantes, que são
o HC e o HD, o MS e o MI – prefiro organizar de dois em dois pelas letras iniciais.
O segundo ponto de destaque é que o RO só cabe contra decisões denegatórias,
ou seja, aquelas que indeferem o pedido da parte dentro do remédio constitucional.
Nesse contexto, caso, por exemplo, o STJ conceda um HC não será cabível a
interposição de recurso ordinário (RO). Poderá a parte prejudicada interpor recurso
extraordinário (RE), caso preencha uma das hipóteses previstas no art. 102, III,

do texto constitucional.

II – o crime político.
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Lembra quando falei que, às vezes, o processo começava na 1ª instância e su-

bia direto para o STF? Olha isso acontecendo agora...

O julgamento de crimes políticos se inicia perante a Justiça Federal de 1º grau

– art. 109 da Constituição. Se a parte quiser interpor recurso, deverá usar o RO,

a ser julgado diretamente pelo STF, sem passar pelo TRF ou pelo STJ. Em outras

palavras, o processo vai “pular casinhas” no organograma do Judiciário.

1.2.2.2. Recurso Extraordinário (RE)

O recurso principal do STF, sem dúvidas, é o RE. Também por isso ele é muito

mais citado nas provas.

Segundo o artigo 102, III, da Constituição, caberá ao STF julgar, em recurso

extraordinário (RE), as causas decididas em única ou última instância, quando a

decisão recorrida:

I – contrariar dispositivo da Constituição Federal;


II – declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
III – julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face da Constituição Federal;
IV – julgar válida lei local contestada em face de lei federal.

Os incisos I a III não geram muitas controvérsias, pois ou se fala na Constitui-

ção Federal (I e III) ou se fala em declaração de inconstitucionalidade. Em outras

palavras, você mataria a questão com mais facilidade, até porque sabe que o STF é

o guardião da Constituição e que ele constantemente declara inconstitucionalidade

das normas.

O problema maior está no inciso IV. Deixe-me explicar: até a EC 45/2004, cabia

ao STJ, por meio de recurso especial (RESP), julgar a validade de lei local contes-

tada contra lei federal.


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E por qual razão a competência passou para o STF?

É que, se uma lei estadual está em confronto com uma lei federal, a briga, na

verdade, gira em torno da repartição de competências, tema tratado a partir do

artigo 21 da Constituição (aquele tema que você adora... sqn!).

Então, no fundo, uma das normas acabará sendo declarada inconstitucional, por

invadir competência própria da outra.

Se isso não pareceu fácil para você, lembre que o próprio Constituinte de 1988

errou, colocando para o STJ julgar o recurso.

Ah, o STF entendeu que, com a promulgação da EC 45/2004, os processos em

curso deveriam ser, desde logo, remetidos ao novo órgão competente.

Em razão disso, os recursos especiais que tratavam de lei local x lei federal pas-

saram a ser julgados pelo STF dentro do RE. Em contrapartida, as homologações de

sentença estrangeira e a concessão do exequátur (que saíram do STF e passaram

a ser da competência do STJ), foram encaminhadas do STF para o STJ.

Tem mais umas coisinhas... na verdade, ao menos duas súmulas do STF preci-

sam ser explicadas. Veja:

A regra é de que o RE deve ser interposto no prazo de quinze dias úteis,

segundo o Código de Processo Civil (CPC). Contudo, será de apenas três dias o

prazo quando o RE se voltar contra decisão do TSE, sendo que a contagem

se inicia a partir da publicação do acórdão, na própria sessão de julgamento (STF,

Súmula 728).

Se o TJ deferir, por meio de acórdão (decisão colegiada), a intervenção

do estado em um município, a referida decisão não poderá ser questionada

por meio de RE (STF, Súmula 637). Isso em razão da autonomia do ente federado.

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1.2.3. Repercussão Geral

A partir da EC n. 45/2004 foi criado um novo requisito de admissibilidade do

recurso extraordinário: a parte recorrente precisa demonstrar a repercussão

geral das questões constitucionais discutidas no caso.

A demonstração de repercussão geral funciona como um filtro, evitando que o

STF julgue processos que não tenham importância (os famosos casos de briga de

vizinhos por conta de papagaio, entre outros...).

O instituto da repercussão geral foi regulamentado pela Lei n. 11.418/2006 e,

num primeiro momento, foi inserido nos artigos 543-A e 543-B do Código de Proces-

so Civil de 1.973, revogado no ano de 2015, pela Lei n. 13.105/2015 (“Novo CPC”).

No Novo CPC, o instituto foi mais bem destrinchado em seu artigo 1.035, ca-

bendo aqui destacar que a parte deverá, na petição do RE, demonstrar que o seu

recurso possui questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou

jurídico (para gravar mais fácil, eu sempre associava à sigla JEPS).

Seguindo, o próprio CPC reconhece a existência de repercussão geral quando o

recurso se voltar contra acórdão (decisão colegiada) que contrariar súmula ou ju-

risprudência dominante do STF ou ainda que tenha reconhecido a inconstitucionali-

dade de tratado ou de lei federal, nos termos do artigo 97 da Constituição (cláusula

de reserva de plenário) – artigo 1.035, § 3º.

Os demais detalhes da repercussão geral eu acredito que não devam ser trata-

dos neste momento, pois estão mais ligados ao direito processual civil...

1.2.4. Súmulas Vinculantes

As súmulas são orientações que os Tribunais emitem a respeito do que enten-

dem a respeito de determinadas matérias. Elas podem ser emitidas por todos os

Tribunais. Nas provas, as mais importantes são as editadas pelo STF e pelo STJ.
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Se o concurso também cobrar direito do trabalho e processual do trabalho, as

Súmulas do TST e as Orientações Jurisprudenciais (OJs) emitidas por esse Tribunal

também serão de especial importância para a sua prova!

Pois bem.

A EC 45/2004 introduziu no ordenamento jurídico brasileiro a figura da súmula

vinculante. Ela se assemelha ao instituto do “stare decisis”, originário do direito

norte-americano.

Na Constituição, a matéria é tratada no artigo 103-A. Ela também foi regula-

mentada pelo legislador, com a edição da Lei n. 11.417/2006.

Seguindo, o STF poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de

2/3 (dois terços) de seus membros, aprovar súmula que, a partir de sua publi-

cação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos

do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal,

estadual e municipal.

Vou decompor as informações que estão no parágrafo aí cima, ok?

Primeira coisa: a súmula pode ser proposta, revista ou cancelada, tanto pelo

próprio STF, (agindo de ofício) quanto pelos legitimados para o ajuizamento da

ação direta de inconstitucionalidade (ADI) – artigo 103 da Constituição.

O rol de legitimados definido na Constituição foi ampliado pela Lei n.

11.417/2006, que introduziu, por exemplo, os Tribunais Superiores e os de 2ª

instância.

Fique atento(a) para um ponto muitíssimo importante para as provas: caso

não concorde com o teor da súmula vinculante, o legitimado deverá se

valer do instrumento próprio, chamado de pedido de revisão ou de cance-

lamento, não sendo cabível o ajuizamento de ação direta de inconstitucio-

nalidade ou de qualquer outra ferramenta do controle concentrado (nem mesmo

a arguição por descumprimento a preceito fundamental – STF, ADPF 147)

nem tampouco o recurso extraordinário (STF, PET 4.556).


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Ah, para que seu pedido (de revisão ou de cancelamento) seja admitido, o autor

deverá demonstrar que houve a) mudança na legislação; b) alteração na jurispru-

dência do STF; ou c) alguma modificação concreta no panorama que evidencie a

necessidade do pedido.

Em outras palavras, o mero inconformismo com o teor da súmula vinculante não

autoriza o acolhimento da proposta.

Exemplificando, a Confederação Brasileira dos Trabalhadores Policiais

Civis (COBRAPOL) ingressou com pedido de revisão/cancelamento da Súmula

Vinculante n. 11, que trata do uso de algemas. Contudo, o STF não conheceu do

pedido, porque não foi demonstrada nenhuma das três hipóteses aí de cima (STF,

PSV 13).

Avançando, é bom dizer que o quorum de 2/3 dos votos equivale a 8 Ministros,

sendo exigido tanto para a edição, quanto para a revisão e o cancelamento da

súmula.

Outra coisa é a necessidade de delimitar quem será atingido pela Sú-

mula, ficando a ela vinculado.

Quanto ao Poder Judiciário, note que o texto constitucional fala em “demais

órgãos”, o que exclui da vinculação o próprio STF. Também pudera, porque o Tribu-

nal é o responsável por rever ou cancelar a súmula, lembra?!

No Poder Executivo, a vinculação é, como se diz lá na Paraíba, de cabo a rabo.

Em outras palavras, alcança todas as esferas de governo (federal, estadual, distri-

tal e municipal), sem distinção entre Administração Direta ou Indireta.

É no Poder Legislativo que sua atenção deve ser redobrada... isso porque na

função típica de legislar não há vinculação!

Com efeito, se a atividade legislativa ficasse vinculada, haveria uma fragiliza-

ção no sistema dos freios e contrapesos. Então, nada impede que o legislador atue

dentro de sua missão constitucional, podendo, inclusive, editar normas contrárias

ao texto da súmula vinculante.


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Mas atenção! Nas funções atípicas o Legislativo deverá respeitar o co-

mando da súmula, ficando a ele vinculado. Quer um exemplo para você não

esquecer?

Pois bem. A Súmula Vinculante 13, que trata da proibição da prática popular-

mente chamada de nepotismo, vale também para o Legislativo. Isso se deve ao

fato de a contratação de pessoal estar inserida dentro da atividade de administrar,

atípica para o Legislativo.

Aliás, essa ideia – de não vinculação do Legislativo na função típica de legislar

– também vale para as decisões no controle concentrado.

Ou seja, as decisões do STF em ADI, ADC, ADO e ADPF, embora sejam dota-

das de efeito vinculante, não impedirão a edição de norma em sentido contrário.

A eventual vinculação conduziria ao fenômeno da fossilização da Constituição.

Ah, a Súmula começa a valer a partir da data de sua publicação na imprensa

oficial.

Outra coisa: suponhamos que uma súmula vinculante deixe de ser aplicada

quando deveria ou ainda seja aplicada quando não deveria. O que fazer nesse caso?

Nessa hipótese, abre-se a possibilidade de a parte usar a reclamação.

Mas, como você viu lá em meus comentários sobre a competência originária do

STF (especificamente quanto à reclamação), o STF entende que a reclamação só

é cabível quando a parte tiver esgotado todos os recursos ordinários na causa em

que proferido o ato supostamente contrário à autoridade da Súmula Vinculante.

A orientação é para evitar que haja uma inversão na pirâmide do organograma

do Judiciário, com o STF chamando para si assuntos que seriam de competência de

outras instâncias e dos Tribunais Superiores (STF, RCL 14.343).

Tem mais: a reclamação não pode ser usada quando se alegar desrespei-

to à súmula do STF que não seja vinculante, viu (STF, RCL 3.284).
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2. Conselho Nacional de Justiça

Eu não tenho medo de dizer que o CNJ é o assunto do Judiciário mais

explorado pelas Bancas Examinadoras.

Então, é claro que você deve ficar de olhos bem abertos, né?!

Vamos lá!

O CNJ foi criado pela EC 45/2004, sendo o órgão competente fazer o con-

trole da atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, além de

zelar pelo cumprimento dos deveres funcionais de seus membros (e não

dos servidores, repare).

Desde o nascimento, o CNJ despertou uma série de polêmicas. A primeira era

para saber sobre sua constitucionalidade. O STF entendeu que, sim, o Conselho é

compatível com a Constituição.

Além disso, você deve ficar ligado(a), pois frequentemente ouvimos que o CNJ é

um órgão de controle externo. Nada disso! Ele faz o controle interno do Poder

Judiciário, tanto que está na lista de órgãos do Judiciário, previsto no artigo 92 da

Constituição.

Um detalhe importante: o controle feito pelo CNJ recai sobre quase todos

os órgãos do Judiciário. Isso porque ele alcança a Justiça da União e a Estadual,

não importando se comum (federal e estadual) ou especializada (trabalhista, elei-

toral e militar).

Opa, eu falei quase todos... Pois é, porque o STF e os seus Ministros não são

controlados pelo CNJ. Na verdade, é o contrário que acontece, pois em muitos

casos caberá ao STF rever os atos e decisões do CNJ.

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2.1 Composição e Atribuições

O CNJ é composto de quinze membros, sendo que a maior parte (nove) é

de membros oriundos do Poder Judiciário. Os outros seis virão do Ministério Públi-

co (dois), de representantes da OAB (dois) e de cidadãos (dois), sedo um indicado

pela Câmara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.

A EC 61/2009 especificou que o Conselho será presidido pelo Presidente

do STF.

A modificação foi necessária, porque no texto anterior constava apenas que o

CNJ seria presidido por um Ministro indicado pelo STF. Na prática, o CNJ passava

alguns meses sendo presidido por outro Ministro, que não o Presidente do STF, pois

os mandatos (ambos de dois anos) não eram coincidentes.

Agora, deixando a questão mais clara, o Presidente do STF preside também o

CNJ e, em suas ausências, ele será substituído pelo Vice-Presidente do STF.

Outra inovação trazida pela EC 61/2009 foi a retirada dos limites etários exigi-

dos para a participação no CNJ. Agora, não há mais idade mínima ou máxima,

antes fixadas, respectivamente, em 35 e 66 anos.

Já que do Tribunal mais importante (STF) saiu o Presidente, caberá ao Minis-

tro indicado pelo STJ a função de Corregedor do CNJ. Durante o exercício do

mandato, esse Ministro não participa da distribuição de processos no Tribunal.

Cada membro exercerá mandato de dois anos, admitida uma recondução.

Fica de fora dessa regra o Presidente. Isso porque ele exercerá o cargo enquanto

permanecer na Presidência do STF, seja qual for o prazo.

Há também a previsão de que o PGR e o Presidente do Conselho Federal da

OAB oficiarão perante o CNJ. A ausência de uma dessas autoridades, no entan-

to, não invalida as decisões proferidas (STF, MS 25.879).

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Vejamos a composição de maneira detalhada:

Composição do CNJ
01 Presidente do STF → presidirá o Conselho
01 Ministro do STJ → atuará como Corregedor Indicado pelo STJ
01 Ministro do TST Indicado pelo TST
01 Desembargador de TJ Indicados pelo STF
01 Juiz Estadual (1ª instância) (o braço estadual fica com o STF)

01 Juiz de TRF (2ª instância) Indicados pelo STJ


01 Juiz Federal (o braço federal fica com o STJ)

01 Juiz de TRT (2ª instância) Indicados pelo TST


01 Juiz do Trabalho (o braço trabalhista fica com o TST)

01 Membro do MPU Indicado pelo PGR


Membro do MP dos Estados, escolhido dentre
01 os indicados pelo órgão competente de cada MP Escolhido pelo PGR
estadual
Indicados pelo Conselho Federal
02 Advogados
da OAB
Indicados:
Cidadãos (notório saber jurídico + reputação ili-
02 um pelo Senado Federal
bada)
um pela Câmara dos Deputados

Vou repetir aqui algo que já falei ali em cima, ao tratar do STF: a Constituição

diz que cabe originariamente ao STF julgar as ações contra o Conselho Na-

cional de Justiça (CNJ) e contra o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

No entanto, adotando uma interpretação restritiva, o STF entendeu que o ter-

mo “ações” abrangia somente as “ações constitucionais”. Em outras palavras,

restringiu-se o acesso ao Tribunal apenas para julgamento dos remédios constitu-

cionais (HC, HD, MI e MS).

O problema é que ainda continuou sendo grande o número de mandados de

segurança impetrados contra atos do CNJ, em especial.

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Então, em nova interpretação restritiva, o Tribunal fixou a orientação segundo a

qual não cabe MS para o STF contra deliberação negativa do CNJ.

Você da sua casa se pergunta: “mas que diacho é deliberação negativa?”

Espere aí que eu já explico: deliberação negativa é aquela que não muda

o entendimento do órgão de origem.

Exemplificando, se um candidato questiona decisão proferida pelo Tribunal de

Justiça do Estado X acerca da forma de contagem de títulos para um concurso de

Tabelião, o CNJ pode manter o que foi decidido pelo Tribunal ou modificar.

Sendo mantida a decisão, não caberia MS para o STF, pois nesse caso a delibe-

ração foi negativa (não inovou, não alterou).

Do contrário, se o CNJ modifica a forma de contagem de pontos, será possível

que alguém se sinta prejudicado e submeta a questão ao STF, por meio de MS, pois

teríamos uma deliberação positiva.

Surge, então, outra pergunta: sendo caso de deliberação negativa, o que o pre-

judicado poderia fazer?

Pois bem, nessa situação, caberá MS, a ser julgado pelo Tribunal de origem. Em

outras palavras, o pedido do candidato se voltará contra aquela primeira decisão

que lhe negou o pedido de contagem de títulos na forma em que esperava.

A decisão no MS julgada pelo TJ poderia ser questionada via recurso ordinário

em mandado de segurança (ROMS), a ser apreciado pelo STJ. A partir daí, haven-

do violação à Constituição Federal, talvez seja cabível a interposição de recurso

extraordinário (RE) para o STF, caso se ultrapassem os filtros para a interposição

desse recurso.

Ou seja, a ideia é sempre restringir as hipóteses de julgamento pelo STF, já tão

assoberbado pelos processos que chegam aos montes naquela Corte.

Mas, se você lembra bem, eu avisei que essa era a chave do sucesso lá no co-

mecinho de nossa conversa sobre a competência dos Tribunais...


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Seguindo em frente, o § 4º do artigo 103-B da Constituição prevê que, além de

outras atribuições que possam ser previstas pelo Estatuto da Magistratura, caberia

ao CNJ:

I – zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magis-


tratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou
recomendar providências;
II – zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação,
a legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do
Poder Judiciário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se
adotem as providências necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo
da competência do Tribunal de Contas da União;
III – receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder
Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores
de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficia-
lizados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais,
podendo avocar processos disciplinares em curso e determinar a remoção, a
disponibilidade ou a aposentadoria com subsídios ou proventos proporcionais
ao tempo de serviço e aplicar outras sanções administrativas, assegurada ampla
defesa;
IV – representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública
ou de abuso de autoridade;
V – rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juí-
zes e membros de tribunais julgados há menos de um ano;
VI – elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolata-
das, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário;
VII – elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre
a situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar
mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso
Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa.

Pois bem. Vou fazer algumas ponderações rápidas sobre as atribuições de maior

destaque e maior incidência nas provas.

Acerca do que consta no inciso I, tanto o CNJ quanto o CNMP podem editar atos

regulamentares, muitas vezes na forma de resolução. Elas – as resoluções – terão

status de ato normativo primário, por retirarem sua força normativa diretamente

da Constituição.

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Em outras palavras, na “Pirâmide de Kelsen”, as resoluções estarão situadas no

mesmo patamar hierárquico das leis ordinárias e complementares, ficando abaixo

da Constituição, das emendas à Constituição e das normas supralegais.

Aliás, exatamente por serem considerados atos normativos primários é que as

resoluções podem ser questionadas via ADI (ou as outras ferramentas do controle

concentrado). Foi por essa razão que se ajuizou ADI questionando a legitimidade

da resolução nascida no CNJ e que acabou dando ensejo à edição da Súmula Vin-

culante 13, que veda a prática do nepotismo em toda a Administração.

Partindo para o que consta no inciso II, lembro que o CNJ não pode fazer con-

trole de constitucionalidade, seja difuso ou concentrado (STF, MS 28.872).

Contudo, em decisão de bastante relevância para as provas, o STF entendeu que o

CNJ pode deixar de aplicar norma que entenda ser inconstitucional.

O caso julgado envolvia uma determinação dada pelo CNJ para que um TJ exo-

nerasse servidores nomeados sem concurso público para cargos em comissão que

não se amoldavam às atribuições de direção, chefia ou assessoramento.

Frisou-se que a decisão do CNJ não configuraria controle de constitucionalidade,

sendo exercício de controle da validade dos atos administrativos do Poder

Judiciário (STF, PET 4656/PB).

Já no inciso III se fala da possibilidade de o CNJ aplicar penalidades aos Ma-

gistrados – lembre que tal hipótese não se estenderia ao STF ou aos seus Minis-

tros. Dentro desse contexto, a única punição que não pode ser aplicada pelo

CNJ é a demissão. Isso porque ela depende de decisão judicial transitada

em julgado.

As demais, como remoção, disponibilidade e aposentadoria compulsória com

proventos proporcionais podem ser impostas na via administrativa, seja por ato do

próprio Tribunal ao qual o Magistrado está vinculado, seja pelo CNJ.


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Ah, é importante destacar que a atuação do CNJ não é subsidiária, mas,

sim, concorrente. Isso autoriza a que ele apure independentemente da ação da

Corregedoria do Tribunal de origem. (STF, MS 28.620).

Outro dispositivo exaustivamente cobrado pelas bancas examinadoras é o inciso

V, que trata da possibilidade de o CNJ rever os processos disciplinares de Magistra-

dos julgados há menos de um ano.

Dentro da premissa de que a atuação da Corregedoria do Tribunal não impede

a atuação do CNJ, seja concomitante, seja posterior, é assegurada ao Conselho a

atribuição de rever os PADs que tenham tramitado internamente. A deflagração do

processo pode ocorrer por iniciativa do próprio Conselho ou mediante provocação

de algum interessado.

3. Superior Tribunal de Justiça

O STJ foi criado pela Constituição de 1988, nascendo da necessidade de desa-

fogar o STF, que antes era competente para cuidar tanto da matéria constitucional,

quanto da infraconstitucional.

Sua missão principal é zelar pela correta aplicação da legislação federal e evitar

decisões conflitantes entre os Tribunais de todo o Brasil.

Assim, posso fazer um paralelo dizendo que o STF é o guardião da Constitui-

ção Federal e que o STJ é o guardião da lei federal.

Antes de 1988, havia um TFR (Tribunal Federal de Recursos). Não confunda com

os TRFs, hein? Eles também foram criados com a Constituição atual.

Então, a Constituição, de uma só tacada, extinguiu o TRF e criou o STJ e os

cinco TRFs.

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3.1. Composição

Lá na parte das disposições gerais eu falei sobre a regra do quinto constitu-

cional. Ele existe em quatro Tribunais: TST, TRT, TRF e TJ.

No STJ, por sua vez, o que a gente tem é o terço constitucional. Como assim?

Veja só: o artigo 104 da Constituição prevê que o STJ será composto de, no

mínimo, 33 Ministros, sendo assim escolhidos:

• 1/3 (um terço) entre Desembargadores dos TJs;

• 1/3 (um terço) entre Desembargadores dos TRFs;

• 1/3 (um terço), em partes iguais, entre advogados e membros do Minis-

tério Público, alternadamente.

Algumas ponderações... a primeira, no sentido de que a Constituição chamou os

Desembargadores Federais de “Juízes de TRF”. Então, cuidado para não confundir

Juiz Federal (1ª instância) com Juiz de TRF (2ª instância). Aliás, se pode complicar,

para que facilitar... seria tão mais fácil, se tivessem chamado de Desembargadores

Federais...

Outra coisa: os membros da OAB e do MP não foram quinto constitucional por-

que, como você viu, eles ficam com um terço das vagas. Ah, sei que, na matemá-

tica, 1/3 dividido por dois dá 1/6. Só que isso é na matemática...

Falo assim porque em provas não é correta a afirmação de que cada classe (OAB

e MP) ficaria com 1/6 das vagas por uma simples razão: a metade de 11 Ministros

(1/3) não resulta num número inteiro (5,5). O que aconteceria com meio Ministro?

Então, na prática, há uma vaga rotativa, de modo que em uma hora a OAB tem

6 membros e o MP tem cinco. Depois, eles vão alternando.

Tem mais um detalhe: a Constituição diz que o STJ terá, no mínimo, 33 Minis-

tros, certo? Então, é possível a ampliação desse número sem a necessidade de EC,

bastando a edição de lei ordinária.


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Vou explicar agora como funciona o preenchimento da vaga.

É o seguinte: quando a vaga for de membro oriundo do TJ ou TRF, os

Ministros do STJ (Tribunal Pleno) elaborarão uma lista contendo o nome de três

candidatos (lista tríplice) e encaminharão ao Presidente da República, para que

ele escolha um dos nomes.

De outro lado, tratando-se de vaga pertencente ao terço constitucional (MP ou

OAB), a respectiva classe elaborará uma lista contendo o nome de seis candidatos

(lista sêxtupla). Ela é enviada para o STJ e os Ministros (Tribunal Pleno) esco-

lherão três nomes. Daí, a nova lista (agora tríplice) é enviada ao Presidente da

República, para que ele escolha um dos nomes.

Após escolher o nome, o Presidente submete-o ao Senado Federal, para que

este possa aprovar/desaprovar a escolha. Para ser aprovado, o candidato deve ob-

ter voto favorável da maioria absoluta dos membros.

Fique atento, pois, antes da EC 45/2004, a aprovação do nome se dava por de-

cisão de maioria simples dos Senadores. Agora, a maioria simples só existe para a

escolha de Ministros civis do STM e para os Ministros escolhidos pelo Presidente da

República no TCU.

Uma indagação: pode o STJ não escolher nenhum dos nomes constan-

tes na lista encaminhada pelo órgão de classe?

Você viu que, recebida a lista sêxtupla advinda do órgão de origem (MP ou

OAB), o STJ deverá (ou deveria) proceder à votação, reduzindo-a para tríplice.

No entanto, pode acontecer de nenhum dos candidatos receber a maioria abso-

luta de votos, ocasião em que a lista será devolvida ao respectivo órgão.

Isso aconteceu na prática! Em uma situação, durante a votação, vários ministros

votaram em branco. Ao receber a comunicação de não escolha, a OAB impetrou

mandado de segurança, alegando possuir direito líquido e certo ao conhecimento

das razões que conduziram à rejeição dos candidatos.


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Ao julgar esse mandado de segurança, a Corte Especial do STJ denegou a or-

dem. Na ocasião, afirmou a inexistência de direito líquido e certo. Mais do que

isso: disse que a votação dos ministros era sigilosa e baseada na livre convicção

(STJ, MS 13.532).

É claro que a OAB não gostou nada disso e entrou com recurso ordinário (ROMS).

Ao julgá-lo, o STF rejeitou a alegação da OAB, mantendo a ideia de que não há

necessidade de o Tribunal motivar a recusa (STF, ROMS 27.920).

Pronto! Agora que você já viu a composição e a forma de escolha dos Ministros,

é hora de enfrentar as competências do STJ, divididas em originárias e recursais.

3.2. Competência Originária

Eu já disse isso lá no STF e repito aqui: competência originária significa que o

processo “nasce” no STJ. Já a competência recursal indica que o processo “chegou”

ao STJ.

Dito isso, veja que o artigo 105, I, da Constituição diz competir originariamente

ao STJ processar e julgar:

I – nos crimes comuns, os governadores dos estados e do DF;

Todo cuidado do mundo é importante aqui! É porque a competência para jul-

gamento de governadores é um verdadeiro campo minado para as provas!

Eu sei que também já falei isso, mas lembro que a expressão “crimes comuns”

abrange os crimes eleitorais, os crimes militares e as contravenções penais (STF,

RCL 511).

Diferentemente do que aconteceu com o Vice-Presidente, que também é julga-

do pelo STF nos crimes comuns (assim como o Presidente), a Constituição Fede-

ral não deu ao STJ a missão de julgar o Vice-Governador.


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O Vice-Governador será julgado pelo Tribunal de Justiça, ainda que tenha prati-

cado a infração quando estava no exercício (interino) do cargo de Governador (STJ,

RCL 980).

A única hipótese de o Vice ser julgado no STJ é se ele praticar infração conexa

com alguma autoridade com foro especial nesse Tribunal e, ainda assim, se não for

feito o desmembramento (que hoje é a regra!).

Agora vem a cereja do bolo: em 2017, o STF mudou um ponto que era pací-

fico na sua jurisprudência... é que o Tribunal entendia que a regra da Constituição

que prevê a necessidade de autorização do Legislativo para a abertura de processo

contra o Presidente da República (artigo 51, I) também deveria ser estendida aos

Governadores.

Contudo, a partir da modificação, não há mais necessidade de autorização

da Assembleia Legislativa (CLDF) para a abertura de processo contra os

Governadores (STF, ADI 5.540).

Tem mais: se a Constituição Estadual falar na necessidade de autoriza-

ção, tal dispositivo será inconstitucional (STF, ADI 4.797).

Ah, as medidas cautelares – inclusive a prisão preventiva e o afastamento

do cargo –, deverão ser decididos fundamentadamente pelo STJ. Ou seja, o afas-

tamento do cargo não acontecerá automaticamente com o recebimento da

denúncia.

Não há dúvidas de que pesaram na mudança de orientação do STF dois fatos:

a) envolvimento de vários Governadores de Estado nas delações feitas no âmbito

da Operação Lava Jato; e b) desde a instalação do STJ, em cinquenta e duas

oportunidades, o Tribunal solicitou junto às Assembleias Legislativas autorização

para processar Governadores. Desse total, houve quinze negativas e apenas um

caso de deferimento. Em outras trinta e seis ocasiões, a Casa Legislativa sequer

respondeu ao STJ.
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Em outras palavras, o ambiente de profundo escárnio e impunidade acabou

ensejando a mudança na orientação. Repetindo, hoje, a necessidade de autori-

zação vale apenas para o Presidente da República.

Avançando, nos crimes de responsabilidade (impeachment), os Governa-

dores são julgados por um Tribunal Especial, previsto na Lei n. 1.079/1950, e

não pelas Assembleias Legislativas.

A composição desse Tribunal especial é regulada pelo artigo 78, § 3º, da Lei n.

1.079/1950. O dispositivo prevê cinco Desembargadores do TJ, cinco Deputados

Estaduais (ou Distritais) e o Presidente do TJ.

“Aragonê, e se a Constituição Estadual trouxer previsão diversa, dizen-

do que o Governador será julgado pela Assembleia Legislativa (ou CLDF)

no crime de responsabilidade (impeachment)?”

Simples, meu (minha) amigo(a)! Se isso acontecer, a norma estadual será

inconstitucional, uma vez que ela invadirá a competência da União para legislar

sobre direito processual (artigo 22, I, da Constituição).

Esse assunto é tão relevante que ele era tratado por meio da Súmula 722/

STF. Para dar ainda mais força ao entendimento, o Tribunal editou a Súmula Vin-

culante 46, que diz em sua redação que “a definição dos crimes de responsa-

bilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julga-

mento são de competência legislativa privativa da União”.

Mas a complexidade do julgamento de governadores não parou por aqui! É, meu

(minha) amigo(a), o inferno tem subsolo...

Deixe-me falar: tem um ponto que tira o sossego de muitos concurseiros:

estou falando do julgamento de agentes políticos por atos previstos na lei

de improbidade administrativa – LIA.

Nesse ponto, há dois questionamentos fundamentais: 1 a incidência – ou

não – da LIA para as autoridades sujeitas aos crimes de responsabilidade;

2 em caso resposta positiva no primeiro caso, a quem caberia o julgamento.


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Há alguns anos, no STF houve um julgamento que pontuava a não incidência

da LIA às autoridades submetidas à Lei n. 1.079/1950. Usava-se, inclusive,

uma “frase de sucesso”: “quem vai por responsabilidade não vai por improbidade”

(STF, RCL 2.138).

Hoje não é mais assim!

Ao contrário! O STF e o STJ entendem que os agentes políticos estão sub-

metidos à dupla responsabilização: eles podem responder tanto ao regime de

responsabilização política, mediante impeachment (Lei n. 1.079/1950), quanto por

ato de improbidade administrativa, previsto na LIA (STF, AC 3.585).

Ainda, se considerado o possível cometimento também de crime comum,

poderíamos falar em tripla responsabilização.

É exatamente o que acontece com os governadores! Eles podem responder

por crimes comuns (perante o STJ), por crime de responsabilidade (no Tribu-

nal Especial previsto na Lei n. 1.079/1950) e também por ação de improbidade

administrativa, na 1ª instância (STJ, AgRg na RCL 12.514).

Os agentes políticos (Governadores, Parlamentares, Ministros de Tribunais, Pre-

feitos) também se submetem à Lei de Improbidade Administrativa – LIA.

Ah, para que haja a prisão preventiva de governador já não era necessária a

autorização da Casa Legislativa, como entendeu o STF no caso envolvendo o então

Governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (Operação Caixa de Pandora

– STF, HC 102.732).

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II – nos crimes comuns e nos de responsabilidade, os desembargadores dos TJs e


os membros dos Tribunais de 2ª instância (TRF, TRT e TRE);
III – nos crimes comuns e nos de responsabilidade, os membros de Tribunais de Contas
Estaduais, Municipais e Distrital;

Veja que todos os membros do Judiciário que atuam em Tribunais de 2ª instân-

cia (TJ, TRF, TRT e TRE) são julgados no STJ pelos dois crimes (comuns + respon-

sabilidade).

Quanto aos Tribunais de Contas, a competência do STJ fica para TCE, TCDF e

TCM (onde houver). Só ficam de fora os Ministros do TCU, que são julgados no STF

pelos dois crimes (comuns + responsabilidade).

IV – nos crimes comuns e nos de responsabilidade, os membros do MPU que


atuem perante Tribunais (2ª instância e Tribunais Superiores);

Talvez um detalhe tenha passado sem que você tenha percebido: é que o STJ

só julga os Membros do Ministério Público da União, que atuem perante

Tribunais!

Logo, os membros do MP Estadual não serão julgados no STJ, pouco im-

portando se atuam ou não perante Tribunais.

Daí você me pergunta a quem compete julgá-los...

Deixe-me explicar: é do Tribunal de Justiça a competência para julgar os

membros do Ministério Público Estadual nos crimes comuns e de responsabili-

dade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.

Isso vale para Promotores de Justiça (1ª instância), Procuradores de Justiça (2ª

instância) e também para o chefe da instituição, o Procurador-Geral de Justiça – PGJ.

Ou seja, fica mais mole do que sopa de minhoca, pois, se for perguntado sobre

o MP Estadual, basta colocar o TJ como competente (ressalvada, sempre, a compe-

tência da Justiça Eleitoral).

Agora quanto aos membros do MPU é a hora que a porca torce o rabo...
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Antes de detalhar as regras, eu lembro que o MPU possui quatro ramos, a

saber: MP Federal; MP do Trabalho; MP Militar; e MPDFT.

Veja como fica:

1. O PGR, chefe da instituição, será julgado, nos crimes comuns, pelo STF e, nos

crimes de responsabilidade, pelo Senado.

2. Os membros do MPU que atuem perante Tribunais (de 2ª instância ou Supe-

riores) serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo STJ.

3. Os membros do MPU que atuam na primeira instância serão julgados, nos

crimes comuns + responsabilidade, pelo respectivo TRF (sempre ressalvada

a competência da Justiça Eleitoral).

Cuidado com uma particularidade: os membros do MPDFT recebem o mesmo

nome dos membros do MP Estadual. Ou seja, temos Promotores de Justiça, Procu-

radores de Justiça e o Procurador-Geral de Justiça.

E, embora o TJDFT também seja organizado e mantido pela União, o STF, invo-

cando o princípio da especialidade, entendeu que não cabe ao TJ julgá-los. Em ou-

tras palavras, os membros de nenhum dos ramos do MPU serão julgados pelos TJs.

Dito isso, eles serão julgados pelo TRF (Promotores de Justiça) ou pelo STJ (Pro-

curadores de Justiça e o Procurador Geral de Justiça (STF, RE 418.852).

Para facilitar sua visualização usarei o seguinte quadro esquemático:

Foro para julgamento de membros do Ministério Público


Ministério Público Estadual Ministério Público da União
Em crime comum TJ Em crime comum STF
PGJ Em crime de res- PGR Em crime de respon- Senado
TJ (STF, ADI 541)
ponsabilidade sabilidade Federal
Se atuar em 2ª Se atuar em tribunal
TJ, exceto crime eleitoral STJ
instância (2ª instância ou superior)
Se atuar em 1ª TRF, exceto
TJ, exceto crime eleitoral Se atuar na 1ª instância
instância crime eleitoral

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O STJ não é competente para processar e julgar ato dos Presidentes do Supe-

rior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e da Confederação Brasileira de Futebol

(CBF), pois o artigo 105 deve ser interpretado restritivamente (STF, ROMS 26.413).

V – os habeas corpus quando o coator ou paciente for Governador, Desembargador de


TJ, membros do TCE, TCDF, TRF, TRT, TRE, Conselho ou TCM, e os do MPU que oficiem
perante tribunais, ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro de
Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a com-
petência da Justiça Eleitoral;

Se o Ministro de Estado ou Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica forem

os pacientes – ou seja, se forem eles que estiverem sofrendo violação ao direito

de locomoção –, a competência para julgar o HC será do STF (artigo 102, I, d).

VI – os mandados de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado,


de Comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica ou do próprio STJ;

Fique de olho num ponto importante: o STJ julga MS contra Ministro de Estado,

mas não será o competente para julgar o MS se o remédio se voltar contra um ór-

gão colegiado presidido por Ministro de Estado.

Exemplificando, se a pessoa quiser impetrar um MS contra ato do COAF (Conse-

lho de Controle de Atividades Financeiras), que é presidido pelo Ministro de Estado

da Fazenda, não deverá bater às portas do STJ, mas, sim, da 1ª instância (STJ,

Súmula 177).

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VII – os conflitos de competência entre quaisquer Tribunais, bem como entre


Tribunal e juízes a ele não vinculados, e entre juízes vinculados a Tribunais
diversos;

Lá na competência originária do STF eu fiz alguns comentários que vou repetir

aqui, ok?

O conflito de competência envolve dois órgãos jurisdicionais (Tribunal x Tribu-

nal; juiz x juiz; Tribunal x juiz) e pode ser positivo (ambos querem atuar) ou nega-

tivo (ninguém quer atuar). Pense aí qual o que normalmente acontece... Costumo

brincar que ninguém quer ser pai de menino feio... rsrs.

Sendo ainda mais claro, no conflito positivo de competência dois juízos se de-

claram ao mesmo tempo competentes, enquanto no negativo ambos se dizem in-

competentes para apreciar aquele caso.

Nesses vários anos como concurseiro e como professor de cursos preparatórios

já vi um montão de questões sobre o tema.

Pensando nisso, tentei criar um “método” para ajudar você a responder às per-

guntas que aparecem principalmente nas provas objetivas.

Funciona assim: basta você pensar que o Judiciário é uma família. Isso porque

nas famílias também surgem (e muito) conflitos, que precisam ser resolvidos para

a convivência harmoniosa.

Então, haverá algumas diretrizes, como você poder abaixo:

1ª A regra básica para resolução de conflito de competência é encarar o Poder Judi-


ciário como uma grande família.
2ª O grande patriarca seria o STF. Ele só será incomodado se o conflito envolver um
de “seus filhos”. Ou seja, se um Tribunal Superior estiver na jogada. Exemplo: conflito
entre TST x STJ; STJ x TRT; TRE x STM etc.
3ª Entre ‘pai e filho’ não há conflito, pois quem manda é o pai (ou a mãe)... Assim, não
existe conflito, por exemplo, entre STF x STJ; TST x TRT; TSE x TRE; STJ x TJ; STJ x TRF.
4ª Quando o conflito envolver ‘irmãos’, o pai será chamado. Desse modo, conflito entre
TJGO x TJSP é resolvido pelo STJ; entre TRT/MG x TRT/DF é resolvido pelo TST; entre
TRF/1ª Região x TRF/2ª Região é resolvido pelo STJ.

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5ª Se conflito envolver ‘filhos de pais diferentes’ – primos ou tio/sobrinho –,


a competência será do STJ. Desse modo, conflito entre TJ x TRE; TRT x TRF; JD x
JF; Juiz do trabalho x Juiz Federal; TRF x JT; TRT x JE; TRE x JD serão todos resolvidos
pelo STJ.
6ª Conflito de competência entre Juiz Federal e Juiz de Juizado Especial Federal deve
ser resolvido pelo TRF e não mais pelo STJ (STF, RE 590.409). O mesmo raciocínio se
aplica na esfera estadual. Assim, conflito entre Juiz Estadual x Juiz de Juizado Especial
Estadual será dirimido pelo respectivo TJ.
7ª O CNJ nunca resolve conflito de competência (lembra que ele não tem jurisdi-
ção?!).

Voltando, após essa análise “rigorosamente científica”, o STF só julgará conflito

de competência se um dos Tribunais Superiores estiver envolvido.

Ah, se você não se lembrar de nada do que eu expliquei, marque que a compe-

tência será do STJ, pois você provavelmente vai acertar...

Eu digo isso porque, muitas vezes, quando não houver muita lógica (exemplo:

conflito entre TRE x TRT), a competência ficará para o STJ, diante da amplitude

da expressão constitucional “entre quaisquer Tribunais, bem como entre Tribunal e

juízes a ele não vinculados, e entre juízes vinculados a Tribunais diversos”.

Aproveitando, lembro que, atualmente, o STF entende que compete ao PGR

julgar conflitos de atribuições entre membros do MP Federal x MP Estadual.

VIII – as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados;

Vou repetir mais uma vez algo que já falei lá na competência originária do STF:

cada Tribunal julga suas próprias revisões criminais, ações rescisórias, mandados de

segurança e habeas data. Aqui vale o ditado popular, “roupa suja se lava em casa”.

Dentro dessa diretriz, uma ação rescisória contra decisão do STF será julgada

pelo próprio STF. Um mandado de segurança contra ato do TSE deve ser julgado

por esse Tribunal etc.

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Então, cabe ao STJ julgar as revisões criminais e as ações rescisórias quando o

questionamento recair sobre decisões da própria Corte.

Aproveitando, vou conceituar, em linhas gerais, os dois instrumentos: revisão

criminal é uma ação que o réu pode ajuizar, para lhe beneficiar, após o trânsito

em julgado da condenação. Já a ação rescisória é uma ação que pode ser ajuizada

após o trânsito em julgado da ação, em matérias que não a criminal (exemplo:

temas cíveis e trabalhistas).

IX – a homologação de sentença estrangeira e a concessão de exequátur;

A EC 45/2004 transferiu do STF para o STJ a competência para julga-

mento de homologação de sentença estrangeira e para a concessão de

exequátur.

Aliás, é hora de explicar o que é o “exequátur”: ele é a ordem de “cumpra-se”

dada pelo Estado brasileiro, autorizando que seja cumprida uma decisão proferida

em outro País.

Exemplificando, considere um caso em que a Justiça norte-americana pretende

executar dívida para cumprimento de obrigação contraída naquele País. Quem faz

o controle sobre a compatibilidade da ordem com o nosso ordenamento jurídico é

o STJ.

Estando tudo ok, o STJ concede o exequátur, ou seja, manda que seja cumprida

a ordem. Fique esperto, pois o STJ não cumpre o exequátur. Essa tarefa caberá ao

Juiz Federal de 1ª Instância (artigo 109 da Constituição).

X – reclamação para preservação de sua competência e garantia da autoridade de suas


decisões;

A reclamação é utilizada quando a decisão proferida pelo STJ está sendo deso-

bedecida por outra autoridade (administrativa ou judicial).


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Exemplificando, suponhamos que uma pessoa impetre um HC e consiga a or-

dem para ser colocado em liberdade. Nessa situação, o STJ comunica ao Juiz de

primeiro grau para que ele dê cumprimento à decisão.

Você pode até pensar que isso não acontece, mas nos doze anos que estive

no STJ vi a cena se repetir inúmeras vezes... Ao receber a comunicação, o Juiz

deixa de cumprir a ordem, alegando, por exemplo, que aquele é o pior criminoso

da cidade...

Nesse caso, deverá o advogado do réu ajuizar reclamação no STJ, noticiando o

descumprimento.

XI – os mandados de injunção quando a elaboração da norma for atribuição de órgão,


entidade ou autoridade federal, da Administração direta ou indireta, não submetida ao
STF, justiça militar, justiça federal, justiça eleitoral ou justiça do trabalho.

Note que será excepcional o cabimento do MI no STJ, pois ele atuará apenas na

ausência de competência do STF ou dos órgãos ali enumerados.

3.3. Competências Recursais

Você viu que o STF, dentro de sua competência recursal, julgará o recurso

extraordinário (RE) e recurso ordinário (RO).

O STJ igualmente tem competências recursais. Elas são exercidas por intermé-

dio do recurso especial (RESP) e também do recurso ordinário (RO).

Então, fique de olho, pois tanto o STF quanto o STJ julgarão recursos ordinários.

A diferença fica por conta das hipóteses de cabimento, claro.

Na teoria, apenas o STF julga o RE e apenas o STJ julga o RESP.

Aragonê, por que você disse na teoria?

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É o seguinte: chegou ao STF um caso em que determinada pessoa interpôs

recurso especial (RESP) junto ao STJ contra uma decisão proferida pelo TRF/4ª

Região.

E por qual razão chegou ao STF, já que o RESP foi interposto perante o STJ?

Isso aconteceu por que o cidadão depois foi diplomado deputado federal. Como

você viu nas competências originárias do STF, é dele a competência para julgar

membros do Congresso Nacional nos crimes comuns.

Logo, o recurso, que estava pendente de julgamento no STJ, passou para ser

julgado pelo STF. Pasmem! O STF julgou o recurso especial nesse caso (STJ, RE

696.533).

Aliás, idêntico raciocínio autoriza o STF a julgar apelação contra sentença de 1ª

grau proferida contra pessoa que, entre a prolação de sentença e o julgamento da

apelação se torna Deputado Federal (STF, APN 563).

3.3.1. Recurso Ordinário (RO)

Cabe ao STJ julgar, em recurso ordinário

I – os habeas corpus e mandados de segurança decididos em única ou última ins-


tância pelos TRFs ou TJs, quando a decisão for denegatória (desfavorável);

Quando a gente conversou sobre a competência recursal do STF, você viu caber

RO contra decisão do STJ, STM, TSE ou TST quando a decisão em HC, HD, MS

e MI tiver sido desfavorável. Ou seja, são quatro Tribunais e quatro remédios.

Eu digo que é a regra do quatro-quatro, dois-dois... Como assim?

Se você pensar no organograma do Judiciário, os quatro Tribunais Superiores

são os “filhos” do STF. Seguindo a mesma linha de raciocínio, os “filhos” do STJ

seriam o TJ e o TRF, certo?


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Se você prestou atenção no que falei, a parte do quatro-quatro contava com

4 Tribunais e 4 remédios constitucionais. Por outro lado, no dois-dois serão

2 Tribunais e 2 remédios. Os dois Tribunais você já sabe quais são (TJ e TRF).

Para saber quais os dois remédios constitucionais, basta fechar o olho e pensar

quais são os dois mais importantes. Não tenho dúvidas de que você pensará no HC

e no MS.

Então, caberá RO para o STJ, quando a decisão do TJ ou do TRF negarem HC

ou MS, ok?

Note-se que somente será cabível o recurso ordinário quando a decisão tiver

sido desfavorável.

Tratando-se de decisão favorável – exemplo: TJ concede habeas corpus –, não

será caso de RO. Se for a hipótese, a parte prejudicada deve interpor recurso espe-

cial ou recurso extraordinário, caso estejam presentes as hipóteses autorizadoras

de um desses recursos.

II – as causas em que forem partes Estado estrangeiro ou organismo internacio-


nal, de um lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no país;

Fique atento(a) para um diferencial importante: os processos que envolvem Es-

tado Estrangeiro ou Organismo Internacional podem começar diretamente no STF

ou no Juiz Federal de primeiro grau.

O que define se a causa será julgada lá em cima (STF) ou lá embaixo (JF de 1º

grau) é quem está do outro lado...

Se for a União, os Estados, o Distrito Federal ou os Territórios, a competência

será do STF. Por outro lado, se envolver pessoa (natural ou jurídica) ou Município,

o julgamento do caso caberá ao Juiz Federal de 1º grau.

Nesse último caso (EE ou OI x Pessoa ou Município), quem quiser recorrer

deve ir ao STJ usando um RO.


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Vamos sistematizar?

EE ou OI contra U, E, DF e T >>> julgamento no STF


EE ou OI contra Pessoa ou M > julgamento pelo Juiz Federal, com RO para o STJ

3.3.2. Recurso Especial (RESP)

O RESP é o recurso principal do STJ. É por meio dele se exerce a missão do

Tribunal, de ser o guardião da aplicação uniforme da lei federal em todo o

território nacional.

Quando eu falo em “recurso principal”, basta você pensar que já foi rompida há

muito tempo a barreira de um milhão de RESPs. Pra você poder comparar, o ROHC

e o ROMS, somados, devem estar na casa dos cem mil...

Seguindo em frente, caberá ao STJ julgar, em recurso especial, as causas

decididas em única ou última instância pelos TRFs ou TJs, quando a decisão

recorrida:

I – contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;

Aqui uma observação deve ser feita! Quando a Constituição foi promulgada

sempre se falava que tratado internacional tinha hierarquia equivalente a lei or-

dinária.

Ainda hoje tal afirmação é válida, desde que o tratado internacional não verse

sobre direitos humanos (TIDH). Isso porque os TIDH poderão ser equiparados

às ECs se forem aprovados em dois turnos de votação, por 3/5 dos votos, na Câ-

mara dos Deputados e no Senado Federal.

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Além disso, caso não sejam aprovados nesse ritual específico, os TIDH terão

força supralegal, ou seja, estarão situados acima das leis, mas abaixo da Consti-

tuição (STF, RE 466.343).

Desse modo, o STJ não julgará o RESP quando o tratado internacional

versar sobre direitos humanos e tiver sido aprovado no rito especial (equi-

valente ao das ECs).

Permanecem no STJ os recursos especiais interpostos contra decisão de TJ

ou de TRF quando se contrariar ou se negar vigência aos tratados internacionais

gerais e aqueles que, versando sobre direitos humanos, não tiverem sido

aprovados no ritual especial.

É o que acontece com o Pacto de San José da Costa Rica, internalizado ao di-

reito brasileiro no ano de 1992, quando sequer havia o § 3º do artigo 5º da Cons-

tituição, o qual trata da equivalência de TIDH com rito especial às ECs (STJ, RESP

1.640.084).

II – julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;

Antes da EC 45/2004, nesse dispositivo constava “julgar válida lei ou ato de

governo local contestado em face de lei federal.”

Agora, cabe ao STF, mediante recurso extraordinário (RE), julgar a validade de

lei local contestada em face de lei federal.

A modificação é justificada, pois o confronto entre lei local versus lei federal in-

dica estarmos diante de disputa própria da repartição constitucional de compe-

tências. Assim, a norma elaborada por um deles será inconstitucional. Daí se ex-

plica o cabimento do recurso extraordinário (RE), e não do recurso especial (RESP).

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III – der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro Tribunal.

Vou explicar o terceiro inciso com um exemplo: suponha que o TJRS tenha o

entendimento X sobre um tema, enquanto o TJSP entenda da maneira Y, menos

favorável ao réu.

Nesse caso, pode uma pessoa condenada pelo TJSP submeter a questão ao STJ,

buscando ser agraciado com o mesmo tratamento conferido pelo TJRS. Dentro de

sua função de uniformizar a aplicação da lei federal em todo o País, o STJ irá julgar

o RESP, orientando qual a direção a ser seguida naquelas situações.

Pronto! Agora que já expliquei as três hipóteses de cabimento do RESP, é hora

de avançar sobre outros pontos sensíveis.

Você viu que cabe RESP contra decisões proferidas pelo TJ ou pelo TRF. Assim,

não cabe recurso especial (RESP) contra decisão de turma recursal de jui-

zado especial (Súmula 203/STJ) ou contra decisão de juiz de 1ª instância.

Uma pergunta: decisão de turma recursal de juizado especial que contra-

rie o entendimento do STJ pode ser combatida por meio de algum recurso?

Acabamos de ver que não será cabível o uso do recurso especial, tema inclusive

sumulado (e muito cobrado nas provas).

Nesse caso, deve ser feita a seguinte diferenciação:

1. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial estadual:

a lei dos juizados especiais estaduais – Lei n. 9.099/1995 – não prevê a existên-

cia de turma de uniformização de jurisprudência. Em razão disso, não haveria como

se combater a decisão proferida pela turma recursal (ressalvado o cabimento do RE

por violação à Constituição ou a impetração do HC e do MS).

Por conta dessa falta de recurso próprio, o STF, num primeiro momento, firmou

a compreensão de que, se a decisão de turma recursal de juizado especial estadu-

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al contrariar a jurisprudência do STJ, será cabível reclamação para este tribunal

(STJ) – (STF, RE 571.572).

Regulamentando a reclamação, o STJ editou a Resolução n. 12/2009. Contudo,

no ano de 2016, diante do excessivo número de reclamações que chegavam ao

Tribunal contra decisões das Turmas Recursais Estaduais, o STJ editou outro ato

normativo.

Pois é, atualmente, segundo a Resolução n. 3/2016 (já na vigência do Novo

CPC), entende-se que a parte que se sentir prejudicada com a decisão de

Turma Recursal de Juizado Estadual deve ingressar com reclamação no

próprio TJ. Ou seja, o STJ empurrou esse abacaxi para o TJ descascar...

Então, sistematizando, caberá reclamação para o TJ Estadual (ou TJDFT) quan-

do a decisão da Turma Recursal de Juizado Estadual contrariar jurisprudência do

STJ que esteja consolidada em: a) incidente de assunção de competência; b) in-

cidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR); c) julgamento de recurso

especial repetitivo; d) enunciados das Súmulas do STJ; e) precedentes do STJ.

2. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial federal:

a Lei n. 10.259/2001, que trata dos juizados especiais federais, trouxe um proce-

dimento próprio para tratar da questão.

Segundo seu artigo 14, a parte que se sentir prejudicada com a decisão da

Turma Recursal de Juizado Federal poderá formular pedido de uniformização de

jurisprudência para a Turma Regional de Uniformização de Jurisprudência

(TRU). Daí, caberá nova pedido para a Turma Nacional de Uniformização de

Jurisprudência (TNU). Se a orientação acolhida pela Turma de Uniformização

contrariar súmula ou jurisprudência dominante no STJ, a parte interessada po-

derá provocar a manifestação deste (STJ), que dirimirá a divergência. Repito:

a provocação do STJ não será feita por meio de recurso especial (STJ, Súmula 203).
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3. decisão é proveniente de turma recursal de juizado especial da Fa-

zenda Pública: a Lei n. 12.153/2009, que trata dos juizados especiais da Fazenda

Pública, também prevê a possibilidade de a questão ser submetida ao STJ, nas

hipóteses de contrariedade a Súmulas do STJ, ou mesmo para uniformizar a orien-

tação nas Turmas Estaduais.

Ou seja, em linhas gerais, o procedimento se assemelha àquele usado pela Lei

n. 10.259/2001. Há diferenças, mas elas não interessam ao objetivo deste traba-

lho, porque caem em concursos muito específicos.

3.4. Conselho da Justiça Federal (CJF) e Escola Nacional de


Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM)

Não vá trocar as bolas! Nada de confundir o CJF com o CNJ, que é o queri-

dinho das Bancas Examinadoras!

Veja que o Conselho da Justiça Federal – CJF – funciona junto ao STJ e ao Con-

selho cabe a tarefa de exercer a Supervisão Administrativa e Orçamentária da

Justiça Federal de 1º e 2º graus.

Voltando para as diferenças, o CNJ foi criado com a EC 45/2004, competindo-

-lhe “exercer o Controle da Atuação Administrativa e Financeira do Poder

Judiciário e do cumprimento dos deveres funcionais dos juízes”.

Já o CJF foi criado pela Lei n. 5.010/1966. No entanto, só em 1988 passou

a ser tratado dentro da Constituição, ligado ao STJ.

Vou apresentar um quadro pra facilitar a sua compreensão:

Diferenças entre Conselho Nacional de Justiça e Conselho da Justiça Federal


Critérios Conselho Nacional Conselho da
diferenciadores de Justiça – CNJ Justiça Federal – CJF

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Lei n. 5.010/1966, estando na


Quando foi criado EC 45/2004
CF/1988 desde a promulgação
Quem preside Presidente do STF Presidente do STJ
Exercer o controle da atuação
Exercer a supervisão adminis-
administrativa e financeira do
Competência trativa e orçamentária da Justiça
Poder Judiciário e do cumprimento
Federal de 1º e 2º graus
dos deveres funcionais dos juízes.

Quanto à Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados – EN-

FAM, sua criação também se deu com a EC 45/2004, cabendo-lhe a regulamenta-

ção dos cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira.

Assim como o CJF, quem preside a ENFAM é o Presidente do STJ.

4. Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais

Os Tribunais Regionais Federais – TRFs – foram criados pela Constituição de


1988, juntamente com o STJ. Eles funcionam como segunda instância no âmbito
da Justiça Federal.
Atualmente, existem cinco TRFs, divididos em diferentes regiões (TRF/1ª Re-
gião, TRF/2ª Região etc.).
É bem verdade que a EC 73/2013 criou outros quatro TRFs (6ª a 9ª Re-
gião), que deveriam ser instalados no prazo de 6 meses contado da promulgação
da alteração.
Acontece que a ampliação no número de TRFs foi suspensa por meio de
decisão do então Presidente do STF, proferida no período de recesso forense
(STF, ADI 5.017). Então, na prática, continuam funcionando apenas os cinco TRFs
criados na Constituição de 1988.
Então, você já sabe que deve ficar de olho no julgamento definitivo sobre o
tema, né? Ah, o fundamento usado pelo Ministro Joaquim Barbosa para suspender
a aplicação da norma foi possível vício de iniciativa, ao argumento de que tal pro-
posta deveria ter nascido do Poder Judiciário.
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Aguardemos as cenas dos próximos capítulos, mas acredito que esse funda-
mento se revela frágil, uma vez que no âmbito federal não há iniciativa priva-
tiva para a propositura de PEC. E mais: ainda que houvesse, o Judiciário não
está entre os legitimados, que são (i) o Presidente da República; (ii) um terço da
Câmara dos Deputados; (iii) um terço do Senado Federal e (iv) mais da metade das
Assembleias Legislativas reunidas pelo voto de maioria relativa de cada uma delas.
Se não bastasse, no ano de 2016 o STF afastou alegação semelhante, de
vício de iniciativa, quanto à EC 74/2013 que estendeu à Defensoria Pública da

União e à Defensoria Pública do Distrito Federal a autonomia administrativa, finan-

ceira e orçamentária que havia sido dada às Defensorias Estaduais na EC 45/2004

(STF, ADI 5.296).

Vamos em frente!

Não se pode confundir TRF com TFR. Esse último se chamava Tribunal Federal

de Recursos e foi extinto pela Constituição de 1988. Suas atribuições passaram a

ser distribuídas entre o STJ e o próprio TRF.

4.1. Composição

De acordo com o artigo 107 da Constituição, os TRFs serão compostos de, no

mínimo, sete juízes, que devem ser recrutados, quando possível, na respectiva

região e serão nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com mais

de 30 e menos de 65 anos.

Se você reparou na palavra em sublinhado, viu que nela consta a palavra juízes,

e não Desembargadores. Isso acontece porque a Constituição chamou os Membros

da Justiça Federal de 1ª instância de juiz federal e os de 2ª instância de juiz de Tri-


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bunal Regional Federal – na prática, os Desembargadores Federais.

Não sei se você lembra, mas também nos TRFs há a regra do quinto cons-

titucional (ela vale no TST, nos TRTs, nos TRFs e nos TJs). Assim, 1/5 das vagas

serão preenchidas por advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profis-

sional e membros do Ministério Público Federal com mais de dez anos de carreira.

Os demais membros devem ser juízes federais de carreira, com mais de cinco

anos de exercício, promovidos, alternadamente, por antiguidade e merecimento.

A Constituição ainda previu que tanto os TRFs e os TRTs quanto os TJs

devem instalar a justiça itinerante, com a realização de audiências e demais

funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respectiva jurisdição,

servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

Desse modo, para melhor atender aos jurisdicionados, alcançando os locais

mais distantes, a EC 45/2004 estabeleceu que os TRFs poderão funcionar des-

centralizadamente, constituindo Câmaras Regionais, a fim de assegurar o ple-

no acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

4.2. Competência Originária dos TRFs

Os TRFs também acumulam competências originárias e recursais.

Vou começar com as originárias. Cabe ao TRF processar e julgar, origina-

riamente:

I – os juízes federais da área de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da


Justiça do Trabalho, nos crimes comuns e nos de responsabilidade, e os membros
do Ministério Público da União, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral;

Os juízes estaduais e os membros do MP Estadual são julgados nos Tri-

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bunais de Justiça nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a compe-

tência da justiça Eleitoral.

Já os Juízes Federais, Militares e do Trabalho, ou seja, os que integram o Poder

Judiciário da União serão julgados pelo TRF nos mesmos crimes.

Quanto aos juízes do Distrito Federal, a competência será do TJDFT, assim como

acontece na esfera estadual.

Agora quanto aos membros do MPU é a hora que a porca torce o rabo...

Antes de detalhar as regras, eu lembro que o MPU possui quatro ramos, a

saber: MP Federal; MP do Trabalho; MP Militar; e MPDFT.

Veja como fica:

1. O PGR, chefe da instituição, será julgado, nos crimes comuns, pelo STF e, nos

crimes de responsabilidade, pelo Senado.

2. Os membros do MPU que atuem perante Tribunais (de 2ª instância ou Supe-

riores) serão julgados, nos crimes comuns + responsabilidade, pelo STJ.

3. Os membros do MPU que atuam na primeira instância serão julgados, nos

crimes comuns + responsabilidade, pelo respectivo TRF (sempre ressalvada

a competência da Justiça Eleitoral).

Cuidado com uma particularidade: os membros do MPDFT recebem o mesmo

nome dos membros do MP Estadual. Ou seja, temos Promotores de Justiça, Procu-

radores de Justiça e o Procurador-Geral de Justiça.

E, embora o TJDFT também seja organizado e mantido pela União, o STF, in-

vocando o princípio da especialidade, entendeu que não cabe ao TJ julgar os

membros do MPDFT. Em outras palavras, os membros de nenhum dos ramos do

MPU serão julgados pelos TJs.

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Dito isso, eles serão julgados pelo TRF (Promotores de Justiça) ou pelo STJ (Pro-

curadores de Justiça e o Procurador Geral de Justiça (STF, RE 418.852).

Para facilitar sua visualização usarei o seguinte quadro esquemático:

Foro para julgamento de membros do Ministério Público


Ministério Público Estadual Ministério Público da União
Em crime
TJ Em crime comum STF
comum
PGJ PGR
Em crime de TJ (STF, ADI Em crime de respon- Senado
responsabilidade 541) sabilidade Federal
Se atuar em TJ, exceto Se atuar em tribunal
STJ
2ª instância crime eleitoral (2ª instância ou superior)
Se atuar em TJ, exceto TRF, exceto
Se atuar na 1ª instância
1ª instância crime eleitoral crime eleitoral

II – as revisões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou dos juízes federais


da região;
III – os mandados de segurança e os habeas data contra ato do próprio Tribunal ou de
juiz federal;
IV – os habeas corpus, quando a autoridade coatora for juiz federal;
V – os conflitos de competência entre juízes federais vinculados ao Tribunal;

Se o conflito envolver juízes forem vinculados a Tribunais diversos – exemplo:

conflito entre Juiz vinculado ao TRF/1ª Região x Juiz vinculado ao TRF/2ª Região – o

conflito será julgado pelo STJ.

Ah, conflito entre Juiz Federal x Juiz de Juizado Especial Federal da mesma re-

gião serão julgados pelo TRF daquela região.

4.3. Competência Recursal dos TRFs

Cabe aos TRFs julgar, em grau de recurso, as causas decididas pelos juízes fe-

derais e pelos juízes estaduais no exercício da competência federal da área de sua


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jurisdição.

Como assim, decididos pelos juízes estaduais?

É que a Justiça Federal não chega a todas as localidades. Assim, os processos

que envolvam a competência da justiça federal serão julgados pela Justiça estadu-

al, com recurso dirigido ao TRF e não TJ.

Outra coisa: se você ler o artigo 29, inciso X, da Constituição, notará que a

Constituição prevê a competência dos TJs para o julgamento de Prefeitos nos cri-

mes comuns.

Contudo, pode acontecer de os Prefeitos serem julgados pelos TRFs ou pelos

TREs, caso a infração penal praticada esteja dentro da competência, respectiva-

mente, da Justiça Federal ou da Justiça Eleitoral.

Foi por tal razão que o STF editou a Súmula 702, segundo a qual a competên-

cia dos TJs para o julgamento de prefeitos restringe-se aos delitos de apu-

ração na Justiça comum Estadual, sendo, nos demais casos, competente o

respectivo Tribunal de 2ª instância (TRF ou TRE).

4.4. Competência dos Juízes Federais

Eu costumo dizer aos meus alunos para raciocinarem sempre com três artigos

quando diante de questões envolvendo as competências do Judiciário: primeiro se

pensa no artigo 102 (competência originária do STF). Se não encaixou, desce para

o artigo 105 (competência originária do STJ). Não encontrando, provavelmente a

competência será do Juiz Federal de 1ª instância, tratada no artigo 109.

E a Justiça Estadual? Ela tem competência residual. Ou seja, atua por exclusão.

Se não é de ninguém, sobrou pra quem...

Vou trabalhar com o artigo 109 da Constituição. Cabe aos Juízes Federais

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julgar:

I – as causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública fede-


ral forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exceto
as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça Eleitoral e à
Justiça do Trabalho;

Note que a Constituição não falou em sociedades de economia mista.

Em consequência, as ações que envolvam esses entes da Administração indireta

serão julgadas na Justiça comum estadual. Exemplificando, quando envolver Banco

do Brasil (sociedade de economia mista), a competência será da Justiça comum es-

tadual (STF, Súmulas 506 e 556). Se envolver a Caixa Econômica Federal (empresa

pública), a competência será da Justiça comum federal.

Compete à justiça comum estadual julgar as ações ajuizadas contra o

INSS, nas quais se pleiteie benefício previdenciário decorrente de aciden-

te de trabalho.

Dentro da ótica do dispositivo, foi editada a Súmula Vinculante n. 27, por

meio da qual o STF disse que compete à justiça estadual julgar causas entre

consumidor e concessionária de serviço público de telefonia, quando a ANATEL

não seja litisconsorte passiva necessária, assistente, nem opoente.

Em outras palavras, se a Agência Reguladora, que é uma autarquia, não parti-

cipar efetivamente do processo não há razão para o processo tramitar na Justiça

Federal.

Outra coisa: compete à Justiça Federal processar e julgar ações contra a OAB

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(Conselho Federal ou Seccional). Em virtude disso, os processos de execução ajui-

zados pela OAB contra inscritos na Ordem que estejam inadimplentes quanto ao pa-

gamento das anuidades devem ser julgados pela Justiça Federal (STF, RE 595.332).

II – as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pes-


soa domiciliada ou residente no País;

Os processos que envolvem Estado Estrangeiro (EE) ou Organismo Internacio-

nal (OI) podem começar diretamente no STF ou no Juiz Federal de primeiro grau.

O que define se a causa será julgada lá em cima (STF) ou lá embaixo (JF de 1º

grau) é quem está do outro lado...

Se for a União, os Estados, o Distrito Federal ou os Territórios, a competência

será do STF. Por outro lado, se envolver pessoa (natural ou jurídica) ou Município,

o julgamento do caso caberá ao Juiz Federal de 1º grau.

Nesse último caso (EE ou OI x Pessoa ou Município), quem quiser recorrer

deve ir ao STJ usando um RO.

Vamos sistematizar?

EE ou OI contra U, E, DF e T >>> julgamento no STF


EE ou OI contra Pessoa ou M > julgamento pelo Juiz Federal, com RO para o STJ

III – as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou


organismo internacional;
IV – os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços
ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas
as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral;

Em relação aos crimes políticos, se houver recurso contra a decisão proferi-

da, a competência será do STF – recurso ordinário (RO). Para você lembrar
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melhor, o Tribunal que tem boa carga de viés político julga os recursos em crimes

políticos.

Ah, fique de olho num detalhe: em regra, a Justiça Federal não julga contra-

venções, nem mesmo contra bens, serviços ou interesses da União, suas

Autarquias ou Empresas Públicas.

E essa regra vale mesmo quando houver, num mesmo contexto, a prática de um

crime + uma contravenção, ambos contra a União. Nessa situação, o crime será

apurado na Justiça Federal, enquanto a contravenção ficará na Justiça Estadual. Ou

seja, vai rolar o desmembramento do processo.

Mas por que eu coloquei em destaque a expressão “em regra”?

É que caberá ao TRF – logo, Justiça Federal de 2ª instância – julgar os juízes

federais, militares e trabalhistas, além dos membros do MPU de 1ª instância tanto

nos crimes comuns quanto nos de responsabilidade, lembra? E a expressão “crimes

comuns” abrange também as contravenções penais.

Exemplificando, se um Juiz Federal praticar contravenção penal ele será

julgado no TRF.

V – os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a exe-


cução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciproca-
mente;
VI – as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo;
VII – os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei,
contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira;
VIII – os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o cons-
trangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra
jurisdição;
IX – os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal,
excetuados os casos de competência dos tribunais federais;
X – os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da
Justiça Militar;
XI – os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta
rogatória, após o exequátur, e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas
referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização;

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Você viu lá na competência originária do STJ (artigo 105) que ele concede o

exequátur. Agora a execução da ordem de cumpra-se (exequátur) fica a cargo dos

juízes federais.

Ah, se não lembra o que é exequátur eu sugiro voltar lá nas competências ori-

ginárias do STJ, viu?!

XII – a disputa sobre direitos indígenas.

Além de explicitar quais as competências dos juízes federais, o artigo 109 ainda

traz algumas regrinhas bastante exploradas nas provas. Veja!

Quando a União for a autora em um processo, as ações serão propostas na


seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte.
De outro lado, se a causa for ajuizada contra a União, a parte autora poderá
ingressar com a ação em qualquer uma destas seções judiciárias: a) na de
seu domicílio; b) na do local onde houver ocorrido o ato ou fato que deu
origem à demanda ou onde esteja situada a coisa; ou c) no Distrito Federal
– que é o domicílio da União.
Qual é a ideia? Facilitar a vida do particular. Afinal, ou o processo tramitará em
seu domicílio ou em outro lugar à sua escolha.
Também no intuito de favorecer o acesso à Justiça em relação às ações previ-
denciárias, prevê o § 3º do artigo 109 que serão processadas e julgadas na
justiça estadual, no foro do domicílio dos segurados ou beneficiários, sem-
pre que a comarca não seja sede de vara do juízo federal.
Em outras palavras, se a localidade em que a pessoa mora não tiver Justiça
Federal, não haverá a necessidade de se deslocar para longe em busca de ajuizar
ação previdenciária. Bastaria recorrer à Justiça Estadual.
Contudo, se houver recurso, o processo que começou nas mãos do Juiz Estadual

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seguirá para ser julgado no TRF, e não no TJ.

4.5. Federalização de Crimes – IDC

O Incidente de Deslocamento de Competência (IDC) é outra novidade da EC


45/2004. Ele também é chamado de federalização de crimes e, como o próprio
nome diz, promove o deslocamento da competência para que o processo seja jul-
gado na Justiça Federal.
Segundo consta no artigo 109, § 5º, da Constituição – dispositivo muito lem-

brado pelas bancas –, nas hipóteses de grave violação de direitos humanos,

o Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimen-

to de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos

quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de

Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de

competência para a Justiça Federal.

Vou decompor esse emaranhado de informações.

Primeira coisa: só quem pode pedir a federalização do crime é o PGR! Esse pe-

dido será feito no STJ. O que vou falar para você agora não está na Constituição,

mas o STJ só admite o deslocamento da competência se for comprovada a omissão

da Justiça Estadual.

Em outras palavras, não basta que haja uma grave violação dos Direitos Hu-

manos. Isso foi decidido no IDC n. 01, instalado por conta da morte da Missionária

Dorothy Stang. Na época, o STJ não deslocou, porque a Justiça Estadual do Pará

não se manteve inerte (STJ, IDC 1).

Você já deve saber a essa altura, mas eu fui servidor do STJ durante doze anos.

Nessa época, tive a oportunidade de auxiliar o Ministro a quem eu assessorava

quando chegou para ser julgado o IDC 2, primeiro caso em que houve o desloca-

mento da competência.
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Esse segundo pedido foi motivado pelo homicídio do advogado e vereador per-

nambucano Manoel Bezerra de Mattos Neto, assassinado em 24/01/2009, no Mu-

nicípio de Pitimbu/PB, depois de sofrer diversas ameaças e vários atentados, em

decorrência de sua persistente e conhecida atuação contra grupos de extermínio

que agiam impunes há mais de uma década na divisa dos Estados da Paraíba e de

Pernambuco, entre os Municípios de Pedras de Fogo e Itambé.

No referido julgamento foi destacado que o pedido de federalização teria partido

de diversas autoridades estatais, dentre as quais o Ministro da Justiça; o Governa-

dor do Estado da Paraíba; o Governador de Pernambuco; a Secretaria Executiva de

Justiça de Direitos Humanos; a Ordem dos Advogados do Brasil; a Procuradoria-

-Geral de Justiça do Ministério Público do Estado da Paraíba. Ou seja, um verda-

deiro absurdo!

Ao final, foi deferido o pedido, com a consequente remessa do processo para a

Justiça Federal da Paraíba (STJ, IDC 2).

Mas tem um probleminha... quem disse que o Juiz Federal teria melhores con-

dições de julgar um caso como esses?

Pois é, exatamente por conta dessa aparente desconfiança quanto à isenção dos

Juízes Estaduais é que se aponta a possível inconstitucionalidade da EC 45/2004,

em relação ao IDC.

Em outras palavras, houve o ajuizamento de ADI, sob a alegação de violação do

pacto federativo. O processo ainda não foi julgado, mas é bom você ficar de olho.

Apenas o PGR pode propor junto ao STJ o IDC – Incidente de Deslocamento de

Competência, devendo comprovar a omissão da Justiça Estadual no julgamento de

crimes que representem grave violação de direitos humanos.

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5. Tribunais e Juízes do Trabalho

Os órgãos da Justiça do Trabalho, de acordo com o art. 111 da Constituição, são

os seguintes:

I – Tribunal Superior do Trabalho (TST);


II – Tribunais Regionais do Trabalho (TRT);
III – Juízes do Trabalho.

É importante lembrar que a EC 24/1999 extinguiu as Juntas de Conciliação

e Julgamento. Também não há mais os Juízes classistas, que eram aqueles

representantes dos trabalhadores e dos empregadores.

5.1. Tribunal Superior do Trabalho – TST

O TST é composto de 27 ministros, assim escolhidos:

a. 1/5 entre membros da OAB e do MP – observados os mesmos requisitos elencados


no art. 94 da CF/1988, que trata do quinto constitucional;
b. demais, entre juízes dos TRTs, oriundos da magistratura da carreira, indicados
pelo próprio TST.

Primeira coisa: 1/5 de 27 dará uma fração (5,4). Daí pode surgir uma dúvida se

você arredonda para baixo ou para cima. É simples! Se eu arredondar para baixo

não teria 1/5. Logo, o TST terá 6 Ministros vindos do quinto constitucional, enquan-

to os demais virão da carreira da Magistratura.

Outra coisa: repare bem que fiz questão de destacar com negrito e sublinhado

a expressão “magistratura de carreira”. Isso significa que o candidato tem de ter

começado lá na 1ª instância, como Juiz do Trabalho, subindo para o TRT,

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até chegar ao TST.

Ou seja, quem ingressar no TRT pelo quinto constitucional não pode subir para

o TST.

Estou explicando esse passo a passo, porque no STJ não é assim. Lá, quem

entra nos TJs ou TRFs pelo “terço constitucional” pode depois subir para o STJ nas

vagas destinadas aos Desembargadores Estaduais e Federais.

Dito de outro modo, há, de certa forma, uma burla à fração de um terço, na

medida em que os Juízes de carreira perdem vagas no STJ.

Outro dia ouvi assim: “Aragonê, você está criticando por ser Juiz de carreira!”

Não, meu (minha) amigo(a), eu critico isso aí desde que me entendo por gente...

Ah, as bancas examinadoras direto perguntam essa diferença, viu?!

Avançando, o candidato deve possuir mais de 35 e menos de 65 anos, ser bra-

sileiro (nato ou naturalizado).

Em relação aos Ministros que vêm do quinto constitucional, ao receber os no-

mes indicados pela respectiva classe (lista sêxtupla), o TST reduzirá a lista a três

nomes (lista tríplice) e encaminhará ao Presidente da República para que ele indi-

que um, submetendo o nome à aprovação pelo Senado Federal.

Em todos os casos, exige-se que o nome do candidato escolhido pelo Pre-

sidente seja aprovado por maioria absoluta de votos no Senado.

A EC 92/2016 promoveu algumas modificações pontuais. Ela incorporou, por

exemplo, o artigo 111-A no que antes eram os parágrafos do artigo 111 (composi-

ção do TST).

Ainda, foi também com a EC 92/2016 que o TST passou a constar explicitamen-

te no rol de órgãos do Judiciário (artigo 92 da Constituição). Antes, só constava a

expressão “Tribunais e Juízes do Trabalho”.

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Houve, porém, uma mudança mais relevante: é que a competência do TST, ao

contrário do que acontece com o STF e com o STJ, não é definida pela própria Cons-

tituição, devendo ser regulada por lei.

Porém, a EC 92/2016 previu expressamente ser do Tribunal a competên-

cia para julgamento de reclamações para preservação da sua competência e

para assegurar a autoridade de suas decisões. Essa modificação é relevante, porque

agora a reclamação está de modo explícito prevista para o STF, STJ e para o TST.

E, antes da previsão constitucional, o STF chegou a declarar inconstitucional

norma do Regimento Interno do TST que tratava da reclamação, ao argumento de

que ela não estava prevista nem na Constituição nem na CLT (STF, RE 405.031).

5.2. Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSTJ) e Esco-


la Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados do
Trabalho (ENAMAT)

O CSJT foi criado pela EC 45/2004 e a ele compete a supervisão adminis-

trativa, orçamentária, financeira e patrimonial da Justiça do Trabalho de

primeiro e segundo graus, como órgão central do sistema, cujas decisões terão

efeito vinculante.

Se você reparar bem, dá para traçar um paralelo com o Conselho da Justiça

Federal (CJF), que tem atribuições muito semelhantes. As diferenças centrais são

duas: o CJF que funciona junto ao STJ e já está previsto na Constituição desde

1988 (sua criação foi ainda antes, com a Lei n. 5.010/1966).

Outro paralelo que pode ser feito é entre a ENAMAT e a ENFAM. Aqui, ambas

foram criadas pela EC 45/2004 e funcionam como órgão responsável por

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regulamentar os cursos oficiais para o ingresso e promoção na carreira. A

diferença é que a ENAMAT cuida da Justiça do Trabalho, enquanto a ENFAM coorde-

na a Justiça Estadual e a Federal.

5.3. Tribunais Regionais do Trabalho e Juízes do Trabalho –


TRTs

Outra vez dá para fazermos um paralelo, só que agora entre os TRFs e os TRTs,

pois as normas são muito semelhantes. Digo isso para sistematizar seu raciocínio,

pois sei que armazenar um tantão de informações não é nada fácil...

Vamos lá!

De acordo com o artigo 115 da Constituição, os TRTs serão compostos de,

no mínimo, sete juízes, que devem ser recrutados, quando possível, na respec-

tiva região e serão nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros com

mais de 30 e menos de 65 anos.

Se você reparou na palavra em sublinhado, viu que nela consta a palavra juízes,

e não Desembargadores. Isso acontece porque a Constituição chamou os Membros

da Justiça Trabalhista de 1ª instância de juiz do trabalho e os de 2ª instância de juiz

de Tribunal Regional do Trabalho – na prática, os Desembargadores do Trabalho.

Não sei se você lembra, mas também nos TRTs há a regra do quinto consti-

tucional (ela vale no TST, nos TRTs, nos TRFs e nos TJs). Assim, 1/5 das vagas se-

rão preenchidas por advogados com mais de dez anos de efetiva atividade profissio-

nal e membros do Ministério Público do Trabalho com mais de dez anos de carreira.

Os demais membros devem ser juízes do trabalho de carreira, com mais de cin-

co anos de exercício, promovidos, alternadamente, por antiguidade e merecimento.

Como já mencionei, a Constituição ainda previu que tanto os TRFs e os TRTs

quanto os TJs devem instalar a justiça itinerante, com a realização de audiên-


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cias e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da respecti-

va jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

Desse modo, para melhor atender aos jurisdicionados, alcançando os locais

mais distantes, a EC 45/2004 estabeleceu que os TRTs poderão funcionar des-

centralizadamente, constituindo Câmaras Regionais, a fim de assegurar o ple-

no acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

Relembrando: na primeira instância, a jurisdição trabalhista é exercida por um

Juiz singular (juiz do trabalho), não havendo mais as chamadas Juntas de Conci-

liação e Julgamento.

Por fim, o artigo 112 diz que a lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo,

nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito,

com recurso para o respectivo TRT. 

5.4. Competência da Justiça do Trabalho

Todas as suas atenções devem ser redobradas agora! O assunto “competência

da Justiça do Trabalho” é muitíssimo explorado pelas Bancas. E, é claro, não só nos

concursos para a área trabalhista. Ele despenca mesmo...

Vamos começar então.

A EC 45/2004 ampliou significativamente a competência da justiça do

trabalho.

Na redação atual, o artigo 114 da Constituição diz que compete à justiça do

trabalho processar e julgar:

I – as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público


externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.

Eu acabei de falar para você que a EC 45/2004 ampliou bastante a competência

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da Justiça do Trabalho, não foi?

Pois é, mas ela ampliou mais do que deveria... daí foi preciso o STF intervir, ne-

gando o que está explicitamente colocado na Constituição.

Deixe-me explicar: o STF excluiu da competência da Justiça do Trabalho

o julgamento das ações oriundas das relações de trabalho regidas por vín-

culo estatutário (STF, ADI 3.395).

Desse modo, um empregado público ligado ao Banco do Brasil, aos Correios

(ECT) ou à Petrobras deverá ajuizar a ação na Justiça do Trabalho quando

quiser discutir algum direito trabalhista, pois seu vínculo é celetista (CLT).

Por outro lado, um servidor estatutário (regido por estatuto próprio) de-

verá ingressar na Justiça comum, que pode ser Federal ou Estadual, a de-

pender do ente ao qual pertença. Exemplificando, um servidor do Ministério da

Agricultura, regido pela Lei n. 8.112/1990, ajuizará a ação na Justiça Federal. Ao

contrário, um servidor da Secretaria de Fazenda de São Paulo moverá a ação na

Justiça Estadual (TJSP, 1ª instância).

Dentro dessa premissa – competência da Justiça comum, e não da Justiça

trabalhista – também se inserem as discussões relativas às contratações tem-

porárias para atender a necessidade temporária (STF, RCL 4.872).

Porém, o STF entendeu que compete à justiça trabalhista processar e julgar

causas relativas a prestações de natureza trabalhista ou a depósitos do FGTS de

servidor que tenha ingressado no serviço público antes da Constituição de 1988,

sem prestar concurso (STF, CC 7.950).

Ah, como você viu, está prevista a competência da Justiça do Trabalho para jul-

gar os entes de direito público externo, certo? Pois é, mas tem um probleminha...

É que o STF entende que as Organizações das Nações Unidas e suas agên-

cias (exemplo: ONU, PNUD) possuem imunidade de jurisdição, não poden-

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do processados, salvo se renunciarem à imunidade (STF, RE 578.543).

II – as ações que envolvam o exercício de direito de greve;

Mais um ponto essencial para as provas!

Primeiro, porque a Súmula Vinculante 23 diz que a justiça do trabalho é

competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decor-

rência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.

Traduzindo, pense na situação em que um grupo de bancários ocupe uma agên-

cia para fazer piquete, em busca de chamar a atenção para suas reivindicações.

Nessa hipótese, caberá à Justiça do Trabalho o julgamento do pedido de desocupa-

ção do imóvel.

Se a ocupação se desse por outros motivos – exemplo: alguém invade uma

propriedade sua –, o processo tramitaria na Justiça comum Estadual – Vara Cível.

Segunda coisa: você lembra que enquanto os trabalhadores (iniciativa priva-

da) têm o direito de greve assegurado, em relação aos servidores a regra é

outra: para eles, a Constituição diz que o direito será exercido nos termos de

lei específica.

Ou seja, é uma norma de eficácia limitada, que precisa de regulamentação

por parte do Congresso Nacional.

Porém, uma coisa é certa: até hoje a lei necessária para a regulamentação

não foi editada. Há outra certeza também: independentemente da existência de

lei, os servidores continuaram fazendo greve.

Na busca por normatizar as paralisações, ainda que de forma precária, o STF

acolheu pedidos formulados em mandados de injunção, permitindo a greve, com

base na Lei n. 7.783/1989, criada para tratar do direito de greve dos trabalha-

dores em serviços essenciais.


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Essa medida não solucionou o problema, pois há especificidades no serviço pú-

blico que não se comparam nem mesmo àquelas atividades da iniciativa privada

que contam com mais restrições. É o caso, por exemplo, da segurança pública.

Agora vem outra questão, muitíssima importante para as provas...

Quando os trabalhadores fazem greve e não há acordo mesmo depois das ne-

gociações com os patrões, pode acontecer o chamado dissídio coletivo de greve.

Em outras palavras, a Justiça intervirá para solucionar a questão.

No âmbito da Justiça do Trabalho, esses dissídios são julgados pelo TST ou

pelos TRTs, em competência originária. Vale dizer, o processo não começa no Juiz

de 1º grau. Se o problema for local, caberá ao TRT o julgamento; do contrário, se

nacional, a solução ficará a cargo do TST.

Está bem, mas só agora chego onde quero...

É possível a existência de dissídio coletivo de greve entre servidores

públicos e a Administração, caso, mesmo após deflagrada a paralisação, as

partes não cheguem a um acordo?

A resposta é sim! Poderá haver dissídio coletivo, sendo a disputa intermediada

pelo Judiciário.

Surge, então, a segunda – e mais cobrada – questão: a quem caberá o julga-

mento de dissídio envolvendo servidores públicos e a Administração?

Se você tiver curiosidade, pode procurar em toda a Constituição que ainda as-

sim continuará sem a resposta. A razão para essa omissão é simples: a competên-

cia para julgamento de dissídio deveria estar prevista na lei que até hoje não foi

feita, lembra?

Para solucionar a questão, entra a jurisprudência do STF. A regra usada pelo

Tribunal foi a de usar a simetria em relação aos órgãos competentes na Justiça do

Trabalho.

Assim, se o dissídio entre os servidores e a Administração tiver repercussão


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mais ampla, nacional, a competência será do STJ, pois, se fosse com trabalhado-

res, a competência seria do TST.

Sendo ainda mais claro, caberia ao STJ decidir originariamente questões rela-

cionadas à greve de servidores públicos (a) de âmbito nacional, (b) que abranjam

mais de uma região da justiça federal e (c) que compreendam mais de uma unida-

de da federação. Nos demais casos, em se tratando de servidores públicos federais,

a competência será do respectivo Tribunal Regional Federal (STF, MI 708).

Já se o dissídio entre servidores e a Administração é mais restrito, a compe-

tência será do TRF ou do TJ, a depender de a competência ser da Justiça Federal

ou Estadual. Esses Tribunais estão em paralelo com o TRT, competente para julgar

dissídio local entre trabalhadores e patrões.

Se a competência na Justiça do Trabalho para julgar o dissídio coletivo de greve se-

ria do TST, quando envolver servidores, será julgado pelo STJ; já se o julgamento

do conflito caberia ao TRT, na justiça comum a questão será resolvida pelo TRF ou

pelo TJ.

Havendo greve, pode a Administração descontar os dias parados?

Sim, entende o STF. É legítimo o corte do ponto, com o não pagamento

dos dias em que o servidor ficou sem trabalhar, mesmo que a greve não seja

abusiva. Permite-se, contudo, a compensação em caso de acordo.

Mas o desconto será incabível, se ficar demonstrado que a greve decorreu

de conduta ilícita do Poder Público, como é o caso de atraso no pagamento

dos valores devidos ou outra circunstância excepcional (STF, RE 693.456).

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A circunstância de o servidor público estar em estágio probatório não é jus-

tificativa para a demissão com base na sua participação em movimento gre-

vista por mais de trinta dias. Isso porque a participação em greve não pode ser

tomada como falta injustificada (STF, RE 226.966).

III – as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e traba-
lhadores, e entre sindicatos e empregadores;
IV – os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questio-
nado envolver matéria trabalhista;

Um alerta: mesmo com o alargamento da competência trazido pela EC 45/2004,

a Justiça do Trabalho não tem competência para processar e julgar ações

penais (STF, ADI 3.684).

V – os conflitos de competência entre órgãos da jurisdição trabalhista, salvo


quando o conflito envolver o TST.

Se o conflito de competência envolver o TST, a competência passará a ser do

STF. De outro lado, repare que a competência do TST se limita aos conflitos entre

órgão de jurisdição trabalhista – exemplo: TRT/DF x TRT/GO.

Tratando-se de conflito surgido entre juízos vinculados a tribunais diversos –

exemplo: TRT x TRF ou Juiz do Trabalho x Juiz Federal –, a competência para diri-

mi-lo será do STJ.

VI – ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação


de trabalho;

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De acordo com a Súmula Vinculante n. 22, a justiça do trabalho é competente

para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais

decorrentes de acidente de trabalho propostas por empregado contra empregador,

inclusive aquelas que ainda não possuíam sentença de mérito em primeiro

grau quando da promulgação da EC 45/2004.

Vou traduzir: é que as ações por danos morais e materiais podem surgir da rela-

ção de trabalho. É o que acontece, por exemplo, quando o chefe vai além do poder

que lhe é inerente no sentido de corrigir o funcionário e começa a humilhá-lo.

Antes da EC 45/2004, esse tipo de processo tramitava em Varas Cíveis, na Jus-

tiça comum Estadual.

Após a mudança, a competência passou para a Justiça do Trabalho, certo? Mas

o que fazer com os processos que estavam em curso?

O STF resolveu a questão, editando a SV 22. Os processos que ainda não

tinham sido sentenciados deveriam ser remetidos para a Justiça do trabalho. Ao

contrário, aqueles que já contavam com sentença foram mantidos na Justiça

comum Estadual.

VII – ações relativas a penalidades administrativas impostas aos empregadores (pa-


trões) por órgãos de fiscalização das relações de trabalho;
VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, ‘a’, e II,
e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir;
IX – outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho, na forma da lei.

A Constituição de 1988 define especificamente a competência do STF e do STJ. Em

relação ao TST, ela delega à lei a delimitação da competência. No entanto,

a EC 92/2016 modificou um pouco esse panorama ao prever a competên-

cia explícita de julgamento da reclamação, para preservação da autoridade

das decisões e manutenção da competência do TST.


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6. Tribunais e Juízes Eleitorais

O artigo 118 da Constituição define que os órgãos da Justiça Eleitoral são os

seguintes:

I – Tribunal Superior Eleitoral – TSE;


II – Tribunais Regionais Eleitorais – TREs;
III – Juízes Eleitorais; e
IV – Juntas Eleitorais.

Vamos, sem demora, trabalhar os pontos principais.

6.1. Tribunal Superior Eleitoral – TSE

O TSE é composto de, no mínimo, sete membros. Na Constituição, eles são

chamados de juízes, mas, na prática, como Ministros.

A forma de escolha é assim:

a. três, dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal – eleição por voto secreto
do próprio STF;
b. dois, dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça – eleição por voto se-
creto do próprio STJ;
c. dois, dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados
pelo STF, que serão nomeados Presidente da República. Ou seja, o STF elabora a lista
sêxtupla e o Presidente da República escolhe dois nomes.

De antemão, perceba que o Ministério Público não terá representantes, não se

falando em quinto constitucional.

Avançando, o Presidente e o Vice-Presidente do TSE serão eleitos entre os

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Ministros que vêm do STF. Por sua vez, o Corregedor Eleitoral será um dos Mi-

nistros que vêm do STJ.

Outro ponto importante: até aqui, você viu que os candidatos a vagas no STF,

no STJ e no TST deveriam possuir, no máximo, 65 anos.

Já no TSE não se fala em idade mínima ou máxima, podendo o Tribunal

contar, inclusive, com membros com mais de 75 anos. É lógico, porém, que a fle-

xibilidade maior quanto às idades só se aplica ao pessoal que vem da OAB, pois os

Ministros oriundos do STF e do STJ têm limites mínimos para ingressar e “prazo de

validade”, findo o qual entram na compulsória.

Sendo ainda mais claro, essa possibilidade vale apenas para os advoga-

dos, que podem entrar no Tribunal mesmo após o limite da compulsória.

Aliás, essa situação aconteceu com o Ministro José Geraldo Grossi, que co-

meçou a cumprir seu último biênio no ano de 2006, quando já contava com 74

anos de idade (nascimento em 1932). Àquela altura a compulsória era aos 70

anos de idade.

Tem mais: os membros da OAB, quando ingressam no Poder Judiciário na con-

dição de Desembargadores ou Ministros, ficam impedidos de continuar a exercer

a advocacia. Contudo, essa regra não se estende àqueles que estejam com-

pondo a Justiça Eleitoral (STF, ADI 1.127).

A justificativa para isso é que eles ficarão apenas temporariamente na Justiça

Eleitoral – mandato de dois anos, renovável por outros dois. Então, se abando-

nassem os clientes, quando voltassem ao batente teriam que reconquistar toda

a clientela...

6.2. Tribunal Regional Eleitoral – TRE

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Diz o texto constitucional que haverá um TRE na Capital de cada Estado e no

Distrito Federal. Esses tribunais serão compostos de sete juízes (na prática, De-

sembargadores Eleitorais), que devem ser assim escolhidos:

a. dois, dentre os Desembargadores do TJ – eleição por voto secreto do próprio TJ;


b. dois, dentre juízes de direito – eleição por voto secreto do próprio TJ;
c. um, por juiz de TRF com sede na Capital do Estado ou no DF, ou, não havendo, de
juiz federal, escolhido, em qualquer caso, pelo TRF.
d. dois, dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indica-
dos pelo TJ, que serão nomeados Presidente da República. Ou seja, o TJ elabora a lista
sêxtupla e o Presidente da República escolhe dois nomes.

O Presidente e o Vice-Presidente do TRE serão eleitos entre os Desembargado-

res do TJ.

Também nos TREs não há quinto constitucional (ele só existe para TST,

TRT, TRF e TJ) nem a participação de juízes oriundos do MP.

Igualmente não se fala em idade mínima ou máxima, podendo o Tribunal contar,

inclusive, com membros com mais de 75 anos. Para evitar desnecessárias repeti-

ções, veja a explicação que fiz aí em cima, no TSE.

A mesma regrinha (repetir o que valeu para o TSE) deve ser aplicada quanto à

possibilidade de exercício da advocacia para os membros que venham da OAB.

Outra coisa: o STF entende que compete exclusivamente ao TJ a indicação

de advogados para composição de TRE, não havendo a participação da

OAB na referida escolha (STF, MS 21.060).

Ah, também entendeu que Magistrado aposentado não pode ingressar no TRE

dentro das vagas reservadas à advocacia (STF, RMS 23.123).

Como eu já adiantei aí em cima, salvo motivo justificado, os juízes dos tribu-

nais eleitorais servirão por dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois

biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo


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mesmo processo, em número igual para cada categoria.

Por tal razão, foi declarada a inconstitucionalidade de resolução editada

pelo TER, segundo a qual nenhum juiz poderia voltar a integrar o Tribunal

na mesma classe ou em classe diversa, por dois biênios consecutivos (STF,

ADI 2.993).

A organização e competência dos tribunais, dos juízes de direito e das juntas

eleitorais será feita por meio de lei complementar (LC).

6.3. Irrecorribilidade das Decisões do TSE

Tenha cuidado com outro ponto recorrente nas provas: são irrecorríveis as

decisões do TSE, salvo as que contrariarem a Constituição Federal e as de-

negatórias de habeas corpus ou mandado de segurança.

Se a parte quiser interpor recurso extraordinário (RE) contra decisão

proferida pelo TSE, deve observar o prazo de três dias (STF, Súmula 728).

A importância dessa particularidade é que o prazo geral para a interposição do

RE é de 15 dias úteis, segundo o Código de Processo Civil. Ou seja, há um prazo

especial – e menor – para o RE em matéria eleitoral.

6.4. Possibilidade de Interposição de Recursos Contra Deci-


sões dos TREs

Aí em cima você viu as hipóteses de recurso para o TSE. Agora, é hora de ver-

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mos os recursos cabíveis contra decisões dos TRÊS, ok?

I – forem proferidas contra disposição expressa da Constituição ou de lei;


II – ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais tribunais eleitorais;
III – versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições federais ou
estaduais;
IV – anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais ou esta-
duais;
V – denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou man-
dado de injunção.

Observe que tanto no TSE quanto no TRE só caberá recursos contra remédios

constitucionais (HC, HD, MS e MI) se a decisão de origem tiver sido desfavorável (de-

negatória). Em outras palavras, não será possível quando a decisão for concessiva.

E mais: mesmo sendo alegada violação à Constituição, não caberá recurso

extraordinário diretamente para o STF contra decisão do TRE. A parte deve-

rá recorrer primeiro para o TSE (STF, AI 164.491).

Mais uma vez, estamos diante de previsão excepcional, pois, se uma decisão

de TJ ou TRF (Tribunais de 2ª Instância como o TRE) contrariar a Constituição

a parte, pode ir direto ao STF, sem a necessidade de passar pelo STJ.

7. Tribunais e Juízes Militares

Ao contrário dos outros ramos da Justiça Especializada (Trabalhista e Eleito-

ral), a Justiça Militar não conta ordinariamente com três “degraus”.

Eu digo isso porque, se pensarmos na Justiça Trabalhista, você verá o Juiz do

Trabalho (1ª instância), o TRT (2ª instância) e o TST (Tribunal Superior). De igual

modo, na Justiça Eleitoral seriam os Juízes e Juntas Eleitorais (1ª Instância), o

TRE (2ª instância) e o TSE (Tribunal Superior).

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No âmbito da Justiça Militar, a Constituição diz, em seu artigo 122, que os ór-

gãos seriam o STM (Tribunal Superior), os “Tribunais e Juízes Militares instituídos

em lei”.

Acontece que “os Tribunais Militares”, que estariam posicionados em 2ª instân-

cia, só existem em tempo de guerra e, felizmente, não é o nosso caso.

Então, na prática, o STM funcionará como um Tribunal de 2ª instância, mesmo

tendo nome de Tribunal Superior.

7.1. Superior Tribunal Militar

O STM conta com quinze Ministros, mesclando dez militares e cinco civis.

Veja como fica a distribuição:


1. dez militares, divididos desta forma:

a. quatro, entre oficiais-generais do Exército, da ativa, e do posto + elevado;


b. três, entre oficiais-generais da Marinha, da ativa, e do posto + elevado;
c. três, entre oficiais-generais da Aeronáutica, da ativa, e do posto + elevado.

Não sei você, mas eu sempre associei com esquema de time de futebol “4-3-3”,

sendo que a maior força (Exército) terá um integrante a mais do que as demais.

2. cinco civis, divididos desta forma:

a. três advogados;
b. um juiz auditor;
c. um membro do Ministério Público Militar.

Repare que no STM também não há quinto constitucional (vou sempre lembrar:

TST, TRT, TRF e TJ), mas aqui há Ministro oriundo do Ministério Público, coisa que

não existe na Justiça Eleitoral.

Se você der uma lida na Constituição, vai notar que só estão definidos os re-
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quisitos exigíveis para os ministros civis. O candidato a uma das vagas deve

ser brasileiro – nato ou naturalizado –, maior de 35 anos (não se fala em idade

máxima, como no STF, STJ e TST) e, para os advogados, exige-se o mínimo de 10

anos de atividade profissional.

Perceba há somente a idade mínima, não sendo definida idade máxima (como

é o caso do STF, do STJ e do TST). Em razão disso, o STF decidiu ser incompatí-

vel com a Constituição a limitação em 65 anos para o ingresso no cargo de

Ministro do STM (STF, MS 20.930).

Por outro lado, para se manter a proporcionalidade entre 10 militares e 5 civis,

o STF entendeu que um militar, ainda que da reserva, não pode concorrer às vagas

destinadas aos civis. Isso porque ele não deixou de ser militar (STF, MS 23.138).

No caso, o candidato era coronel, já estava reformado e também era advogado.

Ou seja, ele conhecia a prática e a teoria, razão pela qual se destacou no exercício

da advocacia especializada. O Tribunal, no entanto, pontuou que não se deixa de

ser militar por ter passado para a reserva/reforma.

Por fim, diferentemente do que acontece com o STF, STJ e TST, a aprovação

no Senado depende de maioria simples (ou relativa).

Para você não esquecer: só será maioria simples (relativa) na aprovação

do nome de indicados para o STM e para as três vagas do TCU a serem pre-

enchidas por indicação do Presidente da República.

7.2. Competência da Justiça Militar

No seu artigo 124 a Constituição se limita a dizer que à Justiça Militar com-

pete processar e julgar os crimes militares definidos em lei. Ou seja, não há

detalhamento da competência na própria Constituição.

Lembro também que existe a Justiça Militar da União: é responsável por


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julgar os militares das Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica

–, enquanto a Justiça Militar dos Estados (e do DF) julga os integrantes das

forças auxiliares do Exército (polícia militar e corpo de bombeiros militares).

Na prática, PMs e Bombeiros Militares, nos crimes militares, serão julga-

dos pelas Varas de Auditoria Militar. Se a parte quiser recorrer, deve ir para o

Tribunal de Justiça (TJ). Novo recurso irá para o STJ ou para o STF. Como se vê, o

recurso não vai parar lá no STM.

Ah, uma ressalva: há previsão no artigo 125, § 3º da Constituição no sentido

de que, se o efetivo da PM e dos Bombeiros Militares superar vinte mil integran-

tes poderá ser criado um TJM. Ele, no entanto, é vinculado à Justiça Estadual, não

guardando relação com as Forças Armadas.

Nesse caso, o processo (contra PMs e Bombeiros) que começou na Vara de Au-

ditoria Militar, irá para o TJM e, se for o caso, para o STJ ou STF.

Outra coisa: embora seja de competência da Justiça Militar Estadual processar

e julgar os militares dos Estados nos crimes militares e nas ações judiciais contra

atos disciplinares, a Constituição previu uma regra específica que você precisa sa-

ber.

É que os crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra

civis serão julgados pelo Tribunal do Júri. A ideia é evitar que eventual corpo-

rativismo prejudique a apuração de abusos praticados por maus militares.

Essa regra, que atribui a competência para o júri, está prevista no artigo 125 da

Constituição, que trata da Justiça Estadual. Em razão disso, é aplicável, sem dúvi-

das, aos integrantes das PMs e do CBM.

Discutia-se se os crimes dolosos contra a vida praticados pelos Militares das

Forças Armadas (União) estariam – ou não – dentro da regra do júri. A polêmica

ganhou maior importância com o uso do efetivo das Forças Armadas no auxílio ao

combate à criminalidade, desempenhando papel de verdadeiro órgão da segurança


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pública.

Foi nesse contexto que se editou a Lei n. 13.491/2017, a qual alterou o artigo

9º do Código Penal Militar, para prever o seguinte:

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:


I – os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal
comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando prati-
cados:
§ 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri.
§ 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar
da União, se praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da Re-
pública ou pelo Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo
que não beligerante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem
ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da
Constituição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais:
a) Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica;
b) Lei Complementar n. 97, de 9 de junho de 1999;
c) Decreto-Lei n o 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código de Processo Penal Militar;
e
d) Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleitoral.

Com a nova lei, na prática, dificilmente um crime doloso contra a vida praticado

por militar das Forças Armadas contra civil sairia da Justiça Militar da União. Isso

porque a amplitude do leque de exceções do § 2º acaba conduzindo à competência

da justiça especializada.

Ainda, criou-se uma distinção de tratamento entre Militares das Forças Armadas

e Militares dos Estados, pois estes (os dos Estados) continuam sendo julgados no

Tribunal do Júri nos crimes dolosos contra a vida praticados contra civis.

Fique esperto(a) para não cair nas cascas de banana: apenas crimes contra a

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vida praticados dolosamente vão para o júri. Assim, se o homicídio for culposo,

a competência será da Justiça Militar Estadual.

Mais: crimes envolvendo militar que mata outro militar (em contexto de crime

militar) também não vão a júri.

8. Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal

Primeira coisa: nos Municípios não existe Poder Judiciário, Ministério Pú-

blico ou Defensoria Pública.

Se na sua cidade existe um Fórum, ele não pertence ao Município. Ele integra

o Poder Judiciário Estadual. De mesmo modo, se há aí uma Vara Federal, Vara do

Trabalho ou Cartório Eleitoral, eles fazem parte do Poder Judiciário da União.

Prosseguindo, o artigo 125 da Constituição diz que os Estados organizarão sua

Justiça, observados os princípios estabelecidos no texto constitucional.

A definição da competência dos TJs cabe à Constituição Estadual.

É também dos Estados a iniciativa legislativa para a edição da lei de organização

judiciária – LOJ. Tendo em vista que o Poder Judiciário no DF é organizado e man-

tido pela União, sua lei de organização é federal.

E como fica a competência dos TJs?

Pois é. A competência da Justiça comum Estadual é residual. Aquilo que

não estiver a cargo do STF, dos Tribunais Superiores, da Justiça Especializada (Tra-

balhista, Eleitoral e Militar) ou da Justiça comum Federal pertencerá aos TJs.

No entanto, é válido lembrar que a competência para julgamento dos crimes

dolosos contra a vida está na própria Constituição de 1988, mais especificamente

no artigo 5º.

Em razão disso, a regra do júri prevalecerá sobre o foro especial estabe-

lecido exclusivamente na Constituição Estadual (Súmula Vinculante 25).

Avançando, por exclusão, será da Justiça estadual a competência para julgar


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causas entre consumidor e concessionária de serviços públicos de telefonia quando

a ANATEL não esteja atuando no caso (Súmula Vinculante 27).

Do contrário, presente a agência reguladora (que é uma Autarquia), o feito é

deslocado para a Justiça Federal, competente para julgar as ações em que a União,

Autarquias e empresas públicas federais sejam autoras, rés, assistente ou opoente

(artigo 109).

Dentro dessa lógica, a Justiça comum estadual será competente para julgar as

causas em que é parte sociedade de economia mista (STF, Súmula 556).

Assim como já visto em relação aos TRFs e TRTs, o TJ também poderá fun-

cionar descentralizadamente, constituindo Câmaras Regionais, a fim de as-

segurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.

De igual modo, também o TJ instalará a justiça itinerante, com a realização

de audiências e demais funções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da

respectiva jurisdição, servindo-se de equipamentos públicos e comunitários.

Tentando buscar a solução para os frequentes conflitos nessa área, a EC 45/2004

estabeleceu que, para dirimir conflitos fundiários, o TJ proporá a criação de va-

ras especializadas, com competência exclusiva para questões agrárias.

8.1. Representação de Inconstitucionalidade Estadual

É certo que qualquer juiz ou Tribunal pode declarar a inconstitucionali-

dade de uma lei. Essa faculdade está dentro do controle difuso de consti-

tucionalidade.

Quando o assunto é controle concentrado, a missão se restringe a dois Ór-

gãos: o STF, como guardião da Constituição Federal, e o TJ como guardião

da Constituição Estadual (acresça-se o TJDFT, como guardião da LODF).

No plano federal, a Constituição permite que o STF faça controle concentrado


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por meio de cinco ferramentas (digo sempre que o controle concentrado cabe na

minha mão): ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI Interventiva.

Por outro lado, em relação ao controle concentrado estadual, a Constituição usou

o nome “representação de inconstitucionalidade”. Porém, pode falar tranquila-

mente em ADI Estadual, que dará na mesma coisa.

Na representação de inconstitucionalidade (ADI Estadual) o TJ fará o controle

de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição

Estadual.

Tradicionalmente, o STF entendia não caber ao TJ julgar, em controle concentra-

do, ações quando a norma supostamente ofendida viesse da Constituição Federal.

Em outras palavras, restringia-se a atuação do TJ apenas ao confronto entre

atos normativos estaduais ou municipais versus Constituição Estadual.

Eu coloquei o verbo no pretérito, porque em um julgado para lá de relevante

deu uma modificada importante na jurisprudência.

Agora, o STF permite que o TJ julgue a ADI Estadual mesmo quando a

norma supostamente violada esteja na Constituição Federal, desde que se

trate de norma de reprodução obrigatória (STF, RE 650.898).

Em outras palavras, podem os TJs fazer controle abstrato (concentrado) de cons-

titucionalidade de leis municipais utilizando como parâmetro normas da Constitui-

ção Federal, desde que se trate de normas de repetição obrigatória pelos Estados.

Mas o que é norma de reprodução obrigatória?

São aquelas normas que estão na Constituição Federal e que obrigatoriamente

devem estar na Constituição Estadual. Alguns exemplos seriam o artigo 37 (Admi-

nistração Pública), os artigos 59 a 69 (processo legislativo) e os artigos 165 a 169

(normas orçamentárias).

Avançando, lá nas competências originárias do STF você viu que há nove legiti-
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mados para o ajuizamento de quatro das cinco ações do controle concentra-

do (apenas a ADI Interventiva é o patinho feio, com somente um legitimado, o PGR).

Segundo o artigo 103 da Constituição, ADI, ADO, ADC e ADPF podem ser

propostas pelos seguintes legitimados: a) Presidente da República; b) Mesa

do Senado Federal; c) Mesa da Câmara dos Deputados; d) Mesa de Assembleia

Legislativa ou da Câmara Legislativa do DF; e) Governador de Estado ou do DF;

f) Procurador Geral da República (PGR); g) Conselho Federal da Ordem dos Advo-

gados do Brasil (OAB); h) Partido político com representação no Congresso; e i)

Confederação sindical ou entidade de classe de âmbito nacional.

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Já no âmbito estadual, a Constituição Federal não definiu quem são os legiti-

mados, atribuindo essa tarefa ao Constituinte Estadual. Mas ela fez uma ressalva:

não pode haver somente um legitimado.

Então, as Constituições Estaduais começaram a reproduzir o rol de legitimados

do artigo 103, adaptado à realidade local. Exemplificando, onde havia “Conselho

Federal da OAB”, passou a constar “Seccional da OAB”; trocou-se “confederação

sindical ou entidade de classe de âmbito nacional” por “federação sindical ou enti-

dade de classe de âmbito estadual”.

Depois, elas passaram a colocar legitimados que não encontravam simetria no

modelo federal. Quando foram questionadas, o STF entendeu que o rol de le-

gitimados na Constituição Estadual não precisa se limitar à aplicação do

modelo federal em simetria.

Desse modo, é possível que o Constituinte Estadual aponte outros legitimados,

como, por exemplo, um deputado estadual (STF, ADI 558) ou mesmo partido polí-

tico sem representação na Assembleia Legislativa (STF, RE 412.921).

Uma ressalva: o Tribunal firmou a compreensão segundo a qual é do Prefeito

do Município, e não do próprio Município ou de seu Procurador Geral, a le-

gitimidade para fazer propor a ADI Estadual perante o TJ e, se for o caso, o

recurso extraordinário (RE) contra a decisão daí advinda (STF, RE 831.936).

8.2. Justiça Militar Estadual

A Justiça Militar da União fica responsável por julgar os militares das Forças Ar-

madas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Já o pessoal das forças auxiliares do Exército (PM e Bombeiros) é julgado pela

Justiça Militar Estadual.

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Dito em outras palavras, PMs e Bombeiros Militares, nos crimes militares,

serão julgados pelas Varas de Auditoria Militar. Se a parte quiser recorrer,

deve ir para o Tribunal de Justiça (TJ). Novo recurso irá para o STJ ou para o STF.

Como se vê, o recurso não vai parar lá no STM.

Ah, uma ressalva: há previsão no artigo 125, § 3º da Constituição no senti-

do de que, se o efetivo da PM e dos Bombeiros Militares superar vinte mil

integrantes poderá ser criado um TJM. Ele, no entanto, é vinculado à Justiça

Estadual, não guardando relação com as Forças Armadas.

Nesse caso, o processo (contra PMs e Bombeiros) que começou na Vara de Au-

ditoria Militar, irá para o TJM e, se for o caso, para o STJ ou STF (STF, CC 7.086).

Embora seja de competência da Justiça Militar Estadual processar e julgar os

militares dos Estados nos crimes militares e nas ações judiciais contra atos discipli-

nares, a Constituição previu uma regra específica que você precisa saber.

É que os crimes dolosos contra a vida praticados por militares contra

civis serão julgados pelo Tribunal do Júri. A ideia é evitar que eventual corpo-

rativismo prejudique a apuração de abusos praticados por maus militares.

Essa regra, que atribui a competência para o júri, está prevista no artigo 125 da

Constituição, que trata da Justiça Estadual. Em razão disso, é aplicável, sem dúvi-

das, aos integrantes das PMs e do CBM.

Discutia-se se os crimes dolosos contra a vida praticados pelos Militares das

Forças Armadas (União) estariam – ou não – dentro da regra do júri. A polêmica

ganhou maior importância com o uso do efetivo das Forças Armadas no auxílio ao

combate à criminalidade, desempenhando papel de verdadeiro órgão da segurança

pública.

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Foi nesse contexto que se editou a Lei n. 13.491/2017, a qual alterou o artigo

9º do Código Penal Militar, para prever o seguinte:

Art. 9º Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:


I – os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal
comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial;
II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal, quando prati-
cados:
§ 1º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri.
§ 2º Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos por
militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência da Justiça Militar
da União, se praticados no contexto:
I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presidente da Re-
pública ou pelo Ministro de Estado da Defesa;
II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão militar, mesmo
que não beligerante; ou
III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei e da ordem
ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o disposto no art. 142 da
Constituição Federal e na forma dos seguintes diplomas legais:
a) Lei n. 7.565, de 19 de dezembro de 1986 – Código Brasileiro de Aeronáutica;
b) Lei Complementar n. 97, de 9 de junho de 1999;
c) Decreto-Lei n o 1.002, de 21 de outubro de 1969 – Código de Processo Penal Militar;
e
d) Lei n. 4.737, de 15 de julho de 1965 – Código Eleitoral.

Com a nova lei, na prática, dificilmente um crime doloso contra a vida praticado

por militar das Forças Armadas contra civil sairia da Justiça Militar da União. Isso

porque a amplitude do leque de exceções do § 2º acaba conduzindo à competência

da justiça especializada.

Ainda, criou-se uma distinção de tratamento entre Militares das Forças Armadas

e Militares dos Estados, pois estes (os dos Estados) continuam sendo julgados no

Tribunal do Júri nos crimes dolosos contra a vida praticados contra civis.

Fique esperto(a) para não cair nas cascas de banana: apenas crimes contra a

vida praticados dolosamente vão para o júri. Assim, se o homicídio for culposo,

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a competência será da Justiça Militar Estadual.

Mais: crimes envolvendo militar que mata outro militar (em contexto de crime

militar) também não vão a júri.

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QUESTÕES DE CONCURSO

1. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) O ingresso na carreira de juiz

se dá mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da OAB

em todas as fases, exigindo-se do candidato que ele seja bacharel em direito com,

no mínimo, três anos de atividade jurídica. Nesse sentido, de acordo com o enten-

dimento do STF, a exigência de comprovação do triênio de prática forense, quando

houver ausência de especificação de data no edital, deverá ser cumprida na data

da posse.

2. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) De acordo com a CF,

ao juiz  que esteja em disponibilidade é permitido exercer qualquer outro cargo

público.

3. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) Com referência à organiza-

ção do Poder Judiciário e ao CNJ, julgue o item a seguir.

Segundo o STF, incidirão juros de mora sobre as dívidas da fazenda pública inscri-

tas em precatórios apresentados até primeiro de julho e pagos até o final do exer-

cício seguinte.

4. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) De acordo com a CF,

ao juiz é garantida a vitaliciedade, que, no primeiro grau, será adquirida após dois

anos de exercício.

5. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judiciário, julgue

o item.

O Conselho Nacional de Justiça constitui órgão de controle externo da atividade

jurisdicional.
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6. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) Segundo a CF, são ór-

gãos da justiça eleitoral os juízes eleitorais.

7. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com referên-

cia à estrutura e ao funcionamento do Poder Judiciário, julgue o item.

São garantias da magistratura a inamovibilidade, a irredutibilidade de subsídios e

a vitaliciedade.

8. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judiciário, julgue

o item.

Os tribunais regionais federais, diferentemente dos tribunais de justiça dos esta-

dos, não poderão ter, em sua composição, desembargadores oriundos da advocacia

ou do MP pela sistemática do quinto constitucional.

9. (CESPE/TCE-PR/NÍVEL SUPERIOR/2016/ADAPTADA) No que se refere ao Poder

Judiciário, julgue o item a seguir.

O Conselho Nacional de Justiça é órgão integrante da estrutura do Poder Judiciário

brasileiro, responsável pelo controle administrativo, financeiro e disciplinar desse

poder, dispondo, por isso, de função jurisdicional.

10. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) Com referência à organiza-

ção do Poder Judiciário e ao CNJ, julgue o item a seguir.

A competência do STF para processar e julgar demanda contra o CNJ restringe-se

às ações tipicamente constitucionais.

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11. (CESPE/TCE-PR/ANALISTA DE CONTROLE/2016/ADAPTADA) De acordo com a ju-

risprudência do STF, assinale a opção correta acerca da regra do quinto constitucional.

Não afrontará o princípio da simetria a norma que, presente em Constituição es-

tadual, imponha a sabatina, pela assembleia legislativa do estado, do candidato

escolhido pelo Poder Executivo a partir de lista tríplice para preenchimento de vaga

em tribunal de justiça destinada ao quinto constitucional.

12. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) Com relação às

competências do Poder Judiciário, julgue o item que se segue.

O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a competência para julgar

ações oriundas da relação de trabalho entre servidores e administração pública é da

justiça federal, independentemente de serem servidores estatutários ou celetistas.

13. (CESPE/TCE-PA/AUXILIAR TÉCNICO ADMINISTRAÇÃO/2016) No que diz res-

peito ao Poder Judiciário, julgue o item subsequente.

Se membro do TCE/PA cometer crime comum, ele será processado e julgado, ori-

ginariamente, pelo Superior Tribunal de Justiça.

14. (CESPE/TCE-PA/AUXILIAR TÉCNICO ADMINISTRAÇÃO/2016) No que diz res-

peito ao Poder Judiciário, julgue o item subsequente.

Acusados de cometer infrações penais comuns, deputado federal e senador serão

processados e julgados, originariamente, pelo Supremo Tribunal Federal.

15. (CESPE/INSTITUTO RIO BRANCO/DIPLOMATA/2016) Considerando a organi-

zação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a disciplina constitucional

acerca da responsabilidade civil do poder público, julgue (C ou E) o item seguinte.

A homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas

rogatórias competem ao Superior Tribunal de Justiça.


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16. (CESPE/PC-PE/AGENTE DE POLÍCIA/2016/ADAPTADA) Com base nas disposi-

ções constitucionais acerca do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), julgue o item.

Entre outras atribuições, cabe ao CNJ avocar processos disciplinares em curso e

representar ao MP nos casos de crimes contra a administração pública ou de abuso

de autoridade.

17. (CESPE/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judi-

ciário e das competências de seus órgãos, julgue o item.

Os crimes contra a organização do trabalho serão processados e julgados perante

a justiça do trabalho.

18. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com refe-

rência à estrutura e ao funcionamento do Poder Judiciário, julgue o item.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são nomeados pelo Presidente da

República após aprovação do Congresso Nacional.

19. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) A respeito da

composição e das finalidades do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), julgue o item.

O CNJ é presidido pelo presidente do STF e, na sua ausência e(ou) impedimento,

pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

20. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) De acordo

com a CF, compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar

ação direta de inconstitucionalidade contra lei do Distrito Federal editada no exer-

cício de sua competência municipal.

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21. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) De acordo

com a CF, compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar

ação cível ajuizada contra o presidente da República.

22. (CESPE/TRE-PI/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Acerca dos órgãos do

Poder Judiciário, assinale a opção correta.

O TSE, órgão máximo da justiça eleitoral, atua como revisor de decisões de tribu-

nais regionais e, nas eleições presidenciais, como instância originária.

23. (CESPE/MPO/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/2015) Com relação ao Poder Judi-

ciário, julgue o item a seguir.

Os servidores do judiciário não poderão receber delegação para a prática de atos

de mero expediente, ainda que sem caráter decisório.

24. (CESPE/TRE-PI/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) No que se refere ao

Poder Judiciário na ordem jurídica constitucional, julgue o item.

No exercício de sua competência correicional, o Conselho Nacional de Justiça pode

apreciar reclamações contra membros do Poder Judiciário bem como aplicar as cor-

respondentes sanções, mesmo quando a corregedoria do tribunal tiver absolvido o

magistrado pelo ato.

25. (CESPE/DPU/TÉCNICO EM ASSUNTOS EDUCACIONAIS/2016) A respeito do Po-

der Judiciário e das funções essenciais à justiça, julgue o item a seguir.

Os pagamentos devidos pelas fazendas públicas federal, estadual e municipal, em

virtude de sentença judicial, são feitos por meio de precatórios.

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26. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2016/ADAPTADA) Em atenção à organização

dos Poderes, julgue o item.

Compete ao governador, recebida a lista tríplice do tribunal, a nomeação de desem-

bargador para o quinto constitucional do Poder Judiciário do DF.

27. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2016/ADAPTADA) Em atenção à organização

dos Poderes, julgue o item.

Os ministros de Estado, nos crimes de responsabilidade conexos com os do Presi-

dente da República, serão processados e julgados pelo STF.

28. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) No que se refere aos

direitos e garantias fundamentais e a outros temas relacionados ao direito consti-

tucional, julgue o próximo item.

Considere que, em procedimento de controle administrativo, o Conselho Nacional

de Justiça (CNJ) tenha rejeitado pedido do interessado de reconhecimento da ilega-

lidade de ato praticado por tribunal de justiça e que, inconformado, o interessado

tenha impetrado mandado de segurança contra o CNJ no Supremo Tribunal Federal

(STF). Nessa situação, conforme o entendimento do STF, a decisão negativa do CNJ

não está sujeita a revisão por meio de mandado de segurança impetrado direta-

mente na Suprema Corte.

29. (CESPE/TRE-PI/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) No que se refere ao

Poder Judiciário na ordem jurídica constitucional, julgue o item.

Cabe ao presidente da República nomear dois juízes, entre seis advogados indica-

dos pela Ordem dos Advogados do Brasil, para a composição dos Tribunais Regio-

nais Eleitorais.

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30. (CESPE/TRE-RS/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2015/ADAPTADA) No tocante ao Poder

Judiciário, julgue o item.

Desembargador de Tribunal Regional Eleitoral que cometer crime comum ou de

responsabilidade será processado e julgado originalmente pelo STF.

31. (CESPE/TRF 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL/2015/ADAPTADA) Com base no que

dispõe a CF sobre o Poder Judiciário, julgue o item a seguir.

A regra constitucional que determina a composição de um quinto dos lugares dos

tribunais para membros do MP e para advogados aplica-se aos TRFs, aos tribunais

dos estados e do DF e aos tribunais superiores, com exceção do STF e do STM.

32. (CESPE/TRE-RS/ANALISTA JUDICIÁRIO/2015/ADAPTADA) A respeito da orga-

nização do Poder Judiciário, julgue o item.

Compete ao STF processar e julgar originariamente mandado de segurança impe-

trado contra ato emanado de tribunal regional eleitoral.

33. (CESPE/TRE-MT/ANALISTA JUDICIÁRIO/2015/ADAPTADA) Julgue o item a se-

guir acerca do Poder Judiciário.

De acordo com o STF, as decisões do TSE são irrecorríveis, ainda que contrariem,

em tese, dispositivos da CF.

34. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2015/ADAPTADA) A respeito do Poder Judici-

ário e considerando o entendimento do STF, julgue o item.

Caso o governo do DF edite lei, derivada de sua competência legislativa municipal,

que afronte determinado dispositivo da CF, caberá, contra tal lei, ADI perante o STF.

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35. (CESPE/TRE-MT/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2015/ADAPTADA) Julgue o item a se-

guir em relação ao Poder Judiciário.

Eventual conflito de competência entre um tribunal regional federal e um tribunal

regional eleitoral deve ser decidido pelo Tribunal Superior Eleitoral.

36. (CESPE/TCE-RN/TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO/2015) A respeito das compe-

tências do Poder Executivo e do Poder Judiciário, julgue o seguinte item.

A revisão, de ofício ou por provocação, dos processos disciplinares, julgados há

menos de um ano, de juízes e membros de tribunais é da competência do CNJ.

37. (CESPE/STJ/ANALISTA JUDICIÁRIO/2015) Julgue o item seguinte, a respeito

do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do STJ, com fundamento na Constituição

Federal de 1988.

Compete, originariamente, ao STJ julgar mandados de segurança contra atos do

Superior Tribunal de Justiça Desportiva.

38. (CESPE/MEC/NÍVEL SUPERIOR/2015) Julgue o item que se segue, relativos ao

Poder Judiciário e às funções essenciais à justiça.

A cláusula de reserva de plenário determina que somente pelo voto da maioria ab-

soluta dos membros do tribunal ou do respectivo órgão especial pode ser declarada

a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público.

39. (CESPE/MPOG/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/2015) Com relação ao poder Ju-

diciário, julgue o item a seguir.

O ingresso na carreira da magistratura ocorrerá mediante concurso público de pro-

vas e títulos, sem a participação da Ordem dos Advogados do Brasil.

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40. (CESPE/TRE-PI/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) No que se refere ao

Poder Judiciário na ordem jurídica constitucional, julgue o item.

Cabe recurso contra decisão proferida por Tribunal Regional Eleitoral que conceda

mandado de segurança, o qual deve ser dirigido ao Tribunal Superior Eleitoral. 

41. (CESPE/MPOG/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/2015) Com relação ao Poder Ju-

diciário, julgue o item a seguir.

Compete ao Superior Tribunal de Justiça julgar originariamente a reclamação para

preservar sua competência e garantir a autoridade de suas decisões.

42. (CESPE/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/2015) Julgue o

item seguinte, a respeito dos órgãos de fiscalização e controle instituídos pela CF.

Dado o princípio da especialidade, a competência do Conselho Nacional de Justiça

para apreciar a legalidade dos atos administrativos praticados por membros do Po-

der Judiciário exclui a competência de outros órgãos de fiscalização e controle para

fazê-lo, salvo a do próprio Poder Judiciário, se no exercício da função jurisdicional.

43. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2015/ADAPTADA) A respeito do Poder Judici-

ário e considerando o entendimento do STF, julgue o item.

No julgamento de deputado federal por crime doloso contra a vida, prevalece a

competência do STF sobre a do tribunal do júri por força de norma constitucional

especial.

44. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2015/ADAPTADA) A respeito do Poder Judici-

ário e considerando o entendimento do STF, julgue o item.

Em local onde não houver vara da justiça do trabalho, os processos de matérias

trabalhistas deverão ser julgados pelo juiz federal da respectiva região, com recur-

so para o respectivo TRF.


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45. (CESPE/TRE-MT/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2015/ADAPTADA) Julgue o item a se-

guir em relação ao Poder Judiciário.

Mandado de segurança impetrado contra ato de ministro de Estado consistente no

lançamento de edital para concurso púbico com notório conteúdo discriminatório

deverá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

46. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2015/ADAPTADA) A respeito do Poder Judici-

ário e considerando o entendimento do STF, julgue o item.

A garantia de inamovibilidade, prevista na CF, alcança juízes e desembargadores

titulares, mas não se estende a juízes substitutos.

47. (CESPE/TJDFT/JUIZ DE DIREITO/2015/ADAPTADA) A respeito do Poder Judici-

ário, julgue o item a seguir considerando a CF e a jurisprudência do STF.

Os efeitos de súmula vinculante editada pelo STF em razão de pacificação de con-

trovérsia judicial transcendem o Poder Judiciário e alcançam os Poderes Legislativo

e Executivo.

48. (CESPE/TRF 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL/2015/ADAPTADA) Com base no que

dispõe a CF sobre o Poder Judiciário, julgue o item a seguir.

Ao Conselho da Justiça Federal, que funciona junto ao STJ, cabe a supervisão fun-

cional, administrativa e financeira da justiça federal de segundo grau, enquanto ao

TRF respectivo cabe tomar as providências correicionais relativas à justiça federal

de primeiro grau.

49. (CESPE/TRF 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL/2015/ADAPTADA) Com base no que

dispõe a CF sobre o Poder Judiciário, julgue o item a seguir.


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No exercício da autonomia administrativa e financeira de que dispõe o Poder Judi-

ciário, os tribunais têm competência para elaborar suas propostas orçamentárias

dentro dos limites estipulados conjuntamente com os demais poderes na lei de

diretrizes orçamentárias.

50. (CESPE/CGE-PI/AUDITOR/2015) Acerca das disposições referentes à adminis-

tração pública, às competências constitucionais dos entes federados e ao Poder

Judiciário, julgue o item a seguir.

O Supremo Tribunal Federal poderá, após reiteradas decisões sobre matéria cons-

titucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá

efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administra-

ção pública direta e indireta nas esferas federal, estadual e municipal.

GABARITO

1. E 11. E 21. E 31. E 41. C

2. E 12. E 22. C 32. E 42. E

3. E 13. C 23. E 33. E 43. C

4. C 14. C 24. C 34. E 44. E

5. E 15. C 25. C 35. E 45. E

6. C 16. C 26. E 36. C 46. E

7. C 17. E 27. E 37. E 47. E

8. E 18. E 28. C 38. C 48. E

9. E 19. E 29. E 39. E 49. C

10. C 20. E 30. E 40. E 50. C

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QUESTÕES COMENTADAS

1. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) O ingresso na carreira de

juiz se dá mediante concurso público de provas e títulos, com a participação da

OAB em todas as fases, exigindo-se do candidato que ele seja bacharel em direito

com, no mínimo, três anos de atividade jurídica. Nesse sentido, de acordo com o

entendimento do STF, a exigência de comprovação do triênio de prática forense,

quando houver ausência de especificação de data no edital, deverá ser cumpri-

da na data da posse.

Errado.

O cargo inicial para ingresso na carreira da magistratura é o de juiz substituto. O

candidato deve se submeter a concurso público de provas e títulos, sendo obri-

gatória a participação da OAB em todas as fases da disputa.

Em regra, os requisitos do cargo público devem ser comprovados no ato da posse

(Súmula 266/STJ). No entanto, para a Magistratura, a comprovação deve ser

feita na inscrição definitiva (STF, RE 655.265).

É por essa razão que o item está errado.

2. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) De acordo com a

CF, ao juiz  que esteja em disponibilidade é permitido exercer qualquer outro

cargo público.

Errado.

Veda-se o exercício de outro ofício ou profissão, ainda que em disponibilidade, sal-

vo uma de Magistério (só aqui você já matava a questão).

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Foi com base nesse dispositivo constitucional que o CNJ editou a Resolução n.

10/2005, a partir da qual se proibiu que os membros do Judiciário também

integrassem a Justiça desportiva. Esse ato normativo foi questionado junto ao

STF, que entendeu pela sua autoaplicabilidade (STF, MS 25.938).

Quando se fala “salvo uma de magistério”, não há uma restrição numérica, mas,

sim, ligada à compatibilidade de horários, para que não haja prejuízo à função ju-

dicante (STF, ADI 3.126).

Ainda sobre o tema, em recente decisão, o CNJ entendeu pela proibição do

exercício de atividades de coaching, mentoria ou similares (Resolução n.

226/2016). Por outro lado, idêntica proibição não alcança os Membros do Ministério

Público.

Ah, considerando o entendimento do STF no sentido de que, na acumulação lícita

de cargos públicos deve ser observado o teto de remuneração em cada cargo isola-

damente e não na somatória dos valores, é possível que, na prática, o Magistrado

supere o subsídio mensal pago aos Ministros do STF.

Feitas essas considerações, o item está errado.

3. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) Com referência à organiza-

ção do Poder Judiciário e ao CNJ, julgue o item a seguir.

Segundo o STF, incidirão juros de mora sobre as dívidas da fazenda pública inscri-

tas em precatórios apresentados até primeiro de julho e pagos até o final do exer-

cício seguinte.

Errado.

Segundo o artigo 100 da Constituição, é obrigatória a inclusão, no orçamento das

entidades de direito público, de verba necessária ao pagamento de seus débitos,

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oriundos de sentenças transitadas em julgado, constantes de precatórios judici-

ários apresentados até 1º de julho, fazendo-se o pagamento até o final do

exercício seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente.

Sobre o tema, a Súmula Vinculante n. 17 diz que durante o período previsto

no parágrafo primeiro do artigo 100 da Constituição, não incidem juros de

mora sobre os precatórios que nele sejam pagos.

Ou seja, caso o precatório seja pago dentro do prazo constitucional especificado no

parágrafo anterior, não deve, o Estado, pagar juros. É só pensar que, se você pa-

gar as contas dentro do prazo, não corre juros. O único detalhe é que, geralmente,

você não tem um prazo tão camarada...

Em resumo, o item está errado por falar na incidência de juros.

4. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) De acordo com a CF,

ao juiz é garantida a vitaliciedade, que, no primeiro grau, será adquirida após dois

anos de exercício.

Certo.

Realmente, a vitaliciedade é adquirida após dois anos de efetivo exercício, para

aqueles que ingressam, mediante concurso público, na 1ª instância. Os membros

que ingressam diretamente nos Tribunais, seja pelo quinto constitucional, seja por

indicação (STF, STJ, TST, TSE etc.), são vitalícios desde a posse.

Lembro, ainda, que os conceitos de vitaliciedade e de titularidade não se confun-

dem. Desse modo, pode um juiz titular não ser vitalício, assim como pode um juiz

já vitalício ainda ser substituto.

Por outro lado, vitaliciedade e estabilidade apresentam algumas distinções, que já

trabalhei algumas linhas acima. Para se olhar para apenas uma delas, o prazo para

a aquisição da estabilidade é bem maior – 3, e não 2 anos.


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Fique atento, pois os detentores de vitaliciedade (Magistrados, Membros do Minis-

tério Público e dos Tribunais de Contas) mantêm as prerrogativas do cargo após a

aposentadoria, mas uma delas – talvez a mais importante para as provas – não é

mantida: o foro especial.

Então, pedimos sua atenção porque o STF entende que, com a aposentadoria,

acaba o foro por prerrogativa de função. Exemplificando, um Ministro do STJ que

estivesse respondendo a ação penal perante o STF, caso se aposente, o processo

passará a tramitar na 1ª instância (STF, RE 549.560)!

A resposta esperada, então, é que o item está correto.

5. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judiciário, julgue

o item.

O Conselho Nacional de Justiça constitui órgão de controle externo da atividade

jurisdicional.

Errado.

O CNJ foi criado pela EC 45/2004, sendo o órgão competente a fazer o controle da

atuação administrativa e financeira do Poder Judiciário, além de zelar pelo cum-

primento dos deveres funcionais de seus membros (e não dos servidores, repare).

Desde o nascimento, o CNJ despertou uma série de polêmicas. A primeira era para

saber sobre sua constitucionalidade. O STF entendeu que, sim, que o Conselho é

compatível com a Constituição.

Além disso, você deve ficar ligado, pois, frequentemente, ouvimos que o CNJ é um

órgão de controle externo. Nada disso! Ele faz o controle interno do Poder Judiciário,

tanto que está na lista de órgãos do Judiciário, previsto no artigo 92 da Constituição.

Resumindo, o item está errado, uma vez que não há controle externo.

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6. (CESPE/TRE-PE/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2017/ADAPTADA) Segundo a CF, são ór-

gãos da justiça eleitoral os juízes eleitorais.

Certo.

Os órgãos da Justiça Eleitoral, segundo o artigo 120 da Constituição, são o TSE, os

TREs (um em cada UF), os juízes e as juntas eleitorais.

O TSE e cada TRE serão compostos de sete membros. Já os juízes e as juntas elei-

torais funcionam na 1ª instância.

7. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com referên-

cia à estrutura e ao funcionamento do Poder Judiciário, julgue o item.

São garantias da magistratura a inamovibilidade, a irredutibilidade de subsídios e

a vitaliciedade.

Certo.

Estão listadas as três garantias da Magistratura, tal qual aparecem na Constituição.

Acrescento que a inamovibilidade se aplica aos Magistrados titulares e também

aos Substitutos, restringindo-se, quanto a estes, à Comarca. Em outras palavras,

embora seja inerente à condição de juiz substituto a tarefa de substituir o titular

em suas ausências ou impedimentos, tal substituição só pode ocorrer dentro da Co-

marca. Isso veio para impedir a figura do “juiz nômade”, que poderia ser designado

para qualquer Comarca dentro do Estado.

Quanto à irredutibilidade de subsídios, é importante lembrar que o STF entendeu

que as verbas relativas a outro regime jurídico não poderiam ser trazidas para a

Magistratura. É o caso dos quintos e décimos que alguns servidores faziam jus.

Quando se tornam juízes, deixando de ser regidos pela Lei n. 8.112/1990 e pas-

sando para a incidência da LOMAN – Lei Orgânica da Magistratura Nacional –, eles

deixam de receber aqueles valores que estavam incorporados à sua remuneração.


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8. (CESPE/PC-GO/ESCRIVÃO/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judiciário, julgue

o item.

Os tribunais regionais federais, diferentemente dos tribunais de justiça dos esta-

dos, não poderão ter, em sua composição, desembargadores oriundos da advocacia

ou do MP pela sistemática do quinto constitucional.

Errado.

Vamos pontuar uma coisa: a regra do quinto constitucional vale para quatro Tribu-

nais: TST, TRT, TRF e TJ. Nesses Tribunais, um quinto das vagas deve ser preenchi-

do por membros do MP e da OAB.

Fique atento a duas outras particularidades: no STJ, podemos falar em “terço cons-

titucional”, na medida em que 1/3 das vagas será preenchido por membros oriun-

dos do MP e da OAB.

Ah, no STF, no TSE e no TRE não há nenhum membro oriundo do MP. Já no STM há

3 advogados e 1 membro do MPM.

9. (CESPE/TCE-PR/NÍVEL SUPERIOR/2016/ADAPTADA) No que se refere ao Poder

Judiciário, julgue o item a seguir.

O Conselho Nacional de Justiça é órgão integrante da estrutura do Poder Judiciário

brasileiro, responsável pelo controle administrativo, financeiro e disciplinar desse

poder, dispondo, por isso, de função jurisdicional.

Errado.

Começo com um detalhe importante: o controle feito pelo CNJ recai sobre quase

todos os órgãos do Judiciário. Isso porque ele alcança a Justiça da União e a Esta-

dual, não importando se comum (federal e estadual) ou especializada (trabalhista,

eleitoral e militar).
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Opa, eu falei quase todos... Pois é, porque o STF e os seus Ministros não são con-

trolados pelo CNJ. Na verdade, é o contrário que acontece, pois em muitos casos

caberá ao STF rever os atos e decisões do CNJ.

Agora, vamos ao cerne da questão: o CNJ não tem jurisdição e também não lhe foi

dada competência para fiscalizar, reexaminar e suspender os efeitos decorrentes

de atos de conteúdo jurisdicional proferidos por Magistrados e Tribunais em geral

(STF, MS 28.872).

Ele faz apenas o controle da atuação administrativa e financeira do Judiciário, além

dos deveres funcionais dos membros, não se estendendo aos atos de conteúdo ju-

risdicional.

10. (CESPE/TJ-PR/JUIZ DE DIREITO/2017/ADAPTADA) Com referência à organiza-

ção do Poder Judiciário e ao CNJ, julgue o item a seguir.

A competência do STF para processar e julgar demanda contra o CNJ restringe-se

às ações tipicamente constitucionais.

Certo.

O artigo 102, XIV, da Constituição diz que compete originariamente ao STF julgar

as ações contra o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e contra o Conselho Nacional

do Ministério Público (CNMP).

Todo cuidado é pouco com esse dispositivo, esquecido pelos alunos, mas muito

lembrado pelos examinadores...

É o seguinte: quando o CNJ e o CNMP foram criados (EC 45/2004), atribuiu-se ao

STF a competência originária para julgar ações contra esses Conselhos. O problema

é que começaram a chegar muitos processos...

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Daí veio uma interpretação restritiva da parte do STF: o termo “ações” passou a ser

entendido como “ações constitucionais”, restringindo o acesso ao Tribunal apenas

para julgamento de Habeas Corpus, Habeas Data, Mandado de Injunção e Mandado

de Segurança. Resumindo, ficariam os remédios constitucionais (HC, HD, MI e MS).

Ou seja, não seria competência do STF julgar ações ordinárias contra o CNJ (STF,

AO 1.706).

O problema é que ainda continuou sendo grande o número de mandados de segu-

rança impetrados contra atos do CNJ, em especial.

Então, em nova interpretação restritiva, o Tribunal fixou a orientação segundo a

qual não cabe MS para o STF contra deliberação negativa do CNJ.

Você, da sua casa, se pergunta: mas que diabo é deliberação negativa?

Espere aí que eu já explico: deliberação negativa é aquela que não muda o enten-

dimento do órgão de origem.

Exemplificando, se um candidato questiona decisão proferida pelo Tribunal de Jus-

tiça do Estado X acerca da forma de contagem de títulos para um concurso de Ta-

belião, o CNJ pode manter o que foi decidido pelo Tribunal ou modificar.

Sendo mantida a decisão, não caberia MS para o STF, pois, nesse caso, a delibera-

ção foi negativa (não inovou, não alterou).

Do contrário, se o CNJ modifica a forma de contagem de pontos, será possível que

alguém se sinta prejudicado e submeta a questão ao STF, por meio de MS, pois

teríamos uma deliberação positiva.

Surge, então, outra pergunta: sendo caso de deliberação negativa, o que o preju-

dicado poderia fazer?

Pois bem, nessa situação, caberá MS, a ser julgado pelo Tribunal de origem. Em

outras palavras, o pedido do candidato se voltará contra aquela primeira decisão

que lhe negou o pedido de contagem de títulos na forma em que esperava.


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A decisão no MS, julgada pelo TJ, poderia ser questionada via recurso ordinário

em mandado de segurança (ROMS), a ser apreciado pelo STJ. A partir daí, haven-

do violação à Constituição Federal, talvez seja cabível a interposição de recurso

extraordinário (RE) para o STF, caso se ultrapassem os filtros para a interposição

desse recurso.

Ou seja, a ideia é sempre restringir as hipóteses de julgamento pelo STF, já tão

assoberbado pelos processos que chegam aos montes naquela Corte.

Depois de toda essa explicação, o item está correto por ter falado em ações cons-

titucionais. Acresço que, se tivesse mencionado a competência do STF para julgar

MS contra deliberação negativa do CNJ, o item se tornaria incorreto.

11. (CESPE/TCE-PR/ANALISTA DE CONTROLE/2016/ADAPTADA) De acordo com a

jurisprudência do STF, assinale a opção correta acerca da regra do quinto consti-

tucional.

Não afrontará o princípio da simetria a norma que, presente em Constituição es-

tadual, imponha a sabatina, pela assembleia legislativa do estado, do candidato

escolhido pelo Poder Executivo a partir de lista tríplice para preenchimento de vaga

em tribunal de justiça destinada ao quinto constitucional.

Errado.

O entendimento prevalente no STF é no sentido de que não cabe à CE prever saba-

tina, pela Assembleia Legislativa, de candidato integrante de lista tríplice destinada

a prover vaga pertencente ao quinto constitucional.

Isso porque o mecanismo de freios e contrapesos já teria atuado mediante a parti-

cipação de mais de um dos Poderes. Como assim?

Ora, a escolha do Governador não é livre, pois ele precisa ficar restrito a um dos

integrantes da lista tríplice elaborada pelo TJ (Judiciário).


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Afora isso, não foi prevista na Constituição Federal a exigência de sabatina quando

se tratou do quinto constitucional.

Essa mesma linha de raciocínio se aplica também à escolha do Procurador-Geral de

Justiça (PGJ), que é o chefe do MP Estadual. Em relação a ele, a Constituição prevê

que o Governador escolherá um nome entre os três apresentados pelo próprio MP.

Então, não caberia à Constituição Estadual acrescentar uma etapa (sabatina da

AL), não prevista na Constituição Federal.

12. (CESPE/TCE-PA/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO/2016) Com relação às

competências do Poder Judiciário, julgue o item que se segue.

O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a competência para julgar

ações oriundas da relação de trabalho entre servidores e administração pública é da

justiça federal, independentemente de serem servidores estatutários ou celetistas.

Errado.

A EC 45/2004 ampliou significativamente a competência da justiça do trabalho.

Na redação atual, o artigo 114 da Constituição diz que compete à justiça do traba-

lho processar e julgar:

I – as ações oriundas da relação de trabalho, abrangidos os entes de direito público


externo e da administração pública direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios.

Eu acabei de falar para você que a EC 45/2004 ampliou bastante a competência da

Justiça do Trabalho, não foi?

Pois é, mas ela ampliou mais do que deveria... daí foi preciso o STF intervir, negan-

do o que está explicitamente colocado na Constituição.

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Deixe-me explicar: o STF excluiu da competência da Justiça do Trabalho o julga-

mento das ações oriundas das relações de trabalho regidas por vínculo estatutário

(STF, ADI 3.395).

Desse modo, um empregado público ligado ao Banco do Brasil, aos Correios (ECT)

ou à Petrobrás deverá ajuizar a ação na Justiça do Trabalho quando quiser discutir

algum direito trabalhista, pois seu vínculo é celetista (CLT).

Por outro lado, um servidor estatutário (regido por estatuto próprio) deverá in-

gressar na Justiça comum, que pode ser Federal ou Estadual, a depender do ente

ao qual pertença. Exemplificando, um servidor do Ministério da Agricultura, regido

pela Lei n. 8.112/1990, ajuizará a ação na Justiça Federal. Ao contrário, um ser-

vidor da Secretaria de Fazenda de São Paulo moverá a ação na Justiça Estadual

(TJSP, 1ª instância).

Dentro dessa premissa – competência da Justiça comum, e não da Justiça traba-

lhista – também se inserem as discussões relativas às contratações temporárias

para atender à necessidade temporária (STF, RCL 4.872).

Porém, o STF entendeu que compete à justiça trabalhista processar e julgar causas

relativas a prestações de natureza trabalhista ou a depósitos do FGTS de servidor

que tenha ingressado no serviço público antes da Constituição de 1988, sem pres-

tar concurso (STF, CC 7.950).

Ah, como você viu, está prevista a competência da Justiça do Trabalho para julgar

os entes de direito público externo, certo? Pois é, mas tem um probleminha...

É que o STF entende que as Organizações das Nações Unidas e suas agências

(exemplo: ONU, PNUD) possuem imunidade de jurisdição, não podendo processa-

dos, salvo se renunciarem à imunidade (STF, RE 578.543).

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13. (CESPE/TCE-PA/AUXILIAR TÉCNICO ADMINISTRAÇÃO/2016) No que diz res-

peito ao Poder Judiciário, julgue o item subsequente.

Se membro do TCE/PA cometer crime comum, ele será processado e julgado, ori-

ginariamente, pelo Superior Tribunal de Justiça.

Certo.

O artigo 105, I, da Constituição prevê que cabe originariamente ao STJ processar

e julgar os membros do TCE, do TCDF e do TCM (onde houver).

Ou seja, em relação aos Tribunais de Contas, apenas os membros do TCU não serão

julgados pelo STJ.

É que em relação a eles vale outra regra, que está no artigo 102: o julgamento dos

Ministros do TCU caberá ao STF, tanto nos crimes comuns quanto nos de respon-

sabilidade.

14. (CESPE/TCE-PA/AUXILIAR TÉCNICO ADMINISTRAÇÃO/2016) No que diz res-

peito ao Poder Judiciário, julgue o item subsequente.

Acusados de cometer infrações penais comuns, deputado federal e senador serão

processados e julgados, originariamente, pelo Supremo Tribunal Federal.

Certo.

De acordo com o artigo 102, II, da Constituição, cabe originariamente ao STF pro-

cessar e julgar nas infrações penais comuns estas autoridades:

a) Presidente e Vice-Presidente da República (Executivo)


b) membros do Congresso Nacional (Legislativo)
c) Ministros do STF (Judiciário)
d) Procurador-Geral da República (Ministério Público)

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A primeira coisa que a gente precisa pontuar é que a expressão “infrações penais

comuns” abrange os crimes eleitorais, militares e as contravenções penais (STF,

RCL 500).

Avançando, sei que os alunos têm uma grande dificuldade em lembrar qual o órgão

competente para julgar as diversas autoridades com foro especial na Constituição.

Não é para menos, pois há um grande número de beneficiados e também falta uma

sistematização do texto.

Sempre associei as autoridades aí de cima como as do 1º Escalão da República!

Eu pensava assim: o pessoal do 1º escalão responde no STF por apenas um

crime, o comum.

Seguindo, no crime de responsabilidade (impeachment), a competência, nesse

caso, passa a ser do Senado Federal, como se vê no artigo 52, incisos I e II, da

Constituição.

Mas há uma ressalva: os Parlamentares se submetem a um regramento diferente,

uma vez que eles não respondem por crime de responsabilidade, mas, sim, por

quebra de decoro parlamentar, na respectiva Casa.

Fique de olho, pois o artigo 51, I, da Constituição exige autorização de 2/3 da Câ-

mara dos Deputados para abrir processo contra o Presidente, o Vice e os Ministros

de Estado. Dada a autorização, a competência para julgamento será do STF (crimes

comuns) ou do Senado Federal (crimes de responsabilidade).

Um alerta: a competência originária do STF é para julgar crimes comuns, certo?

Logo, não é só porque há importantes autoridades da República no processo que a

competência será do STF.

Em outras palavras, o STF não será competente para o processo e o julgamento de

causas de natureza civil que não se achem inscritas no texto constitucional (ações

populares, ações civis públicas, ações cautelares, ações ordinárias, ações declara-

tórias e medidas cautelares), mesmo que instauradas contra o Presidente da Repú-

blica ou contra qualquer outra autoridade (STF, PET 1.738).


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Tem uma exceção ao que falei aí em cima: quem julga ação de improbidade ad-

ministrativa contra Ministros do STF é o próprio Tribunal, para que não haja uma

subversão à ordem do sistema (STF, PET 3.211)

Voltando ao comando da questão, considerando que o Deputado Federal e o Sena-

do Federal são membros do Congresso Nacional (1º Escalão da República – Poder

Legislativo), o julgamento por crimes comuns caberá realmente ao STF, o que torna

o item correto.

15. (CESPE/INSTITUTO RIO BRANCO/DIPLOMATA/2016) Considerando a organi-

zação dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a disciplina constitucional

acerca da responsabilidade civil do poder público, julgue (C ou E) o item seguinte.

A homologação de sentenças estrangeiras e a concessão de exequatur às cartas

rogatórias competem ao Superior Tribunal de Justiça.

Certo.

A EC 45/2004 transferiu, do STF para o STJ, tanto a homologação de sentenças es-

trangeiras quanto a concessão de exequatur às cartas rogatórias. Além disso, todos

os processos que estavam em curso foram remetidos ao novo órgão competente,

pois a inovação constitucional era autoaplicável.

16. (CESPE/PC-PE/AGENTE DE POLÍCIA/2016/ADAPTADA) Com base nas disposi-

ções constitucionais acerca do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), julgue o item.

Entre outras atribuições, cabe ao CNJ avocar processos disciplinares em curso e

representar ao MP nos casos de crimes contra a administração pública ou de abuso

de autoridade.

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Certo.

O § 4º do artigo 103-B da Constituição prevê que, além de outras atribuições que

possam ser previstas pelo Estatuto da Magistratura, caberia ao CNJ:

I- zelar pela autonomia do Poder Judiciário e pelo cumprimento do Estatuto da Magis-


tratura, podendo expedir atos regulamentares, no âmbito de sua competência, ou reco-
mendar providências;    
II- zelar pela observância do art. 37 e apreciar, de ofício ou mediante provocação, a
legalidade dos atos administrativos praticados por membros ou órgãos do Poder Judici-
ário, podendo desconstituí-los, revê-los ou fixar prazo para que se adotem as providên-
cias necessárias ao exato cumprimento da lei, sem prejuízo da competência do Tribunal
de Contas da União; 
III- receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário,
inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços
notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem
prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar proces-
sos disciplinares em curso e determinar a remoção, a disponibilidade ou a aposentadoria
com subsídios ou proventos proporcionais ao tempo de serviço e aplicar outras sanções
administrativas, assegurada ampla defesa;  
IV- representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública
ou de abuso de autoridade;   
V- rever, de ofício ou mediante provocação, os processos disciplinares de juízes e mem-
bros de tribunais julgados há menos de um ano; 
VI- elaborar semestralmente relatório estatístico sobre processos e sentenças prolata-
das, por unidade da Federação, nos diferentes órgãos do Poder Judiciário;   
VII- elaborar relatório anual, propondo as providências que julgar necessárias, sobre a
situação do Poder Judiciário no País e as atividades do Conselho, o qual deve integrar
mensagem do Presidente do Supremo Tribunal Federal a ser remetida ao Congresso
Nacional, por ocasião da abertura da sessão legislativa.    

Pois bem. Vou fazer algumas ponderações rápidas sobre as atribuições de maior

destaque e maior incidência nas provas.

Acerca do que consta no inciso I, tanto o CNJ quanto o CNMP podem editar atos

regulamentares, muitas vezes na forma de resolução. Elas – as resoluções – terão

status de ato normativo primário, por retirarem sua força normativa diretamente

da Constituição.
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Em outras palavras, na “Pirâmide de Kelsen”, as resoluções estarão situadas no

mesmo patamar hierárquico das leis ordinárias e complementares, ficando abaixo

da Constituição, das emendas à Constituição e das normas supralegais.

Aliás, exatamente por serem considerados atos normativos primários é que as re-

soluções podem ser questionadas via ADI (ou as outras ferramentas do controle

concentrado). Foi por essa razão que se ajuizou ADI questionando a legitimidade

da resolução nascida no CNJ e que acabou dando ensejo à edição da Súmula Vin-

culante 13, que veda a prática do nepotismo em toda a Administração.

Partindo para o que consta no inciso II, lembro que o CNJ não pode fazer controle

de constitucionalidade, seja difuso ou concentrado (STF, MS 28.872). Contudo, em

decisão de bastante relevância para as provas, o STF entendeu que o CNJ pode

deixar de aplicar norma que entenda ser inconstitucional.

O caso julgado envolvia uma determinação dada pelo CNJ para que um TJ exone-

rasse servidores nomeados sem concurso público para cargos em comissão que

não se amoldavam às atribuições de direção, chefia ou assessoramento.

Frisou-se que a decisão do CNJ não configuraria controle de constitucionalidade,

sendo exercício de controle da validade dos atos administrativos do Poder Judiciário

(STF, PET 4656/PB).

Já no inciso III se fala da possibilidade de o CNJ aplicar penalidades aos Magis-

trados – lembre que tal hipótese não se estenderia ao STF ou aos seus Ministros.

Dentro desse contexto, a única punição que não pode ser aplicada pelo CNJ é a

demissão. Isso porque ela depende de decisão judicial transitada em julgado.

As demais, como remoção, disponibilidade e aposentadoria compulsória com pro-

ventos proporcionais podem ser impostas na via administrativa, seja por ato do

próprio Tribunal ao qual o Magistrado está vinculado, seja pelo CNJ.

Ah, é importante destacar que a atuação do CNJ não é subsidiária, mas, sim, con-

corrente. Isso autoriza a que ele apure independentemente da ação da Corregedo-

ria do Tribunal de origem. (STF, MS 28.620).


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Outro dispositivo exaustivamente cobrado pelas bancas examinadoras é o inciso V,

que trata da possibilidade de o CNJ rever os processos disciplinares de Magistrados

julgados há menos de um ano.

Dentro da premissa de que a atuação da Corregedoria do Tribunal não impede a

atuação do CNJ, seja concomitante, seja posterior, é assegurada ao Conselho a

atribuição de rever os PADs que tenham tramitado internamente. A deflagração do

processo pode ocorrer por iniciativa do próprio Conselho ou mediante provocação

de algum interessado.

Voltando à questão, a possibilidade de avocação de processos disciplinares está ex-

pressamente prevista no inciso III do § 4º do artigo 103-B da Constituição, o que

torna o item correto.

17. (CESPE/PC-PE/ESCRIVÃO DE POLÍCIA/2016/ADAPTADA) Acerca do Poder Judi-

ciário e das competências de seus órgãos, julgue o item.

Os crimes contra a organização do trabalho serão processados e julgados perante

a justiça do trabalho.

Errado.

Mesmo com o alargamento da competência trazido pela EC 45/2004, a Justiça do

Trabalho não tem competência para processar e julgar ações de natureza penal

(STF, ADI 3.684).

Dito isso, basta verificar o artigo 109, VII, da Constituição para constatar que cabe

aos Juízes Federais, e não à Justiça do Trabalho, julgar os crimes contra a organi-

zação do trabalho.

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18. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) Com refe-

rência à estrutura e ao funcionamento do Poder Judiciário, julgue o item.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) são nomeados pelo Presidente da

República após aprovação do Congresso Nacional.

Errado.

A escolha de Ministros do STF é um exemplo sempre lembrado de atuação do siste-

ma de freios e contrapesos, pois nela há a clara repercussão em todos os Poderes

do Estado. Como assim?

Perceba que a escolha do nome para ocupar uma Cadeira no STF, que está no

topo do Judiciário, cabe ao Presidente da República (Executivo). Por sua vez, o

nome indicado deve passar pela sabatina, em votação secreta (mesmo após a EC

76/2013), devendo ser aprovado por maioria absoluta dos membros do Senado

Federal (Legislativo).

Ou seja, ao contrário do que consta no comando da questão, a aprovação é feita

pelo Senado e não pelo Congresso Nacional. Item, portanto, errado.

19. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) A respeito da

composição e das finalidades do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), julgue o item.

O CNJ é presidido pelo presidente do STF e, na sua ausência e(ou) impedimento,

pelo presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

Errado.

O CNJ é composto de quinze membros, sendo que a maior parte (nove) é de mem-

bros oriundos do Poder Judiciário. Os outros seis virão do Ministério Público (dois),

de representantes da OAB (dois) e de cidadãos (dois), sedo um indicado pela Câ-

mara dos Deputados e outro pelo Senado Federal.


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A EC 61/2009 especificou que o Conselho será presidido pelo Presidente do STF.

A modificação foi necessária, porque no texto anterior constava apenas que o CNJ

seria presidido por um Ministro indicado pelo STF. Na prática, o CNJ passava alguns

meses sendo presidido por outro Ministro, que não o Presidente do STF, pois os

mandatos (ambos de dois anos) não eram coincidentes.

Agora, deixando a questão mais clara, o Presidente do STF preside também o CNJ

e, em suas ausências, ele será substituído pelo Vice-Presidente do STF.

Outra inovação trazida pela EC 61/2009 foi a retirada dos limites etários exigidos

para a participação no CNJ. Agora, não há mais idade mínima ou máxima, antes

fixadas, respectivamente, em 35 e 66 anos.

Já que do Tribunal mais importante (STF) saiu o Presidente, caberá ao Ministro in-

dicado pelo STJ a função de Corregedor do CNJ. Durante o exercício do mandato,

esse Ministro não participa da distribuição de processos no Tribunal.

Cada membro exercerá mandato de dois anos, admitida uma recondução. Fica de

fora dessa regra o Presidente. Isso porque ele exercerá o cargo enquanto perma-

necer na Presidência do STF, seja qual for o prazo.

Voltando ao comando da questão, embora haja um Ministro do TST entre os mem-

bros do CNJ, não cabe a ele substituir o Presidente do CNJ em suas ausências. Essa

tarefa ficará sob o encargo do Vice-Presidente do STF.

20. (CESPE/TRT 8ª REGIÃO/ANALISTA JUDICIÁRIO/2016/ADAPTADA) De acordo

com a CF, compete originariamente ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar

ação direta de inconstitucionalidade contra lei do Distrito Federal editada no exer-

cício de sua competência municipal.

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Errado.

Dentro do controle concentrado de constitucionalidade, cinco ferramentas são colo-

cadas à disposição do STF: ADI, ADO, ADC, ADPF e ADI Interventiva.

A ADI e a ADO podem ser usadas para questionar a validade de normas federais e

estaduais, além das distritais de natureza estadual – a CLDF edita normas próprias

dos Estados e dos Municípios. Por exclusão, não cabe ADI (ou ADO) para questionar

normas municipais e distritais de natureza municipal (STF, Súmula 642).

Já a ADC somente pode ser utilizada quando a norma acerca da qual se quer confir-

mar a constitucionalidade for de natureza federal. Em outras palavras, não caberá

ADC para normas estaduais, distritais ou municipais.

Por sua vez, a ADPF, nascida para proteger os preceitos fundamentais – conceito

abstrato, que vem sendo moldado pelo STF ao longo dos anos –, tem espectro

bem mais amplo, podendo questionar normas federais, estaduais, distritais e mu-

nicipais, inclusive anteriores à Constituição em vigor (o que não acontece com as

outras ferramentas).

Ela (ADPF), no entanto, é regida pelo princípio da subsidiariedade. Isso implica di-

zer que ela será cabível apenas se não houver, no controle concentrado, outro meio

capaz de sanar a lesão ao preceito fundamental tido por violado (STF, ADPF 266).

Voltando ao comando da questão, o erro está em colocar sob o guarda-chuvas da

ADI a análise de normas distritais de natureza municipal frente à Constituição Fe-

deral, vedação que é tratada, inclusive, por meio da Súmula 642/STF.

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