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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ACRE

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO


DIRETORIA DE PESQUISA

RELATÓRIO FINAL DOS PROGRAMAS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

MODALIDADE:
( x )PIBIC/CNPq ( )PIBIT/CNPq ( )PIBIC/AF/CNPq
( )PIBIC/UFAC ( ) PIVIC

CENTRO:
( ) CCBN ( ) CCJSA ( ) CFCH ( ) CCSD ( ) CELA
( x ) CEL ( ) CMULTI ( ) CCET

UNIDADE INTEGRADORA: ____________________________

Título do Projeto de Pesquisa

A imagem do professor na literatura sob o olhar da mitohermenêutica

Orientador (a) Assinatura


Deolinda Maria Soares de Carvalho

Bolsista Assinatura
Aline Souza da Silva

Período do relatório: 01 de Agosto de 2017 a 31 de Julho de 2018

Cruzeiro do Sul - Acre, 26 de Junho 2018

A imagem do professor na literatura: a lírica sob o olhar da


mitohermenêutica
2

RESUMO

Este estudo situa-se no âmbito das pesquisas educacionais. Tem como objetivo
localizar imagens e posturas professorais em poesias, a fim de desvelar o que
significa ser professor por meio do olhar de diferentes poetas. Para tanto,
buscou apoio teórico-metodológico na Antropologia do Imaginário, de Gilbert
Durand, lançando mão da mitocrítica e da mitohermenêutica como recursos
analíticos. Foram localizados os símbolos: arma, árvore, casa e luz que
remetem aos regimes diurno e noturno. Percebe-se, assim, uma conciliação de
contrários que permite a comunicação entre os modos heróico e místico,
equilibrando luta e paz, razão e emoção, realidade e sonho.Deste modo, o
imaginário docente desvelado nas poesias sustenta-se na estrutura sintética,
mostrando uma percepção de professor motivada pelas funções intelectuais e
uma percepção motivada pelo amor.

PALAVRAS CHAVES: Professor. Imaginário. Poesia


1

Introdução

A figura do professor tem sido estudada na iniciação científica, levando


alunos e professores a olharem com mais atenção para a profissão docente,
por meio de diferentes perspectivas. Esta pesquisa continua uma investigação
voltada para a figura docente, com um olhar mais sensível, observando sua
presença no espaço da poesia. Edgar Morin pensando sobre a educação do
século XXI mostra que é preciso reformar o pensamento a fim de promover a
conexão das ciências naturais. Deste modo, afirma que é necessário
“( ...)integrar a contribuição inestimável das humanidades, não somente a
filosofia, a história, mas também a literatura, a poesia, as artes (2000, p.46). A
literatura, assim, pode funcionar como uma metáfora que expõe os símbolos do
homem em seu meio. “É na literatura que o ensino sobre a condição humana
pode adquirir forma vívida e ativa, para esclarecer cada um sobre sua própria
vida. (MORIN, 2005, p. 49)
Veiga Simão (2004) afirma que o professor no exercício da profissão é
reconhecido como um ser que ensina conteúdos utilizando estratégias para
que os alunos possam ampliar seus conhecimentos. Contudo, nem sempre foi
assim. A atividade desenvolvida pelo professor começou na Antiguidade.
Naquela época, os escravos levavam os filhos da classe alta para ouvir os
pensamentos filosóficos já estabelecidos até então, sem haver alusão de
ensino e aprendizagem entre eles. Localiza-se, assim, a acepção da palavra
professor como aquele que “declara perante um magistrado, que faz uma
declaração”, cuja origem está no radical da forma latina professum, que vem de
profiteri, como mostra a etimologia. Somente na Idade Média, há a gênese da
figura do professor, a partir de ensinamentos religiosos, na qual a igreja
estabelecia o que deveria ser ou não estudado, tendo grande influência
religiosa com educação valorizada (Nóvoa, 1991).
No Brasil, a história docente inicia-se com os jesuítas, com a ideia de
catequizar os índios, propagar a fé, ensinando-os a ler etc., o que facilitaria a
comunicação e a própria dominação. Assim, o trabalho docente vai se
complexificar, agregando novos valores à palavra professor que passa a
representar, na atualidade, um sujeito que desempenha um papel importante
na formação dos indivíduos, por meio de estratégias teórico-metodológicas
voltadas para o melhor entendimento do aluno.(Moreira, 2014, p. 23) De acordo
com Ruben Alves “Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma
continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela
magia da nossa palavra.O professor, assim, não morre jamais...” (1994, p. 4).
Deste modo, o percurso histórico dessa figura mostra o quão importante
o professor se tornou para a formação dos sujeitos na sociedade. Logo, da
análise de qualquer geração vivida, haverá de algum modo alguém que tenha
passado pelas entrelinhas da história de vida de outra pessoa, a qual contribuiu
para a transformação de sua vida através e seus ensinamentos.
Os estudos da imagem do docente nos concedem um amplo campo de
conhecimentos e de pesquisas mediante os traços da Antropologia do
Imaginário que nos traz símbolos arquetípicos para a observação e
representação da figura do professor na poesia, que foi analisada a partir da
compreensão dos símbolos que perpassam pelas imagens professorais,
revelando como os poetas interpretam e referem-se aos docentes na literatura.
Neste sentido, foram realizadas a leitura e análise das seguintes
poesias: “A força do professor”, “A primeira professora”, “Obra sua”, “Ser
professor”, “Prezados professores”, “Peça-chave”, “Professores”, “O professor
disserta sobre um ponto”, “Mestre”, “Amigo e companheiro”, “Aos professores”,
“Os professores da minha vida”, “A chave”, “Palmas”, “Parabéns professores”,
“Educadores”, “Elevar”, “Eterno sonhador”, “Alicerce”, “Ensinar”, “Nossos dias
são preciosos”, “Feliz dia maestro” e “Todos os professores”.

Objetivos (Geral e Específicos)


Objetivo geral:
Identificar os símbolos que transitam na linguagem lírica, localizando a imagem
de professor;
Objetivos Específicos:
♦ levantar textos que exploram a imagem de professor;
♦ organizar os textos por gêneros;
♦ localizar as ideias-forças presentes nos textos;
♦ analisar as imagens de professor identificadas, por meio da mitocrítica e da
mitohermenêutica.
Metodologia

A poesia é uma das sete artes tradicionais, pela qual a subjetividade


emana de forma estética ou crítica. Neste sentido, ela retrata algo em que tudo
pode acontecer dependendo da imaginação do autor como a do leitor. No
fundo, a poesia quer dizer duas coisas: a arte que comunica e ensina; e a obra
feita com a arte. Logo, a arte nada mais é que a própria poesia ( ALMEIDA
(sXVI) apud MUHANA, 2006).
A poesia apresenta-se como um texto poético que, em sua maioria, é
composta por metáforas exigindo atenção e interpretação dos jogos de
palavras constituintes da sua estrutura. Neste contexto, as poesias analisadas
abrem grandes portas para a identificação de símbolos e imagens que revelam
a essência do professor na lírica. Sob a perspectiva do simbólico, a
mitohermenêutica se apresenta como recurso de análise, abrangendo uma
atitude interpretativa e reflexiva quanto aos traços arquetipais relacionados à
poesia, pois “o arquétipo, para lá de qualquer espaço sociocultural para cá de
qualquer tempo histórico, permanece como unidade constitutiva e formadora,
numa espécie de firmamento antropológico[...]” (SANCHES, M. C.; ARAÚJO, A.
F., 2011, p. 49 apud DURAND, 1998, p. 154). Assim, compreende-se que as
imagens e símbolos não só representam um passado restrito e acabado, mas
sim construídos a partir do imaginário coletivo e isso nos auxiliará nos
resultados e discussões do presente projeto.
Para Sanches e Araújo (2011), o imaginário almeja identificar os
componentes do psiquismo humano, ou seja, a ideia que determina a estrutura
arquetípica, formando as imagens e símbolos principais, que se ancoram
nessas representações simbólicas impostas no inconsciente.
Neste diapasão, da análise das poesias em questão, constata-se que o
professor apresenta diversas características e valores que constituem as
ideias-forças, como por exemplo, superação, construtividade, compreensão e
condutor de conhecimento.
Tais ideias-forças serão debatidas nos resultados e discussões,
momento em que se mostrará a ligação destas com suas respectivas
simbologias atribuídas por alguns dos poetas através do mito. Segundo
Durand,
Entendemos por mito um sistema dinâmico de símbolos, arquétipos e
esquemas, sistema dinâmico que, sob o impulso de um esquema,
tende a compor-se em narrativa. O mito já é um esboço de
racionalização (...) no qual os símbolos resolvem em palavras e os
arquétipos em ideias. (...) podemos dizer que o mito promove doutrina
religiosa, o sistema filosófico ou (...) a narrativa histórica e lendária.
(2002,p.62)

O ser humano compõe e nomeia os determinados símbolos e imagens


como arquétipos, de modo constitutivo, ou seja, quando se pensa em um livro,
não se pode relacionar seu significante como uma colher, pois se estabeleceu
a partir de uma unidade formadora construída ao longo da história. Desta
forma, toma-se apoio na mitocrítica que investiga, num autor ou obras, os mitos
que podem ser significantes, adentrando em sua unidade formadora e
constitutiva, auxiliando na busca de arquétipos e ideias- forças presentes nas
poesias.
Para ter-se uma melhor compreensão e capacidade de encontrar
imagens e símbolos professorais na literatura, especificamente na lírica, tomou-
se como base os referenciais teóricos metodológicos de Gilberto Durand, com
As estruturas antropológicas do imaginário e imaginário e educação, visando
um estudo sucinto sobre o imaginário sob o olhar da mitohermenêutica. Além
disso, foram realizadas diversas leituras de livros a fim de se compreender
melhor o que é ser professor, como por exemplo: Pedagogia da autonomia de
Paulo Freire e Alegria de ensinar, de Rubem Alves, além da grande ajuda do
Dicionário de símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheernrant, na busca das
simbologias presentes nas poesias.

Resultados e Discussão

A noção de imaginário trabalhada aqui guarda um sentido de “[...]sistema


dinâmico aberto em que ‘agrupamentos sistêmicos de imagens comportam uma
espécie de princípio de auto-organização, de autopoiésis, abrindo sem cessar o
imaginário às inovações, transformações e recriações.” (TEIXEIRA e ARAÚJO,
2011, p.41) O imaginário, assim, funciona como um organizador de todo
pensamento humano que se constitui por meio de uma herança imagética de
configuração mítica.
A mitohermenêutica e a mitocrítica, a partir dessa compreensão, lançam
um olhar observador e interpretativo para a apreensão da imagem professoral,
identificando estruturas figurativas que formam os regimes do imaginário,
agregando e categorizando imagens como duas forças antagônicas sendo
denominadas por Durand, como: regime diurno e regime noturno.

Desta maneira, o regime diurno se caracteriza pela existência simbólica de uma


imaginação heróica, refletindo traços arquetipais por meio de uma lógica
ascensional e antitética. Já o regime noturno se caracteriza a partir dos traços
míticos que marcam uma ação assimiladora sob o signo da conversão e do
eufemismo conservados nas simbologias destacadas.(Maria Cecília, Alberto
Filipe, apud Durand, 2011, p. 51).

Para confirmar tais percepções, através das análises feitas, destacam-


se as ideias-forças presentes nas poesias que, à luz da mitohermenêutica,
permitiram que os traços simbólicos fossem encontrados. Pois, segundo Durand
(2011, p.77)

O universo humano é simbólico, e só é humano na medida em que o


homem atribui sentido às coisas e ao mundo através da imaginação, a
qual, no seu entender, ao mesmo tempo funda e transcende as
atividades da consciência.

Os poetas deixam transparecer de forma subjetiva e humana o


simbolismo no universo poético de suas produções voltadas para a figura
docente, fundindo através da escrita suas experiências e devaneios.
Dentre as 23 (vinte e três) poesias analisadas, 9 (nove) foram
trabalhadas no decorrer desta pesquisa, localizando-se as ideias-forças e
símbolos presentes nas obras. Assim, o professor é revelado no espaço poético
por meio de relações em que a superação de obstáculos, construtividade,
condutor de conhecimento e compreensão se fazem marcantes.
O professor, como um ser que supera os obstáculos, está denotado nas
obras Peça-chave, de Mardilê Friedric, Aos professores, de Mariana Fialho e A
força do professor de Braulio Bessa. As poesias mostram que ser professor não
é uma tarefa fácil e sim desafiadora. Destacam situações em que o professor
deixa seus filhos em casa para ir lecionar; em que é desvalorizado pelos alunos
em sala de aula; em que enfrenta trabalho exaustivo, em elaboração das aulas
e correção de provas, às vezes sem dormir, persistindo num futuro e na
educação do aluno que, muitas vezes, não se interessa e, ainda, em que é
desvalorizado pelos governantes do país.
Diante dessa situação caótica, surge uma ideia de positividade que se
sustenta por meio das palavras esforço, acreditarem e incansável. Conforme o
dicionário de sinônimos, o substantivo esforço é o mesmo que energia, força,
estímulo, impulso, vigor, batalha. Assim, indica a possibilidade de superação. O
verbo acreditar corrobora esse sentido, pois crer é convencer-se da existência
de alguma coisa, no caso, de algo melhor. O adjetivo incansável ratifica esse
sentido, acrescentando ainda uma acepção para qualificar um ser como aquele
que não descansa.
Apesar das dificuldades representadas nas poesias, como pode-se ver
nos versos: “Professor incansável das noites insones/Peça-chave

(desvalorizada) da grandeza de um país .” e “Que deixam seus filhos, sua casa


e seu conforto para nos ensinar,/Que às vezes não têm a recompensa que
merecem”, há uma possibilidade de reversão pela crença de que pelo esforço
incansável pode-se mudar. Esforço, acreditar e incansável são palavras que
podem mostrar que o professor se faz forte, resistente, protegendo-se do mal
que o consome por meio de um recurso que funciona como se fosse uma arma.
Segundo Durand,

A arma de que o herói se encontra munido é, assim, ao mesmo tempo


símbolo de potência e de pureza. O combate se cerca
mitologicamente de um caráter espiritual, ou mesmo intelectual,
porque “as armas simbolizam a força de espiritualização e de
sublimação.” ( 1997, p. 161)

A arma assim surge como um instrumento libertador, visto até mesmo


junto aos anjos da cristandade. Miguel, por exemplo, é um arcanjo guerreiro que
luta contra o diabo para proteger os homens na terra. O professor, em sua
representação imaginária, lança mão desse recurso para superar os obstáculos
que a carreira o faz enfrentar. Ao invés de desistir, ele opta por se manter na
profissão, que lhe permite adquirir conhecimento para si e, também, para seus
alunos. Como afirma Braulio Bessa na sua poesia: Segurando um giz na mão/ o
livro é seu escudo/ que lhe protege de tudo/ que possa lhe causar dor/ (...)tenho
fé e acredito/ na força do professor. [...]. Vê-se, portanto, que o conhecimento
transfigura-se na arma professoral, pois é ele que pode lhe garantir realização
e sucesso.
As poesias Obra sua, de Elimary Matias, e Ser professor,de Conceição
Chaves, trazem como ideia-força a construtividade, mostrando o docente
como o construtor de várias outras profissões, como ditam os trechos destas:
“(...)Porque se trata da célula que emana vida/ e origina toda e qualquer
profissão.” e “O professor semeia e constrói um mundo.../De magia, beleza,
sonhos e conhecimento.” Diante disto, os poetas revelam o professor como um
ser que constrói a sociedade e o mundo, pois semeiam o conhecimento,
preparando os indivíduos para todas as profissões.
Neste contexto, a palavra semeia evoca a figura da árvore, símbolo do
conhecimento, como nos mostra a Bíblia Sagrada, com a presença da árvore do
conhecimento em sua Gênesis. Para Bachelard, “uma única árvore é todo um
universo.” (1990, p. 229) Pela força do broto germina o fruto que se transforma
em semente, num movimento cíclico de regeneração. Assim, o professor toma
o conhecimento e semeia-o, dando frutos.
Esse elemento localiza-se no regime noturno, em que a harmonização se
apresenta. Assim, a queda é convertida em descida interior em busca do
conhecimento. É este elemento que sustenta o professor em sua profissão que
se mostra como possibilidade de morte e vida. Essa representação cíclica da
árvore a situa na estrutura sintética, equilibrando os contrários da profissão
docente, salvaguardando os contrários pela possibilidade do recomeço. O
professor, assim, liga-se ao futuro, fazendo parte de sua construção.
Foi identificada ainda a ideia-força do lecionador como um ser
compreensivo de acordo com as poesias Mestre, de Maria Eduarda Dias e
Amigo e companheiro, de Isabela Donald. Pode-se ver nos versos: “(...)Mestre/é
você, meu professor amigo/que me compreende, me estimula[...]” e “(...)e por
isso eu vos digo:/o professor é mais um amigo/ companheiro para toda
vida[...]” , dessa forma argumentando que este é a pessoa que compreende as
dificuldades dos alunos e os estimula a superá-las.
Ao carregar esta marca, surge uma ideia de harmonia que sugere a
imagem de um jardim. Assim, o professor representa o jardineiro que cuida de
suas flores, deleitando-se com sua beleza e perfume. Com aroma agradável, o
jardim é um símbolo do paraíso terrestre, no qual o Cosmos é o centro deste
paraíso, representando estados espirituais de convivências, no qual os temas
do jardim estão comparados com frescor, sombra e refúgio (CHEVALIER;
GHEERBRANT, 2017, p. 512-513).
Com essa representação, pode-se encontrar a figura da casa. Chevalier
e Gheerbrant (2017) afirmam que a casa também é um símbolo feminino, com
um sentido de refúgio, de mãe, de proteção, de seio maternal. Destarte, o
símbolo da casa está representada pelo regime noturno, gravitando em torno de
adjetivos como amigo e companheiro, adotando a estrutura mística, o qual
explicita uma ação assimiladora, de união, constelando imagens de encaixe
entre o professor e aluno como, por exemplo, a relação de afeto existente entre
eles.
A partir da identificação dos símbolos e localização de alguns arquétipos,
vemos a figura do professor associada ao conhecimento, como nas poesias:
Educadores, de Jussara Gondinho; Elevar, de Cora Carolina. Elas referem-se
ao professor como condutor ao conhecimento, mestre que conduz para o
sucesso e guia que os leva à sabedoria.
Deste modo, a simbologia representada pelo professor nas poesias é de
luz de acordo com os seguintes trechos das poesias supracitadas:
“Mestre(...)/ilumina mentes/descobre caminhos/mostra horizontes[...]”,
“Professor, ‘sois o sal da terra e a luz do mundo’/Sem vós tudo seria baço e a
terra escura[...].”. Destarte, o professor percorre um caminho de dedicação e
aprendizado, para tornar-se o guia e iluminador até o conhecimento, com o
intuito de obter resultados positivos na trajetória dos seus alunos.
A partir das imagens emanadas do espaço literário, desponta a imagem
heroica de Apolo,que por sua vez, apresenta características relacionadas ao
professor como a luz que conduz ao conhecimento, em:

Ao surgir durante a noite(...),Febo Apolo, deus do arco de prata (canto


I), brilha como a lua. Será preciso levar em conta a evolução dos
espíritos e a interpretação dos mitos para que se possa conhecer nele,
muito mais tarde, o deus solar, o deus de luz, e para entender que seu
arco e suas flechas sejam comparados ao Sol com seus raios.
(CHEVALIER; GHEERBRANT, 2017, p.66)

Assim, o professor comparado à figura de Apolo transcende sua luz


guiando ao conhecimento, iluminando e abrindo caminhos que rompem as
dificuldades e desvalorizações que se tornam obstáculos na carreira do
professor, levando em conta seu arco e suas flechas comparados aos raios do
sol, ou seja, os alunos são atingidos pelos raios iluminados de conhecimentos,
sendo luz que conduz a uma sociedade sem maldades, sem violências e justa,
pois “Apolo é o símbolo da vitória sobre a violência, do autodomínio no
entusiasmo, da aliança entre paixão e razão [...]” (CHEVALIER e
GHEERBRANT, 2017, p. 67).
A partir das analises realizadas, apresenta-se o quadro com os símbolos
presentes nas poesias que desvelam a figura do professor.

IDEIAS FORÇAS SÍMBOLOS ESTRUTURA REGIME

Superação Arma Heróica Diurno

Construtividade Árvore Sintética Noturno

Compreensão Casa Mistica Noturno

Condutor de Luz Heróica Diurno


conhecimento

Da análise das poesias supramencionadas, constata-se que alguns


autores tendem a mostrar o professor como uma figura heróica e mística.
Assim, um ser vitorioso que embora encontre diversas dificuldades no caminho
é capaz de encontrar sempre uma saída gratificante.
Das poesias, portanto, emergem elementos que consolidam o regime
diurno e o noturno, podendo refugiar-se das dificuldades enfrentadas no espaço
escolar. Ante os elementos presentes nas poesias,o professor é, então, aquele
que dá vida, que constrói, que dá forma e informa seus alunos, se tornando
um ser harmonioso diante deles, convertendo-se em refúgio, capaz de
estabelecer o senso compreensivo perante sua imagem dentro da sala de aula
como lecionador.

Conclusões
As poesias analisadas nos revelam algumas imagens professorais.
Constatamos um perfil heróico, como um perfil místico, possibilitando o
encontro com modos de agir marcados pelo sentimento e aconchego,
suavizando, portanto, as ações viris das lutas.
Percebe-se assim uma conciliação de contrários que permite a
comunicação entre os modos heróico e místico, equilibrando luta e paz, razão e
emoção, realidade e sonho. Deste modo, o imaginário docente desvelado nas
poesias sustenta-se na estrutura sintética, mostrando uma percepção motivada
pelas funções intelectuais e uma percepção motivada pelo amor.

Referências

ALMEIDA, Manuel Pires de (1597-1655). Discurso sobre o poema heróico.


Manuscrito depositado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Lisboa), cota:
Casa do Cadaval, vol.1, fls.629-37.

ALVES, R. A alegria de ensinar. Ars poetica editora ltda, 1994.

CHEVALIER, J.; GHEERBRANT, A. Dicionário de símbolos: (mitos, sonhos,


costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Rio de Janeiro: José
Olympio, 2017.

COSTA, F. T. P. A história da profissão docente: imagens e autoimagens.

DURAND, G. As estruturas antropológicas do imaginário. São Paulo:


Martins Fontes, 2002.

MENSAGENS COM AMOR. Poemas de dia dos professores. Disponível em:


https://www.mensagenscomamor.com/poemas-dia-dos-professores. Acesso em:
13 fev. 2018.

Moreira, Ana E. C. Relações entre as estratégias de ensino do professor,


com as estratégias de aprendizagem e a motivação para aprender de
alunos do ensino fundamental 1 / Ana Elisa da Costa Moreira. – Londrina,
2014.

NÓVOA, A. Para o estudo sócio-histórico da gênese e desenvolvimento da


profissão docente. In Teoria & Educação. Pannonica, n.4, 1991.
PENSADOR. Versos e poesias para professores. Disponível em:
https://www.pensador.com/versos_e_poesias_para_professores/. Acesso em: 15
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TEIXEIRA, M. C. S.; ARAÚJO, A. F. Gilbert Durand: imaginário e educação.


Niterói: Intertexto, 2011.

VEIGA SIMÃO, A. M. Integrar os princípios da aprendizagem estratégica no


processo formativo dos professores. In: SILVA et al. A aprendizagem
autoregulada pelo estudante: perspectivas psicológicas e educacionais. Porto:
Porto Editora, 2004. p. 95-106.