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Ficha de trabalho 1

Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o texto seguinte e responde às questões.

Conjugação do verbo
Há quem julgamos que somos, quem nos permitimos ser e quem somos realmente. Talvez seja
funcional pensar nestas condições como camadas, cebola ou gráfico. Quem somos depende de quem
nos permitimos ser, que depende de quem julgamos que somos. Quem somos fica lá no fundo, por
baixo das outras camadas, protegido e/ou escondido por elas.
5 A superfície de quem julgamos que somos é uma avaliação feita de muitas outras avaliações: quem
somos capazes de ser, quem temos de ser, quem gostávamos de ser. Cada um desses juízos é subjetivo,
os seus contornos carecem de exatidão: oscilam entre x e y, segundo brisas invisíveis que resistem a
medições rigorosas. Essas medidas existem, procuramo-las, é por elas que nos regemos, mas possuem
muito mais incerteza do que queremos acreditar. Seguramos um volume na palma da mão e, assim,
10 tentamos determinar o seu peso. A confiança que tivermos nessa escala pessoal será proporcional à
confiança que tivermos nos nossos sentidos, em nós próprios.
É mais fácil concordar que essa subjetividade se encontra em quem gostávamos de ser do que em
quem temos de ser ou em quem somos capazes de ser. No entanto, quem temos de ser depende
claramente de quem acreditamos que os outros acham que temos de ser, o que é uma avaliação
15 desprovida de qualquer rigor objetivo. Por sua vez, quem somos capazes de ser resulta da tal confiança
que tivermos nos nossos sentidos. Quem somos capazes de ser é, essencialmente, quem acreditamos
que somos capazes de ser, o que não é algo que possa ser medido em valores arredondados às décimas.
Quem temos de ser e quem somos capazes de ser deriva de quem nos permitimos ser.
Mas, afinal, quem somos? Essa é a pergunta. Vale a pena fazê-la a todos os reflexos do espelho e a
20 todos os instantes do dia. Não porque cheguemos a uma conclusão e aí fiquemos, emigrantes de uma
certeza irredutível; essa resposta é um caminho. E ao longo dos caminhos, enquanto procuramos,
somos, vamos sendo. É isso que conta. No fundo, o importante é sermos, sermos sempre, tudo o resto
é uma perda de tempo.
José Luís Peixoto, «Conjugação do Verbo», in Notícias Magazine, 15/01/2017.

Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. A modalidade presente na frase «Talvez seja funcional pensar nestas condições como camadas,
cebola ou gráfico» (ll. 1-2) é

(A) modalidade epistémica, valor de certeza.

(B) modalidade epistémica, valor de probabilidade.

(C) modalidade deôntica, valor de permissão.

(D) modalidade deôntica, valor de proibição.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 263


2. O valor aspetual presente na frase «Quem somos depende de quem nos permitimos ser, que
depende de quem julgamos que somos» (ll. 2-3) é
(A) valor perfetivo.

(B) situação habitual.

(C) situação genérica.

(D) situação iterativa.

3. Os elementos destacados em «Essas medidas existem, procuramo-las, é por elas que nos
regemos» (l. 8) contribuem para a coesão

(A) frásica.

(B) interfrásica.

(C) temporal.

(D) referencial.

4. No segmento «A confiança que tivermos nessa escala pessoal será proporcional à confiança que
tivermos nos nossos sentidos, em nós próprios» (ll. 10-11), os elementos destacados
desempenham a função sintática de
(A) complemento direto.

(B) modificador restritivo do nome.

(C) modificador apositivo do nome.

(D) predicativo do sujeito.

5. As expressões «No entanto» (l. 13) e «Por sua vez» (l. 15) contribuem para a coesão
(A) lexical.

(B) referencial.

(C) frásica.

(D) interfrásica.

6. A oração destacada em «quem acreditamos que os outros acham que temos de ser» (l. 14) é uma

(A) oração subordinada adjetiva relativa restritiva.

(B) oração subordinada adjetiva relativa explicativa.

(C) oração subordinada substantiva completiva.

(D) oração subordinada substantiva relativa (sem antecedente).

264 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


Ficha de trabalho 2
Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o seguinte texto.

Como o Instagram está a mudar a forma de viajar


Todos os dias são publicadas 80 milhões de fotografias no Instagram. Esta continua a ser a rede
social do momento, na moda mesmo depois de seis anos de existência, com mais de 500 milhões de
utilizadores que influenciam e se deixam influenciar uns aos outros através de imagens e vídeos.
E o que se publica no Instagram tem, sem sombra de dúvida, impacto nas escolhas das pessoas. É
5 por esta razão que as grandes marcas pagam a milhares de «Instagramers» famosos e com muitos
seguidores para fazer publicidade a roupa, cremes, restaurantes, hotéis, destinos e até automóveis. Nos
EUA, 48,8% das marcas estão presentes de uma forma ou de outra nesta rede social.
Sendo tão visual e baseando-se em fotografias, e sendo as fotografias e as imagens um dos pilares
das viagens que todos fazemos, ou queremos fazer, será que o Instagram também mudou a forma
10 como viajamos?
Por um lado, o Instagram permite sonhar com lugares, culturas, outras formas de estar e de viver.
Em páginas de viajantes – ou de lazer e destinos – das que têm milhões de seguidores vai-se buscar o
sonho e também a inspiração para viajar.
Estas fotografias de lugares perfeitos, quando colocadas online por viajantes quase profissionais ou
15 que se apresentam como tal, fazem com que quem queira partir numa nova aventura tome decisões.
Muito mais do que panfletos, agências de viagens e anúncios na Internet.
Ou seja, as pessoas parecem estar muito mais ligadas – muitas delas estão viciadas – ao Instagram
do que ao próprio Facebook. Chris Burkard, um fotógrafo de viagens que tem mais de dois milhões de
seguidores, afirma que já conheceu pessoas que viajaram para certos lugares por causa das suas
20 fotografias, o que não acontecia há 10 anos.
Um exemplo: uma pequena cidade da Nova Zelândia, Wanaka, começou, em 2015, a convidar
«influenciadores» do Instagram a fazer-lhe uma visita e a postar imagens e vídeos sobre as suas
aventuras naquele local. O resultado foi muito positivo: o crescimento do turismo foi o mais rápido do
país, com um aumento de 14%. O investimento feito acabou por ter um grande retorno.
25 Isto também tem um lado negativo: muitos dos locais divulgados através desta rede social
começam a atrair demasiadas pessoas, que tiram demasiadas fotografias, e tudo isso contribuiu para a
degradação ambiental e para a perda da essência.
Mafalda Magrini, «Como o Instagram está a mudar a forma de viajar», in Volta ao Mundo, março de 2017.

Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. A função sintática desempenhada pelos elementos destacados na frase «E o que se publica no


Instagram tem, sem sombra de dúvida, impacto nas escolhas das pessoas» (l. 4) é a de

(A) modificador.

(B) modificador apositivo do nome.

(C) modificador restritivo do nome.

(D) complemento direto.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 265


2. A função sintática desempenhada pelos elementos destacados na frase «Chris Burkard, um
fotógrafo de viagens que tem mais de dois milhões de seguidores, afirma que já conheceu
pessoas que viajaram para certos lugares por causa das suas fotografias» (ll. 18-20) é a de

(A) modificador.

(B) modificador apositivo do nome.


(C) modificador restritivo do nome.
(D) complemento direto.

3. A função sintática desempenhada pelos elementos destacados na frase «Chris Burkard, um


fotógrafo de viagens que tem mais de dois milhões de seguidores» (ll. 18-19) é a de

(A) modificador.
(B) complemento do nome.
(C) complemento direto.
(D) complemento indireto.

4. O antecedente do pronome relativo destacado na frase «Chris Burkard, um fotógrafo de viagens


que tem mais de dois milhões de seguidores, afirma que já conheceu pessoas que viajaram para
certos lugares por causa das suas fotografias, o que não acontecia há 10 anos» (ll. 18-20) é

(A) Chris Brukard, um fotógrafo de viagens.


(B) dois milhões de seguidores.
(C) pessoas que viajaram para certos lugares por causa das suas fotografias.
(D) certos lugares.

5. Os elementos destacados na frase «Um exemplo: uma pequena cidade da Nova Zelândia, Wanaka,
começou, em 2015, a convidar «influenciadores» do Instagram a fazer-lhe uma visita e a postar
imagens e vídeos sobre as suas aventuras naquele local» (ll. 21-23) contribuem para a coesão
(A) frásica.
(B) interfrásica.
(C) referencial.
(D) temporal.

6. As palavras «instagramers» (l. 5) e «online» (l. 14) são


(A) um neologismo e um arcaísmo, respetivamente.
(B) um arcaísmo e um neologismo, respetivamente.
(C) dois arcaísmos.
(D) dois neologismos.
266 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano
Ficha de trabalho 3
Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o seguinte texto.

O que distingue um amigo verdadeiro


Não se pode ter muitos amigos. Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de quem
apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos. Ou melhor: nunca se pode ser bom amigo de muitas
pessoas. Ou melhor: amigo. A preocupação da alma e a ocupação do espaço, o tempo que se pode
passar e a atenção que se pode dar – todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas. Não
5 chegam para mais de um, dois, três, quatro, cinco amigos. É preciso saber partilhar o que temos com
eles e não se pode dividir uma coisa já de si pequena (nós) por muitas pessoas.
Os amigos, como acontece com os amantes, também têm de ser escolhidos. Pode custar-nos não ter
tempo nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta, mas esse é um dos custos da amizade.
O que é bom sai caro. A tendência automática é para ter um máximo de amigos ou mesmo ser amigo
10 de toda a gente. Trata-se de uma espécie de promiscuidade, para não dizer a pior. Não se pode ser
amigo de todas as pessoas de que se gosta. Às vezes, para se ser amigo de alguém, chega a ser preciso
ser-se inimigo de quem se gosta.
Em Portugal, a amizade leva-se a sério e pratica-se bem. É uma coisa à qual se dedica tempo,
nervosismo, exaltação. A amizade é vista, e é verdade, como o único sentimento indispensável. No entanto,
15 existe uma mentalidade Speedy González, toda «Hey gringo, my friend», que vê em cada ser humano um
«amigo». Todos conhecemos o género – é o «gajo porreiro», que se «dá bem com toda a gente». E o
«amigalhaço». E tem, naturalmente, dezenas de amigos e de amigas, centenas de amiguinhos, camaradas,
compinchas, cúmplices, correligionários, colegas e outras coisas começadas por c.
Os amigalhaços são mais detestáveis que os piores inimigos. Os nossos inimigos, ao menos, não
20 nos traem. Odeiam-nos lealmente. Mas um amigalhaço, que é amigo de muitos pares de inimigos e
passa o tempo a tentar conciliar posições e personalidades irreconciliáveis, é sempre um traidor. Para
mais, pífio e arrependido. Para se ser um bom amigo, têm de herdar-se, de coração inteiro, os amigos e
os inimigos da outra pessoa. É fácil estar sempre do lado de quem se julga ter razão. O que distingue
um amigo verdadeiro é ser capaz de estar ao nosso lado quando nós não temos razão. O amigalhaço,
25 em contrapartida, é o modelo mais mole e vira-casacas da moderação. Diz: «Eu sou muito amigo dele,
mas tenho de reconhecer que ele é um sacana». Como se pode ser amigo de um sacana? Os amigos
são, por definição, as melhores pessoas do mundo, as mais interessantes e as mais geniais. Os amigos
não podem ser maus. A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade. E claro que é difícil
ser inteiramente leal, mas tem de se ser.
Miguel Esteves Cardoso, «O que distingue os meus amigos verdadeiros», in Os Meus Problemas, Porto, Porto Editora, 2016.

Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. A modalidade expressa na frase «Não se pode ter muitos amigos» (l. 1) é


(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.


(C) deôntica, com valor de obrigação.
(D) deôntica, com valor de permissão.
Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 267
2. A modalidade expressa no segmento «todas estas coisas são finitas e têm de ser partilhadas» (l. 4) é
(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.

(C) deôntica, com valor de obrigação.

(D) deôntica, com valor de permissão.

3. Os elementos destacados na frase «Mesmo que se queira, mesmo que se conheçam pessoas de
quem apetece ser amiga, não se pode ter muitos amigos» (l. 1) contribuem para a coesão

(A) frásica.

(B) interfrásica.

(C) referencial.

(D) temporal.

4. Os elementos destacados na frase «Os amigos não podem ser maus» (ll. 27-28) contribuem para
a coesão
(A) frásica.

(B) interfrásica.

(C) referencial.

(D) temporal.

5. A função sintática desempenhada pelo pronome pessoal em «Pode custar-nos não ter tempo
nem vida para se ser amigo de alguém de quem se gosta» (ll. 7-8) é a de

(A) complemento oblíquo.

(B) complemento indireto.

(C) complemento direto.

(D) sujeito.

6. A frase «A lealdade é a qualidade mais importante de uma amizade» (l. 28) expressa o seguinte
valor aspetual

(A) valor perfetivo.

(B) situação iterativa.

(C) situação genérica.

(D) situação habitual.

268 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


Ficha de trabalho 4
Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o seguinte texto.

Escuta e exatidão
Sobre o livro À Sombra da Memória de Eugénio de Andrade.
Eugénio de Andrade admira a capacidade de furtar «as palavras à usura do tempo» e admira os
poetas, como ele diz, que comunicam uma energia às palavras, energia «capaz de as fazer resistir ao
confronto com o mundo; tal como faz o oleiro com o barro, ou o ferreiro com o ferro». É dessa
5 «consciência artesanal» de que se orgulha, para além da vocação e paciência para escutar. A contenção
na fala como efeito da generosidade na escuta, eis uma possível formulação, uma espécie de equação
que define a base de À Sombra da Memória, livro de prosa acerca do qual escrevi este texto.
A escrita de Eugénio de Andrade lembra muito esse mítico andar de pedra em pedra atravessando
um riacho. O pé não pode falhar porque não há pedra em todo o chão – noventa por cento do chão é
10 água. Estamos pois perante a necessidade de ser certeiro, como quem atira a um alvo. De pedra em
pedra o corpo, ele mesmo por inteiro, tenta, ora com um pé ora com o outro, acertar no único ponto
próximo do mundo, vasto mundo, de onde não se cai, o único ponto que é chão firme (chão firme:
aquilo que possibilita o passo seguinte). E assim se avança com a precisão que evita a queda e a
energia que nos conduz, sem lentidão nem pressa, às clareiras sensatas que no mundo ainda há.
15 Passo a passo se vai fazendo a escrita com a exatidão que é nesta atividade palavra referência que
substitui palavras religiosas ou outras bem mais profanas indicações de escrita. «Era um poeta, odiava
tudo o que não fosse exatidão», diz Rilke citado por Eugénio de Andrade.
Mas não se confunda exatidão na escolha do vocábulo com temperaturas emocionais baixas, como
tanto se faz; parecendo por vezes que a emoção é coisa de muito movimento e muito grito por segundo
20 e quanto mais por segundo se grita, chora ou ri mais emoção se tem. Mas não. Talvez a mais
importante das emoções seja afinal coisa feita para durar; sentir durante muito tempo, eis o que é
difícil. Sentir muito em pouco tempo: o fácil. Quem não o consegue?
Neste livro, Eugénio de Andrade faz referência aos dois mandamentos opostos que Braque teria
formulado: «Amo a regra que corrige a emoção», primeiro; e depois: «Amo a emoção que corrige a
25 regra». Talvez perante estes dois mandamentos não se exija uma decisão que envolva a exclusão de
uma ideia em detrimento de outra e nem sempre a idade levará o homem para a mesma casa final. O
que importa realmente é esta sensação de mistura; mistura exata, como a feita num laboratório:
combinação entre emoção e regra, ofício de paciência (título de um dos textos) e sensatez.
Falando de quadros, amigos ou cidades o discurso é sempre claro. Cada passo dado é fruto de
30 uma decisão antiga que, por vezes, parece mesmo vinda de outros tempos, como se fosse possível uma
frase habitar uma cabeça vários anos antes de a mão a tornar visível no mundo. Precisamente, como se
a emoção viesse de muito longe (e vem, sente-se, vem da infância).
Eis o que talvez mais importe em tudo isto, de entre a confusão do tráfego do mundo. O que
temos, em cada um destes textos de Eugénio de Andrade, não é uma emoção que chegou ontem,
35 apressada, do comboio. A emoção expressa-se com a calma de quem há muito veio e não pensa partir
tão cedo. Eis a emoção distribuída pelo tempo. A que empresta ao discurso, não a paixão apressada e
fácil, mas a serenidade afetiva que admiramos.

Gonçalo M. Tavares, «Escuta e Exatidão», in Notícias Magazine, 2013.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 269


Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. O elemento destacado na expressão «consciência artesanal» (l. 5) desempenha a função sintática


de

(A) modificador restritivo do nome. (C) complemento do nome.

(B) modificador apositivo do nome. (D) complemento direto.

2. A modalidade expressa no segmento «A escrita de Eugénio de Andrade lembra muito esse mítico
andar de pedra em pedra atravessando um riacho» (ll. 8-9) é

(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.

(C) deôntica, com valor de obrigação.

(D) deôntica, com valor de permissão.

3. A modalidade expressa no segmento «Talvez a mais importante das emoções seja afinal coisa
feita para durar» (ll. 20-21) é

(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.

(C) deôntica, com valor de obrigação.

(D) deôntica, com valor de permissão.

4. Os elementos destacados na frase «ora com um pé ora com o outro» (l. 11) contribuem para a
coesão

(A) frásica. (C) referencial.

(B) interfrásica. (D) temporal.

5. A oração destacada em «o único ponto que é chão firme» (l. 12) é subordinada
(A) substantiva completiva. (C) adjetiva relativa restritiva.

(B) substantiva relativa. (D) adverbial consecutiva.

6. O último parágrafo do texto é predominantemente


(A) narrativo. (C) descritivo.

(B) expositivo. (D) argumentativo.

270 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano


Ficha de trabalho 5
Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o seguinte texto.

Fernando Pessoa
Durante muito tempo, Fernando Pessoa não foi admirado, nem sequer conhecido, senão por um
restrito escol. As revistas em que publicava prosas e versos, assinando-os ora com o seu nome ora com
os pseudónimos de Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, outros ainda – eram revistas que
não chegavam ao grande público; ou o grande público tinha por suspeitas. Para esta relativa
5 obscuridade, contribuía ainda a requintadamente orgulhosa elegância – tão requintadamente orgulhosa,
e tão rara, numa época de medíocres exibicionistas – que sempre manteve Fernando Pessoa de jamais
se atirar a violentar a fama. Foi tal elegância ao ponto de nunca ser ele apressado a coligir, ordenar e
publicar a sua obra riquíssima espalhada pelas mais diversas publicações. Assim aconteceu que veio a
morte havendo o poeta publicado um único livro português de versos, Mensagem, que é um livro
10 magistral mas não bastante a revelar a sua complexa personalidade. Este mesmo, parece ter sido a
necessidade, ou vontade, de ganhar um prémio monetário que em grande parte instigou o autor a
publicá-lo. Todavia, no concurso a que o grande poeta Fernando Pessoa concorria com um livro
admirável pela densidade de pensamento, a originalidade e riqueza dos conceitos, a concentração da
emoção, o domínio magistral da expressão retensa, a espantosa novidade emprestada a temas que se
15 diriam gastos, – deram o primeiro prémio a qualquer poetastro que apresentara qualquer coisa fácil.
Ao grande poeta, e por o consolarem de ser demasiado grande, deram um prémio de consolação: tão
raro é que a verdadeira grandeza seja reconhecida sem a despeitada oposição dos medíocres – embora
sempre acabe por ser reconhecida. Publicada em 1934, a Mensagem exprimia um sebastianismo
nacionalista que pôde – em parte – servir ou agradar a alguns possivelmente indiferentes ao valor
20 artístico do poema.

[…]

Fernando Pessoa, porém, não é só o sebastianista (aliás muito particular) da Mensagem. Por outro
lado, outros que ainda o não conheciam, sendo capazes de sinceramente o admirar, vieram a conhecê-
-lo e a admirá-lo. Os admiradores que primeiro o tinham amado não havia cessado, entretanto, de citar
o seu nome como o dum grande. Neste movimento de interesse e crítica a favor duma obra dispersa e
25 mal conhecida, não é senão justo salientar a ação da revista presença. Esta mesma revista se propunha
ordenar e publicar essa obra, quando acabou. Como é usual, atrás deste ainda relativo bom êxito se
vem já precipitando a companhia dos tais sempre à coca das reputações literárias crescentes. Já estes
se aprestam, nos jornais ou revistas, a lançar ao ar os seus foguetes estralejantes e ocos. Hoje,
Fernando Pessoa entrou nas seletas escolares.
José Régio, Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa (dir. Eduardo Salgueiro),
a
2. ed., Lisboa, Editorial Inquérito Limitada, pp. 96-98.

Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 271


Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. A modalidade expressa na frase «Durante muito tempo, Fernando Pessoa não foi admirado, nem
sequer conhecido, senão por um restrito escol» (ll. 1-2) é

(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.


(C) deôntica, com valor de obrigação.
(D) deôntica, com valor de permissão.

2. Os elementos destacados em «As revistas em que publicava prosas e versos, assinando-os ora
com o seu nome ora com os pseudónimos» (ll. 2-3) constituem uma oração subordinada

(A) adjetiva relativa explicativa.


(B) adjetiva relativa restritiva.

(C) substantiva completiva.


(D) substantiva relativa (sem antecedente).

3. O elemento destacado em «apresentara qualquer coisa fácil» (l. 15) desempenha a função
sintática de

(A) modificador.
(B) complemento oblíquo.
(C) predicativo do complemento direto.
(D) complemento direto.

4. Os elementos destacados em «Ao grande poeta, e por o consolarem de ser demasiado grande
dele» (ll. 15-16) contribui para a coesão

(A) frásica. (C) referencial.

(B) interfrásica. (D) temporal.

5. O antecedente do pronome destacado na frase «Os admiradores que primeiro o tinham amado
não havia cessado, entretanto, de citar o seu nome como o dum grande» (ll. 23-24) é
(A) Fernando Pessoa. (C) o sebastianista.

(B) o seu nome. (D) os admiradores.

6. O valor aspetual presente na frase «Hoje, Fernando Pessoa entrou nas seletas escolares» (ll. 28-29) é

(A) perfetivo. (C) situação genérica.

(B) imperfetivo. (D) situação iterativa.


272 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano
Ficha de trabalho 6
Gramática

Nome ____________________________________________ Ano ___________Turma __________ N.o _________

Lê o seguinte texto.

Todos temos algo de poetas…


A poesia, também chamada texto lírico, é uma das sete artes tradicionais, e através da qual a
linguagem humana é utilizada com fins estéticos ou críticos, sendo um expoente de criatividade e de
expressão de sentimentos.
Haverá pessoas que (já ouvi dizer, em primeira mão), «detestam poesia». Não vou emitir juízos de
5 valor sobre essas opiniões mas discordo totalmente e confesso a minha perplexidade e espanto... mas
há gente para tudo, se calhar felizmente… Sou suspeito, bem sei. Leio avidamente poesia, coleciono
compulsivamente livros de poesia, escrevo e publico poesia.
Para mim, poesia é arte, e um poema é uma obra. Melhor ou pior, mais tosca ou sublime, mais críptica
ou mais coloquial. E sendo arte, é algo que tem de ser venerado, como a parte boa e magistral do ser
10 humano e da condição humana. No que reporta à poesia, não é fácil, de facto, conseguir, de um modo
melódico, rítmico, musical, em poucas palavras, com preocupações métricas e até rítmicas, expressar
sentimentos, estados de alma, preocupações, alegrias, chamar a atenção para problemas graves, suscitar
reações e suscitar, também, sentimentos, sendo parco nas palavras mas rico no que se transmite.

Não tenho ambições nem desejos.


15 Ser poeta não é uma ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.
Fernando Pessoa

Escrever poesia é também uma maneira de estarmos connosco próprios e de, perante o belo e o que de
magnífico (e horrendo) nos mostra a Vida, podermos aquietarmo-nos, ficarmos ensimesmados (ou, se a
20 palavra existisse, «emnósmesmados»), e exercermos a reflexão e «curtirmos» a solidão de que precisamos
tantas vezes e que esta sociedade – cruel, hiperativa e de comunicação constante –, não nos deixa viver. Às
vezes é tão bom vivermos «um romance connosco próprios», meditando sobre a existência!
Os poetas foram muitas vezes (e ainda são, por algumas pessoas) considerados «mais patetas do
que poetas», porque ser poeta equivale a ser sonhador, a ter uma visão quase pueril do mundo –
25 mesmo que essa visão e esse mundo sejam dolorosos e negativos – e a ser, a um tempo onírico, num
outro lutador, num momento utópico, no outro revolucionário e contestatário, saber falar do amor com
a mesma facilidade com que se fala da morte, da vida, do mar, do sonho, das inquietações metafísicas
e das angústias existenciais, de Deus, do Cosmos ou da revolta que nos causa a finitude da vida. Mas
também do quotidiano – seja o nosso cão, sejam os momentos que vivemos num parque, num jardim,
30 a ver as cerejeiras ou os pessegueiros a florir num qualquer mês de março e adivinhar neles a
primavera, a mudança da hora e o grito de renascimento que nos faz «crescer três metros» e acreditar
na Humanidade, na Vida, nos outros e em nós. […]
O amor, sim, sempre o amor. Aliás, como poderia dizer, o que resta depois dele? O que existia
antes dele? O que há, para lá dele? O ódio, sim, e a raiva, a guerra, a doença, a morte. Mas até nesses
35 expoentes máximos do Mal, o amor surge como redenção, e felizmente a poesia canta-o, como canta a
liberdade. Basta reler Sophia, Eugénio de Andrade, Nuno Júdice, Camões, Pessoa (sim, o grande
Pessoa) e tantos outros mais, e comovermo-nos, sim, comovermo-nos, emocionarmo-nos, vermos
surgir dentro de nós o vulcão que – realidade ou ficção, pouco importa – nos parece dar a
transcendência que passamos a vida a almejar. […]
Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 273
40 A poesia, que tantas variações tem sofrido ao longo dos tempos, é uma sublime forma de arte,
permitindo ao que – ao encontro do que escreveu o filósofo Wittgenstein sobre as palavras e a
comunicação serem a existência –, a linguagem possa dizer tudo e explorar todos os caminhos da
condição humana.
Mário Cordeiro, «Todos temos algo de poetas», in Jornal i, março de 2017 (texto com supressões).

Para responderes a cada um dos itens de 1 a 6, seleciona a opção correta.

1. A modalidade expressa na primeira frase do texto é


(A) epistémica, com valor de certeza. (C) epistémica, com valor de probabilidade.

(B) deôntica, com valor de obrigação. (D) deôntica, com valor de permissão.

2. Os elementos destacados no verso «Ser poeta não é uma ambição minha» (l. 15) desempenha a
função sintática de

(A) modificador. (C) predicativo do sujeito.

(B) complemento oblíquo. (D) complemento direto.

3. A modalidade expressa na frase «Para mim, poesia é arte, e um poema é uma obra» (l. 9) é
(A) epistémica, com valor de certeza.

(B) epistémica, com valor de probabilidade.

(C) deôntica, com valor de obrigação.

(D) deôntica, com valor de permissão.

4. No contexto em que ocorre, a palavra «dele» (l. 34) contribui para a coesão

(A) frásica. (C) referencial.

(B) interfrásica. (D) temporal.

5. O segmento destacado na frase «Os poetas foram muitas vezes (e ainda são, por algumas
pessoas) considerados “mais patetas do que poetas”, porque ser poeta equivale a ser sonhador»
(ll. 23-24) apresenta uma oração subordinada adverbial
(A) final. (C) concessiva.

(B) causal. (D) consecutiva.

6. O uso de parênteses no penúltimo parágrafo justifica-se pela introdução de

(A) uma explicação. (C) uma concusão.

(B) um comentário. (D) uma transcrição.

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