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Universidade Federal do Oeste da Bahia - UFOB

Centro de Humanidades - CEHU


Disciplina: História do Brasil III
Professor: Pablo A. I. Magalhães
Discente: Ítalo E. C. de Carvalho

A FORMAÇÃO DAS ALMAS:


o imaginário da república no Brasil
Jose Murilo de Carvalho

Barreiras
2019
CARVALHO, José Murilo de. A formação das almas: o imaginário da república no Brasil.
2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Professor emérito pela UFRJ e Pesquisador emérito CNPq, com formação em


Sociologia e Política com atuação na área de História do Brasil Império, membro da
Academia Brasileira de Letras e Academia Brasileira de Ciências, José Murilo de Carvalho
publicou diversos livros e artigos, destacando a obra A formação das almas, no qual o autor
aborda o impacto da república na formação do imaginário popular.

No capitulo I, Utopias Republicas é um trabalho de artigo modificado para a obra.


Neste capítulo o autor apresenta de maneira temporal cíclica e com uma divisão temática que
é dividida em quatro partes: As duas liberdades, A herança imperial, A opção republica e A
cidadania e a estadania referem ao processo de formação político-ideológico da sociedade
brasileira. Na primeira parte o autor descreve os conflitos dos tipos de liberdade para
sociedade, e o que seriam estabelecidas pelo Estado republicano, Carvalho analisa que neste
marco temporal houve um movimento de natureza variada no pensamento. Na segunda parte
deste capítulo, o autor trata de maneira breve A herança imperial, que o modelo empregado
pelo Império brasileiro administrativamente era centralizador, aboliu a escravidão, mas não
conseguiu congregar os ex-escravos no processo real de cidadania e sociedade da população
negra. Na terceira parte deste capítulo, Carvalho trata d’A Opção republica. Segundo o autor,
os republicanos tinham uma grande tarefa em suas mãos, “substituir um governo e construir
uma nação” p.24. Os grupos de republicanos eram constituídos de pensamentos
diversificados, no qual, cada grupo defendiam seus interesses. Na quarta parte do primeiro
capítulo do livro chama atenção no subtítulo, A cidadania e a estadania; é uma analise do
Estado brasileiro e da dificuldade do estabelecimento de um modelo republicano ideal no
Brasil, no qual, o autor cita uma fala de Alberto Sales de 1901 que diz: “Este Estado não é
uma nacionalidade; este país não é uma sociedade; esta gente não é um povo. Nossos homens
não são cidadãos” p.33.

A partir do segundo capítulo da obra, Carvalho remonta para a contenda de confusões


políticas que girava em torno dos elementos simbólicos enquanto legitimadores de um regime
e de uma conformação social da época, assim, Carvalho analisa o processo através de diversos
elementos formadores deste imaginário nacional, elencados por algumas figuras e o seu
posicionamento; é o caso de Deodoro, o homem da republica militar que representava o
deodorismo um “grupo que não tinha visão elaborada de república” p.39, Benjamin Constant
um pensador e teórico que representava um grupo que fazia contraposição ao militares e
Quintino Bocaiúva um representante do setor liberal.

O terceiro capítulo de sua obra, Carvalho descreve que o processo de construção


histórica da República, enquanto memória é descrito como percurso de criações simbólicas,
“instrumentos eficazes para atingir a cabeça e o coração dos cidadãos a serviço da legitimação
de regimes políticos” (1995, p.55), segundo autor, o que está em jogo não é proclamação em
si, mas sua construção, mediada politicamente enquanto memória. “No caso brasileiro, foi
grande o esforço de transformação dos principais participantes do 15 de novembro em heróis
do novo regime” (1995, p.56), porém os modelos políticos do período se divergem em todos o
momentos da constituição do imaginário, de maneira que o passado visível se perde para dar
espaço outras representações, neste caso a houve uma disputa segundo Carvalhos das figuras
de Tiradentes e Pedro I, uma batalha entre republicanos e monarquistas.

Abordagem no quarto capítulo é efetivamente em torno da representação da República


enquanto figura feminina – no caso da Revolução Francesa com ampla participação das
mulheres – que de acordo Carvalho, no Brasil a ideia não funcionou como esperado, devido o
perigo da representação feminina ser relacionada a figura da Princesa Isabel, oposto da
República e herdeira do trono. Houve uma tentativa de relacionar na figura da Virgem Maria,
contudo no Brasil, política nunca foi um espaço aberto para mulheres, sendo assim o “uso da
alegoria feminina eram aparentemente intransponíveis. [...] A alegoria se dissolvia na falta de
uma comunidade de imaginação.” (1995, p.96).

No quinto capítulo, Carvalho realiza uma análise sobre os símbolos nacionais que
foram impostos, destacando que houve uma batalha intensa para introdução dos determinados
símbolos, principalmente em torno da bandeira e do hino nacional, que “no caso da bandeira a
vitória pertenceu a uma facção positivista, incorporando elementos da tradição imperial. No
caso do hino, a vitória da tradição foi total...” (1995, p.109). Carvalho descreve que durante o
inesperado 15 de novembro, as tropas não possuíam bandeira e utilizaram como hino
simplesmente a Marselhesa, posteriormente o movimento republicano brasileiro
descaracterizou a bandeira imperial devida os emblemas nela contidos. Segundo Carvalho a
maior resistência e que gerou maior polêmica, foi a introdução da divisa “Ordem e
Progresso”, até hoje presente no símbolo nacional. Consequente, Carvalho aborda sobre o
hino, afirmando que foi “uma vitória popular, a talvez a única intervenção vitoriosa do povo”.
O sexto e último capítulo abordado pelo autor, Os positivistas e a manipulação do
imaginário é uma análise do pensamento filosófico positivista que se envolveu fortemente nas
disputas simbólicas da construção da República brasileira. Segundo Carvalho, a corrente
filosófica submeteu características marcantes na história brasileira, principalmente através da
manipulação de símbolos, se apropriam e interagiram com as diversas camadas sociais do
período.

Assim, em uma obra que é composta de seis capítulos, em que cada capítulo o autor
reafirma sua tese em “estudo anterior”, que não houve participação pública na implantação do
processo da república. Segundo Carvalho, no Brasil existiam sob o novo regime três correntes
ideológicas que disputavam um modelo de governo. Sendo elas, o liberalismo, o jacobinismo
e o positivismo, tendo se destacado por volta da “virada do século”, o liberalismo. O autor
descreve cada um dos modelos, no qual serão manifestadas através de alegorias, mitos e
símbolos. Segundo Carvalho, “a discussão dos símbolos e de seu conteúdo poderá fornecer
elementos preciosos para entender a visão de República que lhes estava por trás, ou mesmo a
visão de sociedade, de História...” (p.13). A análise constituída pelo autor destes modelos
políticos e filosóficos na construção do ideário republicano brasileiro é objetiva e apresenta
coerência, Carvalho aproveita muito bem o seu objeto de pesquisa.

Portanto, Carvalho buscou apresentar e considerar as questões fundamentais a cerca


dos responsáveis pela alteração de mentalidade de um povo. De acordo Carvalho, fazia-se por
parte da elite difundir-se, através da informação, a proliferação de simbologias. Dado que a
elite letrada apresentava acesso os livros e jornais, e a circulação de ideias, portanto apenas
restava agora convencer, ou tornar mais acessível aos não letrados, como mulheres e
trabalhadores em geral, por meio de simbologias cunhadas principalmente pelos positivistas
da época.