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05/06/2019 Feminismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Feminismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Feminismo é um conjunto de movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias que têm como objetivo comum: direitos
equânimes (iguais) e uma vivência humana por meio do empoderamento feminino e da libertação de padrões patriarcais,
baseados em normas de gênero. Envolve diversos movimentos, teorias e filosofias que advogam pela igualdade entre homens e
mulheres, além de promover os direitos das mulheres e seus interesses.[1][2][3][4][5] De acordo com Maggie Humm e Rebecca
Walker, a história do feminismo pode ser dividida em três "ondas".[4][6] A primeira teria ocorrido no século XIX e início do
século XX, a segunda nas décadas de 1960 e 1970 e a terceira na década de 1990 até a atualidade.[7] A teoria feminista surgiu
destes movimentos femininos[8][9] e se manifesta em diversas disciplinas como a geografia feminista, a história feminista e a
crítica literária feminista.

O feminismo alterou principalmente as perspectivas predominantes em diversas áreas da sociedade ocidental, que vão da
cultura ao direito. As ativistas femininas fizeram campanhas pelos direitos legais das mulheres (direitos de contrato, direitos de
propriedade, direitos ao voto), pelo direito da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo, pelos direitos ao aborto e
pelos direitos reprodutivos (incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade), pela proteção de mulheres
e garotas contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro,[1][10][11] pelos direitos trabalhistas, incluindo a licença-
maternidade e salários iguais, e todas as outras formas de discriminação.[12][13][14]

Durante grande parte de sua história, a maioria dos movimentos e teorias feministas tiveram líderes que eram principalmente
mulheres brancas de classe média, da Europa Ocidental e da América do Norte.[15][16][17] No entanto, desde pelo menos o
discurso de Sojourner Truth, feito em 1851, às feministas dos Estados Unidos, mulheres de outras etnias e origens sociais
propuseram formas alternativas de feminismo.[16] Esta tendência foi acelerada na década de 1960, com o movimento pelos
direitos civis que surgiu nos Estados Unidos e o colapso do colonialismo europeu na África, no Caribe e em partes da América
Latina e do Sudeste Asiático. Desde então as mulheres nas antigas colônias europeias e nos países em desenvolvimento
propuseram feminismos "pós-coloniais"[17] - nas quais algumas postulantes, como Chandra Talpade Mohanty, criticam o
feminismo tradicional ocidental como sendo etnocêntrico.[18] Feministas negras, como Angela Davis e Alice Walker,
compartilham este ponto de vista.[15]

Desde a década de 1980, as feministas argumentaram que o movimento deveria examinar como a experiência da mulher com a
desigualdade se relaciona ao racismo, à homofobia, ao classismo e à colonização.[16][19] No fim da década e início da década
seguinte as feministas ditas pós-modernas argumentaram que os papéis sociais dos gêneros seriam construídos
socialmente,[20][21][22] e que seria impossível generalizar as experiências das mulheres por todas as suas culturas e histórias.[23]

Índice
História
Século XIX e início do século XX
Meados do século XX
Final do século XX e início do século XXI
Escolas teóricas
Feminismo francês
Ideologias
Movimentos políticos
Ideologias materialistas
Ideologias racial e pós-colonial
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Ideologias construtivistas sociais


Movimentos culturais
Relação com outros movimentos políticos
Socialismo
Fascismo
Movimento pelos direitos civis e contra o racismo
Sexualidade
Indústria do sexo
Pornografia
Prostituição e tráfico
Afirmação a autonomia sexual feminina
Ciência
Biologia e gênero
Psicologia
Cultura feminista
Arquitetura
Artes visuais
Literatura
Música
Cinema
Impacto cultural
Direitos civis
Idioma
Teologia
Patriarcado
Homens e masculinidade
Reações
Pró-feminismo
Anti-feminismo
Pós-feminismo
Ver também
Notas
Referências
Bibliográficas
Ligações externas

História
Charles Fourier, um socialista utópico e filósofo francês, é creditado por ter
inventado a palavra "feminismo" em 1837.[24] A expressão "feminismo" e
"feminista" apareceu pela primeira vez na França e nos Países Baixos em 1872,[25]
no Reino Unido na década de 1890 e nos Estados Unidos em 1910.[26][27] O Oxford
English Dictionary lista 1894 como o ano da primeira aparição do termo
"feminista" e 1895 para a palavra "feminismo".[28] Dependendo do momento
histórico, da cultura e do país, as feministas tiveram diferentes causas e objetivos.
A maioria dos historiadores feministas ocidentais afirmam que todos os
movimentos que trabalham para obter os direitos das mulheres devem ser Parada do Sufrágio Feminista em
considerados feministas, mesmo quando eles não apliquem o termo a si Nova York, 6 de maio de 1912.
mesmos.[29][30][31][32][33][34] Outros historiadores afirmam que o termo deve ser
limitado ao movimento feminista moderno e aos seus descendentes. Esses historiadores usam o rótulo de "protofeminista" para

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descrever os movimentos anteriores.[35]

Feministas e acadêmicos dividiram a história do movimento em três "ondas". A


primeira onda se refere principalmente ao sufrágio feminino, movimento que
ganhou força no século XIX e início do XX. A segunda onda se refere às ideias e
ações associadas com os movimentos de liberação feminina iniciados na década
de 1960, que lutavam pela igualdade legal e social para as mulheres. A terceira
onda seria uma continuação - e, segundo alguns autores, uma reação às suas
falhas - da segunda onda, iniciada na década de 1990.[7]
Depois de vender sua casa,
Emmeline Pankhurst, na foto em
Século XIX e início do século XX Nova York, em 1913, viajou
constantemente, dando palestras
A primeira onda do feminismo se refere a um período extenso de atividade
em toda o Reino Unido e Estados
feminista ocorrido durante o século XIX e início do século XX no Reino Unido e Unidos.
nos Estados Unidos, que tinha o foco originalmente na promoção da igualdade
nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição
de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos)
por seus maridos. No entanto, no fim do século XIX, o ativismo passou a se focar
principalmente na conquista de poder político, especialmente o direito ao sufrágio
por parte das mulheres. Ainda assim, feministas como Voltairine de Cleyre e
Margaret Sanger já faziam campanhas pelos direitos sexuais, reprodutivos e
econômicos das mulheres nesta época.[36]
Integrantes da Federação Brasileira
No Reino Unido, as suffragees e, talvez de maneira ainda mais eficiente, as para o Progresso Feminino, em
1930.
sufragistas, fizeram campanha pelo sufrágio feminino. Em 1918, o Representation
of the People Act foi aprovado, concedendo o direito ao voto às mulheres acima de
30 anos de idade que possuíssem uma ou mais casas. Em 1928, este direito foi
estendido à todas as mulheres acima de vinte e um anos de idade. Nos Estados
Unidos, líderes deste movimento incluíram Lucretia Mo, Lucy Stone, Elizabeth
Cady Stanton e Susan B. Anthony, que haviam todas lutado pela abolição da
escravidão antes de defender o direito das mulheres ao voto; todas eram
influenciadas profundamente pelo pensamento quaker. A primeira onda do
feminismo, nos Estados Unidos, envolveu uma ampla variedade de mulheres;
algumas, como Frances Willard, pertenciam a grupos cristãos, como a Woman's
Louise Weiss, juntamente com
Christian Temperance Union; outras, como Matilda Joslyn Gage, eram mais
outras suffragettes parisienses em
radicais e se expressavam dentro da National Woman Suffrage Association, ou de
1935; a manchete do jornal diz "A
maneira independente. Considera-se que a primeira onda do feminismo nos Francesa Deve Votar."
Estados Unidos como tenha terminado com a aprovação da Décima Nona Emenda
à Constituição dos Estados Unidos, em 1919, que concedeu às mulheres o direito
ao voto em todos os estados.[37]

O termo primeira onda foi cunhado em retrospecto, depois que o termo segunda onda do feminismo começou a ser usado para
descrever um movimento feminista mais novo, que focalizava tanto no combate às desigualdades sociais e culturais quanto às
políticas.[36]

A primeira onda de feministas, ao contrário da segunda, preocupou-se muito pouco com a questão do aborto; no geral, eram
contrárias ao conceito. Embora nunca tenha se casado, Anthony publicou seus pontos de vista sobre o casamento, sustentando
que uma mulher deveria ter o direito de recusar-se a fazer sexo com seu marido; a mulher americana não tinha, até então,
qualquer recurso legal contra o estupro por seu próprio marido. Primordial, em sua opinião, era conceder a mulher o direito ao
seu próprio corpo, que ela via como um elemento essencial na prevenção de gravidezes indesejadas, através do uso de

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abstinência como método contraceptivo. Escreveu sobre o assunto em seu jornal, e Revolution, em 1869, argumentando que,
em vez de meramente tentar aprovar uma lei contra o aborto, sua causa principal deveria também ser abordada. A simples
aprovação de uma lei antiaborto seria "apenas cortar o topo da erva daninha, enquanto sua raiz permanece."[38]

Meados do século XX
Em meados do século XX, em alguns países europeus, as mulheres ainda não
tinham alguns direitos importantes. As feministas nesses países continuaram a
lutar pelo direito de voto. Na Suíça, as mulheres ganharam o direito de votar em
eleições federais apenas em 1971[39] e no cantão de Appenzell Interior as
mulheres obtiveram o direito de votar em questões locais só em 1991, quando o
cantão foi forçado a fazê-lo pelo Supremo Tribunal Federal da Suíça. Em
Liechtenstein, as mulheres conquistaram o direito de votar em 1984, depois de um
referendo.[40]

Propaganda do governo norte- As feministas continuaram a campanha para a reforma das leis de família que
americano mostrando uma mulher davam aos maridos controle sobre suas esposas. As leis em relação a isso foram
trabalhando em uma fábrica em Fort
abolidas no século XX no Reino Unido e nos Estados Unidos, mas em muitos
Worth, Texas, Estados Unidos,
países da Europa continental as mulheres casadas ainda tinham poucos direitos.
durante a Segunda Guerra Mundial
(1942). Por exemplo, na França as mulheres casadas receberam o direito de trabalhar sem
a permissão de seu marido apenas em 1965.[41][42] As feministas também
trabalharam para abolir a "isenção conjugal" nas leis de estupro, que impediam o julgamento dos maridos que estupravam suas
próprias esposas.[43] As tentativas anteriores das feministas da primeira onda, como Voltairine de Cleyre, Victoria Woodhull e
Elizabeth Clarke Wolstenholme Elmy, para criminalizar a violação conjugal no final do século XIX não tiveram sucesso,[44]
sendo que isto foi apenas alcançado um século mais tarde na maioria dos países ocidentais, mas ainda não foi conquistado em
muitas outras partes do mundo.[45]

A filósofa francesa Simone de Beauvoir forneceu uma solução marxista e uma


visão existencialista sobre muitas das questões do feminismo com a publicação de
Le Deuxième Sexe (O Segundo Sexo) em 1949.[46] O livro expressa o sentimento de
injustiça das feministas. A segunda onda do feminismo é um movimento
feminista que começou no início de 1960[47] e continua até o presente; como tal,
coexiste com o feminismo de terceira onda. A segunda onda feminista é bastante
preocupada com as questões de igualdade que vão além do sufrágio, como acabar
com a discriminação.[36]
Passeata pelos direitos das
As feministas da segunda onda veem as desigualdades culturais e políticas das mulheres em 1970 em Washington,
mulheres como intrinsecamente ligadas e incentivam as mulheres a entender os D.C.
aspectos de suas vidas pessoais como profundamente politizados e como o reflexo
de estruturas de poder sexistas. A ativista e autora feminista Carol Hanisch cunhou o slogan "o pessoal é político", que se tornou
sinônimo da segunda onda.[10][48]

O feminismo de segunda e de terceira onda na China tem sido caracterizado por uma reavaliação do papel das mulheres durante
a revolução comunista e outros movimentos de reforma e novas discussões sobre se a igualdade das mulheres foi, na verdade,
plenamente alcançada.[49]

Em 1956, o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser, iniciou "feminismo de Estado", que proibiu a discriminação com base no
sexo e concedeu o sufrágio feminino, mas também bloqueou o ativismo político de líderes feministas.[50] Durante a presidência
de Anwar Al Sadat, sua esposa, Jehan Sadat, defendeu publicamente direitos adicionais para as mulheres, embora a política e a
sociedade egípcia tenham começado a afastar-se da igualdade das mulheres com o novo movimento islâmico e o crescente
conservadorismo.[51] No entanto, alguns ativistas propuseram um novo movimento feminista, o feminismo islâmico, que

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defende a igualdade das mulheres dentro de uma estrutura islâmica.[52]

Na América Latina, as revoluções trouxeram mudanças no estatuto das mulheres


em países como a Nicarágua, onde a ideologia feminista durante Revolução
Sandinista foi auxiliada, mas ficou aquém de alcançar uma mudança social e
ideológica real na sociedade.[53]

Final do século XX e início do século XXI


A terceira onda do feminismo Passeata pelo Dia Internacional da
começou no início da década de Mulher em Daca, Bangladesh,
organizado pelo Sindicato
1990, como uma resposta às
Comercial Nacional das
supostas falhas da segunda onda e
Trabalhadoras.
também como uma retaliação a
iniciativas e movimentos criados

Marcha das Vadias de 2013 em por esta. O feminismo da terceira onda visa desafiar ou evitar aquilo que vê como
Porto Alegre, Brasil as definições essencialistas da feminilidade feitas pela segunda onda que colocaria
ênfase demais nas experiências das mulheres brancas de classe média alta.[36]

Uma interpretação pós-estruturalista do gênero e da sexualidade é central à maior parte da ideologia da terceira onda. As
feministas da terceira onda frequentemente enfatizam a "micropolítica" e desafiam os paradigmas da segunda onda sobre o que
é e o que não é bom para as mulheres.[36][54][55][56] A terceira onda teve sua origem no meio da década de 1980; líderes
feministas com raízes na segunda onda, como Gloria Anzaldua, bell hooks, Cherrie Moraga, Audre Lorde, Maxine Hong
Kingston e diversas outras feministas negras, procuraram negociar um espaço dentro da esfera feminista para a consideração de
subjetividades relacionadas à raça.[15][55][57]

A terceira onda do feminismo também apresenta debates internos. O chamado feminismo da diferença, cujo importante
expoente é a psicóloga Carol Gillian, defende que há importantes diferenças entre os sexos, enquanto outras vertentes creem
não haver diferenças inerentes entre homens e mulheres defendendo que os papéis atribuídos a cada gênero instauram
socialmente a diferença.[58]

Escolas teóricas
A teoria feminista é uma extensão do feminismo para os campos teóricos ou
filosóficos e abrange obras numa série de disciplinas, que incluem a antropologia,
a sociologia, economia, estudos feministas, crítica literária,[59][60] história da
arte,[61] psicanálise,[62] ética e filosofia.[63][64] A teoria feminista tem como meta
compreender a desigualdade de gênero e mantém o seu foco nas políticas
relacionadas aos sexos, às relações de poder e à sexualidade. Ao mesmo tempo em
que fornece uma crítica destas relações sociais e políticas, a maior parte da teoria
feminista visa a promoção dos interesses e direitos das mulheres. Entre os temas
explorados pela teoria feminista estão a discriminação, estereotipagem,
objetificação (especialmente a objetificação sexual), opressão e o patriarcado.[8][9]
Manuscrito da obra de Mary
A feminista e crítica literária norte-americana Elaine Showalter descreve o Wollstonecraft, Uma Reivindicação
pelos Direitos da Mulher.
desenvolvimento em fases da teoria feminista; ela chama a primeira fase de
"crítica feminista", na qual a leitora feminista examina as ideologias por trás dos
fenômenos literários; a segunda ela chama de "ginocrítica", na qual a "mulher é a produtora de significado textual", incluindo "a
psicodinâmica da criatividade feminina, a linguística e o problema de uma língua feminina, a trajetória da historia e da carreira
literária feminina, individual ou coletiva." A última fase é chamada por ela de "teoria do gênero", na qual a "inscrição ideológica

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e os efeitos literários do sistema de sexo/gêneros" são explorados.[65] A acadêmica Toril Moi criticou este modelo, que viu como
um modelo essencialista e determinista para a subjetividade feminina, que não consegue levar em conta a situação das mulheres
fora do Ocidente.[66]

Feminismo francês
A expressão feminismo francês se refere a um ramo do feminismo que teria surgido a partir
de um grupo de estudiosos franceses, entre as décadas de 1970 e 1990. O feminismo
francês, comparado ao anglófono, se destaca por uma abordagem mais filosófica e literária
e por seus escritos tenderem a ser mais efusivos e metafóricos e menos preocupados com a
doutrina política, sendo, geralmente, mais focados nas teorias "do corpo".[67] O termo inclui
autores que não são necessariamente franceses, mas que trabalharam substancialmente na
França ou na tradição francesa,[68] tais como Julia Kristeva e Bracha Einger.

A escritora e filosofa francesa Simone de Beauvoir escreveu romances, monografias sobre


filosofia, política e questões sociais, ensaios, biografias e uma autobiografia, e é conhecida
atualmente por seus romances metafísicos, incluindo Ela Veio Para Ficar e Os Mandarins, e
por sua obra O Segundo Sexo, de 1949, uma análise detalhada da opressão sofrida pela
Simone de Beauvoir, uma mulher e um tratado com as fundações do feminismo contemporâneo. O livro estabelece
escritora, filósofa um existencialismo feminista, que determina uma revolução moral. Como existencialista,
existencialista e feminista
aceitou o preceito de Jean-Paul Sartre de que "a existência precede a essência" e, portanto,
francesa.
"não se nasce uma mulher, torna-se uma". Sua análise se concentra na construção social da
Mulher como o Outro, que ela identifica como sendo fundamental à opressão da mulher.[20]
Um de seus argumentos é o de que as mulheres teriam sido consideradas, ao longo da história, como anormais e transviadas, e
sustenta que até mesmo Mary Wollstonecra considerava os homens como o ideal ao qual as mulheres deviam aspirar; para o
feminismo seguir adiante, segundo ela, esta atitude deveria ser abandonada.[20]

Na década de 1970, as feministas francesas abordaram o feminismo com o conceito de écriture féminine, que pode ser traduzido
como "escrita feminina".[69] Segundo Helene Cixous, a escrita e a filosofia seriam falocêntricas e, juntamente com outras
feministas francesas como Luce Irigaray, enfatizou a "escrita do corpo" como um exercício subversivo.[69] O trabalho da filósofa
e psicanalista feminista Julia Kristeva influenciou a teoria feminista em geral, em especial a crítica literária feminista e, a partir
da década de 1980, o trabalho da artista e psicanalista Bracha Einger influenciou a crítica literária, história da arte e a teoria do
cinema.[70][71] No entanto, como a acadêmica Elizabeth Wright apontou, "nenhuma destas feministas francesas se alinha com o
movimento feminista tal como ele aparecia no mundo anglófono".[69][72]

Ideologias
Muitos movimentos feministas que se sobrepõem e ideologias têm se desenvolvido ao longo dos anos.

Movimentos políticos
Alguns ramos do feminismo acompanham de perto as tendências políticas da sociedade em geral, como o liberalismo e o
conservadorismo, ou o foco no meio ambiente. O feminismo liberal busca a igualdade individualista de homens e mulheres
através de uma reforma política e legal, sem alterar a estrutura da sociedade. O feminismo radical considera a hierarquia
capitalista controlada por homens como a característica definidora da opressão às mulheres e a erradicação total e reconstrução
da sociedade, se necessário.[10] O feminismo conservador é conservador em relação à sociedade em que ele reside. O feminismo
libertário concebe as pessoas como auto-proprietárias e, portanto, o direito de liberdade em relação a interferência
coercitiva.[73] O feminismo separatista não apoia as relações heterossexuais. O feminismo lésbico é, portanto, intimamente
relacionado. Outras feministas criticam o feminismo separatista como sexista.[74] Ecofeministas veem o controle da terra como
responsável pela opressão das mulheres e a destruição do ambiente natural dos homens; o ecofeminismo tem sido criticado por

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se concentrar demais em uma conexão mística entre as mulheres e a natureza.[75]

Ideologias materialistas
Rosemary Hennessy e Chrys Ingraham dizem que os feminismos materialistas
cresceram a partir do pensamento marxista ocidental e inspiraram uma série de
diferentes (mas que se sobrepõem) movimentos, os quais estão envolvidos em
uma crítica ao capitalismo e vocacionado para o relacionamento da ideologia para
Feministas se manifestam em
as mulheres.[76] O feminismo marxista argumenta que a propriedade privada é a
Santiago, Chile, para pedir
causa raiz da opressão às mulheres,[77] defendendo que a libertação das mulheres democracia durante a ditadura
só pode ser alcançada através do trabalho para acabar com as fontes econômicas e militar de Augusto Pinochet.
culturais da opressão, ou seja, resolvendo o problema da escassez.[78] As
anarcafeministas acreditam que a luta de classes e a anarquia contra o Estado exigem a luta
contra o patriarcado, que vem da hierarquia involuntária.[79]

Ideologias racial e pós-colonial


Sara Ahmed argumenta que os feminismos negro e pós-colonial são um desafio "para
algumas das premissas da organização do pensamento feminista ocidental".[80] Durante
grande parte de sua história, os movimentos feministas e desenvolvimentos teóricos foram
conduzidos predominantemente por mulheres da classe média branca da Europa Ocidental
e América do Norte.[17][81][82] No entanto as mulheres de outras raças propuseram
feminismos alternativos.[16] Essa tendência se acelerou na década de 1960 com o
movimento dos direitos civis nos Estados Unidos e com o colapso do colonialismo europeu Betty Friedan em 1960.
na África, Caribe, partes da América Latina e Sudeste Asiático. Desde aquela época, as
mulheres nos países em desenvolvimento ex-colônias e que são de outra ou de várias etnias
e que vivem em situação de pobreza propuseram feminismos adicionais.[17] O
mulherismo[83][84] surgiu após os primeiros movimentos feministas serem em grande parte
compostos por brancas de classe média.[15] As feministas pós-coloniais argumentam que a
opressão colonial e o feminismo ocidental marginalizaram as mulheres pós-coloniais, mas
não as tornaram passivas ou sem voz.[85] O feminismo de terceiro mundo está intimamente
relacionado com o feminismo pós-colonial.[86]

Ideologias construtivistas sociais


No final do século XX, várias feministas começaram a argumentar que os papéis de gênero
são construídos socialmente[21][87] e que é impossível generalizar as experiências das
mulheres em todas as culturas e histórias.[88] O feminismo pós-estrutural baseia-se nas
Shirley Chisholm (1924-
filosofias do pós-estruturalismo e da desconstrução, a fim de argumentar que o conceito de
2005), defensora dos
gênero é criado socialmente e culturalmente por meio do discurso.[89] As feministas pós- direitos da mulher. Em
modernas também enfatizam a construção social de gênero e a natureza discursiva da 1968, tornou-se a primeira
realidade,[90] porém, como Pamela Abbot notou et al., uma abordagem pós-moderna afro-americana eleita para
destaca no feminismo "a existência de múltiplas verdades (ao invés de simplesmente de o Congresso dos Estados
pontos de vista dos homens e das mulheres)".[91] Unidos e a concorrer à
nomeação democrata para
a eleição presidencial.
Movimentos culturais
O riot grrrl é um movimento feminista da cultura punk que começou na década de 1990 e é frequentemente associado com o
feminismo de terceira onda. Foi criado com base na filosofia DIY de valores punk. O riot grrls tomou uma postura
anticorporativa, de autossuficiência e auto-dependência.[92] A ênfase movimento é na identidade feminina universal e no
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separatismo, muitas vezes parece mais intimamente com a segunda onda do feminismo do que com a terceira onda.[93] O
movimento incentiva os "pontos de vista central das adolescentes", o que lhes permite expressar-se plenamente.[94] O feminismo
lipstick é um movimento feminista cultural que tenta responder à lacuna da segunda onda do feminismo radical da década de
1960 e 1970, com a recuperação de símbolos da identidade "feminina", como maquiagem, roupas sugestivas e o fascínio sexual
como pontos válidos de escolhas pessoais.[95][96]

Relação com outros movimentos políticos


O feminismo teve interações complexas com os principais movimentos políticos do século XX.

Socialismo
Desde o final do século XIX algumas feministas se aliaram ao socialismo, enquanto outras criticaram a ideologia socialista por
ser insuficientemente preocupada com os direitos das mulheres. August Bebel, um ativista precoce do Partido Social-Democrata
Alemão, publicou sua obra Die Frau und der Sozialismus, justapondo a luta pela igualdade de direitos entre os sexos, com a
igualdade social em geral. Em 1907 houve uma Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em Stugart, na Alemanha,
onde o sufrágio feminino foi descrito como uma ferramenta de luta de classes. Clara Zetkin, do Partido Social-Democrata
Alemão, clamou pelo voto feminino para construir uma "ordem socialista, a única que permite uma solução radical para a
questão da mulher".[97][98][99][100]

No Reino Unido, o movimento de mulheres foi aliado com o Partido Trabalhista. Nos Estados Unidos, Bey Friedan surgiu a
partir de um fundo radical para assumir a liderança. A Radical Women é a mais antiga organização feminista socialista nos
Estados Unidos e ainda está ativa.[101] Durante a Guerra Civil Espanhola, Dolores Ibárruri (La Pasionaria) liderou o Partido
Comunista da Espanha. Embora ela apoiasse a igualdade de direitos para as mulheres, ela se opunha que as mulheres lutassem
na parte da frente e entraram em confronto com o anarcofeminista Mujeres Libres.[102]

Fascismo
O fascismo receitava posturas dúbias sobre o feminismo por seus praticantes e por grupos de mulheres. Entre outras exigências
em matéria de reforma social apresentada no manifesto fascista em 1919 foi a expansão do sufrágio a todos os cidadãos italianos
com mais de 18 anos de idade, incluindo as mulheres (o que foi realizado apenas em 1946, após a derrota do fascismo) e a
elegibilidade para que todos com mais de 25 anos possam concorrer a cargos. Esta demanda foi particularmente defendida por
grupos auxiliares das mulheres fascistas, como o fasci femminilli e apenas parcialmente realizado em 1925, sob pressão dos
parceiros de coalizão mais conservadores do primeiro-ministro Benito Mussolini.[103][104]

Cipriano Blamires afirma que, embora as feministas estivessem entre aquelas que se opunham a ascensão de Adolf Hitler, o
feminismo teve um relacionamento complicado com o movimento nazista, que tinha várias apoiantes mulheres, bem como
grupos femininos. Enquanto os nazistas glorificado noções tradicionais da sociedade patriarcal e do seu papel para as mulheres,
eles alegavam a reconhecer a igualdade das mulheres no mercado de trabalho.[105] No entanto, Hitler e Mussolini se declararam
em oposição ao feminismo[105] e, depois da ascensão do nazismo na Alemanha em 1933, houve uma rápida dissolução dos
direitos políticos e das oportunidades econômicas que as feministas lutaram durante o período pré-guerra e, até certo ponto,
durante a década de 1920.[100] Georges Duby et al., nota que, na prática, a sociedade fascista era hierárquica e enfatizava a
virilidade masculina, sendo que para as mulheres houve a manutenção de uma posição em grande parte subordinada.[100]
Blamires também observa que neofascismo tem sido, desde os anos 1960, hostil com o feminismo e defende que as mulheres
aceitem "seus papéis tradicionais" na sociedade.[105]

Movimento pelos direitos civis e contra o racismo

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O movimento dos direitos civis tem influenciado e informado o movimento feminista e vice-versa. Muitas feministas ocidentais
adaptaram a linguagem e as teorias de ativismo pela igualdade entre negros e brancos e traçou paralelos entre os direitos das
mulheres e os direitos das pessoas não-brancas.[106] Apesar das conexões entre os movimentos feminista e de direitos civis,
alguma tensão surgiu durante a década de 1960 e início de 1970, quando as mulheres não-brancas argumentavam que o
feminismo era predominantemente branco e de classe média e não entendia e/ou não estava preocupado com as questões
raciais.[107] Da mesma forma, algumas mulheres argumentam que o movimento dos direitos civis tinha elementos sexistas e não
trata adequadamente as preocupações das mulheres.[106] Estas críticas criaram novas teorias sociais feministas sobre as
interseções de racismo, classismo e sexismo e novos feminismos, como o feminismo negro e do feminismo chicano.[108][109]

Sexualidade
Ao longo da década de 1970, uma grande variedade de mulheres influentes aceitaram o lesbianismo e a bissexualidade como
parte do feminismo. Como resultado, uma proporção significativa de feministas favorecia este ponto de vista, no entanto, outros
consideravam a sexualidade irrelevante para a consecução de outros objetivos.[110]

As atitudes feministas e a sexualidade feminina têm tomado algumas direções diferentes. estões como a indústria do sexo, a
representação sexual nos meios de comunicação e questões relativas ao consentimento para relações sexuais em condições de
dominação masculina têm sido particularmente controversas entre as feministas. Este debate culminou no final dos anos 1970 e
1980, no que veio a ser conhecido como a "Guerras sexuais feministas", que opôs o feminismo antipornografia contra o
feminismo sexo-positivo e partes do movimento feminista foram profundamente divididas por estes
debates.[111][112][113][114][115]

Indústria do sexo
Os pareceres sobre a indústria do sexo dentro do movimentos feminista são diversos. As feministas geralmente são ou críticas
dela (vendo-a como exploradora, resultado de estruturas sociais patriarcais e que reforça atitudes sexuais e culturais que são
cúmplices do estupro e do assédio sexual) ou a apoiam pelo menos parte dela (argumentando que algumas formas da indústria
sexual podem ser um meio de expressão feminista e um meio das mulheres tomarem o controle de sua própria sexualidade).[111]

Pornografia
A visão feminista da pornografia varia desde da condenação, como uma forma de violência contra as mulheres, até a
interpretação de algumas formas de pornografia como um meio de expressão feminista.[112][113][114][115][116] As feministas
antipornografia argumentam que ela é perigosa para as mulheres e que as imagens sexualmente explícitas precisam ser
controladas.[117] Elas argumentam que a indústria pornográfica contribui para a violência contra as mulheres, tanto na
produção (que implica a coerção física, psicológica, ou econômica das mulheres que a realizam e onde argumentam que o abuso
e a exploração de mulheres é galopante) quanto no seu consumo (onde argumentam que a pornografia erotiza a dominação, a
humilhação e a coerção das mulheres, além de reforçar atitudes sexuais e culturais que são cúmplices do estupro e do assédio
sexual).[118][119][120] As feministas que encaram o sexo de maneira positiva, no entanto, argumentam que a liberdade sexual é
um componente essencial da liberdade das mulheres. Como tal, as feministas pró-pornografia se opõem aos esforços para
controlar as atividades sexuais consensuais entre adultos.[121]

Prostituição e tráfico
A visão das feministas sobre a prostituição variam, mas muitas dessas perspectivas podem ser livremente organizadas em um
ponto de vista global, que geralmente é crítico ou de apoio da prostituição e do trabalho sexual.[122] No entanto, as feministas
antiprostituição se opõem fortemente, visto que veem como uma forma de violência e exploração de mulheres e um sinal da
dominação masculina sobre a classe feminina. Entre as feministas que detêm tais pontos de vista sobre a prostituição estão
Kathleen Barry, Melissa Farley,[123][124] Julie Bindel,[125][126] Sheila Jeffreys, Catharine MacKinnon[127] e Laura Lederer;[128] A
ONG Lobby Europeu das Mulheres também condena a prostituição como "uma forma intolerável de violência masculina".[129]

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Outras feministas afirmam que a prostituição e outras formas de trabalho sexual podem ser opções válidas para as mulheres e
homens que optam por se envolver nessas atividades. Os defensores deste ponto de vista argumentam que a prostituição deve
ser diferenciada da prostituição forçada e que as feministas devem apoiar o ativismo profissional do sexo contra os abusos, tanto
da indústria do sexo quanto do sistema jurídico. A divergência entre essas duas posições feministas tem sido particularmente
controversa, sendo possível compará-la às guerras sexuais feministas do final do século XX.[130]

Afirmação a autonomia sexual feminina


Para as feministas, o direito da mulher de controlar sua própria sexualidade é uma questão fundamental. Feministas, como
Catharine MacKinnon, argumentam que as mulheres têm muito pouco controle sobre seus próprios corpos, visto que a
sexualidade feminina é amplamente controlada e definida por homens em sociedades patriarcais. As feministas argumentam
que a violência sexual cometida por homens é muitas vezes enraizado em ideologias do direito sexual masculino e que estes
sistemas concedem às mulheres muito poucas opções legítimas para recusar tais avanços sexuais.[131][132] Em muitas culturas,
os homens não acreditam que uma mulher tem o direito de rejeitar os avanços sexuais masculinos ou de tomar uma decisão
autônoma sobre a participação no sexo. As feministas afirmam que todas as culturas são, de uma forma ou de outra, dominadas
por ideologias que, em grande parte, negam às mulheres o direito de decidir a forma de expressar a sua sexualidade, porque os
homens sob o patriarcado se sentem no direito de definir o sexo em seus próprios termos. Este direito pode assumir diferentes
formas, dependendo da cultura. Em muitas partes do mundo, especialmente em culturas conservadoras e religiosas, o
casamento é considerado como uma instituição que exige uma mulher que seja sexualmente disponível em todos os momentos,
praticamente sem limite; assim, forçar ou coagir sexo em uma mulher não é considerado um crime ou até mesmo um
comportamento abusivo.[133][134] Em culturas mais liberais, esse direito tem a forma de uma sexualização geral de toda a
cultura. Isto é jogado na objetificação sexual das mulheres, sendo que a pornografia e outras formas de entretenimento sexual
criam a fantasia de que todas as mulheres existem apenas para o prazer sexual dos homens e que as mulheres estão
prontamente disponíveis e desejosas de fazer sexo a qualquer momento, com qualquer homem.[135]

Ciência
A filósofa norte-americana Sandra Harding diz que as "percepções morais e políticas do movimento das mulheres inspiraram
cientistas sociais e biólogos a levantar questões críticas sobre as formas que os pesquisadores tradicionais têm explicado gênero,
sexo e relações dentro e entre dos mundos social e natural."[136] Algumas feministas, como Ruth Hubbard e Evelyn Fox Keller,
criticam o discurso científico tradicional como sendo historicamente inclinado para uma perspectiva masculina.[12][137] Uma
parte da agenda de pesquisa feminista é o exame das formas em que as desigualdades de poder são criadas e/ou reforçadas em
instituições científicas e acadêmicas.[138] A físico Lisa Randall, nomeada para uma força-tarefa na Universidade de Harvard pelo
então presidente Lawrence Summers depois de sua controversa discussão de por que as mulheres podem ser sub-representadas
na ciência e na engenharia, disse: "Eu só quero ver um muitas mulheres mais dentro do campo para que estas questões não
sejam levantadas mais."[139]

Lynn Hankinson Nelson, uma filósofa norte-americana, observa que empiristas feministas encontram diferenças fundamentais
entre as experiências de homens e mulheres. Assim, eles buscam obter conhecimento através da análise das experiências das
mulheres e para "descobrir as consequências da omissão, qualificação errada ou desvalorização delas" para explicar uma gama
da experiência humana.[140] Outra parte da agenda da pesquisa feminista é a descoberta de maneiras em que as desigualdades
de poder são criadas e/ou reforçadas na sociedade e nas instituições científicas e acadêmicas.[138] Além disso, apesar dos apelos
para uma maior atenção às estruturas de desigualdade de gênero na literatura acadêmica, análises estruturais de preconceito de
gênero raramente aparecem em revistas de psicologia, especialmente nas áreas comumente estudadas da psicologia e da
personalidade.[141]

Uma crítica da epistemologia feminista é que ela permite que os valores sociais e políticos possam influenciar as suas
conclusões.[142] Susan Haack, professora de direito e filosofia da Universidade de Miami, também aponta que a epistemologia
feminista reforça estereótipos tradicionais sobre o pensamento das mulheres (como ser intuitiva e emocional, etc). A

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historiadora, escritora e filósofa da ciência indiana Meera Nanda afirma que isto pode na verdade ser uma armadilha para
mulheres dentro de "papéis de gênero tradicionais e ajudar a justificar o patriarcado".[143]

Biologia e gênero
A ciência feminista moderna desafia a visão essencialista biológica do gênero.[144][145] Por exemplo, o livro de Anne Fausto-
Sterling, Myths of Gender, explora os pressupostos contidos em pesquisas científicas que apoiam uma visão biologicamente
essencialista de gênero.[146] No livro Delusions of Gender, Cordelia Fine contesta a evidência científica que sugere que há uma
diferença biológica inata entre mentes de homens e mulheres, afirmando que, em vez disso, as crenças culturais e sociais são a
razão de diferenças entre os indivíduos que são comumente percebidas como diferenças sexuais.[147]

Psicologia
O feminismo na psicologia surgiu como uma crítica das perspectivas dominantemente masculinas na pesquisa psicológica, onde
apenas as perspectivas dos homens foram estudadas com todos os indivíduos do sexo masculino. Conforme as mulheres
conquistavam doutorados em psicologia, as mulheres e suas questões foram introduzidas como temas legítimos de estudo. A
psicologia feminista enfatiza o contexto social, a experiência vivida e a análise qualitativa.[148] Projetos como o Psychology's
Feminist Voices, em Toronto, no Canadá, surgiram para catalogar a influência de psicólogos feministas sobre a disciplina.[149]

Cultura feminista

Arquitetura
Pesquisas sobre a conceituação da arquitetura baseada no gênero também surgiram, levando o feminismo para a arquitetura
moderna. Piyush Mathur cunhou o termo "arquigênerico". Alegando que "o planejamento arquitetônico tem um vínculo
indissolúvel com a definição e regulamentação dos papéis, responsabilidades, direitos e limitações de gênero", Mathur surgiu
com esse termo "para explorar … o significado de 'arquitetura' em termos de gênero" e "explorar o significado do 'gênero', em
termos de arquitetura".[150]

Artes visuais
Correspondente com a evolução geral dentro do feminismo e muitas vezes incluindo táticas de auto-organização como um
grupo de conscientização, o movimento começou na década de 1960 e floresceu na década de 1970.[151] Jeremy Strick, diretor do
Museu de Arte Contemporânea de Los Angeles, descreveu o movimento de arte feminista como "o movimento internacional
mais influente do período do pós-guerra" e Peggy Phelan, uma feminista norte-americana, diz que "trouxe sobre as
transformações de maior alcance, tanto o artmaking e a arte da escrita ao longo das últimas quatro décadas".[151] Judy Chicago,
uma escritora e artista feminista norte-americana, que com uma equipe de 129 criou o e Dinner Party, uma instalação artística
no Brooklyn Museum em Nova York, disse em 2009 para a ARTnews: "Ainda há uma defasagem institucional e uma insistência
em uma narrativa eurocêntrica masculina, estamos tentando mudar o futuro: fazer com que as meninas e meninos percebam
que a arte das mulheres não é uma exceção, é uma parte normal da história da arte."[152]

Literatura
O movimento feminista produziu obras literárias de ficção e não-ficção feminista, além de ter criado um novo interesse na
literatura das mulheres. Ele também levou a uma reavaliação geral das contribuições históricas e acadêmicas das mulheres, em
resposta à crença de que a vida e as contribuições das mulheres foram sub-representadas como áreas de interesse
acadêmico.[153] Grande parte do período inicial de estudos literários feministas teve foco na redescoberta e recuperação de
textos escritos por mulheres. Estudos como Mothers of the Novel (1986), de Dale Spender, e e Rise of the Woman Novelist
(1986), de Jane Spencer, foram inovadores em sua insistência de que as mulheres sempre foram escritoras. Proporcional a este

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aumento do interesse acadêmico, várias editoras começou a tarefa de reeditar


textos. A Virago Press começou a publicar sua grande lista de novelas do século
XIX e do início do século XX em 1975 e tornou-se uma das primeiras editoras
comerciais a participar do projeto de recuperação. Na década de 1980. a Pandora
Press, responsável pela publicação de estudo de Spender, emitiu uma linha de
romances do século XVIII escrito por mulheres. Mais recentemente, a Broadview
Press continua a emitir romances dos séculos XVIII e XIX, muitos até então fora
do catálogo, e a Universidade de Kentucky tem uma série de reedições de
romances de mulheres. A obra A Vindication of the Rights of Woman (1792), por
Octavia Butler, premiada autora de
Mary Wollstonecra, é uma das primeiras obras de filosofia feminista. O ensaio
ficção científica feminista.
Um Teto Todo Seu (1929) por Virginia Woolf, foi registrado em seu argumento
para um espaço literal e figurativo para mulheres escritoras dentro de uma
tradição literária dominada pelo patriarcado.[154]

O interesse generalizado na literatura das mulheres está relacionado a uma reavaliação


geral e ampliação do cânone literário. O interesse em literaturas pós-coloniais, na
literatura gay e lésbica, obras de pessoas de cor e nas produções culturais de outros
grupos historicamente marginalizados resultou em uma expansão de toda dimensão do
que é considerado "literatura" e gêneros até então não considerado como "literários",
como obras para crianças, revistas, cartas, relatos de viagens e muitos outros são agora
temas de interesse acadêmico.[153][155][156] A maioria dos gêneros e subgêneros foram
submetidos a uma análise semelhante, de modo que se vê agora a trabalhar no "gótico
feminino" ou na ficção científica das mulheres.[157]

De acordo com a professora feminista norte-americana Elyce Rae Helford, "ficção


científica e fantasia servem como veículos importantes para o pensamento feminista,
particularmente como pontes entre a teoria e a prática."[158] A ficção científica feminista
às vezes é ensinada no mundo universitário para explorar o papel das construções sociais
na compreensão de gênero. Entre os textos notáveis deste tipo estão e Le Hand of A escritora canadense
Margaret Atwood, autora de
Darkness (1969), de Ursula K. Le Guin; e Female Man (1970), de Joanna Russ; Kindred
The Handmaid's Tale (1985)
(1979), de Octavia E. Butler e e Handmaid's Tale (1985), de Margaret Atwood.[159]

Música
A música feminista é a música feita por mulheres, para mulheres e sobre mulheres.[160] O gênero surgiu como uma expressão
musical do movimento da segunda onda feminista,[161] assim como trabalho, direitos civis e movimentos pela paz.[162]

O movimento foi iniciado por lésbicas como Cris Williamson, Meg Christian e Margie Adam, por mulheres ativistas afro-
americanas, como Bernice Johnson Reagon e seu grupo Sweet Honey in the Rock, e a ativista da paz Holly Near.[162] A música
feminista também se refere à indústria musical feminista mais ampla, que vai além dos artistas para incluir músicos de estúdio,
produtores, engenheiros de som, técnicos, artistas cover, distribuidores, promotores e organizadores de festivais, que também
são as mulheres.[160]

O feminismo tornou-se a principal preocupação dos musicólogos na década de 1980.[163] Antes disso, na década de 1970,
musicólogos estavam começando a descobrir mulheres compositoras e intérpretes e tinham começado a rever conceitos de
cânone, gênio, gênero e periodização a partir de uma perspectiva feminista. Em outras palavras, estava sendo abordada a
questão de como as mulheres músicas se encaixam na história da música tradicional.[163]

Através dos anos 1980 e 1990, tendência que se manteve com musicólogas como Susan McClary, Marcia Citron e Ruth Solie, que
começaram a considerar as razões culturais para a marginalização das mulheres.[163]

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Conceitos como a música como discurso de gênero; profissionalismo; recepção da


música das mulheres; exame dos locais de produção de música; a relativa riqueza
e educação das mulheres; estudos de música popular em relação à identidade das
mulheres; ideias patriarcais na análise musical; e noções de gênero e diferença são
alguns dos temas analisados durante esta época.[163]

Cinema
O cinema feminista, que defende ou ilustra
as perspectivas feministas, surgiu em
grande parte com o desenvolvimento da
filmologia feminista nos anos 1960 e início
Billie Holiday, cantora e compositora
dos anos 1970. As mulheres foram
de jazz durante apresentação em
radicalizadas durante a década de 1960 pelo
Nova York, 1947
debate político e pela chamada liberação
sexual; mas o fracasso do radicalismo em
produzir alterações profundas para as mulheres galvanizou-se para formar grupos de
conscientização e começou a analisar, a partir de diferentes perspectivas, a construção do
cinema feminista.[164] As diferenças foram particularmente acentuadas entre as
feministas de ambos os lados do Atlântico. Em 1972, aconteceram os primeiros festivais
de cinema feminista nos Estados Unidos e no Reino Unido, bem como a primeira revista Laura Mulvey, teórica do
cinema feminista.
de cinema feminista, a Women and Film. Teóricas deste período incluem Claire Johnston
e Laura Mulvey, que também organizaram eventos feministas no Festival Internacional
de Cinema de Edimburgo. Entre outras teóricas que tiveram um impacto poderoso no cinema feminista estão Teresa de
Lauretis.[165]

Argumentou-se que há duas abordagens distintas para o cinema independente e teoricamente inspirado pelo feminismo.
Preocupa-se pela "desconstrução", com uma análise e uma quebra dos códigos do cinema mainstream, com o objetivo de criar
uma relação diferente entre o espectador e o cinema dominante. A segunda abordagem, uma contracultura feminista, encarna a
escrita feminina para investigar uma linguagem cinematográfica especificamente feminina.[166] Algumas recentes críticas das
abordagens feministas no cinema tem-se centrado em torno de um sistema de classificação sueco chamado teste de Bechdel.[167]

Durante o período entre as décadas de 1930 e 1950, o apogeu dos grandes estúdios de Hollywood, a condição das mulheres na
indústria era péssima[168] e, embora muito o cenário tenha melhorado, muitos argumentam que ainda há muito a ser feito nesta
área. Dos filmes de arte de Sally Poer, Catherine Breillat, Claire Denis e Jane Campion, até os filmes de ação de Kathryn
Bigelow, as mulheres agora têm uma voz mais forte, mas são muito conscientes da diferença de gênero ainda persistente no
mundo cinematográfico.[169]

Impacto cultural
O movimento feminista efetuou mudanças na sociedade ocidental, incluindo o sufrágio feminino; maior acesso à educação;
salários mais equitativos com os dos homens; o direito de iniciar o processo de divórcio; o direito da mulher de tomar decisões
individuais relativas a gravidez (incluindo o acesso aos contraceptivos e ao aborto); e o direito de propriedade.[13][14]

Direitos civis
A partir da década de 1960, a campanha pelos direitos das mulheres[171] foi recebida com resultados mistos nos Estados Unidos
e no Reino Unido. Outros países da CEE concordaram em garantir que leis discriminatórias seriam suprimidas em toda a
Comunidade Europeia.[172]

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Algumas campanhas feministas também ajudaram a promover


atitudes de reforma para o abuso sexual infantil. A visão de que as
moças levam os homens a ter relações sexuais com elas foi
substituída pela responsabilidade dos homens pelo seu próprio
comportamento, caso os homens fossem adultos.[173]

Nos Estados Unidos, a Organização Nacional das Mulheres

Participação na Convenção sobre a Eliminação começou em 1966 para ajudar a conquistar a igualdade das
de Todas as Formas de Discriminação contra as mulheres, nomeadamente através da Emenda de Direitos
Mulheres: Iguais,[174] que não foi aprovada, apesar de alguns estados terem
Assinou e ratificou Apenas assinou promulgado suas próprias leis sobre o tema. Os direitos
Aderiu Não signatário reprodutivos em nos Estados Unidos centraram-se na decisão
judicial no caso Roe v. Wade', enunciando o direito da mulher de
escolher se quer levar uma gravidez até o fim. As mulheres
ocidentais ganharam o um controle de natalidade mais confiável, o
que permitiu o planejamento familiar e de suas carreiras
profissionais. Nos Estados Unidos, o movimento começou na
década de 1910 sob Margaret Sanger e em outros lugares sob Marie
Stopes. Nas últimas três décadas do século XX, as mulheres
ocidentais conquistaram uma nova liberdade através de controle de
A situação das mulheres por país de acordo com natalidade, que permitiu às mulheres planejar sua vida adulta,
dados coletados pelas publicações norte- muitas vezes abrindo caminho tanto a carreira quanto para a
americanas The Daily Beast/Newsweek.[170] família.[175]

A divisão do trabalho dentro das famílias foi afetada pelo aumento


da entrada das mulheres no local de trabalho, no século XX. O sociólogo Arlie Russell Hochschild descobriu que, em casais onde
ambos trabalham, homens e mulheres, em média, gastam quantidades iguais de tempo de trabalho, mas as mulheres ainda
gastam mais tempo com as tarefas domésticas,[176][177] embora Cathy Young tenha argumentado que as mulheres acabam por
evitar a igualdade de participação dos homens em tarefas domésticas e parentais.[178]

Judith K. Brown escreve: "as mulheres são mais propensas a fazer uma
contribuição substancial quando as atividades de subsistência têm as seguintes
características: quando o participante não é obrigado a estar longe de casa; as
tarefas são relativamente monótonas e não exigem concentração extasiada; e o
trabalho não é perigoso, pode ser realizado, apesar de interrupções, e pode ser
facilmente interrompido, uma vez reiniciado."[179]

No direito internacional, a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de


Discriminação contra as Mulheres é uma convenção internacional adotada pela Delegacia de Defesa da Mulher em
Assembleia Geral das Nações Unidas e é descrita como uma declaração Campinas, São Paulo, Brasil.
internacional dos direitos das mulheres. Ela entrou em vigor nos países que a
ratificaram.[180]

Idioma
Os defensores da linguagem de gênero neutro argumentam que o uso da linguagem específica de gênero, muitas vezes, implica
a superioridade masculina ou reflete um estado desigual da sociedade.[181]

Teologia

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A teologia feminista é um movimento que reexamina as tradições, práticas, escrituras e teologias das religiões a partir de uma
perspectiva feminista. Alguns dos objetivos da teologia feminista incluem o aumento do papel das mulheres no clero e nas
autoridades religiosas, reinterpretando imagens de dominação masculina e da linguagem sobre Deus, determinando o lugar das
mulheres em relação à carreira e da maternidade e estudando imagens de mulheres em textos religiosos considerados
sagrados.[182]

As ideias de J. J. Bachofen e Robert Graves, e posteriormente de Walter Burkert, Jane


Ellen Harrison, James Mellart, Sir Arthur Evans, Joseph Campbell, Erich Neumann sobre
uma religião matriarcal e um período da história da humanidade cuja estrutura social
teria sido baseada num matriarcado, foram incorporadas pelo feminismo dos anos 1970
por autores como Merlin Stone, que estudou as estatuetas de Vênus do Paleolítico como
evidências de uma religião matriarcal desde a pré-história até as civilizações antigas do
politeísmo pré-helênico.[183] Merlin Stone, autora de When God Was a Woman e Marija
Gimbutas são chamadas de autoras do ramo da arqueologia feminista da década de 1970.
A obra e Civilization of the Goddess (1989) tornou-se um trabalho padrão para a teoria
de um patriarcado e "androcracia" que teria surgido na Idade do Bronze, substituindo o
Neolítico centrado no culto da Deusa mãe. Stone apresenta uma religião matriarcal como
envolvendo o culto universal da serpente associado à mulher e como um símbolo
fundamental de sabedoria espiritual, fertilidade, vida e força.[184]

O feminismo cristão é um ramo da teologia feminista, que procura interpretar e Estatueta minoica da Deusa
compreender o cristianismo à luz da igualdade de mulheres e homens e que essa das serpentes 1 600 a.C.
interpretação é necessária para uma completa compreensão do cristianismo. Embora não
haja um padrão estabelecido de crenças entre as feministas cristãs, a maioria concorda que Deus não discrimina com base em
sexo e estão envolvidas em questões como a ordenação de mulheres, a dominação masculina e o equilíbrio da parentalidade no
matrimônio cristão, além de reivindicações de deficiência moral, a inferioridade das mulheres em relação aos homens e o
tratamento geral das mulheres dentro da igreja cristã.[185][186]

As feministas islâmicas defendem os direitos das mulheres, igualdade de gênero e a justiça social fundamentada dentro de uma
estrutura islâmica. Os defensores pretendem evidenciar os ensinamentos profundamente enraizados de igualdade no Alcorão e
incentivar um questionamento da interpretação patriarcal do ensinamento islâmico através do Alcorão, hadith (ditos de Maomé)
e da sharia (lei) para a criação de uma sociedade mais igualitária e justa.[187] Embora enraizada no islamismo, os pioneiros do
movimento também utilizaram discursos feministas seculares e ocidentais e reconhecem o papel do feminismo islâmico como
parte de um movimento feminista global integrado.[188]

O feminismo judaico é um movimento que visa melhorar o estado religioso, jurídico e social das mulheres dentro do judaísmo e
para abrir novas oportunidades para a experiência religiosa e liderança para as mulheres judias. As principais questões para as
feministas judias no início desses movimentos foram a exclusão do grupo de oração apenas para homens, a incapacidade das
mulheres para serem testemunhas e o divórcio.[189]

O Feminismo ateísta têm se engajado na crítica feminista da religião, argumentando que muitas religiões têm regras opressivas
em relação às mulheres e temas e elementos misóginos em textos religiosos.[190][191][192]

Patriarcado
O patriarcado é um sistema social no qual a sociedade está organizada em torno de figuras de autoridade do sexo masculino.
Neste sistema os pais têm autoridade sobre as mulheres, as crianças e a propriedade. Implica instituições com regras e
privilégios masculinos e é dependente da subordinação feminina.[193] A maioria das formas de feminismo caracterizam o
patriarcado como um sistema social injusto e que é opressivo para as mulheres. Carole Pateman argumenta que a distinção
patriarcal "entre masculinidade e feminilidade é a diferença política entre liberdade e sujeição".[194] Na teoria feminista do
conceito de patriarcado, muitas vezes é incluso todos os mecanismos sociais que reproduzem e exercem a dominação masculina

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sobre as mulheres. A teoria feminista tipicamente caracteriza o patriarcado como uma


construção social, que pode ser superado por revelar e analisar criticamente as suas
manifestações.[195] Algumas feministas radicais propuseram que, visto que o patriarcado
está muito profundamente enraizado na sociedade, o separatismo feminista é a única
solução viável.[196] Outras feministas criticaram esses pontos de vista como sendo "anti-
homens".[197][198][199]

Homens e masculinidade
A teoria feminista tem explorado a construção social da masculinidade e suas implicações
para a meta de igualdade de gênero. A construção social da masculinidade é vista pelo
feminismo como problemática porque associa os homens com a agressão e a competição,
além de reforçar as relações de gênero patriarcais e desiguais.[56][200] As culturas
patriarcais são criticadas por serem "limitantes formas de masculinidade", disponível para
os homens e que, portanto, estreitam as suas escolhas de vida.[201] Algumas feministas "Mulheres Islâmicas - Os
estão envolvidas com as questões do ativismo masculino, para chamar a atenção para o tsares, beis e cãs levaram
estupro masculino e abordando as expectativas sociais negativas para os seus direitos embora", frase
de um cartaz soviético
homens.[202][203][204]
emitido no Azerbaijão em
1921.
A participação masculina no feminismo é encorajada pelas feministas e é vista como uma
importante estratégia para alcançar o compromisso social completo para a igualdade de
gênero.[74][205][206] Muitos homens são pró-feministas, apoiadores e ativos na luta e ativismo de defesa dos direitos das
mulheres, da teoria feminista e dos estudos de masculinidade. No entanto, alguns teóricos argumentam que, apesar do
envolvimento masculino com o feminismo, é necessário problematizar que estes não podem ser chamados de feministas, pois
não são os protagonistas do movimento, são apoiadores que desconstroem reflexões machistas tão arraigadas devido às
influências sociais do patriarcado nas relações de gênero.[207] O consenso hoje em teorias feministas e de masculinidade é que
ambos os sexos podem e devem cooperar para alcançar os objetivos maiores do feminismo.[201] Foi proposto que, em grande
parte, isto pode ser conseguido por meio de considerações de ativismos femininos.[208] Neste sentido a Campanha da ONU
heforshe pode muito contribuir para o apoio dos homens ao feminismo.[209]

Reações
Diferentes grupos de pessoas responderam ao feminismo e homens e mulheres estão entre seus defensores e críticos. Entre os
estudantes universitários estadunidenses, tanto homens quanto mulheres, o apoio às ideias feministas é mais comum do que a
auto-identificação como feminista.[210][211][212] A mídia dos Estados Unidos tende a retratar negativamente o feminismo e as
feministas "são menos frequentemente associadas com as atividades do dia-a-dia de trabalho/lazer das mulheres
comuns."[213][214] No entanto, como pesquisas recentes têm demonstrado, conforme as pessoas estão expostas a feministas auto-
identificadas e a discussões relativas às várias formas de feminismo, sua próprio auto-identificação com o feminismo
aumenta.[215] Roy Baumeister criticou as feministas que "olham apenas para o topo da sociedade e tiram conclusões sobre a
sociedade como um todo. Sim, há principalmente os homens no topo. Mas se você olhar para o fundo, realmente na parte
inferior, você vai encontrar muitos homens lá também."[216]

Pró-feminismo
O pró-feminismo é o apoio ao feminismo sem implicar que o defensor seja um membro do movimento feminista. O termo é
mais frequentemente usado em referência a homens que apoiam ativamente o feminismo. As atividades dos grupos de homens
pró-feministas incluem o trabalho antiviolência com meninos e jovens nas escolas, oferecendo oficinas sobre assédio sexual nos
locais de trabalho, executando campanhas de educação comunitária e aconselhamento homens perpetradores de violência.
Homens pró-feministas também podem estar envolvidos na saúde dos homens, no ativismo contra a pornografia, incluindo a

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legislação antipornografia, nos estudos sobre a masculinidade e no desenvolvimento de currículos sobre igualdade de gênero
nas escolas. Este trabalho é feito, por vezes, em colaboração com as instituições e ativistas feministas, como centros contra
violência doméstica e estupro.[217][218]

Anti-feminismo
O antifeminismo é oposição ao feminismo em algumas ou todas as suas formas.[219] No século XIX, o antifeminismo era
principalmente focado na oposição ao sufrágio feminino. Mais tarde, os opositores da entrada das mulheres nas instituições de
ensino superior argumentavam que a educação era um fardo físico muito grande para sexo feminino. Outros antifeministas
opuseram-se a entrada das mulheres na força de trabalho ou ao seu direito de sindicalização, de serem juradas ou de obterem o
controle da natalidade e de sua própria sexualidade.[220]

Algumas pessoas se opuseram ao feminismo alegando que acreditam que o movimento é contrário aos valores tradicionais ou a
crenças religiosas. Estes antifeministas argumentam, por exemplo, que a aceitação social do divórcio é errada e prejudicial e que
homens e mulheres são fundamentalmente diferentes e, assim, os seus diferentes papéis tradicionais na sociedade devem ser
mantidos.[221][222][223] Outros antifeministas se opõem a entrada das mulheres no mercado de trabalho, cargos políticos e ao
processo eleitoral, além da diminuição da autoridade masculina na família.[224][225]

Embora identifiquem-se como feministas, escritoras como Camille Paglia, Christina Hoff Sommers, Jean Bethke Elshtain,
Elizabeth Fox-Genovese e Daphne Patai opõem-se a algumas versões do movimento. Elas argumentam, por exemplo, que o
feminismo muitas vezes acaba por promover a misandria e a elevação dos interesses das mulheres acima dos masculinos. Além
disso, elas também criticam as posições de feministas radicais como prejudiciais para ambos os gêneros.[226] Daphne Patai e
Norea Koertge argumentam que o termo "anti-feminista" é usado para silenciar o debate acadêmico sobre o feminismo.[227]

O sociólogo estadunidense Allan G. Johnson critica a interpretação essencialista de que a opressão patriarcal sofrida pelas
mulheres está radicada a tendências de dominação e agressão inerentes ao sexo masculino. anto ao feminismo marxista,
Johnson afirma que o patriarcado é anterior ao surgimento do próprio capitalismo e, por conta disso, não pode ser entendido
como uma consequência direta deste sistema econômico.[228]

Pós-feminismo
O termo pós-feminismo descreve uma série de pontos de vista em reação ao feminismo. Embora não cheguem a ser "anti-
feministas", as pós-feministas acreditam que as mulheres atingiram as metas da segunda onda, ao mesmo tempo em que são
críticas das metas da terceira onda do feminismo. O termo foi usado pela primeira vez na década de 1980, para descrever uma
reação contra essa segunda onda e atualmente é usado como rótulo para diversas teorias que analisam de maneira crítica os
discursos feministas anteriores e incluem desafios às ideias da segunda onda.[69] Outras pós-feministas defendem que o
feminismo não é mais necessário na sociedade.[229] A historiadora da arte Amelia Jones escreveu que os textos pós-feministas
surgidos nas décadas de 1980 e 1990 retratavam a segunda onda do feminismo como uma entidade monolítica, usando
generalizações em suas críticas.[230]

Um dos primeiros usos do termo foi no artigo de 1982 de Susan Bolotin, "Voices of the Post-Feminist Generation" ("Vozes da
geração pós-feminista"), publicada na New York Times Magazine. Este artigo foi baseado numa série de entrevistas com
mulheres que concordavam em grande parte com as metas do feminismo, porém não se identificavam como feministas.[231]
Feministas contemporâneas, como Katha Polli ou Nadine Strossen, consideram que o feminismo simplesmente afirma que
"mulheres são pessoas". Pontos de vista que separam os sexos, em vez de uni-los, são considerados por estas autoras como
sexistas, e não feministas.[232][233]

Em seu livro Backlash: e Undeclared War Against American Women, Susan Faludi argumenta que uma reação contra a segunda
onda do feminismo na década de 1980 conseguiu redefinir com sucesso o feminismo através de seus próprios termos; colocou o
movimento de liberação feminina como fonte de muitos dos problemas que estariam supostamente afligindo as mulheres no fim

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05/06/2019 Feminismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

da década de 1980 - problemas estes que, segundo ela, seriam ilusórios, criados pela mídia sem qualquer evidência substancial.
De acordo com ela, este tipo de reação é uma tendência histórica, que ocorre sempre que parece que as mulheres obtiveram
ganhos substanciais em seus esforços para obter direitos iguais.[234]

Segunda a acadêmica britânica Angela McRobbie, adicionar o prefixo "pós-" a feminismo mina todos os avanços que o
feminismo fez na conquista da igualdade para todos, incluindo para as mulheres. O termo "pós-feminismo" daria a impressão de
que esta igualdade já teria sido atingida, e que as feministas agora poderiam dedicar-se a metas diferentes. McRobbie acredita
que o pós-feminismo pode ser visto mais claramente nos produtos supostamente feministas da mídia, tais como filmes e séries
como Bridget Jones's Diary, Sex and the City e Ally McBeal. Personagens femininas como Bridget Jones e Carrie Bradshaw
alegam serem liberadas e gozam claramente de sua sexualidade, porém estão constantemente à procura do homem que fará
tudo valer a pena em sua vida.[235]

Ver também
Livros feministas
Anarcafeminismo
Machismo
As boas mulheres da China
Sexismo
Cronologia do direito feminino
Marcha Mundial das Mulheres
Feminismo liberal
Marianismo
Feministas notáveis
Masculinismo
Feminismo no Brasil
Misandria
Feminismo em Portugal
Misoginia
Feminismo radical
Religião matriarcal
Ginocentrismo
Sociedade matriarcal
Homofobia
Sufrágio feminino

Notas

Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em inglês, cujo título é «Feminism».

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Ligações externas
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https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo 25/26
05/06/2019 Feminismo – Wikipédia, a enciclopédia livre

'Scielo, A contribuição do feminismo às pesquisas sociológicas contemporâneas (http://www.scielo.br/scielo.php?p


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A era das feministas pop (http://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/16/estilo/1416168482_772218.html) - El País

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