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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA: Faça o TESTE e descubra se está acontecendo com

VOCÊ! (teste para Mulheres)

Marcadores: Teste da Semana

domingo, 11 de janeiro de 2015

Você preocupa-se constantemente que seu parceiro fique com raiva ou chateado se
você fizer ou disser algo quando está ao lado dele? Tem medo discordar dele? Ele
te critica ou te envergonha na frente de outras pessoas? Ele checa constantemente
onde você esteve, com quem falou, quem te ligou, onde você está? Ele é muito
ciumento e te acusa de o estar traindo? Ele te obrigou a parar de falar com
determinadas pessoas ou ir a determinados lugares? Você pode estar sendo vítima
de violência doméstica, mesmo que seu parceiro não esteja te agredindo
fisicamente.

A agressão psicológica é tão danosa, ás vezes pior, que a agressão física, por não
deixar marcas que alertem as pessoas à sua volta pelo que está passando. Muitas
vezes após muito tempo de convivência o parceiro começa a revelar este tipo de
comportamento e a mulher, acreditando que é uma fase, que ele voltará a ser como
era, que foi 'somente desta vez', tolera por anos a fio ser agredida
física/mental/sexualmente por indivíduos que ou precisam de tratamento psicológico
ou, às vezes, deveriam estar presos. Faça o teste de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA e
obtenha ao final um relatório personalizado gratuito se você, ou alguma mulher
próxima que apresente os indícios citados, ESTÁ SENDO VÍTIMA DE VIOLÊNCIA
DOMÉSTICA. DIVULGUE este teste e AJUDE muitas mulheres a reconhecer uma
situação em que estejam SOFRENDO VIOLÊNCIA!

Clique uma resposta para cada pergunta, de acordo com a frequência com que
sente ou percebe em si mesmo(a) os sintomas indicados. Após a última questão,
clique no botão 'Resultado'. Clique no botão 'Imprimir' para ter seu resultado
impresso. (Este questionário pode não funcionar em navegadores de aparelhos
celulares, dependendo do modelo):

LIMPAR PREENCHIMENTO E REFAZER

O teste acima foi baseado no conteúdo disponibilizado no


site: http://psychcentral.com . Este e os demais testes e conteúdos deste site não
substituem uma consulta ou acompanhamento de um profissional psicólogo ou
psiquiatra. Somente estes profissionais poderão diagnosticar e avaliar o melhor
tratamento para seus transtornos, distúrbios ou disfunções.

O QUE FAZER SE ESTIVER SOFRENDO VIOLÊNCIA

Pedir socorro e/ou procurar refúgio e auxílio de vizinhos ou outras pessoas.


Trata-se de atitudes que podem reduzir ou fazer cessar a agressão no momento da
ocorrência. Note que as pessoas que vivenciaram a violência podem servir de
testemunhas caso a vítima apresente queixa, ou puderam elas próprias denunciar o
crime de maus tratos.

Procurar ser tratada e observada em hospital, posto médico, centro de saúde,


ou mesmo junto de um médico particular.

A vítima deve procurar estes tipos de serviços, mesmo que não tenha sinais visíveis
de agressão, pois permitirá recolher registros médicos das agressões sofridas o que
é um tipo de informação importante a utilizar em um tribunal caso seja prestada uma
denúncia ou queixa da violência sofrida.

Apresentar queixa ou fazer denúncia

Os atos de violência a nível físico, psicológico e sexual são considerados crime pela
legislação brasileira (Lei Maria da Penha). Daí a importância de denunciar junto aos
órgãos policiais competentes, onde será registrado um Boletim de Ocorrência (BO).
Ao fazê-lo, a vítima, de preferência, deve estar acompanhada de um familiar ou
pessoa amiga. Deve ainda, a critério da autoridade policial, ser submetida a Exame
de Corpo de Delito, caso a agressão tenha sido física ou sexual.

Onde apresentar a denúncia

A vítima deve procurar a Delegacia de Defesa da Mulher mais próxima de sua casa.
Onde não haja uma delegacia da mulher próxima, os registros de violência
doméstica devem ser feitos nas delegacias distritais e/ou regionais.

As vítimas de violência doméstica podem ainda procurar ajuda e/ou


esclarecimentos por meio do telefone 180. A ligação é gratuita.

Medidas protetivas de urgência

Como o nome já diz, são medidas de urgência adotadas em casos em que a vítima
corre sério risco de ser agredida ao voltar para o domicílio, depois de fazer a
denúncia. Quem decide se há ou não necessidade de tomar essas medidas é o juiz.
Veja algumas:

• Obrigar que o suspeito da agressão (lembre-se de que todos são inocentes até que
se prove o contrário) seja afastado da casa ou do local de convivência da vítima.

• Proibir que o suspeito se aproxime ou que mantenha contato com a vítima, seus
familiares e testemunhas

• Obrigar o suspeito à prestação de alimentos para garantir que a vítima dependente


financeiramente não fique sem recursos.

• Proibir temporariamente contratos de compra, venda ou aluguel de propriedades


que sejam possuídas em comum.
Outras determinações da Lei 11.340 (Lei Maria da Penha)

• Em caso de violência sexual, a mulher tem direito a serviços de contracepção de


emergência (para evitar uma possível gravidez indesejada), a prevenção de
Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e da Síndrome da Imunodeficiência
Adquirida (AIDS) e outros procedimentos médicos necessários.

• Caso seja comprovada a culpa do agressor, é proibido aplicar penas de cesta


básica ou a substituição de pena que implique o pagamento isolado de multa.

• A vítima deverá ser informada do andamento do processo e também do ingresso e


saída da prisão do agressor.

• O juiz pode determinar que o agressor compareça obrigatoriamente a programas


de recuperação e reeducação.

Medidas de Assistência

Uma mudança trazida pela Lei Maria da Penha é o reconhecimento de que as


mulheres que vivem em situação de violência, muitas vezes dependem
financeiramente de seus maridos ou companheiros, que são também os seus
agressores. Além de garantir que a mulher receba tratamento médico gratuito,
tratamento especial para os casos de violência sexual, o juiz também poderá
determinar que a mulher seja incluída em programas de assistência mantidos pelo
governo.

Alguns exemplos: Bolsa Família, programas de cesta básica, garantir vaga nas
escolas e creches para seus filhos (principalmente, quando todos são obrigados a
sair de casa e mudar-se para outro lugar, em outro bairro, por exemplo).

Duas medidas são importantes para as mulheres que trabalham:

• no caso da mulher ser servidora pública, o juiz pode determinar que ela seja
removida para outro setor, sem que ela sofra qualquer prejuízo (perdas salariais, de
benefícios, etc.)

• para mulheres com outros vínculos trabalhistas (CLT, por exemplo) quando for
necessário seu afastamento, os vínculos serão mantidos por até seis meses.

A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

A violência doméstica é um problema que atinge milhares de crianças, adolescentes,


e mulheres. Esta página começava com essas palavras, até que recebi e-mail de um
leitor ressaltando a falha e injustiça de excluir, do rol dos prejudicados, os homens.
Portanto, podemos começar de novo dizendo que: A violência doméstica é um
problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de
forma silenciosa e dissimuladamente.

Trata-se de um problema que acomete ambos os sexos e não costuma obedecer


nenhum nível social, econômico, religioso ou cultural específico, como poderiam
pensar alguns.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento


indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo,
porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência
Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental
da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte


de jovens entre 5 e 19 anos. A maior parte dessas agressões provém do ambiente
doméstico. A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam
espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das
mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados de 1997.

Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao


companheiro ou companheira. Para outros o envolvimento de crianças também
caracterizaria aViolência Doméstica. A vítima de Violência Doméstica, geralmente,
tem pouca auto-estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por
dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser
responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A
vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato
agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repetí-
lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica


persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de
aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, sejam por razões
materiais, sejam emocionais. Para entender esse tipo de personalidade
persistentemente ligada ao ambiente de violência doméstica poderíamos compará-la
com a atitude descrita como co-dependência, encontrada nos lares de alcoolistas e
dependentes químicos .

Para entender a violência doméstica, deve-se ter em mente alguns conceitos sobre a
dinâmica e diversas faces da violência doméstica, como por exemplo:

Violência Física

Violência física é o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas
evidentes. São comum murros e tapas, agressões com diversos objetos e
queimaduras por objetos ou líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da
agressão ativa e física, também é considerado violência os atos de omissão
praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada


diretamente. Tendo em vista a habitual maior força física dos homens, havendo
intenções agressivas, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por
exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso. Outra
modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo,
durante o sono. Não são incomuns, atualmente, a violência física doméstica contra
homens, praticados por namorados(as) ou companheiros(as) dos filhos(as) contra o
pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida pelos cuidados com as


crianças e adolescentes, é bom ressaltar que um bom número de agressões
domésticas são cometidos contra os pais por adolescentes, assim como contra avós
pelos netos ou filhos. Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a) parceiro(a) à situação


conflitante do lar, a violência física pode perpetuar-se mediante ameaças de "ser
pior" se a vítima reclamar à autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida
em que as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções
corretivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física. A Embriagues


Patológica é um estado onde a pessoa que bebe torna-se extremamente agressiva,
às vezes nem lembrando com detalhes o que tenha feito durante essas crises de
furor e ira. Nesse caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência,
geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor quando não bebe "é
excelente pessoa", segundo as próprias esposas, ou porque é o esteio da família e
se for detido todos passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Também portadores de Transtorno Explosivo da Personalidade são agressores


físicos contumazes. Convém lembrar que, tanto a Embriagues Patológica quanto o
Transtorno Explosivo têm tratamento. A Embriagues Patológica pode ser tratada,
seja procurando tratar o alcoolismo, seja à custa de anticonvulsivantes
(carbamazepina). Estes últimos também úteis no Transtorno Explosivo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de algumas situações, as


mulheres vítimas de violência física podem ter alguma parcela de culpa quando o
fato se repete pela 3a. vez. Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A
segunda aconteceu porque ela deu uma chance ao companheiro de corrigir-se mas,
na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por


seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo. De acordo com a
pesquisa “A mulher brasileira nos espaços públicos e privados” – realizada
pela Fundação Perseu Abramo em 2001, registrou-se espancamento na ordem de
11% e calcula-se que perto de 6,8 milhões de mulheres já foram espancadas ao
menos uma vez.

Violência Psicológica

A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial


que a física, é caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação,
desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa
marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para
toda a vida.

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos


comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para
satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância. A intenção do(a)
agressor(a) histérico(a) é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz
alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que
exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância.

É muito importante considerar a violência emocional produzida pelas pessoas de


personalidade histérica, pelo fato dela ser predominantemente encontrada em
mulheres, já que, a quase totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem
respeito aos homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência
onde o homem sofre mais.

No histérico, o traço prevalente é o “histrionismo”, palavra que significa teatralidade.


O histrionismo é um comportamento caracterizado por colorido dramático e com
notável tendência em buscar atenção contínua. Normalmente a pessoa histérica
conquista seus objetivos através de um comportamento afetado, exagerado,
exuberante e por uma representação que varia de acordo com as expectativas da
platéia. Mas a natureza do histérico não é só movimento e ação; quando ele percebe
que ficar calado, recluso, isolado no quarto ou com ares de “não querer incomodar
ninguém” é a atitude de maior impacto para a situação, acaba conseguindo seu
objetivo comportando-se dessa forma.

Através das atitudes histriônicas o histérico consegue impedir os demais membros


da família a se distraírem, a saírem de casa, e coisas assim. Uma mãe histérica, por
exemplo, pode apresentar um quadro de severo mal estar para que a filha não saia,
para que o marido não vá pescar, não vá ao futebol com amigos... A histeria quando
acomete homens é pior ainda. O homem histérico é a grande vítima e o maior mártir,
cujo sacrifício faz com que todos se sintam culpados.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir inferior, dependente,


culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis.
A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo
corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para
mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem
prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente.
Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos,
quando esses não estão saindo exatamente do jeito idealizado ou do marido em
relação às esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de Agressão Emocional. As


pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera
delas. Demoram no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo,
deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc. Até as pequenas
coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma
torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso
não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa, se
não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em maridos que


depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa, que, normalmente se
aborrecendo com algum sucesso ou admiração ao marido, ridiculariza e coloca
qualquer defeito em tudo que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem


totalmente irrelevantes, como se estivessem corretas, fossem inevitáveis ou não
fossem intencionais. "Mas, de fato a comida estava sem sal... Mas, realmente,
fazendo assim fica melhor..." e coisas do gênero. Entretanto, sabendo que são
perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes
irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente
agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as crises de quebra de


utensílios, mobílias e documentos pessoais também são consideradas violência
emocional, pois não houve agressão física direta. Quando o(a) cônjuge é
impedida(a) de sair de casa, ficando trancado(a) em casa também se constitui em
violência psicológica, assim como os casos de controle excessivo (e ilógico) dos
gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como por exemplo, o uso do
telefone.

Violência Verbal

A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica. Alguns


agressores verbais dirigem sua artilharia contra outros membros da família, incluindo
momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em
decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade em relação à
violência masculina, a mulher tende a se especializar na violência verbal mas, de
fato, esse tipo de violência não é monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de complexos e conflitos,


algumas pessoas se utilizam da violência verbal infernizando a vida de outras,
querendo ouvir, obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam
noites nessa tortura verbal sem fim. "Você tem outra(o) .... você olhou para fulana(o)
... confesse, você queria ter ficado com ela(e)" e todo tido de questionamento,
normalmente argumentados sob o rótulo de um relacionamento que deveria se
basear na verdade, ou coisa assim.

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja, até em pessoas que
permanecem em silêncio. O agressor verbal, vendo que um comentário ou
argumento é esperado para o momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse
silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exatamente, em demonstrar que tem algo a
dizer e não diz. Aparenta estar doente mas não se queixa, mostra estar
contrariado, "fica bicudo" mas não fala, e assim por diante. Ainda agrava a agressão
quando atribui a si a qualidade de "estar quietinho em seu canto", de não se queixar
de nada, causando maior sentimento de culpa nos demais.

Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de depreciação da família e do


trabalho do outro. Um outro tipo de violência verbal e psicológica diz respeito às
ofensas morais. Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam
que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas acusações é mobilizar
emocionalmente o(a) outro(a), fazê-lo(a) sentir diminuído(a). O mesmo peso de
agressividade pode ser dado aos comentários depreciativos sobre o corpo do(a)
cônjuge.

Afinal, se a criança e o adolescente não conseguem encontrar segurança e


estabilidade em suas próprias casas, que visão levarão para o mundo lá fora? Os
conflitos nas crianças podem resultar da disparidade entre o que diz a mãe, sobre ter
medo de estranhos, e a violência sofrida dentro de casa, cometida por pessoas que
a criança conhece muito bem. Além disso a violência doméstica pode ainda
perpetuar um modelo de ração agressiva e violenta nas crianças que estão com a
personalidade em formação.

A Violência Doméstica é considerada um dos fatores que mais estimula crianças e


adolescentes a viver nas ruas. Em muitas pesquisas feitas, as crianças de rua
referem maus-tratos corporais, castigos físicos, violência sexual e conflitos
domésticos como motivo para sair de casa.

A dinâmica do casal

Dos 849 processos analisados até agora, referentes a casos apresentados na


Primeira DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de São Paulo, em 1988, e na
Terceira DDM de São Paulo, em 1988 e 1992, 81,5% se referem a lesões corporais
dolosas, ou seja, houve evidências de agressão suficientes para que a Polícia
levasse o caso a Justiça.

Dos casos restantes, 4,47% se referem a estupro ou atentado violento ao pudor;


7,77% a ameaças; e 1,53% a seduções.

Quem Denuncia a Violência Doméstica

Na maioria dos casos de arquivamento dos processos, ele parte de uma intervenção
da própria agredida, que chega a mudar seu depoimento, quando o processo já está
correndo na Justiça. A dependência emocional, mais que a econômica, é que faz a
mulher suportar agressões. Isso acontece mesmo quando uma boa parte desses
casos tem origem em algo muito mais sério do que pequenas rusgas familiares.

Alguns dados ajudam a traçar um perfil da mulher agredida em casa:

- 50% têm entre 30 e 40 anos,

- 30% têm entre 20 e 30 anos.

- 50% o casal tinha entre 10 e 20 anos de convivência e,

- 40% entre um e dez anos.

- 40% dos casais se separam depois da queixa

- 60% continuam a viver conjugalmente.


Em 1988, 85% das denúncias registradas nas primeiras e terceira DDM de São
Paulo foram de agressão e 4,17% de ameaças. Em 1992, nas mesmas delegacias,
as denúncias de agressão caíram para 68% dos casos, com as ameaças subindo
para 21,3%. Essa alteração é um indicador de que, em alguns casos, a mera
apresentação da queixa numa delegacia e uma advertência da autoridade policial
consegue cessar a violência.

Quem agride

Na maioria os agressores são homens (67,4%), cônjuge e/ou ex-cônjuge da vítima.


Não há trabalhos explícitos sobre incidência de patologias psiquiátricas nos
agressores, entretanto, considera-se válido que os agressores se dividem entre
portadores de: Transtorno Anti-social da Personalidade, Transtornos Explosivo da
Personalidade (Emocionalmente Instável), Dependentes químicos e alcoolistas,
Embriagues Patológica, Transtornos Histéricos (histriônico), Outros transtornos da
personalidade, tais como, Paranóia e Ciúme Patológico.

Questionário indicativo de violência doméstica. A pessoa que


convive com você...
1. Agride na maior parte do tempo?

2. Acusa constantemente de ser infiel?

3. Implica com as amizades e com a sua família?

4. Priva-a de trabalhar, de estudar?

5. Critica-a por pequenas coisas?

6. É agressivo quando está bêbado ou drogado?

7. Controla as finanças, obriga a comprar só o que ele quer?

8. Humilha-a em frente de outros?

9. Destrói objetos pessoais e com valor sentimental?

10. Agride ou espanca seus filhos?

11. Usa e/ou apontou alguma arma contra você?

12. Obriga a ter relações sexuais contra sua vontade?

Em relação à idade dos agredidos os dados também podem surpreender; os mais


agredidos foram as crianças menores (2 anos). Isso ocorre, possivelmente, devido
ao fato dessa faixa etária ser a que mais desperta interesse na denúncia. E quem
denuncia ? Esses dados estão na outra tabela. Os denunciantes anônimos estão em
terceiro lugar, seguidos pelos vizinhos.

Entre as três formas mais importantes de violência doméstica, a mais complexa


delas é a violência sexual. Esta, tende a ficar escondida dentro das casas devido ao
medo de represália, vergonha ou temor de que ninguém acreditará na vítima. Aliás,
não acreditar na filha violentada pelo pai pode interessar a muita gente,
principalmente à mãe, normalmente, complacente sob a máscara de ignorar.

No quadro abaixo vemos, segundo dados da Polícia Militar de Pernambuco, a


porcentagem de Violência Doméstica por denunciante:

DENUNCIANTE NÚM %
Mãe 773 45,0
Pai 448 26,1
Anônima 317 18,5
Vizinho 59 3,4
Tio(a) 54 3,1
Irmã(o) 22 1,3
Conhecido 20 1,2
Pol. Militar - PE 7 0,4
Não identif. 6 0,3
Avô(á) 5 0,3
Vítima 3 0,2
Cunhado(a) 1 0,1
Madrasta 1 0,1
TOTAL 1.716 100

Outra forma de violência cometida contra crianças e adolescentes é a psicológica.


Ela ocorre, por exemplo, quando os adultos usam ameaças ou estratégias
semelhantes para exigir que a criança obedeça a um comando, quando eles
comparam as crianças a outras, depreciando-as, ou quando lhes negam afeto. A
terceira forma mais importante de violência doméstica é aNegligência, que acontece
quando os responsáveis deixam de prover os recursos mínimos, como por exemplo
alimentação, atenção e higiene, ou a conhecida Negligência Precoce, que diz
respeito à oferta de atenção afetiva.

QUEM É AGREDIDO(a)

As mulheres são vítimas em 84,3% dos casos. Com mais freqüência, as vítimas
estão nas seguintes faixas etárias: 24,6% de 18 a 35 anos, 21,3% de 36 a 45 anos e
13% de 46 a 55 anos. Segundo estes trabalhos, as mulheres que apanham do
parceiro têm alguns aspectos psicológicos comuns.

IDADE NÚM %
2 119 6.9
3 118 6.9
4 116 6.8
5 115 6.7
1 113 6.6
6 113 6.6
8 102 5.9
16 102 5.9
7 92 5.4
10 89 5.2
12 90 5.2
15 90 5.2
11 88 5.1
13 87 5.1
9 84 4.9
17 84 4.9
14 69 4.0
Não identificado 40 2.3
- de 1 a 5 0,3
TOTAL 1.716 100

Muitas vezes, elas até mantêm uma certa cumplicidade com as atitudes agressivas
do parceiro. Algumas destas mulheres vêm de famílias onde a violência e os
castigos físicos faziam parte do cotidiano e é como se fossem obrigadas a repetir
estas situações em suas relações atuais.

No momento de escolher um parceiro, podem, mesmo não sendo consciente,


escolher homens mais agressivos, inocentemente admirardos por elas nos tempos
de namoro. O namorado brigão era visto como protetor e o ciúme exagerado que ele
expressava era considerado uma "prova" de amor.

É importante para os pais pensarem um pouco se ao educar as filhas mulheres, não


estão formando nelas a idéia de que são seres frágeis, que precisam de proteção
permanente e que ser corrigidas (mesmo que seja por tapas) pelo pai será benéfico
para o futuro.

Um elemento comum na maioria destas mulheres é o medo de não ter condição


financeira para se manter ou aos filhos, se saírem da relação. O dinheiro entra aí
como fator de controle sobre a mulher. Voltamos a sugerir que os pais pensem se na
educação dos filhos não condicionam a liberdade deles pelo dinheiro, ameaçando
cortar o apoio financeiro como forma de obter respeito e obediência. Esta atitude
pode criar tanta insegurança na filha, ao ponto dela se sentir incapaz de resolver
sozinha seus próprios problemas quando adulta.

Índice de Comportamento Violento.

Algumas mulheres se sentem muito frustradas e culpadas por não "conseguirem" ter
feito o casamento dar certo. Estas foram educadas para cumprir o papel de mulher
bem casada e se sentem incapazes de encarar o fato de terem errado na escolha.

Para elas, neste caso, falhar no casamento é pior que manter uma relação,
aindaque péssima. Por vergonha e constrangimento, costumam esconder de todos
que apanham dos parceiros, pois têm a esperança que eles mudem com o tempo.
Mas a situação se arrasta ou se complica e ela não vê saída.

Portanto, a vítima, quase sempre tem uma relação de dependência com o agressor.
Mais que a dependência econômica com relação ao homem, é a dependência
emocional que faz a mulher suportar as agressões. Há casos de maridos que vão ao
local de trabalho da mulher e a agridem diante de colegas, e de abusos sexuais de
pais contra filhas depois que ela se afastou do domicílio comum.

Mesmo a separação não significa o fim da violência. Numerosas vezes, o marido


continua a importunar a ex-mulher, especialmente quando ela vive só ou com os
filhos. O caso pode mudar, contudo, quando a mulher passa a viver com um novo
marido ou companheiro.

Violência Sexual

Em São Paulo, 10% das mulheres afirmam ter sofrido abuso sexual de seus
companheiros; em Pernambuco, as vítimas da violência chegam a 14%. No Rio de
Janeiro, 8% das mulheres acima de 16 anos foram violentadas sexualmente.

A pesquisa do Serviço de Advocacia da Criança revelou que violência sexual chega


a 13% do total das denúncias de violência recebidas pelo serviço. A família foi
responsável por 62% desses casos de violência sexual. O pai aparece como o
principal agressor em 59% das vezes, seguido pelo padrasto em 25%. Entre os
meninos, o pai foi o violentador principal em 48% dos casos, seguido dos padrastos
e dos tios.

As violências sexuais aparecem também vinculadas a outras formas de agressão,


como as violências físicas e a restrição à liberdade (Violentados. Crianças,
adolescentes e justiça, deEdson Passetti. Ed.Imaginário, 1995, São Paulo).
Portanto, o grande agressor sexual doméstico é o pai.

Esse assunto costuma ser muito polêmico e difícil de se resolver. Normalmente


mexe com padrão e dinâmica da família, envolve punições e separações. Não é raro
que a criança vitimada por violência sexual seja severamente punida depois de
relatar sua experiência para outros familiares; ou é considerada mentirosa,
promotora de discórdia, difamadora, ou é considerada facilitadora e estimuladora da
agressão.

As transgressões sexuais acabam acarretando culpa, vergonha e medo na vítima e


mesmo nos possíveis denunciantes solidários à vítima. Assim, a ocorrência desses
crimes sexuais tende a ser ocultada. Temos visto inúmeras mães que negam a
ocorrência da violência sexual por parte de seus maridos sobre suas filhas porque
temem suas conseqüências sociais e policiais, temem as conseqüências intra-
familiares, preferem viver juntas com seus maridos do que separadas deles, enfim,
há uma complacência omissa que pode ser tão criminosa quanto a agressão.

No Brasil, de um modo geral, as pesquisas são poucas e, às vezes contraditórias.


Nos Estados Unidos sabe-se, com maior precisão, que o abuso sexual ocorre em
um terço das famílias. Mas lá, tanto quanto aqui, a pequena vítima não revela seu
segredo à mãe, por temer magoá-la. E quando a mãe toma conhecimento dos fatos,
ela costuma escolher uma das seguintes atitudes;

1 - Denunciar o agressor. A grande maioria das mães que optam por essa alternativa
não a faz de imediato. Elas costumam levar anos para terem coragem para enfrentar
o marido e as conseqüências. Quando ocorre a denúncia, em cerca de dois terços
dos casos, as mães levam a notícia do crime à autoridade policial e se separam do
companheiro.

2 - Não acreditar que seu companheiro ou marido seja capaz de abusar sexualmente
da própria filha.

3 - Suspeitar que possa ser verdade mas não têm certeza de que o marido ou
companheiro seja um agressor sexual. Essas mães preferem viver eternamente na
dúvida do que investigar a veracidade dos fatos pois, de modo geral, a certeza
costuma ser muito ameaçadora. Algumas vezes, quando as evidências são
incontestáveis, ainda arriscam acreditar que a filha foi quem "seduziu" o pai.

Na maioria dos casos, de algum modo quase toda mãe sabe o que está
acontecendo. Mas é um conhecimento que os mecanismos de defesa do Ego
empurra para os porões do inconsciente. Portanto, as mães negam e reprimem esse
fato para subterrâneos onde ele incomoda menos, negam esse conflito para se
desobrigarem de atitudes severas em relação ao companheiro.

Nessa situação a mãe costuma ser outra vítima e cúmplice simultaneamente. Ao


contrário do que se pensa com freqüência, a violência sexual doméstica não ocorre
em famílias sempre desestruturadas.

Abuso de poder no qual a vítima (criança, adolescente ou mulher) é usada para


gratificação sexual do agressor sem seu consentimento, sendo induzida ou forçada
a práticas sexuais com ou sem violência física. Segundo dados do CRAMI - Centro
Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância (Campinas) temos o seguinte
quadro de distribuição da Violência Doméstica contra a criança:

O CRAMI - Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância, de Campinas,


publica na os seguintes números sobre a Violência Doméstica:

AGRESSÕES 1985 - % VIOLÊNCIA NUM. %


87
Agressão Física 1717 47.1 Física 1121 65.3
Negligência/Abandono 737 20.2 Psicológica 254 14.8
Abuso Sexual 216 6.0 Negligência 195 11.4
Agressão Psicológica 397 10.9 Sexual 146 8.5
Improcedente 577 15.8
TOTAL 3644 100 TOTAL 100

Boas estatísticas (de 1999) também podem ser obtidas no site da Polícia Civil de
Pernambuco, os quais transcrevemos abaixo. Os números dos tipos de violência
diferem do CRAME talvez pela metodologia e pelas qualificações desses tipos.

Nestes dados observamos que a violência física é a mais comum, seguida pela
Violência Psicológica e pela Negligência.

Acontece que para nós, psiquiatras, a violência psicológica e a negligência são


terrenos que se misturam, notadamente o tipo de negligência que a psiquiatria
forense classifica como Negligência Psicológica. Para entender mais sobre
Negligência (veja Criança Adotada e de Orfanato, sob o título Negligência
Precoce, na seção Infância e Adolescência). Para sabermos quem é o agressor
doméstico, a Polícia Civil de Pernambuco divulga os seguintes resultados:

A Agressão foi Imputada Por :

AGRESSOR NUM. %
Pai 652 38.0
Mãe 579 33.7
Padrasto 148 8.6
Pai e Mãe 91 5.3
Tio 86 5.0
Companheiro/Marido 55 3.2
Irmão(ã) 28 1.6
Avô ou Avó 24 1.4
Madrasta 19 1.1
Primo 12 0.7
Pai e Madrasta 8 0.5
Cunhado(a) 8 0.5
Padrasto e Mãe 3 0.2
Avô e Avó 2 0.1
Sogro 1 0.1
TOTAL 1716 100

O crime escondido

Há milhares de mulheres que sofrem de alguma forma de violência nas mãos dos
seus maridos e namorados em cada ano. São muito poucas as que contam a
alguém - um amigo, um familiar, um vizinho ou à polícia. As vítimas da violência
doméstica provêm de vários estilos de vida, culturas, grupos, várias idades e de
todas as religiões. Todas elas partilham sentimentos de insegurança, isolamento,
culpa, medo e vergonha.

É bastante surpreendente o fato do padrasto e da madrasta agredirem muitíssimo


menos que os pais biológicos, ao contrário do que pode se pensar ou se apregoar
culturalmente. Surpreende também os números muito próximos do pai e da mãe
como agressores.

Na tabela abaixo, são mostrados dados sobre o tipo da violência e o tipo do


agressor, notando-se claramente a questão da negligência ser bastante mais comum
vindo das mães do que dos pais e, mais curioso ainda, muitíssimo mais das mães
biológicas que das madrastas. Mesmo a Violência Sexual foi mais comum entre os
pais biológicos que padrastos.
TIPO DE VIOLÊNCIA POR AGRESSOR

AGRESSOR Física Sexual Psicol. Neglig. TOT.


Pai 374 77 134 67 652
Mãe 423 4 43 109 579
Padrasto 81 47 20 0 148
Pai e Mãe 79 1 0 11 91
Tio 50 10 24 2 86
Companheiro/Marido 41 0 13 1 55
Irmão(ã) 25 0 4 2 28
Avô ou Avó 12 3 6 3 24
Madrasta 13 0 4 2 19
Primo 5 2 5 0 12
Pai e Madrasta 8 0 0 0 8
Cunhado(a) 6 2 0 0 8
Padrasto e Mãe 3 0 0 0 3
Avô e Avó 0 0 2 0 2
Sogro 1 0 0 0 1
TOTAL 1121 146 254 195 1716

Conseqüências da Violência Doméstica

Portanto, a questão da negligência não deve ser atribuída exclusivamente à pobreza


material dos pais. O não proporcionar recursos materiais devido à pobreza, não
caracteriza aNegligência mas sim a carência, uma vez que tais recursos seriam
providos caso houvessem.Negligência é a atitude omissa, seja materialmente, seja
afetivamente (Negligência Material eNegligência Emocional). Inúmeros trabalhos
mostram que o apoio afetivo, o carinho e o amor são tanto ou mais essenciais para o
desenvolvimento da pessoa quanto a mesa farta.

A Violência Física (espancamento) é a agressão mais comum, sendo que alguns


agressores chegam a amarrar as crianças com cordas ou correntes e espancá-los
com objetos como cinto, vassoura, panelas, martelos, etc.

A Violência Física engloba ainda outros atos de verdadeiro sadismo, como por
exemplo queimaduras com pontas de cigarro, água fervendo, privação de comida e
água, etc. A atitude de agredir, covardemente prevalecida da maior força física dos
pais pode resultar em severos traumatismos. São casos onde adultos que batem
com a cabeça ou atiram a criança contra a parede. Muitas vezes essas trucidades
levando à morte.

Além das marcas físicas, a Violência Doméstica costuma causar também sérios
danos emocionais. Normalmente é na infância que são moldadas grande parte das
características afetivas e de personalidade que a criança carregará para a vida
adulta.

Acontece que as crianças aprendem com os adultos, normalmente e primeiramente


dentro de seus lares, as maneiras de reagirem à vida e viverem em sociedade. As
noções de direito e respeito aos outros, a própria auto-estima, as maneiras de
resolver conflitos, frustrações ou de conquistar objetivos, tolerar perdas, enfim, todas
formas de se portar diante da existência são profundamente influenciadas durante a
idade precoce. É assim que muitas crianças abusadas, violentadas ou
negligenciadas na infância se tornam agressoras na idade adulta.

Alguns indícios de mau desenvolvimento de personalidade podem ser observados


em idade precoce. Algumas dessas características podem ser manifestadas por
dificuldades para se alimentar, dormir, concentrar-se. Essas crianças podem
começar a se mostrarem exageradamente introspectivas, tímidas, com baixa auto-
estima e dificuldades de relacionamento com os outros, outras vezes mostram-se
agressivas, rebeldes ou, ao contrário, muito passivas.

Crianças que estão atravessando problemas domésticos relacionados à violência


invariavelmente apresentam problemas na escola e no grupo social ao qual
pertencem. Podem, não obstante se recusarem a falar sobre esses problemas, quer
com o adulto que cometeu a agressão, quanto com familiares e professores. Falta-
lhes confiança nos adultos em geral.

Outros Números

Uma reportagem do Jornal do CREMESP (Conselhor Regional de Medicina de S.


Paulo), no. 185 de janeiro de 2003 comenta sobre duas pesquisas divulgadas no
final de 2002 pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina
da Universidade de São Paulo chamam a atenção para a violência contra a mulher.

Um dos estudos, orientado pela Organização Mundial da Saúde, tratou da violência


doméstica e foi realizado simultaneamente em oito países. Deveu-se à parceria
do Departamento de Medicina Preventiva da USP com as organizações não-
governamentais Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde, de São Paulo, e SOS
Corpo - Gênero e Cidadania, de Pernambuco.

Coordenado pelas médicas Lilia Blima Schraiber e Ana Flávia Pires d Oliveira, o
estudo brasileiro comparou dados da cidade de São Paulo com a região rural de
Pernambuco. Outra pesquisa, também coordenada por Lilia Schraiber, traça um
diagnóstico da Violência Doméstica e Sexual entre Usuárias dos Serviços de Saúde
na Grande São Paulo.

De acordo com a pesquisadora, para muitas entrevistadas a pesquisa revelou-se


como a primeira oportunidade de falar do seu problema. Muitas mulheres alegaram
não saber com quem falar. Foram visitados 4.299 domicílios na cidade de São Paulo
(SP) e na Zona da Mata, em Pernambuco, para que fossem entrevistadas 2.645
mulheres, com idade entre 15 e 49 anos.

Das conclusões, destaca-se que 29% das mulheres pesquisadas em São Paulo já
sofreram algum tipo de violência física ou sexual cometida por parceiro ou ex-
parceiro, enquanto na Zona da Mata de Pernambuco esse número foi de 37%. A
violência física, referida como tapa, empurrão, soco, chute, estrangulamento,
queimadura, ameaça com arma branca ou de fogo, foi relatada por 27% das
mulheres em São Paulo e 34% na Zona da Mata.

Em São Paulo, 10% declararam ter sofrido violência sexual e, em Pernambuco,


14%. Entre as lesões foram encontrados cortes, perfurações, mordidas, contusões,
esfolamento, fraturas, dentes quebrados e outros. Das agredidas, 36% ficaram muito
machucadas e necessitaram de assistência médica.

Dores, desconfortos severos, dificuldades de concentração, tonturas, tentativas de


suicídio e alcoolismo são problemas mais comuns entre as mulheres vítimas da
violência, quando comparadas à população feminina que não sofreu violência.

As crianças entre 5 e 12 anos, filhos de mulheres que sofreram violência, também


apresentam mais problemas, tais como pesadelos, timidez, agressividade, atos
como chupar o dedo e urinar na cama, repetência e abandono da escola. A violência
durante a gravidez, a exemplo de socos e pontapés na barriga, foi relatada por 8%
das mulheres pesquisadas em São Paulo e 11% em Pernambuco.

Um dado muito curioso é que em São Paulo, 28% das mulheres agredidas fizeram
aborto, contra 8% das pernambucanas. Mais de 20% das vítimas, nas duas regiões,
nunca relataram a violência a ninguém e, quando o fizeram, procuraram por amigos
e familiares. Polícia, hospitais ou centros de saúde, igreja, serviços jurídicos,
delegacia de defesa da mulher e justiça foram outras instituições procuradas.

Entre as usuárias de 19 serviços de saúde pública na Grande São Paulo, 40% das
mais de 3.000 mulheres entrevistadas relataram violência física ou sexual cometida
pelo parceiro. É um dado alarmante se considerarmos ser quase metade das
usuárias desses serviços, no entanto, dos 1.902 prontuários médicos investigados,
apenas quatro apresentavam registros de violência física e dois de violência sexual.
Entre as mulheres que já engravidaram, 17% foram agredidas durante a gravidez.
Além disso, 20% relatou violência física e/ou sexual cometida por estranhos.

Fonte: Ballone GJ, Ortolani IV, Moura EC - Violência Doméstica - in. PsiqWeb,
Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008 (acesso em 11 jan.
2015)

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O Autor

Adilson Cabral é Especialista em Psicologia Analítica, Gestão Estratégica de RH,


Administrador e Grafólogo.

http://www.psicologia.med.br/2015/01/violencia-domestica-faca-o-teste-e.html