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FONTES HISTÓRICAS NA PESQUISA SOBRE

A DITADURA MILITAR NO BRASIL


Acadêmicos1
Tutor Externo2

RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo analisar a implantação de uma ditadura civil-
militar no Brasil no período entre 1964 e 1985,utilizando-se de algumas fontes
históricas ,selecionadas da imensa quantidade de documentos disponíveis.Utilizando-se
de fontes escritas secundárias e fontes visuais,como livros,revistas,jornais,fotografias e
pesquisa na internet buscou-se fazer um resumo bastante sucinto deste período da
história recente brasileira.Esta análise torna-se importante na atualidade porque estão
a existir pensamentos de que tal período da história brasileira não foi uma ditadura ou
mesmo sequer existiu.Para isso primeiramente vamos analisar as causas do golpe
militar,a importância de movimentos civis,religiosos,midiáticos e da classe média na
elaboração do mesmo.Veremos que a polêmica já inicia desde a data do movimento até
sua denominação pelos historiadores,conforme suas tendências
ideológicas.Estudaremos as principais características do regime militar no campo
político e econômico bem como os mecanismos que lhe permitiram tamanha
longevidade,como o sofisticado e gigantesco aparato de repressão e o uso da
propaganda alicerçada na cooptação de setores da intelectualidade e do meio
artístico.Os que se opuseram ao regime foram exilados,presos,torturados ou buscaram
a luta armada como instrumento de resistência.Passada a euforia do “milagre
econômico” com suas obras faraônicas e agrados à classe média,a sociedade cansou
dos desmandos e passou a exigir eleições diretas para presidente da república.Em
1985,após 21 anos,o poder retorna às mãos de um civil,de forma indireta e fecha o
ciclo do regime militar.Suas conseqüências porém sentem-se até hoje.Para o
historiador é impossível saber onde o Brasil estaria, caso não tivesse sido interrompida
com violência a democracia em 1964 ,e as reformas de base tivessem sido
implementadas.Certamente porém,hoje,teríamos um país que já haveria superado
inúmeras carências ,as quais ,quase sessenta anos depois, continuam a exigir soluções
e a manter-nos num permanente atraso frente ao mundo civilizado: reforma
educacional, agrária, fiscal,tributária,política e econômica.Implementadas não
estaríamos hoje entre os países com pior distribuição de renda do planeta,ao lado de
republiquetas de terceiro mundo.Vinte e um anos de autoritarismo não nos levaram a
nenhum patamar de primeiro mundo, mas criaram travas de desenvolvimento que nos
impedem de superar déficits que parecem eternos.

Palavras-chave: Fontes Históricas. Ditadura Militar.História do Brasil.

1
Paulo Roberto Martins, Kimberlly Bajerski Rambor Cavalheiro
2
Marco Aurélio Martins Rocha. Prof./Tutor no curso de Licenciatura em História do Centro Universitário
Leonardo da Vinci. E-mail: marco.rocha@uniasselvi.edu.br
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1.INTRODUÇÃO

Fontes históricas são todos os documentos utilizados pelo historiador para


pesquisar,recontar,reconstruir o passado,enfim fazer História.Atualmente utiliza-se dos
termos “documento histórico” e “fonte histórica” como sinônimos,isto porque desde a
escola tradicional o uso de documentos escritos é uma das principais fontes históricas
utilizadas,sendo durante muitos séculos os únicos vestígios considerados legítimos para
o pesquisador.No presente paper o assunto focado,por exemplo,valeu-se basicamente de
documentos ou fontes escritas,como livros,jornais e revistas,além de alguns
filmes.Como o universo de fontes históricas abrangendo este período é
vasto,representado por inúmeras publicações como livros, revistas, biografias,
depoimentos,entrevistas além de filmes,gravações,depoimentos orais, fotografias,
cartazes e inúmeros museus,exposições,memoriais,arquivos públicos e privados,peças
de teatro,músicas de época,etc. torna-se impossível utilizar-se de todo este universo de
informações como documentos de pesquisa para um espaço restrito a algumas
páginas.Um exemplo foram os filmes “O dia que durou 21 anos”,dirigido por Camilo
Tavares,e que tem a duração de 77 minutos,bem como o filme “Utopia e
Barbárie”,dirigido por Silvio Tendler,com duração de 120 minutos,e que serviram de
base de informações e pesquisa geral para este trabalho,com suas amplas visões sobre as
causas e conseqüências do golpe civil-militar.A problemática do por que passamos por
este período de exceção,nossa falta de memória coletiva e o perigo do momento político
atual foram as molas propulsoras desta pesquisa histórica,pois ultimamente surgiram no
Brasil alguns movimentos vinculado à direita que colocam em dúvida a existência do
regime arbitrário implementado em 1964 e questionando a violência e a truculência
deste período ditatorial.Para Vasconcellos(2004 p.29) “o ano de 1964 representou um
corte no fluxo de nossa história” e seu objetivo foi “ o de cortar as cabeças do
nacionalismo brasileiro trabalhista”.
Os objetivos deste trabalho são,baseado nas fontes históricas anteriormente
discriminadas , demonstrar que este foi um dos períodos mais difíceis para a democracia
e o exercício da liberdade e do livre pensar na história do Brasil. Negá-lo é um perigoso
exercício de alienação, principalmente quando ameaças fascistizantes reerguem-se no
horizonte e,parodiando Marx,alertar de que a história pode se repetir, a primeira vez
como tragédia e a segunda vez como farsa.
Baseado nesta fundamentação, este trabalho procura demonstrar que a ditadura,
muito embora em algumas áreas tenha trazido desenvolvimento e
modernização,principalmente na área tecnológica e de tecnologia de ponta,isto deu-se a
um preço bastante alto para o conjunto da sociedade e ao custo de perdas nas áreas
sociais e de vidas.A classe média acabou pagando um preço alto em sua histeria
anticomunista e pelos temores de reformas básicas que já haviam sido conquistadas
pelas nações européias e pelos Estados Unidos séculos atrás.A ideologização fascista
das forças armadas e setores da igreja e da sociedade foram da euforia com as
conquistas pontuais do milagre econômico para a rápida decisão de livrar-se do entulho
autoritário tão logo este mostrou sinais de fadiga.Não foi tão fácil.Exigiu muita
luta,muita repressão,muito arrocho e levou vinte e um anos.
Atualmente vemos movimentos revisionistas, associados com a mídia de
direita,igrejas pentecostais e setores da classe média,além de amparados numa bancada
legislativa reacionária, investem contra a educação e contra contestações e estudos deste
período de nossa história,buscando,através de uma legislação inibitória da livre
expressão de opiniões e discussões em sala de aula,patrulhamento explícito ,denúncias e
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exposição pública de educadores suspeitos,evitar críticas ao regime militar.Este parece


ser um confronto inserido no sentido de que “A educação é um espaço de luta e
conciliação.Serve de representante e também de arena para batalhas maiores sobre o que
nossas instituições devem fazer,a quem devem servir e quem devem tomar essas
decisões”(APPLE,2003 p.42).
Se podemos hoje desfrutar de relativa liberdade,permitindo que se critique a
política e os políticos atuais,que se vá à rua para protestar e possa-se insultar
publicamente uma presidente eleita pelo voto popular em qualquer estádio de futebol,é
porque nossa democracia,mesmo que muito imperfeita,conquistada após 1985 ainda é a
melhor receita para a convivência,a troca de idéias e a substituição periódica e pacífica
de governantes e de políticas públicas e econômicas.Aqueles que acham esta
democracia dispensável,certamente não conheceram o sufoco da privação de seus
direitos elementares e do abuso de autoridade,da impunidade e do testemunho
censurado dos desmandos.Ou se lá estiveram e querem seu fim é porque prestaram seus
serviços à sujeira do sistema,ou de forma efetiva e colaborativa ou pela
alienação.Afinal,para os alienados e analfabetos políticos,qualquer regime é bom,seja
ele o nazismo ou o comunismo stalinista.

2.FONTES HISTÓRICAS

As fontes históricas são as ferramentas de que se vale o historiador-pesquisador para


estudar qualquer evento que diga respeito à sociedade humana ou à história do
passado.Segundo França(2014 P.37) “Fontes históricas são o conjunto de informações
que fornecem subsídios para que o historiador fundamente,caracterize,reflita e analise
determinado período histórico.” Nas palavras de Hisner(2018) as “fontes históricas são
as pistas que os seres humanos foram deixando de si mesmos ao longo do tempo, que
são achadas e interpretadas pelos historiadores.”e sendo assim, “ os historiadores se
apóiam na análise das fontes históricas dentro do contexto em que elas foram
produzidas, buscando identificar a intencionalidade de seus autores, aquilo que é dito e,
principalmente o que é deixado de fora dessa fonte”.Estas fontes podem ser as mais
variadas e acompanharam o desenvolvimento da pesquisa histórica ao longo dos
séculos.Iniciaram na Antiguidade com a utilização de relatos
orais,documentos,lendas,poemas,monumentos e hoje incorporaram o desenvolvimento
da mídia e cibernética,com a utilização de filmes,relatos
gravados,fotografias,microfilmes,internet,youtube,etc.Existe um universo de recursos a
serem utilizados como fontes históricas e à disposição dos historiadores.Estudo de
períodos mais recentes seja da História Brasileira ou História Universal,principalmente
fatos ocorridos a partir da segunda metade do século XX são facilitados pela quantidade
e diversidade de fontes históricas colocadas à disposição de quem deseja conhecer e
descrever acontecimentos ocorridos a partir daí e mesmo antes.

As fontes históricas,segundo Martil(2012), dividem-se em primárias e


secundárias.As primárias compreendem as fontes orais(lendas,gravações de
entrevistas,etc.),as fontes não escritas (utensílios,monumentos,restos
arqueológicos,fotografias,obras de arte) e as escritas (cartas, diários, jornais,
leis,anúncios,etc.).Depois ,temos as fontes secundárias,que compreendem o material já
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publicado sobre o assunto,como livros,arquivos,etc.Outros autores dividem as fontes em


documentos escritos publicados e não publicados,documentos visuais,documentos orais
e documentos multimidiáticos.A utilização de cada uma destas fontes depende do
período pesquisado,da disponibilidade e acessibilidade destas diferentes fontes e da
necessidade do pesquisador-historiador em fazer uso de tão diversificados tipos de
documentação.

3.FONTES HISTÓRICAS NA PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DA DITADURA


MILITAR BRASILEIRA

As fontes históricas para o estudo do período da história brasileira abrangida pela


ditadura militar são diversificadas e bastante volumosas,tendo em conta ser um
acontecimento recente,onde a utilização de diferentes técnicas de registro dos
acontecimentos já estava disponível,como filmes,vídeos,documentários,relatos
orais,arquivos e memoriais,além das tradicionais publicações escritas,como
livros,diários,cartas,coleções de jornais e revistas da época,artigos,memórias e
biografias.Muitos relatos de testemunhas(fontes orais),de arquivos públicos
recentemente abertos aos pesquisadores,arquivos privados com documentos inéditos do
período,museus e memoriais,diários e cartas,músicas,centros de documentação de
órgãos públicos ou privados,novelas e seriados de televisão,etc.Além de ser um tema
fácil em termos de disponibilidade de fontes históricas, fatores como sua atualidade e
controvérsias que ainda geram na sociedade foram os principais motivos para sua
escolha. Principalmente durante o ano de 2014,após cinqüenta anos do ocorrido,houve
um volume enorme de trabalhos históricos revendo,recontando e analisando este
período,lançados ao conhecimento da sociedade.Exatamente por isso,também torna-se
difícil realizar um trabalho abrangendo em poucas páginas tudo que se pudesse utilizar
desta imensidão de materiais colocados à disposição.Portanto,restringimos nosso
universo de fontes históricas principalmente em algumas fontes secundárias e
visuais,como livros,revistas,jornais e fotografias,além da visualização de dois filmes
documentários do período,aproveitando-se que a bibliografia sobre o golpe de 1964 e a
ditadura militar é vasta e as fontes são incontáveis.

4.INTRODUÇÃO À HISTÓRIA DA DITADURA MILITAR NO BRASIL

As fontes utilizadas,e que se encontram discriminadas nas Referências ao fim do


trabalho, foram bàsicamente algumas obras escritas principalmente ao longo do ano de
“comemoração” dos cinqüenta anos da implantação do regime de exceção,algumas
revistas e artigos na internet,bem como algumas fotos ilustrativas de eventos do
período.Como alguns exemplos de fontes secundárias podemos citar os livros de Flávio
Tavares(1964 – O golpe) e Júlio José Chiavenato(O Golpe de 64 e a Ditadura
Militar),os artigos das revistas Caros Amigos e Aventuras na História,alguns materiais
obtidos de sites da internet , duas fotografias, nas páginas 6 e 9,cuja fonte é a
publicação Caros Amigos e dois filmes documentários abrangendo a história do período
pesquisado.
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5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA DA DITADURA MILITAR

5.1.CAUSAS

O Brasil vinha assistindo uma escalada golpista desde a crise de 1954,na ocasião
não concretizada devido ao suicídio de Vargas.Em 1955 e 1958 houveram motins
militares em Jacareacanga e Aragarças contra Juscelino Kubitschek e em 1961 contra a
posse de João Goulart.Portanto o golpe esteve permanente na ordem do dia e sendo
prorrogado.O alinhamento do Brasil com os EUA no período mais agudo da Guerra
Fria,levou a uma pesada doutrinação anticomunista nos oficiais das Forças Armadas,a
partir da Escola das Américas no Panamá,que via comunismo em qualquer reforma de
cunho nacionalista,política ou social,daí sua repulsa frente às chamadas “reformas de
base” defendidas por Jango,a histeria com a vitória da revolução cubana( criando a
primeira nação comunista no continente americano e abalando a segurança
transcontinental),o reacionarismo de setores da sociedade brasileira,principalmente da
classe média ligada à igreja católica,com seus medos de mudanças frente a um mundo
que começava a se transformar numa pós-modernidade incerta,modificadora de
costumes,de tradições,invertendo valores.Na música,nas roupas,no visual,na cultura,na
pílula anticoncepcional,nas idéias libertárias,na revolução dos costumes,na liberação
sexual,no feminismo,na ameaça nuclear,no avanço das idéias socialistas nas nações
recém independentes do colonialismo,tudo induzia ao perigo,à destruição da família,da
tradição e da propriedade.O conservadorismo da igreja cultivava este medo e martelava
contra as mudanças através de organizações reacionárias como a TFP,o Opus Dei,o
Rosário em Família,etc.A nacionalização de algumas empresas estrangeiras aqui no
Brasil acirrou os ânimos e acendeu o alerta no governo americano,que passou a
patrocinar,incentivar e apoiar entidades empresariais,grupos civis e militares na
propaganda e organização da tomada do poder.Ao mesmo tempo,o presidente
Jango,pensando contar com apoio popular e em setores das forças armadas forçava
mudanças estruturais e as reformas que apavoravam as classes dominantes,num excesso
de autoconfiança perigoso.

5.2.INÍCIO

Como escreveu Tavares(2014,p.15) “A queda foi rápida,mas a conspiração foi


longa”.Segundo Napolitano(2014,p.43) o golpe foi mais do que uma rebelião dos
quartéis,mas uma complexa trama de engenharia política.Até a data gera polêmica.Para
os “revolucionários” o dia é 31 de março de 1964,para os opositores foi 1º de abril,o que
cronologicamente está correto porém os militares não podiam festejar sua quartelada no
tradicional “dia dos bobos” ou “dia da mentira”. Outra polêmica que atravessou a
história é a denominação do evento.Para os golpistas foi “Revolução de 31 de Março”,
“Movimento de 31 de Março”,”Movimento Cívico Militar”,até “contra revolução”.Para
a oposição foi “golpe”,”ditadura militar”,”regime militar”,etc.Esteve mais para uma
quartelada típica das republiquetas latino-americanas da época.Na realidade não houve
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“revolução” alguma,no sentido de qualquer modificação nas estruturas sociais e


econômicas do país.Na visão dos golpistas,aliás,foi uma reação a qualquer ameaça de
revolução.Desencadeada por um general integralista(fascista) que no passado fora o
criador de um documento chamado Plano Cohen,inventado pelos militares para
provarem que os comunistas e os judeus queriam tomar conta do Brasil “forjado pelo
capitão integralista Mourão Filho e que serviu de pretexto para a implantação do Estado
Novo”,conforme relata Markun(2014,p.39).

Figura 1- Uma das marchas “Com Deus Pela Liberdade” em São Paulo.Lembra outras manifestações na
Avenida Paulista cinqüenta anos depois?

Fonte: Revista Caros Amigos,coleção “A Ditadura Militar no Brasil”.

5.3.CARACTERÍSTICAS

Uma característica importante do golpe foi o apoio da classe média,em maior ou


menor grau,dependendo da época:encantou-se em 1964,desencantou-se em 1968,voltou
a encantar-se em 1970 e desencantou-se novamente a partir de 1980.Foi um período
marcado por um generalizado autoritarismo da sociedade,em defensiva frente a ameaças
à moral,aos costumes,à religião,à educação,à estrutura familiar,etc.Ameaças
concretizadas pela liberação sexual,pílula anticoncepcional,lei do divórcio,movimento
da contracultura,rock and roll,cabelos compridos,Nova Era,ateísmo, hippies, feminismo,
socialismo,Black Power,pacifismo,LSD,maconha,direitos civis e anti racismo.

5.3.1.Funcionamento

A ditadura militar brasileira caracterizou-se pela tentativa de manter um verniz


“democrático”, com periódicas trocas de generais-presidente e eleições permitidas a
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nível municipal,fora das áreas consideradas de “segurança nacional”.Promulgou-se uma


nova Constituição em 1967 porém era a Lei de Segurança Nacional que governava de
fato.Os militares e os políticos que os apoiavam gostavam de frisar que o regime
instituído em 1964 era uma “democracia”,ou “revolução democrática”,afirmando que
por não termos ditadores perpétuos(como nos países comunistas) vivíamos uma
situação de “democracia com responsabilidades”.Esta “democracia”, após a decretação
do AI 5 em 1968, aprofundou a repressão e eliminou qualquer possibilidade legal de
oposição ao regime.

5.3.2.PAPEL DOS PODERES

O poder Executivo era o mais forte, sendo o Exército aquele que indicava o novo
“presidente”.Governava por mecanismos repressores que incluíam desde a edição
periódica de AI (Atos Institucionais),do quais o mais repressor foi o AI-5(considerado o
golpe dentro do golpe),até fechamento do Congresso,proibição de eleições para
presidentes,governadores e municípios enquadrados como “áreas de segurança
nacional”,nomeação de senadores “biônicos”,suspensão de garantias individuais,uso da
Lei de Segurança Nacional,cassações de mandatos,aposentadorias compulsórias,etc.

O poder Legislativo apequenou-se, com a extinção dos partidos políticos


tradicionais e a criação de dois partidos fantoches.Um para apoiar e dar sustentação
legal às decisões dos militares,chamado de ARENA(Aliança Renovadora Nacional) e
uma pequena oposição consentida e vigiada para dar a impressão de que o
regime,apesar de autoritário, ainda era uma democracia,chamado de MDB(Movimento
Democrático Brasileiro).A palavra “partido” foi banida do dicionário do golpe.Cada vez
que a oposição ganhava alguma eleição expressiva,os eleitos tinham seus direitos
cassados.

O poder Judiciário perdeu sua importância como balança da justiça,com juízes e


ministros coniventes com o arbítrio e respaldando todos os atos de força do
governo.Neste sentido ganharam importância os Tribunais Militares,que agiam
conforme a Lei de Segurança Nacional na defesa do regime,julgando opositores de
qualquer natureza,civis ou militares.

5.3.3.POLÍTICA ECONÔMICA

Baseado numa gangorra entre estatismo e iniciativa privada,que oscilava conforme


as orientações de cada general-presidente.Criaram-se diversos órgãos que buscavam
autonomia tecnológica ou resolução de problemas crônicos nacionais,como a
EMBRATEL,a EMBRAER,a EMBRAPA,a SUDAM,o INCRA,a Zona Franca de
Manaus,etc.Também criaram-se mecanismos esdrúxulos de arrecadação e cerceamento
da liberdade,como a campanha de doação “ouro para o bem do Brasil”e o depósito
compulsório para viagens ao exterior.

MILAGRE BRASILEIRO
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Surto de desenvolvimento baseado na construção de grandes obras e num


endividamento externo acelerado.O Brasil atingiu uma média de 11 % de crescimento
durante este período passageiro.Apoiando-se em grandes empreendimentos e
construtoras foi o período áureo da propaganda e do patriotismo
chauvinista.Construíram-se Itaipu,a ponte Rio-Niteroi,a Transamazônica(considerada a
“estrada mais inútil da história”),a rodovia Calha Norte,as usinas nucleares de Angra
dos Reis,etc.Obras faraônicas que ditavam o espírito do “Brasil Grande”.A classe média
beneficiou-se com crédito acessível e aumento do consumo de bens duráveis e
eletrodomésticos.A classe baixa sofreu com o arrocho salarial.Acabou quando a crise do
petróleo causada pelos problemas no Oriente Médio,em 1973,alavancou uma crise
energética mundial e uma recessão e retração dos mercados.Sobraram dívidas enormes a
pagar,obras inacabadas,escândalos abafados de corrupção e uma inflação
galopante.Como lembra Júnior(2000):

A crise econômica que se abateu sobre o sistema capitalista mundial, com o


chamado "choque do petróleo" (1973-1974), atingiu o Brasil e colocou fim,
por extensão, no ciclo do "milagre econômico" (1968-1973) . Portanto, a
primeira metade da década de 70 foi marcada pelo início da desaceleração no
ritmo de crescimento do modelo econômico baseado na modernização
autoritária das relações capitalistas de produção que o regime militar havia
implantado desde 1964.

Em Coleções Caros Amigos(2007 p.163) lê-se que “[...] para o povo o milagre não
chegou.Médici mesmo desabafaria perto do fim de seu mandato ‘ o país vai bem,o povo
é que vai mal’’.Segundo esta fonte:

O milagre se fez à custa de: arrocho dos salários, o que permitiu aos
capitalistas acumular mais dinheiro para investir;alta concentração de renda
nas mãos de poucos e empobrecimento da maioria;favorável situação
internacional,especialmente petróleo barato;grandes investimentos
estatais;juros baixos no mercado internacional;multinacionais investindo no
país;e,o que seria grave no desastre que viria,enorme dívida externa,pública e
privada”(COLEÇÕES CAROS AMIGOS,2007 P.163).

Doria(2015,p.236) define o “milagre brasileiro” como produto da “manipulação


estatística,e um tanto pela exportação das múltis que embolsam fortunas,outro tanto
graças ao arrocho salarial”.Em 1964 a dívida externa somava US$ 3,294 bilhões e,em
1985 totalizava US$ 105,171 bilhões,ou seja,cresceu 32 vezes durante os governos
militares,segundo o site Auditoria Cidadã da Dívida.Conforme Fiuza(2014) “em
proporções de hoje,seria como se o Brasil devesse US$ 1,2 trilhão,o quádruplo da
dívida externa atual”.

5.4.MECANISMOS

Os mecanismos que mantinham a máquina da ditadura funcionando e azeitada eram


a Repressão e a Propaganda.
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5.4.1.Repressão

Como em toda a ditadura era necessário criar-se um inimigo interno.Para


Chiavenato(1994,p.71-72) “O inimigo estava nas nossas ‘fronteiras ideológicas’.Já não
importavam os limites territoriais.Os que discordavam do regime eram os
inimigos.Institucionalizou-se a delação ... e a figura do dedo-duro popularizou-se como
o novo símbolo da canalha nacional.”Afora isto,a total impossibilidade de contestação
política via meios legais e o sufocamento da contestação levou centenas de jovens e
militantes políticos para a clandestinidade e a luta armada,o que alimentou os órgãos da
repressão.Como afirma Leander(2018,p.57) “Quando outras formas de comunicação são
negadas,a violência parece ser a opção óbvia.”Assim,estava criado o inimigo interno tão
necessário.

Figura 2 – Cena comum no meio estudantil, principalmente a partir de 1968.

Fonte: Revista Caros Amigos,coleção “A Ditadura Militar no Brasil”

Criaram-se órgãos especializados para a repressão e robusteceram-se outros que já


existiam.As policias militares estaduais passaram a ser comandadas por militares do
exército e subordinadas aos comandos militares,a Policia Civil passou a colaborar nas
investigações de adversários do regime.Robusteceu-se os DOPS estaduais e criaram-se
órgãos mistos específicos e independentes dos poderes para agir na semi-
clandestinidade,lotados com policiais civis,policiais militares e membros do
exército,marinha e aeronáutica,como os famigerados DOI-CODI.Assassinos conhecidos
do Esquadrão da Morte,como o delegado Fleury ganharam status e poder dentro do
aparelho repressor.A tortura corria solta e além de tolerada,era negada,censurada e
qualquer comentário sobre sua existência passível de sérias conseqüências.Pessoas
desapareciam.Ninguém,mesmo os alienados,podiam sentir-se totalmente seguros.

Cada força armada tinha seus próprios órgãos de “inteligência”,como o


CIEX(Exército),CISA(Aeronáutica) e CENIMAR(Marinha),permanentemente em
conflitos e competindo em barbárie.A Polícia Federal atuava mancomunada com todos
eles e agia junto às fronteiras e aeroportos.O grande cérebro,tanto em estratégia
repressora quanto em armazenamento de informações,atuando tanto nacionalmente
como no exterior era o SNI(Serviço Nacional de Informações),que armou uma rede
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imensa de infiltrados e espiões junto a cada órgão


público,universidades,embaixadas,sindicatos,partidos políticos,exilados,imprensa e
mídia em geral.Houveram casos famosos de artistas,músicos,jornalistas,diplomatas e
estudantes cooptados trabalhando como espiões e dedos-duros para o SNI.Muitos outros
tiveram de exilar-se.O Decreto Lei 477 mantinha os estudantes no cabresto.

O regime militar não matou sob tortura apenas os militantes das organizações de
esquerda que participaram da luta armada(JUNIOR,2000) mas políticos
dissidentes,jornalistas,estudantes e operários.Até crianças foram torturadas ou obrigadas
a assistirem a tortura dos pais.Até o momento contam-se 475 mortos e mais de 2 mil
casos de torturas computados à repressão,que dispunham de casas e até fornos em
usinas de açúcar de empresários simpatizantes,para cometerem sevícias e fazerem
desaparecer os corpos.Presos políticos eram “atropelados” em simuladas tentativas de
fuga.

A lista de sevícias cometidas no período dão uma fila interminável de delitos e


ilegalidades,como exonerações( funcionários públicos,professores,militares),cassações
de políticos,aposentadorias compulsórias,expulsões,prisões generalizadas,assassinatos(
políticos,opositores,estudantes)exílio,censura ( a todos os órgãos da mídia e espetáculos
artísticos,musicais,livros,imprensa alternativa,cinema,etc.),seqüestros
(dissidentes,padres,suspeitos)atentados(organizações civis e teatros,como OAB,bancas
de jornais,imprensa)tortura generalizada e desaparecimento de corpos.

5.4.2.Propaganda

Como toda a ditadura a propaganda era a alternativa “branda” para deixar a


população anestesiada, alienada e passiva.Como comentado anteriormente a classe
média foi o sustentáculo da ditadura e para ela foi dirigida a publicidade do sistema.O
MEC encarregou-se de criar um currículo enaltecedor do “Brasil Grande” junto às
escolas e criou disciplinas de doutrinação ideológica,como Educação Moral e
Cívica,Estudos de Problemas Brasileiros e Organização Social e Política Brasileira.A
Educação Física ganhou destaque.Menos matérias humanas,mais matérias científicas.O
Projeto Rondon foi criado para ocupar estudantes universitários e premiar os mais
comportados com viagens patrocinadas para o interior do Brasil,como prestadores de
serviços comunitários junto a populações carentes.O MOBRAL dava ares de
preocupação com a eliminação do analfabetismo,sendo um grande fracasso.Como
escreveu Doria(2015) era um formador de “analfabetos funcionais”.Todas as cidades
tinha seu CSU(Centro Social Urbano),organização que dava empregos a mulheres de
militares,parentes ou reservistas e que visava “distrair” a comunidade e prestar serviços
básicos.

A mídia noticiava apenas aquilo que era permitido e enaltecimentos ao


desenvolvimento do Brasil e ao “milagre econômico”.De vez em quando noticiava que
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um “terrorista” tinha sido morto ao fugir da polícia ou “suicidara-se” na cadeia.Até o


Exército criou um movimento assistencial chamado de ACISO(Assistência Cívico
Social) fazendo operações de caridade nos sertões e cafundós,levando esporádica
assistência médica e odontológica,bem ao estilo de um populismo que antes
condenavam.

O sistema usou e abusou da cultura e do esporte para fazer propaganda ideológica.O


futebol era a mola mestra e a conquista do Tricampeonato em 1970 foi explorado à
exaustão.Criaram-se campeonatos futebolísticos nacionais e regionais homenageando
os nomes dos generais-presidentes e seus acólitos.Jogadores de futebol viraram garotos
propaganda do regime.Na música muitos cantores e compositores foram aliciados,como
Dom e Ravel,que gravaram “Eu te amo,meu Brasil”canção que virou um segundo
hino.Slogans,adesivos(Ame-o ou Deixe-o,Prá Frente Brasil,Brasil Grande,Ninguém
Segura Este País,etc.) enchiam vidraças,vitrines e parabrisas de automóveis.Sem
esquecer que foi durante a ditadura que o carnaval espetáculo adquiriu exposição
internacional,como mostra de nosso “povo alegre,feliz e hospitaleiro”,nossas mulatas e
integração racial ,gerando um promíscuo convívio entre militares,jogo do bicho e
escolas de samba.É importante lembrar que a classe média,beneficiada por políticas
públicas,créditos e financiamentos,como facilidade de aquisição de imóveis(BNH),carro
próprio e educação superior ,apoiava tacitamente o status quo do autoritarismo,pelo
menos enquanto o milagre econômico durou.

5.5.ESCÂNDALOS

Por sua própria característica autoritária o monstro autoritário começou a gerar


filhotes,como o nepotismo,mordomias e corrupção.Coisas que haviam sido motivos da
“revolução”,agora eram praticados descaradamente pelos “revolucionários”.Militares
usavam e abusavam do poder sem dar explicações a ninguém.Membros do governo
eram conhecidos pelas mordomias excessivas e o luxo de que desfrutavam.Nenhuma
semelhança com a imagem de “austeridade” que hoje defensores da volta do regime
militar ajudam a divulgar.Graves problemas de saúde pública,como o surto de
meningite que atingiu milhares de crianças em 1972 teve sua divulgação censurada,o
que certamente ajudou a espalhar a doença e matar crianças.

5.5.1.Corrupção

Inúmeros casos de corrupção grassaram ao longo dos 21 anos de


ditadura,escondidos do público pela censura feroz.Muitos escândalos ainda precisariam
ser pesquisados pois com o fim do regime de exceção muitos registros e arquivos
simplesmente desapareceram.Alguns casos famosos foram o da Panair do
Brasil,Coalbra,Torre Rio-Sul,Coroa-Brastel,o Projeto Jarí,a construção de Itaipú(que
inclusive provocou a morte suspeita de um diplomata),Angra I e II,os casos do Banco
Nacional e Banco União Comercial,o caso Brasilinvest,TV Excelsior,Tucuruí-
Capemi,Grupo Delfin,Grupo Sharp,Corretora Laureano,Light Amforp,os casos
envolvendo as construtoras Odebrecht e Camargo Correa,os escândalos com a GE
Westinghouse.Todas as grandes obras do governo,como a Transamazônica,a ponte Rio-
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Niterói,Itaipú,etc. envolviam propinas.A agricultura teve escândalos envolvendo


grandes cooperativas,o “adubo-papel”,o “Escândalo da Mandioca,etc.Houve um
escandaloso loteamento da Amazônia,com vendas e concessões de enormes porções de
terras para empresas nacionais e estrangeiras,como multinacionais e bancos.

5.5.2.Crimes

Afora os crimes políticos diretos,através da tortura,assassinato e desaparecimento de


opositores políticos,a ditadura viu-se diante de escândalos que envolviam mortes de
estudantes em passeatas,suspeitas mortes de políticos como João Goulart, Juscelino
Kubischek,Carlos Lacerda e Castelo Branco,a morte da estilista Zuzu Angel,do
colaborador Baumgarten,do Embaixador José Jobim,do genocídio de tribos indígenas
amazônicas para a abertura de estradas,dos crimes do esquadrão da Morte(Escuderie
LeCoq) com participação dos “homens de ouro” da polícia,da contravenção(ou jogo do
bicho) que incluía oficiais militares com vínculos com os porões da ditadura,da morte
de crianças e jovens que envolveram famílias da elite e filhos de ministros e políticos da
situação,como Ana Lídia,Araceli e Cláudia Lessin.Foi um período áureo para a
impunidade do andar de cima,protegidos pela repressão e pela censura pesada.

5.6.FIM

O fim da ditadura foi lenta e gradual,concessão dos militares e por isso mesmo
articulada para sustentar privilégios daqueles que a iniciaram e cuidando em salvar
transgressores pelos crimes cometidos.O medo era do que chamavam de
“revanchismo”.Um passo importante foi a anistia,decretada em 1979,que possibilitou a
volta dos banidos,mas que também salvaguardou torturadores e implicados em crimes
políticos.Ao contrário dos nossos vizinhos latinos nunca conseguimos fechar esta
ferida,o que gerou impunidades,atitudes e desmandos futuros.O estrangulamento
econômico também ajudou a sepultar o regime. Conforme a Folha de São
Paulo(2014),”Nada mais parecia funcionar, e o governo se viu obrigado a bater às
portas do Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de socorro.O país só voltou a
crescer em 1984, após três anos de recessão. Os militares estavam prestes a deixar o
poder, e os desequilíbrios econômicos criados pelos excessos dos anos anteriores
pareciam insuperáveis. As contas do governo estavam novamente desarrumadas, e o
país suava para renegociar suas dívidas com os credores internacionais. A inflação anual
passava de 200%, alimentada por mecanismos que a política econômica só conseguiu
domar uma década depois do fim da ditadura”.

Os militares dividiram a oposição, criando partidos artificiais


enfraquecidos.Voltaram velhas siglas,porém esvaziadas de seu antigo conteúdo
doutrinário.O PTB recriado nada tinha de trabalhista,obrigando Brizola a fundar o
PDT,mais próximo à tradição varguista.Emergiram o PSB e o PMDB(originado do
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MDB criado pela ditadura)|.Surgiram o PT e algumas siglas à esquerda ressuscitaram


como o PCB e o PC do B.Dissidentes do PMDB criaram posteriormente o PSDB.A
ARENA originou o PDS,que depois originou várias siglas à direita,como o PFL.

A sociedade, passada a euforia do milagre e cansada dos desmandos ,pressionava


por eleições num movimento de massas conhecido como DIRETAS JÁ.Mas a alquimia
dos quartéis fechou a questão aceitando uma “eleição indireta”,entre um representante
da direita(ARENA) e um representante do centro(MDB).Venceu Tancredo Neves e em
março de 1985 o último general-presidente saiu pela porta dos fundos do
Alvorada,negando-se a passar a faixa presidencial.Um ocaso digno de um regime que
também havia entrado no palácio pelas portas dos fundos.Estava,pelo menos
oficialmente,extinta a Ditadura Militar,que durara longos 21 anos no poder.

5.7.CONSEQUÊNCIAS

As conseqüências da ditadura forma muitas,profundas e ainda hoje bastante sentidas


pela sociedade brasileira.Uma dívida externa monstruosa gerada pelo custo do “milagre
brasileiro”.Para o economista e professor universitário Odilon
Guedes(TATEMOTO,2014),”no fundo, o Golpe de 64 foi dado para impedir a
concretização de um modelo mais favorável ao povo.Se o João Goulart tivesse
conseguido implementar as reformas que queria, com certeza teríamos hoje um país
com melhor distribuição de renda.”

Conforme Gennari(2014),professor do departamento de ciências econômicas da


UNESP “ Eles [militares] têm na origem da sua concepção um grande equivoco, de
achar que desenvolvimento econômico é só crescimento do produto e não de
desenvolvimento social. E temos esse problema até hoje, porque a gente não consegue
se desvencilhar dessa visão de economia conservadora”.Na área política,uma herança
cruel com a perpétua existência dos mesmos grupos apadrinhados pelos militares e que
agora sobreviviam na Nova República,barrando quaisquer tentativas de conquistas
sociais,como Maluf,Sarney,Antonio Carlos Magalhães,Marco Maciel,etc,conseqüência
da destruição de toda uma geração que poderia ter originado quadros mais
jovens,dinâmicos e arejados no cenário da política nacional.Nossa sociedade continuou
autoritária e desvinculada de uma tradição democrática,elegendo muitas vezes os
eternos”paizinhos” protetores e acreditando que leis fortes,punições e violência
equilibrariam carências sociais,em detrimento de mais educação,inclusão social e
distribuição de renda.A doutrinação autoritária herdada aumentou polarizações e
intolerâncias,criando preconceitos políticos e sociais que descambam até hoje em
agressão,individualismos e soluções de força.A democracia retornou,mas o “espírito
democrático” foi morto na ditadura.Isto refletiu-se em muitos campos,sendo o campo
cultural um dos mais atingidos,onde até hoje o Brasil não atingiu o grau de consciência
política de massas que havia pré-1964.Agora a política ficou sendo vista como coisa
ruim.A repressão impune personificou-se nas polícias militares estaduais mantendo as
mesmas atitudes repressoras e de justiçamentos da época ditatorial.A calamitosa e
desordenada colonização da Amazônia originou vasta destruição ambiental,derrubada
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de florestas,queimadas,modificações climáticas,destruição de fauna e eliminação de


etnias.Em algumas áreas ficaram alguns ganhos,como no desenvolvimento tecnológico
gerado pela criação de entidades voltadas à criação de tecnologia
(aeronáutica,comunicações,energia,transportes e agroindústria).Muitas estão sendo
desmontadas,privatizadas ou fechadas.Na educação houve um estímulo à privatização
do ensino,em todos os níveis.Finalmente,a ditadura originou uma geração alienada
politicamente,carente de referenciais do passado,facilmente cooptada para o
esquecimento e para o revisionismo.Para Vasconcellos(2004,p.29) “uma das mais
nefastas conseqüências do golpe de 1964 foi a impotência em relação à possibilidade de
o Brasil alterar sua inserção no quadro político e econômico mundial”.

6.CONCLUSÃO

A utilização de fontes históricas para o estudo do período ditatorial brasileiro


abrange um imenso universo de escolhas,a critério de cada pesquisador.São variadas e
retratam as opiniões de diferentes historiadores: contrários e a favor do regime
militar.Como citado por França(2014) uma das funções do historiador é dominar o
passado e entendê-lo como a chave para a compreender e refletir sobre o presente.É um
assunto que não facilita a neutralidade histórica e sempre vai gerar uma pesquisa
parcial.Evidentemente também foi este o caso aqui.Muitos jovens não acreditam que a
ditadura foi tão repressora, cruel e autoritária.Alguns chegam a duvidar que tenha
existido.Produto sem dúvida de uma herança calcada na busca de superação do
trauma,no apagamento de responsabilidades,na impunidade dos malfeitores e na
destruição da educação popular como alavanca de auto-estima.Prova disso são as
freqüentes ameaças anti-democráticas e admiração por figuras que parecem fantasmas
ressuscitados do passado e que ameaçam revive-lo,agora como farsa.Para o historiador é
impossível saber onde o Brasil estaria, caso não tivesse sido interrompida com violência
a democracia em 1964 ,e as reformas de base tivessem sido implementadas.Certamente
porém,hoje,teríamos um país que já haveria superado inúmeras carências as quais ,quase
sessenta anos depois, continuam a exigir soluções e a manter-nos num permanente
atraso frente ao mundo civilizado: reforma educacional, agrária, fiscal,tributária,política
e econômica.Implementadas não estaríamos hoje entre os países com pior distribuição
de renda do mundo,ao lado de republiquetas de terceiro mundo.

Vinte e um anos de autoritarismo não nos levaram a nenhum patamar de primeiro


mundo, mas criaram travas de desenvolvimento que nos impedem de superar déficits
que parecem eternos.

Concluindo, esta é uma pesquisa apaixonante e quem mergulhar no assunto


certamente não ficará carente de quaisquer categorias de fontes históricas. Ao
contrário,sentirá muita dificuldade em escolher dentro de um material infindável
colocado à sua disposição,para auxiliá-lo em suas considerações e conclusões,seja a
favor ou seja contra.Porque hoje a ditadura ainda paira ameaçadora,principalmente após
as eleições de outubro de 2018,como bem registrou profeticamente o cantor e poeta
Cazuza na música “O tempo não pára” : “Eu vejo o futuro repetir o passado”.
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7.REFERÊNCIAS

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Paulo:Editora Casa Amarela,2007.
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1964 ainda ameaçam o Brasil.São Paulo:Geração Editorial,2015
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2014.
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UTOPIA E BARBÁRIE,Direção de Silvio Tendler.Brasil:Caliban Produções
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VASCONCELLOS,Gilberto F.Quarenta Anos Depois:O retorno ao meia quatro
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