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DIREITO INTERNACIONAL
NACIONALIDADE

Por Bruna Daronch


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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 3
2 ESPÉCIES DE NACIONALIDADE ......................................................................................................................... 7
3 BRASILEIROS NATOS ....................................................................................................................................... 8
4 BRASILEIROS NATURALIZADOS .......................................................................................................................11
5 SITUAÇÃO DOS PORTUGUESES: “quase nacionais” ..........................................................................................20
6 DIFERENÇAS ENTRE NATOS E NATURALIZADOS ...............................................................................................22
7 PERDA DA NACIONALIDADE ...........................................................................................................................23
8 DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO .................................................................................................31
9 BIBLIOGRAFIA INDICADA................................................................................................................................32
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ATUALIZADO EM 07/02/20191

Caros alunos Ciclos, a FUC sobre Nacionalidade está totalmente atualizada com a nova Lei de Migrações (Lei
13.445/2017).

#SELIGA: Em quase todos os tópicos de substanciais mudanças, colocamos #TABELAS comparando os


institutos/requisitos para ressaltar as principais novidades da nova legislação e o Estatuto do Estrangeiro, que foi
integralmente revogado.

NACIONALIDADE

1 INTRODUÇÃO

- Nacionalidade - vínculo jurídico-político que liga o indivíduo ao Estado, fazendo dele um componente do POVO
(NACIONAIS DE UM PAÍS).

#DOUTRINA: Gilmar Ferreira Mendes conceitua nacionalidade como vínculo político e pessoal que se estabelece
entre o Estado e o indivíduo, fazendo com que este integre uma dada comunidade política, o que faz com que o
Estado distinga o nacional do estrangeiro para diversos fins. Afirma, ainda, que o conceito de nacionalidade associa-
se ao ser humano. Somente por extensão pode-se cogitar de nacionalidade de pessoas jurídicas, empresas ou coisas.
A Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 e a Convenção Americana de São José da Costa Rica
estabelecem que a pessoa tem direito à nacionalidade do Estado em que tiver nascido, na falta de outra. Busca-se,
portanto, evitar a situação dos apátridas.

Qual a natureza jurídica da nacionalidade? É ponto de divergência doutrinária a natureza jurídica da nacionalidade.
Dentre elas, pode-se destacar: a contratual, a de vínculo jurídico e a de vínculo político. A corrente contratualista
sustenta ser a nacionalidade um contrato entre o indivíduo e o Estado, do qual resultariam direitos e deveres para os
contratantes. Esta teoria é insuficiente para explicar o fenômeno da nacionalidade, uma vez que o recém-nascido

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As FUCS são constantemente atualizadas e aperfeiçoadas pela nossa equipe. Por isso, mantemos um canal aberto de diálogo
(setordematerialciclos@gmail.com) com os alunos da #famíliaciclos, onde críticas, sugestões e equívocos, porventura
identificados no material, são muito bem-vindos. Obs1. Solicitamos que o e-mail enviado contenha o título do material e o
número da página para melhor identificação do assunto tratado. Obs2. O canal não se destina a tirar dúvidas jurídicas acerca do
conteúdo abordado nos materiais, mas tão somente para que o aluno reporte à equipe quaisquer dos eventos anteriormente
citados.
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também a possui, mesmo não podendo concluir um contrato, pois este pressupõe manifestação de vontade.
Entretanto, pode-se considerá-la como sendo ao mesmo tempo um vínculo jurídico e político que une o indivíduo
ao Estado, uma vez que dá a ele direitos e deveres de um modo geral e, em especial, direitos políticos.

- Apesar de nacionalidade derivar de natio (nação), o conceito de nacional não é ligado a nação, mas ao povo
(conceito mais amplo). Quando se fala em nação, a nação pressupõe um vínculo entre as pessoas, ou de origem
histórica, ou de origem cultural, ou de língua. As pessoas têm características em comum. O povo é um conceito mais
amplo. No Canadá, por exemplo, alguns são mais ligados ao povo francês, outros são mais ligados ao povo inglês. A
palavra povo abrange os nacionais de um país.

- Povo - conjunto de pessoas que fazem parte do Estado (elemento humano), unido ao Estado pelo vínculo jurídico-
político da nacionalidade. O povo é a dimensão pessoal do fenômeno estatal.

Povo brasileiro = brasileiros natos + naturalizados.

INDIVÍDUO ESTADO

NACIONALIDADE

- População - conjunto de residentes no território, sejam eles nacionais ou estrangeiros, ou, ainda, apátridas.

POVO POPULAÇÃO
Conceito político e jurídico Conceito estatístico
Inclui apenas os nacionais Inclui nacionais e estrangeiros
Inclui os nacionais no exterior Inclui pessoas apenas de passagem pelo país
Brasileiros natos e naturalizados Inclui todo mundo: brasileiros, estrangeiros,
apátridas, pessoas de passagem

#NÃOCONFUNDIR:
Povo População Nação Cidadania
Conjunto de pessoas Conjunto de habitantes Agrupamento humano Possui como
(elemento humano do de um território, ligados por laços pressuposto a
Estado) unidas pelo podendo ser nacionais históricos, culturais, nacionalidade,
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vínculo da ou estrangeiros. econômicos e caracterizando-se como


nacionalidade. linguísticos. titularidades de direitos
políticos de votar e ser
votado.

#DOUTRINA: Nacionalidade é um conceito mais amplo que o de cidadania. Por conseguinte, pressupõe-se que todo
cidadão brasileiro é titular da nacionalidade brasileira, seja ela primária ou secundária. Nacionalidade  direitos
políticos  cidadania.

#SELIGA: O exercício de DIREITOS POLÍTICOS possui como pressuposto a nacionalidade, seja ela originária ou
derivada.

#CONCLUSÃO: O cidadão é o nacional (brasileiro nato ou naturalizado) no gozo dos direitos políticos.

- A nacionalidade é regulamentada pelo direito interno (caráter estritamente soberano da concessão da


nacionalidade). Algumas regras gerais sobre a nacionalidade:

a) Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade (considerado um direito humano). Evita-se a figura do apátrida (ou
HEIMATLOS, expressão alemã que significa sem pátria ou apátrida).
b) Toda pessoa deveria ter apenas uma nacionalidade. Isso evitaria os conflitos da polipatridia (repulsa histórica do
DIP à polipatridia, embora ainda exista).
c) Toda pessoa tem direito a mudar de nacionalidade, direito que está sujeito às regras estabelecidas pelos entes
estatais envolvidos.
d)Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade (art. XV da DUDH). A pessoa pode perder sua
nacionalidade, desde que a partir de regras previamente estabelecidas e compatíveis com as normas internacionais
de direitos humanos e com o Estado de Direito. Ex: art. 15 da CF.
e) A nacionalidade deve ser efetiva, ou seja, fundamentada em laços sociais consistentes entre o indivíduo e o
Estado. Busca-se evitar que a nacionalidade seja concedida em bases meramente mercantilistas ou fictícias.
f) A nacionalidade da mulher não se relaciona com a do marido.
g) Os filhos de agentes de Estados estrangeiros herdam a nacionalidade dos pais, não importa onde nasçam.
h) É proibido o banimento: o Estado não deve expulsar ou deportar o nacional de seu próprio território (art. 5º,
XLVII, d). Por outro lado, o Estado sempre deve receber os detentores de sua nacionalidade quando venham do
exterior, inclusive quando expulsos ou deportados de Estado estrangeiro (lembrar também da figura do refugiado).
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#DOUTRINA #OLHAOGANCHO
- Apesar de a concessão de nacionalidade ser em grande parte fruto da discricionariedade dos Estados, A SUA PERDA
DEVE SE DAR EM VIRTUDE DE DETERMINADAS DISPOSIÇÕES LEGAIS OU MESMO CONSTITUCIONAIS. Um Estado não
pode arbitrariamente privar o indivíduo de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
- A Convenção de Haia determina que um Estado não pode exercer sua proteção diplomática em proveito de um seu
nacional contra outro Estado de que o mesmo seja também nacional. Dispõe também que, em um terceiro Estado, o
indivíduo que possua várias nacionalidades deverá ser tratado como se tivesse só uma, podendo esse terceiro
Estado reconhecer, dentre as alternativas existentes, apenas a nacionalidade do país no qual ele tenha sua residência
habitual e principal ou a do país ao qual, segundo as circunstâncias, o estrangeiro pareça mais ligado, ou seja, a
nacionalidade mais efetiva.
- O ordenamento brasileiro não comporta nenhuma possibilidade de admissão da apatridia, embora contemple
hipóteses de perda da nacionalidade brasileira (art. 15, CF), que podem levar à apatridia.
- O Brasil admite a polipatridia, mas não expressamente. É que o brasileiro perde a nacionalidade quando adquire
outra, salvo nos casos de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira e de imposição de
naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em Estado estrangeiro, como condição para
permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis. Nesses casos, o sujeito terá a nacionalidade
brasileira + outra nacionalidade (polipatridia).

#EXEMPLIFICACOACH: Cláudio, súdito do Estado A, estabeleceu seus negócios no Estado B, onde constituiu vasto
patrimônio. Anos depois, correndo risco de se ver expropriado de seus bens pelo governo do Estado B e sem poder
contar, por motivos históricos adversos, com a proteção diplomática de seu Estado pátrio, Cláudio emigrou para o
Estado C, onde requereu imediatamente a sua naturalização, para receber a proteção diplomática, necessária para
iniciar procedimento na CIJ contra o Estado B. Nessa situação, compete à CIJ, como pressuposto ao exame da
proteção diplomática outorgada, deliberar acerca da efetividade internacional do ato de naturalização de Cláudio,
embora tenha sido este realizado no âmbito da soberania nacional do Estado C. Atenção: a assertiva traz a
descrição dos fatos ocorridos no caso nottebohm, no qual a CIJ decidiu que, para fins de outorga de proteção
diplomática, a nacionalidade deve ser efetiva e contínua, o que não se configurava no caso.

- Na hipótese de dupla nacionalidade, qualquer um dos Estados pode, em regra, exercer proteção diplomática em
favor do indivíduo. Entretanto, NÃO É ADMITIDO O ENDOSSO NOS CASOS DE RECLAMAÇÃO FEITA PELO INDIVÍDUO
CONTRA O SEU OUTRO ESTADO PATRIAL. A jurisprudência internacional reconheceu essa exceção em 1912, no caso
Canevaro, relativo a um binacional italiano iure sanguinis e peruano iuresolis que tem suas propriedades
expropriadas pelo governo peruano e busca proteção diplomática pela Itália.
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2 ESPÉCIES DE NACIONALIDADE

1. Nacionalidade originária; primária; de origem; involuntária; de 1º grau, nata - brasileiros NATOS.

- A nacionalidade originária não é adquirida por um ato de vontade (imposta de maneira unilateral), mas pelo
nascimento (fato natural).

Existem dois critérios para a atribuição da nacionalidade originária: jus soli (critério territorial) e jus sanguinis
(critério sanguíneo). Cada Estado escolhe o seu critério (soberania).

#IMPORTANTE: O Brasil utiliza o CRITÉRIO MISTO. O critério territorial (jus soli) não depende de mais nada: é
brasileiro se nasceu no território brasileiro. Já o critério sanguíneo depende de outro fator, ele sozinho não é capaz
de conferir nacionalidade à pessoa.

2. Nacionalidade secundária ; adquirida ; voluntária ; por aquisição ; de 2ª grau ; por naturalização -


brasileiros NATURALIZADOS.

- A nacionalidade secundária é atribuída por fato posterior ao nascimento, normalmente em decorrência da


manifestação de vontade do Estado em conceder sua nacionalidade e, em regra, da vontade do indivíduo em adquiri-
la. Essa nacionalidade pode ser requerida tanto por estrangeiros quanto pelos heimatlos (apátridas).

- O critério de aquisição da nacionalidade secundária por excelência é a naturalização. Na prática internacional


existem outros critérios, como o casamento, o vínculo funcional e a vontade da lei (naturalização unilateral).

#ATENÇÃO: o brasil não adota o casamento como critério de atribuição da nacionalidade secundária. Entretanto, o
estrangeiro casado com cônjuge brasileiro pode fazer jus à redução do prazo mínimo de residência no brasil para
obter a naturalização, que pode passar de 4 para apenas 1 ano ou, no caso de cônjuges de diplomatas, para apenas
30 dias de permanência no país.

- A nacionalização unilateral ocorreu com a Constituição de 1891.

- Os JUÍZES FEDERAIS são competentes para processar e julgar as causas referentes à NACIONALIDADE. Eventuais
recursos deverão ser apreciados pelos TRFs.
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Essa nacionalidade secundária pode ser dividida em:

a) Ordinária: Não cria direito público subjetivo; por mais que o naturalizando preencha os requisitos, o ato é
discricionário, a concessão da nacionalidade é ato de soberania do Estado, dependendo de oportunidade e
conveniência políticas. Esta nacionalidade pode ser adquirida por: a) todos os estrangeiros (menos os originários de
países de língua portuguesa); b) todos os originários de países de língua portuguesa (menos os portugueses); c)
portugueses; d) legais (Lei de Migração).

b) Extraordinária: Cria direito público subjetivo para o naturalizando. Se ele preencher os requisitos, terá direito à
naturalização, bastando ela pedir.

#CONCEITOS:
- Critério JUS SANGUINIS: O que interessa para a aquisição da nacionalidade é o sangue, a filiação, a ascendência,
pouco importando o local onde o indivíduo nasceu.
- Critério JUS SOLI ou da territorialidade: Nesse critério, o que importa para a definição e aquisição da nacionalidade
é o local de nascimento, e não a descendência.

3 BRASILEIROS NATOS

a) JUS SOLI - os nascidos na República Federativa do Brasil, ainda que de pais estrangeiros, desde que estes não
estejam a serviço de seu país.

- Pais a serviço de seu país = nacionalidade dos pais. Exemplo: um diplomata alemão vem ao Brasil com sua esposa
(ela não precisa estar a serviço do país). O filho será alemão nato, não brasileiro.

- E se um dos pais está a serviço e outro não? Exemplo: um cônsul italiano vem ao Brasil e se casa com uma chilena
que trabalha na iniciativa privada (não está a serviço). O filho será tanto italiano nato quanto brasileiro nato. Por que?
A mãe não está a serviço do Chile. Para que a criança não adquira a nacionalidade brasileira, mesmo nascendo no
Brasil, é necessário que ambos os pais estejam a serviço de seu país ou que um deles esteja apenas acompanhando
o outro.

- Caso o estrangeiro esteja a serviço de outro país (ex.: austríaco a serviço da França), o filho nascido no Brasil será
brasileiro.
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#ATENÇÃO: Hans nasceu em território brasileiro, mas seu pai, acompanhado da sua mãe, é cônsul da República da
Gemênia no Brasil. Nesse caso, Hans terá nacionalidade gemênica.
Serão considerados nascidos no Brasil os nascidos em navios de bandeira brasileira somente quando trafeguem por
espaços neutros, e não onde quer que se encontrem, pois se estiverem no espaço soberano de outro Estado, terão
então a nacionalidade deste local.

b) JUS SANGUINIS + CRITÉRIO FUNCIONAL - os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde
que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.

- Serviço público é o prestado a qualquer um dos entes (U, E, DF, M), independente de sua natureza.

- Aqui, basta o pai ou a mãe. Não precisa ser os dois. É o contrário da hipótese anterior. O pai é brasileiro, está a
serviço do Brasil, e a criança nasce no estrangeiro. O filho será brasileiro nato. Da mesma forma que o nosso OJ não
reconhece a nacionalidade quando os dois pais estão a serviço de seu país (ex.: cônsul italiano e companheira), o
filho do brasileiro a serviço no exterior será brasileiro. E se o pai brasileiro for casado com uma italiana? O filho terá a
nacionalidade brasileira e italiana. Basta que o pai esteja a serviço do país.

- A aquisição da nacionalidade, nessa hipótese, independe de formalidades.

c) JUS SANGUINIS + REGISTRO - os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, desde que sejam
registrados em repartição brasileira competente[...].

- Preceito incluído pela EC 54/07, adotando o critério do ius sanguinis somado a um requisito específico: a
necessidade de registro em repartição brasileira competente (Embaixada ou Consulado), independentemente de
qualquer outro procedimento subsequente, além do registro, para confirmar a nacionalidade.

d) JUS SANGUINIS + RESIDÊNCIA + OPÇÃO [...]OU venham a residir no Brasil e optem, em qualquer tempo,
DEPOIS DE ATINGIDA A MAIORIDADE, pela nacionalidade brasileira.

- Preceito incluído pela EC 54.

- A adoção pode ser utilizada como critério para a atribuição da nacionalidade originária.
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- E se a criança vier ao Brasil com menos de 18 anos? Nesse caso ela não teria capacidade pra manifestar sua
vontade. O STF entende que como essa opção só pode ser feita após a maioridade, filho de brasileiro(a) que vem
residir no Brasil antes dos 18 anos adquire a nacionalidade brasileira automaticamente. Quando atinge a
maioridade, a nacionalidade fica suspensa. Até os 18 é automático, depois de 18 suspende até a opção
confirmativa. Se não optar, não é mais brasileiro nato. Se optar, é brasileiro nato. É a nacionalidade provisória até os
18 anos.

* #NOVIDADELEGISLATIVA: O filho de pai ou de mãe brasileiro nascido no exterior e que não tenha sido registrado
em repartição consular poderá, a qualquer tempo, promover ação de opção de nacionalidade. O órgão de registro
deve informar periodicamente à autoridade competente os dados relativos à opção de nacionalidade, conforme
regulamento.

#CONCURSOSFEDERAIS: O pedido de opção pela nacionalidade brasileira deve ser apresentado à Justiça Federal.
Segundo o Des. Francisco Wildo, está previsto no artigo 4º da Lei n. 818/1949, cujos dispositivos devem ser
adaptados à disciplina constitucional atual e complementados com dispositivos da Lei 6.015/73 (Lei de Registros
Públicos), com os seguintes destaques: a) autuada a petição inicial, instruída com a documentação necessária, o
órgão do Ministério Público Federal será ouvido no prazo de cinco dias; b) provados os requisitos constitucionais, o
juiz homologará a opção por sentença; c) transitada em julgado a sentença homologatória, convém entregar os autos
ao requerente para facilitar a inscrição da opção no registro civil de pessoas naturais. A decisão do juiz que determina
a realização do registro não mais está sujeita ao duplo grau de jurisdição e tem efeito extunc.

#ATENÇÃO: Helen, com 17 anos, nasceu na Gemênia e é filha de pais brasileiros, sendo que nenhum deles esteve na
Gemênia a serviço da República Federativa do Brasil. Nesse caso, Helen poderá ser considerada brasileira nata, mas
só poderá fazer essa opção após atingir a maioridade, e não com 17 anos.
- O indivíduo que fizer pedido de opção da nacionalidade brasileira após a prática de um delito no exterior não
será extraditado! Entretanto, o STF também admite que o processo de extradição seja suspenso enquanto tramita o
pedido de opção da nacionalidade brasileira. Afinal, se o indivíduo for brasileiro nato (em razão da opção), ele não
poderá ser extraditado.

#APROFUNDAMENTO: O que se entende por nacionalidade potestativa? É aquela prevista no art. 12, inciso I, alínea
“c”, da CF. Atualmente os requisitos são: Nascidos de pai brasileiro ou mãe brasileira; Que nenhum dos pais estivesse
a serviço do Brasil; Inocorrência do registro na repartição competente; Fixação de residência a qualquer tempo;
Realização da opção, após a maioridade, a qualquer tempo. No momento em que o filho de pai brasileiro e/ou mãe
brasileira, que não estivessem a serviço do Brasil, nascido no estrangeiro, fixasse residência no Brasil, adquiriria a
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nacionalidade provisória, que seria confirmada com a opção feita perante a Justiça Federal, a partir da maioridade.
Como a realização da opção exige plena capacidade de manifestação de vontade, se a fixação de residência em
território nacional ocorrer antes da maioridade, passará a ser considerado brasileiro nato, porém sujeita essa
nacionalidade a manifestação da vontade do interessado, mediante a opção, depois de atingida a maioridade.
Atingida a maioridade, enquanto não manifestada a opção, esta passa a constituir-se em condição suspensiva da
nacionalidade brasileira.

#IMPORTANTE: Durante o período de fixação da residência até atingir a maioridade civil, todos os direitos inerentes
à nacionalidade poderão ser exercidos, pois a aludida condição suspensiva só vigorará a partir da maioridade.
Também por este motivo que Gilmar Ferreira Mendes afirma que, pendente a nacionalidade brasileira de alguém que
está sofrendo processo de extradição, uma vez homologada judicialmente com efeito ex tunc a opção, já
manifestada, suspende-se o processo de extradição.

#DOUTRINA: Gilmar Ferreira Mendes destaca que o texto constitucional não cuidou das questões atinentes à
nacionalidade nos espaços hídricos, aéreos ou terrestres não submetidos à soberania de um Estado. Assim, adota-se
a posição de Pontes de Miranda que considera brasileiros natos os nascidos a bordo de navios ou aeronave de
bandeira brasileira quando estiverem em espaço neutro.

4 BRASILEIROS NATURALIZADOS

- A naturalização pode ser tácita ou expressa. A CF não prevê a naturalização tácita, como aconteceu com a
Constituição de 1824 e 1891 (todos aqueles que estavam no território brasileiro e não optaram por manter a
nacionalidade de origem foram automaticamente considerados brasileiros).

- A CF somente estabeleceu a naturalização EXPRESSA, que está prevista no inciso II. Duas possibilidades:

a) Os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral = naturalização ordinária.

- “Na forma da lei”: reportava-se ao Estatuto do Estrangeiro. Hoje, aplica-se a Lei de Migração (veja as novidades
abaixo).
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- A naturalização é faculdade exclusiva do poder executivo e far-se-á mediante portaria do ministro da justiça, com
efeitos retroativos à data do requerimento. (STF, Inf. 689).

- A portaria de naturalização do Ministro da Justiça gerará a emissão, pelo Ministério da Justiça, de certificado de
naturalização, o qual será solenemente entregue pelo juiz federal da cidade onde tenha domicílio o interessado. A
naturalização só gera efeitos com a entrega solene.

*#ATENÇÃO: A partir de 21 de novembro de 2017, em razão da vigência da Lei nº 13.445/2017, não serão mais
expedidos Certificados de Naturalização, passando a concessão de tal direito a surtir efeitos a partir da data da
publicação da Portaria de concessão de naturalização no Diário Oficial da União, conforme disposto no Art. 73 da
referida Lei.

- O dirigente do órgão competente do Ministério da Justiça poderá determinar, se necessário, outras diligências. Em
qualquer caso, o processo deverá ser submetido, com parecer, ao Ministro da Justiça.

- A formulação de pedido de naturalização impede a deportação do estrangeiro com visto de permanência vencido
quando o exame do pedido de obtenção da nacionalidade secundária brasileira estiver atrasado.

- O estrangeiro admitido no Brasil durante os primeiros 5 anos de sua vida e estabelecido definitivamente no
território nacional poderá requerer ao Ministro da Justiça enquanto menor, por intermédio de seu representante
legal, a emissão de certificado provisório de naturalização (naturalização provisória), que valerá como prova de
nacionalidade brasileira até 2 anos após atingida a maioridade, prazo para a opção confirmativa perante o Ministro
da Justiça. #REVOGADO #LEI13.445/2017

- Após a naturalização, qualquer mudança de nome ou do prenome será excepcional e motivada, mediante
autorização do Ministro da Justiça.

Importante destacar que a naturalização não importa aquisição da nacionalidade brasileira pelo cônjuge e
filhos do naturalizado, nem autoriza que estes entrem ou permaneçam no Brasil sem que satisfaçam às exigências
da Lei de Migração. Ademais, a naturalização não extingue a responsabilidade civil ou penal a que o naturalizado
estava anteriormente sujeito em qualquer outro Estado.

Vamos estudar as #NOVIDADES trazidas pela Lei de Migração?


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Ordinária
Modalidades de Extraordinária
Naturalização Especial
Provisória

a) Naturalização Ordinária:

A concessão da naturalização ordinária depende do preenchimento de uma série requisitos, que em


comparação com as disposições do Estatuto do Estrangeiro, sofreram certo abrandamento:

#DEOLHONASNOVIDADES:
Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980
(Art. 65) (Art. 112)
Será concedida a naturalização ordinária São condições para a concessão da
àquele que preencher as seguintes condições: naturalização:
Ter capacidade civil, segundo a lei brasileira Capacidade civil, segundo a lei brasileira
Ter residência em território nacional, pelo prazo
Ser registrado como permanente no Brasil
mínimo de 4 (quatro) anos
Residência contínua no território nacional, pelo
Comunicar-se em língua portuguesa,
prazo mínimo de quatro anos, imediatamente
consideradas as condições do naturalizando
anteriores ao pedido de naturalização
Não possuir condenação penal ou estiver Ler e escrever a língua portuguesa, consideradas
reabilitado, nos termos da lei as condições do naturalizando
Exercício de profissão ou posse de bens

suficientes à manutenção própria e da família
– Bom procedimento
Inexistência de denúncia, pronúncia ou
condenação no Brasil ou no exterior por crime
– doloso a que seja cominada pena mínima de
prisão, abstratamente considerada, superior a 1
(um) ano
Boa saúde (requisito dispensado ao estrangeiro

que reside no Brasil há mais de 2 anos).
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A nova lei ainda prevê hipóteses em que o prazo de residência no território nacional será reduzido para, no
mínimo, um ano. Vejamos as novas hipóteses em comparação com a previsão constante no Estatuto do Estrangeiro,
que continha prazos variáveis, conforme o caso:

#DEOLHONASNOVIDADES:
Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980
(Art. 66) (Art. 113)
Redução do prazo de naturalização = 1
ano Redução do prazo de naturalização = prazo
Mediante preenchimento de quaisquer variável (1, 2 ou 3 anos)
das seguintes condições:
Ter filho brasileiro Ter filho ou cônjuge brasileiro (Um ano)
Ter cônjuge ou companheiro brasileiro e
não estar dele separado legalmente ou de
Ser filho de brasileiro
fato no momento de concessão da 1 ano de

naturalização residência

Haver prestado ou poder prestar serviços


Haver prestado ou poder prestar serviço
relevantes ao Brasil, a juízo do Ministro da
relevante ao Brasil
Justiça

Recomendar-se por sua capacidade Recomendar-se por sua capacidade 2 anos de

profissional, científica ou artística profissional, científica ou artística Residência

Ser proprietário, no Brasil, de bem imóvel,


cujo valor seja igual, pelo menos, a mil vezes o
Maior Valor de Referência; ou ser industrial
que disponha de fundos de igual valor; ou 3 anos de
– possuir cota ou ações integralizadas de residência
montante, no mínimo, idêntico, em sociedade
comercial ou civil, destinada, principal e
permanentemente, à exploração de atividade
industrial ou agrícola.

#AJUDAMARCINHO #PONTODEDESTAQUE: Vimos acima que, para ocorrer a naturalização ordinária, é necessário
que o estrangeiro tenha residência no Brasil pelo prazo mínimo de 4 anos. A Lei prevê, contudo, que esse prazo
mínimo poderá ser reduzido para 1 ano, se o naturalizando: II - tiver filho brasileiro; III - tiver cônjuge ou
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companheiro brasileiro e não estiver dele separado legalmente ou de fato no momento de concessão da
naturalização; IV - tiver prestado ou puder prestar serviço relevante ao Brasil; ou V - tiver destacada capacidade
profissional, científica ou artística que recomende a redução.

*#ATENÇÃO: Nesse ponto, é importante destacar que o Decreto nº 9.199/2017, que regulamenta a nova Lei de
Migração, trouxe as seguintes novidades sobre a naturalização ordinária:

Art. 233. No procedimento para a concessão de naturalização ordinária, deverão ser comprovados:
I - capacidade civil, segundo a lei brasileira;
II - residência no território nacional, pelo prazo mínimo de quatro anos;
III - capacidade de se comunicar em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e
IV - inexistência de condenação penal ou comprovação de reabilitação, nos termos da legislação vigente.
§ 1º O prazo de residência no território nacional a que se refere o inciso II do caput deverá ser imediatamente
anterior à apresentação do pedido.
§ 2º Na contagem do prazo previsto no inciso II do caput, as viagens esporádicas do naturalizando ao exterior cuja
soma dos períodos de duração não ultrapassem o período de doze meses não impedirão o deferimento da
naturalização ordinária.
§ 3º A posse ou a propriedade de bens no País não será prova suficiente do requisito estabelecido no inciso II do
caput, hipótese em que deverá ser comprovada a residência efetiva no País.
§ 4º O Ministério da Justiça e Segurança Pública consultará bancos de dados oficiais para comprovar o prazo de
residência de que trata o inciso II do caput.

Art. 235. O prazo de residência mínimo estabelecido no inciso II do caput do art. 233 será reduzido para um ano se o
naturalizando preencher um dos seguintes requisitos:
I - ter filho brasileiro nato ou naturalizado, ressalvada a naturalização provisória; ou
II - ter cônjuge ou companheiro brasileiro e não estar dele separado legalmente ou de fato no momento de
concessão da naturalização.

Art. 236. O prazo de residência mínimo estabelecido no inciso II do caput do art. 233 será reduzido para dois anos se
o naturalizando preencher um dos seguintes requisitos:
I - ter prestado ou poder prestar serviço relevante ao País; ou
II - ser recomendo por sua capacidade profissional, científica ou artística.
Parágrafo único. A avaliação sobre a relevância do serviço prestado ou a ser prestado ao País e sobre a capacidade
profissional, científica ou artística será realizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que poderá consultar
outros órgãos da administração pública.
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Dessa forma, o artigo 66 da Lei de Migração deve ser lido em conjunto com o Decreto acima apontado, de forma que
não haja contradição entre os dois diplomas normativos. Assim, o prazo para naturalização ordinária poderá ser
reduzido para 1 ano no caso de o naturalizando ter filho brasileiro nato ou naturalizado, ressalvada a naturalização
provisória; ou ter cônjuge ou companheiro brasileiro e não estar dele separado legalmente ou de fato no momento
de concessão da naturalização.
Já no caso do naturalizando ter prestado ou poder prestar serviço relevante ao País; ou ser recomendo por sua
capacidade profissional, científica ou artística, o prazo para naturalização ordinária será de 2 anos, nos termos do
Decreto 9.199.

#DEOLHONADOUTRINA:

Por André de Carvalho Ramos, Aurélio Rios, Clèmerson Clève, Deisy Ventura, João Guilherme Granja, José Luis Bolzan
de Morais, Paulo Abrão Pires Jr.,Pedro B, de Abreu Dallari, Rossana Rocha Reis , Tarciso Dal Maso Jardim e Vanessa
Berner (Os autores integraram a Comissão de Especialistas constituída pelo Ministério da Justiça que teve a finalidade
de elaborar uma proposta de Anteprojeto de Lei de Migrações e Promoção dos Direitos dos Migrantes no Brasil (2013-
2014). 2

Graças à nova Lei de Migração (Lei 13.445/17), cuja vigência teve início 21 de novembro, o Estado brasileiro enfim
revoga o Estatuto do Estrangeiro (Lei 6815/1980), triste herança do regime ditatorial pretérito. Embora adotada em
período de grande turbulência na história de nosso país, a nova lei representa um significativo avanço no que diz
respeito à proteção dos direitos dos migrantes no Brasil, como já foi ressaltado em artigo já publicado anteriormente
por um dos autores.
Não se pode olvidar que tal diploma foi aprovado por unanimidade quando de sua tramitação no Senado Federal.
Apesar de limitado por um significativo número de vetos apostos pela Presidência da República, a nova lei também
representa um importante trunfo para a imagem internacional do Brasil, tão combalida pelas sucessivas crises que
temos enfrentado. De um país que se pretende inserido na economia global e confiável em suas relações
internacionais não se poderia esperar menos do que uma legislação migratória moderna e atraente, comprometida
com as obrigações assumidas pelo Brasil por meio dos tratados de direitos humanos vigentes em solo pátrio.
No entanto, a regulamentação da nova lei causou-nos perplexidade e grande apreensão. Submetido a uma brevíssima
consulta pública que durou não mais do que alguns dias, o texto do Regulamento foi alvo de numerosas críticas

2
https://www.conjur.com.br/2017-nov-23/opiniao-regulamento-lei-migracao-praetem-
legem?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook. Acesso em 07.02.2019
17

formuladas por especialistas, entidades sociais e instituições que se ocupam do tema em nosso país. Malgrado a plena
pertinência jurídica, técnica e política de tais críticas, elas foram ignoradas pelo Poder Executivo. Caberia perguntar
qual o sentido de uma consulta pública realizada nestas condições.
Ao longo de mais de três centenas de artigos, o Decreto que regulamenta a nova lei, Decreto 9.199, de 20 de
novembro de 2017, é visivelmente alheio ao debate que acompanhou o longo processo de elaboração do novo
diploma, transcorrido sobretudo ao longo dos últimos dez anos, e não é exagero dizer que ele desvirtua o espírito da
nova lei. Assim, representa uma grave ameaça a conquistas históricas, tanto no que se refere aos direitos dos
migrantes como no que tange à capacidade do Estado brasileiro de formular políticas adequadas em relação a esta
matéria de relevância crescente.

b) Naturalização Extraordinária:

A naturalização extraordinária será concedida a pessoa de qualquer nacionalidade fixada no Brasil há mais de
15 (quinze) anos ininterruptos e sem condenação penal, desde que requeira a nacionalidade brasileira.

Os requisitos para a naturalização extraordinária não sofreram alterações com a Lei de Migração, e nem
poderiam, tendo em vista que decorrem de mandamento constitucional, conforme o art. 12, inciso II, b, da CF/88.

Vale lembrar a doutrina majoritária entende que a concessão da naturalização extraordinária é ato vinculado.
Nesse mesmo sentido, o STF entende que quando a CF diz “desde que requeiram”, significa que se a pessoa cumprir
os 2 requisitos, basta requerer para ter o direito.

c) Naturalização Especial:

A naturalização especial poderá ser concedida ao estrangeiro que se encontre em pelo menos uma das
situações elencadas no art. 68. Observem:

a) Seja cônjuge ou companheiro, há mais de 5 (cinco) anos, de integrante do Serviço Exterior Brasileiro em
atividade ou de pessoa a serviço do Estado brasileiro no exterior; ou

b) Seja ou tenha sido empregado em missão diplomática ou em repartição consular do Brasil por mais de 10
(dez) anos ininterruptos.

#DEOLHONASNOVIDADES:
Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980
(Art. 68) (Art. 114)
18

Situações para concessão da naturalização Naturalização especial no Estatuto do


especial: Estrangeiro:
Seja cônjuge ou companheiro, há mais de 5 Nesses

(cinco) anos, de integrante do Serviço De cônjuge estrangeiro casado há mais de casos, a Lei

Exterior Brasileiro em atividade ou de cinco anos com diplomata brasileiro em 6.815/80


dispensava a
pessoa a serviço do Estado brasileiro no atividade
residência,
exterior
exigindo
Seja ou tenha sido empregado em missão De estrangeiro que, empregado em Missão apenas a
diplomática ou em repartição consular do Diplomática ou em Repartição Consular do estada no
Brasil por mais de 10 (dez) anos Brasil, contar mais de 10 (dez) anos de Brasil por 30

ininterruptos serviços ininterruptos. dias.

Por fim, a Lei de Migração ainda elenca os requisitos para a concessão da naturalização especial:

#DEOLHONASNOVIDADES:
Ter capacidade civil, segundo a lei brasileira.
Requisitos para a Comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições
concessão da do naturalizando.
naturalização especial Não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos
termos da lei.

d) Naturalização Provisória:

A naturalização provisória sofreu grande mudança, pois, com o advento da Lei 13.445/2017, amplia-se a faixa
etária para a sua concessão. O prazo de dois anos para a conversão da naturalização provisória em definitiva foi
mantido.
#DEOLHONASNOVIDADES:
Lei 13.445/2017 Lei 6.815/1980
(Art. 70) (Art. 116)
Condições para Naturalização Provisória Condições para Naturalização Provisória
Poderá ser concedida ao migrante criança ou O estrangeiro admitido no Brasil durante os
adolescente que tenha fixado residência em primeiros 5 (cinco) anos de vida, estabelecido
território nacional antes de completar 10 (dez) definitivamente no território nacional, poderá,
anos de idade. enquanto menor, requerer a emissão de
19

certificado provisório de naturalização, que


valerá como prova de nacionalidade brasileira
até dois anos depois de atingida a maioridade.
Deverá ser requerida pelo menor, por
Deverá ser requerida pelo seu representante
intermédio de seu representante legal ao
legal.
Ministro da Justiça.
A naturalização se tornará definitiva se o titular
A naturalização será convertida em definitiva se
do certificado provisório, até dois anos após
o naturalizando expressamente assim o
atingir a maioridade, confirmar expressamente a
requerer no prazo de 2 (dois) anos após atingir
intenção de continuar brasileiro, em
a maioridade.
requerimento dirigido ao Ministro da Justiça.

Outros pontos de destaque (#NÃOESQUECER):

- Tradução ou adaptação do nome: No curso do processo de naturalização, o naturalizando poderá requerer a


tradução ou a adaptação de seu nome à língua portuguesa. Será mantido cadastro com o nome traduzido ou
adaptado associado ao nome anterior.

- Alistamento como eleitor: No prazo de até 1 ano após a concessão da naturalização, deverá o naturalizado
comparecer perante a Justiça Eleitoral para o devido cadastramento.

- Efeitos da naturalização: A naturalização produz efeitos após a publicação no Diário Oficial do ato de naturalização.

- Perda da nacionalidade: O naturalizado perderá a nacionalidade em razão de condenação transitada em julgado


por atividade nociva ao interesse nacional, nos termos do inciso I do § 4º do art. 12 da Constituição Federal. O risco
de geração de situação de apatridia será levado em consideração antes da efetivação da perda da nacionalidade.

- Reaquisição da nacionalidade: O brasileiro que, em razão do previsto no inciso II do § 4º do art. 12 da Constituição


Federal, houver perdido a nacionalidade, uma vez cessada a causa, poderá readquiri-la ou ter o ato que declarou a
perda revogado, na forma definida pelo órgão competente do Poder Executivo.

*NOVIDADE LEGISLATIVA: Foi publicado no dia 20 de novembro de 2017 o Decreto nº 9.199, que regulamenta a Lei nº
13.445 (Nova Lei de Migração). Inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
2018/2017/Decreto/D9199.htm.
20

5 SITUAÇÃO DOS PORTUGUESES: “QUASE NACIONAIS”

- Aos portugueses com RESIDÊNCIA PERMANENTE no País, se houver RECIPROCIDADE em favor de brasileiros, serão
atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, salvo os casos previstos nesta Constituição = quase nacionalidade.

- O português é equiparado ao brasileiro naturalizado3 (não é nato por causa da última parte: “salvo os casos
previstos nesta Constituição”).

- Cuidado: “serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro nato, salvo os casos previstos nesta Constituição” está
certo! Direitos do brasileiro nato – restrições da CF = direitos do brasileiro naturalizado, que é o caso desses
portugueses.

- O gozo dos direitos políticos no Brasil importa em suspensão do exercício dos mesmos direitos em Portugal.

- Atenção: o benefício do estatuto da igualdade não é automático, exigindo que o interessado o requeira e que o
pedido seja deferido pelo ministro da justiça.

Importante destacar que havendo reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos aos portugueses com
residência permanente no Brasil “os mesmos direitos inerentes aos brasileiros naturalizados”, salvo quando houver
expressa vedação constitucional. A convenção sobre igualdade de direitos e deveres entre brasileiros e portugueses,
firmada em 7/9/1971, foi substituída por novo tratado bilateral que entrou em vigor em 2001 (Decreto nº 3.927/91):

Artigo 13. 1. A titularidade do estatuto de igualdade por brasileiros em Portugal e por portugueses no Brasil não
implicará em perda das respectivas nacionalidades. 2. Com a ressalva do disposto no parágrafo 3º do Artigo 17, os
brasileiros e portugueses referidos no parágrafo 1º continuarão no exercício de todos os direitos e deveres inerentes
às respectivas nacionalidades, salvo aqueles que ofenderem a soberania nacional e a ordem pública do Estado de
residência.

Artigo 17. 1. O gozo de direitos políticos por brasileiros em Portugal e por portugueses no Brasil só será reconhecido
aos que tiverem três anos de residência habitual e depende de requerimento à autoridade competente. 2. A igualdade

3
Assertiva errada de concurso: a situação do cidadão português que, no Brasil, seja admitido no regime de igualdade plena
previsto na Convenção sobre Igualdade de Direitos e Deveres entre brasileiros e portugueses, é idêntica à do brasileiro
naturalizado. Está errado porque o brasileiro naturalizado conta, no exterior, com a proteção das autoridades brasileiras e só
pode ser extraditado nas hipóteses do art. 5º, LI, da CF, o que não é o caso do português beneficiado pelo Estatuto da Igualdade.
21

quanto aos direitos políticos não abrange as pessoas que, no Estado da nacionalidade, houverem sido privadas de
direitos equivalentes. 3. O gozo de direitos políticos no Estado de residência importa na suspensão do exercício dos
mesmos direitos no Estado da nacionalidade.

Importante observar que não se trata de uma dupla cidadania ou uma cidadania comum luso-brasileira.
Simplesmente, uns e outros recebem, à margem ou para além da condição comum de estrangeiro, direitos que a priori
poderiam ser apenas conferidos aos cidadãos do país. Ressalta Gilmar Ferreira Mendes que reconhecida a igualdade,
poderá o beneficiário votar e ser votado, bem como ser admitido no serviço público. O titular do estatuto pleno passa
a ter deveres como o concernente à obrigatoriedade do voto. Nos termos do tratado, os direitos políticos não podem
ser usufruídos no Estado de origem e no Estado de residência. Assim, assegurado esse direito no Estado de residência,
ficará ele suspenso no Estado de origem. No que tange aos cargos públicos, o beneficiário português do estatuto pleno
poderá ter acesso a todas as funções, excetuadas aquelas conferidas apenas aos brasileiros natos. Porém, não se pode
afirmar que a situação do português admitido no Estatuto de Igualdade seja idêntica à do brasileiro naturalizado.
Observa Francisco Rezek que, ao contrário do naturalizado, o português beneficiário do estatuto de Igualdade Plena
não pode aqui prestar serviço militar, estando submetido à expulsão e à extradição, esta quando requerida pelo
governo português. O benefício da igualdade só será extinto no caso de expulsão ou de perda da nacionalidade
portuguesa. Caso se verifique a perda de direitos políticos em Portugal, haverá igualmente a perda desses direitos no
Brasil, fazendo com que o titular do estatuto pleno passe a deter apenas a igualdade civil.

- Não confundir duas situações4:


Naturalização de estrangeiro proveniente de Quase nacionalidade (portugueses – conceito mais
país de língua portuguesa (conceito mais restrito) ;
amplo) ; Aos portugueses com residência permanente no país,
Residência ininterrupta por 1 ano + idoneidade se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão
moral. atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro
naturalizado.

#APROFUNDAMENTO #OUSESABER: Quais são os dois tipos de “quase nacionalidade”? Temos a dois tipos:

(i) A igualdade simples abarca os mesmos direitos dos brasileiros.


(ii) A igualdade qualificada abarca, além dos demais direitos, os direitos políticos. Atenta-se que os direitos políticos
em Portugal serão suspensos, pois a pessoa não pode, por exemplo, votar aqui e votar também em Portugal.

4
- Assertiva errada de concurso: desde que haja reciprocidade, a lei brasileira atribui a pessoas originárias de países de língua
portuguesa com residência permanente no Brasil, independentemente de naturalização, os direitos inerentes ao brasileiro,
inclusive o gozo dos direitos políticos, salvo a ocupação de cargo privativo de brasileiro nato. Está errado porque o benefício do
Estatuto da Igualdade aplica-se apenas aos portugueses, não aos nacionais dos demais países de língua portuguesa.
22

6 DIFERENÇAS ENTRE NATOS E NATURALIZADOS

- A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, salvo nos casos previstos nesta
constituição. Assim, só uma EC pode diferenciar natos e naturalizados.

- Em princípio, o brasileiro nato não poderá perder a nacionalidade, salvo se adquirir outra. O naturalizado poderá
ter sua naturalização cancelada não só por esse motivo, como também por conta de atividade nociva ao interesse
nacional (art. 12, §4º, i).

- 04 diferenças de tratamento: cargos privativos de brasileiros natos, 6 assentos no conselho da república, empresa
jornalística/radiofusão e extradição.
#SELIGANATABELA:
Somente o naturalizado pode ser extraditado (o nato
nunca!)
O naturalizado pode ser extraditado por crime cometido
Extradição
antes da naturazliação ou então mesmo depois da
naturalização se o crime cometido foi o tráfico ilícito de
entorpecentes.
Há alguns cargos privativos de brasileiro nato. São eles:
i. Presidente e Vice-Presidente da República ;
ii. Presidente da câmara dos deputados ;
iii. Presidente do Senado Federal ;
Cargos privativos iv. Ministro do Supremo Tribunal Federal ;
v. De carreira diplomática ;
vi. De oficial das Forças Armadas
vii. De Ministro de Estado da Defesa

Somente o brasileiro naturalizado poderá perder a


Atividade nociva ao interesse nacional nacionalidade em virtude da prática de atividade nociva
ao interesse nacional (art. 12, par. 4º, I, da CF/88).
Participam do Conselho da República, além de outros
Conselho da República membros, seis cidadãos brasileiros natos, segundo o art.
89 da CF/88.
23

Para que o brasileiro naturalizado seja proprietário de


Empresa jornalística e de radiodifusão empresa jornalística e de radiodifusão no Brasil é
necessário que tenha se naturalizado há mais de 10 anos.

#DEOLHONAJURISPRUDENCIA: É possível conceder extradição para brasileiro naturalizado envolvido em tráfico de


droga (art. 5º, LI, da CF/88). STF. 1ª Turma. Ext 1244/República Francesa, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 9/8/2016
(Info 834)

 Questão de segurança nacional: diplomata, Forças Armadas e Min. de Estado da Defesa.


 Linha sucessória da Presidência da República: qualquer um que possa eventualmente ocupar a presidência
da República tem que ser brasileiro nato.

Vice Presidente da CD Presidente do SF Ministro do STF.

#ATENÇÃO: pode haver deputados ou senadores naturalizados, somente o presidente da CD/SF que não pode ser.
No caso do STF, todos os Ministros do STF devem ser natos, não só o presidente! Existe um rodízio na presidência
do STF, ou seja, qualquer ministro pode assumir a presidência do STF, e, logo, a Presidência da República.
Obs.: O Presidente do CNJ, como é o Presidente do STF (mesma pessoa), também não pode ser naturalizado.

#ATENÇÃO: O único Ministro de Estado que tem que ser nato é o da Defesa.

7 PERDA DA NACIONALIDADE

- O brasileiro naturalizado (hipótese 1 e 2) e o nato (hipótese 2) podem perder a nacionalidade brasileira.

1) PERDA-PUNIÇÃO: cancelamento da naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao


interesse nacional - só se aplica ao brasileiro naturalizado, não se aplica ao nato.

#DEOLHONAJURISPRUDÊNCIA -Inf. 694 do STF: DEFERIDA A NATURALIZAÇÃO, SEU DESFAZIMENTO SÓ PODE


OCORRER POR PROCESSO JUDICIAL, MESMO QUE O ATO DE CONCESSÃO DA NATURALIZAÇÃO TENHA SIDO
EMBASADO EM PREMISSAS FALSAS (ERRO DE FATO). O MINISTRO DO ESTADO DE JUSTIÇA, POR MEIO DE ATO
ADMINISTRATIVO, NÃO PODE CANCELAR O DEFERIMENTO DA NATURALIZAÇÃO. Além disso, “em virtude de atividade
24

nociva ao interesse nacional” é uma causa exemplificativa. Não houve a recepção do art. 112, §§ 2º e 3º, da Lei
6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) pela atual Constituição, de dispositivos que permitiam ao Ministro da Justiça agir
dessa forma (processamento pela via administrativa).

- A nacionalidade brasileira não poderá ser readquirida por outro procedimento de naturalização, salvo por ação
rescisória.

- O MPF é competente para promover a ação e a Justiça Federal para julgá-la.

- Não se sabe o que é “uma atividade nociva ao interesse nacional”. Como a nacionalidade é um direito fundamental,
deve-se considerar apenas um ato que seja tipificado como crime e contrário aos interesses do Estado.

- A decisão possui efeitos ex nunc, somente atingindo a relação jurídica indivíduo-Estado, após o trânsito em julgado.

#DEOLHONAJURISPRUDENCIA #STF: A naturalização só pode ser desfeita por sentença judicial (e não por processo
administrativo). Com base, nesse entendimento, que deriva da leitura do art. 12, § 4º, I, da CF/88, o STF entendeu,
em 2013 que, após ter sido deferida a naturalização, seu desfazimento só pode ocorrer mediante processo judicial,
mesmo que o ato de concessão da naturalização tenha sido embasado em premissas falsas (erro de fato). O STF
entendeu que os §§ 2º e 3º do art. 112 da Lei n.°6.815/80 (Estatuto do Estrangeiro) não foram recepcionados pela
CF/88, pois previam processo administrativo. Assim, o Ministro de Estado da Justiça não tem competência para rever
ato de naturalização. STF. Plenário. RMS 27840/DF, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min.
Marco Aurélio, 7/2/2013 (Info 694).

2) Perda-mudança: Adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos:

a) De reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira;


b) De imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.

- É a naturalização voluntária. Nesse caso, podem perder a nacionalidade os natos e naturalizados.

- A perda independe de ação judicial, já que se concretiza no âmbito de procedimento administrativo. A perda da
nacionalidade decorre de Decreto Presidencial ou, por delegação, de decreto do Ministro da Justiça. O decreto é ato
25

meramente declaratório, porque a perda decorre de acontecimento anterior, no caso, a aquisição de outra
nacionalidade, e seu efeito é apenas o de dar publicidade ao fato.

- Se adquirir a nacionalidade italiana, por exemplo, poderá manter as 2 nacionalidades, já que a Itália admite a dupla
nacionalidade.

- É admitida a reaquisição da nacionalidade brasileira, sob a forma derivada. Ou seja, volta como brasileiro
naturalizado, não nato. Perdeu a nacionalidade brasileira  adquire como estrangeiro  naturalização.

#EXEMPLIFICACOACH: suponha que Raimundo, brasileiro nato, tenha saído do Brasil para morar nos Estados Unidos,
onde reside há mais de 30 anos e que, nesse país, tenha obtido a nacionalidade americana como condição para
permanecer no território americano. Nessa situação, caso deseje retornar ao Brasil para visitar parentes, Raimundo
não necessitará de visto, pois não perderá a nacionalidade brasileira.

#DEOLHONODECRETO #NOVIDADELEGISLATIVA:

*NOVIDADE LEGISLATIVA: Foi publicado no dia 20 de novembro de 2017 o Decreto nº 9.199, que regulamenta a Lei
nº 13.445 (Nova Lei de Migração). Inteiro teor: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
2018/2017/Decreto/D9199.htm.
Art. 248. O naturalizado perderá a nacionalidade em razão de sentença transitada em julgado por atividade nociva
ao interesse nacional, nos termos estabelecidos no art. 12, § 4o, inciso I, da Constituição.
Parágrafo único. A sentença judicial que cancelar a naturalização por atividade nociva ao interesse nacional
produzirá efeitos após o trânsito em julgado.
Art. 249. A perda da nacionalidade será declarada ao brasileiro que adquirir outra nacionalidade, exceto nas
seguintes hipóteses:
I - de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; e
II - de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como
condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis.
Art. 250. A declaração da perda de nacionalidade brasileira se efetivará por ato do Ministro de Estado da Justiça e
Segurança Pública, após procedimento administrativo, no qual serão garantidos os princípios do contraditório e da
ampla defesa.
Art. 251. Na hipótese de procedimento de perda de nacionalidade instaurado a pedido do interessado, a solicitação
deverá conter, no mínimo:
I - a identificação do interessado, com a devida documentação;
26

II - o relato do fato motivador e a sua fundamentação legal;


III - a documentação que comprove a incidência de hipótese de perda de nacionalidade, devidamente traduzida, se
for o caso;
IV - endereço de correio eletrônico do interessado, se o possuir.
§ 1o O Ministério da Justiça e Segurança Pública dará publicidade da decisão quanto à perda de nacionalidade em
seu sítio eletrônico, inclusive quando houver interposição de recurso.
§ 2o Caberá recurso da decisão a que se refere o § 1o à instância imediatamente superior, no prazo de dez dias,
contado da data da publicação no sítio eletrônico do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Art. 252. O Ministério da Justiça e Segurança Pública dará ciência da perda da nacionalidade:
I - ao Ministério das Relações Exteriores;
II - ao Conselho Nacional de Justiça; e
III - à Polícia Federal.
Art. 253. O risco de geração de situação de apatridia será considerado previamente à declaração da perda da
nacionalidade.
Art. 254. O brasileiro que houver perdido a nacionalidade, em razão do disposto no inciso II do § 4o do art. 12 da
Constituição, poderá, se cessada a causa, readquiri-la ou ter revogado o ato que declarou a sua perda.
§ 1o Cessada a causa da perda de nacionalidade, o interessado, por meio de requerimento endereçado ao Ministro da
Justiça e Segurança Pública, poderá pleitear a sua reaquisição.

§ 2o A reaquisição da nacionalidade brasileira ficará condicionada à:

I - comprovação de que possuía a nacionalidade brasileira; e

II - comprovação de que a causa que deu razão à perda da nacionalidade brasileira cessou.

§ 3o A cessação da causa da perda da nacionalidade brasileira poderá ser demonstrada por meio de ato do
interessado que represente pedido de renúncia da nacionalidade então adquirida.

§ 4o O ato que declarou a perda da nacionalidade poderá ser revogado por decisão do Ministro de Estado da Justiça
e Segurança Pública caso seja constatado que estava presente uma das exceções previstas nas alíneas “a” e “b” do
inciso II do § 4o do art. 12 da Constituição.

§ 5o A decisão de revogação será fundamentada por meio da comprovação de reconhecimento de nacionalidade


originária pela lei estrangeira ou de imposição de naturalização, o que poderá ser realizado por qualquer meio
permitido na legislação brasileira.

§ 6o Os efeitos decorrentes da perda da nacionalidade constarão da decisão de revogação.

§ 7o O deferimento do requerimento de reaquisição ou a revogação da perda importará no restabelecimento da


nacionalidade originária brasileira.
27

#APROFUNDAMENTO: Para Gilmar Ferreira Mendes e Francisco Rezek, o ato do Presidente da República que declara
a perda da nacionalidade é meramente declaratório, pois a perda se deu com a própria naturalização. Mazzuoli
defende que o brasileiro nato que perde a naturalização ao se (re)naturalizar será brasileiro naturalizado com todas
as implicações que esta situação jurídica lhe causa. Porém, o Supremo Tribunal Federal, em 18 de junho de 1986, ao
julgar a Ext 441, tendo como Relator o Ministro Néri da Silveira, se pronunciou pela impossibilidade da extradição do
brasileiro que readquiriu sua nacionalidade, conforme ementa a seguir: "Extradição. Havendo o extraditando
comprovado a reaquisição da nacionalidade brasileira, indefere-se o pedido de extradição. Constituição federal, art.
153, parágrafo 19, parte final. Não cabe invocar, na espécie, o art. 77, i, da lei n. 6.815/1980. Essa regra dirige-se,
imediatamente, a forma de aquisição da nacionalidade brasileira, por via de naturalização. Na espécie, o extraditando
é brasileiro nato (Constituição Federal, art. 145, i, letra ''a''). A reaquisição da nacionalidade, por brasileiro nato,
implica manter esse status e não o de naturalizado. Indeferido o pedido de extradição, desde logo, diante da prova
da nacionalidade brasileira, determina-se seja o extraditando posto em liberdade, se tal não houver de permanecer
preso."

Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o greencard decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele
irá perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção prevista
na alínea “b” do inciso II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o greencard, não havia
necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana como condição para permanência ou para o exercício
de direitos civis. O estrangeiro titular de greencard já pode morar e trabalhar livremente nos EUA. Dessa forma,
conclui-se que a aquisição da cidadania americana ocorreu por livre e espontânea vontade. Vale ressaltar que,
perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato. Assim, se cometer um crime
nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. STF. 1ª
Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF, Rel.
Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (Info 859).

SITUAÇÃO IMPEDE A...


O indivíduo requer a naturalização após a prática de Extradição
um delito no exterior
O indivíduo requer a naturalização, cujo exame está Deportação
atrasado, e seu visto de permanência vence
Extradição não admitida pela lei brasileira Deportação e Explusão
Reconhecimento da condição de refugiado Extradição
Estrangeiro casado com brasileira, ou que tenha filho Apenas a expulsão
28

brasileiro, dependente da economia paterna

#FACILITACOACH #AJUDAMARCINHO:

1) Nacionalidade Originária (também chamada de É aquela que resulta de uma fato natural (o
primária, atribuída ou involuntária) nascimento).
A pessoa se torna nacional nato.

Critérios para a atribuição da nacionalidade originária :


a) Critério territorial (jus soli): se a pessoa nascer no
território do país, será considerada nacional deste ;
b) Critério sanguíneo (jus sanguínis): a pessoa irá adquirir
a nacionalidade de seus ascendentes, não importando
que tenha nascido no território de outro país.

#SELIGA: No Brasil, adota-se, como regra, o critério do


jus soli, havendo no entento, situações nas quais o
critério sanguíneo é aceito.
2) Nacionalidade Secundária (também chamada É aquela decorrente de um ato voluntário da pessoa,
de derivada, adquirida ou voluntária) que decide adquirir, para si, uma nova nacionalidade. A
isso se dá o nome de naturalização.
Atenção : esse ato voluntário pode ser expresso ou
tácito.
A pessoa se torna nacional naturalizado.

Como a CF trata o assunto (#DEOLHONACF):


São brasileiros (art. 12, CF)
I – Natos (inciso I) II – Naturalizados (inciso II)
a) Os nascidos no Brasil, ainda que de pais a) Naturalização ordinária (comum) – Os
estrangeiros, desde que estes não estejam a servição de estrangeiros que, segundo os requisitos da lei,
seu país ; adquiram a nacionalidade brasileia.
- adotou-se aqui o critério jus soli ; (art. 12, I, a) - Para os originários de países de língua
- Assim, no Brasil, a regra é o critério do solo, com portuguesa a lei só pode exigir a residência por uma
mitigações previstas no art. 12, I, alineas b e c ; ano ininterrupto e idoneidade moral ;
29

b) Os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou - Obs. : o Brasil pode negar a naturalização (é ato
mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a discricionário)
serviço do Brasil ; b) Naturalização extraordinária – Os estrangeiros
- Critério aqui : jus sanguinis + a serviço do Brasil de qualquer nacionalidade que estejam residindo no
(funcional) (art. 12, I, b) Brasil há mais de 15 anos ininterruptos e sem
c) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou condenação penal ;
de mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ; Obs. : se o estrangeiro preencher essas condições, o
- Critério aqui foi o jus sanguinis + registro (art. governo brasileiro não pode negar a naturalização (é
12, I, c, 1ª parte) ato vinculado).
d) Os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou
de mãe brasileira, ainda que não tenham sido
registrados na repartição brasileira competente, desde
que venham a residir no Brasil e optem, em qualquer
tempo, depois de atingida a maioridade, pela
nacionalidade brasileira ;
- Critério aqui : jus sanguinis + residência no Brasil
+ opção confirmativa ;
- Chamada de nacionalidade potestativa (porque
depende destaopção confirmativa, que só pode ser
dada após a maioridade)

Hipóteses de perda da nacionalidade (art. 2º, par. 4º, CF/88)


Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que :
I – Praticar atividade nociva ao interesse nacional II – Adquirir outra nacionalidade
A doutrina denomina de ‘perda-punição’ ; A doutrina denomina de ‘perda-mudança’ ;
Se um brasilerio naturalizado praticar atividade nociva Se um brasileiro nato ou naturalizado adquirir
ao interesse nacional, terá cancelada a sua voluntariamente uma nacionalidade estrangeira,
naturalização ; perderá, então, a brasileira ;
Essa perda ocorre por meio de uma processo judicial, Esta perda ocorre por meio de um processo
assegurado contraditório e ampla defesa, que tramita administrativo, assegurado o contraditório e ampla
na Justiça Federal (art. 109, X, da CF/88). defesa, que tramita no Ministério da Justiça.
A lei não descreve o que seja atividade nociva ao Este processo poderá ser instaurado de ofício ou
interesse nacional ; mediante requerimento (art. 23 da Lei nº 818/49) ;
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Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se por Após a tramitação do processo, a perda efetiva-se por
meio de sentença, que deve ter transitado em julgado ; meio de Decreto do Presidente da República ;
Os efeitos da sentença serão ex nunc ; Os efeitos do Decreto serão ex nunc ;
Esta hipotese de perda somente atinge o brasileiro Esta hipotese de perda atinge tando o brasileiro nato
naturalizado. como o naturalizado.
Assim, o brasileiro nato não pode perder a sua
nacionalidade, mesmo que pratique atividade nociva ao
interesse nacional.
Havendo perda de nacionalidade por este motivo, a sua Havendo a perda da nacionalidade por este motivo, a
requisição somente poderá ocorrer caso a sentença que sua reaquisição será possível por meio de pedido
a decretou seja rescindida por meio de ação recisória. dirigido ao Presidente da República, sendo o processo
Desse modo, não é permitido que a pessoa que perdeu instruído no Ministério da Justiça. Caso seja concedida a
a nacionalidade por esta hipótese a obtenha novamente reaquisição, esta é feita por meio de Decreto.
por meio de novo procedimento de naturalização. Alexandre de Moraes defende que o brasileiro nato que
havia perdido e readquire sua nacionalidade, passa a ser
brasileiro naturalizado (e não mais nato).
Por outro lado, José Afonso da Silva afirma que o
readquirente recupera a condição que perdera : se era
brasileiro nato, voltará a ser brasileiro nato ; se
naturalizado, retomará essa qualidade ;
*#ATENÇÃO: Conforme dispõe o Decreto nº 9.199/2017,
que regulamenta a Lei de Migração, em seu art. 254,
caput (“o brasileiro que houver perdido a nacionalidade,
em razão do disposto no inciso II do § 4º do art. 12 da
Constituição, poderá, se cessada a causa, readquiri-la ou
ter revogado o ato que declarou a sua perda“) e § 7º (“o
deferimento do requerimento de reaquisição ou a
revogação da perda importará no restabelecimento da
nacionalidade originária brasileira
Exceções :
A CF traz duas hipóteses em que a pessoa não perderá a
nacionalidade brasileira, mesmo tendo adquirido outra
nacionalidade.
Assim, será declarada a perda da nacionalidade do
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brasileiro que adquirir outra nacionalidade, salvo nos


casos :
i. De reconhecimento de nacionalidade originária
pela lei estrangeira :
Ex. : a Itália reconhece aos filhos de seus nacionais a
cidadania italiana. Os brasileiro descendentes de
italianos que adquirem aquela nacionalidade não
perderão a brasileira, uma vez que se trata de mero
reconhecimento de nacionalidade originária italiana
em virtude do vínculo sanguíneo. Logo, serão pessoas
com dupla nacionalidade.
ii. De imposição de naturalização, pela norma
estrangeira, ao brasileiro residente em estado
estrangeiro, como condição para permanência em seu
território ou para o exercício de direitos civis ;
Aqui o objetivo da exceção é preservar a nacionalidade
brasileira daquele que, por motivos de trabalho,
acesso aos serviços públicos, moradia, etc.,
praticamente se vê obrigado a adquirir a nacionalidade
estrangeira, mas que, na realidade, jamais teve a
intenção ou vontade de abdicar da nacionalidade
brasileira.

8 DISPOSITIVOS PARA O CICLO DE LEGISLAÇÃO

DIPLOMA DISPOSITIVOS

CF Art. 12

Lei 13.445/2017 Art. 63 ao art. 76

Decreto 9.199/2017 Art. 213 ao art. 254

Decreto nº 3.927/01 Art. 13 e art. 17


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9 BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

Foca no Resumo

Paulo Henrique Gonçalves Portela

Resumo do TRF5

Resumos do Ponto a Ponto Concursos (Danilo Guedes)

Material Especial do Ciclosr3 para a turma da 1ª Fase da DPU

Informativos do Dizer o Direito.

Resumo publicado no Dizer o Direito5

Anotações de Aula

5
Leia na íntegra: https://dizerodireitodotnet.files.wordpress.com/2017/09/lei-de-migrac3a7c3a3o-resumo.pdf.