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Xavier Roegiers

Abordagem por competências


e a pedagogia da integração
explicadas aos professores

1
Com a amável autorização da
As interrogações que lhe aparecem …

1. O que é a abordagem por competências? 4


2. O que significa ser competente? 7
3. O que é a pedagogia da integração? 10
4. Uma situação complexa? 13
5. A pedagogia da integração: que mudanças para o professor? 16
6. A pedagogia por objectivos deverá ser rejeitada? 18
7. Nas minhas práticas de aula,
o que devo mudar prioritariamente? 20
8. Como avaliar as competências dos alunos? 24
9. Como remediar as dificuldades dos alunos? 28
Conclusão 30
Léxico 31

2
Introdução
A escola é a alavanca mais importante para fazer progredir um
país. Por isso ela deve estar atenta às necessidades da sociedade.
Muitas vezes porém, jovens que frequentaram a escola durante
vários anos mostram-se incapazes de se servir dos
conhecimentos escolares na vida de todos os dias.

Esta é a razão pela qual os responsáveis dos sistemas educativos


julgam necessário mudar os programas da escola de base e pôr
em prática uma nova abordagem: a pedagogia da integração,
também chamada “abordagem por competências” (APC).

Esta reforma diz respeito aos alunos, mas também aos


professores, aos inspectores e aos editores dos manuais
escolares.
Há já manuais escolares elaborados e conteúdos programáticos
organizados de acordo com a pedagogia da integração.
Para permitir que os professores se possam apoiar nestes
materiais, o presente guia explica o que muda nesta reforma.
Com a ajuda de exemplos concretos este guia vai permitir aos
professores compreender os desafios e as práticas ligadas à
pedagogia da integração. Sobretudo, visa mostrar que a reforma
não alterará as práticas na sala de aula, e que instalar a
pedagogia da integração é fazer evoluir progressivamente a sua
maneira de ensinar.
Na parte final da guia, os professores encontram um léxico que
explicita certos termos próprios da pedagogia da integração.

3
1. O que é a abordagem por
competências?
Aqui temos um pequeno teste que um professor poderia propor aos alunos, para
verificar se conseguem exprimir-se correctamente numa situação de comunicação:

Completa o diálogo, escrevendo a primeira frase


Katou: …
Abdou: Corto-a porque preciso de lenha para preparar a comida.
Katou: Mas ela não te fez nada. Pelo contrário, serve para evitar a seca e ajuda a
fixar o solo!
Fonte: Sidi, Página 52
Aqui estão três trabalhos de alunos. Avalie essas provas.
Trabalho do aluno 1
Katou: Porque é que tu cortar a árvore?
Abdou: Corto-a porque preciso de lenha para preparar a comida.
Katou: Mas ela não te fez nada. Pelo contrário, serve para evitar a seca e ajuda a
fixar o solo! Katou: Tu precisas de lenha para preparar a comida.
Abdou: Corto-a porque preciso de lenha para preparar a
comida.
Trabalho do aluno 2 Katou: Mas ela não te fez nada. Pelo contrário, serve para
evitar a seca e ajuda a fixar o solo!
Katou: … Trabalho do aluno 3
Abdou: Corto-a porque preciso de lenha para preparar a comida.
Katou: Mas ela não te fez nada. Pelo contrário, serve para evitar a
seca e ajuda a fixar o solo!
Katou pensa que se deve proteger as árvores. Ela pergunta a Abdou: “Porque é que
cortas a árvore?”

Quais os critérios de avaliação destes trabalhos?


 Critério 1: respeito pela instrução*1
Os alunos 1 e 2 respeitaram a instrução.
O aluno 3 não respeitou a instrução: não completou as reticências, mas
escreveu duas linhas no fim da folha.
 Critério 2: respeito ao sentido do diálogo
Os alunos 1 e 3 fizeram uma boa pergunta, respeitando a coerência do
diálogo.
O aluno 2 não compreendeu que era necessário fazer uma pergunta.
1
* As palavras a cor estão definidas no léxico, página 31
4
 Critério 3: domínio da língua
O aluno 1 não domina bem a língua. Os alunos 2 e 3 construíram
correctamente a sua resposta.

Na sua opinião, quais são os alunos competentes?

Relativamente ao que é esperado (exprimir-se de forma apropriada nesta


situação de comunicação) os critérios 2 e 3 são os mais importantes a
respeitar. Neste sentido o aluno 3 é competente por formular
correctamente a questão apropriada ao diálogo.
O aluno 1 construiu uma questão adaptada, mas não domina bem a
língua.
O aluno 2 tem um bom domínio da língua, mas não formulou a questão
adequada. Parece que ele tem dificuldade em compreender o seu
interlocutor (Abdou).
Por razões diferentes, os alunos 1 e 2 arriscam-se a não poder reagir de
forma adequada nas interacções sociais da vida corrente.

Se não valorizou o aluno 3, sabe porquê?

Talvez porque, para si, respeitar o que é indicado na instrução seja mais
importante do que o conteúdo da resposta.
Mas se tivesse de confiar uma tarefa de comunicação a um dos três
alunos, não é verdade que escolheria o aluno 3?

Caso de escola

A menina é competente para fazer um bolo?

5
Construir competências nas aulas de …
… Língua … Matemática
Por exemplo, para que um aluno Por exemplo, para que um aluno
seja competente para pedir seja competente para resolver
informações por escrito, numa uma situação problema que faça
situação de comunicação: apelo às quatro operações com
 Ele deve conhecer o estatuto números de 0 a 1000:
da pessoa a quem escreve, o  Ele deve conhecer o
vocabulário adequado, o vocabulário do enunciado do
formato de uma carta, as problema, a tabuada da adição,
fórmulas de cortesia, as regras da multiplicação … para isso
de ortografia … para isso ele ele deve adquirir saberes;
deve adquirir saberes;  Deve poder adicionar,
 Deve poder conjugar um subtrair, multiplicar, dividir os
verbo, concordar uma forma números, poder utilizar as
verbal com o seu sujeito, utilizar técnicas de cálculo mental e de
todos estes saberes em contexto cálculo escrito … para isso ele
para exprimir de maneira clara e deve adquirir o saber-fazer;
precisa o seu pedido … para  Deve poder ser metódico,
isso ele deve adquirir saber- cuidadoso, perguntar-se se
fazer; escolheu a boa operação, tomar
 Enfim, deve ser cortês e a iniciativa de verificar a sua
respeitoso por escrito, reler resposta …para isso ele deve
espontaneamente o que escreve adquirir o saber-se
… para isso ele deve adquirir
saber-ser

Portanto, a abordagem por competências na aula é:


 Primeiro definir duas ou três competências que cada aluno deve ter
desenvolvido no final do ano, em cada disciplina;
 Em função destas competências, definir o que o aluno deve adquirir (saberes,
saber-fazer, saber-ser). Para o professor isso deverá constituir os objectivos das
suas aulas e das suas actividades;
 Depois mostrar aos alunos para que servem estes saberes. Por exemplo, não se
estuda gramática pelo simples prazer de estudar gramática, mas porque a gramática
serve para aprender a ler e a escrever. Isso contribui para motivar o aluno.
 Por fim, colocar o aluno perante situações complexas que apelem para o que foi
aprendido. Tais situações deverão estar próximas das da vida quotidiana.
6
2. O que quer dizer “ser competente”?

Que indícios permitem pensar que este mecânico é capaz de reparar o carro?

Porque é que o mecânico é competente?


 Possui saberes (conhecimentos) de mecânica. Conhece os nomes das
peças auto, a estrutura de um motor …
 Possui saber-fazer. Sabe como utilizar as ferramentas. Sabe mudar um
pneu, substituir os travões.
 Possui o saber-ser profissional. Os clientes estão satisfeitos: é
simpático, rápido e eficaz.
 Mas sobretudo, ele foi confrontado com múltiplas situações e sabe
como reagir. Já mobilizou todos os seus saberes para resolver um
problema real (reparar um carro). É sobretudo porque podem ter
confiança nele em todas as situações que os seus clientes o recomendam
a outros interessados.
Por isso, o mecânico é competente no seu ofício. Foi eleito “o melhor
mecânico do ano”.

O que é uma competência?


É o que permite a cada um realizar correctamente uma tarefa complexa.
Não se deve confundir competência com “performance” ou competição.
Ser “performante”, é ser o melhor, entrar em competição com os outros,
com o risco de esmagar os concorrentes. Ser competente não constitui
uma ameaça para os outros. Pelo contrário, as competências de todos
criam as forças de um grupo, de uma aldeia, de um bairro …
7
As competências dos habitantes de uma aldeia podem ser
complementares. Por exemplo a padeira é competente para fazer pão,
mas não sabe controlar os problemas do trânsito. Neste caso é o polícia
de trânsito que é competente. A secretária é competente para tratar de
questões administrativas, enquanto que o patrão é competente para gerir
uma equipa de trabalho…

Caso de escola

Na sua opinião, qual dos professores é competente para preparar os


alunos para enfrentarem a vida quotidiana?

Que competências levar os alunos a adquirir ?


Tal como os professores do caso acima, deve-se ensinar o que está
indicado nos programas oficiais. Estas indicações definem
competências, que reagrupam as principais exigências dos programas,
em cada ano e em cada disciplina.
É o que se chama as competências de base.
Para conseguir desenvolver essas competências de base, elas são
subdivididas em objectivos. Os objectivos estão associados aos
conteúdos dos programas.
Na pedagogia da integração, é importante que todos os alunos adquiram
essas competências de base.

8
Um exemplo de competência de base em português
Competência de base: “ A partir de um suporte escrito, apoiando-se no
material linguístico adquirido nas aulas da disciplina de Português, o
aluno deve poder produzir, numa situação de comunicação, um texto
coerente e correcto de seis frases pelo menos, para pedir informações.”

Objectivos: Conteúdos :
O aluno deve ser capaz de:  A pontuação; o parágrafo; os
 Compreender um pequeno conectores enumerativos
texto escrito; (primeiro, depois …), de
 Redigir uma frase afirmativa; reformulação (quer dizer …)
 Redigir uma frase  Os tipos de frase; as
interrogativa; construções sintácticas;
 Pedir informações. expressões de cortesia

Todos estes objectivos, conteúdos, saberes (conhecimentos), saber-fazer,


saber-ser são ferramentas ao serviço da competência escrita (escrever
para pedir informações). São chamados recursos.
O aluno que não domina estes recursos não pode tornar-se competente.

 É preciso procurar desenvolver nos alunos competências gerais, úteis


nas diferentes situações da vida corrente.
Exemplos: ser capaz de procurar informação, saber respeitar o seu
ambiente ….
Estas competências favorecem o estabelecimento de relações entre as
aprendizagens e as diferentes disciplinas.
São as chamadas competências transversais.
Num programa apontam-se estas competências transversais como pontos
de referência. Não se avaliam enquanto tais, mas avaliam-se através das
competências de base.

Portanto ser competente é ….


…. Saber-fazer face aos problemas do quotidiano.
Para isso, o professor deve fornecer aos alunos as ferramentas, chamadas
“recursos”.
Ele também deve mostrar-lhes como utilizar esses recursos para resolver
uma situação - problema.
9
3. O que é a pedagogia da integração?
Hoje, foi o último dia de escola.

Julga que este rapaz sabe semear feijão?

O que significa “integrar”?


Durante muito tempo a escola pensou que para fazer com que um aluno
tivesse êxito na vida, bastava proporcionar-lhe saberes e saber-fazer.
Mas, é como se nos dessem uma enxada, uma pá, que nos explicassem a
germinação do feijão e as técnicas de rega, e se pensasse que graças a
tudo isso, sem ter posto os pés num campo, fôssemos capazes de o
cultivar.
Integrar saberes e saber-fazer é utilizá-los de forma concreta em
situações da vida corrente.
O aluno deve ser capaz de transferir as suas aprendizagens do contexto
escolar para um contexto do quotidiano.
É indispensável passar da teoria à prática.

Para ensinarmos aos alunos a integrar os seus conhecimentos,


apresentamos situações complexas, chamadas situações de integração, e
convidamo-los a tentar resolvê-las.

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Qual a diferença entre integração e revisão?
Não se deve confundir integração com revisão.
Uma revisão é a repetição das aprendizagens normalmente adquiridas
anteriormente. Durante uma revisão, é o professor que volta a dar e
explica de novo as lições.
A integração é a resolução de situações-problema novas por cada um
dos alunos. São sobretudo, os alunos que trabalham.

Alguns alunos sabem as matérias das lições, mas não conseguem utilizar
os seus conhecimentos para resolver uma situação-problema. É por esta
razão que o professor lhes deve ensinar a “integrar”os seus saberes, o
saber-fazer e o saber-ser.
A revisão permite refrescar os conhecimentos dos alunos, enquanto que
a integração permite-lhes utilizar e pôr em prática os seus
conhecimentos.
Se o aluno não aprende a integrar, ele não poderá relacionar os
diferentes saberes/conhecimentos entre si. Não poderá ir mais longe do
que restituir conhecimentos, ou resolver exercícios escolares. Não será
capaz de enfrentar situações novas na vida ou no prosseguimento dos
estudos.

Como planificar actividades de integração?


O aluno integrará melhor os seus saberes se for regularmente
confrontado com situações-problema (actividades de integração). Para
tal, o professor pode planificar as suas aulas de todo o ano lectivo e aí
inserir cinco ou seis momentos reservados à integração das
aprendizagens.

1. Prever o período de avaliação final, no fim do ano escolar.

2. Reservar um período no fim do ano para os alunos resolverem


situações - problema. Estas situações-problema devem mobilizar nos
alunos as competências de base (CB) definidas no currículo nacional.
Estas competências de base devem permitir aos alunos atingir o
objectivo de integração do ano lectivo.

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Os programas distinguem dois tipos de objectivos de integração: o que
encerra um ciclo de estudos (em geral, de dois anos) e que se chama
“Objectivo Terminal de Integração” (OTI); o que encerra um ano escolar
e que se chama “Objectivo Intermediário de Integração” (OII).

3. Prever no início do ano um período de revisão das competências de


base do ano anterior.
Este período permitirá ao professor remediar as principais lacunas dos
alunos.

4. Repartir ao longo do ano, de maneira regular, as aprendizagens em


cinco ou seis patamares (também chamados “sequências”).
Estas aprendizagens são definidas em termos de saberes, saber-fazer e
saber-ser.

5. Prever no fim de cada patamar (cerca de cinco semanas) um período


para as actividades de integração e avaliações formativas. Chama-se a
este período “módulo de integração” ou “semana de integração”.

Portanto, a pedagogia da integração é ….

…. a colocação em prática de uma abordagem que constrói as


aprendizagens etapa por etapa para permitir aos alunos fazer face a
qualquer situação da vida corrente.

 Só há integração se o aluno possuir os diferentes recursos: saberes,


saber-fazer e saber-ser.
 Só há integração se o aluno reinveste os conhecimentos adquiridos
num contexto novo (uma nova situação-problema). Esta situação é muito
mais complexa e rica do que uma ficha na aula ou um exercício: a
situação-problema faz apelo a vários saberes/conhecimentos e ao saber-
fazer.
 Só há integração se o aluno se implica pessoalmente na resolução da
situação-problema. Deve ser o próprio aluno a encontrar os saberes e o
saber-fazer, os quais devem ser mobilizados e articulados para resolver a
situação-problema.
Ninguém pode integrar no lugar do outro.

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4. Uma situação complexa?
Observe as três actividades. Quais são as que mobilizam vários saberes, o saber-
fazer e o saber-ser? Qual deles é um simples exercício escolar?
Público : CE 2
1. Actividade
Progressão:
Esta actividade inscreve-
se numa lição sobre o
respeito pelo meio
ambiente, em Educação
Moral e Cívica. Os
alunos estudaram
anteriormente problemas
do ambiente e as
soluções possíveis.

Fonte : Campeões em Educação Moral e Cívica (2004) CE2, EDICEF, p.15)

2. Actividade
Público: CE 2
Progressão:
Esta actividade inscreve-se no final de
um patamar de Português onde se
trabalhou a competência: “Explicar
uma receita de cozinha ou um jogo,
oralmente ou por escrito”. Os alunos
fizeram anteriormente exercícios de
gramática, vocabulário, conjugação,
ortografia, expressão oral e escrita.
Estes exercícios permitiram-lhes
adquirir instrumentos (recursos) para
desenvolver a competência visada.

Fonte: Novos Campeões em Francês (2006) CE2, EDICEF / CLE, p.117)

13
3. Actividade Público: CM 2

Progressão: a propor depois de uma lição sobre o nome predicativo do


sujeito em Português

Forma todas as frases possíveis com um elemento de cada coluna:

Exemplo: Este homem é doente / corajoso

Princípio da frase Fim da frase

Este homem é …. ducadas


Este homem parecia … bons
Este homem parece … bela
As meninas são … doente
A minha irmã está cada vez mais …. corajoso

Horizontes de África, EDICEF

Resposta:
Só a actividade 3 não é uma situação complexa: só mobiliza um tipo de
saber (a concordância do nome predicativo do sujeito). É uma aplicação
de aula que não se inscreve numa situação da vida quotidiana.

Quais são as propriedades de uma situação complexa?


 É uma situação-problema que exige que o aluno articule vários
saberes e sabres-fazer para a resolver. Pode fazer apelo a outras
disciplinas e às “competências para a vida”.
Exemplo: Na actividade 1 da página 13 a competência para a vida é a
educação ambiental. A actividade mobiliza saberes e o saber-fazer das
disciplinas de Português (preparar as perguntas, fazer um relato) , de
Educação Cívica (interrogar um representante da Câmara Municipal), de
Desenho (imaginar e ilustrar um cartaz), de Ciências (conhecer as
soluções existentes para proteger o ambiente) …

 É uma situação próxima dos centros de interesse dos alunos. Ela


deve ser viva para motivar os alunos. Podem integrar-se na situação
ilustrações, documentos autênticos ….

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 É uma situação em que os alunos não estão passivos. Não estão a
receber mais saberes da parte do professor. Tornam-se actores na
resolução de problemas. São eles que trazem as soluções.

 É uma situação que pode inicialmente ser tratada em grupos de três


ou quatro alunos, mas que em seguida deve ser resolvida
individualmente.
Numa situação-problema da vida corrente, o professor ou os alunos mais
fortes não estarão presentes para ajudar os menos fortes.
Lembrem-se: ninguém pode integrar os saberes no lugar do outro. Por
esta razão, as instruções de uma actividade de integração devem ser
sempre formuladas o mais simplesmente possível.

Quando propor situações complexas aos alunos?


Para permitir ao aluno integrar os seus novos conhecimentos, é desejável
confrontá-lo regularmente ao longo do ano, com situações complexas.
Em geral, o professor aborda novos saberes e veicula o saber-fazer (com
aprendizagens pontuais) durante cinco semanas de aprendizagem.

Na sexta semana (semana de integração) o professor apresenta um


trabalho sobre situações complexas: deixa de abordar noções novas e
propõe aos alunos várias situações complexas a resolver, em todas as
disciplinas. Cada situação faz apelo a várias noções vistas ao longo das
semanas anteriores de aprendizagem.

Portanto, uma situação complexa é ….


…. a que permite pôr em prática aprendizagens, verificar se o aluno
adquiriu novos saberes e se os sabe utilizar em situações diversas.

Para ser eficaz o professor deve dar algumas explicações breves, mas
sobretudo fazer trabalhar os alunos. A eficácia de uma aprendizagem
está ligada a duas coisas:
 às ocasiões que o aluno tem para discutir com os outros colegas de
modo a comparar o que ele compreendeu (trabalho de grupo, trabalho
em atelier);
 e sobretudo ao tempo que o aluno tem para trabalhar sozinho. Um
professor que faz os alunos trabalharem frequentemente na sua ardósia
compreendeu isso perfeitamente.

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5. A pedagogia da integração: que mudanças
para o professor?

Aqui temos dois planos de uma aula de Português:

Abordagem tradicional

Lição 1 : o imperativo

1. Exploração: “Eu descubro”


O professor dá aos alunos algumas instruções do tipo “Peguem nos vossos lápis”,
“Levantem-se”, “Ana, vai para o pé da porta”, “José, fecha o teu caderno”,
“Vamos para fora” …

2. Sistematização: “Tema da lição”


O professor escreve no quadro os verbos utilizados na fase de exploração (peguem,
levantem-se, vai, fecha, vamos …). Ele agrupa-os de acordo a pessoa em que estão
conjugados.
Destaca as semelhanças entre as formas e deduz uma regra : “Emprega-se o
imperativo para dar uma ordem, um conselho …
O verbo não está conjugado com um pronome pessoal e possui apenas duas formas
… Excepto para os verbos ter e ser, estas formas são as do presente do indicativo
(mas sem -s na 2ª pessoa do singular para os verbos do 1º grupo e para o verbo ir)
…”

3. Aplicação: “Eu exercito-me”


O professor dá aos alunos exercícios sobre formas verbais a conjugar, por
exemplo:
“Põe os verbos no imperativo:
Tu andas devagar. Nós escutamos o professor…”
etc.

No final do trimestre, revisão: as principais formas do imperativo, e as outras


lições estudadas.

16
Abordagem por competências
Competência a atingir: “Ser capaz de produzir um texto prescritivo e um texto
narrativo de uma dezena de linhas, em situação de comunicação.”

Lição 1: o imperativo
1. Exploração
2. Sistematização] aprendizagens pontuais como na abordagem tradicional
3. Aplicação
4. Actividade de integração parcial: saber utilizar o imperativo
Para conservar a sala limpa as crianças são convidadas a redigir, cada uma,
conselhos do tipo “Não deitem papéis no chão”, “Não brinquem nas poças de
água”, “Limpem os pés antes de entrar” …

Lição 2 : o pretérito perfeito composto (as mesmas etapas da lição 1)


Depois de 5 semanas, situações de integração: o aluno é convidado a escrever um
texto narrativo acerca de um acontecimento passado, incluindo uma parte
prescritiva (necessidade de utilização do imperativo).
O professor deve ter determinado e preparado o número de situações que vai
apresentar aos alunos para cada competência. Por exemplo, ele pode dar três
situações complexas por competência, sendo uma para se treinar a integrar, uma
para a avaliação formativa e outra para a remediação.
Exemplo de situação de integração:
Tu foste passar uns dias em casa da tua tia. Uma semana mais tarde ela escreve-te
esta carta.
3 de Setembro de 2006
Querido sobrinho
Espero que tenhas feito uma boa viagem de regresso. A que horas chegaste à estação do
autocarro? O que fizeste depois para ir até casa? Os teus irmãos e irmãs ficaram
contentes com a bicicleta que levaste?
Se te escrevo hoje é porque o filtro de água deixou de funcionar. Disseste−me que na
escola aprendeste como purificar a água. Podes dizer−me como fazer, de maneira
económica?
Um abraço e espero ver−te em breve, de novo, na minha casa.

Tua tia.

Em 10 linhas, escreve também uma carta à tua tia:

1. Responde a cada uma das perguntas que ela te faz a propósito do teu regresso.
2. Explica-lhe o que deve fazer para purificar a água. Utiliza um dos métodos de
purificação da água que aprendeste nas aulas.
3. Termina a carta de forma pessoal.

17
6. Devemos pôr de parte a pedagogia por
objectivos?

De entre os quatro professores, quais são os que compreenderam o que


é a pedagogia por objectivos (PPO)?

Em que ponto se está relativamente à pedagogia por


objectivos?
A pedagogia por objectivos consiste em desdobrar as aprendizagens
complexas em objectivos distintos a serem atingidos pelos alunos. Ela
permite responder à seguinte questão: “O que é que o aluno deve saber,
ou deve saber fazer no fim de uma determinada lição?”

18
O professor pode verificar se o objectivo da sua lição foi atingido ou
não, através de pequenas avaliações realizadas ao longo da aula ou no
fim desta. É o que exprimem os professores 1 e 2.
Por exemplo aprender a calcular uma distância real a partir de um mapa
rodoviário, decompõe-se em vários objectivos específicos: comparar
fracções cujo denominador é cem, calcular uma proporção, medir um
comprimento com uma régua graduada, etc.
A pedagogia por objectivos teve o imenso mérito de, pela primeira vez,
colocar o aluno no centro das preocupações dos programas escolares.
Em vez de dar ao professor uma lista de conteúdos a transmitir aos
alunos, os programas passam a listar os objectivos a serem atingidos
pelos alunos.

Contudo a PPO tem as suas limitações: os objectivos são numerosos e


parcelados. O aluno aprende saberes fragmentados, sem mesmo chegar a
compreender o seu sentido.
A pedagogia da integração permite criar relações entre os diversos
objectivos. Ela permite dar um sentido às aprendizagens.
Na resolução de uma situação-problema, se os alunos são competentes,
os objectivos são atingidos.

Portanto, a pedagogia por objectivos é ….


…. uma pedagogia na qual se baseia a pedagogia da integração
A reforma educativa apoia-se sobre os avanços da PPO.

 Os professores que já praticam a PPO vão continuar a apoiar-se


nesta pedagogia para pôr em prática a pedagogia da integração.
 Os professores que não praticam a PPO deverão aprender a
organizar os conteúdos das suas aulas em função de objectivos precisos
a serem atingidos pelos alunos. Isso vai permitir-lhes mais facilmente
pôr em prática a pedagogia da integração.

19
7. O que devo mudar prioritariamente nas
minhas práticas de aula?
Como tornar a minha pedagogia activa?
Na pedagogia da integração, a prioridade recai sobre os módulos de
integração: na sua resolução os alunos estão muito activos, pois
trabalham frequentes vezes sozinhos. Mas a pedagogia da integração
visa também tornar os alunos mais activos durante as aprendizagens
pontuais.
Tornar os alunos mais activos não significa criar balbúrdia, nem deixar o
professor ser ultrapassado pela situação. Isso quer dizer solicitá-los
mais, fazê-los participar na aula para que construam as suas
aprendizagens.
Para tornar os alunos mais activos, o professor deve escolher bem as
situações didácticas.
Por exemplo: o professor propõe aos alunos que procurem como fabricar
uma caixa a partir de uma folha de cartolina para os levar a descobrir o
padrão de um paralelepípedo da calçada. Aqui, os alunos estão activos
na descoberta da noção (o paralelepípedo) e não passivos.

Para fazer descobrir a utilidade e as formas do imperativo, o professor


poderia realizar a situação didáctica seguinte: constituir grupos de
alunos e pedir-lhes para produzirem instruções para indicarem o
caminho a alguém. De seguida, comparar as produções dos diferentes
grupos, comentá-las e corrigi-las. Durante a correcção a turma inteira
pode intervir: em conjunto, os alunos constroem, em conjunto, os seus
saberes.

20
Durante a apresentação de uma noção nova, há duas maneiras diferentes
de tornar os alunos activos:

 fazer participar os alunos utilizando o Processo La Martinière: Cada


aluno escreve a sua resposta na ardósia ou no caderno, e mostra-a ao
professor. Assim, este pode ver erros individuais, remediar e corrigi-los.

 fazer trabalhar os alunos em pequenos grupos (4 no máximo) e


circular entre os grupos para ajudar os alunos. Por cada grupo, um
representante dará a resposta no momento da correcção, que deverá ser
feita com o conjunto da turma.

Situação didáctica ou situação de integração?


Não se deve confundir uma situação didáctica com uma situação de
integração.

 Uma situação didáctica permite introduzir um novo saber ou um


novo saber-fazer. É uma situação em que o aluno manipula, procura,
descobre, pratica para melhor compreender: ele constrói o seu saber.
 Uma situação de integração permite exercer a competência. Permite
também verificar se os alunos integraram os recursos adquiridos
recentemente e se novos objectivos foram atingidos. Ela é realizada
depois de um conjunto de lições. Permite ao professor diagnosticar o que
foi ou não adquirido pelos alunos. Permite ao aluno ver se está capaz de
enfrentar um problema da vida corrente.

Em que ordem o professor pode mudar as suas práticas de aula? É mais


fácil para ele e mais eficaz realizar primeiro actividades de integração,
conservando a sua prática habitual das aprendizagens pontuais. Depois
de dois ou três anos de prática das situações de integração, pode
progressivamente introduzir as situações didácticas.

21
Que procedimento deve seguir o professor?
Conforme as possibilidades o professor pode escolher entre dois
processos:

 Introduzir uma semana de integração no final de cada patamar, e


continuar as aprendizagens como fazia antes;
 Adoptar o processo seguinte: prática (situações didácticas) – teoria
(tema da aula) – prática (actividades de integração). (Ver página 17)

O professor começa as aprendizagens por uma situação didáctica, em


que os alunos estão activos, ocupados numa pequena pesquisa.

Passa em seguida à sistematização dos conhecimentos: estrutura os


novos conhecimentos, estabelece relações com as aquisições anteriores.
No fim da lição, pode propor uma actividade de integração, durante a
qual cada aluno mobiliza as suas novas aquisições e toma consciência de
que as pode aproveitar numa situação concreta.
Ao longo da semana de integração, outras situações de integração serão
apresentadas aos alunos para mobilizar um conjunto de novas
aquisições.
Este segundo processo permite tornar as aprendizagens mais vivas e
mais activas.
Nos dois processos, o professor deve procurar tanto quanto possível,
fazer todos os alunos trabalharem individualmente.

22
Que competências adquirir para praticar a pedagogia da
integração?

No próximo ano lectivo, estes quatro professores vão aplicar a


pedagogia da integração.

Portanto, o que é prioritário é:


 Introduzir cinco ou seis semanas de integração no ano a fim de
ensinar os alunos a resolver situações complexas (em pequenos grupos e
sozinhos), avaliá-los e remediar as suas dificuldades;

 Fazer trabalhar os alunos individualmente, na ardósia e no caderno,


durante as aprendizagens pontuais;

 Se possível, introduzir situações didácticas próximas das suas


preocupações, para os tornar mais activos.

23
8. Como avaliar as competências dos
alunos?
Temos aqui a resposta de um aluno à situação de integração da
página …proposta durante uma avaliação.

Competência visada: “Ser capaz de produzir um texto prescritivo e um texto


narrativo de uma dezena de linhas em situação de comunicação.”

Instruções: Em 10 linhas, escreve uma carta à tua tia:


1 Responde a cada uma das perguntas que ela te faz acerca do teu regresso.
2 Explica-lhe o que ela deve fazer para purificar a água. Utiliza um dos métodos
de purificação da água que aprendeste nas aulas.
3 Termina a carta de forma pessoal
.
Como classificaria este trabalho numa escala de 0 a 10?

18 de Setembro de 2006
Bom dia querida tia,
Como estás? Eu chegar bem a minha casa, às dezoras.
Encontrei o meu amigo na estação do autocarro.
Os meu irmãos e irmãs ficar contente com a bicicleta eles agradece−te.
Reparas−te o teu filtro de água? Na escola aprendi a purificar a água assim.
Arranja água. Pões a numa panela e deixa fervere durante 15 minutos.
Mandote um abraço e espero ver−te em brev

Teu sobrinho

Que método para avaliar?


A pedagogia da integração tem como
finalidade fazer os alunos adquirirem
novas competências, e valorizar as
competências adquiridas.
Por esta razão, o professor não deve olhar
unicamente para os aspectos negativos da
produção de um aluno.
Este professor deve mudar as suas
práticas de avaliação quando adoptar a
pedagogia da integração.

24
A pedagogia da integração tem como
finalidade ajudar cada aluno,
individualmente. Avaliar um aluno é
dar-lhe a possibilidade de melhorar.
Por esta razão cada trabalho de um
aluno é independente dos outros. Esta
professora não deve compará-los entre
si. Ela deve mudar as suas práticas de
avaliação quando adoptar a pedagogia
da integração.
Para permanecer objectivo e não se
enganar sobre aquilo que avalia, o
professor deve servir-se de critérios de correcção. Isso permite-lhe ter
vários olhares sobre um mesmo trabalho, e determinar os erros, mas
também o que está correcto.

Quais são os critérios de avaliação?


Em geral, o professor pode fixar dois ou três critérios mínimos. São os
critérios essenciais para determinar se um aluno é competente ou não.
Pode acrescentar um critério de aperfeiçoamento.
C1: Pertinência da produção.
Este critério serve para verificar se o aluno respeita os constrangimentos
da actividade (se se serve dos documentos suporte, se responde a todas
as perguntas …)
C2: Coerência do texto
Este critério permite avaliar se o aluno produziu um escrito com sentido:
o texto produzido está construído de maneira a dar sentido às frases?
C3: Correcção da língua.
Este critério permite avaliar a sintaxe (construção das frases), a
ortografia e o domínio das formas verbais utilizadas.
C4: Originalidade da produção.
Trata-se de um critério de “aperfeiçoamento.” Este critério é facultativo.
Em Matemática adopta-se muitas vezes três critérios mínimos:
C1: Interpretação correcta do enunciado (o aluno escolheu as boas
operações?)
C2: Utilização correcta das ferramentas matemáticas (as técnicas de
cálculo estão afinadas?)
C3: Coerência da resposta (boa ordem de grandeza, boa unidade de
medida).
25
Caso de escola
Aqui temos uma grelha de correcção completa.
Avalie de novo o trabalho da página 24
C1: C2: C3: C4:
Pertinência da Coerência do Correcção Originalidad
produção texto da língua e
da produção
O aluno recebe o O aluno recebe o O aluno recebe
ponto ponto se as o ponto se dois
se responde pelo respostas que dá terços
Instrução1 menos fazem sentido. dos verbos
a duas questões no pretérito
da carta. perfeito estão
correctos.
/1 /1 /1
O aluno recebe o O aluno recebe o O aluno recebe o O aluno
ponto se os ponto se as ponto se dois recebe
conselhos são instruções dadas terços dos verbos o ponto se
Instrução2 bons, e utiliza estão articuladas no imperativo introduziu na
formas do entre si. estão escritos carta um
imperativo. correctamente. elemento que
/1 /1 não era
/1 pedido nas
O aluno recebe o O aluno recebe o O aluno recebe o instruções
ponto se termina ponto se o fim da ponto se dois (vocabulário,
a carta de forma carta está bem terços das frases ideia …)
Instrução3 pessoal. articulado com o estão bem
resto. estruturadas.
/1 (S+V+C) /1
/1 /1
Total /3 /3 /3 /1

Os elementos deste quadro são chamados indicadores. Estes precisam os


critérios. Quando são formulados, permitem não sancionar duas vezes o
mesmo erro num trabalho. É preferível ter três instruções numa situação-
problema para verificar cada critério, no mínimo três vezes. Em geral
uma ou duas instruções não são suficientes para garantir que o aluno
domina verdadeiramente um critério.

Atenção: as instruções devem ser independentes e ter o mesmo nível


de complexidade. Não se trata de uma instrução dividida
em três partes.

26
Como classificar com uma grelha de avaliação?
Pode-se classificar o trabalho desta maneira:

C1 C2 C3 C4 Por exemplo, para a instrução 1 e


C1 o aluno só respondeu à
Instrução 1 0/1 1/1 1/1 terceira pergunta da tia. Recebe
0/1 ponto.
Instrução 2 1/1 1/1 0/1 0/1 Para a instrução 1 e C3, o aluno
Instrução 3 0/1 1/1 1/1 escreveu correctamente três
formas verbaiss sobre cinco (3/5
Total 1/3 3/3 2/3 0/1 está próximo de 2/3). Recebe 1/1.

N.B: Vemos que os critérios C2 e C3 estão bem dominados pelo aluno,


mas que deve reforçar o C1.

Quando prever uma avaliação?


 A avaliação formativa faz-se durante as semanas de integração,
durante dois dias depois das actividades de integração.
 A avaliação certificativa determina a passagem do aluno ao nível
superior e faz-se no fim do ano ou do ciclo.

Que formato adoptar?


O professor deve poder construir uma prova de avaliação (situação-
problema) adaptada à competência visada.
Para a avaliação, é importante precisar na instrução da situação-
problema que se trata de uma situação para avaliação, indicar o tempo
de que o aluno dispõe e o material que ele pode utilizar. Pode também
indicar o quadro dos critérios utilizados para a correcção e a sua relação
com cada instrução.

Portanto avaliar com uma grelha de correcção


permite:
 Determinar se um aluno adquiriu ou não a competência;
 Valorizar o que o aluno conhece e diagnosticar as suas fraquezas. O
professor poderá assim remediar exactamente as lacunas do aluno.

27
9. Como remediar as dificuldades dos
alunos?
O que é a remediação?
A remediação é a superação dos alunos que têm dificuldades nas
aprendizagens. Estabelece-se a partir de um diagnóstico que o professor
realiza face aos resultados da avaliação. Pode efectuar-se:
 Colectivamente, se o professor detecta algumas lacunas comuns a
uma maioria de alunos;
 Em pequenos grupos, se o professor nota que alguns alunos têm
dificuldades similares;
 Individualmente, se o professor tem a possibilidade de pôr cada
aluno a trabalhar em separado.
Vários tipos de remediação podem ser combinados. Por exemplo, uma
remediação pode fazer-se colectivamente durante 30 minutos, e depois
em pequenos grupos durante 45 minutos.

Como organizar uma remediação a partir da


correcção dos trabalhos dos alunos?
A organização da remediação faz-se a partir da observação do quadro
dos resultados de cada aluno, para cada um dos critérios mínimos.

Exemplo: Após a avaliação relativa à situação de integração da página


17 o professor agrupou os resultados dos alunos, por critério:
C1 C2 C3 A partir deste quadro, ele diagnosticou as
Aluno 1 3/3 1/3 2/3 fraquezas dos seus alunos por critério.
Aluno 2 1/3 3/3 2/3 Decidiu agrupar os alunos que têm 1/3 ou
0/3 num mesmo critério. Como
Aluno 3 2/3 2/3 0/3
prioridade para remediação focalizou os
Aluno 4 3/3 0/3 2/3
alunos que têm uma nota inferior a 1/3
Aluno 5 2/3 3/3 0/3
por critério.
Aluno 6 1/3 2/3 2/3
Assim, formou três grupos:
Aluno 7 1/3 3/3 2/3  Um primeiro grupo com os alunos 2, 6
Aluno 8 2/3 1/3 2/3 e 7 para trabalhar o critério 1;
Aluno 9 3/3 3/3 1/3  Um segundo grupo com os alunos 1, 4 e
Aluno 10 3/3 3/3 0/3 8 para trabalhar o critério 2;
 Um terceiro grupo com os alunos 3, 5, 9
e 10 para trabalhar o critério 3.
28
O que propor como actividades de remediação a cada
um destes grupos?
O professor pode servir-se de exercícios e de actividades dos manuais
escolares, ou de fichas sobre “temas de aula” para explicar de novo o
assunto, de maneira diferente.

 Ao primeiro grupo, o professor pode propor actividades, em que os


alunos trabalhem a ligação entre a instrução e o documento suporte:
reformular a instrução, destacar as passagens referidas no suporte, etc.
 Ao segundo grupo, o professor pode propor exercícios que levam a
trabalhar a coerência do texto. Exemplo: pôr em ordem um parágrafo a
partir de frases desordenadas ; acrescentar palavras de ligação entre as
frases de um parágrafo, etc.
 Para o terceiro grupo, o professor verifica se é o imperativo ou o
pretérito perfeito que causa mais problemas, e pode então propor
exercícios suplementares adaptados.

A fim de verificar se os alunos aproveitaram bem da remediação, o


professor pode propor aos alunos uma nova situação – problema
referente à mesma competência: nem mais fácil, nem mais difícil que a
precedente.

É preciso remediar todas as dificuldades?


Não é preciso remediar todas as dificuldades dos alunos. Isso seria
demasiado moroso e pesado para o professor. Basta identificar uma ou
duas dificuldades frequentes e importantes, e basear a remediação sobre
essas dificuldades.
No exemplo junto, vê-se que o critério 3, C3 é o menos dominado por
todos. Na falta de uma remediação por grupos, o professor pode
trabalhar colectivamente esse critério.

Portanto, a remediação é :
 Uma etapa importante na pedagogia da integração. Ela permite ao aluno voltar
àquilo que não compreendeu e adquirir as competências que não adquiriu;
 Uma questão de prioridades para o professor: em função dos meios e do tempo
de que dispõe, o professor escolhe aquilo que quer remediar e a maneira como quer
remediar.

29
Conclusão
Hoje, raros são aqueles que contestam o papel das situações complexas
nas aprendizagens.
Numerosos sistemas educativos avaliam as competências dos seus
alunos propondo-lhes a resolução de situações - problemas.

Esta abordagem por competências sustenta a pedagogia da integração,


que é, em muitos aspectos, inovadora:

 Permite aos alunos estabelecer ligações entre as aprendizagens e as


diferentes disciplinas estudadas, e reinvestir as aprendizagens na vida
quotidiana;

 Permite ao professor praticar uma pedagogia que torna os alunos


activos, valoriza as suas aquisições e as suas competências e remedeia as
lacunas de cada aluno.

A reforma não deve inquietar os professores. A pedagogia da integração


apoia-se nas competências que os professores já possuem.
Concretamente, retoma a pedagogia por objectivos.

Além do mais, manuais concebidos recentemente poderão guiar o


professor na condução da sua aula.

A pedagogia da integração vai instalar-se progressivamente nas aulas.


Para isso, o professor deve planificar bem e construir as suas lições a
partir de objectivos precisos que permitam aos alunos adquirir os
recursos necessários para desenvolver as competências.
Inserir na planificação das aulas uma semana de integração, em cada
cinco ou seis semanas, permitirá aos alunos desenvolver as suas
competências, reinvestindo os recursos recentemente adquiridos.

É assim que com a ajuda das famílias, o sistema educativo dotará os


jovens cidadãos de comportamentos e aptidões sobre os quais se apoiará
a sociedade de amanhã.

30
Léxico
Competência: Aptidão para poder resolver problemas, graças à mobilização
conjunta de vários saberes, saberes-fazer e saberes-ser.
Instrução: Enunciado oral ou escrito que leva o aluno a executar uma tarefa.
Critério: Referência que determina a qualidade que se espera na produção
de um aluno. É a partir do conjunto de critérios que se atribui
uma nota.
Avaliação Apreciação do nível dos saberes e do saber-fazer de um aluno e
Formativa: Do seu grau de competência. Serve de apoio para diagnosticar as
fraquezas e remediar as lacunas.
Indicadores: Indícios que precisam os critérios de correcção de uma avaliação.
São específicos a cada situação e permitem corrigir a produção
do aluno de forma objectiva.
Integração: Processo que permite mobilizar vários recursos para resolver uma
situação complexa da vida quotidiana. Este procedimento permite
ver se um aluno é competente.
Patamar: Período de ensino que dura cerca de seis semanas. Encerra por
meio de uma semana de integração.
Pertinência: Adequação de uma produção ao que é pedido e aos suportes
propostos.
Remediação: Reajustamento das aprendizagens em função das lacunas que o
professor diagnosticou após uma avaliação formativa.
Recursos: Conjunto de saberes, saber-fazer e saber-ser que constituem os
ingredientes de uma competência.
Saber: Conhecimento específico sobre um assunto determinado.
Saber-ser: Atitude adaptada a uma situação determinada.
Saber-fazer: Aplicação de um procedimento, de uma regra, de uma técnica.
Situação de Também se chama “situação complexa”. Problema ligado à
Integração: vida corrente, complexo e significativo para o aluno. Esta
situação deve obrigar o aluno a mobilizar os seus saberes, o
saber-fazer e o saber-ser. Serve para exercer ou para avaliar uma
competência.

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