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Lucas Buril de Macêdo

Ravi Peixoto
Murilo Teixeira Avelino

Questões
Comentadas

Novo Direito
Processual Civil
Questões inéditas e de concursos CONFORME \
públicos adaptadas, todas com base NOVO \
no Novo Código de Processo Civil,
respondidas e comentadas

EDITORA
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www.9diEurajjspadiviii.iDni.br
Lucas Buril de Macêdo |
Ravi Peixoto a:

Murilo Teixeira Avelino

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CONFORME

NOVO

2016

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>PODIVM
www.editorajuspodivnn.com.br
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Didier Jr„ José Henrique Mouta, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Júnior, Nestor Távora, Robério Nunes
Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha.

Diagramação: Linotec Fotocomposição e Fotolito Ltda. (www.linotec.com.br)

Capa: Ana Caquetti

M141n Macêdo, Lucas Buril de.


Novas Questões de Direito Processual Civil / Lucas Buril de Macêdo, Raví Peixoto e Murilo
Teixeira Avelino - Salvador Ed. JusPodivm, 2016.
592 p.

ISBN 978-85-442-1160-1.

t. Direito Processual Civil. I. Peixoto, Ravi. II. Avelino, Murilo Teixeira. III. Título.

CDD341.46

Todos os direitos desta edição reservados à Edições JusPODIVM.


É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo,
sem a expressa autorização do autor e da Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza
crime descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis.

Ia ed„ 2." f/r.: ago./2016.


Apresentação

É um prazer imenso e um enorme desafio apresentar ao público a pri¬


meira obra destinada à preparação para concursos com um conteúdo completo
em questões comentadas sobre o novo CPC. Desde as normas fundamentais
até as disposições finais e transitórias, confrontamos os leitores sobre as
principais inovações e alterações trazidas pela Lei n° 13. 105/15, o Código de
Processo Civil.

Quando fomos apresentados a este desafio, pensamos em construir um


trabalho que facilitasse ao máximo a adaptação do estudante às nuances da novalei
e preparasse o candidato aos certames vindouros. Não é necessário dizer o quanto é
difícil e extenuante a preparação para concursospúblicos. Uma vez neste caminho,
o estudante precisa tomar consciência de que haverá dificuldades, muitas, mas que
estas serão superadas com esforço e dedicação.

Esta constatação não dispensa, todavia, que possamos oferecer ao leitor


vias mais acessíveis, que ajudem no foco e na superação das dificuldades. Estar se
preparando para concursos públicos e se deparar comuma nova lei da magnitude
de um Código de Processo Civil tende a assustar. Calma! Se manter no caminho da
disciplina e da preparação é a melhor forma de atingir o objetivo do tão sonhado
cargo público. Nós estamos aqui para te ajudar!

Esta obra, em suaprimeira edição, busca apresentar ao candidato, de forma


objetiva e metódica, as principais alterações promovidaspelo novo Código de Pro¬
cesso Civil. Épreciso saber o que mudou, o que não mudou e o que foi trazido como
inovação. Toda a obra foi pensada e estruturada para facilitar esta compreensão.

A respeito de cada tema o estudante encontrará questões já cobradas em


certames anteriores e também questões inéditas. Quanto às primeiras, muitas
precisaram ser adaptadas à nova lei processual. Fizemos questão de mantê-las
com a sinalização “adaptada” para que o leitor possa perceber quais os temas mais
cobrados e como são cobrados pelas principais bancas examinadoras do país.
6 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Preocupamos-nos também com as questões inéditas. Estas foram pensadas


e estruturadas com foco em duas perspectivas: 1) a necessidade de desafiar o can¬
didato nos pontos novos, naquilo que o novo CPC trouxe e que antes não existia
ou, se existia, que tenha sofrido grandes alterações; 2) respeitar a forma ea maneira
como os assuntos são normalmente cobrados nos concursos públicos.

Muito mais do que conhecer o novo código, é preciso ser confrontado


com questionamentos. A preparação para concursos exige exatamente isso, co¬
nhecer e pôr à prova o seu conhecimento. A Lei n° 13.105/15 não trouxe apenas
dispositivos novos, trouxe uma nova maneira de pensar o processo civil. Juntos,
vamos esquecer alguns dogmas, superar certos preconceitos e nos debruçar sobre
esta matéria apaixonante!

Nós, os autores, vamos junto com vocês até a tão sonhada (e cada vez mais
próxima) APROVAÇÃO!

Lucas Buril
RaviPeixoto
Murilo Avelino
Sumário

1 Normas Fundamentais do Processo 11


2 Jurisdição . ... 30
3 Ação.... 34
4 Capacidade Processual . 40
5 Litisconsórcio . 47
6 Intervenção de terceiros 57
7 Ministério Público 70
8 Competência 77
9 Juiz.. . . . 97
10 Advocacia Pública . 110
11 Defensoria Pública 112
12 Auxiliares da Justiça 117
13 Atos Processuais............
.. .....
. ... ... 124
14 Da Formação, Suspensão e Extinção do Processo 152
15 Processo e Procedimento 159
16 Tutela Provisória . 160
17 Petição Inicial.. 173
18 Audiência de Conciliação ou Mediação 188
19 Respostas do Réu 193
20 Revelia .... 210
21 Saneamento e Providências Preliminares 217
22 Provas . .... 223
23 Audiência de instrução e julgamento 244
24 Sentença e Coisa Julgada .... 249
25 Liquidação . . .. 276
8 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

26 Cumprimento de Sentença 283


27 Ação de Consignação em Pagamento 297
28 Ação de Exigir Contas ... 303
29 Ações Possessórias . . 305
30 Ação de Dissolução Parcial de Sociedade 314
31 Inventário e Partilha 318
32 Embargos de Terceiro 321
33 Oposição . .... 325
34 Ações de Família 329
35 Ação Monitoria 332
36 Jurisdição Voluntária 337
37 Execução em Geral 341
38 Execução para Entrega de Coisa 353
39 Execução de Obrigações de Fazer e não Fazer 359
40 Execução por Quantia Certa . 368
41 Penhora, Depósito e Avaliação 373
42 Expropriação 385
43 Execução contra a Fazenda Pública 392
44 Execução de Alimentos 402
45 Embargos à Execução 407
46 Suspensão e Extinção da Execução . 419
47 Precedentes 426
48 Ordem do Processo nos Tribunais 434
49 Incidente de Assunção de Competência 439
50 Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade . 445
51 Conflito de Competência . 447
52 Homologação de Sentença Estrangeira e Exequatur à Carta Rogatória 450
53 Ação Rescisória . 453
54 Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas 460
55 Reclamação 479
56 Teoria e Parte Geral dos Recursos 488
SUMáRIO 9

57 Apelação 505
58 Agravo de Instrumento 516
59 Agravo Interno 529
60 Embargos de Declaração 533
61 Recurso Ordinário 540
62 Recurso Especial e Recurso Extraordinário . 545
63 Recursos Extraordinário e Especial Repetitivos 558
64 Do Agravo em Recurso Especial e em Recurso Extraordinário 576
65 Embargos de Divergência 581
66 Disposições Transitórias 583
c
1

Normas Fundamentais
do Processo

1. (Comissário da infância e da Juventude -TJRJ - FCC-2012) Ojuiz, no


processo civil,
a) aprecia a prova de acordo com uma determinada hierarquia legal, sendo
a confissão a mais importante, e a prova testemunhal a menos importante.
b) decidirão processo nos limitesdo pedido formulado, sendo-lhe proibido
conhecerde questões nãosuscitadas,acujorespeitoaleiexigea iniciativa
da parte.
c) não pode determinar eie próprio as provas que entender necessárias, pois
depende sempre do pedido expresso da parte nesse sentido.
d) se tiver sua sentença reformada, poderá responder por perdas e danos,
independente de dolo ou fraude.
e) não é obrigado a julgar o processo se não existirem normas legais para o
caso concreto que está sendo examinado.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativa A está errada, visto que o CPC adota o princípio do con¬


vencimento motivado - neste ponto, destaca-se que excluiu o termo “livre”, que
12 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

acompanhava a expressão. Isso significa que o juiz não está adstrito a uma rígida
valoração legal oupré-existente das provas que são produzidas no processo, caben¬
do-lhe avaliar o acervo probatório de modo racional e consoante os indicativos
legais, fundamentando sua decisão sobre as questões fáticas.
A alternativa B é a resposta correta, valendo apenas destacar que o
CPC/2015, dando força ao princípio do contraditório, proíbe a decisão surpresa,
pelo que não é permitido ao juiz decidir com base em fundamento, ainda que se
trate de matéria da qual possa conhecer de ofício, que não tenha oportunizado às
partes sua manifestação (art. 10). Portanto, tratando-se de matéria cognoscível
de ofício, deve o juiz intimar as partes para que se manifestem sobre ela e, só
então, decidir.

A alternativa C está errada, pois vige em matéria probatória o princípio


inquisitivo, segundo o qual o magistrado possui iniciativa probatória, podendo
determinar a produção das provas necessárias para a resolução do mérito. Isso está
consagrado no art. 370 do CPC.
A alternativa D está também equivocada, visto que a responsabilidade
civil do juiz por perdas e danos dá-se quando proceder com dolo ou fraude no
exercício de suas funções, ou, ainda, quando recusar, omitir ouretardar, sem justo
motivo, providência que deva ordenar de ofício ou a requerimento da parte (art.
143, IeII, do CPC).

O erro da alternativa E está em ignorar o acesso à justiça ou inafastabili-


dade da jurisdição, devendo o judiciário oferecer uma resposta mesmo nos casos
que aparentem não ter qualquer regulação normativa. Este princípio, com essa
específica acepção, está consagrado no art. 140 do CPC/2015, segundo o qual
o juiz não pode se eximir de decidir sob a alegação de lacuna ou obscuridade do
ordenamento jurídico.

2. (Procurador Autárquico - MANAUSPREV - FCC - 2015) São princípios


gerais do processo civil:
a) economia processual,publicidade dos atos processuais, eventualidade.
b) individualização da pena, duração razoável do processo, livre investiga¬
ção das provas.
'

c) presunção de inocência, direito ao juiz natural, inércia.


1. NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO j 13

d) domínio do fato, vedação à prova ilícita, contraditório e ampla defesa.


e) anualidade, motivação das decisões judiciais, isonomia processual.

COMENTÁRIOS

Gabarito: A

Na alternativa A, a correta, vê-se listados a economia processual (art. 8o


do CPC/2015), duração razoável do processo (art. 5o, LXXVTII, da CF/88 e art.
4o do CPC/2015) e a eventualidade (art. 336 do CPC/2015), todos pertinentes
ao direito processual civil.

As outras alternativas contêm princípios que não dizem respeito ao direito


processual civil: na alternativa B, os da individualização da pena e dalivre inves¬
tigação das provas, sendo o primeiro penal e o segundo inexistente; na alternativa
C, o da presunção de inocência, típico do processo penal; na alternativa D, o do
domínio do fato, também da esferaprocessualpenal; na altemativaE, a anualidade,
que é princípio de direito tributário.

3. (Procurador - MP de Contas - FCC - 2015) Considere os artigos da lei


processual civil:
"O processo começa por iniciativa da partee se desenvolve por impulso
oficial, salvo as exceções previstas em lei"; e "O juiz não pode decidir,
em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do
qual não se tenha dado às partes oportunidade dè se manifestar, ainda
que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício".
Dizem respeito às normas fundamentais, respectivamente
a) dispositivo e da iriafástabilidade da jurisdição. MM
b) inquisitivo e da proibição de decisão-surpresa.
c) dispositivo e da congruência.
tfffifl
d) ; inquisitivo e da cooperação.
e) da motivação das decisões judiciais e do contraditório.
14 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

O primeiro dispositivo transcrito pela questão é o art. 2° do CPC/2015,


— como o inquisitivo —
e nele está tanto o princípio dispositivo — primeira parte
segunda parte -, que se referem à atribuição de poderes aos sujeitos do processo:
enquanto o princípio dispositivo dá o poder de instauração à parte, o inquisitivo
atribui ao juiz o poder de dar continuidade ao processo, dando cumprimento a
sua marcha.Isso elimina a alternativaE.

O segundo dispositivo é o art. 10, que estabelece uma diferença - antes ig¬
norada— entre poder conhecer de ofício a matéria e poder decidir com base em algo
sem garantir às partes seu direito à participação. Embora seja possível conhecer de
ofício certas matérias, não é possível decidi-las sem antes oportunizar às partes sua
manifestação. Isto é, qualquer fundamento decisório precisa, antes de ser utilizado
em uma decisão, ser posto ao crivo dos sujeitos parciais, o que é uma exigência do
Estado Democrático de Direito: todos os sujeitos que são afetados por um determi¬
nado ato de poder precisam ter respeitado o seu direito à participação. Esta é a regra
do art. 10, que proíbe as chamadas decisões-surpresa. Dessa forma, são também
inexatas as alternativas, A, Ce D. Por sua vez, a alternativa B é a resposta correta.

4. (Juiz de Direito-TjDFT- CESPE - 2014 -adaptada) Acercados princípios


do processo civil, assinale a opção correta.
a) O sistema informal previsto para as ações que tramitam perante os jui¬
zados especiais permite a adoção, peio magistrado, do sistema do livre
convencimento puro.
b) Vige nó sistema processual brasileiro o princípio da identidade física
do juiz, que vincula ao julgamento do processo o magistrado que tenha
concluído a audiência.
c) Em respeito ao princípio do contraditório, Ó STJ pacificou entendimento
de ser vedada a utilização de prova emprestada na esfera cível.
d) O princípio dispositivo vincula o julgador no que diz respeito aos limites
objetivos e subjetivos da lide e aos limites da instrução do processo.
e) Pode 0 julgador prolatar senteriÇâ dè mérito ainda qué òréy nãq compo¬
nha a relação processual.
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO I 15

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Quanto à alternativa A, também no procedimento sumaríssimo, típico


dos juizados especiais, aplica-se o convencimento motivado (art. 38 da Lei
9.099/1995). No sistema do “puro livre convencimento” as razões para decidir
podem ser náo jurídicas e, via de regra, não se exige a motivação - exatamente
como os jurados no tribunaldo júri. Náo é esse o sistema dos juizados especiais.

Sobre a altemativaB, o CPC/2015 não repetiu a regra da identidade física


do juiz, então prevista no art. 132 do CPC/1973.
A alternativa C está errada, visto que STj possuiposicionamento exata¬
mente no sentido contrário: “É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de
Justiça quanto à legalidade da prova emprestada, quando esta é produzida com
respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa” (REsp 1447157/SE).

O erro da alternativa D está na asserção de que o juiz está vinculado ao


princípio dispositivo na instrução do processo, visto que nesta fase processual pre¬
domina a inquisitoriedade. Esta é a previsão do art. 370 do CPC/2015, que autoriza
ao juiz determinar a produção das provas necessárias ao julgamento do mérito.

Por fim, a alternativa E está correta, pois é possível julgar o mérito limi¬
narmente, isto é, mesmo que o réu não tenha sido citado, desde que em seu favor,
nas causas que dispensem fase instrutória. Esta é justamente a previsão do art.
332 do CPC.

5. Não: são excetuadas da ordem cronológica preferencial para proferir


sentença ou acórdão:
a) A decisão dos embargos de declaração.
b) A decisão que homologar a desistência da ação.
c) O julgamento conforme o estado do processo.
d) A decisão que reconhece a existência de litispendência.
e) O julgamento de processo que se encontre em meta estabelecida pelo
CNJ.
16 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A decisão de embargos de declaração está expressamente entre as exceções


legaísàordemcronológicapara julgamento (art. 12. § 2o, V), assim comoadecisão
de processos abrangidos por meta do Conselho Nacional de Justiça (art. 12. § 2o,
VII). Por isso, não respondem à pergunta as alternativas A e D.

A decisão que reconhece existência de litispendência e a decisão que homo¬


loga a desistência da ação são decisões que extinguem o processo sem resolução do
mérito (art. 485, V e VIII),pelo que se encontram também entre as exceções legais
(art. 12, § 2o, IV). Dessa forma, não servem de resposta as alternativas B e D.

A decisão que julga liminarmente improcedente é uma decisão de mérito,


que não se encontra prevista entre o rol de exceções à ordem cronológicapreferendal
para julgamento. A resposta é a alternativa C, portanto.

6. de Justiça - MPE-MT - UFMT - 2014 - adaptada) Levando


(Promotor
. em conta a legislação processual civi) brasileira, análise as afirmativas.
,

I. Cenericamenté/ò princípio dodevido processo iégaicaracteriza-sepelo


trinômió vida-liberdade-propriedade, vaie dizer, tem-se o direito detutela

11

medida de suas desigualdades.


Ill- O princípio do juiz natural tem grande importância na garantia doestado
de direito, bem como na manutenção dos preceitos básicos de imparcia-
lidade do juiz na aplicação da atividade jurisdicional
IV. O princípio do direito de ação determina que, além do direito ao processo
justo, todos tenhamodireitoàtutelajurisdicional adequada. No entanto,
abrange somente os direitos individuais levados ao conhecimento do
judiciário, não tendo aplicação aos direitos coletivos.
Estão corretas as afirmativas:
a) LllellUpenas.:.,.;
b) le II, apenas.
.
1 NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO j 17

c) i, ill e IV, apenas.


d) lí, III e IV, apenas.
e) II e IV, apenas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A primeira assertiva encontra-se correta, visto que o devido processo legal


tem emseu nascedouro o propósito de proteger o cidadão con tra a invasão abusiva
do Estado emsua esfera jurídica, protegendo-lhe justamente a vida, a propriedade
e a liberdade, A segunda assertiva está igualmente correta, utilizando-se da célebre
frase de Aristóteles. A terceiraassertiva está também correta, dado que o princípio
do juiz natural evita a instauração de juízos de exceção, preservando a imparcia¬
lidade. O chamado direito de ação, ou, mais propriamente, direito de acesso à
justiça efetivamente garante o direito à tutela adequada, consoante a redação da
quarta assertiva, mas não se limita às ações individuais, devendo ser prestada tutela
adequada também nas ações coletivas,

7. (juiz de Direito -TjMG-FUNDEP- 2014 -adaptada) Com relação aos


princípios gerais do direito processual civil, analise as afirmativas seguintes:
I. A isenção, em relação às partes e aos fatos da causa, é condição indecli¬
nável do órgão jurisdicional para proferir um julgamento justo, poden¬
do-se afirmar que o juiz subjetivamente capaz é aquele que não tem sua
imparcialidade comprometida pela suspeição ou pelo impedimento.
II. O princípio do devido processo legaI decorre da norma contida na Cons¬
tituição no art. 5o, inc. LI V, CR/88, garantindo às partes voz e meios para
se defenderem, respeitando os direitos fundamentais. '
• • ‘

III. O CPC estabelece o princípio da identidade física do juiz, segundo o


qual o juiz titular ou substituto que concluir a audiência julgará a lide,
exceto se estiver convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo,
promovido ou aposentado.
IV. Segundo o princípio da congruência, deve o juiz decidir, observados os
limites da lide estabelecidos pelo pedido do autor, evitando-se decisões
extra petita, citra ou infra petita òu ultra petita.
18 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A partir da análise, conclui-se que estão CORRETAS.


a) l.elll apenas.

c) li e III apenas.
d) IN e IV apenas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

O itemIestá correto, tendo o CPC tuteiado a imparcialidade do juiz como


valor essencial à prolação de decisões judiciais adequadas. Os arts. 144 e 145 do
Código trazem as hipóteses de impedimento e suspeição, sendo expressamente
vedado ao juiz exercer suas funções quando impedido ou suspeito.
O item II está igualmente correto, já que não há dueprocess sem a efetiva
garantia dosdireitos fundamentais processuais e,por consequência, departicipação
das partes no processo judicial- que é também um direito fundamental processual.
Ê, ainda, necessário rememorar que oprincípio do contraditório decorre do aspecto
formal do Devido Processo Legal, de forma que seu conteúdo está também por
este princípio abarcado.

O itemIIIestá errado, pois o CPC/2015 excluiu a regra daidentidade física


do juiz, então prevista no art. 132 do CPC/1973.
O item IV está certo, visto que, conforme o art. 492 do CPC, é vedado ao
juiz proferir decisão de natureza diversadapedida, bem como condenar aparte em
quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.Entenda-se
como extrapetita a decisão que trata de objeto diverso do pedido; ultrapetita é o
julgado que vai além do quantum pedido; citrapetita é, por sua vez, a decisão que
não decide todo o pedido. O princípio da congruência volta-se, justamente, à
vinculação da decisão ao tanto pedido na demanda.

8. (juiz de Direito -TJMT - FMP-RS - 201 4 - adaptada) Quanto aO direito


ao contraditório no processo civil, é correto afirmar que:
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 19

a) esgota-se no direito de informação e no direito de reação a respeito das


alegações de fato e das provas produzidas pelas partes.
b) também chamado de bilateralidadeda instância, é um princípio quetem
por titulares e destinatários apenas as partes no processo.
c) éodireitodeserinformado,dereagire de influenciar, tendo como titulares
e destinatários apenas as partes no processo.
d) éodireitodeserinformado,dereagiredeinfluenciar,tendocomo titulares
as partes e como destinatário o juiz no processo.
e) nenhuma das afirmações é totalmente correta.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D.

A alternativa A está errada por afirmar que o contraditório esgota-se no


direito de reação às alegações e manifestações, quando se sabe que, contempora¬
neamente, ele assume a ideia de contraditório-influência, ou seja, de ter as teses e
provas deduzidas em juízo devidamente consideradas na decisão. A alternativaB
está equivocada por apontar as partes como destinatárias do contraditório, quando
o direito ao contraditório tem como sujeito passivo o Estado-juiz, a quem cabe
garantir possibilidade de seu exercício e devidamente considerar as manifestações
das partes. A alternativa C incorre no mesmo erro da anterior. A alternativa D
está correta, o que exclui a alternativa E.

9. -
(juiz de Direito -TJMT - FMP-RS 2014 - adaptada) Quanto à colabo¬
ração no processo civil, é correto afirmar que:
a) é uma norma que determina que as partes têm o dever de colaborar entre
si para o bom andamento do processo e não diz respeito à postura do juiz
no processo.
b) é uma versão atualizada do princípio dispositivo em sentido material.
c) é uma versão atualizada do princípio dispositivo em sentido processual.
d) é a versão atualizada do modelo inquisitorial em sentido processual.
e) Nenhuma das afirmações é totalmente correta.
20 QUESTÕES COMENTADAS- NOVO DIREíTO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativaA está erradapor excluir o juiz como sujeito da cooperação, já


que integra a relação processual e a cooperação incide sobre esta, não há como
ele
retirá-lo do âmbito de aplicação da cooperação. O art. 5o do CPC, neste ponto, é
expresso: “ Todos ossujeitos doprocesso devem cooperar entre si paraque se obtenha,
em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”.

As alternativas B, C e D estão erradas, pois o princípio da cooperação


não se confunde com os princípios dispositivo ou inquisitorial, seja no sentido
material ouno sentido processual. Pode-se afirmar que o princípio da cooperação,
diferentemente dos outros dois princípios mencionados, não entrega o protagonis-
mo a nenhum dos sujeitos processuais, garantindo uma comunidade de trabalho
na condução do processo, evitando uma assimetria acentuada entre os poderes
dos sujeitos processuais, capaz de viabilizar o efetivo diálogo. Por ser diferente de
ambos, portanto, não pode ser compreendido como uma atualização de qualquer
um deles, mas como um tertiumgenus que busca equilibrá-los.

10. (JuizdoTrabalho-TRTt -FCC-2013-adaptada)"!ncumbeaoréu alegar,


na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de
direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas
que pretende produzir". Esse enunciado legal concerne ao princípio
a) constitucional da produção da prova lícita.
b) processual da livre investigação probatória.
c) processual da eventualidade.
d) constitucional da isonomia.
e) processual da adstrição ou congruência,

COMENTÁRIOS
Gabarito: C.

Segundo o princípio daeventualidade ou concentração da defesa, o réu deve


cumular todas as matérias defensivas na contestação. A sua previsão legal está no
art. 336 do CPC, reproduzido na questão.
NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 21

O princípio da alternativa A veda a produção de provas ilícitas; o da al¬


ternativa B garante o poder-dever do órgão julgador de determinar a produção
das provas que entender relevantes para a solução do mérito; o da alternativa D
determina que as partes sejam tratadas de forma igualitária, inclusive permitindo
diferenciações quando as suas condições forem diversas a ponto de uma delas estar
em desvantagem; o da alternativa E obriga o juiz a decidir conforme o pedido
realizado, não podendo decidir sobre coisa diversa, ir além do pedido ou deixar
de decidir sobre tudo que foi pedido.

.
11 Podem ser Iistados como deveres decorrentes do princípio da cooperação:
a) Dever de auxílio, proibição de decisão-surpresa e dever de oralidade.
b) Dever de esclarecimento, dever de cautela e dever de auxílio.
c) Dever de consulta, dever de cumprir com exatidão as decisões jurisdi-
cionais e dever de informalidade.
d) Dever de esclarecimento, dever de consulta e dever de prevenção.
e) Dever de prevenção, dever de auxílio e dever de informalidade.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D.

A doutrina lista como típicos do princípio da cooperação os seguintes deve¬


res: consulta, consoante o qual todas as matérias constantes do julgamento devem
ser abertas à prévia manifestação das partes; esclarecimento, a partir do qual o juiz
deve intimar as partes para sanar quaisquer obscuridades que restem no processo;
prevenção, que obriga o juiz alertar as partes quanto apossíveis defeitos nos seus atos
e, sobretudo, quanto às penalidades eventualmente aplicáveis caso elas não adeqúem
sua conduta; e auxilio, que tem sua acolhida no direito brasileiro controvertida
doutrínariamente, determinando ao juiz condutas no sentido de desconsiderar
problemas formais ou burocráticos que dificultem a regular atuação das partes.

12. (Titular de Serviço de Notas e Registros -TJRR - CESPE - 2013 - adaptada)


Considere que, ao apreciar apelação, o tribunal mantenha a sentença,
reduzindo o valor dos honorários fixados pelo juiz de 20% para 10%
22 QUESTOES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

sobre o valor da condenação/ ainda que não haja pedido do vencido


nesse sentido. Nesse caso, a decisão do tribunal:
a) ratifica o princípio da máxima efetividade do processo.
b) viola o princípio do juiz natural.
c) conforma-se com o princípio da instrumentalidade das formas.
d) viola o princípio da inércia.
e) conforma-se com o princípio da economicidadejurisdicionaf.

COMENTÁRIOS

Gabarito: D

O princípio dispositivo - que tem como paralelo o princípio da inércia


— aplica-se também no âmbito recursal, devendo o órgão julgador se manter
adstrito à demanda recursal (art. 492 e art. 1.002 do CPC), o que está con¬
solidado no velho brocardo tantum devolutum quantum appellatum. Assim
sendo, decidindo o tribunal sobre matéria que não foi posta ao seu crivo pelo
recorrente, desrespeita a inércia e, inclusive, viola diretamente a regra do art.
1.013 do CPC.

13. (Juiz de Direito -TJMA - CESPE - 2015 - adaptada) O princípio da per¬


suasão racional:
a) relaciona-se à intervenção de terceiros, sendo obrigatório o ingresso, na
causa, daquele que tenha sido afetado, económica e juridicamente, em
seu direito subjetivo.
b) estávinculadoàsegurança jurídica, sendo imprescindível queaconclusão
do julgado tenha coerência direta e explícita com sua fundamentação.
c) atrela-se à prova, de modo que cabe ao magistrado decidir o mérito em
conformidade ao acervo probatório de forma motivada.
d) conforma-se com as regras sobre nulidade processual, de modo que não
se reconhece nulidade sem prejuízo à parte.
e) é acolhido no Código de Processo Civil de forma expressa ao prever o
livre convencimento motivado. I
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 23

COMENTÁRIOS
Gabarito: C.

O princípio dapersuasão racional incide sobre o direito probatório, e efeti¬


vamente determina que o órgão julgador avalie as provas e decidasobre as questões
fáticas da demandamediante avaliação racional do material probatório. Significa
que, embora o juiz não se vincule a qualquer prova específica, ele está obrigado a
analisar cada uma das provas e expor fimdamentadamente as razões que lhe levaram
a seguir uma delas e não outra. A alternativaE está errada porque o CPC excluiu
o termo “livre”, presente no Código revogado, enunciando no art. 371 que o “juiz
apreciará a prova constante dos autos, independentemente do sujeito que a tiver
promovido, e indicará na decisão as razões da formação de seu convencimento”.

14. O princípio do contraditório é, atualmente, compreendido deforma mais


expandida, ultrapassando a mera noção debilateralidade dá audiência,
garantindo às partes efetivas condições de manifestarem-se previamènte
e terem seus argumentos considerados na decisão. Todavia, em alguns
casos esta eficácia do contraditório não se aplica, dentre elas não está:
1a) a antecipação da tutela.
b) a tutela de evidência baseada em julgamento de casos repetitivos.
c) a decisão baseada em evidência dc expedição do mandado monitório.
d) a tutela provisória cautelar.
e) a tutelade evidência baseada em manifesto propósitoprotelatório da parte.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

As alternativas A e D estão dispostas como exceção no art. 9o, parágrafo


único,I, do CPC, pois configuram tutela provisória de urgência. A alternativa B
também configura exceção, de previsão no incisoII do parágrafo único do art. 9o,
já que é tutela de evidência prevista no art. 311,II. A alternativa C está prevista
com exceção no art. 9o, parágrafo único, III. A tutela de evidência baseada em
manifesto propósito protelatório (art. 311, IV) não se afigura exceção ao contra¬
ditório prévio, inclusive porque a hipótese autorizadora fàz necessária a oitiva da
24 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

parte contrária - logicamente, não há como se dizer protelatório o intuito sem


antes avaliar a manifestação da parte.

15. (Procurador-Câmara Municipal de São Caetano do Sul/SP-CAIP-IMES


-2012 - adaptada) O preceito constitucional assim enunciado: "a lei não
excluirá da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça a direito",
diz respeito ao princípio constitucional do processo civil:
a) do Devido Processo Legal, com previsão exclusivamente constitucional.
b) daTutela Adequada, corri previsão também no Códigode Processo Civil.
c) Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional, com previsão
também no Código de Processo Civil.
d) Princípio do Duplo Grau de Jurisdição, com previsão exclusivamente
constitucional.
e) Princípio da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional, com previsão
exclusivamente constitucional.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Trata-se do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional, ou do


acesso à justiça, previsro no incisoXXXV do art. 5o da CF/88.Emborao princípio
tivesse previsão exclusiva na Constituição, o CPC/2015 passou a expressamente
prevê-lo no seu art. 3o, que dispõe: “Não se excluirá da apreciação jurisdicional
ameaça ou lesão a direito”.

16. Sobre as normas fundamentais do processo civil, avalie os seguintes


enunciados:
I. Mesmo durante o processo, cabe ao Estado, sempre que possível, a pro¬
moção da solução consensual dos conflitos.
II. A ordem cronológica prevista no art. 12 do CPC é aplicável às sentenças,
acórdãos, decisões interlocutórias e despachos.
III. Após a inclusão do processo na lista cronológica de julgamento, o reque¬
rimento formulado pela parta altera a ordem cronológica para decisão.
NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 25

IV. O juiz nãò pode decidir corn base em fundamento fãtico a respeito do
qual não se tenha dado às partes oportumdades de se manifestarem,
podendo fàze-lo apenas quanto às questões jurídicas sobre as quais
deva decidir de ofício.
V. O princípio da boa-fé âplica-sé Is partes e também a qualquer um que
participa dõ processo, ainda que auxiliar da Justiça.
Estão corretos:
a) Os itens 1 eV.
b) Os itens IV eV.
c) Os itens II, III e IV.
Os itens I, II eV.
e) Os itens II! eV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O itemIestá correto, diante da previsão do art. 3o, § 2o, que estabele¬


ce que o “Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos
conflitos”.

O itemII está errado, pois a ordem cronológica do art. 12 aplica-se apenas


às sentenças e acórdãos.

O itemIII está errado, já que, consoante o § 4o do art. 12, o requerimen¬


to formulado pela parte não altera a ordem cronológica para a decisão, exceto
quando implicar a reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em
diligência.
O item IV também está errado, pois o art. 10 não faz diferença entre
questões fáticas ou jurídicas, não sendo lícito ao juiz julgar com base em qualquer
fundamento a respeito do qual não tenha dado às partes oportunidade para se
manifestarem, ainda que se trate de matéria cognoscível de ofício.

O item V está correto, já que a boa-fé é imponível a qualquer sujeito que


partícipe de qualquer forma do processo (art. 5o).
26 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

17. (Juiz de Direito -TJDFT - CESPE - 2015 - adaptada) Assinale a opção


correta com relação a princípios do direito processual
a) Com base no princípio da estabilidade subjetiva da lide, as partes do
cumprimento de sentença devem necessariamente ser as mesmas que
atuaram no processo de conhecimento.
b) Oprincípioda identidadefísicadojuizéde natureza infraconstituçional
e, por isso, o novo Código dé Processo Civil não incorreu em ineonstitu-
cionalidade ao exclui-lo do ordenamento jurídico.
c) Com base no princípio da territorialidade da jurisdição; é vedada ao
oficial de justiça a realização de diligências emforo diverso daquele ém
que atua.
d) O princípio dispositivo aplica-se às tutelas específicas de adimplemento
das obrigações de fazer e não fazer, o que, segundo o STJ, impede o juiz
Is de arbitrar astreintes de ofício nesses casos.
e) O princípio da boa-fé objetiva se aplica ao processo civil, nada obstante
inexista previsão legal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

A alternativa A está errada por dar uma eficácia à estabilidade da demanda


que o próprio CPC/2015 não prevê.

Embora a alteração subjetiva da demanda do processo seja situação ex-


cepcional, raramente permitida — um exemplo está no art. 338 (modificação do
réu quando o alegue, na contestação, ser parte ilegítima, autorizando o autor a
requerer a alteração em 15 dias) ela é cabível quando houver a morte de qualquer
das partes, que deverá ser sucedida por seu espólio ou por seus sucessores. Além
da chamada sucessão processual causa mortis (art. 110 do CPC/2015), é possível
também a sucessão processual voluntária, desde que exista autorização legal (art.
108). Outra importante hipótese em que ocorre a modificação subjetiva é a do
incidentede desconsideração dapersonalidadejurídica, cabível também no cumpri¬
mento de sentença (art. 134 do CPC/2015).

Nesses casos, é possível que o cumprimento de sentença seja direcionado


contra sujeito que não foiparte no processo deconhecimento. Então, por exemplo,
1. NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 27

o processo pode correr contra um réunafase cognitiva e, ocorrido o seu falecimento,


seu espólio ou seusherdeiros serem o sujeito passivo do cumprimento de sentença.
Outrossim, pode acontecer de o processo ter como réu a empresa e a sentença ser
cumprida contra seu sócio, notadamente quando houver a desconsideração da
personalidade jurídica. Por isso, incorreta a alternativa A.
Quanto àalternativa C, embora o natural seja que os atos processuais sejam
praticados na sede do juízo, o CPC/2015 autoriza que excepcionalmente o sejam
em outro lugar, por deferência, interesse da justiça, da natureza do ato ou de obs¬
táculo arguido pelo interessado e acolhido pelo juiz, conforme dispõe o art. 217.
Além desta autorização genérica, certamente aplicável aos atos praticáveis
por oficial de justiça, é de destacada importância o exemplo típico da realização
de ato por oficial fora da comarca em que atua: quando se tratar de ato a ser
praticado em comarca contígua ou que se situe na mesma região metropolitana.
Com efeito, esta autorização consta no art. 255 do CPC/2015, e expressamente
autoriza o oficial de justiça a efetuar citações, intimações, notificações, penhoras
e quaisquer outros atos executivos nas comarcas contíguas de fácil comunicação
e nas que se situem na mesma região metropolitana. Assim sendo, não é possível
considerar a alternativa correta.
Na altemativaD, oerro está tanto na assertiva quanto no suposto entendi¬
mento do Superior Tribunal de Justiça. É que, quanto às obrigações de fazer, não
fazer e entregar coisa, vige a regra da atipicidade dos meios executivos. Isso significa
que qualquer meio idóneo pode ser determinado judicialmente para que seja
prestada a tutela específica. Portanto, é desnecessário pedido expresso de fixação
de multa periódica para que o órgão julgador a fixe, desde que a repute a melhor
medida de coerção no caso - o que se aplica a qualquer técnica processual.
Esta é a dicção do art. 536 do CPC, ao enunciar que, no “cumprimento
de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer,
o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou
a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente, determinar as medidas
necessárias à satisfação do exequente”. É, portanto, plenamente possível a fixa¬
ção de multa independentemente da existência de pedido, restando tal matéria
fora do campo de incidência do princípio dispositivo - basta o pedido de tuteia
específica para que qualquer meio para sua implementação esteja à disposição do
órgão julgador na sua fixação.
28 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Já a alternativa E tem um erro muito simples: a boa-fé objetiva ou,


simplesmente, princípio da boa-fé, passou a ter expressa previsão legal no
CPC/2015. Isto quer dizer que a alternativa poderia até ser considerada correta,
caso se referisse ao Código de Processo Civil de 1973, todavia, com a revogação
dele, no novo Código passou-se a prever de forma expressa a boa-fé. A leiturado
art. 5o póe isso às claras: “Aquele que de qualquer forma participa do processo
deve comportar-se de acordo com a boa-fé”. Dessa forma, o erro está no fato de
que háprevisão legal do princípio da boa-fé, listado no art. 5o, entre as normas
fundamentais do processo civil.
Finalmente, a alternativa B é a correta. Nesta questão, o candidato
precisa lembrar-se do “princípio” da identidade física do juiz, então previsto no
art. 132 do CPC/1973, que determinava que o juiz, titular ou substituto, que
concluir a audiência deveria julgar o processo, exceto quando houvesse sido
convocado, licenciado, afastado, promovido ou aposentado, casos nos quais os
autos passariam para o seu sucessor. O CPC/2015 excluiu, com plena validade
constitucional, esta regra.

É igualmente importante não confundir a velha regra da identidade física do


juiz— que já era bastante desgastada e pouco lembrada sob a vigência do CPC/ 1973
— com o princípio do juiz natural, consoante o qual o órgão competente para julgar
deve ser determinável por regras previamente dispostas no ordenamento jurídico,
sendo ilícita a determinação do juízo adhoc. Este último princípio tem, sim, pre¬
visão constitucional, como decorrência do inciso XXXVII do art. 5o da CF/ 1988,
segundo o qual “não haverá juízo ou tribunal de exceção”, configurando-se um
importantíssimo direito fundamental, e qualquer reforma que busque reduzi-lo,
quanto mais excluí-lo, é inconstitucional.

18. (juiz de Direito -TJRJ -VUNESP- 2012 -adaptada) Sobre o princípio


do duplo grau de jurisdição, é correto afirmar que:
a) é garantia constitucional expressa que assegura à parte o direito de ter a
decisão judicial revista e que veda a edição de lei ordinária que venha a
suprimir recursos previstos no sistema.
b) não é garantia constitucional, mas a previsão expressa desse princípio,
na Carta Magna, no sentido de propiciar a revisão da decisão judicial,
impede a supressão, por lei ordinária, de qualquer recurso.
.
1 NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO 29

c) não é garantia constitucional expressa na Carta Magna, pelo que é per¬


feitamente possível a edição de lei ordinária que venha suprimir algum
recurso previsto no sistema.
d) é garantia constitucional expressa, constituindo cláusula pétrea, que ga¬
rante aos jurisdicionadosodireitode recorrer, através dos meios recursais
previstos no sistema, que não podem ser suprimidos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Não há previsão constitucional do duplo grau de jurisdição. É, portanto,


plenamente possível a previsão de casos em que não cabe recurso para um segun¬
do grau, como acontece na execução fiscal, nas sentenças de primeira instância
proferidas em execução de valor igual ou inferior a 50 (cinquenta) Obrigações
Reajustáveis do Tesouro Nacional — ORTN, das quais cabem apenas os recursos
de embargos infringentes e de declaração, que são direcionados para o mesmo
julgador, na formado art. 34 da Lei 6.830/1980. Igualmente, é plenamente pos¬
sível a supressão de recursos, como o CPC/2015 fez com os embargos infringentes
cabíveis de acórdãos de mérito emapelação, quando houver reformado por maioria
a sentença, antes previstos no CPC/1973.
1)

9
Msà
i,

Jurisdição

1. -
(Auditor federal de controle externo -TCU 2015 - CESPE) No que
concerne aos princípios processuais e à jurisdição»; julgue o item que
se segue.
Na jurisdição contenciosa, o Estado, em substituição às partes, resolve a
lide submetida a sua apreciação, sendo inadmitida, após a instauração
do processo contencioso, a composição entre as partes.

COMENTÁRIOS

Gabarito: incorreta

O CPC/2015 tem, comoumde seus grandes objetivos, a solução consensual


de conflitos.Isso éperceptível, eis que o seu art. 3o, § 2o, afirma que o “Estado pro¬
moverá, sempre que possível, a solução consensual de conflitos” e o seu § 3o exige
que a conciliação, a mediação e outros meios de solução consensual de conflitos
devem ser estimulados, inclusiveno curso doprocessojudicial. Além disso, o art. 139,
V, insere como um dos poderes do magistrado a promoção, “a qualquer tempo,
a autocomposição, preferencialmente com auxílio de conciliadores e mediadores
judiciais”. Tão só pela menção a esses textos normativos, torna-se evidente a ampla
possibilidade da resolução consensual dos conflitos, mesmo após a instauração do
processo contencioso.
2. JURISDIçãO 31

2. (Juiz-TjAL-2015-FCC)Emrelaçãoàjurisdição,consideredsseguintes
princípios e característlcas:
I. As únicas soluções possíveis para a lide são por meio da jurisdição e pelos
mecanismos alternativos da autòcomposição é da arbitragem.
II. Pelo princfpioda indeclinábilidade, a prestação jurisdicional não é dis¬
cricionária e sim obrigatória para o Estado.
111. Pelo princípio da inevitabilidade, temtse que. a jurisdição é atividade
pública que cria um estado de sujeição às partes do processo.
IV. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando á parte ou o
interessado a requerer, nos casos è forma legais, é enunciado relativo ao
princípio da indelegabilidade das atribuições típicas e refere-se à juris¬
dição contenciosa e voluntária.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) I e IV.
b) lie III.
c) I, lie III.
d) UI e IV.
e) III é IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

I: O erro desta assertiva está no fato de que, além dos meios mencionados,
tem-se ainda a possibilidade da resolução do conflito por meio da autotutela, que
só pode ser exercida nos casos expressos em lei. Em regra, as partes precisam do
processo judicial para a resolução das lides, mas, a exemplo do desforço imediato
no caso da tentativa de esbulho (art. 1.210, § Io, Código Civil), em alguns casos,
o próprio direito permite que a parte, por si só, exerça seus direitos.

II: O princípio da indeclinabilidade, também denominado de inafastabi-


lidade tem por conteúdo a imposição de que o Poder Judiciário tem a obrigação
de prestar a tutela jurisdicional e não a simples faculdade. Esse dever é reforçado
pelo art. 3o, caput, do CPC/2015, segundo o qual, “Não se excluirá da apreciação
jurisdicional ameaça ou lesão a direito”. A doutrina menciona que a exceção a
32 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

esse princípio seria a possibilidade de o juiz se abster de julgar sob a alegação de


suspeição por motivo de foro íntimo (art. 145, § Io).1

Ill:Trata-se da adequada acepção do princípio da inevitabilidade, relacio¬


nado com a aptidão de as decisões judiciárias poderem ser impostas independen¬
temente davontadedas partes. Uma vez imposta uma determinada obrigação por
meio do estado-juiz a uma das partes, há um estado de sujeição, não podendo ela
simplesmente optar por não cumpri-la.
IV: O princípio a que faz referência esta assertiva é ao princípio da inércia,
expresso no art. 2o, do CPC/2015, segundo o qual, “o processo começa por ini¬
ciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções legais”. Dentre
essas exceções, é possível mencionar a arrecadação da herança jacente (art. 738 do
CPC/2015) ca decretação de falência (art. 56, §4°. Lei 11.101/2005).
O princípio da indelegabilidade, por sua vez, tem por conteúdo a impos¬
sibilidade de um juiz vir a delegar o exercício da função a ele conferida pela lei, de
forma a sempre impor o respeito ao princípio do juiz natural.
Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o inte¬
ressado a requerer, nos casos e forma legais, é enunciado relativo ao princípio da in¬
delegabilidade das atribuições típicas e refere-se à jurisdição contenciosa e voluntária.

3. (Juiz-TJRR-2015 -FCC) Em relação àjurisdição,examineosenunciados


seguintes:
!. Pelo princípio da aderência, os juízes e tribunais exercem a atividade
jurisdicional apenas no território nacional, repartida essa atividade entre
os juízes, de acordo com as regras de determinação de competência.
li. Como nenhum juiz prestará a tutela jurisdicjonal senão quando a parte
ou o interessado a requerer, em consequência nenhum procedimento
judicial pode ser iniciado de ofício pelo juiz, sem exceção.
III. O princípio da congruência, decorrência própria do princípio dispositi¬
vo, não incide no tocante às questões de ordem pública, que o juiz deve
examinar de ofício, por incidência do princípio inquisitório.

.
1 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil. 56a ed. Rio de Janeiro: Forense,
2015, v.1,p. 115-116.
2. JURISDIçãO 33

Está correto o que se afirma APENAS em


a) I e III.
b) I e II.
c) lie III.
d) I.
e) II.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

I: A assertiva está correta, nos moldes do art. 16 do CPC.


II:De acordo como princípio da inércia, expresso no art. 2o, do CPC/2015,
“o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial,
salvo as exceções legais”. Dentre essas exceções, é possível mencionar a arrecadação
da herança jacente (art. 738, CPC/2015) e a decretação de falência (art. 56, § 4o.
Lei 11.101/2005). Isso significa que há exceções aos casos em que o juiz não pode
iniciar nenhum processo de ofício.

III: O princípio da congruência é observado tanto do ponto de vistainterno


quanto externo da decisão. A congruência externa tem relação com a necessidade
de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no processo e com
os elementos objetivos que deram ensejo à demanda. A congruência interna está
relacionada com os requisitos para asua inteligência como ato processual, devendo
a decisão ser precisa e revestida dos requisitos de clareza, certeza e liquidez.2

Pela regra da congruência externa, deveria o juiz analisar tão somente os


elementos objetivos trazidos pelas partes, quais sejam a causa de pedir e os pedidos,
tendo forte relação como princípio dispositivo. No entanto,no processo brasileiro,
algumas regras também são motivadas pelo princípio inquisitivo e, dentre elas,
está a possibilidade do conhecimento, pelo juiz, das questões de ordem pública
mesmo de ofício, tais como a prescrição e a decadência. Trata-se de uma exceção
ao denominado princípio da congruência.

2. DIDIERJR., Fredie; BRAGA, RauIaSarno; OLIVEIRA, Rafael. Curso de direitoprocessualcivil.i O’ ed.


Salvador: Juspodivm, 2015, v. 2, p. 357-358.
3

Açáo

1. (TécnicoJíudiciário-TRT9-FCC-201.,»-adaptada) Se estiverem ausentes


a legitimidade da parte ou o interesse de agir, mas o réu nada alegar em
contestação, o juiz deve:
a) Conhecerda matéria deofício,emqua!quergraudejurisdição,eextinguir
o processo sem resolução de mérito.
b) Dar ao processo curso normal, em razão da preclusão.
c) Conhecer da matéria de ofício, desde que ainda não tenha ocorrido
audiência de instrução, e extinguir o processo com resolução de mérito.
d) Conhecer da matéria, em qualquer grau de jurisdição, desde que após
alegação do réu, extinguindo-o sem resolução de mérito.
e) Conhecerda matéria deofício, em qualquer grau dejurisdição,eextinguir
o processo com resolução de mérito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Consoante estabelece o art. 17 do CPC, énecessário ter interesse e legitimi¬


dade parapostular em juízo. Isso significa que o interesse de agir e alegitimidade das
partes são condições da ação que, conforme o art. 485 do CPC, é matéria do juízo
de admissibilidade do processo. Não há julgamento do mérito nos casos em que
3. AçãO 35

se reconhece a ausência de interesse ou legitimidade. Quanto à prescindibilidade


da provocação da parte, o § 3o do mesmo dispositivo autoriza o juiz a conhecer de
ofício a ausência de legitimidade ou de interesse processual, em qualquer tempo e
grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.

2. AempresaABCLTDA.sãgrou-sevencedoradelicitação,tendoce!ebrado
contrato administrativo com ò Estado de Pernambuco para prestação de
serviços. Diante de uma variação do preço dos insumos, passa a requerer
o reajuste dos preços, de modo que seja mantida sua margem de lucros.
O ente público indefere administrativamente o pedido e, a partir disto, é
proposta uma ação de cobrança. O juiz, na análise da inicial, ao perceber
que o sistema jurídico veda expressamente o reajuste com periodicidade
inferior a um ano, deve:
a) indeferir a inicial por falta dé legitimidade da parte.
b) indeferira inicial por ser o pedido juridicamente impossível.
c) indeferir a inicial por carecer o autor de interesse processual.
d) indeferir a inicial por inépcia.
e) julgar liminarmente procedente.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Trata-se de questão complexa, apresentada ao candidato paraque atente aum


forte embate na doutrina a respeito das chamadas condições da ação. O CPC/2015
excluiu a impossibilidade jurídica do pedido desta categoria. Assim sendo,partin¬
do da ideia de condições da ação, as hipóteses que antes eram de impossibilidade
jurídica do pedido devem ser agora vistas como carência de interesse.
Sobre o ponto, deve-se ficar atento ao dissenso doutrinário estabelecido pela
modificação de redação constante do CPC/2015. É que o novo Código excluiu
a possibilidade jurídica do pedido e, além disso, não se refere em momento algum à
categoria das condições da ação, pelo que teria realizado a sua exclusão, tornando a
legitimidade- agora apenas a extraordinária,pois a ordinária passaria a ser matéria
de mérito - e o interesse de agir pressupostos processuais (é o posicionamento de¬
fendido por Fredie Didierjr.). Todavia, hátambém o posicionamento no sentido
36 j QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

de que o CPC apenas realizou uma atualização da teoria eclética, tendo em vista
que o próprio Liebman, quem a concebeu, excluiu do rol de condições da ação a
possibilidade jurídica do pedido, pois haveria certa confusão com o interesse de
agir, passando as hipóteses antes enquadráveis naquela a serem configuradas como
aplicação deste (posicionamento de Alexandre Freitas Câmara).
Muito embora a ideia do FredieDidier Jr nos pareça a que revelemelhores
resultados, a concepção do Freitas Câmara afigura-se a mais afinada comahistória
do processo e, por isso mesmo, é a que tendencialmente será acolhida doutrinária
e jurisprudenciaimente.

Assim sendo, o candidato deve ficar atento à definição dessa questão na


jurisprudência. Até lá, o mais provável é que as questões sigam o posicionamento
de que remanescem as condições da ação, com absorção da impossibilidade jurí¬
dica do pedido pelo interesse de agir. Diante da polêmica doutrinária, todavia, é
possível impugnar questões quepossuam entre as alternativas respostas no sentido
da carência de ação e também no da improcedência.
De todo modo, em questões como a formulada acima, a anulação é pouco
provável, jáque emnenhuma das outras alternativas está uma resposta aceitável, visto
que a altemativaEmencionaprocedêncialiminar, figurainexistente nonosso sistema
processual e inviável constitucionalmente, por força do princípio do contraditório.

3. (Promotor de Justiça - MPE-MS - Banca Própria - 2015 - adaptada)


Durante o desenvolvimento e aperfeiçoamento do direito de ação nasce¬
ram várias teorias que buscaram explicar os principais aspectos da ação.

a) idealizada por Savigny, a ação é d,rei,o


autónomo, público e concreto, somente existindo aquela quando a sen¬
tença julgar procedente o pedido do autor.
b) Na teoria eclética, desenvolvida por Enrico Tuilio Liebman, o direito
de ação constitui o direito a um julgamento de mérito da causa, o qual,
contudo, fica condicionado ao preenchimento das condições da ação.
c) Consideraraaçãoumdireitoautônomo, públicoe abstrato, umavezque
independe da existência do direito material e do êxito da ação, revela os
contornos da teoria dodireito concreto à tutela jurisdicional desenvolvida
porWach.
3. AçãO 37

d) A teoria do direito abstrato, que tem em Plósz e Degenkòib seus expoen¬


tes, não vislumbra a autonomia dò direito de ação ém relação à tutela
jurisdicional invocada.
e) Segundo Chiovenda, que formula a teoria da ação como direito potesta-
tivo, esta é autónoma, subjetiva e pública, dirigida contra o Estado e que
não se exaure com o seu exercício.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A teoria imanentista, sincrética ou da ação civil, tem a ação como a perse¬


cução do próprio direito, não acolocando como algo afeto ao direito processual. A
ação é, nestaperspectiva, o próprio direitomaterial em movimento. Esta teorização
é típica do direito romano e dos romanistas.

A teoria concreta da ação tem-na como direito a uma sentença de proce¬


dência. Então, embora a ação seja transferida para o direito processual, eia ainda
fica condicionada a ele. Portanto, sob esta visão, há ação apenas quando houver
decisão favorável. Wach e Chiovenda são célebres juristas que adotaram a corrente
concretista, tendo Chiovenda adicionado à sua teorização a ideia que se trataria
de um direito potestativo (independe da colaboração do sujeito passivo para a sua
realização, bastando exercê-lo), e não prestacional.
A teoria autónoma e abstrata passou a colocar a ação como direito público,
exerckável contra o Estado, e não contra o alegado devedor ou sujeito passivo do
direito material, e independentemente da efetiva existência deste, ou seja, tem-se
ação caso exista ou não o direito alegado. Com isso, tem-se uma efetiva divisão
entre direito substancial e processo. Comumente Degenkolb e Plósz são apontados
como os primeiros autores a desenvolver a teoria autónoma e abstrata da ação.

Fínalmente, a teoria eclética foi desenvolvida pelo italiano Enrico Tullio


Liebman, que buscoumesclar elementos da teoria autónoma e abstrata com ateo-
ria concretista. Nela, para ter ação processual, exercível contra o Estado, é preciso
preencher as condições da ação - que são elementos que ligam o direito processual
e o direito material. Embora esta teoria tenha pouca consistência, acabou sendo
positivada em vários sistemas jurídicos, como no sistema processual italiano e no
próprio Código de Processo Civil brasileiro de 1973.
38 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

4. (Titular de Serviços de Notas e de Registros - CESPE - 2014 - adaptada)


A respeito da jurisdição e da ação, assinale a opção correta.
a) Segundo a teoria da asserção, as condições da ação devem ser verificadas
conforme as afirmações do autor, antes de produzidas as provas.
bl

c) Conforme a doutrina majoritária, a mediação está inserida na atividade


jurisdicional.
d) De acordo com a teoria clássica da ação, desenvolvida por Friedrich
Savigny, a ação é o direito a uma sentença favorável.
e) Nã teoria concretistà, defendida por Adolf Wach, não se reconhece a
autonomia do direito de ação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A alternativa A está correta. A teoria da asserção foi desenvolvida para


mitigar os efeitos prejudiciais da confusão que a teoria eclética da ação instaura. É
que, conduzida a referida teoria com rigor, quase todos os julgamentos de mérito
no sentido da improcedência acabariam sendo julgados sem resolução de mérito
por carência de ação, por mais que o processo houvesse perdurado anos e contado
com larga instrução. Isto porque o sujeito que não tem o direito que afirmou
constatado sofrerá sempre de ilegitimidade ou falta de interesse para pleiteá-lo. Se
se cobra um crédito sem tê-lo, efetivamente não há interesse. Se se pede alimentos
e descobre-se, por meio de prova pericial, que não há relação de parentesco, há
ilegitimidade. Neste rigorismo, importante perceber, quase todos os julgamentos
pela improcedência acabariam sendo levados a ser modificados para uma decisão
de extinção do processo sem julgamento do mérito. Isso, além de ser indesejável,
tornaria o ordenamento processual assistemático e poderia ser considerado uma
ofensa à igualdade - já que a única parte que se beneficiaria da coisa julgada seria
o autor.

Desenvolve-se, então, a teoria da asserção, que significa que as condições


da ação referem-se às alegações da parte, e não à sua efetiva condição. Perceba-se:
se a parte alega que tem relação íntima de amizade com o réu e, a partir disto, pede
3. AçãO 39

condenação em alimentos, há ilegitimidade. Todavia, se o autor afirma relação


de parentesco e pede alimentos, caso se descubra por meio de DNA que não há
tal relação, a matéria é de mérito, e não feita de condições da ação, pois a assertiva
da parte, que se comprovou posteriormente inverídica, autorizaria, caso estivesse
correta, o pleito realizado. Portanto, para verificação das condições da ação con¬
soante a teoria da asserção, é suficiente avaliar apostulação da parte, sem qualquer

referência probatória. Ao se adentrar em questão probatória-isto é, se a condição


alegada pela parte é efetivamente existente - tem-se uma análise de mérito, e não
mais de condição da ação.

A alternativa B está errada, pois aponta conteúdo que não corresponde ao


princípio da indeclinabilidade, que nada mais é do que outro nome para o prin¬
cípio do acesso à justiça, especificamente o seu conteúdo que estabelece que toda
causa deve ser efetivamente decidida, não se justificando a recusa a decidir sob o
argumento de que não há regulação legal (art. 114 do CPC).

O erro daalternativaC estáeminserir amediação na jurisdição. Ajurisdição


é meio estatal de heterocomposição, enquanto a mediação é um meio alternativo
de resolução de disputas, pautado na utilização de técnicas interdisciplinares que
auxiliem as partes a chegarem à autocomposição. Portanto, inseri-la na jurisdição
é um equívoco. Embora exista a previsão de realização de mediação no processo,
notadamente na audiência de conciliação ou de mediação (art. 334 do CPC), ela
não se confunde com a solução jurisdicionai, que é impositiva e proveniente de
ato de terceiro.

Na alternativa D, o maior erro está em imputar à teoria clássica da ação,


que é a teoria sincrética ou da ação civil, a noção de ação como o direito a uma
sentença favorável. Na teoria da ação civil a ação é o próprio direito substancial
em movimento, em estado de imponibilidade. A teoria que adota a ação como o
direito à sentença favorável é a teoria concretista.
Finalmente, a alternativaE está também errada, pois é justamente a partir
da teoria concretista que se vê a ação como instituto do direito processual, ou seja,
autónomo, embora mantenha vínculo forte com o direito material, já que adota
a noção de ação como direito à sentença de mérito favorável. Justamente por se
vincular a ação à sentença, que é instituto dedireito processual, tem-se a transpo¬
sição deste conceito do direito material para o processo.
i
L

Capacidade Processual

1. (Defensor -DPE-ES- 2009 -CESPE) Em causas queversem sobre direitos


reais imobiliários, os cônjuges são litisconsortes necessários se réus, mas
não o serão se autores.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

De acordo com o art. 73, caput, do CPC, o cônjuge necessitará do consenti¬


mento do outro parapropor ação que verse sobre direito real imobiliário.Não se trata
de litisconsórcio necessário ativo, mas tão somente de uma espécie de autorização
para que um cônjuge possa litigar no polo ativo individualmente. No polo passivo,
no entanto, de acordo com o art. 73, § Io, I, do CPC, ambos os cônjuges serão ne¬
cessariamente citados para compor o polo passivo nas ações queversem sobre direitos
reais imobiliários, ou seja, tem-se a formação de litisconsórcio passivo necessário.
Portanto, quando no polo ativo,nas ações queversem sobredireitosreaisimobiliários,
não há obrigatoriedade da formação de litisconsórcio, mas quando atuem no polo
passivo, os cônjuges devem atuar em litisconsórcio passivo necessário.

2. Independentementedo regime de bens do casamento, os cônjuges devem


ser necessariamente citados para as ações que versem sobre direitos reais
imobiliários.
811!
4. CAPACIOAOE PROCESSUAL 41

COMENTÁRIOS
Gabarito: Errada

De acordo com o art. 73, § 1°,I, do CPC, os cônjuges devem ser necessaria¬
mente citados para compor o polo passivo nas ações que versem sobredireitos reais
imobiliários. No entanto, essa regra não será aplicada caso eles sejam casados sob o
regime de separação absoluta de bens. Trata-se de uma relevante alteração, quando
em comparação com o CPC/1973, caso em que se tratava de uma regra absoluta.

3. O companheiro, cuja união estável esteja comprovada nos autos, não


necessitará do consentimento do outro para propor ação que verse sobre
direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação
absoluta de bens.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Errada

A aplicação das restrições à atuação das pessoas casadas aos companheiros


era uma questão que era detentora de forte polêmica, pois nem o Código Civil e
nem o Código de Processo Civil de 1973 tratavam da matéria.1 Essa polêmica foi
resolvida, de forma expressa, pelo CPC/2015. De acordo com o § 3o do art. 73
do diploma legal, as restrições previstas nesse artigo serão aplicadas à união estável
comprovada nos autos, tornando a questão errada pela sua negativa.

4. (juiz doTrabalho-TRT 3a Região -2014 -TRT 3a Região) No que concerne


à representação em juízo, ativa ou passivamente, assinale a alternativa
INCORRETA:
a) O espólio é representado pelo inventariante.
b) O condomínio é representado pelo administrador ou pelo síndico.

1. Defendendoa sua aplicação: BUENO, CassioScarpinel la. Partes e terceiros. São Paulo: Saraiva, 2003,
p. 42. Hm sentido contrário: MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Código de processo
civil anotado artigo por artigo. 2" ed. São Paulo: RT, 2010, p. 105. Hã precedente nesse segundo
sentido por partedo STJ, no entanto, na decisão, o caso concreto é analisado à luz do Código Civil de
1916: ST), 4 aT., REsp 41 6.866/SP, Rei. Min. Sálvio de Figueiredo, j. 17/12/2002, DJ 10/03/2003, p.
230. Há, no entanto, acórdão mars recente aplicando tais restrições à União Estável: STJ, 2a T., REsp
553.914/PE, Rei. Min. Castro Meira,j. 18/03/2008, DJe 01/04/2008.
42 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) O Município é representado por seu Prefeito ou procurador.


d) A Massa Falida é representada pelo administrador judicia! ou pelo pro¬
curador por ele nomeado.
e) Associedadessempersonalidadejurídicasãorepresentadaspefapessoa
a quem couber a administração dos selis bens. ;;

COMENTÁRIOS
Gabarito: Letra D

Letra A: Assertiva correta, de acordo com o art. 75, VI, do CPC/2015.

Letra B: Assertiva correta, de acordo com o art. 75, XI, do CPC/2015.

Letra C: Assertiva correta, de acordo com o art. 75, III, do CPC/2015.


LetraD: Assertivaincorreta,pois, deacordo como art. 75, V, do CPC/2015,
amassa falida é representadapeio seuadministrador judicial,não havendo previsão
de que possa ser representada por procurador por ele nomeado.

Letra E: Assertiva correta, de acordo com o art. 75, IX, do CPC/2015.

5. (Analista judiciário-TRT19a Região -2014 ~FCC- adaptada) Segundo


o Código de Processo Civil, verificando o juiz a irregularidade da repre¬
sentação dá parte ha instância originária, devera fixar jrrázo:
a) razoável para ser sanado o defeito e, caso não atendido, declarará o réu
revel, se a providência a este couber.
b} dedez dias para ser sanado o defeito e, caso não seja atendido, extinguirá
o processo com resolução do mérito, se a providência couber ao autor.
c) de dez dias para ser sanado o defeito e, caso não seja atendido, excluirá
o assistente do processo, se à providência a este couber.
d) razoável para ser sanado ó defeito e, caso rião seja atendido, extinguirá
o processo sem resolução do mérito, se a providência couber ao réu.
e) de dez dias para sanar o defeito, caso este consista na ausência de ins¬
trumento de procuração ao advogado da parte e, caso não seja atendido,
declarará sem efeito os atos por este praticados.
4. CAPACIDADE PROCESSUAL 43

COMENTÁRIOS
Gabarito: Letra A

Letra A: De acordo com o art. 76, § Io, II, do CPC, caso seja verificada
irregularidade da representação da parte na instância originária, o juiz deverá fixar
prazo razoável para ser sanado o defeito e, caso não atendida, declarará o réu revel,
se a providência a este couber.

Letra B: Incorreta, pois não há fixação de prazo determinado, e também,


caso a providência caiba ao autor, haverá a extinção do processo sem resolução
do mérito.
Letra C: Incorreta, pois não há fixação de prazo determinado. A segunda
parte está correta, pois, caso a providência caiba ao terceiro - no caso, o assistente
- ele será excluído do processo (art. 76, § Io,III, do CPC).
Letra D: Correta quanto ao prazo, mas incorretaquanto à consequênciapara
o não atendimento da determinação quando couber ao réu. Caso não atendido,
declarará o réu revel, se a providência a este couber (art. 76, § Io,II, CPC/2015).
A extinção do processo sem exame do mérito ocorre quando a providência couber
ao autor (art. 76, § Io, II, CPC/2015).

Letra E: Incorreta, no caso de vício na procuração, o prazo para saná-lo é


de 15 dias, prorrogáveis por mais 15 (art. 104, § Io, CPC/2015). A consequência
está correta, pois o não atendimento da determinação implicano reconhecimento
da ineficácia dos atos praticados (art. 104, § 2o).

6. (JuizdoTrabalho-TRT 6a Região -2015 -FCC) Notocanteà capacidade


de ser parte, o Código de Processo Civil: II
a) só a reconhece para advogados.
b) a reconhece para alguns entes que não possuem personalidade jurídica.
c) só a reconhece para as pessoas absoluta ou relativamente incapazes,
porque elas devérn estar representadas ou assistidas.
d) só a reconhece para as pessoas físicas ou jurídicas.
e) soa reconheceparaaspessoasfísicas, porque as pessoas jurídicas devem
ser representadas por um administrador.
44 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: B
Letra A: A capacidade de ser parte, também conhecida como personalidade
judiciária, é a aptidão para figurar na relação jurídica processual, seja no polo ativo ou
passivo.Não deveserconfundidacomacapacidadepostulatória,queéadepraticaratos
processuais, geralmente concedida apenas aos advogados eaos membrosdoMinistério
Público. Portanto, a assertiva está incorreta, pois o CPC reconhece a capacidade de
ser parte para todas as pessoas físicas e jurídicas e para vários entes sem personalidade.

Letra B: Correta. Embora, em geral, a capacidade de ser parte esteja relacio¬


nada com a personalidade jurídica, é bem mais ampla, tendo em vista também ser
concedida a alguns entes despersonalizados. Alguns a possuemporexpressaprevisão
legal, como aherança jacente ouvacante, o espólio, as associações irregulares e outros
entes organizados sem personalidade jurídica e o condomínio (art. 75, V, VI, VIII,
DC e X, CPC/2015).
Letra C: A capacidade de ser parte é concedida a todas as pessoas físicas e
jurídicas e para vários entes sem personalidade. Os incapazes também a possuem,
mas não de forma exclusiva como apontado pela assertiva.

Letra D:Incorreta,pois, embora, em geral, a capacidade de ser parte esteja re¬


lacionada comapersonalidade jurídica, é bemmais ampla, tendo em vista também
ser concedida a alguns entes despersonalizados, conforme mencionado na letra B.
Letra E: Incorreta, pois a capacidade de ser parte é concedida a todas as pes¬
soas físicas e jurídicas. A assertiva confunde o conceito de capacidade de ser parte
com o de capacidade processual, que é a aptidão para o exercício de faculdades e
ônus processuais independentemente de representação. De fato, para o exercício
da capacidade processual, as pessoas jurídicas precisam de representação, que, de
acordo com o art. 75, VII, do CPC/2015, será exercido por quem os respectivos
atos constitutivos designarem ou, não havendo essa designação, por seus diretores.

7. (Analista Judiciário -TRT 17a Região - 2013 - CESPE) Considere que C


tenha proposto ação de indenização em face de D, pleiteando a quantia
de R$ 50.000,00 a título de danos materiais e R$ 1 00.000,00 a título de
danos morais, e que o juiz tenha julgado os pedidos parcialmente pro¬
cedentes, tendo condenado D ao pagamento integral do valor pleiteado
a título de danos materiais e considerado a ausência de prova do abalo
moral. Com base nessa situação, julgue os itens que se seguem.
4, CAPACIDADE PROCESSUAL 45

Caso C seja menor de 1 6 anos de idade, ele terá tanto legitimidade para
a causa quanto legitimidade para o processo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta

A legitimidade para a causa não se confunde com a legitimidade para o


processo (capacidade processual), pois aquela é condição da ação, enquanto esta
é pressuposto processual que se relaciona com a capacidade para estar em juízo.
O menor de 16 anos tem legitimidade para a causa, mas não possui capacidade
processual (legitimidade para o processo), pois é absolutamente incapaz.
Ou seja, o menor de 16 anos tem legitimidade ad causam para propor
ação contra seu suposto pai, mas não tem legitimidade adprocession, por não ter
capacidade para estar em juízo, devendo ser representado. Sendo absolutamente
incapaz, ele precisará ser representado por seus pais, por tutor ou por curador, na
forma da lei (art. 71 do CPC/2015).

8. Julgue a seguinte assertiva acerca das consequências para o não aten¬


dimento à determinação do juiz para sanar o vício de incapacidade
processual ou de irregularidade da representação em grau recursal:
Caso a determinação caiba ao recorrente, o processo será extinto sem
exame do mérito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta

O CPC/2015 passou a regular as consequências para o não atendimento


à determinação do juiz para sanar o vício de incapacidade processual ou de irre¬
gularidade da representação no segundo grau. Nos termos do § 2o, do art. 75,
do CPC/2015, o relator não conhecerá do recurso, se a providência couber ao
recorrente e determinará o desentranhamento das contrarrazões, se a providência
couber ao recorrido. Portanto, a assertiva está incorreta.

9. (Analista Judiciário -TRT 19aR.-20l3-FCC) No tocante à capacidade


processual e postulatória,
46 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) a citação de um dos cônjuges é sempre suficiente, não havendo hipóteses


em que ambos devam ser citados para a demanda.
b) o cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor ações que
versem sobre direitos pessoais e imobiliários.
c) o juiz dará curadorespecia! ao réu preso revel, bem como ao revel citado
por edital ou com hora certa, enquanto não for constituído advogado.
d) dada a igualdade jurídica entre homem e mulher, não existe situação
jurídica na qual seja necessária autorização conjugal para qualquer
demanda.
e) a herança jacente ou vacante é representada judicialmente pelo inven-
tariante.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Letra C
Letra A: Ambos os cônjuges devem ser citados para a ação: a) que verse sobre
direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime de separação absoluta
de bens (art. 73, § Io, I, CPC/2015); b) resultante de fato que diga respeito a
ambos os cônjuges ou de ato praticado por eles (art. 73, § Io, I, CPC/2015); c)
fundada em dívida contraída por um dos cônjuges a bemda família (art. 73, § 1°,
III, CPC/2015); d) que tenha por objeto o reconhecimento, a constituição ou a
extinção de ônus sobre imóvel de um ou de ambos os cônjuges (art. 73, § Io, I,
CPC/2015) e; e) Nas ações possessórias, nas hipóteses de composse ou de ato por
ambos praticado (art. 73, § 2o, CPC/2015). Assertiva incorreta.
Letra B: O cônjuge necessitará do consentimento do outro para propor
ação que verse sobre direito real imobiliário, salvo quando casados sob o regime
de separação absoluta de bens (art. 73, caput, CPC/2015). O erro da assertiva
foi mencionar direitos pessoais e não mencionar a exceção no caso do regime de
separação absoluta debens.
Letra C: Correta, de acordo com o art. 72, II, do CPC/2015. Destaque-se
que, no CPC/2015, o réupreso só terá curador especial se for revel, diferentemente
do CPC/1973, que o colocava para qualquer hipótese.
Letra D: A autorização conjugal é exigida parapropor ação que verse sobre
direito real imobiliário (art. 73, caput, CPC/2015). Assertiva incorreta.
Letra E: A herança jacente ou vacante é representada judicialmente pelo
seu curador (art. 75, V, CPC/2015) e não pelo seu inventariante.
5

Litisconsórcio

1. (Questão adaptada do concurso para Promotor de justiça Substituto do


MPE-MS, realizada pelo MPE-MS, 2015) Assinale a alternativa correta:
a) Existindo litisconsórcio necessário unitário, é possível ao Juiz limitá-lo, a
pedido, quanto ao número de litigantes, quando houver prejuízoà defesa
ou à céíere solução do litígio.
b) Todo litisconsórcio necessário é simples.
c} Em açãodeinvestigaçãode paternidade movida por menor (representado
por sua mãe) em face de seu suposto pai biológico, torna-se desnecessária
a citação do pai registrai para integrar a lide.
d) O recurso produz efeito somente ao litisconsorte que recorre, ressalvadas
as hipóteses de litisconsórcio unitário, pois nestas os efeitos do recurso
interposto por um dos litisconsortes se estenderão aos demais.
e) O litisconsórcio unitáriodecorredofatode ocorrer afinidadede questões
por ponto comum de fato ou de direito.
JISSsS

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativaA está equivocada, pois o litisconsórcio que pode ser limitado


quanto ao número de participantes é ofacultativo, conforme previsão do art. 113,
48 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

§ Io. O novo CPC prevê como hipóteses permissivas da limitação do número


exacerbado de tal forma que prejudique a defesa ou o cumprimento de sentença,
ou que prejudique a rápida solução do litígio.

Igualmente, a alternativaB está errada,pois o litisconsórcio necessáriopode


ser tanto simples como unitário. Lembre-se que o litisconsórcio necessário advém
tanto da natureza da relação controvertida, quando a plena eficácia da sentença
depende da citação de todos que devam ser litisconsortes, como também por dis¬
posição de lei (art. 114). A divisão entre o litisconsórcio necessário e facultativo
está na obrigatoriedade ou opção por sua formação, enquanto o critério que divide
o litisconsórcio em simples ou unitário está na uniformidade da decisão para os
litisconsortes: enquanto no simples a relação jurídica dos litisconsortes com a parte
adversa possa ser resolvida uma a uma, com diferença entre elas, no litisconsórcio
unitário a decisão de mérito será uniforme para todos os litisconsortes.

O SuperiorTribunal de Justiça tem entendimento consolidado no seguinte


sentido: “Não se pode prescindir da citação daquele que figura como paina certidão
de nascimento do investigante para integrar a relação processual na condição de
litisconsórcio passivo necessário” (REsp 693.230/MG, Rei. Ministra NANCY
ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 11/04/2006, DJ 02/05/2006,
p. 307). Por isso, errada a alternativa C.

De fato, o recurso do litisconsorte apenas serve ao outro se for o caso de


litisconsórcio unitário. Por isso, a alternativa D está correta. A redação legai po¬
de levar a engano (art. 1.005 do CPC). O ponto já recebeu análise específica do
SuperiorTribunal de Justiça, nos seguintes termos: “O recurso, em regra, produz
efeitos táo-somente para o litisconsorte que recorre. Apenas na hipótese de litis¬
consórcio unitário, ou seja, nas palavras de José Carlos Barbosa Moreira, quando
o julgamento haja de ter, forçosamente, igual teor para todos os litisconsortes,
mostra-se aplicável a norma de extensão da decisão, prevista no art. 509, caput, do
Código de Processo Civil” (RMS 15.354/SC, 5a T., Min. Arnaldo Esteves Lima,
DJ de 01.07.2005). Ressalte-se que o precedente cita o art. 509 do CPC/1973,
que tem redação idêntica ao art. 1.005 do CPC/2015-
Na hipótese citada na alternativaE ocorre, na verdade, autorização para o
litisconsórcio simples. Por mais que os fundamentos fáticos advenham do mesmo
fundamento fático, não há uma relação jurídica unitária que deve ser decidida
igualmente para todos os litisconsortes.
5. LITISCONSORCIO 49

2. (Questão adaptada do concurso para Procurador da Assembleia Legis¬


lativa do Estado de Goiás, realizada pela CS-UFG, 2015) J.C., F.D., R.F.
e G.W., acionistas da empresa Sementes Prateadas S/A, ajuizaram ação
visando à anulação de uma assembleia geral que, apesar de devidamente
convocada, foi instalada sem a observância do quórum mínimo legal. A
situação narrada corresponde a:
a) Iitisconsórcio ativo necessário simples.
b) litisconsórcio facultativo unitário.
0 litisconsórcio necessário unitário.
d) litisconsórcio facultativo simples.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Na hipótese ventilada na questão, tem-se um litisconsórcio ativo, ou seja,


ele se constitui entre vários autores da ação. Diante da garantia constitucional da
inafastabilidade da jurisdição, impedir o jurisdicionado de litigar sob o argumento
de que faltam outros sujeitos como autores, impediria o acesso à justiça e, assim,
seria medida inconstitucional. Por isso, os litisconsórcios ativos, como no caso da
questão, skofacultativos.
Nada obstante, trata-se da decretação de nulidade de um ato da sociedade
da qual compõem os quadros de sócios. Não é possível invalidar a assembleia para
um dos sócios, mantendo-a válida para os demais. As decisões de invalidade têm
efeito sobre o objeto decidido e, por isso, refletem em todos que tenham interesse
nele. Desta forma, a decisão precisa ser idêntica para todos os sócios, tratando-se,
portanto, de um litisconsórcio unitário.

Pelo exposto, correta a alternativa B.

3. (Questão adaptada do concurso para Procurador do Município da


Procuradoria Geral do Município de Niterói, realizada pela FGV, 2014)
Revendo os seus critérios de distribuição de itinerários de Iinhasde ônibus,
o Poder Público municipal editou ato administrativo por meio do qual
atribuiu à sociedade empresária "A", uma das concessionárias do serviço
público em questão, uma linha bastante lucrativa, que, até então, era
explorada pela sociedade empresária "B". Sentindo-se prejudicada com
50 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a alteração, que, em sua ótica, foi promovida com desvio de finalidade,


porquanto visava a beneficiar indevidamente a concorrente, a empresa
"B" ajuizou demanda, sob o rito ordinário, em face da pessoa jurídica de
direito público, pleiteando a anulação do ato administrativo editado.
No que concerne à empresa contemplada coma nova linha, asua inclusão
na relação processual deve se dar em razão:
a) do litisconsórcio passivo, necessário e simples.
b) do litisconsórcio passivo, necessário e unitário.
c) do litisconsórcio passivo, facultativo e simples.
d) da assistência simples.
e) da denunciação da lide.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A empresa “A” e o Município serão demandados, configurando no polo


passivo da relação jurídicaprocessual. Como os efeitos da sentença irão diretamente
afetar a empresa beneficiada pelo ato administrativo que se impugna com a ação
judicial, trata-se de litisconsórcio necessário. Além disso, tratando-se de pleito de
decisão constitutiva negativa, ou se trata de ato administrativo válido ou inválido,
não sendo lídimo falar em sua validade a partir da pessoa afetada; assim sendo,
trata-se de decisão que deve tratar de modo igual os litisconsortes. Portanto, é
litisconsórciopassivo necessário unitário.

4. (Questão adaptada da prova para Promotor do MPE-PR, realizado pelo


MPE-PR, 2014) Acerca do litisconsórcio, assinale a alternativa incorreta:
a) Duas ou mais pessoas podem litigar, rio mesmo processo, em conjunto,
ativa ou passivamente, quando entre elas houver comunhão de direitos
ou de obrigações reiativamente à lide.
b) O juiz determinará ao autor que requeira a citação de todos os litiscon¬
sortes necessários, dentro do prazo que assinar, sob pena de extinção do
processo,
.
c) Salvo disposição em contrário, os litisconsortes serão considerados, em
suas relações com a parte adversa, como litigantes em comum; os atos e
as omissões de um prejudicarão ou beneficiarão os outros.
5. LITISCONSóRCIO 51

d) O requerimento de limitação do litisconsórcio interrompe o prazo para


manifestação ou resposta, que recomeçará da intimação da decisão que
o solucionar.
e) O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de
litigantes quando ele comprometer a rápida solução do litígio.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

AaltemativaAreproduzahipótesedelitisconsórciodoart. 113,I,doCPC.
A alternativaB está pautada no art. 115, parágrafo único, do CPC. A alternativa
D é reprodução do art. 113, § 2o. A alternativaE é o texto do § Io do art. 113.

O erro na alternativa C é dizer que os iitisconsortes serão considerados


litigantes em comum, quando devem ser considerados litigantes distintos, exceto
no litisconsórcio unitário, caso em que os atos eas omissões de um não prejudicarão
os outros, mas os poderão beneficiar (art. 117 do CPC).

5. (Questão adaptada da prova de Juiz Federa! doTRF - 2a Região, realiza¬


da peloTRF - 2a Região, 2014) Analise as afirmações abaixo e, depois,
assinale a opção correta.
• •

I. litisconsórcio np polo passivo será sempre facultativo.


II.
°Nos vínculos jurídicos em que há solidariedade ativa ou passiva o litis¬
consórcio é, em regra, necessário e unitário.
111. Se a sentença puder ser distinta em seu dispositivo para os Iitisconsortes,
a hipótese é de litisconsórcio simples.
IV. O comando do artigo 117 do Código de Processo Civil (segundo o qual os
Iitisconsortes serão considerados, em suas relações com a parte adversa,
como litigantes distintos, do que decorre que os atos de um deles não
beneficiarão e nem prejudicarão os outros) nãoéaplicável, em boa parte
dos casos, ao litisconsórcio unitário.
a) Apenas uma proposição está correta.
b) Apenas as assertivas I e III estão corretas.
c) Apenas as assertivas III e IV estão corretas.
52 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) Apenas as assertivas 11 e 111 estão corretas.


e) Há três assertivas corretas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O itemIestá errado,pois efetivamente existem diversas hipóteses delitiscon-


sórcio passivo necessário. O litisconsórcio que será sempre facultativo é o ativo. Sáo
hipóteses de litisconsórcio passivo necessário, por exemplo, o formado entre: o ente
público licitante e o particular que venceu a licitação, quando se pretende anulá-la
e aos atos decorrentes dela; os proprietários dos imóveis confrontantes e o sujeito
que consta como proprietário registrai do imóvel que se pretende usucapir, na ação
de usucapião; os cônjuges, quando a ação for fundada em dívidacontraída por um
deles a bem da família, tal como nas demais hipóteses do art. 73, § 1 do CPC.
O item II está errado porque o litisconsórcio formado entre os credores
ou devedores solidários é, em regra, facultativo e simples. A própria natureza da
solidariedade aponta para o litisconsórcio facultativo, que ocorre “quando na
mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um
com direito, ou obrigado, à dívida toda” (art. 264 do CC/02). Lembre-se, ademais,
que uma das hipóteses de chamamento ao processo é justamente quando apenas
um dos devedores solidários for demandado (art. 130, III). Veja-se, nesse senti¬
do, o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, já pacificado, “segundo o
qual, a solidariedade obrigacional não importa em exigibilidade da obrigação em
litisconsórcio necessário, mas antes na eleição do devedor pelo credor, cabendo
àquele, facultativamente, o chamamento ao processo” (AgRg no REsp 1164933/
RJ, Rei. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado
em 24/11/2015, DJe 09/12/2015).

O item III está correto, eis que o conceito de litisconsórcio simples se


contrapõe ao do unitário, no qual se exige que o juiz decida o mérito de modo
uniforme para todos os litisconsortes (art. 116). Logo, sendo simples, é possível
decidir de modo diferenciado a situação de cadalitisconsorte.
O itemIV está correto, pois o CPC excetua expressamente o litisconsorte
unitário, caso em que os atos e as omissões de um não prejudicarão os outros, mas
os poderão beneficiar (art. 117).
5. LITISCONSóRCIO 53

6. (Questão adaptada da prova para Advogado da Prefeitura do Rio de


Janeiro, realizada pela Prefeitura do Rio de janeiro, 2014) Quando os
litisconsortes tiverem procuradores diferentes, os prazos serão contados:
a) em dobro, em qualquer caso, exceto se os autos forem eletrónicos
b) em dobro exclusivamente para contestar e recorrer
c) em quádruplo
d) em dobro, caso os advogados sejam de escritórios de advocacia distintos

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A questão exige conhecimento da modificação implementada pelo


CPC/2015 para o benefício do prazo em dobro para os litisconsortes: os diferentes
advogados devem ser provenientes de escritórios distintos, com o que se evita abusos
da benesse. O texto da questão está ligado ao art. 229 do CPC, que estabelece que
os “litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia
distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em
qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento”.

7. (Questão formulada pelos autores) Sobre o litisconsórcio, assinale a


alternativa correta:
a) O litisconsórcio será necessário por disposição de lei ou quando, pela
natureza da relação jurídica processual, a eficácia da sentença depender
do chamamento de todos que devam ser litisconsortes.
b) Para o andamento regular do processo, ésuficiente, em regra, a intimação
de um litisconsorte, presumindo-se a ciência dos demais.
c) O litisconsórcio é admissível quando houver ponto comum de fato, não
o sendo autorizado quando o ponto comum for de direito.
d) O juiz poderá limitar o litisconsórcio facultativo quanto ao número de
litigantes na execução, quando este comprometer a rápida solução do
litígio ou dificultar a defesa.
e) A sentença de mérito, quando proferida sem integração do contraditório
do litisconsorte necessário, será válidae ineficaz, se a decisão deveria ser
uniforme em relação a todos que deveriam ter participado do processo.
54 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Cabarito: D

A alternativa A está errada, pois o litisconsórcio necessário pode assim o


ser pela natureza da relação jurídica controvertida,e nunca pela relação processual.
Além disso, o que condiciona a eficácia da sentença não é o chamamento, mas a
citação de todos os sujeitos que devam integrar o processo (art. 114 do CPC).
A alternativaB é incorreta, diante da regra do art. 118, que estipula o direito
de cada litisconsorte promover o andamento do processo, bem como o dever do
Estado-juiz de intimar cada um deles, inclusive dos atos realizados pelos outros,
Essa regra decorre do fato de que os litisconsortes são considerados como litigantes
distintos em suas relações coma parte contrária.
O CPC permite expressamente a formação de litisconsórcio por afinidade
de questões por ponto comum, que pode ser tanto de fato quanto de direito, in¬
distintamente (art. 113, III). Por isso, está errada a alternativa C.
A alternativaD afigura-se correta, pois o desmembramento do litisconsór¬
cio facultativo multitudinário é viável na fase de conhecimento, na liquidação de
sentença e tambémna execução, quando asua manutenção comprometer a duração
razoável do processo ou constituir óbice ao contraditório ou ao cumprimento de
sentença (art. 113, § Io).

Nos casos de litisconsórcio necessário unitário, a sentença proferida em


processo no qual não houve a integração do contraditório é considerada nula, e não
apenas ineficaz. Desta forma, está equivocada a assertiva contida na alternativa
E. Haverá apenas ineficácia, com validade da sentença, nos casos de litisconsórcio
necessário simples, ou seja, quando a relação jurídica puder ser decidida demodo
diferente para cada um doslitisconsortes. Em ambos os casos, todavia, cabe ao juiz
determinar que o autor requeira a citação de todos que devam ser litisconsortes,
dentro de prazo que fixar, sob pena de extinção do processo. Tudo em conformi¬
dade com o art. 115 do CPC.

8. (Questão adaptada do concurso para Advogado da UFGD, realizada


pelo Instituto AOCP, 2014) De acordo com o Código de Processo Civil,
analise as assertivas e assinale a alternativa que aponta as corretas. Duas
ou mais pessoas podem litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa
ou passivamente, quando:
5. LITISCONSóRCIO 55

I. entreelashouvercomunhâodedirèiíosoudeobrigaçõesrelativamente
a:!ÿrrer afinidade de questões por ponlo comum de fato ou de direito.
I!I. os direitos ou as obrigações derivarem do mesmo fundamento de fato ou
de direito.
IV. entre as causas houver conexão pela parte ou pela causa de pedir.

d) A «te
e, l-'iUHelV.
COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O itemIcorresponde ao incisoIdo art. 113 do CPC. O itemII, por sua


vez, corresponde ao inciso III do art. 113.

O itemIII reproduz o texto do antigo inciso II do art. 46 do CPC/1973,


que foi excluído da redação do art. 113. Então, o candidato deve estar atento
a esta supressão, que certamente será cobrada pelas bancas mais propensas às
questões que reproduzem texto legal, não constando mais entre as hipóteses de
litisconsórcio previstas pelo CPC - o que, nada obstante, não significa que não
s&\&possívelo litisconsórcio quando os direitos e obrigações decorremdos mesmos
fundamentos fáticos ou jurídicos, mas, apenas, que se trata de hipótese não mais
prevista expressamente.
O item IV está equivocado, pois fala de “conexão pelas partes”, o que é
impossível. O conceito de conexão refere-se aos elementos objetivos da demanda,
que são o pedido e a causa de pedir, esta corretamente enunciada na assertiva.
Portanto, é cabível o litisconsórcio quando houver entre as causas conexão pelo
pedido ou pela causa de pedir (art. 113, II, do CPC).

9. (Questão adaptada da prova para Promotor de Justiça do MPE-MA, reali¬


zada peio MPE-MA, 2014) OIitisconsórcio caracteriza-se pela coexistência
56 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

de duas ou mais pessoas no polo ativo, passivo ou em ambos os polos da


mesma relação processual, desde que cada uma delas disponha em parti¬
cular de legitimação ad causam. Sendo assim, é incorreto dizer que:
.

a) Cada litisconsorte é considerado parte distinta dos demais, havendo


autonomia plena nos casos de litisconsórcio simples, porque há incin-
dibilidade da pretensão ou do direito dos litisconsortes.
b) Poderá haver litisconsórcio facultativo quando houver comunhão de
direitos ou de obrigações relativamente à lide.
c) A falta de integração do litisconsórcio necessário ou unitário pode acar¬
retar a extinção do processo sem resolução do mérito.
d) A ação de anulação de casamento ajuizada pelo Ministério Público
caracteriza hipótese de litisconsórcio passivo, necessário e unitário.
e) Haverá litisconsórcio necessário, por força da natureza da relação jurídi¬
ca, quanto a todos os contratantes, quando se pretende anular o contrato
firmado entre eles.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O erro da alternativa A está em mencionar a incindibilidade, quando no


litisconsórcio simples há, pelo contrário, amplapossibilidade decindir as preten¬
sões de cada um dos litisconsortes, inclusive possibilitando o desmembramento
do litisconsórcio multitudinário, caso seja ele também facultativo.

A alternativaB menciona hipótese do art. 113, 1, do CPC. A alternativa


C está em conformidade com o art. 115,parágrafo único, do CPC. A alternativa
D está correta, pois a ação de anulação de casamento, caso procedente, produz
efeitos diretamente sobre a esfera jurídica dos dois cônjuges, sendo necessária
a citação de ambos, nos moldes do art. 114 do CPC. A alternativa E segue a
mesma regra do art. 114, que possui destacada importância nas ações desconsti-
tutivas, como é a que busca anular um contrato, devendo todos os participantes
de relação jurídica criada por tais atos comporem o litisconsórcio, sob pena de
nulidade da sentença.
6

Intervenção de terceiros

t . (Defensor Público - DPE-SP - 2015 - CESPE) A respeito de Íitísconsór-


cio e de assistência e intervenção de terceiros, assinale a opção correta
segundo entendimento do STJ.
a) Não é possível a denunciação da lide fundada no direito de regresso,
quando o denunciante introduzir fundamento novo à causa, estranho
ao processo principal, apto a exigir ampla dilação probatória.
b) Procedida a denunciação da lide pelo autor, o denunciado, comparecendo
aos autos, assumirá a condição de litisconsortedo denunciante, mas não
poderá aditar a petição inicial. ... •
U ,. • •

c) Configura nulidade o ato dò juiz que decide, em sentenças distintas, a


ação principal antes da oposição.
d) A solidariedade da obrigação implica, necessariamente, a unitariedade
do litisconsórcio. ;;y.i

e) O recurso interposto pelo assistente simples não pode ser conhecido na


hipótese em que o assistido não tenha recorrido.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Letra A: Correta, pois está de acordo com o entendimento do STJ: “não


é admissível a denunciação da lide (...) quando introduzir fundamento novo à
58 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

causa, estranho ao processo principal, apto a provocar uma lide paralela, a


exigir ampla dilação probatória, o que tumultuaria a lide originária, indo de
encontro aos princípios da celeridade e economia processuais” (STJ. 3a X, AgRg
no REsp 1.412.229/MG, Rei. Min. SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA,
j. 25/02/2014, DJe 13/03/2014).
Letra B: Incorreta, pois, nos termos do art. 127 do CPC/2015, o denun¬
ciado, ao assumir a posição de litisconsorte, poderá acrescentar novos argumentos
à petição inicial.

Letra C: Incorreta, pois, de acordo com o STJ, “Não configura nulidade


apreciar, em sentenças distintas, a ação principal antes da oposição, quando ambas
forem julgadas na mesma data, com base nos mesmos elementos de prova e nos
mesmos fundamentos” (STJ, 3aT,REsp 1221369/RS,Rei. Min. NancyAndrighi,
j. 20/08/2013, DJe 30/08/2013).
Letra D: O litisconsórcio será unitário nos casos em que a relação jurídica
é única. A solidariedade, por sua vez, pode ser divisível ouindivisível. A obrigação
solidária de pagamento de quantia é divisível; a de entrega de um cavalo, indivisí¬
vel. Assim, nem sempre a solidariedade implicará unitariedade, ocorrendo apenas
quando a solidariedade está relacionada com uma obrigação indivisível.
Letra E: Assertiva incorreta, pois, de acordo com o STJ, “a legitimidade
para recorrer do assistente não esbarra na inexistência de proposição recursal da
parte assistida, mas na vontade contrária e expressa dessa no tocante ao direito de
permitiracontinuidadedarelação processual” (EREsp 1068391/PR, Rei. Ministro
HUMBERTO MARTINS, Rei. p/ Acórdão Ministra MARIA THEREZA DE
ASSIS MOURA, CORTEESPECIAL, julgado em 29/08/2012,DJe 07/08/2013).
Além disso, o CPC, no parágrafo único do art. 121 afirmar que, sendo omisso o
assistido, o assistente será considerado o seu gestor processual, facilitando a pos¬
sibilidade da utilização do recurso quando omisso o assistido.

2. (Juiz -TJSE - 2015 - FCC) C ajuizou ação contra M no âmbito da qual


requereu indenização por danos materiais em razão deacidente veicular.
Citado, M denunciou a lide à Seguradora Z, a qual apresentou resposta. De
acordo com jurisprudência dominante do SuperiorTribunal de Justiça, se
o juiz se convencer da existência doselementos para a responsabilização
civi , a Segu a
6, INTERVENçãO DE TERCEIROS 59

a) pode ser condenada apenas subsidiariamente a pagar indenização à


vítima C, nos limites contratados na apólice.
b) não pode ser condenada a pagar indenização à vítima C, ainda que
subsidiariamente, em razão do princípio da relatividade dos contratos.
c) pòdesercondenadadiretaesoIidariamentejuntocomóseguradoMapagar
indenização integral à vítima C, ainda que siipere os limites da apólice.
d) pode ser condenada direta ésolidariamente junto com o segurado M a
pagar indenização à vítima C, nos limites contratados na apólice.
e) podesercondenadaapenassubsídiariámentèapagarindenizaçãointegral
à vítima C, ainda que supere os limites contratados na apólice.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A assertiva D está deacordo com a súmula n. 537, do STj, segundo a qual,


“Em açáo de reparação de danos, a seguradora denunciada, se aceitar a denunciação
ou contestar o pedido do autor, pode ser condenada, direta e solidariamente junto
com o segurado, ao pagamento da indenização devida à vítima, nos limites con¬
tratados na apólice”. Portanto, aletra Aestá incorreta ao mencionar que é possível
apenas a condenação subsidiária da seguradora, aLetra B,por sequer permitir essa
condenação, a Letra C por permitir que sejam superados os limites da apólice e a
Letra E, por falar em condenação subsidiária e que permita que sejam superados
os limites da apólice.

3. (Juiz do Trabalho -TRT 1a Região - 2015 - FCC - adaptada) Segundo o


disposto no Código dè Processo Civil,
l. â assistência tem lugar em qualquer dos tipos de procedimento e em
todos os graus de jurisdição, mas o assistente sempre recebèd processo
no estado em que se encontra.
II. o assistente atuará como auxiliar da parte principal, exercerá os mesmos
poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.
III. considera-se litisconsorte dá parte principal o assistente, toda vez que a
sentença houver de influir na relação jurídica entre eiee o adversário do
assistido.
60 | QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

nr
:r.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

ItemI- Assertiva correta, de acordo com o parágrafo único do art. 119 do


CPC/2015, segundo o qual a assistênciaserá admitida em qualquer procedimento
e em todos os graus de jurisdição, recebendo o assistente o processo no estado em
que se encontre.


Item II Correta, tratando da definição da atuação do assistente simples
(art. 121 do CPC/2015), que atuará como auxiliar da parte principal, exercerá
os mesmos poderes e sujeitar-se-á aos mesmos ônus processuais que o assistido.

Item III- Correto, pois, de acordo com o art. 124 do CPC/2015, consi¬
dera-se litisconsorte da parte principal o assistente sempre que a sentença houver
de influir na relação jurídica entre ele e o adversário do assistido.
ItemIV -Incorreta, pois, ao contrário do apontado, transitada em julgado
a sentença na qual interveio o assistente, este poderá rediscutir a justiça da decisão
quando: a) pelo estado em que recebeu o processo oupelas declarações e pelos atos
do assistido, foi impedido de produzir provas suscetíveis de influir na sentença
(art. 123, 1, CPC/2015); b) desconhecia a existência de alegações ou de provas
das quais o assistido, por dolo ou culpa, não se valeu (art. 123, II, CPC/2015).

4. (Defensor Público - DPE-PA - 2015 - FMP - adaptada) Assinale a alter¬


nativa INCORRETA. -
6. INTERVENçãO DE TERCEIROS 61

a) Na assistência litisconsorcial, a lide discutida em juízo é também do as¬


sistente, de modo que a sentença atingirá diretamente a relação jurídica
entre o assistente e o adversário do assistido.
b) Na assistência simples, sendo revel o assistido, o assistente será conside¬
rado seu substituto processual.
c) A oposição deixou de ser considerada intervenção de terceiros no
CPC/2015.
d) O chamamento ao processo é espécie de intervenção de terceiro cabível
no processo de conhecimento e no processo de execução.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Letra A: Correta, pois, na assistência litisconsorcial, há verdadeiro litis-


consórcio entre as partes, pois a relação jurídica discutida em juízo é também do
assistente (art. 124 do CPC/2015).

Letra B: Correta, pois, de acordo como art. 121,parágrafo único, do CPC,


sendo revel ou, de qualquer outro modo, omisso o assistido, o assistente será con¬
siderado seu substituto processual.
Letra C: Correta, pois agora a oposição passou a ser classificada como pro¬
cedimento especial, regulada pelos art. 682 a 686, do CPC/2015.
Letra D: De acordo com o STJ, o chamamento ao processo é intervenção
típica do processo do conhecimento, não sendo cabível no processo de execução
(STJ - Quarta Turma, AgRg noAg703.565/RS, Rei. Min. Maria Isabel Gallotti,
j. 20/11/2012).

5. Sobreoincidentededesconsideraçãodapersonalidadejurídica, assinale
a alternativa correta:
a) O incidente de desconsideração da personalidade jurídica pode ser
instaurado de ofício.
b) O procedimento do incidente de desconsideração da personalidade
jurídica não é aplicável à desconsideração inversa da personalidade
jurídica.
62 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) Esse incidente só é cabível nos processos de conhecimento.


d) A instauração do incidente não tem aptidão para suspender o processo.
e) A instauração dò incidente será imediatamentecomunicada ao distribui¬
dor para as anotações devidas.

COMENTÁRIOS

Gabarito: E

Letra A: A assertiva está incorreta, pois não há previsão da instauração de


ofício do incidente. Apenas a parte ou o Ministério Público, quando lhe couber
intervir no processo, pode requerer a sua instauração (art. 133, capui).

Letra B: A assertiva está incorreta, pois o incidente de desconsideração da


personalidade jurídica também pode ser utilizado para a desconsideração inversa
da personalidade jurídica (art. 133, § 2o).

Letra C: O equívoco da assertiva é o de que este incidente é cabível em todas


as fases do processo de conhecimento, no cumprimento de sentença e na execução
fundada em título executivo extrajudicial (art. 134, caput, do CPC/2015) e não
apenas na fase de conhecimento.
Letra D:A assertiva está incorreta, pois instauração do incidente tem apti¬
dão para suspender o processo, salvo se a desconsideração for requerida naprópria

..
petição inicial (art. 134, § 2o, do CPC/2015).
Letra E: Assertiva correta, pois apenas reproduz o conteúdo do art. 134,
§ 1°, do CPC/2015.

6. Acerca da desconsideração da personalidade jurídica, assinale a alter-:


correta:
a)
. „ !
jquerimento de desconsideração da personalidade jurídica sempre
lica na suspensão do processo.
b) / instaurado o incidente o sócio ou a pessoa jurídica terá 10 dias para
tanifestar.
c) Concluída a instrução, o incidente será resolvido por meio de sentença.
6, INTERVENçãO DE TERCEIROS j 63

d) Acolhido o pedido de desconsideração, a alienação ou a oneração de bens,


havida em fraude de execução, será ineficaz em relação ao requerente.
e) Se a decisão que resolve o incidente for proferida pelo relator, será
jrrecorrível.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Letra A: A assertiva está incorreta, pois o requerimento não tem aptidão


para suspender o processo quando for requerida na própria petição inicial (art.
134, §2°, CPC/2015).

Letra B: A assertiva está incorreta, pois o sócio ou a pessoa jurídica terá 15


dias para se manifestar (art. 135 do CPC/2015).

Letra C: Após instaurado o incidente, o sócio ou a pessoa jurídica terá 15


dias para se manifestar (art. 135 do CPC/2015) e não 10. Assertiva incorreta.

Letra D: Correta, sendo a reprodução do conteúdo do art. 137.

Letra E: Caso a decisão que resolve o incidente seja proferida pelo relator,
será recorrível por meio do agravo interno. Assertiva incorreta.

TT ,

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta

A atuação do assistente simples é subordinada a do assistido, não podendo


praticar atos processuais que contrariem a vontade do assistido. Inclusive, o art.
64 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

122 do CPC/2015 é específico ao afirmar que a assistência simples não obsta a


que a parte principal desista da ação.

8. (Promotor de Justiça - MPE-SC - 2014 - MPE-SC -adaptada) Análise os


enunciados das questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.
Estabelece o Código de Processo Civil que feita a denunciação da lide
pelo réu, se o denunciado for revel, ou comparecer apenas para negar a
qualidade que lhe foi atribuída, cumprirá ao denunciante prosseguir na
defesa até final. E airida, feita a denunciação pelo autor, o denunciado,
c omparecendo, assumirá a posição de litisconsorte do denunciante e
poderá aditar a petição inicial.

COMENTÁRIO
Gabarito: Errada

De acordo com o art. 128, II, do CPC/2015, se o denunciado for revel, o


denunciantepode deixarde prosseguir comsua defesa, eventualmente oferecida,
e abster-se derecorrer, restringindo sua atuação à ação regressiva. Há uma alteração
em relação ao CPC/1973, que exigia do denunciante o prosseguimento na defesa
até o final (art. 75, II). Ou seja, nessa parte, a assertiva está incorreta.

No entanto, na parte final, está correta, pois, feita a denunciação, caso o


denunciado assuma a posição de litisconsortedo denunciante, poderá acrescentar
novos argumentos à petição inicial (art. 127, CPC/2015) .
9. Acerca do Amicus Curiàe, assinale a alternativa correta:
a) Trata-sè de intervenção de terceiros cabível tão somente nos processos
repetitivos.
b) A sua intervenção implica no eventual deslocamento de competência.
c) O amicus curiae não pode recorrer de nenhuma decisão.
d) A decisão que admite a participação do amicus curiae é recorrível.
e) Caberá ao juiz ou ao relator, na decisão que solicitar ou admitir a inter¬
venção, definir os poderes do amicus curiae.
6. INTERVENçãO DE TERCEIROS I 65

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

LetraA: Oart. 138 do CPC/2015 admite a intervenção do amicuscuriaecm


qualquer processo, desde que: a) a matéria seja relevante; b) haja uma especificidade
do objeto dadecisão ou c) haja repercussão socialdacontrovérsia. Assertivaincorreta.
Letra B: O art. 138, § Io, do CPC/2015 afirma expressamente que a sua
intervenção não implica alteração de competência.

Letra C: O amicuscuriae, por expressaprevisão legal, pode se utilizar de dois


recursos: a) embargos de declaração (art. 138, § Io, do CPC/2015) e o recurso da
decisão que julga o incidente de resolução de demandas repetitivas (art. 138, § 3o,
do CPC/2015). Assertiva incorreta.
Letra D: Ao contrário do apontado na assertiva, de acordo com o art. 138,
,
caput do CPC/2015, a decisão que admite o amicus curiae é irrecorrível.

Letra E: Assertiva correta, sendo a reprodução do art. 138, § 2o, do


CPC/2015.

10. Acerca do amicus curiae, julgue a seguinte assertiva:


A intervenção do amicus curiae não pode ser requerida de ofício e ape¬
nas pode atuar nesta condição pessoas jurídicas, órgãos ou entidades
especializadas, independentemente da representação adequada.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta

De acordo com o caput, do art. 138, do CPC/2015, a intervenção do ami¬


cus curiae pode ser requerida de oficio ou a requerimento das partes ou de quem
pretenda manifestar-se. Não há qualquer vedação ao requerimento de ofício.
Além disso, para além das pessoas mencionadas na assertiva, também pessoas
naturais podem atuar como amicus curiae, nos termos do caput, do art. 138, do
CPC/2015. Por fim, para todos aqueles que possam atuar como amicus curiae
exige-se, expressamente, a representatividade adequada, nos termos do caput, do
art. 138 do CPC/2015.
66 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

.
11 (Procurador-TCDF-20í3-CESPE-adaptada)Tendoemvistaqueosatos
processuais podem estabelecer arranjos necessários ao prosseguimento
da ação entre as partes envolvidas no processo, gerando consórcios e
(ou) a intervenção de terceiros, entre outros, assim como podem levar à
produção de repercussões de comunicação ou até de nulidade dos atos,
julgue o item que se segue.
Em uma situação de evicção, o adquirente, para exercer o direito de ser
ressarcido que da evicção lhe resulta, deverá denunciar o alienante à lide.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

O art. 125 do CPC/2015 não mais impóe a obrigatoriedade da denunciação


da lide em nenhuma das hipóteses, seguindo o posicionamento do STJ, que já a
dispensava inclusive nos casos de evicção (STJ, AgRg no Ag 1323028/GO, Rei.
Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado em 16/10/2012, DJe
25/10/2012). Assim, o texto normativo mencionado apenas admite que a parte
possa se utilizar dessa intervenção de terceiros, sem que haja obrigatoriedade.

.
12 (Defensor Público- DPE-AL - 2009 - CESPE) Considerando que o locador
de um imóvel comercial seja citado para responder a uma ação em que
terceira pessoa, dizendo-se legítimo possuidor, pleiteie a posse do bem
locado, julgue o item a seguir.
Ao locador, da mesma maneira que ocorre quanto ao evicto, cabe pro¬
mover a denunciação à lide do locatário para garantir o seu direito a
eventual indenização por perda da posse do bem locado, sob pena de
perder o direito de regresso.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

O art. 125 do CPC/2015 não mais impõe a obrigatoriedade da denunciação


da lide em nenhumadas hipóteses. Assim, o texto normativo mencionado apenas
admite que a parte possa se utilizar dessa intervenção de terceiros, sem que haja
obrigatoriedade.
6. INTERVENçãO DE TERCEIROS 67

13. (Promotor de Justiça - MPE-AC - 2014 - CESPE - adaptada) Acerca do


litisconsórcio, da assistência e da intervenção de terceiros, assinale a
opção correta.
a) O regime do litisconsórcio necessário assegura decisão unitária para
todos os litisconsortes.
b) O direito do evicto de indenizar-se do pagamento indevido em face do
anterior alienante não se condiciona à denunciação da lide em ação de
terceiro reivindicante.
n
c) A alienação do objeto litigioso não altera á legitimidade processual das
partes, de forma que o legitimado superveniente não poderá, como parte,
ingressar no feito como assistente litisconsorcial.
d) De acordo com o STJ, o cabimento do chamamento ao processo em fase
de execução evidencia a aplicação dos princípios da economicidade e
celeridade processual.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra A: O art. 116 do CPC/2015 afirma expressamente que apenas no


litisconsórcio unitário a decisão deve ser unitária para todos os litisconsortes. Ou
seja, o litisconsórcio necessário, por si só, náo tem essa aptidão.
Letra B: O art. 125 do CPC/2015 não mais impõe a obrigatoriedade da
denunciaçáo da lide em nenhuma das hipóteses, seguindo o posicionamento
do STJ, que já a dispensava inclusive nos casos de evicção (STJ, AgRg no Ag
1323028/GO, Rei. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, julgado
em 16/ 10/2012, DJe 25/10/2012). Assim, o texto normativo mencionado apenas
admite que a parte possa se utilizar dessa intervenção de terceiros, sem que haja
obrigatoriedade.Assim, não há qualquer vedação a que o evicto exerça o seu direito
à indenização posteriormente.

Letra C: De acordo com o art. 109, caput, do CPC/2015, a alienação da


coisa ou do direito litigioso por ato entre vivos, a título particular, não altera a
legitimidade das partes.No entanto, a assertiva está incorreta, pois, de acordo com
o art. 109, § 2o, do CPC/2015, o adquirente ou cessionário poderá intervir no
processo como assistente litisconsorcial do alienante ou cedente.
68 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra D: De acordo com o STJ, o chamamento ao processo é intervenção


típica do processo do conhecimento, não sendo cabível no processo de execução
(STJ - QuartaTurma, AgRg no Ag 703.565/RS, Rei. Min. Maria Isabel Gallotti,
j. 20/ 11/2012). Portanto, a assertiva está incorreta.

14. (Analista Judiciário -TRT 5a Região - 2013 - FCC) Moraes Silveira


envolve-se em acidente automobilístico em Salvador, colidindo seu
veículo com o de Consuelo, a quem acusa de haver provocado danos
ao dirigir negligentementé. Propõe ação contra Consuelo, cujo carro
estava segurado contra acidentes. Querendo que a seguradora compo¬
nha o poio passivo da lide, o advogado de Consuelo deverá requerer,
visando à eventual formação de título judicial contra a seguradora,
a) sua oposição.
b) seu chamamento ao processo.
li
c) sua nomeação à autoria.
d) sua assistência.
e) sua denunciação da Iide.

COMENTÁRIO
Gabarito: E

A denunciação da lide tem por objetivo notificar a existência de litígio a


terceiro e, também, de propor antecipadamente a ação de regresso contra quem
deva reparar os prejuízos do denunciante, na eventualidade de sair vencido na
ação originária. Portanto, na questão apontada, como a parte deseja que a segu¬
radora componha o polo passivo da lide, a intervenção de terceiro adequada é a
denunciação da lide.

15. (Procurador - PGE-SP - 2012 - FCC) Tratando-se de litisconsórcio e


intervenção de terceiros é INCORRETO afirmar que
a) a assistência simples em ação de desapropriação depende de interesse
jurídico fundado em direito real.
6. INTERVENçãO DE TERCEIROS 69

b) a Fazenda Pública, na qualidade de assistente simples, não tem o prazo


diferenciado para recorrer.
c) a intervenção anómala da União Federal não implica em modificação
de plano da competência para o julgamento da demanda.
d) não há condenação do assistente simples em honorários advocatícios.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra A: Assertiva correta, pois quanto à desapropriação, o STJ possui en¬


tendimento “de que o interesse jurídico a ser demonstrado na assistência simples
em Ação de Desapropriação deve corresponder aalgum direito realsobre o imóvel.
(STJ, REsp 1095295/PE, Rei. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA
TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009)”.

Letra B: De acordo com o entendimento do STJ, o termo “parte” deve ser


entendido como “parte recorrente”, ou seja, sempre que o recorrente for a Fazenda
Pública, o prazo para interpor o recurso é dobrado. Esta é a finalidade da norma (STJ
-REsp: 663267 PE 2004/0074787-8, Relator:MinistroJORGESCARTEZZINI,
Data deJulgamento: 17/05/2005, T4 - QUARTATURMA, Data de Publicação:
DJ 13/06/2005 p. 317). Destaque-se que o precedente do STJ refere-se ao art. 188,
do CPC/1973, reproduzido parcialmente pelo art. 183, do CPC/2015, que forta¬
lece esse entendimento ao sequer exigir a condição de parte: “A União, os Estados, o
Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito
público gozarão de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais,
cuja contagem terá início a partir da intimação pessoal”.
LetraC: Deacordo com o art. 5 o, daLei 9.469/1997, chamada deinterven¬
ção anómala, o deslocamento da competência só ocorrerá se o ente público recorrer.

Letra D: Prevalece o entendimento que, como o art. 94, do CPC/2015


afirma: “Se o assistido for vencido, o assistente será condenado ao pagamento das
custas em proporção à atividade que houver exercido no processo”. Nenhuma
referência expressa há naquele estatuto processual a respeito da condenação do
assistente em honorários advocatícios, somente quanto às custas e na proporção
da atividade que houver exercido no processo.
1
7

Ministério Publico

1 . (Questão formulada pelos autores) A respeito do Ministério Público, é


incorreto afirmar que:
a) O membro do MinistérioPúblico será civil e regressivamente responsável
quando agir com doio ou culpa grave no exercício de suas funções.
b) O prazo para intervenção do Ministério Público nafunção de custos legis
é de 30 (trinta) dias.
c) Nos casos de intervenção como fiscal da ordem jurídica, o Ministério
Público poderá produzir provas.
d) Encontra-se entre as atribuições do Ministério Público a defesa dos inte¬
resses e direitos sociais e individuais indisponíveis.
e) A participação da Fazenda Pública não é causa autorizadorada interven¬
ção do Ministério Público.

COMENTÁRIOS
CabaritoiA

A alternativa A está errada, pois o membro do Ministério Público detém


responsabilidade civil regressiva quando agir com dolo ou fraude no exercício de
suas funções (art. 181).
7. MINISTéRIO PúBLICO [ 71

A alternativaB está em conformidade com o art. 178 do CPC, que passou


a prever expressamente o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação do Ministério
Público como fiscal da ordem jurídica - no CPC/ 1973, embora a manifestação
estivesse prevista, não havia prazo.

O art. 179, II, do CPC autoriza o MP a produzir provas; por isso, correta
a assertiva constante da alternativa C.

De feto, é função do MP, além de atuar na defesa da ordem jurídica e do


regime democrático, agir em prol dos interesses e direitos sociais e individuais
indisponíveis. Está é a norma do art. 176 do CPC, pelo que se afigura acertada a
alternativa D.

A alternativa E também está certa, não se confundindo a função do Mi¬


nistério Público com a da Advocacia Pública. O MP já serviu, no passado, à defesa
da Fazenda Pública, o que não mais se justifica com a estruturação de órgãos e
carreiras próprias para isso. De fato, suas funções estão, hoje, voltadas à proteção
da coletividade, e não do ente público, por si mesmo. Assim sendo, a participação
da Fazenda Pública não configura, por si, hipótese de intervenção do Ministério
Público (art. 178, parágrafo único, do CPC).

2. (Questão adaptada do concurso para Técnico dc Atividade Judiciária


doTJ-RJ, realizado pela FGV, 2014) No tocante à atuação do Ministério
Público no processo civil, é INCORRETO afirmar que:

b) lheéasseguradaaprer,ogativadoprazoemdobroparamanifestar.se nos
autos.
c) a sua intervenção, como custos legis, é obrigatória nas causas contcer-
nentes a litígios coletivos pela posse de terra urbana.
d) lhe é assegurada a faculdade de interpor recursos caso funcione como
órgão agente, mas não como fiscal da ordem jurídica.
e) lhe é assegurada a possibilidade de produzir provas, ainda que funcione
como custos legis.
72 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa A está correta, com fundamento no art. 180 do CPC.


AaltemativaB está correta, também nos termos do art. 180. Neste ponto,
no entanto, há de se ter uma atenção especial, pois o CPC/ 1973 estabelecia o prazo
em quadruplo para contestar e em dobro para recorrer, o que foimodificado para
prazo em dobro para manifestação nos autos. Diante da mudança, é provável que
a questão seja replicada em mais concursos.

A alternativaC tem fundamento no texto expresso do art. 178,III, do CPC.


O MP pode interpor recursos mesmo quando sua participação for como
fiscal da ordem jurídica, consoante autorização do art. 179, II, do CPC. Dessa
forma, a alternativaD está incorreta.
A assertiva da alternativaE está correta, detendo autorização expressa neste
sentido no art. 179, II, do CPC.

3. (Questão formulada pelos autores) Sobre o regime processual da atuação do


Ministério Público, julgue as assertivas abaixo como verdadeiras ou falsas.
( ) Não há previsão no CPC de intervenção do Ministério Público na ação
de usucapião.
( ) O Ministério Público deve, obrigatoriamente, ser ouvido nas ações posses-
sórias.
( ) É possível a intervenção do Ministério Público, como fiscal da ordem
jurídica, no conflito de competência.
( ) Como fiscal da ordem jurídica, pode o Ministério Público suscitar o
incidente de desconsideração da personalidade jurídica.
m
( ) É obrigatória a intervenção do Ministério Público na execução fiscal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: V/F/V/V/F

O CPC/2015 deixade prever dentre os procedimentos especiais a ação de


usucapião. As regras procedimentais sobre este tipo de ação real estão espalhadas
7. MINISTéRIO PúBLICO j 73

ao longo do Código, nomeadamente na regra que estabelece que os confinantes


serão citados pessoalmente, exceto quando a ação de usucapião tiver por objeto
unidade autónoma de prédio em condomínio (art. 246, § 3o), e na que determina
apublicação de editais na ação de usucapião (art. 259,1).Todavia, não há qualquer
previsão de intervenção do MP em tais ações, o que faz a primeira assertiva ser
verdadeira. Essa questão é interessante, pois no CPC/ 1973 havia expressaprevisão
da intervenção doparquet (art. 944).
A segunda assertiva é falsa. Não há previsão genérica de intervenção do
Ministério Público nas ações possessórias. O MP intervém apenas nas demandas
sobre posse em que figure no polo passivo grande número de pessoas (art. 554, §
Io) ou nos litígios coletivos pela posse de terra rural ouurbana (art. 178,III). Caso
haja interesse público ou social ouinteresse de incapaz, diante destes justificadores
o MP também deve participar do processo.

A terceira assertiva é verdadeira. O CPC prevê que o Ministério Público


será ouvido nos conflitos de competência relativos aos processos que envolvam
interesse público, social ou de incapaz ou relativos aos litígios coletivos pela posse
de terra rural ou urbana (art. 951).
A quarta assertiva é verdadeira. Além da previsão genérica do art. 179,
II, do CPC autorizando o MP a “requerer as medidas processuais pertinentes”,
suficiente para aplicação da maior parte das técnicas processuais, o art. 133, ao
regular a legitimidade pararequerer a instauração do incidente de desconsideração
da personalidade jurídica, autoriza expressamente que o Ministério Público o faça
quando agir como fiscal da ordem jurídica.
Como jáse viu, o MP não representa os entes públicos,mas tem suas funções
voltadas para a proteção do interesse público (que estaria melhor caracterizado
como coletivo) e social. De fato, prevê-se que a participação da Fazenda Pública
não configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público (art. 178,
parágrafo único). Portanto, não há razão paraintervenção doparquetnas execuções
fiscais, pelo que é falsa a quinta assertiva.

4. (Questão adaptada da prova paraTécnico judiciário - Área judiciária do


TJ-CE, realizada pela CESPE, 2014) Com base na atuação do Ministério

a)
Público, assinale a opção correta.
m
O Ministério Público será ouvido em todos os conflitos de competência,
mas terá qualidade de parte naqueles que suscitar.
74 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) O Ministério Publico não poderá produzir prova em audiência nas causas


em que atuar apenas como custos iegis.
c) É imprescindível a intervenção do Ministério Público em ações populares,
mas não em mandados de seguránçà.
d) A nulidade por falta de intimação do Ministério Público só poderá ser
decretada após a sua intimação para manifestação quanto à existência
de prejuízo.
e) Ao ajuizar ação civil pública na defesa de interesses difusos, o Ministério
Público atua como fiscal da ordem jurídica.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa A está errada, pois o MP apenas será ouvido nos conflitos de


competência nas causas em que cabe sua atuação como fiscal da ordem jurídica, e
terá a qualidade de parte naqueles quesuscitar, na forma do art. 951,parágrafo único.
A alternativa B está errada, pois o MP pode produzir provas, requerer as
medidas processuais cabíveis e recorrer nas causas em que atuar como fiscal da
ordem jurídica (art. 179, II).
O MP deve ser ouvido nos mandados de segurança, pelo que incorre em
erro a assertiva da alternativa C, consoante prevê o art. 12 da Lei 12.016/ 2009.

A alternativaD está correta, diante da previsão ao art. 279, § 2o, do CPC.


Na alternativaE há equívoco, na medida em que a atuação do Ministério
Público quando propõe ações é como parte, comumente em exercício de sua
legitimidade extraordinária, autorizado pelo art. 177 do CPC, e não como fiscal.

5. (Questão adaptada da prova para Promotor de Justiça do MPE-SC,


realizada pelo MPE-SC, 2013) Analise o enunciado da questão abaixo e
assinale (C) "certo" ou (E) "errado":
De acordo com o art. 178 do Código de Processo Civil, o Ministério
Público será intimado para, no prazo de 30 (trinta) dias, intervir como
fiscal da ordem jurídica nas hipóteses previstas em lei ou na Constituição
Federal e nos processos que envolvam interesse público ou social; inte-
7. MINISTéRIO PúBLICO j 75

resse de incapaz; litígios coletivos pela posse de terra rural ou urbana.


Nesse sentido, é correto afirmar que, quando a lei considerar obrigatória
a intervenção do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica, a sua
manifestação deve ser por escrito, não lhe sendo garantido o direito de
realizar sustentação oral em sessões de julgamento, exceto quando estiver
na condição de parte.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O CPC, em seu art. 937, autoriza a participação do membro do Ministério


Público na sessão de julgamento, por sustentação oralde suas razões, após ser dada
a palavra, sucessivamente, ao recorrente e ao recorrido, pelo prazo improrrogável
de 15 (quinze) minutos, nos recursos, processos e incidentes em que cabível a
sustentação oral. Por isso, enquanto a primeira parte da questão está correta, ao
reproduzir o texto do art. 178, a segunda está errada, já que oparquet pode realizar
sustentação oral também quando estiver na condição de custos legis.

6. (Questão adaptada da prova para Promotor de justiça do MPE-TO,


realizada pela CESPE, 2012) É nulo o processo quando o membro do
Ministério Público não for intimado a acompanhar o feito em que deva
intervir. A respeito dessa nulidade, assinale a opção correta.
a) A intervenção do MP em segundo grau não supre a ausência de sua intima¬
ção em primeiro grau, quando for obrigatória, devendo ser desfeitos todos
os atos processuais até o momento em que ele deveria ter sido intimado.
b) A manifestação do MP como custos legis não enseja o direito ao contradi¬
tório pelas partes, ainda que haja manifesta contrariedade à tese jurídica
defendida por uma delas.
c) Constatada a ausência de intimação o membro do MP, a nulidade deve
ser decretada de logo, retroagindo até o momento em que deveria ter
sido intimado.
. •

d) Se, regularmente intimado, o MP não se fizer presente na audiência, essa


ausência acarretará a nulidade do ato.
e) Julgada a causa em benefício de incapaz, sem a intervenção do MP, em
regra não se decretará a nulidade, por ausência de prejuízo.
76 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: E
A alternativa A está errada, pois a participação do MP no procedimento
recursal temsidoentendidapela jurisprudência como capaz de suprir a nulidade, já
que o órgão poderáparticipar da formação de convencimento. Embora o entendi¬
mento esteja correto, é fundamental que sejagarantido aoparquet apossibilidadede
produzir provas,mesmo em segundo grau, e de requerer as medidas procedimentais
necessárias à adequada tutela do direito e de suas funções institucionais. Caso isso
não seja possível em segundo grau, o processo deveser decretadonulo.Ainda sobre
a assertiva, ela está correta no que toca ao alcance da retroação da decretação de
nulidade: deve alcançar todos os atos praticados a partir do momento em que o
MP deveria ter sido intimado, conforme art. 279, § Io, do CPC.
A alternativa B está errada, diante da previsão do art. 10 do CPC, que con¬
sagra a proibição dedecisão surpresa e umaperspectiva fortalecidado contraditório.
O processo cooperativo precisa ser implementado mediante efetivo diálogo entre
os sujeitos processuais e demais intervenientes, não sendo lídimo que qualquer
argumento relevante para a solução do litígio passe ao largo do contraditório,
independentemente de qual sujeito ou interveniente tenha o suscitado.
O erro da alternativa C está no momento da decretação danulidade: o CPC
adota o princípio daprimazia do julgamento do mérito, o que significa que não há
decretação denenhumanulidadesem antes ser constatado oprejuízo.Nesse sentido,
o art. 279, § 2o, estabelece que a nulidade só pode ser decretada após a intimação
do Ministério Público, que se manifestará sobre a existência ou a inexistência de
prejuízo. Dessa forma, não pode haver decretação “de logo” da nulidade.
A alternativaD também está equivocada, visto que aintimação do Ministé¬
rio Público é uma garantia deste órgão, não podendo ele se valer de sua inércia para
anular atos. Seria beneficiar-se de sua própria conduta, o que é vedado pelo sistema
(art. 276). Igualmente, o contraditório é satisfeito com a oportunidade para mani¬
festação, não dependendo da resposta do sujeito, que é ônus seu. Justamente com
isso em vista, o art. 279 fixa que é nulo o processo quando o membro do MP não for
intimado a acompanhar o feito em que deva intervir, não se configurando qualquer
vício processualquando oparquethouver sido intimado e não tiver se manifestado.
A alternativaE está correta, já que é função institucional do MP a prote¬
ção dos incapazes e o CPC estabelece que, quando a lei estabelecer determinada
forma, o juiz ainda assim considerará o ato válido se feito doutra forma, desde
que alcance sua finalidade. Portanto, não havendo prejuízo não há nulidade.
8

Competência

1 . (AssessorTécnico Jurídico -TCE-RN - 2015 - CESPE) No que diz respeito


às normas processuais, à função jurisdicionai,à petição inicial eao tempo
e lugar dos atos processuais, conforme o Novo Código de Processo Civil,
m
julgue o item que se segue.
Em razão de critério territorial, pode-se alegar a incompetência ccomo
preliminar de contestação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Diferentemente do CPC/1973, em que era arguida por meio de exceção


(art. 112),o CPC/2015 determina que a incompetência relativadeve ser alegada
como questão preliminar da contestação (art. 64, caput, e art. 337, II).

2. (Analista Judiciário -TRE-RS - 2015 - CESPE - adaptada) Os órgãos do


Poder Judiciário exercem a jurisdição, que é delimitada seguindo-se as
regras de distribuição da competência previstas no ordenamento jurídico
brasileiro. Acerca desse assunto, assinale a opção correta.
a) O réu deve, por meio de exceção, alegar a incompetência absoluta, sob
penadepreclusão, momento em que se prorrogará a competência do foro.
78 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) A incompetência absoluta, por não constituir matéria de ordem pública,


não pode ser reconhecida pelo juiz de ofício, devendo a parte alegá-la
na primeira oportunidade em que couber falar nos autos, sob pena de
responder integralmente pelas custas.
c) A incompetência absoluta do juízo pode ser reconhecida de ofício, in¬
clusive em reexame necessário.
d) Havendo conexão, o juiz pode ordenar a reunião de ações propostas
separadamente, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Cor¬
rendo em separado as ações conexas perante juízes que têm a mesma
competência territorial, considera-se prevento aquele que promoveu a
juntada da citação válida em primeiro lugar.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

LetraA: OCPC/2015 exige que aincompetência absolutasejaalegada como


questãopreliminar da contestação (art. 64, caput, e art. 337, II). O destaque, no
CPC/2015, é que agora, tanto a incompetência absoluta quanto a relativa devem
ser alegadas da mesma forma, ou seja, em preliminar da contestação.

Letra B: A assertiva está incorreta, pois o conceito utilizado é o que define,


na verdade, a incompetência relativa. A incompetência absoluta, por sua vez, é
considerada como uma questão de ordem pública e, nos termos do art. 64, § Io,
do CPC/2015, pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição, além de
dever ser declarada de ofício.
Letra C: Tal qual mencionado na letra B, a incompetência absoluta pode
ser reconhecida a qualquer tempo, inclusive no reexame necessário.

LetraD:Há dois equívocos na assertiva, O primeiro refere-se a uma suposta


discricionariedade do juiz em reunir as ações conexas, eis que, no CPC/2015, no
§ Io, do art. 55, tem-se a afirmativa de que “Os processos de ações conexas serão
reunidos para decisão conjunta”, não havendo espaço para discricionariedade, tal
qualhaviano art. 105 do CPC/1973. Além disso, o CPC/2015 simplifica o critério
de verificação daprevenção. Ao contrário do CPC/ 1973, que diferenciava a partir
de as ações serem propostas namesma competência territorial ouem local diverso,
o art. 59 do CPC/2015 afirma tão somente que “O registro ou a distribuição da
petição inicial torna prevento o juízo”.
1
COMPETêNCIA
I 79
8,

3. (Procurador do Município de Salvador -2015 -CESPE) No que se refere


à competência no processo civil, assinale a opção correta de acordo com
a legislação e com a jurisprudência dos tribunais superiores.
a) Segundo o CPC, no procedimento de jurisdição voluntária de arrecada¬
ção de herança jacente, a competência será, em regra, do foro em que
estiverem localizados os bens deixados pelo falecido.
b) Competeà justiça federal julgar mandadode segurança impetrado contra
ato de dirigente de universidade particular que impeça a rematrícula do
impetrante em seu curso de graduação.
c) A eleição de jufzo realizada em contrato pelo titular do direito que vem
a falecer vincula os sucessores do titular do direito no caso de eventual
ação judicial a ser proposta pelo espólio.
d) A prevenção para reunião de ações civis públicas quepossuam o mesmo
objeto e estejam na mesma comarca será do juízo que tiver despachado
em primeiro lugar.
e) Cabe ao STF decidir conflito de competência entre TJ estadual e o STJ.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra A: Incorreta, eis que, segundo o art. 738, do CPC/2015, no procedi¬


mento de jurisdição voluntária de arrecadação de herançajacente, a competência
será a do domicílio dofalecido e não o do foro em que estiverem localizados os
seus bens.

Letra B: A competência de mandados de segurança impetrados contra


universidades segue a seguinte lógica: “a competência será federal, quando a im¬
petração voltar-se contra ato de dirigente de universidade pública federal ou de
universidade particular; ao revés, será estadual quando o mandamus for impetrado
contra dirigentes de universidades públicas estaduais e municipais, componentes
do sistema estadual de ensino” (STJ, 2a T., REsp 1.295-790/PE, Rei. Min.Mauro
Campbell Marques, j. 06/11/2012, DJe 12/11/2012). A fundamentação para
que a competência para processar e julgar os mandados de segurança contra atos
das universidades particulares é da justiça federal é a seguinte: em relação aos seus
atos relacionados ao ensino superior, é como se estivessem atuando por delegação
do MEC, que faz parte da administração pública federal. Como já reconhecia a
80 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

súmula 15, do TFR, “Compete à Justiça Federal julgar mandado de segurança


contra ato que diga respeito ao ensino superior, praticado por dirigente de esta¬
belecimento particular”.

Letra C: O equívoco da assertiva está na previsão da eleição dz juízo, o


que significaria uma burla ao sistema de distribuição, que é regra de competên¬
cia absoluta, violando o princípio do juiz natural. O que as partes podem fazer
é realizar a eleição de foro, alterando a competência relativa, mas não podem
escolher o juízo dentro daquele foro, que é fixado pela legislação. No mais, caso
a questão fizesse referência à eleição de foro, poderia ser considera correta, eis
que, segundo o art. 63, § 2o, “O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores
das partes”.

Letra D: Para a verificação do juízo prevento, o CPC/2015 simplificou o


regramento do CPC/ 1973, ao prever, no seu art, 59, que tão somente “O registro
ou a distribuição da petição inicial tornaprevento o juízo”, sendoirrelevante quem
tenha despachado em primeiro lugar.

Letra E: Inexiste conflito de competência entre órgão superior hierarqui¬


camente a outro. Portanto, na hipótese, a assertiva está errada ao mencionar o
conflito de competência entre o Tj e o STJ. Nessas hipóteses, há de prevalecer a
decisão do STJ.

4. (Juiz Substituto -TJPB - 2015 - CESPE) Assinale a opção correta no que


se refere a jurisdição e competência no processo civil.
a) A identidadede partese de causa de pedir caracteriza a conexão de ações,
que pode gerar modificação de competência.
b) Em ações conexas, caso haja juízes que tenham a mesma competência
territorial, ficará prevento o primeiro que realizar a citação.
c) Em caso de ações relativas a imóveis situados no Brásil, a competência
será exclusiva da autoridade judiciária brasileira.
d) O trâmite de ação idêntica perante tribunal estrangeiro caracteriza litis-
pendência, a qual deve ser alegada pelo réu em contestação.
e) Cabe à parte que oferece exceção de incompetência em um processo
suscitar conflito de competência, se for o caso.
8. COMPETêNCIA 81

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Letra A: A assertiva está incorreta por dois motivos: i) o que causa a co¬
nexão de ações é a constatação de serem comuns o pedido ou a causa de pedir e
não ambos (art. 55, capui)\ e ii) a referência a uma suposta discricionariedade
do juiz em reunir as ações conexas, eis que, no CPC/2015, no § Io do art. 55,
tem-se a afirmativa de que “Os processos de ações conexas serão reunidos para
decisão conjunta”, não havendo espaço para discricionariedade, tal qual havia
no art. 105 do CPC/ 1973.

Letra B: Para a verificação do juízo prevento na conexão, o CPC/2015 sim¬


plificou o regramento do CPC/ 1973, ao prever, no seu art. 59, que tão somente
“O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo”, sendo
irrelevante outras considerações.
Letra C: A assertiva menciona exatamente umas das hipóteses em que
compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, que é
o julgamento de ações relativas a imóveis situados no Brasil (art. 23, 1, do CPC).

Letra D: O equívoco da assertiva é o de que inexiste litispendência entre


ação que tramite perante tribunal estrangeiro e outra que tramite no Brasil, nos
termos do caput do art. 24 do CPC/2015. Inclusive, nos termos do parágrafo
único do artigo mencionado, “A pendência de causa perante a jurisdição brasileira
não impede a homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para
produzir efeitos no Brasil”.
Letra E: A assertiva está equivocada, eis que, de acordo com o art. 952, não
poderá suscitar conflito de competência a parte que, no processo, tenha alegado
a incompetência relativa.

5. -
(Juiz Substituto -TJSC 2015 - FCC - adaptada) Analise os enunciados
seguintes, relativos à competência interna:
I. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre
bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor.
II. Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será
proposta no foro do domicílio do autor; se este também residir fora do
Brasil, a ação será proposta em qualquer foro.
82 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

111. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o fôro da
situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar peio foro dò domicílio
do réu ou de eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade,
Yizihbança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras enunciação
de obra nova.
IV. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para
o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumpriniento de disposições
dé última vontade e todas as ações qm qué o espólio for réu, salvo se o
óbito houver ocorrido no estrangeiro.
É correto o que se afirma APENAS em:
a) I, lie IV
b) I, III e IV.
cj lie III.
d) II, III e IV.
e) I e Hl.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

I: Assertiva incorreta, eis que a ação fundada em direito pessoal e a ação


fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do
domicílio do réu (art. 46, caput, CPC/2015) enão do autor.
II: Assertiva correta, consoante a previsão do art. 46, § 3o, do CPC/2015.

Ill: A assertiva trata do art. 47 do CPC/2015. Em seu caput, prevê que


nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro da situação
da coisa. No entanto, pode haver a opção pelo foro do domicílio ou de eleição,
não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão
e demarcação de terras e nunciação de obra nova (§ Io). E, no § 2o do mesmo
dispositivo, tem-se a previsão específica de que as ações possessórias também são
detentorasda competência absoluta, sendo propostas no foro de situação da coisa.
IV: A assertiva está equivocada, eis que, ao contrário do apontado, é
irrelevante que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Portanto, de acordo com
COMPFTÉNCIA 83

o art. 48 do CPC/2015, “O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil,


é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de
disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extraju¬
dicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha
ocorrido no estrangeiro”.

6. Mévio ajuizou ação de responsabilidade civil baseado em erro médico


contra o Estado de São Paulo. Tendo por base as regras de competência
no CPC/2015, responda ao seguinte questionamento:
A competência adequada para a referida ação a do foro de domicílio
do réu.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta

O CPC/2015 altera a fixação da regra de competência quanto aos Estados


e o Distrito Federal. Na questão, sendo o Estado de São Paulo o demandado, não
há utilização das regras de competências gerais, mas da previsão constante do
parágrafo único do art. 52, portanto, a parte pode escolher por ajuizar a ação nos
seguintes locais: a) foro de domicílio do autor; b) no de ocorrência do ato ou fato
que originou a demanda; c) no de situação da coisa e d) na capital do respectivo
ente federado.

7. (Auditor -TCM-RJ - 2015 - FCC -adaptada) A respeito da competência,


considere:
I. A incompetência absoluta deve ser arguida no âmbito de exceção de
incompetência.
II. Declarada a incompetência absoluta, todos os atos do processo são
declarados nulos, por afrontarem expressa disposição de lei.
III. Declarada a incompetênciá absoluta, o processo é extinto sem resolução
de mérito, por ausência de condições da ação.

IV. Duas ou mais ações são conexas quando comum o pedido ou a causa
de pedir.
lÊãSmlÊÍÊÊÊÊSÊ.
84 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Está correto o que se afirma APENAS em


a) iV.
b) II, ill e IV. a
c) I, He III.
d) Mie IV.

COMENTÁRIOS
* jjlti mm

Gabarito: A

I:A assertiva está incorreta, eis que o CPC/2015 exige que a incompetên¬
cia absoluta seja alegada como questãopreliminar da contestação (art. 64, caput,
e art. 337, II). O destaque, no CPC/20 15, é que agora, tanto a incompetência
absoluta, quanto a relativa, devem ser alegadas da mesma forma, ou seja, em
preliminar da contestação. Não há a necessidade de utilização de qualquer
espécie de exceção.

II:A assertiva está incorreta, eis que, de acordo com o § 4o do art. 64 do


CPC/2015, “Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos
de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for
o caso, pelo juízo competente”. Isso significa que o reconhecimento da incompe¬
tência absolutanão implica em vício de nulidade denenhumdos atos. Eles apenas
podem ter seus efeitos cassados caso haja menção expressa pelo juiz e, não havendo,
permanecem produzindo efeitos até que outra decisão seja proferida pelo juízo
competente. Há relevante alteração em relação ao CPC/1973, que reputava os
atos decisórios nulos (art. 113, § 2o).

Ill: O reconhecimento da incompetência absoluta, em regra, não implica


na extinção do processo. Em regra, o acolhimento da alegação de incompetência
implica tão somente na remessa dos autos ao juízo competente (art. 64, § 3o,
CPC/2015). Há exceções, a exemplo do reconhecimento da incompetência
territorial nos juizados especiais cíveis, que geram a extinção do processo sem
julgamento do mérito (art. 51,111, da Lei 9.099/1995). De toda forma, mesmo
nesses casos, a extinção não é causada pela ausência de uma das condições da
ação (legitimidade e interesse processual, art. 485, VI, CPC/2015), mas pela
8. COMPETêNCIA I 85

ausência de um pressuposto de constituição e de desenvolvimento válido e


regular do processo.
IV: Assertiva correta, basicamente reproduzindo o conteúdo do caput do
art. 55, do CPC/2015. Apenas se destaca que o CPC/2015 faz menção aopedido
e a causa de pedir. O CPC/1973 tratava do objeto e da causa de pedir.

8. (Analista Legislativo - Câmara dos Deputados - 2014 - CESPE) Com


referência à jurisdição, ação e competência, julgue o item que se segue.
A competência absoluta poderá modificar-se pela conexão ou continência.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta

De acordo com o texto expresso do art. 54 do CPC/2015, apenas a com¬


petência relativa pode ser modificada pela conexão ou continência.

9. Acerca da competência, julgue o seguinte item: §


Havendo continência ea ação continentetiver sido proposta anteriormente,
no processo relativo à ação contida será proferida sentença sem resolução
de mérito, caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Trata-se da redação utilizada pelo art. 57 do CPC/2015, sem equivalente


no CPC/1973, regulando as consequências do reconhecimento da continência.
Em resumo, tem-se a seguinte situação: a) se a ação continente tiver sido proposta
anteriormente, a ação contida deve ser extinta sem resolução do mérito; b) se,
por outro lado, a ação contida tiver sido proposta anteriormente, deve haver, tão
somente, a reunião das ações para o julgamento em conjunto.

,0-
86 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Os órgãos de jurisdição brasileira estio legitimados a processar e julgar


demanda proveniente de fato ocorrido no exterior se o réu estiver domi¬
ciliado no Brasil, ainda que ambas as partes sejam estrangeiras.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Aassertivasc utilizado art. 21, 1, do CPC/2015, segundo o qual, compete


à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que o réu, qualquer
que seja a sua nacionalidade, esteja domiciliado no Brasil. Destaque-se que é irre¬
levante onde tenha ocorrido o fato, se no Brasil ou exterior, para que a demanda
possa ser processada no Brasil.

11. A respeito dos limites dajurisdição nacional, assinale a alternativa incorreta:


a) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações
que versem sobre obrigações que devam ser cumpridas no Brasil.
b) Asautoridadesjudiciáriasbrasi|eiraspodemju!garaçõescujo fundamento
seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
c) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgaras ações de
alimentos quando o devedor tiver domicílio ou residência no Brasil.
d) Compete à autoridade judiciária brasileira processare julgar ásaçõesde-
correntes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio
ou residência no Brasil. ••

e) Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em


que aspartes, expressa ou tacitamente, sesubmeterem à jurisdição nacional.

COMENTÁMOS
Gabarito: C

Letra A: Trata-se de reprodução do art. 21,II, do CPC/2015.

Letra B: Trata-se de reprodução do art. 21, III, do CPC/2015.

Letra C: A assertiva estáincorreta. Esta assertiva relaciona-se com mais uma


das hipóteses de competência da autoridade judiciária brasileira no CPC/2015,
8, COMPETêNCIA 87

segundo a qual terá competência para a açáo de alimentos quando: a) o credor


tiver domicílio ou residência no Brasil (art. 22, 1,íz);b)o réu mantiver vínculos no
Brasil, tais como posse oupropriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção
de benefícios económicos (art. 22,1, b). O equívoco da questão foi trocar domicílio
ou residência do credor pelo do réu.

Letra D: Trata-se da reprodução do art. 22, II, uma novidade constante


doCPC/2015.
Letra E: Trata-se da reprodução do art. 22, III, uma novidade constante
doCPC/2015.

12. (Procurador de Contas -TCE-CE- 2015 -FCC) No tocante à declaração


de incompetência, tem-se que
a) não pode suscitar conflito de competência a parte que, no processo,
ofereceu exceção de incompetência; o conflito não obsta, porém, a que
a parte, que não o suscitou, ofereça exceção declinatória de foro.
b) a incompetência absoluta deve ser declarada de ofício, mas só pode ser
alegada pela parte, por meio de exceção, em primeiro grau de jurisdição.
c) em nenhuma hipóteseo juiz poderá declinar deofício da incompetência
relativa, que deve ser arguida por meió de exceção.
d) a declaração de incompetência absoluta implica a nulidade do processo
a partir de seu início, mantendo-se apenas o despacho inicial de citação
do réu.
:
e) a prorrogação da competência é possível nos casos de competência em
razão da matéria e territorial.

COMENTÁRIOS
GabaritotA

Letra A: A assertiva está correta. De acordo com o art. 952, caput, do


CPC/2015, não poderá suscitar conflito de competência a parte que, no processo,
tenha alegado a incompetência relativa. Por outro lado, o parágrafo único do texto
normativo aponta que a parte que não tenhasuscitado o conflito de competência
possa arguir a incompetência, seja ela relativa ou absoluta.
88 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra B: A incompetência absoluta é considerada como uma questão


de ordem pública e, nos termos do art. 64, § Io, do CPC/2015, pode ser ale¬
gada em qualquer tempo e grau de jurisdição, além de dever ser declarada de
ofício. Além disso, em regra, deve ser alegada em preliminar de contestação
(art. 64, capui). Isso significa que a questão está incorreta, eis que ela não tem
o limite de ser alegada pela parte apenas no primeiro grau de jurisdição, por
meio de exceção.

Letra C: A assertiva está incorreta, eis que, de acordo com o § 3o do art.


63 do CPC/2015, o juiz pode reconhecer de ofício a ineficácia da cláusula
de eleição de foro, desde que: a) o faça antes da citação; b) se for considerada
abusiva.

Letra D: A assertiva está incorreta, eis que, de acordo com o § 4o do


art. 64 do CPC/2015, “Salvo decisão judicial em sentido contrário, con-
servar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que
outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente”. Isso significa que o
reconhecimento da incompetência absoluta não implica em vício denulidade
de nenhum dos atos. Eles apenas podem ter seus efeitos cassados caso haja
menção expressa pelo juiz e, não havendo, permanecem produzindo efeitos
até que outra decisão seja proferida pelo juízo competente. Há relevante
alteração em relação ao CPC/1973, que reputava os atos decisórios nulos
(art. 113, §2o).

Letra E: A assertiva está incorreta. Tão somente a competência relativa


pode ser prorrogada (art. 65 do CPC/2015) e acompetência material é absoluta
e, portanto, não pode ser alvo de prorrogação. Além disso, embora, em regra, a
competência territorial seja relativa, em algumas hipóteses, tais como nas ações
fundadas em direito real sobre imóveis (art. 47 do CPC/2015, será absoluta e,
portanto, improrrogável).

13. Acerca dá competência, analise a seguinte ássertiva:


Será competente o foro da residência da mulher, para a ação de separa¬
ção dos cônjuges e a conversão desta em divórcio, e para a anulação de
casamento.
6. COMPETENOA 89

COMENTÁRIOS
Gabarito: Errada

Houve relevante alteração acerca do tema no CPC/2015 em relação ao


CPC/1973, que assim o previa no art. 100, 1. Agora, de acordo com o art. 53,1,
passa a ser competente para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e
reconhecimento oudissolução de união estável o foro: a) de domicílio do guardião
de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c)
de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal.
Isso significa que não se faz mais menção ao foro da residência da mulher, mas a
uma série de situações e, além disso, agora há também o tratamento das ações de
reconhecimento e de dissolução de união estável.

14. (Analista judiciário -TRE-RR - 2015 - FCC) No tocante à competência


territorial, considere:
l. Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil/a ação será
proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do
Brasil, a ação será proposta obrigatoriamente no foro do réu.
il. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para
o inventário, a partilha, a arrecadação, ò cumprimento de disposições
de última vontade e todas ás ações em que o espólio for réu, exceto se o
óbito tenha ocorrido no estrangeiro.
111. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de
aeronaves, será competente o foro do domicílio do autor ou dolocal do fato.
IV. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro da
situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicilio ou
deeieição, não recaindo o litígiosobredireito de propriedade, vizinhança,
servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação deobra nova.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) i, 111 e IV.
b) I e II.
c) I, He III.
d) III e IV.
e) II, III e IV.
90 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS

Gabarito: Letra D

I- A assertiva está incorreta, eis que, de acordo com o art. 46, § 3o, do
CPC/2015, quando o réu náo tiver domicílio ou residência no Brasil: a) a ação
será proposta no foro de domicílio do autor e b) se este também residir fora do
Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. Portanto, inexiste a obrigatoriedade
de propositura da ação no foro do réu nesses casos.

II - A assertiva está equivocada, eis que, ao contrário do apontado, é


irrelevante que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Portanto, de acordo com
o art. 48 do CPC/2015, “O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil,
é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de
disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extra¬
judicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha
ocorrido no estrangeiro".

III - Trata-se, em parte da reprodução do art. 53, V, do CPC, segundo


o qual, é competente o foro de domicílio do autor ou do local do fato, para a
ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos,
inclusive aeronaves. O destaque deve ser dado ao termo aeronaves, incluído no
CPC/2015 e inexistente no CPC/1973.

IV -A assertiva trata do art. 47 do CPC/2015. Em seu caput, prevê que,


nas ações fundadas em direitoreal sobre imóveis, é competente o foro da situação
da coisa. No entanto, pode haver a opção pelo foro do domicílio ou de eleição,
não recaindo o litígio sobredireito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão
e demarcação de terras e nunciação de obra nova (§ Io). E, no § 2o, tem-se a
previsão específica de que as ações possessórias também são detentoras da com¬
petência absoluta, sendo propostas no foro de situação da coisa.

15. Sobre a competência, julgue a seguinte assertiva:


Será competente para o cumprimento de disposições de última vontade
,
o foro do lugar em que ocorreu o óbito se o autor da herança não tinha
domicílio certo e possuía bens em lugares diferentes.
8. COMPETêNCIA 91

COMENTÁRIO

Gabarito: Errado

O CPC/2015 alterou a competênciapara o inventário, a partilha, a arrecada¬


ção, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ouanulaçáo
de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, nos casos
em que o autor da herança nãopossua domicílio certo. Não há mais menção ao local
do óbito e agora há referência aos bens imóveis como primeira opção, quando o
CPC/1973 mencionava bens em geral (art. 96, parágrafo único,Ie II). Segundo
o parágrafo único do art. 48, caso o autor da herança não possua domicílio certo,
é competente:I- o foro de situação dos bens imóveis;II — havendo bens imóveis
em foros diferentes, qualquer destes; III — não havendo bens imóveis, o foro do
local de qualquer dos bens do espólio.

16. (Auditor Conselheiro Substituto -TCM-GO - 2015 - FCC) Quanto à


competência, é correto afirmar:
a) As mudanças de domicílio do réu, depois de ajuizada a demanda, não
alteram a competência, já estabilizada com a propOsitura dà ação.
b) Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado
no foro de seu último domicílio. *É
c) A ação fundada em direito pessoal ea ação fundada em direito real sobre
bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor.
d) A competência é determinada no momento em que a ação é proposta;
são, porém, relevantes, como regra geral, as modificações do estado de
fato ou de direito ocorridas posteriormente.
e) A ação intentada perante tribunal estrangeiro induz litispendência, obs¬
tando a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa
e das que lhe são conexas. |p §

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Letra A: De acordo com o art. 43, do CPC/2015, “Determina-se a compe¬


tência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrele-
92 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

vantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente”.


Portanto, a alteração do domicílio do réu não tem aptidão de alterar acompetência.

No entanto, o STJ reconhece que, em ações que tratem do menor como


objeto da disputa judicial, tal como na ação de guarda, em razão da prevalência
do melhor interesse do menor, não havendo “nada que indique objetivos escusos
por qualquer uma das partes, mas apenas alterações de domicílios dos responsá¬
veis pelo menor, deve a regra da perpetuatio jurisdictionis ceder lugar à solução
que se afigure mais condizente com os interesses do infante e facilite o seu pleno
acesso à Justiça” (STJ, 2a Seção, CC 114.782/RS, Rei. Min. Nancy Andrighi, j.
12/12/2012, DJe 19/12/2012).

Letra B: Assertiva incorreta, eis, que, de acordo com o art. 46, § 2o, do
CPC/2015, sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser de¬
mandado: a) onde for encontrado ou b) no foro de domicílio do autor. A situação
prevista na assertivaestaria correta se fizesse referência ao réu ausente, caso em que
deve ser demandado no foro de seu último domicílio.

Letra C: Assertiva incorreta, pois a ação fundada em direito pessoal e a ação


fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do
domicílio do réu (art. 46, caput, CPC/2015).
Letra D: A previsão legal é justamente o contrário da apontada na assertiva,
eis que são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas
posteriormente ao momento do registro ou da distribuição da petição inicial (art.
43 do CPC/2015).
Letra E: O equívoco da assertiva é o de que inexiste litispendência entre
ação que tramite perante tribunal estrangeiro e outra que tramite no Brasil, nos
termos do caput do art. 24, do CPC/2015.

17. (Procurador do Distrito Federal - 2013 - CESPE) Juan, de nacionalidade


argentina, faleceu em Brasília -DF, deixando dois herdeiros, um residente
e domiciliado em Porto Alegre - RS e outro, na Argentina. À época do
óbito, Juan, que era residente e domiciliado no município do Rio de Ja¬
neiro - RJ, possuía bens no Brasil, todos localizados no município de São
'
Paulo - SP, sobre os quais não havia consenso entre os herdeiros quanto
ao modo de divisão.
8. COMPETêNCIA I 93

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Primeiro, a justiça brasileira possui competência exclusiva para conhecer


tais ações, pois, deve, de acordo com o art. 23, II, do CPC/2015, em matéria de
sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inven¬
tário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de
nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. O que
importa é que os bens estejam no Brasil.
Acerca da competência territorial, deve ser verificado o art. 48, caput,
do CPC/2015, segundo o qual será competente o foro de domicílio do autor
da herança, no Brasil, para o inventário. E, segundo aponta a assertiva, Juan era
domiciliado no município do Rio de Janeiro.

18. (DPE-DF - 201 3 - CESPE - adaptada) Acere jrpeesso civil, julgue


os item que se segue.
A competência, em razão do território, não é modificada pela conexão
ou continência: reputam-se conexas duas ou mais ações, quando lhes
seja comum o pedido ou a causa de pedir; já a continência ocorre entre
duas ou mais ações, sempre que haja identidade quanto às partes e à
causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abranja o
das outras.
tutu
COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

A competência em razão do território, em regra, é relativa e, portanto,


poderá ser alterada pela conexão ou pela continência (art. 54 do CPC/2015),
94 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

tomando a assertiva incorreta. O restante está correto, eis que a conexão ocorre
quando duas ou mais ações tenham em comum o pedido ou a causa de pedir (art.
55, caput, CPC/2015) e a continência ocorre quando entre duas ou mais ações
haja identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser
mais amplo, abrange o das demais (art. 56 do CPC/2015).

19. Acerca da competência, julgue o seguinte item:


Não se reputa possível o reconhecimento da conexão entre a execução
de título extrajudicial e a ação de conhecimento relativa ao mesmo ato
jurídico e entre as execuções fundadas no mesmo título executivo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta

O CPC/2015 inova ao inserir, expressamente, a possibilidade da conexão


entre a execução de título extrajudicial e a ação deconhecimentorelativa ao mesmo

ato jurídico e entre as execuções fundadas no mesmo título executivo (art. 55, §
2°, CPC/2015).

20. Acerca da competência, julguèo seguinte item:


De acordo com o CPC, é possível a reunião para julgamento conjunto
m e processos que possam gerar risco de prolação de decisões confli-

É antesou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem


õnexão entre eles.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Trata-se de relevante inovação do CPC/2015, ao permitir, no § 3o do art.


55, a reunião para julgamento conjunto de processos que possam gerar risco de
prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente,
mesmo sem conexão entre eles.
8. COMPETêNCIA 95

.
21 (Analista - advocacia - SERPRO - 2013 - CESPE) A respeito de compe¬
tência e coisa julgada, julgue o item seguinte.
A incompetência absoluta não está sujeita à preclusão e pode ser arguida
em qualquer tempo ou grau de jurisdição, enquanto não transitar em
julgado a decisão. Todavia, sentença transitada em julgado proferida por
juízo absolutamente incompetente será passível de rescisão.

COMENTÁRIOS

Gabarito: Correta

De acordo com o art. 64, § Io, do CPC/2015, a incompetência absolu¬


ta é considerada como uma questão de ordem pública e pode ser alegada em
qualquer tempo e grau de jurisdição, além de dever ser declarada de ofício.
Além disso, caso não reconhecida antes do trânsito em julgado, é uma das
causas de pedir aptas ao ajuizamento da ação rescisória, nos termos do art.
966, II, do CPC/2015.

.
22 (Defensor Público - DPE-RS -2014 -FCC) No que pertine à competência,
de acordo corn a disciplina do CPC, é correto afirmar:
a) A continência, diversamente da conexão, pode modificar a competência
relativa.
b) É determinada no momento da propositura da ação, sendo irrelevantes as
modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente,
salvo quando suprimirem oórgãojudiciárioou alterarem a competência
em razão da matéria ou hierarquia.
c) Compete à autoridade judiciária brasileira, sem exclusão de outras, co¬
nhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil.
d) A ação fundada em direito pessoal, em regra, será proposta no foro do
domiciliodo réu, não sendo esseo foro competente para qualquer espécie
de ação fundada em direito real.
e) Nas ações de inventário e partilha, o foro competente será o do local dos
bens, com exclusão de qualquer outro.
96 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra A: Ao contrário do apontado na assertiva, tanto a conexão como a


continência podem implicar na alteração da competência relativa.
Letra B: De acordo com o art. 43, “Determina-se a competência no mo¬
mento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as mo¬
dificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando
suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta”, texto basica¬
mente repetidopela assertiva. A diferença é que o texto menciona a competência
absoluta e a assertiva apenas duas espécies (em razão da matéria ou hierarquia).
Letra C: Incorreta, pois, ao contrário do apontado, de acordo com o art.
23, 1, do CPC/2015, compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de
outras, conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil.

Letra D: Ao contrário do apontado na assertiva, tanto a ação fundada em


direito pessoal, quanto a fundada em direito real sobre móveis, em regra, serão
propostas no foro de domicílio do réu (art. 46, caput, CPC/2015).

Letra E: Nas ações de inventário e partilha, ao contrário do apontado na


assertiva, a regra é a de que elas tenham como competente o foro de domicílio
do autor. Não tendo o autor da herança domicílio certo, é competente:I— o foro
de situação dos bens imóveis; II - havendo bens imóveis em foros diferentes,
qualquer destes; III- não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos
bens do espólio.
>ÿ
9

Juiz

.
-
1 (Procurador Autárquico - MANAUSPREV - FCC - 2015 - adaptada)
Cabe ao juiz: •:

a) decidira lide por equanimidade, como regra gerai.


b) eximir-se de julgar se ausentes normas jurídicas aplicáveis ao caso con¬
creto, determinando a solução por arbitragem.
c) prevenir ou reprimir atos atentatórios a dignidade da justiça, desde que
requerido pelas partes.
d) manter-se equidistante das partes e suprir as lacunas e ambiguidades da
lei, dando cumprimento ao princípio do acesso ã justiça.
e) decidira lide independente do princípio da correlação,livremente, dando
os motivos de seu convencimento.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D.

A alternativaA estáerrada, visto que o parágrafo único do art. 140 determina


que o juiz só decidirá por equidade quando houver autorização legal para isso. A
regra geral é sua estrita adstrição ao ordenamento jurídico.

Também errada a alternativaB, já que, consoante o princípio da indeclina-


bilidade da jurisdição, aspecto do acesso à justiça, cabe ao juiz cumprir a promessa
98 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

de prestação jurisdicional, não se eximindo de julgar sob a alegação de lacuna ou


obscuridade no ordenamento jurídico (art. 140, caput).
A proteção à dignidade da justiça é matéria que independe de requerimento
das partes, visto que se trata da tutela do próprio Estado-juiz enquanto sujeito da
relação processual. Assim sendo, não se trata de requisito o requerimento, como
se vê pela leitura do art. 139, III, do CPC. Errada a alternativa C.

Correta a alternativa D, que conjuga os arts. 3o, 7°, 139, 1, 140, caput,
todos do CPC.
O erro daalternativaE está em ignorar oslimitesdaprestação jurisdicional,
que são, em regra, estabelecidos pelos pedidos das partes, consoante fixa o art.
492 do CPC, onde está entabulado o princípio da congruência ou da adstrição
aos pedidos.

2. (Analista-TER-RR- FCC-2015 -adaptada) Timóteo, juiz dedireito, possui


uma família de juristas. Seu bisavô, Carlos, é advogado. Também são advo¬
gados seus primos, Nicolau, seu tio, e Gilberto, filhò dó seu primo Alberto.
Nestes casos, de acordo com o Código de Processo Civil brasileiro,Timóteo
está proibido de exercer suás funções de juiz no processo contencioso ou
voluntário, quando estiver postulando como advogado da parte:
a) Carlos e Nicolau, apenas.
I Nicolau e Gilberto, apenas.
c) Nicolau, apenas.
d) Carlos, Nicolau eCilberto.
e) Carlos, apenas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A.

Para resolver a questão, inicialmente, é preciso saber o grau de parentesco


entre Timóteo e Carlos, Nicolau e Gilberto. Bisavô é considerado terceiro grau de
parentesco em linha reta. Tio é terceiro grau de parentesco colateral. Primo, por sua
vez, é quarto grau de parentesco colateral. Além disso, é necessário saber a regra de
9. Juiz 99

impedimento, que define a proibição de exercício das funções nos processos em


que postule, como defensor público, advogado ou membrodo Ministério Público
seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente, consanguíneo ou afim, em
linhareta ou colateral, atéo terceirograu. Dessa forma,Timóteo não pode atuar nos
processos em que Carlos e Nicolaupatrocinem a causa. Aresposta é a alternativa A

3. (Juiz Substituto - TJCO - FCC - 2015 - adaptada) De acordo com o


Código de Processo Civil, o juiz:
a)

b) determinará, inclusive de ofício, a produção das provas necessárias à


instrução do processo,
c) decidirá, em regra, por equidade.
d) promoverá a autocomposição das partes, todavia apenas durante o início
do processo.
e) decidirá a lide sempre com vistas ao bem comum, sè necessário extra¬
polando os limites em que foi proposta, ainda que a questão demande
iniciativa da parte.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B.

A alternativa A está equivocada, pois o magistrado não pode se utilizar de


conhecimentos técnicos que porventura possua, devendo determinar ao auxiliar
da justiça que realize referidos atos. O CPC, no seu art. 162, 1, impõe a nomeação
de tradutor para traduzir documento redigido em língua estrangeira.

A alternativa B é a correta, e possui base legal no art. 370 do CPC.

A alternativa C é errada, diante da determinação do art. 140, parágrafo


único, que define que o juiz só decidirá por equidade quando houver autorização
legal para isso. A regra geral é sua estrita adstrição ao ordenamento jurídico.
O erro da alternativa D está na previsão da promoção da autocomposição
apenas no início do processo, já que ela deve ser promovida a qualquer tempo,
100 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

havendo probabilidade de seu sucesso, conforme prevê o art. 139, V, do CPC.


Aliás, cabe lembrar que o referido dispositivo estabelece que a promoção da au-
tocomposição pelo juiz ocorrerá preferencialmente com auxílio de conciliadores
e mediadores judiciais.

A alternativa E está errada por ignorar o princípio dispositivo, em seu


aspecto de adstrição do juiz ao pedido. O art. 492 impede que o juiz decida de
modo a transbordar, ignorar ou ficar aquém dos pedidos das partes.

4. (Analista -TJAP - FCC - 2014 - adaptada) Em relação à Conduta proces-


suál do juiz:
a) cabe-lhe oficiar ao Ministério Publico, à Defensoria Pública e outros
legitimados, quando vislumbrar demandas individuais repetitivas, para,
se for o caso, promoverem ação coletiva.
b) poderá determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das
partes, para inquiri-lás sobre os fatos da causa, hipótese em que poderá
aplicara pena de confesso.
c) apreciará a prova de acordo com a hierarquia legal de importância de
cada uma delas, ficando vinculado a tal critério.
d) apenas quando não houver lei, analogia ou costumes aplicáveis ao caso
concreto, é que poderá deixar de julgá-lo.
e) poderá, diante do transcurso do prazo sem manifestação da parte por ter
sido este insuficiente, dilatar o prazo para garantir maior efetividade à
tutela do direito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A.

A alternativa A está prevista no art. 139, X, do CPC; trata-se de previsão


nova que, conjugada com outras, estabelece uma pauta de ações para o combate às
demandas repetitivas que assoberbam o trabalho do Judiciário, criando-se meios
para que sejam solucionadas de modo unificado e económico.
A alternativa B incorre em erro ao dispor sobre a possibilidade de aplica¬
ção da pena de confesso, quando o inciso VIII do art. 139 veda expressamente
9. Juiz 101

estetipo de punição. A pena de confesso deve ser aplicada apenas no caso de não
comparecimento em audiência de instrução na qual deva ser prestado depoimento
pessoal, na forma do art. 385, § 1°, do CPC.
A alternativa C ofende o princípio da persuasão racional ou do convenci¬
mento motivado. O magistrado deve avaliar as provas, fundamentando adequa¬
damente sua decisão sobre questões fáticas, não se vinculando a critérios rígidos
de pré-determinação do valor da prova, como ocorria no sistema de convicção da
tarifa legal. Esta é a regra que se retira do art. 371 do CPC.

A alternativa D fere o princípio do acesso à justiça que, especificamente


no seu conteúdo de indeclinabilidade da jurisdição, estabelece que o juiz não se
exime de decidir sob a alegação delacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico
(art. 140 do CPC).

A alternativaE incorre no erro de autorizar ao juiz dilatar prazos findos, o


que não é possível. Embora certamente possa o juiz dilatar prazos processual para
adequá-los às necessidades específicas da demanda sob julgamento (art. 139, VI,
do CPC), não é possível dilatar prazos já escorridos - o que ofenderia a segurança
jurídica. Pode, no entanto, devolvê-los, quando não observados por circunstância
alheia àvontade. De todo modo, a dilação deprazos somentepode ser determinada
antes de encerrado o prazo regular (art. 139, parágrafo único).

5. (Titular de Serviços de Notas e de Registros -TJ-MS - IESES - 2014 -


adaptada) Em matéria de processo civil, reputa-se fundada a suspeição
de parcialidade do juiz quando:
I. O juiz for interessado no julgamento do processo em favor de uma das
partes.
II. O juiz for amigo íntimo ou inimigo de qualquer dos advogados das partes.
III. Depois de iniciado o processo, aconselhar alguma das partes acerca do
objeto da causa.
IV. Quando alguma das partes for credora deparente colateral deterceirograu.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas as assertivas lie ill estão corretas.
b) Apenas as assertivas I, II, III estão corretas.
SIRIS m
102 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) Apenas as assertivas l e II estão corretas.


d) Apenas as assertivas I, II e IV estão corretas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B.

Altemléaprevisão de suspeição do art. 145,IV Oltemllépartedaprevisão


do art. 145, 1, tratando-se de uma novidade no texto do Código, que antes apenas
previa como causa de suspeição amizade ou inimizade com a parte. O ItemIII é
parte da previsão do incisoIIdo art. 145.0 ItemIV está errado, visto que o art. 145,
III, tem como existente a suspeição quando qualquer das partes for sua credora ou
devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o
terceiro grau, inclusive; não se menciona, portanto, o parente colateral.

6. (Juiz doTrabalho -TRT8 - Banca Própria - 2014 - adaptada) Nos moldes


da Constituição Federal de 1988, requer-se a imparcialidade do juiz,
como um dos fundamentos do princípio do juiz natural, resguardando
a decisão de pré-compreensões sobre o fato e sobre o direito e também
a pessoa do magistrado que, impulsionado por condições pessoais, não
decidiria pela persuasão racional, trazendo uma decisão carregada de
subjetividade formada durante a instrução. Assim sendo, assinale a al¬
ternativa INCORRETA:
a) A imparcialidade, em primeiro lugar, decorre do devido processo legal,
que conflui para a adoção do chamado sistema acusatório, no qual são
distintos o órgão acusador e o órgão julgador. Nesse sentido, a imparcia¬
lidade decorre da equidistância do juiz em face das partes.
b) O sistema processual é pautado no convencimento motivado, isto é, na
liberdade que se defere ao juiz para a valoração da prova e, por isso, é
extremamente difícil se estabelecer parâmetros atinentes a escolha da
pertinência e do controle do material probatório, sem que se macule a
liberdade e a independência do magistrado.
c) O artigo 5o, Lilly da Constituição Federal de 1988 estipula o princípio
do juiz natural. Trata-sè de vedação ao juiz ou tribunal de exceção e de
obrigatoriedade de respeito à competência material e em razão da pes¬
soa: "ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
9. Juiz 103

previamente constituído.
d) Reputa-sefundadaasuspeiçãodeparcialidadedojuiz, em primeiro lugar,
quando ele seja amigo íntimo de qualquer advogado das partes.
e) O direito de a parte recusar o juiz não está, necessariamente, condicio¬
nado à possibilidade ou à probabilidade de que ele esteja realmente
propenso a prejudicá-la; basta apenas a ocorrência de uma causa legal
que justifique a desconfiança sobre a sua imparcialidade, pois o que está
em jogo, afinal, é a confiança depositada na justiça.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativa A está correta, visto que é proibido no sistema jurídico brasi¬


leiro o juiz inquisidor, inexistente que é a permissão ao magistrado para instaurar
o processo ele mesmo, devendo, em regra, aguardar a provocação dos interessados.
Além disso, a assertiva versa sobre a imparcialidade, que requer o tratamento
igualitário das partes.
A alternativa B está incorreta, pois o CPC/2015 excluiu a ideia de livre
convencimento, sendo certo que o convencimento deve se pautar na atividade
.
probatória que se deu no processo e precisa ser fundamentado (art. 371) Some-se
a isso que o art. 489, § Io, do CPC estabelece regras de fundamentação que fixam
a necessidade de o juiz justificar adequadamente a resolução que der às questões
fáticas, apontando as razões pelas quais acolheu a eficácia de determinada prova e
não doutra, sendo necessária a avaliação de todo o conjunto probatório.

A assertiva da alternativa C está correta, apontando precisamente a fonte


e o conteúdo normativo do juiz natural.

A alternativaD está correta, tratando-sede nova previsão expressa, inserta


na regra do art. 145, 1, do CPC.

O juiz exerce função pública essencial, e não emnome próprio, mas presen-
tando o Estado-juiz, a quem cabe cumprir a promessa de prestação jurisdicional,
realizada ao se proibir a autotutela. Assim sendo, ao se prever a suspeição e a im¬
parcialidade, com previsões específicas de suas causas, não se está, propriamente,
104 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

preocupando-se com as condições do sujeito, mas em tutelar a atividade estatal


distribuição de justiça, que deve ser prestada em conformidade com as condições
legalmente estabelecidas, inclusive as condições subjetivas. Assim sendo, correta
a alternativaE.

7. (JuizSubstituto-TJDFT-CESPE-2014-adaptada) Em ação sob o rito


ordinário, õ juiz quépresidiu a instrução do processo se declarou suspeito
antes de proferir a sentença: O juiz que assumiu à condução do feito após
a declaração de suspeição indeferiu o pedido da parte de repetição das
provas, julgando-as adequadamente colhidas e suficientes à formação
do seu livre convencimento.
Diante dessa situação hipotética, assinale a opção correta à luz do en¬
tendimento do STJ.
a) Os atos de instrução são nulos de pleno direito e deverão ser repetidos
exclusivamente se o magistrado tiver se declarado suspeito por ser amigo
íntimo de uma das-partes.
b) Caso o magistrado não se declarasse suspeito nem a parte suscitasse o
tema por via de exceção, a suspeição poderia ser alegada em qualquer
tempoegrau de jurisdição, ensejando, inclusive, o posterior ajuizamento
de ação rescisória.
c) A declaração de suspeição gera automaticamente a nulidade de todos
os atos de instrução, já que a instrução foi presidida por juiz suspeito.
d) O juiz que assumiu a condução do feito pode manter os atos de instrução
já praticados, caso constate a ausência de violação aos princípios da
imparcialidade e da paridade de armas.
e) A declaração de suspeição do magistrado não gera a nulidade dos atos
decisórios praticados no curso do processo e, tampouco, dos atos de
instrução.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D.

O reconhecimento de suspeição não causa a nulidade automática dos atos


praticados anteriormente, inclusive aqueles de cunho probatório, visto que na
sistemática de nulidades vige a regra do aproveitamento dos atos, consectária da
9. Juiz j 105

economia processual, bem como a regra de que não há nulidade sem prejuízo.
Portanto, caberá ao magistrado que assumir acausa avaliar a existência de qualquer
atuação parcial durante a condução da instrução por seu predecessor e, consta¬
tando-a, anular o ato viciado. Caso, no entanto, perceba que não houve qualquer
imparcialidade-e, portanto,nenhumprejuízo -, deve aproveitar toda a instrução.
Além disso, a suspeição pode ser objeto de preclusão, perdendo-se a possi¬
bilidade de sua arguição, pelo que não se trata de matéria que macula definitiva¬
mente todos os atos processuais. É essa a interpretação que deve ser dada ao art.
146 do CPC.
Este é o entendimento do SuperiorTribunal deJustiça, firmado sob a égide
do CPC/1973, mas plenamente aplicável ao CPC/2015, como se percebe do
excerto de seu precedente a seguir: “O fato de o juízo que presidiu a instrução do
processo ter se declarado suspeito antes de proferir sentença não gera, de modo
automático, a nulidade de todos os atos de instrução. Se o juiz que posteriormente
assumiu a condução do processo não verifica a necessidade de repetição das pro¬
vas, é possível corroborar os atos praticados por seu antecessor. O CPC traça uma
diferença fundamental entre as hipóteses de impedimento e suspeição do juiz.
As hipóteses de impedimento geram nulidade de pleno direito do ato praticado,
possibilitando até mesmo o ajuizamento de ação rescisória para impugnação do
ato judicial. As hipóteses de suspeição, contudo, não dão lugar à ação rescisória,
de modo que, para serem reconhecidas, devem ser arguidas na forma do art. 304
do CPC, sob pena de preclusão”.
Finalmente, cumpre apontar que, no incidente de impedimento oususpeição
(art. 146), ou seja, quando ojuiz negar-sea reconhecer o impedimento ou a suspeição
arguidapelaparte,que deverá ser decidido pelo tribunal, a solução deve ser diversa.
Neste caso, cabe ao tribunal fixar o momento a partir do qual o juiz não poderia
ter atuado, e, inclusive, decretará a nulidade dos atos do juiz, se praticados quan¬
do já presente o motivo de impedimento ou de suspeição (art. 146, §§ 6o e 7o).
Muito embora o texto do dispositivo conduza à interpretação de que qualquer ato
praticado pelo juiz quando presente a razão de suspeição ou impedimento deverá
ser decretado nulo pelo tribunal, parece-nos que o sistema de nulidades dos atos
processuais deve ser observado para uma interpretação sistemática, preservando
o entendimento do STJ também neste caso, quando se tratar de suspeição, para
aproveitar os atos processuais escorreitos e que não geraram nenhum prejuízo
para a parte.
106 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

8. Analise asafirmativasabaixó.tratandodacapacidadesubjetiva do magistrado


para exercício válido da jurisdição, e marque a que está totaímente correta:
a) Não há vedação expressa à atuação dò juiz nos processos em que figure co¬
mo parte cliente do escritório de advocacia do cônjuge òu companheiro ou
de parente, consanguíneo ou afim, em linha reta õu colateral, até o terceiro
grau, no entanto o juiz pode ser considerado suspeito nestas hipóteses.
b) Casoapartevieraconstituiradvogadoquecauseoimpedimentodojuiz,
deve éle reconhecer ò seu impedimento e designar òs autos párá o seu
substituto legal.
c)

o efeito em que é recebido, a tutela de urgência referente ao process


originário será requerida ao relator do incidente.
; d) O juiz pode declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, desde que o
: faça motivadamente, apontando as razões de sua suspeição.
e) As causas de impedimento e também de suspeição aplicam-se a qual-

Público.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativaA está errada, pois o CPC/2015 passou a prever tais hipóteses


como causas de impedimento, em seu art. 144, VIII.

A alternativa B incide em erro, pois embora se trate de causa de impedi¬


mento, é vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar impedimento
.
do juiz (art. 144, § 2o) Desta forma, o ato de constituição de advogado que venha
a ensejar impedimento é ilícito e, portanto, deve ser indeferido.

A alternativa C está errada, visto que o tribunalainda não tem competência


para decidir a causa, não pode também resolver a tutelaprovisória- haveria, neste
caso, supressão de instância. Por isso, o CPC estabelece que a tutela provisória, no
caso em que o incidente distribuído não tiver decisão sobre efeito suspensivo ou
quando ele houver sido concedido, deverá ser requerida ao substituto legal (art.
146, §3°).
9. Juiz 107

A alternativa D está errada, visto que o juiz não está obrigado a declarar
as razões da suspeição por motivo de foro íntimo. Primeiro, a razão da norma
está em se tutelar a intimidade do magistrado, evitando-se a divulgação, típica da
publicidade do processo, que a motivação poderia ter. Além disso, com a norma,
constitui-se uma ampla gama de causas de suspeição que permitem o juiz sair do
exercício de suas funções quando não se sinta subjetivamente capaz de fazê-lo,
tutelando-se adequadamente a imparcialidade.
A assertiva constante da alternativa E está correta, adequando-se ao con¬
teúdo do art. 148 do CPC.

9. (Promotor de Justiça- MPE-PR- Banca Própria- 2013 -adaptada) Em


matéria de impedimento e suspeição, assinale a alternativa incorreta:
a) O Juiz está impedido de atuar em processo no qual seu parente colateral
em 3o grau for parte.
b) Na decisão do incidente de impedimento ou suspeição, o tribunal de¬
cretará a nulidade dos atos do juiz, se praticados quando já presente o
motivo de impedimento ou de suspeição.
c) Aplicam-se ao órgão do Ministério Público os motivos de impedimento
e suspeição do Juízo, mesmo quando o MP for parte.
d) Enquanto não for declarado o efeito em que é recebido o incidente de
impedimento ou de suspeição, ou quando ele for recebido com efeito
suspensivo, a tutela de urgência será requerida ao substituto legal.
e) Há suspeição do juiz quando for sócio ou membro de direção ou de
administração de pessoa jurídica parte no processo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E.

A alternativa A amolda-se ao art. 144, IV, do CPC.

A alternativa B tem previsão no art. 146, § 7o, do CPC.

A alternativa C está em consonância ao art. 148 do CPC. O membro do


Ministério Público precisa exercer sua função conforme as designações institu-
108 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

cionais do órgão, não podendo se nortear por decisões subjetivas enviesadas, atue
ele não condição de parte ou de fiscal da ordem jurídica.
A alternativa D tem correspondência ao art. 146, § 3o, do CPC.

A alternativaE está errada, pois se trata de causa de impedimento e não de


suspeição, como se vê no art. 144, V, do CPC.

10. Acerca da normalização da atividade do juiz no processo, é correto


afirmar que ao juiz é atribuído o dever de:
a) oficiaro Ministério Público, a Defensoria Pública e, na medida do possível,
outros legitimados, para, se for o caso, promover a propositura de ação
. ...... doletiva sobre direitos difusos ou coletivos stricio sensu com os quais se
deparar.
b) determinar o suprimento de pressupostos processuais eo saneamento de
outros vícios processuais.
c) determinar, a qualquer tempo, o compareci mento pessoal das partes,
para inquiri-las sobre os fatos da causa, hipótese em que deverá aplicar
a pena de confesso.
d) prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à digriidadè da justiça, in¬
clusive mediante a aplicação de muita de até vinte por cento do valor da
causa, de acordo com a gravidade da conduta, que deverá ser revertida
em favor da parte contrária. . ,
iii
e) determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou
sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem
judicial, exceto nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B.

A alternativa A está errada, pois o CPC determina que o magistrado efetive


o ofício quando vislumbrar demandasindividuaisrepetitivas, nada falando, inclusive
por incompatibilidade lógica, acerca das demandas efetivamente coletivas, que é
o caso dos direitos difusos ou coletivos stricto sensu.

A alternativa B é a correta, com previsão no art. 139, IX, do CPC.


9. Juiz 109

A alternativa C incorre em erro ao dispor sobre a possibilidade de aplica¬


ção da pena de confesso, quando o inciso VIII do art. 139 veda expressamente
este tipo de punição. A pena de confesso deve ser aplicada apenas no caso de não
comparecimento em audiência de instrução na qual deva ser prestado depoimento
pessoal-, na forma do art. 385, § Io, do CPC.
Muito embora efetivamente caiba ao juiz prevenir e reprimir os atos atenta¬
tórios à dignidade da justiça, a multa aplicada no caso de sua ocorrência tem como
credor a União ou o Estado, a depender da esfera judicial de que se trate (art. 77,
§ 3o, do CPC). Por isso, a alternativa D está errada.

A alternativa E está em desconformidade com o art. 139, IV, do CPC,


e, por isso, está errada. Na verdade, o juiz pode determinar as medidas referidas
inclusive nas ações que perquiram obrigação prestação pecuniária.
.
lOj
Advocacia Pública

1. Julgue a seguinte assertiva acerca da advocacia pública:


Os entes públicos nãoestão obrigados a manter cadastro nos sistemas de
processo em autos eletrónicos, para efeitos de recebimento de citações
e intimações, exigência aplicável tão somente às empresas públicas e
privadas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

Os §§ Io e 2o, do art. 246 ,do CPC/2015 exigem a realização desse cadas¬


tro tanto para as empresas públicas, privadas e também para a União, os Estados
e o Distrito Federal, os Municípios e as entidades da administração indireta. As
únicas empresas dispensadas dessas exigências são as microempresas e as empresas
de pequeno porte.

2. Julgue a seguinte assertiva acerca da advocacia pública:


Os entes públicos dispõem de prazo em quádruplo para contestar e em
dobro para recorrer.
10. ADVOCACIA PúBLICA 111

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta.

Ao contrário do CPC/1973 que assim previa no art. 188, o CPC/2015,


em seu art. 183, caput, afirma que tais entes terão prazo em dobro para todas as
suas manifestações pessoais. Destaque-se que não há mais prazo em quádruplo
para contestar,mas por outro lado, agora os entes públicos possuem, por exemplo,
prazo em dobro para ofertar as suas contrarrazões.

3. julgue a seguinte assertiva acerca da advocacia pública:


A partir da entrada em vigor do CPC/2015, o prazo previsto para a impug¬
nação dos embargos à execução fiscal pelos entes públicos será contado
em dobro, totalizando o prazo de sessenta dias úteis.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta.
De fato, o art. 183, caput, prevê contagem em dobro para todas as mani¬
festações processuais dos entes públicos. No entanto, o prazo de trinta dias para
a impugnação aos embargos à execução fiscal (art. 17 da Lei 6.830/1980) não
será contado em dobro, pois o art. 183, § 2o, do CPC/2015 estabelece que não
se aplica o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para o ente público. E, como o prazo para a impugnação
dos embargos é um prazo específico, ele não deve ser contado em dobro.

4. Julgue a seguinte assertiva acerca da advocacia pública:


O membro da Advocacia Pública será civil e regressivamente responsável
quando agir com culpa no exercício de suas funções.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta,
A responsabilização do membro da advocacia pública só pode ocorrer
quando ele agir com dolo ou fraude no exercício das suas funções, não estando
prevista esta possibilidade no caso de atitude culposa.
Or
11

Defensoria Pública

1. (Procurador -Assembleia LegislativadeGoiás-CD-UFG-2015-adap-


tada) Sobre as funções essenciais à Justiça, no que diz respeito à Defen¬
soria Pública, após ás recentes alterações introduzidas pelas Emendas
Constitucionais ri. 74/2013 e n, 80/2014, a Constituição assevera que

„ §=brzr
......
fora das atribuições institucionais.
.V- •

d) a autonomia funcional e administrativa são asseguradas as Deferisorias


Públicas, salvo às Defensorias Públicas da Ufjíãp e do Distrito Federal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A.

Para responder a questão deve-se conhecer o art. 134 da Constituição Fe¬


deral, que em seu § 4o estabelece que são princípios institucionais da Defensoria
Pública a unidade, a indivisibilidade e a independência funcional. Assim sendo,
correta a alternativa A.
11. DEFENSORIA PúBLICA 113

A alternativa B está errada, pois tais garantias, típicas dos juízes, não são
estendidas aos defensores públicos. AaltemativaCincorre em erro ao se contrapor
ao § Io, do art. 134, da CF/88, que expressamente proíbe a advocacia fora das
atribuições do defensor. Finalmente, erra a alternativaD ao excluir a autonomia
das defensorias federais e do DF, quando o texto constitucional não as excepciona,
mas, ao contrário, prevê tais garantias para referidos órgãos (art. 134, § 3o).

2, Sobre o regime processual da Defensoria Pública estabelecido pelo


CPC/2015, está correto afirmar:
a) Os recursos do fundo de custeio da Defensoria Pública podem ser uti¬
lizados para o pagamento da perícia que for de responsabilidade do
beneficiário de gratuidade da justiça.
b) É possível o tratamento processual como Defensoria Pública dos es¬
critórios de prática jurídica das faculdades de Direito reconhecidas
na forma da |ei, concedendo-lhes prazo em dobro para todas as suas
manifestações processuais.;
c) Aplica-se o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer
prazo próprio para a Defensoria, ainda que o faça expressamente.
d) A Defensoria Publica não tem autorização legal para a defesa dos direitos
coletivos dos necessitados, mas apenas dos direitos individuais homogé¬
neos, cabendo ao Ministério Público é às associações a defesa daqueles.
e) As despesas dos atos processuais praticados pela Defensoria Pública
serão suportadas, ao final, pelo judiciário.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B.

A alternativa A afronta diretamente o art. 95, § 5o, que veda a aplicação de


recursos de tal fundo para o custeio de perícias de responsabilidade do beneficiário
da gratuidade da justiça.

A assertiva contida na alternativa B é correta, com base legal do art. 186,


§ 3o, do CPC, que garante o benefício às faculdades de Direito reconhecidas na
forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita em razão de
convénios firmados com a Defensoria Pública.
114 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa C viola a regra expressa do art. 186, § 4o, que excetua o prazo
em dobro quando houver expressa previsão de prazo próprio.

Cabem àDefensoria Pública a orientação jurídica, a promoção dos direitos


humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados, em todos
os graus, de forma integral e gratuita, conforme previsto no art. 185 do CPC,
pelo que não se pode excluir validamente a tutelacoletiva. Errada a alternativaD.
A alternativaE está errada, pois cabe ao vencido o pagamento das despe¬
sas ocasionadas pelos atos processuais praticados a requerimento da Defensoria
Pública (art. 91 do CPC).

3. Entre as normas processuais da Defensoria Pública nóCPC/2015, não se


encontra:
a) O prazo tem início com a intimação pessoal do defensor público, que
poderá ser feita por carga, remessa ou meio eletrónico.
b) O benefício de prazo da defensoria pública pode ser aplicado também
aos núcleos de prática jurídica das faculdades de Direito reconhecidas
na forma da lei e às entidades que prestam assistência jurídica gratuita
èm razão dé Convénios firmados com a Defensoria Pública:
c) O membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável
quando agir com dolo ou fraude nò exercício de suas funções.
d) Não se aplica o benefício de prazo quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para a Defensoria Pública.
eem
ann
COMENTÁRIOS
Gabarito; E

A alternativa A está correta, consoante os arts. 186, § Io, e 183, § Io,


ambos do CPC.
A alternativa B reproduz a norma do art. 186, § 3o, do CPC, pelo que
está correta.
11. DEFENSORIA PúBLICA 115

A alternativa C está acertada, conforme disposição do art. 187 do CPC.

A alternativa D é correta, por força da previsão do art. 186, § 4o, do CPC.

A alternativa E está errada, reproduzindo norma do CPC/ 1973, quando


o CPC/2015 estabelece que o prazo para a Defensoria Pública, em todas as suas
manifestações, será em dobro (art. 186).

4. A partirdoCPC/2015, pode-se afirmar, acercada Defensoria Pública, que:


a) serão suspensas as atribuições da Defensoria Pública entre20 de dezem¬
bro e 20 de janeiro, período no qual os prazos estarão suspensos.
b) aos membros da Defensoria Pública não se aplica a multade até vinte por
cento do valor da causa por ato atentatório à dignidade da justiça, devendo
eventual responsabilidade disciplinar ser apurada administrativamente.
c) ã Defensoria Pública cabe a atuação contenciosa, nos processos judiciais,
não lhe cabendo, no entanto, exercer atividades consultivas/como a de
orientação jurídica.
'
3 í
d) o membro da Defensoria Pública será civil e regressivamente responsável
quando agir com dolo ou culpa grave no exercício de suas funções.
e) o juiz poderá determinar, de ofício ou a requerimento, a intimação pessoaI
da parte patrocinada pela Defensoria Pública quando entender que o ato
processual depende de providência ou informação que somente por ela
possa ser realizada ou prestada.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

A alternativa A está errada, uma vez que a Defensoria Pública - assim


como os juízes, membros do MP, a Advocacia Pública e os auxiliares da justiça
— exercerá suas atribuições durante 20 de dezembro e 20 de janeiro, embora os
prazos processuais devam efetivamente ser suspensos neste período (art. 220,
caput e § Io).

A resposta correta é a alternativa B, consoante expressa previsão do art.


77, §6°, do CPC.
116 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

O texto confronta diretamente o texto do art. 185 do CPC, pelo que está
a alternativa C errada.

A alternativaDincorre emerro ao mencionar a responsabilidade por culpa


grave, quando ashipóteses de responsabilização domembro daDefensoriaPública
previstas no art. 187 são dolo efraude.

O erro da alternativaE está em fixar a intimação pessoal a critério do juiz,


quando o CPC expressamenteprevê que elase realizará a requerimento do defensor
público (art. 186, § 2o), cabendo ao juiz deferência à postulação do membro da
Defensoria Pública no exercício de sua função.
í
ND
12

Auxiliares da Justiça

1. (Oficial de JustiçaTRF 4a Região-2014 - FCC) Anne eTulius são Oficiais


dejustiça eforam encarregados do cumprimento de mandados de citação
em dois processos. Anne é amiga íntima do réu. Tulius é sobrinho do autor.
Nesse caso,
a) não se aplicam aos serventuários da justiça os motivos de impedimento
e suspeição previstos para os juízes.
b) quanto à Anne há suspeição e, em relação aTulius, impedimento.
c) quanto aTulius há suspeição e, em relação à Anne, impedimento.
d) ambos são suspeitos para atuar nos respectivos processos.
e) ambos estão impedidos de atuar nos respectivos processos.

COMENTÁRIOS
Gabarito; C

Letra A; A assertiva está incorreta, pois o art. 148 do CPC/2015 é expresso


ao afirmar que se aplicam também aos auxiliares de justiça os motivos de impe¬
dimento e suspeição.

Quanto às demais assertivas, a correta é a letra C, pois no caso de Anne, a


amizade íntima comuma das partes (art. 145, 1, CPC/2015), está previsto como
118 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

hipótese de suspeição; e no de Tullius, quando a parte for parente consanguíneo


até o terceiro grau (art. 144, IV, CPC/2015), tem a previsão de impedimento.

2. (Procurador Autárquico -MANAUSPREV- 2015 -FCC) Emrelaçãoaos


auxiliares da justiça,
a) incumbe ao escrivão redigir e entregar, em cartório, o mandado, logo
depois de cumprido por quem de direito.
b) nas localidades onde não houver profissionais qualificados para exerce¬
rem a função de perito, a prova técnica será dispensada.
c) os peritos nãosão necessários se as partes ou o juiz conhecerem a matéria
sobre a qual deveriam opinar, ainda que técnica.
d) o oficial de justiça tem a obrigação legal de avaliar todo e qualquer bem
penhorado, informando-se com terceiros se não dispuser de conheci¬
mento técnico especializado para consecução do mister.
e) o escrivão e o oficial de justiça são civilmente responsáveis em caso de
injusta recusa ao cumprimento dos atos legais ou judiciais a que estão
subordinados. wWB. mmm
Gabarito: E

COMENTÁRIOS
Letra A: Assertiva incorreta, pois não compete ao escrivão, mas ao oficial
dejustiça a entrega do mandado em cartório após o seu cumprimento (art. 154,
II, CPC/2015).

Letra B: Não existe qualquer previsão semelhante dispensando a prova


pericial nos casos em que não haja profissional qualificado. Deve se perceber que,
no CPC/2015,a escolhados peritos está vinculada àqueles cadastrados no tribunal.
Nas hipóteses em que não haja, na localidade, perito inscrito no tribunal, a sua
nomeação será delivre escolha pelo juiz, devendo recair sobreprofissional ou órgão
técnico ou científico comprovadamente detentor do conhecimento necessário à
realização da perícia.

Letra C: Assertiva incorreta. O CPC preconiza que o juiz, em qualquer


caso em que a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, será
12. AUXILIARES DA JUSTIçA 119

assistido por perito (art. 156). Os conhecimentos técnicos que o juiz pode usar
são os comuns, constantes das regras da experiência, devendo, quanto aos demais,
ainda quepossuaconhecimento aprofundado, valer-se do perito (art. 375 do CPC).
Letra D: Assertiva incorreta. O CPC prevê que, se forem necessários co¬
nhecimentos especializados e o valor da execução o comportar, o juiz nomeará
avaliador (art. 870, parágrafo único), pelo que não lhe cabe avaliar qualquer bem
e, muito menos, consultar terceiros para tanto.

Letra E: Correta, seu texto corresponde ao art. 155, II, do CPC.

3. Acerca dos mediadores e dos conciliadores, assinale a alternativa correta:


a) A composição dos centros judiciários de solução consensual deconflitos
caberá tão somente ao Conselho Nacional de Justiça.
b) A confidenciaiidade aplicável nas sessões de mediação e conciliação
estendesse a todas as informações produzidas nocurso do procedimento;
cujo teor não poderá ser utilizado para fim diverso daquele previsto por
expressa deliberação das partes.
c) O conciliador não pode sugerir soluções para o litígio.
d) O mediador atuará preferencialmente nos casos em que não houver
vínculo anterior entre as partes.
e) Os mediadores e conciliadores podem depor em juízo sobre os fatos ou
elementos oriundos da conciliação e da mediação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra A: Assertiva incorreta, pois a composição e a organização dos centros


serão definidas pelo respectivo tribunal (art. 165, caput, CPC/2015). Ao CNJ
compete apenas fixar as normas gerais (art. 165, caput, CPC/2015).

LetraB:Assertivacorreta,reproduzindooconteúdodoart. 166, § Io, do CPC.


Letra C: Incorreta, pois o art. 165, § 2o, do CPC/2015 autoriza expressa¬
mente que o conciliador possa sugerir soluções para o litígio. Destaque-se que o
mediador, pelo CPC/2015, não tem esse poder.
120 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

LetraDr Incorreta, pois o mediador atuarápreferenciaímente nos casos em


que houver vínculo anterior entre as partes (art. 165, § 3o, CPC/2015). Quem
deve atuar preferencialmente nos casos em que náo houver vínculo anterior entre
as partes é o conciliador (art. 165, § 2o, CPC/2015).

Letra E: Incorreta, pois, de acordo com o art. 166, § 2o, do CPC/2015,


em razão do dever de sigilo, inerente às suas íunções, o conciliador e o mediador,
assim como os membros de suas equipes, não poderão divulgar ou depor acerca
de fatos ou elementos oriundos da conciliação ou da mediação.

4. Sobre a conciliação e a mediação no CPC/2015, assinale a alternativa


incorreta:
a) Os conciliadores e òs mediadores devem estar inscritos em cadastro na¬
cional e em cadastro de tribuna! de justiça ou de tribunal regional federal.
b) O requisito de capacidade mínima pára o requerimento dò cadastro
consiste em realização de curso por entidade credenciada, conforme
parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em
conjunto com o Ministério da Justiça.
c) Osconciliadqresemediadoresjudiciaiscadastrados, seadvogados, esta¬
rão impedidos de exercer a advocacia nos juízos em que desempenhem
suas funções.
d) O tribunal poderá optar pela criação de quadro próprio deconciliadores
e mediadores, a sér preenchido pôr concurso público de provas e títulos.
e) As partes não podem escolher, de comum acordo, o conciliador, ome-
diador ou a câmara privada de conciliação e de meáiàção.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Letra A: Correta, pois reproduz a exigência do caput, do art. 167, do


CPC/2015.
LetraB: Correta,pois reptoduzaexigênciado§ l°,doart. 167,doCPC/2015.

Letra C: Correta,poisreproduzaexigênciado§5°,doart. l67,doCPC/2015.


12. AUXILIARES DA JUSTIçA 121

Lecra D: Correta, pois reproduz possibilidade concedida ao tribunal, con¬


soante o art. 167, § 6o, do CPC/2015.

Letra E: Assertiva incorreta, pois, de acordo com o caput, do art. 168, do


CPC/2015, as partespodem escolher, de comum acordo, o conciliador, omediador
ou a câmara privada de conciliação e de mediação.

5. Acerca dos mediadores e conciliadores no CPC/2015, julgue a seguinte


assertiva:

ção sob sua responsabilidade ou violar os deveres de confidencialidàde


e de sigilo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

Além da possibilidade mencionada na assertiva (art. 173, 1, CPC/2015),


também é possível que o conciliador ou mediador seja excluído do cadastro caso
venha a atuar em procedimento de mediação ou conciliação, apesar de impedido
ou suspeito (art. 173,II, CPC/2015).

6. (Analista Judiciário -TJPE - 2007 - FCC - adaptada) Dentre outras san¬


ções, em regra, o perito que, por
a) dolo ou culpa, prestar informações inverídicas, responderá pelos prejuízos
que causar à parte e ficará inabilitado, por 2 a 5 anos, a funcionar em
outras perícias.
b) culpa, prestar informações inverídicas, não responderá pelos prejuízos
que causar à parte, mas ficará inabilitado, por 1 ano, a funcionar em
outras perícias.
c) culpa, prestar informações inverídicas, responderá pelos prejuízos que
causar à parte, mas não ficará inabilitado a funcionar em outras perícias.
d) doloou culpa, prestar informações inverídicas, responderá peios prejuízos
que causar à parte e ficará inabilitado, por 2 anos, a funcionar em outras
perícias.
122 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) dolo, prestar informações inverídiças, responderá pelos prejuízos que


causar à parte, e ficará inabilitado, por 5 anos, a funcionar em outras
perícias.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

De acordo com o art. 158, do CPC/2015, o perito que,por dolo ou culpa,


prestar informações inverídiças responderá pelos prejuízos que causar à parte e
ficará inabilitado para atuar em outras perícias no prazo de 2 a 5 anos, indepen¬
dentemente das demais sanções previstas em lei. Trata-se de uma alteração em
relação ao CPC/1973, que fixava, no art. 147, um prazo de dois anos para essa
punição. Portanto, correta a assertiva A. As demais informam prazos incorretos.
A letra D está equivocada por fixar prazo de apenas 2 anos e a letra E, por inserir
um prazo fixo de 5 anos.

7. Acerca dos auxiliares da justiça, assinale a alternativa incorreta:


a) O escrivão ou o chefe de secretaria atenderá, obrigatoriamente, à ordem
cronológica de recebimento para publicação e efetivação dos pronun¬
ciamentos judiciais.
b) Incumbe ao oficial de justiça auxiliar o juiz na manutenção da ordem.
c) Cabe ao oficial de justiça certificar, em mandado, proposta de autocom-
posição apresentada por qualquer das partes, na ocasião de realização
de ato de comunicação que lhe coubér.
d) Para verificação de eventual impedimento ou motivo de suspeição dos
peritos, o órgão técnico ou científico nomeado para realização da perícia
informará ao juiz os nomes é os dados de qualificação dos profissionais
que participarão da atividade.
e) O conciliador e o mediadorficam impedidos, pelo prazo de 1 (um) ano,
contado do término da última audiência em que atuaram, de assessorar,
representar Õu patrocinar qualquer das partes.
12. AUXILIARES DA JUSTIçA 123

COMENTÁRIOS

Gabarito: A

Letra A: Assertiva incorreta, eis que a mencionada lista de processos épre¬


ferenciale náo obrigatória como inserida na assertiva (art. 153 do CPC).
Letra B: Trata-se de mais uma das obrigações do oficial de justiça, em con¬
formidade com o art. 154, IV, do CPC/2015.
Letra C: Trata-se de mais uma das obrigações do oficial de justiça, em con¬
formidade com o art. 154, VI, do CPC/2015.
Letra D: Correta, sendo uma exigência decorrente do art. 156, § 4o, do
CPC/2015.
Letra E: Trata-se de mais uma limitação aos que exercem a mediação e a
conciliação, nos termos do art. 172 do CPC/2015.
13

Atos Processuais

1 . (Técnico Judiciário-TJDFT -CESPE-2015) Acerca dos atos processuais,


julgue os itens a seguir.
I. Rara garantir o cumprimento dos atos processuais, o Código de Processo
ÇiviI permite, nocaso dehaver possibilidadede o adiamento prejudicar a
diligência ou causar grave dano, que os atòsjá iniciados sejam concluídos
após as 20 h.
II. Quandoaleiprescreyerdeterminadaforma,semcominaçãodenulidade,
o ato realizado de outro modo será considerado inválido, ainda que tenha
alcançado a sua finalidade.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C/E

A primeira assertiva está correta, por previsão do art. 212, § Io, do CPC.
A segunda assertiva está errada, visto que os atos processuais, ainda que
realizados doutra forma, devem ser considerados válidos caso alcancem a sua
finalidade, consoante o princípio da instrumentalidade, consagrado no regime
processual das nulidades nos arts. 188 e 277 do CPC.

2. (Analista Judiciário -TER-RS - CESPE - 2015 - adaptada) Consoante o


Código de Processo Civil (CPC), os atos processuais realizar-se-ão nos
13. ATOS PROCESSUAIS 125

prazos prescritos em lei, sob pena de preclusão. Dessa forma, os prazos


têm a finalidade de impulsionar a marcha processual para se efetivar a
jurisdição. No que se refere a prazo processual, assinale a opção correta.
a) Segundo entendimento do STF, não se conta em dobro o prazo para
recorreç quando um só dos litisconsòrtes houver sucumbido.
m
b) Os atos processuais devem ser públicos, inclusive nas causas em que
constem dados protegidos pelo direito à intimidade.
c) SegundooCPC, não havendo preceito legal nem assinação pelo juiz, será
de dez dias o prazo para a prática do ato processual a cargo da parte.
d) O período compreendido entre 20 de dezembro e 20 de janeiro, aludido
como "férias dos advogados", interrompe curso do prazo processual,
iniciando-se novamente a contagem no primeiro dia útil seguinte ao seu
termo.
e) Quando os jitisconsortes tiverem diferentes procuradores de distintos
escritórios de: advocacia, ser-lhes-ão contados em quádruplo os prazos
para contestar e, em dobro, para recorrer.
Slf

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

De fato, assertiva correta trata de antigo entendimento do STF, como se vê


no precedente AI 240813 ED, datado de 1999.

Embora não seja o mais adequado cobrar entendimentos do STF sobre


direito processual, já que cabe ao STJ dar a palavra final sobre direito infraconsti-
tucional federal, o SuperiorTribunal deJustiça tem o mesmo entendimento, como
se vê no precedente AgRg no AREsp 413.634/SC. O entendimento deve per¬
manecer o mesmo com o CPC/2015. Todavia, parece-nos que o magistrado, em
exercício do seu dever de cooperação (esclarecimento e prevenção), deve alertar, já
na decisão, ao litisconsorte sucumbente que se trata de hipótese que não justifica a
contagem em dobro. Seja como for, esse tema deverá primeiramente ser definido
pela jurisprudência antes de vir expressamente cobrado em concursos públicos.
A alternativa B está equivocada diante do art. 189, III, do CPC, que esta¬
belece o segredo de justiça para processo em que constem dados protegidos pelo
direito constitucional à intimidade.
126 QUESTÕES COMENTAOAS- NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa C confronta o art. 218, § 3o, que fixa o prazo de 5 (cinco)


dias quando inexistir preceito legal ou prazo determinado pelo juiz.

A alternativa D está errada, pois fala em interrupção, quando o art. 220


do CPC estabelece a suspensão no referido período.

A alternativa E erra, pois o prazo dos litisconsortes com diferentes pro¬


curadores de distintos escritórios de advocacia deve ser contado em dobro para
todas as suas manifestações, conforme art. 229 do CPC.

3. Em relação à comunicação dos atos processuais, a citação:


a) válida torna prevento o juízo, induz litispéndência, torna litigiosa a
coisa e, salvo se ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o
devedor e interrompe a prescrição.
b) do mentalmente incapaz será feita por mandado judicial, certificando
o Oficial de Justiça a impossibilidade mental de cumprimento do ato
pelo citando, com o que o juiz nomeará de imediato um curador para
o ato e para a defesa ulterior do incapaz.
c) não será feita, entre outras situações previstas em lei, salvo para evitar
o perecimento do direito, a do cônjuge, do companheiro ou de qual¬
quer parente do morto, consanguíneo ou afim, em linha reta ou na
linha colateral em segundo grau, no dia do falecimento e nos sete dias
seguintes.
d) doausenteserá feita necessariamente poredital, ou, se ausentou-se para
furtar-se ao ato, por hora certa,ídeterminada sempre judicialmente.
e) será feita, em regra, por Oficial de Justiça, frustrado o cumprimento do
ato, realizar-se-á por via postal.

COMENTÁRIOS

Gabarito: C.

A alternativa A está errada, pois a citação válida, ainda que ordenada por
juízo incompetente, constitui em morao devedor, bem como induz litispéndência
e torna litigiosa a coisa (art. 240 do CPC).
13. ATOS PROCESSUAIS 127

A alternativa B erra ao dizer que o juiz nomeará curador de logo, visto que
o CPC exige, no art. 245, §§ 2o e 3o, que será necessário nomear médico para
examinar o citando e apresentar laudo, o que só se dispensa se pessoa da família
apresentar declaração do médico do citando que atesta a sua incapacidade, para
só então nomear-se curador.

A alternativa C corresponde ao art. 244, II, do CPC.

A alternativaD foge à previsão legal do art. 242, § 1°, do CPC, que estabe¬
lece que na ausência do citando, a citação será feita na pessoa de seu mandatário,
administrador, preposto ou gerente, quando a ação se originar de atos por eles
praticados.
A alternativa E inverte a ordem legal, que estabelece a citação, em regra,
pelo correio, com as exceções estabelecidas pelo art. 247 do CPC.

4. (Oficial de Justiça -TJ-RO-FGV- 2015 -adaptada) Um Oficial de Jus¬


tiça, nocumprimentode mandado de citação, suspeita que o réu está se
ocultando, a fim de evitar a realização do referido ato processual. Desse
modo, o Oficial de Justiça intima a esposa do citando, informando que
retomará no dia seguinte para realizar a citação do réu, designando um
horário certo para que esse possa então ser encontrado. No dia seguinte,
o réu, que se encontrava no local, foi regularmente citado na hora de¬
signada. Todavia, transcorreu o prazo para defesa e o demandado não
compareceu aos autos para defender seus interesses. ; :
Nesse sentido, deverá o juiz:
a) decretar a rèvél ia do réu è nomear um curador especial para defesa por
negação geral. MH
b) decretar a revelia do réu e prosseguir com o feito, sem nomeação de
curador especial. -- '

c) resolver o mérito, em favor da parte autora, uma vez que o réu é revel, o
que deve levar ao acolhimento do pedido.
- .
' ' ' '

:V> '•
d) extinguirofeito, sem resoluçãodo mérito, diantedailegitimidadepassiva
ad causam.
e) determinar a citação por edital do réu, uma vez que não foi possível a
sua citação pessoal.
128 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Para resolver aquestão épreciso conhecerdoispontos:i) adiferença entrecitação


por hora certa e citação por oficial de justiça; ii) a diferença entre revelia e efeitos da
revelia, bem como os limites destes. No caso narrado na questão, embora o oficial de
justiça tenha iniciado o procedimento para citação por hora certa, que é uma citação
fictícia, ele efetivamente citou o réu; ou seja, houve citação pessoal (art. 251 do CPC).
Apenas na citação fictícia fez-se necessária a nomeação de curador especial (art. 253,
§ 4o, do CPC). Além disso, é preciso perceber que a revelia, que é o ato-feto de não
apresentar defesa, não equivale aos efeitos que usualmente são atribuídos à revelia,
que é a desnecessidade de intimação e, sobretudo, a confissão ficta (art. 344 do CPC).
No caso,houve revelia— não apresentação de defesa—, que,inclusive,produziu
os seus efeitos: a confissãoficta. Todavia, a confissão ficta límita-se a tomar incontro¬
versos os fetos alegados, o que não significa que os fetos terão, necessariamente, os
efeitos jurídicos que o demandante imputa aos fetos.Épossível que os fatos alegados
pelo autor não levem ao efeito jurídico pretendido, hipótese na qual, mesmo ha¬
vendo confissão ficta, tornando presumidamente verdadeiros os fatos alegados pelo
demandante, ainda assim isso não autorizaria a procedência de seu pedido. Dessa
forma, nem sempre o efeito da revelia levará à procedência. A confissão ficta atua
sobre as alegações de feto, não sobre apretensão deduzida em juízo (art. 344 do CPC).
A alternativa A está errada, pois na citação por oficial de justiça não se
nomeia curador especial para o revel.

AaltemativaB éa correta, sendo provável a incidência do art. 355,II,do CPC.


A alternativa C erra ao confundir a eficácia da revelia, que recai sobre os
fatos alegados e não sobre o direito afirmado (art. 344 do CPC).
A alternativa D trata de hipótese completamente desconexa da questão.

A alternativaE está errada, uma vez que não estão presentes os pressupostos
do art. 256 do CPC.

5. São hipóteses legais de segredo de justiça as enumeradas abaixo;exceto


os processos:
13. Aios PROCESSUAIS 129

a) em que constem dados protegidos peio direitoconstitucional àintimidade.


b) que versem sobre indenização civil decorrente de crime.
c) que versem sobre casamento, separação de corpos, divórcio, separação,
união estável, filiação, alimentos e guarda de crianças e adolescentes.
d) em que o exija o interesse público ou social.
e) que versem sobre arbitragem, inclusive sobre cumprimento de carta
arbitrai, desde que a confidencialidade estipulada na arbitragem seja
comprovada perante o juízo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativa A está no art. 189, III, do CPC.

A alternativa B não tem previsão no art. 189 ou em regra jurisprudencial.

A alternativa C está no art. 189, II, do CPC.

A alternativa D está no art. 189,1, do CPC.

A alternativa E está no art. 189, IV, do CPC.

6. (Juiz Substituto -TJ-RR - FCC - 2015 - adaptada) As nulidades proces-


suais civis,
a) tratando-sede matéria deordem pública, podem ser conhecidas de ofício
e independentemente de intimação das partes.
b) devem ser declaradas necessariamente sempre que a matéria disser res¬
peito a questões de ordem pública.
c) serão decretadas de imediato se a citação do réu for irregular, sem possibi¬
lidade de regularização por seu comparecimento espontâneo aos autos.
d) porfaita de intervenção doMinistérioPúblico em processo com interesse
de incapazes, são insanáveis, haja óu não prejuízo ao incapaz.
e) são passíveis de sanação, pela incidência do princípio da instrumentali-
dade das formas.
130 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A está errada, pois infringe a regra do art. 10 do CPC, que


proíbe que qualquer decisão judicial funde-se em matéria sobre a qual não se deu
oportunidade às partes para se manifestarem.
A alternativa B está errada, pois ignora os arts. 188 e 277 do CPC.
A alternativa C está diretamente em confronto com a letra do art. 239, §
1°, do CPC.

A alternativa D erra, pois o art. 279, § 2o, do CPC dispõe que a nulidade
só pode ser decretada após a intimação do Ministério Público, que se manifestará
sobre a existência ou a inexistência de prejuízo, significando que só há nulidade
se houver prejuízo {art. 282, § Io, e art. 283, parágrafo único, ambos do CPC).

Correta a alternativa E, diante da consagração do princípio nos arts. 188


e 277 do CPC.

7. (juiz Substituto -TJ-PE - FCC - 2015) Quanto ao tempo e lugar dos atos
processuais, é INCORRETO afirmar que:
a) são excepcionais os atos processuais praticados nos feriados forenses.
b) a citação ea penhorapoderão, em casosexcepcionais, e independentemente
deautorizaçãoexpressadojuiz, realizar-seem domingos e feriados, ou nos
dias úteis, fora do horário legalfnente estabelecido, observado o disposto na
Constituição Federai, a respeito da inviolabilidade da casa do indivíduo.
c) podem ser concluídos após o horário legal õs atos processuais, se houver
perigo de grave dano ou prejuízo à diligência com o adiamento.
d) Como regra geral, os atos processuais realizam-se na sede do juízo.
e) não se processarão durante as férias forenses, onde as houver, os processos
de jurisdição contenciosa ou voluntária,exCetuando-se a tutelade urgência.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A está correta, com base no art. 212, caput e § 2o, do CPC.
13. ATOS PROCESSUAIS 131

A alternativa B está correta, com base no § 2o do art. 212.


A alternativa C está correta, com base no art. 212, § Io, do CPC,
A alternativaD está correta, com base no art. 217 do CPC.
A alternativaE está errada, pois os procedimentos de jurisdição voluntária
processam-se durante as férias forenses (art. 215,1, do CPC).

8. (Analista judiciário-TRE-RR-FCC-2015-adaptada) Gabriel éadvogado


recém-formado. Nofinal do ano de 2014 elefez carga de um processo que
estava com prazo para manifestação. Após o recesso forense, Gabriel não
devolveu os autos uma vez que os esqueceu em sua chácara na cidade
de Caracaraí. Neste caso, de acordo com o Código de Processo Civil, se
Gabriel for devidamente intimado para devolver os autos, terá o prazo de:
a) 48 horas, sob pena de perder o direito à vista fora de cartório e incorrer
em multa correspondente à metade do salário mínimo.
b) 24 horas, sob pena de perder o direito à vista fora de cartório e incorrer
em multa, correspondente a um salário mínimo.
c) 3 dias, sob pena de incorrerem multa, correspondente aum salário mínimo.
d) 24 horas, sob pena de perder o direito à vista fora de cartório e incorrer
em multa, correspondente à metade do salário mínimo.
e) 3 dias, sob pena de perder o direito à vista fora de cartório e incorrer em
multa, correspondente à metade do salário mínimo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E
A questão é respondida peio art. 234, § 2o, do CPC, que estabelece: “Se,
intimado, o advogado não devolver os autos no prazo de 3 (três) dias, perderá o
direito à vista fora de cartório e incorrerá em multa correspondente à metade do
salário mínimo”.

9. (Analista judiciário - TRE-RR - FCC - 2015 - adaptada) No tocante à


citàçãô, cons|deré:
I. Comparecendo o réu apenas para arguir a nulidade e sendo esta decre¬
tada, considerar-se-á feita a citação na data em que élè ou seu advogado
for intimado da decisão.
132 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DfREITO PROCESSUAL CIVIL

II. Emregra, nao sé fará a citação a qualquer parente do morto, consanguíneo


ou afim, em linha reta, ou na linha colateral em segundo grau, no dia do
falecimento e nos sete dias seguintes.
III. Em regra, não se fará a citação aos noivos, nos três primeiros dias seguintes
ao casamento.
IV. A citação será feita pelo correio, para qualquer comarca do Rais, inclusive
nas ações de estado.
Pr0C€SS0 Clvil' CWreto’°
APENAS ° * **“
a) I, If e IV.
b) I, III e IV. a»
C) ,elL

d) I, He III.
e) lie III.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D.

O itemIestá certo, com base no art. 239, § Io, do CPC.


O itemIIestá certo, por força do art. 244, II, do CPC.

O itemIII está certo, visto que corresponde ao art. 244, III, do CPC.

O item IV erra, pois as ações de estado são exceção à citação pelo correio
prevista no art. 247, 1, do CPC.

10. Sobre os negócios jurídicos processuais, assinale a alternativa correta:


•' •/. ..
'
' .
a) O.novo Código de,Processo Civil amplia os negócios jurídicosprocessuais,

b) No movimento de fortificação da autonomia da vontade realizado pelo


novo CPC passou-se a prever uma serie de novos negócios jurídicos
13. ATOS PROCESSUAIS 133

;==—=:
doMinistério Públicocomo fecal da ordem iundica.

SiScriÿdXanTho™
e)
’ Fixado õ calendário processual entre os juízes e as partes, deve o juiz
agendar, juntamente à secretaria, a intimação das partes para a reali-
zação dos atos e de audiência nas datas estabelecidas no calendário,
sob pena de nulidade.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativaA está errada, pois o CPCpermite expressamente os negócios


processuais atípicos no art. 190.
A alternativa B está errada, pois, embora os negócios processuais listados
estejam previstos no CPC/2015, já há a previsão da convenção sobre ônus da prova
desde a outorga do CPC/1973, que já a previa no seu art. 333, parágrafo único
(correspondente ao art. 373, § 3o, do novo Código).
A alternativa C está errada, pois o art. 190 do CPC apenas permite a
celebração de negócios processuais sobre os ônus, poderes, faculdades e deveres
processuais das partes, não podendo se estender às situações jurídicas do MP.
A alternativa D está correta e tem fundamento no art. 190, parágrafo
único, do CPC.

A alternativa E erra ao confrontar diretamente a previsão do art. 191, §


2o, do CPC.

11. (Técnico do CNMP-Administração do CNMP- FCC- 2015 -adaptada)


Segundo as regras das comunicações dos atos processuais:
a) intimação é o ato pelo qual se chama a juízo o réu ou o interessado a fim
de integrar a relação processual.
134 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) para a validade do processo é indispensável a intimação inicial do réu ou


do executado, ressalvadasas hipóteses de indeferimento da petição inicial.
c) a citação cfctuar-se-á em qualquer lugar e circunstância em que se en¬
contre o réu.
d) citação é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos é dos termos dó
processo.
e) a intimaçãodo Ministério Público, em qualquer caso, será feitapessoalmente.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A está errada, pois utiliza o conceito de citação (art. 238 do


CPC) para definir a intimação, que é o ato pelo qual se dá ciência a alguém dos
atos e dos termos do processo (art. 269 do CPC).

A alternativa B está errada, pois o que é indispensável para a validade do


processo é a citação (art. 239 do CPC).
A alternativa C está errada, pois ignora o art. 244 do CPC.

A alternativaD inverte o conceito de citação (art. 238 do CPC) com o de


intimação (art. 269 do CPC).
A alternativa E corresponde à regra do art. 180 do CPC.

12. (AuditorConselheiro-TCM-GO-FCC-2015) Quanto abato processual


decitação,
a) deverá o ato ser realizado sempre pessoa!mente ao réu, oú, na ausência
do citando, sempre por edital ou hora certa.
b)I o advogado pode receber a ordemde citação inicial, independentemente
de poderes expressos para tanto, decorrendo a possibilidade jurídica da
natureza da atividade advoeatícia.
c) é nula a citação se o réu, à época do ato, já era incapaz para os atos da
vida civil; vindo a ser interditado posteriormente.
d) não sé fará a citação, em nenhuma hipótese, aos doentes, enquanto grave
o seu estado.
13. ATOS PROCESSUAIS 135

e) para que se proceda à nomeação de curador para receber a citação em


nome do reu mentalmente incapaz ou que se encontre impossibilitado
cara recebê-la, é suficiente a constatação dessa circunstância pelo Oficial
'ria a nomeação de perito para elaboração
m m :

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A erra, pois, conforme determina o art. 242, § Io, do CPC,


na ausência do citando, a citação será feita na pessoa de seu mandatário, adminis¬
trador, preposto ou gerente, quando a ação se originar de atos por eles praticados.
Igualmente, erra na questão ao se mencionar a ausência como única exceção à
citação pessoal, tanto por ela nem sempre o ser, quanto por existirem outras pre¬
vistas no art. 256 do CPC.
A alternativa B está errada, pois o art. 105 exige poderes especiais para
receber citação.
A alternativa C está correta, visto que para a citação do incapaz se requer
o procedimento do art. 245 do CPC.

A alternativa D está errada, pois, embora a regra seja não se fazer a citação
do doente, enquanto grave o seu estado, é possível fazê-la excepcionaímente para
evitar o perecimento do direito (art. 244 do CPC).

A alternativa E confronta com as disposições do art. 245, §§ 2o e 3o,


do CPC.

13. O CPC permite ao juiz e às partes que, de comum acordo, estabeleçam o


que se resolveu chamar de calendário processual, que tem eficácia vincu-
lante, dispensando as intimações para os atos processuais ou audiências
que houverem sido agendadas. A modificação do calendário processual
sõ pode ser realizada excepcionaímente, e por ato justificado. Com o
intuito de realizar a sua celebração, o juiz pode designar audiência e,
celebrado o acordo, ainda que outro juiz venha a assumir o processo, os
termos do negócio processual devem ser respeitados.
1
136 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

A questão exige o conhecimento do negócio processual típico disposto no


art. 191do CPC. As característicaspostas na questão são, quase todas, inferidas do
dispositivo legal. Além dele está a questão da audiência para discutir a celebração
de um calendário, que se faz plenamente possível por força do art. 139, V e VIII,
do CPC, o que foi reconhecido no enunciado n. 299 do Fórum Permanente de
Processualistas Civis - FPPC. Igualmente, embora o art. 191 do CPC fale apenas
em “juiz”, a interpretação deve ser que se trata de “juízo”, não fazendo diferença
a modificação da pessoa do magistrado, visto que a atuação do seu predecessor se
dá em nome do Estado-juiz, cumprindo ao juiz subsequente assumir as funções.
Este, inclusive, é o teor do enunciado n. 414 do FPPC.

14. (Promotor de justiça - MPE-BA - Banca Própria - 2015 - adaptada)


Quanto a prazos e sua aplicação, é CORRETO afirmar que:
a) Devem ser cumpridos pelas partes, sob pena de preclusão temporal e
consequente perda, pela parte, da faculdade processual da prática do ato.
b) Os prazos peremptórios podem ser ampl iadòs ou reduzidos a critério do
julgador.
c) Dizrse a preclusão consumativa traíàr-se da prática de ato incompatível
com outro anteriorrnènte praticado pela parte.
d) A parte poderá renunciarão prazo exclusivamente em seu favor, inclusive
se fazendo-o de máneirá implícita.
e) Será considerado intempestivo o ato praticado antes do termo inicial do
prazo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A alternativa A está correta, por força da previsão do art. 223 do CPC.


Na afirmação daalternativaB, embora se tenha como possível a ampliação
do prazo peremptório por decisão judicial, o erro está na possibilidade de redução
dos prazos peremptórios, o que só pode ser feito com anuência das partes, como
dispõe o art. 222, § Io, do CPC.
13. Atos PROCESSUAIS 137

A preclusáo consumativa é aquela que se dá pela prática do ato, esgotando


para a parte a possibilidade de realizá-lo novamente ou complementá-lo. Perde-se
o direito de praticar ou emendar o ato processual justamente por ele já ter sido
realizado. Dessa forma, a descrição daalternativa C não corresponde à precíusão
consumativa, mas à preclusáo lógica, que se dá a partir da proibição de atos con¬
traditórios, elidindo condutas incompatíveis com as que já foram tomadas antes.

A alternativa D está errada, pois a renúncia deve ser expressa, conforme


art. 225 do CPC.

A alternativaE contrapõe-se à regra do art. 218, § 4o, do CPC.

15. No que toca aos prazos processuais, está errada a seguinte afirmativa:
a) Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, com-
putar-se-ão somente os dias úteis.
b) Quando a lei óu o juiz não determinar prazo, as intimações somente
obrigarão a comparecimento após decorridas 48 horas.
c) O prazo para proferir decisões interlocutóriasé de 10 dias.
d) Começa o prazo, sendo o caso, como dia da carga, quando a intimação se
der por meioda retirada dos autos, em carga, do cartório ou da secretaria.
e) Havendo omissão legal quanto ao prazo, deve o juiz fixá-lo em 5 (cinco)
dias.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A corresponde ao art. 219 do CPC.

A alternativa B corresponde ao art. 218, § 2o, do CPC.

A alternativa C corresponde ao art. 226, II, do CPC.

A alternativa D corresponde ao art. 230, VIII, do CPC.

A alternativa E viola o art. 218, § Io, do CPC, onde se prescreve que,


omissa a lei, o juiz determinará os prazos em consideração à complexidade do ato.
138 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

16. (Delegado de Polícia - PC-CE - VUNESP - 2015 - adaptada) Assinaie a


alternativa correta acerca dos atos processuais.;
a) Em regra, a carta precatória não possui caráter itinerante, não podendo
ser apresentada párá cumprimento erri juízo diverso dó que dela consta,
para a prática do ato.
'-)
D Õ aperfeiçoamento da citação realizada por hora certa independe do
posterior envio de carta, telegrama ou radiograma ao réu, para dar-lhe
ciência do ato.
c) Quando a citação se der por edital, o prazo para apresentar defesa inicia-se
da data da última publicação do edital.
d) Os atos processuais iniciados antes das 20 (vinte) horas deyem prosseguir
além desse horário, independentementedeautorização judicial, sempre
que o adiamento possa prejudicar a diligência.
e) É vedado citara União, os Estados, o Distrito federai, os Municípios e às
entidades dá administração indireta mediante meio eletrónico.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativaA está errada, visto que em confronto como art. 262 do CPC,
que fixa justamente que a carta tem caráter itinerante, podendo, antes ou depois
de lhe ser ordenado o cumprimento, ser encaminhada a juízo diverso do que dela
consta, a fim de se praticar o ato.

A alternativa B está errada, violando o art. 254 do CPC, que estatui que,
feita a citação com hora certa, o escrivão ou chefe de secretaria enviará ao réu,
executado ou interessado, no prazo de 10 dias, contado da data da juntada do
mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrónica, dando-lhe
de tudo ciência.

A alternativa C está errada, visto que se considera diado começo do prazo


o dia útil seguinte ao fim da dilação assinada pelo juiz, quando a citação for por
edital, nos termos do art. 231,IV, do CPC.

A alternativa D está correta, com respaldo no art. 212, § Io, do CPC.


13. ATOS PROCESSUAIS 139

A alternativaE confronta o art. 246, § 2o, do CPC, que estabelece talmeio


de citação como preferencial.

17. (Defensor Público-DPE-PE-CESPE-2015-adaptada)Arespeitodeprazos,


comunicação de atos e procedimento sumário, julgue o seguinte item:
Os atos processuais, em regra, serão realizados nos prazos previstos em
lei. Quando não houver previsão legal; seránecessário o seu cumprimento
no prazo fixado pelo juiz. Caso a lei seja silente e não haja fixação pelo
juiz, o prazo será de cinco dias, devendo ser contado em dobro no caso
de a parte ser assistida pela Defensoria Pública.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo

A questão combina os elementos do art. 218, caput e §§ Io e 3o, sobre a


estipulação dos prazos, e o benefício do prazo para Defensoria Pública, que está
previsto no art. 186 do CPC, aplicando-se ao caso do art. 218, § 3o, visto que não
se trata de prazo assinalado propriamente para o ato, mas, sim, de prazo geral.

18. (Juiz doTrabalho -TRT24 - FCC - 2014 - adaptada) Quanto a prazose


preclusão, é correto afirmar:
a) os prazos das partes e dos terceiros intervenientes em regra são próprios,
tendo de ser respeitados sob pena de preclusão temporal, com a perda
da faculdade processual da prática do ato.
b) os atos processuais judiciais não estão sujeitos a preclusão em nenhuma
hipótese.
c) a preclusão consumativa consiste na perda da faculdade processual de
praticar um ato que seja logicamente incompatível com outro consumado
anteriormente.
d) os prazos peremptórios não podem, em hipótese alguma ser alterados
pela vontade das partes.
e) é permitido ao juiz reduzir os prazos peremptórios por decisão funda¬
mentada.
140 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: A
A alternativa A está correta, lembrando que são próprios os prazos que,
transcorridos sem prática do ato, geram preclusão, na forma do art. 218,
A alternativa B está errada, umavez que os atos judiciais, em regra, sofrem
preclusão consumativa, como se vê no art. 494 quanto à sentença.
A alternativaC fala em preclusão consumativa, que é a decorrente daprática
do ato, mas descreve a preclusão lógica ou preclusão sanção.
A alternativa D está errada, vez que as partes, em conjunto com o juiz,
podem alterar tais prazos (art. 190, art. 191 e art. 222, § Io, todos do CPC).
A assertiva da alternativaE esbarra no art. 222, § Io, do CPC.

19. (Analista Judiciário-TJ-AP-FCC-2014) Seo Oficial de Justiça procurar


o réu para citá-lo pessoalmente e, encontrando-o, este recusar-se a receber
a contràfé, deverá:
a) requisitar força policial para cumprir efetivamente o mandado, o que só
sé dará quando o réu assiná-lo, dando-se por citado.
b) atestar o fato ao juiz da causa, que determinará a citação do réu por hora
certa.
c) átestarofatoaojuizdacausa,quedeterminaráacítaçãòdoréuporedital.
d) certificar a recusa do réu, dando-o por citado.
é) portar por fé a recusa, para que o juiz da causa determine a citação do
réu peio correio.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
Para responder a questão basta conhecer o art. 25 1 do CPC, que dispõe:
“Incumbe ao oficial de justiça procurar o citando e, onde o encontrar, citá-lo:
I- lendo-lhe o mandado e entregando-lhe a contràfé; II - portando por fé se
recebeu ou recusou a contràfé; III - obtendo a nota de dente ou certificando
que o citando não a apôs no mandado”.
13. ATOS PROCESSUAIS 141

-
20. (Defensor Público - DPE-CE - FCC 2014) Quanto aos atos processuais,
sua forma
a) salvo disposição em contrário, computar-se-ão os prazos, incluindo o
dia do começo e excluindo o do vencimento.
b) são válidos os atos processuais que, reaiizadosdeformadiversadaprevista
em lei, lhe preencham a finalidade essencial.
c) quando a lei não marcar outro prazo, as intimações somente obrigarão
a comparecimento depois de decorridos cinco dias.
d) por mandamento constitucional, que se sobrepõe à lei processual civil,
entende-se hoje que todos os atos processuais são públicos, sem exceç"ão.
_

e) desde que de comum acordo, podem as partes dilatar quaisquer prazos,


mesmo que peremptórios, mas não os reduzir, o que é defeso inclusive
M ao órgão jurisdicional.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativa A está equivocada, pois se exclui o dia do começo e inclui-se


o dia do vencimento na contagem dos prazos, na forma do art. 224 do CPC.

É correta a alternativa B, nos moldes do art. 277 do CPC.

A alternativa C é errada, pois, náo havendo prazo legal, cabe ao juiz deter¬
miná-lo, na forma do art. 218, § Io, do CPC.

A alternativa D está errada, pois a própria CF/88 permite o segredo de


justiça no art. 93,IX, bem como o CPC a regula no art. 189.
A alternativaE está errada,pois as partes podem tambémreduzir os prazos,
nos moldes do art. 190 do CPC.

21. (AnalistadeControleExterno-TCE-GO-FCC-2014-adaptada) Num


procedimento ordinário há dois réus, ambos representados por dois
advogados, só que ambos da Jota Advocacia S/C. Na audiência, o juiz
ordenou que os réus se manifestassem sobre documento juntado pelo
autor, sem fixar prazo. Nesse caso, o prazo para manifestação será de:
142 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) 15 dias, iniciando-se no dia da audiência.


b) 30 dias, iniciando-se no primeiro dia útil subsequente à audiência.
c) 5 dias, iniciando-se no primeiro dia útil subsequente à audiência.
d) 1 0 dias, iniciando-se no dia da audiência.
e) 15 dias, iniciando-se no primeiro dia útil subsequente à audiência.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O prazo paralitisconsortes quepossuem diferentes procuradores é contado


em dobro apenas quando os advogados sáo de escritórios de advocacia distintos,
por força do art. 229 do CPC. O prazo para manifestação sobre documento é legal,
previsto no art. 437, § i°, do CPC, sendo de 15 dias. Intimado em audiência, o
prazo começa a correr no primeiro dia útil seguinte (art. 224 do CPC).

22. (Oficial de JustiçaAvaliador-TJ-GO-FGV-2014-adaptada) Rafael,


advogado, dirige-se ao cartório de determinada Vara de Família e solicita
ao servidor vista dos autos de divórcio consensual entre João e Joana, que
tramita naquele juízo. O casal é patrocinado pela Defensoria Pública.
Tendo em vista que este casal acredita que o processamento do feito no
cartório está demorado, pedem que o referido advogado tenha vista dos
autos para esclarecer os motivos de tal atraso. Deverá o servidor:
a) dar vista dos autos, independentemente de procuração, porque todo
advogado tem direito de ter vista dos autos de qualquer processo.
b) recusar a vista dos autos, porque só se admitiria vista se houvesse reque¬
rimento do advogado por escrito.
c) recusar a vista, pois precisaria de uma autorização prévia da Defensoria
Pública que patrocina a causa.
d) dar vista dos autos, caso ó advogado apresente procuração do casal para
tanto, em razão de o feito tramitar sob segredo de justiça.
e) recusar a vista, mesmo com procuração, pois o feito tramita sob segredo
de justiça e o advogado não tem direito de consultar os referidos autos.
13. ATOS PROCESSUAIS 143

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Conforme o art. 107, 1, do CPC, o advogado tem direito a examinar,


em cartório de fórum e secretaria de tribunal, mesmo sem procuração, autos de
qualquer processo, independentemente da fase de tramitação, assegurados a ob¬
tenção de cópias e o registro de anotações, salvo na hipótese de segredo de justiça,
nas quais apenas o advogado constituído terá acesso aos autos. Igualmente, o art.
189, § Io, do CPC estabelece que o direito de consultar os autos de processo que
tramite em segredo de justiça e de pedir certidões de seus atos é restrito às partes e
aos seus procuradores. Assim sendo, apenas o advogado com procuração pode ter
vistas dos autos do processo que tramita sob segredo de justiça.

23. (Advogado - IPT-SP - VUNESP - 2014 - adaptada) Quanto aos atos


processuais, assinale a alternativa correta.
a) Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portu¬
guesa, sendoinadmissíveisdocumentosescritosem língua estrangeira, ainda
que acompanhados de versão traduzida, firmada por tradutor juramentado.
b) Os atos das partes, consistentes em declarações unilaterais ou bilaterais
de vontade, dentre os quais a desistência da ação, produzem imediata¬
.
mente a constituição, modificação ou extinção de direitos processuais,
independentemente de homologação pelo juiz.
c) Os atos e termos processuais sempre dependem de forma determinada,
reputando-se inválidos os realizados de outro modo.
d) Firmado o calendário processual de comum acordo entre as partes eo juiz,
dispensa-se a intimação para a prática de ato processual ou árealização
de audiência cujas datas tiverem sido designadas no calendário.
e) É defeso às partes, aos advogados, aos órgãos do Ministério Público, aos
peritos e às testemunhas rubricar as folhas dos autos correspondentes aos
atos em que intervieram.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
A alternativa A está errada, eis que o CPC admite que o documento
redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando
144 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

acompanhado de versão para a línguaportuguesa tramitada por via diplomática


ou peia autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado (art. 192,
parágrafo único).
A alternativaB está equivocada, uma vez que o parágrafo único do art. 200
estatui que a desistência da açáo só produzirá efeitos após homologação judicial.

A alternativa C está errada, visto que o sistema de nulidades processuais é


norteado pelo princípio da instrumentalidade, consoante o qual a forma estabe¬
lecidapara o ato processual serve sempre ao seu fim,pelo que o descumprimento
de forma, desde que alcançada a finalidade, não leva à decretação da nulidade
(art. 277 do CPC).

A alternativaD é a correta, tendo guarida legal no art. 191, § 2°, do CPC.

A alternativa E está errada, visto que ao participante do processo é fa¬


cultado rubricar as folhas correspondentes aos atos em que intervier, conforme
art. 207, parágrafo único.

24. Acerca da regulação da prática eletrónica dos atos no novo CPC, é


incorreto afirmar que:
a) Os tribunais divulgarão as informações constantes de seu sistema de
automação em página própria na rede mundial de computadores, go¬
zando a divulgação de presunção de veracidade e confiabilidade.
b) Os sistemas de automaçãoproceSsual respeitarãoparcialmente a publi¬
cidade dos atos,hem como as garantias da disponibilidade, dependência
da plataforma computacional e acessibilidade condicionada.
c) As unidades do Poder Judiciário deverão manter gratuitamente, à
disposição dos interessados, equipamentos necessários à prática de
atos processuais eà consulta e ao acesso ao sistema e aos documentos
dele Constantes, devendo ser admitida a prática de atos por meio não
eletrónico no local onde não estiverem disponibilizádos tais equipa¬
mentos.
d) O registro de ato processual eletrónico deverá ser feito em padrões
abertos, que atenderão, dentre outros, os requisitos de autenticidade,
integridade e conservação.
13. ATOS PROCESSUAIS 145

e) Os atos processuais podem ser total ou parcialmente digitais, dè forma a


permitir que sejam produzidos, comunicados, armazenados e validados
por meio eletrónico, na forma da lei, sendo tal disposição aplicável à
prática de atos notariais e de registro.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativa A tem respaldo no art. 197 do CPC.

A alternativaB está repleta de erros, uma vez que, consoante estabelece o art.
194 do CPC, não há que se falar em publicidade parcial dos atos, em dependência
da plataforma computacional ou condição à acessibilidade.

A alternativa C corresponde ao art. 198 do CPC e seu parágrafo único.

A alternativa D está em conformidade ao art. 195 do CPC.

A alternativa E corresponde ao art. 193 do CPC, sendo a autorização de


aplicação aos atos notariais e de registro o constante no parágrafo único do mesmo
dispositivo.

7

c) Suspendem-se os prazos durante a execução de programa instituído
pelo Poder Judiciário para promover a autocomposição, incumbindo aos
tribunais especificar, com antecedência, a duração dos trabalhos.

* SSSSSE=*T“-“-
146 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A confronta com o art. 201 do CPC.

A alternativa B está errada, diante dos arts. 190, 191 e 222, § Io, todos
do CPC.

A alternativa C tem respaldo no parágrafo único do art. 221, do CPC.

AaltemativaD infringeoart. 213doCPC,quepermiteapráticaeletrônica


dos atos até as 24 horas do último dia do prazo.

A alternativa E erra, pois o art. 219 fixa que serão computados apenas os
dias úteis para os prazos processuais fixados em dias - não se aplicando o mesmo
para os prazos estabelecidos em horas, meses ouanos.

26. Considere o texto abaixo e marque-o como certo òu errado:


Os atos processuais serão realizados em dias úteis, das 6 às 20 horas.
Todavia, poderão ser concluídos após tal período àqueles que houverem
se iniciado antes, desde que ò adiamento possa prejudicar a diligência ou
causar dáno grave. O transcurso in àlbis do prazo gera a preclusão, que
neste caso é temporal. Ainda sobre os atos processuais, as citações, inti¬
mações e penhoras poderão ser realizadas no período de férias forenses,
onde as houver, e nos feriados ou dias úteis fora do horário estabelecido
neste artigo, observado o disposto no art. 5o, inciso XI, da Constituição
Federal, e independentemente de autorização judicial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

O enunciado está em conformidade com o art. 212 do CPC.

27. (Agente Administrativo - AGU - IDECAN - 2014 - adaptada) "Líndajva


ajuízá ação de cobrança em face de Miracema. Após regular trâmite pro¬
cessual/ o Juiz profere sentença e condena Miracema a pagar a Lindalvà,
13. Aios PROCESSUAIS 147

integra!mente, a quantia requerida pela autora. Inconformada, Miracema


resolve interpor recurso de apelação por meio do advogado que constituiu
nos autos".
Considerandorse, hipoteticamente, que a publicação da sentença tenha se
dadoem25/05/1 6, quarta-feira, pormeiodeDiáriodeJustiça eletrónico,
e supondo que na localidade em que tramitou o processo seja feriado no
dia 13/06/16, assinale a alternativa que indica o último dia para que haja
a regular interposição do recurso de apelação.
a) 10/06/16.
b) 14/06/16.
c) 15/06/Í6.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Para responder corretamente a questão é necessário conhecer uma série de


dados do CPC e utilizá-los coordenadamente.Primeiro que, excetuados os embargos
de declaração, o prazo para interpor os recursos e para responder-lhes é de 15 dias
(art. 1.003, § 5o). Segundo que na contagem dos prazos são computados apenas os
dias úteis (art. 219). Terceiro, é preciso conhecer o dia de contagem do prazo, que é
o da data da publicação (art. 231, VII), e a forma de contagem, que exclui o dia do
começo e inclui o diadevencimento (art.224). Quarto, é necessário que o candidato
lembre que dia 26/05/2016 é feriado nacional, dia de Corpus Christi. Assim sendo,
o primeiro dia computado para o prazo de 15 dias é o 27/05/16, que deve seguir a
contagem com a exclusão do feriado apontado e dos sábados e domingos, valendo
lembrar que esses dias são feriados para efeito forense (art. 216). Assim, a contagem
deve ser feita excluindo os sábados, domingos e os dias apontados pelo enunciado
como feriados. Nesta contagem, o prazo finai será 20/06/2016.

28. (Juiz Substituto -TJ-RJ - VUNESP - 2014 - adaptada) No que tange à


citação e ao prazo para apresentação de defesa, assinale a alternativa
correta.
148 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) Na citação por edital, o prazo para apresentação de defesa inicia-se da


última publicação na rede mundial de computadores.
b) Quando a ré for pessoa jurídica de direito público, a citação deverá ser
realizada diretamente no órgão responsável pelo ato.
c) Incumbe ao autor adotar, no prazo de 1 Odias, as providências necessárias
para viabilizara citação, sob pena de não haver retroaçãoda interrupção
da prescrição à data da propositúra da ação.
d) Assim que publicada a sentença proferida em favor do réu não citado,
deve o chefe de secretaria ou escrivão comunicar-lhe o resultado do
julgamento.

COMENTÁMOS
Gabarito: C

A alternativa A está errada, visto que o prazo inicia-se no dia útil seguinte
ao fim da dilação assinada pelo juiz (art. 231, IV, do CPC).

A assertiva da alternativa B infringe o § 3o, do art. 242, do CPC, que de¬


termina a realização da citação perante o órgão de Advocacia Pública responsável
pela representação judicial do ente.
A alternativa C corresponde à previsão do art. 240, § 2o, do CPC.
A alternativaD fere o art. 241 do CPC, que estabelece a comunicação após
o trânsito em julgado.

29. (Profissional de Nível Superior - CREA-MG - MS CONCURSOS - 2014 -


adaptada) O juiz;poderá, nas comarcas, seções ou subseções judiciárias
onde for difícil o transporte, prorrogar quaisquer prazos por até:
a) 30 dias.
b) 1 mês.
c) 60 dias.
d) 2 meses,
e) Não há limite temporal, cabendo ao juiz fixar ò prazo que entender
adequado ao atendimento das necessidades do caso concreto.
13. ATOS PROCíSSUAIS 149

COMENTÁRIOS

Gabarito: D

Enquanto no CPC/ 1973 o prazo estabelecido era de 60 dias, coma modifi¬


cação da contagem de prazos em dias, onde se computam apenas os dias úteis (art.
219), os prazos que estabeleciam muitos dias foram, em geral, transformados em
prazos em meses, evitando-se situações esdrúxulas. Assim, o prazo apontado na
questão agora é em meses, como previsto no art. 222 do CPC/2015.

30. (Titular de Serviços de Notas e de Registros -TJ-PB - IESES - 2014 -


adaptada) De acordo com o Código de Processo Civil, são requisitos
essenciais da carta de ordem, da carta precatória e da carta rogatória:
I. A indicação dos juízes de origem e do cumprimento do ato.
II. O resumo da petição e do instrumento do mandato conferido ao advo¬
gado, bem como o inteiro teor do despacho judicial.
III. A menção do ato processual, que lhe constitui o objeto.
IV. O encerramento com
- - ... do escrivão.
à assinatura
V. A intimação pelo juiz do ato de expedição da carta.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas II, IV e V estão corretas.
b)
c)
I, lie III estão corretas.
I, II, IV e V estão corretas.
míÊÉ . . '
-

d) Apenas 1, 111 e V estão corretas.


e) Todas estão corretas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

O itemIcorresponde ao art. 260,1, do CPC.

O itemIIerra, pois o art. 260, II, do CPC exige o inteiro teor também da
petição e domandato conferido ao advogado.
150 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

O itemIII corresponde ao art. 260, III, do CPC.


O item IV erra, pois o art. 260, IV, do CPC exige a assinatura do juiz.
O itemV corresponde ao art. 261, § Io, do CPC.

.
31 Sobre os atos processuais, está incorreto afirmar que:
a) Será cancelada a distribuição do feito se a parte, intimada pessoalmente,
não realizar o pagamento das custas e despesas de ingresso em 15 dias.
b) Na ação de usucapião é obrigatória a publicação de editais.
c) É facultado aos advogados promover a intimação do advogado da outra
parte por meio do correio, juntando aos autos, a seguir, cópia do ofício
de intimação e do aviso de recebimento.
d) É possível a intimação dirigida à sociedade de advogados, desde quereque¬
rido pelo procurador e que aquela esteja devidamente registrada na OAB.
e) Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as
empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas
de processo em autos eletrónicos, para efeito de recebimento de citações
e intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A alternativa A é a resposta e está incorreta. É que a intimação para paga¬


mento de custas é na pessoa do advogado (art. 290).

A alternativa B tem respaldo legal no art. 259, 1, do CPC.


A alternativa C corresponde ao art. 269, § 1°, do CPC.

A alternativa D tem previsão no art. 272, § Io, do CPC.


A alternativa E corresponde ao art. 246, § Io, do CPC.

32. (Auditor de Controle Externo -TCE-RO-CESPE- 2013 -adaptada) No


que se refere à execução contra a fazenda pública e à execução fiscal,
julgue o item subsequente:
13, ATOS PROCESSUAIS 151

A citação deve ser realizada por oficial de justiça, diretamente no órgão


da advocacia pública responsável por sua representação judicial, nas
execuções contra a fazenda pública, exceto nos processos judiciais ele¬
trónicos, quando as citações serão realizadas preferencialmente mediante

nlo a requere, por outra forma.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

A citação da Fazenda Pública deve ser feita por oficial de justiça, visto que
se trata de expressa exceção à citação pelo correio, prevista no art. 247, III, do
CPC, e deve sim se direcionar ao órgão responsávelpor sua representação judicial,
conforme dispóe o art. 242, § 3o, do CPC. A exceção das citações por sistemas de
processo em autos eletrónicos está correta, diante da previsão do art. 246, § 2o,
do CPC. Finalmente, a citação em execuções fiscais segue a regra geral do art. 247
do CPC, exceto disposição da fazenda pública em sentido contrário, conforme
permite o art. 8o, I, da Lei 6.830/1980 (Lei de Execução Fiscal).
O,
14

Da Formação, Suspensão e
Extinção do Processo

1. -
(Analista -TER-SE FCC - 2015 - adaptada) Ò processo "A" foi suspenso
porque a sentença de mérito depende do julgamento de outra causa; o
processo "B" foi suspenso porque a sentença de mérito não pode ser pro¬
ferida senão depois de produzida certa prova, requisitada a outro juízo.
Nestes casos, de acordo com o Código de Processo Civil brasileiro,
a) o período de suspensão não poderá exceder seis meses no processo "A"
e um ano no processo "B".
b) o período de suspensão não poderá exceder seis meses em ambos os
processos,
c) operíodo de suspensão não poderá exceder um anoem ambos os processos.
d) o período de suspensão não poderá exceder um ano rio processo "A" e
seis meses no processo "B".
e, não há previsãode umprazo limite paraasuspensãodeambos os processos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O CPC estabelece o prazo máximo de um ano para a suspensão quando


a sentença de mérito depender do julgamento de outra causa ou da declaração
14. DA FORMAçãO, SUSPENSãO E EXTINçãO DO PROCESSO 153

de existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto


principal de outro processo pendente, bem como quando tiver de ser proferida
somente após a verificação de determinado fato ou a produção de certa prova,
requisitada a outro juízo (art. 313, § 4o, do CPC). Estas são as duas hipóteses
cobradas pela questão.

O prazo máximo de até seis meses é previsto unicamente para os casos de


negócios processuais para suspender o processo - art. 313, II, do CPC.

2. (Oficial de Justiça -TJRO - FGV-2015 -adaptada) A hipótese que NÃO


dá azo à suspensão do processo é:
a) convenção das partes.
b) arguição de impedimento ou de suspeição.
c) relaçãodeprejudiciaiidadedojulgamentodoméritocomcausaqueseja
objeto de outro processo em curso.
d) admissão de incidente de resolução de demandas repetitivas.
e) litispendência.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A tem previsão no art. 313,II, do CPC.

A alternativa B tem previsão no art. 313, III, do CPC.

A alternativa C tem previsão no art. 313, V, a, do CPC.

A alternativa D tem previsão no art. 313, IV, do CPC.

No caso de litispendência, prevista na alternativa E, não se suspende o


processo, cabendo ao juiz, ao contrário, extinguir oprocesso sem resolução de mérito,
na forma do art. 485, V, do CPC.

3. (Procurador de Contas - TCE-CE - FCC - 2015 - adaptada) Quanto à


formação, suspensão e extinção do processo, é correto afirmar:
154 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for despachada


pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara.
b) Não é permitida a prática de atos processuais durante a suspensão do
processo, exceto aqueles tidos por urgentes; e, no caso de suspensão por
arguição de impedimento ou de suspensão, o juiz não poderá praticar
ato algum, nem mesmo os urgentes.
c) Suspende-se o processo por meio de convenção das partes, caso em que
nunca poderá exceder o prazo de três meses; findo esse prazo, o juiz
determinará o prosseguimento do processo.
d) A extinção do processo pode ser feita, no novo CPC, por decisão interlo-
cutória.
e) O processo civil começa por impulso oficial, mas se desenvolve por
iniciativa da parte.

COMENTÁRIOS
Gabarito; 8

A alternativa A está errada, uma vez que reflete o texto modificado do art.
263 do CPC/1973, e o novo CPC modificou a regra, passando a prever, no seu
art. 312, que se considera proposta a ação quando a petição inicial for protocolada.

A alternativa B está correta, diante da previsão do art. 314 do CPC.

A alternativa C está errada, pois a suspensão convencional pode durar até


6 meses (art. 313, § 4o, do CPC).
A alternativa D está incorreta, uma vez que a decisão que extingue o pro¬
cesso é sempre sentença (art. 316 do CPC), embora possam ser tomadas decisões
interlocutórias que resolvam parcialmente o mérito.

A alternativaE está errada, uma vez que o processo deve ser instaurado pela
parte e tem sua continuação por impulso oficial (art. 2o do CPC).

4. O novo CPC estabelece o princípio da primazia do julgamento do mérito,


consoante o qual o processo deve servir à solução da lide, sendo a tutela
dos direitos a sua finalidade primordial. Assim sendo, em todo caso em
14. DA FORMAçãO, SUSPENSãO E EXTINçãO DO PROCESSO 155

que se vislumbre possível a decisão sem resolução do mérito, deve o juiz,


antes deextinguiro processo, abriroportunidade para aparte interessada
sanar o vício, desde que seja viável a correção.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

O novo CPC, de fato, estatui o princípio daprimazia do mérito, que alguns


juristas apontam como referente ao art. 6o, ao mencionar decisão demérito. Certo
é que o juiz deve sempre possibilitar a correção do defeito processual, desde que
isso seja possível, como estabelece o art. 317.

5. (Promotor de Justiça - MPE-PR - Banca Própria - 2014) Sobre a extinção


do processo, assinale a alternativa incorreta:
a): Por serem questões de natureza material, a sentença que reconhece a
ocorrência de prescrição ou decadência extingue o processo com julga¬
mento de mérito.
b) Ainda que inclua matéria não posta em juízo, a transação extingue o
processo com julgamento de mérito.
c) Após a contestação, a desistência da ação pelo autor depende do consen¬
timento do réu porque ele também tem direito ao julgamento de mérito
da lide.
d) Se o autor der causa, por três vezes, a sentença fundada em abandono
da causa, ocorrerá a perempção, que tem por efeito a proibição de nova
ação contra o réu com o mesmo objeto, sendo permitido, entretanto,
alegar a mesma matéria em defesa.
e) É possível o julgamento liminar de mérito (improcedência "prima facie"),
quando a matéria controvertida for unicamentede direito e no juízo já houver
sido proferida sentença de total improcedência em outros casos idênticos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A tem respaldo no art. 487, II, do CPC.


156 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa B está correta, com base no art. 487, III, b, do CPC.


A alternativa C está correta, diante da previsão do art. 485, § 5o, do CPC.
A alternativa D está em conformidade com o art. 486, § 3o, do CPC.

A alternativaEestá incorreta, trazendo hipótese de improcedência liminar


do pedido que não consta no CPC/2015, que estabelece as várias causas auto-
rizadoras no art. 332, e entre elas não está mais a do art. 285-A do CPC/1973,
reproduzido no item.

6. (Defensor Público - DPE-PB - FCC - 2014 - adaptada) Quanto à forma¬


ção, suspensão e extinção do processo, é correto afirmar:
a) Durante a suspensão do processo pelos motivos previstos em lei é defeso
praticar qualquer ato processual, sem exceção.
b) O processo civil começa e se desenvolve por iniciativa da parte, cabendo
ao juiz supervisioná-lo para que atinja o seu desfecho com a prestação
jurisdicional.
c) A morte ou perda da capacidade processual do autor conduz à extinção
do processo, enquanto a morte ou perda da capacidade processual do
réu leva à suspensão do processo para habilitação dos herdeiros.
d) Depois da citação e até o saneamento, poderá o autor aditar ou alterar
o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu/assegurado o
contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo
mínimo de quinze dias, facultado o requerimento de prova suplementar.
e) A ocorrência da extinçãòdòprõcessoporlitispendência ou coisa julgada
dar-se-á com resolução do mérito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativaAestá errada, uma vez que é possível a prática de atos urgentes


a fim de evitar dano irreparável (art. 314 do CPC).

A alternativa B erra ao fixar que o desenvolvimento do processo se dá por


ato da parte, quando o art. 2o do CPC estabelece o impulso oficial.
14. DA FORMAçãO, SUSPENSãO E EXTINçãO DO PROCESSO 157

A alternativa C está equivocada, visto que o art. 313, 1, do CPC estabelece


a suspensão do processo para habilitação no caso de morte ouperda da capacidade
processual de qualquer daspartes. Haverá extinção apenas quando houver morte
e o direito aduzido for intransmissível (art. 485, IX, do CPC).

A alternativaD está correta, correspondendo ao art. 329, II, do CPC.

A alternativa E está incorreta, já que se trata de causa de extinção sem


resolução do mérito, nos moldes do art. 485, V, do CPC.

7. Julgue a assertiva adiante:


No caso em que a decisão de mérito tiver vínculo de prejudicialidade
externa com fato delituoso a ser apurado em ação penal, é facultado ao
órgão judicial suspender o processo para que sua decisão guarde coe-

«ÿsÿ#rriminai'podendoaguardar
COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Embora seja possível a suspensão apontada na questão, o prazo máximo


que o juiz pode aguardar pela propositura da ação penal é 3 meses, contados da
intimação do ato de suspensão, e a partir dos quais cessará a suspensão. Proposta
a ação penal, o prazo máximo de suspensão para aguardar a decisão, sim, é de 1
ano. Todavia, inexistente o processo, aguarda-se a decisão por até, no máximo,
3 meses. Estas disposições têm guarida no art. 315, caput e §§ Io e2°, do CPC.

8. (Promotor de Justiça - MPE-AC - CESPE - 2014 - adaptada) Acerca da


extinção do processo e suas causas, assinale a opção correta.
a) Ocorrerá a desistência tácita, que enseja a extinção do processo, a ausên¬
cia de promoção pelo autor, por mais de trinta dias, dos atos e diligências
que lhe competirem.
b) A extinção do processo em razão da existência de compromisso arbitrai
í ndepende de provocação das partes, por ser matéria que o juiz conhece
de ofício.
Wm
158 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) O juiz terá o prazo de 5 dias para retratar-se em todos os casos em que


se interpor apelação contra sentença que extingue o processo sem jul-
«amento do mérito.
d) Não há óbice à desistência expressa do processo pelo autor, ainda que
após o pronunciamento da sentença, caso o julgamento lhe sejafavorável.
e) Por força do princípio do contraditório, em nenhuma hipótese pode o
juiz decidir com base na prescrição ou na decadência sèní antes ouvir
ís partes.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A está errada, pois não existe desistência tácita, devendo a


desistência ser sempre expressa. O conceito que a questão usa é, na verdade, o de
abandono, previsto no art. 485,III e § 6o, do CPC.

A alternativa B está errada, uma vez que o compromisso arbitrai deve ser
arguido, não se encontrando entre as matérias cognoscíveis ex officio pelo juiz (art.
485, § 3o, do CPC). Na verdade, a estipulação da arbitragem decorre da vontade
das partes, podendo elas igualmente renunciar ao juízo arbitrai.
A assertiva constante da alternativa C tem respaldo no art. 485, § 7o, do
CPC.

A alternativa D está errada, visto que a desistência da ação pode ser apre¬
sentada até a sentença (at. 485, § 5o, do CPC).
A alternativa E viola a previsão do parágrafo único do art. 487 do CPC,
que permite decidir com base em prescrição ou decadência sem ouvir o autor e o
réu no caso de improcedência liminar (art. 332).
15

Processo e Procedimento

1. Julgue a seguinte assertiva de acordo com o CPC/2015:


Acerca dos processos iniciados antes da entrada em vigor do CPC/201 5,
aqueles que foram iniciados sob o procedimento sumário devem ser
imediatamente convertidos para o procedimento comum.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta.

Náo há imposição de conversão dos processos que foram iniciados sob o


procedimento sumário. De acordo com o art. 1.046 do CPC/2015, as disposições
revogadas pelo CPC/2015 acerca do procedimento sumário continuam a ser apli¬
cada às ações propostas e não sentenciadas até o início da vigência do CPC/2015.
16

Tutela Provisória

1. Não se afigurã entre as espécies de tutela provisória estabelecidas no


CPC/2015:
a) Tutela de evidência incidental.
b) Tutela caútelar antecedente.
c) Tutela antecipada de urgência antecedente.
d) Tutela antecipada de urgência incidental.
e) Tutela de evidência antecedente.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O novo CPC cria novo regime jurídico para as liminares, sob o título da
tutela provisória, que pretende se referir à sumariedade da cognição nestes atos
decisórios, que os tornam modificáveis. A escolha do termo não foi boa, pois em
meio às tutelas “provisórias” do novo CPC há tutela que poderá ser temporária e
não provisória, nomeadamente no caso da tutela caútelar.

Seja como for, sob anomenclaturadatutela provisória estão previstos os três


tipos: tutela antecipada de urgência, que é a tutela satisfativa antecipada, consis¬
tente na concessão da vantagem perseguida no processo em momento anterior ao
16. TUTEIA PROVISóRIA 161

qual seria conseguida, em caso de espera pela tutela final; tutela de evidência, que
é igualmente satisfativa, baseada em uma grande probabilidade de vitória e inde¬
pendentemente de qualquer perigo de dano; tutela cautelar, que também é tutela
de urgência, e busca evitar a perda de utilidade da tutela satisfativa, assegurando a
sua possibilidade ao tempo em que decidida. Então, quanto aos tipos, pode-se falar
da existência da tutela antecipada de urgência, tutela de evidência e tutela cautelar.

Além disso, a questão exige o conhecimento quanto ao procedimento ins¬


tituído para o requerimento e concessão de cada uma delas. Nesse sentido, o CPC
prevê que as duas tutelas de urgência, cautelar e antecipada,podem ser requeridas de
maneira incidental, isto é, no meio de um processo onde há requerimento de tutela
final, ou demodo antecedente, isto é, por meio de umprocedimento sumário que
tem vez antes da instauração do procedimento principal, no qual se busca a tutela
satisfativa final. Não há previsão, no entanto, de tutela de evidência antecedente.
O procedimento antecedente está à disposição, apenas, das tutelas de urgência,
que são a satisfativa (chamada apenas de tutela antecipada pelo CPC) e a cautelar.
O CPC deixa isso claro no art. 294, parágrafo único.

2. Quanto à regulação geral da tutela provisória; assinale a alternativa


correta:
'

a) A tutela provisória deve sempre ser fundamentada na urgência.


b) Na decisão que modificar ou revogar a tutela provisória, o juiz motivará
seu convencimento de modo conciso.
c) A tutela provisória requerida em caráter antecedente independe do pa¬
gamento de custas.
d) A tutela provisória, em regra, terá sua eficácia preservada durante a sus¬
pensão do processo.
e) Não é possível, após proferida a sentença, a concessão de tutela provisória.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa A está errada, já que a tutela provisória pode ser fundamen¬


tada tanto em urgência como em evidência, consoante estatui o art. 294 do CPC.
162 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa B incorre em erro, visto que o art. 294 do CPC fixa o dever
de motivar o convencimento de modo claro e preciso.
A alternativa C está incorreta, pois a tutela provisória que independe do
pagamento de custas é a requerida incidentalmente, nos moldes do art. 295 do
CPC, e náo a antecedente, onde são devidas por força do art. 303, § 3o, do CPC.

A alternativa D é a correta, estando em conformidade com o que prevê o


art. 296, parágrafo único, do CPC,

A alternativa E está errada, uma vez que a previsão da tutela provisória


está na Parte Geral do CPC. Aplica-se sua regulação à Parte Especial, onde se
incluem as disposições relativas aos recursos. Confirma esta compreensão o art.
299, parágrafo único.

\cerca da tutela provisória, marque a alternativa correta:


a) A tutela provisória deve ser recorrida por agravo de instrumento, ainda
quando decidida por sentença.
b) Para a efetivação da tutela provisória vige o princípio da atipicidade, que
permite o uso de vários meios executivos para o cumprimento da decisão,
e até mesmo meios não previstos expressamente.
c) Não cabe tutela provisória em sede recursal, devendo a parte, no caso,
requerer a atribuição de efeito suspensivo ao recurso.
d) O requerimento de tutela de urgência, em qualquer caso, independe do
recolhimento de custas.
e) A reparação por dano decorrente de tutela de urgência posteriormente
revogada por sentença de mérito que transite em julgado deverá ser objeto
de ação própria de cobrança.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

A alternativaA está errada, pois, embora a tutela provisória seja recorrível


por agravo de instrumento, como prevê o art. 1.015, 1, do CPC, quando houver
sua concessão em sentença ela deve ser objeto de apelação, como dispõe o art.
1.013, §5°, do CPC.
16. TUTEIA PROVISóRIA 163

A alternativa B é a correta, e tem base legal no art. 297 do CPC.

A alternativa C está errada, visto que o CPC, no art. 299, parágrafo único,
permite a tutela provisória em sede recursal.
A alternativa D está incorreta, pois o requerimento de tutela de urgência
antecedente, seja cautelar ou antecipada (satisfativa), depende do recolhimento
de custas, consoante prevê o art. 303, § 3o, do CPC.

AdtemativaEconfrontaexpressamenteo art. 302,parágrafo único, do CPC.

4. (Assessor Jurídico -TCE-RN - CESPE - 2015) No que diz respeito às


normas processuais, à função jurisdicional, à petição inicial e ao tempo
e lugar dos atos processuais, conforme o Novo Código de Processo Civil,
julgue o item que se segue.
Com o objetivo de garantir valores fundamentais estabelecidos na Cons¬
tituição Federal de 1988, é vedado ao juiz conceder tuteia provisória de
urgência contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Muito embora o CPC estabeleça como regra o contraditório prévio,


proibindo a tomada de decisões-surpresa (art. 9o), há expressa exceção da tutela
provisória, que pode ser decidida liminarmente em desfavor do réu (art. 9o, I),
diante do perigo de dano que se faz presente, colocando em colisão os princípios
do contraditório e da efetividade, gerando a postergação do contraditório em
prol do resguardo da efetividade, que doutro modo poderia vir a ser prejudicada
definitivamente.

5. Acerca da tutela provisória, julgue o item abaixo como certo ou errado:


Não é admissível o requerimento antecipado de tutela de evidência,
que deve ser pedido exclusivamente de modo incidental. Isso porque a
permissão para o requerimento antecedente advém da urgência, possi¬
bilitando uma demanda simplificada e com regras específicas.
164 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Assim sendo, é admissível o pedido antecedente na tutela de urgência,


tanto na satisfativa, chamada tuteia antecipada, como na cautelar.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

O texto está correto e tem fundamento legal no art. 294 do CPC, especial¬
mente no seu parágrafo único.

6. Sobre a tutela de urgência, assinale a alternativa correta:


a)No pedido detutela antecipada em caráter antecedente não énecessário
indicar o valor da causa, devendo o autor fazê-lo quando do aditamento
com requerimento de tutela finai.
b) Concedida a tutela antecipada requerida em caráter antecedente, o réu
será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação.
c) Ao realizar o aditamento do requerimento de tutela antecipada antece¬
dente, deverá o autor recolher novas custas processuais, referentes ao
procedimento de tutela final,
d) Para a concessão de tutela de urgência é possível exigir-se caução real;
sendo vedada, todavia, á exigência de caução fidejussória:
e) A parte prejudicada pode requerer a reparação por dano processual
ocasionado pela efetivação da tutela de urgência, a ser realizada pelo
Estado ou pela União, conforme o caso, nos mesmos autos em que tiver
sido cdncedidá.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

A alternativaA está incorreta, visto que o art. 303, § 4o, requer a indicação
do valor da causa quando do pedido de tutela antecipada antecedente.
A alternativaB é a correta, tendo fundamento no art. 303,§l°,I,do CPC.
A alternativa C contraria o art. 303, § 3o, do CPC.
AaltemativaD está em confronto com aprevisão do art 300, § Io, do CPC.
16. TUTíLA PROVISóRIA 165

A altemativaE incorre em erro, umavez que o dever de indenizar decorrente


da concessão de tutela de urgência é imputado à parte que deia se beneficiou, nos
moldes do art. 302.

7. julgue como certo ou errado o enunciado a seguir:


A decisão que concede a tutela antecipada requerida em caráter ante¬
cedente/ conforme dispõe o CPC, torna-se estável quando não houver
a interposição do agravo de instrumento. Todavia, parcela da doutrina
controverte o termo "recurso", utilizado no art. 304, defendendo que a
manifestação de contrariedade à tutela antecipada por contestação é
capaz de evitaraestabilização,sobretudodiantedo direito constitucional
do réu à tutela jurídica.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

De fato, parcela da doutrina vem estendendo os termos legais, passando a


visualizar tambémna contestação a eficácia deobstar a estabilização, sob o pretexto
de se tratar de uma interpretação conforme a Constituição do art. 304 do CPC.
O fato é que a regulação da antecipação da tutela por requerimento antecedente
está repleto de controvérsias doutrinárias, devendo o candidato ficar atento, so¬
bretudo, à definição do tema na jurisprudência, diante da alta potencialidade de
questões que cobrem a atualização quanto à definição desse controvertido tema,
especialmente sobre os pressupostos da estabilização. Os termos legais, é necessário
que se deixe claro, falam expressamente em recurso.

8. (Procurador da Fazenda Nacional - PGFN - ESAF - 2015 - adaptada) A


respeito do instituto da tutela provisória, indique a opção correta.
a) O CPC/2015 extinguiu a tutela cautelar.
b) O direito processual brasileiro só admite a antecipação de tutela de urgên¬
cia, estando vedada a tutelada evidência, sendo imprescindível a presença
do risco de dano irreparável ou de difícilreparação para a sua concessão.
c) O CPC/2015 inovou ao permitir a tutela de evidência em caso de abuso
do direito de defesa ou manifesto propósito protelatório da parte.
166 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) A antecipação de tutela dà evidência visa, sobretudo, a conferir uma


distribuição isonômica do ônus do tempo do processo, retirando do réu
o fardo de tér que aguardar todo o transcurso do processo para fruir dp
bem da vida.
e) Umpedido de tutela inibitória de urgência pode ser deferido antecipada¬
mente, não obstante a previsão legai se referir a fundado receio de dáno
irreparável ou de difícil reparação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa A incorre em erro, uma vez que entre a tutela de urgência, o


CPC prevê a tutela cautelar, que pode ser pedida incidentalmente ou em caráter
antecedente. Há previsão da tutela cautelar nos arts. 294, parágrafo único, 301,
e305a310.
A alternativa B está equivocada, uma vez que o CPC/2015 passou a ex-
pressamente admitir a tutela de evidência, com previsão no art. 311.

A alternativa C está errada, visto que o CPC/1973 previa exatamente esta


hipótese de antecipação da tutela no art. 273,II.
A alternativa D está errada, pois a tutela de evidência, em regra, retira do
autor o ônus de aguardar todo o processo sem usufruir do seu objeto.

A alternativaE é a correta, sendo certo que a tutela inibitória volta-se con¬


tra a provável ocorrência do ilícito, independentemente do dano que porventura
possa ocorrer, não sendo correto computá-lo para o deferimento dessa particular
hipótese de tutela de urgência. Nesse sentido: REsp 1370646/SP.

9. -
(Promotor de Justiça - MP-SP - Banca Própria 2015 - adaptada) Em
relação à antecipação da tutela pretendida no pedido inicial, cotreto é
afirmar que:
a) para o seu deferimento, mostra-se suficiente a presença de prova inequí¬
voca ou a verossimilhança do direito alegado.
b) a tutela antecipatória pode ser concedida apenas nas causas que envolvam
direitos patrimoniais.
16. TUTEIA PROVISóRIA 167

c) O risco de irreversibilidade dos efeitos da decisão antecipatória é fato


idóneo para fundamentar a negativa de concessão da medida requerida.
d) a superveniência de sentença de improcedência da ação não acarreta,
por si só, a revogação da medida antecipatória.
e) da decisão que concede ou denega a tutela antecipada, no curso da
demanda, cabe apelação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A está errada, uma vez que se faz necessário demonstrar tam¬
bém a urgência da tutela do direito, mediante perigo de dano irreparável.
A alternativa B está equivocada, dado que é possível o uso da antecipação
da tutela para proteção, por exemplo, de direitos personalíssimos, como a saúde,
a vida, a intimidade e tantos outros que não têm conteúdo patrimonial imediato.

A alternativa C está correta, sendo o risco de irreversibilidade dos efeitos


da decisão expressamente previsto como fato impeditivo da concessão de tutela
antecipada no art. 300, § 3o, do CPC.
A alternativaD está incorreta, visto que o aprofundamento da cognição,
com prolação de sentença em sentido contrário à antecipação da tutela, é causa
de revogação. É certo, no entanto, que emcasos excepcionais a tutela antecipada
pode ser mantida até o trânsito em julgado, mesmo após a sentença em sentido
contrário.
A alternativa E está errada, diante da previsão do art. 1.015, 1, do CPC.

10. Julgue o enunciado a seguir como certo ou errado


O CPC/2015 inaugura a previsão do procedimento da tutela antecipada
requerida em caráterantecedente, possível de ser realizado noscasos em
que a urgência for contemporânea à propositura da ação, autorizando
que o autor faça uma petição inicial simplificada, que pode limitar-se ao
requerimento datutela antecipada, à indicação do pedido de tutela final;
exposição da lide, do direito que se busca realizar e do perigo de dano
168 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

ou do risco ào resultado útil do processo, sendo, ainda, requisitos de ad¬


missibilidade a indicação do valor da causa e o respectivo recolhimento
de custas, que deverá ser feito com base no pedido de tutela final, como
também a expressa indicação de sua intenção de valer-se dó benefício
deste procedimento.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Certo.

O texto está em plena conformidade às previsões do art. 303, caput, §§ 4o


e5°, doCPC.

.
11 (Delegado -Polícia Civil do DF-FUNIVERSA-2015 -adaptada) Assinale
a alternativa correta no que diz respeito à tutela cautelar e à antecipação
da tutela..;.
a) Não se admite concessão de tutela antecipada em grau recursal.
b) A decisão interlocutória que concede liminarmente a tutela antecipada
acarreta preclusão pro iudicato, isto é,ojuízo não maispqderá revogar
ou modificar a decisão.
c) A tutela cautelar possui eficácia temporária, pois limitada à preservação
3 que S6 propõe.

d) Não há tutela antecipada satisfativa dissociada do necessário requisito


da urgência.
e) Os requisitos para o deferimento da tutela cautelar são nõrrrialmente mais
rigorosos que os exigidos para o deferimento dá tutela antécipada.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A está errada, uma vez que contraria o art. 299, parágrafo
único, do CPC.

A alternativa B está incorreta, ferindo o art. 296 do CPC.


16. TUTEIA PROVISóRIA 169

A alternativa C é a resposta, podendo-se falar na diferença entre a pro¬


visoriedade e a temporariedade das decisões, pois enquanto as primeiras serão
substituídas por outras, tratando exatamente do mesmo objeto, só que em cogni¬
ção exauriente, as segundas não são substituídas, mas simplesmente descartadas
quando a função de acautelar não tem maís razão de ser. É, inclusive, por isso
que a terminologia abrangente “tutela provisória” utilizada pelo CPC/2015 é
altamente criticável.
A alternativa D erra ao ignorar a tutela de evidência, que prescinde por
completo de qualquer urgência (art. 311 do CPC).
A alternativa E está incorreta, pois tal gradação não é realizada pelo
CPC/2015, que, muito pelo contrário, prevê em dispositivo compartilhado as
exigências da tutela de urgência, que engloba a tutela antecipada (satisfativa) e a
cautelar (art. 300). Aliás, previsão nesse sentido seria compíetamente ilógica, eis
que, enquanto a tutelacautelar simplesmente assegura a tutela satisfativa posterior,
a tutela antecipada satisfaz de logo, razão pela qual lhe tratar com menos rigor
seria simplesmente absurdo.

12. (Procurador Autárquico - MANAUSPREV - FCC - 2015) Em relação


à antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional, é correto afirmar
que:
a) a decisão concessiva da tutela antecipada, por dizer respeito ao mérito
da lide, deve ser impugnada por meio de apelação,
b) dada sua natureza, dependente de prova inequívoca, a decisão que
conceder a tutela jurisdicional antecipadamente é definitiva no mesmo
grau de jurisdição, só podendo ser alterada pela superior instância. í'
c) concedida ou não a antecipação dá tutela, o processo prosseguirá,
em qualquer caso, até final julgamento.
d) estável a decisão de tutela antecipada, ela só poderá ser afastada por
decisão de revisão, reforma ou invalidação em outra ação, que não
poderá ser proposta após 2 anos contados a partir da ciência da decisão
que extinguiu o processo em que concedida.
e) a decisão que antecipa a tutela prescinde de indicação pelo juiz, de
modo claro e preciso, das razões de seu convencimento.
170 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa A está em desacordo com o art. 1.015, 1, do CPC. O


recurso cabível é o Agravo de Instrumento.

A alternativa B está errada, confrontando o art. 296 do CPC.

A alternativa C está errada, visto que o CPC/2015 prevê o procedi¬


mento para concessão de antecipação da tutela em caráter antecedente, onde
há possibilidade de sua estabilização (art. 304 do CPC).

A alternativa D está em conformidade com o art. 304, caput e §§ 2o.


3o. 5o e 6o, do CPC.

A alternativaE está equivocada, diante da previsão do art. 298 do CPC.

13. (Juiz de Direito -TJPE - FCC - 201 5 - adaptada) A antecipação dos


efeitos da tutela de mérito:
a) deve ser necessariamente precedida de oitivâ da parte contrária, para
cumprimento do contraditório processual, gerando decisão interlò-
cutória, passível de recurso por meio de agravo de instrumento.
b) gera decisão interlocutória, irrecorrível até ratificação por sentença
quando então poderá ser atacada por meio de apelação.
ç) gerà decisão interlocutória, passível de recurso por meio de agravo de
instrumento, e,pelofatodepoderserrevogadaou modificada a qualquer
tempo, em decisão fundamentada, é possível o pedido de reconside¬
ração.
d) por ser meritória sempre tem natureza de sentença, recorrível por
meio de apelação e insuscetível de alteração pelo exaurimento da
jurisdição pelo órgão:prolator. f
e) sendo proferida em sentença, há exceção à únirrecorribilidade, pois
a parte deverá recorrer da antecipação de tutela por agravo de instru-
mento, diretamente no tribunal, e do mérito por apelação, interposta
no primeiro grau.
16. TITIELA PROVISóRIA 171

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa A está errada, porque é possível antecipação da tutela sem


oitiva da parte contrária (art. 9o, I, do CPC). Acerta, no entanto, ao afirmar que
cabe agravo de instrumento (art. 1.015,1, do CPC).

A alternativa B confronta o art. 1.015, 1, do CPC.

A alternativa C está correta, de acordo com o art. 296 e o art. 1.015, 1, do


CPC.

A alternativa D está em confronto, simultaneamente, ao art. 296 e ao art.


1.015,1, do CPC.

A alternativaE ignora o art. 1.013, § 5o, do CPC, pelo que está incorreta.

14. (DefensorPúblico-DPU-CESPE-2015-adaptada)Considerandoque
o processo tem por escopo maior a resolução de conflitos na sociedade,
procurando-se, por meio de um encadeamento lógico de atos previstos
e praticados com base no ordenamento jurídico, garantir, tanto quanto
for possível, a quem tenha um direito tudo aquilo e exatamente aquilo
que ele tenha direito de conseguir, julgue o item subsequente. í
Admite-seaconcessãodetutelaprovisóriaseficardemonstradoofundado
receio de dano irreparável ou de difícil reparação, dispensando-se, em
caráter excepcional, a prova inequívoca da verossimilhança da alegação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Não há autorização para dispensar-se a verossimilhança em nenhuma


das hipóteses previstas no CPC/2015, sendo certo que ela é fundamental para a
tutela de urgência (art. 300), que abrange a tutela cautelar e a antecipada (satis-
fativa), bem como, ainda mais, para a tutela de evidência (art. 311). Concessão
de tutela provisória sem o preenchimento do requisito da verossimilhança é,
portanto, ilegal.
172 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

15. (Assessor Jurídico- Prefeitura deCaieiras-VUNESP-2015 -adaptada)


O juiz poderá, a requerimento da parte, antecipar, total ou parcialmente,
os efeitos da tutela pretendida no pedido inicial. Nesse caso, assinale a
alternativa correta.
a) Após concedida, a tutela antecipada não poderá ser revogada ou modi¬
ficada, exceto se a parte inieressada recorrer da decisão.
b) Ainda que a antecipação de tutela seja deferida na sentença de mérito,
a apelação será recebida no efeito devolutivo e suspensivo.
c) O autor da ação não responde pelos danos sofridos pela parte adversa
decorrentesda antecipação detutela que não for confirmada em sentença.
d) No caso de ação em face da Fazenda Pública, só haverá antecipação de
tutela se ficar caracterizado o abuso de direito de defesa.
e) É possível a antecipação datutela em sede de recurso, desde que presentes
os requisitos legais.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

AaltemativaAestáincorreta, vez queconifontadiretamente comaprevisão


do art. 296 do CPC.
A alternativa B está errada, diante do estabelecido pelo art. 1.012, § Io,
V, do CPC.

A alternativa C está em desconformidade com o art. 302 do CPC.

A alternativa D está equivocada, pois náo há fundamento legal para a res¬


trição defendida, afigurando-se, ademais, uma verdadeirainconstitucionalidade a
restrição pura e simples, por força do direito fundamental de acesso à justiça (art.
5o, XXXV, da CF/88).

A alternativa E está correta, fundamentada no art. 299, parágrafo único,


do CPC.
,
17

Petição Inicial

1. (AssessorTécnico Jurídico-TCE-RN-2015 -CESPE) Noque diz respeito


às normas processuais, à função jurisdicional,à petição inicial eao tempo
e lugar dos atos processuais, conforme o NovoCódigo de Processo Civil,
julgue o item que se segue.
Casoo juiz indefiraapetiçãoinicialemvirtudedeo réu ser parte ilegítima,
caberá agravo ao tribunal ou à turma recursal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta

A alternativa está incorreta, pois, de acordo com o art. 331, indeferida


a petição inicial, o recurso cabível será a apelação e não o agravo. Destaque-se
que, diferentemente do CPC/ 1973, em que o prazo para o juízo de retratação
era de 48 horas (art. 296), agora o juiz tem o prazo de 5 dias para fazê-lo (art.
331, caput).

2. (AssessorTécnico Jurídico-TCE-RN-2015 -CESPE) No que diz respeito


às normas processuais, à função jurisdicional, à petição inicial eao tempo
e lugar dos atos processuais, conforme o Novo Código de Processo Civil,
julgue o item que se segue. Ti?
174 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Com o objetivo de garantir valores fundamentais estabelecidos na Cons¬


tituição Federal de 1988, é vedado ao juiz conceder tutela provisória de
urgência contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta

O art. 9o, do CPC/2015, estabelece, como regra, que “não se proferirá


decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida”. No entanto,
o parágrafo único estabelece as exceções e, dentre elas, no incisoIestá a tutelaprovi¬
sória de urgência, ao contrário do que aponta a questão, ao colocá-la na regra geral.

3. (Juizsubstituto-TJPI-2015-CESPE-adaptada) Uma vez apresentada


a petição inicial,
a) não há possibilidade legal de aditamento do pedido, salvo se houver
anuência do réu após sua citação.
b) rias causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente
da citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que
contrariar decisão proferida anteriormente pelo juízo de primeiro grau.
c) nos litígiosque tenham por objeto obrigações decorrentes deernpréstimo,
financiamento ou arrendamento mercantil, o autor deverá discriminar
na peça inicial, dentre as obrigações contratuais, aquelas que pretende
controverter, quantificando o valor incontroverso.
d) o juiz poderá, diante do não preenchimento na peça inicia! de todos os
requisitos legais, ou determinar sua emenda, ou indeferi-la de pronto,
por inépcia, ainda que a emenda fosse possível.
. •. .•
.. - . : -v.' o <:
e) o pedido nela contido deve ser necessariamente certo ou determinado,
porque é defeso oferecer pedido condicional ou abstrato.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

LetraA:A assertiva está incorreta,pois é possível, até a citação, o aditamento


ou alteração dopedido ouda causa de pedir, independentemente do consentimento
do réu (art. 329, 1, CPC/2015).
17. PETIçãO INICIAI 175

Letra B: A assertiva faz referência ao art. 332 do CPC/2015, porém,


está equivocada, pois o julgamento liminar de improcedência não pode ter
por base apenas as sentenças proferidas pelo próprio juiz de primeiro grau,
como era no CPC revogado. Essa autorização só existe para os seguintes ca¬
sos:I- enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal de Justiça; II- acórdão proferido pelo Supremo TribunalFederal ou
pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos; III-
entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou
de assunção de competência; IV- enunciado de súmula de tribunal de justiça
sobre direito local.
Letra C: A assertiva está correta, pois praticamente reproduz o conteúdo
do art. 330, § 2o, do CPC/2015. Destaque-se que, no CPC/2015, a ausência de
discriminação das parcelas controvertidas e das incontrovertidas implicanainépcia
da petição inicial.
LetraD: A assertiva está incorreta, pois, de acordo com o art. 321 do CPC,
se juiz verificar que a petição iniciai não preenche os requisitos dos arts. 319 e
o
320 ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento
de mérito, determinará a sua emenda. Ou seja, o juiz tem dever de possibilitar a
emenda dainicial.

Letra E: Segundo a leitura conjunta do caput dos arts. 322 e 324, o pedido
dever ser certo e determinado. Não se trata de uma conjunção alternativa, mas
sim, aditiva. Além disso, o pedido não pode ser condicional ou abstrato, mas, no
máximo, genérico, nos casos do § Io, do art. 324, do CPC/2015.

4. (Defensor Público - DPI) - CESPE - 2014) Considerando que deter¬


minada parte tenha proposto ação de indenízação contra outra parte,
pleiteando sua condenação em danos morais e materiais, julgue o item
seguinte.
Se os danos materiais se referirem a indenização pelas mensalidades
pagas em estabelecimento de ensino superior para atendimento a
curso não reconhecido formalmente e os danos morais se referirem
à frustração na obtenção do diploma, estará configurada hipótese de
cumulação simples de pedidos, sendo irrelevante a rejeição de um para
o acolhimento de outro.
176 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

Trata-se, na hipótese, de cumulação simpies de pedidos, autorizada pelo


art. 327 do CPC/2015. Os danos morais e os danos materiais são pretensões
independentes e poderiam, inclusive, ser alvo de ações diversas. Vale frisar que o
próprio STJ reconheceu essa independência entre esses pedidos em ação bastante
semelhante à narrada na assertiva: STJ, 3aT., AgRgno AREsp n. 242.895/SP, Rei.
Min. Sidnei Beneti, j. 21/3/2013, DJe 2/4/2013.

5. (Procurador do Estado - PGE-BA - 2014 - CESPE) Nô que se refere às


regras aplicadas aos processos que envolvem a fazenda pública em juízo,
à sentença e aos recursos, Julgue o item que se segue.
Tratando-sede acumulação imprópria de pedidos, o acolhimento de um
pedido implica a impossibilidade de acolhimento do outro.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta

Trata-se exatamente do conceito de cumulação imprópria de pedidos, em


que tão somente um dos pedidos pode ser acolhido e, a rigor, não se tem exata¬
mente uma cumulação de pedidos. Essa espécie de cumulação pode ser dividida
em eventual ou subsidiária (art. 326, caput, do CPC/2015) e alternativa (art. 326,
parágrafo único, do CPC/2015).

6. (Analista-advocacia- EBC-2011-CESPE) Acercadodireitoprocessual


civil, julgue o item subsecutivo.
Nos termos do Código de Processo Civil> cumpre ao juiz indeferir, de
; pronto, a petição inicial que hão preencha os requisitos formais dé admis¬
sibilidade ou que apresente defeitose irregularidades capazes dedificultar
o julgamento de mérito, ainda que sanáveis, devendo ser, igualmente,
indeferidá a peÇa exordial maniféstamente inepta.
17. PETIçãO INICIAL 177

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta

A assertiva está incorreta, pois, de acordo com o art. 321 do CPC, se o


juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320
ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de
mérito, determinará a sua emenda. Ou seja, o juiz tem o dever de possibilitar a
emenda da inicial.

7. (Juiz Federal -TRF5 -2015 -CESPE- adaptada) Assinale a opção correta


quanto à petição inicial e à fase postuíatória no processo civil.
a) Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da
citação do réu, julgará liminarmente improcedente ou procedenteo pedido
que contraria ou que estiver de acordo com enunciado de súmula do STF.
b) É requisito indispensável da petição inicial o pedido de condenação da
parte contrária ao pagamento dos honorários advocatícios, e a ausência
desse elemento impede o julgador de tratar da matéria.
c) Para queo julgador exerça o controle judicial dovalor da causa constante
da petição inicial, é necessário que esse valor seja impugnado pelo réu.
d) A falta de demonstração do interesse em agir é prevista na legislação
processual civil como hipótese de indeferimento da petição inicial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Letra A: A assertiva está incorreta, pois, de acordo com o art. 332 do


CPC/2015, o julgamento liminar só pode ser pela improcedência no caso de o
pedido contrariar enunciado de súmula do STF.
Letra B: A assertiva está errada, pois, de acordo como entendimento do STJ,
os honorários são considerados como pedidos implícitos (STJ, 3a T., AgRg nos
EDclno REsp 804.503/SP, Rei. Min. PauloDeTarso Sanseverino, j. 28/06/2011,
DJe 01/07/2011). Da mesma forma o STF, por meio da súmula n. 256. Este
entendimento é expresso pelo art. 322, § 2o, do CPC, que inclui os honorários
no pedido principal.
178 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra C: Assertiva incorreta, pois, de acordo com o STJ, “O valor da causa


diz respeito à matéria de ordem pública, sendo, portanto, lícito ao magistrado, de
ofício, determinar a emenda da inicial quando houver discrepância entre o valor
atribuído à causae o proveito económico pretendido” (STJ, 3aT.,REsp 1.133.495/
SP, Rei. Min. Massami Uyeda, j. 06/11/2012, DJe 13/11/2012).

Letra D: Correta, estando de acordo com o art. 330, III, do CPC/2015.

8. Requerida pelo autor antecipação dos efeitos da tutela pretendida, na


petição inicial, sea providência pleiteada for de natureza cautelar, o juiz:
a) não conhecerá desse pedido.
b) suspenderá q processo e determinará que, em dez dias, o autor promova
ação cautelar incidente, para que possa conhecer do pedido.
c) poderá, quando presentes os respectiyos pressupostos, deferira medida
cautelar em caráter incidental no processo ajuizado.
d) indeferirá, de plano, para que não ocorra julgamento extra petita.
e) deverá marcar prazo de dez dias para o autor emendá-la, sob pena de
indeferimento dápetição inicial. ,

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A assertiva correta é a letra C, pois, de acordo com o parágrafo único, do


art. 294, do CPC/2015, a tutela provisória de urgência, cautelar ou antecipada,
pode ser concedida em caráter incidental. Além disso, o art. 300 insere os mesmos
requisitos para a concessão dasduas espécies detutela de urgência, deixando clara,
assim, a ftmgibilidade entre as duas espécies, podendo o juiz deferir medida cautelar
no lugar de tutela antecipada.

9. -
(Defensor Público - DPE-AL - 2009 CESPE) JuIgue o item que se segue
no que concerne ao pedido.
O pedido deve ser certo e determinado, contudo, há situações em que
a determinação do quantum debèatur é inviável ao autor por forçadas
17, PETIçãO IMCIAL 179

peculiaridades dodireito almejado, fixando a lei processual as hipóteses


em que se admite pedido genérico de modo restrito/não se admitindo
interpretação ampliativa dessa regra.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto

Segundo a leitura conjunta do caput dos arts. 322 e 324, o pedido deve
ser certo e determinado. No entanto, de acordo com o § Io do art. 324, o pedido
genérico pode ser efetuado nos seguintes casos: a) nas açóes universais, se o autor
não puder individuar os bens demandados; b) quando não for possível determi¬
nar, desde logo, as consequências do ato ou do fato; c) quando a determinação do
objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo
réu. Por fim, prevalece na doutrina o entendimento de que se trata de situação a
ser interpretada restritivamente, não se admitindo a criação de outras hipóteses.1

10. (Defensor Público - DPE-AL - 2009 - CESPE) julgué o item a seguir como
verdadeiro ou falso.
São requisitos essenciais da possibilidade de haver cumulação de pe¬
didos a abrangência da competência do juízo, a identidade de ritos ou
redução ao rito comum ordinário, e a compatibilidade entre os pedidos
formulados, de modo que é inviável a cumulação que não atenda a todos
estes, a exemplo do que ocorreria nà cumulação do pedido de revisão e
nulidade do mesmo contrato.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso

Os mencionados requisitos essenciais na assertiva referem-se à cumulação


simples de pedidos, que ocorre quando a parte deseja que todos sejam acolhidos
(art. 327, § Io, do CPC/2015). No entanto, não é inviável a cumulação que não
obedeça a todos eles, emface da existência da cumulação imprópria (alternativa e

1. MARINONI, Luiz Guilherme;MITID1ERO, Daniel; ARENHART, Sérgio Cruz. Novo cdcí/go deprocesso
civil comentado. São Raulo: RT, 2015, p. 344.
180 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

subsidiária), em que há naturalincompatibilidade entre ospedidos, talqualocorre na


cumulação dopedido de revisão e nulidade do mesmo contrato. Esses pedidos podem
ser cumulados, mas se trata de uma cumulação imprópria.

11. (Defensor Público - DPE-CE - 2014-FCC - adaptada) Julgue o seguinte


item como verdadeiro ou falso.
No processo civil, após a contestação, não se admite em nenhuma hipó¬
tese a alteração do pedido ou da causa de pedir, pois haverá estabilização
do processo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso

A assertiva está incorreta, pois, de acordo com o art. 329, 1, do CPC/2015,


até a citação, o autor aditar ou alterar o pedido ou a causa de pedir, independen¬
temente de consentimento do réu. Além disso, mesmo após a citação e até o
saneamento, essa alteração pode ser feita com o consentimento do réu (art. 329,
II). Destaque-se que, em nenhum momento, a legislação se utilizada contestação
para tratar da alteração do pedido ou da causa de pedir.

12. (Juiz doTrabalho -TRT 1* Região - 2014 - FCC) Condomínio "Sonho de


Vida" ajuizou ação de cobrança requerendo a condenaçãode Guilherme
ao pagamento de cotas condominiais em atraso, no valor de R$ 2.000,00.
De acordo com o Código de Processo Civil, se julgar procedente o pedido,
o juiz deverá condenar Guilherme ao pagamento de R$ 2.000,00
a) apenas, pois, ao decidir, o Juiz está adstrito ao pedido, que deve ser certo
e determinado, sob pena de nulidade da parte da sentença que exceder o
pedido.
b) mais a multa prevista em convenção condominial para o caso deinadim-
piemento, ainda que não tenha havido pedido do autor. WÊÊÈÊ
c) apenas, pois, ao decidir, o Juiz está adstrito ao pedido, que deve ser certo
e determinado, sob pena de nulidade da sentença.
d) mais as cotas condominiais vencidas e não pagas durante o curso do
processo, independentemente de pedido do autor.
17. PETIçãO INICIAL 181

e) mais as cotas condominiais vencidas e não pagas durante o curso do


processo, desde que o autor tenha deduzido pedido nesse sentido.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A assertiva D está em conformidade com o disposto no art. 323 do


CPC/2015, segundo o qual, na obrigação que tiver por objeto o cumprimento de
prestações sucessivas (pagamento de cotas condominiais), essas serão consideradas
incluídas no pedido independentemente de declaração expressa do autor. Aletra A
está equivocada ao restringir o pedido aos R$ 2.000,00. A letra B está equivocada,
pois a imposição da referida multa dependeria de requerimento do autor. A letra
C tem o mesmo problema da letra A. E a letra E está em desacordo com o texto
normativo ao exigir pedido do autor para incluir as prestações vencidas e não pagar
durante o processo na condenação.

13. (Juiz do Trabalho -TRT 1a Região - 2014 - FCC - adaptada) Em razão


de acidente, Cristiano sofreu danos físicos e estéticos, além de danos
materiais emergentes, consistentes nas despesas hospitalares, e lucros
cessantes. Por tal razão, ajuizou ação contra o causador do dano reque¬
rendo indenização pelos danos materiais emergentes, não mencionando
a incidência de juros legais sobre o principal. De acordo com ò Código
de Processo Civil, se julgar procedente o pedido, o Juiz deverá condenar
o réu a indenizar Cristiano por danos materiais emergentes
a) mais lucros cessantes, danos morais e estéticos, além de juros legais,
tendo em vista que os pedidos são interpretados ampliativamente, de
modo que a sentença atenda à real intenção do autor.
b) mais lucros cessantes, por possuírem a mesma natureza dos danos ma¬
teriais emergentes, além de juros legais, os quais estão compreendidos
no principal.
c) e juros legais, tendo em vista que os pedidos são interpretados de acordo com
o conjunto da postulação, mas compreendendo no principal os juros legais.
d) sem incidência de juros legais, tendo em vista que os pedidos são in¬
terpretados restritivamente, não compreendendo tal consectário da
condenação.
182 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) mais lucros cessantes, por possuírem a mesma natureza dos danos ma¬
teriais emergentes, porém sem incidência de juros legais, tendo èm vista
que os pedidos são interpretados restritivamente, não compreendendo
tal consectário da condenação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Letra A: A assertiva está incorreta, pois, como a parte requereu táo somente
os danos materiais emergentes, náo poderia o juiz incluir na condenação os lucros
cessantes, danos morais e estéticos, eis que são pedidos autónomos. Além disso, os
pedidos não devem ser interpretados ampliativamente, mas sim, deacordo com o
conjunto da postulação e com o princípio daboa-fé (art. 322, § 2o). A parte correta
refere-se aos juros legais, que, de acordo com o § Io, do art. 322, consideram-se
incluídos no pedido principal.
Letra B: O erro da assertiva está na equiparação dos lucros cessantes com
os danos materiais emergentes. A parte correta refere-se aos juros legais, que, de
acordo com o § Io do art. 322, consideram-se incluídos no pedido principal.
LetraC: A assertiva está correta,pois os juros legais, deacordo como § 1° do
art. 322, consideram-seincluídos no pedidoprincipal. Além disso, no CPC/2015,
o pedido deve ser interpretado de acordo com o conjunto da postulação e com o
princípio da boa-fé (art. 322, § 2o) e náo mais de forma restritiva, como o foi no
CPC/1973 (art. 293).
Letra D: Assertiva incorreta, pois está em desacordo com o art. 322, § Io,
do CPC.
Letra E: Mesmas considerações da letra B e ainda por estar em desacordo
com o art. 322, § Io, ao mencionar os juros legais.

14. (Defensor Público - DPE-AL -2009 - CESPE) Julgue o item que se segue
no que concerne ao pedido.
No caso de o autor formular mais de um pedido, sendo o primeiro de
imissão na posse de determinado imóvel e o segundo de reparação
17. PETIçãO INICIAI 183

ados pela ocupação injustificada do bem, há cumulação


p,6prii siva, não cumulação subsidiária.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

A cumulação própria sucessiva é definida como aquela em que a parte for¬


mula pedidos sucessivos, em que o segundo só pode ser apreciado se oprimeiro for
julgado procedente. No caso, essa autorização para essa cumulação encontra-seno
art. 555 doCPC/2015, que permite aparte a cumulação ao pedido sucessório do
pedido de condenação em perdas e danos. Não se trata de cumulação subsidiária,
pois, nela, o segundo pedido só será apreciado se o primeiro não puder ser aco¬
lhido (art. 326, caput, CPC).

15. (Advogado - IBRAM-DF - 2009 - CESPE - adaptada) Acerca do instituto


embargos do de,edor e d0

Muito embora seja assente no STJ o entendimento de ser possível a for¬


mulação de pedido genérico, quanto ao montante da indenização, em
ação visando ao ressarcimento de danos morais, não se podendo falar
em inépciada petição inicial, o CPC/201 5 exige expressamente a fixação
de valor da causa nas ações indenizatórias por dano moral.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto.

Dc feto, o entendimento do STJ é no sentido o de permitir a formulação


de pedido genérico nas açóes por indenização por dano moral (AgRg no AREsp
527.202/SP,Rei. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE,TERCEIRATUR-
MA, julgado em 15/09/2015, DJe 30/09/2015).No entanto, o CPC/2015 altera
o panorama normativo ao impor, de forma expressa, que o valor da causa conste da
petição inicial e seja, “na ação indenizatória, inclusive a fundada em dano moral,
o valor pretendido” (art. 292, V).
184 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

16. (Defensor Público - DPE-RS - 201 4 - FCC - adaptada) Sobre petição


inicial, o Código de Processo Civií dispõe que:
a) o pedido será sucessivo, quando, pela natureza da obrigação, o devedor
puder cumprir a prestação demais dè um modo.
b) o requerimento para a citação do réu é requisito previsto da petição iniciâf.
c) é permitida a cumulação, num único processo, contra o mesmo réu, de
vários pedidos, desde que sejam, no mínimo, conexos.
d) são considerados compreendidos, no pedido principal, os juros legatee as
prestações periódicas, em face dà regra geral da interpretação extensiva'
dos pedidos, compatível com a modernização do processo civil, voltada
para a efetividade dos direitos.
e) é causa de seu indeferimento a indeterm)nação dô pedido para além dás
hipóteses em que há autorização legal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Letra A: A assertiva está incorreta. O conceito mencionado é referente ao


pedido alternativo, segundo o qual, pela natureza da obrigação, o devedor puder
cumprir a prestação de mais de um modo (art. 325 do CPC/2015).
Letra B: A assertiva está incorreta, pois, no art. 319 do CPC/2015, o re¬
querimento de citação deixou de ser requisito da petição inicial, passando a ser
entendida como decorrente do exercício da pretensão do autor contra o réu.
Letra C: A assertiva está incorreta, eis que o caputdo art. 327 do CPC/2015,
é expresso ao afirmar que a cumulação é lícita, ainda que entre os pedidos não
haja conexão.
Letra D: Na assertiva, de fato, os juros legais (art. 322, § Io) e as presta¬
ções periódicas (art. 323) estão compreendidas no principal. No entanto, não há
previsão de interpretação extensiva do pedido, mas tão somente que eles sejam
interpretados de acordo com o conjunto da postulação e com a boa-fé (art. 322,
§ 2o), tornando-a incorreta.

Letra E: Correta, pois, de acordo com o § Io do art. 330, é considerada


inepta a petição inicial nos casos em que o pedido for indeterminado, ressalvadas
as hipóteses legais em que ele é autorizado.
17. PíTiçto INICIAL 185

17. (Defensor Público - DPE-ES - 2014 - FCC) Sobre a causa de pedir, é


correto afirmar:
a) O fundamento legal invocado na petição inicial e a argumentação utilizada
integram a causa de pedir, a qual, juntamente com o pedido, delimita os
contornos objetivos da lide, repercutindo no futuro alcance da coisa julgada
1
b) Traduzida no fato e nos fundamentos jurídicos do pedido, além de ex¬
presso requisito da petição inicial, é um dos elementos identificadores
da demanda, com repercussão direta no alcance da coisa julgada.
c) O CPC adotou a teoria da substanciação, exigindo que se apresente o
fato, os fundamentos jurídicos (relação jurídica) e o pedido.
d) O CPC, ao dispor que a causa de pedir deve individualizar os fatos e os
fundamentos jurídicos do pedido, adotou a teoria da individuação.
e) Conforme preceituado pelo CPC, contém o fato e os fundamentos jurídicos
do pedido, esses sinónimos de fundamento legal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Letra: Aassertiva estáincorreta,pois os elementos identificadores da deman¬


da são as partes, a causa de pedir e o pedido, tendo sido o primeiro ignorado. Além
disso, o fundamento legal (indicação dos textos normativos) não é considerado
como elemento integrante da causa de pedir, podendo, inclusive, ser alterado pelo
magistrado.
Letra B: A assertiva está correta, pois a causa de pedir (teoria da substan¬
ciação) é formada pelos fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. Além disso,
prevalece na doutrina que a eficácia preclusiva da coisa julgada só atinge a(s) causa(s)
de pedir deduzida(s) no processo.
Letra C: A assertiva está incorreta, pois a teoria da substanciação defende
que a parte apresente os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido. O próprio
pedido não faz parte da causa de pedir.
Letra D: Para a teoria da individuação apenas são importantes os funda¬
mentos jurídicos, ao contrário do apontado na assertiva. O conceito utilizado na
assertiva estaria correto se fizesse referência à teoria da substanciação.
186 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra E: A causa de pedir é composta pelos fatos e pelos fundamentos ju¬


rídicos do pedido. Mas estes não se confundem com o fundamento legal, que é a
mera indicação dos textos normativos.

18. Acerca dos requisitos da petição inicial, marque a alternativa incorreta:


a) Oautordeveindicarapenasosnomes,prenomes,estadocivil,aprofissão,
o domicílio e a residência do réu.
b) Caso o autor não detenha alguma das informações legalmente exigidas
acerca do réu, poderá requerer ao juiz as diligências necessárias para a
sua obtenção.
c) O autor deve realizar, na petição inicial, a opção pela realização ou não
da audiência de conciliação e mediação.
d) Mesmo que o autor não indique todos os elementos de identificação do
réu, ainda assim a petição inicial não deve ser indeferida se for possível
a citação do réu.

COMENTÁRIOS
Resposta: À

Letra A: A assertiva está incorreta,pois, nos termos do art. 319,II, do CPC,


o autor deve indicar as seguintes informações, algumas delas não mencionadas
na questão: os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a
profissão, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro
Nacional da Pessoa Jurídica, o endereço eletrónico, o domicílio e a residência do
autor e do réu.

LetraB:Assertiva correta, sendoautorizadapelo art. 319,§ Io,do CPC/2015.

Letra C: Assertiva correta, sendo uma nova exigência da petição inicial no


CPC/2015, constante do art. 319, VII, do CPC/2015.

Letra D: Assertiva correta, autorizada pelo art. 319, § 2o, do CPC/2015.

19. (Titular de Serviços de Notas e de Registros -TJSE- 2014 - CESPE) Acerca


da petição inicial, assinale a opção correta.
«11li!
17. PETIçãO INICIAI I 187

a) Na hipótese de cumulação de pedidos própria, o juiz não pode acolher


mais de um pedido simultaneamente, o que é possível no caso de pedido

b) O autor poderá alterar tanto a causa de pedir quanto o pedido depois do


saneamento do processo, desde que haja concordância do réu.
c) Não possuirá efeito regressivo a apelação interposta contra decisão que

d) Ae
i ciai é um direito subjetivo do autor.

COMENTÁRIOS
Gabarito; D

Letra A: Assertiva incorreta. Na cumulação de pedidos própria, o juiz pode


acolher mais de um pedido simultaneamente. No pedido alternativo, de fato,
não é possível acolher mais de um pedido simultaneamente, já na cumulação
sucessiva, sim, a exemplo da ação de reconhecimento de paternidade cumulada
com alimentos.

Letra B: Assertiva incorreta, pois, de acordo com o art. 329, II, do CPC, a
alteração da causa de pedir e do pedido só pode ser realizada até o saneamento do
processo, mesmo que com o consentimento do réu.

Letra C: O efeito regressivo consiste na possibilidade de o juiz voltar atrás


na sua decisão. Na apelação contra o indeferimento dapetição inicial, ao contrário
do apontado na assertiva, ele existe, pois o juiz pode se retratar no prazo de cinco
dias (art. 331, caput, do CPC/2015).
LetraD: Correta, pois, deacordo com o STJ, a emenda dainicial realmente
é um direito subjetivo do autor (STJ, laT., AgRg no REsp 5 56.569/RJ, Rei. Min.
Francisco Falcão, j. 04/12/2003, DJ 22/03/2004).
18

Audiência de Conciliação
ou Mediação

1. (Advogado - TJ-SP - 2013 - VUNESP - adaptada) No atual sistema,


pode-se dizer que o comparecimento das partes na audiência do artigo
334 do Código de Processo Civil:
a) é facultativo, sendo a única consequência advinda do não compareci¬
mento é a frustação da conciliação.
b) é ônus, sendo que o não comparecimento da parte que foi intimada para
tanto gera confissão.
c) não é facultativo nas hipóteses em que houve expressa manifestação de
vontade, nos autos, de realizar acordo.
d) é obrigatório, se não se tratar de hipótese de direitos indisponíveis õu caso
ambas as partes manifestem expressamente o desinteresse na composição
consensual.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. Ver os comentários à letra D.


Alternativa B: Incorreta. Não há previsão de confissão pelo não compare¬
cimento das partes.
1B. AUDIêNCIA DE CONCIUAçâO OU MEDIAçãO 189

Alternativa C: Incorreta. Ê indiferente se uma ou ambas manifestam


interesse no acordo para que a audiência seja realizada e também quanto a sua
obrigatoriedade ou não.
Alternativa D: Correta. O art. 334, § 8o, do CPC/2015, considera que o
não comparecimento injustificado do autor ou do réuà audiência de conciliação é
ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com multa de até dois por
cento da vantagem económica pretendida ou do valor da causa, revertida em favor
da União ou do Estado. Portanto, exceto na hipótese de direitos indisponíveis ou
em que ambas as partes manifestem expressamente o desinteresse na composição
consensual, não será realizada a audiência (art. 334, § 4o); fora dessas duas hipó¬
teses, é obrigatório o comparecimento das partes.

COMENTÁRIOS
Gabarito: incorreta.

Em regra, o réu será citado pelo correio (art. 246,1, c/c art. 247, caput, ambos
do CPC/2015) e, no CPC/2015, sendo caso de realização da audiência, o réu será
diretamente citado para a ela comparecer. No entanto, o autor será intimado na
pessoa do seu advogado (art. 334, § 3o).

3. Acerca da audiência de conciliação ou de mediação, marque a alternativa


incorreta:
a) Havendo iitisconsórcio, o desinteresse na realização da audiência deve
ser manifestado por todos os litisconsortes.
b) A audiência de conciliação ou de mediação pode realizar-se por meio
eletrónico, nos termos da lei.
c) É facultativo que as partes estejam acompanhadas pelos seus advogados
ou defensores públicos.
190 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) A autócomposição será reduzida a termo e homologada por sentença.


e) Uma das Hipóteses na qual a audiência não será realizada é quando não
se admitir a autocomposição. li!
COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 6o, do


CPC/2015.
Alternativa B: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 7o, do
CPC/2015.
Alternativa C: Incorreta.É obrigatório que aspartes estejam acompanhadas
por seus advogados ou defensores públicos (art. 334, § 9o, CPC/2015).

Alternativa D: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 11, do


CPC/2015.
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 4o, I, do
CPC/2015.

4. Julgue a seguinte assertiva acerca da audiência de mediação ou de con¬


ciliação:
Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de
improcedêncialiminar do pedido, o juiz designará audiência de conci¬
liação ou de mediação com antecedência mínima de 20 dias, devendo
ser citado o réu com pelo menos 10 dias de antecedência,

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

O caput, do art. 334, do CPC determina que a audiência seja designada


.
com antecedência mínima de 30 e não de 20 dias Além disso, o réu deve ser citado
com pelo menos 20 dias de antecedência e não 10.
18. AUDIêNCIA W CONCILIAçãO OU MEDIAçãO j 191

5. Acerca da audiência de conciliação ou de mediação, marque a alternativa


incorreta:
a) Oautor deverá indicar, na petição inicial, oseu desinteresse na autocom-

b)

c) O conciliador ou o mediador, onde houver, atuará necessariamènte ria


audiência de conciliação e de mediação.
d) O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência de
conciliação e considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será
sancionado com multa de até dois por cento da vantagem económica
pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da União ou do Estado.
e) A pauta das audiências de conciliação ou de mediação será organizada
de modo a respeitar o intervalo mínimo de 20 (vinte) minutos entre o
início de uma e o início da seguinte.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Alternativa A: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 5o, do


CPC/2015.
Alternativa B:Incorreta. Caso o réu tenha desinteresse na autocomposição,
deverá fazê-lo por meio de petição, apresentada com 10 dias de antecedência,
contados da data da audiência (art. 334, § 5o, CPC/2015).
Alternativa C: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § Io, do
CPC/2015.
Alternativa D: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 8o, do
CPC/2015.
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 334, § 12, do
CPC/2015.

6. Julgue a seguinte assertiva acerca da audiência de mediação ou de


conciliação:
192 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Caso autor ou réu não compareçam de forma injustificada à audiência


de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será
sancionado com multa de até dois por cento da vantagem económica
pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da parte contrária.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

Ao contrário do apontado na assertiva, essa muitaserárevertida em favor da


União oudoEstado (art.334,§ 8o, CPC/2015) e não em favor daparte contrária.
>ÿ
19

Respostas do Réu

1. :ial de Justiça -TJRO - FGV - 2015 - adaptada) O réu, no proce¬


dimento ordinário, poderá oferecer a contestação rio prazo de quinze
dias, em petição escrita, dirigida ao juiz. Quanto áesse prazo de resposta,
jode-se clássificá-lo como um prazo:

a) judiciai e impróprio.
b) judicial e próprio.
c) ;gal e impróprio.
d) convencional e impróprio.
e) legal e próprio.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O prazopara apresentação de contestação é legal epróprio.Legalporque está


expressamente previsto em lei (art. 335, CPC); próprio porque acarreta preciusão
temporal se não for respeitado, fazendo incidir a revelia.
Na redação original da questão, o prazo para contestar era classificado
também como um prazo peremptório, ou seja, como um prazo que não admite
alteração. Essa realidademuda como novo CPC. É possível que as partes alterem,
194 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

através de negócio processual (art. 190) os seus prazos no processo. Além disso, o
art. 139,VI, do CPC autoriza que o magistrado dilate os prazos processuais visan¬
do adequá-los às necessidades do conflito de modo a conferir maior efetividade à
tutelado direito. Desta forma, o leitor deve atentar à necessidade de uma releitura
desta classificação dos prazos, tendo em vista que o novo CPC consagra hipóteses
de alteração judicial e convencional de prazos peremptórios.

2. (Juiz doEstado -TJPB - CESPE - 2015) Em um processo, o réu apresentou


contestação em que alegou incompetência absoluta do juízoeexistência
de conexão com um processo mais antigo, que se encontra em fase de
apelação. Além disso, reconheceu a existência dos fatos narrados na
petição inicial, mas invocou a prescrição da pretensão do autor. Por sua
vez, o juiz averiguou que a contestação havia sido apresentada intem¬
pestivamente.
Nessa situação hipotética,
a) ojuiznãpdeveacolheraconexão,maslhecabeextinguironovoprocesso
pela hipótese de existência da coisa julgada.
b) a aplicação dos efeitos da reyelia impede que o juiz aprecie a alegada
ocorrência da prescrição.
c) o juiz deve acolher o argumento de conexão e determinar a reunião dos
processos.
d) entre as alegações apresentadas pelo réu, apenas a prescrição é defesa
de mérito indireta.
e) a incompetência absoluta do juízo deveria ter sido arguida por meio de
exceção.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A questão apresenta um conteúdo complexo, exigindo do candidato um co¬


nhecimento mais aprofundado a respeito das matérias de defesa. A respeito do caso:
i) Sobre a alegação de incompetência absoluta: deve ser alegada como
preliminar de contestação e admite o conhecimento de ofício pelo
magistrado (art. 337,II e § 5o do CPC).
19. RESPOSTAS DO RíU 195

ii) Sobre a conexão: não é possível haver conexão entre processos de


instâncias diversas. Assim, ainda que as causas sejam conexas, verifi¬
cando-se que um dos processos está no segundo grau e outro está no
primeiro, nãoépossívelareunião. Veja-seoart. 55, § l°eoEnunciado
n° 235 da súmula do STJ: “A conexão não determina a reunião dos
processos, se um deles já foi julgado”.
iii) Sobre o reconhecimento de fatos ocorrido na inicial: trata-se de ad¬
missão de íàtos. Assim, o réu deixa de contestar a veracidade dos fatos.
A admissão não é suficiente ao reconhecimento da relação jurídica
afirmada pelo autor. Não houve confissão, mas mera admissão.
iv) Sobre a invocação da prescrição: trata-se de defesa de mérito indireta.
Ou seja, o réu alega um fato extintivo, modificativo ou impeditivo do
direito do autor. Admitiu,no caso, o fato, mas negouas consequências
jurídicas com base na ocorrência de prescrição do direito, tratando-se
de fato extintivo, pois. É possível ao magistrado conhecer de ofício da
prescrição, nos termos do art. 487, II.
v) Sobre a intempestividade: é possível ao magistrado conhecer da
intempestividade na apresentação da contestação. Como se trata de
prazo peremptório, configurar-se-á a revelia, considerando-se não
contestada a ação.

Quanto às assertivas:
LetraA:ERRADA. Haveriahipótese delitispendência e não de coisa julgada.
Nos termos do art. 337, § Io: “§ Io Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada
quando se reproduz ação anteriormente ajuizada”.
Letra B: ERRADA. Ver comentários ao ponto “iv”.

Letra C: ERRADA. Ver comentários ao ponto “ii”.


Letra D: CORRETA. Ver comentários ao ponto “iv”.
Letra E; ERRADA. Ver comentários ao ponto “i”.

3, -
(Analista judiciário -TRT3 FCC - 2015) Fernando ajuizou ação contra
Priscila sustentando que esta, por culpa, abalroou seu veículo, causando-
196 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIl

-lhe danos exclusivamente materiais, os quais estariam comprovados


por recibos de pagamento que anexou à petição inicial. De acordo com
Fernando, o valor dos danos, já atualizado monetariamente e acrescido
de juros legais, seria de R$ 8.000,00. Com base, exclusivamente, na prova
documental, requereu a condenação de Priscila ao pagamento de R$
15.000,00 a título de indenização por danos materiais. Em contestação,
Priscila negou ter agido com culpa. No entanto, não impugnou o valor
do pedido de indenização. Se o Juiz sé convencer de que Priscila tem
responsabilidade pelo acidente, deverá:
a) julgar totalmente procedente o pedido, condenando-a ao pagamento de
R$ 15.000,00, tendo em vista caber ao Réu, na contestação, alegar toda
a matéria de defesa, presumindo-se verdadeiros, de maneira absoluta,
os fatos não impugnados.
b) julgar parcialmenteprocedente o pedido, condenando-a ao pagamento
de R$ 8.000,00, tendo em vista ser relativa a presunção de veracidade
decorrente da ausência de impugnação específica.
c) indeferirapetiçãoinicialeextinguiroprocessosemresoluçãode mérito,
pois da narrativa não decorre logicamente o pedido.
d) julgar improcedente o pedido, pois Fernando utilizou o processo para
obter objetivo ilegal, o que deve ser coibido pelo Poder Judiciário.
e) julgar parcialmente procedente o pedido, condenando-a ao pagamento
de R$ 8.000,00, tendo em vista que, apesar de absoluta a presunção de
veracidade decorrente da ausência de impugnação específica, Fernando
utilizou o processo para obter objetivo ilegal, o que deve ser coibido pelo
Poderjudiciário.

COMENTÁRIOS

Gabarito: B

A questão em comento apresenta uma situação aparentemente complexa,


mas que, em uma leitura cuidadosa, demonstra-se de simples solução. Há uma
tendência nas bancas de concurso em apresentar uma situação de fato extensa,
onde somente alguns dados são relevantes. O que temos aqui é o seguinte: o
autor requereu a condenação do réu em indenização por danos morais no valor
de R$ 15.000,00, mas somente conseguiu comprovar prejuízos de R$ 8.000,00.
19. RESPOSTAS DO RéU 197

Qualquer condenação acima do valor provado geraria enriquecimento ilícito. A


ré apresentou defesa direta, negando os fatos alegados. O magistrado reconheceu
a culpa. A solução é simples: julgamento procedente (o que exclui as assertivas
C e D) com base no valor comprovado do prejuízo (o que exclui a assertiva A).
Na escolha entre as assertivas B e E é necessário verificar a natureza da
presunção que decorre do não atendimento do ônus da impugnação específica.
Trata-se de presunção relativa aquela decorrente da não impugnação de alegações
de fato. O próprio conjunto probatório produzido nos autos é suficiente para
contraditá-los.Exclui-se a assertivaE,restando como resposta corretaaassertivaB.

4. Assinale a resposta correta:


Na hipótese de o réu alegar na contestação ser parte ilegítima,
a) Incumbeaeleindicarosujeitopassivodarelaçãojurídicadiscutidasempre
que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e
de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação.
b) O magistrado conhecerá de logo a alegação. Entendendo pela ilegitimidade
do réu, extinguir-se-á o processo sém resolução de mérito.
c) Deve promover, na contestação, a nomeação à autoria. Trata-se de hipó¬
tese de intervenção de terceiros destinada à correção do polo passivo do
processo.
d) O juiz ordenará ao autor, em quinze dias, a alteração da petição inicial
somente para incluir, como litisconsorte pàssivo, o sujeito eventualmente
indicado pelo réu.
e) Deve promover, na contestação, a nomeação à autoria.Trata-sede hipótese
deintervenção de terceiros destinada à correção do polo ativo do processo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O novo CPC promoveu profundas alterações nas intervenções de tercei¬


ros. Acrescentou a desconsideração dapersonalidadejurídica-, consagrou a oposição
como procedimento especial; não tratou da nomeação à autoria. Todavia, apesar
de não tratar da nomeação à autoria, previu um incidente processual de correção
do polo passivo da demanda quando a ilegitimidade for alegada em contestação.
O regramento do tema está nos artigos 338 e 339 do novo CPC.
198 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra A: CORRETA. Nos exatos termos do caput do art. 339: "Art. 339.
Quando alegar sua ilegitimidade, incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da
relação jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com
as despesas processuais e deindenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta
de indicação”.
Letra B: ERRADA. Deve-se dar oportunidade para que o autor corrija o
polo passivo dademanda. É o art. 338, caput. “Alegando o réu, na contestação, ser
parte ilegítima ou não ser o responsável pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao
autor, em 15 (quinze) dias, a alteração da petição inicial para substituição do réu”.

Letra C: ERRADA. A assertiva estaria correta sob a égide do CPC/73. De


fato, a nomeação à autoria servia à correção do polo passivo. Ocorre que já não
existe esta modalidade de intervenção de terceiros.

Letra D: ERRADA.A inclusão do sujeito indicado pelo réu como litiscon-


sórcio passivo é umafaculdade do autor. Nos termos do art. 339, § 2°: “No prazo
de 15 (quinze) dias, o autor pode optar por alterar a petição inicial para incluir,
como litisconsorte passivo, o sujeito indicado pelo réu”.

Letra E: ERRADA. Não mais existe esta modalidade de intervenção de


terceiros.

5. - -
(Defensor Público Federal DPU CESPE - 2014) Considerando que
determiriáda parte tènhàpropostq ação deindenizaçãocontra outra parle,

sÿ0SUaC0"denaÇa0emdan0Sm0ra'Sematór,a'S"UlgUe0l,em
Havendo entre uma das partes e um terceiro comunhão de direitos ou
de obrigações relativamente à lide, a outra parte poderá reconvír em
face de ambos em litiscqnsórçio passivo, ainda que õ terceiro não figure
originaríamente na lide.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Verdadeiro.

A entrada em vigor do novo CPC alterou o gabarito da questão, ori-


ginariamente tida como falsa. E que antes do CPC/ 15 não se admitia na
19. RESPOSTAS DO RéU 199

reconvenção apontar um litisconsórcio passivo entre o autor originário e um


terceiro. O código expressamente revoga tai entendimento para permitir a
possibilidade tanto de litisconsórcio ativo quanto passivo com terceiros que
originalmente não figuravam no processo em sede de reconvenção. Nos ter¬
mos do art. 343, §§ 3o e 4o: “Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor
reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal
oucom o fundamento da defesa. (...)§ 3o A reconvenção pode ser proposta
contra o autor e terceiro. § 4o A reconvenção pode ser proposta pelo réu em
litisconsórcio com terceiro”.

6. (DefensorPúblico-DPE-PE-CESPE-2014)Acercadasintervençõesde
terceiros, da competência e das modalidades de respostas do réu, julgue
o item a seguir.
Em caso de incompetência do juízo, independentemente de sua natureza,
o instrumento a ser utilizado para combatê-la é a oposição de exceção
de incompetência, a qual necessariamente deverá ser fundamentada e
devidamente instruída.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

O novo CPC altera bastante o regime de alegação das exceções. Agora,


toda a matéria de defesa deve ser apresentada em articulados únicos. Exemplo
é a própria alegação de incompetência, seja absoluta ou relativa, que deve ser
apresentada no corpo da própria contestação. Nos termos do art. 337, II: “Art.
337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: (...) II- incompetência
absoluta e relativa”.

7. (Procurador do Município de Niterói - PGM -FGV - 2014 - adaptada)


Para reformar um determinado bem público, o Prefeito Municipal contrata
uma empresa particular para a execução da obra, com autorização para
tanto. Todavia, a obra vem a causar danos a um particular, decorrentes
de má execução. O particular demanda ação de conhecimento de repar
ração dos danos em face do referido Município, em litisconsórcio com
a empresa particular contratada, sob o rito ordinário.
200 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Para fins de resposta dos réus, assinale a afirmaiiva còrrétâ.


a) Ambos os réus terão o prazo em quádruplo para contestar e reconvir,
caso queiram, uma vez que a prerrogativa de prazo especial da Fazenda
deve prevalecer para todos os réus.
b) O procurador da empresa particular contratada pelo Município terá o
prazo dè 1 5 dias para contestar/ uma vez que não se aplica a este o prazo
especial da Fazenda.
c) O Procurador Municipal terá o prazo em dobro para contestar em virtude
de se tratar de Iitiseonsórcio com proeúradores:distintos.
d) O Procurador Municipal terá o prazo em quádruplo para contestar e
reconvir, e o Procurador da empresa contratada terá o prazo em dobro
somente para oferecer exceção de incompetência.
e) O Procurador Municipal e o Procurador da empresa contratada terão o
prazo em dobro para responder.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A questão aborda a alteração dos regimes de prazos diferenciados previstos


para a Fazenda Pública. Não há mais falar em prazo em quádruplo para que a Fa¬
zenda Pública apresente defesa. Nos termos do art. 183, os prazos serão contados
em dobro para contestar, recorrer ou apresentar qualquer manifestação processual.
Só não há de se aplicar este prazo em dobro quando a lei estabelecer, de forma
expressa, prazo próprio para o ente público.
No mesmo sentido, o art. 229 do novo código consagraprazo em dobro para
litisconsortes que possuírem procuradores diferentes, de escritórios de advocacia
distintos. Acrescentou-se este último requisito, que merece ser lido com cautela:não
necessariamentehá falar em escritorios diferentes.Épossívela aplicação do dispositivo
em um exemplo como o apresentado na questão, em que uma parte é representada
por procuradoriamunicipal e outra por escritório privado. O caso apresentado ao
examinando trata da aplicação cumulativa ou não dos arts. 183 e 229.
Ocorre que não merecem aplicação cumulativa tais dispositivos. Não há
soma deprazos dobrados. Este entendimento é pacífico, já há muito, na jurispru-
19. RESPOSTAS DO RéU 201

dência do STJ. Nesse sentido, o AgRg no AREsp. 8.510/ES, julgado em 2011.


Desta forma, o prazo em dobro para responder decorre para a Fazenda Municipal
da incidência do art. 183; para o particular da incidência do art. 229. Correta,
pois, a assertiva E.

8. (Analista Judiciário -TJAP - FCC - 2014) Considere as assertivas quanto


à resposta do réu:
i. O ônusda impugnação especificada dos fatos não se aplica ao advogado
dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público.
II. Após a contestação, só é lícito deduzir novas alegações em relação a
matéria de ordem pública, suscetível de arguição a qualquer tempo.
Ill. Cabe ao réu manifestar-se precisamente sobre os fatos narrados na petição
inicial, presumindo-se verdadeiros os fatos não impugnados, salvo, entre
outras razões, se estiverem em contradição com a defesa, considerada
em seu conjunto.
Está correto o que se afirma APENAS em
a) I e III.
b) I e II.
c) lie III.
d) II.
e) III.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O gabarito original da questão foi a assertiva A. É que uma das alterações


destacadas do novo CPC ocorreuno art. 341,parágrafo único. Retirou-se a figura
do Ministério Público das exceções ao ónus da impugnação específica,inserindo-se
a figura do Defensor Público.

Item I: ERRADO. Nos termos do art. 341, parágrafo único: “O ônus da


impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público, ao advogado
dativo e ao curador especial”.
202 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Item II: ERRADO. Nos termos do art. 342: “Art. 342. Depois da contes¬
tação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando:I- relativas a direito ou a
fàto superveniente;II-competir ao juiz conhecerdelas de ofício;III-por expressa
autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e graude jurisdição”.

Item III: CORRETO. Nos termos do art. 341, III: “Art. 341. Incumbe
também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes
da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se: (...)
estiverem em contradição coma defesa, considerada em seu conjunto”.

9. (Defensor Público - DPE-CE - FCC - 2014 - adaptada) Em relação à


contestação e à reconvenção,
a) Vá desistência da ação, ou a existência de qualquer causa que a extinga,
obsta aoprosseguimento da reconvenção, por ser ela subordinada à ação
da qual proveio.
b) julgar-sé-ão por sentenças autónomas a ação e a reconvenção,
c) não pode o réu, em seu próprio nome, reconvir ao autor, quando este for

d) depois da contestação, somente élícito deduzir novas alegações quando


competir ao juiz conhecer delas de ofício.
e) entre outras razões, compete âo réu alegar em contestação, antes de
discutir o mérito, a incompetência absoluta e reíat
litispéndência, a coisa julgada e a conexão.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O novo CPC trouxe alterações relevantes no que refere às defesas do réu.


De destacar o fato de que todas as defesas deverão ser apresentadas em articulados
únicos. Ou seja, contestação, exceções e a própria reconvenção são apresentadas
em única petição. Todavia, alguns regramentos foram mantidos.

Letra A: ERRADA. Nos termos do art. 343, § 2o: “A desistência da ação


ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta
ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção”.
19. RESPOSTAS DO RéU | 203

Letra B: ERRADA. Ação e reconvenção são julgadas pela mesma sentença.


Apesar do novo CPC não trazer um dispositivo referente ao antigo art. 318 do
CPC/73, a regra se mantém. Tratam-se de postulações cumuladas em ummesmo
processo, apresentados em uma fase postulatória inicial, sem qualquer relação abs¬
tratamente verificável deprejudicialidade. Aconexão justifica, pois, o julgamento
de ambas pela mesma sentença.

Letra C: ERRADA. Nos termos do art. 353, § 5o: “Se o autor for substituto
processual, o reconvinte deverá afirmar ser titular dedireito em lace do substituído,
e a reconvenção deverá ser proposta em face do autor, também na qualidade de
substituto processual”.

Letra D: ERRADA. Há outras hipóteses além da apresentada na assertiva.


Nos termos do art. 342: “Art. 342. Depois da contestação, sóé lícito ao réu deduzir
novas alegações quando:I- relativas a direito oua fato superveniente;II- competir
ao juiz conhecer delas de ofício;III- por expressa autorização legal, puderem ser
formuladas em qualquer tempo egrau de jurisdição”.

Letra E: CORRETA. São matérias que incumbem ao réu alegar na contes¬


tação, nos termos do art. 337, incisos II, V, VI, VII e VIII.

10. (Juiz de Direito -TJSP-VUNESP- 2014 -adaptada) Geraldo propõe


ação judicial pelo procedimento comum ordinário em face da Munici¬
palidade de São Paulo e da Municipalidade de São Caetano do Sul, em
litisconsórcio passivo. No que diz respeito ao prazo de contestação, é
correto afirmar que, nesse caso, é computado em: HHKÉÉ
a) óctuplo, na medida emque, alémdeaaçãotersidoajuizadacontrao Poder
Público, há ainda o cômputo do prazo erri dobro por haver litisconsórcio
passivo com procuradores distintos para cada Municipalidade.
b) quádruplo, pois as Municipalidades deverão ser representadas por pro¬
curadores distintos.
c) dobro, por se tratar de ação envolvendo a Fazenda Pública no polo pas-

d)
d:ástrasMun,c'
Mi
palidad“sciamrepr“porpracura'
204 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito; C

O novo CPC alterou o regime de prazos diferenciados para o Ministério


Público e para a Advocacia Pública. Se antes os prazos eram em quádruplo para
contestar e em dobropara recorrer (art. 188, CPC/73),hojeosprazos são em dobro
para contestar, recorrer ou apresentar qualquer manifestação processual. Só não
há de se aplicar este prazo em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa,
prazo próprio para o ente público. São os termos do art. 183.
Da mesma forma, o art. 229 do novo código consagra prazo em dobro para
litisconsortes que possuírem procuradores diferentes, de escritórios de advocacia
distintos. O caso em comento põe em dúvida a aplicação cumulativa ou não dos
arts. 183 e 229, pois confronta o candidato coma situação de duas municipalidades
em litisconsórcio passivo, representadas por procuradorias diversas.
Ocorre que não devem incidir cumulativamente tais dispositivos. Não há
soma deprazosdobrados. Este entendimento épacífico, jáhámuito,na jurisprudên¬
cia do STJ. Nesse sentido, o AgRg no AREsp. 8.510/ES, julgado em 2011. Desta
forma, só resta reconhecer a incidência do arc. 183, não sendo de aplicar cumula¬
tivamente o art. 229. Prazo em dobro, pois, admitindo-se como correta a letra C.

.
11 (Promotor de Justiça - MPE-PA - 2014 - FCC - adaptada) No tocante à
matéria alegada preliminarmente em contestação:
.
I Há Iitispendência, quando se repete ação, que esta em curso; ha coisa
julgâda> quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que
não caiba recurso.
jfj Com exceção do compromisso arbitrai e da inexistência ou nulidade
de citação, o juiz conhecerá de ofício da matéria que pode ser arguH3
preliminarmente em contestação.
III. Cabe também ao réu o ônus da impugnação especificada dos fatos, o
que não se aplica, porém, ao advogado dativo, ao a

r~~
19. RESPOSTAS DO Rfu 205

c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, apenas. Igfjff
COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

O art. 337 do novo CPC elcnca as matérias que podem ser alegadas em sede
de contestação. O novo Código consagrou a concentração de defesa, permitindo
que tanto a reconvenção quanto as exceções fossem apresentadas em peça única
junto à contestação. A questão em comento aborda, ainda, o ónus da impugnação
específica imposto ao réu que, em regra, deve se manifestar a respeito de todos os
fatos alegados pelo autor, sob pena de se consideram verdadeiros.
Item I: CORRETO. O art. 337, VI e VII, consagra a alegação de litis-
pendência e coisa julgada como matérias de defesa. Os §§ Io a 2° do dispositivo
regulam melhor a matéria. Hálitispendência ou coisa julgada quando se reproduz
uma ação idêntica (mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido) a outra
anteriormente ajuizada. Verifica-se litispendência quando a ação predecessora
estiver ainda em curso e a coisa julgada quando esta já houver sido decidida por
decisão transitada em julgado.
ItemII: ERRADO. Somente duas matérias daquelas elencadas no art. 337
exigem manifestação expressa daspartes: convenção de arbitragem e incompetência
relativa. As demais podem ser conhecidas de ofício pelo magistrado. São os termos
do § 5o do art. 337: "Excetuadas a convenção de arbitragem e aincompetência
relativa, o juiz conhecerá de ofício das matérias enumeradas neste artigo”.
ItemIII: CORRETO.Exatamente nos termos do art. 341,parágrafo único:
“O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público,
ao advogado dativo e ao curador especial”.

12. (Promotor de justiça - MPE-SC - banca própria - 2014) Analise os enun¬


ciados das questões abaixo e assinale se ele é Certo ou Errado.
De acordo com o Código de Processo Civil, não pode o réu, em seu
próprio nome, reconvir ao autor, quando este demandar em nome de
206 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

outrem. A desistência da ação, ou a existência de qualquer causa que


a extinga, obsta ao prosseguimento da reconvenção.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Errado.

A questão em comento tem duas partes. Sob a égide do CPC/73 somente a


segunda parte estava incorreta. Atualmente, de acordo com o novo CPC, as duas
afirmativas feitas na questão estão falsas. A primeira parte da questão é contrária
ao que afirma o art. 343, § 5o: “Se o autor for substituto processual, o reconvinte
deverá afirmar ser titular de direito em face do substituído, e a reconvenção deverá
ser proposta em face do autor, também na qualidade de substituto processual”.

A segunda parte entra em confronto com o § 2o do mesmo art. 343: “A


desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu
mérito não obstaao prosseguimento do processo quanto à reconvenção”. Por isso,
a assertiva é falsa.

13. Após a leitura do caso, julgue o item a seguir:


joao propõe ação contra Pedro. Após a citação, Pedro verifica que o pro¬
cesso está correndo perante juízo incompetente. Apresentada a coritésta-
çãoealegadaem sede depréliminara incompetência, estaérècónhècida.
Ao reconhecer a incompetência o juiz profere decisão com o seguinte
teor: "Ordeno o envio dos autos ao domicílio do réu, juízo competente
para processar e julgar esta causa. Mantenho a data da audiência prévia
de conciliação ou mediação conforme oríginaimente definida."
O magistrado agiu corretamente nos termos do novo CPC. Yez resolvida
a questão relacionada à competência, em respeito ao princípio da dura¬
ção razoável do processo, é salutar a manutenção da audiência na data
originalmentedesignada, sob pena de se verificarem atrasos infundados.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

A forma de processamento das alegações de incompetência relativa e


absoluta foi significativamente alterada com o novo CPC, especiaímente em
19. RESPOSTAS DO Rfu 207

face da previsão de que, como matéria de defesa arguida em sede de contesta¬


ção, não se pode deixar para apreciá-la somente após a ocorrência da audiência
prévia de conciliação ou mediação. É que este ato deve ocorrer já perante o juízo
competente.

Assim, o art. 340, §§ 3o e 4o, traz a regulação da hipótese apresentada na


questão: “Art. 340. Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a
contestação poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será
imediatamente comunicado ao juiz da causa, preferencialmente por meio ele¬
trónico. (...)§ 3o Alegada a incompetência nos termos do caput, será suspensa
a realização da audiência de conciliação ou de mediação, se tiver sido designada.
§ 4o Definida a competência, o juízo competente designará nova data para a
audiência de conciliação ou de mediação”. Por isso, a atitude do magistrado foi
incorreta.

14. A respeito do termo iniciai do prazo para contestação, assinale a afir¬


mativa incorreta:
a) O prazo para contestar tem por termo inicial a data da audiência de
conciliação ou de mediação, ou da última sessão de conciliação, quando
não houver autocomposição.
b) O prazo para contestar tem por termo inicial a data do protocolo do
pedido de cancelamento da audiência de conciliação ou de mediação
apresentado pelo réu na hipótese em que o autor já se manifestou pelo
desinteresse na autocomposição.
c)
ftfiS
A alteração do prazo para apresentação de contestação não pode ser
objeto de convenção processual para reduzi-lo ou dilatá-lo.
d) Havendo litisconsórcio passivo e tendo o autor se manifestado desde
logo pelo desinteresse na autocomposição, é possível que haja diferentes
prazos de contestação a depender do momento em que os Iitisconsortes
manifestam o desinteresse na autocomposição.
e) O prazo para contestar, nos casos em que não se admite autocom¬
posição, tem por termo inicial a data de intimação da decisão que
homologar o pedido de desistência do autor em relação ao réu ainda
não citado. ,'v
208 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A previsão da audiência prévia de conciliação e mediação causou grandes


mudanças no que se refere ao termo inicialdo prazo para apresentar a contestação.
Coube ao legislador, no art. 335 do novo CPC regular o tema, que passa aser muito
mais complexo do que o era sob a égide só CPC/73.
Letra A: CORRETA. Nos termos do art. 335, 1: “Art. 335. O réu poderá
oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial
será a data:I- da audiência de conciliação ou de mediação, ou da última sessão
de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não
houver autocomposição; (...).”
Letra B: CORRETA. Nos termos do art. 335, II: “Art. 335. O réu poderá
oferecer contestação, por petição, no prazo de 15 (quinze) dias, cujo termo inicial
será a data: (...) II - do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de
conciliação ou de mediação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do
art. 334, § 4o, inciso I”.

Letra C: ERRADA. É possível que as partes alterem, através de negócio


processual, os seus prazos no processo. O novo CPC consagra o autorregramento
da vontade, trazendo consigo a cláusula geral de negociação processual. Um dos
objetos possíveis dos negócios processuais é a alteração de prazos peremptórios.
Assim, a alteração do prazo para apresentação de contestação pode ser objeto de
convenção processual para reduzi-lo ou dilatá-lo.
Letra D: CORRETA. Nos termos do art. 335, § Io: “No caso de litiscon-
sórcio passivo, ocorrendo a hipótese do art. 334, § 6o, o termo inicial previsto
no inciso II será, para cada um dos réus, a data de apresentação de seu respectivo
pedido de cancelamento da audiência”.
Letra E: CORRETA. Nos termos do art. 335, § 2o: “Quando ocorrer a hi¬
pótese do art. 334, § 4o, inciso II, havendo litisconsórcio passivo e o autor desistir
da ação em relação a réu ainda não citado, o prazo para resposta correrá dadatade
intimação da decisão que homologar a desistência”.

15. A respeito dãs matérias alegadas como matéria de defesa na contestação


julgue Os itens a seguir e assinale a resposta correta:
19. RESPOSTAS DO Riu 209

I. Havendo alegação de incompetência relativa ou absoluta, a contestação


poderá ser protocolada no foro de domicílio do réu, fato que será imediata-
mente comunicado aojuizda causa, preferencialmente por meio eletrónico.
II. Tendo em vista a previsão do art. 334 de uma audiência prévia de conci¬
liação ou mediação, antes mesmo da abertura do prazo para contestar,
as alegações de incompetência absoluta ou relativa somente poderão ser
apreciadas após a realização desta audiência.
III. Reconhecida a competência do foro indicado pelo réu, o processo será
regularmente distribuído por sorteio.
Estão corretas as assertivas:
iiSl
a) I.

c) I e III.
d) llelll. I
COMENTÁRIOS
Gabarito: A
O novo CPC alterou o regulamento relacionado à apresentação e cognição
sobre a incompetência. Agora, nos termos do art. 337, II, tanto incompetência
relativa quanto incompetência absoluta devem ser matéria de preliminar em
contestação. Todavia, tendo em vista a consagração da audiência prévia de conci¬
liação e mediação, as matérias relacionadas à incompetência serão tratadas antes
da ocorrência deste ato, paraque não prejudique o acesso das partes ao momento
destinado à autocomposição.
Item I: CORRETO. São os exatos termos do caput, do art. 340, do CPC.

Item II: ERRADO. Apresentada a questão referente à incompetência, de-


ve-se suspender a realização da audiência até que haja resolução a respeito do foro
competente. Nos termos do art. 340, § 3o: “Alegada a incompetência nos termos
do caput, será suspensa a realização da audiência de conciliação ou de mediação,
se tiver sido designada”.

ItemIII: ERRADO. Nos termos do art. 340, § 2o: “Reconhecida a compe¬


tência do foro indicado pelo réu, o juízo para o qual for distribuída a contestação
ou a carta precatória será considerado prevento”.
n
Or
20

Revelia

1. (Juiz de Direito -TJRR-FCC- 2015) Ocorrendo revelia,


a) a presunção de veracidade dos fatos afirmados pelo autor não admite
prova contrária.
b) seus efeitos, em nenhuma hipótese, podem ser excluídos, dada sua gra¬
vidade.
c) Verificando ò juiz um direito indisponível, ainda quéo réu não conteste,
o autor tem de fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito, defeso
ao juiz ò julgamento antecipado da íidè.
d) embora haja a presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor, o
réu revel tem o direitode ser intimado dos atos processuais subsequentes,
tenha ou não advogado constituído nos autos,
e) seus efeitos só ocorrem em relação aos réus citados por edital ou por hora
certa.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Interessante perceber que até os concursos mais complexos apresentam


questões de fácil resolução como esta. Uma simples leitura dos dispositivos do
CPC/2015 é suficiente para que analisemos as assertivas a respeito do regramento
darevelia.
20. REVEUA I 211

Letra A: ERRADA. A presunção decorrente da revelia é relativa. Destaca a


doutrina que “Esta presunção é relativa, iuris tantum, o que implica dizer que ela
admite prova em contrário”.1 Admite-se prova em contrário, nos termos do art.
349: “Ao réu revel será lícita a produção de provas, contrapostas às alegações do
autor, desde que se faça representar nos autos a tempo de praticar os atos processuais
indispensáveis a essa produção”.
Letra B: ERRADA. Há um dispositivo expresso no código apontando hi¬
póteses de não produção de efeitos darevelia. Trata-se do art. 345, que contradita
o afirmado na assertiva.

LetraC: CORRETA. A indisponibilidade dodireito é uma das razões de não


ocorrência dos efeitos darevelia (art. 345,II). Levando isso em conta e nos termos
do art. 348: “Se o réu não contestar a ação, o juiz, verificando a inocorrência do
efeito da revelia previsto no art. 344, ordenará que o autor especifique as provas
que pretendaproduzir, se ainda não as tiver indicado”.
Da mesma forma, o art. 355, II condiciona o julgamento antecipado da
lide à verificação dos efeitos materiais (art. 344) da revelia o que, conforme visto,
não incide na hipótese de a lide versar sobre direito indisponível.

Letra D:ERRADA. Exige-se patrono nos autos para que haja a intimação
do réu revel.Nos termos do art. 346, caput. “Os prazos contra o revel que não tenha
patrono nos autos fluirão dadata de publicação do ato decisório no órgão oficial”.

Letra E: ERRADA. Não há esta limitação. Revel é o réu que não apresenta
contestação, independente da forma de citação, desde que esta seja válida. Assim,
nos termos do art. 334, se o réu não contesta a ação, é revel.

2. (Juiz do Trabalho -TRT1 - FCC - 2014) Em ação de investigação de


paternidade proposta por Danilo, Eduardo, regularmente citado, não
apresentou contestação. Instadoase manifestar, Danilo ampliou o pedido
inicial, requerendo, além da declaração de paternidade, fosse Eduardo
condenado a pagar indenizaçãoem razão de abandono afetivo. Em razão
da revelia, o Juiz julgou antecipadamente a lide, reputando verdadeiros
os fatos afirmados na inicial e na petição de emenda. De acordo com o
Código de Processo Civil,

.
1 CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civilbrasileiro. São Paulo: Atlas, 2015, p. 205.
212 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) ospedidos não poderiam ter sidoacolhidos, antecipadamente, tèrido em


vista que a revelia não induz presunção de veracidade quanto a direitos
indisponíveis e rião autoriza a alteração do pedido, salvo se promovida
nova citação dò réu.
b) os pedidos não poderiam ter sido acolhidos, antecipadamente, tendoem
vista que a revelia não induz présunção de veracidade quanto a direitos
indisponíveis e não autoriza a alteração do pedido, em nenhuma hipótese.
c) apenasosegundo pedidopoderiatersido acolhido, áritecipadamente, poisa
revelia induz presunção deveracidade apenas quanto a direitos disponíveis
e dispensa intimação do réu para os atos subsequentes à sua decretação.
d) os pedidos deveriam ser acolhidos, antecipadamente, pois a revelia
induz presunção de veracidade quanto a todos os fatos afirmados na
petição inicial e dispensa intimação do réu para os atos subsequéntes à
sua decretação.
e) apenas o primeiro pedido poderia ter sido acolhido, antecipadamente,
em razão dos efeitos da revelia, que induz presunção de veracidade in-
clusivequàntoadireitosindisponíveis.Comrelaçãoaosegundò, ocorrida
a revelia, não se autoriza a alteração do pedido, em nenhuma hipótese.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Trata-se de questão complexa que demanda do candidato um conhecimento


que vai além da configuração das hipóteses de revelia. Exigiu-se conhecimento
sobre os efeitos darevelia no tocante à relação processual eperante opróprio direito
material objeto da lide.
Importante observar que a revelia se caracteriza como afalta de contestação.
Assim, aquele que não contesta é revel. A revelia, todavia, pode ocorrer sem a
produção dos seus efeitos principais. O efeito material darevelia está no art. 344:
presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor. O efeito
processual darevelia está no art. 346: os prazos contra o revel sem patrono correm
desde a publicação do ato decisório no órgão oficial.
Contudo, o art. 345 do CPC admite hipóteses em que os efeitos da revelia
não se produzem. Dentre eles o inciso II, que traz a hipótese do litígio versar sobre
direito indisponível. Assim, como o exemplo posto no enunciado da questão versa
20. REVELIA 213

sobre direitos indisponíveis, não há produção dos efeitos da revelia. Observe-se,


nesse sentido, que anão ocorrência dos efeitos dareveliaprevistos no art. 344 é uma
razão impeditiva de julgamento antecipado do mérito. O conteúdo do art. 35 5,II
afirma expressamente que: “O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo
sentença com resolução de mérito, quando: (...) o réu for revel, ocorrer o efeito
previsto no art. 344 e não houver requerimento de prova, na forma do art. 349”.
Da mesma forma, no caso enunciado não caberia o julgamento antecipado. Assim,
incorretas as assertivas C, D e E.

Por último, importa verificar a possibilidade de alteração do pedido. Nos


termos do art. 329, II: “Art. 329. O autor poderá: (...) até o saneamento do pro¬
cesso, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, com consentimento do réu,
assegurado o contraditório mediante apossibilidade de manifestação deste no prazo
mínimo de 15 (quinze) dias, facultado o requerimento de prova suplementar”.
Dessa forma, desde que efetivada nova citação quanto à alteração, é possível que
o autor promova a alteração do pedido. Incorreta a assertiva B.

Portanto, resta a assertivaA, correta, que indica a impossibilidade de incidên¬


cias dos efeitosmateriais darevelia, por conta da indisponibilidade do direito e, mais
ainda, a impossibilidade de alteração do pedido sem que haja nova citação do réu.

3. (Analista judiciário -TJSE - CESPE - 2014) No que se refere à execução


de ações coletivas, à sentença, à coisa julgada, à revelia e à ação civil
pública, julgue os seguintes itens.
Constitui efeito da revelia a presunção de veracidade das alegações de
fato e de direito trazidas na petição inicial, decorrente da omissão do réu
que não houver apresentado resposta aos pedidos do autor.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Errado.

A revelia se dá quando o réunão apresenta contestação. Revelia é a ausência


de contestação. É possível que haja produção de efeitos processuais e materiais.
O art. 344 do novo CPC regula a produção dos efeitos materiais: “Art. 344. Se o
réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as
alegações de fato formuladas pelo autor.”
214 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Assim, a presunção relativa de veracidade incide somente sobre as ale¬


gações de fato, não atingindo questões de direito. Por isso, é falso o afirmado
na assertiva.

4. A respeito da revelia julgue os itens a seguir e assinale a resposta correta:


I. A revelia não produz seus efeitos materiais quando as alegações de fato
formuladas peloautorforem inverossímeis ou estiverem em contradição
com prova
r constante dos autos.
II. É permitida a produção de provas pelo réu revel que vem ao processo em
momento oportuno, atempo de praticar osatosproçessuaisindispensáveis
a essa produção.
III. O magistrado julgará antecipadamente o mérito quando o réu for revel,
verificarem-se os efeitos materiais da revelia e não houver requerimento
de prova quando vier aos autos.
Estão corretas as assertivas:
f|||||J SÊ
a) I, li e III.
b) I e II.
c) I e III.
d) II e ill. SSlíl 111 ;

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O novo CPC promoveu alterações pontuais no regime da revelia. É impor¬


tante que o candidato conheça tais alterações em vista de que há uma tendência
natural de cobrança do texto de tais dispositivos. É importante, sobre o tema,
destacar que a revelia se dá pela não apresentação de contestação, o que não impos¬
sibilita que o réu revelvenha aos autos produzir provas contrárias à tese do autor.
Item I: CORRETO. Nos termos do art. 345, IV: “Art. 345. A revelia não
produz o efeito mencionado no art. 344 se: (...) as alegações de fato formula¬
das pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova
constante dos autos.”
20. REVEIIA 215

ItemII: CORRETO.Nos termos do art. 349: “Ao réu revel será lícita a pro¬
dução de provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça representar
nos autos a tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção.”
Ainda, o enunciado n° 231 da Súmula do STF: “O revel, em processo civil, pode
produzir provas, desde que compareça em tempo oportuno”.
ItemIII: CORRETO. Nos termos do art. 355,II: “Art. 355. 0 juiz julgará
antecipadamente o pedido,proferindo sentença comresolução de mérito, quando:
(...) o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento
de prova, na forma do art. 349”.

5. (Advogado - SUSAM - FGV - 2014) No procedimento ordinário, a falta


de apresentação de contestação pelo réu acarreta o fenômeno processual
da revelia. Como se sabe, em regra, a revelia produz efeitos de ordem
material e de ordem processual.
Assinale a opção que indica uma situação em que a revelia não produzirá
.
- seu efeito material.
a) Havendo pluralidade de réus, se nenhum deles contestar, a revelia não
produz seu efeito material.
jjll
b) Se o litígio versar sobre direitos disponíveis, a revelia não produz seu
efeito material.
c) Se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público
que a lei considera indispensável à prova do ato, a revelia não produz
seu efeito material.
d) Seo réu não contestar, mas noprazo legal, apresentar qualqueroutro tipo
de resposta cabível no rito comum ordinário, indistintamente, a revelia
não produz seu efeito material.
e) Se a ação versar acerca do pedido de indenização por dano moral, sendo a
honra irrenunciável, ainda que o réu não conteste, a revelia não produzirá
seu efeito material.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O examinador tenta confundir o candidato apresentando situações um


pouco diferentes daquelas previstas pelo art. 345 do CPC ao caracterizar as hipó¬
teses de não produção dos efeitos materiais darevelia.
216 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CiVIL

Letra A: ERRADA. Nos termos do art. 345, 1, a revelia não produzirá


seus efeitos materiais se algum dos réus contestar a ação. Importante destacar
que somente impede a ocorrência dos efeitos da revelia a contestação apresentada
pelo litisconsorte que verse sobre fatos que aproveitem ao réu revel. Assim, caso
a defesa apresentadapelo litisconsorte trate de fatos que não respeitam à relação
jurídica do revel, incidirá a presunção de veracidade sobre aquelas questões que
não foram objeto da defesa.

Letra B: ERRADA. A revelia não produzirá efeitos materiais se o litígio


versar sobre direitos indisponíveis, nos termos do art. 345,II do CPC.

Letra C: CORRETA. Conforme o art. 345,III, os efeitosmateriais darevelia


não se observam caso a exordial não esteja acompanhada de instrumento que a
leiconsidera indispensável à prova do ato. O documento público está inserido no
âmbito de incidência deste preceito normativo, devendo ser apresentado junto à
petição inicial quando a lei o considerar indispensável à prova do ato.
LetraD:ERRADA. A revelia se dá face à ausência de contestação. Assim, se
o réu não contesta é revel. Esta regra se mantém no caput do art. 334 do novo CPC.

Letra E: ERRADA. Não se trata, na hipótese, de direito indisponível. A


honra direito fundamental, mas a reparação da violação deste direito tem caráter
é
patrimonial e, por isso, é disponível. Pode haver revelia no referido caso.
/
21

Saneamento e Providências
Preliminares

1. (Analista Judiciário - CESPE - 2004 -TJAP) juIgue os itens que se seguem,


'
relativos aos atos do juiz e aos recursos.
A decisão do juiz que põe fim ao processo com julgamento do mérito é
chamada sentença; Por outro lado, ê chamada decisão de saneamentoa
decisão do juiz que põe fim ao processo sem julgamento do mérito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

A decisão que extingue o processo com ou sem resolução do mérito é cha¬


mada de sentença (art. 203, § 3o). A decisão de saneamento é entendida como
aquela que reconhece que o processo não contém vícios processuais, fixando os
pontos controvertidos.

2. Julgue o item que segue acerca do julgamento antecipado do mérito:


O julgamento antecipado do mérito apenas pode ocorrer quando não há
a necessidade de produção de novas provas.
218 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito; incorreta.

O julgamento antecipado do mérito pode ocorrer quando: 1) náo há a ne¬


cessidade de produção de novas provas e 2) quando o réu for revel, ocorrer o efeito
materialdarevelia e não houver requerimento de prova (art. 35 5,IIdo CPC/2015)

3. Julgueoseguinteitem acerca dò julgamento antecipado parcial domérito:


Não se admite o julgamento antecipado parcial do mérito, em face do
dogma da unicidade da sentença.

COMENTÁRIOS
Gabarito; incorreta.

Por mais que tenhahavido resistêncianavigênciadoCPC/1973, o CPC/2015


autoriza expressamente o julgamento antecipado parcial do mérito (art. 356).

4. Julgueoseguinte item acerca do julgamento antecipadoparcial do mérito:


A decisão de julgamento antecipado parcial do mérito é reconhecida
como uma sentença, pois analisa o mérito, mesmo que parcialmente, e
apenas pode reconhecer a existência de obrigações líquidas.

COMENTÁRIOS
Gabarito; incorreta.

A decisão de julgamento antecipado parcial do mérito náo é sentença, mas


decisão interlocutória. Pelo conceito de sentença no CPC/2015, a decisão há de
ser de mérito ou de extinção do processo e, ainda, pôr fim à fase cognitiva do
procedimento comum ou extinguir a execução (art. 203, § Io), o que náo é o
caso. A decisão interlocutória tem conceito residual, sendo todo pronunciamento
judicial que não seja sentença (art. 203, § 2o), o que significa que essa espécie de
decisão agora pode ter por conteúdo uma decisão de mérito ou processual, desde
que náo extinga o processo.
Além disso, a decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a
existênciadeobrigação líquidaouilíquida, conforme dispõe o art. 356, § Io,do CPC.
21. SANEAMENTO E PROVIDêNCIAS PRELIMINARES 219

5. Marque a assertiva correta acerca do julgamento antecipado parcial do

a)
mérito:
m
b) A execução será sempre provisória, esperando o trânsito em julgado
completo do processo.
c) A decisão proferida é impugnável por meio da apelação.
d) A Iiquidação e o cumprimento da decisão que julgar parcialmente o mé¬
rito poderão ser processados em autos suplementares, exigindo pedido
expresso da parte, vedada atuação de ofício do juiz.
e) A decisão que julgar parcialmente o mérito poderá reconhecer a existência
de obrigação líquida ou ilíquida.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E
Alternativa A: Incorreta. Ela pode ocorrer quando um ou mais pedidos
mostrar-se incontroverso ou estiver em condições de imediato julgamento (art.
356, leII, do CPC).
Alternativa B: Incorreta. Havendo o trânsito em julgado da decisão, a
execução será definitiva (art. 356, § 3°, do CPC/2015).
Alternativa C: Incorreta. A decisão que julgar parcialmente o mérito é
impugnável por agravo de instrumento (art. 356, § 5o, do CPC/2015).
Alternativa D: Incorreta. A liquidação e o cumprimento da decisão que
julgar parcialmente o mérito poderão ser processados em autos suplementares,
que pode ocorrer tanto a requerimento da parte como a critério do juiz (art. 356,
§4°, CPC/2015).
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do conteúdo do art. 356,
§1°, do CPC/2015.

6. Assinale â alternativa incorreta aeerca do saneamento e da organização

a) AÿedsãTde saneamento e da organização do processo, dentre outros


conteúdos, devedelimitar as questões dedireito relevantes para a decisão
do mérito.
220 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) Após a realização do saneamento, as partes podem pedir esclarecimentos


ou solicitações no prazo de cinco dias.
c) É vedado o negócio processual de delimitação das questões de fato e de

d) É possível á realização de audiência para realização do saneamento em


cooperação com as partes,
e) As pautas das audiências de saneamento devem ser preparadas com
intervalo mínimo de uma hora entre elas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Correta. Trata-se de um dos conteúdos da decisão de sanea¬


mento e da organização do processo (art. 357, IV, CPC/2015).

Alternativa B: Correta. É possibilidade garantida pelo art. 357, § Io, do


CPC/2015.
Alternativa C: Incorreta. O CPC autoriza expressamente a apresentação
de delimitação consensual das questões de fato e de direito (art. 357, § 2o,
CPC/2015).

Alternativa D: Correta. Possibilidade autorizada pelo art. 357, § 3o, desde


que haja complexidade em matéria de fato ou de direito.
AlternativaE: Correta. Exigência constante do art. 357, § 9°, do CPC/2015.

7. Acerca da decisão de saneamento e da organização do processo, é in¬


correto afirmar que o juiz deve:
a) resolver as questões processuais pendentes, se houver;
b) delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória,

„ r;;:r;rr:“
d) delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito;
e) extinguir o processo sem resolução de mérito.
21. SANEAMENTO E PROVIDENCIAS PRELIMINARES 221

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Alternativa A: Correta. Trata-se de um dos conteúdos da decisão de sanea¬


mento e da organização do processo, reproduzindo o conteúdo do art. 357, 1, do
CPC/2015.
Alternativa B: Correta. Trata-se de um dos conteúdos da decisão de sanea¬
mento e da organização do processo, reproduzindo o conteúdo do art. 357, II,
do CPC/2015.
Alternativa C: Correta. Trata-se de um dos conteúdos da decisão de sanea¬
mento e da organização do processo, reproduzindo o conteúdo do art. 357, III,
do CPC/2015.
AlternativaD: Correta. Trata-se de um dos conteúdos dadecisão de sanea¬
mento e da organização do processo, reproduzindo o conteúdo do art. 357, IV,
do CPC/2015.
Alternativa E: Incorreta. Não há essa possibilidade para essa espécie de
decisão. O único conteúdo da referida decisão não mencionado peia questão é a
possibilidade de designação da audiência de instrução e julgamento (art. 357, V,
CPC/2015).

8. Julgue o seguinte item acerca do saneamento e da organização do processo:


O juiz fixará o prazo para a apresentação do rol de testemunhas, o qual
não pode ser superior a dez, sendo três para provar cada fato, sendo
vedada a limitação desse número pelo magistrado.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

Na decisão desaneamento e daorganização doprocesso,havendo requerimen¬


to para aprodução de prova testemunhal, o juiz deve fixar o prazo paraaapresentação
dorol de testemunhas (art. 357, § 4o, CPC/2015). O número de testemunhas está
correto (art. 357, § 6o, CPC/2015) > porém, ao contrário do apontado na assertiva,
ele pode, sim, ser diminuído pelo juiz levando em conta a complexidade da causa e
dos fetos individualmente considerados (art. 357, § 7o, CPC/2015).
222 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

9. Marque a alternativa correta acerca do saneamento e da organização do


processo:
a) Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz
fixará prazo comum não superior a cinco dias para que as partes apre-
sentem roí de testemunhas:
b) Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos
ou solicitar ajustes, no prazo comum de dez dias, findo o qual a decisão
se torna estável.
c) A marcáção da audiência de saneamento em cooperação com âs partes
independe de qualquer requisito objetivo, havendo ampla discriciona-
riedade para o magistrado. r : •

d) Nadecisãodesaneamentoeorganizaçãodoprocesso,ojuizdeveresolver
as questões processuais pendentes, se houver, delimitar as questões de
fato sobre as quais recairá a atividade probatória, especificando os meios
de prova admitidos, definir a distribuição do ônus da prova, observado
o art. 373, delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do
mérito e designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento.
e) O juiz não poderá limitar o número de testemunhas, havendo um limite
anteriormente fixado pela lei.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. O prazo correto é de 15 dias (art. 357, § 4o,


CPC/2015).

Alternativa B: Incorreta. O prazo correto é de 5 dias (art. 357, § Io,


CPC/2015).

Alternativa C: Incorreta. O CPC/2015 exige, para a marcação dessa au¬


diência, que a causa apresente complexidade em matéria de fato ou de direito (art.
357, § 2o), não havendo ampla discricionariedade do juiz.

AlternativaD: Correta.Trata-se do conteúdo do art. 357,1aV, do CPC/2015.

Alternativa E: Incorreta. O número de testemunhas a serem indicadas


pelas partes pode, sim, ser diminuído pelo juiz levando em conta a complexidade
da causa e dos fatos individualmente considerados (art. 357, § 6o, CPC/2015).
sO
*****
22

Provas

1. (Analista Judiciário -TRE-RS - 2015 - FCC) A prova é um meio hábil de


confirmar a existência ou a inexistência de um acontecimento ou de um
ato, e, quando dirigida ao magistrado, visa dar solução ao caso posto em
juízo. Ó CPC estabelece regras acérca da prova e da sua produção. No
que se refere à prova e às situações que a envolvem, assinale a opção
correta.
a) Segundo as regras processuais expressas relativas ao ônus da prova,
incumbe ao autor provar o fato constitutivo do seu direito, sendo lícita
a convenção que distribui o ônus da prova de maneira diversa, quando
recair sobre direito indisponível daparte ou tornar excessivamente difícil
a uma parte o exercício do direito.
b) Do atual CPC, extrai-se o entendimento de que quem alega o que não
aconteceu terá o ônus de provar o fato negativo, o que constitui o que a
doutrina denomina de prova diabólica.
c) Em relação à distribuição do ônus da prova, o CPC instituiu expressamente
a teoria da carga dinâmica da prova, dispondo que compete a quem alega
provar o fato.
d) Odireitoprocessualcivllpositivadodeterminaqueosfatos notórios sejam
provados por quem os alega, sob pena de cerceara defesa daquele contra
quem a prova é utilizada.
224 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) A confissão é a declaração de uma parte acerca da verdade dos fatos,


que pode ser judicial ou extrajudicial. Há confissão quando a parte
admite a verdade de um fato contrário ao adversário e favorável ao
seu interesse.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Alternativa A: Incorreta. O CPC/2015 insere a prova do fato constitutivo


como ônus da prova do autor (art. 373,1).No entanto, a assertiva está errada, pois
não cabe a distribuição convencional do ônus da prova quando ela recair sobre
direito indisponível da parte ou tornar excessivamente difícil desincumbir-se do
ônus. Nesses casos, ao contrário do apontado, a convenção é vedada pelo CPC
(art. 373,§3°,IeII).

Alternativa B: Correta. A doutrina tem entendido que a prova do fato nega¬


tivo é, em geral, diabólica. No entanto, ela só será diabólica quando referida aum
fato indeterminado (p. ex. a prova de que fulano nunca viajou para determinado
lugar), mas não o é quanto a fatos determinados (p. ex. a prova de que fulano não
viajou para determinado lugar em um determinado dia). A assertiva não é muito
clara, pois o CPC/2015 não menciona, em nenhum momento, o termo prova
diabólica, embora seja interpretação pacífica na doutrina.

Alternativa C:Incorreta. O CPC/2015 admite o cabimentoda teoria da car-


ga dinâmica da distribuição do ônus da prova (art. 373, § 1°), mas está equivocada
em relação ao conceito, pois, por essa teoria não há estabelecimento prévio sobre
a quem compete provar cada fato. Essa distribuição é feita a partir das condições
probatórias das partes no caso concreto.
Alternativa D: Incorreta. Ao contrário do afirmado, os fatos notórios
não dependem de prova (art. 374, 1, CPC/2015), considerando-se que todos
o conhecem.

Alternativa E: Incorreta. A confissão pode ser judicial ou extrajudicial,


no entanto, o conceito está equivocado, pois ela ocorre quando a parte admite a
verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário (art. 389,
CPC/2015) e não o contrário.
22. PROVAS 225

2. (Defensor Público - DPE-SP - 2015 - FCC) A respeito das provas no


processo civil, é correto afirmar que
a) o magistrado que não admite uma prova em razão de ter formado a sua
convicçãoagecorretamente,poiseleéodestinatárioda prova, tornando
inútil ou protelatória a produção de qualquer outra prova depois que já

b)dianteda máximajura novitcuria (o juiz conhece o direito), a parte que alega


a existência ea vigência de uma determinada lei não tem que produzir prova
a este respeito, sendo vedado ao magistrado determinar que a parte o faça.
c) toda a assertiva prova documental deve ser apresentada pelo autor junta¬
mente com a petição inicial, e pelo réu no momento da resposta sob pena
de preclusão.
d) o depoimento pessoal de uma parte pode ser determinado de ofício pelo
magistrado ou mediante requerimento da parte adversa; a recusa ao de¬
poimento pode ensejar a pena de confissão dos fatos contra ela alegados.
e) segundo a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova, é a dinâmica
da relação processual, ou seja, o polo da demanda ocupado pela parte,
que determinará sobre quais pontos recai o seu ônus probandi.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. Atualmente, a doutrina tem entendido que a prova


destina-seaesclarecer os fatos deforma objetiva,não apenas o convencimentoíntimo
do magistrado. Além disso, as partes possuem o direito fundamental à prova, que é
um corolário do contraditório, não cabendo ao magistrado indeferir as provas por se
sentir convencido de uma outra versão, o que ceifariaprecocemente aparticipação da
parte. Há ainda que se fazer menção ao fato de que a prova cuja produção foi reque¬
rida pode ter por objetivo convencer o magistrado de que a situação fôtica ocorreu
de forma diversa dapor ele imaginada, o que configura a contraprova.
Alternativa B:Incorreta.No caso de alegação de direito municipal, estadual,
estrangeiro ou consuetudinário, é possível ao juiz exigir que a parte que o alegou
prove-lhe o teor e a vigência (art. 376 do CPC/2015).
Alternativa C: Incorreta. A situação apontada na assertiva é a regra, mas há
exceções, logo a afirmação “toda” torna a equivocada. Assim, às partes é possível
226 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

juntar novos documentos: a) caso sejam eles referentes a fatos ocorridos apenas em
momentoposterior àpetição inicial e à contestação (art. 435, caput, CPC/2015),b)
para fazer contraprova aos documentos já juntados no processo pela parte contrária
(art. 435, caput, CPC/2015) e c) dedocumentos formados após a petição inicial ou
a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis
após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu
dejuntá-losanteriormenteeincumbindoaojuiz,emquaiquercaso,avaliaraconduta
da parte de acordo coma boa-fé objetiva (art. 435, parágrafo único, CPC/2015).

AlternativaD: Correta. O art. 385, caput,do CPC/2015 permite que tanto


aparte, quanto o juiz possam requerer o depoimento pessoal da outraparte. Além
disso, a recusa ao depoimento pode ensejar a pena de confissão dos fatos contra
ela alegados (art. 385, § Io, CPC/2015).
Alternativa E: Incorreta. Segundo a teoria da distribuição dinâmica do
ônus da prova, não há estabelecimento prévio sobre a quem compete provar cada
fato. Essa distribuição é feita a partir das condições probatórias das partes no caso
concreto e não a partir do polo da demanda ocupado pela parte.

3. (Juiz doTrabalho -TRT - 23a REGIÃO - 2015 - FCC - adaptada) "Quan¬


do p trabalho mental, e certamente lógico, pelo qual fundando-se no
fato conhecido se Chega ao fato desconhecido, é deixado ao prudente
critério do juiz, quer dizer, quando as consequências daquele trabalho
constituem p resultado a,que chegou o raciocínio do juiz, tem-se uma
presunção simples, também chamada dehomem (praesumptiohominis),
Assim, definem-na comumentecomo consequência queojuiz, segundo
prudente critério, deduz de um fato conhecido para chegar a um desco¬
nhecido." (Moacyr Amarai Santos, ProvaJudiciárianoCível eCòmercial,
Voi. 5, p. 435, Max Limonad, Editor de Livros de Direito). Essa espécie
de presunção, no Direito brasileiro,
á) é admitida eó juiz aplicará as regras de éxperiêhcia comum subminiStra-
daspela observação do que ordinariamente acontece e ainda as regras
da experiência técnica, ressalvado, quanto a esta, o exame pericial.
b) é inadmissível, porque todo fato deve ser provado para que o juiz acolha
a pretensão do autor oú rejeite a exceção aposta pelo réu.
c) é desconhecida, só podendo aplicar-se quando incorporar um princípio
geral de direito.
22. PROVAS 227

d) não é admitida, porque a lei só se ocupa das presunções legais.


è) é admitida sem qualquer restrição, sempre podendo substituir o exame
pericial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. Trata-se da reprodução do conteúdo do art. 375 do


CPC/2015, que trata das regras de experiência.
Alternativa B: Incorreta. Como apontado, é admitida expressamente
pelo CPC.
Alternativa C: Incorreta.Inexiste esse requisito no art. 375 do CPC/2015.
Alternativa D: Incorreta. Como apontado, é admitida expressamente
pelo CPC.
Alternativa E: Incorreta. Tem restrições, pois não pode substituir o exame
pericial (art. 375 do CPC/2015).

4. (juiz de Direito Substituto -TJ-DFT - 2015 - CESPE) Assinale a opção


correta acerca do direito probatório no processo civil.
$
a) Observadas algumas restrições, admite-se que as partes distribuam o ônus
da prova por convenção, hipótese essa considerada como típico negócio
jurídico processual para parte da doutrina que defende a existência dessa

b) O depoimento da testemunha deve ser digitado ou escrito com tinta


escura e indelével, sendo vedado o armazenamento do depoimento na
forma integralmente digitai em arquivo eletrónico.
c) Ainda que as partes tenham Iicitamente convencionado que, para provar
determinado negócio jurídico, seria indispensável a utilização de instru¬
mento público, o juiz poderá, pelo seu livre convencimento, entender
que o instrumento particular é suficiente para a comprovação da validade
do referido negócio.
d) Conforme a jurisprudência do STJ, a utilização de prova emprestada é
excepcionaI e deve sempre se restringir a processos em quefigurem partes
idênticas às daquele em que a prova tenha sido produzida.
228 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) Nos juizados especiais cíveis e nos juizados especiais da fazenda pú¬


blica, é admissível a produção de pròya pericial çontábil, e o autor está
dispensado de adiantar as custas do perito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. Sob a égide do CPC/1973, alguns doutrinadores


ainda tinham resistência em admitir a figura dos negócios jurídicos processuais
(Daniel Mitidiero e Cândido Dínamarco), mas no CPC/2015, essa figura foi
consagrada especialmente no art. 190. O CPC/2015 autoriza expressamente a
distribuição convencionaldo ônus da prova, exceto quando elarecair sobredireito
indisponível da parte ou tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do
direito (art. 373, § 3o).
Alternativa B: Incorreta. Há autorização expressa para a documentação da
prova testemunhal por meio de gravação (art. 460 do CPC/2015).

Alternativa C: Incorreta. Por meio da aplicação do art. 109, do Código


Civil, “No negócio jurídico celebrado com a cláusula de não valer sem instrumento
público, este é dasubstância do ato”. Assim, o juiznão poderia reconhecer negócio
jurídico por meio de instrumento particular, quando as partes convencionam que
ele só será válido se provado por meio de instrumento público.
Alternativa D: Incorreta. Segundo o STJ: É admissível, assegurado o
contraditório, prova emprestada de processo do qual não participaram as partes
do processopara o qual a prova será trasladada. (...) Assim, é recomendável que a
prova emprestada seja utilizada sempre que possível, desde que se mantenha hígida
a garantia do contraditório. Porém, a prova emprestada não pode se restringir a
processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente
sua aplicabilidade sem justificativa razoável para isso. Assegurado às partes o con¬
traditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutá-la
adequadamente, o empréstimo será válido (EREsp 617.428-SP, Rei. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 4/6/2014).
Alternativa E: Incorreta. A lei dos juizados especiais federais exige expres¬
samente que a parte antecipe os honorários do perito (art. 12, § 1°) .
22. PROAS I 229

5. (Juiz Substituto -TJSC - 2015 - FCQ Em relação à prova processual,


a) é lícito à parte provar com testemunhas, nos contratos em geral, os ví¬
cios do consentimento, e nos contratos simulados, a divergência entre a
vontade real e a vontade declarada.
b) a prova documental é produzida sempre por escrito, tendo como suporte
material qualquer tipode papei noqual seja possívelainserçãodeconteúdo.
c) o depoimento pessoal é indelegável, devendo a parte prestá-lo sempre
pessoalmente, defeso que terceiros possam fazê-lo.
d) em regra, toda prova é divisível, podendo a parte aproveitar o que lhe é
favorável e descartar o que não a beneficia.
e) somente a confissão judicial gera efeitos jurídicos e é considerada meio

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. Trata-se da reprodução do art. 446 do CPC/2015.


Alternativa B: Incorreta. O CPC considera prova documental, também,
reproduções mecânicas, como a fotográfica, a cinematográfica, a fonográfica ou
de outra espécie (art. 422). Além disso, ainda existem os documentos eletrónicos,
que não precisam do papel como suporte material (art. 440).
Alternativa C: Incorreta. É possível, em certos casos, a delegação do de¬
poimento pessoal. O CPC, inclusive, autoriza que a confissão possa ser feita por
meio de representante com poder especial (art. 390, § Io).

AlternativaD:Incorreta. As provas, em regras, são indivisíveis, não podendo


a parte aproveitar o que lhe é favorável e descartar o que não a beneficia. Há regra
específica no sentido dirigida à confissão (art. 395 do CPC).
AlternativaE: Incorreta. Há expressa autorização legal admitindo a confissão
extrajudicial como meio de prova (art. 389 do CPC/2015).

6. -
(Juiz doTrabalho Substituto-TRT -1a REGIÃO-2015 FCC- adaptada)
••
A respeito do tratamento dedicado pelo Código de Processo Civil à prova,
tem-se que quando:
230 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) se tratar da falsidade de documento, o ônus da prova incumbe à parte


que produziu o documento.
b) se tratar de impugnação da autenticidade do documento, o ônus da prova
incumbe à parte que a arguiu.
c) o ônus da prova recair sobre direito indisponível da parte, é nula a
convenção que distribui de maneira diversa daquela estabelecida peio
art. 373 do CPC.
d) a testemunha, pòr motivo relevante, estiver impossibilitada de prestar
depoimento, o juiz designará, conforme as circunstâncias, dia, hora e
lugar para inquiri-la.
e) ò documento for assinado em bráríco e for depois regularmente preen¬
chido, cessa a fé do documento particular.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Incorreta. No caso de falsidade de documento, o ônus da


prova incumbe à parte que a arguir (art. 429, 1, do CPC/2015).

Alternativa B: Incorreta. No caso de impugnação da autenticidade do


documento, o ônus da prova incumbe à parte que o produziu (art. 429, II, do
CPC/2015).

Alternativa C: Correta. Correta, pois não cabe a distribuição convencional


do ônus da prova quando da recair sobre direito indisponível da parte ou tornar
excessivamente difícil aumaparte o exercício do direito. Nesses casos, a convenção
é vedada pelo CPC (art. 373, § 3o).

Alternativa D: Incorreta. A designação de dia, hora e lugar para inquirir


a testemunha só ocorre se ela estiver impossibilitada de comparecer à audiência,
mas não de prestar depoimento (art. 449, parágrafo único, CPC/2015). Se ela está
incapacitada de prestar depoimento, não há como inquiri-ía.
Alternativa E: Incorreta. A fé do documento assinado em branco só cessará
se houve preenchimento abusivo (art. 428,II, do CPC/2015). O preenchimento
regular não contém vícios.
22. PROVAS 231

7. (Analista do MPU - Engenharia Química - MPU - 2015 / FCC) Em


determinada comarca no Brasil, tramita ação cível apresentada por um
fazendeiro que dispiita com seu vizinho o local onde deve ficar a linha
demarcatória de suas propriedades rurais. Òs dois fazendeiros possuem
cópias de documentos antigos como provas de suas alegações. Nessa
situação hipotética, poderão ser ordenadas pelo menos duas espécies
diferentes de perícia: oexame dos documentos apresentadospelas partes
e a vistoria das duas fazendas para a determinação de suas áreas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

Não há qualquer impedimento a que sejam utilizadas essas duas espécies


de perícia, pois este meio de prova pode consistir em exame, vistoria ou avaliação
(art. 464, caput, CPC/2015).”

8. Marque a assertiva incorreta sobre a produção antecipada de prova no


CPC/201 5:
a) A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que haja
fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a
verificação de certos fatos na pendência da ação.
b) A produção antecipada da prova previne a competência do juízo para a
ação que venha a ser proposta.
c) A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro onde
esta deva ser produzida ou do foro de domicílio do réu.
d) O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de
interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se
inexistente caráter contencioso.
e) Os autos permanecerão em cartorio durante 1 (um) mês para extração
de cópias e certidões pelos interessados.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Alternativa A: Correta. Trata-se de reprodução do conteúdo do art.


381,1.
232 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

AlternativaB: Incorreta.Ao contrário do apontado, naprodução antecipada


de prova não implica na prevenção de competência (art. 381, § 3o).
.
AlternativaC:Correta.Trata-se dereprodução do conteúdo do art 381,§ 2o.
AitemativaD: Correta.Trata-se de reprodução do conteúdo do art. 382, § Io.
AlternativaE: Correta.Trata-sedereprodução do conteúdo do art. 383, caput.

9. Julgue a seguinte assertiva acerca da produção antecipada de prova:


Marco deseja produzir anteçipadamente uma prova testemunhal, de
forma a viabilizar uma autoçomposição com o INSS, que causou danos
ao seu veículo em um acidente por meio dè um funcionário. No entanto,
na comarca do domicílio de onde a prova deva ser produzida e também
no foro do domicílio do réu não há vara federai, o que autoriza o ajuiza-
mentoda produção antecipada de prova no juízo estadual.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

Conforme o novo CPC, é cabível a produção antecipada de prova para


viabilizar autoçomposição (art. 381,II) e tambémhá autorização para que o juízo
estadual tenha competênciapara esse processo nos casos em que na localidade não
haja vara federal (art. 381, § 4o).

10. (Juiz Substituto - TJ-GO - 2015 - FCC - adaptada) Considere as propo¬


sições abaixo:
I. O Código de Processo Civil adotou, expressamente, a teoria dinâmica
do ônus da prova.
II. Q juii pode, inclusive de ofício, em qualquer estado do processo, deter¬
minar o comparecimento das partes a fim de interrogá-las sobre os fatos
da causa.
III. Contendo apenas declaração de ciência quanto a determinado fato, o
dòduménto particular prova a ciência, porém não o fato declãrado, cujo
ônus probatório compete ao interessado em sua veracidade.
IV. Aplicam-se ao perito e aos assistentes técnicos as causas de impedimento
bú sUspeição.
22. PROVAS I 233

Está correto o que se afirma APENAS em


a) Miem.
b) Me III. (Bill
c) I e IV.
d) II, Mie IV.
e) I, III e IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito; A

ItemI:Correto.Estaautorização encontra-se no art. 373, § 1°, do CPC/2015-

Item II: Correto. Trata-se de autorização expressa, constante do art. 139,


VIII.

ItemIII: Correto. Trata-se da reprodução do conteúdo do parágrafo único


do art. 408 do CPC/2015.

Item IV: Incorreto. Os motivos de impedimento e suspeição aplicam-se


apenas aos auxiliares da justiça, como o perito (art. 148,II, do CPC). O assistente
técnico não é auxiliar da justiça, mas da parte.

. -
11 (Analista Judiciário -TRE-GO 2015 - CESPE) Com base no que dispõe
o Código de Processo Civil, julgue o item seguinte.
No direito processual civil, expressa disposição legai admite que o juiz
aja de ofício e determine a produção de prova, o que constitui exceção
ao princípio conhecido como dispositivo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

De acordo com o art. 370, do CPC/2015, há autorização expressapara que


o juiz possa exercer os seus poderes instrutórios, que é uma exceção ao princípio
dispositivo.
234 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

12. (Analista Judiciário - TRE-CO - 2015 - CESPE) Julgue o seguinte item,


relativos à resposta do réu e à teoria das provas no sistema processual civil.
O juiz pode, de ofício, determinar o comparecimento pessoal das partes
em qualquer fase em que se encontrar o processo, com o intuito de inter¬
rogadas sobre questõesque envolvam a causa, para seu correto deslinde
è julgamento.

COMENTÁRIO
Gabarito: Correta.

Trata-sede autorização expressa, constante do art. 139, VIII, do CPC/2015.


Destaque-se que o CPC/2015 permite que o juiz determine de ofício tanto o in¬
terrogatório, quanto o depoimento pessoal (art, 385, caput, CPC/2015).

13. (Defensor Público de Entrância lnicial-DPE-CE-2014-FCC) Em relação


ao ônus da prova, é correto afirmar:
a) Pelo nosso sistema processual civil, as partes têm o dever, a obrigação
legal da produção da prova, o autor quanto ao fato constitutivo de seu
direito, ó réu quanto ao fato desconstitutivo, modificativo ou éxtintivo
do direito do autor.
b) O ônus probatório incumbe apenas áo autor ôu áo réú, não a terceiros
que intervenham no processo.
c) É nula a convenção que distribui de maneira diversa o ônus da prova
quando recair sobre direito indisponível da parte ou quando tornar ex¬
cessivamente difícil a úma parte ò exercício do direito.
d) O sistema processual civil pátrio só admite a inversão convencional da
prova, mas não a inversão judicial ou legal.
e) O sistema processual civil pátrio só admite a inversão judicial ou legal
da prova, mas não a inversão convencional.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Incorreta. As partes possuem ônus da prova e não deveres


probatórios gerais, seja dos fatos constitutivos, seja dos fatos impeditivos, mo-
22. PROVAS 235

dificativos ou extintivos do direito do autor. (art. 373). Enquanto nos deveres


existem sanções pelo seu descumprimento, além de existir, no outro polo da
relação, um direito, nos onus, a parte almeja a sua desincumbência para atingir
um interesse próprio, ou seja, é uma faculdade. Além disso tudo, pelo conteúdo
do art. 373, II, ao réu compete o ônus da prova quanto a fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos do direito do autor, não se fazendo menção aos
fatos desconstitutivos.
Alternativa B: Incorreta. Quando o CPC menciona autor e réu, deve-se
entender que há a inclusão de outros atores processuais que venham a intervir
no processo. Especialmente naqueles casos em que eles são partes da relação
jurídica material, como é o caso do chamamento do processo, em que o ter¬
ceiro ingressa no polo passivo da relação processual e terá os mesmos ônus
probatórios do réu.
Alternativa C: Correta. Trata-se de reprodução do conteúdo do art. 373,
§ 3o, do CPC/2015.

Alternativa D: Incorreta. O CDC, por exemplo, autoriza a inversão do


ônus da prova pelo juiz em benefício do consumidor (art. 6o, VIII) e também
inverte previamente o ônus da prova da veracidade e correção da informação ou
comunicação publicitária, cabendo a quem as patrocina.

Alternativa E: Incorreta. O sistema processual autoriza a inversão judicial


e a legal, como visto na alternativa D, e também a convencional, nos termos do
art. 373, §3°, do CPC/2015.

14. Acerca da prova emprestada no CPC/201 5, julgue a seguinte assertiva:


A utilização da prova emprestada é construída apenas jurisprudencial-
mente, não havendo previsão legal no processo civil brasileiro.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

O CPC/2015 inova ao prever, de forma expressa, o cabimento da prova


emprestada (art.372), atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado
o contraditório.
236 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

15. (Promotor de Justiça -MPE-PA- 2014 -FCC) No tocante ao objeto e áo


ônus da prova, bem como a seus princípios gerais, considere os seguintes
enunciados:
I. Se o processo versar sobre direito disponível das partes, e se não for
excessivamente difícil a qualquer delas o exercício do direito, poderão
as partes convencionar a alteração das regras naturais de distribuição do
ônus probatório.
II. O objeto dà prova são os fatos, controvertidos ou não, relevantes para o
julgamento do processo.
III. O princípio dispositivo é mitigado no que se refere à produção de provas,
pois caberá ao juiz determinaç mesmo que de ofício, as provas necessárias
à formação de seu convencimento,
IV. É princípio geral em relação à prova de que não é possível em nenhuma
circunstância a prova de fato negativo, que se considera como diabólica.
Estão corretos APENAS:
a) l e IV.

b) II, ill e IV.


c) II e IV.
d) I, III e IV.
e) I e III.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

ItemI:Correto. Trata-se de autorização constante do art. 373, § 3o, segundo


o qual é cabível a distribuição convencional, desde que não recaia sobre direito
indisponível da parte ou torne excessivamente difícil a uma parte o exercício do
direito.
ItemII:Incorreto. Apenas serão objeto de prova os fatos controversos. Não
dependem de prova os fatos incontroversos (art. 374, III, do CPC/2015).
ItemIII: Correto. De acordo com o art. 370 do CPC/2015,há autorização
expressa para que o juiz possa exercer os seus poderes instrutórios, o que é uma
exceção ao princípio dispositivo.
22. PROVAS j 237

ItemIV:Incorreto. A prova negativa só será diabólica quando referida a um


fato indeterminado (p. ex. a prova de que fulano nunca viajou para determinado
lugar), mas náo o é quanto a fatos determinados (p. ex. a prova de que fulano não
viajou para determinado lugar em um determinado dia).

16. (Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento -TJ-SE - 2014


- CESPE) Acerca das provas admitidas no direito civil, assinale a opção
correta.
a) Os livros e as fichas dos empresários e das sociedades não constituem
prova suficiente contra as pessoas a que pertencem, mesmo que escritu¬
rados sem vícios.
b) As declarações enunciativas feitas em documentos devidamente assina¬
dos presumem-se verdadeiras, não havendo necessidade da prova de sua
veracidade.
. . ...
c) Os documentos redigidos em língua estrangeira devem sertraduzidos para
o português, mas podem ser admitidos, mesmo sem a tradução, quando
não acarretarem dificuldades à compreensão e prejuízo às partes.
d) A confissão feita por quem não é capaz de dispor do direito a que se
referem os fatos confessados é anulável.
e)
. .... V-
Por Ihe faltarem os sentidos da visão e da fala, os cegos e os surdos-mudos
não podem ser admitidos como testemunhas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Incorreta. O art. 417 do CPC/2015 é expresso ao afirmar


que livros empresariais provam contra o seu autor. Além disso, se preenchidos
os
de acordo comos requisitos legais, também provam a favor do seu autor, no litígio
entre empresários (art. 418 do CPC/2015).

Alternativa B: Incorreta. Quando a declaração é enunciativa, ou seja, con¬


tiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a
sua ciência, mas náo o fato em si, incumbindo o ônus de prova-lo ao interessado
(art. 408, parágrafo único, do CPC/2015).
Alternativa C: Correta.Trata-se de reprodução do entendimento do STJ:
“Em se tratandodedocumento redigido em língua estrangeira, cuja validade não
238 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

sc contesta c cuja tradução não se revele indispensável para a sua compreensão,


não se afigura razoável negar-lhe eficácia de prova tão-somente pelo fato de ter
sido o mesmo juntado aos autos sem se fazer acompanhar de tradução juramen-
tada, máxime quando não resulte referida falta em prejuízo para quaisquer das
partes, bem como para a escorreita instrução do feito (pas de nulittésans grief ” .
(RO 26/RJ,Rei. Ministro VASCO DELLA GIUSTINA (DESEMBARGADOR
CONVOCADODO TJ/RS),TERCEIRA TURMA, julgado em 20/05/2010,
DJe 07/06/2010)
Alternativa D: Incorreta. A confissão feita por quem não é capaz de dis¬
por do direito a que se referem os fatos confessados é ineficaz (art. 392, § Io, do
CPC/2015) e não anulável.

AlternativaE:Incorreta. Os cegos e surdos só não podem ser admitidos como


testemunhas quando a ciência do fato que se quer provar dependa dos sentidos
que lhes faltam (art. 447, § Io, IV, CPC/2015).

17. (Titular de Serviços de Notas e de Registros -TJ-DFT - 2014 - CESPE)


Acerca da prova no sistema processual civil, assinale a opção correta.
a) A confissão, que, em regra, é indivisível, pode ser judicial ou extrajudi¬
cial, sendo ineficaz ã confissão feita por quem não for capaz de dispor
do direito a que se referem os fatos confessados.
b) Na instância ordinária, as partes têm liberdade para apresentar docu¬
mentos novos somente até o saneamento do processo, e, sempre que
documentos novos forem aduzidos, o juiz concederá prazo de cinco dias
para a parte contrária manifestar-se sobre eles.
c) O MP somente poderá produzir provas em juízo quando atuar como parte
ou como substituto processual, cabendo ao magistrado indeferireventual
requerimento de produção deprovas quando o MP atuar na condição de
fiscal da lei.
.
d) De acordo com a moderna teoria da distribuição dinâmica da prova,
cada parte deverá produzir a prova apta a demonstrar suas alegações,
independentemente de quem tenha melhores condições de o fazer.
e) E defeso aos sujeitos da relação jurídica deduzida em juízo estabelecer
qualquer convenção que distribua de maneira diversa o ônus da prova.
Trata-se de regra legal indisponível para as partes.
22. PROVAS 239

COMENTÁRIOS
Gabarito: A
Alternativa A: Correta. A primeira parte reproduz a indivisibilidade da
confissão (art. 395), que pode ser judicial ou extrajudicial (art. 389) e ainda aponta
a ineficácia da confissão feita por quem não for capaz de dispor do direito a que se
referem os fatos confessados (art. 392, § Io).
AlternativaB:Incorreta.Não háessaliberdadeamplaparaajuntadadenovos
documentos. Assim, às partes é possível juntar novos documentos: a) caso sejam
eles referentes a fetos ocorridos apenas em momento posterior à petição inicial e à
contestação (art. 435, caput, CPC/2015), b) para fazer contraprovaaos documentos
já juntados no processo pela parte contrária (art. 435, caput, CPC/2015) e c) de
documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que
se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte
que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e
incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com a
boa-fé objetiva (art. 435, parágrafo único, CPC/2015). Além disso, caso requerida
a juntada de novos documentos, a parte irá dispor de 15 e não de 5 dias para de
manifestar (art. 437, § Io).
Alternativa C: Incorreta. Também nos casos em que atue como fiscal da
ordem jurídica, o MP poderá requerer a produção de provas (art. 179, II).
AlternativaD: Incorreta. De acordo com a moderna teoria da distribuição
dinâmica da prova, cada parte deverá produzir a prova apta a demonstrar suas
alegações, a qual é completamentedependente de quem tenha melhores condições
de fazê-lo. Assim, independentemente de quem tenha melhores condições de o
fazer” torna a assertiva incorreta.
Alternativa E: Incorreta. O CPC/2015 autoriza expressamente a distri¬
buição convencional do ônus da prova, exceto quando ela recair sobre direito
indisponível da parte ou tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do
direito (art. 373, § 3o).

18. Assinale a assertiva incorreta acerca da prova testemunhal:


a) Cabe ao advogado da parte informar ou intimar a testemunha por ele ar¬
rolada do dia, da hora e do local da audiência designada, dispensando-se
a intimação do juízo.
240 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) A intimação das testemunhas a ser feita pelo advogado deverá ser rea¬
lizada por carta com aviso de recebimento, cumprindo áo advogado
juntar aos autos, com antecedência de pelo menos 3 (três) dias da data
da audiência, cópia da correspondência de intimação e do comprovante
de recebimento.
c) Caberá ao próprio Poder Judiciário a intimação da testemunha quando
houver sido requerida pelo Ministério Público, Defensoria Pública ou
pela Advocacia Pública,
d) A parte pode comprometer-sè a levar a testemunha à audiência, indepen¬
dentemente da intimação por meio da carta com aviso de recebimento,
presumindo-se, caso a testemunha não compareça, que a parte desistiu
de sua inquirição.
é) Caberá ao próprio Poder Judiciário a intimação da testemunha quando
a sua necessidade for devidamente demonstrada pela parte áo juiz.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Correta. Trata-se da reprodução do art. 455, caput, do


CPC/2015. Destaque-se que se trata de alteração em relação ao CPC/1973,
segundo o qual, a intimação era feita pelo próprio Poder Judiciário (art. 412).
Alternativa B: Correta. Trata-se da reprodução do art. 455, § Io, do
CPC/2015.
Alternativa C: Incorreta. Apenas será feita a intimação pela via judicial
quando a testemunhahouver sido requeridapelo Ministério Público ouDefensoria
Pública. A advocacia pública entrará na regra geral (art. 455, § 4o, IV, do CPC).
Alternativa D: Correta. Trata-se de reprodução do art. 455, § 2o, do
CPC/2015.
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 455, § 4o, II, do
CPC/2015.

19. Assinale a alternativa correta acerca da prova testemunhal:


I. O juiz inquirirá as testemunhas separada e sucessivamente, primeiro as
do autor e depois as do réu, podendo o magistrado alterar essa ordem
independentemente da concordância das partes,
22. PROVAS 241

flv As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha,


começando pela que a arrolou, nãoadmitindoo juizaquelasquepuderem
induzir a resposta, não tiverem relação com as questões de fato objeto da
atividade probatória ou importarem repetição de outra já respondida.
Ill; O juiz não tem mais o poder de inquirir as testemunhas.
IV. As perguntas que o juiz indeferir serão transcritas no termo, se a parte o
requerer. ; •• ; .
'

Estão corretos apenas:


a) I e II.
t*§S
b) Me IV.
c)
d)
I e IV.
III e IV.
M m stl
|g§g
e) I' II* 6 IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

ItemI: Incorreto: Aordem de inquirição das testemunhas está correta (art.


456, caput, CPC/20I5), no entanto, a alteração dessa ordem peio juiz só pode
ocorrer se houver concordância das partes (art. 456,parágrafo único, CPC/2015).

ItemII: Correto. Trata-se de reprodução do art. 459, caput, do CPC/2015.

Item III: Incorreto. Ao contrário do apontado, o juiz poderá inquirir a


testemunha tanto antes quanto depois da inquirição feita pelas partes (art. 459,
§1°, CPC/2015).

Item IV: Correto. Trata-se de reprodução do art. 459, § 3o, do CPC/2015.

20. (Advogado - SABESP - 2014 - FCC) A respeito da prova pericial:


a) para desempenharem suas funções, podem o perito e os assistentes téc¬
nicos ouvir testemunhas e solicitar documentos que estejam em poder
das partes.
b) o perito pode ser substituído se, em outra perícia, houver elaborado laudo
acerca do mesmo objeto.
242 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) o juiz fica vinculado ao laudo se as partes e os assistentes técnicos não


contrariarem suas conclusões.
d) as partes não podem acompanhar os trabalhos periciais.
e) a manifestação das partes e assistentes técnicos acerca do laudo se dá,
exclusivamente, após a audiência de instrução e julgamento, por ocasião
do debate ora! ou dos memoriais.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. Trata-se de autorização constante do art. 473,


§ 3o, do CPC.

Alternativa B: Incorreta. O perito pode ser substituído quando faltar-lhe


conhecimento técnico ou científico ou, sem motivo legítimo, deixar de cumprir
o encargo no prazo que lhe foi assinado (art. 468, 1 e II). Não há a previsão de
substituição caso tenha elaborado, em outra perícia, laudo acerca do mesmo objeto.
Alternativa C: Incorreta. O juiz não está vinculado ao laudo em nenhuma
hipótese. De acordo com o art. 479, o juiz apreciará a prova pericial fimdamen-
tadamente, indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar ou a
deixar deconsiderar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado
pelo perito.
AlternativaD:Incorreta.Exatamente o contrário,pois aspartes terão ciência
da data e do local designados pelo juiz ou indicados pelo perito para ter início a
produção da prova (art. 474).
AlternativaE: Incorreta.As partes serão intimadas para se manifestar sobre
o laudo do perito do juízo no prazo de 15 dias (art. 477, § 1°) e podem, inclusive,
requerer esdarecimentos prévios à realização da audiência de instrução e julga¬
mento (art. 477, § 2o).

21. Acerca da prova pericial, assinale a alternativa incorreta:


a) De ofício ou a requerimento das partes, ojuiz poderá, em substituição à
perícia, determinará produção de prova técnica simplificada, quando o
22. PROVAS j 243

ponto controvertido for de menor complexidade, que consistirá apenas


na inquirição de especialista, pelo juiz, sobre ponto controvertido da
causa que demande especial conhecimento científico ou técnico.
b) As partes podem, de comum acordo, escolher o perito, indicando-o
mediante requerimento, desde que sejam plenamente capazese a causa
possa ser resolvida por autocomposição.
c) As partes não poderão apresentar quesitos suplementares durante a
diligência.
d) A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que seria realizada
por perito nomeado pelo juiz.
e) O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acom¬
panhamento das diligências e dos exames que realizar, com prévia
comunicação, comprovada nos autos, com antecedência mínima de 5
(cinco) dias.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Correta. Trata-se de reprodução do art. 466, §§ 2° e 3o, do


CPC/2015.
Alternativa B: Correta. Trata-se de reprodução do art. 471, caput,Ie II,
do CPC/2015.
Alternativa C: Incorreta. Ao contrário do apontado, as partes poderão
apresentar quesitos suplementares durante a diligência (art. 469).

Alternativa D: Correta. Trata-se de reprodução do art. 471, § 3o, do


CPC/2015.
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 466, § 2o, do
CPC/2015.
23

Audiência de instrução e
julgamento

1. -
(Analista Judiciário Área Judiciária - Execução de Mandados - TJ-AP
-2014 -FCC- adaptada) No tocante à audiência, é correto afirmar que
a) a ordem de produção das provas pode ser alterada por ato judicial, de
acordo com as peculiaridades da causa.
b) instalada aaudiência,éfaculdadedojuiztentaraconciliaçãodas partes;
se obtida, será tomada por termo nos autos.
c) ao iniciara instrução, o juiz, como ato de ofício, fixará os pontos de litígio
sobre os quais incidirá prova.
d) quando o litígio versar sobre direitos patrimoniais de caráter privado, o
juiz, de ofício, determinará o corriparecimento dás partes ao início da
instrução e julgamento.
e) poderá haver seu adiamento, no caso de convenção das partes, por no
máximo três vezes, desde que estejam em busca de acordo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. De acordo com o art. 139, VI, do CPC, o juiz pode
alterar a ordem de produção de provas, adequando-a às necessidades do conflito.
23. AUDIêNCIA DE INSTRUçãO E IULCAMENTO 245

Além disso, o art. 361, caput, afirmar que as provas orais serão produzidas
em audiência em ordempreferencial; ou seja, não há exigência de que obrigatoria¬
mente se siga a ordem predisposta.

Alternativa B: Incorreta. O juiz tem o dever de tentar conciliar as partes


logo depois de instalada a audiência (art. 359 do CPC).
Alternativa C: Incorreta. Os pontos controvertidos sobre os quais recairá
a prova devem ser fixados na decisão de saneamento e organização do processo
(art. 357, II, CPC).

Alternativa D: Incorreta. Trata-se de dispositivo sem correspondente no


CPC/2015, sendo uma exigência que constava do art. 447 do CPC/1973.

Alternativa E: Incorreta. Enquanto o CPC/1973 limitava o adiamento


da audiência por uma vez pelas partes (art. 453, 1), o CPC/2015 não fixa um
número limite, apenas afirmando que pode ser adiada por convenção das partes
(art. 362, 1).

2. (Defensor Público - DPE-RS - 201 4 - FCC - adaptada) Durante


audiência de instrução e julgamento em processo que tramita sob o
rito ordinário houve indeferimento de pergunta do Defensor Público
dirigida a uma das testemunhas, havendo evidente prejuízo à parte
assistida pela Defénsoria Pública. No caso, a medida recursal correta
seria a de: ;•

a) interpor agravo de instrumento, postuIando o recebimento e abertura de


prazo para formação do instrumento e remessa ao Tribunal de Justiça.
b) interpor agravo retido, oral e imediatamente, constando do termo de
audiência.
c) arguir nulidade, postulando que conste tal arguição no termo de au¬
diência, objetivando posterior interposição do recurso de agravo retido,
por petição dirigida ao Juiz da causa, no prazo de 10 (dez) dias.
d) não será cabível recurso de forma imediata, devendo ser suscitadas
em preliminar de apelação ou nas contrarrazões.
e) interpor agravo de instrumento no prazo de 10 (dez) dias, após arguida
nulidade durante a audiência, tendo tal constado do termo.
246 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
Alternativa A: Incorreta. O indeferimento de pergunta à testemunha não
está previsto como hipótese de cabimento do agravo de instrumento, agora só
cabível nas hipóteses expressamente previstas em lei (art. 1.015 do CPC/2015).
Alternativa B: Incorreta. O agravo retido foi extinto pelo CPC/2015.
Alternativa C: Incorreta. O agravo retido foi extinto pelo CPC/2015.
Alternativa D: Correta. Com a extinção do agravo retido, nos casos em
que não seja cabível a interposição do agravo de instrumento, as questões não são
cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação ou nas
contrarrazóes (art. 1.009, § Io, CPC/2015).
Alternativa E: Incorreta. O indeferimento de pergunta à testemunha não
está previsto como hipótese de cabimento do agravo de instrumento, agora só
cabível nas hipóteses expressamente previstas em lei (art. 1.015 do CPC/2015).

3. (Agente de Promotoria - MPE-ES - 2013 - VUNESP - adaptada) A au¬


diência de instrução e julgamento poderá ser adiada: :-
a) todas as vezes que qualquer uma das partes solicitar.
b) apenas quando houver requerimento da parte autora.
c) por convenção das partes, caso em que só será admissível uma vez.
d) por convenção das partes, sem previsão de limite.
e) a pedido de terceiro interessado que pretende ingressar no feito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
AlternativaA:Incorreta.Não há previsão de adiamento pelamera solicitação
de apenas uma das partes.
Alternativa B: Incorreta. Não há previsão de adiamento pela mera solici¬
tação do autor.
Alternativa C: Incorreta. Enquanto o CPC/1973 limitava o adiamento da
audiência por uma vez pelas partes (art. 453, 1), o CPC/2015 não fixa um número
limite, apenas afirmando que pode ser adiada por convenção das partes (art. 362,1).
23. AUDIêNCIA DE INSTRUçãO E IULGAMENTO 247

AlternativaD: Correta. O CPC/2015 não fixaumnúmero limite, apenas


afirmando que pode ser adiada por convenção das partes (art. 362, 1).
AlternativaE: Incorreta.Não há essaprevisão de adiamento pela solicitação
de terceiro interveniente.

4. (Especialista em Gestão de Telecomunicações - Advogado -Telebras -


Ano: 2013-CESPE) Julgueo item seguinte, relativo às provas processuais.
Serão presumidos verdadeiros os fatos alegados pela defesa do réu, se o
autor, sem justo motivo, deixar de comparecer à audiência de instrução
para a qual foi intimado para prestar depoimento pessoal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto.

Em regra, o depoimento pessoal será realizado na audiência de instrução e


julgamento (art. 361, II). Além disso, caso a parte não compareça injustificada¬
mente, a ela será imposta a pena de confesso (an. 3 8 5, § 1 do CPC), que implica
na admissãoda verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao adversário
(art. 389 do CPC).

5. (Procurador - TC-DF - 2013 - CESPE) Com referência aos parâmetros


definidos no CPC para os procedimentos a serem realizados em razão
de direito material de sujeito de direito, julgue o próximo item.
Em uma audiência, se ausente a parte que deveria prestar depoimento
pessoal, desde que intimada demodo regular, por requerimento da parte
contrária, a ela será aplicada, pelo juiz, a pena de confissão.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto.

Em regra, o depoimentopessoal será realizado na audiência de instrução e


julgamento (art. 361,II, do CPC). Além disso, caso a parte não compareça injus¬
tificadamente, a ela será imposta a pena de confesso (art. 385, § Io, do CPC), que
só pode ser aplicada se a parte for regularmente intimada, ou seja, pessoalmente
intimada (art. 385, § Io, do CPC).
248 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

6. Assinafè a alternativa incorreta acerca da audiência de instrução e julga¬


mento:
a) Encerrado o debate ou oferecidas as razões finais, ojuizproferirá sentença
em audiência ou no prazo de 30 (trinta) dias.
b) A audiência poderá ser integraimente gravada em imagem e em áudio,
em meio digital ou analógico, desde que assegure o rápido acesso das
partes e dos órgãos julgadores, observada a legislação específica.
c) A ordem das provas orais é preferencial, podendo ser alterada no caso
concreto pelo magistrado.
d) A audiência pode ser adiada por atraso injustificado de seu início em
tempo superior a 45 minutos do horário marcado.
e) O juiz poderá dispensar a produção das provas requeridas peia parte
cujo advogado ou defensor público não tenha comparecido à audiência,
aplicando-se a mesma regra ao Ministério Público.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

AlternativaA: Correta. Trata-se de reprodução do art. 366, do CPC/2015.


Destaque-se que, no CPC/2015, o tempo para que a sentença seja proferida
foi aumentado, pois, no CPC/1973, este mesmo prazo era de apenas 10 dias
(art. 456).

Alternativa B: Correta. Trata-se de reprodução do art. 367, § 5o, do


CPC/2015.
Alternativa C: Correta. De acordo com o art. 139, VI, do CPC, o juiz pode
alterar a ordem de produção de provas, adequando-a às necessidades do confli¬
to. Além disso, o art. 361, caput, afirmar que as provas orais serão produzidas em
audiência em ordem preferencial.
Alternativa D: Incorreta. Para que a audiência seja adiada por atraso injus¬
tificado de seu início, o tempo é de 30 minutos além horário marcado e não 45
(art. 362, III, do CPC).

Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 362, § 2o, do


CPC/2015.
24

Sentença e Coisa Julgada

1. {Juiz Substituto -TJPi - 2015 - FCC - adaptada) Em relação à sentença,


é correto afirmar que,
a) condenado o devedor a emitir declaração de vontade, a sentença que
transitarem julgado produzirá de imediato todos os efeitos da declaração
não emitida.
b) salvo se a condenação for genérica, a sentença condenatória produz a
hipoteca judiciária.
c) exceto se decidir relação jurídica condicional, a decisão deve ser certa.
d) publicada a sentença, o juiz poderá alterá-la livremente até o final do
prazo recursal, devolvendo porém o prazo para a parte sucumbente.

COMENTÁRIOS
Gabarito:A

Alternativa A: Correta. Trata-se do comando contido no art. 501. Des¬


taque-se a necessidade do prévio trânsito em julgado para que essa sentença
produza efeitos.
Alternativa B: Incorreta. A sentença condenatória produz a hipoteca
judiciária mesmo que a condenação seja genérica (art. 495, § Io, I, CPC/2015).
250 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Alternativa C: Incorreta. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação
jurídica condicional (art. 492, parágrafo único, CPC/2015).
Alternativa D: Incorreta. Após a publicação da sentença, ela só pode ser
modificada pelo juiz em duas hipóteses: a) para a correção de inexatidões materiais
ou erros de cálculo e b) por meio do recurso de embargos de declaração (art. 494,
CPC/2015).

2. (Juiz do Trabalho Substituto -TRT - 15a Região - 2015 - FCC) Sobre a


sentença, é correto afirmar que:
a) a citrapetita pode ser corrigida por meio de embargos de declaração.
b) nela é defeso ao juiz, em razão do princípio dispositivo, conhecer de
matéria de ordem pública.
c) éextra petita a que condena o devedora pagar correção monetária quando
não tiver havido pedido expresso nesse sentido.
d) é extra petita a que dá aos fatos qualificação jurídica diversa da narrada
pelo autor na petição inicial.
e) e ultra petita a que condena o devedor a pagar correção monetária quando
não tiver havido pedido expresso nesse sentido.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. A sentença é citrapetita quando o juiz deixa de


analisar um pedido formulado ou um fundamento de fato ou de direito trazido
pela parte. Nesse sentido, pode-se dizer que é uma decisão omissa. Ora, uma
das hipóteses de cabimento dos embargos de declaração é justamente para sanar
omissão (art. 1.022, CPC/2015), ou seja, a sentença citrapetita pode ser corrigida
por meio dos embargos de declaração.
Alternativa B: Incorreta. Pode o juiz conhecer de matérias de ordem pú¬
blica na sentença; por exemplo, as condições da ação (art. 485, VI), a ausência de
pressupostos de constituição e de desenvolvimento valido e regular do processo
(art. 485, IV). Destaque-se que, no CPC/2015, nesses casos, deve o juiz intimar
previamente as partes para se manifestarem (art. 10, CPC/2015).
24. SENTENçA E COISA JUECADA 251

Alternativa C: Incorreta. A sentença extrapetita é aquela que tem natureza


diversa ou concede coisa náo pedida; leva em consideração fundamentos não
suscitados ou atinge sujeitos não participantes. Por exemplo, “X” pede umcarro e
o juiz concede um celular. Não é extrapetita a sentença que condena o devedor a
pagar correção monetária quando não tiver havido pedido expresso nesse sentido,
pois é considerada incluída no principal (art. 322, § Io, CPC/2015).
Alternativa D: Incorreta. Não se trata de julgamento extrapetita, uma vez
que o juiz não está vinculado aos argumentos jurídicos das partes, mas apenas à
causa de pedir. Desde que aaplicação ao fato ouao conjunto de fatos de qualificação
jurídica distinta daquela prevista pelas partes não promova alteração na causa de
pedir, o juiz estará livre para requalificar juridicamente os fatos.
Alternativa E: Incorreta. A sentença ultra petita é aquela que concede ao
demandante mais do que ele pediu ou que analisa não apenas os fatos contidos nos
atos. Não é ultrapetita a sentença que condena o devedor a pagar correção mone¬
tária quando não tiver havido pedido expresso nesse sentido, pois é considerada
incluída no principal (art. 322, § Io, CPC/2015).

3. (DefensorPúblico-DPE-SP-2015-FCC)Sobiesentençaecoisa julgada:
a) Uma sentença proferida por juiz absolutamente incompetente é nula,
razão pela qual não faz coisa julgada material.
b) A coisa soberanamente julgada ocorre após o decurso do prazo para a
quérela nullitatis ihsanabilis,
c) A decisão que homóloga um acordò entre as partes tem natureza júrídica
de sentença terminativa.
d) A decisão que indefere a inicial em razão do reconhecimento da pres¬
crição tem natureza jurídica de sentença definitiva.
e) A sentença que extjngueo processo sem resolução do mérito, embora não
faça coisa julgada material, pode impedirarepropositura de ação idêntica.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Alternativa A: Incorreta. A sentença proferida por juiz absolutamente


incompetente produz coisa julgada material, conquanto possua um vício que
252 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

justifique a sua rescisão (art. 966, 1, CPC/2015). Inclusive, faz coisa julgada ma¬
terial porque nos casos derescindibilidade do caput Ao art. 966, apenas as decisões
de mérito transitadas em julgado (com coisa julgada material) podem ser alvo de
ações rescisórias.

Alternativa B: Incorreta. A querela nullitatisé uma ação de nulidade/inexis¬


tência “(trata-se de tema polêmico, entendendo parte dadoutrina tratar-se de ação
de nulidade e outra parte de ação de inexistência) da sentença e não se confunde
com a ação rescisória, não seguindo o referido prazo de dois anos. Ela é cabível
para os casos em que o réu teve contra si sentença desfavorável sem ter sido citado
oupor ter ocorrido citação defeituosa e não tem prazo específico. A chamada coisa
julgada soberana ocorre após o decurso do prazo decadencial de dois anos da ação
rescisória (art. 975) e não se relaciona com a querela nullitatis.

Alternativa C:Incorreta. A decisão quehomologa um acordo entre as partes


é considerada uma sentença que resolve o mérito (art. 487, III, b, do CPC).

Alternativa D: Incorreta. A decisão que indefere a petição inicial é uma sen¬


tença que extingue o processo sem resolução do mérito (art. 485, 1, CPC/2015), o
que não éo caso dasentençaqueindefere o pedido por constatar aprescrição ou deca¬
dência (art. 487,11, CPC/2015),queédecisão de mérito. Podehaver improcedência
liminar do pedido pela constatação da ocorrência da prescrição ou decadência (art.
332, § Io, CPC/2015), mas não é uma decisão de indeferimento da petição inicial.

Alternativa E: Correta. De acordo com o § Io do art. 486 do CPC/2015, a


extinção do processo sem análise do mérito impede a simples repropositura da ação
sem a correção do vício quando fundamentada em: a) litispendência; b) indeferi¬
mento da petição inicial; c) verificação da ausência de pressupostos de constituição
e de desenvolvimento válido e regular do processo; d) verificação da ausência de
legitimidade ou de interesse processual; e e) acolhimento da alegação de existência
de convenção de arbitragem ouquando o juízo arbitraireconhecer sua competência.

4. (Auditor Federal de Controle Externo -TCU - 2015 -CESPE) Em relação


a despachos, decisões interlocutóriase sentenças, julgue o item seguinte.
Considera-se decisão interlocutória a decisão judicial que, após a apre¬
sentação da contestação, concede liminar de antecipação de tutela em
ação de obrigação de fazer coisa certa.
24. SENTENçA e COISA JULGADA 253

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto.

No CPC/2015, asentençaé o pronunciamento por meio do qual o juiz, com


fundamento nos arts. 485 e 487 (que tratam do conteúdo da decisáo — extinção
sem oucom análise do mérito), põe fim à fase cognitiva do procedimento comum,
bem como extingue a execução (art. 203, § Io). A decisão interlocutória é todo
pronunciamento judicial de natureza decisória que não se enquadre no conceito de
sentença (art. 203, § 2o),ou seja, encaixa-se no caso da questão, pois é uma decisão
de antecipação de tutela, que não põe fim à fase cognitiva do procedimento comum.

5. (Juiz do Trabalho Substituto -TRT1 - FCC - 2015). Ao proferir determi¬


nada sentença, afirmou o juiz que todaseias são proferidas com cláusula
rebus sic stantibus. Tal afirmação significa que
a) nem todas as sentenças dependem da exaustão das vias recursais para
fazer coisa julgada.
b) a coisa julgada é imutável nos limites em que foi formada.
> .....
, .
c) a coisa julgada não vincula terceiros e pode por eles, em ação própria,
sempre ser alterada.
d) acoisa julgada é imutável enquanto não declaradas inconstitucionais as
rmas nas quais se fundou.
e) houve erro na afirmação, porque a coisa julgada é sempre imutável.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

Alternativa A: Incorreta. Conceito incorreto da sentença proferida com


cláusula rebus sic stantibus.
AlternativaB: Correta. A sentença que regula situações jurídicas permanen¬
tes e sucessivas (relação jurídica de trato continuado) contém uma cláusula rebus
sic stantibus, ou seja, havendo uma modificação permanente no estado de fato
ou de direito, é lícito rever o que foi decidido (art. 505, 1). Assim, a coisa julgada
formada só será imutável nos limites em que foi formada, podendo ser alterada
por mudanças faticas ou jurídicas.
254 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Alternativa C: Incorreta. Conceito incorreto da sentença proferida com


cláusula rebus sic stantibus.
Alternativa D: Incorreta. Conceito incorreto da sentença proferida com
cláusula rebus sic stantibus.
Alternativa E: Incorreta. Conceito incorreto da sentença proferida com
cláusula rebus sic stantibus.

6. (Juiz Substituto -TJPE - 2015 - FCC - adaptada) Em relação à sentença,


considere os enunciados seguintes:
I. A decisão que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente
em dinheiro e a que determinar a conversão de prestação de fazer, de
não fazer ou de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título
constitutivo de hipoteca judiciária
II. Condenado o devedor a emitir declaração de vontade, a sentença que
julgar procedente o pedido, uma vez transitada em julgado, produzirá
todos os efeitos da declaração não emitida.
III. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo
ou extintiyo do direito influir nò julgamento da lide, não poderá o juiz
considerá-lo no momento de proferir a sentença, em respeito ao princípio
da estabilização da lide.
Está correto o que se afirma em:
a) ! e III.
11
b) I.
8jÉjÉâp
c) I, lie III.
d) I e II.
e) II.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Item I: Correto. Trata-se de reprodução do art. 495, caput, do CPC/2015.

Item II: Correto. Trata-se de reprodução do art. 501 do CPC/2015.


24. SENTENçA £ COISA JULGADA 255

Item III: Incorreta. Há autorização para que o juiz leve em consideração


no momento de proferir a decisão, de ofício ou a pedido da parte algum fato
constitutivo, modificativo ou extintivo do direito apto a influir no julgamento do
mérito (art. 493 do CPC/2015).

7. (juiz do Trabalho Substituto - TRT - 24a REGIÃO (MS) - 2014-FCC-


adaptada) Em relação às sentenças,
a) poderão ser ilíquidas, a critério discricionário do juiz.
b) são denominadas ultra petita aquelas proferidas, a favor do autor, de na¬
tureza diversa da pedida ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
c) devem elas ser certas, salvo se decidam relações jurídicas condicionais.
d) somente o dispositivo da sentença de mérito revestir-se-á da autoridade
da coisa julgada material.
e) quando extingam o processo sem resolução do mérito, ainda assim a
decisão deve ser devidamente fundamentada.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

AlternativaA: Incorreta. Só poderá ser ilíquida asentença quando: a) não for


possível determinar, de modo definitivo, o montante devido; b) a apuração dovalor
devido depender da produção de prova de realização demorada ou excessivamente
dispendiosa, assim reconhecida na sentença (art. 491,1e II).
Alternativa B: Incorreta. O conceito mencionado naassertiva é o de sentença
extrapetita. A sentença ultrapetita é aquela que concede ao demandante mais do
que ele pediu ou que analisa não apenas os fatos contidos nos atos.

Alternativa C: Incorreta. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação
jurídica condicional (art. 492, parágrafo único, CPC/2015).
Alternativa D: Incorreta. De acordo com o art. 503 do CPC/2015,
não apenas a questão principal expressamente decidida pode ser revestida
da autoridade da coisa julgada material, mas, em certas hipóteses, também a
questão prejudicial.
256 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Alternativa E: Correta. O art. 459 do CPC/ 1973 autorizava que as decisões


que extingam o processo sem resolução do mérito fossem fundamentadas de forma
concisa. Essa autorização inexiste no CPC/2015, que exige que todas as decisões
sejam fundamentadas de forma analítica, nos termos do art. 489, § 1°,CPC/2015.

8. (Procurador do EstadodeTerceira Classe - PGE-RN- 2014 - FCC - adap¬


tada) Caio ajuizou, perante a justiça Comum, ação de indenização em
face do Estado. Afirmou que, em razão de colisão com viatura policial,
teria tido seu veículo avariado; ficando privado do uso do bem, que em¬
pregaria, habitualmente, na profissão de taxista. Requereu a reaiizaçãode
perícia e estimou os danos materiais, emergentes e lucros cessantes, em
cerca de 50 salários mínimos. Atribuiu à causa o valor de R$ 36.000,00.
O Juízo julgou procedentes os pedidos e determinou que o valor da
indenização fosse obtido em liquidação de sentença. De acordo com
Súmula do Superior Tribunal de Justiça, a sentença:
a) está sujeita ao duplo grau de jurisdição, por se tratar de sentença ilíquida.
b) estará sujeita ao duplo grau de jurisdição apenas se o particular recorrer
buscando a majoração da indenização.
c) nãoestásujeitaaoduplograudejurisdição,porqueoreexame necessário
não se aplica às causas de valor inferior a 100 salários mínimos.
d) está sujeita ao duplo grau de jurisdição, porque o reexame necessário
não se sujeita a valor de alçada.
e) não está sujeita ao duplo grau de jurisdição, porque não há reexame
necessário quando a ação, em razão da pouca complexidade, poderia
ter sido distribuída perante o Juizado Especial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. O art. 496, § 3o, ao tratar dos casos em que não
se aplica o reexame necessário em virtude do valor da condenação, apenas insere
como exceções a aplicação do reexame necessário as condenações ou proveito
económico obtido na causa que seja de valor certo e líquido. Se for ilíquido, inde¬
pendentemente do valor da causa, aplica-se o reexame necessário. Nesse sentido
a súmula 490, do STJ, afirmando que “a dispensa de reexame necessário, quando
24. SENTENçA E COISA JULGADA j 257

o valor da condenação ou do direito controvertido for inferior a sessenta salários


mínimos, não se aplica a sentenças ilíquidas”.

AlternativaB:Incorreta. O reexame necessário aplica-seindependentemente


de recurso de qualquer das partes. Inclusive, não interposta a apelação no prazo
legal, o juiz ordenará aremessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente
do respectivo tribunal avocá-Ios-á (art. 496, § Io, CPC/2015).

Alternativa C: Incorreta. Como se trata de decisão ilíquida, não há de se


faiar do valor da causa.
Alternativa D: Incorreta. Ela está sujeita por ser ilíquida e não porque o
reexame necessário não se sujeita a valores específicos. Estes estão fixados no § 3o,
do art. 496, do CPC/2015.

Alternativa E: Incorreta. Inexiste essa exceção para a aplicação ou não do


reexame necessário, que estão limitadas às previstas no art. 496.

9. julgue a seguinte assertiva acerca do reexame necessário:


.
A sentença que estiver fundada em entendimento coincidente com
orientação vinculante firmada no âmbito administrativo do próprio ente
público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa
não estará sujeita ao reexame necessário.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

Trata-se de mais uma exceção à aplicação do reexame necessário (art. 496,


§4°, IV, do CPC).

10. Acerca da hipoteca judiciária, assinale a alternativa incorreta:


a) A decisão produz hipoteca judiciária mesmo que impugnada por recurso
dotado de efeito suspensivo.
b) A sentença que condena o réu à prestação de coisa vale imediatamente
como título constitutivo de hipoteca judiciária.
258 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

c) Poderá ser realizadamediante apresentação de cópia da seníénçá perante


o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial,
de declaração expressa do jui? ou de demonstração de urgência.
d) Uma vez constituída, implicará, para o credor hipotecário, o direito de
.preferência, quanto ao pagamento, em relação a outros credores, obser¬
vada a prioridade no registro.
e) Sobrevindo a reforma oua invalidação da decisão que impôs o pagamento
de quantia, a parte responderá, indepéndentemente de cuIpa,pelos danos
que a outra parte tiver sofrido em razão da constituição da garantia, devendo
o valor da indenização ser liquidado e executado nos próprios autos.

COMENTÁRIOS
Gabarito; B

AlternativaA; Correta.Trata-se de reprodução do art. 495, § Io,III,do CPC.


AitemativaB: Incorreta.No CPC/2015, adecisão que determina aprestação
de coisa só serve como título constitutivo dehipoteca judiciária quando convertida
em prestação pecuniária (art. 495, caput).

Alternativa C: Correta. Trata-se de reprodução do art. 495, § 2o, do CPC.


Alternativa D: Correta. Trata-se de reprodução do art. 495, § 4o, do CPC.
Alternativa E: Correta. Trata-se de reprodução do art. 495, § 5o, do CPC.

.
11 (Juiz doTrabalho Substituto -TRT - V REGIÃO (RJ) -2014- FCQ Eugênio
ajuizou ação contraArleterequerendo indenizaçãopor danos materiais emo¬
rais.Na sentença, ojuiz apreciou apenas o pedido de indenização por danos
materiais. De acordo como Código de Processo Civil, trata-se de sentença;
a) omissa, mas que pode ser integrada, pelo próprio julgador, ao decidir
embargos de declaração, os quais são opostos, perante o Juiz prolator da
sentença, no prazo de cinco dias, interrompendo õ prazo para interposição

..
b)
de outros recursos.
omissa, mas que pode ser integrada, pelo próprio julgador, ao decidir
embargos de declaração, os quais são opostos, perante o juiz prolator da
24. SENTENçA E COISA JULGADA 259

sentença, no prazo de dois dias, suspendendo o prazo para interposição


de outros recursos.
c) citrapetita, mas que pode ser integrada, peloTribunal, aodecidirembargos
de declaração, os quais são opostos, na segunda instância, no prazo de
cincodias, interrompendo o prazo para interposição de outros recursos.
d) citra petita; devendo ser declarada nula peloTribunal, sem possibilidade
de integração.
e) omissa, mas que pode ser integrada, pelo próprio julgador, ao decidir
embargos dé declaração, os quais são opostos, perante o Juiz prolator da
sentença, no prazo de cinco dias, suspendendo o prazopara interposição
de outros recursos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. A sentença, no caso, é omissa {citrapetita), por não


apreciar um dos pedidos da parte. No entanto, após a publicação da sentença,
esta só pode ser modificada pelo juiz em duas hipóteses: a) para a correção de
inexatidões materiais ou erros de cálculo e b) por meio do recurso de embargos
de declaração (art. 494, CPC/2015). Este recurso deve ser oposto no prazo de 5
dias (art. 1.023, caput), tendo aptidão para interromper o prazo para os demais
recursos (art. 1.026, caput).

Alternativa B: Incorreta. O erro está no prazo para os embargos de declara¬


ção, que é de 5 dias (art. 1.023, caput) e em sua consequência, pois ele interrompe
e não suspende o prazo para os demais recursos (art. 1.026, capui).

Alternativa C: Incorreta. Ela pode ser integrada pelo próprio juiz, em face
da oposição dos embargos de declaração (art. 494, CPC/2015), não dependendo
de atuação do tribunal.

AlternativaD: Incorreta. Ela é citrapetita, mas pode ser integrada pelo pró¬
prio juiz, em face da oposição dos embargos de declaração (art. 494, CPC/2015).
Alternativa E: Incorreta. O erro está na consequência dos embargos de
declaração. É que o recurso interrompe (e não suspende) o prazo para os demais
recursos (art. 1.026, capui).
260 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

12. Considera-se fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlo-


cutória, sentença ou acórdão, que:
a>
julgamento ou a superação do entendimento.
b) se limitará indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem

d) empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo


concreto de sua incidência no caso.
e) se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar
seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julga¬
mento se ajusta àqueles fundamentos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

AlternativaA: Correta.Trata-se exatamente da exigência do art. 489, § Io,VI.


Alternativa B: Incorreta. Essa decisão é considerada não fundamentada, de
acordo com o art. 489, § Io,I.
Alternativa C:Incorreta.Essadecisão é considerada não fundamentada, de
acordo com o art. 489, § Io, III.
Alternativa D: Incorreta. Essa decisão é considerada não fundamentada,
de acordo com o art. 489, § Io,II.
Alternativa E: Incorreta.Essa decisão é considerada não fundamentada, de
acordo com o art. 489, § Io, V.

13. (Analista judiciário - Execução de Mandados -TJ-CE - 2014 - CESPE -


adaptada) Assinale a opção correta em relação à sentença eàcoisa julgada.
a) A sentença proferida na ação de jurisdição graciosa produz a coisa julgada
material após o seu trânsito em julgado.
WÊÊÊÊÊà
24. SENTENçA E COISA JULGADA 261

b) No procedimento comum, o relatório, os fundamentos e o dispositivo


são requisitos essenciais da sentença.
c) Serádefinitiva a sentença que resolva o processopor falta de pressuposto
processual.
d) A coisa julgada formal consiste no fenômeno da imutabilidade da sen¬
tença, que adquire força de lei para as partes e para todos os juízos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Alternativa A: Incorreta. Embora haja polêmica doutrinária acerca da exis¬


tência ou náo de coisa julgada na jurisdição voluntária, ao menos para o CESPE,
deve o candidato adotar a tese de que ela náo é formada nesses casos.
Alternativa B: Correta. Assertiva de acordo com os requisitos do art. 489.
Alternativa C: Incorreta. A sentença que resolva o processo por falta de
pressuposto processual náo analisa o mérito da causa (art. 485,IV), sendo possível
a repropor a ação quando corrigido o vício.

Alternativa D: Incorreta. O conceito mencionado na assertiva refere-se à


coisa julgada material e não à formal.

14. (Titu!ardeServiçosdeNotasedeRegistros-TJ-DFT-2014-CESPE) No
que diz respeito à sentença e à coisa julgada, assinale a opção correta.
a) A coisa julgada formada na ação popular terá eficácia oponível contra
todos (erga omnes) nos limites da competência territorial do órgão pro-
lator.
b) Depois de publicada a sentença, o juiz prolator não poderá mais alterá-la
sob qualquer circunstância.
c) No procedimento comum, os únicos requisitos essenciais da sentença
são a fundamentação e o dispositivo, sendo este a parte em que estará o
comando declaratório, constitutivo ou condenatório.
d) A jurisprudência do STJ firmou entendimento no sentido de reconhecer
a inexistência de coisa julgada entre mandado de segurança e ação or¬
dinária quando tais insurgências objetivam o mesmo resultado prático.
262 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) O STF reconheceu, recentemente, por meio de diversos julgados, a inexisr


tência de repercussão geral do tema referente à violação aos pri ncípios do
contraditório, da ampla defesa, do devido processo legal edos limites da
oòisà julgada quando o julgamento da causa depender de prévia análise
da adequada aplicação de normas infraconstitucionais.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Alternativa A: Incorreta. De acordo com o art. 18, da Lei 4.717/1965, “A


sentença terá eficácia de coisa julgada oponível ‘erga omnes’, exceto no caso de
haver sido a açáo julgada improcedente por deficiência de prova”. Náo há essa
limitação territorial, que só existe para a Açáo Civil Pública, no art. 16, da Lei
7.347/ 1985, segundo a qual “A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos
limites da competência territorial do órgão prolator”.
Alternativa B; Incorreta. Após a publicação da sentença, ela pode ser mo¬
dificada pelo juiz em duas hipóteses: a) para a correção de inexatidões materiais
ou erros de cálculo e b) por meio do recurso de embargos de declaração (art. 494,
CPC/2015).

Alternativa C:Incorreta.Além da fundamentação e do dispositivo, também


é requisito essencial da sentença o relatório (art. 489,1, CPC/2015).

Alternativa D: Incorreta. Justamente o contrário, pois, de acordo com o


STJ, “Esta Corte Superior firmou entendimento no sentido dereconhecer a coisa
julgada entre mandado de segurança e ação ordinária, quando tais insurgências
objetivam o mesmo resultado prático, como reconhecido pelaInstânciaOrdinária
na espécie” (AgRg no REsp 1232975/AM, Rei. Ministro OG FERNANDES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2013, DJe 03/02/2014).

Alternativa E: Correta. Está de acordo com o entendimento do STF,


consoante se infere da seguinte ementa: “Alegação de cerceamento do direito de
defesa. Tema relativo à suposta violação aos princípios do contraditório, da ampla
defesa, doslimitesda coisa julgada e do devido processo legal. Julgamento da causa
dependente de prévia análise da adequada aplicação das normas infraconstitucio¬
nais. Rejeição da repercussão geral” (ARE 748371RG, Relator(a): Min. GILMAR
24. SENTENçA E COISA JUICAOA 263

MENDES, julgado em 06/06/2013, ACÓRDÃO ELETRÓNICO DJe-148


DIVULG 31-07-2013 PUBLIC 01-08-2013).

15. (Juiz doTrabalho -TRT - 18a Região (GO) - 2014 - FCC) É defeso ao
Juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida,
bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto di¬
verso do que lhe foi demandado. Esse enunciado normativo refere-se
ao princípio processual da:
a) obrigatoriedade da jurisdição.
jjg
b) eventualidade.
c) inércia jurisdicional.
1 m
d)
e)
adstrição òu congruência.
reciprocidade decisória.
H s
COMENTÁRIOS

Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. O conceito mencionado na questão refere-se ao


princípio da adstrição ou congruência.
Alternativa B: Incorreta. O conceito mencionado na questão refere-se ao
princípio da adstrição ou congruência.
Alternativa C: Incorreta. O conceito mencionado na questão refere-se ao
princípio da adstrição ou congruência.
AlternativaD: Correta. Segundo o art. 141 do CPC/2015, o juiz decidirá
o mérito nos limites propostos pelas panes, não podendo decidir extrapetita, ultra
petita ou citrapetita. Portanto, não pode proferir sentença de natureza diversa da
pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso
do que lhe foi demandado, exatamente no que consiste o princípio da adstrição
ou congruência.

Alternativa E: Incorreta. O conceito mencionado na questão refere-se ao


princípio da adstrição ou congruência.
264 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

16. (Analista Judiciário -TRT - 17a Região (ES) - 2013 - FCC) Considerando
que A ajuíze contra B ação postulando os pedidos X, Y e Z; com base na
situação fática F, julgue o item subsecutivo.
De acordo com o princípio iuranpyit curia, o juiz pode proferir sentença
Y a favor de A de natureza diversa dos pedidos X/Y è Z.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

De acordo com o princípio iura novit curia, o juiz conhece o direito e pode
alterar a fundamentação jurídica apresentada pelas partes. No entanto, náo pode
alterar os pedidos apresentados pelas partes,pois violaria o art. 141do CPC/2015.
Assim o juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, não podendo
decidir extraperita, ultraperita ou citraperita. No caso específico, estaria decidindo
extraperita, por conceder pedido não realizado pela parte.

17. (Auditor de Controle Externo - TC-FC - 2012 - CESPE) À respeito das


disposições inerentes aos atos judiciais, julgue os próximos itens.
A imutabilidade dos efeitos da sentença determinativa somente persiste
enquanto não sucederem modificações no estado de fato ou de direito.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correta.

Asentença que regula situações jurídicas permanentes e sucessivas (relação


jurídica de trato continuado) contém uma cláusula rebussic stantibus, ou seja, ha¬
vendo uma modificação permanente no estado de fato ou de direito, é lícito rever
o que foi decidido (art. 505, 1). Assim, a coisa julgada formada sóserá imutável nos
limites em que foi formada,podendo ser alteradapor mudanças faticas ou jurídicas.

-
18. (Juiz do Trabalho Substituto - TRT 1a REGIÃO (RJ) - 2013 - FCC) Em
relação à sentença e à coisa julgada,
a) a coisa julgada material é imutável, não podendo ser rescindida em
nenhuma hipótese prevista nò direito processual pátrio.
24. SENTENçA E COISA JULGADA 265

b) a formação da coisa julgada abrange os motivos, desde que importantes


para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença, bem como
a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença.
c) a sentença proferida ultra petita não é nula, podendo ser reduzida aos
limites do pedido pelo tribunal, no julgamento do apelo interposto.
d) o juiz decidirá de forma concisa ao extinguir o processo sem resolução
do mérito, prescindindo de fundamentação nessa hipótese.
e) a sentença deve ser certa, salvo se decidir relação jurídica condicional.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Incorreta. A coisa julgada, no direito brasileiro, pode ser


rescindida, desde que a decisão de mérito transitada em julgado tenha um dos
vícios constante no art. 966.

Alternativa B: Incorreta. A coisa julgada não abrange os motivos da sen¬


tença e nem a verdade dos fatos (art. 504, 1e II, do CPC/2015). De acordo com
o art. 503 do CPC/2015, abrangerá apenas a questão principal expressamente
decidida e, em certas hipóteses, também a questão prejudicial.
Alternativa C: Correta. De acordo com o STJ, no caso da sentença
ultra petita, “admite-se o decotamento do provimento judiciai concedido
em maior extensão do que o pedido formulado” (REsp 1352962/PB, Rei.
Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 07/05/2013,
DJe 20/05/2013).
Alternativa D: Incorreta. Qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória,
sentença ou acórdão deve ser fundamentada, seguindo os critérios do art. 489,
§ 1°, do CPC/2015.

AlternativaE: Incorreta. A decisãodeve ser certa, ainda que resolva relação


jurídica condicional (art. 492, parágrafo único, do CPC/2015).

”• coisa
266 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

a) Para que seja formada coisa julgada material sobre a questão prejudicial,
impõe-se a utilização da ação declaratória incidental.
b) Não é seu requisito a inexistência de restrições probatórias que permitam
o aprofundamento da análise da questão prejudicial.
c) Mesmo que o juízo seja absoiutamente incompetente, é possível a for¬
mação da Còisá julgada material.
d) A coisa julgada material sobre a questão prejudicial pode ser formada
independentemente de pedido das partes.
e) Independe do contraditório prévio e efetivo a formação da coisa julgada
material sobre a questão prejudicial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. O art. 503, § Io, do CPC/2015 não exige a uti¬


lização da ação declaratória incidental, mas apenas que a questão prejudicial seja
decidida expressa e incidentemente no processo.
Alternativa B: Incorreta. Ao contrário, pois não pode ser formada essa
coisa julgada material se no processo houver restrições probatórias ou limitações
à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial (art.
503, §2°, do CPC).

Alternativa C: Incorreta. Um dos requisitos para a formação dessa coisa


julgada material é que o juízo tenha competência em razão da matéria e da pessoa
para resolvê-la como questão principal (art. 503, § 1°, III, do CPC).
Alternativa D: Correta. O art. 503, § Io, do CPC/2015 não exige pedido
das partes, mas apenas que a questão prejudicial seja decidida expressa e inciden¬
temente no processo.

Alternativa E: Incorreta. Um dos requisitos para a formação dessa coisa


julgada material é que haja contraditório prévio e efetivo (art. 503, § 1°, O).

20. (Técnico Judiciário -TRT - 9a REGIÃO (PR) - 2015 - FCC - adaptada)


A respeito da coisa julgada, considere:
24. SENTENçA E COISA JUIGADA 267

I. Em regra, os motivosfazem coisa julgada quando importantes para deter¬


minar o alcance da parte dispositivada sentença, assim como a verdade
ms dos fatos constantes da fundamentação.
II. A sentença faz coisa julgada apenas em relação às partes do processo,
não prejudicando terceiros.
III. É vedado à parte discutir questões a cujo respeito se operou a preclusão.
IV. Extingue-se o processo, com resolução de mérito, quando o juiz acolher
a alegação de còisa julgada.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a) lie III.
b) I, lie III.
ÈÈÊÊ
O I e IV.
d) I, III e IV.
e) II e IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Item I: Incorreto. A coisa julgada não abrange os motivos da sentença e


nem a verdade dos fatos estabelecida como fundamento da sentença (art. 504, 1
e II, do CPC/2015).

Item II: Correto. Trata-se do conteúdo do art. 506 do CPC/2015. Des¬


taque-se que, no CPC/2015, não há mais vedação a que a coisa julgada possa
beneficiar terceiros.
Item III: Correto. Trata-se do conteúdo do art. 507 do CPC/2015.

ItemIV: Incorreto.Nessas hipóteses, não há resolução do mérito (art. 485,


V, do CPC).

.
21 (Procurador do Estado deTerceira Classe - PGE-RN - 2014 -FCQ Depois
de já interposto recurso de apelação, o Estado informou aolribunal que,
268 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

antes do ajuizamento da ação, outra idêntica já havia sido julgada por


decisão da qual não cabia recurso. Tal alegação:
a) deverá ser conhecida; pois a coisa julgada deve ser apreciada, inclusive
de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição.
b) poderá ser conhecida, pois, desde que o alegue a parte, pode oTribunai
analisar, em qualquertempoegrau de jurisdição, a coisa julgada, vedada
sua apreciação de ofício.
c) não poderá ser conhecida, pois compete ao Réu, na contestação, alegar
"tispendência.
d) não ser conhecida, pois compete ao Réu. ha contestação, alegar
poderá

.
e> rrtaa\ , • d d , ,
T h

sua apreciação de ofício.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Alternativa A: Correta. De acordo com o art. 485, § 3o, do CPC/2015, o


juiz conhecerá de ofício a existência de coisa julgada em qualquer tempo e grau de
jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado.
Alternativas B, C,D eE:Incorretas.Trata-se de alegação de coisa julgada e de
matéria que pode ser conhecidade ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição,
enquanto não ocorrer o trânsito em julgado (art. 485, § 3o).

22. (juiz do Trabalho Substituto -TRT - 1a REGIÃO (RJ) - 2014 - FCC) Jul¬
gando-se ofendido, Agnaldo ajuizou ação de compensação por danos
morais contra Adriana afirmando que, durante debate acadêmico, esta
teria insinuado que seus trabalhos seriam insignificantes. O pedido com¬
pensatório foi julgado improcedente, em decisão transitada em julgado,
entendendo o Juiz que a afirmação não teria sido ofensiva. Cerca de um
ano depois, Agnaldo ajuizou nova ação de compensação por danos
morais contra Adriana afirmando que, durante aquele debate, além da
insinuação quanto à insignificância de seus trabalhos, Adriana o teria
chamado de desonesto, corrupto e sem valor moral. A nova alegação:
24. SENTENçA E COISA JUICADA 269

a) reputa-se deduzida e repelida, pois poderia ter sido feita na primeira ação,
devendo o processo ser extinto com resolução de mérito, por encontrar
óbice na coisa julgada.
b) deverá ser apreciada pelo Juiz, pois houve alteração da causa de pedir
remota.
c) reputa-se deduzida e repelida, pois poderia ter sido feita na primeira ação,
devendo o processo ser extinto sem resolução de mérito, por encontrar
óbice na coisa julgada.
d) deverá ser apreciada pelo Juiz, pois houve alteração da causa de pedir
próxima.
e) deverá ser apreciada pelo Juiz, pois a coisa julgada não abrange fatos
deduzidos em ação posterior. •

COMENTÁRIOS
Gabarito: C
Alternativa A: Incorreta. Ver explicação da letra C. Além disso, a extinção
do processo pela coisa julgada é sem exame do mérito (art. 485, V, CPC/2015).
Alternativa B: Incorreta.Aos fatos jurídicos, dá-se o nome de causa de pedir
remota e à relação jurídica, dá-se o nome de causa de pedir próxima. No caso, não
houve alteração e nenhuma delas, apenas a dedução de fatos simples contidos na
mesma causa de pedir.
Alternativa C: Correta. O art. 508 cuida da eficácia preclusiva da coisa
julgada, segundo a qual, transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-
-se-ão deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia
opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. Não se deve confundir
com os limites objetivos da coisa julgada, que abrangem tão somente as questões
efetivamente decididas pelo juiz. Na eficácia preclusiva, tudo que poderia ter sido
deduzido - dentro da mesma causa de pedir - está protegido de discussões futuras.
É vedada a utilização, em outro processo, de fatos simples comprobatórios diversos
dos fatos constitutivos do seu direito para tentar evitar a causa julgada, pois, nesse
caso, idênticos os fatos constitutivos e o direito deles decorrente, a causa de pedir
é a mesma. Esse seria exatamente o que ocorreria no caso concreto apresentado na
assertiva. Também estão preclusas para o autor as suas defesas indiretas às defesas
indiretasdo réu que, pelo princípio da eventualidade, deveriam obrigatoriamente
ter sido objeto de alegação na réplica (art. 350, CPC/2015).
270 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Naassertiva mencionada, a alegação de que ele seria desonesto, corrupto e


sem valor moral são considerados apenas fatos simples, não justificando a alteração
da causa de pedir, que permitiria a fuga à eficácia preclusiva, pois se trataria de
outra demanda. Assim, haveria o óbice da coisa julgada, devendo a demanda ser
extinta sem exame do mérito (art. 485, V, CPC/2015).

AlternativaD: Incorreta. Aos fatos jurídicos, dá-se onome de causa de pedir


remota e à relação jurídica, dá-se o nome de causa de pedir próxima. No caso, não
houve alteração e nenhuma delas, apenas a dedução de fatos simples contidos na
mesma causa de pedir.

Alternativa E: Incorreta. No caso, não houve alteração e nenhuma delas,


apenas a dedução de fatos simples contidos na mesma causa de pedir, estando
abrangida pela eficácia preclusiva da coisa julgada (art. 508, CPC/2015).

23. (Procurador do Município -PGM -SP -2014 -VUNESP) Encontram-se


sob a abrangência da chamada eficácia preclusiva da coisa julgada:
a) todosospedidosquepoderiamserrealizadoscombasenamésmacausa
de pedir entre as mesmas partes que figuraram no processo.
b) todas as alegações e defesas que poderiam ter sido opostas ao acolhimento
ou à rejeição do pedido.
c) todas as causas,de pedir que poderiam ter resultado no mesmo pedido
acolhido ou rejeitado pela sentença. v -
d) todos os fundamentos de fato da sentença, os quais não mais poderão ser
contrariados pelas mesmas partes, ainda que em processo com pedido

e) todos os fundamentos jurídicos da sentença, os quais não poderão ser

pXÿ"paÿai'’daqueemproceHocomcausade
COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

Alternativa A: Incorreta. Novos pedidos não são abrangidos pela eficácia


preclusiva da coisa julgada material, mas apenas todas as alegações e as defesas que
a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido (art. 508
do CPC/2015).
24. SENTENçA E COISA JUIGADA 271

Alternativa B: Correta. O art. 508 cuida da eficácia preciusiva da coisa jul¬


gada,segundo a qual, transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-áo
deduzidas e repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto
ao acolhimento quanto à rejeição do pedido. Não irá abranger novos pedidos e
novas causas de pedir, que podem ser utilizadas em outros processos sem que incida
a referida eficácia preciusiva.

Alternativa C: Incorreta. Novas causas de pedir não são abrangidas pela


eficácia preciusiva da coisa julgada material, mas apenas todas as alegações e as
defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto àrejeição do pedido
(art. 508 do CPC /2015).

Alternativa D: Incorreta. Não fazem parte da eficácia preciusiva da coisa


julgada os fundamentos de fato da sentença, mas apenas todas as alegações e as
defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto àrejeição do pedido
(art. 508 do CPC /2015).

Alternativa E: Incorreta. Não fazem parte da eficácia preciusiva da coisa


julgada os fundamentos de fato da sentença, mas apenas todas as alegações e as
defesas que a parte poderia opor tanto ao acolhimento quanto à rejeição do pedido
(art. 508 do CPC /2015).

-
24. (Analista Judiciário Área Judiciária - TRT - 19a Região (AL) - 2014 -
FCC-adaptada) Sobre sentença e coisa julgada, dg acordo com o Código
de Processo Civil, considere: '

I. A decisão deve ser certa, ainda quando decida relação jurídica condi¬
cional. _ I
| gj|l||t , ,
II. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo ou extintivo do
direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consi¬
deração no momento de proferir a sentença, mas não poderá considerar
se o fato for modificativo do direito, diante da preclusão consumativa. -
III. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la por meio de embargos
de declaração.
IV. É requisito para a formação da coisa julgada a resolução da questão pre¬
judicial, o requerimento da parte, a competência do juiz e que constitua
pressuposto necessário para o julgamento da lide.
272 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCES5UAL CIVIL

V. A decisãò que condenar o réu ao pagamento de prestação consistente


em dinheiro e à que determinar a conversão de prestarão de fazer, de
: hão fazer òu de dar coisa em prestação pecuniária valerão como título
constitutivo de hipoteca judiciária.
Está correto o que consta APENAS em:
a) I, li e III.
b) I, IV eV. .

c) I eV.
d) II, IV eV.
e) II, III e IV.

COMENTÁRIOS
Cabarito: C

Item I: Correto. Trata-se de disposição do art. 492, parágrafo único, do


CPC/2015.
Item II: Incorreto. Também o fato modificativo superveniente que influa
no julgamento do mérito pode ser levado em consideração pelo no momento de
proferir a sentença (art. 493 do CPC/2015).
ItemIII:Incorreto. Após a publicação da sentença, esta pode ser modificada
pelo juiz em duas hipóteses: a) para a correção de inexatidões materiais ou erros de
cálculo e b) por meio do recurso de embargos de declaração (art. 494 do CPC/2015).
O erro da assertiva está em limitar a alteração apenas à segunda hipótese.

Item IV: Incorreto. O art. 503, § Io, do CPC/2015 não exige pedido das
partes para a formação da coisa julgada material sobre a questão prejudicial, mas
apenas que ela seja decidida expressa e incidentemente no processo.

Item V: Correto. Trata-se da reprodução do conteúdo do art. 495, caput,


CPC/2015.

25. (Titular de Serviços de Notas e de Registros -Tj-BA - 2013 - CESPE)


Assinale a opção correta com base nas normas rélativas à sentença, à
coisa julgada e aos recursos.
24. SENTENçA E COSA JULGADA 273

a) Sujeita-se ao duplo grau de jurisdição a sentença proferida contra a


União, desde que a condenação supere trinta salários mínimos.
b) O MP só pode recorrer nos processos em que figurou como parte.
c) Caso o autor e o réu restem vencidos, observados os requisitos legais, ao
recurso interposto por qualquer deles pode aderir a outra parte, ficando
o recurso adesivo subordinado ao principal.
d) Pode ser incerta a sentença em que se decidir relação jurídica condi¬
cional.
11111111 8
e) Os motivos fazem coisa julgada se forem determinantes para o alcance
da parte dispositiva da sentença.

COMENTÁRIOS
Gabarito; C

AlternativaA:Incorreta. Apenas estásujeita ao reexame necessário a decisão


em que a condenação ou o proveito económico obtido nacausa for de valor certo
e líquido superior a 1.000 (mil) salários mínimos para a União (art. 496, § 3o, I).

Alternativa B: Incorreta. O MP pode recorrer quando atua como parte e


também quando atua como fiscal da ordem jurídica (art. 996 do CPC/2015).
Alternativa C: Correta. Trata-se do caso do recurso adesivo (art. 997, § Io),
que fica subordinado ao principal (art. 997, § 2o).

AlternativaD:Incorreta. A decisão deve ser certa, ainda que resolva relação


jurídica condicional (art. 492, parágrafo único, do CPC/2015).
Alternativa E: Incorreta. Os motivos não fazem coisa julgada ainda que
sejam determinantes para o alcance da parte dispositiva da sentença (art. 504,1,
do CPC/2015).

- -
26. (Auditor de Controle Externo -Direito -TCE-RO 2013 CESPE) Acerca
da coisa julgada e da ação rescisória, julgue o item seguinte.
A decisão judiçiaíque homologa pedido de desistência da ação formulado
pelo autor faz coisa julgada material.
m
274 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

A decisão judicial que homologa pedido de desistência da ação formulado


pelo autor não faz coisa julgada material, pois implica sentença que não resolve o
mérito (art. 485, VIII, do CPC/2015).

27. (Promotor de Justiça - MPE-RO - 2013 - FCC - adaptada) A respeito da


coisa julgada, assinale a opção correta.
a) A coisa julgada material atinge as sentenças de mérito proferidas em
cognição sumária.
b) Os substituídos processuais são titulares do direito e, portanto, sofrem Os
efeitos da coisa julgada, salvo quando não tenhamtido oportunidade de
participar da demanda na qual seu direito material houver sido decidido.
c) Segundo ò entendimento do STJ, ofende a coisa julgada a liquidação da
sentença realizada dèforrriádiferente dá prevista no título judicial.
d) Segundo a doutrina majoritária, que adota o entendimento de Liebman,
a coisa julgada é uma qualidade da sentença, qualidade essa qué torna
seus efeitos imutáveis e indiscutíveis
e) A coisa julgada formal impede a modificação da decisão por qualquer
meio dentro e fora do processo em que tenha sido proferida.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. A coisa julgada material atinge tão somente as


decisões proferidas em cognição exauriente. As decisões sumárias não possuem
aptidão para serem acobertadas pela coisa julgada material.
Alternativa B: Incorreta. Nos casos em que há substituição processual,
os substituídos sofrerão os efeitos da coisa julgada, ainda que não tenham
tido oportunidade de participar diretamente da demanda. Isso porque os
seus direitos, nas situações que o ordenamento jurídico autoriza e/ou impõe
a legitimação extraordinária, são defendidos por seus substitutos processuais,
que os representam.
24. SENTENçA E COISA JULGADA 275

Alternativa C: Incorreta. De acordo com a súmula 344, do STJ, “a liqui¬


dação por forma diversa da estabelecida na sentença não ofende a coisa julgada”.
Alternativa D: Correta. Embora existam diversas teorias sobre a coisa jul¬
gada, efetivamente prevalece a teoria de Liebman, segundo a qual a coisa julgada
é uma qualidade da sentença, qualidade essa que torna seus efeitos imutáveis e
indiscutíveis.
Alternativa E: Incorreta. A coisa julgada formal, em regra, não impede a
repropositura da ação (art. 486 do CPC). Apenas excepcionalmente impede a
repropositura da demanda, nos casos estabelecidos no art. 486, § 1°, do CPC, até
a correção do vício.

28. (Defensor Público - DPE-DF - 2013 - CESPE - adaptada) Acerca do


processo civil, julgue o item que se segue.
Denomina-se coisa julgada material a autoridade, que toma imutável
e indiscutível a decisão de mérito, não mais sujeita a recurso ordinário
ou extraordinário, restando, portanto, consolidada, no instituto da coisa
juIgada, a verdade dos fatos estabelecida como fundamento da sentença.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

A primeira parte está correta, de acordo com o art. 502 do CPC/2015.


No entanto, a coisa julgada não abrange a verdade dos fatos estabelecida como
fundamento da sentença (art. 504, II, do CPC/2015).
Or
25

Liquidação

1. A respeito da liquidação por arbitramento julgue os itens a seguir e assinale


a resposta correta:
I. A liquidação por arbitramento deve ocorrer quando determinado peia
sentença, convencionado pelas partes ou exigido peia natureza do objeto
da liquidação.
II. A liquidação por arbitramento exige necessariamente a participação de
um perito na fixação do quantum debeatur.
III. É possível às partes, sendo necessária a nomeação do perito, fazer uma
indicação em conjunta do profissional através de negócio jurídico pro¬
cessual. Trata-se do negócio típico de escolha consensual do perito.
Estão corretas as assertivas:
a) I, lie III.
b) leil.
:
c) I e III.
d) lie III.
25. LIQUIDAçãO I 277

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O novo CPC promove uma mudança sensível na regulação da liquidação


por arbitramento. Agora não necessariamente haverá a atuação de umperito. Antes
da nomeação do experto, o magistrado intimará as partes para que apresentem
pareceres ou documentos elucidativos que tornem possível o exame direto pelo
juiz. Somente se tais documentos não sejam suficientes à definição do quantum
é que será nomeado perito. A alteração legislativa respeita a eficiência e a duração
razoável do processo, na medida em que muitas vezes evita a produção de uma
prova pericial — morosa e cara — desnecessária.

Item I: Verdadeiro. Trata-se da redação do art. 509, 1: “Art. 509. Quando


a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liqui¬

dação, a requerimento do credor ou do devedor:I por arbitramento, quando
determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza
do objeto da liquidação”.
Item II: Falso. Contraria a redação do art. 510, que permite a definição
do quantum a partir de documentos elucidativos e pareceres apresentados pelas
próprias partes: “Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a
apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso
não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber,
o procedimento da prova pericial”.

Item III: Verdadeiro. A parte final do art. 510 ordena a aplicação, no que
couber, do procedimento da prova pericial. O art. 471 do CPC regula o negócio
processual típico de escolha consensual do perito.

2. (juiz Substituto-TJPI -2015 -FCC- adaptada) Em relação à liquidação


de sentença, é correto afirmar: SM glli
a) Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado
pedido genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação,
o índice de correção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos
e a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso.
278 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) Far-se-á liquidação por arbitramento quando, para determinar o valor da


condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo.
c) Do requerimento de liquidação da sentença será a parte intimada, pes¬
soalmente, para oferecer eventual impugnação.
d) A liquidação não pode ser requerida na pendência de recurso, por ser
juridicamente inviável cindir-se a execução futura.
e) É possível, na liquidação, discutirnovamentea lide, bem como modificar
eventuaimenteasentençaqueajulgou,porserintroduzidocontraditório
próprio nos autos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A liquidação pode ocorrer comofase ou comoprocesso autónomo. Normal¬


mente, quando se trata da liquidação dos títulos executivos judiciais listados nos
incisos deIa V do art. 5 15, a liquidação funcionará comofase do processo. Já na
hipótese dos incisos VI a IX do art. 515, haverá processo de liquidação (vide art.
515, § 1°). Trata-se de procedimento necessário à definição do valor ou do objeto
da obrigação que se busca satisfazer através da execução.

Letra A: CORRETA. Trata-se da regra geral consagrada no caput do art.


591: “Na ação relativa à obrigação de pagar quantia, ainda que formulado pedido
genérico, a decisão definirá desde logo a extensão da obrigação, o índice de cor¬
reção monetária, a taxa de juros, o termo inicial de ambos e a periodicidade da
capitalização dos juros, se for o caso, salvo quando (...)”.
LetraB: ERRADA. Quando houvernecessidade de alegareprovar fato novo,
será hipótese de liquidação por procedimento comum, nos termos do art. 509, II:
“Art. 509- Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proce¬
der-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: (...) II- pelo
procedimento comum,quando houver necessidade de alegar eprovar fato novo”.
Letra C: ERRADA. Na liquidação comofase, hipótese verificada quando
se trata de liquidar sentença, a parte será intimada, em regra, pelo Diário Oficial
e na pessoa de seu advogado. Apesar de não haver um dispositivo com referência
direta no novo CPC ao antigo art. 475-A, § Io, devem-se aplicar as regras cons-
25. LIQUIDAçãO 279

tames às disposições gerais do cumprimento de sentença. No caso, aplica-se o art.


513, §2° do CPC.

Letra D: ERRADA. É possível que haja liquidação provisória. Ou seja, é


possível que se inicie a fase de liquidação tendo por objeto um título executivo
judicial provisório (pendendo recurso). Trata-se do art. 512: “Art. 512. Aliqui-
dação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se em autos
apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com
cópias das peças processuais pertinentes”.

Letra E: ERRADA. O princípio do contraditório incide em todas as fases


do processo, inclusive na liquidação. Não é possível, todavia, discutir novamente
o mérito nesta fase ou modificar eventualmente a sentença que a julgou. Esta é a
regra consagrada no art. 509, § 4o: “Na liquidação é vedado discutir de novo a
lide ou modificar a sentença que a julgou”.

Não se olvide, contudo, a possibilidade de alegação de fatos supervenientes


aptos a alterar a obrigação (como,por exemplo, aocorrênciade qualquer das formas
de adimplemento) ou de vícios rescisórios e transrescisórios. Excepcionalmente,
é possível trazer à tona tais matérias em sede de liquidação.

3. (Defensor Público da União - 2015 - CESPE - adaptada) Considerando


que o processo tem por escopo maior a resolução de conflitos na so¬
ciedade, procurando-se, por meio de um encadeamento lógico de atos
previstos e praticados com base no ordenamento jurídico, garantir, tanto
quanto for possível, a quem tenha um direito tudo aquilo e exatamente
aquilo que ele tenha direito de conseguir, julgue o item subsequente.
Na liquidação pelo procedimento comum, o fato novo se relaciona a
valores que não tiverem sido objeto de cognição judicial, podendo re¬
presentar elementos contemporâneos ou anteriores à sentença de mérito.

COMENTÁRIO

Gabarito: Verdadeiro.

Aliquidaçãopeloprocedimento comum c a espécie que navigência do CPC/73


era conhecida como liquidaçãopor artigos. Conforme o art. 5 11: “Na liquidação
280 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pes¬


soa de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para,
querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se,
a seguir, no que couber, o disposto no LivroIda Parte Especial deste Código”.

É importante compreender que a noção defato novo não exige que o “fato”
objeto de cognição naliquidação sejasuperveniente ao título quesedesejaliquidar.
É possível tratar de fatos contemporâneos ou até anteriores à sentença. Fato novo,
aqui, é o fato necessário à fixação do quidou do quantum que não foi apreciado
pela sentença porque dispensável para a prolação da decisão final. Trata-se de um
fato que precisa ser conhecido somente para que seja concentrada a obrigação. É
novo porque não foi objeto de cognição judicial em relação a ele.

É o que entende o STJ: “De fato, a liquidação por artigos é aquela que exige
a alegação de fato novo para determinar o valor da condenação, sendo certo que
fato novo é aquele tendente a demarcar os limites do valor enunciado na sentença
liquidandaou aquele que possibilite a especificação do objeto nela já reconhecido,
no entanto, ainda não individualizado.” (REsp n° 1.172.655/PI).

4. (Juiz do Trabalho Substituto - TRT - 15a Região - 2015 - FCQ Em pro¬


cesso que tramitou pelo rito ordinário, Marcos foi condenado a pagar
indenização a José, No entanto, a sentença não determinou o valor
devido, razão pela qual José apresentou requerimento de liquidação de
sentença. Porém, fê-lo na pendência de recurso apresentado por Marcos.
A iiquidação deverá ser:
a) processada em autos apartados, no juízo de origem, com a intimação
pessoal de Marcos.
b) processada nos próprios autos, perante o Tribunal, com a intimação
pessoal de Marcos.
c) processada em autos apartados, no juízo de origem, com a intimação de
Marcos na pessoa de seu advogado.
d) indeferida deplano,pelojuízodeorigem, por decisão que desafia agravo
dé instrumento, em razão da pendência de recurso.
e) indeferida de plano, peloTribunal, por decisão irrecorrível, em razão da
pendência de recurso.
«É
25. LIQUIDAçãO 281

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

É possível a liquidaçãoprovisória da sentença. Ou seja, é possível liquidar a


sentença ainda na pendência do recurso interposto. É o que consagra o art. 512:
“A liquidação poderá ser realizada na pendência de recurso, processando-se
em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir
o pedido com cópias das peças processuais pertinentes.” Assim, no caso em
comento, a liquidação provisória deve ser processada em autos apartados, o que
torna incorretas as letras “B”, “D” e “E”.

Apesar de não haver um dispositivo cora referência direta no novo CPC ao


antigo art. 475-A, § Io, devem-se aplicar as regras constantes às disposições gerais
do cumprimento de sentença. No caso, aplica-se o art. 513, § 2o,Ido CPC: “§ 2o
O devedor será intimado para cumprir a sentença: (...)I- pelo Diário daJustiça,
.
na pessoa de seu advogado constituído nos autos; (. .)”. Assim, a intimação para
a liquidaçãoprovisória far-se-á pelo Diário Oficial, na pessoa do advogado com
habilitação nos autos, o que toma a letra “A” incorreta.
Portanto, a única resposta correta é a letra “C”.

5. -
(Analista Judiciário-TJDFT - 2015 CESPE) Julgue o item seguinte, com
base no que dispõe o Código de Processo CiviI (CPC) a respeito de com¬
petência, intervenção de terceiros, liquidação de sentença e capacidade
postulatória.
Caberáadenominadaliquidaçãoporarbitramento, que deve ser realizada
em fase autónoma do processo, com amplo contraditório, nos casos em
que seja necessário alegar e provar fato novo para determinar o valor da
condenação genérica.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Quando houver necessidadede alegar e provar fato novo, a espécie de liqui¬


dação adequada é a chamada liquidaçãopeloprocedimento comum,antes conhecida
como liquidaçãopor artigos.
282 QUE5TÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

O novo CPC consagra em seu art. 509,1eII, duas espécies de liquidação: ali¬
quidação por arbitramento e a liquidação peloprocedimento comum. Aliquidação
por arbitramento terá lugar “quando determinado pela sentença, convencionado
pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação”. A liquidação por
procedimento comum será adequada “quando houver necessidade de alegar
e provar fato novo”.
26

Cumprimento de
Sentença

1. A respeito do cumprimento de Sentença juIgue os itens a seguir e assinale

I. Apesar do cumprimento de sentença estar regulado em título próprio,


aplicar-se-á, no que couber, as regras que estruturam o processo de exe¬
cução, dispostas no Livro II da Parte Especial do CPC.
II. O cumprimento de sentença se desenvolve, em regra, como fase dè
um processo onde já houve acertamento a respeito de relação jurídica.
Excepcionalmente, pode haver necessidade de propor um processo de
execução de títulos judiciais.
III. "Cumprimento de sentença" é uma expressão genérica na medida em
que suas regras se aplicam à atividade satisfativa de diversos títulos que
não só sentenças.
Estão corretas as assertivas:
|§pff
a) Mie III.
b) I e II.
0 I e íll. wMé

d) liem.
284 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: A
O cumprimento de sentença materializa a fase executiva do processo, inicia-
-se por uma nova demanda em um processo onde já houve cognição a respeito da
relação jurídica, no qual se formouum título executivo judicial. Excepcíonalmente,
nas hipóteses do art. 515, VI a IX, haverá a necessidade de propor umprocesso de
execução de títulos judiciais. Este processo será regido pelas normas referentes ao
cumprimento de sentença.
Busca-se, através do cumprimento de sentença, também a satisfação de uma
determinada prestação. Ou seja, também se trata de tutela executiva. A nomencla¬
tura utilizada não altera sua natureza.

As disposições gerais relativas ao cumprimento de sentença estão nos arts.


5 13 5 19 do CPC. Os títulos executivos judiciais, que instrumentalizam o cum¬
a
primento de sentença, estão listados no artigo 515. Deve-se perceber, todavia, que
cumprimento de sentença é uma expressão genérica na medida em que suas regras
se aplicam a atividade satisfativa de diversos títulos que não só sentenças.

Apesar do cumprimento de sentença estar regulado em título próprio,


aplicar-se-á, no que couber, as regras que estruturam do processo de execução,
dispostas no Livro II da Parte Especial do CPC, conforme o art. 513, caput.
Por isso, corretos os itens I,II e III.

2. (Juiz Substituto —TJP1 -2015 - FCC) Está de acordo com o entendimento


sumular do SuperiorTribunal de Justiça:
a) São devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, desde
que haja impugnação, após escoado prazo para pagamento voluntário,
que se inicia após a intimação do advogado da parte contrária.
b) É obrigatória ao juiz a reunião de execuções fiscais contra o mesmo
devedor.
c) Em ação monitoria fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emi¬
tente, é indispensável a menção ao negócio jurídico subjacente à emissão
dacártula.
d) No seguro de responsabilidade civil facultativo, é cabível o ajuizamento
de ação peio terceiro prejudicado, direta e exclusivamente em face da
1 seguradora do apontado causador do dano.
26. CUMPRIMENTO DE SENTENçA 285

e) Na hipótese de rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença,


não são cabíveis honorários advocatícios.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Todas as assertivas da questão se baseiam, conforme o enunciado, em


enunciados de súmula do STJ. Veja-se:
Letra A: ERRADA. Enunciado 517 da Súmula do STJ: “São devidos ho¬
norários advocatícios no cumprimento de sentença, haja ou não impugnação,
depois de escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a inti¬
mação do advogado da parte executada.” O art. 523, § Io, do CPC/2015 reforça
esse posicionamento do STJ: “Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do
caput, o débito será acrescido demultadedez por cento e, também, de honorários
de advogado de dez por cento”.
Letra B: ERRADA. Enunciado 5 15 da Súmula do STJ: “A reunião de exe¬
cuções fiscais contra o mesmo devedor constitui faculdade do Juiz”.

Letra C:ERRADA.Enunciado 531 da Súmula do STJ: "Em ação monitoria


fundada em cheque prescrito ajuizada contra o emitente, é dispensável a menção
ao negócio jurídico subjacente à emissão da cártula”.

Letra D: ERRADA. Enunciado 529 da súmula do STJ: “No seguro de


responsabilidade civil facultativo, não cabe o ajuizamento de ação pelo tercei¬
ro prejudicado direta e exclusivamente em lace da seguradora do apontado
causador do dano”.

Letra E: CORRETA. Enunciado 519 da Súmula do STJ: “Na hipótese de


rejeição da impugnação ao cumprimento de sentença, não são cabíveis honorários
advocatícios”.

3. Julgue o item subsequente.


O CPC exige expressa manifestação do exequente para que se inicie
o cumprimento do título judicial que materialize obrigação de pagar.
O cumprimento dos títulos que materializem obrigações de fazer, não
286 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

fazer e entregar coisa podem ser iniciados de ofício, dispensando-se a


manifestação inicial do exequente.

COMENTÁRIO
Gabarito: Verdadeiro.

O CPC exige expressa manifestação do credor para que se inicie o cumpri¬


mento do título judicial que materialize obrigação de pagar. É necessária a propo-
situra da demanda executiva. É o art. 513, § 1°: “Art. 5 13, § 1°. O cumprimento
da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo,
far-se-á a requerimento do exequente”.
Contudo, somente se exige iniciativa do credor na hipótese de cumpri¬
mento da obrigação de pagar. O cumprimento dos títulos que materializem
obrigações de fazer, não fazer e entregar coisa (art. 538, § 3o) pode ser iniciado
de ofício, dispensando-se a manifestação inicial do exequente. É o que consta
do art. 536, caput: “Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a
exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício oua
requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção de tutela pelo
resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do
exequente.

4. -
(Juiz Substituto -TJSE - 2015 FCC - Adaptada) De acordo com o Código
de Processo Civil ecom a jurisprudência dominantedo SuperiorTribunal de
justiça, em impugnação aocumprimentodesentençalíquida,seoexecutado
alegar/como única matéria de defesa, excesso de execução, deverá:
a) apontar, na petição de impugnação, a parcela incontroversa do débito e
apresentar demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo, sob
pena de rejeição liminar da impugnação se o excesso de execução for
seu único fundamento.
b) requerer, na própria petição de impugnação, a realização de perícia>
formulando quesitos e indicando assistente, sob pena de preclusão.
c) apontar, na petição de impugnação, a parcela incontroversa do débito,
bem como as incorreções do cálculo do credor, sob pena de rejeição
liminar da impugnação, admitindo-se, porém, emenda à inicial.
26. CUMPRIMENTO DE SENTENçA 287

d) juntar, com a petição de impugnação, comprovante de depósito do valor


integral em execução, sob pena de rejeição liminar da impugnação, não
se admitindo emenda à inicial.
e) juntar, com apetiçãode impugnação, comprovante de depósito do valõr
incontroverso, sob pena de rejeição liminar da impugnação, admitindo-
-se, porém, emenda à inicial.

COMENTÁRIOS
Gabarito:A

O novo CPC promoveu alterações no procedimento de alegação de excesso


de execução. Pelo antigo art. 475 - L, § 2o, era suficiente ao executado, quando
alegasse o excesso de execução, apontar o valor incontroverso. O tema é tratado nos
§§ 4o e 5o do novel art. 525: “§ 4o Quando o executado alegar que o exequente,
em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cum¬
prir-lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando
demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. § 5o Na hipótese do
§ 4o, não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a
impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o seu
único fundamento, ou, se houver outro, a impugnação será processada, mas
o juiz não examinará a alegação de excesso de execução”.

Exige-se, pois, além da afirmação do valor incontroverso, a apresentação de


demonstrativo do cálculo. A ausência de qualquer um destes elementos implica a
rejeição liminar da impugnação que verse apenas sobre o excesso de execução.
Destaque-se também o entendimentoexarado pelo STJ (noResp. 1.387.248)
ainda na vigência do CPC/73: “Na hipótese do art. 475-L, § 2o, do CPC, é indis¬
pensável apontar, napetição de impugnação ao cumprimento de sentença, aparcela
incontroversa do débito, bem como as incorreções encontradas nos cálculos do
credor, sob pena de rejeição liminar dapetição, não se admitindo emenda à inicial”.

5. A respeito da comunicação do executado para que cumpra a obrigação


materializada no título executivo judicial, julgue o item seguinte:
Será feita sempre através de intimação pelo Diário Oficial, na pessoa
do seu advogado. Tendo em conta que o cumprimento de sentença se
288 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

trata, em regra, de fase do processo, a comunicação jamais será feita


através da citação do devedor.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

O cumprimento de sentença geralmente se desenvolve como fase do proces¬


so.Em hipóteses tais, a comunicação do réupara quecumpra a obrigação constante
do título judicial será feita através de intimação pelo Diário Oficial, na pessoa do
seu advogado. Esta é a regra, conquanto o art. 513, § 2o comporte exceções:

"Art. 513, § 2°. O devedor será intimado para cumprir a sentença:


i - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído
nos autos;
11-por carta com aviso de recebimento, quando representado pela
Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos
autos, ressalvada a hipótese do inciso IV;
III - por meio eletrónico, quando, no caso do § 1° do art. 246, não
tiver procurador constituído nos autos;
IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel
na fase de conhecimento".

Excepcionaimente, no que refere aos títulos executivos judiciais listados


nos incisos VI a IX do art. 515, o cumprimento de sentença se dará por processo
autónomo, exigindo-se a citação do devedor para o cumprimento da obrigação ou
para liquidação no prazo de quinze dias (art. 515, § Io).

6. (Analista Judiciário -TRT 23a Região - 2016 - FCC - adaptada) Acerca


do cumprimento da sentença, considere:
1. O início do cumprimento de sentença que reconheça obrigação de pagar
quantia certa e a expedição de mandado de penhora e avaliação devem
ocorrer de ofício ou a requerimento da parte.
II. Em regra, a avaliação dos bens penhorados deve ocorrer por Perito da
confiança do Juiz.
26. CUMPRIMENTO OE SENTENçA 289

ill Em caso de acolhimento da impugnação ao cumprimento de sentença,


'
r!f< ’ ainda que parcial, serão arbitrados honorários em benefício do executado.
IV. Escoado o prazo para pagamento voluntário, que se inicia após a intima-
ção pessoal da parte executada, são devidos honorários advôcatfcios, no
cumprimento de sentença, apenas se tiver hávido impugnação.
De acordo coo, o Código de Processo Civil e com jurisprudência
consolidada do Superior Tribunal de Justiça, está correto o que consta

a, NeTÿ

COMENTÁRIOS
Resposta: C

A questão aborda temas relacionados tanto com a letra do código quanto


com a jurisprudência sumulada dos Tribunais. No período inicial de vigência do
novo CPC a tendência é que as bancas se debrucem exatamente sobre o texto da
lei e dos enunciados de súmula.
Item I: Falso. Nos termos do art. 523, caput, exige-se iniciativa do credor
para dar início à fase de execução: “Art. 523. No caso de condenação em quantia
certa, ou já fixada em liquidação, eno caso dedecisão sobre parcela incontroversa,
o cumprimento definitivo da sentença fiar-se-á a requerimento do exequente,
sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias,
acrescido de custas, se houver”.
Item II: Falso. A regra é que a avaliação se dê por oficial de justiça avalia¬
dor e, somente se for necessário conhecimento especializado, por um avaliador
nomeado: “Art. 870. A avaliação será feita pelo oficial de justiça. Parágrafo
único. Se forem necessários conhecimentos especializados e o valor da execução
o comportar, o juiz nomeará avaliador, fixando-lhe prazo não superior a 10 (dez)
dias para entrega do laudo”.
290 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Item III: Verdadeiro. Só há arbitramento de honorário em sede de


impugnação caso haja extinção total ou parcial do cumprimento de sentença.
Apesar de não haver enunciado de súmula a respeito, decidiu o STJ no Resp.
1.134.186 que “Apenas no caso de acolhimento da impugnação, ainda que
parcial, serão arbitrados honorários em benefício do executado, com base no
art. 20, § 4o, do CPC.” Em caso de rejeição da impugnação não há falar em
arbitramento de novos honorários. Súmula 519 do STJ: “Na hipótese de rejei¬
ção da impugnação ao cumprimento de sentença, não são cabíveis honorários
advocatícios”.

ItemIV: Falso.Escoado o prazo para o adimplemento voluntário, serão


devidos honorários advocatícios, haja ou não impugnação. Súmula 517 do
STJ: “São devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença, haja
ou não impugnação, depois de escoado o prazo para pagamento voluntário,
que se inicia após a intimação do advogado da parte executada”. Com a mesma
lógica, tem-se o art. 523, § Io, doCPC/2015, que reforça esse posicionamen¬
to do STJ: “Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o
débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de honorários
de advogado de dez por cento”.

7. (Juiz Substituto -TJPB - 2015 - CESPE) A respeito da tutela específica


das obrigações de fazer e não fazer, assinale a opção correta.
a) A alteração do valor ou da periodicidade da multa fixada pelo juiz para
forçar o cumprimento da tutela depende de requerimento da parte.
b) A lei enumera taxativamente as providências que o juiz pode determinar
para obter do devedor o cumprimento específico da obrigação.
c) É obrigatório ao juiz fixar astreintes no caso de o devedor não cumprir
determinação judicial como forma de garantir a efetividade do título
judicial.
d) Ê vedada a fixação de astreintes contra pessoa jurídica dè direito pú-
blico. V'

e) Nas ações cominatórias de obrigação de fazer ou não fazer, caso não


seja possível cumprir a obrigação, será permitida a substituição da tutela
específica pela condenação em perdas e danos.
26. CUMPRIMENTO DE SENTENçA 291

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O tema referente às obrigações de fazer e não fazer está regulado nos arts.
497 a 501 na seção “Do julgamento das Ações Relativas às Prestações de Fazer, de
Não Fazer e de Entregar Coisa” e nos arts. 536 e 537 na seção “Do Cumprimento
de Sentença que Reconheça a Exigibilidade de Obrigação de Fazer ou de Não
Fazer”. A simples leiturade tais dispositivos é suficiente para encontrar a resposta
da questão em comento.
Letra A:ERRADA. É possível a alteração de ofício do valor e periodicidade
das astreintes vincendas. Trata-se de sensível regulação do tema pelo novo CPC
que merece ser frisada: somente é possível alterar o valor e a periodicidade damulta
vincenda e não da que já venceu. Veja-se: “Art. 537, § 1° O juiz poderá, de ofício
ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa vincenda ou
excluí-la, caso verifique que:I— se tornouinsuficiente ou excessiva;II— o obrigado
demonstroucumprimento parcial superveniente da obrigação ou justa causapara
o descumprimento”.

Letra B:ERRADA. Apesar de a lei enumerar algumas medidas executórias,


o rol não é taxativo: “Art. 536, § Io Para atender ao disposto no caput [cumpri¬
mento da sentença], ojuizpoderá determinar, entre outras medidas, aimposição
de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de
obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar
o auxílio de força policial”.

Quanto ao tema, veja-se o enunciado n° 12 do FPPC, que consagra subsi-


diariedade das medidas atípicas: “A aplicação das medidas atípicas sub-rogatórias
e coercitivas é cabível em qualquer obrigação no cumprimento de sentença ou
execução de título executivo extrajudicial. Essas medidas,contudo, serão aplicadas
de forma subsidiária às medidas tipificadas, com observação do contraditório, ainda
que diferido, e por meio de decisão à luz do art. 489, § Io,Ie II”.

Letra C: ERRADA. A fixação de astreintes é apenas uma das medidas


coercitivas visando o cumprimento da obrigação. Ela deve ser aplicada, no caso
concreto, caso seja a medida mais adequada a atingir tal objetivo. Como se percebe
do rol não taxativo do art. 536, § Io, trata-se de uma dentre várias medidas que
visam viabilizar o adimplemento.
292 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra D: ERRADA. O STJ tem posiçáo consolidada pela possibilidade


de fixação das astreintes contra a Fazenda Pública como meio coercitivo para
cumprimento da obrigação de fazer. Veja-se, nesse sentido, o julgamento do REsp
1.367.993.
LetraE: CORRETA. Trata-sedo disposto no art. 499 do CPC, que consagra
a regra de que a execução se dá no interesse do credor. A ele cabe decidir se requer a
prestação específica ou a conversão em perdas e danos. Havendo impossibilidade
quanto à prestação específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equiva¬
lente, restará somente a conversão emperdas e danos. Veja-se: “Art. 499. Aobrigação
somente será convertida em perdas e danos se o autor o requerer ou se impossível a
tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático equivalente”.

8. (Promotor de Justiça - MPSP - 2015 - CESPE - Adaptada) Indique a


alternativa correta sobre a impugnação doexecutado nõs casos de cum¬
primento da sentença:
a) O rol das matérias dedutíveis na impugnação é exauriente.
b) A incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução deve ser
alegada na impugnação, e não por exceção. Hl
0 O objeto da impugnação não abrange as nulidades da penhora.
d) A falta ou a nulidade da citação, se o processo correu à revelia, poderá
ser objeto de impugnação na execução de sentença penal condenatória.
e) A impugnação nãocomportadiscussãoacerca da inexigibilidadedo título
judicial fundado em lei ou ato normativo, declarados inconstitucionais
pelo SupremoTribunal Federal.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Foi necessário alterar o texto original da presente questão para que a letra B
se mantivesse como resposta correta. É que o novo CPC inovouno rol de matérias
que podem ser tratadas na impugnação. Foram acrescentados dois incisos ao rol do
art. 525, § Io em comparação ao antigo art. 475 - L. A partir de agora, é possível
alegar na impugnação ao cumprimento se sentença:
26. CUMPRIMENTO DE SENTENçA 293

"Art. 525, § 1o Na impugnação, o executado poderá alegar:


I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o
processo correu à revelia;
II - ilegitimidade de parte;
III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;
IV - penhora incorreta ou avaliação errónea;
V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;
VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;
VII - qualquer causa modificatíva ou extintiva da obrigação, como
pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição,
desde que supervenientes à sentença".

Letra A: ERRADA. A redação do § Io do art. 525 suprimiu a expressão


“somente” anteriormente constante do caput do art. 475-L do CPC/73. Assim,
parece que o legislador acolheu a lição de parcela da doutrina que admitia a ale¬
gação de outras matérias em sede de impugnação ao cumprimento de sentença.
Um bom exemplo de questões não listadas no rol do art. 525, § Io, consta
do art. 32 dalei n° 9307/96 (Lei de Arbitragem), onde são elencadas diversas hi¬
póteses de nulidade da sentença arbitrai.Tais hipóteses serão objeto de apreciação
judicial somente quando da impugnação ao cumprimento de sentença.
LetraB: CORRETA. Exatamente nos termos do art. 525, § Io,VI do CPC.

Letra C: ERRADA. É possível abordar o tema da nulidade da penhora,


exatamente nos termos do art. 525, § Io, IV do CPC.

Letra D: ERRADA. A sentença penal condenatória transitada em julgado


tem o efeito secundário de gerar um título executivo na esfera cível contra o réu.
Não é necessária a manifestação do juízo penal a respeito, pois esta eficácia decorre
dalei (art. 515, V, CPC).Assim, para fundamentar uma execução é necessário que
a sentença penal condenatória tenha transitado emjulgado.

Letra E: ERRADA. É possível o debate a respeito da inexigibilidade da


obrigação materializada no título judicial, inclusive em virtude de ter se fundado
em lei ou ato normativo posteriormente declarado inconstitucional pelo STF em
controle concentrado. Exatamente nos termos do art. 525, § Io,IIIe § 12do CPC.
294 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

9. (Juiz do Trabalho -TRT 1a Região - 2015 - FCC - Adaptada) Segundo o


art. 515 do Código de Processo Civil em vigor, é título executivo:
a) a sentença pena! declaratória transitada em julgado.
b) a sentença homologatória de conciliação òu transação, desde que não
inclua matéria não posta em juízo. WÊm
c) o acordo extrajudicial de qualquer natureza.
d) o formal e a.certidão de partilha,.relativamente ao inventariante, aos her¬
deiros e aos sucessores a título singular e universal, bem como a terceiros
juridicamente interessados.
e) a sentença estrangeira, sempre que a mesma estiver devidamente homo¬
logada peloSuperiorTribunal de Justiça.
/

COMENTÁRIOS

Gabarito: E

Há, como já se disse, uma tendência natural de cobrança do conteúdo dos


dispositivos consagrados no novo código, especialmente nos primeiros anos de
vigência no novo CPC, enquanto não houver consolidação da jurisprudência a
respeito das principais inovações. É o caso da presente questão, que ainda sob a
égide do CPC/73, cobrava o conhecimento dalei. Exigiu-se do candidato a com¬
preensão do conteúdo do art. 515 do CPC.

Letra A: ERRADO. Título executivo judicial é a sentença penal condena-


tóriciy nos termos do art. 515, VI do CPC.

Letra B: ERRADO. Título executivo judicial é a decisão homologatória


de autocomposição judicial, nos termos do art. 5 15,II do CPC. Admite-se, nos
termos do § 2o do mesmo dispositivo, o envolvimento de sujeito estranho ao
processo e a inclusão de matérias não deduzidas em juízo. O erro da questão
está em dizer que a sentença deveria obrigatoriamente incluir matéria não posta
em juízo.

Letra C: ERRADO. Título executivo judicial é a decisão homologatória de


autocomposição judicial, nos termos do art. 515,III do CPC. Ahomologação de
autocomposição extrajudicial dequalquervaloréum procedimento de jurisdição
26. CUMPRIMENTO DE SENTENçA 295

voluntária (art. 725, VIII) em que os sujeitos negociantes desejam dar eficácia de
título executivo a um acordo celebrado quando náo havia processo.

Letra D: ERRADO. Título executivo judicial é o formal e a certidão de


partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aossucessores
a título singular ou universal, nos termos do art. 5 15, IV do CPC.

Letra E: CORRETO. Trata-se de título executivo judicial, nos termos do


art. 5 15, VIII do CPC

10. A respeito dos títulos executivos judiciais, assinale a alternativa correta:


a) Sempre que a execução se der por fase no processo, incidirá a regulação
do cumprimento de sentença. Sempre quea execução se der por processo
autónomo, incidirá a regulação do processo de execução.
b) A execução de títulos executivos judiciais sempre se dará por fase do
processo.
c) A execução dos títulos executivos extrajudiciais sempre se dará por pro¬
cesso autónomo de execução.
d) Exige-se que o título judicial que munia a execução seja líquido, certo e
exigível. Tais requisitos são do título executivo e não da obrigação que

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A execução, como técnica que busca a satisfação das obrigações, pode se


dar como fase ou como processo autónomo. Os títulos executivos judiciais estão
listados no art. 515 do CPC, enquanto os títulos executivos extrajudiciais estão
listados no art. 784 do CPC.
Há uma coincidência entre os títulos judiciais e a incidência das regras
aplicadas ao cumprimento de sentença, enquanto os títulos extrajudiciais são
regulados pelas regras aplicáveis ao processo de execução. Importante salientar,
nesse sentido, que é possível haver a execução de título judicial como fase - o
que ocorre em regra — ou como processo autónomo de exectição (incidindo aqui
296 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

as regras referentes ao cumprimento de sentença), conforme as hipóteses lista¬


das no art. 515, § Io do CPC. Os títulos executivos extrajudiciais são sempre
executados através de processo autónomo regulado pelas regras referentes ao
processo de execução.

Daí,possível verificar oerro das assertivas A e B, além do acerto da assertivaC.

Quanto à assertiva D, deve-se perceber que a obrigação que permite a exe¬


cução é aquela líquida, certa e exigível. Tais requisitos não são do título executivo,
são da obrigação que este consubstancia.
> i ND
27

Ação de Consignação
em Pagamento

1. A respeito da ação de consjgnação em pagamento julgueos itens a seguir


e assinale a resposta correta:
I. Na ação de consignação em pagamento que tenha por objeto um crédito
tributário, tratando-se de prestações sucessivas, consignada uma delas,
pode o devedor continuar a depositar, no mesmo processo e sem mais
formalidades, as que se forem vencendo, desde que o faça em até 5 dias
contados da data do respectivo vencimento.
II. Na ação de consignação em pagamento que tratar de prestações suces¬
sivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a consignar sem
maisformalidades as que se forem vencendo, enquanto estiver pendente
o processo.
III. Em ação de consignação em pagamento, quando a coisa devida for corpo
que deva ser entregue no lugar em que está, poderá o devedor requerer
a consignação no foro em que ela se encontra.
Estão corretas as assertivas:

s :r
c) I e III.
d) II e III.
298 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Deve-se destacar, desde logo, que a Ação de consignação em pagamento


sofreupoucas alterações com o novo CPC. Os itens postos a julgamento se referem
a entendimentos firmados na doutrina e jurisprudência.

ItemI: Falso. O entendimento prevalecente no STJ é pelainaplicabilidade


do prazo consignado no artigo 541, caput, do CPC quando o objeto da consignação
for um crédito de natureza tributária. Entende a Corte que o prazo de 5 dias não
se aplica para depósitos judiciais relacionados com créditos tributários. É que o
crédito tributário é exigível desde o seu vencimento. Se não pago na data, incide
sobre ele muitas e juros por força de lei. Assim, o Fisco pode cobrar multa e juros
caso o depósito não seja realizado dentro do prazo para pagamento do tributo.

Admitir a aplicação do art. 541,no caso, seria conceder ao contribuinte um


prazo extra de 5 dias para o recolhimento do tributo, o que quebra a isonomia e
serve como uma hipótese ampla de moratória, tudo quanto inadmissível. Trata-se
do AgRgno Resp 1.365.761-RS, noticiado no Info. 564.
ItemII: Verdadeiro. Trata-seda redação doEnunciado n° 60 do FPPC:“Na
ação de consignação em pagamento que tratar deprestações sucessivas, consignada
uma delas, pode o devedor continuar a consignar sem mais formalidades as que
se forem vencendo, enquanto estiver pendente o processo”.

Item III: Verdadeiro. Trata-se de trecho da redação do Enunciado n° 59 do


FPPC, que apontapara umadas alterações redacionaispromovidas pelo novocódigo:
“Em ação de consignação em pagamento, quando a coisa devida for corpo que deva
ser entregue no lugar em que está, poderá o devedor requerer a consignação no foro
em que ela se encontra. A supressão do parágrafo único do art. 891 do Código de
Processo Civil de 1973 é inócua, tendo em vista o art. 341 do Código Civil”.

2. (|uizSubstituto-TJPI-2014-FCC-adaptada) Em relação à consignação


em pagamento, é correto afirmar:
a) Tratando-se de prestações,periódicas, uma vez consignada a primeira,
pode o devedor continuar a consignar, no mesmo processo o sem mais
formalidades, as que se forem vencendo, desde que os depósitos sejam
efetuados até cinco dias, contados da data do vencimento.
27. AçãO DE CONSIGNAçãO EM PAGAMENTO 299

fa) A sentença que concluir peia insuficiência do depósito consignado


remeterá as partes às vias ordinárias, defeso apurar nos próprios autos o
montante devido.

0 . .equerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o


devedor, tanto que se efetue o depósito, os juros e os riscos, salvo se for

d) Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o pagamen¬


to, o autor requererá o depósito, podendo os que o disputam levantá-lo
proporcionalmente desde logo, se prestada caução nos autos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Principalmente nos anos iniciais da vigência do novo CPC háuma tendência


de cobrança literal dos dispositivos. É o caso da presente questão.
Letra A: CORRETA. Trata-se da redação do art. 892 do CPC/73, que tem
referência, com pequena alteração redacional, no art. 541: “Tratando-se de pres¬
tações sucessivas, consignada uma delas, pode o devedor continuar a depositar, no
mesmo processo e sem mais formalidades, as que se forem vencendo, desde que o
faça em até 5 (cinco) dias contados da data do respectivo vencimento”.
Letra B: ERRADA. A assertiva contraria o conteúdo do art. 899, § 2o do
CPC/73, que tem referência, com pequena alteração redacional, no art. 545,
§ 2°: “A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará,
sempre que possível, o montante devido e valerá como título executivo,
facultado ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após
liquidação, se necessária”.
Letra C: ERRADA. A assertiva contraria o conteúdo do art. 891, caput,
do CPC/73, que tem referência, com pequena alteração redacional, no art. 540:
“Requerer-se-á a consignação no lugar do pagamento, cessando para o devedor, à
datado depósito, os juros e os riscos, salvo se a demandafor julgada improcedente”.
Letra D: ERRADA. A assertiva contraria o conteúdo do art. 898 do
CPC/73, que tem referência, com certa alteração redacional, no art. 548, III:
“Art. 548. No caso do art. 547 [Se ocorrer dúvida sobre quem devalegitimamen-
300 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

te receber o pagamento, o autor requererá o depósito e a citação dos possíveis


titulares do crédito para provarem o seu direito]:(...) III - comparecendo mais
de um, o juiz declarará efetuado o depósito e extinta a obrigação, continuando
o processo a correr unicamente entre os presuntivos credores, observado o pro¬
cedimento comum”.

3. Julgue Verdadeiro ou Falso o item a seguir: ,,


: \
No que refere à Ação de Consignação em Pagamento, se ocorrer dúvida
sobrequemdeva legitimamenterecebero pagamento, o autor requererá o
depósito e a citação dos possíveis titulares do crédito para provarem o seu
direito. Comparecendo mais de um, o juiz declarará efetuado o depósito e
extinta a obrigação em relação ao devedor, prosseguindo o processo uni¬
camente entre os presuntivos credores, desde que o valor depositado não
seja controvertido. Caso haja controvérsia a respeito do valor depositado,
não há falar em extinção da obrigação em relação ao devedor.

COMENTÁRIO
Gabarito: Verdadeiro.

Trata-se de interpretação doutrinária do art. 548,III, do CPC consolidada


no enunciado n° 62 do FPPC: “A regra prevista no art. 548,III,dispõe que, em ação
de consignação em pagamento, o juiz declarará efetuado o depósito extinguindo
a obrigação em relação ao devedor, prosseguindo o processo unicamente entre os
presuntivos credores, só se aplicará se o valor do depósito não for controvertido, ou
seja, não terá aplicação caso o montante depositado seja impugnado por qualquer
dos presuntivos credores”.

4. (Procurador do Estado - PGE-RS - 2011 - FUNDATEC) Sobre a ação de


consignação em pagamento, é correto afirmar que:
a) O réu não poderá alegar, em sua contestação, justa causa na recusa do
pagamento. WÊãÊSêm. ÍHêÊM
b) Para alegar, em sua defesa, que o depósito pelo autor não é integral,
necessita o réu indicar o montante que entende devido, sob pena de
inadmissão de sua alegação.
27. AçAO DE CONSIGNAçAO EM PACAMENTO 301

c) Quando a ação for fundamentada, pelo autor, em dúvida sobre quem


o a correr o

d) A sentença que concluir pela insuficiência do depósito imputará ao autor


os ônus sucumbenciais e autorizará o réu a mover ação deconhecimento
própria para a cobrança da diferença devida.
.
e) Ela é admitida apenas para a consignação de quantia certa em dinheiro.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Principalmente nos anos iniciais da vigência do novo CPChá uma tendência


de cobrança literal dos dispositivos. É o caso da presente questão.
Letra A: ERRADA.A assertiva contraria o disposto no art. 544,II,do CPC:
“Art. 544. Na contestação, o réu poderá alegar que: (...) II- foi justa a recusa”.

Letra B: CORRETA. É o que se depreende do disposto no art. 544, pará¬


grafo único, do CPC: “No caso do inciso IV [o depósito não é integral],a alegação
somente será admissível se o réu indicar o montante que entende devido”.

Letra C: ERRADA. Está incorreta a parte final da questão ao afirmar que


o prosseguimento da ação somente entre os credores presuntivos independe das
alegações por eles apresentadas em suas defesas. Em verdade, havendo controvér¬
sia quanto ao valor depositado, não há falar em extinção da obrigação em relação
ao devedor. Este prossegue na causa enquanto não houver decisão a respeito da
quantia aser depositada. Nesse sentido, o enunciado n° 62 do FPPC, colacionado
nos comentários à questão anterior.

Letra D: ERRADA. A ação de consignação em pagamento possui natu¬


reza dúplice. Assim, a declaração consignada na sentença permite a execução do
julgado pelo réu. A assertiva contraria o disposto no art. 545, § 2o, do CPC,pois
é facultado ao credor promover o cumprimento da sentença nos próprios autos:
“A sentença que concluir pela insuficiência do depósito determinará, sempre
302 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

que possível, o montante devido e valerá como título executivo, facultado


ao credor promover-lhe o cumprimento nos mesmos autos, após liquidação,
se necessária”.

Letra E: ERRADA. A assertiva contraria o disposto no art. 539, caput, do


CPC, pois é possível a consignação de quantia ou coisa devida: “Nos casos pre¬
vistos em lei, poderá o devedor ou terceiro requerer, com efeito de pagamento, a
consignação da quantia ou da coisa devida”.
)
/

28

Ação de Exigir Contas

t. (Procurador do Estado - PGE-MT - 2011 - FCC - adaptada) A ação de

a)
b)
prestação de contas:
comporta reconvenção.
. ..
-..
possibilita a fixação de multa diária pelo magistrado para obrigar o réu a
cumprir a obrigação, se este não apresentar as contas.
c) é imprópria para exigir prestação de contas de ex- prefeito.
d) prevê prazo de 5 dias para o réu, após ser citado, apresentar as contas
exigidas ou contestar a ação.
e) não pode ser proposta pelo titular de conta corrente bancária.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativa A: Incorreta. A ação de exigir contas possui caráter dúplice, já


que a sentença apurará o saldo e constituirá o título executivo judicial (art. 552,
CPC/2015). Ou seja, ela pode gerar saldo tanto para o autor quanto para o réu.
Como ela tem caráter dúplice, não é cabível a reconvenção. Há questionamentos
na doutrina sobre o tema, apontando que apenas não caberia a reconvenção para
tratar do saldo da conta, mas, para a FCC, é viável entender que simplesmente
não caberá a reconvenção.
304 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Alternativa B: Incorreta. Náo é cabível a fixação de multa diária para


impor a apresentação de contas pelo réu, pois o art. 550, § 5o, do CPC/2015 já
fixa consequência específica, qual seja, a apresentação de contas pelo autor e o
impedimento ao réu de impugná-las (STJ, RESP 1092592, Rei. Min Luis Felipe
Salomão, Quarta Turma, julgado em 24/04/2012, DJe 23/05/2012).

Alternativa C: Correta. De acordo com o STJ: A fiscalização contábil,


financeira, orçamentária, operacional e patrimonial do PoderExecutivo é função
típica do Legislativo. Desta forma, correto o entendimento de que háimpossibi¬
lidade jurídica do pedido formulado em ação de prestação de contas ajuizada
pelo próprio município contra o ex-prefeito e o ex-vice-prefeito, referente às
irregularidades dos depósitosno Fundode Previdênciamunicipaf. Precedentes
citados: EDcl no REsp 101.530-PR, DJ 22/3/1999, e REsp 140.950-GO, DJ
11/5/1998. REsp 225-381-PR, Rei. Min. ElianaCalmon, julgado em 7/3/2002.

Alternativa D: Incorreta. O prazo para o réu apresentar as contas exigidas


ou contestar a ação é de 15 dias (art. 550, capui).

Alternativa E: Incorreta. Nos termos da súmula 259 do STJ, “Ação de


Prestação de Contas pode ser proposta pelo titular de conta bancária”.
/
f
ND
29

Ações Possessórias

determinar a emenda da petição inicia], sob pena de indeferimento.


sntada manutenção de posse, ao invés de reintegração, deve o iiriz
i

.vados os seus requisitos, podendo deferir liminar depois de ouvido o


poder público.
d) o pedido de condenação em perdas e danos é incompatível com o pedido
possessório.
e) não cabe ação de reintegração de posse contra o poder público.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

As alternativas “a” e “b” estão erradas pelo mesmo motivo: há fungi-


bilidade entre as espécies de tutela possessória. Ou seja, intentada uma ação
306 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIl

possessória no lugar de outra, maís adequada, o juiz deve processá-la como


se houvesse sido proposta a correta, não sendo o erro um entrave à prestação
da tutela. Assim dispõe o caput do art. 554 do CPC: “A propositura de uma
ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e
outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam
provados”.
Pela mesma razão, a assertiva “c” é a resposta correta, bem como por conta
do disposto no art. 562, parágrafo único: “Contra as pessoas jurídicas de direito
público não será deferida a manutenção ou a reintegração liminar sem prévia
audiência dos respectivos representantes judiciais”.

A letra “d” está errada, já que o CPC autoriza a cumulação do pedido pos-
sessório com o condenatório no art. 555, 1.

A alternativa “e” está errada, inclusive porque há expressa previsão dessa


possibilidade, mediante preenchimento de condição específica.

2. (Procurador do Município - Prefeitura de Goiânia - CS-UFG 2015 --


Adaptada) A posse, como situação de fato correlacionada, surge como
aparência dos poderes proprietários, se amparando na intenção de ser
dono ou na provável propriedade. De acordo com a legislação vigente
e os precedentes relativos ao tema,
a) a exceptio proprietaris, como defesa oponível às ações possessórias
típicas, foi mantida pelo Código de Processo Civil de 2015, que esta¬
beleceu absoluta separação entre os juízos possessórios e petitórios.
b) o particular que ocupa terra pública pode utilizar-se de ação de
reintegração de posse para reaver a coisa, caso esbulhada por outro
partícula,
c) os objetos das ações demarcatória e possessória são distintos, sendo
desnecessário o aguardo da correta delimitação da área para que a
reintegração de posse seja cumprida.
d) a posse advinda do compromisso de compra e venda, quando desprovida
do registro, impossibilita a oposição de embargos de terceiro.
29. AçõES POSSESSóRIAS 307

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Ao contrário do disposto na assertiva “a”, o CPC proíbe a discussão acerca


do domínio na tutela possessoria, conforme art. 557.
A alternativa “b” está errada, uma vez que STJ já definiu que o imóvel pú¬
blico não pode ser legitimamente debatido por particulares em sede de proteção
possessória, pelo fato de que há mera detenção e não posse (cf. Informativo 411 do
STJ). É importante mencionar o Resp. 1.484.304/DF (Info. 579), ondeaTerceira
Turma do STJ afirmou a possibilidade de ajuizamento de ação possessóriapor parte
de invasor de terras públicas contra outros particulares. O Tribunal entendeu que
apesar de a posse não poder ser oposta contra o ente público, poderia ser contra
outros particulares. Ou seja, admitiu-se ação possessória entre invasores.

Este julgado não é suficiente para alterar a jurisprudência tranquila acima


referenciada,pois trata-se de julgado isolado. É importante que o candidato atente,
contudo, a uma eventual alteração de entendimento da Corte no futuro.

A alternativa “c” é a correta, dado que a ação possessória não serve ao


debate da propriedade, enquanto a demarcatória está essencialmente ligada ao
domínio e seus limites. Como se trata de coisas diversas, o STJ já reconheceu que
não há óbice à possessória pela falta de delimitação da área, inclusive mediante
a distinção qualitativa entre tutela da posse e tutela da propriedade realizada
pelo direito brasileiro.
O Superior TribunaldeJustiça tem posicionamento firmado no sentido de
que é possível a propositura dos embargos de terceiro com base no compromisso
de compra e venda, ainda que desprovido de registro, conforme se lè no enunciado
84 de sua Súmula.

3. -
(Procurador Jurídico - Prefeitura de Suzano -VUNESP 2015 - Adap¬
tada) Assinale a alternativa correta no que tange às ações possessória e
reivindicatória.
a) A ação reivindicatória segue procedimento especial, regulado pelo Có¬
digo de Processo Civil de 2015.
308 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) No procedimento especial de reintegração de posse, não se admite a


cumulação do pedido possessório com perdas
c) Na ação reivindicatória, não pode o réu alegar, em contestação, exceção
de domínio com fundamento na prescrição aquisitiva.
d} É vedado o liminar deferimento dé reintegração de posse, inaudita altera
:
parte, contra as pessoas
,
jurídicas de direito público.

,7. 777.; "7 : '
. '
7 .
e) Na ação reivindicatória, deve o autor comprovar sua posse anterior, sob
pena de indeferimento da petição iniciai.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Não há previsão de procedimento especial para a ação reivindicatória, pelo


que está errada a alternativa “a”.
A alternativa “b” confronta com o art. 555, 1, do CPC, que admite a
cumulação.
A alternativa “c” está em erro,pois é nas ações possessória que não se admite a
exceção de domínio (art.557). Nas ações reivindicatórias, o pedido é fundamentado
na propriedade, pelo que a propriedade é necessariamente objeto da ação (causa
de pedir) e deve constar da fundamentação da decisão.
A alternativa “d” está correta, conforme previsão do parágrafo único do
art. 562 do CPC.

A alternativa “e” está incorreta, diante de que o fundamento da reivindi¬


cação a propriedade, e não a posse anterior, como ocorre nas ações possessórias
é
(art. 561,1, do CPC).

4. Julgue a afirmação a seguir como verdadeira ou falsa:


Sendo o caso de ação possessória proposta contra grande número de
pessoas, a citação deve ser feita pessoalmente ao líder do grupo ou, não
o havendo, a todos os ocupantes que se encontrem presentes no local,
determinando-se, ainda, a intimação do Ministério Público e, se envolver
pessoas em situação de hipossuficiência económica, da Defensoria Pública.
29. AçOES PoSSESSÓRtAS 309

COMENTÁMOS
Gabarito: Falso,

O CPC determina a citação pessoal de todos os ocupantes que se encontra¬


remno local, mas em momento algummencionaa figura do líder do grupo. Embora
o STJ tenha construído posicionamento no sentido de que o comparecimento do
líder do grupo perante o Judiciário toma o andamento do processo válido perante
todo o grupo, não foi essa a solução dada pelo novo Código. Com efeito, segundo
o art. 554, §§ Io e 2o, deverão ser citados os ocupantes encontrados no local pelo
oficial de justiça, e os demais, que não forem encontrados, serão citados por edital.
O § 1°prevê, assim como o enunciado da questão, a obrigatoriedade da intimação
do MP e, tratando-se de ocupantes hipossuficientes, da Defensoria.

5. (Procurador do Município- Prefeitura de Salvador- CESPE-2015 -Adap¬


tada) Determinado bem imóvel está registrado em nome de Pedro é de
Rafael e, com base nesse título (certidão de registro público), eles desejam
tomar medida judicial contra Antônio, que exerce a posse do imóvel.
Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta.
a) Caso eventual ação reivindicatória proposta em litisconsórcio ativo pelos
condóminos Pedro e Rafael seja julgada improcedente, orecurso interposto
por apenas um dos litisconsortes não beneficiará o que não recorreu, em
razão do princípio da independência dos litisconsortes.
b) Àspartesqueajuizaremaçãoreivindicatóriaserávedadorealizaradenun-
ciação de terceiro à lide, devendoeventual direito de regresso, decorrente
da evicção, ser exercido por outra via processual.
c) Ao contestar eventual ação reivindicatória proposta pelos condóminos
Pedro e Rafael, o réu, Antônio, poderá alegar usucapião como matéria de
defesa que, se acolhida, levará à improcedência do pleito autoral reivin-
dicatório.
d) Para propor ação reivindicatória contra Antônio, Pedro e Rafael devem
demonstrar que também são possuidores do bem, sob pena de extinção
do processo por falta de interesse em agir.
e) Caso ação reivindicatória seja proposta apenas por Rafael, Pedro poderá
ingressar no feito como seu assistente simples, haja vista seu interesse
jurídico no resultado do processo.
310 J QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

A alternativa “a” está errada, uma vez que a relação dos litisconsortes com
o réu não é cindível, tratando-se de litisconsórcio unitário, no qual o recurso de
um ao outro aproveita (art. 117 do CPC).

A assertiva “b” está errada, diante da previsão do art. 125, 1, do CPC.

A assertiva “c” é a correta. Já que o fundamento da ação reivindicatória é


a propriedade, uma defesa possível é a usucapião, que é fato extintivo do direito,
retirando a base sobre a qual está o pedido de vindicação da coisa, levando à im¬
procedência.
A letra “d” confunde os pressupostos da ação reivindicatória, fundada em
domínio e independente da posse, com os da ação possessória, fundada na posse
e independente da propriedade.

A letra “e” erra ao mencionar a assistência simples, já que, no caso, há rela¬


ção direta com a parte contrária, sendo, portanto, assistência litisconsorcial (art.
124 do CPC).

6. (Analista da Defensoria Pública - DPE-RO -FGV - 2015 - Adaptada) No


que concerne aos interditos possessórios, é INCORRETO afirmar que:
a) o ajuizamento de uma ação possessória, em vez de outra que seria real¬
mente a cabível, não configura óbice a resolução do meritum causae;
b) aopleitodetutelapossessóriapodesercumuladooderessarcimentodos
danos sofridos em razão do esbulho perpetrado;
c) o autor pode requerer, além do pedido possessório e a indenização por
frutos, a determinação pelo juiz de medida adequada para evitar novo
esbulho;
d) incumbe ao autor provar a continuação da posse, embora esbulhada, na
ação de manutenção, ou a perda da posse, na ação de reintegração;
e) o réu, caso entenda ter tido a sua posse turbada ou esbulhada pelo autor,
pode demandar a tutela possessória em seu favo,.
29. AçõES POSSESSõRIAS 311

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa “a” está em conformidade com o art. 554 do CPC.

A alternativa “b” está em conformidade ao art. 555, 1, do CPC.

A assertiva “c” está correta, detendo fundamento no art. 5 55,II,e parágrafo


único, I, do CPC.

A alternativa “d” troca o conceito de turbação por esbulho, sendo aquele o


pertinente à ação de manutenção da posse, já que consiste numa ameaça ou per¬
turbação do exercício da posse, enquanto o esbulho representa a perda da posse.
A disposição da letra “e” tem respaldo no art. 557 do CPC.

7. -
(Promotor de Justiça - MPE-PA FCC 2014 -
açoes possessorias, e correto afirmar que:
- Adaptada) Emrelaçãoàs

*
5E5£=—=*—
c>
propriedade, a ação terá oatureza petitória.
d) é essencial, se houver composse, que todos os compossuidores propt

sórios, mas apenas destes com as ações reivindicatórias.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

As alternativas “a” e “b” erram ao ignorar a possibilidade detutela inibitória


da posse, isto é, a tutela preventiva do possuidor que tem sua posse ameaçada. Esta
312 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

tutela dá-se pela açáo de interdito proibitório, prevista no art. 567, dispondo que
o possuidor direto ou indireto que tenha justo receio de ser molestado na posse
poderá requerer ao juiz que o assegure da turbação ouesbulho iminente, mediante
mandado proibitório em que se comine ao réu determinada pena pecuniária caso
transgrida o preceito.
Aassertiva “c” está correta, detendo fundamento no art. 555,II, eparágrafo
único, I, do CPC.

A alternativa “d” erra ao mencionar o litisconsórcio necessário ativo, pois


ele não existe, diante do fato de que não é legítimo condicionar o exercício da ação
à vontade de outros sujeitos.
A disposição da letra “e” está em confronto com os arts. 554, que prevê a
fúngibilidade entre ações possessórias, e 557, que veda a confusão e a simultanei¬
dade dos debates sobre posse e propriedade.

8. julgue o enunciado abaixo como falso ou verdadeiro em conformidade


à regulação das ações possessórias no Código de Processo Civil:
O novo CPC regula o litígio coletivo sobre posse de imóvel, espe¬
cialmente a de força velha, dispondo ser obrigatória a realização de
audiência de conciliação ou mediação, para a qual será intimado
para comparecer o Ministério Público e a Defensoria Pública, quando
houver hipossuficiente.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Muito embora o texto esteja quase todo em conformidade com ao art.


565 do CPC, a audiência nos litígios coletivos sobre posse de imóvel será
sempre de mediação, não havendo de se falar em audiência de conciliação ou
mediação, pois.

9. (Analista Judiciário -TRF-43 Região- FCC - 2014 - Adaptada) A respeito


das ações possessórias, è INCORRETO afirmar que:
29. AçõES POSSESSóRIAS | 313

a) contra as pessoas jurídicas de direito público não será deferida a rein¬


tegração liminar sem prévia audiência dos respectivos representantes
judiciais.
b) o autor terá o prazo de 10 (dez) dias subsequentes à decisão que concede
ou não o mandado liminar de manutenção ou de reintegração de posse
parapromover a citação do réu para, querendo, contestar a ação no prazo
de 15 (quinze) dias.
Ifitl
c) o interdito proibitório é uma tutela possessória destinada a inibir atos de
turbação ou de esbulho.
d) as regras referentes ao litígio coletivo pela posse de imóvel aplicam-se
ao litígio sobre propriedade de imóvel.
e) no processo que verse sobre litígio coletivo péla posse de imóvel, o juiz
poderá comparecer à área objeto do litígio quando sua presença se fizer
necessária à efetivação da tutela jurisdicional.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Aalternativa “a” tem fundamento no disposto no art. 562, parágrafo único,


doCPC.
A alternativa “b” é a incorreta, visto que o prazo para promover a citação
após decisão acerca daliminar é de 5 (cinco) dias e não 10 (dez), conforme prevê
o art. 564 do CPC.

A assertiva “c” está correta, consoante definição do art. 567 do CPC.

A alternativa “d” tem respaldo no § 5o do art. 565 do CPC.

A alternativa “e” está em consonância com a previsão do § 3o do art. 565


do CPC.
30

Ação de
Dissolução Parcial
de Sociedade

1. Tendo em vista a legitimidade para propor a ação de dissolução par¬


cial de sociedade, pode-se afirmar corretamente que não pode ser
ajuizada:
a) pelo espólio do sócio faIecido, quando a totalidade dos sucessores não
ingressar na sociedade.
b) pelos sucessores, após concluída a partilha do sócio falecido e pela
sociedade, se os sócios sobreviventes não admitirem o ingresso do es¬
pólio ou dos sucessores do falecido na sociedade, quando esse direito
decorrer do contrato social.
0 pelo sócio excluído.
d) pelo sócio que exerceu o direito de retirada ou recesso, se não tiver sido
providenciada, pelos demais sócios, a alteração contratual consensual
formalizando o desligamento, depois de transcorridos 10 (dez) dias do
exercício do direito.
e) pela sociedade, em qualquer caso.
30. AçãO OE DISSOLUçãO PARCIAL DE SOCIEDADE 315

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Alternativa A: Correta. Assertiva de acordo com o art. 600, 1, CPC/2015.


Alternativa B: Correta. Assertiva de acordo com o art. 600, II e III,
CPC/2015.
Alternativa C: Correta. Assertiva de acordo com o art. 600, VI, CPC/2015.
AlternativaD: Correta. Assertiva deacordo como art. 600,IV, CPC/2015.
Alternativa E: Incorreta. A sociedade só poderá ajuizar essa açáo nos casos
em que a lei náo autoriza a exclusão extrajudicial (art. 600, V, CPC/2015).

2. JuIgue a seguinte assertiva sobre a ação de dissolução parcial de sociedade:


A sociedade não pode realizar o pedido de indenizaçao compensável
com o valor dos haveres a apurar.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreto.

Na verdade, o correto é o contrário do que consta na assertiva, pois há ex¬


pressa autorização para a sociedaderealizar o pedido de indenização compensável
com o valor dos haveres a apurar (art. 601, parágrafo único, do CPC).

3. Assinale a alternativa incorreta acerca da ação de dissolução parcial de


sociedade:
a) Caso haja manifestação expressa e unânime das partes pela concordân¬
cia da dissolução, o juiz a decretará, passando imediatamente à fase da
liquidação.
b) Havendo contestação; o procedimento a ser observado será o comum.
c) A petição inicial será necessariamente instruída com o contrato social
consolidado.
316 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) Em caso de omissão do contrato social, o juiz definirá, como critério de


apuração de haveres, o valor patrimonial apurado em balanço de deter¬
minação, tomando-se por referência a data da resolução e avaliando-se
bens e direitos do ativo, tangíveis e intangíveis, a preço de saída, além
do passivo também à ser apurado de igual forma.
e) A ação de dissolução parcial não pode ter por objeto a resolução ou a
apuração de haveres. '

COMETÁRIOS

Gabarito: E

AltemativaA: Correta. Assertiva de acordo com o art. 603, caput, CPC/2015.

AlternativaB: Correta. Assertiva deacordo com o art. 603, § 2o, CPC/2015.

Alternativa C: Correta.Assertiva deacordo como art. 599, § 1°, CPC/2015.

Alternativa D: Correta. Assertiva de acordo com o art. 606, CPC/2015.

Alternativa E: Incorreta. A ação de dissolução parcial pode ter por objeto


somente a resolução ou a apuração de haveres (art. 599, III).

4. Assinale a alternativa correta acerca da ação de dissolução parcial de


sociedade:
a) A ação de dissolução parcial não pode ter por objeto apenas a apuração
dos haveres do sócio falecido, excluído ou que exerceu o direito de reti¬
rada ou recesso.
b) Os sócios ea sociedade serão citados para, no prazo de 10 dias, concordar
com o pedido ou apresentar contestação
O A sociedade sempre será citada, mesmo se todos os seus sócios o forem.
d) O juiz determinará à sociedade ou aos sócios que nela permanecerem
que depositem em juízo a parte incontroversa dos haveres devidos.
e) A data da resolução e o critério de apuração de haveres não podem ser
revistos pelo juiz, a pedido da parte, mesmo antes do início da perícia.
30. AçOss POSSESSóRIAS j 317

COMENTÁRIOS

Gabarito: D

Alternativa A: Incorreta. Ao contrário, pois a ação de dissolução parcial


pode ter por objeto apenas a apuração dos haveres do sócio falecido, excluído ou
que exerceu o direito de retirada ourecesso (art. 599, II, CPC/2015).

Alternativa B:Incorreta. O prazo correto é de 15 dias (art. 601,CPC/2015).


Alternativa C:Incorreta. Asociedade não será citadase todos os seus sócios o
forem, mas ficará sujeita aos efeitos da decisão e à coisa julgada (art. 601, parágrafo
único, CPC/2015).

AlternativaD: Correta. Assertiva de acordo como art. 604, § 1°,CPC/2015.


Alternativa E: Incorreta. A data da resolução e o critério de apuração de
haveres podem ser revistos pelo juiz, a pedido da parte, a qualquer tempo antes
do início da perícia (art. 607 do CPC/2015).
31

Inventário e Partilha

1. (Procurador de Contas -TCE-SP - FCC - 2011 - adaptada) Sobre os in¬


ventários e partilhas, de acordo com o Código de Processo CiviI,é correto
afirmar que:
a) o processo de inventário e partilha deve ser aberto no prazo máximo de
30 (trinta) dias a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos doze
meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício ou
a requerimento de parte.
b) o juiz decidirá todas as questões de direito desde que os fatos relevantes
estejam provados por documento, só remetendo para as vias ordinárias
as questões que dependerem de outras provas. ' : '

c) havendo testamento, se todos os interessados forem capazes e concordes


poderá fazer-se o inventário e a partilha por escritura pública, a qual
constituirá título hábil para o registro imobiliário.
d) o Ministério Público, independentemente da qualificação dos herdei¬
ros, sempre tem legitimidade concorrente para requerer o inventário e
a partilha.
e) para o tabelião lavrar a escritura pública do inventário, não é necessário
que as partes estejam assistidas por advogado, desde que todas sejam
maiores, capazes e concordes.
31. INVENTáRIO £ PARTIIHA 319

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8
O prazo estabelecido no art. 611 do CPC é de 2 (dois) meses, pelo que a
letra “a” está errada.
Correta a letra “b”, conforme art. 612 do CPC.
Quando houver testamento, o processo de inventário deve ser obrigatoria¬
mente instaurado (art. 610 do CPC). Errada a letra “c”.

A letra “d” está errada, pois, consoante o art. 616 do CPC, a legitimidade
do MP está condicionada à existência de herdeiros incapazes.
A letra “e” incorre em erro, pois o § 2o do art. 610 do CPC dispõe que “O
tabelião somentelavrará a escritura públicase todas as partes interessadas estiverem
assistidas por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura
constarão do ato notarial”.

2. Assinale a alternativa incorreta:


a) Caso o inventariante não preste contas, poderá ser removido de ofício.
b) O cessionário do herdeiro ou do legatário tem legitimidade para requerer
o inventário.
c) O requerimento de inventário e de partilha incumbe a quem estiver ria
posse e na administração do espólio.
d) O juiz decidirá todas as questões de direito e também as questões de

de outras provas.

a requerimento de parte.

COMENTÁRIOS
Gabarito; D

A letra “a” tem respaldo no art. 622, caput, e V.


A letra "b” está correta, diante da permissão do art. 616,IV,há legitimidade
concorrente.
320 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A assertiva da letra “c” corresponde ao art. 615.


A letra “d” é a redação do CPC/1973 do atual art. 612, que foi modificada
para determinar que “O juiz decidirá todas as questões de direito desde que os fatos
relevantes estejamprovados por documento, só remetendo para as vias ordinárias as
questões que dependerem de outras provas”. Dessa forma, não há mais que se fazer
menção às “questões de altaindagação”, pois, sendo questão de direito com fatospro¬
vados por documentos, seja ela complexa ou não, deverá ser decidida no inventário.
A assertiva daletra “e” está em conformidade com o art. 611.

3. (Defensor Público -DPE-AM-FCC- 2013) No inventário:


a) admite-se instrução probatória para apuração de débitos do espólio.
b) incumbe ao inventariante a administração do espólio.
c) julga-se a partilha independentemente do pagamento do ITCMD.
d) não cabe nomeação de perito para avaliação dos bens.
e) será nomeado inventariante, preferencialmente, o filho mais velho do
falecido.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B
A alternativa “a” está em desacordo com o art. 612 do CPC, que permite
apenas a prova documental.
A alternativa “b” está correta, conforme art. 618, II, do CPC.

A alternativa “c” contraria o art. 654 do CPC, que determina o pagamento


do imposto e a juntada aos autos de certidão ou informação negativa de dívida
para com a Fazenda Pública para que haja o julgamento da partilha.
O art. 630 do CPC estabelece a nomeação de perito para avaliação dos
bens, caso não exista avaliador judicial na comarca. Assim sendo, equivocada a
assertiva da letra “d”.

A literalidade do art. 617 do CPC fixa a preferência para “o cônjuge ou


companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo como outro ao tempo
da morte deste”. Errada a letra “e”.
i sO
32
"ÿ

Embargos de Terceiro

1. (Promotor de Justiça - MPE-ES - CESPE -2010- adaptada) É parte legí¬


tima para opor embargos de terceiros:
a) o credor cóm garantia pessoal que possa ser prejudicada pela redução
significativa do património do devedor.
b) o adquirente da coisa litigiosa que concretiza o negócio sabendo do
litígio.
c) o herdeiro da parte que disputava em juízo a posse do bem que compõe
o espólio.
d) odepositário judicial dobem quanto a ato constritivo oriundo deprocesso
diverso daquele que originou o depósito.
e) o sócio que tem seu património atingido por dívida da sociedade em
razão da desconsideração da personalidade jurídica da empresa.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
A questão exige que o candidato conheça a diferença entre as situações
em que o sujeito é efetivamente terceiro, podendo utilizar-se legitimamente dos
embargos de terceiro, e as situações em que, nada obstante não fosse parte, veio
a intervir no processo, integrando a relação processual, pelo que os embargos de
terceiro não lhe servem, devendo defender-se no mesmo processo.
322 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa “a” náo é caso de embargos de terceiro, mas de mera eficácia


reflexa da sentença - que não dá legitimidade para medida - ou de requerimento
de tutela provisória de urgência cautelar, como parte, para que seja resguardada a
futura satisfação do crédito.
Na hipótese da alternativa “b”, o adquirente da coisa litigiosa deve ou su¬
ceder o alienante, ou, caso não haja concordância da parte adversa, intervir como
assistente litisconsorcial (art. 109 do CPC).
Na assertiva “c”, a figura processual correta é a sucessão processual causa
mortis, conforme art. 110 do CPC.

A letra “d” está correta, já que o depositário é terceiro noutro processo. Ten¬
do seu bem constrito poderá utilizar-se dos embargos de terceiro legitimamente.
Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica há a integração do
sócio à relação processual (arts. 133 a 137), devendo ele se defender no mesmo
processo, já que as decisões alcançarão normalmente a sua esfera jurídica.

2. Assinale a alternativa incorreta:


a) Pode ajuizar embargos de terceiro o adquirente de bens cuja constrição
de decisão que declara a ineficácia da alienação realizada em
fraude à execução.
b) Os embargos podem ser de terceiro proprietário, inclusive fiduciário.
c) Apropriedadeoupossedeveráserprovadajá na petição inicial, ainda que
sumariamente, mas a posse pode ser provada em audiência preliminar.
d) Os embargos podem ser opostos a qualquer tempo no processo de co¬
nhecimento enquanto não prolatada a sentença.
e) Nos casos dé ato de constrição realizado por carta, os embargos serão
oferecidos no juízo deprecado, salvo se indicado pelo juízo deprecante
o bem constrito ou se já devolvida a carta.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A alternativa “a” tem respaldo no art. 674, § 2o, II, do CPC.


A assertiva “b” tem fundamento no art. 674, § Io, do CPC.
32. EMBARGOS DE TERCEIRO 323

A assertiva daletra “c” tem fundamento no art. 677 do CPC e seu § Io.

A alternativa “d” está incorreta, umavez que apossibilidade dos embargos de


terceiro se esgota com o trânsito em julgado da sentença, e não com sua prolação,
consoante dispõe o art. 675 do CPC.

A assertiva daletra “e” corresponde ao art. 676, parágrafo único, do CPC.

3. (Juiz de Direito -TJ-SP - VUNESP - 2014) A respeito dos embargos de


terceiro, é correto afirmar:
a) Os embargos de terceiro podem ser manejados por
aquele que não faz
parte do processo para retirar constrição indevida do bem em virtude
de fraude à execução, mas não para se anular ato jurídico por fraude
contra credores.
b) É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de
posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel, contanto
que devidamente registrado.
c) Em embargos de terceiro, pouco importa quem deu causa à constrição
indevida para fins desuportara condenação em honorários advocatícios.
d) Não é dado ao cônjuge ajuizar embargos de terceiro para a defesa de sua
meação, ainda que tenha sido intimado da penhora em imóvel perten¬
cente ao casal.

COMENTÁRIOS

Gabarito: A

A questão exige conhecimento dos enunciados da súmula do Superior Tri¬


bunal de Justiça sobre embargos de terceiro, bem como do fato que o CPC/2015
não revogou nenhuma das que são relevantes para a resolução da questão.

A alternativa “a” tem fundamento no enunciado n° 195 da Súmula do


STJ: “Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico, por fraude contra
credores”. A razão de não caber na fraude contra credores é que ela depende de
ação própria, chamada açãopaulíana, que tem por objeto a desconstituição do
ato fraudulento.
324 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa “b” está errada, pois o Enunciado n° 84 da Súmula do STJ


admite os embargos de terceiro mesmo noscasos em que o compromisso de compra
e venda estiver desprovido de registro.

A alternativa “c” contraria o Enunciado n° 303 da Súmula do STJ, que


estabelece: “Em embargos de terceiro, quem deu causa à constrição indevida deve
arcar com os honorários advocatícios”.

A alternativa “d” conflita com o enunciado n° 134 da Súmula do STJ, que


acabou consagrado no art. 674, § 2o, I, do CPC.
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33

Oposição

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COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Alternativas A e B: Incorretas, A nomeação a autoria, enquanto interven¬


ção de terceiro, foi extinta no CPC/2015. Em substituição, cabe à parte alegar a
326 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

sua ilegitimidade pelo alegado prejuízo invocado (art. 338), devendo indicar o
responsável (art. 339). De toda forma, não seria a alegação adequada para este
caso criado pela questão.

AlternativaC:Correta. A oposição foi transformada emumprocedimento


especial, deixando de ser intervenção de terceiro no CPC/2015 e é o procedimento
correto quando um terceiro pretende integralmente a coisa sobre a qual contro¬
vertem autor e réu em um determinado processo (art. 682). De acordo com o art.
686, cabendo ao juiz decidir de forma simultânea a ação originária e a oposição,
desta conhecerá em primeiro lugar.

AlternativaD:Incorreta. Adenunciação dalide não tem a função de permitir


que um terceiro que pretenda direito controvertido por autor e réu intervenha
processualmente.
Alternativa E: Incorreta. A forma adequada de ingresso do terceiro é a
oposição. No entanto, está só pode ser ajuizada até ser proferida a sentença na ação
originária (art. 682, CPC/2015) e não até o trânsito em julgado.

2. (Promotor de Justiça - MPE-MS - 2013 - MPE-MS) A propósito da opo¬


sição) Considere as proposições abaixo: • '

I. Sendo o réu revel, a oposição somente poderá ser proposta contra o


: auto,

II. Não se admite oposição nos Juizados Especiais,


III. Aoposiçãoserádistribuídapordependênciaeosopostosserãocitados,na
pessoa dos seus respectivos advogados, para contestar o pedido, fixando
o prazo de quinze dias para cada um.
IV. O opoente, ao utilizar da oposição, obriga-se em exercê-la contra as
partes no processo em andamento, as quais são denominadas de opostos,
havendo a obrigatória formação de litisconsórcio necessário e unitário.
São correta,:
a, Somente as proposições lelil.
Hl iy-~?
b) Somente as proposições I. HI e iV.
c) Somente a proposição II.
33. OPOSIçãO 327

COMENTÁRIOS
Gabarito: C
Item I: Incorreto. No CPC/1973, o réu revel deveria também ser inserido
no polo passivo, havendo apenas menção específica à forma de citação, pois não
seria citado por meio do advogado (art. 57, parágrafo único). Esse texto normativo
não foirepetido no CPC/2015,mas, de qualquer forma, é nítido que este também
deve ser inserido no polo passivo da oposição.
ItemII: Correto. De acordo com o art. 10 da Lei 9.099/ 1995, “Não se ad¬
mitirá, no processo, qualquer forma de intervenção de terceiro nem de assistência”.
Item III: Incorreto. Os opostos serão citados para oferecerem contestação
no prazo comum de 15 dias (art. 683, parágrafo único, CPC/2015) e não por
meio de um prazo individual para cada um deles.
Item IV: Incorreto. Os opostos formarão litisconsórcio passivo necessário
pelo fato de a lei determinar que sejam citados para a oposição. No entanto, o
litisconsórcio, apesar de necessário, será simples e não unitário, pois cada um dos
opostos terá uma solução própria na oposição.

3. (Juiz -TJ-PA - 2012 - CESPE) Caso duas pessoas Iitiguem sobre a proprie¬
dade de determinado bem e um terceiro, que se considera verdadeiro
dono, ofereça oposição, então, nessa situação,
a) recebida a oposição, o juiz determinará a citação dos opostos na pessoa
dos seus advogados, não havendo revelia no processo original.
b) oferecida a oposição após ter sido realizada audiência de instrução e
julgamento, o processo original será suspenso.
c)
1
o prazo para contestar será duplicado, de acordo com o STj, porque os
opoentes têm procuradores diferentes e são litisconsortes na oposição.
d) se o autor no processo original reconhecer a procedência do pedido do
opoente, o processo será extinto.
e) se já houver sido proferida sentença no processo original e interposta
apelação, o juiz remeterá os autos ao tribunal.
328 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A resposta à questão está no art. 682, parágrafo único, consoante o qual,


“Distribuída a oposição por dependência, serão os opostos citados, na pessoa
de seus respectivos advogados, para contestar o pedido no prazo comum de 15
(quinze) dias”.

4. Julgue a seguinte assertiva acerca da oposição:


Se a oposição for ajuizada antes de iniciada a audiência de instrução e
julgamento, a ação originária será necessariamente suspensa.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Incorreta.

De acordo com o art. 685, parágrafo único, em regra, se a oposição for


ajuizada antes de iniciada a audiência de instrução e julgamento, a ação originária
será suspensa. No entanto, o magistrado pode não o fazer caso conclua que a uni¬
dade da instrução atenderá melhor ao princípio da duração razoável do processo.
34

Ações de Família

1. Arespeitodasaçõesdefamííiajulgueos itens a seguire assinale a resposta


correta:
I. A regulação das ações de família pelo Código deProcesso Civil permite a
aplicação subsidiária de suas normas à ação de alimentos e a que versar
sobre interesse de criança ou de adolescente. Estas ações observarão o
procedimento previsto em legislação específica, aplicando-se, no que
couber, as disposições do CPC.
II. Em sede de ação revisional de alimentos, não é possível que o autor peça
somente a modificação da forrriá dà prestação alimentar. Nestas ações o
próprio interesse de agir é justificado pelo fato superveniente que altera
a relação jurídica entre o alimentando e o alimentante.
III. As audiências de conciliação e mediação podem ser subdivídidas em
dois momentos distintos, possibilitando as partes o trato negociai extra-
processual. O legislador limitou esta possibilidadedarepetiçãodoato em
respeito à razoável duração do processo, uma das normas fundamentais
que devem informar todo o processo.
MM
Estão corretas as assertivas:
a) I.
b) II.
c) 111.
330 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) ! e ill.
e) Nenhuma das assertivas está correta.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O novo Código de Processo Civil inaugura um capítulo especial a respeito


das ações de família. É reforçada a ideia da necessidade de se buscar a autocompo-
siçáo dos conflitos de família, destinando-se a especialidade do procedimento ao
aumento dos diálogos nafase de conciliação e mediação prévia. Somenteverificada
a impossibilidade de se chegar à autocomposição é que o procedimento seguirá,
nos termos do art. 697, o procedimento comum.

Item I: Verdadeiro. É exatamente o que impõe o art. 693, parágrafo único


do CPC: “A ação de alimentos e a que versar sobre interesse de criança ou de ado¬
lescente observarão oprocedimento previsto emlegislação específica, aplicando-se,
no que couber, as disposições deste Capítulo”.

Item II: Falso. A 4a Turma do STJ, no Resp. 1.505.030 (Informativo n°


567) definiu que em sede de ação revisional de alimentos é possível que o autor
peça apenas a modificação da forma da prestação alimentar (em espécie ou
in naturá). Necessário, para isso, demonstrar as razões de fato que tornam a
modalidade anterior inadequado, justificando a alteração. A circunstância de
não ter se verificado alteração da situação financeira das partes, nesse sentido,
não impede a propositura da ação revisional para que seja alterada a forma de
prestação dos alimentos, especialmente quando se verifica (como foi o caso)
que o valor destinado ao sustento da criança não estava sendo de todo revertido
em seu proveito.

ItemIII: Falso. Ainda que se consagre a razoável duração do processo como


norma fundamental do processo, um dos marcos fundamentais do novo CPC é a
busca da solução consensual dos conflitos. Este objetivo é reforçado no que refere
aos litígios envolvendo as relações de família. Assim, nos termos do art. 696 do
CPC: “A audiência de mediação e conciliação poderá dividir-se em tantas sessões
quantas sejam necessárias para viabilizar a solução consensual, sem prejuízo de
providências jurisdicionais para evitar o perecimento do direito”.
34. AçõES DE FAMIUA 331

2. Julgue o item seguinte, com base no que dispõe o Código de Processo


Civil (CPC) a respeito das ações de família.

de união estável, guarda, visitação e filiação. Nessas ações de família, o


Ministério Público necessariamente intervirá face ao latente interesse de
incapazes, devendo ser ouvido previamente à homologação de acordo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

Aprimeiraparte da assertiva é correta e reflete o conteúdo do art. 693, caput


do novo CPC. Asegundaparte é falsa por contrariar o disposto no art. 698 do CPC:
“Nas ações de família, o Ministério Público somente intervirá quando houver
interesse de incapaz e deverá ser ouvido previamente à homologação de acordo”.

Interessante é o entendimento firmado pelo STJ no sentido de que o in¬


teresse indireto ou reflexo de incapazes não justifica a intervenção do Ministério
Público. Nesse sentido, o acórdão proferido pela 3a Turma no Resp. 1.243.425,
ainda sob a vigência do CPC/73. Este entendimento se mantém sob o CPC/ 15.
O Ministério Público somente deve intervir nas causas em que houver interesse
direto de incapazes, diligenciando pelos direitos daqueles que não podem exercer
o direito de defesa de forma hígida sozinhos em juízo.
35

Ação
Monitoria

t . (Procurador - Assembleia Legislativa de Goiás - ÇS-UFG 2015-


-Adaptada) Sem embargo das teorias sobre a natureza jurídica da
ação monitoria, pode-se afirmar que é proçedimento no meio-termo,
entre uma ação ordinária e uma ação executiva. Essa ação:

a) destina-se à formação de título executivo judicia! em favor de


quem possui prova escrita, contendo obrigação de pagar quantia,
de entregar coisa ou de fazer e não fazer.

b) é incabível contra a fazenda pública, tendo em vista a sua incom¬


patibilidade com o regime de precatórios.

c) inadmite a reconvenção pelo réu, devendo seus embargos limita¬


rem-se à pretensão deduzida pelo autor.

d) não permite a realização da citação por edital, que é incompatível


com o seu rito célere.
35. AçàO MONITóRIA I 333

COMENTÁRIOS
Gabarito: À

Para responder à questão é preciso saber que o novo CPC ampliou o cabi¬
mento daAção monitoria, que, agora, além do pagamento de quantia em dinheiro,
serve para tutelar também a entrega de coisa fungível ou infungível e as obrigações
de fazer e não-fazer. Dessa forma, a assertiva A responde corretamente à questão.
A assertiva B contraria o entendimento sumulado do STJ, constante do
enunciado n° 339, que preconiza “É cabível ação monitoria contra a Fazenda
Pública”. O CPC/2015 positivou o entendimento jurisprudencial, que consta
agora no seu art. 700, § 6o.

A assertiva C contraria o art. 702, § 6o, do CPC, que consagrou na lei a


súmula 292 do STJ.
A assertivaD está incorretapor confrontar o estabelecido no art. 700, § 7o,
peio qualna ação monitória, “admite-se citação por qualquer dos meiospermitidos
para o procedimento comum

2. julgue o texto a seguir como verdadeiro ou falso:


É requisito da ação monitória a comprovação por prova escrita de direito a
receber quantia, a entrega de coisa ou a fazer ou não-fazer. O documento
que municia a ação monitória deve ser suficiente para levará evidência
do direito do autor, ou o juiz indeferirá a expedição de mandado de
pagamento. Nesses casos, o juiz deve intimar o autor para, querendo,
emendar a petição inicial, de modo que ela possa ser processada em
conformidade ao procedimento comum.

COMENTÁRIOS

Gabarito: Correto.

A questão concatena várias disposições do novo CPC,inicialmente cobran¬


do do candidato a percepção da ampliação do cabimento da monitória, que serve
a qualquer espécie de obrigação (art. 700 do CPC).
334 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

De fato, a ação monitoria é uma forma de tutela de evidência, pois a


cognição é sumária, podendo vir a ser aprofundada, e permite a imediata tutela,
independentemente de qualquer urgência. A redação do art. 701 do CPC deixa
isso bem claro.

Finalmente, há referência ao art. 700, § 5o, do CPC, que estatui que


“Havendo dúvida quanto à idoneidade de prova documental apresentada pelo
autor, o juiz intimá-lo-á para, querendo, emendar a petição inicial, adaptando-a
ao procedimento comum.”

3. (Procurador do Estado - PGE-RS - FUNDATEC - 2015 - Adaptada) O


Código de Processo Civil prevê a ação monitoria nos artigos 700, 701
e 702. Trata-se de procedimento especial concentrado, cujo objetivo
é a formação célere de título executivo judicial, com base em prova
escrita sem eficácia de título executivo para acesso às vias da execução
forçada. Sobre a ação monitoria, assinale a alternativa correta.
a) A decisão que determina a expedição de mandado em ação monitória,
caso não haja pagamento ou oposição de embargos em quinze dias,
deverá ser atacada por ação própria, não havendo porque se falar em
ação rescisória, visto que não forma coisa julgada.
b) A ação monitória não é cabível contra a Fazenda Pública, uma vez que
serviria para burlar o regimé de precatório, bem como não se operam
os efeitos materiais da revelia contra a Fazenda Pública.
c) A Fazenda Pública nunca possuirá interesse de agir em ajuizar ação
monitória contra particular, tendo em vista a prerrogativa de sempre
constituir, unilateralmente, título executivo em seu favor, que servirá
para lastrear ação de execução.
d) Já que a ação monitória é procedimento especial, com nuances e
caracíerísticas distintas do procedimento comum, não é permitido ao
réu, em qualquer hipótese, deduzir pretensão contra o autor mediante
reconvenção, por conta da incompatibilidade procedimental.
e) Apesar da necessidade de nomeação decurador para o réu revel citado
por edital, que possui a obrigação legal de apresentar contestação, ainda
que genérica, é cabível a citação por edital na ação monitória, havendo
compatibilidade procedimental.
35. Açío MONITORIA 335

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

A alternativa “a” está em confronto com o art. 701, § 3o, CPC, que prevê
expressamente o cabimento da açáo rescisória.

A alternativa “b” está errada, pois confronta com os arts. 700, § 6o, e 701,
§4°, do CPC.

A alternativa “c” passa ao largo de que nem todos os créditos em favor da


Fazenda Pública são dívidaativa, pelo que amplamente manejável a ação monitória.
A alternativa “d” conflíta com o art. 702, § 6o, do CPC, que admite a
reconvenção.
A alternativa “e” está em conformidade ao art. 700, § 7o, do CPC.

4. Marque a alternativa que não está em conformidade ao Código de Pro¬


cesso Civil:
a) Ao réu é permitido opor embargos à ação monitoria, o que deve ser feito
no prazo de 1 5 dias e independentemente de prévia segurança do juízo.
b) Havendo reconvenção do réu mediante a oposição de embargos à mo¬
nitoria, é permitido ao autor também reconvir.
c) O réu na ação monitória pode requerer o parcelamento do crédito previsto
no processo de execução.
d) A critério do juiz, os embargos serão autuados em apartado, se parciais,
constituindo-se de pleno direito o título executivo judicial em relação à
parcela incontroversa.
r
e) Havendo dúvida quanto à idoneidade de prova documental apresentada
pelo autor, o juiz intimá-io-á para, querendo, emendar a petição inicial,
adaptando-a ao procedimento comum.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B
A assertiva “a” tem respaldo no art. 702, caput, do CPC.
O enunciado da alternativa “b” está errado, visto que o CPC veda a recon¬
venção à reconvenção (art. 702, § 6o).
336 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

A alternativa “c” está de acordo com a previsão do art. 701, § 5o do CPC.

A assertiva “d” corresponde ao art. 702, § 7°, do CPC.

A alternativa “e” está conforme o art. 700, § 5°.


36

Jurisdição Voluntária

1. (Juiz de Direito -TJ-DFT - CESPE - 2014 - adaptada) No que concerne


à jurisdição e a seus equivalentes, assinale a opção correta.
a) Nas hipóteses de jurisdição voluntária, embora não haja litígio entre os
envolvidos, o julgador deve observar a legalidade estrita na apreciação
do pedido.
b) O princípio da inércia da jurisdição deve ser afastado nas hipóteses de
direitos indisponíveis.
c) Nos casos que envoivam jurisdição voluntária, o julgador apenas adminis¬
tra interesses privados e, por isso, não está sujeito às regras de suspéição
ou impedimento.
d) Nosprocedimentosdejurisdiçãovoluntáriaserá semprecitado, sob pena
de nulidade, o Ministério Público.
ej é possível, através de procedimento de jurisdição voluntária, a alteração
de regime de bens do casamento, desde que requisitada motivadamente
e em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as
razões que justificam a alteração.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O novo CPC mantém a regulação dos procedimentos de jurisdição volun¬


tária. Dentre as alterações que merecem ser apontadas está o fim da iniciativa de
338 j -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO OIREITO PROCESSUAL CIVIL

ofício do juiz para iniciar quaisquer destes procedimentos. O novo CPC, pois,
não dispensa a provocação do interessado, do Ministério Público ou da Defenso-
ria Pública (art. 720) paraque se inicie o procedimento de jurisdição voluntária.

Letra A: ERRADA O novo CPC mantém a regra anterior que relativiza a


aplicação da legalidadeestrita nos procedimentos de jurisdiçáo voluntária.Éo art. 723,
parágrafo único: “O juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita,
podendo adotaremcada casoasolução queconsiderar maisconvenienteouoportuna”.
Letra B: ERRADA. A indisponibilidade ou disponibilidade do direito não
influencia na exigência de iniciativa para que tenha início o procedimento. Con¬
forme o art. 2o do CPC: “O processo começa por iniciativa daparte e se desenvolve
por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”.
Letra C: ERRADA As hipóteses de impedimento e suspeição incidemde
forma ampla tanto no processo contencioso quanto no voluntário. O caput do
art. 144 possui ampla abrangência: “Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado
exercer suas funções no processo: (...)”.

Letra D: ERRADA. O novo CPC altera a atuação do MP, tornando-a


mais reduzida e tomando o cuidado de restringi-la somente aqueles casos que
efetivamente justifiquem a proteção de interesses destacados pelo parquet. Nos
termos do art. 721: “Serão citados todos os interessados, bem como intimado o
Ministério Público, nos casos do art. 178, para que se manifestem, querendo,
no prazo de 15 (quinze) dias”.

Letra E: CORRETA. O novo CPC consagra procedimento de alteração do


regime debens do casamento, o que já erapermitido apartir do art. 1639 do Código
Civil. O CPC instrumentaliza este procedimento dentro do capítulo referente à
Jurisdição Voluntária. Veja-se o caputàa art. 734: “Aalteração do regime debensdo
casamento, observados os requisitos legais, poderá ser requerida, motivadamente,
em petição assinada por ambos os cônjuges, na qual serão expostas as razões que
justificam a alteração, ressalvados os direitos de terceiros”.

2. A respeitada regulação dos procedimentos dejurisdição'Voluntária julgue


os itens á seguir e assinale a resposta correta:
I. Asdespesas, nos procedimentos de jurisdição voluntária, regulam-seda
mesma forma que nos procedimentos de jurisdição contenciosa. Devem
36. JURISDIçãO VOLUNTãRIA 339

ser adiantadas peio requerente/ submetendo-se ao fim do procedimento


às regras de sucumbência.
II. Os procedimentos dejurisdição voluntária processam-se durante asférias
forenses, onde as houver, e não se suspendem pela superveniência delas
quando puderem ser prejudicados pelo adiamento.
III. Éprocessado na forma deprocedimentodejurisdiçãovoluntáriaopedido
de expedição de alvará judicial.
IV. É processadona forma deprocedimentode jurisdição voluntáriaopedido
de homologação de autocomposiçãò extrajudicial, de qualquer natureza
ou valor. Uma vez homologada a autocomposjção, adquire natureza de
título executivo extrajudicial.
Estão corretas as assertivas:
a) I, lie III.
b) I, II e IV.
c) Nellie IV.
d) II e III.
e) I e IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

O tema da jurisdição voluntária não encontra regulação apenas no Capítulo


XV do LivroIdaParte Especial. Outros dispositivos do novo CPC reverberam no
tratamento damatéria. Os itens apresentados se tratam a respeito deste tratamento.

Item I: ERRADO. Como nos procedimentos de jurisdição voluntária en¬


tende-se não haver propriamente sucumbência,o art. 88, inserido naParte Geral do
novo código trazaseguinte disposição: “Nos procedimentos de jurisdição voluntá¬
ria, as despesas serão adiantadas pelo requerente e rateadas entre os interessados”.

Item II: CORRETO. Mais um exemplo de regulação dos procedimentos


dejurisdição Voluntária fora do capítulo específico damatéria. Neste caso, trata-se
do art. 215, 1do CPC: “Processam-se durante as férias forenses, onde as houver,
e não se suspendem pela superveniência delas:I- os procedimentos de jurisdição
340 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

voluntária e os necessários à conservação de direitos, quando puderem ser preju¬


dicados pelo adiamento (...)”.
Item III: CORRETO. O novo CPC consagra novas hipóteses de pedidos
que se processam de acordo com as normas gerais da Jurisdição Voluntária. Um
deles é exatamente o pedido de expedição de alvará judicial. Trata-se do art. 725,
VII: “Processar-se-á na forma estabelecida nesta Seção o pedido de: (...) VII -
expedição de alvará judicial (...)”.
Item IV: ERRADO. A primeira parte do item está correta na medida em
que, nos termos do art. 725, VIII: “Processar-se-á na forma estabelecida nesta
Seção o pedido de: (...) VIII- homologação de autocomposição extrajudicial, de
qualquer natureza ou valor. (...)”. O erro se encontra, todavia, na afirmação de
que desta homologação resultaria um título extrajudicial. Em verdade, este título
está consagrado no rol de títulos judiciais, nos termos do art. 515, III.
37

Execução em Geral

1. (Oficial de Justiça -TJRO - FGV - 2015) É exemplo de execução


indireta a:
a) imposição de multa em desfavor do executado, a fim de pres$ioná-lo ao
cumprimento da obrigação;
b) retirada da coisa do património do devedor e a sua alienação judicial,
para fins de entrega do produto da venda ao credor;
c) imposição a que terceiro cumpra a obrigação, às expensas do devedor;
d) adjudicação do bem do devedor ao património do exequente;
e) determinação de incidência de desconto em folha de pagamento, a fim
de se assegurar o cumprimento de obrigação alimentar.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

A execução direta se dá por sub-rogação. A decisão judicial se substitui à


vontadedo particular. Assim, as medidas executórias diretas independem de emis¬
são volitiva do sujeito que deve prestar, bastando a atuação do aparato estatal para
que haja o adimplemento. São exemplos as técnicas de expropriação (alienação,
adjudicação e apropriação de frutos e rendimentos de empresas ou de estabele¬
cimentos e de outros bens), a imposição de que terceiro cumpra às expensas do
342 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

devedor e o desconto em folha de pagamento. Incorretas, por consequência, as


assertivas B, C, D e E,

A execução indireta se dápor técnicas que induzem a atuação do parti¬


cular. As medidas executórias indiretas dependem da emissão volitiva do sujeito
que deve prestar, servido a decisão judicial como elemento influenciador desta
conduta. As astreintes impostas como forma de pressionar o devedor a cumprir a
obrigação é exemplo clássico de execução indireta. Correta a assertiva A.
Importante perceber que a utilização de medidas de coerção direta ou indi¬
reta respeita a adequação da medida, cada uma delas compreendendo diferentes
formas de materialização.

2. (Juiz doTrabalho -TRT23 - FCC - 2015 - adaptada) Considera-se fraude


à execução:
a) a alienação de bens quando, ao tempo da alienação, corria contra o deve¬
dor demanda capaz dereduzi-lo à insolvência e, conforme jurisprudência
consolidada do SuperiorTribunal de justiça, o reconhecimento da fraude
à execução independe de registro da penhora do bem alienado ou da
prova de má-fé do terceiro adquirente, porque esse requisito é exigível
somente para configuração de fraude contra credores.
b) a alienação de bens imóveis, somente nas hipóteses previstas no Código
de Processo Civil.
c) a alienação de bens apenas quando, ao tempo da alienação, corriacontra
o devedor execução capaz de reduzi-lo à insolvência, mas conforme
jurisprudência consolidada do SuperiorTribunal de Justiça, o reconhe¬
cimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem
alienado ou de prova de má-fé do terceiro adquirente.
d) a alienação de bens quando, ao tempo da alienação, corria contra o
devedor demanda capaz de reduzi-lo à insolvência, mas, conforme juris¬
prudência consolidada do SuperiorTribunal de Justiça, o reconhecimento
da fraude à execução depende do registro da penhora do bem alienado
ou de prova de má-fé do terceiro adquirente.
e) somente a alienação de bens sobre os quais pender ação fundada em
direito real.
37. EXECUçãO EM GERAL 343

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Questão longa e com certas nuances que exigem do candidato uma leitura
atenta das assertivas.

Letra A: ERRADO. A primeira parte da assertiva está correta, nos termos


do art. 792, IV do CPC: “Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é conside¬
rada fraude à execução: (...) IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração,
tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; (...)”.

A segunda parte da assertiva, contudo, está em contradição com o enten¬


dimento sumulado do STJ. Nos termos do enunciado n° 375 da Súmula: “O
reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora do bem
alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”.
Letra B: ERRADO. O roldo art. 792 é inclusivo. O inciso V do dispositivo
expressamente admite outros casos em que a alienação ou oneração de bem pode
ser considerada fraude à execução, desde que expressamente previstos em lei.

Letra C: ERRADO. A assertiva é praticamente semelhante à assertiva D.


Ocorre que o examinador inseriu o termo apenas, tornando-a incorreta. O art.
792 consagra outras formas de fraude à execução.
Letra D: CORRETO. Nos termos do art. 792, IV e do enunciado n° 375
da Súmula do STJ.
Letra E: ERRADO. O art. 792 apresenta amplo rolde situações que admi¬
tem falar em fraude à execução.

3. (Juiz Substituto -TJPB-CESPE-2015) Acercado processo de execução,


assinale a opção correta com base na legislação e na jurisprudência dos
tribunais superiores.
a) O ajuizamento de ação relativa a débito constante de título executivo
não impède ò credor dé promover a execução do título.
b) O espólio responde pelas dívidas do falecido, de modo que, depois de
feita a partilha, cada herdeiro responderá solidariamente pelo total.
c) Umaaçãodeexecuçãodevetercomofundamentoumtítuloextrajudicial
específico, uma vez que a legislação condena a cumulação de demandas
executiyas em um mesmo processo.
m
344 QUESTOES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

d) No direito brasileiro, é inadmissível ação de execução contra a fazenda


pública ajuizada com base em título extrajudicial.
e) O instrumento de confissão de dívida originado a partir de contrato de
abertura de crédito não constitui título executivo extrajudicial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Á

O tema da execução é majoritariamente voltado aos dispositivos legais no


que tange aos concursos públicos. Quando o candidato é desafiado a ir além, exige
o conhecimento dos entendimentos jurisprudenciais. Muito pouco de doutrina
é exigido.

Letra Ar CORRETO. Nos termos do art. 784, § Io: “A propositura de


qualquer açáo relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor
de promover-lhe a execução”.
Trata-se das ações autónomas de impugnação ou defesas heterotópicas. São
aquelas exercidas fora do procedimento regular da execução. São ações que po¬
dem ser utilizadas para alterar os elementos da obrigação objeto da execução ou o
próprio título executivo que a materializa. Veiculam matérias prévias prejudiciais
à execução, sendo conexas a esta. Os pedidos de antecipação de tutela nelas for¬
mulados podem servir à suspensão da execução, na medida em que alteram, ainda
provisoriamente, a obrigação ou o título. Ressalte-se que a mera propositura da
ação autónoma não é suficiente à suspensão da execução.

Letra B: ERRADO. Nos termos do art. 796: “O espólio responde pelas


dívidas do falecido,mas, feita apartilha, cadaherdeiro respondepor elas dentro
das forças da herança e na proporção da parte que lhe coube”.
Letra C: ERRADO. Admite-se a cumulação de execuções. Nos termos do
art. 780: “O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em
títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas
seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento”.
Letra D: ERRADO. Há muito já é entendimento jurisprudencial pacífi¬
co a possibilidade de execução de título extrajudicial contra a Fazenda Pública.
Veja-se o enunciado n° 279 da Súmula do STJ: “É cabível a execução por título
37. EXECUçãO EM GERAI 345

extrajudicial contra a Fazenda Pública”. Esta compreensão é agora consagrada


com o art. 910 do novo CPC.

LetraE:ERRADO. Nos termos doenunciado n° 300 da Súmula do STJ:“O


instrumento de confissão de dívida, ainda que originário de contrato de abertura
de crédito, constitui titulo executivo extrajudicial”.

4. (juiz doTrabalho -TRT8 - banca própria - 2015) Marque a alternativa


CORRETA acerca da execução:
a) O credor pode desistir da execução, mas não pode desistir apenas de
algumas medidas executivas, pois o juiz da execução é quem a dirige,
valendo-sede todos os meios legais e possíveis para a satisfação do crédito
exequendo.
b) Na desistência da execução, serão extintos os embargos do devedor,
apenas na parte que versar sobre questões processuais e, nos demais
casos, a extinção dependerá da anuência do embargante.
c) É lícito ao credor, cumular várias execuções, ainda quefundadasem títulos
com devedores diferentes, desde que para todas elas seja competente o
juiz e idêntica a forma do processo.
d) Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro, de acor¬
do com a lei brasileira, para terem eficácia executiva, têm de satisfazer
aos requisitos de formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração,
indicar o B rasil como o Iugar de cumprimento da obrigação e contar com
a homologação do Supremo Tribunal Federal.
e) O sócio pode alegar o benefício de ordem e evitar que a execução recaia
sobre seus bens, nomeandobens da sociedade, sitos namesma comarca,
livres, desembargados e suficientes para pagaro débito exequendo, não
cabendo esse direito ao fiador, eis que sua responsabilidade pela dívida,
por força de lei, é solidária.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Mais uma vez a exigência da banca examinadora se limita aos dispositivos


legais.
Letra A: ERRADO. Nos termos do art. 775, caput, “O exequente tem o
direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma medida executiva”.
346 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra B: CORRETO. Nos termos do art. 775, parágrafo único: “Na desis¬
tência da execução, observar-se-á o seguinte:I- serão extintos a impugnação e os
embargos que versarem apenas sobre questões processuais, pagando o exequente
as custas processuais e oshonorários advocatícios;II- nos demais casos, a extinção
dependerá da concordância do impugnante ou do embargante”.
Letra C: ERRADO. Exige-se que o executado/devedor seja o mesmo.
Nos termos do art. 780: “O exequente pode cumular várias execuções, ainda que
fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para
todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento”.
Letra D: ERRADO. A primeira parte da assertiva está correta. O erro se
dá quando fala na exigência de homologação. Nos termos do art. 784, §§ 2o e 3o:
“§ 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não de¬
pendem de homologação para serem executados. § 3o O título estrangeiro só terá
eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do
lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumpri¬
mento da obrigação”.

Letra E: ERRADO. Em regra, os bens dos sócios não respondem pelas


dívidas da sociedade. Nos termos do art. 795, caput. “Os bens particulares dos
sócios não respondempelas dívidas da sociedade, senão nos casos previstos em lei”.

Por outro lado, cabe ao fiador alegar o beneficio de ordem. Nos termos do
art. 794, caput. “O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro
sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desem¬
bargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora”.

5. (Procurador Autárquico - MANAUSPREV - FCC - 2015 - adaptada) A


execução provisória:
a) não admite de modo algum a prática de atos que importem alienação de
propriedade de bens do executado.
b) fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença
•• objetoda execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados
eventuais prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento.
c) só é possível quando a apelação tenha sido recebida em seu duplo efeito,
devolutivo e suspensivo.
37. EXECUçãO EM GERAL 347

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Aquilo que antes de chamava de execuçãoprovisória está agora regulado no


capítulo referente ao cumprimentoprovisório dasentençaque reconheçaa exigibilidade
de obrigação depagar quantia certa, aplicando-se seus dispositivos, no que couber,
à execução das demais espécies de obrigações (art. 520, § 5o).

Letra A: ERRADO. Nos termos do art. 520, IV: “O cumprimento


provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo
será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao
seguinte regime: (...) IV - o levantamento de depósito em dinheiro e a prática
de atos que importem transferência de posse ou alienação de propriedade ou de
outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado, depen¬
dem de caução suficiente e idónea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos
próprios autos”.
Letra B: CORRETO. Nos termos do art. 520, II: “O cumprimento pro¬
visório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo
será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao
seguinte regime: (...)!! — fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou
anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e
liquidando-se eventuais prejuízos nos mesmos autos; (...)”.
Atente-se que o novo CPC deixade utilizar a expressão “acórdão” constan¬
te no antigo art. 474-0, II e passa a utilizar a expressão “decisão”, dando maior
amplitude à norma inscrita no dispositivo. Não é somente a decisão no acórdão
que pode alterar o título, mas sim qualquer decisão judicial que a ele diga respeito.
Letra C: ERRADO. Para que se fale em cumprimento provisório é necessá¬
rio exatamente que a apelação não seja recebida no efeito suspensivo. Nos termos
do art. 1012, §2°: “Aapelação terá efeito suspensivo. (...)§ 2o Nos casos do § Io
(hipóteses em que a sentença começa a produzir efeitos imediatamente após a sua
348 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

publicação], o apelado poderá promover o pedido de cumprimento provisório


depois de publicada a sentença”.
Letra D: ERRADO. A execução definitiva é a execução do título definitivo,
ou seja, acobertado por coisa julgada material ou extrajudicial. Aexecução de título
extrajudicial é sempre definitiva. A execução de título judicialpode ser definitiva ou
não. Nesse sentido, enunciado n° 317 da Súmula do STJ: “É definitiva a execução
de título extrajudicial, ainda que pendente apelação contra sentença que julgue
improcedentes os embargos”.
A execução provisória é a execução de título provisório, ou seja, aquele que
ainda pode ser substituído face ao julgamento de recurso pendente.
Letra E: ERRADO. Ver comentário à assertiva A.

6. (Juiz Federal -TRF5 - CESPE - 2015) Com referência à execução no


processo civil, assinale a opção correta. m
a) Como resultado da liberdade de contratar protegida pelo direito, não há
impedimento para que particulares criem título executivo extrajudicial
não previsto em lei.
b) A sentença arbitrai independe de homologação judicial e, por isso, é
considerada título executivo extrajudicial
c) Consoante entendimento sumulado do STJ, é com a intimação do devedor
que começa a correr o prazo para cumprimento da obrigação de fazer,
não sendo bastante a intimação do advogado constituído.
d) No curso da execução, o juiz somente pode conhecer da impenhorabi-
lidade do bem se houver alegação da parte.
e) O reconhecimento da fraude à execução pode ser feito nos próprios autos
do processo em curso e importa em declaração de nulidade da alienação
feita.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Excepcionalmente, a questão mescla conhecimentos doutrinários, juris-


prudenciais e dos dispositivos do código. É interessante exatamente por fugir do
padrão das questões sobre execuções.
37. EXECUçAO EM GERAL 349

Letra A: ERRADO. É tradicionalmente reconhecido o princípio da taxa-


tividade dos títulos, somente se admitindo que a lei conceda eficácia executiva a
um título. A vontade das partes náo é suficiente para que haja a criação negociai
de títulos judiciais. Como se disse, é a lição tradicional e prevalecente, devendo
ser seguida pelo candidato nas provas.

Oprincipio da taxatividadedos títulos executivos encontrouplena aplicação


sob a égide do CPC/73. Deve-se atentar o candidato, todavia, que sob a égide do
novo código, é de se questionar a sua incidência face à consagração do autorre-
gramento da vontade no processo e à cláusula geral negociai do art. 190 do CPC.
Contudo, esta posição ainda é minoritária.

Letra B: ERRADO. A sentença arbitrai é considerada título executivo


judicial. Nos termos do art. 515, VII: “Art. 515. São títulos executivos judiciais,
cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: (...)
VII- a sentença arbitrai; (..
Letra C: CORRETO. Trata-se da do enunciado n° 410 do STJ: “A prévia
intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de
multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”.
A simples leitura do enunciado não é suficiente, todavia, para compreensão
da assertiva. É necessário conhecer o conteúdo dos julgados que serviram de origem
a ele. Em todos eles consta o entendimento de que a parte a quem se destina a ordem
de fazer ou não fazer deve ser pessoalmente intimada da decisão cominatória, espe¬
cialmente quando há fixação de astreintes (para todos: AgR no Agin° 774.196-RJ).
Letra D: ERRADO. A lição tradicional e prevalecente é a de que as regras
de impenhorabilidade são de ordem pública, protegendo não só o devedor, mas
a própria higidez do procedimento executivo. Assim, possível que o magistrado
delas conheça sem manifestação do interessado. Nesse sentido, os Tribunais têm
reconhecido amplamente a possibilidade de reconhecimento de ofício de causas
de impenhorabilidade (verSTJ,AgRgnoAREsp 55742-RS). Corrobora com este
entendimento o art. 832 do CPC: “Art. 832. Não estão sujeitos à execução os bens
que a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis”.

LetraE:ERRADO. Aalienação ou oneração de bempromovida em fraude à


execução não é nula, mas sim ineficaz em relação ao exequente. Nos termos do art.
792, § 1°: “A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente”.
350 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

7. (Juiz de Direito -TJGO - FCC - 2015) Marcos ajuizou ação no âmbito


da qual Renan foi condenado, em primeira instância, a pagar-lhe R$
10.000,00. Contra a sentença, Renan interpôs recurso de apelação,
recebido apenas no efeito devolutivo. Antes do trânsito em julgado,
Marcos requereu a execução provisória da sentença. A execução pro¬
visória:
a) será autuada nos próprios autos, devendo ser decidida peio tribunal,
quando do julgamento da apelação.
b) depende de caução idónea para que tenha início, a qual pode ser dispen¬
sada, dentre outros, no caso de crédito de natureza alimentar, até o limite
de sessenta salários mínimos, se o exequente demonstrar necessidade.
' ' ' ' v'
' • • .. ''' '
. • •; :
c) deverá ser indeferida de plano, pois, antes do trânsito em julgado, ine-
xiste liquidez e certeza quanto ao título judiciai, que não pode, por isto,
embasar a execução.
d) depende de caução idónea para que tenha início, a qual não pode ser
dispensada em nenhuma hipótese.
; e) correrá por conta e responsabilidade de Marcos, que deverá, em caso de
reforma da sentença, repararosdanos que Renan houver experimentado,
cuja liquidação será feita nos mesmos autos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Aquilo que antes de chamava de execuçãoprovisória está agora regulado no


capítulo referente ao cumprimentoprovisório dasentença quereconheçaaexigibilidade
de obrigação depagar quantia certa, aplicando-se seus dispositivos, no que couber,
à execução das demais espécies de obrigações (art. 520, § 5o).

Letra A: ERRADO. O cumprimento provisório da sentença respeita as


mesmas regras de competência do julgamento definitivo. Ou seja, o cumprimento
provisório deverá ser processado nos termos do art. 516. Assim, é possível que o
processo principal esteja no Tribunal aguardando julgamento e o cumprimento
provisório esteja sendo processado pelo juiz que decidiu a causa no primeiro grau
de jurisdição. Por isso, o cumprimento provisório não será processado nosmesmos
autos da ação originária. O art. 522 aponta, inclusive: "O cumprimento provisório
da sentença será requerido por petição dirigida ao juízo competente [art. 516].
37. EXECUçãO EM GERAL 351

Parágrafo único. Não sendo eletrónicos os autos, a petição será acompanhada de


cópias das seguintes peças do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada
pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal:I- decisão exequenda;
II — certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo; III —
procurações outorgadas pelas partes; IV - decisão de habilitação, se for o caso;
V — facultativamente, outras peças processuais consideradas necessárias para
demonstrar a existência do crédito”.
Letra B: ERRADO. O cumprimento de sentença provisório somente exi¬
ge caução nas hipóteses do art. 520, IV. Sendo possível a dispensa da caução nos
termos do art. 521. Ver comentários à assertiva D.

Letra C: ERRADO. A execução definitiva é a execução do título definitivo,


ouseja, acobertado por coisa julgada material ou extrajudicial. A execução de título
extrajudicial é sempre definitiva. A execução de título judicial pode ser definitiva
ou não. A execuçãoprovisória é a execução de títuloprovisório, ou seja, aquele que
ainda pode ser substituído face ao julgamento de recurso pendente. Trata-se de
hipótese expressamente prevista no CPC (arts. 520 e ss.).
LetraD:ERRADO. Admite-se a exigência de caução na execução provisó¬
ria, nos termos do art. 520, IV: “IV - o levantamento de depósito em dinheiro e a
prática de atos que importem transferência de posse ou alienação de propriedade
ou de outro direito real, ou dos quais possa resultar grave dano ao executado,
dependem de caução suficiente e idónea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada
nos próprios autos”.

Esta caução, todavia, pode ser dispensada nos termos do art. 521: “ A
caução prevista no inciso IV do art. 520 poderá ser dispensada nos casos em
que:I- o crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem;
II- o credor demonstrar situação de necessidade; III- pender o agravo do art.
1.042; IV - a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância
com súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior
Tribunal deJustiça ou em conformidade com acórdão proferido no julgamento
de casos repetitivos”.

Letra E: CORRETO. Nos termos do art. 520, 1: “O cumprimento


provisório da sentença impugnada por recurso desprovido de efeito suspensivo
será realizado da mesma forma que o cumprimento definitivo, sujeitando-se ao
352 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

seguinte regime:I- corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que


se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja
sofrido;

O dispositivo consolida o princípio da responsabilidade objetiva na execu¬


ção. O exequente responde objetivamente pelos danos indevidamente causados
ao executado. Diz-se que a execução corre por conta e risco do exequente. Não é
necessário provar a culpa do exequente, mas apenas a existência do dano indevido
e o nexo causal entre ele e a execução indevida.
sQ
38

Execução para Entrega de Coisa

1 . (Advogado - 1NEA-RJ - FGV - 2013 - adaptada) A respeito da execução


para entrega de coisa, analise as afirmativas a seguir.
I. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título
executivo extrajudicial, será citado para, dentro de dez dias, satisfazer a
obrigação ou, segundo o juízo, apresentar embargos.
II. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título
executivo extrajudicial, caso não satisfaça a obrigação no prazo que lhe
foi designado, pode sofrer atos constritivos imediatamente.
' '
'

III. Na execução que recaia sobre coisas determinadas pelo gênero e quan¬
tidade, o devedor será citado para entregá-las individualizadas, pois
sempre lhe cabe a escolha.
Assinale:
a) se somente a afirmativa 111 estiver correta.
H
IH

b) se somente as afirmativas 11 e 111 estiverem corretas.


0 se somente a afirmativa
d) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
e) se somente a afirmativa I estiver correta.
354 QUESTÕES COMENTADAS ~ NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Questão que ao tempo de sua cobrança gerou grande confusão. É que o art.
621 fazia referência direta ao art. 737,IIdo CPC/73, já revogado desde a reforma
promovidapelalein° 11.382/06, a partir da qual já não mais se exigiu a garantia do
juízo para apresentação de Embargos à Execução Civil. De toda forma, é possível
a solução da questão com base nos ditames do novo CPC.

ItemI:ERRADO. Além de ser dispensada a garantia do juízo para o manejo


dos Embargos à Execução (art. 914), o prazo para satisfação da obrigação é de
quinze dias. Nos termos do art. 806, caput. “O devedor de obrigação de entrega
de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será citado para, em 15
(quinze) dias, satisfazer a obrigação”.
Item II: CORRETO. Nos termos do novel art. 806, § 2o ao consagrar o
princípio da efetividade: “Do mandado de citação constará ordem para imissão
na posse ou busca e apreensão, conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo
cumprimento se dará de imediato, se o executado não satisfizer a obrigação no
prazo que lhe foi designado”.
ItemIII:ERRADO. Nem sempre a escolha caberá ao executado. Épossível
que o negócio haja estabelecido que a escolha cabe ao credor ora exequente. Nos
termos do art. 811: “Quando a execução recair sobre coisa determinadapelo gênero
e pela quantidade, o executado será citado para entregá-la individualizada, se lhe
couber a escolha. Parágrafo único. Se a escolha couber ao exequente, esse deverá
indicá-la na petição inicial”.

2. (Analista judiciário -TRT7 - FCC - 2009) O devedor de obrigação de


entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será
citado para, dentro de:
a) cinco dias, satisfazer a obrigação ou apresentar embargos no prazo de
quinze dias, contados da juntada aos autos do mandado de citação,
independentemente do juízo estar seguro.
b) quinzediás, satisfazeraobrigaçãoou, seguroojuízo, apresentar embargos.
c) quinze dias, satisfazer a obrigação ou apresentar embargos no prazo
de quinze dias, contados da juntada aos autos do mandado de citação,
independentemente do juízo estar seguro.
38. EXECUçãO PARA ENTREGA DE COISA 355

d) cincòdiás, satisfazer a obrigação ou, seguroo juízo, apresentar embargos.


e) três dias, satisfazer a obrigação ou, seguro o juízo, apresentar embargos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

O novo CPC não promoveu grandes mudanças no tema referente à execução


das obrigações de entregar coisa. As questões tendem a se manter como antes já eram
apresentadas, exigindo do candidato a ieitura dos dispositivos e a memorização
dos prazos e condições de promoção da execução. A solução da questão pode ser
encontrada pela combinação dos artigos 806, caput e 915, caput do CPC. Uma
novidade que merece destaque é que o prazo para o cumprimento da obrigação,
após a citação, passou de dez para quinze dias.
Art. 806, caput. “O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante
de título executivo extrajudicial, será citado para, em 15 (quinze) dias, satisfazer
a obrigação”. Incorretas as assertivas A, D e E.

Art. 915, caput. “Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze)


dias, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. (...)”. IncorretaaassertivaB.

3. A respeito da Execução das Obrigações de EntregarCoisa Incerta, assinale


verdadeiro ou falso:
A jurisprudência do SuperiorTribunal de Justiça não admite a concessão
deliminar cautelar para que devedor se abstenhadealienarindetermina-
damente objetos que servirão ao adimplemento de obrigação a ser paga
através da cessão debens definidos somente pelo gênero e quantidade. É
requisito para a medida acautelatória que haja a efetiva individualização
da coisa pelo devedor.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

O tema relativo à entrega de coisa incerta exige do candidato também


conhecimentos específicos acerca do direito material. O art. 811 do CPC trata
356 -
QUESTÕES COMENTADAS NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

da execução de obrigação de dar coisa incerta. No Direito Civil, a regra é a con¬


centração da obrigação pelo devedor (CC, art. 244), conquanto seja possível, nos
termos do negócio, a escolha ficar a cargo do credor. A concentração da obrigação
é a técnica de individualização da coisa determinada “pelo gênero e pela quantida¬
de”. É estágio prévio à execução que recairá sobre a coisa, pois se exigirá a entrega
de coisa certa. Cumprindo a escolha ao executado, incide a regra do art. 244,
segunda parte, do CC, no sentido de que “não poderá dar a coisa pior”, devendo
entregá-la em quinze dias, conforme o art. 806 do CPC, aplicável à execução de
coisa incerta (CPC, art. 813).

Deve-se rememorar que os conceitos de coisa incerta e coisa fungível não


se confundem. A fiingibilidade refere à substitutividade de coisa certa. A coisa,
quando já individualizada em espécie, quantidade e qualidade, se puder ser subs¬
tituída por outra igual, é fungível (art. 85 do CC). Já a coisa incerta somente está
determinada pelo gênero e pela quantidade, variando a qualidade. Este estado de
incerteza é transitório, pois que para o adimplemento da obrigação exigir-se-á a
individualização. Assim, coisaincerta, quando individualizada,podeser fungível ou
infungível. As classificações não se confundem, conquanto sejam complementares.
A questão em comento abordou, contudo, entendimento jurisprudencial
a respeito da proteção do bem que será objeto de futura individualização. Nesse
sentido o STJ decidiuno REsp 1.313.270/MG poradmitiraconcessão de liminar
cautelar para que devedor se abstenha de alienar indeterminadamente objetos que
servirão ao adimplemento de dívida a ser paga através da cessão de bens definidos
somente pelo gênero e quantidade, enquanto não houver individualização destes
pelo devedor. Assim, a individualização prévia dos bens não é requisito necessário
à concessão da medida cautelar que protejao objeto da execução de obrigação para
entrega de coisa. Falsa a assertiva apresentada a julgamento.

4. -
(Oficial de Justiça -TRF3 - FCC 2015 - adaptada) A respeito da exe¬
cução para entrega de coisa certa, considere:
I. Se o devedor não entregar nem depositar a coisa, consistente em bem
móvel, nem tiver admitidos embargos à execução, com efeito suspensivo,
expedir-se-á, em favor do credor, mandado de imissão na posse.
II. Se terceiro adquirir a coisa, quando já litigiosa, expedjr-se-á mandado
contra ele (terceiro), que será ouvido apenas depois de depositá-la.
38. EXECUçãO PARA ENTREGA DE COISA 357

III. O devedordeobrigaçãoconstantedetítuíoextrajudiciai será citado para


satisfazer a obrigação em quinze dias.
IV. Para evitar o descumprimento da obrigação, poderá o juiz, desde que
a requerimento do exequente, fixar multa, cujo valor será revertido ao
credor a fim de compensá-lo por perdas e danos.
De acordo com o Código de Processo Civil, está correto o que consta APENAS em:
a) I e 11.
b)
c, Miem.

e) IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

Mais uma vez exige-se do candidato o conhecimento a respeito dos termos


legais sobre o tema. Assim:
ItemI: ERRADO. Ainda sob a égide do CPC/73 o item estava errado por
desrespeitar o antigo art. 625. A partir do novo CPCo item commuitomais razão
está incorreto. É que a imissão na posse (bemimóvel) ou a busca e apreensão (bem
móvel) se dá de forma imediata caso o executado não preste no prazo designado.
Nos termos do art. 806, § 2o: “Do mandado de citação constará ordem para imissão
na posse ou busca e apreensão, conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo
cumprimento se dará de imediato, se o executado não satisfizer a obrigação no
prazo que lhe foi designado”.
ItemII: CORRETO. Nos termos do art. 808: “Alienada a coisa quando já
litigiosa, será expedido mandado contra o terceiro adquirente, que somente será
ouvido após depositá-la”.
Item III: CORRETO. Trata-se de uma alteração promovida pelo novo
CPC. Agora o devedor tem um prazo de quinze dias para satisfazer a obrigação. No
regime anterior (art. 621 do CPC/73) este prazo era de dez dias. É preciso atentar
a esta alteração que tende a ser bastante cobrada. Nos termos do art. 806, caput
358 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

“O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo


extrajudicial, será citado para, em 15 (quinze) dias, satisfazer a obrigação”.
Item IV: ERRADO. Não se exige requerimento do credor para que o ma¬
gistrado fixe multa diária pelo atraso no cumprimento da obrigação. Nos termos
do art. 806, § 1 “Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multapor diade atraso
no cumprimento da obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso
se revele insuficiente ou excessivo”.
39

Execução de Obrigações
de Fazer e não Fazer

t. (Juiz doTrabalho-TRT23-FCC-2015 -adaptada) Um profissional, tendo


sido contratado para realização de serviços de pintura em umá residência,
não cumpriu a obrigação. Citado em execução de obrigação de fazer,
também não cumpriu o acordo. Nesse caso, poderá o exequente requerer
ao juiz:
a) què o serviço seja prestadoporterceiro, à custa do executado, adiantando
este as quantias previstas na proposta que o juiz houver aprovado, entre
aquelas apresentadas pelo exequente, independentemente de audiência

a reahÿaçãode uma licitação porcritérió de técnica epreço para escolha


« deterceiÿuarcaliaarãoUiço.ãcuatadodevZÿ
c) somente a conversão da obrigação em perdas e danos, que serão apuradas
em liquidação, «guindo*. a.exeçuçãopara cobrança dequantia certa.
d) apenas a imposição de multa diária, até que o serviço seja iniciado, e, se

SSSíSZKSS:
" partes, o juiz houver aprovado.
ssr.*
360 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito; E

É muito importante conhecer os dispositivos codificados a respeito da


execução. Trata-se de um dos temas de processo civil onde mais se exige a letra
pura da lei. Esta questão é um exemplo disso c se toma difícil se o candidato
não tomar cuidado com o procedimento para realização das obrigações de fazer
por terceiro.

Ainda que o executado deva arcar com os custos relativos à satisfação da


obrigação de fazer não personalíssima (art. 816), estes valores são adiantados
pelo próprio exequente. São os termos do art. 817: “Art. 817. Se a obrigação
puder ser satisfeita por terceiro, é lícito ao juiz autorizar, a requerimento do
exequente, que aquele a satisfaça à custa do executado. Parágrafo único. O
exequente adiantará as quantias previstas na proposta que, ouvidas as partes,
o juiz houver aprovado”.

2. - -
(Defensor Público DPE-PB - FCC - 2014 adaptada) Quanto às exe¬
cuções das obrigações de fazer e de não fazer, é INCORRETO afirmar:
a) Se o terceiro contratado não realizar a prestação no prazo, ou se o fizer
de modo incompleto ou defeituoso, poderá o credor requerer ao juiz,
no prazo de 15 dias, que o autorize a concluída, ou a repará-la à custa
do contratante.
b) Quando o objeto da execução for obrigação de fazer, o devedor será
titado para satisfazê-la no prazo que o juiz lhe assinar, se outro não
estiver determinado no título executivo. tags
c) Se a obrigação puder sér satisfeita por terceiro, é lícito ao juiz autorizar, a
requerimento do exequente, que aquele satisfaça à custa doexecutado.
d) Nas obrigações de fazer, quando for convencionado que o devedor o
faça pessoalmente, o juiz fixará em regra o prazo de trinta dias para
seu cumprimento, podendo aumentar esse prazo de acordo com a
complexidade da obra. •

e) Se o credor quiser executar, ou mandar executar, sob sua direção e


Vigilância, as obras e trabalhos necessários à realização da prestação,
terá preferência, em igualdade de condições de oferta, ao terceiro.
39. EXECUçãO OE OSRICAçõES DE FAZER E NAO FAZER 361

COMENTÁRIOS
Gabarito: D
Mais uma vez o examinador exige somente o conhecimento dos dispo¬
sitivos legais.
Letra A: CORRETO. Nos exatos termos do art. 819, caput.
Letra B: CORRETO. Nos exatos termos do art. 815.

Letra C: CORRETO. Nos termos do art. 817, caput.


Letra D: ERRADO. A lei náo define um prazo de maneira prévia. Trata-se
de prazo a ser firmado pelo magistrado de acordo comas nuances do caso concreto.
Nos termos do art. 821, caput. “Na obrigação de fazer, quando se convencionar
que o executado a satisfaça pessoalmente, o exequente poderá requerer ao juiz que
lhe assine prazo para cumpri-la”.
Letra E: CORRETO. Nos termos do art. 820, caput.

: forçar o cumprimento da tutela depende de requerimento da parte.


b) A lei enumera taxativamente as providências que o juiz pode determinar
para obter do devedor o cumprimento específico da obrigação.
c) E obrigatório ao juiz fixar astreintes no caso de o devedor não cumprir de¬
terminação judieial como forma de garantir a efetividade do título judicial.
d) É vedada a fixação de astreintes contra pessoa jurídica dedireito público.
e) Nas ações cominatórias de obrigação de fazer ou não fazer, caso não
seja possível cumprir a obrigação; será permitida a substituição da tutela
específica pela condenação em perdas e danos.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Incide na execução oprincípio daprimazia da tutela específica. A execução


deve proporcionar ao credor o adimplemento da obrigação pelo seu objetooriginal,
seu objeto específico, da forma que seria caso houvesse o cumprimento espontâneo.
362 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Nos termos do art. 498, capuf. “Na ação que tenha por objeto a entrega de
coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento
da obrigação”.
Letra A: ERRADO. A fixação ou alteração do valor ou periodicidade das
astreintes não depende de requerimento da parte. O magistrado pode fazê-lo de
ofício. Especificamente sobre a fixação da multa, afirma o art. 537, caput, que
“A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de
conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ouna fase de execução, desde
que seja suficiente e compatível coma obrigação e que se determine prazo razoável
para cumprimento do preceito”. Acerca da alteração do valor, afirma o § Io do art.
537, que “O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a
periodicidade da multavincenda ou excluí-la”.
LetraB:ERRADO.Nãohátaxatívídade. Orolapresentado pelo art. 536, § Io
é exemplificativo: “Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar,
entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de
pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva,
podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de força policial”. Pode ainda ser
mencionado o caput ào art. 497, segundo o qual “Na ação que tenhapor objeto
a prestação de fazer ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá
a tutela específica ou determinaráprovidências que assegurem a obtenção de
tutela pelo resultado prático equivalente”.

Letra C: ERRADO. O princípio que rege a definição das medidas execu-


tórias é oprincípio da adequação. Não há uma medida previamente imposta pelo
legislador. Assim, nos termos do rol do art. 536, § Io, tratam-se de medidas que
podem ser impostas, além de outras, adependerdo que o caso concreto demonstrar
mais adequado para atingir o adimplemento. Pode ainda ser mencionado o caput
do art. 497, segundo o qual “Na ação que tenhapor objeto a prestação de fazer
ou de não fazer, o juiz, se procedente o pedido, concederá a tutela específica ou
determinaráprovidências que assegurem a obtenção de tutela pelo resultado
prático equivalente”.
Letra D: ERRADO. A jurisprudência é tranquila em admitir a fixação de
astreintes contra a Fazenda Pública (ver AgRg no AREsp 267358-CE). Ainda, o
capítulo do novo CPC que tratado temanão excepciona a Fazenda Pública quanto
à aplicação das técnicas de execução indireta.
39. EXECUçãO DE OBRIGAçõES DE FAZE» E NãO FAZER 363

Letra E: CORRETO. O credor tem o direito de exigir o cumprimento da


obrigação pelo seu objeto específico. Por isso a conversão da obrigação em perdas
e danos é medida residual, quando não mais possível o adimplemento específico
da obrigação originária ou quando não mais desejá-la o credor. Este princípio é
concretizado nas regras inscritas nos artigos 497 a 499. Aqui há de se observar o
regramento do direito material das obrigações: o credor tem direito de requerer a
tutela específica. Está só não será realizada por opção do credor ou no caso de se
tornar impossível.

Nos termos do art. 499: “A obrigação somente será convertida em perdas


e danos se o autor o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de
tutela pelo resultado prático equivalente”.

4. (Juiz Substituto -TJPE - VUNESP - 2014) A multa fixada em ação tendo


como objeto o cumprimento de obrigação de fazer:
a) fica prejudicada caso convertida a obrigação em indenização por perdas
e danos.
b) pode ser alterada na fase de cumprimento de sentença; caso se revele
insuficiente ou excessiva.
c) pode ser modificada somente até o trânsito em julgado da sentença que

d) não pode ser alterada de ofício pelo Juiz. ; v

e) não pode ser alterada se a decisão liminar que a fixar não for objeto de
recurso, pois sujeita-se à preclusão.

COMENTÁRIOS

Gabarito: B

O tema relacionado às multas impostas como técnica de coerção indireta


nas obrigações de fazer e não fazer está regulado no novel art. 537 do CPC, apre¬
sentando algumas diferenças no regramento anterior.
Letra A: ERRADO. A aplicação da multa como forma de coerção respeita
à adequação desta medida visando o cumprimento da obrigação. Em regra, tra-
364 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

de modalidade efetiva e adequada nas obrigações de fazer e não fazer, não


ta-se
havendo falar em prejuízo dos valores vencidos caso a obrigação seja convertida
em perdas e danos.

Letra B: CORRETO. Trata-se da interpretação em conjunto do caput e


§ Io,I do art. 537 do CPC: “Art. 537. A multa independe de requerimento da
parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na
sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a
obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito. § 1° O
juiz poderá, de ofício ouarequerimento,modificar o valorouaperiodicidade
damultavincenda ou excluí-la, caso verifique que:I- se tomou insuficiente
ou excessiva;

Letra C:ERRADO.Não há preclusão ou coisa julgada a respeito da fixação


damulta. Ela pode ser alterada mesmo após o trânsito em julgado da sentença. Esta
interpretação decorre dos dispositivos citados nos comentários à assertiva anterior.
Além disso, trata-se de entendimento jurisprudencial tranquilo que o valor da
multa diária fixada não faz coisa julgada material e não se submete a preclusão,
podendo ser revisto a qualquer tempo pelo magistrado. É que se há possibilidade
de o magistrado impor a multa de ofício não seria razoável vedar a sua alteração.
Nesse sentido, o REsp 1.019.455-MT.

Letra D; ERRADO. Ê possível a fixação e alteração da multa de ofício


pelo magistrado. Nesse sentido o § Io do art. 537: “ O juiz poderá, de ofício ou
a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade damultavincenda ou
excluí-la, caso verifique que (...)”.

Letra E: ERRADO. Não há falar em preclusão, nos termos daquilo que foi
analisado a respeito das assertivas B e C.

5. (Notário-TJBA-CESPE-2013-adaptada) Um devedorfoi citado para


cumprir, no prazo de 1 5 dias, obrigação de fazer fungível, prevista em
título executivo extrajudicial.
Com base nessa situação hipotética e na legislação de regência, é correto
afirmar que:
a) a oposição de embargos à execução não poderia ser feita pelo devedor
antes do cumprimento da obrigação.
39. EXECUçãO DE OBRIGAçõES DE FAZER E NãO FAZER 365

b) o credor poderia optar pela conversão da obrigação em perdas e danos


se, no prazo fixado, o devedor não satisfizesse a obrigação.
c) o juiz poderia fixar, de ofício, multa pelo descumprimento da obrigação
no prazo fixado, desde que houvesse previsão para essa medida no título
executivo. ~MjsVj "•
d) a prestação da obrigação por um terceiro, às expensas do devedor, não
seria possível em virtude da natureza da obrigação.
e) a fixação de multa por dia de atraso pelo juiz no mandado de citação
dependeria da existência de solicitação nesse sentido pelo exequente.

COMENTÁRIOS
Gabarito: 8

A execução das obrigações de fazer ou não fazer consignada em títulos


executivos extrajudiciais sofreu poucas alterações com o novo CPC. O tema está
regulado agora nos arts. 8 14 a 823 do novo código.
Letra A: ERRADO. Trata-se de uma contradição lógica. É que o manejo
da defesa na Execução de Título Executivo Judicial - na forma de Embargos à
Execução - se dá exatamente nas hipóteses em que não se verifica o cumprimento
espontâneo face à irresignação do executado. Assim, só há falar em Embargos se
não houver cumprimento da obrigação de forma espontânea.

LetraB: CORRETO.Nos termos do art. 8 16 do CPC:“Se o executado não


satisfizer a obrigação no prazo designado, é lícito ao exequente, nos próprios autos
do processo, requerer a satisfação da obrigação à custa do executado ou perdas e
danos, hipótese em que se converterá em indenização. (. .)”. .
Letra C: ERRADO. Para que o magistrado fixe de oficio a multa não é ne¬
cessário que haja sua previsão no título. O candidato deve ter cuidado na análise da
assertiva,pois sua primeira parte está correta. O erro estána parte final. Em verdade,
havendo previsão da multa no próprio título o magistrado, verificando tratar-se de
valor excessivo, poderá reduzi-lo de ofício. Nos termos do art. 814 do CPC: “Na
execução de obrigação de fazer ou de não fazer fundada em título extrajudicial,
ao despachar ainicial,o juiz fixarámultapor período de atraso no cumprimento
da obrigação e a data a partir da qual será devida. Parágrafo único. Se o valor da
multa estiver previsto no título e for excessivo, o juiz poderá reduzi-lo”.
366 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra D: ERRADO. Trata-se de prestação fungível, incidindo o art.


817, caput do CPC: “Se a obrigação puder ser satisfeita por terceiro, é lícito
ao juiz autorizar, a requerimento do exequente, que aquele a satisfaça à custa
do executado. (...)”,
Letra E: ERRADO. A multa independe de requerimento do exequente. É
possível sua fixação de ofício, nos termos do art. 814 colacionado nos comentários
à assertiva C.

6. (Notário -TJPE - FCC - 2013) Na ação que tenha por objeto o cum¬
primento de obrigação de fazer ou não fazer para a defesa dos direi¬
tos e interesses protegidos pelo Código de Defesa do Consumidor,
o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará
providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do
adimplemento. A conversão da obrigação em perdas e danos será
admissível se:
a) for impossível a tutela específica, apenas.
b) por elas optar o autor, apenas.
c) por elas optar o autor ou se impossível a tutela específica ou a obtenção
do resultado prático equivalente.
d) for impossível a obtenção do resultado prático equivalente, apenas.
. .. v . .
e) for impossível a tutela específica ou obtenção do resultado prático equi¬
valente, apenas.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

É muito comum a abordagem nos concursos do tema referente à possi¬


bilidade da conversão da obrigação de fazer ou não fazer em perdas e danos. A
questão ora comentada aborda o tema de forma direta e simples, tentando somente
confundir o candidato com jogo de palavras. A solução está no art. 499 do CPC:
“Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor
o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo
resultado prático equivalente”.
39. EXECUçãO DE OBRIGAçõES DE FAZER E NAO FAZER 367

É importante, todavia, notar que o art. 499 trata das hipóteses em que se
admite a conversão da obrigação em perdas e danos, servindo de fundamento
para o exercício desta posição pelo credor. Não se deve confundir aqui com o art.
816, onde se admite que se o executado não satisfizer a obrigação de fazer ou não
fazer através da prestação específica no prazo designado, é lícito ao exequente, nos
próprios autos do processo, requerer a satisfação da obrigação à custa doexecutado
ou, alternativamente, sua conversão em perdas e danos, hipótese em que se con¬
verterá em indenização. Trata-se de situação específica fundamentada exatamente
na norma inscrita no art. 499. Correta assim a assertiva C.
Or
40

Execução por Quantia Certa

C>

d)
SÿEnÿ1"3550 “° d° iUd'da' Pre5endalmente' °
Não será aceito lance que ofereça preço viI. Todavia, o novo OPC segue
sem definir o que se considera "preço vil" para fins de arrematação do
bem em leilão judicial.
e) Na hipótese de adjudicação, no caso de penhora de bem hipotecado, o
executado poderá remi-lo mesmo após assinatura do auto de adjudicação

se houver.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Espedalmente no tema da execução há uma forte tendência de as bancas


cobrarem eminentemente o texto da lei. Isso se reforça com o novo CPC, espe-
dalmente face à cobrança das novidades por ele trazidas.
40. EXECUçãO POR QUANTIA CERTA 369

Letra A: ERRADO. O novo CPC promoveu uma alteração no tratamento


da expropriação. O novel art. 825 dispõe o seguinte: “A expropriação consiste
em:I— adjudicação; II- alienação; III- apropriação de frutos e rendimentos de
empresa ou de estabelecimentos e de outros bens”. Não se fala mais em “usufruto
de bem móvel ou imóvel” como fazia o CPC/73.
Letra B: CORRETO. O novo CPC inova ao não mais falar em hastapú¬
blica. O legislador preferiu substituir o termo por leilãojudicial, que pode ocorrer
de forma eletrónica oupresencial, tendo por objeto bens móveis ou imóveis. Nos
termos do art. 879: “A alienação far-se-á:I-por iniciativaparticular;II- emleilão
judicial eletrónico oupresencial”.
Letra C: ERRADO. O legislador de 2015 elegeu como forma preferencial
para a alienação do bem o leilão judicialeletrónico. Somente se este não puder ser
realizado é que o leilão será presencial. Nos termos do art. 882, caput. “Não sendo
possível a sua realização por meio eletrónico, o leilão será presencial”.
Letra D: ERRADO. De fato, não será admitido lance que ofereça
preço vil pelo bem. Todavia, o novo CPC prevê o que se considera preço vil,
tratando-se agora de um conceito legal. Nos termos do art. 891: “Não será
aceito lance que ofereça preço vil. Parágrafo único. Considera-se vil o preço
inferior ao mínimo estipulado pelo juiz e constante do edital, e, não tendo
sido fixado preço mínimo, considera-se vil o preço inferior a cinquenta por
cento do valor da avaliação”.

Letra E: ERRADO. O art. 1072,II do novo CPC revogou os arts. 1482 e


1483 do Código Civil. As regras ali inscritas foram incorporadas pelos §§ 3o e 4o
do art. 877 do CPC. A assertiva em comento exigia exatamente o conhecimento
do § 3o do art. 877: “No caso de penhora de bem hipotecado, o executado poderá
remi-lo até a assinatura do auto de adjudicação, oferecendo preço igual ao da
avaliação, se não tiver havido licitantes, ou ao do maior lance oferecido”.

2. (Procurador de Contas -TCE-CE - FCC - 2015 - adaptada) Em relação


à execução por quantia certa contra devedor solvente, considere:
I. O seguro de vida é impenhorável.
II. Cabe ao exequente, na inicial da execução, indicar sempre que possível
bens do devedor a serem penhorados.
370 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

III. SeoOficialdeJustiçanãoencontraro devedor, arrestar-lhe-á tantos bens


quantos bastem para garantir a execução.
IV. Recaindo a penhora em dinheiro, em espécie ou em depósito ou em
aplicação financeira, será intimado também o cônjuge do executado.
V. Tratando-se de penhora em bem divisível, a meação do cônjuge alheio
à execução recairá sobre o produto da alienação do bem.
Está correto o que se afirma APENAS em:
a, I,w.i; - " :
b) II, III, IV eV.
c) I, IV e V.
d) II, III e IV.
e) I eV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

No exame da execução por quantia certa é importante que o candidato


esteja atentotambém às medidas constritivas que podem ser ordenadas contra o
devedor. Os temas quase sempre são associados nas provas objetivas. É o caso da
questão em comento.
Item I: CORRETO. Nos termos do art. 833, VI: “Art. 833. São impenho-
ráveis: (...) VI - o seguro de vida; (...)”.

ItemII: CORRETO. Nos termos do art. 798, II, c: “Art. 798. Ao proporá
execução, incumbe ao exequente: (...) II- indicar: (...) c) os bens suscetíveis de
penhora, sempre que possível”.
Item III: CORRETO. Nos termos do art. 830, capup. “Se o oficial de jus¬
tiça não encontrar o executado, arrestar-lhe-á tantos bens quantos bastem para
garantir a execução”.

Item IV: ERRADO. Somente se exige a comunicação do cônjuge caso a


penhora recaia sobrebem imóvel ou direito real sobre imóvel. Nos termos do art.
842: “Recaindo a penhora sobre bem imóvel ou direito real sobre imóvel, será
40. EXECUçãO POR QUANTIA CERTA 371

intimado também o cônjuge do executado, salvo se forem casados em regime de


separação absoluta de bens”.
Item V: ERRADO. O item está errado do mencionar bem divisível. O
correto seria falar em bem indivisível, nos termos do art. 843, caput-. “Tratando-se
de penhora de bem indivisível, o equivalente à quota-parte do coproprietário ou
do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem”.

3. (juiz Substituto - TJRR - FCC-2015) Nasex lantia certa


contra devedor solvente:
a) são impenhoráveís os frutos e rendi ilienáveis, em
qualquer hipótese, por sua natureza.
b) é absolutamente impenhorávei qualquer quantia de caderneta
de poupança, desde que única.
c) o conceito de impenhorabilidade do bem de família abrange o imóvel
pertencente às pessoas viúvas e divorciadas, mas não a alteiros.

e) é legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial.

COMENTÁRIOS
Gabarito: F

Mais uma vez o examinador aborda as medidas constritivas que podem ser
promovidas contra o devedor de obrigação de pagar quantia certa.
Letra A: ERRADA. Nos termos do art. 834: “Podem ser penhorados, à falta
de outros bens, os frutos e os rendimentos dos bens inalienáveis”.
Letra B: ERRADA. Nos termos do art. 833, X: “São impenhoráveís: (...)
X- a quantia depositada em cadernetade poupança, até o limite de 40 (quarenta)
salários mínimos; (...)”.
Letra C: ERRADA. Nos termos do enunciado n° 364 da Súmula do STJ:
“O conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel
pertencente a pessoas solteiras, separadas e viúvas”.
372 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra D: ERRADA. Nos termo do enunciado n° 328 da Súmula do STJ:


“Na execução contra instituição financeira, é penhorável o numerário disponível,
excluídas as reservas bancárias mantidas no Banco Central”.
Letra E: CORRETA. Nos termos do enunciado n° 451 da Súmula do STJ:
“É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial”. O art. 862 do novo
CPC admite também esta possibilidade.

4. (Procurador do Município- PGM-Niterói- FGV-2014) Assinale a opção


que indica o momento processual adequado para que o julgador fixe, de
plano, os honorários advocatícios devidos pelo executado, quando se
tratar de execução por quantia certa contra devedor solvente, com base
em título executivo extrajudicial.
a) Após o cumprimento da obrigação.
b) Ao sentenciar o feito.
c) Após a citação, se houver resistência.
d) Na decisão saneadora do feito.
e) Ao despachar a inicial.
S#ti

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Afixação dos honorários advocatícios deve respeitar dois princípios regentes:


o princípio da sucumbência e o princípio da causalidade. Nas execuções de títulos
extrajudiciais que materializam obrigações de pagar quantia certa a fixação deho¬
norários é regida eminentemente pela causalidade. E que o devedor inadimplente
dá azo à interferência do Poder Judiciário na materialização da tutela executiva.
Assim, já no despacho dainicialcabe ao magistrado fixar honorários advocatícios
em dez por cento do valor.

Caso o executado pague dentro do prazo de três dias, o valor dos honorários
será reduzido pela metade. Caso o executado se mantenha inerte ou embargue a
execução, vindo os embargos a serem rejeitados, é possível a majoração dos honorá¬
rios fixados até 20% do valor. São os termos do art. 827 e parágrafos do novo CPC.
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41

Penhora, Depósito
e Avaliação

1. GuizSubstituto-TJPI-FCC-2015-adaptada) Na execução por quantia


certa contra devedor solvente, não estão sujeitos à execução os bens que
a lei considera impenhoráveis ou inalienáveis. Essa regra é:
a) verdadeira, tratando-sede regra absoluta tanto em relação aos bens em si
como quanto aseus frutos e rendimentos, também não sujeitos a qualquer
constrição judicial.
b) verdadeira, mas podem ser penhorados, à falta de outros bens, os frutos
e rendimentos de quaisquer bens inalienáveis, salvo se destinados à
satisfação de prestação alimentícia.
c) falsa, porque os bens inalienáveis podem, no entanto, ser livremente
penhorados, tratando-se de situações jurídicas que não se confun-
dem.
••
d) verdadeira, mas podem ser penhorados, à falta de outros bens, os frutos
e rendimentos dos bens inalienáveis.

e) falsa, porque, em determinadas situações, expressamente previstas em


lei, quaisquer bens podem ser penhorados ou alienados judicialmente
para satisfação de créditos específicos.
374 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

O acerto da questáo depende da percepção de um detalhe introduzido pelo


novo CPC na redação do art. 834, que encontra referência anterior no art. 650
do CPC/73.
Letra A: ERRADO. É possível incidir constrição judicial sobre os frutos
e rendimentos. Nos termos do art. 825, III: “A expropriação consiste em: (...)
III— apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos
e de outros bens”.

Da mesma forma, o art. 834: “Podem ser penhorados, àfalta de outros bens,
os frutos e os rendimentos dos bens inalienáveis”.

Letra B: ERRADO. A assertiva faz referência à antiga redação do art. 650


do CPC/73. Deve-se atentar, todavia, que na redação do art. 834 do novo CPC
o legislador excluiu a parte final, retirando assim a limitação imposta quanto aos
frutos e rendimentos dos bens inalienáveis quando destinados à satisfação de
prestação alimentícia.

Letra C:ERRADO. A regra é verdadeira, nos termos do art. 832: “Não estão
sujeitos à execução os bens que aíeiconsideraimpenhoráveis ouinalienáveis”.
Letra D: CORRETO. Nos exatos termos do art. 834, colacionado nos
comentários à assertiva A.

Letra E: ERRADO. Ver comentários à assertiva C.

2. (Juiz doTrabalho -TRT1 - FCC-2014) José inadimpliu nota promissó¬


ria. Em execução, o credor requereu a penhora de sua única geladeira,
de máquina de serrar com a qual exerce a profissão de marceneiro e
de quantia correspondente a sessenta salários mínimos depositada em
caderneta de rpoupança.
r T São rpenhoráveis:
a) apenas quantia correspondente a sessenta salários mínimos depositados
em caderneta de poupança.
b) apenas quantia correspondente a vinte dos sessenta salários mínimos
depositados em caderneta de poupança.
41. PENHORA, DEPôSTTO E AVAUAçàO 375

c) todos os bens cuja penhora foi requerida pelo credor.


d) a máquina de serrar e quantia correspondente a vinte dos sessenta salários
mínimos depositados em caderneta de poupança.
e) a máquina de serrar e quantia correspondente a sessenta salários mínimos
depositados em caderneta de poupança. -

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

O regime da penhora é bastante cobrado nos concursos da magistratura.


Destaque-se, todavia, que a maioria das questões pode ser resolvida com o mero
conhecimento da legislação. Aqui, exige-se do candidato o conhecimento do art.
833 do CPC, onde são previstas as hipóteses de impenhorabilidade.
Nos termos do artigo 833, II: “São impenhoráveis: (...) II- os móveis, os
pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado,
salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns corres¬
pondentes a um médio padrão de vida; (...)”. Desta forma, a geladeira deJosé não
pode ser objeto da penhora (incorreta a assertiva C).
Nos termos do art. 833, V: “São impenhoráveis: (...) V- os livros, as
máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis
.
necessários ouúteis ao exercício daprofissão do executado; (. .)”. Desta forma,
a máquina de serrar não pode ser objeto dapenhora (incorretas as assertivas D e E).

Por fim, nos termos do art. 833, X: “Art. 833. São impenhoráveis: (...) X
- a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40 (quarenta)
salários mínimos; (...)”. Desta forma, dos sessenta salários mínimos que José
possui depositados em caderneta de poupança somente vinte deles podem ser
objeto da penhora (incorreta a assertiva A).

3. (Promotor de Justiça- MPSP - Banca Própria -2015 -adaptada) Assinale


a alternativa que contém afirmação incorreta, no que respeita à penhora.
a) O registro da penhora faz prova quanto à fraude de qualquer transação
posterior.
i&lí
376 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora


do bem alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente.
c) O registroda penhora não é imprescindível para caracterização da fraude
à execução.
d) A alienação do bem penhorado em fraude à execução é nula de pleno
direito.
e) Ausente o registro da penhora que sofre o bem alienado, deve ser presu¬
mida a boa-fé do terceiro que o adquire, salvo se demonstrado o contrário
pelo credor-exequente.

COMENTÁRIOS

Gabarito: D

A questão aborda diversos pontos a respeito da relação entre a penhora e


o instituto da fraude à execução. O tema é regulado pelo novel art. 792 do CPC,
conquanto a questão exija o conhecimento de legislação esparsa e também da
jurisprudência sumulada.
Letra A: CORRETO. Nos termos do art. 240 da lei n° 6015/73 (Lei de
Registros Páblicos): “O registro da penhora faz prova quanto à fraude de qualquer
transação posterior”.

Letra B: CORRETO. Nos termos do enunciado n° 375 da Sumulado STJ:


“O reconhecimento da fraude à execução depende do registro da penhora dobem
alienado ou da prova de má-fé do terceiro adquirente”.
Letra C: CORRETO. Admite-se o reconhecimento da fraude à execução
em caso de má-fé do terceiro adquirente, nos termos do enunciado n° 375 da
Súmula do STF acima colacionado.
Letra D: ERRADO. A alienação do bem penhorado em fraude à execução
é ineficaz (e não nula) em relação ao exequente. Nos termos do art. 792, § Io: “A
alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente”.
LetraE: CORRETO. O STJ entende que a presunção de boa-fé é princípio
gerai dedireito. Assim, aboa-fé se presume, a má-fé deve ser provada. Nesse sentido,
inexistindo registro da penhora na matrícula do imóvel, é do credor-exequente o
41. PENHORA, DEPóSITO E AVAUAçãO 377

ônus de provar a má-fé do terceiro adquirente. Este entendimento está consignado


no julgamento do REsp 956.943-PR, noticiado no Informativo n° 552.

Em reforço, é importante lembrar que só incide a presunção de má-fé -


dispensando-se do exequente a sua prova - quando houver registro da penhora.
Nos termos do art. 844: “Para presunção absoluta de conhecimento por terceiros,
cabe ao exequente providenciar a averbação do arresto ou da penhora no registro
competente, mediante apresentação de cópia do auto ou do termo, independen¬
temente de mandado judicial”.

Ainda, nos termos do art. 828, § 4o: “O exequente poderá obter certi¬
dão de que a execução foi admitida pelo juiz, com identificação das partes e
do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de veículos
ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. (...)§ 4o
Presume-se em fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada
após a averbação”.

4. (Procurador do Estado - PGE-AC - FMP-RS - 2014) Considere as as¬


sertivas I, II e III.
I. É impenhoráve! o único imóvel residencial do devedor, desde que
nele resida ou que esteja locado a terceiro, revertendo tal verba para
subsistência ou moradia da família do devedor.
II. A jurisprudência sumulada do Superiortribunal dejustiça considera que
os créditos das autarquias federais preferem aos das Fazendas Públicas
estaduais se coexistirem penhoras sobre o mesmo bem.
III. A existência de pluralidade de penhoras se resolve, em primeiro lugar,
pela existência de crédito privilegiado em decorrência da previsão legal,
em segundo lugar, pela anterioridade da penhora.
Assinale a alternativa correta.
a) Todas as assertivas são verdadeiras.
b) Apenas as assertivas I e III são verdadeiras.
'.V : ..VU ,
c) Apenas as assertivas I e II são verdadeiras.
d) Apenas as assertivas II e 111 são verdadeiras 0: . .. :
378 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIO
Gabarito: A

O tema relativo à penhora exige do candidato o conhecimento de entendi¬


mentos jurisprudenciais a respeito do tema. É a hipótese dos três itens apresentados
para julgamento na presente questão.
ItemI: CORRETO. Nos termos do enunciado n° 486 da Súmula do STJ:
“É impenhorável o único imóvel residencial do devedor que esteja locado a ter¬
ceiros, desde que a renda obtida com a locação seja revertida para a subsistência
ou a moradia da sua família”.

ItemII: CORRETO.Nos termos do enunciado n° 497 da Súmula do STJ:


“Os créditos das autarquias federais preferem aos créditos da Fazenda estadual
desde que coexistam penhoras sobre o mesmo bem”.
ItemIII: CORRETO.Trata-sede entendimento tranquilo na jurisprudên¬
cia do STJ. Em caso de pluralidade de penhora sobre o mesmo bem, devem ser
analisadas duas situações: em primeiro lugar, a existência de crédito privilegiado,
em decorrência de previsão legal; afastada essa hipótese, em segundo lugar, a ante¬
rioridade da penhora. Ver, nesse sentido, o acórdão proferido no REsp 871.190/
SP e, mais recentemente, no AgRg no REsp n. 1195540/RS.

No mesmo sentido, o art. 908, § 2o, do CPC:“Havendo pluralidade de credo¬


res ou exequentes, o dinheiro lhes será distribuído e entregue consoante a ordem das
respectivas preferências. (...)§ 2o Não havendo título legal à preferência, o dinheiro
serádistribuído entreos concorrentes, observando-seaanterioridadedecadapenhora”.

5. -
(Advogado -Telebras - CESPE 2015) No próximo item é apresentada
uma situação hipotética acerca de cumprimento de sentença, processo
de execução, processo cautelar e mandado de segurança, seguida de
uma assertiva a ser julgada.
Rogério ajuizou ação de execução por quantia certa em face da empresa
Silva&Silva Ltda. Garantido o juízo pela penhora, a empresa executada
apresentou embargos à execução, por meio dos quais suscitou a prescri¬
ção, e requereu a concessão do efeito suspensivo aos embargos, já que
a execução se apresentava lesiva. Nesse caso, o juiz poderá conceder
41. PENHORA, DEPOSITO E AVALIAçAO 379

o efeito suspensivo requerido pelo embargante, mas poderá permitir a


efetivação dos atos de penhora e de avaliação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Correto.

Para a solução da questão apresentada é preciso que o candidato observe os


requisitos necessários à concessão do efeito suspensivo aos Embargos à Execução.
Posteriormente, questiona-se também se a eventual suspensão da execução impede
a efetivação dos atos depenhora e avaliação.

Sobre a primeira parte, é necessário atentar ao art. 919, caput e § Io do


CPC: “Os embargos à execução não terão efeito suspensivo. § Io. O juiz poderá,
a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo aos embargos quando
verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a
execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes”.

Assim, apesar da garantia do juízo ser dispensada para a apresentação dos


Embargos à Execução que em regra não possuem efeito suspensivo, para que
seja atribuído este efeito é necessária a concorrência de três requisitos, cumu¬
lativamente: a) requerimento expresso do interessado; b) garantia do juízo; c)
verificação dos requisitos para a concessão da tutela provisória. No caso concreto,
pois, é possível a concessão de efeito suspensivo aos Embargos apresentados pela
empresa Silva&Silva.

O segundo problema apresentado demanda o conhecimento do § 5o do


mesmo art. 919: “A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação
dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação
dos bens”. O que a suspensão da execução impede é a efetivação dos atos expro-
.
priatórios (art. 825) Admite-se, ainda que suspensa a execução, a constituição ou
alteração na penhora e avaliação dos bens.

6. (Analista de Controle Externo -TCE-CR - FCC - 2015) No processo de


execução por quantia certa contra devedor solvente,
a) a avaliação do bem penhorado será realizada, em regra, por perito de
confiança do juízo.
380 I QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

b) a alienação por hasta pública tem preferência sobre os demais métodos


expropriatórios.
c) a penhora recairá, em primeiro lugar, obrigatoriamente sobre dinheiro.
d) não se admite a substituição da penhora. • • ••

e) pode o exequente requerer a adjudicação do bem penhorado, desde que


ofereça preço não inferior ao da avaliação.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

Mais uma questão sobre o tema que exige o conhecimento dos preceitos
normativos.

Letra A: ERRADO. A avaliação é feita, em regra, pelo Oficial de Justiça.


Somente se necessária a aplicação de conhecimentos técnicos ou científicos espe¬
cializados é que atuará o perito.Nos termos do art. 870 do CPC: “A avaliação será
feitapelo oficial de justiça.Parágrafo único. Se forem necessários conhecimentos
especializados e o valor da execução o comportar, o juiz nomeará avaliador, fixan¬
do-lhe prazo não superior a 10 (dez) dias para entrega do laudo”.

Letra B: ERRADO. De rememorar que a antiga hastapública agora é


denominada pelo novo CPC de leilãojudicial, nos termos do art. 879, II. A pre¬
ferência na execução por quantia certa é a seguinte: Io - adjudicação (art. 876);
2o - alienação dobem por iniciativa particular (art. 880); 3o - alienação por leilão
judicial (art. 881).
Letra C: ERRADO. Apesar de prioritária a penhora sobre dinheiro, esta
ordem não é absoluta, admitindo-se sua relativização em certas hipóteses. Nos
termos do art. 835,Ie §§ Io e 3o: “Art. 835. A penhora observará, preferencial¬
mente, a seguinte ordem:I- dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação
em instituição financeira; (...)§ 10 Éprioritária a penhora em dinheiro, podendo
o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as
circunstâncias do caso concreto. (...)§ 3o Na execução de crédito com garantia
real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a
terceiro garantidor, este também será intimado da penhora”.
41. PENHORA, DEPóSITO E AVAUAçíO 381

Nesse sentido, o enunciado n° 417 da Súmuia do STJ: “Na execução


civii, a penhora de dinheiro na ordem de nomeação de bens não tem caráter
absoluto”.
É de atentar, todavia, que o antigo art. 655, § Io (com referência ao atual
art. 835, § 3o) afirmava expressamente apreferência da penhora sobre a coisa dada
em garantia. Esta ordem de preferência não é reproduzida pelo novo CPC. Por
isso, deve ficar atento o candidato aum futuro cancelamento do enunciado 417 do
STJ. Decidimos aqui, todavia,por manter a resposta original da questão e atentar
para esta possibilidade de alteração de entendimento em virtude da nova redação
dos dispositivos que regulam o tema.
Letra D: ERRADO. Os artigos 847 a 853 regulam exatamente o tema re¬
ferente à substituição dapenhora, que é expressamente admitida pelo CPC/2015.
Letra E: CORRETO. Nos termos do caput do art. 876: “É lícito ao exe-
quente, oferecendo preço não inferior ao da avaliação, requerer que lhe sejam
adjudicados os bens penhorados”.

7. (Analista Judiciário -TJAP-FCC- 2014 -adaptada) Na execução por


quantia certa contra devedor solvente, será o executado citado para
efetuar o pagamento da dívida. O executado deverá pagar a dívida em:
a)
- - • -

três dias; do mandadode citação constarão, também, a ordem de penhora


— •

e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado


o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com
intimação do executado.
b) 24 horas; do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora
e a avaliação a serem cumpridaspelo oficial de justiça tão logo verificado
o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com
intimação
c) três dias; não o fazendo, o Oficial de Justiça procederá de imediato à pe¬
nhora de bens, avaliando-os e certificando o ato para posterior intimação
do executado.
d) 24 horas; não o fazendo, o Oficial de Justiça procederá de imediato à pe¬
nhora de bens, avaliando-os e certificando o ato para posterior intimação
do executado.
mm • - :
382 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) 72 horas; não o fazendo, e desde que o credor tenha indicado bens na


inicial, procederá o Oficial de Justiça à penhora desses bens e à sua
avaliação, lavrando-se o auto respectivo e intimando de tais atos o
executado, na mesma ocasião.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

Mais uma questão que exige do candidato o conhecimento daliteralidade


dos dispositivos codificados. Trata-se, aqui, do art. 829 do CPC: “Art. 829. O
executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da
citação. § 1° Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a
avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não paga¬
mento no prazo assinalado, detudo lavrando-se auto, com intimação doexecutado.
§ 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros
forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que
a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente”.

A menção ao prazo de pagamento em três dias torna incorretas as assertivas


B, D e E. Ademais, o § Io do art. 829 é reproduzido em seus exatos termos na
alternativa A, dada como resposta correta. Infelizmente o candidato tem que estar
preparado para questões como esta, que não exercitam conhecimento jurídico,
mas a simples capacidade de memorização.

8. A respeito da possibilidade de penhora das quotas ou das ações de so¬


ciedades personificadas prevista no novo CPC julgue os itens a seguir e

l. Penhoradas as quotas ou as ações de sócio em sociedade simples ou em-


presária, o juiz assinará prazo razoável, não superior a 6 meses, para que
asoc

legal ou contratual; c) não havendo interesse dos sócios na aquisição das


ações, proceda à liquidação das quotas ou das ações, depositando em
juízo o valor apurado, em dinheiro.
II. Rara evitar a liquidação das quotas ou das ações, a sociedade poderá ad¬
quiri-las sem redução do capital social ecom utilização de reservas, para
41. PENHORA, DEPóSITO E AVAUAçãO 383

manutenção em tesouraria. Esta possibilidade, contudo, não se aplica à


sociedade anónima de capital aberto, cujas ações serão adjudicadas ao
exequente ou alienadas em bolsa de valores, conforme o caso.
111. Caso não haja interesse dos demais sócios no exercício de direito de
preferência, não ocorra a aquisição das quotas ou das ações pela socie¬
dade e a Iiquidação das quotas ou das ações seja medida excessivamente
onerosa para a sociedade, o juiz poderá determinar o leilão judicial das
quotas ou das ações.
Estão corretas as assertivas:
a) I, lie III.
b) I e II.
c) i e 111.
d) II e III.

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A respeito do tema relacionado àpenhorao legislador de 2015 trouxe algumas


novidades que merecem atenção do candidato: 1) art. 854 -DaPenhoradeDinheiro
em Depósito ou em Aplicação Financeira; 2) art. 861 — Da Penhoradas Quotas ou
das Ações de Sociedades Personificadas; 3) art. 866 — Da Penhora dePercentual de
Faturamento de Empresa; 4) arts. 867 a 869 - Da Penhorade Frutos eRendimentos
de Coisa Móvel ou Imóvel.
Por se tratar de inovações trazidas pelo novo CPC, recomenda-se a leitura de
tais dispositivos. A tendência dasbancasde exigir o conhecimento da lei é reforçada
nesse momento peia recente aprovação do novo diploma normativo processual.
Assim, estes novos dispositivos devem ser muito cobrados nos próximos certames.
A questão apresentada trata exatamente do art. 861 do novo CPC.

ItemI: ERRADO. Apesar de serem apresentadas de forma correta todas as


providências a serem tomadas, exige-se a atenção do candidato quanto ao prazo
que, no caso, é de três (e não de seis) meses. Nos termos do caput do art. 861:
“Penhoradas as quotas ou as ações de sócio em sociedade simples ou empresária,
o juiz assinará prazo razoável, não superior a3 (três) meses, paraque a sociedade:
384 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

I— apresente balanço especial, na forma da lei; II — ofereça as quotas ou as açóes


aos demais sócios, observado o direito de preferência legal ou contratual; III -
não havendo interesse dos sócios na aquisição das açóes, proceda à liquidação das
quotas ou das ações, depositando em juízo o valor apurado, em dinheiro. (..

De atentar, contudo, que nos termos do § 4o do mesmo artigo, admite-se a


ampliação deste prazo: “§ 4o O prazo previsto no caput poderá ser ampliadopelo
juiz, se o pagamento das quotas ou das açóes liquidadas:I- superar o valor do
saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou
por doação; ouII- colocar em risco a estabilidade financeira da sociedade simples
ou empresária. (..

Item II: CORRETO. Nos exatos termos dos §§ Io e 2o do art. 861: "§ Io
Para evitar a liquidação das quotas ou das ações, a sociedade poderá adquiri-las
sem redução do capital social e com utilização de reservas, para manutenção em
tesouraria. § 2o O disposto no caput e no § 10 não se aplica à sociedade anónima
de capital aberto, cujas ações serão adjudicadas ao exequente oualienadas em bolsa
de valores, conforme o caso”.
Item III: CORRETO. Nos termos do § 5o do art. 861: “Caso não haja
interesse dos demais sócios no exercício de direito de preferência, não ocorra a
aquisição das quotas ou das ações pela sociedade e a liquidação do inciso III do
caput seja excessivamente onerosa para a sociedade, o juiz poderá determinar o
leilão judiciai das quotas ou das ações”.
ND
42

Expropriação

1. (Juiz doTrabalho -TRT23 - Banca Própria - 2014 - adaptada) Assinale


a alternativa INCORRETA:
"

a) Aexpropriaçãoconsistenaadjudicação, na alienaçãoe na apropriação


de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros
bens.
b) São impenhoráveis os bens inalienáveis e os declarados, por ato volun¬
tário, não sujeitos à execução;
c) O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias contado da intimação da
penhora, requerer a substituição do bem penhorado, desde que com¬
prove que lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente’*
d) Não efetivada a adjudicação, o exequente poderá requerer a alienação
por sua própria iniciativa òu por intermédio de corretor ou leiloeiro
público credenciado perante o órgão judiciário.
e) Os embargos à execução serão distribuídos por dependência, autuados
em apartado e instruídos com cópias das peças processuais relevantes,
que poderão ser declaradas autênticas pelo advogado, sob sua res¬
ponsabilidade pessoal, no prazo de 10 (dez) dias, contados da data da
juntada aos autos do mandado de citação.
386 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

O tema relativo à expropriação é tratado na regulação da execuçãopor quan¬


tia certa. Por esta razão, muitas questões que abordam o tema da expropriação
acabam por também envolver outros assuntos relacionados ao capítulo em que
está inserido. A questão ora em comento é um exemplo típico de questão sobre o
tema. Perceba que o examinador tende a cobrar o do candidato o conhecimento
dos dispositivos legais.
Letra A: CORRETO. Nos termos do art. 825: “A expropriação consiste
em: - adjudicação: II- alienação; III- apropriação de frutos e rendimentos de
I
empresa ou de estabelecimentos e de outros bens”.
LetraB: CORRETO. Nos termos do art. 833,1: “São impenhoráveis:I- os
bens inalienáveis eos declarados, por ato voluntário, não sujeitos àexecução; (...)”.
Letra C: CORRETO. Nos termos do art. 847, capuP. “O executado pode,
no prazo de 10 (dez) dias contado da intimação dapenhora, requerer asubstituição
do bem penhorado, desde que comprove que lhe será menos onerosa e não trará
prejuízo ao exequente”.
LetraD:CORRETO.Nos termos do art. 880, capuP. “Não efetivadaaadju-
dicação, o exequente poderá requerer a alienação por sua própria iniciativa ou por
intermédio de corretor ouleiloeiropúblico credenciadoperante o órgão judiciário”.
Letra E: ERRADO. A parte inicial da assertiva está de acordo com o art.
914, § Io. A parte final, todavia, traz o prazo incorreto de dez dias. Em verdade,
o prazo para o manejo dos Embargos à Execução é de quinze dias, nos termos do
art. 915, capuP. “Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias,
contado, conforme o caso, na forma do art. 231”.

2. A respeito da expropriação no novo Código de Processo Civil, julgue


verdadeira ou falsa a assertiva que segue:
Poucas foram as mudanças promovidas nas formas de expropriação.
Dentre as normas mantidas na novel legislação se destaca a prevalência
da hasta pública presencial como opção prioritária para a expropriação.
Nesse sentido, o próprio exequente indicará o leiloeiro público respon-
42. EXPROPRIAçãO 387

sável pelo ato. Somente caso frustrada a tentativa de hasta presencial é


que, a juízo do magistrado, será possível a ocorrência da hasta pública
eletrónica.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Falso.

De fato, o processo de execução sofreu poucas alterações com o novo CPC,


especialmente se comparado a outros temas. Todavia, algumas modificações foram
relevantes no que refere ao tema da expropriação. Algumas destas modificações
foram abordadas na presente questão.
Primeiro há de se destacar que o novo CPC não fala mais em hastapública.
O legislador optou por utilizar o termo leilão judicialpara referir a esta figura.
Conforme o art. 879, II: “A alienação far-se-á: (...) II- em leilão judicial eletró¬
nico ou presencial”.

Este leilão judicial, todavia, não é a opção prioritária dentre as formas de


expropriação. Este só ocorrerá se não ocorrer a adjudicação ou a alienação por
iniciativa particular. Veja-se o caput do art. 881: “A alienação far-se-á em leilão
judicial se não efetivada a adjudicação ou a alienação por iniciativa particular”.
Do mesmo modo, o leilão judicial deve ocorrer prioritariamente de forma
eletrónica.É o que prevê o art. 882, caput. “Não sendo possível asua realização por
meio eletrónico, o leilão será presencial”.
Ainda, o novel art. 883 alterou o conteúdo do art. 706 do CPC/73. Antes, de
fato, a indicação do leiloeiro cabia ao exequente. O novo CPC consagra a designação
do leiloeiro pelo juiz, sendopossivelsomcntc a indicação pelo exequente: “Caberáao
juiz a designação doleiloeiro público, que poderá ser indicado pelo exequente”.

3. (Juiz do Trabalho -TRT8 - Banca Própria - 2015 - adaptada) Sobre o


Processo de Execução, assinale a alternativa INCORRETA:
a) São absolutamente impenhoráveis, entre outros, os bens inalienáveis e os
declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução, salvo para cobran¬
ça de crédito concedido para aquisição do próprio bem; os vencimentos,
subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria,
388 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

pensões, pecúlios e montepios, as quantias recebidas por liberalidade de


terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua famflia, os ganhos de tra¬
balhador autónomo e os honorários de profissional liberai, independente
dovalor,excetoparaoscasosdeprestaçãoalimentícia,eaquantiadeposita-
da em caderneta de poupança até o limite de 40 (quarenta) salários
mínimos. ''

b) O Código de Processo Civil adota o princípio de que a execução se realiza


no interesse do credor, no entanto, quando por vários meios puder ser
promovida a execução, proteger-se-á o devedor, prevalecendo o princípio
de que esta se processará pelo modo que lhe seja menos gravoso.
c) Na execução de obrigação de fazer ou não fazer, fundada em título
extrajudicial, o juiz fixará multa por dia de atraso no cumprimento da
obrigação e a data a partir da qual será devida, em valor que entenda
razoável, mesmo que diverso do valor previsto no título e resultante da
vontade das partes.
d) Na execução por quantia certa contra a Fazenda Pública, diante do seu
prazo em quádruplo para contestar, citar-se-á a devedora para opor em¬
bargos em 20 (vinte) dias,

COMENTÁRIOS
Gabarito: D

A questão parece complexa em virtude do tamanho das assertivas. Todavia,


uma leitura cuidadosamostra que a questão é de fácil resolução, exigindo do candi¬
dato o conhecimento a respeito do texto da lei. Observe que mais uma vez o tema
expropriação é tratado junto a outros temas relacionados ao processo de execução.
Letra A: CORRETO. A assertiva congrega o que consta no art. 833, 1, IV,
Xe§§ l°c2°.

Letra B: CORRETO. Trata-se do conteúdo combinado dos arts. 797 e


805 do CPC.
Letra C: CORRETO. O conteúdo afirmado na presente assertiva está, em
outras palavras, no art. 8 14 do CPC.

Letra D: ERRADO. Nos termos do art. 910, caput do CPC, o prazo


específico da Fazenda Pública é de trinta dias: “Na execução fundada em título
extrajudicial, a FazendaPública será citadapara opor embargos em 30 (trinta) dias”.
42. EXPROPRIAçãO 389

4. A respeito da expropriação julgue os itens a seguir e assinale a resposta


correta:
I. A expropriação consiste, dentre outras hipóteses, na apropriaçao de frutos
e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros bens.
li. Frustradas as tentativas de alienação do bem penhorado, será reaberta
a oportunidade para requerimento de nova adjudicação, hipótese em
que será vedada a realização de nova avaliação, devendo prevalecer a
avaliação original.
III. A execução por quantia certa réalíza-se pela expropriação de bens do
executado, inclusive nas execuções tidas por "especiais" consagradas
no novo CPC.
Estão corretas as assertivas:
a) i. v . V- v .
b) I e II.
c) i e III. m n
d) lie lil.
e) I, II e III.

COMENTÁRIOS

CabarítorA

O tema referente à execução no processo civil é bastante exigido a partir


da literaíidade do texto legai. Com o advento do novo CPC a tendência é que os
novos dispositivos sejam objeto de questionamento.

ItemI: CORRETO. Nos termos do art. 825, III: “A expropriação consiste


em:III- apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos
e de outros bens”.

Item II: ERRADO. Admite-se também requerer nova avaliação do bem.


Nos termos do art. 878: “Frustradas as tentativas de alienação do bem, será reaberta
oportunidade para requerimento de adjudicação, caso em que também se poderá
pleitear a realização de nova avaliação”.
390 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

ItemIII:ERRADO. O art. 824 ressalva as execuções especiais daregra geral:


“Art. 824. A execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do
executado, ressalvadas as execuções especiais”.

5. (Procurador - PGM-Niterói - FGV - 2014 - adaptada) Tendo Luiz ajui¬


zado em face de Jorge umà ação de execução com base em título extra¬
judicial que retratava um crédito, na realidade, inexistente, o executado,
embora regularmente citado e intimado da penhora efetivada sobre bem
de sua propriedade, não ajuizou embargos à execução. Assim, o feito
prosseguiu normalmente até a alienação judicial do bem penhorado, a
satisfação do crédito perseguido pelo exequente e a prolação da sentença,
nos termos do Art. 924, II, e do Art. 925, ambos do Código de Processo
Civil.
Depois de extinto o processo de execução, a via adequada de que
dispõe Jorge para obterá recomposição de seu património injustamente
desfalcado é:
a) a ação rescisória.
b) a ação de repetição de indébito.
,
c) a querella nulitatis.
d) a exceção de pré-executividade.
e) o mandado de segurança.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Questão à primeira vistasimplese que, sem dúvidas, foipostapara colocar o


examinando em erro. A questão aborda, em verdade, o tema referente à existência
ou não de coisa julgada material nas sentenças que extinguem, face à satisfação da
obrigação, o processo de execução.
Costuma-se dizer, tradicionalmente, que a cognição na execução é “rare¬
feita”, devendo-se limitar ao cumprimento da obrigação inscrita no título. Por
outro lado, entendimento mais moderno apregoa que há cognição na execução.
É que a execução exige nova demanda, sendo possível verificar as condições da
ação, pressupostos processuais (questões de admissibilidade) e observar fatos
42. EXPROPRIAçãO 391

impeditivos, modificativos, extintivos e constitutivos (questões de mérito).


Além disso, cumpridas as obrigações decorrentes da relação jurídica, o mérito da
execução está satisfeito. O acolhimento do pedido executivo declara a extinção
da obrigação. A rejeição declara causa impeditiva, modificativa ou extintiva da
relação que impossibilita a execução. Sobre esta decisão, em tese, incide coisa
julgada material.
O examinador, contudo, baseou-se no entendimento tradicional de que
não haveria falar em coisa julgada material na execução. Observe o cuidado
que teve para afirmar que não houve qualquer debate no processo executivo,
exatamente em virtude da inércia do executado em vir ao processo apresentar
defesa. Nesse mesmo sentido há diversos julgados do STJ. Veja-se, por exemplo,
o Resp. 553-915-RN.
V

43

Execução contra a
Fazenda Publica

1. (Juiz Substituto-TJ-PB -CESPE - 2015 - adaptada) Considerando que um


juiz tenha proferido sentença condenando a União a pagar indenização
por desapropriação indireta no vaior de cem salários mínimos, assinale
a opção correta.
a) Seasentençacontraafazendapúblicatransitaremjulgado,suaexecução
estará sujeita ao regime de precatórios.
b) Se confirmada a sentença, a ré deverá fazer o pagamento no prazo de
quinze dias contado de sua intimação para pagar.
c) Se a fazenda pública não recorrer dentro do prazo legal, a sentença não
produzirá seus efeitos imediatamente em virtude da remessa necessária.
d) Caso a fazenda pública decida opor embargos de declaração, deverá
fazê-lo no prazo máximo de cinco dias.
e) Eventual apelação ajuizada pela fazenda pública deverá ser acompanhada
de guia de preparo ou será considerada deserta.

COMENTÁRIOS
Gabarito: Â

O tema relacionado à execução contra a FazendaPública exige do candidato


o conhecimento a respeito da forma de adimplemento das condenações de pagar
43. EXECUçãO CONTRA A FAZENDA PúBLICA 393

quantia certa impostas à Fazenda Pública. Incide aqui o regime dosprecatórios,re¬


gulado não pelo CPC, mas peiaprópriaConstituição daRepública emseu art. 100.
Atente-se, ainda, que o novo CPC passa a permitir o cumprimento desentença
contra a Fazenda Pública como fase no processo nos arts. 534 e 535.

Letra A: CORRETO. Nos termos do art. 100, caput da CR: “Os pagamen¬
tos devidos pelas Fazendas Públicas Federal,Estaduais, Distrital e Municipais, em
virtude de sentença judiciária, far-se-ão exclusivamente na ordem cronológica de
apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos, proibida a desig¬
nação de casos ou de pessoas nas dotações orçamentarias e nos créditos adicionais
abertos para este fim”.
Perceba-se que o valor da condenação indicado na questão de “cem salários
mínimos” supera o valor de pagamento da Requisição de Pequeno Valor, que en¬
contra regulação atualmente, na esfera federal, no art. 17, § 1° da lei n° 10.259/01
e é limitado a sessenta salários mínimos.

Letra B: ERRADO. Na execução por quantia certacontra aFazenda Pública


não haverá intimação para pagar. Caso se trate de cumprimento de sentença, a
Fazenda será intimada para apresentar impugnação em trinta dias (art. 535,
caput).Não havendo impugnação ouno caso de sua rejeição,haverá a expedição de
precatório ou o pagamento através deRequisição de Pequeno Valor (art. 535, § 3o).
Caso se trate de processo de execução contra a Fazenda Pública, a Fazenda
será citada para opor Embargos em trinta dias (art. 910, caput). Não opostos os
Embargos ou sendo rejeitados, expedir-se-á precatório ou promover-se-á o paga¬
mento através de RPV (art. 910, § Io).

Letra C: ERRADO. O novo CPC alterou os critérios da remessa necessá¬


ria. A regulação do tema está no art. 496. Veja-se o incisoIe o § 3o,Ido citado
dispositivo: “Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão
depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:I- proferida contra a União, os
Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e funda¬
ções de direito público; (...)§ 3o Não se aplica o disposto neste artigo quando a
condenação ou o proveito económico obtido na causa for de valor certo e líquido
inferior a:I- 1.000 (mil) salários mínimos para aUnião e as respectivasautarquias
e fundações de direito público; (...)”.
394 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO PIREITO PROCESSUAL CIVIL

Desta forma, no caso em comento, como a sentença atingiu somente o


patamar de cem salários mínimos, não é hipótese de remessa necessária, produ¬
zindo efeitos desde já a sentença e permitindo o início da fase de cumprimento
de sentença.
LetraD: ERRADO. O prazo para a oposição dos Embargos de Declaração
continua sendo de cinco dias no novo CPC. A Fazenda, todavia, dispõe de prazo
em dobro, nos termos do art. 183, caput. “A União, os Estados, o Distrito Federal,
os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações dedireito público gozarão
de prazo em dobro para todas as suas manifestações processuais, cuja contagem
terá início a partir da intimação pessoal”. Assim, sendo, o prazo máximo para a
oposição dos Embargos é de dez dias.
Letra E: ERRADO. Nos termos do art. 1.007, § Io: “São dispensados
de preparo, inclusive porte de remessa e de retorno, os recursos interpostos pelo
Ministério Público, pela União, pelo Distrito Federal, pelos Estados, peios Mu¬
nicípios, e respectivas autarquias, e pelos que gozam de isenção legal”,

2. (Procurador Autárquico - MANAUSPREV - FCC - 20T 5) Em relação à


Fazenda Pública, considere:
I. É cabível ação monitoria contra a Fazenda Públicá.
II. São indevidos honorários advocatícios pela Fazenda Pública, nas exe¬
cuções individuais de sentença proferida em ações coletivas, ainda que
não embargadas.
III. A Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa - CDA até
a prolação da sentença de embargos, quando se tratar de correção de
erro material ou formal, vedada a modificação do sujeito passivo da
execução.
Está correto o que sè afirma em:
a) Jilapenas.
b) Me III.
c) fell, apenas.
d) I e 111, apenas.
e) II e III, apenas.
43. EXECUçAO CONTRA A FAZENDA PúBLICA 395

COMENTÁRIOS

Gabarito: D

A questão aborda aspectos relacionados não só à execução contra a Fazenda


Pública, mas também à ação monitoria proposta contra a Fazenda Pública e à Exe¬
cução Fiscal. É preciso atentar, ainda, que o novo CPC recepcionou em seu texto
alguns entendimentos jurisprudenciais consagrados pelos tribunais superiores,
como é possível perceber nesta questão.

ItemI: CORRETO.Enunciado n° 339 daSúmula do STj: “É cabível ação


monitoria contra aFazendaPública”. Esse posicionamento foi acolhido pelo CPC,
pois, no art. 700, § 6o afirma-se que “É admissível ação monitoria em face da
Fazenda Pública”.
Item II: ERRADO. Ocorre justamente o contrário, pois, de acordo com
o enunciado n° 345 da Súmula do STJ: “São devidos honorários advocatícios
pela Fazenda Pública nas execuções individuais de sentença proferida em ações
coletivas, ainda que não embargadas”.

Item III: CORRETO. Enunciado n° 392 da Súmula do STJ: “A Fazenda


Pública pode substituir a certidão de dívida ativa (CDA) até a proiação da sentença
de embargos, quando se tratar de correção de erro material ou formal, vedada a
modificação do sujeito passivo da execução”.

3. (Advogado - Câmara Municipal de São Carlos -VUNESP - 2013) Sobre


execução contra a Fazenda Pública em que há excesso de execução,
assinale a alternativa correta.
a) É ônus da executada provar, com a oposição dos embargos, que a exe¬
cução incorre em excesso, sob pena de preclusão.
b) O excesso pode ser alegado a qualquer tempo pela executada, pois no
É?
caso é matéria de ordem pública.
c) O excesso de execução, por ser matéria de ordem pública, pode ser
reconhecido de ofício.
d) Caso não invocada em embargos à execução, poderá ser reclamada em
exceção de preexecutividade.
396 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) Não é matéria a ser discutida em sede de embargos, mas com a apresen-


tação de recurso específico.

COMENTÁRIOS
Gabarito: A

O excesso deexecução deve ser alegado pelo executado emsua peça de defesa.
No que refere à Fazenda Pública, o novo CPC consagrou a hipótese de figurar
como executada tanto em um processo autónomo de execução quanto em uma
fase de cumprimento de sentença no processo (arts. 534 e 535).
O excesso de execução é uma das matérias que devem ser arguidas na peça de
defesa. Não se trata de matéria de ordem pública, pois decorrede simples interesse
patrimonial. Nesse sentido, o art. 535,IVe § 2o: “A Fazenda Pública será intimada
na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrónico,
para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a exe¬
cução, podendo arguir: (...) IV- excesso de execução ou cumulação indevida de
execuções; (...)§ 2o Quando se alegar que o exequente, em excesso de execução,
pleiteia quantia superior à resultante do título, cumprirá à executada declarar de
imediato o valor que entende correto, sob pena de não conhecimento da arguição”.
Nesse mesmo sentido, afirma o SuperiorTribunal deJustiça que a arguição
do excesso de execução após o manejo dos embargos à execução (hoje é possível
falar também em impugnação ao cumprimento de sentença) não pode ser conhe¬
cida, pois o suposto excesso de execução é típica matéria de defesa, e não de ordem
pública. Assim, é dever do executado alegá-lo e prová-lo, sob pena de preclusão da
matéria. Veja-se o AgRg no AREsp 150.035-DF.
Ainda sob a égide do CPC/73, entendia o STJ que à Fazenda seria também
aplicável a exigência de apresentar memória de cálculos quando alegasse o exces¬
so de execução. Veja-se o REsp 1.115.217-RS O entendimento deve continuar
vigente com o novo CPC. A regulação do tema está no art. 525, §§ 4o e 5o (para
a impugnação ao cumprimento de sentença) e no art. 917, §§ 2o a 4o (para os
Embargos à Execução).

4. (Juiz doTrabalho -TRT14 - Banca Própria - 2014) Acerca da execução


contra a Fazenda Pública, em virtudede sentença judiciária, é CORRETO
afirmar-se que:
43. ExECUÇtó CONTRA A FAZENOA PúBUCA j 397

a) Os pagamentos devidos pelas Fazendas Públicas Federal, Estaduais,


Distrital e Municipais, em virtude de sentença judiciária far-se-ão prefe¬
rencialmente na ordem cronológica de apresentação dos precatórios e
à conta dos créditos respectivos, proibida a designação de casos ou de
pessoas nas dotações orçamentárias e nos créditos adicionais abertos
para este fim;
b) Os débitos de natureza alimentícia compreendem aqueles decorrentes
de salários, vencimentos, proventos, pensões e suas complementações,
benefícios previdenciários e indenizações por morte ou por invalidez,
excluidas as fundadas em responsabiIidade civil, em virtude de sentença
judicial transitada em julgado, eserão pagos com preferência sobre todos
os demais débitos;
c) Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 60 (sessenta)
anos de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam
portadores de doença grave, definidos na forma da lei, serão pagos com
preferência sobretodos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo
do fixado em lei para os fins do disposto no § 3o deste artigo, admitido o
fracionamento para essa finalidade, sendo que 0 restante será pago na
ordem cronológica de apresentação do precatório;
d) Os débitos de natureza alimentícia cujos titulares tenham 70 (setenta)
anos de idade ou máis na data de expedição do precatório, ou sejam
portadores de doença grave, definidos na forma da leí, serão pagos com
preferência sobretodos os demais débitos, até o valor equivalente ao triplo
do fixado em lei para os fins do disposto no § 3o deste artigo, admitido o
fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante será pago na
ordem cronológica de apresentação do precatório;
e) Nenhuma das anteriores.

COMENTÁRIOS
Gabarito: £

As questões de processo civil a respeito do tema “execução contra a Fazenda


Pública” costumam abordar diversas vezes o regime de precatórios consagrados
na Constituição da República em seu artigo 100. É exatamente o que faz o exa¬
minador neste caso. Trata-se, todavia, de questão de alta complexidade, exigindo
do candidato um conhecimento detalhado deste dispositivo constitucional e das
interpretações jurisprudenciais a respeito do tema.
398 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

Letra A: ERRADO. A assertiva troca o termo exclusivamente presente no


caput do art. 100 da CR porpreferencialmente.

Letra B: ERRADO. A assertiva fere o art. 100, § Io da CR ao excluir do


conceito deverba alimentícia as indenizações fundadas em responsabilidade civil.

Letra C: ERRADO. Apesar de a assertiva ser uma cópia ipsis litteris do


art. 100, § 2o da CR, deve-se atentar que o Supremo Tribunal Federal julgou
inconstitucional a expressão “na data de expedição do precatório”, por entender
que se a idadede sessenta anos for atingida enquanto ainda não haja o pagamento,
o beneficiário faz jus ao enquadramento na fila superprioritária dos precatórios
consagrada no dispositivo em comento.
Conforme noticiou o próprio STF1no julgamento das ADIs 4357 e 4425,
se entendeu inconstitucional a expressão “na data de expedição do precatório”,
que restringe o pagamento preferencial àqueles que já têm 60 anos completos
quando da expedição do título judicial. É que isso significaria que um credor já
com 80 anos poderia ficar sem preferência, enquanto outro com 60 anos recém-
-completos poderia ser contemplado rapidamente. Segundo o voto do ministro
RicardoLewandowski “excluir da preferência o sexagenário que completa a idade
ao longo do processo ofende a isonomia e também a dignidade da pessoa humana
e o princípio da proteção aos idosos, assegurado constitucionalmente”.

Letra D: ERRADO. Ver comentários à assertiva C.

Letra E: CORRETO. Nenhuma das assertivas apresentadas está correta.

5. (Procurador - PGDF - CESPE - 2013) No que se refere aos títulos exe¬


cutivos, ao regime de cumprimento de sentença e à execução contra a
fazenda pública, julgue o item subsecutivo.
É possível a execução fundada em título extrajudicial de um ente público
contra outro. Nesse caso, deverãoserobservadas as regras procedimentais
previstas no CPC para a execução contra a fazenda pública.

í. <http://www2.stf.jus.br/porta!Stflntemacional/cms/destaquesNewsletter.php?sigla=newsletterPorta-
HnternacionalNoticias&idConteudo=233456.:> Acesso em 02/05/2016.
43. EXECUçãO CONTRA A FAZENDA PúBLICA 399

COMENTÁRIOS
Gabarito: Verdadeiro.

A compreensão da assertiva posta a julgamento demanda conhecimento


doutrinário e jurisprudencial a respeito do assunto.
Primeiro, veja-seoEnunciado n°279 da Súmula do STJ:“Écabível execução
por título extrajudicial contra a Fazenda Pública”.
Ademais, é possível que um ente público execute outro ente público. Nesta
hipótese, todavia, a execução não poderá correr pelo procedimento da Execução
Fiscal (lein° 6830/80), devendo respeitar os arts. 534 e 535 do novo CPC (em caso
de cumprimento de sentença) ou o art. 910 do novo CPC (em caso de execução
de título extrajudicial). De toda forma, o próprio art. 910 remete a regulação do
processo de execução contra a Fazenda pública aos arts. 534 e 535, impondo-se
regulação semelhante à execução comofase oucomoprocesso autónomo.
Nesse sentido o Resp. 1.000.028-SP, onde o STJ afirmou a possibilidade
de os processos fiscais intentados contra a Fazenda Pública serem harmonizados
com a norma do antigo art. 730 do CPC/73, diante das prerrogativas e princípios
que ostenta a Administração, principalmente as características que guarnecem os
bens públicos, fazendo-se uma necessária adaptação do procedimento especial da
Execução Fiscal.Atestou-se a possibilidade de execução contra a Fazenda fundada
em título executivo extrajudicial (Certidão de Dívida Ativa), observadas em seu
procedimento as disposições aplicáveis ao procedimento regular de execução contra
a Fazenda Pública previsto no CPC.

Assim, os arts. 534, 535 e 910 do CPC se aplicam à execução contra aFazenda
Pública intentada tanto por particular quanto por outro ente público. O procedi¬
mento daExecução Fiscal (lei n° 6830/80) somente se aplicanaexecução promovida
pelo ente público contra particular fundada em Certidão de Dívida Ativa.

6. A respeito da execução contra a Fazenda Pública julgue os itens a seguir


è assinale a resposta correta:
I. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obriga¬
ção de pagar quantia certa pela Fazenda Pública, requerida a execução,
a Fazenda Pública será citada para, querendo, em trinta dias, propor
Embargos à Execução.
400 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

II. Em virtude da indisponibilidade do interesse público, na impugnação


ao cumprimento de sentença a Fazenda Pública poderá alegar qual¬
quer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo de
conhecimento.
III. As normas que regulam o cumprimento de sentença contra a Fazenda
Pública se aplicam, no que couber, à regulação do processo de execução
contra a Fazenda Pública. '

Estão corretas as assertivas:


a) I He III
!íltf§!
b) le II

d, lie III.
...
. III.
e)

COMENTÁRIOS
Gabarito: E
Uma das grandes novidades do novo CPC é a consagração da possibilidade
de se promover cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública. O tema está
regulado nos arts. 534 e 535 do novo CPC, devendo o candidato atentar à cobrança
deste tema nos exames vindouros. A importância dada a esta nova previsão é tão
grande que o CPC, no art. 910, remete a regulação doprocesso de execução contra a
Fazenda Pública, afirmando ser aplicável, no que couber, às normas referentes ao
cumprimento de sentença contra a Fazenda. A questão aborda justamente a relação
entre o cumprimento de sentença e a execução contra a Fazenda Pública.

ItemI: ERRADO. A defesa típica do cumprimento de sentença não são os


Embargos à Execução, mas sim a impugnação. Conforme o caput Ao art. 535 do
CPC, cabe a Fazenda Pública apresentar impugnação no prazo de trinta dias: “A
Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga,
remessa ou meio eletrónico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos
próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: (...)”.
Item II: ERRADO. As matérias que podem ser arguidas em impugnação
ao cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública são mais restritas (inciso
43. EXECUçãO CONTRA A FAZENDA PúBUCA 401

I-VI do art. 535) que aquelas que podem ser alegadas em sede de Embargos à
Execução contra a Fazenda Pública.Nos termos do art. 910, § 2o: “Nos embargos,
a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como
defesa no processo de conhecimento”.
ItemIII: CORRETO. Nos termos do art. 910, § 3o: “Na execução fundada
em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor embargos em 30
(trinta) dias. (...)§ 3o Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos
artigos 534 e 535".
Or
44

Execução de Alimentos

1 . (Defensor Público- DPE-SP - FCC- 2015 - adaptada) Maria da Silveira


comparece à Defensoria Pública buscando orientações jurídicas e a
adoção de providências para o cumprimento da sentença que fixou os
alimentos em favor seu filho, Eduardo, transitada em julgado há 3 anos.
Ocorre que o devedor, genitor do alimentando, está inadimplente desde
então. Diante desta situação, verifique as afirmações abaixo.
I. O Defensor deverá ajuizar duas ações de execução de alimentos, uma
com fundamento no artigo 528, do Código de Processo Civil (pleiteando
o pagamento das últimas três parcelas e daquelas que se vencerem no
curso da demanda, sob pena de prisão), e a outra com fundamento no
artigo 523, do Código de Processo Civil (pleiteando o pagamento das
anteriores, sob pena de penhora), em observância à Súmula n° 309 do
SuperiorTribunai de Justiça.
II. O prazo máximo da prisão civil é de 60 (sessenta) dias, pois prevalece
o disposto na Lei de Alimentos sobre a previsão do Código de Processo
Civil.
III. O decurso do prazo máximo da prisão acarreta a expedição de alvará
de soltura e a quitação do débito que ensejou a prisão.
IV. É possível a utilização de outros instrumentos de coerção, além da
prisão civil, tal como o lançamento do nome do devedor nos cadastros
de proteção ao crédito.
44. EXECUçAO DE ALIMENTOS 403

V. Após o cumprimento do prazo máximo de prisão, não mais será possível


decretar a prisão civil do devedor em razão de novas parcelas vencidas

3°q
a) m,,vav.
1
'
" '
'

../
'

b)
,
I e IV. . ,

j ||e|V

d) MVev’
e) II, 111 e IV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: C

Questão complexa que envolve a execução das obrigações de pagar


alimentos. Exige-se do candidato não somente o conhecimento do CPC, mas
também da lei n° 5478/68 (Lei de Alimentos) e dos debates jurisprudenciais
a respeito do tema.

Item I: CORRETO. Esta questão foi aplicada sob a égide do CPC/73.


Em verdade, a banca adotou uma das possíveis interpretações que o novo CPC
admite a respeito da execução de alimentos. Conforme o enunciado n° 309 da
Súmula do STJ: “O débito alimentar que autoriza a prisão civildo alimentante
é o que compreende as três prestações anteriores à citação e as que vencerem
no curso do processo”. O mesmo conteúdo é encontrado no art. 528, § 7° do
novo CPC.

Desta forma, o exequente somente poderia se valer dos procedimentos


que impõem como medida coercitiva a prisão civil no que refere aos débitos
alimentares que compreendam as três últimas prestações vencidas e as que ven¬
cerem no curso da execução. Quanto a este período, deve-se valer o exequente
do procedimento inscrito no art. 528 do novo CPC, onde há previsão expressa
de prisão no § 3o.
Como as verbas anteriores não mais admitem a prisão civil do devedor
de alimentos, o procedimento a ser utilizado deve ser o relativo à execução das
404 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

obrigações de pagar quantia certa, inscrito nos arts. 523 e seguintes do no CPC.
Quanto a esta possibilidade, é de atentar à novidade trazida pelo art. 528, § 8o,
que admite a utilização deste procedimento para a execução do valor total da
dívida alimentícia, deixando claro de forma expressa que nesse caso não será
admitida a prisão civil. Como se trata de uma opção do exequente, anova previsão
não torna errado o item ora comentado.

Item II: CORRETO. O tema épolêmico. É que há um conflito entre o art.


528, § 3o, do novo CPC e o art. 19 dalei de alimentos. O CPC impõe a prisão de
um a três meses, enquanto a lei de alimentos limita a prisão a sessenta dias.

O legislador de 2015 teve a oportunidade de revogar dispositivos da


referida lei, o que inclusive ocorreu. O art. 1072, V do CPC revogou expres¬
samente os arts. 16 a 18 da lei n° 5478/68. Não o fez, contudo, em relação ao
art. 19, mantendo viva a polêmica sobre qual prazo deve prevalecer. A banca
adotou a compreensão de que prevalece o prazo de sessenta dias previsto na lei
de alimentos, provavelmente com base no critério de especialidade. Contudo, há
julgado do STJ reconhecendo a aplicação do CPC, ainda sob a égide do código
anterior (RHC 23.040/MG).

Infelizmente o candidato está sujeito a este tipo de questionamento.


Item III: ERRADO. Nos termos do art. 528, § 5o: “O cumprimento da
pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas”.
Item IV: CORRETO. Além do STJ admitir esta possibilidade, o novo
CPC a consagra de maneira expressa no art. 782, § 3o: “A requerimento da
parte, o juiz pode determinar a inclusão do nome do executado em cadastros
de inadimplentes”.
Item V: ERRADO. Após o cumprimento do prazo máximo de prisão, não
mais será possível decretar a prisão civil do devedor em razão das mesmasparcelas
que justificaram a prisão. Havendo ao longo do procedimento o inadimplemento
de novas parcelas, é possível a decretação de nova prisão. Este é o entendimento
consolidado na jurisprudência do STJ (v. RHC 23.040/MG).

2. A respeito da execução de alimentos julgue os itens a seguir e assinale a


resposta correta: WêmS ... 'ÿ
44. EXECUçãO OE ALIMENTOS 405

I. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente


de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente
poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância da
prestação alimentícia. Sem prejuízo do pagamentodos alimentos vincen-
dos, o débito objeto de execução pode ser descontado dos rendimentos
ou rendas do executado, de forma parcelada, contanto que, somado à
parcela devida, não ultrapasse 50% de seus ganhos líquidos.
II. Verificada a conduta procrastinatória do devedor de alimentos, o juiz
deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da
prática do crime de abandono material.
III. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha
obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em três dias,
efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das
que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impos¬
sibilidade de fazê-lo. Aplicam-se a este processo de execução, no que
couber, as normas inscritas nos §§ 2° a 7o do art. 528.
Estão corretas as assertivas:
a) I, lie III.
b) fell.
c) I e III.
d) lie 111.

COMENTÁRIOS
Gabanío:A

Quando do advento de uma nova legislação, é comum que as provas de


concurso cobrem o texto expresso dos novos dispositivos. Por isso, é muito im¬
portante aleiturado novo código, especialmente das novidades. O conhecimento
dos novos dispositivos referentes à execução das obrigações de prestar alimentos
é necessário para solucionar a questão proposta.

ItemI: CORRETO. Nos exatos termos do art. 529, § 3o do novo CPC.


ItemII:CORRETO.Nos exatos termos do art. 532 do novo CPC. O crime
de abandono materialestá consagrado no art. 224 do Código Penal.
406 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

ItemIII: CORRETO.Nos exatos termos do art. 911 do novo CPC. Note-se


que o tratamento da execução dealimentosnaparte referente aoprocesso de execução
é restrito aos artigos 911 a 913. Assim, ainda que o dispositivo que fundamenta
a resposta somente menciona os §§ 2o a 7o do art. 528, as normas inscritas nos
artigos 528 a 533 (do cumprimento da sentença que reconheça a exigibilidade
de obrigações de prestar alimentos) devem ser usados como vetores informativos.
desta espécie de execução.
45

Embargos à Execução

' Stÿ“'rcC-20,6,Osembargosdodevedor
a, dez dias, desde que tenha sido previamentegarantidoojuízo,possuindo,
em regra efeito suspensivo, e devendo ser reieitados, liminarmente, se
o ewJUde. execução for seu rinico fundamento e o embargante não
declarar, na petição inicial, o valor que entende correto, apresentando
memória de cálculo, salvo se possível a emenda da inicial.
b) quinze dias, desde que tenha sido préviamente garantido o juízo, não
possuindo, em regra, efeito suspensivo, e devendo ser rejeitados, limi-
narmenté, se o excesso de execução for seu único fundámentõ e ò em¬
bargante não declarar, na petição iniciai, o valor que entende correto,
apresentando memória de cálculo.
c) dez dias, independentemente de penhora, depósito ou caução, não
possuindo, em regra, efeito suspensivo, e devendo ser rejeitados, li¬
minarmente, se o excesso de execução for seu único fundamento e o
embargante não declarar, na petição inicial, o valor que entende correto,
apresentando memória de cálculo.
d) quinze dias, índependentemènte de penhora, depósito ÓU caução, pos¬
suindo, em regra, efeito suspensivo, e devendo ser rejeitados, liminarmen-

memória de cálculo, salvo se possível a emenda da inicial.


408 QUESTÕES COMENTADAS -NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

e) quinze dias, independentemente de penhora, depósito ou caução,


não possuindo, em regra, efeito suspensivo, e devendo ser rejeitados,
iiminarmente, se o excesso de execução for seu único fundamento e o
embargante não declarar, na petição inicial, o valor queentende correto,
apresentando memória de cálculo.

COMENTÁRIOS
Gabarito: E

É preciso que o candidato fique atento às principais alterações promovidas


pelo novo CPC.No que refere ao processo de execução as mudanças se deram mais
como melhorias do que propriamente para a alteração dos institutos. No que tange
aos Embargos à Execução, todavia, o art. 915 do novo CPC promoveu algumas
alterações que merecem atenção no que refere aos prazospara apresentação, fazendo
referência inclusive ao art. 231 do novo código.
Além do temareferente aos prazos, algumas outras matérias são sempre exi¬
gidas pelas bancas, devendo o candidato estar atento: ausência de efeito suspensivo
automático dos embargos e procedimento da alegação de excesso de execução. É
exatamente sobre essas três matérias que trata a presente questão.

O gabarito dado por correto pode ser entendido com base nos seguintes
fundamentos: Os embargos devem ser opostos no prazo de quinze dias (art. 915,
caput), independentemente de penhora, depósito ou caução (art. 914, caput),
não possuindo, em regra, efeito suspensivo (art. 919), e devendo ser rejeitados,
liminarmente, se o excesso de execução for seu único fundamento e o embargante
não declarar,napetição inicial, o valor que emende correto, apresentando memória
de cálculo (art. 917, III e §§ 2o a4°).

2. (Defensor Público - DPE-SP - FCC - 2015 - adaptada) Diante de uma


execução de título executivo extrajudicial:
I os embargos do devedor têm natureza jurídica de ação, mas não sus¬
pendem a execução, uma vez que a lei condiciona o seu recebimento à
existência de penhora.
II. a objeção de pré-executividade tem caráter endoprocessual e pode ser
apresentada mesmo após o prazo para os embargos, mas apresenta res¬
trição no âmbito da cognição.
45. EMBARGOS ã EXECUçãO 409

ill. a cõricessão de tutela antecipada em uma ação autónoma de impugnação


pode suspender a ação executiva
IV. o devedor pode valer-se das defesas heterotrópicas independente de
segurança do juíio.
V. caso em embargos se alegue a inexistência do crédito e o excesso
de execução, o embargante deve indicar a parcela incontroversa do
débito em memorial de cálculo, sob pena de rejeição liminar dos;
embargos. §1J§
Está correto o que se afirma APENÁS em:
.a.
a) II, ill, IV eV.
b) II, lif e IV.
c) I, III e IV.
d) I, llelll.
e) III, IVeV.

COMENTÁRIOS
Gabarito: B

Em questões onde se apresentam itens para julgamento é importante que


o candidato observe as opções oferecidas. Nesta questão específica, por exemplo,
percebe-se que o itemIIIconsta de todas elas, o que facilita a resolução da questão
especialmente com o prazo exíguo comum nos certames.
Item I: ERRADO. A primeira parte do item está correta. Os Embargos
possuem natureza de ação e não são aptos a, por sua mera apresentação, suspen¬
der a execução. A parte final do item está errada na medida em que não se exige
a garantia do juízo para apresentação da defesa na execução. Nos termos do art.
914, caput. “O executado, independentemente de penhora, depósito ou caução,
poderá se opor à execução por meio de embargos. (...)”.
Item II: CORRETO. A exceção de pré-executividade ou objeção de pré-
-executividade é uma espécie de defesa endoprocessuaí na execução. Nos próprios
autos o executado pode apresentar uma simples petição onde alega matérias de
defesa cognoscíveis de ofício pelo magistrado ou que não exijam dilação proba¬
tória para sua verificação. São exemplos as matérias de ordem pública ou aquelas
410 QUESTÕES COMENTADAS - NOVO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

embasadas por provapré-constituída. Épossível juntar documentos ou apresentar


outras provas na petição, desde que não haja necessidade de dilação no procedi¬
mento para instrução. É uma espécie de defesa atípica consagrada pela doutrina
e jurisprudência. É possível verificar no art. 518 do novo CPC fonte normativa
para a exceção de pré-executividade.
ItemIII: CORRETO. As ações autónomas de impugnação são as chamadas
defesasheterotópicasouseja, aquelas exercidas forado procedimento regular da execu¬
ção. São ações quepodem ser utilizadas paraalterar os elementos da obrigaçãoobjeto
da execução ou o próprio título executivo que a materializa. Tratando-se de ações
autónomas, não se exige a apresentação de qualquer garantia para sua propositura.