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I.

H istória Operária e Ideologia

A história operária floresce hoje, na maiori a dos países , como


nunca, ao menos quantitativamen te. No que diz respeito à quali­
dade, é difícil avaliar o presente em relação ao passado, e muitos
de nós não nos sentiríamos bem entrando no ringue com, digamos,
Bcatrice e Sidney Webb ou Gustav Mayer . mas fe lizmente não
somos obrigados a enfrentá-los face a face, já que podemos nos
apoia r em seus ombros . A expansão da históri a operária como
ca mpo de estudo tem predominantemente - mas de nenhum
modo inteiramente - assu mido a forma de sua transformação em
uma área acadêmica. O típico historiador da classe operária é
um pesquisador ou professor universitário. embora isso também
não seja sempre verdadeiro. Historiadores da classe operária, assim,
situam-se num ponto de encontro entre os estudos acadêmicos e a
política . en tre compromissos de ordem prática e compreensão teó­
rica. entre in terpreta r o mundo e transfOlw á-lo.
Com efeito, a história operária é por tradição um tema alta­
mente politizado, e durante mu ito tempo foi feita em grande parte
rora das universidades . Todos os estudos sobre o trabalho eram
obvi amente políticos, desde que o tema começou a despertar inte­
resse acadêmico sistemático nas décadas de 1830 e 1840, com as
diversas in vestigações sobre a condição do novo proletariado. Quan­
do realizados por acadêmicos (isto é, cientistas sociais) , tais estudos
eram essencialmente de "resolução de problemas", o problema sen­
I do o que fazer com os operários . Mas, embora o est udo acadêmico
dos problemas operários . por exemplo , na Alemanha do fim do
século XIX, tenha produzido um número expressivo de trabal hos
hbtórícos, sua orien tação básica não era histórica. Inversamente,
os historiadores acadêmicos - até a Segunda Guerra Mundial e
ao menos nos países desenvolvidos da Europa - pouco se interes­
saram pelo trabalho durante o período indus trial, embora revelas·
sem interesse substancialmente maior por temas pertinentes à his­

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t6ria do trabal ho no período pré-industrial (por exemplo, artífices,
guildas c similares) . A maior parte dos historiadores da classe ope­ trabalhadoras, na medida em que estas não puderam ser subsumi­
ráda, quer fossem ou viessem a se tornar acadêmicos ou não, origi­ das à das organizações, o mesmo acontecendo com relação às
nou-se de dentro, ou de áreas pr6xi mas dos movimentos operários. bases , enquanto distintas de seus líderes. Isto constituiu um hiato
rnicialmente uma grande parte desses historiadores de fato não fun damental.
tin ham Iígação acadêmica, mesmo quando sua formação e erudição Em segundo lugar, como ocorreu com outros campos de estu­
eram impecáveis: os Webbs na G rã-Bretanha; Mehring , Bernstein e do essencialmente " patrióticos" - a história provincial , a história
Mayer na Alemanh a; Deutsch na Áustria; Dolléans na França. escrita por aficcionados do jazz ou das ferrovias, a história dos
Vale lembrar que até mesmo em 1963 apareceu em nosso campo negócios e até com as histórias nacionais - , a história operária
um trabalho não-un iversitário de peso - A Formação da Classe de dentro do movimento tendeu a ser tanto um pouco arqueoló­
Operária Inglesa, de E. P. Thompson - , pois Thompson o produ­ gica quanto preocupada em atribuir aos movimentos operários a
ziu enquanto era professor de educação de adultos do movimento importância que ninguém mai s parecia conceder a eles. As duas
operário, tendo se tornado professor universitário somente após a sua atitudes são compreensíveis, e a segunda foi justificada. Pois se
publicação. E óbvio que a grande maioria desses historiadores aqueles que vivem em lpswich (na Inglaterra ou em Massachu­
é, mesmo hoje , composta de membros ou simpatizantes do movi­ setts) não podem compreender por que gente de fora não consi­
men to operário, representando uma ou outra das tendências polí­ dera todos os fatos sobre sua cidade tão fascinantes quanto eles
ticas ou ideológicas desse movimento. A maior exceção consiste na GS julgam, é inegável que a história ortodoxa não prestou aten­

historiografia dos partidos comunistas e dos movimentos operários ção suficiente aos movimentos operários, e muito menos à classe
do Tercei ro Mundo , que gerou uma enorme quantidade de pesqui­ operária. Além di sso , dois resultados de certo modo indesejáveis
sas an ticomu nistas , em sua maioria realizadas ou financiadas pelos se seguiram a esta atitude: 1) Ela conduziu a uma deficiência para
Estados Unidos, do período da guerra fria em diante . Mas nós distinguir o relativamente importante do relativamente corriqueiro.
somos na maioria ao mesmo tempo acadêmicos e de esquerd~. Por exemplo, a Liga Socialista britânica da década de 1880 foi
E talvez se possa acrescentar que, com a gradual desagregação uma organização pequena e efêmera, entre outras pequenas, porém
ideológica ou política dos grandes movimentos socialistas na maior mais permanente, e praticamente não merece o grande peso aca­
parte da Europa - sejam tais movimentos social-democratas ou dêmico que tem sido dado a ela. Ela atraiu de modo transitó­
comunislas - , mesmo os historiadores de esquerda mais enga­ rio algumas personalidades importantes, atuou como pioneira do
jados encontram ago ra maior liberdade de ação acadêmica do que socialismo em algumas pequenas cidades provincianas, desagregou­
antes. se rapidamente e nunca mai s se ouviu falar dela. Mas, como estava
A história operária "de dentro do movimento" e, em grande associada a Engels , WiIliam Morris e outras figuras proeminentes,
medida, fo ra das uni versidades , tendeu a apresentar certas carac­ foi dada a ela uma atenção hi stórica fora da proporção de sua im­
terísticas. Em primeiro lugar , ela revelou a tendência de identi­ portância . Em certa medida , isso se aplica a qua se todos os outros
ficar "classe{j operárias " com "movimento operário", ou meSlKO órgãos socialistas. A historiografia dos movimentos operários está
com organizações, ideol ogias ou partidos específicos. A história repleta de monografias sobre tipos de organização com as quais
operária tende u, portanto, a identificar-se com a história dos movi­ todos tivemos alguma experiência - pequenas facções que nunca
mentos operários, se não até com a história da ideologia desses ultrapassam este nível, grupos , jornais ou o que quer que seja que
movimentos. E qua nto mais forte e unificado fosse o movimento viva e morra dentro de uma década, sem jamais exercer um papel
em um país ou período, maior era a tentação desta identificação . maior . As organizações que sobreviveram nem sempre foram trata­
Até muito recentemente a história operária italiana conservou esta das com maior atenção do que as demais. Por exemplo, o pequeno
característica em grau acentuado', e até certo ponto ainda a man­ grupo britânico de partidários de Daniel de Leon , o Partido Social
tém. Assim sendo, ela negligenciou a história das próprias classes T rabalhista (SLP - Socialist Labour Party ), merece mais atenção
do que a Liga Socialista por causa de sua função como ativador
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da militância indust rial na Escócia. 2) Ela levou a um certo auto­ das área s superex ploradas do Renascimento do Socialismo na déca­
isolamento da história dos movimentos operários com relação ao da de 1880 do Cartismo, dos movimentos militantes da Primeira
resto da história, o que por sinal torna mais fácil misturar indiscri­ Guerra Mundial - ou os seus equivalentes em outros países. Não
minadamente o importante com o corriqueiro. A título de exemplo, estou afirmando que a ortodoxia esteja completamente errada. Se
parece claro que na década de 1880 os observadores burgueses ela não refletisse em boa medida o que realmente aconteceu, difi­
britânicos dos novos movimentos socialistas estavam bem menos cilmente teria se estabelecido. Trata-se, todavia, de uma elaboração
preocupados com Karl Marx e seus seguidores - pelo menos até historicamente construída. Por exemplo, o Partido Trabalhista Inde­
estes começarem a agitar os desempregados - do que com os pen dente (lLP - Independent Labour Party) é ainda hoje geral­
anarquistas. Estes observadores estavam enganados, embora não mente aceito pela avaliação que faz dt: si mesmo - como O
muito; pois se não havia nenhum movimento an2rquista de expres­ primeiro partido independente da classe operária - , embora, na ver­
são naquele tempo, tampouco havia um movimento marxista signi­ dade , uma visão imparcial sugerisse que ele falhou de modo bas­
ficativo . Mas se devemos considerar o movimento operário no cená­ tante dramático em tornar-se qualquer coisa desse tipo. Contra­
rio das lutas de classe, em uma relação bilateral, ou no cenário riamente, o velho radical-democrata da política trabalhista ­
mais amplo da história nacional, não podemos tratá-lo como se mais Cartista do que "Lib-Lab"* - , que esteve longe de ser
atuasse isoladamente. Em resumo , a história clássica do movimento insignificante na década de 1890, tende a ser ignorado. Quando
operário tendeu a produzir uma versão esotérica da história. lançada, todavia, no que veio a tornar-se uma breve carreira, a
Em terceiro lugar - e isto se deduz do que já foi dito - a Convenção Democrática Nacional (NDC - National Democratic
história clássica do movimento operário tendeu a produzir tanto Convention) de 1899 começou sob os melhores auspícios e por
um modelo como uma versão oficial da história , nacional ou um tempo pareceu um forte rival da nova Comissão de Represen­
internadonal, que variou desde uma ortodoxia informal, ma~ não tação Trabalhista (mais tarde Partido Trabalhista). Para cada estu­
muito flexível, até uma ortodoxia formal e altamente inflexível. dante que um dia ouviu falar na NDC deve haver cinqüenta que
Não precisamos nos deter muito nas versões mais formais e infle­ podem escrever um ensaio sobre o ILP.
xíveis, embora elas sejam de importância decisiva para historiado­
Concluindo, e talvez um tanto surpreendentemente, a histo­
res em alguns países socialistas - e o elemento político nas inter­
riografia tradicional dos movimentos operários era técnica e meto­
pretações históricas relacionadas a determinados partidos ou orga­
dologicamente bastante ortodoxa. Ela produziu uma grande quan­
nizações não deve ser subestimado , mesmo quando ele não reflete
tidade de narrativas tradicionais e história institucional; apenas seu
o juízo político, mas os preconceitos, as memórias pessoais ou
objeto era pouco usual. Um exemplo contundente é a Storia deI
a autodefesa de líderes específicos. Mesmo no Partido Social-De­
Partito Comunista Italiano, de P. Spriano, uma admirável e im­
mocrata alemão de antes de 1914, a questão de Lassalle Schweitzer
press ionante obra de erudição, ao contrário da maioria das histó­
foi julgada delicada pelos historiadores. Ninguém deteve Mehring
rias de partidos comunistas, tanto oficiais quanto hostis. Sua leitura,
e Mayer, mas Bebe! em pessoa interveio para criticar pel o' menos
todavia, é como a de qualquer outra obra de qualidade de his­
o último. Entretanto, mesmo as ortodoxias informais devem ser
tóri a política. Trata-se da história da política do partido e de suas
identificadas pelo que são. Eu mesmo assinalei há muito tempo
ati vidades políticas de seus debates ideológicos, de suas lideranças
que o "modelo" tradicional de desenvolvimento do movimento
e peripécias, de suas relações com o Comintern (Internacional Co­
operário era uma seleção (parcialmente viciada~ de fatos, que clas­
munista) , e de toda sorte de assuntos importantes e interessantes.
siiicava alguns como centrais e marginalizava outros, ou os excluía .
Mas sua visão é panorâmica: só ocasionalmente vislumbramos o
Ainda hoje os estudantes tendem a escolher seus temas de pesquisa
que pensavam as bases militantes ou os simpatizantes , ou como
em história dos movimento" operários entre aqueles aceitos e de
acordo com a periodização aceita, produzindo assim as longas filas
de candidatos que competem por temas de tese em aLgum ponto
., Co liga ção po lf lica entre () Partido Liberal e o Partido Trabalhista (LabOLlr) .

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ambos concebiam o movimento. 1 Pouco nos é dito sobre quem eram jovens, nos anos 60 . Na Grã-Bretanha , nos Estados Unidos, na
esses membros e simpatizantes, quais eram suas relações com os Alemanha Ocidental (onde houve uma no tável revitalização desses
militantes não-comunistas ou com os não-militantes, ou sobre o estudos), na Itália, com a nova esquerda, e indubitavelmente em
papel e a função do movimento e do partido em cidades e regiões outros lugares, a radicalização produziu uma safra substancial de
determinadas. Não nos é revelado, por exemplo, o tipo de coisas noVOS historiadores do movime nto operário . cujo interesse no assun ­
que hoje sabemos sobre os Guesdistas na França (para citar uma to basicamente advém de compromissos políticos , embora sua com­
monografia de um historiador ortodoxo do PC naquele país 2 ). petência como pesquisadores pos~a ser maior, bem como seu campo
Não faço essas observações com a intenção de diminuir o valor de de ação, de certo modo , mais amplo . Todos eles produzem algo de
um trabalho realmente de primeira classe e que de fato marcou interesse, embora a abordagem de alguns seja decepcionante e a
época, mas apenas para realçar a diferença entre um e outro tipo de outros , questionável. Mergulhar no passado em busca de exem­
de história operária. plos inspiradores de luta, ou coisa parecida, é escrever a história
ecleticamente e às avessas. Não é uma boa maneira de se escrever
a história. Não desejo entrar nos debates sobre a historiografia da
Ir "nova esquerda" norte-americana, mas pelo menos a uma parte
dela tais restrições se aplicam. Mais uma vez , é importante recupe­
rar o que pudermos sobre o modo como os trabalhadores pobres
o caráter acadêmico cada vez mais acentuado da história ope­ viviam, agiam e pensavam, e, na medida em que agora está se
rária corrigiu algumas das tendências da história tradicional operá­ produzindo uma grande quantidade de "história oral" ou mesmo
ria, ao passo que a mudança da conjuntura política na esquerda de memórias (como as publicadas pela Ristor)' Worksho p) realmente
corrigiu outras. Obter hoje um título de Ph. D. implica uma com­ escritas por homens e mulheres da classe trabalhadora, h á uma
petência em pesquisa e uma capacidade de se embrenhar através importante ampliação de nossa perspectiva . E, no entanto, tal pro­
de extensa bibliografia de várias tendências, que simplesmente não dução não é um fim em si mesmo, por mais que nos entusiasmemos
eram obrigatórias nos velhos tempos e que expõem o escritor a em descobrir o que até então era desconhecido . Se não formul armos
críticas muito mais diversificadas. Algumas histórias de sindicatos primeiro questões e pesquisarmos o material à luz dessas questões,
ainda são escritas do modo antigo , pelo menos na Grã-Bretanha, corremos o risco de produzir meramente uma versão arqueológica
mas são exceções. Mitos históricos tradicionais estão hoje mais esquerdizante, trabalho que é equivalente ao dos diletan tes folclo­
fracos em muitos movimentos operários e, conseqüentemente, são ristas. Não desejo desencorajar tal trabalho, mas, se ele for feito , é
defendidos com menos compromisso emocional, exceto quando melhor que o seja com o mesmo rigor com que Child coletou
ainda estão na memória dos vivos - como os anos de J 930 ainda suas baladas, ou Nettlau, suas fontes sobre o anarquismo . Ele tem
estão. Ao mesmo tempo, a mudança na situação dos movimentos um valor político evidente, especialmente quando o mate rial é da­
organizados tendeu a ampliar as perspectivas dos historiadores dO'-­ queles que atraem o público não-acadêmico. Recuperar um pas­
movimento operário. Eles estão cada vez mais preocupados com as sado esquecido, memorável ou inspirador é uma tarefa perfeita
bases tanto quanto com os líderes, tanto com os não-sindicalizados, pa ra historiadores. Quem duvidaria do va lor de um livro como
quanto com os sindicalizados . com o "trabalhador conservador" o Hard Times de Studs Terkel ?,q Mas quando uma nova reedição
tanto quanto com o radical ou revolucionário - em resumo, mais do livro de J. T. Murphy, Preparing fo r Power (1 934)4 (obra que
com a classe, do que com o movimento ou com o partido . Isto é lança alguma luz sobre os militantes de certo período do movi­
bom _
mento operário britânico, mas que não é uma boa históda desse
Não obstante, a força que desenvolveu a história operária em movimento), é justificada com base no fato de ser o tipo de livro
grande parte continuou a ser política: a radicalização de gerações que os militantes sindicais de hoje entenderi am e apreciariam , um
de estudantes e (no devido tempo) a dos professores universitários sinal de alerta deve ser dado. Há uma diferença entre história e
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matet'Íal inspirador ou de pro paganda. embora a histór ia de q uali­ daquele an o, ou se os partisans ftanceses ou ital ianos deveriam ter
dade possa ser au1bos. tentado o poder revoluciouório em 1944-5. Todos esses ar gu men­
~ igualmente perigoso travar mais uma vez antigas batalh as tos, assim como os exercícios mais formal izados dos "c1iometris­
ideológi cas, uma tentação a que poucos dos que escre ver~lm sob re las", baseiam-se na su posição de que podemos avaliar ou calcular
a hist6d a ideológica do socialismo e sob re os movimen tos comu­ quão difere n te leria sido a histór ia do mundo se o nariz de Cleó­
nistas resistiram. Não porque tod as essas disputas sej am pouco patra tivesse lUna polegada a mais . Ora , duas coisas podem ser
importantes ou obsoletas, embora alguma s delas o seja m. mas por­ ditas com toda certeza sobre a rustória contrafactual (ou "se
que , sc devem ser discutidas judiciosamente pelos historiadores, minha av6 tivesse rodas seria um ônibus de turismo"). Primei­
pode ser necessário reformulá-Ias ou situá-las em novo cenário . ro, que seu interesse está inteiramente situ ado na metodologia e/ou
Assim, o célebre debate sobre o "revisionismo " de Bernsle in man­ no presente e no futuro. H istória é o que aconteceu, e não o
tém hoje interesse e significação prática . ao menos pa ra os ma r­ que poderia ter acontecido . As estradas de fe rro foram construídas,
xistas. Ele será mal compreendido, no entan to, se divorciado de a revolução alemã de 1918 fracassou. O i_nteresse em refletir sobre
seu contexto contemporâneo ideológico e político. Ele não foi um o que te ri a acontecido se tais coisas não tivessem ocorrido consiste
simples desvio com relação ao verdadeiro marxismo, a ser apro­ em esclarecer que hipóteses históricas podem ser adequadamente
vado ou rejeitado por uma questão de gosto , mas um momento na for muladas sobre eve ntos históricos , bem como em decidir entre
formulação do próprio "marxismo " . a partir da heran ça dos fun­ al ternativas que são reais e não i m a gin ári a~ - por exemplo, se hoje
dadores , que criaram simultaneamente uma "ortodoxia" e seu coro­ é mais eficien te desenvolver energia nuclear ou energia não-nu­
lário, a "heresia". Além disso, a "ortodoxia" e a "heresia" tenta­ cle ar, ou como decidir no futuro entre políticas alternativas de
vam enfrentar, ao menos nos países desenvol vidos da Europa, uma movi mentos operários. Uma terceira proposição pode scr também
situação específica: uma economia capitalista aparentemen te está­ sugeri da, a saber. a de que em nosso campo - em oposição ao
vel, em prosperidade e expansão , e estruturas políticas est áveis _ campo mais limitado da c lio métrica - especulações contrafactuais
di vergindo, assim, do marxismo das regiões nas quais as econo~ não são exer cícios teóricos , mas simulam investigar alternativas
mias e os . regimes não se encontravam em expansão , nem eram reais. e que raramen te sabemos o bastante para fazê-lo de modo
estáveis. Essas considerações agora são lugar-com.um para o perío­ convincente. Fogel jamais supôs que não construi r as estradas de
do da Segunda Internacional. o q ue em parte é dev ido ao exce­ ferro norte-americanas fosse uma possibilidade genuín a, mas quan­
lente trabalho de Georges Haupl em Paris,lI principal mente por­ do espec ul amos sob re quais teriam sido os efeitos de uma revolução
q ue as controvérsias daquela era não são mais po li ticamente ince n­ soviética alemã , estamos supondo que tal desdobramento poderia
diárias. Mas a história dos movimentos operários desde 1917 é ter ocorrido. O ra, às vezes as Pl'obabil idades são tão altas que
ainda d iscutida com espírito menos histórico. podemos especula r com certo realismo, via de regra sobre o que
Uma palavra especial de advertência pode reve lar-se útil. As pode ri a não ter aconteci do , mais do que sobre o que poderia ter
antigas batalhas ideológicas , historicamente, sempre foram travadas acontecido. Por exemplo, ao avaliar o desenvolvime nto do movi­
não apenas em termos ideológicos apriorísticos, com freq üência mento operário britân ico desde a década de 18"80 , podemos excluir
interpretadas retrospectivamen te nos anais (por exemplo. fonnu 1a­ ""-­ a poss ibilidade de que um partido marxista de massa pudesse ter se
çôes dos " centristas" na Intemac.ional pré- 1914) , ma s também por desenvolvido no lugar de algo como o Partido Trabalhista . antes
meio de uma versão negligente e altamente especulativa úe h..isló­ ou depois de 1920. e poderíamos portanto criticar a Federação
ria "contratual ". Basta q ue eu apenas mencione d iscussões como Social Democ rát ica (SDF - Social Democrutic Federation) ou o
aquelas sobre os prós e os con tras dos anarquistas e dos comunis­ PC. não pelo que eles não poderiam seriamente esperar conseguir.
tas na G uerra Civil Espanhola, sobre as razões do frs l:asso da n.!V0 ­ mas dentro dos li mites do qu e não seri a tão im praticável que eles
lução alemã de 1918-19. sobre se o governo francês da Frenre tingisse m - por exemplo , maior sucesso nas eleições governamen­
Popular de 1936 " deveria ler" sol ucio nodo as l:neves de Il1 ~SU lais locais . Todavia . às vezes não há consenso sob re probabilidades
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(ou, mais exatamente, improbabilidades), o que nos expõe então ao parte através da conseqüente necessidade de explorar fontes intei­
perigo de nos perdermos em intermináveis e infrutíferas discussões ramente novas por meio de técnicas apropriadas e em geral ino­
retrospectivas. Assim, Staughton Lynd sugere, em artigo recente,6 vadoras; e em parte através do contato com as ciências sociais,
que o PC norte-americano teria agido melhor mantendo após 1934 das quais se apropriou livremente. Isto não significa que U~ mé­
sua linha de sindicalismo revolucionário independente, ao invés de todos tradicionais estejam esgotados, nem mesmo nos países em
canalizar suas energias para uma política que acabou por produzir q ue eles prosperaram há muito. (Em países sem uma tradição séria
o Congresso das Organizações Industriais (CIO - Congress 01 de história operária, ou onde o tema foi fortemente mitificado, o
Industrial Organizations) . Podemos simpatizar ou não com seu campo de ação ainda é enorme, mesmo para o historiador mais
ponto de vista , mas nele há dois erros básicos. Em primeiro lugar , convencional e tradicional). Nada poderia ser mais ultratradicio­
ele é formulado em termos por demais vagos e imprecisos para nal do que a obra de G. Neppi Modona , Sciopero, Potere Politico
que qualquer um de nós possa entender com clareza o que exata­ e Magistratura 1870-1922 (Barí, 1972), uma simples tentativa de
mente está sendo discutido. Em segundo, e mesmo que estivesse um advogado, com formação histórica, de acompanhar as mudan­
formulado de maneira mais satisfatória, não consigo vislumbrar ças na legislação italiana sobre as greves e nas atitudes do governo
nenhuma forma de decidir sobre essa discussão. Não há dúvida e dos juízes perante julgamentos decorrentes de conflitos trabalhis­
de que todos nós continuaremos a formular questões do tipo "se tas. A obra não contém nem mesmo uma simples tabela de dados
ao menos" em relação à história operária ou a qualquer outra . estatísticos. Mas ela contribui grandemente para o nosso entendi­
Mas, quando o fizermos, deveremos estar plena e lucidamente cons­ mento de aspectos negligenciados da história operária, o outro lado
cientes do que estamos fazendo , por que o fazemos e do que espe­ da luta de classes - pois ninguém havia realizado , at~ então, essa
ramos obter ao fazê-lo. tarefa tão simples. De fato, algumas das mais notáveis obras sobre
história operária nos últimos dez anos são bastante tradicionais
quanto à técnica, por exemplo, Rosa Luxemburg, de Peter Nettl,
III Belore the Socialists, de Royden Harrison, e Robert Owen and the
Owenítes, de J. F. C. Harrison. 7
Os perigos e tentações que se oferecem ao historiador dos Entretanto, grande parte da história operária - em especial
movimentos operários compromissado com a esquerda são diferen­ a história social da classe operária - precisa utilizar novos méto­
tes daqueles que afligem o técnico acadêmico. Não me alongarei dos e técnicas, por exemplo, qualquer trabalho que trate de demo­
sobre os perigos que são também ideológicos, embora com fre­ grafia histórica. Muitos se lançaram, com maior ou menor entusias­
qüência - ou talvez quase sempre - ocultos sob as suposições, mo, às técnicas novas, é!specialmente às quantitativas, notadamente
métodos e jargões de alguma especialidade acadêmica . Já se escre­ nos Estados Unidos e na França . Tais técnicas exercem três tenta­
veu o suficiente sobre a ideologia implícita - que se faz às vezes ções. A primeira é a de se tornarem mais fins em si mesmas do
explícita - em certas escolas das ciências socfais , notadamente que instrumentos. Pouco há que se dizer sobre isso. A segunda é a
aquelas que estiveram em voga nos Estados Unidos na década de de exagerar o valor dos dados aos quais as novas técnicas podem
50, bem como em certos termos como "integração" e "moderniza­ ser aplicadas e desprezar aqueles a que elas não se aplicam. Este
ção". Os perigos com os quais me preocupo são devidos princi­ é um grande perigo em história do trabalho comparativa!quantifi­
palmente à inexperiência e à falta de clareza. ca da, que seleciona o que é estatisticamente comparável e tende
Como todos os ramos da história, a história operária ampliou a omitir o que não o é. Assim, há muito de comparável entre os
enormemente tanto seu campo de ação quanto seu método, em mineiros de diferentes países. f:, todavia, importante para os mi­
parte através de uma extensão de seu âmbito, a partir de uma neiros indígenas dos Andes por exemplo o fato de que trabalhar
história mais restrita, de ordem política, ideológica ; ou mesmo eco­ nas minas é um dos poucos métodos acessíveis dos camponeses
nômica, para uma história social em seu sentido mais amplo; em juntarem dinheiro para comprar terras em suas aldeias e que, por­
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porque, como Ernst Gombrich assinalou recentemente, a natureza
tanto, (a) eles podem ser originalmente recrutados entre campone­
d a profissão acadêmica é tal que estimula a originalidade e o mo­
ses proprietários, e não entre camponeses sem terra e (b) os ex-mi­
dismo . As formulações mais implausíveis podem ter certeza de
neiros podem tornar-se kulaks. Evidentemente isso não tem nada
estarem incluídas em todas as ~tlb seqüentes notas de rodapé e
a ve r com os mineiros ingl eses do século XIX.
bibliografias, se forem novidades, apesar de serem facilmente des­
A terceira tentação é ignorar as ambigüidades e as dificulda­
cartadas. Para que alguém analise os sindicatos por ofício à luz
des conceituais dos dados. Consideremos os estudos atualmente
das discussões antropológicas sobre parentesco artificial , é somente
em voga sobre tumultos populares e violência, que podem ser
uma questão de tempo, se é que já não se fez isso ; e eu não duvido
facilmente q uantificados. Tal quantificação ba se ia-~e na aplicação
que haja quem já tenha analisado os sindicatos operários como
de du as suposições convergentes : (a) que existe uma distinção mais
sistemas de parentesco patrão-cliente . f: óbvio que alguns desses
clara entre atos " viol entos" e atos " não-violentos" , do que den­
empréstimos devem provavelmente ser rejeitados por razões ideo­
tro de cada ca tegoria; (b) que certos tipos de violência são selecio­
lógicas - por exemplo, a análise de relações internas aos movi­
nados para observação - principalmente por motivos morais, polí­
mentos operários como uma forma de mercado (cientistas políticos
ticos, lega is ou administrativos, pelas autoridades ou classes supe­
se divertiram com essa idéia) - , e outros parecerão no momento
riores. Ora, tais suposições e critérios podem ser totalmente exter­
irrelevantes, mas um dia poderão entrar na moda, por exemplo, a
nos aos eventos por eles medi.dos, e podem, porta_nto, nos enganar
aplicação das oposições binárias de Lévi-Strauss à linguagem da
completamente sobre a sua natureza. Assim sendo, se tivéssemos
classe operária. Mas em todos os casos o teste de novos conceitos
Je 110S colocar na p0~ição de mineiros gr.:vistas moderados, apli­
e idéias não reside no fato de elas serem novidades, ou parecerem
caríamus critérios muito distintos. A pior ofensa seria furar a
interessantes , mas sim em que sejam pertinentes a nossas questões
greve, e não haveria difer..:nça moral significativa entre piquctc~
básicas .
pacíficos , a pressão da opinião pública e impedir fisicamente os
Isso implica saber quais são essas questões. E, como tantas
ura-greves de de~ccrem às minas. Agredir um ou dois des tes seria
vezes insisti no presente artigo, devo insistir mais uma vez que
relativamente venial e talvez inevitável, mas um tumulto irrefreá­
faltou muitas vezes clareza conceitual e metodológica aos historia­
vel do tipo GerminaI poderia ser lamentável, e sabotar as bombas
dores do movimento operário . Não desejo impor a eles qualquer
ou os di spositivos de segurança das minas seria condenado por
teoria ou modelo em particular, seja marxista ou não, mas simples­
quase todos . Alguns tipos de violência seriam classificados como
mente sugerir clareza sobre o que quer que nossa abordagem venha
ações não-violentas, pois só se diferenciariam delas por causa de
a ser. Não obstante, qualquer que ela seja, considero que todos
intervenções externas sobre o que de outro modo seria uma ati­
iremos errar se não tivermos em mente três importantes conside­
vidade pacífica. O critério-chave não seria a distinção entre força
rações .
e não-violênci a. mas sim entre diferentes tipos de força ou de vio­
1) A história operária é parte da história da sociedade, ou
lência, e a va riável-chave não seria o descjo dos mineiros de usar
melhor, da história de certas sociedades que possuem caracterís­
a força , mas lõi m a determinação dos patrões ou das autoridades
ticas específicas em comum. Relações de classe, qualquer que seja
em resistir às greves, bem como os meios que estariam dispostos
a natureza da classe, são relações entre classes ou camadas que
a usar. Somente q uando estabelecidas essas distinções. estaríamos
não podem ser adequadamente descritas se analisadas isoladamen­
em posição de avaliar a curva da violência dos próprios mineiros.
te . ou apenas em termos de suas divisões ou estratifiL:ações inter­
iSlo é, dist inguir entre propensões regionais ou nacionais à vio­
nas. Isto implica um modelo do que são as sociedades e de como
lência, ou ent re fases distintas dos movimentos dos mineiros.
funcionam.
A aplicação de novos conceitos, em geral emprestados das
2) A história operária é um assunto multifacetado, embora
ciências sociais, é igualmen te perigosa, se não está claro em nossa
os níveis de realidade ou de análise formem um todo: trabalha­
mente o que estamos lel/ tando descobrir ou explicar; ou, se o leitor
dores e movimentos. bases e líderes , os níveis sócio-econômico ,
prefere o jargão - qu al é nosso modelo. O perigo é ainda maior

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político, cultural, ideológico e "histórico" - tanto no sentido de trabalho, tendem mais a subdividir a pesquisa do que sintetizá-Ia.
operarem num contexto dado pelo passado, quanto no sentido (O problema é partiGularmente agudo para estudos comparativos.)
de que mudam ao longo do tempo em determinadas maneiras espe­ Contudo, mesmo que no futuro possa haver uma divisão de traba­
cíficas . Não podemos abstrair um ou mais níveis dos demais (exce­ lho mais acentuada en tre pesq uisadores e os que fazem as sínteses,
to com o propósito de conveniência temporária), nem praticar a dific uldade não desapa recerá. Talvez ela seja uma dificuldade
excessivo reducionismo. O nível político de análise simplesmente essencial de toda a história e de todos os historiadores. Isto diz
não pode ser subordinado ao nível sócio-econômico: mesmo no res peito aos homens e mulheres, dos quais não podemos abstrair
nível mais elementar há uma diferença entre a vida da classe ope­ sua humanidade.
rária em economias capitalistas que praticamente carecem de um Estas observações são razoavelmente banais, mas talvez haja
sistema estatal de previdência social e as que o têm , e a natureza lugar de vez em quando para uma reafirmação de trivialidades,
deste pode ser igualmente importante . pois elas são facilmente esquecidas. Permitam-me concluir com
3) Alguns aspectos do nosso tema são quantificáveis, outros mais uma. A história operária, como todas as ciências sociais, preo­
não, pelo menos em termos comparativos. O problema da história cupa-se tanto em mudar quanto em interpretar o mundo. (Se assim
operária (como o de qualquer outra história social) está em como não fosse, a economia não passaria de uma subdivisão da mate­
combinar diferentes, tipos de quantificação com enunciados quali­ mática.) Ora, duas coisas devem ser ditas sobre a relação entre
tativos. Há algum tempo uma equipe de trabalhadores suecos, que interpretar e transformar o mundo. Primeiro, que a interpretação
está preparando um ambicioso e abrangente estudo da classe tra­ deve ser objetivamente válida, quer nos seja conveniente ou não,
balhadora em Estocolmo no século XIX, colocou-me concreta­ ou melhor, deve ser comunicável a qualquer um. Não existe uma
mente o problema. Disseram: estamos produzindo uma série de história operária que só possa ser escrita ou entendida por traba­
estudos quantitativos de tudo sobre o que temos material disponí­ lhadores manuais, tanto como não existe - lamento que isso
vel - desde demografia, reconstituição de famílias, crime, prosti­ tenha de ser dito - uma história irlandesa, negra ou chicana*
tuição , salários e flutuações econômicas, até greves, tumultos e que só seja válida se escrita pcr irlandeses, negros ou chicanos,
organização operária. Mas como podemos ajustar dentro deste qua­ ou só acessível a eles. Que as pessoas que se sentem diretamente
dro o que realmente significa ser um pedreiro no século XIX identificadas com ela cobrirão sua própria história com um peso
em Estocolmo? O que os trabalha90res pensavam e sentiam e p.or emocional que outras não encontram, é uma questão absolutamente
quê? Em outras palavras, como podemos encontrar um denomi­ d iferente; que em si se distingue também pelo fato de que elas
nador comum para o que se poderia chamar de história operária serão mais tentadas a interpretá-Ia mal. A história das práticas
entre o trabalho de E. P. Thompson e o de Stephan Thernstrom? milagrosas dos reis da França e da Inglaterra terá, para um legi­
T odos estão cientes do problema, exceto os que sofreram lavagem timista francês '''' ou para um jacobita*** britânico, um significado
cerebral pelo sonho de se tornarem " behavioristas" retrospectivos , que não pode ter para nós, mas o falecido Marc Bloch, que a
mas até que ponto podemos dizer que tal pl'Oblema foi adequada­ escreveu , não pode ser criticado porque era um republicano fran­
mente resolvido? cês , mas somente, se tanto , por tê-Ia apreendido erroneamente.
Evidentemente, a solução é, até certo ponto, uma questão Em segundo lugar, e mais importante, devemos saber o que
de escala. Se tivermos o espaço, digamos, para um doctoral d'état dese íamos dizer com transformar o mundo. O tipo equivocado de
fra ncês, podemos fazer ambas as coisas, como Rolande Trempé
de monstrou em seu magnífico estudo sobre os mineiros de Car­
maux.l< Mas provavelmente já estão contados os dias das grandes • Relativo a mexicano ou descendente residente nos Estados Unidos . (N.

das T.) .

baleias az uis acadêmicas e trabalhos na escala do de Trempé, ou


•• Que defende o princípio da dinastia legítima. Na França, sequaz do ramo

do grande livro de Edward Thompson, serão no futuro necessa­ mais velho dos Bourbons. dest ronado - 1830.

riamente um trabalho de equipe. E equipes, pela natureza de seu • •• Seguidor de Jaime 11 e seus descendentes no século XVIII (N . da, T.) .

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.31
I' . • T he Possibili ly or R.loicali sm in Ihc Early 1930s: T he Case of Steel ".
cientista social, inclu indo até a lguns historiadores do movimento Radi cai A/IIerlca. ano VI. 11 .° 6, novembro-dezcmbro de 1972.
ope rário, tentou muda r o mundo de fo rma nociva, como podemos 7. I p Nelll. Rosa Luxf!mburg, 2 vols. Oxford, 1966 ; R oyden HarriSOll .

Be/ore th e Sodalists: Sl udies lI! Labour and Pol itics 186 1-/ 88 (. Londres ,

testemunhar no caso do Vietnã (onde grande parte da política 1964 ; ). F. C. Harrison. Robcrt Olllen and lh e Owel1iles il1 Britoin and

baseou-se em certas teorias sob re a natu reza da urban ização) e, A/Ilerica . Londre. lQ6Q .

nos anos 50 , as tentativas nor te-americanas, maciçamente finan­ 1\ . Rol!tndl! T rempé , Les Mllleun de Cur maux 1848-191 4, 2 vols . P ari ~ , 1971.

ciadas, de desmantelar lLm tipo de movimento ope rário em inú­


meros países , c substituí-lo por ou tro , Essas tentat ivas foram noci­
vas porque as teorias esta vn m erradas ou os defeitos d as teorias
rora m de vi dos ao desejo de imp lemen ta r po líticas inadequadas , ou
ambas as coisas ? De q uaqucr modo, havia e há lima relação direla
entre teorias acad êm icas e inlenções polí t i ca~ . r fádl ver isso
q uando não simp atizamos nem com as teorias nem com as políti­
cas, especialmente quando seus resultados são tão escandalosos
co mo no Su des te asiátiço . N ão é tão fácil detecta rmos os perigos
análogos e m nossas p róp rias in te rp retações . Todavia, eles existem,
mesmo que obscurecidos pelas no s ~ as p róprias incl inélções e pelas
operações au tô nom as do mecanismO acadêmico no qual estamos
envolvidos . Em que sentidos e direções desejamos transformar o
m u ndo , ou : nos sas pesquisas im plicam transformação ? Corremos
o perigo de esquecer que o sujeito e o objeto de nossas pesquisas
são se res hu manos? Não deveríamos correr este risco . pois são
pessoas - não o " tra balho", mas homens e m ul here~ trabalhado­
res r eais . mesm o que freqüentemen te ignorantes, míopes e precon ­
ceituosos - o que nosso estudo foca liza . Para mu itos de nós o
objeto final de nosso trabal ho é cria r u m mun do no q ua l os tra­
balhadores possa m fazer sua próp ria vida e sua própri a his tó ria .
ao invés de recebê-las p ro ntas de terceiros, mesmo dos acadêmicos .
(1974 )

NOTAS

l. Paolo Spriano , Slorla dei Parlllo Comw lista Italiano , 5 vo ls. Turim.
1967- 1975 .
2. Claude Wil lard . Le Mv uvemelll Socialiste erl Fral1ce. 1893- 190 5. Les Gue5­
distes. Pari s. J 965 .
3. Studs Te rkel, Hard T imes. An Oral !Jistory oI lhe C retJl [)t! pressiol1 .
Nova York, 1970 .
4. Lond res, 1973 .
5. Georges lIau pt. ÚI Deuxie/lle IIIlemaliollaleI889-1914. l1ll1de Cril iquI!
des SQ urces. Paris-I-J.ague, 1964 .

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