Anda di halaman 1dari 9

ARTIGO ARTICLE 57

Desigualdades raciais no Brasil:


síntese de indicadores e desafios
no campo das políticas públicas

Racial inequalities in Brazil: a synthesis of social


indicators and challenges for public policies

Rosana Heringer 1

1 Centro de Estudos Abstract This article aims to systematize and analyze social data that reveal the dimension of
Afro-Brasileiros, Instituto
racial inequalities in Brazil. The point of departure is that racial inequalities affect the capacity
de Humanidades,
Universidade Cândido for integration of Blacks into Brazilian society and jeopardize the proposal to build a democratic
Mendes. Praça Pio X 7, society with equal opportunities for all. Such inequalities are present at different moments in the
7 o andar, Rio de Janeiro, RJ
individual life cycle, beginning in childhood and continuing through school years, in access to
20040-020, Brasil.
heringer@candidomendes.edu.br urban infrastructure, and crystallizing in the labor market, consequently determining the in-
come and living conditions of Afro-Brazilians as a whole. The article also analyzes the main po-
sitions in the political debate on racial inequalities in Brazil, identifying recent initiatives by
both the Brazilian government and civil society to deal with racial discrimination and racial in-
equalities. The article concludes by identifying key challenges for health policy-makers in this
context.
Key words Blacks; Racial Discrimination; Racial Inequality; Public Policy; Social Indicators

Resumo Este artigo pretende sistematizar e analisar indicadores que revelam a dimensão das
desigualdades raciais no Brasil. Parte-se do princípio de que as desigualdades raciais, ao afeta-
rem a capacidade de inserção dos negros na sociedade brasileira, comprometem o projeto de
construção de um país democrático e com oportunidades iguais para todos. Essas desigualdades
estão presentes em diferentes momentos do ciclo de vida do indivíduo, desde a infância, passan-
do pelo acesso à educação, à infra-estrutura urbana e cristalizando-se no mercado de trabalho e,
por conseqüência, no valor dos rendimentos obtidos e nas condições de vida como um todo. Tam-
bém serão apresentadas as principais vertentes do atual debate político sobre desigualdades ra-
ciais no Brasil, identificando as iniciativas por parte do Estado brasileiro e da sociedade civil
destinadas a enfrentar a discriminação e as desigualdades raciais. Finalmente, pretende-se apon-
tar alguns desafios colocados para os formuladores de políticas de saúde a partir deste quadro.
Palavras-chave Negros; Discriminação Racial; Desigualdade Social; Política Social; Indicadores
Sociais

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


58 HERINGER, R.

Introdução Contextualização histórica


e distribuição da população por cor
O Brasil encontra-se entre as maiores econo-
mias do mundo e foi considerado, ao longo de O Brasil foi o último país do mundo a abolir o
várias décadas, o país da “democracia racial”. trabalho escravo de pessoas de origem africa-
Entretanto, embora nunca tenha se consolida- na, em 1888, após ter recebido, ao longo de
do no país um regime de segregação racial le- mais de três séculos, cerca de quatro milhões
gal e formal, a realidade brasileira é outra. As de africanos como escravos (Heringer et al.,
distinções e desigualdades raciais são contun- 1989; IBGE, 1987). Embora nenhuma forma de
dentes, facilmente visíveis e de graves conse- segregação tenha sido imposta após a abolição,
qüências para a população afro-brasileira e pa- os ex-escravos tornaram-se, de maneira geral,
ra o país como um todo. A literatura é pródiga marginalizados em relação ao sistema econô-
em trabalhos que demonstram, ao longo de dé- mico vigente. Além disso, o governo brasileiro
cadas, a presença e a persistência das desigual- iniciou, na segunda metade do século XIX, o
dades raciais a da situação subalterna do negro estímulo à imigração européia, numa tentativa
na sociedade brasileira (Fernandes, 1978; Gui- explícita de “branquear” a população nacional.
marães, 1999, 2002; Hasenbalg & Silva, 1988, Milhões de imigrantes europeus entraram no
1992, 1999). país durante as últimas décadas do século XIX
Este artigo pretende sistematizar e analisar e no início do século XX. Essa força de trabalho
indicadores que revelam a dimensão das desi- foi contratada preferencialmente tanto na agri-
gualdades raciais no Brasil. Também serão apre- cultura como na indústria que estava sendo
sentadas as principais vertentes do atual deba- implantada nas principais cidades.
te político sobre desigualdades raciais no Bra- Durante a década de 1930, quando o país
sil, identificando as iniciativas por parte do Es- iniciava sua industrialização e, ao mesmo tem-
tado brasileiro e da sociedade civil destinadas po, seus intelectuais debatiam em torno da de-
a enfrentar a discriminação e as desigualdades finição de uma identidade nacional, havia uma
raciais. Finalmente, pretende-se apontar al- interpretação que ganhou força no meio inte-
guns desafios colocados para os formuladores lectual brasileiro, que assinalava “a idéia de
de políticas de saúde a partir deste quadro, que o Brasil era uma sociedade sem ‘linha de
bem como serão identificadas algumas lacunas cor’, ou seja, uma sociedade sem barreiras legais
de conhecimento e necessidades de investiga- que impedissem a ascensão social de pessoas de
ção neste campo de intervenção e avaliação de cor a cargos oficiais ou a posições de riqueza e
políticas públicas. prestígio” (Guimarães, 2002:139), sintetizada
As informações apresentadas praticamente na concepção de uma democracia racial. A ori-
falam por si mesmas. As desigualdades são gra- gem precisa desta expressão não está totalmen-
ves e, ao afetarem a capacidade de inserção dos te esclarecida. Como afirma Guimarães (2002:
negros na sociedade brasileira, comprometem 139), “na literatura acadêmica especializada, o
o projeto de construção de um país democrático uso primeiro parece caber a Charles Wagley: ‘O
e com oportunidades iguais para todos. Apre- Brasil é renomado mundialmente por sua de-
sentam-se em diferentes momentos do ciclo de mocracia racial’, escrevia Wagley, em 1952...”.
vida do indivíduo, desde a saúde na infância, No lugar de nos envergonharmos de nossa
passando pelo acesso à educação e cristalizan- maioria negra e mestiça, devíamos nos orgu-
do-se no mercado de trabalho e, por conse- lhar e admirar isto como um sinal de nossa to-
qüência, no valor dos rendimentos obtidos e lerância e integração racial. Afinal, nós não
nas condições de vida como um todo. Está pre- possuíamos uma segregação legal como nos
sente na diferença entre brancos e negros em Estados Unidos e na África do Sul e éramos ca-
termos de acesso à justiça. Esperamos que as pazes de conviver bem com todas as raças. De-
informações e análises aqui contidas sirvam de pois da Segunda Guerra Mundial, a Organiza-
subsídio para uma reflexão profunda sobre as ção das Nações Unidas para a Educação, Ciên-
desigualdades raciais no Brasil, levando à su- cia e Cultura (UNESCO) financiou um extenso
gestão e à adoção de medidas que venham a projeto de pesquisa sobre o Brasil. Segundo
beneficiar, em curto prazo, a população negra Maio (1999:143-144), “a ‘opção Brasil’ guarda
do Brasil. íntima relação com o contexto internacional da
época. (...) A controvertida crença numa demo-
cracia racial à brasileira, que teve no sociólogo
Gilberto Freyre a mais refinada interpretação,
tornou-se assim um dos principais alicerces
ideológicos da integração racial e do desenvol-

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL 59

vimento do país e foi suficientemente substanti- criminação racial. Isto começou a mudar devi-
va para atrair a atenção internacional”. do à crescente visibilidade de um ativo Movi-
O Projeto Unesco constituiu-se num im- mento Negro, à presença de um pequeno gru-
portante marco do estudo sobre relações ra- po de intelectuais negros e de artistas que fre-
ciais no Brasil e no processo de institucionali- qüentemente levantavam o assunto e, também,
zação das Ciências Sociais de uma forma geral. à intenção governamental de fazer algo em re-
Alguns autores afirmam que o Projeto Unesco lação ao assunto, criando agências específicas
frustrou suas expectativas iniciais ao ter identi- para cuidar da cultura negra, da situação dos
ficado o preconceito racial persistente no país, descendentes dos antigos escravos e da legisla-
que era com freqüência descrito como “paraíso ção anti-racista.
racial” (Skidmore, 1976; Winant, 1994). Maio
(1999), entretanto, afirma que embora houves- Critérios de classificação racial
se por parte da Unesco “uma imagem positiva
do país em matéria racial”, o projeto “desenvol- O censo brasileiro pede às pessoas que se clas-
veu-se de forma mais complexa”, resultando sifiquem dentro de uma das cinco categorias
numa visão mais contrastante do cenário racial seguintes: branco, preto, pardo, indígena ou
brasileiro. Maio (1999:151) reproduz uma de- amarelo (oriental). Pretos e pardos constituem
claração do principal idealizador do Projeto 45% de toda população e 98.7% da população
Unesco, Alfred Métraux, na qual ele considera não-branca (IBGE, 1996).
o Brasil “um exemplo de país onde as relações No Brasil, o conceito de raça encontra-se
entre as raças são relativamente harmoniosas, mais relacionado à cor da pele e traços faciais
todavia registra que ‘seria uma exagero [...] afir- do que à ancestralidade. Isso levou alguns es-
mar que o preconceito racial é ignorado”. tudiosos a analisar a classificação racial brasi-
Durante os anos 60 e 70, a ditadura militar leira não enquanto grupos raciais, mas sim
suprimiu muitas formas de liberdade intelec- grupos de cor (Degler, 1991).
tual e atividade política, dificultando a organi- Outra característica da classificação brasi-
zação dos movimentos sociais e, entre eles, do leira se relaciona ao nosso passado e ao mito
movimento negro. Isto não impediu, porém, da democracia racial. Como Guimarães expli-
que florescessem várias formas de resistência ca: “a especificidade do racismo brasileiro, ou
cultural negra, principalmente nos grandes cen- do racismo latino-americano em geral, vem do
tros urbanos. O Censo Nacional de 1970 não in- fato de que a nacionalidade brasileira não foi
cluiu o quesito sobre raça ou cor em seus for- formada, ou ‘imaginada’, para usar a metáfora
mulários. No fim dos anos 70, uma variedade de Anderson, como uma comunidade de indiví-
de movimentos sociais começou a se reorgani- duos etnicamente dissimilares, vindos de todas
zar, buscando melhorar as condições sociais as partes da Europa, como ocorreu nos EUA. O
do país (Hanchard, 2001). Entre eles, grupos re- Brasil é um amálgama de mestiços de diferentes
feridos genericamente como Movimento Negro origens raciais e étnicas, cuja raça e etnicidade
estavam decididos a combater a discriminação foram perdidas, a fim de ganhar a nacionalida-
racial no Brasil. O primeiro governo civil foi de brasileira” (Guimarães, 1995:215).
eleito indiretamente em 1985. Os anos 80 fo- Para propósitos estatísticos, considerando-
ram marcados por importantes avanços, em se que a flexibilidade da classificação de cor no
termos de democratização política, culminan- Brasil torna difícil diferenciar ambos os grupos,
do com a promulgação de uma nova Constitui- e também a proximidade em termos de indica-
ção em 1988. dores sócio-econômicos entre os dois grupos,
Neste período, estudiosos começaram, mais pesquisadores como Nelson do Valle Silva e
uma vez, a examinar a “questão racial”, contri- Carlos Hasenbalg, seguidos por vários outros,
buindo para a construção de uma rede com- consideram geralmente pretos e pardos juntos,
posta por intelectuais, ativistas e agências de como uma única categoria. Assume-se que a
cooperação internacional que favoreceram a maioria dos pardos possui ascendência africa-
inserção da questão racial na agenda pública na. Neste texto, as palavras negros e afro-brasi-
nacional (Bourdieu & Wacquant, 2002). Mili- leiros são usadas alternadamente, significando
tantes denunciaram as desigualdades raciais e aqueles que se classificam como pretos e par-
tentavam entender por que o mito da demo- dos nas pesquisas do IBGE.
cracia racial ainda estava vivo e era aceito de A partir dos dados mais recentes disponí-
maneira geral. Em um país com enormes desi- veis na Tabela 1, podemos observar que a po-
gualdades sócio-econômicas, era difícil para os pulação brasileira compõe-se de 54% de bran-
negros compreender que suas condições de vi- cos e 45,3% de negros, segundo a auto-declara-
da precárias eram resultantes também da dis- ção dos informantes. A distribuição regional

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


60 HERINGER, R.

apresenta-se bastante diferenciada, com gran- Acesso à educação


de concentração da população afro-brasileira
nas regiões Nordeste e Norte. O sul do país pos- O acesso à educação é geralmente apresentado
sui população majoritariamente branca e a Re- pelos estudiosos como um dos principais fato-
gião Centro-Oeste apresenta uma distribuição res associados ao alcance de melhores oportu-
equilibrada entre brancos e negros, similar à nidades no mercado de trabalho e, conseqüen-
distribuição nacional. temente, um melhor rendimento. Para um gran-
de contingente da população, o aumento da
Infra-estrutura urbana e habitação escolaridade é visto como o principal caminho
de mobilidade social ascendente dos indiví-
É de conhecimento geral a estreita relação en- duos. Diante deste quadro, ganha ainda mais
tre as condições de saúde e o acesso à infra-es- importância a análise das oportunidades edu-
trutura básica em termos de serviços públicos, cacionais de brancos e negros no Brasil, e, prin-
tais como saneamento, coleta de lixo e acesso à cipalmente, sobre a relação entre este desem-
eletricidade, entre outros. Os dados disponí- penho e a alocação dos dois grupos no merca-
veis na Tabela 2, para 1999, revelam que bran- do de trabalho, como veremos mais adiante.
cos e negros no Brasil têm um acesso desigual Uma primeira constatação é a baixa escola-
a estes serviços. ridade da população brasileira como um todo,
Outros indicadores de condições de vida e já que a média do país é de apenas 5,7 anos de
acesso a serviços disponíveis para o ano de estudo. Supondo que não haja repetência, isto
1999, citados por Henriques (2001), revelam equivaleria apenas à conclusão da 5 a série do
mais aspectos da desigualdade entre negros e ensino básico. Um outro aspecto a se levar em
brancos no que diz respeito à infra-estrutura conta é a diferença em termos de anos de estu-
urbana. Ainda que este quadro tenha melhora- do entre negros e brancos. Estes últimos pos-
do para o conjunto do país ao longo da década, suem em média dois anos de estudo a mais do
as diferenças entre negros e brancos permane- que os negros.
cem, conforme pudemos ver anteriormente. Se- A Tabela 3 demonstra não a média, mas os
gundo o IBGE (1999), 15,2% dos brancos vivem anos de estudo efetivamente cursados pelas
em domicílios sem coleta de lixo, enquanto pessoas de 15 anos ou mais. Em primeiro lugar,
30,3% dos negros encontram-se nesta situação. se comparamos a situação de 1988 e 1996 veri-
Analisando este e outros indicadores habi- ficamos que houve um aumento da escolarida-
tacionais numa série histórica (1992-1999), de dos brasileiros no período. Entretanto, esta
Henriques (2001:18), afirma que os dados indi- ampliação do acesso à escola não se traduziu
cam “uma trajetória de aumento das diferenças numa diminuição das desigualdades raciais, já
entre brancos e negros, sobretudo nos indicado- que a proporção de negros entre as pessoas
res de acesso à coleta de lixo, escoamento sani- com 12 anos ou mais de estudo (equivalente
tário, acesso à energia elétrica e abastecimento aos que concluíram o ensino médio e possuem
de água”. curso superior) é de apenas 2,8%, quase quatro
Baseados nesses e em outros dados, os pes- vezes menos do que os brancos na mesma faixa
quisadores Wânia Sant’Anna & Marcelo Paixão (10,9%). Por outro lado, a proporção de negros
(1997), utilizaram o Índice de Desenvolvimen- entre aqueles sem instrução ou com menos de
to Humano (IDH), usado pelo Programa das Na- um ano de estudo continua em 1996 a ser mais
ções Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do dobro da proporção de brancos nesta faixa.
para calcular a qualidade de vida relativa da A permanência deste padrão de desigual-
população afro-brasileira (pretos e pardos). O dade educacional entre negros e brancos en-
IDH do conjunto da população brasileira era contra-se igualmente explicitada no trabalho
de 0,796 (para um máximo de 1,000). Para os realizado por Ricardo Henriques (2001:27), on-
afro-brasileiros, o IDH era 0,573. de ele demonstra que “um jovem branco de 25
“O IDH para os afro-brasileiros é pior do que anos tem, em média, mais 2,3 anos de estudo
o dos países latino-americanos, exceto Nicará- que um jovem negro da mesma idade, e essa in-
gua, que vem logo atrás com 0,568. (...) Uma tensidade da discriminação racial é a mesma
triste situação para o paraíso da democracia ra- vivida pelos pais desses jovens – e a mesma ob-
cial...” (Sant’Anna & Paixão, 1997:33). servada entre seus avós. (...) A escolaridade mé-
dia de ambas as raças cresce ao longo do século,
mas o padrão de discriminação racial, expresso
pelo diferencial nos anos de escolaridade entre
brancos e negros [2,3 anos em média], mantém-
se absolutamente estável entre as gerações”.

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL 61

Este quadro geral da situação educacional Tabela 1


dos negros no Brasil, representa uma das prin-
cipais dificuldades a serem enfrentadas a fim Distribuição da população por cor ou raça*, 1999.
de gerar maior igualdade de oportunidades en-
tre brancos e negros no país. Atenta a este ce- %
nário, a presidente do Instituto Nacional de Es- Branca Preta Parda Amarela e
indígena**
tudos e Pesquisas Educacionais (INEP), ligado
ao Ministério da Educação, afirmou em artigo Brasil 54,0 5,4 39,9 0,6
recente que a população negra continua apre- Região Norte urbana*** 28,4 2,3 68,3 1,0
sentando um nível de escolaridade mais baixo. Região Nordeste 29,7 5,6 64,5 0,2
Esta é uma das prioridades para uma política Região Sudeste 64,0 6,7 28,4 0,8
de eqüidade e integração socioeconômicas que Região Sul 83,6 3,0 12,6 0,7
requer uma ação mais afirmativa do poder pú- Região Centro-Oeste 46,2 3,5 49,4 0,8
blico e da sociedade (Castro, 1998).
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2000).
* exclusive as pessoas que não declararam sua cor.
** o dado disponível na Síntese de Indicadores Sociais não desagregou
Mercado de trabalho estas duas categorias (nota da autora).
*** exclusive a população da área rural de Rondônia, Acre, Amazonas,
e distribuição de renda Roraima, Pará e Amapá.

“Mais de um século depois da abolição da escra-


vidão, o trabalho manual continua a ser o lugar
reservado para os afro-brasileiros. Em oposição
ao que afirmaram as teorias sobre moderniza- Tabela 2
ção, a estrutura de transição fornecida pelo rá-
pido crescimento econômico nas últimas déca- Domicílios por condição de saneamento segundo a cor do chefe, 1999.
das não parece ter contribuído para diminuir
de maneira significativa a distância existente %
entre os grupos raciais presentes na população” Água canalizada e rede Esgoto e fossa séptica
geral de distribuição
(Hasenbalg, 1996:15). Branca Preta e parda Branca Preta e parda
Os negros brasileiros têm feito pouco pro-
gresso na conquista de profissões de maior pres- Brasil 82,8 67,2 62,7 39,6
tígio social, no estabelecimento de seus pró- Região Norte urbana* 68,6 57,5 19,2 12,7
prios negócios e na ocupação de posições de Região Nordeste 66,7 55,1 28,7 19,8
poder político. Eles ainda concentram-se em Região Sudeste 90,0 82,5 83,9 71,0
atividades manuais que exigem pouca qualifi- Região Sul 79,8 77,3 46,4 34,0
cação e escolaridade formal. As desvantagens Região Centro-Oeste 75,2 66,4 38,7 31,3
acumuladas através da história brasileira tor-
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (IBGE, 2000).
naram o sucesso difícil para a população afro- * exclusive a população da área rural de Rondônia, Acre, Amazonas,
brasileira (Lima, 1999). Roraima, Pará e Amapá.

Tabela 3

Anos de estudo por cor, com 15 anos de idade e mais. Brasil, 1988 e 1996.

Anos de estudos 1988 1996


Cor Total Cor Total
Brancos Pretos Pardos Brancos Pretos Pardos

Sem instrução/ 17,9 34,5 34,2 24,9 11,8 26,2 23,4 16,7
Menos de 1 ano
1-3 anos 22,3 26,9 27,0 24,3 13,3 18,5 19,5 15,9
4-8 anos 40,0 31,4 29,8 35,5 43,8 41,3 40,7 42,4
9-11 anos 12,6 5,9 7,3 10,3 20,3 11,2 13,3 17,2
12 anos e + 7,3 1,2 1,6 4,9 10,9 2,4 2,8 7,5
Sem declaração – – – – 0,3 0,3 0,3 0,3

Fonte: Hasenbalg & Silva (1999).

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


62 HERINGER, R.

Informações recentes, obtidas a partir de tuação se agrava principalmente nos grupos


pesquisa específica realizada em seis regiões com grau de instrução mais elevado. Tal fato
metropolitanas do país, indicam que a desi- pode ser atribuído à ausência, entre os negros,
gualdade racial está presente nos mais varia- de redes pessoais que permitam maior acesso
dos indicadores associados ao desempenho de a melhores oportunidades de emprego. Tam-
brancos e negros no mercado de trabalho. Na bém pode ser atribuído à sub-remuneração e à
Região Metropolitana de São Paulo, a maior ci- sub-utilização de mão-de-obra negra qualifi-
dade brasileira, a taxa de desemprego entre os cada, decorrente da discriminação racial.
homens negros é de 20,9%, enquanto esta taxa Este quadro apresentado para a Região Me-
é de 13,8% entre os brancos (INSPIR/DIEESE/ tropolitana de São Paulo não se constitui num
AFL-CIO, 1999). O valor do salário médio diário caso isolado. Ao contrário, reproduz-se em to-
de negros e brancos também revela grandes dis- do o país, provavelmente de formas mais acen-
paridades. Em São Paulo, os negros ganham em tuadas em regiões com menor circulação de ri-
média R$2,94 por dia, enquanto os brancos re- queza e atividade econômica menos dinâmica.
cebem R$5,50 (INSPIR/DIEESE/AFL-CIO, 1999). O perfil de distribuição de renda aqui apre-
Como afirma o relatório sobre desigualda- sentado é consistente com a composição racial
des raciais no mercado de trabalho, “é preciso da pobreza, tal como apresentada por Henri-
que o Estado invista em políticas públicas e im- ques (2001). O autor aponta que, em 1999, os
plemente de fato a Convenção 111 da OIT, in- negros constituíam 45% da população e totali-
vertendo a lógica da estrutura de oportunida- zavam 64% dos pobres (e 69% dos indigentes).
des, que está profundamente marcada por prá- Inversamente, os brancos eram 54% da popula-
ticas violadoras de direitos e de discriminações ção, e totalizavam apenas 36% dos pobres e
baseadas na raça e no sexo” (INSPIR/DIEESE/ 31% dos indigentes.
AFL-CIO, 1999:8). A pesquisa revela que ape-
nas 1,9% dos negros ocupados em São Paulo
são empregadores, em comparação aos 7,2% de Estratégias de combate às
brancos nesta posição, enquanto mais da me- desigualdades raciais no Brasil
tade das mulheres negras (56,3%) estão ocupa-
das como domésticas ou mensalistas (INSPIR/ Políticas públicas de combate
DIEESE/AFL-CIO, 1999). às desigualdades raciais
O quadro de desigualdade entre negros e
brancos está relacionado tanto a fatores estru- Como resultado das constantes reivindicações
turais quanto à discriminação. Entre os fatores do Movimento Negro, o governo brasileiro tem
estruturais, sem dúvida o mais significativo é o se mostrado mais sensível à questão da discri-
componente educacional. Ao se situarem nos minação racial no país. No conteúdo do Déci-
grupos com menor acesso à educação formal, mo Relatório Relativo à Convenção Internacio-
os negros também ocupam postos de menor nal sobre a Eliminação do Todas as Formas de
prestígio no mercado de trabalho. A Tabela 4 Discriminação Racial (MJ/MRE, 1996), enviado
demonstra que, enquanto 32,8% dos brancos pelo governo brasileiro às Nações Unidas, re-
ocupados na Região Metropolitana de São Pau- conhece-se a existência de práticas discrimi-
lo possuem grau de escolaridade até o 1o grau natórias que repercutem em todas as instân-
incompleto (ensino fundamental), cerca de cias sociais, incluindo-se aí desde relações in-
54% dos negros estão nesta posição. A situação terpessoais até indicadores de qualidade de vi-
se inverte quando analisamos a faixa equiva- da da população. Apesar do racismo ser defini-
lente ao ensino médio e ao ensino superior. do como crime (Lei n. 7.716 de 5 de janeiro de
Neste último grupo a proporção de brancos 1989), persiste uma relação causal entre cor e
equivale a quase cinco vezes a dos negros. desigualdades.
No que diz respeito ao rendimento, negros No âmbito governamental, porém, as ini-
e brancos também possuem situações desi- ciativas de combate às desigualdades raciais
guais. Ainda no caso da Região Metropolitana ainda têm um alcance limitado e podem ser
de São Paulo, apenas 5,3% dos negros ocupa- mais facilmente identificadas nos documentos
dos recebem mais de 10 salários mínimos. e recomendações do que por meio de ações prá-
Esse fato poderia ser interpretado – e em ticas. O Programa Nacional de Direitos Huma-
muitos casos o é – como decorrente somente nos (MJ, 1998), por exemplo, dedica uma seção
do menor grau de instrução dos negros. Entre- inteira à apresentação de propostas relaciona-
tanto, mesmo quando se encontram em iguais das ao tema das desigualdades raciais, resul-
condições de escolaridade, negros e brancos tantes em grande medida dos trabalhos do GTI
possuem rendimentos diferenciados. Essa si- (Grupo de Trabalho Interministerial para Valo-

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL 63

Tabela 4

Distribuição dos ocupados por nível de instrução segundo raça e sexo. Região Metropolitana de São Paulo, 1998.

Nível de instrução Raça Total


Negra1 Não-negra1
Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total Homens Mulheres Total

Analfabeto 5,9 6,0 6,0 2,8 2,5 2,7 3,7 3,6 3,7
1o Grau incompleto 56,7 50,4 54,0 35,4 29,0 32,8 41,8 35,8 39,3
1o Grau completo 13,6 12,8 13,3 12,5 10,4 11,7 12,9 11,2 12,2
2o Grau incompleto 7,1 7,5 7,3 7,4 7,2 7,3 7,3 7,3 7,3
2o Grau completo 12,2 16,6 14,1 19,4 23,5 21,1 17,2 21,3 18,9
3o Grau 4,4 6,5 5,3 22,5 27,4 24,5 17,1 20,7 18,6
Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0

1 Raça negra = pretos e pardos; raça não-negra = brancos e amarelos.


Fonte: Pesquisa de Emprego e Desemprego – Região Metropolitana de São Paulo (Departamento Intersindical de Estatística
e Estudos Sócio-Econômicos/Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) <http://www.dieese.org.br/ped/ped.html>.

rização da População Negra), criado após a mo- suficiência de recursos materiais e humanos
bilização das organizações do movimento ne- que garantam o bom andamento dos mesmos.
gro por ocasião da celebração dos 300 anos de Constata-se, também, a descontinuidade de
Zumbi dos Palmares, em 1995. programas e a falta de sensibilidade de muitos
Em julho de 1996, o governo federal organi- técnicos e funcionários para incorporar o com-
zou a conferência Multiculturalismo e Racis- bate às desigualdades e à discriminação racial
mo: O Papel da Ação Afirmativa nos Estados no seu cotidiano de trabalho.
Democráticos Contemporâneos (Grin, 2001).
Em seu discurso de abertura, o Presidente Fer- A sociedade civil e o combate
nando Henrique Cardoso declarou: “Devemos, às desigualdades raciais
pois, buscar soluções que não sejam pura e sim-
plesmente a repetição ou a cópia de outras solu- Assistimos ao longo dos últimos anos a prolife-
ções imaginadas para situações em que também ração de variadas iniciativas relacionadas ao
há discriminação e o preconceito, mas em con- enfrentamento das desigualdades raciais no
texto diferente do nosso. É melhor, portanto, bus- Brasil. Muitas delas nem sempre utilizam esta
carmos uma solução mais imaginativa” (Sou- terminologia, mas colocam entre seus objetivos
za, 1997:15). a promoção da população afro-brasileira. É di-
Após a conferência, começaram os traba- fícil enquadrá-las em uma única classificação,
lhos do GTI, seguindo as recomendações le- dada a diversidade de atividades desenvolvidas.
vantadas durante o encontro. Várias medidas Na tentativa de agrupá-las, podemos desta-
propostas envolviam algum tipo de programa car os seguintes tipos de organizações: ativida-
de ação afirmativa, que deveria ser desenhado des comunitárias, geralmente em favelas ou
para promover o acesso de mais negros a em- bairros de periferia, destinadas à promoção so-
pregos e educação. cial de crianças e jovens, por meio de reforço
O documento Construindo a Democracia escolar, de atividades profissionalizantes e de
Racial (Presidência da República, 1998:39), educação voltadas para o exercício da cidada-
apresenta os “planos de ação que estão sendo nia; atividades de apoio e estímulo a microem-
ou serão desenvolvidos” em termos de políticas presários afro-brasileiros: esta atividade envol-
públicas. Este documento, juntamente com o ve treinamento em conhecimentos ligados à
Plano Nacional de Direitos Humanos, expressa administração empresarial e qualificação pro-
as diretrizes governamentais para o combate fissional; estímulo e ampliação do acesso de
às desigualdades raciais no Brasil. afro-brasileiros ao ensino superior: esta ativi-
De maneira geral, acreditamos que o Esta- dade se dá principalmente servindo-se da or-
do brasileiro, nas suas diversas instâncias, ain- ganização de cursos preparatórios (pré-vesti-
da não demonstrou o comprometimento ne- bular) para o exame de admissão às universi-
cessário com a diminuição das desigualdades dades brasileiras (Maggie, 2001).
raciais. Mesmo nos programas que já vêm sen- Estas são, entre outras, algumas das inicia-
do implementados, é possível identificar a in- tivas que ilustram a existência de uma mobili-

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


64 HERINGER, R.

zação de diferentes setores da sociedade no lação negra estaria associada ao seu baixo grau
sentido da adoção de políticas de promoção da de escolaridade. Portanto, uma melhoria geral
igualdade. das políticas educacionais traria os benefícios
O Brasil passou por um grande processo de esperados à população afro-brasileira.
mudanças ao longo dos últimos anos, no que Em pouco mais de dois anos, o quadro pas-
diz respeito às relações raciais. A percepção do sou por grandes transformações. O assunto ga-
país como uma democracia racial é cada vez nhou importância no debate político no Brasil,
menos consensual, e hoje diferentes setores da especialmente em 2001, devido ao processo
sociedade têm sua agenda política marcada preparatório da Conferencia Mundial contra o
pelo debate sobre o racismo como elemento Racismo (CMR). Além da mobilização do mo-
constitutivo de nossa sociedade. Embora ainda vimento negro, um aspecto importante desse
esteja também presente a auto-imagem do processo foi o posicionamento público de al-
Brasil como um país homogêneo e indiferen- guns representantes do governo, especialmen-
ciado, encontra-se progressivamente maior te do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica
abertura a experiências que procuram benefi- Aplicada, vinculado ao Ministério do Planeja-
ciar grupos específicos, historicamente com mento). O IPEA divulgou indicadores que reve-
menor acesso a oportunidades. Isso já é uma laram a dimensão das desigualdades raciais no
realidade no que diz respeito a grupos minori- Brasil (Henriques, 2001). Não se tratava mais
tários tais como os portadores de deficiência, de um pequeno grupo de ativistas denuncian-
idosos, homossexuais, portadores de vírus HIV, do a histórica desigualdade de oportunidades
e também com relação às mulheres, que ao lon- entre brancos e negros: o Estado brasileiro
go da última década foram capazes de garantir adotou um discurso anti-racista, trazendo o te-
maior acesso a espaços de poder e melhores ma para o centro da agenda política.
posições no mercado de trabalho. O quadro O debate público intensificou-se durante a
ainda não está equilibrado, mas é possível ob- CMR, quando foi divulgado o relatório oficial
servar um avanço em relação à preocupação do governo brasileiro, incluindo a recomenda-
em torná-lo mais justo. No que diz respeito às ção da adoção de cotas para estudantes negros
desigualdades advindas das diferenças étnicas nas universidades públicas.
e raciais, o quadro apresenta-se mais tímido, Durante os últimos meses de 2001 e o pri-
porém já podem ser detectadas transforma- meiro semestre de 2002, ainda sob o “calor” dos
ções no que diz respeito a uma maior freqüên- resultados da conferência de Durban, outros
cia e aceitação de programas que procurem setores do governo federal, alguns governos es-
atuar neste campo. taduais e municipais lançaram publicamente
Apesar destas e de outras iniciativas, é difí- programas e ou projetos de lei especificamente
cil afirmar que a sociedade brasileira possui destinados a beneficiar os afro-brasileiros.
um compromisso com a diminuição das desi- Um dos principais fatores que influencia-
gualdades raciais. A maioria das pessoas sim- rão o sucesso de nossos programas de ação afir-
plesmente se recusa a levar raça em conta, mativa, é sem dúvida, a existência de um con-
quando são consideradas as causas da pobreza senso cada vez maior sobre a necessidade de
e da falta de oportunidades. Entretanto, existe políticas deste tipo. O compromisso da socie-
a percepção de que a maioria dos pretos e par- dade (brancos e negros) com a execução destas
dos são pobres, e de que a maioria dos pobres políticas será proporcional ao sucesso que as
são pretos e pardos. Essa percepção pode trans- mesmas possam vir a ter.
formar-se em um ponto de partida para sugerir Ao adotar qualquer tipo de programa de
a adoção de medidas específicas a alguns grupos. ação afirmativa no Brasil, nós devemos evitar a
O debate sobre ação afirmativa no Brasil é suspeita de padrões reduzidos ao empregar ou
bastante recente, datando dos últimos cinco selecionar, e buscar um forte apoio da opinião
anos (Heringer, 1995). De uma maneira geral, o pública. Este não poder ser visto apenas como
movimento negro brasileiro tem sido o respon- um “tema negro”, mas um meio de se buscar
sável pela introdução desse tema no debate uma sociedade mais justa e igualitária.
público do país. Freqüentemente o assunto é
alvo de muitas críticas e resistências à sua in-
corporação. As críticas mais comuns destacam
que políticas específicas trariam conflito e di-
visionismo a um país onde as relações raciais
seriam harmônicas. As críticas relacionam-se
também à inadequação de políticas deste tipo,
uma vez que a situação desvantajosa da popu-

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002


DESIGUALDADES RACIAIS NO BRASIL 65

Referências

BOURDIEU, P. & WACQUANT, L., 2002. Sobre as arti- and the U.S. Washington, DC: Woodrow Wilson
manhas da razão imperialista. Estudos Afro-Asiá- International Center for Scholars.
ticos, 24:15-34. HERINGER, R.; SANT’ANNA, W.; MARTINS, S. & OLI-
CASTRO, M. H. G., 1998. Avaliação do sistema educa- VEIRA, S., 1989. Negros no Brasil: Dados da Rea-
cional brasileiro: Tendências e perspectivas. En- lidade. Petrópolis: Editora Vozes/Instituto Brasi-
saio: Avaliação de Políticas Públicas em Educa- leiro de Análises Sociais e Econômicas.
ção, 6:303-364. IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
DEGLER, C. N., 1991. Neither Black nor White. Madi- Estatística), 1987. Estatísticas Históricas do Brasil.
son: University of Wisconsin Press. Rio de Janeiro: IBGE.
FERNANDES, F., 1978. A Integração do Negro na So- IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
ciedade de Classes. São Paulo: Ática. Estatística), 1996. Contagem da População. Rio de
GRIN, M., 2001. Esse ainda obscuro objeto de desejo: Janeiro: IBGE.
Políticas de ação afirmativas e ajustes normati- IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e
vos. O seminário de Brasília. Novos Estudos CE- Estatística), 1999. Pesquisa Nacional por Amostra
BRAP, 59:172-192. de Domicílio 1999: Síntese dos Indicadores So-
GUIMARÃES, A. S. A., 1995. Racism and anti-racism ciais. <http://www.ibge.gov.br>.
in Brazil: A postmodern perspective. In: Racism INSPIR (Instituto Sindical Interamericano pela Igual-
and Anti-Racism in World Perspective (B. Bowser, dade Racial)/DIEESE (Departamento Intersindi-
ed.), pp. 208-226, London: Sage. cal de Estatística e Estudos Socioeconômicos)/
GUIMARÃES, A. S. A., 1999. Racismo e Anti-Racismo AFL-CIO (American Federation of Labor and Con-
no Brasil. São Paulo: Editora 34. gress of Industrial Organization), 1999. Mapa da
GUIMARÃES, A. S. A., 2002. Classes, Raças e Democra- População Negra no Mercado de Trabalho. São
cia. São Paulo: Editora 34. Paulo: INSPIR.
HANCHARD, M., 2001. Orfeu e o Poder: Movimento LIMA, M., 1999. O quadro atual das desigualdades. In:
Negro no Rio de Janeiro e em São Paulo. Rio de Cor e Estratificação Social (C. Hasenbalg, N. V. Sil-
Janeiro: EDUERJ. va & M. Lima, org.), pp. 231-240, Rio de Janeiro:
HASENBALG, C., 1996. Os Números da Cor. Rio de Contracapa.
Janeiro: Centro de Estudos Afro-Asiáticos. MAGGIE, Y., 2001. Os novos bacharéis: A experiência
HASENBALG, C. & SILVA, N. V., 1988. Estrutura Social, do pré-vestibular para negros e carentes. Novos
Mobilidade e Raça. São Paulo: Vértice. Estudos CEBRAP, 59:193-202.
HASENBALG, C. & SILVA, N. V., 1992. Relações Raciais MAIO, M. C., 1999. O Projeto Unesco e a agenda das
no Brasil Contemporâneo. Rio de Janeiro: Rio ciências sociais no Brasil dos anos 40 e 50. Revista
Fundo. Brasileira de Ciências Sociais, 14:141-158.
HASENBALG, C. & SILVA, N. V., 1999. Educação e dife- MJ (Ministério da Justiça), 1998. Programa Nacional
renças raciais na mobilidade ocupacional no Bra- de Direitos Humanos. Brasília: Secretaria Nacio-
sil. In: Cor e Estratificação Social (C. Hasenbalg, nal dos Direitos Humanos, MJ.
N. V. Silva & M. Lima, org.), pp. 217-230, Rio de MJ (Ministério da Justiça)/MRE (Ministério das Re-
Janeiro: Contracapa. lações Exteriores), 1996. Décimo Relatório Perió-
HENRIQUES, R., 2001. Desigualdade Racial no Brasil: dico Relativo à Convenção Internacional sobre a
Evolução das Condições de Vida na Década de 90. Eliminação de Todas as Formas de Discriminação
Texto para Discussão 807. Rio de Janeiro: Institu- Racial. Brasília: FUNAG/MJ.
to de Pesquisa Econômica Aplicada. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, 1998. Construindo a
HERINGER, R., 1995. Introduction to the analysis of Democracia Racial. Brasília: Presidência da Repú-
racism and anti-racism in Brazil. In: Racism and blica.
Anti-Racism in World Perspective (B. Bowser, ed.), SANT’ANNA, W. & PAIXÃO, M., 1997. Desenvolvimen-
pp. 203-207, London: Sage. to humano e população afrodescendente no
HERINGER, R. (org.), 1999a. A Cor da Desigualdade: Brasil: Uma questão de raça. Proposta, 73:20-37.
Desigualdades Raciais no Mercado de Trabalho e SKIDMORE, T., 1976. Preto no Branco: Raça e Nacio-
Ação Afirmativa no Brasil. Rio de Janeiro: Institu- nalidade no Pensamento Brasileiro. São Paulo:
to de Estudos Raciais e Étnicos/Instituto de Filo- Paz e Terra.
sofia e Ciências Sociais, Universidade Federal do SOUZA, J. (org.), 1997. Multiculturalismo e Racismo:
Rio de Janeiro. Uma Comparação Brasil-Estados Unidos. Brasília:
HERINGER, R., 1999b. Addressing Race Inequalities in Paralelo 15.
Brazil: Lessons from the United States. Working WINANT, H., 1994. Racial Conditions: Politics, Theory,
Paper Series 237. Washington, DC: Latin Ameri- Comparisons. Minneapolis: University of Min-
can Program, Woodrow Wilson International Cen- nesota Press.
ter for Scholars.
HERINGER, R., 2000. Desigualdades Raciais no Brasil. Recebido em 24 de abril de 2002
Brasília: Escritório Nacional Zumbi dos Palmares. Versão final reapresentada em 10 de outubro de 2002
HERINGER, R., 2001. Mapeamento de ações e discur- Aprovado em 30 de outubro de 2002
sos de combate às desigualdades raciais no Bra-
sil. Estudos Afro-Asiáticos, 23:291-334.
HERINGER, R., no prelo. The Challenge of Practice:
Affirmative Action and Diversity Programs in Brazil

Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 18(Suplemento):57-65, 2002