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Estudios Internacionales 192 (2019) - ISSN 0716-0240 • 71–94

Instituto de Estudios Internacionales - Universidad de Chile

O regime de maquila e suas implicações


no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai
The Maquila’s regimen and its implications in
Mexico: perspectives to the model adopted in
Paraguay

El régimen de Maquila y sus implicaciones en


México: perspectivas para el modelo adoptado
en Paraguay

Deise Baumgratz* 1

Eric Gustavo Cardin** 2

Resumo
Em 1960 surgiu no México um regime industrial denominado
maquila, onde indústrias dos Estados Unidos se instalavam em
território de fronteira mexicana para aproveitar a força de traba-
lho barata e incentivos fiscais para etapa de manufatura de seus
produtos, além da facilidade de transporte dos produtos para
dentro dos EUA. Neste trabalho, por meio de levantamento biblio-
gráfico, análise midiática e de discursos, utilizando-se da teoria do
subimperialismo, será descrito como ocorreu este processo e os
impactos dele na economia e sociedade mexicana. Posteriormente,
busca-se comparar com o modelo adotado pelo Paraguai com-
preendendo os efeitos atrelados com este modelo a longo prazo.

* Administradora. Especialista em Relações Internacionais e mestranda pelo programa interdis-


ciplinar de Sociedade, Cultura e Fronteira da Universidade Estadual do Oeste do Paraná
(UNIOESTE). Pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Fronteiras, Estado e Relações Sociais
(LAFRONT). deiseb_72@hotmail.com
* Doutor em Sociologia. Pós-doutor em Antropologia, Professor de Ciências Sociais na Univer-
sidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Pesquisador do Laboratório de Pesquisa
Fronteiras, Estado e Relações Sociais (LAFRONT).
Recibido el 14 de octubre de 2017. Aceptado el 10 de diciembre de 2018.

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Palavras Chave: Maquila – México – Paraguai – Força de


Trabalho – Exploração.

Abstract
In 1960’s an industrial regimen called maquila appeared in Mex-
ico. Through it, US industries settled in the Mexican border to
take advantages of the cheap labour and tax incentives, to accom-
plish the manufacture stage of the products, besides being an easy
territory to take the products back into US territory. In this work,
through a bibliographical analysis, media and discourse analysis,
using the theory of sub-imperialism, it will be described how
this process occurred and its impacts on the Mexican economy
and society. Subsequently, we seek to compare with the model
adopted by Paraguay, including the effects linked to this model
in the long term.

Keywords: Maquila – México – Paraguay – Labor – Exploitation.

Resumen
En 1960 apareció en México un régimen industrial denominado
maquila. Las industrias de los Estados Unidos se instalaban en
territorio de frontera mexicana para aprovechar la fuerza de
trabajo barata e incentivos fiscales para la etapa de fabricación
de sus productos, además de la facilidad de transporte de los
productos hacia dentro de los Estados Unidos. En este trabajo, a
través de revisión bibliográfica, análisis de informaciones de los
medios y de discursos, utilizando la teoría del subimperialismo,
se describirá cómo ocurrió este proceso y sus impactos sobre la
economía y la sociedad mexicana. Posteriormente, buscamos
comparar con el modelo adoptado por Paraguay, incluyendo los
efectos vinculados a este modelo en el largo plazo.

Palabras clave: Maquila – México – Paraguay – Fuerza de trabajo


– Exploración.

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O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

Introdução

No senso comum a fronteira marca que os produtos industrializados retor-


uma separação, uma divisão entre dois nem para o primeiro. Neste sentido, há
espaços distintos, normalmente de uma quantidade de reflexões e debates
maneira conflituosa, principalmente sobre a exploração dos funcionários
quando se tratando de uma fronteira destas empresas alocadas na frontei-
geográfica entre países com estágios ra mexicana com os Estados Unidos,
de desenvolvimento distintos e posi- assim como todas as outras maqui-
ções geopolíticas importantes. Este é ladoras pelo mundo. Outro amplo
o caso da fronteira existente no norte questionamento é sobre o impacto e
do México com os EUA. A desigual- responsabilidade ambiental e social
dade entre ambos os Estados faz este destas empresas.
local ser visto e conhecido pela vio- As empresas norte-americanas, con-
lência, tentativa de migração ilegal, tam ainda com incentivos das leis 806
contrabando e pobreza, o que muitas e 807 de novembro de 1966 do seu país,
vezes não reflete a realidade do lugar. que permite exportarem matéria pri-
Não distinta desta perspectiva, tem-se ma sem taxação, desde que retornem
a fronteira do Paraguai com o Brasil, para o país com o produto acabado,
assemelhando-se em muitos aspectos ocasião em que seria taxado apenas
dos limites descritos. sobre o valor agregado ao produto
No intuito do governo mexicano final. Desta maneira, torna-se extre-
de industrializar o país e gerar empre- mamente vantajoso a instalação de
gos, surgiu a Lei da Maquila durante suas plataformas industriais em solo
a década de 1960. Em linhas gerais, a mexicano, usufruindo da matéria pri-
prática prevê um sistema econômico ma, equipamentos e tecnologia dos
e de produção que consiste em indús- EUA, e da força de trabalho de baixo
trias de montagem manual situadas valor do país vizinho. Após acabado
em países com força de trabalho bara- o produto final retorna para os EUA,
ta, no qual os produtos acabados têm onde é comercializado normalmente.
geralmente como destino, um país Observando esta experiência, o Para-
desenvolvido. As empresas maquila- guai adotou modelo semelhante de
doras normalmente atuam no estágio produção no ano 2000, atraindo prin-
de manufatura, sem muita tecnologia cipalmente empresas para sua frontei-
ou agregação de valor. A lei da Maqui- ra com o Brasil. Este sistema prevê que
la possibilita às indústrias maquilado- empresas se instalem em solo para-
ras instaladas em seu território trazer guaio, utilizem a força de trabalho do
matéria prima do seu país de origem país —uma economia de aproximada-
e produzir usando a força de trabalho mente 50% no valor final da folha de
do país onde estão instaladas, desde pagamento— além de um imposto

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único (IVA) de 1%, desde que 90% dos de competitividade no cenário glo-
produtos acabados retornem para o bal, onde, em teoria ambas as partes
país de origem em até dois anos. envolvidas seriam beneficiadas. No
Atualmente constata-se grandes entanto, carece de atenção o impacto
incentivos políticos e governamen- gerado por estas indústrias nos países
tais do país neste modelo industrial. que as sediam.
A cobertura e discursos da mídia tra- No intuito de contribuir com tal
zem dados que indicam um grande discussão, dividimos o artigo em três
crescimento do país após adoção de partes. A primeira traz à tona a Teoria
tais medidas, estes dados serão apresen- Cepalina, sobretudo de Raul Prebisch,
tados e debatidos no presente estudo. a Teoria do subimperialismo de Ruy
Porém, o que se iniciou no Paraguai Mauro Marini e a Teoria da Depen-
há 10 anos e tomou força aproximada- dência, com principal autor Fernando
mente há 05 anos já está em vigência Henrique Cardoso, observando como
no México por mais de 50 anos. Neste elas influenciaram as decisões políticas
artigo pretende-se estudar a maquila e o desenvolvimento ou subdesenvol-
enquanto ferramenta para industria- vimento dos países da América Latina.
lizar e desenvolver o Paraguai, mas A segunda parte discorre sobre a ori-
sem perder o paralelo em relação ao gem do regime maquilador e seu pro-
caso mexicano. cesso na fronteira do México com os
Este modelo industrial incentiva- EUA. No terceiro momento discute‑se a
do pelos EUA ao redor do globo, apa- implementação deste regime do Para-
rece como uma maneira messiânica guai, finalizando com as considerações
de industrializar os países do chama- finais, onde busca-se pensar o impac-
do “terceiro mundo” ou subdesen- to deste modelo no desenvolvimento
volvidos, porém com baixo poder do Paraguai.

As teorias de desenvolvimento da américa-latina

Os estudos da CEPAL incluindo o Estado como promotor


do desenvolvimento econômico e
A Cepal — Comissão Econômica para social. Até então os mainstream dos
a América Latina, surgiu em feverei- estudos analisavam a teoria para os
ro de 1948, em um momento de crise países desenvolvidos, como a Europa
dos países subdesenvolvidos em razão e replicavam para os países de tercei-
dos efeitos da teoria keynesiana, de ro mundo, sem considerar suas espe-
pleno emprego e de não intervenção cificidades. Desta forma, bastaria os
estatal. Uma série de estudos surgiram países atrasados aplicarem as mesmas

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medidas políticas e econômicas dos dividido entre centros e periferias,


países em estágio avançado para atingir cada qual tendo sistemas produtivos
o mesmo grau de desenvolvimento em distintos. “O comércio internacional
que estes últimos estavam. (Dias, 2012). favorecia a acumulação de riqueza
A teoria cepalina ou estruturalista nos países que exportavam produtos
critica a teoria das vantagens compara- manufaturados e importavam maté-
tivas, conhecido também como mode- ria prima, como também favorecia a
lo ricardiano, da qual o principal teóri- acumulação de pobreza nos países que
co foi David Ricardo. Em seu livro The faziam o contrário” (Cervo, 2008).
Principles of Political Economy and Taxa- O intuito dos estudos da Cepal
tion (1817) analisou o comércio interna- era analisar as relações entre centro
cional e afirmou que cada país deve se e periferia, tendo como um dos seus
especializar na produção de bens que principais representantes o economis-
seja relativamente mais eficiente, ou ta argentino, Raul Prebisch, que fazia
seja, o país se especializa em produzir uma crítica a divisão internacional do
bens com menor custo de produtivi- trabalho e a especialização dos mer-
dade e importar bens com maior cus- cados. Amado Cervo, (2008) explica
to de oportunidade para si. Os cepali- a relação entre o maior domínio tec-
nos discordavam desta perspectiva ao nológico e o rápido crescimento dos
analisar que o ganho auferido com a centros em razão das periferias. Em
produção de bens primários —que é razão do desenvolvimento tecnoló-
o principal fator de produção na AL— gico as economias industrializadas
é muito inferior ao da produção de —centrais— desenvolviam sua força
bens industrializados, além disto, estes produtiva em ritmo acelerado, benefi-
países não industrializados precisam ciando a comunidade como um todo,
importar produtos com um valor de enquanto os países de produção pri-
mercado superior aos produtos primá- mária – periféricos – as técnicas produ-
rios exportados, gerando sempre uma tivas difundiam-se lentamente, vincu-
desvantagem na balança comercial. ladas principalmente ao setor agrário e
Ao tentar entender as distorções beneficiando um grupo muito peque-
econômicas e sociais da América no da sociedade (Dias, 2012).
Latina, os autores cepalinos se depa- As oscilações do capitalismo geram
raram com dificuldades metodológi- impacto bem maior nas periferias, a
cas e ausência de uma teoria real para força de trabalho nos países centrais
a região, surgindo a necessidade de é melhor organizada, desta maneira,
construir um referencial teórico mol- quando há uma superprodução e crise
dado em função da realidade histórica econômica é difícil diminuir salários
e especificidades da região. Os cepali- em função principalmente da pressão
nos trouxeram uma visão estruturalis- sindical. Desta maneira os centros for-
ta global dual, onde o mundo estaria çam a redução de preço das matérias

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primas oriundas dos países menos também aumentava a demanda por


desenvolvido, forçando os empregado- máquinas e tecnologias que precisa-
res a diminuírem os salários ou a esta- vam ser importados dos países centrais,
belecerem medidas protecionistas, por situação incompatível com a econo-
isso existe uma grande discrepância mia e poder das nações periféricas. Tal
entre os salários da força de trabalho contradição causou endividamento e
em economias centrais e nas periferias. aumento da inflação dos países pobres
Este é o principal argumento da teoria e em desenvolvimento.
cepalina em relação a deterioração dos Cervo (2008) explica que a manei-
termos de troca, invalidando a teoria ra de superar tais empecilhos é atra-
da vantagem comparativa. vés da intervenção estatal direta por
Essa teoria mais tarde, é comple- meio de empresas estatais, ou indire-
mentada por Ruy Mauro Marini no tamente por meio de ajustes e incenti-
livro Dialética da Dependência (1973), vos fiscais. Não suficiente, também se
em uma explicação do que seria o sub- aceita o capital estrangeiro como uma
-imperialismo. De modo sucinto, a teo- medida protetiva. Contudo, a proteção
ria aborda, além do centro e da perife- estatal deveria ser provisória, permane-
ria, os países intermediários, como o cendo até durante o período em que
Brasil. Neste caso o país central domi- perdurar as diferenças entre as econo-
na as relações com o Estado interme- mias centrais e periféricas.
diário e este replica do mesmo modo Celso Furtado (1961), economista
as forças opressoras em países menos brasileiro, foi um grande contribuinte
desenvolvidos, como por exemplo o a teoria cepalina. Para ele era necessá-
Paraguai. Para a teoria estruturalista, a rio engendrar aos estudos o contexto
maneira de reverter este processo seria histórico por qual passaram os países
através da industrialização. Em outras periféricos, reforçando um processo
palavras, o subdesenvolvimento pode- distinto aos das economias europeias.
ria ser superado pela capacidade de o Em sua obra Formação Econômica do
Estado conduzir a sociedade mediante Brasil e mais tarde em Desenvolvimento
o planejamento da industrialização, à e Subdesenvolvimento Furtado retrata
geração de empregos, à expansão do como a montagem de uma economia
consumo em massa e do desenvolvi- primário-exportadora, resulta de um
mento tecnológico. processo histórico de expansão mer-
No entanto, os países da América cantilista europeia. (Dias, 2012)
Latina promoveram a industrializa-
ção por meio do modelo de substitui- Teoria da dependência
ção de importação. Ao mesmo tempo
que a produtividade média destes paí- Outra abordagem que versa sobre a
ses aumentava, diminuindo a depen- superação do subdesenvolvimento par-
dência externa por bens de consumo, tindo da observação da realidade da

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O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

América Latina, desenvolve-se em 1960 associado” (Dias, 2012), já que o atra-


e é influenciada por três correntes: o so destas nações é necessário para a
marxismo, as teorias do imperialismo expansão econômica e social dos
e os estudos da Cepal. Ela ficou conhe- países ricos.
cida como a Escola da Dependência. Exercendo um poder imperialista
De acordo com Amado Cervo sob as nações periféricas, as grandes
(2008), a teoria da dependência leva economias mundiais subtraem des-
em consideração os seguintes fatores: tes países grande parte do excedente
1) o subdesenvolvimento se liga à rela- de riqueza, tornando insuficiente o
ção de dominação e dependência entre processo de acumulação capitalista
povos; 2) é um fenômeno histórico, para um desenvolvimento econômi-
atrelado à evolução do capitalismo; 3) co autossustentável. Essa constante
ele favorece no interior da sociedade exploração dos países subdesenvolvi-
e Estados os interesses de segmentos dos gera uma perda econômica por
sociais dominantes; 4) a consciência e meio dos processos políticos e sociais,
a cultura são ofertadas como se ambos, tais como a super-exploração do tra-
desenvolvimento e subdesenvolvimen- balho ou o sub-imperialismo (Dias,
to fossem positivos, por fim; 5) o sub- 2012). Estes países não podiam contar
desenvolvimento impregna o poder, a com a força e liderança das elites bur-
política e o processo decisório e inde- guesas, em uma revolução nacional e
pendência dependente, a economia de democrática. Portanto, a maneira de
um país é atrelada a outrem. redenção social aos povos oprimidos
O imperialismo, usualmente tido da América Latina seria através de uma
como vilão para o desenvolvimento revolução socialista.
dos países periféricos se tornou chave A divisão dual do mundo e a expli-
para a industrialização destes. Com cação de nações pré-capitalista feudais
o advento da globalização o capital com desenvolvimento de subsistência,
das grandes corporações migrou para não servem para explicar a realidade,
outros países em busca de vantagens estas relações desenvolvidas no pla-
competitivas, auxiliando no proces- no internacional são aspectos de um
so de industrialização. Por outro lado, processo histórico único: o processo
levou a desnacionalização de setores de desenvolvimento do capitalismo
industriais estratégicos para o país. (Dias, 2012). Assim, tanto as sociedades
Para os defensores da teoria da depen- de estruturas políticos e sociais arcai-
dência ortodoxa, não seria possível cas, quanto as mais modernas seriam
dentro do capitalismo o desenvolvi- nações capitalistas. Os excedentes
mento dos países periféricos, “apenas produtivos destes países satélites vão
um desenvolvimento do subdesen- para sua metrópole e dessa para outras
volvimento, um subcapitalismo ou metrópoles. Deste modo, não seria pos-
um desenvolvimento dependente e sível qualquer mudança ou reforma

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nos países satélites já que o excedente forçando os capitalistas à redução dos


econômico necessário já estava desti- salários, ampliação da jornada de tra-
nado as metrópoles mundiais. balho, o que gerou uma super-explora-
Dentre os autores surge a questão ção. Isso era possível porque os países
de como o capitalismo se desenvolverá periféricos não dependiam de um mer-
nestes países dependentes, já que todo cado interno, todo seu ganho advinha
o excedente de produção tinha desti- das trocas comerciais com os centros.
no as metrópoles, não havendo capital Para Marini (1973), a única maneira
para expandir os meios de produção, a verdadeira para desenvolvimento dos
resposta vem de fenômenos típicos de países da América Latina é por meio
sociedades dependentes, a super-explo- do socialismo. A abordagem de Marini
ração do trabalhador e o rebaixamen- (1973) tem lacunas no que se refere a
to dos salários da população. Marini explicação do desenvolvimento indus-
desenvolve melhor este aspecto, par- trial nos países periféricos, assemelhan-
tindo também do subdesenvolvimento, do‑se a explicação da Cepal de substi-
explica como a inserção econômica tuição de importações. Por outro lado,
da América Latina no mercado glo- relata ter sido uma saída importante o
bal permitiu o desenvolvimento do Brasil exportar seus produtos manufa-
modo de produção, a mais-valia rela- turados para os países vizinhos, o que
tiva, nos países centrais (Marini, 1973). ele denomina como subimperialismo.
De forma resumida, com a oferta dos Esses conceitos trazidos são funda-
alimentos produzidos pela América mentais para entendermos um pouco
Latina no mercado global, depreciou melhor a posição dos países da Améri-
o valor destes, reduzindo o custo de ca Latina frente às economias centrais.
produção e permitindo a longo prazo Sabemos que a relação é desigual. O
aos capitalistas aumentarem os salários arrolamento econômico entre o Méxi-
da força de trabalho - sem reduzir os co e Estados Unidos é muito semelhan-
lucros – majorado o poder aquisitivo e te ao desempenhado pelo Brasil com
custo de vida dos trabalhadores, geran- o Paraguai, destarte na próxima seção
do um grande mercado consumidor será apresentado o regime da maquila,
interno (Dias, 2012). o contexto em que surgiu e uma tan-
Enquanto isso na América Latina, a gencial das problemáticas que poderão
desvalorização do valor dos produtos ser enfrentadas pelo Paraguai, já que
primários, reduziu os ganhos obtidos, o processo nesse país é mais recente.

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A maquila

Apesar de a América Latina já estar em desenvolvimento abriram suas


independente em sua maioria des- fronteiras para estas empresas, visan-
de o século XIX, seus países possuem do a quantidade de trabalho gerado e
níveis diferenciados de industrializa- o lucro obtido através do câmbio da
ção. Em linha gerais, eles começaram moeda mais forte para a moeda local.
a industrializar-se nos moldes Euro- Alguns países obtiveram sucesso em
peus, porém não tinham poder para sua industrialização por esta empreita-
competir no mercado internacional. da, como é o caso de Hong-Kong, Tai-
A teoria das vantagens comparativas lândia, Coréia do Sul e Singapura. Nes-
de David Ricardo, argumenta que o te momento da história, os países do
“primeiro mundo” está fazendo o que “primeiro mundo” eram melhores em
faz de melhor, produzir e exportar produzir materiais de tecnologia avan-
produtos industrializados, enquanto çada e de produção moderna, além de
o terceiro mundo se especializava na especialização científica, mantendo a
produção e exportação de matéria-pri- engrenagem da cooperação produti-
ma e commodities. Nesta lógica fica va internacional funcionando, traba-
difícil para os países subdesenvolvidos lho de alta qualificação e operações
se industrializarem, uma vez que não de capital intensivo. Assim, o “terceiro
têm chances no mercado internacio- mundo” poderia se especializar nos tra-
nal frente aos países já desenvolvidos. balhos de baixa e média qualificação
Desta maneira, os países desenvolvi- e de alta intensidade. Deste modo, a
dos intuíram que o restante do globo produção global seria “dividida” para
só se desenvolveria com ajuda destes. benefício mútuo e satisfação de todos.
Em 1964, The United Nations’ continuing Grande parte das offshores dos EUA
Conference on Trade and Development estavam alocadas na Ásia, mas apesar
(UNCTAD) se reuniram em Genebra e de ser uma empreitada lucrativa, esta-
trouxeram a abordagem da necessi- vam começando a ter problemas de
dade de ajudar os países do “terceiro logísticas. Além disso, a lei 806.30 e
mundo”. Assim, em 1968, a UNCTAD 807.00 do Tariff Schedule of US (TSUS),
criou o Sistema Geral de Preferências que permite exportar matéria-prima
(GSP) para garantir o acesso das expor- dos EUA para ser produzida no exterior
tações dos países de “terceiro mundo” e depois reintroduzi-la no país apenas
para os países de “primeiro mundo”. com o pagamento da taxa sobre o valor
Neste contexto, as grandes corpora- agregado ao produto, não estava sen-
ções internacionais passaram a investir do aproveitada em seu máximo, em
nestes países subdesenvolvidos, atraí- razão do alto custo para as empresas
dos principalmente pelo baixo custo levarem a matéria-prima para o exte-
da força de trabalho. Os novos países rior, produzir o produto lá e depois

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importar novamente o produto aca- regularmente gastam parte do seu salá-


bado. Tal situação levava as indústrias rio naquele país.
a comprar matéria-prima do país em Neste contexto, diferente do que
que estavam sediadas ou importarem ocorria no caso asiático, as indústrias
de países mais próximos. americanas se beneficiavam inteira-
Até então, o México tinha uma eco- mente das leis 806/807 devido a faci-
nomia protecionista, mas na tentati- lidade em atravessar a matéria-prima
va de gerar empregos e suprir uma pela fronteira, em produzir seus pro-
demanda de demarcação de fronteira dutos naquele país, com um custo de
tomou uma medida antagônica a esta força de trabalho inferior, para, no fim
perspectiva. Assim, abriu de maneira do processo, exportarem os produtos
temporária o território para empresas acabados para os EUA, com taxas inci-
de capital estrangeiro que quisessem dindo apenas sobre o valor agregado
produzir seus produtos utilizando a no produto. É importante ressaltar
força de trabalho existente no país. que os principais beneficiários desta
Desta forma, as indústrias que foram modalidade de produção são as gran-
se instalando e produzindo sempre des corporações internacionais, onde
eram consideradas como transitórias, a Panasonic, a Lexmarc, a Sony são
em uma situação de exceção (Contre- alguns exemplos, além de um grupo
ras, 2000). Nesta perspectiva o Méxi- seleto da elite do país mexicano.
co ganharia pelos empregos gerados Em 1994 foi criado o NAFTA—Trata-
e pelo lucro obtido através do câm- do Norte-Americano de Livre Comér-
bio da moeda americana, dólar, para cio, composto pelos EUA, México e
pesos mexicanos, além disto aposta- Canadá. Com o advento do Nafta, o
vam que a matéria-prima seria adqui- fenômeno da maquila ganhou força
rida do país. devido à inexistência de tarifas entre
Estas indústrias ficaram conheci- os três países, favorecendo a importa-
das pelo nome em Espanhol maqui- ção de componentes e a exportação de
ladora, que, em sua origem colonial, produtos acabados. Algumas potências,
corresponderia a porção de farinha especialmente os Estados Unidos, as
que o moleiro garantia após moer utilizaram para melhorar sua compe-
o milho. Nesta analogia, os EUA for- titividade internacional com os privi-
necem o milho (matéria-prima), o légios que lhes foram oferecidos por
México fica com um pouco da fari- diversos governos mexicanos. Alguns
nha (lucro sobre o câmbio de dólares teóricos, como Gruben e Kiser (2001),
para pesos e os salários dos funcioná- alegam que não foi o NAFTA respon-
rios) e a farinha (produto final) volta sável pelo crescimento da maquila
para os EUA e normalmente é vendido no período de 1994–2000 e sim diver-
para os trabalhadores da maquila que sos fatores, como o fortalecimento da

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economia norte-americana e a desva- 1990 apenas 15% estavam alocadas dis-


lorização do peso mexicano. tante do espaço fronteiriço, já em 2000
O NAFTA surgiu propondo que o essa porcentagem passava de 27,5%.
acordo aliviaria muitos dos proble- Em relação ao montante de exporta-
mas da fronteira causados pela zona ção, nos anos 1980 a maquila represen-
franca, aprimorando as leis trabalhis- tava 10% do total exportado, em 2000
tas e ambientais, além de diminuir a estava em 45%, em contrapartida há
alta concentração de maquiladoras ao uma importação dos EUA de aproxi-
longo do território fronteiriço (Public madamente 30%. A relação produtiva
Citizen, 2000). Contudo, o NAFTA não entre os dois países ficou entrelaçada
teve o efeito proposto. Até os anos de tal modo que Villafañe (2004) des-
2000 a força de trabalho nas maqui- creve a fronteira mexicana como um
las ampliou-se em cerca de 110% (Sar- espaço produtivo da economia dos
gent y Matthews 2003), poucas maqui- Estados Unidos.
ladoras se espalharam pelo território, As expectativas, mesmo com as osci-
a maior concentração permaneceu lações expostas anteriormente podem
na região de fronteira. Em 1995, 85% ser claramente visualizadas na altera-
dos trabalhadores de maquila estavam ção no decreto para el fomento y ope-
empregados em um dos seis estados ración de la Industria Maquiladora de
de fronteira do México (Public Citi- Exportación emitido em 1 de junho
zen, 2000). Outro ponto negativo do de 1998 e publicado no Diário Oficial
NAFTA foi na questão ambiental. Ori- da Federação mexicana. O documen-
ginalmente no sistema maquilador, as to mostra algumas preocupações e a
indústrias eram obrigadas a retornar mudança de enfoque governo quanto
todo material tóxico e resíduos para a ao resultado esperado pelas industrias
matriz no EUA, após o NAFTA permitiu- maquiladoras do território:
se o descarte no país em que estavam “Las empresas maquiladoras de expor-
alocados (EHC, 2000). tación deberán atender a las siguientes
Neste contexto, as empresas maqui- prioridades nacionales: crear fuentes de
ladoras apresentaram um período de empleo; fortalecer la balanza comercial
crescimento, em 1990 eram 1500 esta- del país a través de una mayor aportación
belecimentos, já em 2001 eram mais neta de divisas; contribuir a una mayor
de 3700. Além do aumento desta ati- integración interindustrial y coadyuvar
vidade relacionado ao NAFTA, tam- a elevar la competitividad internacional
bém há uma ligação com a desvalori- de la industria nacional, y elevar la capa-
zação da moeda nacional, o peso, pois citación de los trabajadores e impulsar el
percebe‑se ciclos de aumento de inves- desarrollo y la transferencia de tecnología
timentos quando há desvalorização da en el país” (Diario Oficial de la Federa-
moeda. Quanto a distribuição destas ción el 1 de junio de 1998).
indústrias no território nacional, em

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Apesar desta preocupação, a par- pois falam o dialeto local1. Os direitos,


tir de 2003, percebe-se uma queda no apesar de existirem no papel, não acon-
processo industrial maquilador, quase tecem na prática. É comum o trabalho
1.000 indústrias a menos que em 2001. infantil neste segmento. Apesar de a
Villafañe (2004) atribui este aconteci- regulamentação mexicana permitir o
mento a dois fatores: primeiro a que- trabalho a partir dos 16 anos, não é
da na atividade econômica dos EUA; incomum observar documentos for-
e depois a migração da economia jados para crianças trabalharem nas
para a China, o que atraiu investido- maquiladoras (MLNA, 1999). Os empre-
res com valores menores da força de gadores buscam um perfil de funcio-
trabalho e representou a volatilidade nário de pessoas submissas, dispostas
destas indústrias, sem impedimentos a acatar qualquer ordem, sem horá-
de migrar para outro país com melho- rios definidos, com salários baixos e
res condições. sem plano de saúde. Destarte, existe a
Em 2006 o governo mexicano criou conhecida e temida “lista negra”, onde
o IMMEX (Manufacturing, Maquiladora os nomes dos funcionários “revoltosos”
and Export Services Industry Program) –aqueles que exigem algum direito–
no qual em 2008 foi responsável por são compartilhados entre as empresas,
76% de toda exportação de manufa- para impedir a contratação de funcio-
turados do país. A grande questão em nários causadores de problemas.
torno da maquila é em relação ao tra- O salário de um funcionário de
balho de manufatura, que exige for- maquila é de aproximadamente
ça de trabalho desqualificada e barata, R$13,002 por dia, como pode ser vis-
gerando pouco valor agregado, além to em reportagem de Alba Calderón
dos baixos salários pagos, exploração (2015) ao jornal El Universal3: “Miriam
dos funcionários e os danos ambien- Delgado... Desde hace cinco años y medio
tais causados, além da grande depen- trabaja en una maquiladora de Lexmark,
dência econômica do país em uma en ciudad de Juárez, empaquetando catu-
atividade marcada pela volatilidade chos de tinta para su venta. Su sueldo
característica destas indústrias.
Através de informações da mídia, 1 Um retrato desta discussão pode ser visua-
lizado por meio do documentário disponí-
discursos e diversos artigos nacionais
vel no endereço eletrônico: https://www.
mexicano, visualiza-se que a maioria youtube.com/watch?v=C3EGupx8u18
dos trabalhadores da maquila, são 2 Correspondente a cotação de 1 MXN =
mulheres, novas, indígenas, pessoas 0,17031 BRL.
3 Disponível em: http://www.eluniversal.
de baixa ou sem escolaridade básica, com.mx/articulo/estados/2015/11/24/maqui-
muitos sequer têm domínio do idioma, ladoras-entre-el-exito-y-el-bajo-salario

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Deise Baumgratz y Eric Gustavo Cardin
O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

es de 87 pesos diários”. Em uma repor- há uma grande insegurança por sua


tagem do jornal Telesur (2016)4, o volatilidade. Se outro mercado ofere-
jornalista Pedro Martínez entrevista cer melhores condições, facilmente
mulheres que narram a situação de a indústria fecha suas portas e migra.
precariedade a que estão submetidas Percebe-se a ascensão da China no
ao relatarem que não são autorizadas mercado mundial, afetando severa-
a usarem o banheiro e comparam a mente os países dependentes de manu-
maquila como uma forma de escravi- fatura e de processos de exportação
dão moderna. Portanto, mesmo conhe- com elevada utilização de força de tra-
cendo seus direitos, os funcionários balho (Blázquez, Rodríguez y Santiso
aceitam os ataques dos empregadores, 2006; Dussel 2004). Depois de quase 50
pois precisam daquilo para sobreviver, anos de funcionamento do programa
sabendo que há poucas alternativas de maquilador, o teor médio de utilização
emprego além daquela. Já que entre as de insumos nacionais é inferior a 5%,
empresas instaladas ali, há uma espécie e apesar do progresso indubitável na
de tabelamento de salários e condi- mudança para operações de fabricação
ções, não havendo distinções entre elas. de alta tecnologia e algumas atividades
Em resumo, as maquiladoras pagam de design, pesquisa e desenvolvimento,
menos impostos que as empresas ainda não existe uma estratégia em si
mexicanas, utilizam uma força de tra- para desenvolver uma indústria com-
balho muito barata e possuem regula- petitiva, com base em processos de alto
mentações ambientais que nunca são valor agregado e conhecimento.
cumpridas. A falta de cumprimento Enquanto no México há um amplo
dessa legislação permite às indústrias questionamento sobre o futuro da
reduzirem custos enquanto contami- Maquila, o mesmo regime é criado no
nam a vida dos trabalhadores, a terra Paraguai, permitindo desde 2001 que
e os animais que vivem próximos das indústrias estrangeiras (principalmen-
zonas industriais das maquiladoras. te brasileiras) se instalem neste territó-
Assim, é perceptível no México, rio, com uma tributação única de 1%
que estas indústrias maquiladoras sobre o valor agregado (aluguel, força
não atendem aos interesses sociais do de trabalho, compra de maquinários,
país, ao contrário, são responsáveis por etc.), sendo que parte deste valor ain-
várias reclamações de exploração dos da pode ser revertido para a indústria,
trabalhadores e de descumprimento importação livre de impostos e baixo
da legislação ambiental, além disso, custo de força de trabalho, desde que
no mínimo 90% dos produtos acaba-
4 Disponível em: https://www.youtube.com/ dos sejam exportados para o país de
watch?v=eqLcKVi6KP0 origem dentro de 2 anos.

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Estudios Internacionales 192 (2019) • Universidad de Chile

O Paraguai

Observamos duas importantes cor- eram indígenas. Durante o século XVIII


rentes teóricas que versam sobre o vários fatores alteram a demografia do
desenvolvimento da América-Lati- país, a expulsão dos jesuítas provocou
na —Teoria da dependência e a Teo- a evasão dos guaranis a outras provín-
ria da Cepal—, ambas relacionam o cias do Sul, o extermínio das minas
atual estágio de subdesenvolvimen- ervateiras e as fugas pelas embarca-
to ao contexto histórico. Deste modo, ções diminuíram significativamente o
entendemos como necessário fazer número de nativos guaranis e aumen-
uma breve contextualização históri- tou o número de escravos negros. Nes-
ca do Paraguai e fenômenos que são te século o censo de Aguirre e Azara
determinantes para a realidade atual. mostram que 57% da população era
As grandes navegações europeias espanhola, 29% indígenas e 11% negros
do século XV levaram a colonização (Rivarola, 2016. p.62).
dos territórios da América do Sul, o O acesso à educação na época era
Paraguai por sua vez, ficou sob domí- um privilégio de mestiços e criou-
nio da coroa espanhola. Para manter los de classe alta, os casamentos não
o controle do território e “domesti- podiam acontecer entre pessoas de cas-
car” a população nativa, foi enviada tas distintas sem autorização. O cená-
uma comitiva jesuítica ao país. As rio começa a mudar quando a parti-
missões jesuíticas, iniciadas no come- cipação dos negros livres e índios foi
ço do século XVII, tinham por objeti- autorizada no serviço militar, o Estado
vo “domesticar” e organizar as tribos domesticou os campesinos paraguaios
indígenas rebeldes, manter o povo através da guerra, convocando-os for-
submetido ao poder de dominação çosamente a lutar. A derrota na guer-
colonial. A Companhia de Jesus, foi ra contra a Tríplice Aliança, pôs fim
uma organização coorporativa feudal, a Primeira República e ao regime de
que mantinha um regime de trabalho castas, os censos e as leis já não eram
do tipo feudal-patriarcal com os gua- mais separadas pela linhagem do cida-
ranis. (Creydt, 2007). Após já terem dão. A reforma de 1848, que liquidou as
cumprido seu papel, em 1640 inicia- comunidades unificou de vez a nação,
ram-se movimentos revolucionários suprimindo definitivamente a divisão
para expulsar a companhia jesuítica de castas e transformando os guaranis
dos territórios dominados. em cidadãos paraguaios (Creydt, 2007).
Milda Rivarola (2016), apresenta No entanto, ainda hoje, estes fato-
uma sociedade paraguaia dividida res históricos de formação da socieda-
por classes, inicialmente consideran- de são relatados dentro do cotidiano
do fatores raciais. No final do século paraguaio. Pedroso (2016) denuncia
XVII, quatro em cada cinco paraguaios que o Paraguai é dominado por uma

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Deise Baumgratz y Eric Gustavo Cardin
O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

elite rural, a qual determina políticas e con Buenos Aires para destruir el Estado
aumenta as desigualdades no país. Nes- nacional paraguayo…”
te sentido, aponta que quando houve Percebe-se na citação do escritor, a
uma tentativa de questionar o cresci- existência de um ressentimento em
mento das desigualdades, rapidamente relação ao Brasil. Pedroso (2016. p.91)
foi organizado o golpe parlamentar de descreve o Paraguai como uma exten-
2012. “El proyecto territorial de las clases são produtiva do Brasil, isto pode ser
y grupos dominantes es excluir totalmen- observado em vários momentos, prin-
te a campesinos e indígenas, percibidos cipalmente pela quantidade de bra-
como los que sobran, los que estorban el sileiros atuantes hoje na agricultura
desarrollo rural, y el Ministro de Agri- deste país.
cultura, (…), insiste en que la economía La presencia de capital y empresa-
campesina no es viable” (Pedroso, 2016. rios brasileños, se expresa en el aca-
p. 101). Ainda neste sentido, um estu- paramiento de tierra básicamente en
do do PNUD em 2008 revelou a língua los departamentos fronterizos. En el
materna como geradora de desigual- departamento de Alto Paraná en el
dades na dimensão social. A popula- 2008 el 62,5% de la fincas mayores a
ção de língua guarani, acumula des- mil hectáreas era de extranjeros, de
vantagens na educação, saúde, habita- los cuales el 55% era de brasileños;
ção, assistência social e condições de en Canindeyú la proporción de bra-
emprego (PNUD, 2008). sileños entre los propietarios de más
A Guerra do Paraguai (1864 a 1870), de mil hectáreas llegaba al 60% (Pedro-
conhecida como um dos mais sangren- so, 2016. p. 90).
tos conflitos da América do Sul, teve Como em muitos países da Améri-
grande impacto na história paraguaia. ca Latina, o país é essencialmente agrí-
O conflito, que envolvia o interesse cola, Segundo dados da Atlas of Eco-
pelo acesso paraguaio à navegação do nomic Complexity da Universidade
Rio da Prata, deixou o saldo de apro- de Harvard, em 2014 as exportações de
ximadamente 70 mil vítimas do lado bens primários com baixo valor agre-
da Tríplice Aliança (Brasil, Argenti- gado totalizavam mais de 80% do total,
na e Uruguai) e 300 mil paraguaios as importações por sua vez, remetem
mortos, além de perdas territoriais, principalmente a produtos industria-
fatos que muitos nacionais acreditam lizados de alto valor agregado. Econo-
ter prejudicado —e ainda prejudi- micamente é altamente dependente
car— o desenvolvimento econômico do Brasil, conforme pode ser verifica-
do país e suas relações com os países do pelas transações econômicas desi-
vizinhos. Segundo Creydt (2007), um guais envolvendo os dois países, carac-
escritor paraguaio, “el imperio del Bra- terizando, como explica Marini (1973),
sil decidió aprovechar su nueva alianza uma relação sumbimperialista.

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Estudios Internacionales 192 (2019) • Universidad de Chile

El proceso de mayor sometimiento, exclusivamente ao Brasil, por força do


tanto a los intereses norteamericanos Tratado de 1973, por US$1,5 bilhão de
como al subimperialismo brasileño, dólares por ano. Deste montante, é
se intensifica durante la larga dicta- descontado US$1,1 bilhão para paga-
dura del Gral. Stroessner. El régimen mento do empréstimo contraído em
autoritario deja un modelo producti- nome do Paraguai e garantido pelo
vo dependiente de los intereses brasi- Brasil. Portanto, Assunção recebe o
leños, las fronteras vivas descriptas y montante líquido anual de US$400
la fuertísima presencia brasileña en el milhões. (Seitenfus, p.9, nota de roda-
territorio y en la economía nacional pé. Declaração publicada pela agência
(Palau, 2016. p.109). EFE, em 22 de abril de 2008)
O Paraguai é um dos países menos Por outro lado, observa-se que as
desenvolvidos da América Latina, vielas tumultuadas de Ciudad Del
considerado um dos mais corruptos Leste oferecem uma oportunidade
do mundo. Em um estudo feito pela de crescimento econômico. Teve seu
Organização Da Transparência Inter- auge do seu comércio em 1990, quan-
nacional, o país aparece na 130º posi- do comboios de sacoleiros5 vinham de
ção, de um total de 160 posições na diversas regiões do Brasil para aqui-
percepção de corrupção. A quantida- sição de mercadorias. Contudo, após
de de multimilionários aumentou no um grande trabalho de acirramento de
país, e esta minoria controla 90% do fiscalização na fronteira pelo governo
PIB (Borda, 2014). O gasto social per brasileiro tal atividade reduziu-se e o
capta chega a US$ 133, aproximada- fluxo fronteiriço também. Atrelado ao
mente 10 vezes menor que em outros câmbio do dólar, vários empresários
países da região (CEPAL, 2010). Um da cidade vizinha reclamam a falta de
Estado governado por uma minoria e movimento no comércio, situação que
para uma minoria apenas aumentam possibilita a observação de um núme-
estas desigualdades. ro de empresas que encerraram as ati-
A Usina Hidrelétrica de Itaipu pode vidades. Reportagem do jornal Ultima
ser mais uma demonstração dessa rela- Hora de maio de 20146 trazem dados
ção de dominação subimperialista do da prefeitura de CDE, onde apontam
Brasil no Paraguai. A Itaipu, construí- que entre 2012 a 2014 mais de 1.000
da durante o regime militar deixou o
Paraguai altamente endividado: 5 Sacoleiro é um termo utilizado pelo censo
comum aos compristas que trazem merca-
Atualmente, o Paraguai utiliza
dorias do Paraguai para revende-las no
somente 5% dos 50% aos quais tem Brasil e utilizam disto como atividade
direito em energia produzida. Toda- econômica.
via, essa quantidade representa 95% do 6 Reportagem disponível em: http://www.
ultimahora.com/crisis-ciudad-del-este-
total de energia consumida pelo Para- mas-1000-negocios-cerraron-sus-
guai. A parte não utilizada é vendida puertas-n795643.html

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Deise Baumgratz y Eric Gustavo Cardin
O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

empresas haviam fechado as portas Paraguai é a menor da América Lati-


em CDE, vinculando o fim desta “era na segundo dados do Banco Mundial
de ouro” ao aumento da fiscalização de 2006. Conforme demonstrado na
no Brasil, ao câmbio do dólar e pela Figura 1, o custo da energia elétrica é
economia nacional brasileira (Gutiér- a mais barata do MERCOSUL, em torno
rez e Ferreira, 2014). de 63% menor do Brasil. O imposto
A agricultura traz mais um entra- na folha de pagamento é em torno
ve para o desenvolvimento do país, a de 35%, distinto dos 110% cobrados
não geração de empregos, já que se no Brasil. Qualquer produto produ-
requer um trabalhador para 1.000 hec- zido na maquila, pode utilizar até 60%
tares de cultivo (Pedroso, 2016. p. 90). da sua composição de matéria prima
Enquanto outros países da América importada de qualquer lugar do mun-
Latina desenvolveram suas industrias do e ainda terá o selo de produzida
na década de 1990, o Paraguai se estag- no MERCOSUL, com taxa 0 (zero) para
nou. Como mostra Tomás Palau: exportar para o Brasil e Argentina.
“A diferencia de la mayoría de los paí-
ses de la región —algunos antes y otros
después— que de alguna manera atra-
vesaron desde comienzos del siglo pasa-
do por un proceso de industrialización
y, posteriormente, de industrialización
sustitutiva de importaciones, Paraguay
pasó de un modelo dependiente de las
exportaciones primarias a otro distinto,
pero también de casi exclusiva actividad
primaria. En consecuencia, aquellas for-
mas de producción y acumulación, mitad
feudales mitad capitalistas, se mantuvie-
ron vigentes hasta hace muy poco (muchos
opinan que hasta ahora)” (Palau, 2012,
p. 108–109).
Levando em consideração o proces-
so histórico exposto, dentro de uma
perspectiva estruturalista é fundamen-
tal a industrialização para o desenvol-
vimento do país. Portanto, poderia se
considerar o regime de maquila como
uma alternativa para o desenvolvi-
mento do país. A carga tributária do

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Estudios Internacionales 192 (2019) • Universidad de Chile

Figura 1:

Fuente: http://mail.maquila.gov.py/ES/paraguay-razones-para-invertir.php

A Lei 1.064/97 chamada Lei de As exportações do país entre janeiro


Maquila, promulgada pelo Decreto a junho de 2015 somaram USD 139,5
9.585/2000 no Paraguai, tem como milhões, 25% a mais que no mesmo
órgão executor e regulador das indús- período do ano anterior, conforme o
trias maquiladoras o CNIME —Conse- Ministério da Indústria e Comércio
lho Nacional das Indústrias Maquila- (MIC). Os principais produtos exporta-
doras e Exportadoras— pertencente dos são do ramo de confecção e têxtil,
ao Ministério de Indústria e Comér- seguido de peças de veículos e cabos. E
cio do país e age em compasso com o o destino final de 90% destes produtos
Tratado do MERCOSUL, numa perspec- são para o Mercosul, principalmente
tiva de fomento ao desenvolvimento Brasil e Argentina.
regional, com o objetivo principal de O ministro da Indústria e Comér-
atrair investidores, principalmente cio, em entrevista cedida no dia 07 de
regionais, para manufaturar seus pro- setembro de 2016 para o jornal para-
dutos no Paraguai. guaio La Nación, demonstrou a impor-
Apesar de por lei ser permitido tância do regime de maquila para o
a estas indústrias se instalarem em país. Na sua opinião, as empresas ope-
todo território nacional, a maioria se rantes neste regime, ofertam em tor-
fixou na região de fronteira de Ciudad no de 11 mil postos de trabalho, o que
Del Este e Hernadarias, atualmente o lhe permitiu afirmar que o “Paraguay
parque industrial conta com aproxi- está imponiéndose por costo, por precio, y
madamente 60 indústrias, conforme por calidad en el mercado mundial”. De
dados da câmara de empresas maqui- modo complementar, mas em outra
ladoras (CEMAP) de novembro de 2015. ocasião, o economista Michael Porter,

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Deise Baumgratz y Eric Gustavo Cardin
O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

afirmou que “se no Brasil tudo está o especialista, “o precedente imedia-


complicado e na Argentina também, to é o México, que criou um tecido
isso é muito positivo para o Paraguai” industrial de unidades de montagem”
(Presse, 2013). e atraiu 99% de investimentos estran-
O professor da Escola de Negócios geiros provenientes dos EUA. Continua,
de Harvard e presidente do Instituto “mas tem coisas boas e más, você conse-
para a Estratégia e Competitividade gue criar uma indústria, mas os imen-
se reuniu em setembro de 2013 com o sos benefícios não voltam ao país de
presidente do Paraguai, Horacio Car- origem, os funcionários mexicanos tra-
tes, e sua equipe econômica, relatou balham em uma situação muito dura
conhecer a situação macroeconômica e não há transmissão de tecnologia da
e política do Paraguai e sua posição matriz”, argumentou.
geopolítica entre os dois grandes paí- Neste contexto, afirmamos que a
ses da América do Sul e que se facili- dependência histórica do Paraguai
tar o ambiente de negócios, poderia com o Brasil caracteriza uma relação
se transformar muito cedo em uma subimperialista e essa dominação se
ponte dinâmica entre eles. “Tem que fortalece com o regime da maquila.
construir um lugar de fácil acesso para Por mais que houve um aumento no
as empresas, que proteja seus investi- PIB nos últimos anos, não é possível
mentos, com regras claras. O Paraguai garantir a diminuição das desigualda-
tem que aproveitar esta conjuntura”, des no país, ao contrário, como exposto
lembrou o especialista, recomendando ao longo do texto as elites ficam mais
aumentar as receitas e impulsionar o ricas enquanto a população pobre per-
progresso social7. manece assim. O estudo da Unesco de
O professor de Comércio Interna- 2015, revelam um número muito alto
cional da Universidade Autônoma de de analfabetismo em relação as metas
Assunção, Jesús Ángel Martín declarou de educação, informação preocupante
à agência EFE (Carneri, 2013) que “a quando se pensa em desenvolvimento
maquila é positiva para a etapa inicial da nação, por exemplo.
do desenvolvimento de um país, é um Em um país onde a corrupção é
pequeno passo adiante para a indús- comum, há precariedade na educação
tria incipiente paraguaia, mas a longo e no sistema social do país, uma forte
prazo não é a solução, porque se cria desigualdade entre as classes sociais, a
uma classe trabalhadora com condi- maquila não pode ser pensada como
ções mais que questionáveis”. Segundo maneira exclusiva de desenvolvimen-
to do país. Ela requer uma força de
7 Entrevista disponível em: http://g1.globo. trabalho barata para garantir o lucro
com/economia/noticia/2013/09/paraguai- das indústrias, gerando a longo prazo
deve-aproveitar-conjuntura-economica-do-
brasil-e-da-argentina-afirma-michael-porter. uma superexploração de uma força de
html trabalho desqualificada. As matérias

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Estudios Internacionales 192 (2019) • Universidad de Chile

primas destas empresas não serão cobrado é baixo, e parte dele ainda
adquiridas necessariamente do Para- pode ser revertido para a empresa, sem
guai e o lucro das empresas são inves- mencionar os danos ambientais causa-
tidos no país de origem, o imposto dos e muitas vezes não considerados.

Considerações finais

Verifica-se que a América Latina possui economias centrais, mas do mesmo


uma história particular, seu atual está- modo exercem uma força imperialista
gio de desenvolvimento, ou subdesen- sobre economias mais débeis. Durante
volvimento, não pode ser considerado o texto foram expostos os casos que
isoladamente, muito menos compara- evidenciam isso, como a usina de Itai-
do com nações centrais. A colonização pu, a quantidade de terras em posse de
e expropriação inicial destes territórios brasileiros no Paraguai e a própria rela-
foi o que permitiu as economias cen- ção comercial de importação e expor-
trais se estabelecerem como tal e mar- tação entre ambos, gerando uma gran-
cou o papel de inferioridade dos países de dependência do Paraguai em rela-
da América do Sul, principalmente de ção ao Brasil. Essa mesma dependência
abastecedores daqueles. A teoria cepa- é observada na relação entre México
lina e da dependência trazem à baila e Estados Unidos, sendo praticamen-
uma análise específica destes países da te uma extensão produtiva dos EUA. A
América Latina, analisando seus pro- fronteira existente lá e aqui são retrata-
cessos de industrialização. Percebe-se das de forma semelhante, como violen-
que dentro do atual sistema capitalista tas, marginais e pobres. Uma imagem
essas nações periféricas são necessá- estereotipada e construída que muitas
rias para o desenvolvimento da eco- vezes destoa da realidade.
nomia global e dentro deste sistema Neste contexto de superexploração,
dificilmente será possível alcançar o surge um modelo industrial conheci-
verdadeiro desenvolvimento dos países, do como maquila, que serviria para o
talvez um desenvolvimento do subde- desenvolvimento do México. Através
senvolvimento (Dias, 2012). dela é possível que industrias dos EUA
A partir desta análise, nos corrobo- se instalem em território mexicano,
ra Ruy Marini (1973) com a teoria do realizem a etapa de manufatura utili-
subimperialismo, a qual explica mui- zando a força de trabalho do país sedia-
tos fatores da relação do Brasil com do e exportem seus produtos outra vez
o Paraguai. Além da divisão dual do para venda em solo americano. Alguns
mundo, de economias centrais e peri- apontamentos foram realizados em
féricas, existem as economias interme- relação a este processo. Primeiramente,
diárias. Estas recebem a exploração das estas indústrias em sua grande maioria

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Deise Baumgratz y Eric Gustavo Cardin
O regime de maquila e suas implicações no México: perspectivas para o modelo
adotado no Paraguai

permaneceram na região de frontei- são brasileiras e de forma semelhante


ra, não se deslocaram para o interior ao México têm se instalado nas regiões
do país. Segundo, elas não utilizam a de fronteira. Estas industrias se bene-
matéria prima do país sediado, bene- ficiam de maneira ampla, primeira-
ficiadas pelas leis americanas 806 e 807, mente pelo valor inferior da força de
trazem a matéria prima dos EUA. Ter- trabalho e da carga tributária inciden-
ceiro, existe um problema grave em te sobre a folha de pagamento, igual-
relação a contaminação ambiental mente o valor da energia elétrica é um
causado pelas maquiladoras, agrava- dos menores no MERCOSUL. O imposto
do pelo NAFTA, uma vez que depois de cobrado é de 1% sobre o valor agre-
sua criação, as empresas podem despe- gado ao produto, sendo que existem
jar seus resíduos tóxicos no México e mecanismos para reverter parte deste
não cumprem as legislações vigentes. recurso para a empresa. O Paraguai se
Quarto, existe a exploração da força de beneficia do SGP, garantindo uma faci-
trabalho, estas industrias realizam uma lidade para exportar para economias
padronização de pagamentos e condi- centrais e os produtos acabados que
ções de trabalho, tirando a alternativa retornam para o Brasil são isentos de
do funcionário granjear algo melhor, tributação.
há o tabelamento de salários além de Essa tentativa de desenvolver pela
uma lista negra que contém o nome maquila é uma empreitada arrisca-
de qualquer funcionário que reclame da. Observou-se no México que não
seus direitos, além de mínimas condi- logrou êxito a longo prazo. O Paraguai
ções no ambiente de trabalho, como adotando modelo e práticas semelhan-
falta de calefação no inverno ou de ar tes tem grandes possibilidades de atin-
condicionado no verão. gir resultados similares. O país precisa
Natural dentro do sistema capi- investir em medidas para industrializa-
talista a mobilidade do capital. Bus- ção, uma vez que se observa que gran-
cando maior lucratividade é normal de parte de sua economia é relacio-
estas indústrias fecharem as portas nada a produtos primários, sem valor
e se mudarem em busca de melho- agregado. No entanto, a maquila repre-
res oportunidades, tal movimento é senta a busca por maior lucratividade
acentuado entre as maquiladoras. No para as indústrias, que irão se insta-
Paraguai em 2001 foi sancionada a lei lar no solo do país receptor e sugar
que permite o processo maquilador todos os benefícios possíveis, porém os
no país e tem sido altamente incenti- investimentos de seus lucros serão rea-
vado pelo governo como uma tenta- lizados no seu país de origem. A força
tiva de desenvolver e industrializar o de trabalho requerida para trabalhar
país. Apesar de indústrias de qualquer nas atividades é aquela não especiali-
lugar no mundo poderem utilizar as zada, portanto o valor pago sempre
vantagens do modelo, a maioria delas será inferior.

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Estudios Internacionales 192 (2019) • Universidad de Chile

Apesar de haver um aumento no PIB acreditar que ela por si só resolverá o


paraguaio, que para muitos está rela- atraso econômico e social existente. É
cionado com a atividade maquiladora, um avanço e uma medida efetiva na
esse processo requer uma avaliação geração de empregos, mas para o suces-
mais minuciosa. O que pode represen- so deste regime na industrialização do
tar um avanço inicial, a longo prazo Paraguai, é necessário pensar e aplicar
pode acarretar em retrocesso, reforçan- outras medidas, para não ocasionar
do a dependência do Paraguai com o uma exploração da força de trabalho
Brasil, acentuando a relação subimpe- inexperiente, que suga os recursos do
rialista existente. Portanto, é importan- país, investindo seus lucros nos países
te cautela e uma análise mais profunda de origem, deixando um rastro caótico
da maquila no país, sendo ingênuo com os passar do tempo.

Referências

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