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TÍTULO: PRÉ-VEST

AUTORES: Dálcio Ricardo de Andrade; Ioanes Vicente da Silva Sideres; Marcio Ferreira
Rodrigues; José Leonardo Gualberto Ramos; Eduardo Shimoda; Marcelo Silva Sthel;
Danuza da Cunha Rangel e Elba Suely Gomes Pessanha G. Mesquita.
ÁREA TEMÁTICA: educação

O elefante e a pulga

“.....a globalização é perversa porque considera que o


leão e a barata, o elefante e a pulga estão em igualdade
de condições perante a selva e a vida”
(Cony, 1996, p. 2)

O vestibular é considerado pela maioria das Universidades Públicas


brasileiras como o único meio de acesso ao seu quadro discente. Especificamente no
Estado do Rio de Janeiro, as Universidades, Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal
Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Estadual do Norte
Fluminense (UENF), UNIRIO, além de outras Instituições Públicas de Ensino Superior,
elaboram processos seletivos unicamente baseados em Concursos Vestibulares.
Constitui-se em senso comum o fato de que candidatos carentes têm, em
média, menores chances de aprovação nestes concursos. Os obstáculos representados pela
dificuldade financeira podem ocultar seus potenciais, não raro, superiores a de outros
candidatos com condições financeiras superiores. São inúmeras as dificuldades a que são
submetidos: a maioria cursou integralmente o ensino médio em escolas públicas com
qualidade inferior à encontrada em escolas particulares; muitos trabalham para auxiliar a
família e em função do trabalho e do deslocamento até este (por meio de ônibus, bicicleta,
à pé, etc.), estão cansados no tempo disponível que têm para estudar; muitas vezes não têm
alimentação adequada e os horários de lazer são escassos, quando não inexistentes,
dificultando sobremaneira o rendimento escolar desses alunos;
Neste contexto, parece evidente a necessidade de desenvolvimento de meios
que reduzam as discrepâncias entre as chances reais de acesso destes alunos carentes em
relação aos alunos com nível social mais privilegiada.
O Curso PRÉ-VEST/UENF foi criado em Agosto de 1995, a partir da
iniciativa de estudantes de graduação, auxiliados por pós-graduandos e professores da
UENF, todos voluntários, com o objetivo de preparar estudantes carentes da região para o
concurso vestibular da UENF.
Neste curso, os alunos, isentos de taxas de mensalidade, assistem aulas de
segunda à sexta-feira no período noturno e Sábados no período diurno. Atualmente, o
número de vagas é limitado em 90 alunos. O número de inscritos tem variado de 1300 a
1600 candidatos por processo seletivo.
Desde sua criação, o Pré-Vest/UENF vem registrando resultados positivos,
com a manutenção de uma média de 60 % de aprovação de seus alunos nos últimos
vestibulares de universidades públicas. Os primeiros ex-alunos do curso já se formaram e
alguns deles ingressaram em Programas de Pós-Graduação (Mestrado), demonstrando
serem detentores de potencial produtivo que só pôde se expressar mediante a chance
representada pelo Pré-Vest/UENF.
Campos dos Goytacazes, como toda região e o país, apresenta uma
população com a maioria de excluídos que se inserem em vários contextos, sejam eles
relacionados a cor, aspectos sócio-econômicos, idade, etc. Sendo o PRÉ-VEST/UENF um
curso sem fins lucrativos e que tem por objetivo preparar estudantes carentes para os
concursos vestibulares como o da UENF, este vem com uma atuação gloriosa, pela sua
completa voluntariedade contribuindo para a diminuição das desigualdades sociais e
étnico-raciais, já que possui como público alvo pessoas carentes, onde se inclui pessoas das
mais variadas etnias.
Através destas ações o Curso pode proporcionar a estas pessoas a
oportunidade e satisfação de continuar o seu processo de desenvolvimento cultural e
profissional perante a sociedade.
O Curso PRÉ-VEST/UENF é um curso sem fins lucrativos, gratuito,
idealizado, coordenado e mantido essencialmente por acadêmicos da UENF, todos
voluntários; volta-se à preparação de estudantes carentes para o concurso vestibular da
UENF.
O curso é praticamente auto-suficiente no plano financeiro, não
representando, o seu funcionamento, custos adicionais à instituição, salvo a necessidade de
materiais de consumo para realização das aulas.
O Curso Pré-Vest/UENF tem como objetivos gerais:
1. Proporcionar condições para que os alunos de maior potencial, mas
privados de maior de chance nos vestibulares em função da situação financeira, ingressem
na UENF, incrementando a qualidade do corpo discente;
2. Representar elo de ligação universidade-comunidade, aplicando de forma
prática, palpável e imediata dinheiro público em prol da sociedade;
3. Mobilizar e trazer à UENF grande número de estudantes secundaristas
que se inscrevem no processo de seleção;
4. Divulgar a universidade através da mídia (jornais, rádios, TV), que
noticia o processo de seleção e, muitas vezes, entrevista pessoas envolvidas no mesmo;
5. Proporcionar melhor formação aos discentes da instituição que lecionam
no PRÉ-VEST/UENF; desenvolvendo neles maior capacidade de expressão e possibilidade
de desenvolverem vocações antes inexploradas;
6. Propagar uma imagem de competência da universidade, dada a
organização e eficiência do curso.
O projeto “Curso Pré-Vest/UENF” tem como objetivo específico verificar a
eficiência do Curso como meio de ascensão social e de aprovação no Vestibular da UENF.
As aulas são ministradas de segunda a sexta-feira das 18:15 às 22:45 h e nos
sábados, das 8:00 às 12:00 e de 14:00 às 18:00 h. Podendo também ocorrer aulas extras aos
domingos e feriados em horários pré-estabelecidos.
Durante o período da tarde são oferecidas monitorias, em horários
estabelecidos pela coordenadoria de cada disciplina e de acordo com a disponibilidade dos
monitores.
O curso pré-vestibular é constituído, em ordem hierárquica decrescente,
pelo Conselho Geral, pela Coordenação Geral, pelas Coordenadorias das disciplinas, pelos
docentes e pelos discentes. A comissão permanente de simulados (COPES) e outras
comissões extraordinárias são designadas pela Coordenação Geral ou pelo Conselho Geral.
Os mandatos nos cargos previstos tem duração de 1 ano ou vale até o término do ano
letivo, sendo permitida a reeleição e acúmulo de cargos.
Ao Conselho Geral cabe a definição das diretrizes básicas do curso Pré-
Vestibular, constituindo-se no órgão máximo de decisão.
O Conselho Geral funciona por meio de reuniões ordinárias, realizadas um
vez por mês, ou através de reuniões extraordinárias, convocadas por, pelo menos, 3
membros do Conselho ou por um dos Coordenadores Gerais.
O quorum, necessário para a validação das Reuniões, é de 30% dos
membros do Conselho Geral.
O Conselho Geral é constituído por: um coordenador; os membros da
Coordenação Geral; dois coordenadores de cada disciplina; um representante dos discentes
e seu suplente.
Os dois representantes de cada disciplina são eleitos em reunião aberta aos
docentes da disciplina, presidida pelo coordenador do Conselho Geral.
A eleição do representante dos estudantes e de seu suplente é convocada e
presidida por um dos coordenadores da Coordenação Geral.
O coordenador do Conselho Geral é um professor eleito dentre os membros
da Coordenação geral.
Os docentes são os responsáveis diretos pelo correto andamento das aulas e
pela assimilação do conteúdo por parte dos alunos, ficando a seus cargos determinar como
conduzir a aula e quais metodologias utilizar.
São considerados como alunos ou discentes do curso Pré-Vestibular da
UENF aqueles que se inscrevem, são selecionados, se matriculam e têm disponibilidade de
horário para freqüentar as aulas conforme o Artigo 3º.
Podem se inscrever e concorrer a uma vaga no curso Pré-Vestibular aqueles
que possuem, comprovadamente, o 2o grau completo ou apresentam comprovante de
matrícula no 3o ano do 2o grau.
Os critérios para seleção dos candidatos às vagas são definidos por uma
comissão designada pela Coordenação Geral, sendo consideradas a situação sócio-
econômica, nível de conhecimento geral do candidato e sorteio.
A eficiência do curso é avaliada mediante verificação do índice de
aprovação nos vestibulares de Universidades Públicas. São avaliados os seguintes
parâmetros:

a) número total de aprovados


b) números de inscritos no vestibular
c) percentual de aprovação
d) percentual de aprovação por curso
e) número de ex-alunos formados
f) rendimento acadêmico de ex-alunos
g) destino de ex-alunos formados na UENF
h) notas médias e desvios-padrão geral e por disciplina em cada curso do
Vestibular.

São, ainda, comparados estatisticamente, os índices de aprovação de alunos


oriundos de escolas públicas que cursam o Pré-Vest/UENF, e os que não cursam, além da
correlação entre as notas dos simulados e as notas obtidas no Vestibular.
Obtidos os resultados do vestibular e dos simulados, estes são analisados
por intermédio do aplicativo SAS (Statistics Analysis System, SAS, 1990), sendo
apresentadas as médias, desvios-padrão e coeficientes de variação. A equação de regressão
entre os parâmetros notas no simulado x notas no vestibular tem sua significância testada
pelo teste F.: o índice de aprovação dos alunos oriundos de Escolas Públicas que cursaram
o Pré-Vest/UENF é comparado às notas dos que não cursam mediante o teste F.
(PIMENTEL GOMES, 2000).
Segundo KUENZER (2000), o desenvolvimento e o bem-estar só serão
plenamente possíveis numa sociedade em que todos desfrutem igualmente das mesmas
condições de acesso aos bens materiais e culturais socialmente produzidos. Ou seja, numa
sociedade em que os jovens possam exercer o direito à diferença sem que isso se constitua
em desigualdade, de tal modo que a escolha por uma trajetória educacional e profissional
não seja socialmente determinada pela origem de classe. Ou, exemplificando, que a
decisão de não cursar o nível superior corresponda ao desejo de desempenhar uma função
que exija qualificação mais rápida, mas que seja igualmente valorizada socialmente,
propiciando trabalho e vida digna; isso exigiria que potencialmente existissem vagas para
todos que desejassem ingressar no Ensino Superior.
Ainda segundo o mesmo autor, tal não acontece, e o Brasil, particularmente,
está muito distante dessa possibilidade; as vagas em número insignificante configuram
uma situação em que o acesso a esse nível – em particular aos cursos nobres, que exigem
tempo integral, escolaridade anterior de excelência, financiamento de material técnico,
bibliográfico, além de cursos complementares à formação – é reservado àqueles de renda
mais alta, ressalvadas algumas exceções que continuam servindo à confirmação da tese da
meritocracia. Ao mesmo tempo, o mundo do trabalho reestruturado, no âmbito da
globalização da economia, restringe cada vez mais o número de postos, enquanto cria, ou
recria, na informalidade, um sem-número de ocupações precárias que, embora ainda
sirvam à sobrevivência, longe estão de permitir um mínimo de dignidade e cidadania.
É com essa realidade que o Ensino Médio deverá trabalhar, ao estabelecer
suas diretrizes curriculares: um imenso contingente de jovens que se diferenciam por
condições de existência e perspectivas de futuro desiguais. É com base nela que se há de
tratar a concepção (KUENZER, 2000).
Se, por um lado, a crítica à dualidade estrutural mostra seu caráter perverso,
por outro, simplesmente estabelecer um "modelo dito único", tal como o proposto na
Resolução 03/98 CNE, não resolve a questão, posto que submeter os desiguais à igual
tratamento só faz aumentar a desigualdade (KUENZER, 2000).
Com a progressiva perda de conteúdo do trabalho, que vai se tornando cada
vez mais abstrato pela crescente incorporação de ciência e tecnologia ao processo
produtivo para atender aos objetivos da acumulação, à formação intelectual, demanda até
então restrita a um número reduzido de funções, passa a ser requerida para o conjunto dos
postos transformados pela reestruturação produtiva. Embora esse processo não atinja da
mesma forma o conjunto das atividades produtivas, não podendo a nova demanda ser
generalizada, aos novos paradigmas corresponde uma nova cultura, marcada pela presença
de novas tecnologias que permanentemente se transformam, e, ao fazê-lo, também
transformam todas as dimensões da vida social e produtiva, ainda que com impactos
diferenciados, particularmente num país como o Brasil, onde as desigualdades são muito
acentuadas (HARVEY, 1992).
Não se pode negar a óbvia correlação que há entre origem social e
desempenho escolar, assim como suas dramáticas conseqüências sociais. São discutíveis,
no entanto, certas formulações que se aproximam do conhecimento senso comum, para o
qual se lhe escapa o fato de que a correlação é uma associação, positiva ou negativa, entre
grandezas, importante para certos fins, mas que não permite a configuração do todo nessas
grandezas. Em outras palavras, nem é verdadeiro que todos os alunos de origem social alta
têm que ser bem-sucedidos nem, de igual forma, que os de origem social mais modesta têm
que ser mal-sucedidos em termos escolares (HARVEY, 1992).
Estudos com base empírica evidenciam uma correlação estatística positiva
entre continuidade da trajetória educacional do educando e elevado nível socioeconômico-
cultural de sua família (D´ÁVILA, 1998).
Um olhar comparativo entre dados dos anos 80 e os dos anos 90 revela
queda substancial em alguns cursos das porcentagens de egressos da escola pública, então
chamada de 2º grau, e o que é pior, uma mudança no movimento dos dados que parece
indicar a total inadequação entre escola pública de ensino médio e Universidade
(WHITAKER & FIAMENGUE, 2001).
O PRÉ-VEST/UENF funciona a seis anos, nas condições anteriormente
citadas. Tem apresentado, ano a ano, progressos significativos na sua organização e na sua
eficiência, haja visto:
a) A implementação de normas de funcionamento, prevendo desligamento
de alunos baseado em critérios disciplinares, de freqüência e de rendimento, cuja
relevância e eficiência é reconhecida inclusive pelos alunos;
b) O processo de seleção para ingresso ao curso no ano letivo corrente, que
exigiu dos candidatos: a aquisição do manual do candidato, entrega da ficha de inscrição e
do formulário sócio-econômico para efetivação da inscrição, aprovação na análise sócio-
econômica, na prova de Conhecimentos Gerais, na entrevista e na visita domiciliar.
c) O número de alunos aprovados em vestibulares:

ANO NÚMERO DE APROVADOS


1996 01
1997 05
1998 19
1999 19
1999 / II 37
2000 28
2001 30
2002 35

Total de alunos aprovados para Universidades Públicas: 174 alunos


Alunos aprovados na UENF: 122 alunos
Alunos aprovados em outras Universidades Públicas: 52 alunos
d) A realização de quatro simulados anuais, abrangendo o conteúdo
programático já ministrado e realizado à semelhança do vestibular da UENF (número de
questões, tempo para realização das provas, seqüência das provas, etc);
e) A realização de avaliações bimestrais do curso, coordenação e
disciplinas. À princípio, estas avaliações eram realizadas por meio do preenchimento de
questionários pelos alunos. Atualmente, os alunos procedem à avaliação diretamente em
computadores, em programa desenvolvido no aplicativo “Acess”.
f) A realização de visitas técnicas a departamentos da UENF e a outras
universidades, como a UFV e a UFF.
Embora o curso funcione de forma eficiente da maneira como é conduzido
atualmente, existe a pretensão de se aumentar o número de alunos atendidos por este
projeto social.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONY, C.H. O elefante e a pulga. Folha de S.Paulo, São Paulo, p.2, jul. 1996.
D'ÁVILA, J.L.P. Trajetória escolar: Investimento familiar e determinação de classe.
Educ. Soc., Abr 1998, vol.19, no.62, p.31-63.
HARVEY, D. A condição pós-moderna. São Paulo: Loyola, 1992.
KUENZER, Acacia Zeneida. O Ensino Médio agora é para a vida: entre o pretendido, o
dito e o feito. Educ. Soc., abr. 2000, vol.21, no.70, p.15-39.
PIMENTEL GOMES, F. Curso de Estatística Experimental. 14a edição. Piracicaba:
ESALQ-USP, 2000.
SAS Institute. SAS user’s guide: statistics, version 6.04. Cary: SAS Institute Inc., 1990.
956p.
WHITAKER, D.C.A. e FIAMENGUE, E.C. Ensino médio: função do estado ou da
empresa?. Educ. Soc., ago. 2001, vol.22, no.75, p.200-232.
WHITAKER, D.C.A. Resenha - Educando Para O Trabalho: Família e Escola Como
Agencias Educadoras (Demartini/Lang). Educ. Soc., p.140 - 142, 1989.