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A IMPORTANCIA DA LÍNGUA DE SINAIS NA ESCOLA

REGULAR

A LÍNGUA DE SINAIS

A língua de sinais, ao longo dos anos, vem suscitando debates e embates


acerca do seu uso, tanto na sociedade como na escola, embora muitos ainda
desconheçam que ela constitua uma verdadeira linguagem.

Para Marchesi (in Cool, Palácios e Marchesi, 1995), a falta de


conhecimento acerca desta língua, a confiança numa metodologia oral e por
ser considerada apenas como mímica, motivaram a cultura hegemônica
ouvinte a estigmatizarem e condenarem o uso desta língua considerando-a
imprópria na educação do surdo por ser prejudicial à aquisição da
linguagem oral, bem como a sua integração na sociedade.

Estes motivos perderam força com o tempo e o avanço nas pesquisas


linguísticas acerca dessa língua trouxe como consequência o seu
reconhecimento linguístico e atualmente já tem status linguístico, ou seja,
já é reconhecida como língua. A língua de sinais é a língua natural dos
surdos, mas para entender esta língua com suas características e
peculiaridades faz-se necessário entender o conceito de língua e a sua
importância na comunicação.

Segundo Ferreira (1999), língua é o conjunto das palavras e expressões


faladas ou escritas, usadas por um povo ou uma nação e o conjunto de
regras da sua gramática. Diante desse conceito, analisa-se que a língua
exerce um papel social, de compartilhamento de forma falada e escrita por
pessoas de uma comunidade linguística. A maioria dos surdos não fala,
como então eles se comunicam com o mundo que o cercam?

Em resposta a esta pergunta Reily (2004, p.117), defende que “quando a


voz não pode ser usada, o gesto é uma opção natural para a constituição da
linguagem”. Portanto, se não podemos falar, temos que buscar meios
adequados que supram as funcionalidades da língua oral. Relacionando as
línguas orais com as línguas de sinais, temos a fala e o sinal.

Segundo Ferreira (1999), a fala é a ação ou faculdade de falar, e sinal é


signo convencionado que serve para transmitir informação. Verificando o
conceito de sinal e pensando na língua sinalizada, percebe-se que quando o
gesto representa um sinal convencional e possui contexto linguístico com
significado, enquadra-se então na definição de língua, servindo, portanto,
para exercer comunicação, interação, substituindo assim, a fala.

É cientificamente comprovado que o ser humano possui dois sistemas para


a produção e reconhecimento da linguagem: o sistema sensorial faz uso da
anatomia visual, auditiva e vocal, característica das línguas orais; e o
sistema motor que faz uso da anatomia visual, da anatomia da mão e do
braço, caracterizando as línguas de sinais. Essa é considerada a língua
natural do surdo e é imprescindível no seu desenvolvimento psicossocial e
intelectual.

Na aquisição da linguagem, os surdos utilizam o sistema motor porque


apresentam o sistema sensorial (audição) seriamente prejudicado. Assim, o
sinal é a língua do surdo e, no aspecto funcional, é igual à fala para os
ouvintes, pois possui sintaxe, gramática e semântica completas que
permitem desenvolver a expressão de emoção e articulação de ideias.

Segundo Quadros (2006), a língua de sinais é uma língua espacial visual,


pois utiliza a visão para captar as mensagens e os movimentos,
principalmente das mãos, para transmiti-la. Distinguem-se das línguas orais
pela utilização do canal comunicativo, enquanto as línguas orais utilizam
canal oral-auditivo, as línguas de sinais utilizam canal gestual-visual.

Esta forma de linguagem é rica, completa, coexiste com as línguas orais,


mas é independente e possui estrutura gramatical própria e complexa, com
regras fonológicas, morfológicas, semânticas, sintáticas e pragmáticas. É
lógica e serve para atingir todos os objetivos de forma rápida e eficiente na
exposição de necessidades, sentimentos, desejos, servindo plenamente para
alimentar os processos mentais.

Marchesi (1995, p. 219) afirma que “A língua de sinais é uma linguagem


autêntica, com uma estrutura gramatical própria e com possibilidades de
expressão em qualquer nível de abstração”. Por ser tão completa quanto à
língua oral é adequada, pode e deve ser utilizada no processo ensino e
aprendizagem, exercendo o desenvolvimento, a comunicação e a educação
dos alunos marcados por uma falta, a audição.

A língua de sinais adquiriu status linguístico de direito e de fato em 2002,


com a sanção da lei nº. 10436, que a reconhece legalmente como forma de
expressão, com sistema linguístico visual-motor próprio para exercer
comunicação.

Diante destas análises acerca da língua de sinais, ao longo deste estudo,


será possível compreender os conteúdos abordados no que tange à sua
importância na educação dos surdos nas classes normais, salientando que a
criança surda pode desenvolver-se, comunicar-se e aprender, desde que
tenha suas necessidades linguísticas supridas.

LÍNGUA DE SINAIS NO CONTEXTO DA ESCOLA REGULAR

Todas as pessoas têm o direito de estar na escola (Constituição Federal,


Art. 205), assim Ferreira (1999) define a escola como um estabelecimento
público onde se ministra o ensino de forma coletiva, porém em sua essência
a escola.

(...) apresenta-se, hoje como uma das mais importantes instituições sociais,
por fazer, assim como as outras, a mediação entre o indivíduo e a
sociedade. Ao transmitir a cultura, e com ela, modelos sociais de
comportamentos e valores morais à escola permite que a criança
“humanize-se, cultive, socialize-se ou, numa palavra, eduque-se.” (Boock,
2002. P. 261).

Percebe-se então que a escola é muito importante na formação do sujeito


em todos os aspectos. É um lugar de aprendizagem de diferenças e de
trocas de conhecimentos, precisando, portanto atender a todos sem
distinção, a fim de não promover fracassos, discriminações e exclusões
(Carvalho, 2004).
Determinações constitucionais preveem organização especial de currículos,
desenvolvimento de métodos, técnicas e recursos educativos, além de
professores especializados e capacitados. No caso do surdo
especificamente, trata-se de promover adequações das ações educacionais à
realidade daquele que tem (ou deveria ter) a língua de sinais como primeira
língua.

Tais ações implicam na necessidade de uma educação bilíngue nas classes


regulares e estão respaldadas numa concepção filosófica norteadora de
diretrizes legais que estabelecem uma escola alicerçada no respeito às
diferenças e igual para todos, de forma a favorecer o desenvolvimento dos
alunos surdos.

A Declaração de Salamanca (1994) prevê uma educação inclusiva onde


todas as crianças podem aprender juntas, independentemente de suas
condições físicas, intelectuais, sociais, raciais, linguísticas ou outras. No
caso do surdo sua educação é prevista em sua língua nacional de signos, a
língua de sinais.

Já a LDBEN/96 (Lei das Diretrizes Bases da Educação Nacional de 1996),


fundamentada em Salamanca (1994) e na Constituição Federal de 1988,
traz em seus artigos especificamente 58 e 59, fundamentos e princípios
para uma educação inclusiva de qualidade que atenda a todos os educandos
através de adequações específicas para atender as necessidades dos
portadores de deficiências.

Para Carvalho (2004) não basta apenas colocar os deficientes em classes


regulares, se faz necessário assegurar-lhes garantias e práticas pedagógicas
que rompam as barreiras de aprendizagem a fim de não se fazer uma
educação inclusiva marginal e excludente.

Na educação dos surdos, o que lhes constitui uma barreira de aprendizagem


diz respeito às questões referentes à sua linguagem. Estes sujeitos não
ouvem, por isso, têm grandes dificuldades em se comunicar e aprender,
embora sejam iguais aos ouvintes, as precisam de uma educação diferente
que o respeite na sua diferença.

Atualmente no Brasil há um crescente discurso sobre a educação bilíngue


para surdos. O termo bilinguismo significa “utilização regular de duas
línguas por indivíduos, ou comunidade, como resultado de contato
linguístico” (Ferreira, 1999, p. 300). Ser bilíngue, portanto é falar e
escrever em duas línguas.
O surdo tem direito a esta educação e a mesma deve acontecer de maneira
que, segundo Quadros, (2006) o português deveria ser ensinado aos surdos
como segunda língua. Dessa forma a escola deveria apresentar alternativas
voltadas às necessidades linguísticas dos surdos, promovendo estratégias
que permitam a aquisição e o desenvolvimento da língua de sinais, como
primeira língua e, paralelamente, introduzir a língua portuguesa em sua
modalidade escrita, como segunda língua. A autora discorre acerca de
como deve acontecer a educação bilíngue e o papel da escola nesse
processo.

“As diferentes formas de proporcionar uma educação bilíngue à criança em


uma escola dependem de decisões político-pedagógico. Ao optar-se em
oferecer uma educação bilíngue, a escola está assumindo uma política
linguística em que duas línguas passarão a coexistir no espaço escolar (...)”.
(Quadros, 2006, p.18).

Entende-se assim que não basta somente a escola colocar duas línguas
coexistindo nas suas classes, antes precisa que haja subsídios e adequações
curriculares de forma a favorecer surdos e ouvintes, a fim de tornar o
ensino apropriado à peculiaridade de cada aluno.

Segundo Skliar (2005, p.27), usufruir da linguagem de sinais “é um direito


dos surdos e não uma concessão de alguns professores e escolas”. Os
surdos têm plenos direitos a uma educação que privilegie a sua língua
materna e de acordo com a legislação brasileira isso não lhe deve ser
negado. No Brasil, leis e decretos garantem a estes alunos uma educação
diferenciada em classes regulares, onde sua língua nacional de signos, aqui
conhecida como LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), é valorizada.

A lei 10.436 (24/04/2002) reconhece a legitimidade da Língua Brasileira de


Sinais – LIBRAS - e com isso seu uso pelas comunidades surdas ganha
respaldo do poder e dos serviços públicos. Esta lei foi regulamentada em 22
de dezembro de 2005, pelo Decreto de nº. 5.626/05 que estabelece a
inclusão da LIBRAS como disciplina curricular nos cursos de magistério,
pedagogia e fonoaudiologia, do ensino público e privado, e sistemas de
ensino estaduais, municipais e federais (Cap.II, art. 3º.).

Este mesmo Decreto, no capítulo VI, Art. 22, incisos I e II, estabelece uma
educação inclusiva para os surdos, numa modalidade bilíngue em sua
escolarização básica, garantindo-se a estes alunos, educadores capacitados
e a presença do intérprete nessas classes.
O intérprete é muito importante na educação dos surdos nas classes
regulares, pois é um profissional devidamente capacitado, que domina a
LIBRAS, proporcionando aos surdos receber informações escolares em
língua de sinais, abrindo-lhes oportunidades para que possam construir
competências e habilidades na leitura e na escrita, tornando-se, portanto,
letrados.

Através desses dispositivos legais, pode-se verificar que a escola regular


está amparada legalmente para receber os alunos surdos em suas classes,
pois a legislação brasileira já reconhece a importância da linguagem dos
sinais na educação dos sujeitos surdos, como um elemento que abre portas
para o desenvolvimento global dos alunos que não ouvem, mas que são
iguais àqueles que têm a audição. O surdo não é pior que o ouvinte, é
cognitivamente igual, tem as mesmas capacidades e inteligência (Botelho
2002), porém é um sujeito que tem uma forma única, peculiar de aprender,
pois compartilha duas culturas e precisa apropriar-se de ambas. A língua de
sinais constitui esta ponte, portanto, importante na educação dos surdos nas
classes regulares.

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