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Massagem Biodinâmica

Silvana Sacharny

Criada nos anos 50, oriunda de mais de trinta anos de atuação e pesquisas da norueguesa Gerda
Boyesen, fisioterapeuta e psicóloga, a massagem biodinâmica trata dos processos psicológicos no contexto
amplo do processo de vida de uma pessoa. É um trabalho terapêutico cuja ação sobre o corpo ocasiona uma
estimulação interna que permite o surgimento de afetos, imagens ou reações neuro-vegetativas. É uma
massagem integrativa que se preocupa com o equilíbrio corporal, pensando na unicidade do sistema
orgânico, emocional e psicológico. Seu enfoque de equilíbrio se baseia em uma boa circulação e consequente
harmonização da energia vital.
Toda emoção, choque, frustração tem uma consequência fisiológica e psicológica direta. O sintoma
psico-corporal pode ser visto como a expressão de um sofrimento que não encontra outra tradução. Se faz
necessário descobrir a verdadeira mensagem para que o indivíduo possa abandonar esse modo de expressão.
O desequilíbrio se instala quando a pessoa perde sua capacidade espontânea de auto-regulação. A massagem
procura restaurar a perda ou diminuição dessa capacidade e alcançar o núcleo vivo, estimulando sua
expansão. O tratamento visa a criação de um tempo de relaxamento-espaço-terapêutico permitindo a auto-
regulação vegetativa do organismo, baseada na função de dissolução do stress físico e emocional. A digestão
do stress se dá através do psicoperistaltismo que se refere a uma segunda função da atividade intestinal, isto
é, a capacidade de regular e dissolver produtos de pressão e tensão emocional a partir da descarga
metabólica.
Aparentemente o tubo digestivo é apenas uma longa cavidade tortuosa onde os alimentos absorvidos
e dissociados em moléculas atravessam a parede intestinal e passam no sangue. Porém, o tubo digestivo é
muito mais que isso. É uma das maiores glândulas endócrinas do organismo, e os hormônios ali secretados
agem não apenas na digestão e no metabolismo das substâncias nutritivas, mas também nas emoções e no
comportamento. A atividade das células endócrinas do intestino é comandada pelo sistema nervoso
autônomo, é o sistema parassimpático que normalmente funciona estimulando a digestão. Quando isto
ocorre, o organismo estoca as substâncias nutritivas e se acompanha por uma sensação de bem-estar
psíquico, existe a possibilidade de repouso para que tudo ocorra. Já no processo oposto, onde vive-se uma
situação de stress físico, emocional ou psicológico, o organismo não consegue entrar na situação de repouso,
ele fica intensamente em alerta. É o funcionamento do sistema nervoso simpático que mantém todo o
organismo em vigilância, ou seja, músculos contraídos, respiração curta, aceleração do ritmo cardíaco,
sudorese e os movimentos peristálticos em suspensão, a energia é deslocada para ação. A seguir, a energia
deve se dispersar e a circulação ser restabelecida. Muitas vezes esta dispersão e harmonização energética não
ocorrem e está aí o bloqueamento mais importante. Se o estado após o stress está acompanhado de ansiedade
e contração, somente acontecerá uma recuperação artificial, e não a restauração. Então a função
parassimpática do centro de regulação vegetativa não pode se efetuar, osprodutos do stress permanecem e o
ritmo biológico fica interrompido. Cada vez que uma condição pós-afetiva não produz uma eliminação
suficiente, restauração e recerga, o organismo perde sua flexibilidade. A massagem biodinâmica é uma via
possível para restabelecer o equilíbrio de um mecanismo que se interrompeu, completando o ciclo vegetativo
que não pôde se desenvolver naturalmente.
A pele é o mais extenso órgão dos sentidos do corpo e o sistema tátil, o primeiro sistema sensorial a
se tornar funcional. A comunicação se estabelece na origem através da linguagem corporal, a função psíquica
se apoia e se desenvolve a partir da vivência corporal. Na relação original mãe-bebê, o contato tátil da mãe
no bebê tem como funções: a estimulação orgânica (favorece o deslanchar de atividades novas como a
respiração, a excreção-digestão e as defesas imunitárias), a comunicação afetiva (o sentimento de segurança,
a confiança de base) e prepara o acesso à linguagem. Esse contato conduz, aos poucos, a criança a diferenciar
uma interface (como uma membrana) que permite a distinção do externo e do interno trazendo a experiência
de um continente. Esta vivência no quadro de uma relação segura, dá acesso a um sentimento de base que
garante à criança a integridade de seu envelope corporal.
Quando estas funções são preenchidas de um modo satisfatório - quando o sujeito se sente
compreendido nas suas necessidades - ele pode construir um envelope de bem-estar, narcissicamente
investido. Em oposição, em razão da fragilidade ou das falhas do envelope corporal e psíquico, o indivíduo
guarda na memória somática a ferida narcíssica que pode serr eativada e o sentimento será expresso através
de algum sintoma psico-corporal.
O trabalho terapêutico através da massagem pode ser uma das vias para o restabelecimento da
comunicação tátil primária insuficiente. Este processo permite ao sujeito reconectar a confiança em si mesmo
e na comunicação com o outro. Isto não significa negar o sofrimento, mas, sempre o considerando, poder
acompanhar o indivíduo no reconhecimento de sua profunda existência. O toque biodinâmico centra a pessoa
sobre si mesma. Respeitoso e sensível, permite que a pessoa massageada perceba seu esquema corporal,
aproprie sua segurança interna, o prazer de existir e aceitação dos limites - percepção a partir da membrana
da pele - fronteira que separa o eu do não eu.
Finalmente, a massagem biodinâmica favorece a reapropriação do corpo enquanto unidade
psicossomática; a vivência de integração entre a psiquê e o corpo.
O trabalho com a massagem biodinâmica pode ser aplicado em crianças, adultos e idosos. As contra-
indicações são raras, sendo necessário um exame detalhado para cada situação.

Janeiro de 1997

Bibliografia:

1. Boyesen, Gerda - Entre Psiquê e Soma, Introdução à Psicologia Biodinâmica Summus Editorial

2. L'Être touché, psychothérapie et toucher adire 6 Avril, 1991, revue de Psychologie Biodynamique

3. Manuel D'enseignement, Tome 2 École Française d'Analyse Psycho-organique

Resumo do currículo da autora:

Psicóloga pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.


Psicoterapeuta pela Escola Francesa de Análise Psico-Orgânica dirigida por Paul Boyesen.
Diploma de Estudos Superiores Especializados em Psicologia Clínica - Universidade Sorbonne, Paris.
Gerda Boyesen

Julia Andrade

Nasceu em 1922, em Bergen, numa família tradicional, na região mais puritana da Noruega.
Em 1934, antes da guerra, Reich chegou à Noruega fugindo dos nazistas. Desenvolvia, então, suas
teorias e pesquisas sobre o orgônio. Neste período, formou alguns caráctero-analistas, dentre os quais se
destacou Ola Raknes, que mais tarde seria o introdutor de Gerda em vegetoterapia.
Naquele contexto, eram poucos os que podiam assimilar a criatividade e a vanguarda das idéias de
Reich, que, em 1939, é julgado pelo Parlamento noruegues e expulso, devido a sua intenção de medir a
energia sexual nos hospitais psiquiátricos, entre o homem e a mulher, durante o coito.
Em 1947, dois anos após a guerra, Gerda era uma dona-de-casa, casada e mãe de duas
filhinhas, Ebbah e Mona Lisa. Vivia o conflito entre repetir a educação autoritária castradora que conhecera e
um forte sentimento de amor e compaixão por suas crianças.
Ao ler o livro "A Neurose e o Caráter Neurótico" de H. Schelderup, fica sabendo da existencia
da psicanálise e da vegetoterapia e se dá conta de sua própria neurose. Este fato motiva que Gerda busque
ajuda terapeutica, inicie seus estudos de psicologia na Universidade de Oslo e desperte para a causa da
proteção da vida emocional.
Neste mesmo ano, fica fascinada assistindo uma conferência feita por Ola Raknes sobre "O Caráter
Alemão", na qual êle questionava, com coragem e simplicidade, o autoritarismo característico da educação
clássica vigente.
Em resposta a uma crítica feita a ele durante a conferência, Gerda, indignada, pede a palavra:

"... Vocês destruíram as crianças no decorrer de todos estes séculos. Vocês as dobraram em vez de
ajudá-las a se desenvolverem como indivíduos livres. É por isto que existe tanta patologia social. É
como se vocês tivessem uma planta e colocassem uma pedra onde ela devesse se desenvolver: ela
vai crescer encurvada, de través."

Alguns dias depois, começou sua terapia e formação em vegetoterapia com Ola Raknes.
Em seguida, formou-se em fisioterapia e, com este título, trabalhou no Instituto Bulow-Hansen. Lá,
Gerda conta ter tido a oportunidade de ver a cura de pessoas neuróticas nas quais usava estritamente
massagem (uma técnica chamada "Impulsão e Choque"). Em pensamento, fazia a síntese dessas experiências
com seus conhecimentos em psicologia e vegetoterapia.
Foi uma época de muitos insights e inspirações teórico-práticas que serviram de base para o
novo tipo de terapia que ela iria desenvolver - a Biodinâmica.
O que melhor define a contribuição que Gerda Boyesen trouxe através da Biodinâmica, é a
importancia primordial dada à descarga vegetativa (que é o" grande segredo" que ela descobre ao
mergulhar no espaço entre o psique e o soma ) e à atitude do terapeuta, que ela chamou de "Método da
Parteira":

"...O terapeuta deve simplesmente oferecer uma compreensão e um amor total para que o estímulo
interior possa se desenvolver completamente e transformar o ser do paciente. A massagem é o
caminho real para fazer o terapeuta descobrir o amor que há em si. É impossível fazer uma
massagem sem amor."

Tecnicamente dá importância igual ao tom de voz e à qualidade do toque , podendo atingir por estes
dois meios, diferentes níveis: o ser profundo, endoderme; o ser emocional, mesoderme e o ser intelectual,
ectoderme e assim "abrir" o processo do cliente.
Também é marca de Gerda, o uso do estetoscópio pousado sobre o ventre do cliente o que permite ao
terapeuta uma relação íntima com a tensão visceral, possibilitando estimular a resposta do peristaltismo e
facilitar a eliminação dos produtos do stress através de massagem ou qualquer outra técnica somática.
Em 1970, instalou-se em Londres, onde fundou o Centro de Terapia Biodinâmica Acácia House,
lecionando até hoje com toda a genialidade que lhe é peculiar aos 74 anos.
Existem hoje ainda outros dois Centros de Biodinâmica na Europa : um na França sob a direção de
Paul Boyesen , terceiro filho de Gerda , e outro na Irlanda sob a direção de Patrick Sell, que entre 1986 e
1989 morou no Brasil e introduziu a Biodinâmica a muitos de nós.
Atualmente, o trabalho de Gerda Boyesen é reconhecido internacionalmente no campo das
psicoterapias corporais.
Além de diversos artigos constantes dos "Cadernos de Psicologia Biodinâmica", Gerda é autora dos
livros: "Entre Psique e Soma - Introdução à Psicologia Biodinâmica", "Biodynamyk Des Lebens" e "Von
der Lust am Heilen".
PSICOTERAPIA BIODINÂMICA

A Psicologia Biodinâmica propõe-se a ser uma uma visão de mundo em que corpo e mente são elementos
de um mesmo organismo, na qual o ser humano é visto como vivendo em função de dois movimentos: a
homeostase, ou seja, a busca do equilíbrio e da auto-regulação; e a evolução pela mudança e pelo
movimento.Tem como princípio o respeito à singularidade de cada ser humano, buscando incentivar sua
criatividade, potência e espontaneidade de forma afetiva, tolerante e não-invasiva. Enfatiza o amor, o prazer,
o conhecimento, o trabalho e a espiritualidade como fundamentos de uma existência plena.

Encontra aplicação prática na Psicoterapia Biodinâmica, que, partindo do cuidado com a relação
terapêutica, elemento primordial do processo, propõe-se a perceber cada pessoa como única, propiciando
uma intervenção adaptada às suas necessidades e possibilidades e que lhe permita conscientizar o que é
inconsciente em um processo gradual e profundo. Enfatiza a proposta de fazer amizade com a resistência e
dissolver couraças sem quebrá-las, constituindo-se numa abordagem sistêmica que busca o domínio das
diversas formas de intervenção verbal e o trabalho com sonhos e a imaginação, integrando esse trabalho
simbólico a duas formas de abordagem somática:

- A Massagem Biodinâmica, que inclui a concepção do contato físico como forma de


comunicação não-verbal, a valorização da intenção no toque, o uso de técnicas específicas
de massagem adequadas às diversas necessidades de cada fase do processo psicoterápico,
dentre elas a massagem psicoperistáltica, que utiliza um estetoscópio colocado sobre o
ventre como guia do processo.
- A Vegetoterapia Biodinâmica, que abrange diversas formas de intervenção corporal com
efeito sobre a dimensão do psíquico que podem ser aplicadas sem necessariamente haver
contato físico com o paciente, incluindo-se aí a associação livre de movimentos, o trabalho
com a respiração e exercícios mobilizadores e integradores.

A Psicologia Biodinâmica surgiu na década de 1960, em Londres, quando teve suas bases teóricas e técnicas
formuladas por Gerda Boyesen, uma psicóloga e fisioterapeuta norueguesa, e vem influenciando um grande
número de profissionais em vários países do mundo desde então.

Filia-se como descendente da visão de mundo da psicanálise ao incorporar como fundamentais:

- a noção da existência de processos mentais inconscientes que são dinamicamente ativos e


estão na base dos distúrbios psíquicos e de inúmeros outros fenômenos percebidos na
consciência;
- a metapsicologia freudiana como eixo de compreensão dos processos psíquicos;
- o conceito de desenvolvimento psicossexual;
- a importância decisiva da sexualidade na existência humana;
- a psicodinâmica resultante do conflito entre pulsão e defesa como fundamento da
compreensão do psiquismo;
- os conceitos de fixação e regressão;
- o estudo dos mecanismos de defesa;
- a clínica baseada nos conceitos de resistência, transferência e contratransferência;
- a formulação de um processo analítico onde são importantes tanto a revelação
(conscientizar o que é inconsciente) quanto a criação (no sentido de novas experiências
reparadoras que se dão no âmbito da relação terapêutica);
- uma técnica que valoriza a atenção flutuante e a associação livre.

Filia-se como descendente também do pensamento de Wilhelm Reich ao:

- valorizar o trabalho corporal na psicoterapia como decorrência de uma compreensão do ser


humano enquanto realidade somática;
- aceitar a importância da respiração e do aparelho locomotor na dinâmica emocional;
- fazer uso do conceito de uma bioenergia em seu raciocínio clínico;
- dar importância primordial, na teoria e na prática, à capacidade humana de auto-regulação
somática e psíquica;
- entender a importância de analisar o caráter e agir sobre a couraça muscular;
- valorizar a vitalidade e o prazer como aspectos fundamentais da existência humana;
- mostrar um pendor para o otimismo e a esperança quanto ao futuro da humanidade e à
capacidade de cada ser humano superar os obstáculos internos e externos à felicidade
individual e coletiva;
- defender com paixão a vida em seus múltiplos aspectos;
- manifestar simpatia pelo que é espontâneo.

Tem sua especificidade ao:

- afirmar a singularidade de cada pessoa, dando pouca ênfase a tipologias;


- valorizar os aspectos lúdicos e prazerosos como um recurso válido na facilitação do
desenvolvimento humano;
- enfatizar o trabalho a partir do estímulo interno;
- trazer novos conceitos teóricos e clínicos como personalidade primária e personalidade
secundária, couraça secundária, a estratégia de fazer amizade com a resistência, couraça
visceral e couraça tissular, ciclo vasomotor;
- acima de tudo, ressaltar o papel das vísceras na psicoterapia corporal, propondo o uso de
um estetoscópio sobre o abdômen na massagem e dar atenção aos ruídos peristálticos como
guia do processo clínico;
- propor o uso da massagem e do toque como instrumento importante no processo
psicoterápico.

Há uma analogia que pode ser útil na compreensão das contribuições originais da Psicoterapia Biodinâmica:
Freud desenvolveu sua metapsicologia enfatizando a importância do complexo de Édipo e das questões da
genitalidade, e isto foi complementado pelas proposições teóricas e práticas de Melanie Klein quanto à
importância da relação entre mãe e bebê e dos aspectos do desenvolvimento psíquico e emocional no
primeiro ano de vida. Do mesmo modo, Wilhelm Reich priorizou em sua concepção os aspectos edípicos e
da genitalidade, tendo Gerda Boyesen complementado, na teoria e na prática, esta forma de ver o humano,
acrescentando questões relativas ao desenvolvimento emocional primitivo. Esta é uma das contribuições
fundamentais de Gerda ao campo das psicoterapias, especialmente as psicoterapias corporais de inspiração
reichiana.

A Psicoterapia Biodinâmica propõe um setting tranqüilo, sem imposições, não-invasivo, baseado na


vivacidade relacional, na atenção à relação terapêutica em seus vários aspectos. Numa linguagem
winnicottiana, poderíamos dizer que o psicoterapeuta busca mostrar-se atento e responsivo aos gestos
espontâneos, sua tarefa é a identificação e facilitação do gesto interrompido para que o paciente se
desenvolva a partir do contato com seu self verdadeiro. Talvez se possa dizer que é a mais psicanalítica das
terapias neo-reichianas quanto à técnica, pela sua ênfase na não diretividade do psicoterapeuta e pelo setting
onde se prioriza a posição deitada.

Uma das características da Psicologia Biodinâmica é a abertura que se propõe ao diálogo e interação prático-
teórica com escolas das mais variadas áreas da saúde psicossomática, no sentido de buscar formas de
tratamento inovadoras e eficazes a partir de paradigmas amplos, sem descuidar da legitimação científica, da
coerência e da racionalidade. Dialoga com:

- a medicina alopática em suas diversas especialidades;


- a fisioterapia e a educação física;
- as escolas de terapias energéticas (homeopatia, acupuntura, shiatsu);
- as terapias complementares (fitoterapia, florais, naturismo, macrobiótica);
- as escolas de terapia corporal (técnica de Alexander, Eutonia, Feldenkrais, Reeducação
Postural Global, Rolfing, método Godelieve, Hatha Yoga e outras);
- obviamente, as outras escolas de psicoterapia corporal (bioenergética, biossíntese,
vegetoterapia carátero-analítica, educação somática e outras).
Algumas outras influências que são também importantes:

- a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung, no que se refere aos conceitos de inconsciente
coletivo, self, interpretação prospectiva dos sonhos, individuação, sincronicidade, trabalho
com imaginação ativa;
- a Psicologia Humanista de Carl Rogers, quanto à importância da disponibilidade empática
e da congruência do psicoterapeuta, da sintonia com a capacidade de cura do paciente e da
"aceitação positiva incondicional";
- a fisioterapia de Aadel Bülow-Hansen;
- as formulações de Donald Winnicott, quanto ao desenvolvimento emocional primitivo, o
objeto transicional, o verdadeiro e falso self, o conceito de holding, a teoria da
agressividade, a teoria do ambiente, o paradigma da mãe suficientemente boa.

AS ORIGENS
Gerda Boyesen teve duas influências principais na formulação dos princípios da Psicologia Biodinâmica:

1- as teorias e técnicas criadas por Wilhelm Reich, através de Ola Raknes, que foi seu
psicoterapeuta e professor.

2- a teoria e a técnica formuladas por Aadel Bülow-Hansen no âmbito da fisioterapia quanto


ao uso da massagem para tratamento de distúrbios mentais e psicossomáticos.
Reich morou na Noruega de 1934 a 1939, criando aí um grupo de discípulos, entre os quais
estava Ola Raknes. Em 1947, Gerda, então uma dona de casa de 25 anos de idade, leu um
livro sobre neuroses que falava das idéias de Reich. Interessou-se pelo tema e passou a fazer
análise com Raknes e a estudar Psicologia na Universidade de Oslo. Permaneceu com
Raknes até 1951.

Resolve então cursar Fisioterapia, seguindo conselho de Trygve Braatoy e de Nic Waal (membros do citado
grupo de reichianos), com o objetivo de conhecer melhor o corpo humano. Depois de se formar, passou a
trabalhar no Instituto de Aadel Bülow-Hansen, com quem aprendeu conceitos e técnicas de massagem que a
influenciaram profundamente. Gerda relata que ficou surpresa ao perceber grandes melhoras nos pacientes
que se submetiam a essa "massagem que funcionava como psicanálise", de acordo com o que ela descreveu.

PRIMEIRAS FORMULAÇÕES
As duas vertentes descritas acima permaneceram durante um longo tempo como elementos isolados e
estranhos entre si. Aos poucos, Gerda vai percebendo elos e possibilidade de síntese, formulando idéias sobre
a importância do sistema nervoso autônomo (a descarga vegetativa), o papel da hipertonia e hipotonia da
musculatura estriada nos processos psíquicos, a teoria da circulação do sangue na neurose, entre outras.

Houve também a influência das teorias de Freud. Segundo Gerda, "nesta época a teoria freudiana do
desenvolvimento psicossexual da criança tornou-se muito importante para mim. Aquilo a que Freud se
referia não era somente real e verdadeiro no que se refere à psique, era real e verdadeiro nos próprios tecidos
(em "Entre Psique e Soma", pág. 74).
Gerda percebe aos poucos que o tratamento se mostra mais eficaz quando é acompanhado de ruídos
abdominais. Surge então a idéia de usar um estetoscópio pousado sobre o ventre como um guia da
intervenção terapêutica, e isso se mostra um recurso extremamente valioso.

SURGE A PSICOLOGIA BIODINÂMICA


Em 1969 Gerda muda-se para Londres. Vai escrevendo artigos onde expande seus conceitos e aprofunda suas
idéias, embasando-as a partir de um referencial reichiano. Desenvolve o método que chamou de "seguir o
impulso interior", constituído, segundo ela, por "uma combinação sutil de psicanálise e de técnicas reichianas
avançadas" (idem, p. 101). É nessa época que se estrutura a Psicologia Biodinâmica como uma escola
diferenciada dentre as várias abordagens neo-reichianas, com a consolidação de uma teoria e uma técnica
específica. Inicia-se a formação de psicoterapeutas em Londres.
Ebba e Mona Lisa, filhas de Gerda, passam a trabalhar como psicoterapeutas biodinâmicas e auxiliam a mãe
a desenvolver os fundamentos da Biodinâmica, inclusive escrevendo artigos em conjunto com ela. Muitos
desses artigos são publicados no periódico Energy and Character, fundado por David Boadella.

INSTITUCIONALIZAÇÃO
Durante os 25 anos de existência do Gerda Boyesen Centre de Londres, centenas de terapeutas receberam
formação de Gerda e seus professores. O Instituto funcionava na Acacia House, duas casas que ficavam na
beira de Acton Park, com seus esquilos e carvalhos. As casas eram compostas de consultórios, duas cozinhas
e um salão de aproximadamente 200m2 para workshops. Por alí passavam, durante a semana, uma média de
80 alunos que compunham os 4 anos em formação, os terapeutas que ali atendiam e os clientes. Ficavam
hospedados, dormindo nos consultórios, alguns estrangeiros que não tinham dinheiro para pagar pernoite em
hotel, e ali estavam para os workshops abertos. Nos finais de semana, as vezes aconteciam dois ou três
workshops ao mesmo tempo, espalhados pelo salão e consultórios maiores. Trainers vinham de todos os
cantos do mundo para dar workshops dentro do programa do curso, como complemento ou pós-formação.
Durante os meses de calor, os alunos e trainers se espalhavam pela grama do parque nos intervalos de
workshops, fazendo piqueniques, tomando sol e colorindo a grama com suas roupas, geralmente em estilo
hippie.

No salão aconteciam as clínicas dos alunos. O salão era divido em baias, com cortinas, cada uma com uma
mesa de massagem dentro. O segundo ano atendia o público com massagem sueca e os terceiros com
massagem biodinâmica. Os clientes pagavam uma taxa simbólica, sabendo que receberiam tratamento de
alunos em formação e ali deitavam para se submeter às mãos de iniciantes dedicados. Depois da clínica os
alunos se reuniam em supervisão para discutir os acontecimentos do dia. Os alunos do quarto ano atendiam
nas salas de terapia da casa, sob um regime chamado ''green house'' (estufa), que significava acesso a um
supervisor e participação de grupo de supervisão semanal, no qual cada um discutia seu caso sessão por
sessão.

Nas baias do salão também aconteciam as clínicas internas, nas quais os alunos de um ano tratavam dos do
ano abaixo, com massagem biodinâmica, Assim, todos recebiam e davam massagem semanalmente, num
esquema chamado de ''corrente''.
Os alunos do primeiro ano eram recebidos com uma festa dançante. No final do ano havia a festa de entrega
dos certificados para os formados, com discursos de Gerda e outros trainers. O centro fervilhava com pessoas
que traziam suas ''bagagens'' de experiência terapêutica, processos pessoais e cultura.

Alguns profissionais que por ali passaram abriram suas próprias escolas na Europa (Alemanha, Bélgica,
Holanda, França, Suíça, Irlanda), EUA, Venezuela, Austrália e Brasil. Outros desenvolveram técnicas
próprias e articularam a biodinâmica com diversas linhas da ciência psicossomática.

No início dos anos 90 houve uma ruptura entre a diretoria da escola e Gerda. O centro foi gradualmente
perdendo sua força e terminando com a venda das casas e fechamento temporário.

Em 1999 foi reaberto com a estrutura de hoje, um grupo de professores que constitui o London School of
Biodynamic Psychotherapy (Gerda Boyesen Method). Este grupo é atualmente o responsável pela conexão
com o UKCP (United Kingdon Council for Psychotherapy) e dá continuidade à formação de novos
terapeutas.

Outras escolas de Biodinâmica:

- Na Irlanda, o Institute of Biodynamic Psychology and Psychotherapy dirigido por Mary


Molloy.
- Na Alemanha, a European School of Biodynamic Psychology, dirigida por Ebba e Mona-
Lisa Boyesen.
- Na Áustria, a Verein für Integrative Biodynamik, sob a direção de Wolfgang Hutter.
- Na França, em associação com o Brasil, a Escola de Psicoterapia Biodinâmica Evolutiva,
dirigida por François Lewin e Rubens Kignel.
- Na Holanda, o Nederlands Instituut voor Biorelease & Biodynamische Psychologie, sob a
direção de Meno de Lange.
- Na Venezuela, sob a direção de Alberto D'enjoy.

A BIODINÂMICA NO BRASIL
Alguns psicoterapeutas brasileiros estiveram em contato com a Psicologia Biodinâmica na Europa ao longo
das décadas de 1970 e 1980, sendo influenciados por suas teorias e técnicas. Em grupos de estudo, cursos e
supervisões, muitos outros profissionais tomaram contato com essas novas idéias trazidas por eles e as
assimilaram, em geral de forma difusa, juntamente com elementos de outras escolas neo-reichianas. Era uma
época em que a divisão entre as diversas formas de psicoterapia corporal não era tão nítida e todos
estudavam e praticavam um pouco de tudo. Em São Paulo, entre os primeiros terapeutas que ajudaram a
difundir os ensinamentos biodinâmicos, podemos destacar Antonio Carlos Godoy, Maria Mello, Regina
Favre e Rubens Kignel.

Gerda e Ebba estiveram algumas vezes em nosso país nessa época, o que também contribuiu para a
disseminação dessa abordagem. Mas a Psicologia Biodinâmica continuou sem uma estruturação
independente. Apesar da publicação dos Cadernos de Psicologia Biodinâmica (em três volumes, no ano de
1983) e do livro Entre Psique e Soma, de Gerda Boyesen (em 1986), não havia um Curso de Formação em
Psicoterapia Biodinâmica no país.

Esta situação só foi mudar em 1993. André Samson, que havia realizado a formação completa no Instituto de
Gerda em Londres e trabalhado por diversos anos como psicoterapeuta biodinâmico nessa cidade, retornou
ao Brasil em 1992. No ano seguinte, André e Ricardo lançaram um curso de Massagem Biodinâmica que
acabou sendo o embrião deste Instituto e do Curso de Formação reconhecido oficialmente por Gerda
Boyesen (uma descrição mais detalhada desse processo pode ser encontrada no Histórico do Instituto), que
foi o primeiro no Brasil e na América Latina.
A Espiritualidade do Contato
"A massagem bioenergética neonatal de Eva Reich,
como promoção da saúde e como prevenção da biopatia "

Silja Wendelstadt
Tradução :Mariangela G. Donice

A espiritualidade do contato

"A massagem bioenergética neonatal de Eva Reich, como promoção da saúde e como prevenção da
biopatia".

Quando Wilhelm Reich fundou a OIRC (Organ-Infant-Research-Center) em 1949, Eva Reich era médica e
assistente de seu pai. O objetivo da fundação do centro era de descobrir qualquer coisa que indicasse se a
criança era saudável. Wilhelm Reich queria compreender de que modo, a criança iniciava e desenvolvia os
seus bloqueios musculares e emocionais; seu objetivo era de prevenir uma formação precoce de sua
"armadura do caráter"; muscular e emocional que poderia predispor a uma futura vida infeliz.

Para W. Reich sem dúvida a depressão crônica, a cisão esquizofrênica, e o traço de caráter esquizóide, o
comportamento violento e anti-social, tem como origem a experiência traumática precoce, no início da vida,
quando a criança para se proteger da dor, contrai todo o seu "plasma vital". É nesta fase da existência, que se
deve atuar, no trabalho de prevenção da biopatia.

Eva Reich é uma daquelas poucas pessoas que viu seu pai trabalhar até o fim de sua vida, de um modo
extremamente doce com um recém-nascido. Depois da sua morte, ela tem continuado sua obra de prevenção,
e elaborou toda uma técnica de "Gentle Bionergetics", ensinando pela América, Europa e Austrália.

O conceito do "contato"

Observando no microscópio o movimento de organismos unicelulares verificou como uma ameba reagia.
Seu pai tinha então descoberto uma regra que, segundo ele, regularia o processo vital de pulsação interna
deste organismo unicelular e na relação entre eles, e chamou este organismo unicelular de "biossistema".
Este consiste de um núcleo energético pulsante no centro, sangue, e uma membrana que ele contém. A
energia pulsa no interior da membrana e um campo energético se estende em torno desta. Se o ambiente é
estimulante, a membrana se expande com um movimento fluido, fazendo essa energia fluir em torno da
periferia e o campo de energia se alarga, se alastra. Se ao contrário, a estimulação por parte do ambiente é
hostil, a ameba se contrai, isto faz com que sua energia flua da periferia para o centro e retraindo o seu
campo de energia. Se a estimulação do ambiente continua e é negativa, a pulsação cessa e a ameba morre.

Metaforicamente é como se no caso de um ambiente estimulante, a ameba dissesse "sim" com o movimento
de expansão contra o ambiente externo, enquanto que ao contrário na contração dissesse "não". A ameba
procura um encontro agradável com outra ameba, mediante um movimento ondulatório e faz "contato"
através de uma "ponte de energia". O processo de "contato" começa quando dois campos de energia de dois
biossistemas pulsantes se atraem, se tocam, se sobrepõem e se fundem, emanando luz e vibrando juntos. O
pesquisador deduziu que o movimento da bioenergia no plasma da ameba é funcionalmente idêntico ao
movimento do sangue de todos os seres vivos; (que é um biossistema muito mais complexo) e que a emoção
(Expansão = Sim; Contração = Não), é um movimento real energético-expressivo do sangue. Ele chamou
este movimento de "linguagem expressiva do ser vivo".

W. Reich defende que este processo é funcionalmente idêntico no "Contato", entre o recém-nascido e a mãe.
A função de mãe (ou quem lhe faz a vez) é o de promover prazer ao recém-nascido de modo que possa entrar
em "contato" com ela, para poder desenvolver o nascimento do seu potencial de crescimento. Para W. Reich
o prazer torna-se o processo especificamente produtivo do sistema biológico. O recém-nascido (passivo) na
fase "autista" é, segundo este modelo, um bebê não adequadamente estimulado pela mãe, está fora do
mundo. Segundo ele, o bebê não é passivo, mas nasce com um alto potencial de bioenergia pulsante com o
qual se exprime; onde a excitação parte de seu corpo, se expandindo para entrar em contato com o ambiente
– o corpo da mãe – o duplo biossistema se expressa todo com sua própria vibração auto-expressiva e no
"contato", formando um único biossistema muito grande, no interior de qualquer campo de energia se
mescla, comunicando-se expandindo-se contra o ambiente circundante.

W. Reich chama este processo de "Biossocial "; "Bio" porque é uma comunicação emotiva a um nível de
pulsação plasmático-energético, "social" porque se desenvolve entre dois seres humanos. Segundo ele a
comunicação biossocial é a base de qualquer comunicação. Através de sua pesquisa nos anos 50 vem hoje
confirmar a recente indagação face o recém-nascido e sua mãe. Em videoregistro; se analisou e salientou
com a câmara, tornando possível visualizar a microinteração que não se pode observar a olho nu, onde se vê
revelado um recém-nascido visto pela primeira vez. Todos os outros que são passivos, estimula sua própria
iniciativa sua mãe responderá, ela assinalará sua tarefa, não recebe e nem compreende as mensagens. Se o
seu desejo de diálogo vem mudar o pequeno e é motivado a explorar, a brincar e a se cercar de prazer. Se sua
mãe não pode escutar suas mensagens, o recém-nascido luta para ser notado. Chora; no entanto se não é
correspondido repetidamente, renuncia e se retira em si mesmo; não acredita muito na sua própria
capacidade em estabelecer "contato".

O recém-nascido, pela estimulação de suas próprias funções vitais, tem necessidade de radicar-se no campo
de energia de sua mãe. A sua vida depende disto. Quando está enraizado no "contato" com sua mãe o recém-
nascido se acha em estado de saúde; isso é observado ao ver como é doce o calor emanado pelo corpo, é
visível a cor rosada da pele, se evidencia também nos olhos brilhantes, enquanto os movimentos expressivos
do bebê provocam atenção de sua mãe. Quando esta se aproxima durante a massagem no recém-nascido; Eva
Reich fala de "Glow and Flow" (Afeto e Fluxo): "Glow and Flow" é a expressão visível do estado de saúde e
bem-estar do recém-nascido "em contato" com sua mãe; é a expressão visível da liberdade da pulsação
sangüínea - energética autoexpressiva, através do qual a mãe e o recém-nascido dialogam; únicos em um
único biossistema, quem sabe como se desenvolve, se a mãe puder cooperar. Dá prazer esse funcionamento e
esta inter-relação durante o "contato bioenergético", deste contato depende o desenvolvimento futuro da
criança. "Os bebês aprendem mais nos três primeiros anos do que em quaisquer outros três anos de sua vida.
Se nós adultos aprendêssemos tanto em tão pouco tempo seríamos todos gênios" (Andrew Metzolf -
psicólogo norte-americano professor em Washington - Revista: VEJA, 17 de maio de 2000).

Eva Reich explica como o "vínculo" é uma função de "contato" sobre o qual se pode trabalhar
bioenergeticamente e ensinar como se faz com o método da "Gentle Bioenergetics", ensina sobretudo como
prevenir o início da vida, o distúrbio na informação mãe-bebê, e as conseqüências para eles, efeitos graves
para o futuro da criança.

Um diálogo especial, carinho e amor

O "contato" é um processo rítmico, energético, de tensões – carinhosas e de descarga – retenção. Como W.


Reich descreve em "A função do orgasmo". Todas as emoções têm esse ritmo: o acalentamento, o jogo, o
pranto, e coisas assim.

Durante a massagem bioenergética que ensina Eva Reich, a pele da criança tem fome de contato com o corpo
da mãe e a deseja ardentemente (tensão). No contato com as mãos da mãe a pele de ambos se carrega de
energia, tornando-a rosa, vibrante, e um sentido de bem-estar, conforto, que invade todos os dois, o menino
arde de prazer de ser amado. Depois o pequeno se sacia, o bem estar flui novamente, e, feliz e relaxado, se
abandona nos braços da mãe.

"Você me sente eu sinto você; nos dois nos pertencemos". Esta é a estrutura da vida e do amor: um fluxo
rítmico-energético entre dois seres vivos. O significado original da palavra religião é "pertencer".

Em um continuum de experiência filogenética da criança estimula sua mãe a responder a sua mensagem e
espera que assim seja escutado. Com um senso infinitamente sutil e refinado, comum a todas as mulheres, a
mãe sente dentro de si a reposta "justa", responde alegremente à sua volta, ao feedback da criança. Este
"contato" rítmico-energético é o "Grounding and Grace". Grace ou graça, vem da língua grega "charia"
(amor que cura); graça na língua hebraica significa também "útero". O grounding é a conexão energética
com a mãe, é a condição com a qual a criança poderá tecer o seu Ser no mundo. Graça é a encarnação do
amor e da cura com a qual a mãe se dedica, do seu Ser mais profundo à satisfação da criança.

Este fenômeno do "contato", que segundo W. Reich é "a linguagem expressiva do ser vivente", vem descrito
em termos científicos bioenergeticamente, como superposição dos campos de energia de dois biossistemas
vibrantes. Hoje, recentes pesquisas sobre recém-nascidos, feitas com a câmara de vídeo, mostra ao mundo
como o fenômeno do "contato", mãe/recém-nascido; este diálogo/dança da linguagem primária do ser
vivente. "Toda mãe cria e passa esta dança pessoal e única, executando e transmitindo diante da própria
criança."

Neste peculiar e perfeito movimento, a seqüência improvisada da adaptação recíproca, são partes de um
processo universal, comum a toda mulher. O conceito de "identificação vegetativa" é condição introduzida
por Reich e indica a capacidade de sentir no próprio organismo um processo específico energético,
emocional, de excitação de outra pessoa e de reconhecê-lo como tal. Eles descobriram que esse é um
"contato" suficientemente profundo entre dois organismos provocando uma ressonância energética; com isso
plasmática. Esta ressonância devolve a possibilidade vital no próprio corpo expressando na pessoa com a
qual está em contato.

As crianças se manifestam com movimentos autoexpressivos, que são reais processos biofísicos energéticos
– plasmáticos, com os quais estimula sua mãe a entrar em contato com eles. Neste estado de "contato
bioenergético", o fluxo de manifestação de pulsação biofísica; a criança pode se perceber no biossistema
(corpo) da mãe, com movimento e sensações, podendo ser compreendidos como; se pertencesse.

A capacidade da mãe de ter "o contato" com a criança atravessa a própria pulsação plasmática, percebida
como emoção no próprio corpo, depende da sua capacidade de suportar, sem medo, a força onde a excitação
com aquela criança se exprime durante o nascimento; depois que teve nos braços uma criança não esquecerá
mais esta sensação.

O problema daqueles que assistem o nascimento

Para W. Reich era essencial que os seus colaboradores percebessem esta capacidade de identificação
vegetativa como principal instrumento para reconhecer a tarefa da mãe e da criança. O sentido orgânico
(=identificação vegetativa) do contato, de uma função do campo de energia de ambos, mãe e criança,
sobretudo para o especialista. O contato orgânico (bioenergético) é elemento de experiência e de emoção
essencial na inter-relação entre a mãe e a criança, sobretudo no período pré-natal e, no primeiro dia da
semana de vida. A sorte futura da criança depende disso. Parece ser o coração dela desenvolvendo emoções
do nascimento. Sabemos muito pouco sobre isto tudo.

Os resultados de recentes observações diretas da dupla mãe/filho pressupõe que rapidamente é possível
analisar, no vídeo também, isto que acontece na inter-relação recém-nascido-operação (obstetra,
ginecologista, pediatra, etc.). Se colocamos agora critérios objetivos para escolher aquele médico que possam
assistir o "biossistema" mãe /recém-nascido durante e depois do parto, facilitando o desenvolvimento e a sua
capacidade de auto-regulação da saúde. No futuro, esta pessoa terá habilidade de (identificação vegetativa)
para poder seguir as mensagens não verbais da relação mãe/recém-nascido. Esta capacidade não é muito
pequena e não é uma coisa que se procura nos ensinamentos nas escolas de especialização e nas
universidades; hoje se sabe que pessoas fortemente encouraçadas, que tiveram reprimidas suas próprias
emoções, também tiveram uma ótima preparação universitária e não se comunicam em nível da
"identificação vegetativa" com a relação mãe/recém-nascido e possam infringir, sem querer prejudicar o
(plasma vital) da criança.

Não temos ainda nenhuma idéia precisa sobre aquilo que é normal no esquema interativo entre a mãe e a
criança. Não se pode reduzir o saber intuitivo de uma mãe; existe alguma coisa a aprender/conhecer. O
andamento interativo se realiza através da correspondência intuitiva e instintiva. O apoio emocional não vem
de conselhos de especialistas mas de grupos informais de mulheres que vivem igual experiência. A mãe
dispõe de uma natural capacidade de identificar-se com as crianças, e de se comunicar com ela, de um único
modo justo entre ambos; e as crianças confiam naturalmente em suas mães.

"Os especialistas devem aprender que as mães são sempre intuitivas, o conselho para os especialistas em
nascimento é de se envolver o menos possível nos afazeres da mãe." Esta transformação é a principal
característica, segundo Silja Wendeslstadt, de seus grupos de massagem de bebês.

II. – Massagem-Bebê

A massagem-bebê bioenergética oferece aos pais a possibilidade de compreender e sustentar este carinhoso
(e potente) processo de liberação da pulsação bioenergética; o qual, segundo Eva Reich, é o pré-requisito da
saúde auto-regulada, presente e futura. A massagem é parte de uma antiga tradição oriental, que conhece o
profundo valor da ligação entre mãe-filho, Eva Reich elaborando o pensamento de seu pai, tinha descoberto
no Ocidente, sua base científica; o valor da massagem–bebê e aplicação sem perigo no recém-nascido e
também no prematuro.

As pesquisas científicas são resultado de uma pesquisa com recém-nascidos, massageados regularmente por
suas mães, apresentaram um desenvolvimento neurológico significativamente melhor do que no grupo de
controle não massageado.

O efeito da massagem-bebê

A estimulação doce da massagem de Eva Reich, que deriva da vegetoterapia, (a vegetoterapia é uma
psicoterapia corporal assim chamada por W. Reich porque incide sobre o sistema nervoso vegetativo), faz
fluir a energia através dos blocos musculares em direção à periferia (em direção ao mundo).

A pulsação energética - plasmática através da comunicação mãe e criança se harmonizar de tal modo, que
muitas mulheres , com profundos problemas emocionais, podem ser tratadas da depressão pós-parto
recebendo uma quantidade suficiente de massagens, antes, durante e após o nascimento do bebê. O prazer
funcional que se renova com a massagem harmoniza a ação do sistema neurovegetativo, simpático –
parassimpático e tem um efeito positivo sobre todas as funções do organismo, promovendo saúde. Basta
pensar que os animais "fazem massagem" os recém-nascidos, são lambidos, que os pequenos que não são
lambidos morrem. Os recém-nascidos não acariciados, terão sua qualidade de sobrevivência gravemente
comprometida.

A massagem é particularmente importante:

para bebês adotados e para seus novos pais, favorecendo o vínculo;


para os bebês nascidos de cesariana, eles não receberam a forte estimulação
cutânea do nascimento pela vagina;
para os bebês que não puderam ser amamentados, é com a massagem que
receberão nutrimento energético;
para os bebês que as mães trabalham: o encontro regular e o intenso fluxo de
conforto que se transmite durante as massagens, alimento energético de
proximidade para as mães e para as crianças;
para os bebês prematuros; o afeto transmitido pela massagem no recém-
nascido é surpreendente no seu desenvolvimento.

As últimas pesquisas psicoanalíticas confirmam a importância do bom contato com a pele para a
sobrevivência do Ser e as graves conseqüências de sua falta. A pele é parte de um sentido muito amplo do
corpo e este contato é muito importante para a sobrevivência do ser. No início os bebês percebem e
conhecem o mundo através da pele: o modo com o qual virão a ser tocados, segurados nos braços é no início,
uma experiência tátil. Todo "o mundo das sensações" se originam da pele elaborado pela mente. As
sensações transformam-se em percepções, emoções e sentimentos. A pele protege, limita e permite o contato
com o outro, acolhe uma infinidade de estímulos e respostas. Assim no nascimento a pele é o órgão que filtra
o mundo externo, por este motivo a pele tem uma importância fundamental no final do nascimento. A
psicologia infantil coloca o desenvolvimento da mente e do pensamento já no primeiro ano de vida, e a pele
é o órgão principal, através do qual isto acontece.

Os grupos de massagens-bebês

A experiência que descrevo aqui refere-se a um grupo de bebês massageados que Silja, reuniu em seu
consultório particular, as mulheres já haviam feito a preparação para o parto com ela anteriormente, no
enfoque bioenergético suave e se conheceram no primeiro mês de gravidez. Depois do parto quando o bebê
já com 1 ano e três meses, a mãe retorna por 3 ou 4 encontros, junto com seu marido com duração de uma
manhã inteira. A massagem deve durar de 10 a 20 minutos, a segunda exigência, é a resposta da criança e o
seu prazer, que guia os movimentos e a duração.

No início dos encontros, existe um trabalho com as mulheres de muito tempo de trocas de experiências.
Normalmente, o grupo é composto em média por 6 mulheres com seus bebês e quase sempre tem 1 ou 2 pais.
Quando vamos iniciar a massagem, as mães podem tirar a roupa de seus bebês , mas se os bebês choram
podem ficar vestidos. A massagem toca sobretudo a "aura" dos bebês e faz efeito também em seus hábitos.
As mães, nas suas sessões se deitam em colchões, se dispondo em semicírculos, enquanto a pessoa que
conduz o grupo mostra em uma boneca massageando-a, elas fazem a mesma coisa em seus filhos. O toque é
suave como sopro/vento ou como disse Eva Reich, a maneira como toca (como se fosse uma borboleta). As
mãos se movem da testa em direção aos pés (para descarregar as tensões em direção às partes baixas do
corpo, onde possam ser toleradas e descarregadas; a massagem deve ser feita do centro do corpo para a
periferia - alma).

Em caso de stress, a energia é encontrada no centro do corpo e graças às estimulações, obrigam fluir para a
periferia; através da pele, pelas mãos da mãe. Um campo de energia vibrante se cria entre as mãos e a pele se
estendendo por todo o corpo. É uma experiência que produz energia para ambos, durante o qual se entrega a
uma profunda comunicação. Quando a energia começa a fluir a pele do bebê se torna rosa e pulsante de um
doce calor, provocando contrações no bebê e também na mãe.

Aprendida a fácil técnica de Eva Reich e aprofundando o seu significado, se pode esquecê-la: tudo se
transforma então em uma dança das mães com o corpo do bebê e lentamente todo o corpo da mãe participa
de um movimento rítmico, acompanhado de um canto expontâneo. Observa-se que freqüentemente no início
as mãos da mãe são pouco hábeis e cheia de tremores e não agradam muito o bebê, mas rapidamente começa
o verdadeiro "contato" e com um pouco de coragem, as mãos e todo o corpo da mãe se sentirão soltos. Na
última sessão parece que as mãos vibram sobre o corpo do bebê como um instrumento; o bebê parece ser o
instrumento e maestro ao mesmo tempo e o prazer que ele sente é visível, com as mãos da mãe em seu corpo.

Depois do bebê massageado, resta à mulher ainda por muito tempo ligada a esta experiência ser outra pessoa,
mãe de seu filho. Com o fervor com o qual se comunicam entre eles se percebe quão importante, como uma
"identificação vegetativa". Muitas vezes se verifica o que chamamos um "contato bioenergético do grupo", é
como se os campos de energia das mães e dos bebês se expandem e torna-se muito luminoso, quase pulsante.
O quarto parece transformar-se em um macio útero de energia que envolve tudo. Se sente que é um momento
de troca particularmente intenso. Os bebês não choram mas escutam atentos, maravilhados e respiram
profundamente. Seu aspecto é rosado, os olhos brilham e se vê o mesmo calor visível na mãe em seus
movimentos. Juntamente com o som de sua voz emite uma vibração de bem-estar e de amor. Quando nestes
momentos alguém entra se sente "como em outro mundo" e espera com calma, e se envolve e tornando feliz,
tudo que está a sua volta.

Período sensível

Vamos procurar observar e aprofundar, considerando o "período sensível" depois do nascimento; um


momento único no qual se desenvolve uma forte ligação de reciprocidade, "privilegiado" entre recém-
nascido e seus pais. Nesta fase tem uma influência profunda sua família. A antiga tradição indiana sabe bem
disto; as mulheres há milênios recebem massagens diariamente e por muitas semanas depois do nascimento.
Nos grupos de preparação ao parto, propõe-se normalmente que o marido faça massagem regularmente em
suas mulheres durante a gravidez, e durante o esforço pós-parto.
Esta prática deverá tornar-se uma regra geral em obstetrícia, porque as mães serão tocadas com cura e doçura
durante o parto sobretudo depois tocarão os recém-nascidos com mãos hábeis, e um recém-nascido tocado
com doçura fará o mesmo com seus filhos.

Eva Reich não somente insiste em sublinhar em seus workshops, que a mãe depois do nascimento não deve
se separar em nenhum momento do recém-nascido, mas sustenta que a separação é um "crime" contra a vida
dos bebês e alerta para as graves conseqüências de um tratamento insensível das mães e bebês, antes, durante
e depois do parto, porque a regra bioenergética é única e de modo particular, naqueles momentos. Tal ligação
se desenvolve na mãe a partir de seu saber instintivo e na criança, a energia para seu crescimento.

Este contato se reforça com a massagem. A criança é acariciada, como uma planta bem curta, tem muitas
possibilidades de se desenvolver, de crescer e de confiar em si mesmo na adversidade inevitável da vida.
Neste período pouco considerado, profundo e aprimorado processo emotivo, entre o recém-nascido e a mãe.
Uma criança docemente abraçada já no nascimento, aprende para sempre que; é desejada e quando adulto,
será terno no abraçar. Por isso é importante que o obstetra ensine a massagem-bebê no primeiro dia de vida e
que os grupos de bebês massageados iniciem o mais rápido possível após o nascimento.

A massagem da mãe

Os sentimentos fortes e contrastantes de ternura e medo, que inundam o corpo da mãe durante e após o
nascimento, podem ser assim potente para superar pouco a pouco as resistências da mãe e se opor a isto. A
compreensão, se expressa também com um toque empático da parte de quem está próximo, pode ajudar a
superar o trauma de aceitar a criança e a sensação de desordem que traz consigo o potencial biológico com o
qual o recém-nascido e a mãe auto-regulam a informação e deste modo poderá se desenvolver em toda a sua
plasticidade e produtividade.

Para a mãe, porém fazer massagem-bebê quando ainda está cansada por causa do parto, pode ser trabalhoso,
sobretudo se as primeiras tentativas são frustrantes e ela está insegura. Neste caso, a mãe mesmo recebendo a
massagem-bebê pode fazer fluir de novo a energia, junto com um senso de bem-estar. A mãe vem
tranqüilizar sobre o fato que não é possível ter sempre um bom contato com os bebês, mas o importante é
que possamos reconhecer quando um bom contato se estabelece com as crianças, e que eles possam
reconhecer quando perderam "contato" e poderem recorrer pedindo ajuda.

A cidade na qual Eva Reich tem ensinado; instituiu-se um centro de "pronto socorro emocional " onde a mãe
(como também o pai) com seus filhos, quando, o contato bioenergético entre eles é interrompido; recebem a
necessária ajuda com "o método bioenergético suave" principalmente com a massagem bioenergética do
nascimento. Deste modo, se previne ou interrompe rapidamente um "círculo vicioso" como efeito negativo
grave para o desenvolvimento das crianças. É relativamente fácil reconstruir um círculo do equilíbrio natural
bioemotivo.

Quando a mãe está sobrecarregada e o bebê chora, ela fica nervosa, o pequeno chora muito e ela cada vez
fica mais nervosa. Durante o estado de abertura da mãe no período sensível, parece que acontece qualquer
coisa de particular quando ela recebe intenso contato rítmico e relaxante da massagem bioenergética. O
prazer e o calor do contato estimulado em todas as células da mãe, a livre pulsação bioenergética
autoexpressiva. Parece que o esquema afetivo-motor, bloqueado no passado (talvez na primeira infância?,
talvez no momento do nascimento?) possam agora, na relação, com o próprio recém-nascido, ser estimulada
a desenvolver-se. Como se a natureza quisesse, neste momento particular, colocar à disposição do casal mãe-
bebê, todo seu potencial de cura; e por isto, que semelhante período se situa entre a cura e o sagrado.

A espiritualidade do contato

Durante a massagem bioenergética pós-parto, quando a energia entre a mãe e o bebê, flui e pulsa nos dois na
profundidade deles, podendo viver este "glow and flow" e o amor vibrante irradia sobre o outro; para mim,
estamos diante de um momento sagrado, no qual o social e o biológico se encontram. Duas personalidades
assim diferentes como Wilhelm Reich e Frédérick Leboyer, em épocas diferentes, observaram e viram nos
recém-nascidos satisfeitos, na sua cumplicidade com o BUDA, uma graça infinita que silenciosamente
irradia a qual esperamos por toda a vida.

"Se uma fraternidade internacional entre eles, seres humanos poderá ser fundamentada sobre uma base
estável, igual base natural para um funcionamento internacional cooperativo da sociedade; poderá ser
somente o princípio do recém-nascido; a herança bioenergética que cada recém-nascido traz consigo um
sistema energético enormemente produtivo e adaptado que dão a eles a fonte de contato com o ambiente.

A tarefa de base da educação deve ser remover cada obstáculo que se opõe a esta produtividade e
plasticidade dessa energia biológica naturalmente concedida. Geralmente se entramos em contato com
recém-nascidos de maneira que possa surgir um mundo mais habitável, eles serão capazes de transmitir e
participar. Talvez possamos finalmente iniciar, conhecer, perceber e compreender dentro de nós o grande
potencial de energia criativa e a proteger das nossas couraças os "BEBÊS DO FUTURO"

O desenvolvimento de um fluxo amoroso – emoção, afeto, sentimento e pensamento

by Dr. Sandor (1982)

O trabalho do Dr. Sandor também se harmoniza com o pensar de Rudof Steiner, expresso neste poema:

No coração tece o sentir


Na cabeça brilha o pensar
Nos membros vigora o querer
Brilhocente
Tecer vigorante
Vigor brilhante
Isto é o Homem.

Na emoção se manifestam mais intensos os impulsos do inconsciente. É o "vir à tona" de explosões mais
primárias. E/moção movimento que sai de si em direção a... Numa pessoa a emoção e o afeto são
modalidades do sentir. No afeto são mobilizadas as ondulações dos humores. A emoção com somatizações é
traduzida por afeto. São bem conhecidas as manifestações de rubor; nó na garganta; taquicardia e sudorese,
entre tantas outras. Diferentes reações viscerais podem se apresentar, traduzindo a emoção mais primária
numa história de manifestações corporais. O sentir para Jung traz a consciência englobando a emoção e o
afeto. A consistência da emoção e do afeto aumentam com a tomada de consciência. O pensar pode trazer
enaltecimento para o sentimento. Assim ocorre, uma manifestação integrada em diferentes níveis
desenvolvendo um fluxo amoroso.

Durante a aplicação dos toques

É essencial, dizia o Dr. Sandor, que se deixe um espaço em aberto não projetando expectativas sobre a outra
pessoa.

Ficaram inesquecíveis as suas palavras:

Não queiram nada.....


Apenas observem o que vai ocorrer...

Deixe surgir no momento a idéia do toque, sem planejamento prévio, convidando a pessoa a se soltar com
consciência e aceitação é um bom caminho que vai criando as condições para que o trabalho possa se
desenvolver. Também os movimentos espontâneos, que surgem durante o contato, devem ser sempre
valorizados.

O Dr. José Ângelo Gaiarsa criou certa vez uma imagem que reflete esse mesmo "espaço sem expectativas."
Faz-se clara a lembrança de como se expressou: "o encontro entre o cliente e o terapeuta deve ser como dois
aviões de esquadrilha voando em paralelo, onde o cliente, um pouco mais à frente, vai criando os
movimentos e a direção em ‘céu aberto’. O terapeuta segue acompanhando um pouco atrás e os dois formam
um só movimento no espaço".

Sempre é aconselhável o uso de técnicas mais simples no início de um contato. O Dr. Sandor sorria ao dizer
que as pessoas precisavam primeiro ser "amaciadas" para só então passarem a receber os toques mais sutis,
quando já tivessem desenvolvido a confiança e uma sensibilidade mais aprimorada. Assim, no início dos
trabalhos, eram indicados os giros com as grandes articulações, as seqüências dos trabalhos mais vigorosos,
além de outras combinações, entre as quais os pequenos estiramento dos braços. Sempre foi dada ênfase aos
toques nos pés usando o método "Calatonia" como sendo uma abordagem que poderia ser usada desde o
primeiro contato, mesmo com quem nunca tivesse tido experiência com trabalhos corporais. A sutileza de
apenas se tocar nos pés afasta o esquema de "defesas" naturalmente acionado quando a pessoa não está ainda
preparada para outros toques, além do fato de ser um trabalho de plena abrangência, que chega em nível de
profundidade que é de difícil alcance por meio de outros caminhos.

Como regra geral a presença do "bom senso" faz parte dos trabalhos, sempre levando em consideração as
condições físicas e psíquicas da pessoa no momento. As crianças não se deixam enganar por palavras, pelo
toque elas sentem se podem confiar ou não, reagem às mínimas oscilações de quem as tocam, e também são
um excelente teste para saber se o toque é bom, ou se o terapeuta é bom. O período de gravidez também
requer uma atenção especial na seleção dos toques.

Os toques podem afetar o equilíbrio e a organização postural

Muitos trabalhos alteram a organização e o equilíbrio postural, podendo acarretar manifestações


neurovegetativas, como tontura ou enjôo. Convém sempre estar atento para amparar e auxiliar a pessoa a se
deitar caso haja necessidade. A solução do corpo propicia condições para um reajuste postural mais adequado
para o momento; ao lado da mobilização de um rebaixamento das defesas da consciência, que facilita o "vir à
tona" de conteúdos reprimidos. A soltura das tensões de uma postura fixa promove condições para expansão
e crescimento. Para auxiliar a pessoa a ter condições de se soltar sem medo, convém orientá-la com
antecedência e informar que não vai se machucar e será amparada.

A importância do contato com a natureza para fortalecer o corpo e a alma

O contato com a natureza para a conquista do equilíbrio tanto do corpo quanto da alma foi sempre enfatizado
pelo Dr. Sandor. Ele falava com entusiasmo, que subir montanhas era um excelente meio para combater
depressão, pessoalmente acredito que banhos de cachoeira também ajudam a combater a depressão, como
também trabalhar na terra.

A importância da qualidade do toque

A segurança do gesto que se manifesta no "tocar" é essencial para transmitir ao paciente confiança e criar
condições para que ele se solte durante o trabalho corporal. O desenvolvimento da sensibilidade das mãos e o
aprimoramento do toque, assim como a qualidade e alcance do olhar, vão interferir diretamente no efeito dos
trabalhos. O "diálogo" por meio do toque vai aumentando de sintonia após os primeiros contatos, até que se
acaba estabelecendo um fluxo natural. A aproximação deve sempre começar com cautela, afastando qualquer
passo invasivo e criando condições de conhecer melhor as mensagens que o corpo do paciente vai
manifestando. "A sensibilidade das mãos e a ondulação da voz interferindo no contato terapêutico."

Influência da voz do terapeuta

O tom de voz, o ritmo e a cadência são importantes canais de comunicação, interferindo no momento em que
são feitas as orientações dos toques e durante todo tempo do encontro terapêutico. Antes do toque, o tom da
voz do terapeuta já pode começar a criar um clima que favoreça os trabalhos. Após o toque, a voz do
terapeuta orientando o paciente para observar as sensações cria um fluxo de continuidade no contato. O tom
e o ritmo dos sons são também "toques." É conhecido o "poder da voz" na mobilização de sensações e de
sentimentos.
A importância da observação atenta durante a aplicação dos toques

O corpo do paciente costuma apresentar alterações durante os toques, olhe, escute, sinta, respire, pense, deixe
que suas mãos falem. Pode-se perceber, muitas vezes, mínimas reações vegetativas que aparecem durante ou
após os toques e que podem ser trabalhadas também como sinalizações, auxiliando na compreensão do que
está ocorrendo. Convém estar atento para o fato de que o relaxamento traz em si o benefício de rebaixar "as
fiscalizações do nível consciente", facilitando a conscientização dos conteúdos reprimidos.

Emoções vegetativas

Imagine o organismo como um grande animal unicelular, como por exemplo, uma ameba ou um metazoário.
Mantenha essa imagem simplificada em sua mente quando pensar em você mesmo, suas emoções e reações.
Ao pensar sobre todos os diferentes processos que ocorrem dentro de você, o processo metabólico, o
vasomotor , o cardiovascular, o respiratório, etc., saiba que, embora você seja composto por processos mais
complexos, fundamentalmente eles não são diferentes da ordem básica da vida vegetativa. Como cada célula
que pulsa em nosso corpo, somos seres pulsantes. E essa pulsação é o movimento alternado de contração e
expansão que se pode encontrar em todos os lugares em que existe um sopro de vida. É dessa forma que a
água se move nos oceanos e nos rios; em um fluxo contínuo que forma ondas e curvas, continuamente
porque não o vemos se interromper – apesar, há uma constante mudança de maré, para dentro e para fora,
uma precipitação de fluidos como a corrente de nosso sangue, um impulso interno que mantém seu ritmo
constante, como as batidas de nosso coração.

Se você está consciente da vida vegetativa dentro de você, pode sentir esses movimentos sutis, como ondas
suaves ou fortes. Há as correntes de plasma que conduzem suas sensações até sua mente. Através dessas
ondas, você pode encontrar seu ritmo, e o ritmo que você ousa sentir é sua identidade. E se você não
consegue reconhecer esses movimentos através de sua mente consciente, é porque eles não são únicos para
você, mas universais – eles são nossas emoções vegetativas.

O sistema nervoso vegetativo

Animais unicelulares que ainda não desenvolveram um sistema nervoso ainda possuem um sistema de
coordenação que conduz impulsos do núcleo até a periferia, a membrana, e de volta para o centro. Essa
transmissão não é neural, mas tem uma origem bioelétrica, já que os impulsos são conduzidos através das
formações de onda das correntes de plasma. Mesmo nos estágios mais primitivos de desenvolvimento, o
corpo do animal possui um aparato central para a produção de bioeletricidade. No metazoário, esse aparato
consiste dos assim chamados gânglios vegetativos, conglomerados de células nervosas que são dispostas em
intervalos regulares e são conectadas por finos ligamentos a todos os órgãos e suas partes. Eles regulam as
funções involuntárias da vida e são os órgãos dos sentimentos e sensações vegetativas. Eles formam uma
unidade conjuntiva, um assim chamado "syncitium" e se dividem ao mesmo tempo em dois grupos com uma
função oposta: simpático e parassimpático (citação extraída de Wilhelm Reich: "A Função do Orgasmo").

O grupo simpático tem por função lidar com as reações de sobrevivência provocadas pelo ambiente externo,
como por exemplo, no caso de ataque ou fuga ou em qualquer situação de emergência.

O grupo parassimpático tem por função manter constantes os processos internos de sobrevivência , o
batimento cardíaco e o metabolismo basal. O processo global de sobrevivência é produzido por uma
interação constante entre esses dois grupos, que trabalham reciprocamente; um por vez. Isso acontece não
apenas porque eles têm diferentes funções, mas porque a atividade parassimpática tem uma relação
específica com os subprodutos do simpático. Ela tem também por função dissolver internamente as
impulsões e impressões causadas pelas reações aos estímulos externos. Assim, dentro do processo
parassimpático pode ocorrer uma extensão do processo metabólico, depois do evento, a fim de descarregar o
excesso simpático.

O centro da regulação vegetativa


No animal unicelular esse processo é espontaneamente realizado pelos movimentos pulsatórios da célula,
que libera uma energia excessiva através de expansões e contrações alternadas. Na expansão, a célula
assimila fluido e nutrição da água - na contração, a célula descarrega fluido e resíduos. Essa atividade rítmica
e pulsatória, que é o estado geral de relaxamento e função parassimpática, permite à célula eliminar
constantemente elementos perturbadores, ao mesmo tempo que gera energia para vitalizar funcionalmente o
organismo. A regulação vegetativa é produzida pelas lentas ondas de correntes plasmáticas que estão curando
o organismo de dois modos:

1 - Na descarga que se segue à fase de recuperação posterior ao evento estressante quando os subprodutos do
stress são eliminados;

2 - Na fase de reabilitação, que se segue consequentemente para vitalizar e recarregar a célula.

No organismo multicelular, são os órgãos digestivos (intestinos) que estão a cargo desses procedimentos pós-
afetivo. De modo similar ao mecanismo de regulação pulsatório do animal unicelular, os intestinos geram
correntes de plasma através de seus movimentos de contração, a peristalse. Sob condições favoráveis, a
atividade peristáltica é capaz de reabsorver quaisquer restos ou resíduos do sistema e estimular os órgãos
secretores e excretores a promover a descarga final. Esse processo de limpeza é um fenômeno biológico, que
é necessário para o organismo, para que ele possa regular e estabilizar o equilíbrio vegetativo no dia-a-dia.
Entretanto, essa regulação só pode ocorrer quando não há nenhuma tensão interna impedindo as correntes de
plasma nas paredes intestinais.

Se esse procedimento pós-afetivo vier acompanhado de ansiedade e contração, só vai se dar uma recuperação
artificial e não haverá reabilitação. Então, a função parassimpática do centro de regulação afetiva não pode
ocorrer, os subprodutos de stress permanecem e o ritmo biológico é interrompido. Todas as vezes que uma
condição pós-afetiva não consegue promover descarga, reabilitação e recarga suficientes, o organismo perde
parte de sua flexibilidade. Daí, as correntes de plasma diminuem de ritmo e nós perdemos nossas emoções.

Tocar é uma resposta natural de amor e excitação

É impossível pensar em amar alguém sem querer estar perto e de tempo em tempo tocá-lo. Nós como
terapeutas, diz Robert Hilton (Ph.D.) – analista bioenergético, freqüentemente ouvimos a queixa: "Ele diz
que me ama, mas nunca me toca". Isto não combina. Na verdade há um acréscimo de energia quando você
ama alguém, há um acréscimo de energia no corpo que te move em direção à expressão. Segundo Dr.
Stephen Sinatra, cardiologista e analista bioenergético, diz que os braços do embrião se desenvolve a partir
de finos brotos ligados ao coração. Quando você ama alguém você quer abraçar. Isso é verdadeiro na paixão
mas também quando você ama alguém que está magoado; nossa inclinação natural é tocar, beijar o que está
ferido para fazê-lo sarar. Nós queremos segurar aqueles que amamos, que estão feridos. Tocar também é
natural quando estamos compartilhando uma excitação mútua. Para Bob Hilton, amor e excitação nos
movem naturalmente para expressar o acréscimo de energia através do contato físico.

Bibliografia

1. A Espiritualidade do Contato - Silja Wendelstadt da Revista Internacional ANIMA E CORPO de


psicologia somática - (Outono, 1997, Milão, Itália)
2. Curso de Especialização em Psicoprofilaxia Obstétrica - Sedes Sapientiae /1980.
3. The Active Birth Partners - Janet Balaska.
4. Toques Sutis - Uma experiência de vida com o trabalho de PETHÖ SÁNDO – Summus.
5. Material do Instituto de Bio-Dinâmica (Gerda Boyesen)
6. O Toque em Psicoterapia - Robert Hilton - Ph.D. CBT