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SSSSSSSSSSSESSESSSEssssesssereeve****** ea umidade era feia dentro de mim. Sendo a casa dividida or um corredor, fieava dificil contar dentro da propria hoite os sonhos um ao outro, E mesmo ELA néo ia gostar de ouvir barulhos pela madrugada. 86 mesmo ir ao ba- nheiro. ELA era vigilante nessas horas inquletas. Pigar- reavamos, ELA ia buscar Agua. Eu gostava daquela agua @.s6 nao bebla mais pra depois no ter que me levantar. Camila no acordava nunca de noite. 86 no outro dia, 6 que vinha logo contar que sonhara com a lua fazendo de novo um boi zebu, um mutumbo redondo no pescoco. Bla tinha medo e ao mesmo tempo queria pegar naquilo. Mas acordava. Eu esquecia os sonhos ¢ inventava coisas que a deixavam boquiaberta. Um. prazer sé pressentido nos olhos do outro, Havia entre nés um acordo de nunca mencioné-LA, mesmo que ELA fosse personagom prin- cipal de algum deles. ‘Passara-se um longo periodo sem ELA se quelxar de menhuma dor. A casa estava ficando desleixada, os pratos sendo lavados com atraso, roupas se amontoando. Estava com os olhos sempre mothados, mas nao de légri- Os cflics numa chuvinha mitda, Faziam um ba- imho que deixava cu e Camila risonhos. A cabega se va sempre nums, saudagéo melancélica. Aproxime- ya-se o tempo de lua cheia. Ta ser 0 nosso sono realizado. SLA no saia de casa, sempre As vollas com galinhas ¢ (gas. Pedia nossas roupas velhas pra fazer ban- deira. Como estavam muito apertadas, entregévamos Querfamos mesmo era pagar a sua cegueira. A 3 chamava mais forte que qualquer coceira de "a sombras de boitatés oferecendo-nos redondos enquanto lees ataeavam mulheres pelas costas. A MULHER DAS MANGABAS Yové Daleca dizia sai da Janela, menino, Menino que vive na janela s6 dé pra mexerico, Bu safa e fleava zangado, sem ter pra onde ir. A janela me chamava como um cachorrinko 6 chamado pela cinza. Vové nao gostava, Sentada, me dizia fique nio, Netinho, Janel ficou pra moca hamoradeira, Eu ficava ajoelhado nos pés dela e ela fazendo cafuné na minha franja do meio fa cabeca até a testa, O resto era tudo raspado. Era bem iresquinha a minha cabeca. Vovd passava a ma falava que cu ia ficar grande, um rapaz muito bonito. Ta ser @ cara, do vovd, Minhas sobrancelhas eram iguai- Zinhas as dele, Sera pensar em nada, as nuvens voando finas, 86 aquela mao velhinha me’ alisando e aquela sonoléncia. Uma vontade de enfiar cada vex mais minha eabeca nas pernas dela, Mas sem maldade nenhuma. Quando cresel um pouco mais, ela nfo deixou, Que Gu ja estava na idade de menino da rua. Nao sei porque me senti pra sempre expulso de suas pernas. Ga comigo: vou ficar na janela s6 pra ela me chamar. Nao chamou, nem me dew passafora, Nem aquela tarde nem nunca mais. Que que estava acontecendo? Seré que estava ficando cega? Mas no. Ainda bordava pés- Ge galinha nas barras das toalhas até escurecer. A Verdade demorou muito a vir. Fieava 0 tempo todo na Janela, vendo as mesmas pessoas pra cima e pra baixo. Seu Jodo com o cavalo de manga, o cabresto j4 todo roido eo bichinho tristonho, num passo de Ultima via- gem, Eu gritava ei, manga, e me escondia. Bie parava 0 cavalo na porta, tirava 0 chapéu e Dona Daleca, quer manga hoje? Vové fingia que nao tinha escutado nem 19 estava vendo cle. Sabla que eu tinba chamado sé de Siivadsira. Ele se montava ¢ ia cai-ndo-cal, Depois jas de chamados, vi que ela estava gos- ¢ se divertia, também. Notando a Star tudo o que era, fruta que passa- alinda, pegava @ @) saeGudmdo era aver da mulher das mangabas, ela mo puxava devagarinho € no meu ouvido soprava grite nfo, Rumeino. sengo ela yom perguntar. Eu ficava intrigado. Dor que’ com. os outros ¢la néo se ineamodava de dizer hao quero néo, ainda tem muita fruta af, sou ew sozi- nha Shais Netinho. Agora com a mulher das mangabes, Fava toda encalistrada, feito peru no terrefro, Uma fandinha, eu jé sentava na janela, me sentindo dono da Jaa. porguntel vové Daléca, a mulher das mangabas jé nora n&o gosta que eu chame ela? ‘de olhos enxutos, o nariz fun- Vovd agarrou a ché gando, olhando Tonge como pordida nos tempos do vovd. Sir que fieava logo emocionado se via alguém chorendo, Geel eorrendo da janela. No quintal, fazia cirewlos, que- Sendo esquecer © pergunta, O ehgo riscedo, sem nenhu- yentprecha, © @ perseguigo do mas-por-que-a-senhora- Tho gosta que-ct-ehame-ela? Fiquel por ali_um pouco sraeepel tempo pras coisas voltarem ao normal. Gara- tujel nas paredes com carvio, O muro me mostrava os CGieulos se encontrando, Pul pra sala. Vové limpava 0s Sthos com as costas da mo, olhando o chio sem ver nada, Nem levantou 2 viste. Rondel a sala, fui até a porta sem me atrever a ‘uma palavra de consolo, @ uma pergunta qualquer. Me Tunti? culpado de tanto chororé s6 por causa de uma sehlher que vendia mangabas. Fiquel odiando tudo o que juuprava mangaba. Até o picolé que eu tanto gostava. ole ua vontade de falar umes coisas boazinhas por- Gue ja estava tao velhinha ¢ chorando tanto a senhora Gnfeaquece, vor. A frase néo salu. Tngasguel ¢ sai tos- Sindo!O pombo no patio com um carogo de milho alar- gando 0 pescogo. E vod Daleca chorando que nem eu Ghando sentia saudade de nsda. De noite, nem eu nem qe Gomemos direito. Ficamos 14 na sala’ mesmo até a oe eeiao tomar conta de tudo. Fui acender a placa que escanto no apaga nunca. Botei também os pratos na Seca Yove nao saiu da sala e me pediu pra ndo trazer 20 a luz, O melhor mesmo era ficar no escuro como as Zimas penadas. Fiquei muito confuso. O que eu achava plor era ser como as almas penadas. Voltel pra cozinha. Bentado no banco, esperava, de méo no queixo a ebaleira ferver, Fiz o calé Tabajara que ela gabava tanto. No compre doutzo café, Netinho, todos tém mistura, menos o café Tabajara. E toda mana ela escutava pelo radio fun programa sob 0 alto patrocinio do famoso café Ta- bajara. Eram mtisicas muito bonitas de “Iébios que bel- de “maos que afaguel”. Eu gostava, mas ngo enten- Gia ‘nao, Vovs Daleca € que se deliclava bebendo o café com as suas muisicas do passado. Notel uma vez ela en- Sugando os olhos sumidos por causa de um “sonhei que éstavas tao linda”, Em mim, velo logo a vontade de cho- rar também. Como homem nao chora, fiquet um tempao com a boca na xicara, De tanto molhar @ boca, o nd da garganta se desfez. O café esfriou e eu ainda com a xi- fara, na boca. Ai vov6 falou menino, tA tomando café de Sobe]o? Mas nao estava no. A vontade de chorar jé tinha passado, me levantei e ela ficou ouvindo o restinho do programa, ‘Naquela noite nem tudo correu bem. Bebi o café sozinho. Lavei a caneca de agata, del comida pro gato @ doido pra voltar pra sala. Queria ver como estava yovs ‘Daleca. Dormia de um sono 86, A luz ne mao, fazis som- bras medrosas na parede, Eu ia ter que enfrentar o brow sem nenhuma voz ao lado da minha, Nao sé teria de ir ‘pro quarto sozinho, como nunca mais ta ter as bonitas historias do cego que casou con Naninha, do cachorro Fiel, e principalmente as de meu bisav6 ‘nos arrozals. seas, ela contava com tanta firmeza que dava pra ver © pal dela caminhando chapechape nas aguas do brejo. faPadormecendo pouco 2 potico, a voz mansa ficando Jonge longe até eu me perder nos dificeis caminhos de mim mesmo. Meus sonhos sempre foram complicados, cheios de papa-figos como me diziam. Homens pagos pra Toubar meninos vadios e matar. O figado era tirado pra boter como remédio nas feridas dos ricos doentes. Ficava sempre numa afiicéo medonha se um menino vagava sozinho pelas estradas. As vezes 0 menino era eu. Amar mheela com mnais vontade de estudar. Vovo fleava alegre com a minha disposicéo depois dessas noites penosa- a1 SELELELE SEE SESEESSFESESEFESEHEH SES SSES*® mente caminhadas. Pensava que era de suas historias. Sentado no batente, esperava ela abrir os olhos ¢ me levar pra cama, Arrotava foreado, Assoblave, Lutava pra me lembrar do sonhel que estavas tao linda. Em vaio. S6 vinha o xote das meninas. E nada dela acordar. Fut fl- tando aperreado, 0 coragio me apertando, Me deu um negécio feio por dentro que anos depois se chamou an- gistia, Nao quis gritar por ninguém. E mesmo a rua sO finha umas quatro ou cinco casas de vizinhos que se Gelestavam, Foi muito ruim tudo aquilo, Alguns can- sé estavam sendo recolhidos, tudo tomando @ sua negridao, Entrei e puxei bem de leve a mio dela, sussut~ rando bem baixinho vov Daleca, vove Dalega. Fol acor- dando, os olios iluminando 0 meu rosto suado, Apertou minha méo, deu uns tapinhas no meu ombro com um v dormir Notinho, voce ainda té acordado, vé dormir, Va. Comecei um pronto tao meu, to Netinho que ela nem conhecia, Nada fez ela se Iembrar das histérias de vovd, ai dela, nos campos de arroz, Chorava no pelto, as 1&- Erimas querendo abrir caminho. Entrei no quartinho ¢ Behe muito apertado, Demorel a dormir com 0 rosto molhado, sem dar vazio a tanto choro. Fiz promessa pro sono chegar, Nada de sono. Pensava em vov6 14 na sala eno modo tao triste dela me mandar pra cama, Netinho, Jae tarde, na segunda vez que falou. Aquela tristeza re~ pontina de yoyo Daleca batia-me na testa exigindo res- posta pronta, Coise nenhuma me trazia a maldita mu- Ther das mangabas. S6 descobri no outro dia ae me lern- prar de um sonho com cestos de mangaba ¢ eu dentro todo sujo, Lutava pra tirar o visgo e me sujava muito nals. A hauler aparecia com a saia de voré Dalega © me javava todinho, Voré aparecia de cara amarrada ¢ j4 pra i'0, mening, nao vé que essa mulher té te lavando? Yo note! que eraa tal mulher das mangabos. ‘sem foreas, parado, sem coragem de mover um { assim o dia inteiro. Queria ir na sala ver wha passado @ noite. Chumbo nas pernas. sar a mao na testa. Pegava fogo. Também iade nenhuma de gritar por ela. Cadé vou? om raiva de mim de verdade. E talvez nem juela mulher enjoada. Melo-dia, De mansinho, passou pele, porta do quarto. De longe mesmo: Pois é, Netinho, nem foi pedir minha pengée hoje. O finel ouvi baixinho, ela metendo a ca- hheea no pote d’4gua. Ainda quis dizer vov, traga pra mnim também, Os chinelos se arrastavam de volta. Esta- va velhinha ¢ cansada, Tive pena dela voltar s6 pra me dar de beber. A sede estalava dentes, garganta, lingua. E aumentou quando o ralo de sol passou pela brecha das telhas e se assentou na minha cara. Nem me movi. Es- tava muito quente, mas fiquei foi arrepiado. Me enrolet mais.no Iengol. Peguei no sono de novo. Acordei de noiti- nha com a Ave-Maria nos rédios dos vizinhos. Tudo no escuro, Queria saber onde me achava. Ao abrir os ollios, pensei despensa da escola. Depois, confessionario de Padre por dentro. Depois de muito ‘pensar, com o SH0 Fenedito na parede, meu quarto brotow du Bstava ali desde ontem, Nao me sentia mais ligado a nin- guém. Antes era o Netinho da vov6 Daleca. Agora, sollo fo mundo, desenlacado, cachorro sem dono. Se viesse um SSiva assim. Pra mim, a vida intelza cu la ser o querido dela. Depois de grande, ia trabalhar, morar numa, casa ihellion, Vové Dalega tendo desde o prato de louga até o Tadinho de pilha que nao chiasse tanto. Lembrando a Ultima noite, fiquei sem entusiasmo, O methor mesmo era me ir de vez, Tomei decisio forte. Amanha you-me Cinbora, Se cla ja nem liga pra mim é porque nao fago falta. Antes eu falo vové, j4 vou. E se ela vier com per- guntas, digo s6 ja vou. B salo. Desde anteontem sem ver a Tua, sem ocupar © meu jugar na janela. Deviam ser jé umas quatro da tarde. Todas as frutas j4 tinham passado. Do meu lugar, tinha ouvide todos os gritos conhecidos, Menos o da mulher Gas mangabas, Vinha sempre perto das cinco horas, a ‘cara pegando fogo debaixo do cesto enorme. Os bracos pendurados, moles e gordos. © mesmo grito fino como Te fosse de colega amigo pra brincar. E furou as paredes, me fez pular da cama, forea estranha me arrancando da 23