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Introdução ao Estudo do Direito

Prof. Gustavo Capociama


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2º ROTEIRO: LEI

1. CONCEITO; 2. CLASSIFICAÇÃO; 2.1. QUANTO À NATUREZA; 2.2.


QUANTO À ORIGEM; 2.3. QUANTO AO DESTINO; 2.4. QUANTO AOS
EFEITOS; 3. ELABORAÇÃO; 4. HIERARQUIA; 5. EFICÁCIA; 6.
INTERPRETAÇÃO; 6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS; 6.2. REGRAS DE
INTERPRETAÇÃO; 6.2.1. GRAMATICAL; 6.2.2. LÓGICA; 6.2.3.
SISTEMÁTICA; 6.2.4. TELEOLÓGICA; 6.2.5. HISTÓRICA; 6.3.
INTERPRETAÇÃO QUANTO AOS EFEITOS; 6.3.1. DECLARATIVA; 6.3.2.
RESTRITIVA; 6.3.3. EXTENSIVA
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1. CONCEITO
 Conforme ensina Washington de Barros Monteiro, lei “é
um preceito comum e obrigatório, emanado do poder
competente e provido de sanção.”1.
 preceito: “1. regra de procedimento; norma. 2.
ensinamento. 3. ordem.”2;
 comum: no contexto, aplicada a todos
indistintamente, sem exclusão de ninguém;
 obrigatório: de observância indisponível;
 emanado do poder competente: entenda-se expedido
pelo Poder Legislativo;
 provido de sanção: isto é, dotado de força capaz
de constranger o destinatário da norma a cumpri-la.
 O conceito acima se refere à lei em sentido estrito.
Faz-se esta observação, pois a lei também pode ser

1
In “Curso de Direito Civil”, 1º vol., Saraiva, 30ª ed., 2001, p. 13.
2
Houaiss, Antonio (Instituto). Dicionário da Língua Portuguesa, Objetiva, 1ª ed., 2001, p. 352.

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compreendida em sentido amplo, abrangendo, nesse


caso, todo e qualquer preceito com caracteres
semelhantes ao da lei em sentido estrito, como, por
exemplo, as medidas provisórias e decretos (atos
emanados do Poder Executivo).
 Havendo conflito entre uma lei em sentido amplo com
uma lei em sentido estrito, prevalece esta última.

2. CLASSIFICAÇÃO

2.1. QUANTO À NATUREZA


 Podem ser de dois tipos:
 substantiva (ou material): são as leis de fundo;
fazem parte do chamado “direito material”. Ex.:
Código Civil.
 adjetiva (ou formal): são as leis que estabelecem
forma; fazem parte do chamado “direito processual”.
Ex.: Código de Processo Civil.
1) O direito material fixa direitos e obrigações aos
sujeitos, disciplinando, assim, as relações que
mantêm entre si referentes a bens e utilidades da
vida, enquanto o direito processual, sem criar
tais direitos ou obrigações/deveres, soluciona os
conflitos de interesses decorrentes dessas
relações através do processo.

2.2. QUANTO À ORIGEM


 Podem ser de três tipos:

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 federal: emanam do Congresso Nacional;


 estadual: emanam das Assembléias Legislativas;
 municipal: emanam das Câmaras de Vereadores.
 A importância dessa classificação se dá em função da
hierarquia prevista para as leis, prevalecendo, em
princípio, as emanadas de órgão superior. Assim,
havendo conflito entre uma lei federal e uma
estadual, ou municipal, prevalecerá aquela.

2.3. QUANTO AO DESTINO


 Classificam-se em:
 Geral: destinadas a todos indistintamente. Ex.:
Código Civil;
 Especial: destinadas a um segmento social
específico. Ex.: CLT - Consolidação das Leis do
Trabalho (aos empregados e empregadores);
 Particulares (ou individuais): destinadas a
pessoas ou situações específicas, individualizadas.
Ex.: uma lei que concede pensão a determinada pessoa.

2.4. QUANTO AOS EFEITOS


 Poderão ser:
 Imperativas: não podem ser afastadas pelas partes.
São normas de ordem pública. Ex.: a consagração legal
do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
propriedade etc (art. 5º, “caput”, da Constituição
Federal);
 Proibitivas: estabelecem proibições. Refletem uma

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conduta não desejada pelo legislador. Ex.: “Não pode


ser objeto de contrato a herança de pessoa viva”
(art. 426 do Código Civil);
 Facultativas (ou dispositivas): conferem
possibilidade aos seus destinatários. Ex.: “Salvo
cláusula em contrário, ficarão as despesas de
escritura e registro a cargo do comprador, e a cargo
do vendedor as da tradição” (art. 490 do Código
Civil);
 Punitivas: estabelecem expressamente uma
punição/sanção. Ex.: "Aquele que demandar por dívida
já paga, no todo ou em parte, sem ressalvar as
quantias recebidas ou pedir mais do que for devido,
ficará obrigado a pagar ao devedor, no primeiro caso,
o dobro do que houve cobrado e, no segundo, o
equivalente do que dele exigir, salvo se houver
prescrição.” (art. 940 do Código Civil).

3. ELABORAÇÃO
 Basicamente, a elaboração das leis passa por quatro
fases, a saber:
 1ª) apresentação do projeto de lei;
 2ª) discussão e aprovação;
 3ª) sanção ou promulgação;
 4ª) publicação.

4. HIERARQUIA
 As leis também são classificadas de acordo com sua

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hierarquia, a fim de se saber qual lei efetivamente


deve ser aplicada ao caso concreto, prevalecendo,
assim, a de maior hierarquia.
 Podemos considerar as leis (sentido restrito e amplo)
de acordo com a seguinte ordem hierárquica:3
 Constituição Federal (bem como suas Emendas);
 Leis Complementares;
 Leis Ordinárias;
 Leis Delegadas;
 Decretos legislativos e resoluções;
 Medidas provisórias;
 outras normas de hierarquia inferior.

5. EFICÁCIA
 “Eficácia de uma lei é seu vigor e abrangência no
tempo e no espaço.”4
 A lei será eficaz em determinado território (espaço)
e valerá em determinado tempo (período de vigência).

6. INTERPRETAÇÃO

6.1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

* No sentido comum, interpretar é extrair do objeto tudo


aquilo que ele tem de essencial.
* Quando o objeto é a norma jurídica, é preciso, além do
3
Graduação hierárquica trazida por Rizzatto Nunes, in “Manual de Introdução do Estudo do Direito”, Saraiva,
3ª ed., 2000, p. 75.
4
Brancato, Ricardo Teixeira, Instituições de Direito Público e de Direito Privado, Saraiva, 12ª ed., 2003, p.
32.

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sentido, fixar seu alcance (isto é: a quais situações


ou pessoas se aplica).
* Não se constrói uma ciência sem rigor terminológico.
Evita-se, assim, dúvidas (termos claros e específicos
para designar cada coisa).
* A função do intérprete é trazer para outra linguagem
aquela linguagem da norma jurídica que não está muito
clara, pois do contrário não há necessidade de detida
interpretação (“in claris cessat interpretatio”).
* Deve-se privilegiar a “mens legis” (sentido prescrito
pela lei) frente à “mens legislatoris” (sentido querido
pelo legislador).
* A lei, sempre que interpretada, deve ser encarada como
uma parte de um todo chamado direito (=sistema).

6.2. REGRAS DE INTERPRETAÇÃO

6.2.1. GRAMATICAL

* Atenta para o sentido literal das palavras.


* Serve também para corrigir erros de redação, encontrados
no texto legal.
* É fundamental para fixar a significação das palavras
contidas nos textos, não só do termo isoladamente, mas
no contexto em que ele está inserido, relacionado com
os demais.
* Exemplo: a diferença entre os termos “poderá” e “deverá”
(e termos afins), normalmente empregados em
dispositivos legais.

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6.2.2. LÓGICA

* Serve-se da contribuição dos elementos da lógica para a


construção mental da inteligência do preceito.
* Exemplo de pressuposto lógico: “quem pode o mais, pode
o menos”.
* Exemplo fático: o devedor que quer pagar antes do
vencimento uma obrigação pecuniária.

6.2.3. SISTEMÁTICA

* Exige a consideração da lei sempre dentro do sistema de


que ela é, apenas, uma parte, embora a menor parte,
pois a lei é a linguagem do direito.
* Em função disso, o intérprete deve dar atenção à
estrutura do sistema. Isto é, aos comandos hierárquicos
(hierarquia), à coerência das combinações entre as
normas (coesão) e à unidade enquanto conjunto normativo
global (unidade).

6.2.4. TELEOLÓGICA

* Considera os fins aos quais a norma jurídica se dirige


(“telos”= fim).
* Exemplo: Na interpretação de qualquer artigo do Código
de Defesa do Consumidor, não se pode esquecer das
finalidades da lei: proteção ampla do consumidor;
informações claras e ostensivas que integrem todas as

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relações instauradas; respeito à dignidade do


consumidor no trato pessoal etc.
* Pertinência: art. 5º da LICC – Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro.

6.2.5. HISTÓRICA

* Preocupa-se em investigar os antecedentes da norma


legal: como ela surgiu, por que surgiu etc.
* Tem presente ser a lei o produto de uma vivência e
experiência humanas, nela sintetizadas. Para entender
tal síntese, existencial-histórica da lei, muitas vezes
será necessário remontar às causas que a determinaram
(condições sociais do momento, justificativas do
projeto, motivos políticos etc).

6.3. INTERPRETAÇÃO QUANTO AOS EFEITOS (ou resultados)

6.3.1. DECLARATIVA

* O intérprete se limita a “declarar” o sentido da norma


jurídica interpretada, sem ampliá-la ou restringi-la.
* Seria o resultado normal e rotineiro do trabalho do
intérprete na fixação do sentido e alcance da norma. Os
casos excepcionais seriam a interpretação restritiva e
a extensiva.

6.3.2. RESTRITIVA

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* É a que restringe o sentido e o alcance apresentado pela


expressão literal da norma jurídica, sendo imperiosa
quando seu texto diz mais - literalmente - do que é
razoável e concreto aceitar.
* Para restringir o intérprete deve valer-se das
regras/métodos de interpretação, notadamente a
teleológica.

6.3.3. EXTENSIVA

* Amplia-se o sentido e o alcance extraídos da


literalidade da norma jurídica.
* Quando utilizada, não deixa de representar, de certo
modo, um método de preenchimento de lacunas, por falta
de significado no texto normativo, capaz de fazer
surgir um resultado satisfatório, pela utilização das
regras de interpretação.